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A ECD começou a ter lugar tanto na literatura como nos planos de estudos depois
da II Guerra Mundial. O que levou a este acontecimento foi em primeiro lugar a
reactualização das abordagens macroeconómicas por Keynes e pelos ´keynianosµ pondo
fim a décadas do domínio do marginalismo. E em segundo lugar a intenção de dar
resposta às necessidades de interpretação e de intervenção nas economias das novas
nações independentes resultantes dos movimentos de descolonização.

c   ÊÊ  
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Países de rendimentos altos ou normalmente designados por desenvolvidos ou


países de centro (uma parte substancial da Europa Ocidental, os Estados Unidos da
América, o Canadá, a Austrália, a nova Zelândia e o Japão).
Os países de baixo e médio rendimento constituem o mundo não desenvolvido,
sendo este muito diferenciado, sendo difícil caracterizá-lo. A primeira dificuldade
prende-se com a terminologia, já que não é correcto seguir neste momento a linha de
pensamento utilizada nas décadas de 40 e 50 em que estes países constituíam uma
realidade económica, social e política á parte quer dos países capitalistas desenvolvidos
(primeiro mundo) quer dos países não capitalistas como a União Soviética e seus aliados
de Leste (Segundo mundo). Ou seja o mundo não desenvolvido era o Terceiro mundo,
uma terceira via em termos de alinhamento na política internacional face ao sistema de
alianças construído em torno dos EUA, por um lado, e da ex-URSS por outro.

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Ê  

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 Ê

 

Kuznets quis verificar empiricamente a existência de regularidades no
comportamento de algumas variáveis económicas e sociais, que acompanharam o
crescimento do produto por habitante (nos países desenvolvidos) de forma a poder dar
uma explicação teórica (´factos estilizadosµ).

 
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Na observação estática faz-se a abstracção do tempo, isto é, as variáveis e as


relações entre elas estão referenciadas a um mesmo instante. Já na observação

c c
dinâmica as variáveis referem-se a momentos diferentes, ou seja, há uma inclusão
explícita do tempo.

 Ê Ê
ÊÊ Ê  Ê


O Crescimento e o desenvolvimento são conceitos relacionados com a dinâmica e


ainda às tendências e às trajectórias de longo prazo. Assim o comportamento da taxa
de crescimento do produto em comparação com a taxa de crescimento da população
pode-nos dar, em períodos longos, uma primeira ideia acerca da tendência de evolução
de um país:  ! "#!$ %!$  & '( )$(*)#"( ! '! +$!' ! (" $(,-.! /
+!+,-.!"#!$+!'($0*($!)$(*)#"( !'!+$!' !+!$12#  (
Se 34 5 %!$ o produto de um país e 4 5 a sua população total, ambos função do
tempo, podemos logaritmizar e derivar em ordem ao tempo a identidade

36 3
 
da seguinte forma


7obtendo


, logo

ou seja, a taxa de crescimento do produto por habitante por unidade de tempo é


igual à diferença entre a taxa de crescimento do produto e a taxa de crescimento da
população na mesma unidade de tempo.
No entanto, o crescimento é apenas o acréscimo duradouro de uma variável
económica de longo prazo. O desenvolvimento implica algumas alterações estruturais e
institucionais que conduzem a uma mudança qualitativa das sociedades. Assim o
crescimento pode ser homotético ² realizar-se sempre nas mesmas proporções ²
enquanto o desenvolvimento exprime-se por meio da alteração nas proporções entre as
componentes da estrutura económica e social e pela transformação institucional.
As formas de decompor a taxa de crescimento do produto por habitante,
realçando alterações estruturais através da influência da taxa de crescimento da
produtividade e das variações da taxa de actividade consistem na variação do quociente
entre a população activa (L) e a população total (P).
Acrescentando a população activa ao modelo:

c c
A taxa de crescimento do produto por habitante é a resultante do somatório da
taxa de crescimento da produtividade com a taxa de crescimento da taxa de actividade.

A taxa de crescimento da taxa de actividade é igual à diferença entre a taxa de


crescimento do trabalho e a taxa de crescimento da população.

Assim, o crescimento do produto por habitante tanto pode resultar de melhorias


na produtividade do trabalho como apenas de um crescimento mais rápido da população
activa do que da população total. Se a taxa de actividade se mantiver constante só
haverá só haverá crescimento positivo por habitante se a produtividade do trabalho
tiver também um crescimento positivo. No entanto, se a produtividade do trabalho
estagnar, só poderá haver crescimento do produto por habitante se a taxa de
crescimento da população activa for mais elevada que a taxa de crescimento da
população. No primeiro caso, o crescimento resulta do aumento da eficiência dos
factores de produção, principalmente do trabalho ² regime de crescimento intensivo.
No segundo, o crescimento resulta da expansão dos factores de produção ² regime de
produção extensivo.

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 8 Ê Ê Ê  Ê


Ê
9 Ê 

A noção de desenvolvimento embora mais ampla e complexa que a noção de


crescimento, é marcada por uma visão limitada do próprio processo e dos seus
objectivos últimos. O objectivo do desenvolvimento é multiplicar a margem de opções e
de escolhas dos membros de uma sociedade.
O desenvolvimento humano é uma visão holistica tendo a vida das comunidades
como um todo económico, social, cultural e político. O crescimento do rendimento por
habitante pode resultar no alargamento da margem de satisfação de todas as outras
aspirações de uma sociedade, mas automaticamente, depende da forma como o
rendimento se distribui entre os diferentes grupos e agentes sociais e económicos, das
prioridades nacionais quanto à sua utilização e dos custos humanos e ambientais nele
envolvidos.
O paradigma do desenvolvimento humano coloca as populações no centro das
preocupações, sem colocar de lado a necessidade de crescimento económico, essencial
para eliminar a pobreza. A satisfação das necessidades sociais é o objectivo central os
instrumentos que servem este objectivo relacionam-se coma expansão do produto por
habitante, mas o carácter e a distribuição dos resultados do crescimento económico são

c c
avaliados em função dos objectivos iniciais, o que faz com que eles adquiram um
contexto ´humanoµ.
O desenvolvimento humano tem uma componente ligada ao reforço da capacidade
de decisão das populações para que elas estejam em condições de escolher livremente
tudo o que respeita à vida das suas comunidades.
Uma componente essencial do desenvolvimento é a forma como os recursos,
em especial os não renováveis, são utilizados no que respeita à sua preservação (é dever
de cada geração não comprometer a sobrevivência de gerações futuras, garantindo as
mesmas oportunidades que a geração actual teve).
O '(*(:!,:#"( ! ** ( 0:(, tem a ver com os recursos naturais e não
renováveis, no entanto este é apenas um aspecto das oportunidades humanas que deve
ser garantido em termos intergeracionais pois envolvem também o capital físico,
humano, financeiro e ambiental. O desenvolvimento sustentável não significa manter o
planeta intacto com os actuais níveis de pobreza e exactamente com os mesmos
recursos, mas sim que a sustentabilidade é um conceito dinâmico, baseado em dar
oportunidade às próximas gerações de criar pelo menos o mesmo nível de bem estar
conseguido actualmente, passando pela tentativa de construir um sistema produtivo no
planeta, capaz de manter os níveis actuais de produtividade, ou até aumentá-los sem ser
afectado por perturbações, rupturas ou risco de colapso gerados pelos seus mecanismos
de funcionamento.
A noção de desenvolvimento sustentável tem implicações relacionadas com o
regime de crescimento industrial dominante e com a orientação do progresso técnico,
por forma a tentar encontrar novas fontes de energia e modalidades de crescimento
industrial que sejam compatíveis com a sustentabilidade da vida humana e de outras
formas de vida.

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O $!' ! )#!, $ ! +!$ 12#  (  +$(-!* )!*  (*é a medida


de desenvolvimento mais utilizada, fornecendo uma indicação acerca do nível médio de
vida de uma população. Ele mede o valor total do rendimento distribuído aos residentes
de um país, independentemente se ele ser gerado interna ou externamente, registando
o valor dos novos bens e serviços potencialmente utilizáveis em consumo e investimento.

    8



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Ê  

Um dos seus principais inconvenientes é o de poder subavaliar o dos países


menos desenvolvidos por não registar o produto das actividades de auto subsistência
dirigido essencialmente ao auto consumo.
Por outro lado esta comparação entre países muito diferentes conduz a uma
subavaliação dos menos desenvolvidos por se fazer por intermédio da conversão dos
valores expressos nas moedas nacionais em dólares, utilizando a taxa de câmbio oficial.
Esta conversão poderia permitir a comparação de níveis de vida se o produto de cada
país fosse composto apenas por bens transaccionáveis no mercado mundial, pois estes

c c
estão sujeitos ao nivelamento de produtividade e de preços da concorrência
internacional. No entanto os bens não transaccionáveis determinam o seu preço a partir
da influência directa do nível de custos salariais em vigor em cada país. Dado que o
quociente entre o preço dos bens não transaccionáveis e o dos bens transaccionáveis
cresce com o nível de desenvolvimento, a taxa de câmbio oficial não mede poderes de
compra equivalentes entre países. Para se obter uma medida de Paridade de Poderes de
Compra (PPC) é necessário construir uma outra taxa de câmbio, utilizando a comparação
entre preços de um cabaz de bens representativo.
O PNB por habitante para funcionar como registo da riqueza de um país
encontra limitações na medida em que ignora o trabalho não remunerado das mulheres
no seio da família (tarefas domésticas), isto significa que grande parte do trabalho das
mulheres é ´invisívelµ. Visto que nos países menos desenvolvidos a maioria do trabalho
das mulheres é não-pago, podemos considerar que o seu output é significativamente
subestimado comparando com países mais desenvolvidos.
É ainda de referir que o PNB por habitante é um agregado que não nos dá uma
ideia precisa do rendimento actual recebido por qualquer pessoa pois é um valor médio
calculado pela divisão do PNB pela população total de um país.
Por fim, o PNB por habitante não nos dá informação respeitante aos custos
sociais e humanos nem dos custos ambientais por ele implicados, em particular tem os
recursos naturais como bens livres.

 ÊÊÊ Ê  Ê


8485

O IDH não é um índice alternativo ao PNB, eles medem coisas diferentes. O


IDH é uma medida do progresso humano num contexto de comparação internacional,
resulta do cálculo de uma média ponderada que deve ser entendida como reveladora da
distância que separa a performance actual de um país daquela que seria obter se se
atingissem os limiares máximos de desenvolvimento humano.
Outra vantagem do IDH é a de permitir comparações quanto às diferenças do
progresso humano em diferentes regiões de cada país ou entre homens e mulheres ²
pode ser ajustado para traduzir a desigualdade entre sexos, construindo o Índice de
Desenvolvimento Relacionado com o Género. Como a desigualdade de sexos é universal o
IDH é sempre maior que o IDG, sendo que em países do norte da Europa tenham
atingido níveis próximos da igualdade plena.
O '#)( ' !2$(; 8" utiliza os mesmos componentes do IDH mas
com outro objectivo, concentra-se na medida da percentagem da população que está
exposta a uma morte precoce, que é excluída do mundo da leitura e da comunicação e
que não tem acesso a um padrão de vida digno.
A partir do Relatório de Desenvolvimento Humano de 1999 o IPH passou a
ser calculado separadamente para os países menos desenvolvidos e para os países
industrializados. No primeiro caso, calcula-se a percentagem da população que tem
esperança de vida inferior a 40 anos, a percentagem de adultos iliterados e a
percentagem da população sem acesso a água potável, a serviços de saúde e de crianças
de idade inferior a 5 anos subnutridas. No segundo caso, o IPH calcula a percentagem
de população com esperança de vida inferior a 60 anos, a percentagem de adultos

c c
iliterados, a percentagem de população que vive abaixo da linha de pobreza avaliada em
50% da média do rendimento disponível e, finalmente, a taxa de desemprego de longa
duração(12 meses ou mais).
Alguns autores são críticos em relação ao IDH pois consideram que o
rendimento per capita explica uma grande proporção dos outras componentes deste
indicador, ou seja, os problemas de desenvolvimento são essencialmente económicos. Por
este motivo não seria necessário calcular separadamente o desenvolvimento humano do
nível de rendimento, uma vez que eles aparecem altamente correlacionados com sinal
positivo.
O IDH tem ainda como limitação o facto de não contabilizar os custos humanos e
ambientais do desenvolvimento, mas isso não invalida que possam a vir ser feitas
revisões no seu método de cálculo que enriqueçam a sua capacidade informativa, no
entanto é necessário ter em conta que qualquer indicador é limitado, dependendo dos
objectivos para os quais é aproveitado.

 
  <  9  Ê  Ê Ê
=   Ê
ÊÊ 
Ê Ê Ê Ê


>) !*(* #,#;'!*'!)$(*)#"( !?

1. No longo prazo, o produto per capita (ou produtividade) cresce a uma taxa
positiva sem tendência para diminuir

2. O capital físico per capita cresce no decorrer do tempo

3. O coeficiente capital-produto mantém-se sensivelmente constante no longo


prazo (K/L) const

4. A taxa de lucro do capital físico mantém-se sensivelmente constante no longo


prazo ( /K) const.

5. Taxa de lucro

r=Ê  =>Ê  
Dos factos 3 e 4 conclui-se que a parte do capital no rendimento nacional é

constante, assim como a parte do trabalho é  c conclui-se que também é
â â
constaste.

6. Há grandes diferenças quanto às taxas de crescimento do produto per capita


entre países

c c
-.!'(+$!'-.!")$!()!@"#)

Y = F (K, L)

Máximo output que pode ser obtido com determinado montante de inputs
disponíveis na economia, quando eles são combinados em certas proporções.
O modelo de Harrod-Domar trata de uma função de produção de proporções fixas
ou de factores complementares também designada função de produção de Leontief.
O modelo de Solow utiliza uma função de produção de proporções variáveis ou de
factores substituíveis.
No primeiro caso, utilizam-se combinações entre factores que obedeçam à
condição:
 
â  [ c
Ü d 
cc

c
cc cc  c
cc cc c
cÊ  cc c   
c

cÊ  cc cc
cc c
Assim, o crescimento é constrangido ou pela quantidade de capital ou pela
quantidade de trabalho disponível na economia. Isto é, dada uma certa quantidade de
capital na economia apenas um determinado montante máximo de Y pode ser produzido,
mesmo que exista uma quantidade de trabalho mais elevada que aquela que é
indispensável para produzir aquele output. Ou inversamente, dada uma determinada
quantidade de mão-de-obra na economia, só um máximo Y pode ser produzido,
resultando da relação técnica (L/u), o que significa que pode haver capital não usado.
A interpretação a fazer do termo ´minµ da função de produção de Leontief é que Y
resulta do menor dos dois valores entre parêntesis.
Y = min { AK, BL} (função de produção que oferece rigidez na economia)
O factor de produção capital permite produzir um output igual YK = AK e o factor
de produção trabalho permite produzir YL = BL, todavia o que pode ser produzido na
economia é apenas o complementar de cada um dos factores de produção, por isso o
produto efectivo de Y = min { YK ; Y L }
A função de produção de coeficientes variáveis permite a substituição contínua
dos factores na produção do output, logo, um dado output nacional pode ser produzido
por uma grande variedade de combinações entre capital e trabalho.

<Ê Ê8
Os modelos de crescimento keynesianos consideram que um nível baixo da
poupança ou do investimento combinados com uma possibilidade limitada de substituição
entre factores (função de produção de coeficientes fixos) podem impedir a economia
de atingir uma taxa de crescimento suficientemente elevada para absorver o
crescimento da força de trabalho.
O crescimento económico depende de três factores fundamentais:

c c
ðDa taxa de poupança, determinada pelo comportamento das famílias de afectação
do seu rendimento entre consumo e poupança;
ðDo coeficiente capital/produto, que reflecte o comportamento de procura de
capital das empresas tendo em conta o output que pretendem produzir
ðDa taxa de depreciação do capital, resultado, em grande medida, da qualidade
dos investimentos feitos no passado.
Um acréscimo da taxa de poupança eleva a taxa de crescimento.
Uma elevada utilização do capital por unidade de output reduz o crescimento, pois
reduz a eficiência.
Um aumento da taxa de depreciação reduz o crescimento, já que diminui o
montante de poupança disponível para o novo capital.
Os pressupostos fundamentais do modelo são:
A poupança S é proporcional ao rendimento, S = sY, onde s é a propensão média e
marginal a poupar e o investimento tem um efeito multiplicador do rendimento (da
procura) por intermédio de 1/s.
A força de trabalho cresce à taxa constante exógena n = Ê   (onde ¶L significa
ÎL/Îy, a variação instantânea de L em relação a um acréscimo infinitesimal no tempo, t)
O investimento cria uma (oferta de) capacidade produtiva potencial ou de pleno
emprego e a taxa anual de depreciação do stock de capital é >
Abstracção de existência de progresso técnico e de comércio externo
A função de produção é do tipo coeficientes fixos
Assim, Ê   e para acréscimos suficientemente pequenos Ê  
Ou seja, considerando a igualdade entre o coeficiente médio e marginal, o stock de
capital no período a dividir pelo acréscimo no output verificado é o coeficiente
capital/produto efectivo, v, que permite escrever I= v ·Y, onde I é o investimento
efectivo. Assim, v é um coeficiente de aceleração e sobretudo, um coeficiente técnico
capital/produto (médio ou marginal) definido pelas características da função de
produção.
O investimento deve incluir a depreciação do capital e I=S, assim
Ê  =Ê  +Ê  =s ou Ê  =s-Ê  
Sendo a taxa de crescimento do produto g= Ê   = Ê   = Ê   - > , em cada
período de tempo depende positivamente da taxa de poupança e da eficiência na
utilização do capital e negativamente da taxa de depreciação do capital.

c c
Ê  c !c
ac

c

Ê 

>c

No eixo vertical está representada a taxa de crescimento do produto Ê   e no


eixo horizontal a eficiência medida pelo produto médio do capital. O declive da linha G
(ou seja, o ângulo que a recta G forma com o eixo horizontal) mede a taxa de poupança e
a intersecção com o eixo vertical faz-se a uma taxa de crescimento do produto
negativa. Nem a taxa de poupança nem a eficiência dão qualquer contribuição para o
crescimento o produto decrescente à mesma taxa do capital, isto é, a taxa de
depreciação.
A linha vertical E mostra o nível de eficiência que em determinado momento vigora
na economia e que é o suposto ser constante, uma vez que a função produção não prevê
substituibilidade entre factores e isto determina que o valor do produto médio do
capital se mantenha fixo. A intersecção entre a linha G e a linha E determina a taxa de
crescimento traduzida pela posição da linha S: uma dada taxa de poupança em conjunto
com uma dada eficiência e uma taxa de depreciação determinam o valor da taxa de
crescimento do produto.
Quanto maior for a taxa de poupança (maior é o ângulo formado com o eixo
horizontal) maior é a eficiência e a taxa de depreciação. De forma semelhante, o
aumento da eficiência deslocaria a linha E para a direita motivando um maior
crescimento, considerando constantes s e >. Uma diminuição de > desloca a linha G para
cima e permite obter uma maior taxa de crescimento se os outros dois parâmetros não
se alterarem.
Podem ainda ser definidos o investimento desejado
I*= Ý
E a taxa de crescimento garantida (ou desejada)
gw = Ê   - >
Onde é o coeficiente de capital requerido ou desejado.
O equilíbrio macroeconómico implica uma taxa de crescimento do output igual à
taxa de crescimento desejada.
Se g = Ê   = gw =Ê   , então v= .
Como forma duradoura g não pode exceder n, dado o carácter fixo do coeficiente
de utilização de mão-de-obra, então podemos considerar a hipótese de a taxa de
crescimento ser igual a n, o que completa as condições de um crescimento equilibrado

c c
de ´Idade de Ouroµ com pleno emprego. Neste caso teríamos um crescimento de  ('A
  (7 quer dizer, uma trajectória de crescimento contínuo a uma taxa de constante
das diferentes variáveis (produto, capital, trabalho) e com um coeficiente
capital/produto constante.
Estas condições são particularmente difíceis de reunir simultaneamente porque s,v
e n são determinados de forma diferente. s está dependente das preferências e dos
comportamentos das empresas e famílias, n está associado a mecanismos demográficos
exógenos e v está dependente da tecnologia dominante na economia igualmente exógena.
Só por acaso a economia se encontra na trajectória de crescimento equilibrado com
pleno emprego e, no contexto do modelo, não existe nenhum mecanismo que o assegure
automaticamente. Isto significa que o crescimento é instável porque ele conduz, o mais
das vezes, à divergência entre a taxa de crescimento efectiva e a taxa de crescimento
garantida.
Assim, gv = gw = s
Se g> gw , a taxa de crescimento efectiva é maior que a taxa de crescimento
garantida, situação verificada quando há uma retoma de actividade económica, v< , o
coeficiente de capital efectivo é menor que o coeficiente de capital desejado, e isso
quer dizer que os empresários consideram o acréscimo do stock de capital
efectivamente verificado insuficiente dado o acréscimo verificado no output, isto é,
existe uma certa escassez de capital e este aumentou a sua eficiência. Por isso vão
investir ainda mais no período seguinte, o que provoca, por sua vez, uma procura
agregada ainda mais forte que a observada inicialmente, como consequência do efeito
multiplicador (do investimento). Isto contribui para acelerar a taxa de crescimento
efectiva e a conduzir para uma diferença ainda maior face à taxa de crescimento
garantida ² entra-se numa fase de *!2$(()#"( !)", #:!.
Se g< gw , a taxa de crescimento efectiva é menor que a taxa de crescimento
garantida, deverá ser v> , os empresários irão considerar que o acréscimo do stock de
capital verificado é excessivo face ao acréscimo do output e limitarão as suas intenções
de investimento no período seguinte, o que diminuirá a procura agregada por intermédio
do efeito multiplicador e fará com que o diferencial entre g e gw se torne ainda maior ²
inicia-se uma $()(**.!)", #:.
Em suma, a actividade económica é essencialmente instável, o crescimento faz-se
sob o ´fio da navalhaµ, e os desequilíbrios em vez de se corrigirem tendem a
aprofundar-se de forma cumulativa se não existir uma qualquer intervenção correctora
da política económica. Isto resulta de v e serem determinados por mecanismos
diferentes, e por isso, normalmente não coincidirem. Assim v é uma relação técnica que
está associada às características da função de produção e é utilizada no contexto da
igualdade I=S que se verifica sempre em cada período, mas é um parâmetro
comportamental que reflecte a atitude dos empresários em termos de procura de
investimento e depende do acréscimo do output verificado e da rentabilidade esperada.
Das diferenças entre g e gw nasce a instabilidade de curto prazo, enquanto que a
não coincidência entre gw e n motiva a instabilidade de longo prazo. Se n< gw os
empresários estarão sistematicamente insatisfeitos, porque desejam um ritmo de
crescimento do investimento que não é sustentável pela taxa de crescimento da força
de trabalho. Como no longo prazo n é a taxa de crescimento máxima possível teremos

c "c
que g< gw e, portanto, a divergência cumulativa entre estas duas taxas de crescimento
acabará por fazer com que g<n. a economia está numa situação de estagnação crónica
traduzida em g<n< gw.
Se n> gw a taxa de crescimento efectiva pode ser maior ou menos que a taxa de
crescimento garantida (e assim somos reconduzidos aos desequilíbrios de curto prazo já
estudados, ainda que Harrod esteja convencido que a situação mais provável seja n>g>
gw. E então, a taxa de crescimento efectiva vai aumentar mas sem poder ultrapassar o
tecto imposto por n, o que deverá originar um crescimento longo com tendência para o
pleno emprego. Esta poderia ser uma interpretação possível do tipo de crescimento
verificado no pós guerra na Europa e no Japão até aos anos 70.
Se, por ventura, existem poucos empresários com capacidade para aproveitar as
oportunidades de investimento, como é o caso dos países menos desenvolvidos, pode
acontecer que n > gw > g, ou seja, se crie uma depressão crónica com forte desemprego,
resultante da taxa de crescimento efectiva se situar sistematicamente abaixo da taxa
de crescimento garantida e esta, por sua vez, nunca ser capaz de atingir um nível
compatível com o pleno emprego.
Por outro lado, o modelo de Harrod-Domar pode ser utilizado para o planeamento
nos países menos desenvolvidos. A partir do momento em que uma economia tenha
definido uma dada taxa de crescimento objectivo (desejável) podem-se determinar os
recursos necessários em investimento para atingir essa taxa de crescimento, se houver
alguma forma de determinar o valor do coeficiente de capital.

<Ê Ê 9  Ê Ê Ê




Surge como resposta a insatisfação de algumas conclusões do modelo anterior e


tem como principal novidade a dinâmica de ajustamento construída em torno da
endogeneização do coeficiente capital/produto, admitindo que ele possa variar como
resultado das escolhas feitas pelas empresas quanto às combinações produtivas
utilizadas. O modelo aqui apresentado é uma simplificação inspirada em Solow, que
utiliza a função de produção de factores substituíveis. Tem como características
principais:
´ F(~ K,~L) = ~ F(K,L), ~>0

Rendimentos à escala constantes: se multiplicarmos ambos os factores de


produção por determinada quantidade positiva, o output vem multiplicado pela mesma
quantidade (função homogénea de grau 1).

´ Ê  >0 , c
c ´ Ê  >0 c

Significa que o acréscimo de qualquer um dos inputs faz aumentar o output, porém,
dada a lei dos rendimentos decrescentes, a produtividade marginal de um factor
decresce à medida que a quantidade empregue desse factor aumenta, mantendo a
quantidade empregue do(s) outro(s) factore(s) constante.

c c
´ A propriedade de o produto marginal do capital (ou do trabalho) tender para o
infinito à medida que o capital (trabalho) se aproxima de zero e tender para zero à
medida que o capital (trabalho) se aproxima de infinito:
 cÊ   =× lim Ê  =0
Kc0 Lc0c
 cÊ   =0 lim Ê  =0

Kc×c Lc×c
Por cumprir estas chamadas ñ #-B(   a função de produção diz-se
neoclássica e, em particular, a sua propriedade dos rendimentos constantes à escala
permite reescrevê-la na forma intensiva

Y= F(K,L) = L.F(Ê  ,1) = L.f(k),


Que permite concluir que a produtividade marginal do capital é (derivando em
ordem a K, conservando L constante e considerando k$Ê  )
Ê   = Ê  [L.f(k)] = L Ê   = LÊ   Ê   = Lf·(k) Ê   = f·(k)

E a produtividade marginal do trabalho é (derivando em ordem a L e conservando K


constante)

Ê  =Ê  [L.f(k)]= f(k) + L Ê   = f(k) + Lf·(k) Ê   = f(k) + Lf·(k) (-K/L2 )


= f(k) ²kf·(k)

E ambas são função apenas d k (e positivas).


A forma intensiva da função de produção facilita a sua manutenção algébrica e
viabiliza a representação gráfica das três variáveis (K, L e Y) no espaço a duas
dimensões.

Pressupostos fundamentais do modelo de Solow:


5 O modelo comporta-se no contexto de uma economia fechada que produz apenas
um produto compósito designado Y(t), que é consumido ou investido, o que conduz
inevitavelmente à igualdade entre investimento e poupança, tendo em conta o equilíbrio
de longo prazo com pleno emprego de recursos.
5 A poupança é determinada exogenamente pela relação
S = sY , com 0<s<1 e taxa de poupança é constante
5 O stock de capital deprecia-se à taxa constante e exógena >, sendo a sua taxa
de variação: c

;K = I - >K
5 A taxa de população activa cresce à taxa exógena
n=Ê  
Este modelo também se abstrai das condições que o poderiam fazer variar no
decorrer do tempo: as mudanças no crescimento populacional (ele próprio determinado
pelo comportamento da fertilidade, mortalidade e migração), a alteração na taxa de
actividade e na duração média da jornada de trabalho, isto é, n é constante.

c c
Se a função de produção exibe rendimentos constantes à escala e admitindo que o
output e o capital crescem à mesma taxa (regularidade empírica que constitui um dos
´factos estilizadosµ do crescimento registada por Kuznets e Kaldor), eles devem
crescer à mesma taxa que a população ou força de trabalho. Como o crescimento
populacional é fundamentalmente um fenómeno demográfico e exógeno do ponto de
vista económico (e abstraindo do progresso técnico), o crescimento económico é
igualmente determinado de forma exógena.
O objectivo é encontrar a solução de equilíbrio caracterizada pelo facto de todas
as variáveis crescerem à mesma taxa, equilíbrio esse designado por regime de equilíbrio
a taxa constante ou steady state.

<(-.!#C"#)'"( ,'!* !)D'( +# , 

O crescimento económico, como sabemos depende do crescimento dos factores


(capital e trabalho) e/ou de alterações na função de produção que evidenciam melhorias
de produtividade ou progresso técnico. No modelo de Solow, apenas uma destas fontes
de crescimento é exógena: a acumulação de capital.
A variação do stock do capital ao longo do tempo é dada por:
c

;K = I - >K = sF(K,L) - >K , dividindo por L


Ê   = sf(k) - >
Considerando a diferenciação logarítmica de

k $ Ê   , obtém-se uma relação entre taxa de crescimento

Ê   = Ê   - Ê   ,ou ainda
c

;k = Ê   Ê   - Ê   Ê  
c

;k =Ê   - nk

Ê-.!%'"( ,'!)$(*)#"( !4 !,!E5


c

;k = s.f(k) ² (n+>)k

c c
Gc
#>·c

#·c
ccÊ  c &   c
'(cc
$#·c
c )
c

Ê  c


%c Ê  c
#"·c

A curva f(k) começa na origem, tem inclinação positiva e traduz a produtividade


decrescente do factor capital.
A recta de inclinação (n+>), parte da origem e consiste na taxa de depreciação de
k, para um mesmo valor de stock de capital físico K o quociente k=Ê   diminui com >
(diminui o numerador quando > aumenta) e com n (aumenta o denominador quando n
c

aumenta). Ou seja, a equação ;k = s.f(k) ² (n+>)k diz-nos que a acumulação de capital


por trabalhador e a taxa de depreciação do capital (ou da diferença entre investimento
por trabalhador e o investimento por trabalhador necessário para manter o coeficiente
capital/trabalho constante quando a força de trabalho cresce à taxa m e o capital se
deprecia à taxa >).

< $(*)#"( ! ! F!/


& !*  (4 ('A  (5

A situação em que as diferentes variáveis crescem à mesma taxa constante


chama-se estado de crescimento equilibrado contínuo (steady state), o que
c

corresponde, no modelo de Solow, a ;k=0 na equação fundamental do crescimento. Na


figura corresponde ao valor de k que resulta da intersecção entre s.f(k) e (n+>)k,
designa-se k* e é a solução da equação s.f(k*) = (n+>)k*.
Uma vez que k é constante no crescimento equilibrado a taxa constante, y = Ê  
e c = Ê   também constantes para os valores y*= f(k*) e c* = (1 ² s).f(k*),
respectivamente, o que significa que k, y e c não crescem, ou que (o que é equivalente a)
as variáveis K, Y, e C crescem à taxa n.
Se k = k* a economia está em equilíbrio e
c

;k = 0 <=> sf(k*) 0 (n + >)k* =>Ê   = 0

c c
O capital por trabalhador cresce à taxa zero. O crescimento do produto por
trabalhador vem determinado por este resultado, logo
c
Ê   = Ê   Ê   = Ê   Ê   Ê   = Ê   Ê   e, quando k = k*
=> ;k = 0 teremos

Ê  =Ê  Ê  =0

A taxa de crescimento do produto por trabalhador é igual a zero no crescimento


equilibrado ou steady state. Isto equivale a dizer que tanto o produto como o capital
crescem à taxa n nesse mesmo crescimento equilibrado, uma vez que

Ê   = Ê   - Ê   = 0 => Ê   = n e de forma equivalente Ê   = Ê  


- Ê   = 0 => Ê   = n

Se acontecerem alterações na função de produção, na taxa de poupança ou na taxa


de crescimento da população activa os níveis das diferentes variáveis por trabalhador,
na situação de crescimento equilibrado, também se alteram. Em particular se s.f(k) se
deslocar para cima resultará um k* mais elevado, enquanto que uma elevação de n roda
(n + >)k sobre a esquerda em torno da origem e conduz a um k* menor. Quaisquer
alterações na função de produção, na taxa de poupança ou na taxa de crescimento da
população ou na taxa de crescimento da população activa não afectam as taxas de
crescimento (de longo prazo) da situação de crescimento equilibrado de y*, k* e c* que
permanecem iguais a zero.

<<#C"#)'(
$*#-.!

A dinâmica de transição é o processo de ajustamento por intermédio do qual a


economia se reconduz à trajectória de crescimento equilibrado (steady state). Partindo
c

da equação dinâmica fundamental ;k = s.f(k) ² (n+ >)k podemos chegar a uma expressão
mais apropriada para tirar conclusões dinâmicas. Dividindo ambos os membros por k

Ê   = s. Ê   - (n + >) , ou ainda

Ê   = s. Ê   - (n + >) , e como sY = Ê   + >K = I obtém-se Ê   = sY -


>K e

Ê  =Ê  -n

Esta expressão mostra que a taxa de crescimento do capital por trabalhador deve
ser suficiente para fazer crescer o capital e para equipar os novos trabalhadores
entretanto surgidos no mercado de trabalho tendo em conta a depreciação do capital. A
taxa de crescimento de k iguala a diferença entre sf(k)/k e (n + >) e o comportamento
do primeiro termo pode ser representado graficamente por uma curva descendente da
esquerda para a direita que se aproxima de zero quando k tende para infinito, e que se
aproxima de infinito quando k tende para zero. A derivada de Ê   em ordem a k vem

c c
dada por - Ê   e, como o numerador é a produtividade marginal do trabalho e
esta é positiva, o quociente tem um valor negativo que confirma a inclinação negativa da
curva sf(k)/k. o segundo termo é uma recta horizontal e a distância vertical entre esta
e aquela curva traduz a taxa de crescimento do capital por trabalhador da equação. A
intersecção entre elas determina k*.

*+cc

c
, c c
Ê  
s. >0c
Ê   Transição para steady state no
c1
>c modelo de Solow
(n + >)1 =(n + >)2 c Ê   s. Ê  c
s. Ê  2c <0c
c
 c %c  c c
c
A curva s.f(k)/k tem um ramo à esquerda de k* e acima da recta (n+>), o que
significa que a taxa de crescimento de k é positiva e k cresce ao longo do tempo. À
medida que k aumenta a sua taxa de crescimento diminui e aproxima-se de zero quando
k tende para k*. de forma idêntica, se a economia se encontra numa situação em que
k>k* a taxa de crescimento de k será negativa e k irá diminuindo, fazendo com que a
sua taxa de crescimento tenda para zero à medida que k se aproxima de k*. Isto
significa que k* é uma solução de equilíbrio estável e que existe uma trajectória de
crescimento equilibrado estável, porque se a economia se desviar dessa trajectória
existem mecanismos capazes de a reconduzir àquela marcha inicial.
O que motiva este comportamento de ajustamento permanente em torno de uma
solução de equilíbrio, caracterizada pelo crescimento contínuo à taxa constante, é a
flexibilidade do coeficiente k e são os rendimentos decrescentes do capital: quando k
é relativamente baixo o produto médio do capital Ê   é relativamente elevado, o
que faz com que s. Ê   também seja relativamente alto e, consequentemente, isso
traz consigo um Ê   relativamente elevado também. À medida que k vai
aumentando os efeitos dos rendimentos decrescentes vão-se fazendo sentir até
Ê   atingir o valor zero. Pode-se argumentar de forma simétrica para as situações
em que k é relativamente alto originando uma taxa de crescimento do capital por
trabalhador negativa.

<G, ($-B(*
&'( !+-!
&'( $(*)#"( !'
!+,-.!

Suponha-se que inicialmente a economia se encontra a crescer em steady state


com k1* e suponha-se que, entretanto, o governo introduz medidas de estímulo ao
crescimento da poupança que conduzem a s2 > s1. A curva s. Ê   desloca-se para a
direita, o que gera uma intersecção com a recta (n+>) mais à direita também e que se
caminhe para k2*> k1*.
O ajustamento ou a transição para k2*> k1* ocorre quando k= k1*, a diferença
entre a curva s2 Ê   e a recta (n+>), é positiva e a poupança é mais que suficiente

c c
para originar um aumento em k. à medida que isto vai acontecendo a taxa de
crescimento de k vai aproximando-se de zero, uma vez que k tende para k2*. Um
acréscimo permanente na taxa de poupança origina, transitoriamente, taxas de
crescimento positivas do produto e do capital por trabalhador, mas, no longo prazo,
apesar dos níveis de y e k serem agora mais altos que inicialmente, as suas taxas de
crescimento tornam a ser zero.
A resposta ao que acontece quando uma economia que se situa em equilíbrio de
longo prazo sobre um ´choqueµ traduzido pelo aumento da taxa de poupança é
facilmente observado no diagrama de Solow. A economia começa por ter um produto
per capita de steady state y1 e após o processo de ajustamento, atinge um novo steady
state com um produto per capita mais elevado, igual a y1.

#>·c
Gc
G %c
G %c #·c
A estática
comparativa do
#·c aumento da taxa de
poupança
 #·c
c

c
 %c  %c
c
Considerações de natureza idêntica podem ser feitas em relação a uma
diminuição da taxa de crescimento da população ou da depreciação do capital.
Graficamente, corresponde a uma descida da linha (n+>) fazendo com que o
investimento por trabalhador se tornasse mais que suficiente para manter o capital
por trabalhador constante e, portanto, o capital por trabalhador cresceria até se
encontrar um novo equilíbrio com k* mais elevado. no gráfico anterior ocorre uma
rotação de (n+>)k para a direita em torno da origem e a obtenção de um capital por
trabalhador e um produto por trabalhador mais elevado.
A margem de intervenção do Estado e da política económica é reduzida, pois os
ajustamentos fazem-se de forma automática pelo simples jogo das forças de mercado
no decorrer da dinâmica de transição e porque não existem possibilidades de
influenciar a taxa de crescimento do produto por trabalhador no longo prazo, pois ela
tende invariavelmente para zero. O modelo admite que essa trajectória de
crescimento equilibrado se faz com pleno emprego, o que é consequência directa da
flexibilidade tecnológica e dos coeficientes técnicos a ela associados.
Assim o desemprego verificado nas economias seria culpa da sua inflexibilidade
para proceder aos ajustamentos necessários, e não falha do modelo.

c c
Em suma, as alterações de política aumentam (ou diminuem) temporariamente as
taxas de crescimento na transição para o novo steady state, mas não produzem
efeitos sobre a taxa de crescimento de longo prazo, no entanto, as alterações de
política desencadeiam efeitos sobre o nível das variáveis.

<H Ê 
I  Ê


Considerando uma nova variável, o tempo, obtemos a seguinte função de


produção:

Y(t) = F[K(t), L(t), t]

E, desta forma explicitam-se os três motores do crescimento ² a acumulação de


capital traduzindo o aumento de K, o crescimento da força de trabalho ou aumento de
L e o progresso técnico por intermédio de deslocamentos da função de produção.

<H $!' #:#''(*$J##*()$(*)( (*( $(*)#"( !

Como o crescimento do produto por trabalhador depende de um crescimento do


capital por trabalhador ² crescimento económico de longo prazo envolve a acumulação
de capital ² como é possível que esta se mantenha tendo em conta a produtividade
marginal decrescente dos factores?
À medida que o capital se torna relativamente mais abundante nos países mais
desenvolvidos, o seu produto marginal deveria tender para baixar (tal como a sua
remuneração) e desincentivar o investimento, ao mesmo tempo que a relativa escassez
daquele factor nas zonas menos desenvolvidas do mundo deveria gera uma
transferência massiva de capitais na sua direcção. Assim o modelo é incapaz de
explicar, simultaneamente, o crescimento persistente do produto per capita no mundo
desenvolvido e a estagnação em muitas zonas da periferia à luz dos seus próprios
pressupostos. Para ultrapassar esta limitação recorre a um elemento exógeno, uma
nova função de produção, para tornar compatíveis o crescimento e a neutralização da
tendência para o decréscimo da produtividade marginal dos factores.
Y(t) = F [K(t), L(t), A(t)] , onde A é um escalar que pode ser entendido como um
factor multiplicativo da eficiência dos factores e mede o efeito cumulativo do
progresso técnico ao longo do tempo. Não se trata de outro factor de produção mas
sim de uma tendência, de carácter exógeno e regular , cuja existência se admite, ainda
que não se explique a sua origem.

<HH $!J$(**!
K)#)!(!!'(,!'( $(*)#"( !(!),0**#)! 

A única classificação que é compatível com os modelos de crescimento equilibrado


à taxa constante que estudámos é a Harrod, porque é a única que coloca a análise das
consequências do progresso técnico neutro por intermédio da comparação de soluções
para k (antes e depois da inovação) que envolvem um mesmo coeficiente

c c
capital/produto. Na realidade, um dos factos estilizados do crescimento é o
coeficiente capital/produto constante em períodos longos.
Dadas as características da função de produção com progresso técnico al bour-
augmenting e trabalhando com ´unidades de trabalho eficienteµ L.A(t) = L e k =
Ê  , a equação Ê   = s.f(k) ² (n+>)k pode reescrever-se por intermédio de uma
c

dedução idêntica. Partindo de ;K = s. F [K, A(t)L] - >K


Ê   = s.f(Ê  ) - >Ê  , e fazendo a diferenciação logarítmica de Ê  =
Ê  

Ê  =Ê  -Ê  
c

Obtendo-se ; k = Ê   - (n+m)Ê   , onde m é a taxa de crescimento do


progresso técnico. Substituindo, obtém-se a (-.! '#C"#) %'"( , )!"
c

+$!J$(**! K)#)!= ; k = s.f( k ) ² (n + m + >) k


c

No crescimento equilibrado a taxa constante ; k = 0, k * satisfaz a condição

s.f( k *) = (n + m + >) k *

Neste modelo a dinâmica de ajustamento é semelhante à do modelo sem


progresso técnico e poder-se-ia construir um gráfico idêntico ao da pg.16, com a
diferença de os eixos passarem a representar a taxa de acumulação e o coeficiente
capital por trabalhador ambos medidos em termos de unidades de trabalho eficiente,
a recta horizontal ser (n + m + >) e a curva descendente da esquerda para a direita ser
agora s. Ê  .

Como é característico do steady state as variáveis y , k e c são constantes,


mas as variáveis per capita y, k e c, agora crescem à taxa exógena do progresso
técnico m. no longo prazo o produto per capita e o capital per capita têm tendência a
crescer a uma taxa positiva. Quanto às variáveis Y, C e K elas deverão crescer à taxa
(n+m).

<H< *!'-.!'( $!'-.!'( !22 !J,*

A função de Cobb-Douglas Y = AKÊL1-Ê , com 0<Ê<1, é um importante instrumento


para traduzir a forma como o capital e trabalho se convertem no produto total de uma
economia. O valor de Ê corresponde à elasticidade do produto em relação ao capital,
(1-Ê ) à elasticidade do produto em relação ao trabalho e A representa a produtividade
média da tecnologia.
Se multiplicarmos o capital e o trabalho por uma constante qualquer positiva,
obtém-se
F(~ K,~L) = A(~ K)Ê(~L)1-Ê ou ainda

c c
F(~ K,~L) = A~ ÊKÊ~1-ÊL1-Ê = ~AKÊL1-Ê = ~ F(K,L)

O output vem multiplicado por aquela mesma constante, como é exigido para
haver rendimentos constantes à escala.
Ê   = ÊAKÊ-1L1-Ê > 0 ; Ê   = (1-Ê)AKÊL-Ê > 0

Î Î
 #  ·    
c"  #  ·   
c"
Î  Î 

lim Ê   =× lim Ê  =0


Kc0 Lc0c
lim Ê   =0 lim Ê  =0

Kc×c Lc×c
Adoptando agora progresso técnico labour-augmenting, o factor trabalho na sua
versão de ´unidades de eficiênciaµ ou ´unidades efectivas de trabalhoµ A(t)L(t), a
função de produção de produção de Cobb-Douglas pode ser reescrita na forma

Y(t) = K(t) Ê [A(t)L(t)] 1-Ê


c

E a equação fundamental : ; k = s.( k ) Ê ² (n + m + >) k , que implica que k


converge para o valor k*, definido por:
s.f( k *)Ê = (n + m + >) k *

ou ainda, k *= Ê  Ê   Ê/(1-Ê)

substituindo na função de produção a expressão encontrada para k * resulta:

y * = Ê  Ê   Ê/(1-Ê)

Interpretação económica das expressões encontradas para k * e y *: um país


será tanto mais rico quanto maior for a taxa de poupança e quanto menor for a taxa de
crescimento da população e de depreciação de capital. O parâmetro m deve ser
observado à luz do papel que desempenha na diminuição do coeficiente
capital/produto: quanto maior a taxa de crescimento do progresso técnico labour-
augmenting menor será k *. a inclusão da taxa de crescimento exógena do progresso
técnico labour-augmenting afecta o steady state da mesma forma que a taxa de
crescimento exógena da população n ² para manter k resultante do crescimento da
população activa e do progresso tecnológico.

c "c
O mesmo raciocínio pode ser feito para a taxa de depreciação do capital. A taxa
de depreciação exógena > afectará o capital por trabalhador e o produto por
trabalhador de steady state como a taxa de crescimento da população e a taxa de
crescimento do progresso técnico ² o investimento por trabalhador terá de ser
suficiente para compensar o desgaste do actual stock de capital.

<< 
 Ê 
Ê  Ê Ê


O modelo de Solow demonstrou-nos que só há crescimento de longo prazo do


produto por trabalhador se houver progresso técnico. Sem progresso técnico a
acumulação de capital entra em colapso por acção dos rendimentos decrescentes.
Apresenta-se agora a forma de medir a contribuição para o crescimento global do
produto do crescimento de cada um dos principais factores de produção ² capital e
trabalho - e, em particular, de encontrar uma medida aproximada da contribuição do
progresso técnico.

<< $(*)#"( !'!*) !$(*'( $!'-.!(! $!J$(**!


K)#)!
)!"!(*F'!

O aumento do capital pelo montante ÎK (considerando constante o factor


trabalho) conduz a um aumento do produto de ÎY = PMgK.ÎK unidades.
O aumento do factor trabalho por ÎL unidades (considerando constante o factor
capital) permite obter um aumento no produto de ÎY = PMgL.ÎL unidades.
As duas fontes de crescimento dividem-se em ÎY = PMgK. ÎK + PMgL.ÎL
(manipulando)
m m m
â a
Ê # Ê·
â a

Se a remuneração de cada um dos factores for igual às respectivas


produtividades marginais poderemos considerar que os termos entre parêntesis
representam a participação do capital e do trabalho no rendimento nacional. Dado que
a função de produção exibe rendimentos constantes à escala, a soma daquelas duas
partes do rendimento nacional é igual a 1 e
Ê   =ÊÊ   + (1 - Ê) Ê  
Onde Ê é a participação do capital e (1-Ê) a participação no rendimento nacional.
Até agora a função de produção manteve-se sem alterações ao longo do tempo.
Admite-se agora que o progresso tecnológico desloca a função de produção e permite
obter mais output que até então com as mesmas quantidades de inputs. A função de
produção Y = AF(K, L) , regista a influência da inovação por intermédio de A,
Produtividade Total dos Factores, que mede o nível corrente da tecnologia.
Se a produtividade total dos factores aumentar 1% e se a quantidade dos inputs
se mantiver constante o output deverá aumentar também 1%, o que equivale a
introduzir um terceiro termo no membro direito da equação

c  c

Ê  = + ÊÊ   + (1 - Ê) Ê  

O crescimento da Produtividade Total dos Factores é a parcela do crescimento
do output que não pode ser explicada pelo crescimento dos inputs e, porque não pode
ser avaliada directamente é normalmente medida de forma residual, isto é, é o
crescimento do output que se obtém depois de deduzir as determinantes do

crescimento que podem ser medidas directamente. Assim é designado resíduo e é

visto como uma medida do nosso desconhecimento em relação à possibilidade de fazer
uma estimação exaustiva das fontes do crescimento, porque este terceiro termo pode
traduzir alterações muito diversas: conhecimentos adicionais acerca dos métodos de
produção, melhorias na qualificação do factor trabalho, melhor desempenho do capital
resultante do aproveitamento de novas infra-estruturas.
Deste modo a equação anterior expressa o carácter residual do progresso
técnico.

<<2!$'J("Ê"+F$#)

Dos estudos realizados nesta área, as expectativas eram de que se confirmasse a


especial importância do crescimento do factor capital e da acumulação de capital como
determinante do crescimento económico. Nos estudos pioneiros de Abramowitz (1956)
e Solow (1957) em relação às fontes de crescimento do produto industrial por
trabalhador americano concluiu-se que entre 67% a 90% daquele crescimento deve ser
atribuído à componente residual Produtividade Total dos Factores. Esta conclusão
pode estar marcada pelas limitações associadas à utilização de uma função de
produção de rendimentos constantes à escala e às dificuldades de medida devidas à
agregação de gerações diferentes de stock de capital e de diferentes graus de
qualificação do trabalho. No caso de violação do pressuposto de rendimentos
constantes à escala o resíduo pode vir sobrestimado ou subestimado consoante
existem rendimentos crescentes ou decrescentes à escala, respectivamente.

<<H* !"+!( (*'!(*F'!

Nos países não desenvolvidos, a principal fonte do crescimento económico é


crescimento do capital por trabalhador. Nos países desenvolvidos cabe ao resíduo ser
a principal componente do crescimento do produto por trabalhador, sendo o
crescimento do capital por trabalhador relativamente menos importante.
De facto, nos países menos desenvolvidos há escassez de capital e abundância de
trabalho não qualificado. O crescimento destas economias está muito dependente da
introdução de capital físico incorporando técnicas de produção de nível baixo, que
permitem aumentar significativamente o produto por trabalhador. O impacto será
ainda maior se os países conseguirem criar condições infraestruturais e de formação
de mão-de-obra que permitam a ´absorçãoµ dessas novas técnicas.
Nos países desenvolvidos cada trabalhador dispõe de uma maior quantidade de
capital, o sistema de infra-estruturas é muito completo e a divisão do trabalho atingiu

c c
já um elevado nível. Não é a acumulação de capital que gera aumentos significativos de
produtividade, mas sim o progresso técnico por intermédio de novos equipamentos
produtivos e da acumulação de capital humano.
O termo resíduo foi depois preterido por alguns em favor da expressão
Produtividade Total dos Factores, por esta dever incluir melhorias no nível de
conhecimentos, aproveitamento de economias de escala, afectação de recursos mais
eficiente, redução na idade média do capital, encurtamento do tempo para a aplicação
produtiva dos novos conhecimentos, melhorias na organização, melhorias na educação,
na qualificação e na saúde, learning by doing. Assim não é apenas uma mudança de
terminologia, exprimindo a insatisfação quanto à prática corrente que consiste em
conferir a um resíduo estatístico o estatuto de motor do crescimento dos países
desenvolvidos. No entanto a contabilidade das fontes do crescimento económico
torna-se mais complexa, porque é a articulação entre o crescimento dos inputs e as
transformações qualitativas que eles incorporam ou aproveitam que gera a
performance das economias.
Esta insatisfação resulta na tentativa de explicar todo o crescimento com o
crescimento dos inputs, assim decompondo o factor capital e contando com os inputs
capital físico, capital humano e trabalho, o crescimento da Produtividade Total dos
Factores vem muito reduzida, o que significa que o crescimento dos inputs permite
explicar a maior parte do crescimento global.
A avaliação do crescimento do trabalho na equação

ccÊ   - Ê Ê   - (1 - Ê) Ê  


Deve ser feita com base na população activa e não na população total. Se se
utilizar a população total isso reduz a parcela do crescimento atribuída ao crescimento
do factor trabalho, porque a população activa cresceu mais rapidamente que a
população total neste período.
Por outro lado, não basta ter em conta o crescimento das taxas de actividade no
conjunto da economia para estimar o crescimento da Produtividade Total dos
Factores. Finalmente, ter em conta a cumulação de capital humano significa que uma
força de trabalho com um nível mais elevado de qualificação e de formação é
equivalente a mais factor trabalho não qualificado.

 
  G   ÊL 7  ÊL  Ê
Ê Ê
ÊMÊ

Do modelo de Solow podem retirar-se conclusões quanto ao ritmo de crescimento


previsto para países com níveis de desenvolvimento distintos. Os países menos
desenvolvidos deverão crescer mais rapidamente que os mais desenvolvidos, uma vez
que estão mais distantes dos valores de capital por trabalhador que asseguram o
steady state. Esta hipótese, de os países mais ´atrasadosµ poderem crescer a um
ritmo mais acelerado que os mais ´avançadosµ, de forma a diminuírem ou eliminarem a
diferença entre si, igualando os níveis de produto per capita e as taxas de crescimento

c c
no longo prazo, designa-se convergência e traduz-se no fenómeno da recuperação ou
catch up.

G  ÊL    


 Ê  ÊL 
 

Uma das implicações da equação dinâmica no modelo de Solow

Ê   = s. Ê   - (n + >)

Diz respeito à tendência para que as economias com menores valores iniciais de k
cresçam mais rapidamente em termos per capita, o que levanta a hipótese implícita no
modelo de crescimento neoclássico para uma convergência entre economias com níveis
de desenvolvimento diferentes.
Como a derivada de Ê   em ordem a k é negativa, conclui-se que as economias
menos desenvolvidas (isto é, com menores valores iniciais de k e de y) têm taxas de
crescimento de k (logo y) mais elevadas, desde que se considerem valores idênticos
para os parâmetros s, n e >.
Graficamente a distinção entre as diferentes economias revela-se pela distância
dos valores iniciais de k em relação a k*, ou seja, quanto mais afastada à esquerda
estiver k1 em relação a k* maior é a distância entre as curvas s. Ê   e (n + >) e
maior será a taxa de crescimento de k e y. se não existirem diferenças nos
parâmetros s, n e > entre as diferentes economias os valores de k* e y* são iguais para
todas elas.
A hipótese de todas as economias menos desenvolvidas crescerem mais
rapidamente que as mais desenvolvidas, e portanto, de se tender no longo prazo para
igualar as taxas de crescimento e o nível de produto per capita, considerando
igualdade entre os parâmetros estruturais, é a chamada )!:($JN)#2*!, .
Esta hipótese não se confirma nos estudos empíricos feitos por alguns
economistas quando eles utilizam amostras que envolvem um grande número de países
com níveis de desenvolvimento muito diferentes. No entanto, examinando grupos mais
homogéneos de economias, em relação aos quais seja mais aceitável o pressuposto de
valores idênticos para os parâmetros s, n e >, as conclusões alteram-se permitindo
aceitar uma versão limitada da hipótese de convergência.
Mankiw (1992) tentou demonstrar que o objectivo fundamental do modelo de
Solow é realçar a influência dos parâmetros s, n e > sobre os níveis de produto por
trabalhador e capital por trabalhador de equilíbrio (y* e k*). Assim, da equação
Ê   = s. Ê   - (n + >) , retira-se, fazendo Ê   =0, e resolvendo em ordem a k*

K* = Ê   , que quanto mais elevada for a taxa de poupança mais rico poderá
ser um país, e quanto mais elevada for a taxa de crescimento da população ou a taxa
de depreciação do capital, mais pobre ele deverá ser. Assim cada país tem o seu
steady state, isto é, tendo em conta as diferenças nos parâmetros estruturais entre
países, níveis mais baixos de stock de capital per capita e de produto per capita geram
taxas de crescimento mais elevadas.

c c
Isto significa que se os países 1 e 2 têm diferentes valores iniciais de stock de
capital por trabalhador e têm diferentes valores dos parâmetros estruturais, então
k1*} k2* e y1*} y2*.

Taxa de
acumulação s1 Ê  c
s2 Ê  c
Depreciação
média

(n + >)c

k2c k2 %c k1c k1 %c c

Na figura s1 > s2 e a economia 1 é mais desenvolvida que a economia 2, crescendo


mais depressa. Neste caso, manifestamente não há convergência absoluta, mas haverá
um outro tipo de convergência designada )!:($JN)# )!'#)#!': quanto mais
distante estiver uma economia da sua posição de steady state maior é a sua taxa de
crescimento e, portanto, há uma tendência de longo prazo para a igualdade das taxas
de crescimento do produto per capita, mas, sem igualdade dos níveis de produto per
capita. Isto é, uma vez atingido o steady state, a economia 1 e a economia 2 crescem à
mesma taxa de equilíbrio igual a zero (ou igual à taxa de crescimento do progresso
técnico exógeno se o modelo incluir o mesmo) e as diferenças entre níveis de produto
per capita permanecem constantes.
Algebricamente, a convergência condicionada pode ser entendida a partir de uma
simples dedução que inclui a substituição da condição de steady state, reescrita na
forma
m
 #u · 
u% u  u 
  # > ·
u % na equação dinâmica: u   #u % ·  # > ·

 u % 
Quando uma economia está em steady state, isto é k = k*, a taxa de crescimento
do capital por trabalhador é zero. Um valor de k mais reduzido em relação a
determinado valor k* aumenta o produto médio do capital Ê   e, consequentemente,
determina uma taxa de crescimento positiva do capital por trabalhador. Uma taxa de
crescimento elevada pressupõe uma grande diferença positiva entre Ê   e Ê  ,
isto é, um valor corrente de k muito menor que k*. Assim, por exemplo, um país muito
pobre pode não crescer a uma taxa muito elevada porque o seu valor k* é quase tão
baixo como o capital por trabalhador corrente. O que está em causa, então, para

c c
encontrar a taxa de crescimento de k e de y não são apenas os diferentes níveis de
desenvolvimento das economias, mas a posição corrente de cada uma delas face ao seu
steady state.
Esta noção de convergência deixa em aberto a necessidade de encontrar um
explicação para outras hipóteses: a de persistentemente se verificarem taxas de
crescimento significativamente mais altas em certos países e regiões mais
desenvolvidas do mundo, o que aponta para a divergência entre níveis de
desenvolvimento muito distintos. Para Abramowitz (1986) existe a possibilidade de os
países menos desenvolvidos crescerem mais rapidamente que os desenvolvidos
(leaders) por poderem funcionar como seguidores (followers), aproveitando, imitando
ou aplicando o conjunto de métodos de produção e de organização industrial e
comercial dominantes. Deste modo, as taxas de crescimento de produtividade em
períodos longos deverão estar inversamente correlacionadas com os níveis de
desenvolvimento.
Num país líder cada nova unidade de capital investida vem substituir uma outra
que já se situava na fronteira tecnológica, o que é equivalente a dizer que a idade
tecnológica do stock de capital é igual à sua idade cronológica; num pais seguidor o
novo capital incorpora a fronteira tecnológica e substitui um outro que estava
obsoleto. Portanto, quanto maior for o gap tecnológico e de produtividade entre líder e
seguidores maior será o potencial de crescimento da produtividade e de recuperação
dos seguidores.
Para que isto aconteça é necessário que os países menos desenvolvidos tenham
´capacidade socialµ para absorver aqueles novos métodos de produção e organização.
Por outro lado a extensão do catch up depende também da ´congruência tecnológicaµ ²
grau de proximidade de um país em relação ao líder tecnológico. O progresso
tecnológico depende das características do país líder, e os países menos avançados que
querem adoptar as tecnologias de ponta têm de construir algumas dessas
características. Quando isto não acontece eles ficam irremediavelmente para trás
(falling behind) e o gap tecnológico em vez de se atenuar, aprofunda-se ainda mais. Em
Abramowitz é a combinação do gap tecnológico, da ´capacidade socialµ de absorção e
da ´congruência tecnológicaµ que definem o potencial de crescimento da produtividade
e de catch up de um país. A investigação empírica parece confirmar esta hipótese.
Esta não é a única questão que o modelo neoclássico deixa em aberto. Existe
também a incapacidade do modelo para fornecer recomendações de política de
desenvolvimento, uma vez que a trajectória de crescimento equilibrado conduz sempre
a economia a crescer à taxa zero (ou à taxa de crescimento do progresso técnico
exógeno, se for considerado no modelo). Isto significa que são os automatismos do
funcionamento do mercado que determinam o equilíbrio e a margem de manobra para a
política económica é muito reduzida.
Outro aspecto tem a ver com a natureza exógena dos parâmetros fundamentais
s, n, >, e sobretudo, o carácter exógeno do progresso técnico. Este tem uma
importância decisiva para assegurar a compatibilidade do pressuposto de rendimentos
marginais decrescentes do capital com a manutenção do crescimento duradouro nos
países desenvolvidos. Mas como ele é exógeno, acaba por ser tratado como um
acontecimento exterior ao sistema económico, o que nos torna incapazes de conhecer

c c
as suas regras de comportamento e incapazes de definir políticas de desenvolvimento
no domínio da I&D e da inovação.
Os modelos de crescimento endógeno tentam fornecer algumas respostas a estas
questões de políticas de desenvolvimento e, por isso, eles serão introduzidos a seguir.

G Ê Ê
 ÊMÊ Ê  
   Ê
Ê Ê  Ê


Os modelos de crescimento endógeno, aqui abordados apenas em modelos que não


incorporam I&D, tentam abandonar alguns dos pressupostos da função de produção
neoclássica e tornar endógenos alguns comportamentos dos agentes económicos. Em
alternativa, alguns investigadores que pretendem ´encarar seriamente o modelo de
Solowµ introduzem o capital humano ao lado do capital físico na função de produção de
Cobb-Douglas sem alterar os seus pressupostos e retiram daí algumas conclusões.

G!'(,!O

O objectivo é tornar endógenas ao modelo de crescimento as decisões dos


agentes económicos em relação às variáveis chave.
No modelo AK está contida a característica fundamental dos modelos de
crescimento endógeno: o abandono da propriedade das produtividades marginais
decrescentes do factor capital, neste caso convertendo o trabalho num factor
acumulável integrado no capital humano, e considerando uma elasticidade do produto
em relação ao único factor K igual a um. Garante-se assim a hipótese de rendimentos
constantes à escala e de uma produtividade marginal do capital que não tende para
zero à medida que K aumenta.
A exclusão de factores fixos da função de produção é uma simplificação que
permite desligar o crescimento económico dos constrangimentos que conduzem aos
rendimentos marginais decrescentes e também tornar o factor trabalho ´acumulávelµ
ou seja, de realçar o papel do stock de conhecimentos economicamente valorizáveis
incorporados nos indivíduos como uma fonte do crescimento ao lado do capital físico.
A função de produção tem a forma

Y = AK

Onde A é o nível de tecnologia e K o capital físico e humano. O output per capita


é y = Ak e, portanto, o produto médio marginal do capital são iguais a A (Ê   =
Ê   = A) e se substituirmos Ê   = A na equação fundamental, obtém-se

Ê   = sA - (n + >)

A equação pode incluir a taxa de crescimento do progresso técnico m, mas a


grande vantagem deste modelo é a de mostrar que o crescimento positivo do output
por trabalhador no longo prazo é possível mesmo com uma taxa de crescimento do

c c
progresso técnico igual a zero, o que não acontecia no modelo neoclássico. Tudo
depende da comparação entre os parâmetros s e (n + >) e o nível da tecnologia A.

Taxa de
acumulação
Depreciação
média

-c
Ê  >0c

(n + >)c

c

Se sA for maior que n, a taxa de crescimento de k é positiva, independentemente


do valor inicial de k e conduz a valores sucessivamente mais elevados do coeficiente
capital/trabalho, sem que a produtividade marginal e o crescimento económico tendam
para o declínio. Como y = Ak, a taxa de crescimento de y é igual à taxa de crescimento
k. o mesmo se pode dizer de c = (1 ² s)Y, cuja taxa de crescimento é igual à de k e à de
y. logo é possível um crescimento positivo, contínuo do produto por trabalhador e das
restantes variáveis.
O abandono do pressuposto das produtividades marginais decrescentes dos
factores pode ser também observado no diagrama de Solow. Em equilíbrio o
investimento por trabalhador deveria ser suficiente para manter o capital por
trabalhador constante, tendo em conta que a população activa cresce à taxa exógena n
e o capital se deprecia à taxa > - quanto maior for o capital por trabalhador maior terá
c

de ser o investimento por trabalhador para que ;k = 0. no modelo AK o


comportamento do investimento por trabalhador é traduzido pela recta sy ² como não
há rendimentos marginais decrescentes y tem uma relação linear com k.
Daqui resulta que uma economia com a dotação k0 pode crescer de forma contínua
porque o investimento por trabalhador maior que o investimento por trabalhador
necessário para manter o coeficiente capital/trabalho constante. O stock de capital
por trabalhador é crescente de período para período tal como o próprio produto por
trabalhador e independente do valor inicial de k e y. portanto a economia cresce
sempre à taxa constante sA ² (n+>) e isso equivale a dizer que está sempre a crescer
em equilíbrio de steady state.
A função de produção de Cobb Douglas utilizada pelo modelo de Solow podia
assumir a forma Y = KÊL1-Ê , ou ainda y = kÊ e Ê <1 traduzia o caráter decrescente dos
rendimentos de acumulação de capital ² cada unidade de capital que fosse
acrescentada à economia era menos produtiva que a precedente. Agora, no modelo AK,

c c
os rendimentos constantes da acumulação de capital fazem com que Ê=1, o produto
marginal de cada unidade de capital é sempre igual a A.
Em suma, a taxa de crescimento é uma função crescente da taxa de investimento
e as políticas do governo que possam fazer crescer a taxa de investimento podem
fazer crescer, permanentemente, a economia mais rapidamente. sy é uma curva, o
steady state ocorre quando sy = (n + >)k e Ê<1 é uma medida do grau da curvatura de
sy: se Ê for muito pequeno sy intersecta (n + >)k num valor baixo de k*. pelo
contrários, quanto maior for Ê mais distante se encontra k0 de k* e mais longa será a
transição para o steady state. O caso Ê =1 é o caso limite em que a transição dinâmica
nunca termina.
O modelo não prevê nenhum tipo de convergência, uma vez que o ritmo de
crescimento das variáveis por trabalhador depende dos valores dos parâmetros
assinalados, mas mesmo se s, A e n forme iguais entre várias economias estas não
convergem se partirem de valores iniciais diferentes de k, y e c, uma vez que crescem
todas à mesma taxa. Daqui o carácter endógeno do modelo AK ² não é preciso assumir
uma qualquer taxa de crescimento exógena para determinar a taxa de crescimento do
produto por trabalhador da economia ² ele gera o crescimento endogenamente.
Não há convergência absoluta, no modelo AK, porque economias com as mesmas
características estruturais não tendem para níveis de rendimento per capita, ainda
que cresçam ao mesmo ritmo. Mantêm constantes as diferenças que se verificavam no
início.
Se as economias diferirem em relação aos parâmetros estruturais só poderá
haver convergência se as menos desenvolvidas apresentarem, sistematicamente,
valores de s e A mais elevados (ou valores n ou > mais baixos) que os das economias
mais desenvolvidas.
Como a taxa de poupança da economia 2 é mais alta que a da economia 1, ela vai
atingir uma taxa de crescimento de equilíbrio mais levada e, pode mesmo ultrapassar o
nível de rendimento per capita da economia inicialmente mais desenvolvida.

 
  P 
 ÊL   Ê  Ê

 87Ê  ÊÊÊ Ê Ê

O produto mais universal e disseminado de elevação do nível médio de


produtividade do trabalho resulta das transferências de mão-de-obra de actividades
produtivas menos desenvolvidas para outras mais avançadas.
O modelo de Lewis (1954) vem mostrar o papel que a ´oferta ilimitada de mão-de-
obraµ pode desempenhar no estímulo à acumulação de capital e à aceleração do
crescimento, constituindo assim, um dos mecanismos explicativos do take-off de
Rostow (1960). Este processo de reafectação da força de trabalho pode ter, também,
efeitos sobre o padrão de distribuição do rendimento compatíveis com uma tendência
para o aprofundamento da desigualdade nos primeiros estádios de desenvolvimento.
Poderá ainda concluir-se que o ritmo de crescimento das oportunidades de
emprego no sector moderno urbano pode não ser suficientemente rápido para

c  c
acomodar a força de trabalho que abandona o sector tradicional. Esta, estimulada por
um diferencial de salários e por expectativas optimistas transfere o subemprego para
o subemprego e a economia informal urbanas.

PÊ Ê ÊQ ÊÊ


ÊÊ
 8

No modelo de Lewis o desenvolvimento é encarado como um processo de


reafectação dum excedente de trabalhadores da agricultura, cuja contribuição para o
output é negligenciável, para a indústria onde se tornam mais produtivos. Como o
salário do sector tradicional é aproximadamente igual ao produto médio agrícola (otput
agrícola a dividir pela população) e superior ao produto marginal, pode-se dizer que o
mecanismo dominante que procede à distribuição do rendimento é de tipo institucional.
O ´excedenteµ de força de trabalho pode ser removido do sector tradicional,
sem consequentes perdas no produto agrícola, desde que o sector moderno pratique
uma taxa de salário ligeiramente acima do salário institucional (30% de acordo com
Lewis). A expressão
d = (w ² r) , mostra que a migração é função do diferencial
entre salário urbano w e salário rural r.
Este processo contém duas consequências positivas: o produto marginal do
trabalho agrícola começará a subir em determinada fase e a tender para igualar ou até
ultrapassar o salário institucional, consumando o abandono das características
tradicionais da economia e os trabalhadores transferidos empregam-se em unidades
de produção modernas com técnicas mais capital-intensivas, onde o produto marginal
do trabalho é muito mais elevado e, como a taxa de salário é constante e sobre
determinada pelo salário institucional, gerador de lucros extraordinários que
incentivam a rápida acumulação de capital do sector industrial.

~ 'c
~ c
. c'/cc
cc0c

c
~ c

~ 'c

c
 c -c c
c
Como existe excedente de trabalho, o emprego pode abarcar uma quantidade de
trabalhadores igual ou maior que OLA, o que conduz a um produto marginal nulo ou

c "c
mesmo negativo. Por comodidade considerasse que o produto marginal do trabalho é
igual a zero para um volume de emprego maior ou igual a OLA.
Os trabalhadores recebem a remuneração r, o equivalente ao produto médio
quando o emprego é de LA trabalhadores. Se a remuneração não fosse determinada por
mecanismos institucionais a taxa de salário r estaria associada a um nível de emprego
menor ou igual a OLO.
Se o sector industrial moderno praticar um salário w acima de r, deverá
empregar LI1 trabalhadores que tentarão ingressar num novo emprego. O produto total
industrial será igual à área OM1T1LI1 e será dividido entre trabalhadores e capitalistas,
respectivamente, Ow1T1LI1 e w1M1T1. Se uma parte ou a totalidade dos lucros for
reinvestida haverá novo capital físico e tecnologias mais evoluídas vão permitir
aumentar a produtividade do trabalho. A curva do produto marginal do trabalho será
PMgL2 e a taxa de salário industrial matem-se sobredeterminada pelo salário
institucional e, assim, o volume de emprego LI2 permite uma acumulação de lucros maior
que antes. O reinvestimento dos lucros vai acelerar o crescimento económico e por
conduzir ao esgotamento do excedente de mão-de-obra preexistente.

~ 'c
~ ' c
. c
c 
 cc
~ 'c
c cc
0c
*c
*c
0c

c

c
& c & c c

O excedente é representado por LI1 trabalhadores (porção horizontal da curva)


exprime a sua natureza infinitamente elástica para uma taxa de salários constantes.
Quando o excedente se esgota e o produto marginal do trabalho deixa de ser nulo, o
sector industrial só consegue captar novos trabalhadores se praticar um salário um
pouco mais alto ² fase em que se degradam os termos de troca entre indústria e
agricultura. A relação de troca entre produtos industriais e agrícolas degrada-se para
a indústria e cada trabalhador da indústria tem que fornecer mais produtos industriais
para obter a mesma quantidade que antes de produtos agrícolas. Atinge-se o turning
point que consagra o processo de remoção do montante de população activa
redundante - no sentido em que a sua saída deixa o output total constante.
Prosseguindo o processo de reafectação de obra, atingir-se-á o limiar de
desenvolvimento definido pela subida do produto marginal agrícola a nível que igual o

c  c
salário institucional, o que ocorre quando o emprego industrial é OLI2 ou, o que é
equivalente, quando OLI2 trabalhadores tiverem abandonado o sector agrícola.
A economia deixa de ser dualista ² no sentido de ter dois sectores de actividade
justapostos, tradicional e moderno, de características distintas no modo como se
organizam ou procedem à afectação de recursos e sem relação aparente um com o
outro - e passa a ser unicamente moderna e capitalista. Deixa de existir um sector de
actividade em que há desemprego oculto, isto é, em que o produto marginal do trabalho
é inferior ao salário institucional, e entra-se no commercialization point. Agricultura e
indústria têm de competir entre si, justificando-se assim a tendência ascendente dos
salários nesta última fase.

P $F #)!!'(,!

Este modelo negligencia a pressão para a subida do salário institucional


resultante da saída de trabalhadores da agricultura mesmo na fase em que o produto
marginal do trabalho é nulo. De facto o salário institucional deixa de ser constante
mais cedo do que previa Lewis. No entanto, é um modelo à economia para compreender
a relação entre grau de desigualdade e nível de desenvolvimento, o papel do take-off
no esquema de etapas de crescimento de Rostow e a formação do sector informal e do
desemprego urbano num contexto de migração acelerada das zonas rurais.

P Ê Ê
7Ê  ÊÊ Ê

O processo de crescimento acelerado com base no aproveitamento da ´oferta


ilimitada de mão-de-obraµ é uma transformação estrutural profunda, acompanhada de
modificações substanciais nas relações entre os diferentes agentes económicos e
grupos sociais. Uma dessas alterações é aquela que deverá proceder à transferência
de uma parcela crescente do rendimento nacional para o sector industrial emergente
e, neste, para a classe social dos capitalistas. A distribuição funcional do rendimento
entre salários e lucros deve alterar-se em favor destes últimos enquanto o
desemprego oculto não for completamente erradicado. Em Lewis está implícita a ideia
de que a desigual inicial é vantajosa para o desenvolvimento porque ela favorece as
únicas camadas sociais capazes de poupar, os empresários.

P1#+@ (*('(O;( *

Os estádios iniciais do processo histórico de crescimento do rendimento per


capita dos actuais países desenvolvidos geraram um aprofundamento da desigualdade
(em forma de U invertido).
Esta hipótese é conhecida pela curva de Kuznets, em ´U invertidoµ, porque em
períodos longos as mudanças na distribuição do rendimento, dentro de cada país,
medidas por um indicador como o coeficiente de Gini, que acompanham a expansão do
PNB por habitante parecem relacionar-se com um curva em U invertido.
Para que isto aconteça contribui o acréscimo do peso dos lucros, a tendência do
preço dos produtos industriais (em termos de produtos agrícolas baixar) e na

c c
tendência das rendas no rendimento nacional para crescer, o que faz com que o
rendimento dos proprietários de qualquer activo cresça mais rapidamente que o
rendimento do trabalho. A distribuição pessoal do rendimento tende a ser mais
desigual no sector industrial e nas zonas urbanas do que nas rurais.
A prova empírica da hipótese de Kuznets continua por fazer, mas os resultados
obtidos permitem concluir que não há nenhuma tendência sistemática para que a
desigualdade aumente nos primeiros estádios do desenvolvimento - tudo depende do
modelo de desenvolvimento adoptada (tipo de reforma agrária, substituição de
importações ou promoção de exportações, grau de abertura, prioridades«), que as
características iniciais de cada país quanto ao grau de desigualdade são a
determinante mais significativa da evolução dessa mesma desigualdade ao longo do
tempo.
Em suma, esta hipótese confirma-se nos estudo com dados de tipo cross section
que permitem comparar países desenvolvidos e não desenvolvidos num determinado
momento de tempo e com dados que permitem comparações temporais nos actuais
países desenvolvidos europeus. No entanto não se confirma quando se fazem
comparações temporais nos países menos desenvolvidos, o que permite o consenso de
que muito depende da distribuição inicial de alguns activos físicos e humanos, do grau
de abertura e do tipo de comércio externo e do grau de prioridade que é atribuído ao
objectivo equidade.

P $(*)#"( !(+!2$(;

Outra questão a ser analisada é a dimensão da pobreza que acompanha o processo


de crescimento do rendimento por habitante e a relação entre pobreza e nível de
desenvolvimento.
Para avaliar a pobreza há que definir um limiar de rendimento por habitante que
determine uma espécie de fronteira imaginária atravessando todo o mundo. O banco
Mundial, no Relatório do Desenvolvimento Mundial de 1990 definiu duas linhas: uma
família com menos de 275 dólares em PPC é extremamente pobre e com menos de 370
dólares em PPC é pobre.
Estudar a relação entre nível de desenvolvimento e pobreza implica identificar as
camadas e os grupos sociais pobres. 4/5 dos pobres vivem em zonas rurais da
agricultura de subsistência e de trabalhos mal pagos, não têm terra ou são pequenos
proprietários. O restante, são pobres urbanos que incluem desempregados,
trabalhadores com empregos temporários, « Em qualquer lado a percentagem de
mulheres é sempre maior que a dos homens, pelo que estas e as crianças sofrem maior
probabilidade de sub-alimentação, privação de cuidados de saúde, etc.
A taxa de pobreza é maior nas zonas rurais que nas cidades, e por isso, a
transferência da força de trabalho deverá conduzir a uma diminuição da
representatividade da pobreza agregada. Ou seja, considerando a aditividade dos
índices de pobreza urbana e rural, como o crescimento sustentado dos países menos
desenvolvidos implica uma reafectação de mão-de-obra em direcção à indústria das
zonas urbanas e estas têm menos pobreza, é de esperar que o índice de pobreza
agregada diminua com o crescimento.

c c
PH,1($(*(+!2$(;

Os salários das mulheres são consideravelmente mais baixos que os dos homens
para o mesmo de tarefas e elas são discriminadas no acesso aos empregos do sector
formal privado ou público, sendo remetidas para actividades de mais baixa
produtividade. Geralmente existe ainda legislação que impede as mulheres de, por
exemplo, acederem a um crédito ou serem proprietárias de qualquer bem.
As famílias mais pobres muitas vezes praticam uma discriminação em relação às
mulheres no que toca à alimentação, cuidados médicos, educação, etc, o que conduz a
um coeficiente de mulheres por homem muito baixo.
No entanto, o esteio da actividade económica e social tradicional dos países
menos desenvolvidos é o trabalho não pago das mulheres na agricultura de
subsistência, na educação dos filhos e nas tarefas de casa.


P<,!2,#;-.!7'(*#J,''(*(+!2$(; 

Nas últimas duas décadas assistiu-se a um movimento sem precedentes de
integração das diferentes economias à escala mundial. A intensidade e a extensão dos
movimentos migratórios, dos fluxos de capitais, de comunicação de ideias, do
abaixamento dos custos de transporte e da redução das barreiras do comércio nunca
foram tão elevados. Mas este processo tem tido efeitos contraditórios sobre o ritmo
de crescimento, as desigualdades e a pobreza nas diversas partes do mundo.
É possível verificar que a desigualdade difere bastante entre as várias partes do
mundo e que a hierarquia da evolução da desigualdade nas diferentes partes do mundo
se tem mantido relativamente estável ao longo do tempo.
Para analisar a evolução das desigualdades, tem-se em conta dois níveis de
análise: desigualdades dentro de cada país, (within-country inequality) e as
desigualdades entre países (across-country or between-country inequalities). Quanto
às primeiras a referência mais citada na literatura recente é o Relatório de
Desenvolvimento Humano de 1999,que permite concluir que a desigualdade dentro de
cada país aumentou durante as décadas de 80 e 90. No que respeita às segundas, os
resultados apontem em sentidos diversos, consoante as variáveis consideradas e o
método de cálculo.
A diferença de abordagem entre os níveis de desigualdade nível metodológico
impede ainda que se tiram conclusões a nível global de desigualdade, isto é, no entanto
parece claro que quando os países mais populosos passam a ter um peso mais elevado
que os países de menor dimensão na contabilidade mundial das desigualdades o efeito
convergência sobrepõe-se ao efeito desigualdade.
No que diz respeito ao número de pobres à escala mundial, e tendo em conta o
Relatório de Desenvolvimento Mundial de 2000, desde 1980 parou de crescer ou terá
mesmo diminuído em cerca de 200 milhões. Para este resultado ter á contribuído
decisivamente o rápido crescimento económico da China e da Índia, que induziu a
ultrapassagem do limiar de pobreza de muitos milhões de seres humanos.

c c
P<2!$'J("'( ('+!2$(;

Estas questões levam a repensar os conceitos dominantes acerca da pobreza,


encarando-os mais amplamente como um estatuto económico e social de vastas
camadas da população mundial cuja inserção e especificidade importa compreender.
Assim, Sen revê as noções de desigualdade e pobreza através da distinção entre
capacidades (capabilities) e funções (functionings): a vida consiste num vector de
funções interrelacionadas, tais como ser bem alimentado, evitar a morte precoce,
poder aparecer em público sem vergonha pelo estatuto social que se detém, participar
de forma plena na vida comunidade. A noção de capacidade representa as várias
combinações de funções que uma pessoa está em condições de escolher ou atingir
(achieve) e reflecte a liberdade individual para conduzir um outro tipo de vida. O PNB
por habitante é apenas um dos instrumentos que pode contribuir para o bom
desempenho daquelas funções.
A utilização generalizada de linhas de pobreza à escala internacional tem o
inconveniente de negligenciar a diversidade humana e de tratar de forma superficial
determinado tipo de privações em sociedade.

PH
OÊ  Ê Ê

 
Ê


O conceito fundamental da teoria das etapas de crescimento de Rostow (1961) é


o take-off, processo que deverá durar algumas décadas e findo o qual a economia
reduz substancialmente da população activa agrícola, duplica a sua taxa de
investimento e transita para um crescimento quase automático arrastado pela
indústria e pela disponibilidade de excedente de mão -de-obra. O paralelo com o
modelo de Lewis é evidente, sendo que o take-off corresponde ao commercialization
point, visto que ambos consumam um estádio que abre caminho a fases superiores de
desenvolvimento caracterizadas pela completa modernização da economia e da
sociedade.

PH*( +*'()$(*)#"( !

Segundo Rostow todas as sociedades estão numa de cinco etapas: a sociedade


tradicional, a sociedade de transição, o take-off, o caminho para a maturidade e a era
do consumo de massas.
Na sociedade tradicional a grande maioria da população activa está na
agricultura, os rendimentos distribuídos são baixos, a poupança e a formação de
capital são modestos, o crescimento populacional é reduzido, existe um limite natural
para o crescimento do nível de vida resultante de uma incapacidade em melhorar a
tecnologia de aproveitamento dos recursos disponíveis e os conhecimentos dominantes
são de natureza pré-cientifica.
A sociedade de transição reúne as pré-condições para o take-off, isto é,
aceleração do crescimento demográfico resultante da diminuição das taxas de
mortalidade que acompanham o inicio do crescimento económico, um aumento

c c
substancial da produtividade agrícola, uma modificação da repartição do rendimento a
favor de lucros, criação de infra-estruturas fundamentais por parte do Estado,
transformações institucionais e culturais.
O que caracteriza o take-off é:
5c A elevação da taxa de investimento líquida para mais de 10%
25c Surgimento de sectores motores do crescimento, cresce a uma taxa superior
à média, arrastam sectores de crescimento complementar e os sectores de
crescimento secundário próximos do crescimento médio da economia e a
criação de instituições capazes de sustentar o crescimento.
As últimas duas etapas consagram a passagem para os estádios maia avançados
de desenvolvimento, caracterizados pelo surgimento de novos sectores motores,
pela generalização da difusão das tecnologias modernas para obter o mais
eficiente aproveitamento possível dos recursos produtivos e tornar o take-off
irreversível e favorecimento da expansão do consumo e do bem estar.

PH $# #)!* !E

A abordagem de Rostow não é capaz de fornecer argumentos que demonstrem


como se passa de uma etapa para outra, uma vez que apenas se aponta uma sucessão de
fases sem referência ao método de ultrapassagem dos obstáculos ao desenvolvimento.
Além disso, o método adoptado para tratar os países menos desenvolvidos é de uma
enorme insuficiência uma vez que negligencia e omite as questões históricas.

P< Ê Ê
7Ê Ê ÊÊ Ê
 

O modelo de Lewis parte de uma abstracção em que todos os trabalhadores que


saiam do sector tradicional conseguem um emprego no sectorial. No entanto, neste a
migração que faz crescer a oferta de trabalho a um ritmo mais elevado que a taxa de
acumulação de capital industrial poderia conduzir a uma baixa de w e à hipótese d=0
porque w=r. No entanto as características diferenciadas entre o mercado de trabalho
das zonas urbanas e das zonas rurais torna possível que a migração se faça
acompanhar de uma hemorragia da força de trabalho mais dinâmica, deixando atrás de
si regiões deprimidas sem alternativas de emprego, o que por sua vez aumenta a
migração permanente e sem correspondência com o ritmo de criação de novos
empregos.
A verdade é que o crescimento acelerado das zonas urbanas de todo o mundo,
especialmente de algumas cidades dos países menos desenvolvidos, que se contam
entre as mais populosas, demonstra que as economias de aglomeração próprias deste
tipo de territórios são neutralizados pelos custos de congestionamento.

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2c (c
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3 %c -%c
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Observando o funcionamento de um mercado com dois sectores, urbano e rural, o


eixo horizontal representa a totalidade da força de trabalho na economia, distribuída
entre o sector formal urbano e o sector agrícola. Os eixos verticais medem o salário
do sector formal urbano (w) e o salário rural (r) e as curvas AB e CD podem
representar, respectivamente, a curva de procura de trabalho no sector formal é
necessário que: d=w*-r*=0=>w*=r*, ou seja, os salários nos dois sectores devem ser
iguais e o emprego será LF* e LA*.
Os salários do sector urbano formal são rígidos e elevados, pois aqui existe um
maior poder reinvindicativo, esquemas de protecção social e mão-de-obra mais
qualificada.
O sector agrícola revela alguma flexibilidade nos salários e a migração rural-
urbana surge como resposta ao diferencial que prevalece entre os dois sectores.
Desta diferença nasce a impossibilidade do equilíbrio competitivo, porque o salário
urbano é demasiado elevado em comparação com w*, atingindo um valor w acima da
intersecção entre as duas curvas de absorção de trabalho e o emprego neste sector
não ultrapassa L F. Se a restante força de trabalho permanecer no sector agrícola o
salário deste sector pode descer até ao mínimo r e não haverá desemprego. Porém
como w > r e haveria pleno emprego este não poderia um equilíbrio estável, uma vez
que estariam criadas as condições para haver migração.
Se os salários fossem artificialmente nivelados pelo valor mais elevado w = r ,

apenas L A trabalhadores restariam nas zonas rurais e verificar-se-ia uma


determinada quantidade de desemprego igual a U. no entanto, o mais provável é que os
migrantes escolham entre ficar no sector agrícola com alguma dose de segurança no
seu emprego com um baixo salário e o estímulo dos salários elevados com uma
determinada probabilidade de encontrar um lugar no sector urbano formal. Um

c c
equilíbrio intermédio poderá ser obtido traduzido num salário rural em torno de rA e
um volume de emprego igual a LA> L A no sector agrícola, sem alterações no salário e no
emprego do sector formal urbano e com determinado montante de desemprego.

0c c
-c 1c

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!'$!

O modelo de Todaro (1971) assume que as pessoas determinam as suas decisões


em relação à migração comparando os rendimentos esperados respectivamente nas
zonas urbanas e rurais para t períodos.
Em qualquer momento a probabilidade de obter emprego no sector moderno p(t)
está directamente relacionada com a possibilidade à de um trabalhador sido
seleccionado nesse ou num período anterior de entre um dado stock de trabalhadores
que procuram emprego. Se o processo de selecção for aleatório, então, a probabilidade
de obter um emprego no sector moderno depois de x períodos de migração é
P(1) = à (1)
P(2) = à (1) + [1 - à (1)] à (2)
«
P(x) = p(x-1) + [1-p(x-1) à (x)
P(x) = à (1) + xt=2 à (t)

Onde à (t) representa o quociente entre o número de novos empregos criados e o


número de trabalhadores que aspiram a um emprego no período t. A probabilidade p de
obter um emprego é tanto maior quanto mais tempo o trabalhador permanecer na
cidade.
A oferta de trabalho no sector moderno é função do diferencial urbano-rural de
rendimento esperado

c c
S = fs(d)

E o diferencial é dado por

d = wà - r

onde w é a taxa de salário urbana, r a taxa de salário rural e à a probabilidade de


um trabalhador ser seleccionado para um novo emprego no sector formal urbano. Esta
probabilidade depende positivamente da taxa de criação de novos empregos no sector
urbano () e negativamente da diferença entre o número de trabalhadores que
procuram emprego nas cidades e as oportunidades de emprego existentes

à =Ê  

LF é o nível de emprego no sector formal urbano e S é a força de trabalho urbana


total. Logo, fazendo S - LF = U e substituindo

d=w.Ê  -r

permite determinar um nível de desemprego de equilíbrio associado às condições


que geram uma paragem nas migrações, resultante de um diferencial nulo

Ue = Ê  

O nível de desemprego de equilíbrio deverá diminuir se w diminuir ou se r


aumentar como era de esperar, mas aumenta se  aumentar, isto é, uma elevação da
taxa de criação de novos empregos aumenta o nível de desemprego de equilíbrio,
devido aos efeitos positivos que um aumento de  tem sobre a probabilidade de obter
um novo emprego e do incentivo que isso constitui à migração por reforçar as
expectativas de ser bem sucedido.

P<c#J$-.!7*() !$#%!$",('(*("+$(J!

A Economia do Crescimento e do Desenvolvimento utilizou a natureza dualista da


economia dos países menos desenvolvidos para compreender as suas potencialidades e
as suas limitações do ponto de vista do crescimento do rendimento per capita e das
transformações estruturais. Este método de análise pode continuar a ser utilizado a
propósito das diferenças entre os sectores formal e informal das zonas urbanas, que
acolhem uma oferta de trabalho superior ao crescimento da procura no sector
moderno.
Cria-se uma dicotomia formada entre as actividades do sector formal - baseadas
em tecnologias capital - intensivas, de produção em grande escala com força de
trabalho qualificado, localizadas em indústrias onde há grandes barreiras à entrada, os
sindicatos têm forte implementação e poder reivindicativo e a presença de capital

c  c
estrangeiro -, e as actividades do sector informal ² baseadas em muito pequenas
unidades produtivas e de serviços, de tipo familiar com tecnologias de trabalho -
intensivas, localizadas em indústrias onde a entrada é fácil e a força de trabalho
empregue é pouco qualificada e de baixa produtividade, sem acesso ao sector formal
financeiro para obter crédito, onde os trabalhadores não dispõe de nenhum regime de
protecção social e toda a família tem de trabalhar muitas horas o ano inteiro de forma
a multiplicar os rendimentos.
Não é possível separar as vantagens que o sector formal moderno retira do
sector agrícola tradicional, no que e respeita à poupança inicial constituída pela oferta
de mão-de-obra a uma taxa de salário constante, também não é possível esquecer que
o sector informal fornece ao sector inputs e bens de consumo corrente a baixos
preços e que o sector informal também depende do mercado constituído pale procura
dos trabalhadores e das empresas do sector moderno. Assim a estrutura económica e
social dos países menos desenvolvidos é particularmente complexa, porque resulta do
cruzamento de actividades com lógicas de funcionamento aparentemente opostas, mas
ligadas e interessadas em manter o equilíbrio existente.
Uma parte substancial do sector informal é ocupada por mulheres, pelo que estas
são grande parte dos pobres e subalimentados, com menor acesso à educação, aos
cuidados médicos, à água potável e ao saneamento básico. Sendo ainda discriminadas
nos meios existentes para ultrapassar o subdesenvolvimento.
Outra consequência da rápida transferência de força de trabalho para as zonas
urbanas é a criação de fortes taxas de desemprego e de subemprego para aqueles que
não conseguem obter ocupação nos sectores formal e informal urbanos. Assim o
desemprego oculto e o desemprego das zonas rurais pode, em certas circunstâncias,
simplesmente transferir-se para as zonas urbanas como resposta ao estímulo e às
expectativas geradas pela criação de algumas oportunidades de emprego nas cidades.
Esta é uma dificuldade não considerada pelo modelo de Lewis, que não aponta medidas
para evitar uma saída massiva das zonas rurais.
Para ultrapassar esta limitação o modelo de Todaro considera três sectores -
formal urbano, informal urbano e agrícola. Deste modo os trabalhadores migrantes que
não encontrem emprego no sector formal podem entrar no sector informal, onde as
barreiras à entrada são mínimas e a remuneração é baixa.
Todas as conclusões que tirámos para o modelo com desemprego urbano podem
ser transferidas para este modelo substituindo esse desemprego urbano pelo sector
informal.
c
c c c 
 c  c c Êc
ÊÊ Êc

R)$(*)#"( !+!+,)#!,
R*)!"+!( (*'!)$(*)#"( !+!+,)#!,

Estas componentes são: os nascimentos


As mortes

c "c
A emigração líquida (diferença entre imigração e
emigração)
Ao fim de um determinado período de tempo, a população de uma área
geográfica é igual à população inicial, mais os nascimentos e a emigração líquida,
menos as mortes. Para que a população cresça é necessário que a soma dos
nascimentos com a imigração seja maior que a soma das mortes com a emigração.
Em termos de taxas de crescimento:

’    ’  ’  ’   ’  ’  ’

  ’   ’  ’ rt ² taxa de crescimento da população


TBN ² taxa bruta de natalidade
 5 ’  TBM ² taxa bruta de mortalidade
 ’ 
 $’ ’ ’ TEL ² taxa de emigração líquida

TBNC ² taxa bruta de crescimento
natural
 5  ’ Pop.totalt/2 ² população total no
 ’ 
 $’ ’ ’ momento que divide o período
considerado em 2 intervalos iguais


 5 ’  5 ’
 ’ 
 $’ ’ ’


A dimensão da população num determinado momento do tempo é um stock, mas os


nascimentos, as mortes e a emigração líquida são fluxos.

As taxas natalidade são mais elevados nos países menos desenvolvidos e têm
tendência para baixar em todo o mundo. As taxas de mortalidade são mais difíceis
de comparar, porque a sua relação com o nível de desenvolvimento é menos
evidente, mas a tendência mundial é também para a diminuição.

R $*#-.!'("!J$0%#)

É um movimento da população mundial de um estádio caracterizado por


elevadas taxas de mortalidade e natalidade, próprias das sociedades tradicionais,
para um outro onde predominam as baixas taxas de natalidade e de mortalidade
prevalecentes nos países desenvolvidos.

7.4.2.1 ² A transição demográfica nos países desenvolvidos

Há 3 fases fundamentais no crescimento de uma população:


c S %*(= fase tradicional, baseada numa população jovem estável,
com elevadas taxas de natalidade e de mortalidade e baixa esperança de vida
à nascença

c  c
c S%*(= inicia-se a transição demográfica; as taxas de mortalidade
começam a diminuir antecipando um movimento no mesmo sentido nas taxas
de natalidade que se realizara um pouco mais tarde
c HS%*(= fase moderna; as taxas de natalidade e mortalidade baixam
e atingem valores idênticos, a esperança de vida à nascença aumenta e a
população envelhece.

*26c
*2 c

3-.!c c 3-.!cc 3-.!cc

Nas sociedades tradicionais, as instituições e a cultura dominante


respondem às elevadas taxas de mortalidade com um incentivo às elevadas taxas
de natalidade; a modernização, por sua vez, para além de acelerar o crescimento
económico e declinar as taxas de mortalidade, conduz a uma modificação de
hábitos, costumes e normas que acabam por fazer baixar a fertilidade.

7.1.2.2 ² A transição demográfica nos países em desenvolvimento

A ideia central da teoria para a transição demográfica nos países em


desenvolvimento é a de que eles se encontram na fase 2, onde se produz a
aceleração do crescimento populacional.

RT*)!*(N)#*'!)$(*)#"( !+!+,)#!,$0+#'! 
7.2.1 ² O ciclo de pobreza e o crescimento populacional

Equação fundamental do modelo de Harrod-Domar


%   >

Daqui é perfeitamente claro que a taxa de crescimento da população tem um
efeito negativo sobre a taxa de crescimento do rendimento per capita.

Por outro lado, o modelo de crescimento neoclássico considera que a


diminuição exógena da taxa de crescimento populacional conduz a um efeito de
nível, a uma elevação do produto per capita associado à taxa de crescimento de
equilíbrio de curto e de longo prazo.

c c
y

f(k)

(n(k)+>)k

s*f(k)

k1 * k2 * k

Para valores de k menores que k1* a economia cresce, isto é, o capital por
trabalhador e o produto por trabalhador aumentam porque s*f(k) > (n(k)+>)k e
m
u ] " ate se atingir o ponto de equilíbrio estável quando k = k1*. Quando se atinge
este limiar de desenvolvimento, a economia crescerá uma taxa constante de
equilíbrio de baixo rendimento per capita, porque os valores k1* < k < k2* a população
cresce a um ritmo mais elevado que o investimento por trabalhador (s*f(k) <
(n(k)+>)k) e consequentemente, o capital por trabalhador tem tendência a diminuir
m
( u c " ).
Este modelo considera que o crescimento do rendimento se faz acompanhar
do um crescimento da população mais rápido se aquele estiver perto do salário de
subsistência, ou seja, qualquer esforço de desenvolvimento será neutralizado pelo
efeito conjugado da diminuição da mortalidade e do aumento da fertilidade. Isto
trata-se de uma ´armadilhaµ que condena os países de mais baixos rendimentos à
sua condição de países pobres, a não ser que se consiga fazer o ´big pushµ que
m
transporte a economia para valores k > k2* onde u ] " e se inicia uma era de
crescimento sem restrições.
Por outro lado, uma população que cresce rapidamente vai criar uma grande
pressão sobre o mercado de trabalho, porque os trabalhadores que pretendem
ocupar o seu primeiro posto de trabalho são em maior número do que aqueles que
se pretendem retirar para a reforma.

7.2.2 ² Crescimento populacional e desenvolvimento

Mas há também teorias que tentam endogeneizar o progresso técnico a


partir das variações de longo prazo da taxa de crescimento da população:
c As inovações estimuladas pela procura, pressionada pelas
características e necessidades dos países de elevada densidade populacional:
salienta-se o papel da escassez e da pressão populacional sobre a capacidade
inventiva para acomodar elevados contingentes de população;
c O stock alargado de ideias e inovações podem ser utilizadas do ponto
de vista económico, a partir de um mais vasto reservatório de potenciais
inovadores: dá-se relevo à ideia de que uma vasta população contém uma
maior diversidade que uma população restrita e portanto, nesse caso, são

c c
mais elevadas as probabilidades de surgirem novas ideias que beneficiem a
comunidade nacional.
Em qualquer dos casos, as taxas de crescimento populacional elevadas não
podem ser encaradas como o principal impedimento do desenvolvimento, porque
estão em causa um conjunto de interacções que podem ser mais ou menos
facilmente desencadeadas pela política económica e social. No longo prazo, os
eventuais efeitos negativos podem ser atenuados não só pela política
desenvolvimento, mas também pelos ajustamentos que as próprias famílias vão
operando.

R T*'( ($"# (*"#)$!()!@"#)*'>+$!)$?('>!%($ ?'(


%#,1!*
7.3.1. ² O modelo da ´procuraµ de filhos por casal

O ponto de partida deste modelo é que a decisão de ter filhos implica um


comprometimento de recursos e um custo de oportunidade traduzido nas despesas
alternativas com bens e serviços não relacionados com as crianças que são
suprimidas. Por outro lado, ainda que os filhos sejam uma fonte de satisfação e
bem-estar, verifica-se que a dimensão dos casais tende a diminuir com o
rendimento, como se se tratasse de um bem inferior.
U ² utilidade do casal
+   [ ê C ² n.º de filhos
 X ² quantidade de bens e serviços não
    ê relacionados

Restrição orçamental I ² rendimento permanente


Q ² despesas por filho
P ² índice do preço dos bens e serviços não
relacionados
Nos países menos desenvolvidos, o modelo deve ser completado de forma a
incluir as expectativas de rendimento adicional geradas pelo emprego em idade
precoce e ainda a função de apoio aos pais na velhice. Nestes termos, Q deve
traduzir as despesas médias por criança menos o rendimento antecipado do
trabalho precoce para uma dada ´qualidadeµ resultante de escolhas feitas no inicio
do período de formação. À medida que esta qualidade vai aumentando o seu nível
educacional é maior revelando aspirações crescentes dos pais, normalmente
associadas ao desenvolvimento económico.
A decisão do casal consiste em escolher combinação entre n.º de filhos (C) e
outros bens e serviços não relacionados (X) que maximize a utilidade total (U),
dado o seu rendimento permanente (I), a qualidade desejada (Q) e o índice de
preços (P).

c c
1c

4"c 4 c

~8c 4 8c

~c

! c
!"c
1 1"c

! 8c
1 8c

7"c 7 c
~c 7 8c ~8c 7c
Mas, há medida que a economia se desenvolve e o rendimento por habitante
aumenta, a procura de filhos diminui, principalmente devido:
tc A elevação do nível médio de educação das mulheres leva-as a adiar a
decisão de ter filhos e a tirar partido da sua formação para se inserirem no
mercado de trabalho, o que faz aumentar drasticamente o custo de
oportunidade do tempo necessário para a maternidade
tc Os casais com um nível educacional mais alto vão aspirando a investir
mais em cada filho, isto é, no capital humano
tc A elevação do nível médio de vida traz consigo padrões de vida mais
exigentes que só são suportáveis com famílias de menor dimensão.

Isto traduz-se numa deslocação da recta orçamental para a direita, mas de forma
não paralela, porque as famílias substituem ´quantidadeµ por ´qualidadeµ.

7.2.3. ² O modelo de síntese ´procura e ofertaµ de filhos

A questão da oferta passa pela fertilidade natural, isto é, o número médio


de crianças que uma mulher pode gerar se ela não adoptar nenhum procedimento
para influenciar a sua fertilidade e aderir passivamente aos costumes dominantes.
Esta fertilidade natural é influenciada pelo nível de desenvolvimento, porque
quanto maior este for menores serão os riscos da concepção e maior será a
fecundidade. Tendo isto em conta e tendo igualmente em conta mudanças nos
costumes que prolongam a vida sexual activa, poder-se-ia dizer que o
desenvolvimento traz consigo um aumento da fertilidade natural, das taxas de
natalidade e da oferta potencial de filhos, a não ser que esta tendência seja
contrariada pelo controlo individual da fertilidade.
CA

CA ² n.º filhos por mulher




CD ² procura de filhos
CS ² curva de oferta potencial
de filhos
C* - n.º actual de filhos
sobreviventes
U

T T· Nível de Desenvolvimento

c c
À esquerda do ponto T, há um excesso da procura de filhos e o número de
filhos sobreviventes é determinado pelos factores do lado da oferta. Neste tipo
de sociedades não há motivação para práticas de controlo de natalidade, mas o
número de crianças que sobrevivem é menor que o número de crianças
potencialmente oferecidas porque há sempre mulheres que controlam a natalidade.
À direita de T, há um excesso potencial da oferta de filhos, o que aumenta a
motivação para o controlo da natalidade, mas o número de filhos sobreviventes
pode continuar a aumentar durante uma certa fase.

R<T)+# ,8"!

Da análise anterior ficou claro que quanto maior for o nível de


desenvolvimento mais as famílias tendem a diminuir a sua dimensão. Isto é, o
desenvolvimento traz consigo uma tendência sustentada para a diminuição das
taxas de crescimento populacional e que, para isso, muito contribui o investimento
em capital humano, isto é, o investimento na educação, saúde e nutrição, em
particular das mulheres, que são conduzidas uma avaliação diferente da tradicional
do custo de oportunidade do tempo dedicado à maternidade.
Agora, a ideia fundamental é a de que a formação de capital humano,
traduzida na melhoria de conhecimentos e de qualificações, pode contribuir para
aumentar o bem-estar, os padrões de vida e a produtividade. A melhoria dos
padrões de vida seria concretizada na utilidade adicional que as pessoas podem
retirar de viver mais tempo, de se sentirem melhor e de terem acesso a um nível
de conhecimentos mais vasto.

A existência de inúmeros efeitos ´externosµ do investimento em capital


humano conduz à criação das condições para a existência de ´falhanços do
mercadoµ traduzidos na descoincidência entre o valor privado e o valor social dos
rendimentos gerados por aquele investimento. Isto é, os benefícios que cada
pessoa retira do investimento, e que constituem a motivação individual fundamental
para o realizar, podem ser inferiores aos benefícios sociais alargados que ele
origina e, que por isso, para que o capital humano seja acumulado a um nível
socialmente óptimo é necessária a intervenção do Estado.

 
 V 
Ê Ê 
Ê  I   Ê
    Ê  Ê  Ê Ê    4 Ê 
9ÊW 
5

A exportação de produtos primários era inicialmente vista como potencial motor


de crescimento e de transformação estrutural nos países menos desenvolvidos ²
primary export-led growth. Porém o comércio internacional tem também vários
inconvenientes e assume especial importância a identificação das vantagens e
desvantagens para que se possam seleccionar medidas de política económica adequadas
a potenciar uns e atenuar outros efeitos.

c c
V 
Ê Ê
9
  Ê 
Ê X  

As vantagens estáticas referem-se à dotação factorial existente num


determinado momento num país, considerando-a constante. As vantagens dinâmicas
observam a dotação factorial como transformável ao longo do tempo, nomeadamente
por efeito de política económica.

V  J(" !"+$ #:7 1!* )!" ! !"K$)#! ( (,1!$# 


(+$ #-.!'!('#"( !

Cada economia é conduzida a exportar os bens os bens cujos custos de produção


são relativamente mais baixos no contexto internacional, aproveitando assim uma
vantagem comparativa e tirando partido dos seus custos de produção relativamente
mais baixos para obter ganhos com o comércio.
Um país tem uma vantagem absoluta sobre outro na produção de um bem se
conseguir produzir mais com a mesma quantidade de recursos, ou o mesmo com menos
quantidade de recursos. Assim enquanto a vantagem absoluta requer a possibilidade de
produzir com custos absolutamente mais baixos (uma unidade de trabalho produz mais
X no país h do que uma unidade de trabalho no pais f), a vantagem comparativa existe
se um país puder produzir uma determinada mercadoria com um custo de oportunidade
interno mais baixo do que aquele que estaria implicado na produção de uma outra
mercadoria, em comparação com um outro país que produz as mesmas duas
mercadorias, em comparação com um outro país que produz as mesmas duas
mercadorias o custo de oportunidade de X em termos de Y é menor em h que em f).
O comércio é mutuamente vantajoso porque se deverá basear numa relação de
troca internacional intermédia entre as que vigoram internamente, e tanto mais
vantajoso quanto menor for um país, porque este supre as suas carências pagando as
importações inevitáveis com as exportações em que se especializa.

8.1.1.1 Fontes da vantagem comparativa

A primeira fonte da vantagem comparativa são as diferenças tecnológicas entre


países, diferenças de produtividade, ou seja, diferentes capacidades de transformar
inputs em diferentes quantidades de outputs, com uma unidade de trabalho. O caso
mais geral é quando o país f tem uma vantagem na produção de X enquanto o país tem
uma vantagem na produção de Y.
c

9c 3 cc
cc
3c 
c c
c:c
 cc 
c

98c 38c 7c
c c
HH· e FF· são fronteiras de possibilidade de produção dos países h e f. Nesta
produção verifica-se a utilização apenas do factor trabalho e rendimentos constantes
à escala. A distância de cada uma delas em relação à origem depende dos níveis de
produtividade e das dotações de factor trabalho em h e f. Se L h for a dotação de
trabalho no país h, o máximo X será dado por Ê  Ê  h e o máximo de Y será
dado por Ê  Ê  h (Ê e são custos por unidade produzida, o seu inverso
representa a produtividade do trabalho). O declive da fronteira de possibilidades de
produção traduz a quantidade a que se renuncia de X quando se aplica uma unidade
adicional de trabalho à produção de Y, isto é, -Ê   = Ê  , ou ainda, - Ê   =
Ê  . O quociente - Ê   é a Taxa Marginal de Transformação e, mantém-se
constante, razão pela qual a fronteira de possibilidades de produção é uma recta.
Os economistas Heckscher e Ohlin passaram a considerar uma função de
produção com vários factores e deixando de lado as diferenças tecnológicas
determinaram outra determinante da vantagem comparativa: a dotação factorial.
Neste caso, dois países podem ter tecnologias de produção e preferências no consumo
idênticas de vários produtos e, mesmo assim, haver fundamento para o comércio. Cada
país tende a exportar os bens cuja produção exija a utilização intensiva dos recursos
relativamente mais abundantes no território nacional e a importar os bens que exigem
factores relativamente escassos.
A especialização é o resultado das diferenças de preços dos factores entre
países que, por sua vez, reflectem a diferente dotação factorial em conjugação com as
diferentes intensidades de factores.
Este tipo de comércio internacional deverá envolver economias com desiguais
níveis de desenvolvimento: os países menos desenvolvidos exportam produtos
primários e os países mais desenvolvidos exportam produtos manufacturados.
Neste caso, a fronteira de possibilidades de produção passa a ser côncava em
relação à origem, as diferentes industrias requerem diferentes intensidades
capitalísticas, sendo necessário uma reafectação que conceda relativamente mais
capital à produção de Y e relativamente mais trabalho à produção de X.

c

 ;c
3 cc c
c 
c cc
 c
 c
c

Para fazer comparações entre países quanto às suas potencialidades


exportadoras e necessidade7 ;de
c importação
7 c pode atender-se
7c à posição das fronteiras
de possibilidades de produção, o país h é relativamente mais dotado para produzir Y e

c c
o país f para produzir X, o país h com todos os seus recursos produz Y h , enquanto o

país f só produz Y f , por outro lado, com todos os seus recursos o país h produz

apenas X h enquanto o país f consegue produzir X f.


Também do ponto de vista da distribuição do rendimento o comércio
internacional é vantajoso, porque ele conduz a uma utilização intensiva dos factores
relativamente mais abundantes, logo, remunera de forma predominante aquilo que é
mais representativo num país.
Outra questão relevante para fundamentar a vantagem comparativa são as
preferências dos consumidores. Não só os consumidores de cada país manifestam um
gosto pela variedade (os mesmos produtos em diferentes variedades podem ser
exportados e importados pelo mesmo país), como ainda as diferenças de rendimento
per capita a nível internacional se traduzem em diferenças do ponto de vista das
preferências.
Segundo Linder (1961), um país pode ser conduzido a exportar apenas os
produtos para os quais encontra uma procura interna significativa. Assim o comércio
internacional de produtos manufacturados faz-se, sobretudo, entre países com níveis
de desenvolvimento idênticos e com dotações factoriais semelhantes (desenvolvidos) e
chama-se comércio intra-industrial ou intra-ramo. O comércio de produtos de
características muito diversas, determinado pelas dotações factoriais de cada país
(países desenvolvidos e países menos desenvolvidos) e pelas intensidades factoriais
dos produtos é denominado comércio inter-industrial. As preferências dos
consumidores a nível internacional não são homogéneas no sentido em que as
diferenças de rendimento per capita determinam diferenças na composição da
procura.
As economias de escala podem ser uma fonte de comércio internacional. De facto
o comércio surge como uma forma de concentrar a produção de certos produtos em
alguns países para tirar partido da possibilidade de alargar a escala de produção e
baixar os custos médios. Admitindo que as curvas de custo médio de produção de dois
produtos, A e B, são decrescentes com a escala de produção, que estes países têm a
mesma dimensão, os mesmos volumes de produção de A e B e as mesmas preferências,
em regime de autarcia. Verifica-se, caso mesmo sem motivo aparente eles se abram ao
comércio internacional, e por qualquer motivo um deles aumente a produção de um dos
bens, uma vantagem comparativa desse país na produção desse bem, porque atinge um
custo de produção por unidade mais baixo. Se o outro país aumentar a produção do
outro bem, o mesmo se verifica.
Este tipo de justificação para o comércio internacional pode envolver produtos
homogéneos ou diferenciados e ele foi desenvolvido de forma semelhante por Krugman
(1995).

V
$*%($N)# '( ) !$(* '( $!'-.! ( "( ! '
$!' #:#''(K'#

c  c
A partir do momento em que uma economia tira partido da sua vantagem
comparativa e se especializa há, inevitavelmente uma deslocação de recursos
produtivos e humanos das actividades tradicionais e artesanais para outras associadas
a um sector exportador.
A simples existência de actividades exportadoras tem um impacto positivo na
produtividade da economia, tanto maior quanto mais significativo for o grau de
especialização e de reorientação adoptado em consequência do aproveitamento da
vantagem comparativa.
A construção de certas infra-estruturas essenciais ao comércio internacional
quebra o isolamento de determinadas zonas de um país resultantes dos elevados
custos de transporte e pode viabilizar o aproveitamento produtivo de recursos até
então ociosos. Isto traduz-se na utilização acrescida dos factores disponíveis e na
aproximação da economia da fronteira de possibilidades de produção.

VH !"K$)#! ($)#!,(Ê&+*.!' ! -.!) !$#,

As novas oportunidades trazidas pela exploração de um recurso natural pode


atrair novos factores de produção e fomentar o investimento estrangeiro, nesse e
posteriormente noutros sectores. Um raciocínio idêntico pode fazer-se em relação a
oportunidades de emprego de trabalho qualificado. A entrada de capital estrangeiro e
a emigração de força de trabalho qualificada podem não ser suficientes para
responder às necessidades, estimulando a poupança nacional e outros recursos em
formação.
A expansão do sector primário exportador possa alargar a oferta de
investimento estrangeiro, de poupança interna, de trabalho e de mão-de-obra
qualificada. O comércio internacional não só acarreta um deslocamento da economia
para uma posição mais próxima da fronteira de possibilidades de produção, como ainda
desloca a essa mesma fronteira para uma zona mais afastada da origem.

V< !"K$)#! ($)#!,(Ê%(# !*'($$* "( !!  ((


* (

As exportações podem vir a viabilizar actividades que não poderiam tirar partido
do esgotamento das economias de escala no contexto exclusivo de mercado interno,
por este ser demasiado restrito. Se a curva de custo médio de longo prazo (CMd) for
decrescente haverá uma dimensão mínima da produção que a torna competitiva face à
concorrência estrangeira.

1
 cc
cc
c

c
 ccc c

c

~ c

c 1 c "c
c c
< c < c

c

c
Só os outputs superiores a Qm (intersecção da curva de oferta mundial ao preço
mundial Pm com a curva CMd) tornam a produção nacional competitiva. Assim a procura
de um determindado input deve ser maior que Qm para ser viável a criação na
economia nacional desta indústria e isso é uma resultante directa dos efeitos de
ligação a montante que o sector exportador pode gerar.
No caso dos efeitos de arrastamento a jusante trata-se de aproveitar a oferta
de um determinado output que pssa funcionar como input de uma outra actividade
qualquer.
Uma indústria exportadora necessita de infraestruturas que podem não existir
num determinado país. Se essa indústria se revelar viável ela exercerá uma enorme
pressão política para que sejam criadas as infraestruturas de apoio ² investimento
induzido por insuficiência de infraestruturas. O inverso também é possível e até talvez
mais frequente, isto é, as infraestruturas são criadas pelos governos, induzindo o
investimento de empresas ligadas a várias indústrias ² investimento induzido por
excesso de infraestruturas.
Poderá ainda haver efeitos de arrastamento resultantes do consumo. Isso
acontecerá quando os salários e outros rendimentos distribuídos pelo sector
exportador forem mais elevados que a média nacional e quando eles criarem uma
procura que experimente carência de determinados bens de consumo.

V   ÊÊ


Ê  I   Ê
V  $(*)#"( ! ( ! ' $!)$ '( $!' !* $#"0$#!*7 !
(),F#!'!*
($"!*'(
$!)(, -.!'*()(# *'(Ê&+!$ -.! 

O ritmo de crescimento da procura mundial não é idêntico para todo o tipo de


exportações, sendo mais elevado para os produtos da industria transformadora que
para os produtos provenientes do sector agrícola. Esta consequência da Lei de Engel ²
a procura de bens alimentares cresce mais lentamente que o rendimento, elasticidade
do produto menor que 1- pode ser estendida a outros produtos do sector primário,
como sejam as matérias primas minerais e vegetais, cuja participação na actividade
industrial tenderia a ser limitada como resultado da tentativa de diminuir os custos
com aqueles inputs no produto final. Daqui resultaria a tendência para o declínio dos
termos de troca entre matérias-primas e produtos industriais. No entanto, esta ideia
não é irrefutavelmente comprovada empiricamente.
Um argumento que costuma acompanhar o do declínio dos termos de troca é o da
tendência para a flutuação das receitas de exportação. Esta instabilidade transmite-
se à procura interna e ao investimento, porque o ritmo de crescimentos das
importações vem claramente afectado. A verificação empírica confirma essa hipótese

c  c
e essa é a justificação para os procedimentos de estabilização das receitas adoptadas
pelos países menos desenvolvidos.

V>Ê%(# !Ê),:(?(! )1#*(*(

Muitas vezes a estrutura concentrada das exportações, petróleo ou uma outra


matéria-prima, não favorece os efeitos de ligação a montante, a jusante, no consumo
ou nas infraestruturas, o que conduz a que o sector exportador se isole da restante
actividade económica nacional tradicional e permaneça como um ´enclaveµ.
Um caso especifico é o da dificuldade em diversificar a actividade exportadora
por causa do peso excessivo das receitas de exportação de produtos primários. O que
está em causa é o valor da taxa de câmbio sobredeterminado pelas exportações de
produtos primários inelásticos e de baixos custos, em confronto com as necessidades
de outro tipo de exportações (industriais).
Assim a importância esmagadora e o carácter concentrado da estrutura das
exportações, na ausência de medidas compensatórias, pode introduzir uma rigidez de
tal ordem na taxa de câmbio que impeça efeitos de arrastamento e a diversificação da
estrutura produtiva das economias menos desenvolvidas.
O Dutch Disease consiste numa apreciação real da taxa de câmbio decorrente de
um boom das exportações de produtos primários, devido a um excedente de moeda
estrangeira que tende a diminuir o seu preço em moeda nacional e o boom nas receitas
de exportação pode também gerar uma procura interna adicional que pressiona a
elevação da taxa de inflação.
Isto pode verificar-se com a expressão da Taxa de Câmbio Real

TCR = R 0 Ê  

Onde TCR é um índice da taxa de câmbio real, R 0 é um índice baseado na taxa de


câmbio nominal e Pm e Pd são respectivamente, um índice dos preços médios das
importações e dos preços internos. As influências que acabam de ser expostas
conduzem a que R0 e o quociente Ê   desçam e, consequentemente, a Taxa de
Câmbio real desce também e a economia fica menos competitiva.
Este mecanismo já se verificou na história da Holanda e da Nigéria, ficou
conhecido como Dutch Disease e traduz-se numa desaceleração do ritmo de
crescimento das exportações de produtos manufacturados motivada por um
crescimento a um ritmo muito elevado das exportações de um produto primário.

VH   Ê   Ê  


 

Baseando-se nos trabalhos de outros economistas Myrdal (1957) chamou à


atenção para a possibilidade de se criarem diferenças de desenvolvimento
persistentes entre regiões ou países, traduzidas em desigualdades no rendimento por
habitante, nas taxas de crescimento do comércio externo e da industrialização,
decorrentes da diferente capacidade para absorver choques exógenos.

c c
Duas regiões com níveis de desenvolvimento iniciais idênticos, a região A e a
região B, podem encetar percursos bastantes diferentes se uma delas for submetida a
um choque exógeno e o aproveitar para crescer rapidamente, atraindo mão-de-obra e
outros recursos da região B. nesse caso, a região A pode expandir-se
sustentadamente, enquanto a região B poderá deprimir-se cumulativamente se o êxodo
de recursos não for apenas uma simples circulação de factores produtivos mas, pelo
contrário, se se tratar de uma hemorragia de recursos humanos qualificados e
empresariais ou de recursos não renováveis, que empobrecem irreversivelmente a
região B. Aquilo que constitui um empobrecimento da região B é um factor de expansão
cumulativa do conjunto da actividade da região A, traduzida em deslocações sucessivas
das curvas de oferta e da procura para a direita. O resultado final é um nível de
salários mais alto em A do que em B como o corolários da tendência para o crescimento
cumulativo da primeira região e da depressão persistente da segunda.
Isto porque o capital e o trabalho tendem a migrar em conjunto em busca de
melhores remunerações para onde as forças de procura são fortes. Criam-se assim
condições para uma situação de divergência regional. Produz-se rendimentos com
rendimentos crescentes na região A, o que reforça as suas vantagens comparativas e
lhe confere a possibilidade de aproveitar economias de escala no mercado mundial e
bem como outros pontos de desenvolvimento, agravando-se cada vez mais o fosso
entre regiões e países mais e menos desenvolvidos.
Kaldor (1966) justifica o papel central da indústria no crescimento, no âmbito do
método da causalidade circular e cumulativa, através de três regularidades empíricas.
´ O sector industrial é o único que cria condições para aproveitar rendimentos
crescentes e, por isso, há uma correlação positiva entre o crescimento do produto
industrial e crescimento do produto total da economia.
´ A taxa de crescimento da produtividade do trabalho é endógena e está
positivamente correlacionada com a taxa de crescimento do produto industrial ² Lei de
Verdoorn: quanto mais elevada for a taxa de crescimento da produtividade industrial
mais elevada deverá ser a taxa de crescimento da produtividade.
´ A taxa de crescimento da produtividade industrial tem efeito spillover sobre o
aumento da produtividade dos outros sectores, nomeadamente agricultura e serviços.
As regiões onde a produtividade industrial cresce mais rapidamente que os
salários ganham competitividade e, por isso, podem manter um ritmo de crescimento
elevado das exportações que se perpetua por intermédio da Lei de Verdoorn: o
crescimento mais rápido das exportações industriais acarreta um crescimento
igualmente elevado da produção industrial e, por esse meio, obtêm-se ganhos de
produtividade que aumentam cumulativamente a competitividade da economia e o
crescimento das exportações, e assim sucessivamente.
A interpretação que Kaldor faz da lei de Vernoorn tem em conta o papel
tradicionalmente atribuído por adam Smith à dimensão do mercado na criação de
condições para a especialização produtiva e a subdivisão de tarefas e na relação
inversa, a subdivisão de tarefas e a especialização aumentam a dimensão do próprio
mercado. Incorpora também a ideia de que a dimensão do mercado e a especialização
produtiva se relacionam cumulativamente numa base macroeconómica, isto é, o
crescimento de mercado de produtos industriais leva a maior especialização entre

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industrias que podem aproveitar vantagens de localização num mesmo espaço para
reduzir custos de transporte e alguns custos fixos. Kaldor adopta ainda uma função de
progresso técnico que inclui a noção de Arrow de learning by doing para dar maior
consistência ao pressuposto de que o crescimento da produtividade tem uma base
endógena.

V<Ê ÊL  ÊÊ

O subdesenvolvimento criado na periferia por muitos séculos de exploração


(Colonialismo, divisão internacional do trabalho«) não é apenas um atraso no
desenvolvimento, uma persistência da economia tradicional. O mesmo processo que
gerou o desenvolvimento criou o subdesenvolvimento, ou ainda o desenvolvimento do
subdesenvolvimento.
Neste sentido, q exposição ao comércio internacional ou a formas de penetração
do capital estrangeiro (IDE), com a actual estrutura económica mundial, apenas
serviriam para apertar os laços de dependência da periferia. Só uma evolução
autónoma acompanhada de uma redução da dependência no comércio externo e nos
investimentos e em transferências de tecnologia seria capaz de abrir perspectivas de
desenvolvimento duradouro.

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