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ANO 2 — N.

° 22 — JULHO 1972 — EDIÇÃO NACIONAL — Cr$ 1,50

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GALERIA DE VERBOYS E VERGIRLS: MM — LA MONROE —MARILYN

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ANDY WARHOL. (Philadelphia, 1930)
— NOVE ANOS DE ATIVH>ADES CINEMATOGRÁFICAS.
HOLLYWOODIANO.
— SURGEM, AO CORRER DOS ANOS, NOVOS ASTROS ESTRELAS
SOB A TUTELAGEM DE WARHOL.
UMA LISTA EXTENSIVA INCLUIRIA (ENTRE OUTROS/AS, (À NA ESQUERDA):
1 — Valorização do GLAMOUR — Hommages e Marilyn Monroe, Jean Harlow e
Carmem Miranda através de Mario Montez. ***m2.
2 — Valorização da IMAGEM FIXA "Sleep" (1963) — seis horas interruptas de um
homem dormindo.
VIVA, "Eat" (1S63) — Robert Indiana come um cogumelo durante 45 minutos.
JOE D'ALLESSANDRO "Enrpire" (1964) — oito horas de plano úr.ico do Empire State Bulding, em
JANE FQRTH Nova York.
V MISS PENNY ARCADE
MARIO MONTEZ
3 —i Valorização do DIÁLOGO — A volta da supersofisticação da década de 30
(exemplo típico: "The Awful Truth" (1937), dirigido por Leo Mc Carey com
GERARD MALANGA Cary Grant e Irene Dunne.)
IêêM ULTRA VIOLET 4 — Valorização do SEXO (KOMO — HETEKO — PAN — TRANS) como ele-
mento catalizador na criação.
POPE ONDINE
INGRID SUPERSTAR 5 — Valorização da INVENTIVIDADE DO ESPECTADOR — "Você poderia fazer
mais coisas vendo os meuj filmes do que com os outros tipos de filmes; você
BRIGID POLK
ROBERT INDIANA poderia comer e beber e fumar e tossir e desviar o olhar da tela e depois olhá- "!ájjt\ v|^ÍP:**':W^-W' # *Jfc
PAUL AMERICA la novamente e ela ainda estaria lá. Não é o filme ideal, é apenas o meu tip<.»
LOUIS WALDON de filme." — A imagem — Andy Warhol a Peter Gidal (1971).
HOLLY WOODLOW — O cinema de Warhol é * cinema politicomosexiial.
TOM HOMPERTZ — Em 1971, Warhol para de lidar com os seus filmes de forma direta e coloca seu
BABY JANE IIOLZER. nome nos mesmos apenas como marca registrada, entregando produção, direção
e fotografia ao seu amigo e ex-assistente Paul Morrissey.
— Os primeiros filmes de Morrissey — "Flesh" (1970) e "Trash" (1971) — aparen-
tam apenas superficialmente terem sido feitos por Warhol. Estes incorporam ele-
mentos de sua cinestética e técnica, deixando diferenças enormes e evidentes, na
maior parte em compromissos com as tradições do filme convencional. mK^m
DEPOIMENTO DE ABBIE HOFFMAN: "Agora, neste período de mudança no
País, os estilos de Warhol e Castro podem ser misturados. Não é guerra — guerrilha
mas... bem... talvez um bom. termo seja guerra-macaca. Se o pais tornar-se mais
repressivo, nós devemos tornar-nos Castros. Se vier a ser mais tolerante, nós de-
vemos transformar-nos em Warfaoís."
DOIS DEPOIMENTOS DE ANDY WARHOL SOBRE ANDY WARHOÍL.
1 — Eu acho que seria formidá .-ei se todas as pessoas fossem iguais.
2 — O entrevistador deveria semente me dizer as palavras que ele quer que eu diga
..»sV e eu as repetiria depois. Eu seu tão vazio que não consigo pensar em nada para
dizer. Eu não sou mais inteligente do que aparento ser. Na verdade, eu não estou
dizendo nada agora. Se você quiser saber tudo sobre Andy Warhol, olhe apenas a
superfície de meus filmes e qc.-idros e eu, e lá estarei. Não existe nada atrás disso.

w STEVE BERG •m %.
(gUÜv^Jur^r^js

VERBO ENCANTAI»'
AU CINEMA
Et puis ce soir on s'en .
Au cinema
Les artistes qui sont-Ce ■ ^*vm \é~9
Ce ne sont plus ceux qui
[cultivent les Beaux-A
Ce ne sont pas ceux qui s'oc<
tde 1'Art! £r$
Art poetique on bien musique
Les artistes ce sont les actc<"
[les aj
Sinous etions cies artistes
Nous ne dirions pas le cinema v/S
Nous dirions le ciné
Mais si nous etions de vieux
[professeurs de provincej
Nous ne dirions ni ciné ni
[rir.
Mais cincmatographe.
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Guillaume Apolli
(1880-1918)

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qilE ditoWlQUE
uma coiba da oüto
EDITORIALIAS
(homenagem a Armindo Jorge,
pela distância pela bania pelo blue
pelo que disse: meu Dylan foi Godard)
1 — Hojem dia morena a gente tem que ser como a Emília de Mon-
teiro que diz confiar desconfiando. Nem tudo é ouro em pó, e nem tudo
que brilha é ouro, daí perferirmos, nós do Verbo, as afinidades eletivas,
Duda sabe o que é isso, ele fala bem destas memórias, estórias que voltam,
assim como em todo filme plano seqüência tem uma ponte, nem que seja
lá fundo distante. No princípio era o Verbo depois veio o Substantivo, os
Adjetivos. TRADUÇÃO: foi com Caetano que assisti o lindo colorido UNE
FEMME EST UNE FEMME. No final Ana dizia pró rapaz, que chama ela
de INFAME. INFAME NON, JE SUIS UNE FEMME. Assim ele junta suas
palavras e faz talvez um brinquedo, um trambolho triangular, que monta
e desmonta. Meu humor. Um pouco de humor. Como comendo, o que é que
apaga o fogo? A água; vê se aprende, bobo.
(Roberto ficou desenhando o Andy Warhol durante dois dias, comeu
pouco, trabalhou direto, sem descanso. Assim ele faz seus desenhos, com
clima de Hollywood Álbum de James Dean, Edição Extra de Cins-Fan, Edi-
ção La Selva).
2 — Tem Pai Luís, de forte linha, da Casa de Oxum. Ele me ensinou
da água e do fogo, tem muita sabedoria. E não encontrei ele numa esquina
de Ipanema, andei mais muitos anos até ele, decifrando o verbo para cada
sim tem um não.
3 — Alô, alô queridos sapatões de todo o Brasil, vos amo. Conseguiram
ganhar em toda linha com belas representantes. Os sapatões! sapataria bem
sortida, um descanso. Passeio anda cheio, e quente é assim, e como meu
signo é perigo pode vir quente que estou fervendo. Alô meninas e meni-
nos, salve a sapataria. 3UeST<„ "$?■ uonr.,1 x
*
4 — Falo de Erasmo, que vem a toda, com estórias que só contou para
o VERBO ENCANTADO. Os cadernos todos onde ele anotou saques maravi-
lhosos. Erasmo e Narinha já na Galeria de Verboys & girls. Produção Waly
Sailormoon Pinky Wainer.
5 — Salve Big Boy, não sei porque desde aquele encontro com Scar-
let Moon, que era a mais bonita de nós três que gostei de ver seu lanche
dentro daquela sacola enorme. E nunca mais encontrei Paulinho Lima.
Nem falei com Dona Maria.
6 — Fotos com Lena, ela posou horas coitadinha, tirando e vestindo
vestido, foto e esperança nela, são Verbo vibrations.
7 — Billy me disse que eu era bem prático, que faço as coisas, meto as Mijado «i,'^535^""*1 Iara

mãos. É uma tarefa, existem outras. Mas não me venham com pobrezas: es-
trelas só as verdadeiras e nunca ninguém improvisa nada assim, muito
menos uma imagem, e vejo tanta estrela de nada, que sonho com Marilyn
noites inteiras.
As que pintam por aqui, só são neuróticas e exigentes, mais parecem
meninas desmazeladas.
8 — E como para andar nestas ruas do mundo da gebê é preciso fogo
e água, estou com pés bem na terra comprando até pão na esquina e só
lendo em poesia Dante. E e o repórter Dickens.
9 — O Alvinho foi para o verbo. Não caio no brejo porque sou flu-
tuante. .... ?o Ver-
10 — Todo mundo precisa de sua terra. Como Dylan, sempre Dylan.
Pinky, muito te quiero. Te vejo a toda hora e não te esqueço.
Álvaro Guimarães.
11 — AINDA TEM: 22 é o Arcano da Vitória, e o Verbo de Oxalá, foi
presente assentado, transa firmada. Daí pra bulir comigo que vir de longa
data. Se não dobro na espinha. Love me or live me.

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113
.000 anos
Um grupo de pesquisadores acaba de des- soterrada que não a dos Vikings, mas outra, berto vestígios de antigos núcleos do ho-
cobrir uma antiga civilização que há mais de de difícil identificação, cujos cadáveres mu- mem, abaixo do nível do mar Báltico, da-
trinta séculos habitou o Brasil no local onde mificados, submetidos a testes com Carbono tando e comprovando que os mares estão
hoje se encontra a Cidade do Salvador. 14 (C-14) por arqueólogos dinamarqueses, re- elevando o seu nível. De posse desses ele-
Segundo afirmam os estudiosos, aterros velaram a sua idade localizada entre 100 e mentos, introduziram mais dois auxiliares:
verificados na costa norte—nordeste do Bra- 300 D.C. maior número possível de "imagens" e plan-
sil indicam ter sido esta região assolada por Com a utilização do C-14 em diversos ou- tas topográficas. Passaram a trabalhar asso-
dois grandes cataclismas que destruíram, par- tros casos ficou clara a existência de fenôme- tíando-os a pesquisas de solo, acabando por
cialmente, uma importante cidade, extermi- nos que atingiam certas regiões da Terra, so- determinar uma antiga cidade, com aspecto
nando uma civilização milenar, cujos sobrevi- terrando-as total ou parcialmente. São eles físico inteiramente desconhecido, onde hoje
ventes foram os indígenas aqui encontrados os Cataclismas, periódicos ou não, denomina- se localiza a Cidade do Salvador.
nos descobrimentos portugueses. dos pelos nossos pesquisadores de G.N.S. Já no meado do Século XVII, o sacerdo-
Josmar de Castro e sua equipe de volun- (Groelândia, Noruega e Suécia), causas do so- te jesuíta Simão de Vasconcelos, apresentava
tários, há mais de dez anos, se dedicam ao terramento e extermínio de civilizações intei- hipóteses quanto à nossa origem: "Origina-
estudo das artes e cultura brasileiras. Desen- ras. O Dilúvio não foi senão um destes cata- dos de Ofir Indico, filho de Jetam, neto de
volvendo, paralelamente, trabalhos de pesqui- clismas . Haber". Pois é. "Ou dos rebeldes da Torre
sa no campo da mente humana. de Babel". "De alguma das dez tribos dos
De posse de alguns registros onde os ma- antigos judeus cativos no tempo do profeta
A necessidade de maior informação so- res do Norte e do Báltico são assolados pelos
bre a origem do homem brasileiro fez com G.N.S. de gravíssimas conseqüências, que Ozéas". (Chronica da Companhia de Jesus
que eles introduzissem o máximo de imagens também atingem todos os países do norte da do Estado do Brasil).
— principais auxiliares de diretrizes etnoló- Europa, toda a região norte e leste do Canadá, Para os nossos pesquisadores, na antiga
gicas que poderiam mudar toda a história que leste da América do Norte, Sibéria, leste da cidade que hoje dá lugar à Cidade do Salva-
conhecemos. Coréia, China e Japão e todo o Norte-Nordeste dor, existiam, há cerca de 4.500 anos, mais
Cobrindo diversos roteiros e auxiliados, do Brasil, observaram que o maremoto regio- de 25 ilhas, com diversas entradas marítimas
quase que exclusivamente, por documentos e nal que atingiu 500.000 habitantes do Paquis- (fiordes), que penetravam numa ilha maior„
publicações de cientistas e pesquisadores in- tão, não passa de um modesto exemplo destes Todas elas atualmente encravadas no bloco
ternacionais, foram ter ao Mar do Norte fenômenos, advertindo de que o mundo deve- do continente. Os principais fiórdes, em nú-
e Báltico, onde começaram por encontrar ria estar preparado para a possível ocorrên- mero de quatro, atingiam a cidade pelo lado
novas fontes para as suas pesguisas, lo- cia de um novo cataclisma. norte, até seus portos internos, hoje tam-
cando os Aticos em Kivir, paróquia de Mel- Nas investigações, encontraram referên- bém desaparecidos.
bi, na Suécia, e na Dinamarca uma civilização cias de pesquisadores alemães terem desco- (CONCLUI NA PAG. 5)

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Salvador mifòimr
(CONCLUSÃO DA PAG. 4) risco de lhe tirarem as frechadas. E à honra
de seus santos inventam muitos cantares que
Estes fenômenos viriam justificar até cantam diante deles, bebendo muito vinho
mesmo as areias brancas (dunas que apare- de dia e de noite, fazendo harmonias diabó-
cem nas costas marítimas dependendo dos licas. Com muitos principais deles tenho
acidentes geográficos), e a Lagoa do Abae- praticado a causa da vinda desta Companhia
té. E quem sabe, revelar a coabitação de al- a esta terra' doutrinar e lhes ensinar o reino
gum deus mitológico com Iemanjá,' na água de Deus- Todos quiseram que a começásse-
escura. mos a ensinar, o que o Padre não fez ainda
Nossos pesquisadores atribuem muitas até agora porque tem muito o que fazer com
obras e ruínas arquitetônicas da Bahia, tal cristãos".
como grandes fortificações, muros fortifica- Ou, ainda a opinião de Almir Andrade: vez confrontando-se com a civilização minói-
dos, fortins (baluartes) e casas soterradas, "O português nunca foi criador de valores ca: "Há mais de trinta séculos que os sote-
aos micenas, originários da Grécia, perto de artísticos, intelectuais ou morais dentro da ropolitanos, ex-micenas, ocuparam as três
Argos, na região da Argólida, que vieram Europa — no sentido amplo em que pode-
com a proto-civilização grega, conhecida por mos tomar a palavra "criador". Entretanto, Américas, tendo Soterópolis — (Cidade do
cretomiceniana ou também chamada civili- mais original e extensa obra de criação de Salvador) — como sua principal cidade, uma
zação minóica. de uma hora para outra, viu-se a frente da das maiores do Globo no passado.
Os micenas, que passaremos a denomi- formas de cultura, que a história registra A descoberta da civilização Soteropolita-
nar de soteropolitanos, construíram essas entre os povos tropicais modernos. na dispensa polêmicas para os estudiosos, pois
muralhas há mais de 3.000 anos, com linhas Entre outras dezenas de descobertas, ci- existem várias dezenas de provas em arquite-
de resistência de pedra, apoiadas por mui- ta o Sr. Castro um posto avançado no iní- tura militar e civil. Entretanto, o Professor
tos fortins e fortes guarnecendo a grande cio da atual Av. Heitor Dias, que servia de Frederico Edelweis — primeiro professor de
ilha sul (denominada de Soterópolis), atual- posto de alerta contra os inimigos, no prédio Etnologia da Faculdade de Filosofia da UFBa.
mente também fazendo parte do continente. antigo da Escola Estadual Leopoldo Reis, e também professor de Tupi, de certa forma,
que tem toda a parte soterrada. E acredita discorda.
Testemunhos históricos da língua e do
comportamento indígena favorecem a hipó- que escavações feitas em determinados sítios, Para ele "são antigas fantasias, que não
tese. Como a de Jean de Léry quando fala acabariam por revelar fontes de conhecimen- resistiram nem resistirão à história. Entretan-
de "Um homem muito conhecedor da língua tos da vida social, econômica, política e reli- to, são geralmente, mais interessantes que a
grega" (In História de uma viagem à Terra giosa dos nossos ancestrais, como também a própria história. Os estudos do Sr. Castro são
do Brasil, 1573, tradução de Monteiro Loba- época dos cataclismas, estudos, sem falar nos verdadeiros até quando ele se baseia em ver-
to) . Ou novamente o do padre Simão de valiosos tesouros arqueológicos soterrados. dades científicas, quando então passam a cons-
Vasconcelos: "julgam muitos que tem a per- Nessa civilização conforme afirma, a mu- tituir hipóteses."
feição da língua grega e, na verdade tem- lher ocupava lugar de destaque na sociedade, A origem do indígena americano até hoje
me admirado especialmente sua delicadeza, participando de atos públicos e, às vezes, não foi determinada. O Professor Edelweiss
cópia e facilidade". exercendo atividades que hoje só os homens acredita na teoria mais provável, a de que
exercem habitualmente. A cidade liderava eles tenham vindo da Indochina, através do
As citações do jesuíta Pero Correia em cultural e artisticamente todo este hemisfério. Pacífico, estabelecendo-se inicialmente no
carta para os irmãos que se encontravam na e segundo revelam estudos do costume e per- Peru e no México — hipótese defendida por
África, e que mais tarde foram recolhidas sonalidades indígenas, reinava a liberdade e Paul Rivet. O Professor considera a obra do
nas "Cartas avulsas dos jesuítas, 1550-1568", a felicidade.
publicadas pela Academia Brasileira de Le- jesuíta Simão de Vasconcelos um exemplo
tras: "porque me parece que estes Gentios em Da Bahia, ponto de irradiação para ou- dessas fantasias, tal como as de Pennafort,
algumas cousas se parecem com os Mouros, tras regiões a expansão foi apreciável. Os so- Silva Ramos e até a do Visconde de Porto Se-
assim em ter muitas mulheres e pregar pe- teropolitanos chegaram a Potosi, na Bolívia e guro, que encontrava vestígios de ancestrais
las manhãs de madrugada, eo pecado contra Antigua, na Guatemala. Nestas cidades deixa- egípcios.
a natureza, que dizem ser lá muito comum, ram grandes marcos de sua capacidade reali- O Professor Edelweiss, entretanto, prefe-
o mesmo é nesta terra de maneira que há zadora. Para o grupo, deveriam ser feitos no- re apoiar os estudiosos ou interessados — "es-
cá muitas mulheres que assim nas armas co- vos estudos dos Incas e Maias, pois a contri- perando que eles continuem nas suas investi-
mo todas em outras coisas seguem ofícios de buição dos cretomicenianos nessas civilizações gações, despertando o interesse para a nossa
homens e tem outras mulheres com quem foi bem destacada. Na Inca, especialmente nas história, e, quem sabe, trazendo uma nova luz
são casados. A maior injúria ^e lhes podem culturas Mochica, Nazca, Chimu. Estas cultu- da verdade para os brasileiros".
fazer é chamá-las mulheres. Em tal parte ras, tal como a Maia. na península de Yuca-
lh'o poderá dizer alguma pessoa que correra tan, terão de ser novamente estudadas, desta Pedro Karr

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IRVING WALLACE IRVING WALLACE IRVINQ WALLACE


VERDADEIROS DOCUMENTOS QUE V.NÀÕ PODE IGNORAR
A BATALHA QUE KHRUSHCHEV 2
Irving W&ttaee STALIN PERDEU
CRI 25,00
O apaixonam» relato da
(Memórias)
(2 vol) CRt 46.00
I
o -se
Autor de «OS SETE MINUTOS» 3o.
primeira cisto do bloco co-
munista, contada por Vla-
Penetre o centro do poder,
no coraçlo do Kremlin, Io
ESTÁ DE VOLTA dlmlr Dedljer, ex-mlnlstro
das intormaçSee do Mare-
conduzido pelo homem que V
e conta para você • chal Tito, da Iugoslávia. O
principal protagonista des-
governou • Unláo Soviéti-
ca durante 11 anos, Conhe-
ça a vida de Nlhlta Khrus-
s
uma sensual e comovente história ta batalha é um homem chev contada pelo homem O
•o
de amor e da incapacidade de amar que poucas vezes conhe-

*1
mala autorizado a descre-
S
no terrível drama de um homem ceu a derrota: Stalin. ve-la; o próprio Khruschev m
reduzido à Impotência sexual.
AMÉRICA S.A
UJ Io
a.
Os donos secretos OS BILIONARIOS g
OS PECADOS DE
PHILIP FLEMING
do poder CR$ zo,oo,
CRt 25,00
ir
o 8Í
A história daa empresas a
DE que tem poder de vida e A família Roekeféller 4 dis- M o»

IRVING WALLACE
de morte sobre o Povo, o
Governo, as Forças Arma-
secada neste livro que se
constitui um documento Im-
o 1
das e que decidem os des- pressionante das manobras, o
tinos do mundo e, ainda manhas, frieza • impieda- N »
O Virtual controle econômi- O! *>
Mais um grande livro da
co e o domínio político de
de de homens que vivem
o dinheiro dia e noite, ma-
• **' "O
a>
E •o 9
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SLt
Editora Artenova
praticamente todo o mun-
do ocidental.
nobrando ocultamente o
Governo da muitos países
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ligação com a vida e a mor-
te. O dia e noite. Apoio e
DONA Dionísio. No ano 440 a. C.
foi representada a Antigo-
na, de Sófocles. Antígona,
bem como Etéocles e Po-
SOLUÇÃO linece eram filhos do in-
cesto de Édipo e Jocasta.
No mito, Etéocles e Poli-
nice se empenham numa
revejo meu caso com aten- luta pelo trono do pai e
ção: só sou bom se viver. acabam duelando e mor-
As vezes me surpreende, rendo os dois, sendo seus
em pessoas, dramas de corpos desfigurados pelo
consciência pela necessida- fogo. Creon, herdeiro do
de de auto-afirmação, ide- trono, mandou fazer fune-
ológica, como artistas e/ou rais para Etéocles e lançar
intelectuais. Cuidado com Polinice ao lixo sem hon-
os ecos do culturalismo eli- ra, por esse ter sido apoia-
lista, "honey baby". Estou do por estrangeiros de Ar-
tão cansado e você tem fos (eles eram tebanos). arte igualitária, antielitis-
que acreditar em mim: en- eus corpos porém esta- ta. Tenho esperança que
tre um artista e um ban- vam desfigurados (o ódio possamos atingi-la ao (se)
cário ou banqueiro há ape- fez eles morrerem abraça- vencer a corrida contra o
nas uma pequena diferen- dos) e era impossível reco-
ça de funções. (Disfunção tempo que vai apertando o
nhecer um ou outro e a es-
é função também; e no colha era pelo acaso — botão vermelho que des-
fim das contas, quase tu- aleatoriamente. Esse mi- para (ria) a guerra nuclear.
do só serve prá manter to é esclarecedor das rela- Sei que não posso fazer
as estruturas desta nos- ções entre as oposições. muito, but Fm doing my
sa sociedade ocidental- As oposições se eqüivalem.
capitalista-nazi-j udaico- best. Que pode um artista
A compreensão desse tex- na província contra o im-
cristã). Entre o ground e to tem muito a ver com
o underground existe só uma citação de um clássi- pério e o imperador? Tudo
uma diferença de níveis. co que diz que "(...) colo- enada, e o mesmo. A his-
A única preocupação que cando a mesma coisa em tória independe de indiví-
tenho, como artista, é a ex- várias relações, podemos duos. Só a província é la-
periência para renovação deduzir novas relações e
da linguagem: antes visan- boratório para experiên-
novas verdades." cias mais radicais — pela
do uma destruição de for-
mas fantasmais que insis- GARGALHAS GRAVA- própria falta de condições
tiam em sobreviver, e, ago- DAS. que obriga a uma criação
ra buscando catarse e re- Não ria facilmente ou a partir de elementos mais
visão e correção. Sou mo- ria o tempo todo.
desto e moderno — o eter- pobres e menos compro-
Nada é sério, sorria.
no já tinha cansado desde O GRAVADOR COM UM
metidos. Isso pode não
Carlos Drummond de An- TAPE CIRCULAR REPE- passar de um delírio de
drade. Se tivesse ganho TINDO REPETINDO. onipotência. Da violência
dinheiro eom arte não fa- A tragédia pode ser le- que sou, apenas me respon-
ria nenhum esforço para e cozido servido no Ban- fícil mente maravilhoso. gal, no teatro, por exem- sabilizo por metade, à ou-
não ganhá-lo em troca (tro- quete de Platão à vinte ta- Não podemos ser só afir- plo.
ça) de elogios de uma crí- lheres. tra metade respondo com
mações ou negações. A Isso pode destruir a se- violência e meia e o cír-
tica desacreditada. O poeta nossa consciência tende a
só é grande se viver — e Toque o outro lado do disco adquirir uma visão prismá- gurança dos senhores que culo não se fecha mas vai
quero fazê-lo da melhor Vire a página do livro. tica. Nós temos que ser se trancam nos seus tea- crescendo em espiral, e ca-
maneira. (O entendimento Mude de canal. nós e nossos reflexos no tros e ficam à espera do da dia, no dia a dia quero
da palavra poeta deve ser Saia do cinema. espelho ao contrário. Pro- público pelo fato de terem
como o mais denso de to- Não bata palmas no teatro. ser mais violento. Comprei
curamos a perfeição da an- o status de artistas, e ago- a barra toda, todinha. Se
dos os artistas.) Nosso Repita sempre uma letra drogenia mental. Ser a
tempo não permite mais batendo à máquinaaaaa violência e a reação à vio- ra não sabendo o que fazer a radicalidade exigir, subi-
uma estratificação entre até terminar a Unha repita lência ao mesmo teiripo. pensam logo em meter rei numa tarde de sol ar-
artistas e público. Qual- outra xxxxxxxx Como nas tragédias gre- uma bala na cabeça, no co- dente e do alto do Eleva-
quer pessoa é potencial- Além desta exposta tem gas. Ser Macbeth e Mac- ração. O fim da arte bur- dor Lacerda — subdesen-
mente artista e público. outra barra que a sustenta duff. Viver sempre no li-
Chega de clitismo. e destrói: a da sobrevivên- guesa apenas anuncia o volvidamente imitativo —
mite das oposições, no fim da burguesia, não é o
cia pessoal — física, psico- caos, em qualquer nível do metralharia quem passas-
Palmas. Voz-off — Eis- lógica, social, sentimental, pensar, do sentir ou outro fim, não. Quanto a mim se . Terei feito meu poema.
me homem: LU NU e CRU etc. e tal. Ser jovem é di- verbo qualquer que tenha tenho esperanças de uma LUCIANO DINIZ

tombadilho
DRINK - REQUINTE DO
ENCONTRO -PAPOS DE
OGNQ NEGÓCIOS O SEU
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20 21 22 23 24 25 26 27 2í
JOHNNY- CASH: tradicional
folk-singer americano, ex-pre-
sidiário de San Quentin na Ca-
lifórnia, onde cumpriu pena por
estrupo. Um dos primeiros mú-
sicos a crer no talento de Bob
Dylan, de quem se tornou pro-
fundo admirador. Certa . vez,
Johnny usou todo seu prestigio
junto à Colúmbia Records para
salvar Dylan da degola, pois o
primeiro LP deste vendera na
época apenas 5.000 cópias e a
gravadora não queria pensar
um segundo. Isso, em Í963.
Mais tarde, Johnny é convidado
por seu amigo Dylan para par-
ticipar na abertura do LP NA-
SH VILLE SKYLINE. Canta-
ram em dueto "Girl From North
Country". Compositor e cantor
participante, Johnny Cash fez
sua última «presentação pública
durante a recente preleção do
pastor ,Billy Granam em New
Jersey. Depois, o silêncio.

Canções
São como fortes e rápidos jatos de
Luz
De um brilhante cone
Em erupção:
Onde se acham, então, suas
Montanhas
Que se possam igualar a alguns homens?
Este homem rimar pode
Do tempo o fic-tac
Da dor o corte
Da sanidade o que
E compreende a bondade
No homem, a maldade no homem
é capaz de sentir o ódio da luta,
É exploração O amor do direito

A RESPEITO Há aqueles
Que são sem fiéis a si
E o insinuar-se da maldade
Tão, rápido como a luz

DE Próprios
íntegros, destemidos — uma fonte '
Como folhas de relva, como estréias,
A angústia do começo, o desespero
Do que findou
O fim do amigo, o fim do fim

BOB DYLAN Como montanhas, semelhantes, semelhantes,


Semelhantes,
Pelo cálculo das tendências
Qual o poder a deter, do que lhe foram
No entanto, diferentes Dizer
Cada um é completo e Por quanto tempo deter com quanta
Há aqueles que não se coníém Força deter
imitam, É como cada e trela diferente Quanto deter do que lhe toram dizer.
Que não sabem imitar Brilha E sabe
Mas há também aqueles Cada raio de luz para sempre O resultado da dilaceraçso; a quebra da
Oue lutam Se extingue Submisão
Às vem, para irradiar ainda mais Para dar lugar a um novo raio A cicatriz da reparação
A luz É um novo raio, como se viesse de uma Orgulho-me em dizer que
De um fulgor original. Fonte Eu o sei,
Sabendo que imitar Em sua própria totalidade, repleta. Pois dentro dele há um poeta infernal.
 vida Fluente. E muitas coisas mais
É e forço vão Assim são algumas almas como estrelas E muitas coisas mais.
E que imitar a morte E suas palavras, obras e JOHNNY CASH

VERBO ENCANTADO Página 7

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Com respeito à Bienal de Sâo Paulo, por causa de um convite da parte do sr. Francisco Maíarazzo
Sobrinho: considerações
A RELAÇÃO BIENAL EXPOENTE: Bienal- nal e da 11.a Bienal notifiquei três etapas do meu CONSELHEIROS DA BIENAL: "Os críticos,
Veículo estimulante das relações menos formais entre trabalho em evolução. boa parte deles, responsáveis por essa petrificação
público e obra exposta- (Pensando apenas na neces- mental, praticam uma hermenêutica de cemitério,
sidade de dar pela primeira vez a um grande públi- AJUDA DE CUSTO DE 2.000 CRUZEIROS precavendo-se cautelosamuente para que nenhum oxi-
co uma notícia,do meu trabalho, tranqüilamente Ig- OFERECIDOS PELA FUNDAÇÃO BIENAL DE gênio de vida, nenhuma dissonância de invenção,
norei as mil facetas ocultas antibienais de todas as SÃO PAULO AOS SELECIONADOS PARA A SA- perturbe o ar ázimo e a paz de nafta de seus co-
bienais, detalhadamente divulgadas na revista Inte- LA BRASILEIRA NA 11.» BIENAL persuação obje- lumbários cutnpridamente etiquetados, classificados e
gration dirigida por De Vries em 1966). Expoente- tiva e bem sucedida para a elaboração de obras es- Inanlzados, que são as obras de arte "reconhecidas'':
crlador radical contra diluente, transformador, in- para eles, o presente artístico só conta na medida
petaculares, falsas monumentalidades, forçar o uso
formador, concentrador, suscitador de problemas. . em que possa ser, rapidamente, mumlficado em pas-
de materiais dispendiosos considerados como símbolos
de vanguarda nos meios de diluição do mundo Intei- sado. Mas, para que esse ocioso exercício de defini-
DO EXPONENTE PARA A BIENAL: usá-la ção de uma "culinária fúnebre", que Sartre tão exe-
totalmente. O que interessa é o público, o que ela ro. Objetivo mais do que evidente. plarmente Identificou? — "Nossos críticos são cáta-
pode deflagrar quando tem autocrítica e/ou cons- ros: nada querem ter em comum com o mundo real,
ciência de si mesma. Um dos conselheiros da Bienal referindo-se a
senão a atividade de comer e beber, e, uma vez que
minha obra disse: que a mesma era pobre tomando-se
é absolutamente necessário viver no comércio dos
DA BIENAL PARA O EXPOENTE: consldcrá- ein conta o tamanho da exposição, que eu deveria nossos semelhantes, eles escolheram, então, o dos de-
lo atentamente., Não estragar a obra a ser exposta, ter elaborado (sic) uma sala especial pois para isso funtos." (Haraldo de Campos — A Arte no Hori-
principalmente a dos que não moram em São Paulo é que a fundação tinha me presenteado com os 2.000. zonte do Provável — pág. 52 — Coleções Debates —
e não tem possibilidades de viajar para, no pavilhão Editora Perspectiva — 1969).
de exposição, defendê-la da mutilação por parte de MINHA OBRA À 11» BIENAL: conclusão de
funcionários não especializados. Com Isto já não se- dois anos de um trabalho solitário que desenvolvi CONCLUO DAÍ OS PADRÕES USADOS PA-
ria necessário relnvindicar que a Bienal se responsa- RA A PREMIAÇÃO DA SALA BRASILEIRA NA
obstinadamente, despojada de qualquer adereço. A
bilizasse pelas perdas e danos durante os transportes BIENAL DE SÃO PAULO: ver premlação da 11.»
elaboração manual da retícula finalmente me interes-
interestaduais. Bienal: pesquisa do mais que pesquisado, aviltamen-
sando muito mais como atitude do que como busca de to do gadget, a fase totêmica do boi ainda desfalca-
MINKAS RELAÇÕES COM A BIENAL DE plasticidade. Quer dizer: uma obra antibienal, para da em comentário sócio-econômlco. Diluição da di-
SÃO PAULO: através da 10.» Bienal, da Pré-Ble- minha surpresa. luição da düuição.

E agora é a vez desta grande mostra com ofe-


recimentos de grandes espaços e prêmios polpudos
oom títulos bem ao sabor da época. MAS NÃO PA-
RA MIM.

O Senhor Francisco Matarazzo Sobrinho que


não se preocupe, não vai faltar gente para essa cor-
rida do ouro. E não faltarão salas espetaculares to-
das armadas cm plcxiglass e outros babados ditos de
vanguarda, nem conselheiros pançudos com largos
sorrisos de satisfação a pensar recompensados que
afinal as artes plásticas brasileiras não ficam nada
a dever às fontes estrangeiras de diluição que tão
bem souberam diluir ainda mais.

COLHER DE CHÃ PARA CONSELHEIROS


DA BIENAL DE SÃO PAULO: vanguarda não se
caracteriza pelo uso de materiais. Vanguarda não é
ponto de partida Vanguarda é constatação histórica.
Para quem tem capacidade de constatar, é claro.

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SIMPATIA POR ERASMO CARLOS

PRECISO URGENTEMENTE ENCONTRAR UM AMIGO.

Me irrita muito quando vejo Erasmo Carlos declarar da história da Jovem


Guarda, carência de versos apurados ou coisa assim porque acho isso entregar
a mão à palmatória dos policiadores do bom gosto merdio da música popular
brasileira seja de nome x ou !
Depois da compreensão de Caetano e da aceitação pela Inteligentzia ipane-
meira, legal é quando Erasmo reivindica: — "Todo mundo, hoje, usa cabelão no
Brasil devido a mim e ao Roberto" — porque a Jovem Guarda, do Príncipe e do
Rei, foi sem dúvidas, a maior FESTA DE ARROMBA musical do País.
Erasmo Carlos precisa urgentemente encontrar um amigo — cedeu, na maior
confiança, seus caderninho de rascunho para o Verbo Encantado e aqui pu-
blicamos porque o príncipe é um dos mais fortes componentes do imaginário bra-
sileiro — Simpatia por Erasmo Carlos que segue incendiando bem contente e
feliz sempre amarrado nos seus chapas de rocíc — Elvis Presley, Ricardinho- Vin-
centão e o velho Haley.
Aguardem seu próximo LP, e, com fé em Deus, nosso trabalho em comum
chamado "Erasmo Carlos numa Festa de Arromba". Aguardem.

QUEM TEM MEDO DA MINHA ri. Cansei. Parei. E deparei comigo absorto mundo é triste. Os micróbios são tristes mes-
assim como morto. E fui pioneiro. Vi meu mo na hora das anedotas.
IMAGINAÇÃO! outro eu. Me vi morto. Quem era o verda-
deiro? Ah!, ia me esquecendo, achei meu ca-
Eu estava só na praia. dáver na calçada da Praia do Flamengo (que
Abriu-se uma íenda na terra. O mar se lá se chamava Praia dos Joaquins). Eu sou preguiçoso e aperfeiçoo a pre-
escoou e caiu no espaço. Eu fui junto. Lá guiça do meu filho. O mundo caminha para
pelas tantas, sempre caindo, sem querer, en- Chorei muito mais. Tirei os documentos a preguiça e com a preguiça vem a paz. As
goli uma moeda de um velho galeão espanhol de mim morto. E li meu nome paralelo. Je- estrelas são traiçoeiras, pois delas virá a des-
e isso ativou meu organismo provocando tos- sus Cristo de Oliveira. Levantei meus olhos truição My name is a funk man.
se e de tosse em tosse vomitei no espaço. e fiquei mudo. Num cartaz preso num poste
Esse fenômeno me prmitiu entrar no lia-se: O DELEGADO HERODES DO ESQUA-
mundo paralelo. Cai aqui em Portugal (o
Brasil se chamava Portugal). E era Carnaval. DRÃO DA MORTE OFERECE ALTA RECOM- Toda mulher é detetive. Eu sou agressi-
Por sorte caí na piscina do Monte Líbano PENSA POR JESUS CRISTO VIVO OU vo e simpático. Lindóia é água rica. No país
(que nesse mundo se chamava Clube Parrei- MORTO?! das águas, águas pobres e ricas. Já vi um dia

rinha Lisboeta) e logo fiz amizade com algu- Falar de Roberto Carlos é muito difícil, sem horizonte, mas nunca vi um disco-voador.
mas pessoas e logo fui ficando p... da vida tanto como falar de mim mesmo (somos "es- O progresso passou pelo Leme.
quando soube que lá o uísque era tóxico, por- pelho" um do outro). Personalidade forte,
tanto, altamente proibido. Chorei, mas nin-
guém reparou porque parecia suor, ou ainda magnetismo pessoal muito grande, na época Nós estamos informados somente de 1/3
o molhado da piscina, ou ainda água do mar da Tijuca ele já era um "cara legal" (não es- do mundo.
do mundo de cá. Carnaval sem uísque não queço a calça brim coringa azul, a jaqueta • • • •
dá. Fui para casa mas eu não morava lá. Fui vermelha, e a letra de "Hound Dog", que nos
na casa do Roberto, também não morava, fui aproximou). 1958. 1971. De conhecido a Quem viveu é rock-vivente. A sensação
na casa do Tarso, neca, Maciel idem. Chorei companheiro, amigo, parceiro, compadre. da morte, já é castigo suficiente.
mais. Curti meu drama.
Muito irmão não se dá tão bem. Sou 90 mi-
— Esse mundo é maluco, pô! E eu aqui lhões + 1 habitante fã do Rei. Meu bem ama o único homem criança
pra sempre. Daqui a pouco a Polícia me pe- do mundo.
ga sem documento e eu estou f... Preciso • • •
me procurar. O Erasmo daqui talvez seja um
cara legal e talvez quebre o meu galho. Cor- Eu sou triste. James Taylor é triste. O Fiz uns exercícios olhais...

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* • últimas 24 horas? Mais amor ou menos? E os onde vai o mundo. Bob Dylan deve ser o íd»>
desenhos, nossos quartos, periquitos? Canto Io de James Taylor.
O homem que bebeu xixi. (Dá uma estó- livre e nossas mães? Mas tenho fé em nós, * * *
ria e tanto, a cidade dos micróbios, O Fantas- por acreditar em nós.
ma da Av. Atlântica). * * * Quem pensa, casa!
* * * * * *
Sou compositor — cantor — poeta —
Eu sou o amigo imaginário do meu filho. jornalista — produtor — pintor — ator — "Caetano: Não sei se o som é este, mas
Meu filho é o início da Nova Raça (sem- pescador — jogador — amante — marido — foi o que eu senti. O mar não sai daqui de
pre em letras maiúsculas). pai — vizinho — habitante — vasco — mo- casa e quer jantar com você. Viva Dedé Eras-
reno — filho — tímido. mo e Narinha.
• * * * * *
* * *

Influências: 1 — Bill Halley; 2 — Elvis, Meus parabéns à Afonsinho, Paulo Cé-


Narinha da Santíssima Trindade. Eu es- sar e Jairzinho porque quebraram estruturas.
Vincent, Líttle Richards; 3 — Platters. Dia- tava de calça de veludo verde. Tem um ne-
monds. Algum dia eu falo sobre influências. gócio em mim que meu bem gosta. Não sei o * * *
• * * que é, nem ela. Meu bem é uma maravilha.
Meu bem eu preciso de sua opinião pra poder A Prefeitura de São Bernardo do Cam-
começar a trabalhar nas músicas. po está mentindo quando diz: "vive-se mais
(Grosso modo). Solte os pássaros no céu, em S. B. do CampV'.
solte os peixes na maré, solte uma porção de * * * * * *
coisas, os cavalos no campo verde, não coma
carne, não mate o boi e solte-se a si mesmo. Eu sou um ShbV> Sexy. Salve Donovan
Toda hora eu apanho dois cigarros pen-
e Kool and Gang.
* * * sando que meu bem está aqui.;.
* * *
Hoje ela já me olhou 85 vezes. Mais um Kool and Gang não são ricos. Mas os ca- SELECTED BY WALLY SAILORMOON
dia se foi. Como será que foi o balanço das ras que acompanham Tom Jones são. Para Photos by THEREZA EUGENIA

iliiimiliii;

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DAVID STEVENS DA KPFK RÁDIO DE LOS
ANGELES FALOU COM GEORGE JACKSON,

UM DOS TRÊS IRMÃOS SOLEDAD, "Dearest Ângela


CARTA DO CÁRCER
Não sou uma pessoa agradável, confesso. Não Você tem tudo, mulher africana. Estou en- cas, gráficos, para minha educação. Também li-
acredito em coisas como liberdade de expressão cantado, se você não me pedir o meu braço es- vros sobre pessoas e estrutura do front econômi-
DENTRO DE SAN QUENTIN. Penso em você. Não tenho feito outra coisa o quando é usada para me roubar e me difamar. querdo, meu olho direito, os dois olhos, ficarei co e político de hoje. Estou fazendo um traba-
dia inteiro. A sua foto que tenho aqui não é mui- Não acredito em piedade ou perdão. Eu me es- muito desapontado. Você é o estímulo mais po- lho teórico sério a respeito do caso, dedicado
COMO FOI A PRIMEIRA VEZ QUE VOCÊ SE to adequada. Lembra-se do que disse Eldridge forcei em aprender todos os truques sujos já deroso que eu poderia ter. a Huey e Angela. Diga se entendeu o que eu
a respeito de fotografias em prisões; mande por bolados e inventei mais alguns de minha auto- De agora em diante, quando você tiver li- quero. Irmã, é como se estivesse incomunicável
ENVOLVEU COM OS TRIBUNAIS? Francês várias ampliações em cores para mim. ria. Eu não jogo limpo, não luto limpo. Quando vros que eu possa ler para preparar minhas estes últimos dez anos.
Este é o aspecto mais cruel da experiência na penso na situação de agora, as coisas que acon- moções e seleções de perguntas de júri, man- Ninguém entendia o que eu procurava fazer
Jackson — Faz — bom, o primeiro dia, prisão. Você nunca poderá entender quanto os tecem o dia inteiro, o caso que me jogaram nas de através de John Thorne, advogado do povo, e dizer. Estamos entre os justos do mundo. So-
exatamente o primeiro dia passei na Cali- odeio por isso, ninguém poderia, eu mesmo não costas, além das acusações anteriores — todas
fórnia. Eu dei uma batida com o carro do* ele é menos pressionado. E eu quero Lenin, mos os mais poderosos. E§tamos na melhor po-
tenho sido capaz de suportá-lo. levantadas com a foto que você me deu — nin- Marx, Mao, Che, Giap, Tio Ho, Nkrumah e mar- sição para fazer o trabalho do povo. Vencer en-
meu pai. E as pessoas, as pessoas lindas guém vai tirar proveito disto, irmão. Ninguém
envolvidas no acidente, elas não chamaram Nestes dez anos, nunca deixei minha cela xistas negros. Mamãe tem uma lista. Diga ao volve arriscar, rastejar (nomear, numerar,) infil-
pela manhã procurando encrenca, nenhuma vez mais se oproveitará de nossa dor. Esta é a úl- Roberto que arranje o dinheiro e procure sem- trar-se, abdicar de pequenos confortos sem sen-
a Polícia. A gente ia resolver tudo entre nós. tima (armadilha) em que cairei. Eles criaram
iniciei violência alguma. Cada vez que isto foi pre edições de bolso, tá? Meu pai — você terá tido, reajustar alguns valores. Um pacote deve-
Mas aconteceu que um tira chegou e viu o esta situação. Tudo que decorrer disto é respon-
alegado, era um ataque/defesa em resposta a que compreendê-lo. Ele estará comigo nos últi- ria chegar, cada dia. Já li tudo. uma vez pelo
acidente e interveio... pegou meu nome e sabilidade deles. Eles criaram em mim um irado
alguma agressão, verbal ou física. Talvez um mos dias, a despeito do que diz ou pensa agora. menos, mas preciso disto agora... e o tempo
endereço, onde eu estava morando; bom, e ressentido negro — e sua estrutura para que
psiquiatra, um psiquiatra ocidental, é claro, pu- Disse-lhe que amava você, e disse-lhe que se ele se tornou muito importante. Quero que você
começou aí mesmo. Um mês depois eu fui desse criar um caso contra mim por antecipar climas? Os donos da nação enriqueceram em
forçado a comparecer perante um Tribunal me respeita um pouco e quer que eu lhe .poupe acredite em mim. Eu a amo como um homem,
ataques. Mas eu não nasci assim. Talvez este exemplos negros, mas quero que você acredite o pescoço em Armageddon elo deve ser bom
Juvenil, intimaram a mim e a minha família, em mim, Ângela. Serei um ótimo exemplo, nin- como um irmão, como um pai. Todas as vezes
mesmo psiquiatra pudesse diagnosticar pelas para você.
e tivemos que dar explicações, quando a guém se aproveitará de minha imolação. Quan- que abri minha boca, assumi minha posição de
reações (?) que eu não sou uma pessoa muito Recebi uma carta dele esta tarde quando ele
coisa já tinha sido toda resolvida entre nós, agradável. Mas, mais uma vez, eu afirmo a você do este dia chegar eles terão que enterrar mi- batalha, estava tentando na verdade dizer que a
negros. O Sistema tinha que intervir e eu chamava os porcos por seu nomo certo — por-
que nasci inocente e confiante. O instinto de lhares dos seus com honras militares. E eles amo, africana — mulher africana. Meu protesto
terão merecido isto. cos — ele vai estar bem. Já sinto a sua influ-
fui fichado aí mesmo... sobrevivência e tudo que jorra com ele desen- tem sido pequeno, algo muito mais efetivo está
ência. Mas volto aos livros. Em cada embrulho
volveu-se em mim, como até hoje, por neces- Você sente agora como a sua foto me dei- de coisas pesadas coloque um iivro de referên- escondido em minha cabeça, acredite em mim,
QUE IDADE TINHA VOCÊ ENTÃO? sidade. xou bêbado. cia tratando de fatos puros, números, estatísti- Angela."
Jackson — Quinze. Quatorze... eu ti-
nha quatorze anos, o primeiro dia que eu
vim prá cá. E acho que desde aí não fiquei
solto mais de nove meses seguidos.

GEÒRGE LESTER JACKSON, 29 anos,


conhecido em San Quentin como interno
n5 A-63837, e além desses muros como o
autor de "SOLEDAD BROTER". Foi morto a
tiros por um guarda durante o que foi des-
crito como uma tentativa de evasão no dia
21 de agosto de 1971. Oficiais disseram que
um visitante passou a Jackson um revólver
calibre 38 que este guardou no bolso, no
Centro de Ajustamento, sob uma peruca. Os
prisioneiros rapidamente se apoderaram do
bloco de celas, matando três guardas e dois
internos brancos. Jackson então correu pa-
ra fora do Centro de Ajustamento num apa-
rente lance pela liberdade, que o teria obri-
gado a escalar um muro de 3m e meio. Um
guarda da torre abriu fogo.

O famoso autor americano Henry Da-


vid Thoreau só passou uma noite, uma noite
na cadeia, e ele escreve sobre prisões.
George Jackson passou mais de 4.000 noi-
tes (começando cedo, quando tinha quinze
anos). Em janeiro de 1971 ele e mais dois
prisioneiros negros, OS IRMÃOS SOLE-
DAD, foram acusados de matar um guarda
branco dois dias depois que um outro guar-
da matou a tiros vários internos negros.
Seu irmão, Jonathan Jackson, foi mor-
to a tiros no dia 7 de agosto de 1971, num
esforço para libertar três condenados de um
tribunal de San Rafael, Califórnia. Um Juiz,
Jonathan e dois dos prisioneiros foram mor-
tos no tiroteio que a audaciosa tentativa
provocou.
VERBO ENCANTADO pelas mãos de
PINKY WAINER apresenta uma carta de
George Jackson para a sua Angela Davis.
Foto de ANÍBAL PHILLOT ■-; ■:. .

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Tem pés de árvores, redes coloridas para balançar, o macaco Didi, •
papagaio Sampaio e quase um zoológico inteirinho batizado com nome de
gente.
A cantora Lena Rios pintou da Fazenda Novo Destino, no interior de
Terezina. De sua infância, lembra que brincou com o guitarrista Renato e
com ele viveu atormentada pelas lendas do Piauí. Tinha medo de sair e
encontrar o Cabeça de Cuia (foi um rapaz que bateu na mãe) boiando no
rio e ser tragada por ele que precisa comer sete Marias virgens para re-
cuperar a sua forma humana: o nome de Lena é Maria e no tal rio já mor-
reram quatro.
Tem voz de impressionar. Toca violão, é amarrada em uma atumbado-
ra e com cinco anos deu o primeiro vexame de sua vida. Abriu o berreiro
e cantou no Circo Marileni, em Jaicós:
— Se vires uma rapariga bela
Debruçada na janela
Não te iludas meu amigo.
Criou uma cobra jibóia que morreu entalada com uma batata e transava
as sociais piauienses. Lena Rios apresentava o Momento Social na Rádio
Clube de Teresina, entrevistando personalidades, e assinava a coluna Barra-
rlinha. na Sociedade, no jornal O Dia. Queria cantar, ver de perto o anel de
Roberto Carlos e o lamê de Jerry Adriani, por isso, os 10 anos fugiu de
casa para os programas de calouros da vida.
No Rio, Torquato Neto, o achado de sua terra para resolver o seu pro-
blema de repertório. Através dele, cantou Wally, Carlos Pinto e Macalé.
Contrato selo de luxo com a Phillips que significa coisa de classe A, o selo
mais apurado da gravadora e que muita gente aspira assinar. Gravou o
compacto com Revendo Amigos, de Wally e Macalé, mais Caindo na Pân-
dega, de Wally e Carlos Pinto. São frevos, coisas lindas que estouraram no
Nordeste e que a própria Lena pôde comprovar, em sua excursão, na
Chapada do Corisco, um show de sua autoria com o pessoal de sua cidade
do Grupo Grama, jornal Underground: Acioli, Noronha, Edimar, Arnaldo
e Galvão.
De Torquato, Lena diz que é maravilhoso e que o seu sucesso no Piauí
foi Pra Dizer Adeus, porque o povo não entendeu Mamãe Coragem e Lou-
vacão, mas vive de curtir a sua fama no Rio de Janeiro.
Leão, de signo, por isso curte um gato maracajá que é um filhote de
onça. Ama a André Midani e a Menescal sobre todas as coisas com quem
está transando o último disco: Garanto, de Luís Melodia; Chapada do Cou-
risco, de Torquato, mais rocks que não se sabe o nome, de Wally, Macalé
e outros mais. Tem cara de chinesa mas não é. Curte sombras multicores
sobre os olhos negros, decotes, mostrar o corpo com discrição e muito jeito,
sapecar e cantar assim:

CENÁRIOS
A GUftmA iOUCA <kPIAO

LANÇAMENTO DA COLEÇÃO
— Se me der na venela, eu corro
Se me der na veneta, eu mato
Se me der na veneta, eu morro
E volto pra curtir
Arra!
Erre! Morri!
E volto pra curtir.
Veralúcia
Pião ou Piau, transas de Renato-louco, assim conhecido no Piauí pela
sua audácia de curtir Credence Clearwater e outros sons pesados. O violão,
ele apredeu a tocar com a mãe Francisca, ainda pequeno. Bailes de clubes,
festinhas de Igreja e a sua participação em oito Conjuntos de Teresina. Os
Almofadinhas e Zé e os Quatro Ases, só para mencionar alguma coisa da
elite piauiense. .
Pais católicos, influência de missais, paramentos, hóstias e confissionã-
rios para Pião três anos no Seminário: queria ser padre e desfilava de batina
pelas ruas da cidade. Aí, os meninos contavam mil histórias sobre a vida
misteriosa dos padres, inclusive, que todos os seminaristas tinham de se ba-
nhar na piscina sagrada do Seminário para serem comidos por uma pira-
nha e o problema do celibato ficar resolvido. Pião, apavorado com as len-
das piauienses em sua cabeça, acreditou nas histórias e descurtiu esta de
ser padre. Resolveu ser médico, saiu de sua casa cercada de jardim trazen-
do" na bagagem três violões e uma guitarra Giannini, dizendo que vinha es-
tudar medicina no Rio. E quem acreditou nesta inocente história está vendo
ai o resultado: tocou no show de Luís Gonzaga, curtiu o Transanossa, fez
gravações e vai pintar com o berro de sua guitarra ao lado de Lena Rios.

Página 14 VERBO ENCANTADO

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í^a*i

De Carlos Guimas, From London, para de olhos verdes. Todas aqui caem em cima dele. Nin- fulminante. Me entreguei a ele, eu estava completa-
Alvinho e Roberto Franco. "London, London, guém resiste, nem eu. Nos encontramos por acaso no mente apaixonada. Ai passamos a nos encontrar d«
saudades. Escrevi cartas, rasguei. Ficou a Cine Polydor. Saímos e passeamos, foi o namoro mais novo, e sem a tia foi tudo mais fácil. Meu pai e mi-
saudade. Distância-tempo, um ano se passou. lindo da cidade. Ficamos noivos, ele parecia o ideal nha mãe aceitaram a nossa reconciliação e ele voltou
Um ano de acertos, marcações, conhecimen- o máximo. Mas tem uma tia minha, tia Amira, que a freqüentar nossa casa.
to. Não quero voltar. Fico por aqui por mora com a gente, começou a falar mal dele, dizendo Mas a história da tia não me saía da cabeça. Sem-
perto. que ele era gay, que era bichona muito louca. Eu dizia pre que eu perguntava ele negava tudo. confirmava
por experiência própria que era MENTIRA. Essa lia tudo o que disse. Apesar de todo amor tudo continuava
Pensem em mim, seu Guimas. Amira é Irmã de meu pai e mora com a gente de fa- meio misterioso.
A fotografia dê pró Alvinho botar no vor; pois ela começou esta política de má vizinhanç'* Até que um.dia surgiu na cidade o Bclle Jordan.
Verbo. com o rapaz. Até que um dia tudo se explicou. Antes minha tia Amira, porque este Bclle Jordan é
(É o verso de um cartão-postal K. J. Bre- Velo a enchente do Piranum e chovia muito. En- um rapaz muito rico, muito bonito e todo mundo sabe
don's BookshoplQ East Street Brighton). tão certa noite ele não pode voltar para a casa dele. que ele é. Ele dá a maior bandeira. Belle Jordan
a rua estava alagada. O jeito foi ele ficar com a gente tinha recebido uma herança de umas terras no Além-
e se armou uma cama.na sala. Minha tia cuidou d« Plranum. Antes ele ?ó vinha passar as férias mas era
tudo com muito maus modos. Mais tarde quando todo tão escandaloso que a família mandava logo ele de vol-
mundo dormai, eu confesso D. Taschka e me perdoe ta para a Capital. Assim que o Belle jordan viu o
a franqueza, me deu vontade de estar com meu noivo, Lúcio deu logo em cima dele, e o Lúcio só andava na
senti falta de um beijo de boa-noite. Pulei da cama casa dele, saia no carro dele, e deu para andar com
e fui para a sala. Tomei o maior choque da minha, roupas novas, até largou o trabalho na Usina Torpedo.
vida. Minha tia Amira se levantou da cama do meu E dinheiro não faltava no bolso dele. Devia ser presen-
noivo quando me viu entrar na sala, eles estavam te de Belle Jordan. E o povo falando.
quase no escuro, só a televisão ligada baixinho. Ela se Eu perguntava para o Lúcio a verdade, podia m«
levantava e olhava para mim completamente apavora- dizer tudinho, eu perdoava. Mas nem uma palavra, ele
da. Ele e unão vi direito, mas estava nu. negava e.jurava que não era nada disso. E"iquei louca
Avancei nela, puxei cabelo, fiz um grande siricuti- de ciúmes, claro. Mas Belle Jordan não me. dava a
co! Nos atracamos, acordou a casa inteira, a vizinhança, mínima atenção, mal me cumprimentava na sorveteria,
me agarraram, me deram calmante, muito remédio para quando a gente se encontrava lá, depois da matinê.
dormir pois eu estava como louca, quebrei tudo que Até que um dia Lúcio sumiu, ele e Belle Jordan
pude. Meu noivo sumiu no meio daquela confusão toda sumiram! Fui na casa de Belle Jordan e lá encontrei
e a tia ficou toda arranhada, e me lembro que ela 1
um bilhete de Lúcio para mim. Que humilhação, meu
gritava que ele é quem tinha pedido para ela ir lá
m.. na cama dele. Ele jurava que não. Tudo isso aconte-
ceu na frente de todo mundo, foi uma desmorali^açãoí
Deus! Assim dizia o bilhete: "Otária, quando for mais
esperünha me procure. CurUremos uma legal. Beijos,
Lúcio da Usina Torpedo."
Querida Taschka, Ainda me lembro das palavras de meu noivo, o Lúcio, Que faço, D. Taschka, me aconselhe. Já rasguei
É assim que se escreve? Não me esqu9ci da senho- dizendo que a tia aparecera no meio da noite e se dei- dois travesseiros, estou baratinada, não entendo nada
ra mesmo quando o Verbo Encantado deixou de che- tara ali, junto dele. E ele não disse nada para não e nem sei o que fazer para ser feliz. Responda, por fa-
gar na minha cidade: Por quê? E a senhora é homem causar má impressão. Ora veja! vor. Preciso de sua ajuda.
ou mulher? Me responda também, por íavor. Passamos quinze dias sem nos ver. A tia foi morar
Minha história é a seguinte. Sou manicura tenho com uns parentes no Alto do Xingu.
dezenove anos. Era noiva de um rapaz daqui, que tra- Sinceramente, Elvira. (ITAPICURU, BA)
Um dia ele foi me esperar na porta da casa de RESPOSTA: Fia, sua vida daria um romance. Escreva,
balhava na Usina Torpedo. Ele é moreno, bem forte, uma cliente que mora afastado, quase na roça. E foi vire best-seller, e serás {cliz. Beijos da Taschka.
VESTE SAGRADA, OU A MODA uma nova abertura. Muitos de- funciona como sala de projeção
SEM NENHUM TABU. vem ter se arrepiado e achado para filmes oito ou dezesseis
A Veste Sagrada é uma bou- o máximo de profanação, uma milímetros, que também só as-
tique mais do que consagrada. boutique ser também galeria de sim podem ser conhecidos. A
Marangoni e Cristina formam arte, mas a idéia mesma da Veste não é engajada com nada
uma dupla incrível, mais dinâ- coisa, era quebrar o tabu do lu- e nem ninguém, é um lugar aber-
mica do que Batman e Robin, gar sagrado e exclusivo para ex- to para a exibição de qualquer
e bolam roupas que criaram uma posição de quadros. O lugar onde forma de arte, ligado nas pes-
marca característica para o loja se entra com medo, onde só os soas interessadas. Com relação
deles, agradando a freaks e ca- artistas superconhecidos e cota- aos filmes, não existe nada pro-
retas (embora isto possa parecer dos têm vez, e onde os mar- gramado: quem tem, pinta na
impossível, é de Vera). E, desde chands com seus olhinhos sifro- loja, e eles passam. (Este foi o
que surgiu a idéia de fazer uma nados de cobiça, vendem arte caso do pintor Antônio Dias- que
boutique, pintou também a idéia como se vendessem automóveis foi um dos primeiros a exibi?
de uma galeria para expor tra- ou pastas de dente, sem o me- filmes na boutique).
balhos de gente jovem e ligada. nor respeito pelos artistas que ( Atualmente, Milton Machado,
Um ano depois da loja já estar expõem. Na Veste o papo é di- D'Aquino e Alton estão expondo
funcionando' a idéia da galeria ferente, e tudo fica mais aces- desenhos e gravuras, na loja. De-
se concretizou, e graças a Ro- sível. A moda não atrapalha a pois vem concerto da Banda An-
berto Magalhães (HARE/) que arte, e os quadros e objetos ex- tiqua, exposição de desenhos de
deu uma força incrível, as expo- postos dão uma nova ambienta- Ângelo de Aquino, e em agosto,
sições começaram. A primeira ção à loja. Qualquer pessoa que ambientação de Gilberto Lou-
foi uma coletiva que reuniu ar- entre para comprar uma roupa, reiro. Mas, a idéia está lançada,
tistas de vários gêneros, come- acaba sabendo o que está acon- taí, tá em cima, e quem quiser
çando pelo próprio Roberto Ma- tecendo em matéria de arte, e seguir não vai fazer mal ne- quase sem querer, acaba com-
galhães (HARE.), Márcio Marrar, conhecendo artistas que se não gócio. O Rio é uma cidade onde prando uma roupa?
Caio Mourão, Waltercio Caldas fosse esta transa, levariam muito as diversões são caras, e forne- E, no mais tá tudo dito, e só
e Célia Resende de Aquino, e tempo e muita luta para serem cem pouca informação, e a par-
Sue funcionou como uma chama- falta o palmas pra eles que eles
veiculados. E, ainda tem um de- tir daí, a nova transa de Maran- merecem. Clap. Clap. Clap.
a para a nova transação de ga- talhe, enquanto se vê os qua- goni/Cristina/Veste Sagrada, é Clap. Clap. Bis.
leria que ia acontecer na bov- dros, ouve-se um som que é a mais do que louvável, e é super-
tique. maior maravilha. Paralela à ex- bem vinda. E- quem sabe você SCARLET MOON
O importante nisso tudo, foi posição de arte, a loja oindo pntra para ver os quadros, o Foto ALFREDO GRIECO

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PRA SE IR PRA MARACANGALHA
ANÁLIA Caymmi quando ia pra Maracangalha mos um povoado quadrado rodeado de
botava chapéu de palha e temo branco, se dendezeiros que padre Brito disse que era

SAMBOU E achava Anália ele levava; quando nía en-


contrava ia só pois ela já estava lá-. Sam-
bando.
Cabaxi; Cabaxi sumia nas curvas e logo
reaparecia envolta nos dendezeiros. Via-
jamos mais um pouco e logo chegamos a

REVERT
Você pode ir como quiser. Se pique Ouibaca, o Harlem de Maracangalha, aglo-
de Salvador pela Rio—Bahia até o Km 49, merado de casas onde residem apenas os
onde existe do lado esquerdo a Estrada negros das plantações. É o reduto mais
de São Sebastião, do outro lado outra es- forte dos sambeiros de lá. Um Samba de
trada para Candeias. Vá par ela, uns 5 Roda muito especial. Made in Maracan-
Km após há novo desvio e são três quilô- galha..
metros de cascalho aÍ3 a vila. Não há pos- De São Sebastião a Maracangalha le-
sibilidade de errar, pois desde que*você va-se 25min. De Salvador 55min. Do Rio
passa pela Estrada de Candeias já começa 26 horas. De São Paulo 30 De Londres
a avistar as chaminés da usina que são não sei. De Pequim também não. Da Lua
enormes, lá de cima se avistam várias ci- nem imagino.
dades da região. Ela é uma vi!a situada a poucos mi-
Guando eu fui transar por lá essa nutos de Salvador; fica no município de
estrada estava quebrada. Eu ia no carro São Sebasfião do Passe, é um lugar bem
de Pe. Brito, o diretor do colégio onde estranho, a" maioria das casas são iguais e
estudei em São Sebastião, e que ia a Ma- fkam juntas formando filas de seis ou sete
racangalha rezar a missa de domingo. dando a impressão que são moradias pré
Fomos pela Rio—Bahia até o loca! onde fabricadas, embora sejam construções an-
existe um prédio amarelo escrito- Poito de liqüíssimas, que ali foram espalhadas ao
Vendas de Açúcar da Usina Cinco Rios, m redor da usina de açúcar formando essas
Km 52; entramos então por um caminho ruas diferentes.
que existe na frente do Posto e que eu Todos lá vivem em função das plan-
■■■■■ ■■ ■. acho que é uma estrada de carroças, mas tações de cana e da produção do açúcar, e
o fusca passou muito bem, pois não há bu- passam as noites de sábado e domingo
racos como nas estradas asfaltadas, é tudo cantando e dançando, o samba de roda
lisinho. deles é irmão gêmeo do sul-americano.
A viagem é incrível, descreve cír- 0 nome oficial do lugar é distrito de
culos e mais círculos, acho que pela falta Cinco Rios mas isso não tem muita im-

NO RECÔNCAVO de máquinas quando a construíram não


houve possibilidade de se fazer uma reta.
Então fomos rodando, no meio encontra-
portância, seja para os negros das planta-
ções que curtem seis meses de canaviais,
ou os moendeiros dí Usina que também

INTEIRO WALDEMIR SANTANA BESOURO CORDÃO DE OURO

VIAGENCANTADA
Berlinda Transportes e Turismo Ltda
OU VOCÊ VIAJA
iOU REAJE JA
AI QUE RICA MARAVILHA
O MUNDO TODO DE'AVIÃO
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DE ÔNIBUS, NAVIO E AVIÃO
E COM RESERVA DE HOTEL
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.SALVADOR -BAHIA.

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A FAMA DOS PÉS DA RAINHA SAMBADEIRA
souro e sambou com ele Quando fui es- eu vou só eu vou só
crever este negócio encontrei Anália em se Anália não quiser ir eu vou só
Quibaca, que é a mesma rua onde mata- . eu vou só
ram o mestre da capoeira, para ela Be- eu vou só sem Anália
souro era homem pacato que não provoca- mas eu vou.
va ninguém, mas quando mandava o tapa Tem hoje sessenla e um anos, está
a queda era certa muito forte, mas disse que se acha aca-
Anália me foi apresentada como a bada por causa da bebida, iá dançou e
mesma pessoa da música de Caymmi, e deu revertério por toda essa região da ca-
ela me confirmou: "Eu sou a Anália doida, na de açúcar, de Jacufpe à Lapa, de Mata
a mesma que o moço fez aquele lindo a Santo Amaro e até na cidade de São
samba, Eu Vou Prá Maracangalha. Sou de Sebastião. A fama de seus pés rodou e
levam st\s meses fazendo açúcar; e para
Socorro, um povoado perto de Mafaripe. girou pelos caminhos dos sambas fez
K mulheres que lavam roupa e tomam
Levo a vida sambando, danço em casa de Caymmi dedicar-lhe uma música antes mes-
banho no rio onde existem emas e aves- amigo ou de inimigo, pra mim não im- mo de conhecê-la pessoalmente.
truzes, também para Dorival Caymmi que
porta só quero dançar e muito, é disso que Dorival Caymmi voltou recentemente
ali ganhou a praça principal e a mais bo- eu gosto, e gosto também de beber ca- a Maracangalha, encontrou a feira dos do-
nita com o formato do seu violão, e prin- chaça de vez em quando, mas é isso que mingos, onde Lucas da Feira fazia diabru-
cipalmente para Anália a maior sambadei- me mata." ras, conversou com Zé Lúcio seu amigo e
ra da região, para todos reunidos o lugar eu vou pra Maracangalha o homem mais velho de lá, conheceu sua
é Maracangalha mesmo, não importa os eu vou praça-violão, mas não viu Anália, Anália
documentos existentes na prefeitura de São eu vou de chapéu de palha estava viajando, pois ela não pára, ela é
Sebastião.
eu vou do samba, o samba tem uma irmã que ar-
Foi em Maracangalha que cortaram eu vou convidar Anália do samba, o samba tem um ímã que ar-
Besouro Cordão de Curo,- Badden Powel
eu vou rasta os pés de Anália, ela não pode ouvii
disse num samba que esse homem foi na
eu vou de uniforme branco um som, roda, gira, sapateia, o samba é
capoeira o que Lampeão foi no cangaço, eu vou seu, ela é do samba. Rainha. Sambadeira.
e Jorge Amado escreveu que Besouro foi
se Anália não quiser ir eu vou só VMDEMÍ3 SANTANA
cortado à traição, quando dormia numa re-
de, pois ele era homem difícil de se afron-
tar. Maria Anália da Cruz conheceu Be- EU FUI PRA MARACANGALHA

CLOSE
Fotografia, Cinema, Propa-
ganda
Fotografias em geral
Filmes em TV em 16 mm.
Painéis publicitários
(de Edgard Fonseca Filho)
SALVADOR-BAHIA

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fufebolfufebolfutebolfufebolfufebolfutebolfutebolfufebolfufebolfutebof ÍLíeboIfuíeboIfuteboIfuteboIfuíebo!

VIVA ZAN ejptrevista para "El Ângelo Misterioso


pra ficar normal uns dois minu- Flamengo nem de ninguém.
los depois. Quando o jogo co- Quando su quebrei a perna, in-
meça eu to completamente des- clusive, eles foram muito leais
contraído. O jogo dá geralmen- comigo." ■
te pra sentir nos primeiros quin- — Como é que foi isso? —
ze minutos. Se vaPser duro, se "Foi num lance bobo. Eu fui
vai ser fácil, se vai ser violento disputar uma bola com o Tos-
ou nao. Agora isso muda muito. tão, ele escorregou e me pegou
As vezes parece que tá difícil e na perna. Não teve nenhuma in-
quando a gente vê tá dois a ze- tenção nem de fazer falta. Foi
ro, as vezes acontece o contrá- azar mesmo."
rio. — Você era o ídolo maior
Você dorme bem depois do do Flamengo quando isto acon-
Meu filho tá vendo aquele eles todas as perguntas que eu jogo? — "Não, nunca. Eu nor- teceu, você teve medo de per-
ali? É o Zanata! A bola tá quase queria fazer. Zanata olha pra malmente saio de campo tão agi- der a vez?
saindo de campo, atrás dela vem mim a espera da pergunta que tado que não dá pra dormir a * — "Não. O tratamento foi
um lorinho, com cara de giná- eu perdi, ô Zanata... você, vo- noite. O jogo também fica na ca- muito chato mesmo. Passei três
sio, de cabelo de anjo, de corpo cê. .. você nasceu aonde em? beça e não dá pra desligar dele. meses engessado quase até a
magro e sem muita musculatu- "Eu nasci em São José do Eu só consigo pegar no sono de cintura, e depois mais seis meses
ra. 0 garoto ria arquibancada Rio Pardo. Comecei a jogar iu- madrugada." — "Voltando pra de ginástica de recuperação. Fo-
tem os olhos fixos nalgum gesto tebol lá mesmo num time da ci- torcida, você acha que ela aju- ram nove meses ao todo dava
dele que justifique a frase do dade. Eu jogava no infanto-ju- da?" — "Bem a do Flamengo pra ter um filho. Mas eu sem-
pai. Zanata já está com a bola venil. O técnico já tinha joga atrapalha." — ~"É que tem pre confiei que ia dar pra voltar
dominada. Mantém ela nos pés do no Flamengo e foi ele que muitos jogadores que ficam mui- bem.
a uns cinco centímetros da chu- me trouxe pra Gávea. Eu vim to preocupados em atender os — E deu? — "Deu bem
teira. Seus olhos procuram al- pro infanto aqui do Flamengo. torcedores. As vezes o time tá sim. Logo quando eu voltei eu
guém bem colocado no campo. Em São José eu já gostava do precisando segurar o jogo. A ainda tava meio fora de forma e
De repente ele faz um sinal com Flamengo. Eu não torcia porque gente tá ganhando de um a zero por isso parecia que eu tinha es-
a mão, retesa o corpo, chuta a lá a gente acompanha mais o fu- e o negócio é acalmar o jogo e quecido um pouco meu futebol.
bola e o grito sai fácil: "Vai o tebol de São Paulo. Eu era mes- esfriar o adversário. Nessas con- Mas agora ta tudo normal e
filho da p...". 0 garoto cai na mo é Sãopaulino." Uma vez no dições a técnica é você ficar en- quando o Zagalo voltar eu que-
gargalhada, seu pai também aca- Flamengo as coisas ficaram fá- rolando com a bola ali pelo ro ver se me firmo como titular
ba rindo e no Campo o berro e ceis pra ele. Seu estilo clássico meio-campo. Você tem que man- de novo.
o passe viraram gol. Viva Za- de jogar, seu jeito carinhoso de ter a bola o maior tempo oosrí- — Ser titular do time do
nata! tratar a bola a sua fala mansa vel nos pés do seu time. Então Flamengo muda muito a tua
O treino acabou quase jun- fizeram dele em pouco tempo a é mais negócio ficar dando pas- vida?
to* com o sol. Um vento meio maior promessa do juvenil do ses curtos, prendendo ela mes- — Muda como?
frio vem da lagoa e varre do Flamengo para o time de cima, mo. Mas aí vem a torcida come- — Em relação aos outros,
campo o rastro da bola, o rastro e. em menos tempo ainda, o ça a gritar, o pessoal fica com mulher por exemplo?
dos gols. Apenas os torcedores transformaram em ídolo do ti- medo de ser vaiado è sair do — Bem mulher hoje em
mais fanáticos e as crianças es- me de cima. — "Zanata você time, dá para atacar de qualquer dia tá fácil pra qualquer um.
tão ainda no campo esperando sabe que tem uns psicólogos que jeito e quando a gente vê, o Ninguém precisa ser titular de
os jogadores saírem dos vestiá- andaram fazendo um estudo so- time tá taticamente todo desor- coisa nenhuma pra arrumar mu-
rios pra irem embora. Eles vão bre o jogo de futebol. Eles che- ganizado, numa correria louca e lher. O que influi no caso é vo-
saindo um a um e são logo cer- garam à conclusão que o cara é acaba empatando ou perdendo o cê ser conhecido. Isto facilita
cados por uma multidão de ga- fora de campo o que ele é den- jogo. Eu como desligo em cam- o primeiro contato. Depois é só
rotos . Ei assina aqui na camisa? tro de campo. Assim por exem- po não sinto muito o efeito dos você enrolar um pouquinho que
No braço? Duas meninas de 14/ plo, um cara que é um centro- torcedores mas outros não". ela tá no papo. Agora aqui no
15 anos dão de cara com Doval. avante deve ser na sua vida par- — E o Bicho ajuda? — Flamengo pinta muita mulher.
O espanto elas não escondem. ticular um cara decidido, um "Pra muitos jogadores ele ajuda — E as virgens?
Uma olha para a cara da outra, jogador da defesa deve ser um muito. Pra mim ele ajuda de- — Não tão com nada. —
se coram e saem correndo e rin- cara mais cauteloso e assim por pois. Quer dizer quando eu en- Nem pra casar? — Na hora de
do. Doval cospe passa o pé em diante, você concorda? tro em campo eu quero ganhar casar o que interessa é se você
cima da saliva e displicentemen- — "Eu nunca pensei nisso- de qualquer jeito com bicho ou gosta da mulher. O resto é de-
te prossegue o seu caminho. Mas não tem .úvirta que a gente sem bicho. Depois do jogo é que talhe.
Agora só falta um sair. Será leva pra dentro do campo os pro- o bicho começa a contar." — — E os hippies?
que ele saiu por outra porta e blemas de fora e vice-versa. É Mas ô Zanata quer dizer que vo- — Eu não julgo ninguém.
eu não vi? Não, lá vem ele. me impossível a gente separar uma cê tá com tudo. Pelo que você Cada um vive cómõ gosta e eu
faz um aceno como se advinhas- coisa da outra". — Mas eles fo- tá dizendo o futebol pra você acho que eles têm todo direito
se minha dúvida e, finalmente, ram mais longe ô Zanata. Eles é perfeito. Não tem nada que de viver e pensar como quise-
depois de uma semana de caça. dizem que o mesmo tipo de gozo esteja errado? rem . Esse negócio de cabelo
aí está 7anata. que o cara sente com uma mu- — "Tem. A lei do passe. grande, barba <*rande. ninguém
— Como é que é arobftd* lher o cara sente quando faz Ela só existe ainda porque os jo- tem nada a ver com isso. Cada
vamos fazer hoje? Zanata nem um gol, por exemplo. "Ah não. gadores são muito relaxados nes- um usa o que rtosta.
parece um homem que acaba fie Quer dizer eu não entendo de sas coisas. É inacreditável que a —E o futebol é uma boa
deixar o trabalho. Não tem no psicologia. Lá dentro da cabe- gente tenha que viver nessas profissão?
seus olhos aquela marca de ça o mecanismo pode ser o mes- condições. Se eu precisar viver — É difícil de responder.
exaustão de estar cheio da vi tn
fia. mo mas o que você sente é dife- em São Paulo amanhã eu não O futebol é muito duro. Ou vo-
que a gente tá acostumado a r rente. Fazer um gol com o está- posso. Eu só posso sair do Rio cê dá certo, vai pra um time
e a ver nos outros no fim do dio cheio dá muito prazer mas se o Flamengo me vender". grande e ganha muito bem ou
expediente. A primeira per^m- é outro prazer. A gente pula, — E o Afonsinho? você morre de fome num time
ta é claro eme é sobre isso: Za- vibra mas não tem nada a ver — Eu não acompanhei de pequeno. Quer dizer a respos-
nata você ainda joga bola com o com o que a gente sente com perto o caso dele. Mas ele deu ta é meio óbvia. Pra quem dá
mesmo prazer de antes de ser uma mulher. Agora eu sou um sorte porque o time quis irctpc- certo é uma profissão muito
profissional? Ele disfarça —■ cara muito controlado em fute- dir ele de jogar futebol. Aí deu boa. Mas pra quem não dá ela
"Bem, iogar bola profissional- bol". — Medo da torcida você prele entrar na Justiça poraue é dura demais.
mente é outra coisa completa- nunca sentiu? — "Quem sente impedir de exercer a profis- — E uma boa pelada?
mente diferente. A gente não medo de torcida não tem futuro são também já é demais. Mas — É a melhor coisa do mu v
tem a mesma liberdade de uma em futebol, e muito menos no na maioria dos casos a situação do. Se eu pudesese jogava <odo
pelada" A entrevista pára nor Flamengo. Pra mim é como se não fica tão clara assim e a gen- dia e toda hora.
falta de condições técnicas. Uns a torcida não existisse. Quando te acaba tendo que dançar con- O disfarce caiu. O mundo
quinze marotos de seis a dez eu tô jogando eu não ouço abso- forme eles querem. A solução pra Zanata é só uma bola. Tu-
anos esíão agarrados nas nos- lutamente nada nue a torcida tá só vai vir quando os jogadores do mais roda em torno dela. A
sas caldas. Zanata me assina na falando ou gritando. Eu no cam- adquirirem uma consciência entrevista acabou. Zanata vai
camisa? Assina no braço? Não po desligo conpletamente. maior do problema. Por enquan- embora e o campo fica comple-
seu burro pede prele assinar a — E antes de começar o io- to só um ou outro é que é obri- tamente vazio. É como se na
bola! Quem pegou mais assina- go você fica nervoso? — Não. eado a lutar sozinho e é muito arquibancada ecoasse a voz de
rão fui eu! Com alguma dificul- Toda tensão vai embora na gi- difícil ganhar. Waldir Amaral — "Estão deser-
dade a gente consegue sentar. nástica que a gente faz pra aque- — E você? — "Comigo até tas e adormecidas as arquiban-
A primeira leva já passou. Os cer. Na hora de entrar em cam- agora a coisa tem ido bem e eu cadas do maior estádio do
garotos foram ehibora e com po a pulsação acelera um pouco não tenho queixa nenhuma do mundo..."

Página 18 VERBO ENCANTADO

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macrobióficamacrobióficamacrobiõficamacrobiófica macrobióticamact nacrobióticant
ZANATA MASTIGA DOR ENTREVISTA A
uma refeição mágica com FLÁVIO ZANATA LULA CAMPELLO
que introduziu a Macro em nossa terra. TORRES

DO COMEÇO leão, a raiz de lótus, a bardana (entre


O mau hábito alimentar já causou e as menos conhecidas) constituem al-
continuará causando imensos danos aos gumas das raízes adotadas. Já a batata,
hábitos culturais do sabor e a completa o tomate e a beterraba são evitadas por
deturpação do paladar. É muito comum serem demasiadamente ácidos.
o uso exagerado de açúcar, sal, corantes, Cerca de 50% da nossa alimentação
pimentas e, principalmente, o excesso de diária deve estar baseada no grão, isto
alimentos ingeridos por refeição. É lógico é, nos cereais e na utilização da farinha
que as necessidades alimentares de um desses cereais, principalmente a de arroz,
esquimó, por exemplo, são obrigatoria- na confecção da refeição. Essas farinhas
mente diferentes das necessidades ali- são usadas nos pastéis, bolinhos' empa-
mentares de um carioca. No entanto, das, massas em geral etc. De 20 a 25%
como se explica que o carioca consuma utilizamos os legumes, as verduras e as
mais carne que um habitantes daquelas raízes, principalmente aipo, repolho
zonas geladas? Enquanto que lá, nas re- branco e roxo, chicória, couve, nabo, sal-
giões polares, não existe a menor dis- sa, alface, abóbora, cenoura, agrião, cará,
ponibilidade de verduras, frutas e legu-
couve-flor, chuchu, rabanete e inhame.
mes, nós, aqui, encontramos esses impor-
Está formada a base.
tantes alimentos à vontade. E eles são
deixados em 3.° ou 4.° plano na hora da Depois, podemos variar os alimentos
mesa, sendo que algumas pessoas não os complementares os feijões de várias qua-
comem de maneira nenhuma. Muito inte- lidades (japonês, fradinho, de soja, pre-
ressante. to), o grão de bico, a lentilha, a ervilha,
Quanto aos líquidos- então, nem se as frutas de estação (frescas ou secas),
fala — há um exagero quase que incon- e também nozes castanhas-do-pará e do
trolável. Existe a mania dos sucos, a mis- caju etc. Na macrobiótica, um lugar do
tura das bebidas, enfim, uma quantidade destaque é reservado para as algas ma-
incrível e desnecessária de líquidos que rinhas, que além de exóticas e deliciosas,
bebemos antes, durante e depois das re- têm várias finalidades e devem ser usa-
feições. Todo mundo acha natural refres- das nos seus mais variados tipos, assim
car-se com um sorvete ou um refrige- como alguns crustáceos e alguns peixes:
rante num dia quente, mas pouquíssimos atum, bacalhau, lagosta, truta, salmão,
sabem o que devem e o quanto podem
comer de manhã, no almoço e no jantar.
arenque, sardinha, dourado, pescadinha,
lula, ostras etc.
SECUNDÁRIO
Devemos sempre ter em mente que nosso A alimentação animal deve constituir 1) Tudo pode acontecer .como nós zabeth 650/201. Rio —GB. Ver-
organismo não é uma máquina ignorante apenas 10% do regime alimentar' pois queremos e do lado de cá chegou bo encantado — macrobiótica.
que recebe e tritura, impassível, tudo que o frio. Bem no centro do Yin mais
não é o essencial (como pensamos aqui) 4) Receita macrodeliciosa para
comemos e bebemos. Ele é uma estru- cavernoso já está lançada a semen-
frango, pombo, perdiz, pato, peru, faisão, apausos gerais dos seus amigos
tura engenhosa e delicada que deve ser te secreta do Yang e mais algum
ovos fecundados etc. Os temperos devem mastigadores:
tratada com todo o respeito, evitando pouco começa o seu crescimento.
ser à base de óleos vegetais — soja, ger-
sobrecarga que o tirarão do equilíbrio ra- Se os dias estão ficando mais cur-
gilim etc. Como condimentos temos o VATAPÁ DE ABÓBORA, MO-
cional de suas funções naturais. Uma vez tos e a escuridão está enroscada no
molho de soja, a massa de soja, o gengi- RANGO COM CAMARÕES
em desequilíbrio, aí sim, nosso organismo frio é porque já podemos sentir os
bre e o sal deve ser marinho, grosso tal dias ensolarados. A dança da vi- Cozinhe a abóbora picada em
se transforma numa máquina pesada, pedacinhos (em pouquíssima água).
a natureza nos oferece. Açúcar, apenas tória da luz contra as trevas come-
sempre saturada e propensa a falhas. Faça um refogado com bastante
através da maçã cozida ou do mel de çou, embora seja quase impercep-
Tudo que pode falhar, acaba falhando... cebola no azeite de Oliveira ou
abelhas, em pequenas quantidades. Quan- tível e em câmaralenta pois o in-
óleo de Merlin. Passe tudo no li-
O EXPRESSO to aos líquidos, devemos tomar princi- verno resistirá por muito tempo, qüidificador. Junte uma colher d»
A melhor maneira de enfrentar, sem palmente os chás de erva-doce, artemí- chegando até a ser muito rigoroso araruta. Prepare uns camarões re-
para muitos. Depois, o verão e o
problemas' o dia-a-dia da vida, é adotar sia' habu, dente de leão, chá Mu, tomi- resto. fogados com bastante cebola pi-
o sensacional sistema que a macrobiótica Iho, chá de três anos e inúmeros outros. cadinha; mexa até cozinhar bem.
nos ensina. A meta suprema da macro- Temos o leite de cereais, a água natu- junte molho de soja e sal m ni-
biótica é a de levar o homem à conquista 2) O resto: sempre o Yang suce- nho tomando cuidado para que não
ral, a água mineral, o café de cevada e
de ao Yin e o Yin sucede ao Yang. salgue demais. Nesse ponto, mis-
de um estado de luz permanente, através até um refresco macrobiótico feito com Alcançando o seu máximo cresci- ture os camarões i abóbora. Fa-
de um corpo cem por cento saudável. uma ameixa salgada chamada Umeboshi, mento, o Yin contém o germe do ça à parte um creme de arroz (in-
Nada de problemas físicos, nada de pro- que apesar do nome complicado é facil- Yang. No seu máximo, o Yang tegral, claro) bem clarinho e bem
blemas psíquicos. Poderemos então des- mente encontrada nos entrepostos espe- contém o germe do Yin. Nos seus cozido. Coloque o vatapá em pra-
frutar de uma vida mais longa (e total- cíficos, em diversas cidades do Brasil. Um limites o Yin se transmuta em tinhos bem delicados e atrativos
mente integrada nas oscilações de nosso pouco de vinho e cerveja é permitido para Yang e o Yang se transmuta em Ponha em cima o creme de arroz
mundo) devido ao perfeito funcionamento os que estão num estágio bem avançado. Yin. Não existe Yin sem Yang, com o auxílio de uma colher ou
de todos nossos órgãos. Esse caminho que Para a sobremesa, além dos diversos nem Yang sem Yin. O Yin e o então em outra forminha para fi-
nos leva até o discernimento total, até Yang são contrários, opostos e apa- car ainda mais decorativo. Pode
confeitos integrais, usamos as frutas, das rentemente inimigos, mas comple-
a integração com a ordem constituída do também dar asas à sua imagina-
quais as melhores são a melancia, os mentares, realmente indispensáveis ção enfeitando o creme com peda-
universo, é chamado de Expresso Satóri. morangos, a maçã, o melão, o mamão um ao outro. Yang é um aspecto cinhos de azeitona preta. Para
Há quem confunda o regime macrobió- o caqui, a cereja, a uva, a pera (cozida) dj Yin e Yin é um aspecto do Yang. acompanhar, uma taça de chá de
tico com o regime vegetariano. Não tem e a banana ouro (cozida). A banana da Yin é Yang. Yang é Yin. Na co- três anos. Depois do arroz, do va-
nada a ver O regime vegetariano é uma terra também pode ser usada de vez em mida e na vida. Thafs what ma- tapá e do chá; um passeio a pé à
mera reação sentimental ao carnivoris- quando (devidamente cozida ou frita). crobiotic is also ali about. beira-mar ou no campo. Tudo com
mo. Já o regime macrobiótico se baseia São permitidos ainda, as passas e as azei- 3) Meus sódicos namorados: muita calma.
no equilíbrio exato entre o sódio (Yang) tonas, pretas e verdes. Célia — Valéria — Eleonora -
e o potássio (Yin), para a obtenção de Wilson — dona Mirtes — Zanat-
PROPOSTA
uma boa saúde. Infelizmente, a grande ta — dona Marina — dona Hele-
maioria ainda encara a macrobiótica A macrobiótica em seus três aspectos na — Gentil da macrô-Odeon -
como se ela fosse um estranho sistema (filosófico, medicinal e culinário) repre- Isálla — Rosanne — Cláudio de
de cura para as mais variadas doenças, senta o caminho mais simples e objetivo SP — Aliomar Aparecida — dona
e, até mesmo, um simples regime para em direção à liberdade è à harmonia em Rosa de Sentes — Jucá de San-
todos os seus níveis possíveis e, apa- tos — Jacinto — Kikutchi que li
emagrecer. Na realidade, trata-se de uma — amigos — Lúcia, Celso e Elcio
ciência que ensina a purificar o sangue. rentemente, impossíveis. Dizia o Mestre
OHSHAWA — do Maranhão — Mastigadores do
A macrobiótica é a filosofia da boa ali- sétimo céu — do frigilé — Associa-
mentação; isto é, a ingestão e a digestão — "Se chegarmos a tirar o véu que ção do Rio — de São Paulo — de
do alimento puro. obscurece a nossa mente e o nosso Santos •— Shin-Sekai — particula-
espírito por uma alimentação apro- res — de Belo Horizonte — Porto
MASTIGANDO Alegre — Salvador — Juiz de Fo-
priada e sadia, poderemos muito fa-
Os grãos e as raízes são os principais cilmente chegar à percepção de ra — Brasília debaixo do Bloco —
alimentos da macrobiótica. O arroz inte- algo que está fora do espaço e do Curitiba — Flori — Ri0 Grande do
gral (base de toda a alimentação), o tempo, isto é, à percepção do Sm — do Norte — Pernambuco —
trigo, a aveia, o centeio, o milho^ desde » macros do resto do Brasil — da
TODO, de INFINITO. Se'alguém Terra... o verdo encantado inte-
que biojogicamente puros, são os cereais souber de um caminho mais encan-
mais importantes. A cebola, o alho, a ce- gral é nosso. Espero cartas, notí-
tado que p meu, diga-me e eu I- cias, receitas, colaborações, fotos e
noura (entre as conhecidas), o dente de garei tudo para segui-lo. . ." •lítj. Endereço: Av. Rainha E'i-

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A Rua Chile já foi uma rua chie. Como o sorriso daquela gente, estou, debaixo dós caracóis dos eu não tenho muito dinheiro,
Como uma Edith Piaf. Sua histó- daquela rua, daquele cassino, da- cabelos de Castro Alves, no iní- graças a Deus.
ria começa entre a Slopper e o quele período do fim, daquela cio dé uma pequena jornada'que Nas-secções de maquiagem ma-
Hotel Pálace, onde funcionou grande guerra esquecida entre os termina ria Misericórdia. quiadoras maquiadíssimas tes-
um. maravilhoso cassino,'roleta estilhaços de mais-um cham- Passeio sobre passeios entre e en- tam cosméticos no teu rosto à
dás minhas primeiras lembran- pagne e o borbulhar de uma taça tro em lojas, e carros e rapazes, base da sua beleza. Fotografe ha
ças, que me foram ilustradas quebrada. Um pouco de Belos e estacionados.. Uma paquera de Galeria Califórnia, compre um
com a moda de Mme. Madeláinè. Malditos na maneira baiana de olhar. Pra quem era este sorriso e sapato'na CÍark c calce.
Chapeletas de penugem e.lante- viver. aquela buzina que cantava estar Duas Américas, como se uma só
joulas discretas, vestidos de seda Hoje, a Rua Chile não tem muita amando loucamente a namóradi- não me bastasse..A única loja na
e vidrilhos parisienses, uma jóia, coisa em cima. dos edifícios acrí- nha de úm amigo meu?' Lita, a Bahia que tem escada rolante,
de bolsa, combinando com sapa- licos i sinais da propaganda lumi- moça da tarde,.me aparece, mè uma extensão da roda gigante,
to alto de bico redondo e "aberto. nosa, apagados ainda nesta tarde beija, me esquece. Dependurados como lustres, can-
Adão não se vestia porque Spi- de verão violeto, somente a Todas as lojas vitriham moderni- delabros de papelão dourados
nelli não existia, ternos brancos VASP- parece estar loucamente dadesque podem ser adquiridas sustentadas como luzes, velas de
e engomados, chapéus de panamá, dourada do sol que se põe sem através o Carte Blanche, o papelão vermelho. Peace, virou
sapatos marrons iustrosos, eu estar no porto da barra, aqui Dinner's, o CBC, o Credicard. E estampado vendido a retalho.

— ■.■.'X-^Sv.:;-..::.-*:.;::.:;.;. : .;,„,,,...:„ .

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Dois anjos, dois manequins, dois' pTuma para que, ajoelhado, você culos mesmo, pedacinhos de cor-
panos, duas vitrines; ore.confortavelmentè, ora. E um redores' aproveitados, entrada de
Casa da. Música,; Pense em Mim , pedido escrito e fixo, .pedindo a prédios antigos, bazar. O que
Jerry Adrianf, Seu Dia Chegará, fineza de não pisar no lugar des- 'teftti demais- é lanchonete, pizza*
Casa de Loteria. Bancos. .Tem tinado a se ajoelhar. A capela de \ riaí,t bares e funcionários públi-
gente* que saca. Dinheiro. Muito Nossa Senhora cTÁjuda foi man-' cos*."
embora em Nova Iorque sejam 7 dada construir pela administra- , E o tabeliónato do Dr. Marback,
e 30, em Madri duas e meia, em ção do Município em virtude de tãq antigo quanto a Bahia, a Li-
Salvador' 20 prás 10, em Londres um contrato de 22 de'abril dé vraria Civilização Brasileira, onde
vinte e cinco prá .uma, em-Tèl 1912, ficando prontinha quando sempre encontro o Prof. Vivaldo :: :
Aviv 2 e 30. Muito embora todos governava o Estado o José Joa- da Costa Lima perguntando pe-
os relógios do Edifício Antônio quim Seabra, arcebispava o pri- las novidades literárias, uma loja
Ferreira estejam parados, erra- maz do Brasil o Reverendo Jhe- só de louças, sobre a qual vou
dos; atrasados. Que quem é fraco rôninio Tome da Silva, e era in- fazer um material especial, e, prá
se arrebenta, quem não pode sái tendente Municipal o Engenhei- finalizar, com chave de ouro, o
da frente,* que um carro, quase ro Civil Epaminondas dos Santos CINE ART, o cinema mais mara-
me atropela no início do Pau da Torres. Nela, a capela, tem um vilhoso da Bahia, pequeno mas
Bandeira, onde tá o Varanda. andor. Nele, o andor, tem um muito pouco acanhado, ousado
Revejo Pele, o bailarino do api- Cristo. Permanentemente adora- demais, do filme às pessoas que
to, dançando em frente ao palá- do, carregando uma cruz com- pouco o assistem, mil beijos,
cio onde o governador faz seus pletamente dourada. E nada abraços, apertos, coladas, pulgas,
despachos.' Atravesso a ruà. Dó mais que notasse, assim vistas rá- ar renovado, portas envidraça-
outro lado é o espelho, tudo é pidas passadas que fosse de regis- das, que se abrem e se fecham
completamente igual, embora tu: tro digno. iluminando a sala semi-escura,
do seja completamente diferen- Saio e quem encontro? Roberto duas escadas e mil lances, três ca-
te. Passeio sobre passeios entre e Carlos, em pesoa, o 1o, rípi baia- deiras na última fila, para ele ele
entro, ém lojas e rapazes e carros no, rapaz de seus vinte e quantos e o outro assistirem já em quinta
estacionados em frente ao mais ou menos, cabelo liso escor- semana "O Desafio dos Gladia-
Adamastor. Falta, ouriço, sobram rido preto, que passeia adoidado dores".
preocupações e edifícios, não ve- pelas ruas centrais de Salvador,
jo a antiga mulher de roxo, hoje absolutamente. a qualquer hora
dama de preto, não vejo. Castro do dia ou da noite você o encon-
Alves novamente e sempre. Ele: tra a sempre passear, nunca a fa-
aponta.para'o Guarany, muito zer outra coisa, além de passear
embora seja rio Tamoio que leio: olhando as pessoas, as vezes,
Amor Sem Barreiras. ' através óculos tipo. Lennon, as
A Rua d'Ajuda corre paralela, â vezes de shorts, mas quase sem-
Rua Chile è através transversais pre de sapato, camisa e calça;
correm juntas. É mão que desvia- assim, simples, maravilhosa-
da rua chie, estreita) sem curvas mente caretas, vai ver que é por •
Csem"ladeiras.. No seu trecho, isso —■ absolutamente careta -
mais amplo,"quase largo mas não — que colocaram o nome dele Cario» Eduardo Ribas y Ribamar y
.tanto, encontramos a Igreja de de Roberto Carlos. Ele gosta de Ribanceira y Ribeira y Ribalta
Nossa Senhora d'Ajuda, onde pa- acarajé.
ta com o Padre Nóbrega e seus •N'Ajuda, todo cahtinho é loja de
abnegados companheiros' na ca-* •roupas, de remédios, de sapatos,
.teqüesee civilização do Brasil) a de discos, de jóia, de doméstico
Bahia vem cumprindo o seu de- elétricos, de licros, de cabeleirei-
ver, como cada qual deve cum- ros-no. Salão Azul eu cortava
prir com o' seu. desde 6 do 7 de quando cortava meu cabelo - de
23. ' armarinho e de outra.cacetada
Interessante i que", nos bancos, dé coisas. Não tem nenhum .ma?
traseiros da dita igreja tem platis* gazine, todas são lojinhas, cubí-

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DE
OSEE

NESTE DICIONÁRIO UNDERGROUND letra A foi de Ângela Maria,


B de Barão de Mocofofos, C de Ciodovií, D de Dona Canê Velo-
so, E de Eliseu, F de França Teixeira, G de Gesse de Moraes, H
de Helena Inês, I de Iara, J de Jorge Maufner, L de Luís Gon-
zaga, M de Macalé, N de Nós Mesmos (Verbo People), O de
Os Novos Baianos, P de Pinky Wainer, Q de Querido Camafeu
de Oxóssi, R de ROSE E RÚBIÂ, o Esfácio, salve o Esiácioí Falei.

RÚBIA — Nasci nesta cidade: Rio de Janeiro. dragem, a barra que realmente pesa... o gostoso
Quero dizer mesmo que foi lá no Estácio, onde vivi que é o Estácio. O Bar Chave de Ouro, o barato que
muito tempo. Uma infância que me permitiu jogar é. Tudo lá. (Rose)
bola na rua com a rapaziada legal de lá. Um tempo RESTOS — Da comida ou da fome. (Rose)
dado com a moçada do Morro de São Carlos, mui- RIQUEZA — De espírito em primeiro plano.
to feliz. Um bom moço chamado Luís Melodia que (Rose)
hoje é meu parceiro, comecei a compor com ele cm REGISTRO — O Show da Rúbia junto ao Luís
^w§■,■*.#* ■'.■?■/« 1970. Meu primeiro trabalho foi Música Morena, que Melodia. Um acontecimento. Sou uma presença.
não foi gravada. A música é uma transa que sem- (Rose)
pre esteve lado a lado comigo. Nasci no meio do REPÓRTERES — É uma não é? Sei pouco. (Rose;
Samba, meu pai é da Comissão de frente dos Uni- ROMÂNTICA — Sou. Muito em cima. Sou ro-
dos de São Carlos e agora vai pra Mangueira. E eu mântica numa série de coisas. (Rose)
estarei sempre com a música porque através dela REVELAÇÃO — Rúbia e Melodia. (Rose)
solto o que se passa comigo. RIVAIS — Nunca. (Rose)
ROSE — Sou irmã de Rúbia. O meu campo é RITOS — Um ritual negro com presença de
cinema e fotografia, isto é manequim. Labuto há 5 Exu. Tem muito a ver. (Rose)
anos na Mangueira e acho maravilhosa a barra que ROLLING STONE — Maravilhoso. A coisa ma-
é. Coisa de gênio! Mangueira é uma coisa que vem ravilhosa que vem do lado de fora. Legal.
de dentro, dá pra se sentir. Ah, sim, vou trabalhar REVISTAS — Todas. Tantas pintem. Bondinho.
ao lado do Zé do Caixão, o filme é um Salto Espe- (Rose)
tacular Para a Morte. Cinema é uma coisa que gosto ROSEMARI — Não dá pé. Não é legal. (Rose)
muito de fazer, outra coisa é acompanhar o traba- ROSE (BABY) — Baby Rose é uma música que
lho da Rúbia e conversar com Carlinhos o Pandeiro Melodia fez pra mim. Muito em cima. Ele fala da
de Ouro, meu bom narceiro na Mangueira. Rose que viveu aqui na Zona Sul. O lado de cá. Gos-
RAIO X DO MORRO — De tudo que já fala- to muito. (Rose)
ram do morro, o oue po?so dizer é que é um ne- REDENTOR — Cristo. (Rúbia)
gócio legal. Tudo lá é mais sentido do que do lado RENUNCIA — Elis Regina. (Rúbia)
de cá. Como se o amor fosse maior, não sei. Falo RAINHA — Gal Costa. (Rúbia)
num negócio de sentimento. E falo pelo que vivi em ROTEIRO — Giro, pacas. (Rúbia)
Mangueira e São Carlos. (Rose). ROSA DOS VENTOS — Chico é legal. Com o
REI PELE — Tá na dele, não é? Fazendo o gol Paulinho da Viola e Gil formam o Trio Forte.
quando tem de fazer, coisas assim. .. (Rose). RECADO — Pro Hélio Oiticica: Você tem que
ROBERTO CARLOS — Tem troços bacanas. estar aqui agora. Você está aqui mas está distante.
Chega a ser legal. (Rose) (Rose)
RELIGIÃO — Setista. Religião desenvolvida Quero vê você de novo.
por Seu Sete da Lira o centro é lá em Santíssimo. REBORDOSA — Dormir e acordar. (Rose)
Meus Anjos da Guarda são Oxalá. .. Oxum. .. Tam- RITMO — Samba. Rock. E o que é pop e pop.
bém os escravos: Exu Caveira e Sete Catacumbas. (Rúbia)
Engraçado que eu semore tive medo desse tipo de RETIRO — Dos Artistas. (Rose)
religião, num Natal fui com minha mãe e compre- REPENTE — De repente com a gente. (Rúbia)
endi. Gostei. Ainda não botei a roupa. É preciso mui- REVOLUÇÃO — Amar. (Rúbia)
to piso. (Rúbia) RONDA — Seu Sete da Lira está em ronda.
RIO DE JANEIRO — Tenho de falar de um rio (Rúbia)
que não tem. Se é um rio deixa correr. Neste rio REGRESSO — Ao Santíssimo. (Rúbia)
atravesso com muitos amigos. Amigo é o que se diz RISOS — Ao dar a Maria. Risos e rosas ver-
do peito. O Rio de Janeiro é a cidade do peito. melhas. (Rúbia)
n «i (Rúbia) ROCK — Meu Roque. (Rúbia)
RISCO DO MAPA — Teófilo Otoni. Sofri um REALENGO — Gilberto Gil. (Rúbia;
^T^ill! desastre lá. (Rúbia) RESPOSTA — É bom ser bom. (Rúbia)
RAZÃO — A de arrasar. (Rúbia) REQUEBRA BEM — Maria Helena da Man-
REENCARNAÇÃO — Acredito. Nada mais pos- gueira.
so falar. (Rúbia) RETIRAR — As pessoas falsas. (Rose)
RUA — Rodrigo dos Santos (Rúbia) REGO MONTEIRO — Zacarias do. .. (Rose)
RAÍZES — Estão nascendo. (Rúbia) RIR — Também. (Rose)
REMÉDIOS — Marafo. Pra quem não sabe é RASTRO — É tudo o que fica. Deixa aí. (Rose)
cachaça. Umbanda. (Rúbia) REBU — É rebu mesmo. 'Rosei
RUMO — O Rumo Certo, olhai... (Rúbia) R DE RECORDAÇÕES — Numa tarde de
RADIO — Som. (Rúbia) OPINIÕES. Teatro Opinião — Rio de Janeiro. En-
REZA — Minha transa também tem a ver com contro Verbo-Rose-Rúbia. Ensaio com Luís Melodia
Exu... (Rose) e Rúbia. Presença de Paulinho Lima, produtor. Fim
ROSAS — Sete vermelhas para Pomba Gira. de tarde. Estrelas pintando. No céu... No céu...
(Rose) oh! Guanabara! Rose que bem nos causa, Rúbia a
REVOLTA — Uma pessoa chata. (Rose) luz forte que ilumina a cidade. Com Melodia.
RECORDAÇÃO — O Estácio, olhai... a malan- (ATHENODORO RIBEIRO)

Pági/ia 22 VERBO ENCANTADO

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SEJA VERDADEIRO NO AMOR. TODOS SERÃO AMIGOS
Se alguém lhe negar afeto, é porque faltou o seu amor.
Ou então havia amor bastante mas sua demonstração foi
insuficiente. Todos os seres são irmãos na vida, portanto,
são todos amigos. O amor cumprirá sua missão conforme
seja manifestado pelas suas expressões e atitudes. (SEI-
CHO-NO-IE).

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