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REAIS

I. POSSE

1. CONCEITO

Nos termos do art. 1.196 do CC possuidor é aquele que tem algum dos poderes inerentes à propriedade. Por-
tanto, posse é direito autônomo à propriedade e com esta não se confunde. A posse é um estado de fato, de poder,
sobre coisa corpórea.

2. CLASSIFICAÇÕES DA POSSE

2.1. POSSE DIRETA E POSSE INDIRETA

É possível ter a posse de um bem sem com ele ter contato físico: é o que ocorre na posse indireta. É o caso do
aluguel. O proprietário cede ao inquilino o poder de usar temporariamente o bem, permanecendo com os poderes
de fruição, disposição e sequela. O locador (proprietário) neste exemplo será o possuidor indireto. O locatário será
o possuidor direto. Como ambos têm a posse, ambos podem defendê-la. Aliás, é possível até mesmo litígio entre o
possuidor direto e o indireto (art. 1.197 do CC).
Detalhe: composse é uma situação jurídica em que duas ou mais pessoas têm, simultaneamente, a posse de uma
coisa indivisa, à exemplo dos co-herdeiros, dos aquestos no casamento ou de locatários.

2.2. POSSE JUSTA E POSSE INJUSTA

Nos termos do art. 1.200 do CC, a posse é injusta quando for violenta, clandestina ou precária. Posse violenta
é aquela que foi adquirida mediante esbulho (violência ou grave ameaça), posse clandestina é aquela adquirida às
escondidas e posse precária é a que decorre de um negócio jurídico condicionado a uma devolução futura.

2.3. POSSE DE BOA-FÉ E POSSE DE MÁ-FÉ

É de boa-fé a posse quando aquele que nela se encontra ignora o vício, ou o obstáculo, a exemplo de alguém
que ocupa um imóvel acreditando que este se encontra abandonado. A posse será de má-fé quando a pessoa,
mesmo conhecendo do vício, ocupa o bem. Sobre o tema, o art. 1.201 do CC.

3. AQUISIÇÃO DA POSSE

Como ter a posse é ter o exercício de algum dos poderes de proprietário, será a mesma adquirida quando se
tornar possível exercer em nome próprio os poderes de proprietário. Um belo exemplo ocorre com a tradição do
bem móvel. É a partir do momento da entrega do bem que se torna possível exercer os poderes de proprietário.
São três tipos de tradição: real, simbólica ou ficta. A tradição real é quando se entrega o próprio bem. Tradição
simbólica ocorre quando não se entrega o bem, mas sim um símbolo que o representa (ex. entrega das chaves de

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um carro). Por fim, tradição ficta ocorre quando a tradição se dá por ficção jurídica, podendo ser de dois tipos:
constituto possessório e traditio brevi manu.
a) Constituto Possessório: haverá tradição ficta pelo constituto possessório quando houver uma mudança na
natureza da posse de modo que aquele que a possuía em nome próprio passa a possuir em nome alheio (ex: tenho
uma posse de proprietário e passo a ter uma posse de locatário, como ocorre quando o proprietário vende um imóvel
nele permanecendo como inquilino).
b) Traditio Brevi Manu: haverá tradição brevi manu quando houver mudança da natureza da posse em sentido
inverso, ou seja, quando me torno dono de um bem que já tinha a posse (ex: tenho a posse em nome alheio e passo
a ter a posse em nome próprio).
A posse pode ser adquirida através de um terceiro que represente o possuidor ou até por um terceiro sem
mandato, mas nesse caso só se considera adquirida a posse quando o possuidor ratificar, ou seja, confirmar que o
terceiro age em seu nome (art. 1.205 do CC).
A aquisição da posse pode ser de dois tipos: originária ou derivada. Aquisição originária se dá quando não
existir um vínculo jurídico com o possuidor anterior (ex: alguém adquire a posse de coisa sem dono por ter sido
abandonada). Aquisição derivada se dá quando houver vínculo jurídico com o possuidor anterior (ex: compra de um
terreno).
Quando a aquisição é derivada eventuais vícios na posse são transmitidos para o novo possuidor, seja uma
transmissão inter vivos ou causa mortis. Assim, se um invasor transmite a posse para um terceiro, a posse desse
terceiro até pode ser de boa-fé, mas será injusta tal como era a posse do invasor.

4. PERDA DA POSSE

Como ter a posse é ter o exercício de algum dos poderes de proprietário, perde–se a posse quando não for
mais possível exercer os poderes de proprietário. Por exemplo, o possuidor de um terreno é expulso do imóvel por
ter sido ameaçado pelo invasor. Ocorre que se o possuidor não presenciou a agressão, só se considera perdida a
posse quando tomar ciência da agressão e se abstiver de retomar a coisa ou, tentando recuperá-la, for violenta-
mente repelido (art. 1.224 do CC).

5. EFEITOS DA POSSE

O CC trata de importante tema na preparação da prova da OAB entre os seus arts. 1.210 e 1.222, quando prevê
quatro efeitos da posse. Vejamos:

5.1. PROTEÇÃO POSSESSÓRIA

Não confunda ação reivindicatória e ação possessória. Ação reivindicatória é a ação que o proprietário tem para
reclamar o que é seu (discute-se propriedade), enquanto que a ação possessória é para o possuidor reclamar sua
posse agredida (discute-se posse). Para bem entendermos a proteção possessória é imperioso conhecermos os
tipos de agressão à posse:
a) Esbulho: o possuidor é retirado da posse, ou seja, o bem já foi tomado, como ocorre quando alguém é expulso
de um terreno.
b) Turbação: atos concretos que molestam ou dificultam o exercício da posse sem haver esbulho.
c) Ameaça: é promessa de agressão, sem existir uma agressão concreta.
Há dois tipos de defesa da posse: autotutela e heterotutela. Autotutela é quando o próprio possuidor defende a
sua posse diretamente sem judicializar. A heterotutela se realiza por meio do ajuizamento das ações possessórias.

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5.1.1. AUTOTUTELA
O art. 1.210, parágrafo único, do CC permite a autotutela para os casos de turbação e esbulho, hipóteses nas
quais será possível o uso da força não só para defender a posse de atual agressão, como também para retomá-la
após o esbulho. Para tanto, é mister que o possuidor atue imediatamente e de forma proporcional. A autotutela no
caso de turbação é chamada de legítima defesa da posse (para a qual se exige os requisitos da legítima defesa do
Direito Penal) e no caso de esbulho é chamado de desforço imediato (esforço para retomada, que deve ser imedi-
ato).
5.1.2. HETEROTUTELA
É a defesa da posse através do ajuizamento das ações possessórias. Aqui há proteção para os três tipos de
agressão, inclusive diante da ameaça, pois a lei prevê uma ação possessória preventiva, tentando evitar a concre-
tização da ameaça. São, portanto, três os tipos de ação possessória, um para cada tipo de agressão à posse:
a) Ação de reintegração de posse: cabe diante de esbulho.
b) Ação de manutenção de posse: cabe diante de turbação.
c) Ação de interdito proibitório: cabe diante de ameaça.
Importante: fique atento para a fungibilidade das ações possessórias, ou seja, o juiz pode substituir uma ação pos-
sessória por outra, recebendo uma pela outra. Ressalta-se que a fungibilidade é apenas entre as ações possessó-
rias, ou seja, caso o cabimento seja de ação reintegração de posse e seja proposta ação de despejo, não há de se
falar em fungibilidade de ações, sendo extinto o processo sem julgamento do mérito.
Sobre ação possessória, necessário conhecer a regra do art. 1.212 do CC. O dispositivo legal diz só caber ação
possessória e de indenização contra terceiro que tenha posse de má-fé, só restando ação indenizatória contra o
agressor da posse, pois quem causa dano é obrigado a indenizar.

5.2. POSSE E FRUTOS

O possuidor que colhe frutos de um bem e vem a perdê-lo tem que indenizar os frutos colhidos? Depende se
tinha posse de boa-fé ou de má-fé:
a) possuidor de boa-fé (art. 1.214 do CC): Faz seus os frutos colhidos enquanto durar a boa-fé. Se quando
cessar a boa-fé houver frutos pendentes, estes serão do reclamante da posse, depois de ressarcir os custos da
produção para evitar o seu enriquecimento sem causa.
b) possuidor de má-fé (art. 1216 do CC): Deve indenizar não só os frutos colhidos, mas também os que se
perderam por sua causa. Todavia, será ressarcido nos custos da produção para evitar o enriquecimento sem causa
da outra parte.

5.3. POSSE E BENFEITORIAS

O possuidor que faz benfeitorias em um bem e vem a perdê-lo tem direito de ser indenizado? Depende, além
do tipo de benfeitoria, se tinha posse de boa-fé ou de má-fé.
a) possuidor de boa-fé (art. 1.219 do CC): tem direito de ser indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis.
As voluptuárias, se não lhe forem pagas, poderá retirá-las, desde que não prejudique o bem principal.
b) possuidor de má-fé (art. 1.220 do Diploma Civil): poderá ser indenizado apenas pelas benfeitorias necessá-
rias.
Note que em ambos os casos, o possuidor tem direito de ser indenizado. A questão é: haverá direito de retenção,
ou seja, o direito de reter legitimamente o bem até ser indenizado? O possuidor de boa-fé tem direito de retenção.
O possuidor de má-fé não o terá.
O reclamante da posse tem que indenizar o possuidor estando ele de boa-fé ou de má-fé. Conforme art. 1.222
do CC, se indenizar o possuidor de boa-fé, será pelo valor atual da benfeitoria, mas se for indenizar possuidor de

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má-fé, poderá optar pelo valor atual da benfeitoria ou pelo seu valor de custo.

5.4. POSSE E RESPONSABILIDADE PELA PERDA OU DETERIORAÇÃO DO BEM

O possuidor que perde o bem para o proprietário ou um melhor possuidor que o reclama terá que indenizá-lo
se o bem se perdeu ou se deteriorou durante sua posse? Tanto na posse de má-fé como na de boa-fé o possuidor
deverá indenizar o reclamante.
a) possuidor de boa-fé (art. 1.217 do CC): responde pela perda ou deterioração do bem apenas se der causa a
isto.
b) possuidor de má-fé (art. 1.218 do CC): responde pela perda ou deterioração do bem mesmo que não tenha
dado causa, ou seja, mesmo que acidental.

2.3. USUCAPIÃO

Usucapião vem do latim usucapio, que significa adquirir pelo uso. O possuidor que, mediante observância de
requisitos legais, tem a posse prolongada no tempo, adquire a propriedade. Existe usucapião de bem móvel e de
bem imóvel, mas aqui nos ocupamos do bem imóvel, pois estamos vendo aquisição de propriedade imóvel.
A aquisição da propriedade por usucapião independe de registro, ocorrendo quando se completa o prazo legal.
O posterior ajuizamento da ação de usucapião é apenas para regularização da situação em cartório, pois o arqui-
vamento da sentença transfere o registro para o nome do usucapiente. Por isso afirmamos que a ação de usucapião
é declaratória e não constitutiva.
Disso decorre algo importante: usucapião pode ser usada como exceção, ou seja, como matéria de defesa.
A ideia da usucapião é o possuidor ter uma posse injusta, mas comportando-se como se dono fosse e o verda-
deiro dono não reclama sua propriedade. Por isso, para gerar usucapião, a posse deve ser animus domini (ânimo
de dono) e incontestada (não reclamada), além de dever ser contínua, pacífica e pública. Quando a posse tem as
características que permitem a usucapião, ela é chamada de posse ad usucapionem.
Nem todo bem pode ser objeto de usucapião. Não podem ser usucapidos os bens legalmente inalienáveis nem
os bens públicos, seja qual for a sua espécie, inclusive os dominicais.
A usucapião extraordinária é prevista no art. 1.238 do CC, e exigem apenas a presença dos requisitos gerais
(posse qualificada, objeto idôneo e decurso de tempo de 15 ou 10 anos. A ordinária exigirá, para além disto, justo
título e boa-fé, no prazo de 10 ou 5 anos, conforme art. 1.242 do CC, ambos de leitura recomendada.
Nos termos do art. 1.244 do CC, aplicamos ao prazo de usucapião as causas que impedem, suspendem ou
interrompem o prazo prescricional, tema já visto na parte geral do Direito Civil deste livro, para onde remetemos a
sua leitura.
Ainda no que se refere à contagem do prazo, o CC, no art. 1.243, permite a chamada acessio temporis ou
acessio possessionis, ou seja, a soma dos tempos ou das posses para efeito de usucapião. Significa que o possuidor
pode acrescentar à sua posse a dos seus antecessores para contagem do prazo para usucapir, contanto que sejam
contínuas.
A Constituição da República criou dois tipos de usucapião especial, em que o prazo para usucapir será de cinco
anos. São eles: usucapião especial urbana (pro misero) e usucapião especial rural (pro labore). Não se exige posse
de boa-fé para aqui se inserir, mas, além dos requisitos gerais já vistos, o possuidor deve preencher as seguintes
condições:
a) Usucapião especial urbana: área urbana, não ter outro imóvel, área menor que duzentos e cinquenta metros
quadrados, usar para sua moradia ou de sua família.

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b) Usucapião especial rural: área rural, não ter outro imóvel, área menor que cinquenta hectares, dar-lhe desti-
nação produtiva e usar como sua moradia ou de sua família.
O art. 1.240-A do CC também instituiu uma nova modalidade, qual seja a usucapião de meação, por abandono
do lar, quando cônjuge ou companheiro permanece por dois anos na posse direta do bem, utilizando-o como mora-
dia sua ou de sua família, nas hipóteses delineadas no alusivo dispositivo legal, de leitura recomendada.

USUCAPIÃO

É forma de aquisição de propriedade móvel que independente da tradição, pois se dá com o término do prazo.
Aplica-se aqui o que visto em usucapião de bem imóvel, sendo a única diferença o tempo exigido para usucapir:
usucapião extraordinária (posse de má-fé) exige prazo de cinco anos e usucapião ordinária (posse de boa-fé) exige
prazo de três anos. Não há as usucapiões especiais (urbana e rural) de bens móveis, pois vimos ser para ajudar a
dar teto para morar ou terra para trabalhar para quem não os tem, o que é incompatível com a aquisição de propri-
edade móvel.

III. DIREITOS REAIS SOBRE COISAS ALHEIAS


Haverá direito real sobre coisas alheias quando houver um desmembramento dos poderes de proprietário, ou
seja, quando o proprietário ceder para alguém um ou alguns de seus poderes, permanecendo com os demais. Quem
os recebe poderá ter um direito real sobre algo que não lhe pertence, tal como o direito real de usufruto. Também
são chamados de direitos reais limitados, pois o seu titular tem menos poderes do que o proprietário.
Assim sendo, haverá dois atores envolvidos nos direitos reais sobre coisas alheias. De um lado o proprietário,
que não tem mais a propriedade plena, passa a ser chamado de nu proprietário, e a propriedade não plena é
chamada de nua propriedade. De outro lado, o titular do direito real sobre coisas alheias, cujo nome varia a depender
do direito real sobre coisas alheias em questão.
Nos termos do art. 1225 do CC, são os direitos reais sobre coisas alheias: superfície, servidão, usufruto, uso,
habitação, direito do promitente comprador de imóveis, hipoteca, penhor, anticrese, concessão de uso especial para
fins de moradia e concessão de direito real de uso.

1. DIREITO REAL DE SUPERFÍCIE

É o direito real em que o proprietário cede por tempo determinado a alguém o direito de construir ou plantar em
seu terreno. O nu proprietário é chamado de fundeiro e o titular do direito real de superfície é chamado de superfi-
ciário.
O nome é direito de superfície, pois o superficiário só pode usar a superfície, não podendo explorar o subsolo.
Ele só poderá usar o subsolo no que for indispensável para a construção ou plantação.
É obrigatoriamente temporário, o que significa que o superficiário devolve o terreno ao fundeiro ao final do prazo
contratado. Pode ser gratuito ou oneroso, se há ou não um valor a ser pago pela exploração do terreno, pagamento
que recebe o nome de cânon superficiário.
O superficiário pode alienar o direito real de superfície a um terceiro. Se o nu proprietário alienar a nua proprie-
dade ou se o superficiário alienar o direito de superfície, deverá dar direito de preferência ao outro.

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3. DIREITO REAL DE USUFRUTO

O nu proprietário cede ao usufrutuário temporariamente o direito de usar e fruir de seu bem, permanecendo com
os poderes de disposição e sequela. Assim, o usufrutuário pode não só morar no apartamento, mas também
alugá-lo. Embora seja mais comum recair sobre bem imóvel, pode ter por objeto também bem móvel.
São duas as principais características do usufruto:
a) Temporário: não pode haver usufruto eterno, tendo o usufrutuário o dever de devolver o bem ao final do
prazo. Até pode haver concessão de usufruto para pessoa jurídica, mas a lei limita com prazo máximo de trinta
anos.
b) Intransmissível: o direito de usufruto é personalíssimo, ou seja, o usufrutuário não pode cedê-lo (inter vivos
ou causa mortis). A consequência da intransmissibilidade é a morte do usufrutuário gerar extinção do usufruto.
Cuidado: a morte do nu proprietário não gera extinção do usufruto, pois ele pode ceder a nua propriedade em razão
de permanecer com o poder de disposição do bem, sendo os herdeiros o nu proprietário.
Sobre a intransmissibilidade, cuidado com o art. 1393 do CC, que dispõe: “Não se pode transferir o usufruto por
alienação, mas o seu exercício pode ceder-se por título gratuito ou oneroso”. O art. afirma ser o usufruto intransmis-
sível, mas prevê que o seu exercício pode ser transmitido a terceiros. O que significa isso? O usufrutuário não pode
ceder o direito real de usufruto, mas pode ceder os direitos que decorrem do usufruto, ou seja, o direito de usar e
de fruir do bem.
O direito real de usufruto surge a partir de um contrato em que as partes acordam na cessão do uso e da fruição
do bem, mas só há direito real de usufruto com a prática de ato posterior: se usufruto de imóvel, com o registro
desse contrato no cartório de imóveis; se usufruto de bem móvel, com a tradição do bem. No entanto, o usufruto
pode decorrer de lei, sendo chamado de usufruto legal, adquirido independente de registro ou tradição. Conforme
art. 1689 do CC, os pais têm a administração e o usufruto legal dos bens dos filhos menores durante o poder familiar.
Há dois tipos específicos de usufruto:
a) Usufruto deducto ou retenção: É quando o proprietário transfere a propriedade do bem, reservando para si o
usufruto.
b) Usufruto impróprio ou quase usufruto: É o usufruto que recai sobre bens consumíveis e fungíveis. A lei afirma
ser possível usufruto de bem consumível, desde que também seja fungível, pois será possível devolver outro idên-
tico no fim do prazo.

HIPOTECA

É o direito real de garantia que tem por objeto bens imóveis, navios ou aeronaves e que, embora não entregues
ao credor, assegura preferência no recebimento de seus créditos.
Só pode hipotecar bem imóvel quem tem legitimidade para vendê-lo. Por isso é exigido outorga uxória ou marital,
salvo se casados no regime da separação de bens, conforme prevê o art. 1647, I, do CC.
Atenção: sobre o objeto da hipoteca, bem de família pode ser validamente hipotecado. Se a dívida não é paga, o
bem hipotecado é penhorado e vendido no processo de execução. É bem verdade que o bem de família é impe-
nhorável, mas o entendimento jurisprudencial é pela validade da hipoteca de bem imóvel, representando renúncia
da impenhorabilidade.
Pode o devedor dar o mesmo bem em garantia hipotecária a mais de um credor? É possível sim, conforme
permissivo do art. 1476 do CC. É o que chamamos de subipoteca ou hipoteca de segundo grau. Se a venda do bem
não gerar recursos suficientes para o pagamento de todos os créditos, terá preferência no recebimento não quem
primeiro contraiu o empréstimo, mas sim quem primeiro registrou a hipoteca.
Importante: um bem hipotecado pode ser validamente vendido a um terceiro? Sim. A lei ainda diz ser nula a cláusula
que proíbe a venda (art. 1475 do CC). É, no entanto, uma compra arriscada, pois se o devedor não pagar a dívida,
o credor hipotecário poderá executar o bem, mesmo já pertencendo a um terceiro. E não poderá o comprador do
bem alegar desconhecimento do fato, pois esta situação é facilmente apurada em uma certidão de ônus reais do

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imóvel.
São três os tipos de hipoteca:
a) Hipoteca Convencional: É o caso mais comum, ou seja, a hipoteca que surge do acordo de vontade das
partes, após seu registro no cartório de registro de imóveis.
b) Hipoteca Legal: É a hipoteca que decorre da lei, independendo da vontade das partes e de registro. Os casos
estão previstos no art. 1497 do CC.
c) Hipoteca Judicial: É a hipoteca fixada pelo juiz em processo judicial sobre bens imóveis do devedor sucum-
bente no processo, para que o credor tenha uma garantia com força de direito real para recebimento do seu crédito.

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DIREITO DAS SUCESSÕES

1. INTRODUÇÃO

O direito da sucessão inicia-se com a morte de alguém, vindo os sucessores, e ocupando a posição do finado,
vislumbrando dessa maneira uma das formas de extinção da personalidade. Tanto que a expressão de cujus é uma
abreviação da expressão latina de cujus sucessione agitur, ou seja, de cuja sucessão se trata.
A abertura da sucessão ocorre no mesmo instante da morte do de cujus, transmitindo-se automaticamente a
herança aos seus herdeiros legítimos e testamentários, consistindo nesta forma o Princípio da Saisine, em que a
pessoa falecida transmite aos sucessores o domínio e a posse da herança (lemort saisit le vif). Neste sentido, o art.
1.784 do CC.
O direito de Saisine tem como efeito a transmissão da posse aos herdeiros com os mesmos caracteres. A aber-
tura da sucessão se dará no lugar do último domicílio do falecido, e será regulada – sendo regulada e legitimada
pela lei vigente ao tempo da morte do de cujus, além de todos os herdeiros sobreviventes herdarem o quinhão
hereditário.
Havendo herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da metade da herança.
Importante se faz a leitura do art. 1.790 do Código Civil. Note que o companheiro irá concorrer somente nos
casos do dispositivo mencionado, não participando de maneira alguma nos bens adquiridos antes ou gratuitamente
à união, ou seja, os bens particulares.

2. DA HERANÇA E SUA ADMINISTRAÇÃO

A herança só passa a existir com a morte, sendo vedada o pacto de corvina, regra instituída no art.426 da lei
civil. A natureza jurídica da herança é de bem indivisível, sendo ineficaz qualquer cessão anterior à partilha.
Em caso de alienação, terá direito de preferência os demais herdeiros que não tiverem conhecimento da cessão,
podendo depositar o preço e obter a quota cedida a terceiros estranhos a sucessão, desde que se o requeira em
até cento e oitenta dias após a transmissão.
Quando um herdeiro cede para outro a sua quota, esta cessão pode ser parcial (ou até de apenas um determi-
nado bem) ou total ou, ainda, renuncia a sua quota em nome de outro herdeiro. Tal instituto é chamado de “cessão
de direitos hereditários”, devendo ser lavrado por escritura pública e será normalmente tributado.
O art. 1.792 do Código Civil prevê a responsabilidade dos herdeiros ou “benefício de inventário” em que protege
o patrimônio pessoal dos mesmos, respondendo pelas dividas deixadas pelo de cujus somente com o patrimônio
deixado.
A administração da herança caberá até o compromisso do inventariante ao cônjuge ou companheiro, se com o
outro convivia ao tempo da abertura da sucessão; no caso de não possuir cônjuge ou companheiro, competirá ao
herdeiro que estiver na posse e administração dos bens, e, se houver mais de um nessas condições, ao mais velho;
ao testamenteiro; a pessoa de confiança do juiz, na falta ou escusa das indicadas nos incisos antecedentes, ou
quando tiverem de ser afastadas por motivo grave levado ao conhecimento do juiz, também conhecido por inventa-
riante judicial. O administrador da herança deverá abrir o inventário no prazo de 60 dias, sob pena de multa.

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3. DA VOCAÇÃO HEREDITÁRIA

Estão legitimados a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão.


Portanto, de acordo com este conceito, inclui-se o nascituro.
No que tange à sucessão testamentária, podem ainda ser chamados a suceder os filhos, ainda não concebidos,
de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir a sucessão; as pessoas jurídicas; bem como
aquelas, cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação.
Os bens da herança serão confiados, após a liquidação ou partilha, a curador nomeado pelo juiz, quando o
sucessor testamentário for nascituro, sendo lícito deixar bens ao filho da concubina, quando também for filho do de
cujus, podendo fazer este reconhecimento inclusive em testamento.
Quanto aos não legitimados a suceder, não podem ser nomeados herdeiros nem legatários a pessoa que, a
rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos; as testemu-
nhas do testamento; o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do
cônjuge há mais de cinco anos; o tabelião, civil ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer,
assim como o que fizer ou aprovar o testamento.
Por fim, serão nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda
quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa, sendo presumida se
pessoas interpostas os ascendentes, os descendentes, os irmãos e o cônjuge ou companheiro do não legitimado a
suceder.

4. DA ACEITAÇÃO E DA RENÚNCIA DA HERANÇA

O instituto da aceitação define-se como ato de confirmação da transmissão hereditária que ocorre no momento
de abertura da sucessão.
Ela poderá ser expressa, tácita ou presumida. Será expressa quando feita por declaração; tácita, quando resul-
tar tão-somente de atos próprios da qualidade de herdeiro; e presumida, quando existir interessado na declaração
de aceitação do herdeiro, vinte dias após aberta a sucessão, requerer ao juiz prazo razoável não superior de trinta
dias para o herdeiro se pronunciar, sob pena de se considerar a herança aceita.
A natureza da aceitação é de ato jurídico em sentido estrito, pois seus efeitos decorrem da lei; não receptícia,
por não depender da comunicação ou autorização de outrem para exercitar este direito; indivisível, incondicionada
e irrevogável. Este ato retroage os efeitos à data da abertura da sucessão, possuindo efeitos declaratórios.
A renúncia poderá abdicativa ou translativa. Será abdicativa quando o sucessor renunciar em favor do monte,
não havendo pagamento de tributo por sequer tocar no patrimônio renunciado. Já a renúncia translativa ocorre
quando o sucessor renunciar em favor de 3ª pessoa, sendo equiparada a cessão de direitos hereditários, havendo
dessa maneira, incidência de tributo, devendo dar o direito de preferência aos demais sucessores.
Ambas as espécies de renúncia deverão ser expressas, declaradas através de um ato solene, visto que tem
exigência de instrumento público ou termo judicial, sendo os mesmos irrevogáveis.
A renúncia terá como pressupostos a capacidade do renunciante; a anuência do cônjuge, se casado for; e a
inexistência de prejuízo para os credores.
A capacidade do renunciante está de acordo com os requisitos presentes no negócio jurídico. Quanto à anuên-
cia dos cônjuges, esta exigência se verifica no art. 80, II c/c art. 1.647, I da lei civil. No condizente ao terceiro
requisito, ninguém poderá praticar um ato com o fim específico de causar prejuízo a terceiros, vez que a ninguém é
lícito se valer de sua própria torpeza.
A renúncia terá como efeitos a exclusão do herdeiro renunciante, acréscimo da parte renunciante aos demais
herdeiros de mesma classe e a proibição da sucessão por direito de representação, já que inexiste representação
de herdeiro renunciante.

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5. DOS EXCLUÍDOS DA SUCESSÃO

As causas de exclusão da sucessão serão aplicadas para aqueles que praticaremos atos elencados no art. 1.814
do CC, qual seja, atentados contra a vida, honra e liberdade do de cujus.
Este instituto tem como natureza jurídica de pena civil, não tendo o excluído direito de receber os bens do
falecido.
As causas de exclusão farão com que o indigno seja tratado como se morto fosse, sendo então chamada pela
doutrina de “morte civil”, e este afeito somente ocorrerá com o trânsito em julgado da sentença que declarará a
indignidade do ofensor, afirmando que o mesmo não poderá herdar os bens deixados pelo de cujus. Os efeitos da
sentença irão retroagir a data da abertura do inventário.
O direito de demandar a exclusão do herdeiro ou legatário irá extinguir no prazo de quatro anos, contados da
abertura da sucessão, tendo este prazo natureza decadencial.
Cumpre salientar que, apesar de os herdeiros do indigno poderem herdar, o excluído da sucessão não terá
direito ao usufruto ou à administração dos bens que a seus sucessores couberem na herança, nem à sucessão
eventual desses bens.
Esta ação tem a participação obrigatória do Ministério Público. No entanto, a referida instituição não poderá
propor a referida ação, por não ser o titular do direito. Esta ação será distribuída por dependência dos autos de
inventário.

6. DA HERANÇA JACENTE

Trata-se da abertura da sucessão quando inexistir herdeiro e/ou testamento. A herança jacente não possui
personalidade jurídica, mas possui legitimidade ativa e passiva para comparecer em juízo, a sua arrecadação será
feita nos termos dos arts. 1.142 ao 1.158 CPC.
Com o pronunciamento judicial de vacância da herança, encerra-se a herança jacente.
Importante mencionar que o Estado não adquire a propriedade dos bens que integram a herança jacente, até
que seja declarada a vacância, de modo que, nesse interregno, os bens estarão sujeitos a usucapião.

7. DA PETIÇÃO DE HERANÇA

Trata-se da possibilidade do herdeiro, em ação de petição de herança, demandar o reconhecimento de seu


direito sucessório para obter a restituição da herança, ou de parte dela, contra quem na qualidade de herdeiro ou
mesmo sem título a possua.
A legitimidade ativa será de quem se intitula herdeiro e reivindica o título e apassiva, de quem está na posse da
herança (possuidor pro herede).
O efeito desta ação é o reconhecimento da ineficácia da partilha em relação ao autor da ação, dispensando a
sua anulação. A ação de petição de herança possui o prazo prescricional de dez anos. No entanto, pode ser cumu-
lada com a investigação de paternidade, e esta última será imprescritível.

8. DA SUCESSÃO LEGÍTIMA

8.1. DA ORDEM DA VOCAÇÃO HEREDITÁRIA

Para iniciar o estudo referente a esta matéria, é indispensável à análise do art.1.829 do CC:
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I – aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com

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o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640,
parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado
bens particulares;
II – aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III – ao cônjuge sobrevivente;
IV – aos colaterais.
Este dispositivo trata dos herdeiros legais, ou seja, morrendo o autor da herança, a lei informará quem sucederá.

Mas atenção! O Plenário do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 878694 declarou a
nconstitucionalidade do art. 1.790 do CC.

Ante a inconstitucionalidade do art. 1.790 do CC se deverá aplicar para a sucessão na união estável o artigo 1.829
do Código Civil de 2002.

Voltando à sucessão do cônjuge, somente será reconhecido direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao
tempo da morte do outro, não estavam separados judicialmente ou de fato há mais de dois anos, salvo prova, neste
caso, de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente.
É essencial frisar que, enquanto não se pacificar o entendimento acerca dos separados judicialmente que não
propuseram o respectivo divórcio, se irá considerar divorciados ou permanecerão até extinguir no ordenamento
resquícios da separação judicial, esta regra continuará.
Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação
que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família,
desde que seja o único daquela natureza a inventariar. Por outro lado, se houver mais de um imóvel residencial,
não se pode falar neste direito.
A sucessão pode se dar por direito próprio e direito de representação e direito de transmissão.
a) Direito próprio – ocorre quando não existem indivíduos com capacidade sucessória entre autor da herança
demais herdeiros;
b) Por direito de representação – ocorre quando existem indivíduos com capacidade sucessória entre autor da
herança e demais herdeiros. Regra geral acontece na hipótese de existir herdeiro pré-morto;
c) Por direito de transmissão – é a mesma coisa que direito de representação só que na presença de pós-morto;
Obs.: Os ascendentes sempre irão receber por direito próprio, não se admitindo representação na ascendência.
Quanto à forma de partilhar, existem 3 modos:
a) por cabeça – ocorre quando os sucessores são parentes de mesmo grau e recebem frações iguais da he-
rança;
b) por estirpe – ocorre quando os sucessores não recebem frações iguais;
c) por linha – é aquela que ocorre na sucessão de ascendente;
8.1.1. DOS HERDEIROS NECESSÁRIOS
A lei dispõe que são herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge, sendo este rol taxa-
tivo. Por este motivo, o companheiro ou convivente não é herdeiro necessário.
Vale informar que é possível a exclusão dos colaterais, por disposição testamentária.
Regra geral, não poderá o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade, impenhorabilidade, e de incomuni-
cabilidade, sobre os bens da legítima, salvo se houver justa causa.
Além disso, não é permitido ao testador estabelecer a conversão dos bens da legítima em outros de espécie
diversa.
Poderá ainda, mediante autorização judicial e havendo justa causa, ser alienados os bens gravados, conver-
tendo-se o produto em outros bens, que ficarão sub-rogados nos ônus dos primeiros.

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8.1.2. DIREITO DE REPRESENTAÇÃO
Segundo o Código Civil, o direito de representação se dará quando a lei chama certos parentes do falecido a
suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se vivo fosse. Este direito se dá na linha reta descendente,
mas nunca na ascendente.
Na linha transversal, somente se dá o direito de representação em favor dos filhos de irmãos do falecido, quando
com irmãos deste concorrerem.
Herdam os representantes somente o que herdaria o representado, se vivo fosse, sendo o quinhão do repre-
sentado partido igualmente entre os representantes.

9. DA SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA

Toda pessoa capaz poderá dispor, por testamento, da totalidade dos seus bens, ou de parte deles, para depois
de sua morte. O testamento é ato personalíssimo, podendo ser mudado a qualquer tempo.
Importante lembrar que havendo herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da metade da herança e a
legítima dos herdeiros necessários não poderá ser incluída no testamento.
As disposições testamentárias de caráter não patrimonial serão válidas ainda que o testador somente a elas se
tenha limitado, e será extinto no prazo de cinco anos o direito de impugnar a validade do testamento, contado o
prazo da data do seu registro.

9.1. DA CAPACIDADE DE TESTAR

Segundo disposição da lei, os maiores de dezesseis anos podem testar, vedando a possibilidade somente dos
incapazes e de quem não tiver pleno discernimento no ato de sua elaboração, pois a incapacidade superveniente
do testador não invalida o testamento, nem o testamento do incapaz se valida com a superveniência da capacidade,
respaldada no princípio do tempus regit actum, em que será validado pela capacidade da época do ato.

9.2. DO TESTAMENTO

Caracteriza-se como negócio jurídico solene, escrito, patrimonial e/ou extrapatrimonial pelo qual alguém, nos
termos da lei, dispõe de seus bens, no todo ou em parte, para depois de sua morte.
9.2.1. CARACTERÍSTICAS DO TESTAMENTO
a) ato personalíssimo – seja pela disposição legal, seja pela razão de que somente o testador poderá dispor
sobre o ato de sua vontade;
b) intuito personae – não existe direito de representação na sucessão testamentária, ou seja, somente a pessoa
designada receberá o patrimônio descriminado;
c) ato escrito – regra geral, a lei determina a forma escrita, existindo excepcionalmente o testamento realizado
na forma oral, nos casos de testamento nuncupativo (art. 1.896 do CC);
d) unilateral – somente poderá constar a vontade do autor da herança, não podendo ocorrer mais de uma von-
tade no mesmo testamento, salvo no caso de nomeação de tutor dos filhos, em que se determinará que além do
testador o outro genitor da prole designe tal incumbência;
e) solene – devem ser cumpridas todas as solenidades previstas em lei, sob pena de nulidade;
f) gratuito – não será gratuito no que condiz a taxas, mas será gratuito na relação entre testador e testado, em
que não existirão vantagens recíprocas, apenas a uma das partes;
g) eficácia post mortem – se não existe herança de pessoa viva, então somente com a morte o testamento terá
eficácia;

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9.2.2. DAS FORMAS ORDINÁRIAS DO TESTAMENTO
Dispõe a lei as seguintes espécies testamentárias:
a) público
b) cerrado
c) particular
9.2.2.1. Do testamento público
A lei dispõe os seus requisitos:
Art. 1.864. São requisitos essenciais do testamento público:
I – ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal em seu livro de notas, de acordo com as
declarações do testador, podendo este servir-se de minuta, notas ou apontamentos;
II – lavrado o instrumento, ser lido em voz alta pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas,
a um só tempo; ou pelo testador, se o quiser, na presença destas e do oficial;
III – ser o instrumento, em seguida à leitura, assinado pelo testador, pelas testemunhas e pelo
tabelião.
Parágrafo único. O testamento público pode ser escrito manualmente ou mecanicamente, bem
como ser feito pela inserção da declaração de vontade em partes impressas de livro de notas, desde
que rubricadas todas as páginas pelo testador, se mais de uma.
Além disso, se o testador não souber ou não puder assinar, o tabelião ou seu substituto legal assim o declarará,
assinando o referido ato a rogo mediante a assinatura de uma das testemunhas instrumentárias.
Aos deficientes auditivos que saibam ler, lerá o seu testamento; já os que não sabem ler, designarão quem leia
em seu lugar, na presença de testemunhas.
Já aos deficientes visuais, só será permitido o testamento público, que deverá ser lido em voz alta duas vezes,
uma pelo tabelião ou por seu substituto legal e a outra por uma das testemunhas, designada pelo testador, fa-
zendo-se menção no testamento de todas as circunstâncias.
9.2.2.2. Do testamento cerrado
Constituem os requisitos desta modalidade de testamento:
Art. 1.868. O testamento escrito pelo testador, ou por outra pessoa, a seu rogo, e por aquele
assinado, será válido se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal, observadas as seguintes
formalidades:
I – que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas;
II – que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado;
III – que o tabelião lavre, desde logo, o auto de aprovação, na presença de duas testemunhas, e
o leia, em seguida, ao testador e testemunhas;
IV – que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião, pelas testemunhas e pelo testador.
Parágrafo único. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente, desde que seu subscri-
tor numere e autentique, com a sua assinatura, todas as páginas.
O testamento cerrado em que o testador abrir ou dilacerar, ou for aberto ou dilacerado com seu consentimento,
haver-se-á como revogado.
9.2.2.3. Do testamento particular ou hológrafo
Estes são os requisitos legais:
Art. 1.876. O testamento particular pode ser escrito de próprio punho ou mediante processo me-
cânico.
§ 1º. Se escrito de próprio punho, é requisito essencial à sua validade que seja lido e assinado
por quem o escreveu, na presença de pelo menos três testemunhas, que o devem subscrever.
§ 2º. Se elaborado por processo mecânico, não pode conter rasuras ou espaços em branco,
devendo ser assinado pelo testador, depois de o ter lido na presença de pelo menos três testemu-
nhas, que o subscreverão.

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9.3. DOS CODICILOS

Caracterizam-se como ato de última vontade destinado as disposições de objetos de pequeno valor somente.
Dentre outras disposições, poderá nos codicilos estabelecer disposições sobre o enterro do testador, esmolas de
pouca monta a certas e determinadas pessoas, reabilitação do indigno, reconhecimento de filho, assim como legar
móveis, roupas ou joias, de pouco valor, de seu uso pessoal.
Serão revogados por atos iguais, e consideram-se revogados, se, havendo testamento posterior, de qualquer
natureza, se este os não confirmar ou modificar. Todavia o codicilo jamais revogará testamento.

9.4. DOS TESTAMENTOS ESPECIAIS

A lei estabelece os testamentos especiais:


a) marítimo
b) aeronáutico
c) militar
9.4.1. DO TESTAMENTO MARÍTIMO E DO AERONÁUTICO
Convém mencionar a disposição legal:
Art. 1.888. Quem estiver em viagem, a bordo de navio nacional, de guerra ou mercante, pode
testar perante o comandante, em presença de duas testemunhas, por forma que corresponda ao
testamento público ou ao cerrado.
Parágrafo único. O registro do testamento será feito no diário de bordo.
Art. 1.889. Quem estiver em viagem, a bordo de aeronave militar ou comercial, pode testar pe-
rante pessoa designada pelo comandante, observado o disposto no artigo antecedente.
Art. 1.890. O testamento marítimo ou aeronáutico ficará sob a guarda do comandante, que o
entregará às autoridades administrativas do primeiro porto ou aeroporto nacional, contra recibo
averbado no diário de bordo.
Art. 1.891. Caducará o testamento marítimo, ou aeronáutico, se o testador não morrer na viagem,
nem nos noventa dias subsequentes ao seu desembarque em terra, onde possa fazer, na forma
ordinária, outro testamento.
Art. 1.892. Não valerá o testamento marítimo, ainda que feito no curso de uma viagem, se, ao
tempo em que se fez, o navio estava em porto onde o testador pudesse desembarcar e testar na
forma ordinária.
9.4.2. DO TESTAMENTO MILITAR
Importante se faz analisar a lei civil:
Art. 1.893. O testamento dos militares e demais pessoas a serviço das Forças Armadas em cam-
panha, dentro do País ou fora dele, assim como em praça sitiada, ou que esteja de comunicações
interrompidas, poderá fazer-se, não havendo tabelião ou seu substituto legal, ante duas, ou três
testemunhas, se o testador não puder, ou não souber assinar, caso em que assinará por ele uma
delas.
§ 1º. Se o testador pertencer a corpo ou seção de corpo destacado, o testamento será escrito
pelo respectivo comandante, ainda que de graduação ou posto inferior.
§ 2º. Se o testador estiver em tratamento em hospital, o testamento será escrito pelo respectivo
oficial de saúde, ou pelo diretor do estabelecimento.
§ 3º. Se o testador for o oficial mais graduado, o testamento será escrito por aquele que o subs-
tituir.
Art. 1.894. Se o testador souber escrever, poderá fazer o testamento de seu punho, contanto que

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o date e assine por extenso, e o apresente aberto ou cerrado, na presença de duas testemunhas
ao auditor, ou ao oficial de patente, que lhe faça as vezes neste mister.
Parágrafo único. O auditor, ou o oficial a quem o testamento se apresente, notará, em qualquer
parte dele, lugar, dia, mês e ano, em que lhe for apresentado, nota esta que será assinada por ele
e pelas testemunhas.
Art. 1.895. Caduca o testamento militar, desde que, depois dele, o testador esteja, noventa dias
seguidos, em lugar onde possa testar na forma ordinária, salvo se esse testamento apresentar as
solenidades prescritas no parágrafo único do artigo antecedente.
Art. 1.896. As pessoas designadas no art. 1.893, estando empenhadas em combate, ou feridas,
podem testar oralmente, confiando a sua última vontade a duas testemunhas.
Parágrafo único. Não terá efeito o testamento se o testador não morrer na guerra ou convalescer
do ferimento.

9.5. DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS

No que tange, às disposições testamentárias, a lei civil dispõe que a nomeação de herdeiro, ou legatário, pode
fazer-se pura e simplesmente, sob condição, para certo fim ou modo, ou por certo motivo. A condição pura é a que
não possui condição suspensiva, e a condição simples é a que possui condição suspensiva.
É valida a instituição do herdeiro desde a abertura da sucessão, devendo a designação do tempo em que deva
começar ou cessar o direito do herdeiro, salvo nas disposições fideicomissárias, ter-se-á por não escrita. Quando a
cláusula testamentária for suscetível de interpretações diferentes, prevalecerá a que melhor assegure a observância
da vontade do testador.
Os casos de nulidade de disposições, segundo a lei civil são:
Art. 1.900. É nula a disposição:
I – que institua herdeiro ou legatário sob a condição captatória de que este disponha, também
por testamento, em benefício do testador, ou de terceiro;
II – que se refira à pessoa incerta, cuja identidade não se possa averiguar;
III – que favoreça a pessoa incerta, cometendo a determinação de sua identidade a terceiro;
IV – que deixe a arbítrio do herdeiro, ou de outrem, fixar o valor do legado;
V – que favoreça as pessoas a que se referem os arts. 1.801 e 1.802.
No inciso I do dispositivo acima, há a vedação à condição captatória, que consiste em levar a pessoa a criar em
sua mente uma desafeição, desamor ou até um rancor infundado aos seus herdeiros, sendo nulo o testamento pela
lei se verificar que a vontade do testador está viciada por conter dolo.
A lei civil ainda preceitua que são válidas as disposições em favor de pessoa incerta que deva ser determinada
por terceiro, dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador, ou pertencentes a uma família, ou a um corpo
coletivo, ou a um estabelecimento por ele designado; bem como, em remuneração de serviços prestados ao testa-
dor, por ocasião da moléstia de que faleceu, ainda que fique ao arbítrio do herdeiro ou de outrem determinar o valor
do legado.
A disposição geral em favor dos pobres, dos estabelecimentos particulares de caridade, ou dos de assistência
pública, entender-se-á relativa aos pobres do lugar do domicílio do testador ao tempo de sua morte, ou dos estabe-
lecimentos aí sitos, salvo se manifestamente constar que tinha em mente beneficiar os de outra localidade, dando-se
sempre preferência às instituições públicas.
O erro na designação da pessoa do herdeiro, do legatário, ou da coisa legada anula a disposição, salvo se, pelo
contexto do testamento, por outros documentos, ou por fatos inequívocos, se puder identificar a pessoa ou coisa a
que o testador queria referir-se.
As disposições testamentárias serão anuláveis se inquinadas de erro, dolo ou coação, extinguindo-se em quatro
anos o direito de anular a disposição, contados de quando o interessado tiver conhecimento do vício. Este prazo

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possui natureza decadencial. A ineficácia de uma disposição testamentária importa a das outras que, sem aquela,
não teriam sido determinadas pelo testador.
A cláusula de inalienabilidade, imposta aos bens por ato de liberalidade, implica impenhorabilidade e incomuni-
cabilidade e, no caso de desapropriação de bens clausulados, ou de sua alienação, por conveniência econômica
do donatário ou do herdeiro, mediante autorização judicial, o produto da venda converter-se-á em outros bens, sobre
os quais incidirão as restrições apostas aos primeiros.

9.6. DOS LEGADOS

O legado é a disposição testamentária a título singular, em que o testador deixa a uma pessoa, estranha ou não
à sucessão legítima, um ou outros objetos individualizados ou uma quantia definida em dinheiro, em testamento ou
codicilo.
9.6.1. MODALIDADES
a) legado de coisas
b) legado de crédito
c) legado de alimentos
d) legado de usufruto
e) legado de imóvel
f) legado de dinheiro
g) legado de renda ou pensão periódica
h) legado de alternativo
9.6.2. DA RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO LEGADO
Assim dispõe a lei:
Art. 1.934. No silêncio do testamento, o cumprimento dos legados incumbe aos herdeiros e, não
os havendo, aos legatários, na proporção do que herdaram.
Parágrafo único. O encargo estabelecido neste artigo, não havendo disposição testamentária em
contrário, caberá ao herdeiro ou legatário incumbido pelo testador da execução do legado; quando
indicados mais de um, os onerados dividirão entre si o ônus, na proporção do que recebam da
herança.
9.6.3. D A CADUCIDADE DOS LEGADOS
Assim está regulamentado no Código Civil:
Art. 1.939. Caducará o legado:
I – se, depois do testamento, o testador modificar a coisa legada, ao ponto de já não ter a forma
nem lhe caber a denominação que possuía;
II – se o testador, por qualquer título, alienar no todo ou em parte a coisa legada; nesse caso,
caducará até onde ela deixou de pertencer ao testador;
III – se a coisa perecer ou for evicta, vivo ou morto o testador, sem culpa do herdeiro ou legatário
incumbido do seu cumprimento;
IV – se o legatário for excluído da sucessão, nos termos do art. 1.815;
V – se o legatário falecer antes do testador.
A lei prevê ainda o legado alternativo, em que se for de duas ou mais coisas alternativamente, e algumas delas
perecerem, subsistirá quanto às restantes; perecendo parte de uma, valerá, quanto ao seu remanescente, o legado.

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9.7. DO DIREITO DE ACRESCER ENTRE OS HERDEIROS E LEGATÁRIOS

Ocorre quando vários herdeiros, pela mesma disposição testamentária, forem conjuntamente chamados à he-
rança em quinhões não determinados, e qualquer deles não puder ou não quiser aceitá-la, a sua parte acrescerá à
dos coerdeiros, salvo o direito do substituto.
Para existir e ser válido o direito de acrescer entre os herdeiros e legatários, a nomeação conjunta de herdeiros
será pela mesma cláusula testamentária; tem que faltar a discriminação da quota hereditária de cada herdeiro; há
de ser ausente a designação do substituto pelo testador; e, por fim, tem que ocorrer a impossibilidade de aceitação
ou renúncia à herança por um ou alguns dos herdeiros nomeados conjuntamente.
O direito de acrescer competirá aos colegatários, quando nomeados conjuntamente a respeito de uma só coisa,
determinada e certa, ou quando o objeto do legado não puder ser dividido sem risco de desvalorização.
Quando não se vislumbra o direito de acrescer, transmite-se aos herdeiros legítimos a quota vaga do nomeado,
não existindo o direito de acrescer entre os co-legatários, a quota do que faltar acresce ao herdeiro ou ao legatário
incumbido de satisfazer esse legado, ou a todos os herdeiros, na proporção dos seus quinhões, se o legado se
deduziu da herança.

9.8. DAS SUBSTITUIÇÕES

É permitido ao testador substituir outra pessoa ao herdeiro ou ao legatário nomeado, para o caso de um ou
outro não querer ou não poder aceitar a herança ou o legado.
9.8.1. DA SUBSTITUIÇÃO VULGAR
É considerada vulgar a substituição quando o testador indica outra pessoa para receber a herança ou o legado,
indicando, primeiramente, não poder ou não querer fazê-lo.
9.8.2. DA SUBSTITUIÇÃO RECÍPROCA
A substituição recíproca ocorrerá quando os coerdeiros ou colegatários são substitutos uns dos outros, podendo
esta substituição ser geral ou particular. Será geral quando todos substituem o herdeiro ou legatário faltante, e será
particular, quando os herdeiros ou legatários determinados substituírem outros determinados reciprocamente.
9.8.3. DA SUBSTITUIÇÃO FIDEICOMISSÁRIA
Assim dispõe a lei:
Art. 1.951. Pode o testador instituir herdeiros ou legatários, estabelecendo que, por ocasião de
sua morte, a herança ou o legado se transmita ao fiduciário, resolvendo-se o direito deste, por sua
morte, a certo tempo ou sob certa condição, em favor de outrem, que se qualifica de fideicomissário.
9.8.3.1. Figurante do fideicomisso
a) fideicomitente – aquele que institui o fideicomisso;
b) fiduciário – primeiro instituído, que vai receber a herança ou o legado;
c) fideicomissário – instituído em segundo lugar, para ficar com a herança ou legado, sendo nulos os instituídos
além do segundo lugar;
A substituição fideicomissária somente será permitida em favor dos não concebidos ao tempo da morte do
testador. No entanto, se ao tempo da morte do testador já houver nascido o fideicomissário, adquirirá este a propri-
edade dos bens fideicometidos, convertendo-se em usufruto o direito do fiduciário.
O fiduciário tem a propriedade da herança ou legado, porém, a mesma será restrita e resolúvel, sendo obrigado
a proceder ao inventário dos bens gravados, e a prestar caução se exigir o fideicomissário. A propriedade do fidu-
ciário deixará de ser resolúvel se o fideicomissário renunciar a herança ou o legado, salvo se existir disposição
contrária do testador.
Regra geral, se o fiduciário renunciar a herança ou o legado, defere-se ao fideicomissário o poder de aceitar,
salvo disposição em contrário do testador. Se o fideicomissário aceitar a herança ou o legado, terá direito à parte
que, ao fiduciário, em qualquer tempo acrescer.

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9.9. DA DESERDAÇÃO

Podemos definir como uma punição unilateral e será feita em testamento, desde que fundada em motivo legal,
somente podendo ocorrer em sucessão testamentária utilizada pelo testador para afastar de sua sucessão os her-
deiros necessários.
Os motivos legais estão dispostos na lei civil:
Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários:
I – que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso, ou tentativa deste,
contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descen-
dente;
II – que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime
contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro;
III – que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor
livremente de seus bens por ato de última vontade.
Art. 1.962. Além das causas mencionadas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos descen-
dentes por seus ascendentes:
I – ofensa física;
II – injúria grave;
III – relações ilícitas com a madrasta ou com o padrasto;
IV – desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade.
Art. 1.963. Além das causas enumeradas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos ascendentes
pelos descendentes:
I – ofensa física;
II – injúria grave;
III – relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou a do neto, ou com o marido ou
companheiro da filha ou o da neta;
IV – desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade.

9.10. DA REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS

O remanescente pertencerá aos herdeiros legítimos, quando o testador só em parte dispuser da quota heredi-
tária disponível e, as disposições que excederem a parte disponível se reduzirão aos limites dela.
Quando consistir em prédio divisível o legado sujeito à redução, far-se-á esta dividindo-o proporcionalmente,
dispondo a lei os casos de impossibilidade.

9.11. DA REVOGAÇÃO DO TESTAMENTO

O testamento pode ser revogado pelo mesmo modo e forma como pode ser feito e tal ato poderá ser total ou
parcial. Se parcial ou se o testamento posterior não contiver cláusula revogatória expressa, o anterior subsiste em
tudo que não for contrário ao posterior.

9.12. DO ROMPIMENTO DO TESTAMENTO

Romperá o testamento em todas as suas disposições se sobrevindo descendente sucessível ao testador, que
testador não tinha ou não o conhecia quando testou caso esse descendente sobreviver ao testador. Será mantido

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o tratamento isonômico aos filhos, conforme mandamento do art. 227, § 6 da CRFB/88. Romperá, também, o testa-
mento feito na ignorância de existirem outros herdeiros necessários.
O testamento não será rompido se o testador dispuser da sua metade, não contemplando os herdeiros neces-
sários de cuja existência saiba, ou quando os exclua dessa parte.

9.13. DO TESTAMENTEIRO

É executor do testamento em si, tendo por fim a busca pelo cumprimento das disposições de ultima vontade,
tendo natureza de encargo privativo e facultativo, porquanto a sua ausência não compromete a efetivação das
disposições testamentárias.
O testamenteiro nomeado, ou qualquer parte interessada, pode requerer, assim como o juiz pode ordenar, de
ofício, ao detentor do testamento, que o leve a registro.

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