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kazuhito & FukE

Física
para o Ensino Médio

2
Termologia
ópTica
ondulaTória

manual do proFessor
Componente
CurriCular
FêSICA

2o ano
enSino mÉDio
Kazuhito Yamamoto
Licenciado em Física pela Universidade de São Paulo
Professor de Física na rede particular de ensino

Luiz Felipe Fuke


Licenciado em Física pela Universidade de São Paulo
Professor de Física na rede particular de ensino

KAZUHITO & FUKE

FÍSICA
PARA O ENSINO MÉDIO

2
TERMOLOGIA
ÓPTICA
ONDULATÓRIA

MANUAL DO PROFESSOR
COMPONENTE
CURRICULAR
FêSICA

2o ANO
ENSINO MƒDIO

4a edição – 2016
São Paulo
Física para o Ensino Médio 2
© Luiz Felipe Fuke, Kazuhito Yamamoto, 2016
Direitos desta edição:
Saraiva Educação Ltda., São Paulo, 2016
Todos os direitos reservados

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Yamamoto, Kazuhito
Física para o ensino médio, vol. 2 : termologia,
óptica, ondulatória / Kazuhito Yamamoto, Luiz Felipe
Fuke. -- 4. ed. -- São Paulo : Saraiva, 2016.

Suplementado pelo manual do professor.


Bibliografia.
ISBN 978-85-472-0575-1 (aluno)
ISBN 978-85-472-0576-8 (professor)

1. Física (Ensino médio) I. Fuke, Luiz Felipe.


II. Título.

16-02599 CDD-530.07
Índices para catálogo sistemático:
1. Física : Ensino médio 530.07

Física para o Ensino Médio


Volume 2

Astronautas realizam tarefas


no exterior da Estação
Espacial Internacional, ao
lado do braço robótico
Canadarm2.

Diretora editorial Lidiane Vivaldini Olo


Gerente editorial Luiz Tonolli
Editor responsável Viviane Carpegiani
Editor Marcela Maris
Consultor para o Manual do Professor Bruna Graziela Garcia Potenza
Gerente de produção editorial Ricardo de Gan Braga
Gerente de revisão Hélia de Jesus Gonsaga
Coordenador de revisão Camila Christi Gazzani
Revisores Cesar G. Sacramento, Luciana Azevedo, Ricardo Koichi Miyake,
Raquel Alves Taveira
Produtor editorial Roseli Said
Supervisor de iconografia Sílvio Kligin
Coordenador de iconografia Cristina Akisino
Pesquisa iconográfica Fernando Cambetas
Coordenador de artes José Maria de Oliveira
Design e capa Alexandre Romão com imagens de Eduardo Zappia/Pulsar Imagens
Diagramação Felipe Frade/Francisco A. da Costa Filho/Marcia Sasso
Assistente Bárbara de Souza
Ilustrações Alberto De Stefano, Alex Argozino, Conceitograf, Fernando Monteiro,
Luis Moura, Luiz Fernando Rubio, Marcos Aurélio Neves Gomes,
Mario Yoshida, Paulo César Pereira, Rafael Herrera, TPG
Tratamento de imagens Emerson de Lima
Protótipos Magali Prado
077.911.004.001 Impressão e acabamento
O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra está sendo utilizado apenas para fins didáticos,
não representando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.
Nos livros desta coleção são sugeridos vários experimentos. Foram selecionados experimentos seguros, que não oferecem riscos ao estudante.
Ainda assim, recomendamos que professores, pais ou responsáveis acompanhem sua realização atentamente.

Avenida das Nações Unidas, 7221 – 1º andar – Setor C – Pinheiros – CEP 05425-902

2
Apresentação
A Física é uma ciência que trata da interação entre matéria e energia. É um cons-
tructo humano cujo objetivo é levar à compreensão do mundo. Como outras ciências
ditas “exatas”, a Física contribui para o avanço de tecnologias e se desenvolve seguin-
do as premissas do método científico. Física é ciência experimental, pois envolve ob-
servação, organização de dados, pesquisa, capacidade de abstração e formulação de
hipóteses e trabalho colaborativo.
As ciências estão em constante desenvolvimento: não existem teorias ou modelos
definitivos. Por esse motivo, em alguns momentos, você pode ter a impressão de que a
Física está “pronta”, como um conjunto completo e linear de fatos conhecidos, mas isso
não é verdade. Em muitos pontos desta obra, você terá oportunidade de perceber que
a Ciência é um processo cumulativo de saberes nem sempre concordantes, e que avança
à custa de construção e desconstrução de consensos e pressupostos metodológicos. Os
conceitos que você deve assimilar estão apresentados segundo essas premissas e articulados
em estratégias de trabalho centradas na solução de problemas para aproximá-lo do trabalho
de investigação científica e da rotina dos processos produtivos.
A Física tem uma linguagem própria, auxiliada pela Matemática, que é o instrumen-
to formal de expressão e comunicação para diversas ciências. Assim, você deve encarar
as situações em que vai usar fórmulas, equações e gráficos como momentos privilegiados
em que é possível “ver” os fenômenos físicos se manifestando por intermédio da linguagem
matemática.
O estudo das ciências no Ensino Médio também tem como objetivo prepará-lo para
o mundo do trabalho e o exercício da cidadania, da ética, da prática da autonomia inte-
lectual e do pensamento crítico; isso quer dizer que esta fase de escolaridade tem a
função, entre outras, de torná-lo apto a planejar, executar e avaliar ações de interven-
ção em sua realidade, que é a escola, o trabalho ou outras circunstâncias relevantes de
sua vida.
A tecnologia e as Ciências Naturais realimentam-se mutuamente. Tanto o avanço das
ciências tem reflexos no desenvolvimento tecnológico como o inverso também acontece,
e você terá oportunidade de constatar isso na vida pessoal, nos processos de produção,
na evolução do conhecimento e na vida social. Afinal, não é estimulante saber que na
produção de um simples computador doméstico há mais tecnologia reunida do que
toda a tecnologia necessária para colocar o ser humano pela primeira vez na Lua?
Bem-vindo a esta importante etapa da jornada. Esperamos que ela lhe seja prazerosa
e proveitosa.
Os Autores

3
Conheça este livro
Entre os instrumentos de que você pode dispor para seu aprendizado, o livro didático
é um dos que lhe dará maior oportunidade de autonomia.
Conheça este aliado, suas seções e as possibilidades de trabalho para aproveitá-lo da
melhor maneira.
As aberturas de unidade
mostram a essência do
2
UNIDADE
tema e sua importância, Óptica geométrica
sua gênese, aplicações e CAPÍTULO 7 Princípios da óptica geométrica
relações com outras áreas do Óptica é o ramo da Física dedicado ao estudo da luz e de suas propriedades
nos meios em que se propaga.
CAPÍTULO 8 As leis da reflexão e os espelhos planos
Desde a Antiguidade cientistas debatem sobre a natureza das emissões CAPÍTULO 9 As leis da reflexão e os espelhos esféricos
conhecimento, das Ciências luminosas. Ora se acreditava que os raios de luz eram sinais que viajavam em
ondas, ora prevalecia a ideia de que a luz se comportava como uma corrente
CAPÍTULO 10 Refração da luz

Exatas às artes e ao mundo de fótons, minúsculas partículas portadoras de energia.


Hoje, porém, sabemos que essas características não são excludentes, pois
CAPÍTULO 11
CAPÍTULO 12
Lentes esféricas
Instrumentos ópticos
há fenômenos como a polarização e a fotossíntese, mais bem explicados pelo
do trabalho. caráter corpuscular, e outros como a formação de imagens, mais bem explicados
pelo caráter ondulatório.
CAPÍTULO 13 Óptica da visão
Vemos nesta fotografia,

NASA/SPL/Latinstock
obtida pelo telescópio
Nesse último caso, as trajetórias dos raios de luz sempre se dão segundo
espacial Hubble, o
o menor intervalo de tempo; esse princípio justifica a formação de imagens planeta Saturno e dois de
seus satélites em órbita.
em espelhos e lentes e, por extensão, o funcionamento de instrumentos que O ponto claro acima dos
anéis é o satélite Titã,
propiciam a visualização de objetos muito grandes, muito pequenos ou muito cuja sombra está mais
distantes, além de esclarecer o mecanismo da visão. Eis a óptica geométrica, à direita, abaixo dos
anéis. O satélite Tétis é
objeto desta Unidade. um pontinho claro, quase
sobre os anéis.
Mas o conhecimento vai além: sendo a luz uma onda eletromagnética, Há aproximadamente
podemos esperar o mesmo comportamento para as demais ondas do espec- 400 anos, Galileu Galilei
descobria os satélites
tro eletromagnético. Desse modo, aproveitamos o conhecimento obtido com a de Júpiter com a luneta,
um instrumento óptico
reflexão e a refração para criar desde bisturis a laser e engenhosos aparelhos que permitiu o avanço
para endoscopia, aumentando definitivo da Astronomia.

assim a precisão de procedi-

Louie Psihoyos/Science Faction/Corbis/Latinstock


mentos cirúrgicos minimamente
invasivos, até grandes e sofisti-
cados telescópios espaciais, que
trazem informações do espaço
de um tempo em que o Universo
estava no início de sua evolução.

16
CAPÍTULO

O laser não foi descoberto

Ondas sonoras (Acústica) acidentalmente. Ele foi


concebido com o nosso
Thinkstock/Getty Images

conhecimento de ondas
e de física quântica, e
essa tecnologia está
presente em uma grande
variedade de materiais
O exame de acuidade visual verifica o grau e procedimentos, dos
de aptidão dos nossos olhos para discriminar aparelhos de CD aos
detalhes espaciais, forma e contorno dos objetos. processos médicos
A Organização Mundial da Saúde contempla a
DANIEL TEIXEIRA/AE

Você gosta de música? e industriais.


saúde da visão como um dos quesitos para a
Há muitas maneiras de aproximar-se da experiência determinação da qualidade de vida. 115
musical, seja compondo, interpretando ou trabalhando 114
com os aspectos mais concretos do som, produzindo
instrumentos ou como engenheiros de som e áudio, ou
simplesmente apreciando uma boa música. Em qual-
quer dessas atividades, devemos saber que a música é
um tipo de som, embora nem todo som seja música.
O som não é só musical: diariamente escutamos as
vozes das pessoas, o canto dos pássaros, a chuva cain-
do, o vento soprando. O juízo que fazemos desse tipo
de som é cultural e, em geral, é para nós agradável.
Mas existem sons cuja intensidade ou duração trazem
Dentro das unidades,
A Sala São Paulo é a sede da Orquestra Sinfônica do Estado
de São Paulo (OSESP). Os painéis que você vê no teto são
sensações incômodas ou desagradáveis, e os denomi-
namos ruídos, como os do trânsito, de uma máquina cada capítulo detalha
em funcionamento, do pernilongo.
um aspecto do tema
Outras palavras
móveis e podem ser controlados individualmente, permitindo
que o volume do hall possa ser ajustado para entre 12 mil m3 e As pessoas — e muitos outros animais — comuni-
28 mil m³. Isso garante que qualquer composição que cam-se por meio do som. Daí a importância deste ca-
venha a ser executada nesse espaço tenha seu conceito
acústico respeitado. Entre outras atribuições, é tarefa do
engenheiro de som planejar a estrutura da sala de acordo
com as características da obra que será executada.
pítulo, em que estudaremos os principais fenômenos
ondulatórios que ocorrem com os sons e como os di-
ferenciamos. Também veremos a produção de som
em uma sequência que
Fotografia de março de 2012. em instrumentos musicais de corda ou de sopro.
Ao estudo das ondas sonoras damos o nome de
permite vislumbrar sua
Márcio Alves/Agência O Globo

Acústica.

Ondas sonoras
evolução histórica, sempre OUTRAS PALAVRAS
FAÇA NO
CADERNO
NÃO ESCREVA
NO LIVRO

Ondas sonoras são ondas de natureza mecânica,


pois necessitam de meio material para se propagarem.
que possível, retomando Estamos em 1905, o ano miraculoso de Albert Eins-
A luz é uma onda ou é uma partícula?
a uma placa sem carga extra. Einstein propôs que a luz
São longitudinais e tridimensionais, ou seja, a direção
de vibração das partículas do meio material coincide assuntos já tratados, tein: ele produz duas teorias que recolocam o modelo
corpuscular da luz em evidência e, de quebra, amplia as
ideias de Max Planck com os quanta de energia, defi-
incidente na placa também fosse feita de pequenas “bo-
las”, partículas de luz que hoje chamamos de fótons. Na
época, a ideia era inesperada: a luz era considerada uma
com a direção de propagação, e a frente de onda é
uma superfície esférica.
Sendo mecânicas, as ondas sonoras não se propa-
permitindo assim tanto nindo os fótons como as suas partículas formadoras e
mediadoras da interação eletromagnética. Essas teorias
produziram resultados tão importantes nos momentos
onda, com propriedades como refração e difração, coi-
sas que vemos todos os dias ao olharmos raios de luz no
fundo de uma piscina. Como assim “bolas” de luz? Eins-
gam no vácuo, sendo este, portanto, o melhor isolante posteriores da Física que o ano de 2005, em que se tein justificou-se dizendo que sua ideia era heurística,
Bandas de rock tocam tanto em lugares fechados quanto
abertos. Em cada caso, o engenheiro de som deve produzir
acústico. Se você quiser construir um ambiente à prova
de qualquer ruído, deve fazê-lo com duas paredes,
revê-los como ampliá-los, comemorou um século de tais descobertas, foi come-
morado como o Ano Internacional da Física.
isto é, uma explicação tentativa, sem maior suporte teó-
rico. Se funcionasse, explicaria os dados experimentais.
a melhor solução em termos de retorno de som para a Já que não se podia negar o caráter ondulatório da luz Da teoria ondulatória da luz, sabia-se que cada
banda e para o público. Show no Rock in Rio, em
setembro de 2015.
uma separada da outra, reduzindo ao mínimo possível
o ar entre elas. além de reconhecê-los em em alguns fenômenos, a retomada do modelo corpuscular
levou a uma dupla interpretação da natureza da luz, uma
dualidade: durante a sua propagação, a luz exibe as suas
cor está relacionada com uma onda de determinada
frequência, que aumenta do vermelho ao violeta. Pen-
se nessas ondas como o fole de um acordeão: o fole
CAPÍTULO 16 • ONDAS SONORAS (ACÚSTICA) 263
outros contextos. propriedades ondulatórias, enquanto na interação com a
matéria, na radiação ou absorção, manifestam-se as pro-
priedades corpusculares. A princípio, isso foi encarado
aberto corresponde a ondas de maior comprimento e
menor frequência, os tons mais graves; o fole fechado
corresponde a ondas de maior frequência, mais agu-
com muita estranheza, mas, com o passar do tempo, o das. Einstein, inspirando-se na ideia de Max Planck de
dualismo das propriedades foi provado em outras partícu- que átomos recebem e emitem energia em pequenos
las elementares, como, por exemplo, os elétrons. pacotes, sugeriu que a luz também pode ser interpre-
Leia, a seguir, o texto do professor Marcelo Gleiser, do tada como sendo composta de pacotes, cada cor uma
Dartmouth College (EUA), sobre essa entidade micros- partícula com energia que aumenta com a frequência.
cópica e tão misteriosa e distinta de todas as que co- Um fóton correspondendo à luz ultravioleta tem mais
nhecemos no mundo macroscópico. energia do que um da luz vermelha ou amarela.
[...] O resto é fácil: só fótons ultravioleta têm energia
Ao final do século 19, a maioria dos físicos sabia para arrancar elétrons da placa metálica. O mesmo
FAÇA NO NÃO ESCREVA que a chamada física clássica estava em crise: várias ocorre com a mesa de bilhar: só uma tacada bem forte
NO LIVRO
CADERNO
descobertas feitas no laboratório mostravam que certos arranca as bolas da mesa. A teoria de Einstein explica
fenômenos não podiam ser descritos pelos pilares do os dados perfeitamente. Porém, cria outro problema:
afinal, a luz é onda ou partícula? A melhor resposta é:
PRçTICA
conhecimento físico de então, a mecânica de Newton e
uma
ATIVIDADE o imagens em o eletromagnetismo de Michael Faraday e James Clerk nem uma coisa nem outra. Onda e partícula são ima-
Observand gens que criamos com base na nossa intuição, forja-
de espelhos
Maxwell. Desses fenômenos, o efeito fotoelétrico era
associação dos mais abstrusos: uma placa metálica onde foi depo- da pelo que vemos ao nosso redor. Mas, no mundo
quântico, tais imagens são irrelevantes. Apenas o que
brir? sitada carga elétrica perde essa carga se iluminada por
Vamos desco
tas imagens? luz ultravioleta, mas, se a luz for amarela, vermelha ou medimos com instrumentos faz sentido. Nossas teo-
m formar quan
associados pode azul, nada ocorre. rias são construções que explicam o que medimos,
Dois espelhos baseadas em conceitos restritos pela nossa percep-
enos) Einstein, que gostava de frequentar bares com os
Material hos muito pequ ção do mundo. A natureza da luz, se é que é possível
não use espel amigos, deve ter se inspirado num jogo de bilhar ao
(se possível, caracterizá-la, permanece um mistério.
hos planos propor sua explicação para o efeito fotoelétrico. Pense
• dois espel GLEISER, Marcelo. Luz: um pouco mais de mistério. Folha de
feridor numa placa metálica carregada, como uma mesa de
• um trans ros bilhar cheia de bolas. Cada bola é um elétron, que dá
S.Paulo, São Paulo. 11/9/2005. Licenciado por Folhapress.
ha de fósfo vermelho Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/
• uma caixin

Atividade prática
carga extra à placa. Uma mesa sem bolas é equivalente fe1109200504.htm>. Acesso em: 27 out. 2015.
verde
Procedimento verde e ou- (atrás)
uma na cor
da caixinha,
Stefano

faces maiores lado: Organizando as ideias do texto


III. Pintem as sentado ao eixo de rotaçã
o
elha como repre o um espelho fixo
tra na verm O avanço da Ciência não se faz individualmente: talvez nenhuma atividade humana dependa mais da colaborati-
Alberto De

lado, fixand l
confo rme o esquema ao que o trans - om
óve vidade do que a atividade científica. Você já estudou o modelo atômico de Rutherford e Bohr; nesse modelo, os
um arranjo l, de modo elh
III. Montem o outro móve eles. esp 0° (zero grau) elétrons assumem “posições” na eletrosfera do átomo que correspondem a níveis de energia, liberando ou emi-
dos espelhos
e deixando o ângulo entre
Ilustrações:

ontal, meça
A Física é uma ferramenta para se
rem. tindo quantidades determinadas de energia para tal.
r interp osto, na horiz hos para que não queb
ferido os espel 1. Que detalhe desse modelo lembra a natureza corpuscular da luz?
manipularem
Cuidado ao observem o
ângulo a e 2. Pesquise: Bohr já sabia da teoria de Planck e Einstein, ou teria sido um trabalho isolado?
l variando o α
espelho móve
III. Girem o
que acontece
com o núme

ro
ro de imagens.

a seguir no
ndo os espel
caderno e, dispom o número res-
hos entender a natureza. Pelo seu caráter 142 UNIDADE 2 • ÓPTICA GEOMÉTRICA
o quad os, anote
IV. Copiem onad
de acordo com
pectivo de imag
os ângulos relaci
ens obtidas:
180º 120º
72°
90°
60° 45° 40° 36°
experimental, você deve pôr a mão
a

número de
imagens e a frente),
e verifiquem
o na massa! Aproveite a seção Na seção Outras palavras você tem
refletoras frent
(superfícies

IV. Rearranjem
o conjunto,
imagens form
deixando os
adas.
espelhos paral
elos

d
Atividade prática para comprovar a oportunidade de verificar como o
número de

alguns fatos fundamentais, com


Richard Megna/ Photographs
Fundamental

assunto que está sendo estudado é


d
experimentos muito simples e tratado por outros autores, em outros
dos frente a
frente
Espelhos coloca s imagens de objetos
produzem infinita es específicas.
posiçõ
seguros, utilizando materiais e contextos e mídias.
colocados em
Que posições

ro de imagens
são essas?

e a variação
do ângulo a?
ens
recursos fáceis de obter.
o entre o núme forma as imag
Discussão
1. A que concl
usões você
obser vou
chegou a respe
nas imagens
ito da relaçã
quanto à dispo
ho se
sição das faces
apres entaram?
verde e verm
elha? De que
Siga sempre as orientações de seu
2. O que você mesmo espel Por quê? 360° – 1? Em caso
imediatam

3. O que acon
ente vizinhas no
tece quando
os espelhos
são dispo stos

cada configuraç
paralelamente?
ão foi confi
rmado pela
expre ssão n =
a professor para a realização eficaz
obtidas em
ro de imagens a discrepânc
ia?
4. O núme
negativo, a
que fatores
você atribui
E OS ESPELHOS
CAPÍTULO 8 •
PLANOS
AS LEIS DA REFLEX
ÃO
141
e segura de cada atividade.

4
A Física A Física na História
no cotidiano Observe na página anterior o conjunto de imagens do mesmo rosto:

Sérgio Dotta Jr./The Next


há uma imagem distinta para cada tipo de objeto. Em A, B e C, cada ima-
gem se forma por reflexão; mas e em D, E e F? O rosto está atrás do vidro,
então essas imagens são o resultado da refração da luz pelo vidro. No
capítulo anterior, vimos como a luz atravessa os dioptros e forma imagens
por refração; chamaremos esses dioptros de lentes.
O que tornou possível tanto a fotografia como o cinema foi o estudo e
A FÍSICA NO COTIDIANO o desenvolvimento das lentes esféricas.
Assim, neste capítulo vamos estudar o que é uma lente esférica, suas
Nesta fotografia, há três tipos de lente: nos
propriedades e aplicações; ver como se comportam os raios de luz que a
Variações de temperatura óculos da fotógrafa, nos seus próprios olhos
atravessam e como se formam as imagens que produz. e na máquina fotográfica.
Observam-se no Universo marcas de temperatura que apresentam variações da ordem de milhões de graus
Celsius; em contrapartida, a homeostase dos seres vivos (processo de regulação que mantém o organismo em
equilíbrio) só é garantida em um intervalo de temperaturas relativamente estreito. A FÍSICA NA HISTîRIA
Um dos motivos de o ser humano ter se estabelecido como espécie dominante na Terra foi o fato de ele ter
se adaptado a ambientes em que a mudança de temperatura era significativa. Sobre as primeiras lentes
Alterações de alguns graus na temperatura são suficientes para provocar desde indisposições físicas nos seres
humanos até grandes alterações climáticas que afetam todos os ciclos biogeoquímicos. Não se sabe quando as primeiras lentes foram inventadas ou em que época algum material existente na na-
O derretimento mais acentuado das geleiras, por exemplo, é uma das consequências do aquecimento global. tureza foi utilizado para o mesmo fim.
Em 1849 o arqueólogo britânico John Layard descobriu, nas ruínas de Nimrud (atual Iraque), um cristal de
Geoff Renner/Robert Harding/AFP

rocha de 3 000 anos de idade, em formato oval, que se supõe ter sido burilado no século VII a.C. e usado como
A Antártida, situada no lente de aumento.
extremo sul do planeta, é o
local mais frio do mundo,
apresentando temperaturas
Nos escritos de Confúcio, datados de 500 a.C., há o relato de um sapateiro que teve sua visão “aliviada”
com o uso de lentes, que eram feitas de cristais polidos toscamente. Mais tarde, no século XIII d.C., o explora-
Muitas vezes optamos por
entre 0 °C e –65 °C. Apesar dor veneziano Marco Polo relatava os curiosos adereços que os chineses levavam aos olhos para melhorar a
das condições inóspitas,
ela tem uma fauna nativa
relativamente diversificada
visão. A experiência da leitura, atividade florescente com a invenção da imprensa, ganhava um aliado com as
“pedras de leitura”, criadas na Idade Média, feitas de cristal de quartzo ou de pedras semipreciosas lapidadas
apresentar assuntos segundo
e recebe anualmente e polidas, aumentando o tamanho das letras.
milhares de pesquisadores
que se fixam em bases
internacionais. Fotografia de
Com a rápida popularização dos óculos, produzidos na Itália, logo começaram as primeiras experiências com
a combinação de lentes para obter outros instrumentos que ampliassem as imagens, resultando na criação de uma sequência diferente dos
outubro de 2015. aparatos como microscópios, lunetas e telescópios.

fatos históricos. Na seção


Ivoha/Alamy/Fotoarena
Cristina Xavier

Billings Microscope Collection/National Museum of Health and


Medicine, Armed Forces Institute of Pathology
Album/AKG-images/Latinstock

Album/AKG-images/Latinstock
A Física na História, vamos
contar as circunstâncias que
cercaram algumas descobertas,
Estando a céu aberto e sujeitos a
intempéries, os termômetros de rua
O assentamento de Dallol, na região de deserto da Etiópia, é um dos
lugares mais quentes do mundo. A temperatura média anual lá é de
os cientistas envolvidos,
fornecem temperaturas apenas aproximadamente 34 °C e alcança facilmente os 60 °C em um dia de
aproximadas. verão. Fotografia de dezembro de 2014.

O telescópio refrator, também


conhecido como luneta, foi
Este é o microscópio composto, de Robert
Hooke. Esse instrumento, associação de
Uma das primeiras representações de
pessoas usando óculos é este apóstolo,
as teorias paralelas, as
As partículas nos estados líquido e gasoso estão em constante movimentação;
nos sólidos, esse movimento se caracteriza por pequenos deslocamentos em torno
de uma posição de equilíbrio. Qualquer que seja o estado das partículas, é de se
aperfeiçoado pelo astrônomo e
físico Galileu Galilei em 1610.
Vemos, na fotografia, uma réplica
do telescópio de Galileu no ÕImiloa
objetiva e ocular, foi inventado no final do
século XVI pelo holandês Zacharias Janssen
e aperfeiçoado por Hooke, com o qual, em
1665, descreveu detalhadamente células,
que aparece em detalhe de um painel
de altar de igreja em Bad Wildungen,
Alemanha. Esse painel é obra de
Konrad von Soest, pintor gótico do
controvérsias, a evolução de
esperar que suas velocidades (delas próprias ou umas em relação às outras) apresen-
tem uma grande gama de valores, uma vez que qualquer porção de matéria tem um
Planetarium, no Havaí. pequenos animais e vegetais em 60 lâminas. século XV.
modelos e o contexto político
número muito grande delas.
O estado de agitação do material está associado à energia cinética média das
partículas (que são em grande número), e a temperatura mede esse estado de agi-
182 UNIDADE 2 • ÓPTICA GEOMÉTRICA
da época.
tação. Por isso, dizemos que o estado de agitação é uma grandeza estatística (isto é,
associado a um conjunto numeroso de elementos) e macroscópica, que depende de
medições indiretas para se determinar o seu valor: a temperatura é, então, a gran-
deza macroscópica associada ao estado de agitação das partículas de um sistema.

CAPÍTULO 1 • TERMOMETRIA 11

Muitas decisões que tomamos em


situações corriqueiras são justificadas
pelos mesmos conceitos que regem
os movimentos dos planetas e o
comportamento dos átomos e das ondas Exercícios
eletromagnéticas. Na seção A Física no
cotidiano você perceberá que a Física propostos
está em todo lugar!

Exercícios
propostos
EP1. Quais
são as carac FAÇA NO
e o tipo da terísticas da CADERNO NÃO ESCREVA

Exercícios
lente do olho imagem conju NO LIVRO
humano? gada a)
Tiago: f = –37,5
EP2. Uma pesso b) Tiago: f cm e Bruna:
= –75 cm e f = +75 cm.
a tem o pont Bruna: f = +37,
seu olho e o o remoto a c) Tiago: f
ponto próxi 2 metr os = +37, 5 cm e Brun 5 cm. X
de de acom mo normal. do d) a: f = –75 cm.
odação visua Calcule a ampl Tiago: f = +75
l da pessoa. itu- cm e Bruna:
e) Tiago: f f = –37,5 cm.

Para saber mais


= –75 cm e
EP3. Por que Bruna: f = –75
o hipermetr cm.

resolvidos
convergente ope tem que EP8. Uma pesso
para corrigir usar uma lente a com visão
o defeito em mo a 25 cm, normal possu
seu olho? enquanto para i o ponto próxi
EP4. Dona é bem maio o hipermetro -
Benta possu r. Sabe-se que pe essa distân
i amplitude Manu el, que é hiper cia
sual normal de acomodaç usa óculos de 8 metrope,
(+4 di), mas ão vi- graus. Cons
objetos situa é míope, pois 3 idere 1 grau
só enxerga
a) Qual é a
dos mais próxi
mos do que bem a) a distância do seu = 1 m–1 e calcu
le:
vergência da 50 cm. b) a amplitude pont o próximo;
miopia de Dona lente dos óculo de acomodaç
Benta? s que corrige a trope sem os ão visual desse
b) A quantos óculos. hiperme-
centímetros
ponto próxi de seus olhos EP9. Os grau
mo? está o seu s dos óculo
gem de seu s de Rosa são
Organizando as ideias do texto olho, que vemo tais que a ima-
EP5. A lente ponde a 90% s através da lvidos
Exercícios reso
dos óculos que do tamanho lente, corre
1. Procure a etimologia da palavra míope. Paulo tem 4 corrige o defei gem se form real. Supondo s-
graus e a que to da miopia a a 10,8 mm que a ima-
tem 2 graus. corrige a hiper do que a distâ da lente, pode
2. Qual seria uma possível reclamação de crianças míopes: dificuldade de ler o que está escrito na lousa ou Sendo 1 grau metropia da ncia da lente mos afirmar Observação: Celsius corres
ponde a
= 1 m–1, pode Maria defeito ao olho da X, que cor- ão de cada grau
na tela do computador? E qual seria uma possível reclamação de crianças hipermetropes? a) sem os óculo -se afirmar que: de seus olho Rosa e o tipo , em uma escala Como a variaç alente a 20 K.
s, Paulo só s são: de Calcule a temperatura o com o de 20 °C é equiv
afastados que enxerga bem a) 12 mm e ER1. fique de acord
25 cm e Mari objetos mais hipermetropia. °C, de modo que 1 K, a modificação
jetos mais próxi a só enxerga b) 12 mm e
miopia. responda a 20
bem ob- c) ado.
b) a lente
mos que 50
cm. 9,72 mm e esquema mostr b)
212 °F
dos óculos hipermetropia. 200 °X
Monteiro

Maria é diver do Paulo é convergente d) 9,72 mm e miop 100 °C


gente. e a da e) ia. 100 °C θF2
c) olhando 9,72 mm e θC2 ∆θF
PARA SABER MAIS os olhos do presbiopia. 20 °C θF1
Ilustrações: Fernando

lentes dos seus Paulo e da X θC1


Maria atrav
respectivos és das EP10. (UFPA) Um 20 °C 32 °F
imagens são óculos, verifi oftalmologista –50 °X
Sites nas do Paulo
virtuais, direit
as e de tama
ca-se que as um paciente,
explica-lhe , antes de
examinar 0 °C
0 °C
nho maior os esquemas abaix dois defeitos
e menor nas da visão rções são:
Profissões — oftalmologia, oftálmica e ortóptica d) a distância da Maria. o: usando Agora, as propo
focal das lente
s dos óculos do olho ��F ��C ��F ⇒
Guia do Estudante — Guia de profissões. Disponível em:
+25 cm e da
Maria é de Paulo vale luz olho
Resolução: os intervalos de
tempe- ��C
= 212 – 32 ⇒ 5
= 9
e) as distâncias –50 cm. retina rção entre 100 – 0
<http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/saude/profissoes_279836.shtml> e focais das lente luz Utilizando a propo nciais dados pe-
da Maria são, s dos óculos retina o-as com os refere
<http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/saude/profissoes_279839.shtml>. respectivament do Paulo e ratura, combinand : 20 = ��F ⇒ ��F = 36 °F
e +50 cm. e, iguais a da figura, temos ⇒
Acessos em: 3 nov. 2015. –25 cm los pontos fixos 5 9
Defeito A 200 °X com a
EP6. Se uma 100 °C X é relacionada
Provavelmente você já pensou sobre o que fazer no futuro, depois do Ensino Médio. Uma opção é ingressar no
pessoa de Defeito B termométrica
mo = 25 cm visão norm Em seguida,
mostra-lhe b ER3. Uma escala o.
Ensino Superior: você pode terminar a graduação com um bacharelado (para trabalhar na área escolhida, fazer e ponto remo al (ponto próxi as lentes mostra o gráfic
mestrado ou doutoramento), uma licenciatura (com a mesma capacitação do bacharelado e mais a habilitação los com lente to no infinito) - representadas
ao lado, cuja x Celsius conforme X em função
da tem-
s divergentes, colocar ócu- 20 °C de x na escala
TPG

é corrigir esses função a


para dar aulas nos ensinos Fundamental e Médio) ou como tecnólogo. O curso de tecnólogo é uma modalidade a) emetrope ela se torna
rá: defeitos. –50 °X a) Qual é o valor s?
Ilustrações:

. 0 °C escala Celsiu
d) presbíope. peratura � na °X.
de graduação, de nível superior, mais curta que o bacharelado. Esses cursos têm a duração de dois a três anos e b) míope. quando x = 3
e) cega. ratura em °C
concentram-se na área de conhecimento escolhida. c) hipermetr
ope. x + 50 ⇒ x = 0 °X b) Calcule a tempe
x – (–50) ⇒ 1 = 250
Você pode tornar-se um médico com especialização em oftalmologia. Há também muitos cursos de tecnologia na
a) Qual o nom lente 1 a = 20 – 0 = 5 x (°X)
lente 2 200 – (–50)
área da saúde, e dois deles são: tecnologia em oftálmica e em ortóptica, ambos relacionados à saúde da visão. Leia EP7. O pont
o remoto do e de cada defei b 100 – 0 10
mais sobre essas profissões, mercado de trabalho e outras expectativas no site. igualmente olho míope que corrige to e qual a a
lente (1 ou
distante do do Tiago está cada um? 2) Observação: usar outra com
da Bruna. Send ponto próxi b) Após exam
e, o médico da escala X, poderíamos trar
Ambliopia o de 75 cm mo hipermetr constata que No lugar O modo de encon
focais das essa medida, ope ciente apres o olho do pa- incorretamente. escala
lente as distâncias enta o defei graduação feita utilizando uma 18 θ (°C)
Disponível em: respectivament s que corrigem os tância de visão to A, sendo
sua máxima certa, mesmo 0
<www.abcdasaude.com.br/artigo.php?19>. e: defeitos são, distinta igual dis- a temperatura o métod o de cálculo, em- –5
tas dioptrias a 50 cm. Calcu segue o mesm alos de tempera-
deve ter a lente le quan- mal graduada,
Acesso em: 3 nov. 2015.
para corrigir receitada pelo rção entre os interv
tal defeito. médico pregando a propo e outra incorreta).
No site indicado você saberá mais sobre esse defeito visual. s (uma correta Resolução: ntes utili-
tura nas duas escala corresponde
de tem- izar os valores
r uma variação a) Vamos visual
Celsius houve ão corres- ma usual:
CAPÍTULO 13
ER2. Se na escala qual será a variaç zando o esque
°C, então
• ÓPTICA DA
VISÃO 223 peratura de 20 10 °X
:
pondente na escala 18 °C
?
Exercícios resolvidos a) Kelvin b
b) Fahrenheit? x
θ a
ER3. Por que o míope usa lente divergente para corrigir ER4. Determine a distância focal e a vergência de uma Resolução: 0 °C
–5 °X

o defeito no seu olho? lente que corrige o defeito de uma miopia, cujo ponto a) 373 K
100 °C
remoto está a 4 m do olho. T2 � x+5 ⇒
x – (–5) ⇒ C =
a = �C – =
c2 ∆T 0
Resolução: Resolução: 20 °C T1 18 15
– (–5)
c1 b 18 – 0 10
O míope possui o olho mais alongado que o normal e Tem-se: pR = 4 m 273 K 5�
A correção é feita com uma lente divergente, cuja dis- 0 °C �C x + 5 ⇒ x = C – 5
por isso a imagem de um objeto no infinito se forma ⇒ = 6
tância focal é expressa por: f = –pR ⇒ f = –4 m 6 5
antes da sua retina. Para corrigir o defeito, deve-se os:
rções devidas: x = 3 a essa expressão, obtem
associar à lente do olho uma lente divergente, porque A vergência de uma lente é expressa por: Aplicando as propo �T ⇒
b) Atribuindo
��C 5�C = 9,6 °C
dessa forma o sistema aumenta a distância focal e a
V = 1 = 1 ⇒ V = –0,25 di ��C �T ⇒ 100 = 100 5�C 8 = 6 ⇒ �C
= 273 3= 6 –5⇒
imagem passa a formar-se na retina. f –4 100 – 0 373 –
�T ⇒ �T = 20 K
CAPÍTULO 13 • ÓPTICA DA VISÃO 221 ⇒ ��C =

Indica que a 16 UNIDADE 1 • TERMO


LOGIA

Você leu os textos, as seções e atividade pode


verificou seu conhecimento. Se ser realizada em Seleção de exercícios escolhidos
você deseja saber mais, aproveite dupla ou grupo. cuidadosamente para verificar como
as sugestões para conhecer outros a Física funciona, para ampliar seus
livros, revistas, mostras, museus, conhecimentos e relacioná-los com os
filmes, aplicativos e sites da assuntos mais atuais.
internet.

5
Sum‡rio
UNIDADE 1 CAPíTULO 5 – Estudo dos gases 72
Variáveis de estado 73
Termologia 8 Transformações gasosas 74
A Hipótese de Avogadro e o conceito de mol 78
CAPíTULO 1 – Termometria 10 Teoria cinética dos gases 80
Temperatura 10
Mistura de gases 82
A Física no cotidiano – Variações de
Atividade prática – Examinando os
temperatura 11
modelos cinéticos dos gases 83
Termômetros e escalas termométricas 13
A Física na História – Sobre as escalas
termométricas e seus criadores 15 CAPíTULO 6 – Termodinâmica 85
A Física no cotidiano – Outras temperaturas Trabalho envolvido na transformação do gás 88
encontradas no Universo 17 Primeira Lei da Termodinâmica 91
Outras palavras – Micro-ondas 17 A Primeira Lei e as transformações gasosas 93
A Física no cotidiano – Observe as cores A Física na História – Julius Robert von Mayer 97
de uma chama 18
A Segunda Lei da Termodinâmica 102
Máquinas térmicas 105
CAPíTULO 2 – Dilatação de sólidos
A Física no cotidiano – Motor de explosão
e líquidos 20
de veículos automotivos 107
Dilatação térmica dos sólidos 20
Ciclo de Carnot 107
Outras palavras – Concreto armado 27
Outras palavras – O preço da ordem 109
Outras dilatações térmicas 28
Atividade prática – Observando a
dilatação anômala da água 30
UNIDADE 2
CAPíTULO 3 – Calorimetria 32
O calor 32 ÓpTica geoméTrica 114
A Física no cotidiano – Mais unidades CAPíTULO 7 – Princípios da óptica
de energia 33
geométrica 116
A propagação do calor 34
Condução térmica 35 Luz 117
Convecção térmica 36 Princípios da óptica geométrica 121
Irradiação 37 Aplicações da propagação retilínea da luz 121
Fluxo de calor por condução 39 Outras palavras – As constelações
Radiações térmicas e a lei de Stefan-Boltzmann 41 indígenas brasileiras 124
Efeitos do calor 42 Cores e velocidades da luz 128
Calor sensível e calor latente 43 Atividade prática – Simulando o disco
Atividade prática – Analisando a curva de de Newton 128
aquecimento e a equação fundamental
da calorimetria 44 CAPíTULO 8 – As leis da reflexão e
Quantidade de calor latente 46 os espelhos planos 132
Troca de calor entre corpos e sua lei geral 47 Leis da reflexão 133
Atividade prática – Examinando o banho-maria 50 Imagem de um ponto objeto 134
Outras palavras – Furacões 51 Imagem de um corpo extenso 135
A Física no cotidiano – A imagem e
CAPíTULO 4 – Mudanças de estado 56 o carimbo 135
Vaporização e condensação 58 Deslocamento e velocidade da imagem 135
A Física no cotidiano – Panelas de pressão 60 Campo visual de um espelho plano 138
Fusão e solidificação 61 Associação de dois espelhos planos 138
Isotermas de Andrews 64 Rotação de um espelho plano 139
Diagrama de fases 65 Atividade prática – Observando imagens
Atividade prática – Analisando a pressão e em uma associação de espelhos 141
a temperatura 66 Outras palavras – A luz é uma onda ou
Higrometria 68 é uma partícula? 142

6
CAPíTULO 9 – As leis da reflexão e os CAPíTULO 13 – Óptica da visão 213
espelhos esféricos 145 Estrutura do globo ocular 214
Elementos de um espelho esférico 146 Comportamento óptico do globo ocular 214
Leis da reflexão 146 Acomodação visual 216
Condições de nitidez de Gauss 147 Defeitos da visão 217
Focos de um espelho esférico 148 Outras palavras – Medicina preventiva 220
Propriedades de um espelho esférico 149
Estudo geométrico – construção geométrica UNIDADE 3
de imagens 151
A Física no cotidiano – O ponto cego dos ondulaTÓria 224
espelhos retrovisores 154
Outras palavras – O Princípio da Ação Mínima: CAPíTULO 14 – Oscilações 226
a natureza é econômica 155 Oscilações 227
Estudo analítico – descrição matemática das A Física na História – O pêndulo
imagens 155 de Foucault 228
Atividade prática – Construindo um banco Oscilações em sistemas mola-partícula 229
óptico 158 Descrição das grandezas do MHS 232
Período de oscilação do sistema massa-mola 233
CAPíTULO 10 – Refração da luz 160 Outras palavras – Queda livre pelo centro
A refração da luz e a sua medida 161 da Terra 235
Leis da refração luminosa 164
Atividade prática – Examinando a refração 165 CAPíTULO 15 – Ondas 237
Ângulo limite e reflexão total 166 Natureza das ondas 238
A Física no cotidiano – Fibra óptica 167 Tipos e classificações das ondas 239
Dioptro plano 168 Velocidade e comprimento de onda (λ) 240
Lâminas de faces paralelas – desvio lateral 170 Função de onda 242
Prisma óptico 171 Fenômenos ondulatórios 244
Decomposição ou dispersão da luz branca 174 Ondas unidimensionais 244
Efeitos produzidos pela refração 175 Ondas estacionárias 247
Outras palavras – A curvatura da luz na Ondas bidimensionais 249
atmosfera 177 Atividade prática – Observando a
propagação das ondas 255
CAPíTULO 11 – Lentes esféricas 181 Outras palavras – Ondas: alterações em
A Física na História – Sobre as águas rasas 257
primeiras lentes 182 Ondas tridimensionais 258
Atividade prática – Observando objetos
com uma lupa 183 CAPíTULO 16 – Ondas sonoras (Acústica) 263
Entendendo as lentes esféricas 184 Ondas sonoras 263
Propriedades das lentes esféricas 190 Velocidade do som 265
Construção geométrica de imagens 191 A Física no cotidiano – Escala Richter 265
A Física no cotidiano – O olho mágico e Qualidades do som 267
seu reversor 191 A Física no cotidiano – Teclas de um piano 267
Estudo analítico das imagens das Outras palavras – Poluição sonora 269
lentes esféricas 194 Fenômenos ondulatórios do som 270
Associação de lentes esféricas justapostas 198 Outras palavras – O timbre 272
Frequências naturais e ressonância 274
CAPíTULO 12 – Instrumentos ópticos 201
Cordas vibrantes 275
A lupa 203
Tubos sonoros 278
O microscópio composto 203
Efeito Doppler 281
A luneta 204
O telescópio 206 resposTas dos exercícios proposTos 285
Outras palavras – Telescópios refratores 207
A Física na História – Os telescópios espaciais 207 referências BiBliográficas 288
A máquina fotográfica 208
O projetor 209
manual do professor – orientações
Atividade prática – Construindo um periscópio 210 didáticas 289

7
1
UNIDADE

Termologia
Nesta unidade vamos entrar em contato com a Termologia, um ramo rico da
Física Clássica.
As grandezas centrais da Termologia são o calor e a temperatura, ambas
relacionadas com a quantidade de energia dos corpos, aqui interpretados como
sistemas de muitas partículas. A temperatura dos corpos e o calor trocado en-
tre eles altera suas dimensões e também a forma de agregação das partículas
que os compõem. Considerar a constituição interna da matéria representa uma
novidade em relação à descrição de suas características mecânicas: quando dize-
mos que um objeto se move com certa velocidade ou tem determinada energia
potencial gravitacional, nada sabemos sobre como se comportam as partículas
microscópicas que o compõem. Por esse motivo, em muitas oportunidades pu-
demos considerar objetos extensos como pontos materiais. E, ao contemplar as
variáveis que regem as transformações internas da matéria, a Termologia com-
partilha vários conceitos com a Química.
De fato, os gases representam o primeiro estado físico da matéria a ter um
modelo microscópico. Esse modelo é a extensão de três leis empí-
ricas que relacionaram a temperatura a seu volume, pressão e
quantidade de partículas. Tais investigações, mais a consta-
tação de que o comportamento de sistemas formados por
grande número de elementos é probabilístico, culminaram
com a Teoria Cinética dos Gases, a Mecânica Estatística
e a Termodinâmica. Começando pela temperatura e as
diversas escalas, investigaremos as diferenças entre calor
e temperatura, o fenômeno da dilatação, a transmissão
de calor e o balanço energético do planeta, as mudanças
de fase e as grandes questões da Termodinâmica.
Charles D. Winters/Photo Researchers/Latinstock

No mesmo balão volumétrico,


vemos o bromo (Br2) nos estados
sólido, líquido e gasoso; a fase
líquida ocupa a maior fração
do volume do balão, enquanto
a gasosa é a que tem o menor
número de partículas.

8
Capítulo 1 Termometria
Capítulo 2 Dilatação de sólidos e líquidos
Capítulo 3 Calorimetria
Capítulo 4 Mudanças de estado
Capítulo 5 Estudo dos gases
Capítulo 6 Termodinâmica
Fotografias: Charles D. Winters/Photo Researchers/Latinstock

Uma esfera, que passa


inicialmente por um anel
(esq.), é aquecida na chama
do bico de Bunsen; após o
aquecimento, a esfera não
atravessa mais o anel (dir.).
Por que isso ocorre? O que
ocorreria se o anel também
fosse aquecido na chama?

George Bernard/SPL/Latinstock/Coleção Particular

Gravura de 1887, representando uma


fábrica de caldeiras em Manchester, Reino
Unido. O advento de novas tecnologias e a
fabricação de aparelhos para produção em
grande escala implementaram o período de
crescimento conhecido como Revolução
Industrial. Caldeiras eram usadas em um
grande número de aplicações, incluindo
fábricas para produção de calor e outras
formas de energia e trens a vapor.

9
1
CAPêTULO

Termometria

Hoje vai fazer calor? Para encontrar a resposta poderíamos consultar a previsão do
tempo, que indica as temperaturas máxima e mínima esperadas no decorrer do dia. No
entanto, será que calor e temperatura são a mesma coisa? O fato é que, assim como a
massa, o comprimento e o tempo, calor e temperatura são grandezas físicas (distintas).
No Brasil, usamos a escala Celsius para medir temperaturas que vão desde –11 °C
(lê-se “menos onze graus Celsius”), já registradas no inverno da região Sul, até pró-
ximas de 45 °C, no interior da região Nordeste.
Considerando esses extremos, diríamos que uma temperatura em torno de 23 °C
é bastante agradável, como a de um dia típico de primavera na capital paulista.
Mas, quando nos mostram que a temperatura em Detroit, Estados Unidos, é de
46 °F (lê-se “quarenta e seis graus Fahrenheit”), está frio ou quente por lá?
Na abertura de um jogo de futebol americano realizado em Detroit e transmitido
por uma TV brasileira, o narrador fez a seguinte observação: “A temperatura, am-
biente de 46 °F, mostrada pela geradora das imagens, corresponde a aproximada-
mente 8 °C”.
Além de conhecer a escala termométrica que está sendo adotada, precisamos
saber o que estamos medindo quando tomamos a temperatura de um objeto ou
ambiente.
Intuitivamente estabelecemos uma relação entre a temperatura de um corpo ou
objeto e a sensação de “calor” ou “frio” que ele proporciona. Claro que, para ter-
mos a certeza de que a impressão está correta, devemos medir a sua temperatura.
Nesta unidade estamos iniciando o estudo da Termologia, um ramo da Física que
estuda o calor, suas manifestações e implicações, e que se estenderá até o capítulo 6.
Neste capítulo, propriamente, veremos uma de suas divisões: a Termometria. Assim,
vamos conhecer as grandezas físicas temperatura e calor, estudar as leis que regem
a medição da temperatura, ver as escalas termométricas consagradas e aprender a
realizar conversões entre as medidas tomadas a partir delas.

Temperatura
Agitação das partículas, energia térmica e temperatura
Thinkstock/Getty Images

A temperatura do nosso corpo varia de acordo com nosso estado de saúde e Termômetros
em função das atividades que realizamos. Ainda assim, ela não sofre oscilações clínicos medem
temperaturas de
muito grandes: o metabolismo humano mantém a temperatura do corpo entre seres humanos
35 °C e 42 °C. (que podem variar
entre 35 °C e
O metabolismo é o conjunto de reações químicas responsáveis pelas atividades 42 °C). Há um
celulares que garantem o funcionamento dos processos vitais e sofre influências, estrangulamento
no capilar interno
entre outros fatores, da temperatura. que evita que
Sabemos, experimentalmente, que um conjunto mais agitado de partículas (áto- o líquido desça
repentinamente
mos, moléculas ou grupos iônicos) sofre reações químicas mais rapidamente do que enquanto fazemos
outro menos agitado. a leitura.

10 Unidade 1 • TeRmologia
A FíSICA no cotidiano

Varia•›es de temperatura
Observam-se no Universo marcas de temperatura que apresentam variações da ordem de milhões de graus
Celsius; em contrapartida, a homeostase dos seres vivos (processo de regulação que mantém o organismo em
equilíbrio) só é garantida em um intervalo de temperaturas relativamente estreito.
Um dos motivos de o ser humano ter se estabelecido como espécie dominante na Terra foi o fato de ele ter
se adaptado a ambientes em que a mudança de temperatura era significativa.
Alterações de alguns graus na temperatura são suficientes para provocar desde indisposições físicas nos seres
humanos até grandes alterações climáticas que afetam todos os ciclos biogeoquímicos.
O derretimento mais acentuado das geleiras, por exemplo, é uma das consequências do aquecimento global.
Geoff Renner/Robert Harding/AFP

A Antártida, situada no
extremo sul do planeta, é o
local mais frio do mundo,
apresentando temperaturas
entre 0 °C e –65 °C. Apesar
das condições inóspitas,
ela tem uma fauna nativa
relativamente diversificada
e recebe anualmente
milhares de pesquisadores
que se fixam em bases
internacionais. Fotografia de
outubro de 2015.

Ivoha/Alamy/Fotoarena
Cristina Xavier

Estando a céu aberto e sujeitos a O assentamento de Dallol, na região de deserto da Etiópia, é um dos
intempéries, os termômetros de rua lugares mais quentes do mundo. A temperatura média anual lá é de
fornecem temperaturas apenas aproximadamente 34 °C e alcança facilmente os 60 °C em um dia de
aproximadas. verão. Fotografia de dezembro de 2014.

As partículas nos estados líquido e gasoso estão em constante movimentação;


nos sólidos, esse movimento se caracteriza por pequenos deslocamentos em torno
de uma posição de equilíbrio. Qualquer que seja o estado das partículas, é de se
esperar que suas velocidades (delas próprias ou umas em relação às outras) apresen-
tem uma grande gama de valores, uma vez que qualquer porção de matéria tem um
número muito grande delas.
O estado de agitação do material está associado à energia cinética média das
partículas (que são em grande número), e a temperatura mede esse estado de agi-
tação. Por isso, dizemos que o estado de agitação é uma grandeza estatística (isto é,
associado a um conjunto numeroso de elementos) e macroscópica, que depende de
medições indiretas para se determinar o seu valor: a temperatura é, então, a gran-
deza macroscópica associada ao estado de agitação das partículas de um sistema.

Capítulo 1 • termometria 11
É nesse sentido que a natureza da grandeza temperatura difere da natureza da

Alberto De Stefano
massa ou da velocidade: podemos atribuir uma massa tanto a uma partícula quanto
a um corpo, mas não há sentido em dizer que a partícula tem uma temperatura,
ainda que o senso comum assim o entenda.
Sabemos que a sensação de calor ou de frio é subjetiva (por exemplo, uns
sentem mais frio que outros, na mesma temperatura ambiente), e isso pode ser morna

mostrado facilmente com um experimento muito simples. Mergulhe uma das mãos
em água morna, retirada do chuveiro, e a outra em água fria com cubinhos de gelo,
durante alguns instantes. Depois, coloque-as simultaneamente em um mesmo reci-
piente contendo água morna. A sensação térmica que se tem é a de que as duas
fria
mãos estão imersas em água com temperaturas distintas, pois em uma delas “sen-
te-se mais frio” e na outra, “mais calor”. Por essa razão, a sensação física de calor
ou frio não serve para definir o que é temperatura.
Apesar de os sentidos não serem bons indicadores de temperatura, esse experimen-
to indica que há uma relação (pelo menos qualitativa) entre o estado de agitação e a
sensação térmica: à medida que aumentamos a temperatura da água, suas partículas
sensação de sensação de
ficam em estados de agitação mais intensos, que produzem sensações térmicas mais
“mais frio” “mais quente”
pronunciadas. Dizemos então que a agitação das partículas é uma agitação térmica.
Mãos mergulhadas em água
Dito isso, podemos apresentar os conceitos de energia térmica e temperatura. a temperaturas diferentes
registrarão sensações térmicas
distintas, para cada mão, ao
Energia térmica (do grego therm—s, “quente, ardente”) é a soma das energias entrar em contato simultâneo
cinéticas decorrentes da agitação das partículas que constituem a matéria. com um mesmo material.

Temperatura é a medida associada ao grau de agitação das partículas de um corpo


ou sistema físico. Portanto, ela indica o nível de energia térmica média das partículas.
Luiz Fernando Rubio

menor agitação térmica maior agitação térmica

Calor: aquecimento e resfriamento


Se deixarmos uma taça de sorvete bem gelado em um ambiente quente, com o
Stockxpert/Image Plus

tempo ele se transformará em um creme derretido. Isso acontece porque o sorvete


entra em contato com o ar quente ao seu redor, o que provoca a elevação da sua
temperatura e, consequentemente, seu derretimento.
Mas por que será que o sorvete não continua a se aquecer até atingir tem-
peraturas mais altas? Ou, ainda, por que será que o sorvete não resfria o ar até
congelá-lo?
A água quente contida em uma panela em um ambiente com temperatura infe-
rior à do líquido tende a esfriar.
Esses e outros fatos corriqueiros parecem indicar que o calor flui naturalmente da
matéria mais quente para a mais fria (ou menos quente), até que seja alcançada
uma temperatura de equilíbrio — o ambiente quente derrete o sorvete e o ambiente
O ar ambiente fornece calor para
frio esfria a água quente. o sorvete.

12 Unidade 1 • TeRmologia
O contrário, no entanto, não acontece. De fato, se desejarmos que a água es-
quente novamente, será preciso levá-la ao fogo para promover seu reaquecimento.
Observa-se experimentalmente que, quando corpos com temperaturas distintas
são colocados próximos, todos eles tendem a adquirir a mesma temperatura final.
Pensando na maneira como interpretamos o aquecimento e o resfriamento dos
corpos, podemos entender que o fluxo de calor, indo do mais quente para o mais
frio, encerra-se quando a temperatura deles se iguala.
Se a temperatura aponta o nível médio de energia térmica das partículas de um
corpo, então o aquecimento e o resfriamento a que elas são submetidas devem estar
relacionados com a variação de algum tipo de energia.
Baseando-nos no Princípio de Conservação de Energia, é razoável dizer que
essas partículas, ao movimentarem-se, trocam uma forma de energia que cha-
maremos de calor.

Calor é a energia térmica em trânsito que está sendo transferida de um corpo a


outro devido à diferença de temperatura existente entre eles — sempre do corpo de
temperatura mais elevada para o de menor temperatura.

Observe que, do modo como foi definido (isto é, do ponto de vista da Física), não
ar calor água há sentido em dizer “o calor de uma partícula, corpo, substância, objeto ou siste-
TPG

ma”, pois ele não está contido na matéria. Nesse caso, o correto é falar da energia
térmica de um corpo ou objeto e do calor cedido ou recebido por ele.
calor calor Quando a passagem de calor de um corpo para o outro se encerra, eles atingem
um equilíbrio térmico.
gelo

Fluxos de calor: pelo sentido Equilíbrio térmico é o estado em que a temperatura compartilhada pelos corpos,
das setas, é possível prever depois de cessada a transferência de calor entre eles, é idêntica.
qual é a ordem crescente das
temperaturas do ar, da água e
do gelo? Vale salientar que dois corpos em equilíbrio térmico podem possuir quantidades
diferentes de energia térmica. Um copo com 200 mL de água a 80 °C tem muito
mais energia térmica do que uma colher de chá de água à mesma temperatura.
Assim a energia térmica que um corpo possui está vinculada à quantidade de
calor que ele é capaz de ceder ou receber.

O Princípio Zero da Termodinâmica


Sabemos que quando dois corpos estão em equilíbrio térmico, eles têm a mesma
temperatura e não trocam calor. Como decorrência, se um deles estiver em equilíbrio
Usaremos nesta obra a variável térmico com um terceiro corpo, o outro também estará.
q (teta) para representar
temperaturas, a fim de evitar q1 = q2 e q2 = q3 ) q1 = q3
confusões com a variável t,
que representa normalmente Assim, os três corpos terão a mesma temperatura. Esse fato é conhecido pelo
o tempo. Apenas usaremos T nome de Princípio Zero da Termodinâmica. O princípio tem esse nome por ser a base
para temperaturas absolutas,
em Kelvin. dos outros dois princípios da Termodinâmica, que estudaremos brevemente.

Term™metros e escalas termomŽtricas


É em função do Princípio Zero da Termodinâmica que podemos mensurar a tem-
peratura de um objeto utilizando um termômetro.

Termômetros são dispositivos que contêm um material (a substância termomé-


trica) que sofre variação regular de alguma característica quando submetido a dife-
rentes temperaturas.

$"1∂56-0t5&3.0.&53*" 13
Essa característica pode ser a capacidade da substância de dilatar-se, de

David J. Green/Alamy/Fotoarena
A
emitir elétrons, de resistir à passagem de corrente elétrica etc.
O termômetro funciona do seguinte modo: colocando-o em contato
com o objeto cuja temperatura se pretende obter, quando o equilíbrio
térmico é alcançado, a marca verificada nele corresponde à temperatura
do objeto, de acordo com o Princípio Zero da Termodinâmica.
Os termômetros mais comuns são os de vidro, compostos de um bulbo e
um tubo capilar (de diâmetro comparável ao do fio de cabelo) que encerra a

Thinkstock/Getty Images
substância termométrica, em geral uma solução colorida de álcool. B

O volume desses materiais sofre variações proporcionais à variação de


temperatura, fazendo a coluna do líquido subir ou descer no interior do
tubo capilar.
O tubo capilar é montado sobre uma escala estabelecida, e o nível da
coluna do líquido sobre ela determina a temperatura que desejamos saber.
A maneira como se gradua uma escala termométrica é arbitrária, mas

Paul Whitehill/SPL/Latinstock
C
nela sempre são indicados dois pontos fixos de estados térmicos bem defi-
nidos, sob uma pressão atmosférica normal. São eles:
• o ponto de gelo (1º ponto fixo): é o ponto de fusão do gelo;
• o ponto de vapor (2º ponto fixo): é o ponto de ebulição da água.
Entre esses pontos, define-se arbitrariamente um número qualquer de
graduações, sendo que o intervalo considerado entre duas marcações
Há dispositivos, como o termopar (A), o
consecutivas constitui a unidade de medida da temperatura na escala termômetro digital (B) e o termômetro de
considerada. fita (C), que informam a temperatura por
meio de propriedades elétricas, eletrônicas
ou químicas.
Escalas e convers›es
No começo deste capítulo, mencionamos duas escalas: a Celsius e a Fahrenheit.
Além dessas duas, há uma terceira que é usada com frequência na pesquisa cien-
tífica: a escala Kelvin, também denominada escala absoluta, cuja unidade de
medida é o Kelvin (símbolo K) e é a medida de temperatura adotada no SI (Sistema
Internacional de Unidades).
Cada uma dessas escalas foi construída com referenciais distintos, mas, para que
seja possível comparar as temperaturas aferidas entre si, foram definidos os pontos
fixos aos quais nos referimos anteriormente:
• no ponto de gelo, os valores nas três escalas são: 0 °C (na escala Celsius) 5 32 °F
(na escala Fahrenheit) 5 273 K (na escala Kelvin);
• no ponto de vapor, os valores correspondentes são: 100 °C (na escala Celsius) 5
5 212 °F (na escala Fahrenheit) > 373 K (na escala Kelvin).
Em cada escala termométrica, o intervalo entre os dois pontos fixos é assim
dividido:
• Celsius: 100 partes; • Fahrenheit: 180 partes; • Kelvin: 100 partes.
Disso conclui-se que a variação de 1 °C corresponde à variação de 1 K, apesar de
os valores das temperaturas serem diferentes.
Agora, vamos aprender a fazer as conversões que devem ser efetuadas para que
possamos identificar as medidas correspondentes entre as escalas termométricas.
Utilizamos as proporções entre os intervalos de temperatura, cruzando-as
com os referenciais dos pontos fixos, e empregamos uma regra de três.

14 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Veja o esquema a seguir:

100 °C 212 °F 373 K ponto de vapor

Fernando Monteiro
θC θF T temperatura a
ser comparada y
x

0 °C 32 °F 273 K ponto de gelo

Em cada escala é determinada a razão correspondente a x .


y
As igualdades entre essas razões estabelecem as correspondências na conversão
dos valores, entre escalas distintas, de uma mesma temperatura:
x = qC – 0 = qC , em que q é a temperatura na escala Celsius.
y 100 – 0 100 C

x = qF – 32 = qF – 32 , em que q é a temperatura na escala Fahrenheit.


y 212 – 32 180 F

x = T – 273 = T – 273 , em que T é a temperatura na escala Kelvin.


y 373 – 273 100
Comparando essas razões, duas a duas, em relação à escala Celsius, temos:

qC q – 32 qC qF – 32
= F ) =
100 180 5 9

qC
= T – 273 ) qC = T – 273 ou T = qC + 273
100 100
Por exemplo, a temperatura de 46 °F, em Detroit, corresponde a:
qC 46 – 32
= ) qC = 7,8 °C
5 9
Essa mesma temperatura na escala absoluta vale aproximadamente 280,8 K.

A FíSICA na História
Sobre as escalas termomŽtricas e seus criadores
Na verdade, apenas a escala criada pelo astrônomo sueco Anders Celsius (1701-1744) partiu dos pontos
fixos de gelo e de vapor de água — e, mesmo assim, ela inicialmente atribuía o 0 para o ponto de vapor e 100
para o do gelo. Como havia cem intervalos consecutivos entre os pontos fixos, a escala Celsius foi chamada
de escala centígrada.
A partir de relatos de muitos experimentos, o físico e inventor alemão Daniel Fahrenheit parece ter se base-
ado em três pontos fixos para criar um termômetro de álcool e também um de mercúrio: a temperatura de uma
mistura de água, gelo, álcool e amônia provia o ponto zero; uma mistura de água e gelo, o valor 32 e a tem-
peratura de uma pessoa saudável, o ponto 96. O valor de 212 para o ponto de vapor foi obtido mais tarde,
como referência para a comparação com as outras escalas.
William Thomson (1824-1907), conhecido como Lorde Kelvin, partiu de premissas diferentes. Trabalhando com
a transformação de gases, ele percebeu que, resfriando um gás de 1 ºC a 0 ºC, sob pressão constante, seu volume
1
diminuía em do valor inicial. Como a pressão também decorre da agitação térmica das partículas de gás,
273
Kelvin concluiu que, se sua temperatura diminuísse até −273 °C, seria atingido o estado de agitação nula. Assim,
ele adotou o valor −273 °C como o ponto de origem dessa escala, não havendo temperaturas abaixo dele no
mundo físico, que é o domínio da ciência experimental, empírica. Na prática, o zero absoluto é inatingível. Mas
hoje sabe-se que seu valor está bem próximo de −273,15 °C. É por esse motivo que a escala Kelvin também é
chamada de escala absoluta.
Outras escalas foram criadas, como a Rankine e a Réaumur, mas acabaram entrando em desuso.

$"1∂56-0t5&3.0.&53*" 15
Exercícios resolvidos

ER1. Calcule a temperatura, em uma escala X, que cor- Observação:


responda a 20 °C, de modo que fique de acordo com o Como a variação de cada grau Celsius corresponde a
esquema mostrado. 1 K, a modificação de 20 °C é equivalente a 20 K.
Ilustrações: Fernando Monteiro

100 °C 200 °X b)
100 °C 212 °F

20 °C X θC2 θF2
20 °C ∆θF
0 °C –50 °X θC1 θF1
0 °C 32 °F

Resolução: Agora, as proporções são:


Utilizando a proporção entre os intervalos de tempe- DqC DqF Dq Dq
ratura, combinando-as com os referenciais dados pe- = ) C= F)
100 – 0 212 – 32 5 9
los pontos fixos da figura, temos:
20 Dq
100 °C 200 °X ) = F ) DqF = 36 °F
5 9

b
20 °C x ER3. Uma escala termométrica X é relacionada com a
a Celsius conforme mostra o gráfico.
0 °C –50 °X
a) Qual é o valor de x na escala X em função da tem-
peratura q na escala Celsius?
a = 20 – 0 = x – (–50) ) 1 = x + 50 ) x = 0 °X
b) Calcule a temperatura em °C quando x = 3 °X.
b 100 – 0 200 – (–50) 5 250
Observação: x (°X)
No lugar da escala X, poderíamos usar outra com a 10
graduação feita incorretamente. O modo de encontrar
a temperatura certa, mesmo utilizando uma escala
mal graduada, segue o mesmo método de cálculo, em- 0
pregando a proporção entre os intervalos de tempera- –5 18 θ (°C)
tura nas duas escalas (uma correta e outra incorreta).

ER2. Se na escala Celsius houver uma variação de tem- Resolução:


peratura de 20 °C, então qual será a variação corres- a) Vamos visualizar os valores correspondentes utili-
pondente na escala: zando o esquema usual:
a) Kelvin?
b) Fahrenheit? 18 °C 10 °X

Resolução: b
a) θ x
a
100 °C 373 K 0 °C –5 °X
c2 T2
20 °C ∆T
c1 T1
a = qC – 0 = x – (–5) ) qC = x + 5 )
0 °C 273 K b 18 – 0 10 – (–5) 18 15
qC x + 5 5q
Aplicando as proporções devidas: ) = ) x= C –5
6 5 6
DqC DT DqC DT
= ) = ) b) Atribuindo x = 3 a essa expressão, obtemos:
100 – 0 373 – 273 100 100
5q 5q
) DqC = DT ) DT = 20 K 3 = C – 5 ) 8 = C ) qC = 9,6 °C
6 6

16 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
A FíSICA no cotidiano

Outras temperaturas encontradas no Universo


Você sabia que a cor dos objetos aquecidos dá uma ideia da sua temperatura? Quanto mais eles forem
esquentados, tanto mais sua cor se aproximará da tonalidade azul. Essa associação entre cor e temperatura é
mostrada na figura a seguir:

Fernando Monteiro
1200 K 2800 K 3 800 K 5 000 K 7 000 K
1700 K 3200 K 4 500 K 6 000 K 11000 K

Veja algumas temperaturas que encontramos no Universo:


• superfície solar: 6 000 K;
• núcleo do Sol: 15 000 000 K;
• interior de um vulcão: 1 000 a 2 000 °C;
• temperatura máxima na superfície da Terra: cerca de 60 °C;
• temperatura mínima na superfície da Terra: cerca de −90 °C;
• a menor temperatura que se encontra no Universo é de 3 K. Ela é chamada de radiação de fundo, en-
tendida como um resquício da energia liberada no big bang e tomada como comprovação da ocorrência
desse evento.
Sabe-se também que pela cor e pelo tamanho das estrelas é possível conhecer sua composição e idade.

FaÇa NO NÃO escreva


Outras palavras caderNO NO livrO

Micro-ondas
Como o aparelho de micro-ondas pode aquecer o alimento sem usar fogo?

A temperatura está ligada ao movimento alea- culas da comida, principalmente as de água, os-
tório dos átomos ou moléculas de uma substância cilem invertendo a sua orientação de um sentido
(por brevidade, falaremos simplesmente em molé- para outro, com uma energia cinética rotacional
culas para nos referirmos a átomos e moléculas). considerável. Porém, as moléculas que oscilam
Mais especificamente, a temperatura é propor- não cozinham de fato a comida. O que eleva a
cional à energia cinética média “translacional” do temperatura e cozinha efetivamente a comida é
movimento molecular (pelo qual as moléculas se a energia cinética translacional comunicada às
movimentam de um lugar a outro). As moléculas moléculas vizinhas, que ricocheteiam nas mo-
podem também rodar e vibrar, com energia ciné- léculas oscilantes de água. Para visualizar isso,
tica rotacional e vibracional correspondentemente imagine um punhado de bolas de gude que são
associadas — mas esses movimentos não afetam espalhadas, em todas as direções, após colidi-
diretamente a temperatura. rem com as lâminas girantes de um ventilador.
Se as moléculas vizinhas não interagissem com
O efeito da energia cinética translacional ver- as moléculas girantes da água, a temperatura da
sus a energia cinética rotacional ou vibracional é comida não seria diferente do que era antes de o
verificado dramaticamente em um forno de mi- forno ser ligado.
cro-ondas. As micro-ondas que bombardeiam a Hewitt, Paul. F’sica conceitual. 9. ed. Porto Alegre:
sua comida fazem com que determinadas molé- Bookman, 2002. p. 269.

Organizando as ideias do texto


1. Tome um pedaço de arame em torno de 30 cm e segure-o com as mãos pelas extremidades. Dobre o
arame repetidas vezes; você verá que, após certo número de flexões, o arame exibe um grande aque-
cimento na região da dobra e chega a se partir. Explique o que ocorre, usando os mesmos argumentos
do texto. Professor, veja Orientações Didáticas.

$"1∂56-0t5&3.0.&53*" 17
A FíSICA no cotidiano
Observe as cores de uma chama
Observe a chama acesa da boca do fogão ou a chama de uma

Fotografias: Thinkstock/Getty Images


vela. Verifique se ela tem cores e tonalidades diferentes.
As cores da chama estão relacionadas às respectivas temperaturas
dessas regiões. De que maneira você pode inferir qual região é a mais
quente? Atenção: nunca encoste em uma chama.

A coloração da chama é uma característica


do material que está sendo queimado ou
aquecido. A explicação para esse fato está
no modelo atômico de Bohr.

FaÇa NO NÃO escreva


Exerc’cios propostos caderNO NO livrO

EP1. Quando um corpo está mais quente que outro, EP4. Retomando a questão que abriu o capítulo:
Na abertura de um jogo de futebol americano realizado
Thinkstock/Getty Images

Jupiter Unlimited/Image Plus

em Detroit e transmitido por uma TV brasileira, o narrador


fez a seguinte observação: “A temperatura ambiente de
46 °F, mostrada pela geradora das imagens, corresponde
a aproximadamente 8 °C”.
Qual foi a diferença, em percentual, entre o valor in-
formado pelo narrador e aquele obtido pela conver-
são de escala? Cerca de 3%.
EP5. Por que nosso corpo, às vezes, chega a tremer em
Como as temperaturas de mudança de fase da água são próximas das dias de baixas temperaturas? O corpo treme para
temperaturas ambientes, podemos conhecê-la nos três estados. tentar aumentar a agitação térmica, liberando energia química
acumulada no organismo, sob a forma de calor.
certamente: EP6. Determine a temperatura na escala E que corres-
a) há diferença na quantidade de energia térmica. ponda a 30 °C, conforme o esquema apresentado.
b) as temperaturas são iguais.

Fernando Monteiro
a) e = 26 °E X
100 °C 110 °E
c) as partículas do corpo mais quente estão mais agitadas. X
b) e = 36 °E
d) as partículas do corpo mais frio estão mais agitadas.
c) e = 20 °E
e) as partículas do corpo mais quente têm menos energia 30 °C e
cinética. d) e = 16 °E
0 °C –10 °E
EP2. A energia térmica de um corpo é: e) e = −6 °E
a) sinônimo de calor.
EP7. Efetue as conversões solicitadas:
b) uma energia que não tem qualquer relação com a
a) 68 °F em °C; 20 °C
energia cinética.
b) −40 °C em °F; −40 °F
c) uma grandeza idêntica à temperatura.
c) 227 °C na escala absoluta. 500 K
d) independente da quantidade de partículas que esse
corpo tem. EP8. A variação de 45° na escala Celsius corresponde a
e) a soma das energias cinéticas de agitação das partí- que mudança de temperatura na escala:
culas que compõem o corpo. X a) Kelvin? DT = 45 K
EP3. Para a Termologia, o calor é: b) Fahrenheit? DqF = 81 °F
a) uma palavra que indica um ambiente quente.
b) sinônimo de alta temperatura. EP9. Um termômetro de vidro está calibrado de manei-
c) a própria energia térmica de um corpo. ra que o ponto de fusão do gelo corresponde a 4 cm
d) a transferência de energia térmica do corpo mais de altura na coluna do líquido e o ponto de ebulição da
quente para outro menos quente. X água, a 20 cm. Determine a função termométrica da
e) o fluxo de energia térmica do corpo menos quente temperatura q, em Celsius, em função da altura h, em
para outro mais quente. centímetros. q = 25h – 25
4

18 UNIDADE 1 • TERMOLOGIA
EP10. Uma escala termométrica E tem seus valores da-
madeira e plástico incendiaram-se também. A tem-
dos em °E, em função da temperatura na escala Celsius,
peratura chegou aos 1 000 graus. O aço não se fun-
de acordo com o gráfico apresentado.
θE (°E)
de nesse ponto, mas perde dureza. [...]”

Fernando Monteiro
Atentado terrorista nos Estados Unidos. Portal Brasil.
20 Disponível em: <http://portalbrasil.net/reportagem_atenta-
do_wtc.htm>. Acesso em: 19 out. 2015.
“[...] Aqueles que apoiam a versão oficial, como
Thomas Eagar, professor de engenharia de mate-
0
35 θC (°C) riais e sistemas de engineering no MIT, argumentam
–8 habitualmente que o colapso deve ser explicado
pelo calor dos fogos porque a perda de capacida-
Então:
de de suportar cargas provocada pelos buracos nas
a) relacione o valor de qE na escala E em função da torres era demasiado pequena. A transferência de
4q
temperatura qC na escala Celsius; qE = C – 8 carga teria estado dentro da capacidade das torres.
5
b) determine a temperatura em °C quando qE = 6 °E. Uma vez que o aço utilizado nos edifícios deve ser
17,5 °C capaz de suportar cinco vezes a sua carga normal,
EP11. A água contida em uma panela estava inicialmente Eagar conclui que o aço das torres só podia ter en-
a 21 °C. Após o aquecimento, sua temperatura sofreu trado em colapso se aquecido ao ponto de ‘perder
uma elevação de 36 °F. Determine a temperatura final 80 por cento da sua força’, em torno de 1 300 ºF
da água na escala Kelvin. (704,4 °C). Eagar acredita que foi isto que aconteceu,
a) 41 K c) 314 K X e) 330 K embora os fogos não parecessem ser suficientemen-
b) 232 K d) >275,2 K te extensos e intensos, desprendendo rapidamente
fumo e negro e relativamente poucas chamas. [...]”
EP12. (EsPCEx-SP) Um termômetro digital, localizado em 11 de setembro de 2001. Gpopai (Grupo de Pesquisa em
uma praça da Inglaterra, marca a temperatura de 10,4 °F. Políticas Públicas para o Acesso à Informação). Disponível em:
<www.gpopai.usp.br/wiki/index.php/11_de_setembro_
Essa temperatura, na escala Celsius, corresponde a de_2001>.Acesso em: 19 out. 2015.
a) −5 °C c) −12 °C X e) −39 °C
b) −10 °C d) −27 °C De acordo com os textos, qual foi aproximadamente a
temperatura absoluta atingida quando se deu início o
EP13. Teoricamente, na temperatura de zero absoluto desabamento das torres?
(−273,15 °C), o que seria nulo? a) 723 K c) 977 K X e) 4 000 K
a) A quantidade de partículas de um gás. b) 1 273 K d) 1 300 K
b) O volume de um corpo. EP15. (UFMS) Através de experimentos, biólogos obser-
c) A agitação térmica das partículas. X varam que a taxa de canto de grilos de uma determina-
d) A altura da coluna de mercúrio. da espécie estava relacionada com a temperatura am-
e) O volume da substância termométrica. biente de uma maneira que poderia ser considerada
linear. Experiências mostraram que, a uma temperatura
EP14. O ataque terrorista contra o World Trade Center, de 21 °C, os grilos cantavam, em média, 120 vezes por
ocorrido em 11 de setembro de 2001, na cidade de minuto; e, a uma tempe-
T
Nova York, EUA, foi um divisor de águas no modo como ratura de 26 °C, os grilos
26
entendemos o terrorismo e a invulnerabilidade das cantavam, em média,
grandes potências. O World Trade Center era um com- 180 vezes por minuto. 21
plexo de 7 torres e ocupava 64 750 m2 na ilha de Considerando T a tempe-
Manhattan. As duas torres principais tinham 110 anda- ratura em graus Celsius e
n o número de vezes que
res cada uma e foram atingidas por aviões.
os grilos cantavam por
“[...] Foram os incêndios, combinados com uma minuto, podemos repre-
sentar a relação entre T e
característica tecnológica dos arranha-céus, que os 120 180 n
n pelo gráfico ao lado.
puseram abaixo. No impacto, cada área atingida al-
Supondo que os grilos estivessem cantando, em mé-
cançou imediatamente a temperatura de 450 graus
dia, 156 vezes por minuto, de acordo com o modelo
Celsius, o ponto de combustão do querosene de
sugerido nesta questão, estima-se que a temperatura
aviação. Cada Boeing levava combustível suficien- deveria ser igual a:
te para voar por mais 4 000 quilômetros — ou para
a) 21,5 °C c) 23 °C e) 25,5 °C
queimar por algumas horas. Divisórias e móveis de
b) 22 °C d) 24 °C X

$"1∂56-0t5&3.0.&53*" 19
2
CAPêTULO
Dilatação de sólidos
e líquidos

Você já viu alguém tentando abrir um pote de vidro com tampa metálica, desses

Fernando Favoretto/Criar Imagem


de palmito, compotas ou conservas, sem conseguir o intento? Talvez você mesmo já
tenha passado por isso.
A parte constrangedora da situação é a luta prolongada que travamos com a
tampa. Colocamos o pote debaixo do braço ou entre as pernas a fim de obter um
apoio maior para poder torcer a tampa com mais força, mas em vão. Muitas vezes
ela continua bem presa na boca do vidro.
Aqui, a Física pode dar uma ajuda bastante simples: se aquecida, a tampa se
desenroscaria mais facilmente.
Você já observou isso em outras situações do seu dia a dia: variações de tempe-
ratura causam alteração nas dimensões de objetos sólidos e fluidos. Conhecer bem
esse fenômeno é crucial, por exemplo, para a engenharia civil, que lida com equi-
pamentos e estruturas de edificações, utilizando os mais variados tipos de material, O fechamento de potes de
submetidos a esforços e variações de temperatura. conserva visa manter o produto
íntegro e pode ser feito
mediante baixas pressões ou
Dilatação térmica dos sólidos materiais selantes.

A variação de temperatura é um fator que pode modificar determinadas proprie-


dades físicas dos corpos.
No caso dos sólidos, podemos citar:

Mark C. Burnett/Photoresearchers/Latinstock
• a dureza: é a resistência do sólido a sofrer cortes ou ser penetrado;
• a ductilidade: é a capacidade do sólido de sofrer deformação sem se romper.
No caso dos fluidos:
• a viscosidade: é a propriedade que está associada à facilidade de escoamento do
fluido;
• a densidade: é a relação entre a massa e o volume ocupado pelo fluido, que
também vale para os sólidos.
Todas essas propriedades estão relaciona-
Jean-Philippe Ksiazek/AFP

das à maneira como se arranjam as partículas


que compõem a matéria. Lembrando que a
temperatura mede o estado de agitação mé-
dia dessas partículas, podemos dizer que sua
variação (da temperatura) afeta a disposição
relativa delas e é dessa maneira que relacio- Estradas de ferro e viadutos
namos a dilatação dos corpos à variação de apresentam vãos entre trechos
consecutivos de trilhos,
temperatura. plataformas ou blocos de
concreto, para permitir sua
dilatação em dias mais quentes e
O aumento da temperatura diminui a dureza assim evitar seu retorcimento ou
do asfalto e aumenta a sua viscosidade. colapso.

20 Unidade 1 • TeRmologia
Podemos dizer, como regra geral, que todos os corpos apresentam variação nas
suas dimensões quando se aquecem ou se resfriam, e é a essa variação de dimen-
sões que chamamos dilatação.
Menor agitação térmica Maior agitação térmica

Fernando Monteiro
aumento
de temperatura

comprimento inicial comprimento inicial dilatação


do
comprimento
A explicação microscópica para a variação nas dimensões está na agitação térmica
das partículas. Em geral, com a elevação de temperatura, a agitação das partículas
torna-se mais intensa, aumentando a distância relativa entre elas. Como conse-
quência, o comprimento, a largura e/ou a altura (ou espessura) dos materiais
acabam aumentando. Inversamente, com a redução da temperatura, as agitações,
e consequentemente as dimensões, diminuem.

Sobre modelos: simplificando a realidade


Em ocasiões anteriores, na tentativa de explicar determinados fenômenos físicos, lançamos mão do recurso de
enxergá-los através de uma representação simplificada, geralmente mais limitada e mais concreta. Levamos essa
simplificação de encontro à situação considerada e verificamos quão razoavelmente a explicação se adapta a de-
terminados fatos colaterais, dentro de algumas limitações: se isso for verdade, dizemos que a descrição simplificada
corresponde de fato ao que ocorre na situação real. Essa representação simplificada recebe o nome de modelo.
A essa altura, você já deve ter lidado com vários modelos de átomo e matéria: desde a concepção dos elementos
formadores do Universo propostos por filósofos pré-socráticos e o modelo de partícula de Dalton, passando pelo
modelo planetário de Rutherford e Bohr, até chegar ao modelo quântico.
Qual deles é o melhor ou está mais correto? Isso depende do que você deseja enfatizar. Se a intenção é explicar
a emissão de luz de uma substância quando a aquecemos, temos de lançar mão do modelo de Bohr, mas, se
desejamos explicar a agitação térmica, o modelo de Dalton é suficiente. Não existem modelos definitivos.
Você pode perguntar: por que motivo temos de trabalhar com modelos, em vez de abordar a realidade dire-
tamente? A resposta é simples: a realidade é inatingível. Houve um tempo em que as investigações filosóficas e
experimentais objetivavam chegar à verdade absoluta ou ao conhecimento definitivo e irrefutável. Na época de
Isaac Newton, imaginava-se que a Ciência poderia explicar a realidade completamente. Acreditava-se que, conhe-
cendo as condições iniciais de um fenômeno e utilizando a Matemática, seria possível conhecer todos os seus
desdobramentos. Sabemos hoje que isso é impossível: pequenas variações em uma situação inicial podem acar-
retar enormes perturbações na condição final. Só podemos abarcar alguns aspectos da realidade, recorrendo a
modelos simplificadores. Nas palavras do filósofo alemão Immanuel Kant:
O que os objetos são, em si mesmos, fora da maneira como nossa sensibilidade os recebe, permanece totalmente
desconhecido para nós. Não conhecemos coisa alguma a não ser o nosso modo de conhecer tais objetos — um modo
que nos é peculiar e não necessariamente compartilhado por todos os seres...
In: Alves, Rubem. Filosofia da Ci•ncia. 12. ed. São Paulo: Loyola, 2007. p. 59.

Lembre-se, então, de que o modelo de matéria que usamos aqui (e que explica razoavelmente bem os estados
físicos e a agitação térmica) é o de um grande conjunto de partículas, separadas por distâncias variáveis e em
diversos estados de agitação. Mais tarde, retomaremos esse modelo para explicar o comportamento dos gases.

Pelo visto até aqui, é razoável aceitar que a dilatação de um corpo depende:
• das características do material de que é constituído, pois as substâncias se dilatam
com intensidades diferentes;
• de seu tamanho inicial (comprimento, área e/ou volume), pois, quanto maior for
o corpo, maior será sua dilatação — que pode até ser proporcional, se ele for
homogêneo;

Capítulo 2 • Dilatação De sóliDos e líquiDos 21


• da variação de temperatura dentro de um limite que não afete sua natureza
(por exemplo, dentro de um intervalo que mantenha o material no estado
sólido), pois, quanto maior for o aumento dela, maior também será a dilatação
térmica do corpo.
Experimentalmente, constata-se que a dilatação térmica é diretamente propor-
cional aos três fatores citados.

Dilatação térmica unidimensional ou linear dos sólidos


Na realidade, quando um corpo se dilata, ele sofre variações

Design Pics/DIOMEDIA
nas três dimensões: no comprimento, na largura e na altura (ou
espessura); no entanto, dependendo da situação, basta enfocar
apenas uma delas.
Por exemplo, os trilhos da estrada de ferro dilatam-se nas
três dimensões, mas é o comprimento (dimensão linear) que
deve ser levado em conta.
Outro exemplo observável em dias quentes é que os cabos
de eletricidade aéreos, colocados sobre as calçadas, ficam
com uma curvatura maior do que em dias frios; decerto a di-
A curvatura do cabo elétrico é maior em dias de
latação também ocorre na seção reta dos fios, mas ela não é temperaturas mais altas.
perceptível.
Quando consideramos apenas a alteração no comprimento

George Rose/Getty Images


dos objetos, decorrente da variação de temperatura, estamos
lidando com uma dilatação térmica linear.
De acordo com os três fatores que afetam a dilatação térmica,
temos:
• o coeficiente de dilatação linear do material (simbolizado por a),
que indica a variação do comprimento do objeto; por exem-
plo: se o ouro no estado sólido tem a = 0,000015 ºC–1, então,
a cada 1 °C de variação na temperatura, a dilatação constatada
no comprimento de um objeto feito desse material é de
15 milionésimos, para mais (se houver aumento de temperatu-
ra) ou para menos (caso haja redução de temperatura);
• o comprimento inicial (L0) do material, a uma certa tempera- A distância entre as torres do arco principal da ponte
Golden Gate, perto de São Francisco (Califórnia, Estados
tura q0; Unidos), é de 1 280 m. Quando a temperatura é 10 ºC,
• a variação de temperatura Dq = qfinal − q0. no ponto médio entre as duas torres o cabo está 150 m
abaixo do topo das torres. (Dados da Sociedade
Mediremos a grandeza dilatação térmica linear (DL) pela dife- Brasileira de Física. Disponível em: <http://pion.sbfisica.
rença entre os comprimentos L e L0, sendo L o comprimento final org.br/pdc/index.phc/por/Desafios/Fisica-Termica>.
Acesso em: 19 out. 2015.) Fotografia de 2014.
do material; portanto, a expressão matemática que permite seu Fotografia de abril de 2014.
cálculo é: É conveniente insistir com os estudantes que, com a leitura
dos valores, seja feita também a das unidades, porque sua
compreensão já dá uma boa ideia do que elas representam.
DL = L – L0 = a ∙ L0 ∙ Dq O coeficiente de dilatação do ouro, que é “quinze milionésimos
por grau Celsius”, indica que haverá a variação de quinze
milionésimos do comprimento do material a cada grau Celsius
L0
Fernando Monteiro

de variação da temperatura.
Podemos remeter a discussão
∆L ∆L = L – L0 à estrutura cristalina que os
metais apresentam. Adiante
voltaremos a esse assunto,
L para lembrar que, em geral
e pelo mesmo motivo, bons
Observe na tabela da página seguinte que os metais têm coeficientes de dilata- condutores de eletricidade
também são bons condutores
ção maiores que os vidros. O que isso nos sugere a respeito de sua constituição? térmicos.

22 Unidade 1 • TeRmologia
Alguns valores de coeficientes de dilatação linear
Material a (°C–1)
Chumbo 0,000027 = 2,7 ∙ 10–5
Alumínio 0,000022 = 2,2 ∙ 10–5
Latão 0,000020 = 2,0 ∙ 10–5
Prata 0,000019 = 1,9 ∙ 10–5
Cobre 0,000017 = 1,7 ∙ 10–5
Ferro 0,000012 = 1,2 ∙ 10–5
Aço 0,000011 = 1,1 ∙ 10–5
Vidro comum 0,000008 = 8 ∙ 10–6
Vidro pirex 0,000003 = 3 ∙ 10–6
Fonte: Lide, David R. (editor-chefe). CRC Handbook of Chemistry and
Physics. 90. ed. Flórida: CRC Press LCC, 2009.

Façamos uso agora dessa expressão matemática. Para que um fio de ferro tenha
uma dilatação de 6 mm em seu comprimento, devido a um aquecimento de 50 °C,
qual deve ser o seu comprimento inicial?
Consultando a tabela com os valores de coeficientes lineares, encontramos
a = 0,000012 °C–1 para o ferro; substituindo os dados que temos:
DL = a · L0 · Dq ) 6 = 0,000012 · L0 · 50 ) L0 = 10 000 mm = 10 m
Quanto maiores forem os comprimentos iniciais, mais visíveis e relevantes serão
as dilatações; observamos isso nas estruturas de grandes construções.
Algebricamente, podemos indicar o comprimento final desta forma:
L
L = L0 + DL = L0 + a ∙ L0 ∙ Dq ou L = L0 ∙ (1 + a ∙ Dq)
L

O gráfico de dilatação térmica linear de sólidos


ϕ
L0 Se construirmos o diagrama L × q, do comprimento L em função da temperatura q,
θ0 θ θ correspondendo a:
Neste diagrama, a inclinação ϕ L = L0 + a ∙ L0 ∙ (q – q0),
está relacionada com o produto
a ∙ L0. obteremos uma reta, que é uma função afim, como podemos ver na figura ao lado.

Exercícios resolvidos

ER1. Com a finalidade de compensar a dilatação que A variação de temperatura é: Dq = 50 ºC – 20 ºC = 30 °C.


ocorre nos trilhos de uma estrada de ferro, é deixado
Então, DL = a ∙ L0 ∙ Dq ) 3,6 ∙ 10−4 ∙ L0 = a ∙ L0 ∙ 30
um vão ou folga de 0,036% do comprimento de
cada barra, à temperatura de 20 °C. Calcule o coefi- \ a = 1,2 ∙ 10 –5 ºC
ciente de dilatação linear do ferro, se aos 50 °C as
ER2. Considere duas barras metálicas distintas. Seus
extremidades dos trilhos se tocam.
comprimentos iniciais, a certa temperatura, são L01 = 6 m
Resolução: e L02 = 15 m. Essa diferença de 9 m deve permanecer
Os dados são: constante à medida que a temperatura for aumen-
tando. Para que isso aconteça, qual deve ser a razão
DL = 0,036% de L0 = 0,036 ∙ L0 = 3,6 ∙ 10−4 ∙ L0;
100 entre os coeficientes de dilatação térmica linear das
q0 = 20 °C e q = 50 °C duas barras?

$"1∂56-0t%*-"5"±∞0%&4ª-*%04&-∂26*%04 23
Resolu•‹o:
A diferença entre os comprimentos permanecerá constante se ambas as barras se dilatarem igualmente, DL1 = DL2,
na mesma variação de temperatura, Dq1 = Dq2.
a2 L01 6
Assim, DL1 = DL2 ) a1 ∙ L0 ∙ Dq1 = a2 ∙ L0 ∙ Dq2 ) a = L = 15 = 0,4
1 2 1 02

Dilatação térmica bidimensional ou superficial dos sólidos


A análise da dilatação em duas dimensões segue o mesmo raciocínio da dilatação
linear, com a diferença de que além do comprimento passamos a pensar também na
dilatação da largura. Desta forma, com duas dimensões, a grandeza física a ser ob-
servada é a área (A) de certa superfície.
Assim, a dilatação térmica superficial se refere à variação da área, que é a medida
da superfície em um corpo.
Novamente, de acordo com os três fatores que afetam a dilatação térmica, temos:

Fernando Monteiro
• o coeficiente de dilatação superficial do material (simbolizado por b), que indica a
A0
variação da área por unidade de temperatura; por exemplo: se o ouro tem coe-
ficiente de dilatação superficial b = 0,000030 °C–1, então a cada 1 °C de alteração ∆A
na temperatura a dilatação superficial constatada será de 30 milionésimos, para mais
A
ou para menos;
∆A = A – A0
• a área inicial A0, que é a medida da área a certa temperatura q0;
• a variação de temperatura Dq = qfinal − q0.
A expressão matemática da variação superficial (DA) é:

DA = A – A0 = b ∙ A0 ∙ Dq

O valor de b é aproximadamente o dobro do valor de a:


b > 2a
Quando o material que constitui o corpo é homogêneo e isotrópico (que tem todas
as propriedades constantes, independentemente da direção que se tome sobre sua
extensão), podemos considerar b = 2a.
Nessas condições, o coeficiente a tem o mesmo valor para o comprimento e a
largura de um corpo.
Sendo a e b as dimensões de uma superfície retangular, após a variação Dq de
temperatura teremos:
a = a0 (1 + a ∙ Dq) e b = b0 (1 + a ∙ Dq)
A área A, então, é dada por:
A = a ∙ b = a0 ∙ (1 + a ∙ Dq) ∙ b0 ∙ (1 + a ∙ Dq) =
= a0 ∙ b0 ∙ (1 + a ∙ Dq)2 ou A = A0 ∙ (1 + 2a ∙ Dq + a2 ∙ Dq2)
Nessa igualdade, como o termo a2 ∙ Dq2 tem um valor muito pequeno em relação
às demais parcelas, podemos desprezá-lo sem que se modifique significativamente
a área final; assim, teremos apenas:

A = A0 ∙ (1 + 2a ∙ Dq) ) A = A0 ∙ (1 + b · Dq)

pois 2a corresponde ao coeficiente b, ou seja, 2a = b.


Assim, para o ouro teremos a = 0,000015 °C –1 e b = 0,000030 ºC –1.
Agora, vamos retomar o exemplo citado no texto de abertura deste capítulo, a
tampa metálica presa no pote de vidro.

24 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Como a tampa é de metal, esse material se dilata mais do que o vidro, quando
submetidos à mesma variação de temperatura. Assim, um aquecimento suficiente
da tampa cria uma folga entre os materiais e diminui a força de atrito existente entre
eles, facilitando a abertura do pote.
tampa do pote

Ilustrações: Marcos
Aurélio Neves Gomes
O diâmetro aumenta
porque as partículas se diâmetro maior
afastam mais umas
das outras. aumento de temperatura

A dilatação do metal aumenta o diâmetro da tampa (mais que o do gargalo do pote) porque a elevação
da agitação térmica das partículas, determinada pelo aumento de temperatura, faz com que elas se afastem.

chapa
sem
furo As dimensões Uma chapa metálica dilata-se ou contrai-se de tal
das bordas
são as mesmas.
forma que, havendo ou não furos em sua extensão, ela
chapa
com assume as mesmas dimensões.
furo

Exercícios resolvidos

ER3. Uma placa retangular de vidro comum, de 50 cm do chumbo a = 2,7 ∙ 10−5 °C−1,
de comprimento e 20 cm de largura, tem a temperatura calcule:

Ilustrações: Fernando
Monteiro
elevada de 10 °C até 30 °C. Então, qual será a área final a) a área do furo a 60 °C;
R r
da superfície dessa placa? b) a circunferência externa da
Sérgio Dotta Jr./The Next

chapa a 60 °C.

Resolução:
a) De acordo com os dados, a variação da tempera-
tura da chapa é Dq = 60 °C – 10 °C = 50 °C,
o coeficiente de dilatação superficial é b = 2a =
Resolução: = 5,4 ∙ 10−5 °C−1, e a área inicial do furo é A0 = p ∙ r02 =
Consultando a tabela de coeficientes lineares, encon- = p ∙ 102, portanto A0 = 100p cm2.
tramos a = 0,000008 °C–1 para o vidro comum; então Vamos, então, calcular a área do furo a 60 °C:
b = 2a = 0,000016 °C–1, a área inicial da placa é A = A0 + DA = A0 + b ∙ A0 ∙ Dq
A0 = 50 ∙ 20 ) A0 = 1 000 cm2, e a variação de tempe-
ratura é Dq = 30 – 10 ) Dq = 20 °C. A = 100p + 5,4 ∙ 10−5 ∙ 100p ∙ 50
Substituindo os valores na expressão DA = b ∙ A0 ∙ Dq, \ A = 100,27p cm2 > 314,85 cm2
obtemos:
DA = 0,000016 ∙ 1 000 ∙ 20 ) DA = 0,32 cm2 O cálculo foi realizado como se ao furo correspon-
desse uma chapa circular do mesmo chumbo, pois
Portanto, a área final será de:
essa seria a superfície ocupada por ela, se não exis-
A = A0 + DA = 1 000 + 0,32 ) A = 1 000,32 cm2
tisse o orifício. Uma maneira de justificar isso é
Isso representa apenas 0,032% de dilatação superfi- considerando o seguinte: imagine que uma chapa
cial, uma variação imperceptível a olho nu. Tais varia- é a justaposição de duas áreas que se ajustam per-
ções são notadas quando os objetos encontram-se feitamente, conforme mostra a figura.
encaixados, quando eventuais folgas diminuem.
θ0 θ
ER4. Uma chapa circular, com raio de 30 cm, é feita de
chumbo. Em seu centro, há um furo também circular de
10 cm de diâmetro. Essas medidas são obtidas à tempe-
ratura de 10 °C. Dado o coeficiente de dilatação linear

$"1∂56-0t%*-"5"±∞0%&4ª-*%04&-∂26*%04 25
A dilatação acontece em cada uma das áreas, como Outra forma de calcular essa mesma área é deter-
se elas fossem partes independentes, e ao cabo dela minar o raio final do furo da chapa dilatada e a
as duas partes continuarão tão bem encaixadas como partir dele quantificar a superfície do furo.
antes; assim, mesmo que não haja uma região vizi- O raio é uma medida linear:
nha, como no caso de furos ou recortes, toda por- r = r0 + Dr = r0 + a ∙ r0 ∙ Dq
ção do material se comporta como região isolada,
r = 10 + 2,7 ∙ 10−5 ∙ 10 ∙ 50 = 10,0135
não interferindo na vizinhança. É por esse motivo
que podemos imaginar o furo como se fosse cons- A = p ∙ r2 = p ∙ 10,01352 \ A = 100,27p cm2
tituído do mesmo material que a peça. b) o raio da chapa a 60 °C é:
θ0 θ R = R0 + DR = R0 + a ∙ R0 ∙ Dq
Fernando Monteiro

R = 30 + 2,7 ∙ 10−5 ∙ 30 ∙ 50 ) R = 30,0405 cm


Então, a circunferência C em questão é:
C = 2p ∙ R = 2p ∙ 30,0405
\ C = 60,081p cm > 188,65 cm

Dilatação térmica tridimensional ou volumétrica


dos sólidos
Na dilatação térmica em três dimensões, consideramos o comprimento, a largura
e a altura (ou a espessura) do corpo sólido. Logo, a grandeza física a ser observada é
o volume V.
Fernando Monteiro

comprimento
largura altura (ou espessura)

Assim, a dilatação térmica tridimensional refere-se à variação de volume, que é a


medida do espaço ocupado pelo corpo.
Os fatores considerados na dilatação volumétrica são análogos aos de antes:
• o coeficiente de dilatação volumétrica (simbolizado por g) do material quantifica
a alteração de volume, por unidade de temperatura;
• o volume inicial (V0), que é medido a certa temperatura q0;
• a variação de temperatura, Dq = qfinal – q0.
A expressão matemática da variação volumétrica DV fica:

DV = V – V0 = g ∙ V0 ∙ Dq
Marcos Aurélio Neves Gomes

O valor de g é igual ao triplo do valor de a para determinado material:


g = 3a

desde que respeitada a ressalva efetuada anteriormente, quando tratamos da V


V0
dilatação superficial.
Considerando os coeficientes de dilatação térmica do ouro, temos:
• dilatação linear: a = 0,000015 C–1;
• dilatação superficial: b = 2a = 0,000030 °C–1;
• dilatação volumétrica: g = 3a = 0,000045 °C–1. ∆V = V – V0

26 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
FaÇa NO NÃO escreva
Outras palavras caderNO NO livrO

Concreto armado
Das fachadas de museus às fundações de platafor- • Trabalho conjunto do concreto e do aço, assegura-
mas petrolíferas, o concreto é de longe o material de do pela aderência entre os dois materiais:
construção mais utilizado no Brasil. Dependendo das Na região tracionada, onde o concreto possui re-
características desejadas e das finalidades, há uma sistência praticamente nula, ele sofre fissuração,
grande variedade de concretos à disposição. Em linhas tendendo a se deformar, o que, graças à aderência,
gerais, o concreto armado é um material de construção arrasta consigo as barras de aço forçando-as a tra-
resultante da associação de concreto simples e barras balhar e, consequentemente, a absorver os esfor-
de aço. As barras de aço envolvidas pelo concreto, e ços de tração.
com perfeita aderência entre os dois materiais, formam Nas regiões comprimidas, uma parcela de com-
um material que resiste melhor a esforços do que os pressão poderá ser absorvida pela armadura, no
dois componentes isolados.
caso de o concreto, isoladamente, não ser capaz
Leia agora um trecho das notas de aula do prof.
de absorver a totalidade dos esforços de com-
Tarley Ferreira de Souza Junior, do Departamento de
pressão.
Engenharia da Universidade Federal de Lavras (MG), so-
bre o mais importante material estrutural da constru- • Os coeficientes de dilatação térmica do aço e do
ção civil brasileira do século XX. concreto são praticamente iguais:
Concreto é um material de construção resultan- — concreto: 0,9 a 1,4 · 10–5 °C–1
te da mistura de um aglomerante (cimento), com — aço: 1,2 · 10–5 °C–1
agregado miúdo (areia), agregado graúdo (brita) e
[...]
água, em proporções exatas e bem definidas. Atual-
mente, é comum a utilização de [...] “aditivos”, des- • O concreto protege de oxidação o aço da armadura,
tinados a melhorar ou conferir propriedades espe- garantindo a durabilidade da estrutura:
ciais ao concreto.
— proteção física: através do cobrimento das bar-
A pasta formada pelo cimento e água atua en-
ras protegendo-as do meio exterior;
volvendo os grãos dos agregados, enchendo os va-
zios entre eles e unindo esses grãos, formando uma — proteção química: em ambiente alcalino que se
massa compacta e trabalhável. A função dos agrega- forma durante a pega do concreto, surge uma
dos é dar ao conjunto condições de resistência aos camada quimicamente inibidora em torno da
esforços e ao desgaste, além de redução no custo e armadura.
redução na contração.

Visions of America/Superstock/Glow Images


Após a mistura, obtém-se o concreto fresco, ma-
terial de consistência mais ou menos plástica que per-
mite a sua moldagem em formas. Ao longo do tempo,
o concreto endurece em virtude de reações químicas
entre o cimento e a água (hidratação do cimento).
A resistência do concreto aumenta com o tempo,
propriedade esta que o distingue dos demais mate-
riais de construção.
A propriedade marcante do concreto é sua ele-
vada resistência aos esforços de compressão aliada a
uma baixa resistência à tração. A resistência à tração é
1
da ordem de da resistência à compressão.
10 A ideia básica de misturar materiais, ou agregar substâncias
[...] específicas a uma dada substância, é produzir um material
com melhores qualidades que os originais, isoladamente. Foi
Devido à baixa resistência à tração, procurou-se
essa ideia que orientou a criação do aço e do concreto.
adicionar ao concreto outros materiais mais resistentes
à tração, melhorando suas qualidades de resistência. souzA Junior, Tarley Ferreira de. Estruturas de concreto armado.
Departamento de Engenharia da UFLA. Disponível em: <https://
A utilização de barras de aço juntamente com o docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-de-
concreto só é possível devido às seguintes razões: edificios/apostila-concreto>. Acesso em: 20 out. 2015.

$"1∂56-0t%*-"5"±∞0%&4ª-*%04&-∂26*%04 27
Organizando as ideias do texto
1. Estime um valor para o coeficiente de dilatação do concreto armado, analisando os coeficientes de dila-
tação linear de seus dois principais componentes.
2. Suponha que você precise saber mais sobre concreto armado. Onde você considera possível encontrar
informações confiáveis sobre o tema?
3. Agora, pesquise e responda:
a) Quais são as principais vantagens e desvantagens do uso do concreto armado como material de
construção?
b) Que outros materiais de construção são utilizados na engenharia civil?
Professor, veja Orientações Didáticas.

Exercícios resolvidos
ER5. Um bloco cúbico de vidro comum, de 5 cm de ER6. Um objeto tem uma cavidade cuja capacidade é de
aresta, tem sua temperatura elevada de 27 °C até 8 mL, a 20 °C. Ele é aquecido até 120 °C. O material
57 °C. Calcule o volume final desse cubo. homogêneo e isótropo desse objeto tem coeficiente de
dilatação linear igual a 2 ∙ 10−5 °C−1. Qual é, nessas condi-
Resolução:
ções, a variação da capacidade volumétrica da cavidade?
Para o vidro comum, a = 0,000008 °C–1; então:
g = 3a = 0,000024 °C–1 Resolução:
O volume inicial do cubo é V0 = 53 cm3 = 125 cm3, e De acordo com os dados, a variação da temperatura é
a variação de temperatura é Dq = 57 − 27 ) Dq = 30 °C. Dq = 120 – 20 ) Dq = 100 °C, e o coeficiente de dila-
Substituindo os valores na expressão DV = g ∙ V0∙ Dq, tação volumétrica é g = 3a = 6 ∙ 10−5 °C−1.
obteremos: Calculando a modificação da capacidade volumétrica
DV = 0,000024 ∙ 125 ∙ 30 ) DV = 0,09 cm3 da cavidade, como se ela fosse composta do mesmo
Logo, o volume final será de: material do objeto, obtemos:
V = V0 + DV = 125 + 0,09 ) V = 125,09 cm3 DV = g ∙ V0 ∙ Dq
Isso representa apenas 0,072% de dilatação volumétrica. DV = 6 ∙ 10−5 ∙ 8 ∙ 100 ) DV = 0,048 mL

Outras dilatações térmicas


Dilatação térmica dos líquidos
Os líquidos também sofrem dilatação, que, em geral, é maior do que a dos reci-
pientes onde estão contidos. Assim, o que acontece quando um recipiente cheio de
um líquido sofre aquecimento?
A dilatação volumétrica do líquido precisa ser comparada com a do recipiente
que o encerra. A diferen•a entre as duas dilatações será chamada de dilatação
aparente do líquido:

(dilatação aparente do líquido) = (dilatação real do líquido) – (dilatação do recipiente)

Se o líquido tiver coeficiente de dilata-


Marcos Aurélio Neves Gomes

ção maior que o do recipiente, a dilatação Aquecendo-se o conjunto


aparente corresponderá ao volume do lí- recipiente-líquido O líquido
quido extravasado. extravasa
líquido θ0 , θf líquido porque ele
Pode ocorrer também de o líquido ter se dilata
coeficiente de dilatação menor que o do mais que
o recipiente.
recipiente. O que acontecerá, nesse caso? θ0 θf

28 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Exercício resolvido

ER7. Um recipiente, de vidro pirex, com 2 000 mL de Vamos calcular as dilatações do álcool e do recipiente,
capacidade, está cheio de álcool etílico, a 15 °C. Se a com Dq = 25 °C – 15 °C = 10 °C:
temperatura for elevada até 25 °C, que quantidade de dilatação real do álcool:
álcool irá extravasar do recipiente?
DVálcool = 0,0011 · 2 000 · 10 \ DVálcool = 22 mL;
Resolução: dilatação real do recipiente:
Dados:
DVpirex = 0,000009 · 2 000 · 10 \ DVpirex = 0,18 mL;
o coeficiente de dilatação volumétrica do álcool etílico é
assim, a quantidade de líquido extravasado é a dilata-
gálcool = 0,0011 °C–1, segundo a tabela de coeficientes
lineares, para o vidro pirex, temos a = 0,000003 °C–1, ção aparente do álcool:
logo: gpirex = 3a = 0,000009 °C –1. DVaparente = DVálcool – DVpirex = 22 – 0,18 = 21,82
A dilatação do álcool é pouco mais de 120 vezes maior
\ Vextravasado = 21,82 mL
que a do recipiente.

Para saber mais

Sites
Experimentos com dilatação e contração de materiais
• Temperatura e calor: Disponível em: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/10218>.

• Dilatação volumétrica do ar: Disponível em: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/3205>.

• D
ilatação volumétrica de líquidos: Disponível em: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/7928>.
Acessos em: 20 out. 2015.

O Ministério da Educação mantém um Banco Internacional de Objetos Educacionais. Lá você encontrará muitas
ferramentas para complementar os seus estudos. São vídeos, simulações e experimentos com materiais de fácil
aquisição. No tema Dilatação, há experimentos para você verificar a variação do volume do ar, determinar o coe-
ficiente de dilatação volumétrica do álcool etílico ou ainda determinar o coeficiente de dilatação de vários metais.
Não perca!

Contra•‹o por aquecimento tŽrmico


Nos casos que estudamos, vimos que a elevação da temperatura de um material
causa dilatação térmica, aumentando suas dimensões. No entanto, na natureza exis-
tem algumas substâncias que, em certos intervalos de temperatura, constituem ex-
ceções à regra.
Um caso típico de anomalia é o da água.
Os átomos da molécula de água apresentam grande diferença de eletronegati-
vidade (propriedade química que indica a avidez do átomo em reter o elétron da
ligação). Por esse motivo, além de atrair os átomos de hidrogênio da própria molé-
cula, os átomos de oxigênio também atraem hidrogênios de outras, criando víncu-
los intermoleculares chamados pontes de hidrog•nio. À medida que a tempera-
tura diminui, o estado de agitação das moléculas decresce e aumenta a intensidade
desses vínculos, chegando ao ponto máximo nos 4 ºC. A consequência disso é a
formação de “grandes vazios”, aumentando o volume em seu aspecto macroscó-
pico (visto externamente).

$"1∂56-0t%*-"5"±∞0%&4ª-*%04&-∂26*%04 29
No intervalo de aquecimento entre 0 °C e 4 °C, a intensidade das pontes de hi-
drogênio diminui, um grande número dessas ligações se rompe e as moléculas vol-
tam a ocupar os espaços vazios existentes anteriormente. Em termos macroscópicos,
isso provoca uma diminuição de volume.
Portanto, apenas no referido intervalo de temperatura, o aquecimento provoca
uma contração do volume da água em estado líquido.
Graficamente, podemos visualizar a variação de volume em Volume V
função da temperatura, para a água líquida, no diagrama ao lado. V0
Sabendo que a densidade é inversamente proporcional ao
Vmínimo
volume, podemos afirmar que a da água é máxima à tempera-
tura de 4 °C, sendo, portanto, menor no estado sólido do que
no líquido. É o que permite ao gelo flutuar na água líquida.
0 °C 4 °C Temperatura θ
Assim, as pontes de hidrogênio explicam grande parte das
características peculiares da água.

FaÇa NO NÃO escreva


atividade prática caderNO NO livrO

Observando a dilatação anômala da água


Material

Sérgio Dotta Jr./The Next


• dois copos transparentes de mesma medida, um de plástico e outro de vidro
• água
• uma caneta hidrocor
Procedimento
I. Coloque a mesma quantidade de água até a metade da capacidade de cada
copo. Com a caneta hidrocor, marque o nível da água na parte externa de
ambos os copos.
II. Coloque os copos com a água no congelador. Após algumas horas, com o
gelo formado, retire o copo de plástico e meça o desnível de água.
Discussão

Sérgio Dotta Jr./The Next


1. De que maneira esse desnível representa a dilatação da água?
Retire agora o copo de vidro e meça o desnível da água. Compare o desnível
do gelo nesse copo com o observado no copo de plástico.
2. Observando os desníveis nos dois copos, é possível dizer qual dos dois mate-
riais apresenta o maior coeficiente de dilatação?

Se a água enchesse totalmente um recipiente de vidro, certamente ele teria


sido quebrado pela força exercida pela água, de dentro para fora.
Professor, veja Orientações Didáticas.

FaÇa NO NÃO escreva


Exercícios propostos caderNO NO livrO

EP1. Com o resfriamento da garrafa no congelador, o vidro da embalagem se contrai um pouco. Ao mesmo tempo, a água se
dilata ao congelar; logo, a força exercida pela água de dentro da garrafa para fora provoca a rachadura no vidro.
EP1. Um rapaz comprou água mineral envasada em uma tinha congelado e a garrafa estava rachada. Explique o
garrafa de vidro de 500 mL. Chegando em casa, ele pen- motivo de a garrafa de vidro ter rachado.
sou em resfriar a água mais rapidamente para tomá-la.
EP2. Calcule o coeficiente de dilatação linear do mate-
Colocou a garrafa no congelador para tal. Porém, ele se rial que constitui uma barra cujo comprimento L é re-
distraiu e se esqueceu do seu intento: a garrafa ficou por presentado em função da temperatura q, no diagrama
lá a noite toda. Na manhã seguinte, ele viu que a água a seguir. 4  10 –5 °C−1

30 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
EP3. Os metais têm coeficientes de dilatação diferentes. Nesse caso, o chumbo tem um coeficiente maior que o do bronze, razão pela
qual a parte de chumbo dilata-se mais. Isso força a lâmina a se curvar para cima, pois o bronze, na parte superior, dilata-se menos.
L (m) EP8. Um pedaço de tungstênio tem 500 mm3 de volu-
3 000,6
me, a 20 °C.
Dado o coeficiente de dilatação linear aW = 9 ∙ 10−6 °C−1,
calcule seu volume a 520 °C. 506,75 mm3

Thinkstock/Getty Images
3 000 EP9. Quando uma porca está
bem apertada em um parafuso,
0 5 θ (¡C) o que podemos fazer para
EP3. Lâmina bimetálica é o nome que se dá a uma lâmi- afrouxá-la e girá-la com mais fa-
na composta de duas camadas de metais diferentes. cilidade?
a) Aquecer ou resfriar o parafuso.

Ilustrações: Marcos
Aurélio Neves Gomes
bronze
b) Aquecer ou resfriar a porca.
c) Aquecer o parafuso.
d) Resfriar a porca.
chumbo e) Aquecer a porca ou resfriar o parafuso. X
Quando uma lâmina bimetálica é fixada na parede, à
temperatura de 25 °C, ela fica conforme a seguinte figura: EP10. Um recipiente, com capacidade de 10 L, é comple-
tamente preenchido com álcool, em um dia frio, a 10 °C.
No dia seguinte, a temperatura máxima é de 20 °C.
O coeficiente de dilatação do álcool é gálcool = 0,0011 °C–1.
Desprezando a dilatação do recipiente e a evaporação
Após aquecimento, a lâmina se curva ligeiramente para do álcool, que volume do líquido terá transbordado do
cima. recipiente quando a temperatura máxima for alcançada?
0,11 L = 110 mL

EP11. No exercício anterior, se o recipiente fosse consti-


tuído por um material cujo coeficiente de dilatação vo-
Explique esse fenômeno físico, justificando o porquê dessa lumétrica é grecipiente = 2 ∙ 10–5 °C–1, qual seria o volume
curvatura ascendente. do álcool transbordado?
EP4. Ainda sobre o exercício anterior, o que aconteceria se 0,108 L = 108 mL
a lâmina bimetálica fosse resfriada, em vez de aquecida? EP12. Um recipiente de ferro tem capacidade de 1 L, a
10 °C. Que volume de mercúrio deve ser posto no re-
EP5. Quando uma chapa metálica é aquecida, sua área cipiente de forma que a capacidade não preenchida se
mantenha constante, mesmo com a elevação da tem-
aumenta. Se nessa chapa houver um furo circular, o que
peratura até 30 °C? 0,2 L = 200 mL
acontecerá com o seu raio, à medida que a tempera-
tura for se elevando? Justifique sua resposta. Dados: gferro = 3,6 ∙ 10–5 °C–1 e
O raio irá aumentar, pois as partículas que margeiam o furo se gmercúrio = 1,8 ∙ 10–4 °C–1.
distanciam entre si independentemente de qual seja sua vizinhança.
EP6. Uma placa de alumínio, de forma
Marcos Aurélio Neves Gomes

circular, tem raio de 60 cm, à temperatu- EP13. (Ufop-MG) As sentenças seguintes são verdadeiras,
ra de 25 °C. No centro dessa placa, exis- R r exceto:
te um furo circular de raio igual a 20 cm. a) A água misturada à tinta vermelha pode ser utiliza-
Dado o coeficiente de dilatação li- da para construir um termômetro de água colorida
near do alumínio a = 2,2 ∙ 10−5 °C−1, para medir temperaturas de 1 °C até 60 °C. X
determine: b) O eixo e as rodas da locomotiva são fabricados com
a) a área do furo a 45 °C; 400,352p cm2 > 1 257,11 cm2 aço. O eixo e as rodas são montados com mais faci-
b) o perímetro externo da placa a 15 °C. lidade se o eixo for resfriado e a roda mantida à
119,974p cm > 376,72 cm temperatura ambiente.
c) A área das placas de azulejo empregadas na cons-
EP7. Muitas vezes, quando colocamos
Sérgio Dotta Jr./The Next

trução civil aumenta com o aumento da temperatu-


dois copos de vidro idênticos um dentro ra. Essa é uma razão pela qual são deixados espaça-
do outro, eles acabam por ficar “pre- mentos entre as placas para compensar a dilatação.
sos”, dificultando a separação deles. d) O volume ocupado por uma massa de gelo a
Pense em um procedimento que per- –10 °C é maior que o volume ocupado pela mesma
mita separá-los, sem que eles se que- massa de água a 20 °C. Isso é uma das causas da
brem, utilizando água quente e/ou quebra de embalagens de vidro cheias de água
água fria. Podemos mergulhar o copo externo quando colocadas em congelador.
em água quente ou colocar água fria no copo interno.
EP4. Nesse caso o dispositivo ficaria curvado para baixo, pois, assim como o chumbo se dilata mais do que o bronze, ele
também se contrai mais, se resfriado.
$"1∂56-0t%*-"5"±∞0%&4ª-*%04&-∂26*%04 31
3
CAPêTULO

Calorimetria

Conhecemos, informalmente, muitas manifestações das grandezas térmicas em

Thinkstock/Getty Images
nossa vida diária, além da temperatura. Sabemos, por exemplo, que é possível aque-
cer água no fogão convencional, no forno de micro-ondas ou ainda com uma resis-
tência elétrica. Se optarmos pelo aquecimento no fogão convencional, sabemos por
experiência que com uma panela de metal conseguimos aquecer a água mais rapi-
damente do que com uma de pedra.
Uma pessoa que gosta de preparar seu café solúvel esquenta uma xícara de
água no micro-ondas, sempre ajustado na mesma potência, para dissolver o pó.
Em dias frios de inverno, ela talvez tenha que programar um tempo maior do
que o normal. Isso acontece também no aquecimento feito no fogão: indepen-
A chaleira é, talvez, o mais antigo
dentemente do processo, sabemos que a água ferve um pouco mais rapidamen- utensílio de cozinha. Ao longo
te no verão do que no inverno. Mas por que será? de sua história, seu formato não
mudou muito. Ela foi projetada para
Outro dispositivo relacionado com o calor e suas manifestações é a garrafa aquecer água sobre uma chama.
térmica. Sabemos que ela não funciona fornecendo ou retirando calor. O que

Fernando Favoretto/Criar Imagem


então faz com que a garrafa térmica conserve por algum tempo a temperatura
do líquido guardado em seu interior?
Neste capítulo, estudaremos os tipos de transferência de calor e investigare-
mos a relação entre as quantidades de energia trocadas pelos sistemas físicos,
suas temperaturas e suas características particulares. Veremos também como
são calculadas as quantidades de calor transferidas, de acordo com as variações
ocorridas na temperatura ou no estado físico.

O calor
A garrafa térmica foi projetada
para impedir trocas de calor e
No capítulo 1, vimos que o calor é a energia térmica em trânsito devido à diferen-
manter a temperatura no seu
ça de temperatura existente, fluindo espontaneamente do sistema de maior para o de interior.
menor temperatura.
Para medir as quantidades de calor distribuídas entre os sistemas, utilizaremos o
joule (J), que é a unidade de energia no SI, ou outra de uso bastante comum em Ter-
mologia, que é a caloria (cal). Uma caloria é a quantidade de calor trocada por 1 g de
água no estado líquido quando sofre variação de 1 ºC em sua temperatura.
A relação entre essas unidades é: 1 cal 5 4,186 J. Esse valor resulta de um expe-
rimento em que James Prescott Joule (1818-1889) descreve como o trabalho mecâ-
nico pode ser convertido em calor.
O conjunto representado na página a seguir consta basicamente de uma câmara
contendo água, com duas pás presas a um eixo, o qual, por sua vez, está acoplado a
um peso que, quando em movimento, desce com velocidade constante, fazendo o
eixo movimentar-se.

32 Unidade 1 • TeRmologia
Courtesy of Cornell University Library, À medida que desce, o peso perde energia potencial e
Making of America Digital Collection
faz as pás girarem no interior da câmara, agitando a água
e promovendo o seu aquecimento. Joule concluiu que a
diminuição de energia potencial é proporcional à variação
de temperatura da água. Mais precisamente, ele demons-
trou que o calor necessário para elevar em 1 ºF a tempera-
tura de 1 lb (libra) de água (453,59 g) é equivalente ao
trabalho realizado na queda de um objeto de 772 lb, a
partir de uma altura de 1 pé (30,48 cm). É importante
notar que essa correspondência foi possível tomando-se o
cuidado para que as trocas de calor se dessem apenas no
interior da câmara: transformações em que não há perdas
de calor têm o nome de adiabáticas.
Fala-se muito sobre calorias, porém sob um enfoque nu-
Estampa com a descrição do experimento de Joule, publicada no tricional. A energia que vem dos alimentos está relacionada
Harper's New Monthly Magazine, n. 3, agosto de 1869. com as ligações químicas das moléculas que compõem os
nutrientes (carboidratos, gorduras, proteínas).
Paulo César Pereira

As calorias poderiam...
Depois que ingerimos alimentos — para obter as
“contidas” em...
substâncias necessárias ao nosso organismo —, eles são
filtrar digeridos (”queimados”) e transformados em glicose e
uma jarra outros compostos.
de café
2,2 kg de macarrão A energia química das moléculas digeridas não é
usada imediatamente; ela fica armazenada nas células
em forma de trifosfato de adenosina (ATP: Adenosine
triphosphate), que é o mediador de todas as atividades
acender uma
lâmpada de
biológicas que requerem energia. É desta maneira que
60 W por devemos compreender as calorias que os alimentos
um pedaço de torta 90 minutos propiciam: a quantidade de energia que é armazenada
de cereja
em ATP. Veja a quantidade de energia liberada por al-
guns nutrientes:
mover
um • 1 g de proteína oferece até 5,65 kcal;
veículo • 1 g de gordura oferece até 9,45 kcal;
por
217 lanches duplos 141 km • 1 g de carboidrato oferece até 4,10 kcal;
• 1 g de álcool oferece até 7,0 kcal.
Imagens fora de proporção entre si.
Perceba que, nessa lista, todas as energias são dadas em kcal (103 cal); no
entanto, as “calorias” contadas nos rótulos dos alimentos são, na verdade, quilo-
calorias. Uma lata de refrigerante que exibe a informação nutricional “200 calo-
rias” oferece 200 quilocalorias em glicose e outras substâncias.

A FÍSICA NO COTIDIANO

Mais unidades de energia


Fernando Favoretto/Criar Imagem

Modelo: 42MQB007515LS
Think st
Além do joule, da caloria e do quilowatt-hora, há outras uni- ock /Ge
tt y Ima
ges
dades de energia, cada qual adequada a determinado contexto. Tensão/Frequência: 220 V
Capacidade
Os aparelhos de ar condicionado costumam trabalhar com
Refrigeração: 7.000 Btu/h
a unidade BTU (British Termal Unit), correspondente ao calor
Aquecimento: 6.500 Btu/h
que aquece 1 lb de água, variando sua temperatura em 1 °F. Corrente
1 BTU > 252 cal Refrigeração: 3.60 A

Para escolher um aparelho de ar condicionado adequado, é preciso


determinar a área e o número de pessoas no ambiente, a presença de
aparelhos que irradiam calor e paredes com isolamento.

CAPÍTULO 3 • CALORIMETRIA 33
A propaga•‹o do calor
No cotidiano, observamos diversos fenômenos que ocor-

Ruddy Gold AGE Fotostock/Grupo Keystone


rem de forma espontânea. Se pusermos um mesmo líquido
nas colunas de um sistema de vasos comunicantes abertos na
parte superior, elas tendem a ficar sempre no mesmo nível,
após atingir-se o equilíbrio hidrostático. A coluna inicialmen-
te mais alta tende a baixar, empurrando o excesso de líquido
para as demais.
É possível explorar um pouco mais esta imagem. Pergunte aos
estudantes: se as alturas alcançadas pelo líquido nos diferentes tubos
puderem ser comparadas à temperatura, a qual grandeza seria razoável
comparar os volumes em cada tubo e a água que migra entre os
tubos? Devemos esperar respostas do tipo “energia térmica” e “calor”,
respectivamente.

As colunas de líquido estarão em equilíbrio


quando todas tiverem a mesma altura.

É importante lembrar que o líquido, ao atingir o mesmo nível em todas as colunas,


não conterá, nelas, necessariamente o mesmo volume; é apenas a pressão hidrostática
que se iguala em todos os pontos do líquido que estiverem nivelados.
Essa situação é análoga àquela que ocorre em sistemas que trocam calor. O calor
flui espontaneamente do sistema físico mais quente para o menos quente; ou seja,
do sistema de temperatura maior para o de menor. Esse fluxo se encerra quando o
equilíbrio térmico (condição em que as temperaturas se igualam) é alcançado.
Fernando Monteiro

temperatura temperatura as temperaturas


maior menor se igualam

O calor flui do sistema físico mais quente Cessando o fluxo não há mais transferência de
para o menos quente. energia térmica.

Thinkstock/Getty Images
Aqui, o que se iguala é a temperatura (medida do grau de agitação das partículas).
Não quer dizer, necessariamente, que os sistemas, ao atingirem o equilíbrio térmico,
terminem com a mesma quantidade de energia térmica, pois ela depende de outros
fatores, como a massa e o material constituinte de cada um.
Devemos agora investigar de que modos pode ocorrer esse fluxo de calor. Há três
processos de propagação de calor:
• condução; • convecção; • irradiação.
Observe uma lâmpada incandescente acesa. A energia elétrica que a alimenta se
transforma em outras formas de energia — como a luminosa e a térmica — e não é
preciso encostar a mão nela para saber que está quente. De modo predominante
nesse caso, a energia térmica é propagada irradiando calor e aquecendo os objetos
na sua vizinhança, do mesmo modo que o calor do Sol chega até nós. É assim que Lâmpadas incandescentes
irradiam a maior parte da
as nossas mãos recebem a energia térmica e se aquecem quando as aproximamos
energia elétrica recebida em
do bulbo da lâmpada. forma de calor.

34 Unidade 1 • TeRmologia
Outro modo de um corpo receber o calor da lâmpada é entrando em contato
direto com o bulbo. Por exemplo, um tecido encostado em uma lâmpada fica quente
e pode até queimar se o contato for prolongado. Neste caso, é o vidro que conduz o
calor para o tecido em contato.
Há ainda um terceiro tipo de propagação de calor, a convecção, quando a pró-
pria matéria se movimenta de um local para outro, levando consigo a energia térmica,
como acontece com as massas de ar quente que se deslocam na atmosfera terrestre
ou com as correntes marinhas.
A seguir, estudaremos as características de cada um desses tipos de propagação
do calor.

Condução térmica
A condu•‹o tŽrmica é a propagação de calor na qual a energia (térmica) se
transmite de partícula para partícula.
Nessa forma de propagação, ocorrem colisões entre as partículas (como átomos
e moléculas), alterando sua agitação térmica.
Observe que, na condução, não há
Fernando Monteiro

sentido do fluxo de calor transporte de partículas através do corpo


sólido, apenas interações entre partículas
vizinhas. A condução térmica é muito redu-
extremidade extremidade
mais quente: zida nos meios líquidos e gasosos, e natu-
mais fria:
agitação agitação ralmente não ocorre no vácuo.
térmica maior térmica menor Cada material tem uma capacidade
própria de conduzir o calor, que está direta-
mente relacionada com o tipo de substância e a natureza
Luggui Photos

das ligações que o compõem. Aquele que conduz o calor


com facilidade é chamado de bom condutor e o que o
transmite com dificuldade, de mau condutor. Se a condu-
ção for nula ou muito reduzida, o material é denominado
isolante térmico:
• bons condutores: metais em geral, como prata, ouro,
alumínio, latão e aço;
• maus condutores: gelo, água líquida, madeira, lã, papel,
vidro, isopor, borracha, couro, ar seco, concreto etc.
A diferença entre os condutores térmicos está no
modo como as ligações internas se dão nas estruturas atô-
Refrigeradores com gelo acumulado têm seu funcionamento
comprometido, pois o gelo impede o fluxo do calor no seu micas ou moleculares. Os metais são excelentes conduto-
interior. res porque os elétrons livres das camadas periféricas po-
Thinkstock/Getty Images

dem propagar energia através de colisões. Em


contrapartida, nos maus condutores, os elétrons periféri-
cos dos átomos estão comprometidos em ligações que
não permitem essa característica.
A distância entre as partículas vizinhas também é um
indicativo da condutibilidade do material: geralmente, sóli-
dos são melhores condutores que líquidos e gases, tanto
que o ar é um ótimo isolante térmico.
Outros exemplos de isolantes térmicos são a neve e o
gelo — os flocos de neve acumulam-se em camadas fofas,
Os iglus têm paredes de gelo que isolam termicamente o ar
interno frio do ambiente externo gelado. aprisionando o ar e dificultando a transmissão do calor.

Capítulo 3 • Calorimetria 35
A lâmpada de Davy
Um instrumento utilizado na detecção de gás acumulado no interior das mi-

SHEILA TERRy/SPL/Latinstock
nas de carvão, cuja presença poderia causar explosões acidentais, é a lâmpada
de Davy, inventada em 1815 por Humphry Davy.
Uma das várias versões dessa lâmpada apresenta uma tela metálica, boa con-
dutora térmica, envolvendo a chama acesa. Se houver penetração de gás meta-
no dentro da tela, ele entra em combustão e o fogo se apaga depois de uma
pequena detonação. Fora da lâmpada nada acontece, visto que o ambiente ex-
terno não atinge uma temperatura que possa provocar explosão, porque antes
disso a tela metálica terá distribuído o calor da detonação interna através dela.
Portanto, quando a chama se apaga dá-se o alerta de que a concentração de
A lâmpada de Davy é um
metano alcançou um nível alto, com perigo de explosão da mina de carvão. dispositivo de segurança no
trabalho em minas.

Convecção térmica
O que acontece no interior da água que é aquecida em uma panela, sendo a cha-

Rafael Herrera
ma do fogão a fonte do calor? Ao medir a temperatura em várias profundidades,
enquanto a água esquenta, notamos que ela aumenta à medida que chegamos mais
próximos do fundo da panela. Mas como é que toda a massa de água adquire, ao fi-
nal, a mesma temperatura?
Uma boa pista é dada pelo movimento de pequenas folhas de chá jogadas na
água, que sobem e descem durante o aquecimento e funcionam como indicadores
do comportamento das moléculas.
A porção de água junto ao fundo da panela aquece-se primeiro por condução e
tem a sua densidade diminuída por dilatação; em decorrência, a porção inferior
(mais quente) sobe, ao mesmo tempo que a porção superior (menos quente) desce,
formando movimentos de água denominados correntes de convecção.
Esse processo recebe o nome de convecção e é a propagação de calor na qual a

Ilustrações: Rafael Herrera


ar
energia térmica se transmite mediante o transporte de matéria. Logo, nessa forma de mais
ar quente
propagação, acontece o deslocamento de partículas de uma posição para outra, por- menos
quente
tanto observável somente em meios fluidos, ou seja, em meios líquidos e gasosos.
Outro exemplo no qual podemos observar a convecção térmica é o sentido de
propagação das brisas costeiras. Nas regiões próximas ao litoral, em dias normais,
sopram brisas marítimas em direção ao continente durante o dia, e brisas terrestres
da costa para o oceano, no decorrer da noite. Por que será que é assim?
ar
De dia, o ar fica mais quente sobre a terra, pois ela se aquece mais rapidamente ar menos
mais quente
do que a água do mar no mesmo intervalo de tempo; quando esse ar quente sobe, quente
por convecção, o ar menos quente que está sobre o mar movimenta-se para ocupar
o lugar do ar ascendente, formando a brisa marítima.
À noite, o sentido se inverte porque a terra se resfria mais rapidamente do que o
mar, ficando o ar mais quente, por sua vez, sobre o mar.
Durante o dia, a brisa sopra do
mar para a terra, e à noite o
A inversão térmica sentido é invertido.

O fenômeno natural da inversão térmica é uma alteração do sentido de movi-


mentação das correntes atmosféricas, por convecção. Quando isso ocorre sobre as
grandes cidades, temos um problema sério, porque é pela convecção que são espa-
lhados os poluentes. Veja, a seguir, um texto extraído do site da Cetesb (Companhia
Ambiental do Estado de São Paulo), que ilustra o que acontece nesse fenômeno.

36 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Nos primeiros 10 quilômetros da atmosfera, normalmente, o ar vai-se resfriando à medida que nos distanciamos
da superfície da Terra.
Assim, o ar mais próximo à superfície, que é mais quente, e portanto mais leve, pode ascender, favorecendo a
dispersão dos poluentes emitidos pelas fontes, conforme se verifica na figura 1.

Rafael Herrera
10 1

8
altura (km)

–15 0 15
temperatura (°C)

Quando as camadas mais altas da atmosfera são mais frias que as camadas mais baixas, a convecção é favorecida, assim como a
dispersão dos poluentes.

A inversão térmica é uma condição meteorológica que ocorre quando uma camada de ar quente se sobrepõe a
uma camada de ar frio, impedindo o movimento ascendente do ar, uma vez que o ar abaixo dessa camada fica mais
frio, e portanto mais pesado, fazendo com que os poluentes se mantenham próximos da superfície, como pode ser
observado na figura 2.

Rafael Herrera
2
10

8
altura (km)

–15 0 15
temperatura (°C)
A inversão térmica dificulta a dispersão dos poluentes, porque a convecção não ocorre.

As inversões térmicas são um fenômeno meteorológico que ocorre durante todo o ano, sendo que no inverno elas
são mais baixas, principalmente no período noturno.
Em um ambiente com um grande número de indústrias e de circulação de veículos, como o das cidades, a inversão
térmica pode levar a altas concentrações de poluentes, podendo ocasionar problemas de saúde. […]
Cetesb. Disponível em: <http://sistemasinter.cetesb.sp.gov.br/Ar/anexo/inversao.htm>. Acesso em: 21 out. 2015.

Irradia•‹o
A irradiação ou radiação térmica é a propagação de calor na qual a energia
(térmica) se transmite através de ondas eletromagnéticas. Nessa forma de propa-
gação, a velocidade das ondas é extremamente elevada em vários meios materiais,
como o ar, o vidro, a água. No vácuo, onde ela também ocorre (ao contrário da
condução e da convecção), a velocidade de propagação é de quase 300 000 km/s
(a mesma velocidade da luz e de todas as ondas eletromagnéticas).
A energia radiante emitida por um corpo é propagada principalmente por
raios infravermelhos; esse fato é útil no mapeamento de vegetações, sensores de
presença etc.

$"1∂56-0t$"-03*.&53*" 37
De acordo com o meio material, esses raios podem não se propagar integral-
mente. É o que ocorre nas estufas de plantas, por exemplo. A luz do Sol atra-
vessa as paredes de vidro (que é transparente à luz visível) e, chegando ao inte-
rior da estufa, é absorvida pelas plantas e pelo chão, que reemitem a energia na
forma de raios infravermelhos. Como o vidro é opaco à radiação infravermelha,
esses raios não conseguem atravessá-lo e, assim, permanecem em seu interior,
aquecendo o ambiente da estufa.

Rafael Herrera
Marcio Silva/Thinkstock/Getty Images

luz solar raios outros tipos de onda


infravermelhos
não saem

O Jardim Botânico
de Curitiba (PR)
foi inaugurado em
1991. A sua estufa
abriga plantas
características da
a luz solar aquece o ar quente sobe
floresta atlântica do os corpos e o chão no interior da estufa
Brasil. Fotografia de
março de 2014. Representação de uma estufa comum de vidro.

O efeito estufa na Terra


O que acontece em uma estufa de plantas se dá em grande escala no planeta
Terra. Se esse efeito não existisse, as coisas seriam muito diferentes por aqui.
A seguir, destacamos um texto que esclarece detalhes sobre esse fenômeno mui-
to importante.

[…]

Rafael Herrera
a remoção de CO2 do
O efeito estufa é a forma que a Terra tem para manter ar pela fotossíntese
sua temperatura constante. A atmosfera é altamente trans- de plantas e algas
parente à luz solar, porém cerca de 35% da radiação que diminui o efeito
o acúmulo de CO2
recebemos vai ser refletida de novo para o espaço, ficando no ar aumenta
os outros 65% retidos na Terra. Isso se deve principalmen- o efeito estufa
te ao efeito sobre os raios infravermelhos de gases como o
dióxido de carbono, metano, óxidos de nitrogênio e ozônio
presentes na atmosfera (totalizando menos de 1% desta),
que vão reter esta radiação na Terra, permitindo-nos assis-
tir ao efeito calorífico dos mesmos.
Nos últimos anos, a concentração de dióxido de car- calor
bono na atmosfera tem aumentado cerca de 0,4% anual-
mente; esse aumento se deve à utilização de petróleo, gás e
carvão e à destruição das florestas tropicais. A concentra-
ção de outros gases que contribuem para o efeito estufa,
tais como o metano e os clorofluorcarbonetos, também
aumentou rapidamente. O efeito conjunto de tais substân-
cias pode vir a causar um aumento da temperatura global
(aquecimento global) estimado entre 2 °C e 6 °C nos próxi-
mos 100 anos. Um aquecimento dessa ordem de grandeza
A dinâmica do efeito estufa.
não só irá alterar os climas em nível mundial como tam-
bém irá aumentar o nível médio das águas do mar em, pelo menos, 30 cm, o que poderá interferir na vida de milhões
de pessoas habitando as áreas costeiras mais baixas. Se a Terra não fosse coberta por um manto de ar, a atmosfera,
seria demasiadamente fria para a vida. As condições seriam hostis à vida, a qual, de tão frágil que é, bastaria uma
pequena diferença nas condições iniciais da sua formação, para que nós não pudéssemos estar aqui discutindo-a.
[…] Disponível em: <www.sobiologia.com.br/conteudos/bio_ecologia/ecologia29.php>. Acesso em: 21 out. 2015.

38 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
A garrafa térmica
Os recipientes construídos de modo a dificultar as transmissões de calor (a garrafa térmica é um exemplo)
surgiram, no século XIX, graças ao inglês James Dewar (1842-1923). Tais recipientes tinham a finalidade de con-
servar soluções químicas sob temperatura constante, em laboratório.
No começo do século passado, o alemão Reinhold Burger reduziu o tamanho do recipiente térmico de
Dewar e o deixou no formato semelhante ao da garrafa térmica atual. Ele patenteou a garrafa e passou a
vendê-la para uso doméstico.

SPL/Latinstock
Uma garrafa térmica é construída para impedir a troca de calor entre
o conteúdo e o ambiente externo. Veja como isso acontece:
• a condução é evitada pelo ar
rarefeito colocado entre as pa-

Luis Moura
tampa
redes duplas e pela tampa iso-
lante;

• a convecção também é elimi- paredes


nada pelo ar rarefeito e pela espelhadas
tampa;

• a irradiação é dificultada pe-


ar Sir James Dewar (1842-1923) foi um físico e
las paredes espelhadas, que
rarefeito químico escocês. A garrafa térmica foi criada
refletem as radiações, tanto por ele com o objetivo inicial de transportar
internas como externas. gases liquefeitos.

Fluxo de calor por condu•‹o


Como aquecer uma quantidade de água no menor tempo possível?
Pode-se escolher o fogão ou o micro-ondas. No caso do fogão, será necessário usar
o fogo alto, porque a intensidade da chama do fogão determina a energia que é trans-
ferida para a panela e, como consequência, o tempo de aquecimento. Além disso, al-
guns fogões a gás apresentam como recurso dois queimadores um pouco maiores que
os demais, e, com eles, podemos obter chamas maiores. A panela utilizada também
deve ser adequada: fina, metálica e de fundo largo, que aproveite melhor o calor da
Thinkstock/Getty Images

chama. É necessário centralizar a panela sobre o queimador. Com essas providências, o


tempo de aquecimento no fogão será o menor possível.
Cada uma dessas medidas, que tomamos informalmente, serve para otimizar o
fluxo de calor da chama através da panela. O fluxo de calor é a quantidade de ener-
gia, proveniente da chama, que atravessa o fundo da panela por unidade de tempo.
Ele depende da intensidade da chama e das características da própria panela, tais
Alguns fogões apresentam
queimadores de tamanhos
como o material de que é feita, a área em contato com a chama e a sua espessura.
diferentes para que se possa Para determinar esse fluxo de energia térmica, que mede a propagação do calor
aproveitar melhor o fluxo de calor
para a panela e evitar o consumo
segundo determinada forma (condução, convecção ou irradiação), calculamos a
desnecessário do gás. quantidade de calor Q que atravessa uma dada área A em um intervalo de tempo Δt.

Definimos, então, o fluxo de calor φ através da razão: φ= Q


Δt
Seria adequado enfatizar aqui que, apesar de a unidade J/s
(joule por segundo), que pertence ao SI, corresponder à Δt
unidade W (watt), de potência, fluxo de calor não é a mesma Q
coisa que potência; já vimos anteriormente grandezas que
apresentam unidades equivalentes e são distintas, como o
trabalho e o momento de uma força. No máximo, podemos
dizer que o fluxo de calor através de uma superfície caracteriza A
TPG

a potência do processo.

CAPÍTULO 3 • CALORIMETRIA 39
Independentemente do método de transmissão, a unidade do fluxo de calor é θ1 θ2
sempre uma unidade de calor sobre uma unidade de tempo, por exemplo, cal/min. face 1
face 2
Vamos analisar a propagação de calor por condução através de um corpo em
forma de bloco retangular; por exemplo, uma placa de faces paralelas 1 e 2, como
mostra a figura ao lado.

TPG
Q Q
O fluxo de calor φ que atravessa esse corpo é determinado pelos seguintes
fatores:
• área A da secção atravessada pelo calor: quanto maior ela for, mais calor pode
passar pelo corpo em um intervalo de tempo considerado;
• espessura da placa ou comprimento do trajeto da propagação do calor: quanto
maior for a espessura, menor será o fluxo de calor que atravessa o corpo; A

• diferença de temperatura entre as faces 1 e 2 (Δθ = θ1 – θ2, sendo θ1 . θ2): quan-


e
to maior for a diferença entre as temperaturas das faces, na direção da propaga-
Se θ1 . θ2, o calor Q fluirá da
ção, maior será o fluxo; face 1 para a face 2.
• natureza do material, caracterizada pelo coeficiente de condutibilidade térmica k.
Observe na tabela que os melhores condu- Coeficientes de condutibilidade térmica a 25 °C
tores são, na ordem: sólidos, líquidos e gases.
Como interpretamos esses dados? Analisando kcal
Estado do material Substância k em
h · m · ºC
o caso da água, o coeficiente 9 kcal/(h · m · ºC)
indica que uma coluna de água de 1 m de espes- ouro 257
sura, entre dois ambientes cuja diferença de tem- alumínio 178
peratura é de 1 ºC, transfere 9 kcal por hora, do ferro e aço comum 40-50
ambiente mais quente para o mais frio. porcelana 0,7-0,9
Esses valores são importantes quando se de- sólidos
cimento 0,8
seja escolher materiais para a construção civil. vidro 0,4-0,8
Não é adequado, por exemplo, escolher metais cimento em pó 0,6
como materiais de revestimento de paredes que
amianto 0,2
ficarão muito tempo expostas ao sol.
água 9
Comparando os valores desses coeficientes, líquidos
mercúrio 6,5
vemos que o ouro (que é um bom condutor)
ar seco 0,021
tem uma condutibilidade térmica 12 mil vezes gases
vapor-d’água 0,01
superior à do ar seco (que é um ótimo isolante
térmico). Isso está de acordo com o modelo Fonte: Lide, David R. (editor-chefe). CRC Handbook of Chemistry and
Physics. 90. ed. Flórida: CRC Press LLC, 2009.
que discutimos anteriormente, que leva em
consideração a proximidade entre partículas; de acordo com esse modelo, mate-
riais mais densos, como o ouro, apresentam maior empacotamento de partículas
por unidade de volume do que o ar, e, como a propagação do calor por condução
se faz por colisão partícula a partícula, é de se esperar então que o ouro conduza
Joseph Fourier, Jules Boilly, c.1823

melhor o calor.
Mais tarde veremos que, em geral, materiais que apresentam boa condutibili-
dade térmica também apresentam boa condutibilidade elétrica.

Lei de Fourier
O matemático francês Jean Baptiste Joseph Fourier estabeleceu a relação entre
os fatores vistos anteriormente. Em um regime estacionário de condução em que a
propagação de energia térmica é constante através de um material condutor homo-
gêneo, o fluxo de calor é: Retrato de Jean Baptiste
Joseph Fourier (1768-1830).
• diretamente proporcional à área da secção transversal A e à diferença de tempe- Gravura de Louis Leopold
ratura Δθ entre as extremidades; Boilly (cerca de 1800).

40 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
• inversamente proporcional à distância entre as extremidades ou espessura.

O fluxo de calor, expresso em termos dessas variáveis, é: φ = k · A · Δθ


e

Radiações térmicas e a lei de Stefan-Boltzmann


Todos os corpos emitem radiações eletromagnéticas. Podemos entender a ra-
diação eletromagnética como uma forma de energia, constituída por perturba-
ções ou ondas, que se propaga com a velocidade da luz, em várias frequências e
comprimentos de onda. Algumas radiações podemos ver, e outras não, mas todas
elas estão associadas à temperatura dos corpos emissores; em outras palavras, a
distribuição de frequência dessas radiações depende da temperatura dos corpos
e, por esse motivo, são também denominadas radiações térmicas.
À temperatura ambiente, a maioria das radiações está
T-SERVICE/SPL/Latinstock

na faixa do infravermelho, invisível para nós, mas o adven-


to de dispositivos sensíveis a essa frequência tornou possí-
vel a visão noturna.
Cada corpo tem uma capacidade específica de absorver
e emitir calor por radiação, que depende de sua forma e
do material de que é constituído, bem como de sua tempe-
ratura e da temperatura ao redor.
Se a temperatura desse corpo for maior do que a de sua
vizinhança, ele vai emitir mais radiação do que absorver, e,
se for menor, ocorrerá o contrário. É razoável concluir, a
Nesta fotografia em partir disso, que, se a temperatura do corpo estiver em equilíbrio com a da vizi-
infravermelho, as regiões
amarelas e avermelhadas nhança, então a absorção e a emissão de radiação eletromagnética ocorrerão na
representam temperaturas mesma intensidade.
mais altas que as azuladas. As
aplicações mais comuns da visão Um corpo hipotético que possa absorver todas as radiações que incidam sobre
noturna incluem atividades ele é chamado de corpo negro. E, assim como absorve toda a radiação, se ele
militares, policiamento, caça e
observação da vida selvagem, estiver em equilíbrio com a vizinhança, emitirá toda ela igualmente. Foi o físico
vigilância, navegação e detecção alemão Gustav Kirchhoff (1824-1887) quem descreveu esse objeto teórico, e a
de objetos ocultos.
busca da determinação de seu comportamento por outros físicos, como Max
Planck (1858-1947) e Niels Bohr (1885-1962), estabeleceu as bases de um ramo
da Física moderna muito importante chamado Mecânica Quântica.
Existe uma grandeza física denominada poder emissor E do corpo negro, que
é a potência irradiada por unidade de área ou a energia radiante emitida por in-
J
tervalo de tempo e área, cuja unidade no SI é = W/m2. Naturalmente, o
s · m2
corpo que hipoteticamente apresentaria o melhor poder emissor seria o corpo
negro; portanto, os corpos reais detêm uma fração desse poder emissor.
O poder emissor foi equacionado por dois físicos austríacos, Joseph Stefan
(1835-1893) e Ludwig Eduard Boltzmann (1844-1906).
A lei de Stefan-Boltzmann estabelece que o poder emissor de um corpo negro
em equilíbrio térmico a certa temperatura absoluta T é proporcional a T4 (T elevada
à quarta potência). Ela é expressa pela igualdade:

Ecorpo negro = σ ∙ T4,

W
em que σ é a constante de Stefan-Boltzmann, σ > 5,67 ∙ 10–8 .
m2 · K4

$"1∂56-0t$"-03*.&53*" 41
O poder emissor de objetos reais pode ser calculado por meio de uma expressão
adaptada da lei de Stefan-Boltzmann:
Ecorpo real = σ ∙ ε ∙ T4
sendo ε a emissividade do objeto, 0 , ε , 1.
Observe que a variável relevante aqui é ε: para determiná-la, devemos encon-
trar experimentalmente o valor do poder emissor E do objeto real, que é a potên-
cia irradiada por unidade de área, e substituí-lo na expressão adaptada da lei de
Stefan-Boltzmann.
Com esses valores, é possível avaliar o nível de conforto oferecido por coberturas
feitas por determinados materiais, projetados para trabalharem em determinadas
faixas de temperatura.

Exercícios resolvidos
ER1. Uma garota está agasalhada com uma roupa b) Em 1 hora, temos Δt = 3 600 s; então, substituin-
de espessura igual a 1 cm e área de 8 000 cm2. O do os valores conhecidos em φ = Q , obtemos:
tecido do agasalho tem condutibilidade térmica de Δt
cal 16 = Q ) Q = 57 600 cal
0,00008 . A temperatura da pele dessa ga- 3 600
s · cm · °C
rota está a 36,5 °C e o ambiente externo, a 11,5 °C.
ER2. Triplicando-se a temperatura absoluta de um cor-
Determine: po negro, o seu poder emissor de energia radiante au-
a) o fluxo de calor perdido através do agasalho; menta quantas vezes?
b) a quantidade de calor conduzida pela roupa em 1 hora.
Resolução: Resolução:
Os dados são: Ecorpo negro = σ · T 4 é a expressão da lei de Stefan-
cal -Boltzmann, a dada temperatura; então, em uma
e = 1 cm; A = 8 000 cm2; k = 0,00008 ;
s · cm · ºC temperatura absoluta 3 vezes maior do que a anterior,
θgarota = 36,5 °C e θexterna = 11,5 °C, então Δθ = 25 °C podemos escrever:
a) O fluxo de calor perdido é: Ecorpo negro = σ · (3T)4 = σ · 81T 4 = 81σ · T4
φ = k · A · Δθ = 0,00008 · 8 000 · 25
e 1 Se compararmos os resultados, veremos que o poder
∴ φ = 16 cal/s emissor torna-se 81 vezes maior que o inicial.

Efeitos do calor
As geladeiras também são máquinas térmicas, trabalhando
AFP Getty Images

para retirar calor de um sistema – objetos e alimentos coloca-


dos no seu interior – para outro, o exterior da geladeira, em
geral a parte posterior, que fica aquecida.
Coloque um copo com água no congelador: haverá trans-
ferência do calor do copo para o exterior. Você espera, natu-
ralmente, que a água inicialmente esfrie e depois congele.
Do mesmo modo, retire alguns cubos de gelo do congela-
dor, coloque-os sobre um prato e observe: provavelmente, você
vai esperar algum tempo até que eles comecem a derreter.
Tempestade de neve na Alemanha, em 2010. Entre –2 °C e 5 °C
a neve derrete com facilidade; abaixo desses valores, acumula-se
facilmente. Em ambos os casos pode causar vários acidentes.

42 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Thinkstock/Getty Images
Por que isso acontece? Assim como a água do copo deve esfriar para depois conge-
lar, também o gelo primeiro deve aquecer para depois fundir. Lembrando que o ponto
de fusão do gelo está em torno de 0 ºC para a maioria dos locais, os cubinhos só come-
çarão a derreter a essa temperatura. Até lá, podemos dizer que eles estão sofrendo
aquecimento (por mais estranho que isso possa parecer!). De fato, se a temperatura
externa for maior que 0 ºC, haverá transferência do calor do ambiente para os cubinhos,
que fará sua temperatura aumentar. Esse também é o motivo pelo qual a neve acumu-
lada no chão, em países frios, não se funde tão logo o Sol apareça para aquecê-la.
Podemos aquecer cubos de
Enquanto não alcançar a temperatura de fusão, toda a energia absorvida pelo
gelo para fazê-los derreter, mas
há outro meio de conseguir o gelo ou pela neve, em temperaturas negativas, será utilizada somente para seu
mesmo efeito. aquecimento. Depois de ser atingido o ponto de fusão, a energia térmica que con-
Andrew Lambert
Photography/SPL/Latinstock

tinuar a ser assimilada poderá alterar seu estado físico, mantendo a temperatura
constante (em torno de 0 °C). A partir daí, a energia recebida será usada para au-
mentar a temperatura. Isso continua até o limite de 100 °C, o ponto de ebulição da
água, quando haverá essa outra mudança de estado físico. Eventualmente, o vapor
será aquecido além dos 100 °C se continuar exaurindo mais energia térmica.
Agora, podemos ampliar a afirmação feita no capítulo 2 sobre os efeitos do calor.
Quando um corpo troca calor com sua vizinhança, pode sofrer variações nas dimen-
Representação da estrutura
molecular do gelo. Cada sões, pode variar sua temperatura e/ou ter seu estado físico alterado. Esses são os
molécula seria constituída de efeitos da passagem do calor.
uma esfera vermelha (átomo
de oxigênio) e duas brancas
(átomos de hidrogênio). Repare
que as hastes azuis representam Calor sensível e calor latente
ligações intermoleculares.
O calor que é transferido para uma substância recebe o nome de calor sensível se
o efeito acarretado for apenas o seu aquecimento (isto é, a elevação da temperatura);
naturalmente, se a substância ceder calor e acabar se resfriando, também utilizaremos
o mesmo nome; portanto:

Calor sensível é o calor trocado que faz com que uma substância sofra variação
somente de temperatura.

Caso a transferência de calor provoque a mudança de estado físico da substância,


mantendo-se constante a temperatura, ele será denominado calor latente:

O calor trocado que altera o estado físico de uma substância, com a temperatura
permanecendo constante, recebe o nome de calor latente.

A essa altura é
conveniente esclarecer
Curva de aquecimento
que as temperaturas Em um gráfico de temperatura  em função da quantidade de calor Q absor-
de 0 ºC para a fusão
do gelo e 100 ºC para vida, podemos visualizar o fenômeno do aquecimento de uma substância, pas-
a ebulição da água sando do estado sólido até o gasoso.
só acontecem para a
água pura sob pressão
Este gráfico é a curva de aquecimento da substância.
atmosférica de 1 atm, Temperatura (θ) mudança fase
ou 101 325 Pa; para de fase gasosa
ponto de
aumentos expressivos ebulição
de pressão (∼102 atm) mudança
sobre o gelo, pode ponto de de fase mistura
haver fusão sem que fusão de fases
se chegue a 0 ºC. mistura fase líquida
Pode também haver de fases líquida
fase e gasosa
derretimento superficial sólida
sólida e líquida
pelo arranjo irregular
das moléculas de Calor (Q)
água na superfície,
uma anomalia que se quantidade quantidade de quantidade quantidade de quantidade
intensifica pelo contato de calor calor latente de calor calor latente de calor
com outra superfície. sensível de fusão sensível de ebulição sensível

$"1∂56-0t$"-03*.&53*" 43
Os patamares, que são os trechos do gráfico em que os segmentos são horizontais,
indicam que as temperaturas mantêm-se constantes. Isso significa que nelas ocorrem
as mudanças de fase. No primeiro patamar, onde está o ponto de fusão, a substância
passa do estado sólido para o líquido, θ (¡C) vapor
e no segundo temos o ponto de ebu-
lição, no qual acontece a passagem 100
água
do líquido para o gasoso. líquida
Por exemplo, no caso da água
0
pura, a 1 atm de pressão, veja, ao lado, lo Q5 Calor
ge Q1 Q2 Q3 Q4
o gráfico da curva de aquecimento. t0

FaÇa NO NÃO escreva


AtividAde PráticA caderNO NO livrO

Analisando a curva de aquecimento e a


equa•‹o fundamental da calorimetria

Já que estamos estudando os efeitos do calor e as propriedades dos materiais relativas ao calor,
vamos ver como os líquidos se comportam quando aquecidos. O que acontece com a temperatura
de um líquido durante o aquecimento? Sobe sem parar? Para alguma hora? Esperamos realizar
esta experiência para explorar ainda mais o comportamento do calor nas substâncias. Prepare-se.

Material
• água (ou outro líquido como vinagre)
• uma fonte de calor (fogareiro ou um aquecedor elétrico de resistência, uma

Luggui Photos
chapa para aquecimento)
• béquer (ou algum outro recipiente de vidro que possa ser aquecido)
• termômetro (com calibração superior a 100 ºC)
• luvas térmicas e garras para manusear os equipamentos
Procedimento
I. Com o líquido dentro do erlenmeyer, coloquem o termômetro lá dentro
e façam o registro da temperatura.
II. Mantendo o termômetro dentro do recipiente, com cuidado, liguem a fonte
de calor e comecem a marcar o tempo. A cada 0,5 minuto (30 segundos)
anotem a temperatura marcada até o líquido começar a ferver. Vocês perce-
berão que o registro da temperatura no termômetro irá subir.
III. Durante a ebulição do líquido, continuem anotando a temperatura por, pelo menos, um minuto. Depois
desliguem a fonte sem mexer na montagem, deixando-a esfriar naturalmente.
IV. Coloquem os dados na tabela e construam o gráfico da temperatura do líquido em função do tempo de
aquecimento do conjunto.

t (min) 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0 7,4 8,0
 (ºC)
O gráfico correspondente ao aquecimento da água é uma função afim, ou seja, da forma y = ax + b.
No nosso caso, y é a temperatura (), e x é o tempo de aquecimento (t); portanto, nossa função será:
 = at + b
O valor de b corresponde à temperatura inicial 0, ou seja, o valor da temperatura em t = 0.
V. Depois de preenchida a tabela, registrem qual foi a quantidade de líquido usada pelo grupo, a tempera-
tura inicial, a temperatura final e o tempo decorrido entre as duas temperaturas.

44 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Discussão
1. Os gráficos de todos os grupos são idênticos? Qual grandeza variou? Vocês veem alguma razão para isso?
2. Sabendo as variáveis de que a equação fundamental da calorimetria depende, o que pode representar
fisicamente o coeficiente a?
3. Por que a curva para de crescer em um determinado momento?
4. Comparando com os outros grupos, quando a massa aumenta é preciso dar mais ou menos calor para a
curva parar de crescer?
Ver Orientações Didáticas.

Quantidades de calor sensível Calor específico de


algumas substâncias
Sabemos que a quantidade de calor sensível Qs necessá-
Calor específico
ria para alterar a temperatura de um corpo ou de um flui- Substância
(cal/g · °C)
do depende da substância de que é constituído: para pro-
hidrogênio 3,4
mover a mesma variação de temperatura em objetos de
metal ou de pedra, de mesma massa, precisamos prover água 1,0
quantidades de calor distintas, e sabemos que o metal álcool 0,60
aquece com menos calor. Essas quantidades também de-
gelo 0,50
pendem da massa dos objetos (quanto maior a massa,
mais calor deve ser trocado para que se chegue à mesma vapor-d’água (0 ºC) 0,46
variação de temperatura) e da variação de temperatura madeira 0,42
que se deseja promover (quanto maior a variação de tem- benzeno 0,40
peratura, maior será o calor trocado).
nitrogênio 0,25
Então, podemos afirmar que a quantidade de calor sensí-
vel Qs que um corpo recebe de uma fonte ou cede para ar 0,24
outro(s) corpo(s) depende de 3 fatores: alumínio 0,22
• uma constante c característica da substância, conhecida oxigênio 0,22
como calor específico, que depende do seu estado de
vidro 0,16
agregação (veja ao lado tabela com o calor específico de
algumas substâncias). O calor específico expressa a quan- ferro 0,11
tidade de calor que deve ser trocado para que uma massa cobre 0,094
unitária da substância varie sua temperatura em uma uni- latão 0,092
dade;
prata 0,056
• a massa m da substância;
mercúrio 0,033
• a variação de temperatura Δθ.
ouro 0,032
Matematicamente, escrevemos: Qs = m ∙ c ∙ Δθ Fonte: Lide, David R. (editor-chefe).
CRC Handbook of Chemistry and
Physics. 90. ed. Flórida: CRC Press
Quando estamos trabalhando com objetos formados por vários materiais, não LLC, 2009.
há como determinar um único calor específico. Utilizamos nesses casos uma Esta tabela pode propiciar várias
reflexões. Chame a atenção, por
grandeza auxiliar chamada capacidade térmica C, que indica a quantidade de exemplo, para o fato de que os
calor que o objeto deve trocar para variar sua temperatura em 1 ºC; assim, calores específicos de metais
são igualmente baixos; que o
calor específico do ar é muito
Qs próximo aos do nitrogênio e do
C=
Δθ oxigênio, o que reforça o fato de
que a maior concentração de
gases no ar é exatamente dessas
ou, comparando com a expressão Qs = m ∙ c ∙ Δθ, também vale C = m ∙ c duas substâncias; e que os
valores para a água são atípicos
O que representa c nesta última expressão? Se o objeto de que estamos tratan- devido à geometria da molécula
de água e de suas interações
do fosse constituído de uma única substância, esse seria seu calor específico. intermoleculares.

$"1∂56-0t$"-03*.&53*" 45
cal J
A capacidade térmica é expressa em ou, no SI, em . A fim de preparar as
ºC K
equações de calor trocado por sistemas isolados em que deve haver a conservação
de energia, convencionaremos os sinais das quantidades de calor da seguinte
forma:
• positivo: Q . 0, quando o calor é recebido ou ganho;
• negativo: Q , 0, quando o calor é cedido ou perdido.
Os calores específicos das substâncias dão uma ideia de suas necessidades ener-
géticas para aquecimento. O calor específico da água no estado líquido é anormal-
mente grande para moléculas similares, o que nos alerta para as propriedades extra-
ordinárias dessa substância. Podemos dizer que mesmo as características dos
organismos vivos, tais como os conhecemos, seriam muito diferentes se não fos-
sem essas anomalias; como um exemplo, se o valor do calor específico da água
fosse comparável ao das moléculas similares por tamanho ou geometria (como o
H2S, CH4 ou ainda o CO2), provavelmente seria uma substância gasosa nas condições
ambientes, e sua participação no efeito estufa seria reduzida.

Quantidade de calor latente


Como sabemos, nas mudanças de estado físico a temperatura fica inalterada.
Então, naturalmente, verificamos que a quantidade de calor que é necessária para a
alteração de fase depende somente da massa e do tipo de substância que constitui
o corpo ou o fluido.
A quantidade de calor latente que um corpo ou um fluido recebe ou cede, nas
transições entre fases, depende de dois fatores:
• massa m da substância;
• uma constante de proporcionalidade L característica da substância, denomina-
da calor latente de mudança de fase; essa grandeza indica quanto calor é
necessário para que cada unidade de massa da substância sofra a mudança de
fase considerada; por exemplo, no caso da água, temos:
Lfusão = 80 cal/g
Lvaporização = 540 cal/g
A expressão matemática do calor latente é o produto:

Q, = m ∙ L
Luis Moura

processos endotérmicos (a substância recebe calor)

fusão vaporização
fase fase fase
sólida P.F. líquida P.E. gasosa
solidiçcação liquefação

sublimação

processos exotérmicos (a substância cede calor)

(P.F. e P.E. são, respectivamente, os pontos de fusão e de ebulição)

46 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Exercícios resolvidos
ER3. O diagrama temperatura por tempo (θ × t) da figura Q s = m ∙ c ∙ Δθ ) 1 000 = 100 ∙ c ∙ 40
a seguir refere-se ao que acontece quando uma barra de
∴ c = 0,25 cal
metal de 100 g de massa recebe calor de uma fonte de g · ºC
potência constante à razão de 200 cal/min.
θ (°C) ER4. Qual é a quantidade de calor necessária para fundir
50 100 g de gelo, inicialmente a −10 °C? O calor específico
cal
do gelo é igual a 0,5 e o calor latente de fusão
g · °C
do gelo é de 80 cal/g.
10
Resolução:
0 5 t (min)
Inicialmente, o gelo deve ser aquecido até 0 °C, tem-
Com base nessas informações, determine: peratura na qual é feita a fusão.
a) a quantidade de calor sensível recebida pela barra nos
Cálculo da quantidade de calor sensível:
5 minutos iniciais;
b) o calor específico do metal. Q s = m ∙ c ∙ Δθ = 100 ∙ 0,5 ∙ (0 – (–10))
∴ Q s = 500 cal
Resolução:
São dados: Cálculo da quantidade de calor latente:
m = 100 g Q , = m ∙ L = 100 ∙ 80 ) Q , = 8 000 cal
potência da fonte ou fluxo de calor:
A quantidade total de calor é:
φ = 200 cal/min
θ0 = 10 °C e θf = 50 °C, nos 5 minutos iniciais. Q total = Q s + Q , = 500 + 8 000 ) Q total = 8 500 cal
Q
a) O fluxo de calor é: φ = s ; logo:
Δt
Q s = φ ∙ Δt = 200 ∙ 5 ) Q s = 1 000 cal ou 1 kcal fusão
0 °C
b) A variação de temperatura é:
Δθ = θf – θ0 = 50 – 10 ) Δθ = 40 °C; para determi- aquecimento do gelo
nar o calor específico, utilizamos a expressão da –10 °C
quantidade de calor sensível:

Troca de calor entre corpos e sua lei geral


Marcos Aurélio Neves Gomes

Vamos partir de uma situação cotidiana simples: o que acontece quando coloca-
mos cubinhos de gelo dentro de um suco que esteja em um copo à temperatura
Quanto mais ambiente, de 25 °C, sob pressão de 1 atm? Com o passar do tempo, eles se derretem,
alta for a não é mesmo?
temperatura
do suco, mais Como a temperatura do gelo é de 0 °C ou menos, é possível supor que, à medida
rapidamente que o tempo decorre, ele será derretido totalmente e o suco terá sua temperatura
derreterão os
reduzida. De fato, o suco (que está mais quente) fornece energia térmica ao gelo (que
cubos de gelo.
está mais frio). Assim, a quantidade de calor perdida pelo suco (Qcedida , 0) é, em
módulo, exatamente a mesma quantidade de calor recebida pelo gelo (Qrecebida . 0).
Aplicando a convenção de sinais (Qcedida , 0, Qrecebida . 0), a expressão
Qcedida + Qrecebida = 0
nada mais faz do que atestar a conservação de energia desse sistema, supondo que
só haja trocas de calor entre ambas as substâncias.
Generalizando, podemos afirmar que existe uma lei geral das trocas de calor que diz:

A soma algébrica das quantidades de calor trocadas entre n corpos em um sistema


termicamente isolado é nula:
Q1 + Q2 + Q3 + ... + Qn = 0

$"1∂56-0t$"-03*.&53*" 47
De acordo com a situação analisada, as parcelas dessa soma tanto podem termômetro
ser quantidades de calor sensível como de calor latente. tampão agitador

Em dias frios, quando colocamos uma bebida ou uma sopa quente em um


recipiente, constatamos que a temperatura dela acaba baixando um pouco. Isso recipiente
acontece porque uma parte de sua energia térmica é transferida para o reci- externo

piente, que se aquece até igualar-se com a temperatura do seu “conteúdo”.


Portanto, existe uma parcela de quantidade de calor sensível que deve recipiente
interno
ser computada nas trocas de calor envolvendo recipientes e líquidos. Nesses
casos, usamos a capacidade térmica C do recipiente, cujo significado, como isolantes
sabemos, é a quantidade de calor necessária para fazer variar sua tempera-
tura em 1 °C.
Por exemplo, se uma xícara apresentar uma capacidade térmica cujo valor Partes do calorímetro.

Ilustrações: Luis Moura


é Cxícara = 50 cal/°C, então para cada grau Celsius de aquecimento ou resfria-
mento há um ganho ou perda de 50 cal para ela. Assim, a quantidade Qs de termômetro
calor sensível trocada por essa xícara será calculada pela expressão Qs = C ∙ Δθ.
Muitas vezes, medimos as quantidades de calor trocadas entre dois ou mais tampa
corpos e fluidos, no interior de um recipiente, e consideramos o conteúdo como
um sistema termicamente isolado do ambiente externo. Tais recipientes rece-
bem o nome de calorímetros.
Assim, em um calorímetro ideal, suas paredes e a tampa são adiabáticas, ou
interior da
seja, não trocam calor com o sistema isolado em seu interior ou com a vizinhan- garrafa
ça externa.
Observe que, para que a capacidade térmica do calorímetro possa ser des-
prezada, ela evidentemente deverá ter um valor baixo, relativamente às demais
A garrafa térmica é um
capacidades envolvidas. Comente que calorímetros ideais são uma abstração. Para
processos de curta duração, pode-se considerar a garrafa calorímetro não ideal.
térmica como calorímetro ideal.

Exercício resolvido
ER5. Um jovem pai coloca 200 L de água em uma pisci- então, mquente = 5 kg = 5 000 g e θmaior = 100 °C
na infantil no quintal de sua casa e verifica que a tempe- O equilíbrio térmico se realiza quando as temperaturas
ratura é de 20 °C. Decide, então, esquentar 5 L de água das águas se igualam, encerrada a troca de calor entre
até 100 °C e misturá-los com a água da piscina. elas. Vamos aplicar a lei geral das trocas de calor, des-
Sua intenção, naturalmente, é que seus filhos possam se prezando as trocas com o ambiente e visualizando em
divertir em uma água
Fernando Favoretto/Criar Imagem

um esquema o que acontece com as temperaturas:


um pouco mais quente.
Será que o objetivo des-
se pai foi satisfeito a 100 °C
contento? Qual terá sido Q1 quantidade de calor cedida
a temperatura de equi- pela água quente
θfinal equilíbrio
líbrio da mistura final de quantidade de calor térmico
Q2
água na piscina? recebida pela água fria
20 °C

Resolução:
Lembrando que cada litro de água pesa 1 kg e que o Qs +Qs =0
1 2
mquente ∙ c ∙ Δθquente + mfria ∙ c ∙ Δθfria = 0
calor específico da água é igual a 1 cal , temos os
g · ºC 5 000 ∙ 1 ∙ (θfinal – 100) + 200 000 ∙ 1 ∙ (θfinal – 20) = 0
seguintes dados:
5 000 ∙ θfinal – 500 000 + 200 000 ∙ θfinal – 4 000 000 = 0
200 L de água, a 20 °C
então, mfria = 200 kg = 200 000 g e θmenor = 20 °C 205 000 ∙ θfinal = 4 500 000
5 L de água, a 100 °C  θfinal > 21,95 °C
Este problema é bastante interessante para se levar a discussão adiante.
Discuta com a classe se o procedimento foi válido, perguntando se um aumento de 1,95 ºC é
significativo. Pergunte: qual temperatura seria a ideal? De acordo com a resposta, acrescente:
48 6/*%"%&t5&3.0-0(*" então, quanta água seria necessário ferver para se chegar a essa temperatura ideal?
Banho de ofurô

Thinkstock/Getty Images
A propósito, você sabe qual é a temperatura da
água em banhos de imersão realizados em ofurôs?
Dependendo do efeito que se deseja, pode-se tomar
um bom banho de imersão em ofurôs que vão de 10 ºC
a 40 ºC. As temperaturas mais baixas estimulam o me-
tabolismo, enquanto as mais altas exercem efeito rela-
xante. Uma boa referência para se buscar uma resposta
é a temperatura média do organismo humano, em tor-
no de 36,5 °C.
Deve-se entrar na água de um ofurô aos poucos,
parte por parte do corpo. É preciso deixar cada parte
do corpo ir se acostumando com a temperatura. Banho de imersão estilo ofurô.

Exercício resolvido

ER6. Em um experimento, usa-se um calorímetro de Q1+Q2+Q3+Q4=0)


capacidade térmica igual a 100 cal/°C, contendo 500 g ) mágua ∙ c ∙ Δθágua + C ∙ Δθcalorímetro +
de água a 20 °C. Um pedaço de gelo em fusão é colo- + mgelo ∙ Lfusão + mgelo fundido ∙ c ∙ Δθfria = 0 )
cado no calorímetro, obtendo-se o equilíbrio térmico a ) 500 ∙ 1 ∙ (5 – 20) + 100 ∙ (5 – 20) + mgelo ∙ 80 +
5 °C. Então, qual era a massa desse gelo? + mgelo fundido ∙ 1 ∙ (5 – 0) = 0 )
O calor latente de fusão do gelo é 80 cal/g e o calor ) –7 500 – 1 500 + 80 ∙ mgelo + 5 ∙ mgelo fundido = 0
cal Como mgelo fundido = mgelo, temos:
específico da água é igual a 1 .
g · °C 85 ∙ mgelo = 9 000
Resolução: mgelo > 105,9 g
São dados:
C = 100 cal/°C Portanto, a massa do gelo, inicialmente a 0 °C, era de
mágua = 500 g e tágua = 20 °C quase 106 g.
Se o gelo colocado no calorímetro estivesse a menos
θgelo = 0 °C, pois está em estado de fusão
de 0 ºC, teríamos que acrescentar mais uma parcela de
θfinal = 5 °C
quantidade de calor sensível Q 5, pois ele teria que,
Nessa situação, existem quatro parcelas de quantidades primeiramente, elevar sua temperatura até 0 °C, antes
de calor, como podemos ver no esquema: de começar a fundir.

Q1 quantidade de calor sensível Q2 quantidade de calor sensível


20 °C cedida pela água cedida pelo calorímetro

5 °C equilíbrio
térmico
Q4 quantidade de calor sensível
0 °C recebida pela água fria
Q3 quantidade de calor latente
(cuja origem é o gelo fundido)
recebida pelo gelo em fusão

$"1∂56-0t$"-03*.&53*" 49
FaÇa NO NÃO escreva
AtividAde PráticA caderNO NO livrO

Examinando o banho-maria

O banho-maria, uma das operações de laboratório mais antigas de que se tem notícia, é um
processo que ainda hoje usamos muito frequentemente, também na cozinha e na indústria.
O banho-maria consiste no aquecimento lento e uniforme de um material, colocado em um recipiente
cheio de água que vai se aquecendo ou mesmo chega à fervura; consegue-se dessa forma que o material
se aqueça sem que seu recipiente entre em contato direto com a fonte de calor — o que pode ser perigoso
nos casos em que esse material é altamente inflamável.
O processo tem seu nome derivado de uma alquimista que viveu entre os séculos I e III d.C e era
chamada de Maria, a Profetisa. Segundo um manuscrito encontrado em Veneza, ela desenvolveu apa-
relhos onde eram aquecidos o mercúrio, o enxofre ou o cobre, em banhos de água, areia ou mesmo
cinzas, para efetuar sua destilação.
Hoje, usamos o banho-maria para fazer pudins e licores, ou mesmo aquecer um cafezinho. Deixando o
bule de café dentro de uma panela maior onde haja água fervendo, podemos contar com um café quente
sem que ele ferva.
Mas por que será que ele não ferve?

Material
• béquer de material refratário (que pode ir ao fogo)
• um tubo de ensaio
• um termômetro que meça pelo menos 100 ºC
• um pregador de madeira grande
• água
• uma tela de amianto pouco maior que a área do fundo do béquer
• um fogão

Procedimento

Luis Moura
I. Coloquem água no béquer. Prendam o tubo de ensaio com o pregador, apoiando-o na
borda do béquer. Certifiquem-se de que o tubo de ensaio não encoste no fundo do re-
cipiente.
II. Agora, encham o tubo de ensaio com água até um nível inferior ao da água dentro
do béquer.
III. Coloquem a tela de amianto sobre o queimador do fogão e o conjunto sobre ela, cuidadosamente. Acendam
o fogo e aguarde que a água do béquer entre em ebulição. Todo cuidado é pouco, daqui para a frente.
IV. Quando a água do béquer entrar em ebulição, meçam a temperatura da água dentro do tubo de ensaio.
Repitam a medida a intervalos regulares, até que ela pare de subir. Anotem esse valor e meçam, finalmente,
a temperatura da água do banho-maria.

Discussão
1.
Qual é a temperatura da água dentro do tubo de ensaio?
2.
Qual é a temperatura da água do banho-maria?
3.
A água do banho-maria estava fervendo?
4.
E a água do tubo de ensaio também estava fervendo?
5.
Vocês esperavam que a água do tubo estivesse fervendo? Por quê?
6.
Podemos dizer que há equilíbrio térmico entre as duas massas de água? Por quê?
7.
Há fluxo de calor entre as massas de água? Por quê?
8.
Façam um diagrama de temperatura em função do tempo e outro de temperatura em função do calor forne-
cido para a água do tubo de ensaio. Apenas o primeiro diagrama deve apresentar patamar; o segundo, não.
Vocês sabem o motivo?
9. Qual deve ser a condição para que uma amostra de água em banho-maria entre em ebulição?
10. Finalmente, respondam: por que motivo o café não ferve quando o deixamos em banho-maria?
Ver Orientações Didáticas.

50 UNIDADE 1 • TERMOLOGIA
FaÇa NO NÃO escreva
OutrAs PAlAvrAs caderNO NO livrO

Furacões
Você já parou para pensar na quantidade de Ciclones tropicais: definição
energia em jogo nos biomas terrestres envolvidos Trata-se de tempestades que se originam em la-
com o ciclo da água? Vejamos: sabemos que para
titudes tropicais; incluem depressões, tempestades
fundir e vaporizar 1 g de água são necessárias, res-
pectivamente, 80 e 540 cal, sem falar na quantidade tropicais, furacões, tufões e ciclones. Esses vários
de calor indispensável para fazer variar sua tempera- tipos de tempestades são similares; sua principal
tura. São quantidades muito grandes para uma mo- diferença é ONDE se formam. FURACÕES (em in-
lécula tão pequena, mas é exatamente essa “anoma- glês hurricane) são ciclones tropicais que ocorrem
lia” que faz a vida na Terra ser do modo que é. no Oceano Atlântico e a leste do Oceano Pacífico
Para a água “poder girar” por todos os ambientes ter- Central. CICLONE é o termo mais específico que é
restres, ela troca energia com eles. Veja só a quantida- frequentemente utilizado para descrever ciclones
de de água que passa pelos oceanos, anualmente: tropicais que se formam no Oceano Índico e próxi-
mos da Austrália. [...]
Balanço oceânico global de massa

NASA/NOAA GOES Project


Volume anual
Processo
(× 103 km3/ano)

evaporação 440

precipitação 411

descarga por rios 29 Imagem de satélite Goes-West que mostra quatro ciclones
tropicais no Oceano Pacífico em setembro de 2015.
Fonte: O balan•o global de calor. Disponível em:
<www.es.flinders.edu.au/nmattom/IntroOc/por/lecture04. O desenvolvimento de um ciclone tropical ocor-
html>. Acesso em: 22 out. 2015. rerá apenas quando condições muito específicas
existirem. Um furacão origina-se como um distúrbio
Esses dados constituem um balanço porque a
tropical com ventos relativamente fracos, uma fraca
quantidade de água que ”entra” por precipitação, so-
área de pressão baixa, nebulosidade extensa e algu-
mada à descarga de rios, é igual à quantidade de água
que ”sai” por evaporação. Pense agora nas quantida- ma precipitação. Muitos destes distúrbios existem
des de energia necessárias para elevar toda essa água em qualquer dado tempo nos trópicos, mas muito
e fazê-la condensar-se: quantidades enormes são tro- poucos evoluem para furacões, uma vez que as con-
cadas com a atmosfera. dições requeridas para tal são muito específicas [...].
É natural, então, imaginar que acúmulos eventuais A principal fonte de energia é um ar quente e úmido
de energia sobre os oceanos podem causar algum dis- sobre o oceano; portanto, requer oceanos com tem-
túrbio atmosférico, e é exatamente o que acontece: peraturas quentes para se desenvolver. O ar sobre o
são essas quantidades enormes de energia que geram oceano precisa também estar muito quente e úmido.
os furacões. Conforme o ar sobe através da tempestade, o vapor
Um furacão tem uma quantidade incalculável de se condensa em água líquida. Cada gota de água que
energia. Algo como em média cinco vezes o total de
se condensa libera uma certa quantidade de energia,
energia utilizada pela humanidade em um ano inteiro.
conhecida como calor latente, o qual é o principal
Leia agora um texto do Grupo de Estudos em Mul-
combustível de um furacão. Se uma tempestade em
tiescalas, um laboratório do Instituto de Astronomia e
Astrofísica da USP, sobre as condições de formação desenvolvimento encontra águas mais frias ou terra,
desses fenômenos climáticos: esta fonte de energia é perdida e a tempestade irá
enfraquecer. Para um furacão se formar, os ventos
Os satélites meteorológicos fornecem uma gran- em todas as altitudes precisam estar na mesma di-
de quantidade de material de valor único para quem reção. O cisalhamento do vento refere-se à condição
precisa de informações sobre a intensidade, posição na qual a direção do vento e a velocidade mudam
e movimentos dos ciclones tropicais. Essas informa- dentro dos 15 km inferiores da atmosfera. Quando o
ções são utilizadas para previsão e análise e forne- cisalhamento do vento está presente, a tempestade
cem avisos importantes sobre ciclones tropicais em frequentemente não consegue se formar como um
volta do mundo. sistema organizado. Ocasionalmente, quando todas

$"1∂56-0t$"-03*.&53*" 51
as condições requeridas estão presentes, um distúr- ter uma rotação pronunciada em torno do centro da
bio tropical se desenvolve em uma depressão tropi- baixa pressão e velocidades dos ventos de pelo me-
cal, um sistema fechado de baixa pressão. Conforme nos 120 km/h. Uma vez que a tempestade se trans-
a pressão cai, os ventos em torno da baixa pressão forma em um furacão, pode durar por vários dias;
aumentam, mas permanecem menores que 60 km/h. contudo, conforme fica mais velha, encontra terra
Para uma depressão atingir um estágio de tempesta- ou águas oceânicas frias e perde sua fonte de ener-
de tropical, uma rotação distinta precisa existir em gia, e começa a enfraquecer. Pode então retornar ao
torno da área central da baixa pressão e os ventos grau de depressão tropical e, eventualmente, morrer,
precisam atingir velocidades entre 60 e 120 km/h. tornando-se uma área de fortes chuvas.
Grupo de Estudos em Multiescalas. Disponível em:
Nesse ponto, uma tempestade tropical recebe um <www.icess.ucsb.edu/gem/furacoes.htm>.
nome. Para atingir um estágio de furacão precisa Acesso em: 22 out. 2015.

Organizando as ideias do texto


1. Lembrando que a quantidade de calor latente de vaporização da água é de 540 cal/g, determine a quantidade de
calor que é deixada na atmosfera anualmente por efeito da precipitação sobre os oceanos. Compare o valor ob-
tido com a quantidade de energia gerada pela hidrelétrica de Itaipu em 2013, recorde histórico de 9,9 ∙ 1010 kWh.
Use 1 cal 5 1,2 ∙ 10–6 kWh.

Ilustrações: Rafael Herrera

Entenda como se forma um furacão. Portal G1. Disponível em:


<http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL92570-5603,00.html>. Acesso em: 22 out. 2015.
Professor, veja Orientações Didáticas.

Para saber mais

Site
Tornados
Disponível em: <www.cientec.usp.br/animacoes/tornados/index.html>. Acesso em: 22 out. 2015.
Este site explora, com variados recursos, fenômenos atmosféricos, como tempestades e tornados. Você vai saber
as condições e os locais em que ocorrem. Há informações sobre a nossa atmosfera, simulações e sugestões de
experimentos.

52 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
EP6. Os átomos de ambos os materiais estão igualmente
Exerc’cios propostos distribuídos na estrutura cristalina, mas a massa do
ouro é maior para uma mesma unidade de volume, sendo
FaÇa NO
caderNO
NÃO escreva
NO livrO

consequentemente mais denso que o alumínio. Esse fato está relacionado com a condutividade, pois átomos mais pesados
vibrando em estruturas análogas transferem maior quantidade de energia para a vizinhança.
EP1. A tabela 1, que você vê logo abaixo, fornece alguns EP6. Observe algumas propriedades do alumínio e do
dados nutricionais comparativos entre um isotônico in- ouro:
dustrializado e a água de coco, considerada um isotôni-
Estrutura Raio médio Número
co natural, porque fornece nutrientes e eletrólitos na Metal
cristalina (10-12 m) atômico
mesma proporção existente no organismo humano.
Cúbica de
Tabela 1 – Informações nutricionais Al 125 13
face centrada
em cada 100 mL de bebida
Cúbica de
Au 135 79
Valor energético face centrada
(devido aos Potássio Sódio
Bebida Explique, com base no modelo de estados físicos, se
carboidratos) (mg) (mg)
(kcal) há relação entre densidade e condutividade para es-
ses metais.
Isotônico

TPG
102 10 45
industrializado
Água de coco 68 200 60
A tabela 2 mostra o gasto energético por minuto de
algumas atividades.
Tabela 2 – Energia consumida (kcal/min)
Repousar 1,1 EP7. As paredes duplas e espelhadas do interior de uma
garrafa térmica exercem que função para manter a
Atividade Caminhar 3,7
temperatura interna constante durante certo tempo? O
Nadar 10,0 que aconteceria se essa garrafa fosse espelhada só na
Fonte: UFRJ face externa? O espelho dificulta a irradiação; se fosse
espelhada apenas na face externa não manteria bebidas frias.
a) Uma função importante das bebidas isotônicas é a EP8. Os raios infravermelhos ficam retidos dentro de
reposição de potássio após a realização de atividades uma estufa de plantas porque:
físicas de longa duração; a quantidade de água de a) eles não se propagam mais pelo ar quente;
um coco verde (300 mL) repõe o potássio perdido b) a convecção evita que eles sejam irradiados;
em duas horas de corrida. Quanta energia é obtida, c) o vidro dificulta a sua passagem, impedindo que
em contrapartida? 204 kcal saia da estufa; X
b) Calcule o volume, em mililitros, de água de coco d) ocorre inversão térmica dentro da estufa;
necessário para repor a energia gasta após 17 minu- e) não existe vácuo no interior da estufa.
tos de nado. EP9. Uma pequena estufa de plantas tem a tempera-
250 mL
EP2. Usando a relação já conhecida entre as tempera- tura interna de 30 °C, enquanto a externa é de
turas na escala Celsius e Fahrenheit, prove que uma va- 10 °C. As paredes de vidro têm a condutibilidade
riação de 1 ºF corresponde à variação de 0,556 ºC. cal
térmica de 0,0015 , tendo 0,3 cm de espes-
Depois, use a definição de BTU para mostrar que 1 BTU s · cm · °C
corresponde a 252 calorias, aproximadamente. sura e 10 000 cm2 de área. Assim, calcule:
5 a) o fluxo de calor através das paredes; 1 000 cal/s
ΔθC = 9 > 0,556 °C; 1 BTU = 454 ⋅ 0,556 > 252 cal
EP3. Por que motivo, quando você coloca sua mão b) a quantidade de calor perdida pela estufa em 1 minuto.
dentro de um forno quente por pouco tempo, não so- 60 000 cal = 60 kcal
EP10. Ao projetar a sala de um laboratório de pesqui-
fre queimaduras, ao contrário do que se tocasse na pa-
rede interna de metal? Porque o ar é isolante térmico, mas o sas com materiais orgânicos, um engenheiro não con-
metal é bom condutor de calor. seguiu encontrar um que tivesse certo coeficiente k de
EP4. Por que motivo as condutividades térmicas do ci- condutibilidade térmica para que a espessura da pare-
mento e do cimento em pó são tão diferentes?
O ar contido entre as partículas de cimento em pó diminui de pudesse ter a medida x. Como alternativa, ele en-
drasticamente a sua condutividade.
EP5. Por que o efeito estufa é importante para a manu- controu um material cujo coeficiente era 10% supe-
tenção da vida tal qual a conhecemos na Terra? rior ao requerido inicialmente. Dessa forma, a parede
Porque ele ajuda a manter a temperatura na superfície da Terra
numa faixa adequada à vida.
$"1∂56-0t$"-03*.&53*" 53
EP13. O maior calor específico da água exige que uma maior quantidade de calor seja absorvida por ela para que tenha a mesma variação
de temperatura do etanol. Para isso, gasta-se mais tempo.
construída com esse material alternativo ficou com a guro, uma vez que este parece estar frio. Por que isso
espessura igual a: acontece?
a) x c) 1,1x X e) 2x EP15. Um bloco de cobre, de massa 0,1 kg, é aquecido
b) 0,1x d) 0,9x de 5 °C para 65 °C. Dado o seu calor específico igual a
cal
EP11. Duplicando-se a temperatura na escala Kelvin de 0,094 , calcule:
g · °C 564 cal
um corpo negro, aumenta-se o seu poder emissor de
a) a quantidade de calor sensível que o bloco recebe;
energia radiante. Calcule o fator de aumento da emis-
b) a capacidade térmica desse bloco; 9,4 cal/°C
são de energia. 16
c) o equivalente em água do bloco. 9,4 g
EP12. Em cada um dos recipientes abaixo há um litro de
EP16. O fluxo de calor refere-se a certa quantidade
água pura a uma temperatura inicial de 80 ºC. Nesses
de calor que flui de um corpo para outro (ou da fonte
recipientes (1 e 2), adicionamos respectivamente dois
para o receptor), por unidade de tempo. Se uma fon-
bloquinhos A e B, de materiais diferentes e de mesma
te térmica fornecer energia, sob um regime constan-
massa, 250 g, ambos à temperatura inicial de 20 ºC.
te, igual a 500 cal/s, então poderá aquecer 1,5 kg de
Depois que se estabeleceu o equilíbrio térmico, nota- água, de 20 °C a 21 °C, em quanto tempo?
mos que no recipiente 1 (onde está o bloquinho do
cal
material A), a temperatura final de equilíbrio foi de É dado o calor específico da água: cágua = 1 . Des-
g · °C
60 ºC, enquanto no recipiente 2 (onde está o bloqui- preze as eventuais perdas de calor. 3s
nho do material B), a temperatura final de equilíbrio
EP17. O diagrama a seguir refere-se ao fenômeno que
foi de 40 ºC. Então responda:
ocorre com uma porção líquida de 50 g de massa. Ela
a) 20 000 cal 1 2 b) 40 000 cal
(a água (a água cede energia térmica à razão de 150 cal/min.
Conceitograf

perde perde
20 000 cal 40 000 cal t (°C)
e o bloco e o bloco
A ganha A B B ganha 40
20 000 cal). 40 000 cal).
20
a) Qual foi a quantidade de calor trocada entre o blo-
quinho A e a água? Considere que não há trocas de
calor com o ambiente. 0 2 Tempo (min)
b) Qual foi a quantidade de calor trocada entre o blo-
quinho B e a água? Considere que não há trocas de Com base nessas informações, obtenha:
calor com o ambiente. a) a quantidade de calor sensível cedida pela porção
c) Qual dos dois materiais, A ou B, tem o maior calor considerada, nos 2 minutos iniciais; 300 cal
c . c , porque
específico? Justifique sua resposta. θfB . θAf . b) o calor específico do líquido. 0,3 cal/g  °C
A B
d) É possível responder à questão c sem usar os resul-
tados de a e b. De que modo? EP18. Um fogão a gás tem um queimador que forne-
Professor, veja comentário nas Orientações Didáticas. ce uma quantidade de calor sensível em fluxo cons-
EP13. Por que a água demora mais a esquentar (atin- tante de 10 kcal/min. Em quanto tempo é aquecido o
gindo 50 °C, por exemplo) do que o etanol, a partir da volume de 0,2 L, de 10 °C a 80 °C, se há uma perda
temperatura ambiente? Considere o mesmo volume e a de 30% de calor para o ambiente? Pesquise os dados
mesma fonte de calor para ambos. que forem necessários. 2 min
EP14. Coloque uma
Sérgio Dotta Jr./The Next

EP19. Uma quantidade de 5,4 kcal de calor faz derre-


pizza brotinho ou ter 180 g de um corpo sólido constituído por deter-
um sanduíche de minada substância em ponto de fusão. Qual é o calor
queijo para esquen-
latente de fusão dessa substância, em cal/g? 30 cal/g
tar no forno elétrico,
sobre uma folha de EP20. Que quantidade de calor é necessária para fundir
papel-alumínio, até 70 g de gelo, inicialmente a –20 °C? O calor específico
que o queijo derreta; você sabe que, a essa altura, o forno cal
do gelo é igual a 0,5 e o calor latente de fusão do
está bem quente e, ao tirar o lanche, pode queimar-se. g · °C
Porém, puxar o lanche pelo papel-alumínio é mais se- gelo é de 80 cal/g. 6 300 cal
EP14. Como a folha de papel-alumínio é fina e seu calor específico é baixo, apenas
uma pequena quantidade de calor passa para nossa mão quando a tocamos.
54 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
EP21. O diagrama mostra a variação da temperatura b) a formação de geleiras com água dos oceanos, nos
em função do tempo de um sistema constituído por polos, contrabalança as águas dos rios que deságuam
uma porção de água de 150 g de massa, inicialmente a no mar.
cal c) as águas dos rios provocam as marés, que as transfe-
40 °C. O calor específico da água é igual a 1 eo
g · °C rem para outras regiões mais rasas, durante a vazante.
calor latente de vaporização é de 540 cal/g. d) o volume de água dos rios é insignificante para os
t (°C) oceanos e a água doce diminui de volume ao receber
sal marinho.
e) as águas dos rios afundam no mar devido a sua maior
100
densidade, onde são comprimidas pela enorme pres-
são resultante da coluna de água.
40
EP24. (Unesp-SP) A energia contida nos alimentos
0 3 6 Tempo (min)
Para determinar o valor energético de um alimento,
a) Quantas calorias a água recebe entre os instantes podemos queimar certa quantidade desse produto e,
3 minutos e 6 minutos? 81 000 cal = 81 kcal com o calor liberado, aquecer determinada massa de
b) Identifique o estado físico do sistema logo após água. Em seguida, mede-se a variação de temperatu-
6 minutos. estado gasoso ra sofrida pela água depois que todo o produto foi
c) Qual deve ser a potência média da fonte de calor, queimado, e determina-se a quantidade de energia
desprezando-se as perdas para o ambiente, nos pri- liberada na queima do alimento. Essa é a energia que
meiros 3 minutos de aquecimento, em cal/s? tal alimento nos fornece se for ingerido.
50 cal/s
No rótulo de um pacote de castanha de caju, está
EP22. Nos estudos de Química, você encontra a se-
impressa a tabela a seguir, com informações nutricio-
guinte classificação de um tipo de propriedade que é
nais sobre o produto.
relacionada à quantidade ou extensão de um material:
• propriedade intensiva: é a propriedade que não de- Informação Nutricional (Porção 15 g)
pende da quantidade do material em estudo; por
Quantidade por porção
exemplo: temperatura, cor, massa específica;
• propriedade extensiva: é a propriedade que depende da Valor energético 90 kcal
quantidade do material; exemplos: massa, área, volume. Carboidratos 4,2 g
MedicalPicture/Diomedia

Proteínas 3g
Gorduras totais 7,3 g
Gorduras saturadas 1,5 g
Gordura trans 0g
Fibra alimentar 1g
A cor é uma
propriedade Sódio 45 g
intensiva, pois
independe da
extensão do Considere que 150 g de castanha tenham sido quei-
material. mados e que determinada massa m de água, submeti-
Então, a quantidade de energia térmica que um corpo da à chama dessa combustão, tenha sido aquecida de
possui pode ser classificada como uma propriedade in- 15 °C para 87 °C.
tensiva ou extensiva? Por quê?
Extensiva, pois a quantidade total de energia térmica de um corpo Sabendo que o calor específico da água líquida é igual
depende da quantidade do material que o compõe.
EP23. (Enem-MEC) Por que o nível dos mares não sobe, a 1 cal/(g ∙ °C) e que apenas 60% da energia liberada
mesmo recebendo continuamente as águas dos rios? na combustão tenha efetivamente sido utilizada para
Essa questão já foi formulada por sábios da Grécia anti- aquecer a água, é correto afirmar que a massa m, em
ga. Hoje responderíamos que: gramas, de água aquecida era igual a
a) a evaporação da água dos oceanos e o deslocamen- a) 10 000 d) 7 500 X
to do vapor e das nuvens compensam as águas dos b) 5 000 e) 2 500
rios que deságuam no mar. X c) 12 500

$"1∂56-0t$"-03*.&53*" 55
4
CAPêTULO

Mudan•as de estado
Em todo o capítulo vamos justificar o comportamento da matéria com base no modelo de partículas.
É sempre bom retomar as ideias gerais desse modelo com os estudantes.
A estrutura cristalina é a conformação que resulta da ordenação repetida de átomos e moléculas de
uma substância. Alguns materiais apresentam essa estrutura muito bem definida (como o gelo, por
exemplo), enquanto outros sólidos não: a estrutura microscópica do vidro é amorfa. Dependendo
do grau de interações entre os módulos de repetição, a substância apresentará propriedades
macroscópicas distintas; os átomos de carbono no grafite se organizam em grandes planos paralelos,
e no diamante a organização é tridimensional. Isso faz com que a dureza do diamante seja muito
maior que a do grafite.
Em geral, as substâncias apresentam-se em três aspectos ou fases, também cha-

Kenneth Libbrecht/Getty Images


mados de estados físicos da matéria: sólido, líquido e gasoso.
A matéria é constituída por partículas muito pequenas (átomos, íons ou mo-
léculas). O estado físico é uma condição macroscópica e depende da temperatu-
ra e do estado de agregação dessas partículas. Além disso, ele determina carac-
terísticas como a densidade e a forma de apresentação da substância.
O grau de agregação é devido a fatores intrínsecos à matéria, como a geometria
Fotografia ampliada de um floco
das partículas e as forças de coesão entre elas, e extrínsecos, como a temperatura e de neve.
a pressão a que é submetida.

Luiz Fernando Rubio


• Fase sólida: as partículas da substância estão muito próximas umas das outras e
agrupadas de forma coesa. Corpos no estado sólido apresentam volume fixo,
forma própria e não sofrem compressão. Cada partícula constituinte executa
pequenos movimentos oscilatórios em torno de uma posição fixa.
• Fase líquida: as partículas da substância estão um pouco mais afastadas do
que na fase sólida, pois as forças de coesão já não são tão acentuadas. Líqui-
dos possuem volume constante e adquirem a forma do recipiente que os Estrutura cristalina do gelo.
contém por não apresentarem estrutura cristalina, além de escoarem com Apesar do seu aspecto frágil,
facilidade; são praticamente incompressíveis e, em repouso, apresentam al- os flocos de neve apresentam
uma estrutura cristalina muito
guma tensão superficial (as forças de coesão fazem com que as partículas do bem definida. Observe a
líquido situadas nas proximidades da superfície livre experimentem uma força posição relativa das moléculas
de água no cristal.
resultante dirigida para o interior do líquido).
• Fase gasosa: as partículas da substância estão completamente separadas

Luiz Fernando Rubio


umas das outras e situadas, relativamente, a grandes distâncias. O volume do
gás é variável, ocupando todo o espaço do recipiente que o contém, adqui-
rindo sua forma, e sofre, facilmente, tanto compressão como expansão. As
partículas estão livres e em constante movimento aleatório.
No estado líquido, as moléculas de água estão sujeitas a forças de coesão intermoleculares de menor
intensidade do que na condição sólida, ficando, portanto, ligeiramente mais afastadas.
Nasa
TPG

conservam-se
as ligações
covalentes

1444442444443 1444442444443
forças intermoleculares moléculas isoladas A massa total média da atmosfera terrestre é da ordem de
de coesão 1018 kg; desse total, 1015 kg são de água em estado de vapor.
(Dados do National Center for Atmospheric Research.)
Note como as forças de coesão entre as moléculas de água, presentes no Fotografado pela tripulação da Expedição 28 a bordo da
estado líquido, não estão presentes no estado gasoso. International Space Station, em julho de 2015.

56 Unidade 1 • TeRmologia
CRT é a sigla em inglês para tubo de raios catódicos.

Luis Moura
Placa de vidro dianteira

O quarto estado da A ideia básica


Camada
da tela de plasma isolante
matŽria é fazer brilhar pe- Apoio
O plasma, que é um gás ionizado, é quenas e coloridas Camada
luzes fluorescentes MgO
o estado da matéria em 99,9% do Uni-
para formar a ima-
verso observável, tanto nas estrelas gem. Cada pixel é Pixel
quanto no espaço

Nasa Images
feito de três luzes
interestelar. fluorescentes: uma Fósforos
vermelha, uma ver-
Eletrodo local
O hidrogênio do de e uma azul. Da
Placa de
Sol, seu principal mesma forma que a Camada protetora local vidro traseira
componente, está sob televisão com CRT,
a forma de plasma. a tela de plasma varia a intensidade das diferentes luzes para produ-
zir toda a gama de cores.
O plasma consiste numa coleção Para ionizar o gás de uma célula em particular, o computador
de elétrons livres e íons (átomos que de uma tela de plasma carrega os eletrodos que se cruzam nessa
perderam elétrons), movendo-se em célula. Isso é feito centenas de vezes em uma pequena fração de
altas temperaturas e baixas densida- segundo, carregando uma célula de cada vez.
Quando os eletrodos que se cruzam são carregados com vol-
des. Para manter os átomos ioniza-
tagem diferente entre eles, uma corrente elétrica percorre o gás
dos, é necessária uma fonte de ener- nas células. A corrente cria um fluxo rápido de partículas carre-
gia. A energia usada pode ser de gadas, que estimula os átomos de gás para liberarem irradiação
vários tipos: térmica (núcleo estelar, de fótons ultravioleta.
por exemplo), elétrica (um relâmpago) Os fótons ultravioleta liberados interagem com o material
ou luminosa (luz visível de um laser). fosfórico que reveste a parede interior da célula. O fósforo é uma
Se a energia for insuficiente, os plas- substância que emite luz quando exposta a outra luz. Quando um
fóton ultravioleta atinge um átomo de fósforo na célula, um dos
mas acabam se recombinando para elétrons do fósforo passa para um nível de energia maior e o áto-
formar um gás neutro. mo esquenta. Quando o elétron volta ao nível normal, ele libera
Os componentes de um plasma po- energia em forma de fóton de luz visível.
dem ser acelerados, e direcionados, por Na tela de plasma, o fósforo emite luz colorida quando é
campos eletromagnéticos. Isso possibili- estimulado. Cada pixel é feito de três células subpixel individu-
ais de cores diferentes. Um subpixel tem luz fosfórica vermelha,
ta sua aplicação em novos processos de
o outro tem luz fosfórica verde e o outro, luz fosfórica azul.
fabricação de produtos, e na busca de Essas cores, quando misturadas, criam toda a gama de cores
formas de energia sustentável e abun- de um pixel.
dante para uso futuro. Pela variação dos pulsos de corrente através das diferentes
Em nosso cotidiano, o plasma está células, o sistema de controle pode aumentar ou diminuir a in-
presente nas lâmpadas a vapor e fluo- tensidade de cor de cada subpixel, criando centenas de combina-
ções diferentes de vermelho, verde e azul. Dessa forma, o sistema
rescentes e nas telas de alguns tipos de
de controle pode produzir todas as cores do espectro.
televisão. A principal vantagem da tecnologia da tela de plasma é que você
Thinkstock/Getty Images

Uma tela de plasma é pode produzir uma tela muito grande, usando materiais extrema-
composta de milhões de pixels mente pequenos. Como cada pixel é iluminado individualmente,
(pontos luminosos do monitor a imagem é muito brilhante e pode ser vista com nitidez de quase
que em conjunto formam as todos os ângulos. […]
imagens) contendo gás neônio Disponível em:
ou xenônio, que emite luz ao <http://tecnologia.hsw.uol.com.br/tela-de-plasma1.htm>.
ser ionizado. Acesso em: 22 out. 2015.

Conforme vimos no capítulo anterior, a curva de aquecimento mostra como


as substâncias mudam de fase, desde que recebam ou percam calor, sob deter-
minada pressão. Para acontecer a fusão, a ebulição e a sublimação, a substância
deve receber energia (calor), enquanto a sublimação inversa (ressublimação), a
condensação e a solidificação ocorrem com a perda de energia. A temperatura
em que se verifica cada uma das mudanças de fase denomina-se:
• para o primeiro patamar: ponto de fusão (P.F.), temperatura em que ocorre a pas-
sagem da fase sólida para a líquida, ou, inversamente, ponto de solidificação (P.S.);
• para o segundo patamar: ponto de ebulição (P.E.), temperatura em que há a pas-
sagem da fase líquida para a gasosa, ou, inversamente, ponto de condensação
(P.C.) — temperatura na qual ocorre a passagem da fase gasosa para a fase líquida.

CAPÍTULO 4 • MUDANÇAS DE ESTADO 57


As temperaturas de mudança de fase dependem da pressão a que estão sub-
metidas as substâncias. Os valores nominais encontrados para a água pura
(P.F. é igual a 0 °C e P.E. é igual a 100 °C) foram determinados sob a pressão atmos-
férica medida ao nível do mar, de 1 atm ou 760 mmHg.
Além desses, existem outros estados da matéria, criados em circunstâncias dis-
tintas das condições ambientes, e cuja descrição está além do escopo deste curso.

Vaporiza•‹o e condensa•‹o

Thinkstock/Getty Images
A
A vaporização ocorre quando partículas de uma substância em fase líquida rece-
bem energia suficiente para passar ao estado gasoso.
A vaporização recebe três nomes diferentes, dependendo de como ela acontece:
• Evaporação: a vaporização acontece em qualquer temperatura. Algumas molécu-
las da superfície livre do líquido retiram calor de outras moléculas, adquirem maior
energia cinética e escapam para a fase gasosa: essa é a evaporação. Nesse evento,
a temperatura das moléculas restantes diminui. Uma pessoa pendura as roupas

Fernando Favoretto/Criar Imagem


bem estendidas em um varal, pois, quanto maior for a área de contato com a B
atmosfera, mais rápida será a evaporação. Outras condições, como ocorrência de
vento e baixa umidade relativa do ar, podem aumentar a evaporação da água.
• Ebulição: é a vaporização típica, em que a mudança de fase dá-se quando o lí-
quido alcança o ponto de ebulição da substância na pressão dada; na tempera-
tura de ebulição, a maior parte das moléculas tem energia cinética suficiente
para alcançar o estado gasoso. A água entra em ebulição (ferve) na temperatura A vaporização — tanto na situação
de 100 °C, sob pressão de 1,0 atm: isso significa que, nessas condições de pressão (A), roupa no varal, quanto na
situação (B), água fervendo —
e temperatura, a maior parte das moléculas de água obtém energia suficiente depende da área da superfície
para vaporizar. Quanto maior for a altitude local, menor será a temperatura de do líquido, da temperatura e de
outros fatores, como a presença de
ebulição. Enquanto não acontecer toda a vaporização do líquido, a temperatura vento e a umidade relativa do ar.
se manterá constante, em uma determinada pressão.

Sérgio Dotta Jr./The Next


• Calefação: é uma vaporização forçada, pois realiza-se em uma temperatura acima
do ponto de ebulição. Como exemplo, podemos citar uma frigideira bem quente
onde caem alguns pingos de água. A vaporização é tão rápida que os pingos
nem chegam a tocar completamente o fundo da frigideira, movimentando-se
sobre uma camada de moléculas vaporizadas, até dissiparem-se completamente.
O vapor-d‘água pode fornecer muita energia ao ambiente sob forma de calor, Na frigideira quente, a água
porque seu calor de condensação é muito alto. Nos países de inverno rigoroso, vaporiza por calefação.
usa-se a calefação para tornar agradável o ambiente no interior das residências,
Cristina Xavier

das edificações em geral e mesmo nas passagens entre eles.


A condensação é o processo inverso da vaporização. Retirando-se calor de uma
substância que está sob forma de vapor, ela sofre condensação e muda para o estado
líquido ao atingir seu ponto de condensação. Se não houver outras trocas de calor do
vapor com o ambiente, em dada pressão, a temperatura permanecerá constante.
Assim como a vaporização ocorre em várias temperaturas, também a conden-
sação poderá efetivar-se em outra distinta da do ponto de condensação. Por
exemplo, o ar atmosférico que respiramos possui moléculas de vapor-d‘água que,
em um dia de temperatura elevada, se condensam ao tocar as paredes frias de
uma lata de suco recém-tirada da geladeira. A água que escorre pela parede do
copo vem do ar atmosférico!
Na superfície de um recipiente gelado, de vidro
ou metal, é sempre possível ver gotículas de água
condensada. De onde vem essa água?

58 Unidade 1 • TeRmologia
A vaporização é um fenômeno estatístico
Retomemos o modelo de partículas da matéria. Como você sabe, a matéria no estado de gás pode ser com-
preendida como um conjunto de muitas partículas isoladas (n . 1020), distanciadas umas das outras, em movi-
mentação constante e caótica, realizada a grandes velocidades. As colisões, quando acontecem, não consomem
energia e são elásticas. Nos gases, cada partícula desloca-se a uma velocidade específica, e a energia cinética
média é que determina a temperatura do gás. Por esse motivo dizemos que a temperatura é uma grandeza
macroscópica (associada à média de energia de um número enorme de partículas) e intensiva (por definição: que
não depende da quantidade de partículas).
A disposição da energia das partículas de um gás e, consequentemente, de sua velocidade, é estabelecida pela
distribuição de Boltzmann.

No de partículas
No de
do gás
moléculas
gás a 25 ºC

gás a 1000 ºC

Velocidade 0 400 800 1200 1600


velocidade mŽdia Velocidades (m/s)
Em uma amostra de gás a determinada temperatura, Observe a distribuição de velocidades de duas amostras
sempre há partículas muito rápidas e também partículas do mesmo gás submetidas a temperaturas distintas: quanto
muito lentas, pois seu movimento é aleatório. maior for a temperatura dele, maiores serão
A temperatura da amostra é proporcional à velocidade a velocidade média e o número de partículas do gás com
média dessa distribuição. velocidades superiores a um dado valor.

Observando as características da distribuição de Boltzmann, é possível encontrar partículas bastante


energéticas em gases a qualquer temperatura; assim, processos pouco prováveis, como a vaporização a bai-
xas temperaturas, podem acontecer, bastando para isso que uma partícula do gás receba a energia mínima
necessária. Por esse motivo, pode-se dizer que a vaporização é um fenômeno probabilístico. A probabilidade
de uma partícula passar ao estado de vapor aumenta à medida que o sistema se aproxima do ponto de ebu-
lição da substância.

Pressão máxima de vapor


Coloque um líquido em um recipiente fechado, sob
Fernando Monteiro

temperatura constante θ. Você sabe que algumas partícu-


las podem eventualmente passar para o estado de vapor,
formando uma fase de vapor sobre a superfície do líquido.
Quando houver um número suficiente de partículas na
fase de vapor, é de se esperar que algumas delas colidam com
a superfície do líquido e voltem à massa líquida, condensan-
vaporização condensação
do-se.
Representação esquemática da vaporização na superfície Quando a quantidade de partículas que evaporaram e per-
do líquido.
maneceram nesse estado for igual à das que se volatilizaram
e condensaram, chega-se a um equilíbrio dinâmico. Sob essas
condições, dizemos que no interior do recipiente existe um vapor saturado, cuja
pressão (de vapor) é máxima nessa dada temperatura (θ).

Capítulo 4 • Mudanças de estado 59


Por meio do diagrama ao lado, vemos que, à medida que a tempe- Pvapor (mmHg)
ratura aumenta, também cresce a pressão de vapor; o que é de se espe- 1200
rar, pois, com a ampliação da energia térmica, mais partículas em estado 1000
líquido podem receber a energia mínima necessária para evaporar. 800
Pelo diagrama, também podemos determinar o estado em que se 760
600
encontra uma amostra de água.
400
O que ocorre quando a pressão de vapor do líquido alcança a
pressão atmosférica local? Nessa circunstância, a temperatura do lí- 200

quido é tal que a maior parte de suas partículas já tem a energia 0 20 40 60 80 100 120 θ (¡C)
mínima requerida para mudar de fase, ou seja, acontece a ebulição.
Essa é a curva da pressão de
Assim, podemos definir o ponto de ebulição de um líquido em vapor em função da temperatura,
termos da pressão máxima de vapor. para a água.
O diagrama mostra, por exemplo,
que a 60 °C o vapor-d’água em
O ponto de ebuli•‹o é a temperatura na qual a pressão máxima de vapor de equilíbrio com a superfície da
um líquido iguala-se à pressão atmosférica ambiente. água líquida exerce pressão de
400 mmHg.

Segundo essa definição, o ponto de ebulição de um líquido depende necessa-


riamente da pressão atmosférica local. Os alpinistas que se aventuraram em esca-
ladas como as do monte Kilimanjaro, na Tanzânia, sabem que a água ferve em
torno de 80 °C, em altitudes próximas aos 5 000 m. Dizendo então que a água
entra em ebulição a 100 °C, referimo-nos à pressão de 760 mmHg, como mostra
o diagrama.
A pressão máxima de vapor também depende da natureza do líquido. Alguns
líquidos voláteis, como o éter, o álcool e a gasolina, têm maior facilidade para eva-
porar, portanto suas pressões máximas de vapor são maiores quando comparadas
com a da água, na mesma temperatura.
Pvapor (mmHg)
Essa maior facilidade depende da massa e da polaridade das
900
moléculas; moléculas mais leves e menos polares constituem
800 substâncias mais voláteis.
700 Sob a pressão de 1 atm, os pontos de ebulição do éter e do
álcool etílico são 34 ºC e 78 ºC, respectivamente. O líquido
600
ílico

mais volátil é o éter, pois tem o ponto de ebulição menor que os


o

demais, sob qualquer pressão.


500
r et

ílic

ua
l et
éte

ág

400
oo
álc

300 Observe e compare a curva da pressão de


200 vapor-d’água com a de outros líquidos.
Quais são os pontos de ebulição do éter e
100 do álcool etílico sob a pressão atmosférica
0 normal de 1 atm? Qual dos três é o
0 20 40 60 80 100 Temperatura (°C) líquido mais volátil?

A FíSICA no cotidiano

Panelas de press‹o
Para cozinhar alimentos rapidamente, devemos colocá-los em ambientes submetidos a altas temperaturas.
Quando mergulhados em água sob pressão de 1 atm, a temperatura máxima alcançada é de 100 °C.
De acordo com a curva de pressão de vapor, a pressão é diretamente proporcional à temperatura de ebulição do
líquido. O físico francês Denis Papin (1647-1712) construiu uma panela de ferro fundido provida de uma tampa que
a vedava hermeticamente, com uma válvula de segurança que a impedia de explodir (ao permitir o escape do vapor),
caso a pressão no seu interior aumentasse demasiadamente.

60 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Com a água entrando em ebulição a temperaturas acima de 100 °C, os alimentos são cozidos em menos tempo
que nas panelas convencionais. Atualmente, as panelas de pressão são feitas de alumínio e as válvulas de segurança
possuem um pino que levanta quando a pressão interna atinge um nível limite. A tabela mostra alguns tempos de
cozimento comparativos entre a panela de pressão e a panela convencional.
A dependência da velocidade das reações químicas com a temperatura é mais bem explorada em cinética química.

Cristina Xavier
Tempo médio de cozimento (min)
Panela de pressão Panela normal
Alimento
(tampa fechada) (tampa aberta)
batata 8 25
cenoura 9 27
ervilha seca 10 30
beterraba 20 60
lula 22 65
feijão-carioca 26 76
feijão-preto 29 90 Para evidenciar melhor as condições sob as
quais os alimentos cozinham mais rapidamente,
Fonte: Lide, David R. (editor-chefe). as panelas de pressão deveriam ser chamadas
CRC Handbook of Chemistry and Physics. 90. ed. Flórida: CRC Press LLC, 2009. de panelas de temperatura.
Eduardo Santaliestra

Fusão e solidificação
Sob determinada pressão, a fusão ocorre quando fornecemos energia necessária
a uma substância no estado sólido. O calor que o sólido recebe faz com que aumen-
te a vibração das partículas, quebrando o retículo cristalino e/ou ampliando a distân-
cia entre elas. O sólido então muda para a fase líquida, em que as forças de coesão
são apenas suficientes para manter as partículas próximas umas das outras.
Durante a fusão, a temperatura permanece constante, mas é preciso continuar for-
necendo calor, pois afastar as partículas e diminuir as forças de coesão requer energia.
No processo inverso, quando retiramos energia de um sistema em fase líquida,
Fotografia 1: A parafina sólida as partículas reaproximam-se e ocorre a solidificação. A quantidade de energia ne-
afunda na parafina líquida.
cessária para fundir ou solidificar determinada massa de uma substância é a mesma.
Thinkstock/Getty Images

Durante a fusão e a solidificação, ocorrem variações no volume. A maior parte das


substâncias aumenta de volume ao fundir-se; como consequência, elas, em estado
sólido, submergem quando são colocadas em um recipiente contendo o seu próprio
líquido (fotografia 1). Especificamente para o gelo, ao fundir-se, o volume da água
diminui devido à redução das interações intermoleculares (fotografia 2).
O fato de o volume aumentar na fusão sugere que, se intensificarmos a pressão
sobre o sólido, tendemos a diminuir o espaço reservado às partículas no estado líquido.
Com isso, a fusão só acontecerá se houver um estado de agitação maior dessas partí-
culas, isto é, se a temperatura for elevada.
Fotografia 2: A água é uma De fato, tomando a temperatura na fusão de um sólido sob várias pressões, temos
exceção: o gelo flutua na água
a seguinte curva de fusão:
líquida.
Pressão

sólido líquido
Amostras de materiais cujos valores de pressão e temperatura
estejam sobre a curva de fusão apresentam equilíbrio entre as
T
duas fases (sólida e líquida), portanto em fusão ou solidificação.
Se a temperatura estiver abaixo do ponto de ebulição, o material
apresenta-se no estado sólido, e acima dele, no estado líquido. Temperatura

$"1∂56-0t.6%"/±"4%&&45"%0 61
Regelo, uma anomalia

Colin Monteath/AFP
O regelo é um fenômeno segundo o qual algumas substâncias, quan-
do submetidas a determinada pressão, fundem-se e voltam a solidificar-
-se quando a pressão extra é removida. O regelo foi descoberto inicial-
mente por Michael Faraday (1791-1867); pouco depois, o físico e
professor irlandês John Tyndall (1820-1893) investigou o regelo da água
em glaciares e propôs que a pressão causada pelo peso da geleira na sua
base seria um dos motivos de sua ablação (fratura e desmoronamento do
glaciar), ao lado do aumento da temperatura ambiente ou de fraturas de
ordem sísmica.
Sabemos hoje que no caso da água o ponto de fusão diminui de 0,0072 °C
para cada atmosfera de pressão aplicada sobre a superfície do gelo.
Além da água, o ferro, o bismuto e o antimônio sofrem esse efeito.
Como fica, então, a curva de fusão para esses materiais?
Se o aumento de pressão facilita a fusão, é razoável esperar que o ponto de fusão O regelo é um dos motivos
de ocorrer o deslizamento da
diminua com a intensidade da pressão aplicada. O aspecto da curva de fusão para neve acumulada no alto das
esses materiais é o que se vê no diagrama 1 abaixo. montanhas: o peso aumenta a
pressão na base, provocando a
Diagrama 1 Diagrama 2 fusão da massa de gelo.
Na fotografia, o Monte Foraker,
P
Pressão no Alasca.
C Sem data.

água (líquido)
B
gelo curva de fusão/solidificação
(sólido)
A (separa o estado sólido do
líquido)

Temperatura
θ 0 θ (¡C)

Acompanhe, no diagrama 2 acima, a transformação sofrida por uma amostra de


água, a partir do ponto A, onde o gelo está em uma temperatura θ abaixo de 0 °C.
Mantendo θ constante e aumentando a pressão sobre o gelo, a amostra chega ao pon-
to B, ocorrendo a fusão e a formação de água líquida, representada pelo ponto C. Em
um processo inverso, reduzindo-se a pressão, a água solidifica-se no ponto B e, em
seguida, retorna ao ponto A, voltando ao aspecto de gelo inicial.

Sobrefus‹o
Thinkstock/Getty Images

Às vezes acontece de abrirmos uma garrafa ou lata de bebida recém-tirada do


congelador ou do freezer, onde sabemos que a temperatura é bem inferior ao pon-
to de solidificação da água e, no entanto, a bebida encontra-se no estado líquido.
Se esse fato isolado não causa estranheza, é certo que vamos nos surpreender
se, depois de aberta ou agitada antes, uma parte do líquido solidificar-se rapidamen-
te. Isso corresponde ao que se observa nas asas e na carenagem de alguns aviões,
que, após atravessarem nuvens em grande altitude, ficam cobertas de gelo.
O que há de comum nesses eventos? Líquidos resfriados lentamente em ambientes
sem impurezas ou vibrações podem ultrapassar o ponto de solidificação e continuar
no estado líquido, fenômeno conhecido como sobrefusão ou super-resfriamento.
À medida que a temperatura diminui, as partículas do líquido vão se tornando
mais lentas e, eventualmente, podem movimentar-se formando cristais. Se a queda Fotografia de garrafa de
refrigerante recém-tirada do
da temperatura for suficientemente lenta, pode ocorrer de as partículas do líquido congelador. Por que então o
não formarem esses cristais e ficarem “imobilizadas” nas suas posições. líquido não se solidificou?

62 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Esse é um estado metaestável (instável), pois uma leve pertur-
bação tira as partículas do lugar e força a composição dos cristais,
θ (°C)
Fotografias: Sérgio Dotta Jr./The Next

provocando uma súbita solidificação de parte do líquido, elevando


θ sua temperatura ao ponto normal de solidificação.
Além da água, também o enxofre pode ser submetido a 15 °C
de temperatura sem passar para o estado sólido, embora seu pon-
to de fusão seja de 115 °C. O diagrama ao lado, da temperatura θ
θf = 115 Q em função da quantidade de calor retirada Q, mostra o comporta-
mento de uma pequena quantidade de enxofre na sobrefusão,
sob pressão normal de 1 atm.

θsf • Em A, o enxofre está na fase líquida, pois θ . 115 °C.

• E m B, o enxofre continua na fase líquida, apesar de ter atingido


o ponto de solidificação, que é de 115 °C. É o início da sobrefu-
são.

• E m C, tendo ultrapassado a temperatura de sobrefusão θsf , 115 °C,


A B C D
o enxofre começa a solidificar-se devido a alguma perturbação.
Diagrama θ × Q para o enxofre. De líquido marrom
avermelhado a sólido de cor amarelada, o enxofre • Em D, passado um tempo suficiente à temperatura de 15 °C,
pode ser resfriado lentamente e continuar no estado
o enxofre estará completamente solidificado, desde que o
líquido mesmo após ultrapassar a temperatura de
solidificação. processo da retirada de calor tenha continuado.

Exercícios resolvidos

ER1. Por que motivo as queimaduras com vapor- O calor latente para solidificar a água a 0 °C é igual ao
-d’água costumam ser mais graves do que as com calor latente de fusão do gelo, mas com sinal trocado,
água fervendo? pois deve-se perder calor; portanto, LS = –80 cal/g.

Resolução: a) Vamos inicialmente calcular a quantidade de ca-


Em qualquer caso, a queimadura resulta do calor ab- lor que a água perdeu para que sua temperatura
sorvido pela pele. No caso do vapor-d’água, há um tenha variado de θ0 = 0 °C até atingir a temperatura
calor adicional em relação à água fervendo, que é o de sobrefusão. Não houve mudança de fase, por-
tanto a quantidade de calor é sensível.
tanto necessário para determinar sua condensação.
Q s = m · ca · (θsf – θ0) = 60 · 1,0 · (–4 – 0) )
) Q s = –240 cal
ER2. Sabe-se que uma amostra de 60 g de água está
super-resfriada, na temperatura de – 4 °C. Ao ser per- Essa quantidade de calor já deveria ter solidificado
turbada, uma parte da amostra se transforma em gelo. uma massa ms de parte da água. Então:
Dados: calor específico da água ca = 1,0 cal/g · °C e Q s = ms · LS = –240 ) ms · (–80) = –240 )
calor latente de fusão do gelo LF = 80 cal/g, calcule:
) ms = 3 g
a) a quantidade de água em sobrefusão que se solidifica;
b) a porcentagem de água congelada. b) Se 3 g de um total de 60 g de água foram solidifi-
cados, temos a seguinte fração:
Resolução:
f = ms = 3 = 0,05, ou, em termos de porcenta-
Dados: m 60
m = 60 g; θsf = –4 °C; ca = 1,0 cal/g · °C gem, 5% .

$"1∂56-0t.6%"/±"4%&&45"%0 63
Isotermas de Andrews
A pressão sobre materiais pode alterar seu estado físico, e isso não se dá apenas
em casos de regelo. Se pensarmos no modelo de partículas da matéria, é razoável
acreditar que a aplicação de pressão pode eventualmente fazer variar a posição re-
lativa das partículas — aproximando-as, na compressão, ou, caso contrário, afastan-
do-as — acarretando a mudança de estado da substância.
Em meados do século XIX, os físicos já sabiam que a condensação do vapor
não dependia apenas de sua temperatura, mas também da pressão aplicada. Para
testar essa relação, o químico irlandês Thomas Andrews (1813-1885) realizou um
experimento com uma amostra de gás carbônico (CO2) à temperatura constante,
modificando as pressões aplicadas e aferindo os respectivos volumes. Através des-
se experimento, ele determinou as condições necessárias para que um líquido
possa coexistir com seu vapor. Esse experimento foi realizado com cilindros de metal.
As pressões aplicadas são muito altas para materiais de vidro.
TPG

Certa quantidade de vapor de CO2 é colocada em um cilindro provido de um


A vapor (seco) êmbolo móvel, mantida a temperatura constante.

Com o êmbolo, comprime-se a amostra até que se inicie a condensação do


B vapor (seco) vapor; nesse momento, a amostra atinge a pressão máxima de vapor naquela
temperatura.

Continuando a compressão, passa-se a observar o CO2 tanto no estado líquido


C vapor + líquido (saturante)
como no gasoso.

Tendo sido o vapor totalmente condensado, resta apenas o CO2 líquido; durante
D líquido
a condensação, a pressão máxima de vapor mantém-se constante.

Mesmo tentando comprimir o líquido, o volume da amostra praticamente não


E líquido comprimido sofre alteração.

Andrews colocou essa sequência de transformações p


em um diagrama de pressão em função do volume da E

amostra, e a curva resultante ficou conhecida como Iso-


terma de Andrews. C
pmáx. B
O experimento foi repetido submetendo-se a amostra D

a várias temperaturas, e para cada uma delas foi elabora-


A
do um diagrama pressão × volume (veja ao lado). Coloca-

TPG
das as diversas isotermas em um mesmo diagrama, vê-se V
que a amostra subsiste no estado líquido em um intervalo
menor de variação de volume; isto é, os patamares de con- A vapor (seco)
densação vão diminuindo de tamanho com a elevação da
temperatura (θ1 , θ2 , ... , θc). B vapor (seco)
Esse efeito parecia confirmar a suposição de que, à me-
dida que se eleva a temperatura, torna-se mais e mais difí- C vapor + líquido (saturante)
cil manter o material no estado líquido, devendo haver
portanto uma temperatura crítica para a liquefação, acima D líquido
da qual um gás não poderia ser liquefeito, não importando
a intensidade da pressão aplicada. Acima desse valor, a E líquido comprimido
fase líquida não existiria.
De fato, há uma combinação de pressão e temperatura na qual o patamar se
estreita tanto que se pode considerá-lo um ponto: a condensação é instantânea.
Essa temperatura é chamada de temperatura crítica θc, assim como a pressão corres-
pondente pc é chamada de pressão crítica.

64 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Ligando-se os extremos dos patamares, surge uma curva denominada curva de
saturação.
p p

θ . θC gás
pC
θC líquido
θC

Ilustrações: TPG
.
.
. vapor sat. vapor
+ líquido seco
θ2
θ1
0 curva de satura•‹o V 0 V
Se a experiência for repetida a temperaturas maiores que a Dados o volume e a pressão de uma amostra de
crítica, a Isoterma de Andrews resulta em uma hipérbole. material, é possível determinar seu estado físico.

Esse diagrama fornece uma informação interessante: de acordo com as condições


de pressão e volume para a amostra de CO2, é possível determinar seu estado físico.
As mesmas informações podem ser obtidas em um diagrama de pressão em
função da temperatura, ao qual dá-se o nome de diagrama de fases.

Diagrama de fases
Maioria das substâncias O diagrama de fases de uma substância pura é o diagrama pressão versus
p
1 temperatura (p × θ) que indica seu estado físico, conhecendo-se apenas essas
PC
pC duas grandezas.
líquido Cada um dos diagramas de fases é composto de três curvas. O diagrama
sólido A é válido para quase todas as substâncias, enquanto o diagrama B, para
PT 2 poucas exceções, como a água, o ferro, o bismuto e o antimônio. Note que
pT gás a diferença entre eles está somente na inclinação do trecho 1.
vapor • Trecho 1 — Curva de fusão ou solidificação: é a curva que separa o es-
3 tado sólido do líquido. Cada ponto da curva corresponde ao estado de
coexistência das fases sólida e líquida. Um material que apresente condi-
0 θT θC θ
ções de pressão e temperatura sobre esse trecho estará em fusão ou
Diagrama A — a inclinação do trecho solidificação.
1 indica que a temperatura de fusão
aumenta com o aumento da pressão. • Trecho 2 — Curva de vaporização ou condensação: é a curva que separa os
estados líquido e gasoso. Em cada ponto da curva coexistem as fases líqui-
da e gasosa. Sob essa condição de pressão e temperatura a substância esta-
Água e algumas substâncias
p (exceções) rá em vaporização ou condensação.
1
pC
PC • Trecho 3 — Curva de sublimação ou ressublimação (sublimação inversa): é
a curva que separa diretamente o estado sólido do gasoso, sem passar pelo
líquido
estado líquido, na qual coexistem as fases sólida e gasosa da substância.
Nesse trecho há a sublimação ou a ressublimação.
sólido PT 2
pT gás Os pontos PT e PC, destacados, representam, respectivamente:

vapor • o ponto triplo (PT), que indica a pressão pT e temperatura θT da substância


3 em que coexistem os três estados físicos em equilíbrio;
• o ponto crítico (PC), que indica a temperatura crítica θC de uma substância
0 θT θC θ
além da qual o estado gasoso é chamado de gás e não mais de vapor. A pres-
Diagrama B — a inclinação do
trecho 1 está de acordo com o que
são correspondente à temperatura crítica é a pressão de vapor do ponto críti-
se observa, por exemplo, no regelo. co, também chamada pressão crítica (pC).

$"1∂56-0t.6%"/±"4%&&45"%0 65
Veja os valores de pressão e temperatura para a água nesses pontos: Anteriormente não houve
menção alguma à possibilidade
• No ponto triplo, θT = 0,01 °C e pT = 4,58 atm. Colocando-se certa quantidade de de vapor e gás poderem ser
estados distintos, de modo que
água sob essa temperatura e pressão no interior de um recipiente fechado, tere- aparentemente foram utilizados
mos simultaneamente as três fases: gelo, água líquida e vapor-d’água. como sinônimos. Optamos
por não fazer essa distinção
• No ponto crítico, θC = 374,2 °C e pC = 217,5 atm. Abaixo de 374,2 °C podemos naquele momento.
ter vapor-d’água ou líquido e, acima, a água é um gás. A diferença é que o vapor
condensa com o aumento de pressão, enquanto o gás, não.

FaÇa NO NÃO escreva


AtividAde PráticA caderNO NO livrO

Analisando a press‹o e a temperatura

Um diagrama de fase mostra a relação entre os valores de temperatura e pressão de um


dado elemento químico e seu respectivo estado (sólido, líquido ou gasoso). Para tornar isso
mais observável vamos realizar uma experiência que envolva esta questão. Ao término dela,
esperamos que você compreenda o papel da temperatura e da pressão na forma como se
apresentam os elementos químicos existentes no mundo.

Fotografias: Fernando Favoretto/Criar Imagem


Material
• água
• uma seringa de 20 mL
• termômetro

Procedimento
I. Meçam a temperatura da água com o termôme-
tro e anotem.
II. Usando o medidor de volume da seringa, colo-
quem na seringa 1 mL de água. Tomem cuidado
para que não tenha ar entre a ponta da seringa
e a marcação.
Neste ponto vocês já sabem qual é a temperatura
da água, qual a pressão e qual o volume do sistema.
III. Alguma pessoa do grupo vai tapar a entrada da
seringa com o dedão e segurar no apoio dela com
o indicador e o dedo médio da mão. Com a outra,
puxará a seringa até a marca de 20 mL da seringa.
Vocês perceberão que, ao puxar a seringa, a água
lá dentro fará bolhas.
IV. E agora?

Discussão
1. Qual a pressão, o volume e a temperatura na seringa antes de ser puxada?
2. E depois? Qual o volume e a pressão? Façam as contas utilizando a relação p1  V1 = p2  V2
3. Coloquem no gráfico de p 3 T as pressões antes e depois de puxar a seringa. (Dica: usem uma escala
que permita subdivisões de 0,01 atm)
4. Como será a curva entre um ponto e outro? Discutam as hipóteses com a ajuda do professor.
5. Por que a água borbulhou?
Ver Orientações Didáticas.

66 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Exercícios resolvidos

ER3. A figura a seguir representa o diagrama de fases, c) A quantidade de calor total necessária é Q = Q AB +
fora de escala, da substância água pura. Considere que + Q B + Q BC, onde Q AB é a quantidade de calor
100 g de água recebam calor, sofrendo uma transfor- sensível suficiente para elevar a temperatura do
mação, sob a pressão constante de 1 atm. gelo de –20 °C até 0 °C, Q B é a quantidade de calor
p (atm) latente requerida para fundir todo gelo e Q BC é a
quantidade de calor demandada para esquentar
a água líquida de 0 °C até 30 °C.
Então:
A B C D
1 Q = m · cg · (θg – θ0 ) + m · LF + m · ca · (θa – θ0 )
g a

Q = 100 · 0,5 · (0 + 20) + 100 · 80 + 100 · 1,0 · (30 – 0)

Q = 1 000 + 8 000 + 3 000 ) Q = 12 000 cal


T

ER4. Aquece-se uniformemente um recipiente conten-


do 500 g de gelo a 0 °C, derretendo-o completamente.
–20 0 0,01 30 θD θ (°C) Supondo que todo calor tenha sido usado apenas para
a fusão do gelo e considerando: densidade do gelo
Sendo dados:
dg = 0,92 g/cm3, densidade da água da = 1,0 g/cm3 e
• calor específico do gelo: cg = 0,5 cal/g · °C;
calor latente de fusão do gelo LF = 80 cal/g, calcule:
• calor específico da água: ca = 1,0 cal/g · °C; e
a) a quantidade de calor necessária para derreter todo
• calor latente de fusão do gelo: o gelo;
LF = 80 cal/g, determine:
b) a variação de volume que ocorre na fusão.
a) o que ocorre nos pontos A, B, C, D e T;
b) o valor da temperatura θD; Resolução:
c) a quantidade de calor que a água necessita receber Dados:
na transformação do ponto A até o ponto C.
m = 500 g; LF = 80 cal/g; dg = 0,92 g/cm3; da = 1,0 g/cm3
Resolução:
a) A quantidade de calor latente necessária para
Dado: m = 100 g
possibilitar a mudança de fase é:
a) Situação da água nos diversos pontos:
Ponto A — representa a água na fase sólida (gelo), Q L = m · LF ) Q L = 500 · 80 ) Q L = 40 000 cal
sob a temperatura de –20 °C. b) A variação de volume é a diferença entre os volu-
Ponto B — representa o estado em que o gelo está mes do gelo e da água líquida formada:
mudando de fase (fusão), na temperatura cons-
tante de 0 °C. Enquanto todo o gelo não tiver der- ΔV = Vgelo – Vágua, como V = m ) ΔV = m – m =
d dg da
retido, a temperatura não sobe.
Ponto C — representa a água na fase líquida, sob a 1 2
= m · 1 – 1 = 500 · 1 – 1 =
dg da 1
0,92 1,0 2
temperatura de 30 °C.
Ponto D — representa o estado em que a água lí- 1 2
= 500 · 0,08 ) ΔV > 43,48 cm3
0,92
quida está mudando de fase (vaporização).
Ponto T — representa o ponto triplo da água, esta- Portanto, ocorre variação de volume de 43,48 cm3.
do de coexistência das três fases da água (gelo,
água e vapor). ER5. No diagrama de fases da figura a seguir, a linha
b) θD = 100 °C , pois é a temperatura de vaporização azul representa a curva de fusão ou solidificação de cer-
da água. ta substância pura.

$"1∂56-0t.6%"/±"4%&&45"%0 67
Pressão c) O que deveria acontecer, se a mudança fosse do
ponto D ao ponto A?
A B
p3
Resolu•‹o:
a) No ponto A, a substância encontra-se na fase sóli-
p2 C D da e nos pontos B, C e D, no estado líquido.
p1 b) Todas são mudanças de fase de sólido para líqui-
do; portanto, de A para B, verifica-se uma fusão
com elevação de temperatura sob pressão constan-
θ1 θ2 θ3 Temperatura te; de A para C, fusão com temperatura constante
e diminuição de pressão; e, finalmente, de A para D,
a) Em que fase se encontra a substância nos pontos A, fusão com aumento de temperatura e diminuição
B, C e D? de pressão.
b) Descreva as transformações experimentadas quan- c) Do ponto D para o ponto A, haveria solidificação
do a substância passa do ponto A para os pontos B, com aumento da pressão, diminuição de tempera-
C e D, respectivamente. tura e retirada de calor da substância.

Higrometria
Diariamente os serviços de meteorologia divulgam boletins sobre o tempo, como
este, extraído do jornal O Estado de S. Paulo, do dia 13/4/2013.

O Estado de São Paulo


TEMPO CALOR E PANCADAS DE CHUVA
A massa de ar seco enfraquece e
instabilidades voltam a ser formar em São
às 15 horas, de acordo com o instituto
Nacional de Meteorologia. Amanhã, uma
TERÇA
18o/26o NASCENTE: POENTE:

17º
06:19 17:55
Paulo. O sol ainda predomina e faz calor. frente fria chega ao Estado e deixa as QUARTA
Há previsão de pancadas de chuva a nuvens ainda mais carregadas. Há risco 18o/24o18 crescente cheia
mínima partir da tarde. As praias ainda têm mar de temporal em todas as áreas. Na 01/05 09/04

27º
17:45 11:57
agitado, com risco de ressaca. Ontem, a quarta-feira, o tempo fica chuvoso com QUINTA
mínima foi de 17,1oC e a máxima, de temperatura amena na faixa leste. O sol 16o/24o
máxima minguante nova
26oC, com umidade relativa do ar de 55%, reaparece no interior. 17/04 25/04
10:33 00:24

Entre outras informações, na previsão do tempo há dados sobre a umidade relativa do ar. O que isso impacta no nosso cotidiano?

A higrometria (ou psicrometria) é a parte da Física que estuda a quantidade de


vapor-d’água existente na atmosfera, em dado momento. Essa quantidade influen-
cia o metabolismo humano (respiração, transpiração e sensação de conforto), a de-
manda evaporativa do ciclo da água, o clima e os eventos meteorológicos (chuva,
granizo, nevoeiro).
Existem dois tipos de medida da quantidade de vapor-d’água presente no ar
atmosférico de uma localidade, a determinada temperatura: a umidade absoluta
do ar e a umidade relativa do ar.

• Umidade absoluta do ar (Uabs) é a massa de vapor-d’água existente por uni-


dade de volume, em determinado momento. Por exemplo, em 1 m3 de ar exis-
tem 20 g de vapor-d’água. Temos, então: Uabs = m = 20 ) Uabs = 20 g/m3.
V 1
• U
midade relativa do ar (Urel) é a razão, em dado momento, entre a pressão de
vapor-d’água p do ambiente e a pressão máxima de vapor pmáx ou de vapor satu-
rado, sob certa temperatura:
Urel = p
pmáx

com Urel variando entre 0 e 1 (0 < Urel < 1).

68 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
p Normalmente, a umidade relativa é divulgada em porcen-
tagem. Um ambiente com umidade relativa de até 30% é
água
pmáx considerado seco, como regularmente acontece em algumas
regiões do Brasil; por outro lado, uma umidade relativa acima
de 90% aumenta a sensação de calor, devido à redução da
transpiração. Uma umidade relativa agradável depende da
p
temperatura do local, da presença de vento e da insolação.
Um ambiente com umidade relativa de 100%, como
vapor-d’água
no interior de uma sauna a vapor, está saturado e não
permite vaporização, pois a pressão de vapor-d’água
atingiu seu máximo sob aquela temperatura. Por esse
0 θamb θ motivo, quando a umidade relativa é alta sentimos des-
A temperatura na qual o ar fica saturado de vapor- conforto, pois, como dissemos, a transpiração fica com-
-d’água é chamada ponto de orvalho.
prometida.

Aparelhos medidores tanto da umidade absoluta como da umidade relativa do ar


são chamados de higrômetros ou psicrômetros e estão presentes nos diversos locais
onde há controle da umidade do ar.

James Stevenson/SPL/Latinstock
Steimer, C./Arco Images/Glow Images

Wiskerke /Alamy/Fotoarena

Higrômetro registrador.
Higrômetro tradicional. Higrômetro digital.

Sublima•‹o e ressublima•‹o
Rita Barreto

Thinkstock/Getty Images

Como vimos no diagrama de fases, a curva


de sublimação começa no ponto triplo PT, se-
parando diretamente a fase sólida da gasosa;
portanto, na sublimação, a substância passa
diretamente do estado sólido para o gasoso,
sem transitar pela fase líquida. A transforma-
ção inversa é chamada sublimação inversa ou
ressublimação. Poucas são as substâncias que
se sublimam em condição ambiente, mas há
duas muito conhecidas, a naftalina e o gelo-
-seco — que é CO2 no estado sólido. Devido
ao seu cheiro característico, a naftalina é utili-
zada para repelir traças e baratas e também o
Naftalina, um derivado do petróleo O gelo-seco pode ser usado na mau cheiro. O gelo-seco é conhecido pelo
que é usado como antitraças, é conservação e no transporte de
matéria-prima de um grande número alimentos.
efeito visual que provoca, desde que colocado
de petroquímicos. em contato com a água.

$"1∂56-0t.6%"/±"4%&&45"%0 69
Exercício resolvido
ER6. Em determinada temperatura, a pressão parcial de Resolução:
vapor-d’água de um ambiente é de 15,6 mmHg. Saben- Dados: p = 15,6 mmHg e pmáx = 26 mmHg
do-se que nessa temperatura a pressão máxima de va- De acordo com a expressão da umidade relativa do ar:
p
por é de 26 mmHg, determine a umidade relativa do ar Urel = ) Urel = 15,6 = 0,6. Em termos per-
pmáx 26
do ambiente.
centuais, U = 60% .

FaÇa NO NÃO escreva


Exercícios propostos caderNO NO livrO

EP1. A figura representa o diagrama de fases de 400 g EP3. Uma massa M de água está em sobrefusão sob a
de uma hipotética substância pura X. temperatura de –5 °C. Ao sofrer agitação, 4 g dessa
p (atm) água solidificam. Determine que quantidade M de água
estava inicialmente em sobrefusão.
Dados: calor específico da água ca = 1,0 cal/g · °C e
A B C D calor latente de fusão do gelo LF = 80 cal/g. M = 64 g
1,0

EP4. Considere o diagrama de fases de uma hipotética


substância pura. b) Nas condições do ponto triplo T do
diagrama de fases dados: θ = 11 °C e
T
p (atm) pT = 0,4 atm.
0,4
T
A X C
1

0 10 25 40 50 θ (¡C)
Dados da substância X: calor específico no estado sóli- D
do c sól = 0,36 cal/g · °C; calor latente de fusão T
LF = 28 cal/g; calor específico no estado líquido 0,4 B
clíq = 1,62 cal/g · °C.
Com relação à substância X, responda:
0 11 120 135 146 θ (¡C)
a) Qual é a temperatura e a pressão do ponto triplo? a) O estado de coexistência das fases líquida e gasosa.
b) Quais são os valores dos pontos de fusão e de vapo- a) Que estado físico representa o ponto X da curva?
rização, sob pressão de 1,0 atmosfera? b) Em que condições acontece a existência simultânea das
c) O ponto de ebulição é de
c) Quantas calorias são necessárias para que a subs- três fases da substância? 135 °C, a 1 atm.
tância efetue uma transformação do ponto A até o c) Qual é o ponto de ebulição da substância?
a) θT = 10 °C e pT = 0,4 atm; d) Descreva as transformações sofridas: de A para B; de
ponto C ? b) θ = 25 °C e θ = 50 °C; ! B: vaporização;
c) Q = 23 080 cal fusão vapor
A para C e de D para A. AA ! C: vaporização;
EP2. Um estudante colocou em um recipiente 736 g de D ! A: condensação.
gelo a 0 °C e forneceu calor através de um aquecedor, EP5. (Enem-MEC) Ainda hoje, é muito comum as pessoas
para verificar se realmente ocorre uma diminuição no utilizarem vasilhames de barro (moringas ou potes de ce-
seu volume ao fundi-lo completamente. Ele considerou râmica não esmaltada) para conservar água a uma tem-
que não houve dissipação de calor para o ambiente e peratura menor que a do ambiente. Isso ocorre porque:
tampouco para o recipiente. a) o barro isola a água do ambiente, mantendo-a sem-
pre a uma temperatura menor que a dele, como se
Dados: densidade do gelo dg = 0,92 g/cm3, densidade
fosse isopor.
da água da = 1,0 g/cm3 e calor latente de fusão do gelo
b) o barro tem poder de “gelar” a água pela sua com-
LF = 80 cal/g.
posição química. Na reação, a água perde calor.
a) Que quantidade de calor foi necessária para derre- c) o barro é poroso, permitindo que a água passe atra-
ter todo o gelo? 58 880 cal vés dele. Parte dessa água evapora, tomando o calor
b) Que variação de volume foi encontrada pelo estu- da moringa e do restante da água, que são assim
dante, caso ele não tenha cometido nenhum erro? resfriados. X
64 cm3
70 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
d) o barro é poroso, permitindo que a água se deposite Com base nessas informações, pode-se afirmar que
na parte de fora da moringa. A água de fora sempre condições ideais são observadas em:
está a uma temperatura maior que a de dentro. a) Curitiba com vento em março, e Campo Grande,
e) a moringa é uma espécie de geladeira natural, liberando em outubro. X
substâncias higroscópicas que diminuem naturalmen- b) Campo Grande com vento em março, e Curitiba
te a temperatura da água. com sol em maio.
EP6. (Enem-MEC) Se, por economia, abaixarmos o fogo c) Curitiba, em outubro, e Campo Grande com sol em
sob uma panela de pressão logo que se inicia a saída de março.
vapor pela válvula, de forma simplesmente a manter a d) Campo Grande com vento em março, Curitiba com
fervura, o tempo de cozimento: sol em outubro.
a) será maior, porque a panela “esfria”. e) Curitiba, em maio, e Campo Grande, em outubro.
b) será menor, pois diminui a perda de água.
EP9. (Iesb-DF) O orvalho, o nevoeiro, a geada, a neve e o
c) será maior, pois a pressão diminui. granizo são processos que fazem parte do ciclo da água,
d) será maior, pois a evaporação diminui. mas que só ocorrem sob determinadas condições na at-
e) não será alterado, pois a temperatura não varia. X mosfera.
O ar, o solo e as folhas são aquecidos durante o dia
EP7. O noticiário de um jornal da TV informou que em
pela radiação solar, e são resfriados durante a noite.
determinado local, quando os termômetros marcavam
Por possuírem constituição diversa, esses materiais se
24 °C, o higrômetro anotava 40% de umidade relativa
aquecem ou se esfriam diferentemente. Isso possibilita
do ar. Se, na temperatura considerada, a pressão má- ao solo e às folhas aquecerem-se mais que o ar duran-
xima de vapor-d’água é de 22,4 mmHg, calcule a pres- te o dia e, da mesma forma, resfriarem-se mais que o
são do vapor-d’água do local, naquele momento. ar durante a noite.
8,96 mmHg
EP8. (Enem-MEC) Os seres humanos podem tolerar ape- Esses fatores propiciam a formação do orvalho, ou
nas certos intervalos de temperatura e umidade relativa seja, o vapor-d’água contido no ar entra em contato
(UR), e, nessas condições, outras variáveis, como os efei- com superfícies que estejam a temperatura mais baixa
tos do sol e do vento, são necessárias para produzir con- — abaixo do ponto de orvalho — e se condensa. Esse
dições confortáveis, nas quais as pessoas podem viver e processo é análogo à condensação do vapor-d’água
trabalhar. O diagrama mostra esses intervalos: em torno de copos ou garrafas gelados.
Geralmente, nas noites de vento não há formação de
Temperatura (¡C)

40
35 orvalho, pois o vento favorece a troca de calor com o
ideal com vento meio, impedindo o ponto de orvalho no solo.
30
25 ideal O texto acima cita alguns processos térmicos que
20 ocorrem com a água na natureza. Com base nesses
15 fenômenos, julgue a veracidade das afirmações a
ideal com sol seguir.
10
5 (1) O processo de vaporização da água, que é a sua
0 passagem da fase líquida para a fase gasosa, ocorre,
–5 em grande parte, devido à radiação solar. V
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 (2) Os ventos facilitam a evaporação da água, aumen-
Umidade relativa (%)
tando a pressão de vapor sobre o líquido. F
Fonte: Adaptado de The Random House Encyclopedias.
1990. 3. ed. (new rev.) (3) A presença de gravidade na Terra é essencial para
A tabela mostra temperaturas e umidades relativas do que ocorra o ciclo da água. V
ar de duas cidades, registradas em três meses do ano. (4) As folhas, citadas no texto, têm menor calor especí-
fico que o ar atmosférico por isso se aquecem e se
Março Maio Outubro resfriam mais rapidamente. F
Cidade
θ (°C) UR (%) θ (°C) UR (%) θ (°C) UR (%) (5) À medida que se sobe na atmosfera, a temperatura
diminui e a pressão aumenta; há fluxo de calor
Campo para cima, que dispersa a fumaça industrial e urba-
25 82 20 60 25 58
Grande na. A inversão térmica impede essa dispersão, per-
Curitiba 27 72 19 80 18 75 mitindo o acúmulo da poluição continuamente
produzida. F

$"1∂56-0t.6%"/±"4%&&45"%0 71
5
CAPêTULO

Estudo dos gases

Neste capítulo o modelo mecânico ajuda


muito na compreensão do comportamento
Vimos no capítulo anterior que o diagrama de fases de qualquer subs- dos gases quando eles sofrem
tância apresenta um ponto sobre a curva de vaporização/condensação transformações de estado. Use-o sempre
que for discutir a relação entre as variáveis
denominado ponto crítico. de estado.
Com pressão e temperatura próprias, o ponto crítico de-

Fernando Favoretto/Criar Imagem


termina as condições de separação da substância em vapor
e em gás — como gás, a substância está além do ponto
crítico e não se condensa por compressão.
Vimos também que as partículas dos gases estão livres
e em constante movimento desordenado, porque a distân-
cia estabelecida entre elas faz com que as forças de repul-
são superem as de agregação. Devido a isso, os gases têm
como propriedades principais a compressibilidade e a ex-
pansibilidade.
Lidamos com essas propriedades ao calibrarmos periodi-
camente os pneus do carro. O ar escapa pelo bico ou pelas
paredes dos pneus após certo tempo, assim como eles pa-
recem mais cheios nos dias quentes do que nos frios.
As partículas que constituem um gás deslocam-se sempre A calibragem periódica aumenta a vida útil do pneu, permite
a economia de combustível e mantém a segurança e a
em altas velocidades; por isso, sua tendência é ocupar todo estabilidade do veículo.
o espaço disponível, propriedade conhecida como difusão. O fabricante recomenda que a calibragem seja feita
Por exemplo, caso ocorra um vazamento de gás de cozi- preferencialmente com os pneus frios. Você sabe o motivo?
Não se deve proceder à calibragem com
nha, em poucos instantes ele se espalha pela casa toda — sabemos disso pneus quentes porque, quando resfriarem,
por causa do seu “cheiro característico” (o gás de cozinha é inodoro; o a pressão no seu interior diminuirá e rodarão
murchos, o que é uma falha de segurança.
cheiro que sentimos é o do mercaptano, um composto orgânico que con-
Alberto De Stefano
tém enxofre e é misturado nele).
O estudo sistemático dos gases começou no século XVII, com Robert
Boyle (1627-1691), químico e físico britânico. Conhecendo as experiências
de Otto von Guericke (1602-1686) com o vácuo e seguindo o método cien-
tífico de Francis Bacon (1561-1626), Boyle investigou várias características
dos gases com a bomba de vácuo então recém-inventada por Robert Hooke,
derivando daí a lei que recebeu seu nome.
Nos séculos XVIII e XIX, as investigações sobre o comportamento dos
gases receberam grande incremento com o advento das teorias atomistas
e mais os trabalhos de Jacques Alexandre Cesar Charles (1746-1823) e
Joseph Louis Gay-Lussac (1778-1850), cientistas que estudaram o balo-
nismo, atividade que depende desse conhecimento. Para saber se há algum vazamento de gás, faça
Mais tarde, no século XIX, o sucesso da Revolução Industrial — defla- uma mistura de água com detergente e passe
uma esponja umedecida com o líquido sobre o
grada na Inglaterra e depois disseminada por todo o mundo — foi garan- local suspeito, fazendo bastante espuma.
tido pelo embasamento teórico produzido pelos trabalhos sobre gases e Se houver a formação de bolhas é porque o gás
está vazando. Nesse caso, feche a chave do gás,
máquinas térmicas desses cientistas e precursores da Termodinâmica, mantenha a casa bem ventilada e chame um
como Sadi Carnot, ratificando a credibilidade da máquina a vapor. especialista para consertar o vazamento.

72 Unidade 1 • TeRmologia
O termo “partícula” nesse Neste capítulo, veremos como as variáveis que caracterizam a quantidade de
texto é uma denominação
geral e sempre se referirá ao partículas e sua energia interna — características a que daremos o nome de estado
tipo de objeto microscópico do gás — estão relacionadas com o modelo de partículas da matéria. Além disso,
que compõe o gás, que
dependendo do caso pode ser mostraremos como esse modelo mecânico pode evoluir para um modelo cinético,
átomo, partícula ou íon. envolvendo inúmeras partículas, cujo tratamento é estatístico e não mais mecânico.

Variáveis de estado
Variáveis de estado são as grandezas que servem para caracterizar certa quan-
tidade de gás no que tange à sua quantidade e energia interna. São três as variáveis
de estado: pressão, volume e temperatura.
•     Pressão (p): é a grandeza que mede indiretamente a
quantidade de colisões das partículas contra as pa-
Unidades de press‹o e volume redes do recipiente que contém o gás. Lembrando
A unidade de pressão no SI, como sabemos, é o que pressão é a relação entre a força aplicada e a
pascal (1 Pa 5 1 N/m2). Em algumas oportunidades, área sobre a qual ela é aplicada, as partículas que
usaremos 1 bar 5 105 Pa, além de outras unidades colidem com as paredes do recipiente trocam forças
usuais (atm, mmHg). com elas. A grande quantidade de colisões produz
O valor 1 atm (lê-se “uma atmosfera”) denota a uma força praticamente constante e, portanto, uma
pressão devida à coluna de ar em certo local. Ao
pressão constante. Quanto maior o número de coli-
nível do mar, 1 atm é da ordem de 105 Pa.
sões, mais intensa é a pressão exercida pelo gás no
A unidade mmHg (lê-se “milímetro de mercúrio”)
interior do recipiente.
está relacionada com a pressão exercida por uma
coluna de mercúrio. Ao nível do mar, a pressão at- •     Volume  (V ): é a medida da capacidade oferecida
mosférica é de aproximadamente 760 mmHg. pelo recipiente que contém o gás.
No SI, a unidade de volume é o metro cúbico •     Temperatura (T ): é a medida indireta da energia ciné-
(m3), mas também são usados o centímetro cúbi- tica média das partículas, e por isso podemos dizer
co (cm3) e o litro (L). que ela é uma indicação do grau de agitação dessas
As conversões são: 1 m3 5 103 L 5 106 cm3. partículas. Quanto maior é o grau de agitação, mais
Outro sistema de unidades ainda em uso em al- elevada é a temperatura do gás. No SI, a unidade de
gumas situações é o sistema britânico, em que a medida na escala absoluta é o Kelvin (K). O zero ab-
pressão é medida em libra-força por polegada qua- soluto é uma temperatura inatingível na prática, pois
drada, ou psi (lê-se “pound per square inch”), e o
caracteriza um estado em que as partículas deixariam
volume é medido em galões, entre outras unidades.
de ter qualquer tipo de agitação. Na escala Celsius,
esse valor corresponde a –273,15 °C.
Por que são necessárias três grandezas, e não apenas uma, como no caso dos
líquidos ou sólidos, para caracterizar determinada quantidade de gás? É possível
provar que em um litro de água existe sempre a mesma quantidade de moléculas, o
mesmo ocorrendo com um objeto de 10 cm3 de ouro ou de cobre, mas o mesmo
não se verifica com um gás.
O que acontece com o ar de um balão de festas se ele for solto em uma sala com
volume de 100 m3? Ele se distribui por todo o volume da sala, 100 m3. No entanto,
as condições desse ar na sala não serão as mesmas do interior do balão: você pode
constatar, por exemplo, que a pressão do gás sobre a borracha será maior do que
contra as paredes da sala. Então, o volume do gás está relacionado com a pressão.
Uma investigação análoga vai mostrar que o volume do balão pode variar se alterar-
mos a temperatura do ambiente (lembre-se dos pneus do carro).
Portanto, no que tange aos gases, apenas o volume não é suficiente para de-
terminar a quantidade de partículas da amostra — o segredo está na distância
entre suas partículas. Para caracterizar completamente certa quantidade de gás,
devemos especificar as condições de pressão e temperatura sob as quais se toma
esse volume.

Capítulo 5 • Estudo dos gasEs 73


Condições Normais de Temperatura e Pressão
As Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP) foram estabelecidas
pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) para padronizar as
circunstâncias em que se investigam os processos químicos, permitindo que sejam
feitas comparações nos mais diversos contextos.
Assim, em 1997, adotaram-se como padrão os seguintes valores:
•  temperatura: 0 °C = 273,15 K;
•  pressão: 1 atm = 101 325 Pa (pressão atmosférica ao nível do mar).

Condição normal é o mesmo que condição-padrão?


Na verdade, não. As condições-padrão estabelecem pressão de 105 Pa = 1 bar e
temperatura de 273,15 K. Como os valores da pressão são muito próximos, os textos
didáticos muitas vezes usam as duas condições indiscriminadamente sob a denomi-
nação CNTP. Apenas a IUPAC aconselha descontinuar o uso da unidade “atm”.
Para os propósitos desta obra, utilizaremos os seguintes valores aproximados
para as CNTP:
•  temperatura: 0 °C = 273 K;
•  pressão 1 atm = 105 Pa (pressão atmosférica ao nível do mar).

Transformações gasosas
Sabemos que o estado do gás é determinado pela pressão e temperatura a que
é submetido e pelo volume que ocupa. Considerando certa quantidade de gás colo-
cada em um recipiente, denomina-se transformação gasosa qualquer operação
em que pelo menos uma das variáveis de estado sofre alteração.
Em qualquer transformação gasosa, a mudança de uma variável de estado acarreta
sempre mudança de alguma outra. Por exemplo, fazer variar a temperatura implica
também variar sua pressão e/ou seu volume.
O estudo das transformações gasosas começou no século XVII, reunindo resultados
isolados obtidos por Torricelli, Otto von Guericke, Robert Boyle e Edme Mariotte.
Basicamente, a investigação consistiu em variar uma das grandezas e verificar o
comportamento das outras; em outras palavras, uma massa gasosa passa de um
estado inicial 1, com pressão p1, volume V1 e temperatura absoluta T1, para um es-
tado final 2, de pressão p2, volume V2 e temperatura absoluta T2. Michael Vandergucht. Robert Boyle, s/d/Coleção Particular

Para caracterizar bem a relação entre uma variável de estado e outra, é preciso
fazer com que a terceira não se altere. Dessa maneira, foram feitas investigações de
transformações em três casos particulares: sob temperatura, volume e pressão cons-
tantes. É o que veremos agora.

Transformação isotérmica: Lei de Boyle-Mariotte


Robert Boyle e Edme Mariotte (1620-1684) estudaram, de modo independente, as
transformações gasosas nas quais a temperatura era mantida constante, verificando
que a pressão do gás e seu volume variavam segundo uma proporção inversa: se o
volume aumenta certo percentual, a pressão diminui na mesma razão, e vice-versa.
Nesse caso, a transformação é chamada isotérmica, pois T1 = T2. Matematica-
mente, esse resultado se expressa assim:

p 1 ∙ V1 = p2 ∙ V2 = kisotérmica Robert Boyle (1627-1691), químico


e físico britânico.

74 Unidade 1 • TeRmologia
Estado 1 Estado 2 De que maneira o modelo de partículas justifica o compor-
tamento do gás na transformação isotérmica? Lembrando
que a temperatura está relacionada à velocidade média das
partículas, e a pressão, ao número de colisões delas com as
paredes do recipiente, um aumento do espaço disponível di-
p1, V1 e T1 p2, V2 e T2 = T1 minui o número de colisões, pois isso amplia o percurso e,
visto que a velocidade permanece constante, a p
pressão cai.
No diagrama p × V, a curva é uma hipérbole, que linha isotérmica: T1 = T2
p1
chamamos de isoterma. Se a mesma massa de gás
for testada sob temperaturas diferentes, as isotermas
p2
tanto mais se afastarão dos eixos cartesianos quanto
maiores forem as respectivas temperaturas. 0 V1 V2 V
T T

0 V1 V2 V 0 p2 p1 P
Esses diagramas também representam transformações isotérmicas.

Transforma•‹o isomŽtrica: Lei de Charles


A transformação gasosa que acontece sem alteração de volume é chamada de
transformação isométrica, isocórica ou isovolumétrica.
Estado 1 Estado 2 O francês Jacques Alexandre Cesar Charles concluiu que,
Ilustrações: Conceitograf

em uma transformação de determinada massa gasosa a volu-


me constante, as variações da pressão e da temperatura abso-
luta são diretamente proporcionais:
p1 p
= 2 = kisométrica
T1 T2
p1, V1 e T1 p2, V2 = V1 e T2
Como o recipiente tem paredes rígidas, seu volume é constante. Em termos do
modelo de partículas, é possível justificar a transformação isométrica com o seguin-
te argumento: o aumento do número de colisões das partículas contra as paredes
do recipiente só pode estar relacionado ao aumento de suas velocidades. Assim,
elevando-se a pressão, a temperatura deverá elevar-se.
Joseph Boze. Jacques Alexandre Cesar
Charles, c.19th/The Bridgeman Art Library/
Grupo Keystone/Musee Lambinet, Versailles

A curva do diagrama p × T é uma reta p (atm)


com inclinação positiva, pois a pressão varia p2
linearmente com a modificação da tempe-
ratura absoluta, em proporção direta — e p1
vice-versa. Próximo à origem, o trecho
pontilhado do diagrama evidencia a im- 0 T1 T2 T (K)
possibilidade de se atingir o zero absoluto.
V V
Jacques Alexandre Cesar
Charles foi um grande
praticante de balonismo.
Esse interesse o levou a
estudos que estabeleceram
a relação entre volume e 0 P1 P2 P 0 T1 T2 T (K)
temperatura. Esses diagramas também representam a transformação isométrica. Por quê?
Porque em ambos os diagramas verificamos alterações na temperatura e na pressão sem que haja
modificação de volume. $"1∂56-0t&456%0%04("4&4 75
Transformação isobárica: Lei de Charles e Gay-Lussac Queremos que a amostra
de partículas realize, em
dado intervalo de tempo, o
Transformação isobárica é aquela em que a pressão do gás no interior de um mesmo número de colisões
recipiente se mantém constante, alterando-se, portanto, o volume e a temperatu- nas paredes do recipiente,
independentemente das
ra. Cesar Charles (1746-1823) e Joseph Louis Gay-Lussac (1778-1850) enunciaram variações de temperatura ou
a lei dessa transformação, em que o volume ocupado pelo gás e a temperatura volume. Aumentar o volume
significa fazer avançar a
absoluta são diretamente proporcionais: fronteira do gás sobre a
vizinhança, e para manter o
V1 V2 número de colisões constante,
= = kisobárica a velocidade das partículas
T1 T2 deve crescer. Em termos
macroscópicos, ampliando o
volume temos uma elevação
Estado 1 Estado 2 na temperatura do gás. Peça
V (L) aos estudantes que justifiquem
a redução do volume por
V2 diminuição da temperatura.

V1

0 T1 T2 T (K)
p1, V1 e T1 p2 = p1, V2 e T2

A curva do diagrama V × T acima, é uma reta positivamente inclinada, pois o

The Bridgeman Art Library/Grupo


Keystone/Coleção Particular
volume varia linearmente com a temperatura absoluta, em proporção direta. Da
mesma forma que no diagrama p × T, a curva possui uma parte pontilhada próxi-
ma da temperatura 0 K.
p p

Joseph Louis Gay-Lussac foi quem


comprovou experimentalmente as
ideias de Charles, possibilitando
0 V1 V2 V 0 T1 T2 T sua publicação oficial. Dessa
Observe os diagramas e explique como se realiza uma expansão isobárica. forma, a lei de transformação
Levando o gás de (p, V1, T1) para (p, V2, T2), com V2 . V1 ou com T2 . T1. isobárica recebe o nome dos dois
cientistas.
Gás perfeito e gás real
Um gás que se comporta segundo o que se discutiu nas transformações anterio-
res é chamado de gás perfeito ou ideal, o que, como o próprio nome sugere, não
passa de uma abstração.
O que existe são os gases reais, que em determinadas condições se comportam Pergunte à classe o que deve
ocorrer quando um gás real
como se fossem perfeitos: pressão baixa, temperatura alta e sem sofrer liquefação chega perto do zero absoluto.
com variações de pressão. O gás hélio sob essas condições é o que mais se aproxi- Leve-os a concluir que, nessa
condição, o volume do material
ma do gás ideal. se reduz ao volume real das
Nos casos reais, as partículas em movimento nos gases não são necessariamente moléculas isoladas; portanto,
com um volume não nulo e uma
todas iguais, pois um gás também pode ser constituído de uma mistura; para tem- densidade extrema.
peraturas suficientemente baixas, começa a haver atração entre elas, e, como é de
se esperar, o volume não tende a zero por mais que ela seja diminuída.

Lei geral dos gases perfeitos


Considere certa massa gasosa passando por uma transformação gasosa de um
estado inicial 1, de pressão p1, volume V1 e temperatura absoluta T1, para um estado
final 2, de pressão p2, volume V2 e temperatura absoluta T2.

76 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Estado inicial Estado final A lei geral dos gases perfeitos resume os resultados das três
transformações gasosas particulares, sendo representada pela
Conceitograf

Mostre que essa


p1 · V1 p ·V equação é o caso
expressão: = 2 2 = k (constante) geral das três
T1 T2
expressões anteriores.
Observe: escrevendo essa expressão de outra maneira,
p1, V1 e T1 p2, V2 e T2 p·V
também é verdade que = R (constante), formato que
T
será bastante útil, como veremos mais adiante.

Exercícios resolvidos

ER1. O diagrama abaixo (fora de escala) mostra duas iso- VA = 2 L


térmicas, A e B, de uma mesma massa de um gás perfeito. VA VB T = 300 K
= , em que A
Levando-se em conta os dados do diagrama, determine: TA TB VB = 8 L
p (atm) TB = ?
p (atm)
p isotérmica A 2 = 8 ⇒ T = 1 200 K
p isotérmica A B
300 TB
isotérmica B c) Na transformação isotérmica (temperatura cons-
isotérmica B
tante de 1 200 K), indo do estado inicial B para o
1,0 final D, de acordo com a Lei de Boyle-Mariotte,
1,0 TB
TATB= 300 K podemos escrever:
TA = 300 K pB = 4,0 atm
0 2 8 V V (L)
0 2 8 V V (L) VB = 8 L
pB · VB = pD · VD, em que
a) a pressão p; pD = 1,0 atm
b) a temperatura absoluta TB; VD = V = ?
c) o volume V.
4,0 · 8 = 1,0 · V ⇒ V = 32 L
Resolução:
Colocando-se os pontos A e C na linha isotérmica de ER2. Certa massa gasosa, contida em um recipiente rí-
temperatura TA = 300 K e os pontos B e D na linha gido de volume variável, inicialmente nas CNTP, ocupa
isotérmica de temperatura TB, temos: um volume de 5 L. Fornecendo calor ao gás, sua tem-
p (atm) peratura sobe “isobaricamente” para 409,5 °C.
p
A B a) Calcular o novo volume ocupado pelo gás.
isotérmica A
b) Traçar o diagrama do volume em função da tempe-
ratura, na escala Celsius.
isotérmica B
Resolução:
D A pressão se mantém constante durante toda a trans-
1,0
C TB formação:
p1 = 105 Pa
0 2 8 V
TA = 300 K
V (L) Estado 1 (inicial) T1 = 0 ºC = 273 K
CNTP 6
a) Na transformação isotérmica (temperatura cons-
V1 = 5 L
tante de 300 K), indo do estado inicial A para o p2 = p1 = 105 Pa
final C, de acordo com a Lei de Boyle-Mariotte, Estado 2 (final) T2 = 409,5 ºC = 682,5 K
podemos escrever: V2 = ?
pA = p = ? a) Aplicando a Lei de Charles e Gay-Lussac, temos:
VA = 2 L V1 V2 5 V2
pA · VA = pC · VC, em que
pC = 1,0 atm = ⇒ = ⇒ V2 = 12,5 L
T1 T2 273 682,5
VC = 8 L b) O diagrama V × q pedido será:
p · 2 = 1,0 · 8 ⇒ p = 4,0 atm V (L)
12,5
b) Na transformação isobárica (pressão constante de 5
4,0 atm) do estado inicial A até o final B, de acordo
com a Lei de Charles e Gay-Lussac, temos: –273 0 409,5 θ (°C)

$"1∂56-0t&456%0%04("4&4 77
A Hipótese de Avogadro e o conceito de mol
O final do século XVIII e o início do século seguinte presenciaram o esforço da
comunidade científica em determinar a constituição da matéria e explicar sua natu-
reza corpuscular.
Os experimentos de Antoine de Lavoisier (1743-1794), Joseph Louis Proust
(1754-1826) e John Dalton (1766-1844) levaram às teorias atomistas, baseadas em
postulados que explicavam a matéria como sendo constituída de partículas indivisí-

Edgar Fahs Smith collection


veis, que se conservariam em quantidade e massa, e que se combinariam em pro-
porções de números inteiros.
Essas teorias apoiavam-se nos resultados obtidos em experimentos de combina-
ções de gases. Mas os volumes de gases de algumas dessas reações não estavam de
acordo com o previsto nas transformações gasosas já conhecidas, o que indicava
uma dificuldade na distinção entre átomos e moléculas.
Essa dificuldade foi superada pelo físico italiano Amedeo Avogadro, ao afirmar
que iguais volumes de todos os gases, nas mesmas condições físicas, contêm o mes- Retrato de Amedeo
mo número de partículas (e não necessariamente de átomos). Essa hipótese, mais as Avogadro (1776-1856),
ideias de Stanislao Cannizarro (1826-1910) sobre massas atômicas e moleculares, de Icilio Guareschi.
O Gold Book da IUPAC
levaram à determinação da constante de Avogadro — constante física fundamental recomenda o uso do termo
que representa o número de entidades elementares (átomos, moléculas, íons, elé- “constante de Avogadro”, em
trons e outras partículas ou grupos dessas partículas) contidas em um mol. substituição a “número de
Avogadro”.

NA = 6,023 ∙ 1023 partículas/mol

O mol é a unidade de grandeza da quantidade de matéria. A massa de um mol


de substância tem o nome de massa molar e é expressa em g/mol. Encontramos o
número de mols n pelo quociente entre a massa m e a massa molar M da substância.
O número de mols de partículas pode também ser representado pelo quociente
entre o número de partículas N existentes na amostra e o número de Avogadro NA:
m N
n= =
M NA
Por exemplo, a massa molecular do gás carbônico (CO2) é 44 (considerando as
massas atômicas de C = 12 e O = 16) e a sua massa molar é 44 g/mol. Isso quer dizer
que em 44 g de CO2 existe 1 mol de moléculas de CO2.
Assim, para se obter 0,5 mol, 1 mol ou 2 mol de gás carbônico, devemos ter,
respectivamente, 22 g, 44 g ou 88 g da substância:
m 22 m 44 m 88
n= = ⇒ n = 0,5 mol; n = = ⇒ n = 1 mol; n = = ⇒ n = 2 mol
M 44 M 44 M 44

Volume molar Alguns valores do volume molar


Vimos que em 1 mol de qualquer gás existem 6,023 ∙ 1023 partículas; Volume
Condições de pressão
essa quantidade ocupa um volume denominado volume molar. molar
e temperatura
Como sabemos, o volume depende da pressão e da temperatura, e (L/mol)
o volume molar foi determinado experimentalmente em muitas si- condições-padrão
tuações. Veja a tabela ao lado. 22,7 L /mol
(p = 105 Pa, T = 273,15 K)
condições normais
Constante universal dos gases ideais 22,4 L /mol
(p = 101 325 Pa, T = 273,15 K)
p·V
Retomemos a equação da lei geral dos gases perfeitos, =R condições ambiente
T
(em São Paulo) 26,7 L /mol
(constante).
(p = 92 690 Pa, T = 298 K)
Vamos aplicar essa expressão para verificar variáveis de estado
de 1 mol de um gás perfeito nas três condições descritas (padrão, Fonte: Lide, David R. (editor-chefe). CRC Handbook of
Chemistry and Physics. 90. ed. Flórida: CRC Press
normal e ambiente), e apurar o valor da constante a seguir. LLC, 2009.

78 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
• Condições-padrão:
p = 105 Pa
p · V 105 · 22,7 Pa · L
V = 22,7 L / mol = > 8 310
T 273,15 mol · K
T = 273,15 K
• Condições normais:
p = 101 325 Pa
p·V Pa · L
V = 22,4 L / mol = 101 325 · 22,4 > 8 309
T 273,15 mol · K
T = 273,15 K
• Condições ambiente:
p = 92 690 Pa
p·V 92 690 · 26,7 Pa · L
V = 26,7 L / mol = > 8 304
T 298 mol · K
T = 298 K
Observe que são valores muito próximos, o que assegura que, mesmo dentro das
Alguns valores da incertezas da experimentação, esse valor é de fato uma constante. Ele é chamado de
constante universal dos constante universal dos gases ideais, e o representamos por R.
gases (R) Pa · m3
Transformando o volume para m3 (unidade do SI), obtemos R > 8,31 .
mol · K
atm · L
0,082 Apesar de termos obtido o valor de R em três condições específicas, sabe-se que
mol · K
ele vale para qualquer condição de pressão e temperatura. Na verdade, o valor de R
mmHg · L independe das variáveis de estado, mas depende das unidades de medida adotadas.
62,4 Por que motivo a terceira unidade de medida de R tem relação com energia (calo-
mol · K
ria)? O significado de R está relacionado com a energia do gás, como veremos adiante.
cal Por enquanto, podemos deduzir esse vínculo pela análise das unidades de R no SI:
2,0 N
mol · K · m3
m2 N·m J
Fonte: Lide, David R. = =
mol · K mol · K mol · K
(editor-chefe). CRC Handbook of
Chemistry and Physics. 90. ed. Mais tarde será útil recordar que o produto da pressão pelo volume tem dimen-
Flórida: CRC Press LLC, 2009. são de trabalho e/ou energia.
A equação de Clapeyron
SPL/Latinstock

p·V
Como vimos, a expressão estabelece uma relação entre as variáveis de
T
estado pressão, volume e temperatura absoluta.
Para 1 mol de partículas em forma de gás, essa expressão resulta sempre na mesma
constante R: p·V
=R
T
Estendendo essa igualdade para uma amostra de gás constituída de n mol de
partículas,
p·V
Émile Clapeyron (1799-1864), = n · R ou p · V = n · R · T
T
engenheiro e físico francês,
trabalhando com os resultados Esse desdobramento da equação geral dos gases perfeitos é comumente chama-
obtidos por Sadi Carnot,
contribuiu para definir as bases do de equação de Clapeyron e relaciona as variáveis de estado do gás com a quan-
da Termodinâmica. tidade de partículas que o compõe.

Exercícios resolvidos
ER3. Qual é o volume ocupado por 0,5 mol de qualquer que constituem um gás perfeito ocupa um volume
gás perfeito nas condições normais de temperatura e de 22,4 L; isso nos permite inferir que metade do nú-
pressão (CNTP)? mero delas ocupará metade do volume, isto é,
Resolução: 11,2 L .
Observe que o volume molar nessas condições é de Esse resultado, confirmado experimentalmente, am-
22,4 L/mol. Isso significa que 1 mol de partículas plia as hipóteses de Avogadro e Gay-Lussac, de modo

$"1∂56-0t&456%0%04("4&4 79
que podemos afirmar que o volume ocupado por dois de gás nitrogênio e 30% de gás oxigênio. Quantas mo-
gases distintos, nas mesmas condições, só depende do léculas por centímetro cúbico há no ar atmosférico nas
condições ambiente? Use R = 8,31 Pa · m .
3
seu número de partículas. Reciprocamente, também
mol · K
podemos dizer que dois gases contendo o mesmo nú-
mero de partículas, sob as mesmas condições de tem- Resolução:
peratura e pressão, ocupam o mesmo volume, inde- Tomando a equação dos gases perfeitos:
pendentemente de qual seja sua composição. p · V = n · R · T, vamos reescrevê-la em termos da razão
entre número de mol da amostra e seu volume, n :
ER4. Determine, em graus Celsius, a temperatura de 2 mol V
p
de um gás perfeito que está no interior de um reci- p·V=n·R·T⇒ =n
R·T V
piente de 40 L de capacidade, sob pressão de 1,64 atm.
Dado: R = 0,082 atm · L/mol · K. Nas condições ambiente (p = 92 690 Pa e T = 298 K).
n = 92 690 = 37,43 mol/m3 ou
Resolução:
V 8,31 · 298
Pela equação de Clapeyron, temos:
p · V = n · R · T ⇒ 1,64 · 40 = 2 · 0,082 · T mol · 6,02 · 1023 partículas
37,43 mol =
1,64 · 40
T= = 65,6 ⇒ T = 400 K m · 10
3 6 cm
3

2 · 0,082 0,164 m3
qC = T – 273 = 400 – 273  qC = 127 ºC
= 2,24 · 1019 partículas ,
cm3
ER5. O ar atmosférico é uma mistura de gases que sob
certas condições pode ser considerado um gás ideal. o que está de acordo com o número típico de partículas
Sua composição média pode ser aproximada para 70% em uma amostra macroscópica de um gás ideal.

Teoria cinética dos gases


Vimos que a descrição de um gás real pode ser aproximada para um sistema de
partículas isoladas, em constante movimento e separadas umas das outras por gran-
des distâncias em relação ao seu tamanho. Assim, o comportamento de um gás real
aproxima-se ao de um gás ideal ou perfeito.
Seria possível descrever o comportamento de uma partícula desse gás? Em prin-

TPG
cípio, sim. No entanto, ao escrever as equações de movimento para uma partícula, v
e considerar todas as interações dela com suas vizinhas, aí começa a dificuldade. v
As variáveis são tantas que se torna impraticável descrever o movimento da par- v
tícula pela resolução de um sistema de múltiplas equações: observe que, em um gás
que se aproxima do ideal, há em média 1020 partículas por cm3.
Assim, o estudo das características microscópicas do gás perfeito nos leva à Em um gás considerado ideal,
as partículas chocam-se com as
teoria cinética dos gases, na qual a descrição é feita usando-se argumentos de pro- paredes do recipiente sem perda
babilidade. Nesse novo modelo teórico, que é uma evolução do modelo mecânico, de energia, isto é, em choques
elásticos.
investigamos o que deve acontecer com as partículas do gás, em média.
Os pressupostos da teoria cinética dos gases são os seguintes:
•  uma amostra de gás perfeito é composta de um grande número de partículas, 
em movimento aleatório;
•  essas partículas são consideradas pontos materiais, ou seja, suas dimensões são 
desprezíveis em relação à distância entre duas partículas quaisquer;
•  colisões  entre  partículas  ou  entre  uma  partícula  e  a  parede  são  perfeitamente 
elásticas e de duração desprezível;
•  entre colisões sucessivas, o movimento das partículas é retilíneo;
•  as forças intermoleculares entre partículas só se manifestam durante as colisões;
•  as colisões obedecem às leis de conservação da mecânica. 

80 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Fernando Favoretto/Criar Imagem Pressão exercida pelo gás
Aplicando os princípios da Mecânica clássica e da Mecânica estatística, pode-
mos dizer que a pressão exercida por certa massa gasosa m contra as paredes do
recipiente de volume V é diretamente proporcional ao quadrado da velocidade
média v das partículas, resultando na seguinte expressão, cuja demonstração está
sendo desconsiderada:
1 m · v2
p= ·
3 V
Energia cinética média
m · v2
A energia cinética média de certa massa m de gás é: Ecm = a
2
A partir da expressão anterior, podemos escrever: m · v 2 = 3 · p · V b
3·p ·V
Substituindo b em a, temos: Ecm = c
Para encher uma bexiga, 2
injetamos ar dos pulmões sob Da equação de Clapeyron: p · V = n · R · T d
pressão.
3
Finalmente, substituindo d em c, resulta: Ecm = ·n·R·T
2
um resultado que amplia a definição de temperatura, apresentada no capítulo 1:

A energia cinética média é diretamente proporcional à temperatura absoluta do gás.

Energia cinética média por partícula


Considerando que a massa m de gás seja composta de N partículas, para
determinar a energia cinética média de cada uma delas (ecm) basta dividir a energia
cinética média por N.
3
·n·R·T
Ecm 2 3 R 3
ecm = = = 3·N·R·T = · · T ⇒ ecm = · k · T
N N 2 · N · NA 2 NA 2

Lembrando que a quantidade de partículas do gás, expressa por número de mol n,

é dada por n = N , em que NA é a constante de Avogadro e R é a constante universal


NA
dos gases, o quociente R é a constante de Boltzmann, cujo valor é:
NA

R 8,31
k= = ⇒ k = 1,38 · 10–23 J
NA 6,023 · 1023 K
Como se vê, a energia cinética média por partícula depende apenas da tempera-
tura absoluta do gás, qualquer que seja sua natureza.
3
Qual é o significado dessa relação? Na expressão ecm = · k · T, a constante
2
de Boltzmann estabelece a energia cinética média por partícula e por unidade de
temperatura, a uma temperatura T, e a constante universal dos gases R estabelece a
energia cinética média do gás, por mol de partículas e por unidade de temperatura,
à mesma temperatura T.
O modelo cinético dos gases tem, entre suas “virtudes”, a de estabelecer rela-
ções entre as grandezas microscópicas do gás — tais como as energias cinéticas de
vibração e translação — e as macroscópicas, como a temperatura.
Ele também nos permite ver que o tratamento estatístico dado a um conjunto de
partículas substitui o da Mecânica Newtoniana, de difícil aplicação nesse caso, e
descreve muito bem suas características.
O modelo cinético dos gases é a base da Termodinâmica, que estudaremos
brevemente.

$"1∂56-0t&456%0%04("4&4 81
Mistura de gases

Charles Turner
Dois ou mais gases distintos misturam-se com muita facilidade, e o sistema resul-
tante também é chamado de gás — o que é uma indicação de que as partículas de
um gás movimentam-se muito rapidamente.
O próprio ar que respiramos é uma mistura de gases, formado primordialmente
pelos gases nitrogênio (78%) e oxigênio (20%), além de outros em menor porcen-
tagem. Esses valores são aproximados, sendo obtidos de uma amostra do ar retirada
de um local bem próximo da superfície da Terra.

Lei de Dalton das pressões parciais


John Dalton (1766-1844), físico e químico inglês, interessou-se pelo estudo das Dalton também descobriu
misturas de gases; especificamente, ele investigava qual era a participação de cada uma deficiência visual em
que certas pessoas, como o
gás na pressão total de uma mistura. Os resultados obtidos por ele são conhecidos caso dele, não conseguem
hoje como a Lei de Dalton das pressões parciais: distinguir determinadas cores.
Essa deficiência leva o nome de
Em uma mistura gasosa, a pressão parcial de cada componente independe da pres- daltonismo.
são dos demais e é proporcional à porcentagem da quantidade de suas partículas em
relação ao total delas.

A pressão parcial de um gás em uma mistura é aquela que ele sozinho exerceria ocu-
pando o mesmo volume e sob a mesma temperatura em que se encontra a composição.
Como consequência dessa lei, conclui-se que a pressão total da mistura de gases
é igual à soma das pressões parciais de seus componentes. Torneira fechada

Ilustrações: Luis Moura


Considere dois recipientes A e B interligados por um fino tubo provido de uma nA nB
torneira. Com a torneira fechada, temos nA mol de gás A no primeiro recipiente A B
e nB mol de gás B no segundo, com suas respectivas pressões, temperaturas ab-
pA, VA e TA
solutas e volumes, conforme a figura ao lado. pB, VB e TB
Abrindo-se a torneira, ocorre a mistura desses dois gases, e o número total de mol
Torneira aberta
do sistema nm é a soma dos números de mol de ambos os componentes.
p·V
nm = nA + nB, em que p · V = n · R · T ou n = , que substituído na igualdade é:
R·T
pm, Vm e Tm
pm · V m p ·V p ·V p ·V p ·V p ·V
= A A + B B ⇒ m m = A A + B B
R · Tm R · TA R · TB Tm TA TB
Caso a mistura seja de três ou mais gases, basta estender o somatório para o
número deles.

Exercício resolvido

ER6. Na figura, o balão A contém certa quantidade de Resolução:


gás perfeito A sob pressão de 2 atm, e o balão B, outra
pA = 2 atm pB = 3 atm
quantidade de gás perfeito B sob pressão de 3 atm, Gás A TA = T Gás B TB = T
ambos na mesma temperatura.
VA = 3V VB = V
pm = ?
B A Mistura Tm = T
Vm = 3V + V = 4V
Substituindo os dados na expressão:
Sabendo que o balão A possui o triplo da capacidade pm · Vm pA · VA pB · VB
= + ⇒
do balão B, calcule a pressão da mistura pouco depois Tm TA TB
de aberta a torneira que separa os dois gases, supondo p · 4V 2 · 3V 3 · V
⇒ m = + ⇒ pm = 2,25 atm
que não houve variação na temperatura. T T T

82 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
FaÇa NO NÃO escreva
AtividAde PráticA caderNO NO livrO

Examinando os modelos cinéticos dos gases


Enxergar um gás não é uma coisa fácil de ser feita para nossos olhos. Entretanto, podemos per-
ceber alguns de seus efeitos e estudar o comportamento do gás com base neles. Um gás inflamável,
por exemplo, “pega fogo” em contato com uma chama. Aqui, vemos a relação entre a pressão e a
energia cinética das moléculas de gás. As variáveis de estado que aprendemos são efeitos observáveis
dos comportamentos das substâncias. Vamos relacioná-las com os modelos cinéticos dos gases.

Conceitograph
Material
•  erlenmeyer •  tela de amianto
•  bexiga de aniversário (de preferência as finas) •  folha para anotar
•  um fogareiro ou outra fonte de calor, como 
um aquecedor elétrico
Procedimento
I. Assopre um pouco a bexiga para deixá-la ligeiramente cheia. Evitando o escape do ar já contido na bexiga
para o ambiente, encaixe a bexiga de aniversário no gargalo do erlenmeyer. Deve haver somente ar dentro do
recipiente e ele deve estar bem vedado.
II. Com a supervisão do professor, coloque com cuidado o erlenmeyer para aquecer no fogareiro.
III. Observe o que acontece com a bexiga.
Discussão
1. A mistura dentro do erlenmeyer é homogênea ou heterogênea? Isso interfere no comportamento observado?
2. O que você observou?
3. Por que isso acontece?
4. Suponha que um colega de classe disse que a bexiga expande por conta do ar quente que sobe em uma
corrente de convecção. O que você pode fazer para testar essa hipótese?
5. A pressão dentro da bexiga aumenta ou diminui?
6. Como estimar essa pressão?
7. Após discutir com os seus colegas e com o seu professor, imagine que o mesmo erlenmeyer com a bexiga de
aniversário fosse colocado em uma bacia com água e gelo. O que você acha que ocorrerá com a bexiga? E
com a pressão lá dentro?
Ver Orientações Didáticas.

FaÇa NO NÃO escreva


Exercícios propostos caderNO NO livrO

EP1. Um mergulhador está no fundo de um lago, onde a Determine:


pressão que ele sente é de 2,2 atm. Devido à sua respira- a) a pressão do gás quando a temperatura do sistema
ção, utilizando equipamentos de mergulho, solta uma atinge 491,4 °C; 2,8 atm
bolha de ar com volume de 4,0 cm3. Essa bolha sobe até
a superfície, onde a pressão atmosférica é de 1 atm, man- b) a temperatura, em graus Celsius, quando a massa
tendo a sua massa e a temperatura constantes. Então: gasosa estiver sob pressão de 0,8 atm. –54,6 °C
a) que tipo de transformação gasosa acontece na as-
censão da bolha até a tona? Isotérmica EP3. Um gás, inicialmente sob temperatura de 25 °C e
b) calcule o volume da bolha no fim da subida através pressão atmosférica normal, teve o seu volume triplicado
da água. 8,8 cm3 “isobaricamente”. Determine a temperatura em que
EP2. O diagrama representa uma transformação iso- isso aconteceu. 621 °C
métrica de certa massa de gás ideal, inicialmente nas
condições normais de temperatura e pressão (CNTP). EP4. Certa quantidade de gás carbônico contido em
p (atm) um recipiente de 32 L, sob pressão de 1,0 atm e tempe-
ratura de 27 °C, foi transferido integralmente para ou-
1,0 tro recipiente de capacidade 40 L, sem que a pressão
tenha sido alterada. Como ficou a temperatura do gás,
–273 0 T (°C) em °C, imediatamente após a transferência?
A temperatura aumentou para 102 °C.
$"1∂56-0t&456%0%04("4&4 83
EP5. Um cilindro com êmbolo móvel contém 24 L de a) A massa de um mosquito?
gás nitrogênio, sob pressão de 15 atm e temperatura b) A temperatura de um mosquito?
de 27 °C. Qual será o novo volume do gás à tempera- Observe a classificação das grandezas, de acordo com a
tura de 127 °C e pressão de 30 atm? 16 L quantidade ou extensão do material à qual ela se refere:
•   grandeza intensiva: é a propriedade ou atributo que
EP6. Em um recipiente de capacidade de 15,5 L são colo- não depende da quantidade do material em estudo;
cados 110 g de CO2 (M = 44 g), à temperatura de 37 °C. •   grandeza extensiva: é a propriedade ou atributo que
Sendo dada a constante universal dos gases perfeitos depende da quantidade do material.
R = 0,082 ∙ atm ∙ L/mol ∙ K, determine: c) De acordo com essa classificação e o método acima,
utilizado para determinar as grandezas, como você
a) o número de mol do gás carbônico; 2,5 mol
classifica a massa? E a temperatura?
b) a pressão do gás no interior do recipiente. 4,1 atm
d) Ainda de acordo com essa classificação, a quantida-
de de energia térmica que um corpo possui pode ser
EP7. Um recipiente indeformável, provido de uma vál- classificada como grandeza intensiva ou extensiva?
vula, contém 300 g de um gás ideal, na temperatura de Por quê?
27 °C e sob pressão de 1,5 atm. Pela válvula são injeta-
dos mais 600 g do mesmo gás e o recipiente é aquecido EP11. (UFT-TO) Mário coloca um gás dentro de um cilin-
até a temperatura de 127 °C. dro que tem um êmbolo livre para se mover.
Nessas condições, determine a nova pressão no interior Inicialmente, esse gás está à temperatura ambiente
do recipiente. 6,0 atm (27 °C) e ocupa um volume V. Em seguida, ele coloca o
cilindro em contato com água e gelo e espera esse con-
EP8. Determine a energia cinética média de 2 mol de gás junto atingir o equilíbrio térmico a 0 °C. Nessa situação,
perfeito que se encontram sob a temperatura de 57 °C. Mário observa uma redução de, aproximadamente,
Para a constante universal dos gases perfeitos, use 10% no volume ocupado pelo gás.
Nessas condições, o gás pode ser considerado um gás ideal.
R = 8,31 J/mol ∙ K. 8 226,9 J
É correto afirmar que, na situação descrita,
a) a pressão do gás diminui, enquanto sua densidade
EP9. Calcule a energia cinética média de uma molécula
aumenta.
de gás ideal que se encontra na temperatura de 87 °C. b) a pressão e a densidade do gás diminuem.
Dada a constante de Boltzmann k = 1,38 ∙ 10–23 J/K. c) a pressão do gás permanece a mesma, enquanto sua
7,45  10 –21 J densidade aumenta. X
EP10. Você tem um vidro com 1 000 mosquitos no seu d) a pressão do gás permanece a mesma, enquanto sua
interior. Como você deve proceder para medir: densidade diminui.
EP10. a) Sugestão de procedimento: medir a massa total (vidro + mosquitos), subtrair a do vidro vazio e dividir o resultado por 1 000.
b) Sugestão de procedimento: colocar um termômetro dentro do vidro e medir a temperatura. A medida obtida será a medida
da temperatura de qualquer mosquito dentro do vidro. c) A massa é grandeza extensiva e a temperatura é grandeza intensiva.
d) Extensiva, pois a quantidade de energia térmica de um corpo depende da quantidade do
material que o compõe.

Para saber mais

Revista
O uso da terminologia Normal e Padrão
Química Nova na Escola, n. 25, maio de 2007.
Disponível também em: <http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc25/ccd01.pdf>. Acesso em: 23 out. 2015.

Temperatura, pressão e volume molar


Química Nova na Escola, n. 2, novembro de 1995.
Disponível também em: <http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc02/atual2.pdf>. Acesso em: 23 out. 2015.

Artigos publicados na revista Química Nova na Escola descrevem condições de temperatura e pressão segun-
do critérios distintos, mostrando que as divergências entre os valores da pressão-padrão e mesmo da pressão
atmosférica transcendem o ambiente escolar, e que um sistema depende de escolhas convenientes e da
exata declaração desses critérios.

84 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
6
CAPêTULO
Termodinâmica

A Física está fundamentada em princípios de conservação. Até aqui,


Alexander Walter /Getty Images

você conheceu as leis de conservação da massa, da quantidade de movi-


mento, da energia, e alguns de nossos atos são em parte justificados por
esse conhecimento, muitas vezes obtido de modo informal.
Nossos antepassados já obtinham fogo atritando dois pedaços de madei-
ra seca; hoje sabemos que o trabalho executado pela força dos braços move
os gravetos, e parte dessa energia se converte em calor por atrito, que eleva
a temperatura até o ponto de ignição da madeira. A energia mecânica é
transformada em calor, e até aqui nossa explicação atende ao princípio de
conservação da energia.
Da mesma forma, se lançarmos um bloco, fazendo-o deslizar sobre um
piso horizontal, ele para após ter cumprido certo deslocamento, por efeito
do atrito; nesse caso, toda a energia cinética do lançamento foi convertida
em calor — uma investigação cuidadosa deixa evidente que o bloco, o piso
Para o ser humano, produzir e dominar o e o ar se aquecem. Observe que, em nenhum desses processos, entrou em
fogo era um fato tão importante que se
transformou no mito de Prometeu. discussão o que ocorreu com a fração da energia que se converteu em calor.
Por outro lado, o calor também se converte em energia mecânica,
válvula como trabalho. Você já notou que o vapor-d’água de dentro da panela de
válvula de com pino
segurança pressão faz levantar seu pino de segurança?
Qual é a diferença entre os dois primeiros processos e este último?
Luis Moura

vapor
Uma delas é o sentido da transformação — a primeira converte energia
água mecânica em calor, e a segunda faz o processo inverso. A outra diferença,
alimentos
não tão evidente mas muito importante, é o fato de que sempre podemos
converter toda a energia mecânica de um processo em calor, mas o con-
trário nunca é possível.
Esse fato chamou a atenção de estudiosos como Benjamin Thompson,
Sadi Carnot, Robert Mayer, Rudolph Clausius e James Joule, envolvidos
com o estudo das características dos gases, nos séculos XVIII e XIX, e inte-
ressados em melhorar o desempenho das máquinas a vapor, como as cal-
deiras de uma locomotiva.
Para a completa descrição desses fenômenos, eles relacionaram as
variáveis macroscópicas dos gases já conhecidas: pressão, volume e tem-
peratura. A constatação de que havia um sentido preferencial das trans-
formações (tanto no fluxo do calor como na forma de energia transfor-
mada) e a necessidade de explicar esse comportamento levaram ao
reconhecimento de outra grandeza, a entropia, que será estudada ainda
neste capítulo, e a uma interpretação estatística do comportamento das
partículas que compõem os sistemas macroscópicos, opondo-se à tradi-
ção de descrever um sistema pelas equações de movimento da Mecânica
Newtoniana.

Capítulo 6 • termodinâmiCa 85
Com essas inovações, cientistas como Stephan Boltzmann e Max Planck contri-
buíram para o estabelecimento de um novo ramo da Física, a Termodinâmica, e
mais tarde, a Mecânica Quântica.
O objetivo inicial da Termodinâmica era estabelecer as relações entre calor e
trabalho, além de estudar transformações gasosas particulares sob o ponto de vista
energético, assim como o funcionamento das então denominadas máquinas térmi-
cas.
Hoje, a Termodinâmica se ocupa com quaisquer transformações de energia em
sistemas macroscópicos. Usam-se conceitos da Termodinâmica na Engenharia, na
Química, na Biologia etc. Alguns fenômenos ligados à Economia apresentam justifi-
cativas bastante interessantes, baseadas em argumentos termodinâmicos.
2013 The M.C. Escher Company-Holland. All rights reserved/Gemeentemuseum

O artista gráfico holandês Maurits Cornelis


Escher especializou-se em representar
estruturas impossíveis em gravuras
bidimensionais. Nesta litografia (Waterfall,
1961), ele reúne planos que, em conjunto,
representam uma quantidade de água em
aparente movimento espontâneo, que na
realidade não ocorre. A espontaneidade dos
processos é um dos objetos de estudo da
Termodinâmica.

Termos-chave em Termodinâmica
Sistema
Para o entendimento da Termodinâmica, precisamos definir aquilo que se vai
estudar e o que fica de fora desse processo. Denomina-se sistema toda a região do
espaço que é objeto de estudo; ela é separada do restante do universo por uma
superfície fechada, real ou imaginária, chamada fronteira.
Os sistemas termodinâmicos são chamados de macroscópicos porque são for-
mados por um número enorme de partículas (em torno de 1019), para as quais es-
crever (e resolver) as equações de movimento seria uma tarefa impossível. A parte
restante do universo que não entra no estudo é chamada de meio externo, exterior
ou vizinhança.
Do ponto de vista das trocas com a vizinhança, um sistema pode ser classificado em:
• Sistema isolado: é aquele que não troca energia nem matéria com o meio
externo. Não existe um sistema isolado perfeito, mas podemos citar a garrafa
térmica como um bom exemplo de sistema que fica isolado por um curto
período de tempo;

86 Unidade 1 • TeRmologia
• Sistema fechado: é aquele que troca energia, mas não matéria com o meio ex-
terno; uma latinha de refrigerante que não foi aberta pode funcionar como um
sistema fechado, pode ser resfriada (perder calor) ou aquecida (ganhar calor)
sem que seja alterada a quantidade de refrigerante em seu interior;
• Sistema aberto: é aquele que troca energia e/ou matéria com o meio externo.
Um exemplo é a mesma latinha de refrigerante, mas aberta;
• Sistema termicamente isolado: é o sistema que não troca calor com a vizinhança,
ainda que nele possa ocorrer alguma modificação. As paredes de um recipiente
termicamente isolado são chamadas de adiabáticas (do grego adiábatos, que
quer dizer intransponível). As paredes da garrafa térmica, por um período de
tempo, são adiabáticas.

Processo termodinâmico
Vimos que o estado de um gás perfeito fica caracterizado por suas variáveis de
estado — pressão, volume, temperatura. Para caracterizar uma transformação,
basta verificar a alteração de uma delas. Essas três grandezas, mais a quantidade
de partículas, em número de mol, relacionam-se pela equação de estado dos gases
perfeitos p ∙ V = n ∙ R ∙ T, de modo que basta conhecer três delas para determinar
univocamente as características do sistema gasoso.
Na Termodinâmica, essas grandezas
Estado 1 (inicial) Estado 2 (final)
permitem calcular a energia trocada nas
Pressão p1 Pressão p2 transformações, sendo, por esse motivo,
Volume V1 Processo Volume V2
denominadas propriedades ou funções
termodinâmicas do sistema. Quando uma
Temperatura T1 termodin‰mico Temperatura T2
dessas grandezas termodinâmicas sofre
Densidade d1 Densidade d2 alguma alteração, dizemos que ocorreu
etc. etc. uma transformação ou um processo ter-
Cada estado é caracterizado por um conjunto de grandezas denominadas variáveis modinâmico.
de estado.

Energia interna do gás


Há várias características de um sistema que contribuem para a determinação de
sua energia: interações com campos — gravitacional, elétrico ou magnético —,
movimentos em relação a referenciais inerciais, ou a própria configuração interna de
seus componentes, tais como os deslocamentos das partículas que o compõem e as
interações entre elas. Se quisermos apenas caracterizar a energia associada aos ele-
mentos de que o sistema é constituído, estaremos falando de sua energia interna.
No caso de um gás real, a energia interna é determinada pelas energias cinéticas
de translação, rotação e vibração das moléculas, energia potencial intermolecular,
energia potencial armazenada nas ligações dos elétrons etc. Mas, se quisermos tra-
tar de gases ideais, devemos descrever o sistema em termos do modelo cinético,
segundo o qual o gás é composto de pequenas partículas em um sistema fechado.
Sabemos que a energia interna do gás real depende de sua pressão ou do seu volu-
me, assim como da sua temperatura. No entanto, se limitarmos a discussão aos gases
ideais, as premissas do modelo cinético nos permitem concluir que a dependência da
energia com a pressão ou o volume é desprezível, se comparada com a temperatura.
Vimos no capítulo anterior que a única variável de estado que altera a energia
cinética de uma massa de gás perfeito é a temperatura absoluta, desde que não
haja mudança de fase. Assim, a energia interna U de um gás ideal reduz-se à sua
energia cinética Ec:
3
U = Ec = n·R·T
2
em que n é o número de mol do gás, R é a constante universal dos gases perfeitos e T,
a temperatura absoluta do gás.

Capítulo 6 • termodinâmiCa 87
A energia interna pode ser considerada uma variá-
vel de estado do gás. Saiba mais sobre o modelo
Se o gás passar por uma transformação, é mais ade-
quado medir a variação da energia interna de um siste- cinético:
ma (DU) em dada temperatura: Como definição geral, o modelo cinético con-
siste em uma amostra composta de grande núme-
3
• no estado 1 (inicial): U1 = n · R · T1; ro de partículas, em movimento aleatório, as quais
2
têm dimensões desprezíveis em relação à distância
3 entre si. As colisões entre partículas ou entre uma
• no estado 2 (final): U2 =n · R · T2.
2 partícula e a parede são elásticas e de duração des-
A variação da energia interna associada à transfor- prezível, e entre colisões sucessivas o movimento
mação será: das partículas é retilíneo.
As forças intermoleculares entre partículas só
3
DU = U2 – U1 = n · R · (T2 – T1) ou se manifestam durante as colisões, e estas ocorrem
2
com conservação de energia.
3
DU = n · R · DT
2

Thinkstock/Getty Images
A energia interna de certa massa de gás perfeito é função exclusiva
de sua temperatura.
De acordo com a expressão da variação da energia interna, são possí-
veis as seguintes conclusões:
• se a temperatura do gás aumenta, sua energia interna aumenta:
T2 . T1 ) DT . 0 ) DU . 0;
• se a temperatura do gás diminui, sua energia interna diminui:
T2 , T1 ) DT , 0 ) DU , 0; O ar que injetamos no pneu de uma bicicleta
por meio de uma bomba sofre variação de
• se a temperatura do gás é a mesma nos estados inicial e final, não varia energia interna?
sua energia interna: Somente se a temperatura do ar sofrer
variação então o ar que entra no pneu terá
T2 5 T1) DT 5 0 ) DU 5 0. variação de energia interna.

Trabalho envolvido na transformação do gás


Sabemos que todo trabalho é realizado por uma força. Fornecendo calor a uma
massa gasosa, confinada em um recipiente cilíndrico provido de êmbolo móvel
(como uma bomba manual de encher pneu de bicicleta), o gás se expande e as
forças exercidas contra as paredes do recipiente movimentam o êmbolo, deslocan-
do-o e realizando, então, trabalho.
Vamos descrever esse trabalho em termos das variáveis de estado do gás, con-
siderando uma quantidade de gás contida em um recipiente cilíndrico cuja área de
seção reta mede A, provido de um êmbolo móvel que desliza sem atrito com velo-
cidade constante em seu interior, e sobre o qual é colocado um peso para que a
transformação seja isobárica, isto é, ocorra sob mesma pressão. Fornecendo-se ao
gás uma quantidade de calor Q, ocorre a expansão do gás e o êmbolo desloca-se
uma distância d, conforme ilustram as figuras.
Ilustrações: Conceitograf

área A
êmbolo
móvel
d = deslocamento
do êmbolo
Q
fonte
térmica

Estado inicial: p1, V1 e T1. Na expansão, as variáveis de Estado final: p2, V2 e T2.
estado sofrem alteração.

88 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
O trabalho realizado pelo gás para deslocar o êmbolo é: t = F ∙ d a
Lembrando que pressão é a relação entre força aplicada e área de aplicação,
F
p = ou F = p · A; substituindo esse resultado em a, obtemos: t = p ∙ A ∙ d b
A
Das figuras, podemos concluir que a variação no volume é:
DV = V2 – V1 = A ∙ d c
Finalmente, substituindo c em b, chegamos a: t = p ∙ DV
que é a expressão do trabalho sob pressão constante.
Observe que a igualdade t = p ∙ DV pode ser interpretada como a área abaixo da
curva do diagrama p × V, ou seja: A = t.
N

p p

Ilustrações: TPG
Justifique a afirmação
aproximando a área sob a curva
a pequenos retângulos com p
bases apoiadas no eixo x;
quanto menores forem os
A A
retângulos, mais próximos
serão os valores dessa área e
do trabalho. 0 V1 V2 V 0 V
A expressão anterior pode ser generalizada para
∆V qualquer transformação: o trabalho envolvido
A área A da figura representa o trabalho na transformação do gás é a área sob a curva
realizado a uma pressão constante. do diagrama p × V.

O sinal da grandeza trabalho possui significado. Os diagramas a seguir referem-


-se a um gás que sofre transformação desde o volume inicial V1 até o volume final
V2, sendo a área da figura marcada correspondente ao trabalho realizado.
• Trabalho positivo: t . 0, ocorre quando o volume final é maior que o inicial — é
uma expansão gasosa em que o sistema realiza trabalho.
p p

p2 p1
p1 p2
A A

0 V1 V2 V 0 V1 V2 V
Expansão gasosa com aumento de pressão. Expansão gasosa com diminuição de pressão.

• Trabalho negativo: t , 0, ocorre quando o volume final é menor que o inicial —


trata-se de uma compressão gasosa em que o trabalho é realizado sobre o sistema.
p p

p1 p2
p2 p1
A A

0 V2 V1 V 0 V2 V1 V
Compressão gasosa com diminuição de pressão. Compressão gasosa com aumento de pressão.
• Trabalho nulo: t 5 0, ocorre na transformação isocórica, quando o volume não
se altera (DV 5 0).
p p
p2 p1
A=0 A=0
p1 p2

0 V1 = V2 V 0 V2 = V1 V
Trabalho nulo com aumento de pressão. Trabalho nulo com diminuição de pressão.

$"1∂56-0t5&3.0%*/¨.*$" 89
Exercícios resolvidos

ER1. Determine a variação de energia interna sofrida d) No processo isobárico, vale a relação: t = p ∙ DV.
por 10 mol de um gás considerado ideal, sabendo-se DV = VB – VA = 0,3 – 1,3 ) DV = –1,0 m3
que sua temperatura passou de 27 °C para 127 °C. t = 4,15 ∙ 104 ∙ (–1,0) ) t = –4,15 · 104 J
Dado: R = 8,31 J/mol ∙ K.
O sinal negativo significa que o trabalho foi realizado
Resolução: sobre o gás. Esse valor também poderia ser obtido
n = 10 mol calculando-se a área sob a curva, no intervalo entre
Temos: T1 = 27 ºC = 300 K
T2 = 127 ºC = 400 K6DT = T2 – T1 =
os volumes considerados.
ER3. Certa massa gasosa de gás perfeito sofre uma ex-
= 400 K – 300 K = 100 K pansão, indo do estado A para o estado B, como mos-
Substituindo os dados na expressão de variação de tra o diagrama. No estado A, a temperatura é de 200 K.
energia interna, resulta: p (103 N/m2)
DU = 3 n ∙ R ∙ DT = 3 ∙ 10 ∙ 8,31 ∙ 100
2 2 A
3
\ DU = 12 465 J
2 B
ER2. Em um recipiente encontram-se 140 g de gás de
massa molar M = 28 g/mol, inicialmente no estado A, con-
forme mostra o diagrama. Ocorre um processo de com-
pressão isobárica, com o gás passando para o estado B, no 0 0,5 1,2 V (m3)
qual a temperatura é de 300 K. Dado: R = 8,3 J/mol ∙ K. a) Determine a temperatura no estado B.
p (N/m )
2
b) Calcule o trabalho realizado no processo.
B A
p
Resolução:
Temos os seguintes dados:
TA = 200 K; pA = 3 · 103 N/m2; VA = 0,5 m3;
pB = 2 · 103 N/m2; VB = 1,2 m3
0 0,3 1,3 V (m3)
a) Para determinar a temperatura no estado B, apli-
Determine: camos a equação de estado dos gases perfeitos:
a) o número de mol de gás contido no recipiente; pA ∙ VA pB ∙ VB ∙ 3∙ ∙ 3∙
b) a pressão em que ocorre o processo; = ) 3 10 0,5 = 2 10 1,2
TA TB 200 TB
c) a temperatura inicial do gás no estado A;
\ TB = 320 K
d) o trabalho realizado na transformação.
b) O trabalho realizado no processo é numericamen-
Resolução: te igual à área A da figura:
a) O número de mol é calculado por: p (103 N/m2)
A
n = m = 140 ) n = 5 mol 3
M 28
Ilustrações: TPG

b) Pelo diagrama, TB = 300 K, VB = 0,3 m3 e VA = 1,3 m3. 2 B


A
Substituindo os dados do estado B na equação do
estado de gases perfeitos, temos:
p ∙ VB = n ∙ R ∙ TB ) p ∙ 0,3 = 5 ∙ 8,3 ∙ 300 ) 0 0,5 1,2 V (m3)
) p = 4,15 · 104 N/m2 t =N A = 1 B + b 2 · h =
2
c) Como a transformação é isobárica, aplicamos a
= 3 · 10 + 2 · 10 · (1,2 – 0,5) = 1,75 · 103
3 3
Lei de Charles e Gay-Lussac:
2
VA VB
= ) 1,3 = 0,3 ) TA = 1 300 K Portanto, 1,75 · 103 J .
TA TB TA 300

90 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Primeira Lei da Termodinâmica
Quando um sistema passa por um processo termodinâmico, sua energia total é
composta de duas partes:
• Energia externa: é a energia trocada pelo sistema com o meio exterior na forma
de calor e trabalho, não fazendo parte dele.
• Energia interna: é a energia que está no interior do sistema, ou seja, é intrínseca a ele.
Assim, todo balanço energético deve contemplar essas parcelas.
Voltemos ao exemplo da bomba de encher pneu de bicicleta. Se fornecermos
calor ao ar contido no seu interior, o que acontecerá? Esperamos que o ar se aqueça,
mas pode ser que ocorra algo mais.
Um acréscimo de energia pode contribuir para o aumento do estado de agitação
das moléculas, o que implicaria um aumento de temperatura; porém, o eventual
aumento de pressão pode fazer com que o ar sofra expansão e empurre o êmbolo
para fora da câmara, e isso representa trabalho contra o meio externo.
Assim, podemos esperar que o acréscimo de energia, que neste caso é o calor, con-
verta-se em energia interna e trabalho. As quantidades de cada modalidade de energia
podem variar, mas é certo que a soma de ambas deve ser igual ao
Luis Moura

τ
acréscimo de energia fornecido. Não há novidade aqui: este é o
U1 U2 Princípio da Conservação da Energia.
p1 p2 Vamos pensar em um caso mais geral. Seja o processo termo-
V1 Q V2 dinâmico exemplificado na figura ao lado, em que um sistema
T1 T2 gasoso recebe do meio exterior uma quantidade de calor Q. Essa
energia pode ser dividida em duas parcelas: uma utilizada para
Estado inicial: As variáveis do estado
conhecemos as variáveis final (p2, V2, T2) permitem fazer variar sua energia interna segundo a fórmula DU = U2 – U1,
de estado (p1, V1, T1) e a identificar as transformações e a outra usada para interagir com o exterior através de sua fron-
energia interna U1.
teira, por meio de um trabalho t.
energéticas ocorridas.

DU = U2 – U1 É fácil escrever a relação entre Q, DU e t, que é conhecida


como a Primeira Lei da Termodinâmica:

Q = DU + t

Esse balanço energético nada mais é do que uma confirmação do Princípio da


Conservação da Energia, pois, do total da energia recebida pelo gás, parte serve
para aumentar sua temperatura e o que eventualmente sobra realiza trabalho ao
deslocar a fronteira.
Reescrevendo esse balanço em termos da energia interna do gás, temos:

DU = Q – t

Observe o sinal negativo do termo que representa o trabalho. Isso nos remete ao
fato de que esta é uma expressão algébrica, isto é, o sinal desses termos está atrela-
do a um significado para o gás. Assim, quando:
• Q . 0 (positivo): significa que o gás recebeu calor do exterior;
• Q , 0 (negativo): significa que o gás cedeu calor ao exterior;
• Q 5 0 (nulo): significa que o gás não trocou calor com o exterior (transforma-
ção adiabática); todo o trabalho trocado se converteu em variação de energia
interna;
• DU . 0 (positivo): significa que a temperatura do gás aumentou;
• DU , 0 (negativo): significa que a temperatura do gás diminuiu;
• DU 5 0 (nulo): significa que o processo é isotérmico; qualquer que tenha sido a
troca com o exterior, a temperatura se manteve constante;

$"1∂56-0t5&3.0%*/¨.*$" 91
• t . 0 (positivo): significa que o gás sofreu expansão; o volume aumentou, por-
tanto o gás realizou trabalho sobre o exterior;
• t , 0 (negativo): significa que o gás sofreu compressão; o volume diminuiu,
portanto o trabalho foi realizado sobre o gás;
• t 5 0 (nulo): significa que não houve variação no volume; qualquer que tenha
sido a troca com o exterior, não houve realização de trabalho do gás ou do
exterior.

Experimentos de Joule e Primeira Lei da Termodin‰mica


Vimos no capítulo 3 como James Joule determinou o equivalente mecânico do calor, convertendo o trabalho
da força peso em calor, fazendo variar a temperatura da água contida em um recipiente termicamente isolado;
isto é, sem que houvesse outras trocas de calor (nessas condições, o processo é adiabático).
Vamos repetir a experiência,

Conceitograf
trocando o líquido do recipiente
por um gás na temperatura T1. O F F
trabalho sobre o gás pode ser rea- V1 V2
lizado por meio de uma força que
provoque o deslocamento da
fronteira, como na figura ao lado. O trabalho realizado sobre um sistema termicamente isolado é chamado trabalho
Se essa força for aplicada tão adiabático.
rapidamente que não permita a troca de calor com o exterior, veremos

Fernando Favoretto/Criar Imagem


que o gás sofrerá aquecimento e sua temperatura se elevará a T2.
Então, o que é feito do trabalho sobre o gás? Se há aumento de
temperatura, então a energia interna do gás aumenta (é o que aconte-
ce, por exemplo, quando enchemos uma bola bombeando ar rapida-
mente para o seu interior). Se não pudermos garantir, a priori, que as
paredes do recipiente sejam adiabáticas, mas se o gás sofrer uma expan-
são tão rápida que possamos desprezar o calor trocado com o exterior,
o que veremos é um resfriamento do gás.
Joule repetiu esse experimento para outras situações, variando os
tipos de transformação e a maneira como o trabalho era inserido no
sistema, e os resultados levaram sempre à mesma conclusão: a varia-
ção da energia interna dependia exclusivamente da variação de tem-
peratura do sistema.
Agora, suponhamos que se deseja provocar a mesma variação
de temperatura por outros meios, por exemplo, levando o gás a
um recipiente em que as paredes permitam trocas de calor com o
exterior.
Partindo da temperatura T1, fazemos com que o gás chegue à
temperatura final T2. Se é verdade que a variação de energia interna Em vazamentos de botijões de gás, pode
depende apenas da variação de temperatura, então certamente a acontecer de a válvula ficar congelada na região
de escape: é o efeito da expansão adiabática
variação de energia interna nos dois processos será a mesma. Se não do gás. A energia necessária para realizar o
houver variação de volume, o incremento de energia interna se de- trabalho durante a expansão é retirada de sua
própria energia interna.
verá ao calor absorvido, unicamente. Se houver variação de volume,
então haverá trabalho realizado pelo gás, mas constata-se experimentalmente que ele é menor que o trabalho
adiabático.
A que se deve, então, essa diferença entre os trabalhos realizados em ambos os casos? Esse incremento da
energia interna que não se deve ao trabalho realizado é o calor trocado entre o gás e o exterior. Assim, a expres-
são DU = Q – t exprime corretamente o Princípio da Conservação da Energia.

92 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Exercícios resolvidos

ER4. Certa massa de gás perfeito recebeu 300 J de c) o trabalho realizado pelo gás na transformação do
energia do meio exterior e realizou um trabalho estado 1 para o 2;
de 500 J. Nessas condições, responda: d) a quantidade de calor recebida pelo gás do meio
a) qual foi a variação de energia interna sofrida pelo gás? ambiente.
b) a temperatura do sistema aumentou ou diminuiu
Resolução:
nesse processo?
Dados:
Resolução: n = 5 mol; R = 8,3 J/mol ∙ K;
Do enunciado, temos: Q = 300 J e t = 500 J. p1 = 2 ∙ 103 N/m2; V1 = 1,66 m3; p2 = 5 ∙ 103 N/m2 e
V2 = 4,98 m3
a) Da expressão da Primeira Lei da Termodinâmica,
a) As temperaturas podem ser obtidas aplicando-se a
resulta:
equação de estado em cada caso:
DU = Q – t ) DU = 300 – 500 ) DU = –200 J
p∙V
b) Como a variação da energia interna do gás resul- p∙V=n∙R∙T)T= n∙R
tou num valor negativo, a temperatura diminuiu. p1 ∙ V1 2 ∙ 103 ∙ 1,66

5
T1 = =
n∙R 5 ∙ 8,3 T1 = 80 K
ER5. No interior de um recipiente provido de um êmbolo ) T2 = 600 K
p2 ∙ V2 5 ∙ 103 ∙ 4,98
móvel, encontram-se 5 mol de certo gás monoatômico, T2 = =
n∙R 5 ∙ 8,3
inicialmente no estado 1. Ao sofrer o processo termodi- b) Para gases monoatômicos, vale:
nâmico, mostrado no diagrama, a massa gasosa passa
para o estado 2. Considere a constante universal dos DU = 3 n ∙ R ∙ DT,
2
gases perfeitos R = 8,3 J/mol ∙ K. em que DT = T2 – T1 = 600 K – 80 K = 520 K.
DU = 3 ∙ 5 ∙ 8,3 ∙ 520 ) DU = 32 370 J
p (103 N/m2) 2
2 c) A área sob a curva do diagrama é numericamente
5
igual ao trabalho realizado na transformação de
1 para 2.
1
2 1 2
t =N A = B + b ∙ h =
2
∙ 2 ∙ 103 ∙ (4,98 – 1,66) = 11 620
1 2
3
= 5 10 +
2
0 1,66 4,98 V (m3)
Portanto, t = 11 620 J .
Determine: d) Aplicando a Primeira Lei da Termodinâmica na
a) as temperaturas do gás nos estados 1 e 2; transformação, temos:
b) a variação da energia interna do gás no processo DU = Q – t ou Q = DU + t = 32 370 + 11 620
descrito; \ Q = 43 990 J

A Primeira Lei e as transformações gasosas


Vamos estudar as três transformações gasosas particulares, vistas no capítulo 5,
sob o ponto de vista da Primeira Lei da Termodinâmica, e conhecer outra ainda não
estudada, na qual o sistema não troca calor com o meio externo.
Consideraremos, nessas transformações, o estado inicial 1 com pressão p1, volu-
me V1 e temperatura absoluta T1 e o estado final 2 com p2, V2 e T2, variáveis que se
relacionam na equação de estado dos gases perfeitos:
p1 · V1 p2 · V2
=
T1 T2

$"1∂56-0t5&3.0%*/¨.*$" 93
Transforma•‹o isotŽrmica
Na transformação isotérmica temos: T1 = T2 ou DT = 0, e a equação de estado dos
gases perfeitos se reduz à Lei de Boyle, p1 ∙ V1 = p2 ∙ V2. Note que essa sentença é do
k
tipo y = , que relaciona grandezas inversamente proporcionais. Essa fun- p
x
ção é decrescente e o seu gráfico é uma hipérbole equilátera (veja ao lado).
Vamos analisar essa transformação de acordo com a Primeira Lei da

TPG
curva isotérmica
Termodinâmica, ΔU = Q – t. Sabemos que a área A sob o gráfico p × V p1
representa o trabalho do sistema trocado com o exterior.
Se DT = 0, não há variação da energia interna (DU = 0), e a equação da
Primeira Lei da Termodinâmica, DU = Q – t, resulta 0 = Q – t, ou seja, Q = t. p2 A
Na transformação isotérmica, a quantidade de calor trocada pelo sis-
0 V1 V2 V
tema com o exterior converte-se integralmente em trabalho; essa conclu-
são é coerente com a regra de sinais adotada:
• se o sistema recebe calor (Q > 0), então essa energia se converte em trabalho útil
(t . 0);
• se o sistema cede calor (Q , 0), então ocorre uma compressão isotérmica e o
trabalho é negativo (t , 0).

Exercícios resolvidos
ER6. Certa massa gasosa contida em um sistema sofreu a) o volume VB;
uma compressão isotérmica ao ceder 500 J de calor b) a temperatura em que a transformação ocorre;
para o ambiente. Qual foi o trabalho realizado? c) a variação da energia interna do gás;
Resolução: d) a quantidade de calor trocada pelo gás.
Se o sistema sofreu uma compressão isotérmica, seu vo-
Resolução:
lume diminuiu, tendo a temperatura permanecido cons-
tante. Portanto, não houve variação da energia interna: A área A do diagrama vale 2 000 e representa o traba-
DU = 0, e, se o sistema perdeu calor, temos Q = –500 J. lho realizado pelo gás, conforme as unidades de me-
dida apresentadas. Portanto, temos t = 2 000 J
Na transformação isotérmica, a equação da Primeira
(positivo porque houve expansão).
Lei da Termodinâmica se torna:
Do diagrama: pA = 4 ∙ 105 N/m2;
DU = Q – t ) 0 = Q – t ) t = Q ) t = –500 J
VA = 0,01 m3 = 10–2 m3; pB = 1 ∙ 105 N/m2.
O sinal negativo significa que o trabalho foi realizado
a) Na transformação isotérmica, pA ∙ VA = pB ∙ VB:
sobre o sistema.
4 ∙ 105 ∙ 10–2 = 1 ∙ 105 ∙ VB )
ER7. Uma massa de gás ideal sofre a transformação ) VB = 4 · 10 –2 m3 = 0,04 m3
isotérmica AB, como indica o diagrama. Sabe-se que a
b) Aplicando a equação de estado dos gases perfeitos
área A marcada no diagrama vale, numericamente,
no estado A: pA ∙ VA = n ∙ R ∙ TA
2 000. Sendo a constante universal dos gases perfeitos
R = 8,3 J/mol ∙ K, calcule: 4 ∙ 105 ∙ 10–2 = 0,8 ∙ 8,3 ∙ TA ) TA = 602,4 K
Como a transformação é isotérmica,
TPG

p (105 N/m2)
A TA = TB = 602,4 K
4
c) Dado que não há mudança na temperatura, a
variação da energia interna é nula: DU = 0
A B d) Aplicando a Primeira Lei da Termodinâmica:
1
DU = Q – t
0 0,01 VB V (m3) 0 = Q – 2 000 ) Q = 2 000 J

94 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Transformação isocórica (ou isométrica ou isovolumétrica)
Na transformação isocórica, V1 = V2 ou DV = 0, e a equação de estado dos gases
p
Ilustrações: TPG

reta paralela ao p1 p2
eixo das pressões perfeitos se reduz à Lei de Charles e Gay-Lussac, = .
p2 T1 T2
No diagrama p × V representa-se uma reta paralela ao eixo das pressões, como mos-
p1 trado ao lado.
Se DV = 0, o sistema não realiza nem sofre trabalho (t = 0), e a equação da Pri-
V1 = V2 V
meira Lei da Termodinâmica se torna:
Pela regra de sinais, se o sistema DU = Q – t ) DU = Q – 0 ) DU = Q
recebe calor (Q . 0), a temperatura
aumenta e a variação da energia
interna é positiva (DU . 0); e, se
Portanto, na transformação isocórica a variação da energia interna do sistema é igual
o sistema perde calor, Q e DU à quantidade de calor trocada por ele com o meio externo; é um bom exercício verificar
são negativos.
que esse fato é coerente com a regra de sinais adotada para os termos da expressão.
A quantidade de calor recebida ou cedida pelo sistema que contém certa massa
de gás é calculada usando-se a expressão QV = m ∙ cv ∙ DT, em que cv é o calor espe-
cífico do gás a volume constante. Se DT . 0, o sistema recebe calor aumentando a
pressão, e, se DT , 0, o sistema perde calor e a pressão diminui, como mostram os
diagramas.
p p

sistema recebe sistema perde


p2 calor: Q ⬎ 0 p1 calor: Q ⬍ 0

T2 T1
p1 T1 p2 T2

V1 = V2 V V1 = V2 V
Nas duas transformações, a variação de energia interna se deve unicamente à troca
de calor do sistema com o exterior.

Exercício resolvido

ER8. Em uma transformação a volume constante, 1 cal = 4,2 J


200 g de gás ideal sofrem uma variação de tempera- T1 = 200 K
tura de 200 K para 600 K. Considerando o calor espe- T2 = 600 K
cífico do gás a volume constante cv = 1,25 cal/g · K e a) A quantidade de calor na transformação isocórica
1 cal = 4,2 J, determine: é calculada usando-se a expressão:
a) a quantidade de calor trocada pelo gás na trans- Q = m ∙ cv ∙ (T2 – T1)
formação; Q = 200 ∙ 1,25 ∙ (600 – 200)
b) o trabalho realizado no processo; Q = 2 ∙ 102 ∙ 1,25 ∙ (400) = 2,5 ∙ 4 ∙ 104 )
c) a variação da energia interna sofrida pelo gás. ) Q = 105 cal = 105 ∙ 4,2 J ) Q = 4,2 · 105 J
b) Em uma transformação com volume constante,
Resolução: não há realização de trabalho. Portanto, t = 0
Temos os seguintes dados: c) Aplicando a Primeira Lei da Termodinâmica no
m = 200 g processo, temos: DU = Q – t = Q – 0 = Q.
cv = 1,25 cal/g ∙ K Assim, DU = 4,2 · 105 J .

$"1∂56-0t5&3.0%*/¨.*$" 95
Transformação isobárica
Na transformação isobárica, p1 = p2 ou Dp = 0, e a equação geral dos gases perfeitos
V V
se reduz à Lei de Charles e Gay-Lussac, 1 = 2 . No diagrama p × V, a curva é uma reta
T1 T2
paralela ao eixo dos volumes e a área A representa numericamente o trabalho.
No caso da transformação isobárica, o trabalho também pode ser calculado p

TPG
usando-se a expressão: t = p ∙ DV, em que p = p1 = p2. Veja ao lado. p1 = p2
A Primeira Lei da Termodinâmica para essa transformação exibe todos os termos:
A
DU = Q – t, em que nenhum dos seus termos é nulo. No entanto, algebricamente
pode ocorrer uma das duas situações: a expansão ou a compressão isobárica, con-
0 V1 V2 V
forme indicam os diagramas seguintes.
p p
compressão expansão

TPG
isobárica isobárica

p1 = p2 p1 = p2
T1 T2

T2 T1
V2 V1 V V1 V2 V

Na expansão, aumentam o volume (DV . 0) e a temperatura (DT . 0); isto é,


segundo a Primeira Lei da Termodinâmica, o trabalho realizado e a variação da
energia interna são valores positivos. Daí, podemos concluir que o calor Q trocado
pelo sistema deve ser maior que o trabalho efetuado t.
Na compressão isobárica, diminuem o volume (DV , 0) e a temperatura (DT , 0);
daí se conclui que o calor cedido Q pelo sistema é menor (algebricamente) que o
trabalho realizado sobre o sistema.
A quantidade de calor trocada nessa transformação é: Qp = m ∙ cp ∙ DT, em
que cp é o calor específico do gás sob pressão constante.

Para cada caso, um calor específico próprio


Você deve ter notado que, para a realização do cálculo do p
calor trocado nas transformações isobárica e isocórica, foram

TPG
introduzidas duas grandezas, cp e cV , calores específicos do τAB = 0
gás, respectivamente, a pressão e a volume constantes. Por
que motivo devemos usar calores específicos diferentes para
cada tipo de transformação?
B
Determinar a variação de energia entre dois estados termo- pB = pC
C T2
dinâmicos é o mesmo que estabelecer a diferença de energia
A
entre dois estados quaisquer representados sobre duas isoter- τBC T1
mas. Observe o gráfico ao lado:
Como TA = TC, a variação de energia interna entre os estados VC VA = VB V
A e B e entre os estados C e B é a mesma.
Sejam QV e QP as quantidades de calor trocadas a volume e a pressão constantes, respectivamente. A trans-
formação A ! B é isocórica, então t = 0 e DUAB = QV; a transformação C ! B é isobárica, então t = p ∙ DV  0
e DUCB = Qp – t. Já sabemos que DUAB = DUCB, então QV = Qp – t ou Qp . QV.
Por esse motivo, Qp = m ∙ cp ∙ DT e QV = DU = m ∙ cv ∙ DT. Uma decorrência importante desse resultado é que cp . cV.

Calor molar – Relação de Mayer


Uma amostra de gás de massa m, formada por partículas de massa molar M,
m
encerra um número n de mol igual a n = ou m = n ∙ M; substituindo essa ex-
M
pressão em Q = m ∙ c ∙ DT, temos Q = n ∙ M ∙ c ∙ DT.

96 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
O calor molar C de uma substância é a quantidade de calor que devemos trocar
com 1 mol de partículas dela para que sua temperatura varie em uma unidade; para
calculá-lo, basta fazer o produto da massa molar do gás pelo valor do seu calor es-
pecífico c, ou seja: C = M ∙ c. Mede-se o calor molar de um gás em cal/mol ∙ K ou
J/mol ∙ K.
Assim, o calor trocado por n mol de gás perfeito pode ser escrito da seguinte
forma:
Q = n ∙ C ∙ DT
p Considerando dois processos termodinâmicos para n mol de gás per-
feito, um isobárico e outro isocórico, representados, respectivamente, por
pC C
AB e AC, no diagrama ao lado, podemos escrever, de acordo com a Primei-
ra Lei da Termodinâmica, que: DU = Qp – t a
sendo Qp = n ∙ Cp ∙ DT, em que Cp é o calor molar do gás sob pressão constante.
B
DU = Qv b
pA = pB
A sendo Qv = n ∙ Cv ∙ DT, em que v é o calor molar do gás com volume cons-
tante. Igualando a e b:
Qp – t = Qv , então Qp – Qv = t. Sendo t = p ∙ DV = n ∙ R ∙ DT
VA = VC VB V n ∙ Cp ∙ DT – n ∙ Cv ∙ DT = n ∙ R ∙ DT ) Cp – Cv = R
A equação acima é conhecida como Relação de Mayer. Outra maneira de escrever
a mesma relação é: Cp – CV = n ∙ R, aplicada a uma amostra de n mol de gás ideal.
Como a constante universal dos gases perfeitos, R = 8,31 J/mol ∙ K, é um valor
positivo, a Relação de Mayer ratifica a condição Cp . CV.

A FíSICA na História

Julius Robert von Mayer


O interesse do médico alemão Julius Robert von Mayer pelas ciências exatas

Autor desconhecido/Domínio Público


produziu muitas contribuições à então nascente Termodinâmica.
Como médico a serviço da marinha holandesa e cientista amador, Mayer relacio-
nou a coloração do sangue mais escuro nos pacientes dos trópicos à maior presença
de oxigênio e à menor necessidade de produção de calor metabólico, concluindo daí
que a energia dos alimentos era a fonte da energia necessária à realização do traba-
lho muscular.
Tendo essas relações em mente, fazendo uso da Matemática, conciliando-as com
o trabalho experimental, Mayer construiu a equivalência entre calor, energia e traba-
lho e identificou o princípio de conservação em sistemas biológicos, fenômenos elé- Retrato de Julius Robert von
tricos e reações químicas. Mayer (1814-1878), pioneiro
na formulação do princípio da
A contribuição de Mayer para o estabelecimento do equivalente mecânico do calor equivalência entre trabalho
só foi reconhecida após James Joule ter trabalhado no mesmo tema. mecânico e calor.

Para saber mais

Revistas e sites
Os experimentos de Joule e a Primeira Lei da Termodinâmica
Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 31, n. 3, artigo 3603, 2009. Disponível também em: <www.sbfisica.org.br/rbef/
pdf/313603.pdf>. Acesso em: 26 out. 2015.
Um passeio pela história da consolidação do princípio de conservação de energia, com ênfase nos resultados de
Joule e de Mayer para o equivalente mecânico do calor. Conheça detalhes do experimento, realizado por vários
cientistas, e as novas formulações desse princípio.

$"1∂56-0t5&3.0%*/¨.*$" 97
Entrevista com o Conde Rumford: da teoria do
calórico ao calor como uma forma de movimento
A Física na Escola, v. 10, n. 1, 2009.
Disponível também em: <www.sbfisica.org.br/fne/Vol10/Num1/a02.pdf>. Acesso em: 26 out. 2015.
“Conde Rumford” é o nome pelo qual ficou conhecido Benjamin Thompson (1753-1814). Nasceu nos Esta-
dos Unidos e optou por uma bem-sucedida carreira militar, vivendo sob o panorama da Revolução America-
na, época em que o conceito de calor estava sendo construído segundo as teorias do flogístico e do calórico.
Este é o personagem que será “entrevistado” por um grupo de professores, em um clima de total descontra-
ção, inquirindo-o sobre pontos importantes de sua vida e de sua obra.

Exercícios resolvidos

ER9. O diagrama representa uma transformação isobá- 10 m3 para 18 m3, enquanto a temperatura passou de
rica do estado 1 para o estado 2, em que o gás perdeu 300 K para 500 K, ao longo do processo. Sabendo-se
200 J de energia para o meio externo. que o calor molar desse gás, mantida a pressão cons-
p (N/m2) tante, valeu Cp = 5 cal/mol ∙ K e adotando R = 8 J/mol ∙ K
Ilustrações: TIG

e 1 cal = 4 J, determine:
2 1 a) a pressão durante a expansão;
10
b) a quantidade de calor trocada pelo gás;
c) o trabalho realizado na expansão;
0 5 12 d) a variação da energia interna ocorrida no processo;
V (m3)
e) o valor do calor molar do gás se a transformação
a) Que trabalho foi realizado na compressão? tivesse sido isocórica.
b) Qual foi a variação de energia interna do gás?
Resolução:
Resolução: Para n = 5 mol desse gás,
Se o gás perdeu 200 J de energia, podemos afirmar
V2 = 18 m3 6
V1 = 10 m3 DV = V – V = 18 m3 – 10 m3 = 8 m3
2 1
que Q = –200 J. Do diagrama temos os seguintes da-
dos: p = 10 N/m2 (constante); V1 = 12 m3 (inicial) e
T2 = 500 K 6
T1 = 300 K DT = T – T = 500 K – 300 K = 200 K
2 1
V2 = 5 m3 (final).
Cp = 5 cal/mol ∙ K = 20 J/mol ∙ K (pois 1 cal = 4 J)
a) Como sabemos, a área A da figura nos dá o valor
R = 8 J/mol ∙ K
do trabalho:
a) Como a pressão é constante, p, escrevendo a equa-
p (N/m2) ção de estado para gases perfeitos no estado 1,
2 1 temos: p1 ∙ V1 = n ∙ R ∙ T1 )
10
) p ∙ 10 = 5 ∙ 8 ∙ 300 ) p = 1,2 · 103 N/m2 .
A h b) Calculando a quantidade de calor trocada pelo gás
a pressão constante:
0 5 B 12 V (m3) Q = n ∙ Cp ∙ DT ) Q = 5 ∙ 20 ∙ 200 ) Q = 2 · 104 J
A = B ∙ h = 7 ∙ 10 = 70 c) O trabalho na transformação isobárica é:
Portanto, t = –70 J (houve uma compressão). t = p ∙ DV ) t = 1,2 ∙ 103 ∙ 8 ) t = 9,6 · 103 J
d) No processo isobárico a equação da Primeira Lei
b) A variação da energia interna é dada pela Primeira
da Termodinâmica é:
Lei da Termodinâmica: DU = Q – t ) DU = 2 ∙ 104 – 9,6 ∙ 103 )
DU = Q – t = –200 – (–70) = –200 + 70 ) DU = (2 – 0,96) ∙ 104 ) DU = 1,04 · 104 J
DU = –130 J , em que o sinal negativo indica que a e) O calor molar a volume constante é determinado
temperatura diminuiu no processo termodinâmico. através da Relação de Mayer:
Cp – CV = R ) CV = Cp – R = 20 – 8 )
ER10. Uma amostra de 5 mol de gás perfeito sofreu
uma expansão isobárica, tendo seu volume variado de ) Cv = 12 J/mol · K

98 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Transformação adiabática — Lei de Poisson
O físico e matemático francês Siméon Denis Poisson (1781-1840) descreveu a
relação entre a pressão p e o volume V do gás durante a transformação adiabática:

Lei de Poisson: p ∙ V g = constante

Cp
O quociente g = é chamado de expoente de Poisson, sendo Cp e CV, respecti-
CV
vamente, os calores molares do gás com pressão e volume constantes.
Observe: a expressão da Lei de Poisson mostra que as curvas envolven-
p
do p e V são funções exponenciais decrescentes. Podemos representar a
curva
X
transformação adiabática no diagrama p × V com uma curva exponencial
p1 adiabática
(ou simplesmente exponencial) que corta duas isotermas, levando o gás do
estado p1, V1 e T1 ao estado p2, V2 e T2. A área A sob a curva corresponde
A TX
ao trabalho realizado.
Y
p2 TY Como já vimos, DU = 0 – t ou DU = –t.
Na expansão, o volume aumenta, o trabalho é positivo e, portanto, a
0 V1 V2 V variação da energia interna é negativa, isto é, o gás sofre resfriamento. Na
compressão adiabática, o volume diminui, o trabalho é negativo, mas a
variação da energia interna é positiva, ou seja, o gás sofre aquecimento.

Fernando Favoretto/Criar Imagem


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Esse momento é propício para


atividades colaborativas com
Matemática. É possível (re)tomar
os conceitos que relacionam o
traçado da exponencial e o sinal
do expoente de Poisson.
Expansão adiabática do gás: pela rapidez Compressão adiabática do gás: impelido
do processo, a temperatura do gás diminui rapidamente, o ar que está no interior de uma
dentro de um frasco de desodorante (em bomba manual para encher bolas aumenta de
aerossol), o que provoca seu jato gelado. temperatura, esquentando a bomba.

Quando g = 1, a Lei de Poisson do processo adiabático reduz-se à Lei de Boyle para


gases perfeitos (p1 ∙ V1 = constante), uma vez que é um processo isotérmico, conforme
ilustram as curvas no diagrama abaixo.
p
Ilustrações: TPG

pV = cte. (γ = 1)
curva isotérmica (hipérbole)

pV γ = cte.
curva adiabática (exponencial)

0 V

Trabalho na transformação adiabática p


TPG

É resultado geral o fato de que o trabalho em qualquer transforma- A


ção pode ser calculado pela área sob a curva do diagrama p × V cor-
respondente, mas seu cálculo pode ser difícil se a figura não for redu-
TA
tível a quadriláteros notáveis ou triângulos. É o caso do trabalho na
B C
transformação adiabática: de que modo poderemos calcular a área τAC TB = TC
sob a curva exponencial? V

$"1∂56-0t5&3.0%*/¨.*$" 99
Como anteriormente, podemos descobrir a variação de energia interna entre dois estados das duas isotermas cortadas
pela exponencial correspondente à transformação adiabática. Ambas as transformações sofrem a mesma variação da
energia interna, pois ocorrem com a mesma variação de temperatura: DT = TB – TA = TC – TA. Portanto, DUAB = DUAC.
De acordo com a Primeira Lei da Termodinâmica, temos na transformação isocórica:
DUAB = QAB – tAB = QAB – 0
\ QAB = QV = n · CV · DT
E na transformação adiabática:
DUAC = QAC – tAC = 0 – tAC ) –tAC = DUAB
tAC = –m · cv · DT \ tAC = –n · Cv · DT
Desse modo, os calores molares podem auxiliar na determinação das energias que compõem a variação de
energia interna do gás nessas transformações.

Exercício resolvido
ER11. Dois mol de gás ideal sofrem uma compressão mação adiabática é igual à da energia interna com
adiabática na qual sua temperatura passa de 300 K volume constante, pois trata-se da mesma varia-
para 500 K. Sabe-se que o calor molar do gás, com o ção de temperatura:
volume mantido constante, vale 10 J/mol ∙ K, e ado- DT = T2 – T1 = 500 K – 300 K = 200 K
ta-se como a constante universal dos gases perfeitos
Portanto, DU = n ∙ Cv ∙ DT ) DU = 2 ∙ 10 ∙ 200 )
R = 8 J/mol ∙ K. Assim, determine:
) DU = 4 · 103 J .
a) a quantidade de calor trocada no processo;
b) a variação da energia interna do gás; c) No processo adiabático, a Primeira Lei da Termo-
c) o trabalho realizado sobre o gás; dinâmica reduz-se a DU = –t. Portanto, t = –DU )
d) o valor do expoente de Poisson desse gás. ) t = –4 · 103 J .
Resolução: d) O expoente de Poisson é expresso pela relação:
São dados: n = 2 mol; T1 = 300 K; T2 = 500 K; Cp
g= , em que C p é o calor molar com a pressão
Cv = 10 J/mol ∙ K; R = 8 J/mol ∙ K Cv
mantida constante, determinado pela Relação de
a) Sendo um processo adiabático, não ocorre troca
Mayer: C p – C v = R ) C p – 10 = 8 )
de calor com o exterior. Portanto, Q = 0 .
18
b) A variação da energia interna do gás na transfor- ) C p = 18 J ∙ mol ∙ K. Assim, g = ) g = 1,8 .
10

Transforma•‹o c’clica
Estudamos, até aqui, transformações gasosas isoladas. Agora, vamos analisar uma
sequência de pelo menos três delas, com a condição de que a transformação deva
terminar sempre no mesmo estado termodinâmico em que começou.
Denomina-se transformação cíclica aquela em que certa massa de gás ideal so-
fre uma série de transformações após as quais volta ao estado inicial de pressão,
volume e temperatura.
Sabemos que a variação da energia interna do gás depende apenas dos seus
estados inicial e final, independentemente dos processos pelos quais ele passa;
então, na transformação cíclica, a variação da energia interna é nula, ou seja,
DU = 0.
Dessa forma, a Primeira Lei da Termodinâmica, no caso da transformação cíclica,
expressa-se como 0 = Q – t ou Q = t. Isso é o mesmo que dizer que todo o calor troca-
do pelo sistema é utilizado para realizar trabalho de expansão ou de compressão.

100 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Ilustrações: TPG p Considere a sequência de transformações ABCDA ilustrada no diagrama ao lado,
A B
com o ciclo iniciado e terminado em A.
Esse ciclo é constituído pelas seguintes etapas de transformação:
D C
• A ! B: expansão isobárica: tAB . 0; • B ! C: transformação isocórica: tBC 5 0;
0 p p
V
A notação ABCDA indica A B
a ordem em que as
B
transformações ocorrem:
A ! B, B ! C, C ! D, D ! A. A
C

0 V 0 V

• C ! D: compressão isobárica: tCD , 0 • D ! A: transformação isocórica: tDA = 0


p p
A

D C D
A
0 V 0 V

O trabalho realizado no ciclo é a soma algébrica dos trabalhos de cada transfor-


mação, assim como o calor trocado pelo sistema:
t = tAB + 0 + tCD + 0 ) t = tAB + tCD e Q = QAB + QBC + QCD + QDA
Como anteriormente, o trabalho em cada etapa do ciclo de transformação é
correspondente à respectiva área sob a curva do diagrama p × V; o trabalho no ciclo
será a soma algébrica das parcelas.
Observe: na transformação ABCDA, o trabalho tAB é positivo e o trabalho tCD
é negativo; como utABu . utCDu, a soma algébrica é um valor positivo, significando
que o trabalho realizado nesse ciclo é positivo; se a transformação tivesse seguido
a ordem ADCBA, teríamos utABu , utCDu e o trabalho realizado seria negativo. Fazer
variar o volume de um gás a uma temperatura mais alta envolve mais trabalho.
A ordem em que ocorrem as etapas do ciclo corresponde a um “sentido de per-
curso”, sendo que o trabalho em todo ele é positivo quando percorrido no sentido
horário e negativo no sentido contrário.
p p
A B A B

A A

D C D C
0 V 0 V
Trabalho positivo (sentido horário): Trabalho negativo (sentido anti-horário):
o calor é convertido em trabalho. o trabalho é convertido em calor.
O que se ganha tirando um gás de um estado e fazendo-o voltar à condição
anterior, se a variação de energia interna é nula? O objeto de nosso interesse são as
formas e as quantidades de energia parciais, intercambiadas entre o gás e o exterior,
especialmente o trabalho, verificadas durante a mudança de estado. Em outras pa-
lavras, queremos obter trabalho útil durante as transformações.
Uma transformação útil é aquela na qual o gás absorve calor e executa trabalho
sobre o exterior: grosso modo, uma máquina a vapor trabalha segundo um ciclo em
sentido horário, pois o calor fornecido ao vapor transforma-se em trabalho.
De modo geral, dispositivos que transformam calor em trabalho recebem o nome
de máquinas térmicas.

$"1∂56-0t5&3.0%*/¨.*$" 101
Exercício resolvido

ER12. Certa massa de gás perfeito sofre uma trans- a) Percorrendo o ciclo no sentido horário (partindo
formação cíclica representada no diagrama. Dado: de qualquer ponto), temos um trabalho positivo,
1 L = 10–3 m3. determinado numericamente pela área A da figura.
p (105 N/m2) p (105 N/m2)
A B A B
3

TPG
3
A h

1 C 1
D C
D
0 2 6 0 2 6 V (10–3 m3)
V (L)
B
a) Calcule o trabalho realizado e o calor trocado se o
A = B ∙ h = (6 – 2) ∙ 10–3 ∙ (3 – 1) ∙ 105 =
ciclo for percorrido no sentido horário.
= 4 ∙ 10–3 ∙ 2 ∙ 105 = 8 ∙ 102
b) Se o percurso fosse anti-horário, qual seria o trabalho
Portanto: t = 8 · 102 J
realizado? Haveria conversão de calor em trabalho
ou trabalho em calor? Como na transformação cíclica Q = t, temos
Q = 8 ∙ 102 J.
Resolução:
b) Se o sentido de percurso fosse anti-horário, o tra-
Sabendo-se que 1 L = 10–3 m3, temos os seguintes balho seria igual ao calculado no item anterior
dados: (a área é a mesma), mas de sinal negativo. Assim:
VA = VD = 2 L = 2 ∙ 10–3 m3; VB = VC = 6 L = 6 ∙ 10–3 m3 t = –8 · 102 J e haveria conversão de trabalho
pA = pB = 3 ∙ 105 N/m2; pC = pD = 1 ∙ 105 N/m2 em calor.

A Segunda Lei da Termodinâmica


Sabemos que corpos trocam calor quando estão a temperaturas diferentes, até
que atinjam o equilíbrio térmico; colocando duas esferas idênticas no interior de um
calorímetro ideal, uma com a temperatura de 27 °C e outra a 127 °C, ambas alcan-
çarão o equilíbrio térmico a 77 °C.
Será que o processo inverso poderia acontecer? Ou seja, colocando as duas es-
feras no calorímetro a 77 ºC e, espontaneamente, esperar que uma perca calor para
a outra, voltando ambas a ter, respectivamente, 27 °C e 127 °C? Sabemos, de forma
experimental, que isso não acontece de maneira espontânea.
De modo análogo, vimos no estudo dos gases uma situação em que um balão
contendo certa massa de gás estava ligado a outro por uma torneira fechada, onde
existia vácuo; sabemos que abrindo a torneira o gás se expande ocupando todo o
espaço oferecido. Será que a transformação inversa poderia ocorrer, isto é, todo o gás
do balão B voltar espontaneamente para o balão A, reconfigurando a situação inicial?

T T
Luis Moura

A B A B

Não esperamos que nenhuma dessas situações inversas ocorra, e por isso chamamos
as transformações originais de irreversíveis ou naturais.
Entretanto, mesmo que essas transformações fossem reversíveis e ocorressem nos dois
sentidos, não contrariariam a Primeira Lei da Termodinâmica, isto é, estariam de acordo
com o Princípio da Conservação da Energia. Em outras palavras, a Primeira Lei não contro-
la o modo como se dão as transformações, apenas dá conta do balanço energético.
Mas há um princípio que rege o sentido dessas transformações: em qualquer intera-
ção em um sistema fechado, o estado final é sempre mais desorganizado que o inicial.

102 6/*%"%&t5&3.0-0(*"
Entropia
No início deste capítulo, afirmamos que não é possível transformar
E todo o calor trocado em um processo em trabalho. Essa não é uma
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questão de “limitação tecnológica”, mas a decorrência do que ocorre


com os sistemas termodinâmicos: uma parte da energia sempre termina
D por se transformar em formas menos ”úteis” ou “desorganizadas”.
A primeira máquina a vapor foi construída por Thomas Newcomen,
B em 1712, e aperfeiçoada por James Watt, em 1765; basicamente, ela
transformava uma parte do calor cedido pelo vapor de uma caldeira
em trabalho, com a finalidade de drenar água das minas de carvão na
Inglaterra. Veja ao lado.
R
A máquina de Watt era mais potente, porque convertia uma maior
fração do calor em trabalho, porém essa eficiência nunca chegaria a
A 100%. Uma máquina sempre trabalha entre ciclos, em que o estado
final do sistema é o mesmo do inicial; se não houvesse degradação de
energia em algum ponto do ciclo, todo o calor fornecido à caldeira
seria transformado integralmente em trabalho.
O físico e engenheiro francês Sadi Carnot (1796-1832) estudou o
funcionamento dessas máquinas e concluiu, em 1824, que a perda
Representação esquemática da
máquina de Thomas Newcomen de calor delas era uma consequência natural do uso do calor como
(1663-1729). A água da caldeira fonte de trabalho.
(A) entra em ebulição e o vapor
Essa conclusão, que é a primeira formulação da Segunda Lei da Termodinâmica,
gerado é levado para o interior do
cilindro (B). Isso move o pistão (D) ocorreu antes do estabelecimento da Primeira Lei, que é a da conservação da ener-
para cima. Devido à condensação gia; Carnot não chegou até ela porque, na época, não eram claros o conceito de
do vapor no cilindro, a pressão
interna diminui e o pistão é
energia e o fato de que calor também é uma forma de energia. Ainda estavam em
empurrado para baixo pela debate as teorias do flogístico e do calórico, modelos de “conteúdo energético” das
pressão externa. Ao mesmo reações químicas.
tempo, um contrapeso acoplado
ao extremo da alavanca (E) deve
Anos depois, Rudolph Clausius retomou os estudos de Carnot para os processos ir-
subir, configurando o “tempo reversíveis e ampliou-os para os processos reversíveis, associando-os com a espontanei-
motor” do dispositivo. O tubo (R) dade do fluxo de calor. Assim, foi possível enunciar a Segunda Lei na seguinte forma:
drena a água de condensação.

O calor flui espontaneamente da fonte quente para a fonte fria; para ocorrer o
contrário, é necessário realizar trabalho externo.

Ele descobriu que a razão entre o calor trocado pelo sistema e sua temperatura
absoluta não se alterava em processos reversíveis, mas sempre aumentava nos irre-
versíveis. A esse acréscimo ele deu o nome de entropia, uma medida de quanto o
sistema se desorganiza ao final do processo.
À luz dessa nova grandeza, a Segunda Lei da Termodinâmica pôde ser enunciada
da seguinte maneira:

A entropia permanece constante nos processos reversíveis, mas aumenta nos


processos irreversíveis.

Assim, os sistemas tendem naturalmente a degradar energia.


Nas transformações irreversíveis, a entropia é a medida da parte da energia térmica
que não é convertida em trabalho, sendo desperdiçada sob a forma de calor, que é
uma forma de energia desorganizada. Quanto maior a desordem, maior é a entropia.
Segundo Rudolph Clausius, a variação da entropia DS é a razão entre o calor
trocado Q pelo sistema e a temperatura absoluta inicial T, nesse processo:
Q
DS =
T
cuja unidade no SI é o joule por Kelvin (J/K).

$"1∂56-0t5&3.0%*/¨.*$" 103
O caráter probabilístico da entropia
A preferência da natureza por estados mais desorganizados é, na

Luis Moura
verdade, uma questão de probabilidade e estatística. Vamos mostrar
isso reduzindo um sistema de muitas partículas a uma caixa conten-
do n partículas idênticas, como em um gás ideal.
Suponhamos uma divisão imaginária da caixa em duas partes
iguais, tal que haja e moléculas do lado esquerdo e d moléculas do
lado direito, de modo que e + d = n.
De quantos modos essas moléculas podem estar distribuídas na
caixa? Embora cada molécula se desloque de acordo
Uma caixa contendo uma única molécula pode ter duas únicas com as leis da Mecânica, a movimentação
configurações: ela está do lado direito ou do esquerdo e a chance de um grande número de moléculas é
(probabilidade) de encontrá-la em qualquer um deles é a mesma: aparentemente caótica, porque parece ocorrer
ao acaso e de maneira independente. Na
50%. Se houver duas moléculas na caixa, haverá quatro disposições verdade, o movimento de cada uma pode ser
ou configurações possíveis: descrito pelas leis de Newton.
Esse é um momento em que se pode trabalhar colaborativamente com o curso
• as 2 moléculas estão do lado direito; de Matemática. Os dados da tabela são combinações, um tipo de agrupamento
• as 2 moléculas estão do lado esquerdo; estudado em Análise Combinatória.

• uma delas está do lado direito e a outra do outro lado e vice-versa.


Perceba que há uma probalidade maior de se encontrar uma molécula de cada lado, porque há duas maneiras de
essa configuração ocorrer.
Estendendo esse raciocínio para n moléculas, teríamos 2n configurações possíveis para a caixa, porque cada
uma delas pode assumir duas posições possíveis, independentemente das demais. Nessa situação, qual seria a
probabilidade de se encontrarem todas as moléculas de um lado só? A resposta é de uma em 2n, que vai ficando
cada vez menor à medida que n aumenta (0,5 para n = 1, 0,25 para n = 2, 0,125 para n = 3 etc.). Para uma cai-
xa com 6 partículas, há 26 = 64 configurações, distribuídas da forma mostrada no quadro a seguir:
Há apenas uma maneira de todas as moléculas es-
Número de configurações
tarem do lado esquerdo; há seis configurações em que e d
nessas condições
uma das moléculas está do lado direito, podendo ser
qualquer uma das seis e as demais do lado esquerdo, e 6 0 1
assim por diante. 5 1 6
Qual é a condição mais provável nessa caixa? É 4 2 15
aquela com o maior número de possibilidades, que 3 3 20
ocorre para e = d = 3. Assim, é de se esperar que, para 2 4 15
valores maiores que n, encontremos o mesmo número 1 5 6
de partículas de ambos os lados da caixa, ou muito
0 6 1
próximos de n/2.
Se todas as moléculas dessa caixa forem colocadas em um dos lados, ao se retirar a divisória, o sistema evo-
luirá de tal modo que logo todo o espaço da caixa estará ocupado, isto é, apresentará a configuração mais pro-
vável, em que e > d > n/2. Isso explica o fato de as colisões se darem de modo a distribuir mais ou menos uni-
formemente as energias entre todas as moléculas da caixa. Macroscopicamente, vemos que o fluxo de calor se dá
da região mais quente para a mais fria.
Agora, precisamos encontrar uma grandeza que esteja relacionada a essa disponibilidade de estados. A entro-
pia é uma grandeza mais ligada à Probabilidade do que à Mecânica, e que estabelece a ligação entre o número de
estados prováveis de um sistema e sua tendência espontânea de evolução: de todas as possíveis configurações fi-
nais de um sistema, a mais provável é a que corresponder ao maior número de configurações correspondentes à
mesma quantidade de energia.
A análise estatística dos estados desse sistema simples nos permite fazer outra interpretação da irreversibili-
dade dos processos: partindo de uma situação particular, o sistema evoluirá preferencialmente para o estado que
exibe o maior número de configurações. A priori, nada impede que ele chegue a uma situação particular como
“todas as moléculas de um lado da caixa”: em um tempo suficientemente longo, qualquer configuração do sistema
pode ser alcançada.

104 UNIDADE 1 • TERMOLOGIA


No processo termodinâmico citado no início, podemos determinar a variação da
entropia de cada uma das duas esferas colocadas no calorímetro, supondo que
a esfera de temperatura maior (T1 = 127 °C = 400 K) tenha cedido 200 J de calor
(Q = –200 J), e, portanto, a esfera de temperatura menor (T2 = 27 °C = 300 K) tenha
recebido a mesma quantidade (Q = +200 J), até ambas atingirem o equilíbrio térmico
à temperatura de 77 ºC = 350 K. Portanto:
Q –200
• esfera mais quente: DS = = ) DS = –0,5 J/K (variação negativa, menor
T1 400
desordem);
Q 200
• esfera mais fria: DS = = ) DS = 0,67 J/K (variação positiva, maior desordem).
T2 300
Comparando-se os dois resultados, podemos verificar que a esfera mais quente
diminuiu sua entropia, pois sua temperatura (que é a medida do grau de agitação
das moléculas) diminuiu de 127 °C para 77 °C.
Por outro lado, a esfera mais fria aumentou sua entropia, pois a medida do
grau de agitação das moléculas aumentou de 27 °C para 77 °C. Analisando a va-
riação de entropia das esferas, vemos que a entropia do sistema aumentou, como
era de se esperar.

Máquinas térmicas
Se uma máquina térmica não converte totalmente o calor recebido
AFP PHOTO/YASUYOSHI CHIBA

em trabalho, para onde vai, a cada ciclo, a parte do calor que não realiza
trabalho?
Uma boa maneira de compreender a dinâmica das quantidades de ener-
gia é imaginar uma máquina térmica como um dispositivo que opera entre
dois reservatórios, um com temperatura alta e outro com temperatura mais
baixa. O reservatório “frio” é o local para onde vai a parte de calor não
convertida em trabalho. A “maria-fumaça”, uma antiga locomotiva a vapor,
converte o calor do vapor-d’água (reservatório “quente”) em trab