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Fundamentos Contábeis

1 – Noções Preliminares

1.1 CONCEITO E CAMPO DE ATUAÇÃO DA CONTABILIDADE


A contabilidade é uma ciência metodológica que capta, registra, acumula, resume e interpreta os
fenômenos que afetam as situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer entidade,
seja esta de finalidades não lucrativas, de direito público como o Estado e o Município.
Tem um campo de atuação circunscrito às entidades mencionadas acima, o que eqüivale a dizer,
muito amplo, e sua aplicação é universal.
A sua metodologia tem aplicação em qualquer tipo de pessoa, física ou jurídica, com finalidades
lucrativas ou não.
A contabilidade é conceituada como a ciência que estuda e controla o PATRIMÔNIO das entidades.
Sua finalidade é fornecer informações sobre a composição do patrimônio das entidades e suas
variações.
O objeto de estudo da contabilidade é o patrimônio e seu campo de aplicação é as entidades
econômico-administrativas. Para atingir seu objetivo, seja ele econômico ou social, as entidades
utilizam os bens patrimoniais necessários a seus fins.
As entidades podem englobar tanto aquelas com fins lucrativos ( empresas ), quanto aquelas sem
fins lucrativos ( sociais, filantrópicas, de lazer, ensino, pesquisas, etc. ) que, também possuem um
patrimônio que precisa ser administrados, sobre ele deve fornecer informações a todos os que, direta
ou indiretamente, mantém vínculos de interesses com ela.
Para a contabilidade alcançar sua finalidade ela processa o registro de todos os fatos relacionados
com a formação, a movimentação e as variações do patrimônio administrado vinculado à entidade,
objetivando assegurar seu controle e fornecer informações ao grupo de pessoas que se interessam
pela contabilidade ou que dela necessitam.
Nesse sentido, existe um grupo de pessoas ligadas diretamente as entidades, que podemos chamar
de público interno ( proprietários, sócios, administradores, executivos, diretores e outros ) e, outro
grupo de pessoas, ligadas indiretamente a entidade, aqui chamada de público externo ( bancos,
acionistas, governo, fornecedores de bens e serviços, clientes, sindicatos, entre outros ).
A contabilidade é um sistema de registro e apuração ou medição de riqueza. Todos os lançamentos
contábeis realizados durante um período de tempo e todos os procedimentos que o cercam visam,
fundamentalmente, a medição da riqueza da entidade ao final deste período. Para tanto, a
contabilidade registra sistematicamente o valor das transações que alteram a posição patrimonial da
entidade, evidenciando a formação do resultado econômico ( Lucro ou Prejuízo ).
A contabilidade é o grande instrumento que auxilia a administração de tomar decisões, na verdade,
ela coleta todos os dados econômicos, mensurando-os monetariamente, registrando-os e
sumarizando-os em forma de relatórios ou de comunicados, que contribuem sobremaneira para as
tomadas de decisão.
A contabilidade apresenta suas limitações; as principais são:

 Não é, e nem deve ser entendida como um fim em si mesmo; isso quer dizer que as informações
por ela fornecidas só terão utilidade desde que satisfaçam as necessidades da administração ou
de outros interessados, e não apenas às do contador;

 A contabilidade só é capaz de captar e registrar, normalmente, eventos mensuráveis em moeda


quando sabemos que, em quase todas as decisões, muitos outros elementos não-quantitativos
devem ser levados em conta para uma decisão adequada;

 Existe ainda muita confusão entre os contadores, no que diz respeito aos princípios contábeis, a
procedimentos de avaliação, bem como, quanto aos termos utilizados na contabilidade das
entidades.

O resultado de tais limitações, segundo os autores, é que os relatórios contábeis não expressam
exatamente a realidade financeira e econômica da entidade, mesmo que estatisticamente concebida,
como muitos possam julgar, pela exuberante exatidão dos cálculos e somas que vão até centavos.
Muitas vezes a contabilidade fornece um retrato desfocado ou defasado de uma paisagem
empresarial; não devemos nos humilhar por isto, pois o mesmo acontece com outros métodos
quantitativos. O importante é ter consciência do grau de limitação inerente ao método para não nos
iludirmos em demasia, e, tampouco, iludir os outros com aparente exatidão dos números
apresentados pela contabilidade que, no fundo, são apenas aproximações de uma realidade bem
mais complexa.

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1.2 GRUPO DE PESSOAS E DE INTERESSES QUE NECESSITAM DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL

1.2.1 Sócios, Acionistas e Proprietários:


Essas pessoas, interessadas primariamente na rentabilidade e segurança de seus
investimentos, necessitam de informações resumidas que permitam fazer análises para
verificarem e/ou constatarem a viabilidade do seu negócio.

1.2.2 Administradores, Diretores e Executivos:


O interesse nos dados contábeis destas pessoas atinge um grau de profundidade e análise
muito maior do que para os demais grupos. De fato, são eles os agentes responsáveis pelas
tomadas de decisões dentro de cada entidade.

1.2.3 Bancos, Capitalistas, Emprestadores de Dinheiro:


Para estas entidades e pessoas, as perguntas são mais ou menos parecidas às formuladas
pelas pessoas citadas no item 1.2.1, com a diferença de que a finalidade deste grupo é a
rentabilidade e segurança de retorno de seus investimentos. Estes serão os primeiros a
abandonar o barco em perigo de naufrágio.

1.2.4 Governo e Economistas Governamentais:


As repartições e economistas governamentais têm duplo interesse nas informações contábeis.
Em primeiro lugar, freqüentemente baseado em tais informações é que se exerce o poder de
tributar e arrecadar impostos, taxas e contribuições. Isto é especialmente verdadeiro no caso da
maioria das empresas, cujo imposto de renda é taxado a partir dos balanços. Em segundo lugar,
os economistas encarregados de análises globais ou setoriais de nossa economia interessam-se
pelos dados contábeis das diversas unidades microeconômicas, os quais, convenientemente
agregados e tratados estatisticamente, podem fornecer bases adequadas para as análises
econômicas.

1.2.5 Pessoas Físicas:


A contabilidade não deixa de desempenhar seu papel de ordem e controle das finanças também
no caso dos patrimônios individuais. Freqüentemente, as pessoas se esquecem de que alguns
conhecimentos de contabilidade e orçamento muito as ajudariam no controle, ordem e equilíbrio
de seus orçamentos domésticos.

1.3 FINALIDADES PARA AS QUAIS SE USAM INFORMAÇÕES CONTÁBEIS

1.3.1 Finalidade de Controle:


Pode ser conceituado como um processo pelo qual a alta administração se certifica, na medida
do possível, de que a organização está agindo de conformidade com os planos e políticas
traçados pelos donos de capital e pela própria alta administração.
A informação contábil é útil ao processo de controle das seguintes formas:

• Como meio de comunicação: Os relatórios contábeis podem ser de grande auxílio, ao


informar a organização a respeito dos planos e políticas da administração e, em geral, das
formas de comportamento ou ação que a administração deseja atribuir à organização.

• Como meio de verificação: Periodicamente, a administração necessita avaliar a qualidade


dos serviços executados pelo empregados. A apreciação desse desempenho pode resultar
em acréscimo de salários, promoções, ações corretivas, ou, em casos extremos, demissões.
A informação contábil pode auxiliar este processo de avaliação.

1.3.2 Finalidade de Planejamento:


É o processo de decidir que curso de ação deverá ser tomado no futuro.
Normalmente, o processo de planejamento consiste em considerar vários cursos alternativos de
ação e decidir qual o melhor. A informação contábil, principalmente no que se refere ao
estabelecimento de padrões e ao inter-relacionamento da contabilidade com os planos
orçamentários, é de grande utilidade no planejamento empresarial.

1.4 ESPECIALIZAÇÕES CONTÁBEIS E FUNÇÕES CONTÁBEIS TÍPICAS


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1.4.1 Planificação da Contabilidade:


Entre as providências iniciais para se colocar em funcionamento uma empresa, é a necessidade
da planificação geral do setor contábil. Deve-se estudar a natureza da entidade, verificar os tipos
de transações que provavelmente ocorrerão e planejar a maneira pela qual estas transações
deverão ser registradas, sintetizadas e evidenciadas. Elabora-se, finalmente, um Plano e um
Manual de Contas adequadas. Deve-se escolher o processo de escrituração a ser adotado. Essa
escolha depende do volume e da complexidade dos registros que poderão ocorrer. O trabalho de
planificar a Contabilidade é um dos que exigem mais experiência, perspicácia e bom-senso.

1.4.2 Escrituração Contábil:


Quando a Contabilidade é bem planejada, grande parte do processo de escrituração se torna
rotineiro e pode ser realizado por simples escriturários. Todavia, em qualquer empresa surgem, a
todo momento, problemas que só podem ser resolvidos por profissionais habilitados. Às vezes,
trata-se de problemas de interpretação e classificação de novos fatos ou operações que não
estavam previstos na planificação inicial. É nesta hora que a presença do Administrador se torna
mais importante, na solução destes problemas.

1.4.3 Elaboração e Interpretação de Relatórios:


Os relatórios contábeis, tais como Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultados,
Balancetes de Verificação e muitos outros, são resultado final do processo de escrituração. Todo
o trabalho de acumulação de registros e dados sistematicamente classificados, que constitui a
rotina contábil, tem por finalidade inserir os dados colhidos em relatórios contábeis, os quais
devem ainda ser interpretados, no sentido contábil, por profissionais habilitados, a fim de
proporcionar, à administração e aos demais interessados, informações relevantes para as
tomadas de decisões.

1.5 LIMITAÇÕES DO MÉTODO CONTÁBIL


É preciso, todavia, dizer algo a respeito das limitações do método contábil. Em primeiro lugar, a
Contabilidade não é e nem deve ser entendida como um fim em si mesma. Isto que dizer que as
informações por ela fornecidas só terão utilidade desde que satisfaçam às necessidades da
administração ou de outros interessados, e não apenas às do contador. Em segundo lugar, a
Contabilidade só é capaz de captar e registrar, normalmente, eventos mensuráveis em moeda
quando sabemos que, em quase todas as decisões, muitos outros elementos não-quantitativos
devem ser levados em conta para uma decisão adequada.

1.6 PROCEDIMENTOS CONTÁBEIS BÁSICOS SEGUNDO O MÉTODO DAS PARTIDAS DOBRADAS


Existe um conjunto de regras, normas e princípios que formam o arcabouço teórico que sustenta
toda a ciência contábil. Segundo vários autores, tais regras ou normas são importantes e
necessárias à uniformização dos procedimentos utilizados pela contabilidade.
Entre os contadores há um consenso geral na aceitação dessas regras, por isso se diz que são
princípios contábeis geralmente aceitos. Também, seguindo esses princípios contábeis, o Conselho
Federal de Contabilidade ( CFC ) regulamentou as Normas Brasileiras de Contabilidade ( NBC ) que,
fazem parte do Código de Ética Profissional do Contabilista. Tais princípios ( ou normas ) são os
seguintes:

 Princípio da Entidade: O patrimônio da entidade não se confunde com dos seus sócios ou
acionistas, ou proprietário individual;

 Princípio da Continuidade: A vida da entidade é continuada, por conseqüência, como as


demonstrações contábeis são estáticas, não podem ser desvinculadas dos períodos anteriores e
subseqüentes; se ocorrer a descontinuidade, o fato deve ser divulgado;

 Princípio da Expressão Monetária: O patrimônio e as operações da entidade devem ser


expressos na moeda em vigor no País, convertendo-se nesta as transações realizadas em outra
moeda;

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 Princípio da Competência: As receitas e os gastos ( custos e despesas ) devem ser
reconhecidos na apuração do resultado do período a que pertencem e, de forma simultânea,
quando se correlacionarem. Os gastos devem ser reconhecidos independentemente do seu
pagamento e as receitas somente quando de sua realização;
 Princípio da Oportunidade: As mudanças nos Ativos, Passivos e na expressão do Patrimônio
Líquido devem ser reconhecidas formalmente nos registros contábeis logo que ocorrerem, ainda
que seus valores sejam razoavelmente estimados e as provas documentais posteriormente
complementadas;

 Princípio da Formalização dos Registros Contábeis: Os atos e fatos administrativos devem


estar consubstanciados em registros apropriados. Qualquer que seja o processo adotado para
tais registros, devem ser sempre preservados os elementos de comprovação necessários a sua
verificação não só quanto à precisão como a perfeita compreensão das demonstrações
contábeis;

 Princípio da Terminologia Contábil: Os termos utilizados nos registros e nas demonstrações


contábeis conseqüentes devem expressar, tanto quanto possível, o verdadeiro significado das
transações ocorridas, preservando-se expressões no idioma nacional;

 Princípio da Periodicidade: Os exercícios contábeis deverão ser de igual duração, o que


permitirá a sua compatibilidade, a avaliação da eficiência e eficácia da gestão;

 Princípio da Prudência: O critério de menor valor para os itens do Ativo e da Receita, e o de


maior valor para os itens do Passivo e Gastos ( Custos e Despesas ), com efeitos
correspondentes no Patrimônio Líquido, serão adotados para registro, diante de opções de
escolha de valor;

 Princípio da Uniformidade: Os critérios aplicados em um período, nos registros contábeis e nos


levantamentos deles decorrentes devem ser mantidos, nos períodos subsequentes. Contudo, em
certas circunstâncias havendo mudanças de critérios, o seu efeito nas demonstrações contábeis
deve ser divulgado;

Existem dois métodos fundamentais para se proceder a escrituração contábil dos fatos e transações
que movimentam a empresa: o método das partidas simples e o das partidas dobradas.
O método das partidas simples, as operações realizadas são registradas uma única vez, não se
fazendo a contrapartida.
O método das partidas dobradas, ao contrário, dita um modo de lançamento em cada transação, que
é registrado em função de uma contrapartida, ou seja, o mesmo valor é lançado em duas contas no
mínimo, através de débito(s) e crédito(s) simultâneos, a fim de manter o equilíbrio patrimonial. A
essência desse método universalmente aceito é que não há débito(s) sem crédito(s)
correspondente(s). Consequentemente, a soma do(s) lançamento(s) feito(s) a débito(s) deverá(ão)
ser igual(is) à soma do(s) lançamento(s) feito(s) a crédito(s), em prefeito equilíbrio.
O método das partidas dobradas é um sistema obrigatório para todas as pessoas jurídicas e, exige
pessoal especializado ( contadores ) para condução e responsabilidade técnica da contabilidade, já
que tudo é formalizado por normas internacionalmente aceitas.
Apenas para ilustrar, um exemplo de partida dobrada poderia ser: compra a prazo de mercadorias,
nesse caso, o lançamento envolveria duas contas ( mercadorias e fornecedores ), ou seja, aumenta
a conta Mercadorias ( Ativo ) que é debitada e, como contrapartida, aumenta a conta Fornecedores
( Passivo ) que é creditada.
Outro exemplo poderia ser: compra a vista de uma máquina através da emissão de cheque da
empresa, neste caso, aumenta a conta Máquinas ( Ativo ) que é debitada e, como contrapartida,
diminui a conta Banco conta Movimento ( Ativo ) que é creditada.
Não temos aqui o objetivo de ensinar o método das partidas dobradas, mas sim, trabalharmos com
as informações fornecidas pela contabilidade realizada através desse método para subsidiar nas
tomadas de decisão.

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As técnicas contábeis estão relacionadas a todos os procedimentos básicos de condução do
processo contábil que, são padronizadas e seguidas por todos os contadores. Resume as técnicas
contábeis nos seguintes passos:

a) Definição do Plano de Contas: Tem como função possibilitar a adequada forma de controle do
patrimônio da entidade contabilizada. Dessa forma, deve-se prever um elenco de todas as
contas necessárias aos registros contábeis. O Plano de Contas é composto, basicamente, por
uma relação de contas patrimoniais ( Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido ) e contas de resultado
( Receitas e Gastos ( custos e despesas ) ), agrupadas segundo suas funções e,
complementadas por instruções que expliquem a sua composição e seu funcionamento.
Subdivide-se em contas sintéticas e contas analíticas, conforme:
Contas Sintéticas: São contas que não recebem lançamentos ( débitos e créditos ); apenas
acumulam valores das contas de níveis menores que pertencem ao seu grupo ou subgrupo;

Contas Analíticas: São contas que recebem lançamentos, ou seja, debita-se e/ou credita-se valores
nestas contas; são as contas do último nível de cada grupo ou subgrupo a que pertence.

b) Escrituração: Refere-se ao registro de todos os fatos contábeis ( transações ) que possam ser
expressos em termos monetários no Livro Diário, bem como nas Fichas do Razão, devidamente
comprovados através de documentos. No Livro Diário cada lançamento é chamado de partida de
diário e, são efetuados em ordem cronológica a medida que vão ocorrendo no cotidiano das
empresas. Já, as Fichas do Razão tem a função de agrupar os lançamento em cada conta
individual. Passando o mês, é preciso levantar o Balancete de Verificação para relacionar todos
os saldos diferentes de zero de cada conta da contabilidade, este saldo é o mesmo que costa
em cada Ficha do Razão. O Balancete de Verificação é uma forma de checar se o total de
débitos das contas confere com o total de créditos, afim de manter o equilíbrio patrimonial.
Atualmente, com o avanço da informática existem softwares específicos de contabilidade que
facilitam o processo de escrituração, processamento e emissão de relatórios da contabilidade.

Livro Diário: Tem a finalidade de registrar diariamente todas as ocorrências de transações


(lançamentos contábeis) da empresa; são necessários alguns requisitos básicos para um
lançamento, conforme: a data do lançamento, a conta a ser debitada, a conta a ser creditada, o valor
do lançamento e o histórico.

Fichas do Razão: Tem a finalidade de registrar a movimentação individual de cada conta; este livro
é preenchido simultaneamente com o livro diário.

Balancete de Verificação: É o instrumento contábil que apresenta, de forma agrupada, todas as


contas que tiveram movimentação em determinado período. Este levantamento é feito através do
livro razão das respectivas contas. O objetivo deste demonstrativo é dar uma visão preliminar das
situações das contas e suas movimentações, sendo de grande importância para constatação de
possíveis erros de classificação e escrituração.

c) Elaboração das Demonstrações Contábeis: Após o encerramento do período contábil é


possível elaborar as demonstrações contábeis que expressam a situação patrimonial, além do
resultado ( lucro ou prejuízo ) do período. As principais demonstrações contábeis-financeiras de
uma empresa são o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício.

d) Auditoria: Trata-se do exame ou da verificação da exatidão dos procedimentos contábeis.


Existem dois tipos de pessoas que fazem a auditoria na contabilidade das empresas: o primeiro,
é o auditor independente (externo), ou seja, aquele que não possui vínculo de emprego com a
empresa sendo remunerado para realizar o trabalho de auditoria, é um profissional liberal,
embora possa estar vinculado a uma empresa de Auditoria; o segundo, é o auditor interno que é
empregado da empresa em que faz o exame da contabilidade.

e) Análise das Demonstrações Financeiras: Também conhecida por “Análise de Balanços”,


refere-se ao processo de análise das demonstrações financeiras da empresa com o objetivo de
levantar aspectos sobre a sua “saúde financeira”. Os objetivos dessa análise podem ser

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diversos: medidas de desempenho, concessão de créditos ( por bancos e financeiras ),
investimentos, entre outros.

2 – Estática Patrimonial

Ativo Passivo
Caixa 1.000 Títulos a Pagar 3.500
Bancos 800 Obrigações a Pagar 1.800
Duplicatas a Receber 3.000
Terrenos 1.700 Patrimônio Líquido
Veículos 500 Capital Social 4.000
Materiais 3.000 Lucros Acumulados 700

Total do Ativo 10.000 Total Passivo + Patr. Líquido 10.000

2.1 ATIVO
O Ativo compreende os bens e os direitos, da entidade, expressos em moeda corrente nacional.
Ex: Caixa, Bancos (ambos constituem disponibilidades financeiras imediatas), Imóveis, Veículos,
Equipamentos, Mercadorias, Títulos a Receber, Clientes (estes últimos sendo quantias que terceiros
devem à entidade, em virtude de transações de crédito, tais como empréstimos de dinheiro ou
vendas a prazo), são alguns dos bens e direitos que uma empresa normalmente possui.
Todos os elementos componentes do Ativo acham-se discriminados no lado esquerdo do Balanço
Patrimonial.

2.2 PASSIVO
O Passivo compreende basicamente as obrigações a pagar, isto é, as quantias que a empresa
deve a terceiros. Conhecido também como Capital de Terceiros ou Exigível Total.
Ex: Títulos a Pagar, Contas a Pagar, Fornecedores a Pagar, Salários a Pagar, Impostos a Pagar, são
algumas das obrigações assumidas normalmente por uma entidade.
Todos os elementos componentes do Passivo estão discriminados no lado direito do Balanço
Patrimonial.

2.3 PATRIMÔNIO LÍQUIDO


O Patrimônio Líquido compreende as obrigações, da entidade, para com os seus sócios e/ou
acionistas. Também é conhecido como Capital Próprio. Define-se também como sendo a diferença
entre o valor do Ativo e o Passivo

2.4 FONTES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO


O Patrimônio Líquido de uma entidade pode ser proveniente das seguintes fontes:

• Investimentos efetuados pelos proprietários em troca de ações, quotas ou outras participações;

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• Lucros acumulados na entidade como fonte (adicional) de financiamento.

2.5 EQUAÇÃO FUNDAMENTAL DO PATRIMÔNIO


A representação quantitativa do patrimônio de uma entidade é conhecida pela expressão Balanço
Patrimonial. Sabemos que, pela própria definição: Patrimônio é o conjunto de bens, direitos e
obrigações de uma entidade. É por esta razão que o balanço costuma ser denominado Balanço
Patrimonial.

ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO


( lado esquerdo ) ( lado direito )

2.6 A NATUREZA DEVEDORA E CREDORA DOS GRUPOS E CONTAS DO BALANÇO


PETRIMÔNIAL
As contas do Ativo, que representam os bens e direitos da entidade, têm natureza devedora, ou
seja, os saldos das contas que integram este grupo, devem apresentar os saldos devedores.
Embora pareça estranho, em função de serem bens e direitos pertencentes a empresa, a análise
deve ser feita considerando que cada conta, que contem valores nela, devem, para a empresa,
estes valores nelas contidos; a análise é de dentro para fora, como se fossa um espelho.
Um exemplo disso é a conta Bancos: a empresa deposita uma determinada quantia em um banco
em que tem conta corrente; o valor depositado pela empresa é um bem dela, porem, no momento
em que deposita esse numerário no banco, é o banco que passa a dever para empresa, por estar de
posse de um valor dela. Esta mesma análise deve ser feita para as demais contas e grupos que
formam o Ativo.
Já as contas dos grupos Passivo e Patrimônio Líquido, que representam as obrigações e deveres da
empresa, têm natureza credora, ou seja, os saldos das contas que integram estes grupos, devem
apresentar os saldos credores.
A mesma analogia feita para o Ativo, deve ser feita em relação ao Passivo e Patrimônio Líquido, ou
seja, cada conta que contem valores nela, tem um crédito com a empresa, no valor nela contido; a
análise também é de dentro para fora, como se fosse um espelho.
Um exemplo é a conta Fornecedores a Pagar: a empresa compras a prazo de um determinado
fornecedor; na sua contabilidade, fará uma entrada de numerário na conta Fornecedores a Pagar, e
neste momento, a conta Fornecedores a Pagar passa a ter um crédito para com a empresa, no valor
nela contido.
Para melhor entendimento, vide o quadro abaixo:

Resumo do mecanismo de Débito e Crédito


Efetua-se um lançamento a:
Contas
Débito Crédito
de para para
Ativo Aumentar Diminuir
Passivo Diminuir Aumentar
Patrimônio Líquido Diminuir Aumentar

2.7 RAZONETES
Todas as contas, para efeito de lançamentos, serão representadas por um razonete em “T”,
conforme modelo abaixo:

Razonete em “T”

Lado Esquerdo Lado Direito

Lançamento Lançamento

A a
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“ Débito ” “ Crédito ”

Qualquer conta, independentemente de ser de natureza devedora ou credora, pode receber


lançamentos a débito ou a crédito; para se saber quando debitar ou quando creditar uma conta é só
identificar a sua natureza (devedora ou credora) e saber o seguinte:

• Para aumentar o saldo de uma conta de natureza devedora, deve-se fazer um lançamento a
débito;
• Para diminuir o saldo de uma conta de natureza devedora, deve-se fazer um lançamento a
crédito;
• Para aumentar o saldo de uma conta de natureza credora, deve-se fazer um lançamento a
crédito;
• Para diminuir o saldo de uma conta de natureza credora, deve-se fazer um lançamento a
débito.
3 – Estrutura das Demonstrações Contábeis
De acordo com o artigo 176 da Lei no. 6.404, de 15/12/1976, conhecida, também, como Lei das
Sociedades por Ações, é obrigatório à publicação pelas companhias, ao final de cada exercício social
com duração de um ano, as seguintes demonstrações financeiras, também conhecidas como
demonstrações contábeis, a saber:

a) Balanço Patrimonial ( BP );
b) Demonstração do Resultado do Exercício ( DRE );
c) Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados ( DLPA ) ou Demonstração das Mutações do
Patrimônio Líquido ( DMPL );
d) Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos ( DOAR ).

Obs: A publicação, na sua totalidade, só é obrigatória nas empresas com a forma jurídica de Sociedade
Anônima; para as outras empresas, com outra forma jurídica ( Individual e Ltda. ) não é obrigado estas
publicações, embora seja utilizado, por elas, a mesma estrutura do Balanço Patrimonial ( BP ) e da
Demonstração do Resultado do Exercício ( DRE ), mas não as publicam.

BALANÇO PATRIMONIAL: Demonstra a situação patrimonial estática da empresa em determinado


momento; ele encerra a seqüência dos procedimentos contábeis, apresentando de forma ordenada os
três elementos componentes do patrimônio: Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. A maioria das
empresas brasileira encerra o balanço em 31 de dezembro de cada ano, coincidindo com o
encerramento do ano civil. No Balanço Patrimonial, as contas representativas do ATIVO, do PASSIVO e
do PATRIMÔNIO LÍQUIDO devem ser agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da
situação financeira da companhia e apresentadas em ordem decrescente de grau de liquidez para o
ATIVO, e de exigibilidade para o PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO.

Estrutura e conteúdo do Balanço Patrimonial segundo a Lei das SAs, na forma bilateral:
ATIVO PASSIVO
Circulante Circulante
Disponível Exigível a Longo Prazo
Realizável Resultados de Exercícios Futuros
Despesas Antecipadas PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Realizável a Longo Prazo Capital Social
Permanente Reservas de Capital
Investimentos Reservas de Reavaliação
Imobilizado Reservas de Lucro
Diferido Lucros ( ou Prejuízos ) Acumulados

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ATIVO: São os Bens e Direitos da empresa. Tudo que a ela pertence, mesmo que ela não tenha a
posse do bem, mas tenha o direito. Subdivide-se em:

ATIVO CIRCULANTE: Classificam-se todos os bens e direitos que se convertem em dinheiro a curto
prazo. Considera-se como curto prazo os valores realizáveis (conversíveis em dinheiro) até o final do
exercício seguinte. Caso o ciclo operacional da empresa seja superior a um ano, esse prazo é
considerado curto prazo.
As contas desse grupo podem ser agrupadas em três subgrupos, a saber:

a) Disponível: São recursos que podem ser utilizados imediatamente, sem restrições. A empresa tem a
posse. A conta caixa representa o numerário (dinheiro) existente na empresa; a conta banco
representa os recursos depositados em instituições financeiras para livre movimentação; as
aplicações financeiras de liquidez imediata são aplicações financeiras de imediata conversibilidade
em dinheiro;

b) Realizável: São recursos aplicados em direitos que poderão ser convertidos em dinheiro no prazo
de um ano, ou seja, durante o exercício social seguinte. A conta Duplicatas a Receber, os Estoques,
e outras.

c) Despesas Antecipadas: São recursos aplicados antecipadamente, que geram benefícios ou


serviços em períodos (meses seguintes) e no exercício seguinte; também chamada de Despesas do
Exercício Seguinte. A conta Prêmios e Seguros a Apropriar, Encargos financeiros a Apropriar, e
outras.

ATIVO REALIZÁVEL À LONGO PRAZO: É composto de diretos realizáveis após o término do exercício
seguinte, e com a mesma natureza (contas) do ativo circulante.

ATIVO PERMANENTE: É composto de três subgrupos, conforme:

a) Investimentos: É composto de contas que não se destinam especificamente à manutenção das


atividades operacionais da empresa.
Ex: Participação Acionária em Empresas Controladas e Coligadas (outras empresas); Obras de Arte;
Terrenos e Imóveis para utilização com a finalidade de se obter ganhos de capital.

b) Imobilizado: É composto de bens e direitos que se destinam à manutenção das atividades normais
da empresa. Normalmente são reduzidas pelas respectivas contas credoras de Depreciação,
Amortização e Exaustão, conforme o caso. Algumas contas do Imobilizado são: Terrenos, Edifícios,
Instalações, Máquinas e Equipamentos, e outras.

c) Diferido: É composto de despesas incorridas em determinados exercícios, mas que contribuirão


para a formação do resultado de mais de um exercício social.
Ex: Gastos com Implantação e Gastos Pré-Operacionais.

PASSIVO: São as Obrigações e Deveres da empresa. Tudo que ela deve. Subdivide-se em:

PASSIVO CIRCULANTE: São as obrigações exigíveis a curto prazo, ou seja, que se realizarão até o
final do exercício seguinte.
Ex: Fornecedores a Pagar, Encargos Sociais a Pagar, Impostos a Pagar, Empréstimos a Pagar, e outras.

PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO: Classifica-se todas as obrigações exigíveis após o término do
exercício social seguinte, ou após o ciclo operacional da empresa.
Ex: Todas as contas do Passivo Circulante que se enquadrem no longo prazo.

RESULTADOS DE EXERCÍCIOS FUTUROS: São lançadas neste grupo as receitas líquidas, ou seja, as
receitas diminuídas dos custos e despesas incorridos ou a incorrer, relacionadas àquela receita.
Ex: Recebimentos Adiantados de Aluguéis e Vendas para Entrega Futura.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO: Representa os recursos próprios da empresa, que pertencem a seus acionistas
ou sócios. É constituído pelos seguintes grupos:
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a) Capital Social: Representa os valores efetivamente integralizados pelos acionistas (ou sócios). É
demonstrado com o valor do capital subscrito deduzido pela conta devedora que representa o capital
a integralizar;

b) Reservas de Capital: São valores recebidos pelas empresas e que não são exigíveis e nem são
receitas.
Ex: Correção Monetária do Capital realizado; outras.

c) Reservas de Reavaliação: Representam valores gerados pelos aumentos de valor dos ativos
reavaliados com base em laudos técnicos emitidos por peritos ou empresas especializadas em
reavaliação de ativos;

d) Reservas de Lucros: São constituídas com lucros retidos para finalidades específicas:
A Reserva Legal é constituída com a parcela de 5% do lucro, limitada a 20% do Capital Social;

As Reservas Estatutárias são constituídas de acordo com o que determina o estatuto da empresa;

As Reservas para Contingências tem a finalidade de compensar uma provável perda ou prejuízo
no futuro;

e) Lucros (ou Prejuízos) Acumulados: São lucros (ou prejuízos) remanescentes do exercício social
atual ou anteriores, que não tiveram destinação específica.

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO: É uma demonstração contábil que apresenta o


fluxo de receitas e gastos, que resulta em aumento ou redução do patrimônio líquido. Ela deve ser
apresentada de forma dedutiva, isto é, inicia-se com a Receita Operacional Bruta e dela deduz-se custos
e despesas, para apurar o lucro líquido.

Estrutura e conteúdo da Demonstração do Resultado segundo a Lei das SAs:


NOMENCLATURAS VALORES
RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas de Mercadorias 0,00
Vendas de Serviços 0,00
( = ) SOMA RECEITA OPERACIONAL BRUTA 0,00
( - ) DEDUÇÕES DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Vendas Canceladas 0,00
Devoluções e Abatimentos 0,00
Impostos Incidentes sobre as Vendas e Serviços 0,00
( = ) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 0,00
( - ) CUSTOS OPERACIONAIS
Custo das Mercadorias Vendidas 0,00
Custo dos Produtos Vendidos
Custo dos Serviços Prestados 0,00
( = ) RESULTADO BRUTO OPERACIONAL 0,00
( - ) DESPESAS OPERACIONAIS
Despesas de Vendas 0,00
Despesas Administrativas 0,00
Despesas Financeiras 0,00
Outras Receitas e Despesas Operacionais 0,00
( = ) LUCRO (OU PREJUÍZO) OPERACIONAL 0,00
( + ) OU ( - ) RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS 0,00
( = ) LUCRO ANTES DO IR E DA CS (OU PREJUÍZO) DO PERÍODO 0,00
( - ) PROVISÃO PARA O IR E A CS 0,00
( = ) LUCRO DEPOIS DO IR E DA CS (OU PREJUÍZO) DO PERÍODO 0,00
( - ) PARTICIPAÇÕES, CONTRIBUIÇÕES E DISTRIBUIÇÕES 0,00
( = ) LUCRO (OU PREJUÍZO) LÍQUIDO DO PERÍODO 0,00

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Fundamentos Contábeis
RECEITA OPERACIONAL BRUTA: Apresenta o valor das vendas a vista e a prazo de mercadorias e/ou
produtos, bem como de serviços prestados, e incluem todos os impostos. É chamada, também, de
Faturamento Bruto.

DEDUÇÕES DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA: Esse grupo de conta deduz a Receita Bruta, para
gerar a Receita Líquida. É composto pelas seguintes contas:

 Vendas Canceladas: Representam as mercadorias devolvidas pelos clientes e canceladas;

 Devoluções e Abatimentos: São devoluções recebidas e/ou descontos concedidos a clientes, por
defeitos apresentados pelos produtos vendidos;

 Impostos Incidentes sobre as Vendas e Serviços: Representam os impostos incidentes sobre


as vendas e os serviços prestados, gerados por meio da emissão de notas fiscais e faturas, tais
como: IPI, ICMs, ISS, PIS e COFINS.

RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA: Corresponde ao valor obtido pela Receita Operacional Bruta
deduzida da Vendas Canceladas, Abatimentos e os Impostos.

CUSTOS OPERACIONAIS: Esse grupo é composto pelas seguintes contas:

 Custo das Mercadorias Vendidas (CMV): Representa o valor correspondente às parcelas


vendidas, das mercadorias adquiridas prontas para serem comercializadas.

CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final

 Custo dos Produtos Vendidos (CPV): Representa a parcela vendida dos custos incorridos pela
empresa em seu processo de fabricação.

CPV = EIPA + CPP – EFPA, onde:

EIPA = Estoque Inicial de Produtos Acabados;


CPP = Custo de Produção do Período;
EFPA = Estoque Final de Produtos Acabados.

 Custo dos Serviços Prestados (CSP): Representa os custos incorridos para gerar serviços e é
composto pelos custos da mão-de-obra utilizada, dos materiais aplicados e outros gastos.

RESULTADO BRUTO OPERACIONAL: O Resultado Bruto Operacional é a diferença entre a Receita


Operacional Líquida e os Custos dos Produtos Vendidos. Conhecido também como LUCRO BRUTO e
ainda RESULTADO COM MERCADORIAS.

DESPESAS OPERACIONAIS: São necessárias para promover, vender e distribuir os produtos,


administrar a empresa e financiar operações. Os principais subgrupos são:

 Despesas de Vendas: São compostas de gastos com pessoal de vendas, comissões sobre vendas,
propaganda e publicidade, etc.

 Despesas Administrativas: São gastos incorridos para administrar a empresa. São constituídas de:
salário e encargos sociais do pessoal administrativo, honorário do conselho e diretoria, aluguéis de
escritórios, etc.

 Despesas Financeiras: São compostas de contas como: juros pagos ou incorridos, descontos
concedidos, comissões bancárias, etc.

Página no: 11
Fundamentos Contábeis
 Outras Receitas e Despesas Operacionais: São receitas e despesas não classificáveis em
subgrupos anteriores, como: receitas de aplicações financeiras, vendas de sucatas, etc.

LUCRO (OU PREJUÍZO) OPERACIONAL: É o valor obtido após deduzir as despesas operacionais do
Resultado Bruto Operacional.

RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS: São despesas e/ou receitas não relacionadas diretamente com o
negócio da empresa. São constituídos basicamente de ganhos e perdas de capitais provenientes de
baixas ou vendas dos elementos do ativo permanente.

LUCRO ANTES DO IR E DA CS (OU PREJUÍZO) DO PERÍODO: É a diferença entre o lucro operacional


e os resultados não operacionais. Também conhecido como LAIR.

PROVISÃO PARA O IR E A CS: O Imposto de Renda e a Contribuição Social são calculados sobre o
lucro real, que é calculado com a adição de despesas não dedutíveis e de outros valores possíveis de
tributação, e dedução de prejuízos de exercícios anteriores.

LUCRO DEPOIS DO IR E DA CS (OU PREJUÍZO) DO PERÍODO: Corresponde a diferença entre o


LAIR e a Provisão do IR e da CS.

PARTICIPAÇÕES, CONTRIBUIÇÕES E DISTRIBUIÇÕES: São calculadas sobre o lucro após o Imposto


de Renda e a Contribuição Social, as participações estatutárias no lucro, de empregados,
administradores e partes beneficiárias.

LUCRO (OU PREJUÍZO) LÍQUIDO DO PERÍODO: É o resultado final do exercício social, que fica a
disposição dos acionistas (ou sócios) da empresa, para ser distribuído e para constituir reservas de
lucros. Se o resultado final for prejuízo líquido, poderá ser compensado com lucros acumulados de
exercícios anteriores ou reservas de lucros.

CONTAS REDUTORAS DO BALANÇO PATRIMONIAL E DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO


EXERCÍCIO: São contas que diminuem o valor do grupo a que pertencem. Dentre outras, passamos
abaixo uma relação de contas, conforme:
• Duplicatas Descontadas: Conta analítica, do Balanço Patrimonial, redutora do Ativo Circulante
Realizável, de natureza credora; normalmente aparece abaixo da conta Duplicatas a Receber. A
conta Duplicatas Descontadas somente existirá se existir também a conta Duplicatas a Receber. É
uma prática comum as empresas descontarem em instituições bancárias parte de suas duplicatas a
receber, obtendo no ato o valor das mesmas deduzidos de despesas bancárias e de juros relativos
ao período a transcorrer entre a data da operação de desconto e o vencimento das duplicatas. Como
a empresa continua co-responsável perante ao banco, deve saldar a dívida caso o cliente, cuja
duplicata foi descontada, falte ao pagamento no vencimento. Por esse motivo, o montante das
Duplicatas a Receber descontadas na data do balanço deve ser demonstrado como conta redutora
das contas a receber respectivas, de modo a esclarecer que a empresa negociou aqueles direitos, n
o entanto, pode ter que readquiri-los se o devedor faltar com o pagamento. O lançamento contábil
será:

Débito: Bancos Conta Movimento


Conta pertencente ao Ativo Circulante Disponível, de natureza devedora;

Débito: Despesas de Juros


Conta de resultado, pertencente à Demonstração de Resultado do Exercício (DRE), de
natureza devedora;

Crédito: Duplicatas Descontadas


Conta redutora, pertencente ao Ativo Circulante Realizável.

• Provisão para Devedores Duvidosos: Conta analítica, do Balanço Patrimonial, redutora do Ativo
Circulante Realizável, de natureza credora; normalmente aparece abaixo da conta Duplicatas a
Receber e se existir, abaixo também da conta Duplicatas Descontadas. Contabilmente não há um
procedimento específico para apuração do valor da provisão, que pode variar de empresa para
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Fundamentos Contábeis
empresa, de acordo com os aspectos peculiares de seus clientes, ramo de negócios e a conjuntura
econômica do momento. Atualmente a legislação fiscal não fixa percentuais para apuração, uma vez
que essa provisão, não é mais dedutível do resultado tributável. Assim sendo, é de responsabilidade
do contador e dos administradores da empresa avaliarem o assunto para definir a forma de
constituição e ajustes da provisão, de modo que esta não distorça as demonstrações financeiras e os
resultados da empresa.

• Depreciação, Amortização e Exaustão: Com exceção de terrenos e de alguns outros itens, os


elementos que integram o Ativo Permanente Imobilizado têm um período limitado de vida útil
econômica. Dessa forma, o custo de tais ativos devem ser alocados aos exercícios beneficiados pelo
seu uso no decorrer de sua vida útil econômica, mediante apropriação das quotas mensais ou anuais
de depreciação, amortização ou exaustão que devem representar o efetivo desgaste do bem, sua
perda de utilidade ou a perda de sua capacidade produtiva.

1. Depreciação: É contabilmente definida como o gasto equivalente à perda do valor de um


determinado bem, seja por deterioração (uso natural/normal do bem) ou por obsolescência
(abandono/não uso). Conta analítica, do Balanço Patrimonial, redutora do Ativo Permanente
Imobilizado, de natureza credora.

Contábil:
Débito: Despesas ou Custos com Depreciação
Crédito: Depreciação Acumulada

2. Amortização:

3. Exaustão: Quando corresponder à perda do valor, decorrente de sua exploração, de direitos cujo
objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração.

• Capital a Integralizar: Conta analítica, do Balanço Patrimonial, redutora do Patrimônio Líquido, de


natureza devedora; representa o valor do Capital Social declarado, em contrato social, não
integralizado sob a forma de numerário ou de bens, pelos sócios da empresa.

Contábil:
Débito: Capital a Integralizar
Crédito: Capital Social
• Vendas Canceladas: Conta analítica, de resultado - (DRE), redutora da Receita Operacional Bruta
(ROB), de natureza devedora; representa os valores das notas fiscais já emitidas que por algum
problema, antes de ocorrer a transferência (a saída do produto), são canceladas. O cancelamento de
uma nota fiscal só pode ser feito na mesma data da sua emissão.

Contábil:
Débito: Vendas Canceladas
Conta de resultado, pertencente à Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
(redutora), de natureza devedora;
Crédito: Duplicatas a Receber ou Caixa ou Bancos
O valor do crédito deverá ser lançado em uma das contas acima mencionadas, de acordo
com o lançamento inicial.

• Devoluções: Conta analítica, de resultado - (DRE), redutora da Receita Operacional Bruta (ROB), de
natureza devedora; representa os lançamentos de valores devolvidos, total ou parcial, em relação a
uma venda efetuada, motivada por uma não conformidade de produtos; este procedimento implica
em devolução de quantidades de produtos, além de valores, portanto deverá ter uma nota fiscal de
devolução emitida pelo comprador; deve-se fazer também, tanto o vendedor como o comprador, os
ajustes (estornos) dos impostos envolvidos nesta transação.

Contábil:
Débito: Devoluções de Vendas

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Fundamentos Contábeis
Conta de resultado, pertencente à Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
(redutora), de natureza devedora;
Crédito: Duplicatas a Receber ou Caixa ou Bancos
O valor do crédito deverá ser lançado em uma das contas acima mencionadas, de acordo
com o lançamento inicial.

• Abatimentos: Conta analítica, de resultado - (DRE), redutora da Receita Operacional Bruta (ROB),
de natureza devedora; representa os lançamentos de descontos condicionais concedidos pelo
vendedor ao comprador, em função de uma não conformidade de produtos; este procedimento
implica somente em valores, portanto deverá ser registrado, entre vendedor e comprador, sob forma
de documento, para que se possa fazer os ajustes dos impostos envolvidos na transação.

Contábil:
Débito: Abatimentos sobre as Vendas
Conta de resultado, pertencente à Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
(redutora), de natureza devedora;
Crédito: Duplicatas a Receber ou Caixa ou Bancos
O valor do crédito deverá ser lançado em uma das contas acima mencionadas, de acordo
com o lançamento inicial.

• Ipi sobre Vendas: Imposto sobre Produtos Industrializados; conta analítica, de resultado - (DRE),
redutora da Receita Operacional Bruta (ROB), de natureza devedora; representa os lançamentos dos
valores do imposto supra citado, destacado na nota fiscal; somente será devido este lançamento,
caso o vendedor seja contribuinte deste imposto, ou seja, esteja obrigado a recolher este tributo. O
responsável (pai) deste tributo é a Receita Federal. O seu percentual (%) é determinado pela Receita
Federal; a apuração deste imposto é feita mensalmente, e o seu recolhimento deve ser feito através
de darf, sempre no mês subseqüente ao da apuração; na apuração mensal, para levantamento de
saldos a pagar, deve-se diminuir os créditos obtidos pelas entradas (compras), caso exista.

Contábil:
Débito: Ipi sobre as Vendas
Conta de resultado, pertencente à Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
(redutora), de natureza devedora;
Crédito: Ipi a Pagar (recolher)
Conta analítica, pertencente ao Passivo Circulante, de natureza credora.

Obs.: Caso ocorra um cancelamento, ou uma devolução, ou ainda um abatimento, este lançamento
deverá ser ajustado (estornado), pelo seu valor correspondente ao fato ocorrido.

• Icms sobre Vendas: Imposto de Circulação de Mercadorias; conta analítica, de resultado - (DRE),
redutora da Receita Operacional Bruta (ROB), de natureza devedora; representa os lançamentos dos
valores do imposto supra citado, destacado na nota fiscal; somente será devido este lançamento,
caso o vendedor seja contribuinte deste imposto, ou seja, esteja obrigado a recolher este tributo. O
responsável (pai) deste tributo é o Estado. O seu percentual (%) é pré-determinado pelo Estado; a
apuração deste imposto é feita mensalmente, e o seu recolhimento deve ser feito através da dae,
sempre no mês subseqüente ao da apuração; na apuração mensal, para levantamento de saldos a
pagar, deve-se diminuir os créditos obtidos pelas entradas (compras), caso exista.

Contábil:
Débito: Icms sobre as Vendas
Conta de resultado, pertencente à Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
(redutora), de natureza devedora;
Crédito: Icms a Pagar (recolher)
Conta analítica, pertencente ao Passivo Circulante, de natureza credora.

Obs.: Caso ocorra um cancelamento, ou uma devolução, ou ainda um abatimento, este lançamento
deverá ser ajustado (estornado), pelo seu valor correspondente ao fato ocorrido.

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Fundamentos Contábeis
• Iss sobre Vendas: Imposto sobre Serviços; conta analítica, de resultado - (DRE), redutora da
Receita Operacional Bruta (ROB), de natureza devedora; representa os lançamentos dos valores do
imposto supra citado, destacado na nota fiscal; somente será devido este lançamento, caso a
empresa vendedora seja prestadora de serviços, e esteja obrigada a recolher este tributo. O
responsável (pai) deste tributo é o Município. O seu percentual (%) é pré-determinado pelo
Município; a apuração deste imposto é feita mensalmente, e o seu recolhimento deve ser feito
sempre no mês subseqüente ao da apuração.

Contábil:
Débito: Iss sobre as Vendas
Conta de resultado, pertencente à Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
(redutora), de natureza devedora;
Crédito: Iss a Pagar (recolher)
Conta analítica, pertencente ao Passivo Circulante, de natureza credora.

• Pis sobre Vendas: Programa Integração Social; conta analítica, de resultado - (DRE), redutora da
Receita Operacional Bruta (ROB), de natureza devedora; representa os lançamentos dos valores do
imposto supra citado, incidentes sobre as vendas realizadas. O responsável (pai) deste tributo é a
Receita Federal. O seu percentual (%) é determinado pela Receita Federal, hoje em 0,65% sobre a
venda bruta; a apuração deste imposto é feita mensalmente, e o seu recolhimento deve ser feito
através de darf, sempre no mês subseqüente ao da apuração.

Contábil:
Débito: Pis sobre as Vendas
Conta de resultado, pertencente à Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
(redutora), de natureza devedora;
Crédito: Pis a Pagar (recolher)
Conta analítica, pertencente ao Passivo Circulante, de natureza credora.

Obs.: Caso ocorra um cancelamento, ou uma devolução, ou ainda um abatimento, este lançamento
deverá ser ajustado (estornado), pelo seu valor correspondente ao fato ocorrido.

• Cofins sobre Vendas: Contribuição para Fins Sociais; conta analítica, de resultado - (DRE),
redutora da Receita Operacional Bruta (ROB), de natureza devedora; representa os lançamentos dos
valores do imposto supra citado, incidentes sobre as vendas realizadas. O responsável (pai) deste
tributo é a Receita Federal. O seu percentual (%) é determinado pela Receita Federal, hoje em 3%
sobre a venda bruta; a apuração deste imposto é feita mensalmente, e o seu recolhimento deve ser
feito através de darf, sempre no mês subseqüente ao da apuração.

Contábil:
Débito: Cofins sobre as Vendas
Conta de resultado, pertencente à Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
(redutora), de natureza devedora;
Crédito: Cofins a Pagar (recolher)
Conta analítica, pertencente ao Passivo Circulante, de natureza credora.

Obs.: Caso ocorra um cancelamento, ou uma devolução, ou ainda um abatimento, este lançamento
deverá ser ajustado (estornado), pelo seu valor correspondente ao fato ocorrido.

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO


( DRE )

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Fundamentos Contábeis
PERÍODOS
CONTAS 20X1 20X2 AH%
VLRS. AV% VLRS. AV%
RECEITA OPERACIONAL BRUTA 480.000 545.903
Vendas de Produtos 309.120 305.706
Vendas de Mercadorias 132.480 176.406
Vendas de Serviços 38.400 63.791
(-) DEDUÇ. S/ REC. OPERACIONAL BRUTA ( 115.491 ) ( 135.805 )
Devoluções e Abatimentos ( 1.875 ) 0
Impostos Incidentes s/ Vendas ( 113.616 ) ( 135.805 )
(=) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA 364.509 410.098
(-) CUSTOS OPERACIONAIS ( 252.887 ) ( 299.372 )
Custos dos Produtos Vendidos ( 162.859 ) ( 192.795 )
Custo das Mercadorias Vendidas ( 69.797 ) ( 82.627 )
Custo dos Serviços Prestados ( 20.231 ) ( 23.950 )
(=) RESULTADO BRUTO OPERACIONAL 111.622 110.726
(-) DESPESAS OPERACIONAIS ( 63.222 ) ( 78.013 )
Administrativas ( 31.611 ) ( 39.007 )
Comerciais/Vendas ( 23.708 ) ( 25.354 )
Financeiras ( 7.903 ) ( 13.652 )
(=) L A I R 48.400 32.713
(-) PROVISÃO PARA IR / CS ( 8.228 ) ( 5.561 )
Imposto de Renda ( 3.872 ) ( 2.617 )
Contribuição Social ( 4.356 ) ( 2.944 )
(=) LUCRO LÍQUIDO 40.172 27.152

BALANÇO PATRIMONIAL
( BP )

PERÍODOS
CONTAS 20X1 20X2 AH%
VLRS. AV% VLRS. AV%
ATIVO
CIRCULANTE 112.589 130.812
DISPONÍVEL 15.685 15.883
Caixa 1.685 1.883
Bancos - 3.000 - 5.000
Aplicação Liquidez Imediata 17.000 19.000

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Fundamentos Contábeis
REALIZÁVEL 95.534 112.023
Duplicatas a Receber 53.870 61.183
(-) Duplicatas Descontadas ( 9.550 ) ( 13.000 )
(-) Prov. p/ Devedores Duvidosos ( 932 ) ( 1.377 )
Estoques 37.210 46.892
Impostos a Recuperar 4.973 6.320
Outras Contas a Receber 9.963 12.005
DESPESAS ANTECIPADAS 1.370 2.906
Prêmios e Seguros a Apropriar 840 1.900
Aluguéis a Apropriar 530 1.006
REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 12.726 19.830
Depósitos Judiciais 3.196 5.980
Outras Contas a Receber 9.530 13.850
PERMANENTE 201.777 220.000
INVESTIMENTOS 65.430 82.000
Imóveis 28.430 45.000
Obras de Arte 37.000 37.000
IMOBILIZADO 117.927 123.750
Imóveis 78.000 78.000
Máquinas e Equipamentos 41.500 41.500
Veículos 28.000 18.000
(-) Depreciação Acumulada ( 29.573 ) ( 13.750 )
DIFERIDO 18.420 14.250
Gastos Pré-Operacionais 18.420 14.250
TOTAL ATIVO 327.092 370.642

PASSIVO
CIRCULANTE 116.071 98.415
Fornecedores a Pagar 49.276 53.767
Empréstimos a Pagar 37.471 25.740
Impostos a Recolher 13.214 8.219
Contribuições Sociais a Recolher 7.346 4,863
Outras Contas a Pagar 8.764 5.826
EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 9.869 23.640
Financiamentos a Pagar 0 15.438
Empréstimos a Pagar 9.869 8.202
RESULTADO EXERCÍCIO FUTURO 35.716 65.458
Vendas Futuras a Faturar 35.716 65.458
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 165.436 183.129
Capital Social 150.000 160.000
(-) Capital a Integralizar ( 10.000 ) ( 0 )
Lucros Acumulados 39.384 32.893
(-) Prejuízos Acumulados ( 13.948 ) ( 9.764 )
TOTAL PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO 327.092 370.642

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