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Motricidade © FTCD/FIP-MOC

2012, vol. 8, n. 1, pp. 53-66 doi:10.6063/motricidade.8(1).240

Dismorfia muscular: A busca pelo corpo hiper musculoso


Muscle dysmorphia: A quest for the hyper muscular body
A.P. Azevedo, A.C. Ferreira, P.P. Da Silva, I.O. Caminha, C.M. Freitas
ARTIGO ORIGINAL | ORIGINAL ARTICLE

RESUMO
A dismorfia muscular tem sido identificada tanto em homens quanto em mulheres, provocando
alterações da perceção da autoimagem e prejuízos socioculturais, e na saúde e bem-estar dos
indivíduos. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é analisar os aspetos socioculturais, psicológicos e o
uso de recursos ergogênicos relacionados à dismorfia muscular, bem como, identificar os riscos
promovidos pelo transtorno. Participaram 20 indivíduos, inscritos na rede mundial de computadores.
Utilizou-se um questionário para coleta de dados e a análise documental para interpretação das
respostas. Os resultados demonstram que as preocupações com a imagem corporal geram insegurança
social, baixa autoestima e sentimentos de inferioridade, que seriam resolvidos se a pessoa tivesse
corpos belos e fortes. A dismorfia muscular pode aumentar o risco de uso dos esteroides anabolizantes
e o uso indiscriminado de suplementos alimentares. Conclui-se que a dismorfia muscular causa
sofrimentos e prejuízos psicológicos, socioculturais e, desse modo, compromete a saúde das pessoas.
Palavras-chave: vigorexia, transtorno dismórfico muscular, recurso ergogênico, imagem corporal

ABSTRACT
Muscle dysmorphia has been identified both in men and women, causing changes in the perception of
self image and sociocultural losses and in the health and well being. In this sense, the purpose of this
study was to examine the sociocultural and psychological aspects and the use of ergogenic resources
related to muscle dysmorphia as well to identify the risks promoted by the disorder. The participants
included 20 individuals enrolled by the Internet. We used a questionnaire to gather data and document
analysis to interpret the responses. The results showed that concerns about body image generate
insecurity, low self-esteem and feelings of inferiority, which would be solved if people had beautiful
and strong bodies. Muscle dysmorphia can increase the risk of using anabolic steroids and
indiscriminate use of dietary supplements. We conclude that muscle dysmorphia causes suffering,
psychological and sociocultural damage, and thus compromises the health of people.
Keywords: vigorexia, muscle dysmorphic disorder, muscle dysmorphia, ergogenic aid, body image

Submetido: 28.06.2010 | Aceite: 06.03.2011

Andréa Pires Azevedo e Iraquitan de Oliveira Caminha. Laboratório de Estudo e Pesquisa em Lazer, Esporte, Corpo
e Sociedade; Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física UPE/UFPB, Paraíba, Brasil.
Alan Carvalho Ferreira. Departamento de Nutrição, Universidade Federal da Paraíba, Brasil.
Priscila Pinto Da Silva e Clara Monteiro de Freitas. Laboratório de Práticas Esportivas e Lazer; Programa Associado
de Pós-graduação em Educação Física UPE/UFPB, Paraíba, Brasil.
Endereço para correspondência: Andréa Pires Azevedo, SQN 407 - Bloco E, apto. 212, Asa Norte, CEP: 70855-050
Brasília-DF, Brasil
E-mail: andrea.mpaf@hotmail.com
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O transtorno dismórfico corporal tem por condições necessárias para o desenvolvimento


característica principal alterações na perceção da dismorfia muscular.
da autoimagem, preocupações irracionais de A identificação precoce da dismorfia mus-
possíveis imperfeições na aparência, de modo cular minimiza o uso de drogas que podem ser
acentuadamente excessivo e desproporcional à nocivas ao corpo e a mente, por exemplo, os
realidade, gerando importantes prejuízos no esteroides anabólicos androgénicos (EAA),
funcionamento pessoal, familiar, social e pro- geralmente administrados para se obter rapi-
fissional (Fairburn, 1994; Torres, Ferrão, & damente os resultados desejados ou fantasia-
Miguel, 2005). dos, como um corpo perfeitamente hipertro-
Na década de 1990, a preocupação com a fiado e forte. Na maioria dos casos, tal compor-
imagem corporal era eminentemente feminina, tamento é fruto da busca pela aceitação social
relacionada à anorexia e à bulimia. Atual- e, decorrente da pressão exercida pela mídia,
mente, estas preocupações corporais afetam na qual o narcisismo se manifesta muito
ambos os sexos, e de forma crescente os atuante (Rohman, 2009).
homens, sendo denominadas de dismorfia Neste contexto, fica clara a íntima relação
muscular (DM) ou vigorexia (Hildelbrandt, entre a busca pelo corpo musculoso e a ausên-
Langenbu-cher, & Schlundt, 2004). cia de limites para atingir tal objetivo, condu-
A dismorfia muscular é um transtorno zindo pessoas à procura de um corpo exagera-
recentemente descrito e ainda não consta nos damente hipertrofiado. Sujeitos que praticam o
manuais de diagnóstico em psiquiatria e seu treinamento de força exaustivamente não ape-
quadro clínico ainda não está devidamente nas em busca do bem-estar, mas principal-
definido. Também são escassos estudos epi- mente objetivando corpos progressivamente
demiológicos sobre o transtorno, sendo a musculosos, são sérios candidatos ao diagnós-
maior parte dos dados científicos obtidos a tico de DM. Normalmente estes indivíduos
partir de atletas ou fisiculturistas, prejudicando estão dispostos a manter uma dieta principal-
generalizações sobre a prevalência ou incidên- mente hiperproteica e hipolipídica, a usar fár-
cia desse quadro. Alguns autores sugerem que macos e praticar o treinamento de força de
o transtorno origina-se por fatores sociocultu- maneira demasiadamente intensa para conse-
rais (Pope Jr, Gruber, Choi, Olivardia, & Phil- guir o objetivo de um corpo perfeito, que
lips, 1997). Pesquisadores argumentaram que jamais é alcançado.
a DM comummente se manifesta quando os Desta forma, o presente estudo tem o obje-
indivíduos recebem pressões sociais para tivo de analisar os aspetos socioculturais, psi-
alcançar um determinado padrão corporal cológicos e o uso de recursos ergogênicos rela-
(Cohane & Pope Jr, 2001; Olivardia, 2001; cionados à dismorfia muscular, identificando
Pope Jr, Phillips, & Olivardia, 2000). os riscos à saúde promovidos por esse trans-
Outros pensam que a DM decorre de uma torno. Espera-se que o trabalho possa contri-
baixa autoestima, insatisfação e distorção da buir para melhor entendimento das práticas de
aparência do corpo, associadas a fatores bioló- hiperinvestimento no corpo, vistas na socie-
gicos e sociais (Lantz, Rhea, & Mayhew, 2001). dade contemporânea consumista, principal-
Grieve (2007) propôs que as variáveis mais mente no que diz respeito à compulsão pela
importantes relacionadas à dismorfia muscular aquisição de um corpo musculoso, tendo como
são a distorção da perceção da imagem corpo- referência temática as noções de dismorfia
ral, a insatisfação com o corpo, e a construção muscular.
de uma imagem corporal ideal internalizada.
Essas três variáveis, juntamente com perfec- MÉTODO
cionismo, afeto negativo, baixa autoestima e Foi realizado um estudo transversal explo-
pressão da mídia são pensadas como a base das ratório, de abordagem quali-quantitativa.
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Amostra cuidado de aplicar 10 questionários-piloto,


Foram credenciados para o estudo 20 indi- composto por 15 itens distribuídos nas dimen-
víduos, de ambos os sexos, com idade a partir sões supracitadas objetivando optar por ques-
de 18 anos, praticantes de musculação e inscri- tões que se revelaram imprescindíveis diante
tos em comunidades específicas sobre dismor- do fenômeno, no sentido de potencializar e
fia muscular, na rede mundial de computado- apreender a realidade estudada.
res. Estes foram selecionados por meio da
mídia eletrônica, considerando sua disposição Procedimentos para Coleta de Dados
de participar da pesquisa via correio eletrônico. O contato com os indivíduos incluídos na
Importa salientar que para resguardar a identi- pesquisa foi realizado nos meses de novembro
dade dos participantes, atribuímos nomes fictí- e dezembro de 2009. Inicialmente foi criado
cios de personagens que remetem a imagens de um perfil pelos pesquisadores em 52 comuni-
corpos musculosos. dades relacionadas à “Vigorexia”, “Viciados em
Foram consideradas as orientações sugeri- Academia”, “Vigorexia Síndrome de Adônis”,
das pela Resolução no 196/96 do Conselho “Vigorexia®”, “Vigorexia. Doença ou não?”,
Nacional de Saúde / MS, visando assegurar os “Perdi um amigo para VIGOREXIA!”, “Feio de
direitos e deveres que dizem respeito à comu- tão grande é o @#$%¨&o”, “Eu tenho VIGO-
nidade cientifica, ao(s) sujeito(s) e ao Estado. REXIA e DAí?”, “Vigorexia, um estilo de
A metodologia deste estudo foi aprovada pelo vida.”, “Fisiculturismo”, etc., dos sites de rela-
Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Huma- cionamentos (ORKUT e BLOGS), totalizando o
nos do Hospital Universitário Lauro Wanderley contato com 125003 indivíduos pertencentes
da Universidade Federal da Paraíba – UFPB sob às comunidades. Nestas, foram postadas
o Protocolo nº 378/2009. informações pertinentes ao estudo, bem como
foi divulgado o endereço eletrônico da pesqui-
Instrumentos e Procedimentos sadora principal para os internautas que apre-
O instrumento para coleta de dados foi um sentassem interesse em receber e preencher o
questionário de identificação e caracterização questionário.
dos sujeitos, estruturado e fundamentado a Os sujeitos do estudo estavam cientes de
partir de artigos científicos da literatura (Aze- sua participação voluntária e de não haver
vedo, 2008; Dawes & Mankin, 2004). Foram nenhuma consequência pela sua não-participa-
contempladas variáveis objetivas relacionadas ção. Foi ressaltada pela pesquisadora a impor-
ao perfil e caracterização socioeconômica do tância da fidedignidade dos dados fornecidos.
grupo (sexo, escolaridade, renda familiar, Todos os participantes eram membros de pelo
estado civil, tempo de prática da musculação, menos uma comunidade do site de relaciona-
frequência de treino, tempo gasto em cada mentos ORKUT®.
sessão) e subjetivas (idade, tempo de uso e
tipo/nome relativos aos suplementos alimenta- Técnicas de Análise dos Dados
res e esteroides anabolizantes, tipo de dieta e Após o recebimento dos questionários, foi
incômodos quanto à aparência física). Por fim, realizada uma análise quantitativa dos dados
os dados acerca da rotina alimentar e imagem obtidos por meio de estatística descritiva,
corporal dos sujeitos foram analisados. O ques- como frequência, percentual, média e desvio
tionário foi estruturado de forma a ser respon- padrão. Para decompor as questões subjetivas
dido voluntária e anonimamente. foi utilizada a técnica de análise de conteúdo a
A abordagem quali-quantitativa da pesquisa fim de desvelar e compreender os fenômenos
não admitiu uma testagem dos instrumentos, que envolvem a dismorfia muscular. A organi-
própria da investigação convencional, como zação da análise de conteúdo envolveu três
afirma Freitas (2000). No entanto, houve o fases: pré-análise, exploração do material e
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análise de interpretação dos resultados (Bar- sequente compulsão pelo treinamento de força
din, 2002). A pré-análise dos registros foi rea- conduzem a uma progressiva hipertrofia mus-
lizada por meio da leitura flutuante, ou seja, cular. Esta, conforme afirmam Pope Jr et al.
este foi o momento em que houve organização (1997) e Olivardia (2001) é um desejo princi-
do material, formulação das questões nortea- palmente de indivíduos do sexo masculino. No
doras e elaboração de indicadores que funda- entanto, mulheres cada vez mais estão
mentaram a interpretação final. Durante a fase demonstrando este anseio pela estética mus-
de exploração do material houve a tomada das culosa, tendo em vista a popularização das
decisões adotadas na pré-análise. Foi o modelos fisiculturistas concomitantemente aos
momento da codificação, em que os dados bru- apelos da mídia. Em 2000, Olivardia, Pope Jr e
tos foram categorizados de forma organizada e Hudson, encontraram maior incidência de
agregados em unidades, as quais permitiram transtornos de humor, transtornos de ansie-
uma descrição das características relacionadas dade e transtornos alimentares em homens
aos conteúdos. Nesse sentido são nomeadas as com dismorfia muscular do que em sujeitos
características sociodemográficas, as práticas sem este transtorno. Os pesquisadores tam-
do treinamento de força, o uso de esteroides bém evidenciaram que entre 5% e 10% dos
anabólicos androgénicos, os aspetos psicosso- levantadores de peso e 9% dos pacientes com
ciais, de imagem corporal e nutricional. transtorno dismórfico corporal possuíam dis-
morfia muscular.
APRESENTAÇÃO E No que concerne à faixa etária, a investiga-
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ção realizada por Vieira, Rocha e Ferrarezzi
As reflexões empreendidas neste estudo (2010) corrobora com os resultados do pre-
foram focadas na compreensão dos aspetos sente estudo, apresentando idade média de 24
sociopsicoculturais, e do uso de recursos ergo- anos. Fato este que pode ser explicado pelo
gênicos, definida pelos atores sociais que apre- início da dependência pelo treinamento de
sentam compulsão pela prática do treinamento força na adolescência em função de pressões
de força. Desta maneira, foi possível perceber, sociais advindas principalmente da família e
ao longo do trabalho, que não é aceitável uma amigos, e o agravamento desta dependência na
extensão desta temática sem estabelecer uma fase adulta podem ocorrer, segundo Swami e
relação indissociável entre os contextos sociop- Tovvé (2007) e Vieira et al. (2010), em conse-
sicoculturais e biológico. quência às preocupações e exigências sociais
referentes à imagem corporal na tentativa de
Dados Sociodemográficos anular os efeitos ocasionados pela idade cro-
No que concerne aos dados sociodemográfi- nológica, pelos hábitos de vida adquiridos
cos, dos 20 atores sociais participantes do pre- sobre a autoimagem, e pelas exigências da
sente estudo, constatou-se que todos eram mídia em busca da aceitação social e realização.
solteiros e 85% eram do sexo masculino. A De maneira geral é nítida a predominância
idade apresentou variação entre 18 e 24 anos de adultos jovens na prática do treinamento de
(19.6 ± 1.98 anos). Em relação à renda mensal força. Em Curitiba, 61.2% dos frequentadores
familiar, 50% dos sujeitos relataram ter renda de academia tinham entre 20 e 29 anos (Reis,
igual ou superior a sete salários mínimos. Manzoni, & Simonard-Loureiro, 2006). Em
Importa salientar que atualmente o valor do Campinas 59.6% dos praticantes de treina-
salário mínimo é de R$ 510.00 ou cerca de € mento de força pesquisados tinham entre 17 e
214.00. A relação entre a dismorfia muscular e 28 anos (Lollo & Tavares, 2004). Assim, os
o sexo masculino pode ser atribuída às caracte- resultados da presente pesquisa corroboram
rísticas do transtorno, uma vez que as altera- com os achados científicos que demonstram
ções na perceção da imagem corporal e a con- associação entre o período inicial da dismorfia
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muscular − no final da adolescência − e seu treinamento de força. Dentre eles, graduados


desenvolvimento, período no qual natural- em diversas profissões, inclusive na área de
mente as pessoas apresentam maior insatisfa- saúde como educadores físicos e médicos e
ção com o próprio corpo e se submetem exage- ainda, sujeitos com título de Ph.D. (Philosophy
radamente à prática do treinamento de força, Doctor).
sem levar em consideração os riscos à saúde Neste sentido, é importante apresentar
decorrente da busca de se atingir um corpo estudos realizados com praticantes de treina-
musculoso a qualquer preço. Na adolescência, mento de força no Brasil. Nas academias de
existem cobranças, principalmente sociocultu- Porto Alegre (RS) foram encontrados resulta-
rais, para que os meninos fiquem fortes e mus- dos semelhantes, com predominância de prati-
culosos. A esse respeito, Arraz (2010, p. 8) cita cantes de treinamento de força cursando o
"...Stallone, Schwarze-negger, Van Damme, He-Man, ensino superior, onde 36% possuíam ensino
Super Homem, Conan ,... difícil encontrar um adoles- superior completo e 40% ensino superior
cente que não tenha, ao menos uma vez, se inspirado incompleto (Silva et al., 2007). Achados de
num desses ícones da virilidade masculina, com mús- Frizon, Macedo e Yonamine (2005) em pes-
culos enormes e corpo dividido. Estimulados progres- quisa também realizada no RS, apontou que
sivamente pela mídia, que associa a idéia do corpo estudantes universitários praticam o treina-
perfeito ao sucesso e felicidade, e pela enorme difusão mento de força e fazem uso de substâncias
de academias de ginástica nos anos 90, os jovens injetáveis, sendo motivados principalmente
‘marombeiros’ foram em busca do sonho de ter o poder pela estética. Santos e Santos (2002) na cidade
e o respeito encarnados numa silhueta musculosa". de Vitória no Estado do Espírito Santo, obser-
Ainda, de acordo com Beiras, Lodetti, varam que 76% dos frequentadores de acade-
Cabral, Toneli e Raimundo (2007) as histórias mias estavam cursando o ensino superior e, em
em quadrinhos de super-heróis ganham vida São Paulo, 69.9% dos entrevistados em acade-
na imaginação dos leitores, estabelecendo for- mias de ginástica possuíam curso superior
tes ligações com seu cotidiano. Assim, estas (Pereira, Lajolo, & Hirschbruch, 2003), o que
caracterizações remetem a tendências distintas evidencia um grau de escolaridade similar ao
de representação dos corpos, (re)produzindo encontrado no presente estudo.
normas sociais e valores estéticos sobre a cor- No tocante a variável renda familiar, 50%
poreidade, principalmente no universo mascu- dos sujeitos referiram aquela acima de sete
lino, cuja imagem do corpo está associada ao salários mínimos (R$ 3570.00 ou cerca de €
modelo de virilidade instituído socialmente. 1516.00). Estes achados nos permitem inferir e
No que concerne ao nível de escolaridade, a direcionam para uma tendência de que os indi-
maioria dos participantes estava cursando ou víduos com dismorfia muscular possuem
havia cursado o ensino superior (50%), o que encargos financeiros aproximadamente três
demonstra um elevado grau de instrução des- vezes mais da média salarial dos brasileiros
tes praticantes, supostamente com maiores que, de acordo com a pesquisa realizada em
possibilidades de acesso às informações, além 2009 pela instituição financeira Cetelem em
do potencial para o desenvolvimento de análi- parceria com o instituto de pesquisas Ipsos, é
ses críticas. Além disso, a maior prevalência no de R$ 1201.00 ou cerca de € 510.00. Assim, a
ensino superior é condizente com a faixa de renda mensal dos vigoréxicos potencializam a
idade mais prevalente entre os atores. Pesqui- aquisição e utilização de recursos ergogênicos
sas realizadas por Pope Jr, Katz e Hudson como anabolizantes e suplementos alimenta-
(1993) e Pope Jr et al. (1997, 2000) identifica- res, que possuem custo elevado.
ram que sujeitos com altos níveis de escolari- Investigação de Azevedo (2008) encontrou
dade sofriam de dismorfia muscular, apresen- resultados análogos ao do atual estudo quando
tando necessidade compulsiva de praticar o a prevalência da renda familiar mensal de indi-
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víduos com dismorfia muscular foi igual ou As análises advindas deste estudo permitem
maior do que sete salários mínimos. Resultado sugerir forte indício de sintomas da dismorfia
diferente ao do presente estudo foi encontrado muscular como constatado por Olivardia
por Silva Júnior, Souza, Silva, Oliveira e Souza (2001), nos quais os exercícios físicos foram
(2008), na cidade do Rio de Janeiro, onde ape- responsáveis por grande parte das atividades
nas 4.3% dos pesquisados relataram renda do vigoréxico, que destina a vida à academia,
entre sete e nove salários mínimos, 13.0% se sentindo rejeitado, discriminado ou depri-
declaram possuir renda maior que 10 salários mido se ficar um dia sem exercício físico ou
mínimos e 43.5% entre um e três. Estes acha- sem o uso de esteroides anabolizantes, che-
dos demonstram que o treinamento de força é gando a comprometer as atividades sociais,
um exercício físico difundido e acessível para ocupacionais, recreativas e até mesmo os rela-
indivíduos e comunidades de todas as classes cionamentos interpessoais. Este comporta-
sociais. mento foi possível ser observado no momento
que um dos atores sociais chama a atenção:
Treinamento de Força
Em relação aos aspetos da prática do trei- "Terminei inclusive um namoro em razão disso, ela
namento de força, tantos os atores do sexo dizia que eu me preocupava mais com meu corpo
masculino, quanto feminino, apresentaram do que com o que ela sentia... (Adônis)"
resultados análogos. Verificou-se que 50% da
amostra treina há mais de três anos (3.3 ± É fácil perceber que estas modificações
1.89 horas), com frequência semanal de cinco sociais, principalmente no que concerne a prá-
vezes (5.3 ± 0.66 vezes/semana), usando mais tica exacerbada do treinamento de força, são
de uma hora e meia de treino (1.55 ± 0.83 incentivadas diante da expansão dos meios de
horas) por sessão. Esses resultados foram comunicação, nos quais se tem enfatizado o
similares aos verificados em diversas cidades culto à forma física e à boa aparência, o que
do país (Araújo & Soares, 1999; Lollo & Tava- contribui para um maior interesse e desejo por
res, 2004; Silva et al., 2007; Silva Júnior et al., um corpo esteticamente perfeito (Carvalho,
2003), nos quais um número expressivo dos Rodrigues, Meyer, Lancha Jr, & De Rose, 2003;
praticantes de treinamento de força o realizam Grieve, Truba, & Bowersox, 2009; Iriart &
cinco ou mais vezes por semana, com duração Andrade, 2002).
de duas horas para cada sessão de treino. Além disso, o ideal muscular é reforçado
De acordo com Pereira, Doimo e Kowalski pelos significados ou respeito frente aos con-
(2009), atualmente algumas práticas corporais ceitos dos outros, como da família, dos amigos
tais como a compulsão pelo treinamento de e da mídia. Estas fontes comunicam expectati-
força, vem sendo justificadas pelo desejo de se vas sobre os benefícios do ganho muscular, e
ter um corpo ideal. A aparência física parece essa expectativa possui um papel importante
ser forte elemento nas relações sociais, pois a na promoção do corpo musculoso como sendo
ela são atribuídos significados e, ao almejar o ideal (Smolak, Murnen, & Thompson, 2005;
esses modelos corpóreos, o resultado é trans- Stanford & McCabe, 2005).
mitido também no caráter de transformação Para Baudrillard (1970), as mudanças dos
pessoal. Essa idealização do corpo ideal, além códigos sociais por meio das narrativas midiá-
de ser inspirada por alguns ídolos, enalteceu ticas se justapõem às experiências vividas,
mais uma vez a cobiça pelo corpo proporcional. produzindo a realidade por meio de cópias e
É justamente essa ilusão de que existem partes simulações. Dando sequência às denúncias que
desproporcionais em seu corpo, que o vigoré- envolvem a indústria cultural e adicionando-se
xico assume um dos sinais do transtorno dis- à crítica de Jameson (1996) referente à esteti-
mórfico corporal. zação da realidade, Baudrillard nomeou de
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“esquizofrenia cultural” o processo de inven- enjôo quase todo treino (ultimamente), e treme-
ção midiática do real. E vai além quando indica deira e palpitação poucas vezes (Rocky)."
que o que ultimamente faria girar a roda do
capitalismo, seriam “investimentos libidinais "Já senti insônia, fraqueza, lesões musculares, sen-
no imaginário”. Acredita-se que estes autores timento de inferioridade e depressão (Mino-
afirmam que a onipresença da mídia determina tauro)."
uma repercussão de imagens que acaba por
asfixiar o próprio registro do imaginário, ou A ocorrência dessas características, princi-
seja, a possibilidade criativa do indivíduo que palmente o evento de lesões, pode ser uma das
deseja desenhar uma estética para aquilo que consequências do estado de overtraining ao qual
anseia. o indivíduo se submete na busca pelo corpo
Tanto a obsessão quanto a compulsão pela ideal. Essa insistência em continuar com o
prática exacerbada do treinamento de força em treinamento mesmo após lesões pode estar
busca do corpo perfeito podem gerar outras significativamente associada aos sinais de dis-
consequências maléficas ao vigoréxico, como o morfia muscular. Além disso, Nagayama,
overtraining. Este se caracteriza pelo excesso de Porta, Chaud, Marchioni e Ribeiro (2000) e,
treinamento, ou seja, tempo de recuperação Calfee e Fadale (2006) sugerem que a falta de
incompleto entre as sessões de treinamento, orientação adequada por meio dos profissio-
provocando manifestações de ordens físicas, nais de saúde pode estar permitindo parte da
psíquicas ou emocionais, tais como perda de sociedade a usar substâncias que possam reali-
apetite e peso corporal, insônia, irritabilidade, zar seus desejos estéticos de maneira imedia-
depressão, ansiedade, agressividade, lesões, tista, como os EAA.
diminuição da libido, fraqueza, cansaço cons-
tante, dificuldade de concentração e dores Esteroides Anabólicos Androgénicos
músculo-articulares (Assunção, 2002; Fleck & O uso e abuso dos EAA têm aumentado
Kraemer, 2006). entre os praticantes do treinamento de força,
Observou-se nos relatos características des- principalmente entre os vigoréxicos (Ferreira,
ses sintomas que associam a dismorfia mus- Ferreira, Azevedo, Medeiros, & Silva, 2007;
cular ao overtraining, como é possível observar Silva, Danielski, & Czepielewski, 2002). Neste
nas falas: sentido, dados advindos deste estudo constata-
ram que 35% dos participantes masculinos e
"Insônia eu sempre tive [...]. O desinteresse sexual 5% dos femininos relataram utilizar pelo
é comum dependendo das dosagens de ergogênicos menos uma das seguintes substâncias: nandro-
misturadas, principalmente no caso de testoste- lona, testosterona, stanozolol, clembuterol, oximen-
rona, pois durante o seu uso, é como se tivesse tolona, durateston, deca durabolin, oxandrolona,
ingerindo várias doses de Viagra ao dia pois a pulmonil, deposteron, Primobolan, dexa, propionato
libido vai nas alturas e algumas semanas após des- de testosterona, trembolona, boldenona, efedrina,
continuado seu uso, o quadro acaba revertendo turinabol e lipostabil®. Sobre este ponto, destaca-
devido a desaceleração da produção natural do se o discurso de Rambo:
hormônio pelo organismo devido as doses sintéti-
cas que foram injetadas (2)." "Já fiz uso de ergogênicos. De início foram uma
opção para tratamento de lesão que me poderia
"Já senti insônia, lesões musculares, sentimento de trazer benefícios musculares também, então, come-
inferioridade, desmotivação (Adônis)." cei com o uso de nandrolona acompanhada de um
mix de testosterona. Anos mais tarde acabei tes-
"Senti insônia, fraqueza, lesões poucas vezes e tando também stanozolol, clembuterol e oximen-
desmotivação, porém nunca desisti, além de sentir tolona."
60 | A.P. Azevedo, A.C. Ferreira, P.P. Da Silva, I.O. Caminha, C.M. Freitas

Sob este aspeto, o uso de esteroides anabo- comparados àqueles que não apresentam os
lizantes torna ainda mais nítida a busca irra- sintomas da vigorexia. É válido ressaltar que,
cional pelo corpo musculoso, sendo irrelevante dentre os vigoréxicos que apresentam os sin-
as consequências desta busca, sejam elas psi- tomas, os usuários de anabolizantes demons-
cológicas, fisiológicas e/ou sociais. Estudos tram quadro mais grave (Assunção, 2002).
recentes de Kanayama, Brower, Wood, Hudson Em 1993, Pope Jr, Katz e Hudson anali-
e Pope Jr (2009) e Rohman (2009) mostraram sando uma amostra de 108 fisiculturistas (com
que os EAA estão associados à predisposição, e sem uso de esteroides anabolizantes), relata-
precipitação ou perpetuação dos fatores psi- ram o que foi denominado na época de anore-
quiátricos da dismorfia muscular que incluem xia nervosa reversa. Nesta amostra, foram
complicações como alterações de humor e identificados nove indivíduos (8.3%) que se
comportamento, anormalidades na percepção descreviam como muito fracos e pequenos,
corporal e sinto-mas de abstinência. Assim, o quando na verdade eram extremamente fortes
constante uso e abuso dos EAA podem ocorrer e musculosos. Ademais, todos mencionavam
em virtude da dismorfia muscular com o obje- uso de EAA e dois tinham história anterior de
tivo de alcançar um corpo cada vez mais mus- anorexia nervosa. Demonstrou-se ainda que
culoso em um pequeno intervalo de tempo. quatro entre nove fisiculturistas com dismorfia
muscular desenvolveram o transtorno somente
"Hoje em dia penso em usar algo que me ajude pra depois que começaram a fazer uso de esterói-
ter o corpo perfeito (Belfort)." des anabolizantes, o que indica que estas dro-
gas facilitam, em muitos casos, a distorção da
Brower (1992), e Middleman e Durant imagem corporal. Além disso, segundo Lise,
(1996) revelam que ocorrem síndromes de Gama e Silva, Ferigolo e Barros (1999), a dis-
abstinência provocadas pela dependência e morfia muscular acarreta outros problemas
interrupção do uso de EAA, sendo consistentes físicos e estéticos podendo estar relacionado ao
com os critérios da dismorfia muscular e têm o uso de EAA, como por exemplo, a despropor-
potencial de desencadear crises comportamen- ção displásica, caracterizada pela desproporção
tais, como as decorrentes deste transtorno. entre segmentos corporais e problemas ósseo-
Silva et al. (2002) demonstram que tais efeitos articulares causados tanto pelo peso corporal
comportamentais podem estar relacionados ao excessivo, quanto pela sobrecarga exagerada
uso de metandiona, devido à alteração da fun- durante o exercício.
ção serotoninérgica causada por esta substân- Os problemas graves mais percebidos
cia. Estas síndromes aparecem em cerca de atualmente são a adesão às drogas nas farmá-
14% a 57% dos casos (Brower, 1992), nos cias, na mídia eletrônica e sua crescente popu-
quais, segundo Wroblewska (1996), percebem- larização entre as pessoas que frequentam aca-
se sintomas como perda de controle, depres- demias de ginástica, principalmente entre os
são, fadiga, inquietação, perda de apetite, insô- vigoréxicos, além dos efeitos colaterais letais
nia, decréscimo da libido e dores de cabeça. decorrentes de seu uso abusivo.
Assunção (2002), Gomes (2005), e Pope Jr
e Katz (1994) tem relatado alterações de ima- Aspetos Psicossociais
gem corporal entre levantadores de peso e fisi- Os achados do presente estudo corroboram
culturistas, principalmente entre os que utili- com a descrição da dismorfia muscular. Esta
zam EAA. De uma maneira geral, os resultados deve ser considerada como um transtorno da
de pesquisas convergem para o fato de que os linhagem obsessivo-compulsiva, tanto pela
levantadores de peso portadores de dismorfia obsessão em musculatura, quanto pela com-
muscular utilizam anabolizantes com maior pulsão aos exercícios. Ainda, é constante a
frequência e em maior quantidade, quando distorção do esquema corporal e a ingestão de
Dismorfia Muscular e corpo musculoso | 61

recursos ergogênicos (Gomes, 2005; Pope Jr & ser comum, mesmo quando se está com o
Katz, 1994; Torres et al., 2005). Em relação à somatotipo adequado, sentirem-se com a ima-
perceção corporal, novamente pode-se observar gem corporal inadequada, apresentando, desta
que tanto os homens quanto as mulheres des- maneira, alguma alteração na perceção da
creveram relatos similares aos encontrados na autoimagem. Esta alteração pode ser resultado
literatura, ou seja, 80% dos atores sociais se das pressões exercidas sobre o sujeito, princi-
consideram magros/fracos, não se consideram palmente pelo contexto sociocultural no qual o
fortes e musculosos mesmo descrevendo um indivíduo está situado e pela mídia. No
grande volume muscular como relatado a entanto, por meio das experiências vividas o
seguir. Este fato pode conduzir a alterações na sujeito constrói uma visão intimamente asso-
perceção do esquema corporal, como obser- ciada do eu e da imagem corporal, ambos
vado nestes recortes: dependentes do desenvolvimento do sistema
sensorial, neurológico, da perceção e das rela-
"Apesar de braços de 46 cm frio (sem estar aque- ções sociais e culturais, o que permite ao indi-
cido durante o treinamento) acho eles finos víduo escapar da passividade frente às pressões
(Hulk)." e, intervir de modo autônomo, no sistema das
relações sociais como detentor de suas deci-
"Me olho no espelho e sempre me acho fraco e sões e de suas ações.
magro, mesmo estando com 11% de gordura, 90 Outro traço psicológico comum à dismorfia
quilos e um metro e oitenta e cinco de altura muscular, e que foi claramente narrado pelos
(Conan)." participantes da pesquisa, refere-se à constante
checagem dos ganhos musculares, com repeti-
Assim, os resultados sugerem que os atores das observações de seu corpo no espelho. Não
apresentam traços característicos da dismorfia surpreendentemente, 90% dos participantes
muscular sugeridos por Pope Jr e Katz (1994), (75% dos homens e 100% das mulheres) afir-
nos quais os portadores demonstram altera- maram esta prática compulsiva. A seguir,
ções quanto à perceção da real imagem corpo- algumas falas:
ral de si, bem como alterações na personali-
dade e comportamentos, como baixa autoes- "Sim, mais ou menos umas 40 vezes por dia me
tima, dificuldades para integrar-se socialmente, olho no espelho. Antes do treino e depois
timidez e possa, frequentemente, rejeitar ou (Conan)."
aceitar com sofrimento a própria imagem cor-
poral, não se considerando forte o suficiente ao "Sim, constantemente (Mulher Maravilha, She-ra,
acreditar que sempre está faltando “algo a Rambo, Hulk, Coleman, Super Homem)."
mais” em sua musculatura. Facilmente essa
insatisfação pôde ser verificada: "Sim, eu às vezes me acho narcizista (Rocky)."

"Nunca estou forte o suficiente (Adônis)." De acordo com Olivardia (2001), a obsessão
da beleza física se converte em algumas doen-
"Acho que sempre falta alguma coisa (Super ças emocionais como ansiedade, depressão,
Homem)." fobias, atitudes compulsivas e repetitivas como
seguidas observações no espelho, possíveis
"Me sinto sempre fraco, acho que pego pouco peso, ganhos de massa muscular checados até 13
mesmo todos dizendo que não (Rocky)." vezes ao dia, e que conduzem à dismorfia mus-
cular, estando relacionada com uma patologia
Notadamente há uma insatisfação com o psíquica das pessoas excessivamente preocu-
próprio corpo. Neste caso, ressalta-se o fato de padas com a aparência, não estando satisfeitas
62 | A.P. Azevedo, A.C. Ferreira, P.P. Da Silva, I.O. Caminha, C.M. Freitas

com seus músculos e sempre estão na busca trofia. Em Goiânia (GO), estudo realizado em
obsessiva pela perfeição, como pode ser obser- 15 academias, onde 99% dos entrevistados
vado no relato de Conan: praticavam exercício de força, foi detetado que
60.5% deles desejavam aumentar a muscula-
"Eu quando fico sem treinar um tempo, sinto dores tura corporal (Silva & Moraes, 2006). Pope Jr,
musculares e depressão por que penso que estou Phillips e Olivardia no ano de 2000 descobri-
ficando fraco, magro e com isso eu perco a vontade ram que, em média, os homens gostariam de
de me alimentar direito." ter um corpo com 12.7 quilos a mais de mús-
culos. Isto torna evidente a participação de
Os comportamentos compulsivos são hábi- fatores socioculturais na etiologia da dismorfia
tos apreendidos e seguidos por alguma gratifi- muscular, sendo intermediados pela hipervalo-
cação emocional, normalmente um alívio de rização da imagem musculosa.
ansiedade e/ou angustia, acontecendo quase Considerando a importância da compreen-
automaticamente, sendo executadas várias são dos participantes do estudo sobre a valori-
vezes (Gomes, 2005; Pope Jr & Katz, 1994). zação da imagem corporal hiper musculosa, foi
Quanto aos benefícios em ser musculoso, indagado se algum aspeto na aparência física os
ambos os gêneros descreveram as mesmas incomodava a ponto de deixá-los deprimidos,
respostas, nas quais 50% dos participantes ansiosos ou zangados com isso. Com esta
relataram aumento da autoestima, 35% apre- questão buscou-se identificar possíveis insa-
sentaram melhoras no aspeto social, princi- tisfações corporais um dos sinais principais da
palmente ao afirmarem que o corpo musculoso dismorfia muscular. Sob este olhar, 85% dos
“impõe respeito” sendo mais aceitos em seus atores (70% dos homens e 100% das mulhe-
grupos sociais e 15% melhorias estéticas, res) responderam que sim, como ilustrado a
características que são confirmadas pela litera- seguir.
tura científica (Gomes, 2005; Silva & Moraes,
2006). De acordo com Olivardia (2001) a preo- "Às vezes acho que meus ganhos cessaram e fico
cupação excessiva com a imagem corporal nervoso com isso (He-Man)."
geralmente provoca insegurança social,
podendo agravar uma introversão existente. A "Às vezes em dado período de ganha ou perda de
atitude comum é acreditar que a timidez e a volume e/ou definição, o atleta acaba passando
insegurança social seriam resolvidas tendo por modificações que pode fazer com que a motiva-
corpos belos e fortes. ção psicológica melhore ou piore de acordo com os
resultados. Isso é normal [...] Mas, ficar depri-
Imagem Corporal mido faz parte do processo às vezes ou inconfor-
Quanto à aparência, 85% dos sujeitos (70% mado, é justamente essa cobrança que ajuda a
dos homens e 100% das mulheres) relataram a caminhar no caminho da melhora e da superação
hipertrofia muscular como objetivo ao praticar (Rambo)."
o treinamento de força, idealizando um corpo
musculoso, proporcional e com baixo percen- A partir destas falas importa evidenciar a
tual de gordura. Assim, está claro que os obje- influência da dimensão sociocultural na ima-
tivos estéticos são os mais desejados pelos gem corporal, propagando um ideal de saúde
praticantes dessa modalidade de exercício em razão do consumo de inúmeros produtos,
físico, apresentando traços semelhantes aos utilizando como isca um modelo específico de
sintomas psicossociais da dismorfia muscular. estética corporal. Conforme as palavras de
Achados de Santos e Santos (2002) obser- Anzai (2000, p. 73): "...Se a televisão, a publici-
varam que 69% dos frequentadores de acade- dade, o cinema, as revistas, os jornais, e agora a inter-
mia de ginástica possuíam objetivos de hiper- net, defendem as dietas milagrosas, os músculos tor-
Dismorfia Muscular e corpo musculoso | 63

neados e bronzeados, as vitaminas que evitam o que homens e mulheres (90% dos participan-
envelhecimento, as clínicas de rejuvenescimento e as tes) se preocupam e modificam, indistinta-
academias de ginástica, é porque isso tudo dá muito mente, a alimentação. Esta passa a ser hiper-
dinheiro. E se muito pouco se fala de afeto e respeito proteica (40%) ou com restrição lipídica
entre as pessoas comuns, não tão lindas e nem tão (25%). E ainda, hiperproteica e hipolipídica
elegantes como as modelos, mas, que mesmo assim, se (25%). Assim, foram obtidos os seguintes rela-
sentem felizes, certamente é porque isso é bem menos tos:
rentável".
Assim, Galli e Reel (2009) em estudo de "Preocupação em alto consumo de proteínas
evidência qualitativa afirmaram que esta (Apolo)."
influência foi citada por 80% dos praticantes de
treinamento de força, emergindo quatro cate- "Busco sempre uma alimentação balanceada com
gorias: religião, relacionamento com o sexo pouca gordura e sempre com níveis proteicos ele-
oposto, os meios de comunicação e, comentá- vados (Adônis)."
rios e expectativas a cerca de seus corpos. No
presente estudo, é notória a explicação de duas "Tenho minha dieta montada, me alimento de duas
das quatro categorias supracitadas, sendo elas, em duas horas, procuro comer proteínas de quali-
relacionamento com o sexo oposto e expectati- dade, gorduras boas e carboidratos de baixo índice
vas sobre sua imagem corporal: glicêmico. Faço oito refeições diárias (He-Man)."

"Quanto à aparência de musculoso, além de ser Ainda no tocante a alimentação, 90% dos
ótimo para autoestima, pode ser vantajoso com o indivíduos (80% dos homens e 66.6% das
sexo oposto. Fora isso me foi oferecida algumas mulheres) relataram consumir suplementos
oportunidades como desfiles, patrocínio e de modo alimentares, em especial os hiperproteicos e os
geral uma certa popularidade que me pode ser compostos por aminoácidos. Segundo Ferreira
benéfica no meu ramo profissional de atuação da et al. (2007), devido à óbvia associação entre
área jurídica e de vendas (Rambo)." as proteínas e os músculos, além da quanti-
dade significativa de informações equivocadas
Estes resultados demonstraram que cons- proveniente de atletas e comerciantes acerca
tantemente esses indivíduos sentem-se insa- das virtudes de dietas ricas em proteínas e do
tisfeitos com a imagem corporal adquirida, grande apelo mercadológico, estes nutrientes
apresentando compulsão em praticar exercícios podem estar sendo consumidos em excesso,
com pesos para minimizarem tais sentimentos provocando prejuízos à saúde e desperdício
e alcançarem os corpos hipertrofiados como financeiro, uma vez que os suplementos pos-
desejam. suem custo relativamente alto. Na maioria dos
casos os consumidores de suplementos,
Aspetos Nutricionais incluindo os vigoréxicos, não são orientados e
Além da obsessão pelo corpo perfeito, a acompanhados por profissionais habilitados,
dismorfia muscular produz uma importante sendo mais comuns indicações variadas ou a
mudança na rotina e costumes dos indivíduos, simples procura em meios eletrônicos ou em
notadamente na questão alimentar, ocorrendo lojas de suplementos.
modificações radicais na dieta, que passa a ser Evidenciou-se também que o ambiente digi-
hiperproteica e acompanhada de diversos tal vem sendo utilizado para obtenção de
suplementos alimentares, principalmente informações e compra direta de suplementos
daqueles à base de aminoácidos e proteínas alimentares, prática que indubitavelmente
(Olivardia, 2001). Nesse sentido, a presente estimula o consumo indiscriminado destes
pesquisa vem corroborar com a literatura visto produtos.
64 | A.P. Azevedo, A.C. Ferreira, P.P. Da Silva, I.O. Caminha, C.M. Freitas

Limitações e direções futuras dificilmente reconhecem limites físicos e psi-


Não obstante estes resultados forneçam cológicos para a aquisição de um corpo hiper
informações significativas sobre as experiên- musculoso. Estas insatisfações, por sua vez,
cias da dismorfia muscular, uma limitação comummente acarretam preocupações e inter-
deste estudo foi a baixa resposta dos atores ferências nas atividades pessoais e profissio-
participantes, visto que, 125003 praticantes de nais dos sujeitos, embora aceitem sua aparên-
treinamento de força tiveram a opção de rece- cia física com algum sofrimento. A dismorfia
ber o questionário enviado pelos pesquisado- muscular está associada ao sofrimento e pre-
res, mas, apenas 20 atores sociais responderam juízos em diversas áreas da vida das pessoas.
e compuseram o grupo estudado. Este fato Além disso, salienta-se que homens e mulhe-
pode ter ocorrido por receio dos sujeitos em res apresentam os mesmos desejos e compor-
ser identificados uma vez que suas inserções tamentos diante do anseio pela conquista, a
na mídia eletrônica fornecem informações pes- qualquer custo, do corpo ideal e musculoso.
soais com riqueza de detalhes, podendo ser Adicionalmente, como demonstrado, sua pre-
visualizado por qualquer outro integrante do sença pode aumentar o risco de uso dos este-
site. roides anabolizantes, drogas com consequên-
Os resultados deste estudo reúnem infor- cias potencialmente perigosas, bem como, de
mações substanciais para se refletir a saúde dos suplementos alimentares de forma indiscrimi-
indivíduos que apresenta compulsão pelo trei- nada, sem acompanhamento de um profissio-
namento de força. Portanto, investigações futu- nal especializado.
ras sobre a dismorfia muscular estão sendo Este estudo teve a preocupação com a
desenvolvidas no Laboratório de Estudo e Pes- hipervalorização e incentivo do culto ao corpo,
quisa em Lazer, Esporte, Corpo e Sociedade − procurando preencher algumas das lacunas
LAECOS da Universidade Federal da Paraíba, relacionadas ao conhecimento sobre a dismor-
Brasil, para corroborar com os dados analisa- fia muscular. Espera-se ainda oferecer subsí-
dos, examinando o papel sociocultural que dios para a tomada de consciência da necessi-
envolve a dismorfia muscular associada à ima- dade de haver um trabalho multiprofissional
gem corporal, ao treinamento de força e uso de apropriado para o alcance de resultados signifi-
recursos ergogênicos. cativos na prevenção e tratamento da dismorfia
muscular.
CONCLUSÕES
Com base nas análises sobre a dismorfia
Agradecimentos:
muscular foi possível inferir que é uma temá-
Nada a declarar.
tica pouco estudada, prevalente em indivíduos
do sexo masculino, principalmente entre indi-
Conflito de Interesses:
víduos praticantes do treinamento de força que
Nada a declarar.
buscam uma aparência física hegemônica por
meio de um corpo musculoso. O transtorno
Financiamento:
pode ter sua origem parcialmente explicada por
Nada a declarar.
fatores psicossociais, relacionados a uma cres-
cente pressão exercida principalmente pela
mídia para que os indivíduos tenham corpos REFERÊNCIAS
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