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Justiça Federal da 1ª Região

PJe - Processo Judicial Eletrônico

27/05/2020

Número: 1023575-12.2020.4.01.3700
Classe: PROCEDIMENTO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL
Órgão julgador: 7ª Vara Federal de Juizado Especial Cível da SJMA
Última distribuição : 27/05/2020
Valor da causa: R$ 1.800,00
Assuntos: Benefício Assistencial (Art. 203,V CF/88), COVID-19
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? SIM
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
RENATO MELO FRANCA (AUTOR)
CAIXA ECONOMICA FEDERAL (RÉU)
UNIÃO FEDERAL (RÉU)
EMPRESA DE TECNOLOGIA E INFORMACOES DA
PREVIDENCIA SOCIAL - DATAPREV (RÉU)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
24414 27/05/2020 15:53 PAJ 2020_1216 - Petição Inicial (auxílio emergencial. Inicial
3382 COVID-19)
NÚCLEO DE SÃO LUÍS/MA
5º Ofício Geral

AO JUÍZO DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO


ESTADO DO MARANHÃO

URGENTE – AUXÍLIO EMERGENCIAL – COVID-19

PAJ 2020/012-01216
Justiça Gratuita

RENATO MELO FRANÇA, brasileiro, união estável, autônomo, portador da


Cédula de RG nº 047789952013-7 SSP/MA e do CPF nº 613.731.553-37, residente e
domiciliado na Rua Projetada II, nº 17, Bairro Vila Vagner, Chapadinha/MA, CEP: 65.500-
00, vem à presença de Vossa Excelência, por intermédio da DEFENSORIA PÚBLICA
DA UNIÃO, com fulcro no art. 319 e s/s e art. 300 e s/s ambos do CPC, Lei nº 13.982/2020
e Decreto Federal nº 10.316/2020, propor a presente:

AÇÃO ORDINÁRIA c/c OBRIGAÇÃO DE FAZER PARA OBTENÇÃO DO


AUXÍLIO EMERGENCIAL (COVID-19)

em face da CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, pessoa jurídica de direito


privado, sob a forma de empresa pública, a ser citada na pessoa de seu representante legal
devidamente cadastrado no PJe, UNIÃO FEDERAL, pessoa jurídica de direito público, a
ser citada na pessoa de seu representante legal devidamente cadastrado no sistema PJe, e
DATAPREV/MA - Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social, inscrita
no CNPJ sob o nº 42.422.253/0041-90, com endereço para citação nesta comarca na Rua
Edmundo Calheiros, nº 748, 1º andar, Bairro São Francisco, São Luís/MA, CEP: 65.076-
390, pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

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5º Ofício Geral

1. DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA E DAS


PRERROGATIVAS DOS DEFENSORES PÚBLICOS FEDERAIS. DA
COMPETÊNCIA.

Inicialmente, a parte autora pleiteia os benefícios da Justiça Gratuita, por


declarar ser pobre na forma da lei, estando atualmente sem exercer qualquer atividade laboral
em razão do atual cenário provocado pela pandemia do coronavírus, não podendo arcar com
as custas e despesas do processo sem prejuízo do sustento próprio e de sua família, com
esteio no art. 98 e s.s do CPC.

Requer, outrossim, que sejam observadas as prerrogativas dos Defensores


Públicos Federais, especialmente quanto às intimações pessoais e à contagem em dobro
de todos os prazos, com fulcro no disposto no artigo 44, inciso I, da LC nº 80/94 e no
artigo 5º, § 5º, da Lei nº 1.060/50.

Quanto à competência, ressalte-se, ainda, que da mesma forma que as ações


de benefício assistencial (LOAS) têm sido consideradas como competência do Juizado
Especial Federal quando o valor da causa estiver no teto legal, a natureza assistencial do
benefício de auxílio emergencial justifica a aplicação da mesma regra, conforme
ressalva contida no art. 3º, § 1º, III, da Lei n. 10.259/2001.

2. DOS FATOS

O Sr. RENATO MELO FRANÇA reside há dois anos com sua companheira,
a Sra. RAYANNE TELES OLIVEIRA, dividindo entre si a responsabilidade de prover os
recursos financeiros para sustento de seu núcleo familiar – retira-os de importações
realizadas.

Todavia, em virtude da conjuntura caótica originada pela pandemia do


Coronavírus (COVID-19), sua fonte de renda fora duramente atingida, vez que não pode
continuar comercializando livremente face às medidas restritivas e de isolamento impostas
pelo Governo do Estado (Decreto Estadual nº 35.682 de 25 de março de 2020).

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5º Ofício Geral

Desta feita, as condições financeiras de seu núcleo familiar reduziram-se


bastante, sendo supridas por meio de reservas financeiras e grandes economias de ambos
para sustentarem-se durante esse período de isolamento social; agravando-se, em que
corriqueiramente os cidadãos precisam realizar compras para abastecer de suprimentos
essenciais os seus lares – o que, por meio da lei da oferta e da procura, tende a elevar os
preços de alimentos e demais artefatos indispensáveis.

Nessa esteira, Autor ingressou no programa de Auxílio Emergencial (Lei


nº 13.982/20), regulamentada pelo Decreto Federal nº 10.316/20, com vistas à
obtenção do montante de auxílio financeiro dispensado pelo Governo Federal para
tentar dirimir os impactos econômicos da crise sanitária nas parcelas da sociedade mais
bastardas e com insuficiência de recursos financeiros.

Não obstante cumprir os requisitos exigidos pela legislação e pelo decreto


supramencionados, houve o indeferimento do seu pleito ao Auxílio Emergencial, sob
justificativa de que “cidadão ou membros da família já receberam o Auxílio
Emergencial”, conforme consta no portal da DATAPREV destinado ao acompanhamento
do trâmite do proveito.

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Entretanto, a Sra. RAYANNE TELES OLIVEIRA, integrante do núcleo


familiar do Autor, que teve seu pleito de auxílio deferido, estava inscrita no CADÚnico
juntamente à sua avó (realizado há alguns anos, antes de sua aposentadoria na cidade de
Bacabal/MA) – atualmente, não mantém mais vínculo financeiro algum com esta -,
de forma que a negativa proferida pelo dataprev seja proveniente deste vínculo da
companheira do Autor no registro de sua avó; o que, ao ser avaliado pelo sistema do
DATAPREV, erroneamente apontou irregularidade, e, por conseguinte, indeferiu o
pleito do Autor.

Contudo, tal negativa é manifestamente ilícita, tendo em vista a referida situação


não é impeditiva ao usufruto do auxílio emergencial por outro membro, tendo em
vista que a Lei 13.982/20 dispõe em sentido inverso e garante tal benefício a dois
membros da família.

Portanto, merece censura judicial a negativa de concessão do benefício a parte


autora.

3. DO DIREITO
3.1 – DO AUXÍLIO EMERGENCIAL E SEUS REQUISITOS

Como sabido, o Auxílio Emergencial é a renda básica (mínima) de caráter


emergencial destinada aqueles em situação de vulnerabilidade social. Trata de benefício
financeiro destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI),
autônomos e desempregados, e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período
de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus - COVID 19 (Sars-CoV-2),
cujo estado de calamidade pública foi reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6 de
20/03/2020.

Surgiu no ordenamento jurídico pátrio após diversas pressões da sociedade civil


e de parlamentares como garantia de um mínimo existencial aos trabalhadores informais, que
hoje são calculados em aproximadamente 381 (trinta e oito) milhões de brasileiros, que
ficaram sem perceber renda em virtude das medidas de isolamento social praticadas pelos
Estados e Municípios por orientação da OMS e do Ministério da Saúde, como a melhor

1 https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2019/09/ibge-sem-carteira-assinada-informalidade/

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alternativa existente para reduzir os níveis de contaminação e evitar o colapso do sistema de


saúde.

Trata-se de benefício no valor de R$ 600,00 (seiscentos reais) a ser pago


em 3 (três) prestações mensais, independentemente da data da concessão, prorrogável por
ato do Poder Executivo, cuja parcela do benefício tem validade de noventa dias (art. 10, IV
e art. 11, §6º do Decreto 10.316/2020).

O recebimento do benefício é limitado a dois membros da mesma família


(art. 2º, §1º, Lei 13.982/2020), tendo a mulher provedora de família monoparental o direito
a duas cotas do auxílio (§3º). Para fins da limitação de pagamento terão preferência os
trabalhadores (art. 8º, Decreto 10.316/2020): I - do sexo feminino; II - com data de
nascimento mais antiga; III - com menor renda individual; e IV - pela ordem alfabética do
primeiro nome, se necessário, para fins de desempate.

Nas situações em que for mais vantajoso, o auxílio emergencial substituirá,


temporariamente e de ofício, o benefício do Programa Bolsa Família, ainda que haja
um único beneficiário no grupo familiar. (art. 2º, §2º da Lei 13.982/2020 com redação
dada pela Lei nº 13.998, de 2020).

O benefício será disponibilizado por meio instituições financeiras públicas


federais, que ficam autorizadas a realizar o seu pagamento por meio de conta do tipo
poupança social digital, de abertura automática em nome dos beneficiários, de acordo com
calendário definido na Portaria nº 351 de 07 de abril de 2020 e Portaria nº 386 de 14 de maio
de 2020, ambas do Ministério da Cidadania, e atos divulgados pela CEF.

De acordo com o art. 2º, da Lei 13.982, de 02 de abril de 2020, são requisitos
básicos do auxílio emergencial:

Art. 2º Durante o período de 3 (três) meses, a contar da publicação


desta Lei, será concedido auxílio emergencial no valor de R$ 600,00
(seiscentos reais) mensais ao trabalhador que cumpra
cumulativamente os seguintes requisitos:
I - seja maior de 18 (dezoito) anos de idade, salvo no caso de mães
adolescentes; (Redação dada pela Lei nº 13.998, de 2020);
II - não tenha emprego formal ativo;
III - não seja titular de benefício previdenciário ou assistencial ou
beneficiário do seguro-desemprego ou de programa de transferência

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de renda federal, ressalvado, nos termos dos §§ 1º e 2º, o Bolsa


Família;
IV - cuja renda familiar mensal per capita seja de até 1/2 (meio)
salário-mínimo ou a renda familiar mensal total seja de até 3 (três)
salários mínimos;
V - que, no ano de 2018, não tenha recebido rendimentos tributáveis
acima de R$ 28.559,70 (vinte e oito mil, quinhentos e cinquenta e
nove reais e setenta centavos); e
VI - que exerça atividade na condição de:
a) microempreendedor individual (MEI);
b) contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social
que contribua na forma do caput ou do inciso I do § 2º do art. 21
da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; ou
c) trabalhador informal, seja empregado, autônomo ou
desempregado, de qualquer natureza, inclusive o intermitente
inativo, inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do
Governo Federal (CadÚnico) até 20 de março de 2020, ou que, nos
termos de autodeclaração, cumpra o requisito do inciso IV.

O regulamento da lei, Decreto 10.316/2020, prevê como requisitos:

Art. 3º O auxílio emergencial, no valor de R$ 600,00 (seiscentos


reais), será concedido pelo período de três meses, contado da data
de publicação da Lei nº 13.982, de 2020, ao trabalhador que,
cumulativamente:
I - tenha mais de maior de dezoito anos de idade;
II - não tenha emprego formal ativo;
III - não seja titular de benefício previdenciário ou assistencial,
beneficiário do seguro-desemprego ou de programa de transferência
de renda federal, ressalvado o Programa Bolsa Família;
IV - tenha renda familiar mensal per capita de até meio salário
mínimo ou renda familiar mensal total de até três salários mínimos;
V - no ano de 2018, não tenha recebido rendimentos tributáveis
acima de R$ 28.559,70 (vinte e oito mil quinhentos e cinquenta e
nove reais e setenta centavos); e
VI - exerça atividade na condição de:
a) Microempreendedor Individual - MEI, na forma do disposto no
art. 18-A da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006;
ou

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b) contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social e


que contribua na forma do disposto no caput ou do inciso I do § 2º
do art. 21 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; ou
c) trabalhador informal, seja empregado, autônomo ou
desempregado, de qualquer natureza, inclusive o intermitente
inativo, inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do
Governo Federal - Cadastro Único ou que cumpra o requisito a que
se refere o inciso IV do caput.
§ 1º Serão pagas ao trabalhador três parcelas do auxílio emergencial,
independentemente da data de sua concessão.
§ 2º A mulher provedora de família monoparental fará jus a duas
cotas do auxílio, mesmo que haja outro trabalhador elegível na
família.
§ 3º O trabalhador intermitente:
I - com contrato de trabalho formalizado até a data de publicação
da Medida Provisória nº 936, de 1º de abril de 2020, identificado no
Cadastro Nacional de Informações Sociais - CNIS, ainda que sem
remuneração, fará jus ao benefício emergencial mensal de que trata
o art. 18 da referida Medida Provisória e não poderá acumulá-lo com
o auxílio emergencial de que trata este Decreto; e
II - de que trata a alínea “b” do inciso II do caput do art. 2º fará jus
ao auxílio emergencial, desde que não enquadrado no inciso I deste
parágrafo e observados os requisitos previstos neste Decreto.

E continua o regulamento definindo em seu art. 2º o conceito de trabalhador


informal:

II - trabalhador informal - pessoa com idade igual ou superior a


dezoito anos que não seja beneficiário do seguro desemprego e que:
a) preste serviços na condição de empregado, nos termos do
disposto no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada
pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1943, sem a formalização do contrato
de trabalho;
b) preste serviços na condição de empregado intermitente, nos
termos do disposto no § 3º do art. 443 da Consolidação das Leis do
Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1943, sem a
formalização do contrato de trabalho;
c) exerça atividade profissional na condição de trabalhador
autônomo; ou
d) esteja desempregado;

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5º Ofício Geral

São critérios de elegibilidade para o recebimento do auxílio emergencial,


conforme art. 7º, §1º do Decreto 10.316/2020, o trabalhador: I - maior de dezoito anos; II
- inscrito no Cadastro Único, independentemente da atualização do cadastro; III - que não
tenha renda individual identificada no CNIS, nem seja beneficiário do seguro desemprego
ou de programa de transferência de renda, com exceção do Programa Bolsa Família; IV -
cadastrado como Microempreendedor Individual - MEI, na forma do disposto no art. 18-A
da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; V - que seja contribuinte individual
do Regime Geral de Previdência Social e contribua na forma do disposto no caput ou no
inciso I do § 2º do art. 21 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; e VI - que não esteja na
condição de agente público, a ser verificada por meio da autodeclaração, na forma do
disposto no inciso II do caput do art. 5º, sem prejuízo da verificação em bases oficiais
eventualmente disponibilizadas para a empresa pública federal de processamento de dados
responsável.

No caso do requerente, trata-se de trabalhador autônomo, cuja renda atual fora


arduamente afetada pela crise do COVID-19, diminuindo suas vendas, afetando, pois, sua
receita; maior de 18 (dezoito anos), sem emprego formal, não titular de benefício
previdenciário, assistencial, seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda
federal, inclusive o Bolsa Família.

Por sua vez, a renda per capita do grupo familiar, assim declarada, é
inferior à metade do salário mínimo (R$ 522,50), qual seja a existente entre R$ 425,00
(quatrocentos e vinte e cinco reais).

Aqui é forçoso ressalvar que os requisitos do inciso IV do art. 2º da Lei


13.982/2020 são alternativos e não cumulativos, por simples inferência gramatical e
teleológica depreendida da utilização consciente pelo legislador da conjunção alternativa
“ou”. Logo, caso o postulante ainda que apresente renda per capita familiar superior a ½
(meio) salário mínimo, desde que a renda total do grupo familiar atenda ao limite de 3 (três)
salários mínimos, estará satisfeita a condição. O mesmo se diga na hipótese de o
beneficiário pertencer a um grupo familiar com renda total superior a 3 (três) salários
mínimos, mas cuja renda per capita não ultrapasse ½ salário mínimo.

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As condições de renda familiar mensal per capita e total serão verificadas por
meio do CadÚnico para os inscritos ou e por meio de autodeclaração através da plataforma
digital, para os não inscritos (art. 2º, §4º, Lei 13.982/2020).

Na situação do ora demandante, levando em conta a renda familiar declarada em


confronto com os demais documentos anexos que denotam a ausência de vínculo
empregatício formal ou qualquer outra fonte de sustento decorrente da previdência ou de
programas governamentais de distribuição de renda, fica nítido que preenche o requisito,
porquanto a renda familiar per capita é significativamente inferior a R$ 522,50
(quinhentos e vinte e dois reais e cinquenta centavos), o correspondente a meio
salário-mínimo.

A única fonte de renda da família fixa, atualmente, provém do auxílio


emergencial de sua companheira na ordem de R$ 600,00 (seiscentos reais), haja vista que a
fonte principal de renda (vendas autônomas do Autor) foi duramente comprometida face às
medidas restritivas do COVID-19.

Frisa-se que até então o principal provedor das condições financeiras de


seu núcleo familiar era o Autor, cuja renda obtida por meio de importações e
revendas era totalmente destinada à satisfação das necessidades básicas e essenciais
de seu lar.

Contudo, malgrado a renda atual do grupo familiar, assim como a lei de forma
expressa permitir a cumulação de até duas cotas do benefício, o requerimento do
auxílio emergencial foi negado sob o fundamento de o “Requerente ou membro da família com
Auxílio Emergencial pelo Cadastro Único e pertencente ao Bolsa Família”, que se revela desarrazoada,
inequânime e que em última instância ofende os objetivos vislumbrados com a política
assistencial num momento de dupla comoção na saúde e na economia.

Não obstante, tal justificativa não subsiste, haja vista tratar-se de equívoco, que,
ao averiguar a inscrição da companheira do Autor em outro CADÚnico, com recebimento
do Auxílio, de modo imediato indeferiu o pleito com base em tais razões acima apontadas.

3.2 DO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA O


AUXÍLIO EMERGENCIAL

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5º Ofício Geral

Pelo exposto constata-se que as pessoas que estão aptas a receber o benefício
precisam ter mais de 18 anos, não ter emprego formal, ser de família com renda mensal per
capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total de
até três salários mínimos (R$ 3.135,00), além de não ter tido rendimentos tributáveis, em
2018, acima de R$ 28.559,70 (ou seja, que não precisou declarar Imposto de Renda em 2018).

Ressalte-se que o autor atende as regras expostas, senão, vejamos.

O demandante tem 23 (vinte e três) anos de idade (nascido em 17/12/1996, RG


em anexo), sem vínculo de emprego formal, conforme CTPS anexa, não é titular de benefício
previdenciário ou de programa de transferência de renda federal e está com a inscrição do
CPF regular, conforme dados devidamente registrados em autodeclaração que comprovam
a situação de vulnerabilidade econômica e o direito ao benefício.

Além disso, sua companheira, que compõe o mesmo grupo familiar do Autor,
teve deferido o benefício do auxílio emergencial na cota de R$ 600,00 (seiscentos reais).

Considerando que o benefício se limita a 02 (duas) pessoas da família, é


possível que seja concedido ao Autor, uma vez que compartilha o mesmo grupo
familiar da sua companheira, cuja análise administrativa verificou o preenchimento
dos requisitos legais para a concessão.

Portanto, requer seja expedida decisão judicial das rés obrigando-as a conceder
e a pagar o Auxilio Emergencial em favor do demandante, tendo em vista o preenchimento
cumulativo de todos os requisitos do Art. 2º da Lei 13.982/2020 e do Art. 3º do Decreto
Federal nº 10.316/2020.

3.3 – DA ILEGALIDADE DO ARTIGO 5, §3° DO DECRETO


10.316/20 – DO DIREITO DE DOIS MEMBROS DO NÚCLEO FAMILIAR
BENEFICIÁRIO DO PBF A RECEBER AUXÍLIO EMERGENCIAL –
ARTIGO 2°, III, §§1° E 2° DA LEI 13.982/20

Como pode ser observado, o motivo de indeferimento do auxílio emergencial


ao assistido se deu em virtude do mesmo ter membro da família com auxílio emergencial
concedido pela CadÚnico e pertencente ao Bolsa-Família.

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5º Ofício Geral

No caso, em que pese a Sra. RAYANNE TELES OLIVEIRA (companheira do


Autor) tenha recebido o Auxílio-Emergencial com base no artigo 2°, §2° da Lei 13.982/20,
tal fato não é impeditivo do recebimento do mesmo benefício por seu consorte em razão da
previsão contida no artigo 2°, III, §§1° e 2° da mesma lei:

Art. 2º Durante o período de 3 (três) meses, a contar da publicação


desta Lei, será concedido auxílio emergencial no valor de R$ 600,00
(seiscentos reais) mensais ao trabalhador que cumpra
cumulativamente os seguintes requisitos:
I - seja maior de 18 (dezoito) anos de idade;
II - não tenha emprego formal ativo;
III - não seja titular de benefício previdenciário ou assistencial ou
beneficiário do seguro-desemprego ou de programa de transferência
de renda federal, ressalvado, nos termos dos §§ 1º e 2º, o Bolsa
Família;
IV - cuja renda familiar mensal per capita seja de até 1/2 (meio)
salário-mínimo ou a renda familiar mensal total seja de até 3 (três)
salários mínimos;
V - que, no ano de 2018, não tenha recebido rendimentos tributáveis
acima de R$ 28.559,70 (vinte e oito mil, quinhentos e cinquenta e
nove reais e setenta centavos); e
VI - que exerça atividade na condição de:
a) microempreendedor individual (MEI);
b) contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social
que contribua na forma do caput ou do inciso I do § 2º do art. 21
da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; ou
c) trabalhador informal, seja empregado, autônomo ou
desempregado, de qualquer natureza, inclusive o intermitente
inativo, inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do
Governo Federal (CadÚnico) até 20 de março de 2020, ou que, nos
termos de autodeclaração, cumpra o requisito do inciso IV.
§ 1º O recebimento do auxílio emergencial está limitado a 2 (dois)
membros da mesma família.
§ 2º Nas situações em que for mais vantajoso, o auxílio emergencial
substituirá, temporariamente e de ofício, o benefício do Programa
Bolsa Família, ainda que haja um único beneficiário no grupo
familiar (Redação dada pela Lei nº 13.998, de 2020)
Com efeito, a negativa se dá em virtude de restrição infralegal do decreto
regulamentar do benefício. No entender deste órgão de assistência jurídica gratuita, o artigo

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5º Ofício Geral

5°, §3° do Decreto 10.316/20 choca frontalmente com os dispositivos legais citados
anteriormente. Eis a dicção dos dispositivos infralegais:

Art. 5º Para ter acesso ao auxílio emergencial, o trabalhador deverá:


I - estar inscrito no Cadastro Único até 20 de março de 2020; ou
II - preencher o formulário disponibilizado na plataforma digital,
com autodeclaração que contenha as informações necessárias.
§ 3º Não será possível para os trabalhadores integrantes de
famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família e de famílias
já inscritas no Cadastro Único se inscreverem na plataforma
digital para requerer o auxílio emergencial.

Apesar de o referido Decreto impedir o requerimento aos trabalhadores


integrantes de famílias beneficiarias do PBF ou inscritas no CadÚnico se inscreverem na
plataforma digital para requerer o Auxílio-Emergencial, fato é que o artigo 2°, III, §§1° e 2°
da Lei 13.982/20 concede tal direito limitado a dois beneficiários da mesma família.

Portanto, trata-se de exclusão de direito por decreto que extrapola de seu poder
regulamentar para criar restrição que a lei não prevê, pelo contrário, dispõe em sentido
oposto.

É cediço que na hierarquia das normas, o regulamento é inferior à lei, não


podendo restringir ou ampliar suas disposições, entretanto o ato normativo em questão
infringe o texto expresso da Lei 13.982/20.

Na jurisprudência é pacífico o entendimento que deve ser respeitado o princípio


da hierarquia das leis, haja vista que um texto de lei somente pode ser restringida por outra
lei, salvo autorização legal ou constitucional:

TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE


INSTRUMENTO. COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS
PRESTADORAS DE SERVIÇOS (ART. 6º, II, DA LC Nº 70 /91).
PRECEDENTES. VIOLAÇÃO A PRECEITOS
CONSTITUCIONAIS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. Nega- a
jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que as sociedades
civis prestadoras de serviços são isentas da COFINS, nos termos do
artigo 6º se provimento ao agravo regimental, em face das razões
que sustentam a decisão recorrida, sendo certo que, inciso II, da Lei
Complementar nº 70 /91. Ressalte-se, ainda, que a revogação

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5º Ofício Geral

do benefício em tela só poderia ter sido veiculada por outra lei


complementar, sob pena de violação ao princípio da
hierarquia das leis. Ademais, é vedado a esta Corte analisar
suposta violação a preceitos constitucionais.
(STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
INSTRUMENTO AgRg no Ag 490277 RJ 2003/0010810-6 (STJ).
Jurisprudência. Data de publicação: 18/08/2003.)

Importa mencionar, ainda, que mesmo que a companheira do Autor esteja


inscrita junto a outro CADÚnico, correspondente ao da sua avó – que não mantém mais
qualquer tipo de vínculo financeiro com sua neta –, este sequer fora encontrado; de
modo que não haja empecilhos legais ou procedimentais válidos para que se indefira o pleito
do requerente, quando a legislação milita em seu favor.

Trata-se de um grave erro arbitrário do sistema do Governo Federal, que


dificulta a assistência das parcelas da sociedade mais atingidas pela crise do COVID-19 e seus
impactos econômicos.

Portanto, têm-se como ilícita a negativa de concessão do benefício por


parte das rés a parte autora, razão pela qual necessita-se de provimento jurisdicional
para conceder o Auxílio-Emergencial ao assistido.

4. DA TUTELA ANTECIPADA DE URGÊNCIA

Possível, no caso em tela, a concessão da tutela provisória de urgência, conforme


disposto no art. 300 do CPC, para concessão liminar dos valores do Auxílio Emergencial,
uma vez que já expirada a data da 1ª parcela, conforme cronograma do Governo Federal.2

De modo simples, a nova sistemática das tutelas provisórias, instituída com o


advento do atual Código de Processo Civil, exige a presença de dois requisitos positivos para
a sua concessão em caráter de urgência antecipada, nos termos do art. 300, in verbis:

2https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/04/07/como-sera-feito-o-pagamento-do-auxilio-

emergencial-de-r-600.ghtml

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5º Ofício Geral

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver


elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

No caso em questão, a situação do Autor mostra-se inarredavelmente adequada


à previsão insculpida no artigo 300 do CPC, pois que presentes os seus pressupostos: a
probabilidade do direito o perigo de dano/risco ao resultado útil do processo.

Quanto ao requisito da probabilidade do direito, tem-se que este pode ser


facilmente verificado nos documentos anexados ao feito, que comprovam que a parte autora
faz jus ao recebimento do Auxílio Emergencial, tendo em vista que resta demonstrada a
satisfação de todas as condições estipuladas no art. 2º da Lei 13.982/2020 e nos artigos 3º ao
7º do Decreto 10.316/2020.

Diz o art. 6º do Decreto 10.316/2020, que (...) “após a verificação do cumprimento dos
critérios estabelecidos na Lei nº 13.982, de 2020, os beneficiários serão incluídos na folha de pagamento do
auxílio emergencial”.

Destaque-se que, consoante a própria negativa da DATAPREV, o auxílio foi


indeferido em razão de “requerente ou membro da família com Auxílio Emergencial pelo Cadastro
Único e não pertencente ao Bolsa Família”, o que obsta à concessão do auxílio, contrariando o
disposto expressamente na legislação que versa sobre o Auxílio Emergencial e lesa o direito
do Autor ao seu recebimento, conforme já demonstrado por meio dos art. 2º, III, §1º e §2º
da Lei nº. 13.982/2020.

Ademais, comprovada a situação de extrema vulnerabilidade econômica do


postulante, que se encontra em situação de baixa renda e enfrentando o desemprego e a falta
de oportunidades, haja vista que até mesmo os trabalhos autônomos que realizava para
auferir renda restaram afetados por conta da pandemia do coronavírus, reputa-se por
comprovado o caráter de emergência que permeia o requerimento. Acrescenta-se que o
Autor era o principal provedor de recursos econômicos de seu núcleo familiar, arcando, por
meio de suas vendas de importações autônomas, com todas as despesas existentes em seu
lar.

Quanto à urgência, trata-se de verba de caráter alimentar, que se revela


indispensável ao sustendo do Autor e de sua mãe no atual contexto de pandemia, restando

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5º Ofício Geral

presente, neste caso, o perigo de dano/risco ao resultado útil do processo. Deve-se notar
que a parte requerente necessita do benefício eventual para garantir sua própria subsistência,
desde a alimentação até a manutenção da dignidade de sua família, não podendo ser obstada
por incorreta apreciação dos dados pelas instituições públicas.

Inclusive, o Superior Tribunal de Justiça em 20.04.2020, afirmou que o atraso de


DIAS no recebimento do auxílio emergencial pode ser devastador ao indivíduo.

O relator ministro João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de


Justiça (STJ), sustou os efeitos da liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1)
que havia suspendido a exigência de regularização do CPF para o recebimento do auxílio
emergencial durante a pandemia do novo corona vírus (Covid-19). Segundo o ministro, a
referida análise geraria inevitável atraso na distribuição do Auxílio Emergencial, caso
suspendesse a exigência de regularização do CPF, segue trecho da sua manifestação:

(...)Se, em circunstâncias normais, a possibilidade do atraso de 48


horas nas operações referentes ao pagamento de auxílio à população
representa intercorrência administrável do ponto de vista da gestão
pública, no atual quadro de desaceleração abrupta das
atividades comerciais e laborais do setor privado, retardar,
ainda que por alguns dias, o recebimento do benefício
emergencial acarretará consequências desastrosas à economia
nacional e, por conseguinte, à população". (...) (SLS nº 2692 /
PA (2020/0089719-9) autuado em 17/04/2020, União X TRF1ª
Região - Número Único:0089719-38.2020.3.00.0000, Relator
(a):Min. Presidente do STJ)

Relativamente à irreversibilidade do provimento, o princípio da


proporcionalidade autoriza a antecipação do auxílio, já que a vida e a dignidade da parte
autora e de sua família são bens que possuem maior grandeza e importância em relação aos
valores a serem pagos pelos réus.

Note-se que a doutrina majoritária considera que, podendo se converter em


perdas e danos, não é considerado irreversível. Sendo assim, não há de se falar em
irreversibilidade da decisão.

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5º Ofício Geral

Assim, por todos estes motivos, encontram-se satisfeitos os requisitos previstos


no artigo 300 do CPC, mostrando-se imperiosa a concessão da tutela provisória de
urgência, para que os réus sejam condenados à concessão do auxílio emergencial no
valor de R$ 600,00 (seiscentos reais), em favor da parte autora e para que passem a
efetuar os pagamentos respectivos imediatamente, bem como efetuem o pagamento
dos valores vencidos, devidos à demandante em caráter retroativo.

Desta feita, inexistindo óbices legais à concessão da medida pretendida e


satisfeitos todos os seus requisitos, premente a sua imediata concessão nos termos acima
postulados.

5. DO POSSIBILIDADE DE JUSTIFICAÇÃO PRÉVIA PARA


CONCESSÃO DA TUTELA DE URGÊNCIA – ARTIGO 300, §2° DO CPC

Conforme alhures esclarecidos pelos fatos e fundamentos já expostos, resta


cristalino a presença dos requisitos necessários para a concessão da tutela antecipada, os quais
sejam a probabilidade do direito e o perigo de dano, constantes no artigo 300 Código de
Processo Civil:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver
elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de
dano ou o risco ao resultado útil do processo.

Caso V. Exa. assim não entenda, requer-se a intimação das rés para que no prazo
de 72 horas apresentem justificação prévia e todas as documentações referentes a negativa
do requerimento do Auxílio-Emergencial, nos termos do §2° do citado dispositivo legal:

§ 2º A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após


justificação prévia.

Em caso de silêncio dos requeridos em apresentar a justificação prévia por


escrito, entende-se que tal fato, por si, reste como fundamento para a concessão da medida
requerida anteriormente.

Neste sentido, pela possibilidade do expediente:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. Recurso manejado contra


decisão que se limita a determinar a intimação da parte ré para

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5º Ofício Geral

apresentação de justificação prévia para, após, apreciar o


pedido de antecipação de tutela formulado pela parte autora.
Pronunciamento judicial sem cunho decisório, não impugnável por
agravo de instrumento . NEGADO SEGUIMENTO AO
RECURSO. (0051050-07.2016.8.19.0000 - AGRAVO DE
INSTRUMENTO - MARIA CELESTE PINTO DE CASTRO
JATAHY -VIGÉSIMA TERCEIRA CÂMARA CÍVEL
CONSUMIDOR - Data de julgamento: 30/09/2016)
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE
FAZER. DIREITO DO CONSUMIDOR. TUTELA
ANTECIPADA. PLANO DE SAÚDE. RECUSA DE
FORNECIMENTO DOS MEDICAMENTOS (SOFOSBUVIR e
DACLATASVIR) PARA TRATAMENTO DE HEPATITE C.
ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO ROL DA
ANS QUE NÃO JUSTIFICA A RECUSA. DECISÃO DO
JUÍZO A QUO QUE DETERMINOU A INTIMAÇÃO DA
PARTE RÉ PARA APRESENTAÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO
PRÉVIA VISANDO APÓS A APRECIAÇÃO DO PEDIDO
ANTECIPATÓRIO DE TUTELA. UTILIZAÇÃO DOS
MEDICAMENTOS QUE SE FAZ URGENTE. DIREITO À
VIDA E À SAÚDE. DO VERBETE SUMULAR 210 DO TJRJ.
RECURSO PROVIDO. (TJ-RJ - AI: 00390610420168190000 RIO
DE JANEIRO JACAREPAGUA REGIONAL 3 VARA CIVEL,
Relator: ANDREA FORTUNA TEIXEIRA, Data de Julgamento:
03/08/2016, VIGÉSIMA QUARTA CÂMARA CÍVEL
CONSUMIDOR, Data de Publicação: 08/08/2016)
AGRAVO DE INSTRUMENTO. Ação de despejo. Decisão que
defere tutela de urgência para determinar a imediata desocupação do
imóvel locado, mediante caução prévia pelo locador. Insurgência da
ré, locatária. Recorrente que se quedou inerte em 3 (três)
oportunidades para a purga da mora. Notificação prévia
devidamente efetuada pelo locador. Audiência de conciliação
realizada sem que sequer tenha sido oferecida proposta de acordo
pela requerida. Intimação para manifestação acerca da tutela de
urgência que se trata de mero expediente com a finalidade de
resguardar o contraditório processual, inexistindo
obrigatoriedade ou mesmo imposição de audiência para tal
fim. Nada obstante, em que pese tratar-se de mais uma
oportunidade para a purga da mora, quedou-se novamente
inerte a recorrene. Débito que em verdade supera 6 (seis)
meses de aluguel. Desnecessária a intervenção da DPGE na
qualidade de amicus curiae, seja pela falta de manifestação de
interesse em segundo grau, seja, em especial, pela ausente
repercussão social do caso concreto, de natureza simples e

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exclusivos efeitos inter partes. Artigo 138 do CPC/2015.


Precedentes. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (TJ-
RJ - AI: 00015053120178190000 RIO DE JANEIRO
JACAREPAGUA REGIONAL 3 VARA CIVEL, Relator: JOSÉ
ACIR LESSA GIORDANI, Data de Julgamento: 28/03/2017,
DÉCIMA SEGUNDA CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação:
31/03/2017)
Portanto, plenamente possível a intimação dos réus para efeitos de aplicação do
artigo 300, §2° do CPC.

6. DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer:

a) Seja deferida a gratuidade de justiça, por ser a parte autora juridicamente


hipossuficiente, não possuindo condições de arcar com às custas, as despesas processuais e
os honorários advocatícios, nos termos do art. 98 e seguintes do CPC, conforme declaração
de hipossuficiência anexa;

b) Seja deferida a tutela de urgência em caráter liminar, inaudita altera


parte, para determinar às rés que procedam imediatamente ao pagamento do benefício de
Auxílio-Emergencial a parte autora, no importe de R$ 600,00 (seiscentos reais). Caso assim
não entenda, requer, com esteio no artigo 300, §2° do CPC, que às rés procedam em 72 horas
a concessão de informações para fins de justificação prévia ao pedido de tutela de urgência;

c) A citação da rés, na pessoa de seu representante legal para, querendo,


apresentar resposta a presente ação no prazo legal, sob pena de revelia, conforme art. 334
§5º do CPC/2015;

d) Considerando que às rés agem executando atribuição típica do Poder Público,


seja ela intimada para fornecer ao Juízo toda a documentação de que disponha para o
esclarecimento da causa, nos termos do art. 11 da Lei n. 10.259/2001;

e) Que, ao final, seja julgada procedente a presente ação, confirmando, em sede


de cognição exauriente, eventual tutela de urgência deferida;

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f) Sejam consideradas cópias autenticados todos os documentos que instruem a


inicial, nos termos do artigo 18, IX, da LC 80/94, bem como art. 425, VI, do CPC/2015.

Protesta por todas as provas admitidas em direito, mormente as documentais


que instruem a presente exordial, assim como rol de testemunhas abaixo indicadas a fim de
comprovar a temporária separação do casal, já reatado, e afastar a aparente divergência das
informações do CadÚnico da companheira.

Dá-se à causa o valor de R$ 1.800,00 (mil e oitocentos reais), referente ao


somatório de três parcelas do benefício pleiteado.

Nesses termos, pede deferimento.


São Luís, 25 de maio de 2020.

LORENNA FALCÃO MACEDO

Defensora Pública Federal

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