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GEOGRAFIA

12
ENSINO
MÉDIO
GEOGRAFIA
José William Vesentini

URBANIZAÇÃO E MERCADOS REGIONAIS


1 A urbanização da humanidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
O que é urbanização? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4
Rede urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6
Conurbação e áreas metropolitanas . . . . . . . . . . . . . . . .7
Megalópoles e megacidades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8
Cidades globais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9
Urbanização no mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10
Rumo a uma cidade sustentável? . . . . . . . . . . . . . . . . .15
2 A urbanização do Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Urbanização e metropolização. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .21
Rede urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24
As duas metrópoles globais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26
Metrópoles nacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27
Metrópoles e centros regionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28
Problemas sociais urbanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30
3 Mercosul. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
Globalização e mercados regionais . . . . . . . . . . . . . . . .41
A fundação do Mercosul . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42
Expansão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .44
Perspectivas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .46
Problemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .49
4 Nafta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
A criação do Nafta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .57
Estados Unidos e Canadá: dois países integrados . . . . . 61
Formação territorial dos Estados Unidos . . . . . . . . . . . .62
Estados Unidos: economia de grande
potência mundial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .66
O espaço urbano-industrial dos Estados Unidos . . . . . .69
México . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .74
5 União Europeia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
Aspectos físicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .79
2137920 (PR) Unificação europeia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .81
Tratados de Maastricht, Amsterdã e Lisboa . . . . . . . . . .84
Corrigindo as desigualdades regionais. . . . . . . . . . . . . .86
Alguns problemas da UE. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .89
MÓDULO
Urbanização e
mercados regionais

High Line, parque urbano linear em Nova York, im-


plantado sobre uma linha férrea elevada e desativada
na década de 1930. Inaugurado em 2009, contou com
a atuação da vizinhança para que, em vez de ser demo-
lido, fosse transformado em espaço público de lazer,
integrando sustentabilidade e qualidade de vida à po-
pulação de uma das principais cidades globais.
STUART MONK
REFLETINDO SOBRE A IMAGEM
Cidades como Nova York, Tóquio e Londres, en-
tre outras, são denominadas cidades globais
em razão da influência que exercem sobre a
economia de todo o planeta. Há cidades glo-
bais no Brasil? A maioria da população mundial
vive em cidades? É possível o desenvolvimento
de projetos e práticas de sustentabilidade nos
grandes centros urbanos?

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CAPÍTULO

1 A urbanização da humanidade

Veja, no Guia do Professor, o quadro de competências e habilidades desenvolvidas neste módulo.

Objetivos: O QUE É URBANIZAÇÃO?


c Compreender o que Urbanização é um aspecto espacial ou territorial resultante de modificações sociais e econômi-
é urbanização e cas. O primeiro processo de urbanização ocorreu há milhares de anos, com a chamada Revolução
suas relações com Neolítica, quando o ser humano aprendeu a domesticar animais e a cultivar plantas, tornando-se
mudanças econômicas. sedentário e criando as primeiras cidades, que hoje, para nós, seriam apenas vilas.
Até o advento da Revolução Industrial, a cidade era subordinada ao campo. Ela vivia do co-
c Comparar a
mércio e do excedente agrícola campesino. A Revolução Industrial, momento essencial do desen-
urbanização dos atuais
volvimento do capitalismo, alterou essa situação, acarretando profundas transformações espaciais:
países desenvolvidos
o aprofundamento da diferenciação entre campo e cidade por causa do enorme crescimento do
com a dos países
meio urbano, que passa a comandar o meio rural;
subdesenvolvidos.
a migração do campo para a cidade da maioria da população de cada nação que se moderniza
c Diferenciar os conceitos (com industrialização e expansão do comércio e dos serviços), o que origina as metrópoles;
de urbanização, as grandes alterações no campo, provocadas pelas atividades urbanas, principalmente a industrial,
metropolização, rede como mecanização, novos métodos de cultivo e menor necessidade de mão de obra.
urbana, conurbação, Com as técnicas modernas de produção de alimentos, que vão desde a hidroponia até o
megacidade, uso intenso da biotecnologia, alguns argumentam que o meio rural tradicional, da agricultura e da
megalópole, pecuária, seria até dispensável. Podem-se cultivar certas espécies em condições artificiais (sem solo)
gentrificação e cidade e criar alguns animais (peixes, por exemplo) em condições também artificiais, sem necessidade de
global. grandes espaços.
Existem sociedades que são hoje totalmente urbanas, com 100% da população vivendo nas
c Refletir sobre os
aspectos positivos
cidades: Cingapura, Hong Kong, Ilhas Cayman, Nauru, Gibraltar, Bermudas, Mônaco e Vaticano. Essas
e negativos dos
nações constituem exceções, por serem áreas pequenas com grande concentração populacional.
processos de Mas até países com territórios imensos têm uma parcela relativamente pequena de sua população
urbanização, no meio rural, como Austrália, Canadá, Estados Unidos e Brasil.
metropolização e Desde meados do século XVIII, muitas pessoas têm se deslocado do campo para as cidades.
gentrificação. São as migrações rural-urbanas, conhecidas nos países subdesenvolvidos como êxodo rural. Essas
migrações se aceleraram na segunda metade do século XX.

DELFIM MARTINS
GLOSSÁRIO

Hidroponia:
técnica de produção de alimentos
que dispensa o solo, usando apenas Plantadeira em cultura de soja na zona rural de Rondonópolis (MT), em 2011. A
água e nutrientes. mecanização do campo libera mão de obra e, dessa forma, favorece as migrações
rural-urbanas.

4 Urbanização e mercados regionais


RUBENS CHAVES/PULSAR IMAGENS
Vista aérea da região oeste da cidade de
São Paulo, em 2011. A urbanização brasileira
intensificou-se a partir dos anos 1950.

Esse processo tem como consequência a urbanização, que foi mais intensa nos atuais países
desenvolvidos até meados do século XX, e hoje ocorre principalmente nos países subdesenvolvidos.
Estima-se que em 2008 a população urbana, pela primeira vez em toda a história da humanidade,
tenha atingido 50% da população mundial, como podemos observar no gráfico abaixo.

População rural e urbana no


mundo (1950-2050)

População (bilhões)
7
wup2007/2007WUP_Highlights_web.pdf>. Acesso em: 25 maio 2015.

Urbana
FONTE: Disponível em: <www.un.org/esa/population/publications/

Rural
3
GEOGRAFIA

0
1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 2040 2050

Urbanização e mercados regionais 5


Segundo estatísticas da ONU, o crescimento populacional no mundo entre 2000 e 2030 será de
1,04% ao ano. Mas a população urbana cresce a um ritmo de 1,85% ao ano, e a rural, a uma taxa de
apenas 0,10% ao ano. Calcula-se que atualmente por volta de 54% da humanidade viva em cidades.
Estima-se que em 2030 a população urbana representará cerca de 62% da população mundial
e que até mesmo as regiões do globo onde ainda hoje predomina a população rural, como a África
e grande parte da Ásia, terão a maioria da sua população residindo em cidades.
Um dos grandes desafios da humanidade neste século é o advento das chamadas megacidades,
aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de habitantes. Com a expansão das grandes cidades
e principalmente das megacidades, multiplicaram-se os problemas a serem enfrentados, como os
relacionados às submoradias (favelas e cortiços), aos congestionamentos, à segurança, ao lixo urba-
no, à poluição do ar e das águas e à necessidade de infraestrutura urbana (transporte coletivo, água
encanada, rede de esgotos, eletricidade, áreas de lazer e de cultura, etc.).
Observe o mapa abaixo. Ele mostra as grandes cidades atuais e as taxas de urbanização
no mundo.

Megacidades e graus de urbanização no mundo (2014)

FONTE: UNITED NATIONS. World Urbanization Prospects, 2014. Revision.


Círculo Polar Ártico

OCEANO
PACÍFICO
OCEANO OCEANO
ATLÂNTICO PACÍFICO
Trópico de Câncer

Equador

Percentual de urbanização OCEANO


ÍNDICO
80-100%
60-80% Trópico de Capricórnio

40-60% População das cidades


20-40% N 10 milhões ou mais
0-20% 5-10 milhões
0 2 150
Sem dados 1-5 milhões
km

REDE URBANA
A urbanização origina uma rede urbana, ou seja, um sistema integrado que vai das cidades
pequenas ou locais às metrópoles ou cidades gigantescas. A regra geral é que, para milhares de pe-
quenas cidades, existam centenas de cidades médias e algumas poucas metrópoles.
Uma rede urbana é um espaço hierarquizado de acordo com a influência (econômica, política,
GLOSSÁRIO

Polarização: cultural) ou com a polarização que uma (ou mais) metrópole(s) exerce(m) sobre as demais e sobre
ato de atrair ou fazer convergir para si. o meio rural. Essa hierarquia prossegue das cidades médias para as menores, e assim por diante.
Uma metrópole polariza uma região As cidades locais ou pequenas influenciam ou polarizam as aldeias, os povoados e as demais
que dela depende para o forneci-
mento de produtos industrializados, áreas rurais vizinhas e, por sua vez, são polarizadas pelas cidades médias mais próximas. Mas todas
comércio e serviços mais sofistica- elas sofrem a influência ou a polarização das metrópoles, que comandam enormes regiões ou, às
dos, como lojas mais especializadas, vezes, todo o espaço nacional e até internacional.
grandes universidades, administra- Para existir uma verdadeira rede urbana, contudo, é necessário que haja intensa urbanização
ção pública, serviços médico-hospi-
talares mais desenvolvidos, maior e
com industrialização. Países ou áreas pouco urbanizados e industrializados apresentam redes urbanas
melhor oferta de lazer, etc. precárias e mal constituídas. As redes urbanas são típicas dos países desenvolvidos e, em geral, são
raras ou imperfeitas nos países subdesenvolvidos, salvo poucas exceções.

6 Urbanização e mercados regionais


Uma verdadeira rede urbana pressupõe não apenas um grande número de cidades e de popula-
ção urbana, mas também infraestrutura desenvolvida: bons sistemas de transporte, de comunicação
e de fluxo de mercadorias e de pessoas.

PARA CONSTRUIR

1 Faça um esquema em seu caderno da rede urbana na qual a cidade em que você mora está inserida, nomeando ao menos cinco
cidades que a influenciam ou são influenciadas por ela. Resposta pessoal.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 1 Para aprimorar: 1 e 2

CONURBAÇÃO E ÁREAS METROPOLITANAS


Uma cidade cresce de duas maneiras: de forma vertical, mediante a construção de edifícios,
ou, às vezes, de galerias e instalações subterrâneas; e de forma horizontal, por meio da ocupação de
novos espaços: sua mancha urbana está em constante expansão.
O crescimento horizontal de uma cidade com frequência ocasiona conurbação com outras
cidades. Conurbação é o encontro de duas ou mais cidades vizinhas, que ficam unidas, conurbadas,
embora pela origem e pela administração constituam cidades diferentes.
Existem centenas (talvez milhares) de exemplos de conurbação espalhados por todo o mundo.
Para citar um caso brasileiro, podemos lembrar a Grande São Paulo, formada pela conurbação de
São Paulo com Santo André, São Caetano do Sul, Diadema, São Bernardo do Campo, Osasco, etc.
Quando a conurbação dá origem a um imenso aglomerado urbano formado por várias cidades,
cria-se uma área ou região metropolitana. Trata-se de uma região, geralmente com mais de 1 milhão
de habitantes, em que há várias cidades conurbadas e inúmeros problemas e necessidades comuns
(transporte, poluição, violência, moradia, eletricidade, asfaltamento, etc.). Essas cidades precisam de uma
administração centralizada ou, o que é mais comum, da coordenação das várias políticas municipais.
Como exemplos de áreas ou regiões metropolitanas podemos mencionar a Grande Rio de
Janeiro, a Grande Belo Horizonte, a Grande Londres, etc.
Veja no quadro abaixo as maiores áreas metropolitanas do mundo nos anos 1900, 1950, 2010
e 2025 (estimativa).

As 15 maiores aglomerações urbanas* do mundo (em milhões de habitantes)


1900 1950 2010 2025
Londres (Reino Unido) 6,5 Nova York 12,3 Tóquio 36,0 Tóquio 36,1
Nova York (EUA) 4,2 Londres 10,3 Mumbai (ex-Bombaim, Índia) 21,9 Mumbai 26,4
Paris (França) 3,3 Tóquio 16,8 São Paulo (Brasil) 20,5 Nova Délhi 22,4
Berlim (Alemanha) 2,4 Xangai (China) 15,8 Cidade do México 20,2 Dacca 22,0
FONTE: UNITED NATIONS. State of the World’s Cities, 2010-2011.
Chicago (EUA) 1,7 Paris 15,4 Nova York 20,0 São Paulo 21,4
Viena (Áustria) 1,6 Chicago 15,0 Nova Délhi (Índia) 17,0 Nova York 20,6
Tóquio (Japão) 1,5 Moscou 14,9 Xangai 17,0 Kolkata 20,5
São Petersburgo (Rússia) 1,4 Buenos Aires (Argentina) 14,5 Kolkata 17,0 Xangai 19,4
Filadélfia (EUA) 1,3 Kolkata (Índia) 14,4 Dacca (Bangladesh) 14,7 Karachi 19,0
Manchester (Reino Unido) 1,2 Los Angeles (EUA) 14,0 Lagos (Nigéria) 14,1 Lagos 15,8 GEOGRAFIA
Birmingham (Reino Unido) 1,2 Osaka (Japão) 13,8 Los Angeles 13,1 Cairo 15,5
Moscou (Rússia) 1,1 Milão (Itália) 13,6 Karachi (Paquistão) 13,0 Manila (Filipinas) 14,8
Pequim (China) 1,0 Cidade do México (México) 13,0 Buenos Aires 13,0 Pequim 14,5
Kolkata (ex-Calcutá; Índia) 1,0 Filadélfia 12,9 Cairo (Egito) 12,5 Buenos Aires 13,7
Boston (EUA) 1,0 Rio de Janeiro (Brasil) 12,9 Rio de Janeiro 12,1 Los Angeles 13,6

* Refere-se não apenas às cidades principais, mas também ao conjunto de cidades conurbadas a elas (áreas metropolitanas).

Urbanização e mercados regionais 7


Urbanização e principais cidades do mundo (2010)

FONTE: Disponível em: <http://esa.un.org/unpd/wup/Maps/maps_urban_2011.htm>.


Círculo Polar Ártico

Moscou

Paris OCEANO
OCEANO
Istambul Pequim PACÍFICO
PACÍFICO Nova York
Nova Tóquio
OCEANO
Los Angeles Osaka
SER_EM_G01_Geo_cad12_MN002:
ATLÂNTICO urbanização Délhi
Dacca
Xangai
Guangzhou
Trópico de Câncer Cairo
e principais cidades do mundo em 2010. Karachi Hong Kong
Cidade Mumbai Manila
do México

Percentual de urbanização Lagos Kolkata Equador

Acesso em: 2 fev. 2013. Adaptado.


0%-25%
25%-50% OCEANO
ÍNDICO
50%-75% Rio de
Janeiro Trópico de Capricórnio
75%-100%
São Paulo
População das cidades
1-5 milhões Buenos Aires N

5-10 milhões
0 1 915
10 milhões ou mais
km

MEGALÓPOLES E MEGACIDADES
A urbanização da humanidade foi muito intensa nos países desenvolvidos, principalmente na
segunda metade do século XX. Ela originou áreas ou regiões superurbanizadas. Nessas áreas, em
geral de pequena extensão territorial, há muitas metrópoles e centenas de outras cidades médias e
pequenas.
Essas regiões superurbanizadas, que geralmente concentram grande parcela da população do
país, receberam o nome de megalópoles (mega = “grande” ou “múltiplo”; pólis = “cidade”). O termo
foi criado nos anos 1960 pelo geógrafo Jean Gottmann, que inicialmente o aplicou ao nordeste dos
Estados Unidos, de Boston a Washington, tendo Nova York como centro. Para se referir às megaló-
poles que existem no mundo, a ONU algumas vezes usa os termos megarregiões ou corredores
urbanos. Órgãos oficiais dos Estados Unidos, por sua vez, usam os termos região superurbanizada
ou megalópole.
A área de Boston a Washington corresponde a apenas 1% do território estadunidense e abrange
cidades com mais de 1 milhão de habitantes. Nela se concentram cerca de 20% da população total
do país. Ao estudar essa concentração, Gottmann criou o conceito de megalópole, imaginando ter
encontrado um caso único e excepcional. De fato, até por volta dos anos 1960, Nova York ainda
era a grande e inquestionável metrópole mundial, e a região no nordeste dos Estados Unidos era
provavelmente o maior exemplo de área superurbanizada do planeta.
Mas daquela época até hoje muita coisa mudou; novas megalópoles surgiram, continuam sur-
gindo e têm ficado até maiores. Mesmo nos Estados Unidos existem atualmente outras megalópoles,
como a localizada na Califórnia (que fica na parte ocidental do país, litoral do oceano Pacífico), no
eixo formado pelas cidades de Los Angeles e São Francisco. No Japão, existe aquela que é conside-
rada a maior megalópole dos dias atuais, que vai de Tóquio a Kitakyushu, passando por Osaka. Ela
concentra cerca de 80% da população e mais de 85% da atividade industrial do país.
No Brasil, desde os anos 1980 utiliza-se o termo megalópole para se referir à área que vai
da Grande São Paulo à Grande Rio de Janeiro, incluindo Campinas, Baixada Santista e Vale do
Paraíba. É uma área superurbanizada e industrializada, que corresponde a apenas 0,5% do ter-
ritório brasileiro, onde se concentram 22% da população nacional e mais de 50% da produção
industrial do país.

8 Urbanização e mercados regionais


Existem ainda importantes megalópoles em outras partes do mundo. Uma delas é a que vem se
formando no delta do rio Zhu Jiang – também conhecido como Pearl river (em inglês) ou rio das Péro-
las (em português) –, que deságua no mar Meridional da China. Segundo alguns especialistas, existe ali
uma imensa aglomeração urbana formada pelas cidades de Guangzhou (Cantão), Shantou, Shenzhen,
Foshan, Dongguan, Hong Kong, Macau e dezenas de outras, que concentram a maior parte da produção
industrial da China. Algumas já estão conurbadas (incluindo linhas interurbanas de metrô), enquanto
entre outras ainda existem trechos com zonas rurais, rios ou pequenas extensões de mar. Afirma-se que
em 2015 essa aglomeração urbana ultrapassou a região metropolitana de Tóquio e se tornou a maior área
superurbanizada do mundo, com cerca de 42 milhões de habitantes. Ela abrange uma área total pouco
maior que 7 mil km2, portanto, menor que a região metropolitana de Tóquio (que tem 8,3 mil km2).
É necessário ressaltar que, ao contrário do que se pode pensar, o conceito de megalópole não
significa conurbação ou junção física integrais das cidades que a constituem. Em todas as mega-
lópoles citadas (Nova York-Boston, Tóquio-Osaka, etc.) existem áreas agrícolas, principalmente os
chamados cinturões verdes (hortifruticultura para o abastecimento urbano), e de pecuária, com
destaque para leiteira e de granjas.

Cidades-regiões, megalópoles e corredores urbanos no mundo

Círculo Polar Ártico

FONTE: UNITED NATIONS. State of the World’s Cities, 2010-2011.


OCEANO OCEANO
PACÍFICO
ATLÂNTICO SER_EM_G01_Geo_cad12_MN002: urbanização
Trópico de Câncer
e principais cidades do mundo em 2010.
OCEANO
PACÍFICO
Equador

OCEANO
ÍNDICO
Trópico de Capricórnio

Cidades-regiões N
Corredores urbanos
0 1 910
Megalópoles
km

Não devemos confundir o conceito de megalópole, que é territorial (uma região superurbani-
zada, independentemente do número de habitantes da aglomeração urbana principal), com o de
megacidade, que se refere aos aglomerados urbanos com mais de 10 milhões de habitantes. Existem
atualmente 24 megacidades e, em 2025, deverão ser por volta de 40. O conceito de megacidade,
portanto, é principalmente demográfico ou numérico.

CIDADES GLOBAIS GEOGRAFIA

Existe ainda mais um conceito recente ligado à influência internacional de uma metrópole: o
de cidade global ou mundial. Ele surgiu nos anos 1980, no rastro da ideia de globalização. Não é um
conceito demográfico como o de megacidade, pois o número de habitantes não é fundamental;
tampouco é um conceito territorial como o de megalópole, ou seja, a região ou o espaço circundante
à cidade não têm importância. O essencial mesmo são suas ligações internacionais. Trata-se de uma
noção mais econômica e ligada à polarização, ao papel internacional de atração e influência da cida-
de, que procura mostrar a importância mundial de certas cidades e o seu papel no mercado global.

Urbanização e mercados regionais 9


Os principais exemplos dessas cidades são Nova York, Tóquio e Londres, que exercem influência
sobre toda a economia do planeta. Posteriormente Paris foi incluída nesse seleto grupo, e pesquisas
recentes detectaram mais cidades que podem ser classificadas como globais – Xangai, Hong Kong,
Cingapura, Chicago, Dubai, Sydney, Seul e outras, incluindo duas cidades brasileiras: São Paulo e Rio
de Janeiro. O próprio IBGE incorporou a nova conceituação e passou a classificar essas duas aglomera-
ções urbanas como metrópoles globais ou mundiais, reservando a expressão metrópoles nacionais
para outras grandes cidades do país.
As cidades globais são os principais centros financeiros e bancários do mundo. São também
polos mundiais de telemática (serviços de informática fornecidos por redes de comunicação), de
serviços modernos e especializados (assessorias e pesquisas) e de controle administrativo das grandes
empresas e das organizações internacionais.
Fatores culturais e de serviços são levados em conta na conceituação de cidade mundial: oferta
e qualidade de teatros, museus, restaurantes, hospitais, centros de compras, universidades, centros
de pesquisas, atrações turísticas, etc. Esses elementos culturais também servem de polarizadores,
atraindo grande número de pessoas do exterior para visitar, frequentar, fazer algum curso ou trata-
mento em uma cidade mundial.
A indústria já não tem muita importância para definir as cidades globais – pelo menos a produ-
ção física de bens como automóveis, bebidas, petróleo, etc. As fábricas tradicionais são transferidas
para outras áreas e apenas as novas indústrias ou serviços modernos se expandem e definem a
importância desses centros urbanos globais (Bolsas de Valores, criação de softwares para computa-
dores, design para automóveis ou aviões, laboratórios ou institutos de pesquisas, quartéis-generais
das empresas multinacionais, etc.).

ALEKSANDAR TODOROVIC
Pessoas próximas à ponte da
Baía de Sydney. Cidade mais
populosa da Austrália, Sydney
é considerada uma cidade
global. Foto de 2014.

URBANIZAÇÃO NO MUNDO
Os países mais urbanizados do mundo, salvo exceções, são os desenvolvidos. Em alguns países
do Norte geoeconômico a porcentagem de população urbana já ultrapassa 95% do total, como ocor-
re na Bélgica e no Reino Unido. Mas alguns países do Sul também são superurbanizados: há países
muito pequenos, como Uruguai (93%), Bahamas (90%) e Kuwait (98%), e verdadeiras cidades-Estados,
como Cingapura (100%) e Hong Kong (100%), cidade que foi reincorporada à China em 1997.
Os países desenvolvidos menos urbanizados, pelo menos em tese, são os Estados Unidos, a
França e o Japão, com cerca de 70% a 80% de população urbana. São, contudo, países com imensas
aglomerações urbanas e com o chamado meio rural bastante moderno. Ele é ocupado por con-
domínios nos quais residem pessoas que trabalham nas cidades, com elementos que, para alguns
autores, são típicos da urbanização: internet de alta velocidade, televisão a cabo, proximidade com
modernas rodovias ou ferrovias, etc.

10 Urbanização e mercados regionais


Além disso, o critério para definir o que é cidade (e consequentemente população urbana) varia
muito conforme o país. Em alguns, para um aglomerado ser considerado cidade é preciso atender
critérios bem rígidos: no mínimo 20 mil habitantes, disposição de equipamentos urbanos como hos-
pital, teatro, cinema, estabelecimentos de Ensino Médio e/ou Superior, etc. Em outros países, muitas
vezes até um pequeno aglomerado com 500 pessoas (ou menos), sem um mínimo de equipamentos
urbanos, acaba sendo oficialmente classificado como cidade ou vila (que, no caso do Brasil, também
tem uma população considerada urbana).
Dessa forma, os critérios para definir uma cidade (ou o seu oposto, o campo com população
rural) não são os mesmos em todo o mundo. No Brasil, por exemplo, se usássemos o critério dos
Estados Unidos ou de grande parte dos países europeus, provavelmente nossa população urbana
seria entre 68% e 73% do total, e não os atuais 85%. Isso porque no Brasil população urbana é qualquer
população de cidade (sedes de municípios) ou vilas, que muitas vezes têm menos de 10 ou até de 5
mil habitantes, o que em muitos países desenvolvidos é considerado população rural, e não urbana.
Mais de 70% dos municípios brasileiros têm menos de 20 mil habitantes e neles vivem por volta de
17% da população nacional.
A urbanização dos atuais países desenvolvidos é a mais antiga e teve início no século XIX com a
Revolução Industrial. A mecanização do campo liberou mão de obra, pois as máquinas fazem o servi-
ço de várias pessoas, e a industrialização criou novos empregos na cidade, tanto no setor secundário
(indústrias) como, principalmente, no terciário (comércio, administração, bancos, escolas e outros).
No início do século XX, as metrópoles europeias eram lugar de multidões de pobres e pessoas
sem residência. Cidades como Paris e Londres (ou mesmo Nova York) eram as maiores do mundo
até as primeiras décadas do século passado. Elas abrigavam gigantescas favelas e áreas de moradias
precárias, tráfego caótico e insuficiência de infraestrutura urbana (água encanada, pavimentação de
vias, eletricidade, transporte coletivo, etc.).
O processo de urbanização nos países do Sul, de forma geral, iniciou-se na segunda metade do
século XX e intensificou-se muito nas últimas décadas. No Brasil, por exemplo, a população urbana
passou de 36% em 1950 para 55% em 1970, 67% em 1980, 81,2% em 2000 e cerca de 85% em 2010.
Na Argentina e no Uruguai, que estão entre os países subdesenvolvidos mais urbanizados do mundo,
a população urbana já ultrapassa 90% do total.
Mesmo alguns países da África e da Ásia, nos quais somente uma pequena parte da população
vive nas cidades – como Burundi (11%), Bangladesh (28%), Ruanda (20%), Quênia (22%), Lesoto
(27%), Nepal (13%), Uganda (15%), Níger (18%), Camboja (23%), Vietnã (30%) e Índia (31%) –, estão
se urbanizando rapidamente.
Todavia, essa urbanização não é semelhante ao exemplo clássico do Primeiro Mundo, pois
em geral não é acompanhada de igual ritmo de industrialização e geração de empregos. É claro
que esses países (alguns mais, outros menos) também estão se industrializando, mas nem sempre
em ritmo suficiente para contribuir para a geração de novos empregos nas cidades. Além disso, a
industrialização atual não usa tanta mão de obra como aquela do século XIX e da primeira metade
do século XX. É uma industrialização que, em geral, usa mais máquinas e até robôs, empregando
poucos trabalhadores.
O deslocamento de pessoas do campo para a cidade nos países mais pobres e menos indus-
trializados não se dá essencialmente pela mecanização das atividades agrícolas e pela oferta de em-
pregos urbanos. Há, sim, criação de novos empregos no meio rural, mas em ritmo mais lento que o
do crescimento demográfico. Desse modo, a cada ano, novos contingentes humanos são expulsos
do campo pela falta de empregos. Além disso, as cidades, principalmente as grandes metrópoles,
exercem um fascínio muito grande sobre a população rural, pois dão a impressão de oferecer uma
vida mais moderna e com mais possibilidades de progresso social.
GEOGRAFIA
O desnível entre urbanização e oferta de novos empregos urbanos provoca e intensifica as
desigualdades socioeconômicas, e resulta, nas grandes cidades do Sul, em paisagens que mostram
lado a lado o moderno e o tradicional, o luxuoso e o paupérrimo. Temos bairros ricos ao lado de
imensas favelas, modernos edifícios de escritórios ao lado de prédios deteriorados e de cortiços,
o empresário em seu carro com motorista particular passando em uma avenida onde mendigos
pedem esmola e crianças ou subempregados vendem bugigangas. As fotos da página seguinte
mostram resultados da urbanização das cidades dos países do Sul.

Urbanização e mercados regionais 11


Contudo, é no Sul subdesenvolvido que ocorre atualmente o maior crescimento de população
urbana de todo o planeta. No início do século XX, das vinte cidades de todo o mundo que tinham no
mínimo 1 milhão de habitantes, 19 localizavam-se nos países desenvolvidos. Desde então, a situação
se alterou radicalmente. Hoje existem vinte aglomerados urbanos – as megacidades – com mais de
10 milhões de habitantes, e dois terços delas (15) se localizam em países do Sul.
As metrópoles dos países subdesenvolvidos conhecem situações de miséria e falta de moradias
que lembram a situação vigente no século XIX nas metrópoles dos países do Norte. No entanto,
a industrialização e as conquistas sociais nesses países desenvolvidos deram conta do problema,
melhorando sensivelmente as condições de vida e de moradia das populações das cidades. Mesmo
assim, principalmente em razão da intensa imigração que vem ocorrendo desde os anos 1970 nesses
países, também existem pessoas que vivem em condições de vida precárias, ainda que em regiões
específicas.

CHARLES BOWMAN/ALAMY

SERGEY ORLOV
Vista aérea de Kampala, capital e maior cidade de Uganda, na África. Vista de Katmandu, capital do Nepal, na Ásia. Nos últimos anos, as áreas
Foto de 2015. rurais da cidade têm passado por intenso processo de urbanização, o que
não significa, necessariamente, que houve aumento da qualidade de vida da
população. Foto de 2011.

PARA CONSTRUIR

2 Como vimos, a definição do que é cidade varia muito em todo o mundo: em alguns países são necessários no mínimo 20 mil habi-
m tantes e a existência de determinados equipamentos urbanos (cinema, teatro, no mínimo uma faculdade ou curso superior) para
Ene-4
C 9
H1
- que uma localidade seja definida como cidade. Em outros países, até mesmo aglomerados com 500 habitantes e praticamente
sem equipamentos urbanos são classificados como cidades. Faça uma pesquisa em livros, revistas e/ou na internet a respeito da
definição de cidade e população urbana em outros lugares. Depois, compare-as com os critérios utilizados no Brasil e, no final, dê
a sua opinião sobre a melhor definição.
Resposta pessoal.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 2 e 3 Para aprimorar: 3 a 6

Submoradias no mundo
Em 2010, segundo a ONU, 827 milhões de pessoas viviam em moradias precárias e irregulares
– isto é, sem o título de propriedade, em uma área invadida ou ocupada pelos sem-teto urbanos ou
em habitações sem condições mínimas de higiene (falta de rede de esgotos e água encanada, excesso
de pessoas por cômodo, etc.). Elas recebem várias denominações: são as favelas ou comunidades no
Brasil, slums em países de língua inglesa, asentamientos informales ou barrios pobres nos países de
idioma espanhol, etc.

12 Urbanização e mercados regionais


No mundo todo, notadamente nos países subdesenvolvidos, existem favelas de diversos ta-
manhos (algumas com mais de 1 milhão de pessoas) e em diversas áreas: terrenos alagados, morros,
beira de estradas ou de rios, terrenos baldios no interior de um bairro rico, etc. No continente africano
existem cerca de 212 milhões de pessoas vivendo em submoradias (25% da população total); na
Ásia existem mais de 500 milhões de pessoas nessa condição (14% da população do continente –
principalmente na Índia, no Paquistão, em Bangladesh, na China, na Indonésia e nas Filipinas, países
bastante populosos). Na América Latina são cerca de 110 milhões (19% do total), além de números
e porcentagens menores em outras regiões do globo. Um quarto da população da cidade do Rio de
Janeiro, por exemplo, mora em comunidades. Veja a tabela a seguir sobre a população residente em
favelas em alguns países selecionados.

População residente em favelas em países selecionados

População residente em favelas Proporção sobre a população


País
em 2010 (em milhões) urbana (em %)

Nigéria 45,3 64,1


Moçambique 16,2 80,4
África do Sul 18,4 28,4
China 170 30,4
Índia 110 32,4
Paquistão 27,5 47,4

FONTE: UNITED NATIONS. State of the World’s Cities, 2010-2011.


Bangladesh 29,8 70,4
Filipinas 23,8 42,4
Indonésia 26,8 26,4
Vietnã 19,1 38,4
Argentina 18,5 23,4
Brasil 45,7 28,4
México 11,8 14,4
Peru 17,2 32,4
Venezuela 17,8 32,4

Quais são as estratégias dos Estados para enfrentar o problema das submoradias? Até por volta
dos anos 1980, falava-se muito em remover as favelas, expulsando os seus moradores ou colocando-
-os em conjuntos habitacionais construídos pelo poder público, que os vendia para serem pagos em
prestações mensais durante vários anos. Mas em geral essa estratégia fracassou, porque os conjun-
tos habitacionais ficavam distantes do local de trabalho e, muitas vezes, o valor da prestação que
os moradores tinham de pagar era elevado demais para o seu nível de rendimento. Além disso, tal
estratégia possuía cunho elitista, pois previa que as pessoas pobres e sem acesso à cultura ficassem
GEOGRAFIA
distantes dos centros urbanos e do dinamismo econômico que neles existe.
Por isso, uma nova estratégia foi desenvolvida: a urbanização das favelas – com exceção daquelas
situadas em áreas de mananciais, que devem ser protegidos, ou áreas de risco ambiental (contaminadas,
sujeitas a inundações ou a desabamentos). Urbanizar, nesse caso, quer dizer construir rede de esgotos
e água encanada, fornecer eletricidade, asfaltar as vias, implantar postos policiais e de saúde, escolas e
creches, etc. Em muitos casos, os moradores desses locais se identificam com a comunidade e querem
continuar a viver nela, mas com melhores condições, isto é, com a urbanização da área.

Urbanização e mercados regionais 13


Expansão dos subúrbios e gentrificação
Há várias décadas existe em grande parte das metrópoles, a começar pelos países desenvolvi-
dos, um processo de expansão dos subúrbios concomitante ao relativo empobrecimento do centro
histórico.
Até algum tempo atrás, a noção de subúrbio era sinônimo de periferia, de bairros afastados
do centro onde residiam pessoas de baixa renda. Isso mudou pouco a pouco a partir do exemplo
pioneiro de Los Angeles (Estados Unidos), cidade que desde os anos 1920 deu ênfase aos seus subúr-
bios como um novo urbanismo, no qual a elite ou a classe média se reencontrariam com a natureza,
com o ar puro e a ausência de poluição ou de barulho. Os subúrbios se desenvolveram em muitas
cidades grandes, levando à decadência do centro (com raras exceções como Paris ou Nova York, que
procuraram manter a valorização de seus centros históricos).
O subúrbio, enfim, passou a ser concebido como algo desejável e diferente da periferia (que se
tornou no Brasil um conceito mais social do que geográfico). Em vez de designar todas as áreas ou
os bairros distantes do centro, a periferia passou a ser vista como qualquer área ou bairro com mo-
radores de baixa renda – distante ou não do centro. Os subúrbios se tornaram sinônimo de bairros
(ou condomínios) nobres e afastados do centro.
Quais foram as razões dessa expansão dos subúrbios, que ocorre ainda nos dias de hoje? Pri-
meiro, a pretensa volta à natureza com a correlata desvalorização do centro urbano, da multidão,
das agitações, do barulho e da poluição. Existe também a busca por refúgio, por um lugar tido como
seguro e protegido da crescente violência urbana (roubos, homicídios, tráfico de drogas, disputas
entre grupos urbanos). A violência urbana tem crescido em quase todo o mundo, principalmente
em alguns países do Sul (como México, Brasil, Colômbia e outros), em razão da globalização e da
expansão do tráfico de drogas e de armas, da morosidade da justiça, da corrupção policial, do au-
mento do desemprego, etc.
A Terceira Revolução Industrial acabou favorecendo esse processo de crescimento dos subúrbios,
dos condomínios rurais e até de cidades pequenas e médias, vizinhas às metrópoles. Com a inter-
net, a revolução nas telecomunicações e a produção flexível, muitos funcionários não precisam estar
presentes no ambiente de trabalho todos os dias, em horários fixos como antes. Eles podem morar
longe da empresa e trabalhar a distância. O advento de novas tecnologias das comunicações, assim
como a expansão da rede de transportes (rodovias e trens de alta velocidade), favorecem uma relativa
descentralização ou maior dispersão das atividades econômicas e dos locais de moradia das pessoas.
Um processo praticamente oposto é a gentrificação, que consiste na revalorização econômica
de áreas urbanas que se tornaram degradadas – notadamente dos centros históricos. Durante dé-
Vista aérea do Terreiro de Jesus, no centro
histórico de Salvador (BA), que passou
cadas, essas áreas foram relativamente abandonadas pelos investimentos públicos ou privados e até
por um processo de gentrificação. Foto mesmo pela segurança pública. Ocorreu, então, um consequente êxodo de pessoas de alta e média
de 2012. renda dessas regiões, que passaram a ser ocupadas por cortiços, por famílias de classe baixa e até
por moradores de rua. A gentrificação consiste
MOACYR LOPES JUNIOR/FOLHAPRESS

em aplicar novos investimentos em locais con-


siderados degradados, elevando os preços dos
imóveis e afetando a população de baixa renda
que reside no local. Também a expansão do
turismo – atualmente, uma indústria que mo-
vimenta centenas de bilhões de dólares por ano
(mais do que a indústria automobilística, por
exemplo) – contribui para a gentrificação. Esta
geralmente não é feita tanto para a população
citadina, mas sobretudo para os turistas, pois é
nas áreas centrais das cidades que há melhor
oferta de meios de transporte, museus e belos
edifícios arquitetônicos que tinham sido suca-
teados, praças, etc.
Existem centenas de exemplos de gentri-
ficação em todo o mundo, principalmente de
centros históricos que foram deixados de lado

14 Urbanização e mercados regionais


com o êxodo das pessoas de maior renda para os bairros distantes ou para os condomínios rurais ou
suburbanos. No Brasil isso ocorreu em Salvador, por exemplo, com grandes investimentos na tenta-
tiva de renovar o centro histórico, chamado de Pelourinho, importante atração turística da cidade.
Também Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras grandes cidades brasileiras, tentam gentrificar seus
centros históricos, seguindo um processo que se iniciou nos Estados Unidos e na França e se espalhou
para grande parte do mundo.
O processo consiste em aumentar nessas áreas os investimentos públicos e o policiamento e
recuperar os imóveis públicos degradados ou abandonados (como museus, parques, praças e teatros
– incluindo a construção de novos espaços). Também são oferecidos incentivos à iniciativa privada
para que as empresas edifiquem grandes empreendimentos imobiliários (shopping centers, hotéis,
restaurantes, modernos edifícios comerciais ou residenciais).
Existem os críticos e os defensores da gentrificação. Os críticos afirmam que se trata apenas de
mais uma forma de especulação imobiliária, que só favorece as empresas capitalistas e a elite (ou, no
máximo, a classe média). Afirmam ainda que a população carente que ocupou essas áreas tidas como
degradadas vai acabar sendo expulsa ou excluída da revitalização e será a grande vítima.
Os defensores, por sua vez, argumentam que essas críticas são demagógicas e que a cidade
– logo, a maioria dos habitantes – sai ganhando com a renovação urbana, uma vez que esta traz
maior desenvolvimento e atrai os turistas. Segundo eles, há também menor dispersão espacial, pois
as áreas a renovar são quase sempre centrais, o que implica menos deslocamentos de pessoas e car-
gas, amenizando assim o problema do trânsito. Afirmam ainda que o poder público pode construir
habitações populares adequadas em outras áreas para a parcela da população carente que tem de
ser desalojada. Isso pode ser feito pelo aumento dos impostos no médio e longo prazo em razão da
valorização dos imóveis nessas áreas revitalizadas.

RUMO A UMA CIDADE SUSTENTÁVEL?


As cidades ocupam apenas 2% de todas as terras emersas da superfície terrestre, mas respon-
dem por 60% a 80% do consumo de energia e por 75% das emissões de carbono na atmosfera. Hoje,
pouco mais da metade da humanidade vive em cidades. Mas já vimos que até meados deste século
a imensa maioria da população mundial (mais de dois terços) viverá em áreas urbanas. Isso significa
que é nas cidades que existem os maiores desafios de sustentabilidade, relativos a como utilizar me-
nos recursos não renováveis e fazer uso principalmente de recursos renováveis e de formas limpas de
geração de energia, além de resolver o problema do lixo, da poluição do ar e das águas, etc.
Na Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente realizada em 2012 (a Rio+20), autoridades de
grandes cidades do mundo se comprometeram a reduzir as emissões de carbono, o que significa
utilizar maior quantidade de meios de transporte movidos a combustíveis mais limpos do que a
gasolina ou o óleo diesel, ampliar a coleta seletiva de lixo e reduzir os gastos de energia elétrica (com
a instalação de coletores solares e o uso de biodigestores).
Há alguns anos surgiu a ideia de cidade sustentável ou a nova cidade do futuro. “Nova” porque
a noção de cidade do futuro já havia surgido no século XIX e início do XX, como sinônimo de cidade
planejada (Brasília, por exemplo), mas sem a menor preocupação com a sustentabilidade e muito
menos com o combate à pobreza ou à exclusão.
A nova cidade do futuro, ou cidade sustentável, tem como objetivo central a qualidade de vida
dos moradores junto com o meio ambiente e a economia verde. Entre suas principais característi-
cas podem-se mencionar: menor dependência de combustíveis fósseis (principalmente de carvão
e petróleo); reciclagem completa do lixo; ênfase no transporte coletivo e no uso de bicicletas em
vez de automóvel e motocicleta; coletores solares na cobertura de edifícios e casas para geração de
GEOGRAFIA
energia; mais segurança e justiça social, com o combate a toda forma de exclusão, o que significa,
entre outras coisas, a não existência de favelas, cortiços e demais formas de submoradias; sistemas
de saúde e de educação com qualidade e acessíveis a todos; imóveis projetados para gastar menos
energia com iluminação, ar-condicionado ou calefação; existência de parques e ampla arborização
das ruas e avenidas; água tratada que possa ser consumida direto da torneira, distribuída sem ne-
nhum desperdício e, se possível, reaproveitada após ser novamente tratada; sistema de esgotos com
tratamento extensivo a todos os imóveis da cidade, etc.

Urbanização e mercados regionais 15


Muitas cidades avançam em direção a maior sustentabilidade – algumas já existem, outras
estão em projeto ou em construção em várias partes do mundo (nos Emirados Árabes, na China,
na Suécia, na Alemanha e em outros países). Resta esperar para ver se essa nova cidade do futuro
não será mais uma utopia ou um sonho que na prática não funciona. Como já ocorreu tantas
vezes na História, toda época tem seu ideal para o futuro e, quando este chega, o que se percebe
é que não foram levados em conta elementos que não eram considerados importantes e que se
mostram cruciais com o tempo. Além disso, o ideal muitas vezes é suplantado pela realidade das
guerras, pelo aumento das desigualdades, da pobreza e da criminalidade, pelo advento de catás-
trofes e outros fatores inesperados.

PARA CONSTRUIR

3 (Uerj)
m
Ene-4
Bíblia do jornalismo dos EUA vê Itaquerão como “monumento à gentrificação”
C 0
H2
- A nova edição da revista New Yorker, considerada a bíblia do jornalismo norte-americano, apresenta um texto de
quatorze páginas sobre o futebol brasileiro, a preparação do país para a Copa do Mundo e o Corinthians. Escrita para o
público dos Estados Unidos, a reportagem cita o Itaquerão, palco da abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, como
um “monumento à gentrificação”. Gentrificação é o nome dado ao fenômeno socioespacial que afeta a população de baixa
renda de determinado lugar por meio da valorização imobiliária provocada por um novo empreendimento, como um
shopping center ou um estádio de futebol, por exemplo.
Disponível em: <http://copadomundo.uol.com.br>. Acesso em: 6 nov. 2014. Adaptado.
Cite duas consequências socioespaciais negativas do processo apresentado no texto para a população de baixa renda local, expli-
cando cada uma delas.
Entre as consequências socioespaciais negativas da construção do estádio para a população de baixa renda podem-se citar: a valorização
do mercado imobiliário na região, expulsando a população de baixa renda para áreas mais periféricas e a perda do mercado para o comércio
local que originalmente estava associado à menor renda do consumidor.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 4 e 5 Para aprimorar: 7 a 9

Veja, no Guia do Professor, as


respostas da “Tarefa para casa”.
TAREFA PARA CASA

PARA
PARA PRATICAR
PRATICAR

1 Quais são os fatores que levam à urbanização? Ela é positiva ou negativa? Justifique.
2 Explique o que significam megalópole, megacidade e cidade global. Dê exemplos de cada um desses fenômenos.
3 O que é conurbação? Cite exemplos.
4 O que é gentrificação? Existe algum exemplo disso na sua cidade? Se existir, explique onde e como isso ocorre.
m
Ene-2
C 8
H-

5 Explique o que é sustentabilidade urbana – ou cidade sustentável – e procure avaliar esse item na sua cidade. Existe coleta seletiva
m
Ene-6
do lixo? Se existir, é para toda a cidade ou só parte dela? Todos têm acesso à rede de água encanada e de esgotos? Qual é o destino
C 0
H-3 do esgoto? Existem muitas áreas verdes na cidade? Como é o transporte público ou coletivo? E o uso de bicicletas? Existe algum
item de sustentabilidade urbana não mencionado? Qual ou quais?

16 Urbanização e mercados regionais


PARA
PARA APRIMORAR
PRATICAR

1 (PUC-SP) Leia os textos e observe os mapas:


m
Ene-2
C 6
H-
Sobre a urbanização e a cidade que se desenvolvia na Revolução Industrial
Pode-se admitir que, dado o ritmo com que o industrialismo se introduziu no Mundo Ocidental, o problema de construir
cidades adequadas era quase insolúvel [...]. Como construir uma cidade coerente, a partir de esforços de mil competidores
individuais, que não conheciam outra lei que não a sua doce vontade? Como integrar as novas funções mecânicas num tipo
novo de planta que pudesse ser traçado e rapidamente desenvolvido – se a própria essência de tal integração dependia do
firme controle das autoridades públicas, que muitas vezes não existiam e que, quando existiam, não exercitavam poder algum
[...]? Como criar uma infinidade de novas comodidades e novos serviços para trabalhadores que não podiam mesmo alugar
a não ser os mais miseráveis tipos de abrigo?
MUMFORD, Lewis. A cultura das cidades. Belo Horizonte: Itatiaia, 1961. p. 203-204.

Sobre a urbanização e a cidade do presente e do futuro no século XXI


Nosso habitat é mais e mais urbano, e o será ainda mais no prazo de uma geração. Daqui a 25 anos, as organizações
urbanas deverão, de fato, acolher cerca de 3 bilhões de habitantes suplementares, o que representará quase o dobro do
número atual. A população urbanizada se estabilizará em torno de 6 bilhões e 700 milhões de almas – sobre um total de
10 bilhões de seres humanos. Compreende-se facilmente que o problema, que afetará os países do Sul, e também os do
Norte, está à altura de suas cifras: vertiginoso. Para fazer frente a esse movimento, será necessário desenvolver políticas (de
infraestrutura, de moradia, sociais, econômicas e culturais) inventivas e enérgicas que não poderão se fundar na reciclagem
das ações realizadas no curso do século XX.
LUSSAULT, Michel. L’Homme Spatial [O Homem Espacial]. Paris: Éditions du Seuil, 2007. p. 267. Tradução nossa.

OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Seul OCEANO
Los Angeles PACÍFICO

Tóquio

Xangai
Nova York

Cidade do
OCEANO
México
ATLÂNTICO

Equ
ado
r

Mumbai
Délhi

OCEANO
ÍNDICO

OCEANO
GEOGRAFIA
PACÍFICO
São Paulo
Taxa de variação População em 2007
1975-2007 em %
529
240
70
0
–6 36 15 7 2 milhões

FONTE: Extraído de: <www.ladocumentationfrancaise.fr/cartotheque/croissance-agglomerations-urbaines-entre-1975-2007.shtml>.

Urbanização e mercados regionais 17


FONTE: Documentation photographique n. 8061: La première industrialisation (1750-1880).
Manufatura de porcelana Indústria química Cidade da Idade Média ao século XVI Estação

Indústria siderúrgica Gráficas Extensão até o século XVII Estrada de ferro

Construção mecânica Extensão até o século XIX Metrô (em construção)

Material elétrico Espaços verdes Muro (outorga em 1734)

Redija um texto comparando a atual onda urbanizadora com a do período da Revolução Industrial. Considere:
os contextos internacionais (históricos e geográficos) e as condições técnicas em que esses dois momentos de urbanização
ocorrem;
os problemas sociais (moradia, mobilidade nos espaços urbanos, acesso a serviços) enfrentados pelas cidades dos séculos XVIII
e XIX e pelas atuais;
as perspectivas urbanas para os próximos anos do século XXI.

2 (Ibmec-RJ)  O processo de urbanização dos espaços geográficos mundiais vem se intensificando nas últimas décadas. Sobre a
temática, assinale a afirmativa INCORRETA.
a) A urbanização no fim do século XX foi marcada por profundas diferenças entre o nível de vida dos habitantes de países ricos e
o de países pobres e pela existência de duas novas categorias na hierarquia urbana: as cidades globais e as megacidades.
b) As duas metrópoles brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro, exercem uma polarização sobre todo o território nacional, pratica-
mente comandando a vida econômica e social da nação.
c) Nos países desenvolvidos, o crescimento das cidades e a importância que elas passaram a ter na vida das sociedades se conso-
lidaram com a Revolução Industrial e o estabelecimento da indústria como atividade essencialmente urbana.

18 Urbanização e mercados regionais


d) O processo de urbanização dos países subdesenvolvidos O processo vinculado às transformações sociais que pro-
começou após a Segunda Guerra Mundial; alguns países vocam a mobilização de pessoas, geralmente, de espaços
industrializaram-se e atraíram elevado contingente popu- rurais para centros urbanos. Essa mobilização de pessoas é
lacional para as cidades. motivada pela busca por estratégias de sobrevivência, vi-
e) Na atualidade, a urbanização dos países desenvolvidos sando à inserção no mercado de trabalho bem como na
e subdesenvolvidos é processo independente, princi- vida social e cultural do centro urbano.
palmente devido ao isolamento geográfico dos espaços O conjunto articulado ou integrado de áreas urbanas que
mundiais e à ausência de conexão das redes urbanas. cobrem um determinado espaço geográfico e que se rela-
cionam continuamente.
3 (Uerj) O termo empregado para cidade central de uma deter-
De Karl Marx a Max Weber, a teoria social clássica minada região geográfica, densamente urbanizada, que
acreditava que as grandes cidades do futuro seguiriam os assume posição de destaque na economia, na política, na
passos industrializantes de Manchester, Berlim e Chicago – vida cultural, etc. A mancha urbana é formada, geralmente,
e, com efeito, Los Angeles, São Paulo e Pusan (Coreia do por cidades com tendência ao fenômeno de conurbação.
Sul) aproximaram-se de certa forma dessa trajetória. No Vários municípios formam uma grande comunidade, inter-
entanto, a maioria das cidades do hemisfério sul se parece dependente entre si e com a preocupação de resolver os
mais com Dublin na época vitoriana, que, como enfatizou problemas de interesse comum.
o historiador Emmet Larkin, não teve igual em meio a A sequência correta obtida a partir da correlação entre os
“todos os montes de cortiços produzidos pelo mundo oci- conceitos e as definições é:
dental no século XIX, uma vez que os seus cortiços não
a) I, II, IV, V, III.
foram produto da Revolução Industrial”.
b) II, V, I, III, IV.
DAVIS, Mike. Planeta Favela. São Paulo: Boitempo, 2006. Adaptado. c) IV, III, I, II, V.
De forma diferente do que ocorreu nos países desenvolvidos, d) III, IV, I, II, V.
o crescimento das cidades na maior parte dos países subde- e) IV, I, V, II, III.
senvolvidos está relacionado ao processo de:
a) periferização da atividade industrial, com intensos fluxos 5 (UEL-PR) Leia o texto a seguir.
pendulares. Segundo a Globalization and World Cities Study
b) urbanização fundamentada no setor terciário, com alto Group & Network, atualmente são reconhecidas mais de
nível de informalidade. 50 cidades globais no planeta, divididas em três grupos,
c) favelização nas periferias, com predomínio de empregos por grau de importância, Alfa, Beta e Gama.
no setor industrial de base. Infoescola. Cidades Globais. Disponível em: <www.brasilescola.com/geografia/
d) metropolização em um ponto do território, com popula- cidades-globais.htm>. Acesso em: 23 jun. 2013. Adaptado.
ção absorvida pelo setor quaternário. Sobre o conceito de cidade global, assinale a alternativa
correta.
4 (Vunesp) Correlacione os conceitos a seguir:
a) Aplica-se à junção de duas ou mais metrópoles nacionais,
I. Urbanização; IV. Polarização; com elevado tráfego urbano e aéreo internacionais.
II. Rede urbana; V. Metrópole. b) Aplica-se às cidades em áreas de conurbação com os
III. Hierarquia urbana; maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do
As aglomerações urbanas mantêm e reforçam laços inter- planeta.
dependentes entre si e com outras áreas que elas atraem. c) Define-se por cidades que possuem elevados índices de
Estas áreas que sofrem atração podem, às vezes, perten- emprego e renda e que atraem imigrantes de várias par-
cer a regiões homogêneas diversas. Estas áreas criam um tes do mundo.
sistema urbano regional mais bem definido. Portanto, as d) Refere-se aos centros de decisão e locais geográficos es-
regiões, de forma geral, nada mais são que recortes territo- tratégicos, nos quais a economia mundial é planejada e
riais destas áreas. administrada.
A característica marcante da estrutura dos sistemas de e) Refere-se a um conjunto de regiões metropolitanas, que
cidades que varia de acordo com seu tamanho, com a formam áreas com maior número de população do pla-
extensão de sua área de influência espacial e com a sua
GEOGRAFIA
neta.
qualidade funcional no que se refere aos fluxos de bens,
de pessoas, de capital e de serviços. No esquema atual 6 (Ufscar-SP) Com a acelerada urbanização da humanidade e o
das relações entre as cidades, uma vila pode se relacionar advento de gigantescas aglomerações urbanas, os especia-
diretamente com a metrópole nacional, ao contrário do listas no tema e as organizações internacionais logo criaram
esquema clássico, onde a vila se relaciona, primeiramente, novos conceitos para dar conta dessas realidades. Dentre eles,
com a cidade local, depois com o centro regional, e em existem os conceitos de megalópole, megacidade e cidade
sequência, com a metrópole regional e nacional. global. A respeito desses conceitos, seria correto afirmar que:

Urbanização e mercados regionais 19


I. Megalópole é uma gigantesca aglomeração urbana, com 8 (FMP-RJ)
mais de 10 milhões de habitantes e onde há conurbação m
Ene-2 Para quem é real a rede urbana?
de inúmeras cidades vizinhas. C 8
H-
Na grande cidade, há cidadãos de diversas ordens ou
II. Cidade global é uma imensa área urbana com uma popu-
classes, desde o que, farto de recursos, pode utilizar a me-
lação de no mínimo 10 milhões de habitantes.
trópole toda, até o que, por falta de meios, somente a uti-
III. Megacidade é uma gigantesca aglomeração urbana com
liza parcialmente, como se fosse uma pequena cidade, uma
no mínimo 10 milhões de habitantes.
cidade local. A rede urbana, o sistema de cidades, também
IV. Megalópole é uma região superurbanizada onde, numa tem significados diversos segundo a posição financeira do
pequena extensão de um território nacional, se concen- indivíduo. Há, num extremo, os que podem utilizar todos
tram várias cidades milionárias, que possuem uma vida os recursos aí presentes [...]. Na outra extremidade, há os
econômica bastante interligada. que nem podem levar ao mercado o que produzem, que
São verdadeiras as afirmativas: desconhecem o destino que vai ter o resultado do seu pró-
a) I e II. prio trabalho, os que, pobres de recursos, são prisioneiros
b) II e III. do lugar, isto é, dos preços e das carências locais.
c) III e IV. SANTOS, M. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1987. p. 112.
d) I e IV. A situação descrita sobre a realidade dos cidadãos, em rela-
e) II e IV. ção à grande cidade e à rede urbana, se refere diretamente
ao processo de:
7 (UEG-GO) a) gentrificação das áreas centrais.
b) verticalização de bairros suburbanos.
UEG-GO
c) periferização das atividades produtivas.
d) segregação socioespacial dos habitantes.
e) alienação sociopolítica dos consumidores.

9 (Uepa) O crescimento precipitado das cidades em decorrên-


cia do acelerado desenvolvimento tecnológico da segunda
metade do século XX produziu um espaço urbano cada vez
mais fragmentado, caracterizado pelas desigualdades e se-
gregação espacial, subemprego e submoradia, violência ur-
bana e graves problemas ambientais.
Sobre os problemas socioambientais nos espaços urbano-
-industriais, é correto afirmar que:
TAMDJIAN, James Onnig. Geografia geral e do Brasil: estudos para a) os resíduos domésticos e industriais aliados aos numero-
compreensão do espaço. São Paulo: FTD, 2004. p. 507.  sos espaços marginalizados, problemas de transportes,
A figura acima ilustra a seguinte ideia: poluição da água e do solo, bem como os conflitos so-
a) A maioria dos trabalhadores dos países subdesenvolvidos ciais, são grandes desafios das cidades na atualidade.
b) as ações antrópicas, em particular, as atividades ligadas ao
que recebem baixos salários é amparada por políticas pú-
desenvolvimento industrial e urbano, têm comprometido
blicas voltadas para a aquisição da casa própria.
a qualidade das águas superficiais, sem, contudo, alcançar
b) Nos países subdesenvolvidos, as cidades crescem de
os depósitos subterrâneos.
forma lenta e planejada, sobretudo após a década de
c) os conflitos sociais existentes no espaço urbano mundial
1960, com a adoção de políticas de fixação do homem estão associados à ampliação de políticas públicas para
no campo. melhoria de infraestrutura, que provocou o deslocamento
c) A segregação residencial é resultante do mundo mo- de milhões de pessoas do campo para a cidade.
derno e ocorre tanto no campo quanto na cidade, pois d) a violência urbana, problema agravado nos últimos anos,
os povoados e as aldeias rurais estão atingindo alto grau está associada à má distribuição de renda, à livre comer-
de complexidade e gerando espaços cada vez mais se- cialização de armas de fogo e à cultura armamentista exis-
gregados. tente na maioria dos países europeus.
d) A proliferação de submoradias, tais como favelas e corti- e) a chuva ácida ocorrida nos países ricos industrializados
ços, pessoas abrigadas debaixo de pontes e viadutos, ca- apresenta como consequências a destruição da cobertura
racteriza o crescimento desordenado e a má distribuição vegetal e a alteração das águas, embora favoreça a fertili-
de renda nas grandes cidades. zação dos solos agricultáveis.

20 Urbanização e mercados regionais


CAPÍTULO

2 A urbanização do Brasil

Objetivos: URBANIZAÇÃO E METROPOLIZAÇÃO


c Refletir sobre a A urbanização brasileira iniciou-se de fato com o processo de industrialização, isto é, a partir
especificidade da do final do século XIX. Mas foi no século XX, a partir dos anos 1950, que seu desenvolvimento se
urbanização brasileira. acelerou. A porcentagem da população urbana sobre o total da população brasileira passou de cerca
de 16% em 1920 para 31% em 1940; 45% em 1960; e cerca de 85% em 2010. Veja o gráfico abaixo.
c Compreender a rede
urbana do Brasil e
suas mudanças com a
A urbanização brasileira
urbanização.
1920 1940 1950 1960

c Analisar de forma 16% 31% 36% 45%


crítica os problemas 84% 69% 64% 55%
urbanos brasileiros,

FONTE: IBGE. Recenseamentos gerais.


principalmente a
1970 1980 2000 2010
crescente violência.
56% 68% 81,2% 84,4%
44% 32% 18,8% 15,6%

População População
urbana rural

Observa-se no gráfico a aceleração da urbanização no Brasil. O critério para definir população urbana é
político-administrativo: “Trata-se dos moradores de cidades (sedes de municípios) ou de vilas (sedes de
distritos)”. É evidente que esse não é o melhor critério, pois é comum certas aglomerações pequenas e
voltadas para atividades agrárias serem classificadas como vilas ou até como cidades. Porém, mesmo
que se altere esse critério e se adote outro – o de considerar urbanas apenas as populações de cidades
com mais de 20 mil habitantes, por exemplo –, continuará a se verificar uma urbanização intensa, pois as
cidades com mais de 20 mil habitantes crescem bem mais do que as menores.

A intensa urbanização que vem ocorrendo no Brasil tem sido acompanhada por um processo
de metropolização, isto é, de concentração demográfica nas metrópoles (cidades com mais de
1 milhão de habitantes) e ao mesmo tempo de formação de áreas ou regiões metropolitanas.
Isso significa que as grandes cidades (com mais de 500 mil habitantes), principalmente as me-
trópoles, têm crescido a um ritmo superior ao das pequenas e médias cidades, pelo menos até
1990. A partir desse ano, as cidades médias – entre 50 mil e 500 mil habitantes – vêm crescendo
mais do que as grandes. Em todo caso, muitas dessas cidades médias ou mesmo pequenas com
grande crescimento demográfico estão ligadas a alguma região metropolitana, sendo vizinhas
ou até conurbadas com as metrópoles.
GEOGRAFIA
Esse maior crescimento das cidades médias, nas duas últimas décadas, se deve à relativa
desconcentração espacial das atividades e às grandes taxas de desemprego nas metrópoles.
Mesmo assim, quando somamos a população das 11 principais metrópoles do país (veja o
quadro da página 23) com a das cidades que pertencem às suas respectivas áreas metropolita-
nas, verificamos que, em 1950, elas reuniam por volta de 18% da população nacional; em 1970,
esse número subiu para 27% e, em 2010, para cerca de 33%. E, se incluirmos as outras cidades
ou regiões metropolitanas que já ultrapassaram 1 milhão de habitantes em 2010 – Goiânia,

Urbanização e mercados regionais 21


Campinas, Baixada Santista, Vitória, São Luís, Maceió, Teresina, Norte-Nordeste Catarinense,
Florianópolis, Natal e João Pessoa –, veremos que a porcentagem da população brasileira que
vive em áreas metropolitanas já supera 40% do total.

FERNANDO BUENO
Vista do bairro Menino Deus, região
Centro-Sul de Porto Alegre. A capital do
Rio Grande do Sul e mais 27 municípios
compõem a Grande Porto Alegre, uma das
principais regiões metropolitanas do Brasil.
Foto de 2014.

Com o crescimento acelerado das grandes cidades e com os processos de conurbação que nelas
frequentemente ocorrem, certos problemas urbanos – como rede de transportes, abastecimento de
água, esgotos, uso do solo – não devem mais ser tratados de forma isolada em cada cidade vizinha,
mas em conjunto. Daí surgiu a definição de áreas ou regiões metropolitanas: “conjunto de municípios
contíguos (vizinhos ou espacialmente interligados) e integrados socioeconomicamente a uma cidade
central, com serviços públicos e infraestrutura comuns”.
Essas regiões metropolitanas foram estudadas e definidas pelo IBGE nos anos 1970 e depois
incluídas na Constituição de 1988, que deslocou a responsabilidade pelo estabelecimento das re-
giões metropolitanas da esfera federal para os estados. No início eram nove, que, junto com Brasília
e Manaus, ainda são as principais regiões metropolitanas do país (veja o quadro da página seguinte),
não obstante o surgimento recente de várias outras em alguns estados ou até mesmo entre cidades
vizinhas de diferentes estados. Estas últimas são as Regiões Integradas de Desenvolvimento (Rides),
definidas por leis federais e que congregam municípios pertencentes a diferentes estados, como é o
caso, por exemplo, da região formada ao redor do médio rio São Francisco, entre Bahia e Pernambuco,
pelas cidades de Juazeiro do Norte (BA), Petrolina (PE) e outros municípios vizinhos, e que em 2010
já tinha quase 700 mil habitantes. Também a Grande Brasília é uma Ride, pois abrange o Distrito
Federal (Plano Piloto e Brasília, Taguatinga, Ceilândia, Guará, Samambaia, Gama, etc.) mais 19 muni-
cípios de Goiás e três de Minas Gerais. O IBGE considera essas Rides regiões metropolitanas. Dessa
forma, em 2010 já existiam 38 regiões metropolitanas no Brasil, número que tende a aumentar, pois
a urbanização e o crescimento horizontal das cidades ainda ocorrem, o que, com frequência, origina
conurbações ou pelo menos uma avizinhação muito grande das cidades.
Assim, cada região metropolitana tem um planejamento integrado de desenvolvimento urbano,
que é elaborado por um conselho deliberativo nomeado pelo governo de cada estado com o auxílio
de um conselho consultivo formado por representantes de cada município integrante da região.
Procura-se, desse modo, tratar de forma global certos problemas que afetam o conjunto da área
metropolitana e que, antes, ficavam a cargo apenas das prefeituras de cada município. Contudo, esse
conselho não é um poder independente e à margem dos poderes locais dos municípios. É apenas
uma ação coordenada do estado – ou estados, no caso das Rides – com os municípios da região,
que continuam exercendo com independência todas as suas funções no plano municipal.

22 Urbanização e mercados regionais


Brasil: principais regiões metropolitanas
Taxa de
População da região População da População da cidade
Região metropolitana crescimento de
em 2000 região em 2010 principal em 2010
2000 a 2010 (%)
Grande São Paulo
São Paulo mais 38 municípios: Guarulhos, Santo André, Osasco, Mogi das
17 833 511 19 683 975 10,4 11 253 503
Cruzes, Carapicuíba, Diadema, São Bernardo do Campo, Mauá, Embu das
Artes, Barueri, etc.
Grande Rio de Janeiro
Rio de Janeiro mais 16 municípios: Duque de Caxias, Belford Roxo, São 10 871 960 11 835 711 8,9 6 320 446
Gonçalo, São João de Meriti, Niterói, Nova Iguaçu, etc.
Grande Belo Horizonte
Belo Horizonte mais 32 municípios: Contagem, Betim, Ribeirão das Neves, 4 331 180 5 414 701 25 2 375 151
Santa Luzia, Sabará, Ibirité, etc.
Grande Porto Alegre
Porto Alegre mais 27 municípios: Canoas, Novo Hamburgo, Viamão, Gravataí, 3 655 072 3 958 985 8,3 1 409 351
São Leopoldo, etc.
Grande Recife
Recife mais 13 municípios: Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, 3 331 552 3 690 597 10,8 1 537 704
Camaragibe, Cabo de Santo Agostinho, etc.
Grande Salvador
Salvador mais nove municípios: Camaçari, Lauro de Freitas, Simões Filho, 3 018 326 3 573 973 18,4 2 675 656
Candeias, etc.
Grande Fortaleza
2 974 915 3 615 767 21,5 2 452 185
Fortaleza mais 12 municípios: Caucaia, Maracanaú, Maranguape, Aquiraz, etc.
Grande Curitiba
Curitiba mais 24 municípios: São José dos Pinhais, Colombo, Pinhais, 2 905 505 3 174 501 9,2 1 751 907

FONTE: IBGE. Censos demográficos de 2000 e 2010.


Araucária, Campo Largo, etc.
Brasília e seu entorno
Distrito Federal mais Luziânia, Valparaíso de Goiás, Águas Lindas de Goiás, 2 958 196 3 717 728 25,6 2 570 160
Formosa, Unaí (MG), etc.

Grande Belém
1 815 812 2 101 883 15,7 1 393 399
Belém mais cinco municípios: Ananindeua, Marituba, Benevides, etc.
Grande Manaus
Manaus mais sete municípios: Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Rio Preto da 1 645 832 2 106 322 28 1 802 014
Eva, etc.

Nota: Existem ainda dezenas de outras áreas urbanizadas classificadas como regiões metropolitanas ou como Rides, entre
as quais se destacam, pelo maior efetivo demográfico (no mínimo 1 milhão de habitantes em 2010): Campinas (SP) mais 18
municípios (Sumaré, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Hortolândia, Indaiatuba, etc.), com cerca de 2,8 milhões de habitan- GEOGRAFIA
tes; Goiânia (GO) mais dez municípios (Trindade, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, etc.), com cerca de 2,1 milhões de
habitantes; Vitória (ES) mais cinco municípios (Vila Velha, Cariacica, Serra, etc.), com cerca de 1,6 milhão de habitantes; Baixada
Santista (Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá, Cubatão, etc.), com cerca de 1,6 milhão de habitantes; Natal (RN) mais cinco
municípios (Parnamirim, Macaíba, Ceará-Mirim, etc.), com cerca de 1,3 milhão de habitantes; São Luís (MA) mais quatro municí-
pios (São José de Ribamar, Paço do Lumiar, etc.), com 1,3 milhão de habitantes; João Pessoa (PB) mais 12 municípios (Santa Rita,
Bayeux, Cabedelo, etc.), com 1,2 milhão de habitantes; Maceió (AL) mais dez municípios (Rio Largo, Marechal Deodoro, Pilar,
etc.), com cerca de 1,1 milhão de habitantes; Teresina (PI), com um município no Maranhão (Timon) e mais 11 no Piauí (União,
José de Freitas, Altos, etc.), com cerca de 1,1 milhão de habitantes; Florianópolis (SC) mais 21 municípios (São José, Palhoça,
Biguaçu, etc.), com pouco mais de 1 milhão de habitantes; e o Norte-Nordeste Catarinense (Joinville, Guaramirim, Jaguará do
Sul, São Francisco do Sul, etc.), com pouco mais de 1 milhão de habitantes. Veja no mapa da página seguinte a localização das
38 regiões metropolitanas do Brasil.

Urbanização e mercados regionais 23


Brasil: regiões metropolitanas

Macapá (AP)
Equador Belém (PA)

Grande São Luís (MA)


Fortaleza (CE)
Manaus (AM)
Natal (RN)
Sudoeste Maranhense (MA) João Pessoa (PB)
Ride Teresina/Timon Recife (PE)
Cariri (CE)
Maceió (AL)
Agreste (AL)
Petrolina- Aracaju (SE)
-Juazeiro
Salvador (BA)
Cuiabá (MT)
Brasília

FONTE: IBGE. Recenseamento geral de 2010.


OCEANO
Belo ATLÂNTICO
Goiânia (GO) Horizonte (MG)
Vale do Aço (MG)
Maringá (PR) Grande Vitória (ES)
OCEANO
Londrina (PR)
PACÍFICO Campinas (SP)
Rio de Janeiro (RJ)
de Capricórnio
Trópico São Paulo (SP)
Vale do Itajaí (SC) Baixada Santista (SP)
Curitiba (PR)
Chapecó (SC) Norte/Nordeste Catarinense (SC)
Foz do Itajaí (SC)
Florianópolis (SC) N
Lages (SC)
Tubarão (SC)
Carbonífera (SC) 0 485

Porto Alegre (RS) km

REDE URBANA
A urbanização brasileira representa um dos aspectos da passagem da economia agroexportado-
ra para a economia urbano-industrial, o que só ocorreu no século XX e se intensificou a partir de 1950.
Além de passarem a comandar o meio rural que lhe é vizinho (ou, às vezes, até aquele bem
distante, como é o caso das metrópoles), as cidades também estabelecem entre si uma rede hie-
rarquizada, um sistema de fluxos (movimentos) ou relações econômicas e sociais em que umas se
subordinam às outras. Observe, no mapa abaixo, a hierarquia urbana brasileira.

Brasil: hierarquia urbana

FONTE: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro, 2007; IBGE. Anuário Estatístico do
Equador

Belém Atol das


Manaus Fortaleza
Rocas
Arq. de
Fernando
de Noronha
Recife

Salvador

Brasília OCEANO
ATLÂNTICO
Goiânia
Belo Arq. de
Horizonte Abrolhos
OCEANO
PACÍFICO Campinas
Brasil. Rio de Janeiro, 2007.

ricórnio Rio de Janeiro


o de Cap
Trópic São Paulo
Curitiba

Megalópole
Metrópoles globais N
Porto Alegre
Metrópoles nacionais
0 485
Metrópoles regionais
km

24 Urbanização e mercados regionais


Dados de 2010 indicam que existem 5 565 cidades ou municípios no país (por definição, no
Projeto de
Brasil, toda cidade é sede de um município), classificados em pequenos, médios ou grandes. São
Desenvolvimento
consideradas cidades pequenas ou locais aquelas com até 50 mil habitantes, médias as com 50 mil
a 500 mil e grandes as com mais de 500 mil habitantes. Acesse o Material Comple-
As cidades pequenas (4 958 em 2010) dependem das médias (569 em 2010) ou das grandes mentar disponível no Portal e
(38 em 2010). As cidades médias, por sua vez, subordinam-se às grandes e estas às metrópoles. Em aprofunde-se no assunto.
outras palavras, a modernização do país, resultante do crescimento da economia urbano-industrial,
produziu uma divisão territorial do trabalho, uma verdadeira rede na qual existe subordinação do
campo à cidade, bem como das cidades menores às maiores.

PARA CONSTRUIR

1 (Fuvest-SP – Adaptada) Considere os gráficos sobre a urbanização no Brasil.


m
Ene-2
C 6 Urbanização brasileira
H-

1940 1950

31% 69% 36% 64%


1960 1970
45% 55% 56% 44%

1980 1991
68% 32% 75% 25%

2000 2010

81% 19% 84% 16%

População População
urbana rural

FONTE: Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 15 ago. 2013.


Com base nos gráficos e em seus conhecimentos, explique:
a) a mudança do predomínio da população rural para o da população urbana;
A mudança da população rural para população urbana deve-se ao intenso processo de êxodo rural, direta ou indiretamente ligado à industrialização,
a partir da década de 1940.

b) o fenômeno da urbanização, na última década, comparando as regiões Nordeste e Sudeste.


O fenômeno da urbanização na última década mostra o Sudeste com elevado índice de urbanização, uma rede urbana densa e uma hierarquia
completa. Já o Nordeste, apesar do predomínio da população urbana, apresenta uma rede menos densa e uma hierarquia urbana incompleta
segundo a nova classificação urbana do Brasil, desenvolvida por Ipea, IBGE, Unicamp e Seade.
GEOGRAFIA

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 1 Para aprimorar: 1 e 2

Urbanização e mercados regionais 25


AS DUAS METRÓPOLES GLOBAIS
No topo da hierarquia urbana brasileira situam-se as duas metrópoles globais do país: São Paulo
e Rio de Janeiro. Elas eram consideradas, até há alguns anos, metrópoles nacionais, mas o IBGE criou
uma nova classificação, levando em conta o conceito internacional de cidades mundiais. Assim, elas
foram alçadas ao nível de metrópoles globais, em virtude da grande influência que exercem sobre
áreas além do território nacional.
Essas cidades polarizam todo o território brasileiro e, mais além, exercem forte influência sobre
parte da América do Sul e até da África, comandando praticamente a vida econômica e social da
nação com suas indústrias, universidades e centros de pesquisas científicas e tecnológicas, sistema
financeiro, atração turística, Bolsa de Valores, mídia, grandes estabelecimentos comerciais, etc. Elas
são polarizadas apenas pelas maiores metrópoles globais do mundo: Nova York, Londres, Tóquio,
Paris, Xangai e algumas outras.
Como essas metrópoles são relativamente próximas, ligadas pela via Dutra, em torno da qual
existe uma área intensamente urbanizada, convencionou-se nos últimos anos que ali se formou uma
megalópole ou uma região urbana global.
Essa área superurbanizada, que vai de São Paulo até o Rio de Janeiro e abrange cerca de 46 mil
quilômetros quadrados (0,5% do território nacional), abriga cerca de 22% da população total do país
e por volta de 50% dos automóveis e da produção industrial do Brasil.

LUCIANA WHITAKER/PULSAR IMAGENS


Vista da cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 2012. À frente, os
Arcos da Lapa, antigo Aqueduto da Carioca, construído no
estilo romano em 1723, e, ao fundo, o Pão de Açúcar.

MAURICIO SIMONETTI

Vista da região central da cidade


de São Paulo (SP), em 2015.

26 Urbanização e mercados regionais


METRÓPOLES NACIONAIS
Logo abaixo das metrópoles globais e acima de todas as outras cidades surgem sete metró-
poles nacionais – grandes cidades que, de uma forma ou de outra, polarizam praticamente todo o
território nacional: Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília. Veja
imagens de três dessas metrópoles a seguir.

PAULO FRIDMAN/PULSAR IMAGENS


Vista aérea do centro de Curitiba (PR), em 2010.

DELFIM MARTINS

Região central de Belo Horizonte (MG), em 2015.


DELFIM MARTINS

GEOGRAFIA

Orla da praia de Iracema, na cidade de Fortaleza (CE),


em 2013.

Urbanização e mercados regionais 27


METRÓPOLES E CENTROS REGIONAIS
Na escala hierárquica da rede urbana brasileira aparecem em seguida quatro metrópoles re-
gionais, cidades que polarizam imensas regiões: Belém, Manaus, Goiânia e Campinas. Na sequência,
temos os centros regionais, em geral polarizados por uma metrópole regional (além das nacionais e
globais), que, por sua vez, polarizam boa parte da região comandada pela metrópole regional. Veja
no mapa da página seguinte as metrópoles e a área de influência da grande metrópole nacional:
São Paulo.
Nessa escala hierárquica da rede urbana brasileira aparecem em seguida os centros ou capitais
regionais, muito diversificados tanto em tamanho como em equipamentos. O IBGE os dividiu em
três tipos (A, B e C) de acordo com seus equipamentos e, principalmente, conforme sua região de
influência. Como exemplos de capital regional nível A podemos citar Florianópolis (SC), Campinas
(SP), Aracaju (SE), Natal (RN) e outras; como exemplos de capital regional de nível B temos Feira de
Santana (BA), Campina Grande (PB), Uberlândia (MG), Blumenau (SC), Ribeirão Preto (SP) e outras;
e como exemplos do nível C há as cidades de Rio Branco (AC), Macapá (AP), Boa Vista (RR), Ponta
Grossa (PR), Caruaru (PE), Sorocaba (SP) e várias outras.

IBGE divulga em 2008 uma nova hierarquia urbana no Brasil


O IBGE publicou em 2008 um novo estudo sobre a rede urbana no Brasil e fez uma nova classificação, que não anula
a anterior, dos centros urbanos brasileiros. As cidades foram classificadas em cinco níveis, por sua vez subdivididos em dois
ou três subníveis:
1. Metrópoles – Os 12 principais centros urbanos do país, com grande porte, apresentam fortes relacionamentos
entre si e, em geral, extensa área de influência direta. Têm três subníveis: a) Grande metrópole nacional – São
Paulo, o maior conjunto urbano do país, com cerca de 20 milhões de habitantes em sua área metropolitana e
ocupando o primeiro nível da hierarquia urbana; b) Metrópole nacional – Rio de Janeiro e Brasília, com popula-
ção de 12 milhões e 3,7 milhões em 2010, respectivamente, também estão no primeiro nível da hierarquia urba-
na. Junto com São Paulo, constituem foco para centros localizados em todo o país; c) Metrópole – Manaus, Belém,
Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia e Porto Alegre, com população variando de 1,6
milhão (Manaus) a 4,3 milhões (Belo Horizonte), constituem o segundo nível da hierarquia urbana. Note-se que
Manaus e Goiânia, embora estejam no terceiro nível da hierarquia urbana, têm porte e projeção nacional que lhes
garantem a inclusão neste conjunto.
2. Capital regional – São setenta centros que, como as metrópoles, também se relacionam com o estrato superior da
rede urbana. Com o nível imediatamente inferior ao das metrópoles, têm área de influência de âmbito regional,
sendo referidas como destino, para um conjunto de atividades, por grande número de municípios. Esse nível também
tem três subdivisões: Capital regional A (11 cidades, com medianas de 955 mil habitantes e 487 relacionamentos);
Capital regional B (20 cidades, com medianas de 435 mil habitantes e 406 relacionamentos); Capital regional C (39
cidades, com medianas de 250 mil habitantes e 162 relacionamentos).
3. Centro sub-regional – 169 centros com atividades menos complexas, dominantemente entre os níveis 4 e 5 da
hierarquia urbana; tem área de atuação mais reduzida, e seus relacionamentos com centros externos à sua própria
rede dão-se, em geral, apenas com as três metrópoles nacionais. Com presença mais adensada nas áreas de maior
ocupação do Nordeste e do Centro-Sul e presença mais esparsa nas Regiões Norte e Centro-Oeste, estão subdi-
vididos em grupos: a) Centro sub-regional A – constituído por 85 cidades, com medianas de 95 mil habitantes e
112 relacionamentos; e b) Centro sub-regional B – constituído por 79 cidades, com medianas de 71 mil habitan-
tes e 71 relacionamentos.
4. Centro de zona – 556 cidades de menor porte e com atuação restrita à sua área imediata. Subdivide-se em: a) Cen-
tro de zona A – 192 cidades, com medianas de 45 mil habitantes e 49 relacionamentos. Predominam os níveis 5 e
6 da hierarquia urbana (94 e 72 cidades, respectivamente), com nove cidades no quarto nível e 16 não classificadas
como centros de hierarquia urbana; e b) Centro de zona B – 364 cidades, com medianas de 23 mil habitantes e 16
relacionamentos. A maior parte, 235, não havia sido classificada como centro de hierarquia urbana, e outras 107
estavam no último nível.
5. Centro local – As demais 4 473 cidades cuja centralidade e atuação não extrapolam os limites do seu município,
servindo apenas aos seus habitantes, têm população dominantemente inferior a 10 mil habitantes.

28 Urbanização e mercados regionais


Brasil tem 12 redes urbanas comandadas por metrópoles
No topo da hierarquia urbana, 12 metrópoles comandam as redes urbanas. As redes são diferenciadas em termos de
tamanho, organização e complexidade e apresentam interpenetrações, pela ocorrência de vinculação a mais de um centro,
resultando em dupla ou tripla inserção na rede. Um bom exemplo é o de Florianópolis, que integra as áreas de Curitiba e de
Porto Alegre, e o de Natal, nas redes comandadas por Recife e Fortaleza. Por essa razão, a soma dos valores apresentados
para cada uma das redes supera o total nacional.
São Paulo, a grande metrópole nacional, tem projeção em todo o país, e sua rede abrange o estado de São Paulo, parte do Triân-
gulo Mineiro e do sul de Minas, estendendo-se para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre. Concentra, nos municípios
que a compõem, cerca de 28,0% da população brasileira e 40,5% do Produto Interno Bruto do país. A alta concentração/primazia
se reflete no PIB per capita, que é de R$ 21,6 mil para São Paulo, e R$ 14,2 mil para os demais municípios do conjunto.
O Rio de Janeiro, metrópole nacional, tem projeção no próprio estado, no Espírito Santo, em parcela do sul da Bahia, e na
Zona da Mata de Minas Gerais, onde divide influência com Belo Horizonte. Essa rede conta com 11,3% da população do país e
14,4% do PIB nacional. O PIB per capita é da ordem de R$ 15 mil no centro, e R$ 14,8 mil nos demais municípios da rede.
A população da rede de Brasília representa 2,5% da população do país e 4,3% do PIB nacional. A extensão dessa rede tam-
bém é reduzida, compreendendo o oeste da Bahia, alguns municípios de Goiás e do noroeste de Minas Gerais. Essa rede tem alta
concentração de população e renda no centro, que responde por 72,7% da população e 90,3% do PIB da rede. Entre todas as
redes, esta tem o mais alto PIB per capita, R$ 25,3 mil.
Manaus – metrópole regional da Amazônia ocidental – e Belém – metrópole regional da Amazônia oriental – controlam
áreas imensas devido à enormidade da Amazônia, mas ao mesmo tempo com baixas densidades demográficas. A região
polarizada pelas duas juntas abrange apenas 6,1% da população e 3,7% do PIB nacional.
A rede de Fortaleza, a terceira maior em população do país (11,2%), conta com apenas 4,5% do PIB nacional. Abrange
Ceará, Piauí e Maranhão e compartilha a área do Rio Grande do Norte com Recife. A rede urbana de Recife é a quarta mais
populosa do país, com 10,3% de seus habitantes e 4,7% do PIB nacional. Salvador, a terceira metrópole regional do Nordeste,
possui uma rede urbana que abrange 8,8% da população e 4,9% do PIB do país. A rede urbana de Belo Horizonte responde
por 9,1% da população e 7,5% do PIB do país. Curitiba e sua rede reúnem 8,8% da população do país e 9,9% do PIB nacional.
A população da rede urbana de Porto Alegre representa 8,3% do total nacional e o PIB é de 9,7%. Goiânia e sua rede urbana
concentram 3,5% da população e 2,8% do PIB nacional.
Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1246&id_pagina=1>. Acesso em: 8 jan. 2013.

Hierarquia urbana do Brasil e área de influência da cidade de São Paulo

OCEANO
ATLÂNTICO
Boa Vista

Equador Macapá

Belém São Luís


Santarém
Fortaleza
Manaus Sobral
Marabá
Imperatriz
Teresina Mossoró Natal
Juazeiro
do Norte Campina
João
Araguaína Grande Pessoa
Recife
Caruaru
FONTE: IBGE. Regiões de influência das cidades, 2007. Adaptado.

Porto Palmas
Rio Velho Petrolina Arapiraca Maceió
Branco
Aracaju
Barreiras Feira de Santana

Salvador
Vitória da
Conquista
Cuiabá Brasília Ilhéus

Goiânia Montes Claros

Teófilo Otoni
Uberlândia
Governador Valadares
OCEANO Uberaba Belo Horizonte
Campo São José do
Grande Ribeirão Ipatinga
PACÍFICO Rio Preto Preto Betim
GEOGRAFIA
Araçatuba Vitória
Varginha Juiz de
Dourados Presidente Araraquara Pouso Fora Cachoeiro de Itapemirim
Prudente Alegre Campos dos Goytacazes
Hierarquia dos centros urbanos Marília BauruCampinas
Maringá Piracicaba Volta Redonda
Rio de Janeiro
Grande Metrópole Nacional Londrina Sorocaba Trópico
São José de Capricó
Cascavel Ponta Santos
dos Campos rnio
Metrópole Nacional Grossa Curitiba São Paulo
Joinville
Metrópole Chapecó Blumenau
Passo Fundo Florianópolis
Capital Regional A Santo Criciúma
Ângelo Caxias N
Capital Regional B Novo Hamburgo do Sul
Santa Porto Alegre
Capital Regional C Maria
0 445
Pelotas
Região de influência de São Paulo
km

Urbanização e mercados regionais 29


PARA CONSTRUIR

2 Observe a tabela abaixo sobre as cidades pequenas, médias e b) Cite dois fatores que poderiam explicar o decréscimo de
grandes no Brasil de 1970 a 2010. população das cidades consideradas extremamente pe-
quenas.
1970 1991 2010
Tamanho das A constante migração para cidades de grande porte e a diminuição
(% sobre o (% sobre o (% sobre o
cidades de campo de trabalho nessas cidades são as principais causas
total) total) total)
do decréscimo da população local.
Até 20 000 habitantes 26,92 19,34 17,14
20 000-50 000 12,04 12,44 16,45
c) Por que as grandes cidades, que estavam crescendo bas-
50 000-100 000 7,80 10,23 11,67 tante, passaram a ter um decréscimo relativo, em termos
100 000-500 000 19,59 24,43 25,46 percentuais, embora não no total de habitantes, a partir
de 1991?
500 000 ou mais 33,65 33,56 29,28
Muitos habitantes migraram para as cidades médias e moram
População urbana total 52 097 271 110 990 990 160 879 708 nelas, enquanto somente trabalham nos grandes centros urbanos.
FONTE: IBGE. Recenseamentos gerais de 1970, 1991 e 2010. Isso acontece em razão de sérios problemas enfrentados nos
Com base nos dados, responda às questões. grandes conglomerados.
a) Considerando cidades pequenas as que têm no máximo
50 mil habitantes, cidades médias aquelas com 50 mil até
500 mil habitantes e, acima disso, cidades grandes, diga d) Indique um aspecto positivo e um negativo para o au-
qual foi o tipo de cidade que mais cresceu no Brasil nesse mento na distribuição relativa da população urbana em
período. Justifique sua resposta. cidades médias ou pequenas acima de 20 mil habitantes.
As cidades médias. Por causa da desconcentração espacial das Positivo: dinamismo econômico principalmente no setor
atividades e das grandes taxas de desemprego, que ocorrem industrial, seguido pelo setor de serviços. Negativo: aumento da
nas metrópoles. criminalidade e a violência, causados pelo inchaço populacional.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 2 Para aprimorar: 3 e 4

PROBLEMAS SOCIAIS URBANOS


O processo de urbanização do Brasil, fruto de uma industrialização tardia, realizada em um
país de capitalismo dependente, trouxe uma série de problemas urbanos que não surgiram (ou
existiram com intensidade menor) nas cidades dos países desenvolvidos. Esses problemas, em geral,
estão relacionados com a rápida urbanização e, principalmente, com o tipo de desenvolvimento
que ocorreu no país até os anos 1990, no qual a distribuição social da renda tornou-se cada vez mais
concentrada. Mas também existem outros fatores que explicam essa explosão dos problemas sociais
urbanos, sobretudo a violência, como veremos a seguir.

Moradia
Um problema urbano grave no Brasil, talvez o mais importante, é a questão da moradia popular.
Enquanto em algumas áreas das grandes cidades surgem ou crescem condomínios e bairros ricos,
com residências luxuosas, em outras, muitas vezes até nas vizinhanças, multiplicam-se as favelas e os
cortiços e até os moradores de rua, que não possuem nenhum tipo de moradia. Nas últimas décadas,
o efetivo de população residente em favelas aumentou em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outras
cidades grandes ou até mesmo médias. Porém, a porcentagem sobre a população total diminuiu.
Eventualmente, desocupa-se uma favela para construir um edifício no terreno; parte da popu-
lação dasalojada consegue, então, mudar-se para conjuntos habitacionais construídos com recursos
públicos, mas o aparecimento de novas favelas e o crescimento das existentes sempre ocorrem em
ritmo mais acelerado.

30 Urbanização e mercados regionais


O mesmo acontece com os cortiços, moradias pobres que abrigam várias pessoas em um
espaço reduzido, que também tiveram seu número multiplicado nas últimas décadas. Além disso,
uma parte significativa da população transferida para grandes conjuntos habitacionais acaba retor-
nando às favelas e aos cortiços (ou casas precárias na periferia), pois o desemprego e o subemprego
inviabilizam o pagamento das prestações da moradia, e a distância dos conjuntos habitacionais para
o centro da cidade, onde há mais oferta de emprego, é muito grande. Assim, nas últimas décadas,
os conjuntos habitacionais construídos para abrigar populações de baixa renda acabaram servindo
à classe média empobrecida.
Outro tipo de habitação popular que se multiplicou muito nas últimas décadas nos grandes
centros urbanos do país, principalmente na Grande São Paulo, é a casa própria da periferia. Trata-se
de uma casa que o trabalhador constrói com a ajuda de familiares e amigos em um lote de terra.
Geralmente a construção demora anos e o material (tijolos, cimento, encanamento, tinta, etc.) vai
sendo adquirido aos poucos.

PAULO FRIDMAN

A pobreza convivendo com o luxo


na Zona Sul de São Paulo (SP): em
primeiro plano, uma favela; ao
fundo, edifícios de luxo.
Foto de 2013.

Favelas no Brasil
O Censo de 2010 detectou que cerca de 11,5 milhões de brasileiros vivem em “aglomerados subnormais”, popularmente conhecidos
como favelas, invasões, grotas, baixadas, comunidades, ressacas, mocambos ou palafitas, conforme a região. O número de favelas ou
aglomerados subnormais é de 6 329, espalhados em 323 municípios do país. O critério que o IBGE utilizou para definir essas aglomera-
ções foi “um conjunto mínimo de 51 casas onde foi identificada a carência de serviços públicos essenciais, que ocupam, ou que tenham
ocupado, até recentemente, terreno de propriedade alheia, dispostas de forma desordenada e densa”. Existe uma discrepância entre esse
dado e o que vimos no capítulo anterior, no qual a ONU considera que mais de 45 milhões de brasileiros vivem em submoradias ou
slums. Mas os critérios do IBGE e da ONU são diferentes: o IBGE considera apenas favelas e a ONU inclui outras formas de submoradias
nas suas estatísticas, principalmente cortiços.
GEOGRAFIA
O maior número de pessoas vivendo em favelas encontra-se na região Sudeste, com 49,5% do total, vindo em seguida o Nordeste,
com 28,5%, a região Norte, com 14,5%, o Sul, com 5,5%, e por último o Centro-Oeste, com 2%. Contudo, apenas duas das cinco favelas
mais populosas do Brasil estão no Sudeste. Ambas no Rio de Janeiro: Rocinha, com 69 161 habitantes, a maior do Brasil; e a Rio das
Pedras (54 793 habitantes), que aparece em terceiro lugar. A segunda maior favela do Brasil é a Sol Nascente, na região administrativa
de Ceilândia, no Distrito Federal, com 56 483 habitantes. Na quarta e quinta posições estão Coroadinho, em São Luís (MA), com 53 945
habitantes, e a Baixadas da Estrada Novas Jurunas, em Belém (PA), com 53 129 habitantes. Entre as favelas paulistas, a de Paraisópolis,
na capital, aparece em oitavo lugar, com 42 826 moradores.

Urbanização e mercados regionais 31


No Rio de Janeiro a maioria das residências de favelas (58%) está localizada em grandes aglomerações, com mais de mil domicílios;
em São Paulo, ao contrário, predominam (70% dos casos) as favelas menores, com menos de mil domicílios. Também existem diferenças
no tipo de terreno ocupado pelas favelas, mas que no fundo são quase sempre áreas desvalorizadas e deixadas de lado pela especulação
imobiliária, notadamente áreas sujeitas a riscos ambientais. No Rio de Janeiro predominam as áreas de morros; em Fortaleza, as áreas de
praias; em Maceió, os vales profundos, conhecidos como grotas; em Macapá, as baixadas inundadas; na Baixada Santista (Santos, São
Vicente, Cubatão, Guarujá e Praia Grande), os manguezais; e em Manaus, os igarapés (pequenos canais ou braços de rios).
Observe a tabela com dados sobre a população residente em favelas nas principais regiões metropolitanas do país.

Brasil: população residente em favelas nas principais regiões metropolitanas

População residente em aglomerados


Região metropolitana Proporção em relação à população total (%)
subnormais

São Paulo 2 162 368  11

Rio de Janeiro 1 702 073 14,4

Belém 1 131 368 53,9

Salvador 931 662 26,1

Recife 852 700 23,2

Belo Horizonte 489 281 9,1

Fortaleza 430 207 11,9

Grande São Luís 325 139 24,5

Manaus 315 415 15

Baixada Santista 287 191 17,9

Porto Alegre 242 784  6,2

Curitiba 181 247 5,7

Grande Vitória 178 209 10,6

Campinas 160 670 5,8

Grande Teresina 154 385 13,4

Distrito Federal e entorno 137 072 3,7

Maceió 121 920 10,6

João Pessoa 101 888 8,5

Aracaju 82 208 9,8

Natal 80 774 6
FONTE: IBGE. Censo 2010.

32 Urbanização e mercados regionais


PARA CONSTRUIR

3 Leia o trecho da entrevista a seguir e responda às questões.


Tribunais não devem conceder privilégios, mas fazer justiça, diz advogado dos sem-teto
m
Ene-2
C 0
H-1
Manuel Del Rio está envolvido com os movimentos de moradia de São Paulo há mais de 30 anos. Nesta entrevista, Del
Rio explica que os prédios abandonados que pipocam pelo centro de São Paulo estão em situação ilegal porque não obede-
cem à função social da propriedade definida pela Constituição de 1988.
Pergunta: Qual é a situação jurídica dos prédios abandonados no centro de São Paulo?
Resposta: Os prédios abandonados estão ilegalmente [sic] no centro da cidade. Uma propriedade deve ter função social,
segundo nossa lei. Tem de ter uma utilidade. Enquanto isso, o direito à moradia não é efetivo, não é concretizado.
P: Quantas ocupações a FLM [Frente de Luta por Moradia] mantém no centro atualmente?
R: São seis ocupações. Estamos defendendo a desapropriação e construção de moradia popular nestes prédios, como é
o caso do Prestes Maia, Mauá, São João, Rio Branco... Queremos a desapropriação e adaptação para moradia popular.
P: Como a justiça paulista lida com a ocupação de prédios abandonados no centro?
R: A justiça é muito retardatária e ainda não compreendeu o próprio ordenamento jurídico do país. A justiça deve fazer
justiça, e não conceder privilégio para algumas pessoas. Quando ela dá reintegração de posse a um proprietário que não
exerce domínio sobre a propriedade, ela está tomando uma atitude ilegal, injusta. Não está fazendo justiça.
P: Cada juiz julga de uma maneira?
R: Depende do juiz, claro, mas depende também mais das circunstâncias. Se o Judiciário perceber que a população está
bem organizada, que a população não quer abrir mão daquele direito, então eles retrocedem. Se o Judiciário não perceber
essa pressão social, ele dá a reintegração e joga o pessoal no meio da rua.
P: Boa parte da luta por moradia em São Paulo se dá nos tribunais. Por quê?
R: Isso tem a ver com a inércia do poder público. Se estivesse ativo, intervindo, fazendo moradia, atendendo à popu-
lação necessitada, o problema não iria para os tribunais. É uma pena ter de ir à justiça, sendo que a coisa poderia ser resol-
vida pelo poder público municipal, estadual e federal junto com a população. Seria mais democrático.
Disponível em: <www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2012/07/
os-tribunais-devem-fazer-justica-e-nao-conceder-privilegios-diz-advogado-dos-sem-teto>. Acesso em: 5 jan. 2013.
a) Por que os sem-teto, os sem-moradia urbanos, às vezes ocupam edifícios ou terrenos desocupados? Você concorda com isso?
Justifique.
Resposta pessoal.

b) Explique por que o problema da luta pela moradia popular acaba indo parar nos tribunais.
Resposta pessoal.

c) Na sua cidade, qual é a realidade da questão da moradia para o conjunto da população?


Resposta pessoal.

d) Você entende como legítimos os movimentos urbanos sociais organizados, no caso específico, o movimento dos sem-teto?
Por quê? GEOGRAFIA
Resposta pessoal.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 3 Para aprimorar: 5 e 6

Urbanização e mercados regionais 33


Infraestrutura urbana
Distribuição de água tratada e encanada, pavimentação de ruas, iluminação e eletricidade, rede
de esgotos e de telefonia constituem a infraestrutura urbana. Embora a cada ano aumente a área
abrangida por esses serviços, o rápido crescimento da mancha urbana, ou área construída, torna-os
sempre insuficientes. Assim, na Grande São Paulo, por exemplo, em 2010 só 65% dos domicílios
eram servidos por rede de esgotos, e desse total apenas 18% eram tratados; quanto à água, existia
nesse ano por volta de 1 milhão de pessoas na região metropolitana sem acesso à água encanada.
Em quase todas as grandes cidades do Brasil a carência é semelhante ou muitas vezes pior. Observe
o mapa a seguir.

Brasil: rede de esgotos

Equador

FONTE: MINISTÉRIO das Cidades. SNSA – Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto, 2010.
SER_EM_G01_Geo_cad12_MN009: rede de
esgotos do Brasil

OCEANO
ATLÂNTICO

OCEANO
PACÍFICO

Trópico
de Cap
ricórnio
Proporção dos imóveis
atendidos por rede de
esgotos
10% ou menos
10%-20%
20%-40% N
40%-70%
0 340
70% ou mais
km

Nota: O fato de um estado ter um percentual de seus municípios atendidos por sistema de esgotos não quer dizer que todas
as residências de um município com esse sistema estejam sendo atendidas. No município de São Paulo, por exemplo, que é
atendido por um sistema de esgotos, por volta de 40% das residências não estão incluídas nesse atendimento.

A insuficiência dos recursos aplicados na infraestrutura decorre não apenas da rápida expansão
das cidades, mas também da existência de terrenos baldios ou espaços ociosos em seu interior. Como
a terra, principalmente no meio urbano, constitui um bem imóvel que costuma se valorizar com o
tempo, muitos proprietários deixam áreas enormes sem uso, à espera de um bom negócio. É comum
as empresas imobiliárias, ao realizarem um loteamento na periferia, onde ainda não existem serviços
de infraestrutura, deixarem um espaço de terra sem lotear entre a área que estão vendendo e o bairro
mais próximo. Após a fixação da população na área loteada, ocorrerão reivindicações para que o local
seja provido de infraestrutura. Quando isso ocorrer, tais serviços terão de passar por aquele espaço
ocioso, que, então, será vendido ou loteado com um lucro bem maior.

34 Urbanização e mercados regionais


Isso se chama especulação imobiliá-

ADRIANO VIZONI/FOLHAPRESS
ria, que beneficia um grupo reduzido de
pessoas e prejudica a maioria da população,
pois agrava a carência de infraestrutura, além
de levar a população da periferia para locais
cada vez mais distantes do centro da cida-
de. Os espaços vazios ou ociosos abrangem
atualmente cerca de 40% da área urbana da
cidade de São Paulo e extensões semelhantes
nos demais grandes centros urbanos do país.
Outro grande problema urbano é o
transporte de passageiros. Muitas pessoas
nas grandes regiões metropolitanas gastam
várias horas por dia para se locomoverem de
casa ao trabalho. O transporte coletivo ou
público no Brasil é extremamente precário e
oneroso para a população. O transporte de
pessoas mais eficiente, nos dias de hoje, é o
metrô, que, em geral, circula no subsolo e é
movido por energia elétrica, não ocasiona Trânsito na marginal Tietê, em São
Paulo (SP), com um grande e frequente
congestionamentos e não polui a atmosfera. Mas as linhas de metrô no Brasil – que existem em congestionamento, o que vai se tornando
São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Salvador e cada vez mais comum nas cidades
Teresina – são insuficientes para a população, pois atendem apenas parte da cidade e estão frequen- brasileiras pela carência de transporte
temente superlotadas. coletivo e pelas grandes facilidades para
a compra de veículos automotivos. Foto
Por esse motivo, os ônibus continuam sendo o principal meio de transporte coletivo no país. de 2012.
Os ônibus ficam superlotados nos horários de pico e a tarifa em geral é extremamente cara se com-
parada ao poder aquisitivo da população, que muitas vezes tem de tomar duas ou mais conduções
para chegar ao seu destino. Esse fato levou na última década – de 2000 a 2010 – a uma queda de
30% no uso do transporte público – ônibus e metrô – nas grandes cidades brasileiras. A queda foi
compensada, principalmente, pelo uso do transporte individual – automóveis e motocicletas – e
pelo uso de utilitários – vans ou lotações. O governo federal também contribuiu para esse fenô-
meno ao fomentar e subsidiar a produção de automóveis (e consequentemente o crescimento do
PIB) e, principalmente, auxiliar a população no financiamento de automóveis. De 2008 a 2012 foram
vendidos no Brasil mais de 2 milhões de automóveis e quase 2 milhões de motocicletas por ano.
Tal fato contribui para congestionamentos imensos e inúmeros problemas ambientais, dois grandes
obstáculos de nossas metrópoles.

Violência urbana
Assassinatos, estupros, roubos e furtos, agressões, acidentes de trânsito e atropelamentos, entre
outros, são problemas comuns nas grandes cidades brasileiras e constituem a violência urbana.
Os acidentes de trânsito, com milhares de feridos e mortos a cada ano, têm índices bem altos no
Brasil. Enquanto em Nova York e Chicago há uma relação de seis mortes ao ano por 10 mil veículos,
em São Paulo e no Rio de Janeiro essa relação sobe para dezesseis. Tal número se deve ao descaso
das autoridades, a abusos, à impunidade dos motoristas e ao desrespeito aos pedestres.
A violência policial, principalmente sobre a população pobre, também é frequente. Ao mesmo GEOGRAFIA
tempo, cresce cada vez mais o número de homicídios, roubos e furtos, além do narcotráfico. Nas
cidades brasileiras, salvo raríssimas exceções, essas ocorrências estão entre os índices mais elevados
do mundo, às vezes até maiores que os de países em guerra. Isso tudo decorre de vários fatores
conjugados:
existência de leis inadequadas ou detalhistas demais, que facilitam a impunidade;
sistema judiciário muito lento e de má qualidade, que, indiretamente, não punindo os culpados
ou punindo somente os mais humildes, incentiva o crime e a violência;

Urbanização e mercados regionais 35


prisões superlotadas que misturam presos de alta periculosidade com os demais, nas quais se
desenvolveram organizações criminosas – tais como o PCC (Primeiro Comando da Capital), em
São Paulo, e o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, entre outras – que aliciam os presos e lhes
oferecem treinamento e “proteção” em troca de fidelidade;
forças policiais despreparadas, autoritárias e, às vezes, corruptas;
expansão do narcotráfico internacional, que tem o Brasil como rota de passagem para a Europa
e os Estados Unidos e também como um mercado de consumo que vem crescendo nas últimas
décadas. O narcotráfico cria organizações criminosas e induz ao crescimento do comércio (e até
mesmo importação) de armas;
péssima distribuição social da renda, com uma imensa distância entre ricos e pobres; falta de as-
sistência social às famílias pobres, aos desajustados e até mesmo às vítimas da violência;
notícias frequentes de corrupção nas instituições públicas – na vida política, no Judiciário, na po-
lícia, etc. –, o que cria um sentimento de revolta e desobediência.

BRUNO POPPE/FRAME/FOLHAPRESS
Passeata de moradores da Rocinha,
em agosto de 2013, no Rio de Janeiro
(RJ). Amarildo Souza, pedreiro e
morador da comunidade da Rocinha,
desapareceu no dia 14 de julho
de 2013, após ter sido levado por
policiais da UPP para averiguação.
A Justiça do Rio condenou 13 policiais
por tortura, morte e desaparecimento
de Amarildo em janeiro de 2016.

PARA CONSTRUIR

4 O rap, principalmente no Brasil, costuma abordar os proble- Me ver


m mas sociais e urbanos: a violência nas periferias, a pobreza Pobre, preso ou morto
Ene-1
C 1
H- em certos bairros, o preconceito, o racismo, as desigualdades Já é cultural [...]
sociais, etc. Observe esta letra:
O dinheiro tira um homem da miséria
Passageiro do Brasil Mas não pode arrancar
São Paulo De dentro dele
Agonia que sobrevive A favela
Em meio às honras e covardias
Periferias, vielas e cortiços [...] São poucos
Que entram em campo pra vencer
Olha quem morre A alma guarda
Então veja você quem mata O que a mente tenta esquecer
Recebe o mérito, a farda RACIONAIS MC’s. Negro Drama. Disponível em: <http://letras.mus.br/
Que pratica o mal racionais-mcs/63398>. Acesso em: 23 jan. 2015.

36 Urbanização e mercados regionais


a) Em dupla, pesquisem os seguintes aspectos do rap: como o gênero chegou ao Brasil e que características foram desenvolvidas
aqui; como é a linguagem de suas letras; qual é o seu público; quais são os seus temas mais recorrentes; as principais diferen-
ças entre o rap estadunidense e o rap brasileiro; os maiores representantes do rap nacional, suas características, semelhanças
e diferenças.
b) Após a pesquisa, discutam com os colegas de classe as conclusões de cada dupla. Depois, pensem juntos e debatam se pode-
mos considerar o rap um gênero musical tipicamente urbano. Justifiquem suas opiniões.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 4 Para aprimorar: 7 e 8

Veja, no Guia do Professor, as


respostas da “Tarefa para casa”.
TAREFA PARA CASA

PARA
PARA PRATICAR
PRATICAR

1 Explique o que significam metropolização e regiões metropolitanas.

2 O que é rede urbana e quais são os tipos de cidade que constituem a rede urbana no Brasil? Dê exemplos de cada tipo.

3 Com base no mapa abaixo, explique:


m
Ene-2
C 6
H-
Brasil: urbanização

OCEANO
ATLÂNTICO

AP
Equador RR

PA CE RN
AM MA
PI PB

AC PE
TO
RO AL

SE
MT BA
DF

GO
MG
OCEANO MS ES
PACÍFICO

SP RJ
rnio
de Capricó
Trópico
PR

SC
FONTE: IBGE. Censo 2010.

Favela (população residente)


GEOGRAFIA
RS
Mais de 1 000 001 de pessoas
Taxa de urbanização
De 200 001 a 1 000 000 de
N 60%-75%
pessoas
De 50 001 a 200 000 pessoas 75%-90%
0 1 975
Menos de 50 000 pessoas Mais de 90%
km

a) a diferenciação das taxas de urbanização no Brasil;


b) por que em geral as regiões metropolitanas apresentam concentração de favelas.

Urbanização e mercados regionais 37


4 Faça uma lista dos principais problemas sociais e urbanos do As figuras abaixo mostram as relações entre as cidades em
Brasil e procure explicar, com suas palavras, as causas de sua uma rede urbana.
expansão. I.
Esquema Clássico
Tradicional
PARA
PARA APRIMORAR
PRATICAR
Metrópole nacional
1 (FGV-SP)
Ao se avaliarem as características da urbanização bra-
sileira em seu período mais recente, é importante considerar Metrópole regional
os efeitos do processo de internacionalização da economia.
[...] Uma das tendências desse processo é reforçar a locali- Centro regional
zação de atividades nas cidades – da região mais desenvol-
vida do país, onde está localizada a maior parcela da base
produtiva, que se moderniza mais rapidamente, e onde es- Cidade local
tão as melhores condições locacionais.
BRANCO, Maria Luisa Castello. As metrópoles e a questão social brasileira. Rio Vila
de Janeiro: Revan, 2007. p. 101. Adaptado.
A tendência mostrada no texto:
II. Esquema Clássico Atual
a) dinamiza as redes urbanas em escala nacional.
b) dá origem à formação de inúmeras metrópoles no interior
do país.
c) reforça as desigualdades espaciais no Brasil. Metrópole regional
d) minimiza a histórica concentração de riqueza em espaços
reduzidos. Metrópole
e) destaca o papel das metrópoles no contexto da globalização. nacional Centro regional

2 (ESPCEX-SP)  Segundo o IBGE, em 2007, o nível de urbani-


zação brasileira já era de 83,5%, índice superior ao da maior Cidade local
parte dos países europeus. Alguns estudiosos acreditam que
o Brasil apresenta, na verdade, nível de urbanização menor Vila
do que revelam as estatísticas do IBGE. De acordo com os
estudiosos, essa elevada urbanização apontada pelas estatís- Com base no texto, associe cada descrição apresentada a se-
ticas deve-se ao fato de a legislação do país considerar como guir a um dos esquemas apresentados.
urbanas as localidades que: a) As relações seguem uma hierarquia crescente sob a in-
a) São sede de município ou de distrito e as demais áreas fluência de certos centros urbanos.
definidas como urbanas pelas legislações municipais. b) Em função dos avanços tecnológicos nos transportes e
b) Possuem população absoluta acima de 5 mil habitantes. nas comunicações, rompe-se com a hierarquia rígida.
c) Possuem mais de 8 (oito) mil eleitores. c) A cidade local pode se relacionar diretamente com a me-
d) Apresentam densidade demográfica superior a 150 hab./ trópole nacional, pois a hierarquia é rompida.
km² tal como definem os países da OCDE. d) As relações das cidades são diretas com a metrópole na-
e) Possuem determinadas infraestruturas e equipamentos cional, sem a intermediação de cidade de porte médio.
coletivos, como escolas e postos de saúde, e funcionam e) A hierarquia é destacada a partir da submissão das cida-
como um polo de distribuição de bens e serviços. des menores às grandes cidades.

3 (UEL-PR – Adaptada) Leia o texto e observe as figuras a seguir. 4 (Unifesp) No Brasil, em decorrência do processo de urbanização,
verificou-se uma intensa metropolização, da qual resultaram:
O esquema clássico de hierarquia urbana teve origem
no final do século XIX e se estendeu até meados da década a) cidades médias, que se industrializaram após a abertura
de 1970. Porém, essa concepção tradicional de hierarquia econômica da década de 1990, como Campinas e Ouro
urbana não explica as relações travadas entre as cidades no Preto.
interior da rede urbana. Dessa forma, uma nova hierarquia b) metrópoles nacionais, sedes do poder econômico e polí-
urbana foi elaborada, aproximando-se da realidade de uma tico do país, como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.
rede urbana. c) cidades mundiais, que receberam vultosos investimentos
MOREIRA, J. C.; SENE, E. Geografia para o Ensino Médio: Geografia geral e do
externos no início do século XXI, como Belo Horizonte e
Brasil. v. único. São Paulo: Scipione, 2002. p. 101-102. Adaptado. Rio de Janeiro.

38 Urbanização e mercados regionais


d) megacidades dispersas pelo país, graças ao retorno de imigrantes, como Manaus, Goiânia e Curitiba.
e) metrópoles regionais, que constituem a primeira megalópole do país, como Fortaleza, Recife e Salvador.

5 (Enem)
Subindo morros, margeando córregos ou penduradas em palafitas, as favelas fazem parte da paisagem de um terço dos
municípios do país, abrigando mais de 10 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís-
tica (IBGE).
MARTINS, A. R. A favela como um espaço da cidade. Disponível em: <http://www.revistaescola.abril.com.br>.
Acesso em: 31 jul. 2010.
A situação das favelas no país reporta a graves problemas de desordenamento territorial. Nesse sentido, uma característica comum
a esses espaços tem sido:
a) o planejamento para a implantação de infraestruturas urbanas necessárias para atender as necessidades básicas dos moradores.
b) a organização de associações de moradores interessadas na melhoria do espaço urbano e financiadas pelo poder público.
c) a presença de ações referentes à educação ambiental com consequente preservação dos espaços naturais circundantes.
d) a ocupação de áreas de risco suscetíveis a enchentes ou desmoronamentos com consequentes perdas materiais e humanas.
e) o isolamento socioeconômico dos moradores ocupantes desses espaços com a resultante multiplicação de políticas que ten-
tam reverter esse quadro.

6 (Fuvest-SP) Segundo o IBGE, aglomerado subnormal:


m é um conjunto constituído de, no mínimo, 51 unidades habitacionais (barracos, casas, etc.) carentes, em sua maioria, de
Ene-2
C 6
H-
serviços públicos essenciais. O conceito de aglomerado subnormal foi utilizado pela primeira vez no Censo Demográfico
1991. Possui certo grau de generalização, de forma a abarcar a diversidade de assentamentos existentes no país, conhecidos
como: favela, invasão, grota, baixada, comunidade, vila, ressaca, mocambo, palafita, entre outros.
IBGE. Aglomerados subnormais, 2011. Adaptado.

Região Sudeste: domicílios particulares


ocupados em aglomerados subnormais

Domicílios em aglomerados subnormais


> 250 000 BA
45 000 a 250 000
20 000 a 45 000
4 500 a 20 000
0 a 4 500

MG

ES
FONTE: IBGE. Censo Demográfico 2010. Aglomerados subnormais, 2011.

RJ

GEOGRAFIA
SP

OCEANO
ATLÂNTICO
N

0 115

km

Urbanização e mercados regionais 39


Com base no texto e no mapa: c) ampliação dos cortiços, pois os vazios urbanos, existentes
a) identifique duas características dos aglomerados subnor- no centro das cidades, são utilizados pelo poder público
mais, sendo uma relativa à questão fundiária e outra ao para a construção desse tipo de moradia.
padrão de urbanização; d) violência urbana, pois os governantes deixaram de inves-
b) explique a concentração espacial dos aglomerados sub- tir na ampliação do número de policiais, fazendo explodir
normais na região Sudeste e o processo que levou a essa a criminalidade nas grandes cidades.
concentração. e) especulação imobiliária, pois alguns proprietários acumu-
lam imóveis para utilizá-los futuramente, seja para cons-
7 (Centro Paula Souza-SP) Leia um trecho da letra da música truir ou para vender.
m
Ene-1
“Saudosa Maloca”, escrita por Adoniran Barbosa.
C 1
H- Se o senhor não tá lembrado 8 (Vunesp)
Dá licença de contá m
Ene-3 Em dia de maior mobilização, protestos levam
C 3
Que aqui onde agora está H-1 mais de 1 milhão de pessoas às ruas no Brasil
Esse edifício “arto” Mais de 1 milhão de pessoas participaram de protes-
Era uma casa veia tos em várias cidades do Brasil nesta quinta-feira
Um palacete assobradado [20/6/2013]. Os protestos ocorreram em várias capitais e
Foi aqui seu moço centenas de cidades nas cinco regiões do país. Ao todo,
Que eu, Mato Grosso e o Joca 388 cidades tiveram manifestações, incluindo 22 capitais.
Construímos nossa maloca Disponível em: <http://noticias.uol.com.br>. Adaptado.
Mas um dia, nóis nem pode se alembrá Os protestos que tomaram as ruas do Brasil durante o mês de
Veio os homi c’as ferramentas junho de 2013 foram originalmente motivados por problema
O dono mandô derrubá [...] que aflige grande parte da população que vive nas grandes
Disponível em: <http://tinyurl.com/kowpytn>. cidades do país, a saber:
Acesso em: 16 jul. 2014. Adaptado. a) o aumento do desemprego e a precarização do trabalho.
A letra da música, respeitando a licença poética, retrata um b) o alto custo e a má qualidade do sistema público de
fenômeno urbano presente nas grandes cidades, que é a: saúde.
a) expansão das favelas, pois a intenção do poder público é c) o aumento da violência urbana e o alto custo da seguran-
aumentar esse tipo de moradia, oferecendo infraestrutura ça pública.
adequada nas periferias mais distantes do centro. d) a falta de vagas na educação básica e a precarização do
b) falta de moradias, pois as grandes cidades estão saturadas sistema público de ensino.
e não possuem imóveis disponíveis, seja para compra, dis- e) o alto custo e a má qualidade do sistema público de
ponibilização, financiamento ou aluguel. transporte.

ANOTAÇÕES

40 Urbanização e mercados regionais


CAPÍTULO

3 Mercosul

Objetivos: GLOBALIZAÇÃO E MERCADOS REGIONAIS


c Entender a criação do A atual globalização integra povos e economias, criando um mercado cada vez mais mundia-
Mercosul no contexto lizado. As economias nacionais ficam mais interdependentes. Mas a globalização também propicia
da globalização. a formação de mercados regionais entre países. Isso implica a formação ou criação de mercados
comuns entre grupos de nações que alguns autores chamam de mercados regionais ou megablo-
c Refletir sobre os
cos (mega = “grande”, “múltiplo”). Esses imensos mercados internacionais, ou “blocos comerciais”,
dilemas do Mercosul.
constituem uma das características da atual globalização, da interdependência crescente de todas as
c Compreender que o economias nacionais. A globalização, com destaque para o aspecto comercial, não se faz por igual
Mercosul tem sido, em todo o espaço mundial. Ela é bem mais intensa entre os países desenvolvidos – como também
essencialmente, uma entre muitos do Sul: China, Coreia do Sul, México, Indonésia e outros – e, principalmente, no interior
relação entre Brasil e desses grandes mercados regionais. Veja o mapa a seguir.
Argentina.

c Analisar criticamente Principais mercados regionais


a hipotética criação da
Alca.

OCEANO OCEANO
ATLÂNTICO PACÍFICO
Trópico de Câncer

OCEANO
PACÍFICO
Equador

OCEANO

FONTE: Elaborado pelo autor.


ÍNDICO
Trópico de Capricórnio

União Europeia
N Nafta
Mercosul
0 1 260
CEI
km
GEOGRAFIA

A criação desses megablocos significa também o surgimento de um novo e importante ator no


sistema internacional. Apesar de originalmente terem um significado mais econômico do que político,
esses grandes mercados regionais, gradativamente, passam a agir de forma coordenada nas relações
internacionais. Eles constituem uma das faces da globalização, da crescente interdependência dos
países, enfim, de uma ampliação de mercados.
Até o fim dos anos 1970, pensava-se que a União Europeia, único megabloco existente até então,
iria somente ampliar as trocas de mercadorias entre os países-membros, diminuindo consequen-

Urbanização e mercados regionais 41


temente as relações comerciais com o restante do mundo. Daí a ideia de “bloco” ou de “fortaleza
europeia”, uma vez que a unificação da Europa foi a primeira experiência nesse sentido. Mas logo se
percebeu que esses mercados internacionais ampliam as trocas comerciais entre os países-membros
e também com outras partes do mundo. Em vez de serem “inimigos da globalização”, como alguns
pensaram inicialmente, eles são de fato uma das etapas ou uma faceta desta, ou seja, uma integração
que geralmente começa entre países vizinhos e se espalha para o restante do globo.

A FUNDAÇÃO DO MERCOSUL
Procurando acompanhar a tendência mundial dos anos 1990 de criar mercados supranacio-
nais, em que as fronteiras alfandegárias (proibições, restrições e impostos de entrada ou saída de
bens e serviços de um país para outro) são reduzidas ou eliminadas, o Brasil, a Argentina, o Uru-
guai e o Paraguai criaram em 1991 o Mercosul, Mercado Comum do Sul. Observe o mapa a seguir.

Portal Países fundadores do Mercosul


SESI
Educação www.sesieducacao.com.br

Acesse o portal e explore a linha


do tempo e o mapa do Mercosul.

OCEANO
ATLÂNTICO

ARGENTINA

URUGUAI

Trópico de Cap
ricór nio

PARAGUAI

OCEANO
PACÍFICO

BRASIL

FONTE: Disponível em: <www.mercosur.org.uy>. Acesso em: 14 nov. 2008.


Equador

cer
de Cân
Trópico

Países fundadores e membros plenos do


Mercosul, tal como aparece no site da
associação. Note que o sul fica “acima” do norte 0
N
695
nesse mapa, algo que reflete o fato de ser um km
bloco de países do Sul.

42 Urbanização e mercados regionais


Esses quatro países são os membros plenos e fundadores da organização. Em 2012 a Venezuela
foi aceita como membro pleno do bloco. São Estados associados do Mercosul a Bolívia (em processo
de adesão como membro pleno), o Chile (desde 1996), o Peru (desde 2003), a Colômbia e o Equador
(desde 2004). Guiana e Suriname tornaram-se Estados associados em 2013. Com isso, todos os países
da América do Sul fazem parte do bloco, seja como Estado parte, seja como associado. Também o
México e a Nova Zelândia são considerados observadores do Mercosul, embora suas relações com
os membros do bloco sejam pequenas e eles sejam de fato membros plenos de outros blocos.
O Mercosul foi formalizado pelo Tratado de Assunção – assinado pelos representantes dos
quatro países na capital do Paraguai em 1991. De acordo com o Artigo 1o desse tratado, o objetivo
do bloco é a integração entre os membros, com “livre circulação de bens e serviços, a eliminação
das tarifas alfandegárias e outras restrições não tarifárias à circulação de mercadorias, o estabeleci-
mento de uma tarifa externa comum e a adoção de uma política comercial comum em relação a
terceiros Estados ou agrupamentos de Estados”. Assim, o Mercosul conta com uma tarifa externa
comum (TEC), que são impostos alfandegários iguais cobrados pelos membros em relação aos
produtos e serviços oriundos de outros Estados, além, evidentemente, de tarifas menores – ou
nulas – no comércio entre os membros do bloco. Mas existem exceções para a TEC: produtos que
cada país considera essenciais e que não devem estar submetidos a essa tarifa. Infelizmente, a lista
desses produtos – que deveria diminuir e até acabar com o tempo – vem aumentando cada vez
mais, fato que, segundo alguns especialistas, caracteriza enfraquecimento do bloco.

Mercosul

Câncer
Trópico de
MÉXICO

Mar do Caribe
OCEANO
ATLÂNTICO

VENEZUELA

COLÔMBIA
Equador

EQUADOR
FONTE: Disponível em: <www.mercosul.org.uy>. Acesso em: 25 abr. 2013.

OCEANO BRASIL
PACÍFICO
PERU

BOLÍVIA

PARAGUAI Trópico de Capricórni


o
CHILE

URUGUAI
ARGENTINA

Países-membros N GEOGRAFIA
Países associados
0 890
País observador
km

Os principais órgãos do Mercosul são:


Conselho do Mercado Comum (CMC): órgão superior e decisório, integrado pelos ministros de
Relações Exteriores e da Economia de cada um dos países-membros. Tem por função tomar as
decisões para assegurar o cumprimento dos objetivos estabelecidos no Tratado de Assunção.

Urbanização e mercados regionais 43


Grupo Mercado Comum (GMC): órgão executivo do Mercosul. Pronuncia-se mediante resoluções
que são obrigatórias para os Estados-membros.
Comissão de Comércio do Mercosul (CCM): órgão encarregado de assistir o GMC, sendo integrado
por quatro titulares e quatro suplentes de cada Estado e coordenado pelos Ministérios das Relações
Exteriores. Entre as suas funções estão: velar pela aplicação dos instrumentos comuns da política
comercial e regular o comércio dentro do bloco e com terceiros países e organismos internacionais.
As diretrizes estabelecidas por essa comissão são obrigatórias.
Pode-se mencionar ainda o Parlamento do Mercosul (o Parlasul), com sede em Montevidéu, no
Uruguai, que em tese é um órgão representativo dos cidadãos dos países-membros. Nessa primeira
fase de sua existência, instituída em 2007, o Parlamento funciona com base na representação paritá-
ria, isto é, número igual de parlamentares (18) por país; esses representantes foram indicados pelos
Congressos dos países-membros. Numa segunda fase, os parlamentares passarão a ser eleitos pelo
povo e haverá um número de representantes mais proporcional à população de cada país: o Brasil
terá 74, a Argentina 43 e o Paraguai e o Uruguai permanecerão com 18 cada.

PARA CONSTRUIR

1 Observe a bandeira do Mercosul e, abaixo dela, o seu lema em português. O que eles significam?
REPRODUÇÃO/MERCOSUL

“Nosso Norte é o Sul.”

A bandeira traz a constelação do Cruzeiro do Sul, visível a olho nu apenas no hemisfério Sul. Durante séculos foi importantíssima
para a navegação nessa parte do mundo. O lema “Nosso Norte é o Sul” indica que é um bloco do Sul geoeconômico ou, em outras
palavras, que procura integrar países do Sul.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 1 Para aprimorar: 1 e 2

EXPANSÃO
O advento do Mercosul ampliou bastante as relações comerciais e financeiras do Brasil com
seus vizinhos do sul e sudoeste. Até os anos 1980, esses países sul-americanos não eram parceiros
comerciais importantes, nem no comércio externo tampouco com relação a investimentos; porém,
nos anos 1990, passaram a figurar, notadamente a Argentina, entre os mais importantes para o inter-
câmbio comercial brasileiro. Um crescente número de empresas do Brasil já abriu filiais na Argentina
Projeto de Pesquisa (e vice-versa), e muitas indústrias estrangeiras se instalaram em um desses países a fim de produzir
para todo o mercado consumidor do bloco.
Acesse o Material Comple-
mentar disponível no Portal e No setor do turismo, também houve um grande acréscimo. Até os anos 1980, os principais
aprofunde-se no assunto. turistas estrangeiros no Brasil eram estadunidenses e europeus; hoje, predominam os argentinos. E
o inverso também é verdadeiro, visto que, desde os anos 1990, há mais turistas brasileiros indo para

44 Urbanização e mercados regionais


os países do Mercosul, principalmente para a Argentina, do que para a Europa ocidental e para os
Estados Unidos, os dois principais destinos até os anos 1980. Mas isso tudo não quer dizer que o
comércio ou o turismo do Brasil com a Europa e com os Estados Unidos diminuíram; pelo contrário,
eles até aumentaram – ao menos até 2015, quando o real se desvalorizou bastante e com isso houve
diminuição do turismo para países com moedas fortes (dólar e euro) –, mas a um ritmo em geral
inferior ao aumento que ocorreu com os parceiros do Mercosul.
O Brasil, que tem a maior e mais industrializada economia do Mercosul, além de maior volume
de comércio externo, já é o principal mercado para o comércio exterior do Paraguai, do Uruguai
e até da Argentina. Mas o inverso não é verdadeiro: nossos principais parceiros comerciais são a
União Europeia, a China e os Estados Unidos, vindo a Argentina em quarto lugar. Só para mencionar
alguns dados estatísticos, podemos lembrar que, em 1985, o total das exportações e importações
entre os quatro países fundadores do Mercosul era inferior a 3 bilhões de dólares. Em 2000, apenas
nove anos após a criação do mercado regional, esse total já atingia a cifra de 25 bilhões de dólares.
Com a crise da Argentina em 2001, contudo, esse montante diminuiu, ou cresceu pouco, voltando
a aumentar de forma sensível a partir de 2004. Em 2011, esse montante ultrapassou a casa dos
47 bilhões de dólares. Em 2014-2015, com crises econômicas na Argentina e no Brasil, esse comér-
cio começou a diminuir novamente, mas tende a aumentar assim que essas economias voltarem
a crescer.
A Argentina, parceiro comercial relativamente sem importância para o Brasil antes da formação
dessa associação comercial, hoje é nosso quarto principal parceiro comercial – o terceiro, se conside-
rarmos apenas países e não blocos como a União Europeia. O inverso é ainda mais significativo, pois o
Brasil é o principal mercado exportador e importador da Argentina (30% do comércio externo total
desse país), posição que até os anos 1980 pertencia aos Estados Unidos (hoje na terceira posição,
atrás também da China). O volume de trocas entre os países do Mercosul cresce bem mais do que
com os países que não pertencem a esse bloco, com exceção, nos últimos anos, da China.

J. L. BULCÃO/PULSAR IMAGENS

GEOGRAFIA
Ponte Tancredo Neves em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira do Brasil com a Argentina, em 2012.

Os principais produtos que o Brasil exporta para os demais países do Mercosul são: automóveis,
motores e peças, tratores, bebidas (refrigerantes e cervejas), cigarros, café, calçados, açúcar, aparelhos
de telefonia, óleos, etc. O Brasil importa desses países, entre outros produtos, automóveis e autope-
ças, trigo, petróleo, artigos de couro, bebidas (vinhos e sucos), carne, leite em pó e milho. Veja, a seguir,
a tabela das exportações e importações do Brasil com os três parceiros do Mercosul, principalmente
com a Argentina, nosso principal parceiro no bloco.

Urbanização e mercados regionais 45


Como mostra a tabela, o intercâmbio do Brasil com os parceiros do Mercosul – em particular
com a Argentina – aumentou enormemente após a criação do bloco em 1991, passando de 3,6 bi-
lhões de dólares (total das exportações mais importações) em 1990 para mais de 47 bilhões em 2011.

Balança comercial do Brasil com o Mercosul

Ano Exportações (em bilhões de dólares) Importações (em bilhões de dólares)

1990 1 320 (49% para a Argentina) 2 311 (60% da Argentina)

1995 6 153 (52% para a Argentina) 6 843 (81% da Argentina)

2000 7 739 (80% para a Argentina) 7 796 (87% da Argentina)

2005 11 746 (84% para a Argentina) 7 053 (88% da Argentina)

2008 21 737 (81% para a Argentina) 14 934 (88% da Argentina)

2011 27 852 (82% para a Argentina) 19 375 (87% da Argentina)

2014 25 054 (57% para a Argentina) 18 446 (76% da Argentina)


FONTE: Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nov. 2015.

PERSPECTIVAS
As perspectivas do Mercosul nesta segunda década do século XXI são: continuação do avanço
nas relações comerciais entre os países-membros; liberalização no setor de serviços; abertura nas
concorrências públicas; novas legislações comuns e talvez até uma moeda única.
A expansão das relações de troca entre os Estados do Mercosul depende muito do desempenho
de suas economias nacionais. Quando existe uma importante crise econômica ou monetária, essas
relações comerciais ficam estagnadas ou até decrescem um pouco, tal como ocorreu com a grande
desvalorização sofrida pela moeda brasileira, o real, em janeiro de 1999, e também com a crise da
Argentina em 2001; e novamente com retrações econômicas nos dois países em 2014 e 2015.
Existem ainda problemas conjunturais que aos poucos vão sendo debelados: por exemplo,
Brasil e Argentina já rediscutiram muitas vezes os acordos automotivos entre os dois países (cotas de
exportação de automóveis de um país para o outro) e os acordos no setor de calçados e de bebidas,
etc., depois que a Argentina se sentiu prejudicada pela maior competitividade da indústria brasileira
– ou pelo fato de o governo argentino, interessado em popularidade e votos, ceder às pressões de
algum setor descontente no país (o setor calçadista, por exemplo), o que já ocorreu algumas vezes.
A liberalização dos serviços significa basicamente que os profissionais (médicos, advogados,
dentistas, professores, jornalistas, etc.) de qualquer um dos países-membros poderão trabalhar sem
restrições nas demais nações, o que quer dizer que os diplomas universitários desses países serão
plenamente reconhecidos em qualquer parte do Mercosul, como já ocorre entre os países da Europa
ocidental desde os anos 1980.
A abertura nas concorrências públicas significa que as empresas sediadas em qualquer um dos
Estados-membros poderão participar, em igualdade de condições, da disputa pelos gastos públicos
de municípios, estados ou governos federais (para troca de veículos, compra de equipamentos, pres-
tação de serviços, etc.), realizados em qualquer lugar dentro do Mercosul, o que já existe há tempos
nos países-membros da União Europeia.
Novas legislações comuns deverão ser discutidas e assinadas em várias áreas, desde normas
para certos setores (proteção ao consumidor, controle do deficit público, currículos mínimos para
determinados cursos, etc.) até a possível criação de um passaporte comum para os cidadãos, além de
instituições supranacionais (um parlamento, por exemplo). Um passaporte com o nome Mercosul
foi criado recentemente, mas continua sendo brasileiro, argentino ou uruguaio, trazendo o nome do
bloco na capa, além do nome do país emissor.

46 Urbanização e mercados regionais


Como sugeriram algumas autoridades brasi-

EVARISTO SA
leiras e argentinas, tudo isso poderá levar à cria-
ção de uma moeda comum (e, nesse caso, de um
banco central unificado) para o Mercosul. Mas
são apenas possibilidades, já que as resistências
e dificuldades são muitas – principalmente após
a crise do euro, moeda unificada da Europa, em
2011-2012 – e, como veremos a seguir, talvez o
Mercosul venha a ser esvaziado pela construção de
uma área de livre-comércio nas Américas, embora
hoje esta seja uma possibilidade bastante remota.
Cúpula do Mercosul reunida no Palácio do Itamaraty, em
Brasília, em julho de 2015. No primeiro plano, alguns dos
representantes dos países integrantes do bloco sul-ameri-
cano naquele ano: Cristina Kirchner, da Argentina; Horacio
Cartes, do Paraguai; Dilma Rousseff, do Brasil; Nicolas
Maduro, da Venezuela; e Evo Morales, da Bolívia.

Quadro-síntese dos países-membros do Mercosul


PIB em 2010 Renda per capita Exportações em Proporção das População vivendo com
Área (em População em 2010
País (em bilhões de em 2010 2010 (em bilhões exportações sobre menos de 2 dólares
km2) (em milhões de hab.)
dólares) (em dólares) de dólares) o PIB ao dia
Brasil* 8 547 403 190,7 2 047 10 710 201,9 9,1% 10,8%
Argentina* 2 780 092 41,8 369 9 124 68,1 15,2% 2%
Uruguai* 176 215 3,4 40 11 833 6,7 14,3% 1,2%
Paraguai* 406 752 6,8 18 2 840 4,5 18,9% 13,2%
Chile** 756 626 16,4 204 12 431 71,0 28,6% 2,7%
Bolívia** 1 098 581 9,6 20 1 979 6,2 25,3% 24,9%
Peru** 1 285 220 29,2 154 5 401 35,5 20,1% 12,7%
Colômbia** 1 138 914 44,7 288 6 240 39,8 12,0% 15,8%
Equador** 283 560 14,3 59 4 010 17,8 26,4% 10,6%
Venezuela*** 916 445 27,6 387 10 800 65,7 20,7% 23%
* Membros plenos e fundadores do bloco.
** Membros associados.
*** Aceita como membro pleno desde 2012.
Nota: Apesar de o México ser um membro observador do Mercosul, ele não foi incluído nesta tabela porque é um membro pleno de outro bloco ou mercado regional, o Nafta, ao qual
está de fato bastante integrado e com o qual tem o seu compromisso prioritário.
Tem direito a voz e voto nas decisões do Mercosul. Toda decisão do bloco deve ser unânime, isto é, aprovada por todos os membros plenos.
Membro Adota a TEC aplicada sobre as importações de países de fora do bloco. Cada país pode, entretanto, ter a sua lista de produtos considerados estratégicos ou sensíveis,
pleno que constituem exceções à TEC. GEOGRAFIA
Não pode se associar a outro bloco.
Pode assistir às reuniões como convidado, mas sem direito ao voto.
Membro Pode se associar a outro bloco.
associado Deve estabelecer um cronograma para criar uma zona de livre-comércio com o Mercosul, com redução gradual de tarifas sobre importações e exportações com os
países do bloco.
FONTE: Inter-American Development Bank. Economic and Social Statistics, 2011; WORLD BANK, 2012; Mercosur.
Disponível em: <www.mercosur.int>. Acesso em: 20 out. 2015.

Urbanização e mercados regionais 47


Como se deduz com base na tabela, o Mercosul possuía um PIB total de pouco mais de 3,5
trilhões de dólares em 2010, o que o colocaria como o quinto mercado internacional do mundo,
atrás somente da União Europeia (UE), dos Estados Unidos (ou Nafta), do Japão e da China. Mas
esse raciocínio é meramente hipotético, pois o bloco não é tão coeso e estruturado quanto a UE,
e vários desses países, a começar pelo Chile, como também a Venezuela, inegavelmente possuem
relações mais estreitas com os Estados Unidos, com países da Europa ou até com a China do que
com os demais países do Mercosul.
A população desses dez países somada atinge cerca de 385 milhões de habitantes, o que, teo-
ricamente, seria um excelente mercado de consumo. No entanto, o poder de compra da maioria
dessa população, quando comparado ao daqueles outros quatro mercados (exceto a China, embora
o poder de compra de sua população venha subindo enormemente a cada ano), é extremamente
baixo, sobretudo na Bolívia, no Paraguai, no Equador e no Peru – e até mesmo no Brasil, a maior
economia e o país mais populoso do bloco, que ainda possui grande concentração na distribuição
social da renda e ampla maioria da população com baixos rendimentos.
O Brasil é o verdadeiro gigante do Mercosul, e a nossa economia representa cerca de 58% do PIB
total desse mercado regional, considerando todos os dez países. Em segundo lugar vem a Argentina,
cuja economia representa aproximadamente 10,5% do total do bloco. A população brasileira repre-
senta quase metade do total do Mercosul. Isso significa que o Brasil é o grande mercado consumidor
do Mercosul, não só pela imensa população como também pela maior economia.
Um dos grandes desafios do Mercosul é a produtividade dos seus trabalhadores, algo crucial
para a competitividade de seus produtos no mercado internacional. O desenvolvimento de recursos
humanos e os esforços em pesquisa e desenvolvimento (P&D) são partes essenciais nesse processo.
É aí que se situam os reais motivos das diferenças de produtividade entre países desenvolvidos e
subdesenvolvidos. A maior parte das economias desenvolvidas gasta entre 2% e 3% do seu PNB em
P&D, ao passo que o Brasil gasta somente 1,1% e a Argentina, 0,65%.
Se os países do Mercosul, particularmente o Brasil e a Argentina, que são os mais industrializados
do bloco, não se empenharem mais no setor de P&D, em ciência e tecnologia, eles terão apenas uma
única – e problemática – competitividade no mercado internacional: os baixos salários e algumas
matérias-primas, como minérios, carnes ou soja, que por enquanto têm bom preço internacional,
mas não se sabe por quanto tempo. A produtividade da força de trabalho – e também a ciência
e a tecnologia – depende principalmente da qualidade da educação de cada país, o que coloca o
Mercosul em desvantagem, pois os nossos sistemas escolares, em geral, são precários.

PARA CONSTRUIR

2 Em que o Mercosul difere da União Europeia? Aponte pelo menos dois contrastes entre os blocos econômicos.
m
Ene-2 O Mercosul não é tão coeso quanto a União Europeia. No bloco econômico europeu, há a circulação de uma moeda única, o euro, ao passo que ainda
C 9
H-
se discute a sua criação no bloco sul-americano. Além disso, a maioria dos países que integram a UE busca valorizar recursos humanos e incentiva
pesquisa e desenvolvimento (P&D). No Mercosul, ainda é necessário empenho no setor de P&D, porém o sistema escolar, em geral, é precário.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 2 Para aprimorar: 3 e 4

48 Urbanização e mercados regionais


PROBLEMAS
Apesar do relativo sucesso do Mercosul, principalmente na integração comercial, o bloco
apresenta problemas. Para começar, há momentos de crise e estagnação nas relações comerciais
das duas principais economias, Brasil e Argentina. Em 2011 e 2012, por exemplo, muitos produtos
brasileiros – eletrodomésticos, calçados, biscoitos, chocolates e outros – foram barrados na fron-
teira com a Argentina, cujo governo atendeu aos reclames de setores da economia do país que se
queixavam da entrada de produtos importados do Brasil. Por sua vez, o Brasil retaliou e começou
a barrar vários produtos argentinos, incluindo automóveis – que constituem a maior fonte de
renda das exportações daquele país para o Brasil. O presidente do Uruguai na época, José Mujica,
reclamou dos dois países, pois uma pequena parte dos produtos – por exemplo, peças para auto-
móveis – exportados da Argentina para o Brasil, ou vice-versa, são fabricados no Uruguai. Esse tipo
de problema vem se tornando frequente no bloco, embora por enquanto não tenha provocado
forte retração nas relações comerciais.
Existem outros problemas que podem se agravar no futuro: a entrada maciça da China, que
suplantou os Estados Unidos e a Argentina e já se tornou o principal parceiro do Brasil no comércio
exterior; a entrada efetiva da Venezuela, que poderá ser um elemento desagregador do bloco; e a pos-
sibilidade, mesmo que remota nos dias atuais, da criação de uma área de livre-comércio nas Américas.

China
A China começa a ser um percalço na integração dos países do Mercosul, pois vem ocupando o
lugar que foi dos Estados Unidos durante praticamente todo o século XX: o de principal exportador
de bens manufaturados para os países do bloco e importador de um grande volume de matérias-
-primas (soja, minérios, carnes, petróleo, celulose, açúcar, couros e peles, lã e algodão). Como já men-
cionamos, a China se transformou, desde 2010, no principal parceiro comercial do Brasil e no segundo
maior parceiro comercial da Argentina, do Uruguai e do Paraguai – o primeiro ainda é o Brasil.
O grande problema é que o país asiático vende produtos industrializados, até mesmo com alta
tecnologia, e compra matérias-primas ou produtos manufaturados com baixa tecnologia. Além disso,
a China vem diversificando enormemente seu parque industrial, começando a fabricar e exportar
praticamente de tudo, e isso ameaça as exportações de manufaturados do Brasil, principalmente, e da
Argentina. Muitos setores industriais brasileiros – como de calçados, têxteis e brinquedos – já sofrem
com a concorrência dos produtos importados chineses, tendo ocorrido até o fechamento de certas
fábricas. Alguns setores obtiveram êxito em seus pedidos de proteção contra os importados: em
dezembro de 2010, o Brasil aumentou suas tarifas sobre as importações em uma lista de brinquedos
de 20% para 35%. O Brasil também iniciou uma série de investigações antidumping contra produtos
chineses. Resta esperar para vermos se essas medidas vão dar resultados.

Venezuela
A entrada da Venezuela também pode ser um problema para o futuro do Mercosul. Talvez ela
mais divida do que some. Apesar de riquíssima em petróleo e, portanto, um parceiro que teoricamen-
te amplia bastante o estoque energético do bloco, o atual governo da Venezuela tem pretensões de
liderar a América do Sul e construir a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), que, em vez de
ser um mercado regional, seria mais um bloco geopolítico anti-Estados Unidos, o que não interessa
nem um pouco ao Brasil, à Argentina ou ao Chile. GEOGRAFIA
O problema é o atual regime político da Venezuela, que controla o país desde 1999. Apesar de
ter sua economia baseada essencialmente no petróleo e o seu maior comprador ser os Estados Uni-
dos, o governo venezuelano adota uma ideologia que denomina bolivarista, que em síntese objetiva
unir a América Latina, vista como “explorada”, contra os Estados Unidos, que seriam o “explorador”
dessa região. Com isso, se discute se a entrada da Venezuela bolivarista no Mercosul é algo que vai
fortalecer ou enfraquecer o bloco em razão da sua oposição intransigente no que se refere àquela que
ainda é a maior economia do mundo e um importante parceiro comercial de todos os países do bloco.

Urbanização e mercados regionais 49


ANTON_IVANOV

PAOLO COSTA
Vista do Deserto de Atacama, no Chile. O país é membro associado do Mercosul. Vista da cidade de Caracas, capital da Venezuela, em foto de 2012. Rico em
Foto de 2014. petróleo, o país é um dos membros plenos do Mercosul.

Área de Livre-Comércio das Américas (Alca)


Outro grande desafio para o futuro do Mercosul é a perspectiva de efetivação da Alca, proposta
pelos Estados Unidos como uma tentativa de formar uma área de livre-comércio entre todos os paí-
ses do continente americano, com a possível exceção de Cuba. A primeira reunião dos representantes
de 34 Estados do continente americano, realizada em Santiago do Chile, em 1998, decidiu que a Alca
seria criada em 2005. Mas as negociações desse ano, realizadas em Miami, nos Estados Unidos, não
avançaram muito. A Alca, desde então, se encontra paralisada.
Vários países latino-americanos, incluindo o Brasil, queriam que os Estados Unidos abrissem o
seu mercado para certos produtos (aço, suco de laranja, gêneros agrícolas, etc., que são de setores
protegidos pelo governo daquele país), mas, inicialmente, as autoridades estadunidenses recusaram.
Daí a Alca ter ficado estagnada sem sequer ter sido iniciada: não foi declarada extinta nem existe de
fato, embora formalmente existam uma sede e um site na internet (www.ftaa-alca.org), onde pode-
mos encontrar informações e documentos em inglês, espanhol, francês e português.
De fato, tanto países latino-americanos, principalmente a Venezuela e secundariamente o Brasil,
não querem avançar nas discussões sobre a criação da Alca, como também o governo dos Estados
Unidos desinteressou-se temporariamente pelo assunto em função de outras prioridades: após 2001
em função do combate ao terrorismo e das guerras no Afeganistão e no Iraque; a partir de 2008, a
crise econômica iniciada nos Estados Unidos (a “bolha imobiliária”) e prosseguida com maior inten-
sidade em 2011 na Europa (a chamada “crise do euro”). A América Latina, desde o final do século
passado, parece não ter grande importância na política externa estadunidense, muito mais preocu-
pada com o avanço econômico da China e com o Oriente Médio.
A efetiva criação da Alca, se ocorrer de fato, vai depender basicamente da política estaduni-
dense, pois os Estados Unidos são o verdadeiro “gigante” dessa hipotética área de livre-comércio das
Américas: sua economia é muito maior do que o total de todas as demais economias do continente,
do Canadá à Argentina, passando por Brasil, México, Chile, Venezuela, Colômbia e outros. O PIB
total do continente em 2010 – de todos os 35 países (incluindo Cuba) – foi de cerca de 22 trilhões
de dólares, mas somente os Estados Unidos têm mais de 14,5 trilhões, o que significa que esse país
sozinho concentra mais de 70% da produção econômica das Américas.
Não haverá, portanto, a criação de uma área de livre-comércio nas Américas sem os Estados
Unidos, a maior economia nacional do continente e do planeta. Além disso, devemos lembrar que
o país está dividido quanto à criação da Alca: apesar de o governo ser favorável a ela, embora sem
grande prioridade, boa parte do Congresso estadunidense não é, pois a maioria dos eleitores e da
opinião pública do país acredita que não vale a pena se unir aos países pobres da América Latina.
Por sinal, boa parte da opinião pública estadunidense até hoje não aceita muito bem a criação
do Nafta (Acordo de Livre-Comércio da América do Norte), que abrange os Estados Unidos, o
Canadá e o México. Argumenta-se que o México teria levado vantagem, pois foi beneficiado com a
transferência de inúmeras indústrias dos Estados Unidos para o norte do seu território, atraídas pelos
salários e impostos mais baixos, além de outros incentivos, fato que teria prejudicado os trabalhadores
estadunidenses.

50 Urbanização e mercados regionais


Esse argumento é questionável, apesar de bastante propalado pelos sindicatos de trabalhadores
nos Estados Unidos. Primeiro porque não houve, após a criação do Nafta, aumento nos níveis de
desemprego nos Estados Unidos; pelo contrário, as taxas de desemprego no país, de 1995 em diante,
têm sido as mais baixas dos últimos 35 anos, pelo menos até 2008, quando se iniciou uma crise que
nada teve a ver com o Nafta. Segundo porque essas indústrias em parte já estavam indo para o norte
do México (e depois principalmente para a China) antes do Nafta, e provavelmente continuariam a
ir, de qualquer forma, pela simples razão de que essa região fronteiriça fica perto do mercado consu-
midor estadunidense, os transportes são bons e há isenção de impostos, além de os salários serem
bem mais baixos. E a enorme transferência de indústrias norte-americanas para a China, algo mais
recente e independente do Nafta, mostra que não foi esse tratado de livre-comércio que provocou
o deslocamento de empresas, mas, sim, a busca de menores preços de produção.
Além disso, não há dúvidas de que o México, com os acordos do Nafta, saiu perdendo em vários
setores: no de transporte de carga (os caminhões estadunidenses entram livremente no México, e
os mexicanos são impedidos de entrar nos Estados Unidos pelos sindicalistas que ficam na zona de
fronteira); na agricultura (com uma retração dos cultivos de milho e trigo, pois os produtos estadu-
nidenses são mais competitivos que os mexicanos) e outros.
Em todo caso, o governo estadunidense tem realizado acordos bilaterais com vários países da
América Central (Panamá e Costa Rica) e do Sul (Colômbia e Chile), o que talvez seja uma estratégia
para construir um mercado continental aos poucos e por partes. Os Estados Unidos também têm
acordos comerciais especiais com o Cafta – Central America Free-Trade Agreement (Acordo de
Livre-Comércio da América Central) –, que congrega Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras,
Nicarágua e República Dominicana.
Apesar dessas polêmicas, fica a questão: quais são as perspectivas do Mercosul em relação à
Alca? Esse mercado do Sul será beneficiado ou prejudicado?
A resposta para essas questões depende de como a Alca será estruturada, se é que vai ser efeti-
vada, e da sua evolução. Não se sabe muito bem o que a Alca de fato será – se apenas uma zona de
livre-comércio, o que é mais provável, ou se evoluirá até um mercado comum efetivo como a União
Europeia ou, mais modestamente, o Mercosul. Na segunda hipótese, de vir a ser um mercado inte-
grado, a Alca sem dúvida é de grande interesse para a América Latina em geral, até para os países do
Mercosul, pois haveria uma livre circulação de produtos e serviços, incluindo tecnologia e mão de obra.
É quase certo que os Estados Unidos vão continuar impondo restrições à compra de certos
produtos (álcool, biodiesel, suco de laranja, aço, etc.) por causa das pressões dos produtores estadu-
nidenses, da transferência de tecnologia sofisticada e das vendas de produtos estratégicos (super-
computadores, certos aviões e armamentos de precisão, etc.) para os países da América Latina. Será
também extremamente difícil que eles aceitem a livre circulação de trabalhadores dentro da Alca.
Eles não aceitam essa circulação sequer dentro do Nafta, entre Estados Unidos e México, quanto
mais com a América Central e a do Sul.
Assim, o mais provável é que a Alca permaneça tão somente como uma zona limitada de livre-
-comércio ou no máximo uma área de livre-comércio (veja o quadro da página seguinte para com-
preender melhor a diferença entre zona e área de livre-comércio e mercado comum), não chegando
sequer a formar uma união aduaneira. Isso significa algumas facilidades para o comércio (exportações
e importações entre os membros), mas não a livre circulação de tecnologia ou de pessoas, principal-
mente de trabalhadores, nem de passaporte ou de legislações importantes comuns.
Dessa forma, pairam sérias dúvidas sobre as vantagens da Alca para o Mercosul. Tudo depen-
derá do grau de abertura do mercado estadunidense para as exportações das economias latino-
-americanas. Se os Estados Unidos derem um tratamento de fato preferencial aos parceiros da Alca,
isto é, se retirarem as restrições que existem para esses países venderem ao mercado estadunidense
GEOGRAFIA
aço, aviões, biocombustíveis (álcool, biodiesel), certos produtos agrícolas, etc., isso poderá ser bom
para a economia brasileira e, em maior ou menor proporção, para as demais da América Latina. Por
enquanto, porém, tudo indica que isso não vai ocorrer, em razão da grande pressão dos produtores
estadunidenses (de aço, soja, laranja, milho, etc.) para impedir a abertura de mercado no país.
Todavia, a atitude de recusar a criação da Alca é algo que nenhum Estado do continente fez.
Alguns são entusiastas desse projeto: o Chile, o Peru, a Colômbia e os países centro-americanos em
geral. Outros, como a Venezuela, torcem e agem para que ele não se efetive. Alguns, ainda, liderados

Urbanização e mercados regionais 51


pelo Brasil, são cautelosos: aceitariam eventualmente a efetivação da Alca, mas desde que o mercado
estadunidense se abrisse para as importações de aço, biocombustíveis, produtos agrícolas, etc.
Enfim, a Alca permanece como uma incógnita. Talvez ela até venha a se efetivar e promover uma
integração continental em bases que sejam boas para todos, ou pelo menos para a maioria. Afinal
de contas, uma integração com a maior economia do mundo é algo, a princípio, muito interessante,
desde que seja bem negociada e que não existam desigualdades de tratamento entre as partes. Não
podemos esquecer que o crescimento do Japão e da Coreia do Sul, entre outros (até mesmo da Chi-
na), dependeu bastante das importações estadunidenses dos seus produtos. Sem essas importações,
a atividade industrial nesses países não teria crescido tanto.

Estágios de integração entre países


Zona de livre-
Estágio inicial de integração. Eliminação gradativa de barreiras comerciais entre os países-membros.
-comércio
Grupo de países que concordam em eliminar tarifas, quotas e preferências que recaem sobre a maior
parte dos (ou todos os) bens importados e exportados entre eles. O propósito da área de livre-comércio
Área de livre- é estimular o comércio entre os países participantes, por isso ela costuma ser vista como um passo para
-comércio a instituição de uma união aduaneira. Diferencia-se desta última pela inexistência de uma política
comercial comum (como uma tarifa externa comum), adotada por todos os países participantes e
válida para as importações provenientes de fora da área.
Área de livre-comércio com uma tarifa externa comum, além de outras medidas que conformem uma
política comercial externa comum. Entre um grupo de países ou territórios que instituem uma união
União aduaneira
aduaneira, há a livre circulação de bens (área de livre-comércio) e uma tarifa aduaneira comum a todos
os membros, válida para importações provenientes de fora da área.
União aduaneira com políticas comuns de regulamentação de produtos e com liberdade de circulação
de todos os três fatores de produção (terra, capital e trabalho) e de iniciativa. Em tese, a circulação de
Mercado comum
capital, trabalho, bens e serviços entre os membros deve ser tão livre como dentro do território de cada
participante. Um bom exemplo de mercado comum é a União Europeia.

PARA CONSTRUIR

3 Leia o texto abaixo.


m
Ene-2
C 8
Cidadania e justiça
H- Brasil discute com Mercosul ações para crise dos refugiados sírios
País apresenta programa de acolhimento e deve sugerir a membros do bloco medidas coletivas para receber estrangeiros
O Brasil e outros membros do Mercosul, além de países associados ao bloco, se reúnem nesta terça (3) e quarta-feira
(4), em Assunção, no Paraguai, para discutir ações implementadas ou que estudam implementar para acolher refugiados
sírios no continente.
A reunião dos presidentes das Comissões e dos Comitês Nacionais para os Refugiados (Conares) será utilizada pelo
Brasil para apresentar medidas adotadas pelo governo federal. O objetivo é de que o relato estimule os vizinhos sul-ameri-
canos na elaboração de seus programas de recepção de refugiados.
“Vamos avaliar em conjunto se é possível uma ação coletiva da região. Ela pode ser formada por medidas individuais,
uma vez que cada país tem sua autonomia, mas que pode estar alinhada para arrefecer a maior crise humanitária desde a
Segunda Guerra Mundial”, afirma ao Portal Brasil o presidente do Conare, Beto Vasconcelos.
Ele argumenta que cerca de 20 milhões de sírios estão em situação de risco devido ao conflito armado no país árabe.
O Brasil trabalha com a expectativa de que os países do Mercosul possam, ao longo da reunião na capital paraguaia, evoluir
para construir uma declaração conjunta sobre a importância de acolher alguma dessas pessoas.
“Nossa sugestão é de que cada país desenhe um programa. Nós vamos apresentar as ações que temos adotado no
Brasil e como acreditamos que os países da região podem adotar medidas semelhantes, resguardadas as particularidades de
cada nação”, diz.

52 Urbanização e mercados regionais


Será também apresentado aos presidentes dos Conares do Mercosul detalhes da medida provisória elaborada pela pre-
sidenta Dilma Rousseff, em outubro, prevendo o repasse de R$ 15 milhões para fortalecer a política de assistência a refugia-
dos e imigrantes no País.
A campanha nacional de sensibilização e informação contra a xenofobia, o preconceito e a intolerância a imigrantes é
outro ponto das ações brasileiras que será mostrada. [...]
Disponível em: <www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/11/paises-do-mercosul-vao-discutir-acoes-para-crise-dos-refugiados-sirios>.
Acesso em: 12 nov. 2015.
Por que, apesar de o Mercosul ser um bloco econômico, reuniões como a citada na notícia fazem parte de sua agenda? Você con-
sidera que o Mercosul deveria se posicionar mais politicamente como grupo? Justifique.
Resposta pessoal. Entretanto, espera-se que os alunos percebam a importância geopolítica do Brasil em relação aos demais países do
Mercosul. O país, desde o século XIX, tem sido destino para imigrantes de diversas nacionalidades, inclusive para aqueles que tornam-se
refugiados, como os sírios nos últimos anos, em decorrência da guerra civil em seu território. Assim, por exercer certa hegemonia
no Mercosul, o Brasil pretende que os demais países-membros e os países associados adotem ações já realizadas pelo governo brasileiro.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 3 Para aprimorar: 5 a 7

Veja, no Guia do Professor, as


respostas da “Tarefa para casa”.
TAREFA PARA CASA

com a participação do Paraguai e do Chile como países-


PARA
PARA PRATICAR
PRATICAR -membros do novo bloco.
III. A Zona de Livre-Comércio estabelecida entre os países-
1 Explique em qual contexto o Mercosul foi fundado. -membros implica na adoção de uma Tarifa Externa Co-
mum (TEC) pelos seus integrantes.
2 Retome o “Quadro-síntese dos países-membros do Merco- IV. Não há soberania compartilhada, de modo que cada Es-
m sul”, na página 47, e responda:
Ene-2
C 9
tado conserva a prerrogativa de impedir a adoção de de-
H- a) Qual é a posição do Brasil quando comparada à dos de- cisões com as quais não concorda.
mais países do bloco? Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas cor-
b) Faça uma análise das rendas per capita e do indicador da retas:
população abaixo da linha da pobreza. Depois explique
a) I e II. c) I e IV. e) III e IV.
se a situação apresentada pelos países dificulta ou não a
b) I, II e III. d) II, III e IV.
evolução e o aprimoramento do Mercosul.
2 (UEM-PR) Sobre o Mercado Comum do Sul (Mercosul), for-
3 Você acha que o Mercosul deve caminhar em direção ao que
mado no início da década de 1990, por Brasil, Argentina,
foi realizado pela União Europeia, isto é, liberalização no se-
Paraguai e Uruguai, e que apresentava como objetivo inicial
tor de serviços, abertura nas concorrências públicas, novas
estabelecer uma zona de livre-comércio entre os países-
legislações comuns e talvez até uma moeda única, incluindo
-membros, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).
o livre trânsito de trabalhadores entre os países-membros?
Justifique sua resposta. (01) O acordo inicial previa a eliminação gradativa de tari-
fas alfandegárias e restrições não tarifárias, liberando a
PARA
PARA APRIMORAR
PRATICAR circulação da maioria das mercadorias entre os países-
-membros.
1 (ESPCEX-SP) Com relação ao Mercado Comum do Sul (Mer- (02) Em 2008, a Argentina eliminou completamente todas GEOGRAFIA
cosul), podemos afirmar que: as medidas de proteção ao mercado interno, e a inte-
gração com a economia do Brasil tornou-se ampla e
I. A aproximação geopolítica entre Brasil e Argentina, que
representou uma ruptura com a tradição de rivalidade irrestrita.
das relações entre esses dois países, foi fator determinante (04) Em 2011, em razão do elevado nível de corrupção interna
para o seu surgimento. no Paraguai, em uma reunião realizada em Córdoba, na
II. O Tratado de Assunção, em 1991, o constituiu formal e Argentina, os membros do Mercosul decidiram, por una-
juridicamente e contou, além do Brasil e da Argentina, nimidade, excluir definitivamente o Paraguai do bloco.

Urbanização e mercados regionais 53


(08) O Brasil é o país de maior potencial econômico entre os membros do Mercosul, sendo responsável pelo maior volume do
comércio exterior entre os países que compõem o bloco.
(16) Em 2011, após aprovação dos demais membros do Mercosul, Chile, Venezuela e Equador passaram a integrar esse bloco
regional.

3 (FGV-SP) No decorrer do século XX, para a organização de projetos de criação de blocos econômicos, foi necessário superar rivali-
dades históricas. Isto ocorreu na Europa e também na América do Sul, quando o Brasil e a Argentina deixaram de lado as disputas
por hegemonia e engendraram um acordo, na década de 1980, que posteriormente originou o Mercosul. Estes exemplos permi-
tem afirmar que:
a) a herança colonial europeia dá maior flexibilidade aos países sul-americanos no âmbito das relações políticas e econômicas.
b) quando o objetivo é reduzir ou eliminar os desníveis econômicos, as diferenças históricas são abandonadas.
c) as questões de natureza étnico-culturais podem ser relevantes para o estabelecimento de relações comerciais.
d) no contexto da globalização, as relações entre os Estados e as economias nacionais são modificadas.
e) as questões geopolíticas se tornam entraves quando os países procuram estabelecer relações multilaterais.

4 (Uern) As perspectivas do Mercosul nestas primeira e segunda décadas do século XXI são a continuação do avanço nas relações
comerciais entre os países-membros. Analise o quadro-síntese a seguir.

Quadro-síntese dos países-membros do Mercosul

PNB em 2008
Área População em 2008 Renda per capita Ano de entrada no População abaixo da
País (em bilhões de
(em km2) (em milhões de hab.) (em dólares) bloco linha da pobreza***
dólares)

Brasil* 8 547 403 188 1 300 4 730 1991 21,2%

Argentina* 2 780 092 41 280 5 150 1991 23,0%

Uruguai* 176 215 3,5 23,2 5 310 1991 5,7%

Paraguai* 406 752 6 10,8 1 400 1991 33,2%

Chile** 756 626 16,5 165 6 980 1996 9,6%

Bolívia** 1 098 581 9,5 10,2 1 100 1996 42,2%

Peru** 1 285 220 28,8 110 2 920 2003 31,8%

Colômbia** 1 138 914 44 171,8 2 750 2004 17,8%

Equador** 283 560 13,5 44,2 2 840 2004 37,2%

Venezuela* 916 445 28 236,4 6 070 2006 27,6%

* Membros plenos.
** Membros associados.
*** População abaixo da linha da pobreza refere-se aos indivíduos que vivem com menos de 2 dólares ao dia.
Nota: Apesar de o México ser um membro observador do Mercosul, ele não foi incluído nesta tabela porque é um membro pleno de outro bloco ou mercado regional, o
Nafta, no qual está de fato bastante integrado e com o qual tem o seu compromisso prioritário.
FONTE: Elaborado pelo autor com base em várias fontes: Inter-American Development Bank. Economic and Social Statistics, 2007; WORLD BANK, 2008; site do
Mercosul: <www.mercosur.int>; VESENTINI, J. William. Geografia: o mundo em transição. São Paulo: Ática, 2010. p. 335.

54 Urbanização e mercados regionais


Com base na tabela, é correto afirmar que:
a) a economia da Argentina representa 40%, aproximadamente, da economia total do bloco.
b) o Brasil é o grande consumidor do bloco, não só pela imensa população, como também pela economia.
c) o Uruguai, devido à pequena população, tem uma participação econômica menor que a do Paraguai nas relações comerciais
do bloco.
d) o Chile, apesar de participar do bloco apenas como membro associado, apresenta uma participação econômica superior à da
Argentina.

5 (IFBA) 
m
Ene-2 Mercosul debaterá espionagem e segurança da internet
C 8
H-
No momento em que novas denúncias de espionagem foram trazidas a público [...], dessa vez envolvendo quebra de
sigilo das comunicações de e-mail, SMS, chamadas telefônicas e até mesmo navegação na internet da presidente Dilma
Rousseff e seus assessores diretos, os ministros do Interior – o equivalente à Casa Civil no Brasil – e da Justiça dos países
que compõem o Mercosul e outros associados ao bloco se preparam para discutir as denúncias de espionagem e a seguran-
ça da internet. Os ministros dos países-membros e associados se reunirão no dia 8 de novembro, nas Ilhas Margarita, na
Venezuela, e debaterão também outras questões, como fluxos migratórios, jogos de futebol, delitos cibernéticos e integração
de dados entre os países do bloco.
Disponível em: <http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/
mercosuldebatera-espionagem-e-seguranca-da-internet>.
Acesso em: 9 set. 2013. Adaptado.
Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre o Mercosul, analise as sentenças abaixo:
I. Atualmente, o Mercosul é formado por quatro países-membros: Argentina, Brasil, Uruguai e Venezuela. Em 2012, o Paraguai foi
expulso devido ao processo de impeachment do presidente Fernando Lugo.
II. As reuniões do Mercosul, além de tratarem de questões comerciais, também são voltadas para temas das esferas política, cul-
tural e esportiva, o que demonstra o objetivo de integração entre os países-membros.
III. Atualmente, o bloco se classifica como um mercado comum, depois de ter passado pelos estágios de união aduaneira e de área
de livre-comércio. Esse atual estágio é caracterizado pela livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais.
IV. Esse bloco econômico foi criado com a assinatura do Tratado de Assunção, em 1991, por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Com isto, objetivavam a integração dos quatro Estados-membros por meio do estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum
(TEC).
Estão corretas apenas as alternativas:
a) I e II.
b) I e IV.
c) II e IV.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.

6 (IFMG)
m Mercosul cria problemas para negociações entre Brasil e União Europeia
Ene-2
C 7
H-
De acordo com especialistas, se o Brasil quiser firmar um acordo comercial com a União Europeia (UE), terá de se
desvencilhar de cláusulas que o obrigam a negociar em conjunto com os outros países do Mercosul. A ligação com o bloco
impede o acerto graças às suas políticas protecionistas. Entre os setores mais prejudicados estão o agronegócio, que sofre
com as elevadas taxas de exportação impostas pelo Mercosul, e a indústria, já que o setor depende de vendas externas para
se manter.
Disponível em: <http://goo.gl/V2fNvf>. GEOGRAFIA
Acesso em: 28 nov. 2013. Adaptado.

O impasse nas negociações entre o Brasil e a União Europeia ilustra uma das contradições presentes no Mercosul. As regras vigen-
tes nesse bloco econômico criam tais contradições porque:
a) aumentam a autonomia política dos seus membros, mas geram dificuldades para o livre-comércio entre eles.
b) dificultam a exportação de produtos agropecuários para a UE, mas simplificam o intercâmbio de artigos industrializados.
c) incentivam o comércio entre seus membros e os Estados Unidos, mas impedem as negociações com a União Europeia.
d) reduzem as barreiras alfandegárias entre os seus membros, mas dificultam as relações com países de fora do bloco.

Urbanização e mercados regionais 55


7 (ESPM-SP) A entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul permite que o Bloco reformule a sua composição e ganhe
novo impulso graças à incorporação da terceira economia da América do Sul.
Quanto ao ingresso da Venezuela no Mercosul, é correto assinalar:
a) foi aprovado de comum acordo pelos quatro membros plenos do bloco: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
b) foi aprovada por Argentina, Brasil e Uruguai, sem o voto do Paraguai, suspenso do bloco em consequência do golpe de Estado
naquele país.
c) foi aprovada apesar da discordância do Paraguai, pois o ingresso de novo país-membro no Mercosul podia ocorrer por maioria
simples.
d) foi aprovada apesar da discordância do Uruguai, beneficiada pela suspensão do Paraguai, em consequência do golpe branco
que derrubou seu presidente.
e) contou com o apoio geral da imprensa brasileira, bem como da situação e da oposição política no Brasil, convencidos de que
o governo venezuelano satisfaz a cláusula democrática, requisito necessário para o ingresso.

ANOTAÇÕES

56 Urbanização e mercados regionais


CAPÍTULO

4 Nafta

Objetivos: A CRIAÇÃO DO NAFTA


c Entender a criação do O Nafta – North American Free Trade Agreement, ou Acordo de Livre-Comércio da Amé-
Nafta como resposta rica do Norte – começou em 1988 com um tratado de livre-comércio entre Estados Unidos e
dos Estados Unidos à Canadá. Nesse mesmo ano, o México propôs que o tratado fosse extensivo a toda a América
União Europeia. do Norte, formando um acordo entre os três países. Estados Unidos e Canadá concordaram
c Analisar a inclusão do e, em 1993, assinaram os acordos que deram início ao Nafta, que depois acabou por incluir o
México no tratado. Chile como membro associado. As finalidades desse bloco econômico são: eliminar as barrei-
ras alfandegárias e facilitar o movimento de produtos e serviços entre os territórios dos países
c Perceber a disparidade participantes e aumentar substancialmente oportunidades de investimento entre esses países.
econômica que existe O grande problema do Nafta é que existe uma enorme disparidade econômica entre os três
no Nafta. países fundadores e membros plenos. Os Estados Unidos, como se pode observar pela tabela abaixo,
têm uma produção econômica anual que é quase seis vezes superior à do México e à do Canadá
c Refletir sobre a
somadas. Além disso, o padrão de vida nos Estados Unidos e no Canadá, dois países desenvolvidos
construção do muro
e com elevadíssimo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), é sensivelmente superior ao vigente
entre Estados Unidos e
México.
no México. Enquanto a renda per capita daqueles dois países é superior a 40 mil dólares (e com uma
maior distribuição, principalmente no Canadá), no México ela não chega a 10 mil dólares e, para
piorar, é muito concentrada, com a existência de enormes desigualdades sociais.

Quadro-síntese dos países do Nafta


PIB Renda per Exportações Importações
Área População em 2010 capita em em 2010 em 2010
País
(km2) em 2010 (bilhões 2010 (bilhões (bilhões
de dólares) (dólares) de dólares) de dólares)
Estados Unidos 9 371 175 308 375 538 15 094 47 153 1 411,5 2 129,0
Canadá 9 984 670 34 019 000 1 736 46 212 383,0 401,7
México 1 958 201 112 322 737 1 155 9 133 298,5 301,5
FONTE: WORLD BANK. World Development Indicators, 2011.

O Nafta abrange uma área enorme, superior a 21 milhões de km2, e a população somada dos
três países é de pouco mais de 450 milhões de pessoas, embora a maioria (68%) viva nos Estados
Unidos. Também o poder aquisitivo é bem discrepante: maior no Canadá e nos Estados Unidos e
bem menor no México. Existe ainda o fato de que os Estados Unidos possuem muitos parceiros
comerciais para suas exportações e importações – principalmente, pela ordem, China, Japão e Ale-
manha – que são mais importantes para o país que os seus parceiros do Nafta, destacadamente o
México. Já este exporta principalmente para os Estados Unidos – 76% do total, principalmente pe-
GEOGRAFIA

tróleo e produtos industrializados fabricados por indústrias estadunidenses localizadas no norte do


México. O país importa mais de 60% de seus produtos – como aço, peças de automóveis, aviões,
produtos agrícolas, etc. – do seu vizinho ao norte. O Canadá também depende basicamente do
mercado norte-americano (75%) para suas exportações – de automóveis e autopeças, máquinas,
fertilizantes, produtos de telecomunicações, etc. –, embora a maior parte de suas importações
(pouco mais de 50% do total) nos dias de hoje venha da China. Mas o que pesa mais para uma
economia – para as indústrias, a agricultura, a geração de empregos, etc. – é o mercado comprador

Urbanização e mercados regionais 57


para as suas exportações, o que significa que também existe dependência econômica canadense
em relação aos Estados Unidos.
O Nafta, na realidade, representou mais uma sensível mudança nas relações entre Estados Uni-
dos e México, pois o Canadá sempre foi – pelo menos desde meados do século XX – uma espécie
de anexo da economia norte-americana, sendo que os dois países já são bastante integrados há
tempos. Já o México era relativamente isolado desses dois países desenvolvidos. Para o México, o
Nafta significa, antes de tudo, maior integração com o seu vizinho ao norte, que também é o seu
maior e quase exclusivo parceiro comercial.

BRUCE BENNETT/ EQUIPA/GETTY IMAGES


A integração dos Estados Unidos e do
Canadá, além de econômica, pode ser
observada em outras esferas, como nas
relações culturais e nos jogos esportivos.
Na foto, jogo da National Hockey
League (Liga Nacional de Hockey)
em que competiram, no dia 17 de janeiro
de 2016, os times Vancouver Canucks e
New York Islanders.

Aos Estados Unidos interessaram dois pontos principais no acordo: primeiro, criar um mercado
regional, ou bloco, que ampliasse o poderio da economia norte-americana no tocante à competição
de outras áreas, principalmente a União Europeia naquele momento (1993); segundo, resolver ou
amenizar uma questão crucial, as volumosas migrações – legais ou principalmente clandestinas – que
saem do México em direção ao seu território.
Essa questão demográfica resulta em sérios problemas étnicos e econômicos nos Estados Unidos:
queixas dos sindicatos estadunidenses contra a concorrência da mão de obra estrangeira mais barata
e, consequentemente, contra a perda de certos empregos; acirramento do racismo (agora em relação
aos latinos, principalmente, e não mais apenas aos afro-americanos); e necessidade de gastar mais em
saúde e educação públicas, pois os milhões de imigrantes também necessitam desses serviços. Como
vimos no Caderno 3, as queixas de que a imigração causaria o aumento do desemprego ou dos gastos
com serviços sociais são infundadas, já que os imigrantes pagam mais em impostos do que recebem, e
contribuem para o crescimento econômico dos Estados Unidos. Mas os reclames dos sindicatos e de
políticos conservadores – muitas vezes com apoio de parte da mídia – continuam. É bom deixar claro
que o Nafta é apenas uma área de livre-comércio e não uma união econômica e política, como ocorre
na Europa. Aos estadunidenses e canadenses não interessam fronteiras livres ou um passaporte único.
Para eles, apenas as mercadorias e os capitais podem circular à vontade entre os três países – embora
com restrições para determinados produtos considerados estratégicos, como certos armamentos ou
supercomputadores, por exemplo –, mas a população, não. Uma das preocupações dos Estados Unidos
com o Nafta foi tentar segurar a população mexicana no norte do país, nas cidades que se industriali-
zaram com os investimentos norte-americanos. Isso, contudo, não foi alcançado; pelo menos não na
proporção almejada. Daí os Estados Unidos terem reforçado o policiamento na imensa fronteira de
3 140 km que possuem com o México e terem construído um muro em trechos mais problemáticos
desse limite. Mesmo assim, por volta de 1 milhão de pessoas cruza clandestinamente essa fronteira
todos os anos (incluindo brasileiros e outros latino-americanos que procuram trabalhar e residir nos
Estados Unidos e usam o México como ponte), arriscando a vida para conseguir isso.

58 Urbanização e mercados regionais


O muro na fronteira entre Estados Unidos e México
Os Estados Unidos iniciaram em 1994 a construção de uma “barreira de contenção”,
como eles denominam: trata-se de uma barreira, ou muro, que separa o território norte-
-americano do mexicano com a finalidade de evitar o tráfico de drogas e imigrantes ilegais que
cruzam a fronteira sul em busca de empregos. O muro inclui iluminação de alta intensidade,
detectores de pessoas em movimento, sensores eletrônicos e equipes com óculos de visão
noturna, como também vigilância permanente com veículos automotivos e helicópteros. Em
determinados locais, o muro é uma cerca de 5 metros de altura construída de malha de aço
forte e pintada com a cor de ferrugem igual à da terra do local. Em outros lugares, é um muro
de concreto ou de aço coberto por rolos de arame farpado.

AURORA PHOTOS / ALAMY

Os Tohono O’odham, grupo de aborígines americanos que habita o deserto de Sonora, na fronteira dos
Estados Unidos com o México, foram afetados pela construção do muro. Eles não têm livre acesso a
locais sagrados que estão a apenas alguns quilômetros de distância.
O muro cobre pouco mais de um terço (1 100 km) dos 3 140 km que separam os Es-
tados Unidos e o México, cortando até áreas urbanas – principalmente entre San Diego e
Tijuana; ou entre El Paso e Ciudad Juárez – e foi construído nas áreas em que no passado se GEOGRAFIA
registravam maiores entradas de drogas e de imigrantes ilegais para os Estados Unidos. Nos
lugares em que não há o muro físico, existe uma “cerca virtual”, isto é, uma rede de sensores
eletrônicos, câmeras e torres espalhadas, além dos helicópteros em permanente vigilância e
comunicação com os policiais que estão em terra. Existem os defensores e os críticos desse
muro. Uma cidade que foi cortada ao meio pelo muro é Nogales, cuja parte ao norte, nos
Estados Unidos, é rica, e a parte sul, no México, é extremamente pobre.

Urbanização e mercados regionais 59


A partir da criação do Nafta e da entrada em vigor das tarifas especiais entre os três países-
-membros, as relações comerciais do México com o Canadá e, principalmente, com os Estados
Unidos aumentaram substancialmente. O México saiu perdendo em vários setores. O milho, por
exemplo, um produto muito popular no país e base da alimentação dos mexicanos, foi prejudicado
e teve a sua área de plantação muito reduzida no país, porque o milho estadunidense é mais com-
petitivo: no México, esse gênero alimentício é produzido em pequenas propriedades camponesas, a
custos maiores que nos Estados Unidos, onde o tamanho das propriedades em geral é maior e elas
são bem mais mecanizadas e têm maior produtividade, além de haver subsídios para os agricultores.
Os Estados Unidos deixaram também de cumprir vários itens do acordo em consequência da pressão
de sindicatos. Por exemplo: o comércio entre os Estados Unidos e o México é feito principalmente por
rodovias e, portanto, o tráfego de caminhões entre esses países deveria ser livre. Mas os caminhoneiros es-
tadunidenses fazem piquetes nos postos da fronteira e impedem a entrada no país dos veículos mexicanos,
embora isso não ocorra na fronteira norte com o Canadá. No entanto, os caminhões estadunidenses entram
à vontade no México e por isso têm, na prática, uma quase exclusividade de levar e trazer as mercadorias
entre os dois países.
Outro exemplo: seja em aeroportos, seja em postos da fronteira terrestre, os cidadãos estadunidenses
entram e saem à vontade do México, sem enfrentar nenhuma fila – basta mostrar rapidamente a capa do
passaporte. Já os mexicanos enfrentam demoradas filas, têm os seus passaportes minuciosamente exami-
nados, às vezes são revistados e, não raro, têm a sua entrada nos Estados Unidos recusada. Na fronteira que
fica em Tijuana, México, vizinha de San Diego, Estados Unidos, existe um fluxo de caminhões e automóveis
que é dos mais movimentados do mundo: quase 50 mil veículos e mais de 200 mil pessoas passam por
ali todos os dias; do lado norte-americano, para ir ao México, existem 20 pistas e um trânsito normal, mas
no sentido contrário, do México para os Estados Unidos, existem apenas duas pistas e filas intermináveis
de várias horas – e inspeção em cada veículo – para atravessar a fronteira. Os governos mexicanos, prati-
camente submissos, nada fazem contra essa e outras discriminações semelhantes, o que contribui para a
sua baixa popularidade e para a crescente aversão de boa parte dos mexicanos ao Nafta. Eles praticamente
não investem na sua fronteira norte, com o argumento de que “isso é um problema norte-americano”; mas,
por outro lado, investem bastante nas fronteiras ao sul, com a Guatemala e Belize – dois países ainda mais
pobres que o México –, com vistas a impedir que pessoas da América Central entrem com drogas ou com
o objetivo de residir no país.

PARA CONSTRUIR

1 (UEG-GO) Uma das faces da globalização é a criação de mercados comuns entre grupos de nações chamados de megablocos
m ou blocos regionais; é uma forma de regionalização dentro do espaço mundial e, ao mesmo tempo, uma forma de aumentar as
Ene-2
C 8
H- relações em escala global, pois os países participantes de um bloco têm acesso a vários mercados consumidores, dentro e fora de
seu bloco. Sobre alguns dos blocos da América, responda:
a) Cite os países que compõem o Nafta e explique quais são os reflexos dessa organização para o país representante da América Latina.
O Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta – North American Free Trading Agreement) é composto por Estados Unidos, Canadá e
México. A economia mexicana é a que mais tem problemas com o acordo. A formação de empresas “maquiladoras” e a grande dependência
em relação à economia estadunidense, deixando vulnerável a posição mexicana e as ações repressivas nas áreas de fronteira, favorecem a queda
da economia mexicana, o aumento do endividamento do país, a dependência na importação de alimentos e a exploração de sua mão de obra.

b) A criação da Alca sofreu várias críticas em função dos prejuízos que pode representar para o Mercosul. Explique.
Sobre a formação da Alca, sempre pairou a sombra do gigante econômico, os Estados Unidos, fato que gerou críticas, pois os demais
países, principalmente os latino-americanos, receavam a desestruturação de suas economias pela influência norte-americana. São questionados
o poder de competição dos estadunidenses, em termos de quantidade, preços e serviços, e o fato de uma abertura econômica ficar
naturalmente controlada pelos Estados Unidos, dificultando a circulação de produtos, pessoas e tecnologia de modo equilibrado.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 1 Para aprimorar: 1 e 2

60 Urbanização e mercados regionais


ESTADOS UNIDOS E CANADÁ: DOIS PAÍSES
INTEGRADOS
O Canadá e os Estados Unidos são dois países tão integrados que alguns autores afirmam que o
Canadá é uma espécie de anexo do seu poderoso vizinho do sul (observe o mapa abaixo). O idioma
predominante em ambos é o inglês; a população, em sua maioria, é branca, de origem europeia, prin-
cipalmente inglesa; a religião protestante é a mais praticada nas duas nações. A economia canadense
é muito dependente da estadunidense: 75% das exportações do país vão para esse mercado – e uma
boa parte das suas importações vem de lá, embora, como já vimos, seja atualmente menor que a
parte que vem da China.
Essa integração acabou desenvolvendo certa dependência da economia canadense em relação
à estadunidense. Mas essa dependência não se assemelha à que costuma marcar as relações entre
os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos: o Canadá exporta principalmente produtos indus-
trializados para os Estados Unidos, possui um ótimo sistema educacional, com boas universidades e
institutos de pesquisas científicas e tecnológicas; tem um padrão de vida médio elevadíssimo para a
população (até maior que o estadunidense) e não é marcado pelas profundas desigualdades sociais
típicas dos países do Sul, em particular dos latino-americanos em geral. Além disso, o Canadá, mes-
mo tendo uma população relativamente escassa (34 milhões de habitantes em 2010), possui uma
das maiores economias do mundo – a décima em 2010 –, o que significa elevada renda per capita,
superior a 46 mil dólares em 2010, que é mais bem distribuída que a norte-americana e, principal-
mente, que a mexicana. Nesse sentido, podemos dizer que a dependência do Canadá em relação aos
Estados Unidos não é um tipo de subordinação, mas, sim, guardadas as devidas proporções, um tipo
de integração mais semelhante ao que existe entre os países da União Europeia, como Alemanha e
Áustria, por exemplo.

Estados Unidos e Canadá: político

ico
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OCEANO GLACIAL
ÁRTICO

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ISLÂNDIA
lo
GROENLÂNDIA
rcu

Mar de TERRA (DIN)


ALASCA (EUA) Beaufort DE


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Fairbanks
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Whitehorse A
do Alasca D
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Juneau
N

Ketchikan CANADÁ
Prince
Rupert Baía
de Hudson
FONTE: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro, 2007. Adaptado.

Edmonton Thompson

Vancouver Saskatoon TERRA


OCEANO Calgary St. John's
Seattle NOVA
PACÍFICO
Quebec
Portland ReginaWinnipeg
Trois Rivières
Lago Superior Montreal Halifax
Duluth Lago Huron
Lago Michigan Toronto Ottawa
São Minneapolis Lago Ontário
Buffalo Boston
Francisco Milwaukee Detroit
ESTADOS Lago Erie Nova York
Salt Lake City UNIDOS Chicago Filadélfia
Cleveland
Denver Columbus Baltimore
Tr
GEOGRAFIA
óp Cincinnati Washington OCEANO
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Orleans
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Miami
Cidade muito importante Golfo
MÉXICO 0 590
Cidade importante do México
km

Urbanização e mercados regionais 61


Estados Unidos e Canadá: recursos minerais e energéticos

o
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GROENLÂNDIA

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(DIN)

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OCEANO

FONTE: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro, 2013. Adaptado.


ATLÂNTICO

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COLORADO PLANÍCIE

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CENTRAL
Ouro

NT
MO
Altitudes (em metros) Bauxita
Mais de 2 000 N Cobre
400 a 2 000 Níquel
0 a 400
MÉXICO 0 660
Zinco
Trópico de Câncer km

FORMAÇÃO TERRITORIAL DOS ESTADOS UNIDOS


A formação territorial dos Estados Unidos iniciou-se no século XVII, quando puritanos ingleses
promoveram a colonização do território. Em 1607, puritanos protestantes desembarcaram na baía
que recebeu o nome de Chesapeake, na planície litorânea do oceano Atlântico. Em 1620, outro grupo
de puritanos desembarcou do navio Mayflower a nordeste daquela mesma planície. Ao longo do
século XVII, outras colônias foram surgindo de norte a sul na faixa litorânea a leste. Assim, em meados
do século XVIII, formaram-se as Treze Colônias inglesas na América do Norte.

Estados Unidos: formação territorial


CANADÁ Limites atuais dos estados
As antigas Treze Colônias

FONTE: Grand atlas historique. Paris: Larousse, 2004. Adaptado.


Território obtido da Inglaterra – 1783
Território comprado da França – 1803
Rio Território cedido pela Inglaterra – 1818
M
Flórida, comprada da Espanha – 1819
iss
ou

o Território anexado em 1845


ri

rad
ol o

Rio
C Território cedido pela Inglaterra – 1846
OCEANO
ATLÂNTICO Território comprado do México – 1848
i
íp
iss

Território comprado do México – 1853


Rio Miss
Rio G

Alasca, comprado da Rússia – 1867


a
r

Alasca
nd

OCEANO
e

PACÍFICO
N

0 460 MÉXICO EUA


km

62 Urbanização e mercados regionais


Essa colonização está intimamente ligada às graves disputas político-religiosas que ocorriam na
Inglaterra, que levaram um grande número de pessoas a procurar reconstruir a vida fora da Europa.
Foi a chamada colonização de povoamento, na qual os colonos vinham para a América para formar
uma “nova pátria”. Foi um tipo de ocupação da terra bem diferente da colonização de exploração,
que predominou no sul dos Estados Unidos e na América Latina.
Nesta, os europeus vinham não para povoar, para residir permanentemente; eles vinham
para extrair riquezas (ouro, prata) ou para produzir gêneros agrícolas necessários à Europa da
época (açúcar, algodão), em geral utilizando mão de obra escrava. Em contrapartida, a colo-
nização de povoamento apresentou características especiais, baseadas em princípios demo-
cráticos dos puritanos. Eles estabeleceram certa independência entre as colônias, ainda que
elas estivessem unidas em torno de objetivos comuns, o que foi de grande importância no
momento de se libertarem da metrópole.
Embora reconhecendo a supremacia do governo inglês, desde o princípio as colônias de
povoamento asseguraram para si certa autonomia. Elas passaram a desenvolver até mesmo
manufaturas, como têxteis e de gêneros alimentícios, apesar da proibição da Inglaterra.
As colônias do sul, por sua vez, desenvolveram grandes propriedades agrícolas e empre-
garam mão de obra escrava. A agricultura, voltada para o mercado externo, especializou-se na
produção de mercadorias tropicais, como tabaco e algodão, de grande interesse comercial na
Europa. O cultivo de tais produtos levou ao estabelecimento de relações mais estreitas entre
essas colônias de exploração e a metrópole.
O contínuo crescimento das manufaturas nas colônias do Norte ampliou sua autonomia.
Se, no século XVII, a Inglaterra não interferia muito na organização das colônias, ela mudou
sua postura em meados do século XVIII. Em 1763, a Inglaterra saía vitoriosa da Guerra dos Sete
Anos contra a França e apoderava-se de dois importantes domínios coloniais franceses: Canadá
e Índia. Como a guerra havia causado grandes prejuízos à economia inglesa, o Parlamento de-
cretou várias medidas para recuperá-la. Entre essas medidas, algumas representavam pesados
encargos ou se opunham à autonomia das Treze Colônias: a imposição de só negociar com a
Inglaterra; a obrigação de os norte-americanos darem abrigo e sustento às tropas inglesas na
América; a lei dos selos, pagamento feito à metrópole por selo, que passou a ser obrigatório em
todos os jornais e documentos oficiais das colônias; e por fim a imposição de que o comércio
do chá, importante para as colônias, fosse um monopólio da Companhia das Índias Orientais,
empresa cuja imensa maioria das ações pertencia aos ingleses.
Esse último ato ou encargo, o Tea Act (Lei do Chá), foi o estopim para o início do conflito
que levou à declaração de independência das Treze Colônias e à criação, em 1776, de um novo
país, que na época era uma confederação: os Estados Unidos da América. Mas a Inglaterra
só reconheceu a independência das colônias depois de intensas lutas. A independência dos
Estados Unidos foi a primeira em todo o continente e serviu de inspiração para quase todas
as demais colônias – basta lembrarmos da admiração de Simón Bolívar ou dos inconfidentes
da Inconfidência Mineira, desmantelada em 1789, pela independência dos Estados Unidos.
A declaração de independência proclamava os direitos universais do ser humano e serviu
de base para a Constituição do país, promulgada em 1787 e em vigor até hoje. Ela determinava
que o país se organizasse politicamente numa confederação, isto é, num regime político des-
centralizado, em que cada Estado possui grande autonomia, praticamente uma independência.
Na segunda metade do século XIX, contudo, principalmente com a Guerra de Secessão de
1861-1865, ocorreu a transição de confederação para federação (uma união de Estados que GEOGRAFIA
formam um único Estado nacional, com suas Forças Armadas unificadas, em que as leis fe-
derais têm primazia sobre as estaduais). Apesar disso, até hoje a imensa maioria dos recursos
públicos (impostos, taxas, contribuições) fica com os estados e os municípios – e não com o
governo federal. As constituições estaduais variam enormemente, tendo, por vezes, leis bas-
tante diferentes entre si; por exemplo: em alguns estados existe a pena de morte e em outros
não; em alguns, o espanhol ou o francês foram proclamados idiomas oficiais ao lado do inglês;
em outros, foram decretadas leis que permitem o aborto ou o casamento homossexual, etc.

Urbanização e mercados regionais 63


Observe o mapa político atual dos Estados Unidos.

Estados Unidos: político

CANADÁ
WASHINGTON

DAKOTA MINNESOTA Lago Superior MAINE


MONTANA DO NORTE
MI VERMONT
OREGON CH Lago Huron
IG
DAKOTA AN NEW HAMPSHIRE
IDAHO WISCONSIN Lago Ontário
DO SUL MASSACHUSETTS
NOVA YORK RHODE ISLAND
WYOMING Rio Lago Michigan
M
i
Lago Erie CONNECTICUT

ss
NEBRASKA IOWA PENSILVÂNIA

ou
OHIO NOVA JERSEY

ri
NEVADA INDIANA Washington
DELAWARE
UTAH

FONTE: SIMIELLI, M. E. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2013. Adaptado.


ILLINOIS VIRGÍNIA
COLORADO MARYLAND
OCIDENTAL
CALIFÓRNIA KANSAS
VIRGÍNIA
MISSOURI KENTUCKY
CAROLINA OCEANO
TENNESSEE DO NORTE ATLÂNTICO
ARIZONA ARKANSAS
NOVO MÉXICO OKLAHOMA CAROLINA

i
DO SUL

Mississíp
OCEANO
PACÍFICO GEÓRGIA
ALABAMA
TEXAS

Rio
ALASCA MISSISSÍPI
160° O
RÚSSIA
130° W
MÉXICO LOUISIANA
CANADÁ
ALASCA
(EUA) HAVAÍ Golfo do FLÓRIDA
60° N
170° W 160° O
160° W México
N
Tróp. de Câncer
0 285
IIIIIIIIII Capital do país
km

A conquista do Oeste
Após a independência, os norte-americanos iniciaram a conquista do Oeste. Tratava-se de uma
política de expansão territorial muito rápida, na qual centenas de comunidades indígenas foram
massacradas e várias desapareceram. Transpostos os montes Apalaches, foram necessários apenas
cinquenta anos para que os conquistadores chegassem ao extremo oeste, na costa do Pacífico.
A expansão dos Estados Unidos se deu de várias maneiras: pelo massacre das sociedades in-
dígenas que ocupavam determinadas áreas havia séculos ou milênios; pela compra de territórios,
como foi o caso da Flórida e posteriormente do Alasca; e por guerras com o México, que acabou
perdendo uma extensa área na sua porção norte, do Texas à Califórnia, passando por Nevada, Utah,
Novo México e partes dos atuais estados do Arizona, Colorado e Wyoming. Grandes contingentes
de imigrantes europeus participaram da ocupação do vasto oeste estadunidense, como também do
sul; sem eles, essa conquista não se realizaria.
Para atrair os imigrantes, o governo decretou, em 1862, o Homestead Act (Lei da Propriedade
GLOSSÁRIO

Acre: Rural), que definia a posse de uma propriedade com 160 acres a quem a cultivasse durante cinco
medida agrária equivalente a 4 046,8 m2
anos. Essa lei fez aumentar muito o fluxo de imigrantes europeus. Os Estados Unidos foram – e ainda
ou 0,4 hectare. Logo, 160 acres equiva- são – o país que mais recebeu imigrantes nos últimos dois séculos. Foram essas dezenas de milhões
lem a quase 65 hectares ou 647 492 m2. de imigrantes que construíram a maior economia do mundo a partir do fim do século XIX até os
dias atuais. A título de comparação, podemos lembrar que o Brasil promulgou em 1850 a famosa Lei
das Terras, pela qual somente quem tinha dinheiro podia adquirir terras, mesmo aquelas devolutas,
com a finalidade de forçar os imigrantes a trabalharem nas lavouras de café em vez de serem peque-
nos proprietários agrários como nos Estados Unidos. Isso desestimulou a vinda de imigrantes (e fez
muitos saírem do país em direção aos Estados Unidos ou voltarem para a Europa) e atravancou o
nosso desenvolvimento econômico e social.

64 Urbanização e mercados regionais


A guerra civil e o predomínio do Norte
Com a industrialização dos Estados Unidos, iniciada no século XIX, as diferenças entre o Norte
– das manufaturas – e o Sul – dos latifúndios – se aprofundaram. O processo industrial concentrou-
-se no Norte e o poder político da confederação ficou em parte com os estados do Sul. As tensões
acumuladas durante décadas irromperam em 1860, quando Abraham Lincoln se elegeu presidente
dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, que na época representava os interesses do Norte.
Um dos primeiros atos do novo presidente foi a abolição da escravatura no país, com o objetivo de
ampliar o mercado consumidor para as indústrias, pois escravos não recebiam salário e, portanto,
não podiam comprar mercadorias.
Os estados do Sul decidiram separar-se da União e constituíram os Estados Confederados
da América. Apesar de contrariar qualquer princípio de moralidade, já que implicava a defesa da
escravidão, isso estava de acordo com a legalidade dos Estados Unidos na época, que eram uma
Confederação da qual, por lei, qualquer estado poderia se desligar. Mas ao Norte não interessava o
rompimento que desmembrava o território, porque o Sul fornecia matérias-primas importantes à
indústria. Assim, teve início a Guerra de Secessão, que durou de 1861 a 1865, com a vitória do Norte.
Essa vitória da parte mais industrializada e moderna dos Estados Unidos sobre o Sul escravo-
crata e latifundiário foi essencial para a posterior expansão do poderio do país e também para o
desenvolvimento de sua economia.
Com a vitória do Norte, novos mercados e novas riquezas passaram a interessar aos Estados
Unidos, que adotaram uma política imperialista, isto é, de dominação no exterior. Foi na América
Latina que o governo norte-americano iniciou e intensificou sua empreitada imperialista até 1945, a
começar pela América Central, considerada pelos estrategistas do país como o “Mediterrâneo norte-
-americano”. Depois disso, sua dominação se expandiu para todo o mundo, substituindo em parte
a antiga hegemonia europeia (especificamente britânica). Foi, contudo, uma atuação diferente da
europeia: não mais colonial, e sim neocolonial, isto é, pautada na dominação indireta pela supremacia
econômica e influência cultural. Também no pós-guerra – após 1945 – expandiram-se as empresas
multinacionais, que se tornaram as mais poderosas do mundo. Mas essa supremacia inquestionável
durou pouco: já nos anos 1970 as empresas europeias e japonesas concorriam com as norte-ameri-
canas e, mais recentemente, a China se tornou a economia mais industrializada do mundo.

A ideologia do “destino manifesto” e a conquista territorial


Uma crença ou ideologia fortíssima entre os estadunidenses no século XIX é que eles seriam um povo escolhido por Deus para se
expandir e ocupar aquele imenso território. Era a ideologia do “destino manifesto”, segundo a qual o expansionismo estadunidense seria
apenas o cumprimento da vontade divina.
Os defensores dessa crença acreditavam que a expansão territorial e econômica dos Estados Unidos era boa para o mundo e para
Deus (pois eles estariam modernizando ou civilizando as áreas atrasadas e/ou selvagens) e até mesmo inevitável (daí a ideia de “desti-
no”). O presidente estadunidense James Buchanan, no discurso de posse em meados do século XIX, deixou bem clara a determinação
do domínio estadunidense: “A expansão dos Estados Unidos sobre

JOHN GAST/BIBLIOTECA DO CONGRESSO DOS ESTADOS UNIDOS


o continente americano, desde o Ártico até a América do Sul, é o
destino de nossa raça […] e nada pode detê-la”.
O que era uma frase de propaganda política do século XIX passou
a ser usado como sinônimo para a expansão territorial do país. O uso
formal dessa doutrina terminou oficialmente na década de 1850. No fim
da década de 1880, ela foi recuperada por alguns políticos como justifica-
tiva para o expansionismo fora do continente (no Pacífico, por exemplo).
Mas, no transcorrer do século XX, deixou de ser utilizada pelos políticos
GEOGRAFIA
ou pela mídia nos Estados Unidos, embora alguns autores afirmem que
a ideologia influencie o imperialismo norte-americano até os dias atuais.

American Progress, de John Gast (1872). A tela é uma alusão à


expansão dos Estados Unidos para o Oeste.

Urbanização e mercados regionais 65


Religião e desenvolvimento do capitalismo
Há autores que afirmam que um dos motivos de a América Anglo-Saxônica (Estados Unidos e Canadá) ter se desenvolvido
mais que a América Latina seria o protestantismo. Essa tese tem por base um estudo feito no início do século XX pelo sociólogo
alemão Max Weber. Nesse estudo, Weber argumentou que certa ética protestante (principalmente dos puritanos e calvinistas)
teria sido mais apropriada para o desenvolvimento do capitalismo.
Na verdade, Weber nunca pretendeu comparar as duas Américas, mas apenas mostrar que o protestantismo foi um dos
elementos (embora não o único) importantes para o desenvolvimento econômico dos Estados Unidos e da Alemanha. Esse
pensamento religioso favoreceria o comportamento econômico capitalista na medida em que deposita significado espiritual e
moral positivos na vida terrena e não na vida “eterna”, enfatizada pelo catolicismo.
O calvinismo trouxe a ideia de que as habilidades humanas (incluindo o comércio e a obtenção de lucros, malvistos pela
Igreja católica) deveriam ser percebidas como dádiva divina e, por isso, incentivadas. Além disso, o protestantismo na sua origem
foi uma rebelião contra a autoridade do papa e contra a ideia de que existiriam intermediários na relação dos indivíduos com
Deus. Lutero e Calvino, os dois grandes teóricos na origem do protestantismo, afirmavam que cada um poderia dialogar com
Deus lendo a Bíblia e agindo de acordo com os seus ensinamentos, sem a necessidade de intermediários.
Esse tipo de mentalidade teria sido mais apropriado para o desenvolvimento do capitalismo porque incentivava o individua-
lismo, fundamental para o espírito empreendedor, para a livre iniciativa e para os negócios. Uma das consequências dessas dife-
rentes formas de mentalidade é que na América Anglo-Saxônica as pessoas valorizam bastante o mercado e as empresas privadas,
ao passo que os latino-americanos em geral desconfiam das empresas particulares e preferem as estatais. Essa interpretação tem
um fundo de verdade, porém as diferenças religiosas foram muito mais importantes na época em que a Igreja católica combatia
as descobertas científicas, indispensáveis para o progresso, ao passo que as correntes protestantes daquele período eram mais
liberais e não toleravam censuras e proibições contra o livre pensamento. A Igreja católica era forte principalmente na Espanha
e em Portugal, onde o catolicismo nos séculos XVI e XVII era muito mais conservador e repressivo do que na França ou na Itália.
Hoje em dia o catolicismo quase não combate mais a ciência, ao contrário de algumas seitas protestantes mais fundamen-
talistas. Além disso, o processo de desenvolvimento de uma nação é algo complexo e com várias causas ou motivos, nunca
apenas um. O protestantismo, o catolicismo e qualquer outra religião não determinam o grau de desenvolvimento de um país,
embora eventualmente possam contribuir para alavancar ou retardar esse processo. Podemos mencionar inúmeros países onde
predomina a religião católica que se desenvolveram – por exemplo, a Itália, a França e, mais recentemente, a Espanha. Por outro
lado, existem várias nações extremamente pobres e subdesenvolvidas nas quais a maioria da população é protestante: Namíbia,
Ruanda, Botswana, Nigéria, Suriname, Guiana, São Cristóvão e Nevis, etc.

ESTADOS UNIDOS: ECONOMIA DE GRANDE


POTÊNCIA MUNDIAL
Considerando a economia mundial em meados do século XIX, os Estados Unidos já apresentavam
condições ideais para tornar-se uma grande potência mundial. O grande número de imigrantes, o em-
preendedorismo e a abundância de recursos naturais foram fundamentais para o seu desenvolvimento.
A distância geográfica em relação à Europa também foi favorável, pois os norte-americanos ficaram
afastados das guerras europeias do século XX e, principalmente, da Primeira Guerra Mundial. Ao arruinar
a economia dos países da Europa, a Primeira Guerra Mundial livrou muitas empresas das dívidas que
tinham com bancos europeus e transformou os Estados Unidos no maior credor daquele continente.
Outro elemento – talvez o principal – que contribuiu enormemente para a expansão dos
Estados Unidos foi a sua abertura para a imigração. Cerca de 40 milhões de imigrantes foram para
os Estados Unidos no século XIX e na primeira metade do século XX. Essa imigração foi decisiva
para o crescimento econômico e militar do país. Como vimos, o Homestead Act permitiu que toda
família que desbravasse o oeste do país se tornasse proprietária de parcelas de terras simplesmente
se apropriando delas. Isso atraiu mais imigrantes, que, a bem da verdade, foram os que fizeram boa
parte da grandeza do país, tornando-o assim majoritariamente composto de pequenos e médios
proprietários de terras.
O papel de superpotência inquestionável do mundo capitalista foi assumido pelos Estados Uni-
dos no fim da Segunda Guerra Mundial e durou até mais ou menos 1991, quando houve a dissolução

66 Urbanização e mercados regionais


da União Soviética e o fim da Guerra Fria. Esses fatos permitiram o desenvolvimento da autonomia
da Europa, que antes era dependente da proteção norte-americana contra possíveis ataques do bloco
socialista vizinho. Além disso, desde os anos 1970, o Japão e a Europa ocidental cresceram economi-
camente mais que os Estados Unidos, pelo menos até os anos 1990, levando alguns autores a falarem
em três centros do capitalismo mundial: Estados Unidos, Europa e Japão. Mais recentemente, a China
também despontou como potência mundial.
Não há dúvidas, entretanto, de que no poderio militar (em parte), no econômico e principalmen-
te no tecnológico, os Estados Unidos continuam como única superpotência de todo o globo, apesar
do recente e notável crescimento econômico e militar da China e a relativa recuperação da Rússia.

Economia extraterritorial
Mesmo sendo ainda a maior do mundo, a economia norte-americana não se limita à sua pro-
dução dentro do país. Existe também a chamada economia extraterritorial, isto é, as empresas ou
negócios que os estadunidenses possuem no exterior. De longe, é a maior economia extraterritorial
do mundo. Calcula-se que o valor da produção das afiliadas ou filiais de empresas estadunidenses
no exterior atinja aproximadamente 1,5 trilhão de dólares ao ano. É um valor semelhante a toda a
produção econômica anual (PIB) do México e bem maior do que muitas economias desenvolvidas,
como a Austrália, a Suécia e a Suíça.

T PHOTOGRAPHY

Vista parcial da Times Square, um dos


principais pontos turísticos de Nova York.
GEOGRAFIA
A cidade, cosmopolita, está localizada
no nordeste do território dos Estados
Unidos, a região mais industrializada do
país. Foto de 2015.

Em determinados países, as filiais de empresas estadunidenses chegam a contribuir com uma


parcela considerável do PIB: cerca de 17% na Irlanda, 10% no Canadá, 9% em Cingapura e um núme-
ro indeterminado, mas provavelmente grande, na China (as autoridades do país não divulgam esse

Urbanização e mercados regionais 67


dado). A maior parte desses investimentos produtivos encontra-se na Europa ocidental (por volta de
50% do total), vindo depois a Ásia, o Canadá, o México e o restante da América Latina. Ao contrário
do que se pensa – que as empresas multinacionais vão para outros países apenas em busca de mão
de obra barata –, a maioria dessas filiais encontra-se em países desenvolvidos onde os salários são
elevados. Nas últimas duas décadas, entretanto, aumentaram enormemente os investimentos pro-
dutivos – isto é, abertura ou expansão de empresas – na China, o que decorre não apenas da mão de
obra barata, mas também do gigantesco mercado consumidor que cresce a cada ano, dos impostos
mais baixos e das facilidades para exportação. Grande parte dessa produção é destinada ao próprio
país onde a afiliada se localiza, mas uma boa parte é exportada para países vizinhos (principalmente
na Europa), para os Estados Unidos ou para outras regiões do mundo.
Esse é mais um indicativo do alcance global da economia estadunidense. Não podemos es-
quecer também que o país é o maior importador do mundo e é responsável pela compra de boa
parte das exportações da China, do Japão e de vários outros países. Isso significa que uma crise nos
Estados Unidos, com uma sensível diminuição de suas importações, com certeza vai repercutir no
crescimento da China e de outros países. Além disso, apesar da criação do euro, o dólar continua a
ser a principal moeda do mundo, aquela que serve de referência para os negócios e que é usada para
as reservas de divisas. É por tudo isso que uma crise na economia dos Estados Unidos rapidamente
se espalha para todo o mundo. O impacto que a economia estadunidense exerce no exterior – seja
nos momentos de crescimento, seja nos de crise – é algo avassalador e sem concorrentes. Só a China
começa a ter uma importância semelhante atualmente, mas mesmo assim mais para países exporta-
dores de matérias-primas (como o Brasil e outras nações da América Latina, da África e do Oriente
Médio, que nos dias atuais dependem principalmente das compras chinesas).

A maior agricultura do mundo


Quando se fala na economia estadunidense, logo se pensa na atividade industrial. Na verda-
de, ocorreu uma relativa desindustrialização no país desde os anos 1990, com inúmeras indústrias
transferindo pelo menos parte de sua linha de produção para outros países (México, China, Malásia,
Vietnã, etc.). A economia norte-americana hoje tem por base, principalmente, o setor terciário, que
contribuiu com 78% do PIB do país em 2012 e que caracteriza a sociedade pós-industrial: finanças,
seguros, telecomunicações, informática, educação, ciência e tecnologia, turismo, lazer e entreteni-
mento, hotéis e restaurantes, etc.
Os Estados Unidos também têm a agropecuária mais importante do mundo. A agroindústria
(agrobusiness em inglês) é a mais extensa e desenvolvida. As fazendas estadunidenses produzem
grandes quantidades de produtos vegetais, que são mais do que suficientes para atender à demanda
nacional e até mesmo ao mercado internacional. Os Estados Unidos são o maior exportador mundial
de produtos agrícolas como soja, trigo, milho, algodão, amendoim, etc.
Existe uma tradição nos Estados Unidos de empregar a palavra belt no sentido de “cinturão” ou
“zona”, isto é, áreas onde se cultiva bastante determinado produto. Assim, temos:
o corn belt, ou zona produtora de milho, que se localiza no meio-oeste do país (Kansas, Illinois,
Indiana, Michigan e outros);
o cotton belt, ou zona produtora do algodão, e o rice belt, ou “cinturão do arroz”, que se localizam
nos estados sulinos;
o wheat belt, ou “cinturão do trigo”, localizado principalmente no Kansas;
o citrus belt, ou regiões produtoras de frutas cítricas (Flórida e Califórnia), etc.
Assim, a palavra belt passou a ser utilizada para designar uma concentração de algo (não neces-
sariamente uma produção) em determinada região. Fala-se muito em bible belt, por exemplo, para
se referir a áreas onde há grande concentração de evangélicos fundamentalistas.
A grande disponibilidade de solos agriculturáveis, junto com o uso de máquinas e técnicas de cultivo
modernas, contribuiu para que os Estados Unidos se tornassem a maior potência agropecuária do mundo.
Todavia, é caro utilizar tais técnicas e equipamentos. Os fazendeiros que não têm meios para adquiri-los não
conseguem vender seus produtos, que são mais caros que aqueles produzidos com o uso de modernos
equipamentos e técnicas, e eles, então, são forçados a vender suas terras e a buscar emprego nas cidades.
O número de fazendas no país, que era de 6,5 milhões em 1930, caiu para 2,2 milhões hoje e
provavelmente ainda vai diminuir. Apesar disso, cerca de 95% das fazendas estadunidenses ainda são
de propriedade dos fazendeiros que as cultivam. Os 5% restantes pertencem a grandes empresas, que
trabalham principalmente com a agroindústria.

68 Urbanização e mercados regionais


O ESPAÇO URBANO-INDUSTRIAL DOS ESTADOS
UNIDOS
Apesar de ter perdido, em 2010, o primeiro lugar como país mais industrializado do mundo para a
China, a economia norte-americana ainda é uma potência – a segunda do mundo – no setor industrial,
isto é, em indústrias no sentido estrito do termo: fábricas de automóveis, aço, bebidas, máquinas, navios,
etc. Contudo, nas chamadas “novas indústrias”, que são mais de serviços (biotecnologia, design, softwares,
turismo, pesquisa científica, tecnológica e entretenimento), o país ainda mantém uma ampla hegemonia
mundial. Seu parque industrial é muito diversificado, bem mais que o chinês, tendo praticamente todos
os tipos de indústrias, desde aeroespacial até têxtil, passando por automobilística, eletroeletrônica, me-
talúrgica e siderúrgica, petroquímica, de telecomunicações, farmacêutica e outras. Veja o mapa a seguir
com a localização das principais indústrias nos Estados Unidos, assim como nos outros países do Nafta.

Indústrias na América do Norte

o
tic
Ár
la r
Po
o
ul
rc
GROENLÂNDIA Cí
OCEANO GLACIAL (DIN)
ÁRTICO

ALASCA
(EUA)

Mar
Golfo do Labrador
Alasca
Baía de
Hudson
Endako
CANADÁ

Corner Brook St. John’s


Edmonton
Bathurst
Vancouver Calgary
Quebec
Regina Halifax
OCEANO Seattle Winnipeg Thunder Bay Montreal St. John’s
PACÍFICO
Ottawa Portland
Portland Toronto
Boston
ESTADOS Milwaukee Buffalo Nova York

FONTE: Disponível em: <www.mapsofworld.com/>. Acesso em: 25 jun. 2012. Adaptado.


UNIDOS Chicago Pittsburgh OCEANO
Sacramento Filadélfia ATLÂNTICO
Denver Cincinnati Baltimore
São Francisco Salt Lake City Norfolk
Kansas City Louisville
Tulsa
Los Angeles St. Louis Knoxville
Phoenix Oklahoma City
San Diego Morenci Memphis
Tucson Dallas Savannah
Tijuana er
Jacksonville C ânc
de
Nova Kennedy Space Center pico
Tró
Hermosillo Orleans
Houston Tampa
Torreón Golfo do Miami
Indústria de processamento de Monterrey México
metais (mecânica, MÉXICO
automobilística e naval)
Tampico
Indústria eletrônica, elétrica e Guadalajara León Mérida
de precisão Veracruz
GEOGRAFIA
Cidade do México
Indústria de vestuário, têxtil e Puebla
Mar das
de couro Antilhas
Indústria química, de
processamento de madeira,
papel e celulose e de impressão
AMÉRICA
Processamento de alimentos N
DO SUL
Indústria aeroespacial
0 505
Indústria de informática
km

Urbanização e mercados regionais 69


Após 110 anos, Estados Unidos perdem primazia no setor
industrial
No ano passado [2010], as indústrias da China responderam por 19,8% da pro-
dução mundial de manufatura [o valor da produção industrial medido em dólares],
enquanto as dos Estados Unidos responderam por 19,4% desse total. Foi a primeira
vez em 110 anos, quando a produção industrial norte-americana ultrapassou a britâ-
nica, que o país deixou de ser o mais industrializado do mundo. Contudo, esse dado
está longe de ser sombrio. Primeiro, porque os Estados Unidos têm uma enorme van-
tagem na produtividade, pois produz praticamente a mesma quantidade de bens in-
dustrializados que a China com menos trabalhadores: 11,5 milhões contra cerca de 100
milhões de operários chineses. Outro elemento importante é que boa parte da produção
industrial chinesa foi impulsionada pelas subsidiárias [filiais] de empresas norte-ame-
ricanas, usando tecnologia também norte-americana. [E não podemos esquecer que o
setor industrial representa 47% do PIB chinês e apenas 20,5% do norte-americano.]
Existe ainda o fato de que as fábricas na China são menos diversificadas e, em
geral, concentradas em setores com tecnologia menos desenvolvida, tais como indús-
trias têxteis, vestuário e eletrodomésticos, que juntas compõem 25% da produção
industrial chinesa e apenas 13% da norte-americana. O setor de eletrônicos na China
é dominado por empresas estrangeiras. Em contrapartida, as indústrias dos Estados
Unidos são em geral de tecnologia mais avançada e concentradas nos setores de aviões,
máquinas industriais, equipamentos médicos e científicos, softwares, mídia, etc.
Robert Allen, um importante historiador econômico da Universidade de Oxford,
disse que o retorno da China como fabricante no topo mundial marcou o “fechamen-
to de um ciclo de 500 anos na história econômica”. Disse ainda que: “Isso marca uma
mudança fundamental na divisão internacional do trabalho, que é improvável que seja
revertida no futuro próximo”.
Os Estados Unidos substituíram o Reino Unido como a nação mais industrializada do
mundo em 1900, enquanto a China, depois de séculos, agora volta ao topo. Ela era o maior
produtor de bens manufaturados até inícios do século XIX, detendo cerca de 30% do total
mundial em 1830, mas depois passou por um período de dominação colonial e regressão,
tendo declinado para cerca de 6% desse total em 1900 e para apenas 3% em 1990. A Chi-
na tem usado com sucesso a sua vantagem de menores custos de produção (salários, im-
postos, subsídios para exportar, além de uma moeda subvalorizada), atraindo investimentos
estrangeiros e causando um deslocamento massivo da produção – dos Estados Unidos,
principalmente, além do Japão, da Coreia do Sul e de outras nações para o país.
Disponível em: <http://en.mercopress.com/2011/03/15/china-became-world-s-top-manufacturing-nation-
ending-110-year-us-leadership>. Acesso em: 9 nov. 2015. Adaptado.

O processo de industrialização dos Estados Unidos provocou, no co-


MARCUTTI/GETTY IMAGES

meço do século XIX, uma forte concentração industrial na região norte-


-nordeste do país. Desde a segunda metade do século XX, contudo, vem
ocorrendo uma desconcentração espacial da indústria, embora essa região
ainda seja a mais industrializada. Além da atividade industrial, ela sedia o
setor financeiro e os maiores empreendimentos da economia daquele país.
Porém, a porção litorânea do golfo do México e, principalmente, a costa do
Pacífico já começaram a desempenhar um papel cada vez mais importante
na economia industrial dos Estados Unidos.
Na parte centro-norte da costa leste formou-se, até 1970, a mais ex-
traordinária megalópole (região superurbanizada) do país, que se estende
de Boston a Washington, ao longo de seiscentos quilômetros da costa
atlântica. Ali se localizam as grandes metrópoles de Nova York, Filadélfia e
Siderúrgica em Baltimore, Estados Unidos, em 2014. Baltimore. Veja a foto ao lado e o mapa da página seguinte.

70 Urbanização e mercados regionais


Estados Unidos: megalópoles

CANADÁ Lago Winnipeg

OCEANO
PACÍFICO
Portland
Lago Superior

Lago Huron

Boston
Minneapolis Lago Ontário

Lago Michigan Detroit Buffalo


e
Eri
go Nova York
La
Sacramento
Chicago

FONTE: Dorling Kindersley World Atlas. London: Dorling Kindersley, 2007. Adaptado.
Cleveland Filadélfia
São Francisco Pittsburgh Baltimore
San Jose Denver
Washington
Kansas City

Los Angeles Phoenix OCEANO


ATLÂNTICO
San Diego Atlanta

Dallas
Go
lfo

Houston
da
Cal
ifór

População da aglomeração
nia

urbana (em milhões de


habitantes) Megalópoles Golfo
Aglomeração do
urbana
mais de 9 Bos-Wash CapitalMéxico
do país
Miami N
MÉXICO San-San Cidade importante no
5a8
Chi-Pitts interior da metrópole
até 4 0 250
Cidade importante
km

Essa extensa porção do espaço norte-americano apresenta hoje uma industrialização em declí-
nio, mas continua concentrando as maiores rendas do país, além de seus maiores recursos financeiros.
Isso ocorre porque ela abriga os dois centros de decisão dos Estados Unidos: o político, em Washing-
ton, e o econômico-financeiro, em Nova York, cidade que concentra a maior parte das atividades
financeiras do país e onde está a maior parte das sedes das multinacionais e seus laboratórios de
pesquisa. Ali também existe um importante tecnopolo, ou parque tecnológico, chamado Route 128,
perto de Boston e do Instituto Tecnológico de Massachusetts, com indústrias de alta tecnologia.
Outra área de antiga concentração industrial do fim do século XIX é a região dos Grandes La-
gos – Superior, Michigan, Ontário, Erie e Huron –, que constitui uma verdadeira bacia marítima no
interior do território, facilitando a navegação. A escavação do canal Erie permitiu a navegação até
Nova York e o estabelecimento de relações entre o centro-norte e a costa atlântica. Também lá existe
hoje uma megalópole, que engloba as cidades de Chicago e Pittsburg.
O sul atlântico dos Estados Unidos, região tradicionalmente agrícola e pouco industrializada,
GEOGRAFIA
onde no passado apenas a indústria têxtil se destacava, passou a apresentar uma diversificação
industrial importante com o desenvolvimento petrolífero da década de 1950. Ali se desenvolveram,
então, as indústrias petroquímica, aeronáutica e de energia nuclear.
A porção litorânea do golfo do México, que vai da península da Flórida até o rio Grande, na
fronteira com o México, teve um desenvolvimento significativo a partir da década de 1960, o que
provocou o crescimento elevado de sua população urbana. Fatores que contribuíram para esse
desenvolvimento foram:

Urbanização e mercados regionais 71


as jazidas de petróleo e gás natural e os recursos em fosfato da região, que começaram a ser
industrializados e deram origem a indústrias químicas (borracha sintética, adubos químicos, etc.);
a instalação de duas bases espaciais importantes: cabo Kennedy, na Flórida, para o lançamento dos voos
espaciais, e Houston, no Texas, segundo centro da Nasa (National Aeronautics and Space Administration);
um importante corredor urbano de mais de 15 milhões de pessoas no sul da Flórida, abrangendo
Miami, Orlando e Tampa, que se destaca pelo turismo, pelo setor bancário e o de entretenimento.
Por tudo isso, a porção litorânea do golfo do México, conhecida como “jovem sul”, destaca-se
dos demais estados sulinos.
A costa oeste dos Estados Unidos, banhada pelo oceano Pacífico, iniciou seu desenvolvimento
industrial após a Segunda Guerra Mundial. Durante o conflito mundial e por motivo de segurança
interna, em várias cidades estadunidenses foram instaladas indústrias aeronáuticas, petroquímicas,
de alumínio e outras também ligadas à produção de materiais bélicos. Assim, uma das principais
características dessas indústrias é a especialização no setor armamentista. Destacam-se também as
indústrias de componentes eletrônicos e de aparelhos elétricos e eletrônicos.
Os principais centros industriais e urbanos da região são: Seattle, onde fica a sede da Boeing; São
Francisco, maior porto da costa oeste; e Los Angeles. Essas duas últimas metrópoles, junto com outras
cidades vizinhas, se estendem hoje para o sul até San Diego e formam a segunda maior megalópole
do país (veja o mapa da página 71).
Ao sul de São Francisco, principalmente ao redor das cidades de Palo Alto e San José, existe o
famoso Silicon Valley (vale do Silício, elemento importante na fabricação de chips de computador e
de condutores para comunicação). Trata-se de uma área que combina boas universidades e centros
de pesquisa com mão de obra de alta escolaridade e matérias-primas para indústrias de alta tecno-
logia: informática (tanto computadores quanto programas para eles), condutores e semicondutores,
equipamentos de comunicação, etc. Essa área industrial é de crescimento recente, posterior a 1970.

FELIX MIZIOZNIKOV

Vista parcial de Miami, Estados Unidos, em 2015.

72 Urbanização e mercados regionais


PARA CONSTRUIR

2 Observe o mapa abaixo. Considerando os aspectos climáticos do Canadá e dos Estados Unidos, explique a distribuição espacial das
m
Ene-2 populações desses países.
C 6
H-

Estados Unidos e Canadá: densidade demográfica


ÁSIA

co
Árti
l ar
OCEANO GLACIAL

Po
Mar de ÁRTICO

ulo
Bering

rc
GROENLÂNDIA


(DIN)
ALASCA
(EUA)

Juneau

CANADÁ
Baía de
Hudson
OCEANO Edmonton Schefferville

FONTE: Dorling Kindersley World Atlas. London: Dorling Kindersley, 2007. Adaptado.
PACÍFICO Vancouver
Seattle
Portland Winnipeg
Quebec
ESTADOS Halifax
Ottawa
Montreal
UNIDOS Minneapolis Toronto Boston
São Francisco
Salt Lake City Milwaukee Detroit Nova York
Chicago Pittsburgh
Denver Filadélfia
Indianápolis Baltimore
Los Angeles Cincinnati Washington
Kansas
Phoenix City St. Louis
San Diego OCEANO
Dallas Atlanta ATLÂNTICO

Houston Nova
Golfo do Orleans Cânce
r
México
Miami Trópico de

Densidade demográfica
(hab./km2)
Superior a 100
50-100
10-50 N

1-10
0 705
Inferior a 1
km

A população do Canadá concentra-se no sul do país, pois as áreas ao norte são muito frias, com invernos rigorosos. Nos Estados Unidos, o
centro-oeste é menos povoado em decorrência do clima árido na área de ocorrência de desertos. Nesse local existem as montanhas Rochosas,
que dificultam o assentamento da população.

GEOGRAFIA

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 2 a 4 Para aprimorar: 3 e 4

Urbanização e mercados regionais 73


MÉXICO
O México é o segundo país mais industrializado da América Latina. Ele também possui
a segunda maior população latino-americana: cerca de 112 milhões de habitantes em 2010,
inferior apenas à do Brasil. O país apresenta algumas características específicas:
vizinhança tradicionalmente incômoda com o “Grande Irmão do Norte”, os Estados Unidos,
o que representa ao mesmo tempo problemas e oportunidades;
população predominantemente mestiça e diversificada etnicamente, produto do encontro
e da miscigenação entre povos;
constituição física – relevo, clima e hidrografia – que o coloca, ao mesmo tempo, como parte
da América do Norte, junto com os Estados Unidos e o Canadá, e como início da América
Central;
crescimento notável da área metropolitana da sua capital federal, a Cidade do México, que é
uma das maiores regiões metropolitanas do mundo, com mais de 20 milhões de habitantes.
Veja o mapa político do México.

México: político

FONTE: Dorling Kindersley World Atlas. London: Dorling Kindersley, 2007. Adaptado.
ESTADOS
BAIXA UNIDOS
CALIFÓRNIA
SONORA

CHIHUAHUA
COAHUILA
Golfo
do
BAIXA CALIFÓRNIA México
DO SUL NUEVO
SINA LOA LEÓN
DURANGO
Trópico de Câncer
TAMAULIPAS
ZACATECAS
SAN LUIS
1 - DISTRITO FEDERAL 9 POTOSÍ
NAYARIT
OCEANO
2 - MORELOS IUCATÃ
PACÍFICO 8 7
3 - PUEBLA JALISCO 6
QUINTANA
4 - TLAXCALA VERACRUZ
MICHOCÃ 5 1 4 CAMPECHE ROO
5 - MÉXICO COLIMA 2 3
6 - HIDALGO TABASCO
N GUERRERO
7 - QUERETANO
8 - GUANAJUATO OAXACA CHIAPAS
0 270
9 - AGUASCALIENTES
km

Economia
Além do turismo, importante fonte de renda, o México possui uma vida econômica diver-
sificada, com inúmeras atividades industriais, agrícolas e mineradoras.
O petróleo é, desde a década de 1970, o principal produto de exportação. Mas o México
também produz e exporta muitos bens industrializados (automóveis, produtos de telecomuni-
cação, eletroeletrônicos, computadores e monitores), além de, em menor proporção, matérias-
-primas como café, algodão, sorgo, frutas cítricas, fluorito, zinco e prata. Este último metal é
extraído do subsolo mexicano desde a época em que o país era colônia da Espanha. Ainda hoje
o México é o maior produtor mundial de prata.
O valor das exportações mexicanas, após ter caído um pouco no início do século, voltou a
subir e atingiu a casa dos 300 bilhões de dólares em 2011, valor um pouco superior ao das expor-
tações do Brasil. Isso significa que o México passou a ser o maior exportador da América Latina.
Até as primeiras décadas do século XX, as atividades econômicas do México eram essen-
cialmente agrícolas e de mineração. A industrialização era fraquíssima. Por volta de 1950 e, prin-
cipalmente, após os anos 1980, a industrialização mexicana acelerou-se. Isso ocorreu, em parte,
por causa dos investimentos estrangeiros, com a instalação de empresas multinacionais voltadas
para a produção de automóveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, etc.

74 Urbanização e mercados regionais


A industrialização mexicana deveu-se também à ação do governo,

JOHN MOORE
que criou empresas e indústrias estatais. Há uns quarenta anos, a desco-
berta de enormes jazidas petrolíferas na plataforma continental do litoral
mexicano, principalmente no litoral atlântico, no golfo do México, trouxe
não apenas um aumento nos ganhos com exportações, mas também o
desenvolvimento da indústria petroquímica, fundamental para o país.
As atividades rurais ainda são executadas de forma tradicional,
apesar de terem passado recentemente por uma relativa mecanização.
O México produz feijão e milho, alimentos básicos para a população,
junto com a pimenta vermelha – chamada chili –, muito consumida
internamente. Além desses gêneros, produz também café, banana, la-
ranja, tomate, algodão, cana-de-açúcar, sorgo, trigo e agave. O agave é
usado na fabricação de bebidas alcoólicas populares, como o pulque, o
mescal e a tequila, e serve também de matéria-prima para a produção Área de plantação de bananas em Chiapas, no México. Foto de 2013.
de cordas. Veja a foto ao lado.

PARA CONSTRUIR

3 Comente a industrialização do México e indique os entraves para o seu desenvolvimento.


Até as primeiras décadas do século XX, a economia mexicana era, essencialmente, agrícola e mineradora. A partir da década de 1950 e,
principalmente, nos anos 1980, a industrialização acelerou-se, por meio de investimentos estrangeiros. Multinacionais foram instaladas
no país, que passaram a produzir automóveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, etc. O governo também atuou para o crescimento
industrial, por meio da criação de empresas e indústrias estatais. O petróleo, abundante na plataforma continental do litoral do México,
favoreceu o desenvolvimento da indústria petroquímica.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 5 Para aprimorar: 5 e 6

Veja, no Guia do Professor, as


respostas da “Tarefa para casa”.
TAREFA PARA CASA

PARA
PARA PRATICAR
PRATICAR

1 Quais são as vantagens e desvantagens da participação do Nafta para cada país integrante?
2 Com base no processo histórico-territorial de formação dos Estados Unidos, responda às seguintes questões.
m
Ene-3 a) Que fatores contribuíram para a formação da colônia de povoamento no país?
C 1
H-1 b) Por que as colônias do Sul, diferentemente das colônias do Norte, foram consideradas colônias de exploração?
c) Em um primeiro momento, a Inglaterra dava certa autonomia a sua colônia de povoamento na Nova Inglaterra, mas, depois,
revogou essa autonomia. Que motivo levou a Inglaterra a adotar tal posição? Que processo a decisão inglesa desencadeou?
GEOGRAFIA

d) Quais foram as consequências da expansão para o Oeste para os povos indígenas que habitavam a região?

3 Por que o conceito de superpotência atribuído aos Estados Unidos pode ser questionado?

4 Ao final de 2008, uma crise do setor imobiliário nos Estados Unidos contaminou, no decorrer de 2009, não só outros setores econô-
micos internos, como também a economia mundial. Explique por que, seja em tempos de prosperidade, seja em tempos de crise,
a economia dos Estados Unidos ainda pode ser considerada a mais influente do mundo.

Urbanização e mercados regionais 75


5 Uma das características do México é a vizinhança com os Estados Unidos. Essa vizinhança é positiva ou negativa (ou ambas)? Liste os
argumentos que justificam o lado positivo e o lado negativo dessa proximidade e, depois, dê sua opinião e justifique sua resposta.

PARA
PARA APRIMORAR
PRATICAR

1 (UFSC)
m
Ene-2
C 6
H-
Evolução do comércio mundial (1948-2003)

Importações mundiais Transformação de exportações


(US$ bilhões) mundiais (US$ bilhões)

Períodos Médias Períodos Médias

1948-1950 64,11203 1957-1960 9,7133

1951-1960 100,05070 1957-1960 16,9363

1961-1970 204,22590 1961-1970 82,3643

1971-1980 1010,44400 1971-1980 192,3286

1981-1990 2395,91800 1981-1990 409,2237

1991-2000 4999,69400 1991-2000 558,3154

2001-2003 6844,92300 2001-2003 s/d


FONTE: Fundo Monetário Internacional, International Financial Statistics
(FMI/IFS – Internacional). Vários anos. Adaptado.
Sobre o assunto tratado na tabela acima, é correto afirmar que:
(01) o crescimento do comércio mundial após a Segunda Grande Guerra pode ser associado ao grande boom do capitalismo no
período subsequente e à criação do GATT (General Agreement on Tariffs and Trade – Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio)
em 1947, que deu grande impulso para o fim de protecionismos existentes em quase todos os países.
(02) no comércio mundial, diferentemente do que ocorre entre empresas (mercado aberto), não existe grande concorrência, pois
o fim dos protecionismos gera novas oportunidades de negócios.
(04) os blocos econômicos podem fortalecer os países mais fracos economicamente diante de nações mais poderosas ou
mesmo diante de outros blocos econômicos.
(08) diferentemente do Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta – North American Free Trade Agreement), que
prevê a livre movimentação de capitais e mão de obra, a União Europeia, depois da crise de 2007-2008, definiu o uso
de uma moeda única, o euro.
(16) desde a primeira década de 2000, o Brasil e os países-membros do Mercado Comum do Sul (Mercosul) conseguiram ter significa-
tiva participação no comércio mundial.
(32) o desenvolvimento histórico do comércio internacional levou à formação de importantes polos: Europa ocidental, América
anglo-saxônica, Japão e parte da Ásia, com destaque para a China.

2 (Uepa) A partir da leitura e análise do texto, responda à questão.


m
Ene-4
C 8
H-1
Um momento de desordem mundial
Neste começo de século, assistimos a uma reformulação de fronteiras e influências político-econômicas no mundo. Essa
nova forma de organização mundial, baseada na existência de redes, fluxos e conexões, exige mudanças no método [...] de
agrupar e separar territórios. [...]

76 Urbanização e mercados regionais


Essa nova era é marcada pelo advento da globalização e da internet, que permitiu maior integração internacional e criou
um novo espaço [...], o “território-mundo”, composto de uma sociedade mundial que compartilha os mesmos valores. A
integração cada vez maior dos Estados e a soberania de um país através de um grupo [...] são demonstradas pela força dos
blocos econômicos, que estabelecem uma concorrência acirrada entre si para manter a influência sobre seus parceiros co-
merciais. [...]
Identifica-se um novo movimento de regionalização do espaço contemporâneo a partir de redes integradas ilegais de
poder, como o tráfico de drogas e o terrorismo globalizado [...] e a reconfiguração dos territórios devido a mudanças nas re-
lações de poder e ao hibridismo cultural.
Ciência Hoje On-line. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/resenhas/um-momento-de-desordem-mundial>.
Acesso em: 23 ago. 2014. Adaptado.

O texto destaca como característica do mundo atual a formação de blocos econômicos, mercados comuns entre nações, cujo
objetivo é ampliar as relações entre os países que os formam e com outras nações do mundo. Sobre esse assunto, assinale a alter-
nativa correta.
a) O Acordo de Livre-Comércio da América do Norte, conhecido como Nafta, tem como países formadores os Estados Unidos, o
Canadá, o México e a Venezuela.
b) O México e a Venezuela foram convidados a integrar o Nafta, porque dispõem de petróleo em abundância, o que facilita o
comércio dos produtos industrializados de que necessitam.
c) A Alca (Área de Livre-Comércio das Américas) é uma proposta de integração, cujo objetivo é a livre circulação de pessoas, pro-
dutos e serviços entre todos os países do continente americano, exceto Cuba.
d) Entre os bons resultados alcançados pela União Europeia (bloco constituído pela maioria das nações da Europa) estão a inte-
gração econômico-monetária, ou seja, a criação da moeda única, e o livre trânsito das pessoas residentes nos países-membros.
e) Na América do Sul, a criação do Pacto Andino, constituído pelo Chile, Paraguai, Peru e Bolívia, e o Mercosul, pelo Brasil e Argen-
tina, propiciou áreas de livre-comércio entre esses países, oportunizando a negociação com blocos econômicos.

3 (IFCE) São as principais características do Vale do Silício, nos Estados Unidos:


m
Ene-6 a) localizado no oeste dos Estados Unidos, próximo a importantes centros de pesquisa, forma um complexo industrial com des-
C 9
H-2
taque para os ramos típicos da Terceira Revolução Industrial.
b) também conhecido por cinturão (belt), constitui-se na principal área produtora de cereais dos Estados Unidos, sobretudo de
milho e trigo, além de pecuária intensiva.
c) formado por erosão glacial, constitui-se numa área de preservação permanente, onde se destacam as faias, as sequoias e as
bétulas, espécies típicas da floresta boreal.
d) localizado no nordeste dos Estados Unidos, constitui-se numa área de antiga concentração industrial, destacando-se as indús-
trias de bens de produção pela abundância de matérias-primas, energia e mão de obra e pela facilidade de transporte.
e) é uma das principais áreas de extração mineral, sobretudo de silício, cobre e ferro, altamente prejudicada pela degradação do
meio ambiente.

4 (FGV-RJ) Ao longo do século XIX, a chamada “Marcha para o Oeste” permitiu a expansão territorial dos Estados Unidos. Em relação
a esse processo, assinale a alternativa correta.
a) A expressão “Destino Manifesto” justificava o expansionismo, relacionando-o a uma espécie de missão civilizadora por parte dos
estadunidenses.
b) A expansão territorial foi impedida porque a população francesa da Louisiana se recusou a integrar a Federação americana.
c) O governo mexicano reconheceu a superioridade civilizacional dos Estados Unidos e cedeu territórios como o Texas e a
Califórnia. GEOGRAFIA
d) O regime de grande propriedade, predominante nos territórios do Oeste, atraiu grandes fluxos migratórios.
e) A construção de estradas de ferro, que acelerou a expansão para o Oeste, foi possível graças à compra de terras indígenas.

5 (Ibmec-RJ)
Desde 1992, quando assinou o acordo de livre-comércio que deu origem ao Nafta, o México tem experimentado avan-
ços impressionantes. As exportações triplicaram e o país acumula grande superavit no seu comércio com os EUA. O PIB
nacional atingiu a marca de US$ 600 bilhões em 2001, ultrapassando o PIB brasileiro. Graças ao crescimento econômico

Urbanização e mercados regionais 77


impulsionado pelas exportações industriais, o México apresenta hoje uma taxa de desemprego de 2,5% (uma das menores
do mundo) e inflação anual de apenas 4,4%.
STEFANO, F.; ATTUCH, L. Negócios na ALCA: a nova fronteira do lucro.
IstoÉ Dinheiro, p. 32-33, 8 maio 2002. Adaptado.
Sobre o texto anterior são feitas as seguintes afirmativas:
1. Ao aceitar o convite norte-americano para integrar o Nafta, o governo do México desarticulou a estratégia brasileira de integra-
ção econômica do continente sul-americano, que consistia em fortalecer o Pacto Andino, do qual o México era signatário até
então.
2. A participação dos Estados Unidos no Nafta vai além da questão meramente econômica, já que um de seus objetivos é a cria-
ção de um número maior de empregos no México com a finalidade de conter a entrada de imigrantes ilegais mexicanos nos
Estados Unidos.
3. Liderando o Nafta, os norte-americanos também vislumbram a ampliação de suas vendas para o México, levando em conta o
tamanho do mercado consumidor mexicano.
Assinale:
a) Se apenas a afirmativa 1 for correta.
b) Se apenas a afirmativa 2 for correta.
c) Se apenas a afirmativa 3 for correta.
d) Se as afirmativas 1 e 2 forem corretas.
e) Se as afirmativas 2 e 3 forem corretas.

6 (PUC-SP)
Se algum acordo de comércio tinha tudo para dar certo foi aquele firmado entre México, Estados Unidos e Canadá.
Sancionado em 1994, o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) criou o que era, na época, a maior área de
livre-comércio do mundo, com 376 milhões de pessoas e um PIB de quase 9 trilhões de dólares.
STIGLITZ, Joseph E. Globalização: como dar certo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 137.
Tendo em vista essa informação e considerando as questões comerciais da chamada globalização, pode ser dito que:
a) esse acordo comercial, mesmo considerando as desigualdades entre México e EUA, foi bem-sucedido e trouxe novas possibili-
dades à nação mexicana, algo que no contexto da globalização é praticamente o único caso de sucesso.
b) esse pacto abriu o país mais rico do mundo ao México e assim esses países continuaram a sua história compartilhada, agora de
forma institucionalizada, mostrando que países pobres se beneficiam com o livre-comércio.
c) na era da globalização ocorrem vários pactos comerciais – regionais ou não, que nem sempre foram (e são) bem-sucedidos, e
vários são vistos como contrários à lógica do livre-comércio, já que privilegiam os países-membros dos acordos.
d) acordos comerciais regionais, como o citado, fracassaram em razão da condição desigual dos membros, e por isso só se insiste,
no mundo globalizado, em acordos e uniões com membros mais homogêneos, como a União Europeia.
e) tal como o Nafta, o Mercosul é bem-sucedido pelas associação com os EUA formando a Alca (Área de Livre-Comércio das Amé-
ricas), pois o sucesso está em combinar países de economias de pesos e formas diferentes.

ANOTAÇÕES

78 Urbanização e mercados regionais


CAPÍTULO

5 União Europeia

Objetivos: A União Europeia (UE) é um projeto de unificação dos países do continente europeu. Um
projeto que, apesar da recente crise na Zona do Euro, parece estar dando certo, embora inacabado
c Entender a unificação
e com grandes desafios a enfrentar. Ele visa recuperar a posição de destaque do continente no mun-
europeia como o
do, criando uma das grandes potências deste novo século, junto com os Estados Unidos, a China e
exemplo pioneiro e
talvez o Japão e a Rússia. Contudo, por enquanto, a UE não representa toda a Europa, nem mesmo
mais bem-sucedido de
a totalidade de sua parte mais desenvolvida, a ocidental. Vamos estudar um pouco a Europa em
integração regional.
conjunto para depois destacarmos a UE.
c Analisar as etapas da Quando olhamos o território europeu em conjunto, do ponto de vista físico ou geológico, ve-
unificação europeia e a mos apenas uma península da Ásia. Contudo, do ponto de vista histórico-social, ela é um continente
sua contínua expansão. com traços específicos, pois, ao longo dos séculos ou mais de um milênio, desenvolveu uma cultura
que a diferencia inteiramente da Ásia. Foi lá que nasceu a chamada civilização ocidental, baseada no
c Refletir sobre os alfabeto latino, no cristianismo (embora a religião não tenha mais a importância que teve no passado)
problemas da e na intensa valorização do progresso e do desenvolvimento material.
unificação, da Desde o século XV, quando os europeus iniciaram sua expansão marítimo-comercial na direção
expansão e da adoção da Ásia, do continente americano e da África, a Europa passou a desempenhar um papel fundamen-
de uma moeda única. tal em todo o espaço mundial.
É, portanto, a história dos povos que habitam essa península que justifica a expressão conti-
nente europeu, mais do que a localização geográfica. Nesse sentido, é a não aceitação europeia da
tradição cultural milenar da Turquia que dificulta a sua inclusão na civilização europeia, ainda que, do
ponto de vista geográfico, uma pequena porção do território desse país fique na península Balcânica,
no sudeste da Europa.
Com pouco mais de 10,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão, incluindo a parte
europeia da Rússia, a Europa abriga uma população de mais de 700 milhões de habitantes. Foi em sua
porção ocidental que se iniciou a expansão em direção ao oceano Atlântico e ao resto do mundo.
Por isso, a partir do século XV a porção ocidental da Europa se destacou de maneira particular no
espaço geográfico mundial. Afinal, ela não só colonizou grande parte da superfície terrestre como
também a dominou política, econômica e culturalmente, o que explica a indiscutível hegemonia que
exerceu sobre as áreas conquistadas, pelo menos até meados do século XX.

ASPECTOS FÍSICOS
A Europa é um continente relativamente pequeno. Como vimos, tem cerca de 10,5 milhões
de quilômetros quadrados, incluindo a parte ocidental da Rússia, que representa cerca da metade
do território europeu. Sem ele, a Europa tem uma área bem menor que a do Brasil. Apesar disso, ela
é bastante recortada e possui grande variedade de paisagens naturais. Nesse pequeno continente
(Europa sem a Rússia), há muitos países, alguns deles bem pequenos, e um número grande de povos e
idiomas. Ali ocorreram grandes rivalidades e provavelmente o maior número de guerras já registradas
em toda a história da humanidade.
GEOGRAFIA

O continente europeu limita-se, ao norte, com o oceano Glacial Ártico. Ao sul, o mar Medi-
terrâneo separa a Europa da África. A oeste, a Europa é banhada pelo oceano Atlântico, que forma
vários mares, golfos e canais: mar do Norte, mar Báltico, mar da Noruega, canal da Mancha, golfo de
Biscaia, etc. A leste, a Europa liga-se à Ásia por meio dos montes Urais, do mar Cáspio e do rio Ural,
considerados limites entre os dois continentes.
Observando o mapa físico da Europa na página 81 percebemos que o continente possui gran-
des extensões de terras baixas, que ocupam quase dois terços de sua área total. São as planícies

Urbanização e mercados regionais 79


Germano-Polonesa, da Hungria, Russo-Sarmática e outras. Mas a Europa possui também altas cadeias
de montanhas: os Alpes, os Alpes Escandinavos, os Apeninos, os Cárpatos, os Pireneus, etc. E, numa
altitude intermediária, existem ainda alguns planaltos, principalmente o Central Russo e o do Volga.
Os principais rios europeus, cujos vales geralmente formam planícies densamente povoadas, são o
Reno, o Danúbio, o Volga, o Pó, o Sena, o Elba, o Loire, o Douro e o Tejo.
Podemos ainda ver no mapa as principais
MIKECPHOTO/SHUTTERSTOCK

ilhas e penínsulas do continente europeu. A oeste,


no Atlântico, estão a Islândia e as várias ilhas que
formam o Reino Unido (ilhas da Grã-Bretanha
e da Irlanda, além de outras). Ao sul, no Medi-
terrâneo, ficam diversas ilhas da Itália, da França,
da Grécia e de outros países: Córsega, Sardenha,
Sicília, Creta, etc. As principais penínsulas são: ao
norte, a península Escandinava, onde se encon-
tram a Noruega e a Suécia, e a península da Jutlân-
dia, que pertence à Dinamarca; ao sul, a península
Ibérica, onde se encontram Portugal e Espanha,
a península Itálica, onde se destaca a Itália, e a
península Balcânica, onde se situam a Grécia, a
Albânia e partes de outros países.
De forma geral, predominam no continente
europeu os climas temperados. Esses climas são
Vista do rio Danúbio em Budapeste, mais frios no norte e na parte central (e, logicamente, também nas áreas de altas altitudes) e mais
capital da Hungria. O Danúbio é o
segundo maior rio do continente, além
quentes na parte meridional do continente. São mais úmidos na parte oeste, vizinha do mar, e mais
de importante rota de comércio. Foto de secos na parte leste ou continental. Nessa área há maior variação anual da temperatura, com invernos
2015. bem rigorosos e verões quentes. São climas que possuem as quatro estações do ano bem definidas,
com precipitação de neve e congelamento dos rios no inverno e calor no verão (intenso em alguns
lugares). Somente no norte da Europa, nas vizinhanças do oceano Glacial Ártico, é que encontramos
o clima frio polar. No extremo sul, nas vizinhanças do mar Mediterrâneo, encontramos o clima me-
diterrâneo, que é uma espécie de clima subtropical.
Quanto à hidrografia, o continente europeu é rico em rios e lagos, sendo estes principalmente
de origem glacial e concentrados ao norte. Os rios, que em geral nascem nas áreas montanhosas
e correm para as planícies, em sua imensa maioria possuem extensão relativamente pequena, po-
rém, são numerosos e sempre tiveram um papel fundamental na ocupação humana do território,
na agricultura e como meio de transporte. Os dois rios mais extensos, o Volga e o Danúbio, têm
respectivamente 3 600 e 2 800 quilômetros. De modo geral, os rios importantes banham as capitais
europeias, como é o caso do Tâmisa (Londres), Sena (Paris), Spree (Berlim) e Danúbio (Viena, Buda-
peste, Bratislava e Belgrado).
Os rios europeus são historicamente importantes como meio de transporte, o que facilitou
o desenvolvimento do comércio e da indústria. Nesse aspecto, os dois rios mais importantes no
continente são o Danúbio e o Reno.
A bacia hidrográfica do Danúbio, apelidado por Napoleão Bonaparte de “rei dos rios europeus”,
banha uma área de 827 mil km2, incluindo terras ou zonas de fronteiras de vários países: Alemanha,
Áustria, Eslováquia, Hungria, Croácia, Sérvia, Bulgária, Romênia e Ucrânia. Todos esses nove países
usam o rio como meio de transporte, para a geração de hidroeletricidade, para irrigação, abasteci-
mento residencial e pesca. Ele é considerado pela ONU como um canal internacional. Seu delta, o
mais conservado do ponto de vista ambiental de todos os rios europeus, entre a Romênia e a Ucrânia,
foi declarado patrimônio mundial pela Unesco.
O rio Reno é importantíssimo para a navegação, transportando boa parte das exportações da
Alemanha até o porto de Roterdã, nos Países Baixos, onde ele deságua no oceano Atlântico. Além de
banhar a Alemanha e os Países Baixos, ele passa por França (fronteira com Alemanha), Suíça, Liech-
tenstein e Áustria. Ele também é usado para abastecimento de água, irrigação e meio de transporte,
sendo que muitas cidades importantes são banhadas pelas suas águas: Estrasburgo, Basileia, Colônia,
Düsseldorf, Bonn, Utrecht e Roterdã.

80 Urbanização e mercados regionais


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FONTE: SIMIELLI, M. E. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2013. Adaptado.


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UNIFICAÇÃO EUROPEIA
Resultado de um projeto de unificação

STRINGER/AGENCE FRANCE-PRESSE
continental pensado após a Segunda Guerra
Mundial, mas alicerçado em sonhos de sécu-
los anteriores, a atual União Europeia teve o
seu início efetivo em 1957 (veja foto ao lado).
Nessa ocasião, seis Estados – Bélgica, Holanda,
Luxemburgo, Alemanha Ocidental, França e
Itália – fundaram a Comunidade Econômica
Europeia (CEE), conforme o estabelecido no
Tratado de Roma. Mais conhecido como Mer-
cado Comum Europeu (MCE), esse organismo
foi criado com o objetivo de garantir a livre
circulação de mercadorias, serviços e pessoas
GEOGRAFIA

entre os seus membros. Ou seja, sua finalidade


era eliminar todos os obstáculos, alfandegários
ou não, que impediam o livre-comércio.

Reunião de 1957 em que foi fundada a Comunidade


Econômica Europeia (CEE), em Roma.

Urbanização e mercados regionais 81


Quadro-síntese dos países da União Europeia
PIB em 2010 Ano da
População Renda per capita
País/Indicador Área (km2) Capital (bilhões de entrada no
em 2010 em 2010 (dólares)
dólares) bloco
Alemanha 357 021 Berlim 82 400 000 3 315 40 875 1957

Áustria 83 858 Viena 8 300 000 376 44 980 1995

Bélgica 30 528 Bruxelas 10 500 000 465 42 630 1957

Bulgária 110 912 Sofia 7 700 000 47 6 335 2007

Chipre 9 251 Nicósia 780 000 24 28 200 2004

Croácia 56 542 Zagreb 4 450 000 87 20 400 2013

Dinamarca 43 094 Copenhague 5 500 000 310 56 147 1973

Eslováquia 49 033 Bratislava 4 500 000 87 16 282 2004

Eslovênia 20 256 Liubliana 2 000 000 47 24 417 2004

Espanha 505 992 Madri 44 100 000 1 409 31 940 1986

Estônia 45 100 Tallinn 1 300 000 19 14 830 2004

Finlândia 338 145 Helsinque 5 300 000 239 44 492 1995

França 551 500 Paris 63 000 000 2 582 42 747 1957

Grécia 131 957 Atenas 11 100 000 305 29 630 1981

Hungria 93 032 Budapeste 10 100 000 132 12 860 2004

Irlanda 70 273 Dublin 4 300 000 204 51 350 1973

Itália 301 318 Roma 58 800 000 2 055 35 435 1957

Letônia 64 600 Riga 2 300 000 24 11 600 2004

Lituânia 65 300 Vilnius 3 400 000 36 11 170 2004

Luxemburgo 2 586 Luxemburgo 500 000 54 104 512 1957

Malta 316 Valeta 418 000 8,5 24 600 2004


Países Baixos
41 528 Amsterdã 16 300 000 783 48 223 1957
(Holanda)
Polônia 312 685 Varsóvia 38 600 000 468 15 290 2004

Portugal 92 391 Lisboa 10 600 000 229 21 408 1986

Reino Unido 242 900 Londres 60 600 000 2 247 35 335 1973

República Tcheca 78 866 Praga 10 300 000 195 18 290 2004

Romênia 238 391 Bucareste 21 600 000 158 7 545 2007

Suécia 449 964 Estocolmo 9 100 000 455 43 986 1995

FONTE: Quadro elaborado com dados do Banco Mundial e do site da União Europeia:
<http://europa.eu>. Acesso em: 8 abr. 2013.

82 Urbanização e mercados regionais


Em 1973, o Reino Unido – que inclui a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte –, a Irlanda e a
Dinamarca passaram a integrar o MCE. O mesmo ocorreu com a Grécia em 1981, com Portugal e
Espanha em 1986, e com a Suécia, a Áustria e a Finlândia em 1995. Ao longo da década de 1990,
o MCE, sediado em Bruxelas, evoluiu para se tornar uma união monetária, o que confirmou
seu forte caráter político. Por isso, em 1994, o antigo MCE cedeu lugar à União Europeia (UE),
que pretende construir uma unidade política, econômica, monetária e talvez militar na Europa.
O êxito do MCE contribuiu muito para ampliar a importância econômica da Europa oci-
dental e reduzir a interferência norte-americana nessa região, colocando-a em condições de
voltar a concorrer com os Estados Unidos, com nítida vantagem em alguns setores, principal-
mente por parte da Alemanha, que possui a economia mais forte do continente. Hoje, com a
Portal
atual União Europeia, a Europa ocidental voltou a ocupar sua tradicional posição de um dos SESI
centros mundiais de poder. Educação www.sesieducacao.com.br
A ideia da Europa como uma unidade política e econômica começou a se consolidar de-
pois da assinatura do Tratado de Roma, em 1957. Assim, as várias medidas tomadas pela atual Acesse o portal e explore mapas
de Blocos econômicos.
União Europeia permitiram tornar realidade a livre circulação de pessoas e de mercadorias,
com a eliminação das taxas alfandegárias entre os países-membros. Essas medidas aumentaram
enormemente as importações e exportações no continente e também os investimentos de
capitais entre as economias.
A unificação europeia iniciada com apenas seis nações (Europa dos Seis) foi se fortalecen-
do com o ingresso de outros países. Atualmente, ela possui 28 países-membros. Outros países
estão na fila de espera para ingressar no bloco: Albânia, Macedônia, Sérvia, Montenegro e
Turquia; futuramente, talvez outros países do Leste Europeu e da Antiga União Soviética tam-
bém façam parte. Veja o mapa abaixo e também o mapa da página 85 sobre a Zona do Euro.

União Europeia

Os doze países que formaram


o Mercado Comum Europeu ou
Europa dos Doze até 1994 o

FONTE: Elaborado com dados do site da União Europeia. Disponível em: <http://europa.eu/>. Acesso em: 20 jul. 2012.
tic
Ár
Países que ingressaram lar
Po
na União Europeia em 1995 lo
cu
Cír
Países que se recusaram a
ingressar na UE em 1994-1995.
Futuramente poderão solicitar ISLÂNDIA
ingresso
Países que aderiram ao bloco
em 2004 SUÉCIA $
Países que ingressaram na FINLÂNDIA
União Europeia em 2007
NORUEGA
País que ingressou na
União Europeia em 2013
Estado associado ESTÔNIA
Mar
$ Países que adotaram o euro do Norte LETÔNIA
em 2002 ÁSIA
IRLANDA DINAMARCA LITUÂNIA
$ REINO
UNIDO PAÍSES
BAIXOS $ POLÔNIA
$
BÉLGICA ALEMANHA
$ $
LUX. REP. TCHECA
$ ESLOVÁQUIA
OCEANO $
ATLÂNTICO FRANÇA SUÍÇA ÁUSTRIA HUNGRIA Mar
GEOGRAFIA
ESLOVÊNIA ROMÊNIA Mar Cáspio
$ Negro
CROÁCIA
PORTUGAL $ BULGÁRIA
$ Córsega ITÁLIA
ESPANHA
Sardenha
Mar GRÉCIA N
Mediterrâneo
Sicília $ 0 375
Rodes
ÁFRICA MALTA Creta km
CHIPRE

Urbanização e mercados regionais 83


O efetivo demográfico total da UE é de aproximadamente 507 milhões de pessoas, segundo
dados de 2015. A área total é de 4 463 000 km2, o que equivale a pouco mais da metade do território
brasileiro. O maior país em extensão territorial é a França, com uma área um pouco menor que o
estado da Bahia. E o menor, Malta, tem uma área inferior à maioria dos municípios do Brasil. O valor
da economia do bloco, medido pela soma do PIB dos países, chega a cerca de 18,5 trilhões de dólares
em 2015, portanto superior ao PIB dos Estados Unidos. A renda per capita dos países varia muito; é
maior em Luxemburgo e menor na Bulgária e na Romênia.
Além disso, quase não há analfabetismo entre a população de 15 anos ou mais da UE, com ex-
ceção de Portugal (5%), Grécia (3%), Bulgária (2%) e Romênia (menos de 2%). Praticamente também
não existe pobreza absoluta nos países desse bloco, ou seja, populações que vivem abaixo da linha
internacional da pobreza, com menos de 2 dólares por dia.
Voltando ao quadro da página 82, observamos que alguns países europeus ocidentais com
elevadíssimo padrão de vida até agora não se interessaram em ingressar nesse bloco: a Noruega (que
tem a segunda maior renda per capita do mundo, atrás somente de Luxemburgo) e a Suíça (quarta
maior renda per capita do globo), além de alguns Estados pequenos, com área e população bem
reduzidas: Andorra, Vaticano, Mônaco, Liechtenstein e San Marino; a Islândia, que tem uma alta renda
média, no início não se interessou, depois se candidatou, e em 2015 retirou provisoriamente a sua
candidatura após a crise na Zona do Euro. De qualquer modo, todos são países bastante integrados
na Europa, que têm como parceiros prioritários, tanto para o comércio como para o turismo e para
a diplomacia, os membros da UE.

PARA CONSTRUIR

1 Quais são as características que dão ao continente europeu o caráter de unidade política? O Brasil possui uma identidade coletiva
m
Ene-2
mais importante do que a nacional, de forma similar à Europa? Justifique.
C 9
H-
A Europa é um continente com traços específicos, pois, ao longo dos séculos ou mais de um milênio, desenvolveu uma cultura que a
diferencia inteiramente da Ásia. Foi lá que nasceu a chamada civilização ocidental, baseada no alfabeto latino, no cristianismo (embora
a religião não tenha mais a importância que teve no passado) e na intensa valorização do progresso e do desenvolvimento material.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 1 Para aprimorar: 1 e 2

TRATADOS DE MAASTRICHT, AMSTERDÃ E LISBOA


Em dezembro de 1991, os países-membros do então MCE assinaram, na cidade de Maastricht, no sul
dos Países Baixos (Holanda), um tratado que leva o nome da cidade, com o objetivo de reforçar a integração
europeia por meio da união monetária (moeda única) e de um futuro sistema único de defesa. No início,
muitos povos ficaram preocupados com a moeda única. Além disso, as populações se ressentiram do fato
de a integração europeia poder eliminar ou descaracterizar a força política de seus respectivos Estados-
-Nações, da qual não abrem mão. Por esse motivo, o tratado quase fracassou: em 1992, a
GUMBAO

população da Dinamarca disse não ao tratado em um plebiscito, e isso quase se repetiu na


França, onde o sim venceu por uma margem mínima.
Para contornar o problema, as autoridades europeias fizeram algumas modifica-
ções no Tratado de Maastricht, que acabou sendo aceito na Dinamarca em um novo
plebiscito realizado em 1993. A moeda única e o Banco Central Europeu, previstos no
Tratado de Maastricht, tornaram-se realidade a partir de 1o de janeiro de 1999. A nova
moeda europeia – o euro – foi adotada, inicialmente, por 12 países da União Europeia:
Alemanha, França, Itália, Irlanda, Portugal, Finlândia, Áustria, Países Baixos, Luxemburgo,
Bélgica, Espanha e Grécia, que entrou no grupo em 2001.
Cédulas e moedas de euro.

84 Urbanização e mercados regionais


Mas nem todos os países da UE entraram na Zona do Euro, ou União Econômica e Monetária,
isto é, nem todos substituíram a sua moeda nacional pela nova moeda europeia. Alguns preferem
manter a sua moeda nacional sem adotar o euro: é o caso do Reino Unido e da Dinamarca. Outros
países entram progressivamente nessa zona monetária, como se observa no mapa abaixo.

A expansão da Zona do Euro

Mar da
Noruega

OCEANO
ATLÂNTICO FINLÂNDIA

SUÉCIA

ltico
ESTÔNIA
Mar do r Bá
Ma
Norte
LETÔNIA
DINAMARCA
LITUÂNIA

IRLANDA REINO
PAÍSES
UNIDO POLÔNIA
BAIXOS
ALEMANHA
BÉLGICA
REP. TCHECA
LUX.
ESLOVÁQUIA
ÁUSTRIA
HUNGRIA
FRANÇA
ESLOVÊNIA
ROMÊNIA
ITÁLIA
M

BULGÁRIA Mar Negro


ar

FONTE: Disponível em: <http://europa.eu/>. Acesso em: 4 nov. 2015. Adaptado.


Ad
riá

M
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PORTUGAL ar
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ESPANHA Ti
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no
GRÉCIA ÁSIA
Mar Mediterrâneo
N
Mar
Jônico
Mar Egeu
0 285
ÁFRICA CHIPRE
km MALTA

Países da UE que adotaram o euro em 1999


País da UE que entrou na Zona do Euro em 2001
GEOGRAFIA
País da UE que entrou na Zona do Euro em 2007
Países da UE que entraram na Zona do Euro em 2008
País da UE que entrou na Zona do Euro em 2009
País da UE que entrou na Zona do Euro em 2011
País da UE que entrou na Zona do Euro em 2014
País da UE que entrou na Zona do Euro em 2015
Países da UE que segundo o Tratado de Maastricht poderão aderir à Zona do Euro
Países da UE que não participam da Zona do Euro

Urbanização e mercados regionais 85


Em 1997, os países-membros da União Europeia assinaram o Tratado de Amsterdã, que mo-
dificava o Tratado de Maastricht. Entre outras medidas, deliberou que a colocação em prática das
estratégias de sua Política Estrangeira de Segurança Comum (Pesc) seria decidida pelo voto da maioria
dos países, o que eliminou o risco de um só país vetar uma decisão apoiada pelos demais. Por outro
lado, o Tratado de Amsterdã exige que os Estados da União Europeia coloquem em prática o “pacto
de estabilidade e crescimento”, isto é, que diminuam o deficit de suas administrações públicas. Mas
na prática – em razão do fato de não estarem previstas sanções para quem não fizesse isso –, essa
medida não foi adotada por alguns países, o que contribuiu para a crise na Zona do Euro, iniciada em
2010 (veja o boxe da página 87 sobre esse tema).
Do ponto de vista internacional, a integração europeia, tão desacreditada no início, acabou
servindo de exemplo para o resto do mundo. Com o seu sucesso, associações semelhantes – pelo
menos em parte, pois em nenhum outro lugar a unificação avançou tanto – surgiram em vários
continentes: o Nafta, na América do Norte; o Mercosul, na América do Sul; a Apec, na Ásia e no
Pacífico. O processo de unificação europeia mostrou ao mundo a importância de associações desse
tipo. Elas incentivam o comércio mundial e, dessa forma, a produção de cada país-membro; expan-
dem o poder internacional de países vizinhos que isoladamente não são tão influentes; ampliam a
interdependência das nações e podem ajudar, pelo menos em tese, na construção de um mundo
mais integrado e com menos conflitos.
Em dezembro de 2007, os países da UE assinaram em Lisboa um novo tratado destinado a promover
ainda mais a integração do bloco e uma maior democratização no continente. Esse tratado, que só entrou
em vigor em dezembro de 2009, acabou gerando controvérsias e, em 2008, foi recusado pela população
da Irlanda, que majoritariamente o rejeitou num plebiscito. Mas em 2009, em um segundo plebiscito, a
Irlanda referendou esse tratado – que até hoje é alvo de críticas por parte de políticos do Reino Unido, da
Dinamarca, da Irlanda e de outros países, que argumentam que ele é centralizador.
O que propõe o Tratado de Lisboa? De forma resumida: ele fortalece o Parlamento europeu, o
que desagrada aos que são mais nacionalistas; dá uma força maior para os cidadãos organizados (um
grupo com 1 milhão de pessoas poderá solicitar à Comissão europeia que apresente novas propostas
políticas); permite que um país solicite a sua saída do bloco, um direito que antes não era reconhe-
cido; e modifica a tomada de decisões pelo Conselho da Europa – a partir de 2014, uma decisão,
para ser aprovada, deve receber o voto favorável de 55% dos Estados-membros, representando, pelo
menos, 65% da população da UE.
O Tratado de Lisboa também dá mais poderes ao bloco para intervir em várias áreas políticas de
grande importância; por exemplo, na restrição à imigração e combate aos imigrantes ilegais, nas áreas
de segurança e justiça, com destaque para o combate ao terrorismo e à criminalidade. Esses novos
poderes suscitaram o protesto de várias nações e organizações internacionais, que pensam que, por
trás disso, pode haver certo racismo ou atitudes de discriminação contra os imigrantes.

CORRIGINDO AS DESIGUALDADES REGIONAIS


Um fato importante na UE é a séria tentativa de corrigir as desigualdades regionais no conti-
nente, isto é, promover o desenvolvimento dos países e regiões mais atrasados. No início, nos anos
1960 e 1970, muitos diziam que esse bloco iria favorecer somente as nações mais desenvolvidas – na
época, principalmente a Alemanha e a França –, e prejudicar as mais pobres. Mas, com o decorrer
do tempo, essa ideia se revelou falsa.
A UE tem uma política regional pela qual os países e as regiões menos desenvolvidos – com
menor renda per capita – recebem mais ajuda, ou seja, mais verbas provenientes do conjunto do
bloco. Isso favoreceu sobretudo a Espanha e a Irlanda, que foram as nações que mais cresceram eco-
nomicamente nos últimos vinte anos em toda a Europa. Eram duas das economias mais atrasadas
da Europa ocidental, mas hoje são países plenamente desenvolvidos, com uma indústria moderna e
dinâmica, além de avançados setores de turismo, informática e telecomunicações.
Também Portugal e Grécia se modernizaram bastante, com a construção ou alargamento e
pavimentação de estradas, ferrovias, redes de metrô, etc., nessas últimas décadas, embora ainda sejam
os dois países menos desenvolvidos da parte oeste ou ocidental da Europa.

86 Urbanização e mercados regionais


Desigualdades regionais na Europa em 2011

PIB per capita superior


a 30 mil dólares
PIB per capita entre
20 e 30 mil dólares
PIB per capita entre
10 e 20 mil dólares
PIB per capita inferior Como observamos no
a 10 mil dólares mapa, existem ainda
grandes desigualdades
FONTE: Mapa elaborado pelo autor com dados do FMI

regionais na Europa,
principalmente entre
a parte ocidental, mais
desenvolvida, e a parte
oriental, em média mais
(International Monetary Fund), 2012.

atrasada. Mas as nações


com renda per capita
mais baixa – Albânia e
OCEANO
Kosovo – não pertencem
ATLÂNTICO OCEANO à União Europeia, como
PACÍFICO N
também algumas outras
0 1 460 que possuem renda média
km
apenas intermediária
(Rússia, Sérvia, Macedônia).

A crise na Zona do Euro


A partir de 2010 e prolongando-se pelos anos seguintes, foi deflagrada uma crise na
Zona do Euro, atingindo principalmente a Grécia, em primeiro lugar, e também outros países:
Portugal, Espanha, Irlanda e Itália, logo apelidados de PIIGS devido às iniciais de cada um (o S
no final vem de Spain). Vários analistas passaram a culpar o euro pela crise, afirmando que a
moeda foi lançada de forma apressada e alguns países com economias frágeis não deveriam
ter sido admitidos na Zona do Euro.
Essa crise ocorreu por dois motivos principais: por um lado, foi uma continuação, na
Europa, da chamada “bolha imobiliária” que ocorreu nos Estados Unidos em 2008; por outro
lado – o mais importante –, ela foi o resultado do deficit público em vários países europeus, que
durante anos ou até décadas gastaram muito mais do que arrecadaram com os seus impostos.
A chamada “bolha” no mercado imobiliário norte-americano, que deu origem à crise
internacional em 2008-2009, foi decorrência da descoberta de que as instituições financeiras
daquele país possuíam títulos cujos valores reais eram muito inferiores aos seus valores nomi-
nais, conhecidos como subprimes. Subprime, portanto, é um crédito de risco, um empréstimo
concedido a um tomador que não oferece garantias suficientes. Foi o que ocorreu nos Estados
Unidos na primeira década do século. Os bancos, incentivados pelo governo federal (interes-
sado em popularidade e votos), concediam empréstimos para a compra de imóveis (muitas
vezes, o segundo ou terceiro imóvel). As pessoas hipotecavam seus bens por um valor irreal,
muito mais alto do que eles valiam. Para piorar a situação, era comum conseguir empréstimos
e financiamentos hipotecando os mesmos bens em diferentes instituições financeiras. Com o
tempo se percebeu que essas hipotecas quase não tinham valor, o que levou a uma correria
para vendê-las rapidamente. Uma importante instituição financeira norte-americana decretou
falência e vários bancos só foram salvos por intervenção governamental. GEOGRAFIA
Os bancos europeus e os japoneses que haviam comprado grande quantidade de títulos
de instituições norte-americanas foram também afetados por essa crise. Em 2010, para piorar
a situação, descobriu-se que o governo grego escondia boa parte de sua enorme dívida. Com
isso, os investidores procuraram se livrar de títulos e ações europeus. Essa desconfiança não
ficou limitada à Grécia porque vários outros países da Zona do Euro também tinham ou têm
enorme deficit público, ou seja, dívidas decorrentes de gastos superiores à arrecadação. O Tra-
tado de Amsterdã estabelece que qualquer país-membro do bloco deve controlar seu deficit

Urbanização e mercados regionais 87


público, e que suas dívidas nunca podem ultrapassar 60% do valor do PIB. Mas isso nunca
foi levado a sério por vários países europeus, que possuem dívidas bastante superiores
a esse teto. O receio de que os governos da região teriam dificuldade para honrar suas
dívidas fez com que os investidores internacionais desconfiassem dos títulos ou ações das
empresas e dos governos europeus, fato que – pela lei da oferta e da procura – provocou
a sua desvalorização.
O maior problema dessa crise iniciada na economia especulativa ou financeira é que
ela afetou e continua afetando a economia real, ou seja, a produção de bens e serviços. Com
essa crise, as instituições financeiras ficam muito cautelosas e passam a emprestar menos para
as pessoas e as empresas, fato que diminui o crescimento da economia real. Enquanto isso,
os investidores, ao venderem ações e títulos europeus, provocaram uma fuga de capitais da
região. Os governos dos países europeus afetados vêm enfrentando o problema da forma mais
fácil: impondo sacrifícios à população por meio do aumento na idade de aposentadoria, corte
de salários e de benefícios sociais. Só que isso leva a um menor poder aquisitivo da população
e, consequentemente, a um menor crescimento econômico.
Interessante é que tal situação provoca desvalorização do euro e aumento na procura por títu-
los do Tesouro norte-americano, que são considerados os mais seguros do mundo, refúgio para os
investidores em épocas de crise. Só não existe maior valorização do dólar porque os Estados Unidos
também são um país endividado, com a maior dívida externa do mundo e que a cada ano conti-
nuam a importar muito mais (em valor) do que exportar. O valor (câmbio) das moedas também
reflete o desempenho das economias, e como em geral os países europeus vêm crescendo pouco
no século XXI, ou até regredindo, a tendência no médio e longo prazo é a desvalorização do euro.
Em 2012, vários analistas davam como certa a saída da Grécia da Zona do Euro, pois a
melhor solução para resolver esse problema, mesmo com sacrifícios à população – como
demonstrado no passado por Brasil, Argentina ou México –, é desvalorizar a moeda nacional,
o que a adoção do euro não permite. A desvalorização da moeda incentiva as exportações
e, com isso, possibilita superavit (saldo positivo) na balança comercial, o que significa ganho
de divisas (moedas fortes), além de ajudar na expansão da produção e também na vinda de
turistas, uma importante fonte de renda da Grécia.

PARA CONSTRUIR

2 (UFPB) Com o Tratado de Maastricht em 1992, o antigo Mercado Comum Europeu foi transformado em União Europeia (UE), a
qual deixa de possuir um caráter puramente econômico para assumir também caráter político. Naquela data, a UE era constituída
por 12 países; atualmente ela é composta por 27 associados. Essa expansão abrangeu, principalmente, nações do antigo bloco
comunista, uma vez que esse período coincide com o fim da Guerra Fria.
Considerando o exposto e a literatura sobre o assunto, identifique as consequências externas e internas da expansão da União
Europeia.
Consequências internas: aumento do horizonte geográfico e socioeconômico da UE, pois agrega territórios, populações e produção; aumento do
domínio da “velha” Europa ocidental sobre as áreas mais pobres desse continente, na perspectiva da globalização e do neoliberalismo. Isso se
traduz na agregação de matérias-primas, mão de obra e na incorporação de mercado consumidor; transformação de sua natureza econômica em
uma entidade supranacional de caráter político, assumindo moldes de uma confederação de Estados independentes, a partir da criação de certas
instituições: conselho de ministros, Parlamento, Judiciário, Ministério das Relações Exteriores, moeda, bandeira e polícia de intervenção rápida.
Consequências externas: transformação da UE em uma organização com peso centrado na esfera bélica, uma vez que a incorporação desses países
representou maior número de integrantes na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan); surgimento de uma nova Guerra Fria, retratando
agora a disputa entre as duas maiores economias do mundo capitalista: Estados Unidos × UE, brigando pela hegemonia econômica e militar
no mundo globalizado.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 2 e 3 Para aprimorar: 3 e 4

88 Urbanização e mercados regionais


ALGUNS PROBLEMAS DA UE
Além da crise na Zona do Euro, a UE enfrenta vários problemas: diminuição e envelhecimento
de suas populações nativas; dificuldades em superar os nacionalismos arraigados; percalços na inte-
gração das nações mais atrasadas da Europa oriental; e ameaças que surgem em sua parte leste com
a recuperação da Rússia.

Redução e envelhecimento da população


As taxas de natalidade na Europa estão entre as mais baixas do mundo e a expectativa de vida é
elevada, o que significa que, em muitos países, existem mais idosos do que jovens na população total.
A população europeia só cresce em consequência da vinda de imigrantes da África, principalmente,
da Ásia (sobretudo da Turquia) e da América Latina.
A União Europeia tenta estimular o aumento de população nativa com o pagamento de menos
impostos pelo casal que tem mais de dois filhos e com a adoção de uma medida inovadora: dar mais
férias remuneradas ao pai para tentar incentivar os casais a terem filhos. Nos últimos anos, vem cres-
cendo o número de propostas e novas leis ampliando a licença-paternidade. A licença-maternidade
já foi ampliada há vários anos, tendo as mães o direito de até seis meses (ou um ano, em alguns
países) de licença remunerada. Mas até agora isso não resultou no aumento das taxas de natalidade.
Um casal que tiver um filho na Noruega, por exemplo, tem direito por lei a férias pagas durante
54 semanas (cerca de um ano). As famílias norueguesas são obrigadas a dividir esses meses entre
pai e mãe. Cada casal tem o direito de se organizar como for mais adequado para sua realidade ou
Grupo de idosos joga bocha em praia
exigência profissional. no município de Calafell, na Catalunha,
Na Espanha, quase metade da população total do país terá mais de 60 anos em 2020 se as taxas Espanha. Em muitos países da Europa,
de natalidade não aumentarem. Hoje, apenas cerca de 670 mil crianças nascem por ano na Alema- a taxa de natalidade é baixa e a
população de idosos é maior do que a
nha. A título de comparação, podemos lembrar que logo após a Segunda Guerra Mundial, quando a de jovens. Os governos desses países
população alemã era bem menor do que hoje, nasceram 922 mil crianças num único ano. A Europa, preocupam-se com essa realidade
de fato, decresce demograficamente – pelo menos em sua população nativa – e, ao mesmo tempo, demográfica e promovem medidas que
fica com uma população cada vez mais idosa. Esse é um enorme problema para o continente. incentivam a retomada do crescimento
da população nativa. Foto de 2014.
Nacionalismos arraigados

EUGENE SERGEEV/SHUTTERSTOCK
Outro problema da UE é a necessidade de
superar os nacionalismos arraigados em cada Es-
tado-Nação. A Europa caminha para uma união
cada vez mais estreita e efetiva, e isso choca os
nacionalistas que se sentem muito mais france-
ses, irlandeses ou alemães do que europeus. A
recente recusa, em 2008, da população irlandesa
em aprovar o Tratado de Lisboa foi mais uma
demonstração de que as populações nacionais
relutam em aceitar esse rápido avanço no senti-
do de uma integração.
Em momentos como esse, que já ocorre-
ram em outros países, é necessário modificar
alguns itens dos tratados e, principalmente, es-
clarecer mais a população (que se queixa de não
ser consultada e estar marginalizada das discus-
sões sobre a unificação continental) para depois tentar novamente aprovar o tratado com algumas
GEOGRAFIA

alterações. Mas com a permissão explícita que o Tratado de Lisboa concedeu aos países-membros
para sair do bloco, além da recente crise do euro, será que futuramente algum país vai saltar do barco
europeu? Muitos analistas apostam que sim.

Integração das nações menos desenvolvidas


Existe ainda o problema da assimilação das nações da Europa oriental que ingressaram na UE.
Romenos, búlgaros, húngaros e outros povos se sentem como “cidadãos de segunda classe” no bloco,

Urbanização e mercados regionais 89


e os habitantes dos países com maior padrão de vida – Alemanha, França, Países Baixos, Luxemburgo,
Bélgica, norte da Itália – se queixam da vinda de migrantes do Leste Europeu.
Podemos dizer que o início dessa questão foi a reunificação das duas Alemanhas, formalizada
em outubro de 1990, que representou uma anexação da parte oriental pela ocidental. A antiga
moeda da ex-Alemanha Ocidental, o marco, tornou-se a moeda do novo país antes da adoção do
euro, e praticamente todas as leis da Alemanha capitalista passaram a vigorar na parte oriental, que
até então era socialista. Essa foi uma das principais críticas do forte movimento ecológico alemão-
-ocidental, principalmente do Partido Verde, a essa rápida reunificação: não houve muito diálogo ou
negociações, e alguns aspectos positivos da ex-Alemanha Oriental – como a pouca competição e o
baixo índice de desemprego, a preservação de monumentos históricos, etc. – foram deixados de lado.
Em 1990, começou a ocorrer uma verdadeira desmontagem do parque industrial da ex-Alema-
nha Oriental para adaptar as empresas às normas de produção e à tecnologia da Alemanha Ociden-
tal. Apesar de ter sido o país mais industrializado da Europa oriental, a Alemanha Oriental possuía um
setor produtivo obsoleto diante da moderna tecnologia ocidental, com muito desperdício de energia
e mão de obra. Além disso, a indústria da atual parte leste da Alemanha era altamente poluidora. De
todo o lado oriental, apenas a região de Berlim, que, em parte, já pertencia à Alemanha Ocidental
antes da reunificação, vinha desenvolvendo uma notável industrialização desde os anos 1990.
Também os meios de transporte e comunicação em geral – estradas, aeroportos, rede telefônica,
etc. – encontravam-se muito atrasados ou em estado precário nessa porção oriental da nova Alema-
nha, que atualmente é a região menos desenvolvida do país. Calcula-se que até o fim do século XX
o Estado alemão tenha investido cerca de 70 bilhões de dólares para modernizar a parte oriental.

A Alemanha reunificada

DINAMARCA
Mar
Mar Báltico
do Norte
Kiel
Rostock
Lübeck

Hamburgo Schwerin

Bremen
PAÍSES POLÔNIA
BAIXOS
ALEMANHA
Berlim
Hanover
Magdeburgo

Halle
Dortmund Leipzig
Essen Dresden
Düsseldorf
Colônia Erfurt
Karl-Marx-Stadt
Bonn Zwickau

BÉLGICA
FONTE: Grand atlas historique. Paris: Larousse, 2004.

Wiesbaden Frankfurt
A ex-Alemanha Ocidental (cor amarela no mapa), que Mainz REPÚBLICA TCHECA
praticamente incorporou a ex-Alemanha Oriental LUXEMBURGO
(cor lilás), possuía uma área de 248 709 km2, com Nuremberg
Ludwigshafen Mannheim
uma população de mais de 62 milhões de habitantes.
Saarbrücken
Somando-se a isso a área e a população da
ex-Alemanha Oriental – 108 333 km2 e 16 milhões de FRANÇA
habitantes –, temos hoje uma Alemanha reunificada Stuttgart
com 357 042 km2 e 82,4 milhões de habitantes. Trata-se
Munique ÁUSTRIA
do país mais populoso e mais industrializado de todo
o continente europeu. O grande perdedor da Segunda
N
Guerra Mundial surgiu, então, no fim do século XX,
como uma das potências econômicas mais fortes e 0 70
dinâmicas e talvez, num futuro próximo, desponte SUÍÇA km
também como uma potência militar.

90 Urbanização e mercados regionais


Há ainda um problema de identidade nacional na nova Alemanha, em virtude do preconceito
contra os novos cidadãos oriundos da parte leste. Estes se sentem bem mais pobres do que os ci-
dadãos da ex-Alemanha Ocidental e se julgam “cidadãos de segunda categoria”. No lugar do antigo
“Muro da Vergonha” (o Muro de Berlim), alega-se que passou a existir o “muro da riqueza”, ou seja, a
disparidade entre os habitantes da parte ocidental, mais ricos, e aqueles oriundos da parte oriental,
que em alguns casos são discriminados e obrigados a trabalhar nos serviços mais desprestigiados.
A reunificação, a crise econômica e a substituição crescente da mão de obra por máquinas ge-
raram um considerável aumento do desemprego. Com isso, o racismo e o preconceito tornaram-se
ainda mais fortes; em primeiro lugar, contra os povos vindos do Sul que residem na Alemanha (turcos,
principalmente) e, em segundo, contra as populações oriundas da Europa oriental. São frequentes
as ações violentas de alguns grupos racistas e neonazistas, que agridem pessoas e incendeiam acam-
pamentos ou residências em bairros pobres. Esse é um dos maiores problemas que a Alemanha e
grande parte da Europa ocidental enfrentam atualmente.

Ameaças com a recuperação da Rússia


Por fim, temos a expansão da UE – e também da Otan, tratado militar liderado pelos Es-
tados Unidos e que inclui quase todos os países do bloco – para leste, para a Europa oriental
e para países da antiga União Soviética, o que começa a se chocar com os interesses russos de
se firmarem novamente como a potência dominante nessa região. A Otan já incorporou vários
países que, até o início dos anos 1990, estavam sob a “área de influência” soviética ou russa: Polô-
nia, Hungria, República Tcheca, Bulgária, Romênia, Eslováquia e as três nações bálticas (Lituânia,
Letônia e Estônia). Em 2009, foi a vez de Albânia e Croácia ingressarem nessa organização militar.
Aventa-se, também, a possibilidade de futuramente incluir a Ucrânia e principalmente a Geórgia,
o que desagrada muito à Rússia.
Além disso, a Otan está colocando bases militares com mísseis na Polônia, teoricamente como
um escudo de defesa contra ataques vindos da Ásia, do Irã ou da Coreia do Norte. No entanto, os
russos veem isso como um ato de agressão, como uma barreira destinada exclusivamente a conter
a Rússia. A Europa assinou nos últimos anos vários tratados de integração econômica com a Rússia,
voltados principalmente a receber petróleo e gás natural do imenso país vizinho. Com isso, ela perce-
beu que ficou muito dependente desse fornecimento de fontes de energia, e que a Rússia está tirando Soldados ucranianos em veículo
vantagem desse fato na sua política agressiva contra os países da ex-União Soviética, principalmente blindado, próximos à cidade de
aqueles que ela considera parte de sua área de influência: Belarus e Ucrânia, a sudoeste; e Geórgia, Kramatorsk, situada no leste da Ucrânia.
Assim como a Crimeia, a cidade também
Armênia e Azerbaijão, na parte sul, região chamada de Cáucaso. foi palco de conflito entre grupos
Em 2008, a Rússia – que veio se recuperando da grave crise dos anos 1990 graças, principalmen- separatistas pró-Rússia e o exército
te, aos expressivos aumentos nos preços do petróleo e ucraniano. Foto de 2014.
do gás natural (pelo menos até 2013, pois depois eles

DAVID MDZINARISHVILI
declinaram abruptamente) – invadiu a Geórgia após
esta ter iniciado uma repressão às populações russas
que existem em duas de suas repúblicas autônomas, a
Ossétia do Sul (vizinha à Ossétia do Norte, que faz par-
te da Rússia) e a Abkházia. Além de invadir a Geórgia,
com o argumento de defender a etnia russa nessas duas
repúblicas rebeldes (ambas querem a independência),
a Rússia também reconheceu a independência delas, o
que foi recusado pelos Estados Unidos e pelos países
da União Europeia.
GEOGRAFIA
Em 2013-2014 ocorreu a crise na Ucrânia, quando
manifestações populares derrubaram o presidente do
país, Víktor Yanukóvytch, que, pressionado pela Rússia,
havia se recusado a assinar um acordo de livre-comércio
com a UE. Em represália, a Rússia incentivou a popula-
ção de origem russa, que existe em grande quantidade
no leste da Ucrânia e, principalmente, na península

Urbanização e mercados regionais 91


da Crimeia (onde ela representa a maioria dos habitantes), a se rebelar contra o novo governo de
Kiev, além de ter enviado tropas mercenárias para lutar contra o exército ucraniano nessas regiões.
A Rússia, afinal, anexou ao seu território a Crimeia, fato não aceito até hoje pela Ucrânia e não reco-
nhecido como legítimo pela ONU. Em represália, os países europeus, e também os Estados Unidos,
o Canadá e o Japão, iniciaram um boicote contra a Rússia, até mesmo desaconselhando os turistas
a visitarem aquele país. Isso, aliado ao declínio nos preços do petróleo, produziu uma recessão na
economia russa. O fato é que a expansão do bloco para leste e suas relações com a Rússia começam
a ficar problemáticas. É mais uma dúvida que paira sobre o futuro da Europa.

PARA CONSTRUIR

3 (UFPR) Analise a afirmação: “A Europa vive hoje uma explosão de nacionalismo”.


m
Ene-3 Surgem movimentos de cunho nacionalista principalmente quanto à forte presença de estrangeiros vindos de regiões pobres ou em conflito.
C 5
H-1

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 4 Para aprimorar: 5

Veja, no Guia do Professor, as


respostas da “Tarefa para casa”.
TAREFA PARA CASA

PARA
PARA PRATICAR
PRATICAR

1 Se levássemos em conta apenas os aspectos físicos, a Europa não seria considerada um continente. Explique por quê.

2 Atualmente, a União Europeia é um fato inquestionável no cenário europeu. Sobre ela, responda:
m
Ene-2 a) Quais foram os principais acontecimentos históricos que ocorreram no processo de formação da UE?
C 0
H-1 b) Qual é a importância dos tratados de Maastricht, Amsterdã e Lisboa?
c) Nem todos os países da UE adotaram o euro. Por que isso ocorreu?
d) Por que a UE representa um exemplo para as demais regiões do mundo?
e) Em sua opinião, um país, ao aderir a um bloco econômico, estaria abrindo mão de sua soberania? Justifique.

3 Explique o que você sabe sobre a crise na Zona do Euro.

4 Quais são, na sua opinião, os aspectos positivos e negativos da União Europeia?

PARA
PARA APRIMORAR
PRATICAR

1 (UnB-DF) Julgue os itens a seguir, a respeito do processo de integração de espaços no mundo.


a) O funcionamento interno de blocos econômicos rege-se por acordos que garantem a abertura comercial entre os membros
do bloco e o aumento da circulação de mão de obra, matérias-primas e mercadorias.
b) Blocos regionais, a exemplo da União Europeia, têm caráter centralizador no que diz respeito à produção industrial, que deve
restringir-se aos países mais desenvolvidos tecnologicamente.
c) A constituição de grandes blocos econômicos regionais opõe-se ao processo de globalização, que impõe nova ordenação
territorial do mundo, caracterizada pela internacionalização da economia.
d) Tem-se verificado a tendência à expansão das fronteiras da União Europeia, onde se consolida, cada vez mais, a interação entre
os países-membros sob a forma de união aduaneira.

92 Urbanização e mercados regionais


2 (UEM-PR) No processo de integração da economia mundial, O trecho da reportagem anterior retrata parte do problema
uma das principais tendências tem sido a formação de blocos do chamado “deficit previdenciário”. Este problema envolve
macrorregionais. No caso da política de integração europeia, aspectos demográficos, econômicos e políticos. A esse res-
isso ocorreu em etapas e com a criação de organismos supra- peito, assinale a alternativa correta.
nacionais. Sobre esse tema, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). a) O deficit previdenciário é um problema grave da Euro-
(01) Na década de 1940, houve a união alfandegária formada pa, pois sua população ainda se encontra na primeira
pela Bélgica, Holanda e Luxemburgo (Benelux), visando fase do processo de transição demográfica, apresen-
ao estímulo do comércio mediante a eliminação das tando redução constante dos índices de mortalidade
barreiras alfandegárias. e aumento da expectativa de vida. Os índices elevados
(02) Na década de 1950, constituiu-se o Mercado Comum de natalidade, pouco superiores às médias mundiais,
Europeu (MCE), contando inicialmente, entre os países- não têm sido suficientes para a reposição da mão de
-membros, com Benelux e mais a França, a Alemanha obra e, consequentemente, das contribuições previ-
Ocidental e a Itália. denciárias.
(04) Na década de 1960, os países escandinavos, com o obje- b) A população europeia encontra-se na segunda fase do
tivo inicial de coordenar a produção da pesca e de seus processo de transição demográfica, caracterizando-se
derivados, criaram uma comunidade europeia específi- por uma queda recente dos índices de natalidade, o
ca, a Comunidade Europeia da Pesca (CEP). que garante a mão de obra compatível com as contri-
(08) A Associação Europeia de Livre-Comércio (ALEC) foi criada buições previdenciárias. Desse modo, o problema do
na década de 1970 pela Suíça, Áustria e por Liechtenstein, deficit se justifica apenas pela crise econômica defla-
visando a uma comunidade menor, aos moldes do CEP. grada em 2008.
(16) Na década de 1990, foi criada a União Europeia (UE), so- c) A contínua elevação da expectativa de vida fez aumentar
bre as bases do MCE, que reuniu, na década seguinte, a proporção de idosos no continente europeu, ao mesmo
muitos países da Europa oriental. tempo em que a reduzida taxa de natalidade fez com que
a proporção da população economicamente ativa não
3 (UEPG-PR) Com relação à União Europeia, assinale o que for acompanhasse esse crescimento. Esses dois fenômenos,
correto. combinados, provocam o deficit previdenciário, agravado
(01) O MCE – Mercado Comum Europeu (1957) foi o início da pela crise econômica.
União Europeia, que é o estágio mais avançado do pro- d) A população europeia é chamada de “madura” ou “enve-
cesso de formação de blocos econômicos no contexto lhecida”, pois a proporção média de idosos (pessoas acima
da globalização. de 60 anos) nos países do continente ultrapassa os 60% da
(02) Todos os países europeus fazem parte da União Euro- população total. Nesse contexto, os gastos com aposenta-
peia e adotaram o euro como moeda comum. dorias e pensões tornam-se muito superiores ao volume
(04) A União Europeia conta com Parlamento, Comissão e das contribuições previdenciárias.
Conselho europeus e criou uma moeda própria – o euro; e) A grande participação de imigrantes ilegais é a principal
os bancos dos países da Zona do Euro foram centraliza- causa do deficit previdenciário nos países europeus, so-
dos pelo Banco Central Europeu. bretudo na sua porção ocidental. Países como França e
(08) A União Europeia conseguiu criar um ambiente de paz Alemanha apresentam grandes percentuais de estrangei-
no continente europeu acabando com diferenças eco- ros irregulares, notadamente argelinos e turcos. Esses imi-
nômicas, divergências e conflitos étnicos e territoriais grantes, por serem ilegais, não trabalham, mas consomem
seculares. os recursos previdenciários sob a forma de aposentado-
rias e pensões.
4 (Mack-SP) Leia o texto a seguir para responder à questão.
m População idosa da Europa é um desafio para o sis- 5 (UTFPR) Os países da Europa estão en-
Ene-2
C 8
H- tema previdenciário tre os do planeta; além disso, França,
Inglaterra e são alguns dos países mais
O equilíbrio no sistema previdenciário europeu é um
do continente europeu.
dos grandes desafios do continente para as próximas décadas,
acreditam os especialistas. Os que vivem de aposentadorias Assinale a única alternativa que preenche corretamente os
GEOGRAFIA

deverão atingir a maioria da população europeia, com cerca espaços em branco acima:
de 30% do total em 2050. Porém, a crise econômica que se a) Ocidental; mais desenvolvidos; Alemanha; populosos.
alastra no Velho Mundo já desempregou cerca de 10% do b) Ocidental; mais despovoados; Espanha; povoados.
continente, causando um desequilíbrio que deverá afetar os c) Oriental; mais extensos; Suécia; populosos.
Estados no futuro. d) Oriental; mais desenvolvidos; Suíça; superpovoados.
Disponível em: <www.jb.com.br/economia/noticias/2012/02/03>. e) Setentrional; mais populosos; Portugal; frios.

Urbanização e mercados regionais 93


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Livros
ALVES, Júlia Falivene. Metrópoles: cidadania e qualidade de vida. 11. ed. São Paulo: Moderna, 1997.
CHALOULT, Yves; ALMEIDA, Paulo Roberto de (Org.). Mercosul, Nafta e Alca. São Paulo: LTR, 2009.
DAVIS, Mike. Planeta Favela. São Paulo: Boitempo, 2006.
HAESBAERT, Rogério. Blocos internacionais de poder. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2012.
MARTIN, André; JAF, Ivan. União Europeia. 3. ed. São Paulo: Ática, 2012.
PFETSCH, Frank R. A União Europeia: história, instituições, processos. Brasília: Ed. da UnB, 2011.
RUA, João; PORTELA, Fernando. Estados Unidos. 3. ed. São Paulo: Ática, 2013.

Sites
<http://europa.eu/index_pt.htm>
Site da União Europeia com opções para vários idiomas. Fornece uma diversificada base de dados e publica-
ções sobre o bloco europeu, seus países e o andamento das negociações com outros países da Europa e do
mundo.
<www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=HOMEPAGE_V2>
Portal do Jornal dos Negócios, de Portugal, onde há informações atualizadas sobre a economia da Europa e em
particular da Zona do Euro.
<www.nafta-sec-alena.org>
Site do Nafta, com informações e textos em inglês, francês e espanhol.
<www.onuhabitat.org/>
Site em inglês e espanhol do programa da ONU para os assentamentos humanos.
<www.wto.org>
Portal da Organização Mundial do Comércio, onde há estatísticas e documentos, em inglês, sobre as relações
comerciais internacionais. Também existe uma versão em espanhol: <www.wto.org/indexsp.htm>.
<www.ibge.com.br>
Site do IBGE, no qual há mapas, estatísticas e textos sobre a urbanização do Brasil.

ANOTAÇÕES

94 Urbanização e mercados regionais


MAIS ENEM
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Ciências da Natureza e suas Tecnologias
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
Matemática e suas Tecnologias

1 A União Europeia (UE) denuncia a situação do Estado de dos cartões-postais da cidade para a até então inabitada zona
direito e das liberdades fundamentais na Turquia em um rela- Oeste. Vinte anos depois teve que sair da Favela Cidade de
tório sobre as negociações de adesão do país, um documento Deus porque era preciso abrir passagem à Linha Amarela,
que teve a publicação adiada pela Comissão Europeia para via expressa que liga a Barra da Tijuca ao Aeroporto Inter-
depois das eleições turcas. nacional do Galeão. Agora, corre o risco de ter que mudar
“O relatório enfatiza a tendência geral negativa no respeito mais uma vez. A Vila Autódromo, onde mora há quase duas
do Estado de direito e aos direitos fundamentais”, afirma um décadas, pode atrapalhar a valorização do Ilha Pura, um me-
resumo do relatório publicado pela Comissão Europeia. gacondomínio de classe média alta na Barra da Tijuca, com
“Depois de vários anos de progressos a respeito da li-
31 edifícios de 17 andares cada, espalhados em uma área de
berdade de expressão, foram constatadas sérias recaídas nos
últimos dois anos”, destaca o relatório, que lamenta ainda as 800 mil m², que faz parte do pacote da Parceria Público-
“falhas” que afetam o Poder Judiciário. -Privada que a Prefeitura do Rio firmou com um consórcio
Os novos processos abertos contra jornalistas, escritores de construtoras como forma de se livrar dos custos com as
ou usuários das redes sociais, “a intimidação dos jornalistas e instalações do Parque Olímpico e da Vila dos Atletas para
dos meios de comunicação, assim como as ações das autori- a Olimpíada 2016. “O prefeito negociou essa comunidade
dades que limitam a liberdade de imprensa são de considerá- com as empresas que vão construir prédios de classe média
vel preocupação”, acrescenta. até 2030. Pobre sempre é excluído do progresso”, diz Altair.
“O novo governo formado após as eleições de 1o de no- Carta Maior. Megaeventos aceleram processo de gentrificação no Rio de
vembro precisará tratar de maneira urgente estas prioridades”, Janeiro. 15 abril 2015. Disponível em: <http://cartamaior.com.br/?/Editoria/
Cidades/Megaeventos-aceleram-processo-de-gentrificacao-no-Rio-de-
completa. Janeiro/38/33273>. Acesso em: 12 nov. 2015.
A UE também expressa inquietação com a “severa dete-
rioração da segurança” na Turquia e pede uma investigação

ANDRE CHACO /FOTOARENA/FOLHAPRESS


“transparente e rápida” do mais grave atentado da história do
país, que deixou pelo menos 95 mortos em 10 de outubro.
G1. União Europeia critica Turquia sobre situação de liberdades fundamentais.
10 nov. 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/11/
uniao-europeia-critica-turquia-sobre-situacao-de-liberdades-
fundamentais.html>. Acesso em: 12 nov. 2015.
Os problemas relativos à liberdade de expressão que vêm
ocorrendo na Turquia nos últimos anos, destacados no relató-
rio publicado pela Comissão Europeia, têm sido um dos mo-
tivos que ainda tem impedido o país a integrar, após anos de
negociações: b
a) a Otan, Organização do Tratado do Atlântico Norte.
b) A União Europeia, bloco econômico constituído por 28 países
europeus. Construção da Vila Olímpica, que sediará os atletas nos
c) a Opep, Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
d) a CEI, Comunidade dos Estados Independentes.
e) a Alcac, Área de Livre-Comércio entre a Associação das Na-
O fenômeno socioespacial que afetou a vida de Altair Antunes,
ções do Sudeste Asiático e a China.
conforme demonstrado no trecho acima, e da população de
2 As remoções marcam a vida de Altair Antunes, de 60 anos. baixa renda nos centros urbanos, é conhecido como: c
Na primeira vez, ele tinha apenas 14. A favela em que morava a) conurbação.
na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona nobre do Rio de Janeiro b) urbanização.
em acelerado processo de valorização imobiliária na década c) gentrificação.
de 1970, foi acusada de dano ambiental por causa da mor- d) expansão dos subúrbios.
tandade cíclica de peixes da lagoa e acabou expulsa de um e) verticalização das cidades.

95
QUADRO DE IDEIAS
Direção editorial: Renata Mascarenhas
Coordenação editorial: Tatiany Renó
Edição: Camila De Pieri Fernandes (coord.), Tatiane
Godoy; Colaboração: Eliete Bevilacqua
Coordenação de produção: Fabiana Manna, Daniela
Carvalho
Urbanização Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga
Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Letícia Pieroni
(coord.), Danielle Modesto, Marília Lima, Marina Saraiva,
Tayra Alfonso, Vanessa Lucena.
Edição de Arte: Kleber de Messas
Rede urbana Iconografia: Sílvio Kligin (supervisão), Ellen Colombo
Finta; Colaboração: Fábio Matsuura, Fernanda Siwiec,
Fernando Vivaldini
Licenças e autorizações: Patrícia Eiras
Ilustrações: Ideario Lab, Ilustra Cartoon
Metropolização
Cartografia: Eric Fuzii, Robson Rosendo da Rocha
Projeto gráfico de miolo: Daniela Amaral, Talita Guedes
Colaboraram para esta Edição do Material:
Hierarquia de Projeto Sistema SESI de Ensino
Gestão do Projeto: Thiago Brentano
cidades
Coordenação do Projeto: Cristiane Queiroz
Coordenação Editorial: Simone Savarego, Rosiane
Botelho e Valdete Reis
Revisão: Juliana Souza
Problemas
Diagramação: lab 212
urbanos Capa: lab 212
Ilustração de capa: Macrovector/ Sentavio/ Golden
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Consultores:
Coordenação: Dr. João Filocre
Mercados regionais Geografia: Msc. Rita Elizabeth Durso Pereira da Silva
SESI DN
Superintendente: Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor de Operações: Marcos Tadeu de Siqueira
Gerente Executivo de Educação: Sergio Gotti
Mercosul Gerente de Educação Básica: Renata Maria Braga
dos Santos

Todos os direitos reservados por SOMOS Educação S.A.


União Europeia Avenida das Nações Unidas, 7221
Pinheiros – São Paulo – SP
CEP: 05425-902
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Nafta
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Vesentini, José William


Sistema de ensino ser : ensino médio, cadernos de
1 a 12 : geografia : professor /José William Vesentini.
-- 3. ed. -- São Paulo : Ática, 2017.

1. Geografia (Ensino médio) I. Título.

16-08164 CDD-910.712

Índice para catálogo sistemático:


1. Geografia : Ensino médio 910.712
2016
ISBN 978 85 08 18300 5 (AL)
ISBN 978 85 08 18301 2 (PR)
3ª edição
1ª impressão

Impressão e acabamento

Uma publicação

96 Urbanização e mercados regionais


GEOGRAFIA
GUIA DO PROFESSOR

JOSÉ WILLIAM VESENTINI


Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo
(USP).
Doutor em Ciências Humanas, área de Geografia Humana, pela
Universidade de São Paulo (USP).
Livre-docente em Geografia Política pela Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP).
Professor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP),
onde leciona nos cursos de graduação e pós-graduação. Com 12
anos de experiência como docente no Ensino Fundamental e no
Ensino Médio.

GEOGRAFIA

MÓDULO
Urbanização e mercados regionais (16 aulas)

Urbanização e mercados regionais


As competências e habilidades do Enem estão indicadas em
questões diversas ao longo do módulo. Se necessário, explique
MÓDULO aos alunos que a utilidade deste “selo” é indicar o número da(s)
competência(s) e habilidade(s) abordada(s) na questão, cuja
Urbanização e mercados regionais área de conhecimento está diferenciada por cores (Linguagens:
laranja; Ciências da Natureza: verde; Ciências Humanas: rosa; Ma-
temática: azul). A tabela para consulta da Matriz de Referência
do Enem está disponível no portal.
Plano de aulas sugerido
Carga semanal de aulas: 2
Número total de aulas do módulo: 16 SESI
Educação
www.sesieducacao.com.br

Na abertura deste módulo, trabalhe com


Competências Habilidades os alunos o objeto educacional digital
cc Conceituar urbanização. cc Analisar o avanço da Urbanização nas grandes cidades.
cc Caracterizar a urbanização no urbanização mundial.
Brasil. cc Comparar o processo de

cc Entender a formação do urbanização em países


Mercosul no contexto da desenvolvidos e em países
globalização. subdesenvolvidos. 1. A URBANIZAÇÃO DA HUMANIDADE
cc Definir os seguintes
cc Tratar da criação do Nafta. Objeto do conhecimento
cc Compreender o processo de
conceitos: metropolização,
rede urbana, conurbação, Urbanização mundial.
criação da União Europeia e
megacidade, megalópole, Objeto específico
os seus objetivos.
gentrificação e cidade global. Conceituar urbanização; distinguir a urbanização dos países
cc Entender o processo de
desenvolvidos e a dos países subdesenvolvidos na atualidade;
urbanização no Brasil.
cc Avaliar a existência de definir, além de urbanização, os seguintes conceitos:
metrópoles nacionais e metropolização, rede urbana, conurbação, megacidade,
cidades globais em nosso país. megalópole, gentrificação e cidade global.
cc Compreender os problemas
sociais no Brasil relacionados à
urbanização. AULA 1 Páginas: 4 a 7
cc Apresentar as principais
características e os objetivos O que é urbanização; rede urbana
do Mercosul.
cc Relacionar a fundação do
Objetivos
Mercosul à globalização.
cc Perceber as perspectivas, Definir urbanização.
bem como os problemas Perceber o crescimento da população urbana no mundo nas
enfrentados pelo bloco últimas décadas.
sul-americano.
cc Avaliar os principais aspectos
Analisar os graus de urbanização no mundo.
do Nafta. Compreender o que é rede urbana.
cc Perceber que a hegemonia
dos Estados Unidos não se Estratégias
faz presente apenas no bloco Este capítulo busca, entre outros objetivos, conceituar urbanização
econômico norte-americano, e refletir sobre suas origens. Retoma, ainda que de forma breve, o
mas se estende pelo mundo. surgimento dos núcleos urbanos da humanidade, a partir do advento
cc Entender a situação do
México como país integrante da Revolução Neolítica, quando o ser humano passou a domesticar
do Nafta. animais e a desenvolver as primeiras técnicas agrícolas, tornando-se,
cc Introduzir os aspectos físicos então, sedentário.
do continente europeu. Explique aos alunos o papel da Revolução Industrial (que teve sua
cc Discutir os principais aspectos da origem na Inglaterra em meados do século XVIII e em seguida se
União Europeia e a sua criação. disseminou para outros países da Europa e para os Estados Unidos)
cc Analisar os problemas e
na expansão da urbanização mundial.
desafios enfrentados pelo
bloco europeu no presente. Destaque que o crescimento da mecanização na zona rural, por
meio de equipamentos e instrumentos produzidos em indústrias,

2 GUIA DO PROFESSOR
provoca a obsolescência da força de trabalho humana e, consequen- alunos percebam a relação entre o surgimento das primeiras grandes
temente, intensifica o êxodo rural. cidades e o início da industrialização nesses locais. Observe que, no
Promova a análise do gráfico “População rural e urbana no mundo presente, a maioria das principais aglomerações urbanas do mundo
(1950-2050)” (página 5). Aponte que, desde 2008, metade da popu- está no continente asiático, onde China e Índia, os dois países mais
lação mundial passou a viver em cidades e que a tendência para as populosos do mundo, estão localizados.
próximas décadas é a ascensão da porcentagem de seres humanos Leia, com a participação da turma, os tópicos “Conurbação e áreas
em centros urbanos. metropolitanas” (página 7), “Megalópoles e megacidades” (páginas
Incentive a turma a realizar a leitura do mapa “Megacidades e graus 8 e 9) e “Cidades globais” (páginas 9 e 10) para que ela compreenda
de urbanização no mundo” (página 6). Pergunte quais são os conti- os diferentes conceitos ligados à urbanização.
nentes mais urbanizados, quais são os países em que a porcentagem Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a
da população que vive em cidades é baixa e em quais continentes atividade 2 do “Para construir” (página 12).
estão localizados. Há muitas cidades no mundo em que a população
é estimada em mais de 10 milhões de habitantes, segundo o mapa? Tarefa para casa
Há exemplos no Brasil? Peça aos alunos que observem atentamente Solicite à turma que faça em casa as atividades 2 e 3 do “Para praticar”
o mapa e a sua legenda. (página 16) e as atividades 3 a 6 do “Para aprimorar” (páginas 19 e 20).
Fale sobre a existência de uma hierarquização das cidades e expli- Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
que que aquelas que estão no topo da hierarquia polarizam as demais juntamente com toda a classe.
em razão de sua influência. São Paulo, a maior metrópole brasileira, é
o principal exemplo no país de cidade que exerce polarização sobre AULA 3 Páginas: 12 a 16
um conjunto de cidades.
Reflita com os alunos sobre a questão de redes urbanas, que pres- Submoradias no mundo; expansão dos
supõem, além de um conjunto de cidades e de expressiva população subúrbios e gentrificação; rumo a uma
urbana, uma infraestrutura plenamente desenvolvida, com meios de cidade sustentável?
transporte público eficientes, comunicação, etc. Questione a turma
sobre a existência de redes urbanas no Brasil e se nelas há eficiência Objetivos
nos meios de transporte e infraestrutura plenamente desenvolvida.
Peça aos alunos que comparem a rede urbana brasileira com outras Tratar das submoradias no mundo nos dias atuais.
redes urbanas que existem no mundo. Caracterizar a expansão de subúrbios.
Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a Discutir gentrificação.
atividade 1 do “Para construir” (página 7). Tratar da importância da adoção de práticas e de projetos susten-
táveis nas cidades no presente e para o futuro.
Tarefa para casa
Estratégias
Solicite à turma que faça em casa a atividade 1 do “Para praticar”
(página 16) e as atividades 1 e 2 do “Para aprimorar” (páginas 17 a 19). Em 2015, a ONU divulgou o fato de que cerca de 702 milhões
Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões de pessoas (9,6% da população mundial) encontram-se em estado
juntamente com toda a classe. de pobreza extrema, ou seja, não contam com os recursos mínimos
necessários para sua sobrevivência. Além disso, cerca de 1,1 bilhão de
pessoas não possuem moradia adequada.
AULA 2 Páginas: 7 a 12 Leia o subtópico “Submoradias no mundo” (páginas 12 e 13) com
os alunos e, em seguida, analise a tabela “População residente em
Conurbação e áreas metropolitanas; favelas em países selecionados” (página 13). Observe a porcentagem
megalópoles e megacidades; cidades elevada da população que vive em condições precárias na atualida-
globais; urbanização no mundo de nos países em questão. Pergunte à turma quais são os esforços
empreendidos pelos governos, ONGs e pela sociedade que buscam
Objetivos alterar essa situação. Se necessário, incentive a elaboração de uma
Definir conurbação e áreas metropolitanas. pesquisa sobre o tema para apresentar os dados mais relevantes.
Conhecer as maiores aglomerações urbanas do mundo. No que se refere à questão da sustentabilidade, sabemos que as
Conceituar megalópoles, megacidades, cidades globais. mudanças nesse sentido são possíveis e muitas cidades são exemplo
Perceber disparidades da urbanização entre países desenvolvidos e disso: na questão da mobilidade, Copenhague é a melhor cidade do
mundo, na atualidade, para os ciclistas. Todos os dias, mais da metade
GEOGRAFIA
países subdesenvolvidos.
dos trabalhadores da capital da Dinamarca vai ao trabalho de bicicleta.
Estratégias Além do incentivo ao uso dos meios de transporte não poluentes,
Reflita com os alunos por que há cidades muito povoadas e outras destaque as cidades onde a utilização de energias renováveis, como a
pouco habitadas. Quais são os fatores que atraem as pessoas aos solar e a eólica, é valorizada; onde há o uso do lixo doméstico como
grandes centros urbanos? adubo por meio da compostagem, etc.
Incentive a leitura do quadro “As 15 maiores aglomerações urbanas Questione os alunos sobre a existência de programas governamen-
do mundo (em milhões de habitantes)” (página 7). Faça com que os tais que incentivem o aumento de frotas que utilizam combustíveis

Urbanização e mercados regionais 3


limpos. O governo brasileiro, por exemplo, tem priorizado a ampliação Estratégias
das áreas verdes, a erradicação da pobreza e da miséria, a despoluição Realize a leitura do gráfico “A urbanização brasileira” (página 21).
de rios, a evolução e a ampliação da coleta seletiva de lixo? Os elemen- Oriente os alunos a perceberem o crescimento da população urbana
tos citados, além de outros, contribuem para uma cidade sustentável. no país num período de 70 anos (1940-2010). Levante as principais
Que outras atitudes a população pode tomar para tornar a cidade razões da intensificação do êxodo rural no Brasil a partir de meados
sustentável? Peça aos alunos que pesquisem exemplos de cidades e do século XX. Com perguntas aos alunos para que eles cheguem ao
projetos de inovação relativos à sustentabilidade nos centros urbanos. conhecimento pelo diálogo, discuta com eles as causas das migra-
ções rurais-urbanas no Brasil: a industrialização e a mecanização do
Para saber um pouco mais sobre a criação de Songdo, uma campo (inicialmente no Sudeste e no Sul do país, e hoje até mesmo
cidade da Coreia do Sul planejada e sustentável, leia o Texto 1 no Centro-Oeste e no Nordeste, pelo menos em extensas áreas; basta
da seção de textos complementares deste Guia. lembrar o exemplo da cultura da soja, atualmente a mais importante
no país, que usa intensamente máquinas e pouca mão de obra), a
“expulsão” de populações rurais pela concentração da propriedade da
Discuta com os alunos a expansão dos subúrbios e a gentrificação
terra, as pequenas propriedades que não conseguem sustentar toda a
(que suscita muitas críticas nos dias atuais) após a leitura do subtó-
família – algo mais comum no sul do país –, o que obriga parte dela a
pico que versa sobre os dois processos (páginas 14 e 15).
migrar para as cidades ou para outras regiões, etc.
Analise, com os alunos, o mapa “Brasil: regiões metropolitanas” (pá-
Para conhecer um pouco mais sobre a origem e os significa- gina 24) e incentive-os a depreender que a maioria dessas regiões está
dos da palavra gentrificação, leia o Texto 2 da seção de textos localizada próxima à faixa litorânea do país. Relacione esse fato com
complementares deste Guia. a história da colonização brasileira empreendida pelos portugueses,
que privilegiaram, a princípio, os territórios próximos ao litoral para
fundar as primeiras cidades.
Para conhecer um pouco mais sobre o processo de gentrifica- Aponte também os principais dados do quadro “Brasil: principais
ção no Rio de Janeiro nos últimos anos, leia o Texto 3 da seção regiões metropolitanas” (página 23), como as cidades que compõem
de textos complementares deste Guia. esses aglomerados e o crescimento populacional de todas elas obser-
vado no período de 10 anos (2000-2010).
Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a Em 1938, Getúlio Vargas lançou o projeto denominado “Marcha
atividade 3 do “Para construir” (página 16). para o Oeste” para efetivar a ocupação e o desenvolvimento do in-
terior brasileiro. Anos depois, a construção de Brasília para sediar a
Tarefa para casa capital do país e a sua inauguração, em 1960, pelo então presidente
Solicite à turma que faça em casa as atividades 4 e 5 do “Para prati- Juscelino Kubitschek, estimularam o crescimento de núcleos urbanos
car” (página 16) e as atividades 7 a 9 do “Para aprimorar” (página 20). nos territórios do Centro-Oeste brasileiro.
Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões Segundo o relatório Estado das Cidades da América Latina e do
juntamente com toda a classe. Caribe, divulgado pelo Escritório Regional para América Latina e Ca-
ribe (ONU-Habitat), já em 2020, 90% da população brasileira viverá
em cidades, assim como ocorrerá com os seus vizinhos do Cone Sul
2. A URBANIZAÇÃO DO BRASIL (Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai).
Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a
Objeto do conhecimento atividade 1 do “Para construir” (página 25).
A urbanização brasileira.
Objeto específico Tarefa para casa
Compreender o processo de urbanização no Brasil; conhecer as Solicite à turma que faça em casa a atividade 1 do “Para praticar”
regiões metropolitanas do país; conhecer as duas metrópoles (página 37) e as atividades 1 e 2 do “Para aprimorar” (página 38).
globais do Brasil e as demais metrópoles; entender a classificação Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
do IBGE dos centros urbanos brasileiros; analisar os principais juntamente com toda a classe.
problemas sociais urbanos.
AULA 5 Páginas: 26 a 30
AULA 4 Páginas: 21 a 25
As duas metrópoles globais; metrópoles
Urbanização e metropolização; rede urbana nacionais; metrópoles e centros regionais
Objetivos Objetivos
Compreender as especificidades da urbanização brasileira. Conhecer as duas metrópoles brasileiras classificadas como globais.
Analisar o avanço da urbanização no país desde a década de 1940. Diferenciar as metrópoles nacionais das metrópoles.
Elencar as principais regiões metropolitanas do Brasil. Perceber a hierarquia urbana.

4 GUIA DO PROFESSOR
Estratégias Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a
Retome com os alunos o conceito de cidade global, trabalhado na atividade 3 do “Para construir” (página 33).
Aula 2 deste Guia. Pergunte se no Brasil há cidades globais e quais são
Tarefa para casa
as características que permitem classificá-las dessa forma.
Leia, então, os tópicos “As duas metrópoles globais” (página 26), Solicite à turma que faça em casa a atividade 3 do “Para praticar”
“Metrópoles nacionais” (página 27) e “Metrópoles e centros regionais” (página 37) e as atividades 5 e 6 do “Para aprimorar” (páginas 39 e 40).
(páginas 28 e 29) a fim de conceituá-las e diferenciá-las, bem como Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
observar a existência de uma hierarquia urbana. juntamente com toda a classe.
Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a
atividade 2 do “Para construir” (página 30). AULA 7 Páginas: 34 a 37

Tarefa para casa Infraestrutura urbana; violência urbana


Solicite à turma que faça em casa a atividade 2 do “Para praticar” Objetivos
(página 37) e as atividades 3 e 4 do “Para aprimorar” (páginas 38 e 39). Avaliar a situação da infraestrutura urbana brasileira na atualidade,
Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões como rede de esgotos, iluminação pública, pavimentação de ruas
juntamente com toda a classe. e estradas, etc.
Analisar, de forma crítica, a questão da violência no Brasil.
AULA 6 Páginas: 30 a 33 Estratégias
Promova a leitura, com a participação da turma, do mapa “Brasil:
Problemas sociais urbanos
rede de esgotos” (página 34). Peça a ela que identifique a discrepância
Objetivo que há no país, onde somente o estado de São Paulo e o Distrito Fe-
deral apresentam grande proporção de imóveis atendidos por rede
Analisar os principais problemas sociais urbanos no Brasil, como a
de esgotos. A maioria dos estados brasileiros permanece carente de
precariedade de moradias.
saneamento básico, sobretudo os estados de Pará, Piauí e Rondônia.
Estratégias Prossiga a leitura, com os alunos, dos subtópicos “Infraestrutura urba-
na” (páginas 34 e 35) e “Violência urbana” (páginas 35 e 36). Note que
Relacione os problemas urbanos existentes no Brasil (assim como
o Brasil está entre as nações com os mais altos índices de mortes por
em outros países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos) com a arma de fogo do mundo, mesmo não estando em guerra: conforme
questão da elevada concentração de renda (note-se que o Coeficiente divulgado pelo Ministério da Saúde, o número de mortes provocadas
de Gini para o Brasil, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano por armas de fogo no país em 2013 chegou a 42 mil. Não obstante o
2014, publicado pelo Pnud, é de 0,55, número que aponta desigual- Estatuto do Desarmamento, em vigor desde o ano de 2003, oferecer
dade severa na distribuição de renda entre a população brasileira). maior controle para o porte e a venda de armas, cerca de 16 milhões
Retome com os alunos o fato de que o Coeficiente de Gini varia de 0 de armas de fogo ainda circulam pelo país, 90% das quais estão nas
a 1 (ou 0 a 100, dependendo da fonte), conforme já citado no Caderno mãos de civis.
10: quanto mais próximo do zero, menor é a desigualdade de distribui- No que se refere à corrupção, que se manifesta nas esferas pública e
ção de renda entre a população de um país. Quanto mais próximo de privada, o Brasil encontra-se em 69o lugar no ranking das nações me-
1 (ou 100), maior a desigualdade de distribuição de renda e riqueza. nos corruptas do mundo, segundo pesquisa feita em 2014 pela ONG
Destaque e analise o estabelecimento de critérios distintos pelo IBGE Transparência Internacional, que avalia a corrupção em 175 países. Em
e pela ONU para classificar as submoradias ou habitações precárias, o uma escala de 0 a 100, na qual o 0 indica o país mais corrupto, a nota
que gera divergências nas estatísticas publicadas pelas instituições citadas. do Brasil foi de apenas 43.
Incentive a turma a analisar os dados da tabela “Brasil: população Sugira à classe que apresente propostas que possibilitem a dimi-
residente em favelas nas principais regiões metropolitanas” (página 32). nuição das estatísticas relativas à violência. Se necessário, estimule
Faça com que ela perceba que a porcentagem de brasileiros que vi- a realização de uma pesquisa, em jornais impressos, revistas ou na
vem em submoradias em muitas cidades do país é expressiva, como internet, de notícias e artigos relacionados ao tema, para que um
exemplifica o caso de Belém, capital do Pará, onde mais da metade da debate entre os colegas seja realizado na classe. Em seguida, destaque
população não tem acesso a moradia digna. os argumentos mais interessantes. GEOGRAFIA
Na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, o artigo Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a
atividade 4 do “Para construir” (páginas 36 e 37).
6o estabelece que “são direitos sociais a educação, a saúde, a alimen-
tação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a pre- Tarefa para casa
vidência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência Solicite à turma que faça em casa a atividade 4 do “Para praticar”
aos desamparados”. Não obstante, em pleno século XXI, as ações e (página 38) e as atividades 7 e 8 do “Para aprimorar” (página 40).
os programas governamentais ainda não solucionaram os problemas Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
sociais presentes nos meios urbanos. juntamente com toda a classe.

Urbanização e mercados regionais 5


servas provadas de petróleo do mundo, bem como 3,1% das reservas
3. MERCOSUL de gás natural.
Objeto do conhecimento Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a
O Mercosul. atividade 1 do “Para construir” (página 44).
Objeto específico
Tarefa para casa
Caracterizar o bloco econômico da América do Sul, criado no início
da década de 1990; perceber o projeto de expansão do Mercosul; Solicite à turma que faça em casa a atividade 1 do “Para praticar”
identificar os problemas que o bloco enfrenta na atualidade. (página 53) e as atividades 1 e 2 do “Para aprimorar” (páginas 53 e 54).
Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
juntamente com toda a classe.
AULA 8 Páginas: 41 a 44
AULA 9
Globalização e mercados regionais; a Páginas: 44 a 48

fundação do Mercosul Expansão; perspectivas


Objetivo Objetivo
Relacionar a criação do Mercosul em 1991 à globalização. Analisar a expansão das relações comerciais entre os países sul-
Elencar os países-membros. -americanos após a criação do Mercosul.
Versar sobre a fundação do bloco econômico sul-americano.
Estratégias
Estratégias
Um dos temas tratados nesta aula é a expansão das relações co-
No dia 26 de março de 1991, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai merciais e financeiras entre os países sul-americanos a partir da cria-
assinaram o Tratado de Assunção, que formalizava a criação do Mer- ção do Mercosul. Explique que o Brasil tornou-se, com a fundação do
cado Comum do Sul (Mercosul). O objetivo primordial do Tratado Mercosul, importante mercado para o comércio exterior dos demais
de Assunção é a integração dos Estados Partes por meio da livre países plenos da organização. É importante apontar para a turma,
circulação de bens, serviços e fatores produtivos, do estabelecimento contudo, que o inverso não se concretizou, já que a União Europeia,
de uma Tarifa Externa Comum (TEC), da adoção de uma política a China e os Estados Unidos têm sido, na atualidade, os principais
comercial comum, da coordenação de políticas macroeconômicas parceiros comerciais do nosso país. A Argentina, nesse ranking, está
e setoriais e da harmonização de legislações nas áreas pertinentes. em apenas 4o lugar, ou terceiro, se considerarmos parcerias apenas
Destaque para os alunos que, atualmente, todos os países da Amé- entre países e não incluirmos o bloco da União Europeia.
rica do Sul integram, de alguma maneira, o Mercosul, à exceção da Destaque a relevância do Brasil para a economia argentina após
Guiana Francesa, pois é um departamento ultramarino da França (em a criação do Mercosul, já que o mercado brasileiro, além de ser o
outras palavras, ela constitui território da União Europeia na América principal consumidor de produtos industrializados e commodities
do Sul). argentinos, é o principal país exportador do bloco no presente. Note
Em duas décadas, o comércio dentro do bloco multiplicou-se mais que, apesar da intensificação das relações comerciais entre os países
de 12 vezes, saltando de US$ 4,5 bilhões (1991) para US$ 59,4 bilhões integrantes do Mercosul, sobretudo entre Brasil e Argentina, a China
(2013). Observe-se que 87% das exportações brasileiras para o bloco se destaca no comércio exterior nos últimos anos, e seus produtos
é composta de produtos industrializados.  são competitivos e até mesmo sem concorrência nos países que for-
mam o bloco sul-americano.
O Mercosul, de acordo com o seu site oficial, busca consolidar a
Cite os principais produtos que o Brasil importa dos países inte-
integração política, econômica e social dos países que o integram,
grantes do Mercosul, sobretudo da Argentina, seu principal parceiro
fortalecer os vínculos entre os cidadãos do bloco e contribuir para
comercial no bloco. Destaque a importância da adesão da Venezuela,
melhorar sua qualidade de vida.
desde 2012, já que o país é um dos principais produtores de petróleo
O bloco pode também ser considerado uma potência agrícola,
do mundo e membro da Opep.
pois seus países produzem cinco das principais culturas alimenta- Realize com a turma a leitura e análise da tabela “Balança comercial
res globais (trigo, milho, soja, açúcar e arroz). O Mercosul é, ainda, do Brasil com o Mercosul” (página 46). Note o crescimento do co-
o maior exportador líquido mundial de açúcar, o maior produtor mércio exterior desde a fundação do bloco sul-americano aos dias de
e exportador mundial de soja, o primeiro produtor e o segundo hoje e observe, principalmente, as relações firmadas entre Argentina
maior exportador mundial de carne bovina, o quarto produtor e Brasil, apesar de todos os países da América serem integrantes, de
mundial de vinho e o nono produtor mundial de arroz, além de alguma maneira, do Mercosul.
ser grande produtor e importador de trigo e milho.  Leia o tópico sobre as perspectivas do Mercosul (páginas 46 a
Note que, com o ingresso da Venezuela em 2012, um dos maiores 48) com os alunos, que trata das possibilidades que o bloco poderá
produtores mundiais de petróleo, o Mercosul tornou-se uma das oferecer nos próximos anos, como prosseguimento no avanço das
principais potências energéticas do planeta, considerando-se tam- relações comerciais entre os países-membros; liberalização no setor
bém a produção petrolífera do Brasil. O bloco detém 19,6% das re- de serviços; abertura nas concorrências públicas; novas legislações

6 GUIA DO PROFESSOR
comuns e talvez até moeda única. Sublinhe que, apesar dos objetivos Caso considere oportuno, incentive os alunos a realizar uma pesquisa,
elencados, para concretizá-los é imprescindível que os países não es- em jornais impressos, revistas ou em sites da internet, sobre a questão de
tejam passando por crise econômica. Até o presente, em função da o avanço dos produtos chineses prejudicar as indústrias do Mercosul,
ocorrência de períodos de instabilidade enfrentados pelo Brasil e pela bem como da adesão da Venezuela ao bloco e a sua política que segue o
Argentina nos últimos anos, as relações que se pretendem concretizar modelo chavista, com forte oposição aos Estados Unidos. Oriente os alu-
permanecem estagnadas. nos a buscarem notícias ou informações recentes sobre ambos os temas
e, se possível, promova uma discussão sobre os pontos mais interessantes.
Solicite à turma a leitura e a interpretação da tabela “Quadro-sínte-
Com a turma, leia o subtópico “Área de Livre-Comércio das Américas
se dos países-membros do Mercosul” (página 47). Ela deverá perceber (Alca)” (páginas 50 a 52) para que ela conheça o plano de estabeleci-
que, apesar de o Brasil constituir a principal economia da América do mento de uma área de livre-comércio em todo o continente ameri-
Sul (se levarmos em conta o PIB anual produzido), isso não implica, cano, embora as negociações não tenham avançado desde 2005, em
necessariamente, melhores condições de vida para a população, con- razão de diversos fatores. Um deles foi a reivindicação de protecionis-
forme demonstram os dados de renda per capita e da porcentagem mo econômico de alguns setores agrícolas e industriais estadunidenses,
da população nacional que vive com menos de 2 dólares ao dia. atendida, muitas vezes, por setores políticos dos Estados Unidos.
Retome a questão da concentração de renda presente no Brasil, Solicite à classe a leitura da tabela “Estágio de integração entre países”
que se torna um dos impeditivos para o crescimento do comércio (página 52), a qual diferencia os conceitos de “zona de livre-comércio”,
entre os países do bloco, pois, embora o país possua a quinta maior “área de livre-comércio”, “união aduaneira” e “mercado comum”.
população do mundo e a maior da região sul-americana, uma por- Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a
centagem significativa de brasileiros não tem poder de compra sufi- atividade 3 do “Para construir” (páginas 52 e 53).
ciente para dinamizar a economia. Tarefa para casa
Leia com os alunos os conceitos “membro pleno” e “membro asso-
Solicite à turma que faça em casa a atividade 3 do “Para praticar”
ciado” presentes na mesma tabela, a fim de diferenciá-los.
(página 53) e as atividades 5 a 7 do “Para aprimorar” (páginas 55 e 56).
Por fim, destaque a importância do avanço em pesquisa e desen- Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
volvimento, bem como o papel da educação de qualidade para os juntamente com toda a classe.
países do Mercosul tornarem-se tão competitivos quanto os países
de fato desenvolvidos na atual economia globalizada.
Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a 4. NAFTA
atividade 2 do “Para construir” (página 48). Objeto do conhecimento
O Nafta.
Tarefa para casa
Objeto específico
Solicite à turma que faça em casa a atividade 2 do “Para praticar”
Elencar os países integrantes do Nafta; caracterizar o bloco
(página 53) e as atividades 3 e 4 do “Para aprimorar” (páginas 54 e 55). econômico; notar o protagonismo dos Estados Unidos da América
Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões não só para o bloco norte-americano, mas para o mundo;
juntamente com toda a classe. perceber a integração entre Estados Unidos e Canadá; caracterizar
a economia mexicana.
AULA 10 Páginas: 49 a 53
AULA 11 Páginas: 57 a 60
Problemas
A criação do Nafta
Objetivos
Apresentar os problemas enfrentados pelo Mercosul na atualidade. Objetivos
Entender por que o avanço das negociações para a criação da Alca Tratar da criação do Nafta e conceituá-lo.
foi estagnado. Compreender as disparidades econômicas e sociais dos países que
compõem o tratado de livre-comércio.
Estratégias
Leia com os alunos o tópico “Problemas” (página 49), que introduz Estratégias
a questão do protecionismo econômico reivindicado pelas indústrias Note a discrepância econômica e social entre os países integrantes
do Nafta. O PIB dos Estados Unidos em 2013, segundo o Banco Mun-
GEOGRAFIA
argentinas perante a competição com produtos similares provenien-
tes do Brasil e que, consequentemente, gera entraves para o sucesso dial, foi de 16,77 trilhões de dólares; do Canadá, para o mesmo ano,
efetivo do Mercosul. de 1,82 trilhão de dólares; do México, 1,26 trilhão de dólares. Note-se
Prossiga a leitura dos subtópicos “China” e “Venezuela” (página 49), que o PIB do Brasil, naquele ano, foi de 2,24 trilhões de dólares.
que tratam do avanço da entrada de produtos industrializados chi- Na classificação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de
neses no mercado do bloco sul-americano e as suas consequências, 2013, os Estados Unidos estão em 5o lugar, com IDH de 0,914, e o
já que, em muitos casos, os produtos importados são mais baratos, o Canadá é o 8o, com IDH 0,902. Ambos os países estão no ranking
que aumenta a concorrência com os produtos nacionais. do grupo de países com desenvolvimento humano “muito elevado”.

Urbanização e mercados regionais 7


O México, o último país a integrar o Nafta, está na 71a posição, com Tarefa para casa
IDH 0,756, entre os países com desenvolvimento “muito elevado”. Solicite à turma que faça em casa a atividade 1 do “Para praticar”
Segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano 2014, publicado (página 75) e as atividades 1 e 2 do “Para aprimorar” (páginas 76 e 77).
pelo Pnud, apesar de os Estados Unidos serem a principal potência Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
mundial, há significativa desigualdade na distribuição de renda no juntamente com toda a classe.
país, calculada em 40,8. No México, o índice é de 47,2, o maior dentre
os países do bloco. O Canadá apresenta uma melhor distribuição de
renda, avaliada em 32,6, segundo o Coeficiente de Gini. AULA 12 Páginas: 61 a 73
Observe também a dependência econômica do México em re-
lação aos Estados Unidos, já que a maioria de suas exportações é Estados Unidos e Canadá: dois países
voltada ao mercado estadunidense; ao passo que a economia norte- integrados; formação territorial dos Estados
-americana possui uma economia mais dinâmica, no sentido de que Unidos; Estados Unidos: economia de
estabelece relações comerciais com maior número de países, princi- grande potência mundial; o espaço
palmente com as potências China e Alemanha. urbano-industrial dos Estados Unidos
Incentive a turma a realizar a leitura da tabela “Quadro-síntese dos
países do Nafta” (página 57) a fim de que observem as disparidades Objetivos
econômicas entre os países integrantes. Solicite a participação dos Compreender as razões que possibilitam a integração dos Estados
alunos para que comentem os principais dados para a sala. Unidos com o Canadá.
Caso considere oportuno, diferencie o Nafta da União Europeia: o
Retomar os principais aspectos históricos da formação territorial
primeiro é apenas uma área de livre-comércio, ao passo que o segun-
dos Estados Unidos.
do constitui uma união política e econômica.
Analisar os diversos fatores e elementos que tornaram os Estados
No que se refere à questão dos imigrantes mexicanos e outros latino-
-americanos que cruzam a fronteira do México com os Estados Unidos Unidos a maior potência mundial na atualidade.
em busca de melhores condições de vida, solicite à turma a leitura do Estratégias
boxe “O muro na fronteira entre Estados Unidos e México” (página 59).
Os Estados Unidos são o 4o maior país do mundo em extensão ter-
Destaque os pontos negativos do Nafta para a economia mexicana,
como o caso da produção do milho, a qual é realizada em pequenas ritorial e os estadunidenses constituem a 3a maior população mundial,
propriedades no México e, com o estabelecimento do acordo de sendo mais de 322 milhões de habitantes no território. A renda per
livre-comércio, não conseguiu competir com os baixos preços do mi- capita avaliada no país para o ano de 2014 foi de US$ 54,5 mil. Não
lho estadunidense, produzido em grandes propriedades que dispõem obstante o país ser considerado a maior potência mundial desde o
de lavoura mecanizada e de subsídios governamentais. século XX, de acordo com o Bureau do Censo dos Estados Unidos,
Cite a discriminação em relação à entrada de mexicanos no país, cerca de 46,7 milhões de estadunidenses são pobres, o que corres-
ao passo que isso não ocorre em relação aos norte-americanos que ponde a 14,8% da população total do país em 2015.
ingressam no México. Apresente aos alunos o mapa “Estados Unidos e Canadá: político”
Sugira a elaboração de uma pesquisa para responder à questão: (página 61). Faça com que percebam o avanço das cidades estaduni-
quais são os outros problemas enfrentados pelos mexicanos nos denses para o oeste, se comparado com o período da colonização e da
dias atuais, mesmo com o Nafta em vigor? Oriente que a busca de fundação das Treze Colônias em séculos anteriores, quando as cidades
informações seja feita em jornais impressos, revistas ou em sites na mais importantes e as áreas povoadas estavam concentradas na região
internet, citando-se a fonte. Estimule os alunos a apresentarem os leste do território que hoje compõe os Estados Unidos da América.
resultados da pesquisa realizada aos demais colegas. Além disso, aponte que a maioria das principais cidades canaden-
Trate das maquiladoras no México (empresas multinacionais ou ses está localizada ao sul do território do país, próxima à fronteira
transnacionais que se instalam na fronteira do país com os Estados com os Estados Unidos, devido, em parte, ao clima frio e rigoroso das
Unidos). Tais montadoras, muitas de origem norte-americana, priori- áreas localizadas ao norte do Canadá.
zam a instalação de suas unidades em territórios mexicanos próximos Analise o mapa “Estados Unidos e Canadá: recursos minerais e
aos Estados Unidos, onde conseguem vantagens como: proximidade energéticos” (página 62). Destaque quanto foi importante a abun-
com o mercado consumidor estadunidense, baixos impostos, mão dância de recursos minerais, bem como de combustíveis fósseis, para
de obra barata, leis ambientais mais flexíveis e instalação em terrenos os Estados Unidos tornarem-se uma grande potência industrial a par-
com preços acessíveis. tir das últimas décadas do século XIX. No que se refere ao petróleo,
Uma sugestão de filme-documentário que poderá ser exibido aos os Estados Unidos produziram, em 2014, 11,64 milhões de barris por
alunos é Roger e eu (Roger and me), de 1989, dirigido por Michael dia e em 2015 chegaram a superar a Arábia Saudita, considerada a
Moore. Trata do fechamento das fábricas de automóveis da General maior produtora mundial em produção desse recurso não renovável
Motors na cidade de Flint, localizada no estado de Michigan (EUA), de energia. Destaque que o Canadá é também um dos 10 maiores
para a transferência das atividades em países subdesenvolvidos, e o países produtores de petróleo na atualidade.
consequente desemprego de muitos norte-americanos. O tópico “Formação territorial dos Estados Unidos” (páginas 62 a
Por fim, proponha aos alunos que façam individualmente ou em 66) retoma a história da colonização a partir do século XVII e a forma-
grupos a atividade 1 do “Para construir” (página 60). ção dos Estados Unidos como país, a fundação das Treze Colônias, a­ s

8 GUIA DO PROFESSOR
lutas pela independência política em relação à sua metrópole (Ingla- nomia dos Estados Unidos como os setores citados (respondem a
terra) e sua posterior expansão geográfica rumo ao oeste. 20,5% do PIB); contudo, o seu parque industrial ainda é o mais diversi-
Explore com os alunos o mapa “Estados Unidos: formação terri- ficado do planeta. Leia, então, o boxe “Após 110 anos, Estados Unidos
torial” (página 62). Demonstre, a partir dele, as diferentes formas de perdem primazia no setor industrial” (página 70).
expansão dos domínios norte-americanos no continente, não só com Realize a leitura do mapa “Indústrias na América do Norte” (pági-
a compra e acordos firmados com governos de países europeus, mas na 69). Por meio dele, os alunos perceberão a diversidade de indús-
também por meio de conflitos armados, como no caso das terras trias em atividade nos Estados Unidos, bem como a sua distribuição
antes pertencentes aos mexicanos. por todas as regiões do território estadunidense. Note, porém, que
Retome com os alunos as duas formas predominantes de coloni- a região norte-nordeste do país ainda apresenta a maior concentra-
zação nos territórios que constituíram os Estados Unidos: a de po- ção industrial, quando comparada às demais regiões.
voamento, que ocorreu, sobretudo, nas colônias do Norte; e a de Em seguida, peça aos alunos que leiam e analisem o mapa “Estados
exploração, similar àquela praticada, simultaneamente, nas colônias Unidos: megalópoles” (página 71), o qual indica a existência de três
ibéricas do continente americano. Retome o fato de que tais modelos megalópoles e muitas cidades importantes em todas as regiões do país.
de colonização praticados na América do Norte criaram, mais tarde, Por fim, destaque a importância da indústria bélica para a eco-
as bases para desavenças entre seus defensores e, consequentemente,
nomia norte-americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial
contribuíram para a eclosão de uma longa guerra civil no século XIX.
Os Estados Unidos foram o primeiro Estado americano a declarar e (retome o contexto da Guerra Fria e da corrida armamentista, se
a obter a independência em relação à metrópole europeia, ainda no necessário) e da região do Vale do Silício, ao sul de São Francisco, na
século XVIII (1776). As demais colônias do continente, como o Brasil, costa oeste do país, onde as empresas ligadas à informática e à alta
obtiveram a emancipação política das metrópoles ibéricas somente tecnologia estão sediadas desde a década de 1970.
a partir do século XIX. Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos as
Estabeleça as diferenças constitucionais entre Estados Unidos e Bra- atividade 2 do “Para construir” (página 73).
sil, por exemplo. No país norte-americano, os estados possuem maior
autonomia e, diferentemente do nosso, os recursos obtidos por meio Tarefa para casa
de impostos e de outras arrecadações são destinados, sobretudo, aos Solicite à turma que faça em casa as atividades 2 a 4 do “Para prati-
governos estaduais; no Brasil, a centralização é maior. car” (página 75) e as atividades 3 e 4 do “Para aprimorar” (página 77).
Prossiga a leitura, com a turma, do subtópico “A conquista do oes- Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
te” (página 64). Ressalte a importância do Homestead Act, de 1862, juntamente com toda a classe.
para a concretização da expansão territorial, bem como do papel
fundamental dos imigrantes de diferentes nações na colonização de
AULA 13 Páginas: 74 e 75
novos territórios, apesar dos massacres cometidos com os povos indí-
genas que habitavam as áreas e a posse de suas terras. Desde então, os México
Estados Unidos são o principal país no mundo a receber imigrantes.
Conforme já mencionado, os Estados Unidos disputaram a hege- Objetivo
monia mundial com a União Soviética em meados do século XX e
Compreender os principais aspectos políticos e econômicos do
são a principal potência na atualidade; porém, os interesses imperia-
México.
listas do país remontam ao século XIX. As origens expansionistas do
governo estadunidense são o assunto abordado no boxe “A ideologia Estratégias
do ‘destino manifesto’ e a conquista territorial” (página 65).
Debata com a turma o texto do boxe “Religião e desenvolvimento O México é um país que, geograficamente, integra a América do
do capitalismo” (página 66), que trata da teoria proposta por Max Norte, mas que, no âmbito cultural, se aproxima dos países que com-
Weber de que o protestantismo foi um dos elementos fundamentais põem a América Latina, por ter sido colonizado pela Espanha.
para o expressivo desenvolvimento econômico nos Estados Unidos Assim como o Brasil, é considerado país em desenvolvimento. Se-
e de outros países da Europa, como a Alemanha. gundo o Relatório do Desenvolvimento Humano 2014, publicado pelo
O tópico “Estados Unidos: economia de grande potência mundial” Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), na
(páginas 66 a 68) discute o papel protagonizado pelos imigrantes classificação do IDH de 2013, o México ocupou a 71a posição, com
na formação dos Estados Unidos como potência desde o início do expectativa de vida de 77,5 anos e IDH 0,756. Integra o grupo de paí-
século XX ao presente. Apesar da ascensão da União Europeia e da ses classificados como “de desenvolvimento humano elevado”. Para
China como novas potências globais, comente com os alunos sobre efeitos de comparação, o Brasil ocupava o 79o lugar, com IDH 0,744, GEOGRAFIA
a superioridade militar estadunidense e o seu pioneirismo no desen-
conforme citado no Caderno 11.
volvimento de novas tecnologias para diversos setores.
É considerado um dos oito grandes países em desenvolvimento, ao
Discuta o subtópico “A maior agricultura do mundo” (página 68),
que elucida a importância do setor terciário e destaca a economia lado de Argentina, Brasil, China, Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia.
agropecuária estadunidense como a mais importante do planeta. Note-se que a Cidade do México, sua capital, é a cidade mais po-
Além de ter capacidade suficiente para atender a demanda nacional, pulosa do país, bem como de toda a América do Norte, com mais
a agroindústria ainda destina diferentes produtos para o mercado de 8,8 milhões de habitantes. Nova York, em 2013, contava com uma
internacional. As indústrias já não são tão representativas para a eco- população de aproximadamente 8,4 milhões de habitantes.

Urbanização e mercados regionais 9


Destaque para a turma a produção de prata durante o período co- o estabelecimento de populações em seus vales e para a economia,
lonial, empreendida pelos espanhóis. Ainda hoje o México é o maior já que promovem o escoamento de produtos agrícolas e industriais
produtor mundial do metal. para outros importantes portos. Além disso, muitos dos rios euro-
No ano de 2015, o país foi o 10o maior produtor de petróleo do peus também são essenciais como fonte de geração de hidroeletrici-
mundo, com uma produção diária de 2,78 milhões de barris. dade, para a irrigação de áreas agrícolas, para atividades relacionadas
Leia com a turma o tópico “México” (páginas 74 e 75) e analise, ao turismo, etc. Destaque a variedade climática presente na Europa.
em conjunto, o mapa político do país (página 74). Prossiga a leitura
do texto, destacando a economia mexicana diversificada, que gera Para saber um pouco mais sobre a questão da despoluição
empregos nas áreas da indústria, agricultura, turismo, extração e ex- do rio Tâmisa, em Londres, e de sua importância para a capital
ploração de minérios e de petróleo. e seus habitantes, leia o Texto 4 da seção de textos complemen-
Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a tares deste Guia.
atividade 3 do “Para construir” (página 75).

Tarefa para casa Além da diversidade natural, a Europa também abriga enorme va-
riedade de línguas, culturas e costumes.
Solicite à turma que faça em casa a atividade 5 do “Para praticar”
Leia com a turma o tópico “Unificação europeia” (páginas 81 a 84),
(página 76) e as atividades 5 e 6 do “Para aprimorar” (páginas 77 e 78).
que trata das origens da formação do bloco denominado Comunida-
Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
de Econômica Europeia (CEE) ou Mercado Comum Europeu (como
juntamente com toda a classe.
ficaria conhecido), que é, hoje, a União Europeia, o mais consolidado e
o de maior êxito em seus objetivos. Analise, então, o “Quadro-síntese
dos países da União Europeia” (página 82). Por meio dele, percebemos o
5. UNIÃO EUROPEIA
início da criação do bloco, em 1957, assim como outras informações re-
Objeto do conhecimento levantes sobre os atuais 28 países integrantes. A Alemanha, por exemplo,
A União Europeia. é a maior potência da União Europeia e apresenta o maior PIB; a Croácia,
Objeto específico por sua vez, foi o último país a ingressar no bloco, em 1o de julho de 2013.
Introduzir os principais aspectos físicos da Europa; versar sobre Em seguida, solicite à turma a leitura do mapa “União Europeia”
a criação da União Europeia; expor os desafios enfrentados pelo (página 83), que demonstra o crescimento do bloco com a adesão
bloco no presente. de países em diferentes períodos desde a sua origem, em 1957. Além
disso, o mapa aponta os Estados que adotaram o euro como nova
moeda de circulação. O Reino Unido, por exemplo, permaneceu com
AULA 14 Páginas: 79 a 84 a libra esterlina como moeda.
Os alunos poderão perguntar o porquê de alguns países da Europa
Aspectos físicos; unificação europeia ainda não integrarem o bloco. Assim, se considerar oportuno, solicite a
Objetivos realização de uma pesquisa, em grupos, de notícias e informações que
expliquem as razões de tais países, como Islândia e Noruega. Incentive-
Apresentar os principais aspectos físicos do continente europeu. -os a apresentar os pontos mais interessantes aos colegas.
Compreender as origens da criação do bloco econômico que se Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a
tornaria a União Europeia na segunda metade do século XX. atividade 1 do “Para construir” (página 84).
Estratégias Tarefa para casa
Desde a expansão marítimo-comercial, iniciada no século XV, até o Solicite à turma que faça em casa a atividade 1 do “Para praticar”
século XIX, a Europa exerceu enorme influência e hegemonia mun- (página 92) e as atividades 1 e 2 do “Para aprimorar” (páginas 92 e 93).
dial. Com o término da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
ascenderam como principal potência, enquanto os países europeus juntamente com toda a classe.
buscavam recuperar-se do esfacelamento econômico provocado pe-
los anos de conflitos em seus territórios.
O projeto da União Europeia busca, entre outros objetivos, o restabe- AULA 15 Páginas: 84 a 88
lecimento da Europa como potência e de sua influência para o mundo.
Com o auxílio de um mapa-múndi político e/ou o mapa físico Tratados de Maastricht, Amsterdã e Lisboa;
da Europa (página 81), leia o tópico “Aspectos físicos” (páginas 79 e corrigindo as desigualdades regionais
80) para elucidar a diversidade de paisagens presente no continente
europeu, ainda que seu território seja considerado pequeno em ex- Objetivos
tensão. Apresente os vastos territórios constituídos por planícies, bem Apresentar os principais tratados firmados entre países europeus
como as importantes cadeias montanhosas, como os Alpes, Ape- para a consolidação da União Europeia.
ninos, Cárpatos, Pireneus, Alpes Escandinavos. Aponte os principais Identificar os esforços lançados pelo bloco a fim de diminuir as
rios europeus, muitos deles navegáveis e, por isso, fundamentais para desigualdades regionais entre os países integrantes.

10 GUIA DO PROFESSOR
Estratégias vezes enfrentam viagens arriscadas para atingir o continente europeu,
Solicite a leitura do tópico “Tratados de Maastricht, Amsterdã e fogem de perseguições políticas e religiosas e de conflitos armados
Lisboa” (páginas 84 a 86). Peça aos alunos que expliquem, em segui- que ocorrem em seus países de origem. Exemplo disso é o avanço do
da, o que cada um deles preconizava na época de suas respectivas Estado Islâmico na Síria, que poderá ser debatido entre os colegas.
assinaturas. Uma atividade que poderá ser realizada também nesta aula, se con-
Peça aos alunos que analisem o mapa “A expansão da Zona do siderar pertinente, é a discussão sobre a série de atentados terroristas
Euro” (página 85). que ocorreram em Paris em janeiro e novembro de 2015 e chocaram
o mundo e a opinião pública.
Prossiga a leitura do tópico “Corrigindo as desigualdades regionais”
Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a
(página 86) e do mapa “Desigualdades regionais na Europa em 2011”
atividade 3 do “Para construir” (página 92).
(página 87) a fim de que os alunos observem que os países que apre-
sentam as menores rendas per capita não são integrantes da União Tarefa para casa
Europeia, o que comprova, em parte, o êxito do bloco em reduzir, de Solicite à turma que faça em casa a atividade 4 do “Para praticar”
fato, as disparidades econômicas e sociais entre os países-membros. (página 92) e a atividade 5 do “Para aprimorar” (página 93).
A Rússia, por exemplo, conforme podemos observar no mapa, é um Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões
dos países com renda per capita entre 10 e 20 mil dólares. Ela não faz juntamente com toda a classe.
parte da União Europeia e lidera, desde a derrocada da União Soviética,
em 1991, o bloco Comunidade dos Estados Independentes (CEI).
Para concluir a aula, solicite à turma a leitura do texto do boxe “A TEXTOS COMPLEMENTARES
crise na Zona do Euro” (páginas 87 e 88), o qual dá o exemplo do
endividamento da Grécia no mesmo período da crise econômica Texto 1
dos Estados Unidos, que repercutiu em todo o mundo e chegou, “Cidade do futuro” sul-coreana testa tecnologias inovadoras
inclusive, a ameaçar a integridade da União Europeia. Uma cidade sul-coreana tornou-se fonte de inspiração para centros
Proponha aos alunos que façam individualmente ou em grupos a urbanos de todo o globo que buscam soluções tecnológicas para se tor-
atividade 2 do “Para construir” (página 88). narem mais “inteligentes”. Songdo fica nas proximidades de Seul, uma
cidade já bastante “high-tech”, que oferece internet de alta velocidade
Tarefa para casa no metrô e onde é possível assistir a vídeos on-line ou enviar mensagens
de e-mails enquanto se caminha por movimentadas ruas do centro.
Solicite à turma que faça em casa as atividades 2 e 3 do “Para prati- Ao contrário da capital sul-coreana, porém, Songdo é uma cida-
car” (página 92) e as atividades 3 e 4 do “Para aprimorar” (página 93). de experimental e já foi erguida incorporando em seu DNA as mais
Se achar oportuno, no início da próxima aula corrija as questões avançadas tecnologias de construção e urbanismo. Mas até que
juntamente com toda a classe. ponto uma cidade como essa pode ser considerada um sucesso?
A construção de um centro urbano a partir do nada oferece
uma série de desafios e oportunidades.
AULA 16 Páginas: 89 a 92 No caso de Songdo, um dos desafios era incorporar tecnologias
que fossem realmente inovadoras, uma vez que os sul-coreanos
Alguns problemas da UE já estão acostumados com alguns recursos considerados novida-
des em outros lugares.
Objetivo Em Seul, por exemplo, além das redes de wi-fi acessíveis em
Identificar os problemas atuais enfrentados pela União Europeia. espaços públicos, há painéis eletrônicos nas saídas de estações
ferroviárias que informam aos passageiros o tempo de espera para
Estratégias os ônibus de conexão. Empresas como a Samsung também estão
desenvolvendo sistemas que ligam dispositivos domésticos aos
Retome o conceito de pirâmides etárias. Em alguns países da Euro-
celulares dos moradores da cidade.
pa ocidental, o crescimento vegetativo chega a ser negativo, ou seja, O que mais uma cidade como Songdo pode oferecer?
a taxa de mortalidade é superior à taxa de natalidade. Consequen- Na área tecnológica, uma cidade novinha em folha permite o
temente, os gastos públicos com previdência, já que a maioria da teste de hardwares futuristas, como sensores que monitoram a tem-
população torna-se idosa, aumentam, e há falta da população jovem, peratura, o consumo de energia e o fluxo de tráfego pela cidade.
que constitui a chamada população economicamente ativa (PEA). Esses sensores também podem – em teoria – avisar os usuários de
Além da leitura do tópico desta aula (páginas 89 a 92), outros temas transporte público quando seu ônibus está para chegar. E mesmo
são relevantes para promover uma discussão com a turma: a questão alertar autoridades locais quando há qualquer problema na cidade. GEOGRAFIA
do ingresso da Turquia na União Europeia e a imigração nos países do Questão ambiental
bloco.
Muitas inovações estão sendo projetadas em função de preo-
Nos últimos anos, o mundo vem enfrentando uma grave crise cupações ambientais. Entre elas, estações para recarregar a ener-
humanitária, que não era vista nessas proporções desde a Segunda gia de carros elétricos e sistemas de reciclagem de água, que im-
Guerra Mundial. Em 2015, a Europa recebeu mais de 500 mil imigran- pedem que água potável seja usada em banheiros de escritório.
tes e refugiados provenientes de países como Síria, Afeganistão, Eri- O sistema de coleta de lixo de Songdo também impressiona.
treia, Somália, Nigéria, entre outros, segundo o Alto Comissariado das Não há caminhões de lixo passando pela cidade nem grandes
Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Essas pessoas, que muitas lixeiras na frente dos edifícios.

Urbanização e mercados regionais 11


Em vez disso, os resíduos domésticos são sugados diretamente Texto 2
das cozinhas de edifícios residenciais por uma vasta rede subterrâ- Gentrificação, o que é isso?
nea de túneis ligada a centros de processamento de lixo, onde cada A palavra gentrificação, forma aportuguesada do inglês gentrification,
resíduo é automaticamente classificado, desodorizado e tratado. tem sido vista no noticiário com frequência ainda pequena, mas cres-
A ideia é usar parte desse lixo doméstico para produzir energia cente, e parece a caminho de se firmar em nosso vocabulário.
renovável, embora tal sistema ainda não esteja em operação – O principal mérito do substantivo gentrificação – ato ou efeito
como muitas das inovações técnicas planejadas para Songdo.
de gentrificar, outro vocábulo emergente, também importado do
Isso ocorre porque, hoje, menos da metade da cidade está
inglês – é o de nomear de forma sucinta um fenômeno complexo.
ocupada.
A tradução “enobrecimento urbano”, favorecida por alguns estu-
Nos escritórios comerciais, a taxa de ocupação é menor que
diosos, precisa de duas palavras para dar o mesmo recado.
20% e nas ruas, cafés e shoppings do centro há amplos espaços
Na definição do Aulete, que largou na frente entre os grandes
relativamente vazios – o que constitui o segundo grande desafio
a ser vencido pelos idealizadores e administradores de Songdo. dicionários brasileiros no registro da palavra, gentrificação é “pro-
Apesar de a cidade ser próxima ao aeroporto internacional da cesso de recuperação do valor imobiliário e de revitalização de
Coreia do Sul, as ligações de transporte com Seul são rudimenta- região central da cidade após período de degradação; enobreci-
res. E, por enquanto, os incentivos para empresas que se deslocam mento de locais anteriormente populares [Processo criticado por
para a nova cidade inteligente nem sempre superam os custos. especialistas em planejamento urbano e urbanismo.]”.
Mas Songdo já está atraindo famílias e jovens casais de Seul, A definição é competente, embora a referência às áreas centrais
embora não necessariamente por causa de suas soluções tecno- das cidades, onde o fenômeno é mais frequente, possa dar a im-
lógicas futuristas – nem pela pujança de sua área comercial. pressão errônea de que a gentrificação se limita a elas. Chega ao
luxo de registrar de passagem o que o processo tem de controver-
Áreas verdes so, com seus prós e seus contras: investimento em infraestrutura,
A cidade foi planejada em torno de um parque central, e sua revitalização econômica e redução da criminalidade costumam vir
disposição permite que os moradores das áreas residenciais possam acompanhados de grande valorização dos imóveis, aumento do
caminhar por essa área verde para trabalhar no centro comercial. custo de vida e expulsão de parte dos moradores antigos para
Kwon, por exemplo, conta que se mudou para Songdo há três vizinhanças distantes.
anos e todos os dias seu deslocamento diário para a empresa em O verbo inglês to gentrify é derivado de gentry, “nobreza, fidal-
que trabalha como tradutora consiste em uma caminhada de 15
guia”, uma velha palavra oriunda, via francês, do latim gentilis,
minutos pelo parque.
“da mesma família ou raça”. Nosso vocábulo gentil tem a mesma
“Depois do almoço também ando um pouco no parque com meus
colegas – isso se tornou algo importante na minha vida”, conta Kwon. raiz e, antes de se firmar com o sentido de “delicado, elegante,
“Quando morava em Seul, tinha de dirigir para encontrar meus fino”, queria dizer “fidalgo, de boa linhagem”. A pouco usada
amigos ou para levar meu filho para ver os amigos dele. Em palavra gentil-homem (do francês gentilhomme), isto é, cavalhei-
Songdo, meu filho vai de bicicleta para a casa de seus amigos e ro, guarda vivo tal sentido.
eu posso caminhar para encontrar os meus. A cidade também me Informa o dicionário Oxford que desde o século XIX o adjeti-
aproximou dos meus vizinhos.” vo gentrified era usado para se referir a pessoas que, tendo origem
Por enquanto, os apartamentos residenciais estão vendendo humilde, haviam subido na vida, como se diz. Mas foi só nos
bem e ainda há muitos edifícios desse tipo em construção, mas anos 1960 que a palavra gentrification ganhou, inicialmente no
Songdo parece ser menos atraente para o mercado corporativo. meio acadêmico, a acepção urbanística que importamos.
Um ou outro negócio está começando a abrir as portas espon- RODRIGUES, Sérgio. Gentrificação, o que é isso? Veja. 26 nov. 2013.
taneamente em suas grandes avenidas vazias. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/curiosidades-
etimologicas/gentrificacao-o-que-e-isso/>. Acesso em: 24 nov. 2015.
Anarquia criativa
Texto 3
Mas a cidade ainda precisa ganhar cores e zumbidos urbanos – Megaeventos aceleram processo de gentrificação no Rio
aquela anarquia criativa, típica de aglomerações populacionais não de Janeiro
planejadas. Pelo menos mil famílias de 24 comunidades cariocas foram removi-
Como costuma dizer Jonathan Thorpe, presidente da empresa das para dar lugar às obras de preparação da cidade do Rio para rece-
americana Gale International, que construiu Songdo: “São os ber grandes eventos.
moradores que fazem uma cidade”. As remoções marcam a vida de Altair Antunes, de 60 anos. Na
“Estamos tentando adicionar diversidade e vitalidade (a Songdo),
primeira vez, ele tinha apenas 14. A favela em que morava na
algo que o desenvolvimento orgânico (de uma cidade) garante”,
Lagoa Rodrigo de Freitas, zona nobre do Rio de Janeiro em ace-
explicou Thrope.
lerado processo de valorização imobiliária na década de 70, foi
“É um desafio tentar replicar isso em um ambiente planejado.
acusada de dano ambiental por causa da mortandade cíclica de
Ao mesmo tempo, com tal planejamento podemos desenvolver a
peixes da lagoa e acabou expulsa de um dos cartões-postais da
infraestrutura da cidade de modo a garantir que ela funcione – não
cidade para a até então inabitada zona oeste. Vinte anos depois
só agora, mas também daqui a 50 anos.”
O único porém é que 50 anos é muito tempo na Coreia do Sul. teve que sair da favela Cidade de Deus porque era preciso abrir
Este é um país em constante mudança. Quem sabe como Songdo passagem à Linha Amarela, via expressa que liga a Barra da Tiju-
vai funcionar em meio século? ca ao Aeroporto Internacional do Galeão. Agora, corre o risco de
WILLIAMSON, Lucy. Cidade do futuro sul-coreana testa tecnologias
ter que mudar mais uma vez. A Vila Autódromo, onde mora há
inovadoras. BBC News. 2 set. 2013. Disponível em: <www.bbc.com/portuguese/ quase duas décadas, pode atrapalhar a valorização do Ilha Pura,
noticias/2013/09/130902_cidades_futuro_seul_ru>. Acesso em: 28 nov. 2015. um megacondomínio de classe média alta na Barra da Tijuca,

12 GUIA DO PROFESSOR
com 31 edifícios de 17 andares cada, espalhados em uma área de cidade. Os planos de Anne Hidalgo, primeira mulher na Prefeitu-
800 mil m², que faz parte do pacote da Parceria Público-Privada ra de Paris, têm soluções de aluguel subsidiado a garantias de pre-
que a Prefeitura do Rio firmou com um consórcio de construtoras servação de zonas residenciais conectadas a serviços e equipamen-
como forma de se livrar dos custos com as instalações do Parque tos para populações de baixo poder aquisitivo. O raio de ação
Olímpico e da Vila dos Atletas para a Olimpíada 2016. “O pre- atinge antigos bairros industriais do norte e leste de Paris – atual-
feito negociou essa comunidade com as empresas que vão cons- mente em processo de reconversão urbana e social. Quando algum
truir prédios de classe média até 2030. Pobre sempre é excluído dos apartamentos de qualquer um dos 257 endereços for colocado
do progresso”, diz Altair. à venda deverá, por lei, ser oferecido em primeiro lugar ao gover-
Pelo menos mil famílias de 24 comunidades cariocas foram re- no metropolitano.
movidas nos últimos anos para dar lugar às obras de preparação “A medida em Paris veio um pouco tarde demais, já que o centro
da cidade do Rio para receber grandes eventos. O rastro de exclu- da cidade é totalmente gentrificado”, afirma Christopher Gaffney,
são passa pelas obras dos corredores exclusivos de ônibus de trân- da Universidade de Zurique. “A zona oeste de Paris já é muito
sito rápido (BRTs) e se estende ao Porto Maravilha, projeto de re- ocupada pelos ricos. Apesar de a prefeitura ter incentivos para que
vitalização de 5 milhões de m² da zona portuária com os empreendimentos imobiliários reservem espaços para popula-
investimento de mais de R$ 8 bilhões, também por meio de uma ções de baixa renda, os empreendedores preferem pagar as multas
PPP. Um decreto do prefeito Eduardo Paes, de 19 de março deste e construir imóveis que só podem ser comprados por quem tem
ano, transforma a Vila Autódromo em área de utilidade pública renda elevada”, afirma Pedro da Luz Moreira, do IAB/RJ. A boa
para fins de desapropriação. Cinquenta e oito famílias estão amea- nova no caso é que se trata de uma política pública de resistência
çadas de desapropriação. Das 600 que moravam lá, restam cerca à gentrificação. Existem poucos exemplos no mundo. A cidade de
de 100. A maioria está sendo obrigada a ir para o Parque Carioca, Nova Iorque implantou na década de 60 os chamados “rent con-
do Minha Casa Minha Vida, a um quilômetro de distância. Essa trolled” – aluguéis controlados – de apartamentos. Muitos ainda
história de exclusão não passa de mais um episódio de gentrifica- existem hoje. A legislação do estado norte-americano de Connec-
ção – fenômeno que afeta um bairro com a construção de novos ticut obriga os investidores em imóveis de luxo a dedicar 30% das
edifícios e a valorização da região e expulsa a população de baixa unidades para alocação social. A Prefeitura de Bogotá, na Colôm-
renda local. O processo não é novo no Brasil, nem no Rio. Bairros
bia, definiu um macrocentro e estabeleceu um imposto territorial
inteiros da cidade passaram por transformações acentuadas no
e predial progressivo para imóveis desocupados que provocou uma
perfil dos moradores no rastro da especulação imobiliária. É ver-
redução do valor dos terrenos e tornou viável a habitação social a
dade que alguns resistiram como exemplos da convivência entre
partir de um programa parecido com o Minha Casa Minha Vida.
classes sociais diferentes: Rocinha e São Conrado, Morro Dona
Já no Brasil, quando se trata do bem sagrado da propriedade, a
Marta e Botafogo, Favela Pavão-Pavãozinho e Copacabana.
opção preferencial é ir na contramão dos próprios instrumentos
“As grandes obras de transformação do Rio têm um custo social
legais. O melhor deles é o Estatuto da Cidade. A Lei 10.257, de 10
para a parcela mais pobre da população. O prefeito do Rio fala
de julho de 2001, estabelece princípios básicos de planejamento
abertamente em gentrificação como um processo desejável, mas
participativo e a função social da propriedade. Além de definir uma
ela não passa de uma substituição social que sempre beneficia as
nova regulamentação para o parcelamento, uso e ocupação do solo,
pessoas com maior poder aquisitivo”, diz o professor Christopher
Gaffney, do Departamento de Geografia da Universidade de Zuri- de modo a aumentar a oferta de lotes, e a proteção e a recuperação
que, autor do artigo “Gentrificação e Megaeventos no Rio de Janei- do meio ambiente urbano, o estatuto prevê a cobrança de IPTU
ro”, publicado na revista @metrópolis, do Observatório das Metró- progressivo de até 15% para terrenos ociosos. Aplicado à Copaca-
poles, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e ao bana, poderia acabar com o imóvel de engorda – como são conhe-
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico cidos terrenos e apartamentos deixados vazios para manter a valo-
(CNPq). “No Rio, o processo de supervalorização imobiliária tem rização e estimular a especulação imobiliária. Calcula-se que 30%
se acentuado em pontos localizados, como a zona sul e parte da das unidades habitacionais do bairro carioca estejam fora do mer-
zona oeste”, afirma Pedro da Luz Moreira, presidente do Instituto cado por conta da ganância das imobiliárias. Treze anos depois, o
dos Arquitetos do Brasil, seção Rio de Janeiro. O IAB condena a estatuto ainda é letra morta nos mais de 5 mil municípios brasilei-
decisão da prefeitura. O Plano Popular da Vila Autódromo (PPVA), ros. Palmas, no Tocantins, foi a primeira das capitais a implantar o
elaborado pela Associação de Moradores da Vila Autódromo com IPTU Progressivo, que pode dobrar o valor do imposto para imó-
a ajuda do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional veis sociais. São Paulo também já anunciou a adoção da medida.
da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur/UFRJ) e do Nú- A política pública de ocupação social das cidades é desprezada
cleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos da Universida- pelos administradores e políticos. “A luta contra a gentrificação
de Federal Fluminense (Nephu/UFF), apresentava alternativas à é difícil, ainda mais em um país com a cultura patrimonialista do
remoção, com a permanência dos moradores e a urbanização da Brasil, mas sempre existem saídas. O Favela Bairros promoveu a
comunidade, além de sua integração à cidade. A Prefeitura do Rio formalização e a valorização dos imóveis com uma escala pouco GEOGRAFIA
preferiu desconhecer. significativa de gentrificação. O grave é que agora o processo está
Poucos lugares no mundo resistem ao modelo perverso da gen- acelerado”, diz Pedro da Luz Moreira, do IAB/RJ. “Cidades de
trificação. A Prefeitura de Paris lançou no fim do ano passado um países nórdicos ou que já passaram pela fase de desenvolvimen-
plano governamental para deter o processo de expulsão dos pobres to básico, algo pelo qual o Rio não passou, ou que têm prefeitos
dos bairros centrais da capital francesa para a periferia. Nada me- responsáveis, algo que o Rio não tem, encontram instrumentos
nos de 8 021 apartamentos de 257 endereços foram incluídos no mais efetivos contra a gentrificação”, afirma Christopher Gaffney,
projeto. A ideia é que eles sejam convertidos em moradias subsi- da Universidade de Zurique. A limpeza social vai deixar entre as
diadas para evitar o surgimento de mais um gueto milionário da vítimas a artesã Jane Nascimento de Oliveira, de 59 anos, que

Urbanização e mercados regionais 13


mora há meio século no bairro. A casa que divide com as duas de todo material orgânico e inorgânico e consertos de encanamen-
filhas aos poucos é ilhada pelo entulho de quem se rendeu à tos mal feitos, devem ser constantemente avaliados e refeitos. O
proposta da prefeitura e as vias que são abertas pelas construtoras grande mérito para a execução desse projeto foi a percepção, pela
do Parque Olímpico, da Vila Olímpica e do Ilha Pura. “Pobre é população, de que o rio é fundamental para a vida na cidade.
lixo para a prefeitura. Elas acham que a nossa presença vai infes- Vejamos um resumo desse processo. Em 1957: O rio foi decre-
tar a área e fazer doer os olhos dos ricos”, diz Jane. tado biologicamente morto. Em 1958, o governo nacional inglês
VASCONCELLOS, Paulo. Megaeventos aceleram processo de gentrificação no e as prefeituras das cidades ao longo do rio começaram a implan-
Rio de Janeiro. Carta Maior. 15 abr. 2015. Disponível em: <http://cartamaior.com. tar ações coordenadas para acabar com a poluição. Na década de
br/?/Editoria/Cidades/Megaeventos-aceleram-processo-de-gentrificacao-no-Rio- 70, os sinais iniciais de que os resultados estavam sendo alcan-
de-Janeiro/38/33273>. Acesso em: 28 nov. 2015. çados apareceram. Em 1980 foi construída uma barragem do rio
Texto 4 Tâmisa para diminuir enchentes. A construção de um sistema de
Despoluição do rio Tâmisa captação de esgoto que foi ampliado e aperfeiçoado com mais
O processo de despoluição do rio Tâmisa, que corta a cidade de estações de tratamento no decorrer dos anos. Uma legislação am-
Londres, é um exemplo que deve ser seguido por todas as cidades biental rígida obrigou as fábricas a eliminar o despejo de poluen-
que sofrem com o mesmo problema de terem seus rios poluídos. tes. O problema recorrente das enchentes foi resolvido em 1980
Com o investimento e a tecnologia adequados, o rio Tâmisa que com a construção da Barragem do Tâmisa. Trechos de concreto
estava biologicamente morto e reviveu em menos de 50 anos. No que impermeabilizavam as margens foram retirados pela Agência
século 19, o rio era conhecido como “O Grande Mau Cheiro” e de Meio Ambiente, responsável pelo manejo do rio. Assim, abriu-
doenças de veiculação hídrica e até mesmo cólera eram bastante -se espaço para solos de lama e mais habitats para vida selvagem.
comuns. O primeiro passo foi a construção de um sistema de cap- Para contornar as emergências, a Agência do Meio Ambiente pos-
tação de esgoto, porém esta solução não foi suficiente em face do sui oito estações de monitoramento na Grande Londres, que vigiam
grande crescimento da população. Desde então, o número de es- a quantidade de oxigênio disponível nas águas durante as 24 horas
tações de tratamento de esgoto foram ampliadas. do dia. Se o nível cai, embarcações vão até o ponto indicado e inje-
Atualmente, a empresa de saneamento de Londres continua a tam oxigênio ali. No entanto, a solução em longo prazo deve ser a
de substituir o antigo sistema de esgoto, construído ainda na época
investir na infraestrutura. Dois barcos percorrem o Tâmisa de se-
vitoriana, por um moderno sistema que não permite esgoto no rio.
gunda a sexta e retiram 30 toneladas de lixo por dia. Todos os
Como resultado, na década de 70 começaram a reaparecer algumas
detritos são coletados por grades instaladas na proa e por esteiras
espécies de peixes que são sensíveis à poluição e necessitam de água
que varrem o leito do rio. Câmeras de vídeo, radares e sonares
limpa para viverem; o rio foi transformado em um ecossistema prós-
informam a localização do lixo. Hoje, existem 125 espécies de pero. Atualmente existem 125 espécies de peixes, incluindo o retor-
peixes no Tâmisa e mais de 400 espécies de invertebrados. no da truta do mar e mais de 400 espécies de invertebrados; pássa-
Mesmo com os sinais de que a revitalização das águas do Tâmi- ros, como a garça e o martim-pescador, e mamíferos, como a lontra,
sa deu certo, a Thames Water, empresa de saneamento londrina, são avistados novamente; depois da despoluição o rio também vol-
mantém um alto investimento no tratamento da água e no sistema tou a atrair os esportes náuticos.
de esgotos. A guerra contra a poluição deve ser constante. A refor- Programa Cidades Sustentáveis. Disponível em: <www.cidadessustentaveis.org.
ma das estações de tratamento, fiscalização de despejo, tratamento br/boas-praticas/despoluicao-do-rio-tamisa>. Acesso em: 24 jan. 2016. Adaptado.

RESPOSTAS

México. Cidades globais, ou mundiais, são aquelas que têm grande


CAPÍTULO 1 – A URBANIZAÇÃO DA importância no mercado global. O critério para definição de cidade
HUMANIDADE mundial não é demográfico nem territorial, mas sim econômico.
PARA PRATICAR – página 16 Essas cidades globais são os principais centros financeiros e bancá-
1. O principal fator que leva à urbanização moderna – isto é, a partir rios do mundo, além de polos mundiais de telemática, de serviços
de meados do século XVIII – é a industrialização. A industriali- modernos e especializados (assessorias e pesquisas) e do controle
zação leva à mecanização do campo e, consequentemente, à administrativo das grandes empresas ou das organizações inter-
liberação de mão de obra. Outros fatores que produzem urba- nacionais. Os principais exemplos dessas cidades são Nova York,
nização, existentes em especial nos países subdesenvolvidos, Tóquio e Londres.
são a concentração das terras em poucas mãos e o crescimento
3. É a junção física de duas ou mais cidades vizinhas; por exemplo,
demográfico no campo superior à oferta de novos empregos.
a Grande São Paulo (São Paulo, São Caetano do Sul, São Bernar-
2. Megalópoles são áreas superurbanizadas onde há várias metró- do do Campo, Diadema, Osasco, Guarulhos, etc.).
poles e centenas de outras cidades menores numa determinada
região. Geralmente concentram grande parcela da população do 4. Gentrificação significa valorização de um centro urbano ou bairro
país. Exemplo: a megalópole entre São Paulo e Rio de Janeiro, no que foi degradado, abandonado pelos investimentos e até pelo
Brasil. Megacidades são aglomerados urbanos com mais de 10 policiamento. Quanto ao exemplo na cidade do aluno, a resposta
milhões de habitantes, como Tóquio, São Paulo ou Cidade do depende do local.

14 GUIA DO PROFESSOR
5. Resposta pessoal.
CAPÍTULO 2 – A URBANIZAÇÃO DO BRASIL
PARA APRIMORAR – páginas 17 a 20
PARA PRATICAR – páginas 37 e 38
1. Comparando-se as ondas de urbanização do período da Re- 1. Metropolização é a concentração demográfica nas metrópo-
volução Industrial e do atual, podemos destacar os seguintes les (cidades com mais de 1 milhão de habitantes). Regiões me-
aspectos: tropolitanas podem ser definidas como um conjunto de mu-
Contexto histórico e geográfico internacional: no século XIX, a nicípios contíguos (vizinhos ou espacialmente interligados) e
Divisão Internacional do Trabalho (DIT) passou por profundas integrados socioeconomicamente a uma cidade central, com
mudanças, dada a necessidade europeia de grandes volumes de serviços públicos e infraestrutura comuns.
matérias-primas para sustentar seu nascente desenvolvimento 2. Rede urbana é uma divisão territorial do trabalho, uma verda-
industrial, o que fortaleceu a expansão imperialista da época. Do deira rede na qual existe subordinação do campo à cidade,
ponto de vista geográfico, o mundo assistiu a uma ampliação bem como das cidades menores às maiores, formando, assim,
das relações comerciais e uma aceleração dos fluxos de trocas uma rede hierarquizada, um sistema de relações econômicas
mercantis, facilitadas pelo uso dos navios e dos trens a vapor. Na e sociais em que umas se subordinam a outras. As cidades são
atualidade, o contexto histórico e geográfico no qual a urbani- classificadas em pequenas, médias ou grandes, além das me-
zação se desenvolve está assentado na globalização, marcada trópoles. As cidades pequenas ou locais são aquelas com até
pela intensificação dos fluxos comerciais, financeiros, técnicos e 50 mil habitantes, as médias têm de 50 a 500 mil e as grandes,
populacionais. mais de 500 mil habitantes. As cidades pequenas, que existem
Condições técnicas: na época da Revolução Industrial, a urba- em grande número (milhares), dependem das médias (que
nização acompanhou a transformação do trabalho manufatu- existem em número menor, algumas centenas) ou das gran-
reiro para o trabalho mecanizado (maquinofatureiro). Houve des. As cidades médias, por sua vez, subordinam-se às grandes
generalização do uso das máquinas, das linhas de produção e e estas, às metrópoles.
do trabalho assentado na mão de obra assalariada (proletaria-
3. a) As maiores taxas de urbanização ocorrem nos estados do
do). Na atualidade, a urbanização se desenvolve conforme o
Centro-Sul do país, sobretudo em São Paulo e no Rio de
meio técnico-científico-informacional, marcado pela subordi-
Janeiro, onde a industrialização ocorreu de maneira mais
nação do campo pela cidade, pelo intenso uso de tecnologias
intensa.
e pela aceleração dos meios de transporte e comunicações.
b) Pelo elevado efetivo de reserva de mão de obra. Há um
Problemas sociais: na época da Revolução Industrial, as cida-
grande número de pessoas que não recebem rendimentos
des se expandiram de forma acelerada, ocupando espaços
suficientes para pagar por uma moradia adequada. Tam-
mais amplos e recebendo milhões de novos moradores, o que
bém a oferta de moradias populares é menor que o neces-
exigiu ampliação do saneamento básico, melhoria das condi-
sário para a população.
ções de transporte, maior oferta de moradias e serviços. Na
atualidade, a urbanização se mostra acelerada basicamente 4. Resposta pessoal. O aluno poderá relacionar, por exemplo: a
nos países subdesenvolvidos, com desafios semelhantes aos falta de moradia; os problemas de infraestrutura urbana (água
que existiam nas cidades europeias do passado. encanada e tratada, pavimentação de ruas, iluminação e ele-
Perspectivas para o século XXI: continuidade do acelerado tricidade, rede de esgotos e de telefonia) e a violência urba-
crescimento das cidades nos países pobres, ampliação do na (assassinatos, estupros, roubos e furtos, agressões contra
poder das cidades globais, concentração das maiores metró- pessoas somente pela sua aparência, acidentes de trânsito e
poles nas áreas subdesenvolvidas. O agravamento dos pro- atropelamentos, entre outros). Uma das principais causas que
blemas urbanos nas próximas décadas parece inevitável. Para provocam a expansão dos problemas urbanos é o volume ex-
superá-los, serão necessárias novas formas de organização do cessivamente grande do exército de reserva de trabalhadores,
espaço urbano, desenvolvimento de tecnologias e propostas o que resulta em salários baixos e pouca preocupação com a
inovadoras de planejamento. reprodução dessa força de trabalho.
2. e.
PARA APRIMORAR – páginas 38 a 40
3. b.
1. c.
4. c.
2. a. GEOGRAFIA
5. d.
3. a-I, e-I, b-II, c-II, d-II
6. c.
4. b.
7. d. 5. d.
8. d. 6. a) A favela é um exemplo de aglomerado subnormal relacio-
9. a. nado com a questão fundiária, pois parte da ocupação de

Urbanização e mercados regionais 15


terrenos públicos e privados. Os cortiços estão ligados ao gumas empresas ou ramos de produção logicamente vão se
padrão de urbanização, sendo resultado da degradação de sair melhor neste ou naquele país, mas no conjunto um mer-
parcelas do espaço urbano. cado regional leva a maior integração e aumento na produção.
A desvantagem é a existência de setores mais competitivos
b) A região Sudeste, sobretudo nas suas regiões metropolitanas em outro país do bloco, o que pode prejudicar esse tipo de
(São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), desde produção no país com setores menos competitivos. O México,
a década de 1950 tem uma pressão migratória que provoca por exemplo, teve sua produção agrícola de milho diminuída
uma grande demanda por moradia, acima das ofertas. Com drasticamente, com a falência de milhares de pequenos produ-
isso, o custo dos imóveis e dos aluguéis dispara, empurrando tores, pela entrada do produto norte-americano com menores
milhares de pessoas para os aglomerados subnormais. preços. Em compensação, sua industrialização aumentou com
a  ida de empresas norte-americanas em busca de menores
7. e.
custos de produção no México.
8. e.
2. a) A colônia de povoamento está ligada ao que ocorria na
Inglaterra desde o começo do século XVI, onde as graves
CAPÍTULO 3 – MERCOSUL disputas político-religiosas internas levaram um grande nú-
mero de ingleses – a maioria bem situada economicamen-
PARA PRATICAR – página 53
te – a procurar reconstruir a vida fora da Europa. Os ingleses
1. O Mercosul foi fundado em 1991 acompanhando a tendência vinham para a América para formar uma “nova pátria”.
mundial daquele momento de criar mercados supranacionais,
b) Os ingleses vinham para as colônias do sul não para po-
em que as fronteiras alfandegárias (proibições, restrições e
voar, mas para extrair riquezas (ouro, prata) ou para produzir
impostos de entrada ou saída de bens e serviços de um país
gêneros agrícolas necessários à Europa da época (açúcar,
para outro) foram reduzidas ou eliminadas, algo que come-
algodão), em geral, utilizando mão de obra escrava.
çou com o Mercado Comum Europeu (atual União Europeia)
e prosseguiu com a criação do Nafta, do Mercosul e de outros c) O motivo que levou a Inglaterra a revogar tal autonomia
mercados regionais em diversas partes do globo. foram os prejuízos causados pela Guerra dos Sete Anos a
sua economia, fazendo com que o Parlamento inglês decre-
2. a) O Brasil é o maior país, o que possui a maior população e tasse várias medidas para recuperá-la. Duas dessas medidas
o maior PIB do bloco, mas sua renda per capita é apenas se opunham à autonomia das Treze Colônias: a imposição
média. de só negociar com a Inglaterra e a decretação do imposto
b) A população que vive abaixo da linha da pobreza é relati- sobre o chá (o Tea Act). Essa decisão desencadeou o pro-
vamente alta. Essa população não tem acesso ao mercado cesso de independência das Treze Colônias e a criação dos
consumidor, o que prejudica a evolução e o aprimoramen- Estados Unidos da América, em 1776.
to do Mercosul. d) Centenas de sociedades indígenas foram massacradas e vá-
rias desapareceram.
3. Resposta pessoal. Em todo caso, cabe lembrar que provavel-
mente sem um avanço nesse sentido, mesmo que lento, o 3. Pode ser questionado – embora ainda seja verdadeiro – por-
bloco Mercosul tende a ficar estagnado, a patinar e talvez até que, após a dissolução da União Soviética e com o fim da
a se esvaziar. Guerra Fria, houve transformações significativas no cenário
geoeconômico mundial. A Europa passou a ter grande auto-
PARA APRIMORAR – páginas 53 a 56 nomia econômica e geopolítica. Além disso, desde os anos
1970, o Japão e a Europa ocidental cresceram economica-
1. c.
mente mais que os Estados Unidos, o que levou alguns a falar
2. 01 1 08 5 09 em três centros do capitalismo mundial: Estados Unidos, Euro-
pa e Japão. Mais recentemente a China desponta como uma
3. d.
nova potência mundial, podendo talvez, em algumas décadas,
4. b. competir em condições de igualdade com os Estados Unidos.
5. c. 4. O país é o maior importador do mundo e é responsável pela
compra de boa parte das exportações da China, do Japão e de
6. d.
inúmeros outros países. Além disso, apesar da criação do euro,
7. b. que começa a competir com o dólar como referência interna-
cional, o dólar norte-americano continua a ser a principal moe-
da do globo, aquela que serve de referência para os negócios e
CAPÍTULO 4 – NAFTA que é usada para as reservas de divisas (moedas aceitas interna-
PARA PRATICAR – páginas 75 e 76 cionalmente).

1. A principal vantagem é a ampliação do mercado consumidor 5. Pelo lado negativo da vizinhança, está o fato de os Estados
para as empresas de cada país, o que aumenta a produção. Al- Unidos terem se envolvido em muitos conflitos com o México

16 GUIA DO PROFESSOR
e lhe tomado grande parte do território original, seja por meio só país vetar uma decisão apoiada pelos demais. Também
de guerras, seja pressionando por acordos de compra de ter- deliberou que os Estados da União Europeia deveriam co-
ritórios. Além disso, o México quase não pode traçar uma po- locar em prática o “pacto de estabilidade e crescimento”,
lítica externa independente por causa dos evidentes interes- com o objetivo de diminuir o déficit de suas administrações
ses norte-americanos nas suas fronteiras ao sul. Como fatores públicas. O Tratado de Lisboa fortalece o Parlamento Euro-
positivos, estão as oportunidades econômicas, como a forte peu; permite a apresentação de propostas políticas pela
industrialização, graças principalmente à entrada de capitais sociedade civil; permite que um país solicite a sua saída do
estrangeiros. A emigração de milhões de mexicanos para os bloco; e modifica a tomada de decisões pelo Conselho da
Estados Unidos também pode ser considerada positiva em Europa. Além disso, dá mais poderes ao bloco para intervir
certos aspectos, como a remessa de dólares para os familiares em várias áreas políticas de grande importância, como na
que residem no México, e negativa em outros aspectos, como restrição à imigração e no combate aos imigrantes ilegais,
o tratamento dado aos imigrantes clandestinos. nas áreas de segurança e justiça, com destaque para o com-
bate ao terrorismo e à criminalidade.
PARA APRIMORAR – páginas 76 a 78 c) Esses países preferiram manter suas moedas locais por ra-
zões econômicas e culturais.
1. 01 1 04 1 32 5 37
d) O processo de unificação europeia, especialmente a inte-
2. d. gração econômica, mostrou ao mundo a importância de as-
sociações desse tipo. Elas incentivam o comércio mundial e,
3. a. dessa forma, a produção de cada país-membro; expandem
4. a. o poder internacional de países vizinhos que, isoladamente,
não são tão influentes; ampliam a interdependência das na-
5. e. ções e podem ajudar, pelo menos em tese, na construção
6. c. de um mundo mais integrado e com menos conflitos. Por
isso, a União Europeia inspirou a formação de outros blocos:
CAPÍTULO 5 – UNIÃO EUROPEIA o Nafta, o Mercosul, a Apec, etc.
e) Resposta pessoal. Não há dúvida de que está abrindo mão
PARA PRATICAR – página 92 de parte de sua soberania, embora nunca total, pelas regras
1. A Europa, do ponto de vista físico, é apenas uma península da comuns e, no caso da zona do euro, pela desistência de sua
Ásia. moeda nacional.
3. A crise, deflagrada em 2010, foi o resultado por um lado da
2. a) A unificação europeia iniciada com apenas seis nações – Bél-
“bolha imobiliária” de 2008 nos Estados Unidos e, por outro (o
gica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha Ocidental, França e
mais importante), foi decorrência dos sucessivos déficits fiscais
Itália (Europa dos Seis) – foi se fortalecendo com o ingresso
dos países englobados sob a sigla PIIGS: Portugal, Irlanda, Itá-
de outros países – Reino Unido, Irlanda, Dinamarca (Europa
lia, Grécia e Espanha.
dos Nove); Grécia, Espanha e Portugal (Europa dos Doze). Em
1995, já como União Europeia, recebeu Suécia, Áustria e Fin- 4. Resposta pessoal.
lândia, formando a chamada Europa dos Quinze. Em 2004,
juntaram-se a ela mais dez países: Chipre, República Tcheca,
Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Eslováquia PARA APRIMORAR – páginas 92 e 93
e Eslovênia. E, finalmente, em 2007, mais dois países passa- 1. V – F – F – F
ram a integrá-la: Bulgária e Romênia.
2. 01 1 02 1 16 5 19
b) O Tratado de Maastricht instituiu a moeda única e definiu
um futuro sistema único de defesa. O Tratado de Amsterdã 3. 01 1 04 5 05
deliberou que a colocação em prática das estratégias da Po- 4. c.
lítica Estrangeira de Segurança Comum (Pesc) será decidida
pelo voto da maioria dos países, eliminando o risco de um 5. a.

As respostas encontram-se também no portal, em Resoluções e Gabaritos.


GEOGRAFIA

Urbanização e mercados regionais 17


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Juruá Editora, 2010.
DESIDERÁ NETO, Walter Antonio (Org.). O Brasil e novas dimensões de integração regional. Rio de Janeiro:
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LEFÈBVRE, Henri. O direito à cidade. 5. ed. São Paulo: Centauro, 2011.
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VESENTINI, J. W.; PORTELA, F. Êxodo rural e urbanização. 17. ed. São Paulo: Ática, 2010.

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