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Ancoragem

- Virgílio Vasconcelos Vilela

Segundo Bandler (1982), uma âncora pode ser uma palavra ou uma frase, um toque ou
um objeto.

Pode ser alguma coisa que vemos, ouvimos, provamos, sentimos, ou cheiramos. As
âncoras têm grande poder, porque podem instantaneamente acessar estados poderosos.

A Ancoragem é a maneira de tornar permanente uma experiência. Podemos mudar nossas


representações interiores ou nossa fisiologia em um dado momento e criar novos
resultados, mas estas mudanças requerem pensamentos conscientes. No entanto, com a
Ancoragem podemos criar um mecanismo acionador consistente, que automaticamente
fará com que criemos o estado que desejamos em qualquer situação, sem termos que
pensar a respeito. É a técnica mais efetiva para canalizar construtivamente nossas reações
inconscientes, de forma a estarem sempre ao nosso dispor.

Nós vivemos num mundo de estímulo/reação, onde muito do comportamento humano


consiste em reações inconscientes programadas. As âncoras são criadas todas as vezes
em que uma pessoa está num estado intenso, onde a mente e o corpo estão fortemente
envolvidos juntos, e um estímulo específico é coerente e simultaneamente propiciado no
auge do estado, o estímulo e o estado tornam-se neurologicamente ligados. Dessa forma,
cada vez que o estímulo for propiciado, resulta automaticamente o estado intenso. Por
exemplo, quando nós ouvimos o Hino Nacional, criamos certos sentimentos em nosso
corpo e olhamos para a bandeira. Pronunciamos o compromisso de fidelidade e vemos a
bandeira. Em pouco tempo, só de olhar para a bandeira esses sentimentos são
automaticamente acionados.

Porém, nem todas as âncoras são associações positivas. Algumas são muito
desagradáveis. Uma das coisas que afeta o poder da âncora é a intensidade do estado
original. Em geral, recebemos âncoras o tempo todo. Somos bombardeados com
mensagens de televisão, rádio e da vida diária. Algumas tornam-se âncoras, outras não.

Se uma pessoa está num estado forte, seja bom ou mau, quando entrar em contato com
um estímulo em particular, há possibilidade de tornar-se ancorado. Podemos, através da
PNL, aprender a controlar o processo de ancoragem e, portanto, instalar âncoras positivas
e afastar as negativas.

Um famoso exemplo de uma pessoa que dominava a técnica da ancoragem era Hitler,
pois ele vinculou estados específicos de mente e emoção à suástica, tropas com passo de
ganso e comícios de massa. Ele colocava o povo em estados intensos e, enquanto os tinha
assim, proporcionava coerentemente estímulos específicos e únicos até que tudo que tinha
a fazer mais tarde, era oferecer aqueles mesmos estímulos, como levantar a mão aberta
no gesto de "Heil", para fazer surgir toda a emoção que havia vinculado a eles. Ele usava
constantemente esses instrumentos para manipular as emoções e, assim, os estados e
comportamentos de uma ação.

Podemos criar âncoras para nós e para os outros, da seguinte forma; Deve-se, em
primeiro lugar colocar a pessoa que vai ancorar no específico estado que deseja ancorar.
Então se deve proporcionar consistentemente um estímulo específico, único, enquanto a
pessoa experimenta o auge deste estado. Por exemplo, quando alguém está rindo, está
num estado congruente específico naquele momento, seu corpo todo está envolvido. Se
apertarmos sua orelha com pressão única e específica e simultaneamente emitir certo som
muitas vezes, você pode voltar mais tarde, providenciar o estímulo (o aperto e o som) e
ela começará a rir novamente.

Outra maneira de criar uma âncora em alguém é pedir-lhe que se lembre de uma época
em que sentiu o estado que agora deseja ter disponível, sob sugestão. Fazendo a pessoa
voltar para aquela experiência, de maneira que fique totalmente associada e possa sentir
aquelas sensações em seu corpo. Enquanto ela faz isso, podemos começar a ver
mudanças em sua fisiologia, expressões faciais, postura, respiração. Quando esses
estados estiverem se aproximando do auge, devemos providenciar rapidamente um único
estímulo específico, diversas vezes.

A ancoragem pode ajudar muito as pessoas a superarem medos e mudar


comportamentos. É importante estar ciente da ancoragem, porque ela está sempre
acontecendo à nossa volta. Se estivermos cientes de quando ela está acontecendo,
poderemos lidar com ela e mudá-la quando quisermos.

Ancoragem: Algumas Definições

Ancoragem: processo de estímulo-resposta no qual algum estímulo é associado a um


estado interno ou a um conjunto de representações internas. As ancoras podem ocorrer
naturalmente ou serem criadas de maneira intencional. Uma ancora que ocorre
naturalmente é, por exemplo, uma canção que nos leva de volta a uma experiência
anterior sempre que a ouvimos. Um estado interno pode ser associado a um som, a um
toque externo ou algo que a pessoa possa ver. A partir desse momento a pessoa pode
vivenciar a experiência sempre que a ancora for acionada.
Ancoragem: vinculando tudo a qualquer coisa

Você pode estar sendo controlado externamente devido a esta capacidade

Você talvez já tenha ouvido uma música e sentido alguma emoção especialmente
agradável. Ou tenha escutado algum timbre de voz que o incomodou. Pode ser que se
emocione com certa palavra, ouvida ou pensada, ou se irrite às vezes ao ver alguma coisa
aparentemente insignificante.

O que você, eu e todos temos é uma capacidade de criar associações entre estímulos e
processos internos, sejam emocionais ou mentais, e depois reproduzi-los quando na
presença dos mesmos estímulos. Este é o mesmo mecanismo do aprendizado de palavras
e da linguagem em geral. Se eu disser "barata", você provavelmente verá internamente a
imagem de uma. Se você já teve alguma experiência desagradável com baratas, pode ser
que a palavra lhe provoque sensações relacionadas. Já se eu lhe disser uma palavra
desconhecida, como "agorizar" (se você não leu o respectivo artigo), nenhuma
representação interna é ativada: você não "entendeu". Quando há uma ligação
estabelecida, dizemos que o estímulo funciona como uma âncora.

Nossa capacidade de ancorar é fenomenal, tanto com relação ao estímulo quanto à


resposta. Os estímulos podem ser os mais variados: imagens, sons, sensações, palavras,
diferenças. Já vi pessoas que ancoraram sensação de frio a diferenças de temperatura.
Elas sentem frio não só pela baixa temperatura, mas também pela sua queda. O estímulo
pode ser também o rosto de uma pessoa, um piscar de olhos e até um levantar de
sobrancelha, pra não falar de objetos, figuras, latidos, cores e qualquer coisa que
possamos distinguir. Também pode ser uma frase, como por exemplo, "É possível! Sou
capaz! eu mereço!".

Já a resposta ao estímulo pode ser um pensamento, uma emoção ou uma mudança


completa de estado, afetando processos físicos, mentais e emocionais.

Uma âncora pode ser estabelecida de várias maneiras; a repetição é uma delas.
Experimente repetir algumas vezes a seqüência: por o dedo na ponta do nariz/lembrar do
rosto sorridente de uma pessoa de que goste. Fez? Agora ponha o dedo na ponta do
nariz, o que vem em seguida?

(aguarde um pouco e repita o estímulo, para um melhor teste).

As emoções podem provocar a instalação de âncoras bem rapidamente. Você já levou um


susto com alguém atrás da porta, e quando passou de novo pela porta lembrou do que
houve? Suponha que você viveu um inesquecível caso de amor à beira da praia, ao rumor
das ondas. Da próxima vez em que vir ou ouvir ondas, vai se lembrar do que viveu e
possivelmente sentir tudo de novo. E pode ser também que só de imaginar cenas de praia
isto já aconteça!

(experimente imaginar-se pondo o dedo na ponta do nariz...)

Âncoras não precisam ser necessariamente "lógicas". Anthony Robbins, no livro Poder
sem Limites, conta que vivenciou uma experiência desagradável no saguão de um hotel
por conta de algumas malas. Ao subir para o quarto, notou que estava irritado com a
esposa, aparentemente sem motivo. Mas logo descobriu que o motivo era ela estar
presente no contexto onde sentiu as emoções! Você ja pensou se alguém se irrita com o
barulho dos filhos e cria uma âncora de irritação com toda a categoria "crianças"?

A ancoragem não é um mecanismo de causa e efeito ou ação e reação puro. Se eu lhe


disser "bacia", que é uma palavra-âncora com vários significados, você terá várias
escolhas à disposição. Se alguém lhe dá um beliscão pode ser que você tenha as escolhas
de revidar ou deixar pra lá. Eventualmente a pessoa pode não ter escolhas: tem gente
que se for chamado de "moleque" com certo tom de voz sempre terá uma reação
agressiva. Nesse caso pode-se até dizer que é causa e efeito. Mas o normal é a âncora
agir induzindo o efeito, isto é, há uma probabilidade de acontecer o efeito, mas não há
certeza total.

Além disto, âncoras não duram para sempre. A tendência é, se não foram ativadas, irem
diminuindo sua intensidade e até desaparecer.

Aplicações

A aplicação imediata do conhecimento do processo de ancoragem é reconhecer as


âncoras, em especial quando devido a elas ficamos em estados que não queremos. Uma
pessoa que reage a uma barata só de vê-la, se souber que há uma âncora em ação (algo
do passado), pode perceber que aquela barata do presente está longe e não há perigo.
Perceber que estamos reagindo negativamente ao tom de voz de uma pessoa é
certamente melhor do que achar que estamos reagindo à pessoa inteira.

Podemos usar as âncoras às quais as pessoas estão habituadas. É mais provável acalmar
alguém falando em um tom de voz calmo do que gritando. Se uma pessoa ancorou tensão
ao verbo relaxar, não irá adiantar pedir a ela para fazer isto, pode ser melhor mostrar-lhe
uma imagem bonita de um pôr-do-sol ou massagear-lhe as costas. Talvez você mesmo já
tenha visto pessoas que ao ouvir um pedido em certo tom de voz, simplesmente não
conseguem dizer não!

Já vi mães que quando os filhos brigam, colocam-nos abraçados durante algum tempo;
pense no potencial de criação de âncoras dessa situação. Já Virgínia Satir, uma
psicóloga famosa pelos resultados que conseguia com seus pacientes, ao tratar casais
primeiro fazia com que eles se lembrassem de bons momentos que viveram juntos e de
bons sentimentos, para então fazer com que olhassem um para o outro, ancorando aquele
estado ao rosto de cada um.

Outra aplicação é o uso ou criação deliberada de âncoras para alguma finalidade. Por
exemplo, quando estiver bem animado, posso ouvir a música We are the champions. Um
dia em que acordar meio sonolento, posso ouvir a música para me animar. Uma vez fiz
um treinamento em que foram despertadas muitas boas emoções; enquanto estava no
estado, molhei o rosto com água (o que naturalmente já me dá muito prazer) para poder
ativar aquele estado depois. Você pode também experimentar entrar em relaxamento e
pronunciar palavras como "paz" e "alegria", ativando em si essas experiências.

É possível também criar âncoras deliberadamente usando a imaginação e o corpo; veja


uma estratégia de ancoragem na seção Inteligência Emocional.

E quando você sentir água na boca ao ver uma propaganda de refrigerante ou creme
dental, lembre-se de que muitos publicitários também conhecem essa sua capacidade!

Conteúdo disponível em livros variados de PNL.

Site: http://paginas.terra.com.br/educacao/mauro.laruccia/trabalhos/pnl.htm

Uma estraté gia para ancorar estados


- Virgílio Vasconcelos Vilela

Prepare-se para o que for fazer

Na seção Suas capacidades, matéria Ancoragem, mostramos a nossa capacidade de


estabelecer ligações entre estímulos (externos ou internos) e a ativação de pensamentos,
emoções e até estados completos.

Ocorre que o estado em que estamos pode ou não ser apropriado para o que estamos
fazendo. Há estados mais adequados para criar (por exemplo, liberdade de pensamento),
para aprender (receptividade, curiosidade, interesse), para fazer amor (excitação, desejo,
afetividade), para planejar (realismo), dormir (sono) e assim por diante.

Alguns estados vêm "naturalmente", sem que precisemos agir conscientemente. Em


algumas situações precisaremos intervir para acessar e captar o estado desejado. Nestes
casos você pode usar o procedimento abaixo, originário da Programação
Neurolingüística (PNL) e baseado nos mais produtivos conhecimentos sobre o
funcionamento da mente e organismo humanos:
1) Estado - Escolha o estado desejado, por exemplo, "disposição".

2) Estímulo - Escolha um estímulo qualquer que possa reproduzir com precisão: um


toque de 2 segundos no braço, um grito de guerra ou outro som, uma imagem, uma
posição corporal, um fechar de mão. Este será o "gatilho" da âncora. Escolha um que só
dependa de você.

3) Acesso ao estado - Relembre uma situação em que estava vivenciando o estado


desejado. Veja o que estava vendo, ouça o que estava ouvindo, sinta o que estava
sentindo. "Entre" na lembrança o mais que puder, expanda a experiência, permita que
tudo o que sentiu se intensifique. Quando achar que chegou ao auge, acione o estímulo
da âncora. Quanto mais intenso e puro for o estado, mais forte será a âncora.

4) Quebra do estado - Saia do estado: olhe em volta, pense em algo que tem a fazer,
pense em algo que não tenha nada a ver com o que fez, sacuda o corpo ou mexa as mãos
à frente dos olhos. Isto permitirá um melhor teste.

5) Teste - Acione o estímulo e verifique se entra no estado a ele associado. Se achar que
não está satisfatório, retome o procedimento a partir do passo 3.

Daí em diante, quando quiser entrar no estado desejado, basta acionar a âncora
reproduzindo o estímulo. Para reforçar uma âncora, repita o procedimento para o mesmo
estado desejado e estímulo, mas revivenciando outra situação. Você pode também
empilhar âncoras, associando estados diferentes ao mesmo estímulo, como motivação,
curiosidade, interesse e disposição. E você pode ter várias âncoras: para usar na escola,
no trabalho, no namoro e nos contextos que quiser.

As variáveis críticas do processo de ancoragem são:

1) A unicidade do estímulo: estímulos freqüentes e comuns não são apropriados.

2) A intensidade do estado ancorado: quando mais intenso, melhor a âncora.

3) A "pureza" do estado ou congruência: quanto mais alinhadas as emoções e


sentimentos, mais eficiente a âncora.

4) O estado atual - uma âncora pode não ser suficiente para fazer a transição do estado
atual diretamente para o desejado. Neste caso podem ser necessárias algumas transições
intermediárias, como por exemplo, um estado mais calmo, relaxado ou neutro.
Conteúdo disponível em livros variados de PNL