Você está na página 1de 16

DAVID WILSON

A História
do Pi(𝝅)
HISTÓRIA DA MATEMÁTICA
RUTGERS, 2000

TRAD. M. ELISA E. L. GALVÃO


Aula- Análise – 8 de março

A História do Pi (𝝅)1
David Wilson
História da Matemática
Rutgers, 2000

Trad. M. Elisa E. L. Galvão

O cálculo da razão entre o comprimento e o diâmetro da circunferência, que


se tornou conhecida e representada pela letra grega 𝜋, foi um dos mais
duradouros desafios ao longo da história da matemática. Desde a antiga
civilização da Babilônia à Idade Média na Europa até os supercomputadores
nos dias atuais, matemáticos têm se esforçado para calcular o misterioso
número. Procuraram por frações exatas, fórmulas, e, mais recentemente,
padrões na longa representação numérica que começa com 3.14159 2653...,
usualmente abreviada por 3.14. William L. Schaaf afirmou que
“Provavelmente nenhum símbolo em matemática foi evocado com tanto
mistério, romantismo, concepções controversas e interesse como o número
Pi” (Blatner,1). Provavelmente nunca conheceremos quem primeiro
descobriu que a razão entre o comprimento da circunferência e seu diâmetro
é constante, como também não saberemos que primeiro tentou calcular essa
razão. Os babilônios e os egípcios foram os povos que iniciaram a busca pelo
Pi, há aproximadamente 4000 anos. Não está claro como encontraram as
respectivas aproximações para o Pi, mas uma fonte (Beckman) afirma que
eles fizeram um grande círculo e mediram a circunferência e o diâmetro com
um pedaço de corda. Por meio desse método descobriram que Pi era
ligeiramente maior que 3, e chegaram ao valor 3 1/8 ou 3.125 (Beckmann,
11). Entretanto, essa teoria é provavelmente uma fantasia baseada nas

1
http://sites.math.rutgers.edu/~cherlin/History/Papers2000/wilson.html
incompreensões a respeito da palavra grega "Harpedonaptae", que
Democritus mencionou em uma carta a um amigo. A palavra significa
literalmente “esticadores de corda” ou “fixadores de corda”. A
incompreensão é pelo fato de que esses homens usavam cordas para calcular
medidas associadas ao círculo, enquanto que usualmente eles tiravam
medidas para demarcar os limites de propriedades e áreas dos templos, de
acordo com (Heath, 121).

Uma famosa peça de papiro egípcio nos dá uma outra estimativa antiga para
o Pi. O papiro de Rhind data de 1650 a.C. e foi escrito por um escriba
chamado Ahmes. Ahmes escreveu: “Corte 1/9 de um diâmetro e construa um
quadrado sobre o restante; ele terá a mesma área que o círculo” (Blatner, 8).
Em outras palavras, essa afirmação tem como consequência que Pi= 4(8/9)2
= 3.16049, que é razoavelmente preciso. Essa notícia não chegou até o
Oriente, uma vez que os chineses utilizavam imprecisamente o valor Pi=3,
centenas de anos mais tarde.

Cronologicamente, a aproximação seguinte de Pi é encontrada no Velho


Testamento. Um verso bastante bem conhecido, 1 Reis 7:23, diz: “Ele fez
um mar de dez côvados da borda à borda, redondo na bússola, e cinco
côvados de altura; e uma linha de trinta côvados o rodeou por volta"(Blatner,
13). Neste caso, Pi=3. Debates se travaram por séculos em torno desse verso.
De acordo com alguns era apenas uma aproximação, enquanto outros
afirmavam que “o diâmetro talvez tenha sido medido pelo exterior, enquanto
que a circunferência foi medida pelo interior” (Tsaban, 76). Entretanto, a
maioria dos matemáticos e cientistas não dão importância a uma
aproximação muito mais precisa para Pi que está no “código” matemático da
língua dos Hebreus. Em hebraico, cada letra é equivalente a um certo
número, e o “valor” da palavra é igual à soma dos valores das suas letras.
Suficientemente interessante, em 1 Reis 7:23, a palavra “reta” está escrita
Kuf Vov Heh, mas o Heh não necessitaria estar escrito, pois não é
pronunciado. Com o acréscimo, a palavra tem o valor de 111, mas sem ele,
o valor é 106. (Kuf=100, Vov=6, Heh=5). A razão entre Pi e 3 é muito
próximo da razão entre111 e 106; neste caso, encontraríamos Pi=
3.1415094... (Tsaban, 78). Isto é muito mais preciso que qualquer outro valor
que tenha sido utilizado até então, e seria o recorde para o maior número de
dígitos corretos pelos próximos 700 anos. Infelizmente, essa pequena
preciosidade matemática, comparada à mais conhecida aproximação Pi=3, é
praticamente desconhecida.

Quando os gregos trataram do problema, eles deram dois passos


revolucionários para determinar o valor de Pi. Antiphon e Bryson de Heraclea
trouxeram a ideia inovadora de inscrever um polígono em um círculo, encontrar
sua área e depois dobrar o número de lados do polígono e recalcular a área
novamente, sequencialmente. “Mais cedo ou mais tarde (eles
observaram)…[haveria] tantos lados que o polígono…[seria] um círculo”
(Blatner, 16). Mais tarde, Bryson também calculou a área de polígonos
circunscritos ao círculo. Essa foi, aparentemente, a primeira vez que um
resultado matemático é determinado por meio do uso de limites inferiores e
superiores. Infelizmente, o trabalho muito complicado de calcular a área de
centenas de pequenos triângulos resultou em um valor com poucos dígitos
(Blatner, 16).

Aproximadamente na mesma época, Anaxagoras de Clazomenae começou a


trabalhar sobre um problema que não seria resolvido de maneira conclusiva por
2000 anos. Depois de um encarceramento por discursos ilegais, Anaxagoras
passou o seu tempo tentando quadrar o círculo isto é, construir, com régua e
compasso, um quadrado cuja área seja igual à área do círculo – Nota da
tradutora). Cajori escreveu: "Esta é a primeira vez, na história da matemática,
que encontramos menção ao famoso problema dado círculo, a pedra sobre a
qual muitas reputações foram destruídas.... Anaxagoras não exibiu uma solução
para o problema, e parece ter, felizmente, escapado de paralogismos" (Cajori
17). Desde então, dezenas de matemáticos tentaram encontrar uma forma de
construir um quadrado cuja área fosse igual à área de um círculo dado; alguns
afirmariam que encontraram a solução do problema, outros que a solução era
impossível. O problema permaneceu sem solução até o século XIX.

A primeira descoberta de impacto sobre o cálculo de Pi foi do grego


Archimedes de Siracusa. No ponto em que Antiphon e Bryson chegaram com
seus polígonos inscritos e circunscritos, Archimedes retomou o problema.
Entretanto, ele utilizou um método ligeiramente diferente. Archimedes
trabalhou com os perímetros dos polígonos ao invés da área. Ele começou com
os hexágonos inscrito e circunscrito e dobrou o número de lados quatro vezes
até chegar ao polígono de 96 lados (Archimedes, 92). Seu método será descrito
a seguir.

Dada uma circunferência de raio 1, vamos considerar um polígono regular


circunscrito A com número de lados K = 3 x 2n-1 e semiperímetro an and e um
polígono regular inscrito B com número de lados K = 3x 2n-1 e semiperímetro
bn. Temos uma sequência decrescente a1, a2, a3... e uma sequência crescente b1,
b2, b3... ambas se aproximando de Pi. Podemos usar relações trigonométricas
(Archimedes não o fez) para encontrar os dois semiperímetros:

an = K tan (π/K) and bn = K sin (π /K)

e an+1 = 2K tan (π /2K) and bn+1 = 2K sin (π /2K).

Archimedes começou com a1 = 3 tan (π /3) = 3 √3 e b1 = 3 sin (π /3) = 3√3/2


and used 265/153 < √3 < 1351/780. Ele calculou os termos das sequências até
até a6 and b6 e finalmente chegou à conclusão que

3 10/71 < b6 < Pi < a6 < 3 1/7.


Archimedes terminou com o polígono de 96 lados após numerosos cálculos
detalhados (Archimedes, 95). O fato de ter sido capaz de ir tão longe e conseguir
uma estimativa tão boa é um "estupendo feito tanto de imaginação quanto de
cálculo" (O'Connor, 2).

Nos séculos seguinte, não aconteceram eventos significativos na direção de


encontrar o valor do Pi. Gradualmente, "a liderança... passou da Europa para o
Oriente" (O'Connor, 3) nos vários séculos seguintes. O mais antigo valor para
Pi usado na China foi 3. Em 263 d.C., Liu Hui descobriu, independentemente,
o método usado por Bryson e Antiphon, calculou os perímetros dos polígonos
regulares inscritos de 12 a 192 lados e chegou ao valor de Pi = 3.14159,
absolutamente correto até os primeiros cinco dígitos. Por volta do século V, Tsu
Ch'ung-chih e seu filho Tsu Keng-chih chegaram a resultados surpreendentes,
quando calcularam 3.1415926 < Pi < 3.1415927. Pai e filho usaram polígonos
inscritos com até 24576 lados (Blatner, 25). Logo depois, o matemático hindu
Aryabhata encontrou o 'preciso' valor 62,832/20,000 = 3.1416 (em oposição ao
“imprecise valor 22/7 conseguido por Archimedes' que era frequentemente
utilizado), mas, aparentemente, ele nunca o usou, nem alguém mais, por muitos
séculos (Beckmann, 24). Outro matemático indiano, Brahmagupta, adotou uma
nova abordagem. Calculou os perímetros de polígonos inscritos com 12, 24, 48,
e 96 lados e obteve √9.65, √9.81, √9.86, and √9.87 respectivamente. "E
então, munido dessa informação, ele afirmou que como os polígonos se
aproximavam da circunferência, o perímetro, portanto, Pi, se aproximava de
√10 [=3.162...]. Ele estava, naturalmente, completamente enganado" (Blatner,
26). Embora esse não seja um valor tão preciso quanto outros valores já
encontrados, ganhou popularidade e foi a aproximação adotada para Pi por pelo
menos alguns séculos. "Pode ter sido pela conveniência ou a facilidade de
memorizar √10 , que esse valor... se espalhou da India à Europa e foi usado
pelos matemáticos... ao longo da Idade Média" (Blatner, 26). Por volta do
século IX, a matemática e as ciências prosperaram na cultura árabe. Não está
claro que o matemático árabe Mohammed ibn Musa al'Khwarizmi tentou
calcular Pi, mas sabe-se que valores ele utilizou. Ele usou as aproximações 3 1/
7, √10 e 62832/20000. Estranhamente, entretanto o último e mais preciso valor
foi aparentemente deixado de lado pelos árabes e substituído por valores menos
precisos (Cajori, 104).

Depois desse período, pouco progresso se verificou até a “explosão do Pi” no


final do século XVI. François Viète, um advogado francês e matemático amador
(muito importante) usou o método de Archimedes, começou com dois
hexágonos e dobrou o número de lados16 vezes, chegando a 393216 lados. Seu
resultado final foi 3.1415926535 < Pi < 3.1415926537. Mais importante ainda,
Viète foi o primeiro na história a descrever Pi usando um produto infinito 2.

Infelizmente, essa expressão não é muito útil para os cálculos, porque requer
muitas iterações antes da convergência, e as raízes quadradas tornam-se muito
complicadas. Ele mesmo não a utilizou para calcular aproximações para Pi
(Beckmann, 92). Em 1593 Adrianus Romanus usou um polígono circunscrito
com 320 lados para calcular o valor de Pi com 17 dígitos, dos quais 15 estavam
corretos (O'Connor, 3). Exatos três anos mais tarde, um alemão chamado
Ludolph Van Ceulen, usando o método de Archimedes para polígonos até 500
milhões de lados, chegou a 20 dígitos. Van Ceulen passou grande parte da sua
vida buscando valores para Pi e quando ele morreu em 1610, havia chegado a
35 dígitos com precisão. Seus feitos foram considerados extraordinários e os
dígitos foram gravados em sua lápide na igreja de St. Peter em Leyden. Até hoje
os alemães se referem ao Pi como “Ludolphian Number” ou “número de
Ludolph” em honra à sua grande perseverança (Cajori, 143).

2
http://www.pi314.net/eng/viete.php (NT)
Deve-se ressaltar que, até este momento não havia um símbolo para denotar a
razão entre o comprimento da circunferência e seu diâmetro. Isto mudou em
1647 quando William Oughtred publicou Clavis Mathematicae e usou π para
denotar essa razão. A representação não foi imediatamente adotada, até que
1737 Leonhard Euler usou o símbolo π; então, o símbolo foi imediatamente
adotado (Cajori, 158).

Em 1650, John Wallis usou um método muito complicado para encontrar uma
expressão para Pi. Basicamente, ele aproximou a área de um quarto de círculo
usando retângulo infinitamente pequenos e chegou à expressão

2/π = (1.3.3.5.5.7. ...)/(2.2.4.4.6.6. ...)

Uma fonte descreve o método de Wallis como "extremamente difícil e


complicado" (Berggren, 292) enquanto que outra a considera "notável" (Cajori,
186). Wallis mostrou expressão para Lord Brouncker, o presidente da Royal
Society, que a transformou em uma fração contínua na forma:

ou

Pi = 4/(1 + 1/(2 + 9/(2 + 25/(2 + 49/(2 +...))))). (Cajori, 188)

Em 1672, James Gregory escreveu sobre uma expressão que pode ser utilizada
para encontrar o ângulo cuja tangente é dada. A expressão é:

arctan (t) = t - t3/3 + t5/5 -t7/7 + t9/9....


Dez anos depois, Gottfried Leibniz observou que desde que tan (π/ 4) = 1, the
fórmula poderia ser usada para calcular Pi (Berggren, 92). Assim, uma das mais
famosas fórmulas para esse cálculo foi explicitada.

π/4 = 1 - 1/3 + 1/5 - 1/7 + 1/9....

Essa expressão elegante é uma das mais simples já descobertas para o cálculo
de Pi, mas é também pouco útil; são necessários 300 termos da série para
chegarmos às duas primeiras casas decimais e 10000 para chegar à quatro
(O'Connor, 3). Para calcular até 100 digitos, "teríamos que calcular mais termos
que o número de partículas no universo" (Blatner, 42). Entretanto, essa
expressão abriu caminho para muitas outras que seriam mais eficientes para o
cálculo. Por exemplo, sabendo que

arctan(1/√3) = π/6 temos pela fórmula de Gregory que

π/6 = (1/√3)(1 - 1/(3.3) + 1/(5.3.3) - 1/(7.3.3.3) + ...

que pode ser simplificada: π /6 = (1/√3)(1 - 1/(3(3) + 1/(5(32) - 1/(7(33) +


1/(9(34) -.... (O'Connor, 4).

Usando somente seis termos dessa expressão teremos Pi=3.141309, uma boa
aproximação. Certamente, os matemáticos do século XVII avançaram. Era só
uma questão de tempo para que se obtivessem melhores resultados.

O mundo não esperou muito tempo até que uma nova expressão fosse
descoberta. Em 1706, John Machin, professor de astronomia em Londres,
sabendo que arctan x + arctan y = arctan (x+y)/(1-xy), descobriu uma
maravilhosa fórmula:

π/4 = 4 arctan (1/5) - arctan (1/239) = 4(1/5 - 1/(3(53) + 1/(5(55) - ...) - (1/239
- 1/(3(2393) + 1/(5(2395) - ...).
A razão pela qual essa fórmula é um avança em relação à anterior é que o
número 239 is tão grande que não necessitamos muitos termos do arctan (1/239)
para termos a convergência. O outro termo, arctan (1/5) requer menos cálculos
uma vez que temos inversos de potências de 5 (Blatner, 43). De fato, Machin
teve a iniciativa de calcular Pi por meio dessa nova fórmula e calculou 100
termos (Cajori, 206). Ao longo dos 150 anos seguintes, a fórmula foi utilizada
várias vezes para encontrar mais dígitos para o Pi. Em 1873, um inglês chamado
William Shanks usou a fórmula para calcular 707 casas para Pi. Muito anos
mais tarde, descobriu-se que em algum lugar Shanks tinha omitido dois termos,
e somente os primeiros 527 digits estavam corretos (Berggren, 627).

"Por volta de 1750, o número Pi tinha sido expresso em termos de uma série
infinita,... seu valor tinha sido determinado até 100 dígitos... e era representado
por um símbolo, como até hoje. Todos esses esforços, no entanto, não tinham
contribuído para a solução do antigo problema da quadratura do círculo"
(Struik, 369). O primeiro passo nessa direção foi dado pelo matemático suíço
Johann Heinrich Lambert quando ele provou a irracionalidade de Pi primeiro
em 1761 e com mais detalhes em 1767 (Struik, 369). Seu argumento é, na forma
mais simples, que, se um número x é um número racional não nulo, então nem
𝑒 𝑥 nem tan x podem ser racionais; como tan π/4 = 1, π /4 não pode ser racional,
e, portanto, Pi é é irracional (Cajori, 246). Alguns acharam a prova de Lambert
não suficientemente rigorosa, mas em1794, Adrien Marie Legendre deu uma
nova prova que satisfez a todos (Berggren, 297).

Nos cem nos seguintes, não ocorreram eventos significativos na busca pelo Pi.
Mais e mais dígitos foram computados, sem maiores novidades. Em 1882,
Ferdinand von Lindemann provou que Pi é transcendence (Berggren, 407).
Como isto significa que Pi não pode ser solução de qualquer equação algébrica,
resta a incerteza sobre a quadratura do círculo. Finalmente, depois de milhares
e milhares de tempo de esforço mental e tensão, finalmente tem-se como
verdade absoluta que o círculo não admite quadratura. Entretanto, ainda
encontramos hoje matemáticos amadores que não compreendem a significância
desse resultado e futilmente buscam técnicas para quadrar o círculo.

No século XX, computadores tornaram-se os mestres do cálculo, e e isso


permitiu que os matemáticos ultrapassem seus próprios “records” para obter
resultados previamente incompreensíveis. Em 1945, D. F. Ferguson descobriu
o erro no cálculo de William Shanks no 528º digito. Dois anos mais tarde,
Ferguson apresentou seus resultados depois de um ano todo de cálculos, que
resultaram em 808 dígitos para Pi (Berggren, 406). Um ano e meio mais tarde,
Levi Smith e John Wrench chegaram à marca de 1000 dígitos (Berggren, 685).
Finalmente, em 1949, outra etapa emerge, mas não de natureza matemática,
mas relativa à velocidade dos cálculos. O ENIAC (Electronic Numerical
Integrator and Computer) finalmente em funcionamento, e um grupo de
matemáticos que alimentaram o computador com cartões perfurados levaram a
máquina a calcular 2037 dígitos em apenas 70 horas (Beckmann, 180). Shanks
levou vários anos para chegar a 707 dígitos, Ferguson apenas um ano para
chegar a 808 dígitos, o ENIAC calculou cerca de 2000 dígitos em menos que
três dias!

"Com o advento da computação, não há como parar" (Blatner, 51). John


Wrench e Daniel Shanks chegaram a 100,000 dígitos em 1961, e a marca de um
milhão foi superada em 1973. Em 1976, Eugene Salamin descobriu um
algoritmo que dobra o número de dígitos a cada iteração, em oposição às
formulas anteriores que somente acrescentavam alguns dígitos (Blatner, 52).
Desde a descoberta desse algoritmo, os dígitos de Pi têm sido obtidos a perder
de vista. Nos últimos vinte anos, seis homens em particular, incluindo dois pares
de irmãos, têm liderado a corrida: Yoshiaki Tamura, Dr. Yasumasa Kanada,
Jonathan e Peter Borwein, e David e Gregory Chudnovsky. Kanada e Tamura
trabalharam juntos em vários projetos sobre Pi e lideraram nos 1980s, até que
Chudnovskys rompeu a barreira de um bilhão em agosto de 1989. Em 1997,
Kanada e Takahashi calcularam 51.5 bilhões em cerca de 29 horas, uma média
de 500000 dígitos por segundo! O “record” à época desse texto (em 1999), de
Kanada e Takahashi, é 68,719,470,000 dígitos (Blatner, 59).

Não se sabe onde ou quando a busca pelo valor de Pi terminará. Certamente, a


continuidade dos cálculos não é necessária. Da mesma forma, não há
necessidade justificável para bilhões de dígitos. Atualmente, a única aplicação
para todos esses dígitos é testar computadores ou suas falhas. Mas, os dígitos
não são o que os matemáticos procuram. Como os irmãos Chudnovsky
afirmaram: "Procuramos por alguma regra que distinguirá os dígitos de Pi dos
de outros números. Se você vê uma sentença em russo que se estendo por toda
a página, sem vírgulas, é definitivamente um texto de Tolstoy. Se alguém lhe
dá um milhão de dígitos de alguma parte do número Pi, você poderia dizer que
é do número Pi? Nós não buscamos por padrões, nós procuramos por regras "
(Blatner, 68). Infelizmente, os Chudnovskys também afirmaram que nunhum
outro número já calculado está tão próximo de uma sequância de dígitos tomada
ao acaso.

Quem sabe qual será o futuro para esse número “quase mágico” Pi?

Various Formulas for Computing Pi

• Wallis

/2=(2.2.4.4.6.6.8.8. ...)/(1.3.3.5.5.7.7.9. ...)

• Machin

/4=4 arctan(1/5)-arctan(1/239)

• Ferguson

/4= 3 arctan(1/4)+arctan(1/20)+arctan(1985)
• Euler

/4= 5 arctan(1/7)+2 arctan(3/79)

• Euler

2/6=1/22+1/32+ 1/42+1/52+ ...

• Euler

ei+1=0

• Borwein and Borwein

1/=12 [(-1)n(6n)!/(n!)3(3n)!] [(A+nB)/Cn+1/2];


where
A=212175710912(61) +1657145277365;
B=13773980892672(61) +107578229802750;
C=[5280(236674+30303(61)]3

• Borwein, Bailey, and Plouffe

= [4/(8n+1)-2/(8n+4)-1/(8n+5)-1/(8n+6)](16)-n
This formula enables one to calculate the nth digit of pi, in hexadecimal
notation, without being forced to calculate the preceding n-1 digits.

Referências

• Archimedes. "Measurement of a Circle." From Pi: A Source Book.


• Beckman, Petr. The History of Pi. The Golem Press. Boulder, Colorado,
1971.
• Berggren, Lennart, and Jonathon and Peter Borwein. Pi: A Source Book.
Springer-Verlag. New York, 1997.
• Blatner, David. The Joy of Pi. Walker Publishing Company, Inc. New
York, 1997.
• Cajori, Florian. A History of Mathematics. MacMillan and Co. London,
1926.
• Heath, Sir Thomas. A History of Greek Mathematics, Volume 1, From
Thales to Euclid. Dover Publications, Inc. New York, 1981.
• O'Connor, J.J., and E.F. Robertson. The MacTutor History of
Mathematics Archive. World Wide Web. 1996.
• Struik, D.J. A Source Book in Mathematics, 1200-1800. President and
Fellows of Harvard College, 1969.
• Tsaban, Boaz and David Garber. "On the Rabbinical Approximation
of pi." Historia Mathematica 25, Article HM972185. Academic Press,
1998.

Você também pode gostar