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ISSN 2448-1734

HUMANIDADES SERTANEJAS
Revista do Grupo de Pesquisa História, Sociedade e Etnociência. UESB-
CNPq

Volume 2 - Número 2 - 2017


ISSN 2448-1734

HUMANIDADES SERTANEJAS
Revista do Grupo de Pesquisa História, Sociedade e Etnociência. UESB-CNPq
Volume 2 - Número 2 - 2017
GRUPO DE PESQUISA HISTÓRIA, SOCIEDADE E ETNOCIÊNCIA-CNPQ.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA.
NUCLEAS/UERJ – Núcleo de Estudo das Américas.
Revista Humanidades Sertanejas.

V. 2, Junho 2017

Reitor UESB
Paulo Roberto Pinto Santos

Vice-Reitor
Fábio Félix Ferreira

Centro de Documentação e Informação do Campus de Jequié

Maria Luzia Braga Landim

Coordenadores Revista

Maria Luzia Braga Landim


Claudio Lúcio Fernandes Amaral
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EXPEDIENTE

Editor responsável

Maria Luzia Braga Landim

Conselho editorial

Alexis T. Dantas – UERJ/BR

Claudio Lucio Fernandes Amaral UESB/BR

Dejan Mihailovic – TEC/MONTERREY/MX

Edna Maria dos Santos-UERJ/IFCH

Maria Luzia Braga Landim - UESB/BR

Tiago Landim d´Avila UFBA/FIOCRUZ

Revisão

A revisão e a opinião emitida nos textos são de responsabilidade dos autores.


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CATALOGAÇÃO NA FONTE

UESB/PERGAMUM

H918 Humanidades Sertanejas – Junho - 2017. Jequié – Bahia: UESB.


DCHL. CEDOIN. 2017.
V.1;
100 p. ilust.

Anual.
Inclui bibliografia.
ISSN 2448-1734

1. América Latina- Periódicos. 2. Ciências Sociais – Periódicos.


3. Etnociência - Periódicos I. Universidade Estadual do Sudoeste
da Bahia. II. Centro de Documentação e Informação de Campus
de Jequié.
CDD 980

Endereço eletrônico: mlblandim@msn.com


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SUMÁRIO
Apresentação 6

A PESQUISA EM GENÉTICA NA REGIÃO SEMIÁRIDA DA BAHIA: FAZENDO


MUITO COM POUCO NA CAATINGA. 8
Prof. Dr. Cláudio Lúcio Fernandes Amaral, UESB.

IDENTIDADE, CULTURA E CIDADANIA NA CIDADE DE SÃO SALVADOR, A


INFLUÊNCIA DAS IMIGRAÇÕES. 14
Profa. Dra. Maria Luzia Braga Landim e Prof. Tiago Landim d´Avila,.UESB/UFBA.

REPRESENTAÇÕES E ENIGMAS – DO ELDORADO ÀS MISSÕES CIENTÍFICAS


AMAZÔNIA – SÉCULOS XVI -XVIII. 24
Prof.ª Drª Maria Teresa Toribio Brittes Lemos, UERJ.

UTILIZAÇÃO DAS CÉLULAS-TRONCO COMO POSSÍVEL TRATAMENTO PARA


DIABETES MELLITUS: O ENFERMEIRO E SUAS COLABORAÇÕES. 33
Prof. Dr. Tiago Landim D’Avila, Acadêmicas Haisile Alves de Aragão Pinto; José Santos
Silva.UJ

A SAÚDE BUCAL INDÍGENA NA BAHIA, UMA PESPECTIVA ANTROPOLOGICA.


Acadêmico de Odontologia - Vinícius Freitas Silva Bitencourt – UESB. 43
A LEGITIMAÇÃO DA IGNORÂNCIA E A DOR SILENCIOSA DE JOVENS QUE
PRATICAM O ABORTO CLANDESTINO. 53
Acadêmica Beatriz Silva Santana, Odontologia UESB.

PERCEPÇÕES E ESTRATÉGIAS DE APOIO NO DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME


DE BURNOUT ENTRE PRESBÍTEROS DIOCESANOS. 59
Acadêmicas, Samara de França Ferreira e Tailani Mendes de O. Araújo, Fisioterapia UESB.

UMA ABORGAGEM ANTROPOLOGICA SOBRE O PRECONCEITO RACIAL


NAZISTA. 68
Acadêmica Thamiris Santos Correia, Odontologia-UESB

A DOR NO IDOSO: UMA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA. 74


Acadêmica Rebeca Santos Souza , Odontologia - UESB

PERSPECTIVAS SOBRE O SUICÍDIO ASSISTIDO E A EUTANÁSIA: VISÕES E


VERSÕES. 81
Acadêmicas Bianca Santiago Menezes, Jhenifer Bispo Soares, Fisioterapia UESB.

A PREVALÊNCIA DE LOMBALGIA EM POLICIAIS MILITARES DA CIDADE DE


JEQUIÉ- BAHIA. 89
Acadêmica Lidiana Matos Barbosa, Fisioterapia UESB.
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Apresentação

A Revista Humanidades Sertanejas, lançada em abril de 2014, pelo Grupo de Pesquisa


História, Sociedade e Etnociência, grupo certificado pela Universidade Estadual do Sudoeste
da Bahia, reúne estudos demarcados pelas linhas de pesquisa, e, tem como objetivo divulgar
os resultados obtidos pelos pesquisadores e acadêmicos de diversos cursos da Universidade
Estadual do Sudoeste da Bahia entre outras instituições que colaboram.

Relacionadas às linhas de pesquisa, 1.Política e Cultura, 2.Educação Sociedade e


Linguagem, e 3.Etnociência, neste segundo número, os estudos elaborados pelo Grupo visam
a conhecer contextos históricos e sociais de lugares recônditos da Região Sudoeste da Bahia,
aprofundar o conhecimento sobre as relações do homem, suas diversidades geográficas,
climáticas e culturais, imprimindo uma análise qualitativa da História e da Sociedade.

O Grupo de Pesquisa História, Sociedade Etnociência trata de questões vinculadas aos


povos, sociedades e culturas na América Latina, especialmente no Nordeste brasileiro, e têm
aproximado diversos profissionais e acadêmicos das ciências humanísticas e
interdisciplinares.

Debate as relações intrínsecas entre o global, regional e local, as estruturas culturais e


socioeconômicas considerando o impacto das novas mídias e tecnologias de produção,
distribuição, e consumo de produtos e serviços como fundamentais para o desenvolvimento
do sertão da Bahia.

Dessa forma, o Grupo tem realizado encontros regulares que culminam com o estudo
de temas transversais valorizando os princípios básicos da construção do conhecimento nas
populações humanas, seus ambientes, necessidades e possibilidades que resultam em
correlações entre a diversidade biológica e cultural.

As pesquisas publicadas no primeiro número da Revista Humanidades Sertanejas


evidenciam a necessidade de aprofundamento nos temas transversais que dizem respeito à
cultura, saúde e educação, e fatores que de certo modo podem impedir o desenvolvimento de
novas práticas políticas, econômicas e sociais.
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Para tanto, apresentamos à comunidade, a segunda amostra pública do Grupo de


Pesquisa realizada em maio de 2017, no Campus de Jequié, evidenciou a realidade local, e os
dados coletados preliminarmente serviram de embasamento para a construção de quadros
diagnósticos atualizados.

Propor metas e ações que disseminem informações e interaja com a sociedade por
meio de palestras, seminários, e amostras, por certo, desenvolverá o sentimento coletivo e o
espírito de cooperação nos indivíduos associados, e estenderá vantagens particulares à
sociedade, pelo ensino, pesquisa e extensão.

Os textos apresentados pelos participantes do Grupo de Pesquisa CNPq, História,


Sociedade e Etnociência, possuem opiniões e referências de responsabilidade de seus autores.

Os coordenadores
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A PESQUISA EM GENÉTICA NA REGIÃO SEMIARIDA DA BAHIA: FAZENDO


MUITO COM POUCO NA CAATINGA.

Cláudio Lúcio Fernandes Amaral Cláudio Lúcio Fernandes Amaral, Pós-Doutor em


Genética e Melhoramento de Plantas, Professor Pleno do Departamento de Ciências
Biológicas da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e Líder do Grupo de Pesquisa em
Biotecnologia Agrícola, Genética Vegetal e Melhoramento de Plantas (PLANTGEN-
UESB/CNPq).

RESUMO

Os pesquisadores do Grupo de Pesquisa do CNPq PLANTGEN - Biotecnologia, Genética


Vegetal e Melhoramento Genético de Plantas vêm desenvolvendo, na UESB/Campus de
Jequié-BA, projetos que priorizam as plantas aromáticas, condimentares e medicinais da
Região Semi-Árida da Bahia/Caatinga, os quais culminam em teses, dissertações,
monografias etc. que versam sobre a identificação e caracterização da variabilidade genética
para bioprospecção de substâncias para produção de fármacos, cosméticos e perfumes, a
seleção in vitro de plantas produtoras de óleos essenciais e alcalóides com potenciais
fitoterapéuticos, a purificação, a extração, a caracterização e a identificação dos constituintes
bioativos de interesse industrial. Com isto, imbuído com o espírito de promover o
desenvolvimento regional, é nossa meta consolidar competências nesta importante área,
incentivando assim a ampliação da cadeia produtiva de fitoterápicos, contribuindo desta
forma para a inserção da mesma no cenário nacional e internacional.

Palavras-chave: Melhoramento Genético, Fitoterapia, Caatinga-Bahia.


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INTRODUÇÃO

Essa pesquisa trata da pesquisa em genética na Bahia, e, especificamente, na Região


Semiárida caracterizada pela Caatinga, enfatizando apenas e tão somente os trabalhos
científicos em melhoramento genético de plantas aromáticas, condimentares e medicinais,
uma área muito interessante que, esperamos ter gabarito para mostrar sua importância, cada
vez crescente para a sociedade como um todo.
Considerando os altos preços dos fármacos e o crescimento do mercado farmacêutico,
várias empresas privadas e instituições públicas estão investindo na produção industrial de
metabólitos especiais destinados a fins terapêuticos e obtidos a partir de plantas, significando
novas possibilidades de se obter drogas medicamentosas inovadoras.

POTENCIAIS FITOTERÁPICOS DA CATINGA

Estudos em plantas com potenciais fitoterápicos na Caatinga são escassos, por


conseguinte, torna - se necessário estudar a produção de compostos bioativos, principalmente,
os óleos essenciais e os alcalóides por sua extrema importância econômica no mercado
nacional e internacional, em todo o vegetal não apenas em suas partes. Cabe enfatizar ainda
que algumas destas plantas por serem aromáticas contém substâncias que podem ser utilizadas
na produção de perfumes e cosméticos.
Os objetivos do fitomelhoramento são, geralmente, específicos para a cultura a ser
melhorada (WELSH, 1981; FEHR, 1987; POEHLMAN, 1987; BORÉM, 1997), ou seja, é
importante saber se ela é uma cultura de plantas medicinais ou não; por conseguinte, torna-se
necessário distinguir uma cultura de outra.
Por planta medicinal, entende-se aquela que contenha um ou mais princípios ativos
que lhe confira a propriedade farmacológica ou o poder terapêutico e, portanto, apesar de que
toda e qualquer planta seja potencialmente capaz de ser medicinal, somente o é, aquela que
em dado momento atende a esse critério. Entretanto, nem sempre os princípios ativos de uma
planta são conhecidos, mas mesmo assim ela pode apresentar atividade fitoterápica
satisfatória e ser usada em alguns casos específicos, desde que não apresente efeitos tóxicos
agudos ou crônicos já relatados em pesquisas ou até mesmo pelo conhecimento popular
(MARTINS et al., 1994).
Para cultura de plantas não-medicinais, o principal objetivo é a produtividade expressa
pelos caracteres quantitativos envolvendo, geralmente, o número e o peso de folhas nas
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hortaliças, dos frutos nas fruteiras e dos grãos nas grandes culturas: arroz (Oryza sativa),
feijão (Phaseolus vulgaris), milho (Zea mays), soja (Glycine max) etc., e pelos caracteres
qualitativos envolvendo componentes nutricionais estruturais/funcionais (proteínas e
enzimas), energéticos (carboidratos e lipídeos) e reguladores (vitaminas, hormônios), com
propriedades organolépticas desejáveis (BRIGGS e KNOWLES, 1967; ALLARD, 1971;
WELSH, 1981; FEHR, 1987; POEHLMAN, 1987; BORÉM, 1997).
Para cultura de plantas medicinais, o principal objetivo é a produtividade expressa
pelos caracteres quantitativos envolvendo, geralmente, o teor de princípios ativos e pelos
caracteres qualitativos envolvendo os tipos de princípios ativos e seus principais constituintes
químicos, tais como: os alcalóides de Catharanthus roseus (Vinca), os flavonóides de
Calendula officinalis (Calêndula), os glicosídeos cardiotônicos de Digitalis spp. (Dedaleira,
Digitalis), as mucilagens de Aloe vera (Babosa), os óleos essenciais de Ocimum spp.
(Alfavaca, Manjericão) e Mentha spp. (Hortelã) e os taninos de Stryphnodendron spp.
(Barbatimão) (HUSSAIN,1991; PALEVITCH, 1991).
Na cultura de plantas não-medicinais prioriza-se o metabolismo primário e na cultura
de plantas medicinais prioriza-se o metabolismo secundário. O metabolismo primário é
responsável, primordialmente, pela produção de proteínas das folhas nas hortaliças, de
proteínas nos frutos nas fruteiras e de proteínas de reserva nos grãos nas grandes culturas e de
enzimas envolvidas na biossíntese de carboidratos, lipídeos, proteínas, hormônios e vitaminas.
O metabolismo secundário é responsável, primordialmente, pela produção de princípios ativos
em plantas (SOMERVILLE, 1990). Sabe-se que esta divisão de metabolismo primário e
secundário é, antes de tudo, didática, pois ambos exercem funções, as mais variadas possíveis,
que inter-relacionam-se o tempo todo, pois, ambos são partes de um organismo vivo, um
sistema dinâmico que interage constantemente com o meio ambiente.
Para a adaptação aos ambientes, existem objetivos comuns que devem ser alcançados
tanto pelas culturas medicinais quanto pelas não-medicinais que são: resistência a insetos-
pragas, resistência a doenças causadas por fitopatógenos (vírus, viróides, bactérias, fungos e
nematóides) e tolerância a condições adversas do meio (temperatura, umidade, pH,
salinidade, etc.) (INGROUILLE, 1992; BORÉM, 1997).
De forma geral, independente da cultura a ser trabalhada, pode-se dizer que, segundo
VENCOVSKY (1986), o melhoramento visa produzir variedades artificiais ou cultivares que
possuam:
a) adaptação adequada a uma dada região do país. Ressalta-se, neste aspecto, que o
nosso País possui vastas áreas não ideais para a agricultura. Um certo grau de adaptabilidade a
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solos não totalmente próprios ou a regiões com irregularidades hídricas, dá mais segurança ao
produtor, reduzindo os riscos de seu empreendimento. Obviamente que a genética não pode
produzir milagres, como, por exemplo, o desenvolvimento de plantas com bom rendimento
sem que lhe forneçam fertilizante, água, etc. O que se enfatiza é a geração de plantas mais
rústicas, para atividades em regiões agriculturáveis distintas do ponto de vista edafo-
climático.
b) alta produtividade dos produtos almejados, proporcionando conveniente rendimento
econômico, dentre os quais citam-se: o açúcar, a borracha, a celulose, os corantes, as fibras, os
fitofármacos, as frutas, os grãos, os óleos, as proteínas, as vitaminas e outros.
c) tolerância a doenças e a ataques de insetos-pragas; pois desenvolvendo-se genótipos
com tais características reduz-se o custo de produção, diminuindo a necessidade do controle
químico desses organismos.
d) alta conversão de nutrientes ou insumos em produtos finais; tal eficiência diminuiria
custos de produção.
e) características adequadas ao mercado que exige produtos com qualidade, padrão,
etc. definidos para o consumo in natura ou processamento industrial.
f) adequação ao nível de tecnologia do produtor que as utilizará. Em nosso País, há
toda sorte de produtores rurais, colocando-se num extremo os pequenos produtores com sua
agricultura de subsistência e no outro os que praticam a agricultura como um empreendimento
comercial. De certo, há situações em que os cultivares convenientes para um tipo de produtor
não o são para os outros.
g) velocidade de desenvolvimento capaz de permitir a colheita do produto em menor
tempo. Desse modo, é possível explorar o solo mais intensamente durante o ano,
esquematizando o plantio de espécies em sucessão.
h) adequação para o plantio em consórcio. Tal prática, muito comum entre nós,
consiste em se plantar lavouras com mais de uma espécie coexistindo na mesma área.
Conforme a espécie, requer que ela seja geneticamente melhorada para resistir a essa
competição.
Prioriza-se, no momento atual, a obtenção de germoplasma competitivo para diversas
condições de cultivo; eleição de novas espécies que servirão como fonte de compostos
biologicamente ativos visando atender ao crescente aumento das doenças infecto-contagiosas
resistentes a terapêuticas usuais; aprimoramento da produção atual de fitofármacos para o
mercado interno e externo; seleção de cultivares de plantas adaptadas às condições de cultivo
de cada região do país, a fim de suprir necessidades de consumo, surgindo, como tendência, a
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substituição da importação pela exportação e independência econômica com o retorno de


divisas para o país.
Certamente, a relação apresentada não é completa. É suficiente, porém, para
demonstrar o amplo leque de itens que o melhorista de plantas terá a considerar ao iniciar e
desenvolver sua atividade de melhoramento. Caberá a ele estabelecer suas prioridades,
identificando as propriedades mais carentes nos cultivares para concentrar neles seus esforços,
pois é certo que a definição dos objetivos é o passo mais importante do melhoramento de
plantas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os pesquisadores do Grupo de Pesquisa do CNPq PLANTGEN - Biotecnologia,


Genética Vegetal e Melhoramento Genético de Plantas vêm desenvolvendo, na
UESB/Campus de Jequié-BA, projetos que culminam em teses, dissertações, monografias etc.
que versam sobre a identificação e caracterização da variabilidade genética para
bioprospecção de substâncias para produção de fármacos, cosméticos e perfumes, a seleção in
vitro de plantas produtoras de óleos essenciais e alcalóides com potenciais fitoterapéuticos, a
purificação, a extração, a caracterização e a identificação dos constituintes bioativos de
interesse industrial. Com isto, imbuído com o espírito de promover o
desenvolvimento regional, é nossa meta consolidar competências nesta importante área,
incentivando assim a ampliação da cadeia produtiva de fitoterápicos, contribuindo desta
forma para a inserção da mesma no cenário nacional e internacional.
Será que é possível fazer genética em uma pequena universidade do interior do
Nordeste? Oxente!!! Acredito que sim, pois com o pouco que dispomos muito se tem feito e,
ainda, há muito por se fazer. Vou me despedindo por aqui e peço desculpas a este povo que
me acolheu tão bem que, de mansinho, como um bom mineiro, fui apossando de seu estado ao
ponto de me considerar um baiano, título nobre o qual espero merecer por toda vida, pois
afinal tenho o orgulho de ser nordestino, uai?

REFERÊNCIAS

ALLARD, R.W. Princípios do melhoramento genético das plantas. Rio de Janeiro: Edgard
Blücher/USAID, 1971. 381p.

BORÉM, A. Melhoramento de plantas. Viçosa, MG: UFV, 1997. 547p.


13

452, 1991.

BRIGGS, F.N., KNOWLES, P.F. Introduction to plant breeding. New York: Davis
Reinhold Publishing Corporation, 1967. 426p.

FEHR, W.R. Principles of cultivar development: theory and technique. New York:
Macmillan, 1987. v.1, 536p.

HUSSAIN, A. Economic aspects of exploitation of medicinal plants. In: AKERELE, O.,


HEYWOOD, V., SYNGE, H. Conservation of medicinal plants. New York: Cambridge
University Press, 1991. p.125-140.

INGROUILLE, M. Diversity and evolution of land plants. London: Chapman & Hall, 1992.
340p.

MARTINS, E.R., CASTRO, D.M., CASTELLANI, D.C., DIAS, J.E. Plantas medicinais.
Viçosa, MG: UFV, 1994. 220p.

PALEVITCH, D. Agronomy applied to medicinal plant conservation. In: AKERELE, O.,


HEYWOOD, V., SYNGE, H. Conservation of medicinal plants. New York: Cambridge
University Press, 1991. p.167-178.

POEHLMAN, J.M. Breeding field crops. New York: AVI, 1987. 724p.

SOMERVILLE, C.R. The biochemical basis for plant improvement. In: DENNIS, D.T.,
TURPIN, D.H. Plant physiology, biochemistry and molecular biology. Essex: Longman
Scientific & Technical, 1990. p.490-501.

VENCOVSKY, R. Melhoramento genético em vegetais. Ciência e Cultura, v.38, n.7,


p.1155-1160, 1986.

WELSH, J.R. Fundamentals of plant genetics and breeding. New York: John Willey and
Sons, 1981. 290p.
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IDENTIDADE, CULTURA E CIDADANIA NA CIDADE DE SÃO SALVADOR, A


INFLUÊNCIA DAS IMIGRAÇÕES.

Maria Luzia Braga Landim-UESB , Tiago Landim d´Avila-UFBA.

Os estudos sobre as diferenças sociais e culturais do povo brasileiro bem como as questões de
cidadania fazem parte das agendas nacionais, embora, devam ir além das discussões sobre as
influências culturais ou programas assistenciais que afastam o jovem do mercado de trabalho.
O aumento da criminalidade, o uso de drogas, a falta de acesso aos meios educacionais e as
doenças endêmicas provocam problemas de saúde pública que perduram por décadas, sem
solução. Mulheres jovens em idade ativa para o trabalho têm optado pela maternidade como
recurso de sobrevivência, o que tem provocado consequências danosas para a economia local
em virtude da falta de mão de obra. A crescente ociosidade dessas jovens que se sustentam
com proventos sem estabilidade, é um dos motivos pelos quais a fluidez dos valores éticos e a
consciência cidadã está cada vez mais desgastada. Neste trabalho, visamos a discutir as
peculiaridades culturais e econômicas de uma região da Bahia, cuja influência das imigrações
outrora desencadeou o desenvolvimento econômico do Estado depois da chegada de europeus
nas primeiras décadas do século XX. Aqueles estrangeiros implantaram o comércio,
impulsionaram as exportações e conseguiram manter por um período considerável o primeiro
lugar de fornecedores de produtos alimentícios pelas docas de Salvador. Naquele período, a
cidade foi arrebatada pela força de trabalho do europeu cujo legado parece não ter sido
repassado para outras gerações que atualmente enfrentam dificuldades de acesso ao mercado
de trabalho, pela falta de qualificação e escolaridade que os obrigam a migrar para a capital.

Palavras-chave: Tradição e Modernidade, Identidade e cultura, Imigração,


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INTRODUÇÃO

Desde os tempos mais remotos, a troca de conhecimento entre povos distintos vem
sendo tratada como uma extensão entre a assunção da diferença, a capacidade de união e a
superação ante o inesperado e o desconhecido. A falta de informação sobre as origens e raízes
demasiadas longínquas, tanto imigrantes como brasileiros se deixaram ligar pela força da
identidade.

Discutir a influência das imigrações, das peculiaridades culturais e econômicas de uma


região do sertão da Bahia, tem como finalidade fazer um paralelo entre a construção de
identidade marcada pela força de trabalho do europeu que imigrou para a Bahia e as heranças
deixadas na integração com o povo nordestino. A cidade se desenvolveu a partir da
implantação de um comércio competitivo com outros estados brasileiros com a ajuda dos
sertanejos que foram incluídos no mercado de trabalho.

As pesquisas demonstram que havia entre os imigrantes que rumaram para a Bahia um
projeto comum — lutar pela sobrevivência e pela preservação cultural de uma pequena e
dispersa comunidade. Naquele período, a cultura imigrantista se espalhava por todo o mundo.
Parte de seus integrantes tentava insuflar o espírito de defesa e identidade coletiva que trazia
no seu bojo, aliada à constante jovialidade e o insuperável otimismo. A bagagem, cheia de
memórias reforçada pela esperança de uma vida melhor acalentava um futuro de preservação
às suas origens.

Os resultados concretos podiam não ser imediatos porque foram planeados com o
coração mais do que com a razão. A pretensão não se limitava apenas a criar um espaço de
integração, mas, atar laços de fraternidade com os brasileiros e lançar pontes de ligação entre
os países. Os brasileiros não desapontaram. Solidários e interessados nas trocas de
conhecimento usufruíram de ensinamentos técnicos e, se limitavam a ajudar os italianos
sempre abarcando a possibilidade de vir a apoiar e integrar novos imigrantes.

[...] as pessoas que estão juntas pertencem a culturas divergentes e a características


raciais muito diferentes, assimilação e amalgamento não ocorrem tão rapidamente
quanto em outros casos, o principal obstáculo à assimilação cultural não são os traços
mentais diferentes, mas, sobretudo seus traços físicos diferentes.[...] ( PARK, 1967,
p.79 )

A manutenção da língua e das tradições eram questões menos pertinazes, já que se


tratava de países europeus onde se falava um idioma que começava a ser entendido com a
16

convivência. E quem imigrava para o Brasil trazia na bagagem, tradições mescladas de outras
paragens onde já havia passado.

Ao chegarem ao Brasil os estrangeiros se empenharam por renovar tradições que


refrescavam suas memórias e recriavam hábitos cotidianos como forma de manter a
identidade cultural. A contribuição dessas práticas valia para a formação de uma nova
identidade, e entrelaçava o espírito de solidariedade e conveniência social.

No dia a dia, a energia positiva, o humor, o gosto pelos costumes tradicionais e os


hábitos cotidianos, possibilitavam os mesmos traços de ambiência do país de origem. O
imigrante chegou à Bahia marcado pela tradição de trabalho e objetivos bem traçados de
qualidade de vida.

No interior, os imigrantes iniciaram a marcha pelo povoamento, concedida pelo


governo, uma vez que as regiões incultas no interior da Bahia tinham grandes extensões de
terra a serem habitadas. A natureza hostil, a terra menos fértil por causa das intermitentes
secas que assolavam o sertão, e as adversidades culturais e sociais, não desanimaram os
europeus. Assim, em condições das mais adversas, eles ocuparam as terras áridas e secas
transformando aquele lugar inóspito, numa terra próspera, marcada pelas tradições culturais
europeias, inclusive na paisagem arquitetônica.

O espaço que antes era da natureza foi conquistado pelo imigrante, que passou a
cuidar dele como forma de manter vivo, os anseios de independência e liberdade. A
importação de materiais dos mais diversos deu impulso à modernização nos trabalhos
comerciais e domésticos. Os equipamentos e produtos agrícolas foram sendo
experimentados e adaptados à realidade local. Os equipamentos e materiais eram
consignados aos agricultores que repassavam suas produções ao conglomerado que
controlava os negócios regionais.

A MODERNIZAÇÃO CONSERVADORA

A rede criada nos processos de constituição de identidades e nacionalidades, forma o


conjunto decorrente da compreensão, das práticas e representações dos agentes sociais, cujos
fatores respondem às mudanças globais e aos papéis diversificados de modernidade e
modernização.
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Segundo Canclini, a modernidade sugere uma etapa de desenvolvimento, que apesar


de histórica permanece na sociedade, embora a modernização cujos processos sociais,
econômicos, e politico-culturais constroem a modernidade, os programas de renovação,
experimentação e crítica de práticas simbólicas continuam disponíveis nas sociedades.

[...] considera definidores da modernidade: emancipação, renovação, democratização e


expansão. Articulados de maneira irregular representam uma modernidade
insatisfatória, causadora de conflitos na interação com as tradições vigentes. O
hibridismo resultante pontifica o dilema de entrar ou sair de uma modernidade repleta
de incertezas, cujo desafio debe concebirse ahora como la capacidad de interactuar
con las múltiples ofertas simbólicas internacionales desde posiciones propias.[...]
(CANCLINI, 2000, p.332).

A partir da constatação de uma pertinência temporal no processo de ocupação do


espaço, e da identificação do tipo e formação, os níveis de integração econômica e política, as
estratégias de luta que contrastam e se complementam se revelam, assinalando fronteiras
étnico-culturais demarcadas pela experiência de produção e complementaridades.

Na reconstrução da nossa própria sociedade, servimo-nos dos grupos sociais, com a


intenção de compreender qual o processo que desvela o alcance das lutas travadas que
determinam a identidade cultural de um povo.

Na época em que desembarcaram, os imigrantes conheciam apenas o que era oferecido


pelo país acolhedor sem que tivessem conhecimento das condições de trabalho a que se
submeteriam nas fazendas de café, nas pequenas propriedades do sul, como parece se
consagrar no período da grande imigração para o Brasil. Embora o Nordeste não tivesse
exercido atração sobre os colonos que vieram ocupar áreas predeterminadas, a não ser como
exceção - caso verificado em outra cidade da região sertaneja cujos imigrantes vieram
trabalhar em fazendas definidas - os imigrantes vieram sozinhos, sem família e somente
depois da terceira geração se agregaram aos brasileiros pelo casamento.

O esforço para ascender socialmente num lugar estranho e adverso ampliou as


possibilidades de imigrantes e habitantes originários do lugar. Se aculturaram e promoveram a
compreensão e reciprocidade como estratégias de auto sustentação.
18

O desafio era ascender na nova rede, dar prosseguimento aos projetos antes
elaborados, uma vez que requeriam uma organização formal e coletiva para gerar novas
formas de inclusão. Para tanto, realizar uma etnografia comparada se fez necessária, visto que
de um mesmo ramo de atividades em dois universos distintos: o brasileiro e o europeu, a
inserção em contextos histórico-culturais distintos, respondem de formas diversas a modelos
sociais que pretendem homogeneizar procedimentos.

A formação de novas classes sociais, outrora iniciada, contribuiu para acentuar as


distinções entre as práticas comerciais, industriais, lideranças sociais e políticas, que
decantavam um extrato social que prenunciava futuras classes. Essa imbricação implicou
muitas vezes em conflitos visto que os grupos resistiam às mudanças, que, de certa maneira
interferiam na identidade construída pelos antepassados.

No entanto, no processo de adaptação o imigrante era visto com restrições, ao que se


acrescem as diferenças do novo ambiente, e dificuldades que foram dissipadas no decorrer da
integração. Embora existisse um resquício de diferença, o trabalho era o mote e tomava todo o
tempo. Quase não se tinha tempo para pensar na vida. Os imigrantes, decididos a extrair todas
as possibilidades que a terra pudesse oferecer, trabalhavam de sol a sol, sem dias livres ou
espaços para o lazer.

Os bens culturais integrados à vida cotidiana bem como a carga de valores históricos,
artísticos e sociais, permearam a construção de um futuro promissor e consolidava a formação
do conjunto de bens culturais pelo qual seria estabelecida a concepção solidária e a
cooperação recíproca. Diversificada, mas, com objetivos em comum, as comunidades
cultivaram um sentimento de autoestima e exercício da cidadania com modos autênticos e
peculiares de expressões coletivas.

Valores que vem se modificando face aos novos tempos. A indução a crescente onda
de ociosidade entre os jovens que se sustentam com proventos sem estabilidade e prescinde à
inclusão ao mercado de trabalho, são consequências da concepção errônea de sobrevivência,
proliferada à custa da fluidez dos valores éticos e da consciência cidadã, cada vez mais
desgastada.

Os traços culturais, em qualquer época, se observados a partir do padrão cultural


instituído por uma sociedade se diferenciam dos padrões originais aculturados. Os resultantes
dessa aculturação revelados pelas novas normas e comportamentos sociais reproduzem nos
novos costumes, valores e significados concernentes ao desenvolvimento.
19

Contudo, medir o alcance dos processos de aculturação e analisar suas variáveis é


sempre difícil. Há indícios capazes de traduzir ou retratar as dificuldades que as correntes de
imigratória enfrentaram, mas, no sentido do inevitável e mesmo desejável aculturação
processar-se normal e suavemente, é incomensurável. Sem comprometer os traços
característicos essenciais do povo ou mesmo do seu espírito de coesão nacional, a aculturação
processar-se-ia sem desordem. Indícios podem ser traduzidos como reveladores de
dificuldades na assimilação, considerando-se que nos resultados dos processos de aculturação
―natural‖, nenhum perigo correria o espírito e a unidade nacionais.

[...] Aculturação e assimilação não são fases de um mesmo processo, mas constituem
aspectos correlatos e simultâneos, iniciando-se um e outro desde que se estabeleçam
os contatos entre os grupos. Assimilação é referente ao indivíduo que passa a integrar
um meio cultural diferente; aculturação diz respeito às mudanças nas configurações
culturais. Assim, podemos definir aculturação como fusão de duas ou mais culturas
diversas, dando origem a uma nova cultura. [...] (DELLA TORRE, 1989, p.95)

Sob esse ponto de vista, podemos citar como exemplo a obra de Renato Ortiz
―Mundialização da Cultura‖, quando é possível se conformar com uma cultura popular
internacional, a ocidentalização do mundo, a globalização do planeta.

Na interseção entre a vida pública e privada, no resgate do cotidiano e na celebração


de eventos, no trato com a vida e com a morte, sem despojar-se de suas raízes dispersas, os
imigrantes se integraram aos novos ambientes, às novas situações e comportamentos, criando
o próprio universo de inserção na sociedade local. Mantiveram-se fiéis ao país de origem,
pelo uso da língua, pelas tradições e lutavam para preservar a identidade cultural.

A construção de um espaço arquitetônico e social, a implantação de instituições


religiosas e sociais foi intermediadora nas situações de conflitos, no banditismo e nos
processos políticos. Mas, a criação de mecanismos diversos incluindo a mão-de-obra local
contribuiu para a integração ao contexto da sociedade. Os hábitos e costumes regionais
mesclados com os europeus como, casamento, alimentação, língua, jogos, festas, religião,
danças, são fenômenos que naturalmente se intercalaram.

Canclini ( 2000 ), ao longo dos sete capítulos da obra Culturas Híbridas recobre um
universo cultural abrangente, e orienta suas proposições para as infindáveis relações
20

produzidas e impulsionadas pelas culturas híbridas. Vistas sob ângulos que conjugam
sociologia, antropologia, história da arte e comunicação as questões como a cultura erudita, a
popular e de massa; políticas culturais e mercado; estado e poder; modernismo sem
modernização; desafios da educação; processos simbólicos e bens artísticos, permitem ao
autor a inserção no debate sobre o que se deve fazer para entrar e sair de uma condição de
modernidade que gera crises e impõe certas radicalizações.

Responder aos ditames e interpretações sobre a assimilação e a aculturação usando as


referências sócias relacionais, a análise ganha importância fundamental quando comparadas a
espaços específicos. Se considerarmos os dados demográficos, políticos, econômicos e
etnográficos que abordam diferentes temas como, identidade, cidadania, etnicidade, e
fronteiras, os conceitos revelam contingentes crescentes de vieses quantitativos e qualitativos
na experiência imigratória. Como base também para refletir sobre os conceitos tradição e
modernidade geralmente apresentados como antagônicos, uma nova versão de
complementariedade é apontado para novas respostas a essa discussão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As desigualdades sociais têm promovido debates importantes sobre as categorias


marginalizadas no Brasil, embora, ainda insuficientes quando se tratam de inserção de jovens
em idade ativa para o trabalho. A situação vinculada à análise de experiências sociais
vivenciadas no Nordeste brasileiro, em especial no sertão da Bahia, reproduzem
manifestações que podem ser analisadas sob a perspectiva de criar novos meios de acesso que
minimizem esses problemas.

A preocupação com as mudanças que marcam uma sociedade numa determinada


trajetória e a importância dessas alterações com relação à sociedade, devem estar baseados
nos propósitos reais e representacionais do campo discursivo dos interlocutores dos
movimentos.

Outro aspecto que se destaca, são às questões relacionadas à manutenção dos


habitantes originários do lugar e a análise da população temporária que tem objetivos que
diferem e contrastam. Na medida em que, a comunidade fixa tem objetivos de crescimento e
desenvolvimento do lugar, as passageiras ou temporárias, a exemplo de estudantes
provenientes de outros municípios que completam o ciclo de estudos se evadem.
21

Diante das transformações sociais ocorridas em circunstâncias temporais remotas


naquela região, o desenvolvimento comercial que estabeleceu confiabilidade regional, a
implantação de instituições educacionais, sociais e políticas, em contraste, às configurações
atuais, estão aquém de atingir as necessidades básicas de atenção à educação, saúde e
trabalho. A estrutura pela qual os sistemas simbólicos utilizavam os instrumentos de
conhecimento e comunicação para propiciar os avanços prescindiu a prática do poder
estruturante por não estar estruturado.

Bourdieu (1989, p.99) afirma que:

[...] A história de vida das sociedades europeias está relacionada com a história das
transformações e da função do sistema de produção de bens simbólicos e da própria
estrutura desses bens. Ao longo das mudanças, formou-se um campo social,
intelectual, cultural e financeiro, que almejava a autonomia progressiva do sistema de
relações de produção, circulação e consumo do mercado de bens simbólicos que
ampliavam os sistemas de poder [...].

As reflexões de Bourdieu sobre a constituição dos campos de saber e poder podem ser
entendidas como representações sociais e não se abstém da neutralidade e da relação com a
experiência vivida. A sociedade moderna busca o objetivismo funcional, para analisar cada
sujeito com sua função e dom.

As representações e as formas específicas de expressão dos imigrantes caracterizam o


início da imigração, marcada pela formação de uma coletividade que usou o saber-poder
como estratégia de preservação da identidade. Logo após, através da inclusão de novos
valores na sociedade passaram a manter o controle regional.

Os sistemas simbólicos cumprem a sua função política de instrumentos de imposição


ou de legitimação da dominação, e contribuem para assegurar a dominação de uma classe
sobre outra (violência simbólica), dando o reforço da sua própria força às relações de força
que as fundamentam.

Novos paradigmas podem ser introduzidos às políticas de inserção ao mercado de


trabalho se forem analisados a partir de levantamentos e diagnósticos locais que indiquem a
estrutura social existente. Aspectos culturais e fatores de distinção entre outras regiões
brasileiras demostram o despreparo dos jovens e as perspectivas da população do sertão com
22

relação ao trabalho, quase sempre vinculado à participação aos programas assistenciais como
recurso de sobrevivência, e atinge uma parcela significativa da população ativa do interior
baiano.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Emerson Pinto de. Capítulos da História de Jequié. Salvador: EGB., Associação
Comercial
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil; Lisboa: Difel, 1989.
CANCLINI, Nestor García. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade.
3.ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2000. 385 p., il. Título original:
Culturas híbridas: estrategias para entrar y salir de la modernidad. (Ensaios Latino-
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CARR, Edward Hallet. Que é história. Conferências George Macaulay Trevelyan proferidas
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CARVALHO, Augusto de. O Brasil: colonização e emigração. Porto: Tipografia de
Bartholomeu H. de Moraes, 1875. v. 1º.
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Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
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HOLANDA, Sergio Buarque de. Visão do paraíso. São Paulo: Brasiliense, 1994.
23

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VIANNA, Francisco Vicente. Memória sobre o Estado da Bahia. Bahia: Diário da Bahia,
1893.
WILLEMS, Emilio. A aculturação dos alemães no Brasil. In: Brasiliana, NR. 250, São Paulo,
1981.
24

REPRESENTAÇÕES E ENIGMAS – DO ELDORADO ÀS MISSÕES CIENTÍFICAS


AMAZÔNIA – SÉCULOS XVI -XVIII

Profª Drª Maria Teresa Toribio Brittes Lemos, NUCLEAS/UERJ

RESUMO

A Amazônia e seus segredos encobertos pela imensidão das florestas e rios tornou-se objeto
de desejo dos europeus que chegaram à região. Apesar de paradoxal, a Amazônia foi se
revelando aos estrangeiros pela singularidade que a envolvia. Desde sua descoberta no século
XVI até meados do século XVIII, aventureiros em busca de riquezas, fama e poder se
embrenharam na vastidão da floresta. Conquistadores espanhóis, aventureiros e missionários
procuravam naquelas terras o maravilhoso, o exótico e a fortuna. Todos, laicos e religiosos
partiram movidos pelo desejo de aventuras, riquezas e poder. Ambições econômicas e missão
religiosa envolveram a Europa Quinhentista. Poder e Religião impeliram aqueles europeus
para o Novo Mundo com a missão de salvar e civilizar as almas pagãs das populações
indígenas da região. Acreditavam-se verdadeiros cruzados que precisavam chegar ao Novo
Mundo, dominá-lo e sacralizá-lo com o deus cristão.

Palavras-chave; Amazônia, floresta-Brasil, Séculos XVI a XVIII.


25

INTRODUÇÃO

O relato de Pascual Andagoya sobre terras conhecidas como Piru, reino onde "se
come e se bebe em vasilhas de ouro", levou a Europa ao êxtase. Afinal, o mundo cristão
ignorava a existência de terras e povos além daqueles descritos pela Bíblia.
As histórias sobre ―o outro mundo‖ causaram medo, desconfiança e, sobretudo,
atração. Dominado pelo temor religioso imposto pela Igreja, pela ameaça dos monstros que
controlavam os mares e feiticeiras, o imaginário medieval incluiu os relatos fantasiosos e as
lendas indígenas do Novo Mundo.
Estimulados por novos desafios, centenas de homens, fascinados pelo desconhecido,
acompanhados de sacerdotes e poucas mulher, partiram para o Novo Mundo. A grande selva
foi sendo descortinada e seus espaços enigmáticos conquistados. Não havia obstáculos
intransponíveis. Seduzidos pelo sonho de encontrar a cidade de ouro e sua capital mítica
Manoa1 do reino de El Dorado2, perdida em algum lugar da selva, atravessaram rios
caudalosos, invadiram aldeias indígenas e escravizavam seus habitantes.

Os relatos dos cronistas sobre Novo Mundo excediam a realidade. Bartolomeu de Las
Casas destacou em suas crônicas a abundância de ouro no México que ―brotava como
plantas‖ e era ―abundante como os peixes nos rios‖. Aquelas representações de riqueza e
abundância contribuíram para aumentar a cobiça dos aventureiros e o massacre das
populações nativas.

Motivados pela ambição despertada pelas narrativas de Andagoya, Francisco Pizarroe


e Diogo de Almagro partiram para a costa do reino do Piru. Encontraram um dos reinos mais
poderosos do Novo Mundo - o Império Inca3. Após combaterem os indígenas e conquistarem
o império destruíram o que encontraram pela frente. Dominaram e massacraram grande parte
da população. Atrás de riquezas e à procura da poderosa cidade de ouro chegaram à

1
- Manoa significa lago. Manoa del Dorado é uma lenda dos indios muiscas , nativos da Colômbia . Segundo
a lenda, o cacique ou sacerdote se cobria com pó de ouro e mergulhava no lago sagrado, localizado nos
Andes.
2
-El Dorado – o governante, cacique ou sacerdote muisca.
3
- Império Inca (Tawantinsuyo em quíchua) . Estado criado pela civilização inca, resultado de uma sucessão
de civilizações andinas e que se tornou o maior império da América pré-colombiana
26

Amazônia peruana. Não encontraram o Eldorado, mas conquistaram um dos impérios mais
poderosos do Novo Mundo, que ajudou a tornar a Espanha a nação mais poderosa da Europa.
As expedições continuavam à procura de riquezas e do Eldorado. Em 1537, o
conquistador espanhol Jimenez de Quesada, com um exército de 800 homens, encontrou as
terras musicais. A expedição cruzou o Peru e subiu pelos Andes. Embora os conquistadores
não encontrassem o El Dorado, ficaram maravilhados com a técnica da ourivesaria muisca.
O desafio de percorrer o rio Amazonas à procura do El Dorado coube a Francisco de
Orellana entre 1540 e 1541. Ele se integrou à expedição de Gonzalo Pizarro4, para percorrer
o rio Amazonas. Embora não encontrasse o El Dorado, a expedição contribuiu para divulgar
lendas e mistérios daquela região deslumbrante e enigmática, como a lenda da existência de
mulheres guerreiras por Frei Gaspar de Carvajal, capelão da expedição. O nome Amazonas
originou-se daquele relato. Possivelmente, um equívoco do Capelão, devido aos cabelos
compridos usados pelos índios da região.
No final do século XV, em 1594, a expedição inglesa comandada por Walter Raleigh
entrou pela primeira vez na região também à procura do El Dorado. Raleigh fez ainda uma
segunda tentativa no início do século XVII, em 1617, acompanhado do seu filho Watt que
morreu durante a expedição.
Com a União Ibérica entre 1580 a 1640, a Amazônia começou a ser povoada e
explorada. No século XVIII a região passou a ser procurada e explorada devido ao valor das
especiarias extraídas da floresta amazônica.
Em meados do século XVIII, entre 1741 e 1757, o padre jesuíta João Daniel5, cronista
da Companhia de Jesus, percorreu grande parte da região Amazônica. Durante seis anos
manteve contato com os nativos, vivendo em várias aldeias indígenas. O contato intenso com
aqueles índios ampliou o seu conhecimento sobre a vida cotidiana, hábitos e crenças daqueles
grupos. Também registrou a persistência do mito do Eldorado e a intensa procura de riquezas
por parte dos sertanistas que desejavam encontrar a lagoa sagrada.

Quando retornou para a Capitania do Grão Pará, iniciou seu livro, pesquisando nas
bibliotecas e relendo os relatos dos conquistadores do século XVI. Em suas crônicas

4
-Gonzalo Pizarro era um dos irmãos de Francisco Pizarro. Conquistador cruel e sanguinário comandou uma
expedição para percorrer o Amazonas. A ele, juntou-se Francisco de Orellana.
27

destacou6 aspectos significativos da Amazônia, tais como a origem dos nomes, principais rios,
povoações, fauna e flora, além de informar sobre as minas. Descreveu minuciosamente a vida
das populações indígenas com ênfase nas atividades agrícolas e suas principais plantações,
métodos de pastoreio de gado, pesca fabricação de louça e cerâmica, além da vida dos
missionários e da presença de missões espanholas na região.
Os relatos inscritos nos capítulos ―Descrição geográfico-histórica do rio Amazonas‖ e
―Descobrimento e navegação do Amazonas‖ destacam as mulheres guerreiras que
combateram os homens de Pizarro, ―com ânimo varonil‖. A partir da literatura pesquisada,
João Daniel concluiu que elas habitavam a região entre os rios Negro e Trombetas e que
receberam o nome de Amazonas, e ―deixaram, porém abalizado o seu nome ao rio‖.
Sobre o Eldorado, João Daniel afirmou que fama das riquezas da região amazônica fez
crescer a cobiça pela cidade e o lago dourados, nunca encontrados, mas que permaneceram na
imaginação dos europeus como lugares ―cujo ouro era mais que as areias das suas praias, ou
que as suas margens e fundo eram tudo ouro‖ (Ibidem).

O NOVO ELDORADO – AS DROGAS DO SERTÃO

Interessados em povoar e explorar a região Amazônica, nos séculos XVII e XVIII,


colonos portugueses foram incentivados pela Coroa a se fixar naquelas terras. Atraídos pelos
produtos nativos usados pelas populações indígenas os portugueses viram a oportunidade de
comerciá-los na Europa. As ervas aromáticas e plantas medicinais, além do cacau, canela,
baunilha, cravo, castanha-do-pará e guaraná foram recebidos no mercado europeu como novas
especiarias e conhecidas como drogas do sertão.
A procura por esses produtos considerados exóticos fomentou o desenvolvimento do
comércio, substituindo em parte as mercadorias procuradas no Oriente. As drogas do sertão
atraíram a atenção dos naturalistas e demais cientistas interessados em conhecer os mistérios
das plantas medicinais, das variedades da fauna e das populações nativas, enfim do novo
Eldorado.
A invasão da Amazônia no século XVIII recebeu nova ressignificação. Exploradas
pelos colonos e comerciantes inescrupulosos as drogas do sertão, contribuíram para
escravizar a população nativa como mão-de-obra para aquela economia extrativista. E, mais

6
- João Daniel, Padre - Tesouro descoberto no máximo Rio Amazonas‖ (1722-1776). É considerado pelos
historiadores, desde o século XIX, a principal fonte de informações sobre a Amazônia no período
colonial. RJ.Ed. Contraponto, 2004.
28

uma vez, a Amazônia foi invadida e grandes áreas devastadas pela intensidade da exploração
daqueles produtos.
Além do comércio, riquezas naturais atraíram expedições exploratórias e científicas.
Era preciso desvendar os mistérios encobertos pela floresta. A Amazônia abriu-se mais uma
vez para a Europa, porém, enigmática, ocultou seus segredos e interditos.
Aventureiros, cientistas e comerciantes, além dos missionários, confrontaram-se com
a realidade do clima equatorial, das doenças, das pragas e da maldição da selva. Nada deteve a
ambição da Europa. A Amazônia começou a ser devastada. Apesar de invadida, mantem
ocultos em suas entranhas enigmas para serem revelados.

As expedições científicas

Até o século XVIII a lenda do Eldorado dominava o imaginário europeu incentivando


os aventureiros à conquista da região Amazônica. Além dos mitos e lendas, as drogas de
sertão tornaram-se num lucrativo comércio para os portugueses. O mundo científico também
se interessou pelas novas espécies encontradas nos rios, fauna, flora, na diversidade e
exotismo das populações indígenas. Entre aqueles cientistas destacaram-se Alexander Von
Humboldt e a botânica Aimé Bonpland. Eles também se sentiram atraídos pelos mitos
indígenas, especialmente sobre o Homem Dourado e a Cidade de Ouro- El Dorado.·.
Ao retornarem para Europa, Humboldt e Boland divulgaram seus estudos científicos e
suas conclusões sobre aquele mito. Para eles, o Eldorado foi um grande e extravagante sonho
dos aventureiros europeus7.
O interesse da Coroa portuguesa pela região amazônica intensificou-se a partir de
1755 com a adoção de novas medidas administrativas para incentivar o povoamento8, entre
elas a permissão de casamento entre Índios e colonos9. Para controlar o avanço espanhol criou
a Capitania de São Jose do Rio Negro. Os estudos científicos foram estimulados pelos
naturalistas, que procuravam novos conhecimentos atraídos pelas diversidades das espécies da
fauna e da flora da região.

7
- Duncan, Leonora - UK. British Museum, 2013
8
-Em 1755 Coroa Portuguesa dirigiu sua atenção para a região Amazônica, devido às questões de delimitação
de fronteiras com a Espanha.
9
- A Igreja proibia a miscigenação , preocupada que o índio saísse de sua tutela. Os casamentos eram proibidos
entre indígenas e portugueses.
29

Em 1783, a pedido da rainha D. Maria I, foi organizada a expedição científica sob a


direção do naturalista baiano Alexandre Rodrigues Ferreira. Essa iniciativa destacou-se das
demais incursões exploradas devido ao duplo caráter apresentado. Foi uma viagem de
prospecção política e científica.
D.Maria I precisava conhecer melhor a região centro-norte da colônia e impedir
invasões estrangeiras na Amazônia, assim como defender a demarcação das fronteiras
portuguesas diante do avanço da Espanha.
Em relação aos estudos científicos, naturalistas e botânicos participaram na exploração
das riquezas naturais da floresta, da fauna e sobre a cultura desenvolvida pelas populações
indígenas.
Incumbido da organização daquela missão, Alexandre Ferreira preparou uma das mais
importantes incursões portuguesas para o interior da bacia amazônica. Conhecida como
Viagem Filosófica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá a
expedição recebeu o apoio da Academia das Ciências de Lisboa e do Ministério de Negócios
e Domínios Ultramarinos. A equipe envolvida contava com naturalistas, botânicos,
desenhistas e jardineiros10 do Real Museu de História Natural da Ajuda, em Lisboa11.
A expedição partiu para a Amazônia em 1783. Foram nove longos anos internados na
selva. Entre 1783 e 1792, ela percorreu a bacia do rio Amazonas, mapeando todo o centro-
norte da região, desde a ilha de Marajó, Cametá, Baião, Pederneiras e Alcobaça. Pelo rio
Amazonas e Negro chegaram às fronteiras com a Espanha. E, pelos rios Madeira e Guaporé
atingiram a Vila Bela da Santíssima Trindade, capital do Mato Grosso, continuando pela
cidade de Cuiabá, cruzou a bacia amazônica, norteando-se para os pântanos de Mato Grosso
até o Rio da Prata. A expedição seguiu, posteriormente, para Cuiabá e outras regiões
vizinhas, retornando para a Capitania do Grão em janeiro de 1792.

O encontro com o enigma

Desde o momento da chegada à capitania do Grão Pará até o retorno para Lisboa,
Ferreira e sua equipe desenvolveram intensa atividade de pesquisa. Coletaram dados e
10
- Ferreira contou com o apoio de naturalistas, botânicos, dois desenhistas (riscadores), José Codina , e José
Joaquim Freire e o jardineiro botânico Agostinho do Cabo.
11
- A expedição convocada pela rainha D.Maria I foi planejada anteriormente, em 1779 por Domenico
Vandelli, naturalista italiano que dirigia o Museu e Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa. Para a Amazônia ,
Vandelli pretendia levar toda a equipe, incluindo Alexandre Rodrigues Ferreira e os naturalistas brasileiros
Manoel Galvão da Silva, João da Silva Feijó e Joaquim José da Silva.
30

escreveram sobre Botânica, Zoologia, Mineralogia, Antropologia, Medicina, História e


Geografia, como também sobre cartas geográficas e plantas arquitetônicas.
Além dos cientistas que vieram de Lisboa, um capelão, soldados e Índios12 se
incorporaram à expedição. O resultado não poderia ter sido melhor, pois, além dos dados
coletados, dos desenhos e aquarelas sobre a fauna, flora e costumes indígenas, Alexandre
Ferreira acrescentou relatos sobre a vida cotidiana das populações locais.
Com a finalidade de apoiar a administração da Capitania do Grão Pará, ele propôs
medidas para diversificar a produção. Assim, realizou diagnostico sobre a precariedade do
sistema agrícola da capitânia. Para aumentar a produção e melhorar a qualidade o mais
indicado era variar os produtos13. Para isso, organizou tabelas pormenorizadas, destinadas a
fornecer um panorama sobre povoados e o processo agrícola. Essa experiência, registrada em
seu diário de viagem, apresentou a visão do cientista sobre questões políticas e
administrativas.
Para Alexandre Ferreira a economia somente se desenvolveria se fosse adotada uma
forma racional de culturas com a ―introdução de técnicas adequadas à lavoura e ao solo [...] as
culturas estavam prejudicadas pelo desprezo do português pelo trabalho, indolência dos
nativos, falta de braços e redução do número de escravos negros 14. Também fez um balanço
da produção ―medindo as colheitas de farinha, arroz, milho, cacau, café e tabaco, compondo
balanços da produção.‖ ·.
No século XVIII, o Iluminismo promoveu alterações significativas no pensamento
europeu, introduzindo o poder da razão na cosmovisão medieval dominante. Os intelectuais
da época elegeram a Natureza e as Ciências Naturais como agentes mobilizadores do
progresso. Fruto da academia iluminista, Alexandre Ferreira foi o indicado pela Coroa para
esse desafio. Os diários, desenhos, cartas geográficas e planilhas reunidas nos relatórios de
sua viagem confirmam uma formação acadêmica e científica voltada para o progresso e
desenvolvimento da época. O valor de seu estudo e seu espírito científico tem despertado o
interesse pelas pesquisas por ele realizadas, que refletem as formas de pensar do homem
europeu do Iluminismo.

Segundo Pereira Neto,

12
- Ferreira, Alexandre Rodrigues – Op.cit.
13
- ―Brasiliana da Biblioteca Nacional‖, Rio de Janeiro, 2001, p.51
14
-Ferreira, Alexandre Rodrigues- Op.cit.
31

―as informações do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira buscaram agrupar os


seres da natureza em reinos que se tornaram ordens científicas de reconhecimento do
mundo natural. Trata-se de um inventário da natureza dentro da racionalidade
iluminista século das luzes‖ 15.

Em Amazônia dos Viajantes, os autores Almir Diniz de Carvalho Junior e Nelson


16
Matos de Noronha , fizeram um amplo estudo sobre a influência do Iluminismo em
Portugal. Assinalaram as mudanças perceptíveis nas formas de pensar, destacando as
transformações. Para os autores , ―[...]antigas verdades eram colocadas em xeque pelas novas
formas de construção do conhecimento[...]17.
Assim, enviaram expedições, inventariaram os rios, a fauna, flora e principalmente
seus habitantes, ávidos para desvendar seus mistérios. Perseguiram seus objetivos, mas
alimentavam-se da profusão de imagens e mitos construídos18 desde a chegada dos primeiros
conquistadores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Viagem Filosófica foi um sucesso para a Coroa Portuguesa. O material pesquisado,


registrado e organizado foi entregue à Biblioteca. Mas, assim como o Eldorado, ficou à espera
de quem o encontrasse. Ninguém da época tomou conhecimento das anotações e pesquisas
valiosas, nem o próprio autor. Pelo contrário, Ferreira nunca mais tocou naquele material
levado em parte para Paris como butim de guerra. Outra parte, como diários e mapas
encontram-se na Fundação da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e no Museu Laboratório
Zoológico e Antropológico da Universidade de Lisboa (Museu Bocage,) em Lisboa19.

15
-Pereira Neto, Juscelino – O Iluminismo Luso e a Natureza Americana na Viagem Filosófica de Alexandre
Rodrigues Ferreira, In História das Ideias: viajantes, naturalistas e ciências na modernidade Eduem, 2010, Introd.
Cap.I.
16
- Carvalho Junior e Nelson M.Noronha – A Amazônia dos Viajantes. Manaus, UFM,2011
17
-Idem, introdução
18
- Ibiddem
19
- Museu Bocage possui - Colecção zoológica representativa da fauna portuguesa; coleção antropológica
relativa à população de Lisboa; fundo documental relacionado com a Zoologia e Antropologia em Portugal,
desde o século XVIII..
32

REFERÊNCIAS

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Imprenta del Reyno.
AREIA, M. L. Rodrigues; MIRANDA, M. A.; HARTMANN, T. Memória da Amazónia.
Alexandre Rodrigues Ferreira e a Viagem Philosophica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio
Negro, Mato Grosso e Cuyabá. 1783-1792.
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1944.
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descoberto pelo capitão Francisco de Orellana (1542). Edição bilíngüe. São Paulo, Página
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CARVALHO JUNIOR e NORONHA, N. – A Amazônia dos Viajantes. Manaus, UFM, 2011
CARVALHO, J. C. M. Viagem filosófica pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato
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CORREIA FILHO, V. Alexandre Rodrigues Ferreira. Vida e obra do grande naturalista
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CUNHA, O. R. O naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira. Uma análise comparativa de
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DOMINGUES, A. ―Viagens científicas de exploração à Amazónia de finais do século
XVIII‖. Ler História. 19(1990)
DUNCAN, Leonora - UK. British Museum, 2013
FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Viagem Filosófica pelas Capitanias d
PAPAVERO, Nelson et. al. - O Novo Éden... Belém: Museu Paraense Emilio Goeldi, 2002.
2ª ed
PEREIRA NETO, Juscelino – O Iluminismo Luso e a Natureza Americana na VIAGEM
FILOSÓFICA DE ALEXANDRE RODRIGUES FERREIRA. MANAUS, 2011.
33

UTILIZAÇÃO DAS CÉLULAS-TRONCO COMO POSSÍVEL TRATAMENTO PARA


DIABETES MELLITUS: O ENFERMEIRO E SUAS COLABORAÇÕES

Prof. Dr. Tiago Landim D’Avila – UFBa; Acadêmicos UNIJORGE: Haisile Alves de A.
Pinto; José Santos Silva.

RESUMO
O objetivo deste estudo foi: investigar o uso de células-tronco no possível tratamento da
diabetes mellitus do tipo 1, que está associada a doença autoimune e/ou genética e do tipo 2
que consiste na ineficiência da insulina. Foi realizada revisão bibliográfica sistemática de
artigos publicados entre 1984 e 2014 nos idiomas português e espanhol. Devido a Células-
tronco serem indiferenciadas podendo diferenciar-se em diversos tipos de células, são tidas
como fortes promissoras na reconstituição de tecido pancreático e de suas funcionalidades. Os
resultados evidenciaram que apesar de serem promissoras no tratamento da diabetes é
necessária cautela devido ao comprometimento ético, moral e da obscuridade no tratamento e
técnicas de regeneração celular.

Palavras-chaves: Enfermagem; Diabetes; Saúde pública.

ABSTRACT - The objective of this study was to investigate the use of stem cells in the
possible treatment of diabetes mellitus type 1, which is associated with autoimmune disease
and / or genetic and type 2 consisting of insulin inefficiency. Systematic literature review was
conducted of articles published between 1984 and 2014 in Portuguese and Spanish. Due to
Stem cells are undifferentiated and can differentiate into various types of cells, they are seen
as promising strong in the reconstitution of pancreatic tissue and its features. The results
showed that although they are promising in the treatment of diabetes caution is required due
to ethical commitment , moral and dark in the treatment and cell regeneration techniques.

Keywords: Nursing; Diabetes; Public health


34

INTRODUÇÃO

O diabetes mellitus (DM) é uma síndrome metabólica caracterizada pelo acúmulo de


glicose na corrente sanguínea por deficiência parcial/total na produção de insulina. Este
hormônio tem como função atuar na redução da glicemia sanguínea ao permitir a
internalização de moléculas de glicose nas células que irão, posteriormente, serem
consumidas e transformadas em energia. A escassez ou ausência na metabolização da glicose
podem ocasionar o aumento nos níveis de açúcar circulante chamado de hiperglicemia, e esta,
quando em níveis constantes, pode ser indício de DM, segundo os tratadistas como NELSON
et al, 2002 e outros que serão discorridos no corpo do texto.

A USP – Universidade de São Paulo tem desenvolvido estudos na Unidade de Terapia


Celular do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, e vem obtendo resultados no tratamento
de pessoas com a doença crônica. Os resultados indicam que as possiblidades de sucesso com
os procedimentos utilizados com os voluntários participantes demonstram que uma
percentagem considerável tem deixado de usar a insulina em algum momento. Portanto, o
tratamento com o uso das células e todos os procedimentos que concernem o experimento tem
trazido repercussão internacional e possibilidades plausíveis de indicação.

Para entendermos o Diabetes mellitus, iniciaremos com os dois tipos de DM: do tipo 2
(DM2), conhecido como ―adquirida‖ e o tipo 1 (DM1) com associações multifatoriais. A
DM2, mais frequente, acomete indivíduos, na maior parte das vezes, adultos e com excesso de
peso, caracterizada pela insuficiência da produção de insulina (VAQUERO et al, 2010).

Na DM2 os indivíduos que têm uma maior pré-disposição são com idade superior a 45
anos, que tenham histórico familiar de DM, pessoas sedentárias, mulheres que tiveram DM
gestacional, hipertensos, pacientes com a síndrome do ovário policístico e histórico de
doenças vasculares (MARTINEZ; LATORRE, 2006).

DM tipo 1 (DM1) geralmente é associada a doença autoimune e/ou genética que


resulta em destruição das células beta do pâncreas, conjunto de células conhecido como
ilhotas de Langerhans. O pâncreas, que tem como função principal produzir e regular a
insulina deixa de ter funcionalidade relacionada ao metabolismo (SANTOS et al, 2012).
35

EPIDEMIOLOGIA

No mundo
No ano de 1985, estimava-se haver 30 milhões de adultos com DM no mundo; esse
número cresceu para 135 milhões em 1995, atingindo 173 milhões em 2002, com projeção de
chegar a 300 milhões em 2030. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que, após 15
anos de doença, os indivíduos portadores da DM desenvolveriam complicações relacionadas à
doença como a retinopatia e a neuropatia, podendo desenvolver também doenças
cardiovasculares (MS, 2006).

No Brasil
A incidência da DM1 é variável entre os países, demonstram estudos realizados em
diversas regiões do mundo. Apesar da carência de trabalhos científicos no Brasil sobre a
epidemiologia da doença, uma pesquisa feita em três municípios paulistas obteve o indicador
de incidência de 7,6 por 100.000 habitantes da população. (BALDA, PACHECO-SILVA,
1999).

No final da década de 1980 estimou-se a prevalência de DM na população adulta em


7,6%, de 30 a 69 anos de idade, residente em áreas metropolitanas brasileiras. A prevalência
no Brasil é observada nas cidades da região Sul e Sudeste onde possuem um
desenvolvimento econômico acentuado, envelhecimento populacional, obesidade e história
familiar da DM. Observa-se que naquelas regiões há um crescimento na morbimortalidade
relacionada com a DM, ressaltando que parte dos dados são subnotificados ou não são levados
em consideração. (SARTORELLI; FRANCO, 2003).

Uma pesquisa sobre morbidade da DM, realizada em 2006, identificou uma


prevalência em 5,3%, sendo maior entre as mulheres (SCHMIDT, 2009). Através da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 1998, 2003, 2008, em um estudo
sobre a prevalência da DM no Brasil mostrou que, em pessoas maiores de 18 anos, houve uma
elevação de 2,9% em 1998 para 4,3% em 2008. A prevalência do DM atinge 18,6% da
população com idade superior a 65 anos, sem diferença entre os sexos. Em 2008, a
prevalência observada entre idosos na mesma faixa etária foi de 20,7% (FRANCISCO et al,
2010).
36

TRATAMENTO E PREVENÇÃO

A prevenção primária consiste na manutenção de uma dieta saudável, a inserção de


atividades físicas e o controle do peso, que protegem indivíduos suscetíveis de desenvolver a
DM. Uma dieta com baixa ingesta de carboidratos, educação em saúde e uso de medicação
oral que diminui a absorção de carboidratos no intestino e liberação de glicose pelo fígado
(SBD, 2014).

Pacientes que recebem o diagnóstico de DM2 utilizam a terapia nutricional como


principal prevenção de complicações clínicas e metabólicas das elevações de glicose no
sangue, tendo sua importância em um estilo de vida saudável associado com o uso contínuo
de agentes antidiabéticos orais tiazolidinedionas, glinidas, sulfonilureias e metformina (SBD,
2014).

A DM1 desenvolve um processo autoimune responsável pela destruição das células


beta-pancreática, células endócrinas encontradas nas ilhotas de Langerhans (SMELTZER;
BARE, 2002). A prevenção primária auxilia na redução e na desaceleração das complicações
que ocorrem na DM como a cetoacidose, neuropatia, nefropatia e retinopatia (MS, 2006).

Nos indivíduos diagnosticados com DM1, a intervenção nutricional necessita estar


associada à medicamentosa. A integração da dieta balanceada, atividade física e
administração de insulina promovem um prolongamento da vida do indivíduo e uma
homeostasia metabólica. Mesmo assim, a extinção ou o mau funcionamento das células
presentes nas ilhotas de Langerhans fazem com que este paciente, a qualquer momento,
rompa esta homeostase e promova uma disfunção nos eventos fisiológicos envolvidos nestes
sistemas. Existem estudos clínicos que tentam estimular a produção ou multiplicação destas
células, como os estudos com células-tronco (SBD, 2014).
Assim, o objetivo do trabalho é avaliar, de acordo com a literatura, a utilização de
células-tronco no tratamento das diabetes e as possíveis colaborações do enfermeiro para
melhoria das condições de vida do portador.

A metodologia utilizada, a pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, depois de


realizada a revisão bibliográfica sistemática, compreende-se que o estudo de revisão coletou
dados de literaturas referentes à ―Utilização das células-tronco como possível tratamento para
diabetes mellitus: o enfermeiro e suas colaborações‖. As fontes de pesquisa como a internet,
37

sites da Bireme (biblioteca regional de medicina), Lilacs - literatura latino-americana e do


caribe em ciências da saúde, Scielo - Scientific Electronic Library online, fundamentaram os
descritores: células–tronco, diabetes mellitus, terapia celular e transplantes celulares.

Os critérios de inclusão utilizados foram artigos publicados 1984 até 2014, nos
idiomas português e espanhol e como critério de exclusão todos os artigos que estavam no
idioma inglês. os artigos selecionados foram analisados de forma criteriosa, seguindo com a
produção de fichamentos para uma melhor análise de dados. Serão considerados os aspectos
éticos do código de ética dos profissionais de enfermagem contidos na resolução do COFEN
nº 311/2007, capítulo III, que dispõe sobre o ensino, pesquisa e produção técnico-científica.
Artigos 91, 92 e 93 que discorrem a respeito dos princípios de honestidade, fidedignidade e
direitos autorais no processo de pesquisa, divulgação e disponibilização dos resultados, bem
como promover a defesa e o respeito aos princípios éticos e legais da profissão no ensino, na
pesquisa e produções técnico-científicas. Não foi necessária a aprovação do comitê de ética
por se tratar de revisão bibliográfica conforme prevê resolução 466/2012 (Brasil, 2012).

A FISIOPATOLOGIA DA DM

O rompimento da homeostasia no armazenamento de carboidratos e gordura promove


o desequilíbrio da síntese proteica (anabolismo) e a degradação (catabolismo) e que
desencadeia em uma síndrome da homeostasia da glicose. Esta síndrome pode ser
assintomática ou podem surgir, inicialmente, sintomas isolados como a cetoacidose diabética,
aumentando os níveis de glicose circulante e, caso não seja reconhecida precocemente, pode
levar a óbito (CAHILL, 1984).
O carboidrato é a primeira fonte de
energia para o corpo humano, devido a sua
facilidade na absorção. Sua absorção ocorre de
forma rápida, promovendo de forma imediata a
sua quebra em glicose ficando armazenada em
forma de glicogênio no fígado e sendo
disponibilizada quando o corpo está com uma
concentração baixa de fonte de energia. Como o
estoque dos carboidratos é limitado, o corpo
utiliza os lipídios como uma segunda fonte de
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energia, já que a quantidade dessas moléculas no corpo humano é maior do que as de


carboidratos (SILVEIRA et al, 2011).
Ao ingerir alimentos, principalmente os ricos em carboidratos, a taxa de glicose
aumenta no sangue, esse aumento de nível glicêmico estimula as células beta-pancreáticas a
liberarem o hormônio insulina que leva a glicose para o fígado onde será absorvido e
armazenado em forma de glicogênio. Quando os níveis de açúcar estão baixos, as células alfa-
pancreáticas liberam o hormônio glucagon que tem a função de aumentar os níveis
glicêmicos, quebrando as moléculas de glicogênio e transformando em glicose. Quando
ocorre a inutilização da insulina, a concentração de glicose no sangue aumenta gerando uma
hiperglicemia, dando origem a DM e ocasionando um desequilíbrio nesse mecanismo
metabólico (RAW, 2006).
Figura 1 – Ciclo de metabolismo da glicose. Fonte: Dietas Low Carb – Revista Eletrônica.
Acesso em nov. 2015

Na DM2, a insulina produzida em níveis baixos não reage eficientemente a glicose da


corrente sanguínea para levar aos tecidos e as células, fazendo com que os níveis de glicose
permaneçam elevados no sangue. O excesso de gordura dificulta a ação do hormônio insulina
promovendo resistência da ação da insulina fazendo com que se agrave em pessoas que
possuem maus hábitos alimentares, obesas e sedentárias (SBD, 2014). Existem outros fatores
extrínsecos que contribuem para a DM2 como o tabagismo e etilismo que, indiretamente se
relaciona com a DM2, contribuem para o aumento da concentração de lipídeos, reduzindo a
sensibilidade insulínica e elevando a concentração de glicose no sangue (LYRA et al, 2006).
Na DM1 ocorre a destruição das ilhotas de Langerhans. A insulina, que tem função de
atuar no metabolismo da glicose sanguínea pelas células, não é produzida e os níveis de
glicose permanecem elevados na circulação e as células entram em débito energético. Por ser
uma deficiência celular a DM1 é mais prevalente em crianças e adultos jovens (FERNANDES
et al, 2005).
As complicações provenientes da DM podem ocorrer de forma aguda e crônica, sendo
as principais complicações agudas e imediatas a cetoacidose diabética, coma hiperosmolar
não-cetótico e a hipoglicemia. As crônicas se destacam pela retinopatia, nefropatia, neuropatia
periférica, doença arterial coronariana, doença cerebrovascular e vascular periférica. Devido a
gama de problemas circulatórios, em especial nas regiões apendiculares onde os vasos são
menos calibrosos, pessoas com DM podem desenvolver úlceras em extremidades de
membros, como dedos das mãos e pés. Sem o devido tratamento, estas úlceras podem levar a
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um impedimento do processo de cicatrização e levando a um desfecho relacionado com a


remoção cirúrgica completa do membro afetado. (MORAIS et al, 2009).

CÉLULAS-TRONCO: POSSÍVEL SOLUÇÃO PARA A DM

Estudos mostram o aumento do número de pessoas com DM, a partir disso, pesquisas
estão sendo realizadas com células-tronco (CT) para solucionar esta prevalência/incidência.
CT são células indiferenciadas, caracterizadas pela capacidade de autorrenovação,
diferenciação em diversos tipos celulares e reconstituição funcional de determinados tecidos.
Por se constituírem em diversos tipos de tecidos e órgãos, as CT podem ser utilizadas em
diversas patologias, sendo utilizada na medicina regenerativa (SOUZA et al, 2010).

Existem três tipos de CT: as totipotentes (CTT), as multipotentes (CTM) e as


unipotentes (CTU). As CTT têm a característica de múltipla diferenciação, podem originar
tecidos de todas as partes do corpo, como cardíaco, renal ou nervoso. As CTM possuem alta
capacidade de diferenciação semelhante a CTT, porém não são capazes de originar tecidos
embrionários como placenta e anexos embrionários. Já as CTU só possuem capacidade de
diferenciação no mesmo tecido que foi originada. Esta diferenciação é importante para
delimitar os tipos de tratamento que estão sendo desenvolvidos atualmente.

As CTT, por possuírem a maior leque de diferenciação celular precisam ser obtidas
através das divisões iniciais dos seres humanos, de maneira geral através das divisões
sequenciais de zigotos humanos na fase de blastocisto (4 a 5 dias após a fecundação). Apesar
disso, são extremamente variáveis geneticamente e a estimulação. Por serem originadas de
embriões em formação a utilização das CTT possuem diversas discursões e impedimentos
éticos e religiosos para a sua utilização (MUOTRI, 2010).

A medula óssea é um órgão hematopoiético, onde há a produção, desenvolvimento e


amadurecimento de elementos que compõe o sangue, constituída de um tecido líquido de
aspecto gelatinoso encontra-se no interior dos ossos longos. É um órgão que exerce grande
atividade no corpo humano, devido a sua capacidade de multiplicação celular, e onde podem
ser obtidas quantidades razoáveis de CTM (GUARITA-SOUZA et al,2005).

Outro modo de obtenção das CTM são as células mesenquimais, que são células de
tecido conjuntivo não diferenciado de morfologia fibroblástica e podem dar origem a diversos
40

tecidos como cartilaginoso, ósseo, muscular ou adiposo. Como principal vantagem da


utilização das CTM é a possibilidade de extração de diversos lugares de origem e aplicadas
nos próprios indivíduos, garantindo um baixo nível de rejeição (SOCARRÁS-FERRER et al,
2013).
O presente artigo aborda a utilização destas células na terapia do DM, onde a
proliferação das células pode regenerar o órgão alvo, o pâncreas. Com a regeneração das
ilhotas de Langerhans os níveis glicêmicos se manteriam em equilíbrio (VOLTARELLI et al,
2009).

Pesquisas realizadas através das CTT mostram a sua plasticidade, a propriedade de


diferenciação em vários tipos de tecidos, permitiu que essa prática terapêutica fosse utilizada
em pacientes que sofreram infarto do miocárdio na reconstituição do tecido cardíaco. Estudos
experimentais estão utilizando em doenças como mal de Alzheimer, mal de Parkinson e
doenças neurológicas. Pacientes que sofreram lesão medular, por diferentes traumas, e que
vivem em cadeira de rodas, indivíduos que necessitem de recuperação óssea, paciente com
problemas renais e hepáticos e portadores de diabetes, tem como uma nova ferramenta as
CTT para ajudar na sua recuperação (PRANKE, 2004).

As modalidades de tratamento da DM evoluíram devido a implantação de estratégias


educativas e descoberta de inovações tecnológicas (SANTOS et al, 2012). Existem vários
tipos de células que apresentam um forte potencial para regeneração das células beta-
pancreáticas entre elas temos as CTT e CTM. Apesar do forte potencial que estas células
apresentam, acredita-se que apenas o transplante é capaz de reverter o quadro de
hiperglicemia da DM1, por tratar-se de uma enfermidade autoimune, é necessário incluir no
tratamento a imunossupressão para garantir que não ocorra a destruição das células
transplantadas. Na DM2 ainda não foi publicado um estudo completo, sendo assim, seu real
papel não permanece indefinido (VOLTARELLI et al, 2009).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar das promessas promissoras para tratamento da DM com a utilização das CT é


necessária muita cautela, principalmente devido ao comprometimento ético e moral. Além
disso, a obscuridade do novo tratamento e de novas técnicas de regeneração celular pode
desencadear aspectos patognomônicos associados ao desenvolvimento exacerbado e acelerado
41

de células indiferenciadas, característica em comum com um dos maiores males da atualidade


e que geram milhões de mortes, o câncer.

É visto, também, no âmbito hospitalar que a possibilidade de um novo tratamento


tenha a atuação direta de uma equipe multifatorial para acompanhamento, aconselhamento,
encaminhamento, tratamento e cura para o paciente que propicie a possibilidade de completa
regeneração das funções pancreáticas, não dependência de químicos ou imunoterápicos e,
acima de tudo, que seja completamente reprodutível e estável para os mais diversos tipos de
populações.

Para isto, o enfermeiro necessita estar encabeçando o contato direto com o paciente,
pois ele é a porta de acesso do indivíduo com demais avaliadores do tratamento. O enfermeiro
pode estar relacionado com os deveres e cuidados pré e pós farmacológico, avaliando o
desfecho favorável ou desfavorável do paciente, bem como controle das medicações e
balanceamento nutricional.
A equipe de saúde deve fornecer as orientações necessárias para que o paciente realize
o tratamento de forma segura e consciente, evitando complicações como a exemplo da
cetoacidose diabética e internações hospitalares.
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43

A SAÚDE BUCAL INDÍGENA NA BAHIA, UMA PERSPECTIVA


ANTROPOLÓGICA.

Vinícius Freitas Silva Bitencourt

RESUMO

O tema abordado diz respeito a uma pesquisa sobre a saúde bucal feita sob o ponto de vista
conhecimento sobre os procedimentos utilizados por índios na Bahia e visa contribuir para a
disseminação da informação das prevenções com hábitos cotidianos bucais que possam evitar
e debelar doenças que acometem os grupos indígenas. O conhecimento prévio pressupõe que
com o acesso aos produtos industrializados e a falta de manutenção da higiene adequada, uma
parte considerável tem adquirido doenças por causa da falta de conhecimento sobre as
maneiras corretas de proteger os dentes. Para tal diagnóstico, fizemos um mapeamento dos
principais locais onde existem descendentes da etnia, e procuramos fazer um questionário que
pudesse dar verificar quais são os problemas e expectativas de alcance para os conhecimentos
necessários. Estudos etnográficos em saúde abordam questões que dizem respeito a forma
como o conhecimento cultural, normas, valores, e outras variáveis contextuais influenciam a
experiência de saúde em uma pessoa.

Palavras-chave: Saúde bucal, Índios-Bahia, Odontologia.


44

INTRODUÇÃO

O tema ora abordado diz respeito à saúde bucal em indígenas da Bahia, e busca
aprofundar questões que dizem respeito aos fatores que implicam na falta de conhecimento
acerca da higiene oral provocando uma serie de prejuízos à saúde.
Os pressupostos levantados pelo conhecimento prévio apontam para o fato dos índios
terem sido estereotipados como primitivos, e considerados sem civilização desde a carta de
Pero Vaz de Caminha, encaminhada a Portugal, quando iniciando assim, as primeiras
expectativas sobre os habitantes originários das paragens na Bahia.
Na contemporaneidade existem controvérsias às discussões que consideram um
conceito único para civilização, tendo em vista que as tradições em comunidades indígenas
primitivas encontradas nos espaços baianos são analisadas como povo com escassez do estado
de adiantamento e cultura social.
A história demonstra que foram vítimas de explorações desde o século XIX,
devastaram os espaços e dizimadas pelas chacinas como pelo contato com doenças trazidas de
outros países desde o século XIX, embora no século XXI, vemos a extensão desse problema
que estende em regiões ricas pelas disputas territoriais, ricas em produtos naturais e minerais,
como as regiões Sul e Sudoeste da Bahia.
Portanto, para que possamos considerar como benéficos, os instrumentos, aparatos e
informações trazidas pelos europeus civilizados, havemos de aprofundar sobre o tema da nos
diversos âmbitos que passam pela qualidade de vida, acesso a informação e aos meios de
saúde, alimentação e outros, para que entendamos o motivo pelo qual hoje, possuem
problemas de saúde, especialmente a bucal mesmo estando em contato permanente com a
sociedade urbana.
Em contrapartida, a apropriação cultural na atualidade torna-se maléfica, pois a adição
de alimentos industrializados ricos em carboidratos e utilizados cotidianamente na dieta
causam danos à saúde dos dentes, se não existem as orientações de assepsia oral regular por
parte dos, provocando cáries superficiais, e a progressão danificando a polpa dentária,
gengivites, periodontites, e doenças que afetam o coração e outros órgãos, de maneira
secundária, como a endocardite bacteriana.
Em comunidades rurais, os índios procuram ter o hábito alimentar como outrora que
tende a ser saudável, e benéfico, uma vez que os produtos cariogênicos consagrados como
doces, balas e refrigerantes são industrializados.
45

Visando alcançar objetivos que foram traçados no inicio dessa pesquisa, investigar a
relação entre o índio e o contato com a urbanização, e pretendemos disseminar o
conhecimento científico nas comunidades índias acerca da importância da saúde bucal bem
como promover metas e ações que contribuam para a saúde odontológica nas comunidades
indígenas da Bahia.
A metodologia utilizada requereu esforço de participação dos colaboradores para
perceber os principais problemas sejam sociais, culturais, e/ou de políticas públicas que
afetam as comunidades e os recursos que poderão advir de prioridades. O diagnóstico feito a
partir de mapeamento do espaço que estão assentados, das necessidades e possibilidades
existentes no local, e, sobretudo, a aplicação de questionário pré-elaborado, tendo como base
os pressupostos e objetivos a serem testados, resultaram em proposições corroborados e
refutadas de acordo com o planejamento que motivou essa pesquisa. Os dados,
fundamentados na realidade dos informantes, sintetizados pelo pesquisador e comparados
com a revisão de literatura, conduzem a proposições hipotéticas sobre o fenômeno cultural de
investigação.

AS QUESTÕES LOCAIS

Na Bahia, o índio, habitante original do território antes da chegada dos Portugueses


representa a mestiçagem entre o branco e o índio, população dominada pelos portugueses
detentores do poder financeiro e político da colônia.
Em Jequié, nome de origem Jê que significa onça na língua dos tapuias, os Mongoiós,
Tupinambás, Maracás e Pataxós ocupavam as terras próximas a Minas Gerais e Bahia no Vale
do Rio Paraguaçu. Vinculadas às hierarquizações sociais e as relações de poder que norteiam
o hibridismo na América Latina.
Introduzir aos estudos de aproximações étnicas entre índios e europeus e a análise de
políticas culturais inseridas pelos povos estrangeiros revela a contribuição formal ao saber
científico em torno dos processos de construção de novas identidades e troca de saberes,
globais, e regionais no Nordeste brasileiro.
A saúde bucal indígena, ainda é assunto escasso na literatura. Alguns pesquisadores
relatam a utilização pelos índios de escovas de dente caseiras, mas como as culturas entre as
tribos indígenas diferem entre si, mesmo que parcialmente fica difícil estipular quais
autóctones possuem a prática de escovação dentária.
46

Por outro lado, parte dos estudos utilizados para a realização deste trabalho converge
com a afirmativa sobre o quesito da saúde bucal que infere entre a ligação direta do índio com
a urbanização. Ou seja, o fato dos índios iniciarem o contato com a ―civilização‖, acabou
trazendo benefícios, como acesso à aparatos de higiene oral e atendimento em clínicas de
saúde, embora os procedimentos não sejam usuais na maioria das vezes.
Em contrapartida, a apropriação cultural pode ser considerada maléfica,
exemplificando a adição de alimentos industrializados e ricos em carboidratos na dieta, que
podem causar, desde cáries superficiais, até uma progressão que danifique a polpa dentária,
bem como gengivites, periodontites, e até afete o coração, de maneira secundária, como na
endocardite bacteriana, caso não haja uma assepsia oral regular por parte dos aborígenes.
É importante destacar também, que a questão cultural é de tamanha relevância para os
indígenas. Por conta disso, como serão expostos ao longo do trabalho, os empecilhos
relacionados ao atendimento odontológico são agravados. A própria vestimenta do
odontólogo, geralmente branca, com todo aquele aparato: máscaras, luvas, instrumentais
perfurocortantes, além das canetas de alta rotação, responsáveis por gerar um barulho
desagradável, acaba causando medo e repulsa por parte dos índios. (MACHADO JÚNIOR;
REYES; DIAS, 2012).
Numa perspectiva antropológica, é importante ressaltar também, que a inserção
crescente do índio nas civilizações tem gerado mais malefícios do que benefícios. Ao invés de
adquirirem o hábito de escovação dos dentes, e utilização do fio dental, eles acabam se
apropriando de hábitos culturais que causam prejuízos, como o consumo de alimentos com
grande teor de sódio e açúcar, sendo este o grande responsável pelo aumento dos casos de
cárie nas aldeias. (LEMOS, et. al., 2010).
A proposta deste estudo é verificar e ressaltar a importância dos cuidados com a
cavidade oral dos índios, os quais são muitas vezes negligenciados. Dessa forma, métodos
para que os indígenas possam ter acesso a cirurgiões-dentistas, bem como uma melhor
educação acerca das suas ações rotineiras, as quais podem ser maléficas, mas que eles não
possuem conhecimentos ficando expostos a doenças, de modo que ao final, seja possível o
esclarecimento de diversas dúvidas a respeito da saúde bucal indígena numa perspectiva
profissional.
A metodologia inicialmente utilizada buscou a revisão de literatura e a pesquisa
bibliográfica como meios de argumentação e confrontação com o instrumento de testagem das
hipóteses, por meio de questionários pré-elaborados aplicados em conversas informais,
realizadas entre os dias 22/04/2017 e 24/04/2017, a dez sujeitos da pesquisa na faixa etária
47

dos 19 anos, excetuando um entrevistado com 46, sendo todos com Ensino Médio completo.
Os procedimentos de diagnóstico foram rigorosamente obedecidos de acordo com a
Resolução CONEP 510/2016, para pesquisas nas Ciências Humanas e Sociais.
Dessa forma, apresentamos as considerações de colaboradores e foram correlacionadas
aos argumentos de tratadistas distintos, onde são utilizadas citações diretas que comparadas as
opiniões do conhecimento do senso comum, com a finalidade de estabelecer a situação atual
da questão na pesquisa e demonstrar a relevância para a elaboração de contatos futuros com a
comunidade indígena, conforme objetivos traçados.
―Quando se pensa sobre a aplicabilidade de modelos eficientes de saúde num contexto
sociocultural indígena, percebe-se que a solução deve ir muito além da introdução urgente de
profissionais de saúde qualificados em suas especialidades nas aldeias.‖ (MACHADO
JÚNIOR; REYES; DIAS, 2012)
Para confrontarmos o conhecimento do senso comum com o teórico, mencionaremos
trechos das conversas informais obtidas com os sujeitos da pesquisa e acordo com a
Resolução CNS 510/2016, que estabelece as normas para pesquisas nas Ciências Humanas e
Sociais, para as quais citaremos as mais enfáticas de forma parafraseada:
―a urbanização implica em vários fatores, fazendo com que o índio possa procurar um
atendimento.‖ Nessa citação, nota-se que de certa forma, os autores pesquisados refutam a
ideia que o entrevistado tem uma vez que a saúde bucal do índio deve ser investigada e
melhorada porque outros fatores precisam ser levados em consideração, além da atuação
profissional do cirurgião-dentista. As práticas englobam principalmente, o olhar antropológico
que o profissional deve perceber sobre o ―outro‖ e busque conhecer as principais
características da cultura indígena na qual está a se inserir, melhorando a questão humanística
do atendimento e que seja feito, de forma a passar o conhecimento adequado e corrigir
supostos erros de interação.
Outro entrevistado o de número 5 aponta para, “O estudo antropológico do contato
entre o índio e o ambiente urbanizado vai auxiliar o profissional de saúde a entender a relação
com a saúde do mesmo‖.
―Um paciente indígena traz consigo sua interpretação do mundo ao seu redor, da vida
e da morte, das causas espirituais da doença, da cura e, seguramente, um conceito de seu
próprio ―sistema de saúde‖ cultural. Quando, então, o profissional de saúde desenvolve seu
trabalho tratando do paciente indígena como se este fosse um paciente de um contexto urbano,
o choque ocorrerá, pois a relação profissional-paciente é outra e, devido à diversidade das
culturas envolvidas, é provável que ocorra minimamente: (1) Descrédito do indígena quanto
48

ao tratamento oferecido; (2) Não aceitação de um tratamento contínuo tido por ―demorado‖
aos olhos do paciente indígena por exigir vários retornos ao dentista; e/ou (3) Não
desenvolvimento de novos hábitos preventivos de saúde.‖ (MACHADO JÚNIOR; REYES;
DIAS, 2012).
Para que seja feito esse contato, sugerido pelo entrevistado é necessário que diversos
aspectos sejam considerados, e são expostos pelos autores da área na citação acima.
Outros entrevistados propõem que: “Tanto pro lado positivo, quanto pro negativo. O
índio vai aprender novos hábitos, contribuindo para o seu conhecimento sobre a higiene oral,
como o creme dental, já que muitos utilizam ―juá‖ para a escovação. No lado negativo, o uso
de alimentos que podem causar cárie.‖
―A origem exata dos instrumentos mecânicos para limpeza dental é desconhecida. No
entanto há registros de que os árabes usavam um galho de árvore parcialmente descascado em
uma das pontas, em que aflorava um tufo de fibras naturais semelhantes às cerdas de uma
escova. A invenção da escova dental, como a conhecemos, é atribuída a chineses, por volta do
ano de 1600, porém a fabricação da primeira escova deve-se a William Addis, em 1780, na
Inglaterra. Por sua vez, o registro patenteado do primeiro produto ocorreu somente em 1957,
nos Estados Unidos, por Wadsworth. Desde então, a sua utilização é crescente tanto nos
países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento.‖ (BOTTAN et.al, 2009)
Relacionada com a citação acima, podes ser verificados os métodos alternativos e
como são criados pelos índios de modo a tentarem fazer a limpeza dos dentes. Dessa forma, é
de extrema importância que esses hábitos sejam incentivados nas aldeias, para que os índios
passem a se preocupar cada vez mais com hábitos de higiene oral, para a prevenção de
doenças bucais.
Entrevistado 6: ―O índio utiliza-se mais da agropecuária. Pelo fato dos alimentos dessa
prática serem saudáveis, contribuem para uma boa saúde bucal. Mas por conta da seca, o
índio acaba optando por produtos industrializados, que podem causar malefícios para a saúde
bucal indígena.‖
Do ponto de vista epidemiológico, a cárie é possivelmente a doença bucal de maior
relevância. Sua estreita associação com dieta e estilo de vida também lhe confere relevância
antropológica. Estratégias de subsistência e de produção de alimentos empregadas em épocas
diversas por diferentes grupos humanos fazem-se refletir na ocorrência e na distribuição das
lesões cariosas, em razão de estarem associadas a padrões particulares de dieta e usos
diferenciados do aparelho mastigatório. (ARANTES; SANTOS; COIMBRA JÚNIOR, 2001).
49

O entrevistado conseguiu relacionar bem a questão da alimentação, com problemas


bucais, traçando até uma mudança nos hábitos alimentares, causadas pela seca e pela
introdução do índio nas urbanizações. Na citação acima, percebe-se que o entrevistado foi
correto em dizer que a dieta e estilo de vida está relacionada diretamente com a saúde bucal
indígena.
Entrevistado 10: ―Através de palestras educativas e prática de atividades de
disseminação do conhecimento sobre a saúde-prevenção‖.
―... A saúde bucal das populações xinguanas ―não resulta apenas da prática
odontológica, mas de construções sociais operadas de modo consciente pelos homens, em
cada situação concreta.‖ (LEMOS PN et al).
É possível relacionar a resposta do entrevistado, com o que foi dito na citação acima
pelos autores. O entrevistado sugere palestras educativas e atividades para disseminação do
conhecimento acerca da saúde bucal. Dessa forma, mostra que a prática odontológica não é o
único meio de tentar intervir na saúde bucal do índio.
Entrevistado 5: ―Pode implicar de maneira ruim a partir do momento em que os índios
passam a consumir alimentos industrializados que podem aumentar o risco de cárie e outras
doenças bucais. Como também pode ajudar a manter a saúde bucal, pelo fato deles receberem
mais informações sobre o assunto.‖
Do ponto de vista epidemiológico, a cárie é possivelmente a doença bucal de maior
relevância. Sua estreita associação com dieta e estilo de vida também lhe confere relevância
antropológica. Estratégias de subsistência e de produção de alimentos empregadas em épocas
diversas por diferentes grupos humanos fazem-se refletir na ocorrência e na distribuição das
lesões cariosas, em razão de estarem associadas a padrões particulares de dieta e usos
diferenciados do aparelho mastigatório. (ARANTES; SANTOS; COIMBRA JÚNIOR, 2001).
Como dito pelo entrevistado, correlacionando com a citação acima, é possível notar
que o surgimento da cárie nas comunidades indígenas tem extrema relação com a dieta do
índio, e a mudança dela, ao ocorrer o contato com a urbanização. Alimentos industrializados,
ricos em açúcar, com alto potencial cariogênico, acabam sendo incrementados na dieta do
indígena, trazendo malefícios na cavidade oral do mesmo, ao longo do tempo.
Entrevistado 6: ―Muitos índios não sabem o modo correto de escovar os dentes, nem
mesmo acerca da importância do uso do fio dental.‖
―Ao se analisar a trajetória da saúde indígena no Brasil, percebe-se um crescimento
importante no número de pesquisas sobre as condições de saúde bucal nas últimas décadas.
Entretanto, o perfil epidemiológico da cárie dentária nas comunidades indígenas ainda é
50

pouco conhecido. Em que pese tal dificuldade, diversos estudos sugerem a existência de
desigualdades entre os povos indígenas e a sociedade envolvente no que concerne ao acesso e
utilização de serviços de atenção à saúde bucal.‖ (ALVES; SANTOS; VETTORE, 2013).
O entrevistado alega que a falta de conhecimento por parte dos índios ainda é
recorrente, e a importância da disseminação de informação sobre os hábitos de higiene oral
nas comunidades, é necessário.
Os tratadistas do assunto mencionam a falta de acesso aos serviços de atenção a saúde
bucal, e as comunidades em que vivem nem sempre tem dentistas e outros profissionais de
saúde para atende-los. Além desse motivo, o fio dental, escovas de dente, e cremes dentais são
oferecidos por programas em saúde bucal e tem procurado diminuir as desigualdades, mas,
pela quantidade de pessoas carentes, o acesso das comunidades a esses serviços é escasso.
As políticas públicas têm distribuído e ensinado para os índios a importância e o modo
de usar os instrumentos necessários à higienização bucal, embora a FUNAI precise estar
atenta e empenhada a aproximar o atendimento à saúde nas aldeias indígenas.
O método etnográfico concentrado nas descrições científicas de grupos culturais, teve
como ponto de partida utilizado para estudar variações culturais e grupos dentro de contextos
sociais mais complexos. A descrição de costumes e hábitos, sem ocupar-se de comparação ou
análise com outras culturas, buscou entender o conhecimento sobre a saúde bucal segundo a
visão de pessoas não índias frisando que outras pessoas também frequentam as aldeias e são
agentes de contato que levam informações.
Os equipamentos de proteção individual, máscaras, luvas e medicamentos, podem ser
vistos por índios que vivem distante da zona urbana, ainda podem ser visto como paramentos
estranhos pela falta de contatos com profissionais da saúde. O uso de uniforme branco pelos
profissionais configura como ―elemento alienígena‖ quando tratado pela ficção, produzem
estranhamentos na visão indígena.
Algumas produções passíveis de interpretações equivocadas como a garrafa de Coca-
Cola no enredo do filme The Gods Must Be Crazy ―Os deuses devem estar loucos‖ de Jamie
Uys. da C.A.T. Film (1980), e outros filmes produzidos com interesse de causar impactos
midiáticos a exemplo dos Matses, na possibilidade de associação às aparições de espíritos a
que chamam de Chishcan - o boto - que em forma humana sempre surge barbados, trajando
vestes brancas (MNTB, 2011a).‖ (MACHADO JÚNIOR; REYES; DIAS, 2012).
O relato de outro entrevistado refere-se a um modo de ser identificada a relação
da saúde bucal indígena com o contato com a urbanização, e sugere um trabalho ―in loco‖, ou
visitas regulares às aldeias próximas às urbanizações.
51

Entretanto, antes de ser feita a investigação por antropólogos e/ou profissionais


da área de saúde, é necessário conhecimento prévio acerca da cultura da tribo a ser estudada,
para que as atitudes correspondam as culturas que serão adentradas, o que pode ser
considerada normal pelos ―não índios‖, podem ser rejeitadas pelos nativos.
Os tratadistas do assunto, MACHADO JÚNIOR; REYES; DIAS, 2012, analisam as
próprias ferramentas utilizadas pelo profissional de saúde, e/ou pelo cirurgião dentista como
motores de alta rotação, que produzem barulho incômodo, e os equipamentos de proteção
individual (EPI), até a indumentária branca, o jaleco, podem ser vistos como meios de causar
sobressalto, medo e invasão de culturas antepassadas provocando conflitos.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

As considerações preliminares apontam para a necessidade de transmissão do


conhecimento para os índios acerca da importância da saúde bucal, bem como instruir
profissionais de saúde, a comunidade local e a população não indígena, haja vista que
quaisquer cidadãos podem ajudar os índios e seus descendentes prevenindo doenças e
preservando a saúde.
Embora seja uma tarefa que necessite de conhecimento e experiência, a questão
humanitária e saber lidar com as diferenças, resultará em benesses a essa população. A
elaboração de projetos odontológicos nas comunidades aborígenes se apresenta como meio de
transmissão de conhecimento e humanização dos profissionais de saúde. Portanto, entender a
visão que os nativos têm de seu mundo, e analisar o fato antropológico, seja étnico, grupal,
individual ou fenomenológico, a partir de uma visão propriamente factual sugere a procura
pela verdade como ela é entendida e preservada na sua individualidade.
As maneiras de orientar e disseminar informações sobre as formas impedir as doenças
bucais entre os índios, é um direito que os assiste, para que sejam amenizadas ou erradicados
problemas causados pelo desconhecimento aos procedimentos básicos de higiene e saúde,
criando oportunidades de participação e acesso à qualidade de vida.
52

REFERÊNCIAS

ALVES FILHO, P.; Ventura Santos, R.; Viana Vettore, M. Desigualdades socioambientais na
ocorrência de cárie dentária na população indígena no Brasil: evidências entre 2000 e 2007.
Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 16, n. 3, p. 692 - 704, 2013.

ARANTES, R.; Ventura Santos, R.; Coimbra Júnior, C. Saúde bucal na população indígena
Xavánte de Pimentel Barbosa, Mato Grosso, Brasil. Cad. Saúde Pública, v. 17, n. 2, p. 375-
384, 2001. (BOTTAN et.al, 2009)

BERTANHA, W. Atenção à Saúde Bucal nas Comunidades Indígenas: Evolução e Desafios –


uma Revisão de Literatura. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, v. 16, n. 1, p. 105-112,
2012.

LEMOS, P. et al. O modelo de atenção a saúde bucal no Médio e Baixo Xingu: parcerias,
processos e perspectivas. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232010000700056>.
Acesso em: 9 mar. 2017.

MALINOWSKI, Bronislaw. Argonautas do Pacífico Ocidental. Col. Os Pensadores, São


Paulo, Ed. Abril, 1978.

MACHADO JÚNIOR, E Vieira.; Manzano Reyes, M.; Lopes Dias, R. Odontologia na aldeia:
a saúde bucal indígena numa perspectiva antropológica. Antropos, v. 5, n. 4, p. 182 - 222,
2012.
53

A LEGITIMAÇÃO DA IGNORÂNCIA E A DOR SILENCIOSA DE JOVENS QUE


PRATICAM O ABORTO CLANDESTINO.

Beatriz Silva Santana

RESUMO

Essa investigação trata da prática do aborto clandestino de jovens entre 16 a 20 anos


residentes em locais periféricos de um município da Bahia, tendo em vista que, uma
percentagem considerável de adolescentes e jovens internadas por ano no Brasil, são vítimas
da falta de orientação dos riscos à saúde, desses procedimentos. A formação de um espaço
multiplidiscinar e plural de ações que possa mapear e conhecer a realidade das comunidades
faz parte dos objetivos a serem alcançados. Os pressupostos indicam que a questão
sociocultural e econômica tem sido um dos fatores propulsores do problema de saúde pública
que vem se alastrando nas zonas periféricas da Bahia. O conhecimento prévio adquirido a
partir de relatos informais tem demonstrado que no meio adolescente e jovem existe carência
de informação, além da necessidade premente de acompanhamento dos sujeitos com
características vulneráveis. Nesse sentido, o nosso objetivo primordial será disseminar
informações sobre as leis brasileiras, causas e consequências de procedimentos abortivos
clandestinos entre mulheres adolescentes e jovens adultas que afetam a qualidade de vida. Por
meio de metas e ações planejadas a serem efetivadas nos espaços interdisciplinares
elaboraremos calendários de oficinas, palestras, e programas interativos nos bairros
pesquisados, e posteriormente ampliando a área de atuação. A metodologia traçada previu
inicialmente um mapeamento da área geográfica e a revisão de literatura alicerçou o conteúdo
teórico dando subsídios científicos imbricados à pesquisa ―in loco‖ que testaram as hipóteses.
O processo de cientificidade do conhecimento imbricou o senso comum, hipóteses
corroboradas e/ou refutadas, objetivos propostos, testados por meio da aplicação de
questionários pré-elaborados em conversas informais com colaboradores, obedecendo às
determinações da Resolução CONEP 510/2016. Com a finalidade de divulgar dados coletados
sobre o fenômeno que provoca elevados níveis de sequelas e mortes em jovens mulheres,
propomos disseminar informações cientificas para a comunidade local.

Palavras-chave: Aborto clandestino, Desigualdades sociais, Acesso à informação.


54

INTRODUÇÃO

O estudo trata do aborto sob o ponto de vista legal e moral e tem como sujeitos da
pesquisa, moradoras jovens das camadas periféricas de um município da Bahia e tem como
alvo principal, diagnosticar as causas e consequências de ações intempestivas que podem
prejudicar toda uma vida de jovens vulnerárias que se arriscarem a praticar o aborto
clandestino.
A abordagem justifica-se pela necessidade de observar até onde as diversidades
socioculturais e econômicas podem influenciar nas condutas e atitudes, em que os sujeitos
estão expostos psicologicamente quando estão diante falta oportunidades por causa da falta de
acesso ao acolhimento e informação da família e dos programas de saúde.
Os pressupostos indicam que o índice elevado no Brasil de procedimentos
clandestinos com internamentos de cerca sete milhões de mulheres, e vinte e duas mil mortes
anuais é decorrente de intercorrências clandestinas que prejudicam a mulher e dilaceram seu
próprio corpo, derivados da ignorância e da falta de informação.
Tendo como objetivos debelar problemas causados pelas desigualdades sociais, e
considerando que a informação científica impulsiona o conhecimento, o caminho a seguir
pelas instituições responsáveis pelo bem estar dos cidadãos, tem que contribuir para a
comunidade conhecer sobre o que é o aborto voluntário, as práticas ilegais, para diminuir a
incidência de abortos.
Como multiplicadores da informação, pretendemos propor palestras em bairros e
escolas, explicando as causas e consequências do aborto, os métodos contraceptivos que
impeçam a prática clandestina, e assim conscientizar as mulheres sobre a conduta cidadã, a
responsabilidade e a obrigação de preservar a própria vida e a de outrem.
Discutir questões legais sobre o aborto no Brasil é imprescindível para abranger o
quadro estatístico no interior da Bahia e estabelecer metas e ações que possam ser efetivadas e
alcancem as camadas menos favorecidas e minimizem o problema de saúde pública.
Para tal pesquisa, utilizamos, a revisão de literatura sobre o tema, e a pesquisa
bibliográfica dando subsídios que alicerçaram as premissas a serem testadas nos
levantamentos estatísticos a partir de conversas informais, que analisam no decorrer do
trabalho as atitudes impensadas de jovens e o papel social que devemos ter, disseminando as
informações.
As considerações preliminares revelam no conhecimento prévio que a quantidade de
mulheres jovens que praticam o aborto é significativa, e exige dos poderes públicos e da
55

sociedade em geral, que a situação seja combatida, embora para operacionaliza-la, necessário
se faz que as instituições educacionais promovam a difusão e conscientização sobre o tema.

ABORTO: UM PROBLEMA SOCIAL

O aborto provocado consiste na morte do feto durante a gravidez, em qualquer de suas


etapas, dentre os primeiros dias de vida até o período antes do nascimento. Muitas mulheres
veem essa prática como método contraceptivo, e na maioria das vezes não se preocupa com as
consequências pessoais e psicológicas e sociais advindas dessa conduta. Além disso, o aborto
ilegal e inseguro constitui uma importante causa de mortalidade materna, sendo um problema
de saúde pública.

Segundo o relatório elaborado para o evento Pequim ―20‖ que acontece na 59º
Comissão sobre o Estatuto da Mulher d Organização das Nações Unidas (ONU), o aborto
clandestino constitui a 5º causa de morte materna no país, ―situação que configura um
problema de saúde pública de significativo impacto‖.

Partindo desse pressuposto, no município estudado que a população da pesquisa alvo,


não possui o conhecimento e informação necessária sobre os riscos e consequências trazidas
do aborto para a mulher. Portanto, é de vital importância a disseminação de informações sobre
o assunto abordado, que a partir disso, haja mais conhecimento e consciência sobre o tema.

Foi constato também que a questão cultural está intimamente ligada a prática do
aborto clandestino. A cultura está relacionada à recriminação por parte da sociedade,
julgamento familiar, e, ressalta que os indivíduos são frutos da visão da sociedade em que
vive, é dominante sobre a prática, porém não determinante. Dessa forma, é notório que existe
um percentual de caos humano que pode levar a morte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a cada dois dias, uma mulher morre no
país, vítima de aborto clandestino, mais de 1.000.000 de mulheres no país se submetem a
abortos clandestinos anualmente.

Entre os diagnósticos levantados “in loco”, foi verificado que não há conhecimento
específico sobre políticas públicas que abrangem o tema abordado, visto que o aborto no
56

Brasil é considerado crime. E ainda a luta contra a descriminalização não é apenas religiosa,
mas, sobretudo ideológica, política e econômica. Além do mais, em casos de estupro, na
realização do aborto a mulher deixa de ser vítima e passa a ser criminosa.

Nesse sentido, o direito à vida é o bem relevante a todo ser humano e a dignidade da
pessoa humana são um fundamento da República Federativa do Brasil e não há dignidade sem
vida. (Luciana Russo).

Ainda foi levantada no município, que as hipóteses traçadas e os objetivos a ser


alcançado, o fator econômico estão intimamente ligados a realização do aborto clandestino.
Assim, a diversidade econômica existente na sociedade influência nessa prática, e
adolescentes, principalmente, os de baixa renda procuram clínicas clandestinas para fazerem o
aborto, e ainda a etnia também é um fator determinante.

Segundo Débora Diniz, em texto publicado na revista Carta Capital, mulheres


nordestinas pobres, negras e indígenas, fez a quantidade superior de aborto que as mulheres
brancas e com melhor escolaridade.

Vê-se, por conseguinte, que a comunidade local, seja recompensada com medidas que
disponibilize o acesso da população ao conhecimento dos riscos e consequências trazidas pelo
aborto na vida mulher. Dessa forma, ampliando o conhecimento e disseminando as
informações sobre o aborto clandestino. Além disso, ainda é possível salientar a necessidade
de promover palestras sobre o assunto abordado, campanhas midiáticas, programas interativos
e contraceptivos que impeçam a prática do aborto, os quais serão de extrema importância para
a conscientização e conhecimento do tema exposto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante das considerações preliminares, obtidas no município do Estado da Bahia,


verificou-se que as expectativas sobre os aspectos cotidianos do universo feminino jovem
sobre as informações científicas, são escassas e foi corroborado, embora refutado e não
significativo para a falta de informações midiáticas produzidas por meio digitais.
Tendo em vista que, a análise sobre fatores socioeconômicos e culturais são essenciais
e podem ser preponderantes na prática do aborto clandestino, e causar ilícitos pessoais,
57

prejuízos à saúde, e, consequentemente à qualidade de vida da mulher, inferimos a


responsabilidade também à família e a escola, que devem ser os pilares da formação da
personalidade do cidadão.
Um dos fatores que denota o pressuposto que os indivíduos de menor poder
aquisitivo não possuem acesso à informação científica, é a falta do grau de escolaridade
necessária para leitura e interpretação, ou seja, para que, a informação alcance o nível de
entendimento, as pessoas precisam ter senso crítico e conscientização sobre o assunto
abordado.
Assim, considerando que o a interrupção voluntária clandestina é a quinta causa de
mortalidade no Brasil, praticado também e, sobretudo, com medicamentos que deveriam ser
fiscalizados e controlados, depois de verificadas as condições de jovens pretensamente
vulneráveis, preliminarmente consideramos que, a falta de conhecimento da população a
respeito do tema é um dos problemas de interação entre a mídia e a sociedade, tendo em vista
que a inclusão social é um processo de reponsabilidade do Estado e continua vagaroso.

Quanto à falta de acesso à informação nos espaços periféricos das cidades brasileiras,
embora deficiente, tende a ser expandido pelo aumento da capacidade de alcance pelas áreas
tecnológicas que utilizam instrumentos de última geração e podem propiciar interação pelos
espaços recônditos do país.

Dessa forma, a análise feita a partir de pesquisas científicas demonstra que as


informações na faixa etária estudada sofrem influência e por diversas vezes são distorcidas e
interpretações diversificadas sobre a situação atual da questão, no que se refere aos abortos
clandestinos, porque a falta de participação e acolhimento da família, a orientação da escola, e
as consequências que o sujeito enfrentará sob os aspectos pessoais e legais, estão em
descompasso.
58

REFERÊNCIAS

CAVALCANTE, Alcilene; XAVIER, Dulce (2006). Aborto: uma visão humanística. São
Paulo: Católicas pelo Direito de Decidir, 2006. 230 p.
Vieira EM, Cordeiro LD, Monteiro RA. A mulher em idade fértil no Brasil: evolução da
mortalidade e da internação por aborto. In: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de
Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Saúde Brasil 2007:
uma análise da situação de saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2008. p. 143-82.
ANACLETO, Juliana. Para quem luta pela vida. Disponível em: . Acesso em: 07 de julho de
2006.
Disponível em: < https://www.cartacapital.com.br/sociedade/aborto-a-cada-minuto-uma-
mulher-faz-um-aborto-no-brasil >
Disponível em: < http://justificando.cartacapital.com.br/2016/09/28/mortes-por-aborto-no-
brasil-legitimacao-da-nossa-ignorancia/ >
Disponível em: < https://oglobo.globo.com/sociedade/governo-afirma-onu-que-aborto-
clandestino-no-pais-problema-de-saude-publica-15550664.
59

PERCEPÇÕES E ESTRATÉGIAS DE APOIO NO DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME


DE BURNOUT ENTRE PRESBÍTEROS DIOCESANOS.

Samara de França Ferreira e Tailani Mendes de O. Araújo

INTRODUÇÃO

Esta investigação trata sobre as demandas e rotinas intensas de trabalho dos


presbíteros diocesanos de um município da Bahia, que vem se acentuando significativamente
por diversos fatores como, tarefas exaustivas de interação com a sociedade, o aumento da
carga horária de trabalho, estudos, e compromissos exercidos.

A necessidade de interação pessoal a que estão sujeitos os padres, e a manutenção de


uma carga horária que ultrapassa os limites orgânicos, prejudicando a saúde, pois
posicionamentos profissionais constantes lidam com diversos tipos de índoles, culturas e
pensamentos discrepantes dos valores determinantes de percursos normais em sociedade.

Portanto, as cargas emocionais reveladas em confissão e até mesmo em situações


cotidianas são externadas pelos cristãos que buscam ajuda, e podem culminam em ansiedade e
conflitos, afetam os clérigos que tem o intuito de minimizar os problemas aliviando tensões e
aconselhando a saída para as crises humanas.

Como a atividade religiosa consiste entre outras funções, escutar, aconselhar e ajudar o
―outro‖, estes especialistas, e outros profissionais, tornam-se susceptíveis ao acometimento de
doenças como o estresse, exaustão física e mental, ansiedade, e chegam ao auge com a
insatisfação no trabalho e depressão.

Diante de tais ocorrências, os diocesanos recorrem a auxílios psicológicos ou mesmo


ao conselho religioso cujos profissionais como psicólogos, assistentes sociais e sacerdotes
tentam amenizar sofrimentos causados pela carga comovente de emoções e sofrimentos a que
estão sujeitos.

Considerando a necessidade de ampliarmos os estudos sobre a depressão focalizando a


síndrome de Bournout, como um conjunto de características ou de sinais associados a uma
60

condição crítica, como acadêmicos da área de saúde, envidaremos esforços para promover a
qualidade de vida entre as pessoas.

A Síndrome de Burnout é o desgaste emocional crônico, vinculado às circunstâncias


de trabalho, alastrada em outras várias funções profissionais e se relacionam aos meios,
pontos de vista ou objetos de estudo, causando estresse constante a partir do envolvimento
com pessoas não familiarizadas, por longos períodos.

Julgamos ser o estudo sobre a Síndrome de Burnout de grande relevância para o


conhecimento da sociedade, considerando que qualquer pessoa pode estar vulnerável e ser
acometida de súbito pela síndrome. Embora a doença desperte reações de temor, insegurança
e frequente entre os indivíduos, os estudos científicos são reduzidos e desconhecidos por parte
considerável da população.

Com base nos dados primários e secundários da revisão de literatura, buscamos


aprofundar sobre as causas e consequências das manifestações da Síndrome de Burnout, como
forma de aprofundar os estudos e contribuir para a disseminação da informação.

Os pressupostos levantados e testados por meio de conversas informais e aplicação de


questionários baseados na Resolução CNS-MS 510/2016 sugerem que a exaustão ou
esgotamento profissional, estresse laboral crônico, alterações comportamentais, físicas e
psíquicas, podem ser fatores que levam os presbíteros a adquirirem a doença.

Nossos objetivos consistem em informar sobre a Síndrome de Burnout no âmbito


diocesano, disseminar informações a respeito do auxílio profissional necessário e propor
metas e ações que acolham profissionais vulneráveis aos agentes produtores de estresse e
depressão.

ESTUDOS E RELATOS ACERCA DA SÍNDROME DE BURNOUT

Estudos realizados no continente Americano indicam que a síndrome de Burnout


consiste psicossocialmente o mal do século, sendo uma preocupação em comum aos
pesquisadores da área de saúde mundialmente, devido às consequências que essa síndrome
traz tanto individualmente como para a sociedade (DA SILVA, 2015).
61

Diante dos estudos encontrados na literatura ―o termo Burnout refere-se a uma


condição de esgotamento ou exaustão resultante do desgaste laboral, caracterizando um
conjunto de sinais e sintomas específicos conhecidos como síndrome do esgotamento
profissional ou Burnout‖ (ARAUJO JUNIOR, et al, 2017).

Questionados se tinham algum conhecimento sobre a síndrome de Burnout e se


identificava algum caso no âmbito sacerdotal, houve alguns padres que afirmaram ter um
conhecimento prévio da síndrome por conta de comentários e leitura de artigos, e outros que
nunca escutaram falar. Já em relação se conhecem sacerdotes que apresentam essa síndrome,
todos citaram que conhecia casos de padres que tinham traços da Burnout e alguns casos de
depressão que levaram até mesmo o suicídio.

“Superficialmente sim, desconfio de algumas pessoas, porém não sou especialista na


área.”; “Não, não conhecia pelo nome, mas sei de casos na família. Já conheci um sacerdote
que se afastou do ministério por conta do cansaço e estresse do trabalho, mas depois ele
retornou às funções. Já no período de seminário tive um colega que saiu porque diz que não
aguentava a rotina.”.

As respostas apontam que é possível perceber a incidência de traços da síndrome


entre alguns trabalhadores neste âmbito profissional, porém trata-se de algo ainda pouco
disseminado e discutido em nossa realidade.

A síndrome de Burnout pode acometer qualquer pessoa em qualquer faixa etária,


evidenciamos isso através dos estudos que estão sendo feitos sobre esse tema desde donas de
casas até profissionais renomados como médicos e advogados podem a qualquer momento ser
acometidos por essa síndrome. Pesquisas mostram que estudantes da área da saúde são
afetados tanto pelos estresses típicos do ensino como por atuar diretamente com pessoas
muitas vezes carregando consigo os conflitos e problemas dos pacientes. (CARLOTTO, M. S.
et. al., 2006)

Concomitantemente, CARLOTTO (2012) afirma que o Burnout é um tipo de estresse


ocupacional que acomete profissionais envolvidos com qualquer tipo de cuidado em uma
relação de atenção direta, contínua e altamente emocional.

Dificuldades e problemas todos possuem, mas se faz necessário administrar essas


ocorrências para que essas coisas não acometa sua saúde física ou psicológica, existem
62

profissionais que auxiliam pessoas a lidar com essas dificuldades como assistentes sociais,
psicólogos, psiquiatras e os próprios sacerdotes, com isso perguntamos se em algum momento
da vida deles, ele procuram esse auxílio, todos afirmaram que nao e teve um que comentou
que no seminário existe esse acompanhamento com o psicólogo, caso alguém necessite,
``Não, no seminário tem o acompanhamento psicológico que dar assistência``, outro
informou que psicólogo nunca procurou, mas sabe da importância que tem de ser
acompanhado por alguém para poder partilhar os problemas e ter um direcionamento = ``Não,
tenho meu diretor espiritual, mas acredito e reconheço que as pessoas possam precisar de um
acompanhamento.``

Existem circunstâncias que podem ter relação ao Burnout, como as altas jornadas de
trabalho, a ineficiência, a baixa autoestima tanto pessoal como profissional, problemas
crônicos já existentes e privação do sono (DA SILVEIRA, 2017).

O próprio termo burn significa queima e out significa exterior sugerindo que a
pessoa com este tipo de estresse se consome física e emocionalmente, passando a apresentar
um comportamento agressivo (MORENO, et al, 2011) pensando na questão da privação do
sono como fator que interfere na atividade laboral, perguntamos se eles apresentavam
problemas com o sono e caso a afirmativa fosse positiva se isso interferia no trabalho
cotidiano, a maioria relataram dormir bem e apenas um afirmou não dormir bem, por ser
diabético tomam muitas medicações e com isso dorme pouco, mas não chega a interferir em
suas atividades, pois já está acostumado com as poucas horas de sono –

``Sim, durmo pouco, sou diabético e tomo muita medicação, sono é péssimo, porém já
acostumei, já sou assim a muitos anos, estou acostumado.``, teve um relato que informou
dormir bem, mas que se não tirar a sesta depois do almoço fica com mal estar: ``Não, durmo
bem, só se eu não tirar minha sesta que fico com mal estar.``

Um fator importante a destacar refere-se às modificações que a síndrome de Burnout


provoca na vida dos indivíduos tanto no que diz respeito ao pessoal e profissional, e como
resultado causando reflexos nas relações sociais, além disso o fato da doença surgir
insidiosamente o diagnóstico é mais demorado, provocando diversos transtornos e redução de
qualidade de vida (VENÂNCIO M.C., SANTOS G. s/d).
63

Para tanto, NÓBREGA, et al (2014) destaca as principais características observadas na


SB, são elas: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional.
Segundo o mesmo, exaustão emocional diz respeito aos sentimentos de desgaste emocional e
esvaziamento afetivo, enquanto que a despersonalização torna o indivíduo menos sensível em
relação às demais pessoas tornando-os mais frios e muitas vezes provocando ansiedade,
irritabilidade e desmotivação.

E por fim a baixa realização profissional relaciona-se ao insucesso na profissão.


Perguntamos então aos padres, se se sentiam deprimidos ou apresentavam ansiedades diárias,
devido o trabalho que exercem, responderam:

“Não tenho problemas de ansiedade, existem as preocupações devido a


responsabilidade do trabalho, porém lido bem com isto.”

Não, tem dias que acordo com menos disposição, mas nada grave que seja
relacionado a depressão.

``Não, sou positivo e otimista sempre, todos que me conhecem sabem que sou assim,
alegre.``

`` Não, tenho alegria o tempo todo, saúde e paz interior``

``Deprimido não, sinto o cansaço normal do dia a dia``

Perguntamos ainda se ficavam irritados facilmente com pequenos problemas ou


com seus colegas de trabalho, ou mesmo se consideravam agir mais friamente com as outras
pessoas do que possivelmente merecem algum responderam que não intencionalmente.

“Geralmente não, possa ser que às vezes aconteça, mas não que eu queira reagir
assim.”

“Não, sou tranquilo, enérgico e responsável no que faço.”

`` Não, enfrento todos os problemas com naturalidade, vivo inclusive numa região
violenta onde muitas vezes tenho receio de voltar para casa por conta do índice de violência
que acontece em minha rua, mas tento manter a paz interior e simplicidade, quando celebro
64

uma missa que termine um pouco mais tarde, não volto para casa por conta disso, ou eu
durmo na paróquia ou eu vou para o Mandacaru.``

Quanto à realização profissional todos afirmaram ser muito feliz com a escolha
defendendo o fato de ser um trabalho vocacional, não profissional.

“Sim, sem nenhuma dúvida, se fosse para escolher ser padre novamente seria.”

“Sim, não me vejo em outra função, sou muito feliz com a profissão que escolhi,
enfrentei dificuldades no caminho, meu desejo de ser padre foi fortalecendo com o tempo e
me ordenei aos 34 anos de idade e não acho a profissão estressante.”

“Sim, não é profissão é vocação, foi uma escolha minha.”

``Sim, me aposentei com alegria sendo professor, mas sou muito feliz com minha
vocação sacerdotal, não me vejo fazendo outra coisa.``

Hoje essa síndrome é discutida no mundo inteiro e segundo o jargão inglês, o


Burnout é algo que deixou de funcionar por falta de energia, ou seja, é aquele que chegou ao
limite do esgotamento físico ou mental (TRIGO et. al,2007).

Sendo considerado um problema social pertinente, associados a vários tipos de


disfunções sociais devido aos problemas psicológicos e físicos (FRANCA, et. al., 2017).

Questionamos assim, se consideravam que a burocracia e a política organizacional


frustravam a habilidade de realizar um bom trabalho, alguns disseram considerar importante
a organização porém em sua maioria no que diz respeito às burocracias as respostas deram a
entender que em muitos casos sim.

“Não, acredito que a organização é algo importante, porém certas burocracias


causam algum impasse.”

“As vezes tem uma entrave nessa relação de igreja e estado, o que impede ou dificulta
muitas vezes o trabalho social da igreja avançar.”
65

``A política organizacional não realizando um bom trabalho, hoje em dia não
sabemos em quem confiar na política, votamos confiantes naquela pessoa e depois
descobrimos as coisas que estão ocorrendo em nosso país.``

“A política mexe com todo mundo, como a todos sou afetado fico frustrado pelos
outros, com os problemas da política. Dentro da igreja as pessoas acham que o padre não
pode falar de política, tem que saber diplomaticamente como falar.”

E por fim perguntamos aos mesmos quais as medidas eles acreditam que poderiam ser
tomadas para solucionar esses problemas de modo que não afetasse o trabalho e que
promovesse melhoras na prática profissional. As respostas foram variadas;

“Compreensão das pessoas.”

“É preciso ter paciência, é preciso realizar as coisas independentes de opiniões e


burocracias sem esperar nada em troca, sem esperar ser reconhecido pelos outros por causa
disso e pensar positivo sempre.”

Primeiramente despertar nas pessoas a vocação profissional, trabalhar a concorrência


entre as pessoas no ambiente de trabalho o que causa estresse e outros problemas, se faz
necessário também medidas públicas que proporcionem dignidade no trabalho, já no âmbito
sacerdotal termos consciência de que nosso serviço deve ser humanitário, buscar também
exercer o verdadeiro papel na vida sacerdotal e não ficar indo buscar status e dinheiro.

―Dividir o tempo de exercer as atividades, lazer e espiritualidade, contar com a


participação de colaboradores e voluntários dentro da igreja e ter amigos para partilhar os
momentos.‖

“A promoção de interação entre as pessoas, viver o espírito de equipe.”

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

As considerações preliminares indicam que apesar da rotina de atividades que os


presbíteros exercem no ministério sacerdotal, os problemas diários de pessoas que os
procuram, a maioria deles sabe conciliar de forma que isso não afeta seu psicológico nem sua
saúde física, sempre buscando ter tempo para os afazeres, o lazer e a espiritualidade, não
encontrado assim nenhum caso de padres acometidos pela síndrome durante a pesquisa.
66

A síndrome de Burnout atualmente é considerada um problema de saúde pública,


sendo vista como um dos agravos ocupacionais de caráter psicossocial mais importante da
população (BATISTA et al., 2010).

De acordo com a legislação brasileira de 1999 o Ministério da Previdência e


Assistência Social (DOU n.º 6957, de 2009), apontou uma lista com doenças profissionais e
relacionadas ao trabalho, contendo um conjunto de doze categorias diagnosticadas de
transtornos mentais que podem ser decorrentes pelo tempo, atividade e locais de trabalho e a
SB aparece em décima segunda nesta categoria. As consequências da síndrome de Burnout
influenciam todas as esferas da vida do indivíduo, prejudicando tanto sua vida pessoal como
social e profissional e muitas vezes acometer o desenvolvimento do ambiente de trabalho que
ele está inserido.

No entanto, destacamos a importância do acompanhamento psicológico entre


outras medidas para as pessoas que possuem características dessa síndrome, e por fim
esperamos que o tema ganhe evidência nas discussões futuras e mais estudos possam ser
realizados em relação ao assunto, visto a importância de se entender como se dá esse processo
a fim de prevenir problemas futuros com a síndrome e/ ou minimizar as consequências da
doença.

REFERÊNCIAS

BATISTA, J. B. V., CARLOTTO, M. S., COUTINHO, A. S., & AUGUSTO, L. G. S.


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CARLOTTO, M. S. A Síndrome de Burnout e o trabalho docente. Revista Psicologia em
Estudo 2002; Maringá; 7(1); 21-29. Disponível em: <scielo.br/pdf/pe/v7n1/v7n1a03.pdf>
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67

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DA SILVEIRA, A. L. P., COLLETA, T. C. D., ONO, H. R. B., WOITAS, L. R., SOARES, S.
H., ANDRADE, V. L. Â., & DE ARAÚJO, L. A. (2016). Síndrome de Burnout:
consequências e implicações de uma realidade cada vez mais prevalente na vida dos
profissionais de saúde. Rev. bras. med. trab, 14(3), 275-284. Disponível em:<
http://www.rbmt.org.br/export-pdf/121/v14n3a13.pdf> Acesso: 01 de Abr. 2017.
VENÂNCIO M., C., SANTOS G. S. dos. Síndrome De Burnout E As Repercussões Na
Saúde Do Profissional De Enfermagem. s/d. Disponível em:
<http://www.posgraduacaoredentor.com.br/hide/path_img/conteudo_54247c9d463fa.pdf.>Ac
esso: 01 de abr. 2017.
68

UMA ABORDAGEM ANTROPOLÓGICA SOBRE O PRECONCEITO RACIAL


NAZISTA.
Thamiris Santos Correia

RESUMO

O conteúdo dessa pesquisa visa estabelecer um parâmetro de conduta inapropriada em


sociedade no que tange o preconceito racial. Nos ambientes formais ou identificamos
condutas e comportamentos inapropriados de determinados grupos sociais. A abordagem
justifica-se pelo de fato de existir um preconceito velado sobre as questões características de
povos de etnias diferenciadas, e nesse caso, especialmente aos negros. As premissas
levantadas que corroboram essa questão estão relacionadas com a análise da discriminação
racial vista em outros âmbitos, relacionados não somente ao aspecto da sociedade. Pontuando
os fatos históricos concernentes as atrocidades praticadas remotamente no mundo, no caso do
holocausto, observamos que a situação atual da questão tende a preservar questões biológicas
que podem caracterizar e determinar uma raça. O foco proposto é a comparação na
hodiernidade, quais as ações que podem ser reconhecidamente preconceitos contra algumas
pessoas que fazem parte de outras raças humanas pela cor da pele. A informação sobre o tema
tenta difundir os resultados obtidos por colaboradores que expuseram suas opiniões,
contribuindo significativamente para a testagem de hipóteses, inicialmente elaboradas.
Ampliar a visão humanística a respeito das agruras sofridas pelos judeus significa encarar os
constantes conflitos de etnias e grupos humanos que são perseguidos e discriminados,
guardada as devidas proporções com o passado, mas, de alguma forma reproduzem os tipos
de preconceito, sejam raciais, sociais ou culturais, expressadas em ideologias racistas.

Palavra-chave: Preconceito racial, Visão Social, Nazismo.


69

INTRODUÇÃO

O estudo trata de uma abordagem antropológica sobre o racismo, como a


sociedade atual vê a questão do racismo bem como, as suas possíveis causas e consequências
em determinados âmbitos em que chegam a se comparar as barbáries cometidas aos negros e
outras raças consideradas inferiores pelos etnocentristas e mentores de tentativas hodiernas de
afastamento e detrair raças e formar seletivamente as ditas, raças arianas.
O foco principal da pesquisa é analisar o período da Alemanha Nazista e a
perseguição racista e sistemática aos judeus que cominou no extermínio num episodio
conhecido como holocausto.
Algumas explicações podem ser levantadas como possíveis hipóteses. Entre elas,
esta o preconceito por motivos econômicos visto que os judeus eram considerados os
manipuladores das finanças no mundo; as questões religiosas e biológicas racistas que os
classificavam como uma raça deformada, uma ameaça a raça ―ariana‖ estes, foram os
principais formadores da etnia europeia.
Ao longo do tempo a ciência antropológica vem ocupando uma centralidade científica na
questão do racismo. Portanto, tem- se como objetivo dessa pesquisa, observar os aspectos que
levaram a tais eventos, bem como atrelar o conhecimento já adquirido por meio dos registros
históricos à antropologia.

Visto que, a antropologia é a ciência que estuda o homem em todos os seus âmbitos e
particularidades, atrelar esse conhecimento ao racismo cometido contra os Judeus pode ser a
base que explica as atitudes dos nazistas, as suas particularidades históricas, culturais e sociais
e como estas podem influenciar no comportamento dessas pessoas.

Ampliar o conhecimento da sociedade sobre fatos históricos importantes mundiais e as


praticas discriminatórias racistas, que eliminava os ditos inimigos raciais. A revisão de
literatura inicialmente teve o intuito de alicerçar o conteúdo histórico dando cientificidade ao
conhecimento do senso comum, tentando perceber os vieses dos preconceitos que provocaram
e provocam guardada as devidas e diferentes proporções nos aspectos temporais, e que
continuam desafiando os direitos humanos.
70

UMA VISÃO SOCIAL E ANTROPOLÓGICA DO PRECONCEITO RACIAL

Entende-se por preconceito racial, toda e qualquer forma de juízo pré-concebido que se
manifesta numa atitude discriminatória de determinada etnia baseado em questões como cor
da pele, costumes, crenças, religião e comportamento. Os questionamentos acerca dessa
problemática percorrem na sociedade desde que se entende que a superioridade entre raças
tornou se um problema de cunho social e mundial visto que, eventos históricos como
escravidão, holocausto e até questões atualmente recorrentes como o preconceito contra os
povos islâmicos tem causado graves consequências na história da sociedade.

Dessa forma, é possível verificar que a hostilidade e a rejeição que o preconceito racial
causa não deve ser considerado uma exclusividade da raça negra, apesar de essa ser de grande
relevância na historia e lamentavelmente na atual realidade da sociedade.

Segundo Guimarães (2008), a intuição de que o preconceito racial é o conceito-chave


para compreender as relações sociais entre grupos humanos classificados pela cor da pele, ou
outras questões culturais que cominam na determinação de um povo nas sociedades modernas
é um dos legados teóricos mais polêmicos da sociologia do século XX. Ela aposta na
existência de um conflito social explícito ou sutil estruturante na acumulação, produção e
distribuição de recursos materiais e simbólicos, cujo saldo é as desigualdades raciais.

Partindo desse pressuposto, o presente estudo visa analisar opiniões baseadas no senso
comum dos entrevistados a cerca do tema proposto. Com isso, foi observada que o
preconceito racial não é considerado por parte dos entrevistados uma particularidade da raça
negra e que no Brasil embora seja constatado sua maior prevalência é inegável a existência da
discriminação entre outros povos.

Portanto, vê se que, apesar de a sociedade entender que o preconceito é considerado um


problema que não se restringe a apenas um determinado grupo de indivíduos, o conhecimento
e visão social a cerca deste tema é bastante restrita visto que, a discriminação de modo geral
não é abordada em suas particularidades e sim generalizada em apenas uma raça.

Buscando informações a cerca de fatos históricos que comprovem tal questão, foi
encontrado um baixo nível de entendimento sobre o assunto, e que a escravidão ainda é o
referencial histórico de preconceito racial mais recorrente. Porém, entende-se que vários
71

eventos e conflitos entre sociedades comprovam que o estranhamento a cultura ou etnia do


outro individuo cominaram em eventos de grande relevância para a sociedade.

O preconceito racial contra os judeus durante a Alemanha Nazista pode ser considerado
como exemplo de conflito que baseado no sentido de superioridade de uma raça pura
idealizada, neste caso a raça ariana, determinou uma série de eventos baseados em
descriminação, exploração, e extermínio que ficou conhecido como um dos maiores
genocídios da historia.

De acordo com Gonçalves (2006), as atrocidades cometidas pelos nazistas em nome da


construção da Alemanha exclusivamente para a raça ariana foram tão grandes e tão chocantes
que tiveram como efeito misturar o nazismo e a eugenia e considera-los a mesma coisa.

Para que se entenda melhor sobre o que desencadeou tal evento, é necessário que entenda
quais as causas influenciadoras das praticas preconceituosas dos nazistas contra os judeus.
Entre elas esta as questões biológicas eu classificavam os judeus como uma raça deformada,
ou seja, uma ameaça à raça ariana, outros historiadores acreditam que o preconceito por
motivos econômicos também é preponderante para esse aspecto, pois, os judeus eram
considerados os manipuladores das finanças no mundo.

A exterminação sistemática de pessoas tendo como principal motivação as diferenças de


nacionalidade, raça é contextualizado como genocídio. Esse termo pode se enquadrar quando
fala-se de Nazi-fascismo pois a partir das causas citadas anteriormente, a discriminação
chegou a nível de extermínio de judeus num evento histórico conhecido como holocausto.

A doutrina do racismo afirma que o sangue é o marcador da identidade étnico nacional,


ou seja, dentro um sistema racista o valor só ser humano não é determinado por suas
qualidades e defeitos individuais, mas sim pela sua pertinência a uma nação coletiva.
(Gonçalves, 2006)

As questões biológicas usadas como argumento para o preconceito também foi levantada
para observação baseada no senso comum dos entrevistadores. A cerca dessa temática, em sua
grande maioria os entrevistados entendem que a genética humana é capaz de nos diferenciar,
mas também nos assemelhar a determinado grupo de indivíduos. Porém, as individualidades
dos nossos genes possam por si só são capazes de nos particularizar como seres únicos.
72

Além disso, partindo do pressuposto que questões biológicas genéticas são importantes
na classificação e determinação de uma raça, como pode ser observado como causa para
discriminação Nazifascista, pode-se jugar tal questão que segrega uma determinada raça, visto
que existem outros fatores que podem desencadear uma similaridade num determinado grupo
de indivíduos.

Diante disso, conhecendo um pouco de antropologia e história, observa-se que existem


preconceitos passados que ainda se fazem presentes no mundo até os dias atuais, e que mesmo
quando alguns destes foram superados, logo tantos outros surgem e com eles mais
questionamentos a serem feitos a cerca destes.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Tendo em vista que, o preconceito racial deve ser considerado em todas as suas
particularidades e âmbitos como deplorável a qualquer ser humano, será importante que a
visão e características que causam danos morais, sociais e culturais sejam amplamente
identificadas para que a sociedade se proteja desses ataques.
O resultado da investigação feita nesse presente estudo indicou e apurou que um dos
fatores que denota a discriminação não é uma particularidade de determinado grupo de
indivíduos, mas, de uma gama significativa de influências que colaboram para as
desigualdades. Os dados históricos e antropológicos permitiram analisar a história em si e os
resultados obtidos mostrando que veladamente o preconceito esteve presente, mas, repudiam
praticas de exploração, injúrias e discriminação não somente aos judeus durante a Alemanha
Nazista, mas, a quaisquer seres humanos embora a teoria carregada de distorções traz
desacordo na prática.
Diante das considerações preliminares verificou-se que os resultados obtidos por meio
de questionários pré-elaborados respondidos informalmente por colaboradores, de acordo com
a Resolução CONEP 510/2016, para pesquisa nas Ciências Humanas e Sociais, trouxe um
contexto atual que aponta para a manutenção de práticas desconexas com os direitos
humanos, mesmo que debatidas e repudiadas, com fortes indícios de resguardar antigos
costumes condenáveis e censuráveis.
Além disso, entende-se que as questões biológicas, também, tratadas como causas
influenciadoras das questões levantadas, são consequências da falta de entendimento por parte
73

da população representada por determinados grupos que desconhecem a temática, ou se


abstêm de réplicas, principalmente quando atrelada a questões recorrentes e contumazes não
manifestas, como o racismo. Diante da investigação pressupomos que uma visão
interdisciplinar é necessária, para que haja uma compreensão e conciliação de todos os povos
contra as diferenças e diversidades.

REFERÊNCIAS

NOGUEIRA, O.; Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem. Sugestão de um


quadro e referencia para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil.
Revista de Sociologia da USP. v.19, n.1. Novembro, 2006.

GUIMARÃES, A. S.A.; Racismo e anti-racismo no Brasil. Universidade Federal da Bahia.


Salvador, Bahia. Nov.1995.

MAIO, M.C.; SANTOS.R.V.; Quais são as questões em torno da raça?; Revista Brasileira de
Ciências Sociais. v.26, n.77. Rio de Janeiro, Fiocruz, 2010.p.314.

Racismo uma visão geral. Disponível em: <


https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10005184> Acesso em 12 de Abril
de 2017.

A eugenia de Hitler e o racismo da ciência. Disponível em: <


http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/2598/A-eugenia-de-Hitler-e-o-racismo-da-
ciencia> Acesso em 12 de Abril de 2017

Racismo uma visão geral. Disponível em: < http://holocausto-doc.blogspot.com.br/2013/05/o-


que-e-racismo-uma-visao-geral-ushmm.html> Acesso em 12 de Abril de 2017
74

A DOR NO IDOSO: UMA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA

Rebeca Santos Souza

RESUMO

A pesquisa ora apresentada trata-se de estudo etnográfico a respeito correlação existente entre
antropologia, dor e envelhecimento. A abordagem se justifica em vista da necessidade da
sociedade, e principalmente dos profissionais de saúde, que trabalham diretamente com a dor,
estarem preparadas para lidar com a dor no idoso sobre uma perspectiva interdisciplinar. O
objetivo desse estudo é apurar qual a percepção das pessoas sobre o a dor no idoso, identificar
como as condições econômicas, familiares e culturais afetam na subjetividade da
manifestação da dor, bem como o conhecimento da necessidade de um tratamento
diferenciado do profissional de saúde frente à dor do idoso. O método utilizado foi uma
revisão de literatura sobre o tema abordado e o instrumento de testagem das hipóteses,
baseado em questionários pré-elaborados aplicados na cidade de Jequié-BA. As considerações
preliminares apontam para a necessidade de mudança de percepção social sobre a dor no
idoso, de forma a não restringir a imagem deste apenas como o oposto de jovem e sadio.

Palavra-chave: Idoso. Dor. Sociedade. Saúde.


75

INTRODUÇÃO

A presente pesquisa trata-se de um estudo etnográfico a respeito da correlação


existente entre antropologia, dor e envelhecimento. A dor é algo intrínseco a todo ser humano,
do seu nascimento à sua morte e sua expressão constitui-se como método de comunicação
fundamental para a nossa existência e relação social, pois quando a dor é expressa alerta-se ao
outro que necessitamos de cuidado e/ou atenção.

Ainda que a dor seja pessoal, o seu significado e forma de exteriorização é


estabelecida por códigos determinados pela coletividade. Logo, podemos entender que o
processo de sentir e expressar a dor requer uma percepção abrangente, que não priorize
apenas questões biológicas. À medida que o corpo envelhece ocorre um comprometimento
natural e gradativo das funções biológicas, sendo o idoso a faixa etária em que a dor se faz
mais presente.

A abordagem se justifica em vista da necessidade da sociedade, e principalmente dos


profissionais de saúde, que trabalham diretamente com a dor, estarem preparadas para lidar
com a dor no idoso sobre uma perspectiva interdisciplinar, tendo uma visão holística a
respeito da mesma, reconhecendo a subjetividade de cada pessoa e como os fatores culturais
no qual ele está inserido exerce influência direta sobre isso. A população idosa (indivíduos
com mais de 60 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde) vem aumentando no país,
entre 2005 e 2015, a proporção de idosos de 60 anos ou mais passou de 9,8% para 14,3%, de
acordo com IBGE. Na cidade de Jequié a total da população idosa de acordo com o censo de
2010 é de 12.607 habitantes, correspondendo a 8,3% da população.

Presume-se que existem diferenças na percepção e manifestação da dor de acordo


com a idade. E isso se dá devido a transformações biológicas, socioeconômicas e culturais,
que ocorrem de forma mais perceptível no idoso. Cada cultura, família atribui diferente
significado ao processo de envelhecimento, há, por exemplo, mudanças na posição assumida
pelo idoso no âmbito familiar quando este está debilitado, passando então a ser dependente de
cuidados dos filhos para realizar tarefas rotineiras, fato que causa impacto no cotidiano e na
qualidade de vida do idoso. Isso contribui para a diminuição do bem-estar e surgimento de
doenças como a depressão por conta do desenvolvimento de sentimentos de inutilidade e falta
de sentido na vida.

A dor também pode restringir as interações sociais, causar isolamento. Em virtude das
limitações fisiológicas como dificuldades de locomoção e visão, muitos idosos podem deixam
de frequentar lugares que antes costumavam ir. Condições financeiras também influenciam no
processo da dor, visto que determinam o acesso do idoso a bons serviços de saúde e remédios,
a alimentação adequada, informação, atividades de lazer, dentre outras coisas.

Também é possível pressupor que seja papel do profissional está ciente de todos os
aspectos multifatoriais envolvendo a dor no idoso para que assim seja possível a realização de
atendimento mais humanitário, compreendendo as particularidades em relação aos cuidados
76

nessa faixa etária, dando atenção às limitações fisiológicas, ao estado psicológico, e a todo
contexto social, cultural que circunda o paciente.

O objetivo desse estudo é apurar qual a percepção das pessoas sobre o a dor no idoso,
identificar como as condições econômicas, familiares e culturais afetam na subjetividade da
manifestação da dor, bem como o conhecimento da necessidade de um tratamento
diferenciado do profissional de saúde frente à dor do idoso.

O método utilizado foi uma revisão de literatura (em bases de dados virtuais como
Scielo e Biblioteca Virtual em Saúde) sobre o tema abordado e o instrumento de testagem das
hipóteses, baseado em questionários pré-elaborados aplicados a 10 sujeitos da pesquisa, entre
a faixa etária de 19 a 51 anos, sendo 4 mulheres e 6 homens, profissionais e estudantes de
saúde, jovens e adultos com outras ocupações, na cidade de Jequié-BA.

As considerações preliminares apontam para a necessidade de mudança de percepção


social sobre a dor no idoso, de forma a não restringir a imagem deste apenas como o oposto
de jovem e sadio. É preciso que o idoso sinta-se incluído e valorizado para que desta forma a
experiência da dor seja amenizada. Vale ressaltar a importância de métodos preventivos como
incentivo a práticas exercício físico, a alimentação saudável, ao lazer e ao acesso a bons
serviços de saúde, onde os profissionais estejam devidamente preparados para realizar o
atendimento humanitário.

A pesquisa possui natureza qualitativa. O método utilizado foi uma revisão de


literatura sobre o tema abordado por meio de consultas a fontes bibliográficas digitais (base
de dados Scielo, Biblioteca Virtual em Saúde), a fim selecionar e fazer uma reflexão sobre as
principais ideias a respeito da relação entre a antropologia, envelhecimento e dor discutidas
por diferentes autores. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um questionário pré-
elaborado aplicado a 10 sujeitos da pesquisa, na faixa etária de 19 a 51 anos, dos quais 6 era
do sexo masculino e 4 do feminino. O local onde ocorreram as entrevistas foi a cidade de
Jequié, situada no sudoeste da Bahia, nos bairros do São Judas Tadeu e Jequiezinho, no
período de 17 a 26 de abril, no ano de 2017. O questionário elaborado apresentava 6
perguntas subjetivas referentes aos pressupostos e objetivos levantados. Todos os
participantes foram devidamente esclarecidos do que se tratava o estudo e concordaram em
participar com a garantia de sigilo em relação a sua imagem.

A DOR NO IDOSO E SEUS ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS

De acordo com a Associação Internacional de Estudos da Dor (IASP), a dor pode ser
definida como uma experiência desagradável, sensitiva e emocional, associada ou não ao
dano real ou potencial de lesões dos tecidos e está relacionada com a memória individual,
com as expectativas e as emoções de cada pessoa, sendo, portanto, subjetiva. É um
componente intrínseco a todo ser humano em todas as faixas etárias.
77

Porém, devido ao natural processo de perda de funcionalidade no organismo, a fase da


velhice é associada ao aparecimento de dores e limitações fisiológicas. Mas, é importante
destacar que, apesar do fator biológico ser determinante, existem outros tão significativos
quanto este que influenciam no processo da dor como condições socioeconômicas, culturais,
família, psicológico. Um idoso com uma boa base familiar, estável financeiramente,
possivelmente terá uma melhor qualidade de vida, com acesso a informações e a serviços de
saúde de qualidade, permitindo dessa forma que o mesmo envelheça com qualidade e o
aparecimento da dor seja visto sobre uma perspectiva mais positiva.

O indivíduo pode ser considerado idoso, segundo a organização mundial da saúde


(OMS) a partir dos 60 anos em países subdesenvolvidos e 65 em países desenvolvidos. Dias
(2007) relata o processo de envelhecimento de forma mais abrangente, como algo
multifatorial e subjetivo. Desta forma, ser idoso está além de simplesmente ter 60 anos.
Devem-se englobar questões como condição biológica decorrente da idade; condições sociais
que variam de acordo com o momento histórico e cultural; condições econômicas marcadas
pela aposentadoria; intelectuais quando ocorre falha nas faculdades cognitivas (problemas de
memória, concentração) e funcionais no momento que o há uma dependência da ajuda outro
para realização de atividades cotidianas.

O presente estudo visa apurar as opiniões dos participantes entrevistados sobre o tema
pesquisado a fim de conhecer qual a perspectiva da população Jequieense sobre o dor no
idoso, bem como todos os aspectos envolvidos nesse processo e a importância de uma postura
adequada do profissional de saúde frente a isso. A taxa de idosos na população brasileira
aumenta gradativamente, não sendo diferente na cidade de Jequié, portanto é fundamental que
a sociedade, incluindo os profissionais de saúde, esteja preparada para isso. O advento da dor
acaba sendo inevitável nesta faixa etária, assim, é necessário e papel do governo e da
sociedade oferecer ao idoso condições dignas de vida para que este possa envelhecer com
qualidade.

Como base nas discussões feitas neste estudo, os relatos sob o ponto de vista de
profissionais e estudantes de saúde, adultos e jovens do bairro São Judas Tadeu e Jequiezinho,
em Jequié-BA, que colaboraram significativamente para a testagem dos pressupostos
levantados, corroborando-os, juntamente com conhecimento de autores que já abordaram o
tema pesquisado. Assim, pretendemos fazer uma correlação entre o senso comum com que já
foi exposto na literatura.

Todos os participantes quando questionados sobre a mudança na percepção e


manifestação da dor de acordo com a idade responderam de forma semelhante, associando a
dor ao envelhecimento, o que denota a existência de um estereótipo em relação ao idoso como
um cidadão debilitado e dependente. Tal preconceito pode acarretar problemas como, por
exemplo, falta da atenção à dor no idoso, o que leva muitas vezes ao tratamento tardio.
Conforme Gomes e Teixeira (2007), os idosos podem resistem em manifestar a sua dor por
receio de parecerem doentes e por relacionarem a dor com o avanço da doença e/ou
aproximação da morte. Além disso, os idosos podem omitir sintomas por acreditarem que
façam parte do envelhecimento normal.
78

Todos os colaboradores relacionam a dor também ao envelhecimento do corpo. Os


entrevistados 3 (22 anos),4 (20 anos) e 7(20 anos) foram mais específicos e citaram a redução
do metabolismo como causa. Confirmando o que foi levantado, Gomes e Teixeira (2007)
relatam que o processo de envelhecimento ou senescência se caracteriza por diminuição
gradual da reserva funcional do organismo, fato que compromete a capacidade do corpo de se
adaptar a modificações internas ou externas. O organismo se torna, portanto, mais sensível a
sobrecargas funcionais.

Sobre o papel e conduta do profissional de saúde no atendimento ao idoso, a


entrevistada 6 (19 anos) respondeu que profissional de saúde precisa antes de tudo ter
consciência do tratamento humanitário independentemente da idade do paciente, se atentando
ainda mais se esse paciente for idoso. Segundo o entrevistado 7 (20 anos), o profissional de
saúde deve tratar o idoso respeitando todas suas limitações. De acordo com Piccini et al
(2006) o cuidado dos idosos implica ofertar serviços cuja estrutura apresente características
que possibilitem o acesso e o acolhimento de maneira adequada, respeitando suas dificuldades
funcionais do corpo. Essas limitações geralmente são de audição, locomoção, visão, fala,
entre outras e variam de acordo com o idoso. Sendo assim, é fundamental um atendimento
individualizado que não veja o paciente apenas como um corpo ou uma doença e que seja
capaz de identificar além das manifestações não verbais, observando sinais de desconforto,
dor, angústia, ansiedade, segundo Machado e Brêtas (2006).

A respeito do impacto da dor no cotidiano os entrevistados responderam que esta


causa sentimentos de inutilidade, visto que o idoso pode ficar incapacitado de realizar suas
atividades do dia-a-dia sozinho. Afeta seu psicológico fazendo com que o idoso se sinta
agoniado, estressado, com bem-estar diminuído, segundo a entrevistada 1 (47 anos). Segundo
Gomes e Teixeira (2007) a dor persistente compromete a qualidade de vida do idoso ao causar
ou acentuar as anormalidades do sono e do apetite, a depressão, as restrições para a execução
nas atividades de vida diária e imobilidade. Seguindo este pensamento Leite (2006) afirma
que na população envelhecida, a depressão encontra-se entre as doenças crônicas mais
frequentes que aumentam a probabilidade de desenvolvimento de incapacidade funcional,
provocando um importante problema, na medida em que inclui tanto a incapacidade
individual como problemas familiares em decorrência da doença. Ainda somam-se a isso aos
custos financeiros, à taxa de utilização de serviços de saúde e à diminuição da qualidade de
vida.

A entrevistada 1 (47 anos) quando questionada sobre a visão da sociedade e do idoso


sobre ele mesmo respondeu que enxergava idoso como frágil, mais carente de atenção e
carinho, mas que tinha gente que maltratava, não tem respeito, tem preconceito, acha que é
incapaz. Só que o idoso possui sua experiência e sabedoria. Sobre como ele se enxerga a
entrevistada respondeu que o idoso doente se acha como um fardo e que era humilhante ser
dependente dos outros. Quando questionada sobre a influência dos fatores socioeconômicos,
familiares e psicológico a entrevistada 1 opinou que estes fatores influenciam de todas as
formas, depende do meio em que o idoso vive, se tem condições de frequentar um médico,
academia, fisioterapia, ter uma boa alimentação. O entrevistado 3 (22 anos) respondeu que o
79

idoso que tem um acompanhamento/apoio (financeiro, família, governo) com certeza terá
maior qualidade de vida comparado aquele que não tem nenhum aparato.

Segundo Mendes (2007), as tensões psicológicas e sociais podem intensificar as


deteriorações associadas ao processo de envelhecimento. Essas questões influenciam
diretamente na capacidade adaptação às mudanças ocorridas nessa época. A habilidade
pessoal de se envolver, de encontrar significado para viver, provavelmente interfere nas
transformações biológicas e de saúde que ocorrem no tempo da velhice. Muitas vezes a
família tem dificuldades em aceitar e entender o envelhecimento de um ente, não dando a
devida atenção ou superprotegendo o idoso debilitado, realizando atividades que ele
conseguiria fazer. Portanto, uma família harmoniosa e equilibrada é essencial para qualidade
vida do idoso. Além disso, as interações sociais devem ser estimuladas a fim de evitar o
isolamento do idoso debilitado para que este se sinta incluído e útil, amenizando o processo
da dor.

Dentro dos aspectos psicológicos e sociais, a percepção da própria imagem pelo idoso
também é um ponto que necessita de uma visão crítica. De acordo com Mendes (2007), a
imposição de padrões estéticos de produtividade e de socialização aponta para a exclusão do
idoso. Tal fato contribui para a falta se aceitação do próprio corpo, o que pode causar
transtornos psíquicos, como a obsessão por cirurgias plásticas. O que reforça que o processo
da dor está além simplesmente da deficiência fisiológica e que existe uma relação bidirecional
entre fatores biológicos e sociais/ psicológicos, ou seja, pode ser tanto causa como
consequência da dor.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

As considerações preliminares apontam que a saúde do idoso é um desafio para


sociedade e requer um preparo que vai desde a família até o profissional de saúde, englobando
diversos pontos como economia e cultura. A dor é um processo natural, mas uma baixa
qualidade de vida falta de acesso a serviços de saúde, a boa alimentação, e lazer, preconceito,
abandono familiar podem agravá-la e ainda provocar o surgimento de problemas psicológicos
como a depressão e falta de aceitação da própria imagem. Portanto, é de extrema relevância
que sejam oferecidos meios pelo governo, sociedade e família para que o idoso possa ter uma
vida digna, estar envolvido em atividades ou ocupações que lhe proporcionem prazer e
felicidade, reconhecendo suas limitações, mas não restringindo a imagem do idoso apenas a
dor. Isso também inclui a realização de métodos preventivos como incentivo a práticas de
exercício físico, a alimentação saudável, ao lazer e ao acesso a bons serviços de saúde, onde
os profissionais estejam devidamente preparados para realizar o atendimento humanitário. É
preciso que a sociedade mude a concepção de idoso relacionado este com o oposto de jovem,
forte, belo e produtivo. Deve-se destacar a importância de envelhecer com qualidade e
valorização do cidadão nessa fase, ressaltando sua experiência, sabedoria acumulada e o
quanto este cidadão tem a contribuir socialmente.
80

REFERÊNCIAS

DIAS, A.M; UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI. O processo de envelhecimento


humano e a saúde do idoso nas práticas curriculares do curso de fisioterapia da UNIVALI
campus Itajaí: um estudo de caso. 2007. 189 f. Dissertação de Mestrado – Universidade do
Vale do Itajai, 2007.

GOMES, João Carlos Pereira; TEIXEIRA, Manoel Jacobsen. Dor no idoso. RBM Rev. Bras.
Med, v. 63, n. 11, p. 45-54, 2007.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Censo 2010.

LEITE, Valéria Moura Moreira et al. Depressäo e envelhecimento: estudo nos participantes
do programa universidade aberta à terceira idade. Rev. bras. saúde matern. infant, p. 31-38,
2006.

MACHADO, Ana Carolina Araújo; BRÊTAS, Ana Cristina Passarella. Comunicação não-
verbal de idosos frente ao processo de dor. Revista Brasileira de Enfermagem, 2006.

MENDES, MRSSB et al. A situação social do idoso no Brasil: uma breve consideração. Acta
paul enferm, v. 18, n. 4, p. 422-6, 2005.

PICCINI, Roberto Xavier et al. Necessidades de saúde comuns aos idosos: efetividade na
oferta e utilização em atenção básica à saúde. Ciênc saúde coletiva, v. 11, n. 3, p. 657-67,
2006.
81

PERSPECTIVAS SOBRE O SUICÍDIO ASSISTIDO E A EUTANÁSIA: VISÕES E


VERSÕES.

Bianca Santiago Menezes, Jhenifer Bispo Soares

RESUMO

A eutanásia é definida como um procedimento médico com a intenção de matar uma pessoa
pela administração de drogas devido a um pedido voluntário e competente da mesma.
Suicídio assistido é um procedimento médico feito intencionalmente para ajudar uma pessoa a
cometer suicídio subsidiado por drogas para autoadministração devido a um pedido voluntário
e competente. O objetivo do estudo é verificar as diferentes visões e versões disponíveis na
literatura, assim, como evidenciar os posicionamentos em torno do direito individual de
intervenção nos limites da vida. Tecendo considerações acerca das dificuldades de
demarcação dos limites da vida na sociedade ocidental contemporânea, regida tanto pela
liberdade religiosa quanto pela autonomia individual, serão evidenciados os aspectos e
interpretações médicas sobre o fim da vida, a influência da religião e suas crenças, aspectos
políticos, culturais e locais, além das interpretações e práticas legais específicas que provocam
controvérsias e discussões sobre o tema.

Palavras-chave: Suicídio assistido, eutanásia, morte assistida, limite da vida.


82

INTRODUÇÃO

Esta pesquisa reflete a polêmica acerca da determinação dos limites da vida a partir
do pressuposto que envolve questões culturais, sociais, religiosas e políticas referentes à
gestão da pessoa e das fronteiras entre vida e morte. Debates acerca da eutanásia e do suicídio
assistido evidenciam concepções morais sobre os direitos individuais que, por sua vez, são
passíveis de normatização em cada contexto.

Esse trabalho tem como objetivo geral verificar as diferentes visões e versões
disponíveis na literatura e evidencia os posicionamentos em torno do direito individual de
intervenção nos limites da vida, tecendo considerações à cerca das dificuldades de
demarcação dos limites da vida na sociedade ocidental contemporânea.

Os objetivos específicos consistem em informar a respeito da legislação de países


que autorizam a eutanásia e o suicídio assistido em contrapartida com a legislação brasileira,
disseminar informações sobre a ética e a moral de acordo com as leis que regem o país e
esclarecer sobre o direito a vida e a humanidade conforme a visão regida pela liberdade
religiosa quanto pela autonomia individual.

A escolha destes temas pareceu serem merecedores de atenção devido a polêmica que
vem se instaurando nas temáticas e nos pressupostos de aceitação à morte, a tensão dos
valores laicos e religiosos condizentes produzidos no livro ―Como eu era antes de você‖ da
autora Jojo Moyes, e do polêmico caso de Vicent Humbert.
A relevância se justifica e é decorrente do clamor da temática, tendo em vista que a
uma discussão científica e livre do ruído dos controvertíveis absolutos moralistas, é saudável
para um diálogo respeitoso e cidadão.

SUICÍDIO ASSISTIDO E EUTANÁSIA

Diante dos conflitos existentes sobre o direito à vida e a indisponibilidade do corpo


sob quaisquer razões, o direito jurídico brasileiro apregoa o direito ao corpo e a vida
independentes do seu estado físico e psíquico, e excepcionalmente permite em algumas
disposições legais de a pessoa dispor de seu corpo.

Para tal análise comparamos interpretações, conceitos e tratadistas de outros países,


cujas considerações sobre o direito à vida e não um direito sobre a vida, possam estabelecer
83

mesmo sob consentimento ou legalização os aspectos que concernem às peculiaridades e


ponderações que dispõem sobre o intacto direito legal previsto no Código Civil Brasileiro.

Suicídio assistido consiste em auxiliar pessoas que não conseguem sozinhos


concretizar o ato. O auxilio pode consistir em prescrever doses letais de medicamentos, ajudar
no processo de ingestão ou vias venosas e também pelo apoio e encorajamento do ato suicida.

Suicídio assistido é um procedimento médico feito intencionalmente para ajudar uma


pessoa a cometer suicídio subsidiado por drogas para autoadministração devido a um pedido
voluntário e competente da mesma (MATERSTVEDT et al., 2003). Como disse o filósofo
Nietzsche: ―é vegetar num estado de vil dependência dos médicos e de tratamentos especiais,
uma vez que o significado à vida se perdeu.‖ (SANTOS 2011). Nietzsche, ao fazer esta
declaração, afirma o direito da pessoa doente de ter uma boa morte. Se já não existe
possibilidade de melhoras, não há necessidade de se ficar dependente de tratamentos
supérfluos, que trazem sofrimento tanto ao doente como àqueles que cuidam deste. Deveria,
assim sendo, existir direito de escolha.

Em conformidade com Pitágoras, no século VI a.C., fundamenta que ―somos os bens


de Deus, e que sem a sua ordem não temos o direito de efetuar a fuga.‖ Platão também
repugnou o suicídio assistido, pois‖ o homem é um soldado de Deus e tem de permanecer no
seu porto até que ele o chame.‖. ―A morte é a indelével certeza da condição humana, embora
quase sempre recalcada, constituindo intrínseca peculiaridade do Homo sapiens, o único
vivente que tem a consciência da sua própria finitude‖ (BATISTA E SCHRAMM, 2004 apud
FREUD, 1974). Para este filósofo, a morte só se devia aceitar quando ela chegasse não se
devia antecipar. No entanto, aceitava exceções, quando determinado pelas autoridades,
estabelecidas por uma infelicidade extrema ou pela desonra pessoal. Aristóteles recusou o
suicídio com base nos fundamentos cívicos de que o homem tem um dever para com o
Estado, no entanto aceitava em caso de doença terminal.

Eutanásia é um procedimento médico nos países em que está legalizada. É crime


naqueles em que ainda é procedimento ilegal. De qualquer forma para que se considere como
eutanásia é preciso haver um pedido do paciente, atestando-se sofrimento intenso, sem
possibilidade de alívio. Há um protocolo a ser seguido em que pacientes pedem e se confirma
o seu pedido várias vezes, médicos atestam e assim o ato da eutanásia é executado.

Segundo Matersvedt et al, (2003), declara que a eutanásia é ―matar a pedido‖, sendo
definida como um procedimento médico com a intenção de matar uma pessoa pela
84

administração de drogas devido a um pedido voluntário e competente da mesma. Os pais


argumentavam que enquanto o bebê fosse capaz de respirar sem o auxílio de medidas
invasivas, ele seria capaz de lutar pela vida: ―(...) a partir do momento em que ele precisar
daquela máquina para poder respirar é porque ele não vai mais conseguir respirar (...). É
porque ele não deveria estar vivo. É porque não é para ele estar mais vivo (...)‖ (DINIZ,
2006). Ao contrário do debate tradicional sobre o direito de morrer, em que se apela para a
autonomia e o livre arbítrio individual para justificar o exercício do direito de deliberar sobre
a vida, neste caso não havia como conhecer a opinião do bebê. E jamais seria possível
conhecê-la. Na melhor das hipóteses, a respiração artificial lhe daria alguns anos de
sobrevida, confinado a um leito de hospital ou aos cuidados domésticos intensivos e sem
qualquer independência física ou locomotora. Diante da total impossibilidade de se conhecer a
opinião do bebê, seus pais eram os representantes legítimos de sua vontade. E o foram, não
por uma concessão do Estado que reconhece o pátrio poder, mas por uma demonstração
irrefutável do incondicional cuidado dos pais ao bebê.

Conforme Santos (2011) apud Vilanova y Morales define a eutanásia, como ―a morte
doce e tranquila, sem dores físicas nem torturas morais que pode sobrevir de modo natural nas
idades mais avançadas da vida, surgindo de modo sobrenatural como graça divina‖. Sugerida
por uma exaltação das virtudes estoicas ou ser causada artificialmente, já por motivos
eugénicos, ou com fins terapêuticos, para extinguir ou reduzir uma inevitável, larga e dolorosa
agonia, mas sempre com prévio consentimento do paciente ou previa regulamentação legal. A
dor e o sofrimento são desafios sempre presentes e o oferecimento de terapêuticas de alívio se
torna um imperativo ético.

Para tanto, se faz necessário disponibilizar para os pacientes em fase final todos os
meios de alívio e controle de sintomas angustiantes, reconhecer que o cuidado do paciente e o
alívio de seu sofrimento não são meramente uma questão médica, que o cuidado oferecido
visa ao bem-estar físico, mental e espiritual. (PESSINI, 2010).

A eutanásia e o suicídio assistido no Brasil é crime, trata-se de homicídio doloso que,


em face da motivação do agente, poderia ser alçado à condição de privilegiado, apenas com a
redução da pena. Laborou com acerto o legislador penal brasileiro, não facultando a
possibilidade da eutanásia. De acordo com o art. 121, § 1º do Código Penal Brasileiro em
vigor diz: Se o agente comete crime impedido por motivo de relevante valor social ou moral,
ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vitima, o juiz
pode reduzir a pena de um sexto a um terço. Ocorre, todavia, que na prática a situação é bem
85

diferente, pois envolve além do aspecto legal, o aspecto médico, sociológico, religioso,
antropológico (BRASILEIRO 2005).

Equipara-se ao homicídio, sem dar ouvidos às inovações ocorridas no estrangeiro. Os


códigos soviético (1922), peruano (1942) e uruguaio (1933), por exemplo, sobre o assunto,
apresentaram, respectivamente, isenção de pena ao homicídio por compaixão cometido a
pedido da vítima; impunidade ao auxiliador que agiu por compaixão e perdão judicial. O
primeiro eco, no Brasil, ouviu-se no Anteprojeto da Parte Especial do CP, cujo artigo 121,
parágrafo terceiro. Se o homicídio é culposo: pena – reclusão de um a três anos
(BRASILEIRO 2005).

As diversas legislações estrangeiras tem se ocupado, com bastante frequência, do


tema da eutanásia e suicídio assistido em seus respectivos códigos.

Desta maneira, vemos que a prática é vista como uma forma de homicídio
privilegiado pela maioria dos povos latinos (Colômbia, Cuba, Bolívia, Costa Rica, Uruguai), e
até como uma ausência de delito em outros, exceto por motivo egoístico (Peru), embora
alguns adotem ainda uma postura extremamente conservadora, entre eles, a Argentina e o
Brasil, que não excluem o delito de figurar entre os tipos de homicídio, em suas diversas
formas (ALVES, 2001).

No caso particular do vizinho Uruguai, o código elaborado por Irureta-Goyena e


recentemente aprovado, estabelece o perdão judicial nos seguintes termos do seu artigo 37:
"Os juízes tem a faculdade de exonerar do castigo ao indivíduo de antecedentes honestos,
autor de um homicídio efetuado por móveis de piedade, mediante súplicas reiteradas da
vítima.‖ Por outro lado, as legislações europeias são muito mais benevolentes, ora isentando
de qualquer pena (Rússia, Código Criminal de 1922), ora cominando penas atenuadas, como
na Inglaterra, Holanda, Suíça, Áustria, Noruega, República Checa e Itália, ainda que alguns
outros não a admitam formalmente (Grécia, França, Espanha e Bélgica). (ALVES, 2001).

Em Portugal, há limitação da pena de seis meses a três anos, quando houver pedido
do paciente (Código Penal Português, Artigo 134) e, de um a cinco anos, quando movido por
compaixão, emoção violenta, desespero ou outro valor relevante social ou moral (Artigo 133)
(ALVES, 2001).

Nos Estados Unidos, a questão vinha sendo deixada ao livre arbítrio das legislações
estaduais, o que foi revisto por recente decisão da Corte Suprema norte americana que
86

estabeleceu ser a matéria de competência legislativa privativa da União. No Canadá


francófono, a lei 145 introduziu, em 1990, a figura do curador público designado livremente
por qualquer cidadão, e que dispõe de poderes executáveis ainda em vida (ao contrário do
testamento), devendo ser ratificado perante o registro público e homologado judicialmente, o
qual se torna possuidor de um mandado para agir em determinadas circunstâncias e dentro dos
limites propostos pela concedente (ALVES, 2001).

Não há legislação específica sobre a eutanásia ativa na Suíça, mas o artigo 114.º/1 do
Código Penal suíço, sob a epígrafe de ―homicídio a pedido da vítima‖, pune com pena de
prisão até três anos ou multa quem, por motivos atendíveis, designadamente compaixão pela
vítima, provoque a morte de outra pessoa, a seu pedido genuíno e insistente. Para, além disso,
é admitida a prática quer da eutanásia passiva, através da interrupção dos tratamentos, quer da
eutanásia indireta, em que a morte não é diretamente visada, mas aceite como consequência
indireta da administração de morfina. Em pena de prisão até cinco anos ou multa incorre nos
termos do artigo 115.º/1 do mesmo Código, com a epígrafe de ―incitamento e assistência ao
suicídio‖, quem, por motivos egoístas, incitar ou ajudar alguém a cometer ou tentar cometer
suicídio, desde que este haja sido consumado ou tentado (PINTO, 2016).

No Brasil o suicídio assistido e a eutanásia são poucos conhecidos pela população,


pela falta de interesse sobre o assunto, pela falta de informação, ou também por pertencer a
uma das quatro maiores religiões existente no Brasil e no mundo (Cristianismo, Budismo,
Islamismo e Judaísmo), e tudo pode ser explicado porque nunca tiveram nenhum ente querido
acometido por uma doença incurável ou degenerativa, que por algum tempo, viesse a solicitar
que o auxiliasse a morrer, para não mais sofrer (SANTOS 1998).

Os temas da eutanásia e do suicídio clinicamente assistido, assim como outros


ligados ao direito a uma morte digna, estão no cerne das discussões sobre bioética, direitos
humanos, e direitos legais propriamente ditos. A terminalidade da vida humana sempre
suscitou questões difíceis na teoria e na prática, como por exemplo, se a eutanásia é aceitável
ou não moralmente, o que diz exatamente a lei e o direito em lugares democráticos, o que os
profissionais de saúde podem fazer. O debate nos países estudados gira, histórica e
inicialmente, em torno da inalienabilidade do direito à vida (SANTOS 1998).

Portanto, o trabalho apresentado é uma revisão narrativa de literatura, que buscará


dados que contemple os objetivos. ―As revisões narrativas não informam as fontes de
informação utilizadas, a metodologia para busca das referências, nem os critérios utilizados na
87

avaliação e seleção dos trabalhos. Constituem, basicamente, de análise da literatura publicada


em livros, artigos de revista impressas e/ou eletrônicas na interpretação e análise crítica
pessoal do autor‖ (ROTHER, 2007).
A pesquisa será realizada através da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) que é uma
indexadora de bases de dados, PubMed e Scielo, nos idiomas português e inglês. O período
de realização do trabalho é entre os meses de Março e Maio de 2017. Para contemplar os
objetivos, os descritores para a pesquisa serão as palavras ―suicídio assistido‖, ―eutanásia‖,
―limite da vida‖, ―morte assistida‖, ―assisted suicide‖, ‖euthanasia‖, ―Life limit‖, ―assisted
death‖.
Serão incluídos os artigos nos idiomas citados, que foram publicados em qualquer
período de tempo, que contemplem o objetivo do estudo. Assim serão excluídos os artigos
que não contemplem os objetivos e fujam da temática pesquisada. Serão consideradas as
revisões de literatura, integrativa, sistemática entre outras.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Apesar dos princípios do direito internacional no campo dos direitos humanos e da


declaração universal sobre bioética permitirem pensar sobre as práticas da eutanásia e do
suicídio assistido, o mundo está longe de alcançar um consenso sobre o tema. Estes princípios
são ainda muito abstratos e gerais. Os aspectos e interpretações médicas sobre o fim da vida, a
influência da religião e suas crenças, aspectos políticos, culturais e locais, e as interpretações e
práticas legais específicas colocam dificuldades para se alcançar alguma harmonia e
unanimidade sobre o tema. Assim, cada país legisla de forma particular sobre o tema, ainda
que com apoio, no caso dos lugares que permitem a eutanásia ou o suicídio assistido, nos
princípios da beneficência, do respeito à autonomia e da dignidade humana.
88

REFERÊNCIAS

ALVES, L. da S. Eutanásia e Suicídio Assistido. Revista Consulex, São Paulo-SP, maio


2001.

BRASILEIRO, Código Civil, Editora Rideel, 2ª edição, 2005.

BRASILEIRO, Código Penal, Editora Rideel, 2ª edição, 2005.

DINIZ, D. Quando a morte é um ato de cuidado: obstinação terapêutica em crianças. Cad.


Saúde Pública [online]. 2006, vol.22, n.8, pp.1741-1748. ISSN 1678-4464.
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2006000800023.
Materstvedt LJ (2003) Palliative care on the ―slippery slope‖ towards euthanasia? Palliative
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NORONHA, Edgard Magalhães. Direito Penal. Vol. II. São Paulo: Editora Saraiva, 1994.

PINTO, J. M. Eutanásia e suicídio assistido: legislação comparada. Assembleia da república.


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enfermagem, São Paulo , v. 20, n. 2, p. v-vi, June 2007.
SANTOS, Maria Celeste Cordeiro Leite dos. O equilíbrio do pêndulo: a bioética e a lei,
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2011.

SIQUEIRA-BATISTA, Rodrigo and SCHRAMM, Fermin Roland. Eutanásia: pelas veredas


da morte e da autonomia. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2004, vol.9, n.1, pp.31-41. ISSN
1413-8123. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232004000100004.
89

A PREVALÊNCIA DE LOMBALGIA EM POLICIAIS MILITARES DA CIDADE DE


JEQUIÉ- BAHIA
LIDIANA MATOS BARBOSA

RESUMO

A dor lombar crônica é uma queixa comum em casos de afecções musculoesqueléticas, causa
diversos transtornos para a qualidade de vida e atividades exercidas pelos policiais militares.
Na atividade policial militar alguns profissionais exercem sua função de forma que pode
impactar em sua saúde. Alguns exercem funções internas administrativas, outros exercem
atividade externa atuando no policiamento ostensivo permanecendo por muitas horas em pé,
dirigindo e adotando posturas inadequadas em viaturas por tempo prolongado sem descansos,
que associados às condições do trabalho, podem sobrecarregar a coluna. O objetivo
específico é identificar as possíveis causas desencadeantes das dores lombares sofridas pelos
policiais militares da cidade de Jequié-Ba, e observar a frequência com que ocorrem as dores,
e as co-morbidades associadas. A metodologia utilizada inicialmente requereu revisões de
literatura e pesquisas bibliográficas em fontes primárias e secundária que subsidiaram a
elaboração de questionários com perguntas a serem respondidas subjetivamente, a fim de
compararmos o teórico metodológico e assim transforma-las em científicas. A amostra
composta por dez sujeitos da pesquisa, policiais militares lotados na 1ª CIA do 19º Batalhão
da Polícia Militar da cidade de Jequié-BA, resultaram em questionamentos e respostas que
alcançaram o propósito de identificar as hipóteses levantadas, como as causas comuns
associadas às dores lombares dos policiais militares, contribuindo destarte para que haja a
disseminação do conhecimento, que por certo alcançarão estudos aprofundados que mostrarão
a necessidade de atentar para os fatores que provocam o afastamento dos profissionais por
causa das dores.

Palavras-chave: Dor lombar. Polícia Militar. Prevalência.


90

INTRODUÇÃO

A dor lombar crônica é uma queixa comum nos casos de afecções músculo
esqueléticas e podem estar localizada ou difusa, que decorrem de comprometimento nas
estruturas articulares, tendíneas, ósseas, músculos e fáscias, provocando condições agudas e
crônicas da enfermidade.

Na atividade da polícia militar alguns indivíduos exercem sua função de forma que
pode impactar em sua saúde. Alguns exercem funções internas administrativas, outros
exercem atividade externa atuando no policiamento ostensivo permanecendo por muitas horas
em pé, dirigindo e adotando posturas inadequadas em viaturas por tempo prolongado sem
descansos, que associados às condições do trabalho, podem sobrecarregar a coluna.

A dor crônica é um problema de saúde pública, devido à sua alta prevalência, alto
custo e impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares. Dentre as
causas mais prevalentes de dor crônica encontram-se as lombalgias. As lombalgias são
caracterizadas como quadros dolorosos nas regiões lombares inferiores, lombossacrais ou
sacroilíacas da coluna vertebral. Condições sociais, emocionais, ambientais, genéticos
também podem levar à dor lombar ou agravar as queixas resultantes de outras causas
orgânicas preexistentes.

As lombalgias afetam em torno de 80 % dos da população geral em algum momento


de suas vidas, sendo que sua prevalência aumenta com a idade, atingindo um pico durante a
sexta década de vida. O objetivo deste estudo foi entender as possíveis causas desencadeantes
das dores lombares que tanto afeta a qualidade de vida e o rendimento dos policias militares
em suas atividades profissionais, bem como analisar em suas respostas a frequência com que
essas dores ocorrem e as co-morbidades associadas.

As hipóteses que orientaram a pesquisa comparativa foram corroboradas, pois foi


analisado que a longa jornada de trabalho, o uso contínuo de equipamentos pesados como
colete balístico, cinto de guarnição, armamento; em eventos fazem uso de capacete, bastão e
escudo, também posturas inadequadas como ficar por horas sem descanso na posição em pé e
dirigir viaturas por tempo prolongado com acentos das viaturas ergonomicamente incorretos,
podem sobrecarregar a região lombar e desencadear dores lombares agudas e crônicas. A
pesquisa foi realizada com o propósito de identificar as causas mais comumente associadas às
91

dores lombares dos policiais militares da cidade de Jequié-BA e poder contribuir


disseminando esta pesquisa associada com outros estudos mais aprofundados com o intuito
de alcançar autoridades competentes para que essa realidade possa ser corrigida. A
metodologia utilizada para dar seguimento ao estudo foi questionários com perguntas
dissertativas, artigos de revisão sistemática pesquisados nas bases de dados Scientific
Electronic Library Online (SciELO) e revistas de saúde. Foi adotado uma amostra aleatória
simples composta por 10 policiais militares, lotados na 1ª CIA do 19º Batalhão localizado na
cidade de Jequié-BA.

O QUE É A LOMBALGIA?

A lombalgia é uma importante causa de sofrimento que poderá levar o indivíduo à


incapacitação, diminuição da qualidade de vida, dependência de medicamentos, isolamento
social, dificuldades no trabalho e alterações emocionais. Além de limitar as atividades
laborais e de lazer e reduzir a capacidade funcional. E, ainda, pode levar à irritação, atrapalhar
o sono, diminuir o apetite e ocasionar graves consequências fisiológicas, psicológicas e
sociais. Essa dor é um problema musculoesquelético com alta prevalência e alto custo nas
sociedades economicamente avançadas da atualidade. Pode levar à incapacidade ao longo do
tempo, ao absenteísmo no trabalho e ao uso frequente dos serviços de saúde (Hortense et al,
2013.)

As modificações corporais que acompanham os indivíduos com o passar dos anos e a


ocorrência de doenças crônicas acarretam um desgaste nos componentes de sustentação da
coluna, alterando a anatomia e a fisiologia, levando, consequentemente, a morbidades
variadas e à possibilidade de ocorrência de dor nas costas. Ela é causada por doenças
inflamatórias, degenerativas, neoplásicas, defeitos congênitos, debilidade muscular,
predisposição reumática, sinais de degeneração da coluna ou dos discos intervertebrais (Hallal
et al, 2011).

Dos 10 entrevistados 08 relataram sintomas de desconforto na região lombar


descrevendo-as como intensas, localizadas e irradiadas para o membro inferior promovendo
uma incapacitação a curto prazo, mas que algumas vezes a longo prazo desencadeia dor,
contraturas, instabilidade local, compensações musculares para alívio das dores nesta região.
92

Costa et al, diz que a dor lombar a um conjunto de causas, como, por exemplo, fatores
sociodemográficos (idade, sexo, renda e escolaridade), estado de saúde, estilo de vida ou
comportamento (tabagismo, alimentação e sedentarismo) e ocupação (trabalho físico pesado,
movimentos repetitivos). A lombalgia é uma condição que pode atingir até 84% das pessoas
em algum momento da vida, apresentando uma prevalência pontual de aproximadamente
11,9% na população mundial.

Existem diferentes fatores desencadeantes da lombalgia. Contudo, a questão postural


está entre os principais fatores de risco. Hábitos incorretos de postura ao deitar, sentar ou
realizar qualquer atividade do dia a dia, no trabalho e lazer podem acarretar em malefícios à
coluna. Mas outros fatores também podem ser apontados como causas para o
desenvolvimento da lombalgia. É o caso de inflamações/infecções; hérnias de disco, artrose
ou escorregamento de vértebra; sedentarismo; obesidade; fatores genéticos; envelhecimento e
até questões emocionais( Oliveira et al. 2008)

A lombalgia pode levar a incapacitância por se tratar de estruturas que são


sobrecarregadas com maior frequência devido ser o centro de gravidade do corpo humano
podendo levar a um processo inflamatório e/ou uma degeneração das vértebras e discos
intervertebrais causando prejuízos para o rendimento profissional e qualidade de vida dos
policiais militares.

As dores músculo-esqueléticas têm sido relacionadas com os fatores biomecânicos


presentes no ambiente de trabalho, tais como a sobrecarga funcional. Devido a característica
peculiar de sua atividade laboral, o policial militar (PM) está exposto a diversas condições de
sobrecarga, seja pelo uso de equipamentos de proteção individual (EPI) entre eles o colete de
proteção balística e cinto de guarnição, ou pela adoção de postura inadequadas durante a
jornada de trabalho (Neves et al).

O uso inadequado dos equipamentos contribuem significamente para o aparecimento


dessa patologia o entrevistado 03 e 09 informou que ao dirigir viaturas, ficar em pé por tempo
prolongado, perseguir meliantes por acessos com dificuldades (ruas sem pavimentação,
matagais, etc) ao final do dia sentem dores na região lombar que irradiam para o membro
inferior e que geralmente só aliviam após tomar medicamentos analgésicos.
93

Ainda segundo Neves et al, a atividade policial militar geralmente é realizada de


forma ostensiva, isto é, com o PM fardado portando todos os itens de segurança obrigatórios,
com a finalidade de executar as medidas de segurança pública, tais atividades são realizadas
com posturas repetitivas, seguidas por diversas horas de permanência sejam em pé ou no
interior da viatura. Além da atividade ostensiva o PM muitas vezes é empregado em
atividades administrativas, caracterizadas pelo uso diário de computadores e a manutenção
por tempo prolongado da postura sentada.

Quando uma postura com sobrecarga é adotada, produz uma diminuição no


comprimento da fibra muscular, favorecendo a diminuição da amplitude articular, lesões, dor
e redução da força de contração muscular. Os entrevistados 06, 07 e 08 relataram que os
equipamentos de proteção individual (colete balístico, armamento, cinto de guarnição, acentos
de viaturas ergonomicamente incorretos, desgaste físico em sair e entrar por muitas vezes na
viatura, tempo prolongado na posição ortostática) são desgastantes e ao final do expediente
referem dores na região lombar como também queixam-se de cefaleias e distúrbios do sono.

Ao se observar o universo militar verifica-se uma grande ocorrência de lesões e


quadros de dor, advindos de seus treinamentos técnicos e físicos, suas atividades de tensão e
estresse, bem como pelo uso de seus equipamentos táticos. Para que os militares sejam
capazes de defender o interesse público na realização de suas atividades eles participam de
treinamentos regulares com a finalidade de melhorar as habilidades físicas, bem como
adquirir destreza em relação a certas técnicas, objetivando sua sobrevivência e o cumprimento
da missão que lhes foi dada (TEODORO; ROSAS, 2007).

A atividade militar pela própria natureza de suas características expõe seus


componentes a riscos altamente específicos, seja no combate ou na preparação para tal. As
fraturas, luxações, entorses e lesões ligamentares além de causarem baixas no combate
geralmente promovem um prolongado afastamento das atividades militares (SANTOS, 2009).

Todos os 10 entrevistados alegaram entender a importância das condutas e posturas


adequadas para o uso dos equipamentos em sua atividade profissional, no entanto foi
observado que não existem padrões adotados pelas autoridades competentes e sim um
conhecimento restrito que são adotados eventualmente, logo evidencia que orientações
apropriadas na vivência desses profissionais poderiam contribuir com sua melhora de
qualidade de vida e rendimento nas suas tarefas desempenhadas.
94

A atividade do policial, que requer por diversas vezes o uso da força, deveria ter um
acompanhamento físico e médico preventivo, uma vez que pessoas mais fracas necessitam de
mais esforços para realizar determinadas tarefas (ficando mais expostas a lesões) e pessoas
pouco flexíveis, em geral, têm dificuldade de manter as várias posturas, estressando os discos
vertebrais.

Ao serem perguntados de qual forma os profissionais de fisioterapia poderiam


contribuir com a prevenção e tratamento das lombalgias os entrevistados 01 e 02 responderam
que gostariam que esses profissionais disseminasse esse estudo para alcançar autoridades
competentes para que essa realidade possa ser corrigida, os demais entrevistados responderam
que orientações posturais, alongamentos dinâmico e globais, exercícios de estabilização da
musculatura da coluna vertebral, exercícios de fortalecimento da região envolvida e exercícios
funcionais podem beneficiar ativamente prevenindo lombalgias, promovendo melhorias das
dores e consequentemente da qualidade de vida desses policiais militares.

A prevalência de lombalgia que provoca limitação funcional constitui a principal


causa de afastamento para funções administrativas e perda de dias trabalhados entre policiais,
provocando redução da disponibilidade de policiais para policiamento ostensivo. Além disso,
o valor de R$ 3.000.000,00 gastos nos dois anos avaliados 2014/2015 com militares
incapacitados para a atividade policial, representa importante custo para os cofres públicos,
além de afastar da atividade (Oliveira et al. 2008).

A média salarial do policial que atua no trabalho ostensivo na Polícia militar do Estado
da Bahia é de R$ 2.000,00 (dois mil reais). Com isso, o policial que trabalha e que está
afastado por problemas da lombalgia, custa em média e a princípio, aproximadamente R$
1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) por ano aos cofres do estado. Vale frisar que
esse dado toma por base apenas os custos referentes ao salário creditado sem que o
profissional esteja na ativa.

Diante dessa realidade é notória a necessidade de expandir o tratamento


fisioterapêutico na prevenção e reabilitação de profissionais de diversas áreas, especialmente
os militares, que contribua efetivamente com a redução de policiais militares afastados de
suas atividades e o remanejamento de alguns para atividade administrativa.
95

Os relatos demonstram o prazer do policial em exercer sua profissão, atuando no


trabalho com eficiência e eficácia, impedidos dessa obrigação por quadros de dores lombares
que imobilizam e geram impacto psicológico que pode culminar em afastamento de atividades
profissionais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa realizada com o propósito de identificar as causas comumente associadas


às dores lombares dos policiais militares da cidade de Jequié-BA tem relevância pois
contribui para disseminar os resultados desta pesquisa, associada a estudos aprofundados e
tem como intuito atentar as autoridades competentes sobre os problemas posturais dos
policiais militares e tentar minimizar as dores que acometem os profissionais militares.

Durante a observação e participação da pesquisa, verificamos que a ampla carga


horária de trabalho sem repouso no policiamento ostensivo e os equipamentos utilizados a
exemplo do colete balístico, armas pesadas e a permanência de posturas inadequadas
provocadas pelo longo tempo que dirigem as viaturas além dos assentos ergonomicamente
incorretos, apontam para a sobrecarga das estruturas físicas.

A pesquisa também apontou para o estresse mecânico contínuo como fator que
predomina nas lombalgias, embora demonstrou que 10% da amostra dos entrevistados
informaram não apresentar qualquer patologia lombar, levando em consideração que
desenvolvem ou já desenvolveram as mesmas atividades dos demais da pesquisa. Noventa por
cento dos pesquisados descreveram que fazem uso de equipamentos pesados que
sobrecarregam os sistemas osteomuscular, osteoarticular e osteoligamentar, e sentem dores
crônicas irradiadas para o membro inferior incapacitando-os na realização com excelência de
suas atividades diárias.

Diante dessa realidade é notória a importância de disseminar as informações


científicas que podem ser multiplicadas, a fim de evitar as sequelas graves que podem
provocar o absenteísmo e exigir a expansão de tratamentos fisioterapêuticos na prevenção e
reabilitação.
96

Portanto, os militares precisam de atenção especial tendo em vista que o afastamento


dos profissionais na defesa e segurança do Estado-nação, na situação levantada, tem
consequências graves para a categoria além de redução de suas atividades e o remanejamento
para atividade administrativa por falta de condições físicas e efetivamente a causando
prejuízos irreparáveis à sociedade.

REFERÊNCIAS

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Cidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.55, jun 2015.

FRAGA, K.C. Peculiaridades do trabalho policial militar. Revista Virtual Textos &
Contextos, nº 6, dez. 2006.

Hallal et al. Prevalência de dor nas costas e fatores associados em adultos do Sul do
Brasil: estudo de base populacional. Rev Bras Fisioter, São Carlos, jan./fev. 2011.

Hortense et al. Dor lombar crônica: intensidade de dor, incapacidade e qualidade de


vida. Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP, Brasil. 21 Fev 2013.

Neves et al. Distribuição anatômica das queixas álgicas de policiais militares do Paraná.
Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Curitiba-PR, Brasil 11 fev 2012.

Oliveira et al. Impacto das atividades profissionais na saúde física e mental dos policiais
civis e militares do Rio de Janeiro (RJ, Brasil). Instituto de Pesquisa Clínica Evandro
Chagas, Fundação Oswaldo Cruz. 04/2008.

SANTOS, M.A. Lesões ortopédicas em militares: uma revisão de literatura. Trabalho de


Conclusão de Curso: Lato Sensu, Rio de Janeiro, 2009.

Serruyab et al. Dor lombar inespecífica em adultos jovens: fatores de risco


associados. revista brasileira de reumatologia . 15 jan 2014.

TEODORO, H.C; ROSAS, R.F. Prevalência de lesões musculoesqueléticas no treinamento


físico militar do 63º batalhão de infantaria de Tubarão/SC. Universidade do Sul de Santa
Catarina: Manual do Curso de Fisioterapia, 2007.

.
97

GRUPO DE PESQUISA HISTÓRIA, SOCIEDADE E

ETNOCIÊNCIA – CNPq.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA

SALA CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO CAMPUS DE JEQUIÉ.

Anexo à Biblioteca Jorge Amado

Tel: 73 – 35289684
98

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