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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO

RIO DE JANEIRO
CENTRO DE EDUCAÇÃO E
HUMANIDADES
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
FUNDAÇÃO CECIERJ /Consórcio CEDERJ / UAB
Curso de Licenciatura em Pedagogia – Modalidade EAD
Avaliação Presencial (AP1) – 2020.1
Data: 20/04/2020 até 26/04/2020 (prazo final de postagem)

Disciplina: Educação e Trabalho


Coordenador: Prof. Dr. Carlos Soares Barbosa
Aluno(a): Jacqueline Dias da Silva dos Santos

Matrícula:19112080046 Polo: Três Rios

Questão 1: (1 ponto)
Saviani (2007) retrata em seu texto a relação ontológica/histórica entre trabalho e educação,
demonstrando que em um dado momento histórico a unidade existente entre trabalho e educação foi
rompida. Segundo o autor, em que momento histórico essa cisão entre trabalho e educação foi
rompida?

R: De acordo com Saviani, o momento histórico em que ocorre um rompimento entre trabalho e
Educação é contemporâneo ao surgimento da apropriação privada da terra que separa também a
unidade existente entre as comunidades primitivas. Desta forma, surgiram as divisões de classe que
se configuram essencialmente em proprietários e não-proprietários e que, entrelaçados ao avanço da
produção, culminaram na Revolução Industrial e no modo de produção capitalista tal como se
apresenta atualmente.

Questão 2: (2 pontos)
Após a reestruturação produtiva, o mundo do trabalho sofre profundas mudanças, como podem ser
percebidas nos textos de Ribeiro (2015) e Antunes (2002), estudados nas aulas 4 e 5. Cite algumas
mudanças ocorridas no mundo do trabalho em decorrência da reestruturação produtiva.

R: Dentre as mudanças ocorridas no mundo do trabalho em função da reestruturação produtiva, a


terceirização da mão de obra trouxe consigo uma nova configuração de mercado, formada por
novos mercados consumidores e por novos produtores. Desse modo, a lógica de mercado, sempre se
pautando pelo aumento da produtividade, passa a priorizar trabalhadores em “idade produtiva”
excluindo os mais velhos e também os mais jovens. Outro fato é o comportamento consumista,
importante na relação produtiva, mas que causa um aumento da exploração dos recursos naturais
para suprir a demanda mercadológica e reproduzi-la sem se preocupar com as consequências
negativas advindas desse processo.

Questão 3: (1 ponto)
Indique um aspecto da atual realidade educacional brasileira que demonstre a separação entre
trabalho e educação apontada por Saviani (2007) e criticada pelos teóricos da matriz histórico-
crítica.

R: Os cursos profissionalizantes constituem um aspecto atual da realidade educacional brasileira, a


qual se percebe uma nítida separação entre trabalho e educação. Como apontado por Saviani (2007),
a profissionalização é entendida como um adestramento em uma determinada habilidade, que não
fornece o conhecimento dos fundamentos dessa habilidade, tampouco se articula com o processo
produtivo. Ou seja, os cursos profissionalizantes representam uma demanda da lógica neoliberal,
com currículo específico para atender as necessidades de mercado. Essa posição, contudo, possui
duras críticas dos teóricos de abordagem histórico-crítica pelo fato de reproduzir o sistema de
classes através da exploração da classe trabalhadora.

Questão 4: (2 pontos)
Com as mudanças provocadas pela restruturação produtiva, novas relações de trabalho (cada vez
mais “flexibilizadas”) foram estabelecidas e têm sido denominadas mundialmente de trabalho
precarizado. Com base nessa afirmativa, responda:

A) Cite três exemplos de trabalho precarizado (ou relações precarizadas de trabalho).

R: Informalidade, terceirização, baixos salários com jornadas extensas de trabalho.

B) Quais as características do trabalho precarizado?

R: O trabalho precarizado se caracteriza pela flexibilização das garantias e dos direitos trabalhistas
em função dos interesses empresariais em aumentar os lucros e reproduzir a lógica capitalista. A
precarização do trabalho implica na diminuição dos salários atrelados a jornadas exaustivas, que
levam consequentemente a uma queda na qualidade de vida do trabalhador que se vê sem
perspectiva de mobilidade social.

Questão 5: (3 pontos)
Na concepção de alguns teóricos brasileiros, a função da escola é formar trabalhadores adequados
ao projeto de desenvolvimento do país, cabendo a educação escolar adaptar seus conteúdos às
necessidades do setor produtivo e formar os trabalhadores requeridos pelo mercado de trabalho.
Esse é o pensamento defendido, por exemplo, pelos teóricos liberais e neoliberais. Esse é também o
pensamento defendido pelos teóricos da matriz histórico-crítico, como Antonio Gramsci? Justifique
sua resposta apresentando alguns aspectos da escola defendida pelos teóricos da matriz histórico-
crítica, conforme os textos das aulas 1, 2 e 3.

R: O pensamento dos teóricos de matriz histórico-crítica é contrário ao mencionado no enunciado


da questão. Gramsci, por exemplo, por ser um teórico pertencente a esta matriz Gramsci criticava
duramente a divisão entre a escola clássica e a escola profissional que se destinavam às classes
dominantes e aos intelectuais, respectivamente. Para ele, a escola nesse sentido, perpetuava as
divisões de classes e as desigualdades entre as mesmas sob um discurso alienante, disfarçado de
democrático. Alguns dos aspectos da escola defendida por Gramsci e outros teóricos com a mesma
linha de pensamento seriam uma escola que proporcionasse condições igualitárias para os cidadãos
independente de sua classe. Nesse sentido, Gramsci utilizou os termos “comum, única e
desinteressada” para denominar uma proposta de escola simples, com oportunidade de acesso a
todos, não hierarquizada de acordo com as classes mais ou menos favorecidas e que preparem de
forma igualitária todos os indivíduos às mesmas oportunidades profissionais. O termo
“desinteressada” também defendido na perspectiva histórico-crítica se relaciona a uma concepção
de educação a qual se valorize o passado cultural do educando, permitindo a este assimilação e o
conhecimento consciente de sua história e a consciência de si mesmo. A chamada “escola única” ou
“unitária” de Gramsci com as características mencionadas, ainda contava com uma organização
prática e estrutural que consistia na ampliação de prédios, do material específico e do corpo
docente. Nesse sentido estrutural ele também defendia a pouca quantidade de alunos para cada
professor, bibliotecas, salas para trabalhos, seminários, dormitórios e refeitórios.