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WORKSHOP

HISTÓRIA / ARQUITETURA / ESTRUTURA


 
ARQUITETURA BRASILEIRA
 
Dra. Doris Maria Machado de Bittencourt
Ms. Milton Roberto Keller
Ms. Cícero Corrêa
ARQUITETURA BRASILEIRA
 
 
•  No âmbito da História da Arquitetura Brasileira e Estrutura, a
obra de Vilanova Artigas foi escolhida para estudo.
 
•  Segundo Vilanova Artigas:

•  “A estrutura não deve desempenhar o papel de humilde


esqueleto, mas sim, deve revelar a graça com que os novos
materiais permitem dominar as formas cósmicas, com a
elegância de vãos maiores e de formas leves.”

•  Os grandes vãos e a elegância estrutural a que se refere o


arquiteto também estão presentes nos projetos da FAUUSP,
rodoviária de Jaú e Anhembi Tênis Clube.  
ARQUITETURA BRASILEIRA:
Faculdade de Arquitetura
da USP
1.  Ficha  técnica:  
Arquitetos:  João  Ba0sta  Vilanova  
Ar0gas  e  Carlos  Cascaldi  
Ano:  1969  
Endereço:  Rua  do  Lago  876,  Cidade  
Universitária  São  Paulo  Brasil  
Tipo  de  projeto:  Educacional  
Status:  Construído  
Materialidade:  Concreto  e  Vidro  
Estrutura:  Concreto  
Localização:  Rua  do  Lago  876,  Cidade  
Universitária,  São  Paulo,  Brasil  
Estrutura:  Escritório  Figueiredo  Ferraz  
Construtora:  Administração  da  Cidade  
Universitária  ANR  
   
ARQUITETURA BRASILEIRA:
FAUUSP
2. A trajetória de Vilanova Artigas
 
 
O prédio da FAUUSP é considerado
uma das obras-primas de Artigas. Na
 
década de 50, o mestre foi
reconhecido e transformou-se numa Retirou-se da univesidade tendo-
das grandes referências da se negado a voltar a pisar no
arquitetura modernista no Brasil. prédio da arquitetura. Triste final
Vilanova Artigas era militante de para o grande mestre da
esquerda, foi cassado. Com a anistia arquitetura brasileira!
voltou a lecionar na FAU. Apesar de Artigas desenvolve uma
seu reconhecido saber teve que linguagem arquitetônica própria
submeter-se a um concurso para que contraditoriamente sintetiza
professor titular na USP, juntamente as ideias dos dois grandes
com mestres como Carlos Guilherme arquitetos, Frank Lloyd Wright e
Mota. Ambos tiraram 10, nota Le Corbusier. De Wright herda a
máxima! Mesmo assim, ele horizontalidade das Prairies
considerou que o concurso tinha sido Houses, de Le Corbusier, o
uma palhaçada. racionalismo.
ARQUITETURA BRASILEIRA: FAUUSP  
3. Histórico do prédio
João Batista Vilanova Artigas era
professor da Faculdade de
Arquitetura da USP quando iniciou o
 
projeto do prédio da FAU, em 1961.
 
Seu colaborador foi Carlos
Cascaldi, com quem realizou
inúmeros projetos.
Na época, a FAU funcionava na
Vila Penteado, no casarão art-
nouveau – localizado na Rua
Maranhão, em Higienópolis. O
projeto evidencia as linhas mestras
de Vilanova Artigas, sua força e
grandeza concretizadas na
arquitetura. Artigas emprega o
concreto bruto e aparente, o vidro
e busca acima de tudo a
integração espacial. Seus prédios
são funcionais
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4. Características e estrutura:
O Prédio é formado por um bloco retangular medindo em planta
110,00 m. X 66,00 m. A área total construída é de 18.600 m 2. Abriga
oito pavimentos interligados por rampas, escadas e um elevador. No
que se refere à organização espacial destaca-se a cobertura em
grelha, solucionada com uma laje cogumelo. A solução para
iluminação zenital foram os domus traslúcidos que recobrem a grelha
de cobertura. As vigas em formato de A invertido, vazadas ainda
guardam a fôrma de madeira usada na concretagem denominada
como “caixões perdidos”. O segundo corte mostra as vigas vazadas
e as de secção plena.
ARQUITETURA BRASILEIRA: FAUUSP  
O corte transversal
mostra as secções das
vigas em formato de A,
vazadas, que ainda
guardam a fôrma de
madeira usada na
concretagem em
técnica conhecida
como caixão perdido.
Os cortes longitudinais
ilustram as secções das
vigas vazadas e das
vigas de secção plena.
A cada dois domus
existe uma viga em
formato de A invertido
plena. Entre dois domus
existe a viga A invertido Corte transversal
vazada.
ARQUITETURA BRASILEIRA: FAUUSP  
Os módulos da grelha sugerem à quem observa de dentro
peças de concreto individuais o que, no entanto, não
corresponde à estrutura real, vista do exterior, composta por
vigas invertidas transversais a cada 5,5 metros e longitudinais a
cada 22 metros.
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Corte transversal
ARQUITETURA BRASILEIRA: FAUUSP  

A laje se apóia em dois tipos de pilares, os internos que se


chamam colunas e os perimetrais, de secção piramidal, que
possuem uma plasticidade característica das grandes obras de
Vilanova Artigas.
As vigas principais são invertidas e possuem secção rectangular,
elas delimitam os módulos de cobertura . Cada um destes
módulosl, em planta mede 5,50 m. X 22,00 m. e são compostos
por 16 domos. A estrutura em concreto armado aparente foi
calculada pelo escritório do Engenheiro José Carlos Corte
de Figueiredo
transversal
Ferraz.
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O prédio da USP foi iniciado em 1966 e concluído em


1969. Externamente é um grande paralelepípedo de
concreto, sustentado por pilares em forma de trapézios
duplos que parecem mal tocar o solo.
Artigas orgulhava-se deste detalhe em seus projetos.
Como afirmava, gostava da relação dialética entre
pilares que mal tocavam o solo sustentando volumes
pesados. Rodeava-se dos mais competentes
engenheiros para calcular seus projetos. Mas ainda
ouvia dos leigos a expressão que o divertia: - “Mas
doutor! essa porcaria vai cair!
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A intenção do arquiteto era estabelecer o contraste
entre o jogo de planos fechados e visualmente
pesados e os leves pontos de apoio que os
sustentavam. Ao que se somava o jogo entre os
planos fechados e as superficies envidraçadas do
acesso ao prédio e da parte inferior.
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A ideia de continuidade espacial concretiza-se no grande hall


central, com um vazio que se estende no sentido horizontal e em
toda a altura do prédio significando o grande local de reunião
de estudantes e professores que pensam e refletem sobre
arquitetura. Os seis pavimentos do prédio são reunidos por suaves
e grandes rampas, que fazem lembrar as experiências do
Raumplan de Adolf Loos. As rampas vencem uma altura
equivalente à metade da altura de um pavimento.  
ARQUITETURA BRASILEIRA: FAUUSP  

Nos cortes longitudinal e transversal pode-se observar que apenas o


quinto e o sexto pavimentos ocupam toda a área do grande volume
paralelepipédico. Os outros quarto, alternadamente, recuam
liberando um espaço entre a fachada envidraçada e o exterior que
evoca o casco de uma tartaruga. No prédio como um todo a
sensação é de um único pavimento, as divisões apenas marcam
diferentes espaços e funções. A FAUUSP representa o ideal de vida
comunitária propalado por seu autor. O ideal de democracia está
presente, no trajeto que cada indivíduo faz para entrar no prédio. A
grande portada principal simplesmente não existe na FAUUSP.
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Planta Baixa Subsolo/ Oficinas/ Planta Baixa


 
Auditório Direção

 
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Planta Baixa Biblioteca/ Planta Baixa Estudos/
Departamentos Salas de Aula

 
 
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As lajes uniformes dos pavimentos, possuem 80 cm de


espessura, também possuem fôrmas internas, conhecidas como
caixão perdido. O caixão perdido molda as vigas, mantendo-as
ocultas entre duas lajes: o piso e o “forro”. Por dentro das lajes
dos pavimentos um complexo sistema de vigas forma o
perímetro irregular das lajes. Artigas tira partido dessa linguagem
com maestria, transformando o complexo sistema laje-viga em
um elemento plástico monolítico.
 
ARQUITETURA BRASILEIRA: FAUUSP  
A estrutura de ensino pensada por Artigas é revolucionária na
medida em que propõe um novo método de ensino através
da liberdade e da experimentação. Se os ateliês do quinto e
sexto pavimentos não possuem janelas que abrem para a rua,
paralelamente, possuem os domus que filtram a luz solar e
permitem a estudantes e professores o estudo, a reflexão e o
sonho; divagam, criam e expressam novas ideias
arquitetônicas diretamente ligados ao infinito do firmamento.
A filosofia da Bauhaus está explícita na relação que Artigas
propõe para articular arte e técnica.
ARQUITETURA BRASILEIRA: FAUUSP  
5. Tombamento:
O prédio foi tombado pelo CONDEPHAAT. Foi transformado
em Patrimônio cultural da cidade de São Paulo.

6. Bibliografia:

http://www.arquiteturabrutalista.com.br/fichas-tecnicas/DW
%201961-57/1961-57-fichatecnica.htm ( acesso em 6-5-2016).
ACRÓPOLE no 377, p. 15, set, 1970.

Entre o pátio e o átrio. Três percursos na obra de Vilanova


Artigas, ano 13, nov, 2012.http://www.vitruvius.com.br/revistas/
read/arquitextos/13.150/4591.

ANDRADE, Claudia T. de Andrade. O restauro do moderno: o


caso do edifício Vilanova Artigas da FAUUSP. In:
http://www.docomomo.org.br/seminario%207%20pdfs/069.pdf.
( acesso em 6-5-2016.
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  

Ce que Vilanova Artigas


fait est:

“Faire chanter les point


d’appui”!
 
1.  Ficha técnica:

Arquitetos Vilanova Artigas


Localização: Jaú, São
Paulo, Brasil
Ano do projeto: 1973
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
O ônibus entra na Rodoviária e as
pessoas descem diretamente na
plataforma e, uma senhora que ía
para Jaú me contou que, quando o
ônibus entrou na estação, o motorista
disse:
– A senhora não vai descer?

E ela:

– Não, eu vou para Jaú.

– Mas nós estamos em Jaú.

– Que nada, rapaz, eu conheço Jaú e,


lá, não tem dessas coisas!
FUNDAÇÃO VILANOVA ARTIGAS e INSTITUTO LINA BO E P.M.
BARDI. Vilanova Artigas: arquitetos brasileiros. São Paulo: Fundação
Vilanova Artigas e Instituto Lina Bo e P.M. Bardi (coordenação editorial:
Marcelo Ferraz), 1997, p. 178.
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
2. Partido do projeto
•  O térreo é livre, aberto e
coberto. Tem a função de
recepção, tanto para
quem chega do centro
da cidade, como para
quem vem de cada uma
das praças laterais.
•  No nível inferior do espaço
de pé direito triplo estão
as bilheterias, visíveis de
todo o prédio.
Sanitários e guarda-volumes estão meio-nível abaixo para não
interferir no espaço da estação. Meio-nível acima da cota do
pavimento de acesso (térreo) situa-se a plataforma da estação, o
espaço reproduz a ideia de uma rua que entra no interior da
estação, permite o embarque e o desembarque de passageiros na
“própria calçada”, evitando a criação de vagas específicas.
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  

Corte AA

Corte BB

Corte CC

Corte DD
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  

Cesar Iwamizu escreve que a continuidade das rampas leva ao


conjunto de estabelecimentos comerciais que ocupam todo o
segundo pavimento, conformando uma ‘caixa suspensa’ que é
estruturada independentemente dos outros elementos que
compõem o conjunto da estação.
O restaurante está na cobertura do segundo pavimento, possui vista
privilegiada. Embora seja definido por um pano de vidro, funciona
como se fosse uma área externa, que possui os atributos de uma
praça. É um espaço público interligado à avenida de acesso por
meio de duas passarelas posicionadas na extremidade do edifício
( IWAMIZU, p. 35)
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  

Iwamizu continua: “As duas passarelas de conexão recebem os dois


últimos lances da circulação em rampas, promovem a continuidade
espacial entre todos os planos criados no espaço da estação. O
conjunto conforma uma espécie de embasamento que cria uma
nova ‘topografia’ capaz de, simultaneamente, interligar as ruas
existentes, as praças laterais, e os programas arquitetônicos da
Estação.
O último lance de rampas, materializado em um segundo volume
suspenso no centro do edifício, cria uma interrupção em seu vazio
interno ao separar a área da plataforma do espaço onde se
localizam o conjunto de rampas transversais.
(IWAMIZU, p. 36)
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura Planta Nível Inferior e Térreo
Fonte: Planta níveis 107,22 e 108, 85 e corte longitudinal
Na proposta do projeto, Esc; 1; 500. Desenho publicado na Revista Módulo N 42. Rio de
o

Janeiro, 1976.
basicamente, o arquiteto
concebeu uma modulação
de pilares sustentando uma
cobertura. Os pilares são
quadrados, medindo 0,85 m
de lado. A retícula modular
possui 10,00 m X 17,00 m. ,
constituindo-se de 18 pilares
em três linhas, com 6 pilares
cada uma.
Apoiada nos pilares existe uma laje de caixões perdidos, que mede
50,00 m X 58,00 m, com 1,50 m de altura. A laje de concreto
aparente está a 2,5 m acima do chão. O volume é espesso e
pesado, como está suspenso, cria aberturas para todos os lados. Os
pontos de apoio estão recuados em relação ao plano da fachada,
se por esse motivo ficam sombreados, por outro lado estão imersos
na luz. Esta é a cobertura do prédio!
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura

Semelhante a uma flor desabrochando,


cada pilar se abre em círculo, numa
medida de 6,00 m. de diâmetro no
nível inferior e 4,00 m. no nível superior
da laje de cobertura, que como foi
assinalado mede 1,50 m de altura.
O pilar continua, gira 450 e desabrocha
em quatro ramos curvos. Cada vértice
do pilar faz nascer um componente ou
ramo, que por sua vez, divide cada
face do pilar ao meio , mas a
ortogonalidade da retícula se mantém.
A curvatura se orienta, como uma
planta em direção à luz, alinha-se e
concorda com o nível inferior da laje.
 
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura
Transforma-se num ramo,
dividindo cada face do
pilar ao meio. Orientam a
curvatura, alinhando-se em
concordância com o nível
inferior da laje, a partir de
1,20 m. Os dois planos do
pilar que se separam a 1,20
m de altura, partem do piso
unidos por um ângulo reto,
quando atingem o nível
inferior da cobertura se Planta Nível Inferior e Térreo
Fonte: Planta níveis 107,22 e 108, 85 e corte longitudinal
transformam numa reta de Esc; 1; 500. Desenho publicado na Revista Módulo No 42. Rio de
50 cm de comprimento. Janeiro, 1976.
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e
estrutura
A face superior de cada
um dos quatro ramos se
alinha com a face
superior da laje de
cobertura. O contato
também é o de uma reta
de 50 cm. Ou seja, do
ponto central do pilar, a
dois metros de altura do
piso, partem oito arestas
curvas que configuram as
quatro faces superiores
dos ramos que compõem
esta espécie de pilar que
desabrocha em flor.
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura
“No encontro entre pilares e
laje, na ausência de
cruzamento entre nervuras,
surge a oportunidade de se
criar uma iluminação zenital
circular possibilitando que no
momento de maior tensão,
todo o esforço estrutural se
desmaterialize em luz.”
Assim, a concepção estrutural da cobertura, é concebida com os
pilares em forma de ‘flor’, cobertos por uma cúpula semi-esférica,
como demonstram as fotos do modelo.
Aproveitando o desnível do terreno, da mesma forma que na FAUUSP,
os 5 níveis são constituídos à meia altura, entre cada um, unidos por
rampas.
IWAMIZU, Cesar Shundi.
A Estação Rodoviária de Jaú e a dimensão urbana da arquitetura / Cesar Shundi Iwamizu. - - São Paulo, 2008. --- p.
il.Dissertação (Mestrado – Área de Concentração: Projeto de Arquitetura ) – FAUUSP, p. 42.
Ibidem, p. 54.
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura

Planta do Acesso de ônibus e das lojas do segundo pavimento


Fonte: Planta níveis 110,22 e 112, 10 e corte longitudinal
Esc; 1; 500. Desenho publicado na Revista Módulo No 42. Rio de Janeiro, 1976.
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura

Acesso de ônibus e passarela sobre os ônibus que liga ao nível superior


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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura

Corte AA

Corte BB

Corte CC

Corte DD
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura

Planta da cobertura com o restaurante


Corte DD Fonte: Planta níveis 113,62 e 115, 36 . Esc: 1: 500.
Desenho publicado na Revista Módulo No 42. RJ, 1976.
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura

Das três filas de pilares, surgem dois vazios, o primeiro é


aproveitado para a rampa dos coletivos que acessam
a rodoviária.
Corte DD
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura
Acesso pelo nível
superior

O outro vazio tem a rampa que liga os pavimentos. As faces


mais extensas do prédio, que medem , como já falamos, 58,00
m. possuem o acesso principal, que é realizado pelas duas ruas ,
a primeira passa pela cota mais alta, a segunda pela mais
baixa.
Corte DD
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura

As faces laterais que Planta acesso de ônibus e lojas segundo


medem 50,00 m pavimento
permitem os acessos
secundários. Este se
fazem no sentido
paralelo ao acesso dos
coletivos, por meio de
uma rampa que leva do
passeio público ao nível
intermediário.

Corte DD
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura

Chega-se ao nível superior através dos acessos


laterais no nível do restaurante, observe a rampa
de acesso do passeio ao nível do segundo
Corte DD pavimento.
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura

Acesso de ônibus e rampa de acesso ao segundo


pavimento
Corte DD
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RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura

O bloco comercial é sustentado por duas linhas de pilares de


secção quadrada, medindo 80 cm. de lado . Dando continuidade
ao eixo estabelecido pela estrutura da cobertura. Desta forma as
empenas de concreto passam a funcionar como vigas de transição,
considerando que os pilares que sustentam a cobertura
descarregam suas cargas no centro do volume! As paredes
estruturais funcionam como empenas, na verdade são elementos
de vedação que são empregados como paredes estruturais. Esse
detalhe faz parte da obra de Artigas, como na Casa Domschke, de
1974,DD
Corte em São Paulo.
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura

Corte DD
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura

Corte AA

“Na versão definitiva do projeto, a


solução de independência estrutural
adotada para esse volume –
composto por uma grande viga de
transição apoiada em duas linhas
de pilares – define um outro desenho
para as passarelas laterais
localizadas no último piso.”

Corte DD
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura

Segundo Cesar Iwamizu as passarelas são


estruturadas por meio de vigas protendidas, se
apóiam tanto no muro de arrimo que define a rua
interna, quanto nos pilares localizados próximos às
extremidades da plataforma (Corte AA) e, sem
transmitir nenhuma carga ao terraço, seguem em
balanço
Corte DD até possibilitar a passagem de pedestres.
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura
Definição de protensão
A protensão pode ser definida como o artifício de
introduzir, numa estrutura, um estado prévio de
tensões, de modo a melhorar sua resistência ou seu
comportamento, sob ação de diversas solicitações.
Sob ação de cargas, uma viga protendida sofre
flexão, alterando-se as tensões de compressão
aplicadas previamente. Quando a carga é retirada, a
viga volta à sua posição original e as tensões prévias
são restabelecidas.
A solução estrutural adotada reforça a idéia de
autonomia entre as partes que compõem o conjunto,
criando um edifício a partir da ‘sobreposição’ de
diferentes elementos construtivos:
Corte DD
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura

O desnível entre as duas frentes é da ordem de 7


metros. Pensou-se que com as rampas seria possível
aos habitantes de Jaú subirem para a rua mais alta
através da estação, como passarela de pedestres. As
rampas permitiriam aos habitantes de Jaú, subir para
a parte alta da cidade através da estação, onde, na
parte superior existiria um restaurante funcionando
como ponto de encontro dos habitantes. (IWAMIZU,
2008)

Corte DD
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura

Niemeyer visitou o projeto e fIcou


impressionado com a solução “engenhosa” de
Artigas. O desenho do pilar confirma os
procedimentos projetuais do arquiteto, permite
uma reflexão que vai desde os capitéis gregos
até a arquitetura moderna, passando pelas
colunas do Palácio da Alvorada, consideradas
as cariátides de Niemeyer.
“Oscar Niemeyer ficou muito impressionado;
ele me telefonou do Rio dizendo: ‘Artigas, que
solução engenhosa! “. Achei lindíssima a
palavra; que eu tivesse achado uma solução
arquitetônica ‘engenhosa’ seria de uma
capacidade incrível de crítica desse
homem.” ( ARTIGAS, 2004)
Corte DD
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
3. Características e estrutura

Segundo Iwamizu “a engenhosidade dessa solução retoma uma


lógica estrutural e uma poética construtiva onde os tradicionais
elementos que compõem a estrutura – fundações, pilares, vigas,
fechamentos – são desenhados de modo a subverter sua utilização
corrente: vigas que se transformam em fechamentos, pilares que se
transformam em vigas, blocos de fundações que afloram do chão e
se transformam nos próprios pilares. Os projetos realizados por
Artigas criam uma fusão entre os elementos estruturais que definem
o edifício, gerando soluções técnicas e formais onde o que realmente
Corte DD é a lógica estrutural do conjunto.”
importa
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Nesse caso,
Características
as nervuras
e estrutura
que compõem a
laje caixão-perdido da cobertura não se
cruzam, evitando o tradicional encontro
entre vigas e pilares. Ao contrário, dentro
de uma rigorosa malha estrutural, Artigas
faz com que cada uma das quatro vigas
se curve em direção ao piso,
encaminhando os esforços da grelha
estrutural diretamente ao plano do último
pavimento.”(IWAMIZU, 2008, p. 41)
Esse desenho gera uma estrutura
construída na cidade de Jaú que é, a um
só tempo, edifício e cidade. (IWAMIZU,
2008, p. 30)
Segundo Cesar Shungi a obra possui uma dimensão urbana na medida
em que “ao solucionar o projeto da estação, Artigas incorpora novos
programas, cria espaços públicos e permite uma transposição pelo interior
do edifício, conectando a área central à parte alta da cidade, sem
conflito entre o trânsito de pedestres e a circulação dos ônibus.
Corte DD
ARQUITETURA BRASILEIRA:
RODOVIÁRIA DE JAÚ  
Características e estrutura

BIBLIOGRAFIA
IWAMIZU, Cesar Shundi. A Estação Rodoviária de Jaú e a dimensão urbana da
arquitetura . São Paulo, 2008. --- p. il.Dissertação (Mestrado – Área de
Concentração: Projeto de Arquitetura ) – FAUUSP.
ARTIGAS, João Batista Vilanova. A Função Social do Arquiteto. Incluído em
Caminhos da Arquitetura. 4. ed. ver. E ampl. São Paulo: Cosac Naify, 2004, p.
224.

Corte DD
ARQUITETURA BRASILEIRA:
ANHEMBI TENIS CLUB  
Características e estrutura
1. Ficha Técnica:

Arquitetos:
João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi

Localização:
R. Alexandre Herculano, 2 - Alto de Pinheiros, São Paulo
- SP, 05464-020 Brasil

Ano do projeto:
1961

Fotografias:
Tumblr Kureator, Fundação Vilanova Artigas, Julio
Beraldo Valente
ARQUITETURA BRASILEIRA:
 
 
ARQUITETURA BRASILEIRA:
ANHEMBI TENIS CLUB  
O Projeto do Anhembi
Características e estrutura Tenis
Club consta de uma estrutura
porticada. Segundo texto de
Ruth Verde Zein, a ideia dava
continuidade às estruturas
exploradas nos Ginásios de
Itanhaém e Guarulhos. Porém
no Anhembi, Artigas parte para
uma proposta mais ambiciosa,
o porte estrutural e a
complexidade se aprofundam.
O desenho do pórtico é
engenhosamente elaborado
em seus aspectos formais e
tridimensionais.
ARQUITETURA BRASILEIRA:
ANHEMBI TENIS CLUB  
Características e estrutura

Os apoios triangulares desenham inflexões, estreitamentos,


alargamentos e vazios estrategicamente posicionados.
ARQUITETURA BRASILEIRA:
ANHEMBI TENIS CLUB  
2. Características e estrutura

Ao mesmo tempo, os apoios triangulares enfatizam


questões estruturais, como a transição de esforços,
tiram partido de detalhes como o recolhimento de
águas pluviais e as aberturas para iluminação zenital
ARQUITETURA BRASILEIRA:
ANHEMBI TENIS CLUB  
Características e estrutura

•  O esquema inicial é simples, ao abordá-lo Artigas


torna complexa a sua criação.
•  Estabelece uma regra básica e ativa diversos
mecanismos para criar variações a densificar a
abordagem conceitual. Atinge uma solução
complexa a partir de um esquema inicial simples. O
resultado como sempre é surpreendente.
ARQUITETURA BRASILEIRA:
ANHEMBI TENIS CLUB:   2 . C a r a c t e r í s t i c a s e
estrutura

O Anhembi Tênis Clube possui uma estrutura


porticada. Os pórticos em concreto aparente têm
secção triangular se transformam em vigas-calha no
tramo superior, com um vão de 20,00 m na face
superior, e 17,50 m. de distância entre os apoios, no
nível do piso inferior. As colunas de apoio têm
secção triangular variável e apóiam o tramo
superior do pórtico.
ARQUITETURA BRASILEIRA:
ANHEMBI TENIS CLUB  
Características e estrutura
Além disso, as colunas de
apoio se prolongam para
apoiarem duas grandes
vigas-calha de secção
triangular, posicionadas à
maneira de platibandas ao
longo da porção superior
das duas fachadas
longitudinais.
ARQUITETURA BRASILEIRA:
ANHEMBI TENIS CLUB  
Características e estrutura
O encontro entre tramos
superiores do pórtico, vigas-
calha e apoios forma um
conjunto de geometria
tridimensional complexa,
per mitindo parcialmente
observar o caminho das
águas pluviais desde a
cobertura até o chão. As
vigas-calha desviam a água
da chuva, a fazem escorrer
inter namente e depois,
externamente, permitem
que a água jorre, em
belíssimo efeito estético.
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Características e estrutura

Artigas redefine o papel dos elementos


estruturais em concreto, subverte a estrutura a
ponto de torná-la corpo, ele desmonta o
conceito de ossatura. O concreto armado,
deixar de ser ossatura ou simples suporte
inter no para completar-se com outros
subsistemas construtivos
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Características eAlém
estruturado
pórtico como
elemento gerador da
secção transversal,
sequências de pórticos
determinam volumes
alongados, determinados
pela sucessão de apoios
articulados às coberturas.
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Características e estrutura

A forma estrutural é determinada a partir da


fusão entre extensas coberturas e empenas
laterais, conformando espaços delimitados
pela junção da cobertura com paramentos
verticais.
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Características e estrutura

Os pórticos são travados entre si por nove vigas-calha


de secção triangular, espaçadas de maneira a
conformar vazios intermediários que recebem
elementos translúcidos para a proteção, ventilação e
iluminação natural zenital dos ambientes.
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Características e estrutura

O volume - muito extenso


proposto originalmente, de
proporção 20:3, - é
homogêneo, pela repetição
dos pórticos transversais.
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Características e estrutura

Apesar disso, os acidentes e variantes organizam


vários momentos distintos, intercalam espaços mais
ou menos abertos ou fechados, com pés-direitos e
visuais variáveis.
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Características e estrutura

Bibliografia:

Ruth Verde Zein. A arquitetura da escola


paulista brutalista 1953-1973. Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, 2005. (tese de
doutorado)
http://www.archdaily.com.br/br/626874/
classicos-da-arquitetura-anhembi-tenis-clube-
joao-batista-vilanova-artigas-e-carlos-cascaldi
( acesso em 22 -5-2016)
http://www.usjt.br/arq.urb/numero-14/10-maria-
isabel-imbronito.pdf ( acesso em 22-5-2016)
Características e estrutura
Características e estrutura

FIM

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