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Introdução à produção gráfica

CONCEITOS FUNDAMENTAIS

20
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
Reitor: Benedito Guimarães Aguiar Neto
Vice-reitor: Marco Tullio de Castro Vasconcelos
EDITORA DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
Coordenador: Roberto Borges Kerr
Conselho Editorial
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José Francisco Siqueira Neto
Leila Figueiredo de Miranda
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Wilson do Amaral Filho
COLEÇÃO CONEXÃO INICIAL
Diretora: Maria Lucia Marcondes Carvalho Vasconcelos
Gustavo Lassala

Introdução à produção gráfica


CONCEITOS FUNDAMENTAIS

© 2018 Gustavo Lassala


Todos os direitos reservados à Editora Mackenzie.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia
autorização da Editora Mackenzie.

Coordenação editorial: Ana Claudia de Mauro


Projeto gráfico e preparação de texto: Ana Claudia de Mauro
Imagem de capa: Raff Ribeiro
Revisão: Vera Ayres
Estagiária editorial: Carolina Amaral
L346i Lassala, Gustavo
Introdução à produção gráfica : conceitos fundamentais / Gustavo Lassala. – São Paulo: Editora Mackenzie, 2018. –
(Coleção Conexão Inicial ; 20)
100 p. : il. ; 23 cm
Bibliografia.
ISBN: 978-85-8293-737-2 (ePub)
1. Artes gráficas. 2. Produção gráfica. 3. Impressão (Processos). 4. Projeto gráfico. 5. Tipografia. I. Título. II. Série.
CDD-658.4012

EDITORA MACKENZIE
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www.mackenzie.br/editora.html

Editora afiliada:
Agradeço à Universidade Presbiteriana Mackenzie a oportunidade, aos
ex-alunos e aos colegas de trabalho que ajudaram na construção desta
obra.
Em especial, à minha esposa, Simone Lassala, o apoio e a revisão do
texto, ao professor Rui Lanfredi, a gentileza em fazer a revisão técnica e
ao professor Marcos Nepomuceno Duarte, a colaboração com o prefácio,
que aceitou fazer prontamente.
Com muita saudade, dedico este livro à memória da minha amada
avó, Mariska Szenasi Fernandes.
Sumário

Prefácio
Sobre o autor
Lista de figuras
Apresentação
Conceitos técnicos gerais

Definição e campo de atuação


Passado
Xilogravura
Linotipo
Litografia
Calcografia
Estêncil
Presente e futuro
Princípios de impressão
Fluxo geral da produção gráfica
Acompanhamento gráfico

Pré-impressão

Projeto gráfico
O original gráfico e sua reprodução
A cor no processo gráfico
Fontes digitais
Recursos para arte-final

Substratos para impressão

Papel
Polímeros
Outros substratos para impressão
O meio ambiente e a responsabilidade social

Processos de impressão

Offset
Digital
Serigrafia
Flexografia
Rotogravura

Pós-impressão

Corte
Dobra
Vinco
Imposição
Encadernação
Verniz
Plastificação e laminação
Relevo seco
Hot Stamping
Empacotamento

Considerações finais
Referências
Bibliografia comentada
Glossário
Prefácio

Está em suas mãos o livro Introdução à produção gráfica, de Gustavo


Lassala. Aí você, que vive em um mundo superconectado, se pergunta: “Tá,
parece legal, mas vai ser útil pra mim?”.
Sua pergunta faz todo o sentido. Afinal, todos os dias, você já acorda com
o celular cantarolando na orelha (quando não é gritando... “téin, téin, téin,
téin, téin”), pula da cama, calça os chinelos e, antes de chegar ao banheiro, já
dá aquela conferida no aplicativo de trocas de mensagens (por meio do qual
você recebe, além de mensagens motivacionais de “bom dia”, outro tanto de
materiais instrutivos: memes, piadas, correntes e fakenews). Toma café com
um olho na tela enquanto o dedo sujo de margarina deixa um rastro sobre o
vidro. Vai pela cidade com os ouvidos tomados da música que escorrega
pelos fones (música só sua, que aos outros apenas parece um zunido... música
que cria um mundo só seu). Ainda pela manhã, um ponto vermelho salta da
telinha que não sai da sua mão. Na sua timeline, um “amigo” (sim, é assim
que vocês estão categorizados na rede social, apesar de terem estado face a
face umas três vezes na vida... ou nem isso) compartilha um link. Você se
contorce de indignação. “Não, isso não pode ser verdade” (e, talvez, não seja
mesmo), e você tem certeza de que “a humanidade deu errado”. Passada uma
fração de segundos, você decide agir: é preciso alertar o resto da espécie! E o
hiperlink é recompartilhado por você, dessa vez, acompanhado de um
belíssimo “textão”. Pronto, a “coisa” foi diretamente da sua cabeça para o
“respeitável público”.
Agora você faz uma indagação: “Ok, ok, ok, e qual é a relação disso com o
livro de Introdução à produção gráfica do Lassala?”. Respondo, com aquela
pretensa e tola superioridade que os professores não conseguem disfarçar
(por mais que nada justifique isso): “Tudo!”.
A percepção de que existe um “público” (esse ente difuso, sem rosto, mas
que pode nos prestigiar com sua aprovação ou nos destruir com suas críticas)
só pôde ser estabelecida depois que Johannes Gutenberg – chamado por
muitos de “o pai da imprensa”, quando, na verdade, ele foi “o pai dos tipos
móveis” – inventou sua técnica de reprodução de textos. Para entender isso
melhor, precisamos voltar ao século XV, quando a reprodução de um livro
exigia a sua transcrição manual (é, quase do mesmo jeito que acontecia com
você, quando ficava de castigo na escola e tinha de copiar o livro). Assim, os
livros eram muito caros e os leitores (ou mesmo, as pessoas alfabetizadas)
eram bem poucos. Alberto Manguel nos lembra de que “reunir-se para ouvir
alguém ler tornou-se também uma prática necessária e comum no mundo
laico da Idade Média”, e arremata confirmando aquilo que eu já disse nas
primeiras linhas do parágrafo, “[...] Até a invenção da imprensa, a
alfabetização era rara e os livros, propriedade dos ricos, privilégio de um
punhado de leitores [...]”.1
“Sim, então temos uma dívida histórica de gratidão, é isso?” – você
pergunta.
“Não”, é a resposta para essa terceira pergunta. Ainda hoje interagimos, no
campo da cultura e da comunicação, com as práticas derivadas dessa história
gráfica. A pesquisadora Elizabeth Eisenstein, influenciada pelo sempre
provocador Marshall McLuhan, nos diz que “[...] uma coisa é descrever como
os métodos de produção de livros foram se modificando a partir da segunda
metade do século XV [...]. Outra coisa é decidir como o acesso a uma maior
quantidade (ou variedade) de registros escritos afetou as maneiras de
aprender, de pensar e perceber das elites letradas”.2
Falar de consciência histórica seria mais apropriado, afinal, se hoje você
“rola” a tela de seu computador, seguindo um grid que norteou o design da
interface com que interage, saiba que isso se deve ao que os antigos
impressores chamavam de “enramar”. Assim como o Gustavo Lassala
explica no tópico “Conceitos técnicos gerais”, enramar é prender (por um
sistema de cunhas e parafusos) as diversas matrizes que constituem o
impresso (texto e imagem) em uma moldura de ferro, que, por sua vez, é
levada à máquina impressora. Só após “enramar” é que o impresso estava, de
fato, diagramado. Essas práticas tão antigas acabaram por definir as formas
como concebemos nossos livros, jornais, revistas, folhetos e, como já disse,
sites e aplicativos!
A importância da gráfica, no entanto, não está apenas nessa herança. A
gráfica permanece como um dos recursos mais eficientes em um mundo com
tanta necessidade de comunicação. Porém, é preciso conhecer bem a natureza
desse meio, e é nesse ponto que este livro vai te ajudar! Você deve saber o
que só o impresso é capaz de fazer em um mundo tão digital, híbrido e
conectado. Uma pista, que pode ser seguida por quem está buscando uma
porta para a comunicação impressa, foi dada pelo designer Fred Gelli –
cofundador e diretor de criação da Tátil Design de Ideias, empresa
responsável pela marca dos Jogos Olímpicos Rio 2016. No vídeo intitulado
“Visita Guiada Tátil Design”,3 ele apresenta o conceito de “baixo impacto
ambiental e alto impacto sensorial”. Sob essa perspectiva, há uma frente
enorme de possibilidades para o aproveitamento do meio impresso, pois
vivemos em um mundo de recursos esgotados e onde as experiências estão
concentradas nas pontas dos dedos.
Gustavo Lassala, além de pai do Benito e do Cauê, é um dos grandes
conhecedores dessa gráfica – que é história, mas também é parte do presente
de uma comunicação inovadora e criativa. Designer, mestre em Educação,
Arte e História da Cultura, doutor em Arquitetura, ele fez este pequeno livro
– fruto de muitos anos de experiência docente em disciplinas como Produção
Gráfica ou Materiais e Processos Gráficos – como contribuição aos que
ingressam no universo das artes gráficas. Boa leitura!
Marcos Nepomuceno Duarte
Professor do Centro de Comunicação e Letras da Universidade
Presbiteriana Mackenzie
Sobre o autor

Gustavo Lassala é doutor em Arquitetura e Urbanismo e Mestre em


Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana
Mackenzie (UPM), onde é docente do curso de graduação em Publicidade e
Propaganda. É graduado em Design pela Universidade São Judas Tadeu
(USJT) e, curiosamente, após o bacharelado, sentiu a necessidade de
aperfeiçoar os conhecimentos em produção gráfica. Por esse motivo, foi
estudar na Escola Senai durante dois anos, onde se formou técnico em Artes
Gráficas. Foi na escola Senai Theobaldo De Nigris – a única do mundo a
cobrir todas as etapas da cadeia de produção gráfica, desde a fabricação da
celulose até o acabamento e a restauração de documentos e papéis – que
iniciou a carreira como professor, se dedicando posteriormente ao ensino na
graduação, pós-graduação e pesquisa em outras instituições.
Lista de figuras

Figura
Representação esquemática do processo de impressão em xilogravura
1
Figura
Representação esquemática do processo de impressão em tipografia
2
Figura Anúncio de uma máquina de impressão tipográfica no Boletim da Indústria
3 Gráfica, de 1973, distribuído pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica
Figura
Etapas do processo de impressão litográfica
4
Figura
Analogia entre os processos de impressão artísticos e industriais
5
Figura
Representação esquemática da função da matriz no sistema de impressão
6
Figura
Representação esquemática do princípio de impressão
7
Figura
Exemplo de alimentação de máquina de impressão com folha e bobina
8
Figura Representação esquemática das principais fases do fluxo geral da produção
9 gráfica
Figura
Imagem vetorial, sem ampliação e bitmap ampliada
10
Figura
Esquema geral de reprodução digital de um original
11
Figura Esquema visual com a organização das cores primárias nos sistemas e as
12 misturas para a obtenção do preto e do branco
Figura
Grafismo com característica visual a traço e tom contínuo
13
Figura Alguns caracteres da fonte digital Myriad Pro no seu estilo regular,
14 organizados de acordo com suas funções
Figura
Configuração de um layout em tempo real pela internet
15
Figura Exemplo de planificação para um folder com duas dobras paralelas. No
16 jargão gráfico, essa dobra é chamada de “carteira” ou “u”
Figura
Esquema visual que explica o recurso de trapping
17
Figura
Exemplo de layout com alguns recursos para arte-final
18
Figura
Exemplo de layout com alguns recursos na arte-final
19
Figura Gráfico com as porcentagens de consumo de resinas termoplásticas no
20 Brasil
Figura Alguns selos usados em embalagens no Brasil que tratam da questão
21 ambiental
Figura
Máquina offset com capacidade para imprimir cinco cores simultaneamente
22
Figura
Impressora digital para grandes formatos, conhecida como plotter
23
Figura
Máquina serigráfica manual para a impressão de estampas de camisetas
24
Figura
Máquina flexográfica com banda estreita
25
Figura
Máquina para impressão no sistema rotogravura
26
Figura
Exemplo de uma máquina guilhotina para corte reto de papel
27
Figura
Exemplo de dobras
28
Apresentação
O objetivo desta obra é apresentar conceitos fundamentais do campo da
produção gráfica de maneira dinâmica e eficiente, sem esgotar os temas de
nenhuma das áreas abordadas. A proposta de abarcar assuntos diversos em
um pequeno tratado não é simples, uma vez que apresentar todo o fluxo
produtivo gráfico, desde a fase de criação do original até o produto final,
exige a passagem por áreas multidisciplinares e o convívio com o contínuo
avanço tecnológico, que exerce grande pressão nessa linha do conhecimento.
O maior desafio é apresentar linguagem simples e terminologia precisa para
proporcionar ao iniciante uma fácil introdução à disciplina.
A ideia é que o livro possa ser usado por estudantes e profissionais em
diferentes níveis de estudo, ampliando o seu potencial de recepção. Ao
apresentar os conceitos básicos e fundamentais para auxiliar a compreensão
da linguagem e da extensão da produção gráfica, espera-se conscientizar o
leitor sobre a importância do mercado gráfico como intermediário para a
produção de projetos de forma otimizada, eficiente e sustentável. O texto
divide-se nos seguintes tópicos: conceitos técnicos gerais, pré-impressão,
substratos, impressão e pós-impressão.
No capítulo “Conceitos técnicos gerais”, apresentamos noções
introdutórias para facilitar o primeiro contato com o assunto. Em “Pré-
impressão”, analisamos parâmetros que determinarão a qualidade da peça
impressa e apresentamos maneiras de antecipar problemas que podem
ocorrem nas etapas posteriores. Em “Substratos”, destacamos a relevância, e
o impacto na cadeia produtiva e no meio ambiente, dos materiais para o
processo criativo e funcional da peça gráfica. No capítulo “Impressão”, são
destacadas as características distintivas entre os principais processos de
impressão, de modo a auxiliar a escolha do método mais adequado ao
trabalho de acordo com as especificidades desejadas. A apresentação do fluxo
produtivo gráfico é finalizada com os aspectos de pós-impressão, obrigatórios
para a maioria dos projetos, como o corte do material e recursos opcionais,
com intuito de aumentar o impacto visual e a atratividade ao consumo, ou
seja, enobrecê-lo. Como o livro foi idealizado para servir como um manual
de consulta rápida e introdução aos conceitos desse campo do conhecimento,
no capítulo “Bibliografia comentada” temos a apresentação de algumas obras
que podem ajudar o leitor a aprofundar os conceitos aqui iniciados.
Conceitos técnicos gerais
DEFINIÇÃO E CAMPO DE ATUAÇÃO
Podemos entender a produção gráfica como uma série de etapas para criar um
produto impresso. O processo começa com a necessidade de um cliente, que
delega o trabalho a um profissional ou uma empresa que idealiza o projeto e
concretiza cada um dos exemplares da tiragem solicitada. Normalmente, as
etapas do processo gráfico são executadas por diferentes profissionais.
Para garantir a qualidade final do produto, é essencial que a definição das
etapas e o controle de cada uma delas sejam feitos por um profissional
habilitado a corrigir desvios, garantindo a comunicação eficaz entre essas
etapas. Considerando os objetivos do trabalho e a atuação do profissional
dessa área, é importante salientar que as etapas para a criação de um produto
gráfico normalmente obedecem à seguinte estrutura: criação, pré-impressão,
impressão e pós-impressão.
O campo de atuação da produção gráfica é formado por diferentes
fornecedores de serviço, como profissionais de editoração, designers
gráficos, publicitários, fotógrafos, ilustradores, empresas especializadas em
pré-impressão – conhecidas como birô (bureau), são indústrias gráficas das
mais diversas configurações – e profissionais conhecidos como produtores
gráficos – eles podem atuar como prestadores de serviço ou funcionários em
agências que têm grande demanda por esse tipo de trabalho. Em alguns casos,
também é possível que o profissional de criação faça a produção gráfica do
trabalho cujo layout já tenha sido aprovado pelo cliente.
Nessas etapas que estruturam a produção gráfica, encontramos,
basicamente, os ramos editorial, publicitário, comercial e de embalagens.
Embora todo o processo possa parecer complexo para o leitor iniciante,
podemos afirmar que sua importância está na constatação de que dificilmente
manuseamos um produto industrializado que não tenha passado pela cadeia
produtiva da indústria gráfica: livros, revistas, cartazes, materiais de ponto de
venda, embalagens, e inclusive coisas que não nos damos conta, como
cartões de crédito, placas de sinalização, roupas, canetas, e até mesmo uma
placa de circuito elétrico ou um azulejo.
PASSADO

XILOGRAVURA
A xilogravura é considerada o processo de impressão mais antigo, e o termo
significa imprimir com madeira. O processo está relacionado à nomenclatura,
já que a matriz xilográfica é uma placa de madeira esculpida em relevo. O
profissional desbasta a madeira usando ferramentas próprias, conhecidas
como goiva e formão, para retirar as áreas que não devem ser impressas.
Durante a tintagem da matriz, somente a parte em relevo recebe tinta, uma
vez que as partes baixas não têm contato com o instrumento entintador. A
impressão é direta, ou seja, a matriz mantém contato direto com o substrato, o
que consequentemente exige que a imagem na matriz seja gravada de modo
invertido.

Figura 1 – Representação esquemática do processo de impressão em xilogravura.


Fonte: Elaborada pelo autor.
As imagens produzidas por esse processo têm certas limitações devido à
difícil reprodução de linhas finas e à impossibilidade da reprodução de meio-
tom, que deve ser simulado com linhas e texturas que variam em espessura
para criar a sensação de claro e escuro. A impressão em cores somente é
possível com o uso de múltiplas matrizes e impressões sucessivas.
A xilogravura é também uma técnica que ajudou a formar um estilo de
ilustração vernacular, com forte presença na cultura popular do sertão do
Brasil e profunda associação à literatura de cordel. Os princípios adotados
nesse processo são a base do processo de impressão industrial conhecido
como flexografia, relegando a xilogravura a pequenas tiragens de trabalhos
elaborados por artistas.
Embora se saiba que os chineses já praticassem há séculos técnicas de
impressão muito similares ao processo de impressão tipográfica, a invenção
de uma máquina impressora é creditada ao alemão Johannes Gutenberg,
trabalho desenvolvido entre 1452 e 1455. O sistema criado por ele é
conhecido hoje como tipografia e inaugurou a primeira linha de montagem da
história. Esse processo de impressão obedece a uma sequência por meio da
qual os tipos móveis de madeira ou de metal com caracteres em relevo são
montados individualmente na chamada composição manual, criando assim
uma matriz. Depois de composta, a matriz é revisada e transferida para a
rama, uma moldura de ferro, para finalizar o processo de diagramação do
texto. Após essa etapa, a rama é ajustada na impressora, o papel e a tinta são
acertados e inicia-se o processo de impressão manual ou mecânico por
contato direto entre a matriz e o papel (processo semelhante ao que ocorre
com carimbos).

Figura 2 – Representação esquemática do processo de impressão em tipografia.


Fonte: Elaborada pelo autor.
Essa tecnologia chegou ao Brasil apenas em 1808, com a vinda da família
real portuguesa (SCHRAPPE, 2002). Nessa ocasião, foi instaurada no Brasil
a Imprensa Régia, atual Imprensa Nacional (BRASIL, 2018). Após tentativas
frustradas, o Brasil deu início à reprodução gráfica com aproximadamente
300 anos de atraso em relação à Europa, fato que trouxe consequências
relevantes para o mercado gráfico e são sentidas ainda hoje.
A tipografia foi, portanto, o primeiro e, por muito tempo, o principal
sistema de impressão. Atualmente, o processo de impressão tipográfica para a
produção de pequenas tiragens de impressos personalizados ainda é utilizado,
para a elaboração de convites de casamento, cartões de visita, pequenos
livros, folhetos e impressões com relevo, por exemplo. Algumas gráficas
prestam esse tipo de serviço, e outras, inclusive, ministram cursos sobre o
assunto com o intuito de introduzir o pensamento projetual tipográfico pela
materialidade de seus componentes e pelo rigor técnico.
Figura 3 – Anúncio de uma máquina de impressão tipográfica no Boletim da Indústria Gráfica, de
1973, distribuído pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica.
Fonte: Boletim da Indústria Gráfica (1973).
LINOTIPO
A composição manual como tecnologia para a confecção de matrizes para
impressão só foi superada a partir de 1886, com a invenção da máquina
linotipo, de Ottmar Mergenthaler. A invenção era composta por um teclado
com linhas inteiras de texto obtidas mediante a fundição de palavras em
bloco, a chamada composição a quente. As imagens eram produzidas
separadamente e eram conhecidas como clichês. Esse processo trouxe mais
velocidade ao processo de produção, principalmente na área editorial.
Norberto Silveira, em seu livro Introdução às artes gráficas (1985),
destaca o status da profissão de linotipista no meio do século passado. Esses
profissionais não eram simples copiadores de textos, pois, além de
diagramarem e comporem os textos, corrigiam e até reescreviam os originais
que recebiam – não por acaso, trabalhavam nas oficinas muito bem vestidos,
de colarinho e gravata borboleta.
LITOGRAFIA
Outro processo de impressão fundamental para o entendimento da evolução
histórica da produção gráfica foi a litografia, inventada por Alois Senefelder
em 1796. Esse processo consiste em uma “impressão química”, baseada na
repulsão da água com a gordura. A matriz é uma pedra calcária, que é
gravada com tinta ou com giz oleoso e, no momento da impressão, é
levemente umedecida. As áreas que não foram marcadas absorvem uma fina
película de água, enquanto as zonas gravadas permanecem secas, porque a
tinta, sendo gordurosa, “repele” a água. Em seguida, o impressor entinta a
matriz com tinta gordurosa usando um rolo apropriado, e nessa etapa é a água
das áreas não marcadas que repelem a tinta. Desse modo, somente o que foi
gravado é impresso diretamente sobre o papel.
Em síntese, e utilizando um exemplo prático, a impressão é feita de forma
direta, da mesma maneira que ocorre a impressão com o uso de carimbo. A
diferença é que enquanto a xilogravura e a tipografia utilizam o relevo, a
litografia utiliza um princípio químico e o conceito de mistura heterogênea,
tendo em vista que, por esse princípio, entendemos que a água e o óleo (tinta
gordurosa) não se misturam.

Figura 4 – Etapas do processo de impressão litográfica.


Fonte: Elaborada pelo autor.
A litografia teve grande importância, principalmente no início do século
XX, por contribuir com a sofisticação gráfica de embalagens comerciais,
anúncios e cartazes, devido à facilidade em imprimir várias cores e obter
imagens com mais qualidade gráfica em decorrência da possibilidade de
impressão de tons contínuos. Atualmente, a técnica é utilizada somente por
artistas para desenvolver trabalhos originais, diferenciados e conhecidos
como gravura. Essa técnica é considerada precursora do processo de
impressão offset.
CALCOGRAFIA
Outro processo de gravura importante, a calcografia, também conhecida
como gravura em metal, desde a Renascença, ampliou o leque de
possibilidades de impressão de imagens com grande gama de tons e texturas
gravadas em uma chapa de metal, normalmente o cobre, com inúmeros tipos
de técnicas de gravação desde a Renascença.
O diferencial desse processo é que, no momento da impressão, a chapa é
totalmente recoberta de tinta, que enche os pontos e os sulcos da gravação.
Em seguida, o impressor limpa a superfície com um tecido apropriado,
retirando a tinta da área não gravada. Por fim, a chapa é pressionada contra
um substrato de impressão e retira-se a tinta dos sulcos, obtendo-se, assim, o
impresso. Os princípios adotados na calcografia são a base do processo de
impressão industrial conhecido como rotogravura. Atualmente, usa-se a
gravura em metal apenas para impressões artísticas.
ESTÊNCIL
Por fim, mas não menos importante, temos a impressão estêncil, conhecida
também pela palavra francesa pochoir. Desenvolvida no Japão na segunda
metade do século XVII com o objetivo de estampar tecidos, essa é uma
técnica de reprodução de textos e de imagens muito usada atualmente em arte
de rua, decoração e artesanato em geral. A matriz do estêncil é permeável e
atua como uma máscara, podendo ser feita a partir de diversos materiais,
como folhas de papel, metais, acetatos etc. Na gravação artesanal, a matriz é
perfurada por um estilete, deixando a área a ser impressa vazada. Esse
processo faz uso da impressão direta com a colocação da matriz sobre o
substrato a ser impresso. O princípio de impressão usado pelo estêncil é a
base do processo industrial de impressão conhecido como serigrafia.
Quem nunca visitou uma gráfica ou não teve a oportunidade de vivenciar o
ambiente da indústria gráfica em funcionamento sente-se, inicialmente,
confuso ao ouvir tantos termos e procedimentos técnicos nesse jogo de
abstração que são os sistemas de impressão, materiais, processos químicos,
mecânicos, controles de produção e fluxos que o conhecimento de produção
gráfica nos traz. Uma sugestão inicial para a fixação dos conceitos básicos
desse universo é estabelecer uma analogia entre a maneira como são obtidas
as matrizes dos sistemas, tidos hoje como artesanais, de produção e os
sistemas industriais, que utilizam princípios similares de gravação do
grafismo e recepção da tinta para a impressão. Para tanto, propomos a figura
que se segue. Observe que a área pintada de preto representa o local onde a
tinta está fixada antes de ser transferida para o substrato:

Figura 5 – Analogia entre os processos de impressão artísticos e industriais.


Fonte: Elaborado pelo autor.
PRESENTE E FUTURO

A história da produção gráfica mostra que a criação de imagens e a


composição de elementos para impressão, no princípio, eram parte integrante
do trabalho dos impressores. Antes do advento do computador, era
impossível criar e produzir uma peça gráfica sem conhecimento aprofundado
dos processos de pré-impressão, impressão e acabamento. A figura do
profissional de criação não era dissociada do técnico gráfico, uma vez que ou
a mesma pessoa cuidava da criação e assumia também papel de técnico, ou
ambos os profissionais trabalhavam em grande sintonia. A técnica, desde o
início, influenciou o resultado final do impresso e vice-versa. Imprimir era
um procedimento artístico ou, pelo menos, artesanal, o que originou o termo
“artes gráficas”.
Atualmente, o glamour da profissão talvez esteja ligado aos avanços
tecnológicos da indústria gráfica, e não mais simplesmente ao domínio das
questões artesanais. A introdução do computador e dos sistemas
automatizados tem exigido dos profissionais outras funções além das
cobradas no início do desenvolvimento da imprensa. Os processos gráficos
fazem mais uso da tecnologia do que do “artesanal” ou do “artístico”
propriamente dito, pois eles são separados ou remotos, e cada profissional
executa a etapa do trabalho em locais distintos – o profissional da criação,
por exemplo, dificilmente, tem contato direto com o impressor e vice-versa.
Dessa maneira, as etapas são administradas com certo distanciamento,
propiciando contato apenas em momentos-chave do processo de produção.
Os profissionais precisam ter conhecimentos cada vez mais aprofundados
sobre os processos de impressão e sobre área correlatas, como a eletrônica, a
química, a computação, o marketing e o desenvolvimento sustentável.
Apesar de as tecnologias digitais estarem cada vez mais presentes na vida
das pessoas, a comunicação difundida pelas mídias impressas ainda é
sinônimo de confiança e de credibilidade, e seu fim está muito longe de
acontecer (talvez nunca ocorra). A Abigraf,4 uma entidade de classe
reconhecida no atual setor gráfico e que representa atualmente 21 mil
empresas no Brasil, comunicou em um dos seus boletins que a indústria
gráfica fatura cerca de 45,8 bilhões anuais, sendo responsável pela geração de
mais de 216 mil postos de trabalho diretos.
Embora exista um consenso de que as tecnologias eletrônicas causem certa
redução no mercado de impressão, há uma propensão para a integração das
diferentes mídias. A migração da mídia impressa para a eletrônica tende a
acontecer nos casos em que a comunicação é efetivada de modo mais racional
e instantâneo, o que remete a uma evolução na maneira de comunicar, e não
simplesmente uma disputa por preço.
Um modelo inovador que aponta uma tendência futura são as gráficas on-
line, que oferecem impressões com boa qualidade e preços acessíveis. Esse
sistema de negócio oferece ferramentas por internet para simplificar e agilizar
a encomenda de impressos personalizados, o que é conhecido pela sigla
Web2Print. O website desse tipo de gráfica normalmente oferece mecanismos
de criação e de customização dos projetos on-line, dando total controle do
processo, e calcula, em tempo real, o custo final do orçamento. Isso permite a
checagem on-line gratuita e imediata da arte-final, bem como a entrega sem
que a pessoa saia de casa ou do escritório. Essa é uma proposta também de
difusão de acesso aos serviços gráficos profissionais por meio de tutoriais,
guias e gabaritos que facilitam a popularização desse conhecimento para um
público que desenvolve projetos com baixo orçamento ou que desejam
comodidade.
PRINCÍPIOS DE IMPRESSÃO
Em produção gráfica, impressão é tida como uma técnica de multiplicação de
textos e de imagens em qualquer quantidade. Para isso, é preciso que se grave
o original a ser impresso em uma matriz física, que irá acolher tinta no
grafismo e transferir sobre um substrato, na maior parte das vezes, o papel.
Geralmente, nas máquinas de impressão, o substrato virgem é transportado e
prensado contra uma matriz de impressão entintada, em uma máquina plana
ou cilíndrica, que exerce uma contrapressão, gerando o impresso.

Figura 6 – Representação esquemática da função da matriz no sistema de impressão.


Fonte: Elaborada pelo autor.
Nos sistemas digitais de impressão, a matriz de impressão não é física, é
digital. Nesse caso, as especificações do original a ser multiplicado são
transferidas para o substrato por impulsos elétricos, que, ordenados por um
computador ou programados na própria máquina, fazem com que a tinta
reproduza exatamente a imagem ou o texto original na superfície do
substrato.
A matriz, portanto, é um elemento intermediário que contém a imagem
original e serve para transferi-la para o substrato. As matrizes variam de
acordo com o processo de impressão. As partes a serem impressas podem ser
elevadas, rebaixadas, aderentes ou permeáveis à tinta. Toda matriz tem duas
áreas distintas: grafismo e contragrafismo. Grafismo é a parte da matriz que
consegue transferir tinta para o substrato, e contragrafismo é a área da matriz
que não transfere tinta. Substrato é material sobre o qual são obtidas as
cópias. A seguir, apresentamos um esquema visual com o princípio de
impressão:

Figura 7 – Representação esquemática do princípio de impressão.


Fonte: Elaborada pelo autor.
As máquinas de impressão dividem-se em duas categorias: plana e rotativa.
As planas dispõem de uma matriz de impressão originalmente plana, podendo
ser usada nesse padrão ou acoplada em suporte cilíndrico, e o substrato
virgem que alimenta o sistema é preparado, cortado, fornecido
individualmente em folhas soltas. No sistema rotativo, as máquinas
funcionam com matriz cilíndrica e substrato flexível virgem, que alimenta o
processo por meio de uma bobina que desenrola o material no início do
sistema e o enrola no final.

Figura 8 – Exemplo de alimentação de máquina de impressão com folha e bobina.


Fonte: Adaptado de Bann (2012).
Algumas empresas gráficas trabalham com equipamentos de impressão
mista para atender a necessidades específicas. Normalmente, nesses
equipamentos, existe um processo de impressão predominante, seguido de
outros processos acoplados. É possível também que a impressão mista seja
conduzida deslocando o material para diferentes máquinas durante o
processo. O mercado de impressão mista atende à produção de materiais
promocionais personalizados, geralmente misturando impressão offset e
digital por questões de custos. Exemplos de materiais são os impressos de
segurança, como vales, passes de ônibus, dinheiro e ingressos, rótulos,
certificados, documentos, entre outros.
FLUXO GERAL DA PRODUÇÃO GRÁFICA
Conforme dito anteriormente, a concepção e a produção de uma peça gráfica
podem ser divididas em quatro fases principais: criação, pré-impressão,
impressão e pós-impressão. No entanto, essas fases podem ser desdobradas
em determinadas etapas que podem variar entre os profissionais do ramo,
levando em conta fatores como tecnologia empregada, custo, qualidade e
produtividade. A seguir, elencaremos algumas que consideramos mais
importantes, enfatizando para cada uma delas as subdivisões
correspondentes:

Figura 9 – Representação esquemática das principais fases do fluxo geral da produção gráfica.
Fonte: Adaptado de Barbosa (2005).

1. Criação.
1. Briefing: Conjunto de informações coletadas ou
fornecidas pelo cliente com as especificidades sobre o
produto ou objeto a ser trabalhado, seu mercado e
objetivos.
2. Pesquisa: Análise do público-alvo, concorrência e
características do produto, visando criar repertório para a
criação do projeto.
3. Experimentação: Fase que envolve os rafes (rascunhos),
estudos de cor e de forma.
4. Layout: É a peça apresentada para a aprovação do cliente.
Ela deve ser o mais fiel possível ao produto finalizado.
2. Pré-impressão.
1. Tratamento de imagem: Etapa em que é possível
digitalizar novamente uma imagem que não tenha
qualidade suficiente, ajustar as cores, recortar, montar
mais de uma imagem (fusão) e dar retoques diversos.
2. Arte-final: Adequação do layout para a gravação da
matriz de impressão ou impressão direta.
3. Prova contratual: Emitido pela gráfica; etapa que mostra
à agência e ao cliente um exemplo do impresso conforme
contratado. É a garantia de qualidade do serviço.
4. Produção da matriz de impressão.
3. Impressão: O trabalho pode ser impresso por meio dos mais
diversos processos de impressão. Cada processo possui
características próprias que exigem adequações na arte de
finalização.
4. Pós-impressão: São recursos de finalização do trabalho, como
refile, dobra, encadernação etc. Etapa que dispõe também de
recursos de enobrecimento do impresso, como aplicação de verniz,
laminação, cortes especiais etc.

ACOMPANHAMENTO GRÁFICO
Antes de iniciar o trabalho de acompanhamento da produção do impresso, é
preciso definir a gráfica e os demais prestadores de serviço. As gráficas
podem ser pequenas, médias ou grandes, trabalhar com um ou mais processos
de impressão, ter (ou não) setor de pré e pós-impressão. O que determinará a
escolha dos profissionais devem ser as características do trabalho que será
produzido, a qualidade do serviço prestado, o preço e o prazo. Após a
definição dos profissionais, a primeira coisa a fazer é especificar os aspectos
que caracterizam o projeto. As especificações são importantes para
concatenar as etapas, principalmente quando lidamos com um processo
realizado em espaços físicos diferentes e profissionais dos mais variados
níveis de capacitação.
Descrever as especificações não deixa de ser uma maneira de evitar
problemas, pois o trabalho começa com a definição da finalidade da peça
gráfica: catálogo, cardápio, folder etc. É importante a reflexão sobre o uso do
impresso, como será manuseado, o local de armazenamento, o ambiente, a
disposição a intempéries como água, gordura, dobra, queda, entre outras
possibilidades. As condições de uso do impresso determinarão fatores como
formato, acabamento e até mesmo a tiragem.
As especificações devem ser claras e objetivas para ambas as partes. Esse
trabalho normalmente abrange os seguintes procedimentos: tiragem, formato
fechado e aberto, número de páginas, tipo de substrato (papel, polímeros etc.)
e espessura, número de cores da impressão, tipo de dobra, recursos de
enobrecimento, tipo de encadernação, de prova e de impressão,
acondicionamento, transporte e prazo de execução.
Podemos dizer que a eficiência do trabalho de acompanhamento gráfico
consiste em estabelecer uma sequência precisa de produção, na capacidade de
antecipar problemas, no gerenciamento das etapas e na presteza em corrigir
desvios nesse processo. Quando se lida com uma gráfica on-line
(Web2Print), sem a possibilidade de contato direto, é preciso preparar o
arquivo digital a ser enviado considerando os aspectos técnicos de produção e
suas limitações. Deve-se considerar que nem todos os trabalhos se adaptam a
esse esquema rápido e cômodo de produção. Esse é um nicho específico de
mercado, em que projetos com grandes tiragens e recursos específicos muito
comuns em embalagens e projetos editoriais mais sofisticados ficam de fora.
Pré-impressão

PROJETO GRÁFICO
Esta é a primeira etapa da cadeia produtiva da produção de uma peça gráfica.
O projeto gráfico é a materialização do empreendimento a ser realizado na
forma bidimensional ou tridimensional, dependendo da especificidade do
projeto, e deve conter dados informativos e aspectos funcionais e formais que
atendam às expectativas do cliente.
O planejamento do projeto envolve o atendimento às demandas de
determinado público. Ele precisa ter um visual diferenciado para chamar
atenção, criar empatia, comunicar de modo objetivo e eficiente, estabelecer
uma relação de aproveitamento das potencialidades na cadeia de produção
gráfica de modo a economizar custos e prejudicar o mínimo possível o
equilíbrio entre o meio ambiente e as comunidades humanas no planeta. Ou
seja, não basta elaborar um rascunho e finalizá-lo no computador para
apresentar ao cliente um layout criativo, é preciso ter um pensamento global e
responsável diante do processo projetual e suas consequências.
O ORIGINAL GRÁFICO E SUA REPRODUÇÃO
O original é a representação de algo reproduzível na forma bidimensional,
por exemplo: fotos, pinturas, desenhos e textos. Ele pode ser obtido mediante
o processo analógico ou o digital. O analógico permite a concepção do
original por meio da fotografia com filme ou por técnicas convencionais de
ilustração, como a aquarela. O original analógico precisa passar por um
dispositivo de entrada (uma câmera ou um scanner) para ingressar no meio
digital e ser manipulado. O original digital pode ser captado com câmeras
digitais ou produzido no próprio meio digital, como um texto elaborado em
um programa de editoração eletrônica ou uma ilustração concebida em um
software como o Photoshop. O original pode ser classificado como preto e
branco ou colorido, com base opaca ou transparente e imagem a traço ou com
tom contínuo.
O original digital é classificado em dois tipos: vetor e bitmap. O vetor (ou
imagem vetorial) é composto por “nós” que se interconectam e formam retas
e curvas. Os vetores podem ser ampliados sem problemas de distorção ou
perda de qualidade, pois eles não dependem de resolução – pode-se utilizar a
máxima resolução de saída do dispositivo de impressão ou trabalhar com a
saída digital solicitada ou estabelecida pelo software.
O bitmap (ou imagem bitmap) é formado por pixels. A qualidade desse
tipo de original é definida pela quantidade de pixels em determinado espaço
definido por uma unidade de medida, normalmente pixel ou centímetro,
denominada resolução de imagem. Geralmente, processos de impressão como
offset utilizam resolução mínima de 300 pixels por polegada, no entanto, os
valores podem ser alterados devido às variáveis do processo. Esse tipo de
imagem não suporta ampliação direta, pois gera perda de qualidade e cria um
aspecto reticulado na imagem. Lembre-se sempre de solicitar à gráfica a
resolução adequada para a impressão, pois é preciso criar e manipular o
original de acordo com essa informação.

Figura 10 – Imagem vetorial, sem ampliação e bitmap ampliada.


Fonte: Elaborada pelo autor.
À esquerda, exemplo de imagem vetorial ampliada para mostrar os nós de
manipulação, e, à direita, imagem bitmap com ampliação exagerada para
mostrar a composição dos pixels. Ao centro, estão as imagens sem
ampliação, com resolução de 300 pixels por polegada.
No momento da inserção do original digital no fluxograma gráfico,
devemos sempre questionar qual será a sua dimensão final (tamanho), o nível
de qualidade necessário (resolução da imagem) e o local onde será aplicado
(revista, cartaz etc.). Essas perguntas são importantes, pois, dependendo do
dispositivo de saída (sistema de impressão) do original, ele deverá ser
elaborado com as qualificações necessárias para esse fim. Caso não seja
obtido ou criado com as qualificações necessárias, o trabalho de captura e de
manipulação terá de ser refeito. Os websites de gráficas frequentemente têm
seções que especificam o nível de qualidade necessária e que dão dicas de
finalização de arquivos digitais de modo a obter o melhor aproveitamento que
o original pode oferecer.

Figura 11 – Esquema geral de reprodução digital de um original.


Fonte: Elaborado pelo autor.
A COR NO PROCESSO GRÁFICO
A cor é um dos elementos que implica maior controle no gerenciamento da
produção gráfica, pois está sujeita a variações de padrão nos mais variados
equipamentos durante a cadeia produtiva e as condições de percepção
humana e iluminação. É possível entender cor como um fenômeno
constituído a partir de ondas eletromagnéticas que causam uma sensação
subjetiva por meio da luz que é percebida pelo cérebro através dos olhos nos
seres humanos e em um pequeno número de espécies animais. No entanto, a
questão da cor pode gerar mal-entendidos e confusão, pois as pessoas a
percebem de modos diferentes. A teoria da cor é uma tentativa de
sistematizar as propriedades de percepção desse fenômeno relativo e mutável
que depende da iluminação, do ambiente, das técnicas de reprodução e das
habilidades individuais em perceber essas sensações.
O entendimento técnico da cor para a produção gráfica é descrito a partir
da relação entre todas as áreas do processo de produção. Para criar uma
unidade de comunicação entre os profissionais gráficos durante o fluxo de
produção de uma peça gráfica e garantir que a mistura de cor em diferentes
quantidades possibilite a obtenção de outras cores ou tons com o máximo de
precisão possível, foram estabelecidos padrões. Os mais comuns são o
CMYK e o RGB. Esses sistemas são constituídos por cores primárias que não
se decompõem, mas, quando misturadas em proporções variáveis, produzem
grande parte das cores que enxergamos nos materiais impressos. Embora seja
complicado tratar do tema sem exemplos coloridos, pois esta obra é impressa
em apenas uma cor, faremos uma abordagem descritiva a partir desse
princípio de decomposição (separação) das cores primárias no sistema
gráfico.
O CMYK é usado para designar a cor no sistema de impressão e é
entendido a partir da mistura das cores primárias (com sua denominação em
língua inglesa): Cyan, Magenta, Yellow e BlacK – a letra K é usada para
evitar confusão com o azul (blue, em inglês); em português: Ciano, Magenta,
Amarelo e Preto. O modo de cor CMYK é conhecido como cor pigmento ou
sólido. Esse sistema é conhecido como subtrativo, pois à medida que
adicionamos pigmento em uma superfície, a luz que incide na superfície
pigmentada absorve alguns comprimentos de onda eletromagnética e reflete
determinado comprimento de onda, que é a cor que enxergamos. Para
exemplificar esse sistema, misturamos as três cores primárias CMY em uma
superfície e obtemos uma cor com praticamente todas as luzes absorvidas, ou
seja, o preto, que em produção gráfica é denominado “preto sujo” ou
amarronzado. Isso justifica o uso da quarta cor primária na produção de
impresso, pois o preto serve como recurso para melhorar o contraste na
impressão. Outro exemplo é a somatória das duas cores primárias, ciano e
amarelo, para a obtenção da cor secundária verde. Da mesma forma,
misturando magenta e amarelo obtemos vermelho, e ciano e magenta, o azul.
As três cores secundárias em síntese subtrativa são as primárias na síntese
aditiva.
O modo de cor RGB é formado pela sigla (em inglês): Red, Green e Blue;
em português: Vermelho, Verde e Azul. Esse modo de cor é conhecido como
sistema aditivo, pois as cores são formadas a partir da luz emitida por uma
fonte de iluminação, como uma lâmpada, o sol e, mais comumente na
produção gráfica, uma tela de computador. Nesse sistema, a junção das cores
primárias (RGB) forma a cor branca. Na sobreposição das cores vermelho e
verde, que são primárias, obtemos a cor amarela, que é secundária. Do
mesmo modo, na adição do verde e azul, temos como resultado o ciano. Na
somatória do vermelho e azul, temos a cor magenta. Como é possível
perceber, as três cores secundárias, nesse sistema, são as primárias no sistema
subtrativo.

Figura 12 – Esquema visual com a organização das cores primárias nos sistemas e as misturas para a
obtenção do preto e do branco.
Fonte: Adaptado de Baufeldt (2000).
Diversos softwares permitem a manipulação digital das cores nos sistemas
aditivo (RGB) e subtrativo (CMYK) por meio de controles detalhados. Para
criar cores no sistema RGB, é necessário atribuir um valor numérico entre 0 e
255 para definir espaço de cor entre as misturas dessas três cores primárias
em diferentes gradações. No sistema CMYK, esse processo se dá pela
atribuição de porcentagens entre 0 e 100. Antes do advento dos
computadores, o uso de porcentagens para o sistema CMYK já era usado para
o controle do processo gráfico, inclusive com o uso de uma ferramenta de
especificação das misturas das porcentagens de cores em um gabarito
impresso, conhecido como escala Europa. Essa escala impressa é usada ainda
hoje, sendo útil para garantir certa fidelidade de cor ao estabelecer um
comparativo entre as porcentagens que formam a cor, o que é visualizado no
monitor e o que está impresso com o tipo de tinta e substrato especificado
para a produção da peça gráfica.
A alternância entre os dois modos de cor também é possível por meio da
manipulação digital, o que permite a avaliação do impacto no espectro de cor
das imagens que são perceptíveis, principalmente nos tons azulados e
esverdeados entre os sistemas CMYK e RGB. O processo de controle e de
distorções de cor durante o fluxo gráfico é chamado gerenciamento de cor, e
é um procedimento que preza a calibração dos softwares, equipamentos e
controle de processos para garantir o bom resultado de qualquer trabalho
gráfico.
Vale destacar que existem cores impossíveis de serem reproduzidas pelos
padrões apresentados anteriormente ou que podem sofrer variações. Nesse
sentido, quando mais fidelidade à determinada cor ou a reprodução de cores
metálicas, fluorescentes, dourada, prateada e até cor branca são necessárias –
visto que o branco é sempre a ausência de cor na impressão –, usamos a
expressão cor especial. Em muitos casos, é comum inclusive o termo ser
usado como sinônimo de Pantone. No entanto, é preciso atentar para o fato de
que Pantone é o nome de uma empresa americana que utiliza um sistema
próprio de organizar, identificar e comercializar solução para padrões
cromáticos. Devido à eficiência desse sistema, muitas empresas optam por
garantir a padronização da cor da marca e dos materiais de comunicação, nos
manuais de identidade visual ou branding (brand book), por meio da
especificação Pantone no lugar do sistema CMYK, por exemplo.
Existem também outros modelos desenvolvidos para organizar e controlar
a cor para uma variedade de aplicações, como o HSB, o CIE, a Hexacromia, a
cor indexada, entre outros. Para aprofundar-se nesse assunto, consulte a
literatura especializada, manuais de softwares gráficos, especificações ou
suporte técnico de equipamentos gráficos. Há indicações na seção
“Bibliografia comentada” que podem ajudar o leitor nesse sentido.
Todo processo de reprodução de um impresso requer a separação do
grafismo a ser reproduzido em partes, e esse critério tem como base a
quantidade de cores a ser impressa na frente e no verso do produto, dando
origem a especificações numéricas como “1x0”, para designar uma cor
impressa na frente e nenhuma no verso, e “4x4”, quatro cores na frente e no
verso, entre outras combinações. Por uma questão de custo, existem muitas
peças gráficas impressas com apenas uma ou duas cores, como é o caso do
saco para embalar pães e guardanapos. Muitas impressoras, inclusive,
acompanham essa tendência, pois elas são formatadas para a impressão
exclusiva de uma ou duas cores. Para trabalhos mais sofisticados, há
máquinas que podem imprimir todas as cores primárias e até cores especiais
na frente e no verso do produto simultaneamente. Para a impressão em
quadricromia (4 cores), o material a ser impresso é dividido em matrizes com
as quatro cores primárias da síntese subtrativa (CMYK). O grafismo a ser
impresso é formado por pontos de retícula e impressão sequencial para criar o
efeito colorido por meio da mistura ótica nos olhos do observador com a
justaposição das retículas. Esse fenômeno, geralmente, é visível apenas com
uma lente de aumento. O aparelho mais usual para esse fim é conhecido
como conta-fios.
Os processos de impressão que utilizam uma ou duas cores geralmente
fazem uso de layouts que priorizam imagens a traço, que são conhecidas pelo
uso da cor normalmente com porcentagem fixa de 100% de tinta.
Classificamos essa especificidade anteriormente como original a traço.
Basicamente, identificamos o grafismo a ser impresso a traço ou tom
contínuo. O traço, como mencionamos anteriormente, não tem variação tonal.
O tom contínuo ocorre quando o grafismo é transformado em pequenos
pontos com 100% de tinta que simulam a variação tonal e a composição de
cores, possibilitando reproduzir o efeito claro ou escuro na imagem. Esses
pontos são chamados de retícula. É possível enxergar a retícula em um
impresso por meio de uma lupa. A figura mostra o mesmo grafismo com
característica visual a traço e tom contínuo. A retícula que forma o grafismo
em tom contínuo foi ampliada em excesso para simular a verificação da
imagem através de uma lupa ou um conta-fios.

Figura 13 – Grafismo com característica visual a traço e tom contínuo.


Fonte: Elaborada pelo autor.
Durante o processo de impressão, a matriz recebe a mesma quantidade de
tinta sobre a superfície, mas a variação da quantidade de pontos de retícula
por pontos ou por centímetro linear, conhecido pelo termo lineatura, ou a
variação de tamanho do ponto permite a reprodução do claro e escuro na
imagem. Quando o impresso é constituído por mais de uma cor, as retículas
são posicionadas em ângulos de modo que nenhuma se sobreponha a outra.
Desse modo, a ilusão da transição de tons no grafismo se torna eficiente. É
importante destacar que existem retículas com diferentes formatos de pontos
e formas diversas de organizar a distribuição dos pontos em um espaço
determinado. A retícula está diretamente ligada à necessidade do controle de
qualidade da cópia no momento da impressão, pois o bom resultado depende
da pressão exercida pelo contato entre o ponto entintado e a capacidade de
absorção do substrato que recebe a tinta.
FONTES DIGITAIS
A terminologia “fonte”, no meio gráfico, representa um conjunto de
caracteres que segue um padrão básico de construção por meio do desenho
(estilo), da relação métrica (corpo) e do espaçamento entre as unidades desse
conjunto, de modo que o usuário possa compor um texto. A fonte
normalmente é designada em um corpo e estilo, por exemplo: Arial Bold,
com 12 pontos. A criação de fontes só se tornou um campo acessível com o
advento do computador, no final do século XX, que permitiu fácil acesso às
fontes e manipulação dos arquivos, que já podiam ser chamados de digitais.
No entanto, produzir uma fonte completa ainda é um processo trabalhoso e
que requer refinamento. A maioria dos usuários não tem a noção exata do que
é uma fonte digital e, por costume, usam fontes digitais instaladas por padrão
no sistema operacional de suas máquinas, como Comic Sans, Arial, Calibri
etc. Esse hábito faz com que as pessoas pensem que uma fonte digital se
limita a apenas isso.
Uma fonte digital é um software que contém letras do alfabeto, números,
ligaturas, pontuações e símbolos, descreve as características físicas das letras
em um corpo e um estilo e determina como elas devem ser desenhadas
durante a visualização em monitores e em impressos. Todo arquivo de fonte
digital possui configuração de ajustes entre letras e correções óticas para
determinados fins, rigorosamente especificados por quem criou e produziu o
projeto. Esses itens são configurados em sintonia com o desenho dos
caracteres e devem ser manipulados nos softwares gráficos com extrema
cautela. O alfabeto latino possui 26 letras, considerando-se os caracteres de A
até Z. Ao pensarmos em uma fonte digital, automaticamente reduzimos o
pensamento a essa conta, no entanto, uma fonte digital é muito mais que isso.
Acrescentando as maiúsculas e as minúsculas, dobramos o número de letras
para 52. Como se não bastasse, temos ainda os acentos, os números, as
frações, os símbolos matemáticos e monetários e as pontuações, o que amplia
bastante esse espectro.
Figura 14 – Alguns caracteres da fonte digital Myriad Pro no seu estilo regular, organizados de acordo
com suas funções.
Fonte: Elaborada pelo autor.
Pode-se dizer que uma fonte digital é um contêiner de letras. Para definir
uma sequência de letras que formará uma palavra, um programa qualquer de
computador solicita a letra por meio do sistema operacional, que formaliza o
pedido, entrando em contato com o Unicode de determinada fonte digital. O
padrão que fornece ao computador acesso à letra (Unicode) depende do
formato da fonte e do sistema operacional. Atualmente, os formatos mais
comuns no mercado são: TrueType, PostScript e OpenType.
O formato TrueType foi desenvolvido inicialmente pela empresa Apple e
contou com a colaboração da Microsoft. Ele foi criado para driblar os custos
– caríssimos – de licenciamento do padrão PostScript estabelecido pela
Adobe. O TrueType armazena em um único arquivo informações para
impressão e visualização em tela, e máquinas Mac ou Personal Computer
(PC) demandam arquivos específicos. O TrueType geralmente apresenta
problemas de rasterização, não sendo muito indicado para a geração de
matrizes de impressão.
O formato PostScript foi criado pela Adobe para impressoras PostScript
Tipo 1 e Rips (Raster Image Processor). Cada fonte possui um arquivo para
visualização em tela e outro para impressão, sendo necessário também um
arquivo específico para Mac ou PC. Os dois formatos de arquivo
apresentados (TrueType e PostScript) podem conter no máximo 256
caracteres diferentes, e por essa razão é preciso criar arquivos distintos para
fontes com famílias muito extensas.
O formato OpenType, criado em conjunto pelas empresas Adobe e
Microsoft para ser o sucessor dos formatos anteriores, superou esse
problema, pois ele permite alocar variações de sistema de escrita de uma
fonte em um único arquivo devido à grande capacidade de armazenamento de
caracteres. Os benefícios do formato OpenType não param por aí, pois ele
procura combinar características dos dois formatos anteriores, possui
natureza multiplataforma – o usuário pode usar o mesmo arquivo em Mac ou
PC, sem a necessidade de conversão – e permite também agregar recursos
avançados, como capitulares, ligaturas, caracteres alternativos, formas
históricas, alinhamentos óticos, idiomas diferentes, automatização de frações,
ordinais, alocar ornamentos, entre outros recursos. Para termos uma ideia da
gama de possibilidades que esse formato oferece, podemos citar o caso da
fonte Champion Script Pro, da type foundry Grega Parachute, que contempla
4.280 caracteres, com os sistemas de escrita Latino, Cirílico e Grego, e mais
27 recursos avançados OpenType, incluindo 117 ornamentos e molduras na
mesma fonte.
Atualmente, existem serviços on-line que oferecem acesso a amplas
bibliotecas de fontes que podem ser utilizadas diretamente nos aplicativos de
desktop ou web sem que seja preciso se preocupar com a instalação
individual de cada arquivo. Nesse caso, o gerenciamento das fontes é feito
por meio da plataforma oferecida ou pelo plugin, que é um módulo de
extensão para adicionar funções em programas robustos. Desse modo, não é
preciso ter contato com o formato de fontes ou instalar os arquivos no sistema
operacional, basta operar as soluções oferecidas pelas empresas. Esse tipo de
serviço agiliza tanto o trabalho de criação como o de pré-impressão no fluxo
de trabalho. Grandes empresas do mercado que comercializam fontes digitais,
como a Adobe, o FontShop, a Monotype, a Fonts.com e a MyFonts, oferecem
serviços dessa natureza.
No caso da instalação dos arquivos de fontes de modo individual no
sistema operacional, é aconselhável o uso de softwares específicos para essa
função, pois uma quantidade grande de fontes instaladas direto no sistema
operacional pode provocar falhas e deixá-lo lento. Softwares como o ATM
permitem a criação de pastas por trabalho, possibilitando a ativação das
fontes na hora em que se modifica o trabalho e a desativação na conclusão do
trabalho, preservando assim o sistema operacional.
Vale lembrar que tanto as fontes digitais quanto os softwares estão sujeitos
a licenças de uso. Cada fonte tem uma licença, que normalmente é veiculada
à empresa que a distribui e abrange as diversas formas de uso, como desktop,
web, anúncios digitais, aplicativos para dispositivos móveis, servidores e
livros digitais. Frequentemente, as licenças não permitem cópia e
distribuição, portanto é importante ler com cuidado o contrato de licença de
uso ao adquirir esse tipo de produto.
Na montagem da arte-final para envio à gráfica ou para a geração da matriz
de impressão, é preciso se ater ao fato de que não se deve abrir o arquivo em
um computador diferente daquele originalmente usado para a criação da peça,
pois podem ocorrer problemas com a aparência do texto caso a fonte não
tenha sido instalada ou sincronizada. Para prevenir esse tipo de problema, ao
finalizar a edição, é aconselhável transformar a fonte em curva ou incorporá-
la ao arquivo ou enviá-la separadamente. O ideal, nesse caso, é sempre salvar
o arquivo com o formato PDF/X1-A, o que dispensa a conversão das fontes
em curvas, pois esse recurso pode causar perda de qualidade em alguns casos.
O Portable Document Format (PDF) é um formato de documento portátil
multiplataforma largamente usado no mercado gráfico para a transferência de
arquivos a partir de normas internacionais. Ele exige que as fontes usadas no
trabalho sejam incorporadas ao arquivo e não permite o uso de transparências
e camadas.
RECURSOS PARA ARTE-FINAL

Esta é a última etapa que separa o processo de criação das fases de produção
em série do trabalho. Os ajustes dessa etapa podem ser feitos por um
profissional de criação ou um técnico gráfico. O importante é que se tenha a
consciência de que o modo como se concebe o layout de um projeto em
meios digitais não é necessariamente o melhor modo para preparar o projeto
para a linha de produção nas indústrias gráficas. Em muitos casos, são
necessárias adaptações, indicações e a finalização do arquivo digital com
normas específicas – no meio gráfico, esse processo é conhecido como
fechamento de arquivo. Conforme mostrado no Capítulo 1, os processos de
impressão possuem formas diferentes de gravar e reproduzir a imagem. Essa
especificidade aliada a outras variáveis, como tipos de tinta, características
químicas e mecânicas durante a impressão, aproveitamento de matéria-prima,
separação das matrizes em cores primárias CMYK, diferença entre imagem a
traço e tom contínuo, recursos de proteção para pequenas variações de
enquadramento nas máquinas, exigem adaptações nos arquivos, pois nem
sempre os softwares gráficos deixam transparecer essa demanda. Ou seja, é
imprescindível que o profissional de criação domine questões que envolvam
a produção gráfica, pois muitas vezes as modificações necessárias para a
adaptação ao fluxo gráfico podem envolver, inclusive, mudanças de layout
para adaptar o projeto à linha de produção.
Na criação de layout on-line por meio de soluções que trabalham com o
conceito Web2Print, o profissional é direcionado a usar modelos de
documentos pré-prontos (templates) com conteúdo, apresentação visual e
instruções sobre onde e qual tipo de conteúdo pode ser inserido. Esse tipo de
predefinição formata a criação em conjunto com as especificações para
finalizar o trabalho para a impressão e dispensa o uso de softwares próprios,
como o Adobe, o Photoshop e o Illustrator, instalados no computador do
usuário, por exemplo. Esse procedimento dinamiza o processo de criação e de
produção gráfica com direcionamentos específicos e tutoriais. No entanto,
existem limitações inerentes a esse tipo de padronização e nem todo projeto
gráfico e recurso se adapta à essa demanda, pois projetos mais complexos
exigem o que podemos chamar de fluxo gráfico tradicional.

Figura 15 – Configuração de um layout em tempo real pela internet.


É fundamental considerar, quando se projeta um material, se ele
necessitará de formato aberto, chamado também de planificação. Peças que
envolvem dobras, vinco e formatos irregulares exigem essa representação
técnica: embalagens, folders, urnas, displays, pastas, peças editoriais,
promocionais, entre outros. A planificação em produção gráfica é o processo
para representar em um desenho plano uma peça gráfica tridimensional. A
representação gráfica planificada normalmente tem a função de indicar as
linhas referentes aos cortes e aos vincos e de mostrar o desenho dos
impressos que possuem formatos finais irregulares.

Figura 16 – Exemplo de planificação para um folder com duas dobras paralelas. No jargão gráfico,
essa dobra é chamada de “carteira” ou “u”.
Fonte: Elaborada pelo autor.
A planificação também é usada para o recurso de imposição em projetos
editoriais. Se pensarmos que o trabalho de impressão deve reduzir ao máximo
o tempo de uso da máquina e aproveitar todo o espaço de impressão
disponível no maior formato de papel possível, fica fácil entender que a
imposição também é o procedimento para a distribuição da maior quantidade
de páginas de um projeto editorial em apenas uma folha com o formato
máximo admitido pela máquina de impressão. Esse processo de montagem
distribui as páginas de um caderno em uma folha aberta, de acordo com uma
sequência determinada, para atender aos requisitos de impressão e de
acabamento do projeto. Além da planificação, é comum também o envio de
um modelo do material a ser produzido na gráfica, chamado de “boneco” –
ele serve para orientar os aspectos de acabamento de trabalhos mais
complexos, como as dobras, a sequência, a intercalação, os cortes
diferenciados, a colagem etc.
Sabe-se que as tintas de impressão possuem transparência, e essa
característica faz com que uma figura a traço, impressa com apenas uma cor,
seja visível através da tinta utilizada para a sua impressão, formando uma
sobreposição entre o objeto de primeiro plano e o fundo e gerando uma nova
cor. Esse processo é conhecido como overprint. A sobreposição é indicada
nos casos em que a cor do objeto sobreposto não é sensível a variações de
cor, como o preto, ou quando os objetos possuem linhas finas ou letras de
corpo pequeno. Nas situações em que a sobreposição de tintas durante a
impressão é indesejável, pois resulta em uma outra cor não planejada, usa-se
uma reserva de cor (knockout), que é um espaço deixado nas camadas de tinta
inferiores para que qualquer imagem impressa sobre ela apareça sem
modificação de cor. Embora os impressos possuam marcas de registro para o
controle das sobreposições das cores primárias na impressão, pequenas
variações podem ocorrer. Para prevenir eventuais problemas durante a
impressão, é usado o recurso conhecido como trapping, que altera a
dimensão da imagem de primeiro plano, alargando o seu formato de modo a
sobrepor áreas adjacentes na área de knockout, formando um filete de encaixe
com a somatória das cores sobrepostas, o que evita um filete branco na falta
do registro perfeito.
Figura 17 – Esquema visual que explica o recurso de trapping.
Fonte: Adaptado de Adobe (2017).
Nos processos de impressão com sobreposição de mais de uma cor
primária, deve-se ater ao fato de que fontes digitais, principalmente em corpo
pequeno, não devem ter cor formada a partir da mistura de cores primárias,
pois qualquer pequeno desvio no registro de impressão pode resultar em
palavras com sombras, o que causa confusão visual e impossibilidade de
leitura. O mesmo ocorre com fontes aplicadas em negativo em fundos
formados por mais de uma cor sobreposta, pois a variação no registro
também vai formar sombras nos textos, impossibilitando a leitura. Portanto, é
aconselhável usar uma cor formulada a partir de uma só tinta. Certamente,
nesse caso, temos uma postura projetual que remonta o trabalho do
profissional de criação nos primeiros estágios da decisão criativa. Esse não é
propriamente um recurso de arte-final, mas sim uma questão a ser revisada
caso o autor do projeto falhe ou não tenha conhecimento sobre a relevância
dessa etapa para o sucesso do projeto formatado para impressão em máquinas
gráficas.
Elementos gráficos que se estendem até a borda da peça gráfica acabada
recebem o nome de sangria. No projeto do layout, esses grafismos devem se
estender além do ponto em que a página será refilada, de modo que
continuem após o acabamento do trabalho. Na finalização do layout, um
recurso fundamental é a colocação de marcas de corte no entorno do projeto,
pois os grafismos sangrados devem se estender em, pelo menos, 5 mm além
dessas marcas para assegurar o resultado. Além da marca de corte, o
impresso com dobras precisa conter marcações fora do formato final. É
importante estar atento a essas áreas e deixar uma margem de segurança para
os grafismos, porque, ao fazer a dobra e o corte, a máquina pode variar entre
2 e 3 milímetros para cada lado. Portanto, deve-se manter os mesmos 5 mm
de margem de cada lado para que a dobra não seja feita em cima de um
conteúdo não programado. Outros recursos de arte-final são as marcas de
registro de impressão e o target de controle, que tem por função o controle de
variáveis de impressão, como registro, pressão, cobertura da tinta etc.

Figura 18 – Exemplo de layout com alguns recursos para arte-final.


Fonte: Elaborada pelo autor.

Substratos para impressão

O uso da denominação substrato é adotado no sentido de caracterizar uma


base física composta por qualquer tipo de material capaz de receber
impressão. Ao usarmos um termo genérico, a intenção é abrir um leque de
possibilidades para que qualquer matéria que compõe um corpo sólido possa
atuar nessa função. Nesse sentido, o substrato passa a ser entendido com uma
superfície que está condicionada a aspectos de ordem prática que envolvam
bom desempenho em condições químicas de fixação da tinta, velocidade de
impressão, resistência, funcionalidade e até questões estéticas e de custo. A
seguir, nos debruçaremos detalhadamente sobre os papéis e os polímeros, que
são os materiais mais usados para essa função. Na sequência, abordaremos
brevemente outros tipos de substratos que são usados para impressão.
PAPEL
O papel é um dos substratos mais usados como suporte para receber
impressão na indústria gráfica. Baer (2004) define papel como um material
em folhas, com uma estrutura porosa e espessura regular, constituído de uma
trama de fibras entrelaçadas e quase sempre de natureza vegetal. O papel
produzido no Brasil origina-se de árvores plantadas pela indústria brasileira,
um recurso renovável, e as principais árvores para esse fim são o eucalipto e
o pinus. O eucalipto possui fibra curta, e o pinus, fibra longa. Esse fator
influencia a fabricação de uma pasta chamada de celulose, pois a fibra longa
destina-se a papéis que demandam mais resistência, como embalagens e
papel para jornal, e a fibra curta é ideal para papéis para escrita, impressão,
fins sanitários, entre outros, por possuírem menor resistência, com alta
maciez e absorção. De acordo com a Associação Brasileira Técnica de
Celulose e Papel,5 o Brasil é o maior produtor de celulose de eucalipto do
mundo.
Para entender as características dos papéis e definir os aspectos
importantes para a escolha de suas aplicações, é interessante entender alguns
aspectos de fabricação. A produção industrial envolve processos mecânicos e
químicos. Basicamente, o papel é composto de uma pasta a partir de fibras
vegetais obtidas da madeira (celulose) e aditivos de origem mineral como o
caulim, o dióxido de titânio, o sulfato de bário, entre outros, para a melhoria
do acabamento, lisura, absorção, receptividade à tinta de impressão, aumento
da opacidade etc. Também são adicionados no processo corantes, pigmentos,
branqueadores, agentes de colagem e outros compostos químicos com
finalidades diversas, mas que buscam melhorar o desempenho do papel em
determinadas funções que acabam criando aspectos específicos na massa no
papel, bem como no revestimento da superfície.
Escolher o papel adequado é sempre uma etapa complicada, pois existem
no mercado diversos tipos e qualidades de papel e muitas informações
técnicas que confundem quem não tem familiaridade com o assunto. No
entanto, o papel, como substrato, afeta diretamente a qualidade sensitiva da
peça gráfica, o preço, a legibilidade, a qualidade das imagens, o acabamento,
a distribuição, tem peso significativo no orçamento do projeto e exerce
impacto ecológico no ciclo produtivo e pós-uso do material produzido.
Dependendo das aplicações, os papéis necessitam ter determinadas
características, como rigidez à flexão, permeabilidade, durabilidade,
opacidade, entre outros pontos. Nesse sentido, é importante considerar que a
pasta extraída principalmente da madeira que forma a base do papel, assim
como o revestimento que sua superfície recebe, são determinantes para que se
obtenha os resultados esperados. De modo simplista, essas duas
características estão na base da classificação geral dos papéis se pensarmos
em três grandes categorias: papéis revestidos, não revestidos e reciclados.
Outras características importantes são a gramatura, a textura, o formato, a
direção da fibra, a estabilidade dimensional e a cor.
Figura 19 – Exemplo de layout com alguns recursos na arte-final.
Fonte: Elaborada pelo autor.
A indústria gráfica trabalha com papel no formato de folhas ou rolos de
acordo com as características das máquinas de impressão. Alguns tipos de
papéis e seus usos estão sujeitos às normas da Organização Internacional para
Padronização (ISO), por exemplo, a ISO 216, de 1975, que define os
tamanhos de papéis em séries, da qual faz parte o formato A4 de uso comum
com as dimensões de 210 mm de largura por 297 mm de altura. Outro padrão
importante para o mercado gráfico é a ISO 12647-2, consolidada
internacionalmente, que trata de resultados previsíveis e repetíveis em relação
a características visuais do impresso, a partir do substrato e de outras
variáveis. O atendimento aos requisitos da norma é usado como diferencial
pela indústria papeleira na oferta de produtos para obter padronização no
processo gráfico quanto à fidelidade de cor e à qualidade de reprodução para
imagens e textos.
Como existem muitos tipos de papéis e fornecedores no mercado, e a
proposta deste livro é dar uma visão conceitual dos aspectos introdutórios da
produção gráfica, elaboramos uma relação que procura abarcar aspectos
gerais de alguns dos principais tipos de papéis e suas indicações de uso.

Papel offset: papel sem revestimento superficial, possui acabamento


uniforme, é encorpado, fosco, branqueado, com grande quantidade
de cola. Tem gramatura que varia de 56 g/m² a 240 g/m2.
Normalmente destinado à impressão offset, com boa durabilidade,
resistência à umidade e baixo custo. Indicado para miolo de livros,
folhetos, cartazes, selos, papel timbrado etc. Existem também
papéis offset mais sofisticados, conhecidos como Alta Alvura, com
elevado nível de brancura e alto grau de opacidade, ideal para
impressões com alta precisão de imagens.
Papel-cuchê: conhecido também como “couché” ou “couchê”,
deriva da palavra francesa com grafia similar, que significa
“recobrir”, “camada”. É formado por uma base de papel offset que
recebe revestimento em um ou ambos os lados, com a finalidade de
tornar a superfície mais lisa e uniforme. Pode ser encontrado na
versão brilho ou fosco, em gramaturas de 90 g/m² a 300 g/m2. É um
papel muito utilizado pelo mercado gráfico por possuir ótima
qualidade de impressão. Indicado para catálogos, folders, cartões de
visita, cartazes, revistas, encartes etc.
Papel reciclado: basicamente, usa-se papel usado para produzir
outro. Esse tipo de papel normalmente tem cor natural, resultado da
mistura das tintas de diversas cores e de fibras marrons presentes
nos papéis recuperados. Há processos caseiros e industriais para a
sua produção. Na produção industrial, o papel pode ser formado de
aparas de pós e pré-consumo e pode-se adicionar fibra virgem na
sua constituição. Muitas empresas usam o papel reciclado como
estratégia de marketing, para mostrar ao público preocupação
ambiental. O papel reciclado exige maior controle do processo de
impressão pois suas fibras são menores e têm menos uniformidade.
É um papel menos ácido e tende a amarelar mais rápido com o
tempo, tem preço mais elevado e geralmente não possui
revestimento de superfície, ou seja, tem qualidade inferior ao papel
“virgem”, mas compensa pelo visual diferenciado e seu apelo
social. Usado em miolo de livros, revistas, materiais promocionais,
artigos de papelaria, extratos bancários, embalagens, fins sanitários,
entre outros. É possível a introdução de sementes na fabricação do
papel reciclado, o que tem sido chamado de “papel semente”.
Papel Kraft: é um nome genérico dado aos papéis fabricados com
pasta (celulose) não branqueada, mas existem também Kraft branco
ou em cores. A maioria dos Krafts é fabricado a partir de pasta com
fibra longa, o que confere resistência à rasgo e tração. Tem
gramaturas que variam de 40 g/m² a 150 g/m2. É um papel muito
usado para embalagens em geral, principalmente as de grande porte,
para sacos, caixas, envelopes, entre outros.
Papel-cartão: encorpado e rígido, com mais de uma camada
sobreposta que se adere por compressão, o que lhe confere uma
gramatura superior aos demais. É fabricado na faixa de gramatura
de 200 g/m² a 600 g/m2, com ou sem revestimento superficial. Entre
os tipos mais comuns destacam-se:
Dúplex: composto por duas camadas, a primeira com
celulose branqueada revestida e a outra com pasta não
branqueada ou de aparas, na cor natural. É utilizado para
pastas, caixas e embalagens que não exigem muita qualidade
em seu verso.
Tríplex: similar ao dúplex, porém formado com três
camadas. Confeccionado com duas camadas de celulose
branqueada e o miolo não branqueado ou de aparas, na cor
natural. Pode ter um dos lados com cobertura cuchê, possui
maior resistência e possibilidade de impressão dos dois
lados. Utilizado em capas de livro, embalagens, impressos
publicitários, catálogos, brinquedos, tabuleiros e impressos
em geral que exigem qualidade de impressão.

Existem outros tipos de papel-cartão que podem ser chamados de branco,


cartolina etc. Em geral, possuem todas as camadas de celulose branqueada ou
uma única camada fibrosa de alta gramatura e sua composição varia em
função das exigências de sua aplicação.
Por ordem prática, não vamos discorrer sobre outros tipos de papéis, mas é
aconselhável pesquisar na indústria papeleira e em gráficas ou na literatura
disponível as opções e os pontos positivos e negativos de cada papel de
acordo com o fim específico. Baufeldt (2000) divide os papéis em grandes
grupos: impressão, escrita, embalagens leves, embalagens pesadas, papelão
ondulado, para fins sanitários e especiais. Pesquisar papéis a partir de um
grupo específico é importante por existirem projetos que limitam a aplicação
do substrato, como é o caso do papelão ondulado, que tem seu uso restrito à
indústria de embalagem, ou o papel de seda, que possui baixa gramatura, alto
grau de refino e é voltado para embalagens leves, embrulhos, intercalação e
proteção de frutas, por exemplo. Por fim, vale ressaltar a existência de papéis
especiais que conferem enobrecimento de peças gráficas por meio da cor, da
textura e da qualidade das suas propriedades. Os fornecedores dessa linha de
papéis normalmente oferecem atendimento diferenciado e catálogo de
amostras que serve como uma boa ferramenta auxiliar no processo criativo
projetual.
POLÍMEROS
O polímero é uma macromolécula formada pela união de unidades estruturais
menores chamadas monômeros. As normas internacionais indicam que o
princípio para nomear os polímeros deve utilizar o prefixo “poli”, que tem
origem grega e significa “muitas”, seguida pela unidade estrutural repetitiva
(monômero) que define o polímero. Assim, temos polietileno, poliestireno,
polipropileno etc. O emprego desse material é muito complexo devido ao
baixo custo, peso reduzido, resistência e versatilidade. Conhecidos
popularmente por plástico, possuem como matéria-prima usual, na maioria
dos casos, o petróleo, do qual se extrai a nafta para a produção dos
monômeros: propeno, eteno, buteno, entre outros, para a formação do
polímero que será processado pelo setor de transformação de plástico em
artigos para o consumo e posterior descarte para possível reciclagem. Pelas
diferentes propriedades de composição química e a grande variedade de
aplicações dos polímeros, por questões de ordem prática, vamos nos ater a
aplicações dos polímeros que são mais usados na confecção de embalagens
rígidas, como potes, garrafas, frascos etc., e embalagens flexíveis que se
referem a filmes, que são a base para produzir por rótulos, sacolas, sachês
etc., onde se concentra o seu maior uso na indústria gráfica.
O uso do polímero em embalagens rígidas é feito a partir da fusão das
resinas, utilizando elevadas temperaturas e transporte por meio de um molde
que serve como matriz para gerar o formato final do produto a ser fabricado
com técnicas conhecidas como injeção, extrusão, termoformação a vácuo,
rotomoldagem, entre outras. A comunicação visual da embalagem rígida é
aplicada por processos de impressão que se adaptam a superfícies irregulares,
como a serigrafia e a tampografia, pela fixação de rótulos termoencolhíveis,
conhecidos como sleeve, que podem ser produzidos em rotogravura ou
flexografia, impressão em máquinas específicas, como o sistema Heat
transfer, que é similar ao Hot Stamping, e ainda por In Mold Label, que
possibilita fundir o rótulo direto no molde da peça, eliminando a necessidade
da rotulagem separada, conferindo maior resistência ao atrito, umidade e no
contato com produtos agressivos.
Na produção de embalagens flexíveis, o polímero é usado como base para
a fabricação de filmes plásticos. Nesse processo, o material em grânulos
passa por uma máquina extrusora em condição de temperatura elevada e
pressão para formar filmes com uma única camada para impressos que
servem para rótulos e empacotamento automático de diversos produtos. No
processo de coextrusão, é possível sobrepor dois ou mais materiais plásticos
com o objetivo de gerar filmes mais resistentes à gordura, a oxigênio, à água,
à luz, na impressão de embalagens para alimentos como laticínios,
embutidos, entre outros. É possível também unir materiais plásticos com
papel e alumínio para formar estruturas mais resistentes, mas por outros
processos que envolvem aplicação de cola e vácuo.
Os filmes plásticos possuem superfície não porosa, quimicamente inerte e
com baixa energia superficial, não apresentando condições ideais para a
fixação da tinta. Desse modo, os filmes normalmente recebem tratamento
superficial para melhorar a ancoragem da tinta. Os tratamentos superficiais
mais comuns são corona, à chama e químico, e eles melhoram a distribuição
da tinta na superfície do substrato e podem ser feitos durante o processo de
produção do filme ou, em alguns casos, na máquina impressora.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico,6 os tipos
de plásticos mais consumidos atualmente são os Polietilenos (PE), os
Polipropilenos (PP), os Poliestirenos (PS), os Politereftalato de etileno (PET)
e os Policloretos de vinila (PVC). São chamados de commodity devido à
grande produção e aplicação desses materiais; não por acaso, eles recebem
orientação de uso com símbolo de indicação da resina pela norma ABNT
NBR 13230 nos produtos para auxiliar na separação e posterior reciclagem,
contribuindo para a reciclagem dos materiais plásticos descartados com o
resíduo sólido urbano. No país, esse tipo de identificação é mais utilizado nas
embalagens plásticas rígidas. Embora a norma não faça referência específica
a plásticos flexíveis, é aconselhável a adoção da norma com a finalidade de
facilitar a logística reversa. No caso de laminação e de coextrusão de
materiais em multicamadas, deve-se indicar os dois componentes principais
da estrutura.

Figura 20 – Gráfico com as porcentagens de consumo de resinas termoplásticas no Brasil.


Fonte: Perfil Abiplast (2016).
Para entender as principais características e aplicação dos polímeros à
produção gráfica, a maneira como eles se integram à cadeia produtiva e de
aplicação do plástico por meio da indústria gráfica, aos setores de consumo e
de pós-consumo, vamos discorrer sobre os polímeros plásticos totalmente
recicláveis mais comumente utilizados atualmente.

Polietileno (PE): é o polímero quimicamente mais simples, possui


baixa condutividade elétrica e térmica, é atóxico, resistente ao
ataque de produtos químicos, flexível, leve e transparente. Os
polietilenos mais usados no mercado gráfico são o de baixa den-
sidade (PEDB) e o de alta densidade (PEAD). A principal diferença
entre eles é o que de baixa densidade apresenta moléculas com alto
grau de ramificação, sendo mais leve e flexível (usado para filmes,
laminados, recipientes, saquinhos de compras, entre outras
aplicações), e o de alta densidade apresenta estrutura isenta de
ramificações, formando um plástico rígido, resistente à tração e com
moderada resistência ao impacto (utilizado em recipientes, garrafas,
brinquedos, materiais hospitalares etc.). Existe no mercado a opção
de uso do polietileno fabricado a partir do etanol da cana-de-açúcar,
um biopolímero, conhecido como “plástico verde”, que faz uso de
matéria-prima de fonte renovável, diferente dos demais que são
fabricados com base petroquímica, uma fonte fóssil não renovável.
Polipropileno (PP): ele pode ser processado facilmente, tem alta
resistência à fratura por flexão, baixa densidade, atoxidade,
resistente à mudança de temperatura, alta transparência e brilho,
sendo muito usado em tampas dobráveis, embalagens injetadas de
ciclo rápido e parede fina, estojos, potes para margarina e sorvete,
xampu, garrafões de água mineral, copos descartáveis etc. A
película de polipropileno biorientada é chamada de BOPP e é muito
usada nos filmes plásticos de embalagens de salgadinhos, biscoitos,
chocolates, laminação de capas de livro etc. O BOPP pode ser
transparente, opaco, fosco ou metalizado.
Poliestireno (PS): tem como principais características
impermeabilidade, rigidez, leveza e transparência. Possui baixa
resistência química, térmica e mecânica. Utilizado em copos, pratos
e talheres descartáveis, brinquedos, bandejas, embalagem para ovos,
entre outros. No Brasil, o poliestireno expandido é conhecido
popularmente como isopor, material com excelente propriedade
acústica e baixa absorção de água, usado para embalagens de
alimentos e isolamento térmico e acústico. Esse material pode ser
100% reciclado, mas é pouco reaproveitado, tendo em vista que seu
volume é muito maior que a massa. Esse fato desestimula o
armazenamento e a coleta para a sua comercialização, pois o lucro
para o mercado de reciclagem é determinado de acordo com a
massa dos materiais.
Politereftalato de etileno (PET): material rígido e transparente,
sofre lenta cristalização, é amorfo, possui grande resistência ao
impacto, sendo um dos plásticos mais resistentes. Muito usado em
fibras têxteis, filmes e garrafas para bebidas por possuir excelente
barreira para gases e odores. Devido ao seu uso democrático, por
acondicionar produtos de modo seguro e acessível, proporciona o
alcance de artigos de qualidade para todas as classes, no entanto,
esse material também pode se tornar um grande problema para a
natureza devido ao descarte inadequado. Estima-se que embalagens
PET podem permanecer na natureza por cerca de 400 anos se não
forem descartadas corretamente ou recicladas.
Policloretos de vinila (PVC): material muito versátil, rígido,
impermeável e resistente à variação de temperatura. Uma das
principais aplicações do PVC é em tubos para encanamento de água
e esgoto. Ele é o plástico usado na fabricação de bolsas de sangue e
soro. Na indústria gráfica, é muito usado na produção de cartões
bancários e no controle de acesso, além de utilizado em embalagens
para produtos de higiene pessoal, proteção de produtos (blister),
toalha de mesa, brinquedos, entre outros.

OUTROS SUBSTRATOS PARA IMPRESSÃO

Grande parte da literatura produzida para a produção gráfica é voltada apenas


para as qualidades do papel como substrato, negligenciando outras
possibilidades, por exemplo, tecidos, metais, madeiras, vidros, couros,
pedras, cerâmicas e substratos com múltiplas camadas de materiais
diferentes, como é o caso da embalagem Tetra Pak, que contém papel,
polietileno e alumínio. Alguns desses substratos exigem, inclusive, processos
específicos de impressão com tintas próprias ou adaptações nos sistemas de
impressão convencionais, como é o caso do sistema conhecido como offset a
seco (dry offset), um processo que mistura conceitos da impressão
flexográfica e offset, empregando matriz em alto relevo, tinta pastosa e
excluindo a solução de molhagem no processo para impressão de latas de
refrigerante e aerosol.
É preciso considerar também a produção gráfica de produtos que exigem a
combinação de materiais com a finalidade de melhorar o aspecto funcional ou
econômico, como é o caso das embalagens. Uma visita a um supermercado
pode ser reveladora nesse sentido: há latas com impressão no metal e rótulo
de papel fixado, caixas de papel-cartão com produtos individualizados em
embalagens flexíveis de polímero e alumínio, garrafas de bebida com
impressão em relevo no vidro, rótulo em papel laminado e impressão em
tampa de metal, entre outros.
O tecido é um substrato muito presente no cotidiano, principalmente
devido ao mercado de vestuário, mas também nos setores de decoração,
promocional e na publicidade. O tecido pode ser composto por fibras
naturais, como o algodão, a seda, a lã de origem animal ou vegetal, ou as
fibras artificiais, como o nylon, o poliéster e o acetato. Existem tecidos
combinados com fibras naturais e artificiais e diversos tipos de pré-
tratamentos para melhorar a fixação da tinta no processo de impressão. O
tecido pode ser classificado pelo diâmetro do fio, densidade do tecido e
superfície. Quanto mais grosso o fio, mais denso o tecido, mais grossa deve
ser a camada de tinta na impressão e maior o tempo de secagem. Usa-se
geralmente para impressão em tecido a serigrafia ou a impressão digital por
sublimação, que consiste em prensar um papel contendo uma impressão feita
com tinta sublimática no tecido por um tempo determinado e uma
temperatura elevada para que a tinta do papel passe para o estado gasoso e se
ligue permanentemente à superfície que também foi aquecida durante o
processo.
A lona é um material com maleabilidade próxima à do tecido. Ela pode ser
confeccionada com matérias-primas diferentes e é muito usada no mercado
voltado para a comunicação visual exterior, conhecido também por Out of
Home, que atinge o consumidor enquanto ele está fora de casa. Existem lonas
texturizadas para a decoração de ambiente, perfuradas para a passagem de
vento e som, para banners, peças promocionais, painéis pequenos médios e
de grande formato, fachadas, toldos, entre outras aplicações.
Um desafio futuro para o mercado da produção gráfica é como atender
adequadamente aos substratos que têm surgido recentemente a partir de
matérias-primas sustentáveis com a possibilidade de serem facilmente
biodegradáveis e até ingeridos com o alimento. No caso das embalagens
comestíveis, pesquisas têm divulgado filmes produzidos a partir de algas,
frutas, leite, com características similares às de plásticos, podendo proteger
igualmente os alimentos e ainda acrescidos de compostos bioativos para
melhorar as propriedades do alimento. O mercado publicitário também está
atento para essa questão, e algumas agências já usaram anúncios comestíveis
como conceito criativo. No Brasil, a Loducca (atual LDC) assinou, em 2008,
a peça “Como este anúncio”, para a MTV Brasil, com papel feito a partir de
fécula de batata. A Ogilvy Cape Town criou para a Volkswagen da África do
Sul, em 2011, um anúncio comestível com o seguinte convite ao leitor: Eat
the road. Seriously, eat it. Há também outros usos publicitários com a mesma
abordagem. Em 2016, a Fazenda da Toca, produtora de orgânicos no Brasil,
lançou no mercado uma embalagem para ovos com material feito de fécula de
mandioca, fibras naturais e rótulo de papel semente. A ideia do pós-consumo
seria usar a embalagem como vaso 100% biodegradável enquanto o papel
germina mudas de manjericão.
As bioembalagens são ótimos substitutos para embalagens de polímeros. O
mercado ainda é pequeno e carece de divulgação e investimentos para
aumentar a produtividade e tornar os preços competitivos, mas os valores
éticos e de sustentabilidade fazem com que esse seja um interessante campo
de atuação para o mercado da produção gráfica.
O MEIO AMBIENTE E A RESPONSABILIDADE SOCIAL
Não podemos nos esquecer de que um dos principais elementos atuantes no
pós-uso da peça gráfica é o substrato, embora seja necessário considerar
também outros fatores relativos ao processo de produção do próprio substrato
e a sua transformação em produto. Decisões projetuais são louváveis se
envolverem formatos que economizem substratos de acordo com o formato
de impressão da máquina, escolha de materiais que diminuam o impacto
ambiental na produção e no descarte, o pouco uso de produtos tóxicos e
materiais não renováveis; ou seja, é relevante tomar decisões projetuais que
prezem pelo equilíbrio do meio ambiente como uma alternativa responsável,
tecnicamente possível e economicamente viável.
Ao tratar desse assunto, é importante entender que o custo não deve ser o
único parâmetro decisivo na escolha dos materiais e dos processos de
produção da peça gráfica. A preocupação com o meio ambiente tem
contribuído positivamente para consolidar a imagem social de numerosas
empresas no mercado, servindo como estratégia de marketing para a
notoriedade das marcas. O lançamento de novos materiais e produtos mostra
como as empresas têm adotado posturas compatíveis com a situação
ambiental em que vivemos atualmente. Como exemplos, podemos citar o
caso da sacola de mercado com polímero, criada a partir de fontes renováveis,
com material biodegradável ou oxibiodegradável, e empresas como o
McDonald’s, que há anos substituiu o isopor por papel nas embalagens dos
lanches e posteriormente trocou o plástico que embalava os guardanapos por
papel.
É preciso também se ater ao consumo responsável e consciente, além de
preservar recursos. Victor Papanek, no seu livro mais famoso Design for the
real world (1985), já trazia, no começo da década de 1970, os pilares da
sustentabilidade: reduzir, reutilizar e reciclar. Papanek discutia o
protagonismo do designer como responsável social pelos projetos que cria
para mundo. Ou seja, as partes envolvidas no processo (cliente, indústria e o
profissional de criação) são responsáveis sociais daquilo que geram para o
consumo. Atualmente, esse discurso tem direcionado a prática projetual
(design thinking) para o usuário e para suas reais necessidades no sentido de
não adequar projetos apenas ao lucro ou à eficiência da cadeia produtiva, mas
sim para evitar também a circulação de peças ineficientes que despertem
apenas o consumo fútil. É importante que as pessoas consumam menos,
reciclem e usem as coisas por mais tempo, gerando senso de responsabilidade
para todos os envolvidos no ciclo dos produtos.
Atualmente, a questão da responsabilidade social compartilhada acarreta
uma profusão de certificações e uso de selos em embalagens e em campanhas
publicitárias para comunicar matérias-primas renováveis, biodegradáveis,
oxibiodegradáveis, retornáveis, orientações sobre ciclo de vida do produto,
otimização do processo produtivo e do transporte do produto, destinação
correta para a reciclagem, entre outras ações voltadas para questões
ambientais que envolvem interesses econômicos. A Associação Brasileira de
Embalagens, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, por exemplo,
mantém em seu site7 um programa que visa ampliar a inserção de simbologia
em embalagens para melhorar o processo de triagem em cooperativas e
orientar consumidores sobre a importância do descarte adequado para as
embalagens utilizadas.
O grande problema é que essas questões complexas de sustentabilidade
não são tratadas com profundidade, pois não se analisa o ciclo de cada
produto para determinar o impacto ambiental efetivo, mas as soluções
trabalham nas pontas: ou elas orientam sobre a origem da matéria-prima ou
como ela deve ser descartada. Conhecer a sustentabilidade de um produto
envolve analisar todo o ciclo de vida, estabelecer comparativos e inclusive
políticas públicas de tratamento de resíduos. Essa é uma questão complexa,
com muito campo a ser explorado no futuro. A seguir, alguns exemplos de
selos divulgados no mercado a partir dessa temática:

Figura 21 – Alguns selos usados em embalagens no Brasil que tratam da questão ambiental.
Fonte: Elaborada pelo autor.

Processos de impressão

OFFSET
É o sistema de impressão mais usados pelo mercado editorial e publicitário
devido à boa qualidade de impressão e custo para tiragens entre mil e 500 mil
unidades, com a vantagem de aceitar uma grande variedade de papéis e
gramaturas. O sistema originou-se a partir do princípio usado no processo de
impressão litográfico. É um sistema de impressão indireto, no qual o
substrato não entra em contato com a matriz (normalmente uma chapa de
alumínio gravada por fotogravura ou laser), que é acoplada em um dos
cilindros da máquina e transfere a imagem para outro cilindro revestido de
borracha (chamado de cauchu ou blanqueta), que, por sua vez, imprime o
substrato.
Assim como na litografia, a matriz offset é uma superfície plana. A
diferenciação entre as áreas de grafismo e contragrafismo se dá pela repulsão
entre água e gordura. As áreas de imagem são formadas por uma substância
que tem afinidade com gordura. Antes da tintagem, a chapa precisa ser
molhada para que uma fina camada de água possa aderir às áreas de
contragrafismo. Em seguida, a matriz é entintada com tinta de base
gordurosa. As áreas umedecidas, os “brancos” da imagem, repelem a tinta de
modo que ela somente se deposita nos grafismos.
A qualidade e a efetividade da impressão offset estão baseadas em um
delicado equilíbrio físico-químico entre a água e a tinta usadas no processo.
Uma alternativa a esse processo é conhecida como waterless, em que se
consegue a repulsão da tinta sem a necessidade de água. Outro tipo de
tecnologia que vem se firmando no mercado é o chamado offset digital, que
possibilita a gravação da matriz de impressão em um sistema interno na
máquina com controle operacional e acompanhamento do processo de
impressão com soluções digitais em detrimento de soluções manuais e
mecânicas muito usadas no processo de impressão offset dito convencional.
As máquinas offset podem ser rotativas (papel em bobina) ou planas
(folhas de papel cortadas) e possuem unidades de cor que podem imprimir
apenas uma cor ou até dez cores por vez. A tinta usada nas máquinas é
gordurosa e pastosa. O mercado desse sistema de impressão atende à
demanda de livros, revistas, jornais, materiais promocionais, metalgrafias,
embalagens cartotécnicas, entre outros.

Figura 22 – Máquina offset com capacidade para imprimir cinco cores simultaneamente.
Fonte: Elaborada pelo autor em Escola Senai Theobaldo De Nigris.
DIGITAL
A impressão digital é caracterizada pela utilização de qualquer equipamento
que registre sobre um substrato os grafismos recebidos de um computador, na
forma de dados digitais, sem que haja a necessidade de gravar qualquer tipo
de matriz física e permanente para a transferência dessas informações.
Existem basicamente quatro tipos de tecnologias que trabalham com esse
princípio no mercado: jato de tinta, transferência térmica, eletrostática e
recorte de vinil. Cada tecnologia usa um tipo de tinta que pode ser pastosa,
líquida ou em pó, na forma de toner. No caso do recorte de vinil, a matéria-
prima a ser transferida ao substrato é uma película adesiva.
A ausência de matriz física e permanente nesse sistema de impressão
permite a impressão de dados variáveis, o que possibilita a produção de
saudações e ofertas personalizadas para determinado público-alvo. Esse
reconhecimento individual é um grande recurso de marketing, pois, quando
comparado às campanhas de comunicação integrada com impressos
convencionais, aumenta a taxa de resposta e o engajamento do público. Um
exemplo de uso desse tipo de recurso foi a campanha “Stay Extraordinary”,
da Coca-Cola (2014), veiculada em 2014, em Israel, pelas agências Gefen e
Dahaf, cujo objetivo foi produzir dois milhões de garrafas de Diet Coke com
design único para cada garrafa. A ação foi produzida usando um algoritmo
fornecido pela empresa HP que comercializa impressoras digitais. Essa
ferramenta, disponível no site da empresa, chama-se HP SmartStream
Designer e permite personalizar cores, textos e imagens para trabalhos de
impressão com dados variáveis nas impressoras digitais HP Indigo.
A impressão digital não exige custos de confecção de matriz, limpeza,
preparação da máquina e acerto de impressão para iniciar a produção. Esse
fato permite, em tese, um custo invariável para apenas uma cópia ou mil,
diferentemente do que acontece em outros processos de impressão, em que o
custo diminui conforme a tiragem aumenta. Os prazos para confecção e
entrega do material também são mais enxutos. Existem equipamentos para o
mercado editorial com recursos de pós-impressão em linha que são capazes
de produzir com pouca interferência do operador um livro completo em um
processo único e em um curto espaço de tempo, conferindo grande
dinamismo ao processo de produção e de atendimento ao cliente.
O campo de atuação desse sistema de impressão e os equipamentos são
muito diversos. Normalmente, a impressão digital destina-se ao uso
doméstico, para pequenas empresas e gráficas especializadas em materiais
promocionais diversos para o mercado publicitário, livros personalizados sob
demanda, impressões em grande formato, sinalização, adesivação de
veículos, impressão em tecido, cartões de identificação, entre outros.

Figura 23 – Impressora digital para grandes formatos, conhecida como plotter.


Fonte: Elaborada pelo autor em Escola Senai Theobaldo De Nigris.
SERIGRAFIA

A serigrafia é um dos sistemas de impressão mais versáteis do mercado,


permitindo a impressão em tecido, madeira, vidro, couro, plástico, cerâmica,
metais, entre outros. O sistema originou-se da técnica do estêncil, em que a
tinta é forçada a passar por furos cortados em uma matriz fina e plana. A
serigrafia é aplicada não somente como recurso de impressão para produção
gráfica, mas também na decoração e na impressão de gravuras no campo da
arte.
O processo de reprodução gráfica é direto: a matriz entra em contato com o
substrato; a tinta atravessa uma tela, normalmente uma trama de poliéster ou
de nylon, tensionada sobre uma moldura de madeira ou metal; a trama da tela
é sensibilizada com uma emulsão fotossensível, colocada sobre um fotolito e
posteriormente exposta à luz ultravioleta; as áreas de grafismo são vazadas e
marcadas em preto no fotolito, e uma película transparente bloqueia a
passagem de luz nas áreas de grafismo, permitindo a passagem da luz para
endurecer a emulsão apenas na área de contragrafismo. Desse modo, a tinta
passa para o substrato apenas nas áreas de grafismo, já as de contragrafismo
são impermeáveis e impedem a passagem da tinta. A impressão é realizada
com a tela sobre o substrato. Coloca-se tinta sobre a tela e, com o auxílio de
um rodo com extremidade de borracha, espalha-se a tinta de cima para baixo
ou de baixo para cima, de modo que a tinta passe pelas áreas permeáveis,
transferindo a imagem para o substrato.
Um efeito característico do processo serigráfico, normalmente visto com
conta-fios, é a serrilha nas bordas dos grafismos impressos em apenas uma
tinta. Esse efeito ocorre por conta da trama da tela. Uma das limitações desse
processo de impressão é a dificuldade em reproduzir detalhes finos e
retículas. No entanto, temos como vantagem o baixo custo e a possibilidade
de impressão com baixas tiragens e recursos gráficos diversos, como relevo,
brilho e opções de cores devido ao uso de tinta semilíquida com grande
variedade de formulações de acordo com os substratos.
As máquinas para serigrafia, em geral, adaptam-se ao tipo de trabalho a ser
feito. Há impressoras em formatos compatíveis para a impressão de grandes
painéis para a mídia exterior e até para imprimir um pequeno cartão de
visitas. Os sistemas de impressão podem ser rotativos, totalmente manuais,
automáticos e semiautomáticos. Podemos ter também sistemas de impressão
em serigrafia acoplados a outros processos de impressão, configurando,
assim, um sistema híbrido de impressão. O mercado desse sistema de
impressão atende à demanda de roupas, brindes, sinalização, circuitos
elétricos, rótulos, adesivos, etiquetas, decoração em vidros, cerâmicas e
metais, mídia exterior, entre outros.

Figura 24 – Máquina serigráfica manual para a impressão de estampas de camisetas.


Fonte: Elaborada pelo autor em Escola Senai Theobaldo De Nigris.
FLEXOGRAFIA
É um sistema de impressão muito usado no mercado de rótulos e embalagens
no Brasil. A impressão é feita com uma matriz relevográfica, portanto, seu
passado remonta à xilogravura e à tipografia. Possui sistema de impressão
rotativo e direto, no qual o substrato entra em contato direto com a matriz de
borracha flexível ou fotopolímero, gravada normalmente a laser, entintada
com tinta líquida e volátil à base de água, solvente ou mesmo de cura
ultravioleta. O diferencial desse processo é o cilindro anilox – formado por
sulcos –, que faz com ele receba a tinta do cilindro tomador e possa repassar
de modo uniforme para a matriz de impressão a camada de tinta. Outro
diferencial da flexografia é que a sua matriz não tem interrupção no
perímetro.
A principal característica visual da flexografia é a formação do squash, que
é ocasionado pelo contato direto da matriz com o suporte e faz com que a
tinta fique falha no meio da imagem e com maior intensidade nas bordas,
ocasionando um efeito que pode se tornar mais intenso ou quase
imperceptível de acordo com o controle de processo e equipamentos usados
na impressão. Embora essa característica tenha sido minimizada devido à
evolução das técnicas de impressão e produção de matrizes, ainda é fácil
perceber esse efeito em impressos de baixo custo, como sacos de pão e
guardanapos.
As máquinas desse sistema de impressão são classificadas em banda
estreita e larga. As máquinas de banda estreita abarcam principalmente o
mercado de etiquetas e rótulos; são máquinas pequenas e, muitas vezes, usam
apenas um operador. As máquinas de banda larga trabalham para o mercado
de embalagem, produzindo sacolas de supermercado, papéis de presente,
sacos de pão, papéis de embrulho, embalagens de biscoitos, sorvetes,
farinhas, laminados, longa vida etc. Existem também máquinas adaptadas
para a impressão de papelão corrugado.

Figura 25 – Máquina flexográfica com banda estreita.


Fonte: Elaborada pelo autor em Escola Senai Theobaldo De Nigris.
O mercado desse sistema de impressão atende à demanda de sacos e de
sacolas, papéis de presente, papéis de parede, pisos e azulejos, etiquetas,
rótulos, embalagens de biscoito, farinhas, laminados, longa vida, papelões,
ráfias, entre outros. É um processo que normalmente lida com tiragens altas
devido ao custo elevado de operação, algo em torno de um milhão de cópias.
ROTOGRAVURA
A rotogravura originou-se do princípio de impressão usado na gravura em
metal, e tem uma matriz de impressão metálica, cilíndrica e com grafismos
gravados em baixo relevo. As máquinas são muito grandes e a preparação da
matriz de impressão, que é uma forma de ferro ou aço, recebe muitos banhos
eletrolíticos para a deposição de níquel, cobre e cromo na superfície do
cilindro, num processo conhecido como galvanoplastia. Após o processo de
preparação, a matriz pode ser gravada por processo químico, eletromecânico
ou a laser. Essas etapas demandam custo elevado e tempo maior de produção
comparado com outros processos de impressão, mas proporcionam alta
durabilidade, velocidade e consistência na impressão. Ou seja, esse não é um
sistema de impressão para impressos de baixo custo, como um cartão de
visitas ou convite para festas.
O processo de reprodução gráfica é direto, já que o suporte entra em contato
direto com a matriz. Na matriz para impressão, os elementos a serem
impressos estão rebaixados em relação à superfície. Esses elementos possuem
grande quantidade de pequenos alvéolos e paredes intermediárias. Os
alvéolos acomodam a tinta líquida, transparente e volátil. Sobre a superfície
da matriz é retirada a tinta não necessária da área de contragrafismo por uma
raspadeira, conhecida como racle. Quanto mais profundo for o alvéolo, mais
forte é o tom da cor impressa; quanto mais raso, mais suave.
Um efeito característico do processo rotográfico é a serrilha, que ocorre
principalmente em textos com corpo pequeno ou em traços finos, impressos
em uma só tinta quando observado com conta-fios. No entanto, a rotogravura
consegue estabelecer uma grande uniformidade do entintamento do substrato,
característica muito difícil nos outros processos de impressão.
Esse processo destina-se a imprimir, em sua maioria, somente em
substratos passíveis de serem enrolados em bobinas, principalmente para o
mercado de embalagens flexíveis e semirrígidas. Alguns impressos para o
mercado editorial com altas tiragens também podem fazer uso desse sistema
de impressão. A tiragem média nesse sistema de impressão fica entre um e
dez milhões de cópias, tornando essa característica única frente aos outros
processos de impressão.
Figura 26 – Máquina para impressão no sistema rotogravura.
Fonte: Elaborada pelo autor em Escola Senai Theobaldo De Nigris.

Pós-impressão

É a etapa que confere a aparência final para a peça gráfica por meio de
operações básicas (pós-impressão ou acabamento) e operações que agregam
valor e aumentam o impacto visual e a funcionalidade da peça
(enobrecimento). Alguns recursos de pós-impressão devem ser testados já na
elaboração do projeto gráfico, de modo a evitar surpresas de última hora. Há
outros recursos, como cor especial, papel especial, imposição de páginas e
determinados tipos de encadernação, que são mais bem analisados a partir de
um boneco elaborado pela gráfica antes de iniciar a produção, pois assim é
possível testar se o acabamento funciona efetivamente. Desse modo, é
possível entender como a gramatura e o tipo de papel escolhido estão
adequados com o volume da peça gráfica ou mesmo especificar o tipo de
encadernação mais adequado, entre outros aspectos. Algumas operações de
pós-impressão podem ser efetuadas em linha, ou seja, na própria máquina
impressora, ou fora de linha, quando os recursos são feitos em máquinas
separadas da que executa a impressão. A seguir, detalhamos os principais
recursos de pós-impressão.
CORTE
Também chamado de refile, é um dos principais recursos de acabamento,
pois nem toda peça é impressa no formato final. O corte simples ou linear
pode ser executado em linha ou em uma máquina chamada guilhotina, que é
capaz de cortar elevadas quantidades de folhas de papel com perfeição para
adequar o material ao formato final. As gráficas também cortam o papel para
adequar formatos e o esquadro da folha para melhorar a exatidão nas
máquinas, como operação estratégica inicial que antecede a impressão ou a
pós-impressão.
No caso de materiais para o mercado editorial já impresso e encadernado, é
preciso realizar o refile trilateral com o corte nas três faces do produto que
não foram encadernadas. Quando o produto apresenta corte irregular, como
formas arredondadas ou silhuetas, é necessário criar um molde para esse
corte. Esse molde é chamado de faca especial e é constituído de uma base de
madeira com lâminas cortantes no formato desejado, que será acoplado a uma
máquina para executar o corte por contato direto e pressão. A faca especial
também executa vinco e serrilha, sendo comum o seu emprego para a
finalização de embalagens em papel-cartão, entre outras aplicações.

Figura 27 – Exemplo de uma máquina guilhotina para corte reto de papel.


Fonte: Elaborada pelo autor em Escola Senai Theobaldo De Nigris.
DOBRA
O substrato pode ser dobrado de diversas formas, umas mais complexas do
que outras. Dependendo do tipo de dobra, ela pode ser feita mecânica ou
manualmente ou combinar os dois sistemas. As dobras devem ser previstas
na confecção do projeto gráfico e marcadas na arte-final, para não ter
conteúdo indesejado no ponto de dobra. Tecnicamente, a dobra deve ser
planejada para acontecer no sentido da fibra do papel, do contrário, o material
pode ficar com aspecto quebradiço e descascado, principalmente se existir
tinta depositada ou revestimentos de superfície no local. Os tipos de dobras
mais comuns são:

Dobra simples: apenas uma dobra em um dos sentidos do material.


É muito usada para folders.
Dobras cruzadas: formam ângulo reto entre si ao serem cruzadas. A
folha é dobrada sucessivamente na metade ou parte dela com o
objetivo de produzir cadernos de múltiplas páginas. É muito usada
em trabalhos editoriais, sendo conhecida também como dobra de
edição. Ela pode ser simétrica ou assimétrica.
Dobras paralelas: as linhas de dobras devem ficar sempre paralelas
entre si. Os tipos mais comuns são:
sanfona: a folha é dobrada uma ou mais vezes em sentido
alternado;
carteira: a folha é dobrada duas ou mais vezes no mesmo
sentido;
janela: a folha é dobrada igual dos dois lados e no mesmo
sentido de modo a se encontrarem no centro, podendo
receber uma dobra adicional no centro ou não.
Dobra combinada: pode envolver dobras cruzadas e/ou paralelas
em sentidos diferentes. A possibilidade de combinações é muito
grande, podendo envolver dobras mecânicas e manuais.

Figura 28 – Exemplo de dobras.


Fonte: Elaborada pelo autor.

VINCO
É um sulco aplicado ao substrato por meio da pressão com uma lâmina com a
ponta arredondada. Usado principalmente em três situações: para melhorar a
formação e a precisão das dobras em papéis grossos; para minimizar a quebra
do papel quando o sentido da fibra está perpendicular à dobra; para auxiliar
no acabamento de capas de livros com lombada quadrada, formando vinco
para dobrar próximo à lombada do material e evitar a abertura da capa sem
forçar o conjunto. O vinco pode ser feito com faca especial e acoplado em
uma máquina de corte e vinco ou em máquinas dobradeiras combinadas
muito comuns em gráficas especializas em trabalhos editoriais.
IMPOSIÇÃO
É um recurso editorial que consiste na montagem de várias páginas que
compõem um caderno em uma matriz para impressão, de tal forma que
fiquem corretamente ordenados na sequência de paginação após a dobra da
folha. É possível também realizar a imposição de qualquer tipo de impresso
que tenha formato menor que o substrato de impressão para observar a
distribuição dos espaços vazios, procurando a melhor maneira de modular as
formas para obter melhor aproveitamento do substrato.
ENCADERNAÇÃO

É uma operação que visa unir páginas ou seções de uma publicação.


Normalmente, o tipo de capa aplicado à peça gráfica tem relação com o tipo
de encadernação para formar produtos como livros, revistas, folhetos,
catálogos, entre outros. Os métodos mais comuns de encadernação são:
grampo, com a inserção perto da lombada pelo lado da capa ou através da
lombada (grampo a cavalo); cola, as páginas são unidas e fresadas e depois
fixadas com cola juntamente com a capa; espiral, as páginas e a capa são
furadas e unidas por um espiral de plástico ou metal; costura, muito usada em
livros e depende dos procedimentos de imposição, impressão, dobra e
ordenação dos cadernos (alceamento) para que seja possível costurar os
cadernos com linha. É possível a combinação de costura e cola na finalização
de peças editoriais, assim como uso de recursos como tela, fita dupla face e
folhas de papel (guarda) que auxiliam a fixação de capas duras ao miolo das
publicações.
VERNIZ

O verniz é uma solução resinosa que forma uma película transparente no


substrato. Ele pode ser aplicado em toda a superfície ou de forma localizada
(verniz reserva), como uma cor adicional no processo de impressão, ou como
recurso de revestimento superficial para a proteção ou o enobrecimento do
projeto gráfico, após a impressão, no setor de acabamento. Podemos dividir
os tipos de vernizes para produção gráfica em oxidativos, à base de água, à
base de solvente e com cura UV. Os vernizes com base de água, solvente e
oxidativo normalmente são mais simples de aplicar, baratos e com resistência
menor a abrasão. Os vernizes que precisam de lâmpadas ultravioleta (UV)
para secagem são mais encorpados, duráveis e homogêneos. Apesar de serem
mais caros, são os mais usados no mercado. Os vernizes, embora confiram
efeito de brilho ou fosco ao impresso, podem conter recursos como
perolização, relevo, textura para causar impacto visual e tátil, aroma, glitter,
entre outros.
PLASTIFICAÇÃO E LAMINAÇÃO

Consiste na aplicação de um filme, em geral polietileno, sobre o papel já


impresso por meio de pressão e calor. O filme plástico tem a função de
enobrecer e/ou de proteger o impresso. Os filmes mais usados para esse fim
são o fosco e o brilhante. Um processo semelhante ao da plastificação, mas
que usa duas ou mais camadas de materiais diferentes, com adesivo a frio ou
por fusão, é conhecido como laminação. A laminação permite o uso de uma
gama maior de materiais, como filme brilhante, fosco, metalizado,
texturizado, polipropileno biorientado (BOPP), poliéster, poliamida e acetato,
em diferentes pesos e espessuras. O resultado final confere maior resistência
e consistência ao produto final. É possível o uso de recursos combinados com
a plastificação. Em capas de livros, por exemplo, é muito frequente se
observar no mercado a utilização de laminação fosca e a sobreposição de
verniz de reserva com brilho para destacar determinados elementos.
RELEVO SECO

É um tipo de impressão sem o uso de tinta. O papel é pressionado por uma


matriz em relevo, conhecida como clichê, feita de latão ou fotopolímero e um
contramolde de papel machê ou plástico moldado para formar o relevo no
substrato. Desse modo, o papel fica gravado com um relevo que pode ser
positivo (para fora do papel) ou negativo (para dentro do papel). O efeito de
relevo enobrece o material, conferindo relevo sobressalente a letras e
imagens, já impressas ou não, aumentando o apelo ao consumo. A escrita
braille pode ser impressa com esse tipo de técnica.
HOT STAMPING
Conhecido também como gravação à quente, consiste em um recurso de
fixação de uma película metálica sobre o substrato por meio de uma matriz
aquecida, conhecida como clichê. Existem máquinas de estampagem para
esse fim ou equipamentos adaptados. Os laminados mais comuns são o
dourado e o prateado, mas existem também cores metálicas, como vermelho,
verde e azul. Esse processo também estampa laminados com acabamentos
holográficos e pode combinar a impressão em relevo, sendo usada,
principalmente, no mercado de rótulos, embalagens e impressos de
segurança.
EMPACOTAMENTO
O produto finalizado pela gráfica não costuma ser entregue sem um
processo de agrupamento, principalmente quando impresso em altas tiragens.
Por uma questão logística, o material precisa ser agrupado para facilitar o
transporte e o armazenamento, de modo a não danificar o material produzido.
Normalmente, são usados recursos como pacotes com papéis laminados,
caixas e pacotes individuais ou coletivos em plástico (shrink), para evitar
rasgo, poeira, contato com insetos, luz, umidade e outros agentes que podem
danificar o trabalho. É importante que o material embalado tenha algum tipo
de identificação para facilitar o controle.
Considerações finais

O campo da produção gráfica, como vimos, é amplo e complexo, pois ele lida
com áreas do conhecimento de diferentes especialidades, como a química, a
mecânica, o design, a engenharia de produção, a eletrônica, a computação, o
marketing, entre outras. Alinhar tantos conhecimentos em benefício do
entendimento de conceitos fundamentais dessa linha do conhecimento não
deve servir apenas para o desenvolvimento teórico sobre o assunto, mas
também como estímulo para exercícios contínuos do leitor com a temática,
pois temos aqui um objeto de estudo com uma característica material
preponderante. Desse modo, é preciso ficar atento principalmente aos
sentidos: perceber o cheiro de um jornal impresso, diferenciar pelo tato uma
laminação fosca de um verniz reserva, distinguir visualmente uma retícula
por meio do conta-fios, desmontar uma embalagem para entender o processo
de confecção da faca especial, entre outras experiências práticas que fazem
com que os conceitos aqui lançados ganhem dimensão no imaginário do
leitor.
O processo de vivenciar a produção gráfica não é um fato apenas
individual, pois ele pode e deve ser compartilhado com pessoas que tenham
interesse no assunto. É preciso estreitar contato com profissionais, indagar
fornecedores de insumos, visitar gráficas para conhecer o fluxo de trabalho e
especificidades, frequentar feiras do setor, ir a exposições, atender a cursos
etc. No decorrer deste livro, destacamos alguns exemplos de trabalhos
reconhecidos pelo mercado, atividades de associações de classe e mudanças
de comportamento social no campo da produção gráfica, para que o leitor
tome contato real com as aplicações práticas da produção gráfica no cotidiano
e tenha base para formar repertório e incentivar a pesquisa dessas ações para
o aprendizado contínuo nessa área.
O envolvimento completo com a produção gráfica também abrange ações
cotidianas como, conhecer a logística de distribuição dos produtos, o ciclo
completo dos produtos que se consome, a identificação do tipo de substrato
usado nas embalagens antes da compra de determinado produto e seu correto
descarte após o uso, a pesquisa sobre se o fornecedor gráfico possui
certificação ambiental antes de contratá-lo, a compreensão de diferentes tipos
de substratos e a melhor forma de aproveitá-los. Essas ações contribuem para
uma formar postura crítica não apenas para projetar, produzir e negociar
produtos e serviços para o mercado gráfico, mas também para afirmar uma
atitude positiva perante o mundo em que vivemos.
Referências

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Bibliografia comentada

ABRIGRAG. 20º Anuário Brasileiro da Indústria Gráfica. São Paulo:


Clemente e Gramani Editora, 2016.
É a única publicação que reúne dados das principais gráficas do Brasil e
informações sobre fornecedores de matérias-primas, insumos, processos,
sistemas, equipamentos gráficos e prestadores de serviço. Ele circula desde
1996 e é uma publicação da Associação Brasileira da Indústria Gráfica
(Abigraf), o que a torna uma publicação respeitada e confiável. O anuário é
uma fonte de consulta indispensável para profissionais e estudantes mesmo
com os mecanismos de busca pela internet que dispomos atualmente.
MARTINS, N. A imagem digital na editoração. Rio de Janeiro: Senac, 2005.
O livro trata das informações básicas sobre o fluxo da pré-impressão. O autor
discorre sobre fundamentos de captura, manipulação e conversão de imagens,
cor digital e fechamento de arquivos. É um bom livro para quem está
iniciando as atividades relacionadas à editoração eletrônica para mídias
impressas.
UTSUNOMIYA, F. Programas de tratamento de imagens: introdução à
editoração eletrônica. São Paulo: Editora Mackenzie, 2014.
A obra apresenta uma “sintaxe” dos princípios básicos da técnica de
tratamento de imagens comum aos softwares Photoshop, Corel Photo-Paint e
Gimp. O livro é indicado para quem se interessa em iniciar ou aperfeiçoar o
trabalho com imagens em meios digitais tanto no processo de criação como
na pré-impressão.
BAUFELDT, U.; DORRA, M.; RÖSNER, H.; SCHEVERMAN, J.; WALK,
H. Artes gráficas: transferência e impressão de informações. São Paulo:
Senai Theobaldo De Nigris: ABTG, 2000.
É um dos livros mais extensos e completos no mercado brasileiro sobre o
assunto. Considerada uma das principais referências para a formação
profissional na Indústria Gráfica Alemã, um dos polos de inovação
tecnológica do campo gráfico, a obra foi traduzida direto do alemão para o
português em uma ação conjunta entre a Associação Brasileira de Tecnologia
Gráfica e a Escola Senai Theobaldo De Nigris. Uma obra fundamental para
entender detalhadamente os sistemas de impressão e suas especificidades.
LUNARDELLI, A.; ROSSI, S. Acabamento: encadernação e enobrecimento
de produtos impressos. Ribeirão Preto: Lunardelli Editora, 2004.
Um livro robusto, com 382 páginas e muitas figuras, tabelas, fotos de
equipamentos e suas marcas, que traz uma abordagem histórica e detalhada
dos processos de pós-impressão e enobrecimento. Os autores viabilizam a
obra por meio do apoio técnico e financeiro de diversas empresas fabricantes
ou representantes de equipamentos e de insumos para o setor de acabamento
gráfico. Esse é um diferencial que contribui positivamente para a
compreensão das informações ali presentes.
Glossário

ALCEAMENTO: arranjo de folhas ou cadernos na sequência adequada para que


as páginas fiquem na ordem correta antes da costura e da encadernação.
BONECO: modelo do material a ser produzido na gráfica que serve para
orientar trabalhos mais complexos sobre aspectos da peça gráfica, como
dobras, sequências, intercalação, cortes diferenciados, colagem etc.
CONTA-FIOS: pequena lupa de bolso usada para a avaliação de resultados de
impressão.
COR DE ESCALA: qualquer uma das cores pertencentes à Escala Europa: ciano,
amarelo, magenta e preto.
FOLDER: folha impressa com propaganda ou divulgação de alguma ideia,
evento, produto, serviço, empresa, constituído por uma única folha com
uma ou mais dobras.
FOTOLITO: filme positivo ou diapositivo no qual se registram os grafismos
para impressão. Ele serve de intermediário para a gravação de matrizes dos
sistemas de impressão offset, serigrafia e flexografia. As tecnologias mais
recentes dos processos offset e flexográficos têm substituído o fotolito por
procedimentos de gravação direta de matriz de impressão.
GANHO DE PONTO: diferença entre o valor tonal no impresso e sua área
correspondente na matriz de impressão.
GRAFISMO: o local em que será depositada a tinta.
GRAMATURA: o registro do peso em gramas de um metro quadrado de
determinado papel. Não guarda relação direta com a espessura, pois o peso
depende da matéria-prima empregada na fabricação do papel.
IMAGEM TOM CONTÍNUO: a imagem é formada por variações tonais (cinzas)
que podem oscilar de 1% até 100% de uma ou mais cores em contraste
com as áreas sem cor.
IMAGEM TRAÇO: a imagem é formada por apenas uma cor com 100% de tinta
ou com áreas sem cor, formando um nítido contraste e não apresentando
variação tonal.
ORIGINAL: é o passo inicial de um processo de reprodução de imagens. É a
representação de alguma coisa que poderá ser reproduzida na forma
bidimensional, por exemplo: foto, pintura, desenho e texto.
LAYOUT: peça gráfica apresentada para a aprovação do cliente com a
simulação de formato e a disposição dos elementos visuais. Ele deve ser o
mais fiel possível ao produto finalizado pela gráfica.
MATRIZ: elemento intermediário que contém o grafismo original gravado e
que o transfere para o substrato a ser impresso.
PIXEL: o menor componente de uma imagem digital. Um conjunto de
milhares de pixels forma uma imagem.
PLANIFICAÇÃO: o processo para representar em um desenho plano uma peça
gráfica tridimensional.
RESOLUÇÃO DA IMAGEM: a quantidade de informação que uma imagem
carrega. Nas imagens digitais, a resolução é medida por meio da
quantidade de pixels relacionada a uma unidade de medida, por exemplo:
72 pixels/inch corresponde a 72 pixels por polegada.
RETÍCULA: rede de pequenos pontos que permitem simular a variação tonal e
a composição de cores no processo de impressão.
SUBSTRATO: base física que recebe a tinta da matriz de impressão. O material
mais usado é o papel, mas usam-se também plástico, madeira, metal e
tecido.
TAMPOGRAFIA: processo de impressão indireto que utiliza uma forma
encavográfica. A transferência da imagem é feita por meio de uma matriz
de silicone que pode se adaptar a substratos irregulares. Muito usada para
impressos pequenos, como brindes, teclas para computador, caneta, óculos
etc.
TERMOPLÁSTICO: polímeros que não sofrem alterações na sua estrutura
química durante o aquecimento e, portanto, podem novamente ser fundidos
após o resfriamento.
UNICODE: padrão que permite ao computador um caminho de acesso à letra
em uma fonte digital a partir de um sistema operacional.
VINCO: sistema que utiliza facas arredondadas para prensar ou vincar suportes
a fim de facilitar sua dobradura ou rasgo.
WEB2PRINT: sistema de negócio que oferece ferramentas on-line para
simplificar e agilizar a encomenda de impressos.
1
MANGUEL, A. Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 138.
2
EISENSTEIN, E. A Revolução da cultura impressa: os primórdios da Europa Moderna. São Paulo:
Ática, 1998, p. 19.
3
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=rT-BSxr-ZJ8>. Acesso em: 29 out. 2017.
4
Disponível em: <www.abigraf.org.br>.
5
Dados obtidos por meio do site da ABTCP. Disponível em: <http://abtcp.org.br/0-
setor/posicionamento-setorial/>. Acesso em: 16 abr. 2017.
6
Abiplast. Disponível em: <www.abiplast.org.br/site/os-plasticos>. Acesso em: 29 abr. 2017.
7
Disponível em: <www.abre.org.br/descarteseletivo>. Acesso em: 1º jun. 2017.