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FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ – FRATELLI VITA

TRABALHO DE PSICOLOGIA

Salvador/BA

2017
AUTORES: CLAUDIA SENISE, ELANE BARNABÉ, RUTH SANTOS, SHEILA
SOUZA E WINIE DANDARA

Corpo magro, mente gorda: mudanças de humor em pacientes submetidos à


cirurgia bariátrica

Trabalho apresentado à disciplina de


Psicologia Aplicada a Nutrição, do Curso
de Nutrição, IV Semestre, turno noturno,
orientado pelo professor Robson Souza.

Salvador/BA

2017
Esta síntese tem como objetivo entender porque pacientes submetidos à cirurgia
bariátrica costumam sofrer algum tipo de distúrbio psicopatológico.

A cirurgia bariátrica é um conjunto de técnicas cirúrgicas que visam à restrição e


diminuição da quantidade de alimentos e líquidos no estômago do paciente obeso. As
técnicas de intervenção podem utilizar-se da retirada de parte do estômago (85%) ou
grampeamento dele, bem como desvio ou corte de partes do intestino, da utilização de
um anel que pressiona o estômago, de um balão inflado no estômago que,
consequentemente, restringe a sua utilização, e outras técnicas menos convencionais.
Estas intervenções costumam resultar em uma perda drástica de peso e, segundo a
Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), podem ser feitas
após análise do Índice de Massa Corporal (IMC), da idade e do tempo de permanência
da doença (obesidade).

A promessa de ter um corpo magro para aquele que vive o corpo gordo ou obeso é
bastante tentadora: sair do campo da abjeção e da marginalidade estética impostos pela
sociedade parece compensar os efeitos colaterais da cirurgia, mas nos casos onde a
reconstrução do corpo não ocorre de forma satisfatória os pacientes não conseguem
realizar totalmente o processo de construção de uma nova identidade porque a mente
não acompanha o súbito emagrecimento. Casos de alcoolismo, depressão, bulimia,
ansiedade e suicídio são identificados na literatura como desajustes ocorridos nesse
período pós-operatório. Outro sintoma verificado é a chamada síndrome de dumping
que se caracteriza pelo rápido esvaziamento gástrico. O dumping pode ocorrer
posteriormente a uma refeição em pacientes operados de cirurgia bariátrica e, os
principais sintomas relatados são sono, vontade de deitar e cansaço. Quando o
emagrecimento radical é promovido os resíduos da gordura corporal se manifestam de
várias formas: as peles permanecem em grande quantidade, há queda de cabelo, as
unhas são enfraquecidas e muitas vezes novos problemas de saúde acompanham este
novo “self”. É preciso que o corpo visto como totalidade se adapte a um novo
engajamento corporal. É preciso que haja paciência para que esse corpo perca os hábitos
já cristalizados substituindo-os por novos hábitos.
Conduta nutricional em pacientes submetidos à Cirurgia Bariátrica

É consenso que os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica apresentam uma melhora


nos quadros de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e hiperlipidemia, mas um
maior risco de desenvolver deficiências nutricionais pela limitação na ingestão e
absorção de diversos nutrientes. As principais deficiências encontradas são de ferro,
vitamina B12, cálcio, ferro, vitamina D e Ácido fólico. O papel do nutricionista é,
portanto, fundamental, garantindo a reeducação e a suplementação alimentar do
paciente, bem como a readequação do seu organismo à nova realidade.

O nutricionista precisa ter como primeira preocupação fazer uma avaliação nutricional
para conhecer o estado geral de saúde do paciente. A identificação e a correção das
deficiências nutricionais no pré-operatório têm como objetivo otimizar o estado de
saúde do paciente e minimizar os riscos de infecções e complicações durante e após a
cirurgia, bem como o tempo de internação. O nutricionista nunca deve liberar um
paciente para a cirurgia com apenas uma consulta.

A ingestão de uma menor quantidade de calorias e micronutrientes e menor produção de


ácido clorídrico pelo estomago, impacta na digestão de proteínas e absorção de
nutrientes como ferro, cálcio, vitamina B12 e ácido fólico. As complicações dos
procedimentos de cirurgia bariátrica no estado nutricional do paciente se devem
principalmente as alterações anatômicas e fisiológicas que prejudicam e modificam as
vias de absorção e ingestão alimentar. Os principais deles são: má absorção de
nutrientes, sangramentos, náuseas e vômitos, surgimentos de doenças como anemias e
osteoporose precoce, perdas de dentes, reganho de peso, hérnias e até amnésia e outros
problemas neurológicos. Quando ocorrem muitos desses efeitos, o uso da
suplementação nutricional oral vem corrigir ou prevenir essas deficiências nutricionais.
A incorporação de micronutrientes ao corpo a partir da alimentação é a maneira mais
adequada de se manter os estoques corporais em níveis desejáveis.

Para determinação da conduta nutricional a ser seguida no pós-operatório, deverão ser


observadas as particularidades da técnica cirúrgica aplicada, no sentido de evitar a
desnutrição proteico-calórica e carências nutricionais comuns nos casos de cirurgia
bariátrica, prevenir complicações pós-cirúrgicos em nível nutricional e dar continuidade
às mudanças de hábitos alimentares e, saber que a prescrição de suplementos minerais,
vitamínicos e outros nutrientes dependem de cada caso individualmente.
Os aspectos negativos da cirurgia bariátrica da vida de um paciente são incontáveis,
complicações cirúrgicas, rompimentos de grampos e anel quando um desses é usado de
acordo com o tipo de cirurgia, a síndrome de dumping e o maior e pior risco de todos
que é o risco de morte e o alto índice de suicídios em paciente com comportamento
compulsivos.

Também contamos com aspectos positivos na vida dos pacientes que fizeram a cirurgia
bariátrica, como o principal e mais importante aspecto que é a perda de peso,
oportunidade de locomoção com autonomia, uma nova rotina, autoconfiança, saúde
quando acompanhada por uma equipe multidisciplinar, estética e os desafios diários e
estimulantes para uma vida saudável.

É exigido um laudo de um nutricionista para liberar o paciente a realizar a cirurgia


bariátrica, mas o papel do nutricionista vai além: São os nutricionistas que orientam o
paciente sobre todas as implicações que deverá se submeter após a cirurgia para garantir
o sucesso do procedimento, como o reganho de peso e a desnutrição.

É muito importante essa orientação para que o paciente aprenda a escolher os melhores
alimentos e a conduzir o tratamento com suplementação da melhor maneira possível.
Nas visitas os pacientes serão orientados quanto a mastigação, frequência das refeições,
volume e tipo de alimentação em cada fase do pós-cirúrgico. No pós-cirúrgico as visitas
ao nutricionista deverão ser semanais, quinzenais, trimestrais, semestrais e anuais.

Uma equipe multidisciplinar de apoio ao paciente conta com fisioterapeutas,


profissionais de educação física, psiquiatras e clínicos gerais juntamente com o
nutricionista. O trabalho de uma equipe qualificada traz segurança ao paciente, aumenta
a probabilidade de sucesso do procedimento, diminui os riscos, ajuda a incorporar os
novos hábitos na vida do paciente e afasta as possiblidades do reganho de peso a médio
e longo prazo.

É fundamental o acompanhamento clinico nutricional de todos os pacientes submetidos


à cirurgia bariátrica a fim de garantir a perda de peso de forma saudável.
BIBLIOGRAFIA

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3. BORDALO, L.A. et al. Cirurgia Bariátrica: Como e porque suplementar. Revista Associação
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7. Bariátrica. Apresentação no Congresso Paranaense de Terapia Nutricional, Oral, Enteral
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9. Disponível em: http://www.cfn.org.br/index.php/recomendacoes-para-nutricionistas-
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