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Os excertos orquestrais, aos poucos, passaram a ser utilizados como ferramenta de avaliação

indispensável em processos seletivos de orquestras. Porém, mesmo com o nível técnico crescente dos
candidatos, o despreparo, ou mesmo falta de informação sobre a importância de estudo desses
excertos, ainda se reflete nas audições. Como diz Mechetti em entrevista a Cecconello (2013, p.16),
“o número de músicos que toca o repertório solo de maneira aceitável, ou até brilhante, e depois
apresenta dificuldades básicas nos excertos, é, infelizmente, bastante grande”. p. 17

Na formação do violinista, algumas obras, inclusive as de cunho pedagógico, são entendidas como de
estudo obrigatório. É comum andar pelos corredores de escolas ou universidades de música no Brasil
e ouvir músicos praticando estudos de Rodolphe Kreutzer (1766-1831), Otakar Ševčik (1852-1934),
Pierre Rode (1774-1830), Henry Schradieck (1846-1918) ou ainda concertos, sonatas e outras obras
de câmara de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), Ludwig Van Beethoven (1770-1827),
Johannes Brahms (1833-1897), entre outros. Por outro lado, nos mesmos ambientes, dificilmente se
ouve algum estudante de violino praticando excertos orquestrais – salvo exceções, que
provavelmente se relacionam a eventual preparação para alguma audição próxima –, apesar da
evidente riqueza de demandas técnicas e interpretativas que se encontra em excertos standard. Além
do fato de comissões avaliadoras darem especial atenção para esse tipo de material como meio de
avaliação. P. 89

É marcante o contraste que comumente se ouve entre uma interpretação musicalmente refinada e
inspirada do 2º movimento, Andante, do Concerto para violino em Lá maior de W.A. Mozart, e a de
uma interpretação pouco acurada, sem interesse e repleta de incoerências estilísticas do excerto do 2º
movimento Andante con moto da Sinfonia Nº 39, também de Mozart; ou ainda, como pode ser
empolgante, ou até mesmo brilhante, a performance do 3º movimento do Concerto para violino e
orquestra em Mi menor de Felix Mendelssohn e, por

outro lado, desestimulante a interpretação do Scherzo do Sonho de uma Noite de Verão do mesmo
compositor. p. 89 e 90.

Esses exemplos reforçam a necessidade de que se tome consciência sobre a importância do estudo
dos excertos e da riqueza do material técnico-interpretativo neles contido, os quais, negligenciados e
tratados à margem do repertório que são, acabam por serem entendidos como algo inerentemente sem
potencial artístico, podendo levar instrumentistas a não desenvolverem meios para lidar
adequadamente com esse material. p. 90

“excertos orquestrais podem servir como ferramenta pedagógica, apresentando técnicas específicas e
trazendo ricas ideias musicais extraídas de uma obra sinfônica 53”, Chang (2014, p.8 apud
FERREIRA, p. 90)
Para que isso aconteça, porém, é importante que se encontrem meios para inserir no dia a dia do
instrumentista, o estudo de excertos. Um passo importante nesse sentido seria desenvolver uma
relação de estudo eficiente com esse material. (FERREIRA, p. 90 e 91)

justificativa:

Brandolino (1997, p.18, tradução nossa), reforça a importância da rotina da prática dos excertos
também nas aulas de instrumento, segundo ele, “pelo menos quinze minutos de uma hora de aula
deve ser gasto em literatura orquestral 56”. p 91