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REVISÃO NEUROANATOMIA/NEUROFISIOLOGIA

Aula 09 – Organização da medula espinal e nervos periféricos

1. Vias descendentes e ascendentes, vias eferentes e aferentes

Uma fibra que estimula ou ativa a musculatura é chamada de fibra motora e a


que conduz estímulos para o sistema nervoso central é a sensitiva. As fibras
motoras são chamadas de eferentes, pois carregam ordens do SNC, ou seja,
saem do SNC por meio de vias descendentes. Já as fibras sensitivas
carregam impulsos que chegam ao SNC por meio das vias ascendentes,
portanto, são fibras aferentes.

2. Divisões anatômicas da medula

Lista de estruturas:

- Substância branca (externa)


- Substância cinzenta (interna) REGIÃO LATERAL
- Coluna lateral (torácico e lombar
REGIÃO POSTERIOR alto)
- Sulco mediano posterior - Funículo lateral
- Sulco intermédio posterior (D e E)
- Fascículo Grácil REGIÃO ANTERIOR
- Fascículo Cuneiforme - Fissura mediana anterior
- Sulco lateral posterior (D e E) - Sulco lateral anterior
- Coluna posterior ou corno dorsal - Funículo anterior
(sensitivos) - Coluna anterior ou corno ventral
- Funículo posterior (motores)
- Tratos ascendentes (chegam ao
cérebro) Espinotalâmico anterior: tato e
pressão (via funículo lateral)
Via funículo posterior pelo fascículo
grácil e cuneiforme. Ajuste tátil fino; Espinocerebelar anterior:
Vibração; Estereognosia. propriocepção (via funículo anterior)

Espinocerebelar posterior: - Tratos descendentes (saem do


propriocepção (via funículo lateral) cérebro)
Espinotalâmico lateral: dor e
temperatura (via funículo lateral) Corticoespinal lateral (motor)
Corticoespinal anterior (motor)
3. Lâminas de Rexed – Substância cinzenta

Lâmina I: entrada das fibras da raiz medular dorsal.


Lâmina II: substância gelatinosa (de Rolando). Recebe fibras relacionadas
com a nocicepção (dor).
Lâminas III e IV: núcleos em que fazem conexão as fibras do trato
espinotalâmico lateral.
Lâmina V: núcleos reticulares. Passagem das fibras do trato corticoespinal em
direção à lâmina IX, na coluna anterior.
Lâmina VI: neurônios de associação da ME.
Lâmina VII: núcleo torácico (de Clarke). Localizado entre C8 e L3 e
representando a primeira conexão da via proprioceptiva inconsciente do trato
espinocerebelar posterior, e aos núcleos vegetativos da coluna lateral. Essa
lâmina é mais desenvolvida na região torácica. Apresenta motoneurônios
gama, para o tônus muscular, e neurônios relacionados aos reflexos
proprioceptivos. Lâmina VIII: chegada das fibras das vias extrapiramidais. É
mais desenvolvida nas regiões cervical e lombar.
Lâmina IX: centro motor da coluna anterior. Contém motoneurônios alfa para
contração rápida dos músculos esqueléticos.
Lâmina X: tem função vegetativa
4. Somatotopia da cervical e lombar

Os núcleos do corno anterior mais mediais relacionam-se com os músculos


perivertebrais. Os núcleos laterais são responsáveis pela musculatura dos
membros, sendo os músculos mais distais correspondentes aos núcleos
situados mais lateralmente no corno anterior. Além disso, os centros dos
músculos flexores e adutores situam-se posteriormente aos responsáveis pelos
músculos extensores e abdutores.
5. Nervos espinhais

O que são nervos?


São feixes formados por fibras nervosas unidas por tecido conjuntivo cuja
função é levar impulsos do SNC e também trazer do mesmo, fazendo assim, a
conexão do sistema nervoso central com o corpo. São divididos em dois
grupos: nervos cranianos e nervos espinhais. Os nervos são compostos pelo
axônio (mielinizado ou não), a bainha de mielina produzida pelas células de
Schawann, e, o tecido conjuntivo composto pelo epineuro (mais externo e em
torno de um nervo inteiro), perineuro (localizado em torno de cada fascículo),
endoneuro (tecido em torno de cada axônio).

São 31 pares de nervos espinhais e eles mantêm a conexão com a medula,


saindo da coluna vertebral através dos forames intervertebrais.

Cervicais – C1 a C8 Plexo cervical (C1-C4)


Torácicos – T1 a T12 Plexo braquial (C5-T1)
Lombares – L1 a L5 Nervos intercostais
Sacrais – S1 a S5 Plexo lombar (L1-L5)
Plexo sacral (S1-S4)
Coccígeos – Co

O nervo espinhal é formado pela fusão da raiz ventral (eferente e motora) e


dorsal (aferentes e sensitiva). Os corpos celulares estão situados no gânglio
sensitivo da raiz dorsal. Isso significa que o nervo espinhal é sempre misto.

Os ramos ventrais que inervam a parede torácica e abdominal permanecem


relativamente isolados ao longo de todo o seu trajeto. Nas regiões cervical, e
lombo-sacral, os ramos ventrais entremeiam-se para formar os plexos
nervosos. Neles, emergem os nervos terminais.
6. Nervos cranianos

I. Nervo Olfatório – Sensitivo. Ligado ao olfato e inicia-se em terminações


nervosas situadas na mucosa nasal.
II. Nervo Óptico. – Sensitivo. Origina-se na retina e relaciona-se com a
percepção visual.
III. Nervo Oculomotor; Motor. Inerva mm. Que movimentam o olho.
Musculatura intrínseca do olho, músculo esfíncter da íris e musculo ciliar
IV. Nervo Troclear; Motor. Inerva mm. que movimentam o olho. Musculo
obliquo superior.
V. Nervo Trigêmeo. Misto, porém predominantemente sensitivo. Responsável
pela sensibilidade somática de quase toda a cabeça. A parte motora inerva a
musculatura mastigatória, e mm. que movimentam a mandíbula.
VI. Nervo Abducente. Motor. Inerva mm. que movimentam o olho. Musculo
reto lateral.
VII. Nervo Facial. Misto, porem predominantemente motor. Esse nervo possui
fibras encontradas nos músculos da face, ajudando, desse modo, na formação
das expressões faciais. Ele também se relaciona com a percepção de gosto na
língua.
VIII. Nervo Vestibulococlear. Sensitivo. Constituído pela porção coclear,
relacionado a audição e a porção vestibular com o equilíbrio.
IX. Nervo Glossofaríngeo. Sensitivo. Inerva 1/3 posterior da língua, tonsila,
faringe e orelha média.
X. Nervo Vago. Motor. Inerva coração, pulmões, palato, faringe, laringe,
traqueia, brônquios.
XI. Nervo acessório. Motor. Inerva músculos esqueléticos. mm. ECM e
Trapézio.
XII. Hipoglosso. Motor. Inerva músculos que movimentam a língua.
7. Lesão da medula espinhal (LME)

Não-traumática: 30% dos casos.


Traumática: 70% dos casos.

Congênita: mielomeningocele
Disfunções vasculares: MAV, trombose, embolia ou hemorragia
Infecções: poliomielite, sífilis, mielite transversa, citomegalovírus
Neoplasias
Doenças neurodegenerativas: EM e a ELA
Subluxações vertebrais: doença articular degenerativa

O grau de severidade das complicações imediatas, decorrente da lesão inicial,


é depende do nível espinal lesado e do grau de extensão da lesão.

Classificação topográfica funcional

Paraplegia que é o comprometimento de parte do tronco e membros inferiores


comprometidos.
Tetraplegia é o comprometimento total do tronco e os quatro membros são
afetados

Classificação do grau neurológico funcional • Completa ou incompleta

A | COMPLETA: nenhuma função motora ou sensitiva está preservada caudal


ao nível de lesão, incluindo os segmentos sacrais S4 - S5

B | INCOMPLETA: a sensibilidade está presente nos segmentos sacrais S4 -


S5, mas nenhuma função motora está preservada abaixo do nível de lesão.

C | INCOMPLETA: a função motora está preservada nos segmentos sacrais


S4 - S5 e mais da metade dos músculos-chave abaixo do nível neurológico tem
grau de força menor que 3/5 ou somente possui função motora em S4-S5.

D | INCOMPLETA: a função motora está preservada abaixo do nível de lesão e


pelo menos metade dos músculos-chave abaixo do nível neurológico tem grau
de força 3/5 ou maior.
Aula 10 – Sistema Nervoso Autônomo

1. Sistema nervoso visceral e somático

O sistema nervoso visceral é formado pelos osmorreceptores,


viscerorreceptores e mecanorreceptores contidos nas vísceras.

- O sistema aferente do sistema nervoso visceral conduz impulsos


nervosos dos receptores das vísceras para áreas específicas dos SNC.

- O sistema eferente do sistema nervoso visceral é o que se


convencionou chamar sistema nervoso autônomo (SNA), e traz
impulsos dos centros nervosos até as estruturas viscerais, como por
exemplo glândulas, músculo liso ou cardíaco.

Funções viscerais: Pressão arterial, motilidade gastrointestinal,


secreção gastrointestinal, controle da bexiga, sudorese, temperatura
corporal

O sistema nervoso somático é formado pelas aferências sensoriais


periféricas e eferências motoras que originam respostas motoras dos músculos
esqueléticos, assim como do tônus e da postura.

- O sistema aferente do sistema nervoso somático é responsável pelos


impulsos nervosos originados nos receptores periféricos que são
conduzidos até os centros nervosos, informando a estes sobre o que se
passa no meio ambiente.

- O sistema eferente do sistema nervoso somático é formado pelo


neurônio motor que envia comandos dos centros nervosos para um feixe
de fibras musculares esqueléticas, resultando em movimentos e
integração com o meio externo.

Diferenças entre somático eferente e visceral eferente: No somático


eferente, os impulsos nervosos terminam em musculo estriado esquelético. No
visceral, terminam em músculos lisos, estriado cardíaco ou glândula. O
somático é voluntário e o autônomo é involuntário. Quanto ao número de
neurônios que ligam o SNC ao órgão efetuador, no somático apenas um
neurônio (neurônio motor somático), cujo corpo localiza-se na coluna anterior
da medula, saindo axônios pela raiz anterior e terminando em placas motoras.
No autônomo existem dois neurônios unindo o SNC ao órgão. Um deles com
corpo dentro do SNC e outro tem o corpo localizado no SNP (neurônios pré e
pós ganglionares).
2. Sistema Nervoso Simpático e Parassimpático

Enquanto o simpático prepara o organismo para situações de estresse e de


aumento da exigência da taxa metabólica global, o parassimpático é
responsável por controlar as funções vitais quando o corpo está em repouso.
Os dois sistemas são ativados de acordo com a necessidade de cada órgão,
atuando de forma simultânea e interdependente.

LUTA OU FUGA
Em determinadas situações pode ocorrer uma ativação do sistema
nervoso simpático de forma isolada, com aumento da noradrenalina circulante
devido à ativação da glândula suprarrenal (medular), chamada de descarga
simpática. Essa reação ocorre em situações de alerta, na qual há necessidade
de uma resposta rápida de luta ou fuga.
Assim, ocorre a liberação de uma maior quantidade de glicose na
corrente sanguínea, a frequência cardíaca e a pressão arterial se elevam, e os
brônquios se dilatam, os vasos sanguíneos dos músculos se dilatam. No
sistema digestório, há a diminuição do fluxo sanguíneo, diminuição do
peristaltismo e contração dos esfíncteres; as pupilas se dilatam e ocorre
piloereção e sudorese fria.

Divisão parassimpática
No sistema parassimpático, o neurônio pré-ganglionar situa-se na
porção craniossacral do SNC, sendo o componente craniano composto pelo
tronco do encéfalo, e o componente medular, pela porção sacral da medula
espinal. O gânglio periférico do neurônio pós-ganglionar localiza-se
próximo ao órgão efetor, ou até mesmo dentro deste.
O componente craniano é composto pelos neurônios que dão origem
aos axônios dos nervos cranianos com componente eferente visceral: nervos
oculomotor (III) no mesencéfalo, facial (VII) na ponte e glossofaríngeo (IX) e
vago (X) no bulbo.
As fibras terminam nos gânglios situados na parede dos órgãos
cervicais, torácicos e abdominais, fazendo com que as fibras pós-ganglionares
sejam curtas e exerçam sua ação sem formarem outros nervos como nos
casos anteriores.
O componente sacral é composto pelo segundo, terceiro e quarto (S2,
S3 e S4) segmentos da medula espinal sacral. As fibras pré-ganglionares
seguem os nervos sacrais motores correspondentes. Os ramos desses nervos
dirigem-se ao plexo pélvico, de onde as fibras pré-ganglionares se direcionam
para os órgãos-alvo. Os órgãos pélvicos são: bexiga, próstata, vesícula
seminal, corpos eréteis, útero e vagina.
Divisão simpática

O sistema simpático tem sua origem central, ou seja, seu primeiro


neurônio ou neurônio pré-ganglionar, na coluna lateral toracolombar de Tl até
L2 da medula espinal. Os axônios dessas fibras dirigem-se até a cadeia
ganglionar simpática paravertebral, também denominada tronco simpático.
Esse tronco se dispõe em toda a extensão da coluna vertebral e é
formado por um par de gânglios de cada lado da coluna, interligados
ipsilateralmente por fibras interganglionares. Pode ser dividido em 4
segmentos: cervical (gânglios cervicais superior, médio e inferior),
toracolombar (12 gânglios; as fusões dos gânglios são frequentes,
tornando o seu número bastante variável), sacral (4 a 5 gânglios) e
coccígeo (gânglio ímpar).
As fibras pré-ganglionares saem da coluna lateral da medula espinal (Tl
a L2) através das raízes e entram na cadeia ganglionar paravertebral sob a
forma dos ramos comunicantes brancos. Essas fibras pré-ganglionares podem
seguir cranialmente, através da cadeia paravertebral, e fazer sinapse pela
mesma cadeia para gânglios lombares ou sacrais.
As fibras podem passar através da cadeia paravertebral sem fazer
sinapse, para formarem os nervos esplâncnicos (torácicos, lombares e
pélvicos), fazendo sinapse com os neurônios pós-ganglionares localizados na
cadeia ganglionar simpática pré-vertebral.
As fibras pré-ganglionares podem chegar à cadeia paravertebral, fazer
sinapse aí, e a fibra pós-ganglionar sair junto com a raiz nervosa
correspondente através do ramo comunicante cinzento. Esses ramos se
originam em todos os níveis da medula espinal e contribuem com a inervação
de estruturas vasomotoras, piloeretoras e glândulas.

3. DIFERENÇAS ANATÔMICAS

SN simpático – Os neuronios pré estão localizados na medula torácica e


lombar (entre T1 e L2). Fibras pós-ganglionares estão distantes das vísceras e
próximos à coluna. A fibra pré-ganglionar é curta e a pós-ganglionar é longa.

SN parassimpático – Os neuronios pré estão localizados no tronco encefálico


e na medula sacral. Neurônios pós-ganglionares estão próximos ou dentro das
vísceras (plexos de Meissner e Auerbach). A fibra pré-ganglionar é longa e a
pós-ganglionar é curta.
Aula 11 – Sistema Somatossensorial

Princípios gerais de organização


Alguns conceitos:

Vias ascendentes Informações sensoriais que vai da periferia para o


SNC
Vias descendentes Informações motoras que vai do SNC para a periferia
Aferência “Indo para”
Eferência “Saindo de”

Núcleos Agrupamentos de corpos celulares no SNC


Gânglios Agrupamentos de Corpos celulares no SNP
Tractos Coleção de axônios no SNC
Nervos Conjunto de axônios no SNP

• Modalidade sensorial: Tractos da mesma modalidade sensorial


ascendem juntos

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