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FORMAÇÃO TEOLÓGICA ::: Curso Livre

NÍVEL MÉDIO

SUMÁRIO

PANORAMA HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MUNDO BÍBLICO ........................................................ 2


A) EGITO ............................................................................................................................................................ 2
B) ASSÍRIA ......................................................................................................................................................... 3
C) BABILÔNIA ................................................................................................................................................... 5
D) MÉDIA E PÉRSIA .......................................................................................................................................... 6
E) GRÉCIA .......................................................................................................................................................... 7
F) ROMA ............................................................................................................................................................. 7

ESCRITOS ANTIGOS ......................................................................................................................................... 9

HISTÓRIA DO TEXTO BÍBLICO ................................................................................................................... 10


MATERIAIS DE ESCRITA ..................................................................................................................................... 10
INSTRUMENTOS PARA ESCREVER ....................................................................................................................... 11
TRANSMISSÃO DO TEXTO ................................................................................................................................... 11
ALTERAÇÕES TEXTUAIS ..................................................................................................................................... 11
Alterações Não Intencionais.......................................................................................................................... 11
Alterações Intencionais ................................................................................................................................. 12
MANUSCRITOS DO VELHO TESTAMENTO ........................................................................................................... 12
DESIGNAÇÃO TÉCNICA....................................................................................................................................... 13
FORMAÇÃO DO CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO ........................................................................... 14
OS LIVROS ACEITOS POR TODOS (HOMOLOGOUMENA) ............................................................................... 14
OS LIVROS REJEITADOS POR TODOS (PSEUDEPÍGRAFOS) ............................................................................. 14
Lista dos Pseudepígrafos ............................................................................................................................... 14
OS LIVROS ACEITOS POR ALGUNS (APÓCRIFOS) ............................................................................................ 15
Lista dos Livros Apócrifos ............................................................................................................................. 16
FORMAÇÃO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO ................................................................................ 17
OS LIVROS ACEITOS POR TODOS (HOMOLOGOUMENA) ............................................................................... 17
OS LIVROS REJEITADOS POR TODOS (PSEUDEPÍGRAFOS) ............................................................................. 17
Lista dos Mais Importantes ........................................................................................................................... 17
OS LIVROS ACEITOS POR ALGUNS (APÓCRIFOS) ............................................................................................ 17
Lista Abreviada ............................................................................................................................................. 18
RESUMO DOS CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DE UM TEXTO ORIGINAL ....................................... 18

VERSÕES/TRADUÇÕES DA BÍBLIA............................................................................................................. 18
VERSÕES OU TRADUÇÕES ANTIGAS ................................................................................................................... 18
TRADUÇÕES DOS SÉC. XIV E XV ....................................................................................................................... 19
TRADUÇÕES DO SÉC. XVI .................................................................................................................................. 19
AS TRADUÇÕES PARA O PORTUGUÊS.................................................................................................................. 20
Tradução de Almeida .................................................................................................................................... 20
Tradução de Figueiredo ................................................................................................................................ 20
BIBLIOGRAFIA BÁSICA E COMPLEMENTAR: ........................................................................................ 21

01-INTRODUÇÃO GERAL À BÍBLIA 1


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INTRODUÇÃO GERAL À BÍBLIA

PANORAMA HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO MUNDO BÍBLICO

Destacaremos os principais povos que entraram em contato com o povo israelita:

a) EGITO

No egípcio (Haixuptã) era referente à uma pequena região do Mênfis. Em grego


(Aygiptos) e em hebraico (Mizraym), que significam “2 regiões” ou “2 distritos”. É citado na
Bíblia neste sentido. Pois em hebraico a terminação Aym significa um dual, ou seja, sempre
se refere a duas coisas. No caso do Egito, é devido à sua divisão em alto e baixo Egito.

O Egito é rodeado pelos Penedos. Esses Penedos são uma série de montanhas
rochosas. A maior largura desse corredor de pedras é de 19 Km, mas em alguns locais são
apenas algumas centenas de metros. O rio Nilo passa por toda esta extensão.
Tradicionalmente considera-se que o rio Nilo nasce no Lago Vitória (Uganda). Contudo, o
próprio Lago Vitória tem como principal tributário o rio Kagera, que é por causa disso
considerado como fonte mais remota do Nilo, e o rio Kagera nasce no Burundi. Ao
desemborcar no baixo Egito, o Nilo se divide em 2 braços e recebe o nome de delta do Nilo.

A área produtiva do Egito é muito pequena. São apenas 4% da região. Os demais 96%
são desertos e desabitados. Esta pequena área que é produtiva é totalmente dependente do rio
Nilo. Por isso, o rio é considerado como um deus.

Os historiadores dividem a história egípcia em dinastias. Dinastia era o período que


uma família governava. Maneto (sacerdote egípcio), por exemplo, dividiu a história egípcia
assim:

• Período Pré-Dinástico – Antes de 3050 a.C.

• Egito Arcaico - 3050 a 2686 a.C. (1a e 2a dinastias).

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• Reino Antigo – 2686 a 2181 a.C. (3a a 6a dinastias). As pirâmides foram


construídas neste período.

• Primeiro Período Intermediário – 2181 a 2040 a.C. (7a a 10a dinastias).

• Reino Médio – 2040 a 1782 a.C. (11a e 12a dinastias).

• Segundo Período Intermediário – 1782 a 1570 a.C. (13a a 17a dinastias).


Segundo historiadores bíblicos, este é o período que o povo hebreu esteve no Egito.

• Novo Reino – 1570 a 1070 a.C. (18a a 20a dinastias). O êxodo de Israel se
deu em 1456 a.C., na 18a dinastia.

• Terceiro período Intermediário – 1070 a 664 a.C. (21a a 25a dinastias).

• Egito Posterior – 664 a 332 a.C. (21a a 31a dinastias). Em 332 a.C. o
exército de Alexandre, o Grande, invadiu o Egito. Após esta conquista, o Egito foi entregue
nas mãos dos Selêucidas.

Os egípcios produziram muitas literaturas de sabedoria. Eram conselhos e provérbios


para aconselhamentos gerais, que se diferenciam dos bíblicos (os de Salomão) porque estes
últimos se baseiam na sabedoria divina. Porém, vários provérbios de Salomão são idênticos
aos egípcios.

Os egípcios eram politeístas. Haviam deuses para todas as ramificações da vida (deus
da morte, da fertilidade, do casamento, etc...).

No período do faraó Akenaton, os egípcios se tornaram monoteístas, pois conforme


decisão deste faraó, só se devia adorar ao deus-sol. Isto ocorreu na 19a dinastia, após o êxodo
de Israel.

b) ASSÍRIA

Não devemos confundi-los com a Síria, que era um pequeno povo. Os Assírios foram
um grande império que conquistou o povo hebreu.

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Era o nome da região que ocupava os dois lados do rio Tigre. Era também, próximo ao
rio Eufrates. A primeira capital foi Assur. Ao norte, a 97 km, se encontrava a cidade de
Nínive, que se tornou uma grande capital. Entre as duas cidades havia a cidade de Calah, que
também foi a capital por algum tempo.

Os assírios eram formados por uma mistura de raças. Eram pessoas do Norte, que se
uniram a babilônicos. A história dos assírios se divide em 3 períodos:

• Antigo Império Assírio – 1950 a 1500 a.C. (período de expansão cultural


e territorial). Inicialmente se falava a língua assíria. Posteriormente, tribos semi-nômades
foram se integrando e incluíram línguas semíticas. Dentre estes povos destacamos os
amorreus, cujo líder Hamurabe, se tornou rei e criou o conhecido código de Hamurabe,
escrito em escrita cuneiforme (em forma de “cunha”). Ele estabeleceu o seu governo na
Babilônia. Eles subjugaram Babilônia em 1900 a.C.

• Médio Império Assírio – 1500 a 900 a.C.

• Novo Império Assírio – 900 a 612 a.C. Destacamos neste período os


seguintes reis:

Assurnasirpal II (885 a 860 a.C.). Conquistou o Líbano, os filisteus e parte


oriental da Babilônia.

Salmanazar III (Filho de Assurnasirpal). Lutou contra os israelitas. Governou


de 859 a 825 a.C. Lutou contra a Síria, contra o rei Acabe e venceu os
israelitas.

Tiglate Pileser III (745 a 727 a.C.). Na Bíblia é chamado de rei Pul. Lutou
contra Samaria (II Reis 15:19). Após a sua morte, o rei de Samaria (Oséias)
resolveu não mais pagar os tributos aos assírios.

Salmanazar V (726 a 722 a.C.). Sitiou a cidade de Samaria e destruiu o reino


de Israel do Norte.

Sargão II (722 a 704 a.C.). Deu seqüência ao cerco de Samaria e venceu a


batalha.

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Senaqueribe (704 a 681 a.C.). Filho de Sargão II. Alguns estudiosos dizem
que matou o pai para poder reinar.

Em 625 a.C., Nabopolassar (pai de Nabucodonossor) expulsou os assírios de


Babilônia. Em 6l4 a.C., os babilônicos tomaram a cidade de Assur. Em 612 a.C., tomaram a
cidade de Nínive (conforme profecia de Naum).

Assim, exterminou-se o poder assírio.

c) BABILÔNIA

Descendente de Babel (porta do céu) na língua acadiana.

Principais fases do império babilônico:

• Pré-História - ? a 2800 a.C.

• Dinástico Antigo – 2800 a 2500 a.C.

• Acadiano – 2500 a 2100 a.C. (domínio semítico). A língua acadiana era


composta de 2000 símbolos.

• Terceira Dinastia de Ur – 2100 a 2000 a.C. Neste período, uma dinastia


da cidade de Ur assumiu o poder sobre a Babilônia. O chamado de Abraão foi neste período.

• Período Amorreu – 1900 a 1600 a.C. Tribos Nômades migraram do


deserto árabe, liderados por Hamurabe e conquistaram a Babilônia.

• Domínio Cassita – 1600 a 1170 a.C. Foi invadida por povos orientais
(cossianos). Neste período, a Babilônia era fraca e Josué entrou na Palestina.

• 1150 a.C. – O rei Nabucodonossor I expulsou os Cassitas.

• 745 a 626 a.C. – O povo Assírio dominou toda a região Babilônica por
Tiglate Pileser III .

• 626 a 539 a.C. – Período Neo-Babilônico. O rei Nabopolassar assumiu o


trono Babilônico.

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• 605 a.C. – O filho de Nabopolassar, Nabucodonossor II que era líder do


exército, foi a Jerusalém e levou Daniel e os demais israelitas cativos. Neste ano,
Nabopolassar morreu e Nabucodonossor atravessou o deserto a cavalo, em 15 dias, até
Babilônia, para assumir o reinado. Se ele não fosse com urgência, outra pessoa assumiria o
trono no seu lugar.

d) MÉDIA E PÉRSIA

No ano de 539 a.C., o exército de Ciro invadiu a Babilônia. O rei Nabonido estava
viajando e seu filho Belsasar assumiu o trono temporariamente. Ele fez uma festa na qual
surgiu a escrita na parede. Belsasar era o 2o no reino. A confirmação disto é que ele ofereceu a
Daniel o 3o lugar no reino, se este conseguisse decifrar a inscrição na parede.

Os Assírios tinham como política de domínio infiltrar outros povos entre os


conquistados para enfraquecer a cultura dos povos dominados.

Os Babilônicos levavam cativos e exilavam os principais líderes conquistados.

Já os Persas, davam liberdade aos povos conquistados para que reconstruíssem suas
cidades e reorganizassem suas culturas. Dominavam com liberdade, amizade e respeito.
Assim, os israelitas puderam reconstruir suas cidades, como narram Esdras e Neemias. A
capital dos Medos era a cidade Ecbátana.

Seus governantes mais proeminentes foram:

• Ciáxares – Foi o mais importante. Se uniu a Nabucodonossor e conquistaram a


cidade de Nínive e os Assírios.

• Astíages – Sua filha casou-se com o rei Persa Cambises I. Deste casamento
nasceu Ciro.

• O rei Persa mais importante foi Artaxerxes. Os Persas dividiram o império em


127 satrápias ou províncias (Livro de Ester). Fundaram um sistema de correios, criaram
moeda corrente, língua universal (aramaico) e construíram até estradas.

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e) GRÉCIA

Em 340 a.C., Felipe II, governador macedônico, unificou a Grécia. Ela era formada
por cidades-estados.

Alexandre Magno (o Grande), que era filho de Felipe II, estudou com o mestre
Aristóteles e teve o desejo de expandir a cultura grega por todo o mundo. Reuniu um grande
exército para vingar a derrota que a Pérsia havia imposta aos gregos, 150 anos antes. Assim,
derrotou a Pérsia e se tornou o maior conquistador da época. Um dos maiores feitos foi a
implantação da língua grega em todo o mundo. Ao invadir a Palestina, os dominou com
brandura. Morreu aos 34 anos, de bebedice. Após a sua morte, a Grécia foi dividida entre os
seguintes líderes:

• Selêuco – Estabeleceu-se na Síria. Chegou a oferecer sacrifícios com


carne de porco, em desonra aos hábitos judeus. Em 170 a.C., Judas Macabeus
estabeleceu um reinado independente (Judéia).

• Ptolomeu – Estabeleceu-se no Egito, Palestina e parte da Síria.

• Lisímaco – Ficou com a Trácia e ampla parte da Ásia Menor.

• Cassandro – Ficou com a Macedônia.

O período do império grego foi inter-bíblico, isto é, não foi escrito nenhum livro
inspirado neste período. Os únicos livros bíblicos escritos foram apócrifos: Macabeus,
Sabedoria, etc.

f) ROMA

Os romanos se orgulhavam de estabelecer a todo o mundo a Pax-romana (paz


romana). Eles dominaram o mundo e não estabeleciam fronteiras. As pessoas podiam ir a
qualquer lugar. Só que esta “paz” era ilusória, pois dominavam com pulso forte e com o ferro
de suas lanças.

Os principais imperadores foram:

• Otávio Augusto (27 a.C. a 14 a.D.) – Foi o primeiro imperador.


Decretou o recenseamento, que levou José e Maria até Belém.

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• Tibério (14 a 37 a.D.) – Filho adotivo de Augusto. Assumiu o poder


com 56 anos. Foi um governador cruel. No 15o ano do seu governo, João Batista
começou o seu ministério e morreu. Jesus Cristo, também morreu na época do seu
governo.

• Calígula (37 a 41 a.D.) – Filho de Tibério. Incompetente, insensível e


pervertido. Chegou a eleger o “seu cavalo” como senador. Foi assassinado por um
oficial da guarda pretoriana.

• Cláudio (41 a 50 a.D.) – Tio de Calígula. Assumiu o poder apoiado


pela guarda pretoriana. Foi o mais culto dos imperadores. Sua esposa Agripina, o
matou envenenado. Ela o assassinou porque queria que o seu filho Nero fosse o
imperador; embora fosse filho de outro homem.

• Nero (54 a 68 a.D.) – Deu início à perseguição aos cristãos. Mandou


incendiar Roma e colocou a culpa nos cristãos. Matou os apóstolos Pedro e Paulo.
Chegou a matar a sua mãe e abriu-lhe o ventre para ver de onde houvera nascido.
Suicidou-se.

• Ano de 69 A.D. – 4 imperadores lutaram para obter o poder. Foi um


período de anarquia: Virgínio Rufo, Galba, Oto e Vespasiano.

• Vespasiano (69 a 79 a.D.) – O seu filho, o general Tito, destruiu a


cidade de Jerusalém, sob sua ordem.

• Tito (79 a 81 a.D.) – Hábil soldado, colocou fim à guerra dos judeus.
Morreu prematuramente.

• Domiciano (81 a 96 a.D.) – Irmão mais novo de Tito. Neste período, o


apóstolo João foi exilado na ilha de Patmos; após a tentativa de ser morto, sob a
ordem do imperador, ao ser jogado dentro de um caldeirão com óleo fervendo.
Perseguiu aos cristãos e aos senadores de Roma.

Depois deste período, sucederam-se outros imperadores sem muita importância para o
estudo bíblico. São eles; Nerva, Trajano, Adriano, Antônio Pio e Marco Aurélio.

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ESCRITOS ANTIGOS

• Nuzi – As divindades domésticas representavam símbolos de


propriedade. Eram passados aos herdeiros os ídolos do lar como representação da
posse da herança (talvez por isso Raquel roubou os ídolos do pai, Labão). Quando um
casal não tinha filhos, poderiam adotar um servo, e este se tornava o herdeiro. A
esposa podia, caso fosse estéril, oferecer a sua serva para que tivesse filhos. Os pais
quando perto da morte, diziam uma bênção ou testamento aos filhos.

• Arquivos Hititas – A capital dos Hititas era Hattusas. Hoje é a região


da Turquia. O pacto que os reis faziam com os seus vassalos era idêntico ao
demonstrado na Bíblia entre Deus e Israel.

• Arquivos Egípcios – Amarna era a cidade do faraó Akinaton. As cartas


de Amarna foram escritas em torno de 1370 a.C. Eram cartas de pedido de socorro
feitos pelos vassalos de Canaã ao faraó contra a invasão do povo de Hapiru (os
hebreus).

• Rolos do Mar Morto – Foi a descoberta mais valiosa da arqueologia


para os cristãos. Em 1947 d.C., um beduíno ao procurar uma de suas cabras, ao jogar
uma pedra dentro de uma das cavernas, escutou o barulho de algo se quebrando; e, ao
entrar na caverna, encontrou alguns jarros de barro e, dentro destes, alguns rolos.
Dizem, que à noite, usou alguns dos rolos para fazer uma fogueira, pois desconhecia a
valiosa descoberta feita. Isto aconteceu em Qumram. Excedendo o livro de Ester,
todos os livros do Cânon hebraico foram encontrados. Somente os livros de Isaías e
Levítico estavam completos. Alguns livros apócrifos, preservados em grego, foram
encontrados. São os livros de Tobias e Eclesiástico.

TARGUNS - do século II também foram encontrados em Qumram. Esses targuns são


comentários traduzidos do hebraico para o aramaico.

Foram encontrados também muitos manuscritos apócrifos do Judaísmo pré-cristão.


São eles: Enoque, Jubileus e alguns testamentos dos patriarcas.

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HISTÓRIA DO TEXTO BÍBLICO

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, e algumas porções em aramaico


(especialmente em Daniel - 2:4 até 7:28; também em aramaico: Esdras 4:8 até 6:18; Esdras
7:12 a 26; Jeremias 10:11; Gênesis 31:47). O alfabeto usado para o Pentateuco foi inventado
por volta do século XVIII a.C. Os primeiros caracteres alfabéticos foram achados em cavernas
de extração de cobre no Sinai. A partir do século VII a.C. o aramaico se tornou língua
universal, substituindo ao acadiano.

As línguas mundiais, em ordem cronológica são: Acadiano, Aramaico, Grego, Latim,


Francês e Inglês.

Materiais de Escrita

Nos tempos bíblicos se usavam:

• Pedras – No Túnel de Siloé foram encontradas inscrições em pedras.


As tábuas da lei foram escritas em pedras, e em Jó 19:24, cita-se também, as pedras.

• Tabletes de Argila Mole – Eram feitos escritos em cuneiforme (forma


de cunha) com estilete, muito usado pelos babilônicos.

• Ostracon – Eram cacos de cerâmica. No plural é chamado de ostraca.

• Rolos de Couro e Papiro – No 3o milênio a.C., no Egito, já se escrevia


em papiro. No couro, escrevia-se, de preferência, nos de cabra e ovelha. A partir do
ano 200 a.C. descobriu-se uma técnica especial de tratar o couro, que passou a ser
chamado de pergaminho. Mas, só foi usado em grande escala a partir do século IV
d.C. Alcançavam até 7 metros.

• Papel – Foi inventado pelos Chineses, mas só foi utilizado a partir do


século VIII a.D.

• Códice – Várias tiras de couro ou papiro, que eram montadas em forma


de caderno e costuradas na extremidade. A partir do século IV a.D., passou a ser usado
pelos cristãos, que escreveram todo o Novo Testamento neste tipo de material.

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Instrumentos Para Escrever

 Estilete com ponta de diamante para escrever em pedras.

 Talo de junco esmagado (pincel).

 Fuligem de lâmpada a óleo (tinta).

Transmissão do Texto

Autógrafo é o texto original, ou seja, o que foi escrito pelo próprio autor (Moisés, por
exemplo). Hoje, não temos os “autógrafos” de nenhum livro da Bíblia, mas apenas cópias
destes originais.

Texto Consonantal – As línguas Semíticas não usavam vogais. Os Massoretas


pontuaram as vogais nas consoantes, criando-se o texto vocalizado. Não haviam ditongos e
sempre vinha uma vogal após uma consoante.

Família de Textos é a transformação de um texto após ser copiado várias vezes. Nos
textos bíblicos, temos as famílias babilônica, egípcia e da palestina:

 Babilônia – Texto Massorético.

 Egito – Septuaginta (ou LXX)- era a tradução do Velho Testamento


para o grego.

 Palestina – Pentateucos Samaritanos.

Os textos mais fiéis aos autógrafos são os Massoréticos (escritos pelos massoretas).

Alterações Textuais

A partir do século V a.C., os Massoretas (para evitarem erros) contavam quantas


palavras e letras haviam no original. Mas, mesmo assim, houveram alterações:

Alterações Não Intencionais

• Em I Crônicas 1:7 e Gênesis 10:4 foram trocados os nomes Rodamim e


Dodamim. Isto deve ter sido devido a letras similares do alfabeto quadrado.

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 Haplografia – Escrevia-se uma vez o que deveria ser escrito duas vezes
(Juízes 20:13)

 Ditografia – Escrevia duas vezes o que deveria ser escrito apenas uma
vez (Levítico 20:10).

 Homeoteleuco – É a omissão de uma passagem intermediária, porque o


olho do copista pulou de uma palavra no fim de uma linha, para outra semelhante em
outra linha. Ex: em I Samuel 14:41, o copista deixou de escrever 19 palavras
hebraicas.

Alterações Intencionais
Exemplo:
 Após o exílio babilônico, em vez de falar YHWH, diziam Adonai, para
não tomar o nome de Deus em vão. A palavra Jeová foi a junção dessas duas palavras
pelos Massoretas.

Manuscritos do Velho Testamento

• Qunram - Foram descobertos os mais antigos manuscritos já conhecidos.


Foram encontrados 600 manuscritos; destes, 200 eram bíblicos. Foram encontrados em 11
cavernas diferentes. 15% em papiro e 85% em couro. Eles confirmaram a exatidão da Bíblia
que usamos hoje.

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Designação Técnica

11 Q Is a

11 – Número da caverna.

Q – Qunram.

Is – Livro bíblico (Isaías)

A – Manuscrito “a”.

• Muraba’t – São manuscritos. Em 1951 a.D., um grupo de beduínos


descobriu manuscritos em Wadi Muraba’at (Córregos Temporais). Foi encontrado um rolo
com textos dos profetas menores datados do 2º século a.D. que, correspondem, quase que
perfeitamente, ao texto massorético.

• Papiro de Nash – Antes da descoberto dos rolos do Mar Morto, esta era a
mais antiga testemunha do texto hebraico. Foi adquirido no Egito por W. L. Nash em 1902
a.D. Foi doado à biblioteca da Universidade de Cambridge. Contém uma cópia danificada dos
10 mandamentos de Êxodo 20:1 a 17 e de Deuteronômio 5:6 a 21. Contém, também o Shemá
(Deuteronômio 6:4), que é o credo do judaísmo.

• Códice de Leningrado – Encontra-se na Biblioteca de São Pettersburgo. É


A
o B19 ou L. É o mais antigo manuscrito da Bíblia hebraica completa. Segundo o seu Colofão
(nota final feita pelos copistas), foi copiado no ano 1008 a.D. Foi copiado da família de
escribas no século IX, no Tiberíades, por Ben Asher. É o texto base da Bíblia hebraica de
Sttutgard (uma das mais conceituadas).

• Pentateuco Samaritano – Em algum momento, após o período pós-


exílico, ocorreu uma separação em definitivo entre os judeus e os samaritanos. A partir disso,
os samaritanos passaram a preservar e produzir os seus próprios manuscritos. Só aceitavam o
Pentateuco. Quando os manuscritos do Mar Morto foram descobertos, confirmou-se que os
pentateucos samaritanos eram distorcidos.

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FORMAÇÃO DO CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO


(Por Nix e Geisler)

Os Livros Aceitos por Todos (HOMOLOGOUMENA)


A canonicidade (aceitação de um livro inspirado para fazer parte das Escrituras) de
alguns livros do AT nunca foi desafiada por nenhum dos mais importantes rabis (mestres) da
comunidade judaica. Os únicos que sofreram alguma “rejeição” (chamados de
ANTILEGOMENA) foram Cantares, Eclesiastes, Ester, Ezequiel e Provérbios. Porém
nenhum deles foi alvo de objeções tão sérias que comprometesse sua aceitação no Cânon
(lista de livros inspirados).

Os Livros Rejeitados por Todos (PSEUDEPÍGRAFOS)


Grande número de documentos religiosos que circulavam entre a antiga comunidade
judaica são conhecidos como “pseudepígrafos”, porém nem todos eram “falsos”. De fato, a
maior parte desses documentos surgiu de dentro de um contexto de fantasia, tradição religiosa
ou especulação espiritual. Eles representam os extremos da fantasia religiosa, expressos entre
200 a.C. e 200 d.C.
Alguns pseudepígrafos são inofensivos (ex.: Salmo 151), porém há outros que
contêm erros grosseiros, tanto do ponto de vista histórico quanto teológico.

Lista dos Pseudepígrafos


O livro do Jubileu
Epístola de Aristéias
O livro de Adão e Eva
O martírio de Isaías
1Enoque
Testamentos dos doze patriarcas
O oráculo sibilino
Assunção de Moisés
2Enoque, ou O livro dos segredos de Enoque
2Baruque, ou O apocalipse siríaco de Baruque
3Baruque, ou O apocalipse grego de Baruque
3Macabeus
4Macabeus
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Pirque Abote
A história de Aicar
Salmos de Salomão
Salmo 151
Fragmentos de uma obra de Sadoque

Os Livros Aceitos por Alguns (APÓCRIFOS)


Em suma, estes livros são aceitos pelos Católicos Romanos como canônicos, mas são
rejeitados pelos Protestantes e judeus. No grego clássico, apocrypha significava “oculto” ou
“difícil de entender”. Posteriormente, a palavra tomou o sentido de “esotérico” (algo que só os
“iniciados” podem entender, não os “de fora”). Nos tempos de Ireneu e Jerônimo (séc. III e
IV), o termo apocrypha passou a ser aplicado aos livros não-canônicos do AT. Desde a
Reforma Protestante, essa palavra tem sido usada para denotar os escritos judaicos não-
canônicos originários do período intertestamentário (entre os dois Testamentos).
Seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que os apócrifos tiveram, eles não
são canônicos pelos seguintes fatos:
• A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.
• Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do NT.
• A maior parte dos primeiros grandes Pais da Igreja rejeitou sua canonicidade.
• Nenhum concílio da Igreja os considerou canônicos, senão no final do séc.
IV.
• Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata (tradução para o
latim), rejeitou fortemente os livros apócrifos.
• Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, rejeitaram
os livros apócrifos.
• Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente data,
reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral
dessas palavras.
Além do mais, segundo os critérios elevados da canonicidade, aos apócrifos ainda
falta o seguinte:
• Os apócrifos não reivindicam serem proféticos.
• Não detêm a autoridade de Deus.

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• Contêm erros históricos (cf. Tobias 1:3-5; 14:11) e graves heresias teológicas,
como a oração pelos mortos (cf. 2Macabeus 12:45-46; 4).
• Embora seu conteúdo tenha algum valor para edificação nos momentos
devocionais, na maior parte se trata de texto repetitivo, ou seja, são textos que
já se encontram nos livros canônicos.
• Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos.
• Nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas.
• O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originalmente apresentados,
recusou-os terminantemente.

Lista dos Livros Apócrifos


Versão Revista Padrão Versão de Douai
Sabedoria de Salomão O livro da Sabedoria
Eclesiástico (Siraque) Eclesiástico
Tobias Tobias
Judite Judite
1Esdras 3Esdras
1Macabeus 1Macabeus
2Macabeus 2Macabeus
Baruque Baruque 1-5
Epístola de Jeremias Baruque 6
2Esdras 4Esdras
Adições a Ester Ester 10:4-16:24
Oração de Azarias Daniel 3:24-90
Susana Daniel 13
Bel e o Dragão Daniel 14
Oração de Manassés Oração de Manassés

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FORMAÇÃO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO


(Por Nix e Geisler)

Os Livros Aceitos por Todos (HOMOLOGOUMENA)


Assim como o AT, a maioria dos livros do Novo Testamento foi aceita pela Igreja
logo de início, sem objeções. Todos os Pais da Igreja se pronunciavam favoravelmente pela
sua canonicidade.

Os Livros Rejeitados por Todos (PSEUDEPÍGRAFOS)


Vários livros questionáveis surgiram entre os séc. II e III, e receberam o nome de
Pseudepígrafos, ou “escritos falsos”. Eusébio (historiador cristão da época) disse que tais
livros eram “totalmente absurdos e ímpios”.
O número exato desses livros é difícil de apurar, pois por volta do séc. XIX já havia
cerca de 280 obras relacionadas nesta categoria. E de lá para cá muitas outras apareceram.

Lista dos Mais Importantes


O evangelho de Tomé, O evangelho dos ebionitas, O evangelho de Pedro, O proto-
evangelho de Tiago, O evangelho dos egípcios, O evangelho arábico da infância, O
evangelho de Nicodemos, O evangelho do carpinteiro José, A história do carpinteiro José, O
passamento de Maria, O evangelho da natividade de Maria, O evangelho de um Pseudo-
Mateus, Evangelho dos doze (além do Barnabé, de Bartolomeu, dos hebreus, de Marcião, de
André, de Matias, de Felipe, etc.), Os atos de Pedro, Os atos de João, Os atos de André, Os
atos de Paulo, Atos de Matias, de Felipe, de Tadeu, A carta atribuída a nosso Senhor, A carta
perdida aos coríntios, As seis cartas de Paulo a Sêneca, A carta de Paulo aos laodicenses,
Apocalipse de Pedro, Apocalipse de Paulo, Apocalipse de Tomé, Apocalipse de Estêvão,
Segundo Apocalipse de Tiago, Apocalipse de Messos, Apocalipse de Dositeu, Livro secreto de
João, Tradições de Matias, Diálogo do Salvador, etc.

Os Livros Aceitos por Alguns (APÓCRIFOS)


Os apócrifos do NT tiveram o que se chamou de “canonicidade temporal e local”.
Haviam sido aceitos por um número limitado de cristãos, durante um tempo limitado, mas
nunca receberam um reconhecimento amplo ou permanente. O valor de esses livros possuírem
mais valor que os pseudepígrafos sem dúvida explica a mais elevada estima de que gozavam

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entre os cristãos. Há diversas razões porque são importantes, e faziam parte das bibliotecas
devocionais e homiléticas das igrejas primitivas: 1) revelam os ensinos da Igreja do séc. II; 2)
fornecem documentação da aceitação dos 27 livros canônicos do NT; 3) fornecem outras
informações históricas a respeito da Igreja Primitiva, no que se refere à sua doutrina e liturgia.

Lista Abreviada
Epístola do Pseudo-Barnabé, Epístola aos coríntios, Homilia antiga, O pastor de
Hermas, O didaquê, Apocalipse de Pedro, Atos de Paulo e de Tecla, Carta aos laodicenses,
Evangelho segundo os hebreus, Epístola de Policarpo aos filipenses, Sete epístolas de Inácio.

RESUMO DOS CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DE UM TEXTO ORIGINAL

• Leitura mais difícil deve ser conferida.


• Leitura mais breve deve ser preferida.
• Suspeitar de toda leitura, pois pode haver exceções às duas regras acima.

VERSÕES/TRADUÇÕES DA BÍBLIA
(Adaptado de Geisler e Nix)

Versões ou Traduções Antigas


Septuaginta – O código é LXX. É a versão mais antiga para o grego. Existe uma
história que ela foi escrita por setenta pessoas em setenta dias. Foi escrita na Alexandria,
Egito; porque havia uma colônia judaica que falava o grego. O pentateuco foi traduzido por
volta do III século a.C. Foi a Bíblia dos cristãos primitivos. Foi uma ponte entre o hebraico e
o grego.
Aquila (130 a.D.) – Os judeus não queriam usar a versão que os cristãos usavam e
criaram esta tradução. Mas, às vezes, era incompreensível. O que restou desta tradução são
fragmentos hexapláricos e palimpsestos (Raspar um texto e escrever por cima - foram
encontrados no Cairo, especialmente nos escritos em couro).
Símaco (170 a.D.) – Era uma versão literal do texto hebraico e um pouco melhor que
a de Aquila. Só existem fragmentos.
Teodócio (Final do séc. II a.D.) – Era um prosélito (gentio que se converteu ao
judaísmo) e fez uma revisão para os judeus. São encontrados apenas fragmentos da hexapla.

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Hexapla – (Séc. II a.D.) – Produzida por Orígenes. Foi uma obra em 6 colunas
(semelhante à versão “Trilíngüe” que temos em Português): Texto hebraico; Texto hebraico
transliterado; Septuaginta; Aquila; Símaco; Teodócio.
Targuns (Aramaico) - Foram traduções livres da Bíblia para o aramaico. Há
evidências de que os escribas, já nos tempos de Esdras (cf. Nee. 8:1-8), estavam escrevendo
paráfrases das Escrituras hebraicas em aramaico. Eles não estavam produzindo traduções, mas
textos explicativos da linguagem arcaica da Torá (Pentateuco).
Vulgata Latina – Os numerosos textos da Antiga Latina (uma das mais antigas
traduções conhecidas das Escrituras hebraicas, no Ocidente), que apareceram ao redor da
segunda metade do séc. IV, induziram a uma situação intolerável. Em virtude disso, o bispo
Dâmaso, de Roma (366-384), providenciou uma revisão do texto da Antiga Latina, revisão
esta realizada por Jerônimo O resultado chamou-se Vulgata Latina (tradução da Bíblia para o
latim).

Traduções dos Séc. XIV e XV


John Wycliffe (c. 1320-1384) – Foi chamado “a estrela d’Alva da Reforma”. Ele
afastou o latim como veículo de comunicação e dirigiu seu apelo ao povo inglês na língua
comum. A tradução do Novo Testamento foi completada em 1380, e o Antigo Testamento
apareceu em 1388. Embora esta tradução completa seja atribuída a Wycliffe, ela foi terminada
depois de sua morte, por Nícolas de Hereford.

Traduções do Séc. XVI


William Tyndale (c. 1492-1536) – Após algumas dificuldades, finalmente imprimiu
o NT em inglês, no fim de fevereiro de 1526. Em 1530 fez uma tradução do Pentateuco. Suas
obras foram atacadas na Inglaterra, pois consideravam Tyndale como seguidor de Lutero e
Wycliffe. Foi executado em 6 de outubro de 1536. Na hora de sua execução, ele clamou:
“Senhor, abre os olhos do rei da Inglaterra”.
Miles Coverdale (1488-1569) – Foi assistente e revisor de provas de Tyndale, e
tornou-se a peça-chave da impressão da primeira Bíblia completa em inglês.

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As Traduções para o Português


Veremos apenas as 2 mais relevantes.

Tradução de Almeida
Coube a João Ferreira de Almeida a grandiosa tarefa de traduzir pela primeira vez
para o português o AT e o NT. Ele não tinha ainda 17 anos quando iniciou o trabalho de
tradução da Bíblia para o português, mas perdeu o manuscrito e teve que recomeçar a
tradução em 1648 (já com 20 anos de idade). Converteu-se ao protestantismo após ler um
folheto espanhol sobre as diferenças da cristandade. Por conhecer o hebraico e o grego,
Almeida pôde utilizar-se dos manuscritos dessas línguas, baseando sua tradução no Textus
Receptus, do grupo bizantino. Porém, também se utilizou das traduções holandesa, francesa,
italiana, espanhola e latina (Vulgata).
Em 1676, João Ferreira de Almeida concluiu a tradução do NT, porém, devido à
lentidão na revisão do texto, somente em 1681 é que surgiu a impressão do primeiro NT em
português.
Logo após a publicação do Novo Testamento, Almeida iniciou o trabalho de tradução
do AT, e, ao falecer em 6 de agosto de 1691, havia traduzido até Ezeq. 41:21. Em 1748,
Jacobus op den Akker, da Batávia, reiniciou o trabalho interrompido por Almeida, e em
1753 foi impressa a primeira Bíblia completa em português, em 2 volumes.
Apesar dos erros iniciais, ao longo dos anos muitos estudiosos evangélicos têm
revisado a obra de Almeida, tornando-a a preferida dos leitores de fala portuguesa.

Tradução de Figueiredo
Nascido em 1725, nas proximidades de Lisboa, o padre Antônio Pereira de
Figueiredo traduziu integralmente a Bíblia (partindo da Vulgata), em um período de 18 anos
de trabalho árduo. A primeira edição do NT saiu em 1778, em 6 volumes. Já o AT (em 17
volumes) foi publicado entre 1783 e 1790. Em 1819 surgiu a Bíblia completa de Figueiredo,
em 7 volumes; e em 1821 ela foi publicada pela primeira vez em um só volume.
Figueiredo incluiu em sua tradução os chamados livros apócrifos, que o Concílio de
Trento (1546) havia acrescentado aos livros canônicos. Esse fato tem contribuído para que sua
Bíblia seja ainda hoje apreciada pelos católicos romanos nos países de fala portuguesa.
Ele realizou uma sublime obra da prosa portuguesa, pois era um grande filólogo e
latinista. Porém, por não conhecer as línguas originais, e ter baseado sua tradução apenas na
Vulgata, sua obra não tem suplantado em preferência popular o texto de Almeida.

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BIBLIOGRAFIA BÁSICA E COMPLEMENTAR:

Geisler, Norman, e William Nix. Introdução Bíblica - como a Bíblia chegou até nós. São
Paulo: Vida, 2006.

Wilson Paroschi. Crítica Textual do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1993.

História da Bíblia. http://www.comunicandojesus.net/biblia/historia.htm.

Como a Bíblia Chegou até Nós. http://www.vivos.com.br/47.htm.

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