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DIREITO DO TRABALHO (À LUZ DA REFORMA TRABALHISTA)

Extinção do Contrato de Trabalho II


Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO II

3. JUSTA CAUSA

3.1 – Princípios:
a) Reserva legal – a falta grave que justifica a dispensa deve estar tipificada
em lei.
• Para que haja a aplicação de uma justa causa, a sua hipótese deverá estar
na lei. Caso contrário, não é possível aplicar a justa causa.
b) Nexo causal ou caráter determinante – a falta praticada deve ter sido
o motivo da dispensa. Não será válido, assim, despedir o empregado por um
motivo e pretender provar em juízo outra falta diversa daquela que ensejou a
ruptura contratual.
Ex.: se o empregado foi demitido por embriaguez em serviço, o empregador
não poderá alegar em juízo que esse empregado foi demitido por improbidade.
c) Proporcionalidade ou gravidade da falta – as penalidades aplicadas pelo
empregador têm caráter pedagógico e, por isso, devem ser dosadas, cabendo a dis-
pensa motivada apenas nas situações em que a gravidade da falta justifique o ato.

 Obs.: esse princípio está ligado ao princípio da razoabilidade, visto nos blocos
anteriores.

d) Imediaticidade ou imediatidade – como a falta deve ser grave a ponto


de quebrar o elo de fidúcia (confiança) que envolve o contrato, o empregador
deve atuar no sentido de promover a dispensa de forma urgente, sob pena de se
caracterizar o perdão tácito.
A partir do momento em que o empregador tomar a efetiva ciência daquela
falta grave cometida pelo empregado, deverá ele adotar medidas no sentido de
aplicar a justa causa. Caso isso não ocorra, é possível que fique caracterizado
o perdão tácito da falta.
É importante lembrar que o prazo referido para o perdão tácito é contabili-
zado a partir do momento em que o empregador toma ciência da falta cometida.
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Muitas vezes o empregado comete a falta grave, porém o empregador só toma


ciência dias, meses ou até anos depois. Para realizar essa análise, são utiliza-
dos critérios de razoabilidade.

Súmula 77 do TST
PUNIÇÃO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21/11/2003
Nula é a punição de empregado se não precedida de inquérito ou sindicân-
cia internos a que se obrigou a empresa por norma regulamentar.

Diante dessa situação, é preciso entender que os princípios da imediatici-


dade ou imediatidade existem, contudo há situações em que o tempo deverá ser
flexibilizado.
e) Não ocorrência de perdão tácito ou expresso – a demora injustificada
na punição, como também a adoção de medidas contrárias à intenção de punir,
configuram o perdão tácito. Já o perdão expresso configura manifestação
inequívoca oriunda do empregador ou do superior hierárquico.
f) Inaplicabilidade de dupla punição (non bis in idem) ou singularidade
da punição – pela mesma falta, não se admite a penalização do empregado
duas vezes pela prática do mesmo ato, o que, por óbvio, não impede o agra-
vamento da punição em caso de reincidência, mas, mesmo assim, cada ato iso-
ladamente mereceria uma punição específica.
Se o empregado praticou um ato irregular, então terá uma penalidade de
acordo com a sua gravidade. Porém, não é possível punir o empregado pelo
mesmo ato duas vezes. Exemplo: o empregado que sofreu penalidade de sus-
pensão por um ato não poderá, pelo mesmo ato, receber uma justa causa.
A exceção é nos casos de reincidência. Exemplo: o trabalhador recebeu uma
suspensão por um ato grave cometido, mas, em outro momento, realizou nova-
mente a mesma falta grave. Nesse caso, é possível aplicar a demissão por justa
causa.
g) Conexão – deve haver ligação entre a falta alegada e a execução do con-
trato de trabalho.
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 Obs.: quando o empregador aplica uma justa causa, a hipótese deve estar rela-
cionada com a conduta do trabalhador (nexo causal). Já a conexão quer
dizer que a conduta praticada pelo empregado tem relação com o traba-
lho.

Atenção!
É importante lembrar que existem algumas hipóteses de justa causa que não
comportam a conexão. Contudo, essas são exceções e serão abordadas ao
longo dos estudos no tema.

h) Simetria das penas ou isonomia – deve ser imputada a mesma pena-


lidade para aqueles que concorrem para o mesmo ilícito ou ilícitos diferentes,
embora idênticos quanto ao conteúdo do fato.
Ex.: se dois trabalhadores, em conjunto, cometem um determinado ato ilícito
no trabalho (como o roubo de um objeto), não pode o empregador aplicar pena-
lidades distintas para os dois, mas, sim, a mesma penalidade.

Direto do concurso
1. (2012/FCC/TST/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA) A falta
grave capaz de acarretar a dispensa do empregado com justa causa
a. não precisa estar prevista em lei, bastando que seja considerada grave
pelo empregador.
b. deve, além de estar prevista em lei, ser atual porque a falta cometida pelo
empregado e não punida entende-se como perdoada.
c. não precisa estar prevista em lei, mas o ato praticado pelo empregado
deve ser reiterado e habitual, independentemente de punição anterior pelo
empregador.
d. deve ser apurada pelo empregador que terá o prazo máximo de quinze
dias para realizar sindicância interna e punir o empregado.
e. deve ter sido punida pelo empregador com a aplicação de três advertên-
cias e, pelo menos, uma suspensão.
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Comentário
a. A falta grave, pelo princípio da reserva legal, deve estar prevista em lei.
b. O item se refere à aplicação do princípio da imediatidade ou imediaticidade.
c. A falta grave, pelo princípio da reserva legal, deve estar prevista em lei.
d. A sindicância é uma faculdade do empregador e só se torna obrigatória
se este assumir a responsabilidade no contrato de trabalho, no regulamento
empresarial ou em norma coletiva.
e. Em nenhum momento, é previsto que há a necessidade de uma gradação
das penalidades até se chegar a uma justa causa.

3.2 – Hipóteses:

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
a) ato de improbidade;

 Obs.: o ato de improbidade é um ato de desonestidade/má-fé. Não é necessário


que esse ato seja consumado para que seja configurada a improbidade.

Direto do concurso
2. (2011/FCC/TRT – 4ª REGIÃO (RS)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICI-
ÁRIA) Zacarias, empregado do Esporte Clube Bola Branca, subornou Mário
e Diego, empregados jogadores do time de futebol do Esporte Clube Lago
Azul, para que os mesmos apresentassem um péssimo desempenho e o
time Bola Branca vencesse a partida. A Diretoria do Lago Azul descobriu o
ocorrido e pretende dispensar seus empregados com justa causa, tendo em
vista a prática de:
a. desídia.
b. incontinência de conduta.
c. insubordinação.
d. ato de improbidade.
e. indisciplina.
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CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
b) incontinência de conduta ou mau procedimento;

 Obs.: a incontinência de conduta e o mau procedimento serão tratados no pró-


ximo bloco de aula.

GABARITO

1. b
2. d

Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor José Gervásio Meireles.

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