Você está na página 1de 17

Tecnologia em Processos Gerenciais

Economia

História do
Pensamento Econômico i
3
Economia
História do
Pensamento Econômico ӏ

Objetivos da Unidade de aprendizagem


Fazer o aluno compreender o pensamento econômico
sob uma perspectiva histórica.

Competências
Contextualizar as teorias econômicas com os processos
históricos.

Habilidades
Relacionar as teorias econômicas com os processos
históricos.
Apresentação
Caro aluno, você já pensou como funcionava a eco-
nomia em outras épocas? Você já refletiu sobre o sig-
nificado do modo de produção capitalista? Será que
na antiguidade havia um sistema econômico organi-
zado? Como as economias da atualidade chegaram a
esse ponto?
Nesta Unidade iremos responder essas perguntas
e outras mais.
Como você já viu na Unidade anterior, sabemos que
a necessidade de administrar os recursos escassos é
uma das principais preocupações da Ciência Econô-
mica e essa necessidade sempre existiu. Porém, não
podemos considerar que antes do século XIX hou-
vesse uma ciência chamada Economia organizada em
pensamentos e Escolas.
Vamos tentar entender como as economias dos
povos se organizavam antes do surgimento de uma ciên-
cia que se preocupasse com as questões econômicas.
Para entendermos toda essa evolução, faremos nes-
tas Unidades de Aprendizado um resumo do contexto
histórico em que essas mudanças se processaram.
As Escolas econômicas escolhidas para serem analisa-
das nestas UAs são as de maior representatividade para
o pensamento econômico do período contemporâneo.
Estudaremos nesta Unidade a Escola Fisiocrata, e a
importantíssima Escola Clássica e seus maiores repre-
sentantes, como Adam Smith, David Ricardo. Malthus,
Say e Stuart Mill.
Bons Estudos!

Para Começar
Será que na antiguidade havia um sistema econômico
organizado? É lógico que a necessidade de adminis-
trar os recursos escassos sempre existiu, mas não
podemos considerar que por essa época houvesse uma ciência cha-
mada Economia organizada em pensamentos e Escolas.
Durante milênios a economia dos povos se organizava natural-
mente de acordo com as necessidades de cada grupo humano e do
que a natureza poderia oferecer. Ou seja, durante muitos séculos o ser
humano era quase que completamente dependente da natureza, isso
quer dizer que se houvesse chuva haveria colheita farta, do contrário
isso poderia significar o desaparecimento de um grupo, ou até mesmo
de uma civilização inteira pela fome!
A agricultura foi a principal descoberta humana durante o período
conhecido como neolítico, que ocorreu por volta de 10.000 anos atrás.
O surgimento da agricultura levou os homens a trabalharem em grupo
e os tornou sedentários. As primeiras civilizações surgiram em torno
de importantes cursos d’água, como o Egito, no rio Nilo, a Mesopotâ-
mia, entre os rios Tigre e Eufrates, a China, em torno do Rio Amarelo,
e assim por diante.
Podemos dizer que de uma maneira geral essas civilizações neolí-
ticas necessitavam de um poder central forte e interventor a fim de
organizar suas economias de maneira adequada, como é o clássico
caso da economia egípcia que tinha no faraó um poder extremamente
centralizador, tanto que o estadista era considerado um deus vivo.
Apesar de toda essa sofisticação em termos da condução do atendi-
mento das necessidades econômicas, como já foi dito, a economia não
era vista como um objeto de estudo científico, mesmo porque a ciên-
cia como conhecemos atualmente só passou a existir entre os séculos
XVIII e XIX da era atual.
No período posterior ao neolítico, conhecido como Antiguidade Clás-
sica, que inclui as civilizações grega e romana, a economia se desen-
volveu através de um comércio mais ativo e da monetização (uso de
moeda para trocas), apesar da pujança tanto cultural como econômica
desse período a Economia continua sendo tratada como algo natural
que depende quase que exclusivamente daquilo que o meio ambiente
coloca a disposição dos seres humanos.
O período que se segue à chamada Antiguidade Clássica, conhecido
como Idade Média, que vai do século V até o século XV, a Economia oci-
dental sofreu um retrocesso importante se comparada às economias
greco-romanas. O comércio durante a Idade Média diminuiu sobrema-
neira, além do pouco uso da moeda e das constantes restrições a econo-
mia que eram impostas por dogmas de uma Igreja que restringia o lucro.
O salto mais importante ocorrerá durante o século XVIII na Ingla-
terra, durante a Revolução Industrial, com a perda do poder da Igreja,

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 4


a expansão do comércio ultramarino e a produção em escala. A eco-
nomia assumiu papel de extrema importância na vida das nações que
recentemente haviam se formado. Surgem então as primeiras Escolas
de pensamento econômico, dando origem à Ciência Econômica que
iremos estudar nas Unidades 3 e 4.

Fundamentos
Qual a importância para a disciplina de Economia o estudo da História
do pensamento econômico?
Apesar das questões relacionadas aos problemas econômicos terem
sido abordadas desde a antiguidade, o pensamento econômico só se
sistematizou a partir de Adam Smith, com a publicação da “A Riqueza
das Nações” de 1776. A partir daí podemos considerar que a economia
se torna uma ciência, com todas as suas implicações metodológicas.
O estudo da História nos permite tecer reflexões acerca dos pro-
cessos evolutivos humanos. Sendo a Economia uma ciência humana,
como tal, devemos entender em quais contextos as variáveis econô-
micas se modificaram, evoluem, entraram em algum tipo de crise etc.
Nas duas UAs que trataremos da História do Pensamento Econômico,
procuraremos entender não só as teorias em si, mas em que situação
elas surgiram, já que não podemos desvincular as teorias das práticas.
Para entender, ao menos de forma breve, como chegamos ao
desenvolvimento da Economia enquanto ciência faremos agora um
breve histórico da evolução da economia desde a antiguidade até a
Revolução Industrial:
Podemos afirmar que desde os mais remotos tempos o homem já
trocava mercadorias. Nas primeiras civilizações a troca não se proces-
sava com o uso de algum tipo meio de pagamento, como é o caso da
moeda, ou o que costumamos chamar de moeda-mercadoria (sal, por
exemplo). As trocas eram diretas, ou seja, mercadoria por mercadoria,
o que era bastante complicado.

= ?
Pense bem: Se quero trocar minha vaca leiteira por trigo, é provável
que eu esbarre em problemas muitas vezes insolúveis. Em primeiro

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 5


lugar preciso encontrar alguém que tenha o trigo que eu quero e
que queira a minha vaca leiteira, essa coincidência de desejos é rara.
Outro problema que enfrentarei é a não divisibilidade de alguns bens;
imagine a situação se chegarmos à conclusão de que o trigo de que
necessito vale meia vaca leiteira? (Como dividiríamos uma vaca leiteira
sem que ela perdesse a sua característica principal que é a de fornecer
leite?) Como se não bastasse não haver padronização de preços nem
medidas de valor. Muito complicado isso.
Na antiguidade clássica (Grécia e Roma) houve um avanço importante
nos meios de troca, o uso da moeda com valor intrínseco (moedas metá-
licas de ouro e prata) se difundiu pelo mundo antigo. Surge também a
moeda-mercadoria, por exemplo, o sal, usado como moeda-mercadoria
durante a decadência do Império Romano para pagamento do enorme
exército de Roma. Apesar da não aceitação universal, é um avanço eco-
nômico se pensarmos em relação ao escambo, pois ao menos se institui
uma medida de valor, característica que o escambo não consegue suprir.
Outras informações do modo de produção do período: a mão de
obra usada era basicamente escrava. Escravo esse adquirido ou por
meio das guerras de conquista ou por punição de algum delito prati-
cado, como o não pagamento de dívidas. O comércio era muito ativo,
tanto o interno como o praticado com as colônias, havia até alguns
bancos primitivos que não só serviam como depositários, mas também
realizavam empréstimos.
Na Idade Média – que se inicia com a queda do Império Romano
em 476 (invasão dos Hérulos) e se encerra em 1453 com a queda de
Constantinopla – a Europa assistiu um retrocesso da sua economia. O
feudalismo, que foi o modo de produção tipicamente medieval, era vol-
tado para dentro, a economia era basicamente de subsistência e havia
uma escassez endêmica, ou seja, faltava tudo. Ao não produzir exce-
dentes, quase não havia troca e o comércio (apenas eventualmente
realizado nas feiras) involuiu para um sistema de escambo. O pensa-
mento escolástico medieval permeava o comportamento econômico,
condenando o comércio, as trocas e o lucro, considerados perniciosos
(e potencialmente perigosos para a salvação da alma). Quanto ao tipo
de mão de obra utilizada na época era basicamente servil.
A mão de obra servil caracterizava-se não apenas por uma falta de
liberdade do servo, mas por uma troca: Isso significa que o servo só
poderia usar a terra (única fonte de sobrevivência) se prestasse servi-
ços compulsórios ao dono das terras. Ou seja: o servo recebia a per-
missão de uso da terra dentro do domínio se produzisse também nas
terras senhoriais, essa relação era baseada não só na prestação de

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 6


serviços, mas também em uma relação pecuniária, pois o servo era
obrigado a pagar inúmeros impostos para o dono das terras. Por
exemplo, o imposto sobre o uso do moinho (para transformar os grãos
em farinha) ou impostos para a permissão de batismo ou casamento.
Como um sistema econômico aparentemente tão estável se desor-
ganizou? Segundo a visão de alguns estudiosos, o feudalismo se desin-
tegrou na Europa em função principalmente da superexploração da
mão de obra servil. Isso se deu a partir de uma presença cada vez mais
constante da pressão da oferta de mercadorias que vinha de fora da
Europa (VICENCONTI, 2009).
As sedas, especiarias e outros produtos atraentes eram oferecidos
dentro do mercado europeu em troca de moeda. Como conseguir
essa moeda? Os senhores feudais concluíram que a melhor maneira
de aumentar seus rendimentos seria obrigando seu servo a produ-
zir cada vez mais, além de cobrar impostos cada vez mais abusivos.
Podemos concluir que se a vida do servo já era muito difícil, tornou-se
impossível. As pessoas morriam de fome nos campos ou se refugiavam
nos centros urbanos, onde encontravam uma relativa liberdade e con-
dições de vida mais aceitáveis.
Se desaparece ou diminui drasticamente a base produtiva durante
o período medieval, que era a mão de obra servil, isso condenava o
próprio senhor feudal ao desaparecimento – e com isso o modo feudal
de produção (BRUE, 2006).
Quando o modo de produção feudal se desorganizou deu lugar a
outro modo de produção, em que o comércio e a moeda tornam-se
fundamentais, estamos falando do período mercantilista, marcado
pelo surgimento do Estado absolutista moderno, o colonialismo e o
uso da mão de obra escrava nas colônias (VASCONCELLOS, 2008).
Podemos afirmar que durante esse período a forma mais desejada de
riqueza não é mais a terra (como no feudalismo) e sim os metais precio-
sos (metalismo). A Europa obviamente não conseguia suprir de maneira
eficiente dessa nova forma de riqueza, assim aumenta a necessidade dos
europeus procurarem alternativas fora de suas fronteiras físicas. Procu-
raram em outros continentes o suprimento desses metais precioso, ou
de produtos que pudessem ser transformados facilmente nessa forma
de riqueza metálica. Era o caso, por exemplo, do açúcar produzido no
Brasil, ou do metalismo direto praticado na América Espanhola.
Os novos Estados Modernos que se formam nesse período pro-
curam manter suas balanças comerciais superavitárias, tornando o
comércio entre as nações um entrave ao desenvolvimento.

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 7


Entre os séculos XVII e XVIII a Inglaterra surge como uma importante
nação mercantilista, graças não só à exploração colonial, como foi o caso
de Portugal e Espanha, mas fundamentalmente em função do desenvol-
vimento de um importante mercado interno baseado na produção têxtil.
Estamos chegando perto dos ingredientes que deram origem à
Revolução Industrial Inglesa, que irá modificar o mundo e a economia,
inaugurando algo de fundamental importância: o modo de produção
capitalista e a formação de um pensamento voltado para as questões
econômicas e assim a transformação da economia no que atualmente
chamamos de Ciências Econômicas (VICECONTI, 2009).

1. A Escola Fisiocrata
A primeira Escola de Pensamento Econômico que iremos abordar
nesta UA é a Escola Fisiocrata. O termo fisiocrata refere-se às “regras
da natureza”. O início dessa Escola se deu em 1756, na França, com a
publicação de Quesnay de um artigo sobre economia. Os fisiocratas
queriam reformar a França, onde a opressão e a injustiça eram enor-
mes em função basicamente das políticas mercantilistas. A Fisiocracia
surge como uma reação ao mercantilismo francês que regulamentava
e tributava de maneira exagerada toda ação econômica, retardando o
desenvolvimento tanto agrícola como industrial (PARKIN, 2009).
Os fisiocratas defendiam que a sociedade deveria ser estruturada
de modo a refletir a lei natural, defendiam a abolição das corporações
de ofício, conhecidas na França como Guildas, a abolição de tarifas,
impostos, subsídios e qualquer regulamentação que prejudicassem a
indústria e o comércio. E propunham a substituição de uma agricultura
baseada em princípios feudais por uma agricultura moderna capita-
lista. Porém, os fisiocratas não questionavam o direito da nobreza feu-
dal de receber rendas da terra (HUNT, 2005).
Os princípios econômicos dessa Escola baseavam-se em uma cha-
mada “ordem natural”, onde as leis da natureza é que governam
as sociedades humanas. A ênfase era na agricultura, considerada a
única atividade econômica não estéril. O princípio do Laizzes-faire,
laissez-passer, inaugura a ideia da não intervenção do Estado nas
questões econômicas.

Atenção
O principio do laissez-faire, laissez-passer será o norteador
do capitalismo.

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 8


O mundo ocidental no século XVIII já não era o mesmo, as ideias fisio-
cratas e as Revoluções burguesas, como a Francesa de 1789 e a Revolu-
ção Industrial Inglesa, propunham novas ideologias e novas maneiras
de conduzir as economias. Para entendermos o surgimento da prin-
cipal escola de pensamento econômico do período, conhecida como
Escola Clássica, iremos estudar a Revolução Industrial.

2. A Revolução Industrial
A Revolução Industrial Inglesa do século XVIII foi a primeira e inaugurou
o modo de produção capitalista. Uma questão importante é: por que a
Inglaterra teve a primazia nesse processo?
Logicamente não existe uma resposta fácil nem única a esse ques-
tionamento, mas podemos afirmar que dentre os países mercantilistas
da Europa Ocidental no século XVIII com certeza foi a Grã-Bretanha que
mais acumulou o capital mercantilista, proporcionando à burguesia bri-
tânica a possibilidade de uma produção em larga escala, baseada em
mão de obra assalariada e um promissor mercado consumidor, princi-
palmente externo, ou seja, composto por outros países europeus, além
das colônias americanas.
Enquanto o mercado externo mostrava-se promissor a Revolução
Industrial trouxe consigo problemas de ordem social inerentes aos pri-
mórdios do capitalismo: Urbanização desorganizada, má remuneração
e péssimas condições de trabalho.
Essas mazelas sociais e econômicas surgiram em função do grande
fluxo de pessoas que chegavam aos centros urbanos industrializados
em busca de um trabalho que a estrutura do campo não mais forne-
cia. As cidades não estavam preparadas para receber esse excedente
de população. Não havia moradias adequadas, saneamento básico,
iluminação, escolas etc. Além disso, esse grande contingente popula-
cional superava a demanda por mão de obra nas fábricas, causando
dessa forma desemprego principalmente masculino, já que as fábricas
davam preferência ao trabalho feminino e infantil – pior remunerados.
A presença de homens ociosos perambulando pelas ruas dos grandes
centros urbanos costumava conduzir a sociedade a outros problemas
sociais, como alcoolismo, violência e prostituição (Hobsbawm, 1986).
Esses problemas apresentavam desafios que eram desconhecidos,
tanto para os capitalistas, como para o governo, urgia a necessidade
de soluções possíveis. É nesse ambiente que irão surgir escolas de pen-
samento econômico, como a Clássica, que iremos estudar.
O tear mecânico, assim como a máquina a vapor, representou um
avanço no modo de produção, mas não foi a tecnologia a causa da

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 9


Revolução Industrial, devemos pensá-la como consequência (HOBS-
BAWM, 1986).

3. A Escola Clássica
Criada em plena Revolução Industrial Inglesa, a Escola lançou os fun-
damentos da economia moderna, procuravam racionalizar as práticas
produtivas e atacavam a participação do governo nas questões econô-
micas, defendiam a livre concorrência tanto no mercado interno como
no mercado externo (PARKIN, 2009).
Dentre as principais teorias do pensamento clássico podemos desta-
car: liberalismo econômico; harmonia de interesses entre o capital e o
trabalho; visão macroeconômica; análise econômica pelo lado da oferta.
Dentre os principais representantes destacamos: Adam Smith, David
Ricardo, Thomas Malthus, Jean-Baptiste Say, John Stuart Mill.
Abordaremos nesta UA brevemente cada um desses autores,
levando-se em conta que é impossível contemplar de maneira ade-
quada e completa cada uma dessas teorias.
Começaremos pelo considerado pai da economia, Adam Smith:

Atenção
Harmonia de Interesses e laissez-faire são conceitos básicos da
escola Clássica.

3.1 Adam Smith

Adam Smith publicou em 1776 seu


famoso tratado econômico denomi-
nado A Riqueza das Nações. O livro trata
de pontos importantes e começa com
a importância da divisão do trabalho
para tornar o trabalho mais eficiente
e eficaz. Segundo o autor, a divisão
do trabalho aumenta a quantidade de
produção, porque o trabalhador desen-
volve suas habilidades, em função
da economia de tempo e porque um
maquinário específico pode ser desen-
volvido para determinada função (VAS-
CONCELLOS, 2008).

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 10


Outro aspecto defendido dentro da obra de Smith é o da harmonia
de interesses, segundo o autor cada participante da economia procura
ir atrás de seus próprios interesses individuais, defendendo a ideia de
que uma “mão invisível” rege o comportamento dos agentes econô-
micos em direção a seus próprios interesses. Ou seja, dentro de um
mercado competitivo, oferta e demanda se equilibrarão sem haver a
necessidade de regulamentação dessa economia (BRUE, 2006).
Smith defende, portanto, a teoria do laissez-faire, em que o Estado
deve se abster de participar da economia, inclusive ao que se refere ao
comércio internacional. Defensor da teoria em que cada nação deve se
desenvolver naquilo que ela produz melhor e a menos custo, que ele
denominou harmonia internacional de interesses, conhecida como a
Teoria das Vantagens Absolutas (BRUE, 2006).

Conceito
A mão invisível rege o comportamento dos agentes econômicos.

3.2 David Ricardo

David Ricardo foi o primeiro econo-


mista que demonstrou as possibilida-
des do uso do método abstrato para a
economia, o autor mudou a ênfase da
análise econômica da produção para a
distribuição.
Em relação à teoria do valor, Ricardo
defendia a ideia que o valor de uma mer-
cadoria tem relação direta com a quanti-
dade de trabalho nela aplicada durante
sua produção, assim o autor diferenciava
valor de preço. A composição da socie-
dade por classes sociais é condicionante
para o desenvolvimento da vida econômica (VASCONCELLOS, 2008).
Suas principais obras foram: O alto preço do ouro, uma prova da
depreciação das notas bancárias, em 1810; Ensaios, sobre a influência
de um baixo preço do cereal sobre os lucros do capital, em 1815; e Prin-
cípios de economia política e tributação, em 1817.
Os principais temas abordados nas obras de Ricardo: Teorias do
valor-trabalho, da distribuição e do comércio internacional.

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 11


Para o autor, a aplicação conjunta de trabalho, maquinário e capital
no processo produtivo gera um produto que se divide entre as classes
sociais: Proprietários de terra, assalariados e arrendatários capitalistas.
O papel da ciência econômica seria, portanto, determinar as leis natu-
rais que orientam essa distribuição.
A Teoria do Valor-Trabalho se refere ao valor econômico de uma
mercadoria e é determinado pela quantidade de trabalho que é neces-
sário para produzir os mais diversos bens. Por essa teoria o preço de
uma mercadoria reproduz a quantidade de tempo de trabalho nele
colocado, sendo o único elemento que realmente gera valor. Exemplo
clássico: Por que pérolas são mais valiosas que a água? Porque existe
maior trabalho para extrair as pérolas do que para extrair água.
Com relação ao comércio internacional, David Ricardo desenvol-
veu a Teoria das Vantagens Comparativas, em que afirmava que cada
país deveria produzir o que fosse mais barato para si, mesmo que
existam outros países produzindo o mesmo produto a menor custo
(HUNT, 2005).

Conceito
Teoria das vantagens comparativas: um país deve produzir o que
for mais barato para si.

3.3 Thomas Malthus

Autor bastante controverso da Escola


Clássica abordava problemas econômi-
cos, como o crescimento populacional.
Através de sua teoria sobre a popula-
ção, Malthus pretendia demonstrar
as causas da miséria da Inglaterra do
século XVIII. A famosa teoria alegava
que enquanto os alimentos oferecidos
crescem em progressão aritmética,
a população quando não controlada
cresce em progressão geométrica. O
problema é que Malthus acreditava que
esse controle deveria vir através de uma restrição moral, ou seja, aque-
las pessoas que não pudessem sustentar seus filhos deveriam não tê-
-los e nem deveriam se casar. O autor dizia ainda que as guerras e as

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 12


doenças eram importantes agentes de controle de natalidade (PARKIN,
2009).
De acordo com o autor, a pobreza era um castigo pela sua capaci-
dade de sobreviver no mundo capitalista, por isso o governo não deve-
ria ajudar os miseráveis, que assim pereceriam (BRUE, 2006).

3.4 Jean-Baptiste Say

Jean Baptiste Say foi defensor do laissez-faire e se opôs à teoria do traba-


lho da Escola Clássica, substituindo-a pela oferta e demanda, que seriam
reguladas pelos custos de produção e da utilidade.
O autor elaborou a Lei dos Mercados, que defende a teoria de que a
superprodução em geral é impossível, baseado na concepção de que a
oferta cria a sua própria procura, até em relação ao comércio interna-
cional. Embora contestada, a Lei de Say continuou a dominar o pensa-
mento econômico até Keynes em 1936 (HUNT, 2005).

3.5 John Stuart Mill

Mill é considerado o último economista


da Escola Clássica. Em seu primeiro
livro analisa os três fatores de produ-
ção: capital, terra e trabalho, e define
a riqueza como tudo aquilo que possui
valor de troca; aqui somente objetos
materiais são incluídos, pois somente
eles podem ser acumulados. O traba-
lho considerado improdutivo é aquele
que não termina na criação da riqueza
material. O capital pode dar emprego
adicional ao trabalho. O autor alega
que se os capitalistas gastarem menos em bens de luxo e mais em
investimentos, a procura por trabalho aumentará. Se a população
aumentar, a maior procura por bens básicos à sobrevivência compen-
saria a menos procura por bens supérfluos.
Utilitarismo: com origem nas obras dos filósofos e economistas
ingleses do século XVIII e XIX, segundo a qual uma ação é moralmente
correta se tende a promover a felicidade e condenável se tende a pro-
duzir a infelicidade, considerada não apenas a felicidade do agente da
ação, mas também a de todos afetados por ela. O Utilitarismo rejeita
o egoísmo, opondo-se a que o indivíduo deva perseguir seus próprios

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 13


interesses, mesmo às custas dos outros, e se opõe também a qual-
quer teoria ética que considere ações ou tipos de atos como certos ou
errados independentemente das consequências que eles possam ter
(PARKIN, 2009).
O aumento da produção, entretanto, é limitado pelo tamanho da
terra. Mill acreditava que a agricultura apresenta rendimentos decres-
centes, portanto a população deve ser limitada.
Mill considerava-se socialista, mas apesar de pensar nos problemas
sociais, sua teoria estava vinculada à propriedade privada (HUNT, 2005).

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 14


antena
parabólica
Atualmente existe uma discussão bastante intensa
sobre a participação do Estado nos assuntos econô-
micos. Desde a queda do Muro de Berlim, em 1989,
o mundo viu nascer ideias que receberam o nome
de neoliberais; pregavam que o “fracasso” das eco-
nomias socialistas estavam vinculados em grande
medida a ineficiência estatal. Essa ideia foi defendida
por enorme parcela das sociedades, tanto ocidentais
como de outros lugares do mundo.
No entanto, no ano de 2008 o mundo assistiu,
boquiaberto, à crise no sistema financeiro norte-
-americano; ameaçava desabar com a inadimplência
provocada no setor imobiliário. Um dos principais
motivos que levaram a esse estado perigoso foi a não
intervenção do governo norte-americano no controle
das taxas de recolhimento obrigatórias que os bancos
comerciais devem recolher.
Esse episódio parece que alertou parcela da socie-
dade sobre os possíveis perigos de um laissez-faire
atual, ou seja, a questão é será que existe mesmo
uma tal de mão invisível controlando de forma ideal
o mercado?
Respondendo a esse questionamento devemos
levar em conta que existem diversas correntes, mas
nos parece claro que uma economia deixada com-
pletamente à deriva acaba soçobrando (usando aqui
uma metáfora). Isso já ficou provado nas várias expe-
riências de laissez-faire no decorrer da história eco-
nômica atual. Sempre que uma economia ficou sem
regulamentação, ou sem intervenção mais atenta do
governo, alguma crise de pequena ou de grande pro-
porção acabou ocorrendo.
Esse é um tema que requer profunda reflexão para
que crises econômicas se tornem cada vez menores e
com consequências menos lamentáveis.
E agora, José?
Nesta UA analisamos o desenvolvimento do Pensa-
mento Econômico desde os seus primórdios até o
século XIX. Vimos que da Antiguidade neolítica até a
Revolução Industrial a Economia não era tratada como
uma ciência, portanto não havia a organização do Pen-
samento em Escolas. A Idade Média foi um verdadeiro
desastre em termos de evolução econômica. O lucro
era combatido, o comércio era visto com desconfiança
e houve desmonetização, o que mostra o retrocesso
da economia do período.
A Revolução Industrial surgida na Inglaterra no século
XVIII trouxe nova luz às economias, como o estímulo
para uma produção cada vez mais eficaz, a sofisticação
dos meios de pagamento e do comércio internacional.
Nesse contexto surgirá a Grande Primeira Escola de
Pensamento Econômico: a Escola Clássica com seus
pensadores de suma importância, como Adam Smith,
David Ricardo, Malthus, Say e Stuart Mll.
Agora que já vimos o nascimento da ciência econô-
mica no século XVIII com a publicação da riqueza das
nações de Adam Smith iremos evoluir esses estudos
para o século XIX e XX. Analisaremos o pensamento
Keynesiano, que foi essencial para dar resolução à
crise de 1930, provocada pela quebra da Bolsa de Valo-
res de Nova York, em 1929.
A Escola Socialista Científica do século XIX e as Esco-
las atuais serão vistas na nossa próxima Unidade.
Bons estudos!

Atividades
Agora que você já relacionou as teorias econômicas
com os processos históricos, que tal praticar? Vamos
às atividades!
Glossário
Escambo: troca direta de mercadorias. Laissez-faire, laissez-passe: em francês, deixar
Escola: conjunto dos adeptos de um mestre (filó- fazer, deixar passar.
sofo, literato, artista). Valor intrínseco: valor em si mesmo.
Escolástica: filosofia medieval.

Referências
PARKIN, MICHAEL. Economia. Prentice. Hall Bra- Economia. Frase, 2009.
sil, 2009. VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, M. E. Funda-
VICECONTI, P. E. V.; NEVES, S. Introdução à mentos de Economia. Saraiva, 2008.

Bibliografia complementar
HOBSBAWM, E. Da revolução industrial inglesa Thomson: São Paulo, 2006.
ao imperialismo. Forense: Rio de Janeiro, 1986 HUNT, E. K. História do pensamento econô-
BRUE, S. História do pensamento econômico. mico. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

Economia  /  UA 03  História do Pensamento Econômico I 17