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GANHE OS MUÇULMANOS

PARA CRISTO

W. D. Dennett

Passos simples para você ganhar os


muçulmanos em seu país
Ganhe os muçulmanos para Cristo

O mundo muçulmanos constitui-se, indubitavelmente, no maior desafio de evangelização


deste final de século/milênio.

Todos sabemos que o Senhor Jesus Cristo ama os muçulmanos e os quer para Si, porém a
grande maioria de nós não sabe como comunicar-lhes esse maravilhoso amor: o que agrava
o desafio.

Neste livro, W. D. Dennett não só nos desafia à tarefa de evangelizar os muçulmanos como
a desmitifica apresentando sugestões que consideradas nos ajudarão a pregar
confiantemente aos muçulmanos.
Ganhe os Muçulmanos para Cristo
“Passos simples para você ganhar muçulmanos em seu país”

Categoria: Missões

Traduzido do original em inglês: Confidence in witnessing to muslims

Foto da capa: Vic Parisi

Produção capa: Ailton Oliveira Lopes

Diagramação: Beth Fernandes

Revisão de Texto: Valéria Fontana

Tradução: Marta B. de Oliveira

 1992 Editora Sepal


Caixa Postal 2029
01060-970 – São Paulo – SP
Fone: (11) 5523-2544
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Editora Sepal e Edições Kairós, São Paulo – SP - Brasil

Salvo onde outra fonte for indicada, as citações bíblicas


foram extraídas da Bíblia Edição Revista e Atualizada da
Sociedade Bíblica do Brasil.
Agradecimento

Queremos expressar nossa gratidão a P.M. Internacional e Missiones Mundiales da


Argentina, os quais cederam os direitos autorais de dois livros e também nos ajudar a
conseguir os direitos para publicação em português de outros livros relacionados com o
assunto.

Agradecemos também a todos que nos ajudaram com tradução, revisão, sugestões e, em
especial ao missionário Ted Limpic, que, com amor, dedicação, esforço e recursos tornou
possível a publicação deste livro.

Somos gratos ao irmão W. D. Dennett que não somente cedeu os direitos autorais deste
livro como também colaborou financeiramente para viabilizar a edição na língua
portuguesa.
PARTE I

UMA OPORTUNIDADE DADA POR DEUS

CAPÍTULO I

OS MUÇULMANOS PODEM SER CONVERTIDOS?

O homem estava muito confiante ao entrar no “Drop-in Centre”. Ele veio para dizer aos
cristãos que eles tinham de fechar esse lugar e parar de propagar mentiras. Ele havia
estudado o islamismo, memorizado o Corão e estava convencido de que sua religião era a
única verdadeira em todo o mundo. Na verdade, era sua obrigação de seguidor do
islamismo convencer e coagir todos a tornarem-se muçulmanos.
Ele discutiu fortemente com a pessoa encarregada do centro sobre enganar pessoas com
propaganda cristã. Este foi o primeiro de muitos encontros. Ele era um motorista de táxi e
freqüentemente aparecia no centro para discutir sua posição. Depois de dois meses, nos
quais o encarregado piedosa e pacientemente apresentou os propósitos de Cristo ao homem,
ele gradualmente se tornou pronto para argumentar, em vez de discutir. Então, depois de
mais algumas semanas de discussão, o beligerante argüidor transformou-se num atencioso
ouvinte. O encarregado tinha conseguido dar-lhe alguma literatura cristã e sugerir: “Por que
você não lê e pensa um pouco sobre o que estes livros dizem?” O gerente sentiu que agora
o homem estava realmente buscando a verdade. Ele pediu a alguns amigos cristãos para
orarem no sentido de que a Escritura pudesse trazer luz ao coração do homem.
Passou-se um período de quatro meses, sem nenhum sinal do homem. O cristão pensou
que o havia ofendido e perdido o contato. Então, ele o encontrou em um shopping center e
perguntou: “Por que você não tem aparecido para nos visitar?” Ele respondeu: “Um dia eu
vou aparecer novamente. Estou pensando no material que você me deu”.
Depois de alguns meses, ele foi diretamente ao shopping center e perguntou ao
encarregado: “Você sabe por que eu estou aqui hoje? Porque é um dia muito especial”. Ele
mostrou uma folha de agenda com o versículo escrito: “Importa-vos nascer de novo”. O
homem disse: “Eu gostaria de fazer isto. Eu quero nascer de novo”. “ Você entende o que
significa nascer de novo? Você não sabe que isso vai significar perseguição e problemas de
verdade para você? Você está pronto para a oposição que terá de enfrentar?” O homem não
se deixou persuadir e implorou ao cristão para mostrar-lhe como se arrepender e aceitar
Cristo como seu salvador. Sua face estava irradiante enquanto ele orava. Depois pediu uma
Bíblia. Ele saiu dali e se dirigiu a uma área onde os proprietários das lojas eram
predominantemente de origem árabe, gritando para todo mundo ouvir: “Eu nasci de novo!
Agora sou um cristão!” O encarregado saiu atrás dele e implorou para que ele não
procedesse de maneira tão leviana. O homem respondeu: “Eu não tenho tempo para manter
minha boca fechada. Os muçulmanos vão me dar três dias para que eu me retrate e, então
vão me matar”. Logo a seguir, o líder da mesquita aproximou-se dele com ameaças contra
sua vida e contra aquela loja do shopping center, caso ele não voltasse para o islamismo.
Entretanto, ele conseguiu fugir e escapar das ameaças, e passou a participar das reuniões do
Grupo Árabe, da qual fazia parte o cristão que o havia levado a Cristo. Depois, ele mudou
de área, mas ainda escreve ao cristão contando que continua crescendo na fé.
Um amigo meu foi criado como muçulmano em um país do Oriente Médio. Este jovem
tinha ouvido falar a respeito da Bíblia, mas nunca vira uma. Entretanto, descobriu que uma
pessoa em sua cidade, que era proprietária de uma loja, possuía uma cópia e ele pediu a ela
que emprestasse a tal cópia. No curso de vários anos, com grande curiosidade ele a leu, leu,
leu. Disse-me que havia lido a Bíblia toda 14 vezes e mais 14 vezes o Novo Testamento.
Finalmente, confessou que o Senhor Jesus é Deus, o Filho, e que Ele havia morrido para ser
seu Senhor e Salvador. Isto deu a ele uma grande paz interior e a certeza da salvação que
ele sempre havia procurado. Contudo, isso também trouxe grandes problemas para ele. Sua
família jogava sortes para ver quem o mataria pela imperdoável apostasia e negação do
islamismo. Ele ainda traz no pescoço uma grande cicatriz feita por um de seus tios tentando
matá-lo. Meu amigo e sua esposa estão agora desenvolvendo um eficaz ministério de
evangelização de muçulmanos no Oriente Médio. Os muçulmanos chegam de fato à fé em
Cristo. Mas sempre leva muito tempo. Seu estudo das Escrituras é vital para que a luz
espiritual entre em seus corações e mentes. Testemunhos de conversão muçulmana sempre
mostram longas lutas com a verdade da Bíblia. Algumas vezes, suas peregrinações
começam com um sonho ou uma visão, mas sempre terminam diante da verdade que as
Escrituras trazem acerca de Jesus Cristo.
CAPÍTULO II

O DESAFIO

A imigração de muçulmanos de suas terras para países ocidentais é singular nos anos
recentes. Ninguém poderia prever as mudanças que tal imigração poderia trazer para nosso
próprio país. Grupos de pessoas que antes estavam escondidas agora são nossos vizinhos,
estudam em nossas escolas e universidades, trabalham a nosso lado e seus filhos brincam
com nossos filhos. Sua presença nem sempre é bem-vinda e pode causar constrangimento e
ressentimento da parte de muitos cidadãos nativos. Especialmente quando os muçulmanos
procuram cargos políticos e de influência a fim de promover o islamismo. Eles também
trazem consigo as hostilidades tradicionais do Oriente Médio.
Como deveriam reagir os cristãos diante dessas mudanças? Minha própria experiência para
encarar essa situação foi precipitada por meu envolvimento num grupo de trabalho
voluntário que saía às ruas e parques todas as tardes e noites de domingo. Nós
compartilhávamos o Evangelho, orando ao ar livre, onde as multidões se ajuntassem. Ao
término das reuniões, nós sempre tentávamos falar pessoalmente com aqueles que haviam
parado para ouvir, dando-lhes trechos das Escrituras para que levassem para suas casas.
Eu num esquecerei um desses encontros. Ele teve um grande impacto sobre minha vida. O
homem havia permanecido ouvindo durante toda a reunião. Quando ele estava indo
embora, eu o parei, de modo amigável, e lhe ofereci alguns trechos bíblicos. Ele leu o título
rapidamente, colocou-os de volta em minhas mãos e disse: “Não obrigado, sou
muçulmano”. Fiquei completamente perplexo. A clareza de suas palavras e atitude me
deixaram completamente derrotado. Eu não tinha nem uma pista de como responder.
Enquanto eu o olhava se afastar, senti-me totalmente desamparado. A partir deste incidente,
comecei uma peregrinação de aprendizagem. O objetivo deste livro é compartilhar algumas
lições aprendidas ao longo do caminho a respeito de como compartilhar o Evangelho com
os muçulmanos.
Deus está dando aos cristãos outra chance de evangelizar os muçulmanos através do envio
de imigrantes e estudantes a nossos países de origem. Tomemos posse desta renovada
oportunidade de compartilhar o Evangelho com eles. Lembro-me de um jovem do
Afeganistão que foi enviado por seu governo para meu país a fim de aprender inglês. Nosso
pessoal de evangelismo havia feito contato com ele em uma de nossas reuniões ao ar livre.
Nós o convidamos a ir à nossa casa para jantar e tivemos uma reunião agradável. À medida
que a noite ia avançando começamos a compartilhar com ele as maravilhas de Nosso
Senhor Jesus Cristo e o que Ele havia feito por nós. Era a primeira vez que aquele jovem
tinha a oportunidade de ouvir tal testemunho e ele se foi deixando envolver enquanto ia
ouvindo. Seus olhos encheram-se de lágrimas e sua face refletia seus pensamentos. Isso
pode ser de verdade? Existe mesmo um Salvador tão cheio de graça? De boa vontade, ele
aceitou uma Bíblia. Disse-nos: “Quero aprender mais sobre isso e então contar a meu povo,
quando eu voltar ao Afeganistão”.
O significado de tal testemunho não é comumente percebido na hora. A maioria dos
estudantes que estuda nos Estados Unidos retorna a suas pátrias em posições de influência.
Por exemplo, outro jovem que desfrutou da hospitalidade de minha casa ouviu o
Evangelho, levou consigo uma Bíblia e hoje é rei num país independente no subcontinente
indiano.

Grande Privilégio Acarreta Grande Responsabilidade

Por que tantas pessoas devem ouvir o Evangelho repetidas vezes, enquanto há outras que
jamais o ouviram? Em geral, não é nossa própria decisão viver em um país onde o
Evangelho é pregado livremente e há Bíblias facilmente disponíveis. Mas não esqueçam:
grande privilégio acarreta grande responsabilidade. Você já parou para pensar em que
estado você se encontraria se sua posição fosse trocada pela de um muçulmano(a)?
Suponha que você tenha nascido em alguma vila isolada na Turquia, no Irã ou na Arábia
Saudita. Quanto você esperaria para conhecer a respeito de Nosso Senhor Jesus Cristo?
Provavelmente, saberia muito pouco ou nada a Seu respeito. E por quê? Porque, em países
como o nosso, há muitos cristãos levando uma boa vida, importando-se com o progresso,
com o ganho financeiro e uma aposentadoria confortável. Pessoas que vivem como se este
mundo material fosse o mundo verdadeiro, não guardando tesouros no céu. Que nós
possamos nos arrepender e obedecer ao comando do Senhor Jesus para levar o Evangelho a
toda criatura, incluindo o mais de um bilhão de muçulmanos.
CAPÍTULO III

O TEMA DO LIVRO

O propósito deste livro é ser um meio eficaz para que pessoas leigas possam compartilhar o
Evangelho, tomando o sentimento das necessidades espirituais do muçulmano como seu
principal ponto de partida. Isto porque sentir essas necessidades espirituais pode se tornar
um meio para explicar a Pessoa e o trabalho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Deixe-me explicar o que quero dizer com a expressão “sentimento das necessidades
espirituais”. Eu descobri que este conceito é um tema fundamental no compartilhar. É um
ponto em comum para todas as pessoas, em todos os lugares do mundo. A Bíblia diz: “Ele
(Deus) pôs a eternidade no coração do homem” (Ec. 3.11). Este componente eterno da
natureza humana manifesta-se como uma necessidade interior, que se expressa em
diferentes maneiras entre várias culturas.
No mundo ocidental, o sentimento da necessidade espiritual pode ser expresso das
seguintes formas:
- o sentimento de insatisfação e de um vazio interior;
- a busca de uma identidade e propósito para a vida: quem sou eu? de onde vim? por que
estou aqui? para onde vou?
- existe um Deus? Ele pode ser conhecido?

Infelizmente, a prosperidade material do Ocidente, o amor ao prazer e a avançada


tecnologia parecem ter matado o desejo de encontrar respostas para essas necessidades
espirituais. No mundo muçulmano, há uma consciência universal da questão espiritual. A
existência e o poder de Deus são aceitos por todos. Entretanto, há uma preocupação de que
o islamismo não oferece respostas adequadas às suas necessidades espirituais. Aqui temos
alguns exemplos de como seu sentimento de necessidades espirituais é expresso:
- a procura do perdão de Deus e de remissão;
- a esperança e a certeza de ir para o céu;
- o medo da morte e do julgamento de Deus;
- a apreensão quanto ao poder de Satanás sobre eles e sua propensão para o mal;
- a ligação com maus espíritos e práticas ocultistas;
- a ausência de qualquer senso do amor e do cuidado de Deus e de que ele responde à nossa
oração.

O interesse deles aumenta quando nós conseguimos mostrar humildemente que Nosso
Senhor Jesus, através de Sua morte e ressurreição, responde a todas as suas necessidades.
Essa abordagem, para os muçulmanos é “como coçar onde coça” e evita discussões
controvertidas acerca do islamismo. Para ser eficaz com esta maneira de testemunhar, não é
necessário que a pessoa seja um especialista em islamismo. Eu aprendi a compartilhar com
os muçulmanos saindo e falando a eles e gradualmente fui ganhando mais entendimento.
Você também pode aprender da mesma forma, mesmo que não se sinta qualificado para tal.
Sou um engenheiro químico e passei minha vida trabalhando em vários negócios. Meu
entendimento das Escrituras veio através da leitura da Bíblia, do início ao fim, pelo menos
uma vez por ano, ao longo de todos esses anos de vida cristã. Sou um membro ativo em
minha Igreja, mas procuro ter mais alcance.

Deixe-me resumir o plano sugerido para alcançar muçulmanos. O esquema é bastante


amplo, mas encontra-se explicado em detalhes ao longo do livro:
1. estabelecer confiança mútua, a nível pessoal, através da amizade;
2. compartilhar as boas novas do Evangelho de Jesus Cristo;
3. contar como você se converteu a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador e como agora
você pode ter certeza da salvação;
4. deixar uma Bíblia, ou parte dela, com seu amigo muçulmano.
CAPÍTULO IV

CONFIANÇA EM TESTEMUNHAR

A proposta de compartilhar o Evangelho com os muçulmanos o desencoraja? Ela faz com


que você sinta temos e tremor? (I Co. 2.3). Você sente uma desesperada falta de intrepidez?
(Ef. 6.19). Você se sente fraco para enfrentar tal tarefa? (II Co. 12.9.10). Se estes são seus
sentimento, tenha certeza de que você não está sozinho. Estas passagens revelam que até o
apóstolo Paulo sentiu-se dessa maneira. Na verdade, é uma experiência comum a todos
aqueles que têm a coragem de engajar-se na batalha espiritual pelas almas perdidas.
Consideremos a base para a confiança em compartilhar o Evangelho com os muçulmanos.
É a forte e imutável Palavra de Deus. As Escrituras são vivas, poderosas e dinâmicas (Hb.
4.12). Elas são a verdade (Jo. 17.17). De uma maneira misteriosa, há uma identificação
entre o mundo vivo - Nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 1.1-3) - e o mundo escrito - a Bíblia (I
Pe. 1.23). Esta poderosa Palavra é energizada pelo Espírito Santo de Deus (I Jo 5.6). O
Evangelho é inerente, onipotente força de Deus operante na salvação (Rm. 1.16). Ela traz
sua própria evidência. E a prova disso é o que ela faz para as almas perdidas que a aceitam.
Nós confirmamos esta prova quando compartilhamos o que Nosso Senhor Jesus Cristo tem
feito por nós.
Ter completa confiança na Bíblia. Nossa responsabilidade é declarar sua mensagem. Isto é
o que fizeram os profetas do Antigo Testamento. A declaração deles foi: “Assim diz o
Senhor,” e nós devemos fazer o mesmo (II Pe. 1.20-21). Nunca se sinta obrigado a defender
as Escrituras. Se um leão estivesse sendo atacado, alguém seria suficientemente tolo para
pegar um pau a fim de defendê-lo? Deixe-o por si mesmo e ele se defenderá. E assim é com
a poderosa Palavra de Deus.
É importante que nós nunca percamos de vista a singularidade do Evangelho. Todas as
outras religiões, inclusive o islamismo, possuem o mesmo tema: o homem buscando a
Deus. Mas, no Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, o tema é DEUS BUSCANDO O
HOMEM.
PARTE II
COMPARTILHANDO COM CONTATOS OCASIONAIS
CAPÍTULO V
TESTEMUNHANDO AOS CONTATOS OCASIONAIS

Certa noite de domingo, um jovem estava na calçada ouvindo nossa pregação. Uma pessoa
de nossa equipe cumprimentou-o e deu-lhe um folheto quando ele estava saindo. Esta foi a
última vez que nós vimos aquele jovem. Vinte anos depois, um membro de nossa equipe
notou um estranho na Igreja e foi dar-lhe as boas-vindas. O homem contou esta história;
“Quando eu era jovem, foi-me dado um folheto numa pregação ao ar livre, domingo à
noite. Eu apensa o joguei em uma gaveta, sem lê-lo. Apenas este ano eu o encontrei e então
o li e abri minha vida ao senhorio de Jesus Cristo.” O membro de nossa equipe verificou
com ele o lugar da pregação de vinte anos atrás. Ele era a pessoa que lhe havia entregado o
folheto vinte anos atrás, num contato ocasional. Que encorajamento para que nós, com fé e
oração, lancemos a semente! “Semeia pela manhã tua semente e à tarde não repouses a sua
mão, porque não sabes qual prosperará; se esta ou aquela, ou se ambas igualmente serão
boas.” (Ec. 11.6) Na explicação que Jesus faz da parábola do semeador, Ele diz: “A
semente é a Palavra de Deus.” E a semente só se transforma em fruto se for semeada.
Então, todo cristão deve ser um semeador.

Plantando a Palavra entre os Muçulmanos

A maneira mais fácil de fazer isto é dar-lhes uma parte das Escrituras. Isto não requer uma
parafernália e pode ser feito por qualquer pessoa que deseje. Seja amigável e inicie a
conversa com a pessoa que você encontrar casualmente. Estes contatos podem ser feitos
quando você estiver viajando de trem ou de ônibus, ou comprando alimentos em casas
típicas de outros países. Você pode ser vizinho de uma família muçulmana ou ter contato
com eles no trabalho ou na escola. Pergunte a eles sobre seu país de origem, seus filhos e
como eles estão se adaptando no novo país. Compartilhe com eles sua preocupação com a
queda dos padrões morais e a falta de vida espiritual em seu país. Deixe-o saber que você
reverencia Deus e diariamente gasta tempo com Ele, em oração. Faça isto sem vangloria,
apenas deixando que eles saibam que você se identifica com as áreas da vida que lhes
interessa.
Se houver uma resposta amigável, procure conduzir a conversa para o terreno espiritual. Eis
um exemplo que pode ajudá-lo. Solicito à pessoa permissão para fazer uma pergunta
dizendo: “Posso fazer uma pergunta? Vai ser a pergunta mais importante que você já
respondeu em toda sua vida.” Se a pessoa mostrar-se receptiva, pergunto: “Se você
morresse hoje, para onde você iria?” As respostas mais comuns são: “Eu espero que vá para
o céu” ou “Eu não sei. Ninguém pode ter certeza.” Mesmo que a resposta seja o céu, eu
gentilmente avanço mais um pouco, respondendo: “É uma boa resposta. Como você sabe
disso?” Esta pergunta normalmente traz respostas que refletem idéias confusas das pessoas,
o que mostra que sua fé não está baseada na Palavra de Deus. Se uma pessoa é
verdadeiramente salva, não hesitará em responder: “Eu sei que eu vou estar no Céu com o
Senhor.” Certamente, lidando com muçulmanos, a resposta será: “Somente Alá sabe.”
Qualquer que seja a resposta dada à pergunta inicial, sempre vai levar uma oportunidade
para compartilhar um pouco sobre Jesus Cristo. Confie no Senhor para guiá-lo em seu
testemunho e esteja preparado com a literatura apropriada, na língua dos principais grupos
étnicos. As missões cristãs européias possuem dois tipos de pastas plásticas para que você
possa carregar folhetos e literatura em seu bolso ou valise.
CAPÍTULO VI

ILUSTRAÇÃO DE COMPARTILHAMENTO COM CONTATOS OCASIONAIS

Deixe-me dar uma ilustração de como compartilhar com alguém que você encontra
casualmente. Minha esposa e eu estávamos em trânsito num aeroporto da Índia. Nós
aguardávamos o vôo para a Etiópia, pois iríamos visitar o hospital onde minha esposa havia
trabalhado como missionária. Também esperando estava um grande grupo de pessoas que
eram facilmente identificadas como muçulmanas por suas roupas. Preocupado em
compartilhar com eles, falei com um dos homens, em inglês, e ele rapidamente me levou ao
líder do grupo, um rapaz muito elegante. Após amigáveis cumprimentos e apresentações,
ele demonstrou seu desejo de falar sobre aspectos espirituais que são típicos dos
muçulmanos. Levei-o para uma área onde nós pudéssemos falar em particular. E houve a
seguinte conversa:
- Você é cristão? - ele perguntou.
- Sim, eu sou. - respondi. Você é muçulmano?
- Sim, eu sou.
- Posso lhe fazer uma pergunta? - arrisquei.
- Certamente.
- Você conhece Deus?
- Oh, sim. É claro que eu conheço Deus. - ele rapidamente me assegurou.
- Que bom. - eu disse - Sempre fico feliz quando encontro alguém que conhece Deus. Diga-
me, como você conhece Deus?
Vi embaraço e confusão em sua face enquanto ele lutava por uma resposta. Parecia ser a
primeira vez em que era confrontado com o fato de que na verdade não conhecia Deus
pessoalmente. Talvez, em seu coração, havia a solene verdade iluminada de que ele só
conhecia o que o islamismo ensina a respeito de Deus, mas não tinha nenhum
relacionamento pessoal com o Deus vivo, nenhuma garantia de Seu amor e cuidado. Eu
gostaria de ter concluído o incidente acima dizendo que nós tivemos uma frutífera
discussão, mas isso não aconteceu. Senti que provavelmente era quanto o Senhor queria
daquele homem naquela hora. Porque, depois de minha pergunta sobre como ele conhecia
Deus, veio a chamada de nosso vôo para a Etiópia. Dei-lhe um aperto de mão e disse adeus.
Desde essa ocasião, o Espírito Santo tem dito continuamente a meu coração para orar por
aquele jovem. Eu oro para que o fato de ele ter percebido que Deus não pode ser conhecido
no islamismo faça com que busque a verdade e possa chegar ao conhecimento verdadeiro
de Deus em Jesus Cristo.
Você vai perceber neste incidente que a conversa foi conduzida de maneira amigável com
alguém totalmente estranho. Isso foi feito sem uma confrontação pessoal. O assunto foi o
sentimento de sua necessidade espiritual de conhecer Deus pessoalmente. Não houve
menção ao islamismo e eu conduzi a conversa na discussão. Eu realmente lamento por não
ter podido lhe dar nenhuma folheto naquele momento devido às circunstâncias.
CAPÍTULO VII

EXEMPLO DO USO DA SENSIBILIDADE DE NECESSIDADE ESPIRITUAL

O seguinte episódio é um bom exemplo do uso da sensibilidade espiritual para mostrar


como o islamismo fracassa. Está escrito num excelente livro: O Desafio do Islamismo, de
C. R. Marsh, pp.31-33. Ele e sua esposa foram missionários na Argélia por vários anos,
durante os quais ele visitava as aldeias falando aos homens de Jesus Cristo.
“A próxima aldeia ficava três milhas à frente e então eu vi um pequeno grupo em torno do
cego Hamid. Ele estava expondo-lhes a doutrina do Corão, enfatizando suas palavras com o
bastão que tinha diante de si. Afligido pela cegueira desde o nascimento e não podendo
trabalhar, havia passado muitos anos na escola “corânica,” ouvindo outras pessoas
repetirem as palavras de seu livro sagrado, até que ele próprio aprendeu a recitá-los de cor.
Ele conhecia todos os argumentos favoritos dos chefes locais e as doutrinas básicas do
islamismo. Sentei-me junto aos homens. O cego parou e por alguns instantes ouviu
atentamente a mensagem do Evangelho. Então, abriu fogo com inúmeras perguntas. Ele
não esperou que eu respondesse nenhuma delas. Ele não queria uma resposta. Seu objetivo
era mostrar como ele, um homem cego, conhecia sua religião. A qualquer preço, ele tinha
de fazer com que aqueles homens parassem de ouvir a mensagem de vida que eu lhes havia
trazido. Fiz o melhor que pude para responder as perguntas dele, para mostrar simpatia e
amor, mas ele se tornou mais e mais excitado e a reunião foi se transformando numa
discussão inútil. Então, decidi que tentaria usar um método que muitas vezes funcionava.
- Conte-nos o que Maomé realmente fez por você, meu amigo. Eu lhe darei dez minutos
para você nos contar e durante este tempo eu permanecerei em silêncio. Depois, você vai
ouvir por dez minutos eu contar o que Jesus Cristo fez por mim. - a proposta estava feita.
- Você começa, Hamid.
Ele começou:
- Maomé disse-nos para dar testemunho de seu nome, orar cinco vezes por dia, fazer jejum,
praticar a caridade e ler o Corão. É isso que ele fez por nós, muçulmanos.
- Continue e diga o que fez por você. - eu disse. Um minuto se passou, mas Hamid não
precisou de mais tempo. Maomé havia lhe dito para fazer muitas coisas. E ele as sabia de
cor, mas... então, de maneira muito simples, com o coração cheio de amor por meu
Salvador e por aqueles homens, eu lhes contei o que Ele havia feito por mim. O Senhor
Jesus me salvou. Ele transformou minha vida. Ele é meu amigo e companheiro constante.
Ele deu sentido e alegria à minha vida. Ele me deu forças para seguir os mandamentos de
Deus e a certeza de Seu perdão quando eu falhar. Ele me disse para amar meus inimigos.
Ele brevemente voltará à terra, não para reinar por 40 anos, mas para sempre. Ele está
voltando para me levar com Ele. O pobre cego Hamid não pode mais se conter. Ele me
amaldiçoou e cuspiu em mim. Era inútil continuar e então fui embora.
Caminhando pelas ruas da aldeia, eu ainda podia ver a face transtornada, os gestos com o
bastão e a maneira veemente com a qual Hamid havia me amaldiçoado e cuspido em mim.
Oh, os infinitos caminhos daqueles olhos sem luz e como aquele muçulmano ignorante
tentava ensinar seus companheiros muçulmanos. Um líder cego para cegos. Eu fui em
direção à aldeia vizinha, refletindo sobre o aparente paradoxo de que a amarga oposição de
uma aldeia é freqüentemente compensada pela profunda fome espiritual da próxima. E
podemos perceber como isso também é verdade em Atos dos Apóstolos.”
Esta maneira de compartilhar é outra forma de mostrar aos muçulmanos que a religião deles
não tem nenhuma reposta para as necessidades espirituais que eles sentem. Eles certamente
sabem o que devem fazer, mas não têm meios para obedecer e nem respostas que
satisfaçam suas necessidades. Um poeta expressou-o da seguinte forma:
“Faça isso e viva, a Lei manda,
Mas não me dá pés ou mãos.
Uma palavra melhor o Evangelho traz:
Ele me faz voar e me dá asas.”
Nós também aprendemos deste incidente que, se um muçulmanos fica enraivecido e
argumentativo, é inútil tentar prosseguir. É melhor, nos primeiros estágios de sua amizade,
assegurar ao muçulmano de que a amizade dele é mais importante do que vencer uma
discussão. Isso não quer dizer que você está aceitando a derrota. Se você puder separar
numa base amigável, isso vai abrir caminho para um futuro testemunho para ele, seu ou de
outros cristãos.
Compartilhando sua fé, você adquire a habilidade de expor de maneira simples e clara o
que é o Evangelho; quem é Nosso Senhor Jesus Cristo; o que Ele fez na redenção; e qual
deve ser sua resposta. Pratique compartilhar seu próprio testemunho, o que a salvação
significa para você. Quando você se utilizar de uma passagem do Evangelho, use o termo:
“O Evangelho de João.” A última forma leva os muçulmanos a pensarem que há quatro
tipos de evangelhos, e não que é o mesmo Evangelho visto pelos olhos de quatro diferentes
testemunhas. Seja cuidadoso e evite utilizar a expressão “Filho de Deus,” quando falando
com muçulmanos. Entender o significado desta expressão é muito difícil para eles, pois,
devido às enormes diferenças de pensamento, a conversa raramente prossegue.
Apenas a realidade vai revelar os resultados deste tipo pessoal de compartilhar e
testemunhar. Nesse ínterim, nós temos o inacreditável privilégio de ser colaboradores de
deus para todo o mundo, ligando os elos da corrente que traz almas para Cristo. Em contato
com os muçulmanos, tomemos cuidado para não ser o último elo da corrente. Lembre-se do
princípio bíblico de I Coríntios 3.6: “Eu (Paulo) plantei a semente, Apolo regou, mas Deus
deu o crescimento.”
CAPÍTULO VIII

INFORMAÇÕES BÁSICAS PARA ENTENDER OS MUÇULMANOS

Antes de escrever a respeito de como compartilhar num nível mais profundo, eu gostaria de
esclarecer o significado de algumas palavras que estão sendo usadas:
Islamismo - é o nome da religião iniciada por Maomé, sendo uma palavra árabe que
significa “submissão.” É a religião do culto a Alá, diante do qual os muçulmanos buscam
aceitação de Deus através do cumprimento de normas religiosas e rituais, além de boas
obras.
Muçulmano - é aquele que segue a religião islâmica e que diria acerca de si próprio que se
submete como um servo ou um escravo ao desejo de Alá, Deus. Esta é a base da reação
fatalista que ele tem diante da vida. Tudo o que acontecer, bom ou mau, é o desejo de Deus
e tem de ser aceito. Esta crença também retira do homem a responsabilidade por suas ações.
Alá - é o nome que os muçulmanos utilizam para Deus. “Allah Akbar” (Deus é grande ou
grandioso). Seu entendimento da natureza de Deus é limitado. Eles têm conhecimento de
Sua papel como Criador, Juiz, e de Sua força transcendental, mas Ele é separado da
humanidade. Os muçulmanos não têm o conceito do amor de Deus. Eles também atribuem
outras características que são verdadeiras antíteses do Deus Vivo. É proibido pensar em Alá
como sendo o mesmo Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo revelado na Bíblia.
Maomé - é o fundador do islamismo. Ele é chamado de o último grande profeta, mas não é
cultuado.
Corão - é o livro sagrado que os muçulmanos dizem ser a revelação de Deus dada por
Maomé. Afirmam que é a última revelação de Deus e que seu ensinamento é superior à
Bíblia e a ultrapassa, uma vez que foi dado após a Bíblia.
Pilares do Islamismo - são as cinco práticas religiosas que todos os muçulmanos devem se
engajar com fé:
1. Confissão do credo: “Eu testifico que não há outro Deus senão Alá e Maomé é o
profeta de Alá” (um não-muçulmano pode tornar-se um muçulmano recitando o
credo).
2. Recitar cinco orações ritualísticas, várias vezes por dia. É meritório orar na
mesquita às sextas-feiras, seu dia santo.
3. Caridade, através da ajuda aos pobres.
4. Jejum durante o dia no mês de Ramadan. Nem beber água é permitido, o que é um
verdadeiro teste em climas quentes.
5. Fazer uma peregrinação à Meca e participar das cerimônias pelo menos uma vez na
vida, se humanamente possível.
Consciência Espiritual - os muçulmanos são muito conscientes dos aspectos espirituais da
vida. Sonhos e visões são experiências comuns a muitos deles. Esse é um aspecto que tem
grande poder sobre eles. Por exemplo, um homem com uma roupa brilhante e branca diz a
eles em sonho que o Senhor Jesus é verdadeiro. Vamos orar para que Deus Se revele aos
muçulmanos desta maneira especial e que isso possa levá-los a Cristo.
O islamismo invade toda a vida - é importante entender que o islamismo não é meramente
uma religião, pelo menos como o mundo ocidental considera a religião. É um modo de vida
completo, que abrange todos os aspectos da vida, seja o moral, o espiritual, o social, o
econômico ou o político. Ele dita a fé e o comportamento de seus seguidores para cada
momento de suas vidas, 24 horas por dia, do nascimento à morte. Um muçulmanos não é
simplesmente um indivíduo, mas um membro de uma sociedade fechada e unida, e, ao lado
disso, há uma família ainda mais unida e fechada.
Um muçulmano é um muçulmano porque ele nasceu num lar muçulmano. Ele tem sua
identidade muçulmana de acordo com sua sociedade, sua cultura e seu sistema político.
Islamismo significa que ele se submeteu ao desejo de Alá, mas em termos práticos também
significa que se submete a todo o sistema islâmico. Isso inclui a lei islâmica, os costumes
culturais, as normas sociais e o desejo da família, assim como suas crenças e práticas
religiosas. Daí que cada muçulmano vivendo sob leis muçulmanas deve negar-se absoluta e
inquestionavelmente às forças que existem. A lei islâmica é rigorosa e não oferece opções
para escolhas pessoais. (Este parágrafo foi extraído do livro Uma Visão do Mundo
Muçulmano de George Houssney. Reachout, vol. 4, no 3, 1990).
A informação acima deve nos ajudar a entender por que um muçulmano tem tantos
conflitos pessoais quando responde ao chamado de Jesus Cristo. Ele fica dividido entre
várias lealdades: à família, à sociedade, ao Estado. Esse sistema fechado explica por que é
tão difícil para os muçulmanos vir a Cristo e para os convertidos declarar abertamente sua
fé.
PARTE III
COMPARTILHANDO NUM NÍVEL MAIS PROFUNDO
CAPÍTULO IX
AMOR: O CAMINHO PARA OS CORAÇÕES MUÇULMANOS

Um velho missionário que trabalhou durante 37 anos no Oriente Médio compartilho seu
plano para alcançar muçulmanos através da sigla A.I.O., que quer dizer Amar, Informar e
Orar:
Amá-los como Cristo nos ama.
Informá-los a respeito do Nosso Senhor Jesus Cristo
Orar do início ao fim do seu contato.
Amar - Começa exatamente quando você encontra um amigo muçulmano, no trabalho, na
escola, na faculdade, morando na mesma rua ou em qualquer outro lugar. Sua aproximação
deve ser de maneira genuína, sem julgar-se mais importante. Apenas use o bom senso.
Pergunte sobre sua família, seu país de origem, ocupação etc., lançando um fundamento
para o estabelecimento de uma amizade genuína. Pergunte se há alguma ajuda prática que
você possa oferecer-lhe. Mostre-lhe q região, se ele for recém-chegado. Use qualquer
abordagem que apreciaria se você fosse um imigrante procurando apoio e aceitação.
Estudantes secundaristas e universitários têm oportunidades especiais. Nesta fase, a pessoa
é especialmente susceptível à pressão dos colegas. Todos querem ser queridos e aceitos. A
segunda geração de muçulmanos freqüentemente está numa situação muito difícil. Eles se
encontram divididos entre duas culturas. Seus pais provavelmente vão querer que eles usem
roupas diferentes. Isso vai fazer com que automaticamente fiquem diferentes, querendo ou
não. Jovens cristãos vão em direção a eles para ser seus amigos e aceitá-los como pessoa.
Tente trazê-los para seu grupo e incluí-los nas atividades. Seja um verdadeiro amigo para
eles.
Lembre-se de que, neste estágio, a amizade aberta com seu contato muçulmano é o
principal. A hospitalidade nos lares é uma importante expressão de sua amizade e
aceitação. Eis algumas indicações para fazer isso. Num primeiro momento, sucos leves
devem ser oferecidos. Chá, café, refrigerante e salgadinhos. Na cultura deles, pode ser
deselegante aceitar tal oferta rapidamente, mas se você insistir gentilmente eles vão
perceber que a oferta é genuína. Se a visita ocorrer no mês do jejum, não ofereça nada e
também não coma ou beba nada.
A medida que a amizade se desenvolve, talvez seja possível convidar seu amigo e a família
dele para um jantar. É sábio perguntar que tipo de comida eles gostam. Não ofereça bebidas
alcoólicas ou qualquer tipo de carne de porco e não os convide durante o mês do jejum
muçulmano (Ramadan). O livro “Seu convidado muçulmano,” lista mais detalhes básicos a
respeito de sua cultura.
Aceitando retornar a visita à casa deles, é apropriado levar um pequeno presente, tal como
doces etc. Lembre-se que toda prática é genuína, mostrando-se a eles como pessoas com
amor incondicional. Isto é um requisito essencial para a oportunidade de posteriormente
compartilhar num nível mais significativo.
O verdadeiro amor cristão é uma chave maravilhosa para abrir mais resistentes portas.
“Deus derramou seu amor em nossos corações pelo Espírito Santo” (Rm. 5.5) e esse amor é
um poderoso testemunho para os muçulmanos. O casal cristão que dirige o Centro Árabe
“Drop-in” tem classes regulares para ensinar inglês, artesanato etc. Um dia, eles
perguntaram aos estudantes “Por que vocês vê ter aulas aqui enquanto na mesquita vocês
têm classes similares?” A resposta foi a mesma para todos: “É verdade que eles ensinam a
mesma coisa, mas aqui nós somos amados!”

Evitando outros motivos

Deixe-me colocar uma nota de preocupação acerca de amizades próximas. É de suma


importância evitar qualquer tipo de desentendimento de sua motivação nessas aberturas
amigáveis.
Apenas homens devem ser amigos de homens e apenas mulheres de mulheres. Dessa
forma, não há nenhuma associação mais próxima em relação ao sexo. É claro que casais
podem compartilhar com o marido e a esposa juntos.
Por outro lado, os motivos dos muçulmanos que mostram interesse pelo Evangelho devem
ser considerados. A Bíblia convida-nos a ser “sábios como a serpente e mansos como as
pombas;” e isso deve ser levado em consideração quando tratamos com muçulmanos.
Alguns vão tentar usar os cristãos para ganho próprio. Por exemplo, uma jovem entusiasta
universitária pode brigar com seu namorado e testemunhar a solidão de seus amigos
muçulmanos no campus; a garota poderia facilmente se deixar levar por algum
envolvimento emocional e deixar de perceber que o principal motivo disso pode não ser
espiritual.
Sabemos de exemplos nos quais homens muçulmanos permanecem ilegalmente na
Austrália. Eles se envolvem com mulheres solteiras, com o único propósito de obter a
cidadania. Depois, assim que atingem essa condição, eles se divorciam ou abandonam suas
mulheres. Alguns que eram casados em seu país de origem, então, trazem os filhos e a
esposa. Tais casos não acontecem apenas nesse país.
Isso pode parecer um aviso de um fanático, mas não é. É um aviso de um coração que dói
ao ver o grande número de mulheres cujas vidas foram devastadas pela cegueira de seguir
suas emoções, em vez de dar ouvidos à razão.
Apenas Deus, o Espírito Santo, conhece o coração de uma pessoa e nós precisamos ser
sensíveis à Sua direção quando lidamos com muçulmanos. Se houver qualquer dúvida a
respeito da motivação de alguém, devemos procurar o conselho de um cristão que tenha a
mesma nacionalidade da pessoa. Ele vai estar numa posição melhor para julgar se o
interesse do muçulmano é genuíno ou se pode haver outros motivos. Se motivos errôneos
são revelados, seu testemunho deve continuar cuidadosamente, tendo sempre em mente o
princípio de evitar associações muito próximas entre sexos diferentes.
CAPÍTULO X

INFORMAR OS MUÇULMANOS DO GLORIOSO EVANGELHO

Informar - Esta é a segunda letra da sigla A.I.O. É dentro desta área do compartilhar o
Evangelho que os cristãos aprendem a desenvolver suas habilidades. Esteja consciente de
que os muçulmanos não têm nenhuma resposta para as necessidades espirituais que os
corações humanos sentem, por exemplo, a paz com Deus, o perdão dos pecados, o
livramento pessoal com Deus, gozar de Seu amor e viver louvando-O. Apenas pense em
todas as bênçãos que nós temos em Cristo perceba que eles não conhecem nenhuma delas.
O entendimento inadequado que eles têm acerca do caráter de Deus significa que nunca
terão certeza de estar com Ele. Eles pensam em Deus como uma força transcendente, que é
arbitrária e caprichosa no que diz respeito ao destino dos homens. Quando perguntados se
vão para o céu, a resposta é “Insha’ Allah” (se Deus quiser). Eles acreditam que Deus
avalia suas ações boas e más, coloca-as numa balança e seus destinos dependem do lado
para o qual a balança pender. Eles também têm um medo profundo do julgamento de Deus.
Daí ser uma constante sua oração: “Eu busco o perdão de Deus.” Falar dessas profundas
necessidades espirituais vai trazer uma resposta interessante de parte dos muçulmanos.
Enfatize para eles que é Deus que está buscando-os; que Ele está fazendo isso para perdoar
um pecador perdido, e não para julgá-lo. Deus busca o perdido porque o ama. Tenha
sempre em mente a absoluta inadequação do islamismo sempre que você estiver
compartilhando num nível mais pessoal.
Tente compartilhar com um muçulmano individualmente. Em geral, ele não mostram
interesse pelo cristianismo diante de outros muçulmanos. Eles sentem receio dos outros e se
sentirão obrigados a defender o islamismo se algum companheiro estiver presente. Conheço
dois irmãos que independentemente aceitaram o Senhor Jesus. Cada um tinha medo de
contar ao outro que ele havia se tornado um cristão. Imagine a surpresa deles quando se
encontraram na mesma reunião de estudo bíblico. Que alegria foi para eles saber que
também eram irmãos em Cristo.
Os muçulmanos vão falar livremente de sua religião e você deve encorajá-los, ouvindo
calma e atentamente. Eles estão muito mais conscientes do mundo espiritual que os
ocidentais comuns e, normalmente, estão prontos para discutir tais assuntos. Para expor
suas necessidades espirituais, você deve fazer perguntas sistematicamente. Por exemplo:
- Você conhece a paz com Deus?
- Você tem o perdão de seus pecados?
- Deus responde suas orações?
- Você tem certeza de que vai para o céu?
- Você sabe se sua ida é agradável diante de Deus?
- Você sabe como vencer Satanás e o mal em sua vida?
- Você tem forças para seguir os mandamentos de Deus?
Não estou sugerindo que você utilize todas essas questões, como se estivesse atirando nele
durante toda a conversa. Não, não. Ore durante seu compartilhamento, peça para que o
Espírito Santo mostre para você quando é apropriado usar essas questões nos vários
estágios da discussão. Apenas Deus conhece o coração da pessoa com a qual você está
falando. Entretanto, muitos muçulmanos vão responder negativamente a essas questões
porque eles acreditam que ninguém pode ter certeza de nada, desde que Alá,
caprichosamente, lida com o destino da humanidade.
O objetivo desse tipo educado de pergunta é iniciar um caminho com o muçulmano,
caminho esse no qual ele vai perceber que não tem as repostas que seu coração deseja.
Então, mostre-lhe como, em Cristo, todas as nossas necessidades são supridas.
As formas de culto usadas numa mesquita e aquelas usadas numa igreja evangélica são
extremamente diferentes. Assim, não esteja muito ansioso por convidar um muçulmano
para conhecer sua igreja. A medida que a confiança mútua de vocês crescer, talvez seu
amigo peça para ir com você. Então, gaste um temo explicando-lhe o que ele deve esperar e
acompanhe-o cuidadosamente durante o culto. Alerte alguns irmãos sensíveis da igreja de
que ele irá. Encoraje-os a ser amigáveis e a aceitá-lo como pessoa comum.
Proteja seu amigo daqueles testemunhos muito zelosos. Certa vez, nós levamos um casal de
turcos para o culto de domingo pela manhã, sem lhes antecipar o que poderia acontecer. A
maioria das pessoas para as quais eu os apresentei foi polida e educada. Entretanto, um
irmão bem conhecido começou a agredir o casal, indo contra o islamismo, embora ele não
soubesse nada sobre o assunto. Eu fiquei horrorizado e tentei separá-lo de meus amigos
turcos. Depois disso, tive de fazer um rigoroso controle para evitar que meus amigos
evitassem o cristianismo completamente.
CAPÍTULO XI

ORAÇÃO: A BASE DO MINISTÉRIO

Vamos agora considerar a última letra da sigla A.I.O.; “Orar,” e que é o aspecto mais vital
para alcançar um muçulmano. Se quiser ser eficaz, todo ministério deve estar baseado e
mergulhado na oração, ainda mais um ministério entre muçulmanos. Nós estamos
engajados numa batalha espiritual viciosa, “contra os principados e potestades, contra os
dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal nas regiões
celestes” (Ef. 6.12). A Bíblia está repleta de passagens que nos incitam a orar: “orai sem
cessar,” “os homens devem sempre orar.” Jesus mesmo gastou muito tempo em oração.
Pode ser útil para você utilizar uma concordância e verificar todas as passagens pertinentes
à oração. Mesmo à luz de tudo isso, eu ainda luto com a oração. Gostaria de compartilhar
alguns pensamentos que o Senhor Jesus usou para ajudar-me a este respeito.
As palavras de I João 1.14, 15 parecem associar o racional e a oração. “E esta é a confiança
que temos para com ele, que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele nos
ouve. E, se sabemos que Ele nos ouve quanto ao que Lhe pedimos, estamos certos de que
obtemos os pedidos que Lhe temos feito.” Assim,, parece-me que a chave para nossas
orações é perceber Sua vontade em relação ao assunto sobre o qual estamos orando.
A vontade de Deus é claramente revelada no primeiros capítulos de Efésios e Colossenses.
Essas passagens mostram que Sua vontade é absoluta proeminência do Senhor Jesus Cristo
no todo da criação sobre a terra e os céus. Ele é o resplendor da glória de Deus, a exata
representação de Seu ser, e é honrado e adorado por todos. Essa posição de glória suprema
está sendo repudiada hoje por Satanás e seus espíritos malignos. Entretanto, nós podemos
orar confiantemente ao Senhor pelos muçulmanos desta forma: “Anule Satanás, reprima-o
de sues malignos propósitos de negar a Nosso Senhor Jesus Cristo, Sua glória e
proeminência neste mundo. Tire a cegueira que Satanás colocou sobre as mentes dos
muçulmanos.”
A oração tem uma participação importante para que Deus alcance Seus propósitos para este
mundo, embora nós não possamos compreender esse mistério. Deixe-me compartilhar com
vocês três passagens que o Senhor usou para desafiar-me e encorajar neste aspecto da
oração.
Em Êxodo 17, lemos a primeira batalha na qual os israelitas estavam envolvidos após sua
saída do Egito. Na batalha contra os amelequitas, Josué leva o exército lutando no vale para
a vitória. No topo do monte acima do vale, Moisés levantava a vara de Deus, com Aarão e
Hur sustentando-lhe as mãos durante toda a batalha. Após a batalha, a celebração da vitória
deveria exaltar Josué, o general e o líder do exército. Entretanto, quando Deus registra a
história, o crédito pela vitória vai para Moisés, Aarão e Hur, os quais não estavam no
campo de batalha, mas segurando a vara de Deus acima do vale. Esta é uma imagem vívida
do papel da oração na batalha pelas almas dos homens. A vitória é conquistada através da
fé dos santos cujas mentes são iluminadas para saber a vontade de Deus e os quais
persistem na oração para a glória de Deus.
Outra passagem é a conversa entre Deus e Moisés em Êxodo 32. Moisés estava no monte
Sinai recebendo os mandamentos de Deus e Aarão foi persuadido pelo povo a fazer um
ídolo, o bezerro de ouro. “Eu tenho visto este povo,” disse o Senhor a Moisés, “e eis que é
povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me; para que se acenda contra eles o meu furor e
Eu os consuma; e de ti farei uma grande nação” (Ex. 32.9, 10). As palavras “agora, pois,
deixa-me” espantam-nos e encorajam. Parece que aqui nós temos o Deus vivo, o Criador de
todo o Universo, dizendo a um homem: “Agora, não comece a orar, Moisés, porque eu sei
como isso me afeta quando você o faz.” Aprendamos a prevalecer com Deus dessa maneira.
A terceira ilustração é baseada em Ezequiel 2.30, 31. “Busquei entre eles um homem que
tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a
destruísse; mas a ninguém achei. Por isso eu derramei sobre eles o meu furor,,,” Nós
sabemos que todos os incrédulos, inclusive os muçulmanos, estão condenados ao terrível
furor de Deus por causa de seu estado de pecado. Quando você e eu estamos diante de Deus
em oração pelos muçulmanos, nossa oração, de algum modo, faz com que Deus atrase seu
julgamento, continue em Sua misericórdia e amplie a oportunidade para que se arrependam.
Ele não quer que ninguém pereça (Ez. 3.11). Embora seja um grande mistério, o Senhor
busca pessoas que oram para ser co-trabalhadores com Ele.

Parceiros de oração

Para alcançar os muçulmanos, é essencial ter outros cristãos orando com e por você. Tente
encontrar pelo menos um parceiro de oração, que vai, diligentemente, orar todos os dias.
Eles precisam receber informações relevantes para que sejam capazes de orar efetivamente.
Os seguintes princípios devem ser observados na distribuição de informações sobre
ministérios muçulmanos.
- Toda informação deve ser claramente identificada como “confidencial: apenas para
oração.” Ela jamais deve ser publicada em qualquer tipo de publicação que tenha circulação
indiscriminada.
- não dê nenhum detalhe onde algum interessado ou convertido possa ser identificado. É
melhor usar somente iniciais ou nomes fictícios. Não dê o nome do país nem identifique
trabalhadores cristãos onde eventos espirituais significantes estejam acontecendo.
O leviano alarde de “histórias de sucesso” não glorifica a Deus e usualmente causa
transtornos para convertidos, atrapalhando o avanço do Evangelho naquela área.
CAPÍTULO XII

AJUDA NA INTERCESSÃO

Para o ministério entre muçulmanos, você poderá achar úteis as seguintes sugestões de
orações baseadas na Bíblia.
A Palavra de Deus diz:
- Seu julgamento contra o pecado é certo, mas ele tem prazer na misericórdia, não querendo
que ninguém pereça (II Pe. 3.9);
- Ele exaltou o Senhor Jesus até o mais alto lugar para que o mundo todo O adore (Fp. 2.9-
11);
- Os crentes serão elevados com Cristos, assentarão com Ele no céu (Ef. 2.6);
- Satanás cegou as mentes dos incrédulos (II Co. 4.4);
- Sua palavra é viva e eficaz; ela julga os pensamentos e as intenções do coração (Hb.
4.12);
- A fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que não se vêem (Hb.
11.1);
- As fortalezas de Satanás podem ser demolidas pela oração (II Co. 10.4).
Então, ore:
- para que os crentes permaneçam neste intervalo (entre a misericórdia e a ira),
intercedendo por muçulmanos, para que Deus alongue Sua misericórdia e atrase Seu
julgamento.
- Para que os muçulmanos voltem-se contra o islamismo, submetendo-se ao senhorio de
Jesus e adorando-O agora como Senhor.
- Por nossa posição de autoridade em Cristo, intercedendo por muçulmanos.
- Para que o Espírito Santo remova toda a cegueira a fim de que a luz da glória de Cristo
brilhe nos corações muçulmanos.
- Para que o poder da palavra de Deus converta os muçulmanos e os convença da Verdade.
- Para que os convertidos do islamismo cresçam na fé em Cristo e caminhem em direção à
fé todos os dias de suas vidas.
- Para que o Senhor destrua as amarras dos islamismo e traga os cativos à fé no Evangelho.
O pedido mais importante que os discípulos fizeram a Jesus foi: “Senhor, ensina-os a orar.”
Possa este ser nosso contínuo pedido hoje.
Parte I

UMA OPORTUNIDADE DADA POR DEUS

Capítulo 1

OS MUÇULMANOS PODEM SER CONVERTIDOS?

O homem estava muito confiante ao entrar no “Drop-in Centre”. Ele veio para dizer aos
cristãos que eles tinham de fechar esse lugar e parar de propagar mentiras. Ele havia
estudado o islamismo, memorizado o Corão e estava convencido de que sua religião era a
única e verdadeira em todo o mundo. Na verdade, era sua obrigação de seguidor do
islamismo convencer e
Capítulo 13

BASES DA HOSTILIDADE MUÇULMANA CONTRA O


CRISTIANISMO

Não se surpreenda se você for confrontado por muçulmanos que identificam o Cristianismo
com a sociedade ocidental decadente. Eles acreditam que as nações ocidentais são cristãs,
mas tudo que eles vêem na mídia retrata imoralidade, violência, drogas, alcoolismo, etc.
Recentemente, eu soube de uma jovem muçulmana, influente em seu país de origem, que
havia passado um ano nos Estados Unidos para estudos especiais. Ela compartilhou com
um cristão amigo meu que estava retornando à sua casa mais convencida do que nunca da
superioridade do Islamismo sobre o Cristianismo. Ela havia ficado profundamente
decepcionada com os baixos padrões morais de seus colegas estudantes e pela decadência
de um país “cristão”.
Alguns muçulmanos ainda se sentem hostis por causa da devastação e crueldade das
cruzadas na Idade Média e das humilhações que os muçulmanos sofreram sob o
imperialismo das nações ocidentais no século XX. O apoio dos países “cristãos” à nação de
Israel é repugnante para as nações árabes, podendo se tornar um bloqueio para nosso
compartilhar. Precisamos ter sensibilidade quanto a seus sentimentos sobre tais assuntos,
especialmente com as contínuas tensões entre os povos do Oriente Médio.

A resposta cristã à hostilidade

Embora expressando simpatia, devemos explicar que esses eventos foram ações de homens
pecadores. Não eram ações cristãs. O Novo Testamento fala fortemente contra a injustiça,
a opressão do pobre e toda semelhança do mal, e não isenta a “guerra santa”. No mundo
muçulmano, a “guerra santa” é honrada e justificada. Mostre que o Novo Testamento
ensina o oposto, convidando os cristãos a amar os inimigos, fazer o bem àqueles que os
odeiam e orar por aqueles que o caluniam (Lc. 6.27). Esse ensinamento vai ser confirmado
pelos muçulmanos quando eles assistirem a sofrimento, amor e paciência na vida dos
cristãos. Eles vão notar rapidamente qualquer inconsistência entre fé e comportamento.
Tente evitar debates políticos sobre eventos do Oriente Médio. Isso não leva a nada e vai
apenas desviá-lo de seu testemunho de Cristo.
Capítulo 14

PRINCÍPIOS PARA LIDAR COM AS OBJEÇÕES DOS MUÇULMANOS

Há alguns princípios gerais que precisamos considerar quando lidando com a hostilidade e
as objeções dos muçulmanos contra o Cristianismo.

1. Nossa atitude para com os muçulmanos tem de ser diferente de nossa atitude para com o
sistema islâmico.
2. Algumas vezes é inadequado tentar responder às suas objeções.
3. A Bíblia não ataca o Islamismo; é o Islamismo que ataca a Bíblia.
4. A maioria dos muçulmanos que você vai encontrar não pratica o Islamismo puro, mas
um Islamismo “folclórico”.

1. Nossa atitude para com os muçulmanos enquanto pessoas não deve ser baseada em
estereótipos vindos das notícias veiculadas pela televisão, como se todos fossem fanáticos,
com suas declarações bombásticas e violentas, terroristas em potencial. Pelo contrário,
muitos muçulmanos são orientados pela família e temem a Deus. Suas atividades religiosas
não devem ser desencorajadas claramente, como se Deus não estivesse interessado em
nossas orações. Em Atos 10, a Bíblia nos fala a respeito de Cornélio, um centurião
romano: “As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus”. Nem
todo muçulmano que você abordar de maneira amigável para falar do Evangelho vai reagir
com hostilidade e antagonismo. Há aqueles com corações que tentam servir a Deus
genuinamente, prontos para ouvir.

Por outro lado, a religião do Islã, como um sistema, é abertamente agressiva e anti-cristã.
Há um forte ressurgimento do Islão em todo o mundo atualmente. Os “petrodólares” das
nações islâmicas estão sendo usados para divulgar sua religião. Nos Estados Unidos, o
número de mesquitas cresceu de 600 para mil nos últimos cinco anos. Muçulmanos estão
construindo suas próprias escolas, fazendo programas de rádio e televisão e procurando
forças políticas no Ocidente.

O aumento do fundamentalismo islâmico é constantemente coberto pela mídia. A atividade


da irmandade muçulmana é típica. É política e as mesmo tempo religiosa, e busca colocar
todas as nações sob a lei do Islamismo. Na Nigéria, por exemplo, eles tentem excluir
cristãos nas matrículas das universidades, de posições de autoridade, de posições no
governo. Eles declaram abertamente seu objetivo de fechar igrejas, escolas e hospitais
cristãos, etc. e em seu lugar abrir instituições islâmicas.

A fé no Senhor Jesus e o Islamismo são mutuamente excludentes e por fim a confrontação é


inevitável. Ao evangelizar, concentre-se apenas nas necessidades espirituais, evitando
argumentos tais como Corão versus Bíblia, Maomé versus Jesus Cristo. É importante guiar
a conversa para fora da controvérsia e sempre enfatizar a positiva misericórdia de Deus em
Nosso Senhor Jesus. A última confrontação será entre o que o Islamismo ensina e os
ensinamentos de Jesus nas Escrituras, Não precipite essa conversa. Ela virá logo e deve
ser o resultado de uma profunda convicção tocada pelo Espírito Santo.
2. Não é apropriado tentar responder sempre às objeções dos muçulmanos ao Cristianismo.
É importante perceber a atitude no coração do ouvinte quando compartilhando o
Evangelho.

Quando a objeção for uma dúvida genuína, deve ser respondida da melhor maneira
possível. Se o assunto estiver além do seu alcance, prontamente admita isso e ofereça-se
para conseguir mais informações para seu amigo. Responder às objeções muçulmanas com
lugares-comuns é extremamente rude e autoritário.

Contudo, mesmo o mais duro cético nunca tem poucos argumentos. Responda uma
objeção e eles terão outra, e outra... e assim por diante. Quando isso ocorrer, não é
conveniente ir adiante. Ele não quer simplesmente as respostas, mas insinua: “Minha
mente já está feita, não me confunda com fatos.” Eu responderia dizendo: “Todas suas
perguntas estão respondidas na Bíblia. Você gostaria de ter uma para que possa ler e
comprovar?” E encerraria o assunto assim.

3. Nós não devemos nos colocar na defensiva, porque a Bíblia não ataca o Islamismo ataca
a Bíblia. Tudo o que Deus fez para revelar a Si mesmo e a Seus propósitos está escrito na
Bíblia. Essas passagens foram escritas cerca de 600 anos antes do Islamismo ser
estabelecido como uma religião. O Senhor Jesus disse acerca da Bíblia: “A sua palavra é a
Verdade” (Jo. 17.17).

A Bíblia fala com completa e absoluta autoridade. Nós não precisamos ser apologéticos
para ter uma posição de sustentar a Palavra de Deus como o árbitro final da verdade.

Quando o Islamismo ataca a Bíblia, ele é obrigado a trazer novas evidências para apoiar seu
ataque. E é aqui que a fraqueza do argumento muçulmano fica evidente. Eles são
confiantes quando agressivamente afirmam a superioridade do Islamismo. Mas se colocam
na defensiva pedindo persistentemente evidências que vão de encontro às Escrituras e,
assim, tornam-se confusos e inseguros. Faça perguntas do tipo: “Por que você acredita
nisso?”, ou “Que evidências você tem para essa afirmação?” Exemplos práticos relativos a
esse assunto serão dados mais adiante no livro.

Aconselho com insistência para que não se aceite literatura dos muçulmanos, que é
declaradamente anti-cristã e ataca a Bíblia. Por exemplo: Ahmed Deedat escreveu
Crucificação ou CRUCIFICAÇÃO?, entre outras coisas. Sabemos pela Bíblia que tais
homens não estão em posição de escrever a respeito de verdades bíblicas. Deus afirmou
especificamente que eles não entendem Sua Palavra e são incapazes de entendê-la. “O
homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode
entendê-las porque elas se discernem espiritualmente” (I Co. 2.14).

Não dê credibilidade a esse material, lendo-o e discutindo-o com os muçulmanos. É


verdade, nós pedimos aos muçulmanos para lerem literatura cristã, mas apenas aquela que
exalta a Cristo e não denigre o Islamismo ou Maomé. Você pode dizer para seu amigo
muçulmano: “Eu não vou pedir que você leia nada que ataque o Islamismo ou o Corão,
então não me peça para ler coisas que ataquem o Cristianismo”.
4. A maioria dos muçulmanos pratica o chamado “islamismo folclórico”, pois eles não
conhecem ou entendem a fé islâmica ortodoxa. Simplesmente por viverem numa
comunidade muçulmana estão familiarizados com o credo, as orações rituais, o jejum no
Ramadã, etc. Muitos procuram, com fé, seguir estas práticas. Outros não, mas ainda assim
chamam a si próprios de muçulmanos. Uma vez que o Islamismo é um sistema sócio-
político-econômico, bem como uma religião, eles se identificam com base na família,
sociedade e cultura muçulmana.

Muçulmanos em todas as nações são encorajados a memorizar o Corão em árabe, mas eles
não entendem o árabe nem os ensinamentos do Corão. O Islamismo é imposto como uma
prática espiritualista herdada de seus avós. Satanás é-lhes muito real e eles têm medo dos
espíritos malignos, chegando a usar amuletos que contêm partes do Corão para defender-se
das forças do mal. Eles podem consultar “homens santos” ou médiuns para cuidar de
doenças, ciúmes, etc., e vivem à sombra do oculto. Há pouco entendimento do Islamismo
puro.

Os muçulmanos não têm a doutrina do pecado original. Eles simplesmente vêem o homem
como bom, porém fraco. Uma vez que acreditam que apenas os muçulmanos irão para o
céu, o fim do homem é ser um crédulo seguidor do Islamismo.
Capítulo 15

Lidando com as Objeções Comuns

O Islamismo é agressivamente evangelístico e convencido de que á única religião


verdadeira. Entretanto, a reação dos muçulmanos ao Evangelho usualmente é atacar o
Cristianismo, em vez de proclamar as virtudes do Islamismo. Sua resposta é um conjunto
de objeções padrão das quais eles se utilizam numa rápida sucessão.

Maiores Objeções Muçulmanas

Deixe-me compartilhar algumas das maiores objeções muçulmanas ao Cristianismo:


1. “Os cristãos blasfemam porque adoram três deuses, não um. Eles adoram Deus, Maria e
Jesus.” Um dos objetivos do Islamismo nessa afirmação é erradicar o politeísmo que ainda
prevalece entre algumas tribos de hoje e estabelecer uma religião fortemente monoteísta.
Daí sua forte oposição a tudo que eles entendem como idolatria.
2. “Deus não poderia ter um filho.” Para eles isso implica que Deus teve relações físicas
com Maria.
3. “Jesus foi apenas outro profeta; Ele não era Deus.” Eles acreditam que Deus transcende
toda a criação e jamais rebaixaria Seu filho à condição humana.
4. “Jesus não morreu na cruz. Outro homem que se parecia com ele substituiu-se na cruz.”
Os muçulmanos dizem que Deus não permitiria que Seu profeta fosse maltratado e morto.
Esta negação da morte de Cristo significa que a humanidade não tem um Salvador.
5. “A Bíblia sofreu modificações em sua versão original.” Eles acreditam que o Corão foi
revelado a Maomé, em árabe, em sua forma original. Mas a Bíblia foi traduzida de outras
línguas e não merece confiança.

Respondendo a essas objeções

Este tipo de objeções não pode ser simplesmente ignorado, sendo preciso desenvolver
habilidades para respondê-las.
Entretanto, elas não devem ser desenvolvidas apenas focalizando os muçulmanos, mas
como uma base para o testemunho do Senhor Jesus.

É improvável que qualquer resposta que você dê vá convencer os muçulmanos da verdade,


mas será parte da entrada da luz espiritual em seus corações e mentes. As seguintes
respostas a essas objeções são dadas como um guia; você poderá encontrar outras maneiras
que seja mais satisfatórias.

1. “Os cristãos blasfemam porque adoram três deuses, não um.” Eles usualmente
acrescentam: “Vocês adoram Deus, Maria e Jesus.”

Quando um muçulmano acusa-me de adorar a três deuses, eu respondo veementemente e


reajo como ultrajado diante de carga tão ofensiva. Especialmente quando eles incluem a
afirmação de que os três deuses são Deus, Maria e Jesus. Eu lhes digo: “Alguém informou
vocês de modo errado. Cristãos verdadeiros não adoram três deuses. O culto a Maria e a
oração a ela não são bíblicos. Por favor, não mencione tal blasfêmia em minha presença.
A idolatria é uma ofensa ao Deus vivo e a mim.

A Bíblia diz: “O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de
todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua força.” (Dt. 6.4,5).

O conceito da Trindade é um mistério para a mente humana, sendo difícil para os cristãos
vislumbrá-lo. Dessa forma, tentar explicá-lo aos muçulmanos pode ser um problema ainda
maior. Meu sentimento é de que o caráter de Deus é por demais magnífico e elevado para
ser considerado em termos humanos. Mesmo assim alguma explicação sobre este conceito
deve ser dada, uma vez que a deidade de Cristo apoia-se nele.

O pensamento muçulmano é matemático: um, mais um, mais um é igual a três. Nós
podemos lidar com isso, ressaltando da seguinte maneira seus próprios múltiplos papéis na
vida. Por exemplo, use perguntas e respostas como as seguintes:
Pergunta: “Você tem filhos?” Resposta: “Sim.”
Pergunta: “Você tem pais?” Resposta: “Sim.”
Pergunta: “Você tem irmãos?” Resposta: “Sim.”

“Isso significa que você é um pai, um filho e um irmão, não é? Ora, você é três pessoas ou
uma?” Isto vai fazer com que eles pensem, embora não seja uma resposta satisfatória.

Para um pensador muçulmano sério, eu procederia da seguinte maneira: a Bíblia diz: “Deus
é amor.” Note que ela não diz que Deus está amando, mas que “Deus é amor”, amor é uma
parte da natureza de Deus. Amor, por definição, implica num relacionamento. O conceito
muçulmano de Deus é que Ele é ausente e matematicamente “um” deus. Tal deus não
pode amar se não há ninguém para amar. O amor pressupõe alguém que ama e um amado.
Uma vez que Deus é eterno e imutável, o amor sempre foi parte de sua natureza, mesmo
antes da criação de qualquer criatura, do homem, dos anjos.

Dessa forma, nós temos de aceitar que nessa unidade de Deus há uma relação de amor.
Mas como poderia Deus adequar essa relação à finita mente do homem? Há uma relação
de amor que é entendida por todos os homens, em todos os lugares – a relação entre o paio
e o filho. Não é estranho que Deus tenha revelado Sua natureza de amor desta forma.
“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós, em haver enviado seu filho unigênito...” (I
Jo. 4.9). Há outros versículos que podem ser usados. Eu gostaria de aproveitar esta
oportunidade para exortar meu amigo muçulmano a ler a Bíblia e pedir a Deus que, à
medida que ler, Deus o ajude a compreender que ele é amado.

2. A segunda objeção freqüentemente ouvida é: “Deus não poderia ter um filho.” No


pensamento muçulmano, isso implica que Deus teve um relacionamento físico com uma
mulher. Novamente, eu expresso meu sentimento de ultraje diante de tão ridícula sugestão.
Eu não tento explicar diretamente o fato de a virgem dar à luz, mas respondo da seguinte
maneira: “Quem lhe contou tais histórias tão cheias de blasfêmia? A Bíblia fala que o anjo
Gabriel anunciou que Jesus deveria vir ao mundo através de um nascimento milagroso.
Este fato está registrado pela maior autoridade para falar desse assunto, um médico. Deixe-
me dar-lhe a cópia do Evangelho segundo Lucas. Você mesmo pode ler os maravilhosos
detalhes que Deus revelou a nós.” Dessa forma, tento basear o significado do nascimento
da encarnação de Jesus diretamente na Bíblia.

Esta é uma hora oportuna para enfatizar que Deus é onipotente e que nada é impossível
para Ele. A Bíblia não ensina que Deus pode fazer tudo, exceto ser encarnado, como
declaram os muçulmanos. Enfatize para eles que, se acreditam que Ele é onipotente, Ele
pode fazer tudo, inclusive encarnar-Se.

3. “Jesus foi apenas outro profeta; Ele não era Deus.” Esta declaração atinge diretamente o
coração do Evangelho e a deidade de Cristo. Novamente, abordo este erro de concepção de
maneira indireta, pois aqui o que está sendo considerado é o caráter de Deus. Nós somos
confrontados com o dilema da humanidade e a divindade de Cristo. Mentes humanas e
finitas não podem entender completamente o eterno, infinito Deus.

Eu aconselharia meu amigo muçulmano a ler a Bíblia para que ele mesmo verificasse o que
diz a respeito de Cristo. O fato é que na pessoa de Jesus nós temos Deus e o homem
perfeito. Ele não tinha pecado! Quem, senão Deus, é capaz de perdoar os pecados, como
Jesus fez? Quem, senão Deus, poderia vencer a morte? Quem, senão Deus, poderia fazer
com que os ventos e as águas obedecessem a Seu comando, ao lado de Sua completa
maestria sobre Satanás e o espírito do mundo? Quem, senão Deus, sabe o futuro, conhece o
que as pessoas pensam, vê pessoas em lugares distantes? Em todo o Evangelho
percebemos que Jesus diariamente demonstrou características divinas.

O Corão reconhece algumas dessas ações do Senhor. Mas não reconhece Sua divindade e
concentra-se em Sua humanidade. Sustenta que Ele fez milagres apenas sob permissão
divina, como se fosse um instrumento do poder de Deus, como outros profetas antes dEle.
Gaste um tempo explicando a falácia de tal ensinamento e diga que Jesus fez os milagres
baseando-Se única e exclusivamente em Seu próprio poder. Quando fazia um milagres, Ele
geralmente dizia uma palavra e estava feito. E isto contrastava com a posição dos profetas,
por exemplo, em I Reis 18.36, e dos discípulos, por exemplo, em Atos 3.6, os quais eram
canais da força de Deus. Passagens típicas da demonstração do poder intrínseco de Jesus
são: “...senti que de mim saiu poder” (Lc. 8.46), e “...porque dele saía poder e curava a
todos” (Lc. 6.19).

4. A quarta objeção que nós estamos considerando é a afirmação muçulmana de que Jesus
não morreu na cruz. Deus não permitiria que Seu profeta fosse crucificado. Outro homem
que se parecia com Jesus tomou Seu lugar na cruz.

Eu lidaria com esta questão de acordo com o seguinte exemplo:


- muçulmano: “Jesus não morreu na cruz.”
- cristão: “Por que você diz isto?”
- muçulmano: “O Corão o diz.”
- cristão: “Que nova evidência ele apresenta para apoiar tal afirmação? Ele atribui isso ao
olho de alguma nova testemunha?
- muçulmano: “Não, mas Deus não permitiria que Seu profeta fosse tratado dessa maneira.
Outro homem substituiu-O”.
- cristão: “A mãe de Jesus estava ao pé da cruz, chorando. Você não acha que ela saberia
se seu filho tivesse sido poupado? Vamos olhar a passagem na Bíblia juntos.”

Quando compartilhando com um muçulmano acerca da morte de Cristo, ele provavelmente


responderá: “Não posso acreditar que Deus permitiria que Seu profeta fosse morto.” A
resposta mais simples é concordar que Deus nem sempre age como nós achamos que Ele
deveria agir. Ele diz na Bíblia: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos,
nem os vossos caminhos os meus caminhos. Porque assim como os céus são mais altos do
que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos, e os meus
pensamentos mais altos dos que os vossos pensamentos.” (Is. 55.8,9)

O argumento pode ser fortalecido enfatizando que todas as pessoas que viviam naquela
época tiveram dúvida acerca de Sua morte. Qualquer um em Jerusalém ou no campo sabia
do acontecimento. Os antigos apóstolos nunca ofereceram evidências para tão bem
conhecido fato. Eles simplesmente o afirmaram. Sua ênfase ao pregar foi na ressurreição.
Quando o Apóstolo Paulo falou em sua defesa diante do Rei Agripa, ele disse: “Estou
convencido de que nenhuma dessas coisas lhe é oculta (ao Rei Agripa), porquanto nada se
passou aí, nalgum recanto.” (At. 2.26)

Abordando dessa forma a objeção, eu continuaria mostrando por que ele morreu e
ressuscitou. Sempre associe Sua morte à Sua ressurreição. Deixe claro o que um crucifixo,
que retrata Cristo ainda na cruz, é uma ofensa para cristãos verdadeiros.

5. “A Bíblia sofreu modificações em sua versão original.” A maneira mais fácil que eu
encontrei para lidar com esta objeção foi colocar uma Bíblia ou um Novo Testamento
em suas mãos e dizer-lhe: “Por favor, mostre-me onde foi alterado.” Eu nunca
encontrei um muçulmano que tivesse conseguido me mostrar. Então, novamente eu
respondo: “Alguém o enganou a respeito da Bíblia.”

Os muçulmanos acreditam em quatro livros sagrados. O “Taurat”, o “Zabur” (partes do


Antigo Testamento), o “Injil” (Novo Tetamento) e o “Corão”. O Antigo Testamento e o
Novo Testamentos foram estabelecidos muito antes do Islamismo começar. Cópias que
remontam ao segundo século ainda existem em museus e são exatamente as mesmas que
temos hoje. Desafie seu amigo muçulmano a ler a Bíblia devocionalmente, pedindo a Deus
que lhe revele se é verdade ou não. Faça este desafio específico sugerindo que ele gaste 15
minutos cada noite lendo parte da Bíblia. Lembre-se de que é através da Palavra de Deus
que o Espírito Santo nos fala.

Você poderá encontrar muçulmanos que se referem a um livro chamado “O Evangelho de


Barnabás”, dizendo que se trata de um verdadeiro evangelho. Você seguramente pode
atacar tal argumento, uma vez que especialistas demonstraram que tal livro não pode ser
uma boa técnica a ser desenvolvida, a qual Jesus sempre usou, é responder uma pergunta ou
declaração com outra questão. Isso algumas vezes deixa claro por que a pergunta original
está sendo formulada, ou revela erros de concepções cruciais de quem faz a pergunta. Um
muçulmano perguntou a um amigo meu: “Você é cristão?” Usando o método de responder
com outra pergunta, meu amigo respondeu: “O que você quer dizer com cristão?” O
muçulmano respondeu que cristão é um blasfemo que adora três deuses, toma bebidas
alcoólicas e come carne de porco! Isso mostra quanta confusão poderia ter sido gerada se
meu amigo tivesse apenas respondido: “Sim, sou cristão.”

O assunto do uso de bebidas alcoólicas pode ser um ponto crucial para os muçulmanos no
que diz respeito ao Cristianismo. Para nós, pode ser apenas uma questão de liberdade
cristã, mas para os muçulmanos deve ser inequívoca. Em I Co. 6.12-15, a Bíblia exorta-nos
a cuidar de nossos corpos, e o álcool reconhecidamente faz mal à saúde. Desta forma,
nossa resposta aos muçulmanos deve ser que a Bíblia é contra o beber álcool. Tenha
cuidado para não ensinar aos muçulmanos a respeito do próprio Islamismo ao longo do
processo de evangelização. Isso acontece se, a fim de dizer alguma coisa, um cristão diz:
“Os muçulmanos acreditam... mas nós cristãos acreditamos... “ Inadvertidamente, você o
está ensinando acerca do Islamismo e, portanto, dando-lhe crédito.

Digo mais uma vez: não se sinta na obrigação de estar apto para responder todas as
perguntas antes de alcançar os muçulmanos. Desde que você tenha em mente que o
propósito central é compartilhar Jesus com eles, você aprenderá fazendo.

Testando a sinceridade de quem pergunta

O melhor teste para averiguar a sinceridade de um questionador, seja ele muçulmano, ateu,
etc., é perguntar: “Você realmente quer saber a verdade? Você vai seguir a verdade se ela
for revelada a você?”

Se a pessoa responder afirmativamente, continue com sua explicação: “Então eis aqui a
maneira pela qual você pode saber a verdade. Pegue uma parte do Novo Testamento, por
exemplo, um evangelho. Enquanto você estiver lendo, ore honestamente, do fundo de seu
coração: Oh! Deus, se Você está aí, se Você pode ouvir e se esta é Sua Palavra, por favor
fale comigo enquanto eu estiver lendo, e então eu farei tudo o que o Senhor me mostrar
para fazer.”

A seguinte história de um imigrante muçulmano ilustra este ponto. “Durante meus dias de
estudante, comecei a freqüentar uma pequena missão numa cidade do Ocidente. Três
coisas me impressionaram muito. A primeira delas foi quem embora as pessoas fossem em
sua maioria idosas e não tivessem conhecimento de fato sobre outras religiões, como o
Islamismo, seu amor uns pelos outros e sua preocupação por mim como indivíduo
comoveram-me profundamente. A segunda coisa foi que comecei a ler o Novo
Testamento. Quanto mais eu lia, mais eu era atraído por Jesus e, ao mesmo tempo, vi-me
sendo repelido por Ele. Eu era atraído por Sua humanidade, Seu amor, mas repelido por
Suas afirmações. Em terceiro lugar, comecei a orar todos os dias pedindo a Deus que, se
Ele estivesse lá, Se revelasse a mim. Ao fim de seis meses, alguém me perguntou: “Por
que você não é um cristão?” Eu acho que apenas disse: “Eu sou!” Eu tinha tomado a
decisão de tornar-me um seguidor do Senhor Jesus Cristo, do fundo do meu coração.”

Esteja absolutamente confiante nessa sugestão do uso da Palavra de Deus a seu amigo
muçulmano. Deus prometeu responder quando O buscarmos de coração sincero (Jr.
29.13,14). Mas Ele não fará nada para satisfazer a curiosidade do homem ou responder a
oração de alguém que não quer seguir Sua Palavra. Não se surpreenda se alguém recusar
Seu desafio porque o homem natural ama as trevas e na verdade não deseja a luz (Jo. 3.19-
21).
Capítulo 16

DISCIPLINANDO OS CONVERTIDOS DO ISLAMISMO

Uma vez que um muçulmano se converte a Nosso Senhor Jesus ele precisará de muito
amor, apoio e encorajamento. Gaste tempo ensinando e fazendo com que ele cresça na
Palavra, dessa forma ele vai aprender a fazer da Bíblia seu guia e fortaleza e será capaz de
permanecer firme em meio à oposição.

Mostre a ele como orar tomando as promessas da Bíblia e levando-as de volta até Deus,
pedindo essas promessas para ele mesmo.

Um convertido estará sob todo tipo de pressão de sua família e amigos para negar
publicamente sua fé em Cristo. Os ataques vão se basear na crença da família que o
Islamismo é a única religião verdadeira e de que se alguém a abandona traz imperdoável
vergonha para sua família e sua comunidade. Os muçulmanos acreditam ser seu dever
matar qualquer pessoa que cometa tal apostasia, tornando-se um cristão.

É difícil para nós, cristãos, conceber a drástica mudança envolvida quando um muçulmano
abandona um tipo de religião muito comum e pública e passa a acreditar em outra baseada
numa fé invisível dentro do coração de alguém. O novo convertido precisará de amizade e
atividades na comunidade para preencher o vazio em sua vida. É muito importante pô-lo
em contato com um grupo cristão, o qual vai proporcionar a aceitação e o cuidado que ele
necessita, especialmente durante os primeiros dias da transição. Entretanto, devemos evitar
fazê-lo dependente do homem, a fim de que ele aprenda a depender de Deus em todas suas
necessidades.

Quando um muçulmano é convertido, não é sábio fazer propaganda de sua história ou


colocá-lo em evidência. A melhor política é não fazer nada que o torne um alvo especial
para a comunidade muçulmana ou para Satanás. Informar cristãos que podem
discretamente encorajá-lo e orar por ele é tudo que é necessário. Deixe o Espírito de Deus
levá-lo a compartilhar seu testemunho com a família e amigos quando ele estiver pronto.
Parte IV

O USO DA LITERATURA E OUTROS MEIOS DE MINISTÉRIO

Capítulo 17

O USO DA LITERATURA NO TESTEMUNHO

A literatura apropriada é extremamente útil para evangelizar muçulmanos. A Bíblia


constantemente nos lembra de que o Espírito Santo usa a Palavra de Deus na salvação.
“Pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a
palavra de Deus, a qual vive e é permanente.” (I Pe. 1.23). As próprias autoridades
islâmicas dizem: “O livro que os cristãos nos legaram é o mais poderoso de todos: é um
livro que muda vidas.”

Dar um pequeno presente é uma prática muito aceitável na cultura islâmica e a literatura é
usualmente bem recebida. Use o bom senso para fazer isso. Não seja autoritário ou
agressivo. Esteja preparado para aceitar uma recusa. O senso de humor é um bem valioso
se a pessoa ficar ofendida. Esteja sensível às reações de seus amigos muçulmanos.

Um amigo meu estava num avião sentado ao lado de um jovem que retornava a seu país de
origem depois de estudar nos Estados Unidos. O rapaz era um muçulmano fiel e falava
entusiasticamente a respeito do Islamismo, pregando suas virtudes e persuadindo-o à
aceitação. Tendo ouvido com cuidado, meu amigo então compartilhou seu testemunho
cristão.

É óbvio que nenhum deles deu o braço a torcer quanto a qual seria a melhor religião. Meu
amigo, sabendo que ele provavelmente não veria o jovem novamente e desejando deixar
alguma literatura com ele antes do avião aterrissar, perguntou: “Você se ofenderia se eu lhe
desse o Novo Testamento?” “Não, certamente, não. Eu apreciaria ter um”, respondeu o
jovem assim que aceitou o presente. Portanto, temos aqui como este princípio funciona:
- faça uma abordagem amigável;
- comece uma franca troca de idéias;
- compartilhe convicções com sensibilidade;
- deixe a Palavra de Deus com o muçulmano.

Esteja preparado para ser usado

Sempre tenha com você folhetos apropriados. Esteja pronto para passá-los adiante em cada
oportunidade. Peça a Deus para usá-lo a fim de dar Sua Palavra para alguém que já está
sendo convencido dessa necessidade pelo Espírito Santo. A Palavra impressa vai estar
disponível para as considerações das pessoa após o contato inicial. É um privilégio ser
usado dessa forma.

Um missionário inglês que tinha devotado sua vida em ministrar aos muçulmanos e que
falava árabe fluentemente tinha programado visitar vários países do Oriente Médio. Assim
que começou sua jornada, ele colocou discretamente um Novo Testamento em árabe em
seu bolso e orou especificamente para que o Senhor o conduzisse a fim de que pudesse dá-
lo a uma pessoa que Ele já estava buscando.

Depois de algumas semanas de visita e várias viagens de avião, ele havia terminado sua
tarefa e estava pronto para voltar para casa. Devido a circunstâncias extraordinárias, seu
vôo foi cancelado e ele se viu obrigado a pegar uma rota diferente para casa. Estava
consciente de que o Novo Testamento ainda se encontrava em seu bolso quando se sentou
no avião e começou a ler um jornal árabe. A visão de um europeu lendo árabe chamou a
atenção de um homem de negócios árabe que estava sentado a seu lado e, então, eles
começaram a conversar. Finalmente, começaram a discutir sobre assuntos espirituais. O
inglês perguntou a seu novo amigo se ele gostaria de ler mais a respeito de Jesus Cristo e
mostrou o Novo Testamento que tinha no bolso. O executivo árabe disse com grande
excitação: “Eu tenho procurado por quatro anos uma cópia do ‘Injil’ (Novo Testamento) e
agora você me dá um!” A oração do inglês foi maravilhosamente respondida, pois Deus o
havia conduzido a um coração preparado e ávido.

Não se deixe desencorajara por aqueles que dizem que os muçulmanos são pessoas muito
duras para serem evangelizadas. Há muitos muçulmanos que, como este homem, têm seus
corações ávidos pela verdade. Eu conheço alguns muçulmanos vivendo aqui e que mantêm
a máscara de sua religião, mas secretamente estão tentando descobrir a verdade. Peçamos
ao Senhor Jesus que nos use para alcançá-los.

A escolha da literatura

Num primeiro momento, é melhor começar com algo pequeno, preferivelmente dado em
particular. Deve ser de um tamanho que possa ser facilmente acomodado em bolsos ou
pastas. A missão “Scripture Gift” é uma excelente fonte para tal material. Eles têm
folhetos de vários assuntos, contendo apenas versículos, e em várias línguas, o que lhes dá
uma aparência especial para os imigrantes. O “Gospel Recordings in USA” tem fitas
cassetes evangélicas em várias línguas que são especialmente úteis para mulheres e velhos
imigrantes que nunca aprenderam a ler. Essas duas organizações têm escritórios em
grandes cidades, onde o material pode ser obtido.

A medida que a evangelização progride, então, Evangelhos, Novos Testamentos e Bíblias


devem ser dados. Eles estão disponíveis em várias línguas e podem ser encontradas nas
várias Sociedades Bíblicas ou outras organizações especializadas na distribuição de Bíblias.

Recentemente minha esposa e eu produzimos um livreto desenhado, para ser atraente aos
muçulmanos, chamado “Os Profetas e a Palavra”. É uma mini Bíblia na qual vários
versículos foram organizados de acordo com assuntos apropriados para falar aos
muçulmanos e guiá-los à verdade. Não há menção ou qualquer coisa que denigra o
Islamismo, Maomé ou o Corão. É o tipo de livro que eu gostaria de ter possuído durante
todos meus anos de testemunho aos muçulmanos. Atualmente, está sendo traduzido para
várias línguas. Nós previmos seu uso em testemunhos pessoais, no acompanhamento em
transmissões de rádio e em programas postais. (Veja o apêndice para mais detalhes sobre
esse livro).
Capítulo 18

EVANGELISMO MUÇULMANO VIA POSTAL

Uma maneira simples, aberta a todo cristão, para alcançar muçulmanos é usar o serviço
postal. Por exemplo, uma amiga minha, solteira, vivendo na cidade de New Jersey, reparou
que um grande número de pessoas do shopping center eram turcas. Ela conseguiu
versículos em turco e os remeteu pelo correio para os endereços encontrados na lista
telefônica. Fez amizade com algumas senhoras que conheceu no shopping e gastou tempo
visitando-as. Ela as ajudou a se familiarizarem com a vida na América e lhes deu aulas de
inglês. Este é um exemplo de evangelismo amigável local e de um amplo evangelismo
postal. Qualquer pessoa que queira gastar tempo e se esforçar pode ser envolvida de
maneira similar.

Numa escala maior, um programa postal deslanchou na Austrália e alcançou 12 mil lares de
famílias que falavam árabe, com uma boa porcentagem de respostas. A chave para seu
sucesso foi o envolvimento de mais de 600 cristãos, os quais postaram material que foi
remetido e se comprometeram formalmente a orar pelas famílias muçulmanas. Detalhes de
como organizar programa semelhante podem ser encontrados no apêndice.

A seguir, algumas dicas obtidas a partir dessa experiência e que são básicas para projetos
postais.
1. Como mencionamos acima, é vital solicitar que pessoas que orem estejam envolvidas
com o programa. Então, parceiros de oração precisam ser mantidos informados a respeito
das respostas e do acompanhamento da mala direta.
2. Literatura que contenha versículos de modo culturalmente atraente deve ser usada.
Partes dos Evangelhos com título não ameaçador, como “A História da Palavra”, podem ser
usadas. Os muçulmanos respeitam livros santos e é muito mais provável que lerão os
versículos apresentados dessa forma.
3. Uma grande vantagem de usar o serviço postal é que os versículos são recebidos
particularmente. Os muçulmanos não querem que seus amigos saibam de algum interesse
que eles possam ter no Evangelho. Eles temem uns aos outros. Dessa forma, certifique-se
de que o material que você está enviando não pode ser identificado por sua aparência
externa.
4. A literatura enviada deve incluir uma oferta de mais material, por exemplo, curso bíblico
por correspondência, detalhes de transmissão de rádio, etc. Programas postais são vistos
como um meio de longo alcance. Respostas são importantes meios de contato para
acompanhar aqueles que estão genuinamente interessados no Evangelho. Estes devem, a
seu tempo, levar a visitas e a testemunhos.
5. Imigrantes num novo país passam por uma época de muitas dificuldades. Ele são
privados de seu convívio com a família. Lutam com uma nova língua, uma nova cultura e
novas condições de vida. Eles são assolados por um sentimento de isolamento, sentindo-se
mal acolhidos e desprotegidos. O mesmo acontece com os que vêm para estudar. Receber
alguma literatura em sua própria língua com uma carta amiga é normalmente algo muito
bem vindo.
6. Várias fontes de nomes e endereços de grupos étnicos muçulmanos estão prontamente
disponíveis. A fonte principal é a lista telefônica. Muçulmanos têm nomes diferentes, os
quais podem ser facilmente identificados. É útil ter uma pessoa do próprio país em seu
grupo-alvo a fim de marcar para você os nomes que constam das listas. Outras fontes são
escritórios de hospitais, universidades, alguns órgãos governamentais e escolas locais com
grupos étnicos de muçulmanos.

O programa posta não deve envolver um grande aparato. Ele pode ser feito por indivíduos,
em suas próprias cidades, como no exemplo que citamos. É uma excelente oportunidade
para envolver um grupo pequeno. Ele também pode ser projetado para a Igreja como um
todo.

Organizações postais evangélicas

Estar envolvido num trabalho postal é uma oportunidade para cristãos que estão limitados
por circunstâncias, por exemplo, filhos pequenos, falta de saúde, etc. Isto é algo que você
pode fazer facilmente em sua casa, como parte da evangelização do mundo muçulmano,
num sentido mais amplo. “Amigos da Turquia” e “International Outreach Inc.” são duas
organizações que podem tornar isso possível.
Capítulo 19

OUTROS MEIOS DE ALCANÇAR OS MUÇULMANOS

Há muitos meios disponíveis aos cristãos para alcançar muçulmanos no mundo ocidental.
Damos a seguir algumas sugestões.

Ensinar inglês como uma segunda língua

Ensinar inglês para imigrantes é uma maravilhosa oportunidade para um ministério.


Alguns serviços de governo, como por exemplo, o Serviço de Educação ao Imigrante, na
Austrália, dá treinamento para habilitar cidadãos comuns, que falam inglês, a ensinar inglês
aos imigrantes. Isso dá oportunidade para aproximarmo-nos deles como amigos e ajudá-los
a adaptar-se à cultura ocidental. As aulas podem ser em salas de aula ou nos lares.

Os cristãos em tais programas podem solicitar para ser alocados em famílias muçulmanas.
As mulheres imigrantes normalmente ficam em casa todo o dia, com pouco contato
externo. Não há nenhuma maneira para elas aprenderem a língua de seu novo país. Isso
possibilita mulheres cristãs de qualquer idade aproximar-se de tais pessoas necessitadas e,
finalmente, compartilhar o Evangelho com elas.

Visitar imigrantes

Minha esposa e eu costumávamos levar nosso dois filhos para visitar imigrantes em hotéis.
Tornavámo-nos amigos de pessoas de várias culturas e os convidávamos para irem jantar
em nossa casa. Quando os contatos tornaram-se numerosos, associamo-nos à Missão
Européia Cristã, uma casa aberta, uma vez por mês – um verdadeiro encontro de nações
unidas. Nós convidamos vários missionários para falar a eles em italiano, árabe, etc. Na
atual situação do mundo, quando muitos refugiados chegam a países ocidentais, esse tipo
de ministério demanda a preocupação e a ação de indivíduos cristãos e de grupos de igrejas.

Outro meio de contatar migrantes é visitá-los em suas casas. Eles tendem a fixar-se em
certos subúrbios da cidade, dessa forma, grupos de igrejas podem facilmente planejar fazer
um programa de visitação. É melhor fazer as visitas como casais, à noite, quando o chefe
da família está em casa. O homem deve falar com o marido e a mulher com a esposa.
Homens e mulheres cultuam separadamente na mesquita, sendo melhor falar com eles
individualmente a respeito de assuntos espirituais. Vocês podem se apresentar como
cidadãos tementes a Deus que estão preocupados com o bem-estar de pessoas que chegam a
seu país. A primeira visita pode consistir simplesmente no estabelecimento da amizade. O
acompanhamento das visitas pode ser feito de acordo com a resposta de cada família
muçulmana. Sempre tenha com você alguns folhetos, na língua apropriada, para que possa
deixá-los com a família que está sendo visitada.

Distribuição de literatura onde os imigrantes se reúnem

Um dos mais bem sucedidos métodos de distribuir literatura é o uso de uma estante portátil.
Eu tenho um tipo de uma caixa com várias divisões e pés removíveis. Ela é facilmente
montada dentro de um vagão e pode ser transportada por uma pessoa. Conservo-a com
vários folhetos em 53 línguas, além do inglês. Eu também uso um gravador portátil e
várias fitas cassetes com mensagens evangélicas gravadas em diferentes línguas, que utilizo
para chamar a atenção das pessoas.

O grupo de voluntários para o qual eu ministro nos finais de semana, membros da Cruzada
Evangelística de Sidney, reuniu-se numa das esquinas da cidade onde havia muitas pessoas
pela rua. À medida que o acordeon era tocado e os hinos cantados, as pessoas paravam e
ouviam a pregação do Evangelho. Minha estante portátil foi montada perto deles. Quando
as pessoas se mostravam interessadas, eu me aproximava delas para um conversa
personalizada. Muitos tinham pouco conhecimento de inglês; então, eu perguntava qual era
sua língua e oferecia o folheto em seu próprio idioma. A maioria aceitava alegremente.
Quanto aos que demonstraram interesse genuíno, anotei seus nomes e endereços e lhes
enviei uma Bíblia ou outro material apropriado. Outros membros da equipe me ajudaram
com os folhetos quando havia muitas pessoas. Diversas pessoas contatadas eram
muçulmanas e eu precisei de um tipo especial de abordagem, o qual aprendi gradualmente.

Esse tipo de trabalho pode ser feito por pessoas leigas. Todos os membros de nosso grupo
eram homens de negócio. Isso implica em compromisso, uma vez que é muito mais
confortável ficar em casa ou na Igreja do que sair e ir onde as pessoas estão.

Revistas e folhetos em salas de espera

Os cristãos devem aproveitar a oportunidade de fornecer revistas cristãs, folhetos, etc. em


salas de espera de consultórios ou escritórios, e também em escolas e presídios. Esse
material encontra-se disponível em várias línguas de diversos grupos étnicos muçulmanos.
Sociedades missionárias trabalhando entre muçulmanos podem informar onde tal literatura
pode ser obtida. “Jungle Doctor” é uma revista em quadrinhos disponível em uma centena
de línguas. Essa literatura é usada e precisa ser respondida. O que os cristãos estão
fazendo a esse respeito?

Uso de vídeos

Os vídeos atualmente fazem parte de nossa vida e podem ser um meio inovador de
testemunhar. Há vários vídeos excelentes produzidos, como por exemplo, “ Fato é Fé”,
produzido pelo “Moody Institute of Science”. Muitos vídeos estão disponíveis em várias
línguas e, assim como livros, podem ser doados ou emprestados.

Outra maneira de usar vídeos é fazer com que sejam comprados pela Igreja ou por um
grupo de cristãos e cedê-los gratuitamente às locadoras da região. A loja vai lucrar
alugando-os da maneira convencional. Dessa forma, o mundo secular está sendo usado a
fim de tornar disponível material cristão para o testemunho do Senhor Jesus. Há também a
possibilidade de vender ou doar literatura apropriada com o vídeo alugado. Detalhes exatos
de como esse esquema funciona podem ser obtidos escrevendo para o Sr. C. Kirton, que
introduziu esse programa em sua Igreja, em Sidney. É aconselhável contatá-lo antes de
iniciar o programa, a fim de obter benefícios de sua experiência. Seu endereço é: 19
Magnólia, St., Kirrawee, NSW 2232, Australia.
Envolvimento dos crentes em oração

Um dos mais excitantes benefícios indiretos na evangelização de muçulmanos na Austrália


tem sido a crescente preocupação entre cristãos de orar pelos ministérios entre muçulmanos
de todo o mundo. Muitos se associaram à Fraternidade da Fé para Muçulmanos. Esta
organização produz um boletim de oração que contém informações coletadas em todo o
mundo. Tal boletim é remetido três vezes por ano, mediante uma taxa simbólica, para todo
aquele que está seriamente interessado em orações intercessórias. Eu gostaria de encorajar
todos os cristãos a ficar informados e envolver-se na oração por ministérios com
muçulmanos.
PARTE V
SUMÁRIO E CONCLUSÃO

Capítulo 20

SUMÁRIO DE PRINCÍPIOS

O que vem a seguir é um sumário de princípios para compartilhar o Evangelho com


muçulmanos, freqüentemente referido como “dez mandamentos” para alcançar
muçulmanos. Eles vão servir para que você se lembre das idéias apresentadas neste livro.

1. Uso da Palavra de Deus. Os muçulmanos respeitam livros sagrados: a Lei de Moisés, os


Salmos, o Evangelho e o Corão. Deixe a Bíblia falar por ela mesma.

2. Seja constante na oração. É o Espírito Santo que conduz o homem a Cristo. Busque sua
direção e poder à medida que você apresenta a Palavra.

3. Seja um amigo genuíno. Dizer olá não é suficiente. Se você realmente se importa,
demostre isso convidando-os para ir à sua casa, gastando seu tempo e ajudando-os a
resolver seus problemas.

4. Faça perguntas provocativas. “Você conhece a paz com Deus?” “Você tem o perdão
dos pecados?” “Deus responde suas orações?” “Você vai para o céu?” Questões como
essas demonstram que você tem interesse em aspectos importantes da vida, os quais são
alvo das preocupações muçulmanas.

5. Ouça atentamente. Quando você faz uma pergunta, a boa educação exige que você ouça
a resposta. Por outro lado, você pode aprender mais a respeito dos padrões de pensamento
muçulmano e, dessa forma, melhor se relacionar com eles.

6. Apresente suas convicções abertamente. Diga em que você acredita abertamente, sem
apologia, mostrando os versículos que apoiam tais ensinamentos. Assim, você coloca a
responsabilidade da doutrina em seu lugar de origem: na Palavra de Deus.

7. Raciocine, não discuta. Numa discussão, pode-se ganhar um ponto e perder um ouvinte;
isso gera muito calor e pouca luz. Uma discussão raramente leva a alguma coisa e pode
colocar alguém contra você e o Evangelho.

8. Nunca denigra Maomé ou o Corão. Isso pode ser tão ofensivo a um muçulmano quanto
o desrespeito à Bíblia ou a Jesus Cristo seria para você.

9. Respeite seus costumes e sensibilidades. Não os ofenda colocando sua Bíblia (um livro
sagrado) no chão, fazendo piadas a respeito de alguns assuntos sagrados, tais como jejum,
oração, Alá. Não recuse hospitalidade; não ofereça comidas ofensivas, por exemplo, carne
de porco, ou álcool. Vista-se modestamente e não demonstre muita liberdade com o sexo
oposto.
10. Persevere com paciência. Os muçulmanos têm muito o que repensar quando
confrontados com Cristo. Não os encoste na parede, pressionando-os a admitir seus erros.
Descanse, tendo certeza de que a Palavra de Deus vai fazer seu trabalho, a seu tempo.
Capítulo 21

CONCLUSÃO

Eu confio que essas experiências e lições de evangelismo com muçulmanos,


compartilhadas por um leigo, vão encorajá-lo. Não é fácil e não pode ser feito se você se
basear em sua própria força. Será útil ter em mente a distinção entre objetivos e desejos.
Objetivos são coisas que nós podemos alcançar e que são de nossa responsabilidade.
Desejos são coisas que nós gostaríamos de ver acontecer, mas que estão fora de nosso
controle por causa das vontades e ações de outras pessoas envolvidas (conceito extraído de
Encorajamento, do Dr. Larry Crabb, p. 52).

Nosso objetivo é tornamo-nos amigos e testemunhas aos muçulmanos, compartilhar a


verdade a respeito da pessoa e do trabalho de nosso Senhor Jesus Cristo. Alguns vão
responder, outros vão atrapalhar. Nosso desejo é que os muçulmanos se arrependam e
acreditem no Evangelho. Inicialmente, o princípio é trabalhar através de objetivos.
Obviamente, todo nosso trabalho é baseado em oração, como afirmamos antes.

Toda evangelização é difícil. A Bíblia usa constantemente a analogia da batalha. Não se


surpreenda se houver condições de vida difíceis, dor e morte. Assim é a guerra. Mas esses
cegos cativos do “homem forte”, Satanás, têm de ouvir o Evangelho. Quem vai falar a
eles? Eu fiquei profundamente comovido ao ler um pedido de oração de uma senhora
solteira, já próxima da aposentadoria que havia decidido retornar ao Líbano. Quando
questionada a respeito de sua decisão de voltar, ela respondeu: “Eu tenho toda a eternidade
para me alegrar nas vitórias do Senhor, mas pouco para estar envolvida em Suas batalhas”.

Onde estão os riscos que assumimos por Jesus hoje?

Onde estão os jovens que vão viver baseados em valores eternos, ao invés de ganhos
temporários?

Onde estão os seguidores da galeria da fé, do capítulo 11 de Hebreus, aqueles que serão
explorados “pela fé” neste século?

Onde estão os descendentes de Kaleb?

Evangelizar muçulmanos não é fácil, mas precisamos persistir na fé. Como testemunhas,
nós simplesmente temos a mesma função de uma placa de trânsito. Não importa a reação
do motorista diante da placa, mas sim que ela cumpra sua função, sinalizando. Nossa tarefa
é apontar para Jesus Cristo, o Salvador do mundo. Compartilhe sua fé na força dEle, com
humildade e sensibilidade. É como um pobre mostrando a outro pobre onde se pode
encontrar pão.

Possa o Senhor usar você para Sua glória.


APÊNDICE A

CUIDE DE SUA LINGUAGEM


A. H. Whitehouse

INTRODUÇÃO

Este é um artigo a respeito dos diferentes significados de algumas palavras teológicas em


seu entendimento por cristãos e muçulmanos. Foi escrito por Aubrey Whitehouse que, com
sua esposa, passou 37 anos evangelizando muçulmanos no Oriente Médio. Ele é um dos
que usou a sigla A. I. O., mencionada neste livro. Eu tenho um grande débito para com ele
por seus sábios conselhos que me foram dados a respeito de alguns conceitos que estão
neste livro.

Nós usamos palavras para nos comunicar e, na maioria das vezes, assumimos que se, ambas
as partes estão usando as mesmas palavras, cada um pode entender sobre o que o outro está
falando. Mas não necessariamente. Veja esta simples ilustração: Um australiano e um
visitante americano combinaram de encontrar-se no lobby do primeiro andar de um hotel
bem conhecido. Há a possibilidade de eles nunca se encontrarem. A razão é que o que um
está pensando fica cerca de quatro metros acima do que o outro está imaginando. O que um
chama de primeiro andar o outro chama de sobreloja, e o que este chama de primeiro andar
o outro chama de segundo andar.

Se é tão fácil ocorrer desentendimentos em assuntos tão simples, como um andar num
prédio, imagine quão complicada é a área do vocabulário religioso. Assim, se quiser se
comunicar com um muçulmano, você tem de certificar-se de que ele entende mesmo o que
você quer dizer quando se utiliza das mesmas palavras. Vamos refletir sobre nosso
vocabulário religioso.

Obviamente, devemos começar com Deus. Que palavra devemos usar? Nós sabemos que
os muçulmanos referem-se a Deus como Alá. Alá é o mesmo que Deus? Ou é uma
divindade muçulmana bem diferente de Deus? A resposta vai depender de qual língua você
está usando. Se estiver falando a ele em árabe, você certamente vai dizer Alá. Não há
nenhuma outra palavra árabe para “Deus”. “Alá” é uma palavra árabe, e não muçulmana.
É a palavra que foi utilizada para descrever a suprema divindade muito tempo antes do
islamismo aparecer. Na verdade, o pai de Maomé, chamava-se Abdala (que quer dizer
servo de Alá). Árabes falando a judeus, cristãos e muçulmanos, todos usam “Alá” para
referir-se a Deus.

Por outro lado, se você estiver falando em português, use a palavra “Deus”, que é o
equivalente em português para Alá. Ao falar em português com um muçulmano, não é
importante referir-se a Deus como “Alá”, quando quiser o conceito muçulmano de Alá, e
como “Deus”, quando quiser significar o conceito cristão de Deus. Isso só traz confusão e
torna quase impossível uma conclusão. Como os muçulmanos traduzem seu credo “La
ilaha illa Allah” para o português? É simples: não tem tradução. A fé muçulmana é
expressa em árabe. Mas, se tivermos de traduzir, podemos falar assim: “Não há deus, mas
Deus”.

Entretanto, tendo chegado à palavra comum “Deus” (Alá, em árabe) para designar o único
Deus, teremos nós chegado a um entendimento comum do conteúdo de tal nome? Ou será
que, como o australiano e o americano, estaremos usando a mesma palavra para significar
coisas diferentes? Este é o ponto crucial do problema. A menos que captemos algo que a
média dos muçulmanos bem instruídos entende quando fala em Deus, nós jamais
poderemos medir o alcance de nosso testemunho para eles. E mais, por que eles
consideram o ensinamento mais precioso do Evangelho como algo a um só tempo horrendo
e blasfemo.

A grande ênfase do Corão relativa a Deus é que Ele é:


a) Uno, único e solitário
b) Eterno
c) Criador

Os cristãos poderiam endossar essa descrição de Deus; contudo, mais uma vez devemos nos
perguntar: “Estamos colocando nessas palavras o mesmo conteúdo que os muçulmanos?”

Primeiramente, a unidade de Deus é entendida pelos muçulmanos e ensinada no Corão


como uma unidade absoluta, incondicional, matemática. Este é o grande tema do Corão e
talvez a melhor síntese para nós sejam os versos repetidos por todos os muçulmanos todas
as vezes que eles oram, que diz: “Ele é Deus, o uno e o único; Deus, o eterno, o absoluto, o
que não teve pai, e o que não é pai, e não há nenhum outro como Ele”.

Com tal atitude perante Deus, não é nenhuma surpresa que o maior pecado possível, aos
olhos dos muçulmanos, seja atribuir paternidade a Deus. Este é um pecado imperdoável.
“Deus não perdoa aqueles que querem se associar a Ele. Ele perdoa tudo àquele que Ele
quer, mas colocar parceiros ao lado de Deus é planejar um grande pecado.” (Corão)
Nenhum muçulmano aceitaria a declaração de Paulo da unidade de Deus. “Todavia para
nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só
Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também por ele” (I Co. 8.6). Nem
tampouco concordariam com a definição: “Deus é Espírito” (Jo. 4.24). Por que os espíritos
são seres criados e, especificamente, o Espírito Santo é identificado com o anjo Gabriel.

A doutrina muçulmana da unidade de Deus é, então a do Um, tão solitário e supremo, como
para tornar impossível qualquer idéia de relacionamento dEle com o homem, ou com seres
espirituais. Mesmo a revelação, tão importante para a religião muçulmana, não pode ser
direta, mas precisa ser mediada por um arcanjo. E mais, tão transcendente é o Deus do
Corão que é impossível conceber seja Seus atributos, Sua pessoa ou qualquer predicado do
que Ele pode fazer a qualquer tempo e circunstância. Enquanto no Evangelho Deus revela-
Se em Cristo, no Corão tudo o que Deus revela são Suas leis, Sua vontade. Deus
permanece desconhecido e incognoscível, inacessível e inescrutável.

Partindo naturalmente da unidade de Deus, vem a eternidade de Deus. Um dos maiores


versos do Corão declara: “Deus, não há Deus, mas Ele, o Vivo, o Eterno. Aquele que não
dorme, nem se deixa vencer pelo sono; a Ele pertencem todas as coisas que há no céu e na
terra. Quem há que possa interceder junto a Ele e ser salvo sob Sua permissão...” Alguns
teólogos muçulmanos foram mais longe em insistir que Deus não tem atributos, mas
eternidade.

Ao lado da solidão e da eternidade de Deus, temos o entendimento dEle como Criador, que
é incondicionado em Sua atividade criadora, Tudo, Bem e Mal, é resultado da constante e
irrestrita atividade criativa de Deus. Tudo está de acordo com Sua irrestrita e imprevisível
vontade. Como Ele quer, Ele faz. É heresia falar em justiça em conexão com os atributos
de Deus.

Uma vez que todos os conceitos teológicos muçulmanos devem ser interpretados à luz do
entendimento que eles têm de Deus, examinemos outras palavras comumente usadas, a
partir da ótica deles.

1. Pecado. A Bíblia nos ensina que o pecado é uma atitude de desobediência a Deus. É o
exercício de nossa vontade, contrária à vontade de Deus. Como descendentes de Adão e
Eva, nós herdamos sua natureza de pecado e, por nossa própria natureza, tendemos ao mal,
não ao bem.

Ao contrário, o Corão ensina que o homem nasce bom e que não é capaz de opor sua
vontade à vontade divina. A vontade de Deus é absoluta. É Ele, e não a natureza de
pecado inerente ao homem, que desvia o homem do bem. “Deus desvia quem Ele quer e
guia quem Ele quer, e Ele é poderoso e sábio”. (Corão). Novamente, “Deus desvia os que
praticam o mal e Deus faz o que Ele quer” (Corão). Assim, é impossível para um
muçulmano considerar que Deus sofre com o pecado. E mais, o pecado como uma atitude,
um princípio de erro, é completamente alheio aos ensinamentos do Corão. Ele fala de
pecados específicos (atos) e classifica os pecados em várias categorias, de acordo com a
carga de mal a eles atribuída por Deus.

2. Isso nos leva à consideração do arrependimento e do perdão. Mais uma vez, o Corão
insiste em que o arrependimento do pecado, como acontece na vida de algumas pessoas, é
determinado pela iniciativa e pelo controle de Deus. Os muçulmanos entendem o
arrependimento como uma recusa do pecado para Deus, mas é Deus quem determina tal
ação. “Deus desvia quem Ele quer e guia a Ele todos os penitentes... se Deus quisesse, Ele
teria guiado todos os homens juntos.” (Corão). Especificamente no Corão (Deus) afirma, a
respeito do arrependimento: “Teu Senhor cria e escolhe como Ele quer, nenhuma chance
eles têm (os homens)”.
Isto posto, é inevitável que o perdão igualmente depende da vontade de Deus. Não é
condicionado pela presença ou ausência do arrependimento do homem. Deus perdoa quem
Ele quer e não perdoará quem Ele não quiser. “Quem Ele quiser, Ele perdoa, e quem Ele
quiser, Ele castiga.” (48.14)

3. Isso nos leva ao assunto da justificação e da redenção. A história de Abrão e seu filho
(Ismael, de acordo com o Islamismo), e o sacrifício de um cordeiro em lugar de seu filho,
está escrita no Corão. É dito acerca do sacrifício do cordeiro que “nós o livramos (Ismael)
com um poderoso sacrifício”. Esta é a única passagem do Corão onde o livramento é
obtido via sacrifício e não mantém nenhuma relação com o pecado. É simplesmente uma
substituição. Em comemoração a essa redenção, um animal é sacrificado ao final da
peregrinação anual à Meca, onde alegam que esse incidente ocorreu.

Há outras seis passagens no Corão, onde as palavras “justificação” ou “redenção”


aparecem. Em cada ocasião, é algo que o homem fez para compensar alguns pecados
cometidos ou a omissão de alguns deveres. Em uma delas (57.15), afirma-se que no dia do
julgamento será muito tarde para uma justificação (compensação) dos pecados cometidos.

Podemos prontamente perceber que o conceito de redenção ou justificação não é estranho


para os muçulmanos. Ele tem algo em comum com a doutrina bíblica, mas em nenhum
caso é praticado por outra pessoa que não o pecador. Na verdade, o sacrifício vicário é
excluído, como na frase que diz: “Cada alma ganha apenas o que lhe é pertinente; nenhuma
alma paga a dívida de outra”. (Corão) E, claro, seria uma blasfêmia extrema falar de um
Criador que carrega sobre Si os pecados de Suas criaturas.

4. Fé. A fé no Islamismo refere-se sempre a uma idéia de alguns aspectos da crença, e se


alguém o afirma, não importa se ele praticar ou não, será chamado crente. Na prática,
“crente” tornou-se sinônimo de muçulmano. Quando um muçulmano diz que acredita em
Deus, ele não está falando de seu relacionamento com Deus, assim como alguém que diz
acreditar nos direitos humanos, ou na lei da gravidade. E, ainda assim, essa fé, como tudo
mais, depende da imprevisível e incondicionada vontade de Deus. “Nenhuma alma pode
acreditar se não for pela vontade de Deus.” (Corão)

A partir das referências acima, podemos perceber que duas doutrinas cardinais do
Cristianismo – a encarnação de Deus em Cristo e Sua morte vicária na cruz – são anátemas
para os muçulmanos. E ainda, o Corão as nega categoricamente. Aceitar a divindade de
Cristo é ser culpado de um pecado imperdoável. Um sacrifício que pague pelos pecados é
igualmente desnecessário, uma vez que Deus perdoa quem Ele quer, de modo
incondicional, pois nenhuma alma pode suportar o fardo da outra. Em adição, Deus não
está preocupado com o destino eterno de Suas criaturas. “Ele pune quem Ele quer, e Ele
perdoa a quem Ele quer”. (Corão)

Podemos perceber também que algumas expressões teológicas comuns ao Cristianismo e ao


Islamismo não têm o mesmo significado. Entretanto, se alguém que testemunha aos
muçulmanos estiver consciente das diferentes interpretações que os muçulmanos atribuem a
essas expressões, ele poderá usá-las dando-lhes um significado cristão. Isso vai requerer
oração e uma cuidadosa reflexão, para que termos comuns sejam os degraus iniciais da fé, e
não pedras de tropeço.
APÊNDICE B

O PROPÓSITO E OS PLANOS DE “OS PROFETAS E A PALAVRA”

Propósito

O propósito geral do livro é tornar disponível mais uma ferramenta, a qual o Espírito Santo
possa utilizar para trazer os muçulmanos ao conhecimento salvador de Jesus Cristo. As
passagens bíblicas foram escolhidas e reunidas com base no princípio “da luz da Palavra de
Deus”. Os objetivos são dar ao leitor algum entendimento das verdades bíblicas básicas,
interagir com os erros comumente afirmados pelos muçulmanos, mas a finalidade principal
é apresentar a verdade que precisa ser demonstrada, em vez de uma apologia.

Formato

O livro foi concebido de modo que pudesse colocar a Palavra de Deus nas mãos dos
muçulmanos, numa forma aceitável e que demonstrasse sensibilidade às diferenças
culturais. A capa e as páginas desenhadas devem registrar automaticamente em suas
mentes o fato de que esse é um livro santo, de modo a tornar sua recusa difícil para eles.
Em nenhum lugar do livro menciona-se o Corão, o Islamismo ou Maomé, o que levaria os
muçulmanos a uma posição defensiva. O título foi cuidadosamente escolhido, levando do
conhecido para o desconhecido.

As dimensões do livro e o número de páginas são restritas, de modo a permitir que ele caiba
em bolsos ou em casacos. Os muçulmanos gostam de ler qualquer literatura cristã em
particular. Por outro lado, ele pode ser usado num trabalho postal, o que vai requerer um
tamanho pequeno. Uma edição “via aérea”, como se fosse uma carta, pode ser considerada
para o uso em países com restrições postais ou serviços suspeitos.

Conteúdo

O livro inicia com eventos e personagens bíblicos que são familiares aos muçulmanos;
nomeadamente, criação, Adão e Eva, alguns patriarcas e profetas. Uma vez que as
genealogias são importantes no pensamento muçulmano, a genealogia de Cristo é usada
como ligação entre as partes do Antigo Testamento. Daí seguimos para o Evangelho, que
fala da vida e obra de Cristo, e então para o significado de Sua morte e ressurreição, o que
nos leva para as epístolas. Isso confirma o entendimento muçulmano do julgamento de
Deus e a força de Satanás, mas também mostra como o Senhor Jesus triunfa sobre o espírito
do mundo e redime os pecados dos homens. Versículos que falam de concepções
equivocadas dos muçulmanos, como a morte de Cristo, de fato, Sua ressurreição, Seu poder
de fazer milagres, etc., são cuidadosamente inseridos no contexto do livro.

Anotações dos números de capítulos e versículos foram omitidas para facilitar a leitura. As
referências bíblicas, por capítulo, são apresentadas apenas no final do livro. O objetivo
disso é evitar que se leia a passagem no seu contexto original. Como o título “O Filho de
Deus” exerce tamanho impacto sobre os muçulmanos, inserimos uma breve nota de rodapé
indicando a primeira vez em que aparece no texto. Os títulos são usados para ajudar o
entendimento do conteúdo e a seqüência da narrativa. Do contrário, o texto é apenas a
passagem bíblica, sem comentários, deixando o Espírito Santo usar e interpretar a Palavra
de Deus para os leitores.

O Uso

O livro foi preparado para alcançar muçulmanos que ainda não foram expostos à verdade
da Bíblia. O ideal seria fornecer-lhes uma Bíblia completa, mas, uma vez que isso não é
possível por uma série de razões, “O Profetas e a Palavra” busca expor ao leitor as
passagens mais importantes do Antigo e do Novo Testamento. Nós imaginamos o pequeno
livro sendo usado em contatos pessoais com muçulmanos, programas postais,
acompanhamento de transmissões de rádio e por missionários em vários ministérios. Uma
carta amigável como introdução poderia acompanhar o livro; assim poderia ser recebido e
lido em particular. Ele tem sido traduzido em várias línguas para sua distribuição entre
diferentes grupos étnicos de muçulmanos.

Acompanhamento

Há algumas páginas extras no livro, a fim de que o grupo de cristãos ou a pessoa que o
estiver utilizando possa colocar seu endereço para acompanhamento. Uma breve e sutil
solicitação de resposta da parte do leitor pode ser incluída. (Fizemos isso com sucesso num
programa postal na Austrália). Anúncios de programas de rádio, cursos bíblicos por
correspondência e outros livros disponíveis podem ser impressos na última parte do livro.
Disponibilidade: para informações a respeito do livro, escreva para “Povos do Mundo” – P.
O. Box (Caixa Postal) 96, Pymble, NSW 2073, Austrália.
APÊNDICE C

DICAS PARA IMPLEMENTAR UM PROGRAMA POSTAL

Em adição aos princípios de evangelismo postal discutidos neste livro, damos a seguir
alguns detalhes de como o programa funcionou na Austrália. Alguns podem achar as
informações úteis na implantação de programa similar.

1. O Senhor deixou claro nas mentes daqueles que coordenaram o programa que a oração
era o principal ingrediente para o esquema todo. Não foi apenas um exercício mecânico, no
qual um computador é programado e as cartas enviadas ao mundo. Produziu-se um folheto
explicando o plano e convidando os cristãos a se envolverem. Os folhetos foram
distribuídos em igrejas, em convenções missionárias e através de malas diretas para alguns
grupos de oração.

Durante certo tempo, 65 cristãos apresentaram-se como voluntários. Nós lhes fornecemos
uma folha de instruções com uma lista de nomes muçulmanos e seus respectivos endereços,
os folhetos evangelísticos, envelopes e um panfleto: “Ajudem-nos a interceder por suas
famílias muçulmanas”. Todo o material foi oferecido gratuitamente pelos diretores. O
compromisso dos cristãos foi fornecer selos, postar o material e orar regularmente por suas
famílias muçulmanas.

2. Os folhetos evangelísticos eram em duas línguas: árabe e inglês. A capa continha um


desenho árabe e o título não era ameaçador: “A história da Palavra”. Trazia apenas
versículos. Não havia menção do Islamismo, do Corão, etc. Os imigrantes adultos seriam
fluentes em sua própria língua, mas a geração mais jovem gostaria de ler em inglês. Os
folhetos eram exatamente os mesmos; assim, seus pais saberiam o que seus filhos estavam
lendo.

3. Os folhetos foram acompanhados de uma carta amigável e, em ambas as versões da


carta, havia o desenho árabe. Seu conteúdo era o seguinte:

“Nós estamos lhe escrevendo, embora você seja um estranho para nós, para dar as boas
vindas a você e à sua família em seu novo país. Minha esposa e eu gostamos de receber
em nossa casa visitas de novas famílias australianas e seus amigos, o que tem enriquecido
nossas vidas. Nós lhe escrevemos porque nos preocupamos com as pessoas.

Como muitos outros, você deve ter ouvido falar que a Austrália é um país cristão. Você
provavelmente deve ter ficado surpreso e desapontado ao encontrar muitas pessoas aqui
pensando tão pouco em Deus. Entretanto, há algumas pessoas que amam e adoram a
Deus. E é por isso que nós estamos escrevendo para encorajá-lo.

Nós achamos que o folheto anexo é útil. Por favor, aceite este presente como se fosse de
amigos. Esperamos que você gostará de lê-lo.

Seu amigo sincero,


Bill”

4. Na primeira postagem, utilizamos envelopes de várias, cores, cada um endereçado a mão.


Vários números de caixas postais foram usados, em diferentes bairros, como endereço de
remetente. Nenhum contrato postal foi utilizado. Colamos os selos em cada envelope.
Tudo isso foi feito para que a remessa parecesse pessoal, e dessa forma, disfarçar o fato de
que os muçulmanos eram o alvo de nossa campanha especial.

5. Os nomes e os endereços foram obtidos nas listas telefônicas dos diversos estados da
Austrália. Alguns grupos étnicos tendem a concentrar-se em certos bairros de cidades
grandes, o que ajudou a diminuir a fonte de endereços. Uma família egípcia anotou 12 mil
nomes árabes. Eles eram digitados num computador, que foi programado para atribuir a
cada nome cristão um certo número de nomes muçulmanos. Os nomes e endereços
muçulmanos foram impressos e enviados com o restante do material aos cristãos
envolvidos.

6. Cada pacote postado incluía uma oferta de material para acompanhamento, Tinha um
formato simples e bastava a cada muçulmano fazer um “X” nos itens que ele desejasse e o
colocasse em um envelope pré-postado. Os itens oferecidos eram: a) um livro: “A
testemunha e a Palavra” (o livro de Atos), em ambas as línguas: b) o primeiro livro
enviado era gravado em árabe numa fita cassete; este item era oferecido especialmente para
aqueles que não sabiam ler; c) uma oferta de curso bíblico por correspondência, baseado
em Lucas, em ambas as línguas.

7. O custo financeiro deste programa é considerável e deve ser examinado cuidadosamente


por qualquer grupo que pense em executá-lo. O programa acima foi financiado por um
executivo cristão através de uma instituição de caridade, a Sociedade Missionária e
Evangélica. Os recursos podem ser alcançados se o Senhor apontar a direção.

Resultado do programa postal

Como podemos avaliar os resultados de um programa postal? Apenas a eternidade vai


revelar como Deus graciosamente usou Sua Palavra e as orações de Seu povo neste sentido.
A Palavra poderosa e viva foi recebida em 12 mil lares. Levando em consideração as
grandes famílias dos muçulmanos, isso equivale a um potencial de cem mil leitores.

As respostas foram interessantes. Muitos abriram o pacote, olharam o material e


remeteram-no de volta. Essa não é uma resposta comum, pois denota sua relutância em
destruir um “livro santo”, mesmo que eles não o quisessem. Alguns responderam
agressivamente, com ameaças, o que também era esperado. Duzentos e cinqüenta
requisitaram mais material, a maioria solicitando mais de um item. O número total de itens
enviados foi de 545. Sem dúvida, muitos de nossos folhetos estão esquecidos dentro de
uma gaveta, sem sequer terem sido lidos, esperando... esperando... como uma boa semente,
pronta para brotar e dar bom fruto. A Palavra de Deus não volta vazia. Uma outra
interessante observação é que cerca de 50% daqueles que requisitaram mais material não
constavam da lista original. Isto significa que os muçulmanos haviam passado os folhetos
para outros membros de sua família ou amigos. Deus os estava usando para distribuir Sua
Palavra!

O desdobramento mais encorajador de todo o trabalho foi verificar o crescimento espiritual


dos cristãos envolvidos. Deus abriu muitos corações para novas maneiras de entender que
as pessoas estão realmente perdidas sem Cristo. Eles estão vendo o mundo como Deus o
vê, fora das atividades de sua Igreja. Cerca de cem incluíram em suas orações o calendário
mundial de orações da Fraternidade de Fé para Muçulmanos, ministério voltado para
muçulmanos de todo o mundo. Eles aprenderam a interceder por pessoas que nunca
conheceram, a orar de acordo com os propósitos de Deus para Sua criação. O programa
postal foi concluído quatro anos atrás, mas a corrente de oração tem sido mantida por cerca
de 400 cristãos que têm contínuo interesse em evangelizar muçulmanos. Muitos deles
mandam ajuda financeira e escrevem: “Eu ainda estou orando pelas famílias muçulmanas”.
Deus seja louvado!

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do
Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (I Co. 15.58)
O TESTEMUNHO DO AUTOR

W. D. Dennett

Eu sou um leigo que confia no Senhor Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador, desde a
época do colégio. Fui um soldado e lutei durante cinco anos na 2ª Guerra Mundial.
Depois, recomecei meus estudos e me formei em engenharia química. Tive meu primeiro
negócio durante 25 anos antes de me aposentar. Eu era um membro da Igreja Batista de
meu bairro e estudei teologia para poder fazer uma leitura consistente e bem fundamentada
da Bíblia. Esforcei-me para ler toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, uma vez por ano.
Também estudei os livros da Bíblia separadamente, utilizando-me de comentários, e recebi
bons ensinamentos através de fitas cassetes e participação em convenções.

A guerra foi uma experiência brutalizante. Eu vim de uma dura experiência, que
determinou meu estilo de vida. Aquela realidade é o entendimento de que um fio muito
tênue sustenta nossas vidas. A vida pode facilmente nos escapar. A morte é o fim. Essa
consciência colocou em mim a determinação de aproveitar cada oportunidade para pregar o
Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Durante 35 anos, nos finais de semana, eu e um grupo de homens caminhávamos pelas ruas
de Sidney, na Austrália, pregando ao ar livre para adultos e conduzindo crianças para
reuniões em praias e parques. Este ministério colocou-me em contato com imigrantes nesse
país, especialmente muçulmanos, pelos quais Jesus deu-me um fardo especial. Os contatos
nas ruas eram casuais e as pessoas vinham para ouvir a pregação. Ademais, nossa estante
com livros em língua estrangeira chamava-lhes a atenção. Começávamos uma conversa
amigável e, se eles estivessem interessados, nós lhe dávamos material evangélico em suas
próprias línguas. Através dos anos, literalmente milhares de folhetos, Bíblias, Novos
Testamentos, discos e fitas evangélicas foram distribuídos dessa maneira para as pessoas,
em mais de 50 línguas. Para aqueles que demonstraram especial interesse, minha esposa e
eu oferecíamos a hospitalidade de nossa casa e, assim, podíamos ter muitas oportunidades
de compartilhar com eles nossa fé em nosso Senhor Jesus Cristo.

Uma preocupação quanto à falta de esforços organizados para alcançar os muçulmanos em


Sidney levou-me à “Awareness Fellowship”, da qual sou presidente. Desde então, o
Senhor tem levantado muitos grupos e trabalhadores, com vários tipos de ministério entre
muçulmanos. Nós nos reunimos para orar e para o encorajamento mútuo várias vezes por
ano.

Eu li muitos livros a respeito do Islamismo e aprendi bastante a respeito de suas crenças e


práticas. Minha abordagem básica é sempre falar a eles a respeito de suas necessidades
espirituais que o Islamismo não pode preencher mas as quais podem ser supridas através da
fé em Cristo.

O sucesso dessa abordagem tem sido confirmado para mim de modo muito incomum. Eu
estava feliz em meu casamento que já durava 24 anos, quando minha mulher faleceu de
câncer. Depois de algum tempo, o Senhor graciosamente me levou a uma nova parceira
maravilhosa. Ela é médica, do Texas, e tem 12 anos de experiência trabalhando num
hospital missionário entre muçulmanos agressivos e hostis. Freqüentemente ela tem
compartilhado comigo vários exemplos do vazio e da desesperança de suas vidas, a
despeito de seu fanatismo religioso. Sua experiência confirma que a melhor maneira de
tocar um coração muçulmano é abordar suas necessidades espirituais. A ajuda de Jo Anne
ao escrever este livro é inestimável. Ela datilografou o manuscrito e o acompanhou durante
suas várias modificações; também contribuiu com suas experiências relacionadas a
muçulmanos.

Oro para que as idéias compartilhadas neste livro possam, em nome de Deus, dar-lhe
coragem para se dirigir a essas pessoas desesperadamente necessitadas que estão à nossa
porta.