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DIREITO DO TRABALHO (À LUZ DA REFORMA TRABALHISTA)

Extinção do Contrato de Trabalho IV


Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO IV

3. JUSTA CAUSA

3.2 – Hipóteses:

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
h) ato de indisciplina ou de insubordinação;

O ato de indisciplina pode ser caracterizado como um descumprimento de


regramento geral. Exemplo: um funcionário de uma fábrica de fogos de artifí-
cio que fuma em serviço, mesmo que o regimento da empresa proíba de forma
expressa o ato de fumar.
A insubordinação pode ser entendida como um descumprimento de ordens
diretas de superior hierárquico.

Direto do concurso
1. (2013/FCC/TRT – 12ª REGIÃO (SC)/ANALISTA JUDICIÁRIO) O descumpri-
mento de ordens legais, legítimas e pessoais de serviços efetuados pelo ge-
rente para o seu subordinado, constitui justa causa para rescisão do contrato
de trabalho pelo empregador na modalidade de:
a. incontinência de conduta.
b. ato de indisciplina.
c. desídia no desempenho das respectivas funções.
d. ato de insubordinação.
e. ato de improbidade.
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Comentário
O descumprimento de ordens de um superior hierárquico por um empregado
que lhe é subordinado configura uma situação de insubordinação.

 Obs.: o trabalhador pode se opor a cumprir ordens consideradas ilegais. Contu-


do, quando se fala em justa causa, parte-se da premissa de que a ordem
é legal, e o trabalhador, de forma indevida, a descumpriu.

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
i) abandono de emprego;

Requisitos:
a) elemento objetivo – mais de 30 dias consecutivos de faltas injustificadas.
b) Elemento subjetivo – intenção de abandono.
Na configuração do elemento subjetivo, o empregador confirma a intenção de
abandono por parte do empregado quando, por exemplo, encaminha convoca-
ções para que o trabalhador retorne ao serviço. Assim, se o empregado recebe
a convocação, mas não retorna, fica claro que possui a intenção de abandonar
o emprego.

 Obs.: a regra é que, para que haja a justa causa pelo abandono de empre-
go, devem ser cumpridos os dois requisitos listados acima. Contudo, a
exceção ocorre, por exemplo, quando o empregado consegue uma nova
oportunidade de trabalho em horário incompatível com o de seu empre-
go atual. Nesse caso, o empregador poderá aplicar a justa causa mesmo
antes dos 30 dias.
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AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA EM FACE DE


DECISÃO PUBLICADA ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. ABAN-
DONO DE EMPREGO. CONFIGURAÇÃO. (...) Configurados os requisitos neces-
sários para a caracterização do abandono de emprego, quais sejam, o elemento
subjetivo, caracterizado pela intenção do empregado de não mais retornar ao
trabalho, e o elemento objetivo, que se configura pela ausência injustificada por
mais de 30 dias, é impossível reconhecer a violação literal desse dispositivo de
lei. Ademais, ao contrário do alegado, não ficou evidenciada a conduta discrimi-
natória da empresa, uma vez que reconhecido o abandono de emprego, razão
pela qual deve ser mantido o acórdão regional que indeferiu o pleito de indeni-
zação por danos morais e materiais. Agravo de instrumento a que se nega pro-
vimento.
(AIRR – 242900-60.2009.5.02.0020, Relator Ministro: Cláudio Mascarenhas
Brandão, Data de Julgamento: 16/12/2015, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT
18/12/2015)

Direto do concurso
1. (2013/FCC/TRT – 18ª REGIÃO (GO)/ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMI-
NISTRATIVA) Vênus ausentou-se dos serviços por mais de 30 dias conse-
cutivos, sem enviar qualquer comunicação para seu empregador justificando
o motivo de suas faltas. Foram enviados três e-mails e três telegramas para
que Vênus retornasse ao serviço ou justificasse a sua ausência. Nessa situ-
ação, fica caracterizada a justa causa para rescisão do contrato pelo empre-
gador na modalidade:
a. incontinência de conduta.
b. desídia.
c. insubordinação.
d. indisciplina.
e. abandono de emprego.
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Presunção derivada da ausência de retorno após alta previdenciária:


Súmula 32 do TST
ABANDONO DE EMPREGO (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e
21/11/2003
Presume-se o abandono de emprego se o trabalhador não retornar ao ser-
viço no prazo de 30 (trinta) dias após a cessação do benefício previdenciário
nem justificar o motivo de não o fazer.

Direto do concurso
2. (FCC/2017/TRT – 11ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁ-
RIA) A empresa de calçados Chão Azul Ltda. rescindiu o contrato de trabalho
com justa causa da empregada Lívia que estava afastada do emprego go-
zando de auxílio doença previdenciário. Na última perícia médica Lívia teve
alta do INSS, mas transcorridos cinquenta e cinco dias, ela não retornou ao
trabalho e não justificou o motivo de não retornar. Neste caso, de acordo com
entendimento sumulado do TST, a empresa:
a. agiu corretamente, uma vez que Lívia possuía o prazo de quinze dias após
a cessação do benefício previdenciário para retornar ao trabalho ou justifi-
car o motivo de não o fazer.
b. agiu corretamente, uma vez que Lívia possuía o prazo de trinta dias após a
cessação do benefício previdenciário para retornar ao trabalho ou justificar
o motivo de não o fazer.
c. não agiu corretamente, uma vez que Lívia possui o prazo de sessenta dias
após a cessação do benefício previdenciário para retornar ao trabalho ou
justificar o motivo de não o fazer, não havendo transcorrido, ainda este
lapso temporal.
d. não agiu corretamente, uma vez que Lívia possui o prazo de noventa dias
após a cessação do benefício previdenciário para retornar ao trabalho ou
justificar o motivo de não o fazer, não havendo transcorrido, ainda este
lapso temporal.
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e. não agiu corretamente, neste caso, em razão do gozo do benefício previ-


denciário, independentemente do lapso temporal, não se configura a hipó-
tese de abandono de emprego, sendo vedada a dispensa com justa causa.

Comentário
De acordo com a Súmula 32 do TST, o não retorno ao trabalho em até 30 dias
após a cessação do benefício previdenciário é motivo de justa causa.

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pes-
soa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa,
própria ou de outrem;

Um exemplo dessa situação são as agressões físicas ou verbais que ocor-


rem dentro do ambiente de trabalho. Para ser considerada justa causa, não há
a necessidade de se envolver somente funcionários da empresa, mas também
terceiros, como um cliente de uma loja.
Contudo, há uma ressalva: se um trabalhador agrediu alguém em legítima
defesa, não há que se aplicar a justa causa. Contudo, o ônus da prova caberá
ao empregado.

CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o em-
pregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria
ou de outrem;

 Obs.: no caso da alínea “k”, o ato lesivo não precisa ser necessariamente dentro
do ambiente de trabalho.
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CLT
Art. 482. Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo em-
pregador:
(...)
l) prática constante de jogos de azar.

 Obs.: rol é exemplificativo no art. 482 da CLT. Assim, além das hipóteses de
justa causa previstas no art. 482 da CLT, também existem outras situa-
ções descritas na legislação que podem configurar uma justa causa, por
exemplo:
• inobservância de normas de saúde e segurança do trabalho, bem como
o não uso de EPIs fornecidos pela empresa (CLT, 158, parágrafo único);
• declaração falsa do empregado acerca do percurso para fins de vale-
-transporte ou seu uso indevido (Decreto n. 95.247/1987, art. 7º, § 3º).

Direto do concurso
3. (2015/FCC/TRT – 9ª REGIÃO (PR)/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDI-
CIÁRIA) Somente podem ser consideradas justas causas os atos que se
encaixem em uma das hipóteses taxativamente indicadas pela lei. Nesse
contexto, há correspondência entre a conduta e o tipo legal:
a. Walter subtrai para si o relógio de Alcides, após abrir seu armário no vesti-
ário da empresa. Foi dispensado por mau procedimento.
b. Juvenal, encarregado de seção, discute com os empregados Sílvio, Janete
e Guilherme, chamando-os de ladrão, piranha e caloteiro, respectivamen-
te. Foi dispensado por desídia.
c. Celestino agride fisicamente Wilson, seu colega de trabalho, causando-lhe
lesões corporais leves. Foi dispensado por incontinência de conduta.
d. Rivaldo recebe ordem direta de seu supervisor para realização de determi-
nada tarefa. A ordem não é cumprida. Foi dispensado por insubordinação.
e. Ricardo, Maurício e Luiz, ajudantes de manutenção, são pegos pela quinta
vez jogando dados, a dinheiro, na oficina. Foram dispensados por indisci-
plina.
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Comentário
a. O fato de subtrair coisa alheia configura ato de improbidade/má-fé.
b. Nesse caso, Juvenal praticou ato de ofensa a honra contra os funcionários
com quem discutia.
c. Celestino praticou agressão física. A incontinência de conduta é um
desregramento no comportamento sexual.
d. O descumprimento de ordem direta sem uma justificativa é caso de
insubordinação.
e. Nesse caso, os funcionários podem ser enquadrados em prática constante
de jogos de azar.

Na reforma trabalhista, surge mais uma hipótese de justa causa:

CLT
Art. 482. (...)
m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da
profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado.

Se, em virtude de uma conduta dolosa do empregado, este vier a perder os


requisitos para poder exercer uma profissão, o funcionário poderá ser demitido
por justa causa.

GABARITO

1. e
2. b
3. d

Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor José Gervásio Meireles.
ANOTAÇÕES

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