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1.1 As definições do “sujeito”.

Em se tratando de sujeito, são variadas as definições usadas pelos gramáticos


e linguístas. Um tenta se expressar da melhor forma possível, tentando
abranger ao máximo sua definição. No entanto, fica sempre algo a desejar. as
principais definições que podemos encontrar são: “É o termo da oração que
funciona como suporte de uma afirmação feita através do predicado” (SAVIO LI,
2001); 2º) “ Sujeito é o de que se fala. constitui-se de um substantivo ou
equivalente”(PIMENTEL,1998); 3º) “Sujeito é o ser a respeito do qual afirmamos
ou negamos alguma coisa”(AMARAL, PATROCINIO orgs, 1991); 4º) “É o ser
sobre o qual se faz uma declaração” (CUNHA e CINTRA,2001); 5º) “É o ser do
qual se diz alguma coisa” (CEGALLA,1920); podendo ainda existir outros tipos
de de definições. Contudo , todas essas definições acabam se tornando
insuficientes em determinadas cituaçoes, levando em consideração o campo
sintático e semântico segundo Pontes (1986).

Esse rádio estragou o ponteiro.

Na presente frase, Pontes consegue nos mostrar que devido à nomeação do


objeto (rádio ) pelo pronome demonstrativo (esse), o vocábulo “rádio acaba
ocupando lugar de sujeito de modo que a definição em que se baseia o sujeito
como sendo o ser de quem se fala alguma coisa é confirmada essa sentença.

Todavia , se observarmos a mesma frase pelo seu campo semântico – sintático


podemos concluir que a palavra “ponteiro”e que merece ser nomeada sujeito
considerando uma espécie de inversão como se formasse a frase seguinte:

“o ponteiro desse rádio estragou”

quando se trata de seres inanimados, como no caso do radio, a relação do


sujeito com o verbo não soa tão bem , já que o rádio não pode exercer a ação
de estragar algo como soaria se fosse :

”Pedro estragou o rádio”.

No mesmo sentido da frase que acabamos de analisar de E. Pontes, ela cita


várias outras formações como:

“A Sarinha está nascendo os dentes”.

“O carro furou o pneu “.

A definição do sujeito como sendo o ser de quem se declara alguma coisa.


Gerando duvidas, como no nº 6, o carro furou o pneu, é sua suposta inversão; o
pneu do carro furou, podem se entender dois sujeitos: na primeira o carro, e na
segunda o pneu.Entretanto tanto carro quanto o pneu fazem parte de um
mesmo objeto, tornando possível as duas formações. O mesmo ocorre com a
frase já citada acima, onde o rádio e o ponteiro fazem parte do mesmo objeto.
Vemos ,então que embora haja muitas definições de sujeito nem sempre elas
podem ser suficientes , de forma que ,para analisar uma frase e seus supostos
sujeitos, é nescessario que consideremos a sua estrutura sintática e ao mesmo
tempo levemos em consideração seu contexto semântico.
1.2 CLASSIFICÃO TRADICIONAL DOS TIPOS DE SUJEITO

Trabalharemos aqui as classificações tradicionais dos tipos de sujeito, dentre os


quais temos: Sujeito simples; sujeito composto; sujeito indeterminado; sujeito
oculto ou elíptico e sujeito inexistente orações sem sujeito. Para tal dispomos –
nos dos livros de Pontes (1986); Pimentel (1999); Amaral ET- AL (2001); Nicola
e infante (1997).

Conforme Nicola e Infante (1997), os sujeitos podem ser classificados com base
em dois conceitos: de determinação ou indeterminação e o de núcleo do
sujeito.

1.2.1 SUJEITO SIMPLES

Sujeito simples é o sujeito que possui um único núcleo, ou seja, único


vocábulo diretamente ligado com o verbo. Esse vocábulo pode estar no
singular ou no plural; podem também ser um pronome indefinido como: nada,
ninguém etc.

(7) nós nos respeitamos mutuamente, ou

(8) ninguém se mova!

Como cita Nicola e Infante (1997), nesse caso, temos o sujeito como vocábulo
que mantém uma ligação direta com o verbo da sentença; isso nos remete à
definição de sujeito como o ser que faz alguma ação. Entretanto, há
construções nas quais essa definição se torna insatisfatória como nos
apresenta E. Pontes com a frase;

(9) João quebrou a perna.

Nessa sentença temos João sujeito. Mas semanticamente tal frase acaba se
tornando inaceitável pois se analisarmos bem ao tentarmos escrevê-la na voz
passiva a frase fica da seguinte forma:

(10) A perna foi quebrada por João,

Isso mostra-nos que semanticamente entendemos que o próprio João quebrou


a perna sendo que na verdade ele sofreu a ação de ter a sua perna quebrada e
não de quebra – La. A construção da voz passiva em frases como essas só seria
possível se se tratasse da perna de outra pessoa. Entretanto, voltamos
novamente ao único ponto que justifica construção de frase como essa, de
forma que não nos pareça estranho é o caso em que já citamos onde o sujeito
e o objeto que recebe a ação do verbo são parte de um todo.
Outro fato também observado por Pontes é quando a possibilidade em que
determinadas frases o objeto possa se converter em sujeito com o verbo
intransitivo como ocorre na frase seguinte:

(11) a- João quebrou o copo

b- O copo quebrou

Nessa frase (a) temos o sujeito, João o verbo transitivo direto quebou e o
objeto direto o copo. Enquanto, na oração (b) temos apenas o sujeito o copo
que na sentença anterior era o objeto direto e o verbo quebrar que se tornou
intransitivo.

Contudo, isso só e possível quando o sujeito e objeto são seres ou coisas


distintas, ou seja, não são parte de um todo como na sentença já citada.

(12) João quebrou a perna

(13) A perna quebrou

(14) Minha perna quebrou

( 15) A perna do João quebrou

Nesse caso, o fato da perna o objeto ser parte de João o “sujeito” se torna
inviável a construção de frase com a mesma estrutura do anterior. A essa
inviabilidade causada por sentenças construídas com objetos parte de um
todo, Pontes domina como possessão inalienável.

Conforme, Pontes (1986),p20, vê- se que a forma mais cabível quando se


refere de um todo e sua parte,( como no caso 1 e 5 o carro e o pneu; o rádio e
o ponteiro etc),e aquela formação em que o possuidor , ou seja,o todo aparece
no inicio,(sujeito), e a parte no fim, (objeto), da sentença.

Voltando a idéia inicial do sujeito simples como sendo o sujeito que possui no
núcleo um único vocábulo e que tal vocábulo se relaciona diretamente com o
verbo podemos afirmar que há clareza quanto a essa definição. Entretanto,
quando entramos no campo semântico de determinadas sentenças vemos que
essa relação sujeito / verbo / objeto pode sofrer algumas alterações , quando
se trata de um objeto que é parte do sujeito e isso nos leva a entender que
pode existir uma espécie de inviabilidade nas construções da voz passiva de
frase que possua essa relação de objeto parte do sujeito.
1.2.2 SUJEITO COMPOSTO

Ao contrário de sujeito simples o sujeito composto e aquele que possui mais de


um núcleo, isto é, mais de um vocábulo diretamente ligado ao verbo como
segue os exemplos:

(16) Alimentos e roupas andam caríssimos.

Temos aqui os dois núcleos do sujeito, alimentos/ roupas que concordam


plenamente com o verbo andar tanto em número quanto em pessoa. Andar é
um verbo de ligação e isso classifica o predicado nominal e a palavra que se
seque caríssimos, um predicativo do sujeito é e o núcleo do predicado.

(17) Márcia e Eduardo chegaram hoje.

Da mesma forma aqui no exemplo (17) temos Márcia / Eduardo sendo o núcleo
do sujeito do sujeito. O verbo chegar e um verbo de ação o predicado e verbal.
1.3.3 SUJEITO AGENTE E PACIENTE

Pode-se considerar o sujeito do ponto de vista da atitude que ele assume em


relação ao processo verbal. Isto porque a definição de agente como sendo
aquele que pratica a ação só coincide com o sujeito na voz ativa.

(67) Paulo provocou a briga

Nas orações construídas com a voz passiva o agente não coincide com o
sujeito gramatical, no n° 67, Paulo é o agente e provocou é o verbo da voz
ativa.

(68) A briga foi provocada por Paulo.

Neste caso,o sujeito é paciente,é não agente,pois sofre a ação, visto que o
verbo não é mais provocar,mas sim a locução verbal ser provocada. No n° 68,
a briga é o sujeito paciente, e foi é o verbo na voz passiva, conseqüentemente
Paulo torna-se o agente da voz passiva.

As orações em que o verbo é reflexivo ou está conjugado na voz


reflexiva,neste caso o sujeito será o agente e paciente simultaneamente.
(69) o cachorro feriu a criança

(70) a criança foi ferida pelo cachorro

(71) a criança feriu-se

Constata-se que estes exemplos são típicos de orações agente e paciente,e


para especificar melhor este processo, entender os mecanismos da voz ativa e
passiva é primordial, ao interpretarmos um texto,deve-se estar atento as
escolhas que são feitas entre voz ativa e passiva. Geralmente, é o sujeito da
oração, seja ele agente ou paciente da oração,seja ele agente ou paciente da
ação;observe:

(72). Lucas é preso em são Paulo pela policia federal

(73) policia federal prende Lucas em são Paulo.

No n° 72 ganha ênfase o objeto da oração, Paulo, sujeito da voz passiva.

No n° 73 deixa claro o agente da oração, Policia Federal, sujeito da voz ativa.


Portanto é preciso conhecer os conceitos de sujeito, agente e paciente para
entender e identificar as três vozes: ativa ,passiva e reflexiva.

• Se o sujeito é agente, isto é, pratica a ação verbal, a voz do verbo é


ativa .
• Se o sujeito é paciente,sofre a ação verbal, portanto o verbo está na
passiva.
• Se o sujeito é agente e paciente ao mesmo tempo, temos a voz
reflexiva.
1.2.4 SUJEITO OCULTO OU ELÍPTICO

Dizemos que um sujeito é oculto quando não aparece visivelmente mais


podemos deduzi-lo através da desinência verbal ou do contexto da frase como
podemos ver em:

(42) Ficamos um bocado sem falar.

Vê-se através da terminação “mos”, 1º pessoa do plural, ou seja, esta


subentendido o sujeito da frase e o pronome “nós”.

Da mesma forma quando falamos de sujeito elíptico estamos nos referindo a


um sujeito que não aparece explicitamente na frase mas que fica
subentendido. Entretanto, o sujeito elíptico acontece quando em um período o
sujeito aparece apenas na primeira oração ficando implícito nas demais.

(43) O moço chegou cansado,/banhou,/deitou-se/e logo adormeceu.

Como vimos nesse período temos quatro orações com tudo o sujeito, (moço),
se encontra explicitamente apenas na primeira oração. De forma que nas
demais ele fica subentendido.
1.25 SUJEITO INESISTENTE (OU ORAÇAO SEM SUJEITO

Segundo SIPRO NETO( 1988) os casos mais importantes de oração sem sujeito
da língua portuguesa ocorrem com

a) verbos que exprimem fenômenos da natureza


(43) choveu pouco no ultimo mês.

(44) está amanhecendo.

Quando usamos de forma figurada, esses verbos podem ter sujeito


determinados.

(45) choveram pontapés durante a chegada.

b) os verbos estar, fazer, haver, e ser, quando usados para indicar idéia de
tempo ou fenômeno natural.

(46) está tarde

(47) É cedo
(48) Eram oito horas

(49) faz muito frio na Europa

(50) há meses não vejo sua irmã

c) O verbo haver, quando exprime existência ou acontecimento.

(51) Há boas razoes para suspeitarmos dela

(52) houve varias apresentações durante a festa.

(53) deve haver muitos interessados em coisas antigas.

Com exceção do verbo ser, que, quando indica tempo, varia de acordo com a
expressão numérica que o acompanha (É uma hora, são dez horas).Portanto os
verbos impessoais devem ser usados sempre na terceira pessoa do singular.
Tendo cuidado em usar os verbos FAZER e HAVER impessoalmente.
1.32 SUJEITO X TÓPICO

PONTES( 1986) advoga que vários lingüistas empregam noções,que é mal


definida, ou sem definição,é tópico,diz que, o sujeito é o tópico da
sentença,mas sem definir o significado.

KEENAM(1976) diz que a noção de tópico é pragmática e a de


sujeito sintática, só transfere o problema para outra esfera.e que é pragmática ? se
pragmática for definida como o nível do discurso, então dizer que o sujeito exprime o
tópico significa que o sujeito indica o tópico(assunto)do discurso?

Percebe-se que o tópico não se confunde com o sujeito, mas é um


elemento independente, segundo PONTES quando há um tópico distinto do
sujeito, como aquelas arvores os troncos são altos, temos um tópico seguido
de comentários. O comentário é expresso por uma sentença,com sujeito e
predicado, e os troncos é baseado na suposição de que, quando há um tópico
distinto do sujeito, este expressa o tópico da sentença.

Discute-se tópicos em diferentes contextos, questões que declara que os


lingüistas não consideram como único conceito de tópico. Confusão entre os
diferentes tipos de tópicos ,havendo uma mistura de termos.

Conclui-se que o tópico está relacionado ao sujeito, mas não podendo


ser confundido ao mesmo.

Outros tipos de sujeito

Além dos tipos tradicionais de sujeito que encontra-se facilmente na gramáticas,


encontramos outros tipos de sujeitos, que normalmente não são estudados por
alunos de ensino fundamental e médio, e que serão apresentados a seguir.