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Criado em 1998 durante a gestão do ministro da Educação Paulo Renato Souza, no governo

Fernando Henrique Cardoso, o Enem teve por princípio avaliar anualmente o aprendizado dos
alunos do ensino médio em todo o país para auxiliar o ministério na elaboração de políticas
pontuais e estruturais de melhoria do ensino brasileiro através dos Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCNs) do Ensino Médio e Fundamental, promovendo alterações nos mesmos
conforme indicasse o cruzamento de dados e pesquisas nos resultados do Enem. Foi a
primeira iniciativa de avaliação geral do sistema de ensino implantado no Brasil. Outra função
conferida ao ENEM era o de influenciar mudanças nos currículos de ensino médio. Para isso,
buscou-se aumentar a importância do exame, e, já na segunda edição, este foi utilizado como
modalidade de acesso alternativa ao vestibular de 93 instituições de ensino superior.[5] O
primeiro modelo de prova do Enem, utilizado entre 1998 e 2008, tinha 63 questões aplicadas
em um dia de prova. A prova passou, a partir de 2004, a servir para ingresso em cursos
superiores no caso de candidatos que, com a nota do exame, se inscrevessem para conseguir
bolsa de estudo em faculdades particulares pelo ProUni.

Em 2009, durante a gestão do ministro da Educação Fernando Haddad no governo de Luiz


Inácio Lula da Silva, foi introduzido um novo modelo de prova para o Enem, com a proposta de
unificar o concurso vestibular das universidades federais brasileiras. O novo Enem passou a
ser realizado em dois dias de prova, contendo 180 questões objetivas e uma questão de
redação.[6] Além disso, foi adotada a Teoria da Resposta ao Item (TRI) na formulação da
prova, que permite que as notas obtidas em edições diferentes do exame sejam comparadas e
até mesmo utilizadas para ingresso nas instituições de ensino superior. A implementação ficou
a cargo de um dos maiores especialistas em Avaliação Educacional e Teoria da Resposta ao
Item, Prof. Dr. Heliton Tavares, Diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira -INEP. O planejamento do Enem incluiu a realização do exame
pelo menos duas vezes ao ano a partir de 2012 e a subdivisão gradual do exame em sub-
regiões, culminando na instalação de Centros de Aplicação espalhados pelo Brasil,
principalmente nas instituições federais, onde os interessados poderiam agendar a realização
do exame. Esta etapa necessitaria de um grande número de questões (banco de itens)
previamente calibrados pela TRI na escala do Enem para garantir a comparabilidade dos
resultados.

O exame começou a ser utilizado como exame de acesso ao ensino superior em universidades
públicas brasileiras através do SiSU (Sistema de Seleção Unificada). Através do SiSU, os alunos
poderiam se inscrever para as vagas disponíveis nas universidade brasileiras participantes do
sistema. Como a utilização do Enem e do SiSU pelas universidade brasileiras é opcional,
algumas universidades ainda utilizam concursos vestibulares próprios para seleção dos
candidatos às vagas.

A prova também começou a ser utilizada para a aquisição de bolsa de estudo integral ou
parcial em universidade privada universidades particulares através do ProUni (Programa
Universidade para Todos) e para obtenção de financiamento através do Fies (Fundo de
Financiamento ao Estudante do Ensino Superior). Além disso, o exame passou a servir também
como certificação de conclusão do ensino médio em cursos de Educação de Jovens e Adultos
(EJA), antigo supletivo, substituindo o Exame Nacional para Certificação de Competências de
Jovens e Adultos (Encceja).

A segunda versão do Enem sofreu muitas críticas em relação à correção da redação. Em função
disso, foram alterados em 2012 os critérios para correção das redações. Foi diminuída a
discrepância necessária entre as notas dos dois corretores para que a redação seja corrigida
por um terceiro corretor. Em 2011, foi criado o programa Ciência sem Fronteiras, no qual são
oferecidas bolsas de intercâmbio em instituições estrangeiras para estudantes das áreas de
engenharia, tecnologia, biologia, e meio ambiente. Para poder concorrer, uma das
necessidades é a de ter atingido pelo menos 600 pontos na prova do Enem.

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