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LEI 8.

666, DE 21 DE JUNHO DE 1993


(LEI DE LICITAÇÕES E CONTRATOS)

PREÂMBULO: “Regulamenta o Art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para
licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências.”

CAPÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS


SEÇÃO I - DOS PRINCÍPIOS
Art. 1º. Normas gerais de licitação da administração direta e indireta de todos os poderes.
Art. 2º. Obras e serviços devem ser contratadas por licitação.
Art. 3º. A licitação visa garantir a isonomia, a proposta mais vantajosa e o desenvolvimento nacional
sustentável.
§ 1. Veda: I. condições que restrinjam o caráter competitivo; e II. o estabelecimento de tratamento
diferenciado, exceto o caso da margem de preferência 1.
§ 2. Critérios de desempate (sucessivos): II. produzido no país, III. empresas brasileiras, IV. empresas
com investimento em tecnologia no país, e V. reservas de vagas para pessoas com deficiência.
§ 3. A licitação não é sigilosa.
§ 5. Margens de preferência : I. produtos manufaturados e serviços nacionais, e II. reservas de vagas
para pessoas com deficiência.
§ 6. Revisão das margens de preferência: I. geração de emprego; II. efeito na arrecadação de tributos;
III. inovação tecnológica no país; IV. custo adicional dos produtos e serviços; V. análise retrospectiva
de resultados.
§ 7. Autoriza preferência adicional para os casos de produtos manufaturados e serviços nacionais em
tecnologia.
§ 8. A soma das margens de preferência não podem ultrapassar a 25% sobre os produtos e serviços
estrangeiros.
§ 9. As margens de preferência não se aplicam para bens e serviços cuja capacidade de produção ou
prestação seja inferior: I. à quantidade a ser adquirida ou contratada; ou II. cotação de quantidades
menores no caso dos bens e serviços de natureza divisível.
§ 10. As margens de preferência poderão ser estentidas para os países do Mercosul.
§ 11. Os editais poderão exigir medidas de compensação comercial, industrial, tecnológica ou acesso a
condições vantajosas de financiamento 2.
§ 12. As licitações de bens e serviços em tecnologia da informação e comunicação, considerados
estratégicos para o poder executivo federal 3, poderão ser restritas aos bens e serviços produzidos no
país.
§ 13. Será divulgado, pela internet, as empresas favorecidas e os recursos destinados a cada empresa.
§ 14. As margens preferências devem privilegiar as microempresas e empresas de pequeno porte.
§ 15. As margens de preferências desta Lei prevalecem sobre outras preferências previstas na
legislação quando forem aplicadas sobre produtos ou serviços estrangeiros.
Art. 4º. As licitações devem obedecer os procedimentos estabelecidos nesta Lei.
Art 5º. Os valores, preços e custos terão como expressão monetária a moeda corrente nacional, exceto
nas concorrências de âmbito internacional em que o edital será ajustado às diretrizes da política
1 A margem de preferência é o quanto o preço do fornecedor preferido pode exceder o preço de outros licitantes e
ainda assim ser selecionado.
2 A compensação é definida por toda e qualquer prática acordada entre as partes, como condição para a compra ou
contratação de bens, serviços ou tecnologia, com a intenção de gerar benefícios de natureza tecnológica, industrial ou
comercial, conforme definido pelo Ministério da Defesa
3 Trata-se dos bens e serviços de tecnologia da informação e comunicação cuja descontinuidade provoque dano
significativo à administração pública e que envolvam pelo menos um dos seguintes requisitos relacionados às
informações críticas: disponibilidade, confiabilidade, segurança e confidencialidade.
monetária e do comércio exterior.
§§ 1-3. Descrição dos reajustes no pagamento decorrentes de despesas adicionais, destacando os
valores inferiores à R$ 17.600,00 [pelo Decreto 9.412/18], que devem ser realizados no prazo de 5 dias
úteis, contados da apresentação da fatura.
Art. 5º-A. As licitações e contratos devem privilegiar o tratamento diferenciado e favorecido às
microempresas e empresas de pequeno porte.

SEÇÃO II - DAS DEFINIÇÕES


Art 6º. Glossário: obra; serviço; compra; alienação; obra, serviço e compra de grande vulto [valor
acima de R$ 82.500.000,00]; seguro-garantia; execução direta; execução indireta (empreitada por preço
global [preço certo e total]; por preço unitário; tarefa; integral [todas as etapas]); projeto básico
[caracterização da obra ou serviço]; projeto executivo [execução da obra ou serviço]; administração
pública; administração; imprensa oficial; contratante; contratado; comissão; produtos manufaturados
nacionais; serviços nacionais; sistemas de tecnologia de informação e comunicação estratégicos;
produtos para pesquisa e desenvolvimento).

SEÇÃO III - DAS OBRAS E SERVIÇOS


Art. 7º. A sequência de etapas da execução de obras e prestação de serviços são: I. projeto básico; II.
projeto executivo; III. execução das obras e serviços.
§ 1. A execução de cada etapa será precedida da conclusão e aprovação da anterior.
§ 2. As regras para a licitação: I. aprovação do projeto básico; II. orçamento detalhados sobre os custos
unitários; III. previsão de recursos orçamentários para o pagamento das obrigações; IV. contemplado
no Plano Plurianual.
§§ 3-5: Veda: 3. obtenção de recursos financeiros para execução da obra ou serviço; 4. fornecimento de
materiais sem previsão de quantidade; 5. bens e serviços sem similaridades ou características e
especificações exclusivas.
§ 6. Infligir os vetos causa a nulidade do contrato realizado.
§ 7. Não será computado como valor da obra ou serviço, para fins de julgamento da proposta de preços,
a atualização financeira das obrigações de pagamento 4.
§ 8. Qualquer cidadão poderá requerer os quantitativos das obras e preços unitários da obra executada.
§ 9. As regras acima se aplicam para os casos de dispensa e inexigibilidade de licitação.
Art. 8º. A execução das obras e serviços devem ser programadas considerando os custos atual e final e
os prazos de sua execução: proíbe o retardamento imotivado da execução da obra ou serviço, salvo
insuficiência financeira ou comprovado motivo de ordem técnica.
Art. 9º. As restrições para participar da licitação ou execução de obra ou serviço: I. autor do projeto; II.
empresa responsável pela elaboração do projeto; ou III. servidor ou dirigente responsável pela licitação
ou contratação.
§ 1. O autor ou a empresa responsável pelo projeto podem participar da licitação como consultor ou
técnico nas funções de fiscalização, supervisão ou gerenciamento.
§ 2. O disposto neste artigo não impede de incluir a elaboração de projeto executivo como encargo do
contratado.
§ 3. Da participação indireta (glossário): a existência de qualquer vínculo entre o autor do projeto e o

4 Enquanto o reajuste ocorreria da data limite para apresentação das propostas ou da data do orçamento a que a
proposta se refere até a data do adimplemento de cada parcela, a atualização financeira ocorreria da data final do
período do adimplemento de cada parcela até o momento do efetivo pagamento. Com isso, a cada pagamento, seria
assegurada uma correção monetária integral de todo o período. Neste caso, ao longo da execução contratual, múltiplas
monetárias ocorreriam por força das exigências da Lei n° 8,666/93. Contudo, com a implementação do Plano Real,
esses dispositivos foram parcialmente revogados, pois se passou a permitir o reajustamento, apenas, em momentos
específicos, uma vez ocorridos interregnos mínimos de um ano.
licitante ou responsável pelo serviço.
§ 4. O critério de participação indireta se aplica aos membros da comissão de licitação.
Art. 10. Tipos de execução de obras ou serviços: I. execução direta (entidades da administração) ou II.
indireta (entidade contrata com terceiros).
Art. 11. As obras e serviços terão projetos padronizados por tipos, categorias ou classes.
Art. 12. Os requisitos considerados nos projetos básico e executivo: I. segurança; II. interesse público;
III. economia; IV. emprego; V. executabilidade; VI. normas técnicas, de saúde e segurança do trabalho;
VII. impacto ambiental.

SEÇÃO IV - DOS SERVIÇOS TÉCNICOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS


Art. 13. Os tipos de serviços técnicos especializados: I. estudos técnicos; II. pareceres; III. assessorias
ou consultorias técnicas ou auditorias financeiras ou tributárias; IV. fiscalização, supervisão ou
gerenciamento da obra ou serviço; V. defesa de causas judiciais ou administrativas; VI. treinamento de
pessoal; VII. restauração de obras de artes.
§ 1. A prestação de serviços técnicos especializados deverá, preferencialmente, ser celebrado por
concurso.
§ 2. O autor deve ceder os direitos autorais.
§ 3. Se a empresa de prestação de serviços técnicos especializados apresentar algum integrante no
corpo técnico, como justificativa da dispensa ou inexigilidade do procedimento de licitação, a empresa
ficará obrigada a garantir que o integrante realize pessoal e diretamente os serviços contratados.

SEÇÃO V - DAS COMPRAS


Art. 14. Nenhuma compra será realizada sem caracterizar o objeto e indicar os recursos orçamentários.
Art. 15. As compras deverão: I. atender ao princípio da padronização; II. proceder no sistema de
registro de preço; III. submeter condições de aquisição semelhantes ao setor privado; IV. visar a
economicidade [subdividir em parcelas para aproveitar as peculiaridades do mercado]; V. balizar os
preços praticados no âmbito da administração pública.
§ 1. O registro de preços será precedido de ampla pesquisa de mercado.
§ 2. Os preços registrados serão publicados trimestralmente na imprensa oficial.
§ 3. As condições do sistema de registro de preços: I. seleção por concorrência [ou pregão na Lei
10.520/02]); II. estipulação prévia do sistema de controle e atualização dos preços; e III. validade não
superior a um ano.
§ 4. A existência de preços registrados não obriga a contratação, mas assegura ao beneficiário do
registro a preferência em igualdade de condições.
§ 5. O sistema de controle deverá ser informatizado.
§ 6. Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar preço do quadro geral em razão de
incompatibilidade com o preço vigente no mercado.
§ 7. As compras deverão ainda observar: I. a especificação completa do bem a ser adquirido; II. a
definição das unidades e quantidades a serem adquiridas; III. as condições de guarda e armazenamento
do produto.
§ 8. As compras acima de R$ 176.000,00 [pelo Decreto 9.412/18]), para a modalidade de convite,
deverá ser confiada a comissão de, no mínimo, três membros.
Art. 16. Publicação mensal das compras feitas pela administração em órgão de divulgação oficial,
excetuando-se a dispensa de licitação no caso de comprometimento da segurança nacional.

SEÇÃO VI - DAS ALIENAÇÕES


Art. 17. As normas para a alienação dos bens:
I - Quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da administração direta e indireta
e licitação por concorrência, ou avaliação prévia e licitação por concorrência para os demais casos,
dispensada nos casos de: a) dação em pagamento 5; b) doação permitida exclusivamente para outro
órgão da administração pública; c) permuta por outro imóvel para atendimento de finalidades da
administração; d) investidura; e) venda para outro órgão da administração pública; f) alienação gratuita
ou onerosa, aforamento, concessão de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens imóveis
residenciais no âmbito de programas habitacionais ou de regularização fundiária de interesse social
desenvolvidos pela administração pública; g) procedimento de legitimação de posse; h) alienação
gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens
imóveis de uso comercial local, com área de até 250 m², no âmbito de programas de regularização
fundiária de interesse social desenvolvidos pela administração pública; i) alienação e concessão de
direito real de uso, gratuita ou onerosa, de terras públicas rurais da União e do Incra, para fins de
regularização fundiária.
II - Quando móveis, dependerá de avaliação prévia e de licitação, dispensada nos casos de: a) doação
permitida exclusivamente para fins e uso de interesse social; b) permuta permitida exclusivamente para
outro órgão da administração pública; c) vendas de ações; d) venda de títulos; e) venda de bens
produzidos ou comercializados pela administração pública; f) venda de materiais e equipamentos para
outro órgão da administração pública.
§ 1. Quando cessada as justificativas da doação de imóvel, permitido exclusivamente para outro órgão
da administração pública, o patrimônio será revertido à pessoa jurídica doadora, sendo vedada a sua
alienação pelo beneficiário.
§ 2. A administração poderá conceder título de propriedade ou direito real de uso de imóveis,
dispensada licitação, quando o uso for destinado a: I. outro órgão da administração pública; II. a pessoa
natural que haja implementado os requisitos mínimos de cultura, ocupação pacífica e exploração direta
sobre área rural.
§ 2-A. Fica dispensada a autorização legislativa na hipótese de concessão para pessoa natural, mas
submetendo-se aos condicionamentos de: I. aplicação anterior a 01/12/2004; II. submissão aos
requisitos do regime legal da regulação fundiária de terras públicas; III. veto a exploração não
contemplada na lei agrária; IV. previsão de rescisão automática da concessão em caso de declaração de
interesse público.
§ 2-B. A hipótese de concessão para pessoa natural aplica-se: I. a imóvel em zona rural; II. limitado a
áreas até 15 módulos fiscais 6, desde que não exceda a 1.500 hectares; III. podendo ser cumulado com o
quantitativo de área decorrente do procedimento de legitimação de posse até o limite de 1.500 hectares.
§ 3. Da investidura (glossário): I. a alienação aos proprietários lindeiros de área pública remanescente
ou resultante de obra pública, que não mais interessa à administração (inaproveitável isoladamente),
por preço nunca inferior ao da avaliação e desde que não ultrapasse a 50% de R$ 176.000,00 [pelo
Decreto 9.412/18]); II. a alienação aos legítimos possuidores diretos ou na falta deles, ao Poder
Público, de imóveis para fins residenciais construídos em núcleos urbanos anexos a usinas
hidrelétricas, desde que considerados dispensáveis na fase de operação dessas unidades e não integrem
a categoria de bens reversíveis ao final da concessão.
§ 4. A doação com encargo será licitada contendo, obrigatoriamente, os encargos, o prazo de
cumprimento e a cláusula de reversão, sendo dispensada a licitação em caso de interesse público.
§ 5. Caso o donatário necessite oferecer o imóvel em garantia de financiamento, as obrigações da
hipótese acima serão garantidas por hipoteca em segundo grau em favor do doador.
§ 6. Para imóveis avaliados em quantia não superior a R$ 1.430.000,00 [pelo Decreto 9.412/18]), na
modalidade de tomada de preços, a administração poderá permitir o leilão.

5 Dação em pagamento é um acordo convencionado entre credor e devedor, onde o credor pode consentir em
receber prestação diversa da que lhe é devida. Em outros termos, ao invés de quitar o débito com dinheiro, o devedor
dará um imóvel como forma de pagamento.
6 Módulo fiscal é uma unidade de medida, em hectares, cujo valor é fixado pelo Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (INCRA).
Art. 18. Na concorrência para a venda de imóveis, a fase de habilitação será limitada à comprovação
do recolhimento de quantia correspondente a 5% da avaliação do imóvel.
Art. 19. Os imóveis da administração, cuja aquisição foi derivada de procedimentos judiciais ou dação
em pagamento, poderão ser alienados após a: I. avaliação dos bens alienáveis; II. comprovação da
necessidade de alienação; e III. adoção de licitação por concorrência ou leilão.

CAPÍTULO II - DA LICITAÇÃO
SEÇÃO I - DAS MODALIDADE, LIMITES E DISPENSAS
Art. 20. As licitações devem ser efetuados no local onde se situa a repartição interessada.
Art. 21. Os avisos com os resumos dos editais devem ser publicados com antecedência, no mínimo, por
uma vez no: I. Diário Oficial da União; II. Diário Oficial do Estado (ou do Distrito Federal); III. jornal
de grande circulação no Estado (e, se houver, em jornal de grande circulação no Município).
§ 1. O aviso deverá indicar o local para a leitura do texto integral e demais informações da licitação.
§ 2. Prazos: I. 45 dias: a) concurso; b) concorrência (empreitada integral, melhor técnica ou técnica e
preço); II. 30 dias: a) concorrência [outras não especificadas acima]; b) tomada de preços (melhor
técnica ou técnica e preço); III. 15 dias: a) tomada de preços [outras não especificadas acima]; b)
leilão; IV. 5 dias úteis: a) convite.
§ 3. Os prazos são contados da data de publicação do último edital ou da expedição do convite.
§ 4. As modificações do edital reabrem o prazo inicialmente estabelecido, exceto quando não afetar a
formulação das propostas.
Art. 22. As modalidades de licitação: § 1. concorrência (habilitação: comprovar os requisitos mínimos
de qualificação exigidos no edital); § 2. tomada de preços (cadastrados [podem outros se cadastrarem
até 3 dias antes à data de recebimento das propostas]); § 3. convite (escolhidos em número mínimo de
3 pela unidade administrativa [podem participar demais cadastrados com a manifestação de interesse
até 24 horas antes da apresentação das propostas]); § 4. concurso (trabalho técnico, científico ou
artístico com instituição de prêmio ou remuneração para os vencedores); e § 5. leição (venda de
imóveis inservíveis para a administração, produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou
alienação de bens - no caso de procedimentos judiciais ou dação em pagamento - a quem oferecer o
maior valor).
§ 6. Para a licitação por convite, existindo mais de 3 possíveis interessados, a cada nova licitação, igual
ou semelhante, o edital deverá acrescer de mais 1 interessado na lista mínima de convidados.
§ 7. Quando for impossível a obtenção do número mínimo de licitantes por convite, as circunstâncias
deverão ser justificadas no processo.
§ 8. Veta a criação de outras modalidades ou a combinação entre elas.
§ 9. Para o caso da tomada de preços, a administração somente poderá exigir do licitante não
cadastrado os documentos relativos a: habilitação jurídica; qualificação técnica; qualificação
econômico-financeira; regularidade fiscal e trabalhista; não exploração de menores.
Art. 23. Os valores estimados de contratação para concorrência, tomada de preços e convite são:
I - Para obras e serviços de engenharia: a) convite - até R$ 330.000,00 [pelo Decreto 9.412/18]; b)
tomada de preços - até R$ 3.300.000,00 [pelo Decreto 9.412/18]; c) concorrência - acima de R$
3.300.000,00 [pelo Decreto 9.412/18].
II - Para outras compras e serviços: a) convite - até R$ 176.000,00 [pelo Decreto 9.412/18]; b) tomada
de preços - até R$ 1.430.000,00 [pelo Decreto 9.412/18]; c) concorrência - acima de R$ 1.430.000,00
[pelo Decreto 9.412/18].
§ 1. As obras, serviços e compras serão, obrigatoriamente, divididas em tantas parcelas quantas se
comprovarem técnica e economicamente viáveis, visando o aproveitamento dos recursos disponíveis no
mercado e a ampliação da competitividade sem a perda da economia de escala 7.
7 Economia de escala é aquela que organiza o processo produtivo de maneira que alcance a máxima utilização dos
fatores produtivos envolvidos no processo visando baixos custos de produção e o incremento de bens e serviços.
§ 2. Nas parcelas acima, a cada etapa da obra, serviço ou compra deverá corresponder a licitação
distinta, preservada a modalidade em licitação 8.
§ 3. A concorrência é cabível para qualquer valor de seu objeto, tanto na compra ou alienação de
imóveis, exceto nos casos de procedimento judicial ou dação em pagamento [modalidade de leilão],
concessão de direito real de uso e licitações internacionais. Para o último, admite-se a modalidade de
tomada de preços, caso a entidade dispuser de cadastro internacional de fornecedores, ou convite,
quando não houver fornecedor do bem ou serviço no país.
§ 4. Na modalidade de convite, a administração poderá utilizar da tomada de preços e da concorrência
[Conjunto (sequência): Convite está contido em Tomada de Preços que está contido em Concorrência].
§ 5. Veta a utilização do convite ou tomada de preço, para parcelas [fracionar] de obra ou serviço que
possam ser realizadas conjunta e concomitantemente, sempre que os valores caracterizarem o caso de
tomada de preços ou concorrência 9.
§ 6. As organizações industriais da administração federal direta obedecerão os limites estabelecidos em
obras e serviços de engenharia para os demais casos de compras e serviços, desde que a aquisição seja
para manutenção, reparo ou fabricação de meios operacionais bélicos da União.
§ 7. Na compra de bens de natureza divisível, permite-se a cotação de quantidades menores à demanda
da licitação 10.
§ 8. No caso de consórcios públicos, aplicar-se o dobro dos valores para os casos de consórcios
formado por até 3 entes federativos, e o triplo para o consórcio formado por maior número 11.
Art. 24. As dispensas da licitação poderão ser efetuadas para os casos de:
I. obras e serviços de engenharia até R$ 33.000,00 [pelo Decreto 9.412/18], desde que não sejam
fracionamentos; II. outros serviços e compras até R$ 17.600,00 [pelo Decreto 9.412/18], desde que não
sejam fracionamentos; III. guerra ou grave perturbação da ordem; IV. emergência ou calamidade
pública, caso possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços e outros
bens públicos ou particulares e para obras que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 dias
consecutivos e ininterruptos (vedada a sua prorrogação); V. nenhum interessado comparecer para
apresentar propostas na licitação anterior; VI. a União tiver de intervir no domínio econômico para
regular preços ou normalizar o abastecimento; VII. a licitação for fracassada (licitantes inabilitados ou
propostas desclassificadas novamente após o prazo para apresentação de nova documentação ou
proposta de valores); VIII. aquisição, por pessoa jurídica de direito público, de bens produzidos ou
serviços prestados por órgãos da administração pública, desde que a pessoa jurídica tenha sido criada
para este fim específico antes da publicação da Lei de Licitações; IX. comprometimento da segurança
nacional (conforme o estabelecido, posteriormente, no Decreto 2.295/97); X. compra ou locação de
imóvel para atendimento de finalidades da administração; XI. rescisão contratual (desde que atendida a
ordem de classificação da licitação anterior e aceitas as condições oferecidas pelo licitante vencedor);
XII. compras de hortifrutigranjeiros, pães e outros gêneros perecíveis; XIII. contratação de instituição
brasileira de pesquisa, ensino ou desenvolvimento institucional ou instituição dedicada à recuperação
social do preso; XIV. aquisição de bens ou serviços de acordo internacional específico aprovado pelo
Congresso Nacional; XV. aquisição ou restauração de obras de arte e objetos históricos (de

8 O parcelamento tem o objetivo de aumentar a competitividade sem perda de economia de escala.


9 O fracionamento constitui irregularidade caracterizada pela divisão de despesa com o objetivo de utilizar
modalidade de licitação inferior à recomendada à totalidade do objeto ou para indevidamente justificar a contratação
direta.
10 O objetivo é permitir que empresas menores, que não teriam capacidade de fornecer a totalidade da quantidade
licitada, possam apresentar propostas para uma quantidade menor, ampliando, assim, o número de licitantes.
Consequentemente, uma licitação poderá ter vários vencedores para o mesmo item, com preços distintos.
11 Consórcio público é a pessoa jurídica formada exclusivamente por entes da Federação para estabelecer relações de
cooperação federativa, inclusive a realização de objetivos de interesse comum, constituída como associação pública,
com personalidade jurídica de direito público e natureza autárquica, ou como pessoa jurídica de direito privado sem fins
econômicos.
autenticidade certificada); XVI. impressões dos diários, formulários e edições técnicas oficiais, e a
prestação de serviços de informática para a divulgação; XVII. aquisição de componente ou peças
originais necessárias à manutenção de equipamentos durante o período de garantia pelo fornecedor
original e a condição de exclusividade for indispensável para a vigência da garantia; XVIII. compra ou
serviços para abastecimentos de unidades navais, aérea ou tropas, em localidades diferentes de suas
sedes, nos casos dos prazos legais comprometerem a normalidade das operações e o valor não superior
à R$ 176.000,00 [pelo Decreto 9.412/18]); XIX. compras de material para as Forças Armadas,
excetuando-se os materiais de uso pessoal e administrativo, sob a necessidade de manter a
padronização; XX. contratação de associação de pessoas com deficiência sem fins lucrativos; XXI.
aquisição ou contratação de serviços para pesquisa e desenvolvimento, sendo limitada, no caso de obras
e serviços de engenharia, pelo valor não superior à R$ 660.000,00 [pelo Decreto 9.412/18]; XXII.
contratação de fornecimento ou suprimento de energia elétrica e gás natural com concessionário;
XXIII. contratação por empresa pública ou economia mista com suas subsidiárias e controladas; XXIV.
celebração de contratos de prestação de serviços com as organizações sociais (entidades privadas sem
fins lucrativos); XXV. contratação por Instituição Científica e Tecnológica (ICT) ou agência de
fomento para transferência de tecnologia; XXVI. celebração de contrato de consórcio público ou
convênio de cooperação; XXVII. contratação de coleta, processamento e comercialização de resíduos
sólidos urbanos recicláveis por associação ou cooperativa formada exclusivamente por pessoas físicas
de baixa renda; XXVIII. fornecimento de bens e serviços, produzidos no país, que envolvam alta
complexidade tecnológica e defesa nacional; XXIX. aquisição de bens e contratação de serviços para
atender os contingentes militares empregados em operações de paz no exterior; XXX. contratação para
prestação de serviços do Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural na Agricultura
Familiar e na Reforma Agrária; XXXI. contratações de incentivo à inovação, pesquisa científica e
tecnológica (Lei 10.973/04: incubadoras de empresas, etc); XXXII. transferência de tecnologia de
produtos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS); XXXIII. contratação de entidades
privadas sem fins lucrativos para implementação de cisternas ou outras tecnologias sociais de acesso à
água; XXXIV. aquisição, por pessoa jurídica de direito público, de insumos [mão de obra, materiais,
equipamentos] estratégicos para a saúde produzidos ou distribuídos por fundação da administração
pública, desde que a pessoa jurídica tenha sido criada para este fim específico antes da publicação da
Lei de Licitações; XXXV. construção, ampliação, reforma ou aprimoramento de estabelecimentos
penais, desde que configurada situação de grave e iminente risco à segurança pública.
§ 1. As dispensas de licitação poderão ser efetuadas em obras e serviços de engenharia até R$
66.000,00 [pelo Decreto 9.412/18] e outros serviços e compras até R$ 35.200,00 [pelo Decreto
9.412/18] para contratos por consórcios públicos, sociedade de economia mista e agências executivas
[autarquias ou fundações]. Nos casos de empresas públicas, os valores são R$ 100.000,00 para obras e
serviços de engenharia e R$ 50.000,00 para compras e demais serviços [Lei 13.303/16].
§ 2. O limite temporal de criação do órgão público, estabelecido para pessoa jurídica de direito público
que produza bens ou preste serviços aos órgãos da administração pública, não se aplica aos órgãos que
produzem produtos estratégicos para o SUS.
§ 3. No caso de serviços para pesquisa e desenvolvimento, seguirá os procedimentos especiais
instituídos, posteriormente, pelo Decreto 9.283/18 nos casos de obras e serviços de engenharia.
§ 4. No caso de serviços para pesquisa e desenvolvimento, o autor do projeto não será restrito à
participação da licitação ou execução de obra ou serviço.
Art. 25. É inexigível a licitação nos casos de inviabilidade de competição, em especial:
I. aquisição de materiais, equipamentos ou gêneros que fornecidos exclusivamente por determinado
produtor, empresa ou representante comercial, vedada a preferência de marca, devendo a comprovação
de exclusividade ser atestado pelo órgão de registro do comércio, pelo Sindicato, Federação ou
Confederação Patronal, ou pelas entidade equivalente.
II. contratação de serviços técnicos especializados, de natureza singular, com profissionais e empresas
de notória especialização, sendo vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação.
III. contratação de profissional de setor artístico, desde que consagrado pela crítica especializada ou
opinião pública.
§ 1. Da notória especialização (glossário): atividade anterior que permita inferir que o trabalho seja
essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto contratado.
§ 2. Para os casos acima, comprovado-se o superfaturamento, respondem solidariamente o fornecedor
ou prestador de serviços e o agente público responsável.
Art. 26. As dispensas previstas para concessão de título de propriedade ou direito real de uso de
imóveis, doação com encargo, casos de inexigibilidade e retardamento imotivado deverão ser
comunicadas, dentro de 3 dias, à autoridade superior para ratificação e a publicação na imprensa oficial
no prazo de 5 dias.
Parágrafo único. O processo de dispensa, de inexigibilidade ou retardamento será instruído com os
seguintes elementos: I. caracterização da situação emergencial, calamitosa ou de risco à segurança
pública que justifique a dispensa; II. razão da escolha do fornecedor ou executante; III. justificativa do
preço; IV. documentos de aprovação dos projetos de pesquisa.

SEÇÃO II - DA HABILITAÇÃO 12
Art. 27. Para a habilitação, exige-se a documentação relativa a: I. habilitação jurídica; II. qualificação
técnica; III. qualificação econômico-financeira; IV. regularidade fiscal e trabalhista; V. cumprimento
da vedação à exploração de trabalho infantil (proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre aos
menores de 18 anos e de qualquer trabalho a menores de 14 anos, exceto na condição de aprendiz).
Art. 28. Para a habilitação jurídica, a documentação consistirá em: I. RG; II. registro comercial
(empresa individual); III. ato constitutivo, estatuto ou contrato social, para sociedades comerciais, ou
documentos de eleição de administradores, para sociedade de ações; IV. inscrição do ato constitutivo
(sociedade civis); V. decreto de autorização e ato de registro (ou autorização) para empresas
estrangeiras no país.
Art. 29. Para a regularidade fiscal e trabalhista, a documentação consistirá em: I. prova de inscrição no
CPF ou CGC [cadastro geral de contribuintes]; II. prova de inscrição no cadastro de contribuintes
estadual ou municipal (se houver); III. prova de regularidade com a Fazenda (Federal, Estadual e
Municipal); IV. prova de regularidade com o FGTS; V. certidão negativa perante à Justiça do Trabalho.
Art. 30. Para a qualificação técnica, a documentação consistirá em: I. registro ou inscrição na entidade
profissional competente; II. comprovação de aptidão para desempenho de atividade (características,
quantidades e prazos da licitação); III. comprovação, fornecida pelo órgão licitante, de que recebeu os
documentos com as informações e as condições locais para cumprimento da licitação; IV. prova de
atendimento de requisitos previsto em lei especial (quando for o caso).
§ 1. Para comprovação de aptidão, no caso de obras e serviços, será exigida do licitante: I. possuir em
seu quadro permanente o profissional, de nível superior ou outro, detentor de atestado de
responsabilidade técnica por execução de obra ou serviço semelhante nos casos de maior relevância e
valor significativo do objeto (exceto para casos de quantidades mínimas ou prazos máximos).
§ 2. Os casos de maior relevância técnica e valor significativo serão definidas no edital.
§ 3. Para comprovação de aptidão, será admitido certidões e atestados de obras ou serviços similares de
complexidade equivalente ou superior.
§ 4. Para o fornecimento de bens, a comprovação de aptidão será feita através de atestados por pessoa
jurídica de direito público ou privado.
§ 5. Veta a exigência de comprovação de aptidão com limitações de tempo, época ou locais específicos
que inibam a participação na licitação.
12 A habilitação é a fase que os licitantes previamente considerados vencedores na etapa de lances é julgado como
apto ou inapto, ou seja, habilitado ou inabilitado para fornecer para o setor público. A fase avalia documentos que
provam a regularidade da licitante.
§ 6. As exigências mínimas para de instalação de canteiros, máquinas, equipamentos e pessoal técnico
serão atendidas por apresentação da relação explícita e declaração formal da sua disponibilidade, veta-
se a exigência de propriedade e localização prévia.
§ 8. No caso de grande vulto, com alta complexidade técnica, poderá ser exigido a metodologia de
execução, antecedendo, portanto, a análise dos preços.
§ 9. Da licitação de complexidade técnica (glossário): aquela que envolve alta especialização, como
fator de extrema relevância, ou que possa comprometer a continuidade da prestação de serviços
públicos essenciais.
§ 10. Os profissionais indicados, para a comprovação de responsabilidade técnica, deverão participar da
execução da obra ou serviço, admitindo-se a substituição por profissionais de experiência equivalente
ou superior.
Art. 31. Para a qualificação econômico-financeira, a documentação consistirá em: I. balanço
patrimonial e demonstrações contábeis do último exercício social; II. certidão negativa de falência (ou
concordata ou execução patrimonial); III. garantia (limitada a 1% do valor estimado da contratação).
§ 1. A exigência de índices financeiros será limitada à demonstração da capacidade financeira para
realização do contratado, vetando-se a exigência de valores mínimos de faturamento anterior, índices
de rentabilidade ou lucratibilidade.
§ 2. Nas compras para entrega futura e execução de obras e serviços, poderá estabelecer a exigência de
capital ou patrimônio líquido mínimo ou exigir as modalidades de garantias.
§ 3. O capital ou o patrimônio líquido mínimo não poderá exceder 10% do valor estimado da
contratação.
§ 4. Poderá exigir, também, a relação de compromissos [outras obras e serviços] do licitante que
possam diminuir a capacidade operativa ou a disponibilidade financeira.
§ 5. A qualificação econômico-financeira será feita através do cálculo de índices contábeis previstos e
justificados no edital, vetando-se outras exigências de índices e valores não usuais para avaliação de
situação financeira.
Art. 32. Os documentos necessários à habilitação poderão ser apresentados em original e a cópia
podendo ser autenticada em cartório ou por servidor da administração 13.
§ 1. A documentação de habilitação e comprovação poderá ser dispensadas, no todo ou em partes, nos
casos de convite, concurso, bens a pronta entrega e leilão.
§ 2. O certificação de registro cadastral substitui a documentação de habilitação e comprovação 14.
§ 3. A documentação de habilitação e comprovação poderá ser substituída por registro cadastral
emitido por órgão ou entidade pública (desde que previsto no edital)
§ 4. As empresas estrangeiras, que não funcionem no país, atenderão às exigências de documentação
mediante documentos equivalentes, autenticado pelo consulado e traduzido por tradutor juramentado.
§ 5. Para a habilitação, não será exigido recolhimento prévio de taxas ou emolumentos, exceto para o
fornecimento do edital e, por sua vez, sendo limitado ao custo efetivo de reprodução gráfica da
documentação fornecida 15.
§ 6. A documentação equivalente, autenticada e juramentada, a comprovação do compromisso de
constituição de consórcio, e a cláusula de contratual que declare o foro de competência, não se aplica às
13 Isso implica dizer que os documentos de habilitação podem ser verificados e autenticados por algum funcionário
da administração, inclusive que esteja presente na sessão de licitação.
14 Trata-se de banco de dados no qual são cadastradas informações de possíveis fornecedores. Assim, no momento
do cadastramento, o licitante já apresentará a documentação que comprove as condições de habilitação e, no momento
da licitação, bastará fornecer o certificado emitido pelo sistema informatizado, substituindo, no que couber, a
apresentação da documentação cadastrada no sistema de dados.
15 O texto limita a cobrança pelo fornecimento do edital e de seus elementos constitutivos ao custo efetivo de
reprodução gráfica da documentação fornecida. Embora o texto legal não retrate a realidade, observado que atualmente
o fornecimento do edital e das peças anexas, especialmente quando de se trata de licitação de obras, se dá pela
reprodução de dispositivo de mídia (CD-Rom, pendrive, etc) do licitante, cujo tipo de reprodução é de baixo custo.
licitações internacionais cujo pagamento seja feito com o produto de financiamento concedido por
organismo financeiro internacional, a contratação com empresa estrangeira para compra de
equipamentos fabricados e entregues no exterior ou a aquisição de bens e serviços realizados por
unidade administrativas com sede no exterior.
§ 7. A documentação de habilitação e comprovação poderá ser dispensada, no todo ou em parte, para a
contratação de produto para pesquisa e desenvolvimento (desde que a pronta entrega e valor não
superior à R$ 176.000,00 [pelo Decreto 9.412/18]).
Art. 33. Quando permitida a participação de empresas em consórcio 16, será observada as seguintes
normas: I. comprovação do compromisso público ou particular de constituição de consórcio; II.
indicação da empresa que deverá atender as condições de liderança; III. apresentação da documentação
de habilitação e comprovação de cada consorciado, podendo a administração estabelecer um acréscimo
de até 30% dos valores exigidos para licitante individual (exceto os consórcio compostos, em sua
totalidade, por micro e pequenas empresas); IV. impedimento de participação de outra empresa
consorciada na mesma licitação; V. responsabilidade solidária entre as empresas em consórcio (na fase
de licitação e execução do contrato).
§ 1. Em consórcio de empresas brasileiras e estrangeiras caberá, obrigatoriamente, a liderança para a
empresa brasileira.
§ 2. Para o consórcio de empresas brasileiras e estrangeiras, o licitante vencedor fica obrigado a
promover, antes da celebração do contrato, a constituição e o registro de consórcio da liderança da
empresa brasileira.

SEÇÃO III - DOS REGISTROS CADASTRAIS


Art. 34. Os órgãos públicos que realizem frequentemente licitações manterão os registros cadastrais
para habilitação válidos por, no máximo, um ano.
§ 1. O registro cadastral deverá ser divulgado e estar permanentemente aberto aos interessados, obriga-
se a proceder, no mínimo anualmente, o chamamento público para atualização dos registros.
§ 2. Faculta-se às unidades administrativas o uso de registros cadastrais de outros órgãos públicos.
Art. 35. Para requerer o cadastro, ou a sua atualização, o interessado fornecerá a documentação relativa
à habilitação e comprovação.
Art. 36. Os inscritos serão classificados por categorias, conforme a sua especialização, subdivididas em
grupos, segundo a qualificação técnica e econômico-financeira.
§ 1. Será fornecido certificado para os inscritos.
§ 2. A atuação do licitante no cumprimento das obrigações contratuais será anotada no registro
cadastral.
Art. 37. O registro poderá ser alterado, suspenso ou cancelado para o inscrito que deixar de satisfazer
as exigências da documentação de habilitação e comprovação.

SEÇÃO IV - DO PROCEDIMENTO E JULGAMENTO


Art. 38. O procedimento interno da licitação será iniciado com a abertura de processo administrativo,
contendo a especificação do objeto, orçamento estimado e indicação de recurso orçamentário, sendo,
oportunadamente, apresentado: I. edital ou convite; II. comprovante das publicação do edital resumido
ou entrega do convite; III. ato de designação da comissão de licitação, do leiloeiro ou do responsável
pelo convite; IV. documento original das propostas; V. atas, relatórios e deliberações da comissão
julgadora; VI. pareceres técnicos ou jurídicos sobre a licitação, dispensa ou inexigibilidade; VII. atos
de adjudicação do objeto e da sua homologação; VIII. recursos apresentados pelos licitantes e decisões
16 O consórcio de empresas consiste na associação de companhias ou qualquer outra sociedade, sob o mesmo
controle ou não, que não perderão sua personalidade jurídica, para obter finalidade comum ou determinado
empreendimento, geralmente de grande vulto ou de custo muito elevado, exigindo para sua execução conhecimento técnico
especializado e instrumental técnico de alto padrão.
do licitador; IX. despacho de anulação ou revogação da licitação; X. termo do contrato; XI. outros
comprovantes de publicação; XII. demais documentos da licitação.
Parágrafo único. As minutas de editais de licitação, contratos, acordos, convênios ou ajustes devem ser
previamente examinadas e aprovadas por assessoria jurídica da administração.
Art. 39. Quando o valor estimado para licitação ou conjunto de licitações simultâneas [objetos
similares e intervalo não superior a 30 dias] ou sucessivas [objetos similares e data anterior a 120
dias após o término do contrato antecedente] for superior a R$ R$ 330.000.000,00 [pelo Decreto
9.412/18], o processo licitatório será iniciado, obrigatoriamente, com uma audiência pública com
antecedência mínima de 15 dias úteis da data prevista de publicação do edital e divulgada com
antecedência mínima de 10 dias úteis da realização da audiência.
Art. 40. O procedimento externo da licitação será iniciado com a publicação do edital, contendo no
preâmbulo o número de ordem em série anual, a repartição e o setor, a modalidade, o regime de
execução e o tipo de licitação, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, e
início da abertura dos envelopes, além de indicar, obrigatoriamente: I. objeto da licitação; II. prazos e
condições para assinatura do contrato ou retirada dos instrumentos; III. sanções em caso de
inadimplemento; IV. local para examinar e adquirir o projeto básico; V. a existência de projeto
executivo na data da publicação do edital; VI. condições para participação na licitação; VII. critério
para julgamento; VIII. locais, horários e códigos de acesso às formações nos meios de comunicação à
distância; IX. condições equivalentes de pagamento entre empresas brasileiras e estrangeiras; X.
critério de aceitabilidade dos preços unitário e global, permitindo a fixação de preços máximos e
vedando a fixação de preços mínimos, exceto nos casos de preços inexequíveis; XI. critério de reajuste
(desde que a data da apresentação da proposta até a data de adimplemento de cada parcela); XIII.
limites para pagamento de instalação e mobilização (serão obrigatoriamente previstos em separado das
demais parcelas, etapas ou tarefas); XIV. condições de pagamento (a) prazo não superior a 30 dias; b)
cronograma de desembolso máximo por período; c) critério de atualização financeira dos valores a
serem pagos; d) compensações financeiras e penalizações; e) exigência de seguros); XV. instruções e
normas para os recursos; XVI. Condições de recebimento do objeto da licitação; XVIII. outras
indicações específicas.
§ 1. O original do edital deverá ser datado, rubricado e assinado pela autoridade responsável, extraindo-
se cópias, integrais ou parciais, para a divulgação.
§ 2. Os anexos do edital são: I. projeto básico e/ou executivo; II. orçamento estimado em planilhas; III.
a minuta do contrato a ser firmado; IV. as especificações complementares e as normas de execução.
§ 3. Do adimplemento da obrigação contratual (glossário): a prestação do serviço, a realização da obra,
a entrega do bem ou de parcelas destas, e qualquer outro evento contratual vinculado à emissão de
documento de cobrança.
§ 4. Nas compras de entrega imediata [até 30 dias após a data de apresentação], poderá ser
dispensadas: I. os critérios de reajuste; II. os critérios da atualização financeira dos valores a serem
pagos entre a data final do adimplemento de cada parcela e a data do efetivo pagamento.
§ 5. Nas contratações de serviços, os editais de licitação poderão exigir da empresa contratada que um
percentual mínimo de sua mão de obra seja egressa do sistema prisional.
Art. 41. A administração não poderá descumprir as normas e condições do edital.
§ 1. Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar o edital de licitação por irregularidade, devendo
protocolar o pedido até 5 dias úteis antes da abertura dos envelopes, devendo a administração julgar e
responder à impugnação em até 3 dias úteis.
§ 2. Perde o direito de impugnar, o licitante que não o fizer até 2 dias úteis antes da abertura dos
envelopes de habilitação (concorrência) e propostas (convite, tomada de preços ou concurso) ou
realização do leilão.
§ 3. A impugnação realizada no prazo pelo licitante não o impedirá de participar do processo licitatório
até o trânsito em julgado da decisão.
§ 4. A inabilitação do licitante ocasiona a perda do direito de participar das fases subsequentes.
Art. 42. Nas concorrências internacionais, o edital deverá se ajustar às diretrizes da política monetária e
do comércio exterior.
§ 1. Quando permitido a cotação em moeda estrangeira, será igualmente permitido ao licitante
brasileiro.
§ 2. O pagamento feito ao licitante brasileiro eventualmente contratado em cotação em moeda
estrangeira, será efetuado em moeda brasileira em vista a taxa de câmbio vigente no dia útil anterior à
data do efetivo pagamento.
§ 3. As garantias de pagamento ao licitante brasileiro serão equivalente àquelas oferecidas ao licitante
estrangeiro.
§ 4. Para fins de julgamento, as propostas de licitantes estrangeiros serão acrescidas dos encargos
fiscais e sociais a que estão obrigados de cumprir as empresas nacionais.
§ 5. Para a realização de obras, bens e serviços com recursos de financiamento ou doação de agência
oficial de cooperação estrangeira ou organismo financeiro multilateral, poderão ser admitidas as
condições dos acordos, convenções ou tratados internacionais, aprovados pelo Congresso Nacional,
bem como normas e procedimentos daquelas entidades, desde que por elas exigidos para a obtenção do
financiamento ou doação, e não conflitem com o critérios objetivos definidos no edital para o
julgamento das propostas.
§ 6. As cotações de todos os licitantes serão para entrega no mesmo local de destino.
Art. 43. A licitação será processada e julgada pelos seguintes procedimentos: I. abertura dos envelopes
contendo a documentação de habilitação dos licitantes; II. devolução dos envelopes fechados aos
licitantes inabilitados; III. abertura dos envelopes contendo as propostas dos licitantes habilitados; IV.
verificação da conformidade de cada proposta com os requisitos do edital; V. julgamento e
classificação das propostas; VI. deliberação da autoridade competente sobre a homologação [decisão] e
adjudicação [vincular judicialmente a alguém] da licitação.
§ 1. A abertura dos envelopes será realizada sempre em ato público com ata assinada pelos licitantes e
comissão de licitação.
§ 2. Todos os documentos e propostas serão rubricados pelos licitantes e comissão de licitação.
§ 3. Faculta-se à comissão de licitação ou autoridade superior, em qualquer fase da licitação, esclarecer
ou complementar a instrução do processo, vedada a inclusão posterior de documento ou informação
sobre os requisitos das propostas.
§ 4. O processo e julgamento referido acima aplica-se à concorrência e, no que couber, às demais
modalidades de licitação.
§ 5. Após a fase de habilitação e abertura das propostas não caberá desclassificar o licitante por motivo
relacionado com a habilitação.
§ 6. Após a fase de habilitação não cabe desistência de proposta.
Art. 44. No julgamento das propostas, a comissão de licitação levará em consideração os critérios
objetivos definidos no edital.
§ 1. Veta-se a utilização de critérios que possam suprimir o princípio de igualdade entre os licitantes.
§ 2. Não será considerada qualquer oferta de vantagem não prevista no edital ou no convite.
§ 3. Não será admitida proposta que apresente preços globais ou unitários simbólicos, irrisórios ou
valor zero.
§ 4. Não será admitido os preços globais ou unitários simbólicos, irrisórios ou valor zero para propostas
que incluam mão de obra estrangeira ou importações.
Art. 45. O julgamento das propostas será objetivo conforme os tipos de licitação e os critérios
estabelecidos no edital.
§ 1. Exceto na modalidade de concurso, constituem-se como tipos de licitação: I. menor preço; II.
melhor técnica; III. técnica e preço; IV. maior lance ou oferta (alienação de bens ou concessão de
direito real de uso).
§ 2. Em caso de empate, após obedecida a sequência dos critérios de desempate, a classificação será,
obrigatoriamente, por sorteio em ato público.
§ 3. No caso de menor preço, a classificação será estabelecida em ordem crescente dos preços
propostos.
§ 4. Para contratação de bens e serviços de informática, a administração poderá realizar a modalidade
pregão e adotando, obrigatoriamente, o tipo técnica e preço, exceto os casos indicados em decreto do
Poder Executivo.
§ 5. Veta-se o uso de outros tipos de licitação.
§ 6. Para a compra de bens de natureza divisível, selecionará tantas propostas quantas necessárias para
atingir a quantidade demandada na licitação.
Art. 46. Os tipos de melhor técnica ou técnica e preço serão utilizados exclusivamente para serviços de
natureza predominantemente intelectual, exceto os casos de contratação de bens e serviços de
informática.
§ 1. A administração irá fixar o preço máximo aceito para o tipo melhor técnica, seguindo os
procedimento a seguir: I. serão abertos os envelopes com as propostas técnicas dos licitantes
previamente qualificados e realizada a avaliação e classificação das propostas em conformidade com os
critérios do edital (capacitação, experiência, qualidade técnica, metodologia, organização, tecnologia,
recursos); II. após a classificação, procede-se à abertura das propostas de preços e a negociação das
condições da proposta, cuja referência de valor passa a ser a proposta de menor preço entre os licitantes
qualificados; III. no caso de impasse na negociação, passa-se, pela ordem de classificação técnica, a
proposta do valor de referência para os demais licitantes; IV. as propostas serão devolvidas intactas aos
licitantes não habilitados ou não obtiverem a valorização mínima para a proposta técnica.
§ 2. Para a técnica e preço, após a avaliação do critério da técnica, os procedimentos serão: I. avaliação
e valorização das propostas de preços em conformidade com os critérios do edital; II. a classificação
ocorrerá pela média ponderada das valorizações técnicas e de preço de acordo com os pesos
estabelecidos no edital.
§ 3. Em caráter excepcional, os tipos de melhor técnica e técnica e preço poderão ser adotados para
fornecimento de bens, obras e serviços de grande vulto que, majoritariamente, dependam de tecnologia
sofisticada e de domínio restrito, e puderem ser adotadas à livre escolha dos licitantes.
Art. 47. Para a execução de obras e serviços na modalidade de empreitada por preço global, a
administração deverá fornecer, obrigatoriamente, com o edital, todos os elementos e informações
necessários para os licitantes elaborarem suas propostas de preços com o valor total.
Art. 48. Serão desclassificadas: I. propostas que não atendam às exigências do edital; II. propostas com
valor global superior ao limite estabelecido ou com preços inexequíveis.
§ 1. No caso de licitações de menor preço para obras e serviços de engenharia, considera-se preço
inexequível as propostas cujos valores sejam inferiores a 70% do menor dos seguintes valores: a)
média aritmética dos valores das propostas superiores a 50% do valor orçado pela administração; b)
valor orçado pela administração 17.
§ 2. Para os licitantes qualificados na forma do critério anterior, cujo valor global for inferior a 80% do
menor valor, será exigida uma prestação de garantia adicional com valor igual a diferença entre o
menor valor e o valor da proposta 18.
17 Exemplo: A administração orçou a obra em R$ 100.000,00. Compareceram à licitação 5 empresa, que
apresentaram as propostas: a) R$ 95.000,00, b) R$ 85.000,00, c) R$ 80.000,00, d) R$ 55.000,00 e e) R$ 45.000,00. Para o
primeiro cálculo, a média dos valores será: 95+85+80+55 = 315/4 = 78,75x70% = 55,125. No segundo cálculo, a
porcentagem do valor orçado será: 100x70% = 70. Portanto, os valores calculados são: a) R$ 55.125,00 e b) R$ 70.000,00.
Aplicando-se o menor valor, as valores inexequíveis são as propostas abaixo de R$ 55.125,00.
18 Neste caso, os cálculos são: a) média dos valores: 95+85+80+55 = 315/4 = 78,75x80% = 63, e b) a porcentagem
do valor orçado: 100x80% = 80. Portanto, os valores calculados são: a) R$ 63.000,00 e b) R$ 80.000,00. Aplicando-se
o menor valor, as propostas acima de R$ 55.125,00 e abaixo de R$ 63.000,00 precisam prestar garantia no valor da
diferença entre o menor valor e o valor da proposta.
§ 3. Quanto todos os licitantes forem inabilitados ou todas as propostas desclassificadas, a
administração poderá fixar o prazo de 8 dias úteis para a apresentação de nova documentação ou
propostas de preços, sendo facultada, no caso de convite, a redução do prazo para 3 dias úteis.
Art. 49. A autoridade competente somente poderá revogar a licitação por razões de interesse público
decorrente de fato comprovado após a licitação, e somente deverá anular por ilegalidade através de
parecer escrito e fundamentado.
§ 1. A anulação da licitação por ilegalidade não gera obrigação de indenizar, exceto no caso da obra ou
serviço até a data da anulação ou outros prejuízos comprovados, contanto que não lhe seja imputável,
responsabilizando a quem causou o prejuízo.
§ 2. A nulidade do procedimento licitatório induz à nulidade do contrato, exceto o dever da
administração de indenizar o contratado pela obra ou serviço até a data da anulação ou outros prejuízos
comprovados, contanto que não lhe seja imputável, responsabilizando a quem causou o prejuízo.
§ 3. No caso de anulação ou revogação do processo licitatório, fica assegurado o contraditório e a
ampla defesa.
§ 4. A revogação e a anulação aplica-se aos procedimentos de dispensa e de inexigilidade de licitação.
Art. 50. A administração não poderá celebrar o contrato com preterição da ordem de classificação ou
com terceiros estranhos ao procedimento licitatório.
Art. 51. A habilitação preliminar, a inscrição, a alteração ou cancelamento em registro cadastral, e as
propostas serão processadas e julgadas por comissão de, no mínimo, 3 membros, sendo, no mínimo, 2
servidores efetivos do órgão responsável pela licitação.
§ 1. No caso de convite, em caso de pequenas unidades administrativas, a comissão poderá,
excepcionalmente, ser substituída por um servidor designado pela autoridade competente.
§ 2. A comissão para julgamento das inscrição, alterações ou cancelamento em registro cadastral será
integrada por profissionais legalmente habilitados no caso de obras, serviços ou aquisição de
equipamentos.
§ 3. Os membros responderão solidariamente por todos os atos praticados pela comissão, exceto se
posição individual divergente estiver fundamentada e registrada em ata lavrada na data de reunião da
decisão em questão.
§ 4. O mandato da comissão não excederá a 1 ano, vedada a recondução da comissão inteira para o
período subsequente.
§ 5. No caso de concurso, o julgamento será realizado por comissão especial, de servidores ou não,
com reputação ilibada e reconhecido conhecimento da matéria em exame.
Art. 52. Os concursos de trabalho técnico, científico ou artístico deve ser precedido de regulamento
próprio a ser obtido no local indicado no edital
§ 1. O regulamento deverá indicar: I. a qualificação exigida; II. as diretrizes e a forma de apresentação
do trabalho; III. as condições do concurso e os prêmios concedidos.
§ 2. No caso de projetos, o vencedor deve autorizar a administração a executá-lo quando julgar
conveniente.
Art. 53. O leilão poder ser cometido a leiloeiro oficial ou servidor designado.
§ 1. Todos os bens a serem leiloados serão previamente avaliados para fixação do preço mínimo de
arrematação.
§ 2. Os bens arrematados serão pagos à vista ou no percentual estabelecido no edital, não inferior a 5%
do valor e, após a assinatura da ata, entregue ao arrematante.
§ 3. Nos leilões internacionais, o pagamento da parcela à vista poderá ser feito em 24 horas.
§ 4. O edital de leilão deve ser amplamente divulgado, principalmente, no município de realização.

CAPÍTULO III - DOS CONTRATOS


SEÇÃO I - DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 54. Os contratos administrativos regulam-se pelas suas cláusulas e pelos preceitos do direito
público, aplicando-se-lhes, supletivamente, as disposições de direito privado.
§ 1. Os contratos devem estabelecer as cláusulas de direitos, obrigações e responsabilidade das partes.
§ 2. Os contratos por dispensa e inexigibilidade atenderá aos termos que o autorizou e da respectiva
proposta.
Art. 55. As cláusulas necessárias em todos os contratos são: I. descrição do objeto; II. regime de
execução ou forma de fornecimento; III. preço e condições de pagamento; IV. prazos; V. crédito pelo
qual correrá a despesa; VI. garantias (quando exigida); VII. direitos, responsabilidades e penalidades
das partes; VIII. casos de rescisão; IX. reconhecimento dos direitos da administração (rescisão
administrativa por inexecução total ou parcial do contrato); X. condições de importação (quando for o
caso); XI. vinculação ao edital, termo de dispensa ou inexigência, convite ou proposta vencedora; XII.
legislação aplicável à execução do contrato; XIII. obrigação do contratado manter as condições de
habilitação e qualificação exigida no edital.
§ 2. Nos contratos devem constar cláusula que declare a sede da administração como o foro de
competência para dirimir as questões contratuais, exceto as licitações internacionais para aquisição de
bens e serviços cujo pagamento seja feito com o produto de financiamento concedido por organismo
financeiro internacional, a contratação com empresa estrangeira para compra de equipamentos
fabricados e entregues no exterior ou a aquisição de bens e serviços realizados por unidade
administrativas com sede no exterior.
§ 3. No ato de liquidação da despesa 19, os serviços de contabilidade comunicarão os órgãos públicos
competentes pela arrecadação e fiscalização de tributos.
Art. 56. A critério da autoridade competente poderá ser exigida prestação de garantia.
§ 1. Cabe ao contratado optar a modalidade da garantia exigida: I. caução (dinheiro ou títulos da dívida
pública); II. seguro-garantia [pagamento mensal]; III. fiança bancária.
§ 2. As garantias não excederá a 5% do valor do contrato.
§ 3. Para o caso de grande vulto envolvendo alta complexidade técnica e riscos financeiros, o limite de
garantia poderá ser elevado até 10% do valor do contrato.
§ 4. A garantia será devolvida após a execução do contrato, se prestada em dinheiro será atualizada.
§ 5. Se o contratado ficar como depositário de bens da administração será acrescentado à garantia o
valor dos bens.
Art. 57. A duração dos contratos está vinculada com a vigência dos respectivos créditos orçamentários,
exceto: I. projetos contemplados no Plano Plurianual; II. prestação de serviços a serem executados de
forma contínua (podem ser prorrogados por iguais e sucessivos períodos com o limite de 60 meses);
IV. aluguel de equipamentos ou utilização de programas de informática (podem ser estendidos até 48
meses); V. comprometimento da segurança nacional, compra de materiais para as Forças Armadas,
bens e serviços de alta complexidade tecnológica e defesa nacional, e contratações de incentivo à
inovação científica e tecnológica (podem ter vigência até 120 meses).
§ 1. Os prazos do contratado admitem prorrogações pelos seguintes motivos: I. alteração do projeto
pela administração; II. ocorrência de fato excepcional ou imprevisível; III. interrupção ou diminuição
do ritmo de trabalho por ordem da administração; IV. aumento das quantidades inicialmente previstas
no contrato; V. impedimento de execução por ato de terceiro; VI. omissão ou atraso de providências a
cargo da administração.
§ 2. As prorrogações devem ser justificadas por escrito e autorizadas pela autoridade competente.
§ 3. Veda o contrato de vigência indeterminada.
§ 4. Em caráter excepcional, o atraso por fato imprevisível poderá ser prorrogado por 12 meses.
Art. 58. O regime jurídico dos contratos confere à administração a prerrogativa de: I. modificar
(unilateralmente); II. rescindir (unilateralmente); III. fiscalizar; IV. aplicar sanções; V. ocupação

19 A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e
documentos comprobatórios do respectivo crédito.
provisória no caso de serviços essenciais 20.
§ 1. As cláusulas econômico-financeiras e monetárias não poderão ser modificadas sem a prévia
concordância do contratado.
§ 2. No caso acima, as cláusulas deverão ser revistas para manter o equilíbrio contratual.
Art. 59. A declaração de nulidade do contrato opera retroativamente e desconstitui os efeitos jurídicos
produzidos, exceto o dever da administração de indenizar o contratado pela obra ou serviço até a data
da anulação ou outros prejuízos comprovados, contanto que não lhe seja imputável, responsabilizando
a quem causou o prejuízo.

SEÇÃO II - DA FORMALIZAÇÃO DOS CONTRATOS


Art. 60. Os contratos e seus acréscimos serão lavrados e arquivados nas repartições públicas
interessadas, exceto os direitos reais sobre imóveis que são formalizados em cartório de notas.
Parágrafo único. É nulo o contrato verbal, exceto para pequenas compras de pronto pagamento não
superior a R$ 8.800,00 [pelo Decreto 9.412/18].
Art. 61. Todo contrato deve mencionar o nome das partes e representantes, o ato de autorização e a
finalidade, o número do processo, e as cláusulas contratuais.
Parágrafo único. A publicação resumida do contrato e seus acréscimos na imprensa oficial é condição
de eficácia da lei e deverá ser providenciada até o 5º dia útil do mês subsequente da assinatura, exceto
os prazos para os processos de dispensa, inexigibilidade e retardamento das licitações.
Art. 62. O contrato é obrigatório nas modalidades de concorrência e tomada de preços e facultativo nos
demais casos que puder substituí-lo por outros instrumentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de
empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço 21.
§ 1. A minuta do futuro contrato integrará sempre o edital ou ato convocatório.
§ 2. Para os instrumentos hábeis, aplica-se às cláusulas necessárias em todos os contratos.
§ 3. Aplica-se às cláusulas necessárias e exorbitantes, a declaração de nulidade e as demais
formalidades do contrato aos: I. contratos de seguro, financiamento, locação e demais conteúdos
redigidos, predominantemente, por normas de direito privado; II. contratos em que a administração for
parte como usuária de serviço público.
§ 4. É dispensável o termo de contrato e facultada a substituição por outros instrumentos hábeis para
compra com entrega imediata e integral dos bens adquiridos.
Art. 63. É permitido a todo licitante conhecer os termos da licitação e do contrato, bem como a
obtenção, por qualquer interessado, de cópia autenticada mediante o pagamento das taxas.
Art. 64. A administração convocará o interessado para assinar o termo de contrato dentro do prazo e
condições estabelecidos no processo licitatório, sem prejuízo as sanções da recusa injustificada de
assinar o contrato.
§ 1. O prazo poderá ser prorrogado uma vez, por igual período, quando solicitado pelo licitante.
§ 2. Faculta-se à administração, quando houver a recusa do convocado a assinar o contrato, convocar os
licitantes remanescentes, na ordem de classificação, para fazer em igual prazo e nas mesmas condições
propostas pelo primeiro classificado.
§ 3. Sem convocação para contratação, os licitantes são liberados dos compromissos assumidos após 60
dias da entrega das propostas.

20 Essas são as chamadas cláusulas exorbitantes, que constituem as cláusulas de direito público que colocam a
administração em posição de verticalidade perante o particular. O fundamento das cláusulas exorbitantes é o princípio
da supremacia do interesse público sobre o privado.
21 A carta-contrato é o documento que formaliza e ratifica acordo entre as partes, sendo mais enxuto que o contrato.
A nota de empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de
pagamento pendente e consiste na reserva de dotação orçamentária para fim específico. A ordem de execução de
serviço é um documento formal para o início da obra ou serviço, contendo a descrição das informações referentes ao
objeto a ser executado.
SEÇÃO III - DA ALTERAÇÃO DOS CONTRATOS
Art. 65. Os contratos poderão ser modificados nos seguintes casos: I. pela administração
(unilateralmente): a) modificação do projeto; b) modificação do valor contratual por aumento ou
diminuição da quantidade do objeto; II. por acordo das partes: a) substituição da garantia; b)
modificação do regime de execução ou modo de fornecimento; c) modificação da forma de pagamento;
d) manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato (caso fortuito; fato da
administração [ações ou omissões do Estado que atingem diretamente o contrato]; fato do príncipe
[atos gerais do Estado que oneram indiretamente o contrato]; interferências imprevisíveis).
§ 1. O contratado fica obrigado a aceitar os acréscimos ou supressões até 25% do valor inicial do
contrato (atualizado), e, no caso de reforma de edifício ou equipamento, os acréscimos são limitados
até 50% do valor inicial do contrato.
§ 2. As supressões não podem exceder os limites acima, exceto em: II. acordo celebrado entre as partes.
§ 3. Se o contrato não contemplar os preços unitários para obras e serviços, os preços serão fixados por
acordo entre as partes com os limites de acréscimos e supressões acima referidos.
§ 4. No caso de supressões, o contratado deverá ser pago pela administração pelos custos de aquisição
comprovados e corrigidos.
§ 5. Os tributos ou encargos legais criados, alterados ou extintos, após a data da apresentação da
proposta, implicam em revisão dos preços apresentados.
§ 6. A administração deverá restabelecer, por aditamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial na
ocorrência de alteração unilateral que aumente encargos ao contratado.
§ 8. O reajuste de preço não caracteriza a alteração do valor contratual, podendo ser registrados por
simples apostila e dispensando a celebração de aditamento.

SEÇÃO IV - DA EXECUÇÃO DOS CONTRATOS


Art. 66. O contrato deve ser executado fielmente pelas partes.
Art. 66-A. As empresas enquadradas na margem de preferência ou critério de desempate pela reserva
de vagas para pessoas com deficiência deverão cumprir com a reserva de vagas durante todo o período
de execução do contrato, cabendo a administração a fiscalização dos requisitos de acessibilidade nos
serviços e nos ambientes de trabalho.
Art. 67. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por representante da
administração, sendo permitida a contratação de terceiros para assistir e subsidiar as atribuições do
servidor designado.
§ 1. O representante anotará em registro próprio todas as ocorrências relacionadas com a execução do
contrato.
§ 2. As decisões e providências que ultrapassem a competência do representante deverão ser solicitadas
a seus superiores.
Art. 68. O contratado deverá manter o representante, aceito pela administração, no local da obra ou
serviço para representar a empresa.
Art. 69. O contratado é obrigado a reparar, reconstruir ou substituir, às suas expensas, o objeto do
contrato em que se verificarem defeitos ou incorreções.
Art. 70. O contratado é responsável pelos danos causados à administração ou terceiros decorrentes de
sua culpa ou dolo na execução do contrato.
Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais.
§ 1. A inadimplência do contratado, com os encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, não transfere à
administração a responsabilidade pelo pagamento.
§. 2. A administração pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários
resultantes da execução do contrato (recolhimento de 11% do valor bruto da fatura de prestação de
serviços com concessão de mão de obra).
Art. 72. O contratado, na execução do contrato, poderá subcontratar partes da obra, serviço ou
fornecimento até o limite admitido pela administração.
Art. 73. Após a execução do contrato, o objeto será recebido nos casos de:
I. obras e serviços: a) provisoriamente (pelo responsável pela fiscalização, mediante termo
circunstanciado, realizado até 15 dias da comunicação escrita do contratado); b) definitivamente (por
servidor ou comissão designada, mediante termo circunstanciado, após o prazo de observação e vistoria
de adequação ao contrato).
II. compras ou locação de equipamentos: a) provisoriamente (para verificação da conformidade do
material com a especificação); b) definitivamente (após a verificação da qualidade e quantidade do
material).
§ 1. Nas aquisições de grande vulto, o recibimento será realizado por termo circunstanciado e, nos
demais, por recibo.
§ 2. O recebimento provisório ou definitivo não exclui a responsabilidade civil pela solidez e segurança
da obra ou serviço.
§ 3. O prazo para recebimento definitivo para obras e serviços não poderá ser superior a 90 dias, exceto
nos casos previstos no edital.
§ 4. Se o recebimento não ocorrer no prazo, este será considerado como realizado desde que
comunicado à administração 15 dias antes do fim do prazo.
Art. 74. Poderá ser dispensado o recebimento provisório nos casos de: I. gêneros perecíveis; II.
serviços profissionais; III. obras e serviços não superiores a R$ R$ 176.000,00 [pelo Decreto 9.412/18],
desde que não envolvam a verificação de funcionamento e produtividade.
Parágrafo único. Para o caso acima, o recebimento será feito por recibo.
Art. 75. Salvo as exceções no edital, convite ou ato normativo, os ensaios, testes e demais provas
exigidos por normas técnicas oficiais para a boa execução do objeto correm por conta do contratado.
Art. 76. A administração rejeitará, no todo ou em parte, obra, serviço ou fornecimento executado em
desacordo com o contrato.

SEÇÃO V - DA INEXECUÇÃO E DA RESCISÃO DOS CONTRATOS


Art. 77. A inexecução total ou parcial do objeto do contrato justifica a rescisão.
Art. 78. Constituem motivos para rescisão do contrato: I. não cumprimento das cláusulas contratuais;
II. cumprimento irregular das cláusulas; III. lentidão do seu cumprimento; IV. atraso injustificado do
início da obra ou serviço; V. paralisação sem justa causa e prévia comunicação; VI. subcontratação,
associação com outrem, transferência, fusão, cisão ou incorporação não admitidas no edital ou contrato;
VII. desatendimento das determinações do autoridade designado para a fiscalização; VIII. cometimento
de faltas na sua execução (anotadas pela autoridade designada); IX. decretação de falência; X.
dissolução da sociedade; XI. modificação da finalidade ou estrutura da empresa (que prejudique a
execução do contrato); XII. razões de interesse público; XIII. supressão, pela administração, de obras,
serviços ou compras, acarretando a modificação do valor inicial além do limite de 25% do valor inicial
do contrato (atualizado); XIV. suspensão de execução, por ordem escrita da administração, por prazo
superior a 120 dias (ou repetidas suspensões que totalizem o prazo); XV. atraso superior a 90 dias dos
pagamentos pela administração; XVI. não liberação, pela administração, de área, local ou objeto para a
execução do contrato; XVII. ocorrência de caso fortuito; XVIII. descumprimento da vedação à
exploração de trabalho de menor.
Parágrafo único. As rescisões contratuais serão formalmente descritas nos autos do processo, sendo
assegurado o contraditório e a ampla defesa.
Art. 79. A rescisão do contrato poderá ser determinada por: I. ato administrativo nos casos de interesse
público ou causas imputáveis ao contratado; II. por acordo amigável entre as partes (caso haja
conveniência para a administração); III. decisão judicial.
§ 1. A rescisão administrativa ou amigável deverá ser precedida de autorização escrita e fundamentada
da autoridade competente.
§ 2. Quando a rescisão ocorrer nos casos de interesse público, caso fortuito ou causas imputáveis à
administração, sem que haja culpa do contratado, este será ressarcido dos prejuízos regularmente
comprovados, obtendo direito a: I. devolução de garantia; II. pagamentos pela execução do contrato até
a data de rescisão; III. pagamento do custo da desmobilização.
§ 5. Ocorrendo impedimento, paralisação ou sustação do contrato, o cronograma de execução será
prorrogado automaticamente por igual tempo.
Art. 80. A rescisão administrativa acarreta as seguintes consequências: I. assunção imediata do objeto
do contrato; II. ocupação provisória nos casos de serviços essenciais; III. execução da garantia
contratual; IV. retenção dos créditos do contrato até o limite dos prejuízos causados à administração.
§ 1. Fica a critério da administração a continuidade da obra ou serviço nos casos de assunção imediata
e ocupação provisória.
§ 2. É permitido a administração, em acordo com o contratado, assumir o controle de determinadas
atividades de serviços essenciais.
§ 3. No caso de ocupação provisória, o ato deverá ser precedido de autorização expressa do Ministro de
Estado, Secretário Estadual ou Secretário Municipal competente.

CAPÍTULO IV - DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS E DA TUTELA JUDICIAL


SEÇÃO I - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 81. A recusa injustificada do adjudicatário em assinar o contrato, dentro do prazo estabelecido
pela administração, caracteriza o descumprimento total da obrigação assumida, exceto os demais
licitantes convocados, em ordem de classificação, nas mesmas condições propostas pelo primeiro
adjudicatário.
Art. 82. Os agentes administrativos que praticarem atos ilícitos com a finalidade de frustrar a licitação
estão sujeitos às sanções previstas nesta Lei.
Art. 83. Além das sanções penais, os crimes praticados por servidores públicos acarretam a perda do
cargo ou mandato efetivo.
Art. 84. Do servidor público (glossário): aquele que exerce cargo, função ou emprego público.
§ 1. Equipara-se ao servidor público, o funcionário que exerce cargo, função ou emprego em
fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e as demais entidades sob controle do
Poder Público.
§ 2. Haverá acréscimo de um terço da pena para os autores dos crimes que forem ocupantes de cargo
em comissão ou função de confiança em órgão da administração pública.
Art. 85. As infrações previstas nesta Lei pertinem às licitações e aos contratos celebrados pela
administração pública.

SEÇÃO II - DAS SANÇÕES LEGAIS


Art. 86. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contratado à multa de mora.
§ 1. A multa não impede a rescisão administrativa e a aplicação de outras sanções previstas.
§ 2. A multa, aplicada após o processo administrativo, será descontada da garantia do contratado.
§ 3. Se o valor da multa for superior ao valor da garantia, o contratado perderá a garantia e responderá
pela diferença de valor a ser descontada dos pagamentos ou cobrada judicialmente.
Art. 87. Pela inexecução do contratado, a administração poderá, garantida a prévia defesa, aplicar as
seguintes sanções: I. advertência; II. multa; III. suspensão temporária de participação em licitação por
prazo não superior a 2 anos; IV. declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a
administração pública enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição.
§ 1. Se o valor da multa for superior ao valor da garantia, o contratado perderá a garantia e responderá
pela diferença de valor a ser descontada dos pagamentos ou cobrada judicialmente.
§ 2. As sanções de advertência, suspensão temporária e declaração de inidoneidade poderá ser
aplicadas conjuntamente com a multa, facultada a defesa prévia [recurso] no prazo de 5 dias úteis.
§ 3. A declaração de inidoneidade é de competência exclusiva do Ministro de Estado, Secretário
Estadual ou Secretário Municipal, facultada o pedido de reconsideração, no prazo de 10 dias da
abertura de vista, além da reabilitação poder ser requerida após 2 anos de sua aplicação.
Art. 88. As sanções de suspensão temporária e declaração de inidoneidade poderão ser aplicadas às
empresas e profissionais que: I. tenham sofrido condenação definitiva por fraude fiscal no recolhimento
de tributos; II. tenham praticado atos ilícitos com a finalidade de frustrar a licitação; III. demonstrarem
não possuir idoneidade para contratar com a administração.

SEÇÃO III - DOS CRIMES E DAS PENAS 22


Art. 89. Dispensar ou inexigir a licitação, em hipóteses não previstas em lei, ou deixar de dispensar ou
inexigir a licitação, com o intuito de obter vantagem na adjudicação, ocasiona em: detenção (de 3 a 5
anos) e multa.
Art. 90. Frustrar ou fraudar o caráter competitivo do procedimento licitatório, com o intuito de obter
vantagem na adjudicação da licitação, ocasiona em: detenção (de 2 a 4 anos) e multa.
Art. 91. Patrocinar o interesse privado perante a administração, causando à instauração de licitação ou
à celebração de contrato, cuja invalidação vier a ser decretada pelo Poder Judiciário, ocasiona em:
detenção (de 6 meses a 2 anos) e multa.
Art. 92. Admitir, possibilitar ou causar qualquer vantagem em favor do licitante ou adjudicatário, ou
pagar a fatura com preterição da ordem cronológica de pagamento, ocasiona em: detenção (de 2 a 4
anos) e multa.
Parágrafo único. Incide na mesma pena o contratado que, participando para a consumação da
ilegalidade, obteve vantagens indevidas pelas modificações contratuais.
Art. 93. Impedir, perturbar ou fraudar a realização dos atos de procedimento licitatório ocasiona em:
detenção (de 6 meses a 2 anos) e multa.
Art. 94. Expor o sigilo de proposta apresentada em procedimento licitatório, ou proporcionar a terceiro
o oportunidade de expor, ocasiona em: detenção (de 2 a 3 anos) e multa.
Art. 95. Afastar o licitante, por meio de violência, ameaça, fraude ou oferecimento de vantagem,
ocasiona em: detenção (2 a 4 anos), multa e a penalidade correspondente à violência.
Parágrafo único. Incide na mesma pena quem desiste de licitar em razão da vantagem oferecida.
Art. 96. Fraudar licitação ou contrato para aquisição ou venda de bens ou mercadorias: I. elevando os
preços, II. vendendo mercadoria falsificada, III. entregando uma mercadoria por outra, IV. alterando
substância, qualidade ou quantidade da mercadoria; V. tornando mais onerosa a proposta ou execução
do contrato, ocasiona em: detenção (de 3 a 6 anos) e multa.
Art. 97. Admitir à licitação ou celebrar contrato com empresa ou profissional declarado inidôneo,
ocasiona em: detenção (de 6 meses a 2 anos) e multa.
Parágrafo único. Incide na mesma pena aquele que, declarado inidôneo, venha a licitar ou contratar
com a administração.
Art. 98. Impedir ou dificultar a inscrição de interessados nos registros cadastrais, ou promover
indevidamente a alteração, suspensão ou cancelamento de registro do inscrito, ocasiona em: detenção
(de 6 meses a 2 anos) e multa.
Art. 99. A multa prevista nesta Lei consiste no pagamento de quantia fixada na sentença e calculada
em índices percentuais (cuja referência corresponde ao valor da vantagem obtido pelo agente).
§ 1. Os índices referidos acima não poderão ser inferiores a 2% e superiores a 5% do valor do contrato.
§ 2. A arrecadação das multas reverterá à fazenda de cada ente da federação.

SEÇÃO IV - DO PROCESSO E DO PROCEDIMENTO JUDICIAL

22 As disposições penais desta Lei se aplicam às licitações e aos contratos regidos pela Lei 13.303/16 (Lei das
Estatais).
Art. 100. Os crimes definidos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada 23, cabendo ao
ministério público a competência de promover a ação penal.
Art. 101. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do ministério público, fornecendo, por escrito,
informações sobre as circunstâncias dos crimes, ou o apresentante e 2 testemunhas devem assinar, em
caso de comunicação verbal, o termo redigido pela autoridade.
Art. 102. Quando, em autos e documentos, os magistrados, membros dos tribunais de contas ou
auditores verificarem a existência dos crimes definidos nesta Lei, remeterão ao ministério público as
cópias e os documentos necessários para a denúncia.
Art. 103. Será admitida ação penal privada 24, como subsidiária da pública, se esta não for ajuizada no
prazo legal, cabendo ao ofendido ou representante intentar pela ação penal privada.
Art. 104. Recebida a denúncia e citado o réu, este terá o prazo de 10 dias para apresentação de defesa
escrita, contados da data do seu interrogatório, podendo apresentar documentos, testemunhas (não
superior a 5), e demais provas.
Art. 105. Ouvidas as testemunhas da acusação e da defesa, abre-se, sucessivamente, o prazo de 5 dias a
cada parte para as alegações finais.
Art. 106. Após a conclusão dos prazos, o juiz terá 10 dias para proferir a sentença.
Art. 107. Da sentença, cabe apelação no prazo de 5 dias.
Art. 108. Aplicar-se, subsidiariamente, o Código de Processo Penal e a Lei de Execução Penal no
processamento e julgamento das infrações penais, recursos e demais execuções definidas nesta Lei.

CAPÍTULO V - DOS RECURSOS ADMINISTRATIVOS


Art. 109. Dos atos da administração para aplicação desta Lei, cabem:
I. recurso, no prazo de 5 dias úteis, nos casos de: a) habilitação ou inabilitação do licitante; b)
julgamento das propostas; c) anulação ou revogação da licitação; d) indeferimento de inscrição ou
cancelamento do registro cadastral; e) rescisão unilateral do contrato; f) aplicação de penas de
advertência, suspensão temporária ou multa.
II. representação, no prazo de 5 dias úteis, da decisão que não cabe recurso hierárquico.
III. pedido de reconsideração, no prazo de 10 dias úteis da abertura de vistas, da decisão de Ministro de
Estado, Secretário Estadual ou Secretário Municipal.
§ 1. A intimação dos recursos para habilitação, julgamento das propostas, anulação ou revogação, e
rescisão de contrato, excluído os atos relativos à advertência e multa de mora, e do pedido de
reconsideração, serão publicados na imprensa oficial, exceto, nos casos de habilitação e julgamento das
propostas, se os representantes estiverem presentes no ato da decisão em que poderá a comunicação ser
direta aos interessados e lavrada em ata.
§ 2. Os recursos para os casos da habilitação e julgamento das propostas terá efeito suspensivo,
podendo a autoridade competente atribuir o efeito suspensivo aos demais recursos.
§ 3. O recurso será comunicado aos demais licitantes e poderá ser impugnado no prazo de 5 dias úteis.
§ 4. O recurso será dirigido à autoridade superior que, no prazo de 5 dias úteis, poderá reconsiderar sua
decisão, ou, no mesmo prazo, encaminhar o recurso à autoridade superior que, no prazo de 5 dias úteis,

23 Ação penal pública incondicionada é a ação penal pública cujo exercício não se subordina a qualquer requisito.
Não depende, portanto, de prévia manifestação de alguém para ser iniciada. São cinco os princípios que regem a ação
penal pública: legalidade [o dever de iniciar a ação penal], indisponibilidade [a impossibilidade de desistir da ação
penal], intranscendência [a ação penal só pode ser proposta contra o autor do delito], divisibilidade [a ação penal
pode excluir alguns agentes do delito] e oficialidade [o dever de promover a ação penal].
24 A ação penal privada é aquela na qual se tem como titular, em regra, o ofendido e, excepcionalmente, na falta de
capacidade da vítima, o seu representante legal, por meio da qual se busca o início da ação penal mediante a
apresentação da queixa. São quatro os princípios que regem a ação penal privada: conveniência [o ofendido não é
obrigado a propor a ação penal], disponibilidade [a possibilidade de desistir da ação penal], instranscendência [a ação
penal só pode ser proposta contra o autor do delito] e indivisibilidade [a ação penal deve ser proposta contra todos os
agentes do delito].
deverá proferir a decisão.
§ 5. Nenhum prazo de recurso, representação ou pedido de reconsideração se inicia sem que a consulta
dos autos do processo estejam com vista franqueada ao interessado.
§ 6. Na modalidade de convite, os prazos estabelecidos para representação, pedido de reconsideração e
impugnação de recurso serão de 2 dias úteis.

CAPÍTULO VI - DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS


Art. 110. Na contagem dos prazos estabelecidos nesta Lei, deve ser excluído o dia de início e incluído
a data de vencimento, considerando-se os dias de expediente do órgão público.
Art. 111. A administração só poderá contratar serviço técnico especializado desde que o autor ceda os
direitos patrimoniais e a administração o utilize de acordo com o previsto no regulamento do concurso.
Parágrafo único. Quando o projeto se referir a obra imaterial de caráter tecnológico, a cessão dos
direitos incluirá o fornecimento de dados, documentos e elementos de informação pertinentes à
tecnologia.
Art. 112. Quando o objeto do contrato interessar a mais de uma entidade pública, caberá ao órgão
contratante a responsabilidade pela execução, fiscalização e pagamento.
§ 1. Os consórcios públicos poderão realizar licitação compartilhada para atender a necessidade comum
dos órgãos consorciados.
§ 2. É facultado ao órgão consorciado o acompanhamento da licitação e da execução do contrato.
Art. 113. O controle das despesas dos contratos será feito pelo Tribunal de Contas competente.
§ 1. Qualquer licitante, contratado, pessoa física ou pessoa jurídica poderá representar ao Tribunal de
Contas ou órgãos de auditoria contra irregularidades na aplicação desta Lei.
§ 2. O Tribunal de Contas e os órgãos de auditoria poderão solicitar para exame, até o último dia útil
antes à data de recebimento das propostas, cópia de edital de licitação, obrigando a administração à
adoção de medidas corretivas determinadas pelo exame.
Art. 114. O sistema instituído nesta Lei não impede a pré-qualificação de licitantes nas concorrências
em que o objeto da licitação recomende análise minuciosa da qualificação técnica dos interessados.
§ 1. O procedimento de pré-qualificação será adotado mediante proposta da autoridade competente.
§ 2. Na pré-qualificação serão observadas as exigências relativas à concorrência, à convocação, ao
procedimento e à análise da documentação.
Art. 115. A administração poderá expedir normas relativas aos procedimentos operacionais a serem
observados na execução das licitações, devendo as normas, após aprovação da autoridade competente,
serem publicadas na imprensa oficial.
Art. 116. Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, aos convênios, acordos, ajustes e outros
instrumentos congêneres celebrados por órgãos públicos.
§ 1. A celebração de convênio, acordo ou ajuste pelos órgãos públicos dependem de prévia aprovação
do plano de trabalho proposto pela organização interessada, contendo, no mínimo, as seguintes
informações: I. identificação do objeto; II. metas; III. etapas ou fases; IV. plano de aplicação dos
recursos financeiros; V. cronograma de desembolso; VI. previsão de início e fim da execução; VII. se o
ajuste compreender obra ou serviço de engenharia, comprovação de que os recursos próprios para
complementar a execução do objeto estão assegurados, exceto se o custo total do empreendimento
recair sobre a administração direta.
§ 2. Assinado o convênio, o órgão interessado dará ciência do mesmo à Assembléia Legislativa ou à
Câmara Municipal respectiva.
§ 3. As parcelas do convênio serão liberadas em conformidade com o plano de aplicação aprovado,
exceto nos casos de: I. não haver comprovação de boa e regular aplicação da parcela anterior recebida;
II. verificado desvio de finalidade na aplicação dos recursos, atrasos não justificados no cumprimento
das etapas, ou inadimplemento do executor a outras cláusulas conveniais básicas.
§ 4. Os saldos de convênio, enquanto não utilizados, serão obrigatoriamente aplicados em cadernetas
de poupança de instituição financeira oficial, se a previsão de uso for igual ou superior a 1 mês, ou em
fundo de aplicação financeira de curto prazo ou operação de mercado aberto vinculados com títulos da
dívida pública, se a utilização dos mesmos se verificar em prazos inferiores a 1 mês.
§ 5. As receitas financeiras acima serão obrigatoriamente computadas a crédito do convênio e
aplicadas, exclusivamente, no objeto de sua finalidade, devendo constar de demonstrativo específico
que integrará as prestações de contas do ajuste.
§ 6. Os saldos financeiros remanescentes da conclusão, rescisão ou extinção de convênio, acordo ou
ajuste, inclusive as receitas obtidas em aplicações financeiras, serão devolvidos ao órgão repassador
dos recursos, no prazo improrrogável de 30 dias do evento, sob pena da imediata instauração de tomada
de contas especial do responsável 25.
Art. 117. As obras, serviços, compras e alienações realizados pelos órgãos dos Poderes Legislativo e
Judiciário e do Tribunal de Contas regem-se pelas normas desta Lei.
Art. 118. Os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e as entidades da administração indireta
deverão adaptar suas normas sobre licitações e contratos desta Lei.
Art. 119. As sociedades de economia mista, empresas e fundações públicas e demais entidades
controladas direta ou indiretamente pela União, Estados e Municípios editarão regulamentos próprios a
serem publicados na imprensa oficial 26.
Art. 120. Os valores fixados nesta Lei poderão ser anualmente revistos pelo Poder Executivo Federal e
deverão ser publicados no Diário Oficial da União 27.
Art. 121. O disposto nesta Lei não se aplica às licitações instauradas e aos contratos assinados
anteriormente à sua vigência.
Parágrafo único. Os contratos relativos a imóveis do patrimônio da União continuam a reger-se pelas
disposições do Decreto-Lei 9.760/46, com suas alterações, e os relativos a operações de crédito interno
ou externo celebrados pela União ou a concessão de garantia do Tesouro Nacional continuam regidos
pela legislação pertinente.
Art. 122. Nas concessões de linhas aéreas, deve-se observar o procedimento licitatório específico a ser
estabelecido pelo Código Brasileiro de Aeronáutica.
Art. 123. Em suas licitações e contratações, as repartições sediadas no exterior observarão as
peculiaridades locais e os princípios básicos desta Lei.
Art. 124. Aplicam-se às licitações e aos contratos para permissão ou concessão de serviços públicos os
dispositivos desta Lei que não conflitem com a legislação específica sobre o assunto.
Parágrafo único. As exigências de orçamento detalhado, previsão recursos orçamentários e
contemplado no Plano Plurianual, obrigatórios para licitações de obras e serviços, serão dispensadas
nas licitações para concessão de serviços com execução prévia de obras em que não foram previstas
dispesas para a administração concedente.
Art. 125. A Lei de Licitações entrou em vigor na data de sua publicação.
Art. 126. Revogam-se os Decretos-Leis 2.300/86, 2.348/87, 2.360/87, a Lei 8.220/91 e o Art. 83 da Lei
5.194/66.

25 A tomada de contas especial é um processo administrativo devidamente formalizado, com rito próprio, para apurar
responsabilidade por ocorrência de dano à administração pública federal a fim de obter o respectivo ressarcimento. Em
regra, a tomada de contas especial deve ser instaurada pela autoridade competente do órgão responsável pela gestão dos
recursos, em face de pessoas físicas ou jurídicas que deram causa ou concorreram para a materialização do dano, depois de
esgotadas as medidas administrativas internas com vista à recomposição do erário ou à elisão da irregularidade.
26 Com a edição da Lei 13.303/16, o disposto no art. 119 perdeu sua eficácia, pois as empresas estatais passaram a se
submeter às regras da Lei das Estatais.
27 O art. 120 da Lei de Licitações é o fundamento jurídico para a edição do Decreto 9.412/18.