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ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA Simone Rocha de Cristo Leite

advogada
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EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PARANÁ

AGRAVO DE INSTRUMENTO nº 484914-7


11ª CÂMARA CÍVEL

NICOLAS ABOU REJAILE, já qualificado nos autos, por sua


bastante procuradora infra-assinada, Drª. Simone Rocha de Cristo Leite, brasileira,
casada, advogada inscrita sob a OAB/PR nº 23.937, com escritório à Rua Marechal
Deodoro, nº 503, cjtos 1805/1806, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência e deste Egrégio Tribunal, nos autos do AGRAVO DE INSTRUMENTO nº
484914-7, apresentar

AGRAVO INOMINADO

a este Tribunal de Justiça, em face da decisão monocrática prolatada pelo ilustre


relator desembargador no Agravo de Instrumento manejado contra decisão proferida
nos autos da Ação da Ação de Despejo em que contende com AA PIONER
SOUND EMANUELL ELETRÔNICA LTDA., já qualificada por seu advogado,
conforme as razões que se seguem.

Termos que, com a devida vênia,


pede deferimento.

Curitiba, 11 de agosto de 2008.

SIMONE ROCHA DE CRISTO LEITE


OAB/PR nº 23.937

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR RELATOR DA 11ª CÂMARA
CÍVEL DO COLÊNDO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ

EMINENTES JULGADORES,

I . SÚMULA DA ESPÉCIE

Trata-se de Agravo de Instrumento PROVIDO, por decisão


monocrática, nos termos do art. 557, parágrafo primeiro-A do Código de Processo Civil,
para o fim de DECRETAR A NULIDADE DA AÇÃO DE DESPEJO, promovida pelo
Recorrente, e do seu conseqüente PROCESSO EXECUTIVO, sob o fundamento de que
a CITAÇÃO REALIZADA SERIA INVÁLIDA.

Passa-se à narrativa resumida dos fatos, para que a Colenda


Câmara Cível possa bem aplicar o direito à espécie.

A empresa / Recorrida locou imóvel junto à administradora do


Recorrente, em nome da pessoa jurídica AA PIONER SOUND EMANUELL
ELETRÔNICA LTDA., sendo que o representante legal que assinou o contrato de
locação foi o Sr. JULIAN BITTENCOURT.

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Não obstante, o Sr. JULIAN BITTENCOURT tenha vendido as suas
quotas sociais um ano e quatro meses após a efetivação do contrato de locação, ele ou
o novo sócio da empresa não diligenciaram junto à Imobiliária a fim de promover a
devida alteração no contrato de locação.

De modo que, não pagos os aluguéis, ingressou-se com a


competente ação de despejo, tendo a citação se efetivado na pessoa do representante
legal que constava do contrato de locação e do contrato social.

Ocorre que o Douto Desembargador Relator, em sede de Agravo de


Instrumento interposto pela Recorrida, entendeu que a citação seria nula, pois o Sr.
JULIAN ao ser citado informou que havia vendido a empresa e portanto não era mais o
representante legal da empresa, ora recorrida.

Cumpre esclarecer, contudo, que o locador diligenciou junto à Junta


Comercial em 27/03/2006, contrato social da locatária AA Pioner. A Junta apresentou
contrato social da Recorrida, onde constava como representante legal o Sr. JULIAN
BITTENCOURT (fls. 132 e ss).

II. MÉRITO

Colenda Câmara Cível, não obstante a decisão monocrática


prolatada, manifesto é o equívoco que deu por irregular a citação realizada.

Note-se que a locatária do imóvel foi a empresa / recorrida. Quando


os aluguéis deixaram de ser pagos, a citação para a ação de despejo foi devidamente
realizada na pessoa que constava no contrato de aluguel.

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De modo que, se durante o prazo de locação por tempo
determinado, como é o caso dos autos, a empresa fosse vendida a terceiro, este ou o
antigo representante teriam a obrigação de diligenciar junto à imobiliária para informar a
alteração social da locatária.

Concordar que a citação é nula, porquanto, realizada no


representante legal que à época do contrato, locou o imóvel e que vendeu a empresa
durante o contrato fixado por prazo determinado, SEM INFORMAR AO LOCADOR, é
chancelar a inadimplência e abrir lacuna na lei, através da jurisprudência, para que
outros locatários assimilem o exemplo, eximindo-se, com a chancela do Judiciário, da
obrigação de arcar com suas dívidas.

Insta esclarecer, que o MM. Juiz a quo decidiu a respeito, nos


seguintes termos (f. 328-TJ (item V):

”(...) A citação foi eficaz inclusive no aspecto prático, pois nas


tentativas iniciais de citação operou-se a restituição voluntária
das chaves do imóvel conforme termo de fl. 73.” (f. 80-J).

(...) “Por ocasião da contratação a empresa locatária se


declarou representada na pessoa do Sr. Julian Bittencourt, por
isso não pode invocar em seu benefício a posterior alteração
do contrato social denunciada às fls. 288 a 289 (5ª alteração
contratual).” (290/291-TJ).

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Deve prevalecer na hipótese, o art. 422 do Código Civil, porquanto o
citado, Sr. JULIAN, foi responsável pela formação do débito ao contratar com o locador.
Do mesmo modo, o novo proprietário da empresa, Sr. MÁRIO DA SILVEIRA, também é
responsável pela citação ter se efetivado em nome do anterior proprietário, pois, não
agiu com diligência, no sentido de procurar o locador e regularizar o contrato locatício.

Note-se, que é possível, inclusive evidenciar certa má-fé por parte do


novo representante da locatária, pois comprou as quotas sociais em 2002, sendo que a
entrega das chaves do imóvel locado ocorreu em 2003, sem que informasse à Imobiliária
qualquer alteração na composição da pessoa jurídica AA Pioneer.

Assim, há que ser considerada VÁLIDA a citação, nos termos dos


artigos 213, 214 e 215 do Código de Processo Civil e, hígido o processo executivo bem
como a ação de despejo anteriormente promovida. Pois, aquele que firma contrato na
qualidade de co-locatário (fls. 31-TJ) ou quem quer se sub-rogar em seu lugar, tem o
dever de diligenciar no sentido de alterar o contrato de locação em virtude de
alterações societárias.

Colenda Câmara Cível, seria injusto se impor ao locador / recorrente


a modificação do pólo passivo da relação material a esta altura da demanda, por conta
da clara desídia da Recorrida e seus representantes legais.

Por fim, cumpre destacar jurisprudência do Superior Tribunal de


Justiça, a qual entende que ‘ocorrendo mudança no quadro societário da empresa, o
ex-sócio continua obrigado até a efetiva entrega das chaves’:

"CIVIL. LOCAÇÃO. FIADOR. RESPONSABILIDADE. ENTREGA


DAS CHAVES. PREVISÃO CONTRATUAL. POSSIBILIDADE.
PESSOA JURÍDICA. QUADRO SOCIETÁRIO. MUDANÇA.
IRRELEVÂNCIA.
I - A responsabilidade dos fiadores no contrato de locação deve se

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estender até a efetiva entrega das chaves, desde que haja
expressa previsão contratual nesse sentido. (Precedente: EREsp
nº 566.633/CE, 3ª Seção, julgado em 22/11/2006, Rel. Min. Paulo
Medina, acórdão pendente de publicação, noticiado no
Informativo de Jurisprudência
nº 305, ).
II - Na espécie, é irrelevante a mudança no quadro social da
empresa locatária, uma vez que os ex-sócios, fiadores, têm
personalidade jurídica distinta da pessoa jurídica afiançada,
obrigaram-se até a efetiva entrega das chaves do imóvel
locado e não buscaram os meios legais para a desoneração do
encargo.
Agravo regimental desprovido." (AgRgREsp nº 876.795/SP,
Relator Ministro Felix Fischer, in DJ 4/6/2007).

Deve, sim, pois, SER CONSIDERADA VÁLIDA A CITAÇÃO FEITA


NA PESSOA DE QUEM SE APRESENTOU AO LOCADOR COMO SENDO O
PROPRIETÁRIO DA EMPRESA LOCATÁRIA, SE, ESTE MAIS TARDE VENDEU A SUA
PARTE NA EMPRESA E NÃO INFORMOU AO LOCADOR.

Entende-se aplicável ao presente caso, a teoria da aparência,


mesmo que por motivos diferentes daqueles pelos quais, via de regra, ela é aplicada,
porquanto, trata-se o citado de pessoa contratualmente autorizada a receber citação e
que diante do locador, tinha toda a aparência de ser o proprietário/locatário do imóvel.

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Ante todo o exposto, se requer ao Ilustre relator Desembargador, a
retratação da decisão objurgada, ou, então, que seja levado o presente Agravo à
Câmara de Desembargadores, a fim de NEGAR PROVIMENTO ao Agravo de
Instrumento interposto pela Recorrida, por ser questão da mais lídima justiça.

Termos que, com a devida vênia, pede-se deferimento.

Curitiba, 24 de abril de 2008.

SIMONE ROCHA DE CRISTO LEITE


OAB/PR nº 23.937

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