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Superior Tribunal de Justiça

EDcl no AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.166.037 - PB


(2017/0236905-7)

RELATOR : MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECA


EMBARGANTE : JOÃO PAULO BARBALHO INÁCIO DA SILVA
ADVOGADOS : TICIANO FIGUEIREDO DE OLIVEIRA - DF023870
PEDRO IVO RODRIGUES VELLOSO CORDEIRO - DF023944
LINDBERG CARNEIRO TELES ARAÚJO E OUTRO(S) -
PB017922
EMBARGADO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA PARAÍBA
EMENTA
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL
NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SENTENÇA DE
PRONÚNCIA. HOMICÍDIO NO TRÂNSITO. EMBRIAGUEZ.
EXCESSO DE VELOCIDADE. NOVATIO LEGIS IN MELLIUS -
LEI N. 13.546/2017. PRINCÍPIO IN DUBIO PRO REO. DOLO X
CULPA. EXAME APROFUNDADO DE PROVAS. SÚM. 7/STJ.
OMISSÃO. INOCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS
NO ART. 619 DO CPP. JUNTADA DE NOTAS
TAQUIGRÁFICAS. ACOLHIMENTO PARCIAL DOS
EMBARGOS.
1. Os embargos de declaração são recurso com fundamentação
vinculada, sendo imprescindível a demonstração de que a decisão
embargada se mostrou ambígua, obscura, contraditória ou omissa,
conforme disciplina o art. 619 do Código de Processo Penal. Podem
ser admitidos, ainda, para correção de eventual erro material e,
excepcionalmente, para alteração ou modificação do decisum
embargado.
2. No caso, consta do acórdão recorrido que o §3º acrescido pela
Lei n. 11.546/2017 ao art. 302 do CTB apenas previu que, se o
agente, por ocasião do acidente, estiver sob influência de álcool ou
outra substância psicoativa, a pena será mais grave – 5 a 8 anos de
reclusão. Não significa, por isso, dizer que aqueles que dirigiam
embriagados ou sob efeito de substâncias psicoativas e se envolveram
em homicídio no trânsito (dolo eventual) tenham que, de pronto, ser
beneficiados com a desclassificação do delito para a modalidade
culposa.
3. Consignou, ainda, o v. acórdão que, de acordo com os autos, o
acusado, além de embriagado, dirigia em velocidade incompatível com
a via de tráfego, ultrapassando em muito o limite permitido, tendo as
instâncias ordinárias entendido que assumiu o risco de produzir o
resultado morte, impondo-se a submissão ao Tribunal do Júri, juízo
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natural da causa.
4. O julgado entendeu, também, que a análise da alegada divergência
jurisprudencial estava prejudicada, pois a suposta dissonância aborda
a mesma tese que amparou o recurso pela alínea "a" do permissivo
constitucional, e cujo julgamento esbarrou no óbice do enunciado n. 7
da Súmula deste Tribunal.
5. Não obstante o teor do artigo 619 do Código de Processo Penal,
que estabelece taxativamente as hipóteses de cabimento dos embargos
de declaração, esta Corte Superior de Justiça os tem admitido com a
finalidade de se obter a juntada das notas taquigráficas referentes ao
julgado, atendendo, assim, ao disposto no caput dos artigos 100 e
103 do Regimento Interno deste Tribunal.
6. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, sem efeitos
modificativos, apenas e tão somente, para determinar que sejam
juntadas as notas taquigráficas da sessão de julgamento do agravo
regimental, com a republicação do acórdão e a reabertura do prazo
para eventuais recursos.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas,


acordam os Ministros da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade,
acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Felix Fischer e Jorge Mussi
votaram com o Sr. Ministro Relator.

Brasília (DF), 19 de maio de 2020(Data do Julgamento)

Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA


Relator

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EDcl no AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.166.037 - PB
(2017/0236905-7)

RELATOR : MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECA


EMBARGANTE : JOÃO PAULO BARBALHO INÁCIO DA SILVA
ADVOGADOS : TICIANO FIGUEIREDO DE OLIVEIRA - DF023870
PEDRO IVO RODRIGUES VELLOSO CORDEIRO - DF023944
LINDBERG CARNEIRO TELES ARAÚJO E OUTRO(S) -
PB017922
EMBARGADO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA PARAÍBA
RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECA (Relator):

Trata-se de embargos de declaração opostos por JOÃO PAULO


BARBALHO INÁCIO DA SILVA contra acórdão que negou provimento a agravo
regimental no agravo em recurso especial, nos termos da seguinte ementa (e-STJ, fls.
1.559/1.561):

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.


RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. SENTENÇA DE PRONÚNCIA.
DELITO DE TRÂNSITO. EMBRIAGUEZ E EXCESSO DE
VELOCIDADE. HOMICÍDIO E LESÃO CORPORAL. ALEGAÇÕES
FINAIS ORAIS. INTERVALO ENTRE AS AUDIÊNCIAS DE
INSTRUÇÃO E JULGAMENTO. INDEFERIMENTO DE
DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
DOLO EVENTUAL. CULPA CONSCIENTE. LEI 13.546/2017.
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. EXAME APROFUNDADO
DE PROVAS. SÚM. 7/STJ.
1. "O ordenamento jurídico processual penal adota a oralidade
como regra para a apresentação das alegações finais, somente
contendo previsão para sua dedução mediante memoriais escritos
quando, 'considerada a complexidade do caso ou o número de
acusados', o magistrado entender prudente a concessão de prazo
para a dedução escrita dos argumentos. Doutrina e precedentes.
Note-se que o afastamento da regra de oralidade da apresentação
das alegações finais constitui faculdade do juiz, que deve verificar,
caso a caso, a adequação da medida" (HC n. 340.98l/SP, Relator
Ministro JOEL ILAN PACIORNICK, QuintaTurma).
2. O prazo constante no artigo 400 do Código de Processo Penal –
60 (sessenta) dias, em regra, para a realização da audiência de
instrução e julgamento – é impróprio, ou seja, inexiste sanção em
caso de inobservância.
3. O deferimento de realização de diligência e de produção de
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provas é faculdade do juiz, no exercício da sua discricionariedade
motivada, cabendo ao magistrado desautorizar a realização de
providências que considerar protelatórias ou desnecessárias e sem
pertinência com a sua instrução.
4. Consoante reiterados pronunciamentos deste Tribunal de
Uniformização Infraconstitucional, o deslinde da controvérsia
sobre o elemento subjetivo do crime, especificamente, se o acusado
atuou com dolo eventual ou culpa consciente, fica reservado ao
Tribunal do Júri, juiz natural da causa, no qual a defesa poderá
desenvolver amplamente a tese contrária à imputação penal.
5. Na espécie, foram apontados elementos que podem sugestionar a
presença do dolo eventual: ação volitiva do réu, que ingeriu bebida
alcoólica antes de conduzir o veículo e trafegava em alta
velocidade - 151,2 km/h -, desrespeitando os cruzamentos com vias
preferenciais, colidindo com veículo de terceiro.
6. O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que o dolo
eventual não é extraído da "mente do agente", mas das
circunstâncias do fato, de forma que a ocorrência de uma morte e
de uma lesão corporal faz parte do resultado assumido pelo agente,
que sob a influência de álcool, em alta velocidade e desrespeitando
as regras de trânsito, foi o responsável pelo fatídico acidente. Tais
elementos, bem delineados na denúncia, demonstram a antevisão do
acusado a respeito do resultado assumido, justificando a
imputação.
7. O art. 302 do CTB define o delito de homicídio culposo na
direção de veículo automotor. O §3º acrescido pela Lei n.
11.546/2017 apenas previu que, se o agente por ocasião do
acidente estiver sob influência de álcool ou outra substância
psicoativa, a pena será mais grave – 5 a 8 anos de reclusão.
8. Não significa, por isso, dizer que aqueles que dirigiam
embriagados ou sob efeito de substâncias psicoativas e se
envolveram em homicídio no trânsito, assumindo o risco de produzir
o resultado, tenham que, de pronto, ser beneficiado com a
desclassificação do delito para a modalidade culposa.
9. A análise da alegada divergência jurisprudencial está
prejudicada, pois a suposta dissonância aborda a mesma tese que
amparou o recurso pela alínea "a" do permissivo constitucional, e
cujo julgamento esbarrou no óbice do Enunciado n. 7 da Súmula
deste Tribunal.
- Conforme a jurisprudência desta Corte, a incidência da Súmula
7/STJ impede o exame do dissídio jurisprudencial aventado nas
razões do apelo nobre (AgRg no REsp 1532799/SC, Rel. Ministro
NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 22/03/2018, DJe
03/04/2018).
10. Agravo regimental a que se nega provimento.

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Nas razões dos aclaratórios, requer, inicialmente, em homenagem à ampla


defesa e ao contraditório, a juntada das notas taquigráficas do acórdão embargado,
determinando-se a republicação do julgado e a reabertura do prazo recursal.

Afirma que, "no caso destes autos, os advogados estavam presentes à


sessão de julgamento e puderam observar e ouvir o eminente Ministro Relator fazendo
comentários e referências - a par do voto - acerca do ponto fulcral da pretensão veiculada no
recurso especial, ou seja, o elemento subjetivo do tipo" (e-STJ, fl. 1.591).

Prossegue alegando omissão quanto aos seguintes argumentos (i) novatio


legis in mellius – Lei n. 13.546/2017 –, ante a impossibilidade de se presumir,
automaticamente, por dolo eventual, em face da suposta embriaguez do autos do homicídio na
direção de veículo automotor, sob pena de contrariedade ao princípio constitucional do in
dubio pro reo; (ii) a suposta alta velocidade é elemento clássico da modalidade de
imprudência nos crimes culposos; (iii) inaplicabilidade princípio in dubio pro reo, no ponto
relativo ao dissídio jurisprudencial, sendo certo, ainda, que a apreciação do tema não implica
exame aprofundado de provas.

Pugna, ao final, pelo acolhimento dos embargos para que sejam juntadas as
notas taquigráficas, determinando-se a republicação do acórdão e a reabertura do prazo
recursal. Subsidiariamente, requer sejam sanadas as omissões apontadas, com o consequente
provimento do agravo regimental e do recurso especial.

É o relatório.

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VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECA (Relator):

No caso, o embargante insurge-se contra a ausência de notas taquigráficas


referentes ao julgamento do agravo regimental mantendo a sentença que pronunciou JOÃO
PAULO BARBALHO INÁCIO DA SILVA por infração ao art. 121, caput, c/c art. 18, I,
(segunda parte), e 129, caput, ambos do Código Penal.

Alega, ademais, a ocorrência de omissão acerca dos seguintes aspectos: (i)


novatio legis in mellius – Lei n. 13.546/2017 –, ante a impossibilidade de se presumir,
automaticamente, por dolo eventual, em face da suposta embriaguez do autos do homicídio na
direção de veículo automotor, sob pena de contrariedade ao princípio constitucional do in
dubio pro reo; (ii) a suposta alta velocidade é elemento clássico da modalidade de
imprudência nos crimes culposos; (iii) inaplicabilidade do princípio in dubio pro reo, no ponto
relativo ao dissídio jurisprudencial, sendo certo, ainda, que a apreciação do tema não implica
exame aprofundado de provas.

Os embargos de declaração são recurso com fundamentação vinculada,


sendo imprescindível a demonstração de que a decisão embargada se mostrou ambígua,
obscura, contraditória ou omissa, conforme disciplina o art. 619 do Código de Processo
Penal. Podem ser admitidos, ainda, para correção de eventual erro material e,
excepcionalmente, para alteração ou modificação do decisum embargado.

Na hipótese, as alegadas omissões foram devidamente apreciadas pelo


acórdão recorrido, conforme se depreende dos seguintes trechos que passo a transcrever
(e-STJ. fls. 1.581/1.583):

c.2) Da absoluta desconsideração novatio legis in mellius – Lei n.


13.546/2017. Necessidade de reforma da decisão agravada.
Argumento defensivo não apreciado.
c.3) Do dissídio jurisprudencial: Incerteza quanto a ocorrência de
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crime de competência do Tribunal de Júri – tese não analisada.
O inconformismo da defesa, no sentido de que a novatio legis in
mellius e dissídio jurisprudencial não foram analisados, em nada
altera a conclusão do julgado.
Isto porque prevalece no Superior Tribunal de Justiça o
entendimento no sentido de que "o julgador não é obrigado a
rebater cada um dos argumentos aventados pela defesa ao proferir
decisão no processo, bastando que pela motivação apresentada
seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as
pretensões da parte" (AgRg no AREsp n. 1.009.720/SP, Rel.
Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 25/4/2017, DJe
5/5/2017).
O agravante argumenta que a Lei n. 13.546/2017 deu nova
disciplina aos crimes de trânsito, criando hipótese típica e
específica de homicídio culposo na direção de veículo automotor
quando supostamente há embriaguez.
Com efeito, a Lei n. 13.546 de 19/12/2017 alterou dispositivos do
Código de Trânsito Brasileiro, assim dispondo sobre crimes
cometidos na direção de veículos automotores, no que interessa.
Art. 3º. O art. 302 da Lei n. 9.503, de 23 de setembro de 1997
(Código de Trânsito Brasileiro), passa a vigorar acrescido do
seguinte §3º.
§3º Se o agente conduz veículo automotor sob a influência de
álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que
determine dependência:
Penas - reclusão, de cinco a oito anos, e suspensão ou
proibição do direito de se obter a permissão ou a habilitação
para dirigir veículo automotor.
Ora, o art. 302 do CTB define o delito de homicídio culposo na
direção de veículo automotor. O §3º acrescido pela Lei n.
11.546/2017 apenas previu que, se o agente, por ocasião do
acidente, estiver sob influência de álcool ou outra substância
psicoativa, a pena será mais grave – 5 a 8 anos de reclusão.
Não significa, por isso, dizer que aqueles que dirigiam embriagados
ou sob efeito de substâncias psicoativas e se envolveram em
homicídio no trânsito (dolo eventual) tenham que, de pronto, ser
beneficiado com a desclassificação do delito para a modalidade
culposa.
Ademais, na hipótese, de acordo com os autos, o acusado, além de
embriagado, dirigia em velocidade incompatível com a via de
tráfego, ultrapassando em muito o limite permitido, tendo as
instâncias ordinárias entendido que assumiu o risco de produzir o
resultado morte, impondo-se a submissão ao Tribunal do Júri, juízo
natural da causa.

Documento: 1943411 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 27/05/2020 Página 7 de 4
Superior Tribunal de Justiça
Finalmente, a análise da alegada divergência jurisprudencial está
prejudicada, pois a suposta dissonância aborda a mesma tese que
amparou o recurso pela alínea "a" do permissivo constitucional, e
cujo julgamento esbarrou no óbice do Enunciado n. 7 da Súmula
deste Tribunal.
Nesse sentido:
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO
RECURSO ESPECIAL. ESTELIONATO. ART. 171, § 3º, DO
CÓDIGO PENAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE DOLO
E ERRO DE PROIBIÇÃO. REVOLVIMENTO
FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ.
INVIABILIDADE DA ANÁLISE DA DIVERGÊNCIA
JURISPRUDENCIAL. AGRAVO IMPROVIDO.
1. Ausente a apontada negativa de prestação jurisdicional, na
medida em que voto condutor do acórdão apreciou,
fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução
da controvérsia, não havendo falar em violação ao art. 619
do CPP.
2. Tendo a Corte de origem, soberana na apreciação da
matéria fático-probatória, concluído que as condutas
imputadas ao recorrente caracterizam o tipo previsto no art.
171, § 3º, do CP, porque comprovadas a materialidade e
autoria do delito, bem como o dolo, o exame da pretensão de
absolvição encontra óbice na Súmula 7/STJ.
3. Conforme a jurisprudência desta Corte, a incidência da
Súmula 7/STJ impede o exame do dissídio jurisprudencial
aventado nas razões do apelo nobre.
4. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1532799/SC,
Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em
22/03/2018, DJe 03/04/2018)

Não há, portanto, que se falar em omissão.

Vale lembrar, por oportuno, que, mesmo após o advento no novo Código
de Processo Civil, prevalece no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que "o
julgador não é obrigado a rebater cada um dos argumentos aventados pela defesa ao proferir
decisão no processo, bastando que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões
pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões da parte" (AgRg no AREsp 1009720/SP, Rel.
Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 25/4/2017, DJe 5/5/2017).

Documento: 1943411 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 27/05/2020 Página 8 de 4
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A propósito:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. ALEGADA


OBSCURIDADE. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. SUPRESSÃO DE
INSTÂNCIA. INVIÁVEL. EMBARGOS REJEITADOS.
I - Nos termos do art. 619 do CPP, serão cabíveis embargos
declaratórios quando houver ambiguidade, obscuridade,
contradição ou omissão no julgado. Podem também ser admitidos
para a correção de eventual erro material, consoante entendimento
preconizado pela doutrina e jurisprudência. Não constituem,
portanto, recurso de revisão.
II - Não é possível o reexame da matéria já apreciada, na via dos
declaratórios, que não se prestam para modificar o julgado, em
vista do inconformismo do embargante.
III - O julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses
expostas no recurso, ainda que para fins de prequestionamento,
desde que demonstre os fundamentos e os motivos totalmente
suficientes que justificaram suas razões de decidir. Precedentes.
Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no HC 513.790/PB, Rel.
Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), QUINTA
TURMA, julgado em 17/10/2019, DJe 25/10/2019)

PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO


RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA.
NÃO RECOLHIMENTO DE ICMS. RECEBIMENTO DE
MERCADORIA SEM REGISTRO. ART. 2º, I, DA LEI N. 8.137/90.
VIOLAÇÃO DO ART. 619 DO CPP. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA
DE OMISSÃO. POSTULAÇÃO PELA ABSOLVIÇÃO POR
VIOLAÇÃO AO ART. 156, DO CPP. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO
REGIMENTAL DESPROVIDO.
I - Embora o tenha feito de maneira implícita e em sentido diverso
do pretendido pelo agravante, o eg. Tribunal a quo, efetivamente,
tratou da questão da comprovação da tipicidade da conduta do
acusado, apontada como matéria omitida no v. acórdão
embargado, infirmando os argumentos apresentados pela Defesa.
II - A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça definiu que
os embargos de declaração não são a via adequada para nova
impugnação do mérito.
III - "O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todas as
teses expostas no recurso, ainda que para fins de
prequestionamento, desde que demonstre os fundamentos e os
motivos que justificaram suas razões de decidir." (EDcl no AgRg no
HC n. 401.360/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, DJe de 24/11/2017).
Documento: 1943411 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 27/05/2020 Página 9 de 4
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IV - O recurso especial não será cabível quando a análise da
pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório,
sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas
instâncias ordinárias na via eleita.
Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1803437/SC, Rel.
Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 28/05/2019,
DJe 04/06/2019)

A embargante, na realidade, pretende rediscutir matéria já decidida e que foi


contrária à sua pretensão, sem demonstrar, todavia, ambiguidade, obscuridade, contradição ou
omissão, nos termos do art. 619 do CPP.

Finalmente, não obstante o teor do artigo 619 do Código de Processo


Penal, que estabelece taxativamente as hipóteses de cabimento dos embargos de declaração,
esta Corte Superior os tem admitido com a finalidade de se obter a juntada das notas
taquigráficas referentes ao julgado, atendendo, assim, ao disposto no caput dos artigos 100 e
103 do Regimento Interno deste Tribunal.

Art. 100. As conclusões da Corte Especial, da Seção e da Turma, em


suas decisões, constarão de acórdão no qual o relator se reportará
às notas taquigráficas do julgamento, que dele farão parte
integrante.

Art. 103. Em cada julgamento, as notas taquigráficas registrarão o


relatório, a discussão, os votos fundamentados, bem como as
perguntas feitas aos advogados e suas respostas, e serão juntadas
aos autos, com o acórdão, depois de revistas e rubricadas.

Nesse sentido:

PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO


REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. JUNTADA DE NOTAS
TAQUIGRÁFICAS. VOTOS VENCIDOS. CABIMENTO.
ACLARATÓRIOS ACOLHIDOS.
1. Embora este Tribunal, em nome da celeridade processual, tenha
flexibilizado a juntada das notas taquigráficas, é cabível a
oposição de embargos de declaração para tal finalidade,
atendendo-se, assim, ao disposto no caput dos artigos 100 e 103 do
RI desta Corte.
2. Embargos de declaração acolhidos apenas para determinar a
juntada das notas taquigráficas. (EDcl no AgRg no HC 397.319/SP,
Documento: 1943411 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 27/05/2020 Página 10 de 4
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Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em
13/11/2018, DJe 04/02/2019, grifei.)

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO


RECURSO ESPECIAL. NOTAS TAQUIGRÁFICAS. PARTE
INTEGRANTE DO ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE JUNTADA.
CABIMENTO DOS ACLARATÓRIOS PARA SANAR A OMISSÃO.
ACLARATÓRIOS PARCIALMENTE ACOLHIDOS, SEM EFEITOS
MODIFICATIVOS.
1. Não obstante o teor do artigo 619 do Código de Processo Penal,
que estabelece taxativamente as hipóteses de cabimento dos
embargos de declaração, esta Corte Superior de Justiça os tem
admitido com a finalidade de se obter a juntada das notas
taquigráficas referentes ao julgado, atendendo, assim, ao disposto
no caput dos artigos 100 e 103 do Regimento Interno deste
Sodalício. Precedentes.
2. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, sem efeitos
modificativos, apenas para que, após revisadas e corrigidas pelos
Ministros, proceda-se à juntada das notas taquigráficas,
determinando-se, em ato contínuo, a republicação do acórdão, com
a reabertura do prazo recursal. (EDcl no AgRg no REsp
1388497/PR, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado
em 24/04/2018, DJe 04/05/2018)

Ante o exposto, acolho os embargos de declaração, sem efeitos


modificativos, apenas e tão somente para determinar que sejam juntadas as notas
taquigráficas da sessão de julgamento do agravo regimental, com a republicação do acórdão e
a reabertura do prazo para eventuais recursos.

É como voto.

Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA


Relator

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
QUINTA TURMA

EDcl no AgRg no
Número Registro: 2017/0236905-7 PROCESSO ELETRÔNICO AREsp 1.166.037 /
PB
MATÉRIA CRIMINAL

Números Origem: 00010700520168150000 10700520168150000

EM MESA JULGADO: 19/05/2020

Relator
Exmo. Sr. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro RIBEIRO DANTAS
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. LUCIANO MARIZ MAIA
Secretário
Me. MARCELO PEREIRA CRUVINEL

AUTUAÇÃO
AGRAVANTE : JOÃO PAULO BARBALHO INÁCIO DA SILVA
ADVOGADOS : TICIANO FIGUEIREDO DE OLIVEIRA - DF023870
PEDRO IVO RODRIGUES VELLOSO CORDEIRO - DF023944
LINDBERG CARNEIRO TELES ARAÚJO E OUTRO(S) - PB017922
AGRAVADO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA PARAÍBA

ASSUNTO: DIREITO PENAL - Crimes contra a vida - Homicídio Simples

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
EMBARGANTE : JOÃO PAULO BARBALHO INÁCIO DA SILVA
ADVOGADOS : TICIANO FIGUEIREDO DE OLIVEIRA - DF023870
PEDRO IVO RODRIGUES VELLOSO CORDEIRO - DF023944
LINDBERG CARNEIRO TELES ARAÚJO E OUTRO(S) - PB017922
EMBARGADO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA PARAÍBA

CERTIDÃO
Certifico que a egrégia QUINTA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
"A Turma, por unanimidade, acolheu parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes,
nos termos do voto do Sr. Ministro Relator."
Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Felix Fischer e Jorge Mussi
votaram com o Sr. Ministro Relator.

Documento: 1943411 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 27/05/2020 Página 12 de 4

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