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Aula 3

Parâmetros de Qualidade
para Materiais Didáticos de EAD

Cristiane Brasileiro
Aula 3 – Parâmetros de Qualidade para MD de EAD

Meta

Apresentar e discutir parâmetros atuais para


produção de materiais didáticos de EAD tomando
como referência as orientações assumidas pelo MEC.

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

 Reconhecer a importância especial dos materiais


didáticos em cursos a distância;

 Identificar as orientações do MEC para a


produção desse tipo de material;

 Relacionar suas escolhas em relação à produção


dos vários tipos de materiais didáticos às funções
que você espera que os mesmos desempenhem.

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A importância especial do material didático na EAD

Você deve ter notado que, nas últimas semanas, temos vivido um momento
trepidante para quem se interessa pela produção de cursos em EAD. Afinal,
com a prorrogação ainda indefinida do tempo recomendado de quarentena
para boa parte da população do país, no meio de uma pandemia mundial,
houve uma verdadeira corrida das instituições de ensino pela busca de
soluções de ensino através EAD.

E aí o que temos observado, com muita frequência, é que a maior parte dessas
soluções mais apressadas tem tido um padrão de erro muito comum: acreditar
que bastaria escolher alguma ferramenta, plataforma ou aplicativo gratuito
que o problema da oferta dos cursos em EAD estaria resolvido.

Muito longe disso, no entanto, o desafio de produzir um curso em EAD é muito


mais complexo, e um ponto chave dessa complexidade é, justamente, o fato
de que a produção de materiais didáticos na EAD envolve em geral uma série
de escolhas que demandam não só formação específica dos profissionais
responsáveis por elas, mas condições institucionais claras, algum
conhecimento técnico, experiência acadêmica e uma sensibilidade especial em
relação às próprias especificidades da modalidade.
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Lembre-se, por exemplo, que na aula anterior, que apresentamos vários teorias
da aprendizagem, e entre elas a concepção sociointeracionista de
conhecimento, cujo principal teórico é Lev Vygotsky, e para a qual os indivíduos
atuam de maneira ativa no processo de construção de seus conhecimentos,
significados e representações a partir das mais diferentes situações de
interação que estabelece com outros sujeitos. A relação do indivíduo com o
mundo, portanto, nunca é uma relação direta, mas mediada por outros
indivíduos ou objetos.

Assim, se no caso da educação presencial o professor em sala de aula aparece


como um mediador muito nítido do processo de aprendizagem do aluno, no caso
da Educação a Distância essa concentração se altera bastante: as portas das
comunicações assíncronas devem se abrir para garantir uma organização mais
flexível dos horários de estudo, e com isso passam a predominar atividades
assíncronas, ou seja, aquelas em que professores e alunos estão em tempos
diferentes. Afinal, um dos grandes atrativos da EAD é justamente o quanto ela
permite e desenvolve a autonomia do aluno, visto ser ele quem estabelece onde
e quando vai estudar.
A consequência lógica disso é que, embora possam existir na EAD alguns
momentos em que professores e alunos possam estar interagindo ao mesmo
tempo (por exemplo através de videoconferências ou chats), a verdade é que o
material didático deve assumir nessa modalidade, uma função muito mais
robusta do que a de um mero apoio coadjuvante para a fala do professor ao vivo.
Ele costuma ser, em boa parte do tempo de estudo do aluno, o próprio núcleo
vivo do curso, e por isso demanda cuidados e mesmo talentos dos profissionais
envolvidos na criação dos cursos que simplesmente nunca vêm prontos e
devidamente customizados, nos “pacotes prontos” de meras vendas de
softwares.
Quais seriam, então, os parâmetros de qualidade para a produção desses
materiais? Existiriam parâmetros universais? Eles costumam ser respeitados?
No cenário especialmente tumultuado e confuso que temos visto se criar nestes
dias, achamos por bem retomarmos alguns princípios norteadores que foram
estabelecidos num momento em que o MEC tinha uma presença bastante forte e
ativa, e que muito contribuíram para nos dar “régua e compasso” para a definição
da qualidade da EAD no Brasil – isso tudo no já longínquo ano de 2008.

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Princípios gerais para a elaboração de materiais didáticos

Um norteador central, segundo o documento “Referenciais de qualidade para


EaD”, elaborado pelo MEC , é este aqui: o material didático para EAD deve ser
construído em consonância com os princípios epistemológicos, metodológicos
e políticos do projeto pedagógico do curso, favorecendo a construção do
conhecimento, mediando a interlocução entre estudante e professor e
buscando desenvolver habilidades e competências específicas, por meio de
diferentes mídias.

Nesse sentido, o documento em questão já advertia para um ponto crucial que


deveria ser relembrado com ênfase no momento em que estamos vivendo:
somente a experiência adquirida pelo professor em cursos presenciais não
basta para proporcionar a qualidade da produção de materiais adequados para
a Educação a Distância. Afinal, a produção dos mesmos é um processo que
deveria envolver outras lógicas de concepção, produção, linguagem, estudo e
controle de tempo. Via de regra, isso deveria exigir, portanto, das instituições,
a constituição de uma equipe multidisciplinar dentro da qual o docente
pudesse desenvolver o seu trabalho juntamente com os demais profissionais
especializados como designers instrucionais, designers gráficos, ilustradores,
revisores e especialistas em novas tecnologias da informação.

Além disso, recomenda que a construção de materiais didáticos vise a


integração das diferentes mídias, explorando uma articulação bem pensada
entre os materiais impressos, digitais e outros. Isto é que poderia favorecer a

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construção do conhecimento e também uma interação significativa entre todos


os atores envolvidos em um curso a distância.

Para a qualidade de um curso a distância, portanto, seria sempre de suma


importância que, na criação do material didático, os profissionais envolvidos
nessa produção já estivessem suficientemente familiarizados com os atributos
das diversas mídias e pudessem de fato considerar, inclusive, os diversos
fatores que interferem na seleção de sua utilização, tais como a matriz
conceitual do curso, a acessibilidade, o público-alvo do curso, os custos da
produção, etc.

Levando em conta essas orientações gerais, é claro que ainda haveria espaço
para uma diversidade enorme de modelos de materiais didáticos no país.
E isso se deveria, naturalmente, à diversidade de projetos pedagógicos
implementados nos mais diferentes contextos que, por sua vez, determinam o
papel que cada meio terá, bem como o seu formato e a distribuição dos
conteúdos em cada proposta de curso.

Entretanto, ao conceber seus cursos a distância, a equipe responsável deveria


sempre ter clareza sobre alguns aspectos básicos e comuns a serem
considerados na formulação de materiais didáticos para essa modalidade de
ensino, desde que sejam adaptados às especificidades de cada realidade.

A consideração séria a respeito do público-alvo ao qual o material em questão


se destina, por exemplo, seria um desses elementos indispensáveis na
elaboração de qualquer material didático, pois permite definir o que queremos
que ele desenvolva ao longo do curso e as estratégias pedagógicas mais
adequadas para atingir os nossos propósitos. Nesse sentido, nunca existiria
uma única solução para EAD, mas certamente existem as soluções mais ou
menos adequadas a públicos específicos e em condições específicas de oferta.

Sendo assim, ainda seria possível elencar de forma útil alguns dos principais
objetivos que deveriam ser perseguidos pelos materiais didáticos para EAD.

Vamos ver de perto uma lista deles?

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Objetivos centrais dos materiais didáticos para EAD

 organizar o conhecimento prévio do aluno e indicar referências;

 estimular participação na comunidade virtual de aprendizagem;

 estimular a relação tutor/aluno e aluno/aluno;

 integrar as unidades de aprendizagem, a partir de uma abordagem


que considere diferentes estratégias;

 desenvolver competências diversas e específicas;

 incentivar a autonomia do aluno na busca de novos conteúdos e


realização de pesquisas;

 possibilitar a avaliação do processo de aprendizagem.

Outro aspecto importante é a linguagem utilizada nos materiais. Quando bem


empregada, esta pode facilitar o entendimento do conteúdo e proporcionar
uma leitura mais prazerosa. É recomendável adotar uma linguagem
razoavelmente coloquial, clara e objetiva, evitando o uso de gírias e o excesso
de informalidade. O texto deverá ser elaborado de forma a criar um diálogo,
por meio do qual autor/professor e leitor/aluno construam seus
conhecimentos, criando uma sensação de proximidade entre ambos.

Os materiais didáticos devem ainda ser criados em consonância com os


princípios pedagógicos do curso e, consequentemente, de acordo com o
referencial teórico que o sustenta. A análise de um guia de estudo e de um
vídeo pode nos revelar não apenas o conteúdo do qual ele é suporte, mas a
forma como é entendido o processo de construção do conhecimento na
proposta pedagógica daquele curso, ou seja, as concepções que o embasam.
Por exemplo, em um curso cuja matriz conceitual é embasada no
construtivismo, os materiais deveriam promover diversas situações que
auxiliassem o aluno a construir o seu próprio conhecimento.

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Através da organização e planejamento das unidades de


aprendizagem/módulo, ou seja, o programa do curso, a equipe de criação dos
materiais didáticos pode ter uma visão dos objetivos que pretende desenvolver
com os alunos em cada unidade e no curso de forma geral. Feito esse
planejamento, será possível distribuir tarefas como a elaboração do texto, de
um vídeo, entre outros materiais de cada unidade, nos quais os assuntos serão
tratados de modo articulado.

Considere também que na elaboração do material didático é preciso buscar


constantemente uma articulação entre forma e conteúdo. Por exemplo, a
construção de um texto impresso ou digital pode beneficiar-se da inserção de
ilustrações, gráficos, fotografias, quadros, que podem torná-lo mais atraente e
compreensivo, contribuindo para um melhor desenvolvimento do conteúdo
em Educação a Distância. O entendimento do texto pode ser favorecido com a
inclusão de dicas, glossário, anexos etc.

Para desenvolver a visão crítica do aluno podem ser incluídos


questionamentos, reflexões e atividades relacionadas ao assunto tratado. Ele
deve ser incentivado a aprofundar seus conhecimentos sobre os assuntos
abordados. Para isso o material pode e deve indicar uma bibliografia
complementar, websites, filmes e outros. E ainda, de forma muito especial,
deve estar muito bem articulado aos estímulos dados aos alunos para
participação nos espaços mais interativos do curso, tais como fóruns temáticos.

Por fim: devemos lembrar que, na elaboração de materiais didáticos,


precisamos ainda estar atentos à questão dos direitos autorais. Quando
acrescentarmos em nossos materiais trechos de textos, fotos, músicas e
trabalhos de outros autores, precisamos saber que elas podem estar
protegidas por direitos autorais. Caso estejam, precisamos pedir autorização
para utilizá-las, em alguns casos pagando inclusive uma taxa. A legislação
brasileira não permite a cópia, reprodução, divulgação e apresentação pública
de uma obra sem a permissão do autor, embora admita o uso de ideias,
métodos, conceitos e procedimentos normativos. Assim, podemos também
fazer citações diretas e indiretas de partes de trabalhos indicando suas
respectivas fontes, o que nos protege de uma situação de plágio, mas mesmo
isso não nos imuniza de uma acusação de baseada no direito de propriedade.

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As diferentes mídias na construção de MD para EAD

Para nos situarmos melhor sobre esse tema, seria interessante começarmos
diferenciando os termos “mídia” e “tecnologia”. Tomados muitas vezes, como
sinônimos, esses termos, no entanto, guardam suas especificidades que
devemos conhecer.

Moore e Kearsley (2007) identificam quatro tipos de mídia - o texto, as


imagens, os sons e os dispositivos. Por sua vez, a tecnologia é o meio que
permite veicular mensagens representadas em uma mídia. Nesse sentido,
podemos notar que cada tecnologia pode comportar pelo menos uma ou mais
mídias, como por exemplo, o vídeo que suporta imagem e som.

Para atuarmos em cursos a distância, não precisamos ter necessariamente uma


formação especializada a respeito do funcionamento das tecnologias, pois para

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isso contamos com a participação de alguns profissionais na equipe de criação


de um curso. Entretanto, como professores, é certo que seria sempre
importante que tivéssemos ao menos conhecimentos suficientes para
podermos trabalhar colaborativamente nessa equipe, apresentando sugestões
mais precisas e pedagogicamente consistentes.

Devemos ter bastante claro, em mente, que muito mais importante que
escolhermos alguma suposta “tecnologia de ponta” para o curso que estamos
produzindo, o crucial no trabalho de elaboração dos materiais didáticos para
uma disciplina ou curso a distância é investirmos na qualidade da escolha da
mídia a ser utilizada junto aos alunos.

Sendo assim, nesse tópico, vamos apresentar as características pedagógicas


das principais mídias utilizadas em EaD, para compreendermos as
especificidades e possibilidades de cada uma. Para isso, focaremos numa
apresentação de suas características gerais e nas funções que podem exercer
mais comumente em cursos ou disciplinas a distância.

Mídia impressa em Educação a Distância

Mesmo com todas as possibilidades atualmente oferecidas pelas mídias


eletrônicas, o material impresso ainda ocupa um lugar de destaque na EaD,
sendo não só citado como o material mais utilizado conformes dados do
Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância, mas também
sendo o de uso mais antigo e mais conjugável com as demais mídias.
Em outras palavras: nas grandes instituições de ensino, e mesmo nos cursos
que adoram largamente vídeos e webconferências, via de regra é mantida uma
oferta de material didático textual para os alunos – ou já impresso ou
formatado de modo a poder ser acessado e impresso pelo próprio aluno.

Muitos estudos atribuem essa permanência aos fortes benefícios


proporcionados por esse meio. Listamos a seguir algumas de suas principais
vantagens apontadas são:

• oferecem uma organização didática clara conjugada a uma marca


institucional forte;
• são de fácil manipulação, pois quase todas as pessoas estão
familiarizadas com seu uso;
• podem ser transportados pelos alunos com facilidade;
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• permitem e incentivam o estudo mais concentrado e sem distrações;


• permitem um ajuste absolutamente pessoal a ritmos, estilos de leitura e
interesses de aprendizagem muito variados;
• não demandam dos alunos acesso à internet, computadores conectados
a wifi e celulares com banda larga;
• têm um custo relativamente baixo com relação as outras mídias.

Entre os tipos de materiais impressos mais utilizados em EaD estão o Guia do


Curso (ou Guia da Disciplina, ou ainda Guia de Estudos) e o livro-texto.

Apresentamos, a seguir, os componentes mais característicos de cada um deles.

GUIA DO CURSO

 Uma apresentação geral do nome, da ementa e/ ou dos objetivos do


curso;

 Uma indicação da carga horária e do professor responsável pelo curso;

 Um cronograma com indicações claras de quando as aulas e/ as


atividades específicas serão oferecidas;

 Uma orientação mais geral sobre a relação proposta entre os diversos


materiais e recursos utilizados no curso;

 Um esclarecimento a respeito do sistema de avaliação adotado;

 Orientações a respeito de eventuais modelos de entrega de tarefas ou


padrões esperados de participação dos alunos nos espaços interativos do
curso.

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LIVRO-TEXTO

O livro-texto, por sua vez, aborda os conteúdos de forma mais abrangente e


detalhada, podendo ser organizado em função de um tema ou assunto específico,
e não estando necessariamente organizado em unidades.
Na EaD, ele poderá ser oferecido em versão integral já no início do curso ou ir
sendo disponibilizado por partes, à medida em que o curso avança, sendo ainda
complementado com o uso de outras mídias e ferramentas, através da indicação
de leituras de textos na internet, vídeos ou da organização de atividades
interativas.
Em termos da sua estrutura geral, é preciso frisar que a definição prévia da
estrutura de um material impresso é importante para orientar o autor/professor
na organização do texto e também para a sua produção.
Abaixo damos um exemplo do que pode constar numa dessas orientações (mas
também vamos disponibilizar, para a produção do seu Trabalho Final deste curso,
um guia mais detalhado para a produção do seu próprio material didático.)
De todo modo, a estrutura geral de um livro-texto já completo e fechado é
composta dos seguintes itens:

Itens obrigatórios:

 Indicação do curso, módulo ou disciplina ao qual o MD está vinculado;

 Título da publicação;

 Nome dos autores e revisores;

 Local, data e em alguns casos o volume e o número da edição;

 Referências bibliográficas de acordo com as normas da ABNT

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Itens opcionais:

 Apresentação e prefácio;

 Dedicatória e epígrafe;

 Imagens com boa qualidade de definição;

 Resumo do conteúdo apresentado em cada unidade do livro;

 Palavras-chaves;

 Considerações finais ou conclusão ao fim de cada unidade;

 Bibliografia indicada (e até comentada, se for o caso);

 Lista de abreviaturas;

 Glossário;

 Anexos.

Além desses, outros itens ainda poderão ser acrescentados a essa lista mais
geral, conforme forem os objetivos do seu material. Mas tenha o cuidado de
anexar no texto os itens que compõem sua estrutura, informações que servirão
de referência para o processo de produção do material (inclusive para orientar,
por exemplo, a sua diagramação).
Importante ainda notar que, nos contextos em que o material assim
produzido não só for disponibilizado para os alunos em versão digital para ser
impresso, mas for efetivamente impresso e entregue, devemos considerar
que, depois de pronto, o material produzido ainda precisará passar pelas
seguintes etapas de produção:

• especificação do tipo de papel, formato, número de cores e acabamento;

• escolha do processo de impressão;

• orçamento;

• escolha do software adequado para a diagramação e produção;


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• diagramação;

• revisão;

• arte-final, incluindo o tratamento de imagens e fechamento de arquivos;

• envio das artes para os fornecedores;

• impressão e acabamento executados pelos fornecedores;

• avaliação da qualidade de impressão.

Mídia sob o formato de áudio e vídeo

Neste tópico vamos discutir sobre as possibilidades de utilizarmos a imagem e


o som sob a forma de áudio e vídeo como ferramentas pedagógicas para
incrementar a aprendizagem em cursos a distância.

É bem provável, aliás, que você já tenha utilizado tais recursos em suas aulas
no ensino presencial – seja para complementar uma exposição oral ou para
ilustrar um determinado assunto.

Você deve saber, portanto, que quando utilizado para fins pedagógicos, o áudio
e o vídeo assumem um caráter instrucional e, como tal, precisam ser escolhidos
e apresentados considerando-se algumas especificidades do processo
educativo, como veremos a seguir.

Por sua vez, na EAD, o uso de vídeos e áudios tem sido adotado em larga escla
e também defendido, dentre outros motivos, devido à capacidade da
linguagem audiovisual atrair mais facilmente a atenção dos alunos. Por outro
lado, uma questão problemática apontada refere-se à necessidade de
equipamentos e recursos humanos especializados para sua criação e produção,
o que implica em disponibilidade de um tempo maior e de mais recursos
financeiros.

Dentre as possibilidades de utilização do vídeo em sala de aula, que também


podem ser aplicadas na Educação a Distância estão:

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Utilizado 
para 
introduzir 
um 
assunto e 
despertar 
o


Vídeo 
como 
sensibilização

  
interesse
 do aluno

Pode
mostrar 
diferentes 
realidades 
e 
momentos



Vídeo 
como 
ilustração
  
históricos;



 Aproxima 
o 
tema 
estudado 
de 
situações 
reais;



É
 uma
 ilustração
 mais
 sofisticada,
 pode
 simular



Vídeo 
como 
simulação
  situações
 que ao vivo exigiriam muitos recursos

 Pode
 simular,
 em
 segundos,
 situações
 ou
 fenômenos



que
 levariam muito tempo para acontecer.

Como 
documentação: 
registrando 
eventos e


Vídeo 
como 
produção
  
experiências

 Como
 intervenção:
 interferindo
 em
 um
 material



audiovisual,
 introduzindo
 uma
 trilha
 sonora,
 editando


material
 ou 
introduzindo 
novas 
cenas 
como 
se 
faz 
em



um
 texto escrito;

Vídeo 
como 
avaliação
  Dos 
alunos,
 dos 
professores ou 
do 
processo.



Como vimos, o vídeo pode ser um bom instrumento para motivar,


problematizar, registrar e sistematizar as aprendizagens dos nossos alunos,
mas precisamos nos atentar para o público a que ele se destina, para a forma
e quantidade de informações nele veiculadas. Afinal, é preciso dosá-las, dando
um tempo para a assimilação das mensagens, e dessa forma tirando o maior
proveito possível das diversas linguagens como a visual, oral, musical e escrita,
- que, nos audiovisuais, são utilizadas de maneira articulada.
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Devido à sua capacidade de demonstrar as interações entre as pessoas, o vídeo


é um recurso privilegiado para situações de aprendizagem se o objetivo for
desenvolver aptidões interpessoais como trabalhar em equipe, exercer
liderança, ser comunicativo etc. Pode ser adequado, ainda nas situações em
que necessitamos demonstrar certos procedimentos, pois nos possibilita fazê-
lo “passo-a-passo”, utilizando recursos que permitem controlar a velocidade
dos movimentos e explorar as imagens em vários ângulos. Por isso mesmo
como você já deve ter percebido, são especialmente presentes em cursos cujo
conteúdo depende mais da exposição de imagens em movimento (tais como
cursos de dança, ginástica, ensino de instrumentos musicais, etc);
O processo de elaboração de um material didático sob a forma de vídeo
envolve, em geral, três fases:

Pré-produção

Envolve orçamento, elaboração de um roteiro, planejamento das gravações e


edições, pesquisas de imagens, locação para gravação de imagens e coleta de
depoimentos, seleção de profissionais (atores/apresentadores), construção de
cenários, organização de uma equipe, negociação de direitos autorais etc.

Produção
Inclui a gravação em si de imagens, depoimentos etc.

Pós-produção:
Envolve a edição de imagens, produção e adição de trilha sonora ou locução,
efeitos e computação gráfica.

Para dar continuidade ao nosso estudo, falaremos ainda sobre o uso do áudio
em EaD.
Talvez você já tenha visto ou até mesmo utilizado materiais didáticos de algum
curso de língua estrangeira a distância, cujos materiais de apoio são o texto
impresso e CDs ou arquivos digitais de áudio.

Podemos afirmar que, em cursos onde há necessidade de um maior


desenvolvimento da oralidade, como por exemplo, os de língua estrangeira, o
áudio pode ser uma das ferramentas mais adequadas.

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É recomendável, ainda, o uso de áudio em situações em que o


professor/tutor precisa encaminhar para o aluno uma explicação ou fazer
esclarecimentos sobre questões levantadas pelo aluno sobre um assunto
estudado. É sempre bom lembrar, no entanto, que a criação de materiais em
áudio, da mesma forma que o vídeo, precisa ser conduzida por um profissional
como um técnico e um locutor para se conseguir uma boa qualidade. Exige,
ainda, a elaboração de um roteiro do que será gravado e a edição de itens que
não serão incluídos. Assim, há necessidade de um planejamento para uma
melhor administração do tempo e dos recursos a serem utilizados

Ressaltamos que essa é uma ferramenta cada vez mais usada em cursos a
distância, especialmente em cursos livres que se organizam em torno de um
recurso barato e de fácil distribuição como os podcasts. E, pra todos os efeitos,
as produções em áudio contemplam quatro elementos básicos que podem ser
utilizados na criação de uma trilha sonora: o silêncio, a música, o diálogo/falas
e os ruídos/efeitos.

Atualmente, com a facilidade de acesso a software de edição de áudio e de


vídeo digitais em computadores de uso pessoal, ampliou-se a possibilidade de
criação e distribuição de materiais audiovisuais através da Web a um custo
mais baixo. Contudo, e também aqui, costuma ser questionada a qualidade
dessa produção quando é feita por pessoas que não possuem competência
técnica para isso.

Estabelecendo critérios para a seleção de mídias

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Agora que conhecemos algumas das principais mídias disponíveis em Educação


a Distância é provável que você esteja se perguntando como selecionar a mídia
mais adequada a ser empregada em um curso ou disciplina a distância.

Diante de uma variedade de mídias disponíveis, temos que adotar alguns


critérios para orientar a seleção de uma mídia ou um conjunto de mídias mais
adequado para um determinado curso ou disciplina, bem como a definição da
melhor tecnologia para veiculá-la.

Por isso, vamos apresentar alguns passos que podem orientar o processo de
seleção de mídias e tecnologias, de acordo com Moore e Kearsley (2007):

1- Identificar os atributos das mídias exigidos pelos objetos de instrução ou


pelas atividades de aprendizado

Esse passo sugere que a seleção da mídia deve partir inicialmente dos objetivos
de aprendizagem. Por exemplo, na disciplina de História da Arte o aprendizado
requer a apreciação e análise de diversas obras de arte. Nesse caso, as mídias
visuais sob a forma de vídeo ou imagens impressas seriam indispensáveis.

Quando as situações de aprendizagem enfatizam o desenvolvimento de


natureza oral e auditiva, como é o caso de um curso de idiomas, priorizar a
mídia auditiva pode contribuir de maneira mais significativa para o processo de
ensino/aprendizagem.

2- Identificar as características dos alunos que sugerem ou eliminam certas


mídias

Como já mencionamos, o público-alvo é um requisito importante na definição


das mídias utilizadas em uma disciplina ou curso a distância. É preciso ter em
mente quem são os alunos. Por exemplo, para alunos analfabetos ou com
pouca escolaridade a melhor opção poderá ser uma mídia audiovisual, não
sendo a princípio indicado o uso de textos impressos.

No caso de alunos portadores de necessidades especiais, como por exemplo,


deficientes visuais, pode ser mais adequada a adoção de uma mídia auditiva, a
ser veiculada por meio de CDs de áudio e/ou da web que, através de um
software, pode converter um texto disponibilizado na tela em som.

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3- Identificar as características do ambiente de aprendizado que oferecem ou


eliminam certas mídias

O ambiente de aprendizagem é um aspecto que interfere na escolha da mídia.


É necessário saber onde o aluno utilizará as mídias. Em casa? No trabalho? Em
outra instituição?

A escolha da mídia deve adequar-se à realidade de cada ambiente de


aprendizagem. Por exemplo, em regiões com pouco acesso a recursos
tecnológicos podemos optar por uma mídia impressa a ser distribuída por
correio e/ou por uma mídia auditiva a ser transmitida por rádio. Tais mídias
também são boas para o aprendizado realizado em casa.

4- Identificar os fatores econômicos ou organizacionais que podem afetar a


viabilidade de certas mídias

A seleção das mídias está condicionada também aos fatores econômicos e


organizacionais. Sendo assim, devemos considerar para a adoção ou exclusão
de certas mídias:

• os recursos financeiros disponíveis;


• os conhecimentos especializados de que dispomos;
• a experiência da equipe de profissionais do curso no uso das mídias;
• os suportes midiáticos necessários (os que temos e os possíveis de
serem viabilizados);
• o tempo necessário para a criação e produção do material didático.

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Considerações finais:

Como você deve ter notado, todas as mídias que mencionamos como passíveis
de serem usadas na EAD apresentam pontos fortes ou fracos, assim como as
tecnologias que as veiculam. Por isso mesmo é fundamental que sua adoção
não se dê só em vista dos custos de cada uma delas, ou mesmo dos lucros que
que elas podem proporcionar aos responsáveis por sua adoção.

Tampouco a escolha deve ser feita levando-se em conta o que é apresentado


pelos vendedores de softwares como sendo o produto mais novo, avançado ou
cheio de recursos. Também aqui, por vezes “menos é mais” – não por acaso,
há toda uma bela produção teórica defendendo soluções pedagógicas
baseadas no suficientismo ou mesmo no minimalismo tecnológico.

Como vimos, algumas tecnologias suportam mais de um tipo de mídia. No


entanto, com o desenvolvimento tecnológico é atualmente possível a utilização
de quase todas as mídias (imagens, sons, textos, animações etc) por meio de
um único suporte, como é o caso da internet.

Por outro lado, as condições de acessibilidade dos alunos e, em alguns casos, o


seu despreparo para lidar com determinadas tecnologias podem limitar o uso
da internet para veicular determinadas mídias. Portanto, mesmo quando
consideramos que tais mídias são as mais adequadas para atender aos nossos
propósitos, devemos optar por outros suportes para transmiti-las.

Aproveitamos para reafirmar que a tentativa de aliar a mídia mais adequada à


melhor tecnologia para veiculá-la deve ser pautada no pressuposto de que a
qualidade e a função desempenhada por cada mídia escolhida é sempre mais
importante do que as tecnologias empregadas.

De todo modo, é ainda importante nos lembrarmos de que, ao elegermos uma


mídia como a ideal para atender os objetivos de aprendizagem em uma
unidade, isso não implica que precisamos nos restringir a ela. Afinal,
dependendo das necessidades do seu público, pode ser importante expandir
os recursos e as formas de apresentação do conteúdo do curso – e esse deve
ser o nosso norte, seja em que contexto de produção estivemos atuando.

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Aula 3 – Parâmetros de Qualidade para MD de EAD

Resumindo
Nesta terceira aula, apresentamos a você o cenário atual de
discussões a respeito da oferta de cursos em EAD tomando
como ponto de partida os Referenciais de Qualidade para EAd
formulados e assumidos pelo MEC já há pouco mais de 10 anos.
Avançamos, ainda, na apresentação de um panorama das
principais mídias usadas na EAD, apresentando padrões
desejáveis mais detalhados e também as funções que podem ser
exercidas mais naturalmente por cada uma das mídias.
Nesse sentido, chegamos à questão dos critérios que deveriam
guiar as escolhas pessoais ou institucionais a respeito da
produção de materiais didático para EAD, considerando inclusive
o cenário concreto que temos no Brasil de hoje,

Indicações bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. Referenciais de qualidade para EaD. 2007. Disponível


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Cuiabá. Anais do VII ESUD - A EaD e sua institucionalização: reflexos e processos. Cuiabá,
2010. p. 510-520.

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FORMIGA, M. Educação a Distância: o estado da arte. São Paulo: Person Education do Brasil,
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