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Marta Leal

A Biosfera constitui um sistema global que inclui toda a vida na Terra, o ambiente onde essa
vida se desenrola e as relações que se estabelecem entre todos os seus elementos.

A unidade básica da vida é a célula.

Nos seres pluricelulares, as células idênticas e com funções semelhantes formam tecidos. Os
tecidos, por sua vez, associam-se formando os órgãos, que realizam uma ou várias funções no
organismo. Diferentes órgãos associam-se e realizam em conjunto determinadas funções no
organismo, constituindo um sistema de órgãos. Diferentes sistemas de órgãos cooperam entre
si, formando um organismo. Organismos semelhantes que se reproduzem entre si, originando
descendentes férteis, constituem uma espécie. Os indivíduos de uma espécie que habitam na
mesma área, no mesmo momento, formam uma população. A interação entre diferentes
populações constitui uma comunidade (comunidade biótica ou biocenose). A comunidade e o
meio físico-químico que ocupa, bem como as relações que entre eles se estabelecem, formam
um ecossistema.

Diferenças entre os ecossistemas (Biomas) Semelhanças entre os ecossistemas


• Meio físico-químico (processos obrigatórios)
• Dimensões e limites • Fluxo de energia
• Quantidade e diversidade de • Circulação de matéria
espécies • Evolução no tempo
• Intervenção do homem

Nota: A vida terá parecido cerca de 4000 milhões de anos atrás

Ecossistema formado é por:

Componentes abióticos (biótopo) Componentes bióticos


• água • seres vivos (estabelecem relações
• luz inter e intraespecíficas)
• temperatura
• solo
• PH
• Salinidade
• …

Ecossistemas extremos- Ambientes adversos aos microrganismos, mas essenciais ao equilíbrio


do planeta.

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Tipos de diversidades
• Diversidade de espécies-variedade de espécies que existem no planeta
• Diversidade genética- variedade de informação genética existente nos indivíduos de
uma espécie
• Diversidade ecológica- variedade de espécies

Pirâmides ecológicas
Pirâmides de números-representam o número de indivíduos em cada nível trófico por unidade
de volume em determinado momento.

Pirâmide de biomassa- representa a massa total dos organismos de cada um dos níveis tróficos
por unidade de área ou volume em determinado momento.

Pirâmides de energia- representa quantidade energia armazenada dos seres vivos de cada um
dos níveis tróficos por unidade de área ou volume em determinado momento.

Os seres vivos de um ecossistema estabelecem relações tróficas (alimentares) que envolvem


transferências de matéria e energia. Estas relações tróficas constituem as cadeias alimentares.
Assim, uma cadeia alimentar é uma sequência seres vivos que se relacionam a nível alimentar.
As cadeias alimentares inter-relacionam-se, originando as teias alimentares ou redes tróficas.

Nas redes tróficas, pode considerar-se a existência de três categorias de seres vivos de acordo
com as estratégias na obtenção do alimento: produtores, consumidores e decompositores.

Produtores-seres vivos capazes de elaborar matéria orgânica a partir de matéria inorgânica,


utilizando, para isso, uma fonte de energia externa -seres autotróficos

Consumidores-seres vivos incapazes de produzir compostos orgânicos a partir de compostos


inorgânicos- seres heterotróficos - e, por isso, alimentam-se direta ou indiretamente da
matéria elaborada pelos seres e produtores.

Decompositores-seres vivos que obtêm a matéria orgânica a partir de outros seres vivos,
decompondo cadáveres e excrementos. Desta forma, transformam a matéria orgânica em
matéria inorgânica assegurando a devolução dos minerais (inicialmente incorporados pelos
produtores) ao meio.

Nota: a matéria não se dissipa, mas a energia sim.

Na tentativa de facilitar a compreensão da evolução da vida


na Terra e da atual diversidade de seres vivos, os biólogos
utilizam sistemas de classificação, agrupando os organismos
de acordo com as suas relações filo genéticas. Um dos
sistemas de classificação mais utilizados foi proposto por
Whittaker (1979).

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Critério de classificação
Marta LealTipo de células
Reinos Organização Nutrição Interação nos Exemplos
celular ecossistemas
Monera Procarióticas Unicelulares Autotróficos Produtores Bactérias do
(fotossíntese e Microconsumidores iogurte
quimiossíntese)
Heterotróficos
(absorção)
Protista Eucarióticas Unicelulares Autotróficos Produtores Amibas
alguns (fotossíntese) Microconsumidores
coloniais e Heterotróficos Macroconsumidores
outros (absorção e
pluricelulares ingestão)
Fungi Eucarióticas Pluricelulares Heterotróficos Microconsumidores Penicilium
alguns (absorção)
unicelulares
Plantae Eucarióticas Pluricelulares Autotróficos Produtores Musgos
(fotossíntese)
Animalia Eucarióticas Pluricelulares Heterotróficos Macroconsumidores Medusas
(ingestão)

Extinção- eliminação de uma espécie, que ocorre quando o último indivíduo que a representa
morre.

• Extinção de fundo
• Extinção em massa

• Extinção antropogénica

Causas de Extinção
Naturais Não naturais
• Alterações climáticas • Destruição dos habitats
• Atividade vulcânica • Poluição
• Meteoritos, asteroides e cometas • Introdução de espécies exóticas
• Sobre-exploração das espécies
• Doenças transmitidas por animais
domésticas

A célula é a menor unidade dos seres vivos com formas e funções definidas. Todos os seres
vivos são compostos por células e é por essa razão, que se diz que a célula é a unidade básica
da vida. A célula tem todo o material necessário para realizar processos vitais, como nutrição,
liberação de energia e reprodução.

Os organismos unicelulares são compostos por uma única célula, capaz de realizar todas as
funções vitais, enquanto que os organismos multicelulares são constituídos por várias células,
organizadas em tecidos diferenciados e especializados em diversas funções.

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As células mais simples são designadas Células Procarióticas (por exemplo: bactérias e
cianobactérias). Já, as células com uma estrutura mais complexa denominam-se por Células
Eucarióticas.

Nota: a célula é a unidade reprodutora, pois todas as células provêm de células pré-existentes
e todos os seres vivos têm origem numa célula (pode sair no teste)

• A célula é a unidade básica estrutural e funcional de todos os seres vivos;


• Todas as células provêm de células pré-existentes;
• A célula é a unidade de reprodução, de desenvolvimento e de hereditariedade dos
seres vivos.

Formas Acelulares- não apresentam estrutura celular. Exs: viróides, vírus e priões

São organismos de tamanho relativamente pequeno e com composição e funcionamento bem


simplificado, o que faz destes seres os primeiros organismos vivos do Planeta Terra.

Nota: os seres procariontes vivem, geralmente, em colónias.

Estruturas

As células procarióticas são formadas por:

• Parede celular
• Membrana celular/citoplasmática
• Ribossomas
• Cápsula
• Citoplasma
• Nucleoide
• Flagelo
• Cílio

Principais Características
As bactérias possuem uma parede celular e sua característica mais particular é a falta de
invólucro nuclear para subdividir o núcleo celular.

Dizemos que elas não possuem um núcleo verdadeiro, pois este é formado por algumas
membranas que constituem o “nucleoide”, ou seja, um núcleo não separado.

O DNA das células procarióticas encontra-se disperso no citoplasma na forma de ribossomas,


que realizam a síntese proteica.

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As células eucarióticas são tipos celulares mais complexos que as células procariontes.

Classificação
Os seres eucariontes compõem a maior parte dos organismos vivos da Terra, à exceção das
bactérias, cianobactérias e micoplasmas (células procariontes).

Além disso, podemos diferenciar os seres eucariontes pelas diferenças estruturais existentes
entre as células animais e as vegetais, a saber:

• Na célula vegetal, as paredes celulares são mais duras e os vacúolos normalmente são
maiores que os vacúolos da célula animal.
• Enquanto que na célula animal (devido à ausência de cloroplastos) existem muitos
vacúolos pequenos. Por outro lado, as células vegetais apresentam cloroplastos,
plastídios, mitocôndrias e plasmodesmos e célula animal apresenta centríolos e
lisossomas.

Principais Características
Todas as células possuem membrana plasmática e citoplasma. A presença de um núcleo bem
definido é o que diferencia estes seres. Por este motivo, as células eucariontes são
consideradas “células com núcleo verdadeiro”. Possuem uma parede para delimitar e proteger
o material genético presente no núcleo celular.

Esta membrana nuclear individualizada e delimitada permite a existência de um núcleo


definido. Essa é a principal característica dos seres eucariontes, pois a membrana mantém os
cromossomas separados dos outros organelos celulares no núcleo.

Nota: como organismos pluricelulares, as células eucariontes originam tecidos e órgãos


característicos e com funcionalidades complementares.

As células animais são células eucarióticas que são encontradas nos animais (reino animália).
Lembre-se que todo ser vivo (animal ou vegetal) é constituído de células. Enquanto que, as
células animais formam os tecidos e órgãos dos animais, as células vegetais formam os tecidos
das plantas (reino plantae).

Estrutura, Partes
As células animais apresentam uma estrutura organizada. Elas possuem três partes básicas: a
membrana plasmática, o citoplasma e o núcleo.

A célula animal é envolvida pela membrana plasmática que delimita o seu conteúdo e controla
a entrada e saída de substâncias. No citoplasma encontramos diversos organelos, como os
ribossomas, lisossomas, centríolos, mitocôndrias, etc.

O núcleo celular contém o material genético, na forma de cromossomas. Como a célula animal
é eucarionte, o núcleo é delimitado por membrana.

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As células animais têm a função de originar tecidos e órgãos que apresentam funcionalidades
complementares. Cada organelo presente na célula desempenha uma função específica.

As células eucarióticas animais são constituídas por:

• Núcleo
• Nucléolo
• Membrana citoplasmática
• Citoplasma
• Ribossomas
• Reticulo endoplasmático
• Complexo de Golgi
• Lisossomas
• Mitocôndrias
• Centríolos
• Peroxissoma
• Vacúolo

As células vegetais formam os tecidos das plantas. São semelhantes às células animais, uma
vez que possuem muitos organelos em comum, mas diferem delas por possuírem parede
celular, cloroplastos e vacúolos, adequadas ao modo de vida das plantas. A célula vegetal
possui alguns organelos específicas como os cloroplastos, que lhe permite realizar a
fotossíntese.

Estruturas
As células eucarióticas vegetais são formados por:

• Parede celular
• Membrana citoplasmática
• Núcleo
• Nucléolo
• Citoplasma
• Ribossomas
• Reticulo endoplasmático
• Complexo de Golgi
• Mitocôndrias
• Cloroplastos
• Vacúolo
• Peroxissoma
• Plasmodesmos

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A célula animal e vegetal são células


eucarióticas, ou seja, pertencem ao tipo de
células mais complexo e que constituem a
maior parte dos seres vivos.

Apesar de terem várias estruturas em


comum, as células animais e vegetais
apresentam diferenças quanto à estrutura,
formato e componentes celulares.

Principais Diferenças

• Estrutura e Forma
As células animais e vegetais apresentam formato diferenciado. A célula animal possui formato
irregular, enquanto a célula vegetal apresenta uma forma fixa.

As células animais podem apresentam cílios e flagelos, o que não ocorre na célula vegetal.

Podemos observar um vacúolo de grande dimensão na célula vegetal, que ocupa grande parte
do seu citoplasma. Isso deve-se a função da célula de armazenar seiva e realizar o controlo da
entrada e saída de água. Enquanto que, na célula eucariótica animal o vacúolo é de menor
dimensão.

Além disso, a célula vegetal possui uma parede celular rija e cloroplastos (responsáveis pela
fotossíntese), as células animais não apresentam essas estruturas.

• Parede Celular
A parede celular é uma estrutura exclusiva das células vegetais. Ela corresponde a um
envoltório externo à membrana plasmática.

A função da parede celular é oferecer sustentação, resistência e proteção à célula. Além disso,
ela realiza a troca de substâncias entre células vizinhas e controla a entrada de água na célula.

As células animais não apresentam parede celular.

• Organelos
Os organelos celulares são estruturas que realizam as funções essenciais para o
funcionamento das células. As células animais e vegetais apresentam alguns organelos
específicas, conforme a atividade que realizam.

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1. Núcleo
Núcleo, o cérebro da célula. É ele que possui todas as
informações genéticas e comanda toda a célula. Dentro
dele, esta localizado um ácido chamado DNA (ácido
desoxirribonucleico). Este, formado por uma dupla hélice
de nucleótidos. O DNA é responsável por toda e
qualquer característica do ser vivo. É ele que manda
fazer as proteínas, determina a forma da célula, etc.

O núcleo é composto por uma carioteca, cromatina e


nucléolo.

• A carioteca é um tipo de membrana plasmática composta por duas membranas


lipoprotéicas. Essa membrana possui vários poros na sua superfície e a membrana
externa tem continuidade com o retículo endoplasmático.
• A cromatina é um conjunto de fios formados molécula de DNA associada a moléculas
de histonas chamados de cromossomas. É onde parte das informações estão
guardadas. Esta pode estar condensada sendo chamada de heterocromatina, ou pode
estar dispersa designando-se por eucromatina.
• Por último, o nucléolo e um corpo redondo e denso constituído por proteínas, RNA e
um pouco de DNA. É dentro do núcleo que se forma os ribossomas, presentes em toda
a célula.

2. Citoesqueleto
Citoesqueleto é uma complexa rede de finos tubos interligados. Estes
tubos, que são formados por uma proteína chamada tubulina e
miofilamentos de actina. Suas funções são suporte mecânico, organizar
internamente, dar forma e realizar movimentos da célula.

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3. Membrana Citoplasmática
Também denominada membrana plasmática e
membrana citoplasmática é invisível ao MOC e delimita
o meio extracelular (exterior) do meio intracelular
(interior). Permite a realização de trocas seletivas entre
os meios intra e extracelular. Assim, ela tem a função de
proteger as estruturas celulares internas.

4. Citoplasma
É limitado pela membrana plasmática e têm o aspeto de uma massa semifundida também
denominada de hialoplasma, onde estão dispersos os organelos. Constitui o meio fundamental
das células, onde ocorrem, total ou parcialmente, importantes vias metabólicas.

5. Ribossomas
Estrutura responsável pela produção e síntese de proteínas.

• Função
A função dos ribossomas é auxiliar na produção e na síntese
das proteínas nas células. Além dele, participam desse
processo as moléculas de DNA e RNA. Os ribossomas reúnem
diversos aminoácidos durante a síntese proteica através de
uma ligação química chamada de ligação peptídica.

Eles estão presentes em grande parte no citoplasma


(ribossomas livres). No entanto, podem ser encontrados nas
mitocôndrias, nos cloroplastos e no retículo endoplasmático.

6. Retículo Endoplasmático (Liso ou Rugoso)


Sistema de sáculos, vesiculas e canalículos, envolvidos
na síntese de proteínas líquidos e hormonas.
Intervém ainda no transporte de outras substâncias.

O retículo endoplasmático é um organelo que está


relacionada com a síntese de moléculas orgânicas.
Existem 2 tipos de retículo: o liso e o rugoso, que tem
formas e funções diferentes.

O rugoso é associado aos ribossomas e à síntese de


proteínas, enquanto o liso produz os lipídios. Os
retículos são estruturas membranosas compostas de
sacos achatados e localizados no citosol da célula.

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7. Complexo de Golgi
Conjunto de sáculos e de vesiculas que constituem uma estrutura
individualizada no interior do citoplasma. Os sáculos são
estruturas membranosas e achatadas, que constituem os seus
elementos mais característicos, está envolvido em fenómenos de
secreção e está relacionado com o reticulo endoplasmático.

As suas funções são modificar, armazenar e exportar proteínas


sintetizadas no retículo endoplasmático rugoso e além disso,
origina os lisossomas e os acrossomas dos espermatozoides.

→ Secreção de enzimas digestivas


→ Formação do Acrossoma masculino
→ Formação da lamela média em células vegetais

8. Lisossomas
Estruturas responsáveis pela digestão celular.

Os lisossomas são estruturas esféricas delimitadas pela membrana


formada por uma camada lipoproteica. Esses organelos contêm muitas
enzimas que lhes permite degradar um grande número de substâncias.

9. Mitocôndrias
A sua função é produzir a maior parte da energia das células, através do processo chamado de
respiração celular.

As mitocôndrias são formadas por duas membranas


lipoproteicas, sendo uma externa e outra interna:

• Membrana externa: semelhante à de outros


organelos, lisa e composta de lipídeos e
proteínas chamadas deporinas, que controlam a
entrada de moléculas, permitindo a passagem
de algumas relativamente grandes.
• Membrana interna: é menos permeável e
apresenta numerosas dobras, chamadas de
cristas mitocondriais, possui também
invaginações.

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10. Centríolos
Estrutura celular que auxilia na divisão celular (mitose e meiose).

Eles são constituídos de proteínas e estão localizados perto do


núcleo, local denominado centrossomo ou centro celular.

11. Peroxissoma
Estrutura arredondada responsável pelo armazenamento de
enzimas. Os peroxissomas exercem funções importantes no
interior das células, uma vez que apresentam enzimas digestivas
responsáveis por oxidar substâncias orgânicas.

12. Vacúolos
Responsáveis pela reserva energética e o armazenamento de
substâncias. Os vacúolos são estruturas celulares envolvidas
por membrana plasmática, muito comuns em plantas e
presentes também em protozoários e animais. Tem diferentes
funções como: regular pH, controlar a entrada e saída de água
por osmorregulação, armazenar substâncias, fazer a digestão e
excretar os resíduos.

13. Cloroplastos
São organelos que possuem uma membrana dupla, sendo responsáveis pela realização da
fotossíntese. Convertem a energia luminosa em energia química.

É importante destacar que os plastos apresentam três tipos:

• Leucoplastos: sem pigmento e armazenam amido como forma de reserva energética.


• Cromoplastos: responsáveis pela cor de frutos, flores e folhas.
• Cloroplastos: de coloração verde por conta da clorofila, são responsáveis pela
fotossíntese.

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14. Parede Celular


A parede celular é a parede rígida que envolve as células vegetais e bactérias, constituídas
principalmente por fibras de celulose. Confere proteção e suporte.

Existem poros nas paredes celulósicas, através dos quais passam pontes de citoplasma muito
finas, chamadas plasmodesmos. Por meio dos plasmodesmos há comunicação entre o
citoplasma das células vizinhas.

15. Cápsula
Estrutura mais externa, presente me algumas células
procarióticas, que confere maior proteção à célula.

16. Nucleoide
Região do citoplasma onde se encontra condensado o material
genético (DNA) que coordena toda a atividade celular.

Moléculas inorgânicas- compostos não sintetizados pelos seres vivos mas são muito
importantes para eles.

• Água
• 𝑂2 𝑒 𝐶𝑂2
• Sais minerais
• Sais Minerais

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Função essencialmente estrutural e reguladora

• Macro minerais- necessários em grandes quantidades ao organismo;


• Microminerais- necessários em pequenas quantidades ao organismo.

Moléculas orgânicas- Compostos sintetizados pelos seres vivos e que participam na


estrutura e funcionamento da matéria viva.

• Glícidos
• Prótidos
• Lípidos
• Ácidos Nucleicos
• Vitaminas

Biomoléculas
Tipo Monómeros Moléculas Macromoléculas Ligações Funções
(micromoléculas) intermédias (polímeros)
Prótidos Aminoácidos .Oligopéptidos Protéinas petídicas .Enzimática (pepsina)
(composto ( 2 a 20 .Estrutural (queratina)
quaternário aminoácidos) .Reguladora (Insulina)
COHN) .Polipéptidos (+ de .De transporte
(grupo 20 aminoácidos ) (hemoglobina)
amina+grupo .De defesa (anticorpos)
carboxilo+radical) .Contráctil (miosina)
Glícidos Monossacarídeos ou .Oligossacarídeos .Polissacarídeos (+ de Glicosídicas .Energítica ( amido,
(composto oses ( 2 a 10 ) 10 ) glicogénio e laminarina)
ternário .pentose- ribose e -maltose .celulose .Estrutural ( ácidos
COH) desoxiribose (glicose+glicose) .amido murâmico, quitina e
.hexose- glicose, -sacarose .glicogénio celulose)
pentose e galactose (frutose+glicose)
-lactose
(galactose+glicose)

Lípidos .Ácidos gordos .triglicerídeos Éster .Energítica


(composto .Glicerol .diglicerídeos (triglicerídeo)
quaternário (.fosfero) .monoglicerídeos .Estrutural
C O H+ S ou N ou .fosfolípidos (fosfolípidos, licitina e
P) (diglicerídeo+fósforo) ceramidas)
.Reguladora/Hormonal
(testosterona e
progesterona)
.De Reserva
.Protetora
.Vitamínica

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Ácidos Nucleicos Nucleótido- Polinucle-


Base otídicas
azotada+pentose+ácido
fosfórico

.base azotada
DNA – adenina,
citosina, guinina e
timina
RNA- adenina, citosina,
guinina e timina

Macromoléculas- são polímeros, isto é, são moléculas formadas por um conjunto, maior ou
menor, de unidades básicas- monómeros, unidos por ligações químicas.

Reações:
• Reação de condensação / síntese / polimerização - os monómeros ligam-se e formam
cadeias cada vez maiores, originando polímeros por cada ligação de dois monómeros,
liberta-se uma molécula de água.
• Reação de hidrólise / despolimerização - ocorre a rutura de ligações existentes num
polímero, separando-se os monómeros que os constituiem. É necessário a adição de
água. Libertando-se energia e água.

Ligações:
• Peptídicas - grupo carboxilo de um amino ácido um grupo amina de outro aminoácido;
• Glicosídicas- sempre entre os grupos carboxilos das oses;
• Éster- entre o grupo hidroxilo de um glicerol e os átomos de carbono do grupo
carboxilo do ácido gordo.
• Polinucleotídicas- citosina 3—guanina

- adenina 2—timina

Tipos de protéinas :
• Holoproteínas ou proteínas simples
• Heteroproteínas- contêm uma função não proteíca denominada grupo prostético. Exs:
glicoproteínas, lipoproteínas e fosfoproteínas.

Desnaturação- quando a proteína perde a sua estrutura tridimensional.

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Estrutura das protéinas


• Estrutura primária-A estrutura primária corresponde a
uma sequência linear de aminoácidos unidos por ligaçoes
peptídicas ;
• Estrutura secundária- A estrutura secundária corresponde
à interacção entre diversas zonas da molécula. A
estrutura secundáría pode ser em hélice ou pregueada. A
estrutura em folha pregueada verifica-se quando várias
cadeias polipeptídicas se dispõem paralelamente e se
ligam entre si através de pontes de hidrogénio;
• Estrutura terciária- Na estrutura terciária, a cadeia em
hélice pode enrolar se e dobrar-se sobre si mesma,
tornando-se globular;
• Estrutura quaternária -A estrutura quaternária verificasse
quando várias cadeias polipeptídicas globulares se
organizam, estabelecendo interligações entre elas.

Tipos de lípidos:
• De reserva • Saturados ( C – C )
• Estruturais • Insaturados ( C 2- C ) ( C 3-C )
• De função reguladora

Nota: Os lípidos são insolúveis em água mas são solúveis em solventes orgânicos (como o
clorofórmio, o éter e o benzeno).

Bazes azotadas
• Bases púricas (possuem dois anéis)- Guanina e Adenina
• Bases pirimídicas (possuem anel simples)- Citosina, Timina e Uracilo

Universalidade e Variabilidade do DNA


• Existem apenas quatro nucleótidos diferentes no DNA, ou
seja, todos os seres vivos são constituídos pelos mesmos
quatro elementos. -- Universalidade
• No entanto, existe uma infinidade de sequências possíveis,
mesmo só existindo quatro nucleótidos, o que explica a
diferença entre todos os indivíduos. -- Variabilidade

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RNA
O RNA interfere na síntese de proteínas requeridas pelo DNA.

Fluxo de Informação Genética – Biossíntese de Proteínas

O RNA mensageiro (RNAm) - é o responsável por levar a


informação do DNA do núcleo até o citoplasma, onde a proteína será
produzida. Como o RNA é uma cópia fiel de uma das fitas de DNA, é
a partir dessa informação que o RNA mensageiro irá determinar
quais são os aminoácidos necessários para a formação da
determinada proteína.

O RNA transferidor (RNAt) - também é produzido a partir de uma


fita do DNA. Esse RNA é assim chamado, pois é o responsável por
transportar os aminoácidos que serão utilizados na formação das
proteínas até aos ribossomas, onde haverá de facto a síntese das
proteínas.

O RNA ribossomal (RNAr) - chamado por alguns de RNA ribossomal, faz parte da
constituição dos ribossomas. É nos ribossomas que a sequência de bases do RNA mensageiro
é interpretada e a proteína é sintetizada.

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Citosol- Líquido viscoso e semitransparente que preenche o citoplasma; Solução aquosa


composta por 80% de água e por milhares de tipod prótidos, glíciod, lípidos, aminoácidos,
bases nitrogenadas, vitaminas e iões; Possui também substâncias de reserva, constituídas
geralmente por polissacarídeos ou por lípidos; Sangue e outros líquidos corporais dos seres
multicelulares também são soluções aquosas.

A membrana celular existe em todas as células e constitui um invólucro contínuo e flexível que
rodeia toda a célula, separando-a do meio envolvente, impedindo a perda de conteúdo celular
e, ao mesmo tempo, permitindo a troca de substâncias.

O modelo que hoje é o mais aceite é resultado de uma grande evolução, que é a seguinte:

1º Overton ao observar que as células absorviam substâncias lipossolúveis


com facilidade ele propôs que a membrana plasmática era constituída de
lipídios.

(2º) - em 1905, Irving Langmuir conseguiu isolar os lipídios da membrana


e propôs que estes se encontravam em uma única camada com a
extremidade hidrofílica virada para a água e a hidrofóbica, dos lipídios,
encontrava-se afastada da água, voltada para o ar. (Os lipídeos estariam
dispostos em uma espécie de tina, uma monocamada lipídica denominada como: Tina de
Langmuir.)

3º-Em 1925, por Evert Gorter e F. Grendel. Os dois cientistas sugeriram


que a membrana plasmática seria constituída por duas camadas de
fosfolipídios cujas caudas hidrofóbicas estariam direcionadas para o
interior da membrana e as caudas hidrofílicasestariam apontadas para o
exterior, estabelecendo contato com o meio intra e extra celular.

4º-Em 1935, Hugh Davson e James Frederic Danielli baseados em estudos de


permeabilidade e de tensão superficial da membrana propuseram uma
estrutura um pouco mais complexa. A bicamada fosfolipídica seria coberta,
externa e internamente, por uma camada proteica unida às extremidades
polares hidrófilas dos fosfolipídios

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5º-Mais tarde, em 1956, Stein, W. D. e James Frederic Danielli


propuseram a existência de poros proteicos que formariam
passagens hidrofílicas através das quais as substâncias polares
poderiam permear amembrana. As substâncias não polares, por
sua vez, atravessariam a membrana diretamente através da
bicamada fosfolipídica.

6º- Modelo do mosaico fluido ( aceite atualmente)

O modelo de estrutura da membrana, proposto por


Singer e Nicholson, é o actualmente mais aceite. O
modelo de mosaico fluido é unitário pois aplica-se a
todas as membranas existentes nas células. De
acordo com ele, a membrana é constituída por:

• Bicamada fosfolipídica, com as extremidades


hidrofílicas das moléculas a formarem a face
interna e externa e as hidrofóbicas a
ocuparem o interior;
• Proteínas que, de acordo a sua posição na bicamada, são designadas por proteínas
intrínsecas, inseridas na dupla camada, e proteínas extrínsecas, situadas na superfície
interna e externa;
• Colesterol, situado entre as moléculas de fosfolípidos da bicamada; tem um papel
estabilizador da membrana, pois evita que os fosfolípidos se agreguem, mantendo
a sua fluidez;
• Glicolípidos e glicoproteínas, localizados na superfície externa da bicamada.
Estas moléculas desempenham um papel importante no reconhecimento de certas
substâncias pela célula. O conjunto dos glicolípidos e glicoproteínas é designado de glicocálix.

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O modelo de mosaico fluido é assim chamado


devido ao facto de admitir que a membrana
não é uma estrutura rígida, existindo movimentos
das moléculas que a constituem,
dotando-a, assim, de grande fluidez. Verifica-se que
as moléculas fosfolípidicas têm grande
mobilidade lateral, trocando de posição com outras
que se encontrem na mesma camada.
Ocasionalmente, podem ocorrer movimentos transversais de fosfolípidos de uma
camada para a outra.

• Osmose

O movimento de água através da membrana citoplasmática designa-se osmose.


A osmose é o movimento de moléculas de água de um meio menos concentrado (meio
hipotónico e com menor pressão osmótica) para um meio mais concentrado (meio
hipertónico e com maior pressão osmótica). Quando os meios possuem igual
concentração (isotónicos), estabelece-se uma situação de equilíbrio em que o fluxo de
água que entre nas células é igual ao fluxo de saída.
Na sequência dos movimentos osmóticos, a célula pode:
• Perder água, diminuindo assim o seu volume celular. Nessa situação, a célula dizse
plasmolisada ou no estado de plasmólise.
• Ganhar água, aumentando assim o seu volume celular e aumentando a pressão
sobre a membrana/parede celular (pressão de turgescência). Neste caso, a célula
diz-se túrgida ou no estado de turgescência.
No caso das células animais, a turgescência pode conduzir, em situação-limite, à ruptura
da membrana celular (lise celular). Isto não acontece nas células vegetais pois possuem
uma parede celular rígida.
Este processo não gasta energia. Diz-se, por isso, que é um transporte passivo.

19
Marta Leal

• Difusão Simples

O movimento de outras substâncias através da membrana celular


designa-se difusão simples. Neste processo de transporte, as moléculas
de um soluto (C , ureia, etc.) deslocam-se do meio de maior
concentração para o meio de menor concentração (a favor do gradiente
de concentração). A velocidade de movimentação de soluto é
directamente proporcional à diferença de concentração entre os dois
meios. Neste processo não há gasto de energia – transporte passivo.

• Difusão Facilitada

A difusão facilitada deve-se à existência de proteínas transportadoras na


membrana, que promovem a passagem de moléculas. As proteínas são
específicas para cada tipo de substância e denominam-se permeases. Neste
processo de movimentação de solutos, as moléculas deslocam-se do meio
de maior concentração para o meio de menor concentração (a favor do
gradiente de concentração) com intervenção das permeases.
Não há gasto de energia-transporte passivo

A velocidade de transporte da substância:


• Aumenta com a concentração de soluto;
• Mantém-se quando todos os locais de ligação das permeases estão ocupados
(saturação), mesmo que a concentração aumente – velocidade máxima.

20
Marta Leal

• Transporte Ativo

Apesar dos processos de transporte passivo de substâncias através da


membrana celular, a célula também pode manter várias substâncias
no seu interior, em concentrações muito diferentes das do meio. Esta
manutenção implica gasto de energia. Essa energia é utilizada para o
movimento de substâncias contra um gradiente de concentração,
através de proteínas transportadoras, num processo designado
transporte activo.

Então, as moléculas de um soluto (Na+, K+) deslocam-se de um meio


de maior concentração para um meio de menor concentração (contra
o gradiente de concentração) com intervenção de proteínas
transportadoras – as ATPases.
Este processo mantém um gradiente de concentração entre os meios
intracelular e extracelular e implica gasto de energia (ATP).

• Bomba de sódio e potássio

O processo ocorre devido às diferenças de concentrações dos íons sódio (Na+) e potássio
(K+) dentro e fora da célula.
Para manter a diferença de concentração dos dois íons no meio interno e externo da
célula, é preciso utilizar energia na forma de ATP. Assim, a bomba de sódio e potássio é um
tipo de transporte ativo.

❖ Mecanismo

• A bomba, ligada ao ATP, liga-se a 3 íons de Na+ intracelulares.


• O ATP é hidrolisado, levando à fosforilação da bomba e à libertação de ADP.
• Essa fosforilação leva a uma mudança conformacional da bomba, expondo os íons de
Na+ ao exterior da membrana. A forma fosforilada da bomba, por ter uma afinidade baixa
aos íons de sódio, liberta-os para o exterior da célula.
• À bomba ligam-se 2 íons de K+ extracelulares, levando à desfosforilação da bomba.
• O ATP liga-se e a bomba reorienta-se para libertar os íons de potássio para o interior da
célula: a bomba está pronta para um novo ciclo.

21
Marta Leal
Movimentos transmembranares
Tipos Substàncias Gasto de Loval de Gradiente de Outras
transportadas energia passagem concentração características
Osmose H2O (solvente) Passivo (não Bicamada de Contra Não mediado
há gasto de fosfolípidos
energia)
Difusão soluto (CO2, Passivo (não Bicamada de A favor Não mediado
simples ureia, etc.) há gasto de fosfolípidos
energia)
Difusão Soluto Passivo (não Permease Contra mediado
facilitada há gasto de
energia)
Transporte Na+ e K- ( no Ativo (há ATPases A favor mediado
ativo caso da bomba gasto de
de sódio e energia)
potássio)

• Transporte de Partículas – Endocitose e Exocitose

Por vezes as substâncias que a célula precisa no seu interior são demasiado grandes para
passarem através da membrana citoplasmática. O transporte deste tipo de material para o
interior da célula por invaginação da membrana celular chama-se endocitose. Existem
vários tipos de endocitose, como a fagocitose, a pinocitose e a endocitose mediada por
receptores.

Na fagocitose, a célula emite prolongamentos


citoplasmáticos, os pseudópodes, que
envolvem partículas de grandes dimensões ou
mesmo células inteiras, acabando por formar
uma vesícula que se destaca para o interior do
citoplasma.

Na pinocitose, a membrana celular, por invaginação,


engloba fluido extracelular contendo ou não pequenas
partículas. Esta invaginação evolui para a formação de
pequenas vesículas endocíticas.

Endocitose mediada por recetor: É um processo de


endocitose em que macromoléculas entram na célula,
ligadas à membrana das vesículas de endocitose.

Exocitose: É o processo inverso à endocitose, no qual


as células libertam para o meio extracelular
substâncias armazenadas em vesículas. Neste
processo, as vesículas de secreção fundem-se com a
membrana plasmática, libertando o seu conteúdo para
o meio extracelular.
A exocitose é fundamental para a célula se livrar de
resíduos da digestão intracelular, mas também pode
fazer parte do processo digestivo de seres pluricelulares.

22
Marta Leal

A digestão intracelular ocorre no interior das


células, através da ação de enzimas contidas em
vacúolos digestivos. As proteínas enzimáticas
sintetizadas nos ribossomas no retículo são
transportadas até ao complexo de Golgi de duas
formas: deslocam-se através dos canais do retículo
endoplasmático até ao complexo de Golgi ou são
armazenadas em vesículas que se destacam do
retículo e que se fundem com o complexo de Golgi.
No interior do complexo de Golgi, as proteínas
enzimáticas, tais como outras que aí são
processadas, sofrem maturação, o que as torna
funcionais, acabando por ser transferidas para vesículas designadas lisossomas.

A digestão intracelular ocorre no interior de vacúolos digestivos, que resultam da fusão


dos lisossomas com vesículas endocíticas ou com vesículas originadas no interior do
citoplasma. Por acção das enzimas digestivas, as moléculas complexas existentes no
interior dos vacúolos digestivos são desdobradas em moléculas mais simples. Os resíduos
resultantes da digestão são eliminados para o meio extracelular por exocitose.

O processamento dos alimentos até que estes possam fornecer os seus constituintes para
que sejam utilizados pelas células engloba a ingestão, a digestão e a absorção:
• A ingestão consiste na entrada dos alimentos para o organismo;
• A digestão é o conjunto de processos que permite a transformação de moléculas
complexas dos alimentos em moléculas mais simples;
• A absorção consiste na passagem dos nutrientes resultantes da digestão para o meio
interno.

A hidra e a planária possuem tubos digestivos incompletos, isto é,


com uma só abertura, designada cavidade gastrovascular. Nestes
casos, a digestão inicia-se na cavidade gastrovascular - digestão
extracelular - onde são lançadas enzimas que actuam sobre os
alimentos e os transformam em partículas simples.

23
Marta Leal

As partículas parcialmente digeridas são depois fagocitadas por células que


continuam a digestão dentro de vacúolos digestivos - digestão intracelular
ocorrendo a difusão das moléculas simples para as restantes células do
organismo. No caso dos cogumelos a disgestão é extracelular e extracorporal,
ou seja ocorre fora do corpo, a maioria dos seres vivos apresenta uma digestão
intracorporal, ou seja que ocorre dentro do corpo.
Alguns mecanismos adaptativos são a presença da faringe que permite
àplanária captar os animais de que se alimenta e a maior área de digestão e de
absorção da planária resultante da ramificação da cavidade gastrovascular,
que permite uma distribuição eficaz dos nutrientes por todas as células.

A minhoca e o Homem possuem um tubo digestivo completo,


isto é, com duas aberturas - a boca, por onde entram os
alimentos e o ânus que é por onde eles saem.
Na minhoca, o alimento entra pela boca, passa pela
faringe,pelo esófago e deste para o papo, onde é acumulado e
humidificado. De seguida, passa para a moela, onde é
triturado com a ajuda de grãos de areia. O alimento
fraccionado por digestão mecânica segue para o
intestino, onde:
• Sofre a acção de enzimas que completam a digestão;
• Ocorre a absorção de substâncias mais simples.
• Os resíduos alimentares são eliminados pelo ânus.

No tudo digestivo do Homem, bem como em todos os vertebrados, cada


uma das áreas é especializada numa etapa particular do processo
digestivo, realizando-se a maior parte deste no estômago e no intestino
delgado.
• Na boca, por acção dos dentes e da
saliva, inicia-se a digestão mecânica e
química;
• No estômago e no intestino delgado
são produzidas enzimas específicas,
ocorrendo também aqui a digestão
mecânica e química;
• No intestino delgado são lançados ao
mesmo tempo o suco pancreático e a
bílis, provenientes, respectivamente,
do pâncreas e do fígado (glândulas
anexas).
• No intestino delgado, após terminar a
digestão, inicia-se a absorção,
facilitada pela existência de projecções
ricamente vascularizadas da superfície intestinal que aumentam significativamente a
área da superfície de absorção. Por difusão ou transporte activo, os diferentes
nutrientes atravessam as membranas das células da parede intestinal e dos capilares
sanguíneos ou linfáticos.
• O material não absorvido passa para o intestino grosso, onde ocorre absorção de água
antes da sua eliminação pelo ânus.

As características de um tubo digestivo completo são o maior e mais eficaz aproveitamento


dos alimentos, dado que estes se deslocam num único sentido, permitindo uma digestão e

24
Marta Leal

uma absorção sequenciais ao longo do tubo, a existência de vários órgãos, onde pode ocorrer
digestão por acção mecânica e química (enzimas digestivas), a maior capacidade de absorção,
uma vez que esta pode ocorrer em diferentes zonas do tubo, a eficiente eliminação através do
ânus, dos resíduos alimentares não absorvidos e a possibilidade de armazenamento de maior
quantidade de alimento.

→ Enzimas

Macromoléculas ------------enzimas (digestão química)-------------→ micromoléculas

Macropartículas -----------------------digestão física---------------→ micropartículas

Lípidos não emulsionados --------bílis ( digestão física)----------→ lípidos


emulsionados

➢ RNA -----------------ribonucleases (pâncreas – int.delgado)-----------------→nucleótidos

➢ DNA --------------desoxiribonucleases (pâncreas – int.delgado)----------------nucleótidos

➢ Proteína ----pepsina (estômago)----→polipéptidos----tripepsina(pancreas –


int.delgado)----→dipeptidos----aminopeptidase (int.delgado) ----→aminoácidos

➢ Amido-----amilase salivar/pancreática (g.salivares-boca e pâncreas – int.delgado ---


----→ maltose----maltase (int.delgado)---------→ glicose+glicose

➢ Sacarose-------sacarase (g.intestinais)---------→ frutose+glicose

➢ Lactose-------lactase(g.intestinais)---------→galactose+glicose

➢ Lípidos não emulsionados--------bílis--------→lípidos emulsionados

➢ Lípidos emulsionados-----lipases(pâncreas – int.delgado)------→ácidos


gordos+glicerol

• Autofagia- refere-se à digestão lisossômica dos componentes da célila.

• Heterofagia- célula( em geral um macrófago) ingere substâncias do meio exterior para


a destruição celular.

25
Marta Leal

A unidade básica do sistema nervoso é o neurónio, que é constituído por:

• Corpo celular: onde se localiza o núcleo e a maior parte do citoplasma;


• Dendrites: prolongamentos citoplasmáticos curtos, que recebem e
conduzem os estímulos em direção ao corpo celular;
• Axónio: prolongamento citoplasmático longo cuja função é transmitir os
impulsos nervosos provenientes do corpo celular.

Impulso Nervoso

Os neurónios são células estimuláveis que, em resposta aos estímulos,


produzem uma alteração eléctrica que percorre as suas membranas -
impulso nervoso (onda de despolarização e repolarização do neurónio) - que se pode
propagar aos neurónios seguintes. A transmissão do impulso nervoso ocorre devido às
sucessivas aberturas e fecho dos canais de Na+ e de K+. Quando o neurónio está em
repouso (potencial de membrana = potencial de repouso -70mV), os canais
encontram-se fechados, abrindo-se quando a célula é estimulada. Quando um
neurónio é atingido por um determinado estímulo, os canais de Na+ abrem-se, e os
iões Na+ entrem bruscamente para o interior da célula. Esta brusca entrada de iões
positivos faz com que o potencial de membrana passe de -70mV para +35mV. Esta
alteração de diferença de potencial chama-se despolarização. Esta rápida alteração do
potencial eléctrico designase potencial de acção e é da ordem dos 105mV (de -70mV
para +35mV). Quando a permeabilidade dos canais de Na+ volta ao normal, aumenta a
permeabilidade dos canais de K+. Assim, verifica-se uma queda do potencial de
membrana, até se atingir o seu valor de repouso – repolarização. Lei do tudo ou nada –
O estímulo tem de ter uma determnda intensidade para gerar um potencial de ação. O
estímulo mínimo necessário para desencadear um potencial designa-se estímulo
linear. Uma vez ultrapassado esse estímulo linear, e portanto estimulado o neurónio, o
potencial de ação é igual independentemente da intensidade do estímulo.

26
Marta Leal

→ Transmissão do Impulso Nervoso ao longo dos Neurónios

A rápida propagação do impulso nervoso nos neurónios é


garantida pela presença da bainha de mielina que recobre os
axónios. Esta bainha é formada por camadas das células de
Schwann. O isolamento dos axónios pela bainha de mielina
apresenta interrupções, designadas nódulos de Ranvier, nos
quais a superfície dos axónio fica exposta.

Nas fibras nervosas mielinizadas, o potencial de acção


despolariza a membrana do axónio unicamente na região dos
nódulos de Ranvier, pois o efeito isolante da bainha de mielina
impede que essa despolarização ocorra nas restantes zonas.
Desta forma, o impulso nervoso salta de um nódulo para o
seguinte, permitindo, assim, uma velocidade de propagação
muito mais elevada em relação à que se verifica nos neurónios desmielinizados.

→ Transmissão do Impulso Nervoso entre os Neurónios – Sinapses

O axónio de um neurónio não contacta directamente


com as dendrites de outro neurónio ou com a célula
efectora, ocorrendo a transmissão do impulso nervoso
numa zona designada por sinapse. Quando o impulso
nervoso chega à zona terminal do axónio, as vesículas
contendo neurotransmissores, substâncias químicas
produzidas pelos neurónios, fundem-se com a
membrana da célula pré-sináptica, lançando os
neurotransmissores na fenda sináptica. Os
neurotransmissores, ao ligarem-se a receptores da
membrana do neurónio pós-sináptico, conduzem à
abertura de canais iónicos associados a estes
receptores, permitindo a entrada de a na célula. Esta
entrada provoca a despolarização da membrana,
originando um impulso nervoso nessa célua.

Os seres autotróficos produzem matéria orgânica a partir de


compostos minerais.

A autotrofia pode envolver dois processos:


• Fotossíntese -realizada por organismos fotossintéticos, que utilizam a energia
luminosa;
• Quimiossíntese -realizada pelos organismos quimiossintéticos, que utilizam energia
química resultante de reações de oxidação de substâncias inorgânicas.

27
Marta Leal

ATP - principal transportador de energia na célula;


O ATP (adenosina trifosfato) é a molécula responsável pelo
armazenamento de energia química diretamente utilizável
pela célula.

Uma molécula de ATP é formada por:


• Base azotada;
• Açúcar com cinco átomos de carbono; Molécula de ATP
• Três grupos fosfato: compostos inorgânicos.

As moléculas de ATP estão constantemente a ser sintetizadas e hidrolisadas. Por hidrólise de


uma molécula de ATP liberta-se um grupo fosfato, formando ADP (adenosina difosfato).
Quando o ADP se hidrolisa, liberta-se um grupo fosfato e forma-se AMP (adenosina
monofosfato).

Fotossíntese:
• Processo a partir do qual os organismos
fotossintéticos convertem a matéria
mineral em matéria orgânica, utilizando
energia luminosa. Realizada por plantas,
algas, bactérias e cianobactérias.

A equação geral da fotossíntese traduz-se por:

A água, o dióxido de carbono e a luz são fornecidos pelo ambiente, enquanto as clorofilas e
outras moléculas implicadas no processo são sintetizadas pelas plantas.

Clorofilas - pigmentos fotossintéticos que captam a energia luminosa do Sol, encontram-se nas
membranas dos tilacoides dos cloroplastos.

Os principais pigmentos fotossintéticos são as clorofilas (a, b, c e d),


mas existem, também, os carotenoides e as ficobilinas. Os
diferentes pigmentos fotossintéticos, como têm
estruturas diferentes, completam-se na captação de radiações com
diferente comprimento de onda. As radiações mais eficientes para
a fotossíntese são as absorvidas pelos pigmentos nas faixas
vermelho-alaranjada e azul-violeta.

A fotossíntese compreende duas fases


sucessivas:
Fase fotoquímica - dependente da luz;
Fase química - não dependente da luz;

28
Marta Leal

Fase fotoquímica
• Ocorre nos tilacoides;
• Produtos utilizados nas reações: luz, água, ADP + Pi e NADP+;

Principais reações fotoquímicas:


• Fotólise da água - em presença da luz, a molécula de água dissocia-se em oxigénio
e hidrogénio. A água é o dador primário de eletrões.

• Oxidação da clorofila a - a clorofila a é excitada pela energia luminosa, emite


eletrões, ficando reduzida. Os eletrões são excitados e e seguida podem:
→ Regressar ao nível energético inicial, lbertando energia sob a forma de calor ou
luz.
→ Ou estes eletrões são cedidos a outras moléculas vizinhas (acetores)-
conduzindo a uma reação fotoquímica en que a molécula que perde os
eletrões fica oxidada , e a molécula acetora reduzida. E por isso é chamada de
reação oxidação-redução.
• Fosforilação de ADP – formando-se ATP.
• Redução do NADP+ - os eletrões vão reduzir o NADP+ a NAPH. O NADP+ é o
aceitador final de eletrões.

• Os produtos finais da fase fotoquímica são: oxigénio, ATP,NADPH e H+.

Fase química
• Ocorre no estroma;
• Conjunto de reações não dependentes da luz; designa-se também por ciclo de
Calvin;
• Produtos utilizados nas reacções: ATP, NADPH, CO2;

→ Ciclo de Calvin

O dióxido de carbono é fixado combinando-se com a


ribulose difosfato, uma pentose, (RuDP), formando
um coposto intermédio,instável com 6 C’s, que de
seguida divide-se em duas moléculas, com 3 C’s
designadas ácido fosfoglicérico ou fosfoglicerato. Os
eletrões do NADPH e o ATP, produzidos na fase
fotoquímica, são utilizados para produzir o aldeído
fosfoglicérico , através da sua redução e fosforilação
(PGAL). Este composto segue duas vias: intervém na
regeneração de ribulose difosfato (10) e é utilizado na
síntese de glicose (2). Este processo ocorre 6 vezes
para que se forme uma molécula de glicose, no total
são utilizados 6 CO2, 18 ATP e 12 NADPH.

O ciclo de calvin é constituído por 3 fases :


➢ Fixação do CO2
➢ Produção de açucares
➢ Regeneração de RuDP

• Os produtos finais deste ciclo são: glicose, ADP + Pi, NADP+ e ribulose difosfato.

29
Marta Leal

Quimiossíntese
• Processo através do qual os organismos quimiossintéticos produzem compostos
orgânicos através de matéria mineral utilizando energia química, diferindo
portanto da fotossíntese quanto à origem primária da energia necessária à
formação de substâncias orgânicas.
• Organismos quimiossintéticos: bactérias nitrificantes, bactérias ferrosas, bactérias
sulfurosas.

É possível distinguir duas fases no processo quimiossintético:


• Primeira fase: ocorre a oxidação de substratos minerais para obter eletrões e
protões importantes para a formação de ATP e NADPH.
• Segunda fase: ocorre o ciclo das pentoses, ocorre a redução do dióxido de carbono
com a utilização do ATP e NADPH , o que conduz à síntese de substâncias
orgânicas.

• Na quimiossíntese os dadores primários de eletrões são os compostos minerais, como,


por exemplo, o amoníaco e o sulfureto de hidrogénio.

Fatores que afetam a Fotossíntese


Fatores externos Fatores internos
• Disponibilidade de CO2 • Disponibilidade de pigmentos
• Temperatura • Disponibilidade de enzimas e cofatores
• Luminosidade • Disponibilidade de cloroplastos
• Ponto de compensação fótico

30
Marta Leal

As plantas, enquanto seres pluricelulares complexos, necessitam de transportar substâncias


minerais até as folhas, para garantir a síntese de compostos orgânicos que aí ocorre.
Posteriormente, esses compostos terão de ser distribuídos a todas a células, de forma a
poderem ser utilizados.

O sistema de vasos que se estende desde a raiz, passa pelos caules e chega até às folhas
denomina-se xilema e nele movimenta-se a seiva bruta ou xilémica. Existe também outro
sistema de vasos chamado floema, que se estende desde as folhas até aos restantes órgãos da
planta, transportando a seiva elaborada ou floémica.

Algumas plantas mais simples (plantas avasculares) estruturas especializadas no transporte de


substâncias e por isso o transporte é feito célula a célula, como por exemplo o
musgo(briófitas). No entanto, nas espécies mais evoluídas (plantas vasculares), a distribuição
de substâncias ocorre de vido à existência de sistemas de transporte, localizados nos
diferentes órgãos das plantas. A água e os
Células
sais minerais utilizados na síntese de matéria guarda
orgânica, entram na planta por absorção,
através da raiz. Por outro lado, o dióxido de Núcleo
carbono utilizado durante a fotossíntese
entra na planta através dos estomas. Os
estomas também controlam a quantidade Ostíolo
de água que se evapora pelas folhas, num
processo denominado transpiração .
Cloroplasto
s

Aberto (1) Fechado (2)

entrada entra de A célula OSTÍOLO


iões H2O fica túrgida ABRE (1)

saída de iões saída de H2O


A célula fica OSTÍOLO
plasmolisada FECHA (2)

Monocotiledôneas e dicotiledóneas: algumas diferenças


Entre as angiospermas, verificam-se dois tipos básicos de
raízes: fasciculadas e aprumadas.

Raízes fasciculadas - Também chamadas raízes em cabeleira, elas formam


numa planta um conjunto de raízes finas que têm origem num único
ponto. Não se percebe nesse conjunto de raízes uma raiz nitidamente
mais desenvolvida que as demais: todas elas têm mais ou menos o
mesmo grau de desenvolvimento. As raízes fasciculadas ocorrem
nas monocotiledôneas.

31
Marta Leal

Raízes aprumadas - Também chamadas raízes axiais, elas formam na planta uma raiz principal,
geralmente maior que as demais e que penetra verticalmente no solo; da raiz principal partem
raízes laterais, que também se ramificam. As raízes pivotantes ocorrem nas dicotiledóneas.

Em geral, nas angiospermas verificam-se dois tipos básicos de


folhas: paralelinérvea e reticulada.

Folhas paralelinérveas - São comuns nas angiospermas


monocotiledôneas. As nervuras se apresentam mais ou menos
paralelas entre si.

Folhas reticuladas - Costumam ocorrer nas angiospermas


dicotiledóneas. As nervuras se ramificam, formando uma espécie
de rede.

O embrião da semente de angiosperma contém uma estrutura


chamada cotilédone

• Sementes de monocotiledôneas. Nesse tipo de semente existe um único cotilédone; daí o


nome desse grupo de plantas ser monocotiledôneas.
• Sementes de dicotiledóneas. Nesse tipo de semente existem dois cotilédones - o que
justifica o nome do grupo, dicotiledóneas.

Xilema (voltado para a zona mais interior; página superior)


O xilema está especializado no transporte de água e de sais minerais. Na maioria das plantas,
este tecido é constituído por quatro tipos de células

Os elementos condutores, que podem ser tracóides e elementos de


vasos:

→ Os tracóides que formam tubos e que permitem a passagem


de água e de sais minerais;
→ Os elementos de vasos resultam de células mortas e que
conferem rigidez ao xilema;

• As fibras lenhosas, que são constituídas por células mortas e


que desempenham funções de suporte;
• O parênquima lenhoso é um tecido formado por células vivas
que desempenha importantes atividades metabólicas
(fotossíntese, etc.). Estas células são as únicas células vivas do
xilema e desempenham funções, essencialmente, de reserva.

32
Marta Leal

Floema (voltado para a zona mais exterior; página inferior)


O floema está especializado no transporte de água e substâncias orgânicas, sendo formado, tal
como o xilema, por quatro tipos de células:

• As células dos tubos crivosos, que são


células muito especializadas. Estas
células possuem uma placa crivosa com
uma série de orifícios. São células vivas,
embora tenham perdido a maioria dos
organelos. (Circula a seiva elaborada)
• As células de companhia que se situam
junto das células de tubo crivoso com as
quais mantêm enumeras ligações
citoplasmáticas e são células vivas.
(Fazem ligação entre as células dos
tubos crivosos com o parênquima.
• As fibras, que desempenham funções de suporte, são também as únicas células mortas
no floema.
• O parênquima, que é formado por células vivas, pouco diferenciadas e que tem
funções de reserva.

Absorção Radicular
A maior parte da água e dos iões necessários para as várias atividades da planta é absorvida
pelo sistema radicular.

Normalmente, o meio intracelular das


células da raiz é hipertónico relativamente
ao exterior, pelo que a água tende a
entrar na planta por osmose. A
manutenção deste gradiente osmótico,
desde as células mais periféricas da raiz
até ao xilema, provoca a passagem da
água por osmose para os seus vasos. Os
iões minerais, quando presentes no solo
em concentrações elevadas, entram nas
células da raiz por difusão simples; no
entanto, como já foi referido, é usual verificar-se uma elevada concentração destes iões no
meio intracelular. Neste caso, os iões entram por transporte ativo, com consequente gasto de
energia. O transporte ativo de iões através das células da periferia da raiz até ao xilema cria
um gradiente osmótico, que faz com que a água tenda a passar por osmose até ao xilema.

33
Marta Leal

Hipótese da Pressão Radicular


A ascensão de água no xilema pode ser explicada pela existência de uma pressão exercida no
xilema ao nível da raiz – pressão radicular. A entrada de sais nas células da raiz, por transporte
ativo, conduz a um aumento da sua concentração no meio intracelular. Este aumento provoca
o movimento de água para o interior das células, gerando-se uma pressão que força a água a
subir nos vasos xilémicos.

Os fenómenos de gutação e exsudação caulinar constituem evidências deste processo.

Exsudação- ocorre quando são feitas Gutação- ocorre quando a planta


podas tardias. liberta água devido à existência desta
em demasia.

1- A contínua acumulação dos sais da raiz permite a entrada de água por osmose.

A elevada concentração de iões na raiz faz com que a água entre por osmose. Desenvolve-se,
então, uma pressão osmótica que é responsável pela impulsão da seiva bruta no sentido
ascendente.

2- As forças osmóticas geram uma pressão (pressão radicular) que pode explicar a subida de
água no xilema.

A pressão radicular é a pressão que permite que a água absorvida pela raiz se desloque até à
parte superior da planta. Admite-se que é por osmose e por transporte ativo que se deve esta
pressão. Deve-se aos sais do xilema que possibilitam um gradiente de concentração fazendo
com que haja movimento.

3- O efeito da pressão radicular pode ser observado pela exsudação. Quando a pressão
radicular é muito elevada a água sai através da gutação (gotas de água que saem pelas folhas).

No entanto, vários estudos comprovam que os valores da pressão radicular não seriam
suficientes para levar a seiva bruta até ao topo de muitas árvores, assim como, existem plantas
que não têm pressão radicular, como por exemplo as coníferas.

Nota: A acumulação de água nos tecidos provoca uma pressão na raiz que força a água a subir.

Teoria da Tensão-Coesão-Adesão
Esta Teoria explica a subida da seiva bruta desde a raiz às folhas com base na relação entre a
Absorção radicular e a Transpiração estomática (nas folhas).

34
Marta Leal

Na ascensão da seiva bruta intervém os seguintes processos sequenciais:

1- Há perda de água por transpiração. Com esta perda gera-se um défice de água e origina
uma força de SUÇÃO, fraca
força de TENSÃO que se
transmite o xilema e deste
até às células da raiz,
fazendo com que haja
ABSORÇÃO de água por este
órgão.

2- As moléculas de água,
unem-se por pontes de
hidrogénio, à custa da
polaridade da molécula, e
devido a forças de COESÃO e
as moléculas mantêm-se
unidas entre si, o que vai
facilitar a subida de água em
COLUNA.

3- As moléculas de água
formam ligações com as
paredes dos vasos xilémicos
por forças de ADESÃO e
facilitam a ascensão da
coluna de água.

4- A água sobe e forma uma


coluna contínua.

Esta Hipótese funciona


apenas se houver uma coluna de água contínua. Quando existem bolhas de ar na coluna, ou
quando à descida de temperatura, a água não sobe e a planta recorre à pressão radicular. Se
a pressão não for suficiente a coluna de água deixa de funcionar.

As substâncias produzidas nos órgãos fotossintéticos (seiva elaborada) vão ser transportados a
todas as células dos restantes órgãos da planta pelos vasos floémicos. A seiva elaborada é
constituída por sacarose, nucleótidos, hormonas, aminoácidos e iões orgânicos.

Teoria do fluxo de massa

Esta teoria considera que a sacarose se desloca através dos vasos crivosos, devido à existência
de um gradiente de concentração, desde o órgão de produção, as folhas, até aos locais de
consumo que são os tecidos ou órgãos em formação ou crescimento e os órgãos de reserva
durante a fase de acumulação de reservas.

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Marta Leal

A glicose, produto resultante da fotossíntese, é


convertida em sacarose. A sacarose desloca-se do
mesófilo (na epiderme), para os elementos do tudo
crivoso por transporte ativo com a ajuda da célula
companhia (energia).

Com o aumento de concentração da sacarose no


floema dá-se um aumento da pressão osmótica nos
tecidos circundantes e a água do xilema e das células
vizinhas entra por osmose nos tubos crivosos do floema
aumentando a pressão de turgência e causa a
deslocação da seiva elaborada, através das placas
crivosas para locais com menor pressão.

A sacarose passa, possivelmente por transporte ativo


para os órgãos onde vai ser utilizada ou de reserva. Esta
saída faz com que as células dos tubos crivosos fiquem
hipotónicos, a pressão osmótica desce, e água regressa
às células vizinhas e ao xilema por osmose.

A passagem da sacarose a todas as células será feita,


posteriormente, através de transporte citoplasma a
citoplasma. É depois degradada em glicose e utilizada para a respiração celular, ou polimeriza-
se e forma amido (produto de reserva).

Função:

➢ Transporte de nutrientes ➢ Defesa do organismo


➢ Transporte de gases respiratórios ➢ Estancamento de hemorragias
➢ Remoção de resíduos metabólicos ➢ Distribuição do calor corporal
➢ Transporte de hormonas

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Marta Leal

Constituição dos sistemas de transporte


• Um fluido circulante sangue, linfa ou hemolinfa
• Um órgão propulsor coração
• Um conjunto de tubos ou espaços por onde os fluidos circulam -vasos sanguíneos ou
lacunas

Fluídos circulantes
O sangue é constituído por elementos figurados - hemácias, leucócitos e plaquetas sanguíneas
- e plasma. O sangue circula no sistema circulatório sanguíneo.

A linfa circula no sistema circulatório linfático, que é formado por:

• Vasos linfáticos, que transportam a linfa;


• Órgãos linfoides, que têm um papel importante na defesa do organismo.

A linfa que é constituída, essencialmente, por plasma e por leucócitos e que banha
diretamente as células designa-se linfa intersticial. Quando a linfa é recolhida para dentro dos
vasos linfáticos designa-se linfa circulante.

Animais mais simples (não apresentam sistema)


Hidra - Ausência de sistema de transporte, pois são formadas por apenas duas camadas de
meio, o que permite que as trocas de células e estão em contacto direto com substâncias
ocorram por difusão.

Planária - Cavidade gastrovascular muito ramificada compensa a ausência de sistema de


transporte.

Sistema de transportes nos animais:


• Sistemas de transporte abertos: a hemolinfa sai dos vasos, banha os diferentes
órgãos, retornando após realizar as trocas necessárias
• Sistemas de transporte fechados: o sangue não abandona os vasos sanguíneos,
chegando aos diferentes órgãos através de uma rede de capilares.

Tipos de sistema circulatórios:


➢ Sistema circulatório aberto
➢ Sistema circulatório fechado:
▪ Circulação simples - durante um ciclo completo, o sangue só passa uma vez pelo
coração.
▪ Circulação dupla - durante um ciclo completo, o sangue passa duas vezes pelo
coração: circulação sistémica e circulação pulmonar. Esta pode ser:
 Incompleta - nos ventrículos há mistura de sangue arterial e sangue
 Completa - nos ventrículos não há mistura de sangue arterial e venoso.

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Marta Leal

Sistemas circulatórios fechados:


• O sangue não abandona os vasos sanguíneos
• Devido à contração do coração, o sangue é distribuído por todo o organismo no interior
dos vasos
• Os vasos sanguíneos vão diminuindo de calibre até que as suas paredes apresentam
apenas uma camada de células, designando-se por capilares sanguíneos
• Em cada órgão os capilares formam uma densa rede de modo a atingirem um grande n° de
células
• Realizam-se trocas entre o sangue e a linda intersticial (fluido que envolve as células).

Sistemas circulatórios fechados vs. Sistemas circulatórios abertos:


➢ Os sistemas circulatórios fechados são mais eficientes: O sangue circula sempre dentro
de vasos sanguíneos -> circulação é mais rápida -> transporta mais rapidamente o
oxigénio e os nutrientes e remova mais eficientemente os resíduos resultantes do
catabolismo -> taxa metabólica mais elevada.
• Num sistema de transporte aberto o sangue flui mais lentamente os animais que o
possuem têm, em regra, movimentos lentos e taxa metabólica baixa.

Circulação dupla vs. Circulação simples


A circulação dupla assegura um fluxo vigoroso de sangue para os diferentes órgãos, uma vez
que o sangue dos pulmões volta ao coração, sendo impulsionado sob pressão para os
diferentes órgãos.

Circulação completa vs. Circulação incompleta


A evolução para um coração com 4 cavidades, sem haver mistura de sangue venoso com
sangue arterial, possibilita uma maior eficácia na distribuição dos nutrientes e na oxigenação
dos tecidos, e por isso, uma maior capacidade energética característica das aves e mamíferos.

Sistemas circulatórios abertos (gafanhoto) e fechados (minhoca)

• Nos Insetos, o aparelho circulatório é constituído por um vaso


dorsal com pequenas dilatações (corações) que impulsionam o
fluido circulante para a região anterior do corpo. Nessa região, o
fluido sai para cavidades (lacunas) que constituem o hemocélio,
contactando diretamente com as células do corpo do animal.
Após banhar as células, o fluido regressa ao sistema circulatório
através de orifícios existentes nos corações. Neste tipo de
aparelho circulatório o sangue sai do interior dos vasos e
mistura- se com líquido intersticial que circunda as células,
designando-se, por este facto, por sistema circulatório aberto e o
liquido circulante por hemolinfa.

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Marta Leal

• Na minhoca, o sangue só circula no interior de vasos sanguíneos, não


se misturando com o líquido intersticial - sistema circulatório
fechado.
Neste animal existem dois vasos, um dorsal e outro ventral
relativamente ao tubo digestivo, que comunicam entre si por vasos
laterais. O vaso dorsal funciona como um coração, provocando o
movimento do sangue da parte de trás para a frente do corpo. Na
parte anterior do corpo existem cinco vasos laterais (corações
laterais ou arcos aórticos) que, ao contraírem, impulsionam o sangue
para o vaso ventral.

Sistema circulatório simples (peixe)


• Coração com duas cavidades: uma aurícula e um ventrículo.
• A aurícula recebe o sangue venoso proveniente de todo o organismo
e envia-o para o ventrículo.
• O ventrículo impulsiona o sangue para as brânquias, onde ocorrem
as trocas gasosas.
• Dos capilares branquiais o sangue segue para os tecidos e órgãos,
com baixa velocidade e pressão.
• Sangue venoso -> coração (seio venoso) -> contração da aurícula ->
ventrículo -> contração (cone arterial) -> brânquias (trocas gasosas) -
> artéria aorta -> arteríolas – capilares -> todo o corpo (rede de
capilares) -> capilares-vénulas -> regressa ao coração

Sistema circulatório duplo incompleto (anfíbio)


• Coração com três cavidades: duas aurículas e um ventrículo.
• A aurícula direita recebe sangue venoso e a esquerda o sangue arterial.
• O ventrículo recebe sangue venoso e sangue arterial.
• Circulação pulmonar e a circulação sistémica não são independentes,
ocorrendo mistura parcial de sangue venoso e arterial no ventrículo.
• Sangue os órgãos -> aurícula direita e sangue dos pulmões -> aurícula
esquerda (ambos) -> ventrículo -> uma parte do sangue vai para os
pulmões e outra para os órgãos

Nota: Devido à estrutura anatómica do ventrículo, o sangue venoso tende a ser


enviado para o circuito pulmonar e o arterial para os vários órgãos.

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Marta Leal

Sistema circulatório duplo completo (aves/mamíferos)


• Coração com quatro cavidades: duas aurículas e dois ventrículos.
• No lado direito do coração circula apenas sangue venoso e no lado
esquerdo apenas sangue arterial.
• A circulação pulmonar circulação sistémica são independentes, não
ocorrendo misturas de sangue no coração.
• Veia cava -> aurícula direita -> artéria pulmonar -> arteríolas ->
capilares -> pulmões (hematose) -> capilares -> vénulas -> veias
pulmonares ->aurícula esquerda -> ventrículo esquerdo -> artéria aorta
-> arteríolas -> capilares -> todas as células do corpo -> capilares->
vénulas -> Veia cava

Outros pontos a ter em consideração

Ciclo cardíaco
O ciclo cardíaco corresponde ao período
compreendido entre o início de um batimento
cardíaco até ao início do batimento seguinte.
Os movimentos rítmicos de contração do
coração- sístoles – e de relaxamento –
diástoles – geram diferenças de pressão
responsáveis pela circulação do sangue.

Fases do ciclo cardíaco:


Diástole (enchimento das aurículas) ->sístole auricular (enchimento dos ventrículos) -
>sístole ventricular (contração dos ventrículos)
O número de ciclos cardíacos por minuto designa-se ritmo cardíaco.

Vasos sanguíneos:
Diferença entre artérias e veias:
• Artérias possuem mais tecido muscular liso e mais fibras elásticas.
• As artérias não possuem válvulas e as veias possuem.
• As artérias levam sangue (arterial ou venoso) do coração, veias levam sangue
(arterial ou venoso) para o coração.
Capilares:

• Os mais numerosos.
• Constituídos só por uma camada de células. Esta característica facilita o
intercâmbio de diferentes substâncias que se efetua entre o sangue e os
tecidos.

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Marta Leal

➢ As artérias ramificam-se em arteríolas que originam redes de capilares ao


nível dos diferentes tecidos.
➢ Os capilares reúnem-se formando vénulas que convergem formando veias
pelas quais o sangue regressa ao coração.

Velocidade e pressão do sangue nos vasos sanguíneos:


Artérias- alta velocidade alta pressão.
Veias-alta velocidade e baixa pressão.

Capilares- baixa velocidade e pressão mais elevada que nas veias.

Pressão sanguínea
Os ventrículos ao contraírem-se bombeiam o sangue, com grande pressão, para os
vasos sanguíneos. À pressão exercida pelo sangue sobre a parede dos vasos
sanguíneos dá-se o nome de pressão sanguínea.
Quando esta pressão se faz sentir nas paredes das artérias designa-se tensão ou
pressão arterial.

• Esta pressão, quando ocorre em sístole ventricular, atinge o valor máximo


pressão arterial máxima ou pressão sistólica (120 mmHg).
• Quando ocorre a diástole, atinge o valor mínimo pressão arterial mínima ou
pressão diastólica (80 mmHg)

A circulação sanguínea é possível nas veias porque:


• Estes vasos localizam-se entre os músculos esqueléticos que, quando
contraem, impulsionam o sangue.
• As veias possuem válvulas que impedem o retrocesso do sangue.
• Os movimentos respiratórios: durante a inspiração, o abaixamento da pressão
na caixa torácica provoca uma expansão da veia cava inferior e de outras veias
próximas do coração, que se enchem de sangue vindo das veias mais afastadas.
• O abaixamento da pressão nas aurículas durante a diástole também provoca
um movimento do sangue na do coração.

Circulação sanguínea:
A circulação sanguínea, por convenção, é dividida em dois circuitos: circulação
pulmonar e circulação sistémica.
Circulação pulmonar: A circulação pulmonar, ou pequena circulação, é responsável
pela reoxigenação do sangue e pela irrigação dos pulmões.
❖ Inicia-se no ventrículo direito e termina na aurícula esquerda.

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Marta Leal

Circulação sistémica: A circulação sistémica, ou grande circulação, é responsável pela


irrigação sanguínea a todo o organismo, à exceção dos pulmões.
❖ Inicia-se no ventrículo esquerdo e termina na aurícula direita.

O conjunto de reações que ocorrem no interior das células de qualquer ser vivo
constitui o metabolismo celular. O metabolismo compreende dois tipos de reacções:

• Anabolismo – conjunto de reacções químicas onde há síntese de moléculas


complexas a partir de moléculas mais simples, com consumo de energia.
Exemplo deste processo é a síntese de proteínas a partir de aminoácidos com
consumo de moléculas de ATP.
• Catabolismo – conjunto de reacções químicas onde há a degradação de
moléculas em moléculas sucessivamente mais simples. Como exemplos de
catabolismo refiram-se os processos de obtenção de energia (ATP) pelas
células. Através destes processos, a energia acumulada em moléculas
orgânicas, como, por exemplo, a glicose, é utilizada na síntese de moléculas de
ATP. Estes compostos orgânicos são lentamente degradados ao longo de uma
série de reacções em cadeia, ocorrendo por etapas e libertação da energia
neles acumulada.
Basicamente, podem considerar-se dois tipos de vias de síntese de ATP:

• Vias anaeróbias (sem intervenção de oxigénio): fermentação e respiração


anaeróbia;
• Vias aeróbias (com intervenção de oxigénio): respiração aeróbia.
Os seres vivos menos complexos, algumas bactérias, utilizam fermentação como como
único processo de obtenção de energia.
Outros seres vivos, como as leveduras, ou as células musculares de diversos animais
(incluindo o Homem), têm a capacidade de retirar maior quantidade de energia a
partir dos compostos orgânicos, utilizando Oxigénio neste processo catabólico.
Contudo na ausência deste gás, alguns destes seres podem usar a fermentação como
via energética alternativa, sendo, por isso, designados anaeróbios facultativos.

Fermentação
A fermentação é um processo simples e primitivo em termos de obtenção de energia,
compreende duas etapas a glicólise e a redução do ácido pirúvico.

• Glicólise – conjunto de reações que degradam a glicose até ácido pirúvico ou


piruvato, ocorre no hialoplasma. Este é constituído por duas fases:

o Fase da ativação: inicia-se com a ativação da molécula de glicose, por


duas moléculas de ATP, e termina com a formação de duas moléculas
de aldeído fosfoglicérico (PGAL);

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Marta Leal

o Fase de rendimento: inicia-se com a oxidação do PGAL, que perde dois


hidrogénios que vão ser utilizados para reduzir a molécula de NAD+,
formando-se NADH e H+, e termina com a formação de quatro
moléculas de ATP e de duas moléculas de ácido pirúvico.

No final da glicólise resultam:


o Duas moléculas de NADH;
o Duas moléculas de ácido pirúvico;
o Duas moléculas de ATP (formam-se quatro, mas duas são gastas na
ativação da glicólise).

• Redução do Piruvato – conjunto de reacções que conduzem à formação dos


produtos da fermentação.

Fermentação Alcoólica
• O ácido pirúvico é descarboxilado, formando-se aldeído acético, que é
posteriormente reduzido (pelo
NADH), originando etanol, rico em
energia potencial.
• Formam-se dois compostos finais
– duas moléculas de dióxido de
carbono, resultantes da
descarboxilação do ácido pirúvico
e duas moléculas de etanol, que
possuem, cada uma, dois átomos de carbono.

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Marta Leal

Fermentação Láctica
• O ácido pirúvico é reduzido (pelo
NADH), formando ácido láctico, rico em
energia potencial.
• O único composto final é o ácido láctico,
que possui três átomos de carbono.

Respiração Aeróbia
A respiração aeróbia é uma via metabólica realizada com consumo de oxigénio que
permite a degradação total da molécula de glicose com um rendimento energético
muito superior ao da fermentação.
A respiração aeróbia compreende quatro etapas:

• Glicólise – etapa comum à fermentação que ocorre no citoplasma com


formação de duas moléculas de ácido pirúvico, duas moléculas de ATP e duas
moléculas de NADH. (também ocorre na fermentação)

• Formação de acetil-coenzima A – na presença de oxigénio, o ácido pirúvico


entra na mitocôndria (matriz), onde é descarboxilado (perde uma molécula de
C) e oxidado (perde um hidrogénio, que é usado para o reduzir o NA, formando
NADH). H á a formação de CO2, a redução do NAD+ que se passa a NADH e H+.
Produtos finais (por molécula de glicose):
o Duas moléculas de acetil-CoA;
o 2 NADH e H+;
o 2 CO2.

• Ciclo de Krebs – conjunto de reações metabólicas que conduz à oxidação


completa da glicose. Este conjunto de reações ocorre na matriz da mitocôndria
e é catalisado por um conjunto de enzimas. Uma série de reações enzimáticas
cíclicas, que permitem a oxidação do grupo acetil a CO2, devido a
desidrogenações e descarboxilações;
Cada molécula de glicose conduz à formação de duas moléculas de ácido
pirúvico, as quais originam duas moléculas de acetil-CoA, que iniciam dois ciclos
de Krebs.
Devido à combinação do grupo acetil (2C) da CoA com o ácido oxaloacético
(4C), forma-se ácido cítrico.

Assim, por cada molécula de glicose degradada, formam-se no ciclo de Krebs:


o Seis moléculas de NADH;
o Duas moléculas de FAD (que tem um papel semelhante ao NADH);
o Duas moléculas de ATP;
o Quatro moléculas de C.

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Marta Leal

• Cadeia Transportadora de Eletrões – esta etapa ocorre na membrana interna


(matriz) da mitocôndria, onde se encontram transportadores proteicos com
diferentes graus de afinidade para os eletrões provenientes das etapas
anteriores. Ao longo da cadeia ocorre libertação gradual de energia, à medida
que os eletrões passam de um transportador para outro. Esta energia libertada
vai ser utilizada na síntese de moléculas de ATP (a síntese deste ocorre por
fosforilação oxidativa), dissipando-se alguma sob a forma de calor. No final da
cadeia transportadora, os eletrões são transferidos para um acetor final – o
oxigénio, formando-se uma molécula de água por cada dois protões (H+)
captados.
Produtos finais (por molécula de glicose):
o H2O;
o 36 ou 38 ATP;
o Calor.

Do ponto de vista energético, a respiração aeróbia é um processo de degradação da


glicose mais rentável que a fermentação. A respiração aeróbia permite a obtenção de
36 ou 38 moléculas de ATP, enquanto que a fermentação apenas permite um saldo de
2 moléculas de ATP.
Constata-se que, partindo da mesma quantidade de glicose, se liberta mais energia na
presença de oxigénio (condições aeróbias) do que na ausência deste gás (condições
anaeróbias).
Em condições de anaerobiose, a degradação da glicose é incompleta, formando-se, por
exemplo:

• álcool etílico (que ainda contém bastante energia química potencial)


dióxido de carbono - no caso da fermentação alcoólica;
• ácido lático - no caso da fermentação lática.
Em condições de aerobiose, a degradação da glicose é completa, formando-se
compostos simples, água e dióxido de carbono (mais pobres em energia do que o
álcool etílico ou o ácido lático).

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Marta Leal

Trocas Gasosas nas Plantas


Nas plantas, as trocas gasosas estão basicamente associadas
a três processos fundamentais: transpiração (perda de vapor
de água), fotossíntese (entrada de CO2e saída de 02) e
respiração aeróbia (entrada de 02 e saída de CO2).

É através dos estomas, localizados principalmente nas folhas,


que ocorrem as trocas gasosas com o meio externo. Estes
são constituídos, basicamente por duas células-guarda que
delimitam uma abertura, o ostíolo, através do qual se
efetuam as trocas gasosas. Nestas células, as paredes
celulares que limitam a abertura são mais espessas que as
paredes opostas. Este facto permite-lhes variar a abertura do ostíolo em função do seu grau de
turgescência. Quando estas células perdem água, ficam plasmolisadas, a pressão de
turgescência diminui e o estoma fecha. Quando as células-guarda estão túrgidas, os ostíolos
abrem.

As variações de turgescência das células-guarda dependem do movimento, por transporte


ativo, de iões K+ para o seu interior. O aumento da concentração desses iões no interior da
célula provoca a entrada de água por osmose com consequente aumento de turgescência e
abertura do estoma. A saída dos iões K* por difusão simples provoca a saída de água para as
células vizinhas, diminuindo o volume celular (célula plasmolisada), o que provoca o fecho dos
estomas.

Os movimentos estomáticos estão, também, dependentes da luz. Quando a planta está à luz e
ocorrem as reações fotoquímicas da fotossíntese, o estoma abre. Na obscuridade, como as
reações fotoquímicas da fotossíntese não se realizam, o estoma fecha. Fatores como a
temperatura, o vento, a humidade e o conteúdo de água no solo também influenciam a
abertura e o fecho dos estomas. (ver acima)

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Marta Leal

Trocas Gasosas nos Animais


Nos animais, os gases respiratórios entram e saem do melo interno do organismo através das
superfícies respiratórias. Essas superfícies, bem como o conjunto de órgãos envolvidos no
desempenho dessa função, constituem o sistema respiratório. Apesar da grande diversidade
das superfícies respiratórias, é possível encontrar em todas elas um conjunto de características
que aumentam a eficácia das trocas gasosas que aí ocorrem:

• São superfícies húmidas, o que permite a dissolução dos gases, necessária à sua
difusão.
• São superfícies finas, constituídas apenas por uma camada de células epiteliais;
• São superfícies altamente vascularizadas;
• Possuem uma área grande relativamente ao volume dos órgãos em que se situam.

Difusão Direta
❖ A difusão direta ocorre quando existe uma troca de gases diretamente entre o ar e o
meio. Ex: insetos.

As trocas diretas de gases através da superfície corporal ocorrem em alguns animais aquáticos
e terrestres com baixas taxas metabólicas e elevada relação superfície/volume corporal. Esta
condição resulta num contacto direto da maioria das células com o meio externo, facto que
possibilita a troca direta entre ambos os meios.

➢ Este tipo de trocas encontra-se na hidra e na planária:


❖ Na hidra a camada de células exterior realiza trocas de gases que se verifica nas
superfícies respiratórias.
❖ Na planária, a sua forma achatada, facilita o contacto de todas as células com o meio
externo.

• Hematose Traqueal
O gafanhoto e outros insetos possuem um sistema respiratório
com difusão direta designado por sistema traqueal. Este
sistema é constituído por espiráculos, pequenos buracos por
onde entra o ar, permitindo uma ventilação ativa, por um
conjunto de canais - traqueias - que se vão ramificando em
traquíolas que se encontraram em contacto com as células,
onde ocorrem as trocas gasosas. O oxigénio difunde-se direta e
rapidamente através de traqueias sem intervenção de um
sistema de transporte, o que permite ao animal altas taxas
metabólicas. O facto de este sistema se ramificar para o interior do corpo minimiza as perdas
de água, podendo ser considerado uma adaptação importante ao ambiente terrestre.

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Marta Leal

Difusão Indireta
❖ A difusão indireta ocorre quando as trocas se realizam entre células e um fluido
circulante.

• Hematose Cutânea
Neste tipo de troca gasosa, os gases difundem-se entre a superfície
do corpo do animal e o sangue, ocorrendo, portanto, difusão
indireta. A ocorrência da hematose cutânea é possível graças à
abundante vascularização existente por debaixo da superfície da
pele e à manutenção da humidade na superfície do corpo -
tegumento. Este último requisito é assegurado quer por glândulas
produtoras de muco, quer pelo habitat húmido característico
destes animais. Este tipo de hematose é comum à minhoca e aos
anfíbios, funcionando nestes últimos como complemento da
hematose pulmonar dos animais adultos. O oxigênio difunde-se
através da pele para o sistema circulatório e é transportado por
este até às restantes células do corpo.

• Hematose Branquial
As brânquias ou guelras são os órgãos respiratórios da
maioria dos animais aquáticos, que se encontram em
contacto direto com a água.

Este tipo de hematose é típico dos animais aquáticos,


podendo considerar-se a existência de dois padrões
básicos: as brânquias externas, expansões vascularizadas
do epitélio projetadas para o exterior, e as brânquias
internas, constituídas por uma enorme quantidade de
lamelas ricamente vascularizadas, representando uma
significativa área de contacto com a água. As brânquias,
situadas na cavidade opercular entre a faringe e o
opérculo, são banhadas por um fluxo contínuo de água
que entra pela boca e sai pela fenda opercular, garantindo
uma eficaz ventilação daquelas estruturas.

Nas lamelas, o sangue circula em sentido oposto ao da passagem da água


na cavidade opercular. Este mecanismo de contracorrente garante o
contacto do sangue progressivamente mais rico em oxigénio, com água,
cuja pressão parcial de oxigénio é sempre superior àquela que existe no
sangue. Daqui resulta a manutenção de um gradiente que assegura a
difusão até valores próximos da saturação da hemoglobina do sangue dos
peixes.

No caso dos peixes ósseos, as brânquias encontram-se muna cavidade, a


câmara branquial, protegidas por uma estrutura óssea móvel, o opérculo.

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Marta Leal

• Hematose Pulmonar
Nos Vertebrados terrestres, a hematose ocorre em
órgãos especializados, os pulmões, basicamente
constituídos por uma rede de tubos de diâmetro cada
vez menor, que terminam em pequenos sacos, os
alvéolos. Estes órgãos foram sofrendo alterações, sendo
de notar, nestes animais, as seguintes tendências
evolutivas:

• Aumento da compartimentação dos pulmões,


que resultou num aumento da área da
superfície respiratória:
• Especialização progressiva dos sistemas de
ventilação;
• Aumento da eficiência da circulação sanguínea.

Os Mamíferos possuem um sistema respiratório


constituído pelas vias respiratórias e pelos pulmões. As
vias respiratórias (fossas nasais, faringe, laringe, traqueia e brônquios) permitem não só o
trajeto do ar nos dois sentidos, entre o interior e o exterior dos pulmões, mas também o
progressivo aquecimento do ar e a retenção de partículas em suspensão. Os pulmões,
localizados na caixa torácica, são elásticos e constituídos por milhares de alvéolos, que
garantem uma área de hematose várias vezes superior à da superfície do corpo. Esta superfície
respiratória recoberta de muco, está separada do sangue apenas pela fina membrana dos
capilares sanguíneos.

Pulmões:
• Superfícies respiratórias internas muito vascularizadas, resultantes de invaginações da
superfície do corpo;
• A difusão de gases a nível pulmonar é indireta;
• Típicos dos vertebrados terrestres, que apresentam diferentes graus de complexidade.
Assim nos:

➢ Anfíbios:
▪ Pulmões em forma de saco, pouco desenvolvidos;
▪ Também efetuam trocas gasosas através da pele.

➢ Répteis:
▪ Pulmões revelam um maior grau de complexidade
relativamente aos pulmões dos anfíbios.

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Marta Leal

➢ Mamíferos:
▪ Pulmões mais complexos formados por uma enorme
rede de alvéolos, dispostos em cacho à volta dos
bronquíolos.
▪ A hematose pulmonar ocorre ao nível dos alvéolos, que
estão rodeados por vasos capilares sanguíneos, o que
facilita e torna mais rápido o intercâmbio de gases.

➢ Aves:
▪ Para além dos pulmões, possuem sacos aéreos
localizados por todo o corpo;
▪ Os sacos aéreos, para além de constituírem reservatórios
de ar, facilitam o voo das aves, pois tornam-nas mais
leves;
▪ A hematose pulmonar ocorre nos parabrônquios -são
finos canais, abertos nas duas extremidades que se
localizam nos pulmões.
▪ Traqueia -> sacos aéreos posteriores -> pulmões -> sacos
aéreos anteriores -> traqueia

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