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EM ACADEMIAS
do Fitness ao Wellness

LUC IANA ROSS I


Graduação em Nu t rição pela Facu ldade de Saúde Pública
da Universidade de São Paulo.
Mestrado em Ciência dos Alimentos pela Faculdade de
Ciências Fa rmacêut icas da Un iversidade de São Paulo.
Prime iro título de especialista em Nutrição em Esporte pela
Associação Brasi leira de Nutrição (ASBRAN).
Pro fessora do Cu rso de Nutrição da Discip lina de Nutrição em
Esportes do Centro Univers itário São Cam il o.
Coordenad o ra da Pós-graduação Lato Sensu de Nutrição em Espo rte e
Estética em Wellness do Centro Un iversitári o São Cami lo.

ROCA
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são rdorçados pda nature-za c-ducaciona1 de- nossa atividade- (: d ào sust(:ntabilid ad(: ao
crescimento contínuo e 3. rentabilidade- do gniJ)O.
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EM ACADEMIAS
do Fitness ao Wellness

LUC IANA ROSS I


Graduação em Nu t rição pela Facu ldade de Saúde Pública
da Universidade de São Paulo.
Mestrado em Ciência dos Alimentos pela Faculdade de
Ciências Fa rmacêut icas da Un iversidade de São Paulo.
Prime iro título de especialista em Nutrição em Esporte pela
Associação Brasi leira de Nutrição (ASBRAN).
Pro fessora do Cu rso de Nutrição da Discip lina de Nutrição em
Esportes do Centro Univers itário São Cam il o.
Coordenad o ra da Pós-graduação Lato Sensu de Nutrição em Espo rte e
Estética em Wellness do Centro Un iversitári o São Cami lo.

ROCA
A autora e a editora empenharam-se para citar adequadamente e dar o devido crédito a todos os detentores dos direitos
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Nutrição em academias: do fitness ao wellness


ISBN 978-85-4120-235-0
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expressa da editora.

Assessora Editorial: Maria del Pilar Payá Piqueres


Assistente Editorial: Lilian Sorbo Menilo
Coordenador de Revisão: Marta Pachiella Martinez
Revisão de Texto: Carla de Cássia Martins e Priscila Z. Mada
Coordenador de Diagramação: Marcio S. Barreto
Capa: Rosangela Bego
Produção Digital: Freitas Bastos
Imagens: Denise Nogueira Moriama e Leandro Gonçalves Duarte
Imagem Capa: Artist – Giuseppe Arcimboldo (1527-1593)
Title – Rudolf II as Vertumnus
Date – Circa 1590
Medium oil on panel
Current location – Skokloster Castle

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-PUBLICAÇÃO

R742n
Rossi, Luciana
Nutrição em academias : do fitness ao wellness / Luciana
Rossi. - 1. ed. [Reimpr.]. - São Paulo : Roca, 2018.
264 p. : il.; 24 cm.

Inclui bibliografia
Glossário
ISBN 978-85-4120-301-2

1. Nutrição - Aspectos de saúde. 2. Saúde - Aspectos nutricionais. 3. Hábitos alimentares. 4. Hábitos de saúde. 5. Exercícios físicos. I.
Título.

13-03044 CDD: 615.854


CDU: 615.854.5
“A esperança é como o céu noturno: não há recanto
tão escuro onde um olhar que se obstina não
acabe por descobrir uma estrela.”
Octave Feuillet

Dedico esta obra às estrelas do meu céu:

Estrelas guias: Paulo e Lucas Marques


Meus pais amados: Clara e Dálcio Rossi (in memoriam)
Meus queridos sogros: Maria Thereza e Paulo Cilas (in memoriam)
“Irmãe”: Sueli e sua família maravilhosa (Carlos, Fernanda e Guilherme)
Irmão de mente inquieta, espinha ereta e coração tranquilo: Dárcio Rossi

Querida Fabiana Poltronieri, quem poderá dizer


que os rompimentos são sempre negativos?
Prefácio
Este livro é uma obra cuidadosamente produzida, fruto da ampla experiência prática da autora na área de nutrição
aplicada à atividade física e ao esporte. Tal experiência foi obtida por meio do seu trabalho como nutricionista, tanto
em modalidades individuais, quanto em equipe, bem como em academias e clubes de pequeno, médio e grande porte.
Além disso, cabe destacar que a autora realizou o seu mestrado na área de suplementação nutricional e exercício físico
pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo.
O material aqui apresentado tem como finalidade principal servir como texto básico referente à importância da
prática da nutrição esportiva em academias. Seu público-alvo é, portanto, o aluno de graduação de nutrição e os
nutricionistas que atuam na área de nutrição esportiva.
A obra apresenta oito capítulos: no primeiro e no segundo, são abordados os temas Academias de
ginástica e Inserção e atuação na área de nutrição em esporte, respectivamente. Tais temas são fundamentais para o
nutricionista que pretende iniciar o seu trabalho na área de nutrição esportiva, uma vez que poderá obter
conhecimentos práticos sobre as diversas possibilidades de atuação neste campo profissional.
No terceiro e no quarto capítulos, são apresentados temas relativos à avaliação nutricional, os quais são
fundamentais para a adequada condução do planejamento nutricional. Cabe destacar que, no capítulo 4, a autora aborda
o tema Anamnese e atendimento nutricional, com todas as peculiaridades referentes à adequada orientação nutricional
de atletas e de praticantes de atividade física.
No capítulo 5, é abordado o tema Hidratação e reidratação, que se caracteriza como a base de qualquer conduta
nutricional antes, durante e após a realização do exercício físico. No capítulo 6, é possível constatar todas as
particularidades referentes ao cálculo do Gasto energético totalde atletas e de praticantes de atividade física.
Significativo diferencial deste livro em relação a seus congêneres é a presença de um capítulo sobre Prescrição
nutricional, o qual fornece informações fundamentais para nutricionistas que estão iniciando na área de nutrição
esportiva. A obra em questão finaliza com o capítulo intitulado Suplementação, que discute os aspectos positivos e
negativos dos principais suplementos nutricionais disponíveis no mercado.
Temos certeza de que esta obra contribuirá significativamente para o aprimoramento de estudantes de nutrição e de
nutricionistas que atuam na área de nutrição esportiva.

Marcelo Macedo Rogero


Graduado em Nutrição pela Universidade de São Paulo (USP)
Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado em Ciências dos Alimentos pela USP
Professor Doutor, Ref. MS-3, em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa, junto ao Departamento de
Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP
Experiência nas áreas de Nutrigenômica, Nutrigenética e Inflamação; Imunonutrição; e Metabolismo de
Macronutrientes e Exercício Físico
Índice
Capítulo 1
Academias de ginástica

Capítulo 2
Inserção e atuação na área de nutrição em esporte

Capítulo 3
Antropometria

Capítulo 4
Anamnese e atendimento nutricional

Capítulo 5
Hidratação e reidratação

Capítulo 6
Gasto energético total

Capítulo 7
Prescrição nutricional

Capítulo 8
Suplementação

Glossário de termos técnicos

Índice remissivo
Academias de ginástica
Introdução
O termo akademía, de origem grega, apresenta diferentes interpretações entre os povos. Entre elas: escola de ensino
superior; corporação de sábios, artistas, literatos; corporação dos estudantes de qualquer estabelecimento de ensino
médio/superior até seita de filósofos acadêmicos da escola platônica de filosofia1. Neste último contexto, também é
considerada a escola filosófica de Platão na Antiguidade, do grego akadémeia ou akadémia, região ajardinada perto de
Atenas, consagrada ao herói grego, Ákademos, onde se ensinava filosofia, matemática e ginástica2.
Na década de 1930 constatou-se a abertura das primeiras academias de ginástica no Brasil; atualmente a academia
de ginástica incorpora o ideal de:

• Lugar ou escola que ministra instrução física e/ou local destinado à prática de exercícios físicos por indivíduos sem vínculos
profissionais com o esporte3.
• Centros de condicionamento físico que oportunizam o ambiente e orientação para a prática de programas de exercícios
físicos4.

Saiba Mais!

• Na definição de academias de ginástica encontramos o termo exercício físico, muito empregado como sinônimo de atividade
física. O exercício físico é uma subcategoria da atividade física e a confusão talvez resida no fato de ambos compartilharem
muitos elementos em comum conforme a Tabela 1.1 demonstra
• Outro conceito importante é o de aptidão física (physical fitness), definido como o conjunto de atributos que podem ou não ser
alcançados pelos indivíduos, ou seja, a habilidade de realizar tarefas diárias com vigor e estado de atenção, sem indevidas
fadigas e com ampla energia para desfrutar momentos de lazer e não alcançar emergências. Os componentes são divididos
em dois grupos, um relacionado à saúde (resistência cardiorrespiratória, resistência muscular, força muscular, composição
corporal e flexibilidade) e outro às competências mais pertinentes à habilidade atlética (agilidade, equilíbrio, coordenação,
velocidade, força e tempo de reação). Os cinco componentes da aptidão física relacionados à saúde são mais importantes
para a Saúde Pública do que os relacionados às habilidades atléticas (verifique o glossário de termos no final do livro)5

TABELA 1.1 – Elementos pertinentes aos conceitos de atividade física e exercício


Atividade física Exercício

Movimento corporal produzido por músculo esquelético

Resulta em gasto energético

O gasto energético (quilocalorias) varia continuamente do nível mais baixo para o alto

Positivamente correlacionada à aptidão física Fortemente correlacionado à aptidão física

Esporádica, espontânea e intermitente Subcategoria da atividade física. Definido como movimento corporal planejado, estruturado
e repetitivo

A fórmula que relaciona atividade física com exercício Tem como objetivo a manutenção e a melhora do componente da aptidão física
é: Exercício pode constituir toda ou parte de cada categoria das atividades físicas diárias,
kcalatividade física diária total = kcalexercício + kcalnão exercício exceto sono
Levando-se em conta as dimensões e os interesses culturais que estas satisfazem, as academias podem ser
classificadas como microequipamentos específicos, privilegiando os conteúdos físico-esportivos no lazer6. Pode-se
entender que as academias de ginástica são centros de atividades físicas nos quais se presta um serviço de avaliação,
prescrição e orientação de exercícios físicos, sob supervisão direta de profissionais de educação física7. Seu surgimento
deveu-se ao fato de terem a finalidade de atender a um público-alvo que buscava aula de ginástica fora dos tradicionais
clubes8.

Evolução das academias do conceito de fitness para wellness


Furtado9 analisando o panorama de desenvolvimento das academias brasileiras expôs três estágios de mudanças,
caracterizados por:

• Estágio inicial: surgimento da proposta fitness, na qual administradores com afinidade pela área, ligados principalmente às
atividades atléticas de halterofilismo/fisiculturismo, calistenia e artes marciais implementaram as primeiras academias. Por
isso, o predomínio do modelo de administração empírica, amadora ou do senso comum.
• Segundo estágio: consolidação do fitness e início da abordagem do wellness. Houve mescla entre a afinidade com a área e a
inserção das tecnologias da administração em busca do lucro, encontradas principalmente a partir da década de 1980. A
ginástica aeróbica, com a incorporação do ritmo musical, constituiu uma “febre” entre os praticantes, tendo como principal
ícone a atriz Jane Fonda. A organização da gerência, supervisão e controle da academia passou a ser incorporada, assim
como a divisão de trabalho entre professores de musculação e outras modalidades de ginástica. Ocorreu adaptação das
antigas salas de halterofilismo para musculação, com aquisição de equipamentos para prática de indivíduos não atletas,
garantindo segurança durante execução dos movimentos.
• Terceiro estágio: o conceito de Wellness prevalece como norteador na determinação das características das academias
aliada às avançadas tecnologias dos instrumentos de produção e gestão. Presença de microeletrônica nos instrumentos e
das mais diversas teorias administrativas de gestão de recursos humanos, marketing, financeiros e contábéis, configurando
a maior racionalização mercadológica. Neste estágio, devido ao avanço no seu desenvolvimento, as academias são
denominadas “academias híbridas”. Paralelo ao desenvolvimento administrativo das academias chega ao Brasil o modelo de
aulas pré-coreografadas e prontas da empresa Body System. Esta, partindo de um conjunto de antigos princípios e técnicas
deu origem a uma efetiva inovação no mercado de fitness, permitindo diversificação das modalidades e dos produtos
vendidos pelas academias. Os planos oferecidos permitiram o acesso a todas as aulas, incluindo a musculação e, portanto,
diferenciando-se do modelo de pagamento por modalidades, característico das fases anteriores9.

Os estágios de mudanças ocorridos nas academias também têm fundamento na visão do enfoque do
modelo fitness para o wellness. O modelo fitness está alicerçado no contexto da dimensão biológica, com ênfase no
condicionamento físico, com aspectos puramente estéticos, representados pela aptidão física9,10.
Inicialmente, se as academias enfocavam o conceito de fitness, hoje acrescentam o conceito de wellness, que
preconiza como fundamentos atividade física regular, alimentação orientada e mente tranquila. Segundo Campos11, o
conceito de wellness vai além e é fruto de uma percepção pessoal que depende das condições de saúde,
relacionamentos interpessoais e riscos inerentes ao estilo de vida, identificando, assim, cinco aspectos fundamentais do
cotidiano, inseridos no chamado Pentáculo do bem-estar (Figura 1.1): nutrição (qualidade da alimentação); atividade
física (exercícios habituais); estresse (estilo de vida e mecanismos de controle); comportamento preventivo (uso de
equipamentos de segurança em situações de risco, não uso de drogas, estratégias para manter a boa postura etc.) e
relacionamentos (harmonia no meio social e familiar)12,13.
Figura 1.1 – Pentáculo do bem-estar: com base no modelo de Wellness14.

Segundo a análise de mercado realizada por Campos11, o mercado de academias de ginástica brasileiro tem potencial
de expansão se comparado ao mercado líder dos Estados Unidos, isto principalmente relacionado ao tamanho das
academias de ginástica do país. O Brasil se caracteriza por possuir um mercado com pequenas e médias empresas, com
gestão administrativa precária apesar de alto investimento inicial11. Rossi et al.16, em artigo sobre a análise econômica
da indústria de fitness no Brasil, constataram essa tendência ao comparar dados do faturamento, número de academias,
porte da academias, número de alunos e relação do faturamento total/produto interno bruto (PIB) dos países da
América. Segundo os autores, as academias se configuram de pequeno porte (com até 500 clientes), indicando
potencial de aumento em captação e manutenção deste contingente; já os Estados Unidos possuíam maior número de
academias de grande porte das Américas, seguido por México, Canadá, Chile e Argentina. Analisando a participação
econômica no total dos rendimentos em relação ao PIB do país, observou-se ser este, nas Américas, mais
representativo para o Canadá (0,12%) do que os Estados Unidos (0,10%), embora este último possua: maior número de
academias de grande porte, alunos e faturamento absoluto das Américas. Já especificamente na América do Sul, a
Argentina (0,09%) assume esse papel de destaque diante mesmo do Brasil (0,07%) seguido por México (0,05%) e
Chile (0,02%) (Tabela 1.2).

Fenômeno
Com um total global superior a 117 milhões de clubes associados, com cerca de 20 milhões de membros, a
International Health Racquet and Sportsclub Association (IHRSA), fundada em 1999 por John McCarthy, é uma
associação de comércio que declara como missão servir à saúde e à indústria do fitness. Seu conjunto de metas até
2010 incluía organizar uma iniciativa de longo prazo para promover a adoção e a adesão de exercícios para 100
milhões de membros associados às academias no mundo. Em 2003, a IHRSA apontou três fatores que conduziam ao
notável crescimento do número de academias nos Estados Unidos: maior necessidade de conectividade dos indivíduos
com outras pessoas de uma comunidade; impulso por parte do governo e da comunidade médica para melhorar a saúde
da nação e a demografia favorável. Quanto à mobilização da área de saúde, a IHRSA, no seu Global Report17, observou
o aumento da consciência entre os americanos, dos benefícios de saúde pela prática regular de atividade física e,
proporcionalmente, dos riscos associados à inatividade física; tanto que duas vezes em período de cinco anos nos
Estados Unidos, o Surgeon General’s Office divulgou diretrizes exortando os americanos a se tornarem mais ativos
fisicamente. O primeiro relatório, intitulado Physical Activity and Health, publicado em 1996, e o segundo lançado em
2001 têm como objetivo impedir a epidemia de sobrepeso e obesidade entre os americanos.

Saiba Mais!
Segundo Costa15, citado por Campos11, as academias de ginástica podem ser classificadas levando-se em conta seu tamanho, valor de
investimento e número médio de clientes atendidos como:

• Microempresa: opera, em média, com cinco professores de Educação Física empregados e até cinco trabalhadores, que
cuidam da limpeza, do atendimento e da manutenção. A manutenção é terceirizada ou não. Suas compras são feitas
geralmente no varejo. Minimiza custos por meio da diminuição da mão de obra, pelo fato de o proprietário absorver grande
parte do trabalho. Empresa familiar. Investimento: até R$ 50 mil. Sem compra do imóvel. Número médio de frequentadores:
150. Oferta aos clientes somente uma atividade física
• Pequena empresa: opera quase sempre com até 12 professores de Educação Física e seis outros empregados. O
comportamento administrativo mostra-se semelhante ao de micro e também constitui, muitas vezes, uma empresa familiar.
Investimento: até R$ 150 mil. Sem compra do imóvel. Número médio de frequentadores: 350. Oferta aos clientes de uma ou
duas atividades físicas
• Média empresa: opera com até 15 professores de Educação Física empregados, podendo ter outros como credenciados
por contrato de personal trainer. Possui até 12 outros empregados. Essa é a empresa com mais dificuldades administrativas,
sendo a primeira que sofre com a queda de clientes e que mais sente a flutuação inflacionária. Procurada pela classe
média/alta, trata-se do tipo de academia que tem oscilações nos negócios, com períodos sazonais de maior e menor número
de clientes e faturamento, acompanhando movimentos similares na escala social. Adapta-se, com sucesso, ao perfil da
empresa familiar, pois quando tem queda de movimento os proprietários assumem várias funções. Apresenta, atualmente,
alguma forma de terceirização, como: estacionamento, limpeza e outros. Por essas peculiaridades de adaptação é que as
academias de ginástica desse tipo destoam da administração da média empresa em sentido estrito. Investimento: até R$ 650
mil. Número médio de frequentadores: 500. Oferta aos clientes no mínimo três atividades, sendo as mais comuns: ginástica,
musculação e natação
• Grande empresa: opera e média com 60 empregados envolvidos entre funções variadas, oferecendo atividades típicas da
Educação Física, dentre elas a de personal trainer. Costuma terceirizar tudo o que for possível e valorizar o empregado direto,
porém, evita trabalhar com profissionais de idade avançada, provocando grande rotatividade dos professores empregados. A
administração familiar neste porte de academia costuma ser desastrosa. Investimento: até R$ 1,2 milhão, sem compra do
imóvel. Número médio de frequentadores: 900. Oferta aos clientes: normalmente dança, lutas, natação, aulas diversas de
ginástica, musculação e outras atividades peculiares, como diferencial da concorrência
• Megaempresa: opera com até 120 empregados, ou mais, em casos excepcionais, envolvidos em diferentes modos de
relacionamento empregatício. Trata-se do tipo de academia que mais valoriza o treinamento interno de funcionários e costuma
preservar os funcionários mais experientes. Esse tipo de empresa exige, para admissão de professores, cursos de pós-
graduação (no mínimo lato sensu) como formação e aperfeiçoamento profissional. Investimento: acima de R$ 2,5 milhões. Sem
compra do imóvel. Número médio de frequentadores: 2.500. Oferta aos clientes todas as atividades de grande empresa e mais
atividade de esportes radicais, escaladas e outras, com agregação de serviços de massagem, meditação, aulas
evento, spaurbano etc11,15
TABELA 1.2 – Dados econômicos e índices comparativos da indústria do fitness das Américas 16
o
Faturamento total ($ N de PIB $ Faturamento/
o o
País milhões) academias N de alunos bilhões/ano PIB (%) N alunos/academia (classificação)

EUA 15.900 29.069 41.300.000 13.610,0 0,12 1.421


(grande porte)

Canadá 1.600 4.700 4.300.000 1.160,00 0,14 915


(médio porte)

Brasil 763 7.000 3.500.000 1.090,00 0,07 500


(pequeno porte)

México 540 1.800 1.800.000 986,70 0,05 1.000


(grande porte)

Argentina 198 3.000 1.650.000 228,50 0,09 550


(médio porte)

Chile 36 400 300.000 146,70 0,02 750


(médio porte)

Em junho de 2009, a IHRSA, em seu relatório global, teve como principais conclusões que:

• A indústria do fitness gerou cerca de US$ 68,2 bilhões na receita total, atendendo cerca de 117,5 milhões membros em
mais de 122 mil instalações em todo o mundo, representando um crescimento em todas as áreas em relação aos números
de 2007.
• O mercado de fitness norte-americano manteve o ritmo com a sua resiliência, demonstrando desempenho sólido.
Receitas indevidas, juntamente com a retenção de adesão de associados, têm crescido estavelmente no mercado
canadense.
• América Latina, especialmente Brasil, demonstrou crescimento consistente na medida em que os proprietários das
empresas nesses mercados emergentes melhoraram suas operações de fitness e aumentou a predisposição dos
consumidores de pagar as taxas de associação aos clubes.
• O mercado de clubes europeus de saúde gerou R$ 33 bilhões em receitas em 2007, um aumento de 16% sobre 2006. As
unidades de clube subiram 8,6%, enquanto o número de associados cresceu 4,6%.
• O crescimento do mercado Pacífico-Asiático mostrou-se promissor, com receitas, total de instalações e associações
crescendo significativamente.
• O desempenho da indústria no primeiro trimestre, que se mostrou resistente à recessão, indica que este deve ser
melhor do que muitos setores da economia global.

Histórico das academias de ginástica no Brasil


São destacados algumas datas e fatos importantes para o desenvolvimento das academias de ginástica no Brasil:

• 1930: A Associação Cristã de Moços (ACM) do Rio de Janeiro já oferecia a modalidade de Judô junto com outras
atividades de ginástica e de práticas esportivas9.
• 1940: Delineamento do modelo de academia atual com base nas modalidades de ginástica, lutas e
halterofilismo/culturismo, principalmente localizadas no eixo Rio de Janeiro-São Paulo9.
• 1950: Expansão das academias para outras capitais e cidades de médio porte no interior do país, tendo como
principais atividades o halterofilismo e as artes marciais japonesas9.
• 1971: Primeiro registro a respeito das academias de ginástica existentes no país; poucas possuíam registro de
funcionamento em órgão da prefeitura9.
• 1978: A Confederação Brasileira de Culturismo (CBC) se filia à Internacional Federation of Body Builders e outras
entidades internacionais, projetando o Brasil no cenário mundial9.
• 1980: o termo “academia” é estabelecido definitivamente no Brasil, embora já houvesse espaços com
características básicas de academias, mas com outras denominações como “Instituto de Modelação Física”,
“Centros de Fisiculturismo”, “Clubes de Calistenia”, entre outros9.
• 1981: Publicação do primeiro livro sobre administração de academias de ginástica9.
• 1998: Documentado que as academias de ginástica, que contavam com 600 estabelecimentos, atingiram após uma
década o número de três mil unidades, excetuando-se as de grandes empresas18. Estes estabelecimentos eram
classificados em três categorias, por seu tamanho e número de clientes ou alunos19:
– Pequeno porte: com até 500 clientes;
– Médio porte: entre 500 e 1.200 clientes;
– Grande porte: com mais de 1.200 clientes.
• 1990: Início da operação da empresa Body Systems com seus sistemas de aulas pré- coreografadas ou prontas,
provocando impacto significativo no mercado, principalmente no tocante à diversificação de modalidades e aos
produtos vendidos pelas academias9.
• 1999: Atingida a marca de quatro mil unidades de academias no Brasil.
• 2001: Estimativa de mais de 4.800 academias de ginástica no país, com dois milhões de alunos em uma
movimentação de cerca de 1,2 bilhão de reais/ano19.
• 2006: Atingida marca de 20.000 academias junto com a expansão de técnicas e inovações relacionadas à prática de
exercícios físicos4.
• 2007: Brasil ocupa o sétimo lugar no mundo em número de praticantes de atividade física segundo a IHRSA.
No ranking que contabiliza número de academias, o Brasil (7,35 mil), com 3,6 milhões de frequentadores, ocupou
o terceiro lugar atrás dos Estados Unidos (30 mil academias) e da Itália (8,3 mil academias). Das academias no
Brasil, 25% concentravam-se no eixo Rio-São Paulo, outras 25 na região Sul e restantes entre as regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste20 (Figura 1.2).
• 2009: Constatado que em dois anos o número de academias dobrou. No cenário mundial, segundo relatório
mundial da IHRSA, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking, com 14 mil academias, atrás somente dos
Estados Unidos, com total de 30 mil unidades21.
• 2012: Brasil atinge a marca de 23.398 academias de ginástica22.

Os dez maiores mercados mundiais no ano de 2008, em número de academias, representando cerca de 78% das
academias no mundo, estão apresentados na Figura 1.3.
Os dez maiores mercados mundiais do ano de 2008, em número de alunos, representando aproximadamente 82% do
total de alunos no mundo, estão na Figura 1.4.

Figura 1.2 – Crescimento anual do número de academias no Brasil.


Figura 1.3 – Os dez maiores mercados mundiais em academias em 200822.

Figura 1.4 – Os dez maiores mercados mundiais em número de alunos em 200822.

Aderência à prática de exercícios em academias


A permanência de um indivíduo em um programa de exercícios físicos na academia está ligada à aderência. Este termo
pode ser definido como o comprometimento do desportista com sua rotina de treinamento e está intrinsecamente
relacionada à motivação para a prática de atividade física. Por sua vez, a motivação é caracterizada como variável
fundamental para a aderência e caracterizada como um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta4.
A proliferação das academias no Brasil e no mundo, conforme evidenciado nos tópicos anteriores, o crescente
número de indivíduos engajados na prática de atividade física e a diversidade de serviços oferecidos pelas academias
fazem com que a rotatividade dos frequentadores seja variável interveniente da aderência. Esta deve ser acompanhada
e estudada pelo nutricionista em seus atendimentos. É necessário o nutricionista na área esportiva estabelecer, dentro
do sucesso/insucesso do retorno nutricional, os fatores intrínsecos e extrínsecos ao seu atendimento.
Um interessante estudo esclarece os fatores de desistência (Tabela 1.3) e aderência (Tabela 1.4) à prática de
exercícios físicos em academias no Brasil4, que, nesse caso, constituem fatores intrínsecos de sucesso/insucesso no
cuidado nutricional.

TABELA 1.3 – Principais motivos de desistência da prática de exercícios físicos em academias no Brasil4
Estado Idade (anos) Motivos (%)

SP Até 24 1. Falta de tempo (43)


2. Custo da mensalidade (23)

SP 18 a 47 1. Falta de tempo (37)


2. Custo das mensalidades (8)
3. Férias (7)
4. Distância do local de prática (6)

SP 40 a 60 1. Falta de tempo (30)


2. Preguiça (23)

RN 18 a 50 1. Falta de tempo (37)


2. Preguiça (13)
3. Distância do local de prática (8)

MG 15 a 78 1. Falta de tempo (31)


2. Preguiça (21)

MG 18 a 57 1. Falta de motivação (49)


2. Monotonia dos exercícios (29)
3. Distância dos locais (29)

SC 18 a 44 1. Instalações inadequadas (31)


2. Baixa qualidade das aulas (11)
3. Orientação profissional (9)

TABELA 1.4 – Principais motivos de aderência da prática de exercícios físicos em academias no Brasil4

Estado Idade (anos) Motivos (%)

SP 18 a 80 1. Estética (30)
2. Saúde (22)
3. Bem-estar (12)

SP 18 a 68 1. Estética (83)
2. Saúde (84)
3. Proximidade da academia (43)

SP 40 a 60 1. Lazer (44)
2. Orientação médica (34)
3. Estética (11)
SP Até 24 1. Estética (27)
2. Saúde/qualidade de vida (23)
3. Resistência, condicionamento e aptidão física (13)

SP 16 a 60 1. Saúde (37)
2. Estética (23)
3. Condicionamento físico (17)

SP 18 a 47 1. Saúde (27)
2. Prazer pela prática (22)
3. Socialização (14)
4. Estética (11)

MG 18 a 36 1. Estética (51)
2. Resistência, condicionamento e aptidão física (31)
3. Saúde (14)

MG 15 a 78 1. Saúde (41)
2. Qualidade de vida (17)
3. Estética (15)

RN 18 a 50 1. Estética (39)
2. Melhorar a condição física (17)

RS 18 a 65 1. Estética (29)
2. Saúde (23)
3. Bem-estar (21)

SC 18 a 44 1. Proximidade da academia (72)


2. Saúde e qualidade de vida (31)
3. Prazer pelo exercício (29)

SE 15 a 44 1. Saúde e condicionamento físico (20)


2. Estética (15)

GO 20 a 50 1. Bem-estar (27)
2. Saúde (15)
3. Estética (4)

Diversificação das academias de ginástica

O termo diversificação, quando aplicado ao contexto das academias, constitui o movimento contínuo de estratégia
empresarial com o qual se pretende a produção de produtos distintos em diferentes mercados. Está diretamente
relacionado à aderência do frequentador à academia.
As principais tendências em academias nos últimos anos, no quesito diversificação, foram tocantes à oferta de
produtos como:

• Academias para o público feminino. Exemplos: Curves, Countors, Circuito.


• Academia para o público idoso. Exemplos: academias para terceira idade (ATI), Ziober.
Em relação a esse segmento de diversificação, é crescente o número de colaboradores, trabalhadores de academia e
alunos acima de 50 anos. Segundo a IHRSA, o número de alunos com mais de 55 anos cresceu 1,5 milhão no ano
em 1987 para 8,5 milhões em 2006, tornando-se o segmento com crescimento mais rápido no setor. Junto com tal
expansão vem aumentando o número de profissionais com mais idade, atuando profissionalmente como personal,
instrutor, treinador e mesmo atletas que contribuem para a orientação em saúde e qualidade de vida (QV)23.
• Academias para crianças. Exemplos: academia para primeira idade (API), Fitwise, Bem-me-quer, Children’s
Health & Executive Club(CHEC).
• Academias ecológicas. Exemplos: EcoFit, The Green Macrogym, EcoGym.
• Academias para o público com necessidades especiais. Exemplos: academias para especiais (APE), Fórmula
Academia Projeto Próximo Passo (PPP), MD Fitness.
• Academia para o público gays, lésbicas e simpatizantes (GLS).
• Academias especializadas em artes marciais: destacando algumas iniciativas brasileiras temos a denominada
Ginástica Natural, desenvolvida por Luís Alvares; é composta de exercícios que combinam jiu-jítsu com ioga e
movimentos de diferentes animais. Também o Let’s Boxe, desenvolvido por Luís Alvares, com exercícios com base
nos fundamentos do boxe.
• Academias com atividades outdoor: segundo dados da IHRSA, as academias que optam por investir em
esportes outdoor reforçam a tendência crescente do mercado fitness de manter alto o nível de satisfação dos
clientes, pois não basta oferecer boa estrutura, localização, equipamentos de qualidade, profissionais de primeira e
variedade de aulas. O aluno sente-se valorizado com a oferta de alternativas em cenários diferenciados, como
parques, montanhas, praias ou ruas, tornando-se, assim, mais aderente à academia. É muito comum as academia
possuírem equipes de ciclismo, corrida e triatletismo utilizando aula indoor (esteiras ergométricas, bicicletas e
piscina), como preparação na academia, para nos fins de semana completar as etapas de percursos outdoor. Além
da fidelidade do cliente são apontados outros benefícios, como baixo custo dessas atividades e o aumento da
satisfação dos clientes pela maior sociabilização.
• Academias com atividades de ecoturismo: são academias que oferecem atividades como
arvorismo, rafting, canoying, corrida de aventura, mergulho livre, rapel, mountain bike, trilhas ecológicas,
cavalgadas noturnas, caminhada, entre outras, para clientes que valorizam o contato com a natureza ou preferem
atividades extraparede. Geralmente, são realizadas pequenas viagens rodoviárias e de baixo custo, tendo como
maior empecilho, na oferta deste tipo de produto, a falta de treinamento específico para enfrentar os diferentes tipos
de esporte e guias especializados para evitar lesões e acidentes. Tudo isso, segundo a IHRSA amplia ainda mais o
campo de ação dos profissionais de Educação Física; a segurança dos clientes nunca deve ser negligenciada,
principalmente em atividades externas da academia.
• Academias com atividades aquáticas: na década de 1980 este termo estava apenas relacionado à natação. Porém, a
realização de exercícios dentro da água teve crescimento relacionado ao desenvolvimento da hidroginástica. Esta
se inicialmente voltada para o público da terceira idade, gestantes ou pessoas em recuperação de lesões ou
problemas de saúde, alterou sua tendência e mais recentemente foi alavancada pela possibilidade de submersão de
aparelhos de ginástica, nascendo, assim, as modalidades de Hidrojump, Hidrobike, Power Pool e Aquafit. Estas
modalidades provocaram uma revolução nas atividades aquáticas, atraindo e diversificando o público
frequentador.

Outros serviços oferecidos em academias


A diversificação relacionada a outros serviços prestados dentro da academia tem como objetivo potencializar os
resultados estéticos, bem-estar almejados pelos alunos, além de gerar lucro e reforço da marca da própria academia,
garantindo, portanto, a adesão do cliente.

Tratamentos estéticos
• Tratamento e limpeza de pele;
• Cabeleireiro;
• Manicure e pedicuro;
• Podologia;
• Acupuntura;
• Tratamento capilar;
• Massagem redutora;
• Massagem relaxante;
• Drenagem linfática;
• Reeducação postural;
• Depilação;
• Design de sobrancelhas;
• Corrente russa;
• Manta térmica;
• Endermoterapia;
• Tratamentos faciais.

Tratamentos com profissionais de saúde


• Psicólogo;
• Quiroprático;
• Fisioterapeuta;
• Ortopedista;
• Médico;
• Nutricionista.

Saiba Mais!
A maior rede de academias do mundo é a Gold’s Gym; a rede com sede em Dallas, em 2007, abriu 60 novas unidades em vários
países e 75 novas franquias. Nos EUA, os locais e o número de academias são: Alabama (12), Arizona (9), Califórnia (46), Colorado
(4), Connecticut (7), Delaware (2), Flórida (37), Geórgia (28), Idaho (7), Illinois (11), Indiana (3), Iowa (3), Kansas (2), Kentucky (1),
Louisiana (1), Maine (1), Maryland (24), Massachusetts (25), Michigan (3), Minnesota (10), Missouri (10), Montana (3), Nebraska (3),
Nevada (10), New Hampshire (7), Nova Jersey (16), Novo México (1), Nova York (29), Carolina do Norte (25), Dakota do Norte (1),
Oklahoma (2), Oregon (4), Pensilvânia (19), Rhode Island (4), Carolina do Sul (12), Tennessee (2), Texas (52), Utah (20), Virgínia
(34), Washington (23), Washington D.C. (3), West Virginia (2) e Wisconsin (7). Ainda está presente em outros países como: Armênia
(1); Austrália (2); Canadá (21); Costa Rica (1); e Brasil (2)
O Brasil foi o primeiro país do mundo a promover um programa sistematizado de atividades aquáticas de grande impacto na
comunidade da hidroginástica, o denominado Power Pool. Esse era caracterizado por aulas na piscina pré-coreografadas, de 45
min, com ritmos e estímulos diferentes, seguindo um programa de treinamento intervalado, com dois picos de intensidade do
trabalho cardiorrespiratório, incluindo séries de exercícios com movimentos em suspensão, posição neutra com água na linha dos
ombros, deslocamentos, além de exercícios de resistência muscular localizada e alongamentos
Outra invenção totalmente brasileira na área de hidroginástica da empresa Sahinco é a esteira aquática Aquafit, confeccionada
em aço inoxidável, com peças em inox e náilon e com carenagens de plástico; possui painel eletrônico e realiza monitoração,
por wireless, dos batimentos cardíacos; efetua cálculo do gasto calórico; comanda a velocidade e a inclinação, permitindo ao
usuário a programação de uma série, de acordo com o objetivo do exercício, além de oferecer 64 programas preestabelecidos para
treinamento e/ou condicionamento físico. Outra vantagem inclui o gasto calórico 140% maior do que em esteira convencional.
Também na mesma linha há a Hidrobike, que possui controle de altura para adequação em piscinas, regulagem de selim e guidão.
É empregada em aula de hidrospinning, que permite gasto aproximado de 400 calorias em 40 min, de aula; baixíssimo risco de
lesões; sobrecarga controlada de forma segura e individualizada; redução da sobrecarga da coluna vertebral; redução do impacto
nas articulações e no joelho; diminuição do estresse térmico; força constante no giro e retorno venoso facilitado em relação à
bicicleta indoor convencional, por ser praticada dentro da água. Finalmente, outra modalidade aquática é o Hidrojump, que emprega
um minitrampolim fabricado em aço inox que fica no fundo da piscina

Categorias de atendimento na nutrição esportiva


Embora não seja prerrogativa deste século, pois desde a época dos gregos e dos romanos a atividade física (AF) era
reconhecida como “um melhor aproveitamento do homem em relação à vida e a si mesmo”, atualmente a prática de AF
vem sendo enquadrada no contexto de QV, definida como informações sobre bem-estar físico, social e emocional do
indivíduo, como recursos necessários para satisfação individual, aspirações futuras, participação de atividades para o
seu desenvolvimento e satisfação comparada entre ele próprio e os outros24. Há consenso na literatura de que os
componentes da aptidão física, que estão relacionados à saúde, oferecem proteção ao aparecimento de distúrbios
orgânicos provocados pela inatividade física, sendo proporcionais ao nível de prática da atividade física, sendo estes:
resistência cardiorrespiratória, composição corporal, força, resistência muscular e flexibilidade, compreendendo, ainda,
os componentes fisiológicos, como pressão arterial, concentração de lipídeos e lipoproteínas no sangue, aumento da
sensibilidade à insulina, entre outros7. Assim, conforme Saba1 em relação às últimas duas décadas tanto a QV e o bem-
estar permeiam o contexto da AF, resultando no contexto holístico de wellness, a fim de envolver todas as dimensões
comportamentais humanas. Tal conceito vem se traduzindo em diretrizes que incentivam ou mesmo têm um cunho de
recomendações para a prática de AF, como as propostas por programas nacionais e internacionais que indicam que
para a população em geral um programa regular de exercício aeróbico com sessões entre 20 e 30 minutos, pelo menos
três vezes por semana, associado à dieta com quantidades de gordura abaixo de 30% do valor calórico total (VCT) é
um dos meios mais efetivos para alcançar mudanças desejáveis no peso e na composição corporal25. Tais diretrizes
surgiram em decorrência da epidemia da obesidade, que compartilha o conceito atual e emergente da globalização.
Dessa forma, em termos práticos, dentro do atendimento nutricional voltado aos praticantes de atividade física, podem
ser identificados até quatro grupos distintos26 (Figura 1.5):

• Desportistas: indivíduos fisicamente ativos, que participam de atividade esportiva, com objetivo de alcançar
benefícios para a sua saúde e/ou lazer e recreação, sem a finalidade competitiva precípua. Ainda segundo Rossi e
Tirapegui27, três subdivisões podem ser feitas: (a) indivíduos cujo índice de massa corporal (IMC) se encaixa em
padrões de normalidade; (b) aqueles cujo IMC se situa acima dos padrões de normalidade; e finalmente (c)
independente do IMC há uma doença associada (diabetes, problemas cardíacos, hipotiroidismo etc.). O tratamento
nutricional para cada grupo varia desde reeducação alimentar, associada ou não à redução ponderal, alterações na
composição corporal, estética, melhora na qualidade de vida, redução do estresse e consumo de medicamentos,
melhora na condição cardiovascular etc. Esta categoria chega a representar 90 a 100% dos atendimentos em
consultórios particulares e academias de ginástica;
• Atletas: são os desportistas que se submetem ao treinamento regular, por períodos prolongados, de acordo com as
exigências da sua modalidade esportiva e para fins competitivos. Podem representar entre 9 e 10% dos
atendimentos;
• Atletas de elite ou ponta: são os atletas cujos desempenhos são compatíveis com resultados expressivos, quando
comparados aos padrões internacionais. Aqui esta população pode representar até 1% dos atendimentos.
Geralmente, o acompanhamento necessita de um profissional da área bastante gabaritado e com perfil de
atendimento multidisciplinar junto a fisiologistas, médicos, psicólogos, preparador físico etc., uma vez que se trata
da elite de atendimento e cuidado nutricional;
• Atletas de academia: são os desportistas que se submetem ao treinamento regular, por períodos prolongados, de
acordo com uma modalidade esportiva ou não, e que quase sempre contam com serviço personalizado de um
instrutor, chegando a atingir as exigências de atletas, mas que não visam a competição. Eles costumam se encontrar
em academias e são indivíduos propensos ao maior uso de suplementos e substâncias ergogênicas legais ou não. A
literatura sobre esses indivíduos é escassa, embora mereça atenção e cuidados nutricionais, principalmente
relacionados aos objetivos da prática, sendo apontados estética (58%) e emagrecimento (14%) em detrimento à
saúde (12%) ou lazer/recomendação médica (8%). O verão é a época de maior consumo de suplementos e a
finalidade é aquela voltada para melhora do condicionamento físico (34,8%), emagrecimento (8,7%); além de
esteroides anabolizantes (Durateston) para promover hipertrofia muscular27. Não há, ainda, um percentual de sua
participação dentro dos atendimentos nutricionais.
Figura 1.5 – Distribuição de indivíduos fisicamente ativos conforme objetivo da prática esportiva.

REFERÊNCIAS
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ginástica de São Paulo. Rev Bras Med Esporte 2008;14:539-543.
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ginástica. Motriz. 2010;16(1):181-88.
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distinctions for health-related research. Public Health Reports. 1985;100:126-130.
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ginástica [dissertação]. São Paulo: Fundação Getúlio Vargas; 2006. 89p.
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composição corporal em desportistas. Rev Bras Cien Farm. 2001;37:137-42.
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anabolizantes e suplementos nos programas de atividade física. Rev Efdeportes. 2008;13:1-5.
Inserção e atuação na área de nutrição em
esporte
Introdução
Segundo Vasconcelos1 pode-se dizer que no cenário mundial, a Nutrição, como ciência, política social e/ou profissão, é
um fenômeno relativamente atual, característico do início do século XX. Porém, apesar desta história recente é
possível realizar um relato Histórico da Profissão de Nutricionista no Brasil:

• 1939: criação dos cursos técnicos de nível médio como os Cursos Técnicos em Nutrição e Dietética na Superintendência do
Ensino Profissional do Estado de São Paulo e o Curso Técnico de Auxiliares de Alimentação da Escola Central de Nutrição
do então Estado da Guanabara, para formação de nutricionistas-dietistas, embriões dos atuais cursos de graduação em
nutrição2.
• 1939: criação do primeiro curso para formação de nutricionistas, no Instituto de Higiene de São Paulo (atual Curso de
Graduação em Nutrição do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo –
FSP/USP)1;
• 1940: criação dos cursos técnicos do Serviço Central de Alimentação do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos
Industriários (IAPI). Em 1943, deram origem ao Curso de Nutricionistas do Serviço de Alimentação da Previdência Social
(SAPS) (atual Curso de Graduação em Nutrição da Universidade do Rio de Janeiro – UNI-RIO)1;
• 1944: criação do Curso de Nutricionistas da Escola Técnica de Assistência Social Cecy Dodsworth (atual Curso de
Graduação em Nutrição da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ)1;
• 1948: criação do Curso de Dietistas da Universidade do Brasil (atual Curso de Graduação em Nutrição do Instituto de
Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ)1;
• 31/08/1949: fundação da Associação Brasileira de Nutricionistas (ABN), sediada no Rio de Janeiro, primeira entidade
brasileira representante dos interesses de nutricionistas/dietistas. Em decorrência, nesse dia, comemora-se o Dia do
Nutricionista2;
• Décadas de 1950 e 1960: criação de mais três cursos para formação de nutricionistas, os atuais curso de graduação em
nutrição da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (UFBA) (1956), curso de graduação em nutrição do
Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) (1957) e curso de graduação em nutrição da
Universidade Federal Fluminense (UFF) (1968);
• 1957: no campo da Nutrição em Saúde Pública ocorreu a criação do Curso de Nutricionistas do Instituto de
Fisiologia e Nutrição da Faculdade de Medicina de Recife, apontado como o primeiro curso brasileiro a formar
profissionais para a atuação no campo da Nutrição em Saúde Pública;
• 19/10/1962: O Conselho Federal de Educação (CFE), órgão do Ministério da Educação, emitiu o Parecer n. 265, o
qual reconhecia os cursos de nutricionistas como de nível superior, estabelecia o primeiro currículo mínimo e
fixava a duração de três anos para a formação de nutricionistas no país2;
• 24/04/1967: regulamentação da profissão pela Lei n. 5.276 sancionada pelo Presidente da República, General
Artur da Costa e Silva, que dispunha sobre a profissão e regulação de seu exercício entre outras providências;
• Década de 1970 a 1981: expansão de 7 para 30 (21 públicos e 9 privados) o número de cursos de graduação em
nutrição com aumento de 428,6%2;
• 1976: instituição do II Programa Nacional de Alimentação e Nutrição (II PRONAN), desenvolvido sob a
coordenação do Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN), autarquia vinculada ao Ministério da Saúde
desencadeando processo de criação de novos cursos para formação de nutricionistas no Brasil2;
• 20/10/1978: aprovação da Lei n. 6.583, que cria o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) e o Conselho
Regional de Nutricionistas (CRN), regula seu funcionamento, e dá outras providências2;
• 17/09/1991: revogada a Lei n. 5.276 e sancionada a atualmente em vigor no 8.2341;
• 1981 e 1996: expansão de cursos de 30 para 45 (22 públicos e 23 privados), representando com aumento de
642,9% em relação ao ano de 1970, sendo quase exclusivamente determinado pela criação de 14 novos cursos
privados. Oferta de vagas de 1.592 para 3.643: aumento de 639,1% em relação a 19702;
• 31/12/1996: total de 45 cursos de graduação em nutrição no Brasil2;
• 1997 a 2009: oferta de mais 346 novos cursos de nutrição no Brasil. Até 2009 há total de 391 cursos de nutrição:
67 públicos – federal, estadual ou municipal – e 324 privados, ofertando total de 49.185 vagas anuais2.

Saiba Mais!
• Os 391 cursos de graduação em nutrição, registrados em 08/2009, se distribuem por 26 unidades da federação, sendo
o ranking dos dez estados com mais concentrações de cursos de Nutrição demonstrado na Figura 2.1

Figura 2.1 – Dez estados com o maior número de cursos de Nutrição2.

Perfil do nutricionista da área de nutrição em esporte no Brasil


Akutsu3, em seu trabalho sobre os nutricionistas das diversas regiões do Brasil (n = 587), revela que a maior
concentração de profissionais está na região Sudeste (46,5%) e aponta que as prováveis diferenças em relação a outras
regiões brasileiras podem ser decorrentes de: maior concentração de indústrias, maior exercício de responsabilidade
técnica com programas como o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e a tradição dos cursos de graduação
aliada ao aumento na demanda de vagas, suprida principalmente pelas instituições privadas, em razão da não
ampliação de vagas pública. Esta última observação vem ao encontro do fato de a formação profissional nas regiões
Sul e Sudeste ser proveniente de instituições privadas e não públicas, como ocorre nas outras regiões do Brasil (Norte,
Nordeste e Centro Oeste). Antes do trabalho realizado por Akutsu3, o CFN, entre os anos de 2003 a 20064, realizou uma
pesquisa intitulada a “Inserção profissional dos nutricionistas no Brasil”; na Tabela 2.1 há um comparativo entre os
principais pontos relacionados ao perfil do nutricionista no Brasil.

TABELA 2.1 – Comparativo do perfil profissional nos anos de 2006 e 2008


CFN4 Akutsu3
Variáveis n = 2.492 n = 587

Distribuição de profissionais por região ou CRN* CRN1: 172 Cento-oeste: 42


CRN2: 420 Sul: 131
CRN3: 1103 Sudeste: 273
CRN4: 700 Norte: 38
CRN5: 126 Nordeste: 103*
CRN6: 368
CRN7: 84

Gênero Feminino: 96,5% Feminino: 96,9%


Masculino: 3,5% Masculino: 3,1%

Idade (anos) 20 a 30: 52,6% 34,8 ± 9,3


31 a 40: 26,8% (variação: 21 a 70)
41 a 50: 16,8% 20 a 30: 42,5%
51 a 60: 3,3% > 50: 4,8%
> 60: 0,5%

Estado civil Solteiro: 53,6% Casado: 61,2%


Casado: 39,6%
Outros: 6,8%

Tipo de instituição na qual se graduou Particular: 43,7% Particular: 48,6%


Pública: 56,3% Pública: 51,4%
Por região:
Particular: Sul e Sudeste
Públicas: Norte, Nordeste e Centro-oeste

Pós-graduação Especialização: 31,6% Especialização: 48,9%


Mestrado: 5,2% Mestrado/doutorado: 15,0%
Doutorado: 1,1% Por região:
Região Sudeste: maior número de mestres e doutores

Atuação na área nutrição em esportes 4,1% (cerca de 122 0,5% (cerca 30 profissionais)
profissionais)

* Nesta pesquisa o Brasil era dividido em sete regiões administrativas e atualmente existem oito regiões; também São Paulo e Mato Grosso do
agora formam o CRN3. Essas diferenças impedem comparações entre as regiões geográficas do Brasil.

Perspectivas de atuação do nutricionista da área de esporte em outros países


O aparecimento e o desenvolvimento da profissão de nutricionista tiveram suas origens próprias em cada país,
alicerçadas nas necessidades e oportunidades3.
Nos países de língua inglesa (Austrália e Estados Unidos) ocorreu uma avaliação ligeiramente mais positiva para
todos os tipos de habilidades quando comparado aos países de língua latina (Brasil e Espanha). Ainda, na sua formação
os especialistas brasileiros valorizam mais as competências profissionais metodológicas e participativas; já os
espanhóis, as técnicas e pessoais. No geral, as categorias que envolvem competências participativas e pessoais (saber,
viver e ser) foram consensualmente as mais valorizadas por profissionais de todos os países quando comparadas às
técnicas e às metodológicas. As competências de caráter participativo e pessoal são altamente valorizadas em qualquer
área de atuação no campo profissional, pois envolvem elementos como percepção, personalidade e pensamento crítico5.

Regulamentação da área de nutrição em esportes


A VI área de atuação do nutricionista, descrita na resolução CFN n. 380 de 2005, é a de Nutrição em Esporte. Esta
resolução dispõe sobre a definição das áreas de atuação no nutricionista e suas atribuições e ainda estabelece
parâmetros numéricos de referência para atuação entre outras providências6 e descreve que compete ao nutricionista, no
exercício de suas atribuições na Área de Nutrição em Esportes (Quadro 2.1), como prestar assistência e educação
nutricional a coletividades ou indivíduos, sadios ou enfermos, em instituições públicas e privadas e em consultório de
nutrição e dietética, prestar assistência e treinamento especializado em alimentação e nutrição, prescrever suplementos
nutricionais necessários à complementação da dieta, solicitar exames laboratoriais necessários ao acompanhamento
dietético.

QUADRO 2.1 – Atribuições do nutricionista na área de esportes7

Para realizar as atribuições definidas no item VI, no âmbito de clubes esportivos, academias e similares, o nutricionista deverá
desenvolver as seguintes atividades:

• Atividades obrigatórias
– Identificar o perfil do cliente, conforme as especificidades do treinamento físico ou esportivo
– Avaliar e acompanhar a composição corporal e o estado nutricional do cliente, conforme as características do indivíduo e da atividade
física prescrita pelo Educador Físico
– Estabelecer o plano alimentar do cliente, adequando-o à modalidade esportiva ou à atividade física desenvolvida, considerando as
diversas fases (manutenção, competição e recuperação)
– Manter registro individualizado de prescrições dietéticas e evolução nutricional da clientela atendida
– Promover a educação e a orientação nutricional ao cliente e, quando pertinente, aos familiares/responsáveis
– Interagir com a equipe multiprofissional, responsável pelo treinamento/acompanhamento do desportista/atleta
– Colaborar com as autoridades sanitárias e de fiscalização profissional
– Elaborar o plano de trabalho anual, contemplando os procedimentos adotados para o desenvolvimento das atribuições
– Coordenar e supervisionar as atividades da unidade de alimentação e nutrição (UAN) responsável pelo preparo/fornecimento de
refeições aos desportistas
• Atividades complementares
– Solicitar exames complementares à avaliação nutricional, à prescrição dietética e à evolução nutricional do cliente, quando necessário
– Prescrever suplementos nutricionais, em conformidade com a legislação vigente, sempre que necessário
– Elaborar e fornecer receituário de preparações culinárias, previstas no plano alimentar do cliente, quando necessário
– Acompanhar e prestar atendimento nutricional aos atletas, praticantes de atividades físicas, em treinamentos e competições
individuais ou coletivas
– Desenvolver material educativo, para orientação de clientes, treinadores e colaboradores
– Participar de cursos de treinamento e aperfeiçoamento de colaboradores e profissionais de saúde, respeitando os limites das
atribuições privativas do nutricionista
– Prestar serviços de auditoria, consultoria e assessoria na área

Saiba Mais!
A resolução CFN no 380/05 apresenta e detalha as atividades das sete áreas de atuação do nutricionista:
1. Alimentação coletiva
2. Nutrição clínica
3. Saúde coletiva
4. Docência
5. Indústria de alimentos
6. Nutrição em esportes: atividades relacionadas à alimentação e à nutrição em academias, clubes esportivos e similares
7. Marketing na área de alimentação e nutrição

Quantos aos parâmetros numéricos descritos na resolução para atuação na área de Nutrição em Esportes há
indicação de no mínimo um nutricionista por estabelecimento. Levando-se em conta que no Brasil atualmente há 24
mil academias de ginástica, existe um amplo potencial inexplorado de locais de emprego e atuação nesta área6.
Para amplo entendimento das diversas funções e possibilidades de atuação do nutricionista da Área de Esporte, cabe
a descrição e a definição de termos relacionados às atividades obrigatórias e complementares, que também estão no
glossário no final do livro:

• Alimentos para fins especiais: são alimentos especialmente formulados ou processados, nos quais se
introduzem modificações no conteúdo de nutrientes adequados à utilização em dietas diferenciadas e/ou
opcionais, atendendo necessidades de pessoas em condições metabólicas e fisiológicas específicas7;
• Assessoria em nutrição: é o serviço realizado por nutricionista habilitado que, embasado em seus
conhecimentos, habilidades e experiências, assiste tecnicamente a pessoas físicas ou jurídicas, planejando,
implantando e avaliando programas e projetos em atividades específicas na área de alimentação e nutrição, bem
como oferecendo solução para situações relacionadas à sua especialidade, sem, no entanto, assumir
responsabilidade técnica7;
• Atendimento domiciliar: assistência a clientes ou pacientes que necessitem de cuidados nutricionais específicos,
realizado em ambiente domiciliar7;
• Atribuições: conjunto de atividades ou ações cujas execuções são inerentes ao cumprimento das prerrogativas
do nutricionista7;
• Auditoria em nutrição: exame analítico ou pericial feito por nutricionista, contratado para avaliar
criteriosamente, dentro da sua especialidade, as operações e os controles técnico-administrativos inerentes à
alimentação e à nutrição, finalizando com um relatório circunstanciado e conclusivo7;
• Autônomo: é todo aquele que exerce sua atividade profissional sem vínculo empregatício, por conta própria e
com assunção de seus próprios riscos. A prestação de serviços é de forma eventual e não habitual. Pessoa física
que exerce, por conta própria, atividade econômica com fins lucrativos. Quem presta serviço de natureza urbana
ou rural, em caráter eventual a uma ou mais empresas sem relação de emprego8.
• Avaliação nutricional: análise de indicadores diretos (clínicos, bioquímicos, antropométricos) e indiretos
(consumo alimentar, renda e disponibilidade de alimentos, entre outros), que têm como conclusão o diagnóstico
nutricional do indivíduo ou de uma população7;
• Complemento nutricional: produto elaborado com a finalidade de complementar a dieta cotidiana de uma
pessoa saudável, que deseja compensar um possível déficit de nutrientes, a fim de alcançar os valores da dose
diária recomendada (DDR)7;
• Consulta em nutrição: atividade realizada por nutricionista em unidade de ambulatório ou ambiente hospitalar,
consultório ou em domicílio para o levantamento de informações que possibilitem o diagnóstico nutricional e o
conhecimento sanitário e a prescrição dietética e orientação dos pacientes ou clientes de forma individualizada7;
• Consulta inicial: primeiro atendimento de Nutrição feito pelo nutricionista em unidade de ambulatório, em
consultório ou em domicílio, no qual é realizada uma entrevista para coleta de dados pessoais, anamnese
alimentar e avaliação do estado nutricional, para, em seguida, proceder ao diagnóstico nutricional, ao plano
alimentar e à orientação individualizada7;
• Consultoria em nutrição: serviço realizado por nutricionista que, quando solicitado, analisa, avalia e emite
parecer sobre assuntos e serviços relacionados à sua especialidade, com prazo determinado7;
• Consultoria: Analisa, avalia e emite um parecer técnico sobre determinado assunto ou serviço relacionado à sua
especialidade. O serviço de consultoria, oferecido ao cliente, acontece por meio de diagnósticos e processos e tem
o propósito de levantar as necessidades do cliente, identificar soluções e recomendar ações. De posse dessas
informações, o consultor desenvolve, implanta e viabiliza o projeto de acordo com a necessidade específica de
cada cliente. Por exemplo, empresa de suplementos quer vender no mercado certo produto com respaldo científico
e elaboração de material técnico, inclusive auxiliando a equipe de marketing.
• Demonstração técnica do produto: qualquer forma de expor um produto de modo a destacá-lo ou diferenciá-lo
dos demais dentro de estabelecimento comercial ou não, ilimitado à vitrine7;
• Diagnóstico nutricional: identificação e determinação do estado nutricional do cliente ou paciente, elaborado
com base em dados clínicos, bioquímicos, antropométricos e dietéticos, obtidos quando da avaliação nutricional e
durante o acompanhamento individualizado7;
• Educação alimentar e nutricional: procedimento realizado pelo nutricionista junto a indivíduos ou grupos
populacionais, considerando as interações e os significados que compõem o fenômeno do comportamento
alimentar, para aconselhar mudanças necessárias à readequação dos hábitos alimentares7;
• Educação continuada ou permanente: eventos e atividades teóricas e práticas de capacitação de colaboradores
do serviço ou de profissionais de saúde sobre temas de alimentação e nutrição, com cronograma sequencial e
realização periódica regular7;
• Ficha técnica de preparações: formulário de especificação de preparações dietéticas, destinado aos registros
dos componentes da preparação e suas quantidades per capita, das técnicas culinárias e dietéticas empregadas,
do custo direto e indireto, do cálculo de nutrientes e de outras informações, a critério do serviço ou unidade de
alimentação e nutrição7;
• Ficha técnica de produto: formulário de especificações do produto, constando as características gerais e
nutricionais, como descrição do produto, finalidade, composição, embalagem, validade, informação nutricional,
registro no Ministério da Agricultura ou da Saúde, entre outros dados7;
• Hábitos alimentares: conjunto de hábitos envolvendo alimentos e preparações, de uso cotidiano por pessoas ou
grupos populacionais, em que há forte influência da cultura, tabus alimentares e tradições de comunidades ou
de povos7;
• Interdisciplinar: justaposição de conteúdos de disciplinas heterogêneas ou a integração de conteúdos em uma
mesma disciplina7;
• Multidisciplinar: justaposição de conteúdo de disciplinas7;
• Multiprofissional: interface técnica de várias profissões ou profissionais7;
• Necessidades nutricionais específicas: quantidade de nutrientes e de energia biodisponíveis nos alimentos que
um indivíduo sadio deve ingerir para satisfazer suas necessidades fisiológicas e prevenir sintomas de
deficiências, ou para recuperar um estado de saúde em que a nutrição se torna fator principal ou coadjuvante do
tratamento7;
• Nutrição em esportes: atividades relacionadas à alimentação e à nutrição em academias, clubes esportivos e
similares7;
• Parâmetros nutricionais: são indicadores utilizados para monitorar o estado nutricional de um indivíduo, de um
grupo ou população, sendo ainda considerados outros fatores que interferem na saúde, como sociais,
psicológicos, culturais e econômicos, que podem ser concorrentes ou agravantes7;
• Parecer em nutrição: opinião fundamentada, emitida por nutricionista, sobre assunto específico da área de
alimentação e nutrição7;
• Perfil epidemiológico da população: perfil resultante de estudos dos determinantes das condições de saúde da
população em geral ou de grupos populacionais, com o desenvolvimento de indicadores para monitorar as
políticas públicas de saúde e avaliar o impacto destas ações, com mecanismos permanentes de vigilância aos
principais agravos de saúde dessa população7;
• Planilha de custos: instrumento utilizado para apurar detalhadamente os custos, considerando todos os itens e
elementos envolvidos na produção de bens ou prestação de serviços7;
• Prescrição dietética: atividade privativa do nutricionista que compõe a assistência prestada ao cliente ou ao
paciente em ambiente hospitalar, ambulatorial, consultório ou em domicílio, que envolve o planejamento
dietético, devendo ser elaborada com base nas diretrizes estabelecidas no diagnóstico nutricional, procedimento
este que deve ser acompanhado de assinatura e número da inscrição no CRN do nutricionista responsável pela
prescrição7;
• Profissional habilitado: nutricionista devidamente inscrito no CRN da Região onde ele atua, conforme
legislação reguladora das atividades profissionais e do funcionamento das entidades do Sistema CFN/CRN7;
• Receituários: conjunto de formulários que contém ingredientes, método de preparo, rendimento e tempo de
preparo, de receitas específicas utilizadas na produção culinária, em conformidade com os cardápios7;
• Recomendações nutricionais: quantidade de nutrientes necessários para satisfazer as necessidades de 97,5%
dos indivíduos de uma população sadia; tratando-se de calorias diz-se necessidades nutricionais7;
• Reconsulta: atendimento prestado pelo nutricionista em consultório, em ambulatório de nutrição ou em
domicílio, como se fosse uma primeira consulta, em razão do longo tempo passado em relação à consulta
anterior (reinício do tratamento)7;
• Responsável técnico: responsável pelo local, perante a prefeitura, vigilância sanitária etc.;
• Retorno: atendimento prestado pelo nutricionista em consultório, em ambulatório de nutrição ou em domicílio,
realizado após primeiro atendimento, dentro de prazo determinado7;
• Risco nutricional: condição limite do estado nutricional que se caracteriza pela potencialidade de
desenvolvimento de doenças associadas à nutrição7;
• Suplementos nutricionais: alimentos que servem para complementar, com calorias, e/ou nutrientes a dieta diária
de uma pessoa saudável, em casos em que sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente, ou quando a
dieta requerer suplementação7;
• Suplementos vitamínicos e/ou minerais: alimentos que servem para complementar, com outros nutrientes, a
dieta diária de uma pessoa saudável, em casos em que sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente,
ou quando a dieta requerer suplementação; devem conter mínimo de 25% e no máximo 100% da ingestão diária
recomendada (IDR) de vitaminas e/ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante, não podendo
substituir os alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva7.

Honorários
Comprovadamente cada ano extrainvestido na formação complementar do nutricionista concede aumento percentual na
renda, evidenciado por pesquisas disponíveis que afirmam que 16,3% dos nutricionistas obtiveram elevação de sua
renda pela conclusão de algum tipo de pós-graduação tanto lato sensu ou stricto sensu3,6. Além do valor da consulta, o
nutricionista agrega outros serviços ao longo do cuidado nutricional, cujos valores mínimos devem ser respeitados a
partir do proposto pelo CFN (Tabela 2.2).

TABELA 2.2 – Honorários para os diversos serviços/funções prestados pelo nutricionista8


Tipo de serviço prestado Honorários

Prestação de serviços

Assessoria/hora técnica R$ 50,00 a 150,00

Consultoria/hora técnica R$ 200,00 a 300,00

Cardápio personalizado semanal por refeição pessoa física R$ 150,00 a 300,00

Cardápio personalizado semanal por refeição pessoa jurídica R$ 150,00 a 300,00

Treinamento de funcionário por hora R$ 200,00 a 500,00


Rotulagem nutricional A partir de R$ 150,00/rótulo

Cálculo valor nutricional de receita A partir de R$ 120,00/receita

Palestras R$ 200,00 a 300,00/hora

Elaboração de listas de compras semanal R$ 150,00 a 200,00

Treinamento de funcionários para preparo de receituário A partir de R$ 100,00/receita

Ficha técnica sem preparação A partir de R$120,00/ficha

Ficha técnica com preparação A partir de R$ 220,00/ficha

Manual de boas práticas A partir de R$ 1.500,00

Nutrição

Consulta em academia A partir de R$ 100,00

Consulta em consultório com retorno A partir de R$ 100,00

Teste de bioimpedância* R$ 30,00

Personal diet A partir de R$ 150,00

Home care A partir de R$ 150,00

Convênio tabela federação nacional dos nutricionistas (FNN) R$ 33,00

Educação nutricional

Palestras R$ 200,00 a 300,00/hora

Assessoria para escolar R$ 50,00 a 150,00

Treinamento de funcionários R$ 200,00 a 500,00/pessoa

Avaliação nutricional A partir de R$ 100,00

* Dependendo do equipamento.

Tipos de contrato de trabalho


Segundo o Sindicato dos Nutricionistas8, um profissional ao ser admitido realiza um contrato que é a simples anotação
na Carteira de Trabalho e Previdência Social, sendo este por tempo indeterminado, na função e mediante salário
previamente combinado. Ainda esse salário deve obedecer ao piso da categoria e nunca ser abaixo do valor estipulado.
Porém, há outros tipos de contrato que podem ser celebrados e os quais o nutricionista da Área de Esporte deve ter
maior conhecimento, pois como revela a pesquisa realizada pelo CFN4 sobre a inserção dos nutricionistas no Brasil,
nesta área, ao contrário das outras (clínica, saúde pública etc.), é onde há o maior número de profissionais prestadores
de serviço (35,6%) vs regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho: 15,7%). Esta pesquisa revela que o
Nutricionista da Área de Esporte e promoção da saúde deve ter perfil empreendedor para suprir as necessidades do
mercado. Assim, os outros tipos de contrato possíveis, segundo o Sindicato dos Nutricionistas, estão no Quadro 2.2.

QUADRO 2.2 – Tipos de contrato de trabalho disponíveis no mercado

• Autônomo
– Prestação de serviço, sem relação ao empregador, sem dependência jurídica ou econômica, com liberdade de atuação, podendo
prestar, simultaneamente, serviços para uma ou várias empresas, em sua especialidade

• Cooperado
– É associado-cotista de uma cooperativa de serviços de determinada especialidade ou profissão que presta serviços na qualidade de
membro da cooperativa, sem pessoalidade
• Eventual
– Contrato por prazo ou obra certa, para prestar serviços, durante curto prazo e de forma contínua

• Experiência
– Destinado a verificar por até 90 dias a adaptação e o atendimento do contrato às necessidades da empresa, durante o exercício
temporário da função

• Prazo determinado
– Contrato para executar determinado trabalho ou complementar certa atividade, que não poderá ultrapassar 2 anos

• Temporário
– Prestação de serviço por meio de agência de mão de obra temporária, para atender necessidade transitória de substituição de seu
pessoal regular e permanente, em gozo de férias ou outro motivo ou acréscimo extraordinário de serviço

O piso salarial de R$ 1.785,00 foi registrado para o ano de 2011/2012 para a indústria, comércio, hospital e clínica
pelo Sindicato dos Nutricionistas8 e a Federação Nacional dos Nutricionistas9 registra o Piso Nacional de Referência =
R$ 1.578,43 para 44 horas semanais. Uma pesquisa realizada pelo CFN4 indica que a Área com menor renda média é a
Esportiva: R$ 1.276,06. Porém, desde 2006 o CFN já indicava que as “… áreas de Ensino/Educação, Indústria de
Alimentos e Nutrição Esportiva são as que mais indicam possibilidades de crescimento, em torno de 20%…” O
documento ainda acrescenta que o nutricionista nesta área possui baixa mobilidade de crescimento, por,
provavelmente, não haver plano de carreira e por se tratar de um prestador de serviço em sua grande maioria.

REFERÊNCIAS
1. Vasconcelos FAG. O nutricionista no Brasil: uma análise histórica. Rev Nutr. 2002;15:127-38.
2. Vasconcelos FAG, Calado CLA. Profissão nutricionista: 70 anos de história no Brasil. Rev Nutr. 2011;24:605-17.
3. Akustu RC. Os nutricionistas brasileiros: perfil profissional e demográfico. Rev Nutr. 2008;21(1):7-19.
4. CFN (Conselho Regional de Nutricionistas). Inserção profissional dos nutricionistas no Brasil 2003-2006.
Capturado em 06/01/2012 no site: http://www.cfn.org.br/novosite/pdf/pesquisa.pdf.
5. Bellotto ML, Linares IP. Las competencias profesionales del nutricionista deportivo. Rev Nutr. 2008;21(6):633-46.
6. Rossi L, Tirapegui J, Cyrillo DC. Análise econômica da indústria de fitness no Brasil. Nutrição em Pauta.
2011;2:4-7.
7. CFN (Conselho Federal de Nutricionistas). Capturado em 06/01/2012 no
site: http://www.cfn.org.br/novosite/pdf/res/2005/res380.pdf.
8. SN (Sindicato dos Nutricionistas). Capturado em 06/01/2012 no site: http://www.sindicatonutricionistas.com.br/.
9. FNN (Federação Nacional de Nutricionistas). Capturado em 08/02/2013 no site: http://www.fnn.org.br/tabela-18-
11-2011.php.
Antropometria
Introdução
Em decorrência da verdadeira epidemia da obesidade, que se alastra praticamente por todos os continentes, observa-se
o crescente interesse em aliar as recomendações nutricionais à prática regular de atividade física. Tais recomendações
não visam apenas à melhora no condicionamento físico ou performance, mas também o alcance e a manutenção de
peso e composição corporal compatíveis com o conceito atual e emergente de qualidade de vida. Para o crescente
público, denominado de desportistas, o atendimento e a monitoração nutricional vêm crescendo concomitantemente
com os métodos de avaliação antropométricos. É fundamental, quando da admissão em um programa de atividade
física regular, na academia, no clube ou em outro local adequado, a avaliação física, antropométrica e nutricional,
procurando, assim, sinergismo nos objetivos a serem alcançados e quantificação e monitoração adequadas dos
benefícios. O exame antropométrico deve permitir avaliar e quantificar os principais componentes estruturais do corpo
humano, que podem ser alterados em decorrência de um programa de treinamento e/ou estratégia nutricional. No caso,
o enfoque prático do atendimento nutricional para indivíduos fisicamente ativos se concentra primariamente na
determinação da massa magra (MM) e massa gorda (MG). As diferenças desses dois componentes entre ambos os
sexos, tiveram seus estudos clássicos realizados na década de 1940 pelo médico da marinha americana Dr. Albert
Behnke e ainda hoje esta área vem crescendo com a sofisticação dos métodos1.

Antropometria
O termo antropometria tem sua origem do grego: anthropo significa homem e metry medida2, assim a antropometria
envolve a obtenção de medidas físicas de um indivíduo para relacioná-las ao padrão que reflita o seu crescimento e
desenvolvimento; essas medidas físicas compõem a avaliação nutricional3. Por meio da antropometria é possível
primeiro estudar a composição corporal humana e os seus diversos constituintes; normalmente, a massa corporal total é
expressa pelas respectivas porcentagens de gordura e MM4, e segundo, especificamente, quais destescomponentes
estão relacionados aos processos de saúde, ao rendimento e à qualidade de vida dos indivíduos2. Neste último caso, o
estudo da composição corporal encontra relevância e aplicação na avaliação e no acompanhamento de indivíduos
saudáveis, praticantes de atividade física5e atletas de alto nível6. Neste contexto, observa-se o aparecimento, na década
de 1980, da cineantropometria, que, por definição, é uma “área científica emergente que estuda forma, dimensão,
proporção, composição, maturação e desenvolvimento do corpo na ontogênese humana em relação ao crescimento, ao
desporto, à atividade física e à nutrição”2 (Quadro 3.1).

QUADRO 3.1 – Cineantropometria e sua caracterização2

• Identificação: implicações
– Mensuração do movimento humano
– Educação humana

• Especificação: para estudo do homem


– Tamanho
– Forma
– Proporção
– Composição
– Maturação
– Da função geral do ser humano

• Aplicação: auxiliar no entendimento


– Estado nutricional
– Crescimento
– Exercício
– Desempenho

• Relevância: com aplicação para


– Medicina
– Educação
– Governo
– Trabalho
– Esportes

Diversos métodos de análise da composição corporal são descritos na literatura, que diferem pelo seu nível de
complexidade. Os métodos mais utilizados in vivo continuam a se desenvolver, fornecendo, por meio de novas
tecnologias, informações que podem ser relacionadas ao passado da história nutricional do paciente e auxiliar a traçar e
direcionar estratégias para futuras metas de adequação nutricional7. Alguns já têm seu potencial classicamente
estabelecido, com forte base fisiológica para suas medidas, e cada um dos diferentes métodos exibe um grau de
confiabilidade e segurança de aplicação, que deve ser discutido e avaliado em conjunto com suas possíveis limitações
de aplicabilidade e vantagens no seu emprego8.

Níveis de avaliação da composição corporal


A pesquisa da composição corporal é uma ramificação da biologia humana, que pode ser descrita como abordagem da
anatomia quantitativa, e interconecta três áreas: níveis da composição corporal e suas regras organizacionais, técnicas
de medidas e fatores biológicos que influenciam a composição corporal9. Ainda na primeira área, cinco níveis
crescentes de complexidade na organização corporal são propostos (Figura 3.1).

Figura 3.1 – Os cinco níveis da composição corporal em humanos. LEC = líquido extracelular.
Terminologia aplicada à composição corporal
Segundo Rossi et al.1, as informações associadas à composição corporal tornaramse de fundamental importância na
orientação para várias finalidades, como programas de controle do peso corporal que exigem acompanhamento
criterioso quanto ao aconselhamento nutricional e a prescrição de exercícios físicos. Existe ainda a necessidade de
fracionar o peso corporal em seus diferentes componentes na tentativa de analisar, em detalhes, as adaptações ocorridas
na constituição de cada um deles10. Os principais componentes que podem ser a causa de variações na composição
corporal de indivíduos adultos são músculos e gordura (Tabela 3.1).

TABELA 3.1 – Terminologia da composição corporal1


Termo Definição

Massa gorda (MG) Todos os lipídeos extraídos do tecido adiposo e outros tecidos do corpo

Massa corporal magra (MM) MLG mais lipídeos essenciais

Gordura corporal relativa (%G) MG expressa como porcentagem do peso corporal total

Densidade corporal total (D) Total da massa corporal expressa em relação ao total do volume corporal

Gordura subcutânea Tecido adiposo acumulado sob a pele

Gordura visceral ou tecido adiposo visceral Tecido adiposo acumulado dentro e em volta dos órgãos das cavidades torácica (coração, pulmões)
(TAV) e abdominal (fígado, rins etc.)

Gordura intra-abdominal Gordura visceral na cavidade abdominal

Gordura abdominal Gordura subcutânea e visceral na região abdominal

Massa corporal
A balança é o instrumento utilizado para medir a massa corporal total do indivíduo. A precisão da medida depende da
escala numérica das balanças, que variam de acordo com o tipo ou o fabricante. Alguns cuidados são fundamentais
para a precisão das medidas e padronização dos dados1:

• A balança deve ser periodicamente calibrada;


• A balança deve estar em local plano, nivelado e estável durante todo o procedimento;
• O avaliado deve ser pesado com o mínimo de roupa possível e sem sapatos, sem ornamentos e objetos dentro dos bolsos,
principalmente chaves, cintos, celulares, óculos etc.;
• Realizar a pesagem antes de grandes refeições;
• Quando se tratar de balança eletrônica, posicionar no centro da base da balança, mantê-lo parado e realizar a leitura
diretamente do visor (Figura 3.2);
• As balanças mecânicas devem estar travadas antes de sua utilização;
• Destravar a balança somente após o indivíduo estar posicionado;
• Mover o cursor maior sobre a escala numérica para marcar os quilos;
• Para determinar as gramas mover, em seguida, o cursor menor;
• Esperar que a agulha do braço e o fiel estejam nivelados;
• Travar a balança para que ela não perca a estabilidade das molas;
• Fazer a leitura bem de frente para o equipamento, garantindo a precisão da medida e anotar o peso imediatamente;
• Retornar os cursores para a posição inicial na escala numérica.
Figura 3.2 – Técnica de pesagem e medição de altura.

Outros cuidados também são importantes, como o local da balança que, de preferência, deve ser bem iluminado para
permitir a leitura da escala de medida e proporcionar conforto térmico adequado ao avaliado.
O fundamental de se monitorar habitualmente a massa corporal dos praticantes de atividade física e atletas é
estabelecer uma série histórica de suas alterações. A partir desse registro pode-se verificar a porcentagem de perda de
massa corporal ao longo do tempo, segundo a equação:

% da perda massa corporal = (massa corporal habitual – massa corporal atual)/massa corporal habitual

Com o valor obtido, é possível comparar com os dados apresentados na Tabela 3.2. Vale ressaltar que é importante
considerar a causa da perda de peso e o objetivo, pois essa pode ser desejável, como no caso de dieta com restrição
calórica ou de obeso; involuntária, decorrente de doenças catabólicas ou por pressão externa para atingir tipo físico
imposto por padrões estéticos não saudáveis ou mesmo desejáveis ao esporte praticado.
Além da avaliação periódica da alteração da massa corporal total, muitas vezes também é preciso determinar, para
adultos ou idosos, a massa corporal ideal (MCI), quando se tratar de indivíduos com excesso de peso
ou déficit ponderal. Alguns conceitos de massa corporal amplamente utilizados na literatura11são apresentados a seguir:

Métodos para determinação da massa corporal ideal


Os métodos para a determinação da MCI dependem da idade, das condições nutricionais do indivíduo e do bom senso
do profissional que estiver avaliando e orientando o indivíduo11.
A seguir, serão discutidos alguns métodos que podem ser aplicados para determinação da MCI em adultos.
TABELA 3.2 – Classificação da intensidade da porcentagem da perda de peso corporal ao longo do tempo1
Período Porcentagem de perda leve Porcentagem de perda moderada Porcentagem de perda intensa

1 semana – < 2,0 > 2,0

1 mês < 5,0 5,0 >5,0

3 meses < 7,5 7,5 >7,5

6 meses ou mais < 10,0 >10,0 > 20,0


Saiba Mais!
Há terminologia específica para a massa corporal total, que pode ser útil no dia a dia do consultório e para discutir com os avaliados ao
longo do cuidado nutricional:

• Massa corporal atual: é a massa corporal do dia, encontrada no momento da avaliação nutricional
• Massa corporal habitual ou usual: é a massa corporal que o indivíduo apresenta quando hígido e exercendo suas atividades usuais. É
empregado como referência na avaliação de alterações recentes de massa corporal e em casos de impossibilidade de se obter o
dado no momento da avaliação

Massa corporal desejável: é a massa corporal ou meta a ser atingida. Pode fazer parte de um processo de ganho ou perda de massa
corporal. Nem sempre a massa corporal desejável é a ideal, mas a massa corporal ideal é a desejável

Determinação da massa corporal ideal pela tabela da Metropolitan Life Insurance


Baseia-se em uma tabela de massa corporal e estatura de uma companhia americana de seguros de vida, a Metropolitan
Life Insurance11. O cálculo leva em consideração o gênero, a idade, a estatura e a compleição do indivíduo. Para a
determinação da massa corporal há necessidade, antes, do cálculo da compleição ou do tamanho da ossatura. Esse
cálculo baseia-se na razão (r) do valor da estatura (cm) com o perímetro de punho (cm), obtida por meio da seguinte
razão:

E a classificação é feita segundo a Tabela 3.3.


TABELA 3.3 – Compleição corporal de adultos de ambos os gêneros1
Estrutura corporal Homens Mulheres

Pequena > 10,4 > 11,0

Média 9,6 a 10,4 10,1 a 11,0

Grande < 9,6 < 10,1

A partir daí, os valores da tabela determinam limites de massa corporal para homens e mulheres dentro da
classificação de três estruturas corporais, pequena, média e grande (Tabela 3.4).

A partir daí, os valores da tabela determinam limites de massa corporal para homens e mulheres dentro da
classificação de três estruturas corporais, pequena, média e grande (Tabela 3.4).
TABELA 3.4 – Peso corporal ideal segundo a Metropolitan Life Insurance Company1

Homens Mulheres
Altura (cm) Estrutura pequena Estrutura mediana Estrutura grande Estrutura pequena Estrutura mediana Estrutura grande

142 41,8 46,0 49,5

143 42,3 45,3 49,8

144 42,8 45,6 50,1

145 43,2 45,9 50,5

146 43,7 46,6 51,2

147 44,1 47,3 51,8

148 44,6 47,7 51,3


149 45,1 48,1 51,8

150 45,5 48,6 53,2

151 46,2 49,3 54,0

152 46,8 50,0 54,5

153 47,3 50,5 55,0

154 47,8 51,0 55,5

155 50,0 53,6 58,2 48,2 51,4 55,9

156 50,7 54,3 58,8 48,9 52,3 56,8

157 51,4 55,0 59,5 49,5 53,2 57,7

158 51,8 55,5 60,0 50,0 53,6 58,3

159 52,2 56,0 60,5 50,5 54,0 58,9

160 52,7 56,4 60,9 50,9 54,5 59,5

161 53,2 56,8 61,5 51,5 55,3 60,1

162 53,7 56,2 62,1 52,1 56,1 60,7

163 54,1 57,7 62,7 52,7 56,8 61,4

164 55,0 58,5 63,4 53,6 57,7 62,3

165 55,9 59,5 64,1 54,5 58,6 63,2

166 56,5 60,1 64,8 55,1 59,2 63,8

167 57,1 60,7 65,6 55,7 59,8 64,4

168 57,7 61,4 66,4 56,4 60,5 65,0

169 58,6 62,3 67,5 57,3 61,4 65,9

170 59,5 63,2 68,6 58,2 62,2 66,8

171 60,1 63,8 69,2 58,8 62,8 67,4

172 60,7 64,4 69,8 59,4 63,4 68,0

173 61,4 65,0 70,5 60,0 64,1 68,6

174 62,3 65,9 71,4 60,9 65,0 69,8

175 63,2 66,8 72,3 61,8 65,9 70,9

176 63,8 67,5 72,9 62,4 66,5 71,7

177 64,4 68,2 73,5 63,0 67,1 72,5

178 65,0 69,0 74,1 63,6 67,7 73,2

179 65,9 69,9 75,3 64,5 68,6 74,1

180 66,8 70,9 76,4 65,5 69,5 75,0

181 67,4 71,7 77,1 66,1 70,1 75,6

182 68,0 72,5 77,8 66,7 70,7 76,2

183 68,6 73,2 78,6 67,3 71,4 76,8

184 69,8 74,1 79,8

185 70,9 75,0 80,9

186 71,5 75,8 81,7


187 72,1 76,6 82,5

188 72,7 77,3 83,2

189 73,3 78,0 83,8

190 73,9 78,7 84,4

191 74,5 79,5 85,0

Porém estudos epidemiológicos mostram algumas desvantagens no emprego deste método1:

• Os limites de peso fixados refletem as massas corporais de pessoas seguradas conforme menor risco de mortalidade, o
que não reflete a população dos Estados Unidos;
• Não existem tabelas para os diversos países do mundo;
• Tendência a subestimar a massa corporal total.

Determinação da massa corporal a partir do índice de massa corporal


Para a determinação da MCI podem-se utilizar como critério os valores estabelecidos dentro dos limites de eutrofia
determinados pelo IMC. Na prática, aplica-se a seguinte fórmula:

MCI (kg) = IMC (kg/m2) × estatura2 (m2)

Assim, o valor do IMC para a determinação da MCI dependerá se o indivíduo estiver:

• Abaixo da MCI: neste caso, utiliza-se o limite mínimo de IMC (18,5 kg/m2);
• Acima da MCI: neste caso, utiliza-se o limite máximo de IMC (24,99 kg/m2).

O importante é obter a massa corporal condizente com valores de eutrofia. Vale ressaltar que esse processo deve ser
feito de forma gradativa, a fim de promover adaptação metabólica adequada. Para indivíduos eutróficos pode-se
utilizar a massa corporal associada ao valor médio dos limites de eutrofia do IMC, ou seja, calcular o peso ideal no
limite mínimo e no limite máximo e dividir por dois para obtenção do peso médio ideal11.

Determinação da massa corporal ideal para indivíduos com índice de massa corporal acima de 27 kg/m2
MASSA CORPORAL AJUSTADA
Esta metodologia de cálculo da MCI aplica-se a indivíduos com longo histórico de excesso de peso (sobrepeso ou
obesidade). Esta abordagem permite obtenção de meta mais gradativa, do que o IMC dentro da eutrofia para perda de
peso, visando atingir o ideal. Permite ajuste nos limites do IMC, considerando que 25% da gordura corporal total
representem a MG metabolicamente ativa. Assim, pode-se considerar para o cálculo da MCI a seguinte fórmula11,12:

Massa corporal ajustada (kg) = [(MCA – MCI) × 0,25] + MCI

Nessa fórmula, que se aplica para ambos os gêneros, considerar a MCI calculada pelo limite de eutrofia a partir do
IMC e massa corporal atual (MCA).
MASSA CORPORAL POSSÍVEL
Como no caso anterior, procura estabelecer uma meta mais realista ao cliente/paciente do que os valores de eutrofia
estabelecidos pelo IMC. Neste caso, são considerados alguns fatores que podem contribuir para o sobrepeso, tais como
avançar da idade, grau e tempo do sobrepeso/obesidade e, no caso de mulheres, o número de gestações, aproximando-
se, assim, de uma meta de massa corporal mais viável, principalmente para os casos de obesidade de classes II e III.
Inicialmente, calcula-se a massa corporal a partir do limite máximo de normalidade do IMC (24,99 kg/m2). A partir
da massa corporal obtida pela estatura, acrescenta-se ao valor calculado12,13:
• 1 kg/década após os 20 anos de idade;
• 1 kg/10 kg de sobrepeso;
• 1 kg/10 anos de sobrepeso;
• 1 kg/gestação.

Este método é aplicável em indivíduos adultos de ambos os gêneros.

Avaliação da adequação do percentual de gordura e cálculo da massa corporal alvo


A classificação de adequação do percentual de gordura (%G) para indivíduos fisicamente ativos baseia-se nos padrões
propostos por Lohman14, que estão na Tabela 3.5 e devem ser empregados para avaliação do risco de doenças
relacionadas tanto à deficiência como ao excesso de gordura e também para o cálculo do peso alvo, conforme
explicitado a seguir.

• Determinar a massa de gordura (MG):


MG = massa corporal atual (kg) × (%G atual/100)
• Obter a MM:
MM = massa corporal atual (kg) – MG (kg)
• Cálculo da massa corporal alvo:

Para cálculo do %G atual do desportista são empregados diversos métodos, que serão discutidos neste capítulo.
TABELA 3.5 – Padrões de percentuais de gordura corporal para ambos os sexos1
Avaliação Homens (%) Mulheres (%)

Risco* ≤5 ≤8

Abaixo da média 6 a 14 9 a 22

Média 15 a 16 23 a 24

Acima da média 16 a 24 24 a 31

Risco** ≥ 25 ≥ 32

* Risco de doenças e distúrbios associados à desnutrição.


** Risco de doenças e distúrbios associados à obesidade.

Estatura
É a segunda medida mais tradicional e utilizada que expressa a dimensão longitudinal ou linear do corpo humano.
Quando se emprega o termo altura refere-se à medida do indivíduo em pé, da sola dos pés descalços até parte superior
da cabeça. O termo estatura é aplicado como sinônimo de altura. Altura ou estatura reflete o processo de crescimento
linear do corpo humano como um todo1.
Para a medição da altura, alguns cuidados também são necessários. Poderá ser empregado um estadiômetro padrão
ou uma fita métrica inelástica e precisão de 0,1 cm. Esta fita, ou o estadiômetro, deverão ser fixados na parede reta,
lisa, sem rodapé e que forme ângulo reto com o piso. Também se podem utilizar os estadiômetros acoplados na própria
balança (ver Figura 3.2).
Para melhor precisão das medidas:

• Os pés devem estar juntos, com calcanhares, nádegas e ombros encostados na barra escalonada do estadiômetro ou na
parede. Os pés devem formar um ângulo reto com as pernas. Os ossos internos dos calcanhares devem se tocar bem;
• A pessoa deve estar ereta, sem esticar ou encolher a cabeça e o tronco, olhando para frente, onde o topo da orelha e o
ângulo externo do olho formem linhas paralelas ao teto. Os braços estendidos para baixo, soltos ao longo do corpo, pés
unidos e encostados à parede;
• Uma barra horizontal ou uma placa de madeira deve ser abaixada para apoiar sobre o topo da cabeça, a qual deve estar
livre de tiaras, fitas, tranças e penteados com volume. Deve-se fazer uma ligeira compressão suficiente para comprimir o
cabelo;
• Pode-se utilizar um esquadro para melhor precisão das medidas;
• Retire o indivíduo avaliado;
• Faça a leitura e o valor da medida antropométrica obtida deve ser anotado, imediatamente, com segurança e boa
caligrafia (protocolo);
• Registre a medida o mais próximo de 0,1 cm.

Medidas de massa corporal e estatura autorreferidas

Sempre que possível, a prioridade na avaliação antropométrica é pela obtenção de medidas diretas, mas, muitas vezes,
para avaliação do estado nutricional em locais ou em condições de recursos não favoráveis, ou ainda por desprover de
equipamentos adequados, têm-se utilizado massa corporal e estatura autorreferidas. Observou-se este procedimento em
estudos epidemiológicos, principalmente por uma questão de economia, porém a validade das medidas referidas em
diferentes grupos etários é controversa e necessita de estudos que associem os fatores de sub ou superestimativa de
massa corporal e estatura, pois podem repercutir na avaliação nutricional e implicar erro na prevalência de casos de
inadequação nutricional15. Alguns estudos têm mostrado que se tratam de bons indicadores, com níveis aceitáveis de
validade, inclusive com indivíduos obesos, que podem apresentar maior tendência à subestimação de massa corporal16.
As mesmas conclusões foram replicadas em estudo longitudinal de Fonseca et al.17, que estudaram 3.713 indivíduos,
funcionários de carreiras técnico-administrativas de uma universidade no Rio de Janeiro (idade entre 22 e 70 anos);
como conclusão principal, observaram que as medidas autorreferidas apresentaram boa concordância (especificidade e
sensibilidade) em relação à mensuração direta, sendo alternativa viável. Ainda reforçando a aplicação de tal
metodologia Coqueiro et al.15, em revisão sobre os principais estudos em território nacional empregando medidas
autorreferidas, ponderam que:

• Em crianças: a utilização desta metodologia não é recomendada, em razão da escassez de estudos nacionais;
• Em adolescentes: a utilização desta metodologia requer cautela, visto que o único estudo realizado no país foi restrito a
uma amostra local e pode não representar as demais regiões brasileiras;
• Em adultos: a utilização desta metodologia pode ser considerada alternativa viável para avaliação e monitoração do estado
nutricional, quando as medidas diretas não forem possíveis;
• Em idosos: a utilização desta metodologia não é recomendável por duas razões: os estudos não foram conduzidos
especificamente com indivíduos acima de 60 anos e há indicação, na literatura, que este grupo etário tende a estimar com
menor acurácia as medidas de massa corporal e estatura.

Finalmente, destaca-se o trabalho de Pregnolato et al.18, no qual foram avaliados 944 indivíduos universitários, sendo
395 do sexo masculino e 549 do sexo feminino, com idades de 28,4 ± 9,8 anos e 28,3 ± 11 anos, respectivamente. Este
estudo mostrou que as medidas autorreferidas possuem diferentes níveis de confiabilidade quando separadas por
gênero; a acurácia é maior para o gênero masculino (tanto massa corporal como estatura), não sendo o mesmo válido
para o gênero feminino, que tende a subestimar a massa corporal e superestimar a estatura.
Índice de massa corporal
O IMC ou índice Quetelet, que é a razão entre a massa corporal (kg) e a estatura (m) elevada ao quadrado (kg/m2) é um
indicador antropométrico muito utilizado por apresentar forte associação aos inúmeros fatores de risco agravantes à
saúde, como doenças cardiovasculares, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemias, diabetes e alguns tipos de câncer1.
Como todo indicador, além das vantagens também possui limitações para seu emprego como avaliador do estado
nutricional de adultos (Quadro 3.2).

QUADRO 3.2 – Vantagens e desvantagens para o uso do índice de massa corporal (IMC) como avaliador do estado nutricional em adultos

• Fácil execução, baixo custo e não invasão


• Facilidade de obtenção e padronização de medidas de massa corporal e estatura
• Não necessita da idade do indivíduo avaliado
• Alta correlação com a massa corporal e os indicadores de composição corporal
– Correlação com proporcionalidade do corpo: indivíduos com pernas curtas terão valores de IMC maiores
– Correlação com massa livre de gordura, principalmente nos homens, pois desenvolvimento muscular pode levar a interpretações
equivocadas na identificação da obesidade
• Não requer comparação com curvas de referência
• Apresenta capacidade de predição de risco de morbimortalidade, especialmente em seus limites extremos
• Possibilita que os diagnósticos individuais sejam agrupados e analisados, fornecendo, assim, diagnóstico coletivo, o que permite conhecer o
perfil nutricional de uma população estudada

• Método universalmente utilizado tanto para avaliação individual como populacional

Conhecendo as vantagens e as limitações do IMC, é importante que seus valores correlacionem-se às outras medidas
de composição corporal, tais como medidas de gordura corporal e massa magra (circunferências e dobras cutâneas
[DC]). Para o diagnóstico do estado nutricional de adultos, o Ministério da Saúde19 emprega a classificação do IMC
recomendada pela Organização Mundial da Saúde20 (Tabela 3.6). Apesar de ser um dos métodos mais recomendados
para o diagnóstico e a classificação da obesidade, inclusive em estudos populacionais, não expressa a composição
corporal relativa ou quantitativa. Portanto, alguns cuidados são necessários ao aplicar o IMC em atletas, pois não há
diferenciação entre hipertrofia muscular e obesidade.
TABELA 3.6 – Classificação do estado nutricional segundo o índice de massa corporal (IMC)
Classificação IMC Risco de comorbidades

Abaixo do peso < 18,5 Baixo – mas risco aumentado de outros problemas clínicos

Variação normal 18,5 a 24,9 Médio

Sobrepeso ≥ 25,0

25,0 a 29,9 Aumentado


• Pré-obeso

30,0 a 39,9 Moderado


• Obeso Classe I

35,0 a 39,9 Grave


• Obeso Classe II

≥ 40,0 Muito grave


• Obeso Classe III

Métodos antropométricos
Porquanto se saiba que a quantificação dos componentes estruturais do corpo humano possa ser feita com base em
diversos critérios científicos, existem metodologias que apresentam diferentes níveis de aplicação, tanto em trabalhos
científicos, em campo ou mesmo em clínicas particulares1. Embora possamos dividir o corpo em inúmeros
componentes químicos, até certo ponto mensuráveis, um modelo simplificado da divisão em dois componentes: massa
magra e massa gorda é o mais empregado.
A mensuração direta dos componentes corporais derivou de estudos de análise química de cadáveres humanos e a
partir dessa referência (dissecação de cadáveres), vários outros métodos foram propostos para avaliação da composição
corporal in vivo. Assim, os métodos podem ser classificados como diretos, indiretos e duplamente
indiretos (Figura 3.3). Os métodos indiretos são considerados e referidos, em diversas situações, como “padrão-ouro”,
pela sua precisão depois do método direto. Os indiretos e duplamente indiretos podem ser utilizados em trabalho de
campo, laboratórios e consultórios, desde que devidamente validados para seu propósito.

Figura 3.3 – Classificação e exemplos de métodos de avaliação da composição corporal1. DEXA = densitometria por raios X de dupla energia.

Métodos duplamente indiretos


Como primeira opção pelas suas estimativas precisas na determinação dos componentes corporais, os métodos
indiretos são os mais aconselháveis. Entretanto, os métodos duplamente indiretos pela facilidade e rapidez de coleta,
não invasibilidade, facilidade de interpretação, pequenas restrições culturais, baixo grau de colaboração do avaliado,
reprodutibilidade, sistemática de análise da composição corporal, condições pré-avaliação simples, praticidade de
realização, entre outras vantagens, faz com que sejam, na prática nutricional, os mais empregados. Adicionalmente,
exigem um avaliador treinado e experiente, escolha de equipamento e de protocolos adequados para obtenção e
discussão dos resultados. Os métodos duplamente indiretos são, assim, os procedimentos mais utilizados para
caracterizar diferentes grupos populacionais. Suas técnicas consistem basicamente em realizar mensurações de DC,
perímetros e diâmetros ósseos em vários segmentos amostrais. Este princípio baseia-se no pressuposto que em
indivíduos adultos saudáveis, metade a um terço da gordura corporal é subcutânea e esta apresenta boa relação entre
gordura na área subcutânea e densidade corporal21,22. Segundo Heymfield e Waki23, pesquisas indicam que a maneira
pela qual a gordura está distribuída pelo corpo é mais importante do que a gordura corporal total, na determinação do
risco individual de doenças. O pesquisador Vague em 1947, introduziu um sistema para diferenciar tipos de obesidade
com base nas distribuições regionais de gordura, definindo os termos obesidade androide e ginoide para descrever
indivíduos que acumulam excesso de gordura, principalmente na parte superior (androide) ou inferior do corpo
(ginoide) (Figura 3.4). A obesidade androide é mais comum nos homens; a ginoide é mais característica das mulheres,
embora homens e mulheres possam ser e são classificados em ambos os grupos24.
A determinação da composição corporal por meio da antropometria na Área de Nutrição Esportiva é uma abordagem
rápida e aplicável pela sua simplicidade e correlação com indicadores de saúde. Dessa forma, a antropometria com a
obtenção de valores para atendimento e acompanhamento nutricional específico compreende medida de massa
corporal, estatura, perímetros, diâmetros ósseos e espessura de DC. No capítulo Anamnese e Atendimento Nutricional
apresenta-se uma ficha de coleta de dados para o consultório como sugestão de atendimento.

Dobras cutâneas

A obtenção de DC é uma das medidas antropométricas mais comumente utilizadas nas estimativas de parâmetros da
composição corporal, e como procedimento de estudo da composição corporal, estão alicerçadas na observação de
que grande quantidade de gordura corporal total encontra-se no tecido subcutâneo e, dessa forma, medidas quanto à
sua espessura serviriam como indicador da quantidade de gordura localizada naquela região do corpo. No entanto, a
disposição da gordura não se apresenta de forma uniforme por todo o corpo. As medidas devem ser feitas em várias
regiões para se obter um termo médio de sua quantidade25. Logo, a técnica pode oferecer estimativa de gordura
corporal e sua distribuição nas diferentes regiões do corpo. Normalmente, as medidas de bíceps e tríceps já são
suficientes como medidas preestabelecidas, porém já foram relatados mais de 93 locais anatômicos para realização
de dobras cutâneas26. Nos indivíduos com tecido subcutâneo moderadamente firme, a medida é rápida e de fácil
execução e leitura; já em tecidos mais flácidos ou facilmente compressíveis ou não facilmente deformável ou muito
firme, apresentam problema na obtenção de medidas fidedignas22. Desse modo, muitas espessuras de DC podem não
ser representativas da quantidade total da gordura subcutânea, motivo pelo qual se tem procurado concentrar-se em
algumas poucas regiões anatômicas26. As dobras mais referenciadas na literatura e que compõem a maioria das
equações antropométricas preditivas para determinação da gordura corporal são: tríceps, bíceps, subescapular,
abdominal, axilar média, peitoral, suprailíaca, supraespinal, coxa e panturrilha1,27 (Figura 3.5). Ainda, essas dobras
podem sofrer variações nas suas localizações conforme cada autor, necessitando averiguação do local anatômico
proposto. Na Tabela 3.7 listamos os locais mais comuns de obtenção dessas dobras.

Figura 3.4 – Classificação dos tipos de obesidade do tipo maçã ou androide (homens) (A) e pera ou ginoide (mulheres) (B).
Considerações gerais para realizar medidas de dobras1

• Medir sempre o hemicorpo direito, a menos que haja recomendação específica (lado não dominante), estando o avaliado
em posição cômoda e com a musculatura relaxada, recomenda-se a posição ortostática para a maioria das medidas;
• Ao medir, é imprescindível a determinação exata do ponto anatômico, de acordo com a padronização proposta e seguir o
procedimento técnico adequado, minimizando, assim, as diferenças inter e intra-avaliadores;
• Separar o tecido adiposo subcutâneo do tecido muscular e estruturas mais profundas, por meio dos dedos polegar e
indicador da mão esquerda (Figura 3.6);
• Destacar a DC colocando o polegar e o dedo indicador separados por aproximadamente 8 cm entre si, sobre uma linha
perpendicular ao eixo que acompanha a dobra da pele. Quanto mais espesso for o tecido subcutâneo, maior deverá ser a
distância entre o polegar e o dedo indicador para destacar a dobra (Figura 3.6);
• Ajustar as extremidades do equipamento cerca de 1 cm do ponto anatômico (Figura 3.6);
• Elevar a dobra cutânea por volta de 1 cm acima do ponto de medida e manter elevada enquanto faz a medida (Figura 3.6);
• Soltar a pressão das hastes do compasso lentamente;
• Aguardar 2 a 4 s para fazer a leitura, dependendo do plicômetro e da habilidade do avaliador;
• Realizar três medidas de cada DC alternadas e que não difiram 5% uma da outra; caso ocorra, realizar uma nova série de
três medidas. Obter valor médio ou considerar o valor intermediário;
• Abrir o compasso lentamente e liberar a DC, evitando “beliscar” o avaliado;
• Procurar fazer as medidas na pele seca e sem aplicação de creme ou loções;
• Praticar as medidas com 50 a 100 indivíduos, procurando sempre fazer em locais diferentes, que exijam habilidades
diversificadas;
• Procurar comparar as medidas com um avaliador experiente;
• Realizar curso de atualização e aperfeiçoamento.

Figura 3.5 – Localização anatômica dos perímetros corporais. (A) Tríceps. (B) Bíceps. (C) Subescapular. (D) Abdominal. (E) Axilar média. (F)
Peitoral feminino. (G) Peitoral masculino. (H) Suprailíaca. (I) Coxa. (J) Panturrilha.
TABELA 3.7 – Locais de padronização para medição das dobras cutâneas1,2
Local Referência anatômica Propósito

A. Tríceps Face posterior do braço no ponto médio entre É uma das medidas mais comuns, por ser de fácil localização e apresentar
processo acromial da escápula e olecrano forte correlação com o percentual de gordura corporal e gordura total
da ulna

B. Bíceps Ponto médio do braço, conforme medida de A dobra biciptal, em combinação com outras medidas de dobras cutâneas,
tríceps, na posição de maior circunferência é um preditor útil de gordura corporal total
do braço

C. Subescapular 2 cm abaixo do ângulo inferior da escápula Correlaciona-se com o estado nutricional e, em combinação com outras
dobras, é útil para estimativa da gordura total. Junto com a tricipital,
serve de referência para estimar o percentual de gordura

D. Abdominal 3 cm da borda direita da cicatriz umbilical Dobra importante, pois apresenta relação com as mudanças do peso
paralelamente ao eixo longitudinal corporal. É de fácil medida, entretanto, em obesos, há limitações para
a medida. Muito usada em equações que determinam composição
corporal

E. Axilar média Ponto de intersecção entre a linha axilar média Importante na determinação do tecido adiposo na região do tronco. No
e a linha imaginária na altura do processo entanto, tem menor associação à gordura corporal total do que a
xifoide subescapular

F. Peitoral Primeiro terço da linha entre a axila anterior e o Em razão da alta correlação com a densidade corporal determinada pela
feminino mamilo pesagem hidrostática é utilizada em várias equações com objetivo de
predizer o percentual de gordura

G. Peitoral Ponto médio entre a linha axilar anterior e o


masculino mamilo

H. Suprailíaca Linha axilar média, imediatamente acima da Utilizada para determinar índices de gordura corporal, junto com outras
crista ilíaca dobras. Muito utilizada em estudos de distribuição do tecido
subcutâneo, pela relação muito próxima aos riscos de doença

I. Coxa medial Ponto médio entre a dobra inguinal e a borda Muito utilizada em equações para medir a densidade corporal a partir de
superior da patela valores antropométricos

J. Panturrilha Ponto interno da circunferência máxima da Apresenta alta correlação com a gordura corporal total e com a avaliação
perna do padrão de gordura

Para mensurar a espessura do tecido adiposo é empregado um equipamento específico, que recebe diversas
designações: compasso de dobras cutâneas, espessímetro, plicômetro ou adipômetro. Diferentes equipamentos,
disponíveis no mercado, podem ser utilizados para medir a espessura das DC, desde que sejam levados em conta
fatores de correção para minimizar diferenças que possam produzir deturpações das comparações (Figura 3.7).
Variáveis que interferem na exatidão e na precisão das medidas de DC são o compasso utilizado, a familiarização dos
avaliadores com as técnicas de medida e a identificação correta dos pontos anatômicos24. Um trabalho sobre a
variabilidade de medidas quando da marcação de 1 cm de diferença entre o ponto anatômico estabelecido, em nove
DC, concluiu que variações pequenas nas marcações podem alterar significativamente os valores obtidos, indicando ser
o procedimento metodológico mais importante para melhora da qualidade da avaliação antropométrica28.
Figura 3.6 – Separação do tecido adiposo subcutâneo do muscular.

Quanto ao tipo de compasso empregado, podem ocorrer erros sistemáticos na obtenção de valores das DC pelo
emprego de diferentes plicômetros, como descrito no trabalho de Cyrino et al.21, que empregou para avaliação de nove
DC (abdominal, subescapular, suprailíaca, tríceps, bíceps, axilar média, peitoral, panturrilha e coxa) os compassos
Lange (Estados Unidos) e Cescorf (Brasil). Os autores encontraram diferenças estatisticamente significativas em todas
as medidas produzidas pelos diferentes plicômetros e, consequentemente, nos valores de %G, pelo emprego equações
antropométricas distintas.
Para obtenção dos valores de dobras cutâneas podem ser usados diferentes medidores (plicômetros ou adipômetros)
disponíveis no mercado (ver Figura 3.7). Os plicômetros podem ser divididos em: (a) clínicos (modelos B, C, D e F);
(b) científicos (modelos E, G); e (c) digitais (modelo A). As diferenças residem em precisão (maior nos modelos
científicos), praticidade (analógicos e digitais) e habilidade de leitura e manejo do avaliador.

Figura 3.7 – Diferentes plicômetros encontrados no mercado. (A) Digital Fat Track Pro. (B) Lange. (C) Body Caliper. (D) Sunny clínico. (E)
Sunny científico. (F) Cescorf clínico. (G) Cescorf científico.

Circunferências ou perímetros
Definidas como o perímetro máximo de um segmento corporal, medido em ângulo reto em relação ao seu maior eixo.
Segundo Queiróga29, as medidas de perímetros são muito requisitadas, tanto para avaliar a quantidade como a gordura
corporal, sendo fundamental descrever orientações que devam ser sempre seguidas para obtenção de seus valores e sua
reprodutibilidade. As medidas são feitas com auxílio de fita métrica flexível, porém não elástica, com precisão de 1
mm (Figura 3.8). Deve ter, de preferência, somente uma marcação numérica do lado destinado à leitura e 7 mm de
largura.
Na Tabela 3.8 estão relacionados os locais de mensuração de circunferências corporais mais utilizados na prática
nutricional (Figura 3.9).
Considerações gerais para realização das medidas de circunferência corporal1

• O plano da fita deve estar adjacente à pele e suas bordas, perpendiculares em relação ao eixo do segmento que se quer
medir (com exceção da medida do perímetro da cabeça e do pescoço);
• Medir o perímetro em sua extensão máxima, com zero da fita estando por baixo do valor da leitura;
• Realizar as mensurações exercendo leve pressão sobre a pele, evitar apertar excessivamente a fita (Figura 3.10).
• Para manter constante a pressão exercida sobre a pele, é interessante prender um elástico na extremidade do
instrumento e na realização da medida procurar manter estendido.
• Não deixar o dedo entre a fita e a pele e sempre que possível medir sobre a pele nua (Figura 3.11).
• Para mensurações de circunferências de tronco, cintura e abdome, realizar a leitura na fase final da expiração normal.

Figura 3.8 – Fitas métricas destinadas à avaliação das circunferências corporais.

TABELA 3.8 – Locais de padronização e propósito para medição das circunferências corporais 1,2
Local Referência anatômica Propósito

A. Punho Região imediatamente após os processos estiloides Utilizado como indicador de crescimento. Aliado à estatura fornece
do rádio e da ulna (no sentido céfalo caudal) do tamanho da ossatura
punho direito

B. Braço Ponto central entre o acrômio e a articulação úmero- Fornece índice de depósito de gordura e de massa muscular local
radial do braço direito

C. Cintura Região abdominal, em seu menor perímetro. Importante indicador de adiposidade visceral e subcutânea, bem como
Ver discussão no texto se correlaciona fortemente ao perímetro do quadril, podendo indicar
predisposição individual a doenças como diabetes e
cardiovasculares

D. Quadril Maior porção da região glútea (nádegas) Se comparado, em proporção ao perímetro do abdome, serve como
indicador de gordura subcutânea, tipo de distribuição de gordura e
também é associado ao risco de doenças como diabetes e
cardiovasculares

E. Abdominal Região abdominal, em seu maior perímetro Importante indicador de adiposidade subcutânea e visceral
(geralmente na altura do umbigo).
Ver discussão no texto

F. Coxa Proximal: imediatamente abaixo da prega glútea As medidas de coxa são indicadores úteis de massa magra e/ou
proximal Medial: ponto médio entre prega inguinal e borda adiposidade
proximal da patela

G. Coxa medial Ponto médio entre dobra inguinal e borda superior Muito empregada para medir densidade corporal a partir de valores
da patela antropométricos

H. Panturrilha Região da panturrilha, em sua maior porção Serve como indicador de adiposidade em adultos e desenvolvimento
muscular

As medidas de circunferência podem:

• Facilitar estudos da composição corporal de indivíduos jovens, idosos e crianças por ser uma forma de
mensuração antropométrica simples, rápida e mais adequada a essas populações comparadas às outras técnicas de
medidas;
• Ser utilizadas em estudos de engenharia;
• Ser interpretadas isoladamente ou em combinação às medidas de DC tomadas no mesmo local, sendo utilizada
para estimar a densidade corporal de forma indireta.

Figura 3.9 – (A) Punho. (B) Braço. (C) Cintura. (D) Quadril. (E) Abdominal. (F) Coxa proximal. (G) Coxa medial. (H) Panturrilha.
Figura 3.10 – Evitar apertar excessivamente a fita na mensuração dos perímetros.

Figura 3.11 – Evitar colocar o dedo entre a pele e a fita na mensuração.

CIRCUNFERÊNCIA DE CINTURA
Em trabalho realizado por Wang et al.30 foram examinados 111 indivíduos (49 homens e 62 mulheres) em quatro locais
de referência da circunferência de cintura (CC), a saber: imediatamente abaixo da última costela (CC1); circunferência
mínima (CC2); ponto médio entre última costela e crista ilíaca (CC3) e imediatamente acima da crista ilíaca
(Figura 3.12). Os pontos anatômicos foram selecionados com base nos mais referenciados na literatura científica ou
recomendados por organizações, como no caso da CC2 pelo Manual de referência e padronização antropométrica
(ASM); CC3 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e CC4 pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH e NHANES
III). Para confrontar os resultados e responder à hipótese que os locais possuem medidas equivalentes e correlacionar à
quantidade de gordura total e em regiões específicas (abdominal) um exame de densitometria por raios X de dupla
energia (DEXA) também foi realizado nos avaliados.
As principais conclusões em relação aos diferentes locais anatômicos foram:

• CC1: não apresenta dificuldade de identificação, inclusive em indivíduos obesos, porém é importante padronizar logo
abaixo da última costela, que é usualmente na margem anterior da região lateral em ambos os lados do tronco e para
alguns indivíduos, a cintura (CC2), também está no nível das últimas costelas.
• CC2: é o local de mais frequente de recomendação e de fácil identificação visual na maioria dos indivíduos; entretanto,
para outros não há como visualizar menor circunferência entre a última costela e a crista ilíaca, em razão de grande
quantidade de gordura abdominal ou extrema magreza.
• CC3: é necessária a identificação absoluta do ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca e, portanto, requer
correta localização e marcação de dois pontos anatômicos, fazendo com que este método gaste mais tempo entre
avaliações do que os outros descritos. Adicionalmente, a falta de identificação correta dos pontos anatômicos tem efeito
significativo na medida final.
• CC4: a medida imediatamente acima da crista ilíaca foi a tecnicamente mais difícil, sobretudo em mulheres, além de difícil
estabilização da fita na superfície da pele. É uma referência importante, uma vez que se correlaciona a L4 – L5, que é local
mais frequente de realização de exames de tomografia computadorizada e DEXA. No estudo descrito anteriormente, foi o
local que obteve maior correlação com medidas de percentual de gordura.

Figura 3.12 – Pontos anatômicos descritos para a circunferência de cintura (CC).

Finalmente, como conclusões gerais o trabalho observou diferenças de gênero para as medidas; nos homens houve
apenas um local significativamente menor (CC2) entre outros que não exibiram diferença estatisticamente significativa
(CC1, CC3, CC4). Porém, em relação ao sexo feminino as circunferências apresentaram diferenças significativas,
sendo: CC2<CC1<CC3<CC4, respectivamente.
Portanto, localização e manutenção corretas da padronização em todas as avaliações são imprescindíveis para
reprodutibilidade e discussão desta medida e seu impacto no acompanhamento nutricional.
CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL
Mais importante que o excesso de massa corporal é a distribuição da gordura regional, principalmente aquela
localizada na região abdominal. A estimativa da gordura na região abdominal, mediante avaliação da medida da
circunferência abdominal (CA), pode complementar as informações advindas do IMC, já que este não distingue se o
excesso de massa corporal é proveniente da gordura corporal ou de massa muscular31. Dessa forma, para a avaliação da
medida de CA, segundo o gênero preconizado pela WHO20 empregam-se os valores da Tabela 3.9. Esta análise pode
proporcionar melhor associação da distribuição dessa gordura com doenças crônicas não transmissíveis, entre elas
diabetes, doenças cardiovasculares e câncer de mama.
TABELA 3.9 – Classificação do risco de doenças associadas à circunferência abdominal, segundo o gênero
Risco de complicações metabólicas Homens (cm) Mulheres (cm)

Sem risco < 94 < 80

Risco alto ≥ 94 ≥ 80
Risco muito alto ≥ 102 ≥ 88

Segundo a IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose do Departamento de


Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SOCESP) de 2007: “A medida da circunferência abdominal nos
permite identificar portadores desta forma de obesidade (tipo central, visceral ou androgênica) e deve ser avaliada com
o paciente de pé, ao final da expiração, no ponto médio entre o último arco costal e a crista ilíaca anterossuperior, com
fita inelástica, em posição horizontal”32. Para avaliar o risco de doenças associadas a essa medida emprega-se a
Tabela 3.10.
TABELA 3.10 – Classificação do risco de doenças associadas a partir da medida de circunferência de cintura, de acordo com o gênero e a etnia
Critérios de risco para síndrome metabólica Definição (cm)

Obesidade abdominal: homens

Brancos de origem europeia e negros ≥ 94

Sul-asiáticos, ameríndios e chineses ≥ 90

Japoneses ≥ 85

Obesidade abdominal: mulheres

Brancas de origem europeia, negras, sul-asiáticas, ameríndias e chinesas ≥ 80

Japonesas ≥ 90

ÍNDICE DE CONICIDADE
Os últimos inquéritos populacionais realizados em nosso país têm demonstrado o expressivo aumento nas prevalências
de sobrepeso e obesidade em diversas regiões brasileiras, tanto em homens quanto mulheres, em todas as classes
sociais33. Vários estudos têm revelado que o acúmulo de gordura na região abdominal está associado à elevação no
risco de doenças crônico-degenerativas, principalmente doenças cardiovasculares (como a aterosclerose coronariana) e
mortalidade geral, além de síndrome de resistência à insulina, hipertrigliceridemia e baixos níveis de lipoproteínas de
baixa densidade34. O diagnóstico de sobrepeso e obesidade, a partir de indicadores simples, como o IMC, está
amplamente consolidado na literatura e sistematicamente utilizado em estudos epidemiológicos para diagnóstico e
avaliação das tendências seculares de sobrepeso/obesidade em crianças e adultos31. Em decorrência da gravidade do
aumento da obesidade na população, há ampla pesquisa na busca de métodos ainda mais simples, precisos e sensíveis,
que possam, além de diagnosticar adequadamente o excesso de gordura corporal associados aos agravos à saúde,
determinar a topografia do tecido adiposo e que, por fim, permitam implementar medidas preventivas e de intervenção.
Assim, não só o excesso de massa corporal avaliado pelo IMC, mas também a distribuição da gordura corporal são
importantes fatores para a determinação do risco individual de várias doenças, como todas essas anteriormente citadas1.
No início da década de 1990, foi proposto o índice de conicidade (IC) para a avaliação da obesidade e da
distribuição da gordura corporal, considerando que a obesidade central, mais do que a obesidade generalizada, está
associada às doenças cardiovasculares35. O IC também pode ser utilizado nas avaliações de risco com
doenças associadas ao excesso de massa corporal, por exemplo, sua correlação com a síndrome da apneia obstrutiva do
sono (SAOS), e essa tem como principal fator de risco a obesidade.
Calcular o risco coronariano pelo IC também é um recurso muito apropriado, pois este se baseia no pressuposto de
que o perfil morfológico do corpo humano, ao apresentar maior concentração de gordura na região central, assume um
formato de duplo cone com uma base comum, ao passo que, ao mostrar menores quantidades de gordura na região
central do corpo, apresenta aparência similar a um cilindro36. A partir deste pressuposto, outras abordagens do IC foram
propostas, revelando principalmente três tipos corporais: bicôncavo, cilíndrico e bicônico (Figura 3.13).
Figura 3.13 – Tipos corporais descritos por meio do emprego do índice de conicidade (IC)38.

O IC foi determinado por meio das medidas de peso, estatura e circunferência da cintura, utilizando-se a seguinte
equação matemática:

O numerador é a medida da CC em metros. O valor 0,109 é a constante que resulta da raiz da razão entre 4π
(originado da dedução do perímetro do círculo de um cilindro) e a densidade média do ser humano. Assim, o
denominador é o cilindro produzido por peso e estatura de determinado indivíduo. Dessa forma, ao ser calculado o IC,
esse tem a seguinte interpretação: um indivíduo com IC = 1,3 significa que a CA, já se levando em consideração a sua
estatura e peso, é 1,3 vez maior do que a circunferência que teria caso não houvesse gordura abdominal (pessoa de
forma cilíndrica)1.
Apesar de existirem algumas controvérsias, o IC é reconhecido como bom indicador de obesidade central: a maior
limitação para o seu uso como preditor de doenças coronarianas é a inexistência de pontos de corte que possam
discriminar alto risco coronariano. Pitanga e Lessa37, em amplo estudo, objetivaram determinar a sensibilidade e a
especificidade, identificando os melhores pontos de corte para o IC como discriminador de risco coronariano elevado
(RCE). A principal vantagem do uso do IC, em comparação à relação cintura/quadril, refere-se ao fato de que essas
medidas permitem comparações imediatas do padrão de distribuição da gordura corporal em indivíduos com diferentes
medidas de peso e estatura. Por outro lado, apesar de os valores elevados no IC estarem mais fortemente associados
aos fatores de risco predisponentes às doenças cardiovasculares e metabólicas do que outros indicadores
antropométricos de obesidade abdominal, uma limitação importante relacionada ao seu uso refere-se à falta de
indicadores referenciais direcionados à identificação do risco para a saúde entre outros (Quadro 3.3). Diversos estudos
têm demonstrado que o IC é bom discriminador de obesidade abdominal relacionada aos fatores de risco
cardiovascular, bem como de RCE1.

QUADRO 3.3 – Descrição das vantagens e limitações do emprego do índice de conicidade como marcador de gordura visceral para
determinação do risco coronariano elevado38

• Vantagens
– Melhor indicador antropométrico em mulheres jovens (30 a 49 anos)
– Não depende da associação com o IMC como RCQ e CC
– Leva em consideração o peso e a estatura permitindo comparação entre indivíduos
– Permite cálculo de valores de normalidade para projeção de intervenções (IC ≈ 1)
– Marcador de risco para síndrome metabólica, diabetes, apneia do sono entre outras doenças
• Limitações
– Depende do componente étnico
– Ponto de corte varia com a idade
– Necessita de balança e antropômetro, além da fita métrica
– Ponto de corte estabelecido na cidade de Salvador, Bahia

Os resultados sugerem que o IC poderá ser utilizado para discriminar alto risco coronariano, apesar de os valores de
sensibilidade e especificidade não serem muito elevados (Rossi e Korukian, 2009). Considerando-se que os melhores
pontos de corte encontrados foram os dados apresentados por Pitanga e Lessa37, a mensagem de saúde pública poderia
ser de que a CC de determinados indivíduos não deve ser maior do que a metade da sua estatura. Os resultados
encontrados neste trabalho são oriundos de adultos de ambos os gêneros, com idade maior ou igual a 30 anos,
recomendando-se cautela ao serem usados em adultos com menos de 30 anos de idade. Deve-se considerar, também,
que existem modificações na composição corporal com o processo do envelhecimento, o que poderia gerar pontos de
corte do IC para diferentes grupos etários39.
Para obter o IC, de modo prático, basta substituir os valores das medidas na fórmula citada anteriormente (IC). No
numerador, coloca-se o valor da CC, em metros. Quanto ao denominador, teria que se calcular o valor da raiz do IMC.
Para facilitar os cálculos, na Tabela 3.11, há esse valor do denominador já calculado, por meio da verificação do peso e
da estatura do avaliado. Para determinar o IC é preciso apenas dividir o valor da CC (em metro) pelo valor do
denominador apresentado na Tabela 3.11.
TABELA 3.11 – Valores do denominador para cálculo do índice de conicidade a partir do peso e da estatura40
Bioimpedância
Segundo Heyward e Stolarczyk10, a análise de impedância bioelétrica (BIA) é um método rápido, não invasivo e
relativamente barato para avaliar a composição corporal em situações de campo e clínica. O método, inicialmente, se
baseou na passagem de corrente elétrica de baixa amplitude (50 a 800 mA) e alta frequência (50 kHz), os chamados
equipamentos de frequência simples. A BIA realiza a mensuração de componentes primários como39:

• Impedância (Z): é a oposição de um condutor, dependente da frequência, para a passagem de corrente elétrica alternada e
é composta por dois vetores, a resistência (R) e a reatância (Xc).
• Resistência (R): é a oposição pura de um condutor para a passagem da corrente e é recíproco da condutância, ou seja, a
habilidade de um objeto para transmitir corrente elétrica. É inversamente relacionada com o conteúdo de água e
eletrólitos de um tecido41.
• Reatância (Xc): é o recíproco da capacitância, ou o estoque de voltagem por um condensador por breve período de tempo,
e é associado aos diversos tipos de processos de polarização que podem ser produzidos por membranas celulares,
interfaces de tecidos ou tecidos monoiônicos. Está relacionada à integridade, à função e à composição da membrana
celular.
• Ângulo de fase (f): é o ângulo entre R e Xc, que na biologia humana varia entre 5 e 15°. Quando esta medida tem baixo
valor e, portanto, se associa a Xc alta, o estado de saúde está adequado, sendo o oposto também verdadeiro41.

Com esse método, uma corrente elétrica de baixa amperagem passa através do corpo e a impedância (Z), ou
oposição ao fluxo da corrente, é medida com analisador de BIA. A água corporal total (ACT) de um indivíduo pode ser
estimada pela medida de impedância, porque os eletrólitos na água corporal são excelentes condutores de corrente
elétrica. Quando o volume da ACT é grande, a corrente flui mais facilmente através do corpo com menor resistência
(R). A resistência ao fluxo da corrente será maior em indivíduos com grande quantidade de gordura corporal, dado que
o tecido adiposo é mau condutor de corrente elétrica pela sua relativa baixa concentração de água1. Pelo fato de o
conteúdo de água da massa livre de gordura (MLG) ser relativamente grande (73% de água), esta pode ser predita por
meio das estimativas de ACT. Indivíduos com grande MLG e ACT têm menos resistência ao fluxo de corrente elétrica
através de seu corpo, em comparação aos que têm menos massa livre de gordura. Assim é importante observar que a
BIA não mede diretamente a composição corporal e sim a resistência e a reatância41. Ou seja, o método da BIA tem
como finalidade estimar a água corporal total e a partir desta a massa isenta de gordura e uma vez subtraído este valor
da massa corporal, obtém-se, consequentemente, o percentual de gordura42.
Apesar de a exatidão relativa do método de BIA ser similar ao de DC, a BIA deve ser preferida em algumas
situações porque1:
• Não requer alto grau de habilidade do avaliador;
• Geralmente, é mais confortável e não invade tanto a privacidade do indivíduo;
• Pode ser usado para estimar a composição corporal em obesos, crianças, desportistas e atletas;
• Seu uso potencial está sendo estabelecido para aplicações clínicas, como avaliação do %G, MM, ACT, entre outras.

Padronizações operacionais

• Tipos de aparelho: os aparelhos de bioimpedância diferem entre si tanto por corrente e frequência quanto em relação às
equações utilizadas para avaliação dos componentes corporais. Quanto ao tipo de aparelhos estes podem ser:

– Simples frequência (SF): tradicionalmente, as avaliações são realizadas em posição supina com quatro eletrodos
(dois no punho e dois no tornozelo). São equipamentos de corrente única com frequência de 50 kHz e
apresentam os componentes resistivos e reativos (Figura 3.14).
– Multifrequência (MF) ou, por vezes, impedância bioelétrica espectroscopia (BIS) tem sido desenvolvida para
melhorar a precisão da BIA e avaliar a água intracelular (AIC) e extracelular (AEC) (Figura 3.14). A técnica se
baseia na hipótese de que as frequências mais baixas (< 50 kHz) fluem dentro do compartimento extracelular, ao
passo que frequências mais altas (> 200 kHz) através da membrana celular e, portanto, avaliando o espaço
intracelular (Figura 3.15). Além disso, quando a frequência do sinal elétrico é alterada (1 kHz ~ 1 MHz), o
líquido extracelular e o intracelular podem ser distinguidos e medidos separadamente.

Figura 3.14 – Diferentes compartimentos mensurados pelas BIA simples (SF) e multifrequenciais (MF)43.

Figura 3.15 – Diferentes tipos de aparelhos de bioimpedância.


Para se controlar os erros e as limitações, permitindo melhor abordagem metodológica, o mesmo aparelho deve ser
utilizado para a monitoração das alterações na composição corporal do paciente (Figura 3.15). Ainda, para se ter maior
confiança nos dados obtidos por meio dos aparelhos das determinações de MM e %G é aconselhável obter informações
com o fabricante das equações (sua validade e exatidão) que estão no software do equipamento; e se essas equações
são generalizáveis e aplicáveis a todos os indivíduos que serão analisados e acompanhados1.

• Colocação e posicionamento dos eletrodos: quanto à variação entre e intra-avaliador estas não são grandes fontes
de erro na medida de BIA. Com a observância dos procedimentos padronizados para a colocação dos eletrodos,
posicionamento do cliente e controle de fatores ambientais, não existem grandes alterações nas medidas mesmo
entre avaliadores experientes e inexperientes (Figura 3.16).

Para outros fatores que podem intervir no exame dia BIA observar a Tabela 3.12.
TABELA 3.12 – Fatores intervenientes na aplicação do método de bioimpedância1
Procedimentos Efeitos

Lado do corpo, posicionamento inicial e ambiente As diferenças entre as medidas de R com colocação dos eletrodos
As medidas de BIA são executadas no lado direito do corpo, com o ipsilateral (mesmo lado) e contralateral (lados contrários) são
indivíduo deitado em decúbito dorsal, em superfície não geralmente pequenas
condutora, em sala com temperatura ambiente normal (~ 22°C) Temperaturas frias do ambiente (14°C) causam queda na
temperatura da pele, resultando em aumento significante
de R

Colocação dos eletrodos O eletrodo sensor proximal, em particular, deve estar corretamente
Limpar a pele com álcool nos pontos de colocação dos eletrodos Os posicionado no punho e no tornozelo, pois deslocamento de 1 cm
eletrodos sensores (proximais) deverão ser fixados na superfície pode resultar em 2% de erro da R. Já foi registrado aumento de 16%
dorsal da articulação do punho, de modo que a borda superior do da R pela colocação incorreta dos eletrodos
eletrodo se alinhe à cabeça da ulna; e na superfície dorsal do
tornozelo, para que a borda superior do eletrodo se alinhe aos
maléolos medial e lateral. Uma fita métrica e uma caneta de
marcação cirúrgica podem ser usadas para determinar esses
pontos de colocação dos eletrodos Posicionar os eletrodos fontes
(distais) na base da segunda ou terceira articulação
metacarpofalangiana da mão e metatarsofalangiana do pé.
Assegure-se de que há pelos menos 5 cm entre os eletrodos
proximal e distal

Posicionamento final do indivíduo Separações maiores em relação ao tronco aumentam a resistência


Verificar se as pernas e os braços do indivíduo estão abduzidos Abdução dos braços com os eletrodos de 30 a 90° do tronco resulta em
aproximadamente 45° um do outro. Não deve haver contato entre elevação de 12 ohms na resistência
as coxas e entre os braços e o tronco

BIA = impedância bioelétrica; R = resistência.


Para cálculo do %G, também é possível a utilização de equações que fornecem estimativas da MLG por intermédio
dos componentes primários da BIA já discutidos. É importante lembrar que nem todos os equipamentos fornecem os
dados necessários para o emprego das equações, por conseguinte, é necessário antes da aquisição do equipamento
verificar quais medidas são disponíveis. Na Tabela 3.13 são apresentadas equações que foram confeccionadas a partir
de amostras brasileiras entre outras. Ainda é necessário verificar sua adequação para os indivíduos que serão avaliados.

TABELA 3.13 – Equações de predição, para ambos os gêneros, da composição corporal que empregam os componentes primários da bioimpedância1
Referência Equação

Lohman14 • Homens de 18 a 29 anos


MLG = 0,485 (estatura2 ÷ resistência) + 0,338 (massa corporal) + 5,32
• Homens de 50 a 70 anos
MLG = 0,6 (estatura2 ÷ resistência) + 0,186 (massa corporal) + 0,226 (reatância) – 10,9
• Mulheres de 18 a 29 anos
MLG = 0,476 (estatura2 ÷ resistência) + 0,295 (massa corporal) + 5,49
• Mulheres de 30 a 49 anos
MLG = 0,493 (estatura2 ÷ resistência) + 0,141 (massa corporal) + 11,59
• Mulheres de 50 a 70 anos
MLG = 0,474 (estatura2 ÷ resistência) + 0,18 (massa corporal) + 7,3

Carvalho • Homens de 18 a 30 anos, brasileiros


MCM = 17,95347 + 0,21414 (estatura2 ÷ resistência) – 0,06145 (reatância) + 0,4889 (massa corporal)
MCM = 11,91759 + 0,2461 (estatura2 ÷ resistência) + 0,48744 (massa corporal)
MCM = 14,33274 – 0,02696 (resistência) + 0,17736 (estatura) + 0,49396 (massa corporal) – 0,07675 (reatância)
MCM = 10,97556 – 0,03187 (resistência) + 0,17576 (estatura) + 0,50702 (massa corporal)
MCM = 46,58914 – 0,37804 (perímetro abdominal) – 0,02045 (resistência) + 0,8403 (massa corporal) – 0,16679 (idade em anos)
• Mulheres de 18 a 28 anos, brasileiras
MCM = 0,39493 (estatura2 ÷ resistência) + 0,33101 (massa corporal) + 0,178 (estatura) – 20,44659
MCM = 0,03211 (reatância) + 0,33031 (massa corporal) + 0,3833 (estatura) – 0,03159 (resistência) – 19,60829
MCM = 0,33268 (massa corporal) + 0,38045 (estatura) – 0,0281 (resistência) – 19,080962
MCM = 0,03922 (reatância) + 0,45921 (estatura2 ÷ resistência) + 0,32653 (massa corporal) + 0,14979 (estatura) – 21,254
MCM = 0,3468 (estatura2 ÷ resistência) + 0,25025 (massa corporal) + 0,23026 (estatura) + 0,34234 (perímetro da panturrilha) –
34,03626

MCM = massa corporal magra; MLG = massa livre de gordura.

A adequação do percentual de gordura pode ser avaliada pela Tabela 3.5.

Padronizações fisiológicas
Segundo Heyward e Stolarczyk10, a principal fonte de erro do método de BIA é a variabilidade intraindividual na
resistência total do corpo, em razão de fatores que alterem o estado de hidratação do indivíduo. Entre 3,1 e 3,9% da
variação na resistência podem ser atribuídos às flutuações diárias na água corporal.
O protocolo que deve ser obedecido pelo avaliado para a obtenção de um teste de BIA mais fidedigno em suas
diferentes aplicações é o seguinte1:

• Jejum de pelo menos 4 horas antes do teste;


• Não fazer exercícios a menos de 12 horas do teste;
• Esvaziar a bexiga pelo menos 30 minutos antes do teste;
• Não consumir álcool a menos de 48 horas do teste;
• Não tomar medicamentos diuréticos a menos de sete dias do teste (a não ser sob prescrição médica);
• Mulheres que percebam que estão retendo água durante aquele estágio de seu ciclo menstrual não devem realizar o
teste;
• Manter-se pelo menos 10 minutos em posição de decúbito dorsal em repouso absoluto antes de efetuar o exame.

Como todos os métodos já discutidos, a bioimpedância apresenta vantagens e desvantagens para seu emprego,
conforme apontadas por Costa4e Rossi et al.1 na Tabela 3.14.
TABELA 3.14 – Vantagens e desvantagens para emprego da bioimpedância na avaliação da composição corporal
Vantagens Desvantagens

Não requer alto grau de habilidade do avaliador Depende do grau de colaboração do avaliado, principalmente nas
recomendações pré-exame

Exame confortável e não invasivo Custo relativamente maior que os outros métodos duplamente indiretos

Apresenta equações para avaliação de indivíduos obesos Influenciado pelo estado de hidratação do indivíduo

Apresenta equações para diferentes grupos populacionais Nem todos os equipamentos permitem leitura dos componentes primários
para cálculo das equações

Rapidez na obtenção dos resultados de percentual de gordura, Nem todos os equipamentos possuem as equações específicas para grupos
água corporal, taxa metabólica etc. populacionais de interesse

Maioria dos estudos em indivíduos do sexo masculino em Carece de estudo no sexo feminino e principalmente em diferentes fases do
diferentes faixas etárias e composição corporal ciclo menstrual

Quanto à sua acurácia, diversos estudos indicam que esta é depende da equação empregada. Sun et al.43 observaram,
em pesquisa com 591 indivíduos, que a BIA tetrapolar, modelo (Bodystat QuadScan 4000) comparada ao método
indireto (DEXA) avalia adequadamente o %G em indivíduos eutróficos, porém tende a superestimar essa variável em
indivíduos magros e subestimar nos obesos. Conforme discutido em vantagens e desvantagens da BIA, uma alternativa
seria o emprego de equações específicas para esses grupos populacionais; isto também inclui atletas e indivíduos muito
fisicamente ativos, no quais a equação fornecida pelo aparelho pode não ser adequada para avaliação da sua
composição corporal.
Especificamente em indivíduos fisicamente ativos e atletas há grande potencial para o emprego da BIA, porém com
validade diferente. Pelo fato de os atletas, principalmente aqueles envolvidos com esporte com controle rigoroso de
peso (ginasta, lutadores, patinadores etc.), alterarem constantemente seu grau de hidratação, o exame de BIA pode não
ser validado para obtenção do %G, embora forneça importantes informações sobre o estado hídrico, permitindo até sua
monitoração. Quanto às variações na composição corporal, alguns trabalhos apontam ser métodos fidedignos5,44.
Em academias, a BIA exibe grande potencial de emprego para avaliação da composição corporal, desde que
observadas as padronizações fisiológicas e operacionais, aliada à equação validada e acurada para determinação dos
componentes corporais; quanto às variações dos componentes corporais, em face a regime e treinamento, a BIA pode
ser menos acurada, necessitando acompanhamento da antropometria44.
Os equipamentos de BIA ainda podem ser divididos em SF ou MF. Nos equipamentos de SF, a corrente elétrica não
penetra totalmente na membrana celular, como nos de alta frequência. Dessa forma, os de MF permitem abordagem
mais abrangente da ACT e, consequentemente, melhores estimativas dos componentes corporais. As pesquisas
científicas indicam que os equipamentos MF podem ser mais apropriados para avaliação de indivíduos com sobrepeso
e obesos que os SF45.

Bioimpedância de hemicorpo direito

Os equipamentos, cujo percurso da corrente passa ao longo do hemicorpo direito (Figura 3.17), são os mais
empregados em estudos científicos da área de cineantropometria e possuem maior acurácia quando comparados aos
métodos indiretos1. Sua vantagem em relação aos outros percursos de corrente apresentados pelos outros equipamentos
está em percorrer tanto a parte superior quanto inferior do corpo do avaliado. Outras diferenças mostradas por esses
equipamentos de hemicorpo direito são:

• O indivíduo deve permanecer deitado durante o teste ao contrário dos outros, nos quais o avaliado fica em pé; no
primeiro caso há distribuição uniforme dos líquidos corporais4,46.
• Os eletrodos são posicionados no dorso do pé e da mão, no qual a pele é mais fina e permite passagem mais
adequada da corrente, sendo problema para os outros equipamentos a presença de calosidades nas mãos
(musculadores, tenistas, lutadores de artes marciais etc.) e pé (lutadores de artes marciais, maratonistas,
patinadores etc.), que dificultam a passagem da corrente5.

Figura 3.17 – Bioimpedância de hemicorpo direito (A) e equipamento (B).

Bioimpedância de hemicorpo inferior ou foot to foot


Diversos equipamentos são colocados a cada dia no mercado, sendo os mais comuns os denominados foot to foot, em
razão do caminho percorrido pela corrente elétrica (Figura 3.18). Esses equipamentos avaliam também o peso corporal,
aliando praticidade à avaliação da composição corporal para aqueles profissionais que realizam atendimento
personalizado (personal) ou em academias; porém sua validade e aplicação podem ser limitadas por diversos
fatores46 já discutidos ao longo deste capítulo.
Figura 3.18 – Bioimpedância de hemicorpo inferior ou foot to foot e tipo de equipamento.

Em estudo com desportistas brasileiros (n = 20) em academia de ginástica com média de idade de 30,7 ± 10,2 anos,
que praticavam 1,33 ± 0,4 h de atividades, como musculação, bicicleta ergométrica e esteira, observou-se alta
correlação entre os aparelhos de bioimpedância tetrapolar Biodynamics (modelo 310: hemicorpo direito) e Tanita
(modelo 2001B-W: hemicorpo inferior). Os autores concluíram que apesar do emprego de equipamentos com
diferentes percursos de passagem de corrente e equações, estes apresentaram valores de %G que não diferiram
estatisticamente46.
Em outro estudo, a BIA foot to foot (Tanita TBF-305) foi empregada em 57 universitários do sexo masculino (18 a
35 anos), com IMC inferior a 27 kg/m2, que procurou estabelecer a relação entre o nível de atividade aeróbica/semana
(2,5 a 10 h) e as diferentes equações preditivas do aparelho de BIA para indivíduos pouco ativos fisicamente,
moderadamente ativos e atletas. Como conclusões os autores observaram que a seleção da equação preditiva do
equipamento altera significativamente os valores de %G entre os grupos, em especial dos indivíduos ativos47. Este
estudo reforça que levantamento criterioso do nível de atividade física do indivíduo avaliado deve ser realizado
rotineiramente pelo nutricionista para monitoração adequada da composição corporal deste grupo.
Em atletas femininas de rugby já foi observado que perda hídrica de 1,5 ± 0,7% da massa corporal inicial, durante
treino intenso, não alterou os valores de percentual de gordura das atletas48. Este resultado, segundo as autoras, está em
desacordo com o esperado pela literatura, em que o estado hídrico e sua redistribuição têm impacto direto no exame de
BIA, porém há carência de estudos que examinem qual nível de desidratação é crítico para o emprego da BIA; visto
especificamente com atletas de rugby houve desidratação leve48.

Bioimpedância de hemicorpo superior


Nestes equipamentos a corrente percorre tronco e membros superiores do avaliado (Figura 3.19). Segundo Costa4,
apenas um estudo foi conduzido com este equipamento em amostra brasileira. Mulheres (20 a 44 anos) foram avaliadas
para testar validade da predição do %G (DEXA vs OMROM) e observou-se que a BIA subestimou significativamente
o %G, invalidando os resultados para este grupo4.
Figura 3.19 – Bioimpedância de hemicorpo superior (A) e tipos de equipamentos disponíveis no mercado (B).

Bioimpedância segmentar
Para medidas de impedância assume-se que esta é diretamente proporcional ao comprimento do condutor e
inversamente à sua área transversal e que o corpo humano é um cilindro geometricamente homogêneo. Entretanto,
algumas abordagens não assumem esse pressuposto, a denominada bioimpedância segmentar, e consideram o corpo
humano composto por cinco cilindros: braços, pernas e tronco, ao contrário de apenas um cilindro (Figura 3.20).
Figura 3.20 – Exemplos de BIA segmentar e outros modelos tradicionais. Adaptado de Biospace49. RLA = resistência do braço esquerdo; RLL =
resistência da perna esquerda; RRA = resistência do braço direito; RRL = resistência da perna direita; RT = resistência do Tronco.

Os equipamentos utilizam diversos percursos da corrente elétrica nos diferentes segmentos corporais, ao contrário de
outros modelos que empregam a abordagem de hemicorpo para a avaliação da composição corporal (Figura 3.21).

Figura 3.21 – (A) Modelos de equipamento multifrequencial. (B) Percurso da corrente no corpo. (C) Resultados do exame. Adaptado de
Biospace49. BD = braço direito; BE = braço esquerdo; C = circuito; I = impedância; PD = perna direita; PE = perna esquerda; T = tronco.

Aplicação prática da antropometria para avaliação nutricional


Para avaliação sistemática das alterações da composição corporal e mais especificamente a monitoração da MM e da
MG, os métodos duplamente indiretos, representados principalmente por antropometria e análise de bioimpedância,
são os mais empregados. No caso de alterações agudas ou de curto prazo, a técnica antropométrica das mensurações de
DC é a mais rápida, reproduzível e fidedigna, além de poder fornecer informações significativas sobre a gordura
corporal total e também sua distribuição corporal. Quanto à utilização prática das medidas de DC, para propósito de
monitoração da adiposidade, várias abordagens são amplamente aplicadas e apresentadas ainda neste capítulo.
Com exceção das equações matemáticas, que por meio da densidade ou do %G avaliam esses parâmetros na
população específica para a qual foram desenvolvidas, as outras aplicações das DC permitem verificar a quantidade
relativa de gordura inter e intraindividual e alterações topográficas no conteúdo de gordura antes e depois de programa
de treinamento físico ou alteração do padrão alimentar. Além desses objetivos, a determinação do %G possui outras
aplicações (Quadro 3.4).

QUADRO 3.4 – Aplicação prática e interpretações dos valores de percentual de gordura1

• Identificar os riscos de saúde associados aos níveis baixos ou excessivos de gordura corporal total
• Identificar riscos de saúde associados aos acúmulos excessivos de gordura intra-abdominal ou adiposidade abdominal

• Promover o entendimento dos riscos de saúde associados aos níveis muito baixos ou altos de gordura corporal

• Monitorar as alterações na composição corporal, associadas a certas doenças

• Determinar a efetividade das intervenções nutricionais e exercícios na alteração da composição corporal

• Estimar o peso corporal de atletas e não atletas

• Prescrever dietas e exercícios


• Acompanhar crescimento, desenvolvimento, maturação e alterações na composição corporal relacionados à idade
A seguir, serão apresentadas algumas abordagens para avaliação da composição corporal que podem ser empregada
na prática nutricional.

Percentil dos valores das dobras cutâneas e circunferências corporais


Dobras e circunferências corporais são também utilizadas como indicadores do estado nutricional, tanto para
indivíduos fisicamente ativos ou não. Anteriormente, foi discutida a aplicação da CC e da CA na avaliação nutricional.
Já para DC, o padrão de referência mais empregado no mundo foi proposto por Frisancho50 e adotado pela WHO20.
Frisancho baseou-se em amostra de 43.774 indivíduos norte-americanos de diferentes etnias, com idades entre 1 e 74
anos, a partir dos estudos provenientes da National Health and Nutrition Examination Surveys (NHANES I e II). A
partir dos valores obtidos da dobra de tríceps (Tabela 3.15) e circunferência do braço (CB) (Tabela 3.16), foram
derivados os valores de circunferência muscular do braço (CMB) (Tabela 3.17) e área muscular do braço corrigida
(AMBc) (Tabela 3.18), sendo os valores distribuídos em percentis, segundo gênero e idade.

TABELA 3.15 – Distribuição dos percentis da dobra cutânea triciptal (mm)

TABELA 3.15 – Distribuição dos percentis da dobra cutânea triciptal (mm)

Percentis masculinos
Idade (anos) 5 10 15 25 50 75 85 90 95

1 a 1,9 6,5 7,0 7,5 8,0 10,0 12,0 13,0 14,0 15,5

2 a 2,9 6,0 6,5 7,0 8,0 10,0 12,0 13,0 14,0 15,0

3 a 3,9 6,0 7,0 7,0 8,0 9,5 11,5 12,5 13,5 15,0

4 a 4,9 5,5 6,5 7,0 7,5 9,0 11,0 12,0 12,5 14,0

5 a 5,9 5,0 6,0 6,0 7,0 8,0 10,0 11,5 13,0 14,5

6 a 6,9 5,0 5,5 6,0 6,5 8,0 10,0 12,0 13,0 16,0

7 a 7,9 4,5 5,0 6,0 6,0 8,0 10,5 12,5 14,0 16,0

8 a 8,9 5,0 5,5 6,0 7,0 8,5 11,0 13,0 16,0 19,0

9 a 9,9 5,0 5,5 6,0 6,5 9,0 12,5 15,5 17,0 20,0

10 a 10,9 5,0 6,0 6,0 7,5 10,0 14,0 17,0 20,0 24,0

11 a 11,9 5,0 6,0 6,5 7,5 10,0 16,0 19,5 23,0 27,0

12 a 12,9 4,5 6,0 6,0 7,5 10,5 14,5 18,0 22,5 27,5

13 a 13,9 4,5 5,0 5,5 7,0 9,0 13,0 17,0 20,5 25,0

14 a 14,9 4,0 5,0 5,0 6,0 8,5 12,5 15,0 18,0 23,5

15 a 15,9 5,0 5,0 5,0 6,0 7,5 11,0 15,0 18,0 23,5

16 a 16,9 4,0 5,0 5,1 6,0 8,0 12,0 14,0 17,0 23,0
17 a 17,9 4,0 5,0 5,0 6,0 7,0 11,0 13,5 16,0 9,5

18 a 24,9 4,0 5,0 5,5 6,5 10,0 14,5 17,5 20,0 23,5

25 a 29,9 4,0 5,0 6,0 7,0 11,0 15,5 19,0 21,5 25,0

30 a 34,9 4,5 6,0 6,5 8,0 12,0 16,5 20,0 22,0 25,0

35 a 39,9 4,5 6,0 7,0 8,5 12,0 16,0 18,5 20,5 24,5

40 a 44,9 5,0 6,0 6,9 8,0 12,0 16,0 19,0 21,5 26,0

45 a 49,9 5,0 6,0 7,0 8,0 12,0 16,0 19,0 21,0 25,0

50 a 54,9 5,0 6,0 7,0 8,0 11,5 15,0 18,5 20,8 25,0

55 a 59,9 5,0 6,0 6,5 8,0 11,5 15,0 18,0 20,5 25,0

60 a 64,9 5,0 6,0 7,0 8,0 11,5 15,5 18,5 20,5 24,0

65 a 69,9 4,5 5,0 6,5 8,0 11,0 15,0 18,0 20,0 23,5

70 a 74,9 4,5 6,0 6,5 8,0 11,0 15,0 17,0 19,0 23,0

Percentis femininos

Idade (anos) 5 10 15 25 50 75 85 90 95

1 a 1,9 6,0 7,0 7,0 8,0 10,0 12,0 13,0 14,0 16,0

2 a 2,9 6,0 7,0 7,5 8,5 10,0 12,0 13,5 14,5 16,0

3 a 3,9 6,0 7,0 7,5 8,5 10,0 12,0 13,0 14,0 16,0

4 a 4,9 6,0 7,0 7,5 8,0 10,0 12,0 13,0 14,0 15,5

5 a 5,9 5,5 7,0 7,0 8,0 10,0 12,0 13,5 15,0 17,0

6 a 6,9 6,0 6,5 7,0 8,0 10,0 12,0 13,0 15,0 17,0

7 a 7,9 6,0 7,0 7,0 8,0 10,5 12,5 15,0 16,0 19,0

8 a 8,9 6,0 7,0 7,5 8,5 11,0 14,5 17,0 18,0 22,5

9 a 9,9 6,5 7,0 8,0 9,0 12,0 16,0 19,0 21,0 25,0

10 a 10,9 7,0 8,0 8,0 9,0 12,5 17,5 20,0 22,5 27,0

11 a 11,9 7,0 8,0 8,5 10,0 13,0 18,0 21,5 24,0 29,0

12 a 12,9 7,0 8,0 9,0 11,0 14,0 18,5 21,5 24,0 27,5

13 a 13,9 7,0 8,0 9,0 11,0 15,0 20,0 24,0 25,0 30,0

14 a 14,9 8,0 9,0 10,0 11,5 16,0 21,0 23,5 26,5 32,0

15 a 15,9 8,0 9,5 10,5 12,0 16,5 20,5 23,0 26,0 32,5

16 a 16,9 10,5 11,5 12,0 14,0 18,0 23,0 26,0 29,0 32,5

17 a 17,9 9,0 10,0 12,0 13,0 18,0 24,0 26,5 29,0 34,5

18 a 24,9 9,0 11,0 12,0 14,0 18,5 24,5 28,5 31,0 36,0

25 a 29,9 10,0 12,0 13,0 15,0 20,0 26,5 31,0 34,0 38,0

30 a 34,9 10,5 13,0 15,0 17,0 22,5 29,5 33,0 35,5 41,5

35 a 39,9 11,0 13,0 15,5 18,0 23,5 30,0 35,0 37,0 41,0
40 a 44,9 12,0 14,0 16,0 19,0 24,5 30,5 35,0 37,0 41,0

45 a 49,9 12,0 14,5 16,5 19,5 25,5 32,0 35,5 38,0 42,5

50 a 54,9 12,0 15,0 17,5 20,5 25,5 32,0 36,0 38,5 42,0

55 a 59,9 12,0 15,0 17,0 20,5 26,0 32,0 36,0 39,0 42,5

60 a 64,9 12,5 16,0 17,5 20,5 26,0 32,0 35,5 38,0 42,5

65 a 69,9 12,0 14,5 16,0 19,0 25,0 30,0 33,5 36,0 40,0

TABELA 3.16 – Distribuição dos percentis da circunferência do braço (cm)

Percentis masculinos
Idade (anos) 5 10 15 25 50 75 85 90 95

1 a 1,9 14,2 14,7 14,9 15,2 16,0 16,9 17,4 17,7 18,2

2 a 2,9 14,3 14,8 15,1 15,5 16,3 17,1 17,6 17,9 18,6

3 a 3,9 15,0 15,3 15,5 16,0 16,8 17,6 18,1 18,4 19,0

4 a 4,9 15,1 15,5 15,8 16,2 17,1 18,0 18,5 18,7 19,3

5 a 5,9 15,5 16,0 16,1 16,6 17,5 18,5 19,1 19,5 20,5

6 a 6,9 15,8 16,1 16,5 17,0 18,0 19,1 19,8 20,7 22,8

7 a 7,9 16,1 16,8 17,0 17,6 18,7 20,0 21,0 21,8 22,9

8 a 8,9 16,5 17,2 17,5 18,1 19,2 20,5 21,6 22,6 24,0

9 a 9,9 17,5 18,0 18,4 19,0 20,1 21,8 23,2 24,5 26,0

10 a 10,9 18,1 18,6 19,1 19,7 21,1 23,1 24,8 26,0 27,9

11 a 11,9 18,5 19,3 19,8 20,6 22,1 24,5 26,1 27,6 29,4

12 a 12,9 19,3 20,1 20,7 21,5 23,1 25,4 27,1 28,5 30,3

13 a 13,9 20,0 20,8 21,6 22,5 24,5 26,6 28,2 29,0 30,8

14 a 14,9 21,6 22,5 23,2 23,8 25,7 28,1 29,1 30,0 32,3

15 a 15,9 22,5 23,4 24,0 25,1 27,2 29,0 30,3 31,2 32,7

16 a 16,9 24,1 25,0 25,7 26,7 28,3 30,6 32,1 32,7 34,7

17 a 17,9 24,3 25,1 25,9 26,8 28,6 30,8 32,2 33,3 34,7

18 a 24,9 26,0 27,1 27,7 28,7 30,7 33,0 34,4 35,4 37,2

25 a 29,9 27,0 28,0 28,7 29,8 31,8 34,2 35,5 36,6 38,3

30 a 34,9 27,7 28,7 29,3 30,5 32,5 34,9 35,9 36,7 38,2

35 a 39,9 27,4 28,6 29,5 30,7 32,9 35,1 36,2 36,9 38,2

40 a 44,9 27,8 28,9 29,7 31,0 32,8 34,9 36,1 36,9 38,1

45 a 49,9 27,2 28,6 29,4 30,6 32,6 34,9 36,1 36,9 38,2

50 a 54,9 27,1 28,3 29,1 30,2 32,3 34,5 35,8 36,8 38,3

55 a 59,9 26,8 28,1 29,2 30,4 32,3 34,3 35,5 36,6 37,8

60 a 64,9 26,6 27,8 28,6 29,7 32,0 34,0 35,1 36,0 37,5

65 a 69,9 25,4 26,7 27,7 29,0 31,1 33,2 34,5 35,3 36,6

70 a 74,9 25,1 26,2 27,1 28,5 30,7 32,6 33,7 34,8 36,0
Percentis femininos

Idade (anos) 5 10 15 25 50 75 85 90 95

1 a 1,9 13,6 14,1 14,4 14,8 15,7 16,4 17,0 17,2 17,8

2 a 2,9 14,2 14,6 15,0 15,4 16,1 17,0 17,4 18,0 18,5

3 a 3,9 14,4 15,0 15,2 15,7 16,6 17,4 18,0 18,4 19,0

4 a 4,9 14,8 15,3 15,7 16,1 17,0 18,0 18,5 19,0 19,5

5 a 5,9 15,2 15,7 16,1 16,5 17,5 18,5 19,4 20,0 21,0

6 a 6,9 15,7 16,2 16,5 17,0 17,8 19,0 19,9 20,5 22,0

7 a 7,9 16,4 16,7 17,0 17,5 18,6 20,1 20,9 21,6 23,3

8 a 8,9 16,7 17,2 17,6 18,2 19,5 21,2 22,2 23,2 25,1

9 a 9,9 17,6 18,1 18,6 19,1 20,6 22,2 23,8 25,0 26,7

10 a 10,9 17,8 18,4 18,9 19,5 21,2 23,4 25,0 26,1 27,3

11 a 11,9 18,8 19,6 20,0 20,6 22,2 25,1 26,5 27,9 30,0

12 a 12,9 19,2 20,0 20,5 21,5 23,7 25,8 27,6 28,3 30,2

13 a 13,9 20,1 21,0 21,5 22,5 24,3 26,7 28,3 30,1 32,7

14 a 14,9 21,2 21,8 22,5 23,5 25,1 27,4 29,5 30,9 32,9

15 a 15,9 21,6 22,2 22,9 23,5 25,2 27,7 28,8 30,0 32,2

16 a 16,9 22,3 23,2 23,5 24,4 26,1 28,5 29,9 31,6 33,5

17 a 17,9 22,0 23,1 23,6 24,5 26,6 29,0 30,7 32,8 35,4

18 a 24,9 22,4 23,3 24,0 24,8 26,8 29,2 31,2 32,4 35,2

25 a 29,9 23,1 24,0 24,5 25,5 27,6 30,6 32,5 34,3 37,1

30 a 34,9 23,8 24,7 25,4 26,4 28,6 32,0 34,1 36,0 38,5

35 a 39,9 24,1 25,2 25,8 26,8 29,4 32,6 35,0 36,8 39,0

40 a 44,9 24,3 25,4 26,2 27,2 29,7 33,2 35,5 37,2 38,8

45 a 49,9 24,2 25,5 26,3 27,4 30,1 33,5 35,6 37,2 40,0

50 a 54,9 24,8 26,0 26,8 28,0 30,6 33,8 35,9 37,5 39,3

55 a 59,9 24,8 26,1 27,0 28,2 30,9 34,3 36,7 38,0 40,0

60 a 64,9 25,0 26,1 27,1 28,4 30,8 34,0 35,7 37,3 39,6

65 a 69,9 24,3 25,7 26,7 28,0 30,5 33,4 35,2 36,5 38,5

70 a 74,9 23,8 25,3 26,3 27,6 30,3 33,1 34,7 35,8 37,5

TABELA 3.17 – Distribuição dos percentis da circunferência muscular do braço (cm)

Percentis masculinos
Idade (anos) 5 10 25 50 75 90 95

1 a 1,9 11,0 11,3 11,9 12,7 13,5 14,4 14,7

2 a 2,9 11,1 11,4 12,2 13,0 14,0 14,6 15,0

3 a 3,9 11,7 12,3 13,1 13,7 14,3 14,8 15,3

4 a 4,9 12,3 12,6 13,3 14,1 14,8 15,6 15,9

5 a 5,9 12,8 13,3 14,0 14,7 15,4 16,2 16,9


6 a 6,9 13,1 13,5 14,2 15,1 16,1 17,0 17,7

7 a 7,9 13,7 13,9 15,1 16,0 16,8 17,7 18,0

8 a 8,9 14,0 14,5 15,4 16,2 17,0 18,2 18,7

9 a 9,9 15,1 15,4 16,1 17,0 18,3 19,6 20,2

10 a 10,9 15,6 16,0 16,6 18,0 19,1 20,9 22,1

11 a 11,9 15,9 16,5 17,3 18,3 19,5 20,5 23,0

12 a 12,9 16,7 17,1 18,2 19,5 21,0 22,3 24,1

13 a 13,9 17,2 17,9 19,6 21,1 22,6 23,8 24,5

14 a 14,9 18,9 19,9 21,2 22,3 24,0 26,0 26,4

15 a 15,9 19,9 20,4 21,8 23,7 25,4 26,6 27,2

16 a 16,9 21,3 22,5 23,4 24,9 26,9 28,7 29,6

17 a 17,9 22,4 23,1 24,5 25,8 27,3 29,4 31,2

18 a 18,9 22,6 23,7 25,2 26,4 28,3 29,8 32,4

19 a 24,9 23,8 24,5 25,7 27,3 28,9 30,9 32,1

25 a 34,9 24,3 25,0 26,4 27,9 29,8 31,4 32,6

35 a 44,9 24,7 25,5 26,9 28,6 30,2 31,8 32,7

45 a 54,9 23,9 24,9 26,5 28,1 30,0 31,5 32,6

55 a 64,9 23,6 24,5 26,0 27,8 29,5 31,0 32,0

65 a 74,9 22,3 23,5 25,1 26,8 28,4 29,8 30,6

Percentis femininos

Idade (anos) 5 10 25 50 75 90 95

1 a 1,9 10,5 11,1 11,7 12,4 13,2 13,9 14,3

2 a 2,9 11,1 11,4 11,9 12,6 13,3 14,2 14,7

3 a 3,9 11,3 11,9 12,4 13,2 14,0 14,6 15,2

4 a 4,9 11,5 12,1 12,8 13,6 14,4 15,2 15,7

5 a 5,9 12,5 12,8 13,4 14,2 15,1 15,9 16,5

6 a 6,9 13,0 13,3 13,8 14,5 15,4 16,6 17,1

7 a 7,9 12,9 13,5 14,2 15,1 16,0 17,1 17,6

8 a 8,9 13,8 14,0 15,1 16,0 17,1 18,3 19,4

9 a 9,9 14,7 15,0 15,8 16,7 18,0 19,4 19,8

10 a 10,9 14,8 15,0 15,9 17,0 18,0 19,0 19,7

11 a 11,9 15,0 15,8 17,1 18,1 19,6 21,7 22,3

12 a 12,9 16,2 16,6 18,0 19,1 20,1 21,4 22,0

13 a 13,9 16,9 17,5 18,3 19,8 21,1 22,6 24,0

14 a 14,9 17,4 17,9 19,0 20,1 21,6 23,2 24,7


15 a 15,9 17,5 17,8 18,9 20,2 21,5 22,8 24,4

16 a 16,9 17,0 18,0 19,0 20,2 21,6 23,4 24,9

17 a 17,9 17,5 18,3 19,4 20,5 22,1 23,9 25,7

18 a 18,9 17,4 17,9 19,5 20,2 21,5 23,7 24,5

19 a 24,9 17,9 18,5 19,5 20,7 22,1 23,6 24,9

25 a 34,9 18,3 18,8 19,9 21,2 22,8 24,6 26,4

35 a 44,9 18,6 19,2 20,5 21,8 23,6 25,7 27,2

45 a 54,9 18,7 19,3 20,6 22,0 23,8 26,0 27,4

55 a 64,9 18,7 19,6 20,9 22,5 24,4 26,6 28,0

65 a 74,9 18,5 19,5 20,8 22,5 24,4 26,4 27,9

TABELA 3.18 – Distribuição dos percentis da área muscular do braço corrigida (cm2) – sem o osso

Percentis masculinos
Idade (anos) 5 10 15 25 50 75 85 90 95

1 a 1,9 9,7 10,4 10,8 11,6 13,0 14,6 15,4 16,3 17,2

2 a 2,9 10,1 10,9 11,3 12,4 13,9 15,6 16,4 16,9 18,4

3 a 3,9 11,2 12,0 12,6 13,5 15,0 16,4 17,4 18,3 19,5

4 a 4,9 12,0 12,9 13,5 14,5 16,2 17,9 18,8 19,8 20,9

5 a 5,9 13,2 14,2 14,7 15,7 17,6 19,5 20,7 21,7 23,2

6 a 6,9 14,4 15,3 15,8 16,8 18,7 21,3 22,9 23,8 25,7

7 a 7,9 15,1 16,2 17,0 18,5 20,6 22,6 24,5 25,2 28,6

8 a 8,9 16,3 17,8 18,5 19,5 21,6 24,0 25,5 26,6 29,0

9 a 9,9 18,2 19,3 20,3 21,7 23,5 26,7 28,7 30,4 32,9

10 a 10,9 19,6 20,7 21,6 23,0 25,7 29,0 32,2 34,0 37,1

11 a 11,9 21,0 22,0 23,0 24,8 27,7 31,6 33,6 36,1 40,3

12 a 12,9 22,6 24,1 25,3 26,9 30,4 35,9 39,3 40,9 44,9

13 a 13,9 24,5 26,7 28,1 30,4 35,7 41,3 45,3 48,1 52,5

14 a 14,9 28,3 31,3 33,1 36,1 41,9 47,4 51,3 54,0 57,5

15 a 15,9 31,9 34,9 36,9 40,3 46,3 53,1 56,3 57,7 63,0

16 a 16,9 37,0 40,9 42,4 45,9 51,9 57,8 63,3 66,2 70,5

17 a 17,9 39,6 42,6 44,8 48,0 53,4 60,4 64,3 67,9 73,1

18 a 24,9 34,2 37,3 39,6 42,7 49,4 57,1 61,8 65,0 72,0

25 a 29,9 36,6 39,9 42,4 46,0 53,0 61,4 66,1 68,9 74,5

30 a 34,9 37,9 40,9 43,4 47,3 54,4 63,2 67,6 70,8 76,1

35 a 39,9 38,5 42,6 44,6 47,9 55,3 64,0 69,1 72,7 77,6

40 a 44,9 38,4 42,1 45,1 48,7 56,0 64,0 68,5 71,6 77,0

45 a 49,9 37,7 41,3 43,7 47,9 55,2 63,3 68,4 72,2 76,2

50 a 54,9 36,0 40,0 42,7 46,6 54,0 62,7 67,0 70,4 77,4

55 a 59,9 36,5 40,8 42,7 46,7 54,3 61,9 66,4 69,6 75,1
60 a 64,9 34,5 38,7 41,2 44,9 52,1 60,0 64,8 67,5 71,6

65 a 69,9 31,4 35,8 38,4 42,3 49,1 57,3 61,2 64,3 69,4

70 a 74,9 29,7 33,8 36,1 40,2 47,0 54,6 59,1 62,1 67,3

Percentis femininos

Idade (anos) 5 10 15 25 50 75 85 90 95

1 a 1,9 8,9 9,7 10,1 10,8 12,3 13,8 14,6 15,3 16,2

2 a 2,9 10,1 10,6 10,9 11,8 13,2 14,7 15,6 16,4 17,3

3 a 3,9 10,8 11,4 11,8 12,6 14,3 15,8 16,7 17,4 18,8

4 a 4,9 11,2 12,2 12,7 13,6 15,3 17,0 18,0 18,6 19,8

5 a 5,9 12,4 13,2 13,9 14,8 16,4 18,3 19,4 20,6 22,1

6 a 6,9 13,5 14,1 14,6 15,6 17,4 19,5 21,0 22,0 24,2

7 a 7,9 14,4 15,2 15,8 16,7 18,9 21,2 22,6 23,9 25,3

8 a 8,9 15,2 16,0 16,8 18,2 20,8 23,2 24,6 26,5 28,0

9 a 9,9 17,0 17,9 18,7 19,8 21,9 25,4 27,2 28,3 31,1

10 a 10,9 17,6 18,5 19,3 20,9 23,8 27,0 29,1 31,0 33,1

11 a 11,9 19,5 21,0 21,7 23,2 26,4 30,7 33,5 35,7 39,2

12 a 12,9 20,4 21,8 23,1 25,5 29,0 33,2 36,3 37,8 40,5

13 a 13,9 22,8 24,5 25,4 27,1 30,8 35,3 38,1 39,6 43,7

14 a 14,9 24,0 26,2 27,1 29,0 32,8 36,9 39,8 42,3 47,5

15 a 15,9 24,4 25,8 27,5 29,2 33,0 37,3 40,2 41,7 45,9

16 a 16,9 25,2 26,8 28,2 30,0 33,6 38,0 40,2 43,7 48,3

17 a 17,9 25,9 27,5 28,9 30,7 34,3 39,6 43,4 46,2 50,8

18 a 24,9 19,5 21,5 22,8 24,5 28,3 33,1 36,4 39,0 44,2

25 a 29,9 20,5 21,9 23,1 25,2 29,4 34,9 38,5 41,9 47,8

30 a 34,9 21,1 23,0 24,2 26,3 30,9 36,9 41,2 44,7 51,3

35 a 39,9 21,1 23,4 24,7 27,3 31,8 38,7 43,1 46,1 54,2

40 a 44,9 21,3 23,4 25,5 27,5 32,3 39,8 45,8 49,5 55,8

45 a 49,9 21,6 23,1 24,8 27,4 32,5 39,5 44,7 48,4 46,1

50 a 54,9 22,2 24,6 25,7 28,3 33,4 40,4 46,1 49,6 55,6

55 a 59,9 22,8 24,8 26,5 28,7 34,7 42,3 47,3 52,1 58,8

60 a 64,9 22,4 24,5 26,3 29,2 34,5 41,1 45,6 49,1 55,1

65 a 69,9 21,9 24,5 26,2 28,9 34,6 41,6 46,3 49,6 56,5

70 a 74,9 22,2 24,4 26,0 28,8 34,3 41,8 46,4 49,2 54,6
TABELA 3.19 – Distribuição dos percentis da dobra cutânea subescapular (mm)

Percentis masculinos
Idade (anos) 5 10 15 25 50 75 85 90 95

1 a 1,9 4,0 4,0 4,5 5,0 6,0 7,0 8,0 8,5 10,0

2 a 2,9 3,5 4,0 4,0 4,5 5,5 7,0 7,5 8,5 10,0

3 a 3,9 3,5 4,0 4,0 4,5 5,0 6,0 7,0 7,0 9,0

4 a 4,9 3,0 3,5 4,0 4,0 5,0 6,0 6,5 7,0 8,0

5 a 5,9 3,0 3,5 4,0 4,0 5,0 5,5 6,5 7,0 8,0

6 a 6,9 3,0 3,5 3,5 4,0 4,5 5,5 6,5 8,0 13,0

7 a 7,9 3,0 3,5 4,0 4,0 5,0 6,0 7,0 8,0 12,0

8 a 8,9 3,0 3,5 4,0 4,0 5,0 6,0 7,5 9,0 12,5

9 a 9,9 3,0 3,5 4,0 4,0 5,0 7,0 9,5 12,0 14,5

10 a 10,9 3,5 4,0 4,0 4,5 6,0 8,0 11,0 14,0 19,5

11 a 11,9 4,0 4,0 4,0 5,0 6,0 9,0 15,0 18,5 26,0

12 a 12,9 4,0 4,0 4,5 5,0 6,0 9,5 15,0 19,0 24,0

13 a 13,9 4,0 4,0 5,0 5,0 6,5 9,0 13,0 17,0 25,0

14 a 14,9 4,0 5,0 5,0 5,5 7,0 9,0 12,0 15,5 22,5

15 a 15,9 5,0 5,0 5,5 6,0 7,0 10,0 13,0 16,0 22,0

16 a 16,9 5,0 6,0 6,0 7,0 8,0 11,0 14,0 16,0 22,0

17 a 17,9 5,0 6,0 6,0 7,0 8,0 11,0 14,0 17,0 21,5

18 a 24,9 6,0 7,0 7,0 8,0 11,0 16,0 20,0 24,0 30,0

25 a 29,9 7,0 7,0 8,0 9,0 13,0 20,0 24,5 26,5 31,0

30 a 34,9 7,0 8,0 9,0 11,0 15,5 22,0 25,5 29,0 33,0

35 a 39,9 7,0 8,0 9,5 11,0 16,0 22,5 25,5 28,0 33,0

40 a 44,9 7,0 8,0 9,0 11,5 16,0 22,0 25,5 29,5 33,0

45 a 49,9 7,0 8,0 9,5 11,5 17,0 23,5 27,0 30,0 34,5

50 a 54,9 7,0 8,0 9,0 11,5 16,0 22,5 26,5 29,5 34,0

55 a 59,9 6,5 8,0 9,5 11,5 16,5 23,0 26,0 28,5 32,0

60 a 64,9 7,0 8,0 10,0 12,0 17,0 23,0 26,0 29,0 34,0

65 a 69,9 6,0 7,5 8,5 10,5 15,0 21,5 25,0 28,0 32,5

70 a 74,9 6,5 7,0 8,0 10,3 15,0 21,0 25,0 27,5 31,0
Percentis femininos

Idade (anos) 5 10 15 25 50 75 85 90 95

1 a 1,9 4,0 4,0 4,5 5,0 6,0 7,5 8,5 9,0 10,0

2 a 2,9 4,0 4,0 4,5 5,0 6,0 7,0 8,0 9,0 10,5

3 a 3,9 3,5 4,0 4,0 5,0 5,5 7,0 7,5 8,5 10,0

4 a 4,9 3,5 4,0 4,0 4,5 5,5 7,0 8,0 9,0 10,5

5 a 5,9 3,5 4,0 4,0 4,5 5,0 7,0 8,0 9,0 12,0

6 a 6,9 3,5 4,0 4,0 4,5 5,5 7,0 8,0 10,0 11,5

7 a 7,9 3,5 4,0 4,0 4,5 6,0 7,5 9,5 11,0 13,0

8 a 8,9 3,5 4,0 4,0 5,0 6,0 8,0 11,5 14,5 21,0

9 a 9,9 4,0 4,5 5,0 5,0 6,5 9,5 13,0 18,0 24,0

10 a 10,9 4,0 4,5 5,0 5,5 7,0 11,5 16,0 19,5 24,0

11 a 11,9 4,5 5,0 5,0 6,0 8,0 12,0 16,0 20,0 28,5

12 a 12,9 5,0 5,5 6,0 6,5 9,0 13,0 17,0 22,0 30,0

13 a 13,9 5,0 6,0 6,0 7,0 10,0 15,5 19,0 23,0 26,5

14 a 14,9 6,0 6,0 7,0 7,5 10,0 16,0 20,5 25,0 30,0

15 a 15,9 6,0 7,0 7,5 8,0 10,0 15,0 20,0 23,0 28,0

16 a 16,9 7,0 7,5 8,0 9,0 11,5 16,5 24,0 26,0 34,0

17 a 17,9 6,0 7,0 7,5 9,0 12,5 19,0 24,5 28,0 34,0

18 a 24,9 6,5 7,0 8,0 9,5 13,0 20,0 25,5 29,0 36,0

25 a 29,9 6,5 7,0 8,0 10,0 14,0 23,0 29,0 33,0 38,5

30 a 34,9 6,5 7,5 8,5 10,5 16,0 26,5 32,5 37,0 43,0

35 a 39,9 7,0 8,0 9,0 11,0 18,0 28,5 34,0 36,5 43,0

40 a 44,9 6,5 8,0 9,0 11,5 19,0 28,5 34,0 37,0 42,0

45 a 49,9 7,0 8,5 10,0 12,5 20,0 29,5 34,0 37,5 43,5

50 a 54,9 7,0 9,0 11,0 14,0 21,9 30,0 35,0 39,0 43,5

55 a 59,9 7,0 9,0 11,0 13,5 22,0 31,0 35,0 38,0 45,0

60 a 64,9 7,5 9,0 11,0 14,0 21,5 30,5 35,0 38,0 43,0

65 a 69,9 7,0 8,0 10,0 13,0 20,0 28,0 33,0 36,0 41,0

70 a 74,9 6,5 8,5 10,0 12,0 19,5 27,0 32,0 35,0 38,5
As DC mais utilizadas para avaliação do estado nutricional em população sadia e enferma são dobra cutânea
tricipital (DCT) (Tabela 3.15) e subescapular (DCSE) (Tabela 3.19) alicerçadas na fundamentação de que quantidade
expressiva de gordura corporal está no tecido subcutâneo. Quando se analisa a CB, verifica-se o somatório das áreas
constituídas pelos tecidos ósseo, muscular e adiposo do braço. A CMB (Tabela 3.17) avalia a massa magra corporal,
não levando em consideração o tecido ósseo da região. Analisar o estado nutricional mediante essas medidas é fazer
uma análise da composição corporal. A avaliação por meio das dobras e circunferências corporais combinadas permite
investigar indiretamente a quantidade de MM e MG corporal, destacando-se o padrão de referência proposto por
Frisancho50. Este autor elaborou critérios de avaliação do estado nutricional, com base em evidências de que o
organismo, ante as restrições nutricionais, mobiliza as reservas musculares, as proteínas viscerais (p. ex., albumina e
transferrina) e as reservas de gordura. Assim, admite-se que a DCT (Tabela 3.15) indica as reservas calóricas na forma
de gordura, e a circunferência e área muscular do braço (Tabela 3.18) refletem a reserva corporal de proteína muscular.
Assim, com valores combinados de DCT e DCSE encontrados, determinam-se os percentis de acordo com as Tabelas
3.15 e 3.19 e classifica-se o estado nutricional conforme Tabela 3.20.

TABELA 3.20 – Classificação do estado nutricional individual segundo percentis


Percentil (P) Classificação

< P5 Desnutrição

P5 a P15 Risco para desnutrição

P15 a P85 Eutrofia

> P85 Obesidade

A CB e a CMB também são analisadas da mesma forma, utilizando-se as tabelas de Frisancho50 (Tabelas 3.16 e 3.17,
respectivamente). Os valores de percentis encontrados para CB também são classificados conforme a Tabela 3.20. A
CMB é uma medida formada pela associação de outras medidas: a CB e a DCT, levandose em conta o formato
cilíndrico do braço. Para o cálculo do valor da CMB, emprega-se a seguinte equação:

CMB (cm) = CB (cm) –

CMB (cm) = CB (cm) – (DCT [mm] × 0,314)

Os valores desta equação já estão corrigidos. Os valores de percentis da CMB (Tabela 3.17) são classificados
segundo a Tabela 3.21.
TABELA 3.21 – Classificação do estado nutricional individual, de acordo com os percentis de Frisancho51
Percentil (P) Classificação

< P5 Deficiência de massa magra

P5 a P10 Baixa massa magra

P10 a P90 Eutrofia

> P90 Obesidade ou musculatura desenvolvida

A partir do resultado obtido no cálculo da CMB, é possível determinar a AMB. Esta também reflete a reserva
corporal de MM e é calculada conforme a seguinte equação:

AMB = (CMB)2/4π

Para ajustar a área muscular do braço é preciso descontar a área ocupada pelo osso. O valor resultante dessa
operação é chamado de AMBc. Para isso, consideraremos que, em média, o osso feminino mede cerca de 6,5 cm2 e o
osso masculino, 10 cm2. Basta então subtrair do resultado obtido no cálculo da AMB dos valores propostos por gênero.
Os valores poderão ser avaliados com os dados da Tabela 3.18.

Soma dos valores de dobras cutâneas

É clara a tendência que indivíduos com distribuição centrípeta da gordura (região do tronco) apresentam riscos mais
elevados para aparecimento e/ou desenvolvimento de distúrbios metabólicos e cardiovasculares. O acompanhamento
das variações regionais dos valores da espessura de DC em diversas regiões corporais pode ser avaliado como
indicativo para prevenção de eventuais problemas de saúde decorrentes do excesso de gordura corporal24. Quanto a esta
abordagem, destaca-se o trabalho desenvolvido na cidade de Santos (SP), com amostra de 1.092 indivíduos entre 20 e
69,6 anos, com coleta de peso, estatura e nove DC: tríceps, subescapular, axilar média, peitoral, bíceps, suprailíaca,
abdominal, coxa e panturrilha com plicômetro Sanny4.
A soma da espessura das DC, para analisar o comportamento da gordura e distribuição, foi dividida da seguinte
maneira:

• Gordura total: soma das nove dobras citadas anteriormente (Tabela 3.22) e de cinco dobras representativas da
gordura total (Tabela 3.23) obtidas nas diversas regiões corporais: tronco anterior (abdominal), posterior
(subescapular) e medial (suprailíaca); e de membro superior (tríceps) e inferior (coxa);
• Gordura do tronco: soma de cinco dobras (subescapular, axilar média, peitoral, suprailíaca e abdominal); e duas
(subescapular e suprailíaca) (Tabelas 3.24 e 3.25);
• Gordura de membros: soma de quatro (tríceps, bíceps, coxa e panturrilha medial) (Tabela 3.26).

TABELA 3.22 – Distribuições por faixa etária (20 aos 69,6 anos) dos percentis da soma de nove dobras (tríceps, subescapular,
peitoral, bíceps, coxa, axilar média, suprailíaca, abdominal, panturrilha), representativas de gordura total (G) para homens e
mulheres4

Percentil da Σ9 (gordura total)


Faixa etária (anos) 5% 10% 25% 50% 75% 90% 95%

Homens

20 a 29,9 55,98 60,05 73,58 117,20 164,15 220,45 257,35

30 a 39,9 67,60 74,70 112,65 155,90 192,35 219,30 287,61

40 a 49,9 100,90 118,06 149,90 175,10 197,45 244,70 269,50

50 a 59,9 104,60 110,72 133,35 171,60 217,25 244,36 268,70

60 a 69,9 93,72 102,30 124,85 153,40 170,60 190,93 222,10

Mulheres

20 a 29,9 98,44 116,28 134,10 153,80 189,10 237,24 258,08

30 a 39,9 100,05 118,45 144,40 176,60 203,98 241,45 267,23

40 a 49,9 103,60 135,90 160,20 193,60 234,30 268,80 288,90

50 a 59,9 129,38 147,00 173,00 206,50 237,10 263,34 270,39

60 a 69,9 134,10 149,35 170,50 199,95 227,13 263,12 295,95

TABELA 3.23 – Distribuições por faixa etária (20 aos 69,6 anos) dos percentis da soma de cinco dobras (tríceps, subescapular, suprailíaca, abdominal
coxa), representativas de gordura total (G) para homens e mulheres4
Percentil da Σ5 (gordura total)
Faixa etária (anos) 5% 10% 25% 50% 75% 90% 95%

Homens

20 a 29,9 38,75 39,60 53,50 81,65 115,35 152,50 172,53

30 a 39,9 46,20 52,64 78,20 108,10 129,15 147,64 204,72

40 a 49,9 68,91 80,80 99,30 122,10 135,20 171,16 188,36

50 a 59,9 71,10 74,06 86,30 114,60 146,95 169,12 177,80

60 a 69,9 59,96 68,50 83,75 97,80 113,80 128,45 156,90


Mulheres

20 a 29,9 69,68 80,44 92,00 107,60 132,00 154,50 178,60

30 a 39,9 69,85 81,85 99,23 120,60 140,88 164,80 176,40

40 a 49,9 72,70 90,10 111,45 134,10 163,15 185,10 195,95

50 a 59,9 89,80 100,22 118,65 140,00 162,45 178,36 188,02

60 a 69,9 90,70 90,38 114,43 134,30 153,95 184,59 203,72

TABELA 3.24 – Distribuições por faixa etária (20 aos 69,6 anos) dos percentis da soma de cinco dobras (subescapular, axilar média, peitoral,
suprailíaca, abdominal), representativas de gordura do tronco (GT) para homens e mulheres4

Percentil da Σ5 (gordura do tronco)


Faixa etária (anos) 5% 10% 25% 50% 75% 90% 95%

Homens

20 a 29,9 33,43 38,15 46,48 74,35 108,93 148,70 167,70

30 a 39,9 39,47 50,74 74,95 107,60 135,85 152,16 194,72

40 a 49,9 71,80 79,16 101,65 123,60 142,95 173,48 196,58

50 a 59,9 74,20 75,18 94,80 119,90 151,75 175,75 191,15

60 a 69,9 61,30 68,50 86,08 106,30 125,20 133,40 161,30

Mulheres

20 a 29,9 49,90 57,66 71,00 84,50 108,90 133,72 149,70

30 a 39,9 47,50 56,40 75,88 97,15 117,43 141,40 150,33

40 a 49,9 61,40 65,70 85,70 119,30 139,30 161,10 179,10

50 a 59,9 73,32 79,50 98,90 126,50 143,50 159,12 166,19

60 a 69,9 71,34 86,71 95,20 116,00 132,45 165,26 176,97

Embora Costa4 reconheça a dificuldade de estabelecer pontos de corte para os dados levantados, propôs alguns
percentis e possíveis implicações relacionadas ao total de gordura corporal, como a seguir:

• Abaixo do percentil 10: avaliação clínica criteriosa e dos riscos à saúde decorrentes de carência acentuada de
gordura corporal;
• Percentil 10 a 25: acompanhamento para evitar maiores reduções na quantidade de gordura corporal;
• Percentil 25 a 75: ideais para a saúde, embora a ausência de estudos dificulte a interpretação deste resultado e
comparação aos valores compatíveis com bom estado de saúde;
• Percentil 75 a 90: há excesso de adiposidade que indique intervenção para a redução da gordura corporal total que
pode contemplar alterações no padrão alimentar e/ou prática de exercício físico;
• Percentil acima de 90: há necessidade de análise minuciosa para intervenções mais apropriadas.

• TABELA 3.25 – Distribuições por faixa etária (20 aos 69,6 anos) dos percentis da soma de duas dobras (subescapular, suprailíaca),
representativas de gordura do tronco (GT) para homens e mulheres

Percentil da Σ2 (gordura do tronco)


Faixa etária (anos) 5% 10% 25% 50% 75% 90% 95%

Homens

20 a 29,9 15,93 18,35 22,70 32,75 48,18 68,20 73,00

30 a 39,9 18,78 23,54 34,35 47,10 58,30 66,14 93,78

40 a 49,9 28,72 32,20 43,20 51,90 64,00 78,70 87,64

50 a 59,9 30,10 32,10 37,85 50,60 63,60 75,10 86,69

60 a 69,9 25,70 30,00 37,75 44,70 52,80 56,90 73,20

Mulheres

20 a 29,9 21,90 24,72 31,20 39,10 49,80 59,38 67,36

30 a 39,9 20,75 24,10 30,18 43,35 53,60 66,40 70,90

40 a 49,9 24,50 27,50 36,65 50,00 64,45 72,10 78,00

50 a 59,9 31,11 33,50 44,60 54,00 62,75 69,36 73,90

60 a 69,9 29,30 31,05 38,55 47,05 56,28 71,58 75,90

TABELA 3.26 – Distribuições por faixa etária (20 aos 69,6 anos) dos percentis da soma de quatro dobras (tríceps, bíceps, coxa e panturrilha),
representativas de gordura de membros (GM) para homens e mulheres

Percentil da Σ4 (gordura de membros)


Faixa etária (anos) 5% 10% 25% 50% 75% 90% 95%

Homens

20 a 29,9 20,18 21,70 27,95 42,70 54,08 70,00 79,40

30 a 39,9 22,37 23,42 34,15 44,20 56,80 69,58 71,10

40 a 49,9 25,70 32,44 43,10 50,60 58,65 69,66 73,66

50 a 59,9 29,07 31,30 33,90 42,70 63,60 75,50 80,80

60 a 69,9 26,10 29,30 34,40 42,50 50,10 61,71 68,76

Mulheres

20 a 29,9 47,26 52,20 61,70 70,50 81,40 99,70 109,96

30 a 39,9 48,65 54,85 62,75 75,60 89,48 105,65 115,85

40 a 49,9 46,35 56,10 67,90 84,20 96,35 109,60 120,60

50 a 59,9 57,28 60,54 71,60 83,80 96,90 108,84 114,18

60 a 69,9 55,01 59,02 72,05 83,45 99,15 111,50 119,19


De posse destas informações é possível acompanhar desportistas que se submetem aos programas de exercício físico
e/ou às dietas alimentares, e adicionalmente durante a intervenção avaliar rápida e periodicamente a sua evolução, a
fim de possibilitar novos direcionamentos para alcance dos objetivos preestabelecidos.

Razão entre as dobras cutâneas de tronco e extremidade


O empregado das DC, com finalidade de averiguação da distribuição da gordura, ou método topográfico de
distribuição, baseia-se na observação de que a localização das dobras pode ser dividida em extremidade (pernas e
braços) e tronco (abdome e cintura). Sendo assim, como DC de extremidades mais referenciadas na literatura teríamos
bíceps, tríceps, coxa e panturrilha medial e de tronco subescapular, suprailíaca, axilar média, peitoral e abdominal24.
Para poder determinar o padrão de distribuição, a soma de dobras de tronco e de extremidade, e posteriormente sua
razão (soma DC tronco/soma DC extremidade), poderiam indicar, caso o resultado fosse igual a um, uma distribuição
equilibrada da gordura entre as regiões; se maior ou igual a um, favorecimento para deposição nas extremidades e
superior a um, padrão de acúmulo no tronco, sendo esta última perspectiva a mais preocupante para a saúde do
indivíduo1. Com respeito aos estudos que utilizaram tal avaliação, observou-se que as combinações individuais de DC
subescapular/tríceps (SB/TC) e dos pares (subescapular + suprailíaca)/(bíceps + tríceps) foram os mais empregados.
Ainda como sugestão, poderiam ser utilizadas as seguintes combinações:

• (subescapular + axilar + suprailíaca + abdominal)/(tríceps + bíceps + coxa + panturrilha);


• (subescapular + suprailíaca + abdominal)/(tríceps + bíceps + panturrilha).

Para classificar o acúmulo de tecido adiposo no tronco maior do que nos membros, para homens e mulheres, os
valores propostos seriam os do Quadro 3.5.

QUADRO 3.5 – Valores propostos, por gênero, para acúmulo de gordura na região do tronco em relação aos membros, por meio da razão
entre dobras cutâneas52

• Homens
– > 0,8

• Mulheres
–>1

Segundo Guedes e Guedes24, é um engano acreditar que quanto mais valores de espessura de soma se acrescentar
mais acurado o resultado. Foi comprovado em estudos científicos na área que o número ideal de valores de espessura
de DC, para este procedimento de análise, estaria entre dois a três, mas que seja representativo da disposição da
gordura subcutânea, que, por sua vez, depende da experiência do avaliador e do conhecimento prévio da população
alvo (p. ex., obesos, desportistas etc.).
Ainda que evidências científicas não sejam suficientes para utilização da razão SB/TC para predizer anormalidades
metabólicas decorrentes da deposição de gordura visceral, esta pode ser útil para avaliar a possibilidade da gordura
corporal se acumular na região central do corpo. Esta mesma razão pode ser empregada para a seguinte análise1:

• Quando os valores para a dobra subescapular são superiores, há maior interferência dos aspectos provenientes do meio
ambiente, representados por alimentação, atividade física, sedentarismo, entre outros;
• Quando os valores são superiores para a dobra triciptal, os aspectos biológicos ou genéticos são preponderantes.

Ainda Guedes e Guedes24 discutem as respostas dos diferentes depósitos de gordura em relação à distribuição
regional em periférico e centrípeto. O primeiro se caracteriza por maior deposição nas extremidades (quadril, glúteo e
coxa superior) e o segundo nas regiões de tronco (abdome), em detrimento das extremidades. Segundo os autores, há
sugestão que os exercícios aeróbicos, principalmente em homens, induzem maior mobilização de gordura localizada na
região abdominal. Diante do que foi discutido, a monitoração de praticantes de atividade física, no tocante à
distribuição regional da gordura, seria técnica simples e de fácil execução para avaliar a efetividade de intervenções
nutricionais e de atividade física. É evidente que as mudanças morfofisiológicas são mais pronunciadas quando há
grande quantidade de exercícios praticados.

Equações antropométricas
Existem centenas de equações antropométricas preditivas para aplicação na determinação da composição corporal;
estas se baseiam na utilização de dobras, circunferências e diâmetros para, por meio de múltiplas equações de
regressão, predizer a densidade e calcular o percentual de gordura e, consequentemente, a MM corporal. Dentre estas
medidas, a sua obtenção por intermédio de dobras é que possui maior número de trabalho na área. Para sua aplicação
são assumidas duas suposições, embora nenhuma delas tenha sido totalmente provada como verdadeiras. A primeira é
que a espessura do tecido adiposo subcutâneo reflete proporção constante do gordura corporal total. Segunda, os locais
selecionados para a mensuração das dobras representam a média do tecido adiposo subcutâneo22. Essas observações
reforçam o caráter restrito na aplicação de equação derivada de amostra populacional em outra e requer habilidade na
escolha e na análise de resultados que podem ser divergentes daqueles esperados. Assim, Petroski2 coloca os principais
questionamentos quando da seleção de equação para sua aplicação, que são: qual equação utilizar (escolha); qual
melhor procedimento (metodologia); o que fazer para amenizar os problemas (análise estatística, validação com
métodos indiretos etc.). Ainda, o mesmo autor apresenta alguns cuidados que devem ser observados para seleção de
uma equação antropométrica, entre eles:

• Observar se as características físicas se assemelham às da amostra na qual a mesma será empregada; no caso levar em
conta: idade, sexo, etnia, nível de atividade física e gordura corporal.
• Observar se a equação é específica ou generalizada. As equações específicas têm como características serem
fundamentadas em um modelo linear (y = ax + b); serem construídas com amostras homogêneas, pequenas e apresentar
baixo coeficiente de variação em relação a idade, altura, peso, dobras, circunferências corporais, nível de treinamento e
condicionamento físico. Exemplo de equação específica é a suposta “equação de Faulkner” (%G = 5,783 + 0,153 × (Σdobras
do tríceps, subescapular, suprailíaca, abdominal); esta teria como amostra nadadores olímpicos jovens (18 a 25 anos),
norte-americanos e do sexo masculino5; porém, apesar de ser utilizada para avaliação da composição corporal de
atleta/desportistas dos diferentes gêneros, sua origem e aplicabilidade ainda é tema de debate entre especialistas da área
de cineantropometria53. As equações específicas sistematicamente podem super ou subestimar os valores de densidade e
percentual de gordura quando aplicadas a indivíduos diferentes da amostra de origem. Quanto mais específica a equação
mais restrita sua aplicação em populações heterogêneas;
• Equações generalizadas (modelo quadrático) são recomendadas para estimar a composição corporal em indivíduos com
diferentes características físicas e de rendimento. Portanto podem ser empregadas, com alguma segurança, para estimar
composição corporal de indivíduos com idade, raça, gordura corporal e nível de aptidão física diferentes. Podem ser
aplicadas em diversas populações sem perder a acurácia.
• Observar se a equação apresenta validade para amostra brasileira, na qual será empregada.

Em relação a este último quesito, vários pesquisadores têm procurado caracterizar a composição corporal dos
brasileiros por meio de equação ideal ou apropriada.

Equações generalizadas internacionais e nacionais


Nas Tabelas 3.27 e 3.28 são apresentadas algumas equações gerais desenvolvidas tanto para a população brasileira,
como aquelas validadas para amostras brasileiras para ambos os sexos e, portanto, podem ser utilizadas para avaliação
de praticantes de atividade física.

TABELA 3.27 – Equações gerais para determinação da densidade corporal em homens adultos 1
Referência Equação

Jackson e Pollock55 Homens de 18 a 61 anos


*D = 1,101 – 0,00004115 (XI) + 0,00000069 (X1)2 – 0,00022631
(idade em anos) – 0,00005939 (perímetro do abdome em cm) + 0,000190632 (perímetro do
antebraço em cm)
*D = 1,17615 – 0,02394 (lognX1) – 0,00022 (idade em anos) – 0,00007 (perímetro abdominal) +
0,000212 (perímetro de antebraço)
*D = 1,099075 – 0,0008209 (X2) + 0,0000026 (X2)2 – 0,0002017 (idade em anos) – 0,00005675
(perímetro abdominal em cm) + 0,00018586 (perímetro do antebraço em cm)
D = 1,10938 – 0,0008267 (X2) + 0,0000016 (X2)2 – 0,0002574 (idade em anos)
D = 1,1886 – 0,03049 logn (X2) – 0,00027 (idade em anos)

Petroski2 Homens de 18 a 66 anos (brasileiros)


D = 1,10726863 – 0,00081201 (Y1) + 0,00000212 (Y1)2 – 0,00041761 (idade em anos)
D = 1,10404686 – 0,00111938 (Y2) + 0,00000391 (Y2)2 – 0,00027884 (idade em anos)
D = 1,10098229 – 0,00145899 (Y3) + 0,00000701 (Y3)2 – 0,0003277 (idade em anos)

D = densidade corporal; X1 = soma (mm) das dobras cutâneas subescapular, tricipital, peitoral, axilar média, suprailíaca, abdominal e da coxa;
X2 = soma (mm) das dobras cutâneas peitoral, abdominal e da coxa; Y1 = soma (mm) das dobras cutâneas axilar média, suprailíaca, da coxa e
da panturrilha medial; Y2 = soma (mm) das dobras cutâneas subescapular, tricipital e peitoral; Y3 = soma (mm) das dobras cutâneas tricipital e
axilar média.
* Equações validadas em amostras brasileiras.

TABELA 3.28 – Equações específicas para determinação da densidade corporal em mulheres adultas1
Referência Equação

Jackson e Pollock56 Mulheres de 18 a 55 anos


*D = 1,097 – 0,00046971 (X1) + 0,00000056 (X1)2 – 0,00012828 (idade em anos)
*D = 1,23173 – 0,03841 logn (X1) – 0,00015 (idade em anos)

Petroski2 Mulheres de 18 a 51 anos (brasileiras)


D = 1,02902361 – 0,00067159 (Y1) + 0,00000242 (Y1)2 – 0,00026073 (idade em anos) – 0,00056009
(massa corporal em kg) + 0,00054649 (estatura em cm)
D = 1,195413 – 0,07513507 log10 (Y2) – 0,00041072 (idade em anos)
D = 1,0346585 – 0,00063129 (Y2) + 0,00000187 (Y2)2 – 0,00031165 (idade em anos) – 0,0004889
(massa corporal em kg) + 0,00051345 (estatura em cm)

D = densidade corporal; X1 = soma (mm) das dobras cutâneas subescapular, tricipital, peitoral, axilar média, suprailíaca, abdominal e da coxa;
Y1 = soma (mm) das dobras cutâneas subescapular, tricipital, suprailíaca, e da panturrilha medial; Y2 = soma (mm) das dobras cutâneas axilar
média, suprailíaca, da coxa e da panturrilha medial.
* Equações validadas em amostras brasileiras.

Para emprego de uma equação geral, que originalmente não utilizou amostra brasileira, a sua validação
populacional, para determinar sua real aplicação para estimativa de densidade e percentual de gordura, deve ser
realizada. No caso, existem inúmeras equação desenvolvidas, sobretudo com amostras americanas heterogêneas, que
são amplamente empregadas na nutrição entre outras áreas. Dentre as mais utilizadas no Brasil estão as desenvolvidas
por Durnin e Womersley54 para ambos os sexos; Jackson e Pollock55 para sexo masculino; e Jackson et al.56 para o sexo
feminino.
As equações generalizadas de Durnin e Womersley54 foram realizadas a partir de amostra de 209 homens e 272
mulheres com idades entre 16 e 72 anos; as faixas etárias foram estratificadas conforme a Tabela 3.29. Segundo os
autores, não houve seleção prévia para obter a amostra da população que foi classificada entre indivíduos com
predominância de moderadamente sedentários, e da classe média (estudantes, profissionais, negociantes etc.); porém
houve seleção deliberada para representação de uma gama de diferentes tipos corporais (pacientes de clínicas de
obesidade, clubes esportivos, organizações esportivas, companhia de balé entre outros locais) e sob condição de
aparente saúde. As medidas de dobras foram determinadas em quatro locais anatômicos no lado direito (bíceps, tríceps,
subescapular e suprailíaca), com um compasso Harpenden ou Lange e os autores reportaram que não foram
encontradas diferenças nas medidas entre os diversos plicômetros54. Embora no delineamento do estudo as variáveis
circunferências de antebraço, coxa proximal e panturrilha estivessem incluídas, após as análises de regressão múltiplas
para cálculo da densidade, ocorreu constatação que as medidas de circunferências de membros introduziram maior
complexidade às equações preditivas, sem melhora na acurácia dos resultados. A Tabela 3.29, com o percentual de
gordura relativo ao somatório das dobras por faixa etária, é umas das mais utilizadas na prática clínica1, provavelmente
pela fácil obtenção de resultados; locais de medidas de fácil acesso; das dobras serem as mesmas para ambos os sexos;
ampla faixa etária entre outros benefícios. No entanto, essas equações não foram, até o presente momento, validadas
para a população brasileira, podendo perder sua precisão na determinação do percentual de gordura1.

TABELA 3.29 – Estimativa de gordura corporal, como percentual de peso corporal, a partir de diversos valores da soma de quatro dobras cutâneas
(bicipital, tricipital, subescapular e suprailíaca), em ambos os gêneros, em diferentes faixas etárias

Homens (idade em anos) Mulheres (idade em anos)

Soma 17 a 29 30 a 39 40 a 49 > 50 16 a 29 30 a 39 40 a 49 > 50

15 4,8 – – – 10,5 – – –

20 8,1 12,2 12,2 12,6 14,1 17,0 19,8 21,4

25 10,5 14,2 15,0 15,6 16,8 19,4 22,2 24,0

30 12,9 16,2 17,7 18,6 19,5 21,8 24,5 26,6

35 14,7 17,7 19,6 20,8 21,5 23,7 26,4 28,5

40 16,4 19,2 21,4 22,9 23,4 25,5 28,2 30,3

45 17,7 20,4 23,0 24,7 25,0 26,9 29,6 31,9

50 19,0 21,5 24,6 26,5 26,5 28,2 31,0 33,4

55 20,1 22,5 25,9 27,9 27,8 29,4 32,1 34,6

60 21,2 23,5 27,1 29,2 29,1 30,6 33,2 35,7

65 22,2 24,3 28,2 30,4 30,2 31,6 34,1 36,7

70 23,1 25,1 29,3 31,6 31,2 32,5 35,0 37,7

75 24,0 25,9 30,3 32,7 32,2 33,4 35,9 38,7

80 24,8 26,6 31,2 33,8 33,1 34,3 36,7 39,6

85 25,5 27,2 32,1 34,8 34,0 35,1 37,5 40,4

90 26,2 27,8 33,0 35,8 34,8 35,8 38,3 41,2

95 26,9 28,4 33,7 36,6 35,6 36,5 39,0 41,9

100 27,6 29,0 34,4 37,4 36,4 37,2 39,7 42,6

105 28,2 29,6 35,1 38,2 37,1 37,9 40,4 43,3

110 28,8 30,1 35,8 39,0 37,8 39,6 41,0 43,9

115 29,4 30,6 36,4 39,7 38,4 39,1 41,5 44,5

120 30,0 31,1 37,0 40,4 39,0 39,6 42,0 45,1


125 30,5 31,5 37,6 41,1 39,6 40,1 42,5 45,7

130 31,0 31,9 38,2 41,8 40,2 40,6 43,0 46,2

135 31,5 32,3 38,7 42,4 40,8 41,1 43,5 46,7

140 32,0 32,7 39,2 43,0 41,3 41,6 44,0 47,2

145 32,5 33,1 39,7 43,6 41,8 42,1 44,5 47,7

150 32,9 33,5 40,2 44,1 42,3 42,6 45,0 48,2

155 33,3 33,9 40,7 44,6 42,8 43,1 45,4 48,7

160 33,7 34,3 41,2 45,1 43,3 43,6 45,8 49,2

165 34,1 34,6 41,6 45,6 43,7 44,0 46,2 49,6

170 34,5 34,8 42,0 46,1 44,1 44,4 46,6 50,0

175 34,9 – – – – 44,8 47,0 50,4

180 35,3 – – – – 45,2 47,4 50,8

185 35,6 – – – – 45,6 47,8 51,2

190 35,9 – – – – 45,9 48,2 51,6

195 – – – – – 46,2 48,5 52,0

200 – – – – – 46,5 48,8 52,4

205 – – – – – – 49,1 52,7

210 – – – – – – 49,4 53,0

As equações generalizadas de Jackson e Pollock55, para o sexo masculino (Tabela 3.27) foram obtidas a partir de
amostra de 403 adultos voluntários entre 18 e 61 anos. Estes representaram amostra heterogênea quanto à estrutura, à
composição corporal e à prática de exercícios. Como medidas antropométricas foram mensuradas altura, peso, dobras
cutâneas (peitoral, axilar média, tríceps, subescapular, abdominal, suprailíaca e coxa) com um plicômetro Lange e
circunferência de cintura e antebraço. O resultante do trabalho de regressão foi a confecção de oito equações
generalizadas, sendo tanto modelo linear ou quadrático ou do logaritmo da soma de três e sete dobras cutâneas em
combinação com idade e circunferências corporais. Na Tabela 3.27 são apresentadas três das oito equações que já
foram validadas para a população brasileira e, portanto, aplicáveis para avaliação de desportistas1. Para a equação de
três dobras (peitoral, abdominal e coxa) mostrada na Tabela 3.27, a Tabela 3.30 traz os valores já calculados para
determinação do percentual de gordura a partir da soma e da idade do avaliado já calculadas.
TABELA 3.30 – Percentual de gordura corporal para homens determinado pela soma de três dobras cutâneas (peitoral, abdominal e da coxa)
Soma das dobras < 22 23 a 27 28 a 32 33 a 37 38 a 42 43 a 47 48 a 53 53 a 57 > 57
cutâneas anos anos anos anos anos anos anos anos anos

8 a 10 1,3 1,8 2,3 2,92 3,4 3,9 4,5 5,0 5,5

11 a 13 2,2 2,8 3,3 3,9 4,4 4,9 5,5 6,0 6,5

14 a 16 3,2 3,8 4,3 4,8 5,4 5,9 6,4 7,0 7,5

17 a 19 4,2 4,7 5,3 5,8 6,3 6,9 7,4 8,0 8,5

20 a 22 5,1 5,7 6,2 6,8 7,3 7,9 8,4 8,9 9,5

23 a 25 6,1 6,6 7,2 7,7 8,3 8,8 9,4 9,9 10,5

26 a 28 7,0 7,6 8,1 8,7 9,2 9,8 10,3 10,9 11,4


29 a 31 8,0 8,5 9,1 9,6 10,2 10,7 11,3 11,8 12,7

32 a 34 8,9 9,4 10,0 10,5 11,1 11,6 12,2 12,8 13,3

35 a 37 9,8 10,4 10,9 11,5 12,0 12,6 13,1 13,7 14,3

38 a 40 10,7 11,3 11,8 12,4 12,9 13,5 14,1 14,6 15,2

41 a 43 11,6 12,2 12,7 13,3 13,8 14,4 15,08 15,5 16,1

44 a 46 12,5 13,1 13,6 14,2 14,7 15,3 15,9 16,4 17,0

47 a 49 13,4 13,9 14,5 15,1 15,6 16,2 16,8 17,3 17,9

50 a 52 14,3 14,8 15,4 15,9 16,5 17,1 17,6 18,2 18,8

53 a 55 15,1 15,7 16,2 16,8 17,4 17,9 18,5 19,1 19,7

56 a 58 16,0 16,5 17,1 17,7 18,2 18,8 19,4 20,0 20,5

59 a 61 16,9 17,4 17,9 18,5 19,1 19,7 20,2 20,8 21,4

62 a 64 17,6 18,2 18,8 19,4 19,9 20,5 21,1 21,7 22,2

65 a 67 18,5 19,0 19,6 20,2 20,8 21,3 21,9 22,5 23,1

68 a 70 19,3 19,9 20,4 21,0 21,6 22,2 22,7 23,3 23,9

71 a 73 20,1 20,7 21,2 21,8 22,4 23,0 23,6 24,1 24,7

74 a 76 20,9 21,5 22,0 22,6 23,2 23,8 24,4 25,0 25,5

77 a 79 21,7 22,2 22,8 23,4 24,0 24,6 25,2 25,8 26,3

80 a 82 22,4 23,0 23,6 24,2 24,8 25,4 25,9 26,5 27,1

83 a 85 23,2 23,8 24,4 25,0 25,5 26,1 26,7 27,3 27,9

86 a 88 24,0 24,5 25,1 25,7 26,3 26,9 27,5 28,1 28,7

89 a 91 24,7 25,3 25,9 26,5 27,1 27,6 28,2 28,8 29,4

92 a 94 25,4 26,0 26,6 27,2 27,8 28,4 29,0 29,6 30,2

95 a 97 26,1 26,7 27,3 27,9 28,5 29,1 29,7 30,3 30,9

98 a 100 26,9 27,4 28,0 28,6 29,2 29,8 30,4 31,0 31,6

101 a 103 27,5 28,1 28,7 29,3 29,9 30,5 31,1 31,7 32,3

104 a 106 28,2 28,8 29,4 30,0 30,6 31,2 31,8 32,4 33,0

107 a 109 28,9 29,5 30,1 30,7 31,3 31,9 32,5 33,1 33,7

110 a 112 29,6 30,2 30,8 31,4 32,0 32,6 33,2 33,8 34,4

113 a 115 30,2 30,8 31,4 32,0 32,6 33,2 33,8 34,5 35,1

116 a 118 30,9 31,5 32,1 32,7 33,3 33,9 34,5 35,1 35,7

119 a 121 31,5 32,1 32,7 33,3 33,9 34,5 35,1 35,7 36,4

122 a 124 32,1 32,7 33,3 33,9 34,5 35,1 35,8 36,4 37,0

125 a 127 32,7 33,3 33,9 34,5 35,1 35,8 36,4 37,0 37,6

TABELA 3.31 – Equações propostas para conversão de densidade corporal em percentual de gordura
Idade Homens Mulheres

7a8 (538/D) – 497 (543/D) – 503

9 a 10 (530/D) – 489 (535/D) – 495

11 a 12 (523/D) – 481 (525/D) – 484

13 a 14 (507/D) – 464 (512/D) – 469

15 a 16 (503/D) – 459 (507/D) – 464

17 a 19 (498/D) – 453 (505/D) – 462

20 a 50 (495/D) – 450 (503/D) – 459

No caso das outras equações ainda há carência de pesquisa sobre sua aplicação em amostra brasileira.
As equações generalizadas de Jackson et al.56, para o sexo feminino (Tabela 3.28), foram obtidas a partir de amostra
de 331 mulheres (18 a 55 anos), heterogênea quanto ao peso, à altura, à composição corporal e ao nível de atividade
física. Como medidas antropométricas para construção das equações, foram estabelecidas as mesmas sete dobras
cutâneas das equações desenvolvidas pelos pesquisadores para homens (compasso Lange) e adicionalmente a
circunferência do quadril (CQ). Foram confeccionadas 18 equações que diferiram pela combinação entre número de
dobras (3 a 7) inclusão ou não da CQ. Na Tabela 3.28 são apresentadas as equações que já foram validadas para a
população feminina brasileira e que podem ser utilizadas na avaliação nutricional de mulheres praticantes de atividade
física.
Para obter o valor do percentual de gordura (%G), a partir das equações que determinam a densidade (D) (Tabelas
3.27 e 3.28), fórmulas de conversão são empregadas, sendo a de Siri57: %G = (495/DC) – 450; e de Brozek et al.58: %G
= (457/DC) – 412,2 as mais utilizadas. A diferença no %G no emprego de uma ou outra é pequena, na ordem de 0,88 a
1,1%; adicionalmente, Lohman, para melhorar a precisão dos resultados, propôs diferentes equações, corrigidas de
acordo com o sexo e a faixa etária dos indivíduos (Tabela 3.31).
A adequação do percentual de gordura pode ser avaliada pela Tabela 3.5.

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Anamnese e atendimento nutricional
Introdução
Etimologicamente, a palavra anamnese é originária do grego e tem como significado aná – recordar e mnesis –
memória, ou literalmente recordar de memória. Seu significado foi extensamente explorado na área da propedêutica
nutricional e/ou semiologia, como instrumentos de prognóstico e/ou diagnóstico por profissionais de saúde. Na prática
clínica, consiste, por parte do paciente, na rememoração de eventos pregressos relacionados à saúde; e por parte dos
profissionais de saúde, na identificação dos sintomas e sinais atuais, procurando investigar/entender, com a maior
precisão possível, o histórico dos sintomas e da doença que motivou a consulta ao especialista1,2.
A construção de anamnese apropriada, completa e não extensa auxilia, além de boa entrevista e coleta de dados, a
possibilidade de realização de cálculos e investigação de sintomas, diagnóstico nutricional e possíveis intervenções
futuras.
Os componentes da avaliação nutricional podem ser tão completos e complexos quanto se queira (Figura 4.1).

Figura 4.1 – Componentes da investigação nutricional, pertencente à anamnese.

Cada um dos componentes da Avaliação Nutricional direcionada aos indivíduos fisicamente ativos será brevemente
discutido, com finalidade de auxiliar na elaboração da montagem da ficha de atendimento nutricional para este público.
Fica a critério do nutricionista, dentro do objetivo, tempo e condições próprias do atendimento nutricional, elaborar um
roteiro de entrevista tão adequado/elaborado quanto se queira ou possa.
Histórico socioeconômico cultural
Este item auxilia, durante a entrevista, a conhecer e acrescentar dados sobre os possíveis fatores que podem ter
contribuído com a etiologia do problema clínico e/ou nutricional do cliente, ainda é instrumento de apoio para a
prescrição dietética (Figura 4.2).

Figura 4.2 – Histórico socioeconômico cultural. Modificado de Guimarães e Galante, 20091.

Avaliação do objetivo da prática e das barreiras para a atividade física


O retorno da consulta nutricional que englobe as expectativas do paciente/cliente é fundamental para que se estabeleça
e fortaleça o papel do nutricionista como agente orientador e educador das condutas nutricionais e suplementares
adequadas. A literatura registra, fartamente, que em academias e outros centros de prática esportiva pode haver
disseminação e reforço de padrões estéticos estereotipados (corpo magro, musculoso e pouco/muito volumoso) e
nutricionais não condizentes com a saúde mental e física dos seus frequentadores3,4. Uma das hipóteses para este fato
reside na ausência do nutricionista para transmissão e elucidação de conceitos nutricionais satisfatórios e adequados à
saúde e ao rendimento desta população5.
Na ficha de anamnese é fundamental acrescentar questões sobre o objetivo da consulta nutricional, incluindo aquelas
pertinentes à saúde, à estética, ao lazer entre outras. O cliente pode assinalar todas (objetivo global) ou uma apenas;
este procedimento já orienta o nutricionista quão específicas são as requisições do cliente e o grau de cobrança do
resultado nutricional (Figura 4.3).
Figura 4.3 – Avaliação dos objetivos e barreiras para atividade física9.

No quesito “estética” encontra-se o motivo mais assinalado para início da prática de exercícios em academias de
ginástica: redução da massa corporal. A obesidade é considerada pela OMS6 uma epidemia global e está fortemente
relacionada à inatividade física. Filardo e Leite7, em investigação sobre o perfil de indivíduos que iniciavam programas
de exercício físico em academias na cidade de Curitiba, questionaram seu público sobre seis principais motivos: (1)
reduzir peso e/ou emagrecimento: composto por maior carga de exercícios aeróbios; (2) aumento de massa muscular:
para pessoas com percentual de gordura próximo ao ideal; (3) tonificação geral: para praticantes que necessitavam
melhor condição de turgor muscular; (4) saúde: para casos de indicação médica e patológica; (5) condicionamento
físico generalizado: para recuperação de condição mínima objetivando prática de esportes no lazer; e (6) outros: para
praticantes com objetivos de esportes de rendimento, maior convívio social ou simplesmente lazer. Nos resultados
observou-se padrão gênero-etário relacionado aos objetivos; homens entre 20 e 30 anos buscavam aumento da massa
muscular (45,7%) e entre 30 e 40 anos redução da massa corporal (35%) aliado a outros objetivos (30%). Já as
mulheres entre 20 e 30 anos desejavam reduzir massa corporal (54,9%) e com mais de 30 anos desejavam ambos
(27/8%): reduzir massa corporal e melhorar a tonificação. Outro resultado bastante revelador é que embora tenha
ocorrido grande percentual de mulheres buscando a perda de massa corporal, esta não seria tão necessária quanto para
os homens, sendo este comportamento atrelado à mídia, impondo padrões estéticos femininos anoréxicos e
sugestionáveis principalmente entre as mulheres mais jovens. Porém, dependendo da prática de atividade escolhida, os
objetivos podem ser outros, como no caso em que 83% de praticantes de caratê shotokan assinalaram para objetivo de
prática “saúde”, enfatizando a melhora da disciplina e da concentração8.
Tão importante quanto avaliar os objetivos para início da prática de atividade física ou os fatores determinantes
positivos (fatores facilitadores) é avaliar os que, pelo contrário, atrapalham ou dificultam a regularidade, a intensidade
e o tipo de atividade executada: as denominadas barreiras. Essas são definidas como motivos, razões declaradas pelos
indivíduos e representam fator negativo no processo de tomada de decisão para prática de atividade física9. Martins e
Petroski9 elaboraram um instrumento de avaliação das barreiras autopreenchível (entre 2 e 4 minutos) que se relaciona
ao comportamento humano e à autopercepção dos elementos negativos relacionados à aderência à pratica de atividade
física.

Histórico familiar
O objetivo é investigar sobre as doenças crônicas ou genéticas de origem familiar, lembrando que no Brasil se
considera família o grupo ligado por laços de parentesco ou afinidade, que formam um grupo doméstico que vive sob o
mesmo teto e se mantém pela contribuição de seus membros (Figura 4.4)1.

Figura 4.4 – Histórico familiar.

Histórico clínico
A avaliação do histórico clínico visa obter dados relacionados ao estado de saúde do paciente/cliente, com objetivo de
adequar as intervenções nutricionais para promoção ou mesmo tratamento clínico e/ou dietoterápico se já presente
algum comprometimento de saúde10. É importante destacar que muitas doenças crônicas degenerativas não
transmissíveis possuem orientação para prática de atividade física como tratamento adjuvante, como exemplo no
tratamento/prevenção: osteopenia e osteoporose11; obesidade12, entre outras. Os principais questionamentos referentes à
avaliação clínica do desportista são (Figura 4.5)1:
• História familiar de doenças crônicas não transmissíveis (p. ex., diabetes, doenças cardiovasculares, câncer, hipertensão
arterial, obesidade, hipotiroidismo etc.);
• História de doença pregressa;
• História de doença atual;
• Sintomatologia e tratamentos (pregressos e atuais);
• Uso de fármacos;
• Revisão dos sistemas corporais: neurológico, visual, auditivo, digestório, respiratório, pulmonar, reprodutor, locomotor
etc.
• Outros importantes (problemas ortopédicos, ginecológicos etc.)

Figura 4.5 – Histórico clínico. Modificado de Guimarães e Galante, 20091.


Histórico dietético
As técnicas de avaliação e monitoração da ingestão alimentar de indivíduos fisicamente ativos ou mesmo atletas
podem ser classificadas em: retrospectivas ou prospectivas (Quadro 4.1).

QUADRO 4.1 – Classificação das técnicas de avaliação da ingestão alimentar de indivíduos fisicamente ativos

• Retrospectivas
– Avaliam e monitoram o comportamento passado, que pode ser imediato ou remoto, porém, como principais limitações, apresentam a
dependência da memória do avaliado, seu discernimento e alto grau de cooperação. Quando aplicados em desportistas/atletas muitas
vezes exibem tanto problemas relacionados aos subrelatos, por receio de revelar hábitos alimentares inadequados ao rendimento e à
saúde, como superestimativas do consumo com finalidade de manipular a avaliação ou impressionar o avaliador (nutricionista,
pesquisador)

• Prospectivas
– Abrangem o comportamento atual e em vigência. No caso de desportistas/atletas, o principal problema é alteração do padrão alimentar em
decorrência dos dias de avaliação, sendo essa interferência relacionada ao número de dias de registros. Adicionalmente, algumas
informações devem ser incluídas, como local de moradia, responsável pelo preparo de alimentos/refeições, frequência de viagens,
possibilidades de alimentação mediante cronograma de treinamento, suplementos consumidos, rotina de treino, estudo, trabalho, entre
outros

Os métodos retrospectivos e prospectivos diferem por suas limitações e aplicações em diferentes situações e populações. Na
Tabela 4.1 são relacionadas as diferentes categorias e métodos, além de suas vantagens e desvantagens.
TABELA 4.1 – Visão geral dos métodos de avaliação do consumo alimentar aplicáveis em desportista e atletas 13
Métodos Descrição da técnica Vantagens Limitações Observações
Restrospectivos

Recordatório Consiste em definir e quantificar todos • Rápida aplicação e baixo • Depende da memória e da habilidade do • Pode ser realizado por telefone
dietético ou os alimentos e as bebidas ingeridas custo entrevistador • Deve incluir ingestão de líquidos e bebidas
recordatório de em período anterior à entrevista, • Não altera padrão de ingestão • Um registro apenas não estima ingestão habitual • Sensível às diferenças culturais e útil se for
24 h (R24h) que pode estar dentro das 24 h do indivíduo • Difícil em estimar o tamanho das porções desejável conhecer ingestão média
precedentes, ou mais comumente o • Se sucessivo pode estimar a • É necessário em algumas ocasiões questionar a • Melhor precisão se a porção é quantificada
dia anterior ingestão habitual forma de preparo
• Qualquer faixa etária e em • Bebidas e lanches tende a ser omitidos
analfabetos
• Crianças a partir de 12 anos
podem responder sozinhas
com precisão

História alimentar Consiste em extensa entrevista com • Elimina variações diárias • Requer nutricionista treinado Inclui informações sobre:
objetivo de investigar o hábito • Considera variações sazonais • Depende da memória do entrevistado • Número de refeições
alimentar tanto atual como passado • Descreve ingestão habitual • Longo tempo de administração (1 a 2 h) • Apetite
quali e quantitativamente • Alto custo • Preferências/aversões alimentares
• Não altera padrão de ingestão • Demanda tempo na análise e requer outros • Consumo de suplementos etc.
do indivíduo recursos (tabelas, medidas caseira, álbuns
etc.)

Questionário de Composto de dois componentes, uma • Aplicável em estudos • Depende da memória dos hábitos alimentares de Utilizado para detectar, quantificar ou classificar
frequência lista de alimento e uma relação de epidemiológicos passado recente e remoto nutrientes específicos ou alimentos ingeridos
alimentar (QFA) frequência de consumo deles, o qual • Pode ser autopreenchido ou • Dificuldade para quantificar as porções e o peso de um grupo ou indivíduo
o entrevistado é requisitado a não dos alimentos Utilizado para comparar e checar dados obtidos de
responder • Pode ser quali ou quantitativo • Específico para a população avaliada e necessita outros métodos

• Estima ingestão habitual prévia validação

• Rápido e simples de • Desenho do instrumento requer tempo e estudo


administrar • Limitação para emprego em analfabetos e idosos
• Não altera padrão de ingestão • Complexo para o entrevistador, dependendo da
do indivíduo lista de alimentos
• Baixo custo
• Classifica por categorias de
consumo
• Minimiza variação intrapessoal
ao longo dos dias
Prospectivos

Registro alimentar Quantidades de alimento, bebidas e • Elevada acurácia • Ingestão usual pode ser alterada tanto quanto Pode ser aplicado em 3, 5 ou 7 dias
estimado sobras são estimadas por meio de • Bem aceito para coletar maior o número de dias Se o indivíduo for instruído a anotar o alimento
medidas caseiras, álbum de fotos ingestão de grupo de • Dispendioso e requer tempo logo após o consumo, melhora a qualidade do
com porções, modelo de alimentos pessoas • Alto grau de cooperação do avaliado dado
entre outros recursos • Não depende de memória • Menos preciso que o registro por peso

Registro alimentar Alimentos, bebidas e sobras são • Mais preciso que o registro • Alto grau de cooperação e treinamento dos Usado para avaliar e validar outros métodos
por peso pesados em balanças analíticas estimado participantes
para posterior quantificação • Referenciado como método • Pode alterar o hábito alimentar do indivíduo
“padrão-ouro” • Custo elevado (balanças, calibração e
manutenção)

Registro alimentar Realizados por meio de fotos ou • Boa qualidade • Alto custo (câmeras fotográficas, filmadoras etc.) O próprio indivíduo pode realizar o registro para
por métodos filmagem de alimentos e sobras • Menor tempo • Necessita apoio técnico posterior quantificação
visuais • Bom para instituições • Requer treinamento do entrevistado na Pode ser aplicado em refeitórios, centros de
• Menor grau de cooperação e interpretação das imagens pesquisa, etc.

participação do avaliado • Não distingue preparações light/diet


• Pode ser aplicado aos • Não recomendável para estudos com grande
analfabetos número de participantes
• O indivíduo não é • Sujeito aos problemas técnicos (baixa qualidade
constrangido, pois de imagem, ângulo da câmera etc.)
desconhece se avaliado

Análise da duplicata Coleta de porções idênticas dos • Alta precisão • Custo elevado Permite pela análise química dos alimentos por ser
das porções alimentos consumidos pelo avaliado • Dispensa dados de base dos • Ingestão usual pode ser alterada método independente e livre dos erros
em determinado período de tempo alimentos (tabelas de • Requer tempo possíveis pela quantificação de tabelas de
composição centesimal) • Alto grau de cooperação do entrevistado composição dos alimentos

• Aplicação em estudos • Pode restringir a escolha dos alimentos


metabólicos • Difícil aplicação rotineira
• Emprega análise química dos
alimentos
• Não necessita validação
• Bom para avaliar consumo
individual

Registro alimentar Quantidades de alimento, bebidas e • Elevada acurácia • Ingestão usual pode ser alterada tanto quanto Pode ser aplicado em 3, 5 ou 7 dias
estimado sobras são estimadas por meio de • Bem aceito para coletar maior o número de dias
medidas caseiras, álbum de fotos ingestão de grupo de • Dispendioso e requer tempo
com porções, modelo de alimentos pessoas • Alto grau de cooperação do avaliado
entre outros recursos • Não depende de memória • Menos preciso que o registro por peso

Como aspecto global, as principais fontes de erro na aplicação dos métodos de avaliação do consumo alimentar podem residir no avaliado e/ou no avaliador. É
importante conhecê-las para durante sua aplicação buscar melhorar as informações nutricionais obtidas (Quadro 4.2)13.
QUADRO 4.2 – Fontes de erro dos métodos de consumo alimentar

• Por parte do avaliado (desportista)


– Omissão no uso de suplementos (principalmente líquidos e géis)
– Incompreensão quanto ao que está sendo questionado
– Erro na estimativa do tamanho da porção
– Sub ou superestimação do consumo
– Omissão no consumo de lanches
– Grau de escolaridade
– Falha de memória

• Por parte do avaliador (nutricionista)


– Desconhecimento da rotina do desportista, o que exige pesquisa prévia por parte do entrevistador
– Inclusão de alimentos que estejam associados aos hábitos no esporte, como ingestão de bebida alcoólica (p. ex., cerveja no futebol)
– Ambiente de entrevista com elementos dispersivos (distração)
– Erro na conversão das medidas caseiras
– Descrição incompleta do alimento
– Registro incorreto da resposta
– Empatia pelo entrevistado
– Omissão intencional
Na Figura 4.6 há um exemplo de histórico dietético.

Figura 4.6 – Histórico dietético. Modificado de Guimarães e Galante, 20091.

Avaliação antropométrica
É discutida em detalhes no Capítulo Antropometria. Aqui, para exemplificar será incluída uma ficha empregada em
trabalhos científicos para coleta de dados desde 199914 e que tem como objetivo caracterizar o perfil antropométrico
de indivíduos fisicamente ativos e/ou atletas. Nas academias de ginástica, a avaliação antropométrica, independente
de ser ou não um serviço terceirizado, deve ter acompanhamento e registro próprio do nutricionista, uma vez que faz
parte efetiva da anamnese e influi no acompanhamento nutricional do cliente (Figura 4.7).
Figura 4.7 – Avaliação antropométrica. Modificado de Rossi et al., 199914.

Avaliação psicossocial
Segundo di Candia15, o final da etapa da avaliação nutricional consiste em considerar a relação dos fatores
psicossociais e hábitos alimentares, e o estilo de vida (Tabela 4.2) dos praticantes de atividade física e atletas.
TABELA 4.2 – Dimensões e fatores psicossociais em desportistas e atletas 15
Dimensões Fatores

Influências sociais • Membros da família


• Amigos
• Demais desportistas da academia
• Educador físico/treinador
• Mídia
• Forma de suporte e conflitos
• Função de moldar, tornar perfeito

Autoconcepção • Imagem corporal


• Autoeficiência
• Autoconfidência
• Medo de falhar e competir
• Perda de controle

Metas • Aspirações realistas


• Prioridade/importância
• Ansiedade da competição/provas

Atitudes e filosofia de vida • Estabilidade e instabilidade


• Aspirações
• Tendência a ser conduzido ou apresentar ideias próprias
• Padrão de estresse/satisfação da vida

Em relação à autoconcepção é documentado que muitas vezes o início da prática de atividade física é motivado
pela insatisfação com o próprio corpo ou a imagem corporal16. A imagem corporal é definida como a imagem que
temos em nossas mentes do tamanho, do contorno e da forma de nossos corpos, bem como nossos sentimentos com
relação a tais características e às suas partes constituintes. Assim, particularmente na anamnese nutricional pode-se
avaliar a insatisfação com a imagem corporal ou a discrepância entre o corpo ideal e o percebido (Figura 4.8)17.

Figura 4.8 – Avaliação psicossocial. Modificado de Schomer e Kachani, 201017.


Exames laboratoriais
A solicitação e o acompanhamento de exames laboratoriais devem ser práticas rotineiras do nutricionista e são
fundamentais para adequar a prescrição dietética à sua evolução esperada. Tal conduta possui respaldo da Resolução
do Conselho Federal de Nutricionistas (n. 206/2003), que dispõe sobre a solicitação de exames laboratoriais
(Tabela 4.3): “considerando que a Dietética e a Dietoterapia, ramos da ciência da Nutrição, cujo objetivo é preservar,
promover e recuperar a saúde através da aplicação de métodos e técnicas próprios, integram o currículo específico da
formação do nutricionista; e considerando que a atuação do nutricionista na área de Nutrição Clínica abrange o
atendimento ao cliente-paciente na internação, ambulatório, consultório e domicílio RESOLVE:
Art. 1o – Compete ao nutricionista a solicitação de exames laboratoriais necessários à avaliação, à prescrição e à
evolução nutricional do cliente-paciente.
Art. 2o – O nutricionista, ao solicitar exames laboratoriais, deve avaliar adequadamente os critérios técnicos e
científicos de sua conduta, estando ciente de sua responsabilidade frente aos questionamentos técnicos decorrentes.
Parágrafo único. No contexto da responsabilidade o nutricionista deverá:
I – considerar o cliente-paciente globalmente, respeitando suas condições clínicas, individuais, socioeconômicas e
religiosas, desenvolvendo a assistência integrada junto à equipe multiprofissional;
II – considerar diagnósticos, laudos e pareceres dos demais membros da equipe multiprofissional, definindo com
estes, sempre que pertinente, outros exames laboratoriais;
III – atuar considerando o cliente-paciente globalmente, desenvolvendo a assistência integrada à equipe
multidisciplinar;
IV – respeitar os princípios da bioética;
V – solicitar exames laboratoriais cujos métodos e técnicas tenham sido aprovados cientificamente.”

TABELA 4.3 – Principais exames relacionados ao diagnóstico nutricional e aos valores de referência19
Exame Faixa etária Valores de referência

Série vermelha

Eritrócitos (milhões/mm3) > 16 anos M: 4,3 a 5,7


F: 3,9 a 5

Hemoglobina (g/dl) > 16 anos M: 13,5 a 17,5


F: 12 a 15,5

Hematócrito (ml de eritrócitos/dl) > 16 anos M: 39 a 50


F: 35 a 45

Volume corpuscular médio (fl) > 16 anos M: 81 a 95


F: 82 a 98

Hemoglobina corpuscular média (pg) > 16 anos M: 26 a 34


F: 26 a 34

Concentração da hemoglobina corpuscular média (g/dl) > 16 anos M: 31 a 36


F: 31 a 36

Volume de células dentro da população de eritrócitos (RDW%) > 16 anos M: 11,8 a 15,6
F: 11,9 a 15,5
Série branca

Leucócitos totais (mm3) 4.500 a 13.000

Neutrófilos (%) 40 a 69

Eosinófilos (%) 0a5

Basófilos (%) 0a1

Linfócitos (%) 25 a 45

Monócitos (%) 2 a 10

Plaquetas (mm3) Adultos 150.000 a 450.000

Proteína total (g/dl) 6,4 a 8,3

Albumina (g/dl) Adultos > 3,5

Pré-albumina (mg/dl) 19 a 38

Transferrina (mg/dl) Adulto 250 a 425

Proteína transportadora de retinol (mg/l) Soro: 30 a 60


Urina: 0,4

Lipídios

Triglicérides (mg/dl) > 20 anos < 150

Colesterol total (mg/dl) > 20 anos < 200

HDL (mg/dl) > 20 anos H: ≥ 45


M: ≥ 50

LDL (mg/dl) > 20 anos < 100

Lipoproteína (a) (mg/dl) < 30

Homocisteína (μmol/l) Plasma: 5 a 14


Soro: 5,5 a 17

Proteína C-reativa de alta sensibilidade (mg/dl) < 0,11

Glicemia de jejum (mg/dl) Adultos 70 a 99

Insulina (μUI/ml) Adultos 2,5 a 25

Peptídio C (pg/l) Adultos 510 a 2.700

Hemoglobina glicada (%) Adultos Total: 4,8 a 7,8


HbA1: até 7

Tiroxina total (μg/dl) Adultos T4Total: 4,5 a 12

Tiroxina livre (ng/dl) Adultos T4Livre: 0,7 a 1,5

Triidotironina (ng/dl) Adultos 20 a 50 anos: 70 a 200


> 50 anos: 40 a 180

Globulina ligadora de tiroxina (mg/dl) Adultos 10 a 29

Hormônio tireoestimulante (U/l) Adultos <1

Ureia urinária (mg/dl) Adultos 15 a 40

Creatinina urinária (mg/dl) Adultos H: 0,8 a 1,2


M: 0,6 a 1

Sódio (mEq/l) Adultos 135 a 145


Cálcio total (mg/dl) Adultos 8,4 a 10,2

Cálcio ionizável (mmol/l) > 18 anos 1,15 a 1,32

Potássio sérico (mEq/l) Adultos 3,6 a 5

Fósforo sérico (mg/dl) Adulto H: 2,4 a 4,6


M: 3,8 a 5,9

Magnésio sérico (mg/dl) Adulto 1,9 a 2,5

Ácido úrico (mg/dl) Adulto M: 2,4 a 6


H: 3,4 a 7

Urina

Fósforo (mg/24 h) Adulto 1.300

Magnésio (mg/dia) Adulto 70 a 120

Ácido úrico Adulto 0,25 a 0,75

Oxalato (mg/24 h) Adulto H: 17 a 43


M: 24 a 47

Citrato (mg/24 h) Adulto 400 a 1.000

Proteínas (g/l) Adultos < 0,05

Alanina aminotransferase (U/l) Adultos H: 10 a 40


M: 7 a 35

Aspartato aminotransferase (U/l) Adultos H: 14 a 20


M: 10 a 36

Gama glutramina transferase (U/l) Adultos H: 7 a 47


M: 5 a 25

Bilirrubina (mg/dl) Adultos Total: 0,3 a 1


Direta: 0 a 0,2

Ferro (μg/dl) Adultos H: 65 a 170


M: 50 a 170

Capacidade total de ligação do ferro (μg/dl) Adultos H: 250 a 450


M: 250 a 450

Transferrina (mg/dl) Adultos H: 250 a 452


M: 250 a 452

Saturação de transferrina (%) Adultos H: 10 a 50%


M: 15 a 50%

Vitamina B12 (pmol/ml) Adultos 280 a 835

Ácido fólico ou folato (nmol/ml) Adultos 2 a 20

Avaliação de consumo de alimentos com capacidade antioxidante total


Em um trabalho original, que pode servir de base para levantamento do consumo de alimentos com alta capacidade
antioxidante total (CAT), Barroso et al.20 empregaram um questionário de frequência alimentar (QFA) em praticantes
de ciclismo indoor, em uma academia de ginástica de São Paulo. Esse questionário foi modificado de uma lista de
alimentos classificados conforme CAT21 que continha originalmente cerca de 150 alimentos e para retratar os hábitos
alimentares brasileiros foram escolhidos 40 alimentos com maior CAT. Aqueles alimentos que não faziam parte dos
hábitos alimentares ou que eram consumidos em baixíssima quantidade foram substituídos por aqueles com melhor
adequação. Após essa seleção, o QFA chegou ao número de 38 alimentos entre cereais, leguminosas, oleaginosas,
frutas, verduras, legumes, doces e condimentos. O maior percentual de consumo dos alimentos com maior CAT pelos
ciclistas está na Figura 4.9 e a frequência de consumo desses alimentos está na Figura 4.10.

Figura 4.9 – Consumo de alguns alimentos antioxidantes por ciclistas em academias de ginástica.

Figura 4.10 – Percentual de frequência de consumo de alimentos fontes de antioxidantes por ciclistas em academia de ginástica.
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19. Bricarello LP, Rezende LTT, Basso R, Costa Jr VL. Interpretação de exames laboratoriais. In: Rossi L, Caruso L,
Galante AP. Avaliação nutricional: novas perspectivas. São Paulo: Roca. Cap. 7; p. 111-38.
20. Barroso LH, Alves PP, Arruda MMP, Rossi L. Consumo de alimentos antioxidantes em praticantes de
ciclismo indoor. Rev Nutrição em Pauta. 2010;102(1):41-4.
21. Pellegrini N, Salvatore S, Valtuena S, Bedogni G, Porrini M, Pala V et al. Development and validation of a food
frequency questionnaire for the assessment of dietary total antioxidant capacity. J Nutr. 2007;137:93-8.
Hidratação e reidratação

Introdução
Água e eletrólitos
A água é o componente mais importante e singular do organismo humano, não só por representar de 45 a 75% do
peso corporal (Figura 5.1), mas também pelas suas propriedades fundamentais que incluem1:

• Ser solvente universal;


• Participar ativamente das reações bioquímicas;
• Proporcionar estrutura às células por meio do turgor;
• Estabilizar e servir como meio de controle da temperatura corporal humana;
• Não fornecer energia e ser elemento vital aos seres humanos.

Figura 5.1 – Participação da água na massa corporal total de um indivíduo, assim como de outros componentes ao longo das fases da vida.

A água corporal total (70% peso corporal) pode estar distribuída no organismo dentro ou fora do espaço celular,
recebendo a denominação de líquido intracelular (LIC: 50% peso corporal) fundamental para a ocorrência das
reações bioquímicas; fluidez das membranas e com sérias implicações à saúde; e líquido extracelular (LEC: 20%
peso corporal), importante para a comunicação intra e entre células destas com os sistemas orgânicos e ambiente
externo; suprimento de substâncias nutritivas e resultantes das reações celulares para o exterior; equilíbrio ácido-base,
temperatura corporal entre outras funções2. Ainda, este último compartimento (LEC) pode ser subdividido em
(Figura 5.2):

• Líquido intersticial ou entre as células (LIT ~ 13,5%): importante para comunicação, nutrição e excreção das
células;
• Líquido intravascular (LIV ~ 4,5%): participa da composição do sangue e é o meio pelo qual há transporte de
gases, alimentos e produtos finais do metabolismo celular;
• Líquido transcelular (LTC ~ 2%), como liquor, líquido sinovial, das serosas, urina, sucos pancreático, bile etc.:
lubrifica tecidos e articulações proporcionando redução de atritos nos movimentos, fundamental no
processo digestório, respiratório e excretor. Os líquidos transcelulares estão em contínuo movimento de um
compartimento para outro no organismo.

Figura 5.2 – Distribuição da água corporal total no organismo3. LEC = líquido extracelular; LIC = líquido intracelular; LIT = líquido intersticial;
LIV = líquido intravascular; wLTC = líquido transcelular.

Balanço hídrico diário


A água como elemento essencial do organismo precisa ser continuamente reposta, em razão de suas perdas diárias
(Tabela 5.1). As principais fontes de fornecimento são:

• Líquidos (1.200 ml): aquela absorvida pelo intestino proveniente da ingestão de líquidos;
• Alimentos (750 ml) (Figura 5.3): aquela proveniente do alimento e que varia segundo o tipo de alimento e grupo
alimentar (Figura 5.3). Em dieta equilibrada chega a representar cerca de 700 ml;
• Oxidação metabólica (250 ml): proveniente da oxidação dos substratos energéticos durante o metabolismo. É
dependente do próprio substrato; no caso 1 g de proteína produz 1,07 g de água metabólica; carboidrato cerca de 0,6 g e
lipídeos 1,07 g; em dieta equilibrada chega a representar até 300 ml.

TABELA 5.1 – Balanço hídrico diário do organismo


Ingestão ml % Excreção ml %

Líquidos 1.500 60 Urina 1.500 60

Alimentos sólidos 750 30 Fezes 125 5

Produção metabólica de água 250 10 Suor 125 5


Perda insensível por vaporização por pulmões e pele 750 30

Total 2.500 100 2.500 100


Figura 5.3 – Conteúdo de água de alguns alimentos. NHANES = National Health and Nutrition Examination Surveys. Adaptada de Biessaleri e
Grim4.

Entretanto, o organismo possui perdas diárias por intermédio, principalmente dos seguintes meios:

• Urina (1.500 ml);


• Respiração através do ar dos pulmões (400 ml);
• Perspiração e sudorese de pele (400 ml);
• Fezes (200 ml).

O balanço hídrico diário consiste em equilibrar adequadamente os ingressos e os egressos hídricos, a fim de manter
a homeostasia orgânica (Tabela 5.2).

TABELA 5.2 – Perda diária de água6 (ml)


Temperatura normal Ambiente quente Exercício intenso e prolongado

Perda sensível

Pele 350 350 350

Vias respiratórias 350 250 650

Urina 1.400 1.200 500

Suor 100 1.400 5.000

Fezes 100 100 100

Total 2.300 3.300 6.600

Regulação da temperatura
Como enunciado pela primeira lei da termodinâmica, a energia não pode ser criada ou destruída, mas apenas
transformada. A eficiência mecânica do organismo humano é baixa; assim, na prática de atividade física a energia
química, proveniente da oxidação dos macronutrientes energéticos (carboidrato, proteína e gordura), é transformada
em 30% de energia mecânica (contração muscular) e cerca de 70% em calor (energia térmica) liberada pelos
músculos. O calor produzido pela contração muscular é transferido para regiões centrais do corpo, contribuindo para
o processo de aumento da temperatura corporal (hipertermia); esta energia térmica necessita ser dissipada pela pele
por meio da evaporação do suor. Os demais mecanismos de dissipação do calor, como condução, irradiação e
convecção, possuem menor eficiência no resfriamento da temperatura corporal. Em condições ambientais
apropriadas, a evaporação do suor libera a energia térmica para o meio ambiente, regulando a temperatura central5.
A temperatura corporal está em constante balanço mantido pela integração de mecanismos que alteram a
transferência de calor da região central para a periferia do corpo. A temperatura na região periférica pode variar de
acordo com a do ambiente, mas a central deve-se manter em 37 ± 1°C. Se o ganho de calor ultrapassa sua perda,
processo comum durante a prática de atividades vigorosas em ambiente quente, a temperatura central se eleva e o
calor produzido é conduzido pela circulação sanguínea e, então, transferido para a pele, a fim de ser dissipado para o
ambiente; por outro lado, em ambiente frio, a perda de calor é maior que a sua produção, fazendo com que a
temperatura corporal central diminua3.

Saiba Mais!
Deve-se observar que há diversas maneiras pelas quais o organismo absorve e dissipa o calor metabólico gerado pela contração
muscular, sendo as principais (Figura 5.4):

• Radiação: é a emissão contínua de ondas eletromagnéticas. Essa forma de transferência de calor não requer contato molecular
entre os objetos, por exemplo, o Sol aquecendo a Terra. Uma pessoa pode permanecer aquecida absorvendo energia térmica
radiante proveniente da luz solar direta ou por reflexão a partir de neve, areia, água etc. O corpo absorve energia térmica radiante a
partir das adjacências quando a temperatura de um objeto ultrapassa a temperatura da pele, fazendo com que o esfriamento
evaporativo seja o único meio para a perda de calor. Um problema a ser questionado é a localização do Brasil em região de clima
equatorial, o que coloca em risco permanente de ganho de energia a partir dessa transferência de calor

• Condução: envolve a transferência direta de calor de uma molécula para outra através de um líquido, sólido ou gás. A perda de calor
por condução envolve, portanto, o aquecimento das moléculas de ar e das superfícies mais frias que entram em contato com a
pele. O ritmo da perda de calor por condução depende do gradiente de temperatura entre a pele e as superfícies circundantes e
suas qualidades térmicas. Ao ficar deitado sobre uma rocha protegida do sol facilita-se a ocorrência da perda de algum calor
corporal por condutância entre a superfície fria da rocha e a superfície mais quente do indivíduo
Figura 5.4 – Produção de calor dentro do músculo e sua transferência das regiões centrais para a pele.

• Convecção: a eficácia da perda de calor por condução depende da rapidez com que o ar (ou água) adjacente ao corpo é permutado
após ter sido aquecido. Se o movimento do ar ou a convecção prossegue lentamente, o ar próximo da pele se aquece e age como
uma “zona de isolamento” que minimiza qualquer perda adicional de calor por condução. Inversamente, se o ar mais frio substitui
continuamente o ar mais quente ao redor do corpo em um dia com muito vento, em um quarto com ventilador ou durante uma
corrida, a perda de calor aumenta porque a convecção substitui continuamente a zona de isolamento. A convecção exerce também
um efeito importante sobre o equilíbrio térmico na água, pois o corpo perde calor mais rápido ao nadar que ao permanecer imóvel
• Evaporação: cada litro de água vaporizada libera 580 kcal do corpo, que serão transferidas para o meio ambiente. Além da
evaporação do suor, cerca de 350 ml de transpiração insensível se infiltram diariamente através da pele e são evaporadas para o
meio ambiente e 300 ml a partir das mucosas úmidas das vias respiratórias

Com a exposição do indivíduo ao estresse térmico durante o exercício, diversas situações podem ocorrer, incluindo
elevação da temperatura cutânea, vasodilatação e aumento da transpiração. Em geral, essas ocorrências facilitam a
transferência efetiva de calor para o ambiente, o que minimiza a elevação da temperatura central do corpo, processo
este denominado termorregulação. Esta ainda é afetada por nível de atividade, estado de aclimatização e relativa
intensidade de trabalho, mas quando realizado em condições extremas, o exercício prolongado pode resultar em
grandes distúrbios térmicos. A capacidade de troca de calor do organismo com o ambiente depende diretamente de
quatro mecanismos específicos: condução, radiação, evaporação e convecção3,7.
Nas atividades atléticas e competitivas, a carga total da energia térmica é relacionada à intensidade do exercício8.
Assim, em exercícios de alta intensidade podem ocorrer problemas relacionados à termorregulação ineficiente, pois
há alta demanda de fluxo sanguíneo para o músculo, a fim de fornecer oxigênio, nutrientes e retirar metabólitos, mas,
concomitantemente, há a necessidade de aumento do fluxo sanguíneo para a pele para promover a dissipação de
calor, sobretudo, pela evaporação. Há, nessas circunstâncias, insuficiente produção cardíaca para ambas as demandas,
porém com prejuízo para o fluxo epitelial, acarretando elevação na produção de calor e rápido aumento da
temperatura corporal9. Dessa forma, em altas intensidades de exercícios, o fluxo sanguíneo pode ser reduzido, com
grande fração da circulação cardíaca sendo direcionada para a musculatura em contração, e, portanto, reduzir a
dissipação do calor. Combinando a esse quadro ocorre a desidratação, que pode representar impacto negativo da
saúde e do rendimento do desportista ou atleta10.

Desidratação durante atividade física


A desidratação pode ter diversas definições como:

• Perda de líquido por todos os compartimentos do corpo;


• Situação clínica proveniente de redução considerável de água no organismo ou por depleção hídrica excessiva e não
compensada;
• Dispêndio do LEC a ponto de gerar desequilíbrio dos teores de água no organismo.

Sua etiologia pode ser decorrente de:

• Excesso de perda de água pelos rins;


• Vômito;
• Inviabilidade de deglutição de líquidos provocada por estado comatoso;
• Estenoses agudas no esôfago;
• Fístulas digestivas;
• Diarreia;
• Produção de suor;
• Inadequada ingestão de líquidos.
No entanto, os dois últimos itens estão relacionados à desidratação durante atividade física. Ou seja, em academias,
os indivíduos podem ter desidratação em consequência do aumento da sudorese para propiciar adequada
termorregulação e/ou por não possuírem bom hábito de hidratação; em muitos casos há sinergismo destes fatores.

Estados e processos relacionados à hidratação


ACT, por ser um nutriente vital nos seres humanos, é estreitamente regulada dentro de variação ± 0,22% a 0,48% ao
dia da massa corporal em clima temperado e quente, respectivamente7. Assim, três estados hídricos podem ser
alcançados por um indivíduo ao longo do período de tempo compreendido desde horas a dias são: hiper-
hidratação, euidratação e hipo-hidratação (Figura 5.5)11. O termo euidratação é utilizado como sinônimo de conteúdo
normal de ACT12, representando, em humanos, 60% da massa corporal (com variação de 47 a 75%) e cuja oscilação
diária em indivíduos saudáveis está entre13 ± 0,2 e 0,5%, ou seja, não é um estado estático, mas dinâmico, no qual há
continuamente perda do conteúdo hídrico que deve ser balanceada ao longo do dia com reposição hídrica14. A partir
deste conceito (euidratação), os estados de hiper-hidratação e hipo-hidratação são derivados, respectivamente, como
excesso ou déficit hídrico em relação à média de variação normal. Já os termos desidratação, retro-hidratação, sobre-
hidratação e reidratação referem aos processos pelos quais transitam os diferentes estados de hidratação15. Embora
não haja consenso, a desidratação pode ser definida como a perda hídrica corporal por urina, suor, fezes ou
perspiração insensível (pulmão e pele) não compensada que reduz a ACT abaixo dos valores de variação normal12. É
uma condição clínica que independente da sua etiologia e deve ser corrigida por meio da reidratação, ou processo de
restabelecimento do estado euidratado, com risco agudo e crônico para o organismo16.

Figura 5.5 – Estados e processos relacionados à hidratação. Modificado de Casa11. Desidratação: perda hídrica ocasionando estado de hipo-
hidratação; euidratação: condição de equilíbrio de água corporal normal; hiper-hidratação: condição de taxa constante de aumento hídrico
corporal; hipo-hidratação: condição de taxa constante de redução hídrica corporal; reidratação: acréscimo hídrico a partir do estado de hipo-
hidratação seguindo ao encontro da euidratação; retro-hidratação: perda hídrica a partir de um estado de hiper-hidratação conduzindo à
euidratação; sobre-hidratação: ingestão de líquidos que excede a euidratação, conduzindo à hiper-hidratação.

Necessidade de líquidos e eletrólitos


Para se discutir as modificações da ingestão hídrica total de um indivíduo fisicamente ativo é preciso analisar a
recomendação de ingestão adequada (AI, adequate intake) de água total. O Instituto de Medicina17 estabeleceu, com
base na população americana e residente em clima temperado, a AI para adultos na faixa etária compreendida entre
19 e 50 anos do sexo feminino de 2,7 l e masculino de 3,7 l. Se estes valores são suficientes para população brasileira
residente em país de clima predominantemente tropical ainda carece de confirmação. Entretanto, esses valores podem
servir como base de recomendação para futuros direcionamento mais específicos.
Saiba Mais!
O Instituto de Medicina17 publicou a recomendação de ingestão hídrica adequada (Tabela 5.3), ressaltando que a ingestão hídrica
abaixo dos valores estabelecidos não necessariamente implica inadequação. Todas as fontes de água podem contribuir para a
necessidade total, como chás, cafés, sucos, água e umidade dos alimentos. Além disso, o nível máximo de ingestão tolerável (UL)
não foi determinado, levando-se em conta a grande habilidade do organismo saudável de manter a homeostase hídrica, embora
persista o risco da chamada intoxicação por água, quando grandes volumes sem quantidade suficiente de sódio são ingeridos
rapidamente

TABELA 5.3 – Valores de ingestão dietética de referência (DRI) para água16


Água
Estágio de vida UL EAR AI ou RDA (l)

Bebês
0 a 6 meses ND ND 0,7
7 a 12 meses ND ND 0,8

Crianças ND ND
1 a 3 anos ND ND 1,3
4 a 8 anos ND ND 1,7

Homens ND ND
9 a 13 anos ND ND 2,4
14 a 18 anos ND ND 3,3
19 a 30 anos ND ND 3,7
31 a 50 anos ND ND 3,7
51 a 70 anos ND ND 3,7
+70 anos ND ND 3,7

Mulheres ND ND
9 a 13 anos ND ND 2,1
14 a 18 anos ND ND 2,3
19 a 30 anos ND ND 2,7
31 a 50 anos ND ND 2,7
51 a 70 anos ND ND 2,7
+70 anos ND ND 2,7

AI = ingestão adequada. Baseou-se em pessoas capazes de obter dieta nutricionalmente adequada. Representa a necessidade de água total
para clima temperado. Todas as fontes de água podem contribuir para a necessidade total de água (chás, cafés, sucos, água e umidade dos
alimentos); EAR = Estimated Average Requirement; ND = não foi possível estabelecer este valor; RDA = Recommended Dietary
Allowances;UL = o limite superior tolerável de maior ingestão é o maior nível de ingestão continuada de um nutriente que, com dada
probabilidade, não coloca em risco a saúde da maior parte dos indivíduos. A menos que esteja especificado de outra maneira, o UL representa
a ingestão total de alimento, água ou suplemento. O UL se aplica aos indivíduos não hipertensos.

Atividade física e variabilidade individual


A participação em atividades esportivas expõe os indivíduos a uma variedade de fatores que influenciam a quantidade
de água eliminada pelo suor. Estes fatores incluem a duração e a intensidade do exercício, as condições ambientais e
o tipo de roupas/equipamentos utilizados, além das características individuais, como o peso corporal, a predisposição
genética, o estado de aclimatização e a eficiência metabólica18. Dessa forma, há ampla variação na taxa de sudorese e
na perda total de suor entre os indivíduos e entre os tipos de esportes, e em alguns casos no mesmo tipo de evento3.
Como exemplo, maratonistas de elite podem ter maiores taxas de sudorese, porém perda total de suor semelhante aos
corredores recreacionais que terminam a prova no último pelotão. Em partidas de futebol, a taxa de sudorese pode
variar entre os jogadores em razão de sua posição, estilo de jogo, assim como o tempo de permanência em campo19.
Saiba Mais!
A taxa de suor pode ser expressa em mililitros por minutos (ml/min) ou em litros por hora (l/h), ou seja, quanto de suor o indivíduo é
capaz de perder por unidade de tempo. Para esse cálculo, deve-se pesar o indivíduo antes e após a atividade física, obtendo-se a
diferença corporal na qual deverá ser somada a ingestão hídrica durante o exercício e descontada a eliminação de líquidos pela
diurese. Esse valor deve ser dividido pelo tempo de atividade e obtendo-se, então, a taxa de sudorese, conforme fórmula:

[(Peso antes da atividade – Peso após a atividade) + Consumo de líquidos – Volume de urina]/Tempo de atividade física

A taxa de sudorese de várias modalidades esportivas, tanto em treinamentos quanto em competições varia
amplamente (Tabela 5.4), indicando que é muito difícil estabelecer um único valor recomendado para tal parâmetro,
assim também é um desafio estabelecer a taxa de sudorese em diferentes atividades de academia. Na Tabela 5.5 há
estudos da perda hídrica realizados em ambiente de academia.

TABELA 5.4 – Taxa de sudorese e níveis de desidratação em várias modalidades esportivas competitivas
Esporte Referência Condição Taxa de sudorese (l/h) Perda de peso (%)

Arco e flecha Competição indoor 1,5 ± 1,4 1,4 ± 0,5


20
Reis et al.

Arco e flecha Competição outdoor 2,2 ± 1,3 2,1 ± 0,7


20
Reis et al.

Basquete Treinamento no verão (homens) 1,37 [0,9 a 1,84] 1 [0 a 2]


ACSM8

Basquete Treinamento no verão (mulheres) 1,6 [1,23 a 1,97] 0,9 [0,2 a 1,6]
8
ACSM

Basquete Treinamento no inverno (homens) 1,02 [0,56 a 1,53] 0,7 [0 a 1,3]


21
Kuaye et al.

Basquete Treinamento no verão (homens) 1,15 [0,1 a 2,7] 1 [0,1 a 2,1]


22
Silva et al.

Hidroginástica Treinamento no verão (homens e mulheres) 0,38 [0,11 a 0,88] 0,24 [0,22 a 0,89]
23
Nacif et al.

Futebol Treinamento no verão (homens) 1,46 [0,99 a 1,93] 1,59 [0,4 a 2,8]
8
ACSM

Futebol Treinamento no inverno (homens) 1,13 [0,71 a 1,77] 1,62 [0,87 a 2,55]
ACSM8

Futebol Treinamento no verão (adolescentes) 0,53 [0,1 a 1,7] 0,9 [0,2 a 2,3]
Reis et al.19

Futebol Treinamento no verão (crianças) 0,1 [0,06 a 0,2] 2,97 [1,2 a 4,8]
24
Oliveira et al.

Caratê Treinamento no verão (homens) 0,3 [0,15 a 0,55] 1,4 [0,6 a 2,2]
5
Rossi e Tirapegui

Natação Treinamento (homens e mulheres) 0,37 0 [+ 1 a 1,4 kg]


8
ACSM

Natação Treinamento no verão (crianças) 0,14 [0 a 0,5] 0,21 [0 a 0,7]


25
Pereira et al.

Polo aquático Treinamento (homens) 0,29 [0,23 a 0,35] 0,26 [0,19 a 0,34]
ACSM8

Polo aquático Competição (homens) 0,79 [0,69 a 0,88] 0,35 [0,23 a 0,46]
8
ACSM

Tênis Competição no verão (homens) 1,6 [0,62 a 2,58] 1,3 [+ 0,3 a 2,9]
8
ACSM

Tênis Competição no verão (mulheres) [0,56 a 1,34] 0,7 [+ 0,9 a 2,3]


8
ACSM

Rúgbi Treinamento no verão (mulheres) 0,5 [0,2 a 7,5] 1,5 [0,6 a 2,4]
Perrella et al.26

Squash Competição (homens) 2,4 [1,5 a 3,25] 1,28 kg [0,1 a 2,4 kg]
8
ACSM

Vôlei Treinamento no verão (crianças) 0,3 [0,07 a 0,6] 1 [0,2 a 2]


27
Rossi e Bolzan

Kendô Treinamento no verão (homens) 0,35 [0,1 a 0,5] 0,95 [0,21 a 1,57]
10
Rossi et al.

TABELA 5.5 – Relação porcentagem de perda de peso e outros índices do estado de hidratação
Estado hídrico Alteração do peso corporal – (%)* Coloração da urina USG (g.ml–1)

Hidratado +1 a –1 1 ou 2 <1,010

Desidratação leve –1 a –3 3 ou 4 1,010 a 1,020

Desidratação moderada –3 a –5 5 ou 6 1,021 a 1,030

Desidratação grave >5 >6 > 1,030

* % alteração do peso corporal = [(peso pré – pós-exercício)/peso pré-exercício] × 100.


USG = gravidade específica da urina.
Modificado de Casa et al.28.

Ambiente
Durante a prática de exercícios físicos, com a crescente atividade muscular, também há maior produção de calor n
organismo, o qual gera aumento na temperatura corporal. Os músculos ativos podem gerar até 100 vezes mais calor que o
músculos inativos e se o organismo não dissipar esse calor pela evaporação do suor, a temperatura interna pode elevar 1°
a cada 5 a 8 minutos, resultando em hipertermia e colapso orgânico entre26 15 e 20 minutos29.
A troca de calor entre a pele e o ambiente é regida por propriedades biofísicas, como temperatura do ambient
movimento e umidade relativa do ar (URA), radiação e uso de vestimentas. Em ambientes refrigerados, a alta capacidad
de perda de calor seco (radiação e convecção) reduz as necessidades de evaporação; dessa forma, as perdas de suor sã
relativamente baixas. Com o aumento da temperatura ambiente, há maior dependência pela perda de calor pe
evaporação8.

Saiba Mais!
Um ambiente é considerado30:

• Termoneutro: temperatura oscila entre 21 e 24°C e URA entre 50 e 75%

• Quente e úmido: temperatura > 24°C e URA > 75%


• Quente e seco: temperatura > 24°C e URA < 50%

Além disso, o uso de roupas pesadas, fechadas ou impermeáveis, como os uniformes utilizados por jogadores de
futebol americano, aumenta significantemente o estresse térmico e a necessidade de evaporação do suor durante
atividades realizadas em ambientes quentes; o mesmo é válido em ambientes frios18. O seguinte cálculo mostra o
mínimo de taxa de sudorese necessário para a evaporação de calor, em indivíduos que praticam atividades físicas
intensas em ambientes quentes. Se a atividade apresenta eficiência de aproveitamento mecânico de 20%, então os
80% restantes da energia metabólica são convertidos em calor pelo organismo; assim, exercícios de alta intensidade
necessitam dissipar cerca de 11,46 kcal.min-1 de calor metabólico para evitar o seu armazenamento. Neste caso, como
o calor latente de evaporação é de 0,58 kcal.g-1, o indivíduo necessita evaporar aproximadamente8 20 g.min-1 (11,46
kcal.min-1/0,5846 kcal.min-1) ou ~1,2 l.h-1.
Aclimatização ao calor eleva a capacidade do indivíduo alcançar maiores taxas de sudorese, quando necessário.
Similarmente, o treinamento aeróbio tem efeito modesto sob o aumento da taxa de sudorese. Outros fatores, como a
umidade da pele (resultante da alta umidade) e a desidratação, podem suprimir a taxa de sudorese8.
As perdas de eletrólitos pelo suor dependem das perdas de suor total e das concentrações deles. As concentrações
de sódio no suor são em torno de 35 mEq.l-1 (10 a 70 mEq.l-1) e dependem de predisposição genética, dieta, taxa de
sudorese e estado de aclimatização. As concentrações médias de potássio são de 5 mEq.l-1 (3 a 15 mEq.l-1); as de
cálcio de 1 mEq.l-1 (0,3 a 2 mEq.l-1); as de magnésio de 0,8 mEq.l-1 (0,2 a 1,5 mEq.l-1); e as de cloreto de 30 mEq.l-1 (5
a 60 mEq.l-1). Sexo, maturação ou idade não parece ter efeito significativo nas concentrações de eletrólitos, embora a
desidratação possa elevar as concentrações de sódio e cloreto no suor. As glândulas sudoríparas reabsorvem sódio e
cloreto, mas a habilidade de reabsorção desses eletrólitos não aumenta proporcionalmente com a taxa de sudorese.
Como resultado, a concentração de sódio e cloreto aumenta como função da taxa de sudorese. A aclimatação ao calor
eleva a habilidade de reabsorção destes e, desse modo, indivíduos aclimatados quase sempre têm menor concentração
de sódio no suor (mais de 50% de redução).

Desidratação em academias
Indivíduos fisicamente ativos em academias de ginástica muitas vezes desconhecem os potenciais negativos da
desidratação para a saúde e o rendimento. Neste aspecto, constituem grupos de risco e devem ser monitorados
cuidadosamente pelos profissionais de saúde, estes são: mulheres pequenas e com hábitos alimentares irregulares;
indivíduos que reduzem o peso por meio da não ingestão hídrica; crianças; idosos; indivíduos obesos entre outros; e
estes pelas suas peculiaridades, serão separadamente abordados em tópicos especiais no final deste capítulo.

Avaliação do estado de hidratação


Há diferentes métodos de avaliação do estado de hidratação, porém não há consenso sobre um “padrão-ouro” ou um
marcador absoluto do estado de hidratação de um indivíduo. O que pode ser observado, segundo a literatura
específica na área, é a variação do estado de hidratação12. Portanto, no que se refere à atividade física e à alteração do
estado hídrico, os métodos se baseiam na perda de líquidos (intra e extracelular) que acarreta redução na massa
corporal, aumento da osmolalidade dos líquidos corporais e da osmolalidade e concentração de sódio do plasma.
Assim, com o decurso da desidratação para um estado cada vez mais hipo-hidratado, o organismo, na tentativa de
conservar o conteúdo hídrico, produz menor volume urinário e, por conseguinte, concentra a carga de solutos, o que
proporcionalmente aumenta a osmolalidade urinária31. Todas essas alterações descritas se traduzem em possibilidades
de avaliação do estado de hidratação, que podem ser subdivididas em: testes laboratoriais, determinações objetivas
não invasivas e observações subjetivas14. Os testes laboratoriais compreenderiam as medidas de osmolalidade do soro
e concentração de sódio, hematócrito, ureia do sangue e osmolalidade urinária; já as determinações objetivas com
medidas não invasivas são as metodologias mais adequadas para emprego em academias de ginástica; estas incluem
variação da massa corporal, coloração da urina, autopercepção da desidratação, alteração nos batimentos cardíacos e
de temperatura corporal etc.; e, por fim, subjetivas observacionais, como turgor da pele, percepção da sede e umidade
das membranas mucosas entre outros.

Avaliação do estado de hidratação em academias


Conforme explicitado no tópico anterior, os métodos mais adequados para aplicação em academias incluem os não
invasivos, práticos, rápidos, de fácil repetição em período de tempo de horas a dias e de bom entendimento pelo
avaliado. Estes, portanto, serão detalhados com finalidade prática de acompanhamento em indivíduos fisicamente
ativos em academias, com finalidade de prescrição e intervenção nutricional.

Escala de autopercepção da sede


Este método pode ser realizado por meio de questionário, no qual se requisita ao indivíduo responder às questões
referentes a sua autopercepção de alguns sintomas de desidratação, em geral, são apresentados sintomas relacionados
aos diferentes graus de desidratação. Os questionários podem ser divididos em específicos e gerais. A seguir estão
exemplos de questionários empregados em pesquisas científicas relacionados à atividade física e à nutrição.

Questionário específico
Este tipo de instrumento é empregado para avaliar particularmente um grau de desidratação. Perrella et
al.26 empregaram um questionário de hidratação específico (Figura 5.6) para detectar desidratação leve (perda de até
2% do peso corporal inicial) em atletas de rúgbi. As autoras constataram ser este instrumento efetivo para avaliação
rápida e prática do grau de risco de desidratação para atletas de alto nível. O questionário já foi empregado em
diversos estudos usando indivíduos ativos em academias de ginástica32,33.
Saiba Mais!
O questionário de Perrella et al.26, composto de seis questões simples, foi confeccionado para avaliar desidratação leve, ou seja,
perda hídrica até 2% da massa corporal inicial e pode ser aplicado, em razão de sua boa correlação com a pesagem antes e após,
diretamente como método prático de avaliação da desidratação em academias (Figura 5.6):

Figura 5.6 – Questionário de hidratação.


Questionário geral
Brito e Marins34 desenvolveram um questionário geral de avaliação do nível de conhecimento e hábitos de hidratação
de atletas, que pode ser adaptado para o público de academias de ginástica (Figura 5.7). Este instrumento, segundo os
autores, caracteriza-se por ser metodologia exploratória de pesquisa do tipo descritiva, por meio de questionário
padronizado com 18 perguntas objetivas autoadministrativas35.
Figura 5.7 – Questionário geral de avaliação dos hábitos e nível de conhecimento de hidratação34.

Porcentagem de perda de peso hídrico


Segundo o American College of Sports Medicine8, pode-se monitorar o estado de hidratação (euidratação) pelo
emprego frequente de medidas de peso corporal que devem ocorrer pela manhã. Porém, as mudanças no peso
corporal podem refletir as perdas pela sudorese durante o exercício e podem ser usadas para calcular as necessidades
individuais de reposição hídrica para atividades físicas específicas e em diferentes condições ambientais. Em relação
a esta última evidência, já foi previamente estabelecido o poder de predição da pesagem antes-após atividade em
relação aos parâmetros mais precisos de hidratação, conforme relacionado na Tabela 5.528, sendo, portanto um método
eletivo em academias em decorrência de suas inúmeras vantagens.
Diversos estudos nacionais já empregaram este método na avaliação do estado hídrico de atividades em academias.
Na Tabela 5.6 estão alguns resultados obtidos desses estudos; usualmente a perda de peso hídrico é aliada à
determinação da taxa de sudorese, método que será discutido no próximo tópico sobre monitoração do estado hídrico.
TABELA 5.6 – Taxa de sudorese e níveis de desidratação em atividades físicas praticadas em academias e ambientes indoor
Atividade física/ Referência Condição/ Participantes Taxa de sudorese (ml/min) Perda de peso (%)

Jump fit Academia


36
Miguel et al. n=7 10,8 ± 7,2 0,6 ± 0,3

Vôlei juvenil Indoor


27
Rossi e Bolzan n = 13 5,3 ± 2,8 1 ± 0,5

Body combat Academia (manhã)


32
Cezar et al. n=7 9,2 ± 3,5 0,9 ± 4
Academia (noite) 8,1 ± 4 0,8 ± 0,4
n=4

Basquete juvenil Indoor


Porto et al.37 URA = 71% e T = 23,4°C 12 ± 8,9 0,6 ± 0,4
n = 15

Vôlei master Indoor


38
Uliana et al. n = 11 3,8 ± 3 0,5 ± 0,4

Ciclismo Indoor
38
Uliana et al. n=7 4,9 ± 2,9 0,5 ± 0,3

Natação Indoor
39
Berquó et al. n = 21 6,8 ± 4,2 0,4 ± 0,2

Triatlo Indoor
40
Endo et al. n=4 10,4 ± 11,1 0,3 ± 0,4

Tênis e squash Indoor


Carvalho et al.41 Tênis: n = 10 10,5 ± 11,1 0,8 ± 1
Squash: n = 5

Caratê shotokan Academia


42
Corrêa et al. n = 28 10,1 ± 7,2 0,9 ± 0,6

Arco e flecha Competição indoor


20
Reis et al. URA = 90% e T = 22°C 25 ± 6,7 1,4 ± 0,5
n=13

Muay thai Academia (treino)


10
Rossi et al. n = 30 12,6 ± 8,8 1,5 ± 0,9

Taxa de sudorese

Segundo o American College of Sports Medicine8, a participação em atividades esportivas expõe o atleta a uma
variedade de fatores que influenciam a quantidade de água eliminada pelo suor, sendo estes a duração e a intensidade
do exercício, as condições ambientais e o tipo de roupas/equipamentos utilizados. Em condições normais, o volume
de suor é cerca de 100 ml/dia; entretanto, em climas muito quentes, ou durante exercício físico intenso, a perda de
água no suor aumenta, algumas vezes para15 1 a 2 l/hora.
Características individuais, como peso corporal, predisposição genética, estado de aclimatização e eficiência
metabólica, também podem ter influência nas taxas de suor de determinada atividade. Dessa forma, há ampla
variação na taxa de sudorese e na perda total de suor entre os indivíduos e entre os tipos de esportes, e, em alguns
casos, no mesmo tipo de evento8. Como exemplo, maratonistas de elite podem ter maiores taxas de sudorese, porém
perda total de suor semelhante aos corredores recreacionais que terminam a prova no último pelotão. Em partidas de
futebol, a taxa de sudorese pode variar entre os jogadores em consequência de sua posição, estilo de jogo, assim
como tempo de permanência em campo. Jogadores de futebol americano, que geralmente possuem maior massa
corporal e utilizam equipamentos protetores, terão maiores taxas de sudorese do que corredores que atravessam o país
em competições (cross country runners), ainda que em mesma temperatura e duração8.

Saiba Mais!
Após o cálculo, o grau de desidratação pode ser avaliado de acordo com o proposto pelo da taxa de sudorese Figura 5.89:

Figura 5.8 – Classificação do grau de hidratação do indivíduo.

Coloração da urina
Avaliação da coloração da urina pode ser utilizada como marcador agudo ou crônico da desidratação. No caso
imediatamente antes e após a atividade fisica, sua determinação seria de avaliação aguda do estado hídrico. Em
períodos de 24 horas, após a atividade física, de avaliação crônica do estado hídrico. A coloração da urina é
determinada pela quantidade de urocromo existente e Armstrong et al., em 1998, investigaram a relação entre
coloração da urina e sua gravidade específica e condutividade, e utilizando uma escala de oito cores (Figura 5.9),
observou relação entre os parâmetros. Além disso, a coloração da urina é um biomarcador que oferece a maior
praticidade em estudos de campo do que os outros métodos laboratoriais8. Os atletas recebem recipientes coletores e
entregam as amostras aos responsáveis pela pesquisa, que se responsabilizam pelo seu conteúdo até
a avaliação laboratorial.

Importância da monitoração e da avaliação do estado de hidratação


Finalmente, algumas observações são importantes quando se considera a relevância do emprego dos métodos de
avaliação do estado de hidratação para indivíduos fisicamente ativos:

• O organismo humano está em constante processo de perda hídrica por meio de pulmões, pele e rins, o que é
designado com perspiração insensível, ou seja, aquela não perceptível aos indivíduos, embora constante e diária7;
• Mesmo quando em estado euidratado, os líquidos corporais circulam entre o espaço intra e extracelular e na
circulação sanguínea7,43;
• Trabalho extenuante, exercício e/ou estresse em ambiente quente aumentam a perda hídrica pelo suor ao ponto
de as necessidades hídricas diárias elevarem duas e seis vezes acima daquelas de ambientes amenos44,45;
• Antes de uma competição em alguns esportes, como boxe e artes marciais (luta greco-romana, caratê, judô etc.),
alguns atletas, propositadamente, se expõem à desidratação a fim de alcançar peso classificatório dentro da
categoria de luta46. Este padrão pode ser repassado como uma “cultura do esporte” para os desportistas;
• Diversas doenças podem alterar o balanço hídrico e de eletrólitos aguda e cronicamente16;
• Ingestões insuficientes ou excessivas de água alteram o volume celular e afetam grande variedade de funções
celulares (metabolismo, transporte, excitação muscular etc.)43;
• Alguns indivíduos ingerem excessiva quantidade de líquidos, o que dilui anormalmente a ACT, e podem
predispor à condição clínica conhecida como hiponatremia por intoxicação de água, que é a redução na
concentração sanguínea de sódio44,45,48;
• ACT varia ao longo da vida, desde a infância, adolescência14, fase adulta a idosos e, portanto, necessita
monitoração49,50;
• Aumento no consumo de cloreto de sódio ou proteína eleva, obrigatoriamente, as necessidades de ingestão de
água para o balanço osmótico corporal total51;
• Desidratação leve com redução de 1 a 2% do peso corporal total pode reduzir rendimento atlético52, funções
fisiológicas53, função cognitiva54 e estado de alerta55.

Saiba Mais!
A Figura 5.9 pode ser empregada para orientar desportistas e atletas quanto ao grau de desidratação agudo e/ou crônico decorrente
da prática de atividade física

• Alguns cuidados devem ser tomados para que este biomarcador do estado hídrico tenha validade na avaliação do estado hídrico:

• Questionar o indivíduo sobre o uso de vitaminas, que comumente escurecem a urina

• Consumo de suplementos ou diuréticos que alterem o estado hídrico, como creatina, chás emagrecedores, remédio com prescrição
médica (furosemida) etc.

47
Figura 5.9 – Quadro para avaliar e classificar pelo método da coloração da urina o estado hídrico dos indivíduos. Adaptado de Armstrong .
Recomendações para reposição de líquidos e eletrólitos
Para a manutenção do balanço hidroeletrolítico é necessário que o indivíduo fisicamente ativo realize a ingestão
adequada de líquidos e eletrólitos, antes, durante a após a atividade física e deve-se levar em conta, além da
individualidade, a relação com os fatores modificáveis (Tabela 5.7), para o sucesso da reposição hídrica em diversas
etapas56.
TABELA 5.7 – Valores de AI* para reposição hídrica de crianças e adolescentes17
Grupo AI (l/dia)

Sexo masculino (anos)


1,3
•1a3
1,7
•4a8
2,4
• 9 a 13 3,3

• 14 a 18

Sexo feminino (anos)


1,3
•1a3
1,7
•4a8
2,1
• 9 a 13 2,3

• 14 a 18

* Representa a necessidade de água total para clima temperado. Todas as fontes de água podem contribuir para a necessidade total de água (
cafés, sucos, água e umidade dos alimentos).
AI = ingestão adequada.

Antes do exercício

O objetivo da pré-hidratação é que o indivíduo inicie a atividade física em estado de euidratação e com níveis
normais de eletrólitos plasmáticos. Se quantidades suficientes de bebidas são ingeridas, juntamente com as refeições,
e prolongado período de recuperação (8 a 12 horas) foi transcorrido desde a última sessão de exercícios, então o
indivíduo provavelmente estará próximo ao estado euidratado. Entretanto, se o indivíduo sofreu perdas substanciais
de líquidos e não teve o tempo adequado e/ou o consumo de volumes adequados de líquidos e eletrólitos, então um
programa impositivo de pré-hidratação deve ser empreendido. O programa de pré-hidratação ajudará a assegurar que
qualquer déficit de líquidos e eletrólitos que tenha ocorrido anteriormente seja corrigido antes do início do exercício 8.
Antes do exercício é importante que o indivíduo consuma bebidas lentamente (~ 5 a 7 ml.kg-1 de peso corporal),
pelo menos 4 horas antes da atividade. Se o indivíduo não produz urina, ou a urina apresenta coloração escura ou
altamente concentrada, este deveria ingerir, lentamente, mais bebidas (outros 3 a 5 ml.kg-1), aproximadamente 2 horas
antes do evento. O início da hidratação várias horas antes do exercício garante que há tempo suficiente para a
eliminação de urina antes do início do evento. O consumo de bebidas com sódio (20 a 50 mEq.l-1) e/ou pequenas
quantidades de lanches salgados ou alimentos que contenham sódio nas refeições auxiliará na estimulação da sede e
na retenção dos fluidos ingeridos8.
Aumentar a palatabilidade dos líquidos ingeridos é uma das formas de estimular o consumo hídrico antes, durante
ou após o exercício. A palatabilidade da bebida é influenciada por diversos fatores, incluindo temperatura, conteúdo
de sódio e sabor/aroma. A temperatura preferencial é geralmente entre 15 e 21°C, porém, a preferência por
temperatura e sabor da bebida pode variar bastante entre os indivíduos e entre as diferentes culturas57,58.
Outras recomendações pertinentes seriam restringir a ingestão de bebidas alcoólicas horas antes da prática de
atividade física e de bebidas cafeinadas pelo aumento da produção de urina durante o repouso e maior excreção
hídrica. No caso de indivíduos com habituação ao consumo de cafeína, há a opção de bebidas descafeinadas.

Durante o exercício
O objetivo da ingestão de líquidos durante o exercício é prevenir a desidratação excessiva (acima de 2% de perda de
peso ao final da atividade, por déficit hídrico) e excessivas modificações no balanço eletrolítico, evitando, assim,
prejuízos na performance8.
A quantidade e a taxa de reposição hídrica dependem da taxa de sudorese individual, duração do exercício e
oportunidades para o consumo. Os indivíduos deveriam se hidratar periodicamente durante o exercício, conforme as
oportunidades permitam, em especial se já se prevê que estes fiquem excessivamente desidratados durante e após a
atividade física. Cuidado maior deveria ser tomado na determinação das taxas de reposição de líquidos, em particular
em exercícios prolongados, que duram mais de 3 horas. Quanto mais longa a duração do exercício, maior será o
efeito cumulativo dos pequenos desequilíbrios entre as necessidades e a reposição de líquidos, os quais podem
culminar em desidratação e hiponatremia8.
É bastante difícil se recomendar um esquema específico de reposição de líquidos e eletrólitos, em razão dos
diferentes tipos e características das atividades físicas (duração, necessidades metabólicas, vestimenta, equipamentos
etc.), bem como em consequência das condições climáticas e dos outros fatores, como predisposição genética,
condições individuais de aclimatação e nível de condicionamento e treinamento, os quais influenciam as taxas
individuais de sudorese e de concentração de eletrólitos no suor.
A ACMS8 apresentou dados de taxas de sudorese aproximadas de indivíduos de diferentes tamanhos, correndo em
diferentes velocidades e em condições climáticas diversas. Essas taxas de sudorese variaram de ~ 0,4 a 1,8 l.h-1 e
acredita-se que as taxas de sudorese individuais, em cada uma dessas condições, provavelmente seguem uma
distribuição normal, com variância desconhecida. Portanto, é recomendável a monitoração das modificações na
massa corporal dos indivíduos durante as sessões de treinamento/competição para estimar suas perdas de suor, de
acordo com as condições climáticas. Essa prática permite que sejam elaborados programas personalizados de
reposição hidroeletrolítica e desenvolvidos conforme as necessidades individuais do desportista. Assim, as estratégias
de reposição de líquidos e eletrólitos serão muito diferentes, por exemplo, para um jogador de futebol de constituição
grande no início do verão, contrastadas às necessidades de um pequeno maratonista correndo em um mesmo ritmo
durante 6 horas.

Saiba Mais!
A pré-hidratação com bebidas, se necessária, deve ser iniciada ao menos algumas horas antes da atividade física para permitir a
absorção dos líquidos e a eliminação pela urina, para o retorno às concentrações normais. O consumo de bebidas com sódio e/ou
lanches salgados ou pequenas refeições com bebidas pode ajudar no estímulo da sede e retenção dos líquidos corporais
Outro ponto fundamental é que não se deve iniciar o exercício com sede, pois isso já é indicativo de desidratação prévia26

É importante iniciar a ingestão de líquidos concomitante com a prática de atividade física, pois a sensação da sede
é somente perceptível com perda percentual hídrica superior a 2%, ou seja, uma desidratação que já está próxima de
significativa redução hídrica26.
A composição das bebidas consumidas também é importante. No Brasil, segundo a resolução da diretoria colegiada
(RDC) n. 18 de 2010, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que dispões sobre alimentos para
atletas, os suplementos hidroeletrolíticos, comumente conhecidos por isotônicos, bebidas esportivas, sport drink entre
outros, são produtos destinados aos atletas. Por atleta se entende o praticante de exercício físico com especialização e
desempenho máximos, com o objetivo de participação em esporte (competição) com esforço muscular intenso. Os
suplementos hidroeletrolíticos podem conter sódio, cloreto e carboidratos em concentrações variadas, segundo
discriminado pela RDC, opcionalmente podendo-se acrescentar vitaminas e outros sais minerais e são destinados à
reposição de líquidos e eletrólitos durante a prática do exercício físico. Portanto, a portaria permite ampla gama de
formulações de produtos comerciais destinados à reposição hidroeletrolítica de atletas e, segundo a mesma portaria,
nutricionista e/ou médico devem ser consultados sobre a adequação da ingestão destes diferentes produtos no
mercado para diferentes finalidades59.

Após o exercício
Depois da atividade física, o objetivo é repor completamente qualquer déficit de eletrólitos e líquidos. A forma
de reidratação, mais ou menos emergencial, depende da velocidade em que esta conseguirá ser atingida e da
magnitude das perdas de líquidos e eletrólitos8.

Saiba Mais!
Os nutricionistas devem desenvolver programas personalizados de reposição hidroeletrolítica, os quais deverão evitar a desidratação
excessiva (> 2% de perda de peso em relação à massa corporal inicial antes do exercício). A avaliação rotineira do peso pré e pós-
exercício é útil para determinar as taxas de sudorese e permitir a elaboração de planos de hidratação individualizados. O consumo de
bebidas que contenham eletrólitos e carboidratos pode auxiliar na manutenção do balanço hidroeletrolítico e do desempenho ao
exercício apenas para atletas, segundo a ANVISA59
Regra extremamente prática para orientar os desportistas é requisitar que a cada 1⁄4 de hora (15 min) se ingira 1⁄4 de litro (250 ml).
Essa regra, que costumo chamar “1⁄4 por 1⁄4” se baseia no fato de que a maioria das atividades de academia possui duração de 45 a 60
min/ sessão de treino, o que representaria a ingestão de 750 a 1 l de água, em 3 a 4 ingestões hídricas, que é perda média de
atividades indoor realizadas em academias

Se houver oportunidade e se o tempo de recuperação permitir, o consumo de refeição adequada e lanches, com
volume suficiente de água, restabelecerá o estado de euidratação, em decorrência das quantidades de sódio presentes
nos alimentos, que farão a reposição das perdas pelo suor. Se a desidratação é substancial, com períodos de
recuperação relativamente curtos (inferiores a 12 horas), a reposição deve ser feita de maneira mais agressiva8.
Os indivíduos que buscam atingir recuperação rápida e completa da desidratação devem ingerir 1,5 l de líquidos
para cada quilograma (kg) de peso perdido na atividade física. O volume adicional é necessário para compensar a
produção excessiva de urina que acompanha a rápida ingestão de grandes volumes de líquidos. Assim, quando
possível, os líquidos devem ser consumidos ao longo do tempo (com quantidades suficientes de eletrólitos) em vez de
serem ingeridos em grandes volumes para maximizar a retenção hídrica8.

Saiba Mais!
Se houver tempo suficiente, o consumo de refeições e bebidas restabelecerá o estado de euidratação. Os indivíduos que necessitem
de reposição rápida e completa, para recuperá-la após desidratação excessiva, deverão consumir ~ 1,5 l de líquidos para cada
quilograma de peso perdido no exercício. O consumo de bebidas e lanches com sódio auxiliará a agilizar a recuperação rápida e
completa mediante à estimulação da sede e à retenção de líquidos

Tópicos avançados
Hidratação em crianças fisicamente ativas
A prática de exercícios e a adoção de dieta saudável desde a infância são apontadas por inúmeros trabalhos como as
principais estratégias para o combate ao aumento da prevalência da obesidade infantil. Ainda em relação aos fatores
modificáveis de risco encontra-se a mudança no estilo de vida (brincadeiras, tempo de televisão, computadores,
insegurança para brincar na rua) e nos hábitos alimentares (apelo comercial dos produtos ricos em carboidratos
simples, gordura e caloria e seu menor custo de preparo/obtenção, entre outros)60. Na maioria dos países
industrializados, órgãos responsáveis pela saúde pública destacam a importância da participação de crianças em
esportes ou exercícios regulares, sendo cada vez maior o seu número em atividades envolvidas com treinamento e até
competição atlética. A literatura a respeito da participação de crianças em atividade esportivas (pré-púberes e
púberes) tem sugerido que o máximo de treinamento físico deve compreender entre 15 e 18 horas semanais, visando
evitar comprometimentos no crescimento3.
Um dos possíveis riscos associados à prática de exercícios físicos em crianças se relaciona a consequente produção
de calor. Para o bom desempenho das funções corporais, é importante que a temperatura seja mantida, com
possibilidade de pequenas variações em torno de 37°C, permitindo faixa de variação muito limitada (± 1°C), podendo
ocorrer graves consequências fora desta amplitude, tais como desidratação, deficiência na termorregulação corporal e
redução do desempenho físico. A reposição hídrica e de eletrólitos é importante na dieta de pessoas ativas, em virtude
da grande perda que estes elementos podem ter pelo suor durante o exercício, particularmente em ambiente quente e
úmido. Muitos estudos têm abordado os riscos da desidratação e as recomendações de reposição hídrica aplicadas aos
indivíduos adultos fisicamente ativos, porém pouco se conhece sobre os efeitos nocivos da desidratação e das
necessidades de reposição para crianças fisicamente ativas, mesmo levando-se em conta que os sistemas
termorregulatórios das crianças são menos eficientes que dos adultos61.
O Brasil, país localizado em região tropical, caracteriza-se por apresentar altas temperaturas e umidade
relativamente constante na maior parte do ano. Estudos demonstram que jovens que realizam programas esportivos
em regiões de clima tropical podem desenvolver estado crônico de hipo-hidratação (baixo nível de líquido corporal)
se não houver reposição hídrica adequada; a importância de prevenir tal situação em crianças é tão essencial quanto
em adultos3.

Termorregulação e hipertermia em crianças


Crianças têm maior área de superfície corporal que os adultos, o que facilita a transferência de calor por convecção e
radiação, o que possivelmente as coloca em desvantagem quando expostas ao frio62. Entretanto, a perda de calor por
evaporação em crianças é menos eficiente, em razão do tamanho e das quantidades das glândulas sudoríparas serem
menores63. Em climas muito quentes, quando a temperatura ambiente supera em 10°C a temperatura da superfície
corporal, a tolerância ao calor entre crianças é bastante reduzida, acompanhada por elevação na temperatura central e
armazenamento de calor, bem como baixa taxa de transpiração, podendo ser 2,5 vezes menor que a dos adultos
expostos às mesmas condições climáticas64. Indivíduos que são incapazes de se adaptar fisiologicamente a ambientes
quentes podem apresentar síndrome denominada intolerância ao calor, que é comumente descrita em crianças
praticantes de atividade física65. Essa intolerância é um dos principais sintomas da desidratação, juntamente com sede,
perda de apetite, fadiga, entre outros3. Alguns fatores explicariam a menor adaptação das crianças aos extremos de
temperatura em relação aos adultos, dentre eles: maior área de superfície corporal, com ganho de calor maior em dias
quentes e perda de calor em dias frios; maior produção de calor metabólico por unidade de massa durante a atividade
física, incluindo caminhadas e corridas, e a consideravelmente menor capacidade de sudorese, com redução da
habilidade de dissipar o calor corporal por meio da evaporação66. A redução progressiva do volume plasmático
associada ao exercício pode ser compensada pela ingestão de líquidos antes, durante e após ele; assim, a sua variação
é menor quando a ingestão de líquidos é maior e pode ser prevenida se a taxa de ingestão for igual à da perda67.

Desidratação e taxa de sudorese


O esforço físico associado ao estresse térmico aumenta a produção de suor e fluxo sanguíneo cutâneo, a fim de
combater o crescente aumento da temperatura; dessa forma, o processo de evaporação do suor induz ao resfriamento
da superfície corporal e do sangue, dissipando o calor interno. A transpiração aumentada durante o exercício,
principalmente em temperaturas elevadas, conduz à rápida desidratação26. Como grande parte da água perdida pela
transpiração é proveniente do plasma sanguíneo, há diminuição deste volume e redução da capacidade de trabalho, já
que este tem que ser mantido para suprir o oxigênio e os substratos para os músculos e dissipar o calor pela superfície
da pele3. A capacidade de sudorese das crianças é baixa, e além do risco de hipertermia, a desidratação é fortemente
associada à fadiga durante o exercício; em estudo, Bar-Or et al.61 observaram que há aumento de quase 0,3°C na
temperatura central de crianças entre 10 e 12 anos de idade, para cada 1% de peso corporal perdido; em adultos, a
temperatura central é elevada em 0,1 a 0,2°C para a mesma perda percentual. Segundo ACSM8 não há apenas um
método possível de representar o estado de euidratação de um indivíduo e na declaração de evidência pondera
como Evidência de categoria A, que as mudanças no peso corporal podem refletir as perdas pela sudorese durante o
exercício e serem utilizadas para calcular as necessidades individuais de reposição hídrica para atividades físicas
específicas e condições ambientais. Sendo assim, a diferença percentual de peso pode ser utilizada como um dos
parâmetros de avaliação do risco de desidratação. Em crianças, redução em torno de 1% do peso corporal, induzida
pela sudorese, diminui significativamente a habilidade de realização de exercício físico68. Por razões éticas, os níveis
de hipo-hidratação, em experimentos feitos com crianças, não devem exceder 2 a 3% de perda de peso corporal61.
Com a progressão do processo de desidratação ocorre combinação de sensações, incluindo boca, garganta e lábios
secos e rachados; cansaço, irritabilidade, dor de cabeça, perda do apetite e desconforto gástrico3. Como consequência,
o mecanismo da sede em adultos é estimulado quando o peso corporal diminui 0,5 a 1%, sendo resultante de
complexa interação do sistema fisiológico e influências ambientais que ocasionam desidratação; é então estimulada
por meio de dois mecanismos homeostáticos principais: aumento da tonicidade celular (desidratação celular),
detectada pelos osmorreceptores do sistema nervoso central, e redução do volume extracelular (desidratação
extracelular), monitorada pelos barorreceptores (Figura 5.10). A relação da influência da desidratação intra e
extracelular ainda é incerta em crianças, restando muitas perguntas importantes com respeito às diferenças na
sensação de sede e ao consumo de líquidos69.

Figura 5.10 – Modelo simplificado para o controle homeostático da sede e mecanismos de controle da desidratação intra e extracelular3. Linha
pontilhada = feedbacknegativo; Linha contínua = feedback positivo.

A desidratação extracelular é a mais complexa, com a participação de um duplo feedback, envolvendo


barorreceptores ativados pela diminuição no volume sanguíneo. Há também a ativação do sistema renina-
angiotensina-aldosterona, em resposta à perfusão renal diminuída. Além dos controles homeostáticos da hidratação,
há os inumeráveis controles não homeostáticos de estimulo à sede (Figura 5.11). Estes incluem uma ampla influência
psicológica e ambiental, tais como disponibilidade da bebida, gosto, temperatura, associação com refeições e hábitos
sociais3. O balanço hídrico corporal necessita de constante integração entre a ativação dos osmorreceptores
hipotalâmicos e dos barorreceptores vasculares, de modo que a ingestão de líquidos seja próxima à perda, e esta
ocorre mais rapidamente durante o exercício do que o repouso, em razão da constante taxa de transpiração70.
Figura 5.11 – Controles homeostáticos e não homeostáticos da sede em humanos3.

Comparado aos outros mamíferos, os humanos têm taxa de ingestão voluntária de líquidos durante ou depois da
perda muito mais lenta. Esse atraso na reidratação é tecnicamente chamado desidratação voluntária; esta é causada
por atraso ou ingestão insuficiente de líquidos para compensar o que foi perdido durante a atividade física9.
As crianças, da mesma forma que os adultos, não ingerem, de forma voluntária, a quantidade necessária para repor as
perdas hídricas pelo suor, exibindo hipo-hidratação durante e até mesmo antes dos exercícios71.
Durante o exercício, a ingestão hídrica em crianças dependerá da sua taxa de sudorese para a modalidade esportiva;
esta já foi determinada para meninos (11 a 14 anos) para as modalidades de tênis, artes marciais, luta greco-romana,
boxe, campo e trilha, natação em 556 ± 110 ml/h e corrida, ciclismo entre outros, em meninos (13 ± 1 anos) de 937 ±
342 ml/h e meninas (17 ± 1 anos) de68,72 567 ± 110 ml/h. Ainda a este respeito, estudos laboratorialmente controlados
com a modalidade de duatlo observaram que crianças do sexo masculino mais jovens (12,5 a 14,8 anos) exibiram
taxa de sudorese (ml/h) menores do que as mais velhas (15 a 17,1 anos), ou seja: 640 ± 370 vs 1.260 ± 170. O mesmo
foi observado entre as do sexo feminino para equivalentes faixas etárias68: 510 ± 226 vs 710 ± 379. Esses resultados
indicam globalmente a relação em idade e gênero como possível determinante na taxa de sudorese em crianças
fisicamente ativas.

Recomendações de hidratação em crianças fisicamente ativas


A recomendação de consumo hídrico para crianças é fornecida pelo Institute of Medicine17 por meio dos valores de
AI, que foram estabelecidos com base em estimativas da ingestão de um grupo de indivíduos saudáveis que se
assume serem adequadas e que são observadas ou determinadas experimentalmente (Tabela 5.7).
Porém, tais recomendações provavelmente não são aplicáveis às crianças fisicamente ativas, sobretudo durante o
exercício prolongado, pois há perda de quantidade considerável de eletrólitos e água pelo suor, e caso a atividade
física seja prolongada (mais de 1 h), ou intensa e intermitente, sódio e carboidratos devem ser adicionados à solução
preferencialmente flavorizada72. Duas razões são destacadas para o estímulo à ingestão de líquidos durante atividade
física por crianças. A primeira é para minimizar o efeito de desidratação e hipertermia e, desse modo,aumentar a
efetividade e a segurança do treinamento; e a segunda refere-se à importância de se testar diferentes bebidas
repositoras para se saber qual a mais eficaz para a reidratação de cada atleta3.
Composição da bebida reidratante
Meyer et al.73 verificaram que a percepção de sede em crianças não foi afetada pela concentração de sódio presente na
bebida ingerida. Isto é particularmente importante para se entender as respostas delas mesmas diante dos diferentes
tipos de estratégias de hidratação e otimizar a reposição de líquidos. A concentração de sódio e cloreto plasmáticos
sofre alterações com o aumento da idade, o que também diferencia a concentração encontrada no suor. Crianças têm
concentração de sódio no suor de aproximadamente 40 mEq/l e adultos74 60 mEq/l. As concentrações de sódio e
cloreto, perdidos pela transpiração em pré-púberes, são menores do que em púberes e adultos de ambos os gêneros;
entretanto, a concentração de potássio é maior em crianças. A baixa quantidade de sódio perdida durante a
transpiração sugere que o déficit na concentração de sódio em crianças pode ser menor do que em adultos e
implicaria baixo risco de hiponatremia73.
Para se estimular a ingestão de líquidos pelas crianças podem-se oferecer bebidas coloridas (como suco de frutas),
usar recipientes atraentes, transformar o suco em picolé, evitando os corantes artificiais, congelar sucos em cubos de
gelo entre outras estratégias3.
Diversos estudos em adultos têm indicado a importância do sabor e da temperatura da bebida a ser ingerida para se
determinar o consumo voluntário durante o exercício. Wilk et al.75, estudando os efeitos da hidratação em garotos
entre 10 e 12 anos, encontraram que a ingestão de bebida ad libitum, sem sabor, resultou em progressiva desidratação
durante período de 3 horas de exercício intermitente a 35°C e 45 a 50% de URA. Relataram também que o aumento
de ingestão voluntária da bebida com sabor (flavorizada), acrescida de carboidratos e cloreto de sódio comparada a
ingestão de água, pode ter sido fisiológico ou comportamental. O mecanismo fisiológico mais provável é que o
cloreto de sódio adicionado ao repositor pode ter influenciado na queda na osmolalidade do líquido corporal. Isto, por
sua vez, pode ter fornecido estímulo maior aos osmorreceptores hipotalâmicos, que desencadearam a sensação de
sede. Wilk e Bar-Or76 também estudaram, em crianças (9 a 12 anos), a relação de bebidas flavorizadas e a ingestão
voluntária. Em condições climáticas de 35°C e 50% de URA, água, bebida aromatizada sabor uva e bebida sabor uva
com 6% de carboidratos e 18 mmol/l de cloreto de sódio foram oferecidos. A ingestão total entre as 3 horas de estudo
foi maior para a bebida flavorizada com carboidratos e eletrólitos (1,157 l) e em menor quantidade de água (610 ml).
A hipo-hidratação foi mais expressiva com a ingestão de água, seguida da ingestão de bebida aromatizada. Neste
estudo também foi observado estado de hiper-hidratação quando ingerida a bebida flavorizada acrescida de
carboidrato e eletrólitos, com aumento médio de 0,47% do peso inicial. Em estudo conduzido por Wilk et al.75, quatro
tipos diferentes de bebidas foram administrados em crianças que treinaram com temperatura de 35°C e 45% URA,
para se saber a melhor composição para esta faixa etária. Foram oferecidas água, solução contendo 6% de
carboidratos, 6% de carboidratos e 8,8 mmol/l de sódio e a mesma concentração de carboidratos mais 18,5 mmol/l de
sódio. Em todos os grupos, não houve diferença entre aumento da temperatura corporal, taxa cardíaca e tempo de
exaustão.
Rivera-Brown70 estudaram os níveis de hidratação voluntária em crianças residentes em região de clima tropical,
com temperatura de 30°C. Foram ofertadas água e água flavorizada acrescida de 6% de carboidratos e 18 mmol/l de
sódio. Observou-se maior ingestão hídrica quando disponível a bebida carbonatada, sendo o estado de euidratação
mantido em relação ao consumo de água.
Quanto à preferência pelo sabor da bebida durante a atividade física, estudo com crianças (9 a 13 anos) de ambos
os sexos registrou maior preferência pelo sabor uva em relação ao de laranja e maçã73; porém, tais resultados foram
observados em crianças canadenses, podendo não se aplicar à realidade brasileira3.
A temática científica envolvendo a composição ideal de uma bebida reidratante a ser utilizada durante a prática
esportiva, e os fatores intervenientes como duração e intensidade do exercício, quantidade de suor, perdas de
eletrólito, palatabilidade da bebida, além de idade e grau de aclimatização ao calor, é um campo extremamente
profícuo nas áreas de saúde e rendimento. Grande parte das pesquisas a respeito da reidratação na desidratação
provocada pelo exercício é realizada em adultos; algumas das recomendações aplicadas para crianças são derivadas a
partir destes dados. Entretanto, esta população necessita de recomendações específicas, em razão das diferentes
características fisiológicas, como taxa de transpiração, área de superfície corporal, perda de eletrólitos pelo
suor77 entre outros fatores, como previamente discutido. A maioria dos estudos conduzidos com crianças é realizada
em países de clima temperado, tentando reproduzir, em ambiente laboratorial, as condições climáticas adversas
comumente encontradas em países tropicais, caracterizadas por altas temperaturas e elevada umidade relativa do ar.
No entanto, reproduzir laboratorialmente essas condições climáticas durante a atividade física é diferente da realidade
de ser exposto constantemente a este ambiente, podendo o indivíduo adquirir, com mais facilidade, estado crônico de
desidratação, com consequente estresse decorrente de aumento da temperatura corporal ou ineficiência dos processos
de termorregulação inerentes à idade3. É importante enfatizar que a umidade do ar é o maior componente do estresse
térmico e, na maioria das vezes, mais importante do que a própria temperatura ambiente. Crianças e adolescentes que
se exercitam no calor devem ser monitorados cuidadosamente em busca de sinais de estresse térmico, sobretudo as
que possuem maior adiposidade corporal, por apresentarem menor capacidade de dissipar o calor corporal78.

Recomendações adicionais
A AAP66,78,79 recomenda que para crianças e adolescentes em regiões de clima quente e úmido, que são particularmente
mais agressivas para a prática esportiva dessa população e outras, quando comparados aos locais de clima temperado,
as seguintes orientações devam ser observadas:

• A intensidade das atividades superiores a 15 minutos deve ser reduzida sempre que umidade relativa do ar,
radiação solar e temperatura estiverem em níveis críticos (Tabela 5.8), ou zonas de perigo (zona 3) conforme
Figura 5.12. Alternativa para aumentar o período de descanso em condições mais adversas é realizar maior
número de substituições dos participantes da competição ou do treinamento;
• No início de programas de exercícios extenuantes ou após viajar para local de clima mais quente, a intensidade
de duração do exercício deve ser inicialmente limitada e, então, gradualmente aumenta ao longo do período de
10 a 14 dias, para permitir aclimatação ao calor. Caso não haja disponibilidade desse tempo, tanto a prática
como a competição devem ser encurtadas;
• Antes de atividades físicas prolongadas, as crianças devem estar bem hidratadas. Durante a atividade, ingerir
líquidos periodicamente (p. ex., 150 ml de água potável fria ou solução flavorizada e salgada a cada 20 minutos
para crianças pesando até 40 kg e 250 ml para adolescentes pesando 60 kg), mesmo na ausência de sede. A
pesagem antes e após a sessão de treinamento pode avaliar o estado de hidratação se a criança,
preferencialmente, for pesada vestindo roupas leves ou sem elas;
• Roupas e uniformes devem ser de cores claras e leves e limitadas a uma camada de material absorvente para
facilitar a evaporação do suor. Peças de roupas úmidas devem ser repostas por secas. Roupas de borracha nunca
devem ser utilizadas para produção de perda de peso;
• O uso de protetor solar, roupas leves e chapéu deve ser recomendado sempre que possível e os supervisores
devem ser cuidadosos em relação à duração e à intensidade do exercício realizado sob o calor.

TABELA 5.8 – Restrições de atividades em diferentes níveis para a prevenção do estresse térmico em crianças*
WBGT (°C) Restrições de atividades

< 24 Todas as atividades são permitidas, mas estar alerta aos sintomas relacionados à lesão térmica em exercícios prolongados

24 a 25,9 Períodos de descanso mais longos devem ser promovidos; estimular bebidas a cada 15 min

26 a 29 Parar a atividade de crianças aclimatizadas e com risco elevado

> 29 Cancelar todas as atividades atléticas

* WBGT (wet bulb globe temperature) não é a temperatura do ar e sim um índice de estresse térmico ambiental, que depende da temperatura
ambiente, da umidade relativa e do calor radiante. Pode ser mensurado em situações de campo pelo uso de três termômetros, comercialmente
disponíveis.
Adaptado de AAP78.
Figura 5.12 – Guia climático para prevenção de hipertermia em crianças fisicamente ativas durante exercício prolongado3,66.

As crianças devem ser conscientizadas e alertadas sobre a importância da ingestão de líquidos durante o exercício,
a fim de reduzir os riscos à saúde impostos pela hipertermia, além de tal conduta aumentar seu rendimento esportivo.
O crescente número de crianças que estão sendo inseridas no contexto da prática da atividade física, tanto para
lazer, competição, bem como para a prevenção da obesidade, está aumentando e se tornando cada vez mais precoce.
Contrariamente a esse crescimento, ainda é pequeno o número de estudos que se preocupam em investigar as
atividades esportivas envolvendo crianças e recomendações adequadas de hidratação, que são, na sua grande maioria,
derivadas de estudos com população adulta. Considerando-se que as crianças são um grupo de risco para a
desidratação, aquelas fisicamente ativas merecem atenção especial. Crianças, em relação aos indivíduos adultos,
possuem mecanismo de estímulo da sede ainda menos eficiente e acaba subestimando suas necessidades hídricas, o
que acarreta maior desidratação voluntária. Diversos estudos, empregando amostra de crianças e adolescentes,
demonstram claramente que a reidratação é mais eficiente com a oferta de bebidas flavorizadas, atrativas (coloridas),
gelada e com o acréscimo de carboidrato a 6%, além de eletrólitos. Conclui-se, finalmente, que a melhor
recomendação para este grupo de risco, perante a conhecida condição climática de nosso país, é estabelecer um plano
impositivo de hidratação, para não se alcançar quadro de perda hídrica significativa, que possa alterar
a performance da criança em sua atividade esportiva e principalmente não colocá-la em risco de saúde em
consequência dos efeitos da hipertermia induzida pela atividade física3.

Hidratação em idosos fisicamente ativos


O segmento populacional que mais cresce no mundo é dos indivíduos acima de 60 anos, que atualmente, nos Estados
Unidos, representa cerca de 12,7% da população; projeções para o ano de 2040 indicam aumento para 23%, sendo
aqueles com mais de 85 anos os mais representativos, atingindo80 5,4%. Porém, concomitantemente, crescem os
níveis de sedentarismo na população em geral; 60% dos americanos não se exercitam regularmente e 25% nunca o
fazem. O Brasil acompanha tal tendência onde apenas 26% dos brasileiros realizam atividade física regular e dentre
os segmentos que não se engajam na prática de exercícios estão os idosos, particularmente do sexo feminino 81. Para
combater o sedentarismo na população americana idosa, um grupo composto por 46 instituições deste país lançaram,
em 1 de maio de 2001, o denominado Plano Nacional para Aumento dos Níveis de Atividade Física entre Adultos a
partir de 50 anos de idade (The National Blueprint: Increasing Physical Activity among Adults age 50 and
Older)82. Documentou-se, em 2004, que a porcentagem de adultos que participam regularmente de atividades
vigorosas, como corridas, ginástica aeróbica, levantamento de peso ou esportes de equipe de alta intensidade,
definido como aquele a pelo menos 50% da capacidade cardiorrespiratória para idade e gênero específica, foi maior
na faixa etária acima dos 65 anos de idade; 18,2% dos homens e 12,1% das mulheres são rotineiramente muito
ativos83.
Atualmente, cresce o interesse na temática envolvendo o idoso fisicamente ativo com ênfase na manutenção do
estado hídrico e sua relação com a função cognitiva com objetivo de tecer recomendações aplicadas de hidratação
para possibilitar, a esta população, alcance de um nível de atividade física adequado e condizente com os benefícios
físicos e cognitivos de um estilo de vida ativo.

Homeostase hídrica
A sede em combinação aos estímulos hormonais é o mecanismo responsável pela pequena variação diária encontrada
na ACT; indivíduos com 80 anos podem chegar a ter 50% ou menos deste componente80. Além disso, o processo de
envelhecimento está associado às diversas mudanças fisiológicas que podem seriamente afetar a habilidade do
organismo de manter o balanço hídrico (Quadro 5.1).
QUADRO 5.1 – Fatores responsáveis pelas alterações no balanço hidroeletrolítico associadas à idade

• Redução na ACT

• Queda da taxa de filtração glomerular

• Diminuição na habilidade de concentração da urina

• Aumento da concentração do hormônio antidiurético (ADH)

• Redução na aldosterona

• Diminuição no mecanismo da sede

• Queda no clearance de água livre


ACT = água corporal total.

Entre essas alterações está o decréscimo na ACT associada à perda da MM, à redução na percepção da sede e à
alteração na concentração de vasopressina plasmática e/ou perda de sua eficiência, o que pode refletir na habilidade
dos rins para concentrar a urina. É bem conhecido que a desidratação é a mais frequente causa de distúrbio hídrico e
eletrolítico em idosos internados; foi documentado ser responsável por um dos 10 diagnósticos mais frequentes de
internação registrada pelo serviço médico americano e causa de hospitalização entre 0,65 e 2,25% em diversos
locais84. Além do processo de desidratação ser reconhecidamente a mais frequente etiologia relacionada à morbidade
e à mortalidade em idosos85. Enquanto são bem documentadas as consequências da desidratação em idosos
hospitalizados e submetidos à internação, muito menos são estudados seus efeitos em idosos fisicamente ativos.
Diversos trabalhos científicos indicam claramente que ter e/ou manter nível de atividade física habitual é fator
desejável, saudável e protetivo dos efeitos deletérios causados pela alteração da composição corporal em
indivíduos sedentários ou que reduzem seu nível de atividade física86,87.
No entanto, um dos riscos associados à prática de atividade física é a desidratação, que pode ser exacerbada com o
processo de envelhecimento elegendo, assim, o grupo de idosos como vulnerável a um possível desbalanço hídrico88.
Comprovando esta temática, estudo examinando o efeito da atividade física em relação à idade observou que o grupo
com mais idade, após 10 dias consecutivos de caminhada em montanha, tornou-se progressivamente mais desidratado
do que o grupo mais jovem, conforme determinado pela osmolalidade urinária89.
Vários fatores são indicados como responsáveis no insucesso de idosos manterem seus níveis adequados de
hidratação, sendo o mais referenciado na atividade física a inabilidade do mecanismo da sede nesta população88. A
sede é definida como a percepção consciente da necessidade de ingestão de líquidos, embora o mecanismo não se
encontre totalmente delineado, que é estimulada por alterações em composição hídrica do organismo, volume ou
pressão sanguínea. A resposta comportamental da hidratação em relação à sede é principalmente decorrente da
ativação de osmorreceptores no hipotálamo. A cessão do estímulo da sede está relacionada, em menor escala, ao
estímulo orofageal e à distensão gástrica e mais fortemente a osmolalidade do plasma e/ou pressão sanguínea88.
Em idosos, as alterações funcionais decorrentes do processo de envelhecimento que promovem decréscimo da
função renal, com maior excreção hídrica e concomitante redução na ingestão pelo fraco mecanismo da sede;
alterações estruturais nos vasos sanguíneos que atenuam a vasodilatação e reduzem a dissipação do calor metabólico
pelo mecanismo da evaporação; menor taxa de sudorese e resposta mais tardia em relação aos indivíduos mais
jovens, fazem com que o idoso tenha balanço hídrico negativo e de 25 a 40% menor fluxo sanguíneo através da pele
do que jovens competidores com a mesma carga térmica83. Globalmente, esses efeitos, mediados pela prática de
exercícios físicos, colocam o idoso em risco das consequências advindas da hipertermia e da desidratação.

Hidratação, atividade física e função cognitiva em idosos


É bem documentado que a atividade física aliada a bons hábitos alimentares tem relação direta com a longevidade,
sendo meio efetivo para atingir o bem-estar físico e cognitivo; a função cognitiva ou o sistema funcional cognitivo é a
fase do processo de informação, como percepção, aprendizagem, memória, atenção, vigilância, raciocínio e solução
de problemas entre outros81. As funções cognitivas são negativamente afetadas pelo processo de envelhecimento,
embora ainda não estabelecida a causa há perda, a partir da terceira década de vida, dos neurônios concomitantemente
a deterioração desta função.

Saiba Mais!
O declínio da função cognitiva, principalmente em idosos, é diretamente relacionado ao grau de desidratação. Já foi documentado um
gráfico (Figura 5.13) sobre a relação dessas variáveis, que pode ter como consequência até um evento fatal

Figura 5.13 – Declínio progressivo da função cognitiva relacionada ao grau de desidratação. Modificado de Liberman90.

Indubitavelmente, a desidratação pode resultar em delírio, coma e até morte, e produz prejuízos na função
cognitiva dose-resposta ao grau de desidratação (Figura 5.13), sendo estes perceptíveis com perda de peso hídrico
corporal de apenas 1,3%. Apesar disso, existe ainda pouca informação que determina em qual extensão e duração a
desidratação produzirá decréscimos cognitivos e qual função cognitiva específica será a mais afetada55.
Com redução na osmolalidade em torno de 1% o eixo pituitária-hipotálamo posterior responde com inibição na
liberação de hormônio antidiurético (ADH). Na ausência deste, o rim excreta urina diluída, portanto, há a eficácia na
excreção de carga de água. Mesmo com reduzida taxa de filtração glomerular há mecanismo efetivo. Entretanto, na
presença de concentrações inapropriadas de ADH ou significante depleção extracelular, o excesso relativo pode
resultar em hiponatremia.
Assim, atividade física voltada para idosos e bons hábitos de hidratação seriam potencializadores da função
cognitiva sendo o inverso também verdade.

Métodos indicativos de desidratação em idosos


As perturbações hidroeletrolíticas nos idosos são responsáveis por várias consequências que apresentam fatores de
risco variáveis dependendo se intra ou extracelular (Tabela 5.9). Quando o idoso tem conhecimento de seu peso
habitual, as mudanças ocorridas nas variações diárias pode ser o método mais acessível, não invasivo, repetitivo e
simples de avaliação. Os sinais clínicos são indicadores muito tênues no caso dos idosos e são frequentemente
modificações funcionais simples (redução da pressão sanguínea, da diurese e maior concentração da urina, entre
outros); sinais de confusão mental são os mais reconhecidos, isto em razão do comprometimento do volume
intracelular cerebral. Também se pode incluir câimbras, astenia e fadiga, com redução do rendimento pela diminuição
do volume intracelular muscular.
TABELA 5.9 – Sinais clínicos e biológicos de perturbações hidroeletrolíticas em idosos desidratados
Tipos de desidratação Sinais clínicos Sinais biológicos

Intracelular Sede alterada Osmolalidade > 300 mOsm/l


Sintomas neuropsíquicos (especialmente confusão) Natremia > 145 a 150 mmol/l
Isquemia de artéria ou flebite
Secura de mucosa
Febre (ocasionalmente)

Extracelular Cardiovascular: hipotensão arterial e taquicardia Osmolalidade < 280 mOsm/l


Perda de peso Natremia < 135 mmol/l
Hipotonia do globo ocular (olhos encovados) Proteinemia aumentada
Urina concentrada Hematócrito concentrado
Dobra de pele permanente Ureia/creatinina sangue >10/l

Modificado de Ferry85.

Recomendações

As recomendações para idosos referentes à ingestão hídrica encontradas na literatura são: 30 ml/kg de peso corporal91 ;
1 ml/kcal de energia consumida92; 1.500 ml/dia e 100 ml/kg para os primeiros 10 kg, 50 ml/kg para os próximos 10 kg
e 15 ml para cada quilograma de peso corporal adicional93. Adicionalmente, a melhora na educação desta população,
por meio de diretrizes para ingestão de água, é necessária, por exemplo, a pirâmide para idosos com mais de 70 anos
(Figura 5.14), que traz na sua base a indicação de consumo de oito porções de líquidos (8 oz ou 237 ml)
descafeinados, sem teor alcoólico e não especificamente água, abrindo perspectiva de diversas possibilidades de
alcançar a hidratação adequada94. Para atletas masters, o objetivo da hidratação é tentar prevenir ou pelo menos
minimizar a hipo-hidratação; assim, 2 a 3 horas antes da atividade física aconselha-se ingerir 400 a 600 ml (12 a 44
oz); durante, se houver possibilidade, entre 180 e 360 ml (6 a 12 oz) a cada 15 ou 20 minutos e após de 450 a 675
ml (16 a 14 oz) para cada quilograma de peso corporal perdido ou até reposição total do volume perdido pela
sudorese83. Todavia, o consumo acima do recomendado para essa faixa etária não é aconselhável, pois o excesso pode
causar intoxicação88 e hiponatremia não fatal como resultado de declínio dos rins em diluir a urina nessa população93.

Figura 5.14 – Pirâmide modificada para idosos com mais de 70 anos. Possui uma base mais estreita, que reflete a redução das necessidades
energéticas, enquanto enfatiza alimentos com densidade nutricional, fibra e consumo de água. Modificado de Russell et al.94.

Saiba Mais!
Estratégias para assegurar a hidratação em idosos
Como primeira recomendação, a informação da importância de ingestão de líquidos independentemente da ausência da sede é
fundamental. E também que as recomendações podem ser alcançadas por ampla variedade de consumo além da água, como chás
descafeinados, sucos de fruta, infusões, leite e sopa. Quanto aos alimentos, os que possuem maior quantidade hídrica em sua
composição, como vegetais frescos, frutas, queijo fresco e iogurte. Quanto ao volume de ingestão, esse deve ser fracionado, evitando
grandes volumes de uma vez, pois a distensão gástrica reduz a sensação de sede. Na presença de problemas de deglutição e
disfagia, o preparo de gelatina é uma opção85
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LEITURA COMPLEMENTAR
Oliveira JED, Marchini JS. Ciências nutricionais. 2ª ed. Rio de Janeiro: Sarvier; 2001.
Gasto energético total
Introdução
Para os seres humanos, a função primordial dos alimentos é cobrir as necessidades de energia e nutrientes. Segundo
Escudero1, os alimentos são todas as substâncias, que incorporadas ou não ao organismo, exercem nele função de
nutrição. Quimicamente, os alimentos podem ser definidos como uma mistura de nutrientes (compostos orgânicos e
inorgânicos); os nutrientes, ainda na visão de Escudero, são substâncias cuja ausência no regime alimentar ou sua
diminuição abaixo do limite produz, no fim de certo tempo, enfermidade carencial. Quando se trata de balanço
energético e sua delicada equação de equilíbrio, o consumo por meio dos alimentos e seu gasto se constituem importante
objeto de debate. A necessidade de energia2 é definida como “o nível de ingestão de energia a partir de um alimento que
irá equilibrar o gasto de energia quando o indivíduo tem um peso e composição corpórea e um nível de atividade física
consistente com a boa saúde em longo prazo”.

Unidades de medida
Como o calor é uma forma de energia, pode ser medido em unidades de energia, como o joule. Entretanto,
historicamente, foi adotada uma unidade independente de quantidade de calor, a caloria, cujo uso persiste até hoje.
Originariamente da física, temos que a caloria ou pequena caloria (cal) é a quantidade de calor necessária para elevar a
1°C a temperatura de 1 ml de água, sendo esta a unidade padrão de medida para calor. Se formos aplicar o mesmo
princípio para 1 kg de água, é necessário fornecer, para a mesma variação de 1°C, a quantidade de calor de 103cal ou 1
kcal (quilocalorias)3.

Calorímetro de alimentos ou calorímetro tipo bomba


Para determinação do valor energético total ou bruto dos macronutrientes energéticos, os laboratórios utilizam um
aparelho denominado calorímetro tipo bomba. O calorímetro é um recipiente totalmente fechado e isolado do ambiente
exterior com um termômetro imerso que registra a variação da temperatura da água contida entre as paredes do
dispositivo. Uma porção do alimento é pesada e uma corrente elétrica inflama a câmara até ele ser totalmente queimado.
O calor da combustão do alimento é absorvido pela camada de água que envolve o aparelho e a quantidade de calor é
determinada pela variação da temperatura dada no termômetro de alta precisão5.

Saiba Mais!
Na Nutrição emprega-se a chamada grande caloria ou quilocaloria, cuja notação pode ser kcal ou Cal. Assim, com pudemos observar, a
quilocaloria representa 1.000 cal. As unidades de medida se relacionam da seguinte maneira:

1 kcal (quilocaloria) = 1 Cal = 1000 Cal = 4,18 quilojoule (kJ)

O Joule, ou quilojoule (kJ), é a unidade internacional padronizada para expressar a energia dos alimentos4, porém, para fins de
rotulagem de alimentos no Brasil, a caloria dos alimentos é referida como quilocalorias (kcal)
Os calorímetros tipo bomba operam com base no princípio da calorimetria direta, medindo o calor liberado na medida
em que ocorre a combustão completa do alimento teste.

Fatores gerais de Atwater


Diferente dos valores calóricos obtidos pelo calorímetro (Figura 6.1), nos seres humanos a eficiência do processo
digestivo influencia o aproveitamento orgânico final dos macronutrientes energéticos: carboidratos, proteína e gorduras5.
Definição numérica para tal fato é conhecida como coeficiente de digestibilidade. Este pode ser entendido como o
percentual de alimentos ingeridos que são digeridos e realmente absorvidos para atender às necessidades metabólicas do
organismo 4.
Os valores energéticos dos macronutrientes são hoje referidos como fatores gerais de Atwater (Tabela 6.1). Esses
valores são aplicados para o total de proteína, carboidrato e gordura em dieta mista, como também na avaliação do valor
energético de alimentos individualmente5.

Saiba Mais!
No calorímetro tipo bomba, o alimento é literalmente queimado e o calor (calorias) liberado pelo alimento eleva a temperatura da água na
qual o compartimento bomba está, fornecendo informações sobre o conteúdo calórico do alimento

Figura 6.1 – Calorímetro tipo bomba4.

TABELA 6.1 – Fatores gerais de Atwater para calor de combustão, coeficiente de disponibilidade e “energia disponível” para nutrientes em dieta mista4
Energia disponível Fatores de Atwater
Macronutrientes Calor de combustão (kcal/g) Coeficiente de disponibilidade (%) (kcal/g total nutrientes)

Proteína 6,65 92 4

Gordura 9,40 95 9

Carboidrato 4,10 97 4

Fatores gerais e específicos de Atwater

O trabalho desenvolvido por Atwater deixa claro que apesar do ponto de vista termodinâmico uma caloria ser uma
caloria, existe diferença entre os valores de energia metabolizável, calculada pelos fatores gerais de Atwater e o
aproveitamento desta energia pelo organismo 5. Isto é, embora os fatores gerais devam continuar a ser empregados para
cálculo da energia metabolizável de uma dieta mista, assume-se um erro, que é dado para cada macronutriente
energético particular do alimento. Esse erro é inerente à estrutura química do alimento, que altera a energia bruta por
unidade de peso dele, introduzindo um erro no cálculo do conteúdo de energia total metabolizável de um alimento ou
refeição em particular6. Apesar disso, os fatores gerais de Atwater, segundo Buchholz e Shoeller5, continuam sendo
amplamente empregados e válidos com uma exceção para os autores: presença de grande quantidade de carboidratos
dietéticos não digeríveis (fibra dietética). A fibra dietética aumentaria a excreção fecal de gordura, nitrogênio e energia7,8.
Os fatores de Atwater podem superestimar a energia metabolizável medida em maior extensão para aquela com maior
quantidade de fibra não digerível do que aquela com fibra mais digerível, superestimando cerca de 7% e 2,6%,
respectivamente7,9. Juntos, todos os recentes estudos demonstram que não é possível sempre assumir que os carboidratos
dietéticos forneçam 4 kcal/g; alguns autores referenciam um fator específico de energia metabolizável para os
carboidratos de5,9 3,75 kcal/g. Finalmente, os prováveis mecanismos pelos quais esses carboidratos dietéticos não
digeríveis agiriam seriam: redução do tempo de trânsito intestinal (menor tempo total para absorção de nutrientes);
aumento do volume e capacidade de arraste da água (reduzindo a taxa de difusão de produtos de digestão em direção à
superfície da mucosa intestinal para absorção) ou causando erosão mecânica na superfície da mucosa (ocasionando
aumento de material endógeno)4,5.

Mensuração do gasto energético


A determinação da necessidade energética total de um indivíduo pode ser obtida a partir de duas abordagens: (a)
mensurações direta e/ou indireta da energia produzida (produção de calor); ou (b) emprego de fórmulas preditivas que
traduzirão em estimativas do gasto energético total.
Reis10 discute a terminologia empregada na área de mensuração do custo energético e pondera que a dificuldade no
seu cálculo reside no fato de a solicitação energética durante o exercício ser mista (aeróbica e anaeróbica) e em
diferentes proporções. Ainda observa existir um emprego abusivo e impreciso de termos associados à área, como: gasto
energético, gasto calórico, dispêndio energético, ou mesmo, custo energético. Desses, o mais impreciso seria gasto
calórico, sendo desaconselhável seu uso; já gasto energético ou dispêndio energético seria mais adequado e sinônimo e
preferencialmente empregado neste capítulo.

Calorimetria direta
Para este método é empregada a câmara calorimétrica ou calorímetro (Figura 6.2), que mensura a quantidade de calor
dissipada por um indivíduo para o ambiente no repouso ou durante exercício pela diferença de temperatura da água que
circula através dos tubos na câmara. Há sofisticada engenharia de isolamento térmico para impedir perda de energia
térmica desse espaço. A temperatura da água que flui pela câmara é cuidadosamente avaliada em intervalos de tempos
frequentes por meio de um sistema de monitoração da água que entra e sai da câmara. O princípio é semelhante ao
calorímetro empregado para determinar o conteúdo calórico dos alimentos e ambos os equipamentos são dispendiosos,
pequenos; medidas precisas requerem tempo além de não permitir discriminar a proporção de macronutrientes
energéticos (carboidratos, proteínas e gorduras) que estão sendo metabolizados11. Assim sendo, para prática de esportes
comuns, atividades ocupacionais e recreativas este equipamento, apesar de sua grande precisão, não é aplicável12.
Figura 6.2 – Calorímetro.

Calorimetria indireta
Esta técnica estima a produção de energia medindo o consumo de oxigênio e constitui, ao contrário da calorimetria
direta que mensura a produção de energia liberada no trabalho muscular, medida indireta da quantidade de energia (kcal)
produzida pelo corpo. Assim como a calorimetria direta, a indireta é uma metodologia não invasiva considerada padrão-
ouro para determinação da produção de energia13. A calorimetria indireta emprega duas técnicas para mensuração do
consumo de oxigênio de um indivíduo: a espirometria circuito aberto e espirometria circuito fechado e comparado à
calorimetria direta é um método relativamente mais simples, cujo equipamento é menos dispendioso, além de ser técnica
altamente precisa.

Equações preditivas para cálculo do gasto energético total


Segundo a FAO/WHO/UNU2, a ingestão de energia deve ser proporcional ao gasto energético, cujo objetivo é alcançar o
equilíbrio, pois o excesso de energia não pode ser eliminado e é, eventualmente, depositado na forma de gordura
corporal.
Para o cálculo preditivo da necessidade energética são empregadas fórmulas derivadas a partir de estudos
populacionais, as quais a literatura registra mais de 200 publicadas14. Ao contrário da calorimetria, o gasto energético
total (GET) diário é dividido em vários componentes, sendo os principais: gasto energético basal (GEB); gasto
energético decorrente da atividade física (GEAF); e a termogênese induzida pelo alimento/dieta (TID) (Figura 6.4); estes
se relacionam da seguinte forma:

GET (kcal/24h) = GEB + GEAF + TID

Saiba Mais!
Segundo Diener13, os calorímetros podem ser classificados pelo seu princípio de funcionamento em:

• Equipamentos de circuito fechado: nos equipamentos de circuito fechado, as trocas gasosas são medidas por alterações no volume
dentro de um reservatório fechado contendo oxigênio, no qual o indivíduo respira continuamente o gás por meio do sistema de válvulas
direcionais. A redução no volume desse gás durante o período do exame determina o consumo do oxigênio
• Equipamentos de circuito aberto: aqui ambos os extremos do sistema se comunicam com o ambiente, assim o ar inspirado é mantido
separado do ar expirado por meio de um sistema de válvulas unidirecionais (Figura 6.3). Os monitores metabólicos utilizados
atualmente são instrumentos microprocessados que empregam analisadores rápidos de oxigênio e gás carbônico capazes de medir
instantaneamente as alterações nas concentrações dos gases analisados, além de serem portáteis e permitirem mensurações durante
a prática da maioria das atividades física e exercícios

Figura 6.3 – Calorímetro indireto de circuito aberto. Modificado de Diener13. VE = volume expirado; VI = volume inspirado.

Gasto energético basal


Definido como o gasto energético que traduz a necessidade mínima de energia para manutenção das funções vitais dos
seres humanos, como cardiovascular, respiratória, síntese orgânica, manutenção das bombas de íons da membrana
celular, temperatura corporal, entre outras. Sofre influência de fatores, como idade, gênero, composição corporal e
estado fisiológico14. O GEB será empregado neste tópico em vez do gasto energético de repouso (GER), que representa a
energia gasta sob condições de repouso e mensurado logo após o indivíduo despertar pela manhã, com 12 horas de jejum
em ambiente termoneutro. O GEB é 10% maior do que o GER em razão do efeito térmico pós-prandial, não sendo esta
diferença estatisticamente significante15. O GEB é mensurado, com grande precisão, em indivíduos alocados em
ambiente termoneutro logo após acordar, em estado pós-absortivo (jejum entre 10 e 12 horas), em repouso mínimo de 30
minutos, em estado de vigília e em decúbito dorsal pelas técnicas de calorimetria descrita em tópicos anteriores2.
Medidas precisas demonstram que o GEB, em indivíduos sedentários, equivale, em média, a 60% do GET; sendo
fortemente influenciado pela quantidade de massa magra exibe diferença gênero específica, registrando-se para os
homens gasto basal de 1,43 kcal/min e para as mulheres 0,8 kcal/min14.

Figura 6.4 – Pirâmide dos componentes do gasto energético total diário.


Gasto energético da atividade física
Segundo o relato técnico 742 da FAO/WHO/UNU2, o nível de atividade física de um indivíduo necessita análise
detalhada quando se avaliam as necessidades de energia, principalmente por algumas dessas atividades serem essenciais
para o próprio indivíduo, a comunidade em que se insere e podem ser consideradas atividades econômicas mantenedoras
da vida. Neste sentido, ficam definidas as necessidades energéticas para atividades físicas ocupacionais.
Em contrapartida e não menos importantes estão as atividades físicas arbitrárias, nas quais a necessidade energética
cobrirá os gastos para execução de atividades voltadas ao bem-estar da comunidade e saúde do indivíduo e da
população. As atividades físicas arbitrárias são ainda subdivididas em2 (Figura 6.5):

• Familiares: atividade física realizada no âmbito familiar pode incluir cuidar do jardim, consertos domésticos, atividades do
lar entre outras;
• Sociais: atividade física relacionada a uma variedade de tarefas socialmente construtivas, como atenção a centros
comunitários, jogos e festividades, caminhadas em prol da saúde, entre outras;
• Bem-estar físico e promoção da saúde: atividades físicas relacionadas à atividade física ou ao exercício que objetivem
promoção da saúde física ou mental.

Com respeito à participação do nutricionista como profissional na área de saúde para promoção do aumento do nível
de atividade física, a inclusão na anamnese de questionário sobre prática de atividade física no lar, social e para
promoção da saúde e bem-estar é necessidade básica quando se trabalha com indivíduos fisicamente ativos. Para aqueles
clientes que ainda não possuem o hábito regular de atividades físicas arbitrárias é preciso identificar os diversos padrões
de atividades físicas e promovê-las. Isso pode ser conseguido por meio de instrumento peculiar: a pirâmide da atividade
física (Figura 6.6). Tal instrumento não tem finalidade de prescrição, lembrando que não é atividade privativa do
nutricionista, sendo vetada a ele a prescrição de exercício. Porém, como instrumento de promoção e entendimento das
diversas modalidades de atividades é válido e obrigatório nos consultórios nutricionais16.

Saiba Mais!
Desde 2006, a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, em seu posicionamento sobre atividade física e saúde, recomenda que:

• “Os profissionais da área de saúde devem combater o sedentarismo, incluindo em sua anamnese questionamentos específicos sobre
atividade física regular, desportiva ou não, conscientizando as pessoas a esse respeito e estimulando incremento da atividade física,
através de atividades informais e formais

• Os governos, em diversos níveis, devem considerar a atividade física como questão fundamental de saúde pública, divulgando
informações relevantes a seu respeito e implementando programas para prática orientada
• As entidades profissionais e científicas e os meios de comunicação, enfim as forças organizadas da sociedade devem contribuir para a
redução da incidência do sedentarismo e massificação da prática orientada de exercícios físicos"

Figura 6.5 – Classificação da atividade física.


Termogênese induzida pela dieta ou efeito térmico do alimento
Refere-se à alteração gerada pelo consumo alimentar do gasto energético em decorrência de digestão, absorção,
transporte e incorporação dos nutrientes pelo organismo. Pode ser dividida em dois subcomponentes: a
termogênese obrigatória (TO), que é a termogênese propriamente dita, e a termogênese facultativa (TF), relacionada ao
gasto energético decorrente da manutenção da temperatura corporal, estresse emocional e outros fatores mediados pelo
sistema nervoso central15. O efeito da TID atinge seu valor máximo de intensidade 1 hora após a ingestão do alimento,
mas pode manter-se elevado por 4 a 8 horas. Há vários fatores que interferem na TID relacionados principalmente à
oferta energética e ao tipo de nutriente, sendo aceita para dieta mista TID de cerca de 5 a 10%; já para os carboidratos de
5 a 15%, proteínas 20 a 30% e lipídeos de14,17 0 a 3%.

Equações preditivas do gasto energético total diário


Na prática do consultório, a estimativa do GET é uma atividade cotidiana do nutricionista, portanto, o emprego de
equações preditivas é fundamental, notadamente pela sua praticidade; porém, possuem precisão menor quando
comparadas aos métodos de calorimetria. Os componentes do GET são divididos, conforme descrito pelo método
fatorial e calculados isoladamente e depois somados (Figura 6.7).
A OMS18 referencia em seu relatório que os valores de nível de atividade física (NAF), que expressam o GET como
um múltiplo da taxa metabólica basal (TMB), são uma maneira universalmente aceita de expressar o gasto de energia,
permitindo o ajuste aproximado para indivíduos de diferentes tamanhos e ajudam a transmitir um conceito facilmente
compreensível e assimilável (Tabela 6.2).

Saiba Mais!
A FAO/WHO/UNU (2004)19 em seu relato técnico n. 894, intitulado Obesidade: prevenindo e controlando a epidemia global, define não
apenas o conceito de atividade física, mas também o de inatividade física

• Inatividade física (IF) ou comportamento sedentário: é definido como o estado em que o movimento corporal é mínimo e o gasto de
energia se aproxima da taxa metabólica basal (TMB)

Contudo:

É mais do que ausência de atividade; ela inclui a participação em comportamentos fisicamente passivos como assistir à TV, ler,
trabalhar em computador, falar com os amigos ao telefone, dirigir carro, meditar ou comer

E alerta que a IF pode contribuir para o ganho de peso por outros meios além da redução do gasto de energia. Estudos em
adolescentes e adultos demonstram relações significantes entre IF e outras práticas de saúde adversas, como consumo de alimentos
menos saudáveis e ingestão aumentada de gordura

A Pirâmide da Atividade Física (Figura 6.6), é um instrumento visual que veicula duas informações essenciais para a promoção da
saúde e bem-estar: aumento do nível de atividade física (comportamento benéfico à saúde) e redução da inatividade física
(comportamento adverso à saúde)
Figura 6.6 – Pirâmide da atividade física e recomendações associadas.

Figura 6.7 – Definição e relação entre os principais componentes do gasto energético total (GET) diário. GEAF = gasto energético decorrente da
atividade física; GEB = gasto energético basal; TF = termogênese facultativa; TID = termogênese induzida pela dieta.

TABELA 6.2 – Valores de níveis de atividade física (NAF)18


Estilo de vida NAF Observações

Inativo 1,4 Indivíduos que não estão comprometidas com qualquer atividade física. Atividade ocupacional leve

Atividade limitada 1,55 a 1,6 Indivíduos principalmente com atividade física ocupacional e arbitrária de intensidade leve

Fisicamente ativo ≥ 1,75 Indivíduos com atividade física regular

Saiba Mais!
A OMS18 pontua que para evitar a obesidade, as populações devem permanecer fisicamente ativas durante toda a vida, mantendo valor
de NAF ≥ 1,75. Ainda orienta algumas maneiras pelas quais o NAF pode ser aumentado de 1,55 a 1,60 para ≥ 1,75 pelo acréscimo de:
• 1 h de atividade física moderada todos os dias: caminhada rápida (6 km/h); ciclismo (5 km/h); jardinagem, beisebol, voleibol

• 45 min: caminhada em campos e matas; ciclismo (15 km/h), patinação (14 km/h); esqui aquático; dança; caminhar na praia

• 30 min (quaisquer atividades vigorosas ou competição): futebol, corrida (13 km/h), handebol, basquetebol

Essas informações são fundamentais, principalmente para o nutricionista que atua na área Esportiva para promover a melhora no
nível de atividade física geral dos seus pacientes e clientes

Estimativas do gasto energético total pelas equações FAO/WHO/UNU (1985)


Desde que em 1985 FAO/WHO/UNU publicaram as equações preditivas para cálculo do GEB (Tabelas 6.3 e 6.4) e a
recomendação de que deveriam substituir a prática de obter o GET pela ingestão alimentar, estas se tornaram as mais
empregadas em população adulta saudável. A partir dessas equações (Tabelas 6.3 e 6.4), que são provenientes de
modificação de um banco de dados de Schofield do ano de 198520, os pesquisadores da área começaram a registrar uma
superestimação do valor de TMB em diferentes grupos étnicos e particularmente aqueles residentes nos trópicos21. Essa
diferença no fato de a base de dados contemplar grande número de italianos (seguidos de europeus e norte-americanos);
indivíduos predominantemente de regiões de clima temperado; não padronização do teste de calorimetria (jejum pré-
teste); características diferenciadas de composição corporal22; faixa etária estreita e muitos indivíduos caucasianos23.
TABELA 6.3 – Equações preditivas do gasto energético basal (GEB) a partir da massa corporal (MC)* para o sexo masculino2
Faixa etária (anos) Equação preditiva

0a3 60,9 × MC (kg) – 54

3 a 10 22,7 × MC (kg) + 495

10 a 18 17,5 × MC (kg) + 651

18 a 30 15,3 × MC (kg) + 679

30 a 60 11,6 × MC (kg) + 879

> 60 13,5 × MC (kg) + 487

* MC atual (se dado conhecido) ou MC média para idade, gênero e altura.

TABELA 6.4 – Equações preditivas do gasto energético basal (GEB) a partir da massa corporal (MC) para o sexo feminino2
Faixa etária (anos) Equação preditiva

0a3 61 × MC (kg) – 51

3 a 10 22,5 × MC (kg) + 499

10 a 18 12,2 × MC (kg) + 746

18 a 30 14,7 × MC (kg) + 496

30 a 60 8,7 × MC (kg) + 829

> 60 10,5 × MC (kg) + 596

* MC atual (se dado conhecido) ou MC média para idade, gênero e altura.

Como pode ser observado há recomendação que para obtenção do GEB se empregue nas fórmulas preditivas a massa
corporal (MC) atual, caso esse dado seja conhecido, e se não, a MC média, de acordo com idade, sexo e altura
(Tabela 6.5). No caso de dados não contemplados pela Tabela 6.5, por exemplo, mulheres acima de 1,80 m e nos
homens abaixo de 1,56 ou mesmo para simplificação no cálculo, há a orientação de obter o peso para altura (A)
empregando o IMC ou índice de Quetelet2,24: MC = IMC × A2. A justificativa para emprego deste índice é que ele fornece
a MC para altura independente da altura real e que a estatura não é uma variável relacionada aos riscos para a saúde.
Média

TABELA 6.5 – Média e variação da massa corporal (MC) desejável em relação à altura em indivíduos adultos2

Homens MC (kg) Mulheres MC (kg)

Altura (m) Média Variação Obeso Média Variação Obeso

1,45 – – – 46 42 a 53 64

1,48 – – – 46,5 42 a 54 65

1,50 – – – 47 43 a 55 66

1,52 – – – 48,5 44 a 57 68

1,54 – – – 49,5 44 a 58 70

1,56 – – – 50,4 45 a 58 70

1,58 55,8 51 a 64 77 51,3 46 a 59 71

1,60 57,6 52 a 65 78 52,6 48 a 61 73

1,62 58,6 53 a 66 79 54 49 a 62 74

1,64 59,6 54 a 67 80 55 50 a 64 77

1,66 60,6 55 a 69 83 56,8 51 a 65 78

1,68 61,7 56 a 71 85 58,1 52 a 66 79

1,70 63,5 58 a 73 88 60 53 a 67 80

1,72 65 59 a 74 89 61,3 55 a 69 83

1,74 66,5 60 a 75 90 62,6 56 a 70 84

1,76 68 62 a 77 92 64 58 a 72 96

1,78 64,9 64 a 79 95 65,3 59 a 74 89

1,80 71 65 a 80 96 – – –

1,82 72,6 66 a 82 98 – – –

1,84 74,2 67 a 84 101 – – –

1,86 75,8 69 a 86 103 – – –

1,88 77,6 71 a 88 106 – – –

1,90 79,3 73 a 90 108 – – –

1,92 81 75 a 93 112 – – –

IMC 22 20,1 a 25 30 20,8 18,7 a 23,8 28,6

Após o cálculo do GEB, Avesani et al.15 propõem que quando o nível de atividade física de um indivíduo não é
passível de mudanças, ou mesmo quando não se obtêm informações detalhadas do entrevistado, o GET pode ser
calculado multiplicando-se os valores relacionados aos fatores de atividade ocupacional FAO/WHO/UNU (1985)
(Tabela 6.6 e 6.7).
TABELA 6.6 – Necessidade de energia para adultos do sexo masculino como múltiplo do gasto energético basal (GEB) pelo fator relacionado à
atividade física ocupacional (AFO)
Idade (anos) Atividade ocupacional (AFO) Fator da AFO (× GEB)

18,1 a 30 Leve 1,55

Moderada 1,8

Pesada 2,1

30,1 a 65 Leve 1,55

Moderada 1,8

Pesada 2,1

≤ 65,1 Leve 1,4

Moderada 1,6

Pesada 1,9

TABELA 6.7 – Necessidade de energia para adultos do sexo feminino como múltiplo do gasto energético basal (GEB) pelo fator relacionado à
atividade física ocupacional (AFO)
Idade (anos) Atividade ocupacional (AFO) Fator da AFO (× GEB)

18,1 a 65 Leve 1,55

Moderada 1,65

Pesada 1,8

≤ 65,1 Leve 1,4

Moderada 1,6

Pesada 1,8

No caso, retomando o exemplo dado no cálculo do gasto energético total (GET) da cliente L.R.M., observando ser seu padrão diário de atividade
física leve, os cálculos diretos seriam:

GET = TMB × FAO = [(14,7 × peso) + 496] × 1,55 = 2.135,9 kcal

Não é de se espantar que o fator de atividade ocupacional (1,55) tenha valor quase idêntico ao obtido pelo método fatorial (1,54), pois as
metodologias são equivalentes

Caso se possua mais informações sobre o cotidiano de gasto energético do indivíduo, o GET diário pode ser obtido
por meio da metodologia do fator de atividade física personalizado, que procura, dentro de um inquérito investigativo,
alocar nas 24 horas as diversas atividades físicas de um indivíduo em diferentes intensidades relacionadas como
múltiplos do GEB, conforme Figura 6.8.
Figura 6.8 – Múltiplos do gasto energético basal (GEB), segundo o nível de atividade física25.

Exemplo de cálculo
Para facilitar os cálculos é aconselhável a construção de uma tabela com as horas de diferentes atividades desenvolvidas
pelo cliente/paciente, como exemplificado na Tabela 6.8. No caso, vamos calcular o GET para L.R.M., do sexo
feminino, 25 anos, MC atual de 60 kg, IMC classificado com eutrófico; atualmente não trabalha, desenvolvendo
atividades no lar. Em entrevista nutricional relatou o seguinte cotidiano:

TABELA 6.8 – Exemplo de obtenção do gasto energético basal (GEB) pelo cálculo do fator de atividade personalizado
Níveis de atividade Fator de atividade física (FA) Duração (horas) FA × no horas

Repouso (dormir e assistir TV) 1 12 12


11 11

Muito leve (dirigir, aguardar os filhos) 1,5 5 7,5

Leve (serviços da casa com diarista) 2,5 7 17,5

Moderada (sem relato) Ciclismo 5 0 0


1 5

Pesada (sem relato) 7 0 0

Total – 24 horas 37
41

Obtenção do fator de atividade física personalizado (FAP)


FAP = (FA × no de horas) ÷ (24 horas) = 37 ÷ 24 = 1,54

FAP = (FA × no de horas) ÷ (24 horas) = 41 ÷ 24 = 1,71

Obtenção do gasto energético total (GET):

GET = GEB (tabela x) × FAP = [(14,7 × peso) + 496] × 1,54 = 2.122,1 kcal

GET = GEB (tabela x) × FAP = [(14,7 × peso) + 496] × 1,71 = 2.356,4 kcal

Dia típico: 8 horas sono, 4 horas assiste à televisão deitada no sofá, 2 horas dirigindo para os filhos (escola, curso de
línguas, esporte etc.), 3 horas aguardando os filhos nas tarefas, 7 horas de serviços domésticos (almoço, organização da
casa etc.). Possui diarista.
QUADRO 6.1 – Equações para estimativa das necessidades de energia (EER) para indivíduos adultos (≥19 anos) do sexo masculino26

• Equação preditiva – homens:

662 – 9,53 × idade (anos) + coeficiente de atividade física* × [15,91 × peso (kg) + 539,6 × altura (m)]

* Coeficiente de atividade física:


– Sedentário: 1
– Pouco ativo: 1,11
– Ativo: 1,25
– Muito ativo: 1,48
QUADRO 6.2 – Equações para estimativa das necessidades de energia (EER) para indivíduos adultos (≥ 19 anos) do sexo feminino26

• Equação preditiva – mulheres:

354 – 6,91 × idade (anos) + coeficiente de atividade física* × [9,36 × peso (kg) + 726 × altura (m)]

* Coeficiente de atividade física:


– Sedentário: 1
– Pouco ativo: 1,12
– Ativo: 1,27
– Muito ativo: 1,45
Esta metodologia permite ao nutricionista na Área de Esporte grande flexibilidade, pois no caso desta cliente, se fosse
aconselhável a incorporação de atividade de moderada, como andar de bicicleta por 1 hora em parque perto de sua casa
em detrimento de 1 hora de televisão, teríamos as alterações apresentadas em itálico na Tabela 6.8. Caso esteja em
ambiente de academia ou outro similar, no qual diversas atividades são realizadas, muitas vezes ao longo da semana,
ainda assim é possível calcular o GET. Também é interessante observar que na área de Nutrição, voltada para indivíduos
fisicamente ativos, o nutricionista trabalha muitas vezes com mais de uma opção de cardápio em decorrência das
variações semanais do padrão de atividades físicas.

Saiba Mais!
Os MET também permitem, pela sua relação com o gasto energético basal, traçar uma relação com a intensidade da atividade física
(Quadro 6.3). Isso é importante para ampliar o leque de opções de recomendação de atividades físicas com intensidades similares,
melhorando, pela diversidade, a adesão do cliente ao programa de atividade física; calcular o GET para finalidade de prescrição
nutricional objetivando tanto a perda, o ganho ou o controle de peso e acrescentar informações de cunho epidemiológico, bem como
auxiliar em delineamentos experimentais
QUADRO 6.3 – Níveis de intensidade da atividade física a partir do equivalente metabólico (MET)

• Intensidade da atividade física segundo o MET:

– Leve: < 3 MET

– Moderada: 3 a 6 MET

– Pesada: > 6 MET

Estimativas do gasto energético total pelas equações do Institute of Medicine26


O Institute of Medicine26 publicou equações para estimar o GET a partir da metodologia considerada “padrão-ouro”: a
água duplamente marcada. Nessa técnica, o indivíduo ingere uma dose de água marcada com isótopos estáveis não
radioativos de hidrogênio (2H) e oxigênio (18O), o que permite que sejam feitas medidas do GET entre uma e duas
semanas sem necessidade de isolamento em unidade metabólica, alteração das atividades físicas cotidianas e fixação de
qualquer dispositivo no corpo23. Apresenta como principais limitações o alto custo dos equipamentos que mensuram os
isótopos e da água duplamente marcada, assim como não determinar os componentes do GET isoladamente para
pesquisas referentes ao diversos níveis de atividade física27.
As equações para a denominada estimativa da necessidade de energia (EER: estimated average requirement) são, segundo o IOM26, aplicáveis aos indivíduos adultos com
as seguintes características: MC adequada (18,5 ≤ IMC ≤ 25 kg/m2) e idade até 100 anos (Quadros 6.1 e 6.2).

Estimativas do gasto energético total pelo método dos equivalentes metabólicos


Nesta metodologia, o gasto energético de dada atividade física é expresso como um múltiplo do MET, ou seja, o quociente entre a taxa metabólica associada à atividade e
ao GEB. Por exemplo, uma atividade de 2 MET requer o dobro do dispêndio energético exigido na situação em que se está sentado, tranquilo ou de GEB. Um MET
corresponde, para um indivíduo adulto médio, ao consumo de oxigênio de aproximadamente 3,5 ml × kg (peso corporal)-1 × min-1 ou 1 kcal × kg (peso corporal)-1 x h-1. O
custo energético de uma atividade pode ser calculado multiplicando-se o peso corporal pelo valor do MET e considerando-se a duração da atividade. Como exemplo,
pedalar a 4 MET implica gasto calórico de 4 kcal × kg-1 × h-1. Indivíduo de 60 kg que pedala nessa intensidade, por 40 minutos, despende (4 MET × 60 kg × 40 min)/60 min,
ou seja, 160 kcal, ou 4 kcal × min-1. Indivíduo de 80 kg, que executa a mesma atividade, teria gasto calórico total27 de 213 kcal, ou 5,3 kcal × min-1.
Para se chegar ao GET basta somar os gastos energéticos de todas as atividades físicas descritas pelo cliente/paciente no registro das atividades físicas. Nas Tabelas 6.9 a
6.11 estão associados os valores de MET de algumas atividades físicas que podem ser úteis para o cálculo nutricional.
TABELA 6.9 – Atividades físicas leves (MET ≤ 3)
MET Contexto principal Atividade física específica

0,9 Inatividade, tranquilo Dormir

1 Exercício de condicionamento Turbilhão: sentado

1 Inatividade, tranquilo Ficar deitado e quieto: assistindo televisão, fazendo nada, deitado na cama acordado, escutando música (sem falar ou ler)
Sentado e quieto: assistindo TV, fumando, escutando música (sem falar ou ler), assistindo a um filme no cinema; reclinado: escrevendo/falando (com terceiros ou ao
telefone), lendo, meditando

1 Cuidados pessoais Ter o cabelo ou unha cuidada por terceiro; tomar remédio, sentado ou de pé; sentado na privada (vaso sanitário)

1 Transporte Dirigir carro, caminhão ou ônibus

1 Atividades religiosas Sentado na igreja durante a missa assistindo à cerimônia (sentado quieto); ajoelhado na igreja ou em casa rezando (orando)

1,2 Inatividade, tranquilo De pé quieto (p. ex., esperar em uma fila)

1,2 Atividades religiosas De pé na igreja (quieto), assistindo à cerimônia

1,3 Miscelânea Sentado lendo livro, jornal etc.

1,3 Atividades ocupacionais Policial viajando em viatura (sentado)

1,3 Atividades religiosas Sentado lendo textos religiosos em casa

1,5 Atividades domésticas Recostar-se com um bebê no colo; sentado: costurando, bordando, empacotamento leve (presentes)

1,5 Gramado e jardim Regar gramado ou jardim, de pé ou andando

1,5 Miscelânea Retiro/reunião familiar envolvendo atividades sentadas, relaxando, falando e comendo; sentado em evento desportivo como espectador, fazendo artes e artesanatos,
esforços leves, jogando cartas ou jogos de mesa, conversando ou falando ao telefone

1,5 Atividades ocupacionais Sentado realizando trabalho leve de escritório, laboratório, reparo de relógios ou computadores, manuseio de ferramentas leves, lendo ou dirigindo, em encontros e
congressos, falando ou não, comendo em encontro de trabalho; digitação em máquina elétrica, manual ou computador; atividade na fazenda: ordenha mecânica,
esforços leves

1,5 Cuidados pessoais Tomar banho (sentado); comer (sentado)

1,5 Atividades religiosas Comendo na igreja; datilografando em máquina elétrica, manual ou computador; sentado na igreja, falando ou cantando; assistindo à cerimônia; sentado em
participação ativa

1,5 Atividades voluntárias Sentado em encontros com ou sem conversação envolvida; digitando/datilografando em máquina elétrica, manual ou computador; sentado em trabalho leve de
escritório

1,8 Miscelânea Sentado escrevendo, trabalhando no escritório, estudando, incluindo ler e/ou escrever; de pé, lendo, conversando ou falando ao telefone, realizando artes e
artesanatos, esforços leves; sentado em sala de aula, incluindo tomar notar e discussões em classe

1,8 Tocar música/instrumentos Acordeão; sanfona

1,8 Atividades religiosas De pé falando na igreja

2 Caça e pesca Pescar sentado imóvel

2 Atividades domésticas Lavar roupa de pé, dobrar ou pendurar roupas, colocar roupa no lavador ou secador, fazer malas, fazer a cama, trocar lâmpada, cozinhar e preparar comida de pé,
sentado ou em geral (atividade não dividida em componentes de pé/caminhando)

2 Miscelânea Fazer viagem, viajar/férias envolvendo caminhadas e andar a cavalo; sentado realizando artes e artesanatos, esforços moderados; de pé desenhando (escrevendo),
jogando em cassinos, operando máquinas copiadoras

2 Tocar música/instrumentos Violoncelo; violão/guitarra clássico; folk (sentado); flauta (sentado); instrumentos de sopro de madeira de forma geral; corneta

2 Atividades ocupacionais Caminhar no trabalho (no escritório ou área de trabalho), a menos de 3 km/h e bem devagar; atividade na fazenda: conduzindo gado ou outro rebanho, dirigindo,
esforços leves; construção de estradas: controlando o tráfico (de pé); alfaiataria: costura a mão; policial: dirigindo viatura (sentado)

2 Cuidados pessoais Conversar e comer ao mesmo tempo ou somente comer de pé; tomar banho de chuveiro, secar-se de pé; de pé, se aprontar para ir dormir; vestir-se ou tirar a roupa
(de pé ou sentado); cuidar-se sentado ou de pé: lavar-se, barbear-se, escovar os dentes, urinar, lavar as mãos, maquiar-se

2 Transporte Dirigir carro ou caminhão leve; pilotar avião

2 Caminhar Caminhar, andar em casa; caminhar menos 3 km/h de modo confortável em terreno plano, bem devagar

2 Atividades religiosas De pé e cantando na igreja, assistindo à cerimônia com participação ativa; caminhando na igreja; caminhar ou ficar de pé para finalidades religiosas; preparando
comida na igreja; comendo/falando na igreja ou comendo de pé em quermesses; caminhando menos que 3 km/h, muito lentamente

2 Atividades voluntárias Andando menos de 3 km/h, bem devagar

2,3 Atividades domésticas Comprar alimentos com ou sem carrinho de supermercado, de pé ou caminhando; fazer compras em pé ou caminhando (shopping); passar a roupa; transportar roupas
caminhando, juntar roupas para empacotar, separar roupa suja ou limpa; lavar pratos de pé ou em geral (atividade não dividida em componentes de
pé/caminhando)

2,3 Atividades ocupacionais Encadernação de livros; trabalho de impressão gráfica de pé; de pé: atendimento em bar, vendas, operando copiadoras, armando árvore de natal, falando no trabalho,
mudando de roupa em aulas de educação física

2,3 Atividades religiosas Lavando pratos, limpando a cozinha da igreja

2,3 Atividades voluntárias De pé trabalho leve: falando, preenchendo, montando peças

2,5 Exercício de condicionamento Hataioga; alongamento leve

2,5 Caça e pesca Caça; arco e flecha ou arbaleta; caçar pato selvagem, em terreno pantanoso, brejo ou espelho d’água; pesca de barco sentado; tiro de pistola ou tiro ao alvo imóvel de

2,5 Atividades domésticas Servir comida, colocar a mesa, envolvendo caminhar e estar de pé; cozinhar ou preparar comida caminhando; alimentando animais; descolar provisões: compra de
mercado, carregar, arrumar provisões, fazer compras sem carrinho; limpeza leve: espanar pó, passar aspirador, mudar roupa de cama, levar lixo para fora; regar
plantas; acender a lareira: inclusive a preparação; lavar pratos, tirar os pratos da mesa, caminhar; sentado brincando com criança(s), esforços leves apenas
períodos ativos; múltiplas tarefas domésticas todas de uma vez, esforço leve; Cuidar de criança sentado ou ajoelhado: vesti-la, dar banho, enfeitá-la, alimentá-la,
levantá-la ocasionalmente; sentado brincando com animais, apenas períodos ativos

2,5 Gramado e jardim Aparar gramado, dirigindo um aparador/cortador; andar, aplicar fertilizante ou semear gramado; pegar frutas de árvores ou vegetais com esforço moderado

2,5 Miscelânea Acampar envolvendo atividades de pé, sentando, andando, esforço de leve a moderado

2,5 Tocar música/instrumentos Trompete; violino; piano ou órgão; regência

2,5 Atividades ocupacionais Alfaiataria: corte em geral, costurar a máquina; operar equipamento pesado/automatizado, estacionário, sem conduzi-lo/dirigi-lo; policial: controlador de tráfego (de pé);
confeitaria esforço leve; camareira fazendo a cama (enfermeiras inclusive); manutenção limpando pia e banheiro, esforço leve; atividade na fazenda: dirigindo
trator, dirigindo colheitadeira, cortando feno, trabalho de irrigação; sentado, esforço moderado: acionar alavancas pesadas, manejar cortador de grama ou forcado,
operar guindaste, dando aulas de alongamento ou ioga; reparo de sapatos, manutenção utilizando aspirador de pó, esforço leve; manutenção: tirando o pó, esforço
leve; operando máquinas, trabalhando lâminas de metal

2,5 Cuidados pessoais Fazer penteado

2,5 Esportes Bilhar; dardo (na parede ou gramado); futebol americano; beisebol (arremesso e pegada); cavalgar (passeio)

2,5 Transporte Dirigir patinete motorizado ou motocicleta.

2,5 Caminhar Observar pássaros como hobby (bird watching); empurrar ou puxar carrinho de bebê com criança; caminhar a 3 km/h (terreno plano e firme, ritmo lento); caminhar da casa
para o carro ou ônibus, do carro ou ônibus para outros lugares, como o trabalho; caminhar até a casa de vizinhos ou familiares por razões sociais; caminhar para e de
um local externo a casa

2,5 Atividades aquáticas Conduzir barco a motor

2,5 Atividades religiosas Servindo comida na igreja; de pé esforço moderado, erguendo 20 kg, juntando peças em ritmo rápido; sentado tocando algum instrumento na igreja

2,5 Atividades voluntárias Sentado em trabalho moderado; sentado cuidando de crianças, apenas períodos ativos

2,6 Atividades ocupacionais Equitação ao passo lento

2,8 Atividades domésticas De pé brincando com animais, esforço leve, apenas períodos ativos; caminhar/correr, brincando com animais, esforço leve e apenas períodos ativos; de pé brincando com
criança(s), esforço leve e apenas períodos ativos
2,8 Caminhar Caminhar 4 km/h descendo encosta

3 Exercício de Ciclismo estacionário 50 W, esforço muito leve; levantamento de pesos: pesos livres, nautilus ou modulados universais; esforço leve ou moderado, rotina leve
condicionamento

3 Dança Dança de salão, devagar (p. ex., valsa, foxtrot, dança lenta); samba; tango; mambo; crachá

3 Caça e pesca Pescar

3 Atividades domésticas Carregando criança pequena; cuidar de criança de pé: vesti-la, dar banho, enfeitá-la, alimentá-la, levantá-la ocasionalmente, esforço leve; caminhar com esforço leve, sem
limpar (aprontar-se para sair, fechar portas, janelas etc.); preparando pão em forno externo (lenha, carvão etc.); transportando utensílios domésticos com necessidade
de caminhar, com esforço moderado; limpeza de casa ou cabana; limpeza pesada, p. ex., lavar carro, lavar janelas, limpar garagem

3 Reparos domésticos Conserto de aeroplanos, de carro (leve, sem trabalho corporal), pintar, colocar papel de parede, revestir de gesso, raspagem, interior da casa, pendurar placas de pedra,
remodelagem; colocar e remover tela de piche em barcos (manta ou calafetagem do barco); reparos elétricos (fios etc.) e de canos em geral; reparos domésticos;
carpintaria em geral no ateliê

3 Gramado e jardim Recolher/colher folhas, gravetos ou vegetais, andando ou de pé; juntando as ferramentas de jardinagem; dirigir soprador de neve

3 Miscelânea De pé realizando artes e artesanatos com esforço moderado

3 Tocar música/instrumentos Guitarra em banda de rock and roll (de pé)

3 Atividades ocupacionais Manutenção com esforço moderado: levar o lixo para fora, utilizar aspirador de pó, encerar o chão com enceradeira; atividade na fazenda com esforço moderado: ordenha
manual; de pé com esforço leve/moderado: trabalhos manuais, soldagem, guardar compras na despensa, reparo de carros, empacotar caixas para mudança, cuidar de
pacientes (como em atividades de enfermagem); operando máquinas: operar grua, soldando; caminhando: 4 km/h lentamente, carregando objetos leves com menos de
11 kg; andando: juntando coisas no trabalho, pronto para sair; trabalhando: em cenário de teatro, como ator ou nos bastidores

3 Esportes Boliche; frisbee; colocar ferradura em cavalo; shuffleboard: jogo em que se impulsionam discos, em contato com o solo, com uso de tacos; boliche em gramado; voleibol
não competitivo (com 6 a 9 membros no time)

3 Transporte Dirigir caminhão pesado: trator ou ônibus

3 Caminhar Carregando ou descarregando o carro; caminhar com o cachorro; caminhar 4 km/h em superfície firme

3 Atividades aquáticas Canoagem remando entre 3 e 6 km/h (esforço leve); mergulhar da costa ou de plataforma; velejar; windsurf; velejar no gelo; velejar: categorias de sunfish, laser, hobby
cat, keel boats; velejar em oceano; iatismo; surfe ou bodyboard

3 Atividades Limpando a igreja


religiosas

3 Atividades De pé trabalho leve/moderado: empacotar, montar/reparar, montar cadeiras e móveis em geral; andando a 4 km/h lentamente e carregando
voluntárias objetos com menos de 10 kg; combinação de atividades andando ou em pé, com finalidade de trabalho voluntário; de pé cuidando de
crianças (apenas períodos ativos)

MET = equivalente metabólico.


TABELA 6.10 – Atividades físicas moderadas (3 ≤ MET ≤ 6)
MET Contexto principal Atividade física específica

3,3 Atividades domésticas Varrer tapetes, varrer o chão

3,3 Atividades ocupacionais Caminhar no trabalho, no escritório 5 km/h, velocidade moderada, sem carregar nada

3,3 Caminhar Caminhar a 5 km/h em terreno plano, superfície firme, ritmo moderado

3,3 Atividades aquáticas Canoagem; colheita manual de arroz selvagem (manuseio da canoa e extrair/bater o grão do caule em regiões pantanosas dos Estados Unidos e Canadá); voleibol na
água

3,3 Atividades religiosas Caminhando a 4,5 km/h, velocidade moderada, sem carregar nada

3,3 Atividades voluntárias Andando a 5 km/h, velocidade moderada, sem carregar nada

3,5 Esportes Arco e flecha, sem finalidade de caça; golfe: usando carrinhos elétricos como trollers; praticar voo livre com asa-delta; selar e cuidar de cavalo; saltar de paraquedas e
trampolim

3,5 Exercício de Remo estacionário 50 W, esforço leve; calistenia, exercício em casa, esforço leve ou moderado (p. ex., exercícios para as costas); levantar e deitar no chão
condicionamento

3,5 Caça e pesca Pescar em beira de rio, de pé

3,5 Atividades domésticas De pé encaixotando/desencaixotando, suspensão ocasional de utensílios domésticos; usar o aspirador de pó; varrer o chão; de pé dando banho no cachorro; múltiplas
tarefas domésticas todas de uma vez, esforço moderado

3,5 Gramado e jardim Aparar arbustos ou árvores, cortador com motor

3,5 Miscelânea De pé realizando artes e artesanatos, esforço vigoroso

3,5 Tocar Fanfarra, percussão (andando); trombone


música/instrumentos

3,5 Atividades ocupacionais Serralheria; manutenção com esforço moderado: limpeza geral varrendo; eletricista, bombeiro hidráulico; atividade na fazenda, esforço moderado, conduzindo gado,
não extenuante (andando); carpintaria geral; de pé esforço moderado: trabalhos manuais feitos aceleradamente, levantar pesos de 22 kg, atrelar animais ou trançar
cordas; alfaiataria; tecelagem

3,5 Caminhar Carregar criança ou carga de aproximadamente 7 kg (maleta) em terreno plano ou em descidas; caminhar por prazer; caminhar por prazer no intervalo do trabalho

3,5 Atividades aquáticas Canoagem, remando por prazer.

3,5 Atividades de inverno Snowmobiling (conduzir veículo motorizado, adaptado para se deslocar na superfície da neve)

3,5 Atividades voluntárias De pé trabalho com esforço moderado: erguer 20 kg, montando peças em ritmo rápido

3,8 Atividades domésticas Esfregar o chão, com apoio de mãos e joelhos

3,8 Atividades ocupacionais Caminhar no trabalho, no escritório a 5 a 6 km/h, velocidade rápida, sem carregar nada

3,8 Caminhar Caminhar a 5,5 km/h em terreno plano, superfície firme, caminhando para exercitar-se, ritmo rápido

3,8 Atividades religiosas Caminhando a 5,5 km/h, velocidade rápida, sem carregar nada
3,8 Atividades voluntárias Andando a 5,5 km/h, velocidade rápida, sem carregar nada

4 Ciclismo Ciclismo < 16 km/h, lazer, para trabalho ou prazer

4 Exercício de Hidroginástica (aeróbica, calistênica/localizada)


condicionamento

4 Caça e pesca Cavando para procurar minhocas com a pá; pescar em beira de rio caminhando

4 Atividades domésticas Cuidar de idoso, adulto incapacitado (apenas períodos ativos); varrer garagem, calçada ou fora de casa; múltiplas tarefas domésticas todas de uma vez com esforço
vigoroso; caminhar/correr brincando com criança(s) com esforço moderado (apenas períodos ativos); caminhar/correr, brincando com animais com esforço
moderado (apenas períodos ativos)

4 Reparos domésticos Conserto de carro (pesado, com trabalho corporal)

4 Gramado e jardim Ensacar grama ou folhas; varrer folhas com ancinho; varrer o telhado com vassoura de neve; jardinagem

4 Tocar Bateria; fanfarra tocando instrumento, rodando bastão (andando)


música/instrumentos

4 Atividades ocupacionais Alfaiataria: passar a ferro; erguendo pesos continuamente (4 a 9 kg), com períodos curtos de caminhada ou repouso; de pé esforço moderado/pesado: levantar pesos
> 22 kg, maçonaria, pintura, colocar papel de parede; caminhar a 5 km/h em velocidade moderada, carregando objetos leves com menos de 11 kg; caminhar
empurrando uma cadeira de rodas; operando máquinas, martelando levemente, usando furadeira; atividade florestal: semeando; atividade na fazenda: alimentando
pequenos animais; conduzindo gado ou outro rebanho sobre cavalo com esforço moderado; manutenção com esforço moderado: cobrindo/limpando piso de
ginásio (arena); ensinar educação física: exercícios, aulas esportivas, sem jogos esportivos; confeitaria no geral com esforço moderado; transporte de cargas
pesadas, como tijolos; fazer massagem de pé; policial: fazendo uma prisão (de pé)

4 Esportes Treinar: futebol americano, futebol, basquetebol, basebol, natação, curling (desporto de equipe praticado sobre o gelo, no qual se busca impulsionar rochas de 19 kg
na direção de um alvo de 3,6 m de diâmetro); ginástica no geral; hacky sack (jogo em que deve ser controlada pequena massa esférica sem uso das mãos,
semelhante a fazer “embaixadas”); cavalgar, malabarismo (com as mãos, lançando objetos para cima e recuperando-os); motocross; softball oficial (adaptação do
beisebol, com uso de bola maior); tênis de mesa; pingue-pongue; tai chi chuan; voleibol; atletismo (peso, disco, martelo)

4 Caminhar Empurrando a cadeira de rodas, em contexto não ocupacional; caminhar para o trabalho ou a aula

4 Atividades aquáticas Canoagem em viagem de acampamento; conduzir barco a pedal (“pedalinho”); nadar/andar na água com esforço moderado; atividades aeróbias na água; calistenia
aquática: hidroginástica

4 Atividades religiosas De pé, trabalho moderado-pesado

4 Atividades voluntárias Caminhar/correr brincando com crianças, esforço moderado (apenas períodos ativos); de pé trabalho moderado a pesado; andando a 5 km/h, moderadamente e
carregando objetos com menos de 10 kg, empurrando algo

4,3 Gramado e jardim Varrer folhas com ancinho

4,3 Esportes Golfe, caminhando e empurrando tacos

4,5 Dança No geral; grega; Oriente Médio; hula; flamenco; swing; dança do ventre; dança de salão rápida: disco, folk, square; line dancing (similar à quadrilha brasileira); dança
irlandesa; polca; country
4,5 Reparos domésticos Pintar; colocar ou remover carpete; calafetagem exceto cabana de madeira; carpintaria: acabamento de móveis ou cabines pequenas (closets etc.); revestir chão com
areia com uso de máquina; raspar ou pintar um barco a vela ou motor; lavar e encerar o casco de barco, carro, barco a motor, aeroplano; lavar e pintar cercas;
colocar piso ou linóleo

4,5 Gramado e jardim Operar soprador de neve andando; aparar gramado, cortador com motor; semear flores e arbustos; plantar árvores; aparar arbustos ou árvores com cortador manual;
retirar erva daninha, cultivar jardim

4,5 Atividades ocupacionais Trabalho em plantação de laranjas; caminhar a 5 a 6 km/h, rapidamente, carregando objetos de menos de 11 kg; atividade na fazenda: alimentar gado, cavalos,
transportar água para animais, transportar água no geral; atividade florestal: serrando com motor, trabalho com peles de animais (peleteiro)

4,5 Correr Jogging em miniexcursão

4,5 Esportes Badminton não competitivo, simples e duplas; basquetebol: arremessar a cesta; golfe: caminhando e transportando tacos

4,5 Atividades voluntárias Andando a 5,5 km/h, rapidamente e carregando objetos com menos de 10 kg

5 Ciclismo Ciclismo, pedalando monociclo

5 Dança Aeróbica de baixo impacto

5 Caça e pesca Caçar coelho/lebre, esquilo, aves silvestres, gambá, animais silvestres de pequeno porte; pescar; caçar

5 Atividades domésticas Caminhar/correr brincando com animais com esforço vigoroso (apenas períodos ativos); caminhar/correr brincando com criança(s) com esforço vigoroso (apenas
períodos ativos); fazer xarope, extrair essência (seiva) para fazer açúcar (incluindo carregar baldes, transportar lenha)

5 Reparos domésticos Pintar o exterior da casa; calafetagem: cabana de madeira; limpar calhas; retirar terra com pá; arrumar a garagem: prospectando
garagem em desordem; instalar janelas pesadas

5 Gramado e jardim Limpar o terreno, transportar gravetos; cavar caixa de areia, remover terra, renovar terra do jardim; espalhar pedra picada (cascalho), cal;
transportar, carregar ou empilhar lenha, carregar ou descarregar lenha ou pranchas (madeira para construção)

5 Atividades ocupacionais Operando máquinas, operando perfuradora ou britadeira; atividade florestal: semeando, cortando com machado, lentamente; caminhar
descer rampas ou escadas, ficar de pé, carregando objetos variando de 11 a 22 kg; siderurgia/metalurgia: alisar o aço

5 Esportes Jogos de criança com movimentação corporal intensa (amarelinha, 4-quadros, queimado, brinquedos de playground, taco
etc.); cricket (rebater, lançar); andar de skate; softball (adaptação do beisebol, com uso de bola maior) ou beisebol velocidade rápida
ou lenta

5 Caminhar Carregar carga entre 0,5 e 7 kg em subidas; caminhar usando muletas ou bengalas, caminhar a 6,5 km/h em terreno plano, superfície
firme, ritmo muito rápido; caminhar em pista ou terreno gramado

5 Atividades aquáticas Velejar em competição; mergulhar com snorckel (mergulho sem garrafas em apnéia); whitewater (descer correntezas em
balsas); rafting (andar de caiaque ou canoagem)

5 Atividades de inverno Esquiar descendo encosta (esforço leve)

5 Atividades religiosas Orar com dança ou deslocamentos rápidos, danças religiosas na igreja (spiritual dancing)

5 Atividades voluntárias Caminhar/correr brincando com crianças com esforço vigoroso (apenas períodos ativos)
5,5 Exercício de Ciclismo estacionário 100 W (esforço leve); exercícios em centros de saúde (fitness, academias etc.)
condicionamento

5,5 Dança Dança de salão rápida

5,5 Dança Anishinaabe ou outra dança ameríndia tradicional (danças indígenas em geral)

5,5 Gramado e jardim Aparar gramado, andando, aparador/cortador com motor; aparar o gramado; cortar lenha ou troncos

5,5 Atividades Ocupacionais Atividade na fazenda recolhendo grãos com pá, esforço moderado; construção civil a céu aberto, remodelagem, siderurgia/metalurgia
forjar peças, entornar aço nas formas

5,5 Atividades de inverno Patinar no gelo, a 14,5 km/h ou menos

6 Ciclismo Ciclismo 16 a 19 km/h, lazer, lento, esforço leve

6 Exercício de Levantamento de peso (pesos livres, nautilus ou modulados universais), power-lifting ou fisiculturismo (esforço
condicionamento vigoroso); slimnastics; jazzercise(atividades ginásticas envolvendo movimento do jazz enquanto dança); conduzir aulas de ginástica
aeróbica

6 Caça e pesca Pesca em correnteza com botas de pescador; caçar cervo, alce, animais silvestres de grande porte, faisão ou galo silvestre

6 Atividades domésticas Abatendo animais; mudar móveis de lugar; faxina

6 Reparos domésticos Consertar telhado; Carpintaria, exterior da casa, instalar calhas, construir uma cerca

6 Gramado e jardim Jardinagem com equipamentos pesados, trabalhando o jardim, operando serra elétrica; aparar gramado, andando, aparador/cortador
manual; cavando, neve, com as mãos

6 Atividades ocupacionais Atividade florestal: plantando manualmente; mineração de carvão; cavando com pá leve (menos de 4,5 kg/min); atividade na fazenda:
cuidando dos animais (escovando, tosando, ajudando no parto, cuidados médicos, marcando); construção de estradas (incluindo
recolhimento de entulho, direção de máquinas pesadas); cuidar de cavalos; usar ferramentas pesadas, como ferramentas
pneumáticas (macaco, arado, etc.)

6 Correr Combinação de caminhada e atividades laborais (componente laboral com menos de 10 min)

6 Esportes Basquetebol sem ser jogo; boxe (punching bag); corrida de carreta, empurrar ou dirigir carros; esgrima; paddleball (jogo indoor, similar
ao squash, com raquetes sem acordoamento e inteiriças); softball lançamentos (adaptação do beisebol, com uso de bola maior);
tênis em duplas; luta greco- romana (1 match = 5 min); atletismo (salto em altura, distância e triplo, dardo, salto com vara)

6 Transporte Conduzir avião para fora do hangar; carregar carga entre 7 e 11 kg, em subidas

6 Caminhar Caminhadas longas em trilhas ou florestas; caminhar 5,5 km/h subindo encosta

6 Atividades aquáticas Esqui aquático; nadar em lago, oceano ou rio; nadar por lazer

6 Atividades de inverno Esquiar descendo encosta (esforço moderado); remover o gelo da casa (cobrir buracos)
TABELA 6.11 – Atividades físicas vigorosas (MET acima de 6)
MET Contexto principal Atividade física específica

6,3 Caminhar Caminhar a 7 km/h, terreno plano, superfície firme, ritmo extremamente rápido

6,5 Dança Aeróbica

6,5 Atividades ocupacionais Dirigir caminhão, carregar e descarregar caminhão (de pé); ensinar educação física: exercícios, aulas esportivas (participando da aula); equitação: trote;
mineração de carvão erigindo suportes, prospectando; caminhar, descer escadas ou rampas, ficar de pé, carregando objetos variando de 22 a 34 kg

6,5 Esportes Basquetebol em cadeiras de roda; cavalgar: trotar

6,5 Caminhar Marchar de forma marcial e rapidamente; race walking (conteste ou disputa de quem consegue andar o mais rápido possível, quase correndo)

7 Exercício de condicionamento Ciclismo estacionário 150 W com esforço moderado; remo ergômetro estacionário 100 W com esforço moderado; skimachine (ergômetro de esqui); calistenia
pesada com esforço vigoroso (i. e., flexões, abdominais, puxadas)

7 Dança Aeróbica de alto impacto

7 Atividades ocupacionais Atividade florestal: serrando manualmente, raspando árvores; mineração de carvão: peneirando; maçonaria: preparando concreto; cavando com pá
moderadamente (4,5 a 7 kg/min)

7 Correr Jogging em geral.

7 Esportes Badminton competitivo; basquetebol; broomball (jogo similar ao hóquei, com bola de borracha no lugar do disco, uma espécie de vassoura no lugar do taco e no
qual os jogadores correm sobre o gelo com auxílio de sapatos especiais); kickball; racketball (jogo semelhante ao tênis, com raquetes maiores e quadra
menor); patinação; futebol casual; tênis; wallyball (variação do voleibol, jogado em quadra de racketball fechada – 12 × 6 m – em que a bola toca as
paredes – walls)

7 Caminhar Carregar mochila de viagem (backpacking ou, na gíria brasileira, “mochileiro”); subir encostas com carga até 4 kg

7 Atividades aquáticas Canoagem em lago ou mar, remando entre 6 e 9,5 km/h com esforço moderado; skimobiling (atividade semelhante ao snowmobiling); mergulho
(skindiving); scuba diving (com garrafa); nadar em estilo livre (velocidade lenta: esforço leve a moderado); nado de costas

7 Atividades de inverno Patinar no gelo; saltar com esquis e subir montanhas carregando os esquis; esquiar, esqui de fundo (cross-country): velocidade de 4 km/h devagar ou com
esforço leve; andar esquiando; sledding (plataforma onde corredores se movem rapidamente no gelo); descer de tobogã no gelo; bobsledding (plataforma
com freio e motor e com dois corredores); andar de trenó (luge)

7,5 Atividades domésticas Carregar compras escada acima

7,5 Reparos domésticos Carpintaria: serrando madeira dura

7,5 Atividades ocupacionais Mover, empurrar objetos pesados, 34 kg ou mais (mobiliário, mudança); metalurgia trabalhar em fornalha; caminhar, descer escadas ou rampas, ficar de pé,
carregando objetos variando de 34 a 45 kg

7,5 Caminhar Subir encostas com carga entre 4 e 10 kg

8 Ciclismo Ciclismo 19 a 22 km/h, lazer com esforço moderado


8 Exercício de condicionamento Treinamento em circuito

8 Atividades ocupacionais Siderurgia/metalurgia: trabalhos em geral, laminação, fresagem; equitação: galope; transporte de cargas moderadas subindo escadas, mover caixas (7 a 18
kg); bombeiro: transportando mangueiras no chão; atividade florestal geral: derrubando árvores; atividade na fazenda: empilhando feno, varrendo cocheiras,
limpando granjas, criação de aves, recolhendo feixes de palha/feno com ancinho/garfo, limpando currais e cocheiras com esforço vigoroso

8 Correr Jogging estacionário; correr em treinamento, empurrar cadeira de roda em situação competitiva; correr 8 km/h (7,5 min.km-1)

8 Esportes Futebol americano geral; handebol (meia-quadra); hóquei de campo; hóquei no gelo; lacrosse (jogo de equipe em que se utilizam bastões – crosse – com redes
para arremessar bolas para marcar gols – combina, de certa forma, futebol, basquetebol e hóquei); polo; escalar em rochas, rapel; pular corda, velocidade
lenta; voleibol competitivo em ginásio; voleibol de praia

8 Caminhar Carregar carga entre 11 e 22 kg, em subidas; caminhar, subir encostas com carga entre 10 e 19 kg; escalar rochas ou montanhas, subir escadas, usando ou
subindo uma escada de mão; caminhar a 7,5 km/h

8 Atividades aquáticas Nadar crawl (velocidade lenta 45 a 46 m/min com esforço leve a moderado); nado lateral; nado sincronizado; jogging na água

8 Atividades de inverno Esquiar descendo encosta em velocidade com esforço vigoroso; snow shoeing (andar no gelo com botas especiais, sem afundar no mesmo); esquiar esqui de
fundo (cross-country) com velocidade entre 6,5 e 8 km/h velocidade e esforço moderado

8,5 Ciclismo Ciclismo BMX ou montanha

8,5 Exercício de condicionamento Remo estacionário 150 W com esforço vigoroso

8,5 Dança Aeróbia: step, com step de 15 a 20 cm

8,5 Atividades ocupacionais Caminhar, descer escadas ou rampas, ficar de pé, carregando objetos de 45 kg ou mais; cavar fossas com pá

9 Exercício de condicionamento Ergômetros de esteira e escada

9 Atividades domésticas Transportar utensílios domésticos escada acima, carregar caixas ou móveis

9 Atividades ocupacionais Cavando com pá com esforço vigoroso (mais de 7 kg/min); atividade florestal: cortando árvores em pedaços

9 Correr Correrem terrenos irregulares, tipo cross-country; correr 8,3 km/h (7,1 min.km-1)

9 Esportes Boxe: sparring (lutador auxiliar, que atua como adversário para treinamento de golpes); futebol americano competitivo; orienteering (corrida de orientação),
trilhas

9 Caminhar Carregar carga em subidas; subir encostas com carga > de 19 kg

9 Atividades de inverno Esquiar: esqui de fundo (cross-country) com velocidade entre 8 e 13 km/h, com velocidade rápida e esforço vigoroso; patinar no gelo em velocidade rápida (>
de 14,5 km/h)

10 Ciclismo Ciclismo 22 a 25 km/h, corrida ou lazer, rápido com esforço vigoroso

10 Dança Aeróbica: step, com step de 25 a 30 cm

10 Correr Correr em pista, treino de equipe; correr, 9,7 km/h (6,2 min.km-1)
10 Esportes Judô; jiu-jítsu; caratê; kick boxing; tae kwon do; paddleball competitivo (jogo indoor similar ao squash, com raquetes sem acordoamento e
inteiriças); racketball competitivo (jogo semelhante ao tênis, com raquetes maiores e quadra menor); rúgbi; pular corda (velocidade moderada); futebol
competitivo, atletismo (obstáculos – steeplechase, barreiras)

10 Caminhar Carregar carga entre 22 e 34 kg em subidas.

10 Atividades aquáticas Nadar em estilo livre (velocidade rápida com esforço vigoroso); nado de peito; nadar/andar na água (velocidade rápida: esforço vigoroso); polo aquático

10,5 Exercício de condicionamento Ciclismo estacionário 200 W com esforço vigoroso

11 Atividades ocupacionais Siderurgia/metalurgia: remover entulho metálico; atividade florestal: carregando troncos; bombeiro: subindo escadas aceleradamente

11 Correr Correr 10,7 km/h (5,6 min.km-1)

11 Esportes Escalar ou subir rochas

11 Atividades aquáticas Nado borboleta; nadar crawl velocidade rápida 70 m/min com esforço vigoroso

11,5 Correr Correr 11,2 km/h (5,3 min.km-1)

12 Ciclismo Ciclismo 25 a 30 km/h, corrida/sem explosão ou > 30 km/h, explosivo, muito veloz, corrida em geral

12 Exercício de condicionamento Remo estacionário 200 W com esforço muito vigoroso

12 Atividades ocupacionais Mergulho (skindiving ou scuba diving) como homem-rã (marinha); bombeiro

12 Esportes Boxe, no ringue em geral; andebol; jai alai (jogo de equipe em que uma bola é lançada com uso de luvas contra paredes em alta velocidade); pular corda,
velocidade rápida; squash

12 Caminhar Carregar carga > de 34 kg em subidas

12 Atividades aquáticas Canoagem, remando > de 9,5 km/h com esforço vigoroso, remando em competição em equipe ou duplas

12,5 Exercício de condicionamento Ciclismo estacionário 250 W com esforço muito vigoroso

12,5 Correr Correr 12 km/h (5 min.km-1)

12,5 Esportes Roller blanding: in-line skating (patinação com uso de patins com rolamentos em linha)

12,5 Atividades aquáticas Mergulho moderado (skindiving)

13 Caminhar Descer encostas/escadas

13,5 Correr Correr 12,8 km/h (4,6 min.km-1)

14 Correr Correr 13,8 km/h (4,3 min.km-1)

14 Atividades de inverno Esquiar esqui de fundo (cross-country), velocidade > de 13 km/h, velocidade rápida e corrida (situação competitiva)

15 Atividades religiosas Trabalho geral no jardim/pátio da igreja

15 Correr Correr 14,4 km/h (4 min.km-1); correr subir rampa ou escada


15 Atividades aquáticas Remar em caiaque.

15 Atividades de inverno Patinação veloz, competitiva

16 Ciclismo Ciclismo > 32 km/h, corrida, sem explosão

16 Correr Correr 16 km/h (3,7 min.km-1)

16 Atividades aquáticas Mergulho rápido (skindiving)

16,5 Atividades de inverno Esquiar esqui de fundo (cross-country) em neve pesada, subindo encostas (esforço máximo); montanhismo de neve

17 Atividades ocupacionais Atividade florestal cortando com machado, acelerado

18 Correr Correr 17,5 km/h (3,4 min.km-1)

MET = equivalente metabólico.

Modificado de Farinatti27.

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aos pesquisadores e profissionais em fisiologia do exercício. Rev Bras Fisiol. 2004;2: 177-208.
Prescrição nutricional

Introdução
O planejamento da estratégia nutricional se inicia primeiramente com levantamento completo de horário, local e
possíveis condições climáticas do dia do evento esportivo ou do dia a dia do desportista na academia. Após, pode-se
trabalhar com o tipo de preparação, consistência, apresentação, composição nutricional, preferências dos desportistas e
atletas, entre outras. Quanto à recomendação padrão para refeições, estas devem ser ricas em carboidratos de fácil
digestão e não devem espaçar mais do que 3 horas entre elas1. É importante saber que há uma gama enorme de
publicações científicas com atividades, como ciclismo, corrida e triatletismo, porém para todas as outras as
recomendações são adaptadas, o que exige teste prévio com o atleta ou a equipe. Outra regra fundamental é que no dia
da competição não é momento para testar novas abordagens nutricionais, sob pena de prejuízo no rendimento2.

Evolução das recomendações para indivíduos fisicamente ativos


Em 2003 ocorreu a primeira publicação brasileira multidisciplinar envolvendo o tema envolvendo recomendações
nutricionais destinada a atletas saudáveis, adultos em fase de maturação sexual final intitulada: Modificações
dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos
para a saúde pela Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte3. Esta publicação veio ao encontro da preocupação
crescente e documentada do consumo de suplementos e outras substâncias com finalidade de rendimento (ergogênica)
em ambientes de prática esportiva, como as academias de ginástica; adicionalmente, do comércio ilegal de
suplementos, sem fiscalização dos setores de vigilância sanitária e contando com participação, direta ou indireta que
profissionais não gabaritados para a prática da prescrição, que necessita orientação nutricional e/ou médica3. Situação
muito bem descrita e detalhada na diretriz é que com o conhecimento sobre alimentação adequada e supervisão de um
profissional até mesmo atletas de elite podem se isentar totalmente do consumo de suplementos. Esta situação é
transportada para desportistas, nos quais não há necessidade de suplementação, a menos que avaliação nutricional e/ou
médica criteriosa estabeleça sua real necessidade. Nesse documento, foi apresentado o nível de evidência para cada
tema discutido nas recomendações (Figura 7.1), assim como grau de recomendação (Figura 7.2).
Figura 7.1 – Nível de evidência da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte3.

Figura 7.2 – Grau de recomendação da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte3.

A SBME publicou até agora duas diretrizes específicas para indivíduos fisicamente ativos, cujas semelhanças e
diferenças são descritas na Tabela 7.1.
TABELA 7.1 – Comparativo entre as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME)3,4 sobre recomendações de energia, água, macro e micronutrientes

SBME–20033 SBME–20094

I. Modificações dietéticas

Para os indivíduos que praticam exercícios físicos sem maiores preocupações As orientações que constam nesta seção destinam-se aos atletas saudáveis, adultos e adolescentes em fase de
com performance, dieta balanceada, que atenda às recomendações dadas à maturação sexual final. Para os indivíduos que praticam exercícios físicos sem maiores preocupações com o
população em geral, é suficiente para manutenção da saúde e possibilitar bom desempenho, dieta balanceada, que atenda às recomendações dadas à população em geral, é suficiente para a
desempenho físico. Grau de recomendação A e nível de evidência 2 manutenção da saúde e possibilitar bom desempenho físico

Avaliação nutricional

Recomenda-se que sejam consideradas as orientações nutricionais destinadas à Recomenda-se que sejam consideradas as orientações nutricionais destinadas à população em geral, calculadas
população em geral, calculadas para cada 1.000 kcal ingeridas. Desse modo, o proporcionalmente a cada 1.000 kcal ingeridas. Desse modo, o incremento na oferta de micronutrientes é proporcional
incremento na oferta de micronutrientes é proporcional ao aumento calórico da ao aumento calórico da dieta, mantendo-se o equilíbrio ou o balanço nutricional em níveis adequados
dieta, mantendo-se o equilíbrio ou o balanço nutricional em níveis
adequados. Grau de recomendação A e nível de evidência 2

Recomendações

a) Taxa calórica total da alimentação

As necessidades nutricionais, em termos calóricos, estão entre 1,5 e 1,7 vez a As necessidades calóricas nutricionais estão entre 1,5 e 1,7 vez a energia produzida, o que, em geral, corresponde ao
energia produzida, o que, em geral, corresponde ao consumo que se situa entre consumo entre 37 e 41 kcal/kg de
37 e

SBME3 SBME4

41 kcal/kg de peso/dia. Dependendo dos objetivos, a taxa calórica pode apresentar peso/dia e, dependendo dos objetivos, pode apresentar variações mais amplas, entre 30 e 50 kcal/kg/dia.
variações mais amplas, com o teor calórico da dieta entre 30 e 50 Em atletas, a redução de 10 a 20% na ingestão calórica total promove alteração na composição corporal, com redução de
kcal/kg/dia. Grau de recomendação A e nível de evidência 2 massa corporal de gordura, não induzindo fome e fadiga, como ocorre com dietas de muito baixo valor calórico

b) Carboidratos

Para otimizar a recuperação muscular recomenda-se que o consumo de carboidratos Estima-se que a ingestão de carboidratos correspondente a 60 a 70% do aporte calórico diário atende à demanda de
esteja entre 5 e 8 g/kg de peso/dia. Em atividades de longa duração e/ou treinos treinamento esportivo. Para otimizar a recuperação muscular recomenda-se que o consumo de carboidratos esteja
intensos há necessidade de até 10 g/kg de peso/dia para a adequada entre 5 e 8 g/kg de peso/dia. Em atividades de longa duração e/ou treinos intensos há necessidade de até 10 g/kg de
recuperação do glicogênio muscular e/ou aumento da massa muscular. Grau de peso/dia para a adequada recuperação do glicogênio muscular e/ou aumento da massa muscular.
recomendação A e nível de evidência 2 Para provas longas, os atletas devem consumir entre 7 e 8 g/kg de peso ou 30 a 60g de carboidrato, para cada hora de
exercício, o que evita hipoglicemia, depleção de glicogênio e fadiga. Após o exercício exaustivo, recomenda-se a
ingestão de carboidratos simples entre 0,7 e 1,5 g/kg peso no período de 4 horas, o que é suficiente para a ressíntese
plena de glicogênio muscular

c) Proteínas
Para atletas de endurance, as proteínas têm papel auxiliar no fornecimento de Para aqueles que têm por objetivo aumento de massa muscular, sugere-se a ingestão de 1,6 a 1,7 g/kg de peso/dia. Para
energia para a atividade, calculando-se ser de 1,2 a 1,6 g/kg de peso a os esportes em que o predomínio é a resistência, as proteínas têm papel auxiliar no fornecimento de energia para a
necessidade diária. Para atletas de força, a proteína tem papel importante no atividade, calculando-se ser de 1,2 a 1,6 g/kg de peso a necessidade de seu consumo diário
fornecimento de “matéria-prima” para a síntese de tecido, sendo de 1,4 a 1,8 g/kg
de peso as necessidades diárias. Grau de recomendação A e nível de evidência
2

d) Lipídeos

Para os atletas, tem prevalecido a mesma recomendação nutricional destinada à Um adulto necessita diariamente cerca de 1 g de gordura por kg/peso corporal, o que equivale a 30% do valor calórico
população em geral, portanto, as mesmas proporções de ácidos graxos total (VCT) da dieta. A parcela de ácidos graxos essenciais deve ser de 8 a 10 g/dia. Para os atletas, tem prevalecido a
essenciais, que são: 10% de saturados, 10% de poli-insaturados e 10% de mesma nutricional destinada à população em geral, ou seja, as mesmas proporções de ácidos graxos essenciais, que
monoinsaturados. Grau de recomendação A e nível de evidência 2 são: 10% de saturados, 10% de poli-insaturados e 10% de monoinsaturados. Estudos sugerem que níveis abaixo de
15% do VCT já produzem efeitos negativos. Quando dietas com restrição de lipídeos forem necessárias, as cotas em
relação ao aporte calórico total devem conter menos do que 8% para as gorduras saturadas, mais do que 8% para as
monoinsaturadas e de 7 a 10% para as poli-insaturadas

e) Vitaminas

A documentação científica permite que os profissionais qualificados, nutricionistas e Para atletas em regime de treinamento intenso, tem sido sugerido, o que tem gerado controvérsia, o consumo de vitamina
médicos, prescrevam, de forma sistemática, vitaminas C e E para atletas, com C entre 500 e 1.500 mg/dia (proporcionaria melhor resposta imunológica e antioxidante) e de vitamina E (aprimoraria a
ressalva de que esta atitude se baseia em baixo grau de evidência ação antioxidante). A documentação científica permite que os profissionais qualificados, nutricionistas e médicos,
científica. Grau de recomendação C e nível de evidência 7 prescrevam, de forma sistemática, vitaminas C e E para atletas, com a ressalva de que esta atitude se baseia em
baixo grau de evidência científica

f) Minerais

As evidências científicas não justificam o uso sistemático do zinco em As evidências científicas não justificam o uso sistemático do zinco em suplementação nutricional.
suplementação nutricional. Grau de recomendação E e nível de evidência 7. Recomenda-se que a dieta contenha a quantidade mínima de 1.000 mg/dia de cálcio
Recomenda-se que a dieta contenha a quantidade mínima de 1.000 mg/dia de Recomenda-se atenção especial ao consumo de alimentos com ferro de elevada biodisponibilidade, com oferta
cálcio. Em relação ao ferro, recomenda-se 15 mg/dia para a população feminina recomendada de 15 mg/dia para a população feminina e 10 mg/dia para a masculina
e de 10 mg/dia para a masculina. Para as gestantes, a recomendação diária
(RDI) é de 30 mg. Tais necessidades são contempladas pela manipulação
dietética, não sendo necessária a suplementação. Grau de recomendação A e
nível de evidência 2

Antioxidantes

Não houve este tópico Os estudos demonstram que os mecanismos regulatórios promovidos pela ingestão combinada ou isolada de vitaminas C,
A, E, de cobre e zinco e da coenzima Q10 produzem efeitos antioxidantes
No entanto, sua suplementação está reservada para atletas de alto desempenho, em que a oferta desses nutrientes, por
meio da dieta balanceada, suficiente na maioria dos casos, mostrar-se insuficiente. Altas doses podem não apresentar
os efeitos esperados e ainda trazer prejuízos à saúde
II. Reposição hídrica

Água e sódio

Em exercícios prolongados, que ultrapassam 1 hora de duração, recomenda-se Em exercícios prolongados, que ultrapassam 1 hora de duração, recomenda-se beber líquidos contendo de 0,5 a 0,7 g.l-
beber líquidos contendo de 0,5 a 0,7 g/l (20 a 30 mEq.l-1) de sódio, que 1
(20 a 30 mEq·l-1) de sódio, que corresponde à concentração similar ou mesmo inferior àquela do suor de indivíduo
corresponde à concentração similar ou mesmo inferior àquela do suor de adulto; recomendação a ser estudada caso a caso quando o exercício for de alta intensidade e para algumas
indivíduo adulto. Grau de recomendação A e nível de evidência 2 modalidades, mesmo que em menor duração

Carboidrato

A reposição necessária de carboidratos para manter a glicemia e retardar a fadiga é A reposição necessária de carboidratos para manter a glicemia e retardar a fadiga é de 30 a 60 g/hora, com concentração
de 30 a 60 g/hora, com concentração de 4 a 8 g/dl. Grau de recomendação A e de 4 a 8 g/dl. Mesmo com uso combinado de diversos carboidratos, sua ingestão não deve exceder 80 g/hora
nível de evidência 2

Recomendação de reposição de líquidos

Antes do exercício

Para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem hidratado, recomenda-se que ele Para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem hidratado, recomenda-se que ele beba cerca de 250 a 500 ml de água
beba cerca de 250 a 500 ml de água 2 horas antes do exercício. Grau de 2 horas antes do exercício
recomendação A e nível de evidência 2

Durante o exercício

Recomenda-se iniciar a ingestão já nos primeiros 15 min e continuar bebendo a cada Durante o exercício recomenda-se iniciar a ingestão já nos primeiros 15 min e continuar bebendo a cada 15 a 20 min. O
15 a 20 min. O volume a ser ingerido varia conforme as taxas de sudorese, na volume a ser ingerido varia conforme as taxas de sudorese, geralmente entre 500 e 2.000 ml/hora. Se a atividade
faixa de 500 a 2.000 ml/hora. Se a atividade durar mais de 1 hora, ou se for durar mais de 1 hora, ou se for intensa, do tipo intermitente mesmo com menos de uma hora, devemos repor
intensa, do tipo intermitente mesmo com menos de 1 hora, devemos repor carboidrato na quantidade de 30 a 60 g·h-1 e sódio na quantidade de 0,5 a 0,7 g·l-1. A bebida deve estar em
carboidrato na quantidade de 30 a 60 g·h-1 e Na+ na quantidade de 0,5 a 0,7 g·l-1. temperatura em torno de 15 a 22°C e apresentar sabor de acordo com a preferência do indivíduo, favorecendo a
A bebida deve estar em temperatura em torno de 15 a 22°C e apresentar sabor palatabilidade
de acordo com a preferência do indivíduo. Grau de recomendação A e nível de
evidência 2

Após o exercício

Deve-se continuar ingerindo líquidos para compensar as perdas adicionais de água Após o exercício, deve-se continuar ingerindo líquidos para compensar as perdas adicionais de água por diurese e
por urina e sudorese. Deve-se aproveitar para ingerir carboidratos, em média de sudorese. Deve-se aproveitar para ingerir carboidratos, em média de 50 g de glicose, nas primeiras 2 horas após o
50 g de glicose, nas primeiras 2 horas após o exercício, para que se promovam a exercício, para que se promovam a ressíntese do glicogênio muscular e o rápido armazenamento de glicogênio
ressíntese do glicogênio muscular e o rápido armazenamento de glicogênio muscular e hepático
muscular e hepático. Grau de recomendação A e nível de evidência 2
Macronutrientes energéticos
Carboidratos
Os carboidratos representam a mais importante fonte de energia proveniente da dieta em todo o mundo, pois fornecem
ao organismo energia para rápida utilização, devendo representar cerca de 60 a 70% VCT da dieta de indivíduos
fisicamente ativos e atletas4. Estão disponíveis em abundância nos alimentos e são as fontes de energia mais baratas. Os
carboidratos são obtidos primariamente dos alimentos de origem vegetal e podem ser divididos em açúcares simples
(sacarose) ou complexos (amido). A fibra dietética é uma mistura complexa de algumas substâncias (nem todas
carboidratos), que não são digeridas pelo trato gastrintestinal humano5.

Índice glicêmico
Jenkins et al.9 propuseram o conceito de IG. Em 1998 publicou-se uma das primeiras revisões sobre IG como “nova
ferramenta” na Nutrição Aplicada ao Esporte10. O IG é caracterizado pelo incremento da área abaixo da curva glicêmica
produzido por uma porção de 50 g de carboidrato de um alimento em relação à mesma porção de alimento considerado
padrão, que, no caso, pode ser a glicose ou o pão branco2. O conceito de IG estabelece que a taxa de digestão e, portanto,
a resposta glicêmica, não está relacionada ao comprimento da cadeia glicídica, assim os carboidratos designados como
simples (mono e dissacarídeos) possuem diferentes IG; a glicose apresenta alto índice glicêmico (AIG), enquanto a
frutose apresenta baixo índice glicêmico (BIG). É importante observar que o conceito de IG foi desenvolvido
independentemente para classificar os efeitos glicêmicos dos alimentos e complementar informações sobre sua
composição química a partir de tabelas de composição centesimal11.
O ponto crítico na classificação a partir do IG está nos ditos carboidratos complexos, no caso os polissacarídeos que
incluem amido, celulose, fibra e outros compostos relacionados. Particularmente, o amido possui diferentes frações,
amilose e amilopectina, que apresentam BIG e AIG, respectivamente, e, desse modo, diferentes IG. Sendo assim, o
conceito de IG permite a comparação entre os carboidratos presentes nos alimentos com base no seu efeito fisiológico
mais do que na sua composição química2.

Saiba Mais!
Burke et al., em 20046, publicaram diretrizes para ingestão de carboidratos para treinamentos diários (Tabela 7.2), que estão relacionadas
ao consumo em g/kg de massa corporal e tipo de atividade, que podem ser alternativa às recomendações apresentadas da SBME4. Tal
detalhamento pode ser útil para aproximar as recomendações práticas de prescrição às necessidades dos clientes fisicamente ativos em
academias e até atletas. O tipo de carboidrato mais apropriado nas diferentes fases (antes, durante e após) do treinamento é detalhado
ao longo do texto
Ainda mais recentemente o mesmo grupo de pesquisa de Burke et al.7,8 delineou recomendações para consumo de carboidratos em
relação à intensidade da atividade física, acrescentando novíssimas recomendações para esportes de ultra endurance (Quadro 7.1)

TABELA 7.2 – Recomendações para consumo de carboidratos para atletas participantes de diferentes modalidades
Tipo de atividade Recomendações de ingestão

Recuperação diária de exercício de duração moderada e baixa intensidade 5 a 7 g de carboidratos/kg/dia

Recuperação diária de exercício de longa duração e moderada a alta intensidade 7 a 12 g de carboidratos/kg/dia

Recuperação diária de exercício de longa duração e alta intensidade 10 a > 12 g de carboidratos/kg/dia

Recuperação diária após exercício com duração entre 0 e 4 horas 1 a 1,2 g de carboidratos/kg/hora

QUADRO 7.1 – Novas propostas de recomendações para prescrição de consumo de carboidratos por atletas de diferentes modalidades7,8

• Atividade leve (atividade de baixa intensidade ou baseada em habilidade): consumo entre 3 e 5g.kg-1.dia
• Atividade moderada (programas de ~1 h/dia de exercícios de intensidade moderada): consumo entre 5 e 7 g.kg-1.dia

• Atividade de alta intensidade (programas de longa duração de 1 a 3 h de exercícios de moderada a alta intensidade): consumo entre 6 e 10g.kg-1.dia

• Muito alta

• Atividade de muito alta intensidade (programas de muito longa duração de > 4 a 5 h de exercícios de intensidade moderada a alta, por exemplo, o Tour de France): consumo entre 8 e

>12 g.kg-1.dia

Conforme descrito nas orientações da SBME, o consumo de carboidratos se concentra em quantidade, tempo de
consumo (antes, durante e depois) e fontes de consumo entre outras orientações. No tocante ao IG, há poucas
informações disponíveis nas diretrizes nacionais e internacionais. Porém, o IG é uma ferramenta que provê informações
para o planejamento de estratégias nutricionais adequadas para a suplementação em diferentes exercícios e em particular
para atletas, levando-se em consideração o consumo dietético por meio de alimentos fonte ou suplementos de
carboidratos1,12.
Portanto, as discussões subsequentes têm como objetivo a aplicação dos conceitos de IG em diferentes padrões de
ingestão alimentar de carboidratos, a fim de complementar e enriquecer as informações dos guias destinados ao público
fisicamente ativo, no que concerne à qualidade de consumo de carboidratos em relação ao rendimento físico e atlético1,2.

Índice e carga glicêmica


O conceito de IG parte do pressuposto que, apesar de todos os tipos de carboidrato serem absorvidos e metabolizados na
forma de glicose, eles podem induzir a respostas glicêmicas e insulinêmicas diferentes. Essas respostas fisiológicas
representariam a capacidade que determinado alimento possui de aumentar a glicemia pós-prandial e essa capacidade
caracterizaria, então, uma propriedade particular deste alimento, ou seja, seu IG11 (Figura 7.3). Dessa forma, a
classificação dos alimentos pelo IG possibilita a análise qualitativa dos carboidratos existentes neles13.

Figura 7.3 – Representação gráfica da alteração da glicemia dada por diferentes alimentos e sua classificação a partir do índice glicêmico.

Além da qualidade, dada pelo IG, a relação deste parâmetro com a quantidade (em gramas) pode ser traduzida pelo
conceito de carga glicêmica (CG). A CG é um fator adjuvante para a alteração da resposta glicêmica diante do consumo
de um alimento. A CG é calculada multiplicando-se o valor do IG (qualidade) pelo peso total em gramas
de carboidrato (quantidade) contido no alimento. O produto é posteriormente dividido por 100 (CG = [IG × g CHO] ×
100)11; classificação com base na CG dos alimentos propõe divisão em três categorias: alta, média e baixa (Tabela 7.3).
TABELA 7.3 – Classificação dos alimentos pela sua carga glicêmica (CG)2
Índice glicêmico (IG) CG

Alto ≥ 70 ≥ 20

Moderado 56 a 69 11 a 19

Baixo ≤ 55 ≤ 10

Embora desde 1997, um comitê de especialistas das Food and Agriculture Organizations (FAO) e da World Health
Organization (WHO) tenha revisado as evidências disponíveis a respeito da pesquisa relacionada à importância dos
carboidratos na nutrição humana e impacto na saúde, e endossado o uso do IG como método de classificação dos
alimentos ricos em carboidratos, muitos pesquisadores têm externado preocupação acerca das dificuldades práticas no
seu emprego13. Esta é uma das razões pelas quais a American Diabetes Association (ADA) não recomenda o uso dos
valores de IG no aconselhamento dietético, entretanto, a European Association for the Study of Diabetes, a Canadian
Diabetes Association e a Dietitians Association of Australia recomendam o emprego do IG. Tanto para fins clínicos ou
de pesquisa na área esportiva, valores de IG confiáveis devem ser empregados1,12. Neste sentido, desde 2002 o grupo
australiano em Sidney divulgou a tabela internacional de índice e carga glicêmica13, para fomentar e padronizar as
pesquisas a respeito do emprego do IG (Tabela 7.4).
TABELA 7.4 – Alimentos selecionados segundo seu índice glicêmico (IG)*

Alto IG (> 70) Moderado IG (56 a 69) Baixo (< 55)

Cornflakes 81 ± 3 Croissant 67 Bolo de banana 47 ± 8

Pretzels 83 ± 9 Bolo massa folhada 59 ± 6 Pão aveia (farelo) 47 ± 3

Glicose 99 ± 3 Pão de aveia 65 All bran 42 ± 5

Maltose 105 ± 12 Pão de trigo 53 ± 3 Pão de centeio 50 ± 4

Tapioca cozida com leite 81 Sacarose 68 ± 5 Iogurte (adoçante) 36 ± 4

Baguete italiana 95 ± 15 Cream cracker 65 ± 11 Iogurte (↓ gordura) 14 ± 4

Arroz (↓ amilose) 139 Sorvete 61 ± 7 Maçã 38 ± 2

Arroz parbolizado (↓ amilose) 87 ± 7 Power Bar chocolate 56 ± 3 Banana 52 ± 4

Pão libanês 86 ± 12 Arroz parbolizado (↑ amilose) 50 ± 6 Suco de laranja 52 ± 3

Biscoito de água 71 ± 8 Arroz branco cozido 69 ± 15 Lentilha 30 ± 4

Lichia 79 ± 8 Muesli 66 ± 9 Soja 18 ± 3

Melancia 72 ± 13 Mamão papaia 59 ± 1 Frutose 19 ± 2

Pipoca 72 ± 17 Pêssego em calda 58 ± 11 Mel 55 ± 5

Batata frita 75 Abacaxi 59 ± 1 Arroz parboilizado cozido 47 ± 3

Batata cozida 79 ± 9 Pizza de queijo 60 Leite desnatado 32 ± 5

* Glicose como padrão de referência.

Pré-exercício
O consumo de refeições hiperglicídicas em relação à normo ou à hipoglicídica em dias que antecedem a competição
comprovadamente aumentam o rendimento (Figura 7.4).
Figura 7.4 – Consumo de refeição com diferentes quantidades de carboidrato e tempo até a exaustão em provas de longa duração (endurance).

O consumo de até 10 g/kg de massa corporal nos dias que antecedem uma competição promove aumento dos estoques
de glicogênio muscular e está associado à melhor performance em eventos com duração ≥ 90 minutos. Além disso, a
ingestão de refeição rica em carboidrato (cerca de 200 a 300 g) após jejum noturno e 3 a 4 horas antes do exercício eleva
a concentração de glicogênio hepático e muscular e também influi positivamente no desempenho11. Observa-se que a
maioria dos estudos relacionados ao IG das refeições pré-atividade em atletas situa-se 2 horas antes do evento esportivo
e assume-se que uma parte do alimento ainda esteja no trato gastrintestinal liberando glicose gradativamente para a
circulação sistêmica. Novamente, o denominador comum nesses estudos é a inequívoca melhora do rendimento
relacionada às refeições de BIG em comparação à de AIG, em quantidades de 1 a 2 g/kg de peso (Figura 7.5)2. Tais
observações se baseiam no pressuposto de que essa estratégia nutricional proporciona combinação de maior taxa de
oxidação de gordura e maior estabilidade da concentração plasmática de glicose, resultando em economia dos estoques
de glicogênio muscular14.

Figura 7.5 – Comportamento da glicemia em relação ao consumo de carboidratos de baixo índice glicêmico (BIG) pré-competição.

Cabe ressaltar a utilização de estratégia para aumentar a concentração de glicogênio uma semana antes da competição,
denominada: supercompensação de glicogênio, supercompensação de carboidratos ou carga de glicogênio. Geralmente,
visa promover aumento significativo no estoque de glicogênio muscular e hepático e é empregada durante três a sete
dias que precedem o evento esportivo15. A técnica clássica envolve a depleção de glicogênio, seguida de repleção que
supercompensará a quantidade inicial de glicogênio corporal. Consiste em orientar o atleta, na semana da prova, realizar
treinamentos de 90, 40, 40, 20, 20 minutos e no dia anterior a prova permanecer em total repouso, sendo a intensidade de
treinamento de aproximadamente 75% VO2max. Nos primeiros três dias do protocolo de supercompensação, a ingestão de
carboidratos é reduzida para 250 a 300 g/dia – considerando indivíduo de 70 kg – e, nos dias subsequentes, a ingestão de
carboidratos é aumentada para 600 g/dia. Essa manipulação nutricional permite elevação de 20 a 40% no conteúdo de
glicogênio muscular, o que promove melhora do rendimento em exercícios de intensidade média a alta11. O principal
problema com este protocolo é que na fase de alta intensidade de treinamento e baixo consumo de carboidratos o atleta
pode sentir sintomas de hipoglicemia, como fraqueza, letargia e irritabilidade15. Diversos estudos atualmente indicam
variações no protocolo clássico, que deve ser ajustado ao atleta, à fase de treinamento e à prova (Quadro 7.2).
QUADRO 7.2 – Dieta de supercompensação de glicogênio em seu protocolo original ou clássico e protocolo alternativo

• Protocolo alternativo
– Dia 1: exercícios para depleção de glicogênio
– Dia 2: redução de exercícios com dieta variada e consumo moderado de carboidratos
– Dia 3: idem dia 2
– Dia 4: diminuição de exercícios e alto consumo de carboidratos
– Dia 5: idem dia 4
– Dia 6: redução de exercícios ou repouso e alto consumo de carboidratos
– Dia 7: idem dia 6
– Dia 8: evento esportivo

• Protocolo clássico
– Dia 1: exercícios para depleção de glicogênio
– Dia 2: redução de exercícios com dieta rica em proteínas e gorduras e pobre em carboidratos
– Dia 3: idem dia 2
– Dia 4: idem dia 2
– Dia 5: redução de exercícios com dieta rica em carboidratos. Cerca de 70 a 80% do VCT proveniente de alimentos fontes de carboidratos
– Dia 6: repouso e dieta rica em carboidratos
– Dia 7: evento esportivo
VCT = valor calórico total.
Modificado de Williams12.

Quanto ao consumo de carboidratos, notadamente os de AIG, entre 30 e 60 minutos antes do exercício observa-se em
alguns atletas suscetíveis a ocorrência de hipoglicemia de rebote, a qual não parece estar relacionada à sensibilidade
à insulina ou à intensidade do exercício, sendo sua etiologia desconhecida2,16. Portanto, a influência no rendimento pelo
consumo de carboidratos no período inferior a 1 hora necessita de mais esclarecimentos (ver Figura 7.5).

Durante o exercício
A ingestão de carboidratos, que visa efetivamente aumentar a performance, deve ocorrer preferencialmente em
exercícios com duração ≥ 90 min e intensidade11,17 ≥70 % VO2máx. A suplementação com carboidratos que forneçam 40 a
65 g/h mantém a concentração sanguínea de glicose e, positivamente, influencia o desempenho em exercícios de longa
duração.
A glicose exógena é oxidada em taxa máxima de até 1 g/min; frutose e galactose são oxidadas em taxas muito
menores durante o exercício, em razão da necessidade de conversão desses açúcares em glicose no fígado. Os
carboidratos exógenos podem ser divididos em duas categorias, de acordo com a sua taxa de oxidação: os que são em
altas taxas, cerca de até 1 g/min e os que são em taxas menores, até cerca de 0,6 g/min. Disto implica a recomendação de
que atletas devem ingerir aproximadamente 60 a 70 g de carboidratos/hora para melhora do rendimento. A ingestão
superior a esses valores não resulta em maiores taxas de oxidação do carboidrato isolado ingerido e, por outro lado,
provavelmente esteja associada ao desconforto intestinal11.
Pós-exercício
A rápida ressíntese das reservas de carboidrato endógeno do organismo durante as horas subsequentes à realização do
exercício representa ponto crítico para atletas engajados em diversas atividades em um único dia ou que possuem
esquema de treinamento que permita pausas limitadas para alimentação plena. A repleção do glicogênio muscular pós-
exercício ocorre em duas fases distintas; a primeira fase ocorre 30 a 60 min pós-exercício e por mecanismos que
independem da insulina. Neste momento, tanto a permeabilidade da glicose na membrana plasmática da célula muscular,
dada pela maior translocação do GLUT4, quanto a atividade do complexo enzimático da glicogênio sintetase
apresentam-se elevados e, por conseguinte, a ressíntese de glicogênio dá-se rápido. Diferentemente, da primeira fase, a
segunda é muito mais lenta e insulino-dependente e prossegue até que a concentração de glicogênio esteja próxima dos
valores normais, ou seja, quase sempre dentro de2,11 24 horas (Figura 7.6).

Figura 7.6 – Mecanismos de transporte de glicose mediados pela insulina e exercício11.

O fator dietético mais relevante que afeta o estoque de glicogênio é a quantidade de carboidrato consumido, ocorrendo
maior taxa de ressíntese de glicogênio muscular quando do consumo de 1 a 1,85 g/kg/hora de carboidratos de AIG
imediatamente após o exercício, em intervalos de 15 a 60 minutos, e por até 5 horas pós-exercício. O retardo desta
ingestão por diversas horas após exercício pode acarretar diminuição de cerca de 50% na taxa de síntese (Figura 7.7).
Muitas vezes, para alcançar tal consumo logo após o exercício a prescrição de suplementos ricos em carboidratos (classe
dos Suplementos Energéticos – ANVISA 2010) pode ser uma necessidade1,2.
Figura 7.7 – Comportamento da glicemia em relação ao consumo de carboidratos de alto índice glicêmico (AIG) pós-competição18.

Pirâmide do índice glicêmico aplicado a indivíduos fisicamente ativos


Muitos trabalhos sobre o potencial de prescrição do IG para atletas já foram publicados, mas poucos destinados aos
indivíduos fisicamente ativos. Em 2009, em trabalho pioneiro, decorrente da falta de um guia que propusesse distinção
qualitativa dos alimentos em relação ao seu IG para a prescrição nutricional para indivíduos fisicamente ativos,
desenvolveu-se uma pirâmide alimentar com base no IG, que será apresentada a seguir18.
Para desenvolver a pirâmide alimentar com base no IG foi realizada análise quanti-qualitativa dos alimentos, de
acordo com a tabela internacional de IG de Foster-Powell et al.13 e a distribuição dos alimentos por grupo alimentar e a
quantificação das porções pelas já estipuladas por Philippi et al.19,20. A partir dos valores de IG, a classificação dos
alimentos foi realizada conforme a referência da OMS21 em três categorias: BIG inferior a 60; médio índice glicêmico
(MIG) de 60 a 85; e AIG acima de 85.
Os alimentos de BIG e MIG foram representados pela cor cinza e os alimentos de AIG, pelo fundo
branco (apresentando, p. ex., distinção entre o consumo de pães, sendo preferencial o consumo do pão integral ao pão
branco). Optou-se também por utilizar o nome dos alimentos em vez da sua representação gráfica com o objetivo de
tornar mais clara a distinção entre os alimentos, uma vez que o mesmo tipo de alimento pode pertencer às “camadas”
diferentes da pirâmide.
Além da utilização dos recursos já referenciados, há uma figura de indivíduo correndo que representa a prática de
atividade física, sugerindo que o consumo de certos alimentos deve ser feito preferencialmente após a atividade física.
Para a elaboração da pirâmide, os alimentos permaneceram divididos em oito grupos. No entanto, dentro de cada
grupo alimentar, foi feita uma alteração no número de porções permitidas, de acordo com o índice glicêmico dos
alimentos (Figura 7.8).

Figura 7.8 – Pirâmide do índice glicêmico (IG)18. CG = carga glicêmica.


Alguns grupos alimentares foram subdivididos, com o objetivo de separar os alimentos com consumo restrito
decorrente do elevado AIG e/ou CG, conteúdo lipídico ou baixa qualidade nutricional. É importante ressaltar que esses
alimentos deverão ser consumidos, de preferência, após a prática da atividade física. Já nos dias que não ocorrer a
prática da atividade, estes devem ser consumidos associados a outros grupos alimentares, preferencialmente de BIG e
baixa carga glicêmica (BCG), nas grandes refeições. É importante ressaltar que a pirâmide adaptada ao IG não tem como
objetivo a retirada de alimentos da alimentação diária, mas sim seu consumo em quantidades e momentos adequados.
Outra particularidade da pirâmide do IG em relação à atual pirâmide brasileira é que há apresentação diferenciada
entre os alimentos de cada grupo. Os alimentos no fundo cinza podem ser consumidos em maior quantidade em razão de
suas características benéficas em função do IG. Já os alimentos que devem ser consumidos com moderação estão
representados com fonte menor e sem preenchimento para enfatizar seu consumo restrito e que o mesmo deve ser feito
em função da atividade física. Além disso, ao preenchermos os alimentos permitidos de cinza, fazemos com que os
indivíduos visualizem de forma clara que existem mais alimentos permitidos do que aqueles que devem ter seu consumo
restringido.
Vale ressaltar que os alimentos, apresentados por categoria de IG e pertencentes ao mesmo grupo alimentar, caso
tenham suas porções consumidas, deverão ser estas subtraídas das permitidas daquele grupo. Por exemplo, no caso dos
cereais (base da pirâmide), se o indivíduo que necessita no total 2.000 kcal, consumir uma porção de pão branco (AIG)
após a atividade física, ele deverá, conforme distribuição proposta pela pirâmide, ingerir mais cinco porções deste grupo
ao longo do dia, além do estipulado para os outros grupos18.
O modelo proposto de pirâmide alimentar com base no IG procura priorizar também o consumo de alimentos ricos em
fibras, pois além dos benefícios no tratamento das dislipidemias, elas também contribuem para o controle do peso
corporal em indivíduos com sobrepeso e obesidade18.
Levando-se em conta que as principais diretrizes para manutenção e/ou redução de massa corporal enfatizam a prática
regular de atividade física para se alcançar boa saúde, há também o sinergismo com estudos que mostraram que a
ingestão de carboidrato de BIG antes da atividade física aumenta a oxidação de gorduras durante o exercício, sendo seu
consumo mais benéfico do que os alimentos de AIG22-24. Já após a atividade física, estudos demonstram que o consumo
de alimentos AIG traz benefícios quanto à reposição de glicogênio muscular25-27.
Assim, a pirâmide com base no IG tem como princípio que o consumo de alimentos de baixo e médio IG e o consumo
racional de alimentos de AIG são alternativas benéficas tanto para indivíduos fisicamente ativos que buscam melhora de
rendimento e saúde como para prevenção e tratamento de doenças crônico degenerativas, melhorando o perfil lipídico,
reduzindo o risco de desenvolver doenças cardiovasculares e auxiliando na perda do peso corporal. Desse modo, a
utilização dessa pirâmide se apresenta como nova opção de instrumento prático que deve ser empregado empiricamente
na atuação do profissional da área da saúde como referência para boa reeducação alimentar18.

Carboidratos e proteína
Os estudos indicam que o consumo isolado de carboidratos, na quantidade de 1,2 g/kg de peso/hora durante as primeiras
2 a 4 horas da recuperação, é suficiente para promover a ressíntese de glicogênio muscular, não se observando efeito
adicional no acréscimo de proteínas28; mantendo-se a mesma quantidade de carboidratos com acréscimo de 0,4 g/kg de
peso/hora há promoção de maior síntese de proteína muscular12. Assim, o consumo de carboidratos poderia ter efeito
além da recuperação dos estoques de glicogênio muscular, efeito adicional na síntese proteica. Para efeito de prescrição
nutricional, seria importante levar em conta o tempo para recuperação do atleta; se no caso for curta (menos de 8 horas),
o consumo isolado de carboidratos (CHO) de AIG seria prioritário; já se o tempo for maior, uma mistura de nutriente,
contemplando prioritariamente carboidratos de BIG, que resulta em maior poupança dos triacilgliceróis intramusculares
(TGIM) e proteínas para maior síntese muscular seria opção muito interessante12,29. Segundo a SBME4, “a ingestão
proteica, após o exercício físico de hipertrofia, favorece o aumento de massa muscular, quando combinado à ingestão de
carboidratos, reduzindo a degradação proteica. A dose recomendada é de 10 g de proteínas e 20 g de carboidratos. Esse
consumo deve estar de acordo com a ingestão proteica e calórica total. O aumento da massa muscular ocorre como
consequência do treinamento, assim como a demanda proteica, não sendo o inverso verdadeiro”.
Proteínas
A suplementação proteica não é necessária na maioria dos indivíduos praticantes de atividade física. Há um consenso
entre nutricionistas e profissionais da área esportiva, que mesmo atletas conseguem manter balanço nitrogenado positivo
com ingestão de até 15% do VCT de suas dietas provenientes de proteínas de alto valor biológico. Indivíduo sedentário,
consumindo diariamente cerca de 2.500 kcal, para que atinja 10% VCT oriundo de proteínas, deve consumir cerca de 63
g diariamente. Assumindo-se que este indivíduo tenha 70 kg, seu consumo de proteína por kg de peso por dia é de 0,9 –
o que representa 112% das recomendações dietéticas (RDA) para indivíduos sedentários na maioria dos países. Por fim,
se este indivíduo iniciar programa de atividade física e, consequentemente, dobrar seu consumo energético, mantendo
10% VCT proteico, ele deve alcançar 1,8 g de proteína/kg/dia (consumo de 109 g de proteína dietética); isto é mais do
que suficiente para cobrir o aumento na necessidade proteica apontada pelos diversos estudos apresentados para
qualquer atividade desenvolvida por este indivíduo. Porém, existem situações práticas que mostram que alguns desses
atletas têm dificuldade em alcançar esta recomendação e quadro de balanço energético negativo pode ser atribuído aos
vários fatores relacionados à ingestão calórica inadequada decorrente da supressão do apetite ou da monotonia do
cardápio; incapacidade de reposição dos estoques de glicogênio hepático e muscular entre períodos curtos de
treinamento e/ou competições; dietas com alto conteúdo de fibras que dão sensação de plenitude com baixa densidade
energética; escolhas alimentares inapropriadas por desconhecimento ou falta de orientação profissional e dificuldade de
ingerir em poucas refeições alta quantidade de calorias para recompor os gastos. Este quadro de deficiência energética
afetaria também o seu balanço nitrogenado1,30.

Saiba Mais!
A National Athletic Trainers’ Association31 publicou diretrizes para ingestão de proteínas em g/kg de massa corporal relacionada ao tipo de
atividade (Tabela 7.5), que podem ser alternativa às recomendações apresentadas pela SBME4. Tal detalhamento pode ser útil para
aproximar as recomendações práticas de prescrição às necessidades dos clientes fisicamente ativos em academias e até atletas
TABELA 7.5 – Recomendações para consumo de proteínas para atletas participantes de diferentes modalidades
Tipo de atividade Recomendação de consumo

Força e potência 1,7 a 1,8 g de proteína/kg (no máximo 2 g)

Resistência (endurance) 1,2 a 1,4 g de proteína/kg

População em geral 0,8 a 1 g de proteína/kg

Vegetarianos 0,9 a 1 g de proteína/kg

Fatores intervenientes na necessidade de ingestão proteica


Segundo Rogero et al.32, as necessidades de ingestão proteica na dieta sofrem interferência dos seguintes fatores:

• Balanço energético negativo: a ingestão inadequada de energia pode acarretar desvio de aminoácidos da síntese proteica
para o fornecimento de energia enquanto prevalecer essa condição metabólica. O mesmo ocorre no aumento do gasto
energético induzido pela maior prática de atividade física, sendo este último o mais relacionado aos indivíduos fisicamente
ativos; porquanto, as necessidades proteicas são comumente elevadas para a manutenção de maior taxa de síntese proteica
em razão da maior massa magra absoluta (atletas de força) ou da síntese de enzimas (atletas de endurance).
• Intensidade, duração e tipo de exercício: nos exercícios aeróbicos o aumento da intensidade e da duração do exercício
acarreta maior utilização de proteínas como substrato energético. Contrariamente, nos exercício de força este aumento de
necessidade se dá preferencialmente por maior taxa de síntese proteica muscular e manutenção da massa muscular
corporal.
• Aporte de carboidratos pela dieta: a ingestão de carboidratos é inversamente relacionada à taxa de catabolismo proteico
durante o exercício. As diretrizes da SBME4 discutem as necessidades de fornecimento de carboidratos adequadas à
manutenção e à promoção da síntese proteica.
• Tempo de treinamento: em exercícios aeróbicos há relação entre tempo de treino e aumento na oxidação de aminoácidos,
especialmente os aminoácidos de cadeia ramificada (ACR: leucina, isoleucina e valina) para suprir necessidades energéticas.
Em treinamento há maior necessidade proteica nas fases iniciais, com finalidade de sustentar o aumento do crescimento
muscular, comparadas àqueles que objetivam a manutenção da massa muscular, como durante período competitivo. Esse
fato indica que as necessidades proteicas podem diminuir com o decorrer do treinamento de força, devendo se adaptar às
particularidades dos ciclos de treinamento.
• Gênero: a maioria dos estudos sobre as necessidades de ingestão de proteínas em indivíduos fisicamente ativos foi realizada
em indivíduos do gênero masculino. Alguns resultados sugerem que em exercícios de longa duração (endurance) as
mulheres possuam menor necessidade proteica do que os homens, possivelmente pelas respostas hormonais específicas ao
gênero relacionadas ao metabolismo lipídico. Quanto aos exercícios de força não existem estudos sistemáticos sobre as
particularidades para o gênero feminino.
• Idade: o exercício de força promove aumento da síntese proteica muscular em idosos de modo similar àquele observado em
jovens. Dessa forma, semelhante aos indivíduos mais jovens, a força e o tamanho muscular em idosos poderiam influenciar
as necessidades de ingestão proteica desse grupo. Além disso, crianças e adolescentes não têm sido sistematicamente
estudados. Contudo, é possível que maior necessidade de ingestão proteica para o crescimento possa favorecer o aumento
da recomendação de ingestão de proteínas de jovens fisicamente ativos32.

Gorduras
Conforme relatos da literatura, o consumo de gordura pelos atletas é bastante variável, sendo registrado que nas
Olimpíadas de 1952 houve consumo de 40% de calorias totais (VCT) provenientes de gordura em média de 4.503 kcal.
Já Grandjean33 registrou o consumo de 46% do VCT provenientes de gordura de ginastas femininas que consumiam em
média 1.949,5 kcal.
As gorduras representam a maior e mais eficiente reserva em termos de fornecimento absoluto de energia; os ácidos
graxos provenientes da dieta podem seguir três destinos após sua digestão: metabolizados para fornecimento de energia;
armazenamento ou serem incorporados nas estruturas celulares34.
Atualmente, a SBME4 aconselha consumo de 1 g de gordura por kg/peso corporal, o equivalente a 30% do VCT.
Quanto à fração dos ácidos graxos essenciais, esta deve estar em torno de 8 a 10 g/dia, com a proporção de ácidos graxos
essenciais de 10% de saturados, poli-insaturados e monoinsaturados1.

Benefícios da atividade física e nutrição para controle de peso


Como variável, o nível de AF está relacionado às seguintes observações: baixo nível de AF é fator de risco para o ganho
de peso; nível de sedentarismo é maior em pessoas obesas; AF regular altera satisfatoriamente a composição corporal;
AF regular contribui para a perda de peso e sua manutenção entre outros benefícios35.
Diversas teorias procuram explicar o aumento na prevalência do sobrepeso e da obesidade nos últimos anos, podendo
ser resumidas em três situações. A primeira supõe elevação no consumo de calorias por grande parte da população em
relação às gerações passadas, sem alteração no gasto diário habitual de energia; a segunda sugere o contrário, ou seja,
redução na AF diária habitual sem alterações na ingestão calórica; e, finalmente, a terceira estabelece que ocorreu
declínio na ingestão calórica per capita quando comparado às gerações anteriores com concomitante redução maior no
gasto energético diário. A literatura científica a respeito do tema aponta que as duas últimas proposições sejam as mais
prováveis pela atual epidemia da obesidade36. Diversos estudos prospectivos indicam relação inversa significativa entre
nível de AF habitual e ganho de peso, e que este seja melhor preditor para ganho de peso do que as estimativas de
ingestão de calorias ou gorduras. Para concluir este tema, há estudos que estabelecem que o déficit em relação aos anos
passados do gasto energético com AF seria, em média, de 300 a 800 kcal/dia, o que significa acrescentar diariamente 1 a
3 horas de exercício moderado (caminhadas a passos rápidos) para estar em equilíbrio energético e manutenção de peso
adequados37.
Quanto ao excesso de gordura corporal, para a população em geral, estudos epidemiológicos claramente evidenciam
que não apenas a gordura total, mas aquela centralmente localizada, ou seja, a adiposidade abdominal (AB) está
fortemente relacionada ao risco de hipertensão, doença cardíaca coronariana, diabetes tipo 2 e aumento de mortalidade38.
A AB está associada ao aumento na massa do tecido adiposo visceral (TAV) e este está independentemente associado às
concentrações de glicose e insulina em ambos os sexos39.
A MM, e principalmente a MC, definida como compartimento metabolicamente ativo, rico em potássio contendo
tecidos que trocam oxigênio, oxidantes de glicose e realizadores de trabalho, possui destaque nos processos de doença e
tem papel central no metabolismo relacionado ao estresse. Porém, muito menos evidenciada é a importância do músculo,
representante da MC, e sua função metabólica na manutenção e no alcance de peso adequado, assim como nas atividades
físicas cotidianas35. Wolf40 destaca que nas discussões sobre o desenvolvimento da obesidade não há apreciação da MM
como fator protetivo para o desenvolvimento da obesidade, assim como fator adjuvante para perda e manutenção de MC
em indivíduos com sobrepeso/obesidade, em razão do seu conhecido efeito na taxa metabólica basal. O autor ainda
pondera que em perspectiva em longo prazo, diferença de ≈ 10kg na massa muscular pode ter efeito significativo no
balanço energético, pois representa gasto energético adicional de ≈ 100 kcal/dia. Assim, tendo como base a perspectiva
de aumento/manutenção da MM, as principais abordagens são empregadas como dietas restritivas, exercícios (aeróbicos
e anaeróbicos) ou ambas. Ross et al.41 propuseram estudar essas abordagens e seus efeitos no tecido adiposo (subcutâneo
e visceral), MM e massa muscular em homens obesos. Como resultado, observaram que a combinação dieta e exercícios
em relação à dieta apenas causou maior preservação do tecido muscular, maior mobilização do tecido adiposo
subcutâneo da região abdominal em relação à glúteo-femoral e melhora na capacidade funcional. Tais resultados
reforçam a importância do sinergismo dieta e exercício e do fracionamento do corpo em dois ou mais compartimentos
para permitir o entendimento e o acompanhamento das modificações destes representantes quando submetidos aos
fatores intervenientes para redução do peso corporal e manutenção de perspectiva saudável de composição corporal.

Redução ponderal por meio da restrição energética


Para determinar a redução calórica que será aplicada ao processo de emagrecimento do cliente é necessária obtenção do
GET. As técnicas de cálculo do GET já foram apresentadas no capítulo específico intitulado Gasto Energético Total.
Para determinar o VCT a ser subtraído do GET, pode ser empregado o proposto por Williams15. Segundo o autor, para
se obter perda de 500 g de gordura corporal deve-se aplicar déficit semanal de 3.500 kcal ou 500 kcal/dia em uma
semana, o que representaria redução na ingestão calórica de 1.000 kcal/dia a partir do GET já calculado e apresenta
relação entre o tempo para perda de MC proporcional à queda no consumo calórico (Tabela 7.6)15. O importante de
observar nesta abordagem é que essa redução não pode resultar em dieta com menos de 1.200 kcal e ser sempre esta
estratégia acompanhada por orientação nutricional.

TABELA 7.6 – Aproximação do tempo exigido (em dia) para diferentes perdas de massa corporal em relação à redução energética
Redução calórica (kcal) Perda de 2,2 kg (dias) Perda de 4,5 kg (dias) Perda de 6,8 kg (dias) Perda de 9 kg (dias) Perda de 11,3 kg (dias)

100 175 350 525 700 875

200 87 175 262 350 438

300 58 116 175 232 292

400 44 88 131 176 219

500 35 70 105 140 175

600 29 58 87 116 146

700 25 50 75 100 125

800 22 44 66 88 109

900 19 39 58 78 97

1.000 17 35 52 70 88

Adaptado de Wiliamns15.
Prescrição nutricional a partir da pirâmide alimentar brasileira
A forma gráfica adotada de pirâmide foi realizada objetivando melhor entendimento por parte dos indivíduos das
orientações nutricionais, portanto, tem o intuito de fazer com que o consumo dos alimentos seja adequado e em
quantidade suficiente para compor dieta nutricionalmente equilibrada, evitando, na medida do possível, deficiências ou
excessos. Seu formato dispõe os alimentos separadamente em níveis que são agrupados por nutrientes; os alimentos dos
diferentes grupos foram quantificados por porções. Porção é a quantidade de alimento em sua forma usual de consumo;
esta pode ser expressa em medidas caseiras. As quantidades foram estabelecidas com base nos grupos de alimentos e
seus substitutos, a fim de compor alimentação equilibrada tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo42.
Após a obtenção do valor calórico final para a prescrição nutricional, visando aos objetivos apresentados pelo cliente,
uma das opções de orientação nutricional se baseia na prescrição a partir dos conceitos da pirâmide alimentar adaptada
para a população brasileira19. Esse guia alimentar apresenta a distribuição calórica entre as refeições em três níveis
energéticos: 1.600, 2.200 e 2.800 kcal. Esses níveis energéticos se dividem em oito grupos de alimentos que foram
organizados segundo suas características nutricionais, hábito nacional e nível calórico. Os grupos alimentares e
respectivos valores calóricos por porção são19:

• Grupo 1: pães, cereais, raízes e tubérculos (150 kcal/porção);


• Grupo 2: hortaliças (15 kcal/porção);
• Grupo 3: frutas (35 kcal/porção);
• Grupo 4: leite e produtos lácteos (120 kcal/porção);
• Grupo 5: carnes e ovos (190 kcal/porção);
• Grupo 6: leguminosas (55 kcal/porção);
• Grupo 7: óleos e gorduras (73 kcal/porção);
• Grupo 8: açúcares e doces (110 kcal/porção).

Assim sugestão seria orientar as porções de consumo, apresentando uma lista de equivalentes por grupo calórico
(Tabela 7.7).
TABELA 7.7 – Distribuição dos grupos alimentares dentro de valores calóricos preestabelecidos pela pirâmide alimentar brasileira19
Calorias totais 1.600 2.200 2.800

Grupos Porções

Cereais, pães, tubérculos e raízes 5 7 9

Hortaliças 4 4,5 5

Frutas 3 4 5

Leite e produtos lácteos 3 3 3

Carnes e ovos 1 1,5 2

Leguminosas 1 1 1

Óleos e gorduras 1 1,5 2

Açúcares e doces 1 1,5 2

Para indivíduos fisicamente ativos e atletas, que necessitem de consumo diferente dos estabelecidos para a população
pela pirâmide alimentar, o ajuste deve ser sempre primeiro por meio do acréscimo de porções no grupo dos cereais, pães,
tubérculos e raízes. O carboidrato, nutriente fonte deste grupo, é primordial para manutenção do glicogênio corporal,
propiciando manutenção do rendimento sem fadiga12,25. Assim, considerando-se um cliente que necessite de 2.500 kcal,
basta partir da recomendação preestabelecida de 2.200 kcal, acrescentar duas porções do grupo dos cereais, pães,
tubérculos e raízes (150 kcal/porção) chegando-se ao valor energético final desejado. Fica a critério do nutricionista o
aumento em apenas um grupo ou a distribuição em outros, porém há de se considerar que constitui metodologia que
agiliza as alterações de prescrição nutricional para este público.
Ainda para reforçar o argumento a favor do consumo de fontes de carboidratos em academias, sobretudo para o grupo
das mulheres, um trabalho realizado em cinco academias de ginástica, neste público específico (n = 83 mulheres), cujas
características encontram-se na Tabela 7.8, observou-se consumo energético insuficiente e também do grupo dos cereais,
pães, raízes e tubérculos (Tabela 7.9)43.
TABELA 7.8 – Caracterização antropométrica e nutricional de mulheres fisicamente ativas de cinco academias de ginástica43
(n = 83) Média (DP) Mínimo – máximo

Idade 40,8 (12,4) 20 – 65

Altura (cm) 162,4 (6,7) 140 – 184,5

Peso (kg) 67,9 (10,4) 42,7 – 91,9

IMC (kg/m²) 25,8 (4) 18,9 – 36

TMB (kcal) 1.433,6 (119,4) 1.123,7 – 1.807,2

DP = desvio-padrão; IMC = índice de massa corporal; TMB = taxa metabólica basal.

TABELA 7.9 – Caracterização e comparação da ingestão quantitativa e qualitativa do consumo alimentar de mulheres fisicamente ativas de cinco
academias de ginástica43
(n = 83) Recomendado19 Consumido média (DP) Mínimo – máximo

VET (kcal) – 1.573,5 (492,6) 578 – 2.780

GET (kcal) 2.200 kcal 2.192,6 (222,9) 1.741,7 – 2.925,4

Pães, cereais etc. (porções) 7 3,8 (1,8) 1 – 12

Hortaliças (porções) 4,5 2,4 (1,6) 0–8

Frutas (porções) 4 2,3 (1,9) 0–7

Lácteos (porções) 3 2,1 (1,3) 0–5

Carnes e ovos (porções) 1,5 1,9 (0,9) 1–6

Leguminosas (porções) 1 0,9 (1) 0–5

Óleos (porções) 1,5 1,6 (1,1) 0–5

Açúcares (porções) 1,5 1 (1) 0–4

DP = desvio-padrão; GET = gasto energético total; VET = valor energético total.

Finalmente, em relação ao consumo equilibrado de nutrientes, que incluam fontes de carboidratos, proteínas e gordura
além da fibra para o grupo das mulheres frequentadoras de academias, há a constatação que estas apresentam maior
percentual de insatisfação com a imagem corporal, chegando a 48%, e relacionado positivamente ao IMC44; isto
provavelmente pelo fato de as academias de ginástica veicularem padrões estereotipados de magreza, dietas
mirabolantes e mitos nutricionais45.
Em estudo sobre a correlação entre prática de atividade física e alimentação concluiu-se, de uma amostra de 32
indivíduos, predominantemente mulheres, que a alimentação estava inadequada, com baixo consumo de carboidratos,
alto de gordura e adequado em proteínas, indicando ser este padrão alimentar limitador aos objetivos da prática de
exercícios e de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis46.
Os resultados encontrados no estudo da Tabela 7.8 demonstram claramente um déficit nos valores energéticos totais
(VET: 1.573,5 ± 496,6 kcal) em relação ao de GET médio (2.129,6 ± 222,9 kcal), ao ponto das mulheres fisicamente
ativas atingirem apenas 74% das suas necessidades energéticas para a prática de atividade na academia, indicando ser
realidade o iminente risco nutricional43. Ainda, as autoras verificaram que em relação ao padrão de consumo qualitativo,
com base em dieta com 2.200 kcal, segundo a pirâmide alimentar brasileira, as desportistas consumiram quantidades
muito abaixo das porções para os grupos: G1 (cereais, pães etc.); G2 (hortaliças); G3 (frutas); G4 (lácteos); quantidades
abaixo das porções para os grupos: G6 (leguminosas) e G8 (açúcares) e dentro das porções para os grupos: G5 (carnes e
ovos) e G7 (óleos). Tais resultados vão ao encontro do estudo realizado pela Pesquisa do Orçamento Familiar47, que
evidenciou, na população brasileira, redução na ingestão de alimentos complexos, frutas e hortaliças, em detrimento do
consumo de cereais, feijão, raízes e tubérculos48.
É bastante documentado que a combinação de exercícios físicos e dieta representa abordagem flexível para conseguir
redução ponderal e controle de peso, em longo prazo, prevenindo o desenvolvimento de obesidade e doenças
associadas43.
O substrato energético utilizado pelo organismo dependerá, segundo Basset e Nagle49, da natureza, da intensidade e da
duração do exercício; do consumo alimentar; do ambiente em que é realizado; e de uma variedade de fatores individuais,
como idade, sexo, peso e composição corporal, tipo de fibra muscular predominante, estado de treino e habilidade
técnica. Contudo, já é bem estabelecido na literatura que as principais fontes de energia para os exercícios prolongados
são os carboidratos e as gorduras. Para conseguir a diminuição da massa adiposa, objetivo quase sempre relatado pelas
frequentadoras de academias, é necessária a existência de balanço energético negativo, condição na qual o gasto
energético supera o consumo de energia50. Os estoques de energia do organismo são consumidos para sustentar os
processos metabólicos, o que ocasiona perda de MC diante do déficit energético. Segundo a Sociedade Brasileira de
Medicina do Esporte4, o consumo de energia satisfatório e principalmente de fontes de carboidratos é a estratégia mais
adequada para redução ponderal e manutenção da capacidade de rendimento em indivíduos fisicamente ativos.

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Suplementação

Introdução
Em 2003, foram publicadas as primeiras orientações sobre conduta suplementar e Recomendações Nutricionais (ver capítulo Prescrição Nutricional) direcionadas para
atletas saudáveis, adultos em fase de maturação sexual final intitulada: Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de
ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde pela Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte1 (SBME, 2003). Posteriormente, no ano de 2009, ocorreu atualização
do documento (Tabela 8.1). Essas publicações vieram ao encontro da preocupação crescente sobre o consumo de suplementos e outras substâncias com finalidade de
rendimento (ergogênese) em ambientes de prática esportiva, como as academias de ginástica. Ainda, combater o comércio ilegal de suplementos, sem fiscalização dos
setores de vigilância sanitária e contando com participação, direta ou indireta que profissionais não gabaritados para a prática da prescrição, que necessita orientação
nutricional e/ou médica1. Situação muito bem descrita e detalhada na diretriz é de que com o conhecimento sobre alimentação adequada e supervisão de um profissional
até mesmo atletas de elite podem se isentar totalmente do consumo de suplementos. Essa situação é transposta para desportistas, nos quais não há evidências científicas
da necessidade de suplementação, a menos que avaliação nutricional e/ou médica criteriosa estabeleça sua real necessidade1,2. Na diretriz de 2003, foi apresentado o nível
de evidência (Figura 8.1) assim como o grau de recomendação (Figura 8.2).

TABELA 8.1 – Comparativo das Diretrizes da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte 2003 e 2009 sobre Suplementos Nutricionais para Atletas

SBME–20031 SBME–20092

Proteínas

Recomenda-se para indivíduos sedentários, a ingestão de 0,8 g de proteína por kg/dia. Já Para indivíduos sedentários recomenda-se a ingestão de 0,8 g de proteína por kg/dia. Já indivíduos ativos, com a
indivíduos ativos, com a ingestão de 1,2 a 1,4 g/kg/dia, teriam sua demanda atendida. ingestão de 1,2 a 1,4 g/kg/dia, teriam sua demanda atendida. Visando à hipertrofia muscular, atletas ou não
Atletas e indivíduos visando à hipertrofia muscular teriam suas necessidades atendidas teriam suas necessidades atendidas com o consumo máximo de 1,8 g/kg/dia, contempladas perfeitamente em
com o consumo máximo de 1,8 g/kg/dia. Tais necessidades seriam contempladas, a não uma alimentação equilibrada, salvo situações especiais
ser em situações especiais, por alimentação equilibrada. Grau de recomendação A e Estudos recomendam que o uso dos suplementos proteicos, como a proteína do soro do leite ou a albumina da
nível de evidência 2 clara do ovo, deve estar de acordo com a ingestão proteica total. O consumo adicional desses suplementos
proteicos acima das necessidades diárias (1,8 g/kg/dia) não determina ganho de massa muscular adicional,
nem promove aumento do desempenho
Ingestão proteica, após o exercício físico de hipertrofia, favorece o aumento de massa muscular, quando
combinada com a ingestão de carboidratos, reduzindo a degradação proteica. A dose recomendada é de 10 g
de proteínas e 20 g de carboidratos. Esse consumo deve estar de acordo com a ingestão proteica e calórica
total

Aminoácidos

A não ser em algumas poucas situações especiais discriminadas pela diretriz, a Recomenda-se que não seja utilizada a suplementação de aminoácidos de cadeia ramificada com finalidade
suplementação de aminoácidos está embasada em literatura controversa e apresenta ergogênica
baixo grau de recomendação, em geral não devendo ser usada. Grau de recomendação Atualmente, não existe evidência científica suficiente demonstrando que a glutamina altere a função imune e
D e nível de evidência 7 previna lesões em atletas saudáveis que consomem níveis adequados de proteínas, o que torna sua
Recomenda-se que não seja utilizada a suplementação de aminoácidos, com finalidade suplementação necessária apenas em casos em que a avaliação individual assim indicar
ergogênica. Grau de recomendação E e nível de evidência 7 A ornitina e a arginina são aminoácidos que produzem maior secreção de hormônio de crescimento quando
Não é justificável a suplementação oral de glutamina, mesmo para os participantes de oferecidos por meio de infusão intravenosa, sendo, entretanto, seu consumo por via oral ineficaz. Não é
exercícios físicos muito desgastantes. Grau de recomendação E e nível de evidência 7 recomendada a suplementação destes aminoácidos
Não é recomendada a suplementação desses aminoácidos. Grau de recomendação E e
nível de evidência 7

Creatina

Para desportistas saudáveis, mesmo que sejam atletas de eventos de grande intensidade e Somente para atletas competitivos de eventos de grande intensidade e curta duração, ou seja, atividades nas
curta duração, ou seja, atividades nas quais predomina a utilização dos fosfagênios quais predomina a utilização de fosfagênios, sempre em caráter excepcional, seu uso é permitido. Portanto,
como fonte energética, fica estabelecida a recomendação de que, em geral, não se deve mesmo nesses casos, a recomendação é a de que, em geral, não se deve usar a suplementação de creatina,
usar a suplementação de creatina. Grau de recomendação D e nível de evidência 4 sendo seu uso aceito em raras ocasiões
Para os demais desportistas fica estabelecida a recomendação de nunca usar

Beta-hidroxi-betametilbutirato

Para a população em geral, mesmo quando se trata de atletas de competição, não existe Para a população em geral, mesmo quando se trata de atletas de competição, não existe recomendação para seu
recomendação para o seu uso, devendo prevalecer a orientação de que não se deve uso, devendo prevalecer a orientação de que não se deve utilizar
utilizar. Grau de recomendação E e nível de evidência 7

Cafeína
III. Classes de substâncias proibidas em certas circunstâncias I. Autorização para uso de substâncias restritas e proibidas
Algumas substâncias são positivas a partir de determinada concentração na urina, tais S8: Substâncias antes permitidas, que foram incluídas no programa de monitoramento de 2008, portanto,
como cafeína, catina, efedrina, metilefedrina, fenilpropenilamina (fenilpropanolamina), atualmente proibidas: bupropiona, cafeína, fenilefrina, fenilpropranolamina, pipradol, pseudoefedrina, sinefrina
morfina e pseudoefedrina

A RBME publicou artigo de Altimari3 esclarecendo a legalidade da cafeína, informando que: “… devido às dificuldades de se estabelecer um valor limítrofe, desde o ano de 2004 a cafeína foi incluída junto co
substâncias em um programa de monitoramento da WADA, não sendo essa considerada substância proibida, condição esta que se estende até os dias atuais. Vale ressaltar que, mesmo não sendo uma s
proibida pela WADA, estudos de acompanhamento realizados após a retirada da cafeína da lista de substâncias proibidas não observaram aumento significante no consumo da mesma no meio esportivo”

WADA = Agência Mundial Antidoping.

Figura 8.1 – Nível de evidência da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte1.


Figura 8.2 – Grau de recomendação da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte1.

Perfil do frequentador de academias de ginástica


Atualmente, a pesquisa sobre o perfil do frequentador de academia tem ganhado destaque na área científica. Outrora,
este público de indivíduos fisicamente ativos em academias de ginástica não era considerado como objeto de pesquisa
acadêmica, exceto no âmbito de Saúde Pública na investigação sobre inatividade/atividade física. Um dos primeiros
trabalhos a desenvolver cientificamente este tema foi o de Pereira et al.4, no qual foi esboçado o perfil do frequentador
de academia de ginástica (idade, gênero, atividades físicas praticadas, gasto com academia/suplementos, suplementação,
objetivo de prática etc.) de sete estabelecimentos de pequeno a grande porte, em bairros centrais de grande centros
comerciais em São Paulo. O perfil do frequentador de academia e o consumo de suplementos no ano de 2003 estão nas
Figuras 8.3 e 8.4, respectivamente.

Figura 8.3 – Perfil do frequentador de academia no ano de 2003. IMC = índice de massa corporal.
Figura 8.4 – Consumo de suplementos dos frequentadores de academia no ano de 2003. RH = repositores hidroeletrolíticos, atualmente
designados de suplementos hidroeletrolíticos para atletas.

Uma mesma pesquisa com jovens frequentadores de academia foi realizada após cinco anos5, com os mesmos
objetivos de avaliar o perfil e o consumo de suplementos em São Paulo. O perfil do jovem frequentador de academia e o
consumo de suplementos estão nas Figuras 8.5 e 8.6, respectivamente.

Figura 8.5 – Perfil do frequentador de academia no ano de 2008. IMC = índice de massa corporal.
Figura 8.6 – Consumo de suplementos dos frequentadores de academia no ano de 2008. ACR = aminoácidos de cadeia ramificada; RH =
repositores hidroeletrolíticos, atualmente designados de suplementos hidroeletrolíticos para atletas.

Desde então diversos outros estudos foram publicados sobre o consumo de suplementos em academias entre outros
temas. Todos apontam para tendência, já discutida em outros capítulos, entre academias de ginástica: a mudança do
tradicional público masculino para o feminino. Como apontado na pesquisa de Hirschbruch5, o público que referiu
frequentar academia é tipicamente feminino. Essa tendência faz com que se altere a abordagem de estruturação das
atividades físicas dentro das academias, design de equipamentos de ginástica, prestação de serviços, aquisição de
equipamentos, modalidades de atividade físicas oferecidas, entre outros. Para o nutricionista, a complementação na sua
formação de tópicos voltados especificamente para a saúde da mulher (tensão pré-menstrual, reposição hormonal,
menopausa, transtornos alimentares, imagem corporal, dietas da moda entre outros) e seu treinamento (bioquímica,
fisiologia etc.) é fundamental. Ainda é importante destacar que o consumo de suplementos é gênero específico, ou seja,
como mostrado em 2003, o maior consumo de proteínas e aminoácidos foi decorrente do envolvimento destes nas
pesquisas de hipertrofia muscular, principal objetivo referenciado pelo público masculino4. Já para público feminino, os
mais consumidos foram os suplementos hidroeletrolítico e vitamínicos minerais, ligados à reposição hídrica e melhora
da hidratação do corpo e pele, além de função antioxidante relacionada ao combate ao envelhecimento e, portanto, com
forte apelo voltado aos objetivos estéticos5.
O consumo de suplementos possui prevalência relacionada ao público que se destina e pode ser observada na
Figura 8.7.

Figura 8.7 – Prevalência de consumo de suplementos por população específica.

Suplementação para desportistas


Em 2000, em suplemento especial do The American Journal of Clinical Nutrition foram reunidos diversos artigos
apresentados no Worshop do National Institute of Health (NIH) sobre o papel dos suplementos dietéticos para
indivíduos fisicamente ativos. O artigo de abertura de Zeisel6discute se há bases metabólicas para a suplementação em
indivíduos fisicamente ativos, com a proposta de um algoritmo decisório (Figura 8.8) que pode ser empregado como um
guia decisório para a suplementação junto aos pacientes/clientes na área de Nutrição Esportiva. O que fica claro é que
antes da prescrição de qualquer tipo de suplemento há etapas de investigação nutricional (anamnese) sobre o hábito
alimentar e intervenção nutricional para corrigir as deficiências detectadas e só após o consumo suplementar deve ser
posto em prática.
Figura 8.8 – Algoritmo decisório para prescrição em indivíduos fisicamente ativos.

Suplementos e ergogênicos nutricionais


Há diferença entre os termos ergogênico e suplemento alimentar. O ergogênico deriva do grego ergon (trabalho)
e gennan (produção) e geralmente se refere às substâncias ou aos métodos que promovam a produção ou melhora de
rendimento em atletas. Os ergogênicos disponíveis no mercado possuem propósito de melhorar a produção de energia
(força física), controle mental (vigor mental) e eficiência da utilização de energia (vantagem mecânica), prevenindo ou
retardando a fadiga periférica (muscular) ou central (mediada pelo sistema nervoso central)7.
Os ergogênicos podem ser classificados conforme apresentado no Quadro 8.1; estes podem ser legais ou ilegais, ou
mesmo produzirem situação de doping. Cabe ao nutricionista ficar atento aos ergogênicos nutricionais permitidos para
prescrição conforme o Comitê Olímpico Internacional (COI) e SBME, como exemplo tem-se a cafeína, que já foi
substância proibida pelo COI e atualmente é classificada como substância controlada.

QUADRO 8.1 – Classificação dos ergogênicos para atletas

• Nutricionais
– Todos os nutrientes de uma nutrição balanceada
– Por exemplo, carboidratos, proteínas, suplementos hidroeletrolíticos, cafeína, creatina etc.

• Farmacológicos
– Drogas desenvolvidas para atuar como hormônios ou neurotransmissores que são encontradas naturalmente no organismo. Podem
produzir doping, se ilegais
– Por exemplo, estimulantes, narcóticos, anabólicos, diuréticos etc.

• Psicológicos
– Técnicas de treinamento e/ou relaxamento que diminuem a ansiedade e o nervosismo ou melhoram o ânimo e o alerta
– Por exemplo, hipnose, meditação imaginária / transcedental etc.

• Fisiológicos
– Substâncias ou técnicas desenvolvidas para melhorar o processo fisiológico, que gera maior potência física
– Por exemplo, bicarbonato de sódio, transfusão de sangue, GH

• Mecânicos ou biomecânicos
– Melhora a biomecânica do movimento
– Por exemplo, roupas com melhor hidrodinâmica (fastskin), bicicletas mais leves, tênis com saltos para deslocamento do centro de gravidade
etc.

Suplementos para atletas segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária


A ANVISA, em abril de 2010, publicou a RDC n. 18/2010, que dispõe sobre alimentos para atletas. Na Seção I declara
que o objetivo do regulamento é estabelecer a classificação, a designação, os requisitos de composição e de rotulagem
dos alimentos para atletas. Entendendo por atletas praticantes de exercício físico com especialização e desempenho
máximos com o objetivo de participação em esporte com esforço muscular intenso, cujos alimentos especialmente
formulados discutidos na resolução sirvam para auxiliá-los a atender suas necessidades específicas e auxiliar no
desempenho do exercício8. Levando-se em consideração que os estudos já discutidos anteriormente neste e em outros
capítulos claramente indicam que o público de academia possui objetivos de prática distintos de atletas (rendimento),
especialização e desempenhos não voltados ao esporte competitivo; fica evidente que tais produtos/suplementos não são
direcionados ao público nas academias. Como há possibilidade de haver um atleta que possa treinar em ambiente de
academia para fortalecimento muscular, ou usar serviços e/ou dependências da academia (piscina, pista de corrida,
sauna, fisioterapia etc.), serão apresentadas as principais classes de suplementos para atletas descritas na resolução.
Embora a ANVISA8 não regulamente a prática nutricional e a atividade de prescrição de suplementos, fica claro que a
liberação desses suplementos, por parte desta entidade, baseou-se no consenso de especialistas, das mais diversas áreas,
fundamentando-se em estudos de rendimento em população de atletas tendo, portanto, efeito duvidoso quando aplicado
aos desportistas com objeto de prática recreacional, saúde ou mesmo estética. Para deixar este tópico bem claro, a
portaria anterior (SVS/MS n. 222), que foi revogada pela atual, datada de 1998, era intitulada Alimentos para praticantes
de atividade física. A luz do conhecimento atual a ANVISA8 declara que: “uma dieta balanceada e diversificada é
suficiente para atender as necessidades nutricionais de praticantes de exercício físico, visto se tratar dos indivíduos que
praticam atividade física de forma regular ou esporádica com objetivo de promoção da saúde, recreação, estética,
aptidão física, condicionamento físico, inserção social, desenvolvimento de habilidades motoras ou reabilitação
orgânico-funcional”9. Neste sentido, cabe ao profissional arcar com insucessos, decepções, efeitos colaterais ou possíveis
problemas de saúde da prescrição desses suplementos não direcionados aos atletas.
No Quadro 8.2 estão as seis classes atuais de suplementos para atletas conforme regulamento da ANVISA.

Saiba Mais!
Há uma diferença entre suplemento nutricional e ergogênico. Observando-se a RDC de 2010, da ANVISA, podemos afirmar que os
suplementos discutidos foram liberados em razão de suas ações ergogênicas em atletas, mas nem todos os ergogênicos nutricionais
podem ser classificados como suplementos para atletas; também o nutricionista não pode prescrever todos os ergogênicos, mesmo os
nutricionais, dependendo das regras do COI entre outros órgão de controle de doping em atletas

QUADRO 8.2 – Classes de suplementos descritas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) destinadas aos atletas

I. Suplemento hidroeletrolítico

II. Suplemento energético

III. Suplemento proteico

IV. Suplemento para substituição parcial de refeições

V. Suplemento de creatina
VI. Suplemento de cafeína
A seguir, serão apresentados um resumo da RDC n. 18/2010 e estudos sobre a prescrição destes suplementos para
atletas.
I. Suplemento hidroeletrolítico para atletas
Definição: Produto destinado a auxiliar a hidratação.
Requisitos específicos:

Concentração de sódio: 460 a 1.150 mg/l.


Osmolalidade: inferior 330 mOsm/kg água.
Carboidratos: até 8% (m/v) produto pronto para consumo.

– Tipo de carboidrato: não permitido: amidos e polióis.


– Frutose: inferior a 3% (m/v).

Pode conter vitaminas e outros minerais.


Potássio até 700 mg/l.
Não pode ser adicionado de outros nutrientes e não nutrientes.
Não pode ser adicionado de fibras alimentares8

Para prescrição de suplemento hidroeletrolítico para atletas, ver capítulos Hidratação e Reidratação e Prescrição
Nutricional.

Rotulagem:
No capítulo V da RDC n. 18/2010, que trata sobre rotulagem, consta no artigo 21 que nos rótulos de todos os produtos
previstos neste regulamento deve constar a seguinte frase em destaque e negrito: “Este produto não substitui uma
alimentação equilibrada e seu consumo deve ser orientado por nutricionista ou médico.”
No caso de suplementos hidroeletrolíticos para atletas, o artigo 22 especifica que adicionalmente ao disposto no art.
21, nos rótulos de suplementos hidroeletrolíticos para atletas, pode constar a expressão:

I – “isotônico” para os produtos prontos para o consumo com osmolalidade entre 270 e 330 mOsm/kg água;
II – “hipotônico” para os produtos prontos para o consumo com osmolalidade abaixo de 270 mOsm/kg água.

II. Suplemento energético para atletas


Definição: Produto destinado a complementar as necessidades energéticas.
Requisitos específicos:

Produto pronto para consumo: no mínimo 75% do VET proveniente de carboidratos.


Quantidade de carboidratos: mínimo 15 g/porção produto pronto para consumo.
Pode ser adicionado vitaminas/minerais.
Pode conter lipídeos e proteínas intactas ou parcialmente hidrolisadas.
Não pode ser adicionado de fibras alimentares e de não nutrientes

Para prescrição de suplemento energético para atletas, ver a parte de consumo de carboidratos no capítulo Prescrição
Nutricional.

III. Suplemento proteico para atletas


Definição: Produto destinado a complementar as necessidades proteicas.
Requisitos específicos:

Produto pronto: no mínimo 10g proteína/porção.


Mínimo 50% VET de proteínas alto valor biológico conforme padrão de biodisponibilidade proteica (PDCAAS >
90%).
– Valores de PDCAAS das proteínas (FAO/WHO, 2007): Ovo: 118%; Leite de vaca: 121%; Carne bovina: 92%;
Soja: 91%.

Pode ser adicionado de vitaminas e minerais.


Não pode conter fibras alimentares e não nutrientes.

Para prescrição de suplemento proteico para atletas, vide a parte de consumo de proteínas no capítulo Prescrição
Nutricional.

IV. Suplemento para substituição parcial de refeição para atletas


Definição: Produto destinado a complementar as refeições dos atletas em situações nas quais o acesso a alimentos que
compõem a alimentação habitual seja restrito. Deve conter concentrações variadas de macronutrientes.
Requisitos específicos:

Mínimo 300 kcal/porção.


Carboidratos: entre 50 e 70% VET do produto pronto.
Proteína: 13 a 20% VET do produto pronto

– Proteínas intactas ou hidrolisadas (PDCAAS > 90%)

Lipídeos: até 30% VET produto pronto.

– Gordura saturada máximo 10% VET produto pronto.


– Gordura trans máximo 1% VET produto pronto.

Podem ser adicionados vitaminas e minerais.


Podem ser adicionadas fibras alimentares.

Para prescrição de suplemento para substituição parcial de refeição para atletas, ver capítulo Prescrição Nutricional.

V. Suplemento de creatina para atletas


Definição: Produto destinado a complementar os estoques endógenos de creatina.
Requisitos específicos:

Deve conter 1,5 a 3 g creatina/porção.


Creatina monoidratada com grau de pureza mínima de 99,95%.
Podem ser adicionados carboidratos.
Não pode conter fibras alimentares

Prescrição de creatina para atletas


Classificação e uso
Pode ser classificada tanto como um ergogênico fisiológico como nutricional, por ser um constituinte natural presente
em pequenas quantidades nos alimentos de origem animal (Figura 8.9), e também ser sintetizada endogenamente no
fígado e nos rins a partir dos aminoácidos metionina, arginina e glicina. Apesar de ser encontrada nos alimentos de
origem animal em até 5 g/kg de alimento (Figura 8.9), a quantidade necessária para efeito ergogênico (5 g/dia) não
poderia ser alcançada pelo consumo de alimentos fontes, sendo necessária sua suplementação10.
Quimicamente, é um composto nitrogenado derivado de três aminoácidos glicina, arginina e metionina, encontrado
principalmente no músculo esquelético.

Fator de ergogênese
A creatina fosfato (CP) participa do sistema do fosfagênio ou anaeróbio alático (ATP-CP) fundamental para atividades
de curta duração e alta intensidade e importante fator de ergogênese nas atividades de força e explosão característica dos
exercícios intermitentes (artes marciais, vôlei, basquete, rúgbi, handebol, futebol, musculação entre outras)7. Esta via,
caracterizada pelo rápido fornecimento de energia durante os primeiros 5 a 8 segundos de exercício físico, é proveniente
da quebra de compostos ricos em energia, como o adenosina trifosfato (ATP) que é a forma universal de estoque de
energia e cujo organismo possui apenas 85 g (Figura 8.10). A creatina total apresenta-se em duas formas: creatina livre e
creatina fosfato. Em seres humanos, 95% da creatina total estão localizados nos músculos esqueléticos, sendo 70% de
creatina fosfato e 30% na forma livre.

Figura 8.10 – Principais vias metabólicas para obtenção de energia durante atividade física7. ATP = adenosina trifosfato; CP = creatina fosfato.

Em razão da pouca quantidade de ATP armazenada é preciso que este seja constantemente ressintetizado. A CP
ressintetiza da seguinte maneira: por ser um composto similar ao ATP, quantidade significativa de energia é liberada
quando a CP é rompida formando creatina e fosfato (Figura 8.11). Portanto, a mobilização de energia proveniente
do pool de fosfatos, de ATP e de CP é importante na determinação da habilidade de um indivíduo em gerar e sustentar o
exercício de máxima intensidade em intervalo de tempo relativamente curto (Figura 8.12)11.
Teoria
A disponibilidade de CP é provavelmente uma das maiores limitações para a performance muscular durante exercícios
curtos de alta intensidade, pois a depleção de CP resulta em inabilidade de se ressintetizar ATP nas quantidades
necessárias11. A CP intramuscular exerce relevantes funções na regulação do metabolismo energético durante contração
do músculo esquelético, exercício físico e repouso. Ou seja, ela é parcialmente responsável pela síntese de ATP a partir
do ADP durante exercícios de alta intensidade e curta duração, via reação mediada pela creatina quinase (Figura 8.11).
Inúmeros estudos revelam que a suplementação com creatina pode aumentar, significativamente, a quantidade de
trabalho produzida durante exercícios repetitivos de supramáximo. O efeito ergogêncio da suplementação pode ser
atribuído ao aumento do conteúdo total de creatina muscular, acelerando a ressíntese de CP no intervalo dos exercícios.
Como resultado, a taxa de refosforilação de ADP requerida pode ser mantida durante a contração; esta hipótese vem
sendo reforçada, em diversos estudos, por menor acúmulo de amônia e hipoxantina, durante os exercícios realizados
após a suplementação com creatina11.

Figura 8.11 – Ressíntese da adenosina trifosfato (ATP) do fosfato inorgânico e adenosina difosfato (ADP), a partir da energia proveniente da
quebra da creatina fosfato pela enzima creatina quinase.

Figura 8.12 – Sistema de obtenção de energia imediato, entre 4 e 10 segundos, a partir da adenosina trifosfato e creatina fosfato (ATP-CP) ou
anaeróbico alático.

Prescrição
Estudos clássicos de suplementação com creatina foram em sua grande maioria realizados em período de seis dias com
20 a 30 g de creatina/dia e mais 28 dias de suplementação com 3 g/dia, e demonstraram ocorrer um aumento de cerca de
20% na concentração total de creatina muscular12.
Assim, para atletas que participam de provas de curta duração, repetitivas e de máxima intensidade a dose inicial
recomendada, durante uma semana, estaria entre 15 e 30 g/dia; neste período denominado sobrecarga predomina a
recomendação de ministrar 20 g/dia fracionada em quatro doses de 5 g ao longo do dia. Após o período de sobrecarga, 2
a 5 g/dia são recomendadas para a manutenção por até três meses; e, então, parar por um mês, denominado lavagem
ou wash out13. Esse período de pausa é necessário para retornar a concentração basal de creatina muscular aos níveis pré-
suplementação.
Outro protocolo modificado recomenda uma dose diária de 0,3 g/kg de massa corporal, por período de cinco a seis
dias, seguidos de dosagem diária de manutenção de 0,03 g/kg de massa corporal, por até três meses e novamente um
mês de wash out12.
Outro fator de aumento da biodisponibilidade da suplementação de creatina estaria na combinação de sua ingestão
com o consumo de carboidratos de alto índice glicêmico, entre 90 e 100 g, que aumentaria em 60% seu armazenamento
muscular, por um efeito de captação da creatina muscular mediado pela insulina10. Como pode se observar os
suplementos de creatina no mercado foram liberados pela ANVISA8 para serem comercializados com ou sem
carboidratos já prevendo o efeito sinérgico desta recomendação (Tabela 8.2). O nutricionista em sua prescrição pode
incluir fontes alimentares de carboidratos de alto índice glicêmico ou aliar um suplemento que já contenha boa
quantidade de carboidrato juntamente com a creatina.

TABELA 8.2 – Alguns suplementos de creatina disponíveis no mercado (Continuação)

Suplementos para atletas

Suplemento/apresentação Empresa Creatina (g)

Creatina isolada

Creatina Fuel Powder (1 colher de café) Twinlab 3

Creatina AGE (4 cápsulas com 3,48 g) Nutrilatina 3

Creatina Hardcore Reload (1 dosador) Integral Médica 3

Creatina Hardcore Reload (4 cápsulas com 3,5 g) Integral Médica 3

Creatina Peak Performance (1 colher de sobremesa) MHP 3

Creatina Creapure (2 tabletes com 3,4 g) Arnold Nutrition 3

Kre-Alkalyn Creatina (2 cápsulas com 2 g) Labrada 1,5

Kre-Alkalyn Creatina (2 cápsulas) Now Foods 1,5

Creatine Essential (2 colheres de café) Pronutrition 3

Creatine Monohydrate (1 colher de chá) GNC 3

Designer Creatina (3/4 dosador com 3 g) DNA 3

Creatina Caps (6 cápsulas com 3 g) Vitaminlife 3

Creatina Caps (4 cápsulas com 3 g) NeoNutri 3

Creatina Power Pure (1 dosador cheio com 3 g) NutriSport 3

Creatina micronizada (1 colher de café com 3 g) Dymatize Nutrition 3

Excell Creatina Edge (1 dosador com 3 g) Excel Nutritional 3

Creatina 100% Pura (4 cápsulas com 3 g) Nutek 3

Combo Creatina Creapure (1 dosador com 3 g) Atlhetica Evolution 3

Creatina Monoidratada em Pó (1 colher de café) Prolab Nutrition 3

Creatina Capsules (4 cápsulas com 3,74 g) Universal 3

Creatina micronizada (3 medidores) Ethika 3

Creatina Pura Profissional (1 colher de sobremesa) Probiótica 3


Creatina Monoidrate (1 colher de chá) Body Action 3

Creatina Way Pura (1/2 colher de chá) MidWay 3

Perfect Creatina Monoidratada (1 colher de chá) Nature’s Best 3

Creatina Max Titanium (1/2 colher de chá) Max Titanium 3

Hardcore Creatine Powder (1 colher de sobremesa) Met-Rx 3

Creatina Creapure (1/2 colher de chá) Performance Nutrition 3

Creatina 100% Pura (1 dosador) Neo-Nutri 3

Creatina Monoidratada (1/2 colher de chá) Health Labs 3

Extreme Creatina (1 colher de sobremesa) Solaris Nutrition 3

Creatina Powder (1 colher de café) Universal 3

Creatina Pro Series Caps (4 cápsulas com 3,48 g) Athletica 3

Creatina Xtreme (3 comprimidos de 4,2 g) Thwack 3

Creatina Xtreme Shot (1 frasco com 60 ml) Thwack 3

Creatina monoidratada (1 colher de chá) AST Sports Science 3

Creatina Way Pura Caps (6 cápsulas com 4,3 g) MidWay 3

Suplemento/apresentação Empresa Carboidratos (g) Creatina (g)

Creatina e carboidratos

Creatina Pro Series ATP (3 colheres de sopa) Athletica 25 3

Malto Creatina (4 colheres de sopa com 40 g) MidWay 35 3

Mass Creatina (4 colheres de sopa com 40 g) MidWay 35 3

Volume Creatina (4 colheres de sopa com 40 g) MidWay 35 3

Super Fight Creatina (4 colheres de sopa com 40 g) MidWay 35 3

Creatina Millennium (1 dosador com 30 g) Millennium 26 3

Creatina Way Super Tabs (10 tabletes com 10 g) MidWay 3,1 3

Creatina Force Up (1 medida rasa com 30 g) BodyAction 26 3

Up Size (1 medida rasa com 20 g) BodyAction 16 3

Dosagem e resposta ergogênica


Os prováveis efeitos diretos e indiretos relacionados à ergogênese da suplementação com creatina em atletas
incluiriam10,12:

• Recuperação entre esforços repetidos de alta intensidade;


• Hidratação intracelular com aumento de síntese proteica;
• Ação anticatabólica;
• Aumento da MM;
• Aumento da força;
• Ação antioxidante.

Segundo posicionamento da SBME2, sobre a ergogênese da creatina, esta declara que “embora com resultados ainda
controversos, muitos estudos têm sugerido que a creatina teria efeito ergogênico em indivíduos nos quais se constata
diminuição de aporte da creatina exógena alimentar, como os vegetarianos e os indivíduos idosos, sendo somente para
estes casos específicos, após boa análise do profissional especializado, médico e/ou nutricionista, justificável seu uso,
embora, ainda, com fraco grau de recomendação”1,2.
Ainda, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte2 em consoante com a ANVISA8, a prescrição de
creatina deve ser direcionada “somente para atletas competitivos de eventos de grande intensidade e curta duração, ou
seja, atividades nas quais predomina a utilização de fosfagênios, sempre em caráter excepcional, seu uso é permitido.
Portanto, mesmo nesses casos, a recomendação é a de que, em geral, não se deve usar a suplementação de creatina,
sendo seu uso aceito em raras ocasiões. Para os demais desportistas fica estabelecida a recomendação de nunca usar.
Desse modo, recomenda-se que a utilização da creatina como suplemento, com finalidade ergogênica, seja analisada
individualmente, caso a caso, de acordo com as necessidades analisadas”1,2.

Dosagem e resposta ergolítica


Alguns estudos apontam que a suplementação de cafeína exerce potente inibidor da ação da creatina, apesar de os
mecanismos inibitórios ainda permanecerem obscuros; por conseguinte, enquanto não se esclareçam tais mecanismos,
fica a recomendação de não combinar os suplemento com finalidade ergogênica10,11. Estudos de Williams14 demonstram
que o consumo de cerca de 2,5 mg/kg de massa corporal é suficiente para inibir o efeito ergogênico da creatina.

Saiba Mais!
É importante para o nutricionista, no momento da prescrição, conhecer as diferentes apresentações de suplementos de creatina no
mercado, para diferenciar possíveis efeitos ergogênicos e preços. Segundo Mendes e Tirapegui12, ocorreu uma evolução nos produtos de
creatina disponíveis no mercado:

• Inicialmente os estudos empregavam o composto extraído da carne, porém este além de oneroso é de baixa produtividade

• Síntese química: monoidrato de creatina, cuja forma é a mais disponível no mercado, mais vendida e empregada nos estudos
científicos. Esta é a forma preconizada pela ANVISA (99,95%) para comercialização de suplementos de creatina

Ainda, os autores indicam que existem outras formas menos difundidas presentes no mercado como:

• Creatina fosfato: alto custo e com propriedades equivalentes ao monoidrato de creatina. Os fabricantes alegam que esta é a forma de
estoque e utilização durante a contração muscular, porém não há fundamentação científica que essa diferença seja mais ergogênica
que as outras formas de apresentação da creatina. Adicionalmente, no intestino a creatina é clivada em creatina e fosfato e após entrar
no músculo é novamente fosforilada à creatina fosfato

• Citrato de creatina

• Creatina micronizada: formulação capaz de se dissolver melhor nos líquidos e, portanto, com maior aproveitamento do suplemento

Quanto à forma de apresentação do produto, a creatina pode ser encontrada em pó, gel, comprimidos, líquido, efervescente, barras e
gomas de mascar

Uma vez que o armazenamento de creatina no músculo ocorre em resposta à sobrecarga na primeira semana e
posteriormente é acompanhada da excreção do excesso na forma de creatinina, há indicação de que a suplementação
aguda ou crônica (até 10 semanas) até 30 g não implica em risco para indivíduos saudáveis11.
Os efeitos ergolíticos estariam relacionados à retenção hídrica e ao ganho de peso prejudicando o rendimento em
esportes com restrição de peso, como judô, caratê, boxe e outros, como natação, corrida e mesmo esportes nos quais a
massa corporal seja requisitada para lançamentos em altura (vara) ou distância (salto). O nutricionista deve ficar atento
às modalidades nas quais a alteração de massa corporal possa desclassificar ou colocar em desvantagem o atleta e
monitorar individualmente essas alterações, para verificar o custo versus benefício da suplementação12.

Aspectos éticos e legais


Atualmente a suplementação com creatina é ética e legal no Brasil.
Rotulagem
No capítulo V da RDC n. 18/2010, que trata sobre rotulagem, consta no artigo 21 que nos rótulos de todos os produtos
previstos neste regulamento deve constar a seguinte frase em destaque e negrito: “Este produto não substitui uma
alimentação equilibrada e seu consumo deve ser orientado por nutricionista ou médico.”
No caso de suplementos de creatina, o artigo 23 especifica que, adicionalmente ao disposto no artigo 21, nos rótulos de
suplementos de creatina para atletas devem constar as seguintes advertências em destaque e negrito:

I – “O consumo de creatina acima de 3g ao dia pode ser prejudicial à saúde.”


II – “Este produto não deve ser consumido por crianças, gestantes, idosos e portadores de enfermidades.”
Parágrafo único. A quantidade de creatina na porção deve ser declarada no rótulo do produto.
VI. Suplemento de cafeína para atletas
Definição: Produto destinado a aumentar a resistência aeróbia em exercícios físicos de longa duração.
Requisitos específicos:

Fornecer entre 210 e 420 mg cafeína/porção.


Cafeína com teor mínimo de 98,5% de 1,3,7-trimetilxantina na base anidra.
Não pode conter nutrientes e não nutrientes

Prescrição de cafeína para atletas


Classificação e uso
A cafeína pode ser classificada tanto como um ergogênico farmacológico como nutricional, por ser componente natural
de diversas bebidas e produtos, destacando-se o café. Nutricionalmente, é a substância estimulante mais consumida no
mundo e presente em diferentes quantidades (Figura 8.13) no café (Coffea arabica), cacau e chocolate (Theobroma
cacao L.), chás preto e verde (Camellia sinensis), chá mate (Ilex paraguariensis St. Hil.), sementes
de guaraná (Paullinia cupana), refrigerantes (espécies do gênero Cola) etc.15.

Figura 8.13 – Quantidade de cafeína em algumas bebidas.

A substância xantina e seus derivados (teofilina, teína, guaraná e teobromila) são alcaloides quimicamente
relacionados, que se diferenciam pela capacidade de excitar ou restaurar funções cerebrais e bulbares, exercendo ação
estimulante sobre o sistema nervoso central16. A cafeína, quimicamente pertencente aos derivados da xantina, é uma
1,3,7-trimetilxantina17 (Figura 8.14).
Figura 8.14 – Fórmula estrutural da xantina e de seus três derivados naturais18.

As metilxantinas possuem livre comercialização e baixa capacidade de indução e dependência. Nos Estados Unidos, a
cafeína é consumida 75% na forma de café e 15% de chá; já no Canadá, 60% café e 30% chá18 (Tabela 8.3).

TABELA 8.3 – Quantidade de cafeína em diversos alimentos15,18


Alimentos Cafeína (mg)

Café (xícara 150 ml)

Máquina 110 a 150

Coador 64 a 124

Instantâneo 40 a 108

Descafeinado instantâneo 2a5

Descafeinado 2

Chá (a granel ou saquinhos – xícara 150 ml)

Infusão de 1 min 9 a 33

Infusão de 3 min 20 a 46

Infusão de 5 min 20 a 50

Refrigerante (350 ml)

Coca-cola 46

Pepsi-cola 38

Diet Coke 46

Produtos com chá


Chá instantâneo (150 ml) 12 a 28

Chá gelado (350 ml) 22 a 36

Chocolate

Feito a partir de mistura 6

Ao leite 6

De confeitaria 35

Milk shake de chocolate 6

Barra amarga (30 g) 20

Em pó (30 g) 26

Bebidas energéticas

Flash Power 80

Flying Horse 80

Dynamite 80

Red Bull 80

Medicamentos (por comprimido)

Cafiaspirina®, Excedrin® 65

Dorflex®, Cibalena A® 50

Neosaldina® 30

Seu consumo em baixa dosagem, considerada como 2 mg/kg peso/dia tem como propriedades: aumentar o estado
vigília, aliviar a fadiga, elevar frequência respiratória e cardíaca, aumentar liberação de catecolaminas, e acelerar o
metabolismo e diurese em repouso19.

Fator de ergogênese
Com base em dois fatores16,18:

• Melhora da potência muscular: provável melhora em todos os sistemas de obtenção de energia humanos durante o
exercício: anaeróbico alático, anaeróbico lático e aeróbico.
• Maior vigor mental.

Teoria
Há diversas hipóteses propostas para a ergogenia a partir da suplementação com cafeína, principalmente relacionadas
aos exercícios de média a longa duração, entre elas18,20:

• Ação direta no SNC: mediada pela alteração da percepção subjetiva de esforço e/ou propagação dos sinais neurais
diretamente no cérebro e na junção neuromuscular. Maior estimulação do sistema nervoso simpático e aumento da
liberação e ação das catecolaminas;
• Ação direta no músculo potencializando capacidade de realizar exercícios físicos: melhora no processo de contração
muscular provavelmente em consequência do aumento da permeabilidade ao cálcio;
• Aumento da oxidação de gordura e redução na oxidação de carboidratos: a cafeína poderia gerar aumento da mobilização
dos ácidos graxos livres (AGL) dos tecidos e/ou nos estoques intramusculares mediados indiretamente pela circulação de
catecolaminas, sobretudo adrenalina. Ou diretamente antagonizando os receptores de adenosina que inibem a mobilização
de AGL.
Prescrição
Para prescrição de cafeína, tanto na forma suplementar (Tabela 8.4) como por meio de alimentos, é preciso estudar os
fatores relacionados a sua biodisponibilidade.

TABELA 8.4 – Alguns suplementos de cafeína disponíveis no mercado

Suplementos para atletas


Suplemento/Apresentação Empresa Cafeína (mg)

Vivarin® (comprimido) MEDA 200

Cafeína Age® (cápsula 376 mg) Nutrilatina 210

Designer cafeína (cápsula 670 mg) DNA 300

Cafeína 222 X-Fire Shot® (líquido em frasco 500 ml) Thwack 220

Caffeine (cápsula 378,5 mg) Arnold Nutrition 210

Caffeine Black Jack® (cápsula 450 mg) MidWay 210

Caffeine (tablete) Prolab 200

Na literatura já se documentou a administração de cafeína pelas vias intraperitoneal, subcutânea, intramuscular, anal e
oral, sendo esta última forma objeto de prescrição do nutricionista. Após a ingestão por via oral, a cafeína apresenta alta
concentração na corrente sanguínea dentro de 15 a 45 minutos e pico de concentração em 60 minutos, tanto se
consumida por meio de bebidas cafeinadas, suplementos em cápsula ou barras de chocolate17. A biodisponibilidade pela
via oral é de 100% da quantidade ingerida, sendo sua distribuição pelo organismo altamente eficiente18. Tendo como
base a captação tecidual e o clearance urinário, as concentrações de cafeína decrescem de 50 a 75% após 3 a 6 horas de
ingestão17. A excreção urinária, como meia-vida de 4 a 6 horas apresenta relação com o gênero18. As atletas do sexo
feminino exibem maior excreção dos que os atletas. Outros fatores intervenientes da excreção de cafeína são genética,
dieta, emprego de algumas drogas, massa corporal, estado de hidratação, tipo de exercício, consumo habitual de
cafeína18.

Dosagem e resposta ergogênica


As pesquisas revelam que existem diferentes dosagens (3 a 15 mg/kg de massa corporal), com grande variação
individual na resposta, provavelmente pela não seleção dos indivíduos com ou sem habituação e estoque prévios de
glicogênio muscular. Estudos realizados em mulheres são limitados e com resultados variados e indicam que o maior
efeito ergogênico é particularmente observado nas atletas e menos nas desportistas17. O principal efeito no exercício de
longa duração, que se relaciona à economia na utilização de carboidratos endógenos (glicogênio muscular) pode não
ocorrer, principalmente quando as reservas de glicogênio muscular estão altas21,22; assim atletas que empregam a
estratégia de supercompensação de glicogênio podem experimentar menor efeito ergogênico quando da suplementação
de cafeína. Também a refeição pré-competição, rica em carboidratos com aumento da insulinemia, poderia ter efeito
inibitório na liberação de AGL mediada pela suplementação de cafeína10,17.
Altimari et al.20 descrevem, em seu trabalho de revisão sobre a relação entre dose de prescrição e eficiência ergogênica
em atividade aeróbicas, os seguintes resultados:

• 4 mg/kg peso: eficiência ergogênica de 80%;


• 5 mg/kg peso: eficiência ergogênica de 75%;
• 6 mg/kg peso: eficiência ergogênica de 80%.

No geral, a suplementação com cafeína possui eficiência ergogênica em torno de 75%, quando da prescrição entre 3 e
6 mg/kg de massa corporal do atleta por cerca de 1 hora antes da competição, treinamento ou prova21,22. Este tempo de
consumo prévio é fundamental, sobretudo, em provas de média e longa duração (exercícios aeróbicos), nas quais os
efeitos da cafeína são mais estudados e detalhados. Quanto aos exercícios de alta intensidade e curta duração (exercícios
anaeróbicos), existem poucos estudos sobre seus efeitos ergogênicos e os resultados até o momento têm sido bastante
controversos, impossibilitando conclusões mais definitivas17,21,22.

Saiba Mais!
Para a prescrição nutricional, além dos fatores já citados deve-se levar em consideração o consumo habitual de cafeína ou a habituação
(Tabela 8.5). Esta pode ser atingida a partir da ingestão de 2 1/2 xícaras de café (100 mg/dia) e como consequência tende a neutralizar
as respostas metabólicas desencadeadas durante o exercício pela suplementação, agindo decisivamente na ação ergogênica da
cafeína21,22
A estratégia nutricional para alcançar os efeitos ergogênicos da prescrição suplementar de cafeína, para usuários habituais e
intencionais, é a abstenção da ingestão de alimentos fontes de cafeína por 48 h anteriores à prova/competição ou, tecnicamente, a
realização de período de wash out (lavagem). Atualmente, há no mercado uma gama de produtos descafeinados, que podem ser
trocados na prescrição nutricional, mantendo, assim, o hábito nutricional do cliente

Outro fato a ser observado em grandes consumidores habituais de cafeína é a síndrome de abstinência ao consumo crônico, por
período de 24h, que produz sonolência, irritabilidade, tremores e cefaleia15

TABELA 8.5 – Classificação dos indivíduos segundo a habituação


Cafeína (mg/dia) Habituação Classificação

> 720 +++ Usuário intencional

450 a 720 ++ Usuário moderado

120 a 150 + Usuário habitual

30 a 100 – Usuário não habitual

< 20 – Não usuário

Modificado de Altimari et al.21.

Quanto ao efeito da suplementação no débito urinário, segundo Altimari20, a ingestão de pequenas doses pré-exercício
não parece estar relacionada à alteração do estado hídrico e, consequentemente, no rendimento esportivo, devendo-se
prestar atenção à megadosagem, que poderia exercer efeito diurético e aumento da temperatura corporal, predispondo o
atleta aos efeitos adversos relacionados à desidratação e à hipertermia10.

Dosagem e resposta ergolítica


Não existe suplemento nutricional que apenas apresente respostas ergogênicas, por mais que o marketing nutricional
imponha esta mensagem. Todos os suplementos comercializados possuem efeitos colaterais, adversos ou mesmo
inexistentes do seu consumo, que estão relacionados à dosagem, aos estoques prévios de glicogênio muscular, à
interação nutriente-indivíduo, ao tipo de modalidade esportiva, ao adequado estado nutricional entre outros fatores16,20. O
nutricionista especializado na área de esporte e rendimento deve avaliar, dentro do conhecimento acadêmico, o custo e o
benefício do uso pontual e por determinado período da suplementação.
Como já discutido, efeito adverso do consumo habitual de suplemento de cafeína é a habituação. Outro efeito adverso
é o cafeinismo, ou a intoxicação crônica observada entre consumidores de cafeína com ingestão entre 0,6 e 1 g/dia, com
sinais e sintomas de ansiedade, insônia, irritabilidade, taquicardia, hipertensão, arritmia cardíacas e distúrbios
gastrintestinais15.
Outros efeitos negativos, relacionados ao consumo agudo entre 10 e 15 mg/kg massa corporal, que também podem
alcançar valores tóxicos ao seres humanos, são13:
• Prejuízo na estabilidade de membros superiores;
• Rubor e formigamento na face;
• Palpitações cardíacas;
• Trepidez e tremor;
• Insônia;
• Nervosismo;
• Irritabilidade;
• Ansiedade;
• Náusea;
• Desconforto gastrintestinal;
• Agravamento de gastrite e úlcera principalmente do consumo em jejum.

Indivíduos com pressão alta ou cardiopatas devem procurar orientação médica antes do consumo suplementar de
cafeína10.
O consumo de 100 a 200 mg/dia de cafeína pode ter efeito termogênico significativo, que pode durar por até 3 horas
após consumo, predispondo o atleta, em ambientes quentes e úmidos, à hipertermia17.
A dose letal para consumo de cafeína é em torno de 50 mg de cafeína/kg de massa corporal, apesar de a intoxicação
fatal por cafeína ser evento raro15.

Aspectos éticos e legais


A cafeína era considerada até 2003, pela Agência Mundial Anti-doping (WADA), como substância proibida; porém, a
partir de 2004 foi incluída na lista de substâncias monitoradas, sendo atualmente seu uso ético e legal20. Entretanto,
mesmo não sendo mais substância proibida pela WADA, estudos de acompanhamento realizados após a retirada da
cafeína da lista de substâncias proibidas não têm observado aumento significante ou abusivo da suplementação no meio
esportivo3.
Rotulagem
No capítulo V da RDC n. 18/2010, que trata sobre rotulagem, consta no artigo 21 que nos rótulos de todos os produtos
previstos neste regulamento deve constar a seguinte frase em destaque e negrito: “Este produto não substitui uma
alimentação equilibrada e seu consumo deve ser orientado por nutricionista ou médico.”
No caso de suplementos de cafeína, o artigo 24 específica, que adicionalmente ao disposto no artigo 21, nos rótulos de
suplementos de cafeína para atletas deve constar a advertência em destaque e negrito:

“Este produto não deve ser consumido por crianças, gestantes, idosos e portadores de enfermidades.”

Parágrafo único. A quantidade de cafeína na porção deve ser declarada no rótulo do produto.

Saiba Mais!
Com finalidade de orientar a prescrição de suplementos nutricionais em 2012, o Conselho Regional da 3a Região publicou o Parecer 3,
intitulado: Prescrição de Suplementos Nutricionais que apresentamos na íntegra:
PARECER CRN-3

PRESCRIçãO DE SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS

INTRODUÇÃO

O Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região, no cumprimento de suas atribuições de orientar e disciplinar a prática profissional
dos nutricionistas inscritos, emite parecer sobre prescrição de suplementos nutricionais.

O CRN-3 ESCLARECE E ORIENTA


1. A competência do nutricionista para a prescrição de suplementos nutricionais está estabelecida no inciso VII do artigo 4o da Lei n.
8.234/91, e no artigo 1oda Resolução CFN no 390/06 e, de acordo com a Resolução CFN no 380/2005, é considerada atividade
complementar do nutricionista nas áreas de Nutrição Clínica, Saúde Coletiva e Nutrição em Esportes.
2. A prescrição de suplementos nutricionais, quando indispensável para suprir necessidades nutricionais específicas, previstas no artigo
2o da Resolução CFN no 390/06, deve ter caráter de suplementação do plano alimentar do cliente e não de substituição de uma
alimentação saudável e equilibrada.
3. Os suplementos nutricionais que o nutricionista pode prescrever, listados no inciso II do artigo 1o da Resolução CFN no 390/06 são os
seguintes: “formulados de vitaminas, minerais, proteínas e aminoácidos, lipídios e ácidos graxos, carboidratos e fibras, isolados ou
associados entre si”.
4. O nutricionista tem, ainda, competência legal para prescrever os produtos denominados polivitamínicos e/ou poliminerais, desde que
estejam classificados como de “VENDA SEM EXIGÊNCIA DE PRESCRIÇÃO MÉDICA” conforme determina a Portaria SVS/MS
no 40/1998.
5. A prescrição de suplementos nutricionais deve respeitar os limites estabelecidos no artigo 2o da Resolução CFN no 390/06.
6. A prescrição do nutricionista deve conter o nome do paciente, data, assinatura, carimbo do profissional, número de seu registro no
Conselho (CRN-3/xxxx), telefone e endereço completo ou outro meio de contato pessoal. A prescrição deve apresentar o esquema
posológico, ou seja, a indicação de via de administração, dose, horário de administração e tempo de uso.
7. A prescrição de suplementos nutricionais a serem formulados em farmácias de manipulação deverá obedecer aos itens 1 a 6 acima
e, ainda, indicar forma de apresentação do produto: cápsula, pó, tablete, gel, líquido, drágea ou outra; a identificação do nutriente
com a respectiva forma química e a concentração por unidade de consumo.
8. É vedado ao nutricionista prescrever produto que use via de administração diversa do sistema digestório.
9. É vedado ao nutricionista prescrever produtos que incluam em sua fórmula medicamentos, isolados ou associados a nutrientes.
10. Os suplementos nutricionais prescritos pelo nutricionista devem atender às exigências para produção e comercialização
regulamentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
11. A adoção da suplementação nutricional pelo nutricionista exige o pleno entendimento das referências que integram este parecer,
assim como de outras que venham a ser editadas sobre o tema.
12. A prescrição dietética é atividade privativa do nutricionista que responde ética, civil e criminalmente por essa ação. Do ponto de
vista ético a conduta do nutricionista deve obedecer ao que determinam os incisos VIII, IX e X do artigo 7o e incisos I, II e IV do artigo
8o, do Código de Ética do Nutricionista (Resolução CFN no 334/04).
13. O descumprimento das determinações legais e técnicas contidas neste Parecer sujeita os infratores às penalidades previstas no
artigo 19 da Lei no6.583/78, assim como aquelas previstas nos Códigos Civil e Penal Brasileiros, que estabelecem, respectivamente,
a obrigatoriedade de ressarcir prejuízos causados a terceiros e a punição para a violação dos deveres inerentes à profissão.

Plenário do CRN-3

Gestão 2011-2014

Colaboradoras

Dra. Luciana Rossi Marques (CRN-3/6.683)

Dra. Mirtes Stancanelli (CRN-3/5.227)

Dra. Renata Maria Padovani (CRN-3/1.573)

Dra. Semíramis Martins Álvares Domene (CRN-3/2.031)

Dra. Tânia Rodrigues dos Santos (CRN-3/2.486)

Dra. Vera Lúcia Sampar de Souza Novaes (CRN-3/0683)

Dra. Vera Barros de Leça Pereira (CRN-3/003)

APROVADO EM REUNIÃO PLENÁRIA DE 02/07/2012

FUNDAMENTOS LEGAIS

Na elaboração deste Parecer foram considerados:


1. A Lei Federal no 8.234/91, que regulamenta a profissão de nutricionista, em seu artigo 4o, inciso VII:
“Art. 4o Atribuem-se, também, aos nutricionistas as seguintes atividades, desde que relacionadas com alimentação e nutrição
humanas:
VII – prescrição de suplementos nutricionais, necessários à complementação da dieta;”

2. A Resolução CNE/CES no 5/2001, que institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Nutrição, em seu artigo
5o, inciso VII:
“Art. 5o A formação do nutricionista tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício das
seguintes competências e habilidades específicas:
VII – avaliar, diagnosticar e acompanhar o estado nutricional; planejar, prescrever, analisar, supervisionar e avaliar dietas e
suplementos dietéticos para indivíduos sadios e enfermos;”

3. A Resolução CFN no 304/2003 que dispõe sobre critérios para prescrição dietética na área de nutrição clínica e dá outras
providências em seus artigos 2oe 3o:
“Art. 2o A prescrição dietética deve ser elaborada com base nas diretrizes estabelecidas no diagnóstico nutricional.
Art. 3o Compete ao nutricionista elaborar o diagnóstico nutricional com base nos dados clínicos, bioquímicos, antropométricos e
dietético”.

4. A Resolução CFN no 380/2005, que dispõe sobre a definição das áreas de atuação do nutricionista e suas atribuições, estabelece
parâmetros numéricos de referência, por área de atuação, e dá outras providências, que em seu Anexo II, itens II, III e VI, define a
prescrição de suplementos nutricionais como atividade complementar do nutricionista nas Áreas de Nutrição Clínica, Saúde Coletiva
e Nutrição em Esportes:
“II – ÁREA DE NUTRIçãO CLíNICA
1.2. Ficam definidas como atividades complementares do nutricionista na Área de Nutrição Clínica, no âmbito de Hospitais,
Clínicas de Hemodiálise, Clínicas em Geral, Instituições de Longa Permanência para Idosos e Spa:
1.2.2. Prescrever suplementos nutricionais bem como alimentos para fins especiais, em conformidade com a legislação vigente,
quando necessários à complementação da dieta;
2.2. Ficam definidas como atividades complementares do nutricionista na Área de Nutrição Clínica – no âmbito de Ambulatórios e
Consultórios:
2.2.2. Prescrever suplementos nutricionais, bem como alimentos para fins especiais, em conformidade com a legislação vigente,
quando necessários à complementação da dieta;”
“III – ÁREA DE SAúDE COLETIVA
2.4. Ficam definidas como atividades complementares do nutricionista na Área de Saúde Coletiva – Atenção Básica de Saúde,
Assistência à Saúde:
2.4.1. Prescrever suplementos nutricionais, bem como alimentos para fins especiais, em conformidade com a legislação vigente,
sempre que necessário;”
“VI – ÁREA DE NUTRIçãO EM ESPORTES
1. Ficam definidas como atividades complementares do nutricionista na Área de Nutrição em Esportes – Clubes Esportivos,
Academias e similares:
1.2 Prescrever suplementos nutricionais, em conformidade com a legislação vigente, sempre que necessário;”

5. A Resolução CFN no 390/06 que regulamenta a prescrição dietética de suplementos nutricionais pelo nutricionista e dá outras
providências, que:

• Considera a Portaria SVS/MS no 40/1998 que define os “Medicamentos à base de vitamina isolada, vitaminas associadas entre si,
minerais isolados, minerais associados entre si e de associações de vitaminas com minerais”, aqueles cujos esquemas posológicos
diários situam-se acima dos 100% da Ingestão Diária Recomendada – IDR e definidos como “Venda Sem Exigência de Prescrição
Médica” quando os níveis diários indicados dos componentes ativos, situem-se até os limites considerados seguros.
• Define suplementos nutricionais em seu Artigo 1o, Inciso II:
“Artigo 1o
Inciso II – suplementos nutricionais – formulados de vitaminas, minerais, proteínas e aminoácidos, lipídios e ácidos graxos,
carboidratos e fibras, isolados ou associados entre si.”
• Em seu artigo 2o regulamenta a prescrição dietética pelo nutricionista de suplementos nutricionais, respeitados os níveis máximos
de segurança, regulamentados pela ANVISA e na falta destes, os definidos como “Tolerable Upper Intake Levels” (UL):
“Artigo 2o. Respeitados os níveis máximos de segurança, regulamentados pela ANVISA e na falta destes, os definidos como
“Tolerable Upper Intake Levels” (UL), ou seja, Limite de Ingestão Máxima Tolerável, sendo este o maior nível de ingestão diária de
um nutriente que não causará efeitos adversos à saúde da maioria das pessoas. E desde que, com base no diagnóstico nutricional,
haja recomendação neste sentido, a prescrição de suplementos nutricionais poderá ser realizada nos seguintes casos:
I – estados fisiológicos específicos;
II – estados patológicos e
III – alterações metabólicas.”

6. A Resolução CFN no 334/04 que dispõe sobre o Código de Ética do Nutricionista e dá outras providências, que estabelece, em seu
artigo 1o:
“Art. 1o. O nutricionista é profissional de saúde que, atendendo aos princípios da ciência da Nutrição, tem como função contribuir
para a saúde dos indivíduos e da coletividade.”

Quanto à inclusão de produtos alimentares ou farmacêuticos na prescrição dietética, o Código de Ética do Nutricionista veda ao
profissional:

• No artigo 7o:
• VIII – Vincular sua atividade profissional ao recebimento de vantagens pessoais oferecidas por agentes econômicos
interessados na produçãoou comercialização de produtos alimentares ou farmacêuticos ou outros produtos, materiais,
equipamentos e/ou serviços;
IX – Divulgar, dar, fornecer ou indicar produtos de fornecedores que não atendam às exigências técnicas e sanitárias
cabíveis;
X – Divulgar, fornecer, anunciar ou indicar produtos, marcas de produtos e/ou subprodutos, alimentares ou não, de
empresas ou instituições, atribuindo aos mesmos benefícios para a saúde, sem os devidos fundamentos científicos e
de eficácia não comprovada, ainda que atendam à legislação de alimentos e sanitária vigentes;

• No artigo 18:
• I – Receber comissão, remuneração ou vantagens que não correspondam a serviços efetivamente prestados;
II – Receber ou pagar remuneração ou comissão, por intercâmbio de indivíduos ou coletividades a serem assistidas,
ou pelo encaminhamento de serviços;
IV – Exercer a profissão com interação ou dependência para obtenção de vantagens de empresas que fabricam, manipulam
ou comercializam produtos de qualquer natureza e que venham ou possam vir a ser objeto de prescrição dietética.
7. A Portaria SVS/MS no 29/1998 que aprova o Regulamento Técnico referente a Alimentos para Fins Especiais.

8. A Portaria SVS/MS no 30/1998 que aprova o Regulamento Técnico referente a Alimentos para Controle de Peso.

9. A Portaria SVS/MS no 223/1998 que aprova o Regulamento Técnico referente a Complementos Alimentares para Gestantes ou
Nutrizes.

10. A Resolução ANVISA no 449/1999 que aprova o Regulamento Técnico referente a Alimentos para Nutrição Enteral.

11. A Resolução RDC no 18/2010 que dispõe sobre Alimentos para Atletas.

12. A Portaria SVS/MS no 32/1998 que aprova o Regulamento Técnico para Suplementos Vitamínicos e ou Minerais e em seu Anexo
traz a definição e asformas de apresentação:
"2.1. Definição: Suplementos Vitamínicos e ou de Minerais são alimentos que servem para contemplar com esses nutrientes a dieta
diária de uma pessoa saudável, em casos onde sua ingestão a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta
requerer suplementação. Devem conter um mínimo de 25%, e no máximo até 100% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) de
vitaminas e ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante, não podendo substituir os alimentos, nem serem
considerados como dieta exclusiva.”
"8. Formas de apresentação: O produto pode ser apresentado nas formas sólidas, semissólidas, líquidas e aerossol, tais como:
tabletes, drágeas, pós, cápsulas, granulados, pastilhas mastigáveis, líquidos, preparações semissólidas, suspensões e
aerossóis.”
13. A Portaria SVS/MS no 40/1998 que estabelece normas para Níveis de Dosagens Diárias de Vitaminas e Minerais em Medicamentos
e em seus artigos 1o, 2o e 3o estabelece definições que diferenciam “Medicamentos à Base de Vitaminas e ou Minerais ou suas
Associações” dos “Suplementos Vitamínicos e ou Minerais”:
Art. 1o Define como ‘Medicamentos à base de vitamina isolada, vitaminas associadas entre si, minerais isolados, minerais
associados entre si e de associações de vitaminas com minerais’, aqueles cujos esquemas posológicos diários situam-se acima
dos 100% da Ingestão Diária Recomendada – IDR (estabelecida por legislação específica) de acordo com os níveis definidos
nesta Portaria.
Art. 2o Consideram-se os medicamentos definidos no artigo anterior, como de ‘Venda Sem Exigência de Prescrição Médica’
quando os níveis diários indicados para quaisquer dos componentes ativos, objeto deste regulamento, situem-se até os limites
considerados seguros, constantes da tabela anexa.
Art. 3o Consideram-se os medicamentos definidos no artigo 1o, como de ‘Venda Com Exigência de Prescrição Médica’, quando os
níveis diários indicados dos componentes ativos situem-se acima dos limites considerados seguros por este regulamento, ou
sempre que estiverem contidos em formulações para uso injetável”.

14. A Resolução ANVISA RDC no 333/2003 que dispõe sobre rotulagem de medicamentos e outras providências:
“2.1.4.5. – Os Complexos vitamínicos e/ou minerais, e/ou de aminoácidos deverão adotar as expressões: Polivitamínico e/ou
Poliminerais e/ou Poliaminoácidos.”
15. A Resolução ANVISA RDC no 269/2005 que aprova o Regulamento Técnico sobre a Ingestão Diária Recomendada (IDR) de
proteína, vitaminas e minerais.

REFERÊNCIAS
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alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Revista Brasileira de
Medicina do Esporte. 2003;9(2):1-13.
2. SBME (Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte). Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos
alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Revista Brasileira de
Medicina do Esporte. 2009;15(3):3-12.
3. Altimari LR. Ingestão de cafeína como estratégia ergogênica no esporte: substância proibida ou permitida? Rev Bras
Med Esporte. 2010;16:314.
4. Pereira RF, Lajolo FM, Hirschbrunch MD. Consumo de suplementos por alunos de academia de ginástica de São
Paulo. Rev Nutr. 2003;16:265-72.
5. Hirschbrunch MD, Fisberg M, Mochizuki L. Consumo de suplementos por jovens frequentadores de academia de
ginástica de São Paulo. Rev Bras Med Esporte. 2008;14:539-43.
6. Zeisel SH. Is there a metabolic basis for dietary supplementation? Am J Clin Nutr. 2000;72(S1):507-11.
7. Rossi L, Tirapegui J. Aspectos atuais sobre exercício, fadiga e nutrição. Rev Paul Educ Fís. 1999;13:67-82.
8. ANVISA, 2010. Disponível em <http://portal.anvisa.gov.br/>: RDC n. 18/2010: Alimentos para Atletas. [11/11/11].
9. ANVISA, 2011. Disponível em <http://portal.anvisa.gov.br/>: Perguntas frequentes/alimentos: Por que os
praticantes de atividade física não foram contemplados na norma?.[11/11/11].
10. Alves LA. Recursos ergogênicos nutricionais. In: Biesek S, Alves LA, Guerra I. Estratégias de nutrição e
suplementação no esporte. 2ª ed. Manole: São Paulo; 2010. p. 265-304.
11. Mendes RR, Gomes MR, Rossi L, Rogero MM, Tirapegui J. Suplementos ergogênicos e atividade física. In:
Tirapegui J. Nutrição fundamentos e aspectos atuais. 2ª ed. São Paulo: Atheneu; 2006. p. 161-80.
12. Mendes RR, Tirapegui J. Creatina e atividade física. In: Tirapegui J. Nutrição, metabolismo e suplementação na
atividade física. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 137-43.
13. Williams MH. The ergogenics edge: pushing the limits of sports performance. United States: Human Kinetics; 1998.
14. Williams MH. Nutrição para saúde, condicionamento físico e desempenho esportivo. São Paulo: Manole; 2002.
15. Moreau RLM. Cafeína e atividade física. In: Tirapegui, J. Nutrição, metabolismo e suplementação na atividade
física. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 181-7.
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17. Goldstein ER, Ziegenfuss T, Kalman D, Kreider R, Campbell B, Wilborn C et al. International society of sports
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19. Moreau RLM. Cafeína e atividade física. In: Tirapegui J. Nutrição, metabolismo e suplementação na atividade física.
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20. Altimari L, Melo J, Trindade M, Tirapegui J, Cyrino E. Efeito ergogênico da cafeína na performance em exercícios
de média e longa duração. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto. 2005;5:87-101.
21. Altimari LR, Melo JC, Trindade MCC, Cyrino ES, Tirapegui J. Cafeína e exercício físico aeróbio. Nutrire.
2006:31:79-96.
22. Altimari LR, Moraes AC, Tirapegui J, Moreau RLM. Cafeína e performance em exercícios anaeróbios. Revista
Brasileira de Ciências Farmacêuticas. 2006;42:17-27.
Glossário de termos técnicos
Afazeres domésticos: atividades realizadas como parte do dia a dia.
Agilidade: um componente de habilidade relacionado à aptidão física que corresponde à capacidade de rapidamente
mudar a posição do corpo inteiro no espaço com velocidade e precisão.
Alimentação coletiva: atividades de alimentação e nutrição realizadas nas Unidades de Alimentação e Nutrição
(UAN), como tal entendidas as empresas fornecedoras de serviços de alimentação coletiva, serviços de alimentação
autogestão, restaurantes comerciais e similares, hotelaria marítima, serviços de buffet e de alimentos congelados,
comissárias e cozinhas dos estabelecimentos assistenciais de saúde; atividades próprias da Alimentação Escolar e da
Alimentação do Trabalhador.
Alimentação escolar: é toda a alimentação realizada pelo estudante durante o período em que se encontra na escola.
Alimentos para fins especiais: são alimentos especialmente formulados ou processados, nos quais se introduzem
modificações no conteúdo de nutrientes adequados à utilização em dietas diferenciadas e/ou opcionais, atendendo
necessidades de pessoas em condições metabólicas e fisiológicas específicas.
Aptidão: estrutura complexa de capacidade motora que difere para cada indivíduo, que pode ser divida em geral,
específica e especial. Fortemente influenciada por fator genético e meio ambiente.
Aptidão física: conjunto de atributos que as pessoas podem ou não alcançar que se relaciona à habilidade de realizar
atividade física.
Assessoria: É um serviço que tem o objetivo de ajudar as empresas/clientes a obter melhorias no seu desempenho, na
sua lucratividade e na sua competitividade. Pode ser prestado por uma empresa, com uma equipe de profissionais, ou por
um assessor independente, com alta qualificação profissional e que possua experiência nos assuntos envolvidos,
conhecimento técnico e habilidades para orientar e estimular as modificações necessárias1. Por exemplo, assessorias de
corrida para orientação nutricional e suplementar de desportistas e atletas; assessorias de programas de qualidade de vida
em empresas com avaliação antropométrica, nutricional, elaboração de cardápios com alimentos funcionais etc.
Assessoria em nutrição: é o serviço realizado por nutricionista habilitado que, embasado em seus conhecimentos,
habilidades e experiências, assiste tecnicamente a pessoas físicas ou jurídicas, planejando, implantando e avaliando
programas e projetos em atividades específicas na área de alimentação e nutrição, bem como oferecendo solução para
situações relacionadas à sua especialidade, sem, no entanto, assumir responsabilidade técnica.
Atenção básica em saúde: conjunto de ações, de caráter individual e coletivo, situadas no primeiro nível de atenção
nos sistemas de saúde, voltadas para a promoção da saúde, a prevenção de agravos e o tratamento e a reabilitação.
Atendimento domiciliar: assistência a clientes ou pacientes que necessitem de cuidados nutricionais específicos,
realizado em ambiente domiciliar.
Atividade física: termo global que se refere a qualquer movimento corporal produzido por músculo esquelético que
resulta em aumento substancial, além do gasto de energia em repouso. Possui três componentes principais: trabalho
ocupacional, afazeres domésticos e atividade física no tempo de lazer.
Atividade física no tempo de lazer: atividade realizada no tempo livre, à vontade do indivíduo, selecionada com
base em necessidades e interesses pessoais. Inclui exercício e esporte.
Atribuições: conjunto de atividades ou ações cujas execuções são inerentes ao cumprimento das prerrogativas do
nutricionista.
Auditoria em nutrição: exame analítico ou pericial feito por nutricionista contratado para avaliar criteriosamente,
dentro da sua especialidade, operações e controles técnico-administrativos inerentes à alimentação e à nutrição,
finalizando com relatório circunstanciado e conclusivo.
Autônomo: é todo aquele que exerce sua atividade profissional sem vínculo empregatício, por conta própria e com
assunção de seus próprios riscos. A prestação de serviços é de forma eventual e não habitual. Pessoa física que exerce,
por conta própria, atividade econômica com fins lucrativos. Quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter
eventual a uma ou mais empresas sem relação de emprego1.
Avaliação nutricional: é a análise de indicadores diretos (clínicos, bioquímicos, antropométricos) e indiretos
(consumo alimentar, renda e disponibilidade de alimentos, entre outros) que têm como conclusão o diagnóstico
nutricional do indivíduo ou de uma população.
Características organolépticas: são os atributos presentes nos alimentos que impressionam os órgãos do sentido e
que dificilmente podem ser medidos por instrumentos, envolvendo apreciação resultante da combinação de impressões
visuais, olfativas, gustativas e táteis.
Cesta básica: sinonímia de cesta de alimentos.
Cesta de alimentos: composição com diferentes tipos de alimentos in natura ou embalados por processo industrial,
definida a partir de requisitos nutricionais básicos, conforme legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador
(PAT).
Complemento nutricional: produto elaborado com a finalidade de complementar a dieta cotidiana de uma pessoa
saudável, que deseja compensar possível déficit de nutrientes, a fim de alcançar os valores da Dose Diária Recomendada
(DDR).
Comportamento sedentário: ver inatividade física.
Comunidade escolar: conjunto formado por alunos, pais ou responsáveis pelos alunos e pelos profissionais da
educação em efetivo exercício das respectivas atividades no estabelecimento de ensino.
Consulta em nutrição: atividade realizada por nutricionista em unidade de ambulatório ou ambiente hospitalar,
consultório ou em domicílio para o levantamento de informações que possibilitem o diagnóstico nutricional e o
conhecimento sanitário e a prescrição dietética e orientação dos pacientes ou clientes de forma individualizada.
Consulta inicial: primeiro atendimento de Nutrição feito pelo nutricionista em unidade de ambulatório, em
consultório ou em domicílio, onde é realizada uma entrevista para coleta de dados pessoais, anamnese alimentar e
avaliação do estado nutricional, para, em seguida, proceder ao diagnóstico nutricional, ao plano alimentar e à orientação
individualizada.
Consultoria: analisa, avalia e emite parecer técnico sobre determinado assunto ou serviço relacionado à sua
especialidade. O serviço de consultoria é oferecido ao cliente acontece por meio de diagnósticos e processos e tem o
propósito de levantar as necessidades do cliente, identificar soluções e recomendar ações. De posse dessas informações o
consultor desenvolve, implanta e viabiliza o projeto de acordo com a necessidade especifica de cada cliente. Por
exemplo, empresa de suplementos quer vender no mercado certo produto com respaldo científico e elaboração de
material técnico, inclusive auxiliando a equipe de marketing.
Consultoria em nutrição: serviço realizado por nutricionista que, quando solicitado, analisa, avalia e emite parecer
sobre assuntos e serviços relacionados à sua especialidade, com prazo determinado.
Coordenação: um componente de habilidade relacionado à aptidão física que corresponde à capacidade de usar os
sentidos, como visão e audição, em conjunto com partes corporais no desempenho de tarefas motoras suave e
precisamente.
Degustação: arte de analisar e apreciar todas as nuances da composição de alimentos e preparações, utilizando-se dos
sentidos naturais do ser humano, podendo ser objeto de prazer ou desprazer.
Demonstração técnica do produto: qualquer forma de expor um produto de modo a destacá-lo ou diferenciá-lo dos
demais dentro de estabelecimento comercial ou não, ilimitado à vitrine.
Desidratação: perda hídrica resultando em estado de hipoidratação.
Diagnóstico nutricional: identificação e determinação do estado nutricional do cliente ou paciente, elaborado com
base em dados clínicos, bioquímicos, antropométricos e dietéticos, obtidos na avaliação nutricional e durante o
acompanhamento individualizado.
Docência: atividades de ensino, extensão, pesquisa e coordenação relacionadas a alimentação e a nutrição.
Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT): patologias com história natural prolongada, multiplicidade de fatores
de risco complexos e interação de fatores causais desconhecidos; ausência de participação de microrganismos entre os
seus determinantes e longo período de latência, podendo ter longo curso assintomático, curso clínico em geral lento,
prolongado e permanente, com manifestações clínicas com períodos de remissão e de exacerbação, lesões celulares
irreversíveis e evolução para diferentes graus de incapacidade ou para a morte, podendo ou não estar relacionada à
alimentação e à nutrição.
Endurance ou resistência: termos que identificam atividades físicas de longa duração e baixa a média intensidade.
Por exemplo, triatletismo, corrida cross country, maratona aquática, terrestre etc.
Equilíbrio: um componente de habilidade relacionado à aptidão que corresponde à manutenção do equilíbrio
enquanto em movimento ou parado. Um componente de saúde relacionado à aptidão física que corresponde à quantidade
relativa de massa muscular, gordura, osso e outras partes vitais do corpo.
Ergogênicos: suplementos nutricionais que auxiliam o atleta no seu rendimento.
Ergolíticos: suplementos nutricionais que interferem negativamente no rendimento.
Esporte: definido de modo diferente em todo mundo, mas normalmente implica em forma de atividade física que
envolve competição. Pode também abranger exercícios gerais e ocupação específica.
Euidratação: condição de equilíbrio de água corporal normal.
Exercício: movimento corporal planejado, estruturado e repetitivo feito para melhorar ou manter um ou mais
componentes da aptidão física.
Flexibilidade: um componente de saúde relacionado à aptidão física que corresponde à amplitude de movimento
disponível em uma articulação.
Força: um componente de saúde relacionado à aptidão física que corresponde à razão na qual pode ser executar o
trabalho.
Força muscular: um componente de saúde relacionado à aptidão física que corresponde à quantidade de força
externa que um músculo pode exercer.
Hiperidratação: condição de taxa constante de aumento hídrico corporal.
Hipo-hidratação: condição de taxa constante de redução hídrica corporal.
Inatividade física: estado em que o movimento corporal é mínimo e o gasto de energia se aproxima do gasto
energético basal.
Indústria de alimentos: atividades de desenvolvimento e produção de produtos relacionados à alimentação e à
nutrição.
Marketing na área de alimentação e nutrição: atividades de marketing e publicidade científica relacionadas à
alimentação e à nutrição.
Massa corporal atual: é a massa corporal do dia, encontrado no momento da avaliação nutricional.
Massa corporal desejável: é a massa corporal-meta a ser atingida. Pode fazer parte de um processo de ganho ou
perda de massa corporal. Nem sempre a massa corporal desejável é a ideal, mas a massa corporal ideal é a desejável.
Massa corporal habitual ou usual: é a massa corporal que o indivíduo apresenta quando hígido e exercendo suas
atividades usuais. É empregado como referência na avaliação de alterações recentes de massa corporal e em casos de
impossibilidade de se obter o dado no momento da avaliação.
Nutrição clínica: atividades de alimentação e nutrição realizadas em hospitais e clínicas, instituições de longa
permanência para idosos, ambulatórios e consultórios, bancos de leite humano, lactários, centrais de terapia nutricional,
spa e atendimento domiciliar.
Nutrição em esportes: atividades relacionadas à alimentação e à nutrição em academias, clubes esportivos e
similares.
Reidratação: acréscimo hídrico a partir do estado de hipo-hidratação seguindo ao encontro da euidratação.
Resistência cardiorrespiratória: um componente de saúde relacionado à habilidade dos sistemas circulatório e
respiratório suprir combustível durante atividade física contínua e eliminar produtos de fadiga após suprimento do
combustível.
Resistência muscular: um componente de saúde relacionado à aptidão física que se corresponde à habilidade de
grupos musculares de exercer força externa para muitas repetições ou sucessivos esforços.
Responsável técnico: responsável pelo local, perante a prefeitura, vigilância sanitária etc.
Retro-hidratação: perda hídrica a partir de um estado de hiperidratação conduzindo a euidratação.
Saúde coletiva: atividades de alimentação e nutrição realizadas em políticas e programas institucionais, de atenção
básica e de vigilância sanitária.
Sobre-hidratação: ingestão de fluidos que excede a euidratação, conduzindo à hiper-hidratação.
Tempo de reação: um componente de saúde relacionado à aptidão física que corresponde ao tempo decorrido entre o
estímulo e o início da reação para este.
Trabalho ocupacional: atividades realizadas durante o trabalho.
Velocidade: um componente de saúde relacionado à aptidão física que corresponde à habilidade de realizar um
movimento dentro de curto período de tempo.
REFERÊNCIA
SN (Sindicato dos Nutricionistas). Capturado em 08.02.13 no site: http://www.sindicatonutricionistas.com.br/2010/site/
assessoria.asp.
Índice remissivo

As letras f, t e q que se seguem aos números de páginas significam, respectivamente, figura, tabela e quadro.

A
Academia, 3
aderência, 9-11t
crescimento, 8f
de ginástica, 1, 2, 5q
histórico, 7
desistência, 10t
diversificação, 10, 12
outros serviços, 13
frequentador
consumo de suplementos, 213f, 214f
perfil, 209, 211-213f
mercados mundiais, 9f
Adenosina trifosfato, 221f
ressíntese, 223f
Adipômetro, 48
Adiposidade abdominal, 202
Adolescentes, reposição hídrica, 132t
Água, 111, 113f
corporal total, 60, 111
distribuição, 112f
ingestão dietética de referência, 119t
massa corporal, 112f
perda diária, 114t
recomendações, 185t-188t
total, ingestão adequada, 118
Alimentos, 153
água, 113f
antioxidantes, consumo, 108f
capacidade antioxidante total, 106
Altura, 40
medição, 34f
Aminoácidos, 210t
Anamnese, 93, 94f
Ângulo de fase, 60
Antioxidantes, 187t
Antropometria, 31, 70
Aparelhos de bioimpedância, 61
Aptidão física, conceito, 1q
Área muscular do braço corrigida, 76t, 77t
Atividade física, 14, 15
barreiras, 96
avaliação, 95f
classificação, 161f
conceitos, 2t
crianças, orientações, 142
idosos, 144-146
leves, 170t-174t
moderadas, 174t-177t
níveis, 161
objetivo, 96
avaliação, 95f
valores, 163t
pirâmide, 162f
vigorosas, 178t-181t
Atletas, 15
classes, suplementos, 217q
de academia, 16
de elite ou ponta, 15
substituição parcial de refeição, 219, 220
suplementos, 216, 219, 220
de cafeína, 227
energético, 218
hidroeletrolítico, 218
nutricionais, diretrizes, 210t, 211t
proteico, 219
Avaliação
antropométrica, 103, 104f
nutricional, 25, 70
psicossocial, 103, 105f

B
Balança, 34
Balanço
hídrico diário, 112-114
hidroeletrolítico
alterações associadas à idade, 145q
manutenção, 131
Bebida
energética, 228f, 229t
reidratante, crianças, 140, 141
Beta-hidroxi-betametilbutirato, 210t
Bioimpedância, 60
aparelhos, 62f
exame, eletrodos, 62f
fatores intervenientes, 63t
foot to foot, 67f
hemicorpo
direito, 66f
inferior, 67f
superior, 68f
segmentar, 68
vantagens e desvantagens, 65t
C
Cacau, 227
Café, 227, 228
Cafeína, 211t, 225, 228f
alimentos, 229t
consumidores, 232q
dosagem, 231, 232
dose letal, 233
ergogênese, 230
prescrição, 230
resposta
ergogênica, 231
ergolítica, 232
suplementos, 231t, 234
teoria, 230
Cafeinismo, 233
Cálcio, 187t
Calor, 153
ambiente, 121, 122
intolerância, crianças, 136
produção, transferência, 115f
Caloria, 154q
Calorimetria
direta, 156
indireta, 157
Calorímetro, 154, 157f
indireto, circuito aberto, 158f
tipo bomba, 155f
Carboidrato, 155t, 184, 186t, 187t, 191, 192, 198, 205, 206
atletas, recomendações, 189t
supercompensação, 193
suplementação, 194
Carga
glicêmica, 190
classificação dos alimentos, 191t
glicogênio, 193
Chá, 228
mate, 227
verde, 227
Chocolate, 227
Cineantropometria, 32q
Circunferência
abdominal, 54t
corporal, 49, 51, 71
medição, 50
de cintura, 52, 53f, 55t
do braço, 73t, 74t
muscular do braço, 75t, 76t
Coeficiente, 154
Compleição corporal, 36t
Complemento nutricional, 25
Comportamento sedentário, 162q
Composição corporal, 64t, 65t
avaliação
classificação, 44f
métodos, 44f
níveis, 32, 33f
terminologia, 32, 33t
Condução, 115q
Consumo alimentar, avaliação, 98q, 100t
Creatina, 210t
alimentos, 220f
dosagem, 225
ergogênese, 220
resposta ergolítica, 225
suplementos, 223t, 224t, 226q, 227
teoria, 221
Crianças
atividade física, 142
bebida reidratante, 140, 141
calor, intolerância, 136
desidratação, 137
estresse térmico, prevenção, 142t
hidratação, 135, 139, 144
ingestão hídrica, 138
reposição hídrica, 132t
sudorese, 137

D
Densidade corporal,
conversão em percentual de gordura, 90t
equações, 86t
Desidratação, 117, 118f
academias, 123, 127, 128t
autopercepção, 124
cognitiva, 146q
crianças, 137
esporte, 120t, 121t
grau, 129q
idosos, 145
intra e extracelular, controle, 138f
leve, academias, 125q
voluntária, 138
Desportistas, 15
suplementação, 214
Diagnóstico nutricional, 25, 106t-108t
Dimensões psicossociais, 103t
Dispêndio energético, 156
Dobra cutânea, 44, 71
compasso, 48
de extremidade, 83
de tronco, 83
medição, locais, 47t
soma
de cinco, 81t
de duas, 82t
de nove, 80t
de quatro, 82t, 88t
de três, 89t
dos valores, 79
subescapular, 77t, 78t
triciptal, 72t, 73t
Doping, 216

E
Educação alimentar, 25
Eletrólitos, perdas, 122
Energia, 153
necessidade
adultos, 166t
estimativa, equações, 169q
Energia (cont.)
obtenção
sistema, 223f
vias metabólicas, 221f
recomendações, 185t-188t
Equação
antropométricas, 84
de Faulkner, 85
Equivalente metabólico, 170q-181t
Ergogênese, 209
Ergogênico, 217q
classificação, atletas, 216q
Espessímetro, 48
Esporte
desidratação, 120t, 121t
nutrição, 23, 24, 26
nutricionista, atribuições, 23q
sudorese, 120t, 121t
Estadiômetro, 40
Estado hídrico, 117
avaliação, 130q
nutricional, 42q
classificação, 43t
individual, 79t
Estatura, 40
autorreferidas, 41
Estética, 96
Estresse térmico, crianças, prevenção, 142t
Euidratação, 117, 118f
Evaporação, 116q
Exame
antropométrico, 31
laboratorial, 105
Exercício
conceitos, 2t
durante as refeições, 194
reposição hídrica, 133

F
Fator
de atividade física, 169t
gerais de Atwater, 154, 155
psicossociais, 103t
Ferro, 187t
Fibra dietética, 155, 184
Fita, 40
Fitness, 2, 3
indústria, dados econômicos 6t
Frutose, 194
Função cognitiva
física, 146
idosos, 146q

G
Galactose, 194
Gasto
calórico, 156
energético, 156, 157
basal, 158, 169t
equações, 164t
múltiplos, 167f
da atividade física, 159
de repouso, 159
total
componentes, 159f, 163f
equações, 161, 168
Glicemia
alteração, alimentos, 190f
carboidratos, 193f, 196f
Glicogênio, 195
supercompensação, 193, 194q
Glicose
exógena, 194
mecanismos de transporte, 195f
Gorduras, 155t, 206
consumo, 201
corporal
estimativa, 88t
percentual, 89t
de membros, 80
do tronco, 80
percentuais, 39, 40t
total, 80, 81t
tronco, 81t, 82t
Guaraná, 227

H
Hidratação
avaliação, 123, 130
conhecimento, avaliação, 127f
criança, 135, 139, 144
estados e processos, 118f
hábitos, avaliação, 127f
idosos, 144, 146
estratégias, 149q
monitoração, 130
Hiper-hidratação, 117, 118f
Hipertermia, 233
crianças, 136
prevenção, 143f
Hipo-hidratação, 117, 118f
Hipotônico, 218
Histórico
clínico, 97, 99f
dietético, 98, 102f
familiar, 97f
socioeconômico cultural, 93, 94

I
Idosos
atividade física, 144-146
desidratação, 145
função cognitiva, 146q
hidratação, 144, 146
ingestão hídrica, 148
perturbações hidroeletrolíticas, 147t
sede, 145
sudorese, 145
Imagem corporal, 103
Impedância bioelétrica, 60, 61f
protocolo, 64
segmentar, 69f
Inatividade física, conceito, 162q
Índice
de conicidade, 55, 57q-59t
tipos corporais, 56f
de massa corporal, 38, 42q, 43t
glicêmico, 188, 189, 191t
alimentos, 192t
pirâmide, 196-198
Quetelet, 42
Ingestão
alimentar, 98q
hídrica
crianças, 138
idosos, 148
Investigação nutricional, componentes, 94f
Isotônico, 218

L
Lipídeos, 186t
Líquido
extracelular, 111
intersticial, 111
intracelular, 111
intravascular, 111
transcelular, 111

M
Macro e micronutrientes, recomendações, 185t-188t
Massa
corporal, 34
ajustada, 38, 39
alvo, 39
cálculo, 39
autorreferidas, 41
desejável, 165t
ideal, 35, 36, 38
perdas, redução energética, 203t
possível, 39
total, terminologia, 36q
livre de gordura, 60
Metilxantinas, 228
Métodos
antropométricos, 43
duplamente indiretos, 43

N
Nutrição
cursos, 20q, 21f
em esportes, 23, 24, 26
história, 19
Nutricionista
áreas de atuação, 24q
código de ética, 237q
contrato de trabalho, 28, 29q
esportes, atribuições, 23q
honorários, 27, 28t
perfil, 21, 22t
responsabilidade, 105
Nutrientes, 153

O
Obesidade, 202
androide, 45
ginoide, 44, 45f
Oxidação metabólica, 113

P
Pentáculo do Bem-estar, 3, 4f
Percentual de gordura, 71q
Perímetros corporais, 46f, 49
Perturbações hidroeletrolíticas, idosos, 147t
Pesagem, 34f
Peso
controle, atividade física e nutrição, 201
corporal ideal, 37t, 38t
hídrico, perda, 125
porcentagem, 124
perda, 35t
Pirâmide
alimentar brasileira
grupos alimentares, distribuição, 204t
prescrição nutricional, 203
Pirâmide (cont.)
modificada, idosos, 148f
Plicômetro, 48, 49
Porção, 203
Pós-exercício, refeição, 194
Power Pool, 14q
Pré-hidratação, 131, 133q
Prescrição dietética, 26
Primeira lei termodinâmica, 114
Proteínas, 155t, 186t, 198, 210t
ingestão, 201
diretrizes, 200q
fatores intervenientes, 199
suplementação, 199
Q
Quilocaloria, 154q

R
Radiação, 115q
Reatância, 60
Recomendação,
grau, 185f, 212f
nutricionais, 27, 183
Refeições
durante o exercício, 194
pós-exercício, 194
pré-exercício, 191
Refrigerantes, 227, 229t
Regulação temperatura, 114
Reidratação, 117, 118, 134
Reposição
hídrica
crianças e adolescentes, 132t
durante o exercício, 133
hidroeletrolítica, 134q
Resistência, 60
Retro-hidratação, 117, 118
Risco
coronariano, elevado, 57
nutricional, 27

S
Sede
autopercepção, 124
controle, 138f
homeostáticos, 139f
não homeostáticos, 139f
idoso, 145
Síndrome metabólica, critérios de risco, 55t
Sobre-hidratação, 117, 118
Sobrepeso, 201
Sódio, 187t
Sudorese
taxa, 119, 122, 129, 133
academias, 127t, 128t
crianças, 137
esporte, 120t, 121t
idoso, 145
Suor, taxa, 120q
Suplementação, 209
prescrição, algoritmo decisório, 215f
Suplemento
consumo, 215f
hidroeletrolíticos, 134
nutricionais, 27, 217q, 235q-237q
prescrição, 234q
vitamínicos e/ou minerais, 27, 239q

T
Tabela Metropolitan Life Insurance, 36
Taxa metabólica basal, 161
Tecido adiposo subcutâneo, separação, 48f
Teobromina, 228f
Teofilina, 228f
Termogênese
facultativa, 161
obrigatória, 161
Termorregulação, 116

U
Urina, coloração, 129, 130
método, 130f

V
Valor
calórico total, 203
energético
bruto, 153
total, 153
Vitaminas
C, 187t
E, 187t

W
Wellness, 2
conceito, 3
Wet bulb globe temperature, 142t

X
Xantina, 228f

Z
Zinco, 187t