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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) FEDERAL DA __ª VARA DA SEÇÃO

JUDICIÁRIA DO ESTADO DE MATO GROSSO

URGENTE - MATRÍCULA

Referência DPU: PAJ 2020/013-00358

HELLEN PATRÍCIA PINHO DE AMORIM, brasileira, nascida em


11/07/2001, inscrita no Registro Geral sob o nº 2630644-1 SSP/MT, e no CPF sob o nº
073.073.541-95, residente e domiciliada à Rua Tapuá, Casa 406, Novo Terceiro,
Cuiabá/MT, CEP 78028-301, por intermédio da DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO,
vem, com fulcro no art. 5º, XIII, XXXV e LXXIV, e no art. 134, ambos da Constituição
Federal, no art. 4º da Lei Complementar nº 80/94, e no art. 1º da Lei nº 12.016/09,
perante Vossa Excelência, impetrar o presente

MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO LIMINAR DE ANTECIPAÇÃO


DOS EFEITOS DA TUTELA

em desfavor da autoridade coatora, o Magnífico Reitor da UNIVERSIDADE


FEDERAL DE MATO GROSSO - UFMT, com sede na Av. Fernando Correa da Costa
nº 2.367, Boa Esperança, CEP 78060-900, Cuiabá/MT, pelos fatos e fundamentos
jurídicos a seguir aduzidos.

I – DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Inicialmente, a impetrante requer a concessão dos benefícios da gratuidade


de justiça, nos termos da Lei n.º 1.060/1950 e art. 98 e ss. do Código de Processo Civil,
por não possuir meios de arcar com as despesas processuais e honorários advocatícios,
sem prejuízo do sustento próprio e de sua família.

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II – DOS FATOS

A impetrante realizou a prova do ENEM 2019, tendo utilizado a nota


obtida para concorrer a vaga na Universidade Federal Mato Grosso – Campus
Universitário de Cuiabá, no curso de Nutrição, a partir do primeiro semestre de 2020,
através do Sistema Integrado de Seleção Unificada (SISU 2020), conforme Edital nº
001/2020 de 02/01/2020 (doc. anexo).

No Termo de Adesão (doc. anexo) – documento mencionado no


respectivo Edital (subitem 1.1.), são detalhados os cursos e turnos participantes desta
seleção, bem como o número de vagas – inclusive aquelas atinentes às ações
afirmativas, reservadas em decorrência da Lei nº 12.711/2012.

A tabela onde consta de forma detalhada as vagas ofertadas para o curso


de Nutrição está no Termo de Adesão (pág. 53).

Através da tabela supramencionada, verifica-se que para o curso de


Nutrição foi ofertada 01 (uma) vaga na modalidade L14 – candidatos com deficiência
autodeclarados pretos, pardos ou indígenas que, independentemente da renda, tenham
cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas. Esta é a mesma informação
encontrada no Edital (subitem 2.1.8.), desta vez mencionando as vagas totais no
contexto da Universidade:

2.1.8. (L14) Candidatos com deficiência autodeclarados pretos,


pardos ou indígenas que, independentemente da renda (art. 14,
II, Portaria Normativa nº 18/2012), tenham cursado
integralmente o ensino médio em escolas públicas (Lei nº
12.711/2012) – 109 vagas.

Quanto aos estágios do processo seletivo, após ter obtido nota suficiente
para a sua aprovação – comprovada pela respectiva classificação (doc. anexo), a
impetrante realizou a pré-matrícula, bem como compareceu presencialmente para
entregar os documentos originais.

No mesmo sentido dispõe o Edital (subitem 1.5):

1.5. Constituem-se como fases da Matrícula deste Processo


Seletivo: ETAPA ONLINE como pré-matrícula e a ETAPA
PRESENCIAL, conforme itens 1.7 e 1.8.
1.6. O envio da documentação para pré-matrícula será realizado
exclusivamente por meio eletrônico.

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1.7. Os candidatos que concorrerem às vagas reservadas aos
candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas deverão
comparecer presencialmente à Comissão de Heteroidentificação
desta Instituição em data a ser divulgada no cronograma do
Processo Seletivo.

Através do sítio eletrônico da UFMT – http://www.ufmt.br/ingresso, a


candidata foi convocada para realizar a pré-matrícula – entre 30/01 a 04/02, conforme 1ª
Convocatória para Pré-Matrícula on-line (doc. anexo, pág. 129).

Cumpridas as etapas da matrícula com a devida entrega de documentos,


posteriormente, no dia 07/02/2020, a impetrante foi convocada para comparecer
presencialmente na UFMT no dia 10/02/2020, com o objetivo de ser submetida à
Comissão de Heteroidentificação, nos termos do Edital (subitem 6.0.), conforme
convocatória de comparecimento presencial (doc. anexo, pág. 03).

Contudo, a candidata teve seu nome relacionado no Resultado dos


Inelegidos – Chamada Regular (doc. anexo, pág. 12), sob a justificativa de que não se
enquadraria no fenótipo de pessoa negra ou parda, nos termos do Edital (subitem 3.,
pág. 8).

A estudante ainda apresentou recurso da conclusão da banca


examinadora, porém obteve nova resposta negativa, confirmando-se sua
inelegibilidade pela Comissão de Recurso, conforme Resultado do Recurso dos
Inelegidos (doc. anexo, pág. 05).

Nesta perspectiva, destaca-se que no próprio Edital (subitem 2.5., pág. 8)


dispõe que “a Comissão de Heteroidentificação utilizará de procedimento com base
em critério de verificação da veracidade da autodeclaração de pessoa negra (preta ou
parda) considerando, tão somente, os aspectos fenotípicos do candidato”.

Não se desconhece a validade jurídica das chamadas “comissões de


heteroidentificação”, constituídas como ferramenta para referendar ou não a
autodeclaração de candidatos que pretendam concorrer vagas reservadas à política
afirmativa de cotas.

Todavia, a conclusão da comissão de heteroidentificação da UFMT,


acerca da ora impetrante, não se mostra razoável.

Isto porque a impetrante foi aprovada no curso de Serviço Social da


UFMT no processo seletivo anterior (SISU 2019), tendo se enquadrado na ação

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afirmativa L10 – candidatos com deficiência autodeclaradas pretos, pardos ou
indígenas, que tenham renda familiar bruta per capita igual ou inferior a 1,5 salário
mínimo e que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas
(doc. anexo).

Ou seja, no ano anterior, a estudante foi considerada habilitada para


preencher vagas destinadas à política de cotas raciais, pela mesma instituição federal
de ensino, de forma que não se justifica sua exclusão do processo seletivo realizado no
corrente ano, ao argumento de que, agora, não se adequaria no fenótipo estabelecido.

Ainda sobre a aprovação pretérita da impetrante no curso de Serviço


Social, a candidata foi avaliada pela Comissão Permanente de Homologação e
Acompanhamento de Matrículas por Ações Afirmativas – conforme subitem 5.6 do
Edital referente ao processo seletivo de 2019 (doc. anexo, pág. 3).

Isto é, sua autodeclaração, há poucos meses atrás – 12/09 a 13/09/2019,


foi submetida à mesma comprovação e teve resultado positivo, entendendo a
Comissão por sua veracidade.

Com isso, seu nome foi relacionado na lista dos ingressantes – aqueles
que cumpriram com todos os requisitos do Edital – para os inícios das aulas - 2º
Semestre/2019, conforme Convocatória Ingressantes SISU (doc. anexo, pág. 22).

Frente à negativa, e em razão de ato abusivo do Reitor da Universidade


Federal de Mato Grosso - UFMT, não resta outra escolha à Impetrante senão recorrer
ao Poder Judiciário para o reconhecimento da ilegalidade do ato administrativo que
negou sua matrícula, no que irrazoável, pretendendo, assim, a efetivação de sua
matrícula junto à UFMT para o curso em que foi aprovada.

III– DO DIREITO

a) Da autoridade coatora e da competência da Justiça Federal

Cabível a impetração de mandado de segurança quando houver um


direito líquido e certo violado por ato ilegal e abusivo de uma autoridade pública ou
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público, como se
depreende do art. 5º, inciso LXIX da Constituição Federal de 1988:

LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger


direito líquido e certo, não amparado por “habeas-corpus" ou
"habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso

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de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no
exercício de atribuições do Poder Público.

O polo passivo deve ser integrado pela autoridade que, por conduta
comissiva ou omissiva, deu causa à lesão jurídica, possuindo, também, atribuições
funcionais próprias para fazer cessar a ilegalidade, conforme decidiu o Egrégio
Superior Tribunal de Justiça, ao determinar que “no mandado de segurança, deve figurar,
no pólo passivo, da relação processual, a autoridade a quem se imputa a ação, ou omissão.
Exigência de legitimidade passiva ad causam” (STJ – 6 Turma – RMS nº 5.227-3/MA – Rel.
Min. Luiz Vicente Cernicchiaro, DJ, Seção I, 2 dez. 1996, p. 47.721). Nos mesmos termos
dispõe o art. 6º da Lei nº 12.016/2009:

Art. 6º A petição inicial, que deverá preencher os requisitos


estabelecidos pela lei processual, será apresentada em 2 (duas)
vias com os documentos que instruírem a primeira
reproduzidos na segunda e indicará, além da autoridade
coatora, a pessoa jurídica que esta integra, à qual se acha
vinculada ou da qual exerce atribuições.

No caso, a legitimidade passiva do Reitor da Fundação Universidade


Federal de Mato Grosso (UFMT) resta patente em razão de ser ele a autoridade
responsável pelo ato ilegal e que poderá revertê-lo, ato este relacionado
especificamente à negativa de efetivação de matrícula no curso de Nutrição – Campus
Universitário Cuiabá, no qual a Impetrante logrou êxito em se classificar para uma
vaga a partir do primeiro semestre de 2020.

A competência para analisar o presente mandamus é da Justiça Federal,


tendo em vista que a autoridade coatora exerce sua função pública em ente da
administração pública federal, qual seja, a Universidade Federal de Mato Grosso –
UFMT.

Assim, apontada a autoridade coatora e demonstrada a competência da


Justiça Federal, passa-se à análise dos requisitos para concessão da segurança: ato ilegal
ferindo direito líquido e certo.

b) Do ato ilegal e do direito líquido e certo

Conforme explanado anteriormente, o cabimento de mandado de


segurança se verifica quando perpetrada a ilegalidade ou abuso de poder por
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder
Público.

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No caso em apreço, o ato ilegal (tendo em vista que o ato praticado pela
autoridade pública está adstrito, vinculado às normas do Edital) perpetrado pela
autoridade coatora foi denegar a matrícula da impetrante, sob o fundamento de sua
autodeclaração (como parda) ser considerada inverídica pela comissão de
heteroidentificação.

Assim, considerando as aprovações para o curso de Serviço Social e


Nutrição, referentes ao SISU de 2019 e 2020, respectivamente, é nítida a incoerência e
disparidade de tratamento oferecido à impetrante nas avaliações fenotípicas que
foram feitas em tão curto espaço de tempo e pela mesma UFMT, algo que,
indubitavelmente, abala a presunção de legitimidade do ato administrativo.

Pelo exposto, não merece prosperar o ato ilegal praticado pela


autoridade pública, haja vista que a intenção inequívoca da criação das ações
afirmativas – determinadas pela Lei nº 12.711/2012 e Lei nº 13.409/2016, reservando
uma porcentagem das vagas à determinado grupo, é a de criar pressupostos voltados à
correção das distorções que atingem os menos favorecidos, o que encontra respaldo no
princípio constitucional da isonomia – tratamento igual àqueles iguais, e desigual aos
desiguais, fornecendo, ainda, meios para reduzir ou compensar as dificuldades geradas
pela desigualdade social em seu sentido amplo (art. 5º da CRFB/88).

No sentido do que vem sendo defendido, verificamos vários julgados


que demonstram o entendimento jurisprudencial pátrio:

ADMINISTRATIVO. ENSINO SUPERIOR. EXAME


VESTIBULAR. INGRESSO NO SISTEMA DE COTAS
RACIAIS. POSSIBILIDADE. UTILIZAÇÃO DE CRITÉRIO
NÃO OBJETIVO PELA IES. IRRAZOABILIDADE.
FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE.
I - Se o aluno foi considerado negro em concurso vestibular
pretérito para fins de concorrência pelo sistema de cotas
raciais, faz jus a mesma conclusão no certame imediatamente
seguinte, sob pena de irrazoabilidade ou existência de
subjetivismo na avaliação do critério, mormente se há a
comprovação de sua condição por fotografia. Precedente.
II - A Constituição Federal de 1988 acolheu o Estado
democrático de Direito, que garante não apenas a igualdade
formal, mas também a igualdade material. Não bastam, sob a
atmosfera constitucional, igualdade apenas no papel, mas, tanto

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que possível, a isonomia também na vida. O direito deixou de
ser mediador neutro de conflitos, para converter-se em
instrumento de igualação material de oportunidades. III - Na
Constituição de 1988 há várias referências ao caráter
multiétnico da sociedade brasileira, impondo uma série de
políticas preventivas e repressivas de combate a atitudes que a
neguem ou que tendam a criar preconceitos ou discriminação
fundadas em origem, cor ou raça. Ela previu mecanismos de
resgate histórico de grupos sociais oprimidos, sendo destacado,
não apenas a consideração das comunidades indígenas como
'povos', como também o reconhecimento e resgate dos
remanescentes das comunidades de quilombos (art. 216, § 5º;
art. 68, ADCT). IV - O regime de cotas para negros, pardos e
descendentes de índios é um resgate social a ser feito. Não há
que se falar em ofensa ao princípio da isonomia.
[....] (TRF-1 - REOMS: 7111720084013700, Relator:
DESEMBARGADOR FEDERAL JIRAIR ARAM MEGUERIAN,
Data de Julgamento: 07/07/2014, SEXTA TURMA, Data de
Publicação: 22/07/2014)

A educação, sem dúvidas, é o principal instrumento para concretizar a


ascensão social – e a transição da igualdade formal para a consolidação da igualdade
material, oferecendo oportunidades iguais entre pessoas de diferentes classes sociais e
grupos étnicos.

Não oportunizar (sob justificativa não plausível, obscura e questionável)


ao indivíduo que este frequente uma instituição de ensino superior é retirar sua
principal ferramenta de busca de um futuro mais digno.

Nesta perspectiva, Joaquim Barbosa, na obra Ação afirmativa & princípio


constitucional da igualdade: o direito como instrumento de transformação social (2001, p. 47 –
49), descreve os objetivos das ações afirmativas, quais sejam: (a) coibir não só as
discriminações do presente, mas, sobretudo, eliminar os efeitos persistentes
(psicológicos, culturais e comportamentais) da discriminação do passado; (b) implantar
determinada diversidade que dê aos grupos minoritários uma maior
representatividade nos domínios das atividades pública e privada; (c) eliminar as
“barreiras artificiais e invisíveis” que, independentemente da existência de uma
política oficial marginalizadora; e (d) criar personalidades emblemáticas, por meio dos
representantes dos grupos discriminados que alcançarem posições de prestígio e

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poder, para servirem de modelo ao projeto de vida das pessoas que integram o restante
da comunidade discriminada.

O presente contexto apresenta uma estudante que se qualifica


exatamente nas nuances sociais do intuito da política de ações afirmativas, visto ser
economicamente hipossuficiente, tendo estudado a totalidade de seu ensino médio em
rede pública, bem como representa grupo socialmente marginalizado que busca a
ascensão ora delineada.

Seria a pior das injustiças impedir que a Impetrante frequente o curso


para o qual foi aprovada, privando-lhe de seu direito constitucional à educação.

Logo, considerando-se os documentos apresentados pela estudante, e


tendo em vista sua anterior aprovação em comissão de heteroidentificação da mesma
instituição que agora lhe nega acesso à política pública, tem-se plenamente
demonstrado seu direito líquido e certo à vaga pleiteada.

c) Do pedido liminar de antecipação dos efeitos da tutela pretendida

O art. 7º da Lei 12.016/09 prevê a possibilidade de suspensão do ato que


ensejou o pedido e, consequentemente, de seus efeitos, desde que haja “fundamento
relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida caso seja
finalmente deferida”.

No presente caso, tal suspensão se dará de forma inversa, pois o ato coator
é de negativa da matrícula do Impetrante, verificando-se a sua “suspensão” com a
própria realização do ato omitido.

Primeiramente, quanto ao fundamento relevante para a suspensão do ato


impugnado, estão devidamente demonstrados os motivos da ilegalidade da negativa
da matrícula e o patente direito da impetrante à sua efetivação.

Por outro lado, o risco da ineficácia da medida advém do fato de que o


estudante foi aprovado em um processo seletivo prestado por centenas de candidatos,
sendo certo que, a partir da convocação dos suplentes, a determinação de realização da
matrícula afetará a estrutura administrativa da instituição de ensino, pois esta passará
a contar com mais alunos do que as vagas oferecidas.

Ainda, as aulas logo se iniciarão e, quanto mais demorar o ingresso do


impetrante na instituição de ensino, mais prejuízos suportará na aprendizagem, pois
poderá acontecer de não conseguir acompanhar os demais alunos.

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Assim, postergar a apreciação de um evidente vício, apto a anular um ato
desprovido de razoabilidade, para o fim do processo, poderá causar enorme
insegurança jurídica, tendo em vista que a convocação de suplente será um evento
inevitável no caso.

Nesse sentido, ante à situação apresentada, a qual traz fundamentos que


ultrapassam os meros requisitos para a concessão liminar da segurança pleiteada, de
forma a permitir a matrícula da impetrante no curso de Nutrição da UFMT.

IV - DOS PEDIDOS

Ante todo o exposto, requer-se:

1) a concessão dos benefícios da justiça gratuita, na forma do


art. 98 do CPC;

2) a intimação pessoal dos membros da DPU de todos os


atos processuais e a contagem dos prazos processuais em
dobro, na forma do inciso I do art. 44 da Lei Complementar n.º
80/94;

3) a concessão da medida liminar, inaudita altera pars,


antecipando-se os efeitos da tutela pretendida, determinando-se
à autoridade coatora que promova a matrícula da impetrante
no curso de graduação em Nutrição na Universidade Federal de
Mato Grosso – Campus Universitário de Cuiabá, referente ao
processo seletivo para ingresso em 2019/01;

4) a tramitação prioritária do presente mandado de


segurança, nos termos do artigo 7º, §4º, e artigo 20, da Lei n.º
12.016/2009;

5) que seja intimada a autoridade coatora para prestar


informações;

6) ao final, que seja julgado procedente o pedido,


confirmando-se a matrícula da impetrante no curso de
graduação em Nutrição na Universidade Federal de Mato
Grosso – Campus Universitário Cuiabá, para o qual logrou
aprovação por intermédio do processo seletivo 2020, para

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ingresso ainda no primeiro semestre do ano corrente letivo da
referida instituição de ensino superior.

Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais), para efeitos fiscais.

Cuiabá/MT, 1º de abril de 2020.

Daniel Medina Oliveira


Defensor Público Federal

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