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DIREITO DO TRABALHO (À LUZ DA REFORMA TRABALHISTA)

Extinção do Contrato de Trabalho III


Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO III

3. JUSTA CAUSA

3.2 – Hipóteses:

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
b) incontinência de conduta ou mau procedimento;

A incontinência de conduta é um desregramento do comportamento sexual.


Já o mau procedimento é um tipo aberto que comporta qualquer conduta grave
que não seja enquadrada em outro tipo específico.
Assim, é possível dizer que, quando há uma situação de mau procedimento,
a conduta do trabalhador não se enquadra em nenhuma das outras espécies
existentes de hipóteses por justa causa. Porém, essa conduta é grave o sufi-
ciente para permitir a rescisão do contrato de trabalho de forma motivada.

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador,
e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o emprega-
do, ou for prejudicial ao serviço;

 Obs.: para que seja possível a aplicação de uma justa causa nessa situação, é
necessário que o empregador prove que a conduta do empregado ocorra
de forma habitual. Se o fato ocorreu apenas uma vez, o empregador
poderá aplicar outra medida disciplinar mais branda, como a advertência
ou a suspensão.
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Outro ponto importante disposto na alínea “c” (acima) é que a negociação


habitual a que se refere o dispositivo não precisa necessariamente fazer con-
corrência com a atividade desenvolvida pelo empregador. Por exemplo: se um
determinado empregado utiliza o período de expediente para realizar vendas de
cosméticos ou outros produtos, mesmo que não tenham nenhum tipo de relação
com a atividade desenvolvida pela empresa, poderá ser demitido por justa causa
se comprovado que essa atividade é prejudicial ao seu serviço.

Direto do concurso
1. (2012/FCC/TRT – 11ª REGIÃO (AM)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA AD-
MINISTRATIVA) Diariamente e durante o horário de expediente, uma em-
pregada expõe e vende produtos de higiene e beleza para seus colegas de
trabalho, sem a permissão do seu empregador. Tal situação configura motivo
para rescisão contratual por justa causa?
a. Não, porque seria apenas motivo para advertência ou suspensão do em-
pregado.
b. Não, porque não há previsão legal para tal situação de rescisão por justa
causa.
c. Sim, porque o fato é grave, embora não esteja previsto em lei.
d. Sim, porque o fato está tipificado em lei como justa causa para rescisão do
contrato pelo empregador.
e. Não, porque o fato não é tão grave e poderia apenas ensejar a rescisão
sem justa causa.

Comentário
Atenção ao previsto no art. 482, c.

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
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d) condenação criminal do empregado, passada em julgado, caso não tenha ha-


vido suspensão da execução da pena;

As prisões cautelares (provisórias) são circunstâncias em que há a suspen-


são do contrato de trabalho, e não uma hipótese de demissão por justa causa.
Para que isso ocorra, é necessário que a prisão do trabalhador tenha sido exe-
cutada por meio de decisão judicial com trânsito em julgado.
Além disso, a pena do empregado não pode ter sido suspensa pela Justiça.
Outra situação é quando, mesmo que a pena não tenha sido suspensa, esse
empregado tenha condições de trabalhar, como no caso das prisões em regime
aberto. Se o empregado consegue ter compatibilidade de horário para exercer
as suas funções laborais, então não há que se falar em justa causa.
Já nos casos em que o período de cumprimento da pena do empregado for
incompatível com o seu horário de trabalho (ex.: trabalho noturno), é possível a
aplicação de justa causa.

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
e) desídia no desempenho das respectivas funções;

A desídia é uma negligência, um desinteresse por parte do empregado na


prestação de seu serviço. Em regra, a desídia pressupõe a habitualidade ou rei-
teração do ato. Contudo, excepcionalmente poderá ocorrer a desídia derivada
de um ato único do trabalhador, se esse for extremamente grave.

Direto do concurso
2. (2014/FCC/TRT – 16ª REGIÃO (MA)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JU-
DICIÁRIA) Claudiomar, sócio-gerente da empresa “M” Ltda descobriu que
Bruno, um de seus empregados do setor de montagem de peças, foi conde-
nado em processo criminal pela prática do crime de estelionato qualificado. O
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referido processo encontra-se em fase de recurso e Bruno respondendo em


liberdade. Neste caso, de acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho,
Claudiomar:
a. poderá rescindir imediatamente o contrato de Bruno por justa causa, ha-
vendo dispositivo legal expresso neste sentido, devendo notificar previa-
mente o empregado.
b. não poderá rescindir o contrato de Bruno por justa causa independente-
mente da aplicação de pena e do trânsito em julgado uma vez que não
guarda qualquer relação com o contrato de trabalho.
c. só poderá rescindir o contrato de Bruno por justa causa após o trânsito em
julgado da sentença condenatória, caso não haja suspensão da execução
da pena.
d. só poderá rescindir o contrato de Bruno por justa causa após o trânsito em
julgado da sentença condenatória e independentemente da ocorrência ou
não de suspensão da execução da pena.
e. poderá rescindir imediatamente o contrato de Bruno por justa causa, ha-
vendo dispositivo legal expresso neste sentido, independente de prévia
notificação do empregado.

Comentário
a. Não é possível rescindir o contrato por justa causa, pois a sentença ainda
não transitou em julgado.
b. Nesse caso, não se aplica o princípio da conexão. Assim, o empregado pode
ser demitido por justa causa no caso previsto em lei.
d. Conforme a CLT, se houver suspensão da execução da pena e o empregado
puder trabalhar, não caberá a justa causa.
e. O processo está em grau de recurso e não transitou em julgado; assim, não
se aplica a justa causa.

3. (2013/FCC/TRT – 18ª REGIÃO (GO)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JU-


DICIÁRIA) A Consolidação das Leis do Trabalho prevê algumas normas que
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regulam a rescisão dos contratos individuais de trabalho. Nos termos dessas


regras, é INCORRETO afirmar:
Constitui motivo de rescisão contratual por justa causa a condenação crimi-
nal do empregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão
da execução da pena.

Comentário
Atenção ao disposto no art. 482, alínea “d”, da CLT.

4. (2013/FCC/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO) Hermes tra-


balhou como empregado da empresa "Olimpo Industrial Ltda." durante três
meses, sendo que no período foram contabilizadas quarenta faltas sem jus-
tificativa e não consecutivas, vinte e cinco atrasos no horário de entrada,
além de ter recebido algumas advertências por apresentar produção mensal
bastante inferior, comparada aos colegas do setor que trabalham nas mes-
mas condições. Nessa situação, conforme previsão do artigo 482 da CLT,
está caracterizada a justa causa para rescisão contratual pelo empregador
na modalidade de:
a. abandono de emprego.
b. ato de indisciplina.
c. desídia no desempenho das respectivas funções.
d. ato de insubordinação.
e. incontinência de conduta.

Comentário
A inassiduidade habitual do empregado pode ser tratada como um caso de
desídia.

5. (2012/FCC/TRT - 6ª REGIÃO (PE)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICI-


ÁRIA) Venus trabalha há quatro meses na Clínica Médica Celta, exercendo
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as funções de secretária-recepcionista. Durante esse período, a empregada


faltou por 25 dias alternados, sem apresentar justificativa legal para estas
ausências. Nos dias em que compareceu ao trabalho, Venus frequentemente
chegou com alguns minutos de atraso, bem como se esqueceu de agendar
duas consultas, sofrendo advertências verbais e por escrito, além de duas
suspensões. Nesta situação, a atitude da empregada enseja a rescisão do
contrato por justa causa por:
a. abandono de emprego.
b. ato de insubordinação.
c. ato de indisciplina.
d. ato de improbidade.
e. desídia no desempenho das funções.

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
f) embriaguez habitual ou em serviço;

A embriaguez em serviço é aquela que ocorre quando o funcionário está em


horário de expediente. Já a embriaguez habitual é aquela que não precisa ocor-
rer no serviço, mas seus efeitos são sentidos no trabalho.

Cuidado: alcoolismo (doença) não configura justa causa. Nesse caso, o


empregador deverá remeter o empregado ao INSS para que seja afastado.

RECURSO DE REVISTA. DESPEDIDA POR JUSTA CAUSA. ALCOOLISMO.


REINTEGRAÇÃO 1. A jurisprudência prevalecente no Tribunal Superior do Tra-
balho firmou-se no sentido de que a Organização Mundial da Saúde (OMS)
reconhece o alcoolismo crônico como doença no Código Internacional de Doen-
ças (CID), classificado como "síndrome de dependência do álcool" (referência
F-10.2). 2. Portanto, trata-se de patologia que gera compulsão, impele o alcoo-
lista a consumir descontroladamente a substância psicoativa e retira-lhe a capa-
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cidade de discernimento sobre seus atos. Clama, pois, por tratamento e não por
sanção. 3. Decisão regional que desconstitui a justa causa aplicada ao empre-
gado, em virtude de laudo pericial concluir que este padece de alcoolismo crô-
nico, encontra-se em conformidade com a jurisprudência iterativa e notória do
TST. (...)
(RR – 300-53.2011.5.17.0009, Relator Ministro: João Oreste Dalazen, Data
de Julgamento: 14/10/2015, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 23/10/2015).

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
g) violação de segredo da empresa;

Nesse caso, para que seja aplicada a justa causa, é necessário que o segredo
tenha o potencial de causar danos ao empregador. Além disso, o segredo deve
pertencer à empresa em que o trabalhador atua, não se aplicando a segredos de
cunho pessoal.

GABARITO

1. d
2. c
3. C
4. c
5. e

Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor José Gervásio Meireles.
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