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SRRF01/Disit

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Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil


da 1ª RF

Solução de Consulta nº 11 - SRRF01/Disit


Data 19 de fevereiro de 2013
Processo
Interessado
CNPJ/CPF

ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E

SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF

IOF. CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO. MÚTUO.

Na apuração da base de cálculo do IOF, é preciso conhecer a modalidade


da operação contratada, ou seja, se há definição (crédito fixo) ou não
(crédito rotativo) do valor do principal a ser utilizado pelo mutuário.

Nas operações de crédito realizadas por meio de conta-corrente sem


definição do valor de principal (crédito rotativo), a base de cálculo será o
somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada
mês. Os acréscimos e os encargos integram a base de cálculo quando o
IOF for apurado pelo somatório dos saldos devedores diários e o IOF
também incidirá sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos
saldos devedores, à alíquota adicional de 0,38%.

No caso em que fique definido o valor do principal (crédito fixo), a base de


cálculo será o valor de cada principal entregue ou colocado à disposição do
mutuário.

Dispositivos Legais: Art. 7º do Decreto nº 4.494/2002 e art. 7º do Decreto


nº 6.306/2007.

Relatório

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A presente solução de consulta objetiva alterar o entendimento expresso


na Solução de Consulta SRRF01 nº 101, de 11 de setembro de 2006, cuja conclusão
equivocadamente manifesta que “[...] conclui-se que no caso de mútuo entre pessoas jurídicas
ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sem prazo, realizado por meio de conta-corrente, a base
de cálculo para incidência do IOF é o somatório de cada valor entregue ou colocado à
disposição do mutuário durante o mês, sem a utilização de saldos anteriores.”

Solução de Consulta SRRF01 nº 101/2006.

Ementa: BASE DE CÁLCULO. MÚTUO DE RECURSOS


FINANCEIROS.

No caso de mútuo entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e


pessoa física, sem prazo, realizado por meio de conta-corrente, a base de
cálculo para incidência do IOF é o somatório de cada valor entregue ou
colocado à disposição do mutuário durante o mês, sem a utilização de
saldos anteriores.

Dispositivos Legais: art. 13, da Lei nº 9.779/99; art. 7º, do Decreto nº


4.494/2002 e o item 1, do ADI SRF nº 007/99.

2. Em síntese, a empresa consulente (CNPJ nº xxxxxxxxxxxx),


referenciando o Ato Declaratório (AD) SRF nº 007, de 22 de janeiro de 1999, assim expõe em
sua consulta, protocolizada em 5/10/2005 (fls. 3 do PA eletrônico nº xxxxxxxxxxxxxxxx): “A
Consulente realiza operações de mútuo entre pessoas jurídicas, sem prazo, realizado por meio
de conta-corrente, calculando e cobrando o IOF no 1º dia útil do mês subseqüente àquele a que
se referir, relativamente a cada valor entregue ou colocado à disposição do mutuário durante o
mês, pelo somatório dos saldos diários e recolhidos até o 3º dia útil da semana subseqüente.
Para composição da base de cálculo do Imposto estamos considerando o saldo acumulado do
mês anterior.”

2.1. Por fim, questiona: “Nas operações de mútuo entre pessoas jurídicas,
sem prazo determinado de pagamento, no somatório dos saldos devedores diários devemos
considerar o saldo acumulado do mês anterior para composição da base de cálculo do IOF ou
considera-se somente os saldos diários do mês corrente sem acumular com o do mês anterior?”

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Fundamentos

3. Preliminarmente, muito embora não seja o objeto da consulta, importa


esclarecer que os prazos de recolhimento do IOF foram alterados e definidos em lei publicada
em data posterior à apresentação da consulta1. Tais prazos também estão definidos em normas
regulamentadoras.

4. Considerando o exposto pela consulente (fls. 3), em especial que “[...]


realiza operações de mútuo entre pessoas jurídicas, sem prazo, realizado por meio de conta-
corrente [...]”, tem-se que a solução para a consulta deve ser restrita à composição da base de
cálculo do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou
Valores Mobiliários – IOF, em operações de crédito, mais especificamente: “Nas operações de
mútuo entre pessoas jurídicas, sem prazo determinado de pagamento [...]”.

5. De forma esclarecedora e vinculante, a Solução de Divergência Cosit nº


31, de 14 de julho de 2008, apreciando a matéria com base na redação do art. 7º do Decreto nº
6.306/2007 então vigente e definindo o alcance do AD SRF nº 007/19992 e 3
à hipótese em
comento, assim dispôs:

1
Art. 70 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, cuja redação foi alterada por normas supervenientes,
revogou a alínea “b” do inciso II do art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.
2
A Nota MF/SRF/COSIT/DIMEF nº 47, de 4 março de 1999, em seu item 4, III, esclareceu procedimentos a
serem adotados nos casos de operação de crédito sem prazo nem taxa de juros definidos:
(...)
2. O art. 13 da Lei n° 9.779, de 19 de Janeiro de 1999, estabelece que o tratamento tributário concedido a
essa modalidade de incidência é o mesmo fixado para as operações de crédito realizadas por instituições
financeiras. Desta forma, o Regulamento do IOF constante do Decreto n° 2.219, de 02 de maio de 1997, é o
diploma normativo básico para cumprimento das obrigações tributárias.
3. Não obstante, o art. 13 está disciplinado também por meio dos Atos Declaratórios do Secretário da Receita
Federal n°s 4 e 7, respectivamente, de 15 e 22 de janeiro de 1999.
4. Outrossim, tendo em vista que têm surgido muitas dúvidas, especialmente, com relação às formas de
cálculo do imposto, pode-se esclarecer a matéria, de forma sucinta, conforme segue:
(...)
III – operação de crédito sem prazo nem taxa de juros definidos:
a) deve ser utilizado o cálculo do imposto pelo somatório dos saldos devedores diários em cada mês, isto é,
considera-se o montante do saldo devedor acumulado mensalmente;
b) o imposto deve ser apurado e cobrado no último dia útil de cada mês, aplicando-se a alíquota
correspondente, segundo a natureza de pessoa física ou jurídica do mutuário;
c) o prazo de recolhimento é até o 3º dia útil da semana subseqüente à de cobrança;
d) os encargos de juros, por se converterem em valor de principal, compõem a base de cálculo.” (grifou-se)
3
A Nota MF/SRF/COSIT/DIMEF nº 91, de 31 março de 1999, em seu item V, esclareceu o alcance da expressão
“operação de crédito sem prazo nem taxa de juros definidos” (item III da Nota MF/SRF/COSIT/DIMEF nº

3
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Solução de Divergência Cosit nº 31/2008.

5. Preliminarmente, como expressado nas duas Soluções,


faz-se necessário confirmar que de fato a Lei nº 9.779, de 19 de janeiro
de 1999, versa sobre a incidência do IOF nos casos de mútuo de recursos
financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa
física, nos seguintes termos:

Art.13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos


financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física
sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às
operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições
financeiras.

...................................................................................................................

6. Nesse sentido, resta esclarecer a forma de incidência do


imposto, sua respectiva alíquota e base de cálculo para o caso concreto
apresentado. Para tanto, ambas Soluções, acertadamente, buscaram as
informações no Regulamento do IOF (RIOF), atual Decreto nº 6.306, de
14 de dezembro de 2007, que revogou o Decreto nº 4.494, de 3 de
dezembro de 2002, vigente à época da Solução de Consulta nº 101, de
2006 da SRRF01.

7. Estabelece o Regulamento do IOF que a base de cálculo


do imposto nas operações de crédito varia conforme a modalidade da
operação contratada, ou seja, definição do valor do principal contratado
(crédito fixo) ou não (crédito rotativo). Assim, versa o art. 7º do Decreto
nº 6.306, 2007:

Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei


nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art.
64, inciso I):

47/1999) nos seguintes termos: “Essa expressão, utilizada na NOTA nº 47/99, ora editada, inclui a operação que,
embora tenha juros pré-fixados mais um índice qualquer de correção pós-fixado, seja de prazo indeterminado.”
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I - na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive


abertura de crédito:

a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo


mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do
crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório
dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês,
inclusive na prorrogação ou renovação:

1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%;

[...]

b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo


mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua
disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do
principal de cada uma das parcelas:

1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia;

[...]

§ 12. Os encargos integram a base de cálculo quando o IOF for apurado


pelo somatório dos saldos devedores diários.

§ 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos


contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza,
importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja
o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na
forma dos incisos I a VI, conforme o caso.

§ 14. Nas operações de crédito contratadas por prazo indeterminado e


definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, aplicar-se-á a
alíquota diária prevista para a operação e a base de cálculo será o valor
do principal multiplicado por trezentos e sessenta e cinco.

§ 15. Sem prejuízo do disposto no caput, o IOF incide sobre as operações


de crédito à alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento,
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independentemente do prazo da operação, seja o mutuário pessoa física


ou pessoa jurídica. (Incluído pelo Decreto nº 6.339, de 3 de janeiro de
2008)

§ 16. Nas hipóteses de que tratam a alínea "a" do inciso I, o inciso III, e a
alínea "a" do inciso V, o IOF incidirá sobre o somatório mensal dos
acréscimos diários dos saldos devedores, à alíquota adicional de que trata
o § 15. (Incluído pelo Decreto nº 6.339, de 3 de janeiro de 2008)

...................................................................................................................

8. Diante do estabelecido no inciso I do art. 7º do RIOF,


verifica-se que há diferença na apuração da base de cálculo do IOF
quando o valor do principal for definido ou não. Portanto, para apuração
da base de cálculo é preciso conhecer a modalidade da operação
contratada, ou seja, a definição ou não do valor do principal a ser
utilizado pelo mutuário.

9. Nos casos em que valor do principal não ficar definido, a


legislação estabelece que a base de cálculo é o somatório dos saldos
devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na
prorrogação ou renovação do contrato, acrescido dos encargos debitados
ao mutuário, como estabelece o § 12 do mesmo art. 7º. Observe-se que
aqui, para apuração do saldo devedor de determinado dia, leva-se em
consideração o saldo do dia anterior, acrescido dos lançamentos do dia,
como observou a Disit da SRRF10 em sua Solução de Consulta nº 27, de
2008, que é corroborada pela Decisão nº 299, de 1999, quando trata da
tributação nos empréstimos concedidos a prazo e taxas indefinidos. É o
que acontece para apuração do IOF devido nos casos de utilização do
“cheque especial” ou “conta garantida”, em que não há um valor definido
tomado como empréstimo, mas tão somente um valor de limite máximo
que pode ser utilizado pelo tomador.

10. Diferentemente, nos casos em que fique definido o valor


do principal, estabelece o inciso I-b do art. 7º do RIOF que a base de
cálculo é o valor do principal entregue ou colocado à disposição do
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mutuário. Neste caso não há saldo anterior a ser considerado posto que o
valor do crédito contratado é colocado à disposição do tomador por meio
de crédito em sua conta corrente ou saque diretamente no caixa, hipótese
em que para apuração do IOF devido considera-se o valor do crédito
concedido, o prazo da operação e a alíquota aplicável nos termos do
mesmo art. 7º.

11. Não obstante essa diferenciação primária, o Regulamento


ainda estabelece que nos casos em que fique definido o valor do principal
sem data de vencimento prevista para liquidação, aplicar-se-á a alíquota
diária prevista para a operação e a base de cálculo será o valor do
principal multiplicado por trezentos e sessenta e cinco, ou seja, aplica-se
a alíquota máxima.

12. Em ambas Soluções, há referência ao Ato Declaratório


(AD) SRF nº 7, de 22 de janeiro de 1999, na parte que regulamentou o
art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que assim dispõe:

1. No caso de mútuo entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e


pessoa física, sem prazo, realizado por meio de conta-corrente, o Imposto
sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou
Valores Mobiliários – IOF, devido nos termos do art. 13 da Lei n° 9.779,
de 19 de janeiro de 1999:

a) incide somente em relação aos recursos entregues ou colocados à


disposição do mutuário a partir de 1° de janeiro de 1999;

b) será calculado e cobrado no primeiro dia útil do mês subseqüente


àquele a que se referir, relativamente a cada valor entregue ou colocado à
disposição do mutuário durante o mês, e recolhido até o terceiro dia útil
da semana subseqüente;

c) os encargos debitados ao mutuário serão computados na base de


cálculo do IOF a partir do dia subseqüente ao término do período a que
se referirem.

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13. É importante lembrar que o citado AD foi editado para


tirar dúvidas do contribuinte ou responsável surgidas após a edição da
Lei nº 9.779, de 1999, quando a incidência do IOF alcançou também as
operações de crédito concedidas por qualquer pessoa jurídica, ainda que
não financeira. Assim, em seu item 1, letra “b”, esclareceu apenas sobre a
apuração da base de cálculo nas operações de mútuo, sem prazo definido
e concedido por meio de conta corrente a partir de 1º de janeiro de 1999,
na fase de transição. Em outras palavras, no caso de crédito rotativo o
saldo devedor existente em 31 de dezembro de 1998 não deveria ser
computado na base de cálculo do imposto devido a partir de janeiro posto
que os recursos foram entregues antes da vigência da Lei nº 9.779, de
1999.

14. Resta concluir, portanto, das leituras acima, que a


principal questão ao tratar da incidência do IOF nas operações de mútuo
de recursos financeiros é a identificação da modalidade da operação
contratada. Nesse sentido, a Disit da SRRF10, em sua Solução de
consulta nº 27, de 2008, admite ter presumido o tipo de operação,
identificando-a como de crédito rotativo, não oferecendo elementos
contratuais capazes de caracterizar efetivamente a operação. Entretanto,
ao tratar do caso presumido, mútuo entre pessoas jurídicas e (ou) entre
pessoa jurídica e pessoa física, sem valor definido e com prazo
indeterminado, a Solução de Consulta da SRRF10 propõe a forma correta
de apuração do IOF, esclarecendo que a base de cálculo neste caso é o
somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada
mês.

Conclusão.

15. Ante o exposto, conclui-se que para apuração da base de


cálculo do IOF é preciso identificar a modalidade da operação
contratada: crédito fixo ou rotativo. Nas operações de crédito realizadas
por meio de conta corrente sem definição do valor de principal (crédito
rotativo), decorrentes de mútuo de recursos financeiros entre pessoas
jurídicas, ou entre pessoa jurídica e pessoa física, a base de cálculo será o
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somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada


mês. No caso em que fique definido o valor do principal (crédito fixo), a
base de cálculo será o valor de cada principal entregue ou colocado à
disposição do mutuário.

[grifado]

6. Em que pese a ementa da referida solução de divergência ter sido


publicada em 2008 (Diário Oficial da União nº 142, de 25/7/2008, Seção 1, pp. 14 e 15),
importa registrar que a redação do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007 sofreu poucas alterações
desde então. Destaque-se a inclusão dos §§ 18 e 19 ao citado art. 7º e as modificações nas
alíquotas a serem aplicadas nas hipóteses de operações em que o mutuário seja pessoa física:

Decreto nº 6.306/2007.

Art. 7º [...]

[...]

§ 18. No caso de operação de crédito cuja base de cálculo seja apurada por
somatório dos saldos devedores diários, constatada a inadimplência do
tomador, a cobrança do IOF apurado a partir do último dia do mês
subsequente ao da constatação de inadimplência dar-se-á na data da
liquidação total ou parcial da operação ou da ocorrência de qualquer das
hipóteses previstas no § 7º. (Incluído pelo Decreto nº 7.487, de 2011)

§ 19. Na hipótese do § 18, por ocasião da liquidação total ou parcial da


operação ou da ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no § 7º, o
IOF será cobrado mediante a aplicação das alíquotas previstas nos itens 1
ou 2 da alínea “a” do inciso I do caput, vigentes na data de ocorrência de
cada saldo devedor diário, até atingir a limitação de trezentos e sessenta e
cinco dias. (Incluído pelo Decreto nº 7.487, de 2011)

7. A Instrução Normativa (IN) RFB nº 907, de 9 de janeiro de 2009, em seu


art. 7º , assim disciplina a incidência do IOF sobre operações de crédito em pauta:

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IN RFB nº 907/2009.

Da Incidência do IOF sobre Operações de Mútuo

Art. 7º O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas


jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei nº 9.779, de 19 de
janeiro de 1999 , incide somente sobre operações de mútuo que tenham
por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma.

§ 1º O imposto de que trata o caput tem como:

I - contribuinte, o mutuário, pessoa física ou jurídica;

II - fato gerador, a entrega do montante ou do valor que constitua o


objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário; e

III - base de cálculo, o valor entregue ou colocado à disposição do


mutuário.

§ 2º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente sem


definição do valor de principal, a base de cálculo será o somatório dos
saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês.

§ 3º Nas operações de crédito realizadas por meio de conta corrente em


que fique definido o valor do principal, a base de cálculo será o valor de
cada principal entregue ou colocado à disposição do mutuário.

§ 4º O imposto incidirá às seguintes alíquotas:

I - na hipótese prevista no § 2º, 0,0041% (quarenta e um décimos de


milésimo por cento), acrescida da alíquota adicional de 0,38% (trinta e
oito centésimos por cento) de que trata o § 16 do art. 7º do Decreto nº
6.306, de 2007;

II - na hipótese prevista no § 3º, 0,0041% (quarenta e um décimos de


milésimo por cento) ao dia, acrescida da alíquota adicional de 0,38%
(trinta e oito centésimos por cento) de que trata o § 15 do art. 7º do
Decreto nº 6.306, de 2007.

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§ 5º É responsável pela cobrança e pelo recolhimento do IOF a pessoa


jurídica mutuante.

§ 6º O imposto deve ser recolhido ao Tesouro Nacional até o 3º (terceiro)


dia útil subseqüente ao decêndio da cobrança, sob os códigos de receita
1150, se o mutuário for pessoa jurídica, e 7893, se o mutuário for pessoa
física.

8. No caso em tela, a consulente nada informou acerca do valor do principal


(ser definido ou não). Entretanto, em razão do contexto da petição, observa-se que se trata de
mútuo entre pessoas jurídicas, contratado por prazo indeterminado (“sem prazo determinado de
pagamento”), “realizado por meio de conta-corrente” (fls. 3).

CRÉDITO ROTATIVO (valor do principal não é conhecido)

9. Em resumo, pelo exposto, tem-se que, nas operações de crédito


concedido por pessoas jurídicas (art. 13 da Lei nº 9.779/1999), realizadas por meio de conta-
corrente, sem definição do valor de principal (crédito rotativo), a legislação estabelece que a
base de cálculo deve ser o somatório dos saldos devedores diários (no próprio mês), apurado no
último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação do contrato. Observe-se que,
para apuração do saldo devedor de determinado dia (mesmo que seja o primeiro dia do mês),
leva-se em consideração o saldo devedor do dia anterior, acrescido (ou reduzido4) dos
lançamentos do dia. Assim, por exemplo, se no último dia do mês “A” (“mês_A”) o saldo
devedor diário for “y”, ao final do primeiro dia do mês seguinte (“mês_B”), o saldo devedor
diário será o valor de “y” somado aos eventuais acréscimos e encargos lançados no dia 1º do
“mês_B” (§§ 9º e 12 do art. 7º Decreto nº 6.306/2007) e reduzido do valor do eventual
pagamento realizado pelo mutuário no dia 1º do “mês_B”.

9.1. Ou seja, para a apuração do saldo devedor de determinado dia (ainda que
seja o primeiro dia do mês), em suma, leva-se em consideração o saldo devedor do dia anterior,
acrescido dos lançamentos do dia. Assim, para o cálculo do saldo devedor diário do dia 1º do
“mês_B”, faz-se a seguinte operação:

saldo devedor do último dia do “mês_A”


4
É importante registrar que, na apuração dos saldos devedores diários, devem ser levados em consideração,
obviamente, as possíveis amortizações feitas pelo mutuário, que contribuirão para a redução desses saldos.
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+ acréscimos e encargos do dia 1º do “mês_B”


– pagamentos realizados pelo mutuário no dia 1º do “mês_B”
= saldo devedor diário do dia 1º do “mês_B”

9.2. Cumpre observar que, nos termos dos §§ 12 e 16 do art. 7º do Decreto nº


6.306/2007, “Os encargos integram a base de cálculo quando o IOF for apurado pelo somatório
dos saldos devedores diários” e o IOF também “incidirá sobre o somatório mensal dos
acréscimos diários dos saldos devedores”, à alíquota adicional de trinta e oito centésimos por
cento (0,38%), sem prejuízo da incidência do disposto no caput do art. 7º do referido decreto.

9.3. Em síntese, considerando os termos da consulta protocolizada, tem-se


que, para a definição da base de cálculo do IOF incidente nas operações de crédito (mútuo)
concedido por pessoas jurídicas não financeiras, realizadas por meio de conta-corrente, sem
prazo determinado de pagamento e sem definição do valor de principal (crédito rotativo),
inclusive na prorrogação ou renovação do contrato, deve-se apurar, no último dia de cada mês,
o somatório dos saldos devedores diários (alínea “a” do inciso I do caput do art. 7º do Decreto
nº 6.306/2007), sem prejuízo da aplicação, no que couber, do disposto nos parágrafos do art. 7º
do Decreto nº 6.306/20075.

CRÉDITO FIXO (valor do principal é conhecido e foi contratado por prazo indeterminado)

10. Por sua vez, nas operações de crédito (mútuo) realizadas, em que fique
definido o valor do principal (crédito fixo), a base de cálculo é o principal entregue ou
colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de
cada uma das parcelas (alínea “b” do inciso I do caput do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007).
Neste caso não há saldo anterior a ser considerado, posto que o valor do crédito contratado é
colocado à disposição do tomador por meio de crédito em sua conta-corrente ou saque
diretamente no caixa. Na hipótese do mutuário pessoa jurídica, a alíquota é de 0,0041% ao dia.

10.1. Quando vigente o Decreto nº 4.494, de 3 de dezembro de 20026 (época


do protocolo da consulta sob análise), inexistia a previsão expressa nos termos do §14 do art. 7º

5
Com a publicação do Decreto nº 7.487, de 23 de maio de 2011, foram incluídos os §§ 18 e 19 ao art. 7º do
Decreto nº 6.306/2007. Destaque-se que, a partir de então, nas hipóteses a que se referem, também foi
determinado o limite de 365 dias para o cálculo do IOF.
6
Revogado pelo Decreto nº 6.306/2007.

12
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do Decreto nº 6.306/20077. Como consequência, nas operações de mútuo contratadas por prazo
indeterminado e definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário (crédito fixo),
prevalecia o limite e a interpretação que se extrai do comando do §1º do art. 7º Decreto nº
4.494/2002: “O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores
diários, não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de
principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias, ainda que
a operação seja de pagamento parcelado” (grifado). Em decorrência, para fins de cálculo, a
alíquota diária (0,0041% ao dia8) deveria ser multiplicada pelo prazo máximo de 365 dias (§1º
do art. 7º Decreto nº 4.494/2002) para, em seguida, aplicava-se o resultado (1,4965%) à base de
cálculo do IOF (correspondente ao valor emprestado, nos termos do alínea “b” do inciso I do
caput do art. 7º do Regulamento do IOF). Em síntese:

Valor do IOF (prazo indeterminado e definido o valor do principal) =


=“Principal 1” x (0,0041% x 365) = “Principal 1” x 1,4965%.

10.2. Nesse mesmo sentido, possível referenciar o precedente da Solução de


Consulta SRRF09 nº 115, de 22 de março de 20069 (DOU nº 78, terça-feira, 25 de abril de
2006, Seção 1, p. 22): “Nas operações de mútuo entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica
e pessoa física, a entrega ao mutuário do valor objeto do contrato constitui fato gerador do IOF,
[...]. Sendo o contrato por prazo superior a um ano, ou por prazo indeterminado, a alíquota a
ser aplicada para apuração do IOF devido será de 1,4965%.”

10.3 Por sua vez, na vigência do Decreto nº 6.306/2007, na hipótese das


operações de mútuo contratadas por prazo indeterminado e definido o valor do principal a ser
utilizado pelo mutuário (crédito fixo), tem-se o comando específico do §14 do art. 7º do
Decreto nº 6.306/2007, sem prejuízo do previsto nos §§ 1º e 15 do mesmo artigo10. Assim, em

7
§ 14 do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007: “Nas operações de crédito contratadas por prazo indeterminado e
definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, aplicar-se-á a alíquota diária prevista para a operação e
a base de cálculo será o valor do principal multiplicado por trezentos e sessenta e cinco.”
8
Na hipótese do mutuário pessoa jurídica, a alíquota de 0,0041 % ao dia também estava prevista na alínea “b” do
inciso I do art. 7º Decreto nº 4.494/2002.
9
Publicada à época da vigência do Decreto nº 4.494/2002.

10
Art. 7º [...]
[...]
§ 1o O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores diários, não excederá o
valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada
13
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Fls. 67

resumo, necessário multiplicar o valor do principal por 365 (trezentos e sessenta e cinco) e, a
esse resultado, aplica-se a alíquota de 0,0041% indicada pela alínea “b” do inciso I do caput do
art. 7º do Decreto nº 6.306/2007:

Valor do IOF (prazo indeterminado e definido o valor do principal) = =


(“Principal 1” x 365) x 0,0041%.

Obs: sem prejuízo da aplicação da alíquota de 0,38% (§§ 1º e 15 do art.


7º do Decreto nº 6.306/2007)11.

10.4. Para a definição da base de cálculo do IOF incidente nas operações de


mútuo concedido por pessoas jurídicas não financeiras, sem data de vencimento prevista para
liquidação e com definição do valor de principal (crédito fixo), os §§ 1º e 14 do art. 7º do
Decreto nº 6.306/2007 atualmente estabelecem que se deve aplicar a alíquota diária prevista
para a operação e a base de cálculo será o valor do principal multiplicado por trezentos e
sessenta e cinco, sem prejuízo da incidência da alíquota adicional de trinta e oito centésimos

por trezentos e sessenta e cinco dias, acrescida da alíquota adicional de que trata o § 15, ainda que a operação seja
de pagamento parcelado. (Redação dada pelo Decreto nº 6.391, de 2008)
[...]
§ 14. Nas operações de crédito contratadas por prazo indeterminado e definido o valor do principal a ser utilizado
pelo mutuário, aplicar-se-á a alíquota diária prevista para a operação e a base de cálculo será o valor do principal
multiplicado por trezentos e sessenta e cinco.
§ 15. Sem prejuízo do disposto no caput, o IOF incide sobre as operações de crédito à alíquota adicional de trinta
e oito centésimos por cento, independentemente do prazo da operação, seja o mutuário pessoa física ou pessoa
jurídica.(Incluído pelo Decreto nº 6.339, de 2008).

11
O disposto nos §§ 15 e 16 do art. 7º do Regulamento do IOF, incluídos pelo Decreto n° 6.339, de 2008, que,
consoante o disposto no art. 2º desse Decreto, produzem efeitos em relação às operações contratadas a partir de
3/1/2008.

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por cento (0,38%), independentemente do prazo da operação, seja o mutuário pessoa física ou
pessoa jurídica (§§ 1º e 15 do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007).

11. Por todo o exposto, resta claro que a Solução de Consulta nº 101, de 11
de setembro de 2006, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 1ª Região
Fiscal (SRRF01) deve ser reformada, nos termos da presente solução de consulta.

Conclusão

12. Tecidas tais considerações, considerando o exposto na Solução de


Divergência Cosit nº 31/2008 e sem prejuízo da aplicação das normas que regem a definição da
base de cálculo do IOF na hipótese de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou
entre pessoa jurídica e pessoa física, em especial, do disposto no art. 7º do Decreto nº
4.494/2002 (revogado) e no art. 7º do Decreto nº 6.306/2007 (vigente), em resposta à
consulente conclui-se que:

a) Fica reformada a Solução de Consulta nº 101/2006 da SRRF01;

b) Na apuração da base de cálculo do IOF, é preciso conhecer a


modalidade da operação contratada, ou seja, se há definição
(crédito fixo) ou não (crédito rotativo) do valor do principal a ser
utilizado pelo mutuário.

c) Nas operações de crédito realizadas por meio de conta-corrente


sem definição do valor de principal (crédito rotativo), a base de
cálculo será o somatório dos saldos devedores diários, apurado no
último dia de cada mês12. Os acréscimos e os encargos integram a
base de cálculo quando o IOF for apurado pelo somatório dos
saldos devedores diários13 e o IOF também incidirá sobre o

12
Alínea “a” do inciso I do caput do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007 (redação correspondia à alínea “a” do inciso
I do caput do art. 7º do Decreto nº 4.494/2002, revogado). No caso do § 7o do art. 7o, se a base de cálculo original
for o somatório mensal dos saldos devedores diários, a base de cálculo será o valor renegociado na operação, com
exclusão da parte amortizada na data do negócio.
13
§ 12 do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007 (redação correspondia ao § 12 do art. 7º do Decreto nº 4.494/2002,
revogado).

15
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Fls. 69

somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, à


alíquota adicional de 0,38%14.

d) Na hipótese de crédito rotativo, para a apuração do saldo devedor


de determinado dia (ainda que seja o primeiro dia do mês), em
suma, leva-se em consideração o saldo devedor do dia anterior,
acrescido dos lançamentos do dia.

e) Nas operações de mútuo em que fique definido o valor do


principal (crédito fixo), a base de cálculo será o valor de cada
principal entregue ou colocado à disposição do mutuário. Neste
caso não há saldo anterior a ser considerado, posto que o valor do
crédito contratado é colocado à disposição do tomador por meio
de crédito em sua conta-corrente ou saque diretamente no caixa.
O Regulamento15 ainda estabelece que, nos casos em que fique
definido o valor do principal sem data de vencimento prevista
para liquidação, aplicar-se-á a alíquota diária prevista para a
operação e a base de cálculo será o valor do principal
multiplicado por 365 (trezentos e sessenta e cinco), sem prejuízo
da incidência da alíquota adicional de que trata os §§ 1º e 15,
ainda que a operação seja de pagamento parcelado.

À consideração do Chefe da Disit/SRRF01.

Paulo Henrique Passos T. Dantas


Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil - Disit/SRRF01’

14
§ 16 do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007, incluído pelo Decreto nº 6.339/2008.
15
§ 14 do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007.

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Ordem de Intimação

13. De acordo. Na forma do disposto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, os


processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única, não
comportando, assim, a presente solução recurso voluntário ou de ofício nem pedido de
reconsideração. Excepcionalmente, se a interessada vier a tomar conhecimento de outra
solução de consulta, divergente desta, relativa à mesma matéria e fundada em idêntica norma
jurídica, caberá recurso especial, sem efeito suspensivo, para a Coordenação-Geral de
Tributação (Cosit), em Brasília (DF), em conformidade com o art. 16 da IN RFB nº 740, de 2
de maio de 2007.

14. O prazo para interposição do recurso é de trinta dias, contados da ciência


desta solução, ou da solução divergente, se publicada posteriormente à ciência desta,
competindo ao interessado comprovar a existência das soluções divergentes sobre idênticas
situações, mediante juntada das correspondentes publicações.

15. Encaminhe-se ao Serviço de Orientação e Análise Tributária da


Delegacia da Receita Federal do Brasil em xxxxxxx para conhecimento, encaminhar cópia para
a fiscalização, dar ciência à contribuinte e demais providências cabíveis.

Rodrigo Augusto Verly de Oliveira


Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil
Chefe Disit/SRRF01
Portaria SRRF01 nº 121, de 4/5/2007, publicada no DOU de 9/5/2007

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