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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO

RIO GRANDE DO SUL – UNIJUI

CURSO DE GRADUAÇÃO DE LICENCIATURA EM HISTÓRIA

FRANCISCO COELHO CUOGO

O REFLEXO DA TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NA


SOCIEDADE INFORMACIONAL E SUA RELAÇÃO COM A
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

PORTO ALEGRE
2012
FRANCISCO COELHO CUOGO

O REFLEXO DA TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NO


DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E SUA RELAÇÃO COM A
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Trabalho de Conclusão de Curso,


apresentado como requisito parcial para a
obtenção do grau de Licenciatura em
História, pela Universidade Regional do
Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
– UNIJUI.

Orientadora:
Profa. Msc. Vera L. Trennepohl

PORTO ALEGRE
2012
FRANCISCO COELHO CUOGO

O REFLEXO DA TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NO


DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E SUA RELAÇÃO COM A
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Aprovado em 17 de dezembro de 2012.

__________________________________
Profa Msc. Vera L. Trennepohl

__________________________________
Prof Msc. Dinarte Belato

PORTO ALEGRE
2012
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a minha família, pois aprendi que a família é o menor
núcleo social existente em qualquer sociedade, mas também é o mais
importante de toda a sociedade.

Na família, encontramos abrigo, segurança e proteção. Na família também


compartilhamos segredos, emoções, sentimentos e sonhos. É para ela que
corremos quando desejamos compartilhar conquistas e vitórias. É para ela que
recorremos em momentos de perigo, tensão e ansiedade.

Na família encontro minha esposa Larissa, minha pequena Isabela, meus


pais, Sérgio e Regina - que têm sido verdadeiros sustentáculos para a
manutenção da estrutura familiar - e meu irmão Cássio, cuja capacidade
intelectual merece destaque.

Dedico também a todos os professores da UNIJUÍ com os quais tive contato


ao longo do curso de História, à comunidade acadêmica que tem sido,
indiretamente, minha segunda família, considerando o tempo que tenho
passado junto ou em contato com professores e pesquisadores.
AGRADECIMENTOS

Agradeço, em primeiro lugar e acima de tudo a Deus, fonte de vida e de


conhecimento, que me concedeu uma mente e um intelecto capaz de pensar,
raciocinar e buscar conhecimento científico para a compreensão da História da
humanidade.

A toda a minha família pelo apoio, incentivo, compreensão e,


principalmente, pela paciência durante as longas horas de ausência quando
precisei me encerrar nos livros e no computador em busca de conhecimento,
ciência e informação.

A Universidade Regional (UNIJUÍ), por ser a instituição que tão bem me


atendeu, de maneira respeitosa e eficiente, nas minhas necessidades enquanto
aluno. E, ao mesmo tempo, me forneceu educação com qualidade e
profissionalismo acadêmico ímpar.

A professora Vera pelos conselhos apropriados e dedicação na orientação


deste trabalho. E aos demais professores da UNIJUÍ por terem repartido seu
conhecimento e todo tipo de informação necessária, ao longo do curso, para a
formação de alunos habilitados e capacitados tanto no conhecimento como na
atuação profissional da História.
“A ninguém deve ser negada a oportunidade de aprender, por ser pobre,
geograficamente isolado, socialmente marginalizado, doente, institucionalizado
ou qualquer outra forma que impeça o seu acesso a uma instituição. Estes são
os elementos que supõem o reconhecimento de uma liberdade para decidir se
se quer ou não estudar”

(Charles Wedemeyer, apud Keegan, 1986)


RESUMO

Este estudo tem como objetivo apresentar um panorama histórico do evento


ocorrido a partir da década de 70 do século XX, conhecido como Terceira
Revolução Industrial e que fica marcado por ser uma revolução de cunho
tecnológico, afetando o trabalho, a produção, o comportamento e o
desenvolvimento da sociedade do século XXI. A tecnologia, que se expande e
se difunde nas massas, estando presente nos mais diversos segmentos e
classes sociais da sociedade contemporânea, apesar de não ser determinante
na sua rotina, é sem dúvida, condicionante. E esta condição se estende
também para a educação.

Palavras-Chave: Tecnologia, Revolução Industrial, Educação a Distância.


ABSTRACT

This study aims to present a historical overview of the event occurring from
the 70s of the twentieth century, known as the Third Industrial Revolution and
which is being marked by a revolution of a technological nature, affecting the
work, the production, development and behavior society of XXI century. The
technology that expands and diffuses the masses, present in various segments
and classes of contemporary society, although not decisive in his routine is
undoubtedly condition. And this condition also extends to education.

Keywords: Technology, Industrial Revolution, Distance Education.


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AVA Ambiente Virtual de Aprendizagem


EaD Educação a Distância
TIC´s Tecnologias de Informação e Comunicação
TI Tecnologia da Informação
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Crescimento dos cursos ofertados na modalidade a distância. ........ 46


Figura 2: Gerações da educação a distância ................................................... 57
Figura 3: Números de usuários de internet no Brasil ....................................... 59
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Número de alunos matriculados em cursos a distância ................... 45


Tabela 2: O aumento na oferta dos cursos EAD .............................................. 45
Tabela 3: Mídias utilizadas, por região geográfica ........................................... 62
Tabela 4: Número de instituições segundo apoio tutorial on-line ..................... 63
SUMÁRIO

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ............................................................ 9


LISTA DE FIGURAS ........................................................................................ 10
LISTA DE TABELAS ....................................................................................... 11
INTRODUÇÃO ..................................................................................... 12
1 CAPITALISMO E REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ................................... 12
1.1 Origem do capitalismo e influências sócio religiosas ......................... 16
1.1.1 Influências ideológicas sobre o capitalismo ... Erro! Indicador não
definido.
1.2 Primeira e Segunda Revolução Industriail ........... Erro! Indicador não
definido.
1.3 A Terceira Revolução e o Neoliberalismo Econômico ....................... 26
2 O INFORMACIONALISMO, A REDE E O CIBERESPAÇO ................. 30
2.1 A Sociedade Informacional ................................................................ 31
2.2 A Rede e o Ciberespaço .................................................................... 34
3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA .................................................................. 38
3.1 Evolução Histórica da Educação A Distância .................................... 40
3.1.1 Crescimento da Educação a Distância no Brasil ............................... 42
3.1.2 Evolução História da EaD no Brasil ................................................... 45
3.2 Legislação da EAD no Brasil .............................................................. 49
3.3 A Educação a Distância no século XXI .............................................. 52
3.3.1 Conhecimento: a matéria prima ......................................................... 56
3.3.2 Recursos digitais abrem espaço para recursos E-learning ................ 59
CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................. 63
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................... 66
13

INTRODUÇÃO

A sociedade moderna passou por diversos acontecimentos que


marcaram seu rumo e sua história. Acontecimentos de cunho social, politico,
cultural e econômico fazem parte da história moderna e contemporânea. Listar
e escrever sobre os diversos eventos da era moderna, considerando a
modernidade após o século XVI, é uma tarefa difícil. E também impossível para
ser restringido ao espaço de um trabalho de conclusão de curso.

Por isso, decidimos delimitar o assunto em um evento da atualidade que


tem condicionado – embora, não determinado - a vida, a sociedade, a cultura e
até mesmo a educação do século XXI: a Revolução Tecnológica e sua
influência na Educação a Distância.

Esta última passou por transformações, principalmente nos métodos de


comunicação e interação, através do uso das novas tecnologias. Estas, por sua
vez, potencializaram o avanço da Educação a Distância, conferindo rapidez e
agilidade no processo de comunicação entre os agentes do processo de ensino
a distância, permitindo comunicação, contato, interação e acesso ao conteúdo
de maneira simultânea por parte dos professores, tutores e alunos.

Para falarmos sobre a Terceira Revolução Industrial, iniciada nas três


últimas décadas do século XX, voltamos ao século XVIII, abordando
brevemente suas origens na Revolução Inglesa, também denominada de
Primeira Revolução Industrial. A seguir, discorremos sobre a evolução desta
Revolução, e, em sequência, a Segunda Revolução Industrial. E, por fim,
14

abordamos a Terceira Revolução Industrial, conhecida como Revolução


Tecnológica.

Antes disso, precisamos ainda discorrer sobre o capitalismo, visto que


nas três Revoluções ele foi determinante para sua ocorrência e
desenvolvimento, uma vez que a lógica capitalista incentiva a produção em
larga escala, almejando a redução de custos na produção e o aumento da
lucratividade.

Assim, abordamos no capítulo 1 as origens do capitalismo, considerando


algumas influências sociológicas, econômicas, religiosas e ideológicas. A partir
do capitalismo, entendemos as bases para a ocorrência dos eventos que
causaram a primeira e a segunda Revolução Industrial. As mudanças do
capitalismo na década 1970, buscando uma perspectiva liberal, acabam sendo
fatores propícios para a inovação tecnológica, dando origem à terceira
Revolução Industrial, a denominada Revolução Tecnológica.

No capítulo 2, abordamos os reflexos da revolução tecnológica que


impulsiona a formação da sociedade informacional. Nesta, forma-se uma
sociedade em rede, cuja conectividade na rede favorece a produção de novos
conteúdos e informações e também o surgimento do ciberespaço.

No último capítulo falamos sobre a Educação a Distância e como a


tecnologia exerce seu papel nessa área. Considerando que as tecnologias da
informação desenvolvidas nas três últimas décadas do século XX, tendo
evoluído de maneira exponencial no século XXI, são ferramentas presentes e
quase indispensáveis para a economia, para a produção e para a sociedade
contemporânea, entendemos a importância da presença dessas tecnologias na
Educação. Mais especificamente na Educação a Distância, contribui para a
elaboração de métodos e formas de ministração e construção do conteúdo e do
conhecimento na Educação, através da modalidade a distância.
O trabalho foi desenvolvido através de uma pesquisa bibliográfica,
buscando referências teóricas em autores como Adam Smith, Max Weber e
Eric Hobsbawm para discorrer sobre o Capitalismo e as Revoluções Industriais;
em Manuel Castells e Pierre Lévy para explanar os assuntos relacionados à
Revolução Tecnológica e a Rede na qual se dão os acessos e as conexões
entre os diversos usuários que dela fazem uso, bem como onde se expande a
Educação a Distância; em Eric Qualmann para justificar o avanço e a
importância das redes sociais e as comunidade virtuais que se constroem na
Rede, causando impacto direto nas marcas, produtos e relações comerciais; e,
em Carmen Maia e João Mattar para falar sobre a Educação a Distância e suas
características no século XXI.
16

1. CAPITALISMO E REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

As origens do capitalismo são diversas. Questões socioeconômicas,


religiosas e politico-culturais estiveram presentes na formação deste modelo
econômico. E boa parte das mudanças vivenciadas pela Europa Medieval foi
impulsionada por um movimento religioso do século XVI: A Reforma
Protestante. Este movimento é um dos marcos da transição entre o período
medieval e o moderno. E é também uma das razões para o surgimento do
capitalismo.

O capitalismo mudou a forma de produção, as estruturas sociais e a


distribuição de riqueza, quebrando certos paradigmas existentes até o século
XVIII. Esses paradigmas, contudo, começaram a mudar dois séculos antes,
quando a Reforma Protestante também mudou antigos paradigmas. Ao mesmo
tempo, esse evento construiu novos paradigmas, tanto nos aspectos religiosos
e sociais, quanto econômicos e políticos na Europa, que, posteriormente,
tiveram consequências em âmbito mundial e principalmente em ordens
econômicas.

1.1 Origem do capitalismo e influências sócio religiosas

Embora o capitalismo tenha se originado a partir de um conjunto de


fatores e mudanças que foram sucedendo gerações na Europa, é importante
destacar a questão religiosa, pois a Reforma teve influência direta no
surgimento deste movimento econômico, visto que ela contribui para a
descentralização do poder papal e da instituição religiosa que se estendia aos
planos econômicos e políticos da igreja de Roma. Logo, ela foi evento de
consequências sociológicas com consequências econômicas.

Segundo Weber (2001) o protestantismo pregava princípios opostos, em


diversos pontos doutrinários, da Igreja Católica de Roma, ensinando que a
riqueza não era má em si e que não havia culpa em ter ou em possuir bens.
Obviamente, que este tipo de pensamento se alastrou por países onde a Igreja
de Roma tinha mais dificuldades de doutrinação ou sofria oposição por razões
nacionalistas. A Reforma construía assim um novo paradigma que
impulsionava o sistema capitalista, ao mesmo tempo em que destruía velhos
paradigmas da dominação católica e que não incentivavam o desenvolvimento
pessoal, profissional e vocacional dos cidadãos.

Para Weber (2001) a questões histórico-culturais se formam a partir de


representações sociais, como a religiosidade, partindo da cultura para a
compreensão de fenômenos sociais e econômicos. Ele ainda destaca que o
protestantismo, a partir do século XVI, começou a ensinar aos indivíduos uma
devoção ao seu negócio e dedicação ao trabalho, sendo estas atitudes uma
indicação da graça de Deus. Logo, a acumulação de riqueza deixa ser
considerada indesejável tal como o pensamento católico romano pregava na
Europa medieval. A Reforma quebra este paradigma, frisando, contudo, que a
riqueza, embora não fosse má em si, ela também não deveria ser utilizada para
ostentação pessoal e satisfação das vaidades do ser humano, mas para
objetivos e fins cristãos, e por isso altamente estimulada. O protestantismo
encorajava a empresa e a iniciativa privada, bem como o trabalhador comum a
ser um bom profissional e a empenhar-se na realização do seu trabalho e na
conquista de bens.

O Reino Unido, a Escandinávia e os países baixos, fortemente


influenciados pela Reforma Protestante a partir do século XVI, tiveram maior
aceitação pelas doutrinas do protestantismo. Logo, o capitalismo teve uma
proeminência e destaque, primeiro na Inglaterra, depois em outras nações do
18

norte da Europa, que também aderiram aos ideais protestantes, e


posteriormente, no resto do mundo por motivos político-econômicos.

1.1.2 Influências ideológicas sobre o capitalismo

Na Inglaterra, no século XVIII, surgia com Adam Smith uma produção


literária que explicava o livre comércio e a organização do sistema capitalista
pela livre-iniciativa e pela lei da oferta e da procura. Aliado a isso, a ideologia
do laissez-faire, na França, defendia o liberalismo econômico, trazendo como
pilares o livre comércio, a abolição de restrições ao comércio internacional, o
livre-câmbio e a livre iniciativa, baseado no pressuposto, segundo Smith
(1983), de que seria possível obter mais progresso e de maneira mais rápida
se não houvesse uma marcante regulamentação das atividades individuais no
campo socioeconômico.

Smith (1983) considera que o trabalho de cada nação forma a base que
lhe fornece os bens necessários e os confortos materiais que consome
anualmente. Esta base é a produção imediata do trabalho. O aprimoramento
das forças produtivas do trabalho, baseado na habilidade e destreza do
trabalhador para a execução de determinadas tarefas, é executado com a
divisão do trabalho, o que garante aumento da quantidade de trabalho. As
principais causas dessa divisão, conforme Smith (1983), são: a maior destreza
existente em cada trabalhador; a economia de tempo que, geralmente, seria
gasto ao passar de um tipo de trabalho para outro; e, finalmente, a invenção de
um grande número de máquinas que facilitam e abreviam o trabalho,
possibilitando a uma única pessoa fazer o trabalho que, de outra forma, teria de
ser feito por muitas outras.

Estes três pontos (divisão do trabalho conforme a destreza existente em


cada trabalhador; a economia de tempo e a invenção de grande número de
máquinas) têm um reflexo direto na lógica capitalista. O primeiro deles parece
estar em concordância com os argumentos de Weber quando ele discorre
sobre a doutrina protestante, indicando que esta considera o trabalho e as
habilidades para determinada tarefa uma vocação divina. Logo, o trabalhador
que tem certa destreza para uma tarefa específica deve utilizá-la com
dedicação, cumprindo assim sua vocação. O segundo argumento favorece a
lucratividade, visto que qualquer perda no tempo de produção ou execução das
tarefas pode refletir nos lucros. E o terceiro ponto tem um reflexo direto no
processo de industrialização.

Este processo começa a alocar o trabalhador em tarefas nas quais ele


mostrasse mais habilidade, executando um trabalho mecanicista com vistas à
maior lucratividade e a utilização de recursos tecnológicos que se
desenvolvem, principalmente no Reino Unido, durante o século XVIII. As
mudanças ocasionadas por esta revolução foram profundas, tanto na economia
quanto na sociedade bretã e posteriormente nas demais nações.

Obviamente que a Reforma Protestante e fatores de ordem sociológica e


teológica não foram os únicos motivos e nem os únicos impulsionadores para o
surgimento do capitalismo e posteriormente para o processo de
industrialização. Diversas outras questões que apareciam na Europa Medieval
contribuíram nas mudanças que provocaram o surgimento do capitalismo.

Souza (2012) afirma que:

as origens do capitalismo remontam uma história de longa duração,


em que nos deparamos com as mais diversas experiências políticas,
sociais e econômicas. Em geral, compreendemos a deflagração
desse processo com o renascimento comercial experimentado nos
primeiros séculos da Baixa Idade Média. Nesse período, vemos uma
transformação no caráter auto-suficiente das propriedades feudais,
nas quais as terras começaram a ser arrendadas e a mão de obra
começou a ser remunerada com um salário.

As mudanças ocorridas nesse período, nas propriedades feudais,


contribuíram nas mudanças que provocaram o surgimento do capitalismo
20

Segundo a Secretaria Nacional de Formação Política do Partido


Comunista Brasileiro (2012):

O processo que deu origem ao capitalismo está ligado às


transformações econômicas e sociais que foram responsáveis, num
determinando momento e lugar na história, pela formação de duas
espécies bem distintas de possuidores de mercadorias, que
passaram a se confrontar e relacionar: de um lado, o proprietário de
dinheiro, de meios de produção e de meios de subsistência,
empenhado em aumentar a soma de valores que possui, comprando
a força de trabalho alheia; de outro, os trabalhadores livres,
vendedores de sua própria força de trabalho. A chave, portanto, para
o surgimento do sistema capitalista é o aparecimento de uma classe
de trabalhadores livres.

Neste mesmo documento (Secretaria Nacional de Formação Política do


Partido Comunista Brasileiro, 2012) afirma-se, ainda, que esta nova classe de
trabalhadores era livre porque não faziam mais parte dos meios de produção,
deixando de estar submetidos à exploração na condição de escravos ou servos
e também porque não eram proprietários dos meios de subsistência e de
produção (como a terra e os instrumentos de trabalho), tal como eram
camponeses autônomos (pequenos proprietários), estando, assim, totalmente
separados deles. Logo, o capitalismo pressupõe a dissociação entre os
trabalhadores e a propriedade dos meios pelos quais realizam o trabalho.

Outros fatores, além da divisão do trabalho em tarefas especializadas,


também caracterizam o capitalismo, tal como a geração e a acumulação de
capital e riquezas, a livre concorrência de mercados e a inovação tecnológica
permanente e constante num processo de evolução. Posteriormente, em fases
mais avançadas do capitalismo, a presença de grandes empresas com atuação
internacional também se faz presente.

Esses fatores, associados à ideologia liberal, surgida na Inglaterra com


John Locke, que defendia a substituição da monarquia absolutista para um
governo parlamentar, se estenderam para o plano econômico, que teve como
principal representante Adam Smith, que defendia a substituição do
mercantilismo, cujas medidas econômicas tinham uma forte intervenção do
Estado, por um sistema liberal, baseado na livre concorrência, na liberdade de
comércio e produção.

O cenário do liberalismo econômico, bem como as diversas invenções e


inovações tecnológicas que surgiram na Inglaterra no século XVIII criam um
ambiente propício para a ocorrência de uma Revolução Industrial. E nessa
relação entre o processo de Revolução Industrial e o sistema capitalista, pode-
se destacar que a evolução do maquinário e tecnologias, empregadas nas
Revoluções Industriais foram condicionadas pelo capitalismo, uma vez que
havia grande demanda para os setores de fiação e tecelagem. Assim, os
avanços tecnológicos produzidos pela Revolução Industrial inglesa
conseguiam, através da produção mecanizada, atender a demanda existente.

Dezordi (2008) afirma que as transformações econômicas, oriundas do


capitalismo e vivenciadas na Primeira Revolução Industrial, causaram
tremendos impactos sociais, tirando a população rural, do campo, e deslocando
grandes contingentes para os centros urbanos. Esses tornaram-se
trabalhadores assalariados e passaram a ser vistos como acessórios da
produção, visto que as máquinas modernas eram consideradas os principais
recursos produtivos.

Tendo sido o capitalismo liberal o grande impulsionador das Revoluções


Industriais que se processam a partir do século XVIII, uma vez que o volume de
produção era bem visto sob a ótica capitalista, foi também impulsionador do
avanço tecnológico. Pois, para sustentar o modelo de produção e manter o
ritmo acelerado do setor produtivo da época, os trabalhadores e as empresas
precisavam contar com maquinário suficientemente, capaz de produzir com
agilidade e rapidez os produtos e bens requeridos pela demanda.

Logo, o capitalismo incentivou diversos avanços tecnológicos, tal como


cita Dezordi (2008):
22

Com o objetivo de aumentar a capacidade de tecer, John Kay


desenvolveu, em 1733, a lançadeira volante. O tear mecânico
inventado por Edmund Cartwright, em 1785, revolucionou a
fabricação de tecidos, pois para mover o tear mecânico era
necessária uma energia motriz mais constante que a hidráulica, à
base de rodas d’água. James Watt, em 1769, aperfeiçoando a
máquina a vapor chegou à máquina de movimento duplo, com biela e
manivela, que transformava o movimento linear do pistão em
movimento circular, adaptando-se ao tear. Nos Estados Unidos, Eli
Whitney inventou o descaroçador de algodão.

Estes avanços tecnológicos permitiram um rápido crescimento da


produção, uma vez que as máquinas trabalhavam de maneira uniforme,
incansável, com rapidez, e reduzia custos com a mão de obra. Além disso, o
ramo siderúrgico foi incrementado com a Revolução Industrial, o que trouxe
resultados ainda maiores no avanço industrial, uma vez que o uso do ferro era
importante na produção de maquinários, de equipamentos, de ferrovias, de
pontes e na construção civil. Segundo Dezordi (2008), a Revolução Industrial
aumentou a produção de ferro de 250 mil toneladas anuais em 1806, para 500
mil em 1820 e 700 mil em 1828. A energia a vapor foi alimentada pela
utilização intensiva dessa matéria-prima, o navio a vapor substituiu a escuna, e
a locomotiva a vapor substituiu os vagões puxados a cavalo, melhorando
significativamente o processo de transporte do sistema produtivo.

1.2 Primeira e Segunda Revolução Industrial

Segundo Gomes (2012), o início do período capitalista é situado num


momento de mudanças no modo de produção quando o capital individual ou
empresarial emprega simultaneamente uma superior quantidade de
trabalhadores assalariados, amplia a sua capacidade e fornece o produto em
escala quantitativamente superior.

Assim, as mudanças que ocorrem na ordem política, cultural, social e


econômica, por motivos diversos, e que marcam o início do desenvolvimento
do sistema capitalista, fortalecem também o processo da Revolução Industrial.
Pinto (2011) diz que:

antes desse processo, eram as oficinas artesanais que produziam


grande parte das mercadorias consumidas na Europa. Nestas
oficinas, também chamadas de manufaturas, o artesão controlava
todo o processo de produção. Era ele quem estabelecia, por exemplo,
sua jornada de trabalho. Também não existia uma profunda divisão
do trabalho (cada um fazendo uma parte do produto).
Frequentemente nas oficinas um grupo de dois ou três artesãos se
dedicava à produção de uma mercadoria de seu princípio ao seu fim,
ou seja, fazia a mercadoria como na sua totalidade, sem divisão do
trabalho.

A Revolução Industrial foi um processo caracterizado pela mudança de


uma economia agrária, baseada no trabalho manual, para uma economia
dominada pela indústria mecanizada. A mecanização, como mencionado
anteriormente, era um fator importante para incremento do processo produtivo,
aumentando lucros e dando crescimento exponencial ao volume de produção.
Logo, como uma das intenções do capitalismo é o aumento de ganhos
financeiros, o processo de industrialização, estando de acordo com os
interesses e com a ótica capitalista ocasiona uma revolução na sociedade
europeia, durante o século XVIII. Assim, contemplam-se os interesses
capitalistas no evento da Revolução Industrial.

Decicino (2011) diz que o evento da Revolução Industrial começou na


Inglaterra, país que, por volta de 1760, adiantou sua industrialização, em
relação ao continente europeu, e assumiu uma posição de vanguarda na
expansão colonial. Essa Revolução foi caracterizada pelo uso de novas fontes
de energia, pela utilização de máquinas movidas a vapor, pelo
desenvolvimento dos meios de comunicação (telégrafo) e pela divisão e
especialização do trabalho. Estas alterações fizeram com que os artesãos
perdessem sua autonomia.

Este evento, ocorrido entre 1760 e 1860, e que gerou diversas


mudanças nos sistemas produtivos ficou, então, conhecido como Primeira
Revolução Industrial, sendo caracterizado, segundo Pinto (2011), pela chegada
24

de novas tecnologias e máquinas de produção fabril, concorrendo com a


produção artesanal. Os antigos artesãos foram obrigados a tornarem-se
trabalhadores assalariados, estando a partir daí sob o controle do capitalismo.
Além disso, essa fase da Revolução Industrial foi marcada pela invenção do
tear mecânico e do descaroçador de algodão, desenvolvendo a indústria têxtil;
pela invenção da máquina a vapor, que substituiu as fontes tradicionais de
energia mecânica, como a roda de água, a roda de vento e a tração animal; a
produção de lâminas de ferro e do aço em larga escala; melhoria no processo
de exploração do carvão mineral, com a utilização de máquinas a vapor para
retirar a água acumulada nas minas de carvão e progressos na agricultura,
com a produção de adubos, melhores arados, invenção da debulhadora e da
ceifeira mecânica.

Pereira (2011) cita também como características desse período a


evolução na fabricação de uma grande variedade de bens que, antes, eram
feitos à mão, tal como os bens produzidos pela indústria têxtil, a utilização do
navio a vapor e da locomotiva a vapor nos meios de transporte, a
transformação do trabalho físico em força mecânica e o surgimento do primeiro
instrumento universal de comunicação quase instantânea, o telégrafo.

Hobsbawm (1982) compreende que a Primeira Revolução Industrial,


também chamada de Revolução Industrial Inglesa foi parte do processo de
formação e afirmação do capitalismo inglês:

a certa altura da década de 1780, e pela primeira vez na história da


humanidade, foram retirados os grilhões do poder produtivo das
sociedades humanas, que daí em diante se tornaram capazes da
multiplicação rápida, constante, e até o presente ilimitada, de
homens, mercadorias e serviços. Este fato é hoje tecnicamente
conhecido pelos economistas como a “partida para o crescimento
autossustentável”. Nenhuma sociedade anterior tinha sido capaz de
transpor o teto que uma estrutura social pré-industrial, uma tecnologia
e uma ciência deficientes, e consequentemente o colapso, a fome e a
morte periódicas, impunham à produção (Hobsbawm, 1982, p. 44).
Hobsbawm (1982) comentando ainda sobre o período histórico dessa
Revolução diz que:

até onde se pode distinguir, todos os índices estatísticos relevantes


deram uma guinada repentina, brusca e quase vertical para a
“partida”. A economia, por assim dizer, voava. Chamar este processo
de revolução industrial é lógico e está em conformidade com uma
tradição bem estabelecida.

A partir de 1850 a industrialização iniciou um processo de expansão,


atingindo outros países europeus, além do Reino Unido, bem como outros
continentes. É nesse período, entre 1850 a 1910, que se dá a Segunda
Revolução Industrial. Neste momento, outros países europeus, entre eles
Bélgica, Itália e Alemanha, entraram num processo de industrialização, assim
como Rússia, Japão, no Oriente, e Estados Unidos, na América.

De certa forma, a Segunda Revolução Industrial é uma fase do processo


de industrialização, visto que não ocorreu uma ruptura e um reinício da
Revolução Industrial. Houve apenas uma evolução e expansão - tanto no
âmbito geográfico quanto nas questões tecnológicas - entre o período que
compreende a Primeira Revolução e a Segunda Revolução. Assim como
ocorreu na Revolução Inglesa, impulsionada pela ótica capitalista, também as
demais nações que experimentaram a Revolução Industrial, tiveram aumento
da concorrência nos diversos mercados. Houve, principalmente, estímulo na
fabricação e produção de bens nas indústrias e expansão das ferrovias e
navios a vapor.

Castells (1999, p.71) atesta que:

Segundo os historiadores, houve pelo menos duas revoluções


industriais: a primeira começou antes dos últimos trinta anos do
século XVIII, caracterizada por novas tecnologias como a máquina a
vapor, a fiadeira, o processo corte em metalúrgica e, de forma mais
geral, a substituição das ferramentas manuais pelas máquinas; a
segunda, aproximadamente cem anos depois destacou-se pelo o
desenvolvimento da eletricidade, do motor de combustão interna, de
26

produtos químicos com base científica, da fundição eficiente do aço e


pelo início das tecnologias de comunicação, com a difusão do
telégrafo e a invenção do telefone.

Pereira (2011) define que esta Segunda Revolução foi marcada pela
difusão dos princípios da industrialização em diversos países com elevado grau
de importância para os conhecimentos científicos que sustentaram e guiaram o
desenvolvimento tecnológico após 1850.

1.3 A Terceira Revolução e o Neoliberalismo econômico

Questões agrárias, sociais e econômicas estavam presentes no


processo de formação do capitalismo, assim como estavam presentes nos
processos de transformações resultantes das Revoluções Industriais. Por trás
destas mudanças estavam as inovações tecnológicas.

O desenvolvimento da tecnologia foi um dos fatores principais que


favoreceram a criação das máquinas utilizadas na Primeira Revolução
Industrial, bem como as melhorias destas máquinas para suas utilizações na
Segunda Revolução Industrial.

Assim como houve uma evolução entre a Primeira e a Segunda


Revolução, sem um período de término e início ou reinicio entre a primeira e a
segunda – o desenvolvimento de tecnologia e ciência foi gradual e sequencial,
culminando nas inovações que a Segunda Revolução trouxe - há na atualidade
um terceiro fenômeno que revela uma nova fase de expansão e
desenvolvimento destas revoluções, sendo uma continuidade dos processos
que se iniciaram no século XVIII, na Inglaterra; a terceira revolução conhecida
como Revolução Tecnológica.

Essa etapa da Revolução é impulsionada durante Segundo Guerra


Mundial, quando ocorre profunda evolução no campo tecnológico e aceleradas
descobertas científicas, em função das necessidades da guerra. No pós-guerra
uniram-se os conhecimentos científicos desenvolvidos durante a guerra com as
necessidades da produção industrial. Assim, o processo produtivo industrial
fica condicionado pelo conhecimento científico e pelos resultados das
pesquisas científicas, sendo estas as principais características da Terceira
Revolução Industrial.

Esta fase da Revolução é fortemente influenciada, então, pelas novas


descobertas e pelo avanço da tecnologia. A produção deste período é a
informática, os softwares, a robótica, a tecnologia computadorizada, a
biotecnologia, a microeletrônica, as telecomunicações, a engenharia genética
etc. E nas últimas décadas do século XX, entre os anos 70 e 80 esta revolução
e sua produção assumem um papel condicionante no desenvolvimento e
evolução da sociedade e dos métodos de produção.

Castells (1999 p. 69) afirma que:

A tecnologia da informação é para esta revolução o que as novas


fontes de energia foram para as revoluções industriais sucessivas do
motor a vapor à eletricidade, aos combustíveis fosseis e até mesmo á
energia nuclear, visto que a geração e distribuição de energia foi o
elemento principal na base da sociedade industrial.

Contudo, o que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a


centralidade de conhecimentos em informação, mas a aplicação da informação
para geração de conhecimentos e de dispositivos de processamento e de
comunicação. (Castells, 1999)

Dois fatores, então, contribuíram para que a década de 1970 marcasse o


inicio desta nova fase do processo produtivo; a reestruturação do capitalismo,
assumindo uma postura neoliberal e a ampliação do conhecimento e das
pesquisas em diversas áreas com possibilidade de aplicação imediata destas
novas descobertas no processo produtivo e no desenvolvimento industrial,
através das tecnologias informação.
28

A partir de 1970 grandes nações com potencial econômico assumem


uma postura neoliberal em seu sistema capitalista, chegando numa concepção
do Estado minimalista, cuja ação se restringe ao policiamento, justiça e defesa
nacional e com pouca participação de intervenção e regulamentação de
mercado. Os países que adotaram uma postura neoliberal, tais como Reino
Unido (Margareth Tatcher, 1979-1990), Estados Unidos (Ronald Reagan, 1980-
1989), Alemanha (Helmut Kohl, 1982-1998) e também o Brasil (Itamar Franco e
FHC, 1990-2002) passam por um processo de desburocratização do estado,
com regras econômicas mais simplificadas para facilitar o funcionamento das
atividades econômicas, uma forte política de privatização de empresas estatais,
livre circulação de capitais internacionais, ênfase na globalização e abertura da
economia para a entrada de multinacionais.

Consequentemente, o Estado reduz de tamanho, ficando mais eficiente,


a economia passa a ser formada por empresas privadas e com incentivos para
aumento de produção, objetivando um rápido desenvolvimento econômico e a
lei de oferta e demanda passa a ser a reguladora dos preços, ao invés de um
controle de preços dos produtos e serviços serem regulados pelo Estado.

Nesse processo de mudanças, com o avanço e expansão do capitalismo


neoliberal a revolução da tecnologia da informação foi “essencial para a
implementação de um importante processo de reestruturação do sistema
capitalista, principalmente a partir da década de 1980. E sem a nova tecnologia
da informação, o capitalismo global teria sido uma realidade muito limitada”.
(Castells, 1999, p. 50).

Santos (2003, p.16) considera que a rápida evolução tecnológica desse


período origina um movimento de efemeralização, caracterizado pela
aceleração da aceleração, ou seja, uma aceleração exponencial que faz com
que as transformações comecem a se precipitar.
Esse movimento de aceleração exponencial torna-se uma característica
do capitalismo, visto que da década 1970 em diante ele incorpora no seu
processo produtivo a dimensão da cultura e vai muito além da produção com
pouco valor agregado, tal como foi nas revoluções industriais anteriores. A
partir desse período, verifica-se que os conhecimentos obtidos através de
pesquisas, nas quais foram investidos dinheiro e tempo de estudos, geram um
valor agregado ao produto final. Isso não significa, ainda, que houve acréscimo
de matéria prima ou aumento nos custos de produção, pois o que confere o
valor agregado a estes produtos que fazem parte do capitalismo da década de
70 em diante é o conhecimento empregado nos produtos e nos métodos e
processos de produção. Segundo a posição de Santos (2003, p.16), ao
crescimento exponencial promovido pela evolução tecnológica soma-se
também o processo de miniaturização, ou seja, “a possibilidade de fazer mais
com menos: mais com menos trabalho, menos energia e menos matéria-
prima”.

Logo, “se conjugarmos tudo isso com a chegada da informática na vida


cotidiana veremos que tecnicamente estavam dadas as condições para uma
grande transformação da sociedade capitalista”. (Santos, 2003, p.16)

A presença das novas tecnologias, suas aplicações e seu uso no


sistema capitalista favoreceu a produção de novos serviços e produtos que
consequentemente elevaram a competitividade de mercado. Ao mesmo tempo,
os conhecimentos empregados nos métodos de produção auxiliaram na
redução de custos e no aumento da lucratividade, permitindo que os meios de
produção obtivessem maior acumulação de capital. Desta forma, tornou-se
possível realizar investimentos constantes no desenvolvimento de novas
tecnologias a serviço de indústria.

Com isso, a reestruturação do sistema capitalista deixa cada vez mais


espaço para atuação da iniciativa privada, com mais liberdade para a produção
e para as inovações tecnológicas desenvolvidas pela força criativa e inovadora
da sociedade.
30

2. O INFORMACIONALISMO, A REDE E O CIBERESPAÇO

A revolução tecnológica atual foi um evento importante para a


reestruturação do capitalismo e ao mesmo tempo deu origem a uma nova
sociedade emergente deste processo de transformação; uma sociedade
capitalista e também informacional.

Por informacional, entende-se o modelo de desenvolvimento, cuja base


está na informação e no conhecimento.

As mudanças ocasionadas no capitalismo a partir de 1970


impulsionaram a liberdade nos processos produtivos das sociedades e nas
suas relações comerciais do neoliberalismo econômico. O desenvolvimento e
as manifestações da revolução tecnológica foram assim moldados pelas
lógicas e interesses do capitalismo, mas sem se limitarem às expressões
desses interesses. (Castells, 1999, p. 50)

Historicamente, as sociedades se estruturam e se organizam conforme


os processos de produção, experiência e poder. E historicamente, o
informacionalismo foi moldado e estruturado no final do século XX, com a
reestruturação do capitalismo.

A consolidação do sistema capitalista, a partir da década de 80, e do


desenvolvimento de novas TI´s (Tecnologias da Informação), aliadas a uma
rede de comunicação global – a internet - dão origem a esse novo sistema
econômico e social, o informacionalismo, que emerge em um período, também
conhecido como pós-industrialismo, fortemente impactado pelas Tecnologias
da Informação e pela restruturação do capitalismo. E a diferença entre as
tecnologias desenvolvidas na Terceira Revolução Industrial e aquelas geradas
nas revoluções anteriores é que as novas tecnologias convergem para os
ambientes virtuais e para as conexões em rede, potencializadas pela internet,
usando informação constantemente. Logo, a informação que produz o
conhecimento passa a ter valor agregado no sistema produtivo.

2.1 A Sociedade Informacional

A revolução informacional é, ao mesmo tempo, poupadora de trabalho,


de tempo de produção e maximizadora da produtividade. Essa revolução
tecnológica, que origina a sociedade informacional, está na base das
transformações ocorridas principalmente nos últimos anos do século XX.
(Langer, 2007, p.3)

Logo, surge uma sociedade produtora do conhecimento, sendo este a


matéria prima dos processos produtivos do século XXI.

Segundo Castells (1999);

Cada modo de desenvolvimento é definido pelo elemento


fundamental à promoção da produtividade no processo produtivo.
Assim, no modo agrário de desenvolvimento, a fonte do incremento
de excedente resulta dos aumentos quantitativos da mão-de-obra e
dos recursos naturais... No modo de desenvolvimento industrial, a
principal fonte de produtividade reside na introdução de novas fontes
de energia e na capacidade de descentralização do uso de energia
ao longo dos processos produtivos e de circulação. No novo modo
informacional de desenvolvimento, a fonte de produtividade acha-se
na tecnologia de geração de conhecimentos, de processamento da
informação e de comunicação de símbolos.

Na nova sociedade que surge a partir da revolução tecnológica, na era


da informação, e que se destaca pelo modo de desenvolvimento informacional
nasce também um novo sistema de comunicação.
32

Castells (2002, p. 22) afirma que este sistema fala cada vez mais uma
língua universal digital, promovendo a integração global da produção e
distribuição de palavras, sons e imagens de nossa cultura, como os
personalizando ao gosto das identidades e humores dos indivíduos. E ainda
que as redes interativas de computadores estão crescendo exponencialmente,
criando novas formas e canais de comunicação, moldando a vida, e ao mesmo
tempo, sendo moldadas por ela.

Esta linguagem universal, a interação global e as redes interativas


funcionam através de uma rede denominada internet. Esta teve sua origem
embrionária no Departamento de Defesa norte-americano, através da Agência
de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA) na década de 60. Castells (2002, p.
82) define que a ARPA empreendeu iniciativas ousadas que mudaram a
história da tecnologia e anunciou a chegada da Era da Informação. O objetivo
da primeira rede de computadores, criada pela ARPA, recebendo o nome de
Arpanet, era criar um sistema capaz de ligar computadores geograficamente
distantes entre si através de um conjunto de programas. (Lévy, 1999, p.251).

O projeto da Arpanet e a tecnologia desenvolvida foram colocadas à


disposição de universidades e centros de pesquisa, tornando-se, então, a
semente que daria vida ao que viria a ser, posteriormente, a internet.

Esta se desenvolveu muito nas três últimas décadas do século XX,


criando uma rede de comunicação sem centros de controle, de amplitude
global, numa escala horizontal e com possibilidade de troca de mensagens,
dados, imagens e sons. Assim, pode-se considerar que a internet é também
uma consequência do processo de transformação do capitalismo e do
desenvolvimento de novas tecnologias. Ocupando, no século XXI um espaço
vital na economia e na sociedade contemporânea.

Para Nogueira (2009) “estamos vivenciando uma sociedade conectada,


onde grande parte do tempo, as pessoas estão em contato com a tecnologia”.
E nos mais diversos campos de atuação, observa-se pessoas conectadas a
internet, através de dispositivos – móveis ou não -, promovendo interação e
interatividade nas relações pessoais e também profissionais.

Qualmann (2011) considera que através da internet e das plataformas


de programas utilizadas na rede, tais como as redes sociais (Facebook, Twitter,
Youtube etc), por exemplo, os consumidores e as sociedades são os
responsáveis por criar, de maneira online, uma profunda influência na
economia e nos negócios.

Qualmann (2011) sustenta essa perspectiva com os seguintes números:

 Enquanto o rádio levou 38 anos para atingir uma audiência de 50


milhões de usuários, e a televisão precisou de 13 anos, o
Facebook atingiu 100 milhões de usuários em apenas 9 meses;

 80% das empresas está usando o LinkedIn como ferramenta para


encontrar funcionários;

 34% dos blogs postam opiniões sobre produtos e marcas;

 78% dos consumidores confiam nas recomendações de amigos


sociais, enquanto apenas 14% confiam em propaganda;

Esses dados evidenciam a participação e a presença das pessoas nas


redes sociais, o que permite compreender que as redes são formadas e
construídas pelos indivíduos e que estes, através da informação que postam
nessas redes, influenciam outros usuários com suas opiniões sobre marcas e
produtos. O que, consequentemente, causa impacto no consumo e nas
decisões de compra de muitos consumidores, refletindo no resultado dos
negócios das organizações.
34

2.2 A Rede e o Ciberespaço

Percebe-se que um novo espaço de convivência passa a configurar os


relacionamentos sociais e comerciais, conquistando, cada vez mais, novos
adeptos, atraindo tanto cidadãos quanto organizações comerciais a fazerem
uso dos novos espaços e das novas tecnologias surgidas com a Revolução
Tecnológica. Estes novos espaços se processam num ambiente digital e
virtual, criando meios de relacionamento e comunicação que, devido sua rápida
penetração nas diversas sociedades, começa a atuar de maneira condicionante
nos padrões de comportamento e de consumo dos indivíduos.

Lévy (1999) chama este ambiente virtual digital de ciberespaço e o


define como sendo um “espaço de comunicação aberto pela interconexão
mundial dos computadores e das memórias dos computadores”. Este mesmo
autor ainda chama o ciberespaço de “rede” e considera que esta rede é o novo
meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores,
transmitindo informações provenientes de fontes digitais, onde existem
técnicas, práticas, atitudes, valores e pensamentos que se desenvolvem no
ciberespaço, formando uma cibercultura.

O ciberespaço, caracterizado pelo ambiente construído na rede, é onde


se desenvolve a sociedade informacional. Neste ambiente composto por
diversos nós (computadores pessoais, institucionais e governamentais) é onde
ocorre a conexão global das sociedades que constroem o novo espaço de
comunicação, socialização, comercialização e negociação. Informações
constantes sobre todas as áreas do conhecimento são trocadas e adicionadas
diariamente.

Castells e Cardoso (2005, p.19) definem que:


a sociedade em rede, em termos simples, é uma estrutura social
baseada em redes operadas por tecnologias de comunicação e
informação fundamentadas na microelectrónica e em redes digitais de
computadores que geram, processam e distribuem informação a
partir de conhecimento acumulado nos nós dessas redes.

Sato (2003) considera que as redes são estruturas que:

se estabelecem por relações horizontais, interconexas e em


dinâmicas que supõem o trabalho colaborativo e participativo. As
redes se sustentam pela vontade e afinidade de seus integrantes,
caracterizando-se como um significativo recurso organizacional, tanto
para as relações pessoais quanto para a estruturação social. Na
prática, redes são comunidades, virtual ou presencialmente
constituídas.

As relações horizontais e interconexas que se sustentam pela vontade


afinidade de seus integrantes e que caracterizam as redes apresentam ainda
alguns fundamentos, conforme esquema abaixo (Sato, 2003);

Uma atuação em rede supõe valores e propósitos coletivos;

Há alguns parâmetros que norteiam a interação e devem ser


considerados por quem queira trabalhar colaborativamente. A comunicação e a
interatividade se desenvolvem a partir dos pactos e dos padrões estabelecidos
em comunidade. Uma rede é uma comunidade e, como tal, pressupõe
identidades e padrões a serem acordados pelo coletivo responsável. É a
própria rede que vai gerar os padrões a partir dos quais os envolvidos deverão
conviver. É a história da comunidade e seus contratos sociais.

Valores e objetivos compartilhados;

O que une os diferentes membros de uma rede é o conjunto de valores


e objetivos que eles estabelecem como comuns, interconectando ações e
projetos.
36

Participação;

A participação dos integrantes de uma rede é que a faz funcionar. Sem


participação, deixa de existir. Ninguém é obrigado a entrar ou permanecer
numa rede. O alicerce da rede é a vontade de seus integrantes.

Colaboração;

A colaboração entre os integrantes deve ser uma premissa do trabalho.


A participação deve ser colaborativa.

Horizontalidade;

Uma rede não possui hierarquia nem chefe. A liderança provém de


muitas fontes. As decisões também são compartilhadas.

Conectividade;

Uma rede é uma costura dinâmica de muitos pontos. Só quando estão


ligados uns aos outros e interagindo é que indivíduos e organizações mantêm
uma rede.

Realimentação;

Numa rede, a informação circula livremente, emitida de pontos


diversos, sendo encaminhada de maneira não linear a uma infinidade de outros
pontos, que também são emissores de informação.

Descentralização;

Uma rede não tem centro. Cada ponto da rede é um centro em


potencial. Uma rede pode se desdobrar em múltiplos níveis ou segmentos
autônomos.
Dinamismo;

Uma rede é uma estrutura plástica, dinâmica, cujo movimento


ultrapassa fronteiras físicas ou geográficas. As redes são multifacetadas. Cada
retrato da rede, tirado em momentos diferentes, revelará uma face nova.

As características fundamentais da rede favorecem o desenvolvimento


destas no ciberespaço, visto que a descentralização, a horizontalidade, a
participação, a colaboração e a conectividade são fundamentos das redes, e
encontram no ciberespaço um ambiente ideal para seu desenvolvimento. Logo,
o ciberespaço é fruto da sociedade informacional, e as redes, através do
ciberespaço, conseguem potencializar a comunicação virtual, a interação, a
troca de informação e mesmo negociações e comercializações nos ambientes
virtuais, construindo comunidades e espaços digitais repletos de informação e
conhecimento.

Para Lévy (1999, p.111) novas pessoas acessam a internet a cada


minuto e computadores se interconectam de forma que novas informações
entram na rede, ampliando o ciberespaço. Com base nesse crescimento, Lévy
considera que o “quanto mais o ciberespaço se amplia, mais ele se torna
“universal” e menos o mundo informacional se torna totalizável”.

Assim como novas pessoas acessam a internet a cada minuto, muitas


delas passam a fazer parte das redes que se formam no ciberespaço. Estas
recebem novos membros e integrantes que trazem consigo informações
diversas, ampliando ainda mais o volume de informação. E, ao mesmo tempo,
solidificando a relação e a comunicação entre os nós de rede em função da
busca pela informação e da troca de conhecimento que cada ponto ou nó da
rede pode fornecer aos demais.
38

3. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

A Educação a Distância (EaD), na atualidade, costuma ser caracterizada


como uma modalidade de educação cujas técnicas de ensino se dão através
do uso de recursos tecnológicos e digitais, estando professor e aluno
separados espacial e temporalmente.

Contudo, ela não depende exclusivamente da tecnologia digital para


existir ou funcionar. Pois, ainda é possível utilizar-se de recursos de impressão
gráfica, Cd´s ou DVD´s, aliados ao funcionamento de serviços dos correios ou
transportadoras para o envio de materiais e retorno de atividades e exercícios
com as respectivas respostas por parte dos alunos. Tão pouco, os recursos
tecnológicos exercem função determinante na atuação e no funcionamento da
Educação a Distancia.

Muitas definições sobre da Educação a Distância que datam das


décadas anteriores a 1980 abordavam a EaD como sendo o método de ensino
caracterizado pela distância entre professor e aluno. Bernardo (2009)
apresenta alguns conceitos definidos pelos autores a seguir;

Dohmem (1967): Educação a distância (Ferstudium) é uma forma


sistematicamente organizada de auto estudo onde o aluno se instrui a
partir do material de estudo que Ihe é apresentado, o
acompanhamento e a supervisão do sucesso do estudante são
levados a cabo por um grupo de professores. Isto é possível através
da aplicação de meios de comunicação capazes de vencer longas
distâncias.

Peters (1973): Educação/ensino a distância (Fernunterricht) é um


método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes,
através da aplicação da divisão do trabalho e de princípios
organizacionais, tanto quanto pelo uso extensivo de meios de
comunicação, especialmente para o propósito de reproduzir materiais
técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um
grande número de estudantes ao mesmo tempo, enquanto esses
materiais durarem. É uma forma industrializada de ensinar e
aprender.
Moore (1973): Ensino a distância pode ser definido como a família de
métodos instrucionais onde as ações dos professores são executadas
à parte das ações dos alunos, incluindo aquelas situações
continuadas que podem ser feitas na presença dos estudantes.
Porém, a comunicação entre o professor e o aluno deve ser facilitada
por meios impressos, eletrônicos, mecânicos ou outros.

Holmberg (1977): O termo educação a distância esconde-se sob


várias formas de estudo, nos vários níveis que não estão sob a
contínua e imediata supervisão de tutores presentes com seus alunos
nas salas de leitura ou no mesmo local. A educação a distância se
beneficia do planejamento, direção e instrução da organização do
ensino.

Enquanto as definições mais antigas sobre a Educação a Distância


consideravam a distância física entre professores e alunos, os conceitos mais
atuais consideram que a EaD contempla o uso de tecnologias da informação e
comunicação. Segundo Moran (2002) a Educação a distância é o processo de
ensino-aprendizagem, mediado por tecnologias, onde professores e alunos
estão separados espacial e/ou temporalmente. É o ensino e a aprendizagem
onde professores e alunos podem estar conectados, interligados por
tecnologias, principalmente as telemáticas, como a Internet.

Logo, na Educação a Distância da atualidade há ênfase no uso das


tecnologias da informação e comunicação, onde a distância espacial e
temporal é contornada através do uso dessas tecnologias que envolvem a
telecomunicação e a transmissão de dados, de voz e de imagens. Não é
preciso ressaltar que todas essas tecnologias, hoje, convergem para o
computador (Chaves, 1999). Pois, os recursos multimídias e digitais são
processados nos computadores e estes, por sua vez, se comunicam e trocam
informações e dados através da conexão na rede. Assim, a EaD está
fortemente vinculada ao uso da internet e na interação entre os sujeitos em
ambientes virtuais digitais.
40

3.1 Evolução Histórica da Educação a Distância

A história da Educação a Distância, entretanto, revela a existência desta


modalidade de ensino há, pelo menos, três séculos, quando os recursos de
tecnologia digital e virtual nem sequer existiam. Os primeiros relatos da
aplicação desta modalidade de ensino datam de 1728, quando um professor de
taquigrafia, chamado Caleb Phillips, publicou um anúncio no jornal “Gazeta de
Boston”, dizendo que todas as pessoas que tivessem interesse em aprender
taquigrafia poderiam assim fazer através de lições enviadas semanalmente
pelos correios. Ao que tudo indica, o método de Phillips deu certo, pois este
método de ensino evoluiu e se expandiu para novos cursos e áreas do
conhecimento e se fez presente também em outros países, conforme a
evolução histórica descrita a seguir.

Segundo Vasconcelos (2010) e Alves (2011) apontam a seguinte


evolução da EaD no mundo, considerando os principais eventos que marcam o
desenvolvimento desta modalidade de ensino:

• 1829: inaugurado na Suécia um instituto que alcançou mais de 150.000


pessoas através da Educação a Distância;

• 1840: inaugurada a primeira escola por correspondência na Europa, a


Faculdade Sir Isaac Pitman, no Reino Unido;

• 1856 – a Sociedade de Línguas Modernas patrocina os professores


Charles Tous-Saine e Gustav Laugenschied para ensinarem Francês por
correspondência em Berlim;

• 1892 – o Departamento de Extensão da Universidade de Chicago cria


a Divisão de Ensino por Correspondência para preparação de docentes, nos
Estados Unidos;
• 1922 – iniciam cursos por correspondência na União Soviética;

• 1935 – o Serviço Nacional de Transmissão de Rádio inicia programas


escolares pelo rádio, no Japão, como complemento e enriquecimento da escola
oficial;

• 1947 – inicia-se a transmissão das aulas de quase todas as matérias


literárias da Faculdade de Letras e Ciências Humanas de Paris, França, por
meio da Rádio Sorbonne;

• 1948 – na Noruega, é criada a primeira legislação para escolas por


correspondência;

• 1956 – nos Estados Unidos, a Chicago TV College começa


transmissões de programas educativos pela televisão. Diversas outras
universidades americanas, seguindo o mesmo modelo, criam unidades de
ensino à distância, usando basicamente a televisão como recurso transmissor
do conhecimento;

• 1960 – a Tele Escola Primária, do Ministério da Cultura e Educação da


Argentina, integra materiais impressos à televisão e à tutoria na educação a
distância;

• 1971 – a Universidade Aberta Britânica é fundada, no Reino Unido;

• 1972 – na Espanha, é fundada a Universidade Nacional de Educação a


Distância;

• 1977 – na Venezuela, é criada a Fundação da Universidade Nacional


Aberta;

• 1984 – na Holanda, é implantada a Universidade Aberta;


42

• 1985 – é criada a Fundação da Associação Europeia das Escolas por


Correspondência;

• 1985 – na Índia, é realizada a implantação da Universidade Nacional


Aberta Indira Gandhi;

• 1987 – é criada a Fundação da Associação Européia de Universidades


de Ensino a Distância e divulgada a resolução do Parlamento Europeu sobre
Universidades Abertas na Comunidade Européia;

• 1988 – em Portugal, é criada a Fundação da Universidade Aberta;

• 1990 – é implantada a rede Europeia de Educação a Distância,


baseada na declaração de Budapeste e no relatório da Comissão sobre
educação aberta e à distância na Comunidade Européia.

Assim, podemos perceber que a partir da idéia de Caleb Phillips, no


século XVIII, a Educação a Distância mostrou sua importância, se expandindo
para diversos outros países. A partir de 1990 a Educação a Distância assume
novas características com o uso mais intenso das tecnologias digitais, como
veremos mais adiante.

3.1.1 Crescimento da Educação a Distância no Brasil

Em função do progresso histórico da Educação a Distância, podemos


ver que a EaD logrou êxito, em diversas regiões do mundo, mesmo quando
não existiam tecnologias digitais, tais como estas que temos na
contemporaneidade. Possivelmente, um dos fatores que favoreceram e ainda
favorecem a expansão da modalidade seja o aspecto democratizante que a
Educação a Distância propõe. Alves (2011, p. 90) considera a EaD
modalidades de educação mais democrática que existe, pois se utilizando de
tecnologias de informação e comunicação transpõe obstáculos à conquista do
conhecimento, de forma que ela vem ampliando sua colaboração na
democratização do ensino e na aquisição dos mais variados conhecimentos.

Um segundo aspecto que pode ser considerado é que esta modalidade,


tal como era nos séculos passados e agora ainda mais, em função dos
inovadores recursos de tecnologia da informação e da comunicação, consegue
levar a um grande número de pessoas o conhecimento proposto nos cursos à
distância. Sendo ainda possível atender um número expressivo de pessoas, de
maneira simultânea, considerando que as tecnologias da informação permitem
fazer mais com menos, ou seja, facilitando o acesso de um grande número de
alunos ao professor ou a sua equipe de auxiliares e tutores.

Para acentuar ainda mais os benefícios que têm colaborado para o


sucesso e para o crescimento da Educação a Distância, podemos considerar
que ela permite aos indivíduos que residem em zonas ou locais de difícil
deslocamento ou mesmo distantes dos principais centros onde se localizam as
instituições de ensino, a terem acesso ao conteúdo e aos métodos de
ensino/aprendizagem propostos para a aquisição do conhecimento através de
proposta de cada curso oferecido nesta modalidade.

Importante ressaltar que o crescimento da Educação a Distância não é


uma peculiaridade desta modalidade em outras nações, apenas. O mesmo
fenômeno ocorre no Brasil, atingindo números crescentes e expressivos.

Os dados abaixo revelam um crescimento significativo, tanto de alunos


matriculados nos cursos EaD quanto na oferta de cursos que trabalham com
esta modalidade.

Tabela 1 – Número de alunos matriculados em cursos a distância ofertados por


instituições autorizadas pelo MEC (2004-2006):
44

ANO 2004 2005 2006


TOTAL 309.957 504.204 778.458

Na tabela 1, vemos que os números de alunos matriculados em cursos a


distância aumentaram 150% em apenas dois anos (entre 2004 e 2006).

Tabela 2 – O aumento na oferta dos cursos EAD:

Na tabela 2, vemos que os números de cursos EaD lançados a cada


ano, no Brasil, tiveram um aumento significativo a partir do século XXI.

Figura 1 – Crescimento dos cursos ofertados na modalidade a distância:

Número de cursos lançados por ano

300
273
250

200
Anos

150
10 8
100
61
46
50
2 9 12 7 10
2 2 1 1 1 1
0
1982 1985 1992 1994 1995 1996 1997 1998 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

Cursos

Fonte: MAIA e MATTAR, 2007.


No gráfico 1, os cursos a distância, lançados por ano, tiveram um
crescimento acentuado a partir dos anos 2005 e 2006.

3.1.2 Evolução História da EaD no Brasil

Antes de compreender a realidade e as características da EaD no


território brasileiro, no século XXI, é importante também acompanhar a
evolução histórica da modalidade no Brasil. De acordo com Vasconcelos
(2010) e Alves (2011) podemos destacar os seguintes eventos;

• 1904 – o Jornal do Brasil registra, na primeira edição da seção de


classificados, anúncio que oferece profissionalização por correspondência para
datilógrafo;

• 1923 – a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro oferece curso de


Português, Francês, Silvicultura, Literatura Francesa, Radiotelegrafia e
Telefonia. Foi o início da Educação a Distância pelo rádio brasileiro;

• 1939 – Marinha e Exército oferecem cursos por correspondência;

• 1941 – surge o Instituto Universal Brasileiro, oferecendo cursos


profissionalizantes, tendo sido responsável pelo atendimento de milhões de
alunos em cursos abertos de iniciação profissionalizante a distância;

• 1947 – iniciam-se as atividades da Universidade do Ar, patrocinada


pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), Serviço Social do
Comércio (SESC) e emissoras associadas, com o objetivo de oferecer cursos
comerciais radiofônicos. A metodologia exigia que os alunos estudassem nas
apostilas e corrigissem exercícios com o auxílio de monitores. A experiência
durou até 1961, entretanto a experiência do SENAC com a Educação a
Distância continua até hoje;
46

• 1970 – o Projeto Minerva oferecia cursos transmitidos por rádio em


cadeia nacional, cuja meta era a utilização do rádio para a educação e a
inclusão social de adultos;

• 1974 – TVE do Ceará oferece cursos de quinta à oitava série, com


material televisivo, impresso e monitores;

• 1976 – o Sistema Nacional de Tele Educação, do SENAC, oferta


cursos através de material instrucional;

• 1979: a Universidade de Brasília cria cursos veiculados por jornais e


revistas e em 1989 transforma-se no Centro de Educação Aberta, Continuada,
a Distância (CEAD);

• 1983 – o SENAC desenvolveu uma série de programas radiofônicos


sobre orientação profissional na área de comércio e serviços, denominada
“Abrindo Caminhos”;

• 1991 – a Fundação Roquete Pinto cria o programa “Um salto para o


Futuro”, visando a formação continuada de professores do ensino fundamental.
O programa foi incorporado à TV Escola - canal educativo da Secretaria de
Educação a Distância do Ministério da Educação -, tornando-se um marco na
Educação a Distância nacional.

• 1992 – criada a Universidade Aberta de Brasília;

• 1995 – é criado o Centro Nacional de Educação a Distância e também


o Programa TV Escola da Secretaria de Educação a Distância do MEC;

• 1996 – o Ministério da Educação cria a Secretaria de Educação a


Distância (SEED) com uma política que privilegia a democratização e a
qualidade da educação brasileira. Também, neste mesmo ano a Educação a
Distância surge oficialmente no Brasil, tendo como base legal para a
modalidade de educação a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n°
9.394, de 20 de dezembro de 1996, regulamentada em 20 de dezembro de
2005 pelo Decreto n° 5.622 que revogou os Decretos n° 2.494 de 10/02/98, e
n° 2.561 de 27/04/98, com normatização definida na Portaria Ministerial n°
4.361 de 2004.

• 2004 – vários programas para a formação inicial e continuada de


professores da rede pública, por meio da EAD, foram implantados pelo MEC.

• 2005 – é criada a Universidade Aberta do Brasil, através de uma


parceria entre o MEC, os estados e os municípios, integrando cursos,
pesquisas e programas de educação superior a distância.

• 2006 – entra em vigor o Decreto n° 5.773, de 09 de maio de 2006, que


dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de
instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e
sequenciais no sistema federal de ensino, incluindo os da modalidade a
distância.

Essa evolução histórica revela que a modalidade caminha em direção a


uma maturidade cada vez maior, visto que o crescimento e o uso mais
frequente desta modalidade permitem também analisar experiências e
métodos, de forma que seja possível definir, com o passar do tempo, as
melhores práticas para garantir a qualidade do aprendizado na Educação a
Distância. Além disso, a expansão da EaD em território nacional aproxima esta
modalidade dos métodos e processos de ensino e aprendizagem na educação
brasileira.

Pode-se evidenciar essa perspectiva nos dados que Bielschowsky


(2008) apresenta:
48

Os números, oferecidos pelo Instituto Nacional de Estudos e


Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC), comprovam a
permanente expansão do sistema de Educação a Distância. De 2003
a 2006, o número de cursos de graduação passou de 52 para 349,
um aumento de 571%, de acordo com levantamento realizado pelo
Censo da Educação Superior do Ministério da Educação
(Educacenso/INEP). O crescimento no ingresso de estudantes
nesses cursos de Educação a Distância também superou
expectativas. Eles passaram de 49 mil em 2003 para 207 mil em
2006, uma elevação de 315%. A Associação Brasileira de Educação
a Distância (ABED) calcula que, em 2007, mais de 2 milhões de
brasileiros utilizaram a Educação a Distância. Esse aumento
expressivo de oferta veio acompanhado de outra boa notícia: a
avaliação no rendimento dos alunos. Segundo os resultados do
Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade/MEC), das
13 áreas em que se podem comparar estudantes da educação
presencial com àqueles a Distância, observamos que em sete:
administração, biologia, ciências sociais, física, matemática,
pedagogia e turismo, os alunos de cursos a distância foram melhores
do que os de presenciais e, ou seja, não houve nenhuma diferença
significativa entre a formação de alunos do ensino da educação a
distância para os presenciais.

E Maia e Mattar (2007), nesta minha linha de raciocínio, afirmam:

O crescimento do mercado de educação a distância (EaD) é


explosivo no Brasil e no Mundo. Dados estão disponíveis por toda
parte: cresce exponencialmente o número de instituições que
oferecem algum tipo de curso a distância, o número de cursos e
disciplinas ofertados, de alunos matriculados, de professores que
desenvolvem conteúdos e passam a ministrar aulas a distância, de
empresas fornecedoras de serviços e insumos para o mercado, de
artigos e publicações sobre EaD, crescem as tecnologias disponíveis,
e assim por diante.

Assim, enquanto a Educação a Distância cresce no Brasil, cresce


também a oferta de novas tecnologias, havendo no século XXI, um crescimento
exponencial pelas tecnologias digitais que funcionam na rede e ajudam a
expandir a cilbercultura, e, consequentemente, ajudam também a expandir
tanto a oferta quanto a procura dos cursos à distância. Tudo isso, ajuda a
fortalecer a Educação a Distância e levá-la, cada vez mais, a estar presente no
ensino e na educação brasileira.
3.2 Legislação da EAD no Brasil

Obviamente que o crescimento da Educação a Distância e o ritmo


acelerado deste crescimento precisavam contar com subsídios legais que
garantissem sua manutenção e funcionamento. Por isso, expomos,
brevemente, sobre a legislação que regula a Educação a Distância no Brasil.

Conforme Maia e Matar (2007) as instituições de ensino superior


começaram, a partir da década de 1990, a desenvolver e oferecer cursos a
distância baseadas nas novas tecnologias de informações e comunicação. A
EaD, oficialmente surge com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, de acordo com a Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, normatizada
pelo Decreto nº 2.494 de 10 de fevereiro de 1998, Decreto nº 2.561 de 27 de
abril de 1998 e a Portaria Ministerial 301 de 7 de abril de 1998.

A lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes


e bases da educação nacional dá destaque para a Educação a Distância no
artigo 801:

Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação


de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de
ensino, e de educação continuada.

§ 1º. A educação a distância, organizada com abertura e regime


especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela
União.

1
Lei nº 9.394, disponível no site do MEC;
portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/tvescola/leis/lein9394.pdf
50

§ 2º. A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e


registro de diploma relativo a cursos de educação à distância.

§ 3º. As normas para produção, controle e avaliação de programas de


educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos
respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre
os diferentes sistemas.

§ 4º. A educação à distância gozará de tratamento diferenciado, que


incluirá:

I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de


radiodifusão sonora e de sons e imagens;

II - concessão de canais com finalidades exclusivamente


educativas;

O Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005 que regulamenta art.


80 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional, decreta no artigo 1º que “caracteriza-se a
educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação
didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a
utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com
estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou
tempos diversos”.

Logo, podemos compreender que as bases legais para o funcionamento


da Educação a Distância no Brasil também expõe a importância do uso de
tecnologias da informação para o funcionamento da Educação a Distância,
estando com conformidade com os conceitos mais atuais, quando estes
definem Educação a Distância como método de ensino que utiliza recursos
digitais no processo de aprendizagem.

Esse mesmo decreto2 diz ainda no artigo 2º;

Art. 2º - A educação à distância poderá ser ofertada nos seguintes níveis


e modalidades educacionais:

I - educação básica, nos termos do art. 30 deste Decreto;

II - educação de jovens e adultos, nos termos do art. 37 da Lei no 9.394,


de 20 de dezembro de 1996;

III - educação especial, respeitadas as especificidades legais


pertinentes;

IV - educação profissional, abrangendo os seguintes cursos e


programas:

a) técnicos, de nível médio;

b) tecnológicos, de nível superior;

V - educação superior, abrangendo os seguintes cursos e programas:

a) sequenciais;

b) de graduação;

2
Decreto nº 5.622, disponível no site do MEC;
portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/dec_5622.pdf
52

c) de especialização;

d) de mestrado;

e) de doutorado.

A importância da Educação a Distancia evidencia-se com este decreto,


quando ele estipula que a EaD pode funcionar nos diversos níveis
educacionais, desde a educação básica até a pós-graduação em nível de
doutorado, abrangendo todos os níveis educacionais disponíveis na educação
brasileira. E essa importância se estende ainda para os cursos presenciais,
pois o em 18 de outubro de 2001 a portaria nº 2253 do Ministério da Educação
normatiza que até mesmo as instituições de ensino superior presencial
poderiam oferecer, a partir daquela data, o ensino a distancia nos cursos
presenciais de forma que esta modalidade ocupasse 20% das disciplinas na
forma de cursos não presenciais.

3.3 A Educação a Distância no século XXI

O avanço e a expansão da tecnologia a partir das décadas de 1970 e


1980, impulsionando o crescimento e o uso da rede mundial – a internet –
impactou diretamente no modo como as pessoas passaram a se relacionar
socialmente, fazendo uso das plataformas de relacionamento on line, refletindo
nas ações diretas causadas na economia e nos negócios, e também nas
formas de ensino promovidas pela Educação a Distância.

Um exemplo disso, segundo Qualman (2009), 50% do tráfego móvel de


Internet no Reino Unido é do Facebook; a cada minuto o equivalente a 24
horas de vídeo são carregadas para dentro do Youtube; a Wikipédia tem 15
milhões de artigos que apresentam tanta fidedignidade quanto a Enciclopédia
Britânica3; o ranking dado a marcas e produtos no universo das redes sociais é
mais importante que o ranking do Google; mais de 50% da população mundial
tem menos de trinta anos de idade e 96% dela faz participa de redes sociais.

Esse novo cenário marcado pela tecnologia configura um novo


paradigma e Castells (1999, p. 109) considera que o que distingue a
configuração deste novo paradigma tecnológico é sua capacidade de
reconfiguração, sendo este um aspecto decisivo em uma sociedade
caracterizada por constante mudança e fluidez organizacional. O novo
paradigma tecnológico, criado pelo desenvolvimento das tecnologias durante a
reestruturação do capitalismo, - quando o Estado deu liberdade à sociedade
para a criação, a inovação e a produção de produtos e serviços – permitiu a
expansão da Internet. Em determinado momento da história, isso condicionou a
sociedade do século XXI a viver de acordo com as novas realidades propostas
pela tecnologia. Assim, da mesma forma como as tecnologias mudam e
atualizam-se constantemente, a sociedade também passa a viver num
processo de mudança e adaptação constantes, visto que as transformações e
mudanças estão presentes nos diversos níveis e áreas da sociedade
informacional.

Essas adaptações e mudanças acabaram por se estender à educação.


Tanto para a educação presencial, ou, usando as palavras de Lévy 4, a
educação clássica e a educação à distância. É comum em salas de aula

3
Segundo a revista Nature, seus jornalistas fizeram uma experiência, enviando 50 pares de
artigos (da Wikipédia e da Enciclopédia Britânica), contendo temas científicos para peritos das
respectivas áreas. Sem dizer-lhes, contudo, qual a fonte dos artigos. Das 42 respostas obtidas
foi encontrada uma média de três erros por artigo na Enciclopédia Britânica e quatro erros por
artigo na Wikipédia. Ou seja, quase a mesma média para ambas. Disponível em:
logs.nature.com/nascent/2005/12/comparing_wikipedia_and_britan_1.html

4
Entrevista com Pierre Lévy, disponível no Youtube; Educação à distância: Entrevista com o
filósofo Pierre Lévy - http://youtu.be/IttySRqwELs
54

presenciais os professores utilizarem vídeos, DVD´s, projetores, slides de


power point ou outros recursos tecnológicos. São adaptações e até mesmo
mudanças na didática das aulas presenciais que acabaram sendo
condicionadas – mas, não determinadas como dito anteriormente – pelo uso e
pelos recursos da tecnologia.

Quando levamos essas adaptações e variações para o campo da


educação à distância, podemos entender boa parte das mudanças
experimentadas pela educação à distância com base na evolução da Internet.
Por exemplo, considera-se que a Internet, desde a década de 1990 até o
presente momento, passou por duas fases evolutivas e a partir da final da
primeira década do século XXI começa a entrar na sua terceira fase.

Assim, inicialmente a Internet caracteriza-se como web 1.0, ou seja, era


basicamente um recurso informativo, unilateral na sua comunicação, cujo
conteúdo provinha de um único lado e com poucas opções de construção
colaborativa. No final do século XX e meados do século XXI tem uma evolução
da web 1.0 para o que ficou conhecido como web 2.0. Nesta há grande espaço
para participação do usuário, com espaços de construção de conhecimento
colaborativo (Wikipedia, por exemplo), espaços interativos (Youtube,
Facebook), espaços comerciais, cuja veracidade dos negócios é avaliada e
comprovada pelo consumidor (E-bay, Mercado Livre), promovendo uma
comunicação bilateral e ainda usando diversas plataformas que concentram
dados diversos fazendo a cruza de informações para levar ao usuário aquilo
que é relevante para ele (as plataformas das redes sociais (LinkedIn, Pinterest
etc). E por fim, temos a web 3.0 que começa a se estruturar baseada num
conceito de inteligência artificial. Embora o conceito desta última etapa ainda
seja relativamente novo e, até certo sentido incerto, tem-se procurado
desenvolver softwares que organizem conteúdos e façam uso inteligente das
informações que estão disponibilizadas nos ambientes digitais existentes na
rede.
Quando partimos para o campo da educação e compreendemos que
como todas as áreas da ciência acompanham o ritmo e as evoluções que se
processam no ambiente e na sociedade, vemos que a Educação a Distância
também evolui no uso de seus recursos. Poderíamos comparar os métodos da
Educação a Distância em três fases (ou gerações) conforme o abaixo.

Pelo esquema, pode-se compreender que a segunda e a terceira


geração seguem linhas mais ou menos similares, uma vez que ambas usam
recursos através da rede. Contudo, o maior impacto foi entre a primeira e a
segunda geração, quando o conteúdo, a forma de comunicação e o material
utilizado migraram de um plano unilateral e físico para a interatividade na rede.
Esse fato deu-se, justamente, entre o final da década e 1980 e início de 1990,
quando a internet começava a expandir-se como citado no capítulo anterior.

Figura 2: gerações da educação a distância. Fonte: produção do autor.


56

A segunda e a terceira geração possuem algumas diferenças. Enquanto


que inicialmente a comunicação era online, fazendo uso de email,
principalmente (conforme tabela 3, página 58), a terceira geração utiliza
comunicação instantânea e interativa (conforme tabelas 4 e 5, páginas 58 e 59)

Maia e Mattar (2007, p.29) dizem que o final dos anos 90 trouxe não
apenas a Internet, mas com essa surgiu também a possibilidade de
interatividade na Educação a Distância. Os autores ainda dizem que em 2002 o
Ministério da Educação criou uma Comissão Assessora de especialista em
Educação a Distância, produzindo um relatório cujo conteúdo esclarecia que as
diretrizes para o desenvolvimento da EaD no Brasil “contempla o uso intensivo
de ambientes virtuais e mediação entre os agentes realizada por interações em
mídia digital”. Esse mesmo material diz também que o processo de
desenvolvimento pessoal e profissional no qual os professores e estudantes
interagem virtual ou presencialmente se dá por meio da utilização didática das
tecnologias da informação e da comunicação, mantendo a eficácia do ensino e
aprendizagem. (MAIA e MATTAR, 2007, p.29)

3.3.1 Conhecimento: a matéria prima

Se a sociedade da informação tem como matéria prima o conhecimento,


compreensível, então, que os indivíduos que compõem esta sociedade tenham
um interesse maior pelas fontes que produzem o conhecimento. Isso justifica o
rápido crescimento que a Educação a Distância tem tido na última década.

Conforme o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a


Distância (2008, p.11), “os números, oferecidos pelo Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP/MEC), comprovam a
permanente expansão do sistema de Educação a Distância”. O Anuário informa
que entre 2003 e 2006, o número de cursos de graduação aumentou de 52
para 349, com um aumento de 571%. E o ingresso de estudantes nos cursos
de EaD também subiram de 49 mil em 2003 para 207 mil em 2006, um
crescimento de 315%.

O aumento da procura pela EaD coincide com a consolidação das


tecnologias da informação no Brasil, mais especificamente com a expansão da
internet no Brasil. Enquanto tinha-se uma média de 6% da população com
acesso a rede em 2000, em 2012 o número subiu para quase 40%. Os mais de
80 milhões de usuários da internet, fazendo uso dos recursos disponíveis.
Estes recursos permitem a interação entre sujeitos e, mais especificamente,
entre os agentes envolvidos na Educação a Distância. Como esta é
impulsionada, na atualidade, pelo uso de Ambientes Virtuais e ferramentas
para comunicação online, onde há troca de informação, conteúdo e interação, o
aumento de uso e acesso à internet tem relevância com o crescimento da
Educação a Distância, visto que na atualidade o uso das TIC´s está ligado,
tanto com o conceito de Educação a Distância, quanto com os métodos de
ensino nela utilizados.

Figura 3 – Números de usuários de internet no Brasil:

Fonte: Olhar Digital: olhardigital.uol.com.br/negocios/digital_news/noticias/internautas-


brasileiros-ja-sao-82-milhoes acessado em setembro de 2012.
58

A internet permite acesso facilitado à informação e à diversidade de


fontes de conhecimento, facilitando o aprendizado em rede, que se caracteriza
por ser menos centralizado e formal.

Lévy5 considera que a educação a distância é um setor da educação


que exige experimentação constante por causa da constante renovação da
tecnologia e porque é preciso inventar o tempo todo, ao trabalhar com a
educação a distância, pois ela ainda tem pouco tradição na área da educação,
visto que é uma modalidade de ensino que começa a se consolidar através das
novas tecnologias que surgem no final do século XX e se difundem no início do
século XXI. Para Lévy as técnicas e ferramentas utilizadas na EaD vão, cada
vez mais, se fazer presentes na educação presencial, citando como exemplo
os recursos audiovisuais que caracterizavam alguns cursos de Educação a
Distância ou mesmo o uso de softwares e redes de informática, que são
ferramentas quase inerentes a EaD do século XXI, mas também existem em
diversos cursos presenciais.

Lévy6 avalia ainda que essa troca de ferramentas, métodos e técnicas


entre a Educação a Distância e a Educação Clássica (por clássica ele se refere
a educação presencial) é positiva, no sentido de que através desse processo
de conexão da educação clássica na rede ou nas ferramentas da EaD a
primeira poderá experimentar certas mudanças necessárias para sua
adaptação as novas formas do saber.

Importante ressaltar que nesse processo de conexão à rede, os alunos


podem experimentar acesso ao conhecimento e a informação antes mesmo da
experiência com as instituições de ensino ou com professores. O que configura
um novo paradigma na formação do aluno, mas que também vai de encontro
com a nova sociedade que emerge entre o final do século passado e o atual,

5
Entrevista com Pierre Lévy, disponível no Youtube; Educação à distância: Entrevista com o
filósofo Pierre Lévy - http://youtu.be/IttySRqwELs
6
Entrevista com Pierre Lévy, disponível no Youtube; Educação à distância: Entrevista com o
filósofo Pierre Lévy - http://youtu.be/IttySRqwELs
cuja principal característica é a produção do conhecimento e cuja matéria prima
é a informação.

Nestas novas formas do saber compreendem-se as transações do


conhecimento e da informação. Tanto Castells (2003) quanto Lévy (1993)
afirmam que as tecnologias não possuem um efeito determinante sobre a
sociedade, mas que elas podem ser condicionantes no sentido em que a
sociedade se adapta e se modifica, ora acompanhando os avanços
tecnológicos, ora fazendo os avanços tecnológicos acompanharem suas
necessidades.

Logo, a necessidade da sociedade informacional é a produção do


conhecimento e para tanto, o uso de tecnologias, com sua eficiência
exponencial e sua capacidade de produzir mais com menos levaram as
instituições de ensino a fazerem investimentos cada vez maiores nas
tecnologias. Segundo o Anuário Brasileiro de Educação a Distância (AbraEAD,
2008) os investimentos prioritários das instituições são em tecnologias e estes
são os que têm a maior parte dos orçamentos, sendo que em 2007, os gastos
com aquisição de tecnologia, softwares e serviços de internet consumiram
71,8% do total de investimentos, o que representou um aumento de 50% em
relação ao ano anterior - as pesquisas realizadas pelo AbraEAD em 2006
revelaram que no ano anterior os investimentos em tecnologia chegavam a
apenas 32,8%.

3.3.2 Recursos digitais abrem espaço para recursos E-learning

Os recursos digitais – que basicamente funcionam através da internet –


assumem a liderança nos recursos tecnológicos mais utilizados pelos cursos
de Educação a Distancia. As mídias E-Learning, ou seja, as ferramentas e
plataformas de mídias digitais e eletrônicas que estão associadas à utilização
da internet e tecnologias móveis Ocupam a liderança do total de recursos
utilizados pelas instituições que oferecem cursos EaD, segundo dados do
60

Anuário Brasileiro de Educação a Distância (AbraEAD 2008, p. 65),


confirmando que a evolução e o crescimento da EaD está em proximidade com
as tecnologias digitais virtuais que se processam através da rede.

O AbraEAD (2008, p. 64) apresenta que “a mídia impressa começa a


perder espaço para a utilização do e-learning”, pois:

O número de instituições que o utilizam ameaça de perto o das que


utilizam mídias impressas. Estas ainda são as mais utilizadas (por
77%), enquanto uma quantidade menor (62,9%) das instituições
dizem utilizar o e-learning. Contudo, quando se pergunta às
instituições qual dentre todas as mídias que ela utiliza é “a mais”
utilizada, o e-learning, pela primeira vez, ultrapassa a mídia impressa,
sendo indicado por um terço delas (33,6%), contra 30,7% que utilizam
principalmente a mídia impressa. O modelo de interatividade preferido
por estas instituições é o do tempo real. O fórum de discussão é o
apoio tutorial on-line mais utilizado (62,9%), seguido pela salas de
bate-papo (58,6) e pelo telefone (54,3%).

As tabelas abaixo ilustram estes dados.

Tabela 3 - Mídias utilizadas, por região geográfica

FONTE: AbraEAD/2008
O email, que funciona como comunicação online, ocupa a maior
porcentagem dentre as mídias utilizadas para a comunicação na Educação a
Distância.

Tabela 4 - Interatividade com mídias de e-learning

A interatividade – prática realizada quando aluno e professor


comunicam-se em tempo real – é aplicada em 54% das instituições analisadas,
tendo este processo como prática na Educação a Distância.

Tabela 5 – Número de instituições segundo apoio tutorial on-line.

FONTE: AbraEAD/2008

Os recursos online e interativos, tais como sala de bate-papo e


comunicadores instantâneos (MSN, por exemplo) estão nas primeiras posições
dentre os recursos online mais utilizados.
62

Logo, percebe-se que os recursos mais utilizados pelas instituições são


exatamente aqueles que necessitam da Internet para seu funcionamento. A
Internet conecta a sociedade informacional e os diversos pontos da rede que
trocam informação e constroem conhecimento, expandindo o conteúdo no
ciberespaço, dando novas formas ao saber e a construção do conhecimento.
Ao mesmo tempo em que expande fronteiras, pois não está restrita a um limite
físico e nem a uma estrutura de comanda vertical, ela leva a informação para
um número cada vez maior de pessoas. A Educação a Distância, cumprindo
seu papel na formação do aluno e também na disseminação do conhecimento
na rede tem alcançado crescimento, fazendo uso de recursos tecnológicos e
disponíveis para acesso e interação na rede.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Revolução Industrial tornou os métodos de produção mais eficientes.


Através dela foi possível produzir com rapidez, agilidade e menos esforço
braçal, ocasionando preços mais baixos. Consequentemente, o capitalismo foi
exaltado, pois os preços baixos estimulam o consumo. Os motivos para o
fortalecimento do capitalismo foram de diversas ordens: sociais, religiosas,
econômicos, ideológicas etc.

O capitalismo favorecia os processos de Revolução Industrial e a


Revolução Industrial encontrava no capitalismo um parceiro de negócios. As
populações, conseguindo, através da ampla oferta de produtos e preços mais
baixos, adquirir bens industrializados e mais conforto acabaram por
deslocarem-se para os centros urbanos em busca de trabalho e novas
oportunidades. Essas mudanças configuraram novos espaços sociais, a
formação das classes trabalhadoras e o desenho das estruturas sociais. Tudo
isso culminou num rápido crescimento econômico.

A nova economia evoluiu e as sociedades que nela viviam também. A


modernidade e a contemporaneidade deram origem a uma nova sociedade que
emergia dos processos de Revolução, tendo sido condicionada, principalmente,
pela Revolução Tecnológica; a Sociedade Informacional. Esta tem como
matéria prima o conhecimento. E este, não só influência nos métodos e
processos de produção como também na forma e no rumo da nova sociedade.

A nova sociedade que se forma e se conecta em rede dá vida a um


espaço virtual; o ciberespaço, onde os indivíduos se conectam, se comunicam
64

e trocam informações e conhecimento. O funcionamento horizontal da rede


permite a expressão e a contribuição de todos. Configurando-se como um
espaço democrático e propício para o desenvolvimento da autonomia do
individuo.

A educação – área de formação e desenvolvimento do cidadão –


também vivencia novos métodos e processos. A Educação a Distância, mais
especificamente, passa por mudanças e faz uso de novos recursos que
potencializam seu funcionamento. Os dispositivos digitais e os ambientes
virtuais favorecem a interação e conexão entre agentes separados temporal e
fisicamente. Ou seja, os novos recursos virtuais digitais conectam através da
rede alunos, professores e tutores, favorecendo os processos de interação no
ensino e na aprendizagem.

Essas mudanças que surgem com os novos recursos tecnológicos


afetam a comunicação e os métodos aplicados na Educação a Distância,
facilitando a interação entre os agentes envolvidos nesse processo. A
comunicação instantânea, o acesso a diversos recursos e informações
disponíveis na rede, a facilidade de conteúdo e de fontes diversas e a
possibilidade de estudar sem a necessidade de deslocamento, usando os
recursos tecnológicos através da rede para contato e comunicação com
professores e colegas, potencializam o funcionamento da Educação a
Distância.

A rede, impulsionada pela Revolução Tecnológica que é mais uma etapa


no processo de evolução da industrialização, leva a sociedade do século XXI a
se conectar, comunicar e se relacionar num ambiente virtual que fica
denominado de ciberespaço. Esse espaço, além de ser propício para os
relacionamentos online, é também propício para impulsionar o uso de
tecnologias na educação, dando uma nova forma a Educação a Distância. Esta
pode agora, de maneira instantânea, virtual e horizontal – ou seja, sem a
regulamentação hierárquica que os organismos verticais impõem, conferindo
mais autonomia e liberdade à atuação do individuo, levando a informação e o
conhecimento, através dos nós da rede, a um número expressivo de pessoas,
ampliando o acesso à informação e fomentando a produção de novos
conhecimentos.
66

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