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Breve Histórico

A relação entre trabalho e saúde tem sido observada desde a Antiguidade. No


século IV a.C., a toxicidade do chumbo nos mineiros foi reconhecida e identificada
pelo médico e filósofo grego Hipócrates. Plínio, O Velho, escritor e naturalista
romano, que viveu no início da era cristã, descreveu, em seu tratado De Historia
Naturalis, as condições de saúde dos trabalhadores com exposição ao chumbo e
poeiras. Ele fez uma descrição dos primeiros equipamentos de proteção respiratória
conhecidos, feitos com membranas de pele de bexiga de animais e usados como
máscaras a fim atenuar a inalação de poeiras nocivas. Também descreveu diversas
moléstias do pulmão entre mineiros e o envenenamento em razão do manuseio de
compostos de enxofre e zinco. Em meados do século XVI, o pesquisador alemão
George Bauer publicou um trabalho chamado De Re Metallica, no qual apresentava os
problemas relacionados à extração de minerais, com destaque para uma doença
chamada “asma dos mineiros”, que sabemos hoje tratar da silicose, doença pulmonar
que atinge os trabalhadores expostos à poeira de sílica.
Entretanto, o marco de maior evidência histórica no tocante ao estudo das
doenças dos trabalhadores ocorreu em 1700, na Itália, quando o médico Bernardino
Ramazzini publicou um livro sobre doenças ocupacionais chamado De Morbis
Artificum Diatriba (Doenças dos Trabalhadores), no qual relacionou os riscos à saúde
ocasionados por produtos químicos, poeira, metais e outros agentes encontrados nos
ambientes de trabalho em várias ocupações da época. Ele orientava os demais
médicos a fazer a seguinte pergunta ao paciente: “Qual o seu trabalho?”, ou na
linguagem da época, “Que arte exerce?”. Por sua vida dedicada a esse assunto,
Ramazzini ficou conhecido como o pai da Medicina Ocupacional.
Ao longo dos anos, vários médicos e higienistas se ocuparam da observação do
trabalho em diversas atividades e conseguiram chegar a várias descobertas
importantes, como o médico francês Patissier, que recomendava aos ourives
levantarem a cabeça de vez em quando e olhar para o infinito como modo de evitar a
fadiga visual. E também o médico francês Rene Villermé, que foi além dos ambientes
de trabalho insalubres e identificou alguns dos hoje chamados fatores de risco
psicossociais, e associou a influência das jornadas excessivas, as péssimas condições
dos alojamentos, a baixa qualidade da alimentação e o salário abaixo das necessidades
reais, ao estado de saúde dos trabalhadores.
Revolução Industrial
No final do século XVIII, a Revolução Industrial, processo de grandes
transformações econômicas tecnológicas e sociais, introduziu novos fatores de risco
nos locais de trabalho. O avanço tecnológico dos meios de produção se contrastava
com o crescimento das doenças e mortes dos trabalhadores assalariados, entre eles
mulheres e crianças, em virtude das precárias condições de trabalho. Apesar de
diversos riscos em várias atividades serem conhecidos, as ações preventivas para sua
redução ou eliminação eram praticamente inexistentes. Naquela época, o objetivo era
tratar das consequências do adoecimento ou dos acidentes, e não das intervenções
necessárias no ambiente de trabalho para se evitar o dano à saúde ou à integridade
física do trabalhador.
Um dos marcos da legislação internacional relativa à proteção do trabalho foi a
aprovação, pelo parlamento britânico, a partir de 1802, de várias leis conhecidas como
Leis das Fábricas, do inglês, Factory Law ou Factory Acts, abrangendo inicialmente
as indústrias têxteis e, mais tarde, todas as atividades industriais. A Lei das Fábricas
tinha o objetivo de proteção do trabalho de mulheres e crianças, tanto no que se refere
a ambiente de trabalho quanto às jornadas excessivas, comumente praticadas. Se, por
um lado, os proprietários das fábricas, detentores dos meios de produção, faziam forte
oposição à aprovação desta lei, por outro lado, eles sabiam da necessidade de se
preservar o potencial humano como forma de garantir a produção.
Em 1844 houve novamente um grande avanço na legislação britânica com a
publicação do Factories Law 1844, com a inclusão de requisitos expressos como
obrigatoriedade de comunicação e investigação de acidentes fatais e de proteção de
máquinas. É claro que a proteção das máquinas era tão precária quanto a própria
redação da lei que obrigava sua implantação, mas de qualquer modo já era uma
evolução. Nessa mesma época surgiram na Alemanha as primeiras leis que tratavam
sobre acidentes do trabalho, o que também começou a acontecer nos outros países da
Europa.
No século XX foram criados vários organismos internacionais com o objetivo
final de proteção do meio ambiente de trabalho, como o American Conference of
Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), o National Institute of Occupational
Safety and Health (NIOSH) e, no Brasil, a Fundação Jorge Dupra Figueiredo de
Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO). Também foi no início do
século XX graças ao pioneirismo de estudos como os da médica americana Alice
Hamilton (1869-1970), que o estudo das doenças ocupacionais tomou impulso.

Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil


Enquanto no início do século XIX a Inglaterra já se preocupava com a proteção
dos trabalhadores das indústrias têxteis, somente no final daquele século, por volta de
1870, que se tem notícia da instalação da primeira indústria têxtil no Brasil, no Estado
de Minas Gerais. E somente vinte anos depois é que surgiria no Brasil um dos
primeiros dispositivos legais relativos à proteção do trabalho, mais precisamente em
1891, com a publicação do Decreto 1.313, considerado o marco da Inspeção do
Trabalho no País. Esse decreto instituiu a fiscalização permanente de todos os
estabelecimentos fabris em que trabalhavam menores. Em 1919, foi publicado o
Decreto 3.724, que tratava dos acidentes de trabalho e respectivas indenizações e de
vários assuntos que constam atualmente na Lei Previdenciária 8.213/1991, que dispõe
sobre os planos de benefícios da Previdência Social.
Em 1943 foi publicada a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) por meio do
Decreto 5.452. A CLT foi um marco na legislação trabalhista brasileira, pois
consolidou em um único documento as legislações esparsas sobre direito do trabalho e
segurança e saúde no trabalho.
Até meados da década de 1970, entretanto, a legislação da segurança no trabalho
existente no Brasil era basicamente corretiva e não preventiva. Havia a preocupação
em determinar as indenizações por acidentes de trabalho, mas não em investigar e
prevenir as causas desses acidentes de forma efetiva. Em 1977, foi publicada a Lei
6.514, com o propósito de aprofundar as medidas preventivas para retirar o Brasil da
incômoda posição de campeão mundial em acidentes do trabalho. Essa lei alterou o
art. 200 da CLT, delegando competência normativa ao Ministério do Trabalho não só
para regulamentar, mas também para complementar as normas do Capítulo VII – Da
Segurança e da Medicina do Trabalho:

Art. 200. Cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer disposições


complementares às normas de que trata este Capítulo, tendo em vista as
peculiaridades de cada atividade ou setor de trabalho, especialmente sobre:

I – medidas de prevenção de acidentes e os equipamentos de proteção


individual em obras de construção, demolição ou reparos;

II – depósitos, armazenagem e manuseio de combustíveis, inflamáveis e


explosivos, bem como trânsito e permanência nas áreas respectivas;

III – trabalho em escavações, túneis, galerias, minas e pedreiras, sobretudo


quanto à prevenção deexplosões, incêndios, desmoronamentos e
soterramentos, eliminação de poeiras, gases, etc. e facilidades de rápida
saída dos empregados;

IV – proteção contra incêndio em geral e as medidas preventivas adequadas,


com exigências ao especial revestimento de portas e paredes, construção
de paredes contra-fogo, diques e outros anteparos, assim como garantia
geral de fácil circulação, corredores de acesso e saídas amplas e
protegidas, com suficiente sinalização;
V – proteção contra insolação, calor, frio, umidade e ventos, sobretudo no
trabalho a céu aberto, comprovisão, quanto a este, de água potável,
alojamento profilaxia de endemias;

VI – proteção do trabalhador exposto a substâncias químicas nocivas,


radiações ionizantes e nãoionizantes, ruídos, vibrações e trepidações ou
pressões anormais ao ambiente de trabalho, com especificação das
medidas cabíveis para eliminação ou atenuação desses efeitos limites
máximos quanto ao tempo de exposição, à intensidade da ação ou de seus
efeitos sobre o organismo do trabalhador, exames médicos obrigatórios,
limites de idade controle permanente dos locais de trabalho e das demais
exigências que se façam necessárias;

VII – higiene nos locais de trabalho, com discriminação das exigências,


instalações sanitárias, comseparação de sexos, chuveiros, lavatórios,
vestiários e armários individuais, refeitórios ou condições de conforto por
ocasião das refeições, fornecimento de água potável, condições de
limpeza dos locais de trabalho e modo de sua execução, tratamento de
resíduos industriais;

VIII– emprego das cores nos locais de trabalho, inclusive nas sinalizações de
perigo.

Em 1978, o Ministério do Trabalho regulamentou a Lei 6.514/1977 com a


publicação da Portaria 3.214, que aprovou as Normas Regulamentadoras (NRs) de
“Segurança e Medicina no Trabalho”, materialmente recepcionadas pela Constituição
Federal, promulgada em 1988. Além de cumprir a delegação normativa expressa na
CLT, a publicação das NRs também efetiva direito fundamental insculpido no art. 7.º,
XXII, da nossa Carta Magna, que garante a redução dos riscos inerentes ao trabalho,
por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
A delegação normativa de matérias que envolvem conhecimento técnico e
científico, tal como prevista no art. 200 da CLT e na Constituição Federal, tem sido
usual no mundo todo. Sobre esse assunto, o administrativista José dos Santos
Carvalho Filho1 ensina:

Modernamente, contudo, em virtude da crescente complexidade das atividades


técnicas da Administração, passou a aceitar-se nos sistemas normativos,
originariamente na França, o fenômeno da deslegalização, pelo qual a competência
para regular certas matérias se transfere da lei (ou ato análogo) para outras fontes
normativas por autorização do próprio legislador: a normatização sai do domínio da
lei (domaine de la loi) para o domínio de ato regulamentar (domaine de
l’ordonnance). O fundamento não é difícil de conceber: incapaz de criar a
regulamentação sobre algumas matérias de alta complexidade técnica, o próprio
Legislativo delega ao órgão ou à pessoa administrativa a função específica de instituí-
la, valendo-se de especialistas e técnicos que melhor podem dispor sobre tais
assuntos.
Atualmente existem 35 normas regulamentadoras em vigor,2 divididas por
temas. Algumas normas têm caráter genérico e se aplicam a todas as atividades
econômicas, enquanto outras alcançam atividades econômicas específicas, são as
chamadas normas setoriais. A seguir apresento a lista das NRs em vigor, objetos desta
obra:

NR1 – Disposições Gerais


NR2 – Inspeção Prévia
NR3 – Embargo ou Interdição
NR4 – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho -
SESMT
NR5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA
NR6 – Equipamentos de Proteção Individual - EPI
NR7 – Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO
NR8 – Edificações
NR9 – Programas de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA
NR10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
NR11 – Transporte, Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Materiais
NR12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos
NR13 – Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações
NR14 – Fornos
NR15 – Atividades e Operações Insalubres
NR16 – Atividades e Operações Perigosas
NR17 – Ergonomia
NR18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção
NR19 – Explosivos
NR20 – Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis
NR21 – Trabalho a Céu Aberto
NR22 – Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração
NR23 – Proteção Contra Incêndios
NR24 – Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho
NR25 – Resíduos Industriais
NR26 – Sinalização de Segurança
NR28 – Fiscalização e Penalidades
NR29 – Segurança e Saúde no Trabalho Portuário
NR30 – Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário
NR31 – Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária Silvicultura, Exploração
Florestal e
Aquicultura
NR32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Saúde
NR33 – Espaços Confinados
NR34 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção e Reparação
Naval
NR35 – Trabalho em Altura
Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes
NR36 – e
Derivados

1. INTRODUÇÃO
A NR1 dispõe sobre a obrigatoriedade do cumprimento das normas regulamentadoras
de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), trata da competência dos diversos órgãos
envolvidos e das responsabilidades do empregador e dos empregados. São também
apresentados conceitos de termos e expressões, aplicáveis às normas regulamentadoras.

Segundo Sebastião Geraldo de Oliveira, Desembargador do Tribunal Regional do


Trabalho da 3. Região, o princípio constitucional de que a saúde é direito de todos e dever
do Estado (art. 196), adaptado para o campo do Direito do Trabalho, indica que a saúde é
direito do trabalhador e dever do empregador, razão pela qual o empregado não pode estar
exposto a riscos que possam comprometer seu bem-estar físico, mental ou social 1. Veremos
que o conceito de empregador alcança não somente empresas privadas, mas também
órgãos e entidades públicas, contratantes de empregados celetistas.

1. INTRODUÇÃO
A NR2 dispõe sobre os procedimentos de inspeção e apreciação prévias das
instalações dos estabelecimentos e determina as situações em que tais procedimentos
devem ser realizados. Essa norma é a que melhor incorpora o caráter preventivo da
Segurança e Saúde no Trabalho, pois tem como objetivo principal garantir que os novos
estabelecimentos somente iniciem as atividades se oferecerem um ambiente de trabalho
seguro a seus empregados.

1. INTRODUÇÃO
A NR3 apresenta os principais conceitos referentes aos procedimentos de embargo e
interdição, que se encontram disciplinados pela Portaria 40/2011, que também regulamenta
o art. 161 da CLT. Por esse motivo, além da NR3, estudaremos o conteúdo dessa Portaria
que dispõe sobre a competência da prática desse ato administrativo.

1. INTRODUÇÃO
A NR4 regulamenta as regras de constituição dos Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, chamados SESMT, cujo objetivo é
promover a saúde e proteger a integridade dos trabalhadores nos locais de trabalho. Como o
próprio nome diz, esse é um serviço especializado, o que significa que seus membros devem
ser especialistas, ou seja, qualificados para atuarem em atividades relacionadas à segurança
e saúde do trabalho.

Sendo uma norma de aplicação geral, a NR4 alcança todas as atividades econômicas.
Entretanto, algumas normas setoriais possuem regras específicas para constituição do
SESMT. Nesses casos, a NR4 se aplicará subsidiariamente, ou seja, na omissão da norma
específica, valerá o disposto na norma geral. Tratase do princípio hermenêutico de
afastamento da norma geral, na existência de norma específica. Cito como exemplo de
normas setoriais que estabelecem regras próprias de constituição do SESMT:

NR29Segurança e saúde no trabalho portuário;


NR30Segurança e saúde no trabalho aquaviário;
NR31Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura,
exploração florestal e aquicultura.
Em regra, todos os membros do SESMT devem ser empregados da empresa,
contratados para atuarem nesse órgão, porém existem exceções (SESMT Comum), conforme
estabelece o item 4.4.2 da NR4.

1. INTRODUÇÃO
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), como o próprio nome diz, é
uma comissão que tem por objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do
trabalho. Ela é composta por empregados que se dividem em dois grupos: representantes do
empregador e representantes dos próprios empregados, em quantidade paritária, ou seja, a
quantidade de membros da representação dos empregados e a do empregador é a mesma.

Os representantes dos empregados são por eles eleitos, e os representantes do


empregador são por ele indicados. A eleição dos representantes dos empregados é feita por
meio de voto secreto; devem participar apenas os empregados interessados,
independentemente de filiação sindical1, ou seja, participam da eleição apenas os
empregados que assim o desejarem.

Tanto os representantes dos empregados quanto os representantes do empregador se


dividem em membros titulares (ou efetivos) e suplentes. Vejam o quadro a seguir:

Não é exigido que os membros da CIPA tenham qualquer qualificação na área de


Segurança e Medicina do Trabalho, ao contrário do que é requisitado para os membros do
SESMT. Os membros da comissão devem receber treinamento com conteúdo programático
específico, conforme veremos ao longo deste capítulo.

Além da NR

CIPA em Normas Setoriais

Algumas atividades econômicas possuem regramento específico a respeito da CIPA,


conforme consta na respectiva norma setorial. Atualmente essas atividades são:

- Construção civil NR18

- Mineração NR22 – CIPAMIN


- Trabalho portuário NR29 - CIPATP

- Trabalho aquaviário NR30

- Trabalho rural NR31 – CIPATR

A NR5 somente será aplicada a esses setores nos casos de omissão das respectivas
normas setoriais.
No caso de conflito entre o disposto na NR5 e na norma setorial, prevalece o comando
desta última.
Nesses setores a NR5 deve ser utilizada de forma subsidiária.

Importante ressaltar que a redação da NR5 faz menção a “trabalhadores” e


“empregados”. Quando a norma diz “empregados”, faz referência àqueles com vínculo de
emprego com a empresa, e, quando cita “trabalhadores”, concerne a todos os que
trabalham no(s) estabelecimento(s) da empresa, incluindo empregados de empresas
contratadas.

1. INTRODUÇÃO
A NR6 trata dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e estabelece as condições
sob as quais esses equipamentos deverão ser fornecidos pelas empresas, bem como as
responsabilidades dos empregados, do empregador, do fabricante nacional, do importador e
as atribuições do Ministério do Trabalho e Emprego. Dispõe também sobre o Certificado de
Aprovação (CA) que todos os EPI deverão possuir, como uma das condições para serem
comercializados ou utilizados. Além do conceito de EPI, a norma também apresenta o
conceito de Equipamento Conjugado de Proteção Individual (ECPI).

A norma possui um único anexo em que são apresentados os equipamentos para os


quais os fabricantes nacionais e importadores poderão solicitar a emissão do Certificado de
Aprovação (CA). Para cada EP constante nesse anexo existem normas técnicas de
conformidade que deverão ser atendidas como condição para emissão do CA. Somente
podem ser comercializados no Brasil EPI nacionais ou importados que possuam esse
certificado.
1. INTRODUÇÃO
As doenças ocupacionais não são um fenômeno recente no mundo do trabalho.
Sabemos que todo trabalho implica um risco, de maior ou menor grau. Sendo assim,
podemos dizer que as doenças ocupacionais
são decorrência do surgimento do trabalho no mundo. A LER/DORT (Lesões por Esforços
Repetitivos/Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho), hoje tão conhecida por
todos nós, já havia sido identificada pelo médico italiano Bernardino Ramazzini há trezentos
anos como a Doença dos Escribas e Notários 1:

1. INTRODUÇÃO
A NR8 determina o grau de exigibilidade mínimo a ser cumprido pelas
edificações a fim de garantirsegurança e conforto aos que nelas trabalhem. As
disposições dessa norma alcançam as edificações já construídas, ocupadas por
trabalhadores, e não edificações em construção, ou residenciais já construídas. As
edificações em construção são abrangidas pela NR18 – Condições e Meio Ambiente de
Trabalho na Indústria da Construção.
1. INTRODUÇÃO
O PPRA é um programa de higiene ocupacional cujo objetivo é a proteção da saúde e
a integridade física dos trabalhadores, a partir de medidas de antecipação, reconhecimento,
avaliação e controle dos riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente
de trabalho. Além da proteção dos trabalhadores, o PPRA deve considerar a proteção do
meio ambiente e dos recursos naturais.

Esse programa não deve ser um documento isolado dos demais, mas sim parte
integrante de um conjunto de iniciativas da empresa no campo da preservação da saúde e
da integridade dos trabalhadores, e deve estar articulado com o disposto nas demais NRs,
em especial com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) previsto
na NR7, de modo a promover uma interação sinérgica. Pode-se dizer que, enquanto o foco
da NR7 é o indivíduo/trabalhador e a coletividade de trabalhadores, o ponto central da NR9
é o meio ambiente de trabalho. Em outras palavras, assim como o paciente do médico do
trabalho é o trabalhador, o “paciente” da higiene ocupacional é o local de trabalho. Nesse
sentido, os riscos devem ser identificados, analisados e controlados, por meio da
implantação de medidas de controle.

O PPRA é um instrumento importantíssimo dentro de um sistema de gestão de higiene


ocupacional que deve existir nas empresas, desde que bem elaborado e implementado.
Infelizmente, várias empresas perdem esse foco e tratam o PPRA simplesmente como mais
um documento a ser apresentado à fiscalização.

A norma estabelece os parâmetros mínimos e diretrizes gerais que devem ser


observados na execução do PPRA, os quais podem ser ampliados mediante convenção
coletiva de trabalho.

A NR9 prevê também que, quando vários empregadores realizarem atividades


simultâneas no mesmo local de trabalho, deverão ser executadas ações integradas para
aplicar as medidas previstas no PPRA, com o objetivo de garantir a proteção do conjunto de
trabalhadores contra os riscos existentes no ambiente.
1. INTRODUÇÃO
Aprivatização do setor elétrico na década de 90 foi acompanhada não somente da
introdução de novas tecnologias e materiais, mas também de profundas alterações nos
processos e na organização do trabalho, com a terceirização dos serviços e consequente
precarização das condições de segurança e saúde no trabalho. O índice de acidentes
envolvendo energia elétrica aumentou de forma significativa mostrando a gravidade das
condições de segurança e saúde existentes nas atividades e serviços no setor energético.
Com o objetivo de mudar esse cenário, em outubro de 2002 foi colocada em consulta
pública o texto da
NR10 que alterava profundamente a redação em vigor, com a introdução de novas diretrizes
em consonância com conceitos mais modernos de segurança e saúde em instalações e
serviços com eletricidade.

Com a publicação da Portaria 598, de 7 de dezembro de 2004, a NR10 ganhou nova


redação. Foram incluídas importantes determinações como a proibição de trabalho
individual em atividades com alta-tensão ou no sistema elétrico de potência e a
obrigatoriedade de elaboração do Prontuário de Instalações Elétricas e do Manual descritivo
dos itens de segurança nas instalações. Também foi detalhado o perfil do trabalhador
habilitado, qualificado, capacitado e autorizado, entre outras importantes alterações.

1. INTRODUÇÃO
A NR11 estabelece as condições de segurança que devem ser observadas nas seguintes
atividades:

• Operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e máquinas


transportadoras; • Transporte de sacas;
• Armazenamento de materiais.

A movimentação de materiais nas empresas é realizada por meio de diversos tipos de


equipamentos que podem ser classificados em:

• Veículos industriais: empilhadeiras, paleteiras;


• Equipamentos de elevação e movimentação: guindastes, elevadores;
• Transportadores contínuos: esteiras rolantes de correia, esteira de roletes.

A norma possui também um anexo que trata da movimentação, armazenagem e


manuseio de chapas de mármore, granito e outras rochas, dispondo sobre os requisitos do
carro porta-bloco, carro transportador, pátio de estocagem, entre outros. Finalmente, é de
observar que a NR11 trata da movimentação de materiais em edificações já construídas. Os
equipamentos utilizados para movimentação de materiais em edificações em construção,
como gruas, guinchos, elevadores a cabo e cremalheira são abordados na NR18 – Condições
e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção.

1. INTRODUÇÃO
A NR12 define referências técnicas, princípios fundamentais e medidas de proteção
que visam garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores e estabelece requisitos
mínimos para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho aplicáveis desde a concepção
das máquinas e equipamentos até o seu desmonte.

Desde sua primeira redação, aprovada com a publicação da Portaria 3.214/1978, a


NR12 sofreu alterações pontuais: em 1995 foi incluído o anexo de motosserras; em 1996, o
de cilindros de massa; e em 1997 houve uma pequena alteração nesse anexo. Finalmente,
mais de 30 anos após o início de sua vigência, a norma ganhou nova redação com a
publicação da Portaria 197, de 17.12.2010. Ao longo dos últimos anos ocorreram novas
alterações.

O atual texto da NR12 possui conceitos fundamentais sobre proteções de máquinas já


consagradas em outras normas de segurança nacionais e internacionais, e busca
acompanhar a evolução tecnológica e a crescente entrada no mercado de máquinas e
equipamentos que empregam tecnologias de última geração. A norma também possui uma
abordagem mais adaptada à nova realidade do mercado, sem muitas “amarras”, como havia
na redação anterior. Por exemplo, a antiga redação determinava que:
“a distância mínima entre máquinas e equipamentos deve ser de 0,60 m a 0,80 m, a
critério da autoridade competente em segurança e medicina do trabalho.” Na redação atual,
a norma dispõe que:

a distância mínima entre máquinas, em conformidade com suas


características e aplicações, deve garantir a segurança dos trabalhadores
durante sua operação, manutenção, ajuste, limpeza e inspeção, e permitir a
movimentação dos segmentos corporais, em face da natureza da tarefa.

A seguir, apresento uma lista com algumas das principais alterações da norma:

• Ampliação da abrangência, desde a fase de projeto das máquinas e


equipamentos;
• Descrição detalhada de proteções e diversos dispositivos de segurança;
• Introdução do conceito de falha segura e níveis de categoria de segurança;
• Obrigatoriedade de operação de máquinas e equipamentos por empregados
habilitados, qualificados capacitados e autorizados;
• Maior detalhamento dos manuais de inspeção;
• Obrigatoriedade de o empregador manter inventário atualizado das máquinas e
equipamentos;
• Inclusão social, com obrigatoriedade de adoção de medidas de proteção
específicas para pessoas com deficiência, a cargo do empregador.

A redação da norma é dividida da seguinte maneira:

Parte principal: 19 Títulos: Definições básicas e medidas de ordem geral para todas as
máquinas.

Anexos I a IV: Informações complementares para atendimento à parte principal e aos


demais anexos.

• Anexo I: Distâncias de segurança e requisitos para o uso de detectores de


presença optoeletrônicos
• Anexo II: Conteúdo programático da capacitação
• Anexo III: Meios de acesso permanentes
• Anexo IV: Glossário

Anexos V a XII: Especificidades ou excepcionalidades sobre determinado tipo de


máquina

• Anexo V: Motosserras
• Anexo VI: Máquinas para panificação e confeitaria
• Anexo VII: Máquinas para açougue e mercearia
• Anexo VIII: Prensas e similares
• Anexo IX: Injetora de materiais plásticos
• Anexo X: Máquinas para fabricação de calçados e afins
• Anexo XI: Máquinas e implementos para uso agrícola e florestal
• Anexo XII: Equipamentos de guindar para elevação de pessoas e realização de
trabalho em altura

1. INTRODUÇÃO
Caldeiras a vapor são equipamentos destinados a produzir e acumular vapor sob
pressão superior à atmosférica, utilizando qualquer fonte de energia. Vasos de pressão são
equipamentos que contêm fluidos sob pressão interna ou externa, diferente da pressão
atmosférica. Tubulações são os conjuntos de linhas destinadas ao transporte de fluidos
entre equipamentos de uma mesma unidade de uma empresa dotada de caldeiras ou vasos
de pressão. Tanto as caldeiras quanto os vasos de pressão são equipamentos de grande
utilidade em diversos processos industriais. No entanto, em virtude de sua operação sob
pressão, e no caso das caldeiras, também sob calor, podem ser causas de graves acidentes,
motivo pelo qual seu projeto, instalação, operação e manutenção devem observar rígidos
procedimentos de segurança. A operação desses equipamentos também exige a instalação
de diversos dispositivos de segurança e controle, a manutenção de registros e
documentações atualizados, profissionais qualificados e a realização de diversas inspeções.

No início do século XIX, inúmeros acidentes ocorridos com equipamentos sob pressão,
principalmente caldeiras, levaram à necessidade de se elaborarem códigos de projeto que
garantissem condições seguras de operação e manutenção desses equipamentos. Existem
atualmente vários códigos de projeto de caldeiras, vasos de pressão e tubulações, que são
reconhecidos nacional e internacionalmente, como o código ASME (American Society of
Mechanical Engineers), ANSI (American National Standards Institute) e JIS (Japanese
Industrial Standards). Várias exigências constantes na NR13 têm fundamentação técnica
baseada nos códigos ASME e ANSI.

Um dos parâmetros a ser observado durante a vida útil das caldeiras e dos vasos de
pressão é a integridade estrutural desses equipamentos, em razão do processo de
degradação sofrido por seus componentes ao longo de sua vida útil. Falhas estruturais
podem ocorrer também em virtude de erros de projeto, inobservância das especificações
técnicas na fase de fabricação ou condições de operação e manutenção incorretas. Por esses
motivos, a NR13 estabelece os requisitos mínimos que o empregador deve adotar nos
procedimentos de gestão da integridade estrutural das caldeiras a vapor, vasos de pressão e
respectivas tubulações de interligação, durante todo o seu ciclo de vida de forma planejada e
controlada, a fim de garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores. Destaco que a
avaliação da integridade estrutural subsidia não somente sua operação segura, mas também
serve de parâmetro de projeção da vida remanescente e eventuais reparos para alcançá-la.
No caso de caldeiras, um dos mecanismos que podem comprometer a integridade estrutural
é a falta de tratamento ou o tratamento inadequado da água utilizada para geração do
vapor, que pode provocar oxidação e incrustações nas paredes internas, diminuindo sua
espessura e, consequentemente, alterando ou excedendo os limites originais de projeto.
Outros fatores como fadiga, processos de soldagem inadequados e até mesmo mecanismos
combinados (corrosão-fadiga) também podem comprometer a integridade estrutural.
Destaco que a NR13 não contém disposições sobre o projeto ou características construtivas
de caldeiras, vasos de pressão ou tubulações, sendo apenas exigido que sejam atendidas as
especificações contidas nos códigos de projeto pertinentes.

1. INTRODUÇÃO
A NR14 trata dos fornos para quaisquer fins, e também determina sistemas de
proteção específicos quando forem utilizados combustíveis gasosos ou líquidos. Os fornos
são encontrados nas mais diversas atividades econômicas como fundições, indústria
automotiva e aeroespacial, indústrias metalúrgicas e siderúrgicas, indústria da cerâmica
(produção de materiais refratários, revestimentos, louça sanitária, isoladores elétricos de
porcelana) e várias outras atividades que requeiram tratamentos térmicos ou
termoquímicos de endurecimento. O principal objetivo dos fornos é o fornecimento de calor
gerado a partir de diversas fontes, sendo basicamente classificados em fornos elétricos ou a
combustão, como mostra a figura a seguir:

As altas temperaturas de operação dos fornos tornam esses equipamentos fontes de


vários acidentes que vão desde queimaduras (que ocorrem, por exemplo, nas fundições, em
razão dos respingos do material fundido), até explosões.
1. INTRODUÇÃO
A palavra insalubre tem origem no latim (insalubris) e significa “o que faz mal à
saúde”. O trabalho insalubre, portanto, é aquele que expõe o trabalhador a agentes que
podem causar danos à sua saúde. A insalubridade não se confunde com a periculosidade:
enquanto esta coloca em risco a vida do trabalhador, aquela coloca em risco a saúde do
trabalhador.

A NR15 tem por objetivo determinar quais atividades deverão ser consideradas
insalubres e indicar como essa caracterização deve ser feita: se por meio de avaliação
qualitativa ou quantitativa. Nos casos em que a avaliação quantitativa deva ser realizada, a
norma determina os limites de exposição ou remete expressamente à adoção dos limites
constantes em outras normas, como é o caso do Anexo 5 (Radiações Ionizantes). São
fundamentais para o entendimento da norma os conceitos de limite de tolerância e
avaliação qualitativa e quantitativa, que veremos adiante. Atualmente, a NR15 possui treze
anexos em vigor, como mostra a tabela a seguir. Cada anexo trata da exposição a
determinado agente químico, físico ou biológico 1. Já o Anexo 10 compreende atividades que
expõem o trabalhador à umidade – a umidade não é agente ambiental, e, sim, uma condição
presente no ambiente de trabalho. O Anexo 4 que tratava de Iluminação Deficiente foi
revogado em 1990. Atualmente, iluminação deficiente é considerada risco ergonômico, e
não situação motivadora para caracterizar a atividade como insalubre.
Anexo Título

1 Limites de Tolerância para Ruído Contínuo ou Intermitente

2 Limites de Tolerância para Ruídos de Impacto

3 Limites de Tolerância para Exposição ao Calor

4 (Revogado)

5 Radiações Ionizantes

6 Trabalho sob Condições Hiperbáricas

7 Radiações Não Ionizantes

8 Vibrações

9 Frio

10 Umidade

Agentes Químicos Cuja Insalubridade é Caracterizada por Limite de


11
Tolerância e Inspeção no Local de Trabalho

12 Limites de Tolerância para Poeiras Minerais

13 Agentes Químicos

13-A Benzeno

14 Agentes Biológicos
É importante destacar que a NR15 está intimamente ligada à NR9 – Programa de
Prevenção de Riscos Ambientais, pois, enquanto esta define, entre outras informações, quais
os agentes ambientais presentes no ambiente de trabalho, aquela estabelece, para cada
agente apresentado, os critérios de caracterização de insalubridade nas atividades que
expõem os trabalhadores a tais agentes e respectivos limites de tolerância, quando
aplicáveis. Existem, porém, dois agentes físicos presentes na NR9, o ultrassom e o infrassom,
para os quais a NR15 não estabeleceu limites de tolerância tampouco determinou sua
avaliação pelo método qualitativo. Destaco, porém, que existem limites de tolerância para
esses agentes estabelecidos por organismos normativos internacionais e também pela
American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), porém, pela ausência
de referência expressa na NR15, sua observância não é obrigatória para fins de caracterização
de insalubridade. Sobre esse assunto, vejam questão do CESPE/2010 cujo gabarito é CERTO:

Não há, nas normas legais que estabelecem os limites de tolerância humana a
ruídos, referência aos limites permitidos para a exposição humana ao infrassom ou
ultrassom.

Temos, portanto, que cada anexo da NR15 corresponde a um agente ambiental


identificado na NR9. No entanto, também existe outra exceção, que é o caso do Anexo 10 –
Umidade. Como dito anteriormente, umidade não é agente ambiental, e por esse motivo
nem consta como tal na NR9. Como veremos neste capítulo, adotou-se o critério de
avaliação qualitativa para caracterização de insalubridade nos locais com umidade excessiva.
Finalmente, destaco que, além do texto geral, estudaremos neste capítulo todos os anexos
da NR15, não somente pela sua importância na área da higiene ocupacional, mas também
por ser, indistintamente, objeto de questões de concursos.

1. INTRODUÇÃO
Enquanto a insalubridade coloca em risco a saúde do trabalhador, afetando-a
continuamente enquanto não for eliminada ou neutralizada, a periculosidade põe em risco a
vida do trabalhador, podendo, repentinamente, atingi-lo de forma violenta, levando-o à
incapacidade, invalidez permanente ou até mesmo à morte.

A última alteração na redação da NR16 ocorreu em dezembro de 2013, com a


publicação da Portaria
MTE 1885/2013 que incluiu o Anexo 3: Atividades e operações perigosas com exposição a
roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança
pessoal ou patrimonial. Em março de 2012, a norma também já havia sido modificada, com a
publicação da Portaria 312, que alterou os limites inferior e superior do ponto de fulgor para
caracterização dos líquidos combustíveis. E essa atualização foi necessária a fim de tornar
compatível a caracterização dos líquidos combustíveis entre essa norma e a NR20 –
Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis.

1. INTRODUÇÃO
A palavra Ergonomia é formada pela junção de duas palavras gregas: ergos (trabalho)
e nomos (normas, leis, regras). Portanto, em poucas palavras, Ergonomia é a organização do
trabalho. Seu estudo possibilita a adaptação do trabalho ao homem. Segundo a
International Ergonomics Association (IEA), a Ergonomia é uma disciplina científica
relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou
sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o
bem-estar humano e o desempenho global do sistema. Os ergonomistas contribuem para o
planejamento, o projeto e a avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e
sistemas, de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das
pessoas. Ainda segundo a IEA, a Ergonomia pode ser classificada em:

• Ergonomia Física: estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais,


movimentos repetitivos, distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao
trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e saúde;
• Ergonomia Cognitiva: estudo da carga mental de trabalho, tomada de decisão,
desempenho especializado, interação homem-computador, confiabilidade
humana, estresse profissional e a respectiva formação (especialidades,
treinamentos);
• Ergonomia Organizacional: estudo do gerenciamento de recursos coletivos de
trabalho, organizaçã temporal do trabalho, projeto participativo, novos
paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, trabalho em grupo, cultura
organizacional, organizações em rede, teletrabalho e gestão de qualidade.

Sobre esse assunto, vejam questão do CESPE/2013, cujo gabarito é ERRADO:

A ergonomia organizacional trata dos processos mentais, tais como percepção,


memória, raciocínio e resposta motora, que afetam as interações entre seres
humanos e outros elementos de um sistema.

A questão está errada, pois a descrição se refere à ergonomia cognitiva, e não à


ergonomia organizacional.
A NR17 possui uma parte principal que se aplica a todas as atividades e dois anexos
que determinam requisitos relativos à ergonomia para duas atividades específicas nas quais
o risco ergonômico é preponderante; são elas:

Anexo I: Trabalho dos operadores de checkout

Anexo II: Trabalho em atendimento/telemarketing

1. INTRODUÇÃO
A NR18 é uma norma setorial, pois trata de uma atividade econômica específica, a
indústria da construção. Essa é uma das atividades econômicas responsáveis pelo alto índice
de acidentes do trabalho no Brasil. Dentre as principais causas desses acidentes estão a
queda de altura, o soterramento e o choque elétrico. O título inicial dessa norma era “Obras
de Construção, Demolição e Reparo”, e somente em 1995 foi alterado para “Condições e
meio ambiente de trabalho na indústria da construção”, com a publicação da Portaria DSST 4
de 1995, que também aprovou a redação atual. A atividade Construção se divide em duas
atividades básicas:

• Construção de edificações
• Construção pesada

O segmento construção de edificações abrange as obras habitacionais, comerciais,


industriais, de serviços e outras. O segmento construção pesada agrupa grandes obras como
construções de rodovias, ferrovias, usinas, geração e transmissão de energia, saneamento,
sistemas de comunicação, infraestrutura e as chamadas obras de arte especiais (pontes,
viadutos, túneis, passarelas).

Aplicam-se à indústria da construção, nos casos omissos, as disposições constantes nas


demais Normas Regulamentadoras da Portaria 3.214/1978 e suas alterações posteriores.

1. INTRODUÇÃO
A NR19 dispõe sobre a segurança na fabricação, manuseio, armazenagem e transporte de
explosivos.
Essa norma possui dois anexos: O Anexo 1 trata da segurança e saúde na indústria e
comércio de explosivos quando utilizados como fogos de artifício e outros artefatos
pirotécnicos. O Anexo 2 aplica-se às atividades de fabricação de explosivos e contém várias
tabelas Quantidade x Distâncias, que apresentam as distâncias mínimas dos depósitos de
explosivos das demais edificações/rodovias/ferrovias, dependendo da quantidade e do tipo
de explosivo armazenado. As quantidades máximas de explosivos a serem mantidas nas
instalações de fabricação e armazenagem devem obedecer às disposições contidas nesse
anexo.

Além da legislação específica, as atividades de fabricação, utilização, importação,


exportação, tráfego e comércio de explosivos devem obedecer especialmente ao
Regulamento para Fiscalização de Produtos Controlados (R-105) do Exército Brasileiro,
aprovado pelo Decreto 3.665, de 20.11.2000. Somente poderão fabricar explosivos as
empresas portadoras de Título de Registro (TR) emitido pelo Exército Brasileiro (e não pelo
Ministério do Trabalho).

1. INTRODUÇÃO
A atual redação da NR20 foi aprovada com a publicação da Portaria SIT, de 29.02.2012,
que alterou alguns parâmetros da redação anterior, como o ponto de fulgor dos líquidos
combustíveis e introduziu o conceito de gestão de segurança e saúde no trabalho contra
fatores de riscos de acidentes existentes nas atividades de extração, produção,
armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e líquidos
combustíveis. Outra novidade importante foi a introdução do conceito de Classe das
Instalações. Considera-se instalação a unidade de extração, produção, armazenamento,
transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis (líquidos e gases) e líquidos
combustíveis, em caráter permanente ou transitório, incluindo todos os equipamentos,
máquinas, estruturas, tubulações, tanques, edificações, depósitos, terminais e outros
necessários para o seu funcionamento.

Dentre as novidades trazidas pela nova redação é de destacar a obrigatoriedade de:

• Elaboração do Prontuário da Instalação;


• Elaboração do Projeto da Instalação;
• Garantia da segurança na construção e montagem das instalações;
• Garantia da segurança operacional;
• Elaboração de análises de riscos;
• Elaboração de Plano de Resposta a Emergências;
• Capacitação dos trabalhadores;
• Elaboração de Plano de prevenção e controle de vazamentos, derramamentos,
incêndios, explosões e emissões fugitivas.

1. INTRODUÇÃO
A NR21 trata da proteção dos trabalhadores que exercem atividades a céu
aberto. Nessas atividades, éobrigatória a existência de abrigos, ainda que rústicos,
capazes de proteger os trabalhadores contra o sol, chuva, ventos etc. O empregador deve
adotar medidas que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva, o calor, o
frio, a umidade e os ventos inconvenientes. Para os trabalhos realizados em regiões
pantanosas ou alagadiças, serão imperativas as medidas de profilaxia de endemias, de
acordo com as normas de saúde pública.

1. INTRODUÇÃO
Mineração é a atividade dedicada à pesquisa, exploração, extração e beneficiamento
de minerais existentes nas rochas e/ou nos solos. Dependendo do mineral a ser extraído, a
atividade poderá ser realizada a céu aberto ou no subsolo. A maior parte da extração
mineral brasileira é feita a céu aberto, sendo pequena a quantidade de minas subterrâneas.

De acordo com o Decreto 6.481, de 12.06.2008, que trata da proibição das piores
formas de trabalho infantil, a atividade em escavações, subterrâneos, pedreiras, garimpos,
minas em subsolo e a céu aberto é proibida aos menores de 18 anos, salvo nas hipóteses
previstas no próprio Decreto.

Em 1999, doze anos após sua primeira publicação em 1978, a NR22 sofreu uma
profunda alteração no seu texto, resultante de negociação tripartite iniciada em dezembro de
1997. A redação até então em vigor encontrava-se completamente ultrapassada do ponto de
vista técnico e não atendia ao atual estágio da mineração no Brasil. O Grupo Técnico que
propôs o novo texto da NR22 baseou-se em diretivas da Comunidade Europeia, na legislação
espanhola, da África do Sul, na legislação de alguns Estados dos Estados Unidos da América
do Norte, em normas francesas, em normas de empresas de mineração brasileiras e na
legislação mineral da alçada do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM),
autarquia federal vinculada ao Ministério das Minas e Energia 1.
Dentre as diversas alterações, destacam-se:

Inclusão de novas medidas de prevenção de acidentes;

Inclusão do direito de recusa dos trabalhadores em exercer atividades em condições


de risco para sua segurança e saúde ou de terceiros;

Obrigatoriedade de elaboração do Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR);

Obrigatoriedade de constituição da CIPAMIN (CIPA da mineração);

Obrigatoriedade de utilização de processos umidificados nas operações de perfuração


ou corte, a fim de evitar a dispersão da poeira no ambiente de trabalho, como forma
de prevenção da silicose;

Obrigatoriedade de fornecimento ao trabalhador do subsolo alimentação compatível


com a natureza do trabalho, sob a orientação de nutricionista, na forma da
legislação vigente.

Em 2011 houve mais uma pequena modificação nos itens relativos aos
transportadores contínuos e em 2013 a norma recebeu novas alterações em alguns itens
que tratam da circulação e transporte de pessoas e materiais, escadas, equipamentos de
guindar e CIPA da mineração. Também foi incluído o Anexo III – Requisitos Mínimos para
Utilização de Equipamentos de guindar de lança fixa.
Veremos que a NR22 contém disposições específicas para a constituição da CIPA da
Mineração, chamada de CIPAMIN.

1. INTRODUÇÃO
Aredação NR23 sofreu uma grande alteração com a publicação da Portaria
221, em maio de 2011. Aredação atual da norma remete à obrigatoriedade de
adoção de medidas de prevenção de incêndios às legislações dos Estados e às
normas técnicas aplicáveis. Atualmente, as medidas de prevenção e combate a
incêndios estão dispostas nas legislações estaduais, que abrangem leis, decretos,
portarias, instruções técnicas, entre outras ferramentas jurídicas. Dentre as normas
técnicas aplicáveis são de destaque as seguintes:

• ABNT NBR ISO 7240-5:2014/Sistemas de detecção e alarme de incêndio


• ABNT NBR 15808:2013/Extintores de incêndio portáteis
• ABNT NBR 14276:2006/Brigada de incêndio – Requisitos
• ABNT NBR 13231:2005/Proteção contra incêndio em subestações elétricas de
geração, transmissão e distribuição

1. INTRODUÇÃO
A NR24 trata das condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho. É uma
norma geral, e seu cumprimento deve ser observado por todas as empresas em todas as
atividades econômicas, com a seguinte ressalva: outras normas regulamentadoras aplicáveis
a atividades econômicas específicas também tratam desse assunto, por exemplo, a NR18 –
Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção, então, nesses casos, a
NR24 se aplicará no que com elas não colidir ou ainda na sua omissão.

A norma dispõe sobre os requisitos a serem observados nas instalações sanitárias,


vestiários, refeitórios, cozinhas, alojamento e locais para refeições. Uma leitura mais atenta
nos mostra o atraso de sua redação em alguns pontos: por exemplo, o item 24.5.20 dispõe
que devem ser colocadas caixas metálicas com areia para serem usadas como cinzeiros, e
em vários itens ainda é usada a palavra “operários” em vez de trabalhadores.

Outro ponto a ser destacado são as proporções de chuveiros, lavatórios e bebedouros.


Por exemplo, a norma exige a instalação de um bebedouro a cada 50 empregados. Ora, a
redação adequada deveria ser: “1 (um) bebedouro a cada 50 (cinquenta) empregados ou
fração”. Dessa forma, na prática, sugiro também considerar no dimensionamento a fração
do todo, pautado no princípio da analogia, tomando como base a redação da NR18,
considerando a identidade de fundamentos lógico/jurídico comum às situações abrangidas
por essas normas. Para questões de prova, vale a redação da norma.

Para facilitar o estudo, elaborei algumas tabelas, apresentadas ao final deste capítulo,
que consolidam os parâmetros numéricos e proporções estabelecidos pela norma que
facilitarão o estudo.
1. INTRODUÇÃO
Os resíduos sólidos constituem uma preocupação ambiental mundial: quando
coletados e tratados inadequadamente, não somente provocam efeitos diretos e indiretos
na saúde da população, como também contribuem para a degradação do meio ambiente.
Encontramos a definição de resíduos sólidos na Resolução 5/1993, art. 1.º, I, do Conselho
Nacional do Meio Ambiente (CONAMA):
Conforme a NBR n.º 10.004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT –
“Resíduos nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades da comunidade de
origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam
incluídos nessa definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles
gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados
líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou
corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis, em face à
melhor tecnologia disponível” (grifo meu).

ANR25 tem por objetivo dispor sobre a adequada destinação de um dos tipos
de resíduos sólidos: osresíduos industriais, gerados nos diversos processos
produtivos. Resíduos industriais são aqueles provenientes dos processos industriais,
na forma sólida, líquida ou gasosa ou combinação destas, e que por suas
características físicas, químicas ou microbiológicas não se assemelham aos resíduos
domésticos, como cinzas, lodos, óleos, materiais alcalinos ou ácidos, escórias,
poeiras, borras, substâncias lixiviadas e aqueles gerados em equipamentos e
instalações de controle de poluição, bem como demais efluentes líquidos e emissões
gasosas de contaminantes atmosféricos.
1. INTRODUÇÃO
NR26 trata da sinalização de segurança abrangendo cores, identificações e
rotulagem de produtos químicos e também das Fichas com Dados de Segurança
que devem ser elaboradas pelo fabricante ou fornecedor nacional desses produtos.

1. INTRODUÇÃO
A NR28 dispõe sobre os procedimentos de fiscalização do cumprimento dos preceitos
legais e regulamentares referentes à segurança e saúde do trabalhador e também a respeito
das penalidades nos casos de descumprimento de tais disposições. Além do disposto na
norma, a fiscalização do cumprimento dessas disposições também deve ser efetuada com
base no disposto no(a):

• Regulamento da Inspeção do Trabalho – RIT (Decreto 4.552/2002) 1


• Título VII da CLT (Do Processo de Multas Administrativas)
• Lei n.º 7.855/1989, art. 6.º, § 3.º (Critério da Dupla Visita)

De mesma forma como ressaltado em capítulos anteriores, também chamo a atenção


para a desatualização da redação da NR28, principalmente no que se refere aos valores
impostos pelas multas, que ainda se baseiam na Unidade de Referência Fiscal (UFIR), extinta
em decorrência do § 3.º do art. 29 da Medida Provisória 2095-76, com exceção das multas
aplicadas pelo descumprimento da NR29 – Segurança e Saúde no Trabalho Portuário, que,
com a publicação da Portaria 319/2012, tiveram os respectivos valores atualizados para reais
(R$).

O agente da inspeção do trabalho, conforme ainda consta no texto da NR28, é o atual


Auditor Fiscal do Trabalho (AFT), e a autoridade regional competente é o Superintendente
Regional do Trabalho e Emprego.

Além disso, o item 28.1.3 faz referência às normas regulamentadores rurais,


revogadas com a publicação da Portaria 191/2008. O trabalho rural é abrangido pela NR31 –
Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária silvicultura, exploração florestal e
aquicultura.
1. INTRODUÇÃO
De acordo com dados da Secretaria Especial de Portos da Presidência da República, o
sistema portuário brasileiro é composto por 35 portos organizados (veja Item 2 – Termos
técnicos) e mais de 100 terminais de uso privativos, nos quais são movimentados milhões de
toneladas de cargas por ano. Neles laboram milhares de trabalhadores expostos aos mais
diversos riscos de acidentes e doenças do trabalho. Os principais riscos dessa atividade são a
exposição a agentes químicos (gases e poeiras), agentes físicos (calor, ruídos, vibrações) e
também a exposição a riscos ergonômicos e de acidentes.

A NR29 é uma norma setorial que tem por objetivo a regulamentação das medidas de
proteção contra acidentes e doenças profissionais dos trabalhadores portuários, bem como
facilitar os primeiros socorros a acidentados e alcançar as melhores condições possíveis de
segurança e saúde desses trabalhadores.

Os trabalhadores portuários são responsáveis pela movimentação e/ou armazenagem


de mercadorias destinadas ou provenientes de transporte aquaviário, e executam suas
atividades tanto em terra (serviços de capatazia) quanto em embarcações atracadas, ou a
bordo (serviços de estiva).

Já os trabalhadores aquaviários são aqueles que executam suas atividades a bordo de


embarcações e plataformas cuja proteção é tratada pela NR30 – Segurança e Saúde no
Trabalho Aquaviário.

Os trabalhadores portuários se dividem em trabalhadores portuários com vínculo


empregatício por prazo indeterminado e por trabalhadores portuários avulsos, conforme o
disposto no art. 40 da Lei
12.815/2013:
Art. 40. O trabalho portuário de capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga,
bloco e vigilância de embarcações, nos portos organizados, será realizado por
trabalhadores portuários com vínculo empregatício por prazo indeterminado e por
trabalhadores portuários avulsos.

Segundo o art. 9.º, VI, do Decreto 3.048, trabalhador avulso é “aquele que,
sindicalizado ou não, presta serviço de natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem
vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória do Órgão Gestor de Mão de Obra
(OGMO), nos termos da Lei n.º 8.630 1 [...], de 25 de fevereiro de 1993, ou do sindicato da
categoria [...]”. No Brasil temos a predominância da mão de obra avulsa nos portos
organizados. A alta rotatividade desses trabalhadores repercute na implementação das
normas de segurança e saúde.

O OGMO é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, revestida de


interesse público. Esse órgão deve ser constituído pelo Operador Portuário com o objetivo
de administrar o trabalho portuário conforme determina o art. 32 da Lei 12.815/2013 que
regulamenta, dentre outras, as atividades por ele desempenhadas:
Lei 12.815/2013, art. 32. Os operadores portuários devem constituir em cada porto
organizado um órgão de gestão de mão de obra do trabalho portuário [...].

Porto, Porto Organizado e Instalações Portuárias

A norma aplica-se aos trabalhadores portuários em operações tanto a bordo de


embarcações atracadas como em terra, e também aos demais trabalhadores que exercem
atividades nos portos organizados e instalações portuárias de uso privativo e
retroportuárias, situadas dentro ou fora da área do porto organizado.

Em sentido amplo, porto é uma pequena baía ou parte de grande extensão de água,
protegida natural ou artificialmente das ondas grandes e correntes fortes, que serve de
abrigo e ancoradouro a navios, e está provida de facilidades de embarque e desembarque de
passageiros e carga.

Já o porto organizado é o bem público construído e aparelhado para atender a


necessidades de navegação, de movimentação de passageiros ou de movimentação e
armazenagem de mercadorias, cujo tráfego e operações portuárias estejam sob jurisdição de
autoridade portuária. As funções no porto organizado são exercidas de forma integrada pela
Administração do Porto, denominada autoridade portuária, e as autoridades: aduaneira,
marítima, sanitária, de saúde e de polícia marítima.

Os portos não enquadrados nessa situação são ditos “não organizados”, não sendo as
suas atividades reguladas pela legislação do trabalho portuário. Os portos “não organizados”
são geralmente pequenos e pouco movimentados, sem administração, resumindo-se, na
maioria das vezes, a um pequeno cais para recebimento de mercadorias.

1. INTRODUÇÃO
O trabalhador aquaviário, diante das características que lhe são inerentes, é
trabalhador diferenciado em relação às demais profissões. Tem particularidades tão próprias
que muitos, inclusive, o consideram como ensejador de um ramo específico do Direito do
Trabalho. Tais características remetem ao seu ambiente de trabalho, inteiramente atípico,
com singularidades que permitem confundi-lo com a própria residência do trabalhador. Suas
limitações físicas privam-no do convívio familiar por longos períodos. O trabalho é confinado
de forma permanente e exercido, muitas vezes, em diferentes portos brasileiros e até
estrangeiros, sujeitando-o a uma ampla gama de variações climáticas e culturais, além de ser
permanentemente submetido a balanços e trepidações. Mais além, a necessidade de
prontidão para o trabalho exige que, mesmo nos momentos de descanso, o trabalhador
mantenha-se alerta para agir em eventuais emergências ou imprevistos no navio. Esse
conjunto de características singulariza o trabalhador aquaviário a tal ponto que a
Organização Internacional do Trabalho (OIT) dedica-lhe grande parcela das convenções
editadas específicas sobre o trabalho marítimo1.

1. INTRODUÇÃO
A NR31 tem por objetivo estabelecer os preceitos a serem observados na organização
e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatíveis o planejamento e o
desenvolvimento das atividades da agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e
aquicultura com a segurança e saúde e meio ambiente do trabalho.

Dentre os trabalhadores abrangidos pela NR31 estão os trabalhadores rurais, que são
regidos por lei própria, a Lei 5.889/1973. O art. 1.º dessa lei dispõe que:
[...] as relações de trabalho rural serão reguladas por esta Lei e, no que com ela não
colidirem, pelas normas da Consolidação das Leis do Trabalho.

A CLT, portanto, também regulamenta o trabalho rural, porém somente no que não
colidir com o disposto na Lei 5.889/1973.

Vejam ainda redação do art. 13 da Lei 5.889/1973:


Art. 13. Nos locais de trabalho rural serão observadas as normas de segurança e higiene
estabelecidas em portaria do ministro do Trabalho e Previdência Social.

Por ser norma setorial, todas as disposições constantes na NR31 devem se aplicar ao
trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração florestal e aquicultura. Entretanto,
na omissão da norma, deve ser aplicado o disposto nas demais NRs, em observância ao art.
13 da Lei 5.889/1973.

Na data de publicação da NR31 existiam cinco normas específicas para o meio rural,
chamadas de Normas Regulamentadoras Rurais (NRR). Eram elas:

NRR-1 –Disposições Gerais

NRR-2 –Serviço Especializado em Prevenção de Acidentes do Trabalho Rural (SEPATR)

NRR-3 –Comissão Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho Rural (CIPATR)


NRR-4 –Equipamento de Proteção Individual (EPI)

NRR-5 –Produtos Químicos

Entretanto, vários itens da NR31 não entraram em vigor na data de sua publicação,
valendo então por um período algumas determinações das NRRs. Somente em 15.04.2008,
com a publicação da Portaria GM 191, as NRRs foram revogadas.

1. INTRODUÇÃO
A NR32 tem por finalidade estabelecer as diretrizes básicas para a implementação de
medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, bem
como daqueles que exercem atividades de promoção e assistência à saúde em geral. Ou
seja, o objetivo da NR32 é cuidar da saúde e segurança dos profissionais que cuidam da
nossa saúde.

Atenção para a expressão: “serviços de saúde”: O item 32.1.2 nos mostra que, para
fins de aplicação da norma, essa expressão tem a seguinte abrangência:

Observem então que a definição de serviços de saúde incorpora o conceito de


edificação. Isso significa que todos os trabalhadores que exerçam atividades (relacionadas
ou não com a promoção e assistência à saúde) nas edificações destinadas à prestação de
assistência à saúde da população estarão também abrangidos pelas determinações da NR32.
Por exemplo, o trabalhador que presta serviços de segurança patrimonial em um hospital,
ou um servente de pedreiro que realiza um serviço de reforma em uma clínica de
oftalmologia.

Além da edificação, todas as ações de promoção, recuperação, assistência, pesquisa e


ensino em saúde, em qualquer nível de complexidade, também são alcançadas pela
expressão “serviços de saúde”. As atividades de pesquisa e ensino em saúde humana
compreendem aquelas que envolvem a participação de seres humanos, animais ou o uso de
suas amostras biológicas, sob protocolo de experimentação definido e aprovado
previamente, em qualquer nível de complexidade.
Finalmente, é importante salientar que a NR32 não se aplica aos serviços de saúde
animal, por exemplo, trabalhadores de hospitais veterinários, mas somente aos serviços de
saúde humana.

1. INTRODUÇÃO
Os espaços confinados são encontrados nas mais diversas atividades econômicas.
Antes da publicação da NR33, várias normas setoriais já estabeleciam medidas de segurança
para reduzir os riscos nos trabalhos nesses locais.

A NR18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção foi a


primeira norma a tratar dos espaços confinados: o item 18.20 – Locais confinados determina
medidas especiais de proteção para atividades da indústria da construção que exponham os
trabalhadores a riscos de asfixia, explosão, intoxicação e doenças do trabalho, nesses locais.

A NR29 – Segurança e Saúde no Trabalho Portuário e a NR30 – Segurança e Saúde no


Trabalho Aquaviário também estabelecem medidas de segurança nos trabalhos de limpeza e
manutenção dos espaços confinados existentes nos portos e embarcações.

Já a NR10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade aborda os ambientes


confinados no conteúdo programático do curso básico de Segurança em Instalações e
Serviços com Eletricidade.

A NR31 – Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária, Silvicultura,


Exploração Floresta e Aquicultura também dispõe sobre medidas de segurança para reduzir
os riscos nos trabalhos no interior dos silos, principalmente de explosões.

Entretanto, a diversidade de espaços confinados existentes, como túneis, tanques,


secadores, moegas, caldeiras, porões, contêineres, tubulões e outros, o elevado número de
acidentes de trabalho nesses locais, a gravidade desses acidentes, muitas vezes
caracterizados por “mortes em série”, entre vários outros fatores, levaram à decisão da
publicação de uma norma que abordasse o tema de forma mais detalhada e estruturada. A
NR33 – Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados, publicada em dezembro
de 2006, veio preencher essa lacuna na legislação de Segurança e Saúde no Trabalho.
1. INTRODUÇÃO
A indústria da construção e reparação naval é a atividade industrial responsável pela
fabricação e manutenção de embarcações e veículos de transporte aquático. São
consideradas atividades dessa indústria todas aquelas desenvolvidas no âmbito das
instalações empregadas para esse fim ou nas próprias embarcações e estruturas, tais como
navios, barcos, lanchas, plataformas fixas ou flutuantes, entre outras.

A construção naval brasileira tem como marco a inauguração, em 1846, pelo Barão de
Mauá, do primeiro estaleiro no País, localizado no Rio de Janeiro. Considera-se que a
indústria da construção naval como parque industrial tenha sido efetivamente criada no
governo do Presidente Juscelino Kubitschek (19561961). Entretanto, apesar de essa indústria
ser parte importante da história do Brasil e empregar atualmente milhares de trabalhadores,
somente em 2011 foi publicada a norma regulamentadora NR34, tendo como objetivo
principal estabelecer os requisitos mínimos e as medidas de proteção à segurança, à saúde e
ao meio ambiente de trabalho nas atividades da indústria de construção e reparação naval.

A norma propõe a utilização dos preceitos da antecipação dos riscos para a


implantação de medidas de proteção adequadas, pela utilização de metodologias de análise
de risco e de instrumentos administrativos como as Permissões de Trabalho, conforme as
situações de trabalho, para que este se realize com a máxima segurança.

1. INTRODUÇÃO
A queda de altura tem sido uma das principais causas de acidentes graves e fatais no
Brasil, nas mais diversas atividades econômicas. A publicação da NR35 representou um
importante avanço no que se refere à regulamentação dos requisitos mínimos para
realização de trabalho em altura, dentre os quais destaco a obrigatoriedade do uso do
absorvedor de energia. Apesar de obrigatório na Europa e Canadá há pelo menos vinte anos,
tal dispositivo ainda é ou era desconhecido de várias empresas no Brasil, até a publicação da
norma, em 2012. Sua função é reduzir ou absorver o impacto gerado pela parada brusca da
queda, evitando que a força do choque (em virtude da energia cinética, que é a energia
associada ao movimento de um corpo) seja totalmente transferida ao corpo do trabalhador.

Entretanto, a queda não é o único perigo no trabalho em altura. Após a queda, caso o
trabalhador esteja usando cinto de segurança, ele permanecerá suspenso pelo sistema de
segurança (cinto de segurança + talabarte + ancoragem) até a chegada da equipe de socorro.
Essa condição é chamada de suspensão inerte e oferece risco de compressão dos vasos
sanguíneos ao nível da coxa, podendo causar trombose venosa. Por isso é também
importante garantir a chegada do socorro o mais rápido possível após a queda, a fim de
reduzir o período em que o trabalhador permanece em suspensão inerte.

A ideia principal da norma é que a atividade exercida em altura seja planejada, de


forma a evitar que o trabalhador se exponha a riscos. E esse planejamento deve envolver
metodologias de análise de risco e mecanismos de execução da atividade, como as
Permissões de Trabalho. Além do planejamento, a norma também dispõe sobre a
organização e a execução dos trabalhos em altura de modo a garantir a segurança e a saúde
dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com essa atividade.

1. INTRODUÇÃO
A carne é um dos principais produtos do agronegócio brasileiro no cenário
internacional, sendo o Brasil um dos maiores produtores mundiais de carne bovina, suína e
de frango. Entretanto, os prêmios da alta produtividade e qualidade da carne brasileira são
alcançados à margem do adoecimento dos milhares de trabalhadores nas empresas de
abate e processamento de carnes.
Jornadas excessivas, inexistência ou não cumprimento de pausas para descanso,
manutenção de posturas ortostáticas/estáticas, condições ergonômicas desfavoráveis,
movimentos repetitivos, imposição de metas de produção muitas vezes inalc ançáveis,
estresse, fadiga, e vários outros fatores têm, inquestionavelmente, contribuído para o
elevado índice de adoecimento e acidentes de trabalho nessa atividade econômica. Também
não são raros os casos de afastamento com incapacidade permanente para o trabalho. Tais
situações são encontradas nas empresas dos mais variáveis níveis tecnológicos, que vão
desde aquelas que abatem animais em condições sanitárias precárias até as que atendem ao
mercado internacional.

Entretanto, é de ressaltar que importantes conquistas foram alcançadas com a publicação da


norma, dentre elas, a organização temporal, ou seja, obrigatoriedade de introdução de
rodízios e pausas para descanso, bem como a exigência de alternância de posturas,
possibilitando que o trabalhador exerça atividades que demandem diferentes exigências
físico-motoras, de forma a evitar posturas estáticas e movimentos excessivamente
repetitivos.