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OlO

i 1
O LIVRO DOS

DO ANTIGO EGÍTO
0 PRIMEIRO LIVRO DA HUMANIDADE

9- edição
4- reimpressão

HEMUS
Ê

Tradução
Edith de Carvalho Negraes

Capa
Sérgio Ng

Supervisão
Maxim Behar
Prefácio

1996

© Copyright 1994 by Hemus Editora Ltda.


pela tradução em língua portuguesa

Todos os direitos adquiridos para a língua portuguesa


e reservada a propriedade literária desta publicação pela

HEMUS EDITORA LIMITADA


RUA DA GLÓRIA, 312 - LIKKDADI CIP 01B10-000 - Cx.POSTAL I
FONI (OI1) 279-99) 1 - FAX (O11) 279-9721
•ND»IÇO TILIOUÁPICO HITIC . SÃO PAULO - SP - BAAAIL

Impresso no BrasilIPrintcd in Brazil


* e

i 1 >

Antes de entrar propriamente no Livro dos Mortos, deve-


mos abordar o que foi o primeiro livro que se conhece, que foi
este, e por que surgiu com um assunto tão estranho. Pretendo,
em algumas linhas, mostrar como decorreu o processo do medo
e da religião, que culminou com o culto aos mortos e, posterior-
mente, com 0 Livro dos Mortos.
O medo foi a primeira causa do impulso do homem e m
direção a seus superiores. Esse medo, que se reveste de uma
aura de mistério, foi e continua sendo o principal motivo da
preservação das religiões. Foi o desconhecido o primeiro a fazer
o homem cair de joelhos frente a ele. Atemorizado ante os cata-
clismos naturais como os trovões e os raios, terremotos e vul-
cões, fora de sua compreensão e que não podia evitar, era natu-
ral que os encarasse como manifestações de um ser superior,
fosse qual fosse, e seus motivos para assim proceder. Lógico
também que, assim supondo, se prostrasse humilde e assustado
perante os que tanta força possuíam.
Com o correr dos tempos, esse medo evoluiu, começando
o homem por temer a ação direta dos deuses em sua vida, não
só nas coisas que o cercavam, mas também nas que se manifes-
tariam depois da morte.
Foram necessários vários séculos para que o homem viesse
a pensar no animismo e para que a palavra espírito se concreti-
zasse no termo alma. E uma conseqüência natural do culto aos
mortos seria oferecer a eles, para sua vida eterna, tudo de que

I
necessitariam, já que onde viveriam — nas tumbas — não en- res a Bárea | até ele (ele era o que pagava a invocáção; a Barca
contrariam meios de sobreviver. Essa prática de oferendas mor- era a dé Rá, que teria que se recolher para que empreendesse
tuárias, realizadas quando da sepultação do corpo do morto, per- o caminlio final), arrancarei os fios de vossas cabeças qomo ar-
dura até hoje, sob a forma de deposição de flores e de outras rancaria os t^otões de flor da orla de um lago". Se a dignidade
dádivas nas sepulturas. pretendida pelo morto não lhe fosse concedida, o sacerdote in-
Todavia, este costume persistiu durante muitos séculos no vocaria um raio para que este fosse ferir o braço de Shu, o que
Egito Antigo, sob a forma de esquifes de ouro, jóias e adornos, sustém a abóbada celeste!
escravos sepultados vivos junto ao senhor. No Egito Antigo, à A religião egípcia, à semelhança de todas as rqligiões anti-
alma era imortal e de natureza divina, pois mesmo depois de gas, com exceção do Budismo, apresentava os deuses como se-
separada do corpo continuava a viver, viajando para a Eternida- res com quase todos os mesmos vícios dos homens, embora mil
de. A l é m dessas condições materiais proporcionadas ao morto, vezes mais poderosos e sábios; não só portadores dos mesmos
precisava ele, para sua viagem, de uma boa dose de conheci-
defeitos e vícios humanos, mas também sujeitos ao nascimeptq,
m e n t o s mágicos. E embora fossem de conhecimento só dos sa-
crescimento, amor, nutrição, envelhecimento e morteP N o %ivro
cerdotes, era o que o Livro procurava dar.
dos Mottos vemos as almas de defuntos voltando e dando graças
ao seu saber mágico, sentindo-se felizes ao lado de divint^des
* já envelhecidas. Quanto a essa magia, que os homens podetiam
chegar a compartilhar com os deuses, chegando até a poder
igualá-los, os deuses egípcios a possuíam em alto grau, estàndd
Era cega a fé nos sacerdotes egípcios, pois o povo acredi- aí o segredo de seu poder. ^ 1
,
tava piamente em sua sabedoria. E de tal modo que, mesmo no
auge das letras e ciências gregas, estas se voltavam ao misterio- A religião egípcia era mantida pelas superstições, de ta}
so Egito, de onde emanavam os conhecimentos da época. Mui- modo que QS mortais não se preocupavam com o fim dei sua
tos d o s grandes gregos dessa era ali compareceram, buscando existência. Ao contrário, não somente certos ritos eram pratica-
encontrar nos mistérios egípcios respostas para suas dúvidas dos em favor do defunto, com este, depois de embalsamado,
como Platão, Heródoto, Architas de Tarento, Teodoros de Kyre- envolto em tiras mágicas e provido dos necessários amuletos,
ne, Aristóteles, entre outros. estava segpro de ter dado o primeiro passo em direção a uma
Ciência e magia foram aliadas por muitos anos por terem a vida tranqüila no Além, para cuja viagem O Livro dos Mortos o
m e s m a origem: a necessidade imperiosa de explicar fenômenos ajudaria a ultrapassar, livrando-o de todas as dificuldades. O Li-
através de um ser superior, necessidade esta filha da ignorância, vro era colocado junto à múmia ou embaixo de sua cabeça, ou-
nascida do desejo de vir a conseguir o segredo destes poderes tras vezes, copipdo em partes na tumba. O mais comum era que
para o seu uso com fins temporais. Os homens, através de ges- o deixasse^n junto ao cadáver para que este aprendesse a recitar
tos e rituais puramente mecânicos, procuravam obter a benevo- seus Capítulos.
lência dos deuses para graças puramente temporais e espaciais,
Assim, graças ao Livro, o defunto poderia vencer todos os
isto é, obter benefícios na vida terrena!
obstáculos — monstros, demônios, portas a abrir, etc. — dado o
Arrojaram-se aí os egípcios: não só pediam o que deseja- potencial mágico que este Livro apresentava. Estes bbstáculos
vam obter, como também o exigiam, através de elementos de persistiriam em aparecer, tentando barrar-lhe toda e qualquer
ligação entre eles e os deuses, os sacerdotes. E isso, não só no tentativa de| alcançar o Além, cruzar os 21 pilaresj passar pelas
que s e referia a benefícios da vida eterna, como também na ou- 15 entradas e cruzar as 7 salas esperando poder chegar até Osí-
tra vida, na da alma. Atingiram um tal grau de coragem que ris e os 42 juízes que iriam julgá-lo. Graças ao Livro conheceria
chegavam a ordenar às Divindades, ameaçando-as: "Se não leva- também o que iria salvá-lo: os nomes dos deuses.

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Tudo ; sso prova a enorme importância que era dfida ao Li- gunda etapa é a chegada ao Amenti, residência de Osíris, onde
vro dos Mortos, pois, seguros de que a vida não acabada na Ter- é julgada.
ra, encontravam nele todas as respostas e indicações para uma
Ali, de pé ante o principal de seus juízes e com os braços
feliz ascensão rumo à morada dos Deuses. Acreditavam inclusi-
erguidos, em sinal de adoração, fica ante o deus que, imóvel,
ve que poderiam chegar a ser deuses, e qual outro sentimento
enigmático, quase petrificado, contempla a alma que comparece
maior que o que dominpu a humanidade por tanto tempo — e
ante ele. Atrás de si estão íris e Néftis, irmãs de Osíris (aquela
ainda domina — que o de ser deus? Será a razão,| 'não digo
além de irmã é sua esposa); defronte a esse triunvirato de deu-
principal, mas uma das secundárias, das religiões?
ses, o defunto pronuncia as palavras sagradas. Feito isso, a
união mística já está realizada: sua alma e a de Osíris formam
um único todo! Surge então uma dúvida: por que razão, na ter-
, O LIVRO DOS MORTOS i ceira fase, o defunto vem ante o famoso tribunal de justiça pre-
sidido por Osíris se este já uniu sua alma à do morto?
O veiidadeiro nome do Livro dos Mortos era "Saída para (a comparecimento é conduzido por Horus ou por Anúbis,
luz de) o Dia". Sua primeira versão foi dada em 1842 por Ri- frente a um tribunal composto de 42 juízes. A deusa da Verda-
cardo Lepsius e, embora o título não seja exato, é tão expressi- de-Justiça está presente, mas não toma parte no julgamento.
vo que foi aceito sem reservas por todos os egiptólogos. Na rea- Thoth é o "escrivão": faz o defunto confessar não só o que fez,
lidade, quem descobriu o Livro dos Mortos foi Champbllion, ar- mas o que deixou de fazer e Anúbis pesa em uma balança o
queólogo francês, que decifrou a pedra de Roseta, chave dos seu coração. Também aqui se pergunta por que, posto que o sa-
hieróglifos egípcios. Estudando os monumentos egípcios do cerdote, protetor ou tutor espiritual do defunto na Terra, caso
Museu de Turim, especialmente um papiro de uns vinte me- sua alma não subisse ao Amenti, ameaçava "não deixar mais su-
, tros, coberto de hieróglifos dispostos verticalmente, e descobris- bir Ra ao Céu" — o que significava o Sol não percorrer mais o
se outros semelhantes em fragmentos diversos, denominou ao Céu — o faria cair no Nilo, onde se alimentaria de peixes,
todo "Ritual Funerário", já que eles tratavam da morte e do quando estes estavam entre os alimentos impuros.
culto aos mortos. i
i Não obstante, o Livro afirma que, se a alma não fosse ao
Quando, em 1836, Lepsius passou por ali, ainda muito jo- Amenti, seria enviada ao Duat, onde permaneceria por tempo
vem, os estudava também: como percebesse que continham não determinado. Sendo absolvido, o defunto seria convertido
muitas partas a serem pronunciadas pelos defuntos, deu o nome em Espírito santificado e, desde esse instante, começaria uma
de Todtenbúth, o qual foi conservado, quando de sua primeira nova vida. Esta vida teria por sinal distintivo a liberdade abso-
publicação já dividido em capítulos: Antes de opinar sobre o luta, pois viriam aos seus caprichos a Terra, o Céu, o Mundo
1
que possa ^er este livro e sobre o que os entendidos acham que Inferior, poderia reconfortar os condenados, socorrer todos os
possa ser, vamòs a um pequeno resumo de seu conteúdo. que houvessem perdido a esperança, visitar os Campos da Paz e
f" lÍí)estir)ado, como sabemos, a guiar a alma do defunto pelo dos Bem-aventurados, sentar-se na Barca de Ra para poder
Além, informa-nos que, logo após transpor a "Porta da Morte", acompanhá-lo em seu passeio diário, ou na Khepra, para passear
se vêiideslurhbrada pela "plena luz do dia". Quando se encon- no Oceano Celestial. Poderia, do mesmo modo, conversar com
trar refeita do susto, trata de retornar ao corpo que acaba de as divindades de igual para igual, posto que se transforma em
abandonar, dmbora as divindades encarregadas de guiá-la arras- uma; tomar a forma que melhor lhe convenha: pássaro, flor, ser-
tem-ria para longe do ataúde. Começa aí a dura e difícil cami- pente, etc. Mais ainda: se sentir não só deus, senão um deus jo-
nhada até o Além; atravessa uma região de trevas, caminho difí- vem, pois as outras divindades já o são há muito tempo, causa
cil e freqüentemente obstruído, onde faltam ar e água. A se- de sua decrepitude. Tudo isso poderia ser conseguido através do

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Livro, em troca de um pouco de magia e de saber as Palavras tantas outra^1 parecenças. Porém, para um iniciado pu escolhido,
d e Potência, irresistíveis a deuses e demônios. ! a realidade era bem diferente, encarada de modo a satisfazer
Existem três edições em inglês do Livro dos Mortos: a de um espírito mais elevado.
Birch, de 1867, a de Le Page Renouf, de 1897 (não terminada) Tqmemos como exemplo o caso da Barca do Soí, a | visão
e a de W. Budge, de 1898. Existe uma francesa, de P. Pierret, mais comum em toda a literatura litúrgica do Antigo Ègito. O
d e 1882 e uma mais recente, de 1954, de Gregory Kolpaktchi e que signjficaria essa imagem, a da Barca carregando o discb do
a espanhola de Juan Bergua, surgida por volta de 1960. Sol, para uma consciência esotérica? Evidente se torhâ, cada vez
mais, que o Disco Solar representava o princípio sjolar. E a Bar-
ca, o que Queria dizer? Sob esta imagem, familiar a cada'egíp-
A RELIGIÃO NO EGITO cio, endontrava-se oculta e estilizada a idéia do princípio lunar,
o quarto crescente da lua. Em sua qualidade de deus da Lua,
f D u r a n t e milhares de anos, em todos os países da Antigüi- Thoth aconhpanhava, freqüentemente a Barca.
d a d e (Pérsia, Grécia, Roma, índia e Oriente em geral), a reli- Sabe-se que o mesmo símbolo — o Sol inscrito no meio
gião exerceu forte influência a seus povos, cujo culto era ofere- do quarto, crescente — adornava a cabeça de Ápis, de Hathor,
c i d o a divindades representadas por animais-deuses e animais de Thoth, de Isis, de Khonsu e de outras tantas, divindades;
d e verdade, como o boi Ápis. Que pensar sobre a mentalidade tudo leva a crer, portanto, que essa imagem formb um núcleo
daqueles que os impunham e os aceitavam? N o prefácio da edi- central da ireligião egípcia. Eis outra dúvida: de olndej surge} a
ç ã o de Kolpaktchi destacamos as seguintes palavras: "entre os importância de fusão destas duas fontes de luz? A> Lua, Vista
p o v o s da Antigüidade, não houve nenhum que manifestasse sob o ponto de vista espiritual, não é inferior ao Sol; são dois
tanto interesse pelos mistérios da Morte como o egípcio apaixo- princípios que se opõem como forças absolutamente igtiaís;
nado e exclusivo. Perturbado pelos enigmas da Morte desde o eqüipotentes. ' ,;
surgimento de sua civilização, buscou soluções e organizou sua
Trata-se não somente do Homem, senão de tcj^o ©i ,Unír
vida política, social e religiosa em função desses enigmas. O
verso. O Livro anuncia uma série de cataclismos dósmiçok que
A n t i g o Egito, possuindo uma tradição esotérica e imemorial,
culminaram na catástrofe bíblica, o ponto de partida ^a Irj^oluL
acreditava ter dominado seus mistérios. A flor do povo — a ju-
ção Cósmica. Uma das etapas iniciais, segundo O Livro dos Mot-
v e n t u d e iniciada — elaborou uma técnica que supunha ser pos-
tos, foi a oposição dos dois astros, fontes de luz. Suas naturezas,
sível ao morto dirigir sua existência após a Morte". Surgem aí
com efeito, são opostas. j !
dúvidas: era o povo na totalidade — escravos, trabalhadores li-
vres, mulheres, etc. — que acreditava nessa religião ou só os A natureza física da Lua é úmida e fria; sua nàturez^ psí-
q u e a impunham, os sacerdotes, os faraós e um pequeno mago- quica é vaga e em eterna mutação; governa a germinação, á ges-
te d e dignitários? tação, a imaginação e os amores, a afeição; favorece a a|daptação,
a assimilação, as metamorfoses, manda nas forças de diferencia-
Sabe-se que O Livro dos Mortos destinava-se não somente ção e do chegar-a-ser, além de ser feminina. Ao contrário, o Sol
aos que faleciam, senão também aos iniciados e aos desejosos é seco e quente, do ponto de vista físico; quanto à sua consti-
de saber como iniciar-se. Quer dizer, não era a Morte uma es- tuição espiritual, governa a razão, de modo impessoal e objetivo;
p é c i e de iniciação?... Para o povo e m geral, inclinado a crer só é princípio de integração, fixando e imobilizando tudo que se
no que vê, a realidade espiritual proferida no Livro dos Mortos encontra dentro de seu campo de ação — a Ordem Cósmica e a
era mostrada sob a forma de imagens do cotidiano: a Barca do Justiça imparcial, o Ser absoluto, oposto ao chegar-a-ser; o Sol é
Sol, semelhante a todas as que flutuavam no Nilo todos os dias; masculino^
o alimento que se ingere na Terra, o preferido pelos mortos; as
Sob o ponto de vista espiritual, as duas Luminárias! se en-
viagens conturbadas e os meios de torná-las menos perigosas, e
contram, cada uma em um campo de forças, e sua interação

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produz a subida e a queda dos Cubos de Ouro. A ipesma duali- Foram encontradas em tumbas e sarcófagos grandes quan-
dade é encontrada na religião chinesa — Yin e Yang — no En- tidades de pequenas estatuetas (no capítulo IV encontraremos
xofre e no Mercúrio da Alquimia, etc. Não obstante, a Tradição sua utilidade) chamadas "ushebti" — as que respondem à cha-
não se desapegava do caráter provisório da Involução. O fim mada — que, magicamente animadas, faziam pelo defunto di-
continuava sendo o da Subida, até a Evolução. Era proposto, versos trabalhos que este teria que realizar no Além. N o capítu-
portanto, pelos autores dos papiros que deram origem ao Livro, lo LXXXV se vê onde ia, de um lado, a audácia dos que ha-
que sei pensasse na Barca, símbolo supremo da Salvação. viam preparado o Livro e, de outro, a candura, a insensata
Osíris, de quem foram tanto estudadas as ^finidades luna- credulidade dos que nele criam, posto que começa por dizer:
res e solares, é a dupla inicial Lua-Sol; a dupla original, umai "Eu sou a Alma de Ra nascido no Oceano celestial. Eu sou o
vez separada, eu origem aos Planetas, às Estrelas fixas, às Lu- deus Nu, néctar dos deuses". E depois de uma série de afirma-
minárias, e a todos os seres da Natureza, a partir de seus mem- ções não menos disparatadas e estranhas, pois quem dizia isso
bros |que foram arrancados e disseminados pelos mais longín- era a alma do defunto que acabava de deixar seu corpo, termina
quos rincões do Universo, quer dizer, do Egito. A ressurreição o capítulo afirmando: "minha alma, eterna, é a alma de um
do deus mártir representaria o restabelecimento da Dupla em deus, e seu corpo, eu o sei, é a Eternidade própria". Vai mais
toda súa primeira integridade... Entretanto, Ôsíris, ligado à mor- longe: "Sou o primogênito dos deuses e senhor dos Céus".
te, tolhido em suas faixas, é o Mundo, atado, petrificado, crista- Uma vez que todo aquele que adquiria o Livro podia afir-
lizàdp e materializado, privado de liberdadeje subm'etido às leis mar assim e esperar vir a ser outro tanto, não se pode dar razão
da ^atureza e aos ritmos implacáveis do Destino... aos que sustentam ser 0 Livro dos Mortos um amontoado de
. i' i 'I disparates e loucuras?
1
i "A derrota de Osíris tornou, mais tarde, inevitável o sacri-
fício redentor'de Cristo!" ] *

[^Estabeleçamos agora um paralelo entre a liturgia egípcia e


a de um país que é, senão o mais, um dos mais opulentos
i í" Como o leitor verá, a religião egípcia era, como as outras, quanto a mitos, lendas e tradições: a tão adorada e venerada
hada mais que um negócio. Em Capítulos do Livro existe uma Grécia.
Rubrica: estas, já sem a máscara da religião e esoterismo, mos- As religiões ou crenças, que tinham por base o Desconhe-
tram onde |queriam chegar os que desse esoterismo participa- cido, mudaram o modo de pensar dos que nelas se iniciavam e,
vam: fázer [negócios! Uma passagem, por e x e m p l o , diz que de modo oculto, abandonaram a mitologia consagrada, abrindo
"nada mèlhór para abrir caminho ao Céu que ser iniciado"; ora, novos horizontes para a vida desconhecida do futuro. Partindo
não sabemos quanto era preciso para esta iniciação: cerimônias, disso, do contraste entre a vida de um corpo mortal e a de uma
oferendas, gratificações a quem as oficiava, propinas aos sacris- alma imortal e divina, os iniciados concluíram — Platão o dirá
tãos, acólitos e ajudantes menores. Encontramos papsagens que muitas vezes pela boca de Sócrates — que a matéria era uma
ensinam a récitar os encantamentos ante o cadáver do iniciado, carga muito pesada para o espírito, nascido no Céu. Conseqüen-
"e seu Corpo glorioso (Sahu) atravessará as quatro Portas do temente, a vida consistia em viver morrendo, enquanto a morte
Céu" e "os que não foram iniciados nada destes nrçistéíips co- era, para a alma, a porta da liberdade.
nhecem, pois o vulgo os ignora." E ainda, o que quisesse saber Vernos, no Fáidon, Sócrates assegurar que todo homem sa-
que pagasse, iniciando-se: "Não o comunique a ninguém, exce- dio, todo filósofo, deve aspirar a morrer o mais cedo possível.
;
to a seu pai ou seu filho". í < , Silenos, Nereus e outros heróis antigos asseguravam que o me-

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lhor bem para o homem era não nascer; já que havia nascido,
também,comum a outras religiões, que buscam negarle proibir
morrer o mais cedo possível. Sólon, um dos Sete Sábios, asseve-
o desenvolvimento da vida autêntica preconizando 'a procura de
rava: até o fim, nada vale a pena. Para os órficos, devido à natu- uma vidai pós-morte como a verdadeira! 1
,
reza do corpo, dever-se-ia suprimir-se mediante um regime die-
Vamos, portanto, ao Livrp, pois só nele poderemosi encon-
tético restrito e ascético.
trar as respostas a tantas questões postas pelos séculos e, espe-
Só a prática da santidade pessoal assegurava a libprtação cialmente; a que formula a verdade desta busca do perfeito: a
da alma, o rompimento dos laços que a encerravam, preparando- existência "ou não de D e u s e a melhor maneira de encüntrá-Lo.
a devidamente para a consumação de seu destino imortal. Mas Como subsídio à compreensão da leitura, organizamos no
os órficos, como todas as igrejas, consideravam insuficiente para final do volume um glossário de expressões de significação obs-
salvar-se, a pureza de vida. Exigiam que o crente fosse iniciado cura para o leitor.
com sua entrada na seita, mediante ritos místicos, que iam as-
c e n d e n d o em graus, por sacramentos que o fariam participar da
Luiz Carlos Teixeira de Freitas
natureza divina. Sem negar o valor da vida pura, achavam que a
virtude mais elevada não ajudaria o crente a se salvar, a menos
q u e este houvesse sido iniciado (batismo, crisma, confissão,
etc.). Diz Platão: "Aquele que chega ao Hades — lugar onde,
para os gregos, iam todas as almas dos mortos — sem ser inicia-
do, e s e m ter participado dos mistérios, ele permanecerá na
lama."
Naturalmente, isso poderá parecer injusto aos espíritos in-
dependentes. j

Gabe agora ao leitor julgar se 0 Livro dos Mortos é um


chorrilho de loucuras, mentiras e disparates, produto de uma
crença absurda, ou se, ao contrário, é um conjunto sublime de
crenças e ciências esotéricas; ou se, ainda, é o meio de que se
valiam, como parece, os sábios sacerdotes egípcios para melhor
viver na Terra, enquanto ofereciam, através de seus dogmas,
m e i o s para que os crentes pudessem viver no Além. Gabe ao
leitor verificar, tendo em mãos 0 Livro dos Mortos, se o mesmo
é produto de mentes voltadas ao egoísmo, interesse e venalida-
de, o u de idéias fanáticas de culto ao desconhecido, como aliás
têm base todas as religiões.
Finalmente, tem o leitor material suficiente nesta obra
para fazer uma idéia de como e para que se voltava a vida egíp-
cia: uma importância mórbida e exagerada à morte, anulando-se
toda a beleza e verdadeira importância de viver, característica

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19
O LIVRO DOS
i ri
MORTOS
DO ANTIGO EGÍTO
0 PRIMEIRO LIVRO DA HIMANIDADF.
I

["CAPÍTULO I
, ^ Òomeçam aqui os capítulos que relatam a
Saída da ^lm^ para a plena Luz do dia, sua Ressur-
reição no Espírito, sua entrada e suas Viagens às
Regiões do Além. São as seguintes as palavras que
' se deve pronunciar no dia da Sepultura, no momento
, em que.,separada do Cori», a Alma entra no Mundo do
Além.JSalye. oh! Osíris! Touro do AmentiÜ Eis
que Thot|h, - Príncipe da Eternidade, fala fjela mipha
bocai n a verdade, eu sou o grande deus que acompa-
nha em sua rota a Barca celeste! Chego ^gorà para
lutar ao ' tèu lado, oh, Osíris!, pois eu sou uma dessas
i antigas divindades que, quando chega a Pesada das, Pa-
lavras, fpzem Osíris triunfar de seus inimigos, Agora,
oh Osíris! vivo 110 que te rodeia, da mesma forma que
os outros ,deuses, nascidos da deusa Nut, quej liqpidanj
teus inimigos e capturam os demônios. Pois^eu fáço
parte do teu séquito, oh Horus! Parto para o combate '
em teu Nome. Eu sou Thoth que faz Osíris triunfar de
seus inimigos enquanto no grande santuário! ^ei
Heliópolis são pesadas as Palavras. Na verdade.' eu
sou Djçdí filho de Djcdi: Minha Mãe, Nut. me
concebeu e me trouxe ao Mundo na cidade; de Djedu. í
Eu sou daqueles que se lamentam e choram por Osíris
na região de Rekht e que fazem Osíris triunfar de,1
seus inimigos. Ra' enviou Thoth para que Osíris triunfe
de seus inimigos. Mas eis que thot me faz triunfar,

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entrar e sair à sua vontade e que sua palavra de Potên-
a mim. de meus inimigos. No dia em que a Múmia real
cia seja vitoriosa! Que suas ordens sejam executadas
de Ósíris é vestida eu me encontro ao lado de Horus e
na morada de Osíris! Oh vós, Espíritos divinos, olhai:
faço brotar os mananciais de água para purificar "o
eis que minha Alma caminha a vosso lado. Ela vos
Ser-divino-do-Coração-Cativo . E eis que descerro
fala: como vós também está santificada, pois a Ba-
o, fprfolho da Porta que se abre ante os Mistérios do
lança do Juízo se pronunciou a seu favor.
Mundo Jnferior . Estou ao lado de Iiorus quando,
na!; cidade de Sekhen , arrebata dos inimigos o *
braço esquerdo de Osíris . Entro e circulo, ileso,
por entf-e as divindades flamejantes no dia em que os Eis que chego à região da Verdade-Justiça
!!
demônios são destruídos em Sekhen. Acompanho Horus Em minha cidade de divindade viva recebo uma coroa;
dufante as festas de Osíris. Faço oferendas no templo é grande meu esplendor entre os deuses que me ro-
de Heliópolis no sexto dia da festa de Denit. deiam, pois sou seu igual, seu irmão. Sentado a seu
Àgora ;SOU sacerdote em Djedu, encarregado das liba- lado, participo de seu alimento celeste, enquanto ouço
ções. E eis o dia em que a Terra está no auge. E eis uma voz que murmura preces. . . ( É meu sacerdote
que antejmim surgem os Mistérios de Re-Staú. . . Em na Terra quem, de pé ante meu ataúde, as recita. . . )
Djedu, recito fórmulas consagradas a Osíris, pois, sa- Salve, oh Osíris Senhor do Amenti! Deixa-me entrar
cerdotè dos mortos, ocupo-me deles. Sou o grande Amo em paz no teu Reino! Que os senhores da Terra Santa
do saber .mágico, no momento em que navega o barco, me recebam com exclamações de júbilo! Que me conce-
dç> Deus ! Sokari . Nas cerimônias, recebo uma pá dam um lugar a seu lado! Que eu encontre ísis e Néftis
para furar a terra de Herakleópolis. Oh vós!, Espíritos no momento propício! Que o Bom Ser me acolha favo-
divinos, que fazeis entrar as Almas perfeitas, na sa- ravelmente! Que eu possa acompanhar Horus no Mun-
crossanta morada de Osíris, deixa seguir a c o s s o lado do do Re-staú, e Osíris a Djedu! Que passe por todas
a minha Àlma perfeita! Deixai-me entrar ,no Santuá- as metamorfoses possíveis e por todas as regiões do
rio de Osíris! Que eu possa ouvir como vós o^uvis, ver. Além como anseia meu Coração!
como vós vedes, permanecer à minha vontade, de pé
r
ou'sentado! Oh vós que levais oferendas às cirnas per- RUBRICA
feitas na mansão sacrossanta de Osíris, trazei oferen-
das consagradas para que minha Alma vivá! Oh vós,
Espíritos divinos, que abris o Caminho e1 afastais os Se o morto aprendeu este capítulo em sua vida na
obstáculos, abri o Caminho à minha Alma pára a mo- T e r r a ' e soube escrever estas súplicas nas paredes de
rada de Osíris! Que ela possa ali penetrar com toda a seu ataúde, poderá entrar ou sair de sua Mansão à
segurança! Que possa sair dela em paz! Que não seja vontade, sem que ninguém lhe possa opor a menor re-
repelida à entrada e obrigada a voltar atrás! Que possa
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24
.1
sistência. Além disso, pão, cerveja e carne estarão à
sua disposição no altar de Ra; habitará os campos de CAPÍTULO IV '
Sekht-iaru, cujas colheitas de trigo e cevada serão
com ele compartilhadas; será forte e próspero como o Passo sobre a via celeste no Re-staú
foi na T e r r a . . . , Eis que transponho os Abismos das Águas celes-
tes que se estendem sobre os Dois Combatentes e
" C A P Í T U L O II chego aos campos de Osíris. . . Que eu possa dispor
Para reznver depois da Morte deles a meü1 bel-prazer!

Oh! tu que irradiavas solidões noturnas, deus do i


1 1
Disco lunar! Olha! Eu também te acompanho entre os CAPÍTULO V
habitantes do Céu que te rodeiam! Eu, morto, Osíris,
Para não trabalhar no Além j
penetro à minha vontade ora na Região dos Mortos,
ora na dos Vivos sobre a Terra, em todas as1 partes Chego de Hermópolis para erguer o braço dos que
às quais o meu desejo me conduz. estão, fracok e desanimados. Eu sou a almai viva dos
deuses. Fili iniciado na Sabedoria dos Espíritos-servi-
C A P Í T U L O III dores de Thoth
1 !
Para sair à luz do dia e viver depois da Morte , ' , ' ii
1
Salve, oh! Tum, que pairas acima dos Abismos • ' C A P Í T U L O VI
cósmicos! É grande, em verdade, o teu esplendor! Dian-
te de mim surges sob a forma de um Leão de duas ,! ji As Estatuetas mágicas '
cabeças.. . Deixa-me entender tua Palavra de Potên-
Oh! tu, Estatueta mágica, escuta-me! Eui convo-
cia ! Concede tua Força aos que, de pé, a ouvem! Aqui
cado e condenado a executar trabalhos de toda espécie,
me tens que chego e me junto à multidão de deuses que
lesses que os Espíritos dos mortos são obrigados a
te rodeiam, oh Ra! Executei as ordem que r'este, às
fazer no Além; sabe pois, oh! Estatueta máçiça: que
últimas horas do d i a / a teus servidores. Oh! Ra! Em
já possuis préstimo, deves obedecer o homern era sua
verdade, igual a Ra, vivo na Morte, dia após dia, e
necessidade! Aprende pois que serás tu a cdmdçnada;
como.todos os dias Ra renasce da véspera, eu renasço
em meu lugar pelos vigilantes do Duat: a semear òs
da Morte. Todas as divindades do Céu se alegram
campos, a encher de água os canais, a transportar arçia,
vendo-me viver, assim, como se alegram vendo Ptah
do Este para O e s t e . . . ( A Estatueta responde:) f
viver no momento em que, no grande templo de He-
!
liópolis, ele se mostra em todo o seu esplendor. — Aqui me tens . . .Aguardo tuas ordeni 4 . !
26
CAPÍTULO IX
'CAPÍTULO VII Após o passo pela sepultura 1
'j passo às costas do abominável Apopi Oh! tu, grande Alma, poderosa e cheia de vigor!
ii'l. 1 Eis-me aqui! Cheguei! Contemplo-te! Atravessei as
Portas do Além para contemplar Osíris, meu Pai di-
i Oh tu, nefasta criatura de cera, que vives para a
vino! Agora, disperso as trevas que te envolvem, pois
destruição dos débeis e desamparados! Aprende que
te amo, Osíris, e venho contemplar teu rosto. Atraves-
eu nãó sou débil! Que não sou uma alma esgotada e
sei o coração de Seth, cumpri todos os ritos fúnebres
desfaleúente! Que teus venenos não possam1 penetrar
por Osíris, meu Pai. E abro os caminhos do Céu e da
em meusl membros! Pois meu corpo é o Coi^po do pró-
Terra porque sou teu filho, Osíris, que te ama. . . Eis-
prio Tunh! . • E por não sentires tu mesma a tua
-me aqui, feito Espírito puro e santificado. Estou res-
agonia ; tampouco as angústias da agonia poderão atin-
guardado por Palavras de Potência. . . Deuses do vas-
gir meuis membros! Porque sou Tum no centro do!
to Céu! Espíritos divinos! Olhai-me! Em verdade,
Oceano celeste! Em verdade todos os deuses me pro-
tendo terminado minha viagem, aqui estou diante de
tegem eternamente! Meu Nome é um mistério
vós.
minha morada é eternamente sagrada. Já não terei que
enfrentar! os Juízes infernais, pois daqui pori diante r
CAPÍTULO X
acompanharei o próprio Tum! E sou poderoso! Muito
poderoso! 1 1 Um encantamento contra os inimigos j
' í CAPÍTULO VIII Forcei a entrada do Céu. Sondo agora as Portas
do Horizonte. Percorro a Terra toda. Espíritos pode-
i O passo através do Ametiti , rosos estão em meu poder, pois meus encantamentos
mágicos se contam por milhões. Minha boca e minhas
Penetro nos Mistérios de Hérmópolis " , , pois mandíbulas são poderosas. Em verdade, eu sou o Se-
o próprio Thoth imprimiu um sinal em minha cabeça; nhor do Duat para, toda a eternidade; entretanto, os
e o olho de Horus que libertei me protege, poderoso. caminhos da minha Ascensão não vos serão revela-
Ele resplandece sobre a fronte de Ra^ Pai dos deuses. dos . . .
Em verdade, sou Osíris e permaneço no Amenti1, Osíris,
o que percebe o momento da. ventura, não p'xistirá sem C A P Í T U L O XI
que èu exista! Pois eu sou Ra, fodeado dbs outros es- Um encantamento contra os inimigos
píritos divinos e não perecerei em toda a eternidade!
Avante, pois, tu, Horus Ressuscitado! Os próprios deu- Oh! tu, Espírito que devoras teu próprio braço,
ses reconleceram tua qualidade de deus! afasta-te do meu caminho! Pois eu sou Ra, que se

28 , 29
levanta no C'en contra sens inimigos! Este deus pode- I , RUBRICA
roso os deixou em minhas mãos e não poderão escapar-
-me. Eis que trago meu braço como oferenda ao Amo Recitar' este |capítulo junto a uma coroa feita de
da Coroa . A medida que as deusas levantam, flores Ankham colocada perto do ouvido .direito do
eu alargo meus passos. . . Em verdade, não, não serei morto; ijeqitar igualmente junto a outra coroa envolta
entregue a meus inimigos, pois postos em minhas mãos em tecido de cor púrpura, no qual, no dia dos fu-
não poderão escapar. Estou de pé como Horus, estou nerais, será inscrito o nome do morto. |
sentado como Ptah ; sou poderoso como Thoth ; sou ir-
resistível como Tum. Minhas pernas me levam em sua , ' C A P Í T U L O XIV
corrida, minha boca diz Palavras de Potência. Eis que Para pôn fim aos sentimentos de vergonha no
percorro o Céu em busca de meus inimigos, que me coração dos deuses
serão entregues e não poderão escapar-me. Que vossos nomes sejam santificados, oh! deuses
reguladores dos Rjtmos sagrados, vós que presidis ao
i CAPÍTULO XII désenvolvimeHto dos Mistérios! Escutai minhas pala-
vras: "Çm 'verdade, os deuses ficam envergonhados e
Para entrar c sair à vontade J confusosi quando vêem minhas iniqiiidades; porém, sob
os golpes1 que o deus da Verdade e da Justiça fará càir
Que teu nome seja bendito, oh Ra, Guardião das
sobre meus pecados, minhaá manchas e minhas imper-
Portas misteriosas, das quais parte um Caminho para
feições jiesaparecérão!" Oh! deus da Verdade e da Jus-
Keb e a Balança, que leva em si a Verdade e a Justiça !
tiça, destrói 0 mal que'se aninha em mim! Faze desa-
Olha ! Eu forço meu caminho através da Terra ! Oxalá
parecer minlia maldade e meus crimes, varre ido meu
possa, como uma criança, renascer para a vida!
coração todo o mal que possa separar-me de ti, para
que eu fique em paz contigo! E tu, oh! senhor das Ofe-
CAPÍTULO XIII rendas, éis-me aqui trazendo-te o que te fará vivér
para que pu também possa viver! E o sentimento dé
A entrada 110 Amenti (
vergonha que há em teu coração, por minha causa, ex-
1
Entro no Céu como um Falcão. Percorro as re- tingue-o'paip toda a Eternidade!
giões do Céu como Fênix. Os deuses adoram Ra e ele
prepara os caminhos. Agora, penetro na bela Amenti. C A P Í T U L O XV
Eis-me junto ao Lago sagrado de Horus; amarrei seus Hino à glória de Ra (O sol)
cães. Que o Caminho me seja aberto ! Possa eu percor- 1
Salve, oh! Ra! Semelhante a Tum, te ergues aci-
rê-lo e ir adorar Osíris, Senhor da Vida Eterna! ma do Horizonte; e semelhante a Horus-Khutj Cülmi-
30 1
, • i 3i
,n'aíi.o Céu . Tua formosura encanta meus olhos e tempos, tu modelaste a Linguagem das Hierarquias
teus raios iluminam meu Corpo na Terra. Quando na- divinas; tu arrancaste os Seres do Primeiro Oceano e
vega^ etfa tua Barca Celeste, a paz se estende pela, imen- os salvaste numa Ilha do Lago de H o r u s . . . Possa
sidão do^ Céus. Eis que o vento enfuna as telas e ale- eu respirar o A r do teu sopro e o Vento do Norte en-
gra tept ctaração: com marcha rápida atravessas o Céu. viado por Nut, tua Mãe! Oh! Ra, digna-te santificar
Teus inimigos são destruídos e a paz reina a teu redor. meu Espírito! Oh! Osíris, devolve à minha Alma sua
Os Gêniòs astrais percorrendo suas órbitas cantam tua ! natureza divina! Glória a ti, oh! Senhor dos deuses»
glória. E quando desces no Horizonte po,r tirás das Teu Nome seja louvado! Oh! Criador de Obras admi-
montanhas do Poente, os Gênios das Estrelas Fixas r a v a s ! Ilumina com teus raios meu Corpo que repousa
se prosternam diante de ti e te a d o r a m . . . Grande é na Terra, para toda a E t e r n i d a d e . . .
tua formòsura na aurora e no crepúsculo, ^ h ^ t n . Se-
nhor da Vida e da Ordem dos Mundos! Glória a K, CAPÍTULO XVI
oh! Ra, quando te levantas no Horizonte e quando, pelâ
1 (Este capítulo contêm apenas uma vinheta)
ta|rde, semelhante a Tum, te pões! Em verdade, teus
raios1 são formosos quando do alto da Abóbada celeste
te mostras em todp o teu esplendor! Ali é onde habita CAPÍTULO XVII
Nut que te trouxe ao M u n d o . . . E ali f(bste còroado
Rei dos deuses. A deusa do Oceano celeste,H Nut, tua Para entrar no Mundo inferior e sair dele
Mãe, se prosterna em adoração diante de ti. A Ordem,
o Equilíbrio dos Mundos emanam de ti. Desde a ma- Começam aqui os hinos de adoração que se deve
nhã, quando partes, até a tarde, quando chegas, a gran- pronunciar no momento em que o morto, liberto (do
des passadas, percorres o Céu. Teili Co,ração1 $e alegra corpo) penetra no glorioso Mundo Inferior e na for-
e o Lago Celeste permanece pacificado'. . . ,0 Demônio mosa Amenti, isto é, no momento em que, saindo
foi derrotado! Seus membros são cortados, suas vér- em plena Luz do Dia, pode manifestar-se à vontade
tebras seccionadas! Ventos propícios impelem tua sob todas as formas da existência. Então, sentado em
Barca até o porto. As divindades das q u a t r o Regiões uma sala, poderá jogar damas, ou talvez, conforme sua
do Espaço te adoram, oh tu. Substância divina cie que, condição de alma viva, empreender grandes viagens. E
procedem todas ÍJLS Formas e todos os Spres. . . ! Eis dirá: Eu sou o deus Tum, solitário dos vastos Espaços
que acabas de pronunciar uma Palavraj e a Terra, si- do Céu. Sou o deus Ra levantando-se na aurora dos
lenciosa, te escuta. . . Tu, Divindade Única, já reina- Tempos Antigos semelhante ao deus Nu. Sou a Gran-
vas no èéu quando a Terra com suas montanhas nem de Divindade que nasce de si mesma. Os misteriosos
existia. . . Tu o impetuoso! Tu, o Senhor! Tu, o Úni- poderes de meus Nomes criam as Hierarquias celestes.
co! Tu, o Criador de quanto existe! Na ^Xtrora dos Os deuses não se opõem à minha progressão, pois eu

32 33
vem!" Spu aquejlecuja Alma reside na nobre divin-
sou o Ontem e conheço o Amanhã. O duro combate a
dade Djafi^ . Sou o grande Gato Divino que
que se entregam os deuses, uns contra os outros, de-
fçndeu a Árvore s?grada de Heliópolis na Noite da
pende de minha vontade. Eu conheço os misteriosos
Destruição dos demônios, esses inimigos de Neberdjer
Nomes da Grande Divindade que está no Céu; eu sou
Oh! Ra, tu que habitas no Ovo Cósmico, que
a grande Fênix de Heliópolis ; sou o Guardião
reluzes como Ouro puro em teu Disco solar ; que trans-
d o Livro do Destino em que se inscreve tudo que foi e
pões o Horizonte e navegas por um Céu de bronze, tu,
tudo o que será. Sou o deus Amsu no momento em que
sem iguál, único frntre os deuses! O Céu, sobre os pila-
aparece; e as duas Plumas da deusa Justiça e Verdade
res do deus Shu, tu o percorres em toda a sua exten-
adornam minha cabeça. Eis que chego de minha Pátria
são . . . i(Jfn hálito dè Fogo sai de tua Boca e teus glo-
d e origem ; e aguardo o lugar de minha residên-
riosos Èspíritos iluminam as duas T e r r a s . . . Oh Ra,
cia fixa. O Mal que existia em mim foi extirpado até
livra-me déste demônio que tem o rosto oculto por um
a s raízes. Foram varridos meus defeitos e imperfei-
Véu! (Suas sobrancelhas são os Braços dá Balança
ções. Percorro os caminhos do Além. . . Em verdade,
,na Noite fatal, em que antes de serem destruídos, meus
m e são familiares. A direção de meu caminhar é a
pecados sei-ão contados.) Livra-me desses Espíritos-
d a Organização dos Mundos. Chego agora ao país do
Guardiães armados de facões e cujos dedos causam
Horizonte, transponho o Portal Sagrado. . . Oh! deu-
tanto mal! Eu sei: a matança dos servidores de Osíris
ses ! Vós que marchais a meu encontro, abri-me vossos
é seu p r a z e r . . . Que não tenham nenhuma força con-
braços! Pois eu cheguei a ser um Deus, igual a vós!
tra mim! Qye não me arrastem às caldeiras, pois co-
N o momento em que o Olho divino, na Batalha de
nheço vossos nomes, oh! deuses, como conheço esse Ser
H o r u s com Seth estava a ponto de apagar-se, eu
divino oculto pos domínios de Osíris, cujo .Olho (se
devolvi seu vigor. Depois do grande Desmoronar dos
bem qu<^ permaneçi invisível e velàdo) resplandece nó
Mundos pus em ordem as Órbitas celestes... Ontem
Céu. Envolto numa coberta de fogo que sai de sua
vi Ra nascer quando saía das profundidades do Céu.
boca percorre o Céu dando ordens ao deus do Nilo
Logo sua força é a minha força, pois em verdade, eu
celeste ;i é? não obstante, permanece invisível.,.
sou o Espírito poderoso entre os que rodeiam Horus „ .
Salve, oh! Guardiães da Ordem dos Mundos! Vós, Hie-
rarquias divinas que rodeais Osíris, que destruis o Es-
pírito do Mal! E vós, servidores da deusa Hotep-Se- Possa eu chegar a ser vigoroso na Terra, jupto a
khus deixai-me que me chegue até vós! Destruí Ra! Possa chegar em paz até o Porto da atracaçãjo,
o mal que se agarra a minha Alma! (como já haveis junto a Osíris! Possa, oh deuses, encontrar em vossos
purificado os sete Espíritos Obedientes a seu Senhor, altares,' intactas as oferendas que me são destinadas!
Sepa). Eis aqui Anúbis que dispõe de lugares Pois soiji dos que seguem O s í r i s . . . E o "Lfivro das
Metamorfoses" diz: " E u vôo como um falcão, grito
para eles neste Dia notável, cujo nome é: "Por aqui,
1 1
34 i , , is
comoiim ganso selvagem; como Neheb-Kau, janiais escapar a esses espiões! oxalá não caia sob suas facas!
perecerei" ' que não se entregue sem defesa a suas covas de tor-
tura! pois na verdade nada tem feito que aborreça os
Oh! Ra-Tum, Príncipe dos deuses! t u que olhas deuses; e é purificado de todos os meus pecados como
eternamente na imensidade do Espaço, livra^me deste penetrou em Mesket . Até à tarde no Tehenet,
demônio| cuja cara se parece com a dç Um, Cão, mas ( gozo com minha ceia; Tum constrói minha morada e
cujas, sobrancelhas se assemelham às de um ser hu- o deus Leão de duas cabeças é que traçou os planos.
mano.. . Monta guarda nos cana,is do Lagp 4 e Fogo; Eis que me trazem perfumes sagrados; Horus é pu-
devora os corpos dos mortos; apunhala os corações e rificado, Seth coberto de incenso; Seth purificado,
espalha imundícies... mas sempre permànéce invisí- Horus coberto de incenso. Sou admitido nesta Terra e
v e l . . . Oh tu, poderoso Senhor das duas Terras, amo por meus próprios pés tomo posse dela.
dos Demônios Vérmelhos! sei que imperas nos, lugares
das execuções e que as entranhas dos mqrtos sãp o
Spu o deus Tum. Eis que chego à minha Pátria
teu alimento preferido. . . Afasta-te! ,1
de oijigem... Retrocede pois! Retrocede, oh! Leão
Rehu! Chamas saem de tua boca; tua cabeça está ro-
' Éis que a Coroa Real acaba de ser posta na cabeça deada de fogo; porém, pela Potência da minha pala-
1 vra, serás rechaçado! Saiba que estou preparado! que
de c^rtá divindade de Herakleó^plis ; primeira
entre os deuses, no dia da Reunião das Duas Terras sou invisível! ísis vem a meu encontro e estende sua
ante Osíris . Oh deus da cabeça dé Carrieiro, Se-,, espessa cabeleira sobre meu r o s t o . . . Agora me sinto
nhor de Herakleópolis, destrói o Mal que !se agarra à concebido por ísis e engendrado por Néftis. Estas
minha Alma! Conduze-me ao longo dos Caminhos da duas perseguem meus inimigos. Minha Potência me
Vida Eterna! Livra-me deste Espírito demoníaco que segue, acompanhada do Terror. Meus braços vigorosos
espreita nas treyas, pois que se apoderai das Almas e semeiam o pânico. Cheios de amor e de esperança mi-
.devora os Corações. Nutre-se de imundícies e podridões. lhões de seres me rodeiam... Disperso as multidões
As Almas frouxas e passivas têm medo dele. . 1 Oh de Espíritos inimigos e me apodero das armas dos
Kheprd, tu que navegas na Barca celeste! í as1 demônios. ísis e Néftis fazem minha vida doce e feliz.
Hierarquias divinas de que teu corpo èt< compõe se Minha vontade dirige o curso das coisas em Kheraha
manifestam a meus olhos deslumbrados. (j)h! Khepra, e em Iunu Todas as divindades têm medo de
Livra-me dos Çspíritos que montam guarda aos Con- mim, pois sou imenso, meu poder é terrível! Lanço
denados, pois foram abandonados por Osíris com minhas flechas contra todos os que blasfemam; vivo
ordem de velar seus inimigos, estrangüjá J los e dar- segundo me apraz; pois sou a deusa Uadjit, dona da
-lhes morte em seus domínios. Não é fácil, em verdade, Chama . Ai dos que se levantam contra mim!
i
36 37
CAPÍTULO XVIII nesta ncjjte tenebrosa, nesta noite de combates, nesta
noite em que serão derrotados os inimigos do Senhor
O sacerdote diz: dos Mupdos. . .) Defende-me perante os tribunais: de
Oh! vós, Soberanas Hierarquias do Céu, da Terra( Heliópolis, de Busíris, de Sekhem, de Pe e Dep, de
e do Mundo dos Mortos! Eis que, seguido de um mor- Rekti, de Djedu, de Nairerf, de Re-staú. . .
to, venho a vós! Que permaneça, pois, sempre entre
vós! 1 EPÍGRAFE
i i
O morto diz: Se íje r(ecita o capítulo precedente, o morto —
Salve, oh! Senhor do Além, Osíris, Amo do Re- logo à isua chegada ao Além — poderá sair em plena
-staú, Deus-bom do santuário de Abydos! Eis que che- Luz do Dia e tomar as formas de todos os seres. Todo
go diante de ti. Meu coração sempre foi fiel à vida aquele que tenha recitado este capítulo chegará a ser
do Bem. O Mal jamais habitou em meus pensamentos. próspero na Terra. Quando no Além tiver de atra-
Em meu peito, nenhum pecado! Jamais menti delibe- vessar as regiões de Fogo, não será encerrado sem
radamente nem procedi com fingimento! Que as ofe- I saída por causa dás más ações praticadas cjurante sua
rendas afluam, pois, a mim! que possa aparecer ante o vida na Terra; estas não o manterão prisioneiro por
altar do Senhor, o Dono da Verdade e da Justiça! toda a eternidade. 1
Possa, sim, entrar na Região dos Mortos e dela sair i
a meu bel-prazer. Que minha alma não seja repelida! CAPÍTULO XIX
Seja-me permitido contemplar eternamente os divinos
Espíritos da Lua e do S o l ! . . . j A Coroa da Vitória
Tum preparou uma Coroa de Vitória para a co-
locar em tua; fronte, a fim de que, fiel ÍIOS1 deuses,
Eu te saúdo, oh! Rei da Região dos Mortos, possas viver eterAamente; pois Osíris, Senhor da Re-
Príncipe do Reino do Silêncio! Eis-me que chego dian- gião 'dòs Mortos, faz com que triunfes de seus inimi-
te de t i . . . Conheço teus caprichos e as lejis de teu gos; Keb te escolheu como seu legatário universal.
Reino; tenho o domínio das Formas e das Metamorfo- Vem, i pois, e canta a glória de Horus, filho, dé ísis e
ses praticadas na Região dos Mortos. Concede-me um Osíris, qu<p te faz subir ao Trono de Ra, teu Pai
lugar em teu Reino junto ao Senhor da Verdade e divino e té concede o império sobre as Duàs Terras.
da Justiça! Oxalá possa eu morar na Região dos Tum o decidiu também, e a Hierarquia divina de seu
Bem-aventurados e receber em tua presença oferendas /séquito, executou esta ordem, pois todo poder de Horus,
sepulcrais! Oh Thoth, tu que fazes com que Osíris1 filho de ísis e cie Osíris, nasceu da Vitória... Da
triunfe de "seus inimigos, defende-me contra os meus, mesma forma serei vitorioso, eu, sim, eternamente.. .
38
Todas as Regiões, todos os deuses e todas as deusals, rante o passo para a morte; e quando se sinta reviver,
do Céu e da Terra, concorrem para o triunfo de Horus, encontrar-se-á nas imediações de Osíris; e ali, enquanto
filho de1 ísis e de Osíris. Esta vitória conseguida ante contemplar a imagem d^ deus, duas mãos aparecerão
Osíris era necessária, a fim de que eu pudesse, eu, ante ele, uma levando pão e outra a bebida s a g r a d a . . .
tHunfari de meus inimigos. No dia em quél Horus con- Pronunciar este capitulo pela aurora, duas vezes se-
segue ^ vitória sobre Seth e seus demônios, eu, morto, guidas. Este texto é de uma eficácia infalível
eu triunfo de meus inimigos, durante a noitè da Festa
em que o Deus Djed é elevado em Djedu, ante as di-
vindades que habitam os Caminhos da M o r t e . . . Isto CAPÍTULO XX
sucede na Noite dos Mistérios de Letópolis, ante os
poderoáos seres de Pe e de Dep, a Noite 'da celebração Oh! Thoth, tu que fazes Osíris triunfar de seus
de Horus em seus direitos como Herdeiro, a Noite inimigos, prende também em teus laços meus inimigos!
da Palavra pesada ante os Grandes Juízes; 1 a Noite Em presença de todos os deuses e de todas as deusas,
em qüe Horus toma posse do Lugar do Nascimento em p^esénça dos grandes deuses de Heliópolis, durante
dos deuses; a Noite em que ísis, no leito, veja e chora' a noite dos combates em Djedu e da derrota dos de-
seu Irmão bem-amado ; a Noite em que Osíris mônios, durante a noite em que se reergueu Djed em
Letópolis, durante a noite das catástrofes em meio às
triunfa de seus inimigos. . . Eis que por quàtro vezes.
trevas, que ocorrerão em Letópolis, em Pe e em Dep;
Horus pronuncia as Palavras de Potência e seus ini-
durante a noite da confirmação de Horus em seus
migos, esmagados, jazem por1 terra. Eu, morto, pro-
direitos de herdeiro dos domínios de seu Pai Osíris,
nuncio as mesmas Palavras quatro vezes. Oxalá meus
em Rekhti; durante a noite em que ísis se lamenta
inimigos sejam derrotados e feitos em pedaços! Eis
em Abydos perante o ataúde de seu Irmão Osíris;
que Horus, filho de ísis e de Osíris. <> louvado em durante a noite das cerimônias de Haker em que os
milhões de festas, enquanto seus inimigos são entre- condenados serão separados dos eleitos que atravessam
gues à grande Destruição do Abismo e do N a d a . . . os caminhos da morte; durante a noite da execução
Tamais | poderão escapar à poderosa vigilância de das almas condenadas quando da grande cerimônia o
Keb! cultivo da terra que se celebrará em Naarerutf e em
RUBRICA i ! Re-staú; durante a noite, enfim, era que Horus triunfe
de seus inimigos. . . Em verdade, grande é Horus! os
Este Capítulo será recitado sobre uma coroa de-
Horizontes do Céu estão plenos de alegria e o coração
vidamente consagrada e colocada! sobrç o,1 rosto do de O s í r \ repleto de contentamento.. . Oh Thoth, dei-
morto; durante este tempo, pronuncnlndd) o nome do xa-me nunfar de meus inimigos diante das Hierar-
mo^to, o sacerdote lançará incenso sobre o fogo. lí^to quias dos deuses e das deusas que julgam os mortos,
assegurará a vitória do morto sobre seus inimigos du-
t ij. 41
em nome de Osíris, .reunidos por trás da capela mor- do Ke-stnú! Possa, pois, compartilhar a sorte com os
tuária deste deus.... que se encontram acima da Escada celeste. Chegando
aqui^ pela vontade de meu coração, atravessei o Lago
RUBRICA
dp Fogo e minha presença apagou suas chamas.
Se este capítulo for recitado por um homem ri-
tualmente puro, o morto st salvará — logo depois de CAPÍTULO XXIII
sua chegada ao Porto , através da planura Lu-
/ abertura da boca do Morto
minosa do Dia; e poderá assumir à sua vontade todas
as formas dos seres e cruzar sem perigo a Zona do Oxalá possa Ptali abrir minha boca! Oxalá possa
Fogo o deus de minha cidade desatar as vendas que cobrem
CAPÍTULO XXI meu rosto,! Oxalá Thoth, armado das Palavras de Po-
tência, possa retirar estas nefastas vendas, herança
Para devolver a um morto os Poderes de sua de Seth! 11 1 Oxalá possa Tum atirá-las à cara dos
Boca inimigos que qudiram, com ajuda destas vendas, tor-
Salve, oh Príncipe da Luz, tu que iluminas a nar-me ihipotente p^ra sempre! Oxalá possa Shu abrir
Mansão das Trevas! Olha! Diante de ti chego santi- minha t>ófca com a arma de ferro que abre a
ficado e purificado! Porém, que vejo? Teus braços boca dos,deuses! Por que eu sou a dfeusa Sekhmet que
dirigidos para trás repelem tudo que chega dos teus jiabita a l e g i ã o dos Grandes Ventos do C é u . . . Eu
Antepassados! . Concede à minha boca os pode- sou o Gênio da Constelação Sahu no meio dos
res da palavra a fim de que na hora em que reinam i Espíritos divinos de Heliópolis. Oxalá todos os encah-
a Noite e as Névoas, eu possa encaminhar meu Co- tamentos dirigidos contra mim deiicam indiferentes e
ração ! seguros os deuses e os Espíritos que os ou^am!

CAPÍTULO XXII , CAPÍTULO XXIV


I | |
Para devolver a um morto os Poderes de sua Boca • Um Encantamento, para o morto
Eis que subo ao Céu do Universo misterioso, seme-
Eu sou o.deu^. Eu sou Khepra, o d e u s , d j eterno
lhante ao Ovo cósmico rodeado de seus raios...
Chegar a ser que, oculto no seio de sua Mãe celestial,
Que me seja restituído o poder de minha boca, que
Nut, esculpe e modela sua,própria Forma. Os.ijue ha-
eu possa pronunciar ante o Senhor do Além as Pala-
bitam o Oceano celeste tornam-se maus como lobos;
vras de Potência! Que a súplica de meus braços es-
os espíritos.das Hierarquias tornam-se raivosos como
tendidos com fervor não seja repelida pelas Hierar-
hienas escudando minhas Palavras de Potência. Pois
quias divinas, pois, em verdade, eu sou Osíris, Senhor
estas Palavras de Potência eu as busco e recolho por
42
43
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todas ás partes com mais velocidade que a luz, com em seu lugar! Que meu coração permaneça em paz
mais zelo que um cão de caça. Enquanto a ti; qtie fazès comigo! Que possa comunicar com Osíris, a Este da
ajvançar a Barca de Ra, olha ! As vergas ç as velas de pradaria florida e subir e descer em minha Barca o
tua Barca se inflam pelo sopro do vento, enquanto Nilo celestial! Que os poderes de minha boca me se-
desliza pelo Lago de Fogo na Região dos Mortos. jam devolvidos, a fim de que possa caminhar! E os
Eis aqui que eu reúno todas as Palavraè de Potência dos meus braços para que possa derrotar meus inimi-
de todas as regiões onde se encontravam, assjm colno gos ! Oxalá as portas do Céu permaneçam abertas para
em todo coração humano que as havia agasalhado. . . mim! Possa Keb, Príncipe dos deuses, abrir minhas
Eu a^ busco e eu as reúno com mais velocidade que mandíbulas! Possa também retirar a espessa venda
a luz, com mais zelo que um cão de caça. Eu sou aquele que cobre meus olhos! Possa desatar igualmente a ata-
que faz'surgir os deuses do Abifemo.e que,f uma vez, dura qu* me impede de separar as pernas! Que Anúbis
cumprido seu Ciclo, os vê decair a Nada e à destruição endureça meus músculos, para que seja possível pôr-
pelo Fogo. Eis aqui que eu reúno todafe as Palavras, -me de pé! Possa a deusa Sekhmet conduzir-me ao Céu!
de Potência que buscava com mais velocidade que a Que meus decretos sejam proclamados em Mênfis!
luz, com mais zelo que um cão de caça. Meu saber visionário, eu o devo a meu Coração "ib";
meu poder mágico, eu o devo a meu Coração "hati".
,CAPÍTULO X X V i Mando em meus braços e minhas pernas me obede-
cem. Em verdade, posso cumprir as vontades do meu
1
Para restituir a Memória ao Morto , Ka; minha alma não será aprisionada em meu cadáver
nas Portas do Além; pois nele ela poderá entrar e sair
Quk meu nome me seja devolvido no Templo do 1
em paz.
Além. Que eu possa guardar a recordáção de meu
Nome êm meio às Muralhas abrasadas dO| Imundo In- CAPÍTULO XXVII
ferior na noite ,em que serão contados os Anos e enu-
Para que o coração não seja arrebatado do Morto
merados os Meses! Pois eu permaneço junto ^o grande
deus do Oriente celeste. Eis que todas àp divindades Salve, oh! divindades terríveis que vos apoderais
se alinham perto de mim; e à medida que cada uma dos Corações e os destruís, vós os Senhores da Du-
passe eu possa pronunciar seu Nome. , ração, Príncipes da Eternidade! Nem de meu Coração
"ib", nem de meu Coração "hati" vos apodereis, e que
CAPÍTULO XXVI palavras de acusação não sejam proferidas contra
mim. Oh! vós que fizestes passar por Metamorfoses,
Para restitui o Coração ao Morto de acordo com seus atos passados, o Coração do ho-
Oxalá meu coração "ib" se' encontre em seu mem ! Oxalá que minha c Dnduta na Terra nãò me pre-
judique em vossos juízos no Além! Pois este Coração
lugar! Oxa á meu coração "hati",jse encontre
45
ante as divindades do Mundo Inferior. E aquele que
que vedes aqui pertence a um deus, dono dos Nomes encontre u p a das minhas pernas, ou ataduras que
mágicos, cujas palavras são poderosas sobre os Cor- tenham pertencido à minha Múmia, que as leve à se-
pos; que dirigiu seu Coração às entranhas e o renovou
pultura com cuidado!
perante os deuses. A este poderoso, que não se fale
mais do que haja feito na Terra! Seu Coração, como ' C A P Í T U L O XXI|X
seus Membros, obedecem suas ordens. Seu coração não
o abandonará! Assim, pois, vitorioso, te ordeno que me Para que o coração não seja arrebatado do Morto
obedeças no Mundo Inferior e nas Regiões da Eter-
Parti! Fora daqui, Mensageiros do Senhor do
nidade.
Além! Viestes para arrebatar meu Coração dotado de
CAPÍTULO XXVIII vida eterna? Em, verdade, não o entregarei a vós! Os
deuses prbntamente se darão conta à medida que avan-
Para que, o coração não seja arrebatado do Morto
ço, pois oferendas e rezas a meu favor há por todas
Salve, oh! deus4e duas cabeças de Leão, olha-me! I as partes: acima e abaixo deles, cada uma em seu
E u sou uma planta florescente! Por isso o cadafalso
l u g a r . . . Eu guardo, em verdade, o domínio do meu
me espanta! Oxalá meu Coração não seja arrancado
Çoração e1 jamais, não, ele não me será arrebatado!
de minhas entranhas pelos deuses de Heliópolis que
Pois eu sou o Senhor dos Corações e concedo uma
se combatem encarniçadamente! Oh! tu, Espírito ben-
nova d u f a ^ o ' a o s Corações que vivem na Justiça. Eu
feitor que adornaste com ataduras a Múmia de Osíris;
sou Horus que íiabita nos Corações, no centró dos
tu que espreitaste, ataçaste e derrotaste Seth, olha-me!
Corpos. Eu vivo por minha Palavra de Potência. Que
Este Coração, que é meu, que chora ante Osíris, está
meu coitarão "ib" não me seja pois arrebatado! Que
suplicando por m i m . . . Eis que no Templo do deus
meu coração "hati" não sofra nenhuma alteração!
do terribilíssimo rosto, eu lhe concedi tudo quanto de-
sejava ; e em Khemenu me apoderei das oferendas para Que nenhuma violência seja exercida c o n t p minha
ele. Oh Espíritos! Não me arrebateis jamais meu Co- pessoa! Pois eu habito no Corpo de Keb, meu Pai e
ração! pois eu vos deixo penetrar em minha morada 'no de Nut, minha Mãe divina! E não havendo come-
a fim de poderdes, em seguida, levar este Coração tido ação que os, deuses adominemJ possa uma Vitó-
convosco até os Campos dos Bem-aventurados... Fa- ria coroar esta prova!
zei-o vigoroso: Defendei-o contra todos quantos lhe
inspiram horror! Não o priveis do alimento espiritual I CAPÍTULO XXX
que está em vosso poder, pois meu Coração tem sido Pará queo. Coração do Morto não seja rejeitado
fiel aos decretos de Tum e tem dado morte a seus
inimigos nos abrigos de S e t h . . . Que este Coração Mep Coração "ib" me vem de minha Mãe Releste.
"hati" que vedes aqui não substitua o Coração "ib" Meu Coração "hati" me ve*n de minha vida na Tejra.

46 47
i 1
H ,
II - l
t ij.
estátua que representava o deus sacrossanto (Thoth).
Que não sejam levantados falsos testemunhos contra
mim! Que os Juízes divinos não me repudiem! Que A inscrição, gravada em uma barra de ferro na pró-
sejam verdadeiros os testemunhos concernentes a mi- pria escritura do deus (isto é, em hieróglifos) foi
nhas ações na Terra ante o Vigilante da Balánça e o descqberta nos tempos do rei Men-Kau-ra (Menkara,
divino Senhor do Amenti. Salve, oh! meu Coração 2700 anos a.C.) pelo príncipe real Herutataf, durante
"ib"! Salve, oh! meu Coração "hati"! Salve, oh! entra-' uma viagem de inspeção aps templos.
nhãs pinhas! Salve, oh! divindade majestosai de lumi-
nosos Cetros, Senhores de Sagrada càbelpirá!
Que vossas Palavras de Potência me jprotejam ante( CAPÍTULO X X X I
Ra! Fazei-me vigoroso ante Nèheb-Kau! Em verdade,
embora meu Corpo esteja preso à Terra, não morrerei, Para conjurar os Espíritos com Cabeça de Crocodilo
pois serei santificado no A m e n t i . . . Oh tu, Espírito
encarregado da Balança do Juízo, sabe: ty és meu Ka, Vade retro, oh! tu, Sui, demônio com cabeça de
pois habitas nos limites do meu Corpo! Tu, emanação crocodilo! Certamente não, não tens jxxler sobre mim!
do deus Khnum, tu dás a Forma e a vida a meus, Espírito santificado, existo por obra da Potência má-
Membrds. Vem pois aos lugares da felicidade para ; os , gica que vive em mim! Vê como pronuncio em tua
quais marchamos juntos. Que meu Nome não se cor- presença o Nome da grande divindade, para que ela
rompa nem se torne pestilento aos olhos doS, Senhores te coloque nas mãos de seus mensageiros, um dos quais
todo-poderosos que modelam os Destinos dos homens! se chama: "Senhor-dos-Cornos" e outro tem o nome
E que o Ouvido dos deuses se regozije e sêús corações de: "Teu-rosto-se-volta-para-a-Verdade-e-a-Justiça".
se encham de alegria quando minlias Palavras forem As Revoluções dos Céus se ajustam aos Ritmos dos
pesadas na Balança do Juízo! Que nãó se1 digam men- Tempos; além disso, meu Verbo de Potência cerca e
tiras diante do deus poderoso, Senhor do Amenti! Em
protege meus domínios. A magia, a magia que sai de
verdade, grande serei no dia da Vitória! 1
minha Boca cria uma rede intransponível e meus den-
tes são semelhantes a um punhal de sílex. Tu, demônio,
RUBRICA sentado à espreita observando tudo com teu olho imó-
vel, sabe que não poderás jamais arrebatar-me minha
Pronunciai a fórmula sobre um escaravelho de pe- Palavra de Potência! T i , demônio de cabeça de cro-
dra marchetado de cobre .e adornado conül um anel de codilo, cujo único alimento são as Palavras de Potên-
prata, que se coloca logo depois ao pescoço do morto. cia arrancadas à força, palavras que mantêm tua vida.
O capítulo precedente foi encontrado na cidade As minhas, não poderás arrebatar!
de Khemenu (Hermópolis Magna) aos pés de uma
I 49
CAPÍTULO XXXII tu, cuja monada fica no Sul! Tu que vives entre imun-
Encantamento para conjurar os Espíritos com dícies e [ excrementos! Em meu coração trago o que
mais detestas. Que a chama vermelha não esteja em
Cabeça de Crocodilo
! tuas mãos! Eu sou, olha-me bem, Septu, a divindade
A grande divindade antiga caiu, derrubada. . . solar. Foge demônio de cara de crocodilo! Tu, cuja
Repousa, sobre um lado, o rosto contra a terra; não morada fica no Sul! Olha-me, estou são e salvo ca-
obstante, as Hierarquias celestes a reerguem... Eis minhandoi entre flores inteiramente desabrochadas!
que minha Alma chega: conversa com seu Pai divino Sabe, pois, que não serei entregue a ti, não! Foge, de-
e o livra das emboscadas de dois demônios com cabeça mônio de cara de crocodilo, tu, cuja morada está ao
de crocodilo... Em verdade, seus Nomes eu os co- Norte! Tfu que vives de violências das quais te apro-
nheço e sei de que se alimentam; protejo meu Pai veitas hora após hora. Em meu peito trago o que mais
celeste da ação desses demônios. Foge, demônio de detestas. Que teu veneno não seja para mim, pois que,
cara de crocodilo^ tu, cuja morada fica no Oeste! Sei em verdade, sou Tum! Foge, demônio de cara de cro-
que te alimentas dos signos do Zodíaco! Sabe pois que codilo, tu, cuja morada está no Norte. Olha! A deusa
trago no meu coração aquilo que mais detestas! Como? Serket habita em meu peito! Em verdade, eu
T u te irritas com a fronte de Osíris? Pois escuta: eu sou a deusa de jolhos de esmeralda. As coisas criadas
sou Ra! Foge demônio de cara de crocodilo, tu, cuja estão sob o poder' do meu braço! Quanto aos mundos
morada fica no OeSte! Sabe que o Espírito-Serpentc( futuros, às possibilidades que germinam, estão aqui,
Naau habita em itieu peito! Vou lançá-la contra ti encerradas no meu peito. Estou protegido por Verbos
para que teu fogo não me possa atingir. Foge, demô- mágicos de grande poder. Foram tirados do Cosmos,
nio de cara de crocodilo, tu, cuja morada fica no Este! i da parte de cima e da parte que fica abaixo de1 mim.
T u te alimentas daqueles que devoram as imundícies! Quanto a| mqu Ser, foi sublimado e engrandecido. Mi-
O que trago em meu coração é . . . o que tu mais de- nha Laringe reppusa no seio do meu Pai Celeste
testas! Olha! Olha como eu caminho! Em verdade, o deus ajitigo, o grande, que pôs ao alcance do meu
cu sou Osíris! Foge, demônio de cara de crocodilo; poder o formoso Amenti, País dos Mortos com todos
tu, cuja morada fica no Este! A deusa-serpente Naau os qud estão condenados e todos quantos viverão...
habita em meu peito. Lanço-a contra ti, olha! Teu No que se refere a ele próprio, este deus, outrora po-
fogo não poderá atingir-me! Foge, demônio de cara ' íderoso, ali vive tàmbém, para sempre inerte e irhó-
de crocodilo! Tu, cuja morada está no Sul! Tu que vel! Meu rosto está livre de véus, meu coração está
vives entre imundícies e excrementos, em meu coração 1
onde deve estar; e minha cabeça está adornada com
trago o que mais detestas! Que a chama vermelha não a coroa dte serpentes. Por que eu sou Ra e sabèrei
esteja em tuas mãos! Eu sou, olha-me bem, Septu, a ' proteger-me! Em verdade, nenhuma influência nefasta
divindade solar. Foge, demônio de cara de crocodilo, poderá atingir-me!

56 63
i

CAPÍTULO XXXVI
, CAPÍTULÒ XXXIII
Para conjurar os Demônios
i Para conjurar os Demônids-Ser pentes
Para trás! Vade retro, demônio de fauces aber-
I
tas ! Pois eu sou Khnun, Senhor de Pshenu. Eu trago
Alto Rerek ! Para trás, demônio <í|è cabeça de a Ra a palavra dos deuses, uma mensagem ao Dono
Serpente! Olha, aí estão Shu è Kéb que impedem o desta casa.
teu caminho! Não te movas! Quieto onde estás, pois
te alimentas de ratos que Ra abomina, e róis os ossos
CAPÍTULO XXXVII
do gato em decomposição. ,
• i Invocação a Isis e a Nêftis
CAPÍTULO XXXIV
! , ' Salve, oh! Deusas irmãs Ísis e Néftis: eu vos
Para evitar as mordidas dos Demônios-Serpentes anuncio minhas Palavras de Potência! Eis que, envolto
em irradiações, navego em minha Barca celeste. Em
Oh tu, deusa de cabeça de, Serpente,l Ôlha! Eu verdade, eu sou Horus, filho de Osíris; aqui estou para
sou a Chama qúe ilumina os milhões de anos futuros. ver Osíris, meu Pai.
Esta é a divis? inscrita no meu estajndartp : "o futuro
floresce vindo ao meu encontrò" ; pois eu $ou a deiísa CAPÍTULO XXXVIII
de ^abeça de Lince. ,
I Para viver pela respiração (Papiro Nu)
CAPÍTULO XXXV Eu sou o deus Rerti, primogênito de Ra e Tum.
Os Espíritos, cujas moradas estão ocultas prepararam-
Para não ser devorado pelos Demônios-Serpentes -me os caminhos nos Abismos do Céu. Eis-me aqui
Olha, Shu! Eis Djedu! Olha,'Djedu! Eis Shu! percorrendo as órbitas p -escritas, seguindo o caminho
Um e outro estão de posse da coroa de Ha^hor, e seus aberto no rasto da Barca de T u m . . . De pé no meio
cuidados se voltam para Osíris. Eis aqui dois demônios da Barca de Ra recito as palavras dos Iniciados e
que se aproximam dispostos a devorar-me. . . Porém, imploro por aqueles cuja laringe não saiu indene da
sem que o demônio Seksek o perceba, passo entre prova da morte... Eis que chega a Tarde. . . Meu
eles. Este ser qiie implora: cuidai de mipha tumba! Pai celeste pesa os meus atos e me julga. . . Os lábios
é Osíris, isto é, eu mesmo. O príncipe dos deuses di- de minha boca estão selados, pois fui nutrido com a
rige seu Olho para ele e o purifica. Conforme o Juízo Vida Eterna... Em verdade, eu vivo em Djedu; eu
pronunciado, concede-lhe sua parte de Verdade-Jus- vivo uma vida nova depois da morte, semelhante a
tiça. i Ra, renascendo a cada dia.

5.2 53
33
que morresses.. . ! Não te aproximes do local pnde
CAPÍTULO XXXVIII {Papiro Xcbscni)
nasceu Ra! (Em verdade, estás cheio de medo!) Olha-
Eu sou o deus Tum saindo do ' >ceano de outrora jne! Eu sou Ra! Eu semeio o terror! Retrocede, pois,
e percorrendo os Abismos do Céu. Eis que um lugar demônio, ante as flechas de minha luz que tç causam
m e foi atribuído na Região dos Mortos. Dei ordens dano! E,is qite os deuses dilaceram o teu peito; a deusa
a o s Espíritos santificados cujas moradas estão ocultas, de cabeça de Leão imobiliza os teus membros; a deusa
e aos Servidores da divindade de suas cabeças de Leão. de cabeça de Escorpião verte sobre ti sua taça de des-
Foi cantando os hinos que percorri o Céu na Barca truição; a deusa Maat te afasta do seu canjiinho...
de Khepra. Um sopro vivificante me alimentou... Desaparece, pois, Apopi, tu, inimigo de Ra! Tu querias
Graças a ele, sentado na Barca de Ra, obtenho os po- atravessar as Regiões Orientais do Céu semeando a
deres mágicos. Ra prepara-me os caminhos e abre as destruição entre t r o v õ e s . . . Porém, eis que Ra abre
Portas de Keb. Atrás de mim arrasto aqueles que vi- as Portas do Horizonte, exatamente no momento em
vem nas proximidades da poderosa divindade. Eu guio que Apopi aparece; e este se abate, em verdade, ao
os que habitam em suas capelas m o r t u á r i a s . . . os ver-se atkcado e destroçado. Eu cpmpro tua vontade,
deuses Horus e Seth. Eu indico o caminho aos chefes oh! Ra! Eu faço o que convém fazer para que a paz
dos homens. Eu entro na Região dos Mortos e dela cie Ra seja assegurada; eu preparo tuas cordas, oh!
saio quando desejo. Minha laringe está sã e salva; eu Ra! E eis que as distendo. . . Apopi caiu! É amarrado,
navego na Barca da deus«'. Maat; eu passo imediata- acorrentado pelas divindades do Sul, do Norte, do Este
mente para a Barca de Ra. Eu me encontro ao lado e do Oeste. Todas elas o a c o r r e n t a r a m . . . Ra está ago-
desse deus em suas manso is celestiais; no séquito que ra satisfeito. . . ^Executa em paz suas revoluções celes-
acompanha esse d e u s . . . Eis que vivo depois da morte tes. Apopi foi derrubado! Recua o inimigo de R a ! A
de todos os dias de minha vida. Sinto-me vigoroso e' dor que te infligiu a deusa Escorpião, bem que a sentis-
semelhante ao deus de duas cabeças de L e ã o . . . Em te! Ah, como sofres agora! Em verdade, agiu poderosa-
-verdade, vivo depois da morte e estou livre. Estendo- : mente contra ti! Emasculado, serás sempre, oh, Apopi,
-me pela Terra e a ocupo. Abro-me, como a açucena inimigo de R a ! Já não tornarás a conhecer os prazeres
de esmeralda, eu, deus Hotep de dois países. do amor!lRa'te faz retroceder! Odeia-te! Agora, ago-
ra te olhai.. . í a r a trás, Apopi! Toma-te a cabeça,
CAPÍTULO XXXIX faz mil còrtes em teu rosto, mói os1 teus ossos; corta
teus mqrrilbros, pois, esta Região é seu próprio domínio!
Para conjurar o Demônio Apopi Tu, Apópi, inimigo de Ra, foste condenado pelo deus
|Aker. Os espíritos divinos do teu séquito, oh Ra, cal-
Vai-te! Para trás! Longe daqui, oh! demónio culam e delimitam tua rota, e enquanto avanças fazem
Apopi, ou serás afogado nas profundidades do Lago i reinar a paz em torno de t i . . . Ora te deténs, ora erti-
do Céu, ali onde teu Pai celeste havia determinado i
26
preendes de novo tua V i a g e m e teu Ôlho tambérti por quem Osíris sente horror! Afasta-te de minha
avança, irresistivelmente. õxalá não ouça eu nenhum Barca, impelida por ventos propícios! Deuses do Céu
juízo desfavorável saído de tua boca! Que teu Olho que dominastes os inimigos de Osíris, vigiai! Os deuses
divino me seja propício! Pois eu sou Seth, que desen- da vasta Terra estão atrelados. Vai-te, demônio Am-
cadeia as tempestades do Céu, como o faz Nedjeb-ib-f... -aau, o deus, Senhor da Região dos Mortos! Conheço-
Ouve: Tum fala e diz: "Reanimai nosso valor, oh! -te! Conheço-te! Conheço-te! Vai-te demônio! Não me
soldados j de Ra! Vede como eu rechaço o demônio ataques, pois sou puro e me ajusto aos ritmos cósmi-
l^endja! Como o expulsei da presença dos deuses!" cos ! Não te aproximes, tu que vens sem ser chamado!
Keb diz: "Conservai-vos firmes em vossos tronos na A mim não conheces, demônio, e ignoras que mantenho
Barca de Khepra! Lança em punho, forçái'a passa- o domínio sobre os encantamentos de tua boca! Pois
gem"! Hathor diz: "Tomai vossos punhais"! Nut diz: bem, que o saibas! Estou ao abrigo de tuas garras
"Vittde comigo! Rechacemos o demjônino^Nendja que Quanto a ti, oh! demônio Has-as! Eis que Horus corta
penetrou nos santuários do Senhor do lUqiverso, esse tuas garras. Em verdade, foste destruído em Pe e
Viajante solitário... Entretanto, as Hierarquias ce- em Dep com tuas legiões de demônios em ordem de
lestes percorrem suas órbitas em torno á,o Lago de batalha. Foi o Olho de Horus que te venceu! À medida
Esmeralda. Vinde! Adoremos a Grande Divindade! que avanças, demônio, eu te rechaço! Eu te venci com
Libertêmo-la! Do seu santuário saíram todas as Hie- o alento de minha boca, a ti que torturas os pecadores
rarquias celestes. Adorêmo-la! Venerêmo-la! Uni-vos e os devoras. Pois bem, sabe que em mim não existe
todos a minhas preces! Eis que Nufit falando de mim Mal. Devolve-me, pois, rr inha Tábua de Escritura com
diz ao mais doce dos deuses: "Olha como avança! todas as acusações que còntém. Não cometi pecados
Como busca e encontra seu caminho"! Entáb, os deuses contra os deuses! Por isso não me ataques! Toma ape-
me tomam e me apertam nos seus braços. Eis Keb, nas aquilo que eu mesmo te dou. Não me leves con-
que avança com seu todo-poder. As Hierarquias avan- tigo, não me devores! pois eu sou o Senhor da Vida,
çam também para unir-se a Hathor que, põr sua vez, Soberano do Horizonte.
faz reinar o terror. Em verdade, Ra venceu Apopi!
CAPÍTULO XLI
CAPÍTULO XL
Para conjurar as Matanças
1
Pra conjurar o Demônio Am-aau , Oh Tum! Cheguei junto da divindade de duas
para trás, oh! demônio Hai, horror de Osíris! cabeças de Leão, oxalá seja santificado! Que este deus
Tua cabeça foi cortada por Thoth. As crueldades que me abra as Portas de Keb! Eis que me prosterno ante
pratiquei em tua pessoa me foram ordenadas pelas o grande deus da Região dos Mortos. Sou conduzido
Hierarquias do Céu. Para trás, oh! demônio Hai, tu às Hierarquias divinas do Amenti. Oh tu, Espírito-
27
o Nó do Destino cósmico oculto na formosa Árvore i 1
^Guardião da Porta, deixa que o Hálito vivificante me sacrossanta . Se eu prospero, Ra prospera. Em ',•
alimentei Que um Espírito poderoso me conduza à verdade, olha, os cabelos de minha cabeça são 'os pró- 1 , i
Barca de Khepra! Eis que chega a T a r d e . . . Deixa-me prios càbelos do deus Nu. Meu rosto é o DisCo ?olái- !
f a l a r aos Espíritos sentados nesta Barca, para que eu
de Ra. A força da deusa Hathor vive nos meus ©lhos.
possa entrar e sair dela à vontade. Que eu possa con- A alma de Up-uaut ressoa nos meus ouvidos. No meu
templar os Mistérios no interior da Barca e possa re- nariz vivem as forças do deus Khenti-khas. Meus lá-
erguer esta divindade que já não respira. bios são os lábios do Anúbis. Meus dentes são ! os
E i s que lhe dirijo a palavra: "Deus poderoso, eis-me 'dentes da deusa Serkit. Meu pescoço é o pescoço da
aqui! Tendo passado pelo Portal da Morte, existo e deusa ísis. Minhas mãos são as mãos do poderoso
vivo"! Quanto a vós, homens da Terra, que fazeis Senhor de Dtjedu. É Nei th, soberano de Saís, quem
oferendas e que abris a boca do meu cadáver, mostrai vive em meus braços. Minha coluna vertebral é a de
a lista do que ofertais! Confirmai Maat, a deusa, enj Seth. Meu falo é o falo de Osíris. Meu fígado é o
seu Trono! Mostrai-me a Tábua de minhas ações pas- fígado do Senhor de Kher-aha. Meu peito, o do se-
sadas! Colocai Maat diante de Osíris, príncipe da Eter- nhor dos Terrores. Meu ventre, meu dorso, 1 os da
nidade que, imóvel, registra os Anos que p a s s a m — ! deusa Sekhmet. As forças do Olho de Horus çirculam
E i s que, tendo escutado as palavras que vêm das Ilhas, na parte inferior do meu dorso. Minhas pernas são
ergue no ar seu braço esquerdo dando ordens aos anti- as pernas, de Nut. Meus pés são os pés de Ptah. Meus
g o s deuses... Em verdade, Ele é que me envia aos dedos são os dedos do duplo Falcão divino que vive
•nvejus juízes do Mundo Inferior. eternamente. Em verdade, nem um só dos membros
do meu Corpo deixa de ser a sede ke uma divindade.
CAPÍTULO XLII
Quanto a Thoth, protege todo o meu Corpo. Da mesma
Para conjurar as Matanças iorma que Ra, eu me renovo a cada dia. Ninguém
i poderá imobilizar meus braços nem apoderar-se de
Esta é a Região em que, a Coroa Branca sobre
minhas mãos: nem os deuses, nem os Espíritos santi-
a cabeça o Cetro d: mando na mão, está sen-
ficados, nem as /|.lmas condenadas, nem as Almas dos
tado o Ser divino. Chegando diante dele, detenho mi- antepassados, nem' os iniciados, nem os Anjos do
nha Barca e pronuncio estas palavras: "Oh Deus po- C é u . . . Eu sou aquele que marcha para a frente e
deroso! Senhor da Sede! Olhai-me! Acabo de nascer!1 cujo nome é um Mistério. Eu sou o Ontem. "O-que-
Acaba de nascer! Acabo de nascer"! Ele res- -contempla-milhões-de-anos" é meu Nome. Eu percorro
ponde: "Sobre o cepo das castigos, que vês aqui, re- os caminhos do C é u . . . Eis que o título de Senhor
velam-se à plena luz tuàs más ações. Tu as conheces da Eternidade, me foi conferido. Eu sou proclamado
iriéíhòr que ninguém... N o éntanto, vou despertar a deus do Futluro, 9 Dono da Coroa real. Eu habito no
memória de tuas faltas" . Eu replico: "Eú soú
j
53 ' ' 59
Olho divjino de Horus e no Ovo cósmico. O Olho de > geiro está na mácula do Mal. Poderosas são as Pala-
Horus me confere a Vida Eterna. E quando se fecha vras mágicas que a minha boca vos dirige. Uma ra-
me protege... Envolto em radiações avanço ,por meu diação de Luz emana de todo o meu Ser. Eu sou o
caminho e vou por todas as partes ao capricho do Ser cercado de muralhas, no meio de um Universo
meu Coração. Eu existo e v i v o . . . Eu sou Horus que também rodeado de muralhas. Eu sou um solitário no
percorre os milhões de anos. A Palavra le o silêncio meio da minha Solidão... Não passa um só dia sem
equilibrados estão em minha boca. Se'ntailo no meu minha salutar intervenção... Passam! Passam! Pas-
Trqmo eu exerço o poder.. . Em verdade, minhas For- sam diante de mim!. Em verdade, eu sou um Ser de
mas estão agora modificadas . Eu sou Unnefer, seiva, nascido do Oceano celeste... Minha Mãe é a
o Ser perfeito, deus que se ajusta aos Ritmos dos deusa do Céu, Nut. Foi ela quem modelou a minha
Tempos. Minha essência está oculta no meu ser. Só, Forma. Imóvel, sou o Grande Nó do Destino que re-
existo!.. . Só!. . . Só!.. . Só! percorro as solidões pousa no Ontem; em minha mão descansa o Destino
cósmicas. . . Em verdade, eu habito Ino Olho de Horus do Presente. Ninguém n e conhece; porém, eu, eu vos
e nenhum M.al pode atingir-me. Eis que ahro as Por- conheço. Ninguém pode ;.panhar-me; mas eu vos posso
tas do Céu e envio Nascimentos para a Terra. E a apanhar. Oh! Ovo cósmico! Escuta-me! Eu sou o Ho-
criança por nascer não será atacada no caminho qüe rus de milhões de anos! A vós envio o Fogo dos meus
conduz à Terra. . . Eu sou o Ontem. Eu sou o Hoje, raios, para que vossos corações se voltem para mim.
das gerações inuijneráveis. Eu sou o que vos protege, Eu sou o Amo do Trono; livre de todo Mal, percorro
em todos os dias de vossa vida. Oh, vós, hábitantes da a Terra e os Espaços... Eu sou o Cinocéfalo de
Terra e do Céu! Os do Norte, do Sul, do Este e do ouro, sem pernas nem braços, trovejante no Templo
Oeste! Em verdade, o medo que vos inspiro aperta de Mênfis. . . Sabei: se eu prosperar, também ele
vosso çoração! Pois eu me moldei e mel formei por prosperará, o Cinocéfalo de ouro de Mênfis!
mim mesmo. E não morrerei pela segunda vez. Alguns
raios ido meu Ser atingem vosso peito; mas minhas CAPÍTULO XLIII
formas, eu as guardo ocultas em mim; pois eu soú Para impedir que seja cortada a cabeça do Morto
aquele que ninguém conhece, oh 1 vós, Demônios Ver-
melhos!'em vão voltais vosso rosto para, mim: um Príncipe eu mesmo, sou Filho de um Príncipe.
um tríplice véu me oculta. Impossível íetornar àquela Saído do Fogo divino, eu sou o deus do Fogo. Assim
época remota em que o Céu foi criado por mim, ein como a cabeça de Osíris não lhe foi arrebatada, tam-
que a Terra foi separada; em que foram colocados bém a minha cabeça, depois das matanças, me será
em lados diferentes os seres nascidos do Céu e os nas- restituída.. . Voltando a ser jovem, renovando-me,
cidos da Terra. Uma vez separados, já não voltarão mantenho intacto meu Ser múltiplo, pois eu sou Osíris,
a reunir-se na fonte primeira... Meu nome estran- Senhor da eternidade.

61 33
CAPÍTULO XLVI Ii i
CAPÍTULO XXXII
Para reviver no Mundo Inferior
Para não morrer pela segunda vez no Além Salve, oh! Filhos de Shu! Salve, oh! Filhos de Shu!
Eis que ao raiar de cada dia, esse deus se appdeiy«|i!
Minhas moradas misteriosas foram profanadas; do seu Diadema; e Ele o faz pelas gerações íjué híijO
meus esconderijos foram revelados; os Espíritos santi- de nascer1.1. . Em verdade, se eu renascer, Osi ri1«! tam-
ficados foram precipitados nas Trevas; porém, o Olho bém renascerá. ,
divino de Horus me santificou e Up-uaut me nutriu
com o leite de suas mamas. Agora oculto-me entre C A P Í T U L O XLV1I '."
vós, oh! Estrelas fixas! Em verdade, minha fronte é
Para seu Trono não ser arrebatado ao Morto
a fronte de Ra. Meu rosto está livre de véus; meu i ,
coração está em seu justo lugar. Eu sou o dono do Este é o meu lugar 110 Mundo Inferior e es!te
Saber Sagrado e do Verbo mágico. Como' Ra, eu me é o meu Trono! Cumprindo as órbitas, eu me aproxi-
protejo a mim mesmo. Ninguém poderá ignorar-me, mo dele e pronuncio estas palavras: " E u sou vosso
nem causar-me dano. Em verdade, teu Pai celestial Penhor, oh! deuses! Vinde a mim! Segui meus passos!
vive para ti, oh! tu, filho da deusa Nut! Eis que, oh! Pois eu sou o Filho de vosso Senhor. Meu pai ce-
Príncipe dos deuses! chego junto a ti. Eu sou teu lestial vos priou, por mim existis. Oh deuses"!
1
Filho e contemplei os teus Mistérios.. . Coroado Rei I
dos deuses não morrerei pela segunda vez no Mundo CAPÍTULO XLVUI
Inferior.
(Repetição do Capítulo X) I
C A P Í T U L O XLV 1
, CAPÍTULO XLIX
!
Para impedir a Decomposição do Corpo no Mundo (Repetição do Capítulo XI)
Inferior
i1 CAPÍTULO L (
Oh! tu, imóvel e inerte como Osíris, tu inerte e
Para não sofrer o Castigo
imóvel como Osíris, cujos membros estão gelados, sai
de tua imobilidade, para que teus membros não apo- Ajustei as vértebras do meu pescoço no Céu
dreçam ! Para que não se separem de teu corpo e te assim cornai na Terra. Eis que Ra, depois do dia da
abandonem! Que meu corpo não apodreça! Pois eu Matança e do Caos, estabelece e ajusta aos Atrasados
sou Osíris. . . a coluna vertebral I sobre suas pernas. E eis que Seth,

62 63
ajudado pelas Hierarquias, devolve às vértebras do Heliópolis! Meu alimento? São os pães feitos de Trigo
branco. Minha bebida? A cerveja extraída do Trigo
mòu pescoço seu antigo vigor. Que nadá possa aba-
vermelho Que as Formas de meu pai e de mi-
lá-lo! Fortificai, pois, o meu ser para que possa re-
sistir aos assassinos de meu Pai celestial ! 'Eis nha mãe me sejam trazidas aqui, oh! guardiães de
I minha Porta"! Vede como, mediante o Verbo de Po-
que tomo posse de minhas Pernas; e é a própria Nut
tência de minha boca, forço minha passagem, alargo
quem consolida as vértebras do fri^u pescoço. . . Têrri
meu caminho e permaneço onde meu coração deter-
a aparência de outros tempos, quando a deusa Maat
mina!
ainda não era visível e quando os deuses) I que flutua-
CAPÍTULO LIII
vam nas amplidões celestes, ainda não haviam nasci-
d o . . . Onde estou agora? Estou diante das Hierar- Outros encantamentos contra as imundícies
quias divinas.
Eu sou o Touro Sagrado, Senhor do Céu, Amo da
C A P Í T U L O LI I1 Luz que sai da Chama. Eu determino os Ritmos do
Céu e o curso dos Anos. Graças ao deus de duas ca-
(Variante do capítulo LII) ,
beças de Leão, posso viver como Espírito santificado.
C A P Í T U L O LII ' i (Horror, repugnância! Eu não como excremento! Eu
não bebo urina!). Oxalá eu não ande de cabeça baixa!
I Um Encantamento contra as Imundícies pois eu possuo pães das oferendas de Heliópolis. Meus
Horror! Repugnância! Não, não as comerei, pois pães estão no Céu diante de Ra. Na Terra, meus pães
pára rqim essas imundícies são horror e repugnância estão diante de Keb. As duas Barcas trazem os pães
e não oferenda para meu Espírito L Qué eu jamais ao templo do grande deus de Helióix)lis. Alegre per-
sintá essa tentação! Que não as toque com as minhas corro o Céu em companhia dos Espíritos. Como o
mãos! Que não as pise com as minhas sandálias! que eles comem. Vivo do que eles vivem. Eu como pão
i Então, de que viverás? Vejo ós deuses que se aproxi- consagrado que vem do templo do Senhor das Ofe-
inam de mim. Trazem os Sete Pães que me serão des- rendas.
tinados, esses pães que me farão viver, os mesmos CAPÍTULO LIV
que, em outros tempos, foram dados a Horus e a
Para respirar ar no Mundo Inferior
Thóth. . . Que queres comer? — perguntp.ni os deuses.
E u ijespondo: "Oxalá possa eu domer sob a Árvore Oh Tum! Deixa-me respirar o ar vivificante tão
isagrada de Hathor, minha deusa! Oxalá chegue mi- doce às ventas do teu nariz! pois eu sou o Ovo do
nha vez entre esses Espíritos que, revolutelando, des- Oceano Cósmico. Possam minhas Formas cambiantes
cem sobre as oferendas! Oxalá os Campos de Djedu permanecer sob a boa guarda dos deuses! pois eu sou
me sejam atribuídos! Oxalá possa eu prosperar erri um Mediador entre Keb e T e r r a . . . Se eu vivo, ela
33
64
I

vive. Pois bem, eu sou jovem, eu vivo e respiro. Eu sou ' CAPÍTULO LVII
1
a fonte do Equilíbrio dos Mundos. Eu giro em cír- i
í culo em torno ao Ovo Cósmico... Meus raios me ilu- Para obter Poderes sobre as Águas no Além
minam. ( N o entanto, Horus está em guerra com í '1
S e t h . . . ) oh! vós, Espíritos divinos que alegrais as Oh! Nilo celeste, tu, grande divindade do'Céu, por
duas Regiões, uma com néctar, a outra com lápis-la- teu próprio Nome, que é: " Aquele-que-atravessa-o-
zúli, montai guarda diante do Ovo Cósmico que re- -Céu-de-ponta-a-ponta", eu te conjuro; concedè-me so-
pousa no fundo do Nilo celeste! Vede! Eu, jovem deus, bre tuas águas celestes um poder semelhante ao que poS-!
vou ao vosso encontro. süi a deusa Sekhmet! Quando surge a terrível Noíte
das Tempestades e das Inundações, é ela que moijita
guarda diante de O s í r i s . . . Seja-me dado cfiegar até
CAPÍTULO LV os espíritos divinos que habitam as Fontes das Águas
celestiais, da mesma forma que estes Espíritos aspi-
Para respirar o ar no Mundo Inferior ram chegar até a sacrossanta Divindade, cujo Nome é
um Mistério. Eis | que chego a Djedu e as minha na-
Eu sou um Purificado entre outros Purificados.
rinas se abfem . Depois descanso em Heliópolis.
Eu sou o deus Shu que, nas regiões dos deuses lumi-
É a deusa Sesheta quem construiu para mim uma mo-
nosos, atrai para ele o Ar do Oceano celeste, até os
rada . O próprio deus Khnum a ajudou. Quàn-
limites do Céu, até os limites da Terra, até os limites
do o vento sopra do Norte, sento-me ao Sul. Quando
da luz divina. Que o ar vivifique, pois, este jovem
o vento sopra do Sul, sento-me ao Norte. Quando b
deus e que ele desperte!
vento sopra do Este, sento-me a Oeste. Quando o vento
sopra do Oeste, sento-me a Este. Aspiro com minhas
CAPÍTULO LVI narinas o |Venio que se aproxima, vou a todas as par-
tes, conforme o desejo do meu coração, e ali estabeleço
Para respirar o ar no Mundo Inferior minha morada.
CAPÍTULO LVIII '
Que o ar doce de respirar chegue às minhas narinas
como chega às ventas do teu nariz, oh! Tum! Bendito Outro encantamento para obter Poderes
seja teu santuário de Unnu! Eis que pairando no meio i sobre as Águas
do Oceano celeste, eu monto guarda diante do Ovo
Cóismico de Gengen-Ur... Se eu florescer, este Ovo — Alpre-me a Porta!
por sua vez viverá. Pois o ar que respiro e que me — Quem és? Onde vais, como! é teu nome?
vivifica é o próprio ar que também o vivifica., — Como vós, eu sou um Espírito divino.
66 67
borda do caminho, adianto-me a esses poderosos deu-
— Quem são os que te acompanham?
ses de braços robustos al nhados a meus passos, assim
— São as duas deusas-serpeiites. como eles, por sua vez, sé adiantam a esse luminoso
— Afasta-te delas se queres avançar! adornado de fórmulas mágicas, cujo Nome não será
— Não! Elas me ajudarão a chegar ao santuário revelado... Em verdade, já me adiantei aos deuses
onde encontrarei os deuses superiores. dos poderosos braços...
"A alma-que-se-concentra" é o Nome de minha
Barca; "O Espánto" é o nome de meus Remos; "A- CAPÍTULO LXI
-qúe-estimula" é o nome da minha Enseada; "Navega- Os Poderes sobre as Águas do Céu
-em-linha-reta-diante-de-ti" é o nome do meu Leme.
Do mesmo modo é modelado meu Esquife durante a Eis-me aqui eu que, inflando e transbordando os
travessia... Que minhas oferendas sejam: leite, pão Abismos, fiz surgir as Águas do C é u . . . Elas me fi-
e carne do templo de Anúbis.. zeram flutuar sobre seus Espaços líquidos... Por cau-
sa disso, em meu poder ficaram as águas celestiais!
CAPÍTULO LIX
CAPÍTULO LXII
Os Poderes sobre a Respiração e sobre as Águas
Para beber Água no Mundo Inferior
Salve, oh! Árvore sagrada da Deusa Nut! concede
às minhas narinas teu Sopro vivificante! Que teu san- Possam os Abismos das Águas, morada de Osí-
tuário de Unnu seja bendito! Eis que monto guarda ris, abrir-se diante de mim e deixar-me atravessá-los!
ànte o Ovo Cósmico de Gerigen-Ur. Se ele respira, eu Possam abrir-se ante mim (Oh! Senhor dos Horizon-
respiro; se ele aumenta, eu aumento; se ele vive, eu tes!) o Oceano celeste de Thoth e as águas do Nilo
também vivo. 1 celestial, pois meu nome é: "Aquele-que-penetra-vito-
, CAPÍTULO LX i rioso". Que me seja concedido o domínio das águas,
pois eu já possuo o dos membros de. Seth! Eis que
, j Para abrir as Portas do Céu atravesso o C é u . . . Eu sou o deus da cabeça de Leão
e eu sou Ra; eu sou o deus Smam ; em meu ín-
Que as Portas do vasto Céu se abram ante mim!
timo resplandece a constelação de Khpesh Ago-
ique las, Portas da úmida Terra sejam fechadas com
ra, percorrendo os lagos e os caminhos dos Campos
jlferrolho ante mim! Eis esse deus, esse grande deus do
dos Bem-aventurados, eu entro na posse de minha He-
Nilo í celeste... que se ajusta aos Ritmos de R a . . .
rança divina. A Eternidade sem limites me foi con-
Concedei-me, oh! deuses, poder sobre as Águás do Céu,
cedida; e a Duração infinita é o meu b e m . . . Em ver-
pois, èm verdade, no dia das Tempestades na Terra sa-
dade, eu sou o Herdeiro da Eternidade!
berei dominar Seth, meu inimigo. Eis que indo pela
i
69
m 'i

I
CAPÍTULO LXIII los que acompanham meu Ataúde até sua oculta mo-
Para não se escaldar bebendo a Água rada! E vós qüe precedestes e vós que seguistes Ra em
sua marcha até o ponto culminante do Céu. Enquanto
Salve, oh! Touro do Amenti! eis que me apresen- Ka, o Senhor 40 Santuário, de pé em sua Barca1 faz
to diante de ti, eu, o remo de Ra. Foi graças à minha em virtude de sua radiação, brotar os frutos da terra
ajuda que esse deus conseguiu pôr a bordo as antigas vos todos, aprendei! Que em verdade, eu sou r J i E
divindades debilitadas por sua idade e fazê-las atra- que Ra e, pelb contrário, eu! Que fui eu quem,,.côa
vessar sãs e salvas o Abismo das Águas. Que o Fogo cristal, cinzelou o firmamento de Ptah. Oh Ra',Teú
celeste destruidor seja impotente contra mim! Em ver- espirito está satisfeito e teu coração contente, quando
dade, eu sou o Filho primogênito de Osíris e habito contemplas a formosa ordenação deste dia, quando1 pe- '
no Olho divino. Toda divindade que em Heliópolis se netras nesta cidade celeste de Khemenu e em seguida V >
apresenta a ele, terá que suportar meu olhar! pois que a deixas peja Porta do Nascente... Os primogênitos
eu sou o herdeiro dos deuses e meu poder é grande. dos deuses que te haviam precedido avançam a èeu í
Ora estou mergulhado em um sono profundo, ora des- encontro e te saúdam com gritos de alegria... OhRa»
perto transbordante de vigor. Meu nome é: Eu-te- Faze-me doces e agradáveis os caminhos percorrias , '
f
-livro-do-mal-e-tu-vives-em-mim-Eternamente". pelos teus raios solares! Alarga para mim' teus Ca- 'í
!
minhas luminosos no dia em que eu empreender 4 è u V
CAPÍTULO LXIV voo da Terra até as Regiões Celestiais! Estende tua 1

A saída da Alma até a luz do Dia luz sobre mim, 6h! Alma misteriosa!... Eis que chego ' 1
a ti, oh deus,! cuja voz ribomba como um trovão na
Eu sou o Hoje. Eu sou o Ontem. Eu sou o Ama- vasta Região dós Mortos!... Que os pecados dos meus
nhã. Através de meus numerosos Nascimentos perma- pais nao me sejam imputados! Livra-me desse Espí- 1
neço jovem e vigoroso. Eu sou a Alma divina e miste- rito malfeitor e falso, cujos olhos parecem fechados '
riosa que, em outro tempo, criou os deuses e cuja es-
ate a Tarde e que, durante a Noite, mata os mortais...
sência oculta nutre as divindades do Duat, do Amenti 1
verdade, eu acumulo possibilidades sem limite e
e do Céu. Eu sou o Timão do Nascente, Senhor das
meu nome é:, "O^Grande-Negro" O que em f
duas Caras divinas. Minha radiação ilumina todo o
mim está oculto eu o trago manifesto nas variações í
ser ressuscitado que, não obstante passar, no Reino
de minhas cambiantes Formas... Eis o,deus grande
dos Mortos, por Transformações sucessivas, procura
e seni limites cuja voz misteriosa desperta as divinda-
seu caminho penosamente pela Região das Trevas. Oh.!
des ocultas em meu Coração. Eis que esse Deus le-
vós, Espíritos com cabeça de gavião, de olhós impassí-
vantjando o braço poderoso, diz: "Vem! franqueia o
veis, vós que, como suspensos lá em cima, escutais
Abismo! olha! diante de ti reduzido à impotência jaz
atentamente as palavras mágicás escritas em verso pe-
teu Inimigo! Suas coxas estão atadas a seu pescoço e
t ij.

71
a parte inferior apertada contra sua cabeça. . . " Oh! dade, eu quebrarei a resistência daqueles que, ocul-
vós, Príncipes divinos da Região dos Mortos! Que tando-se, unem-se contra mim, forjando planos para
ísis e Néftis possam, naquele dia, fazer s e p r em mim me r e c h a ç a r ! . . . Ah vós, demônios que rastejais sobre
o manancial de minhas lágrimas , no momento vossos ventres! sabei! eu chego aqui como plenipoten-
em que, desde a outra margem, contemple, outro Eu ciário do Senhor dos Senhores para vingar Osíris í
obrigado, pelas exigências do meu Destiijio, a percor- Meu olho sabe reprimir suas lágrimas. Eu sou enviado
rer as Órbitas da Abydos Celeste! E os quatro Pilares por Aquele cujo braço é sólido e que é Dono de suas
das q p t r o Regiões do Espaço, com suas Portas e os possessões. Eu percorri todos os caminhos de Sekhem a
Ferrolhos de suas Portas (seja no Mundo Interior ou Heliópolis para instruir a Fênix divina a respei-
Exterior a mim) possam ficar entregues ao poder de to das coisas do Mundo I n f e r i o r . . . Salve, oh! tu, Rei-
meu braço! Rápidas e parecidas às de um cão são no do Silêncio, e os Mistérios que encerras! oh! tu,
minhas pernas quando percorro os santipriós do Além. que crias as formas da existência como o próprio deus
O deus de duas cabeças de Leão nutriu meu Corpo; o Khepra, deixa-me contemplar o Disco de Ra! Que o
próprio Igó colocou meu Corpo no ataúde ; vigo- grande deus Shu, do qual a eterna Duração é a
rosa é minha Alma. Forçando as Portas do Além, eu Mansão, faça-me comparecer ante ele! Que minhas
passo. Para mim penetra até às Regiões líiais distan- viagens através do Além possam prosseguir em pazí
tes do, Céu a luz que brota como raiqs de meu Coração^ Que eu possa atravessar o Firmamento e admirar os
pois! meu Nome é: " O-que-conhece-os-Abismos". É esplendores da radiação que deslumbra! Possa tam-
I( Í para assegurar vossa salvação, oh! vós, Espíritos liber- bém, semelhante a um pássaro, pairar no ar e contem-
: 1 tos qijte em milhões habitais no Além! por quem tra- plar, dia após dia, reunidos Ra e os Espíritos santifica-
balho ; neste momento calculando e anotando Dias e dos! Possa eu ser socorrido pelas orações dos Inicia-
j Horas propícias para as estrelas de Órion e as doze dos neste instante em que, com suas sandálias apoiadas
, , " divindades que as regem. Eis que juntam suas mãos, na areia, marchavam em silêncio. . . ! E tu, Ser pode-
i qada uma com cada uma, porém, entre elas, a sexta, à roso de movimentos rápidos que conduzes às Regiões
i 1 j niargèm do Abismo, não está presente no momento da Inferiores as sombras dos Espíritos santificados, per-
derrota do Demônio.. . Vede-me aqui chegarido como mitem-me, na qualidade de favorito dos deuses, per-
'triunfador ante uma vasta praça do Mundo Inferior; correr em paz a Região dos Mortos! Tende piedade
trag-Oj tninhas oferendas ao deus Shu. . . Quando após de mim, pois, debilitado como estou, só muito penosa-
I as Matanças o sangue dos impuros se terçha resfriado mente mantenho a coesão das Almas múltiplas!...
e a Teitra inteiramente reunida de novo, volte a flores- Quanto a ti demônio, que longe te ocultas e devoras
cer e dar frutos, eu me manifestarei na qualidade de em silêncio as Almas, quem és? Não te aproximes!
Senhor da Vida. Meu esplendor será grande no mqio Não me toques! eu sou, inteira-te, o Príncipe do Ré-
da magnífica Ordenação, do renascente Dia! Em ver- -staú! Eu sou aquele cujo Nome é suficientemente po-

72 33
deroso para abrir as Portas do Mundo Inferior!...
quanto me dirijo para o Além, se apiade constante-
N O momento em que eu sair, meu Nome será:
mente de mim e me guarde! Para que minha Carne se
_ "Divindade-que-busca-e-que-aspira, Senhora-da-
torne cada veç mais forte e sã, meu Espírito, santiii- i
-Eternidade-da-Terra." Tão logo a deusa grávida dê
cado, monte guarda por cima de meus membros, e
1 á luz sua carga, a Porta da Muralha será empurrada e
minha Alrtia os cubra'e os proteja com suas as^s, e
fechada com ferrolho. (Eu me regozijo por tê-la en-
lhes fale,^ docemente, como uma amiga. . . Oxalá as
cerrado). O olho, na Aurora, devolveu à grande di-
Hierarquias divinas escutem minhas palavras! Oxalá,
vindade o esplendor de seu rosto. (Longe de mim tudo
sim, entendam minhas palavras!. . .
que e podridão!) Pois eu me tenho tornado em tudo
semelhante ao deus Leão adornado com flores consa- i i
gradas a Shu. Eu não tenho medo das Águas do Abis- RUBRICA í
mo! Bem-aventurados aqueles que, do Além, contem-
plam em paz os restos mortais nesse bendito dia em ^ Se o morto conhece o capítulo que precedei po-
que Osíris, "Deus-do-Coração-Cativo", desce adejan- derá, depois da,morte, sair até a plena Luz do Dia} não
do sobre seus despojos! Em verdade, eu sou aquele encontrará obstáculos nas portas do Mundo Inferior,
que marcha até a plena Luz do Dia! Na presença de ora penetrando por elas orà-ao abandoná-las. Podfará
Osíris chego a ser o Dono da vida. Meu ser já é passar à vontade por todas as Metamorfoses. Não mor- ''
para sempre inalterável e eterno; eis-me aqui enlaçan- rera A sua alma se abrirá como uma flor.'Além
do com meus braços o Sicômoro sagrado; Ele, por sua disso, se conhecer este capítulo, será vitorioso t|an'to \
vez, me abre seus graciosos braços.. . Chegado ante o nz* Terra como no Além e poderá praticar todos os atos (
Olho de Horus, tomo posse dele. '(Que' reine em paz de que é capaz um ser humano que viva na Terra. !
sobre os Mundos!) Eu contemplo Ra quando se deita- Em verdade,< isto constitui um grand, dom dos deuses.
quando surge, pela aurora, ajunto-me a seu Sopro vi-
Este capítulo foi achado nos tempos do rei Màn-
vificante. Puras são suas mãos quando o adoro. Pos- 1
-Kaura , na cidade de Khemenu, debaixo dos pés, '
sam, pois, todas as partes de meu Ser guardar inteira-
da estátua de um deus (Thoth). Estava gravado nu-
mente sua coesão! Que não sejam dispersadas! Eis que
ma barra de ferro com verdadeiro lápis-lazúli. O acha-
voo semelhante a um pássaro e desço, voejando, até a do fpi feito pelo príncipe real Herutataf por motivo
l e r r a . . . A medida que avanço, devo seguir as pega- de sua viagem de inspeçãp aps templps. Um certo
das de meus atos anteriores, pois eu sou o Filho do Nekht, que o acompanhava, conseguiu decifrar seu
Ontem As duas divindades Akeru presidem a sentiçlo oculto. O príncipe, levando em conta o grande
meu futuro... Q u e a poderosa Terra me con- mistério que continha a inscrição, que nenhum olho
tie, no momento do perigo, seu robusto vigor próprio' humano havia contemplado antes, levou-o ao conheci- j
y u e o poderoso deus que marcha atrás de mim, en- mento do rei.
74
'75
77 agüentar indefinidamente. Desde aqui percebo um de-
Todo aquele que recitar este capítulo, deve estai
ritualpente puro. Não deve ter comido carne de ani- mônio: sua sombra etérea, sedenta e perigosa, mano-
mais dos campos, nern pescado, nem ter tido relação bra no Vale das T u m b a s . . . Eu sei: os que renascem
carnal com mulheres. depois da morte se expõem a sucumbir nos laços deste
|
demônio.. . Mas eu, eu nasci para o mundo do Além
FaÇa um escaravelho de pedra com t,ima borda- sob a forma de um Espírito santificado cheio de
dura de ouro e o coloque na parte interior do coração v i d a . . . Salve, oh! Iniciados que morais sob a Terra!
do morto; este amuleto realizará no morto a abertura destruí e extirpai o Mal que se aferra à minha pessoa!
de sua boca. Ungi-o com ungüento "anti", pronun- Oh! Ra! deixa-me contemplar teu Disco de fogo! aju-
ciando, ao fazê-lo, a fórmula mágica da-me na minha luta contra os inimigos! permita
justificar-me ante o Tribunal divino presidido pela
1
CAPÍTULO LXV 'i Grande Divindade! Porém, se resistires e impedires
que eu triunfe de meus inimigos e que me justifique
i] ' Para ter os inimigos em^seu poder ante o Tribunal divino, e n t ã o . . . Então, que a Ordem
f É.a está sentado em seu Trono na Mansão dos natural seja invertida! que o Nilo possa galgar o Céu
Milhões ide Anos. Diante dele, de pé, estão ás Hierar- e viver da substância da Verdade-Justiça, e que seja
quias!, divinas e os Espíritos dos rostos velados que Ra quem faça viver os peixes do Nilo! Mas, se eu
rezam pa Região do Eterno Chegar a Ser . Eles triunfar de meus inimigos, então. . . Então possa Ra
règutàm o curso das coisas absorvendo o supérfluo subir ao Céu, viver da substância da Verdade-Justiça
', j1 Eles dão volta aos céus com seu Disco de Fogo, e que seja o Nilo que faça viver os peixes!... Em ver-
apanhados por sua vez no próprio movimento. Oxalá dade, quando eu tiver desfeito meus inimigos, então
possai 'apoderar-se dos cativos de Osíris e nunca mais será um grande dia na Terra! Eis, pois, que preparo
cair, njas mãos dos demônios de Seth!. , . Enquanto uma campanha contra meus inimigos. Foram entre-
vós desfrutais do repouso nos bancos verdejantes dos gues a meu poder e eu os desfaço ante as Hierarquias
rios' celestiais na Região Daquele que governa as Al- divinas.
mas, oxalá possa eu estar sentado no lugar de Ra
enquanto meu Corpo é confiado ao deus da Terra. C A P Í T U L O LXVI
lOxalá possa eu triunfar de Seth e de seus espiões no- A Saída da Alma à Luz do Dia
turnos de cara de crocodilo, assim como dos espiões
de rostcf ocultos, quando, com aparência de deüses, dis-, A ciência oculta, eu a extingui! Eu sei que a deusa
simulam no sétimo dia da Festa no templo do deus Sekhmet me levou"às costas, que a deusa Neith me
do Norte! Em verdade, dir-se-ia( que seus laços estão troiíxe ao Mundo,» ,que sou, por minha vez, Uadjit, o
.calculados para toda a eternidade, e suas cordas para de cabeça de Serpante.e uma emanação do Olho divino
33
de H o r u s . . . Eis que vôo como um pássaro do Céu minha bocaj o Amo, de todo o meu corpo, o Amo das
-descendo sobre a Fronte de Ra e navego sobre o Ocea- oferendas seplilcrais, o Amo da Água, do Ar, dos
no celeste sentado em paz na proa de sua Barca... Canais e dos1 Rips, o Amo da Terra e de seus Rçgos,
e o Amo dos Seres mágicos que trabalharão pára'mim
no Mundo Inferior. Eli tenho pois completo domínio
CAPÍTULO LXVII
sobre tudo quanto possa ser' ordenado na Terra., Oh!
Para abrir as Portas do Além , vós, Espíritos divinos! Não haveis pronunciado, fa-
lando de mim,'estas palaVras?: "Que participe d á V i d a
Eis que os diques do Oceano celeste são forçados eterna Comungando com o Pão consagrado dei Keb"!
e o s passos dos Filhos da divina Luz ficam livres. As Longe de mim as coisas que detesto! meu Pão de Co-
portas do santuário oculto de Shu se entreabrem... munhão será feito com Trigo branco, minha Bebida
Já o estão! E posto que esse deus sai com toda a li- de'Comunhão de Trigo vermelho, morarei em um lu-t
berdade, eu também posso sair com toda a liberdade, gar puroi è;santificado, sob ramos de Palmeira, árvore
eu! Marcho pois até meus domínios, recebo oferendas sagrada de Hathor, princesa do Disco solar. Ei-la aqui
e me apodero tias tribos do Príncipe dos Mortos. Avan- ,que avança para Heliópolis com o Livro das' divina^
ço logo até meu Trono levantado no meio da Barca de Palavras ,de Thoth em seus braços. Em ver-
R a . . . Ali, protegido contra as Forças do Mal, oxalá
navegue em p a z ! . . . E salve a ti, oh! radiação divina do dade, eu sou.o Amo de meu Coração "ib" e de meu'
Lago celeste!... Coração "hati", o Amo de meus braços, de minhas
pqrnas e de minha boca, o Amo da Água, dos Canais e
dos Rios, <j Amo dos Seres mágicos que trabalham
CAPÍTULO LXVIII para mim no Mundo Inferior. Tenho, pois, domípio
sobre tudo quanto possa ser ordenado tanto n a | T e p a
A Saída da Alma à Luz do Dia
como no Mundo Inferior. Se me colocam a direita, di-
Eis que as portas do Céu me são abertas e que as rijo-me para a esquerda; se me colocam à esqperda^,
portas da Terra já não se opõem a meus passos. . . dirijo-mç para a direita. Sentado ou de pé. aspiro '
Retira o ferrolho da Porta de Keb! Deixa-me penetrar Hálito vivificante do A r . . . Em verdade, minha(Bóca, ,
na Primeira Região! Em verdade, os braços invisíveis e minha Língua: eis aí meus guias! i
que me haviam rodeado e protegido na Terra e que •' -i l1. M
dirigiam meus passos, se apartaram de mim. A Região RUBRICA i
dos Canais e das Correntes se abre ante meu olhar e
posso percorrê-la a meu bel-prazer... Em verdade, Se as palavras anteriores forem conhecidas i(pelo1
sou o Amo de meu coração "ib" e de meu coração morto) poderá sair a plena Luz do Dia; poderá percor-
"hati", o Amo de meus braços, de minhas pernas e de rer a Terra misturando-se com os vivos e suas possi-
1
i ' '
78 79
bilidades físicas não sofrerão, eternanjientè, nenhuma Agora, sentado junto ao local em que outrora nasceu
diminuição. Osíris, disponho-me a destruir o Mal, que o contami-
na. Em verdade, sou poderoso! Tendo vindo do Mun-
CAPÍTULO LXIX ,
do, com Osíris, no mesmo local em que ele nasceu
i A Saída da Alma à Luz do Dia •
outrora, torno-me d e u s . . . Torno-me jovem! Torno-
Sou um Espírito de Fogo, ij-mão de todos os -me jovem! Apodero-me desta coxa que é minha, e
Espíritos de Fogo. Eu sou Osíris, irmão de'ísis. Meu que é também de Osíris e com ela abro a boca dos
j; j filho,, Horus, e minha esposa, ísis, acorrentam, para deuses. Eis que Thoth aparece, e eu me ponho a seu
/ vingar-me, os braços de meus inimigos que têm co- l a d o . . . Possa meu coração ser fortificado pelas ofe-
tnetidb contra mim crimes sem-número. . . Eu Sou Osí- rendas no altar de meu Pai divino: pão, cerveja, carne,
j ris, o ífrimogênito dos deuses, herdeiro legítimo de aves. Eis que trago oferendas a Horus, a Seth e a
i Keb, seu pai divino. Eu sou Osíris, Amo dos Manan- Enheri-Ertitsa...
ciais, Pfrimeiros da V i d a . . . Poderosos são minha es-
I i'piada1!e meu peito; minha força geratriz penetra por CAPÍTULO LXX
tôdas i as partes onde habitam os homens. 1 Eu sou
• 'órion que, passando ante os inumeráveis exércitos de Eis que chego a bom porto. Por determinação de
; Estrelas, percorre a Região do Céu. Em verdade, o Enheri-Ertitsa, meu Coração se torna vigoroso. Mi-
Céú éjo seio de Nut, minha Mãe divina,,que me con- nhas oferendas adornam os altares de meu Pai Osíris.
cebeu p me trouxe ao mundo segundo, sua vontade. Eu sou o amo de Busíris, sobre cuja região eu vôo.
Eu 4ou o Touro sagrado no meio de' sup. Pradaria. Aspifo, através de suas cabeleiras, os Ventos do Este.
Em verdade, eu sou Osíris! No dia da Grande Catás- Agarro pelas suas madeixas os Ventos do Norte. Pela
trofe fui escondido por meu Pai e por minha Mãe.'.-. sua pele, apodero-me dos Ventos do Oeste. Mantenho
O deus1 Keb é meu pai; minha mãe a déusa Nut bem seguros pelas sobrancelhas os Ventos do Sul.
Eu sou Horus, o Primogênito de Ra; no dia de sua Percorro o Céu; as quatro Regiões do Espaço me
culminação. Eu sou Anúbis, no dia em qut chega a seri obedecem. Trágo o Sopro vivificante aos Espíritos
Sepa. Eu sou Tum, Senhor dos Mundos.1 Eu sou santificados para que o absorvam como oferendas, se-
Osíris. . . Salve, oh! tu, Divindade muito A ^ i g a ! Eis pulcrais . . .
que entras e diriges a palavra a TThoth, o Éscriba di-
CAPÍTULO LXXI
vino, Guardião da Porta da Mansão de O s í r i s i .
Deixa-me percorrer tuas Regiões, visitá-las em paz, Salve, oh! deus de cabeça de Falcão. Amo da deusa
chegar a ser um Espírito santificado, ,ser julgado e Mehurt! . Eis que irradias no meio do Oceano
justificado, chegar a ser divindade e voltar esponta- celeste. Em verdade, se tu és vigoroso, eu também o
neamente à Terra, para nela proteger o méu corpo! sou! Mostra, pois, à Terra teü Rosto radiante, oh! tu.

89 33
que sucessivamente te mostras e te escondes! Que seja que moras no Ovo Cósmico, Senhor da deusa Mehurt,
feita a tua vontade! Olha! Eis que o "Deus-de-Cara- torna-me vigoroso, como a ti mesmo te tornas vigoroso!*
-Única" está comigo! O deus de cabeça de Falcão mora Mostra à Terra teu Rosto radiante, oh! tu, que, suces-
em seu santuário. Com um movimento brusco descerro sivamente, I te levantas e té escondes, que seja feita a
a cortina que o oculta. Que vejo? Eis que diante de tua vontade! Olha! O "Deus-de-Cara-Única" está co-
mim aparece Horus, o filho de ísis! Oh! Horus! De- migo! Eis Sebek, o deus de cabeça de crocpdi^b que
volve a meu cérebro o vigor, assim como eu devolvo o percorre 'seus domíáios. Eis Neith, senhora de Sais,
vigor a teus membros! Oh! tu, que sucessivamente te , que percorre seus canais e suas plantações... tti, que
mostras e te escondes, que seja feita a tua vontade! sucessivamente te levantas e'te escondes! Que sejá feita
Olha! Olha como o "Deus-de-Cara-Única" es]tá co- a tua vprttade! Olha! O "Deus-de-Cara-Única" está
migo ! Horus se encontra no Horizonte do Sul e Thoth comigo! Oh! vós, os' Sete Juízes, que levais nos om-
no Horizonte do Norte. Eu domino o incêndio que de- bros a Balança, quando chega a Grande Noite dó Juízo!
vasta os Mundos eu conduzo a deusa da Verdade-Jus-, O' Olho divino, por vossa ordem, corta as cabeças, apu-
tiça até os deuses que a veneram. Oh! Thoth, Thoth, nhala os pespoços, arranca, destroça os corações e 'ext-
escuta minha voz! Faz-me vigoroso assim como te fa- termina os Condenádos no Lago de Fogo. Em verdade,
zes vigoroso a ti mesmo! Mostra à Terra teu rosto eu vos cbnheço e conheço vossos Nomes e assim pomo
radiante. Oh! tu que, sucessivamente, te levantas e te eu conheço vossos Nomes, vós também me conheceis...
escondes, que seja feita a tua vontade! Qlha! O "Deus- íEis que aVaiflçd para vós, oh deuses! assim como avan-
-de-Cara-Única" está a meu lado! Em verdade, eu çais parai mim. Vós viveis em mim, assim comq eu
sou uma planta das zonas desérticas, uma Flor dos vivo em vós. Tornai-me vigoroso através dos1 Cetros
horizontes misteriosos! Eis aqui O s í r i s . . . Oh! Osíris, mágicos é de sua força! Esses Cetros que tendes em
escuta a minha voz! Torna-me vigoroso, como a ti vossas mãos! Concedei-me graças ao Verbo mágicò
mesmo te tornas vigoroso! Mostra à Terra teu Rosto de vossa boba, uma longa vida! Que os anos de,minha
radiante, oh! tu que, sucessivamente, te levantas e te vida se acrescentem aos anos, que os meies de
escondes, que seja feita a tua vontade! Olha! O "Deus- minha vida áe acrescentem aos meses, que os di^s !de,
-de-Cara-Única" está a meu lado! Oh! tu, Ser que te minha vida se acrescentem aos dias, que as noites de
ergues sobre tuas poderosas pernas e que sabes apro- minha vida se acrescentem às noites, para que eu possa1 >,
veitar o momento propício; tu a quem obedecem os dois aparecer diante de minha estátua funerária e a iliimine1
Espíritos Djefi , torna-me vigoroso como tor- com meus r a i o s . . . Concedei às minhas narinas Ó, so^
nas a ti mesmo vigoroso! Mostra à Terra teu Rosto pro de Vida para que possam meus olhos ver dlaro ef
radiante, tu que, sucessivamente, te levantas e te escon- distinguir cada um dos deuses do Horizonte no dia
des, que seja feita a tua vontade! Olhai! o "Deus-de- esperado, no dia em que serão pesadas e julgadas as
-Cara-Única" está a meu fado! Oh tu, Deus Nekhen, iniqüidades cometidas na Terra! [1 '
40
RUBRICA É ali que eu junto meu.«, b r a ç o s . . . Oxalá possa eu
contemplar a Tum, meu Pai, estabelecido em seus do-
Se este Capitulo for recitado, o morto poderá per- mínios do Céu c ila Terra! Em verdade, minhas ofe-
correr a Terra sob o olhar benévolo de Ra; sua perma- rendas não têm limites, pois c meu filho, saído do meu
nência.'junto a Osíris será agradáyel e, èm geral, a Corpo, quem me nutre. . . Concedei-me, pois, comidas
:
recitação será de grande utilidade para o morto que se sepulcrais, incenso, cera, c todas as coisas boas e puras,
encontre no Mundo Inferior. As oferendas sepulcrais verdadeira e eternamente necessárias para a vida de
i não lhe faltarão, e poderá aparecer (diante de Ra) um deus! Que possa eu passar à vontade por todas as
1
tódos'os dias, eternamente. Metamorfoses e descer e tornar a subir em minha bar-
•• l!l 1
ca pelos canais de Sekht-Ianru, pois eu sou o deus de
1
! 7 ; ! CAPÍTULO LXXII duas cabeças de Leão!
'.'i1 .,! Para abrir caminho no Mundo
Salive, oh! Senhores da Ordenação dos Mundos, RUBRICA
i vós quç, isentos de Mal e de Pecado, permaneceis na Se o morto aprendeu este capítulo durante sua
Etelrnidjade e na infinita Duração! Eis que empreendo permanência na Terra, ou o fez inscrever em seu ataú-
um Caminho que me conduzirá a vós. Eu, Espírito de, poderá sair para a plena Luz do Dia e percorrer à
santificado, percorro todas as Formas do vir a ser. vontade t o d a ' a gama de metamorfoses; além disso,
Meu verbo mágico me confere o poder. Eu fui julga- não será expulso do lugar que lhe é devido. Não lhe
do e santificado. Livrai-me, pois, dos demônios com faltarão oferendas no altar de Osíris. Poderá pene-
cabeça de crocodilo que se ocultam nestas Regiões e trar no Sekht-Ianru e conhecer o desígnio do deus
freqüentam os Confins da Verdade e da Justiça. Con- (Osíris) que mora era Djedu. Ali encontrará trigo e
cedei ài minha boca a Palavra de Potência e que, dian- cevada. Ali será próspero, da mesma formá que o foi
te de vós, oferendas sejam postas em minhas" mãos, na Terra. E ali verá realizadas as suas vontades, como
•pois eu vos conheço e conheço vossos nomes! Eu co- um dos deuses do Duat, continuamente, milhares de
nheço, sim, o Nome desse Deus Grande. Concedei uma vezes.
oferenda a esse esprito que abre o Caminho no Hori- CAPÍTULO LXXIII
zonte Oriental dó Céu, e desce pairando , para o Hori-
(Repetição do. capitulo IX)
zonte Ocidental. Eis que ele vem,para mim( decidido a
tornar-me vigoroso, para que os demónios n,ãô se apo- CAPÍTULO LXXIV
derem de mim. Que eu não seja expulso de vossa
Porta, deuses! Que eu não a encontre fechada Com fer- Para servir-sé das Pejnas
rolho! pois minhas oferendas sólidas estão (em Pe, e O que deves cumprir em tua Mansão do Mundo
minhas oferendas líquidas se encontram em Dep Inferior, que o faças de pé, oh! deus Sokari!.susten-

84 ' i &5
taclo por tuas pernas. Quanto a mim, irradio por cima jue pairas nas amplidões do Céu e que iluminas o
da constelação dos Quadris . Eis que percorro os Ifilho da Coroa Branca. Oxalá minha Corok Branca
Céus e me sento no meio de Espíritos Santificados. . . po^sa estar sob tua proteção! Oxalá possa eu
A h , que débil sou! Ah, que débil sou! Minhas pernas Viver a teu lado! Eis que recolhi e reuni todos os mem-
me obedecem mas eu me sinto desfalecer! Desampa- bros dispersos do Grande deus. Agora, depois de ter
r a d o me sinto em meio à violência das forças brutais criado completamente um Caminho celeste, avanço por
desencadeadas que reinam no Mundo Inferior.. . este Caminho.
CAPÍTULO LXXV i
i CAPÍTULO LXXVII
Para dirigir-se a Heliópolis e ali conseguir um Lugar
Metamorfose do Morto em Falcão de Ouro
Está feito! Percorri todos os rincões ocultos da
vasta terra! Os Espíritos-servidores de Thoth que; de Como um grande Falcão de Ouro que sai do Seu
mãos postas, saúdam o Sol , concederam-me a Ovo, éu empreendo meu vôo para o Céu. Pairo no
Ciência misteriosa dos Órgãos I n t e r n o s . . . Cod esta Céu comp um grande Falcão, cuja envergadura mede
ciência, penetro na Morada, onde são purificados os quatro fcôvados e cujas, asas reluzem como esmeralda
habitantes dos a t a ú d e s . . . Eis que ouso um passo te- do S u l . . . I^anço-me ao vôo do ataúde colocado na
mível e chego às mansões dos deuses Remrem e Akh- barca "Sektet" e levo meu Coração para as Monta-
sesef. A seguir, introduzo-me na Região dos Mistérios nhas do Este. A seguir, desço,, adejando para a barca
sacrossantos e me encontro diante do deus Kemkem "Mandjit".'. . /\ s Hierarquias divinas se apre-
. Suas mãos estendidas sobre mim me prote- sentami idi^nte de mim. Inclinam-se profundamente e
gera. Sua irmã Khebent e sua mãe Seksekt recebem a me saúdam com gritos de alegria. Então, comô um
ordem de ajudar-me. Sou colocado no Oriente, ali onde grande, Falcão de Ouro com cabeça de Fêáix, em-
R a se levanta todos os dias, e como ele, eu me levanto preendo meu vôo até o C é u . . . Em verdade, Ra está
no Céu e o percorro em todas as direções. Eu, Espí- presente diante de mim todos os dias ouvindo, minhaá
rito com atributos divinos. Eis que chego diante do palavrasj Vote, deuses antigos, oh! Primogênitos de Nut,
Santo Lugar situado no caminho que Thoth percorre vfde como ocupo meu lugar.entre vós! firme e Estável
quando vai pacificar a dois Adversários empenhados permaneço f Os Campos dos Bem-aventurados «pe es-
na Grande B a t a l h a . . . Então passo por Pe e por Dep. tendem diante dos meus olhos a perder de vista;' eles
me alimentarão. Espírito santificado em meio dá ábun-
CAPÍTULO LXXVI
dancia desses Campos, vivo como apraz ao meq1 cora-
Para mudar de forma à vontade ção. O uso de minha laringe me foi devolvido -pelo,
Eis que avanço para a Morada do Rei dos deu- deus Nepra.e mantenho, poderoso, o domínio de todaS
ses. . . (Um espírito alado me conduz). Salve, oh! tu, as forças de minha cabeça.
42
i I .j CAPÍTULO LXXVIII corro os limites extremos do Céu, e converso com o
1 : ' ' deus Keb. O Senhor dos Mundos me concede o Néctar
, Falcão de Ouro divino... Em verdade, os deuses da Região dos Mor-
tos me receiam! Por minha causa, combatem entre si
) ' I ' ' em seus domínios. Por mim, renovam o alimento de
l'!i S^lve, oh! deus poderoso! Eis que me dirijo a Dje-
du' e que tu santificas meus caminhos... Enquanto peixes e aves. Em verdade, eu sou um Espírito, do
percorro as Etapas de minha Viagem e visito meus número dos Espíritos santificados, e do número dos
Tronos,, acompanha-me! Renova e exalta o meu Ser. Espíritos de Luz. Eis que percorro à vontade o ciclo
Faz jcota que o espanto e o temor acompanhem o meu das metamorfoses. Este deus, não obstante, chega e
nome p^ra que os deuses da Região dos Mortos me penetra em Djedu; imprime um Selo em minha Alma,
receíeqi 'e por minha causa lutem entre eles próprios! tornando-a divina e imortal. E te fala de minhas via-
Que todo aquele que deseje prejudicar-me 'não possa gens ao Além e de meus projetos. . . Em verdade, mi-
aproxiniar-se de mim na Região das Trevas, onde aà nha presença na Região dos Mortos semeia o terror e
Almas d,ébeis buscam um abrigo para ocultar-sé. Eis o caos. Os deuses têm medo e, por minha causa, com-
que ós deuses, Senhores do séquito de Osíris, escutam batem em suas mansões. Pois eu sou um Espírito san-
atentamente minhas palavras. Falando entre yós, oh! tificado, um desses Seres divinos criados por Tum no
deuses! guardai segredo sobre o que tiVerdeâ ouvido. princípio dos Mundos, um desses seres que em seu
Não Aveleis, cuidado! minhas palavras a ginguem, Olho divino se transforma em Plantas Florescentes..
pois Maat poderia ouvir-vos... 'É o próprio! Osíris Tum os faz percorrer os ciclos das Metamorfoses e os
qliem fala por minha boca. Eis que faço minhas Via- torna perfeitos e poderosos em virtude de sua Vida
gens. Entro e saio, conforme a Potência de Meu Ver- Nele. Vede! Está só no Oceano celeste enquanto
b o . . . contemplo tuas Formas sucessivas criadas pela, percorre o Horizonte! Ressoam hinos ao seu redor; o
força de minha Alma. Graças ao domínio que tenho medo e a veneração se apoderam dos deuses e dos Es-
sobre rninhas pernas, transmito a1 elas a fofça, e rapi- píritos, santificados que estão ao seu lado. Em verdade,
dez de seus movimentos; pois eu sou o igual de Osíris, eu sou uma das Serpentes dos tempos antigos, criadas
Senhor dos Mundos. Os dèuses da Região dos Mortos , pelo Olho divino do Mestre Ú n i c o . . . A própria ísis,
têm medo de mim e por isso lutam entre eles em suas que deu nascimento a Horus, não estava ainda aí,
moradas^ Eu posso circular por elis, com os keres que • quando eu já existia. Depois cresci, envelheci entre os
por elas circulam; e dado o meu poder de Senhor da Seres Luminosos do Céu que no seio de Tum evoluem
Vida, ali descanso em meu lygar habitual. Isis me i comigo. Eis que sou coroado Falcão divino. Torno-me
protege; com seu apoio transformo o grande Todo do Corpq Glorioso, um Sahu, tal como Horus o é em sua
meu Ser, enquanto os demônios invisíveis a isso se Alma, desde que possa penetrar na Região dos Mortos
e tomar posse do domínio de O s í r i s . . . Eis que o deus
opõem. Ora descanso, ora estou em movimento. Per-
1

88 • ' 1 89
de duas cabeças de Leão, proposto para o Templo da
Coroa de Nemmés , mas que permanece em lu- para os lugares onde nos Espaços Eternos se vêem por
g a r oculto, me diz: "Podes partir! Percorre os mais toda a parté as p a r c a s do Desmoronamento dos Mun-
remotos confins do Céu! Uma vez que, chegando a ser dos Sou conduzido, em seguida, para as re-
H o r u s , adquiriste um Corpo Glorioso, " S a h u " a T + i clT
reVa 3li
° n d e r e i n a m o s sofrimentos do
t'
a Coroa de Nemmés te foi concedida. Em verdade, tua C oh! Osíris! Eu atravesso todos os dias
P a l a v r a de Potência chega aos limites extremos do a Morada do deus-Leao e dali sigo para a Morada de
Céu". Assim, tomo posse dos atributos divinos de i Z r r S 0 U C e l t 0 U P r e P a r a d o P ^ a assislir, como
H o r u s que são os de Osiris na Região dos Mortos.. . mestre a Consagraçao dos Mistérios. . . Oxalá seja eu
Eis que Horus repete-me as Palavras consagradas, admihdo^ no culto secreto, e me seja dado contemplar
pronunciadas por seu Pai, no dia dos funerais: "Faz o Mistério í o Nascimento da Divindade! Eis que com
que o deus de dupla cabeça de Leão te conceda a Coroa seu Corpo Glonoso Horus veste os meus membros.
m i n h a AInia
de Nemmés que ele guarda, que possas percorrer as , > contacto com sua Alma, vê o que
Rotas do Céu e ver o que existe, até os limites extre- sucede no iseu interior., Quando pronuncio as palavras
mos do Horizonte! Que os deuses do Duat tenham ságradas ante o Portal resplandecente do Sol, ele vibra
medo de ti e que por tua causa combatam em suas mo- e ressoa, prôduzindo um grande eco. Pois eu fui ^desig-
r a d a s " ! Todas as divindades que pertencem ao San- nado parta, suceder h Osíris, seu Herdeiro na Região
tuário do Deus Único, ao ouvir estas palavras, se incli- , dos Mortos! Em verdade, eu sou Horus entre os Í V
n a m p r o f u n d a m e n t e . . . Salve,'oh! tu, que enquanto pintos santificados, Dono do seu Diadema, Dôno de
avanças para mim, pairas muito alto acima de tua sua Luz Eis que Horus, em seu Palácio, está sentado
t u m b a ! Sei que por minha causa o deus-Leão te con- em seu Tfono. Em Verdade, meu Rosto é o do Falcão
cedeu a Coroa. Sabe, pois, que eu também pairo muito divino e meu. dorso é o do Falcão divino. Eu'possuo
alto sobre tua tumba, que o deus Iahd preparou todos ' todos os atributos mágicos do deus meu Amo. Eis que
os caminhos para mim e que o deus-Leão colocou a íjvanço par^ Djedu; contemplo a Osíris e me i n c l U
Coroa em minha cabeça. Concedei-me um manto de diante dele, para a1 direita è para a esquerda. Eu me
plumas! Eis que torna vigoroso meu Coração mediante inphnp diapte de N u t ; ela me olha fixamente. Qs deu-
S
sua espinha dorsal e mediante seu poder que é grande. 5Í t o c ^ d e i x a m c air lentamente sobre mim o seu
E m verdade, uma vez diante de Shu, não serei recha- , olhar. O Terceiro Olho de Horus,-imóvel no meio dè
çado e farei as pazes com meu Irmão, com o Ser-Bom sua fronte , olha-me fixamente por sua vez,..
, Senhor dos dois Uraei, bendito seja! Em ver- ™ silencio, os deuses me estendem os seus braços
dade, eu conheço as rotas do Céu. Seus alentos vivem Na plenitude das minhas forças, tomo impulso e re-
nos Ritmos do meu peito. O demônio raivoso de cabe- chaço os demônios que se opõem a mim. Então os deu-
ça de,Touro não poderá, não! deter-me. Avanço, pois. ses me abifem o acesso ao caminho sacrossanto
Contemplam em silêncio minha Variedade de FÍ>rmá e
44
1
• . i
l 91
eácutam! com benevolência as palavras cie minha boca: Terror! Eis-rne diante de ti! Deixa cair sobre mim um
'' Oh! vós, divindades da Região dos Mortos, vós que olhar benévolo! Oxalá me glorifiques! Abre-me as
jhçlínaik para mim vossos rostos e vossas frontes, vós Portas do Duat, da Terra e do Céu! Oh! Osíris! gran-
íqíie, cómo guias de Estrelas Fixas do Horizonte criais de e sublime é teu Trono! As novas que te trago,
para q'Senhor do Terror, o Caminho sagrado, eis que oh! Osíris! te são gratas de ouvir! Imenso é teu po-
uma orjdem de Horus chegou! Levantai Vosso rosto! der, oh! Osíris! Tua cabeça está solidamente implanta-
Olhai-mle para que, por minha vez, eu possa olhá^lo da, oh! Osíris! Tua fronte é inatacável, oh! Osíris!
frente1 a frente. Porque eu fui coroado Falciãp divino! Teu coração está satisfeito, oh! Osíris! Tua laringe é
Meu cqrpo glorioso não é o de Horus? Chego aqdi forte e sadia, oh! Osíris! Cumulado estás de deuses que
para tomar posse da Herança do meu Pai,, Osíris, na te rodeiam, oh! Osíris! Foste proclamado Touro do
Região dos Mortos. Os demônios cabeludos que se opu- Amenti, oh! Osíris! Teu filho Horus está em teu trono,
serem a mim, serão por mim dispersados. Atravesso oh! Osíris! A vida dos Mundos está em tuas mãos, oh!
súas filejras e chego imediatamente a uma'Região em Osíris! Milhares de amos trabalham continuamente pa-
que os {Espíritos estão de guarda. Imóveis, espreitam ra ele; milhões de almas tremem diante dele. As Hierar-
à entrada de suas moradas, dos dois lados do1 câminhó. quias divinas o temem e obedecem as suas ordens. Foi
(pontudo, passo sem deter-me; minha Viagem, me con- o que decidiu nos tempos antigos, Tum, deus pode-
duz ia esses espíritos ocultos em suas cavernas, os roso, deus único. E sua Palavra eterna é sempre para
Guardiães das mansões de Osíris. Com energia, lhes mim ! Horus é ao mesmo tempo Néctar dos deuses e
dirijo a' palavra, revelando-lhes meú terrível poder; Sacrifício divino. Ele recolhe e reúne os Membros de
de mim que, inimigo de Seth, possuo os , dois cornos. seu pai, pois Horus é seu r e d e n t o r . . . Ele percorre o
Conto-lhes que me apoderei do Néótar dos déuses, que Oceano celeste, enquanto o Corpo de Seu Pai se de-
me apropriei dos poderes mágicos de Tum. . . E que compõe. . . Em verdade, Horus é o Amo e Senhor do
pof ição terão de me conceder o passo do Düat, eles, Egito. Ele fixa o curso das coisas para milhões de
os desses, Guardiães inumeráveiè dqs domínios de anos. Dia e noite os deuses trabalham para ele. Seu
Osíris1, para que eu possa chegar até ele. Eu me apo- Olho divino é fonte de Vida para milhões de seres
dero dos nefastos poderes dos demônios de Ksemiu, Ele é Único, ele, Dono dos Mundos.
santifico com o meu Verbo as Rotas do Além. Cum-
prida assim minha missão, chego a Djedu. Contemplo
a Osíris e lhe falo, lhe falo do seu Filho Primogênito a, CAPÍTULO LXXIX
quem ele ama; o que atravessou o coraçãq de Seth. . .
Para ser transformado em Príncipe dos Deuses
Contemplo essa divindade inerte; narro-lhe as faça-
nhas de Horus em tua ausência. Osíris, meu Pai di- Eu sou Tum que criou o Céu e fez nascer a Vida
vino. . . iSalve, Senhor, das Almas, tu que semeias io na Terra. Eis que avanço engendrando seres, dando

45
vida aos deuses, meus Filtns, e engendrando-me eu
t A P Í T U L O LXXX
m e s m o . . . Salve, oh! Senhor da Vida, Seres puros,
Formas misteriosas de ocultos santuários! Salve, oh! ' Para ser transformado em um Deus que
deuses de Tenait , e vós deuses do Amenti, e ilumina as Trevas
vós que morais nas profundidades distantes dos Céus!
V e d e : eis-me chegando a vós, uma vez transformado ' Eu sou o Cinturão Luminoso, o que irradia no
e m Alma e Espírito p u r o . . . Em verdade, sou um feito de ÍJu (? que expulsa as Trevas da Noite. Com
deus em todo o seu vigor! Sim, um deus entre os as invoçaçofes de (minha boca, muito poderosa, acalmo
deuses que me rodeiam.. . Eu vos trago incenso e per- essa cólera das du*s deusas que travam, sem tréguas
fumes e destruo o influxo nefasto de vossas bocas. um combate em meú coração. Eis que ergo meu Pai
Aqui chego para dominar e destruir o mal que habita que c a n i n o vale de Abydos . . . E u estou em
e m vossos corações e para livrar-vos dos pecados que paz. Eu estou em p a z . . . Em verdade, eu sou a
vos esmagam. Vede: trago-vos os bens supremos: a Recordação de meu Pai Osíris. Tomo posse <£> Néctar
Verdade e a Justiça! Eu vos conheço e conheço vossos dos,deuses que encontrei em minha Cidade; e as Tre-
Nomes ocultos, vossas Formas misteriosas que nenhum vas, eu as levo cativas. . , Eu libertei, o Olho dos Mun-
outro conhece. Eis, oh! deuses! que chego a ser deus en- dos quando ja se apagava — durante as festas do 15 °
t r e vós e sou coroado' deus entre os homens. Protegido dia do mes — , eu livrei Seth do teu adversário; esse
p o r um escudo, chego a ser vigoroso e cheio de poder •Ueus Antigo; eu forneci armas mágicas a Thoth na
entre vós. Lançando gritos de alegria os deuses vêm ao casa da Lua, durante ,as festas do 15.° dia do mês e
meu encontro e as deusas me dirigem súplicas. Coroado Wmei posse Ha coroa Ureret. A deusa Maat, cujos
como vossas duas Filhas , avanço para vós, oh! Lábios $ao feitos de Cristal e de Esmeralda, habita
deuses! e assumo o meú posto ha Casa dos Dois Ho- em meu Coração. Eis aqui meus cantos que se esten-
rizontes. À tarde receb'o, em meu altar, oferendas se- dem entré os canáis de lápis-lazúli. Em verdade, feu sou
pulcrais e comungo convosco mediante os sacrifícios a deusa Nut, a que expulsa as Trevas! Avançò- eis
que cl Ljtó se torna ofuscante. Eu ataco e derrubo os
líquidos. Avançando em meio aos gritos de alegria,
demomos de cabeça de crocodilo. Eu adoro as silen-
eis que saúdo os deuses do Horizonte e os adoro, pois
çiosas divindàdes ocultas nas Trevas. Eu apoío e le-
eu sou o Senhor dos Seres P e r f e i t o s . . . Os deuses me
vantemos que choram, com o rosto entre as mãos, mer-
saúdam com seus gritos, como a uma divindade sagra-
gulhados no, desespero... Olhai-me! Em verdade eti
d a do Grande Santuário. Livrando meu Ser das En-
sou a deusa Nut, que surge entre vós! Escutei vossos,
tranhas do Céu, surjo a seus olhos, quando Nut, mi-
lamentos! Abro o Caminho da Luz! Eu sou Nuti a que
nha Mãe celestial, me. dá vida para outra existência,
expulsa ps Trevas! .;
nos Mundos do Além. 1 1 1 1
' ., li
94

i
I CAPÍTULO LXXXI Hathor. Minhas oferendas: pão, cerveja, teci-
i i 1

Para transformar-se no Lótus Sagrado dos e vasos. Eu me aproximo, sento-me como-


!
damente; minha cabeça é a cabeça de Ra. Mi-
•ó -
nhas quatro extremidades são as de Tum. A
Eu sou o Lótus misterioso: esplendor na pure-
Terra, ante meus olhos, se estende e cresce, se
z a . . . Eu avanço no meio dos Espíritos'santificados,
estende e cresce... Eis que tomo impulso... Enquan-
para as ventas do Nariz de Ra. Eu marcho e busco.
to as forças mágicas de Ptah e de Hathor vibram em
Vede! p u sou puro! Eu chego aos Cappbs dos Bem--
minha língua e em minha garganta, faço surgir de
-aventjurados! Salve, Lótus, tu que te mostras sob os
minha memória as Palavras sagradas que meu Pai,
traços do deus Nefer-Tum. , . Em verdade, ieu
o deus Tum, havia posto em minha boca. Eis que re-
cpnheço teu Nome oculto, teus múltiplos Nomes conhe-
chaço com violência essa diaba nefasta à qual o deus
cidos apenas dos deuses. Pois eu sou deüs como vós,
Keb havia apunhalado a cabeça, o rosto e os lábios
oh! deuses! oh! Abri-me o acesso aos deuses-güias da
para que tivesse medo! Minha boca entoa hinos po-
Região dos Mortos! Seja-me dado permanecer junto
derosos. Eu fui proclamado herdeiro de Keb, o Senhor
ao Príncipe do Amenti, e chegar a ser cidad|o da Terra
da T e r r a . . . Ele surge e me entrega sua coroa. Os
Santa! Oh! deuses, recebei-me todos vós, na1 presença
deuses de Heliópolis sé inclinam diante de mim: eu sou
do Amo da Eternidade. Que minha Alma possa } per-
mais poderoso que seu Senhor; minha potência mascu-
cprrer o Além como bem o queira! E que não1 seja re-
lina se estende sobre milhões de a n o s . . .
pelida cfiante das Hierarquias dqs deuses L f .
1
CAPÍTULO LXXXII CAPÍTULO LXXXIII
'' • - ' ii
Para ser transformado no deus Plah e Para ser transformado em Fênix Real
poder viver em Iunu
Eis que mergulho na Matéria Primordial e chego
Como o Falcão de Horus, eu pairo no Céu; meus a ser Khepra, deus das Metamorfoses. Rejuvenesço
gritos são tão agudos como os de um ganso selvagem. em virtude da força universal do rejuvenescimento.
Desço revoluteando para a Região dos Mortos e che- Como uma tartaruga cubro-me com uma carapaça...
go a el^t no dia da Grande F e s t a . . . (Horror! Horror!, Em verdade, trago em mim os germes e possibilidades
Não! Não! Eu não como essas repugnantes imundí- de todos os deuses... Eu sou os quatro Ontem das
cies ! Meu duplo etéreo sente horror por elas! Não as deusas-Serpentes. Trago em mim as Sete Etapas do
deixarei penetrar em meu Corpo.) Em veMide, eu me Amenti. Eu sou Horus, o do corpo resplandescente,
nutro de alimentos puros que me são concedidos pelos enquanto luta com Seth. Eu sou Thoth que separa os
Espíritos divinos. Cheio de poder) vivo, de( 1 oferendas dois combatentes e que, nas profundidades do seu san-
sepulcrais, e provo as folhas dessa Palméira da deusa tuário, com o assentimento dos deuses de Heliópolis,
96
97
pronuncia seu Vereclito. Da mesma forma que Thoth, eu as Palavras mágicas que os ouvi trocar entre si ? Eu
e u faço surgir uma torrente para separar os dois Com- sou aquele que degolou o Touro Sagrado de que fa-
batentes . . . Eis que marcho para a plena Luz do Dia, lam as Escrituras... Ao ver-me os deuses exclamam:
e sou coroado deus, pois sou o deus Khonsu, o irre- "Bem-vindo seja este Ser poderoso! Que tome posse
sistível do seu Domínio! Certamente, grande é seu poder e
RUBRICA seu esplendor. Cojmo nos opor ao seu avanço"? (Em
verdade, os Ritmos 1 sagrados do Universo estão ocul-
Se o morto conhece este capítulo, será purificado.
tos em meu Ser: não poderia voltar a dizê-lo ao. deus
Sairá — depois da sua chegada aò porto dos mortos —
H u ! ) Minhas más ações pertencem ao passado; à me-
p a r a a plena Luz do Dia; passará por todas as Meta-
dida que avanço, a Verdade-Justiça brilha em minha
morfoses que quiser; encontrar-se-á entre os que ro-
fronte. Eis que chega a Noite. . . E o que era o Hèrói
deiam o deus Un-Nefer; será farto com as oferendas
sepulcrais de Osíris; verá — depois da morte — o da. Festa está pgora inerte, estendido por teria, mor-
Disco do Sol; depois próspero na Terra sob os raios to. É "o ÁmtigO|dos Dias" que a terra guarda em
de Ra; será justificado quando estiver junto de Osíris. suas entranhas.
E jamais as Forças do Mal triunfarão sobre ele. ! 1
CAPÍTULO LXXXV
CAPÍTULO LXXXIV , Para ser transformado cm Alma viz^a
Para ser transformado em Garça Real < Eu sou a Alma de Ra, nascida do Oceano celeste.
Eu domino e subjugo as Forças Animais. Eu cor- Êu sou o deus Hu, Néctar dos deuses. A vista do
tei as cabeças das Esmeraldas cintilantes, de longos Mal me endhe de horror. Penso no Bem e não vivo
cabelos encaracolados... Oh! vós, antigas divindades, ' senão para a Verdade e a Justiça. Meu Nome sagrado
vós, Espíritos de outros tempos, Amos dos Ritmos — o Nome da Alma divina — é puro de toda a
do Universo sabei! sabei que meu poder é imen- mancha. Em virtude do meu poder, da mesma forma
so como o Céu! Agora, eu sou puro. De uma passada qíte o deus ,Khepra, eu criei o meu Ser e o Ser do
percorro o Céu, marcho para Aukert e para Oceano (celéste., Eu sou o Amo da Luz. A Moifte me
Hermópolis. Deixo atrás de mim os deuses que per- enche dei horror, de irepugnância, e não entro haíi covas
correm os caminhos... Eu estimulo a vigilância das de tortura do Dúat. Glorificando a Osíris, eu pacifico
divindades que velam no fundo dos seus santuários. os corações desses Espírito's que, semeando o terror à
P o r acaso não conheço o deus Nu? Não conheço acaso sua passagem, acompanham a este deus em suas via-
o deus Tatunen? . Não conheço eu os Demônios gens; e eiS que subo màis alto, mais alto. . . Ac(ui onde
Vermelhos que surgem de imediato de suas guaridas subi, no locail que me foi concedido, chego a ,ser Nu,
c se opõem violentamente aos deuses? Não conheço Senhor do Céu. Os males não seriam capazes de me
94

i
t ij.

fazer dano. Em verdade, eu sou o primogênito entre arde e sobe para o Horizonte! Vós que habitais a Cidade
os deusès. Olhai-me! Esta é a Alma dõ DeUs Eterno.' Celeste, vede comp levo comigo os Guardiães das
Este'Corpo é a própria Eternidade. Meu chegar a ser, Órbitas celestes! Estendei-me vossas mãos protetoras
sem limites, faz de mim o Senhór dos Anòs infinitos, para que eu possa, sem perigo, residir no Lago dé
Príncipe da eterna D u r a ç ã o . . . 'Sou ei; quem criou Fogo! E para que eu possa deslocar-me segundo as
as Trevas e as distribuiu em barreiras intransponíveis ordens recebidas e avançar segundo as determina-
nos confins do Céu! Ora minhas pernas me obedecem ções. . . Eis que abro a Porta. Que vejo? Pronuncio
e eu erro à vontade, ora o cetro apertado era minhas as Palavras de Potência, digo: "Olhai bem! Eu sou
mãos e disposto a rechaçar os ataques doá1 Espíritos- Horus, eu que me apodero da Barca celeste e torno
-serpentes que espreitam de seus esconderijos, vago- a póf em seu Trono Osíris, meu Pai. Quanto a Seth,
através das amplidões do1 Firmamento nas órbitas ce- filho de Nut, ei-lo aqui paralisado, amarrado com cor-
lestes. Agora me dirijo para o Senhor dos Dois Braços. das que havia preparado para m i m . . . " Eu sei o que
Em \ferdade, eu sei que minha Alfoa eterna é u m deus. acontece nos mistérios de Sekhem; e aqui chego e es-
E meu Corpo — eu sei também — é a própria Eter- tendo meus braços a O s í r i s . . . Meus movimentos são
nidade. Eu sou uma divindade muito alta, Senhor doi feitos de acordo com os vereditos dos Juízes. Venho
país Tebu. Meu nome é o seguinte "Eu-èhego-a-ser- aqui; dizer-vos: "deixai-me entrar, para que o Juízo se
-o - Mozalbete - das - Pradarias — eu - che^o - a - ser- possa verificar sem a minha presença". Depois dessas
-o-Adolescente-das-Cidades." Em verdade, meu Nome palavras, entro. E tendo sido pronunciado o veredito,
não perecerá j a t p a i s . . . Eu sou á Alma divina que, ultrapasso, já justificado, o Portal da divindade todo-
em outro tempo, criou o Oceano celeste . Minha poderosa . Em verdade, eis-me purificado no
morada na Região dos Mortos é inatingível, indestru-
curso da longa Viagem. Eu dominei o Mal que man-
tível é k envoltura que me protege. O mal já não'se 1
chava'meu coração. Eu extirpei meu vício e apaguei
ag-arra à minha pessoa. Eis o meu Pai divino, Senhor'
os Pecados que minha carne cometeu na vida terrestre.
do Crepúsculo, cujo Corpo repousa em HefiÓpolis: Seu
Deixai-me pois passar, oh! vós, Guardiães das Portas!
poder se estende sobre todos oà seres da Região dos
Pois daqui por diante sou um de vós! Marcho para a
Mof t o s . . . ,
Luz do Dia Eterno! Senhor dos meus movimentos,
I I i'
avanço. Vós, Espíritos de Luz, sabei: Que eu conheço
1
CAPÍTULO LXXXVÍ os Caminhos misteriosos da Região dos Mortos; e as
1 Sendas dos Campos dos Bem-aventurados não são es-
Para ser transformado em Andorinha
tranhas para mim. Chego, depois de dominada a re-
Eu sou uma andorinha, uma a n d o r i n h a . . . . Eu sistência de meus inimigos... No entanto, lá na Terra
sou também a deusa Escorpião, filha de R a . . . Oh! eu vejo meu Cadáver: eu seu ataúde repousa tran-
deuses! quão doce e agradável me^ éjvosso perfume que qüilo.

101
RUBRICA que se encontre! (Vê! É o Olho de Horus que se ergue,
Se o morto conhece este capítulo, poderá sair cintilante, çliante de ti!) Em verdade, assim como os
para á plena Luz do Dia; não será escorraçado às Espíritos divinos do séquito de Osíris, sempre em mo-
Portas do Mundo Inferior; poderá transformar-se em vimento, não se deitam jamais na tumba, assim eu
andorinha, regularmente, uma infinidade de vezes. jamais se^ei obrigado a deitar-me na tumba, ao con-
trário dos que, em Heliópolis, lançádos por terra, aos
milhares, unem a sua carne que se decompõe... Pois
CAPÍTULO LXXXVII
cu mantenho o poder sobre a minha Alma; eu, Espí-
Para ser transformado em Serpente rito santificado que se encontra em todas as partes
eín que elk se encontra. . . Oh vós, Guardiães do Céu,
Eu sou um Filho dá"'Terra. Longos foram meus
cuidai de minhaiAlma! Refazei-a! Alimentai-a! Per-
a n o s . . . Eu me deito quanlo chega a Tarde; e re-
nasço para a vida pela Manhã, segundo os Ritmos miti que 'possa voltar a meu Corpo! (Vê! Olha! É o
milenares do Tempo. Eu sou um Filho da Terra. Eu Olho de Horus que se ergue, cintilante diante de ti!
lhe permaneço fiel. Ora morro, ora renasço para a Oh! vós, Espíritos divinos, vós que arrastais a Barca
vida. Eis que floresço outra vez e me renovo, segundo do Amo eja Eternidade, que aproximais o Céu da Re-
os Ritmos milenares do Tempo. gião dos Mortos, aproximai minha Alma de minha
Forma gloriosa! Que vossos braços estejam bem equi-
librados i! Piegai com vossos dedos as armas do com-
CAPÍTULO LXXXVII I bate! Destruí o Inimigo, o Dragão! Vede! Acima, no
Para ser transformado em deus Sebek Céu, navega a Barca de Ra! Em paz e sem obstáculos,
avança 'p Grande Deus. Deixai, pois, passa;- a minha
Eu sou o deus Sebek em todo o seu vigor Alma, ao1 Horizonte Oriental, do Presente para o Pas-
violento e brutal... Eu sou támbém o Grande Peixe áado. Deixai-me prosseguir em paz nesta v|agem ein
de Horus, que habita em Kem-ur . Eu sou o sentido contrário para o Horizonte Ocidental. Agora,
Mestre dos adoradores do Santuário oculto. 'percebo, lá na Terra, reunido à sua Forma Gloriosa,
meu cadávér que < repousa em p a z . . . Em verdade, não
CAPÍTULO L X X X I X serão degredados nem destruídos, em toda a Eterni-
dade !
Para unir a Alma ao Corpo no Além
1
Oh! vós, Espíritos divinos, que circulais e levais RUBRICA
f'
as oferendas ao templo das Grandes Divindades, con-
cedei à minha Alma o poder de penetrar por toda a Estas 1 palavras devem ser recitadas sotj>re um
parte onde deseje! E alimentai minha Alma onde quer ' amuleto de ouro incrustado de pedras. preciosas e co-
locado, no peito do morto. ' í
102
m
C A P Í T U L O XC uma abominação! Ordeno-te pois: "Para trás, demô-
1 nio, inimigo de Shu"!
Para conservar a memória no i-llcm
'i ,, ii
CAPÍTULO XCI
Oh! tu, demônio, que cortas às,cabeças1 c apunha
las ^s frontes! Oh! tu, que apagas a memória e tornas Para que a Alma não seja capturada no Além
a |bocà dos Espíritos santificados impotentes1 para pro-
Oh! tu, muito alto, cuja Alma poderosa é vene-
nunciar n Palavra mágica que vivè em, seu colação» '
rada em todas as partes. Tu que semeias o terror e
Em herdade, tu não verás! Que, com.meus olhos, eu
vertes uma parte do teu poder nas almas dos deuses,
vejo como tu os olhas. Eis que saio a)'passeio e dei
imensos sobre seus Tronos! Olha! Eis que percorro
imediato volto a cabeça olhando para t r á s ! . . Porém
os Caminhos dos Espíritos Bem-Aventurados! A pro-
oh! que vejo?. . . Demônios que, imóveis, ihe acompa-
teção mágica paira sobre minha Alma. Ela garante
nham com os olhos... Esses inimigos do deus Shu'
meu Espírito e minha Sombra contra qualquer ata-
se dispõem a cortar-me a cabeça, a apünhalar-me a
que. Em verdade, eu sou um Espírito perfeito, que
íronte e, por ordem de seu amo, a empregar a violêri-
se dirige para o lugar em que encontrará Ra e Hathor.
cia contra m i m . . . Então direi: " A h ! Quereis cortar
nnnha cabeça e apunhalar minha fronte? Quereis apa-
g a r minha memória? Quereis pôr um selo çm minha RUBRICA
boca e priva-la das palavras poderosas q u ^ i v e m em Se o morto conhece este capítulo, poderá trans-
meu Coraçao, como fizestes corri os outros , Espíritos formar-se, no Mundo Inferior, em um Espírito de-
santificados? Para trás, demônios!IVoltai sobre vos- vidamente santificado contra qualquer ataque; não
sos passos! Ordeno-vos em virtude da, f'arça mágica será feito prisioneiro em nenhuma das portas do
da Palavra que Osíris pronunciou, quando vos adian- Amentí, quer entrando por elas, quer saindo.
tavas obedecendo as ordens de Seth, seu inimigo, para
apagar a palavra poderosa na boca de Osíris"' ísis
CAPÍTULO XCII
disse então: " P a r a trás, demônio! Que o teu rosto
se volte para as tuas partes vergonhosas! Contempla Para abrir à Alma e à Sombra acesso a Tumba
principalmente esse Rosto cercado de chamas! Olha'
Eu marcho para a plena Luz do D i a . . . Eis que
E o Olho de Horus em chamas no 'meio do Olho de
os Selos da Morte são levantados e que, por ordem
i um! Em verdade, demônio, não poderás e y C apar Oh
tu, desastre desta Noite! Pois assim como Osíris te do Olho de Horus, minha Alma dominou os que a
havia rechaçado para que tua abominação não pene- selavam. Agora, transformo-me no diadema deslum- \
trasse nele. eu te rechaço, pois para mim, também és brante que adorna a fronte de Ra. Meus pés obedecem
minhas ordens; vastas, em verdade, são minhas pasr
104 1 I 105
sacias, e poderosos meus membros. Eu sou Horus que
guei a ser mjais forte que os fortes, mais vigoroso que
vinga seu divino Pai. Minhas Palavras poderosas'for-
os vigorósos... Porém, se, embarcado contra a minha
mam outras tantas oferendas para meu Pai divino, e
vontade, fosse levado para o Oriente, se os demônios
minha Mãe divina. Eu forço a passagem, graças ao
me torturassem, burlando-se de minha Alma, se devo-
poder de minhas pernas, e contemplo a grande divin-
rassem, de Ra, o órgão criador, assim como a cabeça
dade sentada na Barca de R a . . . Entretanto, na proa
de Osíris... Possa eu então ser conduzido aos Cam-
da Barca, as Almas, segundo o número dos Anos são
pos em qijie as Formas mágicas ceifam para os deu-
submetidas a J u í z o . . . Oh! Olho de Horus! Liberta
ses . Se ao menos eu não fosse rechaçado pelos
minha Alma! Coloca-a, como uma jóia, na fronte de
corpos de Khepra! Se ao menos eu não me tornasse
l \ a ! Quanto a vós, demônios que aprisionais Osíris
semelhante ao pus no Olho de Tum! Que os demônios
oxala sejais submergidos nas Trevas! Oue minha Som-
não me agarrem nem me levem pára o Oriente, onde
bra nao seja capturada por vós! Que o caminho seja
gostariam de divertir-se à custa de minha Alma! que
aberto para minha Alma e para minha Sombra, para
não me façam mal! Que não me assassinem!
que as duas possam contemplar, no dia do Juízo o
Deus Grande em seu santuário! Então recitarei'as
!> CAPÍTULO XCIV
palavras mágicas de Osíris (cuja morada está oculta
e e misteriosa). Oh! vós, demônios, que aprisionais os Para poluir um Tinteiro e uma Paleta
membros dispersos de Osíris, e que dais caça aos Es-
píritos santificados. Sabei! Sabei que. cm verdade, o Oh! tu, grande Espírito de que fala o Livro Sa-
Céu não me fará prisioneiro, nem a Terra poderá ên- grado de Thoth e que contemplas em silêncio teu Pai
cet-rar-me em suas entranhas! Não serei submetido, divino, ejs que, transformado em Espírito santificado,
nao! ao poder dos demônios-verdugos. Minhas pernas , chego diante de ti! Eu, Alma viva, dotada de poderes
me obedecem! Eis que me dirijo para o meu cadáver mágicos tirados dos Livros Sagrados de Thoth... Eu
que esta em Terra. Oxalá eu seja salvo dos demônios tenho esse^ iLivros ent minhas mãos para poder passar
que aprisionaram os membros de Osíris! entre Seth e Axhr . Trago comigo o Tinteiro
e a Paleta e os deixo nas mãos dé Thoth, o Escriba
divinoJ (^Em verdade, é um grande Mistério...) Eis
C A P I T U L O XCITI que chego a ser Escriba de Thoth; trago o pó do Corno
I de Osíris, com o qual traço o signo sagradcj...
Para navegar cm direção Este no Além Eu recito, todos os dias, as Palavras da grande di-
1
vindade benfeitora . Tuas ordens, oh! Horus, me
Oh!. potência masculina de Ra gerador! Quando as
fazem o maior bem; meus atos estão de acordo com
tempestades cósmicas foram apagadas e a inércia do
os desígnios de Maat. Em verdade, eu seguia na Terra,
Mundo durou milhões de anos. . . Entretanto eu chi
todos os dias de minha vida, as leis do Deus Sol.
106 1
v 107
i

C A P Í T U L O XÇV | divino. Tendo descansado sob a Palmeira da deusa do


Para aproximar-se de Thoth 1 Céu, eis-me capaz de reconfortar as Almas dos mor-
v •. .r tos. Onde eu apareço aparecem a Verdade e a Justiça.
liu SOU o muito poderoso Senhór das Tempestades E sou seu Testemunho na Terra; elas falam pela mi-
que protege a Coroa divina : contra seus inimigos. Com nha boca. Eu possuo o poder do Senhor, grande e
minha espada que vedes aqui, eu firo. Seth é, único, Ra! Eu vivo no seio da deusa Maat! Nenhuma
assassinado! Os bons Espíritos, reconfortados! Pro- mancha do pecado me contaminará; faça o que fizer,
tegendo a Coroa'divina, eu me torno a espada do^ estarei envolto, por todos os lados, pela Luz do Dia
deuses, forte e irresistível. Vede como o braço de Thoth Eterno.
fere, no fneio das tempestades, seus inimigos ! ; CAPÍTULO XCVIII
C A P Í T U L O S XCVI e X C V I I ' Para poder conduzir uma Barca no Além
I, l
ParçL aproximar-se de, Thoth , Salve, oh Estrelas da Cadeira , vós que bri-
lhais no Céu Boreal, no meio do Grande Lago! Vós
Eu sou Aquele que mora no OÍho dei Horus. Eis
que sois testemunhas de minha morte, olhai! Com a
que chego e ponho Maat nas mãos de Ra. tranqüilizo
coroa de um deus sobre minha cabeça, apresento-me
Seth com oferendas a Aker; tranqüilizo os Demônios
a v ó s . . . Tendo ultrapassado o Portal da Morte, eis
vermelhos com minha adoração a Keb. (Palavras pro-
que, coroado como um deus, ergo-me diante de v ó s . ; .
nunciadas na Barca celestial:) Oh! Centro de Anúbis!
Eis que minhas.asas poderosas me levam mais longe...
Aprende! Eu tranqüilizo os quatro Espíritos, vassalos
Unv grito penetrante, semelhante ao grito do ganso
do Amo do Universo; através cjos seus desígnios,
selvagem, sai do seu pei*o. Como um falcão pairo aci-
chego a ser Dono dos Campos, Pai! das Inundações,'
ma das nuvens. Percorri os vastos Espaços da Terra
Guardião dos Lagos e Exterminador da Sede Eu vos
e do Céu. Pois tendo-me dirigido a Shu, este me insu-
contemplo, oh! deuses antigos, e a vós, os Grandes
flou um novo.-vigor. Eis que os Espíritos luminosos,
Espíritos de Heliópolis! Sabei, pois, vós todos, que
de pé de ambos os lados da Escada do Céu, indicam-me
minha classe é mais elevada que a vossa! Que com-
o caminho; e os Planetas, no seu curso, me levam para
parado convosco, |eu chego à perfeição. Olhai-me!
longe dos lugares das matanças. As forças que tenho
Nao sou tão puro como a Alma do deus, o1 antigo, o
de reserva expulsam para longe de mim os ataques •
grande? Não procureis, com a Palavra de vossa boca,
do Mal. Dirijo-me a ti, oh! deus, cujo Nome é: "É —
soltar os demônios, para impedir meu avanço (eis ó
ele"... À medida que vens a meu encontro, aumenta
impuro, que ronda ao meu redor e se dispõe a saltar
e cresce diante de mim a tua Imagem. Eis que chego \
sobre mim!). Em verdade, eu me purifiquei no Lago
diante do Lago de Fogo, entre os Campos de F o g o . . .
da Balança do Juízo. Eu me banhei nos raios do Olho
Em verdade, este Lago de Fogo, estes Campos de Fogo
108
109
são os dois Mananciais dc tua Vida. Quanto a mim
é o nomç do Guia das Duas Terras; Keb está ap l^me;
permanecendo perto deste deus venerai, sinto-me vi-
sua força mágica abre o caminho ao Disco Solar que
v e r . . . Ah! eis o deus Ka! chega em sua Barca para
paira acima dos Demônios vermelhos... Eis que avan-
trazer as coisas necessárias... Estou de pe-
ço em minha Barca... Possam meu Duplo e meu Espí-
na ponte da Barca, ao timão, e a conduzo através da
rito dirigir-se para o local que só tu conheces!...
Superfície límpida das águas. . . Assim como seguindo
— Adivinha meu Nome — diz a estaca de anco-
a s ordens deste deus navego nesta Barca, assim meu
ragem. | 1
Verbo de Potência não permanece sem fruto. Eis que
percorro as rotas celestes com minha Barca e abro — Senhor-das-duas-Terras-reinando-em-seu-san-
a s Portas dos Santuários... Em verdade, os Campos tuário — eis o teu nome.
da celeste Hermópolis me foram atribuídos, a título — Adivinha meu Nome — diz o machado de ma-
de Herança. deira.
— O-Pé-do-Touro-Ápis — eis o teu nome.
CAPÍTULO XCIX — Ad'ivinha meu Nome — diz a corda que puxa
a Barca para a margem.
Para conduzir uma Barca no Mundo Inferior — As - Ataduras - onduladas - das - quais - se -
Oh vós, Espíritos que navegais sobre as impu- - serve-Anúbis-inclinado-sobre-as-Mymias — eis teu
ras Vértebras das costas de Apopi! Oxalá possa eu nome.
também navegar em minha Barca — em paz, em paz — Adivinha nosso Nome — dizem as cavilhas
enrolando e desenrolando seu Cordame! Vinde para os remos.
pois! Apressai-vos! Pois cheiro aqui para ver Osíris, — Oj$-Pilares-do-mundo-Inferior — eis vosso
meu Pai! oh! vós, donos do manto" Ansi"! Vede! Com nome.
alegria tomo posse dele. Oh! vós, Senhores das Tem- —• Adivinhai m e u nome — diz a enseada.
pestades, e vós também, navegantes Machos sobre as — O-deus-Aker — eis teu nome.
Vértebras de Apopi! Vós que, depois de ter escapado i — Adivinha meu Nome — diz o mastro.
ao punhal, voltais a amarrar a cabeça,, consolidais o — O - que - traz - a - Soberana - depois - de - uma-
pescoço, vós companheiros da Barca misteriosa que -longa-ausência — eis teu nome. ,
dominais e atais Apopi, olhai-me! Eu navego em Mi- —• Adivinha meu Nome — diz a ponte interna.
nha Barca, enrolando minhas cordas à medida que A-fbandeira-de-Up-Uaut — eis teu nome.
avanço para a zona maldita onde caíram as estrelas — Àdivinha) meu Nome — diz a barra da proa.
precipitadas no Abismo... Na verdade, elas não pu- — A-Garganta-de-Mestha — eis teu nome.
deram encontrar suas antigas órbitas, pois seu cami- — | A(divinha meu Nome — diz a vela.
nho esta obstruído pelas chamas de R a . . . "Andebu" — A-deusa-Nut — eis teu nome.
— Adivinha meu Nome — dizem as correias.
110

i
— Pele - do - touro - Mnevis - posta - do - avesso- — Destrutoras - da - divindade - de - braços-
-por-Seth — eis teu nome. -poderosos-na-Casa-das-Purificações — eis vosso
— Adivinha meu Nome — dizem ob remos. nome.
, — Os - Dedos - de - Horus - primogênito - dos- — Adivinha meu Nome — diz a terra firme
-deuses — eis teu nome. ' posto que queres pisar-me.
— lAdivinha meu Nome — diz o vertedouro. 1 1 ' — A - Serpente - do - Céu - que - se - dirige-
^— A - Mão - de - ísis - enxugando - ò - Sangue- -para - o - Espírito - guardião - do - embalsamamento-
que-jorra-do-Olho-arrancado-de-Horus — ejs teu nome. -morando - no - meio - dos - campos - dos - bem - aven-
— Adivinha meu Nome —1 dizem as .cavilhas. turados-e-que-saem-felizes-dele — eis teu nome.
Mastha, Hapi, Duamid, Kèbhsennuf, Hakau, (Aqui recitarás, diante de todas estas divindades,
Thethm-aua, Maa-an-tef, Ir-nef-djesf, 'eis vosso as seguintes palavras):
nome. Salve, oh! deuses da Natureza, como Kà resplan-
' — Adivinha nossos Nomes — dizem' os costados dece, vós existis e viveis eternamente, vós cujo limite
do barco. e o infinito! Eis que me preparei um caminho e para
— As-deusas-Merti — eis vosso norrte.1 vos marcho, oh! deuses! Concedei pois à minha boca
— Adivinha meu Nome — diz o leme. os alimentos sepulcrais; que eu possa servir-me deles
— Reto - e - leal - visível - nã -lágua - lio - limite-' e possa pronunciar as palavras poderosas. Concedei-me
-dos-flancos — eis teu nome. o pao consagrado de ísis, quando eu me encontrar
— Adivinha meu Nome — diz a quillia. diante do Grande Deus. Em verdade, conheço esse
— A - Coxa - de - ísis - que - Ra - fere - com- Grande Deus, diante do qual colocais agora as ofe-
-teu - punhal - a - fim - de - encher - de - Sangue - seu- rendas. Seu nome é Thekem. Vai do Oriente ao Oci-
-barco-Sektet — eis teu nome. dente. Concedei-me que sua viagem seja minha via-
— Adivinha1 meu Nome — diz o marinheiro que gem e seu périplo o meu périplo, a fim de que eu não
se ocupa das velas. seja destruído no Mesket e que os demônios
— O-proscrito — eis teu nome. , nao se possam apoderar dos meus membros. Oxalá
— Adivinha meu Nome — diz o vento pue se eleva. possa eu encontrar o pão sagrado e em Dep a bebida
—J O - vento - do - Norte - que - te - conduz - até-i sagrada! Que vossas oferendas me sejam servidas a
-o-nariz-do-Khenti-Amenti — eis teu nome. cada dia! Que eu receba trigo, cevada, ungüento
— Adivinha meu Nome — diz o rio — se queres i anti , vestuário; que estas oferendas contribuam para
seguir minha corrente. minha vida, minha saúde, minha força, para que possa
; — Cuidado !-eles-te-olham! — eis teu nome. sair para a Luz do Dia, para que possa passar à mi-
^— Adivinha nosso Nome — dizeip a^ margens nha vontade, por múltiplas metamorfoses e atingir,
deslizantes. no fim, os Campos dos Bem-aventurados.
t ij.

113
RUBRICA RUBRICA : ^
Se o morto aprendeu este Capítulo, poderá alcan- Estç capítulo | será recitado sobre um dèsenhp
çar os Campos dos Bem-aventurados; encontrará, so- feito em papiro virgem, livre de qualquer escrita ante-
b r e o altar da Grande Divindade a bebida e o pão rior; serái escrito com tinta feita com grãos de "Abi;t",
consagrados; possuirá campos de trigo e. de cevada misturados com líquido de "Anti"; este manuscrito
que os servidores de Horus ceifarão para ele; deles será colocado sobre o peito do morto; contudo, nãjo
se fartará; esfregará os membros e seu corpo chegará deverá tocar os seus membros. Depois da recitação1
a ser como o de um deus; poderá alcançar os campos deste capítulo, seja qual for o morto, este poderá subir
dos bem-aventurados depois de ter revestido todas as à Barca de Ra^, regularmente e todos os dias; o deus
formas que quiser; poder, finalmente, circular por eles Thoth cuid&rá dele à sua chegada, assim como em seus
a qualquer momento, verdadeiramente, eternamente. deslocamentos posteriores, e isto todos os dias, regu-
larmente e eternamente. O morto chegará a ser Es-
CAPÍTULO C pírito santificado em toda a sua perfeição. P o d e p es-
colher o Símbolo do Djed e consolidar o do Fecno sa-
Para tornar perfeito o Espírito santificaào grado e poderá navegar na Barca de Ra por onde
Tal como a Fênix divina, eu navego, minha Bar- quiser.
ca se dirige para o Oriente. Da mesma forma que C A P Í T U L O Cl
Osíris, avanço para Djedu. Eu abro as cisternas do
I Para proteger a Barca de Ra
Nilo, abro os caminhos do Disco Solar. Como o deus
Sokari, avanço em minha carruagem E^u sou Oh! Ra, sentado em tua Barca e cortando as
poderoso como a grande deusa em seu clímax. Eu glo- ondas, navegas acima dos Abismos... Tu te diriges
rifico o Disco Solar e me uno aos Espíritos que pela para o teu Passado e voltando atrás o percorres.. . Eis
niadrugáda adoram o sol. Lm verdade, eu sou o igual que te uniste a mim que sou o reflexo de Osíris, eu,
desses Espíritos. Como eíés, eu sou uma emanação de Espirito santificado entre teus servidores. Em verdade,
ísis. O poder mágico de Isis me torna vigoroso... -oh! Ra! pela virtude do teu Nome Místico: " R A ! "
Eis que enrolei minhas cordas e tendo rechaçado Apopi, | Enquanto tu atravessas o Olho Cósmico, que tem sete
obrigo-o a retroceder em seu caminho. Ra me estende varas de cómprimento e cuja pupila tem três varas,
seus braços e seus navegantes não me rechaçam. Pois torna-me ppderoso! Em verdade, Ra, se tu prosperas,
eu sou forte graças ao poder do Olho de Ra, e o Olho eu prosperó também! Oh! Ra, pela virtude do teu
cle Ra é forte graças ao meu poder. . . Em verdade, Nome místico! " R A ! " quando passas por cima daque-
se eu não sou admitido a bordo da Barca, Ra será les'que chegairam a ser, depois da morte, seus próprios
separado do Ovo Cósmico... antípodas,, tem piedade de mim. Endireita-me! Tórna
114 115
a colocar-me sobre minhas pernas! Pois em verdade, reço! Deixa-me subir à ponte de comando e dirigir
oh! Ra,,se tu prosperas, eu também prosperp! Oh! Ra, a manobra da Barca, como fazem teus servidores, os
em virtude de teu Nome mágico: " R A ! " quando !tu Arcontes dos P l a n e t a s . . . (Não! não! não! essas
revelas os Mistérios dos Mundos do Além i*)ara iniciar imundícies eu não como! só tocá-las com minhas mãos
os corações dos deuses teus servidores, fetela esses ou pisá-las com minhas sandálias, me causa asco e
segredos a meu, Coração, pois em verdade, se tu pros- horror!) Pois as oferendas sepulcrais não me faltam:
peras, eu também prospero. I , meus pães são feitos de trigo branco; minha bebida
l i extraída do trigo vermelho! Ah! os barcos trazem mi-
RUBRICA ' ' nhas oferendas, ei-las aqui! E estas oferendas são
1 1
Em virtude das Poderosas Palavras , deste capí- colocadas sobre o altar de Heliópolis... Glória ao
tulo, teus membros chegarão a ser inalteráveis e só- Olho divino, o que percorre o Céu! Se os Espíritos-
lidos como os do próprio Ra. Pronunciai estas Pala- ( -cães me atacarem, eu saberei defender-me! Eis que
vras diante de uma pequena atadura de linho real e avanço e tiro esse deus das mãos dos meus inimigos
fino, sobre a qual se terá traçado (anteriormente com que causam dano ao seu corso, a seus braços e a suas
ungüento "Anti" essas palavras. O dia dos funerais pernas. Eu circulo na Barca de Ra e os desígnios deste
chegou, essa atadura será colocada ao pestloço da mú- deus são minha única lei.
mia. Isto feito, o pescoço do morto se tornará forte
e resistente; e o morto poderá, como se fosse um deus, C A P Í T U L O CHI
fazer tudo que seu coração deseje. Poderá reunir-se
Para permanecer junto à deusa Hathor
aos Servidores de Horus. Como uma estrqla, ocupará,
diante de Sothis, um lugar no céu. Sua múmia será Eis que, purificado, chego! Olha, oh! deus As-
venerada, como uma divindade, por seus, familiares -Ahi! Olha! Em verdade, encontro-me neste momento
eternamente. A deusa Menlcet fará crescejr plantas em entre os servidores de H a t h o r . . .
sua tumba. E sua Majestade, o deus Thot, verterá
profusamente a Paz eterna e a Luz incriada sobre C A P Í T U L O CIV
seus restos mortais, como em outros tempos o fez pará
Para habitar entre os Grandes Deuses
Sua Majestade Osíris, rei do Norte e do Sul.
Ora estou sentado entre os grandes deuses, ora
1
C A P Í T U L O CII ! me dirijo para a Região da Barca Sektet; a seguir,
Para subir à Barca dc Ra qual borboleta que se lançou ao vôo, aproximo-me das
grandes divindades do Mundo Inferior e as comtemplo
Salve, oh! grande divindade, que navegas em tua em silêncio. Olhai-me! Aqui estou, diante de vós, entre
Barca! Transportado até aqui, diante de ti. compa- Almas purificadas dos Bem-aventurados.
t ij.

117
CAPÍTULO CV e mediante uma oferenda de vestimenta de linholí E
Para fazer oferendas ao Duplo etéreo vos que navegais entre os campos dos Bem-aventura-
dos, sabei que as oferendas que me são destinadas
Salve, oh! meu Duplo etéreo! Olha! ainda devem Ser trazidas ao longo deste canal, enquanto
existo! Vivo! Venho para ti cheio de vigor e de po- vosso Pai divino passeia em sua Barca celesté.
der mágico... Levanto-me como o Sol, de posse de I I - '
uma Alma imortal e de vontade invencível, e te trago C A P Í T U L O CVII
incenso para purificar tuas emanações. O mal que eu I :
disse, o mal que eu fiz, não os censures! Pois eu sou (Variante do capítulo CIX)
na verdade essa tabuínha de esmeralda que está sus-
pensa no pescoço de Ra colocada pelos Espíritos que C A P Í T U L O CVIII
habitam a Casa dos Horizontes. Se eles prosperam,
também eu prospero, pois meu Duplo é semelhante a Para conhecer as Almas do Ocidente ,
seu Duplo; e o alimento de nossos Duplos é o mesmo. Eis dqui a montanha Bakhau ; sobre ela re-
Oh! vós, Espíritos divinos, que levantais muito alto, pousa o Céu oriental. Sua altura é de 30.000 varas
até as narinas do nariz de Ra, a Balança da Justiça! sua largura de 15.000 varas. Encontra-se no Horizonte
Não deixais que minha cabeça tombe sobre meu om- Oriental do Céu e o templo de Sebek, Senhor dk Mon-
bro ! Em verdade, não sou èii um Olho que vê, um ( tanha e esta situada em sua parte oriental. Estendida
Ouvido que ouve? Não sou eu um poderoso campeão no flanco da montanha está deitada a grande'Serpente.
de Osíris que combate e rechaça seus inimigos? As Tem 30.0Q0 varas de comprimento e 8 de largura. Seu
oferendas sepulcrais não foram preparadas para mim peito está adornado de Sílex e placas cintilantes. Porém
por Espíritos muito-elevados? Deixa-me pois aproxi- eu conheçp o nome da Serpente da M o n t a n h a . . .
mar-me de ti, oh! deus. poderoso! Pois eu estou puri- , Escutai-o : "A-que-vive-nas-chamas*'. . . Eis que de-
ficado e faço Osíris triunfar de seus inimigos. • pois de ter navegado em silêncio, Ra lança um olhar
sobre a serpente. Bruscamente, sua Barca se detém-
CAPÍTULO CVI pois aquele que está oculto em sua Barca está à es-
preita. Eis' que mergulha na água sob a qual nada sete
Para receler Oferendas
varas. Ataca Set)i. lança contra ele o seu dardo de
Oh! vós, Espíritos, donos da oferendas sepulcrais, ferro. Então, ating'ido em pleno peito, Seth devolve
e vós, chefes das Moradas celestes! Assim como vós' pela garganta o que tragou. A seguir, dominado, amar-
levais oferendas ao grande Ptah em seu palácio, assim rado, ai está num calabouço. (Recitar durante este
trazei-me, a mim, oferendas sólidas e líquidas. Possa tempo a' fórmula mágica seguinte:) " E u te golpeio,,
eu ser purificado pelo contacto do Anca sagrado oh Seth, com a lança. Olha-a aqui em minhas mãos!
118
119
Lentamente me aproximo para apoderar-me1 pie ti, Com eu conheço os Espíritos que habitam nas copas dos
prudência manobro a barca.. k Escolho cordas com sicômoros de esmeralda, ornamento dos rios, que des-
cuidado para amarrar tua cabeça.. . Eis que avanço. lizam silenciosos... Eis que chegam para levantar Shu
Tu, ao contrário, retrocedes. Em'verdade, éu sou in- no Portal do Soberano do Oriente, ali onde passa Ra
vencível. Enlaço tua cabeça, faço empalidecer os teus em sua Barca. Em verdade, eu conheço os Campos
lábios.. . Grande é meu vigor! Em verdade, sou po- dos Bem-aventurados, esse patrimônio de Ra! A mu-
deroso! Eu sou o grande Mestre da Magia, Filho da ralha que os rodeia é de ferro; nos Campos, o trigo
deusa Nut. Eu liberto os Espíritos santificados, do mede cinco varas: dois a espiga e três o talo. Os Espí-
teu domínio, oh! Seth." Que é isso? Que Espírito é I ritos, que trabalham nos Campos, têm nove varas de
esse que rasteja sobre o ventre,, sobre a cauda, sobre altura. Fazem a colheita ao lado das Almas divinas da
as vértebras? Espera um pouco!l Eis-me aqui! Vou Região Oriental. Eu os cc nheço bem: tu, tu és Heru-
a teu encontro. Mede se queres teu pode^com o meu! -Khuit, tu, tu és Heskheri, filho da Viúva; tu, enfim,
Aprende, demônio! Estou no auge do meu poder! tu és Neterduai, Senhor da Estrela da Manhã.
Combatendo, avanço contra os inimigos de Ra. Está
feito! Foram dominados por mim! A tarde cai. Posso C A P Í T U L O CX
descansar. A sejguir percorro os Céus enquanto tu, oh Aqui começa o Capítulo que se refere aos
Seth! tu permaneces imóvel, amarrado. 'Em verdade, Campos da Paz
a ordem que recebi foi executada! Ra permanece ina-
tacável em seu Horizonte! Eu possuo todos os meios Como penetrar em plena Luz do Dia, chegar aos
parairechaçar Apopi. Eu conheço igualmente os Espí- Campos dos Bem-Aventurados, permanecer nos Cam-
ritos do ocidente: este é Tum; mais adiante está Sebek, pos da Paz, grande Região Soberana dos Ventos; como
Dorío da Montanha Bakhau; por fim, Hathor bem tomar posse dela, ali chegar a ser um Espírito, ali tra-
ao fundo, soberana da tarde. balhar a terra e colher o trigo, ali comer, beber, coa-
bitar, em uma palavra, cumprir ali todos os atos da
C A P Í T U L O CIX , vida terrestre
Salve, oh! mestre das oferendas! Eis que venho em
Para conhecer as Almas do b ridente paz até vós, para provar o alimento que a grande di-
Salve, oh! Portal do Céu setentrional! Eu te ico- vindade me concede todos os dias. . . Seth capturou
inheço: tua parte meridional se encontra no país de Horus enquanto vigiava a construção das muralhas
Kharu; tua parte setentrional é formada pelo cánal nos Campos da Paz. Porém, eu libertei Horus do po-
Ersa, ali onde em sua Barca impelida pelo^ ventos, Ra der de Seth e abri a Rota aos dois olhos do Céu
penetra no Céu. Eis que desfraldo as velas, de pé em Eis Seth! Lanço ao vento suas emanações perniciosas
minha barca que avança sem det^r-se.. . Em verdade, para que caiam novamente sobre sua Alma e seu Olho

120 121
n a cidade de Mert. O que havia sido ocultado no inte- dade, eu dou luz à Eternidade e tomo posse da Duração
rior de Horus, eu já o libertei do deus Aker. Agora, sem limites:.. Pois eu sou o Senhor da Estabilidade
e m minha grande barca, navego no Lago da Paz. Pe- imutável e minha Alma repousa no seio da Paz. Eis
netrando na morada de Shu, procedi ao coroamento que surgç Horus como um Falcão. Suas asas têm a
de Horus. Então cintilam com redobrado vigor envergadura de mil varas. Sua vida dura dois mil inosl| j1
Logo atravesso o Lago e alcanço a Cidade da Paz; Avança com as almas na mão, chega a seu Lago bem
u m a paz profunda reina nela, graças a mim, no ritmo amado e diánte de sua Cidade. Gerado no templo do
de suas estações, em suas possessões e entre seus deu- deus da Cidade, a recebe as oferendas desse deus.
ses primogênitos. Eu abrando o ardor combativo de Descansa no centro de sua radiação de Vida, e tum- !
H o r u s e de Seth. Graças aos Espíritos-Guardiães da pre os atos que se ^costumou a cumprir no Lago do
Vida, criei o Bem, trago a Paz, obrigo Horus e Seth Duplo Fogo, onde ninguém conhece a alegria, pois é
a respeitar seus árbitros e expulso as nuvens em di- um lugar de sofrimento... * Oh! deus da Paz!
reção aos que me atacam. Eu domino os que violentam Que eu chegue e parta, passe e torne a passar, que
os fracos e destruo os demônios que assaltam os Es- eu!possa unir-me ao que está no templo da Cidade,
píritos bem-aventurados. Em verdade, eu conheço estas de-j descansar no centro de minha radiação de Vida
regiões da Paz; naveguei pelo Lago; penetrei nas Ci- e cumprir os atos que se tem o costume de cumprir no
dades . . . Poderosos são os encantamentos de minha Lago do Duplo Ifogo, onde ninguém conhece a alegria,
boca. Em verdade, eu sou digno de chegar a ser um pois é um lügar de sofrimento... Eis que vivo np
Espírito santificado, e minhas armas poderão resistir seio da Paz divina... Que a proteção do meu Envol-
aos ataques dos demônios... Oh! deuses! Que me seja tório não me seja arrebatado pelos Senhores do Ali-
possível morar em vossos Campos da Paz que tanto mento !Que os deuses me tragam oferendas em atiun-
quereis! Possa neles chegar a ser, após ter adquirido dância e eu possa tomar posse delas! Eis que a Paz
o domínio de minhas respirações, um Espírito bem- divina penetrai profundamente em meu ser e que me
-aventurado, e ali comer, beber, arar, cozinhar o trigo, apodero do grande Verbo de Potência que vive em
exercer o meu vigor e meu Verbo mágico! Que não meu Coração; pois em verdade, acordo-me neste mo-
seja reduzido à escravidão! Que exerça ali uma auto- mento porque minha memória, graças às fórmulas
ridade sem igual! Eis aqui: tu voltaste vigoroso ao mágicas, ignora o desfalecimento. Andb por todas as
deus da Paz, o elevaste sobre as Colunas luminosas dc partes, trabalho na lavoura, desfruto da Paz na Cidade
Sha unidas pelos formosos raios do Sol, este regula- celeste. Desta Região conheço as águas, as províncias
dor dos Anos. Sobre ele minha boca fica fechada; os lagos dos pampos da Paz; é ali que vivo; que meu
ela guardará silêncio; as palavras que poderá deixar vigor chegue a ser grande, que consiga ser um Espí-
de escutar estariam cheias de mistério... Em vcr- rito Bem-aventuradoJ qtie sempre cozinhe e se alimente,
t ij.

123
Septet no momento de sua culminação. A h ! eis
qpe are e me entregue ao amor, que esteja em paz cpm a região de Djeft. Entro n e l a . . . Pronto, utilizo-me
a paz divina, que procrie filhos e navegue pelo Lago. das vestimentas consagradas a Horus. E o mesmo que
Chego à Cidade. Reina uma paz suprema,, Minha ca- os outros deuses do Céu,. avanço em seguimento de
beça está adornada com dois Cornos. Trago oferendas Ra. Agora me encontro no meio dos domínios do deus
para os Espíritos Bem-aventurados. . . Em verdadç, da Paz, Senhor das Duas Terras. Eis que mergulho
ao chegar à cidade do deus Shuj conheço os nomes nas águas do Lago Sag rado. Longe de mim toda a.
sagrados que a regem. Navego pelo Lagp e faço Ra impureza! Eis o grandt Amo! Diante dele, agarro
avançar até os Campos da P a z . . . Olha! 'Que Pa,z di- pássaros e os como. Penetro prontamente na Região de
vina reina no Céu! À medida que me aproximo da Kenkent, e me encontro prontamente em presença de
Terra meu coração se acalma. Faço por vós, Espíritos, Osíris que me terá de julgar. Uno-me à minha mãe
0 que vós fazejis por mim. Eu conquisto a paz em e agarro os demônios-serpentes. Libertei-te; pois co-
virtude de minha força que é grande; e dhquanto vivo nheço o Nome do deus que está à frente da deusa
em. paz e avanço em paz, minha Alma marcha atrás Djesert. Tem cabelos lisos e sua cabeça está adornada
de mim. Em meus- braços levo o Néctar dos deu- de dois cornos. Passa o tempo lavrando seus campos;
ses. . . ; Oh! Soberana das Duas Tierras, confere eu lavro os meus. Prontamente penetro na Região
poder a meus encantamentos! Que minha memória seja Hast e rechaço os demônios. Respiro juntamente com
os deuses. A grande divindade devolve minha cabeça
vasta e infalível! Que esteja cheia de Vida! Que mètjs
e um Espírito de olhos azuis a ajusta a meu corpo.
inimigos não possam alcançar-me! Concede-me a ale-
Penetro a seguir na região de Urst onde, na parte alta
gria do coração e a paz do espírito! Que minhas arti-
de um templo, sirvo aos Espíritos uma comida sepul-
cúlaçõês e minhas artérias sejam postas epi um lugar,
cral. Eis a região de Smam; penetro nela. Uma Coroa
quando de novo aspire o sopro vivificànte do A r ! Que branca adorna minha cabeça; meu coração está pre-
a paz seja comigo! Que chegue a ser o amor de minha venido. Guio os Espíritos celestes e reconforto os que
respiração! Que todo o meu ser e meus movimentos estão na Terra. Alegro os corações dos deuses, pois
isejam santificados pela paz! Eis que desapuvio minha eu sou seu Soberano. Eu sou aquele que ordena os
c a b e ç a . . . Adormecido cm Ra, desperto. Oue vejo? movimentos nos Espaços de azul turquesa. Eis a re-
Uma noite espessa entre a abertura do Çéu, porém, gião do trigo e da cevada. Penetro nela. Meus servi-
graças a meus fluidos, vôo por cima dos obstáculos. . . dores me trazem aqui as oferendas para os deuses.
j j Chego diante de minha Cidade, a| grandb. Calculo mi- Amarro minha barca em uma enseada do Lago ce-
nhas forças; atravesso-a e me dirijo até a Região de leste: depois, caminhando pela margem, a arrasto, re-
1
Uakii. Em verdade, eu sou o Touro poderoso dos citando as fórmulas mágicas e glorificando os deuses
raios azuis, dono do Campo dos Bem-aventurados, dos Campos da P a z . . .
Senhor dos encantamentos mágicos. Eu sou a deusa

t i j .
125
C A P Í T U L O CXI Filhos que Horus teve: Duatmutf, Hapi, Mestha,
(Variante do capítulo CVIII) Kébhsennuf; e Isis é a sua mãe, Logo Horus disse
a R a : "Corícedei-me os gêmeos divinos de Buto e os
C A P Í T U L O CXII gêmèos de Nekhen . Em verdade, oh! deuses,
nasceram em vossos Corpos e comigo permanecem áté
Para conhecer os Mistérios da Região de Buto
o Fim dos tempos. Então, o Furacão de Fogo sé acal-
Oh tu, cadáver, entre todos os cadáveres da re- mará, a Terra reaparecerá com seu novo esplendor e 1 1
gião de Mendés! Oh tu, deusa dos caçadores da re- seu nome misterioso será: "Horus-da-Tabuinha-de^
gião de Buto! E tu, deusa Shutet das Estrelas Fixas! -Esmeraldas".. . Em verdade, eu conheço os Espíritóàj I!
E n f i m , vós divindades, que chegais trazendo como divinos da Região de Buto: seus Nomes são .Horus
oferendas.mais pão e cerveja! Sabeis, vós todos, por Mestha e Hapi. T
que a Região de Buto foi oferecida a Horus? Eu o sei!
porém vós, não sabeis! Eis aqui: Ra deu esta Região C A P Í T U L O CXIII | ,;
a Horus para indenizá-lo da ferida sofrida por seu Para conhece^r os Mistérios de Nekhen '
olho. Ra, com efeito, disse a Horus: "Deixa-me ver o Em verdade, eu conheço os Mistérios de Nekhen!
que aconteceu á teu Olho" . E o olhou.... Logo Eis Horus, gerado por sua Mãe, no meio do Ocekno
R a disse a Horus: "Olha para lá. Vigia esse Javali celeste, por meio de suas Palavras de Potência: "Di-
negro." E Horus o vigiou sem descanso. O javali, fu- zeiLme qual foi vossa decisão e por qual caminho devd
riosíssimo, o assaltou. E Horus disse a Ra: "Veja vos s e g u i r . . . Sabendo qual é, eu o encontrei". En- 1
este golpe que Seth deu em meu Olho." E, por causa tão disse R a : " E m verdade, ao Filho de ísis aconteceu
d á dor, Horus começou a se desesperar. Então Ra, uma calamidade por causando modo de sua Mãe agir
dirigindo a palavra às divindades que o rodeavam, pára com elç". Isis exclamou: "Oue me tragam aqui
disse: "Encontrai um lugar seguro para que possa Sebek, Senhor dos Pântanos!" Então Sebek começou
curar sua ferida, pois Seth, transformado em Javali a pescar e recolheu peixes. Quanto a ísis, fez Horus
negro, acaba de assestar um golpe violento ao Olho citescer em um lugar que havia preparado. Sebekj Se-
de Horus." Dirigindo-se sempre às divindades, que o nhor dos Pântanos cheios de caniços, disse: "Eis que
rodeavam, Ra acrescentou: "Esse Javali negro não vital e encontrai sob meus dedos, à margem das águas,
inspira a Horus senão repugnância. Porem eu vos juro as marcas de seus passos. . . E as encerrei em .uma
que Horus recuperará sua saúde. Ah! Que repugnân- rede muito forte". Então disse Ra: " É o momento,
cia inspira a Horus esse Javali negro!" Mais tarde, em que os peixes estão em poder de Sebek! Pois foi
quando Horus chegou a ser seu próprio filho, os deuses quem encontrou os braços de Horu^ no País dos
do séquito de Ra trouxeram a Horus, em sacrifício Peixgs". Ra, sèntenciou: "Uma região de lagos será
expiatório, touros, ovelhas e porcos. Eis os nonies dos estabelecida no lugar da rede de Sebek.. .". Então, en-
126
|i 127
quanto retiravam o véu do rosto de Torus, por motivo I por motivo das festas da Ascensão de Neith, em Ma-
das festas de primeiro a quinze do mês, seus braços thit, quando o Olho divino será julgado. Eis que, gra-
foram levados ao País dos Peixes. $ntão Ra exclamou: ças a meu conhecimento dos mistérios de Khemenu,
"Como morada de seus braços, darei a Horus a cidade chego aqui com todo o meu poder. Pois, como vós,
de Nekhen ! Ali, na cidade de Nekhen, sera solenemen- eles amam aqueles que s a b e m . . . Ern verdade, eu co-
te retirado o véu do seu rosto diante de seu braços. nheço Maat com todo seu implacável rigor e aceito
Durante essas festas, apoderar-se-á de seus inimigos"! seu ver edito com alegria. Salve a vós, oh Almas divinas
Então Horus djsse: "Deixai-me, pois, levar comigo de Khemenu! Eu que lhes falo, eu conheço as coisas
Duamutf e Kebhsennuf, para que guardeiti1 meu corpo, ocultas que lhes são reveladas nos sacramentos dos
e possam chegar a ser os servidores do deus tutelar de meses e das quinzenas. Os Mistérios da Noite que Ra
Nekhen". Ra respondeu: "Concedo-te o que pedes! da guarda zelosamente foi Thoth quem os revelou para
mesma forma como foste recebido em Sçnket, o serás mim. E também outras coisas que vós sabeis... Em
em Nekhen; e os cadáveres de teus inimigos estarão à verdade, eu os conheço, oh! Almas perfeitas de Khe-
tua ijnercê". Horus disse: "Olha! Ora estão perto de menu !
mim. ora perto de ti! Escutam com atenção as orden's
de Seth, quando sua voz ressoa chamando os Espíritos C A P Í T U L O CXV
divinos, de Nekhen"! Possa eu, de minha parte, Ser Para conhecer os Mistérios de Heliópolis
introduzido, após minha morte, entre ps Éspíritos di1-
Em verdade, foram amplos os tempos de minha
vinos de Nekhen! Possa desatar os laços de Hortis!
permanência em meio às Sombras do Passado, entre
Pois eu conheço bem os Espíritos divinos de Nekhen:
os Espíritos dos Anjos a n t i g o s . . . Desde a Aurora
são Horus. Duamutf e Kebhsennuft
dos Tempos, sem cessar, no seio do deus de Chegar a
ser, Khepra, percorri o ciclo das Metamorfoses...
C A P Í T U L O CXIV Eis que penetro na Região das Trevas e que, de sú-
1
' 1i
1'ara conJicccr os Mistérios de Khemenu bito, meu rosto se depara ante o Olho cintilante que o
i;! • 1
I 1
contempla... Oh! vós, Almas perfeitas, sabei: eu sou
O Eis que levada nos braços, quando das festas da uma de vós! Pois eu conheço os Espíritos divinos de
Ascensão de Neith, em Mathit, a estátua de Maat avan- Heliópolis! Em verdade, a sabedoria do Grande Vi-
j ça leníajnente, enquanto o Olho divino resplandece. . . dente não sobrepuja minha Sabedoria oculta.
Vejo adiante de mim a Balança do J u í z o . . . Eu fu^ Acaso não fui eu, graças à minha energia, além de
,iniçiadp nesses mistérios; eu sei o que Maat traz à todos os obstáculos? Não dirigi a palavra aos deuses?
;1
cidade de Kesi. Porém, não direi aos homens nem re- Por conseguinte, não! os demônios não poderão des-
petirei diante dos deuses. . . Pois chego aqui por ordem truir-me, a mim. Herdeiro dos deuses de Heliópolis.
do próprio Ra, para pôr na procissão a estátua de Maat Pois, em verdade, eu conheço os Mistérios do Fecho
t ij.
129
que adorna a fronte do Menino divino . Eis que
Ra fala ao deus Amihaf, cuja boca, em outro tempo, ,i ,' , C A P Í T U L O CXVII 1i
foi atacada, ferida... Ra disse, pois, a essa divindade: ' ; li
i Para penetrar no Rc-staú
"Recebe de minhas mãos esta lança, herança da hu-
manidade"! E Amihaf recebeu a lança... Assim nas- Dois cantinhos que passam por cima de mim con-
ceram os dois irmãos divinos que percorrem sua órbita duzem-mc até o Mufído de Re-staú. Levo o Cinturão
no céu ao redor de R a . . . Mais tarde, Amihaf se tor- de1 um deus e de um deus também a Coroa. Avanço é
nou mulher adornada com o Fecho sagrado, esse palá- laço reinar brdem em Abydos. Abro as, rotas qije con-
cio de Heliópolis... E o herdeiro do seu herdeiro, o duzem até Re-staú. Osíris alivia meus sofrimentos. . .
Grande Vidente, chegou a ser o grande Sacerdote-vi- Eis que façd surgir as águas e nelas estabeleçb; meu
dente de Heliópolis. Oh! vós, Espíritos divinos de He- Trono. Percorro o Vale do Grande Lago. Pois eü faço
liópolis! Em verdade, eu vos conheço: sois Ra, Shu Osíris triunfar de seus inimigos; sou um deus como
Tefnut... vós sois Ostros deuses! Sabei, Espíritos divino^, cjuç11 ,
o próprio Amo da Eternidade me protege! Em 1,'yerti i i í
CAPÍTULO CXVI dade, já caminho como vós caminhais; como vós, eu „ íj
permaneço • de pé ou sentado, conforme meu capribho; '
Para conhecer os Mistérios de Khemenu
e o império sobre o Verbo de potência eu ol possuo i; l ;
(Variante do capítulo CXIV) como vós o possuís, diante do grande deus, Senhpr do 'f
1
Eis que Neith se eleva sobre a cidade de Mathit Amenti. ;
1 1
e que a seu lado vai a deusa Maat. Aquele que dissipa ' C A P Í T U L O CXVIII !
1
as más ações cometidas pelos homens é o juiz desig- i Para percorrer o Re-staú
nado por ela. Eiitão eu sou introduzido por meu sa- Eis que nasço e venho ao Mundo do Re-staú . . !
cerdote. Penetro no Santuário e contemplo os Mis- Graças às libações de meu sacerdote diante de Osíris[
térios. . . Em verdade, não revelarei a nenhum mortal gozo da felicidade entre os Corpos Gloriosos, "sahu".
nem os repetirei a nenhum d e u s . . . Salve, oh! deuses Sou recebido entre os Espíritos do Re-staú e ali cres-
de Khemenu, vós que me conheceis, assim como eu ço. Quando, guiados por Osíris, eles avançam até sua
conheço a deusa Neith! (Eis que o Olho divino res- Dupla Manèão, eu avanço logo em seguida, eu, divin-
plandece nas T r e v a s . . . ) Em verdade, eu as conheço, dade única, até à Dupla Morada de Osíris.
as Almas divinas de Heliópolis. Eu conheço quando sé
abrem como flores, nas festas mensais, e quando se !
C A P Í T U L O CXTX |
1
i
desaparecem, nas festas bimensais. Olha! Eis Thoth, o
I Para percorrer o Rc-staú
misterioso... Mais adiante está Sa, o deus da Sabe- • i
doria. . . Por fim está Tum, grande deus. Eis uma grande divindade que com poderosa ra-
diação avança para ti, Osíris! Sou eu que me prosternO
130
'' , 1 3 1

i
diante de ti! Lavei-me de todas as minhas i m p u r a s '
Teu Nome foi consolidado no Re-staú! Glória a ti forma de Fênix Estrelada! Que eu entre, tendo per-
oh! Osiris. Em verdade, grande é o teu poder cin corrido em paz os caminhos, no formoso reino do
Abydos! Pairando no alto do Céu, em cpmpanhia de Amenti, diante do Lago de Osíris, para ali adorar
Ra, cumpres, Osíris, teus celestes giros, ^feu Olho di- Osíris, Senhor da Vida Eterna!
vino contempla do alto os Iniciados. Tu, Ra, o Único,
CAPÍTULO CXXIII
0 Solitário, escuta-me a mim, que te falo, Ôsíris! "Em
verdade, aqui, em tua presença, revesti meu Corpo Para penetrar no Grande Templo
Glorioso! Oxalá possa ouvir'as palavras: "Este Ser
Salve oh! Tum. Olha-me! Em verdade, eu sou
que lestá aqui nunca será rechaçado na tua presença,
Osíris ! Thoth, o árbitro do combate entre Seth e Horus. Por
mim, sua luta terá fim; eu domarei seu furor e porei
fim às devastações que sua guerra tem causado. Eis.
C A P Í T U L O S CXX e CXXI que eu aperto e rechaço o peixe Andu. No qué respeita
(Repetição dos Capítulos XII e XIII) a ele, executei tuas ordens. . . Logo depois me deitei
na tumba por meio das duas ações de minha vida pas-
sada; Daqui por diante não encontrarei mais obstáculos.
1 C A P Í T U L O CXXII Eis que chego ao templo do deus Uhem-Hra e tu
Para entrar no A menti • me contemplas em silêncio. Transmito a este deus as
ordens dos deuses antigos. Em verdade, eu posso ser-
: "Abri-me as Portas!" — Antes responda, oh! vir de guia. aos deuses inferiores...
jAlmal Quem és? Aonde vais? És icapaz 'de Metamor-
. tosesf Quais são estas para ti? Quais são estas para CAPÍTULO CXXIV
t " V a m e s m a f o m a que vós, oh! deusès, eu sou
Para poder metamorfosear-se em Fênix Real
ym Espírito divino, e o Nome mágico de minha Barca
e ò seguinte: "A-Coesão-das-Almas-múltiplas" "Ter- 1 Minha Alma constrói para mim uma morada es-
flpr-què-faz-ençar-os-cabelos" tal é o Nome de meus tável em Djedu, e enquanto prospero na região de
1
JÇ ?'." é o Nome de minha proa. Buto, meus servidores mágicos trabalham e cultivam
"h,sta-mal e o Nome de meu timão. "Navega-todo- meus campos. A imagem de minha Palmeira é formo-
-direito» é o Nome de minha popa. Em verdade, esta sa como a do deus Amsu. (Não, não! Não comerei
I c a f o 1 construída para a Viagem ao Além. (Levai isso! Que asco me causam as imundícies! Não, não as
ao templo de Anúbis as seguintes oferendas: carne comerei! Não aproximarei delas sequer minhas mãos!
pao leite e bolos.) Possa penetrar rfo Além em forma Não as tocarei nem com minhas sandálias!) De posse
de r alcao! Possa atravessar os Espaços belestes epi de minhas belas oferendas, não perecerei! Pois dispo-
132
133
nho de pães feitos com trigo e cerveja preparada de antigas. Falarei a Osíris como fazem os homens e ele
cevada que os barcos Sektet e Mandjit me trazem regu- me responderá na linguagem dos deuses... Eis que
larmente . Debaixo da acolhedora folhagem das volto Espírito santificado, chego aqui com a proteção
árvores que me são queridas, desfruto de paz e con- das forçàs mágicas e dirijo à deusa Maat os que a
templo a abundância das oferendas. Oxalá chegue a amam. Pois eu sou um Espírito' santificado armado
ser um Espírito santificado! Possa a deusa-Serpente das forças mágicas de todos os Espíritos santificados.
endireitar-me e colocar em minha cabeça a Coroa Eu me manifesto sob a forma de Sahu nas cidades de
Branca! Oh! vós, Espíritos guardiães das Portas do Heliópolp, Busíris, Herakleópolis, Abydos e Panópolis.
Pacificador dos Dois Panes! Sabei! Sabei que trago
em meu Ser substâncias q ie podem servir de oferenda | CAPÍTULO CXXV
aos deuses! . Vinde em meu socorro! Ajudai-me
a dissipar a névoa turva que me rodeia e me oprime] Palavras para pronunciar na Entrada do
Que os Espíritos santificados me abram seus braços! Santuário de Maat
Que as Hierarquias divinas guardem silêncio e não Oh! Maat, eis que chego diante de ti. Deixa-me
revelem as palavras que troco com as almas das Gera- 1
pois contemplar tua radiante formosura! Olha! Meu
ções Futuras . Poderoso entre os que revolu- braço se levanta em adoração a teu Nome sacrossanto.
teiam nos ares, eu guio os corações dos deuses que me Oh! Verdade-Justiça, escuta! Chego aos lugares em
protegem. Em verdade, todo deus e toda deusa que
que as árvores não vingam, em que o solo não faz
me torne vigoroso, será promovido a Espírito-Guia do
i surgir ap plantas. Eis que penetro até os lugares dos
Ano. Debaixo das verdejantes folhagens, viverei des-
Mistérios e que falo a Seth, o dono destes lugares...
frutando das oferendas postas diante de mim
. Meu guia protetor se aproxima de mim; seu rosto está
semelhante a Osíris quando aparece em Abydos. Em
' coberto com um espesso v é u . . . Tendo se prosternado
mim se reconhece o antepassado de Ra e dos Seres Lu-
, diante dos lugares dos Mistérios, penetra no santuário
minosos. Envolto em meu vasto manto do Céu estre-
de Osíris e contempla os Mistérios que nele se desen-
lado, permaneço frente a frente aos antigos deuses:
rolam. Eis aqui os Espíritos Guardiães dos Tanques:
Com o pão da comunhão em minha boca compareço
sua formà tem a aparência dos Espíritos dos Mortos.
diante dos deuses Ahiu. Que me falem, pois, è eu res-
ponderei! Eu falarei com o Disco solar e com os Seres Escuta Anúbis que começa seu discurso. Fala diri-
de Luz. Grande é o meu poder no meio das Trevas ii gindo-se' à ( .esquerda'e à direita na linguagem de um
que reinam nos Mundos de Mehurt, muito próximo do homem vindo da: terra do Egito, que conhece os ca-
Ser venerado... Em verdade, desde agora, não for- minhos do nosso país e suas cidades. Diz; "O aroma
marei senão um só Ser com Osíris! Olha! Torno-me' deste homem, sente-o! Não parece um de vós"? E eu
perfeito como Osíris é perfeito entre as divindades lhe respondo: "Em verdade, eu sou Osíris! Chego aqui
para contemplar os deuses, os grandes, e para entrar na
i 1 1
n • , i
134 , 135
posse da Vida Eterna comungando com pao'celestial
bis.idiz: "Passa, então, já que conheces esses Nomes
Vim até estes limites extremos d'o Cémoikle haíÂta
mágicos".
Osíris, Alma grande, Senhor do D j e d u . . . Ele me
conferiu a força dos movimentos na fôrma fie lím Entrando na Dupla Sala da Verdade-Justiça, o
Espírito com cabeça de F ê n i x , . . Dotadò do Verbo de morto pronunciará o que segue, a fim de desembara-
Potencia, mergulho nas águaá correntes; fiz oferen- çar-se de seus pecados e poder contemplar os deuses.
das de incenso; dirigi-me, como uni menino,'até a ár-
vore § h e n d e t . . . Eis que cheguei a Elefantijia, diante A Confissão negativa. I (Papiro Nu)
do tenlplo da deusa Satit. Fiz voltar a Barca carregada
Salve, deus grande, Senhor da Verdade e da Jus-
de meüs inimigos. Viajei em paz pelo'Lago e contem-'
tiça, Amo poderoso: eis-me chegado diante de ti! Dei-
piei os Corpos gloriosos de Kam-Ur ; yisitei a
xa-me pois contemplar tua radiante formosura! Co-
cidade sagrada de Djedu; mas sobre isso,guardo si- ,!
nheço teu Nome mágico e os das quarenta e duas di-
lencio... Devolvi à divindade o uso de syas pernas.
vindades que te rodeiam na vasta Sala da Ver-
Contemplei o templo de Anúbis e experimentei em mim
dade-Justiça, no dia em que se presta conta dos peca-
mesmo as Vestimentas deste deus. Atravessei o Re-
dos diante de Osíris; o sangue dos pecadores (sei tam-
-staú e contemplei os Mistérios deste lugar. Fui ocul-
bém) lhes serve de alimento. Teu Nome é: "O-Senhor-
to e enterrado e encontrei um caminho de saída..'.
-da-Ordem-do-Universo-cujos-dois-Olhos-são-as-duas-
Atravessei comarcas desoladas nas quais nada cresce -deusas-irmãs". Eis que trago em meu Coração a Ver-
e cc bn
> minha nudez com as vestimentas, que encon- , dade e a Justiça, pois que arranquei dele todo o mal.
trein Recebi para ungir-me ungüento das mulheres e Não causei sofrimento aos homens. Não empreguei
me foram ensiqadas as Palavras,de.PotêncWdos Ini- 1 violência com meus parentes. Não substituí a Injustiça
ciados". Eis Seth que me fala à sua m a n e i r a . . . Eu lhe pela Justiça. Não freqüentei os maus. Não cometi
respondo: " T u a balança, em verdaáe, está em nosso crimes. Não trabalhei em meu proveito com excesso.
Coraçao, onde há que buscá-la". Sua Majestade Anú- Não intriguei por ambição. Não maltratei meus ser-
bis me disse: "Conheces o Nome desta Porta de modo vidores. Não blasfemei contra os deuses. Não privei o
que possas proclamá-lo diante de mim"?'iE eu res- indigente de sua subsistência. Não cometi atos exe-
pondo: "O-deus-Shu-o-destruidor — eis o Nome dessa crados pelos deuses. Não permiti que um servidor fos-
Porta . Sua Majestade Anúbis disse: "Conheces o se maltratado por seu amo. Não fiz ninguém sofrer.
Nome do Gonzo superior desta Porta e o do Gonzo Não provoquei o homem. Não fiz chorar os homens
inferior"? Eu respondo: "0-senhor(da-Verdade-e-da- meus semelhantes. Não matei e não mandei matar. Não
-Justiça-sobre-suas-pernas" é o Nome do Gonzo supe- provoquei enfermidade entre os homens. Não subtraí
rior. ^ "O-Senhor-da-Dupla-Potência-Domador-do-Ga- oferendas dos templos. Não roubei pães dos deuses.
do" é o Nome do Gonzo inferior". Sua Majestade Anú- Não me apoderei das oferendas destinadas aos Espí-
136
137
ritos santificados. Não cometi ações vergonhosas no brutalidade. 4. Oh tu, Espírito, que te manifestas nas
recinto sacrossanto dos templos f N ã o diminuí a porção Fontes do Nilo e que te alimentas à sombra dos Mor-
das oferendas. Não tratei de aumentar meus domínios tos! Não roubei. 5. Oh tu, Espírito, que te manifestas
empregando meios ilícitos, nem usurpando campos de no Re-staú e cujos membros apodrecem c,empestam!
outros, Não adulterei os pesos nem o braço da balança. Não matei meus semelhantes. 6. Oh tu, Espírito, que
N ã o tirei leite da boca de uma criança. Não me apo- te manifestas no Céu sob a dupla forma de Leão!'Não
derei do gado nos prados. Não apanhei a laço as aves diminuí o celamim de trigo. 7. Oh tu, Espírito, que te
destinadas aos deuses. Não pesquei peixes com peixes > manifestas em Letópolis e cujos oljhos ferem como pu-
mortos. Não obstruí as águas quando deviam; correr. nhais. Não cometi fraudes. 8. Oh tu, Espírito, da des-
N a o desfiz as barragens da passagem das águas cor- lumbrante máscara que andas lentamente e voltas
rentes. Não apaguei as chamas de um fogo que devia atrás. Não subtraí o que pertencia aos deuses. 9. Oh
arder. Não violei as regras das oferendas de carne. tu, Espírito, que te manifestas em Herakleópolis e
N a o me apoderei do gado fertencente aos templos dos que machucas e trituras os ossos. Eu não menti.
deuses. Não impedi um deus de se manifestar. Sou 10. oh tu, Espíritq, que te manifestas em Mênfis e que
puro! Sou puro! Sou puro! Fui purificado como foi i fazes surgir e crescer as chamas! Não subtraí o alimen-
a grande Fênix de Herakleópolis. Porém eu sou o to de m£us semelhantes. 11. Oh! tu, Espírito, que te ma-
Senhor da Respiração que dá vida a todos os Iniciados nifestas no Amenti, divindade das duas fontes do Nilo!
n o dia solene em que o Olho de Horus, ém presença do t Não difamei. 12. Oh tu, Espírito, que te manifestas na
Senhor divino desta terra, culmina em Heliópolis Pos- região dos Lagos e cujos dentes brilham como o Sol!
t o que vi culminar em Heliópolis o Olho de Horus, Não tenlic* áido agressivo. 13. Oh tu, Espírito, que
possa nao suceder-me nenhum mal nesta Região oh ' surges ao cadafálso e que, voraz, te precipitas áobre o
deuses! nem em vossa Sala da Verdade-Justiça. Pois sangue das vítimas! Sabe: não matei os animais dos
eu conheço o Nonfè desses deuses que contornam Maat templo?. 14. Oh tu, Espírito, que te manifestas na vas-
a grande divindade da Verdade-Justiçá. ta Saia mos trinta Juízes e que te nutres das entranhas
,dos pecadores! Eu não tenho defraudado. 15. Ohitu,
A Confissão negativa. II (Papiro Nebseni) Senhor da Ordem Universal que te manifestas na Sala
1. Oh tu, Espírito, que marchas a grandes passa- da Verdade-Justiça, aprende! Não monopolizei janiais
das e que surges em Heliópolis. escuta-me! Eu não os camposi de cultivo. 16. Oh tu, Espírito, que te ma-
cometi ações perversas. 2. Oh! tu, Espírito, que te ma- nifestas em Bubastis e que marchas retrocedendo,
nifestas em Ker-aha e cujos .braços estão rodeados de aprende? Que eu não escutei atrás das portas. 17. Oh
um fogo que arde! Eu não trabalhei com violência tu, Espífito Aati, que apareces em Heliópolis! Não
3 . Oh tu, Espírito, que te manifestas em Hermópolis pequei jampis por excesso de palavra. 18. Oh tu, Es-
e que respiras o Alento divino! Meu coração detesta a pírito Tatiúf, que apareces em Ati! Não "pronunciei ja-
138

M
mais maldições quando me causaram algum dano. 19. sais de Mênfis! Jamais defraudei nem agi com per-
Uh tu Espirito Uamenti que apareces na* covas de tor- versidade. 35. Oh tu, Tum-Sep, que sais de Djedu!
tura. Eu jamais cometi adultério. 20. oh tu Esoírito Jamais amaldiçoei o Rei. 36. Oh tu, Espírito, cujo
^ e te manifestas no templo de Amsu e que X s oS coração é ativo e que sais de Debti! Jamais sujei as
« d a d o as oferendas que te levam! Sabe: que não águas. 37. Oh tu, Hi, que apareces no Céu! Sabe: mi-
cessei jamais, na solidão, de ser casto. 21. Oh tu Es- nhas palavras jamais foram altaneiras. 38. Oh tu.
^ , q M - a P ! r e C e S e m N e h a t U ' t à ' c h e f e dòs antigos Espírito, que dás ordens aos Iniciados! Jamais amal-
tu t Ü t € r r o " z e i J a m a i s Pessoa alguma! 22. Oh diçoei os deuses. 39. Oh tu, Neheb-Nefert, que sais
EU; destruidor, que te manifestas em Kauíf, do Lago! Jamais tenho sido impertinente ou insolente.
£ u jamais violei a ordenação dos templos.'23. Oh tu 40. Oh tu, Neheb-Kau, que sais da cidade! Não intri-
guei jamais nem me fiz valer. 41. Oh tu, Espirito, cuja
S C S S Í " ? T a p a r e C e S e m U r i t ' e d e quem ouço a voz cabeça está santificada e que sais de teu esconderij'o!
de salmodia! Jamais me entreguei à cólera. 24. Oh tu
? f n ^ q U e a p a r e C C S n a R e ^ ã 0 do Lago Helcat sob Sabe: não me enriqueci de modo ilícito. 42. Oh tu,
a forma de uma criança! Jamais fui surdo às palavras Espírito, que sais do Mundo Inferior e levas diante de
ti teu braço cortado! Eu jamais desdenhei dos deuses
e cuJra S f - ° h tU ' E s p í r i t ° ' « u e a P a r e c e * em Únes de minha cidade.
Oh t l t a ° . f - t r a n t e ! J a m a i s P r o m o v i querelas. '
t L a í c r ? P l n t 0 B a S t 1 ' <Jue a P a r e c e s nos Mistérios! Diante dos Deuses do Mundo Inferior (Papiro Nu)
Jamais fiz derramar lágrimas a meus semelhante: 27.
ü h t u , Espirito, cujo rosto está ha parte posterior da Oh! vós divindades, que tendes assentos na vasta
«beça e que sais de tua morada oculta! Jamais pequei Sala de Justiça, eu vos saúdo! Em verdade, eu vos
conheço e conheço vossos Nomes. Não me abandoneis
a oema í f T * d o * h o m e n s - Oh t * ^s^rito côm
a perna envolta em fogo e que sais de Akhekhu! Ja- ao cutelo do verdugo! Não insisti sobre meus pecados
ma^s pequei pela impaciência. 29. Oh tu, Espirito, que diante de deus que é vosso Senhor! Que a má sorte
sã« de Kenemet e cujo Nome é Kenemti! Nunca inju- não me alcance por vossa intervenção! Fazei que es-
nei ninguém. 30. Oh tu, Espírito, que te retiras de cute a Verdade do Senhor do Universo! Pois não fiz,
J ? u e l e v a s as mãos tuas oferendas! Nunca fui durante minha vida na Terra, senão o que era verda-
querelador. 31. Oh tu, Espírito, que apareces na cidade deiro e justo. Jamais amaldiçoei os deuses. Possam,
de Djefit e cujas caras são múltiplas! Jamais trabalhei pois, os Gênios tutelares dos Dias e das Horas não
com precipitação. 32. Oh tu, Espírito, que apareces em afligir-me com infortúnios! Oh vós, divindades, que
Unth e que estas cheio de astúcia! Jamais faltei com o tendes assento na vasta Sala da Verdade-Justiça, eu
respeito aos deuses. 33. Oh tu, Espírito adornado de vos saúdo! Vosso coração ignora a mentira e a ini-
cornos e que sais de Satiú! Em meus discursos nunca qüidade; vós viveis da Verdade e a Justiça é o vosso
usei palavras desmedidas. 34. Oh tu, Nefer-Tum que alimento; vós permaneceis sob o olhar fixo de Horus,
136
141
aquele que vela em seu Disco! Livrai-me de Babai que
n o dia do Grande Juízo se nutre das entranha,' minha espada e minhas entranhas. Não há nenhuma
dos poderosos! Deixai-me penetrar em vossa <^a< parte do meu ser que não participe da Verdade-Justiça.
\ ede que não cometi nem fraude nem nenhum .tcado Eu me purifiquei no Lago do Sul; descansei na Ci-
í E u nao tenho dado falso testemunho. Que não me seja' dade do Norte perto dos campos dos Saltamontes, ali
pois, feito dano algum! Nutri-me sempre, peío con- onde na segunda hora da noite e na terceira hora do
trario, de Verdade e de Justiça. Meu modo de proceder di!a se purificam os servidores de R a . . . Os corações
e o que prescrevem os bons costumes e é o aprovado dos deuses, quando passam, de dia e de noite, dizem,
pelos deuses. Em verdade, tenho contentado os deuses falando de mim: "Que te aproximes! Quem és? Qual
fazendo aquilo que amam. Tenho dado pão ao faminto é o teu non^e? — "Flor-de-Oliveira"!... Uma voz
e agua ao sedento, vestido o nu e uma barca ao náu- vinda do espaço me responde: "Vai!"! Eis um bosque
f r a g o : os deuses faziam oferendas e libações aos Espí- e a seguir — uma cidade... Uma voz interroga: Que
ritos santificados... Espíritos divinos! livrai-me» Pro- encontraste em teu caminho? — Um pé e uma Perna.
• tegei-me! Não me acuseis diante da grande divindade' Que lhes disseste? — Alegria e serenidade. — Que te
Minha boca é pura! Puras são minhas mãos! Fazei deram? Umá1 tocha acesa e uma plaquinha de cristal.
que ouça, vindas de vós, estas palavras: " O h ' tu Alma — Que fizeste desses presentes? — De madrugada,
que chegas, vem em paz! Vem em paz!" Em verdade perto do La&o, no meio dos canais, eu os enterrei. —
tenho ouvido as palavras de muito peso que trocaram o Que encontraste ali ? — Um cetro de pedra. — Qual é
Gato Divino e os Corpos Gloriosos no templo de Hap- o Nome desse cetro? — Seu nome é: "Livre-como-o-
dre. Respondi às questões do Espírito que dá o vere- -vento". — Quando enterraste a tocha acesa e a plaqui-
e a cura esta
"a parte de trás da cabeça. Tenho nha de cristal, que fizeste? — Pronunciei Palavras de
contemplado os sacramentos do Re-staú: sobre eles a Potência, deseptefrei a plaquinha de cristal, apaguei a
Arvore bendita estende seus r a m o s . . . Conhecendo os tocha, quebrei a plaquinha de cristal e escavei o l a g o . . .
pensamentos secretos dos deuses, tenho implorado seu — Podes entrar pela Porta da Sala de Maat, pois tu
socorro. Chego aqui para dar testemunho da Verdade conheces as duas faces da Verdade-Justiça. O ferro-
a f i m de que a Balança seja estabelecida em Aukert lho da Porta me disse: — Não te deixarei passar a
• Oh! tu, Senhor da Coroa Atefu, cujo Nome é menos que me digas meu Nome oculto. — "Centro-
Senhor-dos-Ventos"! Tu que presides do alto sobre -de gravidade-na-Balança-da-Verdade-Justiça", |esse é
teu pedestal, livra-me dos teus servidores cujos desíg- teu Nome. — Não te deixarei entrar, disse o Batente
nios trazem dores e sofrimentos e cujos rostos trazem da direita, a menos que me diga meu Nome sècréto
véus! Pois na presença do deus da Verdade-Justiça —7 "Prato-da-Balança-que-contém-a-Verdade-Justiça",
nada fiz que não seja verdadeiro e justo. Meu peito é eis teu Nome. —Não te deixarei entrar, disse o Um-
puro, pois eu o lavei!... No Lago de Maat purifiquei bral da Porta, a menos que me diga meu Nome oculto.
— "O-Tourô-do-deus-Keb", eis teu Nome oculto. —
1.42 1 1 , v
, 143
Nao jte deixarei entrar, disse a Fechadura, da Porta, para ser anunciado. — Qual é a tua condição? Que
a mepos, que me digas meu Nome bculto. —''fOs-dedosT espécie de homem és? — Eu me purifiquei de todos os
-gordos-do-pé-de-tua-Mãe", eis teu Nome oculto — meus pecados. Sou alheio às imperfeições dos homens
Nao te deixarei entrar na Sala, disse a Maçaneta, d^, que obedecem aos impulsos do momento. Não, eu não
l o r t a , a menos que me digas meu Nbme oculto. sou deles! — Eu te anunciarei à divindade que é pro-
— O-Olho-fonte-de-Vida-do-deus-Sebek-o-Senhor-de- tegida, se me disseres ainda o seguinte: qual é o
-Bakhau", eis teu Nome. — Não te deixárei entrar na Nome da divindade protegida pelo Céu de Fogo, que
Sala, disse o Guardião das folhas da Pprta, a menos está cercada por uma Muralha de deusas-Serpentes e
que me digas meu Nome oculto. — "Cotovelo-do-deus- que descansa sobre a superfície das Águas correntes?
Shau-protetor-de-Osíris", eis teu Nome. — Não tè Quem é? — É Osíris! — Atravessa o Umbral! Em
deixarei) passar debaixo de nós, djsseram as duas Bán- 1 verdade, poderei anunciar-te. Aprende, pois! O Pão
deiras da Porta, a menos que nos digas riossos Nomes' de tua Comunhão, o Vinho de tua Comunhão e todas
ocultosi — Vossos Nomes são: "Os-Filhos r 4s-deusas- as oferendas sepulcrais que te são destinadas, são ema-
-coroadas-de-Serpentes". — Turnos reconheceste, po-' nações do Olho de R a !
des passar! — Não deixarei que teus pés me pisem
d,sse o Solo da Sala de Maat,. poisou soii silencioso e RUBRICA
sagrado. Além disso, não conheço os Nomes de teus Fazer imagens do que acontece na Sala da
doip pes que se dispõem a pisar-me. Fala pois' — " Ò - Verdade-Justiça.
-Corredor-do-deus-Khas", é o Nome do m^u pé direi-
to; O-cetro-de-Hathor", esse é o Nome dó meu pé Esse capítulo será recitado depois que o corpo do
esquerdo. — Tu me conheces, podes passar ! O Guar- morto tiver sido lavado, purificado e envolvido nas
diao da Porta que se abre para a Sala da Verdade-Jus- 1 ataduras de múmia; depois de lhe terem calçado as
tiça, disse: — Eu não te anunciarei, 'a menos que digas sandálias e depois de lhe :erem besuntado os olhos com
meu Nome oculto. - "O-que-conhece-os-cdrações-e-o- antimônio e o resto do <orpo com ungiiento "anti" e
-que-escava-as-entranhas-do-homem", eis teu Nome depois de lhe terem leví.do oferendas sepulcrais: in-
censo, carne, aves, pão, cerveja e legumes. Em segui-
— Eu te anunciarei ao deus . . . Porém, dize-me ainda
da, desenhar imagens coloridas em uma telha feita com
uma coisa: quem é o deus que governa nessa hora?
barro de solo não pisado pelos porcos nem por outros
Qual e o seu Nonje? - "Aquele-que-prote ? e-as-Duas-
animais domésticos. Se escrevermos nessa telha o ca-
-1 erras , eis seu Nome. — Bem. Porém, Juem é esse
pítulo anterior, então o morto e seus filhos prospera-
cleus que tem sob sua custódia as Duas Terras? —
rão; seu nome não será olvidado e obterão os favores
rhoth é esse deus! - Empurra a Porta e aproxima-te
do rei e dos príncipes. O morto encontrará, sobre o
— chsso então a voz do próprio Thoth, invisível. — Di-' altar da Grande Divindade, pão, vinho e carne. E não
ze-me primeiro por que vens aqui? — Venho anui será escorraçado às portas do Amenti; ao contrário, ali
204 1 , 205
será introduzido em companhia dos reis do Egito e se crições dos deuses. Teu Nome será proclamado todos
encontrará constantemente, eternamente, perto de. ôs dias no interior do Templo do Horizonte.. - ' . ' i
Osíris. CAPÍTULO CXXVII ,
CAPÍTULO CXXVI Hino aos deuses de Kerti
Hino aos quatro Espíritos Superiores Salve, oh! vós, divindades de Kerti , vós
Salve oh! vós, os quatro poderosos Espíritos com habitantes 40 Amenti! Salve Guardiães dos Umbrais
rosto de mono , vós que, sentados na proa da do Duat! Vós, que protegeis os deuses, que pronunciais
Bárea de Ra, anunciais as ordens do Senhor dos os Nomes dos que chegam diante de Osíris, que ergueis
Mundos! Vós sois meus juízes e meus árbitros. Com- diiante dele uma Barreira mágica, que glorificais os
parti, pois, minhas misérias e minhas virtudes ! Acal- deuses e fazeis recuar os inimigos de Ra; que aumen-
mai os deuses mediante o fogo devorador que sai de tais a Luz e expulsais as Trevas; que contemplais a
vossas bocas! Vós levais aos deuses as oferendas, as grande e sania divindade e viveis compartilhando sua
comidas sepulcrais aos Espíritos santificados. Vós v i d a . . . Vós todos invocai Àquele que mora rio Orbe
viveis e vos alimentais da Verdade-Justiça. Vós ig- solar! Conduzi-me até vossas Mansões ocultas, para
norais a Mentira e o M a l . . . Arrancai, pois, o Mal de que minha Álma possa assistir vossos Mistérios. Pois
meu Coração, destruí meus pecados por causa dos eu, ser poderoso, que vos iguala, eu venci os obstáculos
quais, na Terra, mereci tantos castigos. Eliminai toda que se erguiam diante de mim no Amenti e triunfei de
mancha que se une a mínhá pessoa, pára que nada me meuç inimigos. Oh tu, grande deus que habitas no
impeça de chegar a vós ! Deixai-me penetrar em Àtti- orbe solar! |Tu que triunfas, irresistível, de teus ini-
mehét, entrar no Re-staú! Qte eu possa franquear o migos í Assim como tu, oh! Osíris. Senhor do Amenti,
misterioso Portal do Amenti! Que as comidas sepul- eu triunfei de teus! inimigos no Céu e na Terra, oh!
crais me sejam servidas pelo mesmo motivo pelo qual ( Senhor de todos os deuses e de todas as deusas! Tu
são servidas aos Espíritos santificados, cuja existên- és poderoso junto Àquele cujo Nome está oculto c ja-
cia é a seguinte: entrar no Re-staú, sair do R e - s t a ú . mais foi revelado às outras divindades...! Salve,
Os quatro poderosos Espíritos com rosto de mono res- Guardiães dos Umbrais! Salve! Vós que castigais as
pondem : "Vem! pois destruímos teus pecados e extir- Almas e devorais os. cadáveres; vós que conduzis a
pamos téus vícios, causa de teus castigos na Terra, Verdade-Jys^ça1 até a Alma divina e que, liyres de
Eliminamos todas as máculas que se apegavam à tua todo o Mal, moraii no Akert não me deixeis
péssoa. Entra, pois, no Re-staú! Passa pela misteriosa
sem proteção, para que eu não seja destruído! Vós
Portà do Amenti! Ali receberás alimentos sepulcrais.
que fazeisl chegar à Verdade-Justiça até esse Ser per-
Poderás entrar e sair a teu cáprichó, como fazem os
feito e misterioso que mora no Mundo Inferior, esse
Espíritos santificados, cujavidafoi conforme as pres-
Ser cuja Alma, semelhante à de Ra, é proclamado

146
Osíris! Mostrai-me o Caminho, abri diajnte de mim
potência do Alento, Senhor da Sala dos ritos teúrgicos,
a^ portas da Mansão de Kerti. Pois sois vós que me
Dono de múltiplas oferendas e de festas de Djedu!
fazeis triunfar de meus inimigos. Que o Guardião
Eis que Horus exalta seu Pai Osíris em todos os rin-
da Porta me apresente as oferendas e ponha em mi-
cões do Universo. ísis e Néftis reúnem seus esforços:
pha cabeça a coroa de Nemmés, atributo d'Aquele
o Verbo mágico de Thoth santifica o Ser-bom; suas
que mora no santuário oculto. Eis aqui a forma imó-
palavras maduram largamente em seu peito; saem de
vel de Horus dos dois Horizontes,-o Dono.da Ver-'
sua boca e fazem Horus mais vigoroso que todos os
dade-Justiça, Alma divina, Espírito perfeito; suas
demais deuses. Levanta-te, Horus! Tu, filho de ísis,
maos são poderosas. Deuses grandes me Isaüdam, ra-
restaura teu Pai, Osíris, em seu Trono! Salve, Osíris!
diantes de alegria... E havendo me glorificado, ro-
Olha! Venho a ti! Eu sou teu filho Horus que res-
deiam-me com seus braços e me concedem sua prote-
tabelece tua Toda-Potência divina! Em verdade, a par-
ção. Minha ascensão ao Céu se assemeljha à de um
tir deste momento, eu vivo das oferendas sepulcrais de
deus. Obedecendo as ordens, percorro todo o ciclo das
Osíris. Levanta-te, pois, Osíris, que eu triunfei de
Métamorfoses. Eu triunfo diante dos Juízos; as Por-
teus inimigos! Eu te v i n p e i ! Em verdade, eu sou o
fas do Céu se abrem diante de mim, assim çómo as da
deus Horus desde esse dia de hoje. Enquanto me le-
Terra e as do Mundo Inferior, tal qual se abrem dian-
i vanto, sob as façanhas de minha Alma, essa Alma te
te do próprio Ra. Eu proclamo em voz alta: "Abri-me
glorifica diante dos deuses que te rodeiam. Salve, oh
as Portas do Céu, da Terra e do Ifuat! Eu sou a Al-
Osíris! Eis aqui teu Duplo que chega diante de ti! Tu
ma viva de Osíris! Eu habito no seio desse deus! Dei-
permaneces em paz, em eu Nome de Ka-Hotep. Eu
xa-me atravessar sem obstáculos todas 'ks Regiões
sou Horus que te glorifica em teu Nome do Espírito
Prescritas seguindo a Lei divina! Que os deuses me ve-
santificado. Eu te adoro em teu Nome de Pehu e te
jam e me glorifiquem! Oxalá mereça, junto a eles, seu?
abro o caminho de Up-Uaut . Salve, Osíris! Eis
favores! Oxalá possa avançar e circular à minha von-
que chego diante de ti. Teus inimigos, trazidos dè
tade! E que nenhum vício nem pecado ri^è seja cen-
todas as partes, os ponho em tuas mãos. Eis que re-
surado"!
cebes teu Cetro e teu Pedestal, no qual seus pés pisam
CAPÍTULO CXXVIII os degraus. Tu fazes chegar aos deuses seu alimento
1 espiritual e oferendas sepulcrais àqueles que estão nas
Hino à glória de Osíris j tumba?. Oh deus poderoso! Deixaste nas mãos dos
Splve, oh! Osíris, Ser-bom, triunfador, filho de deuses, por ti criados, teu imenso poder! Tu moras nos
Nut, primogênito de Keb, deus antigo, Dono do Sopro Corpos Gloriosos e reúnes teus atributos repartidos
da-Vida, grande Príncipe do Ocidente e do Oriente.' entre todas as divindades. Tu ouves a Voz da Verda-
Senhor dos Mistérios que semeiam o espanto! Coroa- de-Justiça no dia das oferendas, quando das festas de
do em Hneni-nesu com a coroa Atef i , Amo da Ugá...

136
149
CAPÍTULO CXXIX diante do cadafalso de Sepdu . Sede louvadas, ohí
(Repetição do capitulo C) vós, Espírito^ planètários da constelação da Cadeira l
Quanto a vós, oh! punhais divinos dos Mistérios e vós,
dos Braçok divinos que iluminais e regozijais o Uni-
CAPÍTULO CXXX verso e conduzis, segundo os Ritmos das Épocas, os
Para tornar perfeitos os Espíritos santificados jovens e velhos, olhai! Eis Thoth, Senhor dos Misté-
rios! Proceda às libações diante do Amo-dos-Milhôes-
Olha! O Céu está aberto, a Terra está aberta, o -de-Anos e lhe abre o caminho através do Firmaménto.
Oceano está aberto, o Este está aberto, a metade do É Thoth que imobiliza os furacões e òs encerra em
Céu do Sul está aberta, a metade do Céu do Norte está suas fortalézas. Eis que eu, Osíris, chego diante (de
aberta, às Portas estão abertas de par em par, os minha Morada eterna... Oh vós, Espíritos divinos,
Portais têm os ferrolhos corridos e eis que Ra surge afastai de mim a miséria e os sofrimentos! E que
n o Horizonte... A dupla Porta lhe está aberta pela rhinha pessoa seja agradável a Ra. Deixai-me 'pene-
Barca Sektet, o Portal lhe está aberto pela Barca trar até ele ! Que uma Barca disposta para mim me
Mandjit; Ele respira a Ordenação divina dos Mun- permita navegar guiado e sem temor. Que Thoih ale-
d o s . . . E eis que o deus Shu aparece, o criador de gre meu coração! Então glorificarei Ra e Ra escutará
Tefnut: os vassalos de Osíris formam o cortejo de minhas palavras. Ele varrerá os obstáculos qüe meus
Ra. Quanto a mim, empunho minha lança de ferro e, inimigos levantaram diante de m i m . . . Que minha em-
semelhante a; Horus, penetro à força nos santuários. barcação ignore os naufrágios! Que não me obriguem
Avanço até os lugares em que se celebram os Misté- a voltar atrás! Pois, em verdade, eu sou Ra-Osiris!
rios. O mensageiro do deus que me ama purifica, me- E é por isso que minha Barca não teme os naufrágios.
diante suas libações, meu capuz. A Verdade-Justiça Eis Um Esoirito planetário cujo rosto brilha como a
me acompanha. Recebi cordas para consolidar meu Constelação'Ida Cadeira; seu olhar se crava em niim,
santuário. As tempestades n e horrorizam! Que a inun- pois o Nome de Rja vive em meu Coração e minha
dação não se aproxime de mim! Que eu não seja pri- Forma espiritual procede de minha boca. Em verdade,
vado da presença de Ra! Que não me veja obrigado | quando eu falo, Ra escuta minha Palavra de Potên-
a dar volta atrás! Olha! Os atos de minha vida passada cia, i .
na Terra ei-los aqui! Eu os levo em meus braços! Não
me obrigueis a errar pelo Vale das Trevas! Não me Sê glorificado Ra, tu que reinas no Horizonte!
afundeis no Lago, mansão dos Perversos, nem; me Tu purificas mediante tuas chamas os Seres de Luz;
abandoneis em companhia dos condenados! Que mi- no Céu tu possuis o poder supremo no momento em
nha alma não seja subjugada nem arrastada cativa que o inimigo1 avança para o ataque. Eis aqui! Chego
pelos demônios! Que me seja permitido voltar o fosto para restabelècer a Ordem Cósmica! , Pois este
firmamento jde ferro qúe havia protegido o mundo do
15,0
151
AmentiJ o demônio Apopi o furou; em meio aos fura- 1 mágico se torna um fato perfeito. Avanço, percorro o
ções e às tempestades, se meteu por ele, apesar dos Céu. Eis que chego diante do Amenti. Ao ver-me, Shu
contra-ataques do poderoso deus da cabeça j de Leão, se enche dè alegria e os Espiritos de Fogo vêm ao
e é de mim que depende a restauração da Ordem dos meu encontro. Apanham e encaminham a Barca até o
Mundos! Escutai, pois, oh! deuses,, vós que çstais sen- lugar em que Ra dá alguns passos adiante. Seu olhar
tados em vossos Tronos majestosos. Eis que chego cai sobre mim, Osiris. c ordena: "Que a paz esteja
diante das Hierarquias celestes e livro Rá do dragão com ele! Que a paz esteja com ele! Que não seja re-
Apopi para sempre. Eu vigio! Eu vigio! Em verdade, chaçado! Que a Chama que o sustém neste momento
o Dragão jamais poderá acercar-se dele!' Dos sinais não lhe seja arrebatada! Que a tempestade que sai de
mágicos colocados diante de mim pelo demônio, eu tua garganta, demônio, não se desencadeie sobre ele!
saberei me defender! Os alimentos sepulcrais não me Oue evite os caminhos ameaçados pelo Espírito do Mal
faltarão! Thoth me proverá da.potência ,mágica em com cabeça de crocodilo, pelo qual sente horror"! Eis
resultado dos meus atos na vida passada. Percorrerei que subo à Barca de R; . . . Os deuses me concedem
a Verdade-Justiça na Barca Celeste. Estabelecendo as teu Trono, oh! Ra, 'assi n como teu Corpo Glorioso.
Hierarquias celestes para milhões de anos, triunfarei Tua rota, eu a percorro; e à aurora, rechaço o demô-
no meio delas. Os deuses me guiam e me acolhem e, nio Nebt que chega dissimulado por trás de uma cor-
com gritos de alegria, me recebem em sua Barca celes- tina dè chamas e, em um estreito e comprido corredor,
tial. Os Príncipe^ divinos que rodeiam Ra, se colocam me ataca de repente... Em verdade, eu estava preve-
atrás de mim! Sou, em verdade, ditoso! À ordem di- nido de antemão sobre os perigos que me esperavam,
vina reina. O Amo do Universo está glorificado. A Eis que sento na Barca de Ra c recebo as oferendas
deusa Maat chega diante de seu Senhor e Deus. Eis que me são devidas.
que recebo em minhas mãos a arma sagrada e atravessp
o Céu. Os Seres de Luz me glorificam; pois minha ati- RUBRICA
vidadè é grande e eu não conheço o descanso. O pró- i
prio Ra concede às minhas façanhas o tributo de suas Este Capítulo será recitado sobre um barco de
louvações; pois eu fiz tudo quanto pude para reduzir Ra pintado de cores variadas em um lugar puro para o
as conseqüências dos desastres de Outro tempo ritual. Colocar a figura que representa o morto na
Agora olho em torno de mim e me sinto satisfeito... popa desse barco e pintar a Barca "Sektet" a estibor-
Eis que abandono os remos; e minha Barca, irresis- do e a Barca " M a d j i t " a bombordo. Serão dedicadas a
tível como o Sol na aurora, desliza pela vasta extensão Osíris, no dia de seu aniversário, oferendas líquidas e
do C é u . . . Thoth, o deus grande, me conduz até o meio sólidas. . . Estas cerimônias terão por efeito fazer re-
de seu Orbe; tomo lugar na Barca de Khepra e percor- viver a alma do morto e fàzê-lo durar eternamente. Não
r o o ciclo das Metamorfoses. Falo é súbito meu Verbo conhecerá a segunda morte . (Na redação saita,
encontram-se, imediatamente depois, as seguintes li-
152 136
ilhas:) O morto participará dos mistérios do Duat; com os raios de Shu e invoco a deusa poderosa. Confio
sera iniciado nos mistérios do Mundo Inferior. minha subsistência ao deus Hu. Mediante minha1 pren
Este capitulo estava na grande sala do Templo, sença, afasto o demônio Nebt do caminho de Ra. Eh
na época do rei Hesepti; havia sido encontrado antes sou um Espírito santificado Chego ao Prínciplç dcj^
na
gruta de unia montanha... As Palavras de Po- f-leuses que habita nos extremos confins do Céu. Encon-
tência deste capítulo foram criadas por Iíorus cm pro- trei a deusa poderosa. Reanimei teu valor, a fim de
veito de seu Pai, Osíris, o Ser-bom.. . Pois quando que minha Alma viva em razão do poder e driií razão
Ra lança uma mirada sobre o corpo e sobre os mem- do terror de teu Nome. Pois quando Ra no C<|u dei^
bros (mumificados) do morto, é este o espetáculo que xa escutar sua voz, [quem dá as ordens aqui sou é u , . .j!
se oferece aos seus olhos: vê o corpo sob o aspecto de Salve, oh grande divindade 110 Oriente do Céu! Dçixa-
um imenso panorama das Hierarquias divinas ; ,-me descer até ela pairando sob os traços de um Fálção
grande é o espanto, grande a angústia que esta visão divino! Deíxa-me pronunciar as palavras de mandò!
inspira aos homens, aos deuses, aos Espíritos santifi- Eis que .golpeio com força e me apodero de minfya
cados e aos condenados... O morto será unido à sua v'nha! Deixa-me, pois, subir em paz cm tua Barca, .oh J
alma eternamente (se seus familiares cumprirem o que Ra! e navegar em paz pelo belo Amenti. Eis que Tum
se aconselha no início); não morrerá pela segunda vez mè dirige a palavra e me diz: "Queres entrar? A,deusa
no Mundo Inferior; nenhum contratempo lhe sucederá Mehen - 1 (cuja duração é de um milhão de anos,
quando da Pesada das Palavras (isto é, no Juízo, pe- sim, de um milhão vezes um milhão de a n o s ! ) . ' . . habi-
rante Osíris). Triunfará de seus inimigos e poderá ta em U r t perto do Lago-dos-Milhões-de-Anos. . . Eis
encontrar sobre o altar de Ra suas oferendas sepul- que os exércitos do Céu marcham ao lado da dpusa e
crais todos os dias, eternamente... fie dois deuses qiíe a rodeiam. O deus do Fraciona-
i!nento do Universo está também a seu lado". Eu digo:
CAPÍTULO CXXXI "Seja qual fôr o caminho que se tome, durante os mi-
lhões de anos que estão por vir, não se descobrirá èm
Para permanecer ao lado de Ra
netihuma p^rte senão Ra, nosso Amo e Senhor. O ca-
Eu sou Ra, cuja radiação abrasa a Noite." Todo minho que ele segue é o caminho dq Fogo e todos os
homem que o segue, segue Thoth e participa da Vida Exércitos do Céu marcham atrás dele'
I-terna... Será semelhante a Horus que, adornado
com um diadema, percorre a Noite. Meu coração se
C A P Í T U L O CXXX11
alegra, pois ctrsou um dest-s Seres cujos inimigos fo- |i „
ram destruídos pelo Príncip i dos deuses. Tendo recebi- Para tornar à Terra e tornar a ver sua Lasa
do sua arma de ferro, perccrro a rota juntamente com
Ka. Eis que venho a ti, oh! Ra. meti pai divino! Chego Eu sòu o deiLs1 Leão. Percorro o Céu a grandes
passadas. Eis que tendo meu arco, abato minha presa.

1S5
I
Agora, chego aos canais e passo atr^veq cio Olhó de de outrora c com meus ouvidos ouço a Harmonia da
Horus. Em verdade, eu mesmo sou o Olho de Hor^is! Ordenação divina. Como Ra, navego no Oceano ce-
' Deixa-me avançar em paz! \ leste. Em verdade, eu não repetirei jamais o que ouvi;
não contarei a ninguém o que tenho visto nos lugares
CAPÍTULO CXXXIII dos Mistérios Eis que me saúdam com gritos de
alegria e que como triunfador percorro o Oceano ce-
Para tornar perfeito o Espírito santificado do morto leste. Eu sou o divino Falcão. Os Espíritos que me
rodeiam trazem, conforrié querem os deuses, a Paz
Eis que Ra surge no Horizonte e qute, saído das a meu Duplo esotérico... Em verdade, múltiplas e
regiões misteriosas, seguido dos deuses, aplaca a fome variadas até o infinito são as Metamorfoses diante do
do Céu Oriental. O Verbo de Potência da deusa Nut Falcão de O u r o . . .
prepara a vida deste Príncipe dos deuses... Eis que
Ra se ergue em seu santuário. Tu cheiras! o ar fresco, RUBRICA
tu aspiras os ventos do Norte, tu ministras alimento a
Recitar este capítulo sobre um barco de quatro cô-
teus pulmões no dia em que respiras, segundo a di-
vados de comprimento feito de porcelana verde e de-
vina Ordenação. Eis que tu vês a multidão que rodeia
corado com imagens dos Espíritos Guardiães das ci-
Ra e vogas na Barca de Mut. Os Príncipes dos detí- dades. Pintar, ainda um Céu estrelado. Será tudo pu-
ses obedecem tuas ordens, enquanto tu recolhes teus rificado ritualmente, com incenso e natrão. Esculpir
ossos e contas teus membros espalhados. Tu que diri^ prontamente em pedra "Meht", nova. uma imagem de
ges o grandioso Amenti. tu apareces nele e tua Forma Ra e a colocar na proa do barco. Colocar no barco,
dia a di^ se torna mais j o v e m . . . Banhada com a ra- igualmente, uma imagem do morto amado, a mais
diação do Disco solar, resplandece agora' como uma perfeita possível, que possa percorrer o Céu na Barca
estátua de o u r o . . . Em verdade, a cada dia que passa, de Ra e que o contemple pessoalmente. Que nenhum
tua imagem se faz mais jovem e mais bela. Do Ho- olho humano descubra esses objetos sagrados, salvo tu
rizonte sobem gritos de alegria; pode-se ouvi-los vi- mesmo, teu pai e teu filho. Que tenhas o maior cuidado
brar no cordame de tua Barca. Os deuses do Céu com isto! Graças a isso, o morto alcançará uma grande
me contemplam com admiração, çomo se eu fosse perfeição no seio de Ra; seu poder entre os deuses que
o próprio Ra. Seu amo vai buscar a córoa Ure- o rodeiam será imenso; estes o considerarão igual a
ret... . Eu me sinto só no meio dos deuses que eles; e se os homens que vivem na Terra ou os Mortos
ròdéiapi Ra, porém, forte, pela minha solidão; seme- do Além o encontrarem em seu caminho, prosternar-
lhante ia Ra, sou vigoroso sobre a Terra e no Mundo -se-ão diante dele. Pois aparecerá no Mundo Inferior
Inferior. Em verdade, eu não permanecerei inerte nem coroado com uma radiação, exatamente o mesmo aue
passiyo. Eis que meus olhos possuem já toda sua força Ra.

•136
157
CAPÍTULO C X X X I V rosto contra o chão e me adoram! Pois, em verdade,
venci meus inimigos no Céu Superior e no Céu Infe-
Para tomar perfeito o Espírito santificado do morto rior, diantp das Hierarquias divinas, diante dos deuses
Salve, oh! deus! Tu brilhas e resplandeces de pé e das deusas! i
e m teu santuário. Aos que te amam tu lhes dás a RUBRICA j
alegria dos milhões de anos. Aos seres de Luz, tu fazes i i
que acabem, segundo seu desejo, as inumeráveis Me- Recitar este capítulo sobre a imagem de um
tamorfoses na Barca de Khepra. Derrotaste o demô- Falcão adornado com uma coroa branca, assim como
nio Apopi. E vós, oh! filhos de Keb, vós derrotastes sobre as dos deuses Tum, Shu, Tefnut, Keb, Nut, Osí-
meus inimigos! Sentados na Barca de Ra, vós os des- ris, ísis, Seth e Néftis, pintados de amarelo sobre pe-
truireis! Horus cortará sua cabeça!-Elas se tornarão i dra "Meth" sem lavrar. Colocar estas imagens nó in-
n o Céu como outros tantos pássaros que revolu- terior de uma "barca de Sol", ao mesmo tempo que
teiam. . . Suas partes inferiores se assemelharão a ani- uma estatueta que represente o morto que se queira
mais na Terra, a peixes nos L a g o s . . . Ern verdade, santificar. Ungir todos esses objetos com óleolj de ce-
todos os demônios, machos ou fêmeas, eu os destruirei: dro, queima^ inceriso e assar aves. É um ato de vene-
o s que percorrem o Céu, ps que'habitam a Terra e in- ração a Ra durante sua viagem de Barca. Uma vez
cluso òs que alcançam as Estrelas: Eis que Thoth, filho cumpridòs, esses atos, o morto permanecerá com Ra
de Aner, sai do Amenti ao mesmo tempo em que, Si- tpdos os dias, por toda parte aonde esse deus se dirija;
lencioso e mudo, eu o olho fazer! Possa esse deus po- edestruirá os inimigos de Ra realmente, continuamen-
deroso, grande degolador, terror dos demônios, des- te, eternamente.
truí-los, triturá-los, varrê-los de sua existência! Que
s e purifique em seu sangue 1 Que tome litíi banho' no: 1
, CAPÍTULO C X X X V
sangue dos Demônios Vermelhos ! Em verdade, ele os 1
i
destruirá, a vós todos, oh demônios! átacando-os do Palavras a pronunciar na Lua Nova
seu lugar na Barca de Ra, seu pai. Aprendei que eu
sou Horus, nascido de ísis! Néfti me alimentou com Eu, Òsíris, domino as Tempestades do Céu. Eu
seu leite. (Assim como essas deusas trouxeram e circundo com ataduras e fortifico Horus, o Deus-
alimentaram Horus, ele esmaga os demônios, aliados Bom, continuamente. Eu, cujas Formas são diversas
de Seth.) Ah! Quando virem a coroa Ureret em minha e múltiplas, recebo minhas oferendas nas horas fixa-
cabeça, cairão de rosto contra o chão e me adorarão! das pelo Destino. As Tempestades são imobilizadas
Eis que os homens e as mulheres, os deuses e os mor- diante de peu rosto. Eis que chega Ra, acompanhado
tos, e os Espíritos santificados, todos me vêem a mim, de quatro divindades superiores. Todos percorrem o
Horus, a coroa Ureret em minha cabeça! E toem. o Céu na Bárea Solar. E eu, Osíris, parto para a minha

158 159
Viagem na hora fixada pelo Destino. Elevado'sobre I Unti recobra o poder da palavra e o deus das inun-
o^ cordame da Barca solar, começo minlja nova exis- dações, Bahu, chega a ser o primeiro entre os Deuses.
tência. . . | Em verdade, os desgraçados que não haviam conhe-
cido a alegria de viver, ;ónhece-la-ão agora. Não se
RUBRICA ,|
ouvem mais lamentos. O j vigorosos atos das hierar-
Se o morto conhece este capítulo, chegará a ser quias celestes se fazem sentir por toda p a r t e . . . Eu
um Espírito santificado no Mundo Inferior; não mor- te adoro, Alma divina, cujo poder mágico sobrepuja
rera pela segunda vez; sentado aos pés de Osíris po- a potência dos deuses do Sul e do Norte em todo o
derá receber ali seu alimento. Se o mortò conhece este brilho de seu esplendor! Oxalá possa crescer e engran-
capitulo (durante suas peregrinações) na Terra decer-me no Céu, como tu te engrandeces entre os
chegará a ser semelhante a Thoth; será venerado pelos deuses! Para isso, livra-me de todas as ciladas dos de-
vivos; não será precipitado, chegado o i momento, nas mônios ! Fortifica meu coração! Faze-me chegar a ser
Charhas Reais da deusa Bast, ao contrário, esta ^o- forte, com a força de todos os deuses, de todos os
dcrcjsa princesa o fará prosperar grandemente. ' deuses, de todos os espíritos santificados e de todos
espíritos santificados e de todos os mortos! Em ver-
CAPITULO CXXXVI dade, sim, forte sou de todas as forças! Eu sou o
Censor da Justiça divina cujas rédeas são detidas pela
Para circular na Barca de Rü deusa Uadjit . A s forças que, desde os confins
! 1

Oh! vós, Espíritos estelares de Heliópolis! E vós, dos Mundos, vêm e me protegejm, protegem a Ra em
Seres luminosos de Ker-Aha! Olhai! Um dèus seu Céu! Que minha viagem se cumpra, pois, em paz,
^caba de nascer! O cordame de sua Barc^ celeste está oh! Ra! Abre a Via à tua Barca celeste, pois a força
completo... Eis que empunha os remos. Em verdade, que me protege é a que te protege, oh! Ra! Chego ao
<fq sou bastante poderoso para manejar á^ armas dê Céu como um deus vingador, Horus Khuti, Amo dos
combate aos deuses. Eis que desamarro a Barca de dois Horizontes. Estabeleço por Ra a ordem das Mo-
eipenetro no C é u . . . Percorrp os cánais e chego radas do Céu. Os deuses se alegram quando eu re-
diante de Nut. Em companhia de Ra navego sob a chaço os demônios. O demônios Nebt não poderá se
'forma de Espírito com rosto de mono. Em verdade, aproximar de mim; e os Guardiães dos Umbrais não
eu afastarei os desastres que ameaçavam já os Mun- me destruirão. Pois eu sou um deus misterioso de
dos, jos, limites do Céu e a Escada do deus Seba- rosto velado, proposto para o santuário do Grande
Templo. Eu trago e comunico a Ra as palavras dos
I t > i ' E i s q u e o s d e u s e s K e b e Nut estão conten- deuses e suplico a meu Senhor, segundo as palavras
tes. Não cessam de repetir meu Nome, pois eu sou um da mensagem. Em verdade, estou cheio de vigor; eu
recém-vindo ao Céu. Graças a mim, o Ser-tom reju-
recebo minhas oferendas 110 tempo fixado pelo Destino.
venesce; Ra reaparece em todo o seu esplendor; o deus
160 161
RUBRICA' • 1
'

divino seriam dirigidas contra ele. Que venha po}s essa


Este captulo será recitado sobre uma estatueta Chama regeneradora e que eu a possa adoraír! Que
representando o morto e colocada no interior de uni faça reinar em torno de Ra, de acordo com os votos
barco de Ra". O recitante deverá antes ser lavado de teus dois Irmãos, a Ordenação divina! Oh! Ra! Em
e purificado ritualmente. Começará por queimar o in- verdade, o Olho divino de Horus vive! vive! Vive no
censo diante de Ra; imediatamente apresentará ofe- Sabtuário do Grande Templo. Seu Nome é: "An-
rendas de pão, vinho e aves assadas, destinadas à via-
Maut-f". 1 í
gem do morto na barca de Ra. Todo Espírito santifi- ! ' I
cado para uso do qual tenham sido cumpridas essas CAPÍTULO CXXXVIII I i1 j!
cerimonias, poderá permanecer entre os que vivem; i!,
jainais será destruído; gozará da existência de uma Enquanto o Morto entra em Abydos -
divindade sacrossanta: o Mal não o poderá alcançar;
será semelhante a um Espírito perfeito santificado nu Salve, oh! deuses, que morais em Abydos! E vós, ,
Ainenti; não morrerá |>ela segunda vez; tomará seus Hierarquias divinas reunidas nestes lugares, Vinde a
alimentos na presença de Osíris todos os.dias; poderá meu encontro! Olhai e alegrai-vos! Eis Osíris, meu
deslocar-se em companhia dos reis do Norte e do Sul. Pai divino. Diante de seu Tribunal fui julgádp. Em
lodos os dias; poderá aplacar sua sede nos mananciais; seu santuario penetrei. Em verdade, eu sou Horus,
viverá — semelhante a Ilorus — à luz do Dia; viverá Dono do Egito e Spnhor do Deserto Vermelho} pois
e chegará a ser semelhante a uni deus ; será exaltado tomei posse deste país. Nada sobrepuja Horus em
e invocado j>elos vivos como Ra. todos os dias. real- poder! O |terror ao seu Olho divino faz tremer seus
mente. continuamente, eternamente. inimigos! Em verdade, ele vingou seu divino Pai e
deteve a inundação provocada por sua Mãe. Ele esma-
gou seus inimigos, impediu a desordem e a violência,
C A P I T U L O CXXXYII (1'apiro Ncbscni) . reduziu à impotência os ataques do demônio Nebt, ele,
Horus, Senhor de uma multidão de povos, Príncipe
F.nquanto está aceso o Fogo no Mundo Inferior das Duas Terris! Eis que em virtude de orderiações
se apodera do domínio de seu Pai. Minha palavra
Eis que o Olho cintilante de Ilorus, Luminoso perante o Juízo da Balança foi considerada justa e
como Ra, surge no Horizonte. Seus movimentos são verídica! Dominei meus inimigos, desfazendo todps os
cheios de harmonia c destroem o triplo domínio de laços dirigidos contra mim. Em verdade, minha força
M-th. Pois havia sido decrefado que Scth seria agar- ntie protege, pois eu sou o filho de Osíris; e meu Pái
rado c levado e que as chamas devoradoras do Olho protege meu Corpo com força milagrosa...

162
163
CAPÍTULO CXXXIX ''
tada por Udjat diante do Senhor da Terra. É com-
(Repetição do capítulo CXXIII) pleta; os deuses se regozijam hoje e seus braços per-
manecem inativos. Os deuses durante as festas dizem:
1
CAPÍTULO CXL |1 "Salve, oh! Ra navegante, entre teu numeroso séquito!
Em verdade, Apopi foi vencido! Salve, oh! Ra, tu que
Para recitar quando o Olho divino está em seu ponto te manifestas sob todas as Formas do Chegar a ser
culminante Universal! Salve, oh! Ra, vencedor dos inimigos! Que
teu nome seja santificado! Salve, oh! Ra, tu que des-
Olha, um deus poderoso se levanta no Horizonte'
tróis os Filhos da Revolta"!
Eis mie surge Tum rodeado de nuvens odoríferas.'
Í u V v ^ S í a ' V C d e ' a b r a s a d o P° r c a u s a das radia- RUBRICA
S á r í ? ^ P 1 ? t O S s a n t i f i c a d o s - O templo dos pilonos Recitar este capítulo sobre um amuleto de
d U ! f V a C reg0ZÍj°: posto i e m meio aos Udjat (feito com lápis-lazúli verdadeiro ou com
deuses faço mmha aparição... Minha Forma se pa- pedra "Mac" adornada de ouro) diante do qual se
rece com a dos demais deuses. Neste momento sobre- colocarão formosas e puras oferendas, no último dia
vem g r i t o s . . . Prontamente aumentam o ressoar A do segundo mês da estação "Pert", no momento em
alegria reina nos santuários do Mundo Inferior As que surge Ra. Fazer outro amuleto e Udjat com jaspe
ordenações de Tum e de Horus-Khuti são recebidas e o colar sobre a parte que se desejar do morto. Quan-
cpm veneração, pois sua Majestade ordenou,às divinas do este capítulo tiver sido recitado diante de um "bar-
hierarquias de seu séquito: "Que o Olho divino se co de Ra", o morto poderá deslocar-se em companhia
í aproxime de seus membros! Que torne pòderosos seus dos deuses; tornar-se-á um deles; ressuscitará no
braços, para que executem as ordens do deus! Mundo Inferior. No momento de recitar este capítu-
, ;^ Em verdade, o Olho divino resplandece no meio lo e quando as oferendas hajam sido colocadas diante
, ! do Rosto durante o grande período da Noite, durante de Udjat, encontrando-se este em seu apogeu, quatro
l! > * Q«arta Época da Terra e até o fim da se-' fogos serão acesos em altares para Ra-Tum, assim
ffmd^ Subdivisão da Época. Então, diante das Hierar- como outros quatro para Udjat, e, finalmente, quatro
quias celestes, resplandece a Majestade do Olho di- ainda serão acesos em honra aos deuses mencionados
í vino. : ;• Sua Majestade é luminosa como antes, quando no capítulo. Ponha-se, ainda, em todos os altares, cinco
, a aurora dos Tempos era por sua vez todas as divin- pães, incenso e carne assada...
dades: Ra, Tum, Shu, Keb, Osíris, Seth. Horus
Menthái, Bahu, Thoth, Naú, Djetta, Nut, ísis, Ha- CAPÍTULOS CXLI e CXLII
thor, Néftis, Merti, Maat, Ampu, Tamesdjetta a
Aqui tem início o capítulo que recitará ora um
Alma e o Corpo de R a . . . Tal é a enumeração réq-
filho em proveito de seu pai, ora um pai em proveito
164
136
i
i
11
•i '
de seu filho morto. Será recitado por ocasião das fes- deus do grande Santuário; ao deus do Templo do Fogo;
ta* do Amenti, a fim de tornar o morto perfeito, tanto aos deuses da necrópole; aos deuses dos dois Horizon-
:no seio de Ra como entre os deuses no meio dos quais
tes'; aos deuses dos campos; aos deuses'das ervas $
morará. A recitação deve ser feita no nono dia das
da, vegetação; ao deuses dos pães de'trigo; aos Espí-
-festas.
ritos dos cantinhos do Sul, do Norte, do Estç e do
iÜeste; aòs pspíritos-guardiães das Portas dè Duat;
Dizer: Eis aqui as oferendas: pão, cerveja, carne,
aves, assados, incenso aceso... Estão destinadas: aos Espírjtos-guardiães das Portas dos Mistérios; aos
Espíritos dos rostos velados que guardam as cruzei
. xT A O s Í r i s ' Príncipe do Amenti; a Ra-Harakhté dos camihhoá; aos Çspíritos-gua-diães dos que se la-
a Nut, à Maat, à Barca de Ra; a Tum; à grande mentam e imploram; aos Espíritos-guardiães dos se-
Hierarquia dos deuses e à Pequena; a Horus, Dono pulcros pérfurados nos flancos das montanhas, fonte
-da coroa Ureret; a Shu, a Tefnut, à Nut, à ísis, à de alegria e de contentamento para os mortis; 1 aos
Neftis; aos Templos dos múltiplos KA do Senhor dos Seres deslumbradores que atiçam o fogo; ao^ Seres
Mundos; as orbitas e revoluções celestes que mantêm que rondam os altares fumegantes; aos Seres que
a Ordem divina; a Augert, que permanece em seu abrandam o fogo flamejante no A m e n t i . . . ,
lugar natural; ao Egito do Norte e do Sul e aos cor-
pos gloriosos dos deuses; à deusa venerada e à ca- A Osíris, o Ser-Bom Senhor da Vida, S e n h ^
beleira avermelhada; à deusa, Amiga da Vida, cujos do Universo e Amo do Templo de Abydos; a Cpsír^â., j
cabelos flutuam ao vento; à deusa cujo Nome pode- deus Saa e deus Órion, Senhor dos Templos I do Stp
!
roso se revela em suas façanhas; ao Touro Sagrado e do Norte, cujo domínio se estende sobre milhões die (

esposo da Vaca divina; ao poder benfeitor do formoso anos; a Osíris-Ptah, Senhor da Vida, Bati-Erpit, S ;
Timão que resplandece no Setentrião do Céu: ao poder Príncipe do Re-staú. que mora nas Montanhas-jnecrór Í
benfeitor do Timão do Céu Ocidental que cumpre suas pole; a Osíris que ,habita em Anti, Sehtet, em Resu, i,
1 !
orbitas e que serve de guia aos da Terra; ao deus Pe, Neteru, Saú, Sonnu, em Rehenenet, Aper é Kef-
da Luz, no meio do Templo cheio de estátuas dos deu- d e n u . . . A Osíris-Sokari de Ped-She e de Pesg-Re;
ses e que é o Timão benfeitor do Céu Oriental; Àque- a Osíris que habita na cidade; a Osíris que habita lio
le que mora no Templo dos Espíritos Vermelhos, que Céu, assim como no Re-staú; a Osíris Nedjesti, o 40
é o Timão benfeitor do Céu Meridional; à Mestha grande facão; a Osíris, Senhor da Eternidade; a Osí-
Hapi, Duamutf e Kebhsennuf; aos Templos da Terra ris, que habita nas águas e que decide a sorte das
do Egito, a do Norte e a do Sul, a Sektet e Mandjit batalhas; a Osíris, Príncipe coberto de ataduras de
as duas Barcas do Sol; ao deus Thoth; aos deuses múmia, Senhor de Tanent e de Nedbit, de Sati, Be-
do Sul, do Norte, do Este e do Oeste; aos deuses da deshu, Depu, Sais, Nepert, Shennu, de Henket, Ta-
Cadeira do Céu; ao deus das oferendas sepulcrais; ao Sokari, Shaú, Fat-Heru, Maati, H e n a . . .

166
I
CAPÍTULO CXLIII 1
Quinto Arrit
(Só contém, vinhetas) "Come-Serpentes" é o Nome do seu Guardião.
"Devorador" é o Nome do seu Vigilante. "Cara-de-
CAPÍTULO CXLIV ' Hipopptamo-Terror-dos-Rebeldes" é o Nome do seu
Aguazil.
(A entrada nos Arrits)
Sexto Arrit
Primeiro Arrit t "Modelador-dos-Pães-Golpeia-a-Voz" é o nome
do seu Guardião. "Corta-Rosto" é o Nome do seu Vi-
a MJ S e r " d e J a s p e c t o s " múltiplos - suspenso - com- gilante. " Não-apunhalar-o-Rosto-do-Guardião-do-La-
a-cabeça-para-ba xo" é o Nome do seu G u a r d S g o " é o Nome do seu Porteiro.
_Avenguador" é o Nome do seu Vigilante. "A-voz
-que-vem-de-cima" é o Nome do seu Aguazil. Sétimo Arrit
1
i i "Não-brinques-com-o-Punhal" é o Nome do seu
Segundo Arrit Guardião. "Grande-voz" é o Nome do seu Vigilante.
"Terror-dos-Demônios" é o Nome do seu Aguazil.
« V o l ^ 1 " 1 ! " ? ^ " é ° N o m e ' d o s e u Guardião.
Volta-Rosto" e Nome do seu Vigilante. "Mestre" é
o nome ao seu Porteiro. Salve, oh! Arrits! E vós que, em nome de Osíris,
fizestes surgir os Arrits, salve! Vós que velais por
^rceirQ Arrit eles e que, todos os dias anunciais a Osíris as necessi-
dades das Duas Terras. Em verdade, eu vos conheço
V "Come-Imundície" é o Nome do seu Guardião assim como conheço vossos Nomes. Pois eu retorno
^ r a ç a o - q u e - V e l a " é o Nome do seu Violante à vida no Re-staú; proclamado Espírito santificado
Chiado" é Nome do seu Aguazil. * dos Dois Horizontes, fui exaltado na cidade de Pe e
no Re-stati, saudado como um Corpo Glorioso, como
um Ser Purificado no Seio de Osíris. Cercado de
Quarto Hrrit
deuses eu percorro a Casa do Horizonte. Pois eu sou
I
agora um entre eles, seu igual, inclusive seu chefe;
seu " ^ ^ " S ^ - ^ ^ P ^ - V o z e s " é o Nome d'o Chefe reconhecido dos Espíritos santificados, eu pre-
v t i k n L «t°- C 0 r a Ç a 0 T ; q u e - V e I a " é o Nome do seu sido às festas dos meses e das quinzenas. Quanto a
rri 1 H Insigne-que-Rechaça-os-Raivosos"1 é o no- ti que percorres as órbitas, olha! Eu vivo sob o Olho
me do seu Porteiro.-
ii cintilante de Horus e, quando chega a noite, quando
168 ' , '!
169
i

;
í
e m minha barca navego pelo Oceano celestial, o braço descanso no Horizonte. Em verdade, eu sou bastante
d e Thoth permanece estendido sobre mim e a Barca poderoso pára vos derrubar, oh! demônios! Não pro-
sagrada de Ra me protege. Em verdade, meu Nome é
cureis opor-vo^ ao meu avanço! Não me empurreis,
màis poderoso que o vosso e eu: triunfo de vós no ca-
a .mim, Osíris] vosso Senhor! i
minho da Verdade-Justiça. Horus, o filho primogê-
nito, o filho bem-amado de Ra, vem em meu socorro RUBRICA |
e estou de posse das forças mágicas do deus Leão.
Por isso, não serei escorraçado ao chegar às portas t Este Capítulo será recitado sobre um desenho re-
dos Arrits. Todos os dias eu: me purifico junto de presentando as Hierarquias divinas e executado em
Osíris, Príncipe do Amenti. E é nos Caminhos da cor amarela, ipiti um "barco de Ra". Ser-lhe-ãò feitas,
F a z que trabalho a terra. E onde resido entre os que oferendas :i aves e incenso, com o que o morto ressus-
sabem as coisas ocultas e onde àá que a praticam frente citará; sentirá redobrar suas forças entre os deiíses^
a frente aos Espíritos que sob a proteção do poderoso que o rodeiam; não será expulso diante dos Pórticos
braço de Thoth trazem oferendas... Por determina- doi Mundo Inferior. Além disso, fazei uma estátueta
ção de Anúbis, vigiam os demônios impedindo-os de que represente o morto; colocai-a diante dos desenhos
arrebatar ás oferendas. Eis que chego, semelhante a e fazei-a avançar sucessivamente em direção ja cada
Horus, em seu esplendor. Ra me permite a entrada uma das Portas. Recitai esse capítulo ante a j P o f t a
nos Arrits do Horizonte; e os deuses me saúdam com desenhada de cada Arrit e colocai diante dele mr^á ofe- (
1
gritos de alegria. O demônio Nebt não poderia apro- renda: cadeiras, coração, cabeça e pé de um touro d ^ ,
ximar-se de mim; e os guardiães dos Arrits não me ])t!o ruivo e quatro recipientes cheios de sangue que!1 i
expulsarão, pois meu Corpo está protegido por amu- não provenha do coração; amuletos, dezesseis| pãçs j f
Jetçs. Um véu espesso cobre o.meu rosto; cercado de brancos, oito pães psen; oito pães shcns, oito pãeS '' ..
Iniciados e da deusa Hathor permaneço na penumbra kliefu, oito pães hbennu; oito vasos de cervCjaj oito <i.!'j'iij.
sagrada do seu Templo. Em verdade, sou eu quem cesamins de cereal; quatro vasos cheios de| leite de j J •
c m as multidões humanas, quem destrói os poderes uma vaca branca^ erva verde; azeitonas verdè^; un^ i
pefastos de Apopi e faz com que Maat se aproxima giiento de linimento para os olhos; unguento hatct e ] ;
de Ra. Eis que abro um caminho através do firma- incenso acesó. Recitai este capítulo duas vezesi sobré i
mento, imobilizo as tempestades e devolvo a vida aos cada um (dos vasos. Depois de ter feito os desenhos
que rodeiam R a . . . Agora faço levar minhas oferen- na quarta hora, pàsseai em círculo (ao redor deles),
dasj>ara um local que me convém; e, tendo equipado durante todo o dia, tendo o maior cuidado em cal-
minha barca, navego em paz, abro rotas e as percorro cular o tempo segundo o Céu. Enquanto se procede,
como me apraz. Meu rosto é semelhante ao de um às cerimônias descritas ter o maior cuidado em não
deus poderoso: Eu sou o Senhor do Poder... Eis que ser visto por ninguém. Graças a estas cerimônias, o

170
morto fará grandes progressos no Céu, na Terra1 e ror-na-terra-até-suas-profundidades..." O Nome do
£ Mundo Inferior; tudo isso lhe será muito b e n S c o Espírito que monta guarda junto a ti é "Mes-Ptah".
em tudo que empreender: obterá tudo quanto necessi- Sabe-o: eu me purifiquei nas águas em que Osíris nos
tar, realmente, constantemente, eternamente. tempos antigos se purificou e nas quais as Barcas
i "Sektet" e "Mandjit" lhe foram levadas quando saiu
CAPÍTULO CXLV| de Am-Urt e passou sob os Pilonos. Fui ungido com
Os pilares de Sekht-Ianru ungüento que se usa nas festas, e usei o traje ritual

"seshet": chego tendo na mão um cetro de madeira
i
de "benben". — "Passa!" responde o Gênio do Pilono.
i I
"Tu estás puro!"
Pilonl 1 "^ DneCu s 3 f í a Ç ã ° - d e H ° r u s ' o h ! ty Primeiro III
m v° -^Coração-Contido ; eis que termino
1 mmha Viagem. Sabe-o: eu conheco teu.Nome miste- Trago-te a saudação de Horus, oh! terceiro Pi-
bnl/r°p C
TS th ee <NS0 m°e : ^
^ monta guarda lono do templo, onde reside o "Deus-do-Coração-Ca-
o', \ "Senhora-dos-terrorS-pro- tivo!" Eis que terminei minha Viagem. Sabe-o: eu
^dos-pelas-muralhas-mexpugnáveis-Artista-da-Pa- conheço teu Nome misterioso como conheço o Espírito
que monta guarda junto a ti. Teu Nome é "Senhora-
e ^ t ; r f v a ~ ? • r e C h a Ç ° * a s " f o ^ s " do - Caos,
ÉfnSÍ Jante naS r0taS do Céu
' - - - ' ' 0 Nome do dos - pilonos - a - quem - estão - destinadas - numero-
| E s p e t o que monta guarda é "Nero". Sabe-o: eu me sas - oferendas - a - que - as - dirige - e - é - agradável-
aos - deuses — a - que - fixa - o - dia - da - navegação-
S n e ^ á g S a S - e m q u e ° P r ó P™ ^ se purifica para-Abydos-da-Barca-Nshemet". O Nome do teu
quando deixa o Horizonte Oriental. Fui ungido com
ungu^to ha ti" do bosque do cedro; e uso o traS Guardião é "Beck". Em verdade, eu me purifiquei nas
águas em que se purificou Ptah durante a viagem da
m S Tenh° na mão um
cet,o feito com Barca Solar nas festas em que o Rosto ficou sem véu.
GênÍ d PÜ0n0 repHca:
? f é T P u o'í ° ° ° "Passa' Eu me ungi com "hati", "hekennu" e "tehennu". Eu
II uso o vestuário "shesa" e na mão um cetro de ma-
deira "ihn". — "Passa!" responde o Gênio do Pilono.
P i l o n l T , a , S a u d a f ° d e H o ™ - Oh!1 tu, segundo "Tu és puro!"
S t n » ? V C m p l 0 ' ° n d e r e s i d e ° "Deus-do-Coração- IV
termind minha V i a
S n o I r 1 ^ - [Conheço '
ZrrZ T - T ° COnhe Ç° ° Espirito que monta
C
Trago-te a saudação de Horus, oh! tu, quarto Pi-
guarda junto a ti. Eis teu Nome: «Soberana-do-Céu- lono do Templo onde habita o " Deus-do-Coração-
dpna - dos - dois - Mundos - a - que - semeia - o - te- Cativo"! Eis que terminei minha Viagem. Sabe-o: eil
172
136
conheço teu Nome misterioso, assim como conheço o
ç(.um touro, com suas oterendas. Vêem-se atrás deles
Espírito que monta guarda a ti. Eis teu Nome: "So-
quatro lemes, símbolos dos quatro pontos cardeais do
berana - armada - de - punhais — Dona - das - Duas-
Terras - que - destróis - os - inimigos - do - Deus - do- espaço). ;
11 1 * * *
Coração - Cativo - que - ajuda - òs - desgraçados - em- ! i
suas-calamidades". O Nome do teu Guardião é "Gol- i i ' , ' ! •
Salve, oh tu, que reluzes! no Disco solar! Eis que
peia-gado". Eu me purifiquei nas próprias águas em
Alma da ,Vida universal, apareces no Horizonte. Em
que o Ser-Bom se purificou depois de conquistada a
verdade, eu te conheçtí e conheço teu Nome e os Nomes
vitória sobre Seth. Eu me ungi com "sunit" e "enen".
das sete Vacas1 e do Touro. Oh! vós, Espíritos que ali-
E u trago sobre mim meu vestuário "shesa" e meu
mentais com oferenda os mortos no Além, trazei-as
cetro é feito de madeira "to-atutu". — "Passa!" res-
a niim e deixei-me morar junto a vós! . Oh! tu.
ponde o Gênio do Pilono. "Tu és puro!"
"Formosa-Potência", o Leme do Norte! Oh ! tu, "Cumt
pridcfr-dás-órbítas-e-Condutor-das-duas-Terras, leme
V do Oeste! Oh! tu, "Fulgurante-no-Templo-dos-deuses-
Trago-te a saudação de Horus, oh! tu, quinto visíveis", Leme1 do Este! Oh! tu. "Habitantes-do-Tem r
Pilono do Templo! Eis que terminei minha Viagem. plo-das-Divindades-Vermelhas", Leme do Sul! Fazei
Sabei-o. Eu conheço o teu Nome misterioso, assim surgir diante de mim as oferendas! Conçedeí-me
como conheço o Espírito que monta guarda junto a Saúde, Força, Triunfo na Terra, no Céu e no Mundo
ti- Inferior! . . . E vós, todos os Pais e vós. todas as
Mães, dos ileuses, liyrai-me dos obstáculos erguidos
CAPÍTULO CXLVI
no íticu caminho pelas Potências das Trevas, dos ata-
(Variante do capítulo precedente) ques das Foiças do Mal, de suas ciladas, de séus pu-
nhais atrozes e de todas as calamidades que possam
C A P Í T U L O CXLVTI ser lançadas contra mim, seja pelos homens na Terra,
seja pelos deuses, seja pelos Espíritos santificados d ^ .
(Variante do capítulo CXLIV) mortos ou pelas almas condenadas, durante as festa:-;
idos-meses, ou das quinzenas, durante os anos ou ás
C A P Í T U L O CXLVIII estações... ' ' ir
RUBRICA
Para abastecer o Morto com oferendas
i' ' !!i
(Uma vinheta representa o morto, em seu san- Par^ recitar qpando Ra surgir por cima dos de-
tuano, adorando o deus Ra. Junto dele há sete vacas senhos que representam os deuses. Colocai as oferen-
86 das diante deles: pão carne, aves, incenso. Graças a
isso o morto receberá alimentos sepulcrais no seio Juncos! Vossas muralhas são de ferro. O trigo em
de Ra; gozara de grande abundância de alimentos no vossos campos alcança cinco côvados, dois da espiga
Mundo Inferior e será livre do Mal, para todo o sem- e três do talo; a cevada mede sete côvados, três da
pre.. Ninguém deve estar presente durante a recitação espiga e quatro do talo. Os Espíritos aqui têm nove
salvo aquele que faz as oferendas. Em vârdade, Ra côvados de altura; seis ceifam o trigo em companhia
chegara a ser o Leme do morto, leme que o protegerá de Harakhté. Em verdade, eu conheço uma porta no
que destruirá seus inimigos no Céu, na Terra e no
meio desses Campos, pela qual Ra sai para o Oriente
fMundf) Inferior; o morto gozará em toda parte de
do.Céu. Ao Sul há um lago freqüentado pelos pássaros
grande ^bundancia, realmente, continuamente, eterna-
K H A R U ; ao Norte se encontra um canal procurado
mente.
1
pelos pássaros RE. É por este mesmo lugar que passa
I ( ' CAPÍTULO CXLIX a. Barca de Ra impelida por ventos de popa. Encarre-
1 !
i" , 1 (Os quatorze Iats) gado do cordame da Barca divina, eu sou um mari-
t í I '!
nheiro infatigável. Em verdade, eu conheço os dois
J. Primeiro Iat siçômoros de turquesa, de onde surge Ra, quando par-
te -para sua viagem. Esta o íeva aos Pilonos de Shu
^ Salve oh! tu, primeiro Iat do Amenti, onde os
e à porta do Senhor do Oriente... Em verdade, eu
mortosl voltam a vida, provando o pão consagrado!
conheço estes Campos de Ra. Neles, o trigo atinge
Q u a ^ d me vires chegar, tira-me as vendas mortuárias
cinco côvados; a cevada mede sete côvados,.. Os Es-
que apertam minha cabeça! O Espirito pjderoso que
píritos têm nove côvados de altura; ali, ceifam lado a
habita tem ti reuniu meus ossos e fortaleceu os meus
lado com as Almas perfeitas do Oriente...
membros; Ahi, Senhor dos Corações, krtiéulou o
meus ossos.. Coloca Ureret, coroa sagrada, de Tum
sobre meus cabelos! Nheb-Ko consolidou minha cabe- .
ça; e os dois pratos da Balança estão bem .equilibrados III. Terceiro Iat (Para pintar de verde)
( É um Iat de Espíritos santificados)
Í? 6 A
deuses,' oh!
tU S r á s m a Í S
t
Amsu-Ket... !
poderoso
1 <i u e < o s' outrpi
Recitar:
II. ! Segundo Iat (Para pintar de verde)
Salve, oh! Iat dos Espíritos santificados que nin-
i (Sua divindade é Ra-harakhté) guém seria capaz de atravessar de barco, pois por
Recitar; , , (1 toda a parte se estende um fogo abrasador. Oh! Espí-
ritos! Santificai vossos caminhos, purificai vossas mo-
Eis aqui; a perder-se de vista estendem-se mi- radas J fazei o que Osíris vos determinou, desde a
nhas propriedades de SekKt-Ianru. . . oh! Campos de '
eternidade... Eis que chego a vós, eu, Ser grande,
176 . 11 , •I '
177
V1 . 1 Quinto Iat (Para pintar de verde). '
possuidor da Coroa Vermelha que adorna a fronte ' 1
do deus da L u z . . . Eu vivifico com a chama que sai Rècitar:
de minha boca, as Duas Torres e seus habitantes...
E m verdade, Ra está salvo do poder do demônio Apopi! Salve, Iat dos Espíritos, obstáculo intransponí-
vel para aqueles que tentam ultrapassá-lo! Os Espí-
ritos que o habitam têm, as coxas de sete côvados de
IV. Quarto Iat ( P a r a pintar de verde) çomprimentó e(ise alimentam das Sombras dos mortos
debilitados e (jue desfalecem: Oh Iat! Abre-me um ca-
( É um Iat de duas altas montanhas)
minho, para que ;eu possa atravessar-te e penetrar no
Recitar: formoso Á m e n t i . . . Pois essa foi a ordem de Osíris,
Senhor dos Espíritos santificados. Olha! Aqui venho
Salve, chefe do Iat misterioso, e tu, grande mon-
como Espírito santificado, comemorando os meSes e
tanha do Mundo Inferior, por cima da qual se eleva
as quinzenás, as festãs prescritas. Eu completo minhas
o Céu estrelado! Tem trezentas medidas de compri-
revoluções celestes, e o Olho de Horus, como o de
mento e duzentas de largura. Uma serpente, que mede
Thoth, comigò estarão durante a viagem. As Chamas
setenta côvados, a habita. "Lançadora-de-punhais" é
que saem da boca de todos os deuses devoram hoje
seu Nome. Alimenta-se de Espíritos santificados e de
meus inimjgos, se não acabaram já os seus dias nps|
condenados no Mundo Tnferior, os quais esmaga c
d e v o r a . . . Eis que detenho o meu barco, oh! Maat! lugares das matanças.
diante de tua cerca fortificada, -?>.-> para todos os la- ! ' l 'í
dos e procuro uma entrada que me ..onduza a ti. En- VI. Sexto Iat (Para pintar de verde).
contro a entrada e me junto contigo, eu, Macho po- Recitar: ' ''
d e r o s o . . . Em verdade, sou digno de adornar tua I
cabeça, oh! deusa! pois meu poder aumenta dia Salve, oh, Innehet , tu venerado pelos deuses,
grande mistério dos Espíritos santificados, local lú-
a d i a . . . Agora, cheguei a ser o Grande .\Iago divino,
gubre para as almas condenadas!... Aqui venho pará
e nada escapa ao meu olhar. . . Percebo um Espírito
contemplar b deus desta região. Tirai pois o yéú de
que rasteja sobre o seu ventre. Quem é? Sei que é
vossas cabeças quando me virdes chegar; pois ku sou
poderoso nas montanhas cm que h a b i t a . . . Oh Espí-
um deus poderoso e vos trago oferendas para qu£ Vos
rito,- deixa que me aproxime de ti para que tua força,
alimenteis. Que o Senhor de vosso Iat não ponha sua
permaneça comigo! Eis que fazendo um esforço, man-
mão sobre mim! Que os assassinos não se a p i t e m ' 1
tenho-me de pé. Avanço e domino os demônios Akriú,
de rnim! 1 Que os demônios-Serpentes não procuram
inimigos de Ra; e a paz deste deus cai sobre mim, à
apanhar-me! Que eti possa viver em paz no meJo dèU
ta--5e, enquanto completo nos céus minhas órbitas e
vós. , •• 1
tu pe~~naneces, tu, 110 Vale
88
VII. Sétimo Iat ( P a r a pintar de verde)1.
mentos tremem ao me ver chegar. Naturalmente, não
1
| Recitar: i serei arrastado para a caldeira dos tormentos. Em ver-
i
dade, não serei destruído... Pois eu sou o Guia do
í | 0 h ! cidade de Iss, oh! tu, distante e d i f í c i l de en-
trever!; Nas chamas que se avermelham vive uma ser- Horizonte Setentrional.
| p e n ^ e s e u Nome é " R e k " . . . Seu dorSo tem setje
LCQvadps de comprimento, alimenta-se de mortos e os IX. Nono Iat (Para ser pintado de amarelo).
ejçtètmina. Para trás, Rerek, tu que habitas na cidade
|Iss, que trituras os mortos em tuas fauces,1 enquanto Recitar:
teugj olhos lançam relâmpagos. Sejam os teus o s s o s
moídos e tua semente permaneça infecunda! Não te Salve, oh! cidade de Ikesi, tu que continuas sendo
aproxjimes de mim! Que na terra caias e nela perma- um mistério para os próprios deuses! Os Espíritos se
neças. | Que teus lábios fiquem selados para senipre! intimidam de espanto ouvindo pronunciar teu Nome.
Ah 1 Eis que seu KA caiu no meio das serpentes ini- Ninguém seria capaz de penetrar em ti, nem sair de
m i g a s ! Enquanto eu permaneço são e salvo, tua 'ca- ti exceto a Grande Divindade em pessoa — cuja m o
beça,, Rerek, acába de ser cortada pela divindade com rada é o Ovo cósmico — ela que inspira temor aos
cara de lince. deuses, terror aos Espíritos. A entrada da Cidade está
cercada de chamas; ativadas pelos ventos, estas cha-
ma 5 entram pela boca e pelo n a r i z . . . Isto acontepç
V I I I . i Oitavo Iat ( P a r a ser pintado de \ J erde).
por caüsa dos deuses, que, a seu capricho, cercam, ,a
Recitar: , í , Grande Divindade, para que não sentindo não possam
reconhecer o que não pode ser percebido senão por
I Salve, oh! Ha-hatep, tu que exercei teu império esta Grande Divindade que permanece em seu Ovô
sobre os nos deste Iat! Ninguém será capaz de do- cósmico. Ela havia fundado esta cidade para nela vi-
minar ,tua torrente; o fragor de tuas águas semeiam ver sozinha e nela gozar a sua solidão; ninguém de-
o terror. " K a - H a - H o t e d " é o Nome d i • quardião. À veria aproximar-se dela, exceto no dia das Grandes
entrada ele a nega ou a concede, segundo setí capricho Metamorfoses... Salve, Divindade sagrada, tu que
e mantém separados os seres que não tem. direito de permaneces;no Ovo cósmico! Eis que chego a ti, para
passar. Sabe, pois, que eu sou, eu, o pássaró Ennur poder seguir-te entre os deuses que te acompanham.
erguido sobre suas patas e cuja vpz jamais se cala. Eu Possa eu penetrar na cidade de Ikesi e sair dela à
trago a T u m o que é do domínio da Terra - ; eu minha vontade. Possam as suas portas permanecer
torno vigorosos os vassalos de Ra e semeio, o terror abértas para mim! Possa eu respirar o ar desses lu-
entre os Senhores do Santuário. Os Espíritos dos Elei1 gares e gozar das oferendas que existem neles!

136
X. Décimo Iat (Para ser pintado de amarelo).
mortos e transmitir-lhes os Mistérios. Oh tu, cidade
Recitar: de Idu, nãò tt oponhas à minha passagem! Pois eu SQU
9 Dono dos i encantamentos mágicos graças ao punhal
Salve, oh! tu, cidade dos deuses Kahu! Os que quej herdei de Seth; e minhas pernas me peijtencem
perseguem os Espíritos santificados e se apoderam das para sempre. . . Poderoso, graças às virtudes do Olho
Sombras dos mortos; os que devoram a carne crua de1 Horus, eis que me levanto no Horizonte; e, após
e s e fartam de podridão, enquanto seus olhos espiam, um período dè torpor, meu Coração desperta para a
para que nada na Terra escape à sua vigilância... vida. Sou santificado no Céu e vigoroso na Terra: eu
O h ! vós, deuses que habitais em vossos Iats, proster- vôo como um Falcão e lanço gritos como um ganso
nai-vos diante de mim, no momento em que eu me selvagem. Dçpois desço para as margens floridas do
apresentar! Por que não podereis arrebatar meu Espí- llago; de uma Divindade ali recebo a coroa. Ora sen-
rito santificado nem apoderar-vos de minha Sombra! tado, ora de pé, desfruto do alimento nos Campoy da
E m verdade, eu sou o Falcão divino! Eis qüe fui co- Paz. Eis que as portas do Maat se abrem pafa mim
róado, ungido e incensado. Os animais que me foram e que os ferrolhos das portas dos abismos celeste^ são
imolados na Terra, ísis, de pé, avança, e os oferece a descerrados, A seguir, cercado pelos deuses, ergo lima
mim, enquanto Néftis, através de mim, me protege. escada até o Céu; pois como eles, eu sou um deus.
Ern verdade, meu Caminho é santificado por m i m . . . Eu grito como um ganso' selvagem para que os deuses
O h tu, serpente Nau, Touro de Nut, e tu, Neheb-ko! possam o.uvir-nHe, e minha voz é semelhante à voz de
Aqui me tendes, eis que chego à vós. Livrai-me dè Sôthis
todo o mal e concedei-me a felicidade para todo ó
sempre.
XIÍ. Ditddcciuw lai (Para ser pintado de verde).
XI. Undécimo Iat (Para ser pintado de verde). Recitar: ' í ,,
i
Recitar: , Salve,1 Ta^ de Unt no Re-staú! estás cercádo de
Oh! tu, cidade do Mundo Inferior onde os corpos chamas e rçem os deuses nem os espíritos seriam ca-
são dissimulados e onde se apoderam dos Espíritos pazes de aproximar-se de ti; pois se se aproximassem,
santificados! Ninguém penetra em ti por temor aos os Uraei incendiados fariam desaparecer os seus no-
Espíritos que vigiam tuas P o r t a s . . . No interior da me.«}. Salve, Iat de U n t ! Em verdade, eu sou um dos
cidade, os deuses, assombrados, observam e os mortos grandes entrç os Espíritos que te habitam; cu sou uma
condenados que estão encerrados ali também olham estreja entre as que brilham aqui. Não serei destlruídp,
lançando gritos cheios de ameaças; os únicos benévo- c meu Nome não será apagado. Os deuses que foram
los são os deuses que ali moram para santificar os nesse Iat dizem de mim: " E m verdade, ele embalsama
o ar como o faria um deus". Eis que estou conyòsco
136
183
,ie que vivo convosco, oh vós, deuses do Iat .Unt! Amai- XIV. Décimo quarto Iat (Para ser pintado de
j-me, pois, mais que a vós mesmos, deuses, e sempre amarelo).
icstarei convosco eternamente!
Recitar:
X I I L
décimo terceiro Iat (Para ser pintado de Salve, oh! Iat de Kher-acha, tu que na cidade de
i verde). Djedu obrigas Hapi a bater-se em retirada! Faz que
i 1' ' Hapi produza trigo em abundância e o faça chegar
1
Recitâr: à boca dos que hão de comê-lo. Concede as oferendas
1 divinas aos deuses e aos Espíritos dos mortos as ofe-
_ Salve, oh! Iat, do qual os Espíritos 'santificados rendas sepulcrais. Existe uma serpente na dupla Kerti
nao conseguirão dominar as águas cercadas de. cha- de Elefantina. Saindo dali, Hapi chega cheio de águas
mas! Em verdade, tuas torrentes são dei fogo líquido ate sua embocadura. Detêm-se entre os cais de Ker-
e devoram os que lá em baixo desejam beber para -Aha , pois ali encontra os deuses que regem os
aplacar a sede que os tortura. . Não podem beber canais... Ele os encontra na hora exata, que é a do
tolhidos que são pelo medo; seu terror é múito gran- silêncio da N o i t e . . . Oh deuses de Kher-Aha, vós que
d e . . . ,Os deuses e os Espíritos olham ess^s torrentes regeis os canais! Que vossas eclusas sejam abertas
de fogo e retrocedem sem saciàr sua sedè1 Seus para mim, que diante de mim empurrem as portas dos
(foraçoes não estão satisfeitos, poiá, apesar do seu de- canais, e eu tome posse deles, que mé seja possível
sejo, sao impotentes para aproximar-se dessas torren- descansar à beira das águas, saboreando o trigo do
tes cuja agua está semeada de plantas como as que Nilo e fartando-me do alimento dos deuses! Então,'
crescem no Corpo de O s í r i s , . . Contudo, eu dominei me corrigirei; meu coração ficará inteiramente satis-
as torrentes de fogo e saciei minha sede, tal como um feito, spmelhante ao dos deuses que habitam Kher-
deus que. habitante do Iat das Água*, é o seu guardião A h a . . . Que as oferendas que me estão destinadas
Us oijtros deuses retrocedem com espanto; çstão mais* sejam semelhantes às vossas! Que eu não seja des-
aterrorizados do que os Espíritos dos mortos Sal- truído pelas emanações de Osíris! Que eu não seja
ve, déus' que resides no Iat das Á'guaá! Eis que chego' desintegrado por ela, eternamente
a ti. Concede-me o poder sobre as águas. Oue possa
eu beber nas torrentes tal como permite 1 Hapi ' i CAPÍTULO CL
a grande divindade, que faz crescer e enverdecer as
plantas e que produz as oferendas para os deuses (Variante do capítulo CXLIX)
Concede-me que chegue a ti como o concedes a Hapi' CAPÍTULO CLI ( A )
e que obtenha poder sobre as plantas. . . Pois sou filho Teu olho direito é a Barca Sektet; téu olho es-
1
de tua carne, eternamente...
querdo é a Barca Mandjit; tuas sobrancelhas são o
184
136
deus Anúbis; teus dedos são o deus Thoth; teus cabe-
los são Ptah-Sokari. Eis que todos esses deuses pre- narei esta Região em que reinam as Trevas. Estarei
param o teu caminho, expulsando os demônios, esses de jpé atrás de Djed, no dia em que este repelir os ata-
servidores de Seth. ques dos demônios. Pois eu te protegerei diante de
Osíris"! I, 1
I
Eis
, , 1• V
o Ejspírito do! Fogo. Ele diz:
Eis aqui ísis. Ela diz:
"Chego e protejo Osíris! Meu alento é vivificante "Eu ácumulo as areias em torno de tua tumba
como o sopro do vento Norte criado por Tum. Eu oculta. Eu rèchaço os ataques dos demônios; e graças
devolvi o vigor à tua garganta, uni-te à divindade, a> mfeu Fogo, as montanhas cobertas de túmulbs des-
teus inimigos estão prostrados a teus pés". pertarão para a Luz. Eu atravesso caminhos mergu-
lhados em eterna N o i t e . . . Sabe-o, oh! Osíris, oh! Eu
II te protejo"! 1
Eis Néftis. Ela diz: VI
"Chego ao mesmo tempo que minha irmã, Oh! Eis Anúbis. É ele quem, sentado sobre suas Co-
Osíris! Venho e te protejo. Estarei junto a ti até o linas, dirige a ipansãb dos deuses ; pois ele é o Senhor
f i m dos tempos. Por mim, Ra escutará os teus apelos, da Terra Sagrada... Ele diz: "Chego e te
graças à minha ajuda triunfarás, oh! filho de Hathor! protejo, oh! Osíris"! , , '
Pois ninguém, até o fim dos tempos, se atreverá a
VII | i
arrebatar tua cabeça; e tu ressuscitarás..."
Eis a Alma da Vida do morto. Ela diz: "Que Ra
m seja glorificado no Céu quando, em sua radiação de
(Uma divindade diz): paz, desce ao porizorite Ocidental"!
i i j
. . "Se alguém vier para amarrar-te, eu não o per- VIII
mitirei Se alguém vier para espancar-te, não o per-
Eis a Alma da Vida do morto acompanhada de
mitirei! Espancarei, por minha vez, amarrarei teus
seu Espírito. Ambos dizem: "Que Ra seja glorificado
inimigos! Pois, em verdade, eu te protejo, oh! Osiris!"
quando se levanta no Horizonte Oriental"! |
IV 1
1 7 • ' 1
(Outra divindade diz): , ' ..11 IX
"Chego! Vou ajudar-te! Juntos rechaçaremos O morto diz: i
esse üspirito que procura ocultar o teu rosto. Ilutni- Oh! vós, estatuetas mágicas que me acompanhais,
escutai-me! Se acaso eu for condenado a trabalhár no
186
I 187
!
; . M d o Inferior, a semear cu a . encher dç água cs
C A P Í T U L O CLII
i ,!i 011 a
transportar areia: obedecei-me! Estai sem-
< pre atentas a minhas ordens"!
Para construir uma Morada na Terra
! ' i '' I

MEis Mestha.. Ela diz: I


Salve, Keb! Alegra-te! Pois saí do meu corpo
e pairo acima dele. Eis que percorro o Céu em compa-
nhia dos deuses; atribuo às Almas das gerações f u -
"Eu sou tua filha. Chego para proteger-tc: obe- turas os seus pais . Ao ver-me elas me glorifi-
decendo as ordens de Ra e de Ptah, toriio' inexpugná-
vel'tua morada". , cam. Eis Sesheta que traz o demônio Nebt. for-
temente amarrado. Anúbis me grita: "Constrói tua
morada na Terra! Seus alicerces estarão em Heliópolis;
seus^ limites atingirão Kher-aha; seu santuário estará
Èis Hapi. Ele diz: , ,i , i em Sekhem e sua inscrição será renovada. Os que pas-
| "Chego para proteger-te. Eu'.consolido tua cabe- sarem lhe dirigirão suas oferendas e libações". A se-
ça sobre teus ombros. Eu consolido teus membros e guir, Osíris diz aos deuses que o rodeiam "Olhai aque-
golpeio teus minjigos; eles estão prosternados a teus la morada que ali está! Acaba de ser construída por
pes. Sábe-o: tua cabeça te foi restituída ípara sempre"! um Espírito santificado. Barreiras mágicas a prote-
1
1 1 .. 'ti 1
gem ; o morto sai todos os dias e permanece entre vós.
Sua juventude e seu vigor não cessam de aumentar.
1
X
1
II
Testemunhai-lhe vossa veneração e glorificai-o"! "Oh
' Eis Duamutf Ela diz • vós, Espíritos, que fostes testemunhas de minhas fa-
j,.,' r" , 'I çanhas ! Escutai minhas palavras e as de Osíris ?" Ele
. . , s o u t u a f l I h a c l u e te ama! Yénhql para vincar diz: "Que venha aqui todos os dias! Que entre vós
Us.ns Aqui obrigo seus inimigos a sq prosternar a, renove sua juventude"! Eis as oferendas que os ventos
teus pes ! . j '
do Sul e os ventos do Norte trazem a Osíris: gado,
XIII cevada, trigo. São trazidas de todos os pontos da
Terra por ordem do próprio Osíris. . . Ora avanço
Eis Kebhsennuf. Diz:
i 1 para a esquerda, ora sigo para a direita. Os homens
"Venho para proteger-te. Recolhi teus ossos 'e que vivem me vêem, assim como vêem aos deuses, os
reuni teus membros... Eis que trago teu coração e Espíritos santificados e os mortos. Saúdam, com seus
o coloco em seu lugar, dentro do teu corpo. Torhò gritos, minha Barca que p a s s a . . .
íorte a tua mansão".
I 'i
1
188
189
seus laços: i "Os-dekises-Akeru-antecessores-dos-deu-
CAPÍTULO CLTIT ( A ) ses-Akhabiú" é seu Nome. Conheço os Nomes dos seus
Braços: "Os, - dois - Braços - da - Grande - Divindadc-
Para escapar aos Espíritos-pescador cs
que - escuta - em - Inr.ú - as - Palavras - de - Potência-
dura(nte - a - Woite - sagrada - das - quinzenas - noT
Oh! tu. Espírito que voltas a cabeça c olhas para
trás, salve! Em verdade, és dono do teu coração! Eis Templo-da-Lua". Conheço o Nome da Coxa:
que, envolto em ataduras como no momento de meus "A-CoXa-de-Feriro-sobre-a-qual-um-deus-está-de-
funerais, parto de Pesca, abrindo caminho através da -pé". Conheço 0 Nome do Intendente divino que recebe
Terra. Oh vós, Espíritos-Pescadores, que destes nas- o^pescado: "íjunhal-e-vaso-do-Intendente-divino". Co-
cimento a vossos pais , vós que preparais vossos nheço ó N<Wie da Mesa sobre a qual esses objetos
laços c que circulais a vosso prazer através das Regiões são colocadoá: "A-Mesa-de-Horus-onde-está-sentado-
submarinas! Não me pesqueis com vossas redes! Co- -iia - Obscuridade - e - na - solidão - e - onde - nin^uém-
lhei de preferência os execráveis demônios! Não me -o - vê - mas - o - temem - enquanto - os - bons - o-
imobilizeis com vossas cordas — como fazeis com os -glorificam". Eis que chego e sou coroado deus, seme-
demônios — os Companheiros da Terra! (Possuem es- lhante a esse deus que dirige a T e r r a . . . Enquanto
cadas que vão até o Céu, mas a Terra é sua morada em minhas duas Barcas faço minha navegação, eis que
o Príncipe dós deuses me, coloca no meio do Grande
predileta...) Eis que consegui escapar a essas redes
Templo. Comb um caçador, chego armado com meus
e a esses laços. Subo até o deus da Barca Sagrada
instrumentós: meu punhal, minha faca de furar, meu
Hennu c subo muito acima, semelhante ao deu Sebek.
màçhado.. j Tendp-me posto em marcha, percorrp a
Agora desfecho meu vôo cm direção a vós. Os Es-
Região e lahço minha^ redes. . . Conheço esta tenaz:
píritos Pescadores de dissimulados dedos já podein não "Tmen-réu-emanação-do-grande-dedo-de-Osíris". Co-
agarrar-me, pois eu conheço esse instrumento mágico, nheço o Nome destes dois pedaços de madeira que
cujo Nome é: "O-dedo-poderoso-de-Sokari". Eu co- que sustentam solidamente: "O-Dedo-dos-Antepassa-
nheço este outro instrumento: "A-Coxa-de-Nenni" é dos-dè-Ra" é'o Í|\Tome de um. "O-Dedo-dos-Antepassa-
seu Nome. Conheço a Porta secreta, cujo Nome é: dos-de-Athor" é o 'Nome do outro. Conheço o Nome
"A-Mão-de-ísis". Conheço o punhal, instrumento de da Corda do arpão: "A-Corda-do-Amo-dos-Iniciados".
matança, cujo Nome é: "ísis-cortou-com-este-punhal- Conheço o I>Tome da Mesa: "A-Mão-de-ísis". Conheço
-a-carnc-cle-Horus". Conheço a Armadura da Balança ò Nome destas Cordas: "A-Corda-do-Deus-Primogê-
e conheço os seus Pesos. Seus Nomes são: "A-Perna- nito". Conheço o Nome destas Ataduras: "As-Atjadu-
e-a-Coxa-do-deus-Leão". Conheço a Corda que se uti- ras-desta-j9rnada". Conheço os Nomes dos Espíritos
liza para os laços: "O-vigor-de-Tum" é seu Nome. cáçadores c pòscadores: "Os-deuses-Akheru-Anteces-
Conheço os Espíritos Pescadores que lançam os i
I 187
186
sore?-de-Ra". Conheço os Nomes das Redes: "Os-
-Antecessores-de-Keb". O que tu estás habituado a RUBRICA
comer trago-o comigo; também trouxe meu, alimento Recitar este capítulo sobre uma estatueta repre-
ho,s bem, tu comes o que comem Keb i Osíris. Oh> sentando o morto sentado em uma barca; fazei à sua
tu. Espirito cujo rosto está voltado para trás e que direita uma barca S E K T E T e à sua esquerda uma
tens o dpmimo do teu coração, tu, Caçadòi- e pescador' barca M A N D J I T . Fazei oferendas líquidas e sólidas
que abres uma passagem através da Terhi e vós Pes- no dia do aniversário de Osíris. Com isso, a alma do
cadores, que destes nascimento , a vossos Jpais é due morto viverá eternamente; não morrerá pela segunda
j p n a i s laços na cidade de Nefer-Sent! Não me pes- vez.
queis com vossas redes! Não me apanheis em vossos
laços com os quais apanhais os impotentes demônios ,e C A P Í T U L O CLIV
os Companheiros da Terra, abomináveis/ Pois em ver- Para que o Corpo não pereça
dade, eu os conheço, a todos !• Conheço o Fiel da Ba-
Oh Osíris, meu Pai divino, salve! Eis que chego
lança e os seus Pesos. Olhai! Eis que chego armado
diante ,de ti para embalsamar teus membros! Faz em-
d e u m a forquilha, de uma'lança com ganchos,, de uma
balsamar os meus, para que eu não pereça, e para
mésa e de um punhal. Sabeis que o Nome dò Caçador
que chegue a ser semelhante ao deus Khepra, Senhor
me e fonhecido? Eu pego, eu abr'o, eu rorn^o e tonto' das Metamorfoses, que ignora a putrefação. Concede-
a por no seu lugar. Que acontece? Essa forquilha que me, oh! Osíris, uma Forma que seja semelhante à deste
rago comigo se torna "A-C P xa-do-dél:s-Nemu" A1 deus. Concede-me também o domínio de minha res-
piração oh! tu, Senhor da Respiração! T u que proteges
Í a n Ç « n T / a i ] C h 0 S qU£ comi
^ ° s e 'transforma todos os que se parecem contigo. Torna-me estável e
em O-Dedo-do-deus-Sokari"; A mesa que eu trago
eomigo se torna "A-Mão-de-ísis" O punhal que trago' imutável, oh! Senhor dos Ataúdes! E faz que eu pe-
comigo se torna, o "Punhal-do-deus-NeW' Oxalá netre na Região da Duração Ilimitada posto que isto
compreendais, oh! deuses, minhas Palavras! Oxaíá te foi concedido, assim como a Tum, teu Pai divino,
possa eu, vir e sentar-me na Barca de Ra e, seguindo pois seu Corpo não conheceu putrefação nem destrui-
para o Norte, percorrer o lago Tes-tés! Oxalá possa • ç ã o . . . Em verdade, nada fiz que tu detestes, oh!
eu fazer como fazem os que glorificam o meu Duplo' Osíris! Entre todos os que te amam e veneram teu
Oxala possa eu viver sua vida! Eis que corroo a subir ! Duplo etéreo , eu sempre te glorifiquei. Por isso,
os Degraus da Escada de Ra. Meu pai celestial me que meu corpo não chegue a ser presa dos vermes.
preparou antecipadamente; Seth e ifeorus, um de cada Livra-me, salva-me, como tu te livraste e te salvaste!
lado, me tomam a mão. . . ' i | Possa eu. depois da morte, ignorar a putrefação, este
destino comum a todos os animais e a todas as feras
que se arrastam criadas por diferentes deusas! Pois
192
193
com meu cadáver permaneço por todaj a Eternidade.
quando, depois da morte, a Alma empreende seu vôo,
Não se decompõe, não apodrece, não cai aos pedaços,
o cadáver se liquefaz, seus ossos se desarticulam e
não é devorado pelos vermes, nem se liquefaz sob o
se dissolvem e a carne impregnada de mau cheiro apo-
Olho de Shu. Eu existo, em verdade, eu existo! Sinto
drece, os membros caem aos pedaços e tudo se trans-
a força de viÜa que transborda em mim ! Eis que des-
forma em um líquido náusea aundo. Uma massa for-
perto em p a z . . . Não apodreço, não me decomponho.
migante de vermes, apenas vermes... É o fim do ho-
Não exalo a'o meu Vedor cheiro de putrefação. Não
mem. . . Perece sob o Olho de Shu, como perecem
desapareço no nada. Meu olho não se apaga. Os tra-
todos os deuses e todas as deusas , todos os pás-
ços do meu rosto não desaparecem sob uma massa
saros e todos os peixes. Os animais que rastejam e
os que correm, e todos os seres, todos os seres. É por líquida. Meu<? ouvidos não se fecham aos sons da pa-
lavra. Minha Cabeça não será separada do tronco. Mi-
isso que, vendo-me ohl deuses! caireis de rosto para o
solo! O terror que vos causará minha aparição vos nha língua não será arrancada, minha cabeleira não
encherá de espanto! Em verdade, todos os seres de- será arrastada.), ilinhas sobrancelhas não serão depi-
pois da morte terão medo de mim: seja os animais, ladas. Sabèi-OI oh! lós, Espíritos! Nenhum dano será-
pássaros ou peixes, os que rastejam, os vermes que causado ao meu cadáver. Meu corpo permanecerá imu-
vivem nos cadáveres... Que o meu cadáver não co- tável e estiarei, eternamente. Não será destruído na
nheça o apodrecimento! Que não sirva de pasto aos Terra, em toda a Eternidade !
vermes! Que eles não cheguem, sob suas diferentes
formas, a atacar-me e destruir-me! Que eu não seja C A P Í T U L O CLV
1
i ' •
entregue ao verdugo que em sua cova tortura e mata Para /z.rpr (pôr) uth Djed de çaro
Suas vítimas e que, permanecendo invisível, faz com
que apodreçam, amontoados! Em verdade, vive para ' De pé, oh ! Osíris ! tua espinha dorsal tu a possuis
matar e destruir os cadáveres. Suas ordem, negar-me- agora, oh! Deus-do-Coração-Cativo! Teu pescoço foi
-eis a executá-las? Seus desígnios, segui-los-eis ao pé consolidado le forta^ecidp. Sobe, pois, a teu pedestal,
da letra? Por que hei de ser entregue a suas mãos oh!' Osíris! Eiâ'que verto sobre teus pés água lustral.
implacáveis? Que ele não se apodere de mim! Pois Trago-te u m ' D j e d de o u r o . . . Alegra-te, oh! Osíris.
cabe a ti decidir de minha sorte, oh! Osíris, meu pai ao ver esta figura imágica ! ' !
divino, salve! Os membros do teu corpo serão eter- • 1

namente teus; teu corpo não apodrecerá nem chegará RUBRICA


a ser presa dos vermes; não inflará como um balão; i
não se decomporá nem cairá aos pedaços; não chega- Este' Capítulo s e r á ' r e c i t a d o sobre u m Djed de
rá a ser um monte fervilhante de vermes... Quanto oíiro incrustado em madeira de s i c ô m o r o que tenha
a mim, eu sou Khepra, o deus do Chegar a ser. E p e r m a n e c i d o ' e m á g u a de f l o r e s A N K H A M . Colocar
1
, ' , , 19(5
194
o D J E D ao pescoço do morto, no dia dos funerais
r e i t o i$so, o morto chegará a ser no Mundo' Inferior no momento em que este emerge de seu pântano de
um EJspírito santificado e perfeito; e no Dia primeiro caniços. Ela ergue um ombro que foi f e r i d o . . . Eis
do Ano será semelhante aos Espíritos que cercam Ósí- que sobe a bordo da Barca divina. Ele é o consagrado
|ns, realmente, continuamente, etérnamejite... Senhor dos Mundos, pois combateu valentemente. Na
verdade, suas façanhas não serão logo esquecidas, pois
semeou o espanto e o terror. Sua mãe, ísis, a grande
, , CAPÍTULO CLVI
deusa, o protege com a força de sua Palavra mágica
Para fixar (pôr) um talismã em' cornalina e lhe transmite o poder.
i i 1 , ti
Oh! ísis! Que teu sangue atue! Que túa radiação RUBRICA
atue! Que a força de tua magia atue! Proteje oh' Recitai este capítulo sobre um gavião de ouro no
deusa, este poderoso Espírito e evita-lhe o contacto com qual tenham sido inscritas estas palavras; colocar o
os seres, que lhe inspiram horror'p repugnância! . amuleto ao pescoço do morto, a fim de protegê-lo no
RUBRICA , dia dos seus funerais, contínua e regularmente.
Recitar estas palavras sobre urna fivela de corna- CAPÍTULO CLVIII
a ^ ? t U a J e n h a P e r m a n e c i d 0 e m água' de flores Para fixar (colocar) um Colar de ouro
j . . ' i n c r u s t a d a em uma plaquinha de madeira Oh Osíris, meu Pai! Oh Horus, meu Irmão! O h !
de sicomoro. Esta plaquinha será colocada ao pescoço ísis, minha Mãe! Eis que são tiradas as ataduras que
do morto, no dia dos funerais. Isto feito, os poderfes apertavam minha cabeça e meu c o r p o . . . Meus olhos
de Isis protegerão os membros do morto; Horus, filho,
começam a discernir os seres que me rodeiam. Vejo
de Isis, alegrar-se-á ao vê-lo em meio aos, Mistérios do.
diante de mim o deus K e b . . .
caminho; e enquanto um braço será estendido para o
ceu e outro estará dirigido pat-a a terra | íealmente ! RUBRICA
continuamente.:. , '
'Não deixar que este texto sejalvisto por/ninguém. Recitar este capítulo sobre um colar de ouro no
qual tenha sido gravado o texto; colocá-lo ao pescoço
! CAPÍTULO CLVII do morto, no dia dos funerais.
Para fixar (pôr) ao pescoço do mor!o ,)/„, Talismã
CAPÍTULO CLIX
representando um Gavião
Para fixar (colocar) um Talismã Uadj de esmeraldas
Eis que ísis empreende seu vôo por sobre a sua
Oh! tu, que todos os dias sais do teu templo! Eis
Cidade. Parte em busca da morada) oculta'de Horus,
a grande d e u s a . . . Escut; sua voz! Ela faz suas revo-
136
197
luções em torno das Portas do duplo Santuário. Ela , C A P Í T U L O CLXI
se apodera do poder mágico de seu Pai ('Este poder é
um Corpo Glorioso que habita a Terra Sagrada da Para abrir caminho através do Céu
i
deusa Rennut). Ela acolhe com fervor os que encon- Eis as palavras reveladas por Thoth para pene-
tra em seu caminho, dispostos a segui-la. Pois ela faz trar, sem obstáculos, no interior do Disco solar.
a viagem em sentido contrário e percorre os caminhos
de outrora. Ela concede boa sorte aos que são perse- I — Eis que abro uma passagem para o Disco
guidos pela d e s g r a ç a . . . solar.
II — Eis que meu cadáver se purifica e que os
d)fcsos de Osíris foram purificados. Em
RUBRICA verdadet Ra vive! A Tartaruga está
inorta! ' '
Recitai este capítulo sobre um amuleto U A D J
III — E o habitante do Ataúde não terá que
de esmeraldas colocado ao pescoço do morto e que tenha
temer a perseguição do Mal. Em verdade,
gravadas as palavras do capítulo.
vive! A tartaruga está morta!
1
IV — Eis que ela é protegida por Kebhsennuf,
a| carne inerte do morto! Pois é Ra o que
C A P Í T U L O CLX
, vi^e! Aj tartaruga está morta! Escutai!
Para fixar (colocar) um Talismã UADJ de esmeralda Os ferrolhos das Portas foram tirados!
i | Já posso atravessar o umbral.
Eis um talismã U A D J talhado em uma esmeral-
da. Protege contra todos os Males. Thoth o dá a seus RUBRICA
adoradores os quais evitam o que desagrada aos deuses. 1
' 1
. . I
Se este talismã prosperar, eu também prosperarei; se Se estes encantamentos forem recitados junto ao
ele não fôr alcançado, eu também não serei alcançado; cadáver, seu Corpo Glorioso (Sahu) atravessará as
se ele fôr imprestável, eu também serei imprestável. quatro aberturas do Céu: a primeira, a do Vento Nor-
Eis Thoth que fala. Suas palavras protegem minha te, pertence a Osíris; a segunda, a do Vento Sul, está
espinha dorsal. Diz: "Eis que chegas em paz, oh^! tu, sob o mando de Ra; a terceira, a do vento Oeste, de-
Senhor de Heliópolis e de Pe! Shu vai à tua procura; pende de ísis; a quarta, á do Vento Leste, obedece à
encontra-te em Shenmu; teu Nome é Nshem. Tu habi- ftéftis. Cada lírti desses Ventos, no momento em que
tas a fortaleza do deus poderoso... E m verdade, teus o morto penetra no Céu, chega até as ventas do seu
membros não sofrerão nenhum dano, pois ò próprio iiairiz. Os que nãó foriam iniciados não conhecem estas
T u m os protege. coisas ocultas, que são um Mistério ignorado do vulgo.
I '
198 199
i t

li 1 i '
a nmgUém Salvo teu ai
teu P E R - U R U - B A R H A T A - D J O A . . . Vem pois, oh!
teu filhn
filho. ^Sabe-o:
K este grande 'Mistério,* que Pninguéma'
em parte alguma conhece, acaba de ser revelado a ti.,. deus! Faze de mim um Espírito de tua Corte divina!
Pois em verdade: Eu sou T u !
C A P Í T U L O C L X I I !'•«
RUBRICA
Para produzir uma sensação de calor na
1 Estas fórmulas devem ser pronunciadas sobre a
: . í cabeça do morto
imagem de uma Vaca Sagrada feita de ouro de boa
deuS Leã0
arfn T; ' P ° ^ e r o s o Senhor da dbpía pluma qualidade e colocada no pescoço do morto. Fazei, ainda,
adobando teu Diadema e do temivel Látego s i A do a inscrição que segue, em um papiro não-usado e coloca-
Mando. Tu, Macho Poderoso, cujo esplendór irradia do sobre sua cabeça. Então o morto sentirá grande
desde as profundidades do Céu! Tuas fôrmas múlti- calor em todo o seu ser, como se estivesse em vida na
plas < e tuas Metamorfoses estão ocultas desde o teu Terra! Este talismã tem um grande poder de pro-
nascimento no Olho solar. És invocado, oh! poderoso teção, pois foi criado em outro tempo pela Vaca Ce-
corredor de longas distâncias! Tu acodes o que implo- lestial para seu filho Ra, quando sua força vital de-
ra a tua ajuda; tu proteges o infeliz contra aquele que clinava e sua morada estava cercada pelos Espíritos
o oprime. Escuta, pois, meu grito de angústia! 1 Veni do Fogo. Deste modo, o morto chegará a ser uma
em meujsocorro! Em verdade, eu sou a Vaca sagrada divindade no Mundo Inferior e seu Corpo Glorioso não
l e u Nome divino não sai dos meus lábios! Escuta será impelido em nenhuma das Portas cio Duat. Eis
K H F R U r F P ° n P r 0 d a m 0 - - H A K A - H A K E R £ teu Nome! as palavras que se devem recitar enquanto se coloca a
RP-rat? e
í e u N o m e ! OROAKERSA-ANK- imagem da deusa no pescoço do morto: " O h ! Amon!
- R E B A T I e teu Nome! K H E R S E R O é teu Nome' Amon! Tu que olhas para a Terra desde o alto do Céu!
Sabe-o, oh! deus! Eu venero todos Es teui,Nomes, pois Volta teu rosto radiante para este corpo inerte de teu
oh | S Spnh em t V e r d a d ? ' a V a c a Sagrada! iscuta, pds, filho bem-amado! Torna-o forte, vigoroso e temível
oh< Senhor a voz do meu rogo: quando fizeste surgi; no Mundo-Inferior"! Esta fórmula é um grande Mis-
o calor da Vida sob a cabeça de Ra em Heíiópolis dig- tério. Não deixes ninguém ver nada. Seria terrível que
na-te, deus proteger o morto diante da Portà celestial chegasse a ser conhecida de todos. t Oculta-a cuidado-
para que chegue a ser como os que habitam a Terra í samente. Seu Nome é : "A-Fórmula-da-Mansão-escon-
Em verdade, ele e tua Alma, que desconheceste ! Apro- dida".
xima-te de mim, pois eu sou Osi As! Faze surgir o CAPÍTULO CLXIII
calor da Vida sob minha cabeça! Pois eu, P ou a alma
viva do imenso Corpo sem vida dè um deus. Este Corpo Encantamentos a fim de impedir que o corpo do
repousa em Hehopolis e seu Nome é: K H U - K H E - morto sofra alterações e desgraças no Mundo Inferior;
para protegê-lo dos ataques dos Espíritos que devoram
200
136
as Almas aprisionadas no Duat; para impedir que os
Deus de múltiplas Formas! Tu, Amo dos Udjats, de
crimes espantosos cometidos durante a vida terrestre
pupila terrível, sabe-o: eu nasci, emanação viva, dos
se apresentem a seus olhos de espírito, uma vez em espí-
dois Olhos divinos, um dos quais se chama : S H A R E -
rito convertido; para garantir o vigor de seus mem-
- S | H A R E - K H E T e o outro: S H A P U - I R K A . Mas seu
bros e de seus ossos contra os Espíritos que poderiam
atacá-lo no Mundo Inferior.; para encontrar a liber- verdadeiro Nòme é: S H A K A - A M E N - S H A K A N S A
dade de circular, a fim de que possa fazê-lo a seu bel- e habita na Frente de Tum, Luz das Duas Terras.
-prazer. Deixa-me, pois, permanecer nesta Terra de Harmonia
e de Justiça,!para que não seja abandonado em èruel
Eu sou a Alma de um deus. Mas meu Corpo re- solidão ! Pois eu sou agora o cidadão de um Universo
pousa imenso e inanimado na cidade de At-Habu em que o Olho, impotente, não percebe nada. Meu
; o gênio deste lugar estende sua proteção sobre Nome é: AN. Possa eu viver entre os Espíritos santi-
o Corpo inanimado de Harthi. Seu braço arrancado ficados, perfeitos e poderosos ! Quanto a minha Alma
repousa nos pântanos de Senhacarha. . . Oh! Alma di- divina, que descanse, sim, no imenso Corpo inanimado
vina ! O pulsar do teu coraçác não é perceptível nem que jaz em,Saïs, cjdade sagrada de N e i t h . . .
quando te levantas nem quando te pões! Tu repousas,
oh! A l m a ! perto de teu Corpo, estendido na cidade de
Sehna-Parkana! Livra-me do Espírito de cara espan- RUBRICA
tosa que se apodera dos corações .e arrebata os mem-
Recitai 'este capítulo sobre a estatueta de uma
bros ! Quando começa a mordiscar as Almas, chamas
serpente provida de duas pernas e cuja cabeça é adór-
saem de sua b o c a . . . Tu, Alma, que moras no interior
nada com unf disco solar entre dois cornos ; re-
do cadáver prostrado, teu fogo arde, solitário, em meio
citai igualmerite solpre dois Udjats providos de
às vagas de um mar desencadeado.. . Sabe-o; deverás
renunciar ao poder do fogo na presença daquele que olhos e de asas; na pupila de um destes Udjats ver-se-a
levanta o Braço: ele aspira à vida eterna, sem marcos a figura de ym deus com o braço levantado; terá o ros-
e sem limites. Pois em verdade, ao Céu pertence tua to de uma Alma divina; suas costas estarão cobertas
Alma, mas na Terra possuis a Forma corpórea! Sal- de penas como as de um falcão. Na pupila do segundo
va-me, pois, das garras dos demônios que devoram tado, mas seu rosto será o da deusa Neith; sua|s costas
as Almas carregadas de inquietudes! Possa minha Üdjat ver-se-á a figura de um deus com o braço levan-
Alma permanecer em meu Corpo, meu Corpo unir-se estarão igualmente cobertas de penas como as de um
à minha Alma! Possa este corpo permanecer oculto na falcão. Escrevei este capítulo com tinta consagradâ
Pupila do Olho divino, cujo nome é S H A R E - S H A R E - A N T I em uma plaquinha de pedra M E T H ou sobre
- S H A R P U - A R I - K A que repousa em Núbia, a No- uma esmèrálda do Sul, que tenha permanecido na água
roeste do Santuário Apt, oh! Amon! Touro poderoso! do Lago do1 Oeste, no Egito, ou ainda sobre uma peça
de tecido U Al!) J E T , com a qual envolver-se-ão todos os
202 J
' ' . I . ' 'i ' '203
membros do morto. Com isto, o morto não sei^á repelido divino. H A R E - P U G A K A S H A R E S H A B A I U ! Eis o
nas portas do Duat; e poderá comer e beber como havia que dizem, referindo-se a ela, os negros e os núbios:
íeitoina Terra; ninguém se levantará para;acusá-lo e "Glorificamos a ti, a mais poderosa entre os deuses! Os
sera defendido contra seus inimigos perpetuamente. Se deuses Sesenu te adoram , assim como os Espí-
este papitulo for recitado pelo mòrtd no, Mtmdo, não ritos que vivem em seus ataúdes. Olha! Nós nos pros-
chegara a ser presa dos Espíritos que ^tacam os mal- ternamos diante de tua espantosa Majestade, tu, que
feitores em todos os rincões da Terra. Não será gol- és nossa Mãe e Fonte de nosso ser, tu, que preparas
peado; as matanças praticadas por Seth não o farão para riós um lugar de repouso no Mundo Inferior, tor-
morrer ; nao será encarcerado; poderá penetrar em to- nas vigorosos nossos ossos e nos protejes contra o ter-
das as regiões do Duat e dela sair comp triunfador; ror, tu nos fazes viver e prosperar nas Mansões da
alem disso poderá reaparecer na Terra para inspirar Eternidade, tu nos livras dos subterrâneos de tortura
terror aos homens que seguem a via do Mal i • onde atua o deus da terrorífica cara entre suas hie-
. I rarquias divinas. Em verdade, teu Nome é: "A-Cria-
C A P Í T U L O CLXIV tura-emanada-do-deus-de-cara-de-terror-e-que-tem-seu-
-corpo-dissimulado". O Nome de um filho desse deus é :
Salve, Sekhmet-Ra-Bast, agente dos1 deuses, ve- "Atare-Am-Djer-Quentu-Ren-Parsheta". O Nome de
loz , a quem as ataduras "Ans" dão o poder mágico! outro é: "Pa-Nemma-o-Olho-divino-Udjat-da-deusa-
ru, deusa coroada com os diademasldo Sul e do Norte -Sekhmet - a-grande - regente-dos-deuses—emanação-
Umca soberana de teu Pai, e que não'es^á submetida' -da-deusa-Rennut-Mot". Tu devolves o vigor às Almas
a nenhum deus, Dona do grande poder mágico, tu que dos mortos e a seus Corpos inertes, tu os livra dos
foáte consagrada e coroada nos lugares" silenciosos, demônios que atuam nos subterrâneos de tortura".
Mae divina de Pashakasa, esposa real de, Parhaka- Com seus próprios lábios, a deusa lhes responde:
-Khepru, Dona da Tumba, Mãe do Horizonte celes-
"Faço segundo as palavras de Thoi , Filho di-
tial, tu, graciosa e amável, que aplacas as rebeliões dos-
vino, por quem os rituais funerários foram ordenados.
s t u S , n a! ^ t U a S m ã o s l m i n h a s oferendas Em verdade, eu vos dig): não sereis atados nem to-
sepulcrais! De pe estás, perfeitamente direita na proa
lhidos"
da Barca de Ra teu Pai divino, disposta a V t i r paía
o ataque dos demonios... Eis que colocas a deusa Maat RUBRICA
na parte dianteira da Barca divina.. . Em verdade, tu- Recitai este capítulo sobre uma estatueta da deu-
es a deusa do Fogo; pois nada subsiste a teu passo. . sa Mut, a deusa das três cabeças; a primeira cabeça
RFMTT6 KA,;HARESA-PUSARBM-KAKA-
parecer-se-á com a da deusa-serpente Pekhat, adornada
Tu es s
c^T" f ^ e l h a n t e ao poderoso fogo da deusa com duas penas; a segunda será semelhante a de um
oaknakat, que esta sentada diante da Barca de teu Pai homem sobre que tem à cabeça a coroa do Norte e do
204 1 ,
205
Sul; a terceira será a de uni abutre coroado com duas aparência visível está velada, e cujas múltiplas formas j
penas. Esta estatueta será provida de garras de leão e são misteriosas, Senhor dos Dois Cornos, filho da deu-
de a s a s ; estará pintada de cor A N T I em uma plaqui- sa Nut! Teus Nomes são: Na-irik e Kaseka; teu Nome
nha de pedra verde ou sobre uma peça de tecido ANS. é: Arthikasathika, Amén-na-en-ka-entek-share; Thesk-
i Colocai diante desta estátua um anão e outro anão share-Amén-Rertni é o teu Nome. Escuta, pois, oh!
a t r á s ; cada um deles terá um braço levantado e será Ámon, minha súplica. Não conheço, por acaso, teü
ornado com penas; além disso, cada um terá duas ca- Nome Sagrado? E os Nomes de tuas múltiplas Formas
ras: uma de ser humano, outra de falcão; estes dois nãb vivem nesta boca que é minha? Tua imagem ípais-
anões serão também muito barrigudos. Uma vez cum- teríosa, por acaso, não se revela a meus olhos? Olha!
prido esse ritual, o morto chegará a ser um deus entre Eis que chego, a ti, herdeiro do teu Trono, concebido
os deuses do Mundo Inferior; os Guardiães das Portas segundo tua Imagem sagrada, oh ! Osíris ! Concedei-me
não o obrigarão, jamais, em toda a eternidade, a voltar; uma permanência eterna no Duat; dá a meus mem-
sua carne e seus ossos serão os de um homem que nunca bros a'Paz perfeita; possa meu Corpo chegar a ser o
tenha passado pela morte; poderá beber água nos ma- Corpo de uni deus; possa escapar das [regiões onde os
nanciais das torrentes; sua morada será em Sekht-Ian- demônios aprisionam e torturam os mortos! Ámon,
r u : chegará a ser estrela na abóbada celeste; partirá escuta minhas palavras ! Eis que invoco teu Nome mis-
em campanha contra Neko e ^ a r , esses demônios do terioso. . . Tu criaste minha forma carnal, tu me
Mundo Inferior: não será aprisionado nem devorado abriste o seiltido da Palavra; tua Ciência sagrada
por toda a sorte de animais que se arrastam; pelo con- enriqueceu meu Espírito... Em verdade, teu Nome é
trário. ficará livre de todo M a l . . . Ámon-Rta-Sàshaka, 'irkai, Markathi, Reri-Nasakbubu,
Thinasa-Thinasa... Sharshathikathi é o teu Nome!
Oh! Ámon, Ámon! Oh! deus poderoso! Eu invoco teu
C A P Í T U L O CLXV
Nome misterioso! Concede-me tua sabedoria ilumina-
A chegada à Escala definitiva quando o da !i Que eu pòssa gozar de Paz no Além ! Que eu possa
corpo do morto tenha sido resguardado e os produtos conservar todos ps meus membros ! Eis que a Alma
de sua liquefação tenham sido absorvidos. Então, trans- do deus que reside no Céu deixa ouvir sua voz: "Em
bordará de novo, de seiva e vigor. verdade, em yerdade, velarei por ele : teu corpo, intacto
o conservará^..
E dirá:
O h ! Pilonos majestosos! Oh! Pilonos!~Oh! Prín- RUBRICA
cipe dos deuses! Oh! Príncipe! Oh! Ámon, Ámon! Oh! • • . ' !

Re-Iukasa! Oh! deus, Príncipe dos deuses do Oriente Recitai este capítulo sobre a estatueta de um
do Céu! Oh! Amon Nathkerti Ámon! Oh! tu, cuja deus com o bráçõ levantado e com a cabeça adornada

206 207

i
: I •I ! , :

1
! ' • '!
de pebas; suas pernas deverão estar separadas como as' do Desmoronar dos M u n d o s . . . Mas eis que Thoth,
de um escaravelho; será pintado com pá'de làpis-lazú-,, tendo-o libertado, devolveu-o à Paz e à Harmonia. Se
li misturado com líquido KAMI. Recitai leste mesmo Udjat, é forte, forte sou eu. Se eu sou forte, Udjat é
texto sobre uma estatueta' com cabeça de homem es- forte.
tendendo os braços; sobre o ombro direito ver-se-á uma
CAPÍTULO CLXVIII
cabeça de carneiro; e sobre o ombro esquerdo outra:
cabeça de carneiro. Pintai, além disso, sobre uma ata- Para receber as Oferendas
dura de linho, um deus com o braço erguido, e, junto
Oh! vós, divindades do Dnat; vassalas de Ra-Osí-
a ele, separadamente, pintai um coração; desenhai uma 1
ris, que pesais as Palavras de seu Filho; que julgais,
figura em seu peito. Dissimulai tudo isto ao deus
segundo a Verdade e a Jastiça, aos Maus, e muito aci-
Sufcadi; do Mundo Inferior. Assim, o mprto poderá,
ma morais no Céu, cjncedei-me sacrifícios na Terra e
beber água nos mananciais das torrentes; e despedirá
oferendas no Amenti; nos Campos da Paz, libações.
raios como as estrelas do céu. . . i
Vós, Espíritas, que trazeis alimento a Ra, indicai-me
» I i1 sacrifícios na Terra. Vós, servidores dos deuses, gran-
1
CAPÍTULO CLXVl' des e pequenos, concedei-me vasos para os rituais na
| I
A almofada do morto , Terra e oferendas no Amenti. Oh! Espíritos, que ado-
rais os deuses em seus santuários! Concedei-me sacri-
Eis que teu corpo se levanta, tu que. permaneces fícios perpétuos na Terra, quando da aparição do Filho
doente e prostrado; tua cabeça combalida sonda o Ho- ante o Pilono misterioso dos deuses em meio a seu
rizonte; lentamente te endireitas.,.. Agora podes santuário celeste. Que ire concedam vasos na Terra
triunfar dos obstáculos graças aos'benefícios que os para os sacrifícios, a fir.i de que meu cadáver conti-
deuses te concederam... Eis que Ptah, i (obedecendo nue sua vida no Mundo nferior. Oh! vós, deuses que
à ordem do juízo, investe sobre teus inimigos. Pois tu seguis Osíris! Permiti meus sacrifícios na Terra, a
és Horus, o filho de Hathor, Nesert, Nesertét. Após fim dç que eu possa permanecer detrás de vossos mis-
as matanças te será restituída tua cabeça. Sabe-o: tua teriosos Pilonos, entre os vassalos da Grande Divin-
cabeça foi salva: |E não te será arrebatada. ,por toda a
dade. Vede como se alegram vendo passar ante eles a
Eternidade! '
Alma do Filho, como Osíris, seu Pai, enquanto essa
1 C A P Í T U L O CLXVIT Alma recebe sua parte de doações e, durante o dia e
• i
Pai 'a conduzir o talismã de Udyar durante a noite, toma posse, na Terra, das formosas
o f e r e n d a s . . . Eis que os próprios deuses me trazem
Eis Thoth: faz avançar Udjat, o Olho divino,! dádivas e que a Alma do Filho se aproxima do altar,
Ele faz reinar em paz. . . Pois Udjat cumpriu a tarefai ela, a Alma de um deus que cumpre suas Metamorfo-
que Ra lhe havia dado. Foi exposto aos perigos quando ses no seio de Osíris.
208
209
CAPÍTULO CLXIX pessoa foi eliminado.! Tefnut, filha de Ra, trabajhou
bem para ti, como havia feito com Ra, seu divino Pai.
Para levantar o leito fúnebre do morto Ela ordenoü para ti,o Vale funerário onde foi enter-
radp Osíris, teu Pai. Eu me alimento de coisas agra-
Em verdade, tu és o deus leão! Tu és o deus da dáveis ao gosto de Ra e Keb, assim como trigo e as i
dupla cabeça de Leão! Tu és Horus, vingador de Osí- quatro classes de pão. Eis que te levo até os Campos
ris, teu Pai! Tu és em uma só pessoa os quatro deuses da P a z . . . As oferendas sepulcrais estão diante de ti.
gloriosos! Tu acolhes Com alegria e gritos de conten- Em tua qualidade de Ra te lanças e tuas pernas te
tamento. (Tu te siisténs à direita e à esquerda). Eis obedecem.. . 1 Quando se celebre teu juízo não, serás
o deus Keb que levanta tuas pálpebras e abre teus olhos. condenado. Teus movimentos não serão impedidos ; nãõ
(Até aqui estavam como os olhos de um cego.) Keb serás aprisionado. Não te deixarão em mãos de demô-
te faz estirar as pernas... Eis que o Coração "ib" niós cruéis que atuam nas Câmaras de Tortura. Não
de tua mãe se reuniu à tua substância, assim como teu amontoarão areia diante de ti. Não investigarão o
Coração "hati". Tua Alma está no Céu; teu Corpo, uso que fazes das oferendas. Não te obrigarão a vóltar.
enterrado, está inerte. Eis oferendas para tuas en- Os guardiães não te impedirão de partir. . . Receberás
tranhas e água para tua garganta; e sopros agradá- uma camisa, sandálias, um bastão, outras vestimentas
veis para as ventas de teu nariz.... Tu devolves a paz e diversas arrpas de combate, para que possas decepar
às moradas dos mortos. Percorrendo os caminhos, as cabeças de teus inimigos capturadòs. T u poderás
abres suas tumbas. Tu és estável em virtude de tuas manter a moirte â distância, a fim de que não se apro-
emanações. Eis que partes para o Céu e amarras tua xime. de ti.
corda próximo ao Trono de Ra. Tu lanças tuas redes Éis que^a propósito de ti, a Grande Divindade
na$ torrentes dos que bebem agua. Tu te serves de toma a palavra:
tuas pernas e estás seguro de seus movimentos. Tu "Que seja t r a k d o aqui no dia dos aconteci-
chegas até a superfície da Terra; mas não tens neces- mentos"!
sidade de penetrar sob as muralhas de tua Cidade nem
Eis que o Falcão e o Ganso "Smen" se alegram
de as derrubar. Em verdade, o que foi feito por ti é de tua chegada e que Ra abre de par em par as Portas
o próprio deus da Cidade que o fez. Tu és puro! Tu és do Céu. Keb descerra para ti os ferrolhos da Portà
puro! A frente de teu. Corpo foi lavada i\>tn água de terrestre, teu JEspírito é poderoso; guarda em suà me-
nascente. Tuas costas foram purificadas com salitre e mória os Nomes ocultos. Tua Alma abre à força uma
refrescadas com incenso. Todo leu Corpo foi lavado passagem para: o Amenti; guarda o poder da Palavra.
com leite da vaca Hap, com álcool «la deusa Tenemit T^eu Corpo Glorioso repousa no seio do divino Ra, em
v com salitre. Todo o Mal que estava apegado a tua meio as Hierarquias celestiais, onde se cruzam os dois
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210
, : I | 211

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i PIRÂMIDES, TEMPLOS E TESOUROS Aurélio M. G. Abreu


i O LIVRO DE ENOCH (As Origens da Cabala) Anônimo '
LIVRO DOS MORTOS DO ANTIGO EGITO Anônimo
BARDO THOEfHJ y O1 LIVRO DOS MORTOS TIBETANO Lama K. D. Samdup
EPOPÉIA DE GUILGA^IECH (A Busca da Imortalidade) Anônimô
SÍMBOLOS E' MITOS DO ANTIGO EGITO R. T. R Clark
, | I CHING (O Livro das Mutações) James Legge
O EGITO DOS FARAÓS Federico A. Mella
DOS SUMÉRIOS A BABEL Federico A. Mella
' i TIBETE - MAGIA E MISTÉRIO Alexandra David-Neel
TIMEU E CRÍTIAS OU A ATLÂNTIDA Platão
1
O ENIGMA DAS PIRÂMIDES J. A. Lopez
I VIDA E MISTÉRIO DOS NÚMEROS F. Xavier Chaboche
O LIVRO DO INEXPLICÁVEL Jacques Bergier
O LIVRO DOS DANADOS Charles Fort
O.V.N.L E AS CIVILIZAÇÕES EXTRATERRESTRES Guy Tarade
I O CONTINENTE PERDIDO DE MU James Churchward
T I A H U A N A C O Simone Waisbard
CIVILIZAÇÕES, QUE O MUNDO ESQUECEU Aurélio M. G. Abreu
REINOS bESAPARECIÊOS, POVOS CONDENADOS Aurélio M. G. Abreu
. LENDAS E TRADIÇÕES DAS AMÉRICAS Marcus Acquaviva
, MESTRES DA TERRA Sergio S. Carvalho
, O SÉCULO DOS CIRURGIÕES Jürgen Thorwald
1
n O HOMEM E A MEDICINA Ritchie Calder

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T
i "l; , '1
Se^at-Hfru D e u s a e m forma de V a c a celestial, identifi-
ai cada, c o m Isis e c o m H a t h o r remiti T r i b u n a l de Osíris Para julgar as A l m a s o júri se c o m -
punha de 42 divindades.
dC
°raÇÕeS de LetÓ
P°1ÍS e
« poder m á g i c o
T u m D e u s que criou o Céu e f e z nascer vida na Terra,
a l c a n ç a v a t o d o s o s outros d e u s e s , era livre da morte.'
LtÍtmHot!£SPOrSa dG P t f h
' m â e
^ Nefer-Tum. I d e n t i f i c a n d o seu corpo c o m o de T u m , o m o r t o aspi-
l X P o . CamPOS ^ PaZ qUC
^ " i v a l i a m °f> P a r a í s o rava e proclamava sua n a t u r e z a incorruptível.
SekHt-Ianeu C a m p o s dos B e m - a v e n t u r a d o s que também' T ú m u l o s A l é m da fortaleza c o n s t r u í d a para receber o
: equivaliam ao P a r a í s o m o d e r n o 1
, . morto, este era e m b a l s a m a d o e m u m i f i c a d o , r e v e s t i d o
c o m faixas, u n g ü e n t o s e b e t u m e , n o v a m e n t e r e v e s t i d o
de c h a p a s de metal, às v e z e s a d o r n a d o de c h a p a s de
^ M a n S " ' * * B3T"Ca d e R a d ° m e i o " d i a V ™ noite c
M a n d j i t a que percorria pela manhã. i ouro, pedras preciosas e encerrado e m urnas de pedra.
S e p d á r a s A p e s a r d e s s a s precauções, o t ú m u l o era o c u l t o p e l o s
" 7 f divindades com este nome, «mas'Wcabe-
s a c e r d o t e s a fim de impedir a danificação.
ça de jcíocodilo, outras de leão, outras de íbis
Septet A ' ï s t r e l a Sirius. ' j U a d j i t D e u s a - s e r p e n t e , c u j o t e m p l o era em B u t o , n o D e l t a .
E r a reproduzida na coroa d o s reis egípcios.
Serket D e u s c o m cabeça de escorpião. ,
U d j a t D i v i n d a d e de C o m b a t e e de Justiça. E r a represen-
Sesenu ( A s oitos grancjes d i v i n d a d e s de H e r m ó p o l i s tada por um O l h o alado.
Sesheta D e u s a do S a b e r sagrado.
U p - U a u t D i v i n d a d e e m forma d e chacal, que abre o s ca-
Seshetet D e u s a q u e presidia à Sabedoria sagrada minhos.
S h u D e u s r e p r e s e n t a d o por u m càrneiro. Ureret ; Coroa real de Ra.
Sokari T i n h a sido o primeiro d e u s da região dos 1 m o r t o s
Fox d e s t r o n a d o por O s í r i s , , e por isso\empre Z o s o V e n t a s ! A s várias referências f e i t a s no L i v r o dos M o r t o s
à s v e n t a s são decifradas p e l o s e g i p t ó l o g o s da s e g u i n t e
v L n T a ° ° U T e g l ã 0 ' d e S e r t ° i m e n s ? - tenebroso, po- m a n e i r a : c o m o n o p r o c e s s o de m u m i f i c a ç ã o a matéria
v ó a d o de serpentes, por o n d e a Barca' de Ra tinha de
ser• c ô n d u z . d a por trenós que deslizAyan, entre p a r e d e encefálica era retirada p e l o nariz, e terminada a opera-
abruptas e m o s p i t a s , era o p a s s o mais p e r i g o s o ção era o crânio r e c h e a d o de s u b s t â n c i a s a r o m á t i c a s que
Sothis Outra d e s i g n a ç ã o da estrela Sirius. ,1 1 obstruíam os órgãos da respiração; era necessário exe-
cutar práticas m á g i c a s para q u e o m o r t o m a n t i v e s s e as
T a t u n e n N o m e t a m b é m d a d o ao d e u s Ptah. ' , verçtas e poder aspirar a u m a n o v a vida.
1
T e n a i t D i s t r i t o do D u a t .

Thoi S i g n i f i c a ora os d e u s e s g ê m e o s S h u e Tefunt> ora as


1
irmãos g ê m e a s í s i s e N é f t i s .
T h o t h D e u s da P a l a v r a criadora e mágica, divindade lunar
encarnação dos A m o s da Sabedoria, cuja morada erá

o b S adee ts u- aTs V inspirações.


ODra
e d a L Ua
- " T°da a Cultura h u m a n a
, «a
T o u r o do A m e n t i S í m b o l o da Força. j

204 1 ,
205
Neberdjer Manifestação de Ra ou de Osíris. Pesada das palavras Maneira corrente de designar o Jdga-
Néctar Alimento dos deuses. Dava imortalidade aos que mento a que os mortos se submetiam perante oa Tri-
o comiam e tornava-os eternamente jovens e radiosos. bunais. ,
Nefer-Tum Divindade solar de Mênfis, filho de Ptah e de Portas poif Portas tinha o morto de atravessar e cada
Sekhmet. uma correspondia a uma etapa da iniciação
Néftis Deusa irmã de Isis e de Osíris. Ptah Deus adorado em Mênfis, identificado a Osíris c a
Sokari jsob o nome de Ptah-Socar-Osíris e de Ptah So-
Negro Estas cor representava a Potencialidade. caris; criador do mundo.
Nemmés Penteado real.
Nu Deus do caos original. 1
Ra Nome dado ao Sol. Simbolizado por um homem com
um disco solar na cabeça. T
Nut A deusa do céu, esposa de Keb, representava a su- Re-staú Misteriosa região dos mortos., muito profunda e a
prema sabedoria. mais difícil de atravessar durante, a Viagem noturna
Oferendas Para a sobrevivência depois da morte eram, nos da Barca de Ra e quinta etapa das doze que compre-
dias consagrados, levadas aos templos para a existên- endia a viagem ao Além.
cia do Ka. Rekht Nome de uma região do Amenti.
Olho de Ra, olho de Osíris, etc. Emanação do próprio Rennutt Deusa nutriz.
deus, uma divindade poderosa. ii Rosto de monp Os Espíritos com rostos de mono são re-
Olhos do Céu O Sol e a Lua. presentados pelos macacos cinocéfalos, servidores de
Oriente Braço esquerdo de Osíris, o mais vulnerável. ITioth, mestre e dono da sabedoria, e adoradpres de Ra.
Órion Estrela da constelação do Cão. Rubrica» I Davam indicação de ordem litúrgica ou mágica
Osíris A união do Sol e a Lua é representada por Osíris, eram feitas a tinta vermelha pelos escribas, daí ò nome!
morto e esquartejado por Seth, que espalhou seus. mem- Sa Deus que presidia à sabedoria sagrada.
bros divinos por todo o Egito, isto é, todo o universo.
Sua irmã e esposa Isis o trouxe à vida depois de muito Sahu Última etapa da divinização da alma humana.
trabalho e esforço. Como Osíris e Isis eram irmãos e Sebagu O planeta Mercúrio.
esposos, o matrimônio entre irmãos se estendeu ao Egi- Sebek Divindade que se manifestava em forma de cro-
to, pelo menos entre os mais próximos dos deuses: a codilo è simbolizava a Inteligência e a Destreza.
família real e a mais alta nobreza. Osíris é. o grande
civilizador do Egito, inventou os instrumentos da Agri- Segunda morte As várias menções no Livro doa Mortos
cultura, cultivou a vinha, substituiu os costumes gros- a segunda morte" significava para os antigos egípcios
seiros e bárbaros por leis suaves e humanas, instituiu que a morte física pouco importava, pois a poder de
festas e o cerimonial dos cultos. Osíris é o Sol, o prin- crenças e superstições, alimentadas pelos sacerdotes, o
cípio que anima e fecunda o mundo e é também o Céu morto atingia o Além. Se a função da morte é eliminar
e o Nilo. As viagens de Osíris e as suas conquistas no o imperfeito e o impuro, este substrato é ameaçado de
Oriente, que havia civilizado, eram o símbolo do curso uma morte, isto é, da extração total da consciênqia do
do Sol, que espalha por toda a parte a sua fecundidade. morto. Era essa ameaça — conseqüência da imperfei-
ção mora! durante a existência terrestre — o que oè
Pe e Dep Duas metades da cidade de Buto, onde se en- preocupava, daí a ânsia de não ter a segundi morte
contrava célebre oráculo. mas a nova vida que aí se iniciaria.
í
V
250
i
1
culturai aos egípcios, a fiar e a tecer o linho, a extrair o M e h e n D e u s a serpente que protegia A f u - R a em sua P.arca
; azeite das azeitonas. Presidia à navegação e çomumen- durante a viagem noturna do Duat.
! í j tç a! representavam com um disco solar colocado entre Mehurt Vaca celeste.
|l| chifrek de vaca. T i n h a templos em T h i s e em Busíris. M ê n f i s A n t i g a capital do Egito.
1
Pçrsbnifica a primeira civilização egípcia. Menino D i v i n o Divindade, ieva na fronte uma espiral,
símbolo da evolução espiritual com poderes mágicos',
E s p a n h a dualidade do morto: Alma e Guardião, Corpo filho de tsis.
Vital, e Gênio Protetor.
Mesket e T e h e n e t D u a s regiões do Mundo Inferior.
Kéb iDéus da Terra, tinha grande importância n ó Além,
Mistérios Cerimónias secretas n o culto de certas divin-
por p|roteger os primeiros passos do morto! dades.
Kem-Ur Jljm dos lagos salgados do Delta Oriental e nonie M o n u m e n t o s M o n u m e n t o s , túmulos, estátuas, etc., eram
de Um touro sagrado. j freqüentemente representados em proporções muitas
Kerti D i v i s ã o do M u n d o Interior (grutas circulares) e ad v e z e s maiores do que seria o normal para realçar a
importância sobre os pequenos e fracos. A s pedras das
divindades em que nelas moravam.*
construções eram puxadas c o m cordas sobre trenós e
K h e m e n u 1 A s oito grandes divindades de Hermopolis. paus roliços até o avantajado tamanho de u m metro
KKenti-Amenti Osíris, rei do Aukert, isto é, do Mundo cúbico. A pirâmide de Quéops, por exemplo, tinha cer-
Inferior. i| ca de dois milhões de blocos de granito, postos uns
Khepra p'eusa que presidia à harmonia cósmica. Simboli- sobrè os outros a poder de músculos. Media mais de
duzentos metros de cada lado e mais de c e m de altura.
zada ipor um escaravelho. (
Imagine-se como milhares de vidas durante g e r a ç õ e s
Kher-Aha A n t i g a cidade próxima a ' Mênfis, nãó ' porém, foram sacrificadas na tarefa de dar ao morto a seguran-
| terrestre, mas sua cópia ideal no céu. ,-1 , ça e a vida eternas. Cada pirâmide, cada monumental
Khonsü D e u s da lua.' túmulo era uma fortaleza de pedra destinados exclusi-
1 v a m e n t e à proteção da múmia.
K h p e s h Constelação,
! da U r s a Maior. 1
L a g o de F o g o O Inferno. , tl Mumificação O cérebro do cadáver era extraído pelas
Laringe A s insistentes referências feitas à laringe; nb Livro fossás nasais, as entranhas pelo ânus ou por uma inci-
dos Mortos é explicada pelos egiptólogos como à gran- são! na barriga. Por fim era retirado o coração e subs-
de importância, dada a elá para o uso da Palavra ao tituído por um escaravelho de pedra. Seguia-se uma
l a v a g e m e salgação, onde o cadáver ficava por mais ou
transpor o s obstáculos das doze escdlas. Coiihecer' os
menos um mês. Era secado n o v a m e n t e por outro m ê s
Norrjesidos deuses das regiões, dai Povtas e das Salas
1 011 dois. Para evitar a deformação, o corpo era re-
era tê-los à disposição. , 1 cheado de argila, areia, resinas, rolos de pano de linho,
L e ã o de D u a s Cabeças D e u s Aker. j' í inclusive os seios, e embebidos em drogas aromáticas,
unguentos e betume. Geralmente o amortalhamento era
Maat G r a n d e d e u s a com d u a s p l u m a s na cabeça,; s í m b o l o
feito em vários ataúdes de madeira uns dentro dos ou-
da V e r d a d e - J u s t i ç a . P r e s e n t e ao j u l g a m e n t o dos m o r t o s ,
tros e finalmente colocados n u m sarcófago de pedra.
dela d e p e n d i a a salvação.
Mandjit N o m e da B a r c a de i \ a da a u r o r a ao 1 Sol a pino; N a s c i m e n t o O morto renascia n o Além. P o r isso as fre-
daí ao c r e p ú s c u l o era c h a m a d a Sektet. qüentes alusões à sua infância, juventude, vigor.

248 249
Shu um carneiro, H o r u s um falcão, T h o t h uma íbis e ou seja, transportando pedra ou areia para as pirâmi-
B u t o uma serpente. Ápis, o touro sagrado, era consi- des, mpnumentos, túmulos, etc., seja trabalhando nos
derado o servo do deus Ptah, o símbolo da força e do campos ou carregando água para todos os rrtisteres, ijue
poder. Eram construídos túmulos sagrados para os que fariam nos desertos e campos do Alem.
animais venerados. S ó m a i s tarde na História os deu- '"Fênix Manifestação da A l m a de Ra ( B e n n u ) . A v e fabu-
ses tomaram a forma humana. losa, única da sua espécie, durava' séculos n o meío dos
D j a f i A l m a dupla ou dualidade de Osíris e Ra em uma desertos. Sentindo aproximar-se o termo de sua exis-
s ó pessoa. tência, construía o ninho que se incendiava aos raios
D j e d Pilar engrossado na base e cruzado acima com qua- solares. A s s i m consumida, renascia das suas cinzas,
tro barras horizontais. A m u l e t o s chamados D j e d ti- porquç da medula <Jos seus o s s o s nascia um Verme que
nham também essa forma. E s s e símbolo entre os dava orijpem a outra Fênix.
a n t i g o s egípcios era tão sagrado c o m o a cruz dos cris-
Formas Eátatijetas e amuletos colocados nos ataúdes.
tãos e chegou a ser a i m a g e m hieroglífica da estabilida-
de e da imutabilidade: a primeira barra horizontal •Gato divirto Manifestação de Ra. ' '
representava a ressurreição, a segunda a eternidade, a
terceira a imutabilidade e a quarta a força inesgotável. Hapi O Nilo.
O D j e d era empregado para simbolizar a coluna ver- Hathor D e u s a representada com cabeça humana e chifres.
tebral de Osíris, o eixo do mundo. A cerimônia chama- lieliópòlig, ou Iunu, Cidades do B a i x o - E g i t o , perto do
da D j e d consistia no endireitamento da múmia, isto é, Cairo. Cjentro de Iniciação consagrado a Fênix.
n o levantamento de Osíris, o endireitamento cósmico,
H e r m ô p o l i s , T e m p l o dos mistérios de T h o t h , onde esse
pois posta de pé a m ú m i a triunfava da inércia e da
deus, chamado pelo g r e g o s H e r m e s T r i s m e g i s t o , era
morte, era a ressurreição de Osíris, a esperança da
particularmente venerado. E s c o l a de T e o l o g i a quei ri-
salvação eterna.
valizava com al de Heliópolis. I
Djedi N o m e pelo qual era também chamado Osíris. florizont^ N a teologia egípcia, havia o H o r i z o n t e matuti-
Djedu e Djedit D u a s cidades do delta do N i l o onde Osíris n o e o H o r i z o n t e vespertino.
era particularmente venerado. Horus iDeus que civilizara, s e g u n d o a tradiçãb, o E g i t o .
Duamuft, Mestha, Hapi e Kebhsennuf O s quatro filhos de Ora representado com u m terceiro olho na frente, cha-
H o r u s , guardiães dos quatro Pilares do Céu. madó olho vertical, de ações prodigiosas, ora represen-
Duas Terras O u dois Países, os dois E g i t o s , o B a i x o e o tado por um g a v i ã o ou por u m h o m e m com cabeça de
A l t o , que simbolicamente tinham grande importância na gavião.
teologia egípcia. ^íotep-Sekhus Outra designação do Olho de Ra! (o S o l ) ,
D u a t O D u a t é o centro do mundo, morada dos deuses e que cqmbate e queima seus inimigos.
dos Espíritos que habitam com seu Ser.
lats A s 14 moradas ou ilhas dos Campos da f a z e dos
Endireitamento do corpo A posição vertical significa a Bem-aventurados ( S e k h t - H o t e p e Sekht-Ianrul). j
v o l t a à vida, a ressurreição. N a horizontal, o corpo é
Tmmehet O reino do deus Sokari. |
incapaz de m o v i m e n t o s para o Céu.
Estatuetas e amuletos E r a m colocados nas tumbas para Isis Símbolo da Lua, irmã e esposa do Osíris, grande d^ii*1
eles se encarregarem dos trabalhos i m p o s t o s aos mortos, sa. D e u s a da Medicina, do casamento. Ensinoii a Agrj-

246 1 '''''$47
Anca sagrada Instrumento de ferro com que nas cerimô-
nias se abria a boca do morto para lhe dar o poder da Bak
Pajavra. r 5 o U F , ? n a n U r - a C O n C e p Ç ã ° r d i g i 0 s a d o s a n t i * » Povos
1 m i af Leste e outra a S Oeste.
uuma "Stentad° lMr montanhas,
Anúbis Deus que presidia à aproximação das grevas e da
morte. Representado com o corpo dt homem e'a cabe- Balança Signo do zodíaco, emblema da Justiça
1 Barca de Ra Como as que navegavam pelo Nilo, esta era
;! ça d« cão. Era quem presidia ao embalsamartiento dos
' corpós e os acompanhava ao tribunal de Osiris. Além a que conduzia o deus Ra, personificação do Sol a S
I de condutor dos mortos era o protetor dos cemitérios. ves do espaço, de dia, do Oriente para o Ocidente e
por misteriosas regiões à noite. Como todos os que
; Bpi a que prestavam culto porque acreditavam que morrem tem de atravessá-las, é preciso ter O Uvro dos
i j L ' a W d e Osíris tinha habitado o corpo desse animal. Mortos como guia para tão perigosa travessia e para
ij. j I IjTrnha na fronte uma mancha branca em forma de tanto subir para a Barca celeste. A barca de Ra repre-
i crescente e no dorso a figura de um abutre ou de uma sentava a união do Sol e da Lua. P
, figuial e na língua a imagem de um escaravelho. O boi
i 1 Apis' tinha em Mênfis dois templos em que habitava Boca Abrir a boca do morto com a anca sagrada era con-
alternadamente e onde o iam consultar. Todos os anos ferir-lhe poderes mágicos, o dom da palavra para trans-
! sei celebrava sua festa, que durava sete difis, durante por os obstáculos do Além.
os qu^is o exibiam pela cidade com grande pompa, Busíris Centro de orações.
acopipänhado dos seus sacerdotes. Ao aproximar-se o
fim de sua vida, era sacrificado numa fonte consagrada Buto Divindade que designava a Lua Cheia. Seu célebre
oráculo ficava na cidade desse nome.
ao Sol e elegia-se outro boi Ápis. !
Apopi Espírito do Mal. Dragão do Abismo das Trevas o Cadeira Constelação da Ursa Maior.
principal inimigo de Ra, a luta entre a Luz e as Trevas Capítulos São encantamentos ou sortilégios
Cotoumente representado por estatuetas de cera des- Combatentes Os Dois Combatentes são Horus e Seth
tinadas a esconjuros e invocações mágicas. ; Coraçao O Coração "hati" representava a vida instintiva
Arrite Portas maciças que davam acesso às sete iriansÕes e subconsciente e "ib" era o Coração consciente, cheio
do Dtjat. Diante de cada porta, sentados e armados de de^aspirações Depois da morte, era "ib" quem julgava
faca, havia tres Espíritos: um guardião, um vigilante a vida terrestre do morto.
e um aguazil, que anunciava os que chegavam. Coroa Branca Coroa branca, cónica, de Osíris, represen-
Árvore^ Como em outras religiões, o Paraíso para os egíp- tava o Alto-Egito. A que representava o Baixo-Egito
cios era representado por lugares cobertos de frondosas , era achatada e de cor vermelha. A coroa branca era
arvorejj carregadas de flores e de frutps, çom manan- usada também por vários deuses como adorno Desig-
ciais de aguas cristalinas, sob as quais sfe vivia sem nava os reis do Alto-Egito. *
trabalhar, ao contrário dos áridos desertos àfastados
T
do vale do Nilo.
Atef Coroa. ° T 0 S P ? V 0 S a n t Í g 0 S ' o s e - 1 'P cios
Aukeirt O Mundo Inferior. milhares de deuses, inventaram deuses por tudo E
levados por vaidade e obsessão, procuravam afirmar
Babai Divindade com cabeça de crocodilo que devórava as orgulhosamente suas, relações com as divindades, pre-
almas condenadas. tendendo achar sua origem também divina. Eram re-
presentados por emblemas, plantas e animais. A deusa
! Hathor era uma vaca, Nefer-Tum uma f l o r de lótus
244 ' '' j
245

a
do aniversário de Osíris, nas festas de Sokari e n a
da noite Haker. Este Livro revela os segredos das
M o r a d a s misteriosas do D u a t ; serve de guia para a
iniciação aos Mistérios do Mundo Inferior; permitirá
que passes através das montanhas e penetres os vales
misteriosos que não conduzem a nenhum caminho co-
nhecido; ele monta guarda junto ao Espírito Santi- GLOSSÁRIO
ficado, alarga suas passadas quando marcha, elimina
sua surdez e permite que ele entre em contacto com
Àbydps Centro de orações. Acolhia o santuário de Ósíris.
os d e u s e s . . . Recitando este Livro, não deixes que !

nenhum ser humano te veja, salvo aqueles que te são Aker Divindade representada por um leão com duas ca-
queridos e o sacerdote Kheri-Heb; teus servidores não beçal.
Akeru Divindade da Terra.
deverão mover-se de seus quartos; enquanto a ti, en-
cerra-te numa sala forrada de tecidos estrelados. En- Além Representação ideal da Terra no Céu, povoado pelos
mortos, cuja condições depois da morte estivessem as-
tão, a Alma do morto, pela qual estes textos tenham seguradas. Não podiam, assim, prescindir de sua mo-
sido recitados, poderá circular entre os vivos à plena rada1, seus campos de cultivo e seus mananciais èom
Luz do Dia; será poderosa entre os deuses; não será quf satisfazer a ,fome e a sede, e todas as vestimentas
repelida por eles, uma vez que os deuses, tendo-a exa- e objetos de luxo, instrumentos e utensílios de uso
cotidiano. Mas o mais importante era a conpervação do
minado, reconhecerão no morto um seu igual. Este corpo $ a proteção contra os inimigos, cujas moradas
L i v r o te ensinará as Metamorfoses pelas quais passa fossçm secretas para o repouso eterno, para que a alma
a A l m a sob os efeitos da Luz. Em verdade, este Livro livre, depois da morte, pudesse encontrar b <jor-
é u m Mistério muito grande e muito profundo. Não po £ quie pertencera, a fim de o espírito protetor, o Ka,
personificação da força vital que tom ele nascera, mas
o deixes jamais nas mãos do primeiro que chegue ou
i que não desaparecia com a morte, pudesse garantir ao
nas de um ignorante. mortol no Além a necessária força. O Ka dq morto
exigia sacrifícios e serviço sacerdotal permajnente.
Almas das gerações futuras As várias mençõesI no Livre»
dos Mortos são os seres desencarnados que,| tendo já
superado o ponto culminante da vida no Além,; se pre-
param para nova existência, desde o nascimento, j V
Amenti Habitação dos mortos, a segunda etapa daiVia^erii,
morada de Osíris, onde são julgados. j 1 Ijl '
Ámon Deus solar. O oráculo de Amon era dos ipais IVeH
nerados pelos antigos povos do Egito. ,
111
os braços.estendidos em rogo, oferecendo-te a Ver-
dade e a Justiça... Em meu coração não encontrarás CAPÍTULO CLXXXVIII
nem fraude nem m e n t i r a . . . Pois sei que t<i vives e Para construir uma Morada no Mundo Inferior e para
subsistes na Verdade e na Justiça. Sabe-o, pois, oh' mostrar-se com traços de um Ser humano
deus! eu nao cometi pecados neste Muttdo, não fiz dano
a ninguém e nunca me apropriei de nada. Eu sou Que a paz seja contigo! Eis que, chegado a
ser Espirito santificado no seio do Olho divino, pene-
Ihpth, 0 Hierogramático perfeito, | de mãos'puras,
tras em pazv Santificado és em tua Alma; e tua Som-
Amo das leis, que tem o dom das Palavras de Claréza
bra Olha atentamente em silêncio. . . Que me olhes,
exterminador do Mal, Escriba da Verdade que tem
pois, no momento em que tenhas de passar pelo Juízo,'
aversão ao P e c a d o . . . Volta os olhos para mim, oh por todas as partes onde deva ser julgado, com todas
íeü J t
S0U
° P i n c d d 0 S e n h o r d o Universo, deste as minhas Formas, com todos os meus dons de espírito,
da? leis, que tem o dom das Palavras da Sabedo- com todos os atributos divinos de minha Alma. Que
ria, .que destrói a tílentira e a Fraude, e cuja palavra minha Alma me ilumine, pois, no seio de Ra! Que'me
^pòderqáa nos dois países. Eu sou Thoth, Senhor da santifique no Templo, cada vez que se aproxime, acom-
Verdade j e da Justiça, que concede a vitória ao débil panhada da Sombra, até o lugar em que serei julgado
perseguido, e que vinga o oprimido na pessoa, do opres- e que me contemple! Que minha Alma possa perma-
sor. Eis que eu expulso as Trevas e rechaço as Tem. necer de pé ou sentar-se, ou entrar na Morada de meu
pestadesi Trago o Sopro do Vento do Norte, ao Ser- Corpo tornado uma divindade estelar obediente às
-Bom; esfe sopro vivificante que trouxe ao Mundo ordens de Osíris. Em movimento está, noite e dia e
su^ Mae celestial eu o faço penetrar nas Moradas mis- segue os Ritmos das Festas. . .
teripsas a fim de que possa despertar o Coração do
t r 0raÇã0"CatÍV0"' esse deus d
e Bôndade, CAPÍTULO CLXXXIX
tilhp de Nyt, Horus, o invencível. . . , i|
I i {Variante do capítulo LII)

C A P Í T U L O S C L X X X I V e' C L X X X V C A P Í T U L O CXC
, (Variante do capítulo anterior) ' Este Livro trata do aperfeiçoamento do Espírito
santificado no seio de Ra, confere-lhe o domínio junto
a 1 um. exalta-o junto a Osíris, torna-o poderoso jun-
CAPÍTULOS CLXXXVI e CLXXXVII to ao Senhor do Amenti e digno de veneração junto
{Muito curtos, nos chegaram sumamente mutilados) as Hierarquias divinas. Recitai este Livro no primeiro
dia do mes, por ocasião da festa do sexto dia e nas
I ,• cerimonias de Uak e as do deus Thoth; por ocasião
240
i
241-
,1
i

A m o dos deuses!, regozija-se muito, pois o Egito e o


a coroa branca Atef sobre tua cabeça, eis que és entro-
P a í s vermelho conhecem as doçuras da paz, e sob tua 1
nizado rei ddá homens e dos deuses. Pois, em verdade,
égide se entregam ao trabalho. Templos e cidades são
tu foste coroado o Senhor das Duas Terras, e levavas
construídos em locais apropriados; as possessões de
èm tua fronte òs emblemas da realeza de Ra! na época
cidades e províncias correspondem a seus Nomes; ago-
ra, te oferecemos sacrifícios segundo teu Nome, que é em que ainda repousavas no seio de Nut, tu^ Mãe.
sagrado eternamente... Não ouves como és aclamado? Quando agora apareces, os1 deuses se inclinam profun-
E como adoram teu Nome? Vês como se probede a damente Retrocedem, surpreendidos por um terror que
libações em homenagens a K A e como açodem de toda vem de Rá, è a Força irresistível de tua Majestade os
a p a r t e com oferendas sepulcrais destinadas aos Espí- enche de t e i h o n . . Em verdade, a, Vida te s acompa-
ritos santificados que te acompanham? Eis que são nha, as- oferendas te seguem; todos os dias as encon-
aspergidas com água lustral as oferendas dispostas de tras diante,de teu divino R o s t o . . . Concede-me, pois,
um e de outro lado das Almas dos Mortos . . . Tudo oh! deus, que posáa encontrar-me entre os que seguem
quanto Ra ordenou em relação a ti, no começo dos tua Májeètade, corrio o fazia na T e r r a . . . Quanto à
Tempos está desde esse momento acabado; por isso minha Alma, faze com que seja convocada a! fim de
serás coroado agora, oh! filho de N u t ! Da mesma for- que te ehcèntre ao lado dos Senhores da Verdade e
ma que o Senhor do Universo foi coroado... Em ver- da Justiça. Eis que venho da cidade dos deuses, esta
dade, tu vives, sólido e inquebrantável; tu te tornas região <jue ,existe desde tempos imemoriais;1 em pri-
jovem ; tu és justo e verdadeiro. Ra, teu Pai celestial, meiro lugar, minha Alma, meu Duplo, meu Espírito
consolida teus membros e as Hierarquias divinas te santificado habitarão este país cujo Senhor e o dèus
acolhem com gritos de a l e g r i a . . . Sem se afastar um da Verdade-Justiça; ele, o que busca o alimento para
passo de ti, ísis permanece a teu lado. Teus inimigos os1 deuses. Esta Terra, em verdade, exerce atração so-
não poderão triunfar contra ti; todos os países e todos bre os demais países: os do Sul, seguindo a cori-ente1
os homens exaltam tua formosura, da mesma forma do rio e os do Norte, aproveitando os Ventos propí- i
que aclamam Ra quando a madrugada se l e v a n t a . . . cios que ali chegam, diariamente, a banquetear ^egurçdo!
Erguido sobre teu pedestal irradias sobre os mundos... as ordens do deus, Amo daqui, Senhor da P a z . , . Não
Os corações dos homens cheios de alegria diante de disse esse deus: "Que reine ao menos a a l p g t f a U ò
tua formosura, faz com que acelerem seu passo. A coração dos homens que se ajustam à Verdade e à
realeza é concedida a Keb, teu Pai, o que determinou Justiça com respeito aos deuses destes lugares"? Pois !
tua beleza; quanto à deusa que te trouxe ao mundo
ele concede longa vida aos que atuam assim: ele p^
e modelou teus membros, é Nut a Mãe dos deuses. Em
cumula de honrarias na Terra e mais tarde lhes pré- \)
verdade, tu foste o primeiro de cinco d e u s e s . . .
para brilhantes fdnerais, unindo-os ao solo da Teri-a
Apertando em tuas mãos o cetro do mando e o látego,
sacrossanta. Olha, pois, oh! deus! Eu chego a ti com

238 239
Tu que como conquistador te apoderas do Céu, tu que
pões soblre tua cabeça a coroa Atef, que te apoderas do
CAPÍTULO CLXXXIII
Cetro de mando e do Látego, olha como os deuses acor- Hino a Osíris
rem a ti! Oh! tu, Ser-Bom, Infinito, Eterno, tu permi-
tes aos seres humanos renascer outra vez 4. vida, tornar Chego a ti, oh! Osíris, filho de Nut! Príncipe da
a ser jovens e reencarnar no momento favorável. Eis Eternidade, eu, um entre os deuses que acompanham
de pé, diante de ti, teu filho Horus! Ele te restitui os Thoth, eu que me alegrei com o que se fez por ti,
atributos de Tum. Teu Rosto, oh! Un-Nefer, é de uma trago Ar fresco e agradável para teus pulmões, Vida
forrhosura perfeita! Levanta-te, oh! Macho poderoso e Força para teu formoso Rosto e, Vento do Norte
do Amenti! T u és estável no seio de Nut, tua Mãe para as tuas narinas, oh Senhor da Terra sagrada
divina! Pois ela havia estado unida a ti e, em tua dos Mortos! Ordenou a Shu que ilumine teu Corpo;
pçssoa, ela sai de seu Corpo celestial! Como no pas- seus raios clareiam o teu Caminho; mediante o Verbo
mado, teu Coração "ib" mede a duração de sua vida de Potência de sua boca, destruiu o mal que se agar-
P e l a d o Coração "hati". As ventas do teu nariz estão rava aos teus Membros; pacificou os dois Horus,
p e i a s de Vida, de Força e de Saúde. Como Ra tu esses dois Irmãos combatentes; rechaçou a Tempesta-
renovas tua juventude todos os dias. Grande é teu de e as Inundações; por causa dele, Horus e Seth,
triunfo oh! Osíris! Olha! Venho a ti! Eu sou Thoth 1 assim como as Duas Terras, se esforçam por te serem
Eu tranquilizo Horus e abrando o furor dos dois Com- agradáveis mediante a paz que reina entre eles; con-
batehtes. Domei os Espíritos Vermelhos e os demônios seguiu acalmar a cólera que se acendia em seus cora-
da Revòífa; submeti-os a duras p r o v a s . . . Eu sou ções e os reconciliou... Tu, filho, Horus, triunfa ante
J h o t h j qúe, em Letópolis, conduzo a bom destino os a assembléia dos deuses; a realeza do mundo inteiro
Mistérios Ida Noite. Eu, Thoth, apareço todos os dias lhe foi conferida. Além disso, o Trono de Keb lhe foi
na cidadp de Buto: Levando abudantes oferendas aos atribuído, assim como a categoria que Tum decretou
Espíritos santificados, chego aqui para devolvèr-te o fixada por escrito nos Arquivos e gravada em uma
ombro de Osíris que embalsamei e perfumei para que placa de ferro segundo as ordens de teu Pai. Ptah-
seja agradável ao olfato de Un-Nefer. Eu s'ou Thoth -Tanén, o que está sentado em seu trono real. . . Orde-
que a Cada dia vem à cidade de Kher-Aha. Eis que nou a seu Irmão que endireitasse Shu, fizesse subir
a m a p o minha Barca; conduzi-a de Leste a Qesté., Em as águas até o cimo das montanhas para que a erva
verdade, eu sobrepujo em esplendor a todos os deuses, germinasse nas colinas e o trigo nos vales a fim de que
pois meu Nome é: "Aquele-que-é-sublime". Abri os a terra e a água não deixassem de p r o d u z i r . . . Eis
caminhos até o Bem com meu Nome de fJp-Uaut. que os deuses do Céu e os da Terra acompanham teu
Glória a Osíris Un-Nefer, Infinito, Eterno! Filho Horus à Sala onde imediatamente é proclamado
seu Senhor e seu Rei. . . Teu coração se alegra, oh!
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der mágico; seus atributos divinos, teus atributos di- to o débil escarnecido. Eu disperso as trevas e rechaço
vinos; seus talismãs, teus talismãs; imortal ele, tu as tempestades. Eu faço chegar até Osíris, o Ser-Bom,
também o és! Invencível ele, invencível és tti! Ina- q ar fresco e agradável dos ventos do Norte no mo-
tacável ele, inatacável és tu! Glória a ti, oh! Osíris, mento em i que este deus abandona o seio da deusa
filho de Nut, Senhor dos Cornos da Lua, coroado do que o trouxe ao Mundo. Eis que Ra se recosta no
Atef, diadema resplandecente! Eis que recebes, tu, Horizonte, semelhante a Osíris; e que Osíris se recosta
1
Chefe supremo dos Juízes infernais, a coroa real Ure- no Horizònte semelhante a Ra. Sou eu quem faz Ra
ret. Tum semeia por toda parte o terror de teu Nome: penetrar no seio dos Mistérios sagrados onde os Espí-
no coração dos homens, no coração das mulheres, dos ritos divinos tornam à vida o Deus-do-Coração-Cativo,
deuses, dos Espíritos santificados e dos mortos. Eis a Alma misteriosa do Amenti. Ouves os gritos de ale-
que põem em tuas mãos a coroa real de Heliópolis. gria ânte o Deus-do-Coração-Cativo, filho de Nút, o
Inumeráveis são, em verdade, tuas Metamorfoses em Ser-Bom? Em verdade, eu sou Thoth, o poderoso, o
Djedu! Grandemente temido nos Dois Mundos, tu dás bem-amado de Ra! Tudo quanto Ra empreende é, gra-
prova de bravura no Re-staú. Tua recordação é doce ças a mim, coroado de êxito. Como Thoth,j eu sou o
para os amos do Grande Templo. Eis que te levantas Grande [ Mago. Sentado como ele na Barca-dos-Mi-
em Abydos e triunfas diante das Hierarquias divinas. lhões-de-Anos eu sou o Senhor da Lei escrita e o Pu-
T u a potência guerreira é, em verdade, temível! toda rificador , das Duas Terras. Meu esplend<pr hiágico
a" Terra treme diante de ti! protege Nut que lhe deu vida. Eu abato osi iriimigis
e destruo os obstáculos. Cumpro as vontades'^e Ra em
seu santuário. E u sou Thoth que triunfo do£ inirr^gós
CAPÍTULO CLXXXII
de Osíris e que, à vista das catástrofes que espèrâm,
Para conservar Osíris estável enquanto Thoth dispõe dos Mundos do A m a n h ã . . . E m minjiá qu^liiia-
rechaça seus inimigos de de Thoth, eu administro o Céu, a Terra ej q Duat,
e confiro vida ás Almas das gerações futuras j.
Eu sou Thoth, amo dos dois Cornos da Lua ; Pela potência de meu verbo mágico faço chegar ji ar
minha letra é perfeita e minhas mãos são puras. De- para quem passa pelas provas dos Mistério^. Eis que
testo o Mal e a Iniquidade me aborrece; fixo por es- chego a oh! 'Senhor da Terra sacrossanta, Osíris,
crito a Justiça divina. Em verdade, eu sou o Pincel macho poderoso do Amenti! Olha! Teu Trono ç estável
com o qual escreve o deus do Universo. Eu sou o Amo para tMa a Eternidade! Mediante a mágica proteção
da Retidão e da Lèaldade, o Senhor da Verdade e da de minhas mãos, confiro a teus membros a Duração
Justiça. Eu destruo a Mentira e testemunho a Ver- infinita; protegendo tua existência e a do teu Duplo
dade ante os deuses. Minhas palavras são poderosas nos etéreo, monto guarda junto a ti, todos os dias da minha
Dois Mundos. Eu humilho o injusto vitorioso e levan- v i d a . . . Oh! Rei do Duat! Oh! Príncipe do Amenti!
I
234 i 235
deus Tatunen! ' 0 S braços para mim! Ao pôr
inteiramente direita, minha Forma recostada, os habi- tos, assim como aos deuses! Em verdade, eu sou o
tantes do Duat tornam a encontrar a paz de espírito! deus Mehanuti-Ra! Eu sou o pássaro misterioso
Oh! vos, Espíritos divinos, estendei vossos braços para Bennu, que habita no Duat, Faço nele minha entrada
me suster! Pois eu conheço vossos Nomes misteriosos 1 e quando saio dele, o pássaro misterioso surge no
Mostra f -me o caminho que devo seguir! Glorificai-me C é u . . . Seguindo Ra, eu atravesso o Céu noturno;
oh! vos, Espíritos bem-aventurados! Pois em verdade' ' minhas oferendas celestiais, eu as encontro nos Cam-
quando sou glorificado, são Ra e Osíris que se rego- pos de Ra; e minhas oferendas terrestres, nos Campos
zijam! Eis que coloco as oferendas ante vps' Tal é dos Bem-aventurados. Eu avanço sob os traços de meu
a vontade de Ra. Eu sou seu Eleito, seul Herdeiro na Corpo Glorioso, o dos misteriosos atributos. . . Gran-
l e r r a . . . Agora, minha Viagem chega ao Fim Per- des são minhas passadas. Minhas Metamorfoses são
corri todas as rotas do Além; penetrei até as regiões as do Duplo deus H o r u s - S e t h . . . Eis que os. Espíritos
distantes dò Duat; entrei à força no formoso Amenti- divinos que precedem Ra me conduzem em sua Barca
presenteei com meu cetro o Espírito estelar de Sirius' celestial; pois eu sou semelhante à Alma misteriosa
e con
. J o diadema de Nemmés a divindade cujo Nome que mora eternamente no A m e n t i . . .
nao deve ser revelado. . . Olhai-me, pois, oh! vós Es-
p e t o s santificados! Vós que guiaif as Almas' dos CAPÍTULO CLXXXI
jnqrtos ao longo dos caminhos que sulcam o Duat'
! P 0 5 ^ c h e &ar a ser um Espírito santificado e Para postar-se diante de Osíris e suas Hierarquias
jser, promovido Ordenador dos Mistérios! Livrai-me
do poder dos demônios que atam suas vítimas ao poste» Salve, oh! Príncipe do Amenti, Ser-Bom, Senhor
da Terra Sagrada, tu que, como Ra, foste coroado!
k T Á m ^ e n t r ? U í S à s m ã o s d o s d e ™ n i o s , pois eu sou Eis que chego para contemplar-te e gozar do espetá-
Ö pHèrdeiro de Osíris! y e d e o diadema de Nemmés culo de tua formosura! Pois o Disco de Ra é teu Deus;
que,(adorna minha cabeça! Eleito dos deuses, cheguei seus raios de luz, teus raios; seu Diadema Ureret, teu
ji S^r ca^ne de vossa carne! Eu me igualo a meu Pai diadema; sua imensidade, tua imensidade; suas saídas
Osíris a ; quem veneram as quatro Regiões do Espaço à aurora, tuas saídas à aurora; suas formosuras, tuas
por conseguinte, olhai-me! E ao ver-me, 1 alegraisi formosuras; sua espantosa majestade, tua majestade;
Oxala posáa ser exaltado como é esse deus que percorre os perfumes que exala, teus perfumes; seus palácios
o ciclo de suas Metamorfoses! Abri a minha Alma no Céu, teus palácios no Céu; suas mansões, tuas
divina as .Vias celestiais, para que possa permanecer ' mansões; seu Trono, teu Trono; sua Herança, tua
no formoso Amenti! Descerrai os ferrolhos das Portas Herança; seus ornamentos, teus ornamentos; seus de-
ao Leu, pois sou eu quem indica aos deuses os luga- cretos, teus decretos; seu Amenti, teu Amenti; suas
Ti: e m
" apresentar oferendas às Almas ^os mor- possessões, tuas possessões; seu poder mágico, teu po-

233
]

CAPÍTULO CLXXIX dade de movimentos, a fim de que possam, em gran-


des paásaáas, percorrer o Mundo Inferior e em! se-
Para ir do Ontem até o Hoje
guida is^ir dele. Como dar-lhes a possibilidade de efe-
O Ontem me deu a luz. Eis ao Hoje, eu criei os tuar todas, as Metamorfoses de uma Alma'viva.
Amanhãs. Eu sou o deus Seps saindo de sua Árvore. Eis (Ra que desce até o Horizonte iOcidental!
Senhor da Coroa branca Ureret e o Ordenador dos Manifesta-se com os traços de Osíris mediante a ra-
Mistérios do deus Neheb-Ko. Eu sou o Demônio Ver- diação dos Espíritos santificados e de todos os deuses
melho que reivindica o Olho divino. Ontem franqueei do Arrientl. Pois ele é o Único, o deus oculto do Duat,
a Porta de Morte e eis que chego ao término de minha ja Alma sagrada que preside os destinos do Àmenti, o
Viagem. Pois a poderosa deusa abre para mim a Porta Ser-Boín| cuja vida é eterna! Eis que trazem as ofe-
que guarda a entrada da Rota. Eis que ataco meu rendas do Duat, graças às quais tu poderes realizar
Inimigo e o subjugo; rendeu-se e não o soltarei... a Viagemi. . . Filho de Ra, tu procedes de (Tupi. Op
Eu o reduzirei a nada diante dos .Juízos do Mundo habitantes do Duat te glorificam. Oh tu, Rei do
Inferior que rodeiam Osíris: Aí está, com.toda a Gló- Aukert, Dono Supremo da Coroa, deus graíide çpjo1
ria de seus atributos reais: Eis o deus Khenti-Amen- Trono é misterioso, Senhor que sabe pesar ai palanca,
ti! No dia das Metamorfoses, coloca-me à ca- Chefe supremo dos Juízes infernais! Os habitjant^S ^o
beça dos Espíritos Vermelhos. Porém, sou também o Duat te glorificam e se alegram contigo! Os| Espírjtos
Senhor das Espadas e me defenderei contra todo ata- divinos ,choram ao te advertir e arrancam-Se Os c^W-
que. Em verdade, eu sou um escriba que, pincel à los; aplaudem-te, glorificando-te; lançam gritos solu-
mão, toma nota de tudo a seu redor. Eis que os Espí- çando ; regozijam-se; pois sabem que em t^a Alma
ritos Vermelhos trazem muitas coisas agradáveis e viva é glorificado teu Corpo inanimado.. . As Alrriàs
doces. E entregam a niim; eu ataco meu Inimigo. dos mörtos te glorificam entre gritos de alegria!1, i .
Subjugo-o e não o soltarei. Acabei com ele diante dos Em verdade, sublime é a Alma de Ra que habita no
Juízes do Além! Devoro-o em meio aos vastos campos A m e n t i L . . Salve Osíris! Eu sou o servidor de teu
diante do altar da deusa IJadjit. Graças à deusa Templo e habito a divina Morada em que tu deixas
Sekhmet, guardo meu poder sobre ele. Eu sou o Senhor ouvir tuas ordens. Possa eu ser recebido entre os Élei-
das Metamorfoses... Pois eu possuo em mim, virtual- i tos do Duat, semelhante a uma grande Luminária que
mente, as Formas e as Essências de todos os deuses. alimenta o Duat com a Essência de seu Ser! .
E u o percorlro em minha qualidade de Filho de Ra
CAPÍTULO CLXXX e me manifesto sob os traços de Tum. Em verdade, o
Duat é para mim um lugar de repouso... Eu regulo
Como abrir aos Espíritos santificados os cami- à minha vontade a obscuridade que nele reina. Sem
nhos do Mundo Inferior. Como devolver-lhes a liber- dificuldades entro e saio dele. Eis que esterídes, oh!

230 i 231

i
bida! Eis que percorre o Céu. . . Suks revoluções ce-
Thoth no Céu. Oh! vós, 1 Espíritos divinos que libertais
lestes são semelhantes às de T h o t h . . . Eni verdade,
a Alma do morto, fortificai-a com vosso alimento!
ele detesta-a fome e a sede. As oferendas sepulcráis
lhe foram concedidas pelo Senhor da Eternidade. Foi Acalmai sua sede com vossa bebida! Permiti que se
concebido durante a Noite; trazido ao Mundo em pleno sente onde vós estais sentados! Que seja forte de vossa
Dia, em meio a essks deuses que rodeiam Ra|, adorado- força! Que possa como vós percorrer o Céu em sua
res de Ra e Antepassados dos deuses. Eis que ele vos Barca! Que sua morada esteja em meio aos Campos
traz pães sepulcrais encontrados na Pupila do Olho dos Bem-aventurados! Que alcance a ventura de gozar
divino de Horus e nos galhos da árvore pagrada de das águas correntes dos Campos da Paz! Que consiga
T h e n . . . 1 Eis aqui! Chega! As divindades Khenti- 1 consumir suas oferendas em companhia dos deuses!
-Amentj lhe trazem as oferendas de Horus. Da mes-' Agora teus inimigos são levados à vasta Sala do Juízo;
ma forma que Horus, delas se alimenta e delas bebe. ! a Balança da Justiça dos Mundos se pronuncia em
Tem, além disso, o favor de Anúbis, habitante solitário teu favor. Sim, estás livre! Livre como Osíris, Dono
das Colinas. Em verdade, tua Forma depois da morte das oferendas do Amenti! Vai onde melhor te pareça.
permanece como a que tiveste durante tua1 vida na Ter- Contempla o grande deus durante sua Obra de Cria-
ra! Agora tua juventude é eterna! Eis que teu rosto é ção . . .
descoberto. Agora podes contemplar o Senhor do Ho- 1 Eis que a Vida é devolvida às ventas de seu
rizqnte que te oferece, nas horas apropriádas da Noi- nariz. Ele triunfa de seus inimigos. Sim, em verdade,
te, tuas ceias sepulcrais. . . Em verdade, Horus te vin- tu execras a mentira e a iniqüidade. Tu abrandas o
gou! Arrebentou as mandíbulas de' teus iríimigos! tédio do deus deste Mundo durante a Noite em que os
Aprisionou os violentos em suas praças fortificadas. soluços se calam. Eis que os deuses te concedem a
1
Agora, tu obténs o poder sobre as águas e caminhas
vida, uma vida doce e agradável. Tu triunfas de teus
P a r a ° ajltar tendo em teus braços os pães consagra-
inimigos enquanto por cima de ti, tua Mãe, a deusa
; dos e os quatro vasos cheios de água. Pois foi Shu
Nut, estende a imensidão dos Espaços celestiais. Em
quem ordenou para ti: "Que tenhas pão e bebida!. . . "
virtude da magia poderosa da Grande Criadora dos
Desperta, oh! tu que estás dormindo! Eis que trazem
Seres, tu podes seguir o deus Grande; tu foste liber-
oferendas diante de Thoth, esse deus poderoso que sai
tado de inimigos e de todo M a l . . . Oh! Forma imensa
• d ô j í i l ò celestial enquanto Up-aot sai do Asert e as
rodeada da multidão de criaturas que fizeste nascer!
Hierarquias divinas te oferecem incenso. . . Em verda-
Tu, Amo do Tempo que transcorre, Antecessor de Ra,
de, tua boca é pura! Tua língua é justa e verdadeira!
abre-me os caminhos! Deixa-me percorrer a órbita
Tu detestas as imundícies e estás isento de toda man-
circular de Osíris, Senhor da Vida das Duas Terras,
'>.;, como Seth se torna puro em Rehiú quando vê
o Eterno!
118
sa-escorpião! Em verdade, eu sou teu filho, oh! Ra
meu Pai divino! Para mim criaste a Vida, a Força é i CAPÍTULO CLXXVIII
a saúde! Eis que Horus se estabeleceu em seu Trono iPara pôr de pê o cadáver e para devolver a Vista aos
Concede-me, oh! Ra, que os dias de minha vida me
' Olhos e a Audição aos Ouvidos ,
levem ao seio da Beatitude. í
Olha!, É o Olho de Horus que aparece diante de
ti. Considera-o como uma oferenda; ele te alimentará,
CAPÍTULO CLXXVI ele te sustentará... Oh! vós, lavradores dos Campos
do Além, não percais o ânimo! Purificai vossos cor-
Para não morrer pela segunda vez
pos celestiais! Absorvei o Olho de Horus! Pois j erçi
_ Em verdade, aborreço-me no País do Leste! Que verdade ele é a Oliva Sagrada de Heliópolis !| Ele cjés-
1
n a o me arrastem aos subterrâneos de tortura! Pois eu trói o Mal e a Corrupção que se apegam ao1 C<f>rpo ' de
n a o cometi ações detestadas pelos deuses. E quando Osíris. Possa eu ignorar a fome e a sede! Que os
passo pela região de Mesket sou reconhecido puro Espírito^ Khas abrandem em mim os sofrimentos 6| á
N o dia de meus funerais o deus Neb-er-dier me con- fome! Que encham de calma e satisfação meu cora-
cede a santificação diante do Senhor dos Mundos. ção aflito! Quantb a vós, Espíritos divinos, ordenado 1
res das inundações, fazei que me sejam trazidos pães
e bebidas! Pois Ra havia ordenado aos Espíritos que
CAPÍTULO CLXXVII procurem as oferendas e tragam trigo, cevada e p^es.
Pois Ra é um Macho poderoso... Oh vós, Guardiaes
Para fazer reviver a Alma no Mundo Inferior dos cinco Pães Sagrados depositados no Santuário do
Grande Templo! Olha! Três destes Pães são colocados
Oh! N u t ! Tu que fizeste surgir Osíris, meu Pai
diante de jRa, 'no céu ; dois permanecem na Ter-
divino, e que lhe hás dado Horus como sucessor, Horus
ra, junto às Hierarquias divinas... Eis ç[ue p^sso
cujas asas são poderosas como as de um falcão real de
através das barreiras do Céu. Eu te contemplo,0 R a !
cabeça adornada com duas plumas, olha! Eis que me
Eu te contemplo, Ra, oh! Ra! Concede-me teus, favo-
trazes minha Alma. Perfeitas são minhas Palavras
res neste dia, venturoso para mim! Pois, obedecendo
de Potencia. O lugar que me foi destinado se encontra
ias Ordens cie Shu e de ísis, não alimento senão sen-
entre as estrelas fixas. Eis que obedecendo minhas
timentos piedosos e com fervor me uno a meu deus.
ordens, os Espíritos santificados correm até mim Ho-
Eis que me trazem pão e bebida e outra oferendas pu-
rus de olhos azuis vem para mim seguido de Horus
ras à vontpde, neste dia, venturoso para mim, coisas
dos olhos vermelhos que, atrás dele, me prote-
úteis e boás para minhas Viagens, saídas do Olho di-
vino de H o r u s . . . Que o vinho de Ra seja a sua be-
136 119
Thoth, os designios.de Tum, para que o Mal não possa eu a substituir Horus e por isso me será concedido
triunfar e os adversários do Bem não possam continuar contemplar Tum, meu Senhor. . . Qual será, pois,' a
em seus ataques. Não vês., oh! Thpth, como neste mo- duração da minha vida? Foi determinado que s e r á d e
mento fazem silenciosamente, seus pJeparativos contra milhões e milhões de anos. liis que recebo a ordem de
a formosa Ordenação dos Anos e. dos Mqses? Olha' permanecer junto às divind ides mais a n t i g a s . . . Pois
Eu sigo teu fiel Tableta, oh! Thoth! disposto a receber já paguei o Mal que cometi desde que esta Terra sur-
a marca do teu Pincel. Eis que te trago teu Tinteiro giu com o Albor da existência, no Oceano do Céu,
Em verdade, eu não sou um desses Espíritos que às surgindo do Caos dos Primeiros T e m p o s . . . Em ver-
ocultas preparam a Obra do Mal. Que o castigo" pois ! dadé, eu tenho a mesma idade que O s í r i s . . . Mtilti-
nao seja dirigido contra mim! Oh Tum! Q>ue lugar é plas foram as minhas Metamorfoses: eu percorri toda
este a que chego neste momento? Ai! Não encontro a série dos Seres Variados. Os homens ignoram a for-
ar puro para respirar e falta água. Não sinto por toda mosura destas Formas; quanto aos deuses, também
a parte nem se adivinha em meio destas Trevas, ouúra mal as conhecem. Pois bem, essa formosura que, sob
coisa senão abismos e precipícios! Que impenetrável a forma de Osíris é a minha, é mais perfeita que a dos
escuridão! Meus passos titubeantes exploram 0 terreno outros deuses.Osíris me confiou a Região dos Mor-
e avanço apenas tateando; ao redor percebo Almas in- t o s . . . Eis que seu filho Horus, seu Herdeiro legí-
E m
verdade, impossível viver aqui timo, está sentado no Trono que emerge do Lago de
com paz de espirito nem conhecer nesse lugàr as vo- Fogo. Em outros tempos, eu ajudei este deus a subir
a a seu Trono que se encontra na Barca dos Milhões
T - P 0 S S a 6U C n C O n t r a r PeÍo — • "a de A n o s . . . Em verdade, Horus está solidamente es-
falta de ar e_de agua, e em lugar dos prazeres do amor tabelecido em seu Trono, em meio dos amigos a que
a santificaçao do meu Espírito! E, na falta de pães ama e de numerosas propriedades; enquanto a Alma
sepulcrais e de vinho, a paz para meu Espírito! de Seth permanece afastada dos demais deuses... Eis
, Eis que me chega uma ordem de Tum: imóvel que eu posso imobilizar em minha Barca esta Alma de
devo contemplar o teu rosto, oh Thoth! Não sejas pois Seth. Em verdade, ao ver meu Corpo divino, sente me-
demasiado duro nem demasiado cruel | P ara mim! Olha» do ! Oh Osíris, meu Pai, faze por mim o que teu pró-
..Iodos . ^ deuses põem em tuas mãoJ, por milhões de
prio Pai, Ra, fez por ti! Que eu possa me estabelecer
a ^ s . do [futuro, seus Tronos, oh! Thoth,! para que tu
11a Terra por toda a Eternidade! Que possa manter
possas dispor deles enquanto teu próprio Trono é en-
em meu poder meu Trono! Que possa meu herdeiro ser
tregue a teu filho Horus. Pois as grandes divindades
vigoroso e sólido! Que minha tumba floresça! Que
c viaram Horus para tomar posse do teu Trono, a ele
meus amigos prosperem! Que meus inimigos sejam
-rdeiro do Trono, que mora no meio do Lago do
!p amarrados, aprisionados, destruídos por Serkit, a deu-
Pois bem, os deuses decretaram que seja

225
CAPÍTULO CLXXIV deus da Nobre Pluma e cujo Nome é mistérios?, sa-
be-o: eu s0U |0 Lótus sagrado! Minha radiação invade
Para fazer o Espírito santificado ultrapassar a
o Céu infinito! O Reino da Pureza me recebe epi seu
Grande Porta seio e nele permaneço eternamente perto das narinas
da divindade todo-poderosa, pois eu permaneci no Lago
Oh! Osíris! Eu sou teu filho Horus e atendo a
de Fogo e aí recebi o meu castigo pelo Mal que prati-
tuas necessidades. Em verdade, os poderosos tremem
quei na Terra. Chegando a ser o Guardião do T r a j e
quando te vêem sair do Duat com o grande punhal na
Sagrado, protejo ísis e Néftis durante a Noite dò
mão. Salve, oh! deus Saa. filho de Keb, trazido ao
desmoronar dos Mundos. . . Eis que sou coroado deus'
Mundo pelas Hierarquias divinas! Eis aqui Horus que
Nefer-Tum pois eu sou a Açucena sagrada jun-1
mora em seu Olho divino! Eis Tum em meio de suas
to às narinas de Ra. No momento em que, segundo seu
emanações! Os deuses do Leste e do Oeste repousam
costume, aparece no horizonte. Sua vista purifiça os
no seio deste Ser cujas Metamorfoses são inumerá-
deuses Saa e Amenti-Ra. Eu me dirijo para o local
veis . Em verdade, no momento em que nasci, no
que me foi preparado perto dos Duplos etéreos. Reúno
Mundo do Alem nasceu uma divindade nova: era eu!
ao meu redor os corações por causa de minha grande
Agora, com. meus olhos, posso v e r . . . Olho ao meu
sabedoria no seio dos deuses Saa e Amenti-Ra; meu
redor; existo. Minha visão é clara e penetrante. De pé,
talismã Djed me protege. Então, eu pronuncio, em
volto a apanhar o fio interrompido de minha existên-
Nome do Senhor do traje Ansi, as palavras de po-1
cia. . . Cumpro o que me havia sido ordenado pelos
têntia que se ocultam em meu coração... Em verdade,
deuses, pois a preguiça e a sonolência me causam hor-
eu sou, eu próprio, o deus da sabedoria, Saa! Eu sou
ror. Estou de pé em Nedet; minhas oferendas me che-
Amenti-Aa! For^o a entrada e mergulho nos Abismos
gam de Pe e eu as as recebo em Heliópolis. Em verda- 1
do Céu!.. . |
de, Horus cumpriu o qüe lhe havia sido ordenado por
seu Pai e Seth, Senhor das Tempestades, o reergueu
até pô-lo de pé. Eu mesmo te endireitei e te pus de pé, CAPÍTULO CLXXV
mediante a Palavra mágica de Tum. Avanço, minhas Para não morrer pela segunda vez
pernas não me negam obediência. As Hierarquias me
engédráram; fui concebido pela deusa Sekhmet e tra- Oh! Thoth! Dize-me! Que aconteceu aos deuses
zido aò :Mundo por ele ao lado de Sírius, esse grande que Nut pariti em outros tempos? Ouço a voz de Thoth
espírito estelar, que, atravessando ó Céu a grandes pas- e falo: "Engendraram lutas, desencadearam desastres,
sadas, mostra todo o dia à Barca de Ra o caminho. Eis cometeram ihliqüidades, criaram demónios, causaram
que chego ao lugar que me foi predestinado: com a du- estragos e destruições; mas, ao lado destas Obras do
pla coroa real na cabeça, atravesso a P o r t a . . . Tu, oh Mal, fizeram grandes coisas". Põe em vigor, oh!

222 i, 223
t i ç a . . . Rechacei teus inimigos; possa eu permanecer
ç i ( V Â n ; •' C h ^ m a m - t e ! Tu os escutas? Eis a oitava
Sala-Ordenadas diante de Ra, mostram-se süas ofe- junto a ti! Pois apoiei e sustentei todos aqueles que na
rendas Segundo os desígnios de Horus ide l ho L f e r r a participam do teu Ser. Oh Osíris! Eu sou teu
tu conhecerás, lá embaixo, o princípio e o f „1 ' filho Horus, venho aqui para vingar-te, oh meu Pai,
Osíris! E para varrer teus inimigos e para destruir ó
at,rte £ T ! ° e S p e t á c u b d 0 teu esplendor oi' Mal que se apega à tua pessoa! E para abater quantos
alegra acompanham com atenção os progressos de
tua divindade entre os Espíritos de HeltópoH f u te atacam! E para ferir os demônios que te assaltam!
Mantenho acorrentados os demônios de Seth! Combati
or a r n es a S or a nd r ^ 2° ^ ^ <*>*»<> e os que te eram hostis! Trag> as oferendas do Sul e do
teus dois ^irar P"""*0 do Céu' Acebes sobre Norte. Para ti lavrei os campos. Para ti enchi de
teus dois braços bem estendidos as oferendas sepul
crais de teu Pai divino. Apresentam-te l i n h o ¥ n o para agua os canais. Para ti trabalhei com a enxada. Abri
o uso de todos os dias, enquanto, em tua qualidade " cisternas para ti, vigiei os terrenos para ti. Os demô-
novo deus, tu atravessas o Portal do Grande. Templo nios mortos por mim te servirão, oh! Osíris, oferendas
( sepulcrais. Para ti matei bois e cabras. Procurei ali-
C h a m a
SalaÍAmi- ^te! Tu 05 escu
t a s ? Eis a nona mentos para ti. Para ti t r a g o . . . Para ti derrotei. . .
na iz Z 1 enCOntr
° r ° PUr
venta Para as
* do meu Para ti matei animais castrados. Para ti apanhei pás-
nariz, mil gansos selvagens e cinqüenta cestas com saros em minhas armadilhas. Mantenho acorrentados
velas e puras oferendas. Em verdade, teus t i m , ^ teus inimigos. Trago água fresca de Elefantina para
foram derrotados por toda a Eternidade. . }
retrescar teu coração. Trago-te plantas de toda a espé-
cie. Consolidei os corações daqueles que na Terra co-
i C A P Í T U L O CLXXTIT
mungam contigo. Preparei para ti pães consagrados
Palavras de Horus a seu Pai dh-ino, Osíris, n0 mo- feito na cidade de Pe, com trigo vermelho. Preparei
mekto cm que entra em sua casa, em sua morada para ti bebida fermentada feita com trigo branco da
no Mundo Inferior \ cidade de Dep. Semeei para ti nos Campos dos Bem-
aventurados, trigo e cevada. Para ti fiz a colheita.
Salve oh! Osíris, Príncipe do Amenti. grande di- Glorifiquei o teu nome. A ti devolvi as tuas Almas.
vindade. Senhor de Abydos, Rei da Eternidade, Prín- A ti devolvi o teu poder. A ti devolvi tua potência
' c l P e J d a D «ração, deus misterioso do Re-staú! Eis-me aterradora. A ti devolvi tua potência de Vitória. Tra-
aqui! Se glorificado. Senhor dos deuses, o Único, tu go-te teus dois olhos e duas plumas para que adornem
vivendo pela Verdade da Palavra! Eis que chegb dian- tua cabeça. Trago-te ísis e Néftis que te restabelece-
te de ti Eu, teu filho Horus, que venho aqui para rão em teu poder. Para ti enchi com líquido mágico o
vi;i;;ar-te! As paragens onde reinas ebreado das Hie- Olho divino de Horus. Trago-te o Olho divino de
rarquias. Ovinas trago a deusa da Verdade e da Jus- Horus, para que tua Face ilumine os Mundos...
7"< !>
122
ção "hati" é animado pelas divindades Sekhem destina. Lavas teus pés em uma bacia de prata feita
Toda a tua pessoa glorifica os espíritos estelares, pois, para ti pelo deus Sokari. Absorves o pão consagrado ;
em verdade, o Mundo Inferior do teu Ser ,, é o no altar e que os dois Pais divinos abençoaram. Com
próprio Céu infinito. Teu umbigo é o Reino dos precauções provas o pão e os assados. Desfrutas do |
Mortos , onde a Luz das Trevas se mantém em doce perfume das flores. Teu coração se dirige pprâ ;
equilíbrio. (As oferendas que convêm aqui são as o altar em que estão expostas as oferendas destinadas
flores Ankham.) Eu glorifico a Thoth, o deus a que às Almas divinas de Heliópolis. Os servidores às tra-
venero: "Possam tuas formosuras benfazejas prpte- zem e as colocam, segundo tuas ordens, diante dip ti,
ger minha tumba no momento em que nos lugares pu- no Grande Templo. Tu te levantas semelhante a Órion,
ros e santos que me são tão queridos, eu seja procla-, e enquanto Nut te estende os seus braços, eis que^tu
mado deus!" vais ao seu éncóntro. Órion, Filho de Ra, e Nut, a Mlãe
dos deuses, estas duas grandes divindades do Céu, fa-
V . . . Chamam-te! Tu os escutas? Eis a quinta lam de ti dizendo uma à outra: "Que o tomemos nos
Sala! Teus dois braços são semelhantes a Lagos na braços, tu e eu, hoje, enquanto os deuses o glorificam,
época dás inundações... vê quantas estátuas do Amo e o façamos feliz por tanto tempo quanto seu Nome
das Águas adornam por toda a parte os lagos sagra- estiver na boca de rapazes e moças". De pé, à porta
dos ! Observa! Teus quadris estão circundados de ouro; em tua morada oculta, tu escutas estas palavras,..
teus joelhos são semelhantes a plantas aquáticas abri- V I I . . . Chamam-te. Tu os escutas? Eis a sétima
gando, em profusão, ninhos de pássaros. Tuas pernas Sala! Eis o deus Anúbis que te ama e traz tua morta-
te conduzem ao Caminho da Felicidade e teus pés são lha, Ele te recebe entre os Grandes Videntes e te côbre
estáveis para todo o sempre. Em verdade, teus braços de! adornos. Ele, Guardião da Grande Divindade...
são tanques com bordas de pedra; teus dedos são bar- Tu te diriges para o Lago da Perfeição e nele te puri-
ras de ouro e tuas unhas como pedaços de sílex, tra- ficas. Tu cumpres os ritos dos sacrifícios nas moradas
balham por ti! celestiais. Tu obténs as graças do Senhor de Helió-
V I . . . Chamam-te! Tu os escutas? Eis a sexta polis. Apresçntam-te, em dois vasos preciosos, Leite
Sala! Aqui te engalanam com teus Trajes de Pureza; Sagrado e Água de Ra. Agora te erguem e te põem
te estendem sobre teu leito mortuário; trazem-te coxas de pé. Tu lavas os pés sobre uma pedra sagrada, à
de animais para teu Duplo e seus corações para teu margem do Lago dos Deuses. Isto feito, voltas a em-
Corpó Glorioso... Eis que recebes das mãos dos sa- preender tua Viagem. Tu contemplas Ra sentado sobre
cerdotes de Ra teus trajes de linho puro. Provas o seus Pilonos. Semelhantes a braços estendidos, susten-
pão sobre um mantel preparado de antemão para ti tam o Céu infinito.) Um caminho se abre diante de
pela deusa Tait. Depois de haver saboreado a coxa de ti . . . E tu contemplas os vastos horizontes do Céu,
um animal, tu te diriges para a Herança que Ra te onde reina a Pureza tão grata ao teu coração.

234 i 235
| C A P Í T U L O CLXXII , , deusas irmãs das quais as serpentes sagradas domi-
Os Hinos para Recitar 1 nam a cabeleira. Teu nariz respira o Ar do Céu. Teus
olhos, fixos, olham as montanhas de Bakhó que se
Eis que aspiro profundamente e sintd a presença ! estendem no Além. Teus cílios estão imóveis por toda
de toda a espécie de incensos. Etri verdade, sou puro' a Eternidade. A palpebra superior parece de lápis-la-
Puros sao os hinos que saem de meíis lábios, Mais pu-
zuh. Teu olho, em verdade, é uma oferenda sepulcral.
ros, com efeito, que a deusa Maat; mais jiuros que os
Tua palpebra inferior está coberta de sombria pintu-
peixes nos rios. Ptah me proclama seu Espírito favo-
ra mhstem'\ Teus dois lábios testemunham a Verda-
rito; os outros deuses e deusas fazem o mesmo Em
de, f i l h a d e Ra; ela acalma a cólera dos deuses. Teus
verdade, minhas virtudes e minhas perfeições são nu-
merosas como as ondas do mar. Assemelham-se a pa- dentes sao cabeças da deusa-serpente Mehen. Eis que
lácios em festa, em que cada um çelebra seu deus pre- tua língua chega a ser hábil e inteligível. Tua manei-
ferido. Minhas perfeições são comb colunas do tem- , Î / m a i S P e n e t r a n t e d ° q ^ , pela madrugada,
plo de Ptah, como um amplo espaço cheio, de incenso a melodia dos passaros co campo. Tuas mandíbulas se
1
de Ra. . t r Z \ a t é ° - Í n f Í n Í t ° 6 C h e ^ a m a <* Espaços Es-
trelados. Teu peito permanece imóvel; depois se dirige'
I . . . Chamam-te! Tu os escutas? Eis a primeira imediatamente para os Mundos do A m e n t i . . .
bala! Ouves como choram a teu redor? Ouves como te
glorificam, como exaltam tuas virtudes? Erguido, ere- A * . . . Chamam-te! Tu os escutas? Eis a tercei-
to, oh! Horus! Sois na verdade, majestoso le forte Da ra bala! Enfeitam teu pescoço com ouro e' cobre fino
mesma forma que tu, e depois das cerimônias em mi- Tua garganta depende de Anúbis e tuas vértebras da
nha homenagem, fui posto inteiramente e r e t o . . . Ptah deusa Uadjit. Teu dorso está enfeitado com ouro e
destruiu ?eus inimigos; prisioneiros obedeéem suas or-
Teu r o i 1 1 0 ' M - f h S q U f g 0 V e r n a t u a f o ™ a humana.
dens. Estás de pé e tua palavra é lei para eles, assim1 Teu rosto e o Nilo sem águas . A s duas metades
como para a multidão de deuses e deusas. de tuas espaduas são dois ovos de cristal. Tuas duas
n pernas sao bastante vigorosas para andar. Estás sen-
- • • Chamam-te! Tu os escutas? Eis a segunda tado em teu lugar. Eis que os deuses te devolvem o uso
balai Tua cabeça, o h Senhor! Adornada com longas dos olhos.
trariças de mulher asiática, navega na Barca; e o brilho
do teu Rosto ilumina a morada do delis da Lua. A I V . . . Chamam-te! Tu os escutas? Eis a quarta
parte alta do teu Corpo é azul como o lápis-lazúli, os bala! Em verdade, tua garganta é a garganta de Anú-
cachos de tua cabeleira são mais negros que as Portai; bis e teus membros estão recobertos de ouro fino Teus
da Mansão dos Mortos. Os raios de Ra iluminam teu dois seios são um par de ovos de cristal; teus braços
rosto, adornado com pedras azuis. Teu' traje de ouro estão solidamente fixados para que possam proteger-
^ í á enfeitado com lápis-lazúli, tuas1 sobrancelhas são te; teu coração " i b " está sempre satisfeito; teu cora-

217
Salve! Tu és posto de pé por Anúbis, o Grande Solitá- rizonte e cujo esplendor ilumina as Duas Terras. Os
rio das Colinas do Ocidente... Ele te devolve o vigor deuses te falam. Dizem: "vem pois e olha tudo o que
e torna a por em ordem luas vendas mortuárias. Ptah- te pertence em tua Mansão da Eternidade!" Eis que a
-Sokari te traz ornamentos de seu templo. Eis Thoth. deusa Rennut^ I, Herdeira e Primogênita de Tum.
Levando em suas mãos o Livro das Palavras divinas Ele te recomenda às Hierarquias do c é u . . . Em verda-
dirige-se a ti. . . Tua mão, graças a ele e com satis- de, eu sou herdeiro dos deuses! Eu sou igual ao Gran-
f a ç ã o de teu Duplo, alcança o Horizonte do C é u . . . de Deus que produz a Luz do Dia! Eis que saio das
Osíris faz reinar a Noite, enquanto tu penetras na Entranhas do Céu, e que, pela segunda vez, venho ad
Região da Vida. Um diadema cintilante de brancura é M u n d o . . . Volto a ser uma criancinha sem pai, um
assentado em tua fronte. O deus Nemu te acompanha; recém-nascido... Ninguém poderá impedir-me, quan-
te presenteia pássaros maravilhosos. Eis que teu Corpo do chegar o momento, de responder às perguntas que
se endireita sobre teu leito mortuário; e é Ra quem, me tenham fèito.. .
navegando em sua Barca, no Horizonte oculto, te põe
de pé, enquanto Tum, pai dos deuses, te torna estável
C A P Í T U L O CLXXI
para sempre. Os deuses Amsu, Kebti e outros deuses
i
te glorificam em seus santuários. Tu avanças em paz; Pqra fixar (pôr) ao Morto um "Traje de Pureza"
e em paz te diriges até a morada da Eternidade, até I
tua Mansão do Tempo sem Limites. Os Espíritos de Eu
Pe e de Dep te acolhem com a l e g r i a . . . Diante do vos | invoco, oh deuses! Tum, Shu, Tefnut,
Santuário tão grato a teu Duplo etéreo, na grande e Keb, Osíris e ísis, Seth, Néftis, Heru-Khuit, Hathor,
santa Morada que habitas, os coros dos Espíritos glo- Khepra, Menthu, Senhor de Tebas, Ámon, Senhor das
rificam teu p o d e r . . . Os deuses te abrem seus braços; Coroas dos Dois Egitos. A grande iHierarquia dos
pois tu chegaste a ser um deus concebido e criado para deuses, a pequena Hierarquia dos deuses, vós, deuses
realizar inumeráveis metamorfoses. Em verdade, tu és e deusas que morais no Oceano celeste, tu, Sebek, das
uma grande divindade, e tua radiação ilumina as Al- duas Mehdet, Sebek o dos numerosos Nomes
mas desgraçadas... Teu podf r se revela mais deslum- que recebes segundo o lugar em que teu Duplo se
brante que os dos outros Espíritos dessa Região. Eis compraz em estar e jrós todos, oh! deuses do Céu e da
que Ptah, da muralha do Sul, eleva sua v o z . . . Enal- .Terra, do Norte e dó Sul! Concedei a meu Espírito
tece o teu nome e estende tua morada até a Morada santificado este Traje de Pureza. Emprestai-me o vi-
dos deuses. Em verdade, tu és Horus em pessoa, o gor e a potência mediante a força mágica desse T r a j e
filho dos deuses; foi Osíris quem te engendrou, Ptah de Pureza! Destruí o Mal que se agarra à minha Alma!
quem te modelou, Nut quem te trouxe ao mundo; a ti, Isso para que, quando chegar o Juízo, diante da Eter-
Ser de Luz, semelhante a Ra quando aparece no Ho- nidade, eu sejp reconhecido puro e inocente! Oh! deu-
ses ! Destruí o iMal que se agarra à minha pessoa!
125
li

Caminhos que percorrem os Espíritos-Guardiães que


velam pela humanidade. O deus-Leão te conduz até os não são obrigadas a fazer a Viagem em sentido con-
lugares em que teu Duplo etéreo poderá descansar em trário. Todos os membros de teu Corpo estão de posse
paz, sem temor a ataques nem emboscadas. As Duas' da Vida. Eis que chegas a Abydos e te apoderas de
Terras k seus habitantes trabalhàm para, ti, para que SMA. Oferendas sepulcrais são levadas a ti, ao mesmo
possas viver e tua Alma possa prosperar; para queteu tempo que dádivas por ocasião da festa de Osíris.
Corpo, embalsamado e intacto, permaneça ^ara a É t e r - ' Durante a celebração dos Mistérios, levas adornos de
mdade; para que possas contemplar o Fogo e respirar púrpura e ouro. As águas do Nilo se vertem sobre teu
o ar fresco; para que te seja possível penetrar, pela Corpo. Teu Nome é inscrito nas Tábuas misteriosas
primeira vez, na região das Trevas; qufísejas p r o t Í colocadas em ambos os lados do Lago Tes-Tés. A
gido contra os perigos dos desfiladeiros Ameaçadores; grandes tragos bebes a água lustral. Tu mesmo esco-
qué nao sejas arrastado pelos torvelinhos nefastos' lhes tuas divindades protetoras e penetras, acompa-
possas seguir o Príncipe divino das Duas Terras re- nhando-as, no Céu. Ali fazes triunfar a Ordenação
divina tão querida ao coração de Ra. És conduzido
n Árvores 1
°? 7 T g r a d a s que cres- diante das Hierarquias celestiais, que te acolhem como
cem nos dois lados do Trono do Grande Mago Eis aue um^deus, seu i g u a l . . . Em verdade, tu és Kharsa,
a deusa Seshetet está sentada diant^ de ti, I n q u a n t H
aeus oa protege teus membros. Bebes leite da irmão de Ersa. Eis Ptah ?m pessoa que te traz oferen-
Vaca Sagrada que segue Sehat-Heru " Tu fazes das sepulcrais...
tuas abluções; na embocadura da torrente Kher-Aha-
tu es o favorito do príncipe de Pe e de D e P ; Thoth té C A P Í T U L O CLXX

olha com grande benevolência.... Entrando no Céu Para preparar o Leito funerário
LOg Eis que devolvo tua carne e consolido teus ossos.
P ronTr
Prontamente chegas à morada ° ^ ^ Anit t ue a diriges a pa-
de !
15 C 0 m b a t e n t e s Teu D
Com cuidado, recolho teus membros espalhados. Agora
tnhaTs " «Plo e t é r e o ^ acom- exerces teus poderes na Terra; os membros de teu
panha e sua presença te enche de alegria. Teu Coração
Corpo estão bem custodiados. Em verdade, tu és o pró-
te seguè em tuas Metamorfoses. Escuta-te a t S a - '
prio Horus radiante no centro do Ovo Cósmico. De
-ente,Vigia-te. As Hierarquias celestiais alegram teu
pé, tu contemplas os deuses que te r o d e i a m . . . Pronta-
coraçao. As quatro oferendas sepulcrais te e s p e r a i
mente partes para longas Viagens; eis que tua mão
sobre c a tar da Regente das Duas Terras, n a s c d a
alcança o objeto de teus desejos: o Horizonte do Céu
des de Sekhen, de Akennu e de Heliópolis. Duran e a
e os Lugares Sagrados. Tua chegada é saudada com
Noite os Espíritos estelares velam por ti; o s Senhores
gritos de alegria. Os hinos ressoam quando tu al-
ue Hehopolis intercedem por t i . . . O deus do Néctar
cânças o altar. Horus em pessoa te põe de pé
•aivino, o proprio Hu, está em tua boca. Tuas pernas
como havia feito, tantas vezes, com os' santificados.

213