Amazonês

Amazonês
Termos e expressões usadas no Amazonas
O AUTOR Sérgio Augusto Freire de Souza é amazonense de Manaus, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Mestre em Letras pela própria UFAM e Doutor em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Publicou dois livros. O primeiro, em co-autoria, foi a série Citizen 2000, pela Editora Novo Tempo. A série didática foi utilizada por anos pelos alunos do ensino médio da rede pública do Amazonas, tendo sido reformulada em 2004 e rebatizada de New Citizen. O segundo livro, Conhecendo Análise de Discurso: linguagem, sociedade e ideologia, apresenta uma introdução à área de Análise de Discurso e foi publicado pela Editora Valer. O autor tem publicado artigos em vários periódic os impressos e on-line e apresentado trabalho em encontros e congressos, além de proferir palestras em várias instituições. Suas áreas de interesse na lingüística são a Análise de Discurso, Produção de Mate rial Didático, Aquisição de Linguagem e Informátic a e Ensino de Línguas. Mais recentemente ampliou seu interesse por Gestão da Educação Pública. É casado com Fabiana Eid e pai de Ana Clara e de Marina. Em seu site pessoal (www.sergiofreire.com.br) podem ser encontradas mais informações e outros textos do autor, como suas crônicas, muitas publicadas em jornais locais.

Umas palavras iniciais« Este livro é fruto de paixões misturadas: a paixão pela ciência, a paixão pela linguagem e a paixão pelo Amazonas. A paixão pela ciência se manifesta porque é por meio dos trabalhos científicos que descrevemos e explicamos (e, portanto, compreendemos melhor) o mundo em que vivemos. No entanto, fazer ciência em um país como o Brasil não fácil. O fomento é limit ado e as dificuldades tremendas. A despeito dos empecilhos, f azer ciência é uma forma de se eternizar no mundo, de deixar um olhar muito particular sobre determinado objeto. Quando os obstáculos para se concretizar uma pesquisa são superados, há ainda o desafio de tornála pública, pois todo texto surge do social e a ele deve voltar. Nesse particular, alegra -me sobremaneira a acolhida ao trabalho feita pela Editora Valer, grande agente de resgate e perpetuação da memória cultural de Manaus, por meio de suas inúmeras publicações, n as mais variadas área do conhecimento . A paixão pela ciência se manifesta por meio da paixão pela linguagem. Pela linguagem somos. Pela linguagem damos sentido ao m undo. Na linguagem podemos nos ver da forma mais verdadeira: nossas crenças, nossos valores, nosso lugar no mundo, enfim. Somos o que aprendemos a ser durante nossa vida e aprendemos a ser via linguagem, no nosso caso a língua portuguesa. É doce ilusão, no en tanto, acreditar que a língua portuguesa é única e inteligível por todos os seus falantes. Um breve deslocamento basta para ou vir outras línguas portuguesas, com outras palavras, outros cantos, outras identidades. Há o português mineiro, um trem danado de bão; o português gaúcho, tri-diferente ecuiúdo; há o português caipira e seu falar forgado; há o português carioca, do povo do ridijanero, sem falar do português falado pelo maranhense, que ao perguntar qual sua pontuação quer saber o número que você calça. Há vários ³portugueses´ espalhados no Brasil, todos bem diferentes do Português que aqui chegou, supostamente nas naus de Ca bral. Depois que aqui aportou, seria impossível que o português de Portugal não sofresse influência das mais de trezentas línguas indígenas então existentes , bem como das línguas africanas e européias que para cá também vieram, como registram a nossa histó ria e os nossos estudos lingüísticos. A língua portuguesa brasileira possui outra história e outra historicidade, diferentes das que embarcaram nas caravelas no séc. XVI. P or tantas diferenças, alguns lingüistas já ousam chamá -la de língua brasileira. São línguas com materialidades tão distintas que ao instalar um programa no computador, por exemplo, há a opção para ambos os idiomas como se fossem dois, porque de fato o são. Se cada variante do português espalhada por esse país imenso tem sua nuance é porqu e também tem sua história particular. E a variante falada no Amazonas tem a sua. Os termos indígenas na linguagem da região são bem marcantes, como igarapé, igapó e bubuia. A linguagem dos soldados da borracha, nordestinos que para cá migraram no fim do século XIX, deixou sua marca, como catinga, abestado e de lascar. O chiado do português de Portugal se manteve no s final da pronúncia dos amazonenses. Por tudo isso, é bobagem disputar a naturalidade dos termos. O que podemos afirmar é que todos são termo s do português brasileiro que, pelo capricho dos movimentos da história, resolveram aparecer e se fixar aqui ou ali. Assim, o dicionário de Amazonês vai cer tamente trazer marcas, por exemplo, de um cearês por conta do encontro lingüístico dos tempos da bor racha. Essas fronteiras lingüísticas são muito tênues e móveis. Estar neste pequeno dicionário não batiza a palavra como amazonense, mas a naturaliza como cidadã do m aior estado do país porque ela faz sentido na linguagem dessa região. Essa região é a terceira paixão que confluiu para o aparecimento do livro: a paixão pelo Amazonas. Terra abençoada com uma cultura tão rica quanto qualquer cultura e tão peculiar como peculiar é também toda cultura. Como o peixe é o último a perceber a água, é preciso se distanciar para chegar mais perto. O texto acadêmico embrião deste livro surgiu na agradável cidade de Campinas, SP, durante o doutorado na Unicamp. O artigo, requisito para a qualificação de área em Sociolingüística, é apresentado na primeira parte do livro. No

texto há algumas reflexões sobre linguagem e discurso que introduzem e ajudam a compreender a segunda e maior parte do livro, o dicionário em si. Por fim, o livro traz ainda uma entrevista sobre o Amazonês feita por Moisés Arruda para seu blog. Peixe fo ra d¶água, Moisés é um amazonense exilado em São Paulo que viu na linguagem da sua terra uma forma de diminuir a saudade. A entrevista é excelente e sintetiza as várias entrevista dadas à imprensa sobre o assunto durante os cinco anos necessários para que o material tomasse a forma final e chegasse às suas mãos. A entrevista feita por Moisés responde as dúvidas mais comuns dos leitores leigos. Pelo distan ciamento da linguagem, aqui vista não como parte naturalizada da vida, mas como objeto teórico, não há c omo não se espantar com o que nos rodeia o tempo todo: a língua que falamos. Ou melhor: a língua que nos fala. Boa leitura. Sérgio Augusto Freire de Souza Verão sem chuva de 2007 Peculiaridades do falar amazonense: um dicionário e algumas reflexões pedagógicas Sérgio Augusto Freire de Souza Doutor em Lingüística ± UNICAMP Introdução Um dos índices de identidade mais forte que conhecemos é a língua. É como diz Labov (1972), ³a questão sociolingüística funda mental vem da necessidade de se compreender por que alguém diz algo´. Dizer algo passa por usar a língua. No entanto, a denominação ³língua´ apaga que dentro de uma língua há várias línguas e variações que por vezes tornam difusas as bordas e fronteiras. ³Qualquer l íngua, falada por qualquer comunidade, exibe sempre variações´ (Alkimim 2001: 33). É nesse pressuposto sociolingüístico que esse trabalho se constrói. O texto que aqui apresentamos é resultado de mais de cinc o anos de análise de situações de linguagem oral em Manaus, no Amazonas. Em nossa coleta de registros, tentamos o máximo fugir do ³Paradoxo do Observador´ (Labov, op.cit.: 181), criando situações que desviavam o foco da fala, permitindo com isso que o falante se expressasse sem saber que era ela, a fala, que estava no centro do estudo. Como produto da análise, buscamos reunir em um dicionário signos do falar que identifica o manauara e que, por outro lado, o desidentifica em relação ao português falado em outras regiões do país. Na costura do trabalho, como dito, enfatizamos o disc urso da oralidade (Gallo 1995) por ser esse discurso menos sujeito às normatividades da língua padrão [1]. Buscamos ainda considerar alguns aspectos na feitura do texto, e deixamos de fora, por uma questão de recorte, o aspecto fonético e sintático, que merecem um estudo à parte, ainda que o reconheçamos necessários dentro da inter -relação constitutiva das partes da linguagem. O trabalho constou das seguintes fases: definição do escopo do trabalho, d efinição do corpus, análise das enunciações, classificação e elaboração do dicionário. 1 O escopo do trabalho, a definição do corpus e as resultantes Como em toda pesquisa, é necessário recortar o objeto para melhor trabalhá -lo teoricamente. Nosso recorte teve uma dupla característica: foi um recorte discursivo e um recorte lingüístico ao mesmo tempo. No aspecto discursivo, privilegiaram -se a oralidade, tomada do ponto de vista da análise de discurso (Gallo op.cit.), e registros dessa oralidade em situações concretas de enunciação, a fim de evitar procedimentos que envolvam dados ³inventados´, como os que normalmente vemos em algumas teorias, notadamente aquelas fundamentadas nos trabalhos da Gramática Gerativa. Esse duplo recorte nos possibilitou coletar da dos nas seis zonas geográficas de Manaus [2], assim determinadas conforme Decreto n.º 2.924 de 07 de agosto de 1996. É interessante notar, e desenvolveremos essa consideração mais à frente nas co nclusões, a predominância dos traços que identificam a linguagem utilizada como ³amazonense´ nas áreas de menor poder aquisitivo e de menor acesso aos bens sociais. Essa forte correlação tem, a nosso ver, uma importância fundamental na compreensão do própr io processo identitário do manauara e de sua relação com a língua trabalhada na escolarização. O tratamento analítico do corpus apresentou duas resultantes: uma referencial e uma pedagógica. A resultante referencial é a compilação de um dicionário básico de regionalismos amazonenses falados na cidade de Manaus. A resultante pedagógica é uma reflexão das implicações desse falar para o ensino de língua portuguesa nas escolas da rede pública da cidade. 2 O tratamento do corpus A língua é uma entidade caleidoscópica que simula para o falante uma falaciosa homogeneidade. Nessa simulação, entram dois níveis: o nível lingüístico e o nível discursivo. No nível lingüístico, o falante vê -se iludido na imagem circulante de que a língua que fala é igual para todos os ou tros falantes. Nessa visão, basta que o processo de comunicação como proposto por Jakobson (1988: 123) se efetive para que haja comunicação: um em issor emite uma mensagem num código inteligível pelo receptor através de um canal limpo. Se o caminho estiver perfeito a compreensão acontece. O esquema proposto por Jakobson, no entanto, desconsidera um aspecto fundamental da linguagem, que é o discurso [3]. No nível discursivo, cada dizer não é dito se m motivação ideológica, revelando processos que localizam o sujeito enunciador em um lugar sócio-histórico que dará sentido ao seu dizer. A teoria do discurso, no entanto, afirma que o sujeito ³esquece´ essa filiação histó ricoideológica, sendo esse esquec imento constitutivo da natureza da linguagem (Pêcheux e Fuchs 1975; Souza 2006). Esse apagamento de

essas duas variáveis passaram a desenhar os traços do linguajar amazônico. como tem sido documentado pelos inúm eros trabalhos sob a influência laboviana. o discurso x. Termos e expressões . Com o início do Ciclo da Borracha (1879-1912).filiação discursiva leva o sujeito à idéia de que a língua é transparente. é: ³não é bom falar como eu falo porque isso lembra que eu sou o que eu sou. Por agora. 2. Até então a presença lingüística da Língua Geral (Nheengatu) era preponderante. Assim. relações de poder (Foucault 1979) se estabelecem j untamente com o estabelecimento de formações imaginárias em relação aos demais grupos que se inter -relacionam. pelo exame dessa dupla perspectiva: a da roupagem lingüística e a do caráter discursivo da linguagem. Assim.3 O falar caboco: a roupagem O que caracteriza o falar caboco? Qual a margem que o localiza como pertencente a um sujeito diferente? Definir essas margens é um dos grandes desafios dos lingüistas. Os migrantes. na linguagem padrão. Em sua organização. Por que levantamos essa questão? Porque em nosso trabalho percebemos identidade lingüística onde não havia identidade discursiva e vice-versa. apresentaremos alguns excertos de nossa pesquisa com respec tivos comentários. notadamente Norte e Leste. da relação de cidadania.2 O caráter discursivo da linguagem Todo grupo social que utiliza a linguagem se organiza. o que há é certa garantia de identidade lingüística. Por roupagem lingüística referimo -nos ao registro lingüístico utilizado pelo falante. 2. não há como negar que existem correlações entre as variações lingüísticas e um amplo leque de características sociológicas dos falantes. Por outro lado. ou seja. a presença de migrantes nordestinos foi acentuada e seu falar passou a compor o cenário lingüístico da região. 2. de que à coisa dita corresponde sempre o significado pretendido. bem como as demais línguas das nações indígenas existentes. como se essa identidade ³ruim´ devesse ser apagada ou dissociada de si. É interessante notar que a identificação positiva aparece muito mais nos falantes localizados em uma faixa econômica mais privilegiada economicamente e que menos está sujeita a marcações da linguagem regiona lizada em sua fala. numa homogeneização que leva aos estereót ipos sociais no imaginário de uma coletividade. essas correlações se dão de forma heterogênea e não são garantias de homogeneid ade discursiva. Nossa análise passa. Às vezes nós [lingüistas] mal s abemos quão heterogêneas algumas comunidades de fala são´ (p. No aspecto discursivo. Resumindo: a identidade lingüística não garante a identidade discursiva. Apesar de fazer uso da linguagem local com mais freqüência. ou seja. funciona como uma espécie de marcação de posição quanto ao que não é: a linguagem padrão produto de investimento dos meios de comunicação de massa e da mídia em geral. tendo em vista que uma comunidade de fala se define por ser uma en tidade sociolingüística e uma unidade fundamental de análise (Gumperz 1968). podemos afirmar que existem duas principais atitudes em relação ao falar amazonense: uma atitude de identificação positiva e uma de identificação negativa. Nordestinos reconhecem em termos cabocos sua filiação nordestina.1 A roupagem lingüística O discurso não está em correlação direta com a roupagem lingüística. Quando falamos da dificuldade de definir bordas é exatamente a esses limites opacos que nos referimos. normalmente um falar é associado a um comportamento social. entendido como uma prática social. o Português é língua hegemônica na Amazônia há apenas 150 anos. Sob a base do português geral. fugiam da seca e da miséria que avassalava sua região então. são duas as grandes influências que compõe o falar amazonense: a influência nordestina e a influê ncia indígena. Segundo Freire (2004). É preciso um breve histórico dessa influência. as relações de organização no espaço da cidade e as relações políticas no sentido grego da polis. principalmente cearenses. queremos de antemão evidenciar que o estudo lingüístico aqui descrito não se inscreve na pressuposição da relaç ão um-para-um língua-grupo social. O que estamos querendo dizer é que mesmo reconhecendo as correlações sociais entre a variante utilizada e grupo social que a utiliza. Até que ponto isso é um termo do falar amazonense e não mais uma herança do falar nordestino incorporada ao patrimônio lingüístico local pela diacroni a lingüística. Como criti ca Romaine (1982): ³É preciso reconhecer. 15). entram nessa equação as relações de classe. morador da periferia sem acesso aos a parelhos sociais´. No entanto. Mais do que identidade discursiva. se manifesta tanto no registro padrão da língua quanto em um não-padrão. a identificação negativa se mostrou muito m ais comum nos falantes das zonas mais pobres da cidade. assim. Por outro lado. Indígenas vêem a presença de seus termos de forma forte no português amazônico. Na composição dessas relações imaginárias sociais entram como elementos fundamentais a movimentação e a composição do tecido social através das organizaçõe s sócio-geopolíticas. que apagou o traço da história? Na análise de nosso corpus. O recado. Uma comunidade de fala é extre mamente complexa e heterogênea e é extremamente arriscado definir correlações biunívocas entre fala e comportamento social sem uma análise mais profunda dessa complexidade. ser identificado como ³caboco´ [4] traz imediatament e uma sensação de negação identitária. Retomaremos a questão discursiva em nossas conclusões. A identificação com ³o que é nosso´. no caso a linguagem.

Vale ressaltar que a atitude positiva veio de um públic o que é cliente de banco e que tem acesso aos meios de comunicação. se faz muito forte e marcadamente pela linguagem. Os dois grupos que dominam o mercado farmacêutico em Mana us começaram uma propaganda maciça fazendo um chamamento à amazonidade. Com essa premissa definida. Assim. baianos. O Banco HSBC decidiu fazer propagandas regionalizadas e utilizou várias expressões.comoarrudear. mas a maioria dos termos era desconhecida. caga-raiva e desconforme trazem uma cor nordestina. sem dúvida. além de econômica. essa mesma associação habita o imaginário das classes mais pobres que possuem acesso restrito à língua padrão. Por outro lado. como a teoria d o déficit cognitivo. A repercussão foi extremamente positiva na cidade e o comercial bastante comentado. Aqui voltamos à tese de que não há coincidência entre identidade lingüíst ica e identidade discursiva. bucho. A escola não deve se furtar a tal tarefa sob pena d e ser uma escola excludente. o professor deve levar em conta toda a bagagem lingüística trazida pelo aluno . produto e prática social. É preciso que não caia em nenhuma das falácias abordadas por Soares (1997). é bom ou ruim ser caboco? Como nos diz Derrida (1997). portanto. a norma de investimento naci onal. dependendo da dosagem e do paciente. 2. Sabendo da impossibilidade de um recorte preciso. cremos que a abordagem à língua padrão pode ser feita de forma mais proveitosa através da exploração de processos de identificação lingüísticos. Algumas falas de identificação: ³« é muito bom falar de coisas nossas. O que pode esse percurso levantar de questões para o ensino de lí ngua portuguesa na escola? Que reflexões podem ser levantadas para o tratamento sistemático da linguagem em ambiente escolar? Partimos da premissa de que ao aluno deve ser proporcionado o acesso à língua padrão e cabe à escola essa experiência. ampliando no aluno a consciência de sua id entidade lingüística e. Só cabocão fala assim«´. utilizando o slogan ³Amazonense como você´. utilizando frases como ³quem não lhe conhece não pode inspirar confiança´ e coisas do gênero . . Essa ampliação passa pelo trabal ho com os diversos gêneros orais e escritos ( cf. Algumas frases traduzem o preconceito lingüí stico (Bagno 1999) da associação biunívoca entre norma padrão e língua portuguesa. do bodozal¶. análise e compilação do dicionário. Marcuschi 2001a. Mesmo utilizando o registro. passamos a ³testar´ suas bordas com pessoas não pertencentes ao universo discursivo amazonense. Não seria diferente com a imagem de ser cab oco. 2001b). Por um lado. de ser sujeito no mundo e proporcionará momentos de acesso real do aluno à chamada norma padrão. Para isso. possibilitando igualmente a inserção desse aluno num universo social cuja barreira. Expusemos os vocábulos a paul istas. tentamos ajustar o máximo possível as fronteiras que definiam o que ficava dentro e fora do dicionário. necessária a ampliação de visão metodológica para o trabalho com a linguagem. Algumas falas de contra -identificação: ³« é muita caboquice falar assim. A transposição da o ralidade não-padrão para a escrita padrão. Se o reconhecimento é um critério de identificação. todos os signos são pharmakon. e fazer a ponte dessa bagagem com a língua padrão. amazonenses. Ainda como exemplo de que a transversalidade valorativa perpassa as várias classes sociais. de vários registros. não o aceitam como de valor na economia das trocas simbólicas (Bourdieu 1999). Odeio quando falo as coisas aqui no Rio e ninguém me entende´. Assim. para que se evidencie ao aluno o caráter complexo da linguagem. um objetivo corolário nos acompanhou. Alguns termos foram reconhecidos na acepção utilizada pelo amazonense. Podem ser bons ou ruins. É pela língua padrão que ele acessa bens culturais que ampliam seu espaço de cidadania. já desconstruídas há algum tempo no campo da l ingüística. A nossa linguagem é única e fantástica´. mimetizando em sua própria auto -imagem da identidade social esse não-valor. gaúchos. como é bom falar e ser entendida. ³«ouvir essas palavras de novo me faz voltar o que de mais feliz eu tive: a minha infância´. como ³Cortar a curica´. coisa de gente pobre. ³gente. porque a língua é vo látil. cultural ou lingüístico. da mesma forma que carapanã. antes que alguém reclame que determinada palavra não é exclusividade do falar amazonense. ³« triste esse jeito de falar. o desconhecimento também o é. mangarataia. incluindo a oralidade. explicamos que a dinâmica da língua nunca garantirá tal propriedade exclusiva. pitiú apontam para uma indigeniedade marcante. citamos dois exemplos recentes. Bentes & Fernandes 2005). muitas frases de identificação vêm de falantes que não utilizam os termos cabocos com freqüência. quando associam o regis tro que usam a uma língua inferior. Uma vez feito o levantamento do vocabulário. cearenses. fluminenses e catarinenses. O professor que souber aproveitar a capacidade do aluno de ser poliglota em sua própria língua atingirá dois objetivos desejá veis para a escola de hoje: respeitará a diversidade constitutiva do social. é necessário que o professor de língua portuguesa transite por conceitos sociolingüís ticos que lhe permitam um deslocamento do lugar de sujeito normativista. mineiros. jururu. ³« é uma pena que muita gente fala esse português errado«´.4 O falar caboco: o discurso Afinal. 3 As implicações pedagógicas à guisa de conclusão Em todo processo de coleta de registros. já encontra bastante suporte na literatura lingüística ( cf. empachado. Encontramos índices de identificação e de contra identificação (Pêcheux 1988) nas falas analisadas. A rede de drogarias Pague Menos chegou a Manaus oferecendo descontos de 60% nos medicamentos por ela vendidos. ³« é (sic) muito chibata essas expressões´. por exemplo. como procedimento metodológico. sendo todos os outros registros considerados como sendo português errado ou de pior qualidade. É.

³Se quiser ir embora. (org). 2001. C. ± No varejo. In: Fernandes. A PRÓPRIA loc. Sul. 1979. São Paulo: Cultrix. 15 ed. _________ ³Oralidade e ensino de língua: uma questão pouco falada´. 2 Mentira. 1997. 1999. São Paulo: Cortez. R. Freire. não sendo. ± 1 Sem dinheiro. 2 ed. Bentes. A LA VONTÉ exp. ± A tal. Rio de Janeiro: Atlântica. Romaine. 1975. 37. 1982. J. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. J. T.Esse deslocamento nas posturas teóricas e metodológicas é hoje o maior desafio de todos nós que trabalhamos na formação de professores. 1990. o meio de produção um determinante na caracterização do discurso. Fuchs. Bourdieu. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. A. adv. Souza. Conseguir deslocar imaginário faz parte do compromisso político do pesquisador que se diz educador. ³A Ana Paula comprou um perfume francês e chegou aqui se sentindo a própria´. F. Sociolinguistics. a boa. ³What is a speech community´. F. ± Como queira. A. Labov.Sociolinguistics variations in speech communities. não dos seus produtos. Foucault. f. obrigado. 2006. 1988. V. L. ABACABA s. & Holmes. Artigo traduzido e publicado: ³A propósito da análise do discurso: atualização e perspectivas´. (ed. adv. In: International encyclopedia of social sciences. T. 1997. ³The study of language in its social context´. Está pegando até velha desdentada´. Fernandes.. ³Estou morrendo de fome. New York: McMillan. Discurso da escrita e ensino. 2001a.). S. Ele disse que pescou na linha cento e vinte jaraqui numa manhã´. A RETALHO loc. London: Edward Arnold. 13 ed. uma prática social cuja regularidade só pode ser apreendida a partir da análise dos processos de sua produção. M. A. 1988. É na conjunção da teoria e da prática que a mudança política se possibilita. ³O Amaro está a perigo. Lingüística e comunicação. adj. ³O Dudu é um tremendo abacabeiro! Disse que o pai dele é dono da Microsoft´. Neste trabalho nos referimos a discurso sempre dentro do campo teórico da Análise de Discurso oriunda dos trabalhos de Michel Pêcheux. Vol 1. C (orgs) . J. ´Mises au point et perspectives à p ropos de l¶analyse automatique du discours´.. Centro-Sul. 2005. M. Campinas: Editora Unicamp. Linguagem e escola: uma perspectiva social. São Paulo: Loyola. Para contribuir com futuras edições mande um e mail para sergio_freire@uol. Centro-Oeste. m. com Labov (1972): ³a questão sociolingüística fundament al vem da necessidade de se compreender por que alguém diz algo´. a la vonté! E já vai tarde!´ A PERIGO loc. In: Langages. Pêcheux. f. Oeste.). (Org. adv. Conhecer a historicidade desse dizer nos ajuda a compreender nossa própria identidade e nosso papel na teia social. cara. Referências Bibliográficas Alkimim. Solange Gallo afirma que o Discurso da Oralidade pode ser tanto falado quanto escrito. R. Bentes. ³Comendo sem gosto« Parece até que está comendo a pulso´. F. A farmácia de Platão. Rio de Janeiro: Graal. ³A poesia oral nas periferias do mundo: hip-hop e rap´. ± Quanto custa? ³A como tá o tucunaré?´ ³R$ 10 a enfiada´. Esse dicionário é uma pequena contribuição para o fascinante mundo da linguagem. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 1968. Conhecendo análise de discurso: linguagem. ³Sociolingüística´. Jakobson. A. ± Forçado. Rio de Janeiro: Lucerna. . na marra. que eu tô a perigo´. Pecheux. [3] O termo discurso é um termo portmanteau que agrega vários entendimentos conceituais. São Paulo: Perspectiva. pois sociedade e linguagem se constituem mutuamente. Manaus: Valer. 2 Muito tempo sem manter relações sexuais. ± Mentiroso. A A COMO? loc. L. ideologia. ³The speech community´. Campinas: Editora da Unicamp. S. que se produz socialmente através de sua materialidade específica (a língua). S oares. A. J. adv. M. que faz da subsistência seu meio de vida no interior do Estado. 1999. C.com. portanto. a melhor. J. F. ± Vitamina de abacate. São Paulo: Ática. M. Hak. id. Rio Babel: a história das línguas na Amazônia. como se faz. São Paulo: Editora Iluminuras. In: Gadet. In: O livro didático de português: múltiplos olhares. Londrina. A PULSO loc. 1972. ± 1 Palmeira que dá frutos oleosos e comestíveis para vinho ou mingau. ABACATADA s. que entende discurso como seu objeto teórico (objeto histórico -ideológico). n. In: Mussalim.br ou participe na comunidade dedicada ao Amazonês no site de relacionamento Orkut. In: Pride. 2. Gallo. Introdução à lingüística: domínios e fronteiras. W. S. Notas [1] Em seu trabalho. Preconceito lingüístico: o que é. F. Gumperz. Pega o leite e o abacate que eu vou fazer uma abacatada para mim´. Oralidade e literatura. 1995. S. P. ³Compra um real de cigarro na venda do Zé.. Terminamos onde começamos. sociedade. 2004. Leste. Bagno. 2001. Derrida.. [2] São elas: Norte. A economia das trocas simbólicas. Marcuschi. Ele vende a retalho. ³Paga o lanche pra mim. M. New York: Penguin. Campinas: Editora da Unicamp. Microfísica do poder. ABACABEIRO s. B. São Paulo: Cortez. o que é bom para fumante liso como eu´. A. ³O Paulinho tava lá contando a maior abacaba. [4] Utilizamos o termo ³caboco´ e não ³caboclo´ para diferenciar a identidade do falante urbano manauara da identidade do amazôni da. mas a relação do enunciador com a institucionalização de seu dizer . In: Romaine.

estúpido. ³O Lanche Filho da Fruta vende sanduíche pequeno. ± Envolver-se amorosamente. ACUAR v. m. ³Quando chegaram todos para tirar a coisa a limpo. ³O advogado pilantra abafou a herança do cliente´. Ele é muito abestado pro meu gosto´. ABUSO s. Vê se te informas antes de dizer as coisas´. ± Apropriar-se de bens alheios. Acho é bom! Ela também traiu o ex-marido!´ AÇO s. Agorinha quer dizer hápouquíssimo tempo atrás. ± Bebida fermentada. ± Iluminar. ± 1 Agarrar alguém com intenções sexuais. cheio. ACOCHAR v. ABIROBADO adj. grande e aloprado´. idiota. ± Mulher fogosa.Após comê-lo. ³O namorado da Alice botou chifre nela. AFRONTADO adj. os lábios ficam grudentos. homem!´ ABARROTADO adj. caule liso. Sua regeneração é extraordinariamente grande mesmo sendo abatida vorazmente pela indústria de palmito. empanturrado. ± Apanhar o que está no chão. ³O afobado come cru´. . Altamente energético. viver junto. Raoni´. não. ADUBAR v. m. Floresce quase o ano inteiro. largo. Abanque-se aí no sofá. sabor ácido -adocicado. porém predominando de setembro a janeiro. ALUÁ s. não. levemente curva e apresentando raízes visíveis na base. não quis comer«´ ALUMIAR v. m. translúcida ou ligeiramente brancacenta. ALMENO loc. doutor delegado. m. ³No lago do Janauacá tem muito jacaré-açu´. ³Presta atenção. ³Se é pra alegar. ³Peguei um abuso da Creuza. avoado. Não falou com ninguém. Um dia eu me dou bem´. ABRICÓ s. inquieto. A maturação de seus frutos verifica -se durante a maior parte do ano. não. Só de olhar pra ela fico irritado´. ± Nervoso. ACONTECIDO s. e com diversos usos domésticos. m. ± Referente a quem anda ou está nas nuvens. é melhor pegar de volta o dinheiro que tu me emprestaste!´ ALGUIDAR s. 2 Cobrar. AGUAPÉ s. Vai fazer besteira´. O chefe está me acochando!´ ACOITAR v. comp. Sua freqüência no Baixo Amazonas chega a tal ordem que produz populações homogêneas. ³O parafuso não segura porque ele está cuspido e a porca está afolosada´. ³Ajunta teus brinquedos e bora embora. de múltiplos troncos de até 25 m de altura. ± Exagerado. adv. empanzinado. ± Nojo. ± Satisfeito. ± Arranque. ³Tu tens cinco goiabas aí. ± Ver Abestado. ALTEAR v. redondo. ³Ele contou a piada e todo mundo achou graça´. Continuo adubando. ± Encobrir namoro de um casal. ³Não confio no Guilherme pra levar os pratos lá. ABOBRINHA s. Me dá almeno uma´. ± Ver Abafar. imbecil. com adição de água. ± Sufixo de composição significando Grande. AMANCEBADO s. ³Sei não. m. ± Bebida alcoólica. ³Eu não desisto da Rosinha. id. ± Enxerimento. m. ± Expressão manifestando a opinião de que a pessoa mereceu o que teve. ± Encobrir namoro de um casal. ± Pessoa solteira que vive maritalmente com outra. ³Me empresta tua alpercata pra eu ir lá fora. ± Recolher-se sem chance de defesa. Seus frutos nascem em cachos em número de três a oito por planta. ABESTADO adj. ³A ex-mulher do Mário se ajuntou com o Walter Papagaio. ± Aumentar. ± Amasiar-se. ± Frouxo. AJUNTAR-SE v. feita a partir do arroz. m. ± Diferentemente do uso no Sudeste. ± Vaso de barro ou de metal. inclusive armazenagem e na fabricação do tucupi. ABANCAR-SE v. ³O Dangliney está acochando a mulher do Walter´. ± Besteira. coisa sem importância. ele ficou acuado na sala´. baixo. rapaz! Diz que faz e nada!´ AGARRO s. ³Tem que trocar o saco de lixo que esse aqui já tá abarrotado´. AJUNTAR v. ³Esse menino está aluado hoje. m.ABAFAR v. essas meninas ficam num acesume só´. ± Palmeira altamente ornamental. ³Quando chega homem aqui. ± Cheio demais. -AÇU el. ABIO/ABIU s. ALCOVITAR v. ACREANA s. ³Cadê o trabalho? Não dá mais para enrolar. referindo-se ao passado e não ao futuro. ± Pelo menos. ³Comi tanta macaxeira que fiquei afrontada´. ³Pára de falar abobrinha. m. f. sorrir. ± Vinho ralo. ± Chateado. ± Apressado. ³Ele só chega cheio do aço toda noite´. com sabor adocicado e de grande delicadeza. Encontrado em grande número em estado silvestre na Amazônia. de onde veio no século XVIII. ± Dar algo a alguém e depois ficar passando na cara. mas sumiu´. AGORINHA adv. em forma de tronco de cone invertido.³Quando passei estavam os dois no maior agarro no muro da igreja´. Só está amancebada´. menina. Fruto arredondado de casca amarela. ALOPRADO adj. ³Ela estava aqui agorinha. Ver Comer abiu. ³Não gosto dele. Ele é muito abirobado. ± Sentar. polpa gelatinosa. f. ± Rir. ± Apalermado. ± Sandália. ABESTALHADO adj. ACHO É BOM! exp. lembra mesmo os abricós do Oriente. ALEGAR v. ³Te juro pela luz que me alumia que não sei de nada´. ± Abestalhado. ³Ela não casou. afanar. m. ± Fato. menino´. do milho ou do abacaxi. ACHAR GRAÇA loc. ABISCOITAR v. v. m. com maior intensidade nos meses de julho -dezembro. pessoa que não entende de nada. Estão morando juntos´. ³O Júlio está agoniado com tanta dívida´. m ± Ato de namorar despudoradamente com carícias corporais. AÇAÍ s. atiramento. m. ACUNHAR v. AGÁ s. falso propósito. AGONIADO adj. Rita! Tá toda alocé hoje´. médio. ³O Sandro só tem agá. ± Bajular com alguma intenção. ³Espere um pouco que ela já vem. ³Altea aí a TV que não está dando pra ouvir nada´. emburrado. AFOBADO adj. impaciente. ± Fruta de origem oriental do tamanho de uma manga grande. não. AFOLOSADO adj. ACESUME s. ALUADO adj. Na hora do acontecido eu tava dormindo´. ALPERCATA s. ALOCÉ adj.

dar em cima de. ³Não assanha o menino senão ele vai querer brincar contigo a tarde toda´. ± Armadilha para caçar feita de madeira. ³Vou me assear pra dormir´. ANDAR NA PINDAÍBA loc.´ ATENTADO adj. ³Vamos apofiar uma corrida até a igreja?´ APORRINHAR v. ± Comércio de comidas típica s e atividades sócio-culturais para promover um evento ou uma causa. Até o toco. ± Apossar-se de algo sem permissão. sem saber o que fazer diante de uma situação difícil. destruir. ARAPUCA s. posso entrar pela frente?´ ³Não. ARREDAR v. ± Sujeito baixo. ± Encher o saco. ± Apressado. mas ela é muito arisca´. ± Ficar atento à conversa alheia. ³A Priscila vem dormir aqui?! Até parece« Ela nunca dorme fora de casa. ASA DURA s. ³Eu saí de lá porque tá o maior angu: todo mundo querendo brigar´. m. ³Hoje eu tô a fim de armar« vou pras barcas!´ ARRAIAL s. APLUMAR v. ± Até o máximo possível. Até o tchoco. ³Rapaz. ARDOROSO adj. duro. ± Ardido. ± Ingênuo. ± Muito bom. ± Paquerar. ± O cheiro adocicado característico do araçá -boi agrada logo de primeira. daí o verbo. ³Arria as caixas aí mesmo´. após cortar. f. brigar. ARIAR v. tomar banho. f. APARAR v. ± Gancho para pendurar a rede de dormir. Quando não há. AMIGAR v. ATÉ PARECE« exp. ± Deslocar-se. O araçá-boi é da mesma família da goiaba e frutifica precocemente. ARRANQUE s. ASSANHAR v. Lá não tem armador. id. Fica arengando por qualquer coisinha´. ± Valentão. ATÉ O TUCUPI exp. ATAR v. AMUADO adj. de aparência frágil. ± Detonar. ± Diabo. ± Arrumar. Já faz um tempo que eu tento. ANHANGÁ s. ARMADOR s. ARIGÓ s. Nem adianta´. ³Vou aparar meu cabelo hoje´. ³Ele soltou papagaio ontem. ASSEAR v.³Arrente vai lá com ela´. ± Limpar. m. incredulidade. Vou atar a minha rede e tirar um ronco´. Usada na região de Parintins. ± Apostar. APODERAR-SE v. ± O mesmo que se amancebar. apesar de morrer de medo´. ³Pára de assanhar mais meu cabelo. ± Muito danado. ± Descansar uma carga pesada sobre o solo. Não. id. ± Gogó. AMO-DO-BOI s. ARROMBADO adj. ARREMEDAR v. Só se amigaram´. despentear o cabelo. ± Perturbar. m. Vou até de asa dura se precisar. ARRIAR v. ± Aproximar-se. f. Variações: Até o talo. ± Árvore cuja madeira é resistente e da qual se extrai o óleo (cruz-de-andiroba. ³Ninguém entra pela sala. ³Pedir dinheiro emprestado do Jaime? Coitado« aquele liso é pior do que eu. espírito do mal. ³Esse menino é atentado!´ ATENTAR v. ± Emburrado. ARRANCA-TOCO adj. ³Deixa como tá. 2 Coletar o papagaio no ar. ³Não vou nem levar a rede. ± Andar liso. Bia. ± Cearense. APERREADO adj. ARISCO adj. ± Cantador de toada no Boi-Bumbá. ³Ei. ³Hoje tem o arraia de São Judas Tadeu´. inquieto. m. ± Pessoal difícil de envolver nos planos. Não vem com arrumação que tu vais acabar estragando tudo´. ± Pronúncia herdada dos nordestinos de A gente. ³Pegaram o ladrão lá e o povo arregaçou o infeliz´. forte e maceta. ele só anda amuado´. menino! Pára de atentar o cachorro!´ . ³Rapá. ± 1 Cortar. ARUÁ adj. ± Implicar. . v. ³D. ³O Zé só tem arranque. gostosão´. ARAÇÁ-BOI s. ³Acho o Manoel um camarada muito enjoado. Quem te deu o direito de me abraçar?´ APROCHEGAR v. ± Lavar a louça com palha-de-aço. ³Estou com sono que só. nós. em forma de pirâmide. ± Indivíduo fraco. m. m. ³Só mesmo uma aruá como a Zefa para emprestar dinheiro para o Zé Calote´. APERREAR v. muito nervoso. ³Esse som do teu carro é arrombado! Foi caro?´ ARRUDEAR v. Zefa. ± O ânus. ³Não perco o festival por nada. ± Pendurar a rede de dormir no armador. ± Confusão. arrudia´. Disse que ia me ajudar e na hora vazou da área´. ANEL DE COURO s. Quem quiser entrar em casa vai ter que arrudear´. aperrear. blefe. ± Paquerar. Cortou e aparou mais de dez´. ³A pimenta murupi é a mais ardorosa de todas´. m. ASSUNTAR v. ³Apluma a cama que eu vou o bebê pra dormir´. m. usa-se areia. ± Invenção desnecessária. ± Enxerido. ± Avião.AMARELO EMPOMBADO loc. ³Arreda pra lá. Ele já tá todo assanhado!´ 2 Mexer com o que está quieto. carma pesado). ³Cuidado que o Salgadinho se acha o maior arranca-toco da paróquia´. metido a besta. ANDIROBA s. ± Indica dúvida. ± Dar a volta. maninha! Esse estofado não é só teu!´ ARREGAÇAR v. levado. ³Eles não casaram. ³Eu tô muito afim da Luciana. mover-se para o lado para abrir espaço. ARRASTAR ASA loc. ARMAR v. ANGU s. m. adj. Com sua polpa amarelada é possível preparar sucos e doces deliciosos. sem dinheiro. ARRUMAÇÃO s. ³O pior é que se apoderou da minha camisa e diz que não devolve mais!´ APOFIAR v. ± Ver Aporrinhar. f. tô aperreado com aquele negócio da dívida´. já aos dois anos. ³Pára de me aporrinhar e vai dormir!´ APRESENTADO adj. ³Desde que a namorada deixou ele. v. ³Eu acho que essa menina arrasta uma asa pra ti. ³Deixa de ser apresentado. tô até o toco de trabalho´. As sementes apresentam dormência natural. ATARRANCADO adj. Só anda na pindaíba´. ± Imitar jocosamente. mal-humorado. ARENGAR v. ± 1 Bagunçar. demora ndo várias semanas para germinar. ARRENTE pron.

ATRÁS DE loc. ± Disperso. se abestalhou e o gato fez foi é azunhar ele todo´. ± Ficar. ³Ele tentou dar banho no gato. que falta com o compromisso assumido. ± 1 Gíria futebolística: lençol. ± 1 Fruta de polpa branco-amarelada e perfumada que oferece um dos sabo res mais sutis e originais da Amazônia. o banzeiro quase virou a voadeira´. f. BAIACU adj. BALSA s. ³Domingo nós vamos pro banho do Raimundão na rodovia Manaus-Itacoatiara´. ± Fulo. BACURI s. ³Vamos atrás de cerveja que a nossa acabou´. recheio de cupuaçu ou castanha. BANZEIRO s. m. eu levo bala de cupuaçu pra Zuleica´. f. Mas não rolou. avali(e) menina bonita´. m. . mas que ele tem o baque. ± Resto de comida. ³Hélio. BACABEIRO s. ³E aí? Pegou a babita lá?´ BABUGEM s. na cabeça do indivíduo. ± Jeito. BAFAFÁ s. encher demais. grana. Três horas de ônibus e mais uma de pernada´. rolo. 2 Rede de dormir. ± Festa organizada pelos bumbas em Manaus para arrecadar dinheiro para o Festival de Parintins. zíper. m. ± Urinol.ATOCHAR v. ³O barco tinha que virar: atocharam mais gente do que cabia´. perda irrecuperável de alguma coisa. v. ± Fazer entrar à força. BARGUILHA s. ah. f. ± Batida policial com revista geral. ³Deixe de me encher o saco. ³Quando eu viajo para Minas. Só tem babugem na panela´. BANHO-DE-CUIA s. BACULEJO s. ao mesmo tempo. ³Esse Mota é o maior babão que eu conheço!´ BABA-OVO s. ³Se o Getúlio namora até mulher feia. m. ³A Wanderléa pegou o marido dela com outra no maior agarro e foi o maior bafafá na rua´. BANHO TECHO s. Vá pra baixa da égua!´ 2 Lugar distante. ± Pequena onda que se forma nos rios amazônicos por causa do movimento dos barcos semelhante à onda do mar . ± Embarcação de aço que serve para fazer a travessia de um lado a outro do rio. BAR DO BOI s. paquerar. ATOLADO adj. AVIAR v. Daqui a pouco está igual a um baiacu´. ± O povo. à procura de. ± Homossexual. BANDAR v. ³Ontem eu fui pra bagaceira e cheguei de madrugada´. ³Ela mora lá na baixa-da-égua. BALA s. ³Mexeram com a irmã dele. contendo. BATE-BOCA s. às vezes. ± Metido num atoleiro.³Corre. ele vai acabar ficando atuleimado´. ³Esse menino anda tão avoado. BAIXA-DA-ÉGUA s. m. f. m. ³Sumiu dinheiro da bolsa da mamãe e ela tá bala da vida´. BAIÃO-DE-DOIS s. ³Já vou que ainda tenho que pegar a balsa das sete´. f. namorar. ± Noitada. ± Balneário. É dinheiro perdido!´ BABITA s. f. m. ± Comida feita de arroz e feijão-de-praia que complementa o peixe frito. BANHO s. ³Pagou serviço adiantado prum marceneiro? Tu é leso. m. tem!´ BAQUEADO adj. f. ± Puxa-saco. ± Canoa. ³A PM adora dá um baculejo na galera da Zona Leste´. situação em que o jogador. não. f. com um leve toque. Ela é muito arisca´. todo mundo. fora do normal. Guloseima de confeitaria. AZUNHAR v. ³Quando eu era pequeno. matei muito passarinho com baladeira´. ³Numa bajara dessa cabe até cinco pessoas´. m. doutor. BALA (DA VIDA) adj. BALDEAR v. ± Dinheiro. ± Confusão. ± Furão. BABAU s. ± 1 Estilingue feito com forquilhas de goiabeira e tiras de borracha de câmara de ar. mano. ± Variação de Braguilha. ± Quanto mais. BACURAU s. m. ± Discussão acalorada. ± Pessoa gorda. ³Fez besteira. ele foi lá e baixou o sarrafo em deus e o mundo´. 2 Banho com o auxílio de uma cuia feita de cabaça-do-mato (árvore que produz cabaças). BARCA s. Acabou a comida. ³Tava a Maria e Marta no maior bate-boca em frente à casa do seu Gumercindo´. f. m. AVALI(E) v. BARRA-BANDEIRA s. ± Ver Babão. ³Vai a barca pro show do Reginaldo Rossi hoje´. ³Pára de comer. 2 Porquinho pequeno 3 Menino. ³Avia! Senão tu vais te atrasar!´ AVOADO adj. em geral de chocolate. B BABÃO s. m. ± Brincadeira infantil em que dois grupos disputam uma bandeira ou outro objeto. ³Estou atolado de trabalho pra fazer´. em dificuldades. BACABA s. ± 1 Punição que um grupo confere a alguém por um malfeito. ± Açoitar violentamente. ± Arranhar com as unhas. ± 1 Lugar para onde se mandam pessoas que estão nos chateando. que o rapaz tá baldeando toda a recepção´. ³Ele tava com tanta raiva que ele bandou o cd que ela tinha dado pra ele´. BAGACEIRA s. ± 1 Lavar algo usando um balde para transportar a água. f. ± Abestado. ³Se mimar muito o curumim. f. Dificilmente encontrável in natura fora da região. BACIO s. surrar. BAIXAR O SARRAFO loc. ± Ver Abacabeiro. muito chateado. AZARAR v. desconcentrado. BATE-FOFO s. ATULEIMADO adj. baderna. m. mas encontrável em polpa em conserva para sucos e doçaria. Acho que tá apaixonado´. vai baldear o pátio antes que teu pai chegue e te dê uma pisa´ 2 Vomitar. BAITOLA adj. m. é? Aí é babau. m. Vai levar um babau por isso!´ Ver Sabacu 2 Prejuízo total. BALADEIRA s. ± Pássaro noturno. f. ³Passei a noite toda azarando a Nelma. BAQUE s. ³Hoje não fui trabalhar porque estou meio baqueado´. ± Apressar. m. ³Tive muito medo na travessia para Benjamin Con stant. em que só se lava as partes íntimas. ± Dividir ao meio. ³Cheguei tarde. ³O Sandro pode até nem ser. prep. m. BAJARA s. ± Bombom. m. passa a bola sobre o corpo do adversário e pega do outro lado. ± Doente. ± Ver Abacaba. Todos batem com as mãos. mano. ± Em busca de. ± Banho rápido.

BATER À MÁQUINA loc. ± 1 Com muito sono. perto de. BOLADA s. ³ Marquei um encontro com a menina e ela bateu fofo. ± Exaurido. BOIOLA s. ± Homossexual masculino. ³Vai direto e. esperei e nada´. ³Eu voltei do meio do caminho. ± Baixinho. BIRIBUTES s. BICUDO adj. vê essa tua bicheira que não sara´. ± Serviço tempor ário informal. ³Essa música é o bicho!´ BICO s. ± Habitante das margens do rio. ³A Dira é uma caboca bem-feitinha a danada. BODÓ s. abestado. BATORÉ adj. eu vou levar na dona Cora pra uma benzedura´. ³Deixa de ser bocó e presta mais atenção no que tu tá fazendo!´ BODADO s. ± Cassetete. BOBÓ s. nos meses que antecedem o Festival. ± Biscoito chato. ± Próximo. ³Esse ventilador já deu o que tinha que dar. BOLO PODRE s. Entidade escura. f. Aparece sob a forma de enorme serpente de fogo. ela tá na biqueira de ser demitida´. ³Não vai sair e não adianta ficar bicuda aí. BIRRENTO adj. adj. ± Seja o que Deus quiser. O Mauro é um batoré moreno de perna curta´. ± Rotatória. de difícil acesso. m. ³Na festa de casamento do Amarildo no Cassam eu entrei de bicão´. a gente fez o possível. id ± Vamos. BEM-FEITA loc. 3Chateado.. ³Procura por ele lá. ± Ajudar alguém a conquistar uma pessoa. ± Modo de curar ³quebranto´ ou ³mau-olhados´ através de orações. ± Obediente. ± Objeto que não tem nome e que balança. dá para atar a rede´. BEIJU s. BATENDO BIELA loc. ³Já pediu a bença da tua vó Helena hoje. ³De tanta besteira que fez. ³Leva ele pra casa que ele bebeu todas e tá muito bodado´. Bora ver«´ BORBOLETA s. ³Se não passar a febre desse curumim. BOI s. não é?´ BEM-MANDADO adj. Tô bodado!´2 Bêbado. periferia. 2 Saliência carnosa. ± Brinquedo com uma pedra amarrada na extremidade de uma linha. f. ± Bolo feito de mandioca ralada. m. m. ³Nem vai falar com ele porque ele tá bodado desde ontem´. ³Cara. ± Ferida causada pelo parasitismo de insetos. BORIMBORA interj. do qual emana fosfato de hidrogênio pela decomposição de sub stâncias animais. ³Aceita o troco de bombom. BIBOCA s. ± 1 Botão. BICHEIRA s. ou santelmo. ± Implicante gratuito. ± Pequena guloseima de consistência firme. ³Vai no Hospital Tropical. BORDUNA s. ± Diz-se da pessoa com um corpo bonito. Dá para passar por baixo da borboleta do ônibus´. ± Desmaio. não?´ ³Não mexe aí! Quebrou! Bonito pra tua cara!´ BORA exp. de cinema etc. ³Ai. é um camarada muito bicheirento. BODOZAL s. moço?´ BONITO PRA TUA CARA! exp. Em Manaus. há os ensaios conhecidos como currais do boi. f. mal-estar. ± Usado no sentido de ³Tu não tens vergonha do que tu fizeste. Eu sou tua mãe e já decidi que vai ser assim´. ± Lugar esquisito. ³A gente não tem mais nada a fazer aqui. BOITATÁ s. bom para caldeirada. ± Objeto de barro feito para guardar água.BATELÃO s. f. ± Mito amazônico cujo nome significa ³coisa de fogo´. v. adj. Muito bom. ³A dona Maria faz um bobó delicioso´. ³Demorou porque eu não tenho computador e tive que bater à máquina´. zangado. depois da bola. na realidade o fogo -fátuo. Esperei. ³Bora dar uma volta?´ BORA VER« loc. m. ± Amuado. ± Carne do pulmão de boi. Parece o Conde Drácula´. ± Festa realizada em Parintins em que se enfrentam dois bois. f. f. BOMBOM s. pelo fogo ou pelo medo. submisso. m. ³A onça é um bicho traiçoeiro´. ± Vamos embora. ³Será que tu podes bater uma caixinha pra tua irmã? Estou afinzão dela´. em tupi. ³Ô menino birrento esse Douglas! Não faz as coisas só para implicar´. Nunca vi igual«´. filho do Basílio. v. f. v. f. m. 2 Adj. gente do interior. ³Se tirar os biributes dali. f. BERIMBELO s. m. m. ³Rapaz. verruga. ³Minha sogra adora bater perna no centro´. ± Penetra. feita com calda de açúcar aromatizada e acrescida de corantes. m. ³Lá no bodozal onde ela mora não tem nem água e nem esgoto´. em forma de uma sucuri. m. ± Coisas penduradas. BOLA s. BOLE-BOLE s. ± Andar muito. BICHEIRENTO adj. ³O André tem um biloto na orelha. Borimbora!´ . BOIÚNA s. id. BATER FOFO loc. ± Faltar a um encontro. Fiquei com medo de entrar lá naquela biboca´. ± Catraca de ônibus. m. esperei. menino?´ BENZEDURA s. ³O Zeca é bem-mandado pela mulher dele´. ± Barco de madeira para transporte de passageiros e cargas. ± Bairro pobre. m. v. m. que acontece no fim de junho. Já tá é batendo biela´. BERADEIRO s. BATER PERNA loc. m. ± Peixe cascudo. o Garant ido (Vermelho) e o Caprichoso (Azul). ± Beiradão. ± Datilografar. ± Mito amazônico da Cobra Grande. cansado. pega a rua do posto´. BOCÓ s. leve e fino feito com a massa da mandioca. ± 1 Animal em geral. m. f. BILHA s. m. m. ³O Júlio. BEIRADEIRO s. BENÇA s. O Boitatá é um gênio protetor dos campos: mata quem os destrói. descumprir algum acordo. ³Tira aquele berimbelo dali que dá´. ³Ele é pequeno. BIQUEIRA s. ± Bobo. m. m. v. vou dormir. ou de ingredientes com sabores diversos. BILORA s. m. BICHO s. ± Usado para referir-se ao fato de um papagaio (pipa) enroscar -se em outro. f. m. com o qual se disputa com o adversário para ver quem consegue romper a linha do outro. tá dando uma bilora em mim«´ BILOTO s. que faz virar as embarcações e engole pessoas. BATER CAIXINHA loc. disciplinado. ± Sujeito a bicheiras . m. BICÃO s. ± Benção. Gilson.

CABREIRO adj. ³Será que tem brecha de eu entrar na festa?´ BRECHAR v. Tadeu!´ CACURI s. m. dissolvido em vinagre. ± Botijão de gás. ± Tigela que recebe a seiva da seringueira. ± Peteleco dado com o dedo na orelha de alguém. ± Pessoa. Com a polpa preparase também sorvetes e doces. BRECHA s.BOTAR BANCA Exp. ± Objeto imprestável ou de uso duvidoso. ³Mano. BREAR v. ± Puxar de uma perna. CABOCA s. ³Cara. ± Colar. ± Pum sem ruído. ± Masturbação masculina. ³Cuidado que a correnteza aqui é braba´. de coloração amarela. CADUCAR v. ± Acariciar criança nova com carinho. cara. f. ³Cacoete feio esse de falar piscando os dois olhos. pode ser utilizada para a confecção do ³vinho de buriti´. BRABO adj. ³Estou de olho naquela cabrocha ali´. eu costumava brechar as empregadas lá de casa tomando banho´. ± Sentido. ± Virgem. m. como é que pode?! Tu ficaste com aquele bucho. m. ± O hímen. hein!´ CACHULETA s. id. ± Se fazer de importante. BROCADO adj. ³Alguém soltou uma bufa! Tá podre aqui!´ BUFUNFA s. ± Mania. ± 1 Víscera de peixe. CABOCÃO s. Marta. f. . BRINCANTE s. m. ± Valente. f. grana. ± Recipiente usado para armazenar ou transportar água. ³Esse moleque só vive trancado no banheiro batendo bronha´. mas confesso que não entendi bulufas´. Toni. ± Armadilha de pesca. m. BULUFAS s. CABROCHA s. ³Vai limpar a dispensa. ± Pequena lagartixa caseira. m. mano?´ BUCHUDA adj. m. ³Quando eu era pequeno. f. ± Troço velho. ³O cara é cagado! Ganhou duas vezes na loteria!´ CAGAR O PAU exp. ± Teimoso. BUCHO s. ³Essa aí tem cara de que já perdeu o cabaço´. m. ± ³Onde está?´ Existe a variação Quede? CADILHO s. ³Pega a outra botija pra mim que essa aqui acabou´. Uma planta adulta chega a pro duzir mais de 600 frutos em cada cacho. CADÊ adv. Cadê a bufunfa?´ BULIADO adj. ³Vai lá. que ninguém consegue fazer mudar de opinião. CABIDELA s. Tira aqueles cacarecos e joga fora´. bebida altamente energ ética. ± Alguém que não se comporta direito. Provável corruptela de víbora. É o sexto«´ BUFA s. ± Arredondado. BOTO s. ± Olhar pela brecha. ³Aí o caboco chegou lá e falou um monte de coisa´. ± Grávida. ³Vamos almoçar que a broca está comendo o próprio estômago´. m. ³A professora explicou pra caramba. m. f. sujeito. CABAÇA s. ³É melhor pegar aquela mesa buliada. ± Cetáceo dos rios amazônicos. Expressão usada quando não se conhece o sujeito de uma ação: ³Foi o boto«´. ³Não joga bola aí porque tem uma casa de caba bem nessa árvore´. ± Dinheiro. hein!´ CACHINGAR v. CACARECO s. m. BREGUEÇO s. ± Coisa nenhuma. m. f. ³Não tem um centavo no bolso e não quer ajuda« vai botar banca assim lá na baixa-da-égua!´ BOTIJA s. BRECHEIRO s. ³Essa história de viajar sozinha com o namorado não tem cabimento´. Liniker! Todo cabocão o cara. tô brocado! Vamos comer um x-caboquinho?´ BRONHA s. meu!´ CABOCO s. menino! O que que tu tens dentro dessa tua cachola. ± Cozido de galinha feito com o sangue da ave. m. CACIMBA s. ³Brincando com álcool e fogo de novo. ± Chance. f. ± Ver Ficar de bubuia. BUBUIA s. CABEÇA-DURA adj. estragar tudo. muito forte. espionar. ³Pára de falar alto. ³Que aluno mais cacete esse. f. ± Maçante. né?´ CAGADO adj. estourado. ³Tem de tirar o bucho pra comer o peixe´ 2 Mulher feia. m. ³Tava tudo dando certo. m. ± O buritizeiro é uma das mais vistosas e bonitas palmeiras da flora amazônica. BROCA s. ± Poço de pouca profundidade. f. Voyeur. Conhecido por lendas que diz em ser o ³boto´ o responsável pela gravidez das garotas ribeirinhas. mamíferos e répteis. f. ± Desconfiado. ± Espécie de vespa cuja ferroada produz dor e febre. CABIMENTO s. Os frutos são colocados de molho por 24 hors pra soltarem a película cor -de-vinho que os envolve e então a polpa. ± Fome. ± Pessoa com fome. BURITI s. C CABA s. CABAÇO s. ³A Fabi está buchuda de novo. f. ³E tu ainda guardas esse bregueço?! Joga fora isso. m. ± Mulher. ± Sortudo. Aí o Junior gritou e cagou o pau!´ CAGA-RAIVA adj. m. colocar alguma coisa a perder. ³Cadê o pai dela? Tá bem lá caducando com a menina. ³Quebrou o vaso« agora tem que brear antes da mamãe chegar´. ± Fazer algo mal feito. f. ± Folião do Boi-bumbá. aproveita que ele está distraído e dá uma cachuleta nele!´ Ver Plets. ³Aqui está a farinha. f. ± Quem gosta de brechar. A quadrada é perigosa pros meninos´. menino!´ BRIBA s. CACETE (ê) adj. dar mancada. ³Aí nós fomos pra festa ver se a gente arrumava umas cabocas pra passar a noite´. CABAÇUDA adj. id. CACOETE s. ± Mulher de raça cruzada e cabelos lisos. importuno. ± Cabeça. CACHOLA s. ± Neurastênico. f. ³É melhor a gente parar porque teu marido já está cabreiro´. em que a água mina de uma fonte próxima. ³O pai da menina é o maior caga-raiva da paróquia´.

rodete. m. ± Pessoa. própria para refrescos. CAMBADA s. ³Ele veio pedir meu carro emprestado na maior cara -dura´. VerTaberebá. CALDO DE CARIDADE s. CAPACHO s. m. pimenta -do-reino e sal para dar sustança ou tirar ressaca. ± Galo. ³Eu moro na Av. ± Ir embora. f. antiescorbútica (que serve para curar a doença escorbuto -carência de vitamina C. CAMISA DE MEIA s. CALAFATE s. ± Caldo feito com farinha branca. m. O fruto é arredondado. ± Capim de beira de rio ou lago. ³Chegou com o presente dela do dia do namorado e ela tava beijando outro. ³O irmão dele é uma alto. CALAFETAR v. ³Será que ela não melhora se der um caldo de caridade?´ CALIBRADO adj. todo cangulão´. CARA-DURA adv. CAMIRANGA s. ± Ficar perplexo e surpreso. com a parte inferi or do caule freqüentemente submersa. geralmente com um pedaço de madeira que sobe e desce. Acho que vou capar o gato´. ± Vencer num jogo com grande margem. m. CAIXA-PREGO s. caipirinhas. CAPAZ! interj. O coitado ficou com cara de tacho´. Ela mora lá na caixa-prego´. cujo poder adstringente pode prender o intestino. estimulador do apetite. cor variando do verde ao amarelo. ³Essa festa não tá com nada. f. ± Pessoa que tem os pés para dentro ou as pernas arqueadas. ³Não quero mais te ver andando com essa cambada de vagabundo que não quer estudar. ± Mau-humor. molecada!´ CAPITÃO s. ervas. CALUNDU s. ± Brinquedo feito com um pedaço de cabo de vassoura e um prego com a cabeça lixada no asfalto na ponta que se joga no barro como um dardo. cara. ovos. de tintas e ainda limpar metais. id. tinha um monte de moleque roubando goiaba. ³Hoje a Alice está de calundu´. ± Bolinho de comida amassada comido com a mão. rica em sais minerais (cálcio. erigindo as espinhas nas suas guelras e de lá saindo só após muito esforço ou ação de bisturi. ± Lugar distante. ± Portão simples. ± Bando. CARAMBOLA s. ± Boi-bumbá de Parintins. caule com casca lisa. v. CANGAPÉ s. m. . é utilizad a como antidesintérico. CANOA s. a carambola é considerada uma fruta febrífuga (que serve para combater a febre). O Azul. CAMU-CAMU s.CAIR NA BURAQUEIRA exp. CALDEIRADA s. ± Urubu. 2 Peça principal do aparelho de ralar mandioca: um cilindro de madeira ao longo do qual se adaptam serrilhas metálicas. Flores brancas. ± Quem faz ou quem comanda a canoa no rio. ± Dinheiro miúdo. Polpa aquosa envolvendo a semente de coloração esverdeada. Frutifica de novembro a março. muito suculenta. buracos ou fendas de uma embarcação). ralho. ± Fruta de sabor agridoce. Aparece predominantemente ao longo das margens de rios e lagos. ± Peixe intruso que se entranha nos orifícios humanos. ± Vedar com estopa alcatroada (as junturas. ³Me dá um cheiro no cangote?´ CANGULA adj. de sabor acido -adocicado pronunciado. Cheguei lá e gritei: Capina! Lava! Lava daqui! Saca. CALOMBO s. CARAMINGUÁ s. m. confeitaria. ± Parte posterior do pescoço. 2 Papagaio penso. m. CAPAR O GATO loc. CANCELA s. m. ± Na cara-de-pau. de coloração avermelhada quando jovem e roxo-escura quando maduro. f. CAQUEADO s. troncho. m. zanga. CANHÃO s. ± Embriagado. m. s. f. carro novo« eita que eu vou é cair na buraqueira!´ CAIR PRA TRÁS exp. Folhas avermelhadas quando jovens e verdes posteriormente. ± Mulher feia. m. lisas e brilhantes. ir para a farra. ± Prato regional fei to com peixe. Sua casca. por possuir alto teor de tanino. ± Profissional que veda ou fabrica embarcações de madeira. CANDIRU s. ³Quebrei a lâmpada e meu pai me deu o maior carão´. CARA DE TACHO loc. m. f. ± Esquina. ± Um jeito especial de fazer alguma coisa. m. m. CAJÁ s. m. com uma das extremidades conformada em roldana de gorne para a passagem da correia ou corda que imprime a rotação. ± Até parece! ³Ele disse que vai me levar com ele?! Capaz!´ CAPINA! LAVA! SACA! interj. é usado para tirar manchas de ferro. ³Pô! O cara é cheio de caqueado para trocar o pneu´. CAMARADA s. sendo ainda usada pela medic ina popular no tratamento de afecções renais. Seu suco. f. m. hematoma. CANGOTE s. fósforo e ferro) e contendo vitaminas A . m. CAPOTE s. temperos e condimentos. ± Embarcação para transporte nos rios. ± Camisa de malha. C e do complexo B. aromática. ± Esporro. ³Tem uns caraminguás aí pra eu comprar o jornal?´ CARÃO s. ³Ganhamos de capote! Querem de novo?´ CAPRICHOSO s. CANARANA s. id. ± Desapontado. CANOEIRO s. ± Cair na gandaia. legumes. ³Vou te contar uma que tu vais cair pra trás: o Zecão é baitola´. sair. m. protuberância inflamada. ³Aí o camarada disse que não sabia de nada´. aromáticas. ± Arbusto de pequeno porte. ± 1 Desengonçado. aglomeradas em grupos de três a quatro . CAITITU s. m. devido à grande quantidade de ácido oxálico. m. além de possuir um delicioso sabor. e que se caracteriza pela tendência a hemorragias) e. m. ³Babita no bolso. m. CANTO s. turbinado. dependendo do grau de maturação. m. ± Fruta tropical. ± 1 Pequeno porco-do-mato. f. know-how. ± Sai fora! ³Quando eu olhei. ³Para chegar lá temos que pegar três ônibus. João Queiroz canto com a Rua H´. podendo atingir até três m de altura. meu filho!´ CAMBOTA adj. ± Pessoal servil.

± Músculo dolorido. Passou o dia jogando bola e tá com dois cordões de ceroto no pescoço. ± Feder. CAUXI s. m. CASCALHO s. ela deu um chilique dizendo que era juíza. notoriedade. Como ele sabia que tava errado. Vou ver se eu passo o checho nele´. ± Conversa mole. ³Pegou fogo na casa da vizinha. m. m. ± Mistura de farinha. CARNEGÃO s. ± Chibatada com cipó.CARAPANà s . ³Tu é lesa. f. ³Chegou quatro da manhã. cheio de presepada desnecessária. ± 1 Desmaio. m. ± Com tudo. ± Acúmulo de sujeira na pele por falta de banho. Armstrong! Não passou desodorante hoje. ± Sujeito afetado. ± Expressão de espanto. ³Quando eu vi a freira estava beijando o padre. m. ± Proveito. que foi pouco cozido. COCORUTO s. ± Óleo diesel. ± Planta esponjosa que causa coceira. f. seu nojento. ± Roubar. ± Bêbado. chapadaço´. COBRINHA s. COMER ABIO/ABIU loc. m. ³Nem vem cartar comigo. comeu abiu e não disse nada´. m. ostentando arrogância. Acha que eu vou dar esse cartaz para ela?´ CARTEIRA s. m. bêbado ou sob o efeito de narcóticos. m. ³Vou lá pra festa par ver se pelo menos tiro uma casquinha de alguém´. que comigo tu danças´. Tua venta tá cheia de cataraca´. ± 1 Tirar piolho. CHEIRO-VERDE s. ³Viu o chagão que ele levou?! Caiu sentado!´ CHAPADO adj. CASCUDO s. id. ³ Tem 40 anos e não casou. ± Drible rápido e desconcertante no futebol. metido a gostoso. 2Showzinho ridículo em público. CASCAVIAR v. ³Se o cascalheiro passar. Nem a besta-fera consegue comer isso´. m. COÇA s. COMO JÁ ENTÃO?! exp. m. ³Meu filho levou uma pedrada no cocoruto que levou dois pontos´. ± Meleca. ³Come direito« depois fica dando chilique aí´. f. ³Fui ao médico sarjar o carnegão ontem´. ± Coisa muito boa. COMER COQUINHO loc. meu!´ 2 De porre. arrebentando o carro todo´. COLORAU s. ³Joguei futebol ontem e fiquei com a carne magoada´. ³Deixa de cerca-lourenço e diz logo o que tu queres comigo´. COMBUSTOL s. ± Cheiro forte. adv. ± Que eu até. CATAR v. COCOROTE s. v. Tá no caritó´. ± Ver Cascudo. CHOVE-NÃO-MOLHA s. CARNE MAGOADA s. fama. f. travosa. ³O ladrão entrou aqui e carregou tudo«´ CARTAR v. m. Expressão de exagero e alopro. ± Beiju. 2 Maço de cigarros. no sentido sexual. ± Pequeno papagaio (pipa). ± Pequena embarcação usada para fazer travessia em riachos urbanos. 2 Pessoa difícil. id. ± Lugar onde ficam as solteironas. CARREGAR v. água e açúcar. ³Daqui a gente sente a catinga do igarapé poluído´. ³Pô. m. m. ³Se fizer isso vai levar uma coça de mim´.³Essa galinha tá mais dura do que carne de tetéu. ± Fila. CASQUETA s. Drible da vaca. ± O olho do furúnculo. CEMITÉRIO s. ³Mãe. ³A tia Yá disse que a cobrinha lá no hospital tava dobrando o quarteirão´. CEROTO s. ³Como já então?! Assim de repente?!´ . é? Parece que comeu coquinho´. chama que eu quero cascalho´. Como não deixaram. ± Forte pancada na cabeça de alguém (quase sempre em crianças). ± Procurar a fundo. ± Fugir. CHIRRADO adj. sem ir direto ao assunto. m. f. ³Vou nadar aqui não. ³Rapá. CATOMBO s. COLHER (ô) v. ³É melhor a gente parar de se ver porque minha mulher já tá cismada contigo´. m. m. não. ³Teu caso. f. ³Aqui tá cheio de carapanã!´ CARITÓ s. CHIBATA adj. o filme é chibata! Vou ver de novo!´ CHIBÉ s. ± Recolher a linha quando se está empinando papagaio. CASQUINHA s. Foi entrar na garagem e pisou no acelerador ao invés de pisar no freio. m. ± Renome. CATINGAR v. ³Ela quis furar a fila. f. CHECHO s. CATARACA s. CHEGA EU« exp. ³Vamos jogar cemitério?´ CERCA-LOURENÇO s. v. Tá cheio de cauxi nesse igarapé´. m.´. cipoada. ³Vai tomar banho.´ CHAGÃO s. posso fazer chibé pra merendar?´ CHILIQUE s. f. ³Não vou pagar aquela encomenda que ele me trouxe. CISMADO adj. Grandes coisa!´ CHINFRA s. ± Exibir-se. CHISPAR v. CATINGA s. id.³A Luciana estava aprendendo a dirigir. ³A diretora da escola onde eu estudo é a maior carne de tetéu´. ± Desconfiado. ± Ficar burro. Aí entrou com borra e tudo na garagem. tá na casa do sem jeito´. filho. vai te sentar na tua carteira para gente começar a prova´ . ± O alto da cabeça. menino. CASA DO SEM JEITO loc. Chega eu fiquei pasmo!´ CHEIO DE CAQUEADO exp. 2 Movimentar o papagaio para cima e para bai xo até que ele suba até a altura que se deseja. f. ³Vai lá e traz duas carteiras de Carlton pra mim´. m. ³Eu falei o que tinha pra falar. ± Ficar calado quando a situação é inconveniente ou desagradável. ³Eu nem ligo pro que ela diz. ± Vidro moído aplicado com cola nas linhas dos papagaios com o intuito de cortar o papagaio advers ário. ³Vai ou não vai? Fica aí nesse chove-não-molha que irrita!´ CIPOADA s. m. ± Pisa. ³Se tu cascaviar tu achas a prova de que ele está te roubando´. ³Vai lavar essa cara imunda. ± Cheio de invenção. ± Ver Calombo. c om o dedo médio dobrado. m. ³Ele fez besteira e a mãe largou a cipoada nele´. ³Aline. ± Caso perdido. ± 1 Mesa escolar. CEROL s. ± Pernilongo. não. ³Colhe rápido antes que a chuva chegue´. COM BORRA (E TUDO) exp. id. m. ± Jogo de queimada. ± 1 Com cecê. correr. CARTAZ s. ± Maço de coentro e cebolinha. não? Tá chapado. ± Indecisão. peia. ± Calote. CATRAIA s. CARNE DE TETÉU ± 1 Qualquer alimento não macio. ± Pó vermelho feito de urucum para dor cor à comida. ³O cara chegou aqui cheio de caqueado dizendo que fazia e acontecia e não fez foi nada´.

também conhecido como papa -terra. não foi coada. ± Dim-dim. f. ± A massa de mandioca mole que. ± Ver Cascudo. ³Levantei uma curica hoje só pra brincar´. m. Pertencente à família das esterculiáceas e ao mesmo gênero do cacau-verdadeiro. ± Expressão que indica alguma coisa que não se resolve. curumim. acaba e volta. ± Ventinho forte na madrugada. CUIDAR v. m. ± Pessoa que se faz de muito difícil. m. segundo a crença popular. ³Tô precisando de umas cruzetas pra guardar essas blusas´. m. ± Buraco feito no chão para que se possa pôr lixo e aterrar. ± Ferida. pele escura e os pés às avessas. CRICRI adj. f. como. limpa da polpa. ± Homem que manda na região. tocar com a ponta de qualquer objeto. ± 1 Cabide. Referido desde o séc. ³Quer e diz que não quer. m. que passou a ser cultivada em quase todo o Brasil. Ninguém deu a menor bola pra ela´. f. habita as florestas e é o protetor das plantas e dos animais. que se perdem nas florestas. pedante. f. CORTAR A CURICA exp. m. em lugar das sementes de cacau. caduco. As folhas. ³O braço dele é cotó. ³Deixa de ser cricri. CORTAR E APARAR exp. CRUZETA s. m. XVI. o Tacacá.CONTRÁRIO s. o cupuaçu recebeu no passado nomes como cacau -do-peru e cacau-decaracas. o Curupira é descrito como tendo a estatura de um menino. ± Falar mal de alguém. f. ³Queria sair hoje. m. mas meu pai cortou e aparou minha curica´. id. ao sair do espremedor (tipiti). ma s flexíveis. f. ± Expressão que indica que alguém acha que está chamando a atenção e não está. ³Ela entrou crente que tava abafando com aquele vestido rosa. COSCA s. CRUVIANA s. CORONEL-DE-BARRANCO s. ± As sementes de cupuaçu. xeretar. COURO DE PICA exp. cortei e aparei a curica dela´. menino. ³Cuida. f. Os galhos são longos e grossos. ³Rapá. CURRIOLA s. adaptando um costume indígena. id ± Humilhar ou diminuir de certa forma. ³Pára de me cutucar! Não adianta que a fila não anda!´ CUVÃO s. id. A copaíba fornece o bálsamo ou óleo de copaíba. CUNHANTÃ s. sendo empregado como antiinflamatório natural. CUSPIR v. ± De avançada idade. suas pegadas enganam os caçadores e seringueiros. ± Surrado. ± Faltando um pedaço. o cupuaçu é uma árvore de porte médio. ± Bater. m. f. ± Peixe que se nutre de vegetais e lodo. ³Não adianta que não vai. vocês ficam aí só me cortando. um líquido transparente e tera pêutico. senão a gente vai chegar atrasado´. Usado na região do Alto Solimões. COTÔCO ± s. serve de recipiente para líquidos. D . prestam-se à fabricação de chocolate e já foram utilizadas para esse fim. ³Pra resolver as coisas mesmo tem de falar lá com o coronel -debarranco da área´. m. CURIAR v. ± Árvore da qual se extrai um óleo com propriedades medicinais. CRENTE QUE TÁ ABAFANDO exp. ± Espécie de papagaio (pipa) pequeno e sem tala (palitos da armação). f. ³O cuirão passou aqui zimpado!´ CUNHÃ s. viscoso e fluido. Do tupi curóca. menino. COROCA s. ± Ser fantástico que. gente besta. nacional e internacional. CORTAR v. mesmo em noites quentes. Já disse que depois eu te conto o segredo´. ± Espanar a rosca. CURUBA s. por exemplo. mulher?´ CURIBOCA s. ± Apressar-se. de sabor amargo com uma cor entre amarelo até marrom claro dourado. nativa da Amazônia. CUTUCAR v. por ser dura e embolada. ³Cheguei lá na festa e tava cheio de curumim«´ CURUPIRA s. muito grandes. O us o mais comum é o medicinal. ± Matar a intenção no nascedouro. os seringueiros e caçadores. fazem oferendas de pinga e fumo. ± Bisbilhotar. f. m. isto é. ³A polícia descobriu uma cruzeta do governador com a empreiteira´. Foi um acidente´. O óleo da copaíba é um líquido transparente. tô com uma curuba coçando pra burro!´ CURUMIM s. COURO QUENTE loc. o óleo de copaíba é bastante procurado nos mercados regional. tu vais dormir de couro quente´. ³Quem essa é essa cunhantã já?´ CUNHÃ-PORANGA s. CURITE s. ± Mulher bonita. Por esse emprego. f. ± Garota. ± Ver Alcoviteiro. Parte do imaginário do Boi-bumbá de Parintins. chegam às vezes a cinqüe nta centímetros de comprimento. não ata nem desata. 2 Falcatrua. CUIRÃO s. mas eu. ± Mestiço de branco com índio. CUPUAÇU s. m. CURICA s. ³Pára que eu tenho cosca aqui no sovaco´. Alguns aproveitam para fazer mingau. f. ± Menino. ³O noivado desses dois é igual a couro de pica. CU DOCE s. ± Gesto de xingamento que envolve fechar a mão e esticar o dedo médio. Essa porca tá cuspida´. COPAÍBA s. m. ± Cócega. o parafuso. O curupira também faz as pessoas se perderam imitando gritos humanos. f. id. volta e acaba´. adv. COQUE s. CURIMATÃ s. por seu alto teor de gordura. né?´ CORTE s. ± Fruta cuja casca dura. ± Garoto. ± Denominação dada ao boi adversário e a seus torcedores no festival de Parintins. como um bom marido que sou. ³Minha mulher queria pular carnaval. Pelas propriedades químicas e medicinais. f. COTÓ adj. ± Turma de amigos. ³Eu moro com minha sogra. ± Pedaço de tecido para fazer roupa. que é a seiva extraída mediante a aplicação de furos no tronco da árvore até atingir o cerne. que já tá meio coroca´. É imprópria para a fabricação da farinha. CURERA s. ³Quando eu dou as costas. exceto nos estados do sul. CUIA s. ³O que tu tá curiando aí. m. É comum encontrar o suco e o creme de cupuaçu. P ara não serem incomodados. É o maior cu doce que eu conheço´. CUVITEIRO s. com os calcanhares para frente. ³Se não sossegar. ± Pessoa muito chata. ± Mulher.

± Transferir-se para outro lugar com todos os pertences. ³Ele saiu antes dela chegar. f. id. ³Vou aqui de repente e volto já já´. ± Ato de cutucar o bumbum de alguém com o dedo. DAR O PINO loc. eu vou dar o grau nele´. luxar. ± Indica algo ruim em intensidade. ± Fazer o retorno com o automóvel. id. id. ³A Rudervânia descansou ontem. m. de ouvidos bem atentos. Alguém deu o bizu pra ele«´ DAR O GRAU exp. Deixou o marido mesmo´. dar o toque final. ³Essa fila tá tão grande que não dá nem para saber quem é o derradeiro´. m. ³Eu gostei da tua mãe. id. postergar algo. id. ± Sair sem pagar a conta. Preciso puxar o dedo´. DAR DE COM FORÇA loc. DEBOCHAR v. ± Ir embora. DESCONFORME adj. ± Cara-de-pau. ³O calor tá de lascar´. Esse teu cerol é do colhe ou do descai?´ DESCANSAR v. ± Indica um curto espaço de tempo. DEDADA s. adj. ± Cair a pele. adv. Égua do menino danado!´ DANÇA DE RATO E SAPATEADO DE CATITAloc. ³A prova foi de lascar. ± Mingau de mamadeira. arrumar. ³Ela foi de mala e cuia pra casa da mãe. ³Quando eu olhei. escangalhar. id. ± 1 Dar seta no carro. ± Correr. adv. DAR O BIZU exp. semelhante ao cheiro do sangue de origem uterina que ciclicamente a mulher expele. Gosta de um papo. ± Dar sumiço. DE COM FORÇA loc. DE VEZ loc. ± 1 Fruta quase madura. ³Eu dei uma carreira. pode acreditar´. adv. enguiçar. de rocha. v. ± Aparecer. ± Distribuir algu ma coisa jogando para o alto. DESCAPELAR v. ³A Jaqueline é uma mulher muito desbocada. DENTRO DA GARAGEM loc.DADAU s. ³A chuva de ontem à noite foi desconforme´. ³A chuva foi tão forte que água veio de com borra pra cima das casas´. v. Dá até vergonha!´ DESCABAÇAR v.´ DE LAVADA loc. tu vais te dar mal. ± Gostar muito. v. ± Ser muito superior. ³O São Raimundo ganhou de lavada do Flamengo ontem: 5 x 0!´ DE MALA E CUIA loc. ³O meu carro dá de mil no teu´. parir. id. ± Ser esperto. ± Ir rapidinho em um lugar. m. que não gosta de banho. id. id. adv. ± Faceirice. ³Essa aí adora debochar das desgraças dos outros´. DE LASCAR loc. DAR DE« loc. ± Avisar. destroncar. DESCARGA s. DADO adj. É uma menina´. 2 Pra sempre. ela já tinha dado no pira´. indicando que vai fazer a curva 2Mandar notícia. DAR NO PIRA exp. adv. zombar. demais. DE BODE loc. exalar um cheiro muito forte. o filha da mãe chegou e me deu uma dedada´. ± Com certeza. DAR A CARA A BOFETEexp. ± Fazer bem feito. ³Todo mês essa mulher diz que está doente. ± Ter neném. ± Escarnecer. id. ³Mãe. ± No rego da bunda. ³Ficou de conversa e quando deu fé já era meia-noite´. ± De cócoras. DESEMBESTADO adj. ³Discai se não ele vai ter cortar na mão. ³Tava na fila. ³A saia dela tá toda dentro da garagem´. adv. ± Desvirginar. ± Dar-se conta. DAR O MAIOR VALOR exp. ³Deixa de dança de rato e sapateado de catita e vai logo tomar banho que é melhor´. mas ele me deu um chagão que eu caí de bunda no chão´. ³Cuidado com o Jurimar. ± Deslocar. m. ± Descontrolado. ³Ela foi embora de vez pro Rio de Janeiro´. DAR UM CHAGÃO exp. ³Fiquei esperando a noite toda e ela não deu nem as caras´. DERRADEIRO s. v. DE MUTUCA loc. DAR BOLO EM CATITA exp. DAR PREGO loc. ± Que fala muito palavrão. s. eu vou dar um pulo aqui na taberna e volto já!´ DAR UMA CARREIRA exp. ± Dar confiança. DAR AS CARAS exp. ³Ele jogou os bombons de piruada´. DANADO adj. DE PRIMEIRO loc. DESMENTIR v. DESCULPA ESFARRAPADA loc. adv. ³Eu dou o maior valor pras músicas da terra´. ± Endiabrado. DAR O BALÃO exp. ± Soltar a linha quando se está empinando papagaio. malcomportado. ³É bom ficar de mutuca na conversa dessa menina«´ DE PIRUADA loc. DESBOCADA adj. cínico. DAR UM PULO exp. adv. hein!´ DAR TRELA loc. O cara dá bolo em catita. agora estou descapelando´. DENGO s. ³O fusca dela deu prego de novo´. DAR CORDA exp. DESCAIR v. antes. ± Grande. ³Antes de vender meu carro. ³Esse menino não sossega. ± Escapamento. v. ³Eu vou aparecer lá. ³Acho que desmenti meu dedo jogando bola ontem. ³Cuidado para não queimar a perna na descarga da moto´. v. DAR SINAL loc. adv. DE REPENTE loc. mas está mesmo é de bode!´ DE COCA loc. pegou. estilo quem pegar. ± Quebrar. ³O doido matou a mulher e depois deu cabo do corpo´. ± Esquivar-se. adv. dar atenção. DE ROCHA loc. ± Dar corda. né? Ela é muito dada´. Fica esperto!´ DAR CABO exp. ± Desculpa mal fundamentada. ³Olha lá o Jaime! Tá dando de com força no bolo!´ DAR DE MIL exp. Agora que ficou famoso nem olha´. DE COM BORRA loc. adv. dar confiança. ³Ele saiu daqui desembestado quando soube que a casa dele tava pegando fogo´. id. ± Alguém de fácil trato. ± Menstruada. ± Enrolar. ± Atacar. id. caprichar. ³Peguei muito sol. v. A associação vem do fato desse caprino. ³Não dá corda porque depois tu vais te arrepender´. DESCARADO adj. Dá sinal de vida. se mandar. mas consegui pegar o último ônibus´. ± Expressão que indica intensidade. desconjuntar. ³Fui correr atrás do Rato. id. . ± Apostar. ± Antigamente. ³O senhor dá o balão depois pega a segunda à direita no sinal´. DAR FÉ loc. ³Se tu deres trela para o Ariovaldo. ± Ver De com borra. ³Não fala assim manso com ela que ela fica cheia de dengo´. id. Esse cara é pilantra´. ³Boa viagem. adv. ³De primeiro ela falava comigo. v. em excesso. adv. ± O último. ³Dou minha cara a bofete se ele trouxer o que ele prometeu´. ± Começar a« ³Agora ele deu de sair tarde todo dia´. ± Ligado na conversa alheia. ± Com grande vantagem.

ENCASQUETADO adj. E OLHE OLHE! exp. da minha altura. ± É pouco. id. EMPINAR v. Ê. mas tá toda distiorada«´ DJÚCU adj. ± Impressionado. ³Tava descendo do ônibus quando minha sandália enganchou na escada´. Melhor que qualquer uma´. Tá coçando demais !´ EMPOLADO adj. ³Cuidado com esse menino que ele é fogo!´. id. ³Não vou nem falar com ela que hoje ela está um entojo só´. ³Não acredita em mim? Então pronto! Faze r o quê?«´ ENTOJO s. ³Tu tá me empaindo toda. ³Nem fala com ela que hoje ela está do trisca´. Cuida!´ EMPANZINADO adj. ± Chateado. caroços. ENCANGADO adj. adv. nojo. desarrumado. ± Expressão que indica fim de argumentação. ³Destroca essa nota de cinqüenta pra mim?´ DIN-DIN s. ± Micose. ± Metido onde não é chamado. ³O Cara ficou todo desmilingüido quando eu falei que sabia de tudo´. ± Enjôo. m. Aquilo ali é uma cabeça gigante´. ± Meter-se no meio de. ± Enrugado. ³E eu lá sabia que essa cerveja era da festa? Bebi sem saber«´ É FOGO! exp. . Totó (Coari). EMPACHADO adj. m. adv. né?´ ³Grande é apelido. ± Deteriorado. f. ± Travado. ± Expressão para eximir-se de culpa. com a pele irritada. ± Cheio. atrevimento. ³Quando ela viu o pai atrás dela. ³A mulher dele não deixa ele sair sozinho. Ela é fogo. Cólica no baço. que não anda ou não cresce. DO TEMPO DO RONCA loc. adv. adj. admiração. Miau (Itacoatiara) DISQUE ± Contração de diz-se que. ³Eu não estou brincando. ± De verdade. Todos os meus alunos andam tão desplanaviados´. EMBRENHAR v. ³Ele só faz dois abdominais e olhe olhe´. ENFEZADO adj. rapaz. ENXERIDO adj.DESMILINGÜIDO adj. Consta-se. ± Virar de ponta a cabeça. ela se embrenhou no meio da mata e sumiu´. ± Alguém cheio de orgulho. ³Eita porra! Pra que tanta farinha no prato?!´ EMBANANADO adj. ENFIADA s. ENCRUADO adj. ³O carinha enjoado pra fazer negócio«´ ENTÃO PRONTO! exp. ³Ajuda ele lá que ele tá todo embananado´. ± Metido a besta. ³Putz! µmorcegar¶ é uma palavra do tempo do ronca´. apostar sem valer. caroço! Foi por pouco«´ ÉGUA! interj. ENGILHADO adj. DOR DE VEADO loc. ³Vai bater! Putz! Ê. id. ± Usada quando alguém se safa por pouco de uma situação complicada . ± E olhe lá. ± Do meu tamanho. ± 1 Descer. ³Embioca aí senão ela vai te ver aqui´. ³Ainda estou encasquetado como é que ela saiu e eu não vi´. ± Ter ânsia de vômito. ³Ele ficou enfezado porque não atenderam ele direit o´. do meu top´. trancado. tu és chata e meia´. ³Os dois irmãos que chegaram são djúco. ³Vou para de jogar! Estou com dor de veado´. EMPOMBADO adj. ± Caboco. ENGÜIAR v. É dos vera´. ENCOSTO s. Não estou dos brinca. Tomou um susto: ³ égua!´ Alguém faz algo que você não entendeu: ³égua«´. EMBIOCAR v. ³Quando eu vi o rato morto. m. desmotivado. EITA PAU! Interj. id. ± Muito bom ou muito ruim. Possui variações dentro do Estado. Comeu muito ontem´. não. m. ³Ele é um cara louro. ± Expressão de espanto. ³Meu cunhado come demais. ³O Nirou não vai jogar bola hoje porque ele tá desonerado. ³Vamos ver se a gente consegue empinar o papagaio hoje?´ EMPINGE s. ³Tenho que arrumar um remédio pra essa minha empinge. maninho«´. o dedo fica todo engilhado´. ao que parece. ± Ver Empachado. ± Égua pode ser usado em várias situações. ³Fui comer muito agora estou empachado´. DO MEU TOP loc. ± Atrasar. djúco´. ³Quando a gente fica muito tempo na piscina. E EU LÁ SABIA« exp. ± Intromissão. ± Cheio de calombos. ± Desatento. ENGANCHAR v. Só vive encangada nele´. ³Aí o barco emborcou com o acidente´. ± Dor desviada. adj. ³Eu não sei mais o que faço. f. ENJOADO adj. ± Comilão. desajeitado. id. ± De brincadeira. DESPLANAVIADO adj. ³A tua irmã já fez a comida? Disque já´. ³Prova essa pimenta. ± Muito velho. ³Eu te perguntei alguma coisa? Então deixa de ser enxerida!´ ENXERIMENTO s. EMPAIAR v. ± Sem graça. A entonação faz parte do sentido. não. id. ± Enfeitado. ± Trocar o dinheiro em notas menores. estufado. m. sub. gabolic e. EMPATA-FODA s. DO TRISCA loc. ± Pessoa que anda agarrada com outra o tempo todo. DOS BRINCA loc. ± Atrapalhado. ± Pessoa que atrapalha os planos dos outros. m. arrumado. CAROÇO! Exp. DISTIORADO adj. EMBORCAR v. EMPERIQUITADO adj. ³Sai daqui« se eu te pegar eu te como de pancada. f. ± Fazer subir. ± Suco congelado no saquinho. ± Sensível. ± Com diarréia. hein!´ DOS VERA loc. ± Mais do que« ³Se ela é chata. DESTROCAR v. É conhecido como Flau (Parintins). ± Piolho-de-cobra. ± Quantidade de peixe vendida junta num fio. ± Ver Eita porra! EITA PORRA! Interj. ± Pessoa pegajosa. 2 Cair o papagaio em parafuso. eu engüei na hora´. O homem é uma draga«´ E «É APELIDO exp. DESONERADO adj. «E MEIA! exp. acabado. Vip (Ipixuna). Uma situação estapafúrdia? ³ Éééguaa. ± Engatar. ³Tu viste a cabeça do Fábio? É grande. ³Tem uma casa lá na Cidade Nova. EMBUÁ s. DRAGA s. ³Ela foi pra festa toda emperiquitada´.

não. ± Pedido de dinheiro. ERAS« interj. cara feia. ³Essa televisão está escangalhada. FAZER PEZINHO v. fecho Éclair. f. id. ± 1 Malvado. ESCALDADO adj. FAZER A CAVEIRA loc. vísceras e carne. fuxicar. ± Falar sem razão. fraco. ESCROTO adj. ± Ver Corte. ³Vamos ver quem faz mais pezinho?´ FECHICLER s. ³Ele trouxe pra festa a mulher. Se come com tudo. ± Usado para momentos de perplexidade. f. m. ³O Chico está escabreado com a mulher dele. ± Guloso. EXTRATO s. ³Ela tem uma flexibilidade. Gilvaney! Só tem essa!´ FARINHA s. f. ± Contador de histórias. ESPAÇOSO adj. FACULTÁRIO adj. ± Cabelo repicado. ± 1 E o resto. ± Aloprado. FAROFA-DO-CASCO s. ³Ela não gosta de mim. que perdeu tudo com a enchente´. ³Ela comprou um carro novo só para se enxerir´. FAROFEIRO s. maninha. ³Fiquei todo errado quando ela me pegou com mão na massa´. Foi de escalado´. ³Não vai sujar tua farda. esculhambação. FACHO s. m. deixa de ser espora« me empresta tua caneta rapidinho´. ± Confiado. ± Rir até não agüentar. pai da Sandy e do Junior. ³Ele vai no meu lugar um escambau!´ ESCANCARAR v. ³Poxa. ± Quebrado. ³Esse filme é muito fanta. maninho«´ ERRADO adj. comilão. v. ± Quebrar. chato. rir muito. Chega tarde toda noite´. FARINHA-D¶ÁGUA ± Tipo de farinha fina. ³Baixa o facho porque a gente não vai poder sair hoje. ³Contei aquela piada e aí ela se espocou de rir´. id. ± Desvirginar uma moça. ESTROMPADO adj. ESTOFADO s. ± Ver Escangalhado. v. ³Tu falas de barriga cheia! Pelo menos tu tens onde dormir e o coitado.´ ESTICADO adj. ³Ele não me engana. ralho. ± Esporro. f. ³Vou espiar a Mariazinha tomando banho´. ESCANGALHADO adj. ± Esperto. FALAR DE BARRIGA CHEIA loc. ³Vou dar um extrato da Avon de presente pra ela´.± Modo de se referir a alguém cujo nome é desconhecido ou que se quer denotar desprezo. de elogio. Me arrependi de ter vindo´.ENXERIR v. ESGALAMIDO adj. se dar mal. ± Animação. FALSIPAR s. Ela é muito espaçosa pro meu gosto´. Não dá mole´. ± Estourar. ³É melhor sair mais cedo porque daqui até lá é um estirão danado´. estalar. Yara! Tu vais espocar. ³O Xororó. FEZ FOI É exp. m. ³Ela não tinha nada que ir lá com o papai fazer inferno. id. FARDA s. ± Fofocar. ± Ferir. ESPOCAR DE RIR exp. FAZER HORA loc. ± Raiz da mandioca triturada e secada até fazer grão ou farinha grosseir a. malvada ou insensível. ± Farinha preparada com manteiga. ³A Ermelinda quer saber de tudo. ³Quando foi demitida. ³Ele foi pular o muro alto e se estrepou todo´. m. sem jeito. ± O que ele/ela fez foi. ± Espacato. de algo ou alguém muito bom. ± Falar mal de alguém. ESCAMBAU s. ele mata!´ FAZER MEUà exp. m. ESTAQUEADO adj. m. ± Olhar. ESTREPAR v. ³Deixei minhas ferramentas com ele e ele esbandalhou tudo!´ ESCABREADO adj. atrevido. às vezes. Usada para chamar a atenção do interlocutor. FANTA adj. ± Sofá. ESBANDALHAR v. ³Aquela professora é muito escrota. ± Uniforme escolar. ± Sem graça. ³Votou nesse deputado aí? Éraste. não´. ovos. pessoa invasiva. ³Ele trabalha de dia e de noite ele é facultário´. m. a palavra tem sentido positivo. Tem de mandar consertar´. ± Desconfiado. ³O cara não trabalha e vive de dar facada nos outros´. ± Fazer embaixada com a bola. ³Ele não foi convidado.± Expressão de surpresa. ± Ver Espaçoso. ± Embaraçado. gordura ou. Faz um espaguete que ficar retinha no chão´. FAZENDA s. sem funcionamento. enxerido. m. ± Abrir às claras. MANINHO! interj. geralmente para intimidar. mulher!´ ESPORA s. ESCULHAMBADO adj. ³Pára de comer. petulante. ESCALADO s. v. arrebentar com ruído. ESPIAR v. ³Vou à livraria fazer hora. a mulher escancarou as falcatruas do chefe´. F FACADA s.´ ESCULACHO s. Por que que ela contou pra ele?´ FAZER MAL loc. ± Passar o tempo. m. ± Malária muito violenta . ³Eras« deixei meu carro aqui«cadê ele?´ ÉRASTE. FAROFA s. ESTIRÃO s. v. ESPAGUETE s. ± Penetra. ± Interjeição que antecede algum comunicado. FAZER INFERNO v. . ± Farinha-d¶água assada no casco da tartaruga após a retirada dos ovos. o cachorro e o escambau!´ 2 Expressão de indignação. ³Espia só« eu vou precisar da tua ajuda´. ³E não adianta fazer meuã pra mim que eu não tenho medo de cara feia´. Ela fez foi é jogar no chão´. m. Sou escaldado´. ³Não vem se enxerir nisso que não é da tua conta!´2 Aparecer. ³Doutora escrooooooota essa aí! Deu remédio certo e curou o menino na hora. os filhos. 2 Quando falada arrastada. ESTE UM exp. ± Perfume. ± Fazer careta. ± Zíper. f. Sempre que puder ela vai fazer a minha caveira´. Depois te pego´. ± Quem faz faculdade. tem o cabelo estaqueado´. f. ³Quem fez mal pra filha do seu Alencar? Se ele pegar. ESPOCAR v. f. ± Pessoa ruim. ESPIA SÓ« interj. ³Pensei que ela ia gostar das flores. f. ± 1 Meter-se. ³Olha já este um« Cheio de coisa. ± Caminho cumprido.

FININHA s. Olha os gambitinhos dela´. Gualter. m. id. FICAR DE MAL loc. f. GAMBITO s. ³O cara é muito fuleiro. FURUNFAR v. ± Remendo. GAMBIARRA s. ± Rosto. f. GABOLICE s. FLECHAR v. ³O Gerfran se deu bem em todas as noites do festival. ele fez lá uma gambiarra pra puxar o carro´. m. E ela gostou´. depende do co ntexto. militar. Não quis ofender. só falta matar a gente de rir´. GALA s. ³Pode fechar a conta. ± Utilizada no jogo de bolinha de gude. ± Membro de galera. ³Vai ter um forrobodó lá na academia do Tom´. GARITÉ s. ³Essa menina é muito filé!´ FILHO DE UMA ÉGUA exp. FULEIRO adj. 2 Torcida do Boi-Bumbá de Parintins. ± Canoa. Tô só aqui de bubuia um pouquinho´. ± Menino ou rapaz muito alto. ± Ordinário. m. ± Xingamento dirigido a alguém que nos irritou. ³O cara já é um galalau e quer jogar com a gente´. ³Levou uma bolada na fuça´. ± Sujeito que se deu ou vai se dar mal de alguma forma. v. . Mas a coca-cola aqui é fora a parte´. GAITADA s. ³Não fresque não que hoje eu não tô pra brincadeira!´ FUÇA s. FERRO DE ENGOMAR s. f. GARRAFADA s. FOLOTE adj. ± Fofocar. FICAR NA PORRONCA loc. ± Menstruar pela primeira vez. m. ± Praticar o ato sexual. Zé. FRESCAR v. ± Diarréia. serviço im provisado. ± Risada. nadando um pouco?´ ³Não.FÊMEA s. Denildes. brincalhão. aí. ele tá ferrado´. ± Fofoqueiro. ± Orgulho besta. m. investigar. FURRECA adj. FUXIQUEIRO adj. f. Divide essa coca-cola com a gente´. GALALAU s. em separado. GAMBÃO s. que quer tudo para si. m. encher o saco. ± Pessoa egoísta. ± Enjôo. FONAS! interj. id. coisa ruim. m. FOFOBIRA s. GAGAU s. ± Encher a paciência. ± Ato de catar o papagaio em linha reta. ± Designação genérica para as mulheres. FERRADO adj. Ela é muito grande. GANCHO s. FURO s. G GABOLA adj. ± Comunicação natural entre dois rios ou um rio e um lago. ³Que diabo que ela não tira a mão dali! Tá com uma fofobira federal!´ FOI MAL! exp. FICAR DE BUBUIA exp. desejável. ± Esnobe. GALEROSO s. ± Mexer. FUTRICAR v. ± Ficar sem fazer nada. ± Pessoa bonita. m. m. FOLÓ adj. adv. ± Esganiçado. fazer confusão. ³A voz da minha cunhada Andréa é muito gasguita. cada noite pegou uma fêmea diferente´. ele grita: ³ Fonas!´ FORA A PARTE loc. meganha. tirar de ordem. ± Pergunta que pede confirmação por causa de certa incredulidade. ruim. ³Foi?´ ³Foi. ± Esquina com bifurcação triangular. ± Soldado. ³O parafuso não cabe nessa rosca. GALERA s. ± 1 Grupo de maus elementos que atacam em bando. FORMAR v. ± Mingau de mamadeira. ± Mexer. ³ A loja fica lá naquele ferro de engomar da rua Silva Ramos canto com Japurá´. Fica foló´. meu. FORROBODÓ s. GASGUITA adj. ± Coisa sem valor. ³O filme é a maior fuleiragem´. GATIADO adj. especialmente as disponíveis para o sexo. ± Esperma. ± Boi-bumbá de Parintins. ± Diz-se do olho puxado. f. GARANTIDO s. ³Não precisava gritar com a menina. ³Joga fora essa calça furreca e compra outra´. ± Magoar-se. GANHAR O MUNDO v. ± Cabide. ³Aí ele sentou a porrada nela´. ± Porcaria. f. ± Coceira na vagina. ± Encontro para dançar. m. cara. ³Só porque ele passou no vestibular agora virou o diabo das gabolices´. f. ³Essa mulher vive futricando a minha vida´. FUÇAR v. ³A melhor coisa do mundo é entrar de férias e ficar na porronca«´ FICAR SENTIDO exp. ± Ficar sem fazer nada. v. m. Quando o sujeito quer ser o último a jogar. m. ³A briga acabou quando chegou um bando de gambão botando moral´. ± A mais. ± Frouxo. ± Utilizada para pedir desculpa por algo não intencional. O vermelho. ± Perna fina. m. Mas pode ser também pessoa muito irreverente. ficar flutuando na água. gatilho. não!´ FOI? interj. ± Ficar sem falar com alguém. f. Transitável em época de cheia. ³Foi mal. FOMINHA adj. ³E aí. ± Pajelança feita por curandeiros em que se mistura ervas e essências medicinais com o objetivo de curar doenças e descarregar maus fluidos. ± Sair para passear. ³Deixa de ser fominha. Irrita qualquer um!´ GASTURA s. ³Como a corda quebrou. ³Minha filha se formou ontem´. Ela ficou sentida«´ FILÉ adj. ³Se o pai dele descobrir que ele pegou a moto sem pedir. f. ± Variação de Foló. FUXICAR v. ³Aquela mulher é muito feia. m. ³Ontem saí com uma morena dos olhos gatiados´. FULEIRAGEM s.

GATO s. riacho. ± Dar errado. GORAR v. né?´ INCANDIADO adj. ³Vai sair assim. naturalista alemão. né?´ ³Égua! Ele saiu com uma e voltou com outra? Invocado«´ IPADU s. ± Charque. m. cheia de marcas na pe le. ³Nesse bairro ninguém paga luz. ± Expressão de desdém. f. ³Quando aquela menina bonita entrou. m. IGARA-AÇU s. ± Mulher. ³Eu nunca namoraria com a Waldemarina. GORÓ s. JACUBA s. INVOCADO adj. f. GIRAU s. ± Comida improvisada. garota. moça. m. IR PRAS BARCAS ± exp. etc. INHACA s. guenzo desse jeito?!´ GUGUENTO adj. ± Baixinho. ± Muito semelhante. ± Pequeno rio. IXE! interj. f. ± Ofuscado pelo brilho. GRANDES COISA! exp. ± Caroço embaixo do braço que indica que o corpo está sofrendo uma inflamação. ± Expressão de estranhamento. E eu sou garçonete e daí?´ GUAÍPECA adj. GUARIBA s. amarrar uma linha nelas e deixar voar de novo´. Hoje em dia o uso da semente do Guaraná se alastrou como fitoterápico rico em cafeína e estimulante do sistema nervoso central. f. ± Barco que nunca chegou. m. tédio ou repugnância. gânglio. m. ± A floresta amazônica. nojenta. f. ³Hoje é sexta.. ³Esse brinquedo é invocado. GUEGUETE s. HILÉIA s. IGAPÓ s. Tá caindo a maior chuva´. Dia de esquecer o trabalho e ir pras barcas!´ ITAMARACÁ s. ³Eu adoro feijão no pão´. GUARIBAR v. id. ± Pessoa feridenta. Ela é toda guguenta. ³Ele chegou e disse que eu tinha que atendê-lo logo porque ele era advogado. ³Ele veio aqui dizendo que tu que tinhas mandado« o que que eu havera de dizer´. m. 2 Caruncho de grãos de arroz. f. ÍNGUA s. Jaime?´ JACINTA s. ± Incitar discussão. ± Lapiseira. ³ Ele é igualzinho ao pai dele´. f. ³Vou dá uma porrada no merda que guisou o papagaio do meu irmão´. ± Canoa pequena. ³Deixa de ser implicante! Tu adoras implicar com tua irmã. ³O passeio gorou. O Guaraná também é usado como tônico geral e no combate ao estresse. ± Sair para curtir. f. ± Matar aula. f. GUARAMIRANGA s. f. ± O guaraná é um fruto utilizado como estimulante e revigorante. ³Vou deixar aquela gueguete em casa depois volto pro futebol. H HAVERA v. ± Canoa grande. e Aimé Goujaud Bonpland (1773-1858). ³Demorou muito! Veio no Guaramiranga?´ GUARANÁ s. m. Todo mundo puxou um gato´. f. ± Difícil de entender. m. ± Desajeitado. f. ³Ixe!´ J JABÁ s. ± Pessoa feia. destroçar (um papagaio). ± A zona do baixo meretrício em Manaus. GAZETAR v. I IACÁ s. IMPLICAR v. m.. ± Canoa grande e forte. IGUALZINHO adj. ³Fica logo ali. farinha e açúcar ou mel. ± Tiara. encharcada e sombreada pelo mato. ± Bebida alcoólica. m. ± Ao lado. ± Peneira. mancha no corpo. arroio. ± Dar uma melhorada disfarçando os defeitos de alguma coisa. Além da cafeína. Serve para tratar o peixe. ³Vamos gazetar hoje pra ir pro cinema?´ GIGOLETE s. JABURU s. cheia de espinha´. ± Cheiro forte e ruim. a semente do Guaraná contém amido. m. ± destruir. ³Me empresta o teu grafite que meu lápis quebrou a ponta´. ± Pia rústica e improvisada. consistente e grosso. GITO adj. . ³É um professor assim gitinho. Contrário de maceta. IGARA-MIRIM s. segundo denominação de Alexander von Humboldt (1769 -1859). f. f. óleo fixo. falou?´ GUENZO s. lavar mãos etc. ± Pequeno. ³Vou dar uma guaribada no carro antes de vender´. IGARAPÉ s. eu fiquei incandiado´. feijão. ILHARGA s. resinosas e pépticas. ± Espécie de macaco. Aí eu disse: µGrandes coisa ser advogado. IGARITÉ s. GURUPEMA s. ± Pirão feito com água. de fazer. Ver Empinge. é um balde com água do igarapé. ± Quelônio da família das tartarugas. ³Não me diz que tu tá saindo com aquele jaburu. ± 1 Pedra pequena de leito de rio. ± Pira. id. IMPINGE s. ± Floresta pantanosa. misturada. ± Mingau feito com pouca água. de óculos´. ³Meu irmão gostava de pegar jacintas. GRAFITE s. f. GORGULHO s. GOROROBA s. m. m. m. GUISAR v. A fonte de água. na ilharga da igreja´. m. naturalista francês. ± Ligação clandestina de energia elétrica ou outro serviço pago. ácidos cafeo -tânico e matérias aromáticas. ± Libélula. ± Haveria. na maioria dos casos. etc.

LAPA s. ± Lanchonete. LÁBIA s. ± Árvore da familia dos ébanos. dizem também que o sol também causa nos amazonense o tesão de mormaço. m. ³Preciso de uma lapiseira pra assinar um cheque. não. LAVADA s. ± Elástico de amarrar dinheiro. vantagem. KETCHBACK s. ± Pulsar. um aumento na capacidade sexual devido ao sol quente. ³Ele levou a menina na lábia´. ³Decide logo! Fica aí nessa lengalenga«´ LEPROSO s. LAMBANÇA s. JERIMUM s. ³Vou ter que pagar pra consertar o carro de novo. Temos ainda as expressões derivadas: ³Deixa de ser leso!´ e ³Pára de leseira!´ Dizem que todos os amazonenses têm três minutos de leseira por dia. Mas como tudo tem seus dois lados. LIBRINAR v. f. O outro mecânico foi mexer sem saber e fez a maior lambança´. f. LIGA s. ± Funilaria de veículos. 2 Escorregadio. JIQUITAIA s. Se a leseira for uma característica contínua. f. f. ± Grande. que queima alguns neurônios. f. LESEIRA s. ± Pessoa que de alguma forma desagrada . f. LAZARENTO s. ± Cantor de toada de boi. m. ± O peixe mais popular de Manaus. LAMPARINA s. que conserta lataria. id. K KAMIRANGA s.. LAMBUJA s. levar um tombo. ± Estar desempregado. JURURU adj. fanfarrice. v. ± Enrolação.. pegar no chão. f. ± 1 Sem dinheiro. caboco? Topas dar uma lamparinada?´ LANCHE s. f. m. ± Infeliz. meu amigo! Calça 45!´ ³Sabe a orelha do Abraão? É uma lapa. JUNTAR OS PANOS exp. ³Liga pra essa cara. bônus. abatido. ³O Ângelo tem uma lapa de pé. ³Pois é. LEVAR UMA QUEDA loc. ganhar com sorte alguma coisa. ³Tô brocado. ± Uma dose de cachaça. ± 1 Gabolice. É o maior leguelhé´. gozar um momento de felicidade. LEGUELHÉ s. lavar mãos etc. ³Ele falou que era rico?! Haha« pura lambança«´ 2 Serviço mal realizado. f. ± Cair. ³Mas que lombra é essa agora. ³A tia Teca escorregou e levou uma queda! Se quebrou toda´. Faz seis meses que ele tá lavando urubu. f. LANTERNAGEM s. que produz madeira de lei de cores avermelhado até vermelho escuro. conversa. ± Papo. M MACACA s. Serve para tratar o peixe. m. ³Pede pros meninos entrarem. ± Um lance amoroso. Ver Arisco. meu irmão?´ LOMBRADO adj. m. ± Expressão equivalente a ³lá vem você falar nisso de novo´. ± Bêbado. Vou ali ao lanche pegar um x-caboquinho´. ± Funileiro de veículos. desproporcional. ± Leso é alguém que sofre de leseira. LANTERNEIRO s. ³O juiz não marcou esse pênalti! Ah. Dizem que a leseira baré ocorre entre os amazonenses devido ao sol quente na cabeça. v. . f. LATEJAR v. ± Jogar fora. f. Leseira é um abestal hamento momentâneo que acomete o leso. JIRAU s. ± Chuviscar. ³Vamos pular macaca?´ MAÇARANDUBA s. indecisão. m. f. ± 1 Sono de bêbado ou drogado. f. ± Extra. ± Mandioca comestível. m. f. LENGALENGA s. m. ± Pequeno candeeiro feito de lata de cerveja ou leite em pó. A fonte de água. ± Pequena formiga de picada dolorosa. algum prêmio. ± Urubu. ³Prendi meu dedo na porta e ele tá latejando´. ³Eu não vou poder ir pro cinema porque hoje eu tô liso´. id. ³Por que ela está jururu?´ ³Porque o ex-namorado casou´. Dalva. ³Junta os brinquedos do chão´. LEVANTADOR DE TOADA s. m. ³Ele ganhou na loteria e lavou a burrinha. L LÁ VAI! exp. f. MACAXEIRA s. é um balde com água do igarapé. ± Ir embora de onde se está rapidinho. ± Ir morar juntos. ³Esse cara só pode tá lombrado pra fazer isso«´ LOROTA s. LAMPARINADA s. LISO adj. ± Mentira. m. Serve Bic´. ³Vamos jogar? De dou dez pontos de lambuja´. leproso!´ LESO adj. meu!´ LAPISEIRA s. JARAQUI s. LAVAR DA ÁREA loc.JACUMÃ s. aipim. f. ± Cachorro-quente. na maioria dos casos. id. dizemos que o leso sofre de leseira baré. m. JUNTAR v. v. JIRIMUM s. ± Amerelinha. ± Vantagem. JOGAR NO MATO loc. ³E aí. rolo. ± Abóbora. f. ± Direção da canoa com o remo de mão numa das extremidades. ± Catar. LAVAR A ÉGUA ou LAVAR A BURRINHAloc. ³Nós vamos é no jacumã daqui até lá´. ± João-ninguém. ± Caneta esferográfica. m. LAVAR URUBU exp. Comprou tudo que tinha direito´. Serviço que é bom: nada´. f. m. ± Abóbora. imenso. 2 Coisa indefinida. LOMBRA s. ± Cabisbaixo. Tá librinando´. com um pavio de algodão embebido em querosene. KIKÃO s. v. f. LAVOURA s. bazófia. ± Pia rústica e improvisada. ± Levar vantagem. ³Preciso de uma liga pra amarrar esse maço de notas de dez´. fora de si. tristonho. ± Ganhar tudo na bolinha de gude. ³Tive uns ketchbacks com ela no passado´. sujeira.

m. trapaça. Muito usado para fazer perguntas e pedidos. f. manja-trepa. METIDO adj. ± Inseto de picada dolorosa. ± Ver Maceta. ± Lanchar. adj. ± Mulher fácil. feito com troncos ou madeira. m. ³ Ele é tão fofinho que dá vontade de malinar com ele´. mixaria. f. MERMO adj. f. f. m. MÁRRAPÁ! exp. ± Espécie de grama que se desenvolve as margens dos igarapés. de massa fina´. faz um favor pra mim?´ ³E aí. m. MANCADA s. fácil de manobrar. ± Forma depreciativa de se referir a um soldado de polícia. sobretudo dinheiro. maninha. ± Bolhas de água. f. MANCHETE s. ele vai mermo´. MALEITA s. ± Aldeamento de índios. ³Vem de novo aqui que tu vais levar uma mãozada!´ MAPINGUARI s. ³Pode deixar que eu mais o Richardson vamos comprar o gelo´. meu grande. ± A grossa raiz comestível da maniva. Seu uso foi estendido a partir do salgadinho da marca Milhitos Jack¶s. Mas devora somente a cabeça. f. ³Eu estou com mijacão nos pés´. m. manja-pega. Transmite a filariose. ± Reinar. durante as enchentes. ± Gengibre. f. MASSA GROSSA s. MEGANHA s. ± Pronuncia-se ³Mách´. m. ³Eu gosto de pão leve. ± Camburão de polícia. ± Entidade mítica que habita os rios. ³Esse cantor é a maior palha´. f. MERENDAR v. ± Muito ruim. ± Ver ³Tem mil!´ MAS! interj. MILHITO s. mas o Zeca deu mancada e ela percebeu que era mentira´. f. que só faz besteira. Macaxeira. m. ± Salgadinho de saquinho. ³Não gosto dela não. f. ± Jirau elevado. MATUPÁ s. de proporções anormais. 2 Muito legal. a quem devora. ± Fazer pouco de alguém. ± Barranco dos rios com vegetação desenraizada que fica boiando conforme o nível do rio. f. MANTEIGA DE TARTARUGA s. ± Mamadeira de leite. ³Deixa de marmota e te aquieta«´ MAROMBA s. MATEIRO adj. ± Falar mal de alguém. imenso. MALOCA s. beliscar um bebê porque ele é muito fofo. arrumação. ³Esse barquinho aqui é maneiro´. lagos e rios. MANGAR v. ³Esse cara não passa de um meganha!´ MEIGA adj. mano?´ Variações no diminutivo: maninho. METER O PAU loc. m. MIJACÃO s. é ele um terrível inimigo do homem. MAIOR PALHA loc. de fabricação local. ± Pão francês. plantas e pertences dos ribeirinhos. ³A Martinha é meiga. ± Alguma coisa muito pouca. f. Pode ser utilizado intercambiavelmente com ³ mano´. ± Um leso. Nelson! Tamanho paideguão e parece um menino barrigudo!´ MERENDA s. ³Disfarça e não dá manchete que a gente tá aqui´. ± Tratamento para desconhecidos. meu grande?´ MEXER v. ³Eu tenho que preparar a mamada do Clauzionor Junior´. ± Febre. por exemplo. ³Eu bati nela porque eu caí e ela ficou mangando de mim´. . ³Meu filho já tá um marmanjo´. ³ Mana. Interjeição de ênfase. ± Pão de leite. aí chegou a manduqinha e levou um bocado´. ± Brincadeira de criança. MANO voc. f. MANGARATAIA s. Meigalinha«´ MEMBECA s. fazer malvadeza gratuita. para deixar a salvo animais domésticos. f. como. f. ± Invenção. MARMANJO s. entre outras. ± Lanche. MANEIRO adj. ± 1 Leve. ± 1 Chamar alguém que vai passando. id. ± Pessoa chorona. MALINAR v. ± Entidade que habita a floresta com forma de um grande macaco cabeludo com um olho só na testa. MALUVIDO s. f. MAS QUANDO?! interj. MANTEIGA-DERRETIDA s. ± Mal comportado. ± Equívoco lamentável. agora vai ter de casar´. ³O salário mínimo desse governo é uma merreca!´ MERUÍM s. MARMOTA s. f. MANDUQUINHA s. ± E. v. ± Na vista. ³Olha a Maria do Céu ali! Vou mexer com ela: Cééééééééééu!´ 2 Manter relações sexuais. ± Vendedor ambulante. ³Vou bem ali comprar uma merenda que estou brocado´. ³Pára de meter o dedo no bolo. MANJA s. ± Grande. ± Feita com gordura extraída dos ovos da tartaruga. MENINO BARRIGUDO exp. f. ± O mesmo que ³Olha já!´ ³Me empresta teu carro?´ ³Márrapá! Claro que não!´ MARRETEIRO s.MACETA adj. ± Tratamento carinhoso entre conhecidos ou não. Saí fora«´ MÃE-DÁGUA s. ³E aí. MEU GRANDE voc. MERRECA s. MAL-ENCARADO adj. ± Pessoa suspeita ou estranha. malária. MÃOZADA s. É muito metidinha pro meu gosto´. ± Pessoa crescida. f. ³Tem muita mulher aqui?´ ³Mách! Só tem!´ MASSA FINA s. MAIS conj. Segundo a lenda. Tudo bom?´ ³Fica de olho aí no meu carro. ³Maior porrada rolando. ³Compra dois pães de massa grossa´. ± Corruptela de ³mesmo³. MANDIOCA s. ± Tapa. ³O Félix mexeu com a moça. ³Que menino maluvido!´ MAMADA s. vai?´ ³É o que vai mermo«´ ³Não. ± Boçal. ³Ele vai sair hoje. adulto. ³A vizinha meteu o pau na sogra´. tudo bem. Há a manja-esconde. m. f. id. Pode ser usado para exprimir dúvida ou confirmação. ± Habituado a meter-se no mato ou lá passar parte do dia. adit. ³Eu disse que ia lá brigar com ele e quando eu olhei o cara era macetão. ³A gente ia conseguir enganar a Zilma. MASSETA adj. falou.

f. ³Quando olhei. OVADA adj. m. ³Que horas sai o motor pra Coari?´ ³Depende.± Interjeição de indignação correspondente a ³Mas que abuso!´ ³E aí. ³Essa música do Teixeira de Manaus é do tempo do ronca´. sem folga. MIOLO-DE-POTE s. m. milho. Briba. olha já então esse aí« Te manca!´ OLHOS DE PETECA loc. id. m. vai!´ NO TEMPO DO RONCA loc. ± Preparado rico em carboidratos a base de arroz. ³Que coisa é esta? Que mondrongo é esse na tua cabeça?´ MONTE adv. ± Olhos grandes e claros. MOFINEZA s. mas ele fica ali só de mutuca pra ver se te pega no flagra´. ± Palavrão. m. ± Banana comprida usada para fazer banana frita. adv. NO BALDE. Te manca!´ PAJELANÇA s. id. f. NECA DE PITIBIRIBA exp. ± Diário de classe. A coitada só vive no cabresto. banana ou farinha de tapioca extraída da macaxeira. MUQUE s. f. ± Algo muito bom.´ NO OLHO loc. muito legal. pai?´ ³Neca de pitibiriba!´ NEM COM NOJO! exp. ± Ser meio leso. ³Ainda não lancei as freqüências na pagela nova´. mas não faz e sempre se sai bem. Esse cara é um maior nó-cego´. id. ± 1 Desajeitado. P PACOVà s. ³O que que esse gato tem? Está tão mofino´. ± Uma pessoa que é esperta. id. ± Algo ou alguém muito bom. abilolado. Creuza! Tô lá em casa´. preso. gata. ± ³Nem se empolgue que não tem a menor chance´. ³Toma. prenhe. ± Fedorento. adv. ³O teu pai é um cara paid¶égua!´ PAID¶EGUÃO s. PAGAR SAPO exp. m. MUCURA s. ± Conversa fiada. MIRAÇÃO s. ± Humilhar. Não dava pra agüentar´. ± Fraqueza. ± Observação. ³É a Leila ali. MIRATINGA s. NÃO VEM QUE NÃO TEM! exp. ± Expressão equivalente ao ³Tem mil!´ ³Vai ali e pega água pra mim´. marmanjo. MUNGUNZÁ s. ± Espécie de gambá que come frango. ³Rapá. ± Pimenta amarela extremamente forte. indisposição. ³Vê se conversa com as pessoas! Parece uma mura!´ MURUPI s. ± Há muito tempo. f. finge que faz.± Expressão utilizada para indicar que alguém recebeu uma resposta certeira. ± Não fazer de jeito nenhum. id. id. ± Pessoa invocada. de boa qualidade. id. ± Expressão usada por vendedores no sentido de ³Mais alguma coisa?´ ³O que era mais. que anda pelas paredes da casa e come insetos. calombo. ³Posso sair com o carro. f. Pode ser usado de forma exclamativa precedido de Tamanho. f. que não oferece resistência. Creuza! No olho! Vai fazer pergunta besta de novo. m. m. tumor subcutâneo. ± Fraco. ± Árvore cujo ramo tem forma de um pênis.MINGAU s. f. ± Grávida. ± Mingau de milho. Nem que a vaca tussa. ³O tanque do meu carro pega 40 litros´. ± Barco movido a diesel com grande capacidade de carga. PAID¶ÉGUA adj. NO MUNDO loc. OSGA s. MOCORONGO adj. ³Tamanho paid¶eguão brincando no balanço das crianças. ³Essa menina não bate bem. ³Tu pensas que não. m. ± Não mesmo. ³O filme é paid¶égua´. ± Peixe gordo. MURA s. NÉ NÃO! exp. id. ± 1 Parasita minúsculo que se alimenta de sangue e que vive no capinzal. f. ³Acho que vou ficar. NO CABRESTO loc. m. ± Na linha dura. ³O pai da minha namorada é ciumento. m. Tomar café com feijão?!´ NÃO É PÃO! exp. ± Claro que sim! ³O barco já chegou?´ ³Massssh« não é pão!´ NÃO FAZER NEM AMARRADO PELO CHINELO PRETO exp. ± Ver Que só. MOTOR s. adv. Tá dando uma mofineza em mim«´. f. NÓ-CEGO s. ± Bastante. fechada. . ³Tu já chegaste. PACU s. O Capitão Sérgio Souza ou o Comandante Mauro Drida?´ MUCUIM s. mal-estar. f. ³Mãe! O Chico tá chamando nome feio!´ O O BICHO s. PAGELA s. indisposto. 2 Alguma protuberância grande e esquisita. f. N NÃO BATER BEM exp. id. ± Caber. m. ± Alucinação. ± Lagartixa branca com os olhos pretos. ³Fica aí tomando esses chás pra ver se tu não começa a ter miração´. ± Braço. 2 Gente pequena. m. tinha uma osga nojenta no teto´. PAGÉ s. é?´ ³Né não´. De gêmeos´. MOFINO adj. ³Nem com nojo!´ NEM COM O PITIU (DO BODÓ) exp. O cara é o bicho!´ O QUE ERA MAIS? exp. ³Ele carregou o bezerro no muque´. mano?´ OLHA JÁ (ENTÃO)! interj. ± Não é não. id. f. me dá um beijo?´ ³Mas. ± Ver Nem com nojo! NHACA PURA! exp. ³A filha do Joca tá ovada. ³Já tem um monte de gente lá na quadra´. ³Não cai na do Jorge. 2 Natural de Santarém (PA). MONDRONGO s. não. ± 1 Inchação. ± Adulto. id. ³O Luis nuca perdeu uma queda-de-braço. Manoel?´ ³Não. ± Ação do curandeiro amazônico. adv. NOME FEIO s. a mulher chegou da rua e tava nhaca pura. força. s. MUTUCA s. ³O chefe entrou aqui e pagou o maior sapo no Walter´. PAGAR v. ± Curandeiro que cura tanto com os remédios da terra como com feitiços e benzeduras.

³Caboco pávulo! Deixa de pavulagem e ajuda logo. ± Desistir de alguma coisa por falta de coragem ou força. m. Tá tarde´. PAMONHA s. PAVOLAGEM. só na próxima parada´. PEDI. v. PASTA s. PARDIOSO adj. ± Mulher que possui hímen. m. Mala-sem-alça. Sabe como ele é pardioso«´ PARENTE voc. orgulho besta. Pode ser acompanhado de ênfase lá então. ³Pela Madrugada! Você ainda não fez o que te pedi´. corri. desconfiado. ³Amanhã minha dentista. m. ³Esta roupa está muito papagaiada!´ PAPAGAIO GUISADO exp. ³Essa péssima da Maria ainda não cumpriu minha ordem´. 2 Uma decepção. surra. PELA MADRUGADA! interj. PENOSO adj. PEGAR CORDA loc. PAU D¶ÁGUA s. ± Forma sintetizada de ³Espere ainda um pouco´. PAPAGAIADO s. etc. ³É naquele bar que se reúnem os péssimos do bairro´. muitos. PERNADA s. PAPOCO s. dar intensidade. ³O Jones sofreu um acidente e ficou todo pebado´. Acredita em tudo que te dizem´. ³A Preta tem uma penca de filhos´. PEGAR O BECO loc. PANEMA adj. Só caso se for papelim´. PATUÁ s. Berna! Tá cheio de pereba na perna´. rico em óleo vegetal. ± Observar. ± Sujeito com características do caboclo do interior. Eliana. f. PARA O MÊS (ANO. vai tirar meu panelão´. PETECA s. PEBADO adj. ³O cara não agüenta mais. ³Mano. ± Bola de gude. m. ± Batalhar. pendendo para o lado. ³Tá na hora de eu pegar o beco. ± Cacho. Gíria leve. PELEJAR v. que se come como pão. mal-estar. ± Deixar-se influenciar. v. m. PALMINHA s. PENSO adj. mas o ônibus foi embora´. PASTORAR v. barulho. PÉ-DE-MOLEQUE s. f. ± Ir embora. PASSAMENTO s. ± Espécie de palmeira. PENCA s. PEDIR PENICO loc. virgem. ± Creme dental. ± Calça curta demais. ³Tá a fim de jogar peteca agora?´ . ³Per´ ainda lá então! Não me apressa!´ PEREBA s. vou ver se compro uma geladeira nova´. PERREXÉ s. ± Ponto de ônibus. ³Para o mês. ± Que tem pena do que tem. azarado. ± Passar roupa. ± Torto. ± Dois pedaços de madeira retangula res (itaúba ou sucupira) usados para marcar o ritmo das toadas de Boi -Bumbá. me dá uma ajudinha aqui?´ PARRUDO adj. ± Desmaio. ± Forma de tratamento usado para se falar com alguém. ³Eu sou machão mesmo. adv. Alencar. ± Expressão de espanto. ³Parente. eu não pego em peixe. f. PEDI. batalha. ferrado. ± Empáfia. f. ± Ferida. PER´AINDA loc. f. ± Braço de rio que contorna uma ilha. ³O teu problema é que tu pega corda. ± Pessoa pouco confiável. ± Pessoa lesa que todo mundo faz de trouxa. ± Palmeira que dá fruto semelhante ao açaí. Já está pedindo penico«´ PEGA. ³Se eu não descer agora. vai!´ PAXIÚBA s. v. ³Esse papagaio não vai subir não. Qualquer verbo. ± Forte. ficar olhando. ³Tava todo mundo em paz e de repente só se ouviu o papoco vindo lá da cozinha´. tentar muito. ± Alguém ou alguma coisa extravagantemente colorido. temperada e assada. ± Franja. otário!´ PEGA-MARRECA adj. nó-cego. ± Caxumba. ± Confusão. m. falei e não adiantou nada«´. PÉSSIMO adj. f. corri. ± Roupa íntima. ± Infeliz. f. PANUVEIRO s. mas vou deixar a Doralice pastorando os meninos´. minha mãe fez um panuveiro danado´. ³Divide os bom-bons com a gente! Deixa de ser penoso!´ PENSEIRA ± Compensador para balancear um papagaio penso. ³Aquele cara é um pamonha´. ³Tu tá igual ao Aritana com essa partinha´. m. Dra. PANAIR s. PARADA s. m. ± Luta. ³Presta atenção. PEDI (repetição) ± Repetição rápida do verbo para enfatizar. f. ³Chama o médico que tua irmã está tendo um passamento!´ PASSAR FERRO loc. ± 1 A palma das palmeiras. f. imprestável normalmente disputado pelas crianças após quedar. ± Pipa. v. ± Papagaio amassado. f. usada entre pessoas mais comportadas. ³Isso é uma calça ou é uma bermuda? Se for bermuda tá muito longa e se for calça tá pega-marreca´. dar ouvido a. falei. ³Difícil vai ser convencer ele a mudar de idéia. f. m. PELEJA s. ± Feira em Manaus. lembrando um papagaio. PAVOLICE ou PAVULICE s. musculoso. f. ± Confusão. ³Acho bom você não desafiar esse cara porque ele é muito parrudo!´ PARTINHA s. f. PAPEIRA s. ³Vou pra casa que tenho que passar ferro´. MOLEQUE! Int. não´. ± Interjeição no sentido de ³pega. m. Tá muito penso´. ³Quem não fizer o que eu mando entra na peia´. ³Só porque eu cheguei tarde ontem. ³Ah. seu panema! É tua vez de jogar!´ PANO DE BUNDA s. PAVULAGEM. ³O show foi a maior palha´. f.PALHA s. leso. ± Massa feita com farinha de mandioca. cujas folhas servem para cobertura. Equivale a Mano. ³Vou sair. ± Dente que tem um buraco grande. f. ± Sova. v. m. PAPAGAIO s. ± Mês (ano) que vem. ± Chuva forte. PANELÃO s.) loc. PEIA s. abestalhamento. ± Caminhada. ³Eu pelejei pra ver se ela voltava atrás e nada´. ³Leva esse menino no médico. ³Põe uma penseira nesse papagaio que ele sobe´. falei. m. PARANÁ s. ± Ver Pardioso. ± Lascado. ³Corri. PAPELIM adj.

PIRENTINHA s. PIRIGUETE s. ± Sinal. ³Rapaz. POMBA s. ± Mulher fácil. PROVOCAR v. mas tenho que reconhecer que o Rodrigo Santoro é presença´. id. PIXÉ s. PICHÉ s. ± Expressão de indignação. ± Farinha de peixe. 2 Clitóris. ± Tipo de cabelo enrolado. ± Grávida. ± Peia. comida cozida. ± Prato regional decorado a rigor. m. ± Louva-Deus. id. id. ± Muito. ± Cheiro. mau agouro. ± Mosquito pequeno. ± Ver Pissica. f. ± Questiúncula irritante com que se azucrina os outros. ± Pênis. PIMBADA s. PORRUDO adj. ± Vomitar. ± Época de desova dos peixes que sobem o rio. f. pobreza. POMBA-LESA adj. PRESENÇA adj. ± Bonito. f. QUE DIRÁ exp. menina. ³Traz o pipo que ela tá chorando!´ PIRA s. ± Chupeta de bebê. ± Peixe-elétrico. ± Perder ou cortar o cabelo. ³As piriguetes do trabalho do meu marido ficam dando em cima dele direto´. hein!´ PUTIREBA ex. PINICAR v. ³Pára de dar pissica nas minhas coisas´. característico do verão. ± Ver Chibata e Maceta. PINTA s. PIMBA s. ³Sabe aquele ricão lá da rua? Hoje tá na maior pindaíba´. m. hoje raras. PURO A adv. f. f. f. de escamas. PIRUADA s. PIROCAR v. ± Pênis. PIRARUCU s. cadê a tesoura?´ ³Não sei. ³Cadê a pincha do guaraná? É que eu faço coleção´. m. m. f. f. ± Beliscar. cuja língua serve de lixa. ± Melhor dizendo. que dirá com a injeção´. que diga´. PUPUNHA s. aproveita que o Onildo está distraído e dá uma cachuleta nele!´ PÕE-MESA s. ± Expressão de insatisfação. m. PITACO s. f. PORRETA adj. PITIÚ s. PRENHA adj. m. ± Grudento. m. ± Fibra da palmeira utilizada em vassoura. id. PIXAIM s. dar bicadas. ³Sossega. m. . PICADINHO s. ³Rapaz. ± Carne moída. ± Opinião não solicitada. ± Fruta regional da família do pinhão. ³Ele chorou com o colírio. f. Creuza?´ PIUM s. ± O bacalhau amazônico. bem apessoado. Peixe grande. ± Peteleco dado com o dedo na orelha de alguém. PLETS s. m. arrumação. f. ³Isso é muito pequeno. f. PRA PORRA loc. f. m.PIAÇAVA s. cheirando a. ± Tampinha de refrigerante. f. dar uma pimbada. vou te dar uma pisa´. id. Aglutinação de Piranha (ou Perigosa) comGueguete. Deixa de picuinha e vai fazer algo de útil´. f. em local pouco habitado. ± Com cheiro de. Usada para correção. ³Minha tia jogou os bom-bons de piruada na festa´ PISA s. ³Dile. f. Id ± Puxa-se o dedo quando alguém destronca o próprio. f. lerdo. ³Olha que eu não acho homem bonito. ³Menino. ³Ele tem uma pinta no braço. ± Jogar para cima alguma coisa para ser pego pelos demais. ± Menina com quem só se quer ter envolvimento sexual. olha o cara aí« pirocou o cabelo todinho´. ³Faz tempo que eu não dou uma pimbada´. ± Pênis de criança. ± 1 Órgão sexual feminino. ³Deixa de presepada e sossega aí´. ³Tá sentindo um pitiú danando aqui? Tomou banho. PINCHA s. ± O mesmo que Pitiú. É de família´. m. ³Hoje tá quente pra porra!´ PREGUENTO adj. Não larga da gente´. te aquieta! Se não sossegar. ± Lanterna ou lamparina. ³Ele casou duas vezes. ³Ela tá com uma pira enorme no braço´. ± Miséria. ³Vai lá. Mas só as de metal. m. ³Esse sujeito não dá conta de tanto serviço: é um pomba-lesa´. ³Putitanga! Esqueci minha carteira em casa!´ PUXAR O DEDO exp. que se alimenta de sangue. PIRARUCU DE CASACA s. menina! Toda pomba-lesa aí vai acabar quebrando o vaso!´ PORAQUÊ s. m. Geralmente associado a peixe. com mato. não. casar que é bom nada« estou só nas pirentinhas´. Três. ± Ter relações sexuais. mole. PIRACEMA s. ³Vai lavar tua mão que tá puro a peixe´ PUTATEBA exp. confusão. PROCURAÇÃO s. PROVOCO (ô) s. ³Putireba! Acabou a água!´ PUTITANGA exp. ³Hoje a gente vai comer picadinho com batata´. f. ± Imagine. feito com farinha e banana. adv. ± Expressão de insatisfação. ± Palhaçada. m. PINGUELO s. ³Tem de ir ali na dona Cora puxar esse dedo. ± Ato de procurar. ± Expressão de insatisfação. ³Essa roupa felpuda tá me pinicando´. ³Putatinga! Quem tomou meu leite que tava aqui na geladeira. menino!´ Q QUE DIGA exp. ± Cheiro ruim. ± Ver Maceta. surra. PISSICA s. f. id. f. ³Putateba! Deixa eu ver TV em paz!´ PUTATINGA exp. PINDAÍBA s. ± Ferida. PIROCA s. ± Lento. m. ³Tu tá sentindo um piche de bicho morto?´ PICUINHA s. PIPO s. PRESEPADA s. ³Não agüento mais a Débora! Ela é muito preguenta. f. PORONGA s. PIRACUÍ s. ± Vômito. ³Menino nasce por onde entra: pelo pinguelo´. procurando o local ideal. mas vou fazer uma procuração´.

³Acho que alguém pôs quebranto no Rex. manifestando clara antipatia. ± 1 Impossibilitado de fazer algo por questões de indisposição de saúde. REPARAR v. f. RABISSACA s. ± Comida que faz mal. ³Eu ia fazer uma festa surpresa. ³Mãe. ± Tomar conta. entendeu?´ ³Você não está entendo. Eu sou a mulher dele. Tu acabaste de te operar e pirarucu é reimoso. f. m. ± Linha com tiras de papel. m. ± Enrolar. Mulher amazonense odeia ser chamada de querida. plástico ou pano que serve para dar estabilidade no papagaio. seu Durval?´ QUEDE«? adv. ³Pára de ficar me remendando! Parece meu espelho´. m. RANCHO s. 2 Tristeza. ³Diz a Rádio Cipó que o Gláucio vai ser demitido´. ± Secreção ocular. ± Vocativo. ± Ver Reimoso. id. QUERO CESSO / NÃO DOU CESSO exp. efusivos. ± Ave de mau agouro. REMENDAR v. REMELA s. QUEBRANTAR v. QUIRIRI adj. m. ³Vamos tomar cerveja. ³Ela tá á na laje se queimando´. RAPAZ voc. ± Rede de pesca. QUEIXAR v. ± Falso cognato. m. na maioria das vezes com segundas e sensuais intenções. m. m. ± Guloseima dura ± daí o nome ± feita com amendoim. ³Hoje está quente que só!´ ³Ela é lesa que só!´ ³A sala estava lotada que só!´ QUEBRA-MOLA s. ± Cesta básica. QUERIDA voc. NÉ? ± Usa-se para oferecer algo quando não se quer dar. REMANSO s. ± Tocar de leve em outra pessoa. ³Quando tem churrasco aqui em casa. REIMOSO/REMOSO adj. doutor´. f.QUE NEM ± Expressão de comparação. menino. RALHO s. RENDIDO adj. ³Para levantar esse muro é rapidola´. QUE SÓ! loc. ± Virada de cabeça brusca em desprezo a uma pessoa com quem se cruza. ± Cadê? Que é de? Onde está? ³Quede a mamãe?´ QUEIDAR v. principalmente aquela presente quando acordamos. ³Vai devagar aí senão quebra o carro. ³ Quero um rala-rala de groselha´. ± Mau-olhado. RABIOLA s. alguém daquela casa morre. ± Bronzear-se. ± Esculhambar. ± Indica intensidade. m. ± Rachado. aí morreu. ± Lombada. ± Barco de recreio. id. compras do supermercado. silencioso. ganhar na lábia. adv. m. ³Ontem cheguei tarde e levei o maior ralho da minha mãe´. vendida na porta das escolas. ± Extensão elétrica. R RABETA s. tio?´ REPIQUETE s. em crianças. f. ³Escuta aqui. REMANSEAR v. RAPIDOLA adj. ³Tem que fazer o rancho hoje´. 2 Com hérnia de escroto. RASGA-MORTALHA s.´ REINAR v. minha querida. ± Ato de derrubada do papagaio. fazer corpo mole. Ele tá tão mofino«´. Se alguém chegar e disser ³quero cesso´. REBOLAR NO MATO exp. f. quem está comendo tem de dar. ± Movimento das águas no rio. m. RABICHO s. sermão ou briga de alguém que tem autoridade. ³O lago hoje tava quiriri: nem peixe nem pássaros´ . Rapaz! Que mulher afobada!´ RAPICHÉ s. ficar com algo de outra pessoa. ± A boca pequena. ± Um súbito aumento no nível das águas no período em que o rio está baixando. ³Não posso sair hoje que estou rendido com uma diarréia´. m. querido. Sem chances de beliscar. ± Expressões que garantem acesso à comida que alguém está comendo. similar a ³Pra caramba´. ± Jogar fora no lixo. RATADA s. (ou seja. redemoinho. QUEIMOSO adj. ± 1 Deserto. calmo. ± Motor de popa. f. ± Jogar mau-olhado. diminuindo a correnteza. ± Resto de qualquer coisa. ± Com muita pimenta. meio-a-meio na conta«´ RÁDIO CIPÓ s. QUEBRANTO s. ³Não posso sair porque tenho que reparar o bebê´. Por quebranto. f. Essa rua é cheia de quebra-molas´. Mas se o comedor se antecipar e disser ³Não dou cesso´. RECREIO s. ³Ela pensa que nem eu´. de pouca potência e fácil manuseio utilizado pelos ribeirinhos. ³Putateba. ³Quer que eu repare o carro. ± Inversão sintática que deixa os interlocutores na dúvida. QUERO NÃO. ³Quanto tá o quebraqueixo. ± Muito rápido. pisada de bola. ± Gelo ralado colocado num copo e acrescido de xarope de vários sabores.³Ela me queixou a minha caneta. . m. ³Meu filho levou uma bolada e fixou rendido. Mas Rachid. Deu a maior ratada!´ REBARBA s. esse tacacá tá queimoso que só´. ± Ganhar no grito. ± Mancada. ± Mercador ambulante que em barco ou canoa percorre o interior parando de lugar em lugar. REMOSO adj. Imitar jocosamente. a fofoca. f. já posso comer pirarucu?´ ³Tá doido. ³Quando eu dei de cara com elam tu acreditas que ela me deu uma rabissaca?´ RACHID s. ³Pára de remansear e ajuda a gente a carregar essas caixas lá pra baixo´. Sempre na negativa e com o né no final. ± Esculhambação. O uso da palavra ³querida´ no Amazonas denota certo sarcasmo ou ironia. mas o João acabou contando antes. ± Pedaço do rio em que a topografia provoca um refluxo fluvial. usado para os dois gêneros: ³Calma. de admiração ou inveja. REBOJO s. ³Fiz besteira aí minha mãe ralhou comigo´. por linha com cerol. o Rex é que pega a rebarba´. Diz a lenda que quando passa perto de alguma casa produzindo seu ruído característico de alguma coisa rasgando. RALHAR v. brigar. QUEBRA-QUEIXO s. ± Fazer carinhos apertados. QUEIMAR v. RELAR v. RALA-RALA s. não foi?´ QUER NÃO. ³Quer ir lá com a gente na biblioteca?´ ³Quero não´. f. ³Que horas sai o recreio para a Praia da Lua?´ REGATÃO s. você é um burro!)´. m.

Punição que um grupo confere a alguém por um malfeito. ³Depois que ele se separou da mulher. ROER UMA PUPUNHA exp. ³Pode sossegar o facho que não vai sair hoje não´. ± Nordestino que durante a II Guerra foi atraído pela propaganda oficial do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) de Getúlio Vargas para colher látex na Amazônia. ± Porto. SE ENXERIR loc. SERRINHA DE UNHA s.REQUENGUELO adj. SE VER DE DOR loc. ± Ser um terceiro sobrando. jeito de besta. todo requenguelo´. RESPEITE! ± Expressão de admiração por alguma coisa. f. né? Tomou dez cervejas e pagou quatro´. Meio destruído. ³O médico sarjou meu tumor ontem´. O saco está seco´. T TÁ (DE) PORRE exp. além do casal. Dá pra comer não´. ± Pessoa enxerida. v. malvestido. ³Ontem acordei tarde e perdi o rota´. ± Meio-fio. f. Querer aparecer. ³Ela fez um regime e agora tá só o cuí. SE MANCAR loc. ³Esse bife tá mais duro que sarnambi. ROLOS s. f. ³Esse peixe tá surema. ³Se ela frescar. ± O mesmo que Babau. sua alma sua palma seu coração sua pindoba´. nem o cachorro quer´. m. ficar. ³Tu viste aquela mulher toda requenguela passando pela praia?´ RESERVA s. decadente. ³Foi tu que pegaste minha coca-cola. id. ± Repouso após refeição no calor amazônico. SUCURI s. v. ± Antigo bordel de Manaus. ³O Roney é sabido. energia. ³Meu irmão vai pegar o motor lá no ródo´. mô. SEGURAR VELA loc. ± Moça. que mata apertando. ³Tu achas que eu vou querer namora contigo?! Se manque!´ SE MENTIR loc. ela se abriu da minha desgraça´. ± Tirar fora o tumor. intrometida. ± Ônibus de transporte que faz a condução às empresas do distrito industrial. m. SAPECAR v. m. ± Muitos. ³Claudemir. ³Fez besteira! Vai levar sabacu por isso!´ SABIDO adj. SARNAMBI s. SARJETA s. f. ± Namorar. ³Ela saiu e trouxe rolos de mangas´. SALIENTE adj. mete o sarrafo nela!´ SAÚVA s. f. v. ± Dar. SUA ALMA SUA PALMA SEU CORAÇÃO SUA PINDOBA. ficou quebrado. SERINGUEIRA s. f. ± Estar bêbado. ± Enorme cobra sem veneno. ± Cor de rosa. ± Pneu sobressalente. pele e osso´. SINAL s. ± Aquele que sabe o que faz e disfarça. SAFO adj. RUMA s. ± Ver Se enxerir. ³De quem é essa camisa rósea aqui?´ ROTA s. v. Significa que o teimoso está entregue à sua própria sorte. SARJAR v. m. ³Ele vende cigarro a retalho?´ RÓDO s. v. ± Lixa de unha. bater. ± Sujeito esperto. id. vai jogar o saco de lixo fora´. ³Ela comprou uma calça de marca só pra se enxerir´. Todos batem com as mãos. ao mesmo tempo. SACOPEMBA adj. f. ± Pessoa gorda. ± Pancada. RUEIRO adj. ³Quando eu contei o caso. m. ± Passado. ³Respeite o carro novo que o meu amigo aqui comprou!´ RETALHO s. metida a conquistadora . m. SUREMA adj. ± Indica grande quantidade. ³Leva ele no pronto socorro que ele está se vendo de dor´. SINCERA s. SE ABRIR loc. ± Formiga grande de ferrada dolorida. ³Não é hoje que eu ultrapasso! Essa ruma de carros Não acaba mais de passar!´ S SABACU s. ± Árvore que fornece o látex do qual se fabrica a borracha. m. estepe. ± Semáforo. . SE AGARRAR loc. ³Minha filha não vai sair com esse rapaz porque ele é muito saliente!´ SAMBADO adj. m. garota. m. ± Objeto com muito uso. ³Será que aquela sincera ali topa dançar?´ SÓ O CUÍ exp. ± Pessoa que não gosta de ficar em casa e arruma motivo para sair. ³Ele tinha um carrinho vermelho. ± Originalmente pequena sobra de borracha que se forma durante o processo de defumação do látex. ± Vazio. SUSTANÇA s. id. id. SOLDADO DA BORRACHA s. inteligente. v. RÓSEO adj. ± Varejo. m. SONSO adj. Cuí é a farinha seca peneirada. SONGA-MONGA adj. SANDUBA s. ³Tu viste a mulher do Curica? Tá mesmo que uma sacopemba´. ± Baixar a bola. f. ± Rir. se aquietar. ± Magro de dar dó. sufocando e quebrando os ossos do infeliz para depois engolir a vítima. ± Sanduíche. ± Passar por dificuldades.³Então meu filho. na cabeça do coitado. ³Não precisa. ± Disfarçado. ³Tem que comer farinha desde cedo que é pra pegar sustança´. ³Leva ele que ele tá (de) porre´.Expressão que se ouve quando alguém teima em fazer alguma coisa que o locutor reprova. não foi? Olha essa cara de sonso!´ SOSSEGAR O FACHO exp. principalmente quando há contato físico. ³Ela frescou aí eu sapequei a porrada nela!´ SARAMANDAIA s. pessoa desembaraçada. Aportuguesamento de roadway. SESTA s. ³Ela passou a noite toda se agarrando encostada no muro da igreja´. m. sujo. f. ± Se tocar. SARRAFO s. SECO adj. ± Força. ± Sentir muita dor. v. ± Esperto. usado para descrever um bife difícil de cortar. m. ± Se meter onde não é chamada. Roeu uma pupunha o coitado´.

³Eu tenho pra mim que esse cara é gay´. por pressão. CHEIROSO! exp. f. m. Dá pra cá.³Amazonense é o bicho na cama. TOADA s. m. cai na real. ± Expressão que significa indignação. TOLICE s. id. ³Ele disse que faz o serviço. ³A Terezinha saiu de manhã cedo sem tomar café e teve/deu uma bilora no colégio´. TIRAR O COURO loc. arremessar. ± Bobo. id. TAREFA s. ± Tapa. ³Ei. ± Humilhou! ³Olha o anel de ouro com brilhante dela!´ ³Te mete!´ TÊCA s. ± Desmaiar. ± Vendinha. leso. TESÃO DE MORMAÇO s. ³Ele deixou o sítio dele pra eu tomar de conta´. em geral com asas. ³Vem. TAPIOCA s. TIGIBU s. ± Relativo a tolo. ± Pequena rede de pescaria. ± Mulher baixinha e gorda. ³O que que tu ainda estás fazendo aqui. TEM MIL! interj. ³Tu já faltaste aula três vezes essa semana! Vê se toma tenência´. ³Vou tomar um tacacá bem grande hoje´. moço?´ TÁ PUTO COM exp. ± Bolo de fezes. ± Sujeito que não enxerga as coisas. ³O chefe disse pra tu fazeres o relatório sozinho´. ³O galeroso matou o cara lá a terçadada´. TARRAFA s. ± Tomar conta. ± Usado pelos homens quando alguém não quer fazer o que é esperado dele. tolo´. TACAR v. TALA s. ³Depois que soltou um pum no elevador. o Wandemberg começou a assoviar pra tirar as brocas´. ± Cangote. ³Olha que gata ali do lado daquela tigibu´. cheiroso! Esquece!´ TABATINGA s. ³Ontem fui lá no centro e tirei uma geladeira nova´. m. TIQUIRA s. TER/DAR UMA BILORA loc. ³Essa carne está estragada. tá bom?´ ³Tá. ± Iguaria que se faz de mandioca. camarão e pimenta. TIRAR A HONRA loc. TERÇADO s. TIRAR AS BRONCAS loc. ± Exercício caseiro da escola. TODO ERRADO loc. v. vai lá na taberna do seu Nóbrega e traz dois pães´. ± Aguardente feita de mandioca. TAPIRI s. o ácido da mandi oca brava. id. v. mais fraquinha. ± Utensílio que consiste numa espécie de cesto cilíndrico extensível. ± Casebre coberto com palha. TOMAR TENÊNCIA loc. m. ³Quero duas tapiocas de coco. m. deixa de leseira. TEM UM PORÉM Exp. ± Ver Cajá. ± Música de Boi-Bumbá. v. Mas o japa tira o couro na consulta: 500 paus!´ TIRAR v. Olha só: tá cheia de tapuru´. f. id. TOME TENTO! Interj. ³O melhor médico é o Dr. ± O mesmo que Capina. Mas tem um porém: precisa de ajuda´. ó. ³O Felipe só faz tolice. moleque! Te manda! Cuida!´ TE METE! Exp. id. f. engraçadinha. m. id. v. adj. TER UM PASSAMENTO loc. TE MANCA! interj. m. ³Deixa eu dormir na tua casa hoje?´ ³Te manca. TIPITI s. m. Usada na confecção de papagaios. todo mocinha´. f. essa tapioca é minha. jambu. id. m. ± Maneira de perguntar o preço de alguma coisa. Tamanho paid¶eguão!´ TOLO adj. ³Atravessa aí pela lama. vê como tu estás sendo abestalhado e abusado. ± Vaso de metal ou de barro. ³Foi embora com uma tal de Marluce´. ± Tomar jeito. ± Disfarçar. m. TETÉIA s. mas é tolo. TOMA! Int. Nakabuda. m. m. ³Menino. ± Virilidade do amazonense causada ao calor. f. ± Desmaiar. Só é botar em uso o tesão de mormaço´. ± Não. TÁ. ± Mingau quase líquido de goma de tapioca temperado com tucupi. Tô puto com ela´. ± Verme. ³Vem que eu te dou uns tabefes que tu vais parar longe!´ TABEREBÁ s. com uma abertura na parte superior e duas alças. ± Facão grande de cortar mato. ³O quê? Sozinho? Tem mil pra eu fazer!´ Há a variante ³tem cem!´. ± O ânus. ± Órgão sexual masculino. f. ± Deixa de inventar. ± Tem um detalhe. f. ± Comprar a prazo. TICAR v.TÁ BESTA! exp. rapaz!´ ³Eu não´. f. ± Cobrar muito caro. TOLETE s. abestalhado. filho. v. ³Ih. ± Aprende! ³Toma! Vai se meter de novo com gente maior do que tu!´ TOMAR DE CONTA loc. TODO MOCINHA! exp. ± Tenha juízo! TONTON s. ± Jogar. f. ele ficou todo errado´. ³O Felipe já tem oito anos. TAPADO adj. largo e de pouca fundura. TAL DE ± Expressão de desdém usada antes de nome próprio. Sobe aqui no tonton do papai´. id. parente´. TOBA s.³Tá pra quanto o quilo da goiaba. ³Quando provaram que ele pegou o dinheiro. ± Mulher bonita. v. ± Deflorar. ± Te toca. ± Tanguinha. Pode ser de manteiga ou de coco. ± Eu acho. TACANHOBA s. ± Fina varinha da parte externa do tronco das palmeiras. ± Está com muita raiva de. ± 1 Cortar o peixe para quebrar as espinhas. fingir que nada aconteceu. menino!´ TE MANDA! interj. ³Aí ele levou uma bolada de cheio na têca dele´. f. ± Barro usado para artesanato. feito de palha. ³Vou logo fazer a tarefa de matemática pra poder ir jogar bola´. m. tolo. 2 Furar alguém com faca numa briga. v. desvirginar. usada entre os povos indígenas brasileiros para extrair. ³Não quero falar com ela. mesmo! ³Vou pegar teu carro esse fim-de-semana. ± Situação em que a pessoa está muito envergonhada e sem saber o que fazer. . ³Vamos tacar uma pedra no cachorro dele?´ TACHO s. TABERNA s. TACACÁ s. f. TENHO PRA MIM Exp. Tá besta!´ TÁ PRA QUANTO? exp. f. TAPURU s. TABEFE s.

tá bom. TROCADOR s. f. ± Ver Tigibu. ± Farinha amarela de grãos grandes. falta de sorte. UMA PORRADA loc. m. 2 Transar com alguém. m. ³Tu jura?´ TUCANDEIRA s. m. ³Dizem que a avó da Darle vê visagem´. ± Pessoa trabalhadora. TRONCHO adj. que morreu faz cinco anos´. ± Encontrar. ± Pedaço de madeira que serve para fechar portas. ± Alma de outro mundo. TORAR v. VERRUGA s. ± Conversa fiada. Mas eu não sei tratar peixe´. ± Acertar duas bolinhas em uma só jogada no jogo de bolinha de gude. ± Criança graciosa. m. vai te lascar!´ VALÊNCIA s. id. URA s. VITAMINADA s. ± Sinal que nasceu depois na pessoa. VEXADO adj. VIRADO adj. ³Não tinha dinheiro. envergonhado. ³Eu pesco. TRAVOSO adj. f. V VAI TE LASCAR! interj. comum. ³Pára de ficar urubuservando o papo dos outros!´ URUCUBACA s. f. ± Verme branco que aparece nas fezes e dá uma coceira danada. igual caju verde. TRAVESSA s. deu na veneta cozinhar e ele foi fazer peixe às três da manhã´. ± Dim-dim. ³Tô super atrasado. tocar. ³O cara coleciona coruja. VARADO (DE FOME) adj. TRELA s. TRATAR v. ZAMBETA adj. VOADEIRA s. ± Expressão de espanto que se relaciona à Virgem Maria. ³Aquele professor é travoso que só´. ± Peixe amazônico de águas escuras. dei um queixo no cobrador e passei por baixo da catraca´. f. ± Pelo menos. ³Ela é aquela ali de travessa azul´. ³Ele rodou tanto que saiu de lá zambeta´. ± Formiga gigante que produz ferroadas muito doloridas. ³Meu Deus! Que vasura esse curumim!´ VAZADO adj. ± Expressão de raiva ou de decepção. TRISCAR v. mutilado. ± Molho feito do líquido extraído da mandioca. alimento preparado no liquidificador com leite. fruta regional de carne alaranjada. ± Sair do juízo normal. TORÓ s. ± 1 Que tem cica. ³Ele ficou com todos os brindes. ³O almoço não tá pronto e eu tô varado de fome´. Usado na região de Coari. m. ± Um monte de. f. XODÓ s. VOU-TE! exp. fantasma. ± Sanduíche de pão com queijo e tucumã. U UARINI s. ± Preparar o peixe para cozinhar. ± Tipo de arpão artesanal. ³Vamos comer alguma coisa? Tô vazado«´ 2 adv. TUCUNARÉ s. normalmente ba nana. ³De repente. . VARIAR v. XIBIU s. URUCUM s. ³A Renata é o xodó do patrão. ± Cobrador de ônibus. ± A vagina. Rapidamente. m. azar. VIXE MARIA! Interj. ± 1 Cortar rente à base. ³Vai casar de novo? Ah. ± Cabeça. ³Tá com febre de 40 graus! E já tá variando: disse que viu a vovó Julia. levamos uma hora e meia para chegar a Nhamundá de voadeira´. m. açúcar e uma(s) fruta(s). f. ³De quem é essa vitaminada aqui na geladeira? Se não tiver dono. ± Com muita fome. ³Ficou cara a cara coma onça. f. Vou ter que sair vazado daqui!´ VENETA s. Venha cá conversar comigo´. ± Expressão de indignação. ± O mesmo que relar. ± Verdade? ³Ela vem pra festa hoje´. f. ± Chuva forte com pingos grossos. UMENO adv. ³Esse cabelo tá muito grande. m. ³Se der trela pra ela. VISAGEM s. flau. TURÍTI s. f. lança. ± Berne.TOPAR v. TRIBUFU s. ± O que serve para livrar de uma situação adversa. XUMBREGA adj. ± Favorito. f. bastante. ± Pigmento natural utilizado de várias formas. ± Mau olhado. A valência foi que o filho dele chegou e atirou na bicha´. f. TUXINA s. ela fala a noite inteira´. ± Lancha de alumínio com motor de popa. Acho que vou torar ele´. ± Apressado. f. s. TRIPA s. oxiuríase. ³Bora embora que vai cair o maior toró´. ³Êta caju travoso do cacete´. ± Tiara de cabelo. ³Vai lá e pega umeno uma´. ± Sem valor. ³Sabe quem eu torei ontem? A Sheila´. f. f. ³Fique vexado não. TOTÓ s. ± Vitamina. Z ZAGAIA s. TUCUPI s. Tudo que ela pede ele faz´. VASURA adj. URUBUSERVAR v. id. 2 Pessoa difícil. m. ³Quando menos esperava topei com ela na esquina´. assombração. ³Saindo de lá. ± Olhar atentamente. Tem uma porrada lá na casa dele´. f. vou tomar´. f. m. f. Êta menininha egoísta! Vou -te!´ X X-CABOQUINHO s. ± Pessoa torta do juízo ou fisicamente. ± Tonto. ³O cara anda todo troncho depois da surra que levou!´ TU JURA? exp. TRANCA s. ± Homem que fica embaixo do boi na festa do Boi-Bumbá. ± 1 Faminto.

com classificações e terminologias da lexicografia. ele saiu daqui zimpado´. O contato com as línguas indígenas. MA ± O senhor utiliza o amazonês no seu cotidiano ou ele é apenas seu objeto de est udo? . Que orgulho! Não só meu. leso. que. Quando descobri por acaso. ³vatapá´. A influência indígena também acabou propiciando a criação de expressões como ³andar na pindaíba´ e ³estar de tocaia´. forte. Desde então. a escrita acaba sendo arbitrária. Um termo relativamente novo é ³piriguete´. O contato cultural enriquece a utilização de novas palavras. um possível dicionário paraense ou acreano. de origem do português europeu. com materi alidade toda própria. sem esc rita. inglês para o ensino médio´. ³dendê´. sociedade e ideologia´ e co-autor de ³New Citizen. fiquei eufórico e orgulhoso. os regionalismos são dialetos. que significa algo grande. Um desses termos é ³Masseta´. termos vêm e vão. o ³Dicionário de Amazonês³. Portanto. acredito. principalmente o Tupinambá. MA ± Alguma palavra causou dificuldade na hora de se decidir qual a grafia mais correta? SF ± Como alguns termos são originados de línguas ágrafas. Muito provavelmente outras pessoas devam ter compilado termos utilizados aqui na região. tenho divulgado o Dicionário e. ³buriti´. há de haver sobreposições. indígena e africana? SF ± É muito difícil quantificar a língua. Esse é um exemplo. as línguas africanas tro uxeram palavras como ³figa´. Grande parte do vocabulário é. de Sérgio Augusto Freire de Souza. muito se ganhou de termos daquela região. científico. não coincidiriam em grande parte com o Dicionário de Amazonês? SF ± Não há monopólio na linguagem. Mas o público alvo do banco (as pessoas de trinta para c ima) entendeu. ZEZÃO adj. Há dialetos sociais também. Mas. autor de ³Conhecendo Análise de Discurso: linguagem. curiosa série didática. já no século XVII pode-se dizer o brasileiro se fazia notar como uma língua diferente. Passados dois anos e muitos downloads depois. ZOADA s. semelhantes ao seu? Sérgio Freire ± A linguagem sempre foi objeto de curiosidade. como os dos ³mano´ em São Paulo ou o dos ³galerosos´ em Manaus. fiz dele uma das minhas primeiras postag ens. que vieram ju nto com a informática. uma aglutinação de ³piranha´ com ³gueguete´. recentemente. Usamos ³mouse´. agregou um sem -número de termos ao português. pronto pra outra. concedida via e-mail. ³minhoca´ e outras hoje i ncorporadas na nossa língua como nossas. que significa ³frustrar os planos de alguém´. estudado e organizado a língua da minha terra e até o jeito (e trejeitos) do falar amazonense. São dialetos geográficos. ³O caminhão de som passou aqui fazendo a maior zoada´. contrariamente. mas a história diferente do país fez daquela língua outra língua. terá um tratamento lingüístico. ³orixá´. ³site´ e ³blog´ porque a língua portuguesa não nos deu palavras para nos referirmos a esses conceitos. como ³abacaxi´. ³Paraíba´. A língua é um dos índices mais fortes de identidade. de termos em desuso? SF ± Como a língua é dinâmica. é um filho pródigo do Amazonas que vive há quase 20 anos na cidade de São Paulo. Portanto. na Internet. Acredito que o diferencial do trabalho que desenvolvo é que este dicionário.ZERO-BALA adj. adotada na rede estadual de ensino do Amazonas. E com a influência dos nordestinos na época da Borracha. mas agora estou zero-bala´. onde o mundo poderia apreciar. E isso não é problema porque as fronteiras das línguas e dos dialetos são muito difusas e não muito claras. Afinal. alguém com autoridade no assunto tinha coletado. ³Mogi -Guaçu´. Apesar de carregar o mesmo nome. usado para se r eferir a uma moça perigosa no que diz respeito a atacar o marido ou namorado de outra. O importante. que é um a variável aceitável também. O Brasil herdou de Portugal a língua. MA ± Pode nos dar exemplos no Dicionário de neologismos e. ainda que eu prefira a primeira por q uestões de etimologia. área na qual surgiu a expressão. no Amazonas. É muito comum ver termos indígenas apontados pela toponímia (ciência que estuda a origem dos nomes de lug ares): ³Mogi-Mirim´. besta. Acho até que é inútil. foi um grande sucesso. ZIMPADO adv. mas de dizer ³isso é significativo aqui´. ganhando e perdendo força por meio do uso e desuso. Já uma expressão em desuso é ³cortar a curica´. Ela se mexe mesmo. Muitos nomes de plantas. A língua é viva e não tem osso. duas filhas. como esperado. Acredito que a entrevista a seguir. MA ± Quanto à origem das palavras. tive a honra de um contato direto com o professor Sérgio e não quis perder a chance de tirar dúvidas e conhecer detalhes do seu magn ífico trabalho. claro. seja a primeira do autor sobre o ³Dicionário de Amazonês´ na internet: Moisés Arruda ± O senhor tem conhecimento de trabalhos anteriores. doutor em Lingüística pela Unicamp e professor efetivo da Universidade Federal do Amazonas. ³Tava de porre ontem. casado. A língua acompanha os movimentos econ ômicos também. tinha jogado tudo no ciberespaço. Amazonense até o tchoco! Por Moisés Arruda Moisés Arruda. ± Rapidamente. ´curió´ ³piranha´. ³Quando ele viu o pai da moça atrás dele. com massa. ³ sucuri´ e ³tatu´. ± Barulho. por exemplo. por meio do tráfico de escravos. Mas quantificar é quase que impossível. Mu itos jovens de hoje não compreendem porque não soltam mais papagaio. frutas e animais brasileiros têm origem no tupinambá. MA ± Pela similaridade de culturas. ³Manaus´. poderia estimar. 40 anos. na sua forma final. sim. O banco HSBC fez uma propaganda regionalizada e utilizou a expressão. A língua funciona assim. Cursou Comunicação Social/Jornalismo na Universidade do Amazonas e Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero (SP). ± Abobado. f. e são basicamente termos oralizados. uma vez que o trabalho do professor tem sido replicado ³até o tchoco´. Muita gente nova não entendeu. é identificar as inf luências e trocas lingüísticas ocorridas. grosso modo. o percentual de participação européia. ± Renovado. A língua acompanha os movimentos simbólicos e culturais e caminha no tempo. MA ± Os regionalismos podem ser chamados de dialeto ou subdialeto? SF ± O dialeto é qualquer variedade lingüística coexistente com outra e que não p ode ser considerada uma língua em si própria. que utiliza o imaginário da cultura local. Um dicionário de ³Amazonês´ não tem a intenção de dizer ³isso é nosso´. Sérgio Freire é subsecretário municipal de educação de Manaus. sim. Muita gente escreve ³Maceta´. Melhor ainda.

por dificuldades óbvias e devido à informalidade da proposta. Não acredito que seja uma regra geral. eliminando os regionalismos? SF ± A língua sabe se defender. Mas a língua não existe por si só. MA ± O seu dicionário tem sido utilizado em larga escala na Internet sem os devidos créditos. Espero ampliar essa participação e conto com a internet para isso. Quanto ao uso sem créditos. Na época em que o boi ganhou mídia nacional. é feita por que m? Na internet os textos tendem a deixar de ter autores e passar a ter ³organizadores´ ou ³disponibilizadores iniciais´.SF ± Má rapá« como um bom amazonense eu uso que só.blogspot. tem idéia do porquê do sucesso do dicionário? SF ± Porque se tem uma coisa de que o ser humano gosta é de falar de si e de suas coisas. Isso ajuda a confundir os ouvidos menos apurados. ela vai acompanhando a cultura ou o econômico. Já dizia o poeta: ³minha pátria é minha língua´. que é o nome bonito que o lingüista dá para o estudo da entoação. os regionalismos aparecem como devem aparecer: naturalmente. Mas a tendência maior quando se chega a outra comunidade de fala é a assimilação do falar do local. Esse conceito tem mudado muito em relação aos meios de circulação tradicionais. Quando essas área s se movimentam. Falar da minha língua é falar de mim. sem verossimilhança. Como um índice de identidade. por exemplo. Abrir mão do regionalismo é abrir mão das especificidades identitárias. promoverem a uniformização da língua. . vai. Minha esposa é de Campinas e ela já aponta os carapanãs massetas no quarto com a boca. MA ± Manaus tem recebido muitos imigrantes nos últimos anos. Nos escritores famosos.amazonasinsampa. é bem diferente. Ela permite entrar o que acha que deve. Nenhum grupo permite isso. Estou com Fernando Pess oa. ³Flau´ é o ³Din -din´ em Parintins.com em 26 de novembro de 2006. É uma questão que me interessa bastante como estudioso de Análise de Discurso. Eles mais assimilam ou mais influenciam a fala local? SF ± As duas coisas. Assim se dá o banzeiro lingüístico. MA ± Há alguma palavra ou expressão regional do Amazonas que tenha se difundido pelo país? SF ± Isso é muito sazonal. Senão fica uma linguagem f orçada. E assim. ela se movimenta junto. MA ± É provável que. ³Nem com o pitiú do bodó!´ é o equivalente ao ³nem que a vaca tussa´ em Coari. Recebo e -mails de várias pessoas do interior do Estado sugerindo expressões e palavras particulares à determinada região. MA ± O senhor vê o perigo dos meios de comunicação no Brasil. costumam confundir nossa fala com a dos cariocas. Uma enciclopédia como a Wikipédia. por exemplo. Há também a coincidência do uso do ³tu´ como pronome de tratamen to. a palavra ³toada´ com a acepção utilizada pelos bois até que circulou. Mas gosto muito da poesia de Aníbal Beça e de Luiz Bacellar. Qualquer tentativa de regulamentar a língua por decreto é vã. Não vejo esse perigo. tipo ³para ser escritor amazonense tem de usar vocabu lário local´. a língua traz esse chamariz. não. Vendo por um lado positivo. A frase do carioca é mais cantada do que a nossa. Quando ela vai. Publicado em http://www. Em Campina s ela utilizaria o dedo para apontar um pernilongo grande. por exemplo. comprometendo a boa literatura. Mas a prosódia. isso é uma das questões mais atuais sobre a utilização da internet como fonte: a autoria. Há grandes semelhanças? SF ± A grande semelhança é o ³s´ chiado. Seu ³Rondel da mandioca´ é muito bom: manimani teu corpo branco esfarelado no caititu chora espremido no tipiti lágrimas vivas de tucupi depois no tacho dança lundus cateretês todo doirado dança emboladas de amido e luz MA ± Os paulistas. o interior do estado esteja pouco representado no dicionário? SF ± A internet criou um canal de troca muito interessante quanto a isso. através das novelas. MA ± Os escritores famosos do estado se utilizam do amazonês em suas obras? SF ± Depende do estilo e do escritor.

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