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Universidade de Brasília - UnB

Departamento de Processos Psicológicos


Básicos – PPB
Introdução à Psicologia
Professor Ricardo Garcia

Psicologia da Arte

Gardênia Alves - 19/0013605


Guilherme Damião- 19/0028980
Matheus Soares - 19/0035307
Thiago Francisco- 15/0022611

Brasília, 2019/1
Índice

Índice…………………………………………………………………………………....… 1
Introdução ……………………………………………………………………………….. 2
História da Psicologia da Arte...……………………..…………………………............... 3-4
Experiência Estética……………………………………………………………………… 5-6
Pesquisa Psicológica........................................................................................................... 7-9
Aplicações da Psicologia da Arte ........................................................................................ 10-11
Críticas em Relação à Psicologia da Arte............................................................................. 12
Considerações Finais ......………………………………………….……………....………..13
Referencial Teórico …..………………………………………………………………........ 14

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Introdução
A psicologia da arte é um campo interdisciplinar, que estuda a percepção, cognição e
características da arte, e sua produção. Com esta premissa em mente, neste presente trabalho, serão
discorridos assuntos como a História da Psicologia da Arte, onde serão apresentados pontos
importantes para o desenvolvimento da area até chegar na modernidade, e onde estão suas
primeiras influências e passos. Por outro momento, serão discutidos aspectos experimentais e
cognitivos em relação à area, em Experiência Estética, sendo enfatizados aspectos importantes em
Pesquisa Psicológica e seus seguintes pontos.
Este mesmo documento, tem o fim de enriquecer o leitor acerca dos assuntos abordados de maneira
satisfatória, com exemplos e situações apresentadas para melhor visualização do conteúdo
apresentado.
Portanto, conceitua-se aqui o conceito e primeira impressão deste tema, dando o vislumbre do que
será apresentado, com o objetivo de expressar um novo modo de ver e pensar as artes sob um olhar
psicológico, critico, intelectual, e hedonista.

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A História da Psicologia da Arte

O trabalho de Theodor Lipps, um psicólogo de pesquisa com sede em Munique, desempenhou um


papél importante no desenvolvimento inicial do conceito de psicologia da arte no início da década
do século XX. Sua contribuição mais importante a respeito de tal assunto, foi sua tentativa. Para
teorizar a questão de Einfuehlung ou “empatia”, um termo que se tornaria elemento-chave em
muitas teorias subseqüentes da psicologia da arte.

Porém dos primeiros a integrar a psicologia à história da arte foi Heinrich Wölfflin (1864-1945),
crítico de arte e historiador suíço, cuja dissertação Prolegomena zu einer Psychologie der
Architektur (1886) tentou mostrar que a arquitetura podia ser entendida de uma forma puramente
psicológica ( em oposição a um ponto de vista histórico-progressista.

Outra figura importante no desenvolvimento da psicologia da arte foi Wilhelm Worringer, que
forneceu algumas das primeiras justificativas teóricas para a arte expressionista. The Psychology of
Art (1925), de Lev Vygotsky (1896-1934), é outro trabalho clássico. Richard Müller-Freienfels foi
outro importante teórico inicial. Numerosos artistas do século XX começaram a ser influenciados
pelo argumento psicológico, incluindo Naum Gabo, Paul Klee, Wassily Kandinsky e um tanto
Josef Albers e György Kepes. O aventureiro francês e teórico do cinema André Malraux também
se interessou pelo tema e escreveu o livro La Psychologie de l'Art (1947-9) posteriormente
revisado e republicado como The Voices of Silence.

Nos EUA, as premissas filosóficas da psicologia da arte foram fortalecidas - e receberam valência
política - no trabalho de John Dewey. Sua Arte como Experiência foi publicada em 1934 e serviu
de base para revisões significativas nas práticas de ensino, seja no jardim de infância ou na
universidade.

O crescimento da psicologia da arte entre 1950 e 1970 também coincidiu com a expansão da
história da arte e dos programas de museu. A popularidade da psicologia da Gestalt na década de
1950 acrescentou mais peso à disciplina. O trabalho seminal foi a Terapia de Gestalt: Excitação e
Crescimento na Personalidade Humana (1951), que foi co-autoria de Fritz Perls, Paul Goodman e
Ralph Hefferline. Os escritos de Rudolf Arnheim (nascido em 1904) também foram
particularmente influentes durante este período. Em direção a uma psicologia da arte (Berkeley:
Universidade da Califórnia Press) foi publicado em 1966.

A psicologia da arte, de modo geral, estava em desacordo com os princípios da psicanálise


freudiana, com muitos psicólogos da arte criticando, o que eles interpretavam como seu
reducionismo. Sigmund Freud acreditava que o processo criativo é uma alternativa às neuroses. Ele
achava que era provavelmente uma espécie de mecanismo de defesa contra os efeitos negativos das
neuroses, uma maneira de traduzir essa energia em algo socialmente aceitável, o que poderia
entreter e agradar os outros. Os escritos de Carl Jung, no entanto, tiveram uma recepção favorável
entre os psicólogos da arte, dada a sua representação otimista do papel da arte e sua crença de que
o conteúdo do inconsciente pessoal e, mais particularmente, o inconsciente coletivo, poderia ser
acessado pela arte e outros formas de expressão cultural.

Na década de 1970, a centralidade da psicologia da arte na academia começou a diminuir. Os


artistas tornaram-se mais interessados na psicanálise e no feminismo, e arquitetos na
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fenomenologia e nos escritos de Wittgenstein, Lyotard e Derrida. Quanto aos historiadores da arte
e da arquitetura, eles criticavam a psicologia por ser anti-contextual e culturalmente ingênua.
Erwin Panofsky, que teve um tremendo impacto [do pavão] na forma da história da arte nos EUA,
argumentou que os historiadores deveriam se concentrar menos no que é visto e mais no que se
pensava. Hoje, a psicologia ainda desempenha um papel importante no discurso da arte, embora
principalmente no campo da apreciação da arte.

Por causa do crescente interesse na teoria da personalidade - especialmente em conexão com o


trabalho de Isabel Briggs Myers e Katherine Briggs (desenvolvedores do Myers-Briggs Type
Indicator) - os teóricos contemporâneos estão investigando a relação entre o tipo de personalidade
e a arte. Patricia Dinkelaker e John Fudjack abordaram a relação entre os tipos de personalidade
dos artistas e as obras de arte; abordagens da arte como reflexo das preferências funcionais
associadas ao tipo de personalidade; e a função da arte na sociedade à luz da teoria da
personalidade.

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Experiência Estética

A arte é considerada um campo subjetivo, no qual um indivíduo compõe e vê obras de arte de


maneiras únicas que refletem a experiência, o conhecimento, as preferências e as emoções de uma
pessoa. A experiência estética engloba a relação entre o espectador e o objeto de arte. Em termos
de artista, há um apego emocional que impulsiona o foco da arte. Um artista deve estar
completamente sintonizado com o objeto de arte para enriquecer sua criação. Como a obra de arte
progride durante o processo criativo, o mesmo acontece com o artista. Ambos crescem e mudam
para adquirir um novo significado. Se o artista estiver emocionalmente ligado demais ou não tiver
compatibilidade emocional com uma obra de arte, isso terá um impacto negativo no produto
acabado.

“A "atitude estética" é importante para a arte porque permite considerar um objeto com pronto
interesse para ver o que ele sugere. No entanto, a arte não evoca uma experiência estética, a menos
que o espectador esteja disposto e aberto a ela. Não importa quão convincente seja o objeto, cabe
ao observador permitir a existência de tal experiência.” (Bosanquet, 1982)

Criatividade

O interesse em desenvolver pesquisa na área de criatividade é relativamente recente, tendo seu


impulso de Guilford em 1950. É importante frisar que não há consenso por parte dos pesquisadores
do que seja a criatividade, mas em tal contexto, são abordadas qualidades e trações de
personalidades que podem influenciar nesse processo. O psicólogo abordou exatamente o suposto
abandono dessa área de estudo por parte dos pesquisadores.

A partir dessa provocação, de 1950 a 1960 houve um aumento significativo nas pesquisas sobre
habilidades do pensamento criativo e traços de personalidades criativas. Com essa intensificação
até 1970 voltou se a atenção para as instituições de ensino, que foram criticados por inibirem a
criatividade, sob influência do movimento humanista.

As pesquisas em criatividade a partir de 1970 foram influenciados pela psicologia cognitiva, que
focava a pesquisa em processos cognitivos e na influência social na criatividade das pessoas.
Criatividade teve contribuições de outras escolas da psicologia como a Gestalt e psicanálise.

Algum dos métodos de pesquisa na criatividade tem como base atributos de uma personalidade
criativa como é apontado por Guilford como: fluência, flexibilidade, originalidade e elaboração.
A fluência por exemplo se trata da capacidade do individuo de se pensar varias coisas sobre algo,
um exemplo de pesquisa seria pedir que a pessoa nomeie o máximo de objetos sólidos que
conseguir.

A criatividade muitas vezes é trabalhada na prática em dinâmicas e brincadeiras que estimulam o


processo criativo, como por exemplo propor para que uma turma se divida em dois grupos onde
cada grupo vai defender um ponto de vista determinado pelo professor, ou improvisar alguma
situação a partir da situação proposta, desenhar, escrever, e por aí vai.
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Um dos problemas observados no sentido criativo seria tanto a cultura determinando mitos que são
limites e barreiras para o desenvolvimento do processo criativo, como as instituições publicas de
ensino que pelo sua próprio engendramento interno e pela necessidade do cumprimento de um
currículo no período letivo acabam inibindo a criatividade em sala de aula, não estimulando tal
potencialidade.

A psicologia atua nesse problema desenvolvendo pesquisas sob os diversos aspectos ligados a
criatividade e conteúdo que apontam os fatores inibidores do potencial criativo e propõem formas
de se estimular essa capacidade na escola, sendo direcionado tanto para os alunos como para os
professores atuantes. A psicologia também oferece estudos focando no processo e apresentando
formas diferentes de organizar as etapas do processo de criação e de se chegar a um produto final.

Expressão

Um dos questionamentos encontrados em meio a busca pelo entendimento da arte é acerca do


surgimento da expressão artística.

Para o psiquiatra Carl Gustav Jung, a obra de Arte deriva dos processos autônomos do inconsciente
coletivo. Ao explicar esse fenômeno ele utiliza o conceito dos arquétipos, que são figuras ou
situações antepassadas que foram cultivadas ao longo do tempo. E isso explica a capacidade que a
Arte tem de tocar não apenas quem a produziu, mas a todos.

“Este é o segredo da ação da arte. O processo criativo consiste (até onde nos é dado segui-lo) numa
ativação inconsciente do arquétipo e numa elaboração e formalização na obra acabada. De certo
modo a formação da imagem primordial é uma transcrição para a linguagem do presente pelo
artista, dando a cada um a possibilidade de encontrar o acesso às fontes mais profundas da vida
que, de outro modo, lhe seria negado”. (JUNG, 2011, p. 83)

A Posição de Gestalt

Aos olhos do psicólogo da Gestalt, Rudolf Arnheim, a experiência estética da arte enfatiza a
relação entre o objeto inteiro e suas partes individuais. Ele é amplamente conhecido por se
concentrar nas experiências e interpretações de obras de arte e em como elas fornecem uma visão
da vida das pessoas. Ele estava menos preocupado com os contextos culturais e sociais da
experiência de criar e visualizar obras de arte. Aos seus olhos, um objeto como um todo é
considerado com menos escrutínio e crítica do que a consideração dos aspectos específicos de sua
entidade. A obra de arte reflete a "experiência vivida" de sua vida. Arnheim acreditava que todos
os processos psicológicos têm qualidades cognitivas, emocionais e motivacionais, refletidas nas
composições de todo artista.

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Pesquisa Psicológica

Processamento “bottom-up” e “top-down”

Os psicólogos cognitivos consideram o processamento "top-down" e "bottom-up" ao considerar


quase qualquer área de pesquisa, incluindo a visão. Semelhante a como esses termos são usados no
design de software, "bottom-up" refere-se a como as informações no estímulo são processadas pelo
sistema visual em cores, formas, padrões, etc. "top-down” refere-se ao conhecimento conceitual e à
experiência passada do indivíduo em particular. Os fatores “bottom-up” são identificados na forma
como a arte é apreciada incluem pintura abstrata versus figurativa, forma, complexidade, simetria e
equilíbrio de composição, lateralidade e movimento. As influências de “top-down” identificadas
como relacionadas à apreciação da arte incluem prototipicidade, novidade, informações adicionais,
como títulos, e especialização.

Arte Abstrata versus Arte Figurativa (ou Representativa)

Pinturas abstratas são únicas no abandono explícito das intenções representacionais. A arte
figurativa ou representacional é descrita como não ambígua ou que requer interpretação moderada.

O desagrado popular pela arte abstrata é uma conseqüência direta da ambigüidade semântica.
Pesquisadores examinaram o papel da teoria da gestão do terror (TMT) sobre o significado e a
experiência estética da arte abstrata versus arte figurativa. Essa teoria sugere que os seres humanos,
como todas as formas de vida, são biologicamente orientados para a sobrevivência continuada, mas
estão cientes de que suas vidas inevitavelmente acabarão. O TMT revela que a arte moderna é
muitas vezes antipatizada porque não tem um significado apreciável e, portanto, é incompatível
com o motivo subjacente da gestão do terror para manter uma concepção significativa da realidade.
A saliência da mortalidade, ou o conhecimento da aproximação da morte, foi manipulada em um
estudo destinado a examinar como as preferências estéticas por arte aparentemente significativa e
sem sentido são influenciadas por insinuações de mortalidade. A condição de saliência de
mortalidade consistiu em duas perguntas abertas sobre emoções e detalhes físicos referentes à
própria morte do participante. Os participantes foram então instruídos a ver duas pinturas abstratas
e avaliar o quão atraentes as encontram. Um teste “t” comparando a condição de saliência de
mortalidade e o controle descobriu que os participantes na condição de saliência de mortalidade
acharam a arte menos atraente.

Estudos mostram que, ao olhar para a arte abstrata, as pessoas preferem a complexidade do
trabalho até certo ponto. Ao medir "interessanteidade" e "satisfação", os espectadores classificaram
os trabalhos como mais altos para trabalhos abstratos que eram mais complexos. Com a exposição
adicional ao trabalho abstrato, os índices de audiência continuaram a subir, tanto com a
complexidade subjetiva (avaliada pelo usuário) quanto com a complexidade julgada (avaliado pelo
artista). Isso só era verdade até certo ponto. Quando as obras se tornaram muito complexas, as
pessoas começaram a gostar menos das obras.

Evidências neuroanatômicas de estudos que usaram imagens de ressonância magnética de


preferência estética mostram que as pinturas representacionais são preferidas às pinturas abstratas.
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Isso é exibido por meio da ativação significativa de regiões do cérebro relacionadas a
classificações de preferência. Para testar isso, os pesquisadores fizeram com que os participantes
visualizassem pinturas que variavam de acordo com o tipo (representacional versus abstrato) e
formato (original vs. alterado versus filtrado). Os resultados comportamentais demonstraram uma
preferência significativamente maior por pinturas representacionais. Existia uma correlação
positiva entre classificações de preferência e latência de resposta. Resultados de RMN (ressonância
magnética funcional) revelaram a diminuição e aumento da atividade em certas partes do cérebro
em razão da preferência por pinturas. As diferenças observadas foram um reflexo da ativação
relativamente aumentada associada à maior preferência por pinturas representacionais.

Estudos examinando a avaliação implícita e automática de obras de arte investigou como as


pessoas reagem às obras de arte abstrata e figurativa na fração de segundo antes que tivessem
tempo para pensar sobre isso. Na avaliação implícita, as pessoas reagiam mais positivamente à arte
figurativa, onde podiam pelo menos distinguir as formas. Em termos de avaliação explícita, quando
as pessoas tinham que pensar sobre a arte, não havia diferença real no julgamento entre arte
abstrata e representacional.

Personalidade

Traços individuais de personalidade também estão relacionados à experiência estética e preferência


de arte. Indivíduos cronicamente dispostos a um conhecimento claro, simples e inequívoco
expressam uma experiência estética particularmente negativa em relação à arte abstrata, devido ao
vazio de conteúdo significativo. Estudos forneceram evidências de que a escolha da arte por uma
pessoa pode ser uma medida útil da personalidade. Traços individuais de personalidade estão
relacionados à experiência estética e à preferência pela arte. Testando a personalidade após a
visualização de arte abstrata e representacional foi realizada no Inventário de Cinco Fatores NEO,
que mede os "cinco grandes" fatores da personalidade. Ao referenciar as dimensões “Big Five” da
personalidade, Thrill e Adventure Seeking estavam positivamente correlacionados com o gosto
pela arte representacional, enquanto a Desinibição estava associada a avaliações positivas da arte
abstrata. O neuroticismo estava positivamente correlacionado com avaliações positivas da arte
abstrata, enquanto a Consciência estava ligada ao gosto pela arte representacional. A abertura à
experiência estava ligada a avaliações positivas de arte abstrata e representacional.

Complexidade

A complexidade pode literalmente ser definida como sendo "constituída de um grande número de
partes que têm muitas interações". Essa definição foi aplicada a muitos assuntos, como arte,
música, dança e literatura. Na pesquisa estética, a complexidade foi dividida em três dimensões
que explicam a interação entre a quantidade de elementos, diferenças nos elementos e padrões em
seu arranjo. Além disso, essa característica na estética consiste em um amplo espectro, variando de
baixa complexidade a alta complexidade. Estudos-chave descobriram, através da resposta da pele
galvânica, que obras de arte mais complexas produzem maior excitação fisiológica e maiores
índices hedônicos, o que é consistente com outras descobertas que afirmam que o gosto estético
aumenta com a complexidade.

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Ou seja, quanto maior o número de detalhes, camadas, elementos, objetos, etc. presentes na obra,
maior seu nível de complexidade.

Aspectos da Arte

Arte Visual

As pessoas cada vez mais gostam de arte, pois vão de muito simples a mais complexas, até um
pico, quando as avaliações de prazer estão caindo novamente.

Um estudo recente também descobriu que tendemos a classificar as imagens do ambiente natural e
da paisagem como mais complexas, portanto, gostando mais delas do que imagens abstratas que
classificamos como menos complexas.

Música

A música mostra tendências semelhantes em complexidade vs. classificações de preferência, assim


como a arte visual. À medida que a seleção de músicas fica mais ou menos complexa, nossa
preferência por essa música diminui. As pessoas que têm mais experiência e treinamento em
música popular, no entanto, preferem músicas um pouco mais complexas. Especialistas em música
parecem gostar apenas do que gostam, sem ter uma fórmula para descrever seu comportamento. Já
que estilos diferentes de música têm efeitos diferentes na preferência por especialistas, estudos
adicionais precisariam ser feitos para tirar conclusões quanto à complexidade e classificação de
preferência para outros estilos.

Dança

Estudos psicológicos mostraram que os gostos hedônicos (prazer) das apresentações de dança
podem ser influenciados pela complexidade. Um experimento usou doze coreografias de dança que
consistem em três níveis de complexidade executados em quatro tempos diferentes. Complexidade
nas seqüências de dança foram criadas variando a seqüência de seis padrões de movimento (ou
seja, no sentido horário, círculo no sentido anti-horário e fase de aproximação). No geral, este
estudo mostrou que os observadores preferem coreografias com sequências de dança complexas e
ritmos mais rápidos.

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Aplicações da Psicologia da Arte
Descobertas da psicologia da arte podem ser aplicadas a vários outros campos de estudo. O
processo criativo da arte produz uma grande percepção sobre a mente. Pode-se obter informações
sobre ética do trabalho, motivação e inspiração do processo de trabalho de um artista. Esses
aspectos gerais podem se transferir para outras áreas da vida de alguém. A ética de trabalho na arte,
especialmente, pode ter um impacto significativo sobre a produtividade geral de alguém em outro
lugar. Existe um potencial em qualquer tipo de trabalho que incentiva a estrutura estética da mente.
Além disso, a arte desafia qualquer limite definido. O mesmo se aplica a qualquer trabalho que seja
esteticamente experiente.

A aplicação da psicologia da arte na educação pode melhorar a alfabetização visual, por exemplo.

Arte como Terapia

A arteterapia é uma técnica que pode ser considerada nas áreas da arte e da psicologia, tendo suas
próprias teorias que podem ser aplicadas por diversos profissionais na área da saúde, tais como
enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, em diferentes contextos. É um método baseado no
uso de várias formas de expressão artística com uma finalidade terapêutica. Cuja a mesma utiliza-
se de uma variedade de recursos que trazem elementos terapêuticos e desenvolvimento pessoal.

Os percursos artísticos como forma terapêutica surgiu por intermédio do médico psiquiatra
Johann Chistian Real, no século XIX, que utilizava desenhos para a abertura de uma cura
psiquiátrica. Outros estudos mostraram uma relação da arte e da Psiquiatria através de Carl Jung,
que acreditava na criatividade artística como parte da personalidade. (SIMÕES, 2011) Segundo
Coqueiro et al., (2010), a arteterapia recebeu influências da Psicanalise Freudiana, na qual Freud
definiu a arte e as imagens como meio de expressão do inconsciente. Freud também observou que
“o artista pode simbolizar concretamente o inconsciente em sua produção, retratando conteúdos do
psiquismo” (p.1). Jung (2008) relatou também que a expressões artísticas fazem parte do processo
terapêutico, sendo as imagens uma representação de um símbolo do inconsciente individual e
coletivo.

Um dos principais pioneiros que ajudaram a chegada da arte na psiquiatria no Brasil foi Nise da
Silveira, que interligou a arte com loucura, através de intervenções com psicóticos, dando grandes
contribuições para a psicopatologia, pois, bem como pontuava que a arte tocava a alma através de
formas de se expressar e comunicar. (SIMÕES, 2011) Nise da Silveira explicou em sua teoria que
algumas expressões de vivências não podiam ser verbalizadas, que estavam na inércia do
inconsciente e impossibilitava uma elaboração verbal. Sua proposta estabelecia ao terapeuta fazer
as conexões das imagens com o cotidiano do individuo como forma de liberação do inconsciente.
(REIS, 2014) A formação do profissional em Arteterapia no Brasil hoje, se constitui num processo
independente de especialização com diferentes tipos de campo e atuação com diversas formas de
abordagem que possibilitam a integração e estruturação na experiência do fazer e a reflexão do que
foi feito. (GONÇALVES, 2012) A ideia central escrita por Philippini (1995) para conceituar
arteterapia foi, primeiramente, raciocinar como uma técnica terapêutica derivada de uma categoria

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que utiliza instrumentos plásticos para a materialização de conteúdos, antes ocultos, de forma
subjetiva.

A técnica em arteterapia possui um processo imaginativo que gera a possibilidades de


criatividade e expressividade ao qual “restaura, resgata, recupera, redireciona e libera o fluxo de
energia psíquica”, que quando elaborado de forma adequada a cada individuo proporciona bem-
estar e renova as potencialidades do processo criativo (PHILIPPINI, 2011, p.23). Coutinho (2013)
explica que a arteterapia é um campo amplo que utiliza da experiência criativa para a
transformação e mudança do homem, ressaltando a importância de conduzir o trabalho com base
teórica. Essa base dará ao profissional instrumentos que possibilitem uma maior compreensão do
funcionamento psíquico. A arte como terapia proporciona ao individuo a fortificação de aspectos
saudáveis, oferecendo maior sensibilidade, produzindo transformação pessoal de conhecimento,
fazendo com que o sujeito reflita sobre situações de conflito. Estimular o indivíduo a expressar
seus sentimentos e emoções de uma forma artística é um dos princípios, pois utiliza-se de pintura,
escultura, desenho ou até mesmo a musica. “Muitas vezes se consegue exprimir medos e
necessidades que estão tão profundamente ocultos, que a pessoa normalmente nem tem consciência
deles” (PHILIPPINI, 2011, p.16).

A arteterapia vem ampliando suas técnicas em diversas áreas de atuação com profissionais da
saúde, utilizando-a como instrumento na prevenção e promoção da saúde. Visando a formação do
psicólogo e o seu contexto, seja na área educacional, clínico, comunitário e ou organizacional,
abrangendo sua aplicação em avaliações, tratamentos, prevenções e reabilitações, ligado
principalmente em questões de saúde mental, não estando ligada apenas a consultórios. (REIS,
2014) Para Ferretti (2005), a criatividade é capaz de transmitir sensações e sentimentos que se
manifestam sutilmente através de danças, gestos e até mesmo uma cor, trazendo prazer e até
algumas vezes estranheza. Fazendo com que o sujeito brinque com as cores e materiais, desse
modo ele entra em contato com o seu modo de ser, lhe proporcionando um potencial criativo.
Urrutigaray (2011) investiga o potencial criativo a partir de uma perspectiva da imaginação, que
desperta o individuo a ver o mundo em sua totalidade. Desse modo, o sujeito transforma sua
realidade e a si mesmo, ampliando sua percepção e organização do pensamento, o que,
necessariamente, correlaciona com processos cognitivos. Quando se trata de criações, Winnicott
(1975) escreveu que crianças e adultos são seres criativos, e utilizam de suas produções para
moldar sua personalidade construindo seu self. Nas experiências na clínica o individuo produz
artes para sua comunicação com o outro. Pois, bem como pontua “os indivíduos vivem
criativamente e sentem que a vida merece ser vivida ou, então, que não podem viver criativamente
e têm dúvidas sobre o valor do viver.” (p. 102) Ou seja, a criatividade é apresentada como um
fundamento do homem para uma forma de sentir, expressar e viver. Malavolta (2014) percebe a
relação da arte com a psicologia acreditando na possibilidade de fazer e criar novas formas de ser e
ver no/o mundo. Para isso se faz necessário um lugar para se pensar na arte como um ponto de
partida na materialização de símbolos. Neste espaço a sustentação possibilita novas maneiras de
ser.

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Críticas em Relação à Psicologia da Arte
A psicologia da arte pode ser um campo criticado por inúmeras razões. A arte não é considerada
uma ciência, portanto a pesquisa pode ser examinada por sua precisão e relatividade. Há também
uma grande quantidade de críticas sobre a pesquisa de arte como psicologia, porque ela pode ser
considerada mais subjetiva do que objetiva. Ela incorpora as emoções do artista de maneira
observável, e o público interpreta a arte de várias maneiras. Os objetivos de um artista diferem
drasticamente dos objetivos de um cientista. O cientista significa propor um resultado a um
problema, enquanto um artista significa dar múltiplas interpretações de um objeto. As inspirações
de um artista são alimentadas através de suas experiências, percepções e perspectivas dos
movimentos de arte do mundo, como o expressionismo são conhecidos pela liberação do artista de
emoções, tensão, pressão e forças espirituais internas que são transcritas para condições externas.
A arte vem de dentro de si mesmo e é expressa no mundo externo para o entretenimento dos
outros. Todos podem apreciar uma obra de arte porque ela fala com cada indivíduo de maneiras
únicas - aí reside a crítica da subjetividade.

Além disso, a experiência estética da arte é fortemente criticada porque não pode ser determinada
cientificamente. É completamente subjetivo e depende do viés de um indivíduo.

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Considerações Finais

A partir do conteúdo apresentado, pode-se assim, conceituar fatores de relevância à Psicologia da


Arte, sendo colocados aspectos cognitivos, experimentais, e até mesmo sociais de tal tema. É
interessante pontuar também que os conceitos assim como a arte continuam a se reformular a cada
dia, se reinventam a cada dia devido às mudanças na conjuntura do mundo em que se vive na
contemporaneidade, podendo assim ocorrer mudanças nos pontos apresentados assim também
como novas perspectivas acerca dos mesmos. Portanto, sinaliza-se aqui também um tensionamento
de extrema importância que é o de valorizar e olhar a arte por todos os âmbitos, sendo os mesmos
subjetivos ou não. A Psicologia da Arte, encontra por fim, terreno fertil para o desenvolvimento de
novas ideias e conceitos, conceitos tais que talvez serão importantes para o futuro.

Portanto, finalize-se este trabalho declarando enriquecimento de conhecimento e uma visão nova e
mais complete a respeito do campo tão rico e poderoso que são as artes, terreno onde as emoções e
ideias mais intangíveis, são materializadas pelo desejo do homem pensante.

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Referencial Teórico

Vigotski, L. S. (1999) Psicologia da Arte. São Paulo: Martins Fontes

Barroco, S. M. S. & Superti, T. (2014). Vigotski e o estudo da psicologia da arte:


contribuições para o desenvolvimento humano. Psicologia & Sociedade, 26(1), 22-31.

Fischer, E. (1976). A necessidade da arte. Rio de Janeiro: Zahar Editores.

David Cycleback, Art Perception. Hamerweit Books, 2014

<https://www.psicologiamsn.com/2012/02/processo-criativo-e-expressao-artistica.html> acesso
em 27 de Junho de 2019
<https://conceitos.com/psicologia-arte/> acesso em 30 de Junho de 2019
< https://psibr.com.br/leituras/psicologia-clinica/arteterapia-a-arte-como-instrumento-no-trabalho-
do-psicologo> acesso em 01 de Julho de 2019

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