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O Civilizado e o Incivilizado

Liliana Obregón

Civilização é um conceito chave para compreender os valores das comunidades


políticas do século XIX e sua relação com o direito internacional.
O conceito civilização foi relacionado a ideia de progresso e à teoria de que as nações se
desenvolvem passando por diferentes estágios, os quais tem como nível mais avançado
as sociedades europeias em oposição às nações “bárbaras”, que poderiam se
desenvolver adquirindo determinados valores, ou aos selvagens, que, esses, nunca
teriam acesso a tais valores “civilizados”.
O conceito civilização permeia assim a história do direito internacional. Seria então, o
direito internacional, o último produto da “civilização”, que traria, através de um
sistema transnacional legal organizado, progresso e paz ao mundo.
No século XIX os adjetivos civilizado e incivilizado estavam presentes nos textos
publicitários, decisões jurídicas, tratados e documentos internacionais. Tais adjetivos
descreviam e avaliavam pessoas nações ou Estados em relação a sua soberania. O
direito internacional aplicava tais adjetivos dividindo o mundo em dois.
O civilizado, aquele dotado de civilização, foi reconhecido como o próprio sujeito do
direito internacional. Já o incivilizado, aquele a quem faltava civilização, estava à
margem do direito internacional.
A autora defende que existiu um lado positivo neste ideal, que seria a crença no
progresso coletivo mediante o intelecto humano, sem a interferência da natureza.
Entretanto, aqueles que acreditavam ser civilizados assumiam um projeto missionário
que os legitimava escravizar, conquistar, gerir ou colocar os ’incivilizados” no interior
de relações hierárquicas legais, sociais, econômicas e políticas.
A divisão dicotômica entre civilizados e incivilizados negou a possibilidade de
reconhecimento mútuo e permitiu a existência de uma contradição inerente ao princípio
de aplicabilidade do direito internacional e de igualdade entre as nações. Excluía-se
assim a agência política e social do incivilizado, de modo que somente nações
“civilizadas” poderiam participar do projeto do direito internacional. De forma que a
resistência ou ação política dos “incivilizados” eram consideradas ilegais, ‘bárbaras’,
subversivas, no mínimo, marginais.

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Uma distinção precedente ao século XIX entre civilizados e incivilizados pode ser
remontada ao século XVI e XVIII entre cristãos e não-cristãos.
Essa distinção, estabelecida pelos colonizadores e exploradores do “Novo mundo”, é
fundada sobre a divisão aristotélica entre nobres, inteligentes e virtuosos e bestiais,
mentalmente inferiores, desprovidos de logos, incapazes de apreenderem a linguagem
dos gregos antigos.
Na Grécia Antiga a ordem legal e moral era baseada na ideia de uma unidade social e
cultural entre os homens que deveriam seguir normas primárias para obter uma vida de
felicidade (eudaimonia), o fim de todo homem (telos). As normas primárias iam da
proibição de assassinatos, roubos e adultérios a normas comportamentais. Bárbaros
estariam à margem da eudaimonia, já que não possuíam “linguagem”, não construíam,
não possuíam cidades ou seguiam normas primárias.
Tal como em Aristóteles a ordem legal, mora e universal vitoriana foi dividida em dois
mundos: um “nós” espanhol do “nosso mundo” e um bárbaro ou indígena “eles”, do
Novo Mundo. Ambos os mundos eram concebidos sob o universo cristão e uma única
ordem normativa legal/moral. Para os cristãos, os não cristãos eram primitivos, por
conta de sua idolatria e ignorância das leis de Deus. Entretanto, diferentemente dos
gregos antigos, os cristãos tinham o batismo como meio de permitir aos bárbaros o
acesso a seu mundo. Uma vez que fossem batizados deixariam a vida selvagem e
viveriam sob a lei de Deus para obterem sua glória.

Ainda que Vitória admitisse que os indígenas não eram completamente desprovidos de
inteligência e conhecimento de determinadas organizações, tais como rituais de
casamentos, vida familiar, leis, etc, defendia que ainda seriam bárbaros por conta da
ausência de arte, sistemas agrícolas, manufaturas, etc., como uma maneira de manter a
distinção e legitimar sua soberania, responsabilizando-se pela educação, batismo e
gerencia de seus territórios. Assim, ainda que educados e batizados não possuíam
igualdade de tratamento, pois permaneciam como sujeitos da doutrinação espanhola.

A palavra civilização aparece no século XVIII, e os conceitos civilizado e incivilizado


passam a permear o discurso iluminista. A noção de civilização era definida, em geral,
como definiu Christian Wolff, como nações que obtinham padrões de razão e polidez, e
cultivavam virtudes intelectuais perfeitas, bem como treinavam a mente. Nações
barbaras, ao contrário, negligenciavam seu intelecto e seguiam suas inclinações

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naturais. De modo que o indivíduo e a nação cristã teriam um novo telos: serem
civilizados e dirigirem todos seus esforços a isso.

Mais tarde Immanuel Kant defendeu que pessoas ou nações deveriam ser consideradas
estados, julgados como indivíduos, sendo eles selvagens ou civilizados. Defende que as
nações civilizadas possuem constituição; liberdade racional; restrições auto-constituídas
para evitarem agressões mútuas e garantirem sua própria segurança. Nações selvagens
não querem constituição e permanecem ligados a sua liberdade selvagem e ausência de
leis de forma a estarem em constantes conflitos entre si.

O telos da nação civilizada de Kant foi além do de Wolff. Definiu coo um estado de
crescimento contínuo constituído de várias nações que terminarão por incluir todas as
nações do mundo. Kant reconheceu que um Estado Mundial seria um objetivo utópico,
propôs então alternativas alcançadas através de um processo civilizatório: uma liga de
nações; uma federação de Estados livres; ou alianças que limitariam ou evitariam a
guerra.

4. O século XIX e inícios do XX simbolizou a apreensão e uso do par


civilizado/incivilizado nas relações do direito internacional, em particular como
doutrina de reconhecimento e promoção, implicitamente, para a missão civilizatória
europeia.

4.1. A Declaração de 1815 sobre a Abolição do Comércio de Escravos foi um dos


primeiros instrumentos de identificação das nações como civilizadas. A declaração dizia
que somente homens esclarecidos de todas as idades consideravam o comércio de
escravos repugnante para os princípios de humanidade e moralidade universais e a voz
pública, em todos os paises civilizados, clamariam por sua supressão. A declaração
considerou somente potencias cristãs e estados europeus como países civilizados.

4.2. Os novos estados americanos solicitaram reconhecimento de sua independência


para participar da comunidade das nações civilizadas. Uma ex-colônia que não tivesse
sido reconhecida seria considera uma entidade bárbara e selvagem. O reconhecimento
pelos estados europeus serviu a dois propósitos: evitar a recolonização e permitir
tratados comerciais. As primeiras constituições, E.U.A (1787); Haiti (1805) e exs

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colônias da américa espanhola (a partir de 1811), tinham o objetivo de demonstrar que
não eram Estados selvagens, sem leis, e também de organizar seus governos.
Os autores da constituição dos E.U.A. incorporaram a linguagem do direito das nações
como uma prática de civilização.

A Declaração de Independência Haitiana de 1804 e sua primeira constituição de 1805


inverteram os rótulos civilizado/bárbaro. Os franceses foram descritos como bárbaros,
derramadores de sangue sobre terras haitianas ao longo de dois séculos, enquanto que os
haitianos eram pessoas livres, civilizadas e independentes. O texto declarou eterno ódio
a França e retratou a língua, os costumes e leis francesas como intervenções bárbaras, e
elogiou os haitianos por abolirem a escravidão para sempre e declararam-se negros
enquanto proibiram tornarem-se futura propriedade de qualquer homem branco.

Ainda que líderes da América Espanhola tenham admirado os haitianos por terem
derrotado o mais forte exército da Europa, eles tinham medo de outro “Haiti” acontecer
em seus territórios como foi evidenciado no Congresso Simón Bolívar de 1826 no
Panamá, onde tinham o propósito de construir uma força regional unificada dos novos
estados, com a esperança de serem reconhecidos pela Espanha. Haiti não foi convidado,
pois alegavam que poderia trazer consequências negativas para a causa da
independência da américa espanhola, por questões de etiqueta reservadas às nações
civilizadas e por poderem incitar uma desastrosa revolução racial para o continente.
Também não queriam o antagonismo dos E.U.A. que se opuseram a participação do
Haiti, pois a escravidão e mercado de escravos ainda era essencial para a economia dos
E.U.A.

França reconheceu o Haiti em 1834, somente após aceitarem o acordo, feito em 1826,
de pagarem 150 milhões de indenização a França pela plantação e a propriedade de
escravos. E vários outros países reconheceram o Haiti posteriormente.

Os estados da América Espanhola estavam preocupados com o seu status de civilização


para conseguirem reconhecimento dos estados europeus. Assim, Simon Bolivar
promoveu a unificação de princípios, formas de governo e instituições, na esperança de
que a Espanha e outros países europeus vissem isso como prova de estabilidade
financeira e civilização. Andres Bello promoveu educação e aprendizado do direito

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internacional, bem como literatura, gramática e leis americanas para completar a
civilização que a Espanha teria deixado inacabada.

4.3. Definição de Civilização


Durante a segunda metade do século XIX, o direito internacional continua sendo
compreendido como uma imagem da civilização. No dicionário de Carlos Calvo, ele
define civilização “como o estado do homem em sociedade em oposição a barbárie... O
direito internacional é um dos mais preciosos frutos da civilização: porque tem se
tornado uma das bases da organização das sociedades e, portanto, um elemento
essencial na marcha harmônica da humanidade.

Para ele, nações civilizadas são dotadas de maneiras, costumes e usos polidos que
denotam certa educação econômica, política e moral e foram organizados sobre bases
estáveis e racionais, sobre o princípio de ordem, justiça e humanidade. Nações
civilizadas teriam a missão de promover a educação, a orientação, a civilização de
pessoas selvagens, para aumentar o território de Estados civilizados, e constituir
autoridades civilizadas no maior número de regiões bárbaras. Entretanto, defendeu que
as nações civilizadas não tinham o direito de destruir, exterminar ou tomar as terras de
selvagens ou bárbaros.

Em finais do século XIX magistrados de nações periféricas, da América Latina, Japão,


China, etc, acolheram a definição de Calvo, de modo a incluir seus Estados como parte
do mundo civilizado e ao mesmo tempo usar a “missão civilizatória” para conquistar e
controlar pessoas consideradas não civilizadas de seu próprio Estado e região.

4.4. A Lei de Berlim e as bênçãos da civilização

Em finais do século XIX (1885) foi produzido um documento, The Berlin Act, na
Conferência de Berlim sobre o oeste da África. Este documento refletiu o discurso
colonial de finais do século que estruturavam a relação entre civilizado e incivilizado,
apesar de ser permeado por múltiplas perspectivas a respeito do conceito, destituídas de
um padrão coerente.

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The Berlin Act assinou um acordo para regular as condições mais favoráveis para o
desenvolvimento do comercio e civilização em determinada região da Africa. A
ocupação do território foi legitimada como instrumento da missão civilizatória,
promovendo interesses privados, comerciais, como sendo de interesse público, pois a
auto-designação de ‘protetorado’, missionários da civilização, os livraria de encargos
formais administrativos. A ausência de regras fixas do território negou aos nativos
pretensões á soberania.

4.5. Nações civilizadas no Estatuto da Corte Permanente da Justiça Internacional

Em 1920 o Conselho da Liga de Nações convocou um comitê de juristas para desenhar


regras e o estatuto da nova Corte Permanente da Justiça Internacional.

Para Leon Bourgeois, relator do comitê, o direito internacional era o último signo da
civilização e a corte era seu novo instrumento. Para ele a corte seria o ‘poder judicial da
humanidade’, ‘império da justiça’, uma ‘instituição suprema cujas decisões de
estabelecer a soberania do direito em todo o mundo’. Demonstrou acreditar de maneira
otimista que povos conquistados eram libertados e passavam a ter o direito de
reconhecimento pelas nações civilizadas. Defendia o futuro da justiça internacional e de
uma civilização universal não mais dividida entre novo e velho mundo.

Para o presidente do comitê e representante da Bélgica, Edouard Descamps, o mundo


estava dividido entre povos civilizados e incivilizados diferenciados pelo seu nível de
acesso ao direito e a justiça. Propôs então que o artigo 38 instruísse juízes a aplicar as
regras do direito internacional como reconhecidas pela consciência legal das nações
civilizadas. O direito internacional deveria ser o centro do novo sistema e os heróis os
júri-consultores de autoridade capazes de interpretar os princípios de justiça, derivada
da consciência pública das nações civilizadas. Defendeu que caso os juízes falhassem
seus juízos baseados em costumes e convenções, deveriam recorrer a princípios gerais
do direito que seriam expressão da mais alta consciência legal das nações civilizadas.

Também discutiram sobre qual critério adotar para nomear e eleger os juízes. O jurista
espanhol Rafael Altamira propôs que os juízes deveriam representar diferentes tipos de
civilização (distintas pela linguagem) e diferentes sistemas legais na Corte. Essa

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proposta foi aceita por Descamps que argumentou que essa modificação faria a clausula
mais precisa, porque a diferença entre os vários sistemas legais é baseada na relação
entre direito e civilização, a qual base do direito, uma diferença enraizada na histórica
de cada nação.

Para Bourgeois, os juízes da Corte Permanente deveriam ser escolhidos não pela razão
do Estado de onde são cidadãos, mas por sua autoridade pessoal, sua carreira, do
respeito internacional vinculado a seu nome, pois estes juízes devem representar o
espirito internacional salvaguardado por interesses nacionais, dentro dos limites de sua
legitimidade.

Elihu Root, representante dos E.U.A, descordou e insistiu que a paz mundial era
baseada na coexistência das Principais Potências com outros Estados. Assim, defendeu
que somente os cinco maiores poderes deveriam ser representados na Corte. (não
entendi este fragmento completamente)

Altamira defendeu que o número de juízes deveria ser baseado na opinião pública e na
qualidade moral dos juízes...

Este foi o primeiro fórum a discutir o par conceitual civilizado e incivilizado, ainda que
existissem distintas percepções e significados a respeito.

5. Reflexões sobre o de Civilização no Século XX


5.1. O pós-Guerra e a Civilização

A devastação das duas guerras mundiais no início do século XX coloca em questão os


conceitos de civilização e de nações civilizadas.

Em 1947, a delegação da Arábia Saudita protestou junto ao comitê de redação da


Declaração Universal dos Direitos Humanos Direitos que tinham «tomado em
consideração apenas os padrões reconhecidos pela civilização ocidental e tinham
ignorado as civilizações mais antigas que foram além da fase experimental", e que não
era tarefa do comitê "proclamar a superioridade de uma civilização sobre todas as outras
ou estabelecer normas uniforme para todos os países do mundo'.

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Para Carl Schmitt (1888-1985) o conceito de civilização foi um produto do século 19
que eclipsou a visão da história. Schmitt afirmou que a partir do século 16 ao século 20,
o direito internacional Europeu considerou nações cristãs como criadoras e
representantes de uma ordem aplicáveis a toda a terra .... Civilização era sinônimo de
civilização européia .... Neste sentido a Europa ainda era o centro da terra. Com o
aparecimento do "Novo Mundo", a Europa tornou-se o Velho Mundo. Para Schmitt 'a
primeira pergunta do direito internacional foi se as terras dos não-cristãos, povos não-
europeus, estavam em um baixo grau de ‘civilização’ de modo que pudessem se tornar
objetos da organização dos povos de um ‘estágio mais alto’. Como exemplo, ele
argumenta que a questão era central para teólogos espanhóis do século 16, como Juan
Gines de Sepulveda (1489-1573) e Francisco de Vitoria. Ambos concordavam com o
processo da conquista e da cristianização, mas abordavam a questão da "humanidade"
de forma diferente. Sepulveda usava um argumento aristotélico para persuadir nativos
de suas qualidades humanas, pressupunha uma humanidade mais elevada do
conquistador, e concebia os nativos americanos como selvagens e bárbaros. Através
deste argumento Espanhóis poderia obter o título legal para a apropriação da terra e
subjugação dos nativos. Schmitt escreveu que "é paradoxal que ninguém menos que
humanistas apresentavam tais argumentos desumanos”.

Vitória, por outro lado, tinha uma visão teológica e a-histórica sobre a diferença entre
bárbaros e cristãos. Schmitt apontou como Vitoria encontrava os nativos bárbaros, mas
ainda assim os considerava humanos e, portanto, iguais em direitos como os cristãos. O
principal argumento de Vitoria em apoio à conquista e colonização não foi sobre a
desumanidade dos nativos, mas sobre a legalidade de uma "guerra justa", quando os
bárbaros se opunham aos direitos espanhóis de livre passagem, missões livres,
propaganda livre, e livre comércio. O engajamento em uma ‘guerra justa' forneceu o
título legal para a ocupação e anexação do território americano e subjugação dos povos
indígenas". Schmitt escreveu, porém, que Vitoria deve ser compreendido em seu
contexto histórico, como representante da Igreja Católica e agente da autoridade moral
(e legal) criada para o mandato missionário da coroa de Castela, para apropriação de
terras no Novo Mundo. "Na realidade", escreveu Schmitt, 'apesar de sua alegação de
que os indígenas são moralmente inferiores, em última análise, a visão de Vitoria da

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conquista é totalmente positiva. O mais significativo para ele foi o fato consumado da
cristianização'.
Schmitt não tinha problema com as justificativas de Sepulveda ou Vitória para a
conquista, mas sim com interpretações e utilizações posteriores de seus argumentos. A
distinção de Sepulveda da humanidade, feita pelos conquistadores, tornou-se, no
"humanitário século 18", de um lado ‘absoluta’ e de outro ‘desumana’, ou o novo
inimigo. Nos séculos 17 e 18 filósofos, de Grotius a Wolff, desenvolveram a doutrina
moral escolástica em um neutro ius naturale e gentium sem distinguir entre cristãos e
não-cristãos, usando a teologia moral discriminatória cristã e não-cristão de Vitoria em
outras intenções e objetivos políticos.

No século 19, argumentou Schmitt, em antítese profunda ao pensamento do século 16,


"o superhumano entrou na história com seu outro hostil: o sub-humano em um histórico
modo de pensar que era humanitário e civilizador, uma auto-consciência arrogante de
uma filosofia idealista da história, como exemplificado por Hegel. Schmitt queixou-se
que, embora Vitoria não falasse nada sobre o direito de uma civilização ou cultura
superior, o direito dos povos civilizados se pronunciarem acerca de povos meio-
civilizados ou incivilizados ou a cerca da "civilização", foi revivido e mal interpretado
pelos contemporâneos de Vitoria, embebidos pela crença no progresso e na civilização.
Desde a destruição da perspectiva cristã da história pelo Iluminismo, no século 18,
Schmitt argumenta, a crença na civilização tornou-se tão amplamente aceita que "tem
sido um conceito decisivo no direito internacional europeu, juntamente com a crença no
progresso, principal motivo para o mal-entendido contemporâneo [acerca de Vitoria] a
partir de conceitos como progresso e civilização”.

Durante o século 19, Schmitt observou que havia uma "visão comum e não
problemática de uma civilização europeia" e que o conceito de direito internacional era
um direito internacional europeu específico. Isso era auto-evidente no continente
europeu, especialmente na Alemanha. E em todo o mundo, conceitos universalistas,
como humanidade, civilização e progresso, determinaram os conceitos gerais da teoria e
vocabulário de diplomatas. No entanto, toda a imagem era compreendida como
eurocêntrica para o núcleo, já que por "humanidade" se entendia, acima de tudo, a
humanidade européia. Civilização era auto-evidentemente apenas a civilização europeia,
e o "progresso" era o seu desenvolvimento linear... As grandes obras inglesas e

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francesas dessa época têm um conceito eurocêntrico de civilização e distinção entre
civilizado, semi-civilizado e povos bárbaros. Mas eles deixaram este problema de fundo
... pois intitulam seus livros como Direito Internacional ou Direito das Nações.

Schmitt salientou que, mesmo em livros didáticos de Wheaton, Calvo ou Fodere, onde
os novos Estados Americanos foram considerados civilizados, ainda havia um conceito
comum de uma "civilização europeia unificada”, uma norma tácita pressuposta e
pensada como um princípio geral do direito internacional, sinônimo de
constitucionalismo liberal e "civilização" no sentido europeu. A crença na civilização e
no progresso declinou após a Conferência de Berlim de 1884-85 e até a Primeira Guerra
Mundial, quando “Não mais poderia ser usada para formar instituições de direito
internacional... A Europa não mais era o centro sagrado da Terra... A crença na
civilização e no progresso tornou-se nada mais que uma fachada ideológica... nesta
confusão, o velho nomos da Terra, determinados pela Europa, dissolveram.

Alguns anos após o Nomos de Schmitt, Georg Schwarzenberger (1908-1991) refletiu


sobre o que ele chamou de "padrão de civilização". Mas ao contrário de Schmitt, que
era católico e apoiador do regime nazista, Schwarzenberger foi um judeu que teve que
fugir da Alemanha em 1934. Apesar das discrepâncias óbvias, Schwarzenberger
confessou ter uma grande admiração por Schmitt: "ele não é apenas um talento, mas um
verdadeiro gênio, embora maligno... como tantas outras pessoas inteligentes com quem
eu discordo, ele me faz, pelo menos, pensar sobre as razões do que eu faço”. Na
verdade, ele discordava da avaliação de Schmitt de que a crença na civilização declinou
depois da Conferência de Berlim e argumentou que "a relação entre Civilização e
Direito Internacional era um problema legal atual de primeira ordem", mas em um
diferente caminho.

Schwarzenberger estava ansioso sobre o encontro dos “advogados analíticos" com o


termo "nações civilizadas" no artigo 38(c) do Estatuto da CIJ e a interpretação da Corte
para a compreensão que nações civilizadas estavam, preocupações que ‘por gerações ...
tem ocupado a mente dos historiadores, filósofos e sociólogos'. Ele argumentou,
portanto, que o "advogado analítico" tinha três opções: não dar qualquer significado
para o "adjetivo embaraçoso", usar conhecimento sociológico ad hoc para explicá-lo, ou

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tornar-se consciente da "interdependência de toda a aprendizagem”, e aceitar a obra dos
outros para esclarecer o significado usando ferramentas interdisciplinares.

Schwarzenberger tentou a sua própria definição de um “grupo civilizado" como aquele


que "adquiriu um aparato maduro de pensamento e ação, caracterizado pelo uso
extensivo de padrões do comportamento racional". Definir os outros como 'grupos de
caráter racionalmente menos calculável' era muito formal e não conteria o sentido pleno
do termo, embora ele reconhecesse a existência de “uma pluralidade e multiplicidade de
civilizações", mas não podia aceitá-las como absolutas, pois eram "frágeis e relativas” e
possuíam “elementos contidos da barbárie”. Schwarzenberger decidiu que seria
egocêntrico e ingênuo para identificar uma civilização particular com 'Civilization',
sendo, no máximo, uma aproximação de um ideal, “um contínuo esforço, mas sempre
precário". Apesar instável reconhecimento do conceito, Schwarzenberger concluiu que a
«base última de qualquer civilização é religiosa e ética" e é baseada em princípios de
acordo, reciprocidade e cooperação voluntária. Sociedades civilizadas menores são
caracterizadas pela sua dependência em relação à exploração da força do homem pelo
homem ou de um grupo por outro, sobre a violência bruta, de modo que os Estados
democráticos são civilizados e sistemas totalitários ou autoritários são incivilizados.
Schwarzenberger fez a distinção entre grupos "selvagem" que ainda não atingiram
qualquer fase sensível da civilização e grupos "bárbaros" que haviam abandonado a
civilização, mas suas ansiedades eram evidentes: o Holocausto como seu passado
imediato, o mundo bipolar da Guerra Fria como o seu presente, e uma guerra nuclear
mundial como futuro.

5.2. Três Livros de 1984 sobre Civilização e História do Direito Internacional

Em 1984, três livros que discutem o conceito de civilização na história do direito


internacional foram publicados: “Epochen der Volkerrechtsgeschichte” de Wilhelm G.
Grewe, “Die Europaische Expansion und das Volkerrech: Die Auseinandersetzungen
hum der Estado den uberseeischen Gebiete vom 15” de Jorg Fisch. Jahrhundert bis zur
Gegenwart, e The Standard of Civilization in International Society de Gerrit Gong.

Wilhelm Grewe (1911-2000), que no Terceiro Reich trabalhou para o Instituto Alemão
patrocinado pelo governo para a Investigação da Política Externa, em Berlim, escreveu

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seu livro como Habilitationsschrift durante a Segunda Guerra Mundial, embora ele só
tenha sido publicado em 1984. No capítulo "Ideia da Civilização e o Direito
Internacional Universal em um Sistema Estatal Global”, Grewe distinguiu entre
"Civilization" em inglês e francês e 'Kultur' e 'Zivilisation' em alemã, pois, segundo ele,
existiu resistência da elite intelectual alemã em retratar a Primeira Guerra Mundial
como conduzida em nome da civilização ocidental. Grewe compreende “civilização”
como uma expressão da consciência cultural da Europa Ocidental e anglo-francesa, que
“molda o espírito cultural europeu" como superior aos outros. Como um conceito
intimamente ligado a ideia industrial/intelectual e técnica de progresso e
desenvolvimento, alcançou precisão total no século 19, quando diferenciou-se a "ação
de civilizar do estado de ser civilizado".

Grewe concluiu que "a equação da comunidade jurídica internacional com a Société des
nations civilisées, no século 19, foi principalmente uma realização da política britânica e
do pensamento britânico sobre a prática e teoria do direito internacional". Os requisitos
para uma nação ser considerada civilizada, de acordo com a avaliação da política
britânica de Grewe, foi a abolição do tráfico de escravos, a adoção do cristianismo e das
práticas sociais e culturais européias. Ele citou uma passagem do trabalho de Richard
Cobden (1804-1865), exemplificando o critério clássico para pertencer ao "mundo
civilizado":
a Turquia não pode entrar no sistema político da Europa; pois os turcos não são europeus.
Durante os quase quatro séculos que as pessoas têm acampado sobre o melhor solo do
continente, tão longe de se tornar uma das famílias da cristandade, eles não tenham adoptado
um costume europeu. Seus hábitos são ainda Orientais, como quando eles cruzaram o Bósforo.
Eles escrupulosamente excluem suas fêmeas da sociedade do outro sexo; eles usam vestido
asiático; sentam de pernas cruzadas, ou loll sobre almofadas, usando nem cadeira, nem cama;
eles raspam suas cabeças, mantendo suas barbas; e eles usam seus dedos ainda, no lugar desses
substitutos civilizados, facas e garfos... A impressão pode ser dita desconhecida na Turquia; ou
se encontrada em Constantinopla, está nas mãos de estrangeiros. O motor steatn, gás, a bússola
do marinheiro, papel-moeda, vacinação, canais, a fiação-jenny, e estradas de ferro, são mistérios
ainda não desvendados por filósofos otomanos. Literatura e ciência estão tão longe de encontrar
discípulos entre os turcos, que as pessoas são reconhecidas como duas vezes destruidoras da
aprendizagem: na esplêndida literatura grega em Constantinopla; e na extinção do alvorecer da
filosofia experimental, na subversão do Califado.

Para Grewe, a propagação da ideologia da civilização britânica para a teoria continental


culminou na identificação do direito europeu das nações com o "direito comum mundial
das nações civilizadas”. O direito cristão europeu das nações cresceu gradualmente e se
tornou uma ordem jurídica global ou um sistema legal universal", cujos membros

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eram ... apenas as "nações civilizadas". O sistema – propriedade das bases do direito
natural pelo surgimento do positivismo – introduziu diferenciação através do critério de
civilização e lançou as bases de um novo e separado direito colonial das nações. Com
esta declaração, Grewe se opôs a perspectiva de Schmitt, da ampliação e transformação
da ordem jurídica internacional começada no final do século 19. Ele denunciou o
trabalho de Schmitt como uma história ruim, "não em conformidade com os fatos
históricos e ... não confirmada pela literatura desse período".

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Jorg Fisch, da geração do pós-guerra, escreveu sobre a civilização em seu estudo de
1984 sobre a expansão europeia e do direito internacional, bem como um ensaio cem
páginas sobre o conceito of'Zivilisation 'e' Kultur 'para de Reinhart Koselleck
Geschichtliche Grundbegrijfe. 78 Em Expansão, Fisch dedica dois capítulos para
rejeitar a tese de Schmitt esse espaço colonial extra-europeu, para além da linha do
Equador, foi fora da lei, e em um estado de guerra perpétua em contraste com a esfera
europeia Unidos oflaw-permanente (! nos Publicum Europaeum) onde a guerra foi
contido (Hegung des Krieges) através de uma paz europeia por meio de uma
exteriorização de guerra para as colônias. As colônias 'estatuto de neutralidade, Fisch
argumentou, era "defensável nem empiricamente nem sistematicamente" porque foram
os próprios potências européias que, muitas vezes declarados seu estatuto jurídico em
conflitos que surgiram entre eles. 79 Para Fisch, expansão européia de 16 a 2oth séculos
era diferente de outros processos de construção de impérios na história do mundo
porque foi fundamentada exclusivamente em justificativas legais e morais entre próprios
europeus. Embora os argumentos jurídicos e morais mudou ao longo destes séculos, um
tema constante era a "visão teleológica da história como um processo de
universalização" com um espírito missionário que queria moldar o mundo de acordo
com sua própria imagem. A principal ferramenta para a expansão imperial europeia,
argumentou Fisch, foi através morais e legais de direitos a priori. De 16 a séculos ISTH
este direito unilateral foi baseada na difusão do cristianismo. Francisco de Vitoria
defendeu uma direita cristã universal de liquidação e comércio em territórios pagãos.
No século 18, os escritores, como Wolff, Kant, e de Vattel causa o direito unilateral
baseada na religião ilimitado para ocupar territórios e governar os não-europeus.
Durante a segunda metade do século 19, a "civilização" tornou-se o novo pedido de
longo alcance a priori 'consciente ou inconscientemente ... aceito por advogados
internacionais, políticos eo público em geral na Europa e in NorthAmerica'. Civilização
não foi um título, explicou Fisch, mas uma crença em uma nova teleologia: "o Estado
moderno foi visto tanto como um produto e um agente da civilização moderna .... [T]
mangueira que promoveu a civilização tinha mais direitos do que aqueles que não
estavam interessados nele .... Neste contexto, "civilização" tinha o significado enfática
de "vida civilizada": "1 Por outro lado, a civilização foi a base implícita de um título
baseado em uma doutrina de soberania sem dono. 82 Através do conceito de direito
romano de ocupação que dá direito a apropriação de objetos sem dono, um sujeito de
direito internacional poderia apropriar-se dos direitos IMPÉRIO (tl1e soberania) mais

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de um território desabitado. O problema foi que apenas comunidades políticas
"incivilizados" foram objecto de Imperium por "civilizado" europeu ou americano
Unidos, aqueles que decidiram que era "incivilizados", em primeiro lugar. Novos
direitos à ocupação, mostrou Fisch, eram justificadas para proteger a vida civilizada
como para os riscos percebidos que os cidadãos civilizados (europeus) decorreu em
territórios não-civilizados. Fisch argumentou que a crença na civilização ou intervenção
devido à "falta de civilização" e seu valor superior sobreviveu imperialismo europeu e
foram atualizados no século 2oth como novos pedidos, a priori, através de um título
apenas para a intervenção com a "falta de democracia" argumento: No início, o mundo
estava destinado a beco1ne cristão, então ele estava destinado a se tornar civilizado,
enquanto agora ele está destinado a se tornar legalmente ... igualitária, no sentido da
propagação da democracia e rights.83 humano Embora Fisch é o melhor historicamente
pesquisa fundamentada dos livros de 1984, o trabalho de Gerritt Gong é o mais citado
dos três. Um dos últimos alunos de Hedley Bull autor de A Sociedade Anárquica, Gong
escreveu o livro como sua tese de doutorado. Ele fez um relato genealógico do "padrão
de civilização" como um princípio de direito internacional no século 19 e descreveu
como ele eventualmente falhou com as duas guerras mundiais. Gong pesquisados como
China, Japão, Siam, Rússia, Abissínia, e do Império Otomano eram esperados para estar
em conformidade com 'padrão de civilização "europeia que muitas vezes' entraram em
confronto" com seus próprios padrões nativos. 84 Gong definido o padrão em primeiro
lugar, como "uma expressão das hipóteses, tácita e explícita, usado para distinguir
aqueles que pertencem a uma sociedade particular daqueles que não fazer" e, segundo,
como um conceito geral "que determinou o domínio do direito internacional e, assim,
definida a identidade e delimitadas as fronteiras do "civilizado" sociedade internacional
". 85 Gong argumentou que a norma era um princípio jurídico específico que se
desenvolveu no final do século 19. Um Estado foi considerado civilizado se cumpriu
cinco requisitos que "refletiu as normas da civilização européia liberal que surgiram
para substituir, embora ele permaneceu firmemente enraizada na, os costumes da
cristandade". 86 Os cinco requisitos foram (1) garantias para o ofliberty direitos básicos,
a dignidade, a propriedade, a liberdade de viagens, comércio e religião, especialmente a
de cidadãos estrangeiros; (2) uma burocracia política organizada e eficiente, com
capacidade de auto-defesa; (3) aderência às leis de guerra e de um sistema nacional de
tribunais, códigos e leis publicados que garantam justiça legal para estrangeiros e
nacionais igualmente-incluindo o direito internacional; (4) adequada e permanente

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intercâmbio diplomático e comunicação; e (5) a adesão a normas e práticas da sociedade
internacional "civilizado" culturais para que ações como a poligamia ea escravidão que
foram considerados "incivilizados" também eram inaceitáveis. "O 'civilizado', segundo
Gong, seria" aqueles que cumprem os requisitos da norma de uma sociedade particular
de civilização ", eo incivilizado são aqueles que não fazê-lo em conformidade e são
deixados fora da comunidade como" não civilizados "ou possibly'uncivilized '. 88 Gong
acreditava que seu padrão foi aplicada aos Estados individuais, e sociedades, bem como
aos sistemas de Estado ou de sociedades internacionais dos Estados obra de Gong foi
lido em duas direções:. a primeira aceita o seu estudo como uma interpretação realista
das relações internacionais que observa um fato normativa histórica de como os estados
foram encomendados em um sistema mundial e interagiram durante o século 19. De
acordo com este ponto de vista, o padrão de civilização surgiu no século 19,
permaneceu dormente durante a era da Guerra Fria, e reapareceu depois da queda do
Muro de Berlim, em i989 e novamente depois de Setembro n, 2001. Estes autores
acreditam que o padrão teve algumas consequências negativas no passado, mas ainda é
benéfica e deve ser atualizado com base na proteção dos direitos humanos ou um mais
amplo "condicionalidade de adesão) nas organizações internacionais que incluem
política, econon1ic) democrática, e os critérios de boa governação. 89 A segunda
vertente de obras examinar padrão da civilização como o poder eo uso oflanguage e não
como um princípio jurídico internacional ou regra natural do Gong. Martti
Koskenniemi, em The Gentle civilizador das Nações, argumentou que a norma, como
tal, não existia no final do século 19:
Sem padrão estável de civilização surgiu para governar a entrada na "comunidade de
direito internacional". ... O conceito nunca funcionou e nunca foi destinado a funcionar,
como um teste decisivo tudo-ou-nada. ... A existência de um 'standard' era um mito no
sentido de que nunca houve nada a ganhar. Cada concessão era uma questão de
negociação, cada estado depende de acordo, quid pro qua. Mas a existência de uma
linguagem de um padrão ainda deu a aparência de treat1nent justo e administração
regular para o que era ... uma política conjectural .... Sem esse tipo de linguagem, que
teria sido impossível ... explicar, muito menos para justificar, porque as comunidades
não europeus poderia ser submetido a colonização maciça .... Aqui era o paradoxo: se
não havia nenhum padrão externo para a civilização, em seguida, tudo dependia do que
os europeus aprovado. O que os europeus aprovado ... dependia do grau em que as
comunidades aspirantes estavam prontos para jogar pelas regras europeias. Mas os mais

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ansiosamente não-europeus pretendiam provar que eles jogaram pelas regras europeias,
mais eles se tornaram suspeito. 90 O aspecto da colonização e do uso da norma por não-
europeus, com destaque para Koskenniemi nesta passagem, foi levada adiante por
Antony Anghie e Brett Bowden, que exploram o 'lado escuro' da norma e mostrar suas
consequências negativas como a linguagem que permitiu a conquista e colonização dos
povos e Estados por aqueles que julgavam-se civilizado ou pelo menos "mais
civilizada". 91 Outros estudiosos analisaram a forma como o conceito de civilização foi
apropriado pelos advogados não europeus e trabalhou em argumentos para promover
seus próprios projetos de lei nacionais e internacionais. 92 Mais recentemente, Gong
tem escrito sobre a norma e indicou que 'não é nova, nem vai ... nunca fica velho.
Alguns padrão de civilização continuará a ser uma característica de qualquer society.'93
internacional Enquanto Fisch adverte contra os usos de novos padrões de civilização
para fins intervencionistas nos Estados mais fracos, Gong argumenta que as normas de
direitos humanos, o direito humanitário, desenvolvimento sustentável, meio ambiente,
regulamentos de comércio internacional e de investimento são positivos e devem ser
seguidas para que os Estados considerados "civilizado" pela comunidade internacional
em nosso mundo moderno. Gong acredita que pesquisas atuais da sociedade
internacional e aspira por um 'padrão de civilização), a fim de continuar a organizar uma
sociedade internacional de outra forma anárquica e mostrar um caminho normativo para
a melhoria constante para o futuro. 94 6. CONCLUSÃO A partir do século 16 ao início
do século 19, os conceitos de (pares e outros, tais como progressive / trás, culta /
bárbaro, moderno / primitivo, branco / preto) civilizados / incivilizados que
categorizados e estratificada povos, nações ou Unidos foram fundamentais para a língua
do imperialismo europeu informal. No final do século 19, a linguagem da civilização
transferida para o imperialismo formal, sustentada pelo direito internacional. Embora os
argumentos jurídicos e morais mudou ao longo dos séculos, a descrição hierárquica de
insiders e outsiders de uma comunidade jurídica, a visão teleológica, e seu espírito
missionário são fundamentais para entender a história do direito internacional. Nos
séculos 16 e 17, a visão cristã holística oflaw e moralidade era o direito de expansão
europeia, como os nativos americanos entraram no universo de soberania europeia. Os
povos indígenas tornou-se passível de gestão e apropriação de terras por aqueles que se
descreveram como estando em um estágio mais elevado da evolução humana por causa
de suas crenças religiosas e formas particulares de interação social. Como bárbaros, os
indígenas poderiam acessar o cristianismo através do batismo e da adoção de práticas

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culturais e linguísticas europeias. Eles, então, teve a possibilidade de obter o telos
individuais de receber a glória de Deus, mas eles ficaram sujeitos da doutrinação
Europeia. Os africanos também se saíram um destino sombrio, como eles foram
categorizados em um estágio ainda mais baixo da evolução humana que não previa a
possibilidade de progressão, e, assim, permitiu que a justificação moral e legal para sua
escravização. No século 18, pensamento iluminista trouxe o conceito de "humano" e seu
outro (o "desumano" ou "sub-humanos"), que permitiu um par conceitual alternativa
para o / view universal não-cristão Christian anterior. O século terminou com propostas
de telos do humanas indivíduo para contribuir para a civilização nacional e um
propósito coletivo para a humanidade para chegar à unidade de todas as nações
civilizadas através do direito. Essencialmente, no entanto, a humanidade eo direito das
nações foram consideradas Europeia.
No século 19, a civilização se tornou o novo a priori reivindicação de expansão europeia
com base em uma forma aceitável para classificar o progresso dos povos ou Estados
através de uma gama de valores imaginados. A civilização foi uma política conjuntural
com base em variáveis contextuais e uma crença na teleologia do Estado moderno como
um produto e um agente de desenvolvimento evolucionário moderno. Em termos legais,
os que promoveram a civilização tinha direitos inerentes ao seu estatuto, o direito sobre
os territórios desabitados ou comunidades políticas "incivilizados". A comunidade
jurídica internacional foi "a comunidade das nações civilizadas" e da lei europeia de
nações era a lei comum das nações civilizadas. Até o final do século i9th, a missão
civilizadora foi usada como argumento na "partilha da África". No período entre
guerras, a idéia de nações civilizadas foi institucionalizada no artigo 38 do estatuto PCIJ
como fonte para as origens dos princípios do direito internacional, embora não foi
definida. Após a Segunda Guerra Mundial, vários estudos reconheceu a relevância do
conceito de civilização na história do direito internacional e começou a estudar a
existência de um padrão de civilização. Autores críticos questionaram sua continuidade
ou adequação como uma ferramenta de influência, dominação ou subordinação,
enquanto outros viram isso como uma forma necessária do progresso universal que
precisava ser atualizado com as idéias atuais de padrões. Em meados do século 2oth,
como resultado de tvvo guerras devastadoras, o termo can1e em crise. Na. contexto do
declínio da imagem da Europa como "civilizado" de, no final do século trouxe novas
variáveis de progresso, como o livre comércio, democracia e rights.95 humano Para
concluir, o direito internacional surgiu no século i9th como uma disciplina constituída

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por a tensão na definição de seus limites internos e externos entre o civilizado eo
incivilizado. Os eventos que marcam as datas da narrativa e as origens históricas do
direito internacional são definidas em torno dessas esferas, com a utopia final do direito
internacional como a realização última do progresso civilizado. Para estar em direito
internacional era para ser uma parte da civilização enquanto estar fora de
internationallawwas ser ilegal e selvagem. Para muitos autores do século i9th e, mais
tarde, lendo civilização em direito internacional fez com que os momentos em que não
havia nenhuma lei internacional, ou os povos que não têm isso, foram momentos
bárbaros ou povos bárbaros. Os principais inquilinos de lei-a regulação internacional da
paz e da guerra-pode também ser entendido como preso no dualismo de civilizado / não
civilizado. Como um projeto em expansão, os juristas internacionais e profissionais
construiu a cronologia da disciplina baseada na idéia de um progresso normativo para
regular a paz ea guerra limitado pela dicotomia que gira em torno dos limites e
condições de soberania. No entanto, uma história abrangente do conceito de civilização,
e seus adjetivos que acompanham civilizado / não civilizado no direito internacional
tem de ser escrito. Esta visão geral, retirada de uma amostra de reflexões dos juristas
sobre o assunto, espera contribuir para o debate e abrir algumas questões para futuras
pesquisas.

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