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COVID-19

&A INFECÇÃO PELO NOVO CORONAVÍRUS (SARS-COV-2),


A GRAVIDADE DA COVID-19 E A NUTRIÇÃO FUNCIONAL:
UMA VISÃO INTEGRADA.

Nutrição
VERSÃO 1.0 02/05/2020

Funcional
COVID19 X NUTRIÇÃO FUNCIONAL

“A infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), a gravidade da


COVID-19 e a Nutrição Funcional: uma visão integrada.”
Versão 1.0 30/04/2020

Gabriel de Carvalho
Nutricionista e Farmacêutico Bioquímico
Introdutor da Nutrição Funcional no Brasil em 1999

gabrieldecarvalho.com.br

Este material foi elaborado por Gabriel de Carvalho e é licenciado por Creative Commons Atribuição-Não-Comercial-Sem-Derivações.
Licença Internacional 4.0. Conforme a Lei 9.610/98, é proibida a reprodução total e parcial ou divulgação comercial sem a autorização
prévia e expressa do autor (artigo 29). ©2020 GABRIEL DE CARVALHO – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

*AS INFORMAÇÕES E SUGESTÕES CONTIDAS NESTE MATERIAL TÊM CARÁTER MERAMENTE INFORMATIVO. ELAS NÃO SUBSTITUEM
O ACONSELHAMENTO E ACOMPANHAMENTOS DE MÉDICOS, NUTRICIONISTAS, PSICÓLOGOS, PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA E
OUTROS ESPECIALISTAS. NÃO DEIXE DE CONSULTAR SEU MÉDICO.

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COVID19 X NUTRIÇÃO FUNCIONAL

ÍNDICE
ESCLARECIMENTOS4
RESUMO GRÁFICO 5
DEDICATÓRIA6
00. INTRODUÇÃO 7
01. OBESIDADE 8
02. DIABETES 9
03. TABAGISMO 10
04. POLUIÇÃO DO AR 11
05. NUTRIÇÃO 12
5.1 - VITAMINA D 13
5.2 - ZINCO 14
5.3 - VITAMINA C 15
OUTROS 16
06. ATIVIDADE FÍSICA 17
INFORMAÇÕES ADICIONAIS 18
REFERÊNCIAS19

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ESCLARECIMENTOS
!
1. Os cuidados preconizados pelos governos federal, estaduais e municipais são
prioritários, devem ser seguidos por toda a população. Etiqueta respiratória, higiene pessoal,
desinfecção de objetos, superfícies e distanciamento social são medidas essenciais para
conter a disseminação viral.

2. Este material não é designado para a auto medicação ou auto suplementação.

3. A consulta com um nutricionista, médico, ou um profissional de saúde capacitado é a


melhor forma de ter uma orientação personalizada e segura para o seu caso.

4. Caso este material chegue nas mãos das autoridades de saúde, saibam que meu
interesse genuíno é reduzir morbidade e mortalidade de tal doença, e estou à disposição
para discutir estratégias efetivas de como implementar um plano de ação. Entendo que
uma mudança de paradigma é necessária, mas também entendo que é justamente nos
momentos de crises que estamos todos predispostos as grandes mudanças. Que tenhamos
coragem de implementá-las, afinal, cada vida conta.

- O nome dado ao novo coronavírus é SARS-Cov-2, ele é o causador da doença COVID-19.


Alguns autores sugerem HCOV-19 como nome mais adequado1

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RESUMO GRÁFICO
RISCO DE COMPLICAÇÕES
E MORTALIDADE COVID-19

ALTO RISCO BAIXO RISCO

Obeso Peso saudável


Diabético Não diabético
Hipertenso Normotenso
Alta circunferência de cintura Medida de cintura adequada
Maior que 80cm (mulheres) baixa gordura visceral =
Maior que 94cm (homens) baixa inflamação
Fumante Não usa tabaco

Exposto a alta poluição do ar Mora em regiões de baixa poluição atmosférica


Sedentário Prática atividade física regular e moderada

Vitamina D <30 ng/ml Vitamina D 40-60 ng/ml (?)


Zinco sérico <90 mcg/L (?) Zinco sérico > 95mcg/L (?)
Deficiência de Vitamina C (?) Vitamina C sérica ótima 1- 2 mg/dL (?)

Retinol sérico ótimo (?)


Deficiência de selênio (?) Selênio sérico ótimo 120-160 mcg/L (?)

Disbiose (?) Ótima saúde intestinal (?)

Pessoa cronicamente inflamada (?) Pessoas com marcadores inflamatórios em


nível ótimo (?)

Poucas horas de sono (?) Dorme em média 7h ou mais por noite (?)

Suscetibilidade genética ACE2, TMPRSS2,


DPPIV, IL6, INF, TNF... (?)

©2020 GABRIEL DE CARVALHO – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

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DEDICATÓRIA
A minha filha Marina, cuja saúde sempre
“Respeito não significa
foi prioridade na minha vida, desde sua
concepção no ventre materno.
submissão. Questionar,
e buscar respostas, é a
Ao meu pai, curioso nato e questionador
crítico, que com muito amor, é estímulo
chave para a evolução
constante ao meu crescimento pessoal e da ciência. Precisamos
profissional. entender que o
A minha família, que sempre me apoiou na
sofrimento é apenas
busca pelo conhecimento. uma das ferramentas
A minha mulher que me acalma, me
para nosso crescimento,
alimenta e revisa esse material. mas também que pode
haver crescimento
Aos profissionais de saúde, que perceberam
o caráter sistêmico desta enfermidade, e a
sem sofrimento. São
necessidade de uma nova e ampla visão do nossas escolhas que
tratamento. determinam nosso
A toda a população brasileira e mundial, que destino”
busque incessantemente por educação de
qualidade, e percebam que cada um deve
ser responsável pela sua saúde, buscando
informações adequadas e AGINDO. Faça seu
“tema de casa”, e não temerás o que vem
pela frente. Esteja preparado.

Gabriel de Carvalho
Nutricionista e Farmacêutico Bioquímico
Introdutor da Nutrição Funcional no Brasil em 1999
gabrieldecarvalho.com.br

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INTRODUÇÃO
00
São conhecidos inúmeros vírus e bactérias que causam doenças em seres
humanos, de leves infecções a quadros sérios, por vezes, fatais. Com certeza
você já teve infecções virais e bacterianas ao longo de sua vida, e hoje está
aqui lendo. Entretanto, outros indivíduos, talvez infectados pelos mesmos
microorganismos, não tiveram a mesmo destino. Por quê? Apesar de a
presença do microrganismo ser essencial ao desenvolvimento da doença, o
grande determinante do resultado (i.e: não adoecimento, adoecimento leve,
moderado, grave ou óbito, em uma escala simples) é você, suas condições de
saúde, ou como chamam, o “terreno biológico”. Ou seja, estamos afirmando
aqui que, se o seu corpo (o “terreno”) for “mais ou menos fértil” para o
microrganismo, estes irão se desenvolver, mais ou menos, se tornando
doenças mais ou menos severas, ou, muitas vezes, nem se manifestarão. Caso
não esteja ciente, a discussão destes pontos foi longa, e ocorreu entre Louis
Pasteur e Claude Bernard, franceses, há mais de 130 anos, conforme citado por
Hans Selye, em seu livro de 1956, “The Stress of Life”2.

Neste momento você deve estar se perguntando: “Como fazer meu terreno
ser menos fértil para o desenvolvimento de um vírus, como o SARS-CoV-2?”

Vamos ver o que a ciência descobriu sobre fatores de risco para


desenvolvimento e mortalidade por COVID19, ou seja, quais fatores tornam
o seu “terreno” propício para ele.

Obesidade, diabetes, hipertensão, fumo, poluição do ar, nutrição (vitamina


D, zinco, vita-mina C, selênio, vitamina A) e outros elementos.

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OBESIDADE
01
Segundo o epidemiologista francês, Jean-François Delfraissy, a obesidade é o principal
fator de risco na COVID-193 , aumenta a gravidade da doença, e está associada a maior
necessidade de intubação (fato que ocorre nos casos graves da doença). Estudo analisando
a incidência de complicações da COVID-19 em indivíduos obesos em Nova Iorque4 , verificou
que aqueles com menos de 60 anos, mas com Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 30
(obesos), tinham aproximadamente o dobro da chance de necessitarem cuidados agudos ou
internação na UTI. Já naqueles com IMC 35 (obesidade grau II ou mais), o risco de ir para a
UTI foi de 3,6x maior.

RECOMENDAÇÃO: pare de postergar a consulta com o nutricionista e o início do seu plano


de atividade física. Comece seu emagrecimento agora. Cada dia conta. Coma comida de
verdade. Descasque mais e desembale menos. Caso tenha embalagem, quanto menos
ingredientes no rótulo, melhor. Alimentos naturais não industrializados (e, portanto,
saudáveis) ou tem gordura, ou tem açúcar: nunca são gordurosos e doces ao mesmo tempo.
Atenção máxima. O Guia Alimentar da População Brasileira5 é um excelente material para
começar a entender, de forma segura, como se alimentar de forma mais saudável.

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DIABETES
02
Diabetes pode até triplicar o risco de internação decorrente da infecção pelo Influenza
H1N16 , e quadruplicar as chances de internação em UTI. Na COVID-19, estudos7 indicam um
aumento da gravidade8 , com a mortalidade chegando a 20% dos diabéticos que desenvolvem
a doença. Diabetes influencia a imunidade de forma intensa e em diversos níveis. Glicemia
acima de 178mg/dL aumenta a mortalidade por COVID-19. Glicemia acima de 200mg/dL
aumenta a inflamação9 (fator chave na mortalidade por COVID-19), gera disfunção no
sistema imune intestinal10 (sistema também envolvido na patogenia da COVID-19).

RECOMENDAÇÃO: Diabetes é uma doença cuja evolução, gravidade e complicações


são completamente dependentes dos hábitos alimentares e de vida. Suas atitudes são
determinantes para reduzir os problemas decorrentes do diabetes, inclusive as infecções.
Procure um nutricionista capacitado.

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TABAGISMO
03
O uso do tabaco leva a inflamação do tecido pulmonar e das vias aéreas, e parece estar
associado a maior risco de necessidade de internação pela COVID-1911 . Um estudo chegou
a encontrar o dobro12 de chance de desenvolvimento da forma severa da COVID-19, embora
ainda hajam dúvidas. O Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Pan Americana de
Saúde13 afirmam que fumar aumenta o risco da forma grave da COVID-19.

RECOMENDAÇÃO: pare de fumar o quanto antes. Reduzir14 o número de cigarros fumados, já


pode ser de algum auxílio.

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POLUIÇÃO DO AR
04
É de amplo conhecimento15 que a maior exposição a poluição do ar gera processo
inflamatório e oxidativo nas vias aéreas. Um estudo na China16 demonstrou que quanto
maiores as concentrações de diferentes poluentes no ar (por exemplo: CO, PM2.5, PM10,
NO2 e O3), mais casos confirmados de COVID-19. Este dado pode justificar porque regiões
de grandes centros urbanos, como a região norte da Itália, e Nova Iorque, por exemplo, tem
maior incidência e mortalidade da doença. Obviamente metrópoles também tem uma alta
concentração de pessoas, o que favorece a disseminação do vírus, fator essencial a ser
considerado. No Brasil, a cidade de São Paulo, com altos níveis de poluição do ar17, é a cidade
líder em mortalidade.

RECOMENDAÇÃO: viver nas pequenas cidades do interior pode se tornar uma tendência
no mundo pós pandemia, em busca de um melhor estilo de vida, menos trânsito, menos
deslocamentos, trabalhos a distância (home office), alimentação de mais qualidade e maior
tempo de convivência familiar.

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NUTRIÇÃO
05
A nutrição é fator determinante da saúde imunológica do ser
humano. Os nutrientes atuam de forma integrada, sinérgica
e um melhor estado nutricional reduz a incidência de
diferentes infecções respiratórias e gastrointestinais, virais ou
bacterianas. Ainda não existem estudos que indiquem que um
melhor estado de vitaminas e minerais protegerá contra o novo
coronavírus (SARS-CoV-2), mas não há motivos para duvidar
que mais uma vez isto ocorrerá. Neste sentido, diversas
sociedades já se pronunciaram em relação aos efeitos de
micronutrientes na saúde imunológica durante esta pandemia,
como a ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia18,
International Society for ImmunoNutrition19 e o The Institute
for Functional Medicine20. Um ótimo guia21 sobre alimentação
e imunidade, foi feito pelo Hospital Albert Einstein, citando
micronutrientes e receitas com alimentos ricos nos mesmos.

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VITAMINA D
5.1
Infecções pelos coronavírus (antigos) são muito mais frequentes no inverno22, da mesma forma
que infecções por outros vírus respiratórios, como infl uenza. Esta pandemia iniciou-se mais
uma vez durante o inverno (do hemisfério norte). A produção de vitamina D ocorre na pele
exposta a luz solar, e seus níveis no corpo humano dependem principalmente desta exposição.
Muitos estudos referem que a sazonalidade23,24, das doenças respiratórias estão ligadas a este
défi cit. Outro fator é que a menor intensidade da radiação solar possa reduzir a inativação dos
vírus25 em todo o meio ambiente, um efeito combinado do menor calor26 e menor intensidade
da radiação ultravioleta27. Há evidências de que níveis ótimos de vitamina D3 possam ser de
fundamental importância na prevenção da COVID-1928. Importante dizer que a defi ciência de
vitamina D na Europa é pandêmica29, e que no Irã30 67% da população tem níveis extremamente
baixos de vitamina D3, menores que 25nmol/L (10ng/ml), enquanto31, Itália32 tem pelo menos
39% da população acima dos 76 anos com defi ciência grave de vitamina D. Finlândia, Noruega,
Áustria, Dinamarca e Suécia tem maiores níveis. O uso de suplementos de vitamina D é
recomendado sempre que a exposição solar não for possível / sufi ciente. Foi sugerido33 que
para reduzir o risco de infecções por infl uenza e/ou SARS-CoV-2 nos grupos de risco, considere
10.000 UI/dia por algumas semanas, para uma elevação mais rápida dos níveis séricos, seguido
de 5000 UI/dia. A Sociedade Internacional de Imunonutrição recomenda34 10-100mcg/dia
(400 a 4000UI). O elemento chave é que a concentração sanguínea alvo, de 40 – 60 ng/ml da
25-hidroxi-vitamina D3, seja alcançada35.

RECOMENDAÇÃO: Como fonte de vitamina D, o sol é atóxico e gratuito. Não fi que mais de dois
dias sem exposição solar, já que esta oferta deve ser constante. Não esqueça que o banho de
sol é obrigatório para os bebês, detentos no sistema presidiário, residentes em lares de idosos e
em outras situações. Recomendo sempre avaliar o nível sérico, pois há a possibilidade de que o
excesso de vitamina D aumente a expressão dos receptores ACE2, fundamentais para a entrada
do SARS-CoV-2 nas células.

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ZINCO
5.2
Zinco é um mineral essencial para o sistema imunológico36, regulador da atividade antiviral e
antibacteriana. Extremamente defi ciente na população mundial37, atingindo até 17% da população,
em estimativas conservadoras, ou até 2 bilhões38 de pessoas, segundo outros autores. Defi ciência
de zinco também está associada ao aumento da incidência de infecções respiratórias, aumenta
a suscetibilidade a pneumonia, malária, tuberculose e sarampo39. A defi ciência de zinco altera o
epitélio pulmonar, aumenta mortalidade por pneumonias, e promove a infl amação sistêmica40
(elemento central na mortalidade por COVID-19). Defi ciência de zinco é mais frequente em idoso e
em indivíduos com doenças crônicas como diabetes41, hipertensão42 e doenças cardiovasculares43.
Diarreia, sintoma comum nos pacientes, promove a perda de zinco44,45. Baixo zinco sérico prevê
mortalidade em pacientes sépticos46, em pacientes com pneumonia47 e o nível sérico é variável conforme
o tipo vírus causador de diarreia48. Zinco, in vitro, inibe o crescimento do SARS-CoV-2, pode reduzir a
atividade da enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2), porta de entrada do vírus na célula humana,
e pode ser chave no efeito terapêutico da cloroquina/hidroxicloroquina49, uma vez que este fármaco
transporta zinco (é um zinco ionóforo) para dentro das células50. É razoável pensar, portanto, que
deficiência de zinco pode ser um fator que leve a ineficácia da hidroxicloroquina/cloroquina.

O exposto até aqui justifica a análise do zinco sérico em toda a população em risco, e uso de
complementação nutricional de zinco em todos, uma vez que a readequação de seus níveis é lenta. No
nível hospitalar, o uso parenteral pode ser considerado uma opção. Para os indivíduos doentes, as doses
eficientes no tratamento de curto prazo são de 75mg por dia51, ou mais, apesar da necessidade estimada
diária variar ao redor de 10-12mg. As maiores doses se justificam devido a deficiência pré-existente dos
indivíduos e a maior demanda durante a infecção. Cabe ressaltar que o excesso de zinco antagoniza o
cobre e compete com ferro, causando anemia, e agravando o estresse oxidativo e inflamação. Lembre-se
nutrientes interagem. Opções de tratamento são o zinco quelado, sulfato, citrato e acetato.

RECOMENDAÇÃO: De forma ideal, devido a sua baixa absorção, recomenda-se fragmentar em três
doses diárias. Zinco quelado 5mg + Zinco (íon ativo, sulfato) 5mg + zinco (íon ativo, citrato) 5mg +
Cobre quelado 0,8mg – 3x por dia – por 60 dias. Não repetir sem análises laboratoriais e a consulta
com um profi ssional capacitado. Valores de zinco sérico desejáveis devem ser pelo menos 69 mcg/
dL52 ou 81 mcg/dL53 conforme diferentes autores. Consumo das sementes de girassol e de abóbora
(sem casca, chamadas de pepitas) pode auxiliar a melhorar o estado deste nutricional deste mineral.

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VITAMINA C
5.3
Vitamina C é essencial na saúde imunológica, e, embora seja encontrada na maioria das frutas e
verduras, níveis insufi cientes de ingestão, bem como baixos valores séricos são encontrados em
muitas pessoas.

Embora haja discussão sobre a eficácia da vitamina C na prevenção da gripe e do resfriado comum,
não há dúvida no que se refere a redução da complicação para pneumonia54, que pode variar entre 80
a 100% de redução. Este elemento de foco na atual pandemia: evitar as complicações e assim, reduzir
a necessidade de hospitalização. Vitamina C é frequentemente deficiente em pacientes sépticos e
críticos apesar de ingestão enteral ou parenteral adequadas55, e sua deficiência (valor sérico < 23 μmol/L)
se correlaciona com a gravidade da inflamação (Proteína C Reativa) e severidade da infecção. Valores
plasmáticos ótimos provavelmente estão ao redor de 1,0 md/dL (53,68 mumol/L)56 . Da mesma forma
que a quercetina, a vitamina C inibe a ativação o infl amassoma57 NLRP3, mecanismo supostamente
envolvido na patogenia dos casos mais críticos COVID-19. O International Pulmonologist’s
Consensus on COVID-19 58 cita que doses moderadas de vitamina C endovenosa, 1.5g, de 6/6h, com
tiamina 200mg 12/12h, são seguras e podem ser usadas, embora as evidências fossem limitadas,
no momento da publicação de documento deles. Em data posterior, a Organização Pan-Americana
de Saúde publicou documento sobre a efi cácia e segurança do uso da vitamina C endovenosa59 no
tratamento da COVID-19. Novos estudos estão em andamento60 no tratamento da COVID-19 com
vitamina C endovenosa. A Associação Brasileira de Nutrologia afi rma que61 “para indivíduos sob
risco de infecções virais respiratórias, a utilização de vitamina C (até 2g/dia) por via oral pode ser
indicada”. A saturação tecidual de vitamina C, com o uso oral, se dá em níveis de 2-3g por dia62,
entretanto, fracionamento da dose é essencial para se atingir este objetivo.

RECOMENDAÇÃO: A ingestão de frutas e verduras cruas deve ser prioridade na alimentação,


distribuídos em todas as refeições. De forma adicional, durante a pandemia, podem ser
recomendadas três doses diárias de 500mg, para otimização dos níveis séricos e prevenção das
complicações de gripes, resfriados e potencialmente, da infecção pelo novo coronavírus.
Um cuidado: indivíduos formadores de cálculos renais a base de oxalato pode ter um aumento da
formação, e não devem usar estas doses de vitamina C.

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OUTROS
+
Outros nutrientes a serem acrescentados e detalhados em versões futuras deste material:

5.4 - Selênio
Correlação direta entre maiores níveis de selênio e maior taxa de cura da COVID-1963

RECOMENDAÇÃO
O consumo de uma ou duas Castanhas do Brasil por dia é a forma mais efi ciente de
conseguir este mineral. Alcançar os valores séricos ótimos de selênio é essencial.

5.5 - Sono /melatonina


64

“Será que a restrição de sono piora a situação pulmonar e a evolução da COVID-19?65”

RECOMENDAÇÃO
Durma cedo e na escuridão, cerca de 8h por noite, iniciando o mais cedo possível.

5.6 - Vitamina A
66

5.7 - Probióticos , 67
68

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ATIVIDADE FÍSICA
06
Décadas de evidências dão suporte69 a uso de intervenções de estilo de vida, como atividade
física, em promover a saúde e bem estar. A prática regular de atividade física leve a moderada
auxilia na redução da obesidade, no controle do diabetes e melhora a imunidade, como
demonstrado em pandemias anteriores por Influenza70. Provavelmente se aplica a pandemia
atual também. Importante atentar para a intensidade: atividade física de frequência regular
(várias vezes por semana), intensidade moderada e duração de até 45 minutos, confere proteção
contra infecções, em especial em adultos, idosos e pessoas com doenças crônicas71, enquanto
exercícios de alta intensidade geram um estresse metabólico, aumentando a inflamação e
reduzindo a eficiência do sistema imune no combate e infecções.

RECOMENDAÇÃO: É essencial que todas as pessoas tenham uma vida fisicamente ativa,
incluindo a prática de exercícios físicos72, mesmo com as restrições de locais para prática de
atividade física que ocorrem agora.

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INFORMAÇÕES
+
ADICIONAIS
No Brasil, o Ministério da Saúde afirma que são grupos de risco para COVID-19:
- Pessoas acima de 60 anos, mesmo que não tenham nenhum problema de saúde associado
- Pessoas de qualquer idade com as seguintes doenças / situações Cardiovascular, diabetes,
doenças pulmonares, hi-pertensão, obesidade
- Pessoas com doenças neurológicas, renais, imunodepressão, asma, mulheres no pós parto
e “outras” (não citadas no site do Ministério da Saúde)
Minha consideração: todas estas doenças acima citadas podem ser subdivididas em três
grandes grupos:
1 -doenças inflamatórias;
2 -doenças que comprometem os pulmões e
3 -imunodepressão.

De acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças, dos EUA, (CDC Centers for
Disease Control and Prevention) é considerado grupo de risco de desenvolver a doença na
sua forma mais grave pessoas que:
- Tenham 65 anos ou mais
- Sejam residentes de lares de idosos ou em instituições de longa permanência
- Pessoas de todas as idades com doenças de base, principalmente se não forem bem
controladas, incluindo:
- Pessoas com algum problema respiratório (asma, doença pulmonar crônica, etc)
- Pessoas com doença cardíaca grave
- Pessoas imunocomprometidas, como: pessoas que estejam em tratamento do câncer,
tabagismo, transplantados, deficiências imunológicas, HIV ou AIDS, uso prolongado de
corticoides e outros medicamentos que enfraquecem o sistema imune
- Pessoas com obesidade grave (conforme já citado nesse material), IMC igual ou superior a 40
- Diabéticas
- Com doença renal crônica
- Pessoas com doença hepática

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COVID19 X NUTRIÇÃO FUNCIONAL

REFERÊNCIAS
1 https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736%2820%2930557-2/fulltext
2 https://naturalnewsblogs.com/germ-vs-terrain-theory-adopt-healthy/
3 https://www.reuters.com/article/us-health-coronavirus-franceconfinement-idUSKBN21Q0S7
4 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32271368/?from_term=Obesity+in+patients+younger+than+60+years
5 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf
6 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20587722/?from_term=Diabetes+and+the+Severity+of+Pandemic+Influenza+A+%28H1N1%29+Infection
7 https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/dme.14300
8 https://www.virtahealth.com/blog/covid-19-type-2-diabetes-glycemic-control
9 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28233125/?from_term=immunity+in+insulin+resistance&from_pos=5
10 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26853748/?from_term=immunity+in+insulin+resistance&from_pos=2
11 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32289565/?from_term=smoking+covid-19&from_sort=date&from_pos=7
12 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32293753/?from_term=smoking+covid-19&from_pos=2
13 https://www.saude.gov.br/fakenews/46704-fumar-aumenta-o-risco-da-forma-grave-de-coronavirus-e-verdade
14 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24013038/?from_term=number+of+smoked+cigarrettes+and+lung+disease
15 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27741447/?from_term=pollution+inflammation+airway&from_pos=1
16 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32315904/?from_term=pollution+covid-19&from_pos=2
17 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27409629/?from_term=air+pollution+s%C3%A3o+paulo&from_pos=3&from_schema=all
18 https://abran.org.br/2019/10/13/posicionamento-da-associacao-brasileira-de-nutrologia-abran-a-respeito-de-micronutrientes-e-probioticos-na-infeccao-por-covid-19/
19 http://immunonutrition-isin.org/docs/isinComunicadoCovid19.pdf
20 https://www.ifm.org/news-insights/the-functional-medicine-approach-to-covid-19-virus-specific-nutraceutical-and-botanical-agents/
21 https://storage.googleapis.com/imagens_videos_gou_cooking_prod/production/mesas/2020/03/50e292e3-ebook-54-einstein-alimentacao-e-imunidade-paula-rizkallah-e-clinica-einstein.pdf
22 https://jcm.asm.org/content/48/8/2940
23 https://www.mdpi.com/2072-6643/12/4/988
24 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32297519/?from_term=vitamin+D+covid-19&from_sort=date&from_pos=3
25 https://time.com/5790880/coronavirus-warm-weather-summer/
26 https://www.technologyreview.com/2020/03/19/905217/coronavirus-spread-could-slow-with-warmer-weather/
27 https://pt.scribd.com/document/456897616/DHSST#download
28 https://www.mdpi.com/2072-6643/12/4/988
29 https://academic.oup.com/ajcn/article/103/4/1033/4662891
30 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0960076006003888
31 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0960076006003888
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