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Aula 6 Resumo unidade 1

Resumo-

Nesta unidade apresentamos o processo histórico da formação disciplinar da


Didática. O campo de estudos da Didática está vinculado a todas as
transformações que ocorreram na Europa a partir do século XV. Aconteciam
mudanças nas formas de produzir o conhecimento como nas formas de
produzir riquezas. Essas mudanças não podem ser consideradas
isoladamente, pois mudanças na forma de produzir conhecimento e riqueza
interferem tanto na forma de funcionamento da estrutura política e social como
também no modo de educar as pessoas para viverem nesse mundo que está
se transformando.

É no mundo em transformação da Idade Moderna que surgem as primeiras


publicações sobre Didática.

As primeiras publicações sobre Didática foram editadas na Idade Moderna, no


século XVII, momento de grandes transformações sociais e culturais. Em geral,
os livros de História da Educação mencionam a figura de Jan Amos Komensky
(1592-1670), em latim Comenius, pastor protestante nascido no atual território
da Tchecoslováquia, como sendo a primeira referência histórica no campo da
Didática. Empregamos o nome de Comenius em português, por isso adotamos
a grafia Comênio. 

Comênio é uma referência histórica importantíssima para a Educação da Idade


Moderna, porém há outro estudioso, anterior a ele, que costuma ser esquecido
pelos manuais de Didática, porém as pesquisas atuais em História da
Educação estão recuperando sua obra. Esse estudioso é Wolfgang Ratke
(1571–1635), em latim Ratichius. A metáfora da Didática como arte, utilizada
por Ratke, aponta para o domínio do fazer, ou seja, Didática como aplicação de
uma técnica. Ratke compreendia a arte de ensinar e aprender como a
aplicação de uma técnica. A influência de Ratke e Comênio vai se es-tender
durante todo o século XVII e, posteriormente, no século XVIII. Essas obras vão
formar a base do processo de organização do trabalho pedagógico até a
segunda metade do século XX, que são: partir do concreto (da coisa) para o
abstrato (o conceito), do fácil para o difícil em uma “suposta” gradação de
dificuldade entre os conteúdos a serem ensinados.

Ratke e Comênio representam o trânsito da formação individual para a coletiva;


o “ofício” do “mestre do ensino”; a produção de dispositivos pedagógicos, dos
materiais específicos para o ensino como o manual didático, a busca de uma
“linguagem adequada” ao público. Portanto, Ratke e Comênio propuseram um
modelo de ensino que atendeu as necessidades do sistema produtivo do
século XVII. 
O período que abarca os primeiros questionamentos de Ratke e Comênio
sobre a Didática, no século XVII, até a Aplicação da Psicologia à Educação, de
Johann Friedrich Herbart (1776-1841), no século XIX, está marcado pela
concepção técnico-científica, por essa busca de categorizar o pro-cesso de
ensino como Ciência. Johann Friedrich Herbart (1776-1841) se propôs a tarefa
de apresentar a Educação como Ciência e a diferenciá-la, definitivamente, da
arte. Para Herbart a arte é um conjunto de habilidades que se coloca em
prática para alcançar um determinado fim. Por essa razão quando Herbart
formula e divulga seus princípios educacionais o faz a partir das regras do
discurso científico. Por isso, ele está interessado em estabelecer leis para o
processo de ensino.

A partir do desmonte do discurso científico da Idade Moderna, os educadores


da segunda metade do século XX e início do século XXI vem consta-tando que
o processo de ensino e aprendizagem não é tão previsível, nem tão linear,
como a concepção técnico-científica da Didática tem procurado demonstrar.
Tempo e espaço, condicionam nossa forma de experenciar a Educação e,
consequentemente, a Didática. Compreendemos que a concepção técnico-
científica tem configurado, tem dado a forma de se conceber a Didática, as
representações que tem sido feitas sobre a Didática, e não desvelado o que
possa ser a Didática, pois a Didática não é um objeto que possui uma essência
em si mesmo, um objeto acabado e fechado em si mesmo, independente de
nós que nos propomos a estudá-la. Construímos a Didática, e todas as práticas
educativas, na medida em que pensamos/agimos, na medida em que falamos
sobre a Didática.

Compreender a Didática como sendo o modo pelo qual o educador comunica o


mundo da experiência e da cultura implica que esse modo de comunicar vai
depender das pressuposições daquele que comunica. Isso quer dizer que são
as pressuposições que vão dar feições diferentes à ação docente. As
pressuposições relativas do educador, ou seja, as noções que o educador tem
sobre o processo educativo, sobre a sua própria função e sobre como ele
compreende o educando, interferem no modo como ele comunica o mundo da
experiência e da cultura. Essa compreensão de Didática como processo
comunicativo é uma concepção crítico-emancipatória.

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