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Todos os direitos desta edição são reservados à Editora Conquista.

DIRETORA EDITORIAL
Bárbara Chagas

SUPERVISORA EDITORIAL
Ana Carolina Chagas

COORDENAÇÃO EDITORIAL
Ana Gil

DIAGRAMAÇÃO
Nilton Teodoro dos Reis

CAPA
Fábio Ribeiro

REVISÃO
Felipe Souza

ISBN:
978-85-5765-051-0

Nem a editora nem o autor assumem qualquer responsabilidade por even-


tuais danos ou perdas a pessoas ou bens, originados desta publicação.

(21) 2146-2592
www.conquistaeditora.com.br
COAUTORES
Ana Gil
José Wilson Frascareli
Paula Monteiro
Laura Garambone
Paulo Roberto Salustiano
Talita Cezareti
Antônio Francisco de Andrade
Gisele Fagundes
Luiz Felipe Veríssimo
Juliana Fernandes
Israel Amud
Luiz Felipe Figueiredo
Derick Mendes
Bruno Chagas
Cristina Gottlieb
Claudia Frauche
Seily Saraiva
Joana Conte
Erica Jares
Érica Rambalde
Priscila Tosta
Andrheya Dória
PREFÁCIO

O nosso país, hoje, vive um fenômeno relativamente novo que é um pro-


cesso rápido de envelhecimento da nossa população. Dois fatores são
determinantes nesse fenômeno: as taxas de natalidade e mortalidade.
Esses elementos podem atuar separadamente, mas quando temos uma
baixa taxa de fertilidade conjugada a uma baixa mortalidade, temos um
processo franco de envelhecimento populacional.

Esse fenômeno, associado a uma situação, muitas vezes, de envelheci-


mento, acaba gerando problemas médico-sociais da maior complexidade
e com impactos grandes em toda sociedade.

Com uma expectativa de vida de quase 75 anos de idade e projeção em


2050 acima de 80 anos, não temos alternativa senão tentar buscar ações
de prevenção das doenças crônicas degenerativas, investigando meios
mais saudáveis de viver a vida.

Ana Gil em “Viva Mais! Terceira idade com saúde e qualidade de vida”
busca exatamente isso quando aborda conceitos de envelhecimento ativo,
empenhando-se em mostrar aos seus leitores informações para que pos-
sam entender melhor como ocorrem essas alterações físicas e psicológicas
com o decorrer dos anos, mas também procura, sobretudo, apoiada nas
opiniões de especialistas, demonstrar aos seus leitores como buscar um
estilo de vida mais saudável com a adoção de hábitos diários que, com
certeza, farão com que essa caminhada seja mais agradável e prazerosa.

Tenha uma grande leitura e coloque de fato em prática as sugestões aqui


inseridas!

Dr. João Alves Grangeiro Neto


Médico e Mestre em ortopedia e traumato-
logia (UFRJ)
MBA executivo em saúde (COPPEAD-UFRJ)
Diretor do Instituto Nacional de Traumato-
logia e Ortopedia (INTO)
Diretor médico dos jogos olímpicos e para-
límpicos Rio 2016
Diretor médico do Comitê Olímpico Brasi-
leiro (COB) 2000-2012
SUMÁRIO

Ana Gil
Terceira Idade Com Saúde e Qualidade de Vida....................................10

José Wilson Frascareli


Importância da Medicina Preventiva.......................................................18

Paula Monteiro
Alimentação Para Uma Vida Longa e Saudável.....................................24

Laura Garambone
O Que Você Precisa Saber Sobre Menopausa.........................................32

Paulo Roberto Salustiano


O Que Você Precisa Saber Sobre Andropausa........................................40

Talita Cezareti
O Exercício Físico Como Estratégia Para Envelhecer Bem..................48

Antônio Francisco de Andrade


Movimentando-se Com Autonomia .......................................................56

Gisele Fagundes
Alterações Posturais na Terceira Idade....................................................64

Luiz Felipe Veríssimo


Como Prevenir Quedas e Acidentes Domésticos...................................72

Juliana Fernandes
Participação da Família nos Cuidados do Dia a Dia.............................80

Israel Amud
Primeiros Socorros: Situações de Emergência com o Idoso.................86

Luiz Felipe Figueiredo


Doenças Neurológicas e Demência Senil.................................................94

Derick Mendes
O Perigo das Doenças Infecciosas na Terceira Idade...........................102
Bruno Chagas
Medicamentos e Automedicação............................................................110

Cristina Gottlieb
Saúde Bucal e Harmonização Facial na Terceira Idade.......................118

Claudia Frauche
Cuidados Estéticos ....................................................................................124

Seily Saraiva
Cirurgia Plástica: Como, Quando e Por Quê?......................................132

José Wilson Frascareli


Transtornos do Sono.................................................................................138

Joana Conte
Expectativas e Frustrações.......................................................................144

Erica Jares
Ansiedade e Depressão.............................................................................150

Érica Rambalde
Sexualidade na Maturidade.....................................................................158

Priscila Tosta
Autoconhecimento e Espiritualidade na Saúde....................................166

Andrheya Dória
Saúde Financeira e Aposentadoria.......................................................... 172
Ana Gil
CREFITO-2: 59310-F

(21) 98173-9765 / 2439-8600


ana@espacoanagil.com.br
@espacoanagil
@espacoanagil
www.espacoanagil.com.br

• Graduada em Fisioterapia (IBMR)

• Pós-graduada em Anatomia Humana e Biomecânica (UCB)

• Especialista em Reeducação Postural Global - RPG (Instituto Philippe


Souchard)

• Mestre em Educação Física (EEFD/UFRJ)

• Proprietária do Espaço Ana Gil: Clínica de Fisioterapia, Estética e Pi-


lates na Barra da Tijuca, Rio de janeiro/RJ

• Autora do livro Core & Training: Pilates, Plataforma Vibratória e Trei-


namento Funcional (Editora Ícone, 2014)

• Coautora do livro A Chave da Prosperidade, Capítulo: Encontre seu


Propósito (Conquista Editora, 2017)

• Colunista exclusiva do Viva Mais: Saúde e Qualidade de Vida, do jornal


Folha do Rio de Janeiro

• Com mais de 17 anos de experiência, vem, ao longo destes anos, se dedi-


cando clinicamente em fisioterapia traumato-ortopédica, desportiva, RPG
e Pilates; e atua também na área de educação continuada, como professora
universitária nos cursos de Fisioterapia, Educação Física, Enfermagem,
Nutrição e Biomedicina (UniCBE) e docente de Pós-graduação Lato Sensu
em diversas Universidades, além de palestras e cursos de extensão e capa-
citação nos principais eventos e instituições do Brasil.

9
Terceira Idade Com Saúde e Qualidade de Vida
Com saúde, a vida é absolutamente interessante!
Ziraldo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera idosos, os humanos


de ambos os sexos com mais de 60 anos de idade(7). O mesmo critério é
adotado no Brasil pelo Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741, de 1º de outubro
de 2003). Países desenvolvidos, tendem a ter maior expectativa de vida
e, por isso, consideram idosos, pessoas com 65 ou até mais anos, como
é o caso da Itália, que considera idosos indivíduos a partir de 75 anos
de idade(4).
Em todo o mundo, o crescente número de idosos e o aumento da expec-
tativa média de vida é incontestável. O número de pessoas no mundo
com 60 anos ou mais aumentará de 962 milhões para 2,1 bilhões em
2050, representando um quinto da população mundial(10). De acordo
com Abramoff (2017), ao longo da história, a probabilidade de uma mu-
lher atingir os 100 anos passou de uma em milhões para uma em cada
cinquenta em países como Japão e Suécia(1).
No Brasil, não poderia ser diferente. Até o ano 2025, projeta-se que o
Brasil ocupará o sexto lugar em população de idosos do planeta com
31,8 milhões de indivíduos nessa faixa etária. Segundo o Instituto Bra-
sileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2013), a expectativa de vida do
brasileiro ao nascer é de 74 anos e 9 meses, sendo 71 anos e 3 meses para
homens e 78 anos e 6 meses para mulheres(3). Há uma projeção para
2100 na qual a expectativa será de 88,6 anos. O número de brasileiros
idosos vai triplicar entre 2010 e 2050, passando de 19,6 milhões para
66,5 milhões(5). Porém, estamos longe de atingirmos o envelhecimento
“bem-sucedido”.
Tais dados nos levam a pensar sobre a necessidade de olharmos com mais
atenção para o envelhecimento, considerando as necessidades físicas,
emocionais e sociais dos idosos.
A terceira idade é uma fase muito bonita da vida de uma pessoa, pela qual
se alcança uma grande bagagem de experiências de vida e maturidade,
mas também pode trazer alguns ônus: isolamento, diminuição da vida
social, depressão, abandono por parte da família, diminuição da mobili-
dade, desenvolvimento de patologias, declínio de variáveis físicas (força,
flexibilidade, equilíbrio, agilidade, velocidade, potência, coordenação),
diminuição de massa muscular e densidade mineral óssea, aumento
do risco de quedas, fragilidade, incapacidade e perda da independência
funcional, dentre tantas outras complicações.
10
Muitas dessas complicações podem ser evitadas, ou ao menos ameniza-
das, se buscarmos o quanto antes atitudes preventivas e mudanças no
estilo de vida.

O envelhecimento populacional em nosso país é uma realidade. Ações


que buscam lidar com essa crescente contingente de idosos devem ser
priorizadas em todas as áreas, incluindo maior envolvimento da família,
da população em geral, dos órgãos públicos, de instituições particulares,
dos profissionais da saúde. Enfim, a responsabilidade é de todos.

Para superarmos toda e qualquer dificuldade é necessário empenho


conjunto. Indivíduos que se encontram na terceira idade demandam
dos serviços de saúde das instituições públicas e privadas e dos familia-
res, necessitando de preparo, paciência e gastos para os quais a grande
maioria não está preparada(6).

Toda a sociedade e todo o sistema precisam se preparar para o crescente


número da expectativa de vida deste grupo etário, para que possamos não
só viver mais, mas ter uma vida longa, com saúde e qualidade de vida.

Para isso, faz-se necessária a criação de políticas públicas através de pro-


gramas sociais, saúde, melhorias para o atendimento dessa população,
atenção diferenciada, assistência social, educação, inserção ou reinserção
no mercado de trabalho (segunda carreira), transporte público adequado,
acessibilidade, cultura, lazer e esportes. Em paralelo, precisamos passar
por profundas mudanças sociais, buscando garantir a subsistência do
idoso com dignidade. No Brasil, esses direitos são regulamentados pela
Política Nacional do Idoso, bem como o Estatuto do Idoso, sancionados em
1994 e em 2003, respectivamente. Ambos os documentos devem servir
de balizamento para políticas públicas e iniciativas que promovam uma
verdadeira melhor idade(7).

Antes de nos deliciarmos com a leitura deste livro, faz-se necessário


conceituarmos alguns termos usuais dentro deste contexto. São eles:

1. Prevenção de doenças e promoção da saúde

Quando pensamos em saúde como a ausência de doenças, temos uma vi-


são muito estreita de como podemos promover a saúde a um indivíduo e
a uma população. Em um espectro mais abrangente, o Art. 196 da Cons-
tituição Federal define a saúde como “direito de todos e dever do Estado,
garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução
do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário
às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação(8).

11
Prevenção de doenças diz respeito à ação antecipada, baseada no co-
nhecimento da história natural da doença em questão, para tornar seu
progresso improvável e implica o conhecimento epidemiológico para o
controle e redução do risco de doenças.

A promoção da saúde refere-se a medidas que não se dirigem a doenças


específicas, mas que visam aumentar a saúde e o bem-estar da popu-
lação em geral, sendo um meio de direcionar indivíduos a assumirem
a responsabilidade do seu bem-estar e, ao assim fazerem, reduzirem o
peso financeiro na assistência de saúde.

Os provérbios: “a prevenção é o melhor remédio” ou “é melhor prevenir


do que remediar”, são muito mais abrangentes e importantes para a so-
ciedade do que podemos imaginar. Pois uma atitude preventiva envolve
todo o sistema.

De acordo com Abramoff (2017), do total


de gastos na área da saúde, 75% são gastos com doenças crônicas, como cardio-
patias, diabetes e câncer, passíveis de prevenção, em sua maioria. Em contra-
partida, somente 2% dos custos gerais com a saúde, são gastos em prevenção(1).

Precisamos investir em prevenção de doenças e promoção da saúde já,


para garantirmos a saúde da população no futuro.

2. Intervenção de afecções

Intervenção de afecções ou tratamento de doenças refere-se ao conjunto


de meios biológicos, cirúrgicos, farmacológicos, físicos, higiênicos e psí-
quicos utilizados para curar, atenuar ou abreviar uma doença. Quando
uma doença se instala, seja ela qual for, aguda ou crônica, é necessária
a sua intervenção.

3. Envelhecimento ativo

De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, en-


velhecimento ativo é o processo de otimização das oportunidades de
saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade
de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas(9).

Aposentados e pessoas doentes ou com necessidades especiais, seja pelo


avanço da idade ou não, também podem contribuir ativamente para
sua família e para a sociedade através de toda experiência adquirida ao
longo dos anos e da interdependência das gerações, fazendo com que a
participação da família e dos amigos seja fundamental, pois a qualidade

12
de vida dos idosos depende não só dos riscos e oportunidades que
experimentam durante toda a vida, mas também da forma como as
gerações descendentes irão oferecer apoio sempre que necessário.
Dessa forma, todos nós, independentemente da idade, podemos e de-
vemos buscar estar fisicamente ativos e participar de questões sociais,
econômicas, culturais e até espirituais. A busca pela autonomia e inde-
pendência funcional, deve ser a meta de todos nós.
A ideia deste livro surgiu diante de tamanha importância do esclare-
cimento de muitas questões pertinentes ao crescimento populacional
de idosos e expectativa de vida, e da pouca quantidade de literatura
disponível. Trata-se de um manual completo para orientar pessoas de
todas as idades, inclusive idosos e seus familiares, que buscam uma vida
longa com saúde e qualidade de vida. Reunindo a opinião e experiência
de diversos especialistas da área da saúde, cada um relatando dentro de
sua área de conhecimento todas as informações relevantes acerca desse
assunto.
Com a leitura deste livro poderemos aprender a otimizar nossos anos
a mais, através da compreensão e aprendizado de diversos temas
importantes:
• Prevenção das principais doenças que afetam os idosos; importância
dos exames rotineiros de saúde; relevância do estilo de vida para se ter
uma vida longa e saudável através da mudança de hábitos do dia a dia,
tais como: alimentação saudável e prática de atividade física;
• Participação da atividade física na prevenção de diversas enfermidades
como obesidade, hipertensão, diabetes, câncer, doenças articulares, mus-
culares e cardiopulmonares; importância da recuperação e manutenção
das valências físicas através da prática de exercícios;
• Como alterações posturais comuns na terceira idade podem acarretar
complicações para a saúde e sistema locomotor, bem como as formas de
prevenção e tratamento;
• Como melhorar e facilitar a vida do idoso que já se encontra com di-
ficuldades de locomoção e autonomia funcional;
• Prevenção de quedas e acidentes domésticos através de recomendações
para adaptação do ambiente onde vive o idoso;
• Como proceder em situações de emergência em casos de hipertensão,
acidente vascular encefálico (derrame), convulsão, desmaio, engasgo ou
asfixia, dor de cabeça, quedas, queimadura e parada cardiorrespiratória;
13
• Como familiares e responsáveis podem prestar cuidados dignos aos
idosos;

• Porque o sono do idoso é tão afetado; como prevenir e tratar os trans-


tornos do sono: como insônia, apneia entre outros;

• Complicações do uso de alguns medicamentos e porque evitar a


automedicação;

• Prevenção e manutenção da saúde bucal, e entender um pouco mais


sobre as alterações da cavidade oral que ocorrem com o envelhecimento;

• Principais procedimentos estéticos corporais e faciais e suas atualida-


des; a beleza, sem exageros, faz parte da saúde e qualidade de vida, afinal
nossa autoestima é muito relevante;

• Como, quando e por que recorrer às cirurgias plásticas; como retardar


os sinais de envelhecimento; indicações, cuidados e atualidades;

• Importância de aceitar a idade e como lidar com as expectativas e frus-


trações; importância do otimismo, resiliência e esperança; como almejar
a felicidade em todos os momentos de nossas vidas;

• Compreender melhor a ansiedade e a depressão, possibilitando o co-


nhecimento, a prevenção e o combate desses transtornos;

• Mitos e verdades acerca da sexualidade na maturidade. Segundo a


OMS, a sexualidade é uma energia
que nos motiva para encontrar amor, contato, ternura e intimidade; ela integra-
-se no modo como sentimos, movemos, tocamos e somos tocados. A sexualidade
influencia pensamentos, sentimentos, ações, interações e, portanto, a saúde
física e mental(2).

• Relevância do autoconhecimento, da fé, da espiritualidade e o quão


importante é se apegar a uma crença;

• E para completar nosso livro, já que estamos falando de saúde e quali-


dade de vida, não podemos deixar de lado a saúde financeira, visto que os
gastos nessa fase da vida são muitos, e há, geralmente, um decréscimo da
renda por conta da aposentadoria. Por isso é tão necessário nos progra-
marmos financeiramente para a aposentadoria e, com isso, não termos
nossa saúde e qualidade de vida prejudicados; almejar investimentos e
organização financeira pessoal e familiar, pensando, até mesmo, em uma
segunda carreira profissional como uma forma de ajuda financeira, com
menos horas, menos cobranças e ajudando a manter nossa mente ativa.

14
Esta obra conta com a participação de profissionais renomados da área da
saúde, dentre eles médicos de diferentes especialidades (geriatria, ortope-
dia, ginecologia, urologia, cirurgia plástica, dermatologia), fisioterapeutas,
psicólogos, cirurgiões dentistas, nutricionistas, profissionais de educação
física, enfermeiros, biomédicos, dentre outras especialidades, abordando
os assuntos pertinentes à prevenção e promoção da saúde e intervenção
de afecções. Através de uma linguagem simples e envolvente, o texto irá
proporcionar ao público em geral conhecimento, bem-estar físico, mental,
psicológico e social, além de ser um guia completo para profissionais da
saúde e áreas afins que lidam com esse público na sua prática.

Viva Mais! Com saúde e qualidade de vida.

15
Referências Bibliográficas
1) ABRAMOFF, S. Rejuvelhecer: a saúde como prioridade. 1. ed. Rio de
Janeiro: Intrínseca, 2017.
2) DOS SANTOS, S. V. Sexualidade. Brasil Escola. Disponível em: <ht-
tps://brasilescola.uol.com.br/sexualidade/>. Acesso em: 24 de jul. de 2019.
3) EXPECTATIVA de vida: por que as mulheres vivem mais do que
os homens? Folha de São Paulo – Equilíbrio e Saúde. Disponível em
<https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/02/expectativa-
-de-vida-por-que-as-mulheres-vivem-mais-do-que-os-homens.shtml>.
Acesso em: 22 de jul. de 2019.
4) ITÁLIA muda conceito de idoso para 75 anos, 04 de dezembro de
2018. Globo.com – Jornal Nacional. Disponível em: <https://g1.globo.
com/jornal-nacional/noticia/2018/12/04/italia-muda-conceito-de-ido-
so-para-75-anos.ghtml>. Acesso em: 22 de jul. de 2019.
5) LEAL, L. N. População idosa vai triplicar entre 2010 e 2050, aponta
publicação do IBGE, 29 de agosto de 2016. O Estado de São Paulo –
Caderno Brasil. Disponível em: <https://brasil.estadao.com.br/noticias/
geral,populacao-idosa-vai-triplicar-entre-2010-e-2050-aponta-publica-
cao-do-ibge,10000072724>. Acesso em: 22 de jul. de 2019.
6) LIMA, E. E. O. Cuidador de Idosos: práticas e reflexões do cuidar com
cuidado. 1. Ed. São Paulo: Editora Senac. 2018.
7) REVISTA Retratos. Idosos indicam caminhos para uma melhor idade.
19 de março de 2019. Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.
br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/24036-idosos-indi-
cam-caminhos-para-uma-melhor-idade>. Acesso em: 21 de jul. de 2019.
8) SENADO Federal. Atividade legislativa. Constituição federal. Título
VIII Da Ordem Social, Capítulo II Da Seguridade Social, Seção II da saú-
de, art. 196. Disponível em: <https://www.senado.leg.br/atividade/const/
con1988/con1988_06.06.2017/art196.asp>. Acesso em: 28 de jul. de 2019.
9) SOCIEDADE Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Envelhecimen-
to ativo. <https://sbgg.org.br/espaco-cuidador/envelhecimento-ativo/>.
Acesso em: 28 de julho de 2019.
10) UNITED Nations, Department of Economic and Social Affair (DESA),
Population Division. World Population prospects: The 2017 Revision, Key
Findings and Advance Tables (As perspectivas da população mundial:
Revisão de 2017). Nova York: United Nations, 2017. Disponível em: <ht-
tps://esa.un.org/unpd/wpp/Publications/Files/WPP2017_KeyFindings.
pdf>. Acesso em: 20 de jul. de 2019.
16
José Wilson Frascareli
CRM/SP: 150.758

jw_frascareli@hotmail.com

• Graduado em Medicina pela Universidade de Marília

• Curso de Pós-graduação Lato Sensu – Especialização em Clínica


Médica

• Curso de Pós-graduação Lato Sensu – Especialização em Geriatria

• Aperfeiçoamento em Cuidados Paliativos para médicos em Instituto


PALIAR – São Paulo

• Curso de Pós-graduação Lato Sensu – Especialização em Fitoterapia

• Vice-diretor clínico, Médico assistente e preceptor em residência médica


de geriatria em Hospital Geriátrico e de Convalescentes Dom Pedro II.

17
Importância da Medicina Preventiva
O crescimento da população idosa traz consigo o aumento da proporção
de doenças crônicas que levam a um envelhecimento nem sempre de
qualidade. Conforme descrito no capítulo anterior, o Brasil envelhece
de forma rápida e intensa.
Prevenir é melhor do que remediar. A medicina preventiva é uma área
que visa a prevenção das doenças em vez do tratamento, contribuindo
assim para a redução dos custos da saúde, mas, mais do que isso, pro-
movendo qualidade de vida.
A Prevenção é dividida em cinco níveis:
1. Prevenção Primordial – visa evitar o aparecimento e estabelecimento
de padrões de vida social, econômica ou cultural que se sabe estarem
ligados a um elevado risco de doença;
2. Prevenção Primária - aquela que evita ou posterga o aparecimento de
doenças e promove a saúde;
3. Prevenção Secundária – relacionada ao diagnóstico precoce da doença,
aumentando as chances de cura e eficácia terapêutica;
4. Prevenção Terciária – tratamento correto das doenças crônicas a fim
de evitar suas complicações e consequências;
5. Prevenção Quaternária – evita ou minimiza intervenções desnecessárias.
1. Prevenção Primordial
Pode ser denominada como políticas e programas de promoção de de-
terminantes positivos de saúde. Consiste em ações voltadas para a cole-
tividade, que podem ser específicas ou inespecíficas. Exemplos: legisla-
ção sobre álcool, políticas antitabagismo, programas de exercício físico
regular, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
2. Prevenção Primária
A prevenção primária leva em conta a promoção da saúde para se evitar
ou postergar o aparecimento de doenças. Sendo assim, a mudança no
estilo de vida (adoção de hábitos de vida saudáveis e suspensão de há-
bitos de vida nocivos) deve ser estimulada sempre. Difere da prevenção
primordial, pois visa a individualidade de cada ser e não a coletividade.
A adoção de hábitos de vida saudável se baseia em dois pontos: dieta
18
equilibrada e prática de atividade física regular. As dietas inadequadas e
a falta de atividade física estão entre os principais fatores de risco para a
saúde em todo o mundo(3). Uma dieta balanceada (rica em frutas e verdu-
ras; ingestão controlada de carboidratos; ingestão adequada de proteínas;
preferência para alimentos naturais e evitar alimentos industrializados e
com alto teor de açúcar e carboidratos), fornece os nutrientes necessários
para um funcionamento adequado do organismo, protegendo contra a
má nutrição e risco de ganho de peso, prevenindo, assim, o aparecimento
de doenças crônicas não transmissíveis. A ingestão calórica deve estar
em consonância com o gasto energético.
Segundo Sá Pinto et al. (2012), a atividade física
traz benefícios para a saúde, principalmente relacionados à redução de doenças
coronarianas, controle de pressão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2,
câncer de cólon, depressão; melhora das capacidades funcionais, composição
corporal, capacidade cardiorrespiratória e muscular, cognitiva(7).

Muito tem se falado e estudado sobre a dieta do mediterrâneo, caracteri-


zada pelo consumo abundante de alimentos de origem vegetal (produtos
hortícolas, frutas, cereais pouco refinados, leguminosas secas e frescas,
frutos secos e oleaginosos); consumo de produtos frescos da região, pou-
co processados e sazonais; consumo de azeite como principal fonte de
gordura; consumo baixo a moderado de lacticínios, e de preferência sob
a forma de queijo e iogurte; consumo baixo e pouco frequente de carnes
vermelha; consumo frequente de pescado; consumo baixo a moderado
de vinho, de preferência durante as refeições(8).
A realização regular de exercícios aeróbios, associados aos resistidos,
são efetivos na prevenção e tratamento da sarcopenia (uma síndrome
caracterizada pela perda progressiva e generalizada de massa e força
muscular com um risco de eventos adversos, tais como incapacidade
física, baixa qualidade de vida e morte) (1).
O tabagismo e o uso abusivo de álcool são nocivos ao nosso organismo
e devem ser evitados ao máximo. O tabaco mata mais de 7 milhões de
pessoas a cada ano. Mais de 6 milhões dessas mortes são resultado do
uso direto do tabaco, enquanto cerca de 890 mil são resultado de não
fumantes expostos ao fumo passivo(4); outro grande responsável por
morte é o uso nocivo do álcool, acarretando em 3 milhões de mortes ao
ano devido e considerado fator causal de mais de 200 doenças e lesões(2).
Outro fator importante de prevenção primária é a imunização. A Socie-
dade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, junto à Sociedade Brasileira
de Imunização, publicaram em 2016 o Guia de Vacinação para Idosos,
que descreve sobre todas as vacinas pertinentes a pessoas idosas(5).

19
Devemos lembrar que a vacinação é importante em todas as faixas etárias,
cada uma com suas doses específicas, conforme recomenda o Ministério
da Saúde. Manter a carteira de vacinação atualizada é dever de cada um.

3. Prevenção Secundária

Corresponde à detecção precoce de problemas de saúde em indivíduos


assintomáticos para que, assim, haja uma intervenção mais rápida nesses
problemas. Engloba, principalmente, o rastreio de câncer e a vigilância
de parâmetros fisiológicos como a pressão arterial, glicemia e lipídeos,
os quais, quando desregulados, levam ao aparecimento de hipertensão
arterial sistêmica, diabetes mellitus e dislipidemia, importantes fatores
de risco cardiovascular e altamente prevalentes na população idosa.

O rastreamento de câncer visa à detecção dos principais na população


idosa: pele não melanoma, próstata (no homem), mama e colo uterino
(na mulher), cólon e pulmão.

4. Prevenção Terciária

As doenças crônicas, após instaladas, podem demorar anos até que apre-
sentem alguma complicação. As complicações mais frequentes a que os
idosos estão expostos são decorrentes da hipertensão arterial sistêmi-
ca, diabetes mellitus e dislipidemia. As complicações cardiovasculares
mais frequentes e que mais levam à incapacidade são a cardiomiopa-
tia isquêmica e a doença cerebrovascular (denominadas complicações
macrovasculares). As complicações microvasculares são decorrentes do
acometimento de vasos sanguíneos, principalmente nos rins e olhos
(nefropatia e retinopatia).

O idoso com complicação decorrente de uma doença crônica deve fazer


um acompanhamento regular com um médico a fim de reduzir o risco
de novos problemas através de uma associação de medidas farmaco-
lógicas e não farmacológicas. Essas medidas visam à recuperação ou a
manutenção em equilíbrio funcional.

5. Prevenção Quaternária

É o conjunto de ações que visam evitar a iatrogenia associada às inter-


venções médicas, como a sobremedicalização ou os excessos preventivos,
reduzindo seus danos, vários não percebidos pelos usuários e profissio-
nais(6). Induz a produção, sistematização e coletivização de saberes críti-
cos, rigorosos critérios técnicos e cuidadosas exigências éticas a orientar
as ações preventivas profissionais e institucionais(9).

20
Sugere alternativas aceitáveis quanto à forma de curar sem danos, orien-
tando os indivíduos sobre o consumo inapropriado de medicações e a
importância na análise das decisões clínicas que devem ser tomadas em
conjunto ao médico (com a utilização de métodos diagnósticos e trata-
mento), sempre avaliando riscos e benefícios de cada medida.

Em suma, esse nível preventivo pretende, genericamente, evitar ou atenuar


o excesso de intervencionismo médico − ato desnecessário ou injustificado.

Podemos concluir que a prevenção atinge todas as esferas do idoso, desde


as medidas gerais que atingem toda a sociedade até a medidas específicas
para cada indivíduo, independentemente se este é ou não acometido por
algum tipo de doença. A prevenção se faz necessária, e um conjunto de
ações para promoção da saúde, com hábitos de vida saudável, cessação
de hábitos nocivos e controle de fatores de risco, são fundamentais para
um envelhecimento ativo e com qualidade.

21
Referências Bibliográficas

1) CRUZ-JENTOFT, A. et al. Sarcopenia: revised European consensus on


definition and diagnosis. Age and Ageing. 2019; 48: 16–31

2) FOLHA informativa – Álcool, atualizado em janeiro de 2019. Or-


ganização Pan-americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde.
Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_con-
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Acesso em: 19 mai. 2019

3) FOLHA informativa – Alimentação e Nutrição, atualizado em se-


tembro de 2015. Organização Pan-americana de Saúde/Organização
Mundial de Saúde. Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.
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cao-folhas-informativas&Itemid=820>. Acesso em: 19 mai. 2019

4) FOLHA informativa – Tabaco, atualizado em março de 2018. Or-


ganização Pan-americana de Saúde/Organização Mundial de Saúde.
Disponível em: <https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_con-
tent&view=article&id=5641:folha-informativa-tabaco&Itemid=1097>.
Acesso em: 19 mai. 2019

5) GERIATRIA – Guia de Vacinação. Sociedade Brasileira de Geriatria


e Gerontologia e Sociedade Brasileira de Imunização. Disponível em:
<https://sbim.org.br/publicacoes/guias/71-guia-de-vacinacao-geriatria-
-2014-2015-sbim-e-sbgg>. Acesso em: 19 mai. 2019

6) Rego Meireles, ACP; Níveis de prevenção em saúde. Disponível em:


<https://www.monografias.com/pt/trabalhos913/niveis-prevencao-saude/
niveis-prevencao-saude2.shtml>. Acesso em: 19 mai. 2019

7) SÁ PINTO, CG; TABONE, VA; CONCEIÇÃO RDO, O papel da ativi-


dade física na prevenção de doenças crônicas. Educ Contin Saúde Einstein.
2012;10(4):191-2; Disponível em: <http://apps.einstein.br/revista/arquivos/
PDF/2724-191-192.pdf>. Acesso em: 19 mai. 2019

8) SERRA-MAJEM, L; TRICHOPOULOU, A; NGO DE LA CRUZ, J;


CERVERA, P; GARCÍA ALVAREZ, A; LA VECCHIA, C; LEMTOUNI,
A; TRICHOPOULOUS, D. Does the definition of the Mediterranean diet
need to be updated.‌Public Health Nutrition, 2004 b. 7(07): p. 927-929

9) TESSER, CD. Por que é importante a prevenção quaternária na pre-


venção? Rev Saúde Pública. 2017; 51:116.

22
Paula Monteiro
CRN-RJ: 19100081/p

(21)98079-6555
paulavqmonteiro@gmail.com
@vidasaudaveltododia

• Nutricionista

• Pós-graduada em Terapia Nutricional e Nutrição Clínica

• Atuação no ramo de nutrição clínica hospitalar

• Graduada em Gastronomia

• Pós-graduada em gastronomia Patisserie

• Com experiência de 4 anos trabalhando na UTI de um grande hospital


do Rio de Janeiro no setor de Nutrição Clínica e Terapia Nutricional,
com ênfase no cuidado de pacientes em estado clínico crítico, procurou
se capacitar, participando de uma especialização em São Paulo no Hos-
pital da Beneficência Portuguesa, onde aprofundou seus conhecimentos
relacionados à Nutrição na Terapia Nutricional.

23
Alimentação Para Uma Vida Longa e Saudável
Cabe a este capítulo tratar do aspecto nutricional da questão: o que deve-
mos comer para assegurar uma velhice longa, tranquila e saudável? Esse
é um ponto de importância capital. De fato, a maior parte das doenças
nos vem da má alimentação, ou da alimentação insuficiente. Essa verda-
de incontestável está inscrita nos genes da nossa espécie. O organismo
humano possui um sofisticado sistema de defesas, que atua por meio de
anticorpos, os quais nos protegem contra corpos estranhos que adentram
nosso corpo e nele podem representar alguma ameaça. Três são as vias
de entrada desses corpos estranhos: 1) pela boca, ou seja, pela comida e
pela bebida que ingerimos; 2) pela respiração; 3) por via cutânea, ou seja,
pelo contato da pele. Calcula-se que mais de 85 % dos nossos anticorpos
se encontram continuamente em ação no sistema digestivo, pois é por
ele que nosso organismo sofre maior número de ataques, e somente cer-
ca de 15% se empenham em proteger as vias respiratórias e a pele. Por
essa simples constatação, já compreendemos como a boca é a principal
responsável pela nossa saúde.

Conforme descrito no capítulo I desta obra, em países em desenvolvi-


mento, como o Brasil, são considerados idosos os humanos de ambos os
sexos com mais de 60 anos de idade. Embora, segundo o geriatra Roberto
Barbei, da Sociedade Italiana de Gerontologia e Geriatria, “uma pessoa
de 70 anos hoje faz aquilo que fazia quando tinha 50, só que com mais
experiência e capacidade intelectual. A incapacidade, que é a verdadeira
marca do envelhecimento, é muito baixa”(4).

É verdade. Atualmente, a população idosa é em geral mais saudável, leva


uma vida socialmente mais ativa, menos confinada ao leito e sofre menos
limitações funcionais do que a geração dos seus pais e avós. Isso não sig-
nifica, infelizmente, que os idosos de hoje não tenham também os seus
problemas de saúde. Eles podem sofrer de hipertensão, diabetes, doenças
cardiovasculares ou câncer – problemas que não são exclusivos dos ido-
sos, e atingem pessoas de todas as idades. Porém, neste capítulo, vamos
concentrar nossa atenção nos problemas que atingem especificamente os
idosos e são menos conhecidos do grande público leigo para podermos,
desde já, concentrar nossa atenção nas precauções necessárias, a fim de
que mais tarde, quando chegar a nossa hora, não soframos com eles.
A principal doença que acomete os idosos de hoje é a sarcopenia, palavra
de origem grega que significa, literalmente, perda de carne, ou pobreza
de carne. NOTA: é o nome que se dá à perda de força e massa da nossa
musculatura, em decorrência do envelhecimento. A partir dos 40 anos

24
de idade começamos a perder massa muscular e tendemos a ficar mais
flácidos. Até os 60 e poucos anos, essa perda progride à razão de 0,5% ao
ano, mas depois dos 65 anos de idade ela tende a aumentar: passamos a
perder 1% de nossa musculatura a cada ano que passa.

Segundo Silva et al. (2006), a sarcopenia


parece decorrer da interação complexa de distúrbios da inervação, diminuição
de hormônios, aumento de mediadores inflamatórios e alterações da ingestão
protéico-calórica que ocorrem durante o envelhecimento. A perda de massa e
força muscular é responsável pela redução de mobilidade e aumento da inca-
pacidade funcional e dependência(11).

A redução da mobilidade é efeito e, ao mesmo tempo, é causa de agra-


vamento da sarcopenia, numa reversibilidade malsã. O indivíduo se
move pouco porque sente sua musculatura flácida e debilitada; e porque
se move pouco sua musculatura a cada dia perde força e elasticidade.
Daí podem decorrer problemas circulatórios, agravados eventualmente
por outros fatores negativos, como tendência à arterioesclerose. Podem
também, desencadear problemas respiratórios, porque a musculatura do
diafragma se ressente da sarcopenia e a pessoa vai cada vez respirando
menos, sem se dar conta disso. O quadro geral de debilitação do orga-
nismo se acentua e, por vezes, uma simples gripe ou uma virose que em
outras condições seriam facilmente superadas se complicam e agravam,
podendo levar o indivíduo ao óbito.
O mais curioso é que o quadro de sarcopenia e enfraquecimento geral do
organismo muitas vezes ocorre em idosos com sobrepeso ou até mesmo
com obesidade. O sobrepeso acentua a tendência à imobilidade e, por-
tanto, agrava a sarcopenia. Aparentemente, são pessoas saudáveis até em
excesso, com reservas à vontade para queimar em caso de necessidade.
Na realidade, são seres carentes, muitas vezes, de elementos fundamentais
para a conservação da saúde, porque são acostumadas desde a infância
a se alimentarem de modo incorreto.
A inter-relação da perda da massa muscular com a má alimentação é para-
doxal, mas é indiscutível. É fácil compreender como ela se dá no organismo.
As mudanças fisiológicas verificadas no processo de envelhecimento in-
cluem alterações que são relacionadas com a composição corporal e com
a alimentação, tornando mais necessários os cuidados com a ingestão
de vários nutrientes que muitas vezes foram desprezados no passado.
Na velhice, diminuem as necessidades energéticas (porque é alterado o
metabolismo basal), havendo uma recomposição corporal, com a redis-
tribuição da gordura (que é reduzida em regiões periféricas, mas tende
a se concentrar na região abdominal), ocorrendo também a já aludida
redução da massa muscular e dos líquidos no organismo. Tudo isso se
25
conjuga com alterações endócrinas, como também no sistema digesti-
vo e até mesmo na percepção sensorial do idoso – que perde o apetite
porque sua palatabilidade se reduz, muitas vezes cansada por uma dieta
mais monótona que lhe parece “sem graça”, e perde a vontade de beber
porque não sente sede. Mais uma vez, num processo reversível, essas
alterações são em parte decorrência e em parte causa da sarcopenia. O
resultado é, novamente, uma predisposição ao aparecimento de doenças
que em outros tempos não teriam a menor gravidade, mas que, em um
organismo debilitado, podem desencadear um processo que tenha em
seu termo até mesmo a morte do idoso.
É muito importante avaliar bem o estado nutricional do idoso, porque
é nele que se encontram, muitas vezes, os fatores determinantes de sua
saúde ou de suas doenças. A avaliação se faz por métodos objetivos,
como a antropometria, a bioimpedância e os testes bioquímicos; e se
faz também por métodos subjetivos, ou seja, pelo exame clínico, por um
médico e pela avaliação da ingestão alimentar, por um nutricionista(6, 12).
Existem numerosos estudos científicos que analisam o problema da nu-
trição defeituosa dos idosos com excesso de peso corporal e ao mesmo
tempo em estado de desnutrição, porque praticam dietas ricas em carboi-
dratos simples e gorduras, mas deficientes em micronutrientes e fibras.
Alguns desses estudos incluem propostas concretas para o tratamento
terapêutico e alimentar dos idosos vitimados pela sarcopenia, agravada
pelo binômio maligno sobrepeso-desnutrição(1, 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 13).
Não é nosso objetivo nos estendermos aqui sobre como tratar os idosos
sarcopênicos, mas sim como evitar que os jovens de hoje se tornem os
idosos sarcopênicos de amanhã. É a isso que dedicaremos a parte final
deste capítulo.
Mas, antes de entrarmos nele, convém ainda, falar de uma outra doença
muito frequente na terceira idade: a osteopenia – ou seja, a tendência para
os ossos perderem densidade e, assim, se tornarem mais vulneráveis a
fraturas. A osteopenia, quando agravada, se transforma em osteoporose,
na qual, como o próprio nome indica, os ossos perdem tanta densidade
que se tornam, por assim dizer, porosos e quebradiços. Muitas vezes,
em um idoso, uma fratura pequena impõe um período de cama, do
qual o paciente jamais se levantará. A solidificação é demorada, a posi-
ção horizontal do corpo tende a se tornar permanente, cai ainda mais
o poder de sucção do ar, do sistema pulmonar, e um simples resfriado
pode conduzir rapidamente a um quadro de agravamento geral que leva
o paciente ao óbito.

26
Como no caso dos sarcopênicos, também os idosos osteopênicos devem
seus males a uma alimentação incorreta praticada a vida inteira. Inge-
riram pouco cálcio, privaram-se do sol matinal e da vitamina D que ele
proporciona, fizeram pouco exercício físico etc.(5)

Como veremos a seguir, uma boa dieta alimentar, assimilada na infância


e praticada com regularidade ao longo de toda a vida, pode ajudar muito
a evitar esses problemas na terceira idade.

Vamos, pois, aos conselhos concretos.

Em primeiro lugar, coma de tudo, nas proporções adequadas, sem ex-


cessos, mas também sem se privar daquilo de que gosta.

O que significa comer de tudo e nas proporções adequadas? Significa


ingerir em sua alimentação todos os nutrientes necessários, sem desequi-
líbrios. Coma proteínas, carboidratos, lipídios, fibras, verduras, legumes,
frutas, leite e seus derivados. Coma de tudo, evitando os desequilíbrios.
Evite enlatados, molhos prontos, pacotinhos de guloseimas variadas,
doces ou salgadas.

Quer ter um bom exemplo de dieta equilibrada, à qual não falte nenhum
elemento essencial? É a tradicional e brasileiríssima combinação do pra-
to-feito, o popular “PF”. Arroz, feijão, salada, legumes, um pedaço de
carne e uma fruta de sobremesa. É simples e trivial, mas contém todos
os elementos necessários para a boa conservação da saúde.

Antigamente, nas casas de família, nossas mães se encarregavam de fa-


zer a melhor das comidas, a comida caseira. De um modo empírico e
com muito amor e carinho, às vezes com grande sacrifício, elas sabiam
combinar tudo de modo maravilhoso. Nunca faltava o arroz (fonte de
carboidratos) e o feijão (proteínas, ferro, sais minerais). A carne bovina,
o pedaço de frango ou o ovo forneciam proteínas. As verduras, os le-
gumes e as frutas que variavam ao longo do ano, conforme as estações,
proporcionavam um leque muito amplo de elementos nutritivos.

Hoje, infelizmente, a maior parte de nós não pode mais comer em casa a
melhor das comidas. Comemos fora, em restaurantes por quilo. Cuidado
com eles! Eles são ótimos se soubermos utilizá-los corretamente, mas
podem ser muito perigosos. Mostram uma imensa variedade de opções e,
assim, parecem favorecer uma dieta balanceadíssima. Mas, observe bem
o público que frequenta esses restaurantes e verá que são relativamente
poucos os que fazem pratos bem equilibrados, com todos os elementos
bem distribuídos. A tendência, diante de tanta abundância alimentar, é
servir-se daquilo de que se gosta mais. Uns carregam na carne, outros
27
se entopem de massas e outros carboidratos, outros até põem algumas
folhas de alface no prato, mas as besuntam com molhos prontos. E quase
todos acompanham a refeição com muito refrigerante hiperaçucarado. O
fato é que, na maior parte das vezes, as pessoas comem as mesmas coisas
todos os dias, justamente porque gostam mais e adquiriram o hábito.
E muitas vezes comem em proporções inteiramente inadequadas para
suas necessidades vitais.

Outra coisa: habitue-se a beber água, muita água, pelo menos dois litros
ao longo do dia. No verão, beba até mais. Água não faz mal. Quanto mais
água beber, mais hidratado ficará seu corpo e com maior facilidade você
eliminará, pelo suor e pela urina, toxinas e impurezas presentes no seu
organismo.

Nas refeições e de um modo geral durante o dia, evite refrigerantes e


sucos prontos, já adoçados. Prefira água pura ou sucos naturais. É fací-
limo ter a qualquer hora do dia um suco natural fresquíssimo, delicioso
e saudável. Compre frutas variadas, limpe-as bem, corte em pedaços e
coloque no congelador. Quando sentir sede, pegue alguns pedaços dessas
frutas congeladas, bata num liquidificador com meio litro de água, se
quiser coe (muitas vezes, nem é preciso) e beba. Garanto que lhe fará bem.
Beba também leite e consuma derivados do leite. São fonte inesgotável
de cálcio, indispensável para nós, que somos vertebrados e mamíferos(5).

Bebidas alcoólicas não precisam ser proibidas. Mas devem ser consumi-
das com extrema prudência. Controladamente, podem até fazer bem,
mas é muito difícil ser moderado com elas. Por isso, para muita gente é
melhor evitar, pelo menos, o consumo diário. Não abuse do café. Tomar
uma xícara de café com leite, de manhã, e um ou dois cafezinhos ao
longo do dia, não faz mal algum. Mas evite enxugar garrafas térmicas
inteiras de café, como também evite o hábito de tomar um copinho de
café sempre que passar diante da máquina.

Evite gorduras excessivas. Há substitutivos igualmente saborosos e mais


saudáveis. Um molho engrossado com coalhada não fica nada a dever a
uma maionese. Um requeijão magro pode tornar uma fatia de pão tão
saborosa quando se estivesse encharcada de manteiga. Consuma grãos,
fibras, engrosse sua sopa com aveia ou farelo de trigo, use preferencial-
mente arroz integral.

Evite abusar de sal e de açúcar. O sal é necessário, mas quase sempre o


consumimos em excesso e nos viciamos nele. O processo de cocção dos
alimentos faz com que o sal perca muito do seu gosto e, assim, a comida
nos pareça insossa, embora já contenha sal. O segredo é não salgar os
alimentos enquanto os prepara, mas somente colocar um pouco de sal
28
na hora de consumi-los, já no prato ou na hora de preparar uma bandeja.
O gosto estará mais acentuado e a pessoa ficará satisfeita, sem sobrecar-
regar o consumo de sal, sódio e outros aditivos. O açúcar em excesso
também vicia. A sensação do doce, na boca, é extremamente prazerosa,
mas não é só o açúcar que a produz. Há açúcares nas frutas, no leite, em
muitos legumes.

Todos esses conselhos são gerais, ou seja, valem para o conjunto da po-
pulação, mas cada caso é um caso. Os indivíduos possuem metabolismos
diferentes e por isso suas necessidades também variam. É importante
consultar um/a nutricionista, que avaliará o seu caso concreto e lhe in-
dicará as proporções adequadas.

Por fim, mais alguns conselhos para quem quer ter uma velhice prolon-
gada e saudável: habitue-se desde cedo a praticar exercícios, andando a
pé, subindo escadas, correndo, andando de bicicleta, praticando esportes.
Procure também tomar sol todos os dias, no início da manhã, mas evite
ao máximo a exposição ao sol nos braços, nas pernas e no rosto depois
das 10 horas da manhã. Não são conselhos diretamente nutricionais, mas
de modo indireto afetarão seu apetite, sua forma física e seu bem-estar.

29
Referências Bibliográficas
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Bezerra, I. N.; Pereira, R. A.; Sicheri, R. Ingestão inadequada de nutrientes na população
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estado nutricional de idosos: uma revisão da literatura.Arquivo Ciência Saúde, 2015
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definição, diagnóstico, avaliação e intervenção. Medicina, Ribeirão Preto, 31: 54-61,
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nível em: <https://www.researchgate.net/publication/228481895_Nutricao_no_idoso>.
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de Idosos. Nestlé Nutritiom. Disponível em:<www.nestle.com.br/healthcarenutrition>.
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idosos. Revista Uningá, col. 21, n.1, 50-54 (Jan-Mar 2015).
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Clínica Médica, Campinas, UNICAMP, 2009, 7, p. 46-49.
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Rizatti-barbosa, C. M. Nutrição para idosos. Revista de Odontologia da Universidade
Cidade de São Paulo, São Paulo, 2009 set-dez; 21 (3), p. 258-267.
14) ITÁLIA muda conceito de idoso para 75 anos. G1, atualizado em dezembro de
2018. Disponível em: <https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/12/04/ita-
lia-muda-conceito-de-idoso-para-75-anos.ghtml>. Acesso em: 30 de abr. de 2019.
30
Laura Garambone
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• Mestrado em Saúde da Mulher pela FIOCRUZ

• Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO /2005)

• Especialização em Videocirurgia pela FIOCRUZ

• Especialização em Ginecologia e Mastologia pela UFRJ

• Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia.

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O Que Você Precisa Saber Sobre Menopausa
A primeira coisa que devemos compreender sobre a menopausa, é que
ela não é uma doença. Ela significa o final da vida reprodutiva de uma
mulher. A primeira menstruação da vida de uma menina se chama me-
narca. E assim como ela ocorreu, um dia teremos nossa última regra. E
esta significa menopausa. É um processo fisiológico que ocorrerá com
todas as mulheres(8).
Neste capítulo explanaremos sobre os conceitos de menopausa, e como,
apesar de todas as possibilidades de piora da qualidade de vida, você
pode passar por este período sentindo-se bem e garantindo longevidade
saudável.
I. Conceito
A perimenopausa ou transição menopausal é caracterizada por um pe-
ríodo de mudanças fisiológicas conforme as mulheres se aproximam do
final da fase reprodutiva. A importância desse período se dá pela queda
na qualidade de vida, podendo apresentar distúrbios de sono, sintomas
vasomotores (como os calores ou fogachos), depressão e, em longo prazo,
perda de massa óssea, alterações de níveis de colesterol, piora da função
cardiovascular, distúrbios urinários e cognitivos(5,8).
A idade média da menopausa na mulher brasileira é de 51 anos. Em algu-
mas mulheres poderá ocorrer mais cedo, mas consideramos menopausa
precoce quando ela ocorre antes dos 45 anos(5).
A mudança no estilo de vida, interrupção dos maus hábitos e inclusão
de uma dieta balanceada, atividade física e diminuição do stress podem
garantir uma longevidade mais saudável, e, talvez, sem a necessidade de
tratamentos medicamentosos específicos.
II. Como diagnosticar a menopausa?
O período perimenopausal pode ser marcado por uma série de modi-
ficações no sistema de “termostato” do nosso sistema nervoso central,
irregularidade menstrual e oscilações de humor.
Contudo o diagnóstico é, na maior parte das vezes, retrospectivo, quando
a mulher se encontra há mais de 12 meses sem menstruar(3).
Como estamos cada vez mais atentas aos sintomas, é comum que a
mulher procure o ginecologista quando nota que os ciclos menstruais
32
estão ficando mais longos, ou o fluxo, maior, assim como a dificuldade
em manter o sono, a sudorese que a desperta a noite e a diminuição do
interesse sexual.
Nesse caso o diagnóstico pode ser clínico, ou, em caso de dúvidas, serem
solicitados exames laboratoriais para determinação de quais hormônios
ou nutrientes podem estar em débito.
Há outras causas para a irregularidade menstrual e fogachos, como al-
terações do funcionamento da tireoide uso de medicamentos ou stress.
Todos os fatores devem ser avaliados em conjunto a fim de se obter o
diagnóstico correto e corrigir possíveis alterações(11).
III. Principais sinais e sintomas
Fogachos e Sudorese Noturna:
Os fogachos são repercussões da dilatação e constrição dos vasos da pele.
São bastante característicos do período da menopausa e cerca de 80% das
mulheres vão apresentá-los. A sensação é relatada como de calor princi-
palmente na área do colo, pescoço e rosto, podendo haver também rubor
da face. Podem ou não ser seguidos de calafrios, tremores ou palpitações.
Os fogachos noturnos podem ser bastante intensos a ponto de despertar
a mulher, o que gera piora no padrão de sono. Segundo estudos, os fo-
gachos podem durar mais de sete anos após a mulher entrar no período
menopausal(2).
Irregularidade menstrual:
À medida que a mulher se aproxima da perimenopausa, tornam-se co-
muns as mudanças no fluxo e na frequência menstrual. Na maioria das
vezes essas alterações se dão pela modificação da produção de estrogênio
e progesterona e a diminuição dos ciclos em que a mulher ovula. Em
algumas mulheres a menstruação cessará e não haverá mais ciclos. Con-
tudo, em cerca de 90% das mulheres, as mudanças no ciclo menstrual
irão começar 4 a 8 anos antes da menstruação parar de vez(11).
Ressecamento genital e da pele e alterações do trato genital:
O estrogênio está relacionado com a produção de colágeno, principal-
mente no trato genital e pele. A redução desta produção está relacionada,
não só ao ressecamento, mas também à atrofia vaginal, incontinência
urinária e prolapsos (“quedas”) de bexiga e corpo uterino.

33
A pele se torna mais fina e transparente, perdendo sua elasticidade, di-
ficultando a cicatrização e tornando a pele mais frágil(1).
As alterações do colágeno no trato genital podem levar a uma das princi-
pais queixas da mulher menopausada: o ressecamento durante as relações
sexuais, dor no ato e, consequentemente, diminuição do desejo sexual(4).
Diminuição da libido e distúrbios de humor:
A diminuição do interesse sexual pode ocorrer na menopausa por baixa
hormonal, mas também por outros fatores relacionados ao sistema exci-
tatório e inibitório do cérebro, por exemplo, a oscilação de neurotrans-
missores como a serotonina e a dopamina. Apesar de diversos estudos
demonstrarem os benefícios do uso de hormônios para a recuperação da
libido, essa relação ainda não é completamente estabelecida(7). Devem-se
levar em conta as modificações psicossociais associadas à mulher no
período de perimenopausa(6).
Atualmente sabemos que a queda dos níveis hormonais impacta a cog-
nição e o humor das mulheres. Apesar disso, devemos lembrar que ex-
periências negativas como a perda de um cônjuge ou amigos pela idade,
saída dos filhos de casa, aposentadoria, insegurança financeira e o apa-
recimento de doenças relacionadas à longevidade, podem ter impacto
no emocional e devem ser tratadas de forma pertinente. Transtornos
depressivos, ansiedade, ressecamento e dor na relação sexual, assim como
a distorção da autoimagem, devem ser avaliados e considerados como
importantes gatilhos da baixa libido(1).
Ganho de peso e perda de massa muscular:
As mulheres após os 40 anos tendem a ganhar peso. Esse dado parece
estar relacionado ao envelhecimento e ao estilo de vida, mas a meno-
pausa também contribui para o problema. O aumento da gordura na
região abdominal também contribui para o aumento do risco de doenças
cardiovasculares(9).
A perda de massa muscular diminui seu metabolismo basal e a queima de
calorias, levando à dificuldade em se manter dentro de um peso saudável.
Os exercícios físicos de resistência (como a musculação), aumentam a
massa muscular e também sua taxa de metabolismo basal(11).
Osteopenia e osteoporose:
A perda de massa óssea em fase inicial se chama osteopenia. Caso não
seja tratada adequadamente pode evoluir para osteoporose, que significa
que seus ossos estão mais frágeis e propensos a fraturas.
34
A osteoporose acomete 1/3 das mulheres na menopausa. As fraturas mais
comuns são as do osso rádio, coluna vertebral e colo de fêmur. Mulheres
da raça branca e magras são as mais suscetíveis à osteoporose, assim
como aquelas com menopausa precoce(11).

O impacto da osteoporose na saúde da mulher é bastante notório, visto


que uma fratura de fêmur, por exemplo, levará ao afastamento de suas
atividades, imobilização, aumento do risco cardiovascular e dependência
de terceiros para seus cuidados.

Alterações cardiovasculares:

As doenças cardíacas e do sistema circulatório (doenças cardiovascula-


res) são a principal causa de morte em mulheres com 65 anos ou mais
e a segunda principal causa em mulheres com 45 a 64 anos. Mulheres
morrem mais de doença cardíaca do que homens, talvez pelo fato de ser
frequentemente detectada em estágios avançados nas mulheres.

Após a menopausa, o risco de doenças cardiovasculares dobra nas mu-


lheres e, por volta dos 60 anos, seus níveis podem estar mais altos que
na maior parte dos homens, estatisticamente(9). Essas mudanças podem
ser favoravelmente reduzidas com mudanças no estilo de vida, hábitos
alimentares e tratamentos complementares, que serão explicados a seguir.

IV. Tratamentos (como passar bem por esta fase)

1. Estilo de vida:

Pode parecer repetitivo, mas mudar seus hábitos de vida é, de fato, a


melhor medida que você pode tomar por sua saúde.

A alimentação deve ser saudável, com baixo índice glicêmico, mas com-
posta com a quantidade adequada de carboidratos complexos (soja, ai-
pim, inhame) proteína magra (carnes magras, peixes), gordura “boa”
(azeite de oliva, abacate e nozes) e frutas (morango e amora).

A suplementação de vitamina D, cálcio e magnésio pode ajudar na


manutenção da massa óssea.

A atividade física deve ser periódica e associar exercícios aeróbicos (para


manutenção de peso e saúde cardiovascular) com exercícios de resistência
(musculação, pilates ou ginástica).

Abandonar hábitos ruins como o tabagismo e consumo excessivo de


álcool...
35
2. Terapia Hormonal (TH):

O principal objetivo da TH é o tratamento dos fogachos. Contudo, existe


uma série de evidências que mostram outros benefícios como melhora
do ressecamento vaginal, da qualidade do sono, perfil lipídico, prevenção
de doenças cardiovasculares, diminuição do risco de demência e Alzhei-
mer e manutenção da massa óssea ainda são considerados secundários,
ou seja, não são indicações para tratamento isolado destas questões.

Riscos:

A maior preocupação é a segurança do uso da TH em longo prazo. O


risco de câncer de mama e endométrio e de eventos cardiovasculares
existe e deve ser considerado em cada mulher. Entretanto, a maioria dos
riscos de câncer de mama com TH está associada à progesterona, e não
somente ao estrogênio, mas todas as mulheres com útero devem utilizar
os dois hormônios. A TH também foi associada à doença cardíaca, der-
rame e coágulos principalmente em mulheres acima de 60 anos(12). Por
isso, é recomendado o uso da menor dose eficaz pelo menor período de
tempo. O uso de estrogênio ou progestágenos vaginais (para tratamento
de ressecamento ou síndromes urogenitais) apresenta poucos riscos, mes-
mo quando usada em longo prazo ou iniciada anos após a menopausa.

Tipos de TH:

• Estrogênio isolado: O estrogênio é o hormônio que fornece o alí-


vio mais eficaz para os sintomas da menopausa, prescrito isoladamente
apenas para mulheres que fizeram histerectomia (retirada do útero).
Em mulheres com útero, o estrogênio isolado pode aumentar o risco de
câncer de endométrio (camada interna do útero).

• Estrogênio + progesterona: A progesterona é associada ao estrogênio


para proteger as mulheres com úteros contra o câncer de endométrio. A
progesterona parece ter ainda benefícios no controle do perfil lipídico,
risco de tromboembolismo e sono, mas ainda não há estudos suficientes
que demostrem esses benefícios secundários.

A dose recomendada é sempre a menor necessária para o alívio dos sin-


tomas. A segurança da TH é sempre maior quanto mais cedo se inicia o
tratamento. Os benefícios superam os riscos se iniciada até o 5º ano do
início dos sintomas.

36
Apresentações e formas de aplicação:

• Comprimidos (via oral);


• Transdérmica (creme, gel ou adesivos de aplicação na pele);

• Vaginal (absorvidos pela mucosa vaginal, sob forma de óvulos ou cremes);

• Implantes (que podem conter um ou mais tipos de hormônios associados).

Pesando os riscos e benefícios:

A melhora da qualidade de vida da mulher na menopausa deve ser um


compromisso do profissional de saúde. Como cada mulher é única e
devemos colocar na balança o desconforto, seus receios, os riscos e os
efeitos colaterais de cada tratamento.

Os conceitos sobre o uso de TH têm mudado conforme mais estudos vêm


sendo feitos. Especialistas concordam que ainda há muito a se aprender.

Fatores que farão parte da decisão sobre usar um determinado produto


hormonal ou outro tipo de terapia serão: sua idade, sua saúde global, suas
preferências, opções de tratamento disponíveis e o custo do produto, e
se os benefícios se sobrepõem aos riscos.

A menopausa pode ser um período de vida que passe sem traumas.


Não é uma fase que precise, necessariamente, significar sofrimento e
sua entrada na “velhice”. Há diversos tratamentos e formas de encarar
bem essa fase.

Contudo, nunca se medique sem que um médico tenha avaliado todos


os fatores acima. O tratamento de uma amiga ou parente pode não ser
adequado para você.

37
Referências Bibliográficas
1) SILVA, V. H.; Rocha, J. S. B.; Caldeira, A. P. Fatores associados à au-
topercepção negativa de saúde em mulheres climatéricas. Cien Saúde
Colet, 2018; 23(5): 1611-1620.
2) STURDEE, D. W.; Hunter, M. S.; Maki, P. M.; Gupta, P.; Sassarini,
J.; Stevenson, J.C.; Lumsden, M. A. The menopausal hot flush: a review.
Climacteric, 2017 Aug; 20(4):296-305.
3) GUIA da Menopausa, 7ª edição, The North American Menopause
Society, Jan 2013.
4) PALACIOS, S. Managing urogenital atrophy. Maturitas. 2009 Aug
20;63(4):315-8.
5) WENDER, M. C.; Oderich, C. L. Fisiologia, fisiopatologia e abordagem
diagnóstica do climatério-perimenopausa. Endocrinologia Ginecológica,
1ª ed, São Paulo, Manole, 2016.
6) GOLDSTEIN, I. et al. Hypoactive Sexual Desire Disorder. Mayo Clinic
Proceedings, 2017.
7) GOUVEIA, M.; Sanches, R.; Andrade, S.; Carmona, S.; Ferreira, C.
The Role of Testosterone in The Improvement of Sexual Desire in Post-
menopausal Women: An Evidence-Based Clinical Review. Acta Med,
Port. 2018 Nov 30; 31 (11): 680-690.
8) SPEROFF, L.; Fritz, M. A. Menopause and the Perimenopausal Tran-
sition. Clinical Gynecologic Endocrinology and Infertility, 7ª ed, USA,
Lippincott Williams & Wilkins, 2005, p.622-75.
9) DAM, V., et al., Association of menopausal characteristics and risk of
coronary heart disease: a pan-European case-cohort analysis. Int J Epi-
demiol. 2019
10) GEMMELL, L. C., et al, The management of menopause in women
with a history of endometriosis: a systematic review. Hum Reprod Update.
2017 Jul 1; 23 (4): 481-500.
11) MENOPAUSE: Full Guideline. National Collaborating Centre for
Women’s and Children’s Health (UK). London: National Institute for
Health and Care Excellence (UK); 2015.
12) SCARABIN, P. Y. Postmenopausal hormone therapy and risk of ve-
nous thromboembolism: what about progesterone? BMJ, 2019.
38
Paulo Roberto Salustiano
CRM: 52.79904-1

(21) 99291-7885
contato@paulosalustiano.com.br
@drpaulo_salustiano
drpaulosalustianourologista

• Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio


de Janeiro - UNIRIO

• Residência Médica em Cirurgia Geral pela Universidade do Estado do


Rio de Janeiro - UERJ

• Residência Médica em Urologia pela Universidade do Estado do Rio


de Janeiro - UERJ

• Observer Fellowship em Uro-Oncologia, Transplante Renal e Laparos-


copia no Hospital Clinic pela Universidade de Barcelona

• Membro Titular da Sociedade Brasileira de Urologia - TiSBU

• Membro da European Association of Urology - EAU

• Membro da American Urological Association - AUA

• Cirurgião Robótico certificado pela Intuitive - Sistema da Vinci

• Diretor e Fundador da Clínica Vivace Saúde do Homem.

39
O Que Você Precisa Saber Sobre Andropausa
Todos conhecemos e já ouvimos falar do termo Andropausa. Andrós – do
grego – relacionado ao homem, macho, sexo masculino; e pausa – do
latim – interrupção, parada. A etimologia da palavra é simples e nos leva
a imaginar que seria o análogo masculino da menopausa. No entanto,
existem muitas diferenças nesse processo entre homens e mulheres, espe-
cialmente pelo fato de que nos homens não é uma condição si ne qua non,
como ocorre com as mulheres, de tal forma que todas elas, invariavel-
mente, entrarão na menopausa em uma certa idade, geralmente entre os
45 e 55 anos. É por isso que essa nomenclatura, embora conhecida e aceita
popularmente, não seja, talvez, a mais adequada. Cientificamente falando,
e do ponto de vista médico também, utilizamos outras denominações
como: Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM),
Hipofunção Testicular, Hipogonadismo Secundário, Insuficiência An-
drogênica Parcial do Homem Idoso. Todas essas denominações têm por
objetivo demonstrar um declínio do principal hormônio masculino – a
testosterona – ao longo dos anos.
O homem, mais notadamente após os 40 anos, tende a ter uma redução
natural desse hormônio. Não é normal que isso ocorra de forma aguda,
como acontece no climatério feminino, em que a mulher pode entrar
nesse período e cessar a produção de estrogênios pelos ovários em ques-
tão de meses.
Nas mulheres, além dos sintomas se instalarem de forma mais rápida,
existe também um marcador clínico objetivo: o fim das menstruações.
Muitos estudos já demonstraram que, nessa faixa etária, existe um gra-
dual e lento declínio dos níveis de testosterona no sangue do homem e
que isso pode vir acompanhado de alguns sintomas.
Para que possamos entender esse processo, é fundamental sabermos
qual o papel desse hormônio para a saúde masculina.
A testosterona é um esteroide anabolizante e é considerado o hormônio
masculino mais importante. Ele é sintetizado a partir de moléculas de
colesterol e no fígado é inativado. Sua ativação ocorre no momento em
que este se acopla nos tecidos através de seus receptores celulares. Nesse
instante ele desempenha seu papel anabolizante, ou seja, ele propicia a
formação de proteínas e de novos tecidos, o chamado efeito trófico.
Sendo assim, a testosterona pode atuar em diversos órgãos e de diversas
maneiras, de tal forma que a sua carência pode trazer inúmeros sinto-
40
mas para o homem de meia-idade como: redução da massa muscular,
aumento da gordura corporal, perda de memória, queda de cabelo, di-
minuição da libido, redução da potência sexual, diminuição do vigor
físico, dificuldade de concentração, osteoporose, depressão, sensação de
calor excessivo, alterações do humor, fadiga, irritabilidade, aumento dos
níveis de colesterol e de insulina.
A testosterona, ao contrário do estrogênio, é responsável por inúmeras
características ditas masculinas, e desempenha importante papel des-
de a formação dos ossos, músculos, passando por toda a sexualidade e
atuando até nos aspectos psicológicos relacionados ao homem.
Agora, imagina que isso tudo pode acontecer exatamente no instante
da vida em que esse homem está, talvez, em seu melhor momento fi-
nanceiro, com estabilidade familiar e social e com inúmeras atividades
no seu trabalho, provavelmente bem posicionado na profissão. Como
já falamos, todos esses sintomas tendem a aparecer gradativamente, e,
muitas vezes, passam despercebidos. Frequentemente os familiares ou
as pessoas mais próximas no círculo social acabam atribuindo grande
parte disso ao processo natural de envelhecimento. O oposto também é
verdade. Imagine o homem que já enfrenta problemas de ordem familiar,
psicológica e mesmo financeira, e com essa avalanche de sintomas ca-
minhando junto pode ser, às vezes, mais difícil encontrar aquela famosa
luz no fim do túnel.
Claro, ninguém tem dúvidas de que, mesmo nos dias atuais, ainda existe
muita cobrança em cima da figura masculina, por ser o provedor da
casa, não apenas financeiramente, mas também como sendo o chefe da
família, aquele que não pode adoecer, aquele que dita as regras do jogo.
Muitas vezes a cobrança parte dele mesmo.
Essa infalibilidade muito propagada no passado hoje está diminuindo,
parte disso devido às campanhas educacionais, como o Novembro Azul
e as cartilhas voltadas para a Saúde do Homem.
E por falar em Novembro Azul, precisamos falar das outras doenças que
podem acometer o homem de meia idade e que, da mesma forma que na
Andropausa, podem atrapalhar muito a qualidade de vida e, até mesmo,
trazer risco de morte. Poderíamos destacar, nesse caso, o câncer mais
comum do homem: o temido Câncer de Próstata. Temido, pois, a própria
palavra câncer já nos remete ao risco de morrer e também se refere a
uma doença associada a vários problemas de ordem física, notadamente
a disfunção erétil e os problemas de incontinência urinária.

41
Já sabemos também que através do diagnóstico precoce com o exame
de toque retal e dosagem do PSA (antígeno prostático específico), con-
seguimos realizar tratamentos mais efetivos, e com menos morbidade,
preservando ao máximo a qualidade de vida dos pacientes. Na maioria
das vezes o câncer de próstata tem uma evolução indolente. Dependen-
do do caso é até possível observarmos a doença ativamente a fim de
evitar tratamentos desnecessários. A medicina vem evoluindo muito,
tanto em novas tecnologias como na cirurgia robótica, nos tratamentos
minimamente invasivos, em drogas mais potentes e com menos efei-
tos colaterais, e métodos diagnósticos mais precisos, como também no
melhor conhecimento da doença. O advento da medicina de precisão,
pela qual, através do estudo genético do tumor e do paciente, podemos
individualizar cada vez mais o tratamento com o intuito de obtermos os
melhores resultados, trouxe novas perspectivas, possibilitando melhores
resultados com a medicina personalizada.

Ainda falando de Novembro Azul e doenças do homem, não podemos


deixar de comentar sobre o aumento benigno da próstata, decorrente
da hiperplasia benigna da glândula (lembrando que a próstata é uma
glândula localizada na pelve masculina do tamanho de uma noz e que
tem por principal função a produção do líquido seminal).

Ao contrário do câncer da próstata, o aumento benigno da próstata pode


dar sintomas em suas fases iniciais, a saber: aumento da frequência uri-
nária, jato fraco, sensação de esvaziamento incompleto, gotejamento
terminal e em casos mais avançados retenção urinária e perda da função
dos rins. O aumento benigno da próstata também pode ser facilmente
identificado através de um exame de toque com uma ultrassonografia
prostática e, o tratamento pode abranger desde medidas comportamen-
tais até uso de medicamentos ou cirurgias minimamente invasivas. No
aumento benigno da próstata os efeitos colaterais dos tratamentos tendem
a ser mais brandos que no câncer.

Outras condições também podem afetar o homem nessa faixa etária,


como infecções sexualmente transmissíveis (HIV, HPV, Hepatites B e
C, sífilis, herpes), disfunção erétil, hipertensão arterial, diabetes mellitus,
ejaculação precoce, obesidade etc. Cabe lembrar também que a principal
causa de morte nessa população ainda são as doenças cardiovasculares,
como infarto, AVC e doenças vasculares em geral.

Mas vamos voltar a nossa Andropausa, ou, melhor ainda, a DAEM.

Muitos estudos já demonstraram que embora os níveis de testosterona no


sangue tenham a tendência ao declínio com o passar dos anos, existem
medidas que podem ser feitas para frear esse processo e até melhorar a
42
produção do hormônio. Para que fique claro, a testosterona é produzida
principalmente pelos testículos. Essa produção é estimulada a partir
do estímulo hipofisário através da produção do hormônio luteinizante
(LH) e hormônio folículo-estimulante (FSH), estes, por sua vez, são re-
gulados pelo GnRH produzido pelo hipotálamo. Esse é o famoso eixo
hipotálamo-hipófise-testicular, em que, através de um feedback negativo,
a testosterona inibe a hipófise e o hipotálamo.

Algumas medidas simples podem ajudar a manter níveis adequados do


hormônio no sangue, assim como outras situações podem prejudicar.

Um estilo de vida saudável através da prática regular de atividade física,


monitoramento do peso, dieta balanceada e o controle do estresse, já se
demonstraram também importantes nesse processo. As células adiposas,
por exemplo, presentes na gordura, tem a possibilidade fisiológica de
transformar androgênios em estrógenos, através de uma enzima cha-
mada aromatase. Déficits nutricionais, como a deficiência de vitamina
A, podem, também, reduzir níveis plasmáticos da testosterona.

A variação hormonal pode variar muito ao longo de alguns dias, por


isso é importante dosagens confirmatórias após um determinado tempo.

Às vezes, diante de um paciente com queixa de disfunção erétil, a simples


mudança nos hábitos de vida com ou sem reposição hormonal é suficiente
para sanar o problema.

Homens que fizeram ou fazem uso de esteroides anabolizantes para ganho


de massa muscular, principalmente os mais jovens, tendem a anular esse
eixo de produção e podem inibi-lo de forma definitiva, de tal modo que
serão dependentes a vida toda de reposição hormonal exógena. Aliás, esse
é um ponto muito importante para destacarmos. Em busca da beleza,
do ganho de músculos e da promessa de longevidade, muitos homens
se submetem a tratamentos hormonais completamente desnecessários,
impondo riscos gravíssimos a sua saúde. Além de aumentar o risco de
câncer, esses homens têm risco aumentado de perda da função testicular
com atrofia das gônadas.

Certamente a reposição da testosterona em níveis fisiológicos no homem


na andropausa está correto, porém seu uso indiscriminado, associado
a outras substâncias como o GH (hormônio do crescimento) e diversas
outras substâncias pode trazer sérios riscos à saúde masculina e é total-
mente contraindicado pela medicina convencional. Não existem estu-
dos na medicina que comprovem que a reposição hormonal em níveis
suprafisiológicos sejam seguros para uso em longo prazo, embora seja
muito tentador comprar a ideia de juventude eterna e vida prolongada.
43
É importante dizer também que o homem pode, ao longo da vida, sofrer
processos patológicos de perda da função testicular. Qualquer doença
que ataque os testículos, como orquites, orquiepididimites, traumas
testiculares, caxumba etc, pode, de alguma forma, atrapalhar a produção
hormonal. Homens com atrofia testicular secundários a tais processos
podem ter a incapacidade primária do testículo de produzir o hormônio.

O homem com câncer de próstata inicial, que foi tratado através de ci-
rurgia ou radioterapia, não terá afetada a sua produção hormonal. Ou
seja, o tumor é retirado cirurgicamente, e terá seus níveis hormonais
dentro da normalidade, pois este está relacionado com a produção pelos
testículos e não pela próstata.

No câncer avançado, ao contrário, pode ser necessário complementar


o tratamento com a supressão da produção de androgênios. Isso ocorre
pois a testosterona na próstata tem um efeito trófico, ou seja, estimulante.
Com isso há uma tendência no aumento da glândula, com a formação
de novos vasos sanguíneos e proliferação de novas células. Se aquela
próstata estiver com células cancerígenas, também haverá um estímulo
a proliferação dessas células. É por isso que todo homem com câncer de
próstata localizado que esteja com baixa hormonal deve ser cuidadosa-
mente avaliado sobre a importância e os riscos da reposição hormonal.
Nos casos em que o tumor se encontra em fases mais adiantadas, muitas
vezes utilizamos a terapia de supressão da testosterona.

O câncer de testículo normalmente não afetará a produção hormonal,


pois a remoção de um testículo poderá ser compensada pelo outro.

Bom, mas como diagnosticar a Andropausa? Quais os critérios que uti-


lizamos para caracterizar o homem com deficiência androgênica do
envelhecimento masculino? O mais importante é o critério clínico. É
preciso ter a miríade de sintomas já falados para se iniciar a investigação,
e a confirmação se dá através de exames laboratoriais que comprovem
níveis baixos de testosterona no sangue. Homens assintomáticos com
níveis limítrofes ou mesmo com níveis baixos devem ser reavaliados.
A causa da deficiência da produção hormonal é investigada baseada na
história clínica, exame físico e exames complementares.

Muitas vezes o paciente tem pouco sintomas, ou muito sutis, que reque-
rem uma avaliação médica bastante cuidadosa. Uma queixa também
relativamente frequente é a dificuldade para ejacular com ou sem a re-
dução do volume de esperma.

Muitas vezes é necessário uma busca ativa por parte do médico, pois o
homem ou o próprio casal atribui seus sintomas à própria velhice.
44
Uma vez diagnosticado o distúrbio, é hora de tratar. Muitas são as pos-
sibilidades de tratamento e a ideia fundamental será sempre repor os
níveis fisiológicos do hormônio.

Em casos leves e pouco sintomáticos, em que é possível mudar hábitos


de vida, tais medidas podem ser suficientes. Essa sempre é uma medida
importantíssima pois trata inúmeras outras situações clínicas. Diante
da indicação de reposição, essa pode ser feita por via transdérmica, in-
tramuscular e até oral.

Hoje, existem inúmeras formulações que permitem o melhor uso de acor-


do com o perfil de cada paciente. É muito gratificante quando percebemos
a melhoria da qualidade de vida após início do tratamento. O desânimo na
vida, a perda do vigor sexual, da memória, a obesidade, a perda de massa
muscular, toda essa miríade de sintomas que pode ser revertida com um
diagnóstico correto e um tratamento relativamente simples.

É legal dizer também, que em virtude de novas tecnologias na produção


dos hormônios e suas formulações, a segurança do tratamento se tornou
bastante eficiente, inclusive para o risco de complicações no fígado, local
onde a medicação é metabolizada.

O controle clínico do tratamento é baseado nas dosagens hormonais


periódicas, com exame do fígado e avaliação da melhora clínica. Se o
homem possui algum câncer tratado e curado, especialmente o câncer
de próstata, este deverá ser acompanhado mais minuciosamente, e todos
os riscos e benefícios do tratamento devem ser ponderados.

Todos os homens que perderam a função testicular, independente da


faixa etária, também podem e devem ser tratados. A reposição costuma
ser vitalícia. Homens jovens devem atentar para a fertilidade, pois a re-
posição pode prejudicá-la em alguma medida.

Muito se propaga hoje sobre os hormônios da juventude, da vida longeva.


Muito se fala, também, sobre medicinas alternativas nas mídias sociais e
internet. É muito simples propagar ganhos com o uso dessas substâncias
sem critérios. Mas será que nosso caminho será nos transformar em su-
per-homens? Será que realmente devemos atingir níveis suprafisiológicos
da testosterona em busca de uma eterna jovialidade? Temos segurança
clínica comprovada para seu uso indiscriminado?

A medicina tradicional pode, muitas vezes, caminhar a passos lentos,


pois depende de evidência clínica, porém ainda é a ciência que temos e
respeitamos.

45
Vamos olhar com atenção aos falsos propagadores de juventude eterna. A
vida é pra ser vivida em todas as suas fases com o glamour e a saúde que
nos permite. É como uma aposentadoria: você não deve gastar toda sua
energia na juventude para que não lhe falte na velhice. Temos tratamento,
sim, para inúmeras situações e nunca devemos atribuir esses sintomas
simplesmente ao envelhecimento.

Portanto, procure esclarecimento médico, que pode ser com um urolo-


gista, endocrinologista, clínico ou geriatra. Muitas vezes uma abordagem
multidisciplinar atinge melhores resultados. Cuidado com os ganhos
fáceis. A vida está aí para ser vivida em sua plenitude e com o máximo
de saúde possível.

Referências Bibliográficas

1) EAU Guidelines. Edn. presented at the EAU Annual Congress Barcelona


2019. ISBN 978-94-92671-04-2.

2) AUA Guidelines. Evaluation and management of testosterone deficiency.


2018

3) INSTITUTO Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Câncer


de próstata: vamos falar sobre isso? – Rio de Janeiro: Inca, 2017.

46
Talita Cezareti
CREF: 029697-G/RJ

(21) 99795-4233
tcezareti@gmail.com
@talitacezareti_geronto / @envelhecerbem
Talita Cezareti / @envelhecerbemm

• Bacharel em Educação Física e Desporto pela UFRJ

• Especialista em Gerontologia pela UnATI-Uerj

• Aperfeiçoamento em Saúde e Envelhecimento pela UNIRIO

• Instrutora de Pilates pela Physio Pilates Polestar Education

• Idealizadora do programa Envelhecer Bem

• Membro do corpo docente do grupo Ace de ensino e pesquisa

• Personal Trainer especializada em idosos

• Professora em clínica de reabilitação cardíaca

• Coordenadora de grupo de idosos frágeis

• Docente em curso de cuidadores de idosos

• Palestrante.

47
O Exercício Físico Como Estratégia Para
Envelhecer Bem
A primeira verdade sobre o envelhecimento é que todos envelhecem.
A segunda verdade é que todos envelhecem de forma diferente.
Spirduso, 2005

Envelhecer é um processo natural e multifatorial que sofre alterações


físicas, psicológicas e sociais. Cada indivíduo envelhece de uma maneira,
sendo este evento norteado pela genética e por fatores externos, que são
os nossos hábitos de vida e o ambiente em que vivemos.
Estresse, tabagismo e sedentarismo são exemplos de hábitos negativos. Já
a prática de exercício físico, alimentação balanceada e meditação, exem-
plos de hábitos positivos. Ou seja, quanto mais hábitos de vida positivos
e menos negativos acumularmos durante a vida, maior chance de um
envelhecimento saudável teremos. Envelhecimento saudável é o processo
de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional que permite
o bem-estar em idade avançada(13).
Somente 30% das características do envelhecimento têm bases na ge-
nética; o restante - 70% -, não(3). Uma boa notícia, já que está em nossas
mãos boa parte de como vamos envelhecer.
Devemos então nos perguntar: Como queremos envelhecer? E, caso quei-
ra envelhecer com independência e autonomia, você deve começar hoje a
se exercitar e tomar caminhos favoráveis sobre seus hábitos de vida. Caso
você já se ache velho, saiba que ainda dá tempo de investir em qualidade
de vida. Falaremos neste capítulo sobre os aspectos do envelhecimento
relacionado ao exercício físico e como conseguir ter uma vida ativa para
uma longevidade saudável.
Exercício físico, envelhecimento e qualidade de vida
O envelhecimento é um processo intrínseco, inevitável e irreversível asso-
ciado à idade, que traz consigo perda da vitalidade orgânica e aumento da
vulnerabilidade(7). Após o período de maturação, o indivíduo inicia vários
eventos biológicos relacionados ao envelhecimento do organismo, como
por exemplo a diminuição de síntese de proteínas, menor capacidade de
produção de hormônios anabólicos e maior quantidade de hormônios
catabólicos são alguns deles. Tudo isso faz com que haja um declínio
fisiológico e funcional das células e dos órgãos.

48
Uma constante alteração fisiológica é percebida na composição corporal,
como a diminuição de aproximadamente 10% da capacidade aeróbica por
década e de 15% de massa muscular a cada década a partir dos 50 anos(7).
O aumento do acúmulo de gordura na região abdominal, mudanças
na pele, coração, sistema nervoso, alterações bioquímicas, metabólicas,
cognitivas e comportamentais são percebidos com o passar dos anos.
Na prática, sentimos menos vontade de nos relacionar pelas dificuldades
enfrentadas, como: subir escadas, percorrer grandes distâncias ou sentar
no chão para brincar com uma criança. O processo de envelhecimento
frequentemente é relacionado com uma diminuição da capacidade fun-
cional e consequente alteração na qualidade de vida.
Com a evolução humana, a chegada da revolução agrícola, industrial
e tecnológica passamos a não ter a necessidade do movimento para a
sobrevivência. Ou seja, trabalhamos menos nossos músculos e ossos,
diminuímos nosso gasto calórico basal e passamos a viver as conse-
quências de um corpo que, para se movimentar em pequenas distâncias,
faz uso de automóveis, do controle remoto da televisão e gasta a maior
parte do seu tempo em “telas” de celular e computador, se privando do
contato físico das relações humanas. Passamos a viver então sob o risco
do sedentarismo. Devemos pensar em estratégias para que esse corpo
consiga se manter entre a necessidade de suprir a falta de movimento e
uma mente programada para poupar energia.
Quando associamos declínios fisiológicos provenientes do envelheci-
mento normal a alguma morbidade e ao sedentarismo, o impacto na
qualidade de vida é ainda maior. Pois uma rotina de atividade física bem
efetiva reduz risco de hipertensão arterial, doença coronariana, acidente
vascular ancefálico (AVE), diabetes melito, câncer de mama e cólon, de-
pressão e risco de quedas. Também proporciona melhora na saúde óssea
e funcional, além de ser eficaz no controle de peso(5).
Por essa razão, a relação entre exercício físico, qualidade de vida e enve-
lhecimento vem sendo colocada em destaque e, cada vez mais, o mundo
da ciência e saúde alerta a população contra o sedentarismo.
Um estudo recente acompanhou 1.9 milhões de pessoas no mundo de
2001 a 2016 e mostrou que mais de 50% das mulheres brasileiras sofrem
de insuficiência física, termo que o artigo usou para sedentarismo(9).

49
Prevalence (%)
< 20.0
20.0 - 29.9
30.0 - 39.9
40.0 - 49.9
≥ 50.0
No data
Figura 1: Contry prevalence of insufficiente physical in women in 2016
A pesquisa alerta para um mundo que não está indo de encontro a meta estabelecida pela OMS
em 2018 de diminuir pelo menos 15% do sedentarismo até 2030(8).

Mas, antes que você pense se é sedentário ou não, precisamos conceituar


atividade física e exercício físico: atividade física pode ser definida como
qualquer movimento corporal, produzido pelos músculos esqueléticos,
que resulta em gasto energético maior do que os níveis de repouso; e
exercício físico é uma atividade física planejada, estruturada e repetitiva
que tem como objetivo final ou intermediário aumentar ou manter a
saúde/aptidão física(2).
Portanto, varrer a casa é diferente de fazer uma caminhada de forma
regular, voltar do trabalho a pé é diferente de correr na esteira de forma
estruturada e orientada. Nosso corpo precisa de estímulos organizados
para um objetivo “como a prescrição de um exercício aeróbico em esteira
com volume e intensidade estipulados para perda de peso”. Assim, con-
seguirmos avançar em aptidões físicas como: capacidade aeróbia, força,
equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora.
Capacidade funcional, é a capacidade de manter as habilidades físicas e
mentais necessárias a uma vida independente e autônoma(15). Ela atinge
seu ápice na fase adulta. Até este ponto precisamos acumular reservas
para que, na fase de declínio fisiológico, consigamos manter a realização
satisfatória de nossas atividades básicas da vida diária. O aumento da
expectativa de vida, cerca de 30 anos, é de fato uma conquista, mas como
vamos viver esses anos adicionais de vida? Sendo o envelhecimento carac-
terizado por alterações biológicas previsíveis e progressivas é comum que
ao viver mais também aumente a exposição do organismo. A revolução
da longevidade também apresenta um tempo de vida maior convivendo
com doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, depressão.

50
Figura 2: Fonte: WHO, 2007.
A figura 2 nos mostra a relação entre capacidade funcional e o curso de vida, deixando claro que
na infância e na adolescência devemos aumentar nosso repertório físico, acumulando nossas
reservas físicas. Na vida adulta devemos manter nosso nível funcional através da prática de exer-
cício físico, já que começam os declínios que serão maiores na fase de maturidade e velhice(14).

Um conceito recente é o healthspan que significa o tempo de vida em


anos até o aparecimento de doenças graves ou limitantes com perda
da autonomia de vida independente. Segundo Jay Olshnsky, já evoluí-
mos quanto ao prolongamento da vida, o lifespan. Agora, o principal
resultado e mais importante métrica de sucesso deve ser a extensão do
healthspan(11).

Praticar exercícios de forma regular pode retardar o início dessas res-


trições, prolongando, assim, o tempo de vida ativa e independente(7).
Sabe-se que a inclusão de três mil passos/dia (30 minutos de caminhada)
é suficiente para reduzir doenças cardiovasculares, melhorar respostas
imunológicas, reduzir os sintomas de depressão e aumentar a longe-
vidade(10). E que após o incremento de 1 MET (unidade utilizada para
estimar o gasto metabólico) na capacidade de exercícios há diminuição
de 12% da mortalidade tanto no grupo de 65 a 70 anos quanto no grupo
acima de 70 anos(7).

O exercício físico praticado de forma regular é essencial para o envelhe-


cimento saudável. Por exemplo, em indivíduos inativos ocorre redução
de 9% do volume de oxigênio máximo por década contra 5% nos indi-
víduos ativos.

Agora que você já sabe a importância do exercício físico para melhora


da composição corporal, saúde cardiovascular e metabólica é hora de
pensarmos sobre tipos de exercício e intensidade. Praticar exercícios
51
deve, antes de tudo, ser prazeroso. Um dos fatores determinantes para
que os resultados positivos apareçam é a constância e só conseguiremos
isso gostando do que fazemos.
Existem muitos tipos de exercício e todos são legitimamente benéficos
quando bem orientados. Treinamento funcional, dança, corrida ou cami-
nhada, pilates, ciclismo, natação, hidroginástica, musculação, ginástica
localizada, ioga, alongamento, crossfit. Para escolher uma atividade de-
vemos levar em consideração a individualidade biológica, especificidade
do treinamento e fatores que irão facilitar ou dificultar a rotina.
O ideal é que exista a maior quantidade de estímulos possível. Nosso
corpo é composto de várias qualidades físicas motoras (força, resistência,
velocidade, agilidade, coordenação, flexibilidade, mobilidade e equilíbrio)
logo, nosso programa de exercício precisa contemplar exercícios que
estimulem ao máximo diferentes tipos de valências físicas.
Tem sido consenso que os idosos devem fazer pelo menos 150 minutos
(2 horas e 30 minutos) de exercício físico de intensidade moderada por
semana ou 75 minutos (1 hora e 30 minutos) de intensidade física mais
vigorosa por semana, para os mais adaptados(7).
Muito já se sabe sobre os benefícios do exercício aeróbico para a pre-
venção de doenças crônicas associadas ao envelhecimento. Seus efeitos
benéficos para a saúde do coração são bem difundidos.
O trabalho muscular se faz necessário para a manutenção de quase todas
as funções do corpo como postura, locomoção, respiração e digestão.
Independentemente da idade, ele aumenta a força e a velocidade mus-
cular, além de prevenir perda óssea, quedas, hospitalizações e melhorar
a função articular(7). Recomenda-se o trabalho de força duas vezes na
semana ou mais.
O exercício se mostra fidedigno quanto à relação dose-resposta, ou seja,
como nosso corpo vai reagir a cada sessão de exercício e a cada estímulo.
Cada sessão de exercício tem seu efeito agudo, por exemplo, o aumento
de fatores tróficos no cérebro no momento do exercício, que de forma
crônica, ou seja, após um período sendo praticado com regularidade, vai
ser responsável pela neurogênese, sinaptogênese e angiogênese. Estudos
têm mostrado com frequência os benefícios do exercício físico para saúde
mental, tendo impacto positivo na qualidade de vida de indivíduos com
depressão, ansiedade, demências e outros.
A incidência de quedas aumenta com a idade e varia de acordo com a
situação funcional do indivíduo. A instabilidade postural, uma síndrome
geriátrica, se agrava quando não existe uma rotina de exercícios físicos.
52
Em média, 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano e desenvolvem
risco maior de queda no ano subsequente. Entre as repercussões da idade
sobre a função, que podem levar à queda da pessoa idosa, destacam-se:
diminuição da força muscular, dos reflexos, da flexibilidade, da veloci-
dade espontânea da marcha, acuidade visual e função vestibular(14). E,
como consequência, fraturas, medo de cair novamente, isolamento social,
depressão, mudança de hábitos e imobilidade. Manter uma rotina de
exercícios é fundamental para prevenção de quedas em qualquer idade,
sobretudo em idosos.

O exercício físico tem sido reconhecido como uma polipílula, isso porque
está disponível a baixo custo e se mostra relativamente livre de efeitos
adversos. Sendo fator determinante para redução de riscos cardiovascu-
lares e mortalidade por todas as causas(6).

Comece a praticar exercícios físicos de forma regular e tenha mais qua-


lidade de vida. É simples e você pode! Comece aos poucos. Escolha algo
que goste e que seja possível, dentro de suas condições e rotina. Sozinho
ou em grupo, ao ar livre ou na academia, com música ou em silêncio,
com pesos ou com seu próprio corpo. Existe um amplo universo a ser
avaliado antes de você dizer que não gosta de exercícios. Um profissional
de educação física é fundamental para a prescrição e acompanhamento
do treinamento, garantindo um resultado positivo e seguro, com pe-
riodização, sobrecarga progressiva, especificidade e individualidade(10).

O caminho para envelhecer bem é uma vida ativa. Comece a se movi-


mentar hoje e viva mais!

53
Referências Bibliográficas
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ta-Analysis. Elsevier Inc, 2014.
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velhecimento e saúde mental. Rio de Janeiro: Instituto Vital Brasil, 2014.
11) OLSHANSKY, S. J. From lifespan to healthspan. JAMA. Chicago,
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14) RELATÓRIO Global da OMS sobre Prevenção de Quedas na Velhice,
World Health Organization, 2007.
15) PEDRAZI, E. et al. Morbidade referida e capacidade funcional de
idosos. Cienc. Cuid. Saude, 2007.
54
Antônio Francisco de Andrade
CREFITO-2: 105.827-F/RJ

antoniofandradeff@gmail.com

• Graduado em Fisioterapia

• Mestre em Fisioterapia

• Especialista em Fisioterapia Respiratória e Fisioterapia em Terapia


Intensiva

• Pós-graduado em Fisioterapia em Terapia Intensiva

• Professor e Coordenador do Curso de Fisioterapia da CBM-UniCBE

• Fisioterapeuta da Marinha do Brasil.

55
Movimentando-se Com Autonomia
O adulto com 60 anos ou mais, que apresenta uma redução na mobi-
lidade, apresenta um maior risco de incapacidade funcional e de utili-
zação de serviços de saúde. A deterioração da habilidade de realizar as
atividades da vida diária (AVDs) como caminhar, subir e descer escadas
e levantar-se de uma cadeira, gera gradual incremento da dependência
funcional, acarretando o aparecimento de morbidades e o aumento da
mortalidade(1).

Com o objetivo de prevenir e melhorar a qualidade de vida do idoso, o


Plano Nacional da Saúde (2006) apresenta diretrizes que garantem a in-
tegridade da atenção à saúde do idoso, tendo como finalidade recuperar,
manter e promover a autonomia e a independência. Dentre os pontos
discutidos destaca-se o foco na promoção do envelhecimento ativo e
saudável, estimulando o envelhecimento ativo e o grau de autonomia e
independência para o autocuidado(2).

A importância de uma atuação focada no ganho da mobilidade do idoso


de forma independente é uma das prioridades para o envelhecimento sau-
dável da população(3). Os idosos e seus familiares têm que atuar de forma
preventiva e curativa nesse espiral de perda da capacidade funcional.

Dentro da prática clínica, muitas vezes observo o idoso descontente por


não conseguir realizar algumas tarefas. Além disso, acha que suas altera-
ções fisiológicas, decorrentes da idade, estarão sempre presentes e que isto
é o fim da vida. Contudo, atuando como fisioterapeuta há alguns anos,
principalmente com pacientes idosos com doenças pulmonares crônicas
que, além de terem as alterações causadas pelo envelhecimento, apresen-
tam a perda de funcionalidade decorrente da falta de ar e do cansaço,
identifico que, quando eles evoluem com melhora da sua qualidade de
vida, causada pela reabilitação focada no ganho de capacidade funcional
e condicionamento aeróbico, mudam sua visão de mundo e do envelhecer
com autonomia. Ao perceber que pode voltar a fazer o que antes achava
que não era mais para ele, leva a modificação de suas atitudes.

Como devemos pensar sempre na prevenção, não se pode esperar pela


incapacidade para realizar atividades que melhorem o desempenho fí-
sico e funcional desta população. O idoso, os profissionais de saúde e
familiares são responsáveis na implantação de uma atitude proativa que
acarrete benefícios à saúde.

56
Considerando que “o conceito de saúde para o indivíduo idoso se traduz
mais pela sua condição de autonomia e independência que pela presença
ou ausência de doença orgânica”(2), tente modificar a visão sobre saúde.
Saúde não é apenas não estar doente. O idoso deve buscar autonomia e
independência.

Para um maior entendimento do tema, iremos discorrer sobre algumas


definições e questões importantes a serem abordadas no contexto da
melhoria e prevenção da autonomia.

1. Motricidade, funcionalidade e autonomia

A motricidade é a função desempenhada pelo sistema neuromuscular


que assegura os movimentos do corpo em geral, quer sejam eles voluntá-
rios, involuntários ou reflexos(4). Para que o movimento do corpo huma-
no aconteça com equilíbrio, necessitamos de diversos fatores, dentre eles
integridade osteomuscular, neurológica e sensorial. Qualquer alteração
desses fatores pode alterar o movimento humano e sua funcionalidade.

Já a funcionalidade engloba todas as funções do corpo, atividades e par-


ticipações, sendo entendida como a capacidade de a pessoa desempenhar
determinadas atividades ou funções. Ela indica a capacidade de intera-
ção entre o indivíduo e os fatores ambientais(5). A pessoa é considerada
saudável quando consegue realizar suas atividades sozinha, dentre elas
se movimentar funcionalmente de forma autônoma(6).

Autonomia é a capacidade do indivíduo tomar decisão e comandar suas


ações, seguindo suas regras e estabelecendo as mesmas. As (AVDs), ne-
cessárias para que o indivíduo cuide de si, podem ser classificadas em
básicas, instrumentais e avançadas(7).

As atividades básicas são as tarefas diretamente relacionadas à sobrevi-


vência, comuns do cotidiano: alimentar-se, ir ao banheiro, escolher rou-
pa, cuidar da higiene pessoal, andar e transferir-se da cama para caderia,
manter-se continente e tomar banho. Atividades instrumentais são as
de manutenção da vida em comunidade: gerenciar finanças, gerenciar
medicações, fazer compras, preparar refeição, usar telefone, manutenção
das tarefas domésticas, entre outras. As atividades avançadas são mais
complexas, exigem maiores níveis de função cognitiva, física e sociais e
dependem de padrões motivacionais e culturais: atividade para manter
trabalho, viajar e planejar viagens, dirigir, organizar eventos(8). A análise
dessas atividades deve estar presente na avaliação global do idoso.

57
2. A Fragilidade

Termo utilizado para caracterizar o idoso que apresenta um risco de


apresentar incapacidades, institucionalização, hospitalização e morte. É
uma síndrome caraterizada por perda de força, resistência e diminuição
das funções fisiológicas(9,10).

A síndrome pode ser tratada e prevenida com exercícios específicos,


suplementação proteica-calórica, vitamina D e redução do número de
medicamentos utilizados(10). Os exercícios físicos devem ser realizados de
forma regular. Tanto exercícios resistivos quanto aeróbicos, com treina-
mento realizado por 40 a 60 minutos, 3 vezes por semana, foram eficazes
na prevenção e tratamento em idosos(11).

As atividades realizadas em grupo ou em casa trazem benefícios a esta


população, acarretando o aumento do desempenho funcional, ganho
da velocidade de caminhada, da capacidade de ficar em pé partindo da
cadeira, de subir e descer escadas, do equilíbrio e o medo de cair, além
da redução da depressão(11,12).

Os exercícios podem ser realizados com vários protocolos, ainda não


definido o de melhor eficácia e efetividade. Contudo, um estudo de 2015
de Mi et al., demonstrou que o programa de visitas domiciliares, ambu-
latoriais e o acompanhamento em maior tempo por telessaúde poderiam
ser benéficos para reduzir a necessidade de visitas hospitalares e melhorar
a mobilidade.

Sendo identificado o risco da fragilidade, a prioridade é atuar na pre-


venção e na reabilitação, a fim de reduzir o impacto das condições crô-
nicas na funcionalidade. Deve-se intervir antes da ocorrência do agravo.
Não se espera ter a síndrome da fragilidade. Previna, atue e reabilite, se
necessário.

3. Declínio Funcional Estabelecido

O foco principal na saúde deve ser a prevenção, contudo se o declínio


funcional já estiver estabelecido, devemos atuar de forma a melhorar a
capacidade funcional e conseguir que o idoso tenha a maior indepen-
dência possível.

O declínio funcional pode acontecer com incapacidade cognitiva, instabi-


lidade postural, imobilidade, incontinência esfincteriana e incapacidade
comunicativa(7).

58
A atuação para melhorar e facilitar a vida do idoso, que já se mostra com
dificuldade de locomoção e autonomia funcional, deve levar em conta
uma avaliação adequada das alterações que se apresentam e dos tipos de
protocolos utilizados. As alternativas para uma implementação na reabi-
litação são diversas e podem estar associadas a ferramentas de avaliação
da incapacidade, como a Classificação Internacional da Funcionalidade,
Incapacidade e Saúde (CIF)(5), o Índice que afere a limitação de atividades
básicas e instrumentais da vida diária(7), a Escala de Incapacidades da Or-
ganização Mundial de Saúde (WHODAS 2.0)(13), a avaliação de Risco de
Queda(14) e também as escalas relacionadas às medidas de desempenho.

Após a identificação da alteração da funcionalidade, deve-se levar em


conta quais os fatores que estão dificultando a mobilidade. Alguns es-
tudos demostram que a dor, alterações cognitivas, alterações neurofun-
cionais e também estruturais dificultam a locomoção(15,16,17).

O fortalecimento muscular e exercícios para ganho de resistência cardio-


vascular são uns dos principais meios de se melhorar a movimentação
desse público. American College of Sports Medicine (2019)(18) coloca a
musculação moderada como a atividade adequada à terceira idade, e os
exercício aeróbicos, além de condicionar, realizados em proximidade
temporal com exercícios de aprendizagem de movimentos fortalecem
a memória motora(19).

Com o envelhecimento fisiológico, aparece uma deterioração da capa-


cidade de fixar habilidades motoras recém-adquiridas. As descobertas
atuais demonstram o papel benéfico do treinamento mental com imagens
motoras para reter a melhoria do desempenho após a prática física em
idosos(20), sendo mais uma ferramenta a ser utilizada.

Idosos frágeis e institucionalizados podem melhorar os níveis de defi-


ciência, bem como o estado funcional, mediante um programa de exer-
cícios bem idealizados(21), sempre focado no indivíduo. Cabe ressaltar
que a capacidade de entender somada a uma avaliação da capacidade
cognitiva dos idosos possibilita selecionar intervenções adequadas para
o combate das dependências previsíveis e a promoção de uma vida mais
ativa e saudável(22).

O idoso foca a aprendizagem motora no planejamento. Ele compensa


as perdas decorrentes do processo de envelhecimento com estratégias,
simplifica as tarefas, troca velocidade por precisão e planeja com ante-
cedência(23). Trabalhar novas estratégias para realizar atividades difíceis
de serem efetuadas por meio de alterações estruturais seria uma boa
abordagem para melhorar a funcionalidade.

59
Dentre as barreiras para que o idoso realize atividades para incremento
da sua capacidade funcional destacam-se as barreiras psicocognitivas e
afetivas. Cabe aos profissionais envolvidos com esse público atuar nesses
fatores. As práticas com componentes lúdicos demonstraram benefícios
na vontade de realizar as atividades propostas(24).

Com o avançar da idade, as doenças articulares estão mais presentes,


acarretando dificuldade para locomoção. Por isso é fundamental co-
nhecer os princípios de proteção articular e conservação de energia. A
proteção articular objetiva fornecer informações fundamentais sobre
as doenças reumatológicas, como também pretende explicar e indicar
as possibilidades de gerenciar e reduzir a dor, instabilidade articular,
fraqueza muscular e fadiga.

Diante do exposto, para conseguir que o idoso se movimente com au-


tonomia há a necessidade do mesmo entender as alterações que estão se
apresentando no seu corpo. Conhecendo essas consequências ele pode
atuar de forma preventiva para que, com o avançar da idade, as modifi-
cações fisiológicas sejam mitigadas.

Os que não atuam de forma preventiva ou que, por decorrências de outras


comorbidades, já estão com perda de função, não podem negligenciar o
proveito de um trabalho focado no ganho de autonomia. Com um acom-
panhamento multiprofissional, o idoso pode reabilitar a perda funcional
e prevenir a evolução do declínio.

Referências Bibliográficas

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16) BEAUCHAMP M.K. et al. Predictive validity and responsiveness of
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20) RUFFINO, C. et al. The use of motor imagery training to retain the per-
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rimental Brain Research , Germany, v. 237, n. 6, p. 1375-1382, 2019.

21) FARIA, J. C.; MACHALA, C. C.; DIAS, R. C.; DIAS, J. M. D Im-


portância do treinamento de força na reabilitação da função muscular,
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22) SANTOS, S.S.C. et al. Avaliação multidimensional do idoso por en-


fermeiros brasileiros: uma revisão integrativa. Ciênc Cuid Saúde; v.9,
n.1, p.129-36, 2010
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23) BASTOS, F. H.; FREUDENHEIM, A. M.; SANTOS, S. dos. Efeito
da prática no planejamento de ações motoras de indivíduos idosos. Rev
Port Cien Desp, [S. l.], v. 7, n. 1, 2007.

24) GUIMARAES, A.C. et al. Atividades grupais com idosos institucio-


nalizados: exercícios físicos funcionais e lúdicos em ação transdisciplinar.
Pesqui. prát. psicossociais, São João del-Rei ,v. 11, n. 2, p. 443-452, dez.
2016.

62
Gisele Fagundes
CREFITO-2 : 112061-F

(21) 96898-7960
@fisiogiselefagundes

• Graduada em Fisioterapia há 11 anos pela Universidade da Cidade


-Rio de Janeiro

• Especialista em Reeducação Postural Global - RPG (Instituto Philippe


Souchard)

• Professora do Método Pilates

• Pós-graduanda em Medicina do Esporte e Atividade Física.

63
Alterações Posturais na Terceira Idade
Como já citado neste livro, há dados consistentes que nos informam
sobre o aumento da população da terceira idade. Mediante esses da-
dos, faz-se necessário levar mais conhecimento para todas as pessoas,
independentemente do estágio de vida em que estejam. Envelhecer de
forma saudável se tornou um desafio a ser batido.

É comum vermos nas ruas e recebermos em consultórios idosos com


alterações posturais que nos saltam aos olhos. Esses mesmos indiví-
duos podem relatar, ainda que não possuíam alterações significativas
antes e que tais alterações começaram a ocorrer ao longo das déca-
das, mais precisamente a partir da sexta década de vida. Isso ocorre,
principalmente, por conta do declínio do comportamento do sistema
nervoso e do aparelho locomotor. Essas variações podem gerar perda
de equilíbrio, mudanças no desenvolvimento da marcha e alterações
estruturais, que por sua vez irão gerar padrões posturais característicos
da terceira idade.

O corpo envelhece e, ao nascer, inicia-se a maturação. O estilo de vida


que se tem enquanto jovem irá contribuir também de forma positiva
ou negativa. Encaramos as primeiras décadas de vida como sendo o
nosso crescimento (e de fato é), e este período é aceito de forma na-
tural. Inclusive nos preparamos emocionalmente, fisiologicamente e
intelectualmente para o auge do crescimento, nossa fase ativa (adulta),
que permeia as primeiras décadas das nossas vidas.

E como fica a preparação para as décadas seguintes onde as mudanças


e os declínios começam a ocorrer?

Neste capítulo falaremos sobre as alterações mais comuns de forma


simplificada, pois envelhecer é um processo complexo. O corpo sofre
depreciações de diversas estruturas e cada ser humano e organismo
são únicos e passam por esse processo de maneira distinta.

1. Linhas gerais do processo de envelhecimento e suas complicações

No envelhecimento ocorrem mudanças na capacidade funcional, cog-


nitiva, social e emocional do indivíduo. Essa nova etapa de vida vem
com uma série de perdas e/ou ausências que terão sempre um peso
maior, porque irão preencher uma boa parte do tempo, como a apo-
sentadoria; e o que fazer com o tempo livre? Falecimento do cônjuge,
filhos que se encontram distantes por conta do dia a dia. Enfim, todas
64
essas perdas e/ou ausências, aliadas ao processo de senescência, são
complicadores na terceira idade.

Os termos terceira idade e idoso são largamente utilizados no nosso


cotidiano, mas devemos conhecer e nos habituar a novos sinônimos
utilizados, como senescência e senilidade.

Senescência é o processo natural de envelhecimento do corpo e a se-


nilidade é o estado em que ocorrem as doenças relacionadas ao corpo
nesse processo(7).

Assim como mudanças no estilo de vida, inúmeras doenças nessa fase


irão impactar o idoso. Patologias previamente existentes, como doen-
ças renais, hipertensão arterial, cardíacas, entre outras, uma vez que
o organismo se encontra na senescência e já não consegue combater
de forma tão eficaz todas essas doenças. Há também o surgimento
de patologias que geralmente aparecem no individuo senil, como a
osteoporose; doenças reumáticas, demências, como mal de Alzheimer;
doenças progressivas e do movimento, como o mal de Parkinson; as-
sim como as que estão relacionadas com a visão, como a catarata e a
degeneração macular. Todas essas doenças influenciam a autonomia
e independência do idoso.

2. O envelhecimento e o aparelho locomotor

Há diversas teorias científicas que explicam o envelhecimento, mas há


considerações no aspecto do aparelho locomotor a serem observadas
nesse contexto.

Fisiologicamente o aparelho locomotor é composto por: articulações,


ossos e músculos, e há doenças intimamente ligadas a esse aparelho
e ao envelhecimento. Dentre as complicações vinculadas ao processo
de senescência, destacam-se a sarcopenia (perda de massa muscular),
osteopenia (perda de massa óssea), perda de água corporal, redução
da capacidade aeróbica, entre outras(5).

Na dinâmica do aparelho locomotor os músculos (estruturas que po-


dem encurtar ou se alongar) juntamente com os tecidos conjuntivos
(estruturas que conectam e preenchem espaços) e finalmente os os-
sos (estruturas rígidas, que suportam impacto) devem trabalhar em
perfeito equilíbrio, contribuindo para o bom funcionamento global
do corpo humano. O que acontece é que, com o passar dos anos, os
músculos, os tecidos conjuntivos e os ossos perdem suas principais
características, são elas: eficiência, resistência e estabilidade de tração
e compressão.
65
3. As principais alterações posturais do envelhecimento

As alterações posturais estão ligadas ao processo de senescência e/ou


senilidade de qualquer indivíduo que chega até essa etapa da vida.
Mesmo um indivíduo que tenha uma boa harmonização estrutural
na juventude, sentirá a diferença. A postura, através dos hábitos de
vida e padrões de movimento, ao longo do tempo sofre alterações
significativas que modificam a coluna, causando desalinhamentos(6).

O corpo humano tem 70% de tecido conjuntivo que chamamos de


fáscia(1). Por isso, não podemos ignorar nos estudos um tecido dessa
amplitude e o que acontece com ele. Os desequilíbrios posturais ocor-
rem por conta de várias perdas ao longo dos anos. Perdemos a elasti-
cidade desse tecido conjuntivo, o qual fica mais denso, compacto, sur-
gindo, assim, ossificações. Há também a perda de qualidade muscular,
que gera déficits funcionais. Essas perdas, associadas aos processos
senis, como desidratação de discos intervertebrais, das cartilagens e
articulações, entre outras, irão de forma efetiva alterar características
estruturais do corpo, além de causar dores. O idoso, por conta de todo
esse desarranjo, geralmente apresenta uma ou mais alterações, como
a perda de estatura, anteriorização da cabeça (ao olharmos o perfil do
idoso notaremos sua cabeça mais a frente), assim como mudanças nas
curvaturas da coluna, as chamadas hipercifoses e/ou a escolioses. A
hipercifose ocorre a nível dorsal (arredondamento conhecido popular-
mente como corcunda), já a escoliose pode ocorrer na coluna torácica
e/ou lombar e caracteriza-se por uma deformidade em curva (em C
ou em S), sendo, na maioria das vezes, menos visível que a hipercifose.
Não podemos deixar de citar, ainda, a perda de mobilidade observada
nos movimentos do quadril (dificuldade de rodá-lo por exemplo) e a
dificuldade de andar com rapidez e equilíbrio.

4. Envelhecimento e promoção da saúde

Um idoso com uma boa postura possui uma independência que, as-
sociada à autonomia, trará uma boa qualidade de vida. O equilíbrio
adequado entre músculos, ossos e fáscias (pois são eles que dinamica-
mente nos permitem andar), como já falado nesse capítulo, irá prevenir
lesões e complicações futuras. O modo de prevenção ideal é começar
agora! Se você ainda não faz nenhuma atividade, ou, até mesmo, já
observa alterações na postura que antes não tinha observado: um
tratamento adequado e bem orientado irá trazer benefícios.

O corpo precisa de movimento. Locomover-se é importante em qual-


quer fase da vida. Para isso, uma boa postura é tão importante e
precisa de nossa atenção. Atividades e cuidados direcionados são
66
necessários. O trabalho implementado por um profissional é funda-
mental. Esse profissional irá avaliar e direcionar a conduta terapêutica
a ser realizada por meio de avaliações específicas e coleta de dados
partindo, então, para um plano de ação.

5. A importância da boa manutenção do corpo

Diversos métodos de trabalho terapêuticos beneficiam o indivíduo


(independentemente da idade). Os benefícios dos métodos aplicados
de forma e em tempo adequado visam a manutenção do corpo e pro-
porcionam inúmeros ganhos, principalmente para um corpo que já
foi muito exigido.

É preciso buscar ferramentas que mantenham o corpo em sintonia


conosco e com o mundo. Métodos que promovam liberações musculares,
reorganizem padrões posturais, trabalhem a flexibilidade, melhorem
a força funcional e até a socialização do indivíduo idoso.

Dentro da formação fisioterapêutica, diversos métodos visam o bem-estar


e vão em busca de uma harmonia postural.

Aqui falaremos resumidamente de alguns, mas vejo que os profissio-


nais estão estudando e se aprimorando cada vez mais na busca por
informações e refinamento de métodos que proporcionarão para a
população idosa de hoje, e também a futura, melhores horizontes.

6. Métodos que promovem a correção postural

Métodos como a ginástica holística, o Pilates e a reeducação postural


global trarão benefícios em médio e longo prazo. Falarei de forma
sintetizada sobre alguns métodos que por experiência e prática pro-
fissional vivencio.

6.1. Ginástica Holística

Método de trabalho corporal pioneiro para a criação de vários mé-


todos que surgiram depois. Criada na Europa pela médica e fisiotera-
peuta alemã Lily Ehrenfired por volta de 1930(4), esse método possui
adeptos e profissionais qualificados no mundo. A ginástica holística
propõe que os movimentos executados em cada segmento corporal
tenham ação no corpo inteiro(3). Atua preventivamente e terapeuti-
camente. É um trabalho que promove a consciência corporal, aper-
feiçoando assim a postura, trazendo equilíbrio, melhorando o tônus
além de promover melhorias na função cognitiva.

67
Durante o atendimento, os alunos realizam alongamentos, reorgani-
zam as estruturas, músculos e articulações podendo, para isso, utilizar
diversos acessórios, como bastões e bolas. Outro ponto em destaque, e
não menos importante, é a socialização, pois as sessões são realizadas
em grupo.

6.2 Reeducação Postural Global (RPG)

A RPG foi criada pelo fisioterapeuta francês Philippe Emmanuel Sou-


chard por volta de 1980. O atendimento é individual, realizado por um
Fisioterapeuta, no qual o cliente é posto em posições específicas, onde
são trabalhados alongamentos, técnicas respiratórias, contrações e
relaxamentos com o intuito de realizar ajuste postural, reorganizando
e reequilibrando músculos e articulações.

A postura é a resultante da posição das diferentes partes do corpo em


equilíbrio estável(9). O trabalho realizado nos atendimentos se baseia
em uma avaliação criteriosa pela qual se observa padrões posturais
que podem ser chamados de deformações morfológicas. Dessas de-
formações, de modo simplificado, podemos dizer que se originam as
dores e as alterações dos padrões posturais que são encontradas na
população idosa.

6.3 Método Pilates

O Método Pilates foi difundido entre os anos de 1970 e 1980, mas foi
desenvolvido há mais de 100 anos, pelo alemão Joseph Humbertus Pi-
lates. O método nasceu de forma empírica, sem nenhum conhecimento
científico prévio. Pilates era autodidata e um estudioso da fisiologia,
anatomia humana e medicina tradicional chinesa(2). Pode-se dizer
que Joseph Pilates usou sua história de vida como fonte de inspiração
para desenvolver o método, pois na sua infância foi muito doente e,
por isso, provavelmente se aprofundou nos estudos do corpo humano.
Inicialmente o método utilizava somente molas com resistência, até
que o próprio Pilates desenvolveu aparelhos. A filosofia do método
integra corpo e mente(8). A aula consiste em movimentos em que o
abdômen deve ser sempre solicitado. Os exercícios são explicados e
orientados pelo terapeuta que ministra a aula para no máximo três
alunos. Os mesmos realizam uma repetição de exercícios com má-
xima concentração. Desse modo, potencializam-se os resultados. Os
benefícios são diversos. Os mais visíveis de imediato são: o alívio das
tensões musculares, melhora da consciência corporal e a respiração
muito frisada em todas as técnicas aqui descritas.

68
Todos os métodos descritos e suas intervenções irão de encontro a
tudo que a população idosa precisa! Movimentar-se com autonomia
e livre de dores e desconfortos.

69
Referências Bibliográficas

1) BIENFAIT, M. Os Desequilíbrios Estáticos. Fisiologia, patologia e


tratamento fisioterápico. São Paulo. Editora Summus,1995.

2) GIL. A; Novaes. J. Core & Training: Pilates, Plataforma Vibratória


e Treinamento Funcional. 1.ed., São Paulo. Editora Ícone, 2014.

3) GUERZONI, J.S. O legado de Marie – Jo Guichard para a Ginástica


Holistica. 1.ed. Londrina: Editora Simplissíma, 2018.

4) MARILIA., M. Ginástica Holística - História e desenvolvimento de


um método de cuidados corporais. São Paulo. Editora Summus, 2000.

5) MORAES, E. N. Atenção à Saúde do Idoso; Aspectos Concei-


tuais. Organização Pan-Americana da Saúde. Brasília: Ministé-
rio da Saúde, 2012. página: 24. Disponível em: <https:apareces.org/
premio-aps-forte/>.

6) OLIVEIRA, L. M. N.; Sousa, F. A. N.; Anjos, S. A.; Barros, G. M.;


Torres, M. V. Método Pilates na comunidade: Efeito sobre a postura
corporal de idosas. Revista Fisioterapia e Pesquisa. n°25 v.03 página:
316, 2018.

7) REBELATO, M. Fisioterapia Geriátrica - a prática de assistência ao


idoso. 2ª. edição. São Paulo. Editora: Manole, 2007.

8) SILER, B. O Corpo Pilates: um guia para o fortalecimento, alon-


gamento e tonificação sem uso de máquinas. São Paulo. Editora
Summus, 2008.

9) SOUCHARD, P. Reeducação Postural Global - O Método. Rio de


Janeiro. Editora: Elsevier, 2011.

70
Luiz Felipe Veríssimo
CREFITO-2: 120905-F

(21) 99851-0575
lipe.fisio@hotmail.com
@ft_luiz_felipe

• Fisioterapeuta (Univerisade Estácio de Sá)

• Pós-graduado em Geriatria e Gerontologia (Universidade do Estado


do Rio de Janeiro)

• Pós-graduado em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Desportiva


(IPOG)

• Reeducação Postural Global - Rpg (CBFISIO)

• Conceito Mulligan (Instituto Mulligan Do Brasil)

• Pilates na Conduta Fisioterapêutica (D&D Pilates)

• Manipulação Articular (Associação Brasileira de Crochetagem)

• Crochetagem (Associação Brasileira de Crochetagem).

71
Como Prevenir Quedas e Acidentes Domésticos

1. Envelhecimento

Conforme descrito no primeiro capítulo do livro, a população idosa


vem crescendo no Brasil e no mundo. Essa informação é de extrema
relevância, pois precisamos dar cada vez mais importância e atenção a
este grupo da população, visto que com o seu crescimento, os problemas
crescem juntos. Neste capítulo falaremos sobre como podemos diminuir
os riscos dos idosos sofrerem quedas e acidentes, diminuindo assim,
suas morbidades.

2. Quedas

Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (2008), queda


é o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posi-
ção inicial com a incapacidade de correção em tempo hábil, determinado
por circunstâncias multifatoriais, comprometendo a estabilidade(4).

As quedas causam ferimentos aos idosos e isso acarreta um problema


para a saúde pública, pois, muitas vezes, requerem atenção médica. As
principais causas de admissões ao hospital relacionadas a quedas são:
fratura de quadril, lesões traumáticas do cérebro e ferimentos dos mem-
bros superiores. Com o aumento do envelhecimento e da fragilidade, os
idosos têm uma probabilidade maior de ficar mais tempo hospitalizados
após uma lesão causada por quedas pelo resto de suas vidas. Para se ter
uma ideia da importância de um trabalho para a diminuição dos riscos
de quedas, 20% dos idosos que sofrem fratura de quadril morrem em
um período de um ano após a queda(3).

Muitos idosos, depois que sofrem uma queda, temem passar por isso
novamente. Devido à perda de confiança, alguns sofrem depressão, iso-
lam-se do seu ambiente social e ficam com uma baixa autoestima.

3. Fatores de riscos

Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (2008), a


estabilidade do corpo depende da recepção adequada de informações de com-
ponentes sensoriais, cognitivos, integrativos centrais (principalmente cerebelo)
e músculoesqueléticos, de forma altamente integrada. O efeito cumulativo de
alterações relacionadas à idade, doenças e meio ambiente inadequado parecem
predispor à queda(4).

72
Segundo a Organização Mundial da saúde (OMS), as quedas ocorrem
como resultado de uma complexa interação de fatores de risco, dentre
os quais os principais refletem a diversidade de determinantes de saúde
que, direta ou indiretamente, afetam o bem-estar(3).

4. Prevenção de quedas e acidentes domésticos

Hoje em dia sabemos que precisamos nos movimentar, e isso também


serve para os idosos. Quando realizamos exercícios, estamos trabalhando
todos os segmentos corporais e, assim, conseguimos fortalecer, ganhar
flexibilidade, aumentar amplitude de movimentos, pois com o envelhe-
cimento algumas valências físicas do nosso corpo irão ter um declínio e
apresentar complicações, como atrofia muscular, perda de massa óssea,
diminuição do equilíbrio, fraqueza funcional, encurtamento muscular,
rigidez articular, entre outras.

Na fisioterapia, podemos trabalhar o corpo de forma global com exercí-


cios para a melhora da flexibilidade e mobilidade, pois quando ganha-
mos flexibilidade, por exemplo, podemos ter uma maior mobilidade do
quadril, e com esse aumento o idoso consegue subir e descer melhor os
degraus de uma escada.

O fortalecimento muscular também é de extrema importância para os


idosos. Muitos sofrem de sarcopenia, definida como a perda de massa e
de força na musculatura esquelética devido ao envelhecimento. Realizan-
do exercícios de força para braços, pernas e tronco, observa-se melhora
tanto da força muscular quanto da postura e equilíbrio. O fortalecimento
não só atua em relação à musculatura, como também aumenta a densida-
de mineral óssea, desde que realizado com o sustento do próprio corpo
e com carga leve a moderada, pois com o aumento da densidade óssea,
podemos diminuir a osteoporose, por exemplo.

Ele, sendo conciliado com uma alimentação saudável, também auxilia


no tratamento de quem possui diabetes mellitus tipo II, desde que se
mantenha uma regularidade nas atividades físicas.

O treino sensório-motor também é importantíssimo. São exercícios com


estímulos proprioceptivos e de equilíbrio, como caminhar em superfícies
de diferentes níveis de estabilidade como cimento, areia, grama, em cima
de colchão, exercícios em cima da cama elástica, atividades que simulam
os movimentos que o paciente faz no seu dia a dia, e colocamos um grau
de dificuldade para realizar essa tarefa.

73
5. Dicas de prevenção em ambientes domésticos

Quando pensamos na prevenção de acidentes também precisamos dar


ênfase em como os pacientes podem evitar as quedas em seu ambiente
doméstico. Para isso, dou a todos meus pacientes idosos um folheto com
algumas orientações que o Ministério da Saúde preconiza(2):

• Participe de programas de atividade física que visem o desenvolvi-


mento de agilidade, força, equilíbrio, coordenação e ganho de força do
quadríceps e mobilidade do tornozelo;

• Elimine de sua casa tudo aquilo que possa provocar escorregões;

• Instale suportes, corrimão e outros acessórios de segurança.

Todas as barras de apoio utilizadas em sanitários e vestiários devem re-


sistir a um esforço mínimo de 150 kg no sentido de utilização da barra,
sem apresentar deformações permanentes ou fissuras, ter empunhadura
e estar firmemente fixadas a uma distância mínima de 40 mm entre sua
base de suporte (parede, painel, entre outros), até a face interna da barra
(figura 1)(1).

Figura 1

74
• Use sapatos com sola antiderrapante;

• Mantenha uma lista atualizada de todos os medicamentos que está toman-


do ou que costuma tomar, e a dê para os médicos com quem faz consulta;

• Informe-se com o seu médico sobre os efeitos colaterais dos remédios que
você está tomando e de seu consumo em excesso;

• Certifique-se de que todos os medicamentos estejam claramente rotu-


lados e guardados em um local adequado (que respeite as instruções de
armazenamento);

• Tome os medicamentos nos horários corretos e da forma que foi receitada


pelo médico, na maioria dos casos, acompanhados com um copo d’água;

• Nunca ande só de meias;

• Fadiga muscular e confusão mental aumentam o risco de quedas;

Simples cuidados e adaptações poderão diminuir o risco de quedas dentro


de sua casa. Basta verificar abaixo algumas orientações quanto às modifi-
cações na organização dos móveis, da casa e iluminação.

5.1. Em seu quarto

• Coloque uma lâmpada, um telefone e uma lanterna perto de sua cama;

• Os armários devem ter portas leves e maçanetas grandes para facilitar a


abertura, assim como iluminação interna para facilitar a localização dos
pertences;

• Substitua os lençóis e o acolchoado por produtos feitos por materiais não


escorregadios, como por exemplo, algodão e lã;

• Instale algum tipo de iluminação ao longo do caminho da cama ao


banheiro.

5.2. Na sala e corredor

• Organize os móveis de maneira que você tenha um caminho livre para


passar sem ter que ficar desviando muito;

• Mantenha as mesas de centro, porta revistas, descansos de pé e plantas


fora da zona de tráfego;

75
• Interruptores que brilham no escuro podem servir de auxílio;

• Deixe sempre o caminho livre de obstáculos;

• Não sente em uma cadeira ou sofá muito baixo, porque o grau de difi-
culdade exigido para se levantar é maior, sendo que estes devem ser con-
fortáveis e com braços.

5.3. Na cozinha

• Remova os tapetes que promovem escorregões;

• Armazene a comida, a louça e demais acessórios culinários em locais


de fácil alcance;

• As estantes devem estar bem presas à parede e ao chão para permitir o


apoio do idoso quando necessário;

• Não suba em cadeiras ou caixas para alcançar os armários que estão


no alto.

5.4. No banheiro

• Coloque um tapete antiderrapante ao lado da banheira ou do box para


sua segurança na entrada e saída;

• Instale barras de apoio nas paredes do seu banheiro, próximo ao vaso


sanitário e dentro do box;

A figura a seguir ilustra o uso de uma barra de apoio reta fixada ao fundo
e duas retas fixadas a 90° na lateral, quando a bacia convencional está
próxima a uma parede (Figura 2) (1).

Figura 2

76
• Mantenha algum tipo de iluminação durante a noite;

• Use dentro da banheira ou no chão do box, tiras antiderrapantes;


• Ao tomar banho, utilize uma cadeira de plástico firme com cerca de
40 cm, caso não consiga se abaixar até o chão ou se sinta instável.

6. Case de sucesso

Um dos casos clínicos em que atuei e posso citar, uma paciente do sexo
feminino, de 66 anos de idade, relatou em sua avaliação fisioterapêutica
que sentia desequilíbrio ao caminhar e andar de bicicleta. Após avaliação
detalhada, pela qual realizamos testes estáticos e dinâmicos, elabora-
mos um programa de prevenção de quedas, que consiste em exercícios
que englobam flexibilidade, fortalecimento muscular e treino sensório
motor, além das orientações para algumas adaptações do domicílio. Sua
resposta ao tratamento e evolução foi muito boa. Atualmente, continuo
acompanhando essa paciente na realização do tratamento preventivo de
quedas em sua residência, além de atender também sua mãe de 90 anos
de idade com o mesmo tipo de trabalho. Ambas relatam não sofrer mais
quedas e sentem-se mais seguras ao caminhar na rua.

77
Referências Bibliográficas

1) ABNT NBR 9050, terceira edição, 11/09/2015.

2) QUEDA de idosos, elaborada em novembro de 2009. Ministério da


Saúde. Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), 2009.
Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/184queda_idosos.
html>. Acesso em 06 de junho de 2019.

3) OMS. Relatório Global da OMS sobre prevenção de quedas na velhice,


2007. Disponível em: <http://www.saude.sp.gov.br/resources/ccd/publi-
cacoes/publicacoes-ccd/saude-e-populacao/manual_oms_-_site.pdf>.
Acesso em 06 de junho de 2019.

4) SOCIEDADE Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Queda em idosos:


prevenção. Projeto Diretrizes, 26 de outubro de 2008. Disponível em:
<https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2014/10/queda-idosos.pdf>.
Acesso em 06 de junho de 2019.

78
Juliana Fernandes
COREN RJ: 280166

(21) 99871-0780
Juliana_fernandes88@hotmail.com

• Mestrado em Saúde Pública

• Especialização em Saúde Pública

• Especialização em Saúde do Adulto

• Enfermeira atuante em unidades de emergências.

79
Participação da Família nos Cuidados do Dia a Dia
Atualmente, o envelhecimento na sociedade contemporânea é algo co-
mum devido ao avanço na medicina e transformações no estilo de vida
da população, como também mudanças nos níveis de mortalidade e
fecundidade nos países(1,2). No Brasil, seguindo a tendência mundial,
houve um aumento expressivo do número de idosos, o que acarreta novos
desafios para a sociedade como um maior suporte das políticas públicas
e da família(3,4).

O processo do envelhecimento é a soma de todas as experiências, fatos


vividos, erros e acertos, escolhas e decisões que foram tomadas ao longo
da vida de uma pessoa. Assim, esse processo possui duas perspectivas
diferentes: uma é o final da vida que encaminha o indivíduo à morte e a
outra é o momento de sabedoria e maturidade resultado de tudo vivido(5).

Alguns autores elucidam que é importante que o envelhecer ocorra com


qualidade de vida para que esta parcela da população tenha maior auto-
nomia e independência. Assim, podemos destacar dentre alguns estudos
a presença de suportes sociais às pessoas idosas. O primeiro consiste na
rede formal formada pelos profissionais da área de gerontologia e de
outras áreas da saúde, assim como os hospitais e ambulatórios; e o se-
gundo, a rede informal representada pela família, amigos e vizinhos(2,6).
As pessoas estão vivendo mais tempo, e nessa etapa denominada como
a fase final da vida precisam de apoio constante dos familiares e de seus
responsáveis(3,6). Como é sabido, a família tem como função oferecer
amor, cuidado, proteção e também trazer a identidade social. Ao longo
dos tempos, novas configurações de núcleo familiar foram aparecendo:
a mulher cada vez mais inserida no mercado de trabalho, outros prove-
dores do lar tomaram destaque, entre outras mudanças, o que dificulta
essa função de cuidados com a pessoa idosa.

Apesar desse novo modelo social, a família continua sendo o elemento


fundamental para o bem-estar da pessoa idosa, pois a solidariedade entre
gerações continua a existir, e a possibilidade da convivência entre netos
e bisnetos também.

Neste capítulo, iremos abordar a convivência, as dificuldades e possíveis


soluções para melhorar e fortalecer essa rede de apoio, como também
o que fazer para deixar o vínculo entre família/cuidador e idoso mais
consolidado.

80
A família é a primeira rede de apoio à pessoa idosa. É nela que os primei-
ros cuidados ocorrem e as interações com o meio se consolidam; é onde
se encontra o apoio necessário para a satisfação de suas necessidades,
ou seja, é um lugar de pertencimento com seus familiares/cuidadores.
Através dela é garantida uma segurança pela qual os idosos se sentem
protegidos(4).

Essa rede de apoio denominada informal pode ser composta pelo côn-
juge, filhos, netos, por amigos ou vizinho mais próximo. Também pode
ter suporte de um cuidador familiar e dos não familiares.

Destaca-se, a relação com a família como um fator primordial para a


pessoa de mais idade, o que que contribui para uma participação mais
ativa dos idosos nas relações que geram benefícios para sua saúde física
e mental. O efeito positivo da participação da família no cuidado resulta
em um risco menor para a hospitalização e preservação da autonomia,
por exemplo(7).

Logo, observa-se que o cuidado é visto como uma questão de saúde, o


que produz uma (re)valorização do ambiente familiar e pode ser visto
diante da atenção especial do Estado nesse ponto, para o qual foi ela-
borado o Guia Prático do Cuidador pelo Ministério da Saúde, em 2008,
com orientações da atenção à saúde de qualquer faixa etária; e, no mes-
mo, ano foi criado o Manual do Cuidador da Pessoa Idosa(8). Também
a criação do Estatuto do Idoso e a Política Nacional de Saúde da Pessoa
Idosa foram marcos importantes para a garantia dos direitos dessa parte
da população.

Diante disso, percebemos a interferência do Estado no cuidado à pessoa


idosa de forma que seja uma parte da população assistida. Por mais que
seja de forma inicial e insuficiente, nota-se a mobilização da política em
relação ao novo cenário social.

O seio familiar pode ser o primeiro meio de cuidado para a pessoa de


mais idade. Nele encontramos alguns obstáculos, tanto por ser uma si-
tuação nova cuidar de alguém que já desempenhou esse papel, quanto
pelos desafios interpessoais. Logo, nossa primeira dica aos familiares
ou cuidadores é manter uma comunicação clara e objetiva para ter uma
convivência com qualidade e menos atritos.

1. Comunicação clara e objetiva significa usar frases curtas e claras

Chame-o pelo próprio nome ou da forma que preferir. Fale de frente, sem
cobrir a boca. Aguarde a resposta antes de elaborar a segunda pergunta
e não interrompa a pessoa idosa no meio de sua fala.
81
O que pode auxiliar na comunicação é evitar ambientes ruidosos a fim
de evitar submeter as pessoas idosas a situações constrangedoras. Tenha
cuidado com a voz. Não fale mais alto que o de costume, exceto se a pes-
soa tiver alguma deficiência auditiva. Procure falar mais perto e do lado
com melhor cognição. Observe também a linguagem a ser estabelecida
a partir da habilidade cognitiva e de seu nível de orientação formal.
2. Promoção de hábitos saudáveis
2.1 Alimentação saudável: sabemos da importância de uma alimenta-
ção balanceada em todas as idades, ainda mais em pessoas mais velhas,
em que a absorção e o metabolismo sofreram alterações ao longo da
vida. Isso será abordado com mais ênfase no capítulo “Alimentação
para uma vida longa e saudável”.
2.2 Prática de Atividade Física: a prática de exercícios físicos é
fundamental para uma vida longa, saudável e com qualidade. Você
pode obter mais informações sobre esse assunto no capítulo “O exer-
cício como estratégia para envelhecer bem”.
3. Prevenção de quedas: na terceira idade é comum ter dificuldade na
locomoção, e as pessoas estão mais sujeitas a quedas e traumas. É impor-
tante para o cuidador observar e ajudar no que for possível para evitá-las
e dar autonomia para um melhor convívio social, tema melhor abordado
no capítulo “Como prevenir quedas e acidentes domésticos.”
4. Medicamentos: utilize os remédios com prescrição médica, tópico
destacado no capítulo “Medicamentos e Automedicação”.
5. Higiene corporal: está entre os requisitos para uma vida saudável, um
bom banho de chuveiro diário com água em abundância é um grande
aliado para manter a saúde do corpo e no cuidado com a pele, a qual
apresenta maior fragilidade. Sempre hidrate com cremes ou óleo de giras-
sol. Em idosos acamados, observe também os genitais, devido ao uso de
fraldas descartáveis que devem ser trocadas com regularidade. Examine
a pele ao redor da genitália e dorso para identificar alguma possível lesão.
O cuidador familiar também tem como sua atribuição ajudar o idoso na
administração de dinheiro e bens. Elucidamos algumas atividades que
o cuidador/família deve se atentar para melhor assistência.
Logo, a família é um elemento de ajuda à pessoa idosa, dando-lhe con-
dições para uma melhor qualidade de vida quando permite que ela
continue sendo útil e participante do convívio familiar. É importante,
portanto, manter os laços afetivos, respeitar a vontade do idoso, ter pa-
ciência e compreensão de suas limitações físicas e mentais.
82
Entretanto, existem alguns riscos do cuidado e da ajuda. Algumas atitu-
des e reações dos familiares diante da piora do quadro de saúde do idoso,
os sentimentos de pena, de temor e de responsabilidade, como o fato de
não querer ver a pessoa sofrer, podem gerar ajuda excessiva.

A seguir, observa-se algumas frases que refletem atitudes e compor-


tamentos dos familiares e cuidadores. Uns fomentam a autonomia, e
outros, a dependência.

1. Comentários que favorecem a dependência:

“Não se preocupe com sua aparência. Você não irá sair.”

“Fique na cama. Não tem mesmo nada para fazer.”

“Eu te dou comida. Já estamos atrasados.”

2. Que tal trocarmos por:

“Você podia fazer a barba. Acho que irá sentir se melhor.”

“Que tal se levantar para darmos um passeio, ver televisão na sala?”

“Hoje, iremos comer mais cedo para chegar em tempo na consulta.”

É importante que o cuidador contribua para que as pessoas idosas, mes-


mo que dependentes, mantenham a confiança em si mesmas, com formas
de atuar que ofereçam sua ajuda para que seus familiares continuem
sendo responsáveis.

É preferível deixar o idoso fazer tudo que possa por si mesmo. Ajude nas
tarefas mais difíceis, mas colabore com ele para que continue realizando
por si mesmo as tarefas de maior facilidade. É importante que os idosos
não percam suas amizades, seus encontros familiares e atividades de
lazer. Assim, o envelhecimento pode ser visto de forma positiva e até
como algo desejado.

83
Referências Bibliográficas
1) MIRANDA, G. M. D.; Mendes, A. C. G.; Silva, A. L. A. O envelheci-
mento populacional brasileiro: desafios e consequências sociais atuais e
futuras. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, 2016; 19(3):507-519.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v19n3/pt_1809-9823-r-
bgg-19-03-00507.pdf> Acesso em: 6 de jul. de 2019.
2) GONÇALVES, L. T. H.; Leite, M. T.; Brandt, L. M. H.; Bisogno, S. C.;
Biasuz, S.; Falcade, B. L. Convívio e cuidado familiar na quarta idade:
qualidade de vida de idosos e seus cuidadores. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol.,
Rio de Janeiro, 2013; 16(2):315- 325.
3) IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia Estatística/DPE-Departamento
de Pesquisas/COPIS-Coordenação de População e Indicadores Sociais/
GEADD- Gerência de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica. In-
dicadores Sociodemográficos Prospectivos para o Brasil 1991-2030. Rio de
Janeiro, 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/
populacao/projecao_da_populacao/publicacao_UNFPA.pdf>. Acesso em:
6 de jul. de 2019.
4) VIANA, D. C. O fortalecimento dos vínculos familiares com o idoso,
2016. Disponível em: <https://cress-mg.org.br/hotsites/Upload/Pics/1d/1d-
829859-460f-44ee-b558-78a9892c874d.pdf>. Acesso em: 6 de jul. de 2019.
5) ARRUDA, I. E. A. Reflexões sobre a pessoa idosa e o programa Univer-
sidade da terceira idade. Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento
Humano. Passo Fundo, v. 4, n. 2, p. 94-113, jul./dez. 2007. Disponível em:
<https://doi.org/10.5335/rbceh.2012.134> Acesso em: 6 de jul. de 2019.
6) CARVALHO, B. V. Envelhecimento e Apoio Familiar: Importância no
Bem-Estar da Pessoa Idosa. Psicologado. Edição 06/2017. Disponível em:
<https://psicologado.com.br/psicologia-geral/desenvolvimento-humano/
envelhecimento-e-apoio-familiar-importancia-no-bem-estar-da-pessoa-
-idosa>. Acesso em: 6 de jul. de 2019.
7) ARAÚJO, C. K.; Cardoso, C. M. C.; Moreira, E. P.; Wegner, E.; Areosa,
S. V. C. Vínculos familiares e sociais nas relações dos idosos. Revista Jovens
Pesquisadores, Santa Cruz do Sul, n. 1, p. 97-107, 2012.
8) AREOSA, S. V. C.; Benitez, L. B.; Wichmann, F. M. A. Relações fami-
liares e o convivívio social entre idosos. Textos & Contextos (Porto Alegre),
v. 11, n. 1, p. 184 - 192, jan./jul. 2012.
9) AREOSA, Silvia Virginia Coutinho; Benitez, Lisianne Brittes, Wi-
chmann, Francisca Maria Assmann. Relações familiares e o convivívio
social entre idosos. Textos & Contextos (Porto Alegre), v. 11, n. 1, p. 184
- 192, jan./jul. 2012.
84
Israel Amud
CREFITO-2: 14.260-F

(21) 96445-3183 / 3738-7888


israelamud@yahoo.com.br
amudmassari@gmail.com
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• Fisioterapeuta especialista em Acupuntura

• Especialista em Fisioterapia do Trabalho e Ergonomia

• Especialista em Gestão Hospitalar

• Mestrando em Ciência da Reabilitação

• Membro da SOBRAFISA- Sociedade Brasileira de Fisioterapeutas Acu-


punturistas, RJ

• Professor Universitário com 20 anos de experiência nas disciplinas de


Anatomia Humana, Práticas Integrativas e Complementares nos cursos
de Enfermagem, Farmácia, Fonoaudiologia, Medicina e Psicologia.

85
Primeiros Socorros: Situações de Emergência
Com o Idoso
O presente capítulo tem o objetivo de auxiliar o leitor a possuir ferra-
mentas para que, em um primeiro momento, possa minimizar agravos
e salvar vidas.

Nunca sabemos quando será necessário um pronto auxílio para quem


está ao nosso lado. O ímpeto de ajudar deve estar presente, ser precoce,
eficaz e seguro até a chegada dos profissionais que possam dar conti-
nuidade ao atendimento avançado. Nesses casos é sempre bom ter um
telefone para ligar para 192 (SAMU) ou 193 (CORPO DE BOMBEIROS).

Selecionamos algumas situações que podem ocorrer em qualquer lugar,


principalmente em domicílio. Nesta breve exposição não cabe aprofundar
a clínica de cada caso, já que literaturas especializadas o fazem com pro-
priedade. Daremos ênfase à parte prática nas urgências mais comuns,
através de manobras e procedimentos específicos, assim como a simples
utilização de recursos da Medicina Tradicional Oriental.

Esperamos que a leitura seja prazerosa, de fácil assimilação e útil no


momento adequado.

1. AVE (Acidente Vascular Encefálico)


Popularmente chamado de derrame, ocorre quando há um bloqueio
(AVE isquêmico) ou rompimento (AVE hemorrágico) dos vasos sanguí-
neos no cérebro, o que deixa a área sem circulação adequada.

Observe a pessoa quando apresentar desvio da comissura labial (da boca),


alteração na fala, perda de força e dormência em um lado do corpo ou um
membro, perda de estabilidade, podendo afetar ou não a visão. Nesses
casos, deve-se ter consigo agulhas de sangria (servem as do exame de
glicemia); colocar a pessoa em uma posição segura, deitada ou sentada;
furar a ponta dos cinco dedos de uma mão; retirar gotas de sangue de
cada um deles simultaneamente e, se necessário, repetir a manobra na
outra mão; observar o quadro clínico e logo após conduzi-lo à emergência
ou assegurar-se que o socorro esteja a caminho.

86
Fonte: Espaço Ana Gil
Figura 1: Sangria. Perfurar 5 dedos

2. Convulsão e Desmaio

Devido a uma alteração da corrente elétrica cerebral, ocorrem perda da


consciência, contrações desgovernadas dos músculos do corpo e salivação
excessiva. A pessoa pode se machucar com movimentos bruscos, bater
com a cabeça, provocar escoriações. Devemos, primeiramente, provi-
denciar proteção contra traumas, contendo, principalmente, a cabeça.
Pressionar com o polegar um ponto logo abaixo do nariz, ponto sensível
em todas as pessoas, mas deve-se fazê-lo com uma pressão firme, forte, de
baixo para cima, por seis segundos e repetir até a crise ir se acalmando.
O mesmo se aplica aos desmaios. Aqui, repetir até a pessoa voltar a si.
Logo após, colocar o indivíduo em posição lateral de segurança, evitando
engasgos com a própria língua ou salivação excessiva.

Fonte: Espaço Ana Gil


Figura 2: Pressão na raiz do septo nasal

3. Engasgo (Obstrução das Vias Aéreas)


Bem comum no dia a dia, podendo causar parada cardíaca e/ou respira-
tória. Ocorre devido à obstrução das vias aéreas por algo sólido de forma
parcial ou total. Observar sinais como: respiração ruidosa e ineficaz,
aflição, dificuldade em falar, cianose e movimento de mãos ao pescoço

87
no momento de angústia. Nesses casos, realizar a manobra de Heimlich.
Posicionar-se por trás da pessoa encostando a face lateral do corpo no
dorso (costas). Uma perna entre as do paciente para ter mais equilíbrio
no momento da manobra. Posicionar uma das mãos fechada entre o osso
do peito (esterno) e da cicatriz umbilical. Com o polegar na direção do
diafragma, abraçar com a outra mão e fazer uma manobra brusca, com-
primindo para cima e dentro no sentido de expelir o que está bloqueando
as vias aéreas. Repetir quantas vezes for necessário.

Fonte: Espaço Ana Gil


Figura 3: Manobra de Heimlich

4. Dor de Cabeça

Dores de cabeça podem ter diversas causas, com fatores externos ou


internos, e podem estar associadas a condições graves como tumores,
hemorragias, aneurismas, devendo-se ter um diagnóstico médico preciso.

Podem ocorrer na região frontal (figura 4), temporal (figura 5), nuca
(figura 6) ou ainda em toda a cabeça. Podem ser fixas, migratórias, cons-
tantes ou intermitentes. Na concepção da Medicina Tradicional Oriental
algumas causas para as dores na região da fronte, que são bem localizadas
e fixas, podem advir de problemas estomacais; na região temporal, de
problemas oriundos do fígado e/ou vesícula biliar e se apresentam de
forma pulsátil, por trás dos olhos, com aversão à luz. As dores na região
da nuca podem ser manifestação do aumento da pressão arterial (nesses
casos é aconselhável fazer sangria na ponta dos dedos de uma mão, se
necessário, das duas).

Para acupressão, utilizar as polpas dos polegares ou dos indicadores com


pressões circulares, leves e firmes, com um ritmo de 2 a 3 voltas por
segundo durante seis segundos, com quantas repetições forem necessá-
rias até o alívio da dor. A pele é que deve se deslocar sobre os ossos ou
músculos nos pontos correspondentes aos de acupuntura. Aprofundar
a pressão com o passar do tempo. Pressionar, de preferência, quando o
paciente estiver soltando o ar.
88
Fonte: Espaço Ana Gil
Figura 4: Pressão circular anti-horário

Fonte: Espaço Ana Gil


Figura 5: Pressão circular

Fonte: Espaço Ana Gil


Figura 6: Pressão nos pontos mais sensíveis

5. Quedas
Segundo Buskman et al colaboradores (2008), membros da Sociedade
Brasileira de Geriatria e Gerontologia,
a queda é o mais sério e frequente acidente doméstico que ocorre com os idosos
e a principal etiologia de morte acidental em pessoas acima de 65 anos [...] as
quedas ocorrem devido à perda de equilíbrio postural e tanto podem ser decor-
rentes de problemas primários do sistema osteoarticular e/ou neurológico quanto
de uma condição clínica adversa que afete secundariamente os mecanismos do
equilíbrio e estabilidade(4).

Para um procedimento imediato adequado, deve-se manter a calma.


Segundo o Manual de Primeiros Socorros, elaborado pelo Núcleo de

89
Biossegurança da FIOCRUZ, é necessário “avaliar o local do acidente e
proteger o acidentado”(3). Verificar o estado de consciência (nome, ida-
de, data etc.), respiração, hemorragia, pupilas, temperatura do corpo e
da área acometida, local da dor. Se consciente, pedir ao acidentado que
movimente os dedos das mãos, dos pés. Aguardar um pouco para sa-
ber se há condições de levantá-lo. Há situações em que a mobilização é
contraindicada. Nesses casos, chamar imediatamente o socorro (192 ou
193). Em uma queda da própria altura podem ocorrer fraturas, luxações,
sangramentos. Diante dessa situação, conter a hemorragia através de
compressão com um pano limpo, imobilizar o local afetado e esperar
o socorro. Em casos leves de contusões, compressas de gelo por 20 a 30
minutos para aliviar a dor, conter edemas e hematomas. Em casos de
escoriações, lavar o local com água corrente e sabão.
6. Queimaduras
A pele é considerada o maior órgão do corpo humano, tendo como fun-
ções nos relacionar com o meio externo, proteção e regulação da tempera-
tura corporal. Possui terminações nervosas para dor, temperatura e tato.
As queimaduras podem ser classificadas como de I, II e III graus, sendo
avaliadas de acordo com a profundidade e extensão da lesão. Tratando-se
de uma pessoa idosa em que a pele é mais fina, com menos elasticidade,
a atenção deve ser maior e uma avaliação médica se faz necessária.
As de I grau atingem superficialmente a primeira camada da pele, a
epiderme. São dolorosas, causam vermelhidão, não causam bolhas, são
secas e podem melhorar em até uma semana.
As de II grau afetam a epiderme e a derme, segunda camada da pele. Nes-
sas, as bolhas (flictemas) são comuns e apresentam uma lesão úmida que
podem melhorar em até um mês. Podem ser superficiais ou profundas.
As primeiras são dolorosas, as segundas, menos dolorosas. Nesse caso,
o procedimento cirúrgico é avaliado pelo profissional.
Já as de III grau atingem os tecidos mais profundos e podem haver le-
sões em nervos, glândulas, vasos, tecido muscular. São lesões secas e se
mostram acinzentadas ou esbranquiçadas, indolores e seu tratamento,
muitas vezes, é cirúrgico.
A primeira providência é liberar a área acometida de tecidos, anéis, re-
lógios e lavar em água corrente fria por pelo menos dez minutos; secar
com pano limpo e procurar socorro especializado. Evitar uso de cremes,
pastas, óleos, pomadas ou qualquer outro produto. Em uma fase mais
tardia o uso local de vaselina se faz necessário para lubrificar e hidratar
o local.
Nos casos de queimaduras de II (profundo) e III graus, conduzir a pes-
soa a uma emergência médica. Na impossibilidade, certificar-se que o
socorro está a caminho.
90
7. Parada Cardiorrespiratória
Ocorre quando o coração não consegue bombear o sangue para o corpo
impossibilitando a respiração... Tem como principais causas doenças
coronarianas, choque hipovolêmico, eletrocussão, hipotermia, asfixia e
intoxicação exógena.
Deve-se verificar, primeiramente, a segurança do local. Em seguida, se
o paciente responde às solicitações verbais. Caso contrário, acionar de
imediato o serviço de emergência; conferir pulso e respiração; iniciar as
manobras de compressões torácicas até a chegada do socorro avançado;
colocar a pessoa de barriga para cima em uma superfície lisa, plana, e
a cabeça não deve estar mais alta que os pés, ficar de joelhos ao lado do
tronco da vítima, com uma das mãos no centro do osso do peito (esterno);
entrelaçar com a outra mão os dedos e realizar as compressões ritmadas
de 100 a 120 por minuto, observando a profundidade da compressão, que
deve ser de 5 a 6 cm, permitindo o retorno do tórax à posição inicial para
que o coração se encha de sangue novamente. As compressões devem
ser feitas com os cotovelos estendidos a 90° (retos) ao tronco da pessoa,
usando o próprio peso do socorrista. A cada cinco ciclos de compressões,
verificar a situação do paciente para determinar a continuidade ou não
da manobra. A pessoa, voltando a respirar, deve ser em uma posição
lateral de segurança e aguardar o socorro.

Fonte: Espaço Ana Gil


Figura 7: Ressuscitação Cardiopulmonar

91
Referências Bibliográficas

1) BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Depar-


tamento de Atenção Especializada. Cartilha para tratamento de emer-
gência das queimaduras/ Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à
Saúde, Departamento de Atenção Especializada. – Brasília: Editora do
Ministério da Saúde, 2012. 20 p.: il. – (Série F. Comunicação e Educação
em Saúde).

2) BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão de Trabalho e da


Educação em Saúde. O Idoso Caiu e Agora? O que fazer após a queda?
Acervo de Recursos Educacionais em Saúde. FIOCRUZ. 2017. Disponível
em: <http://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ares/8800>. Acesso em 05
de mai. de 2019.

3) BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. FIOCRUZ.


Vice-Presidência de Serviços de Referência e Ambiente. Núcleo de Bios-
segurança. Manual de Primeiros Socorros. Rio de janeiro. Fundação Os-
waldo Cruz, 2003. Disponível em: <http://www.fiocruz.br>. Acesso em:
05 de mai. de 2019.

4) BUKSMAN, S.; Vilela, A.L.S.; Pereira, S.R.M.; Lino, V.S.; Santos, V.H.
Quedas em Idosos: Prevenção. Elaboração Final: Sociedade Brasileira de
Geriatria e Gerontologia. 2008. Disponível em: <https://sbgg.org.br/wp-
content/uploads/2014/10/queda-idosos.pdf>. Acesso em: 5 de mai. de 2019

5) CANSADO, J. C. L. Do-In: Livro dos Primeiros Socorros, A milenar


arte chinesa de acupuntura com os dedos. Ed. Ground, 1976.

6) KLEINMAN, M.E.; Brennan, E.E.; Goldberger, Z.D.; Swor, R.A.; Terry,


M.; Bobrow, B.J.; Gazmuri, R.J.; Travers, A.H.; Rea, T. Part 5: Adult basic
life support and cardiopulmonary resuscitation quality: 2015 American
Heart Association Guidelines Update for Cardiopulmonary Resuscita-
tion and Emergency Cardiovascular Care. Circulation. 2015; 132(suppl
2):S414–S435.

7) ROSS, J. Combinação dos Pontos de Acupuntura: a chave para o êxito


clínico. São Paulo. Ed. Roca, 2003.

8) ULRICH, W. Livre-se das Dores Pela Acupuntura e Acupressura. Ed.


Ediouro. Tradução Ed. Tecnoprint Ltda,RJ, 1980.

9) YAMAMURA, I. Acupuntura Tradicional: a arte de inserir. São Paulo.


Ed. Roca, 1993.

92
Luiz Felipe Figueiredo
CREFITO2: 212207-F

(21) 99490-3037
lfelipefigueiredo@outlook.com
@alffisioterapia
@alffisioterapia

• Sócio-fundador e diretor da ALF Pilates e Fisioterapia

• Doutorando em Biomedicina Translacional (UNIGRANRIO)

• Mestre em Biomedicina Translacional (UNIGRANRIO)

• Pós-graduado em Fisiologia do Exercício e Treinamento Desportivo

• Fisioterapeuta

• Educador Físico

• Pesquisador do Laboratório de Neurociência do Exercício – UFRJ

• Professor e Coordenador de Fisioterapia da CBM-UniCBE

• Colaborador em diversas pesquisas sobre exergames, realidade virtual


e saúde mental

• Colaborador de diversos artigos e livros sobre exercício físico, demência


e parkinson.

93
Doenças Neurológicas e Demência Senil
Este capítulo visa abordar algumas das principais desordens neurológicas
que acometem o idoso, a Doença de Parkinson e as Demências. O intuito
deste texto é informar ao leitor a respeito da doença, dos tratamentos
disponíveis da prevenção. Este texto, em hipótese nenhuma, pode subs-
tituir a consulta ao profissional de saúde adequado.
As desordens neurológicas são doenças que acometem algum ou alguns
componente(s) do que chamamos de sistema nervoso (SN), área do nosso
corpo responsável por interpretar todos os estímulos que recebemos
do meio ambiente, como perceber se o copo está quente ou frio, a ca-
pacidade de tocar em uma caneta e identificá-la, entre outras funções
vitais. Chamaremos essa parte de sistema nervoso central (SNC), que é
constituído pelo cérebro e pela medula espinhal. Por outro lado, outros
componentes do SN, como neurônios musculares, são responsáveis por
dar o estímulo para o músculo contrair. Chamaremos essa parte de sis-
tema nervoso periférico (SNP). As duas grandes patologias que iremos
descrever acontecem no SNC.
1. Doença de Parkinson
Iniciaremos pela doença de Parkinson (DP), a qual foi descoberta pelo
Dr. James Parkinson em 1817, em que ele mesmo descreveu uma desor-
dem com tremores de repouso. Esse tremor é o sintoma mais conhecido
dessa doença, mas iremos entender, nesse texto, que ele não é o único
sintoma(1, 2, 3).
A DP é uma doença neurodegenerativa e progressiva que leva à perda de
neurônios em uma determinada região do cérebro chamada substância
negra, nos gânglios da base. Essa região é responsável por liberar dopami-
na, um neurotransmissor atuante no controle motor(2). Até hoje a causa
da DP ainda é pouco conhecida, aceitando-se a sua relação multifatorial
com envolvimentos metabólicos, fatores ambientais, predisposição gené-
tica, e com o processo de envelhecimento. É possível, também, aparecer
casos parkinsonianos, que são uma forma secundária dessa doença que
podem ter origem em medicamentos, contaminação por pesticidas e
herbicidas ou lesões vasculares(1).
Os sinais e sintomas da DP podem ser divididos em motores e não-moto-
res. As principais manifestações motoras são 4: Bradicinesia, Tremor de
Repouso, Rigidez e Instabilidade Postural. A Bradicinesia é caracterizada
por uma lentificação dos movimentos. Esse é o sinal mais característico e
encontrado em quase 90% dos casos. Por conta disso pode ocorrer uma

94
progressão para uma incapacidade súbita e transitória do movimento,
que na marcha é conhecido como Freezing ou congelamento da marcha,
fato que pode levar muitos pacientes à queda. O tremor de repouso ge-
ralmente é a primeira manifestação, sendo encontrado em mais de 2/3
do caso, esse sintoma atinge a extremidade e mimetiza o movimento de
“contar dinheiro”, geralmente melhorando no movimento voluntário.
A rigidez muscular se dá na resistência à mobilização passiva do braço
ou perna, enquanto a instabilidade postural geralmente se apresenta
nos casos mais avançados da DP e se caracteriza pela incapacidade do
controle postural(2, 3).
As manifestações não-motoras podem se apresentar por constipação
intestinal, hipotensão postural, disfagia (dificuldade de deglutir), declínio
cognitivo e depressão, entre outras. Porém, visto que esses sintomas se
confundem muito com outras doenças e situações, ainda não é possível
diagnosticar apenas por eles(1).
O diagnóstico ainda é exclusivamente clínico e por exclusão de outras
causas dos sintomas(1, 2, 3). O Tratamento da DP ainda é dividido como
neuroprotetor e sintomático. A primeira tem por objetivo retardar a
progressão da doença, com intuito de preservar os neurônios ainda exis-
tentes com medicações antioxidantes, sendo avaliadas e prescritas pelo
médico que acompanha. O tratamento sintomático visa medicações que
interagem nas atividades dopaminérgicas, como Levodopa/carbidopa,
que é o mais utilizado na ação dopaminérgica. No entanto, pacientes que
fazem uso dessas substâncias podem apresentar flutuações conhecidas
como on/off, em que on representa o estado de mobilidade que, quando
afetado por uma perda súbita da quantidade de levodopa no organismo,
entra em um estado off=imobilidade, o que durante a marcha gera o
congelamento(1).
Terapias não medicamentosas são essenciais para a qualidade de vida
dos pacientes com Parkinson. Uma recomendação da academia europeia
de neurologia sugere a fisioterapia, principalmente com exercícios que
utilizam pistas externas, como sinalizadores no chão ou marcadores
auditivos, pois a marcha precisa receber uma atenção maior visto que
costuma ser a principal queixa dos pacientes. Logo, as pistas auxiliam
para menores episódios de congelamento(3).
Tornar-se mais ativo também é um papel importante tanto no tratamento
quanto na prevenção, pois o exercício físico age como um fator protetor,
podendo gerar mudanças no tecido neural. A oxigenação provinda do
exercício auxilia para a neuroplasticidade e aumento de células dopami-
nérgicas. Os estudos com portadores de Parkinson demonstram benefí-
cios não só nos aspectos motores, mas também nos aspectos cognitivos,
psicológicos e emocionais em pacientes nas fases iniciais da doença(4).
95
A dança pode ser ótima no auxílio ao tratamento da marcha e cognição.
Estudos demonstram que pacientes que praticam dança como apoio du-
rante a terapia podem usufruir de benefícios no caminhar e na qualidade
de vida. Outra terapia atual que pode ser empregada é a realidade virtual
e o uso de games para tornar o paciente mais ativo(4, 5). Os exergames
(games que usam movimento corporal) podem, além de oferecer os es-
tímulos físicos, também promover um desafio cognitivo de acordo com
os objetivos e interações dos games. Estudos vêm demonstrando melhora
nos aspectos motores, cognitivos, sociais e emocionais(6, 7).

2. Demência

A segunda doença sobre a qual iremos conversar é a demência. Esse


termo é relacionado para indicar um declínio cognitivo causado por
alguma doença cerebral orgânica. É importante lembrar que esse declí-
nio só pode ser julgado em comparação com o conhecido, ou que pode
ser determinado do funcionamento prévio do paciente(1). A demência
pode ter diversas causas. A mais conhecida é a demência por doença de
Alzheimer. O comprometimento cognitivo pode afetar qualquer domí-
nio mental, como memória (mais comum), atenção, linguagem, entre
outros. Em conjunto com o comprometimento cognitivo vem o declínio
funcional em pacientes demenciados, que dificulta nas atividades do dia
a dia, como cozinhar, tomar banho, fazer compras etc(2).

A doença de Alzheimer corresponde a cerca de 60% dos casos de de-


mência. É causada por uma degeneração do tecido neural, na região
denominada hipocampo, importante para memória e aprendizado(1, 2, 8).
Ela foi descoberta em 1906 pelo médico Alois Alzheimer e hoje acomete
milhões de pessoas com um impacto social importante. A cada 3 segun-
dos há um novo diagnóstico de Alzheimer no mundo. As estimativas são
de que em 2050 o mundo tenha 3 vezes mais pacientes com Alzheimer
do que hoje, chegando em torno de 152 milhões de pessoas ao redor do
mundo(1, 2, 3).

O diagnóstico é exclusivamente clínico, com a exclusão de outras causas


de demência, até mesmo a exclusão de demências reversíveis, causadas
por medicações, álcool e drogas. Como os sintomas demenciais são bem
parecidos, muitas vezes é difícil diagnosticar a causa da demência, por
isso a equipe médica pode contar com uma avaliação neuropsicológi-
ca que vai determinar detalhadamente o comprometimento cogniti-
vo. Exames de neuroimagem, como Tomografia Computadorizada ou
Ressonância Magnética, além de mostrar aspectos anatômicos, podem
auxiliar na realização de estudos de volumetria dos hipocampos, útil para
as suspeitas de Alzheimer; ou até mesmo a coleta de líquor cefalorraqui-
diano pode servir para que se tenha um diagnóstico mais detalhado(1).
96
As demências ainda não possuem cura, mas as estratégias medicamen-
tosas servem para amenizar e tentar retardar a progressão da doença.
Algumas medicações com objetivo de aumentar um neurotransmissor,
chamado acetilcolina, irão auxiliar nas sinapses (comunicação entre os
neurônios). As mais comuns são Donepezila, Rivastigmina e Galan-
tamina. Por conta dos efeitos colaterais, hoje algumas dessas já estão
disponíveis em formato de adesivo cutâneo. Em fases mais avançadas
da demência, uma medicação como a Memantina, também passa a ser
utilizada com objetivo de melhorar a disfunção neuronal. Outras me-
dicações para sintomas secundários, como antipsicóticos, anticonvul-
sivantes, calmantes, podem ser prescritos pelo médico quando houver
necessidade(1, 2).

Por ser uma doença que afeta não só o paciente, mas todos os familiares
em volta dele, os tratamentos e intervenções devem ser pautados não só
no paciente, mas também em seus cuidadores diretos. Pela incapacida-
de de muitos pacientes no que diz respeito ao autocuidado, o cuidador
responsável por ele, em muitos casos, fica sobrecarregado pela falta de
estrutura tanto do sistema de saúde quanto da sociedade no acolhimento
em meio a essa situação. Caminhada e exercício físico se tornam um
auxiliar e tanto para o cuidador. Intervenções como ioga e meditação
também auxiliam na diminuição da carga do trabalho(3, 4, 5).

Já para os pacientes a fisioterapia é essencial, principalmente nos estágios


iniciais da doença, com objetivo de manter a capacidade funcional, ainda
preservada, por mais tempo, e permitir que o idoso fique independen-
te pelo maior tempo possível. Os benefícios com a prática regular de
exercícios físicos para esses pacientes são inúmeros, como a redução
dos distúrbios neuropsiquiátricos como depressão, agitação e distúrbios
do sono; a melhora da marcha e caminhar do paciente; diminuição no
número de quedas; e a melhora das funções cognitivas também(4,5).

As recomendações hoje seguem para uma atividade global que envolva o


maior número de estímulos possíveis, os quais podem ser feitos a partir
de intervenções como caminhadas, atividades de força e alongamento,
bem como os estímulos cognitivos, e desafios mentais em conjunto da
atividade física(8).

Exercícios como caminhar e contar apenas os números ímpares, ou falar


nomes de animais, ou fazer contas, são intervenções simples que com-
binam estímulos físicos e cognitivos. A dança também se torna uma
alternativa para esses pacientes. Além dos benefícios motores, o aspecto
social é muito importante para eles. Os estímulos cognitivos, muitas vezes
recomendados pelos médicos, como caça-palavras, palavras cruzadas,
quebra-cabeça, são propícios, mas temos que lembrar que os estímu-
97
los precisam ser variados, e não únicos. E principalmente, precisam ser
associados ao exercício físico para que, assim, os benefícios possam ser
potencializados(3,4,5,8).

Os exergames, aqui, também podem ser muito utilizados, trazendo para


a terapia um aspecto lúdico e divertido também. Ao ter o desafio dos
jogos e, ao mesmo tempo, a movimentação física é possível usufruir dos
benefícios já citados. Alguns estudos já demonstram a melhora do uso
dos games nos aspectos cognitivos e motores; e, muitas vezes, podem
também proporcionar ótimos momentos de diversão e prazer entre o
paciente e os familiares(9, 10, 11, 12, 13, 17).

Este capítulo teve o objetivo de informar um pouco mais sobre essas duas
grandes doenças neurológicas que podem acometer os idosos. O recado
importante que gostaria de deixar para você, leitor, é tornar-se o mais
ativo possível o quanto antes. O exercício físico vem sendo demonstrado
nos estudos como um ótimo agente protetor do nosso cérebro, mos-
trando que o benefício de se exercitar não é somente para o corpo, mas
principalmente para a cabeça. Não é só para prevenir, mas para tratar
as doenças neurológicas também. O exercício físico é uma importante
recomendação em qualquer etapa da vida. Nunca é tarde para iniciar
uma caminhada. Você já caminhou hoje?

98
Referências Bibliográficas

1) GOMES, M. M.; Cavalcanti, J. L. S. Neurologia pra clínico. Rio de


Janeiro: UFRJ, 2007.

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11) VIRTUAL Reality-Based Physical Exercise with Exergames (PhysEx)


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Monteiro-Junior, Renato Sobral, et al. 2017, JAMDA.

99
12) ACUTE effects of exergames on cognitive funcion of institutionalized
older persons: a single-blinded, randomized and controlled pilot study.
Monteiro-Junrio, Renato Sobral, et al. 2016, Aging Clinical and Exper-
imental Research.

13) EFFECTS of Exergaming in people with dementia: results of a system-


atic literature review. Santen, Joeke Van, et al. 2018, Journal of Alzheimer’s
Disease.

100
Derick Mendes
CRBM: 34998

derick_mendes@live.com
@profderickmendes
profderickmendes
Canal Prof. Derick Mendes

• Biomédico, habilitado em Análises Clínicas, formado pela Universidade


Federal Fluminense (UFF)

• Mestre em ciências pela Pós-graduação em Medicina Tropical, do Insti-


tuto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ-RJ). Área de concentração: Diagnóstico,
prevenção e controle de doenças infecciosas

• Colaborador voluntário em pesquisa no Laboratório de Morfologia e


Morfogênese Viral (LMMV/IOC-FIOCRUZ), onde desenvolve pesquisa
na área de histopatogenia do vírus Zika em modelo murino

• Professor universitário no Centro Brasileiro de Educação, lecionando


para cursos da área da saúde.

101
O Perigo das Doenças Infecciosas na Terceira Idade
À medida que o corpo envelhece, o sistema imunológico diminui a
eficiência com a qual combate agentes causadores de doenças infecciosas,
o que deixa o idoso mais vulnerável a elas. Além disso, nessa fase ocor-
rem alterações fisiológicas, tais como: diminuição dos reflexos de tosse,
redução da espessura da pele, alterações no controle do armazenamento
de urina e esvaziamento da bexiga. Esses fenômenos podem prejudicar
parcialmente algumas defesas naturais do organismo(1).
Também são frequentemente observadas, no público idoso, doenças
crônicas como diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas e pulmo-
nares. Quando uma infecção se soma a estas doenças de base, o quadro
clínico geralmente desenvolve maior gravidade devido a maior inten-
sidade da infecção ou pela piora da doença crônica que já acometia o
indivíduo(2). E quanto mais fragilizado estiver o idoso, até mesmo os
sinais clássicos de alarme (como a febre) podem falhar, fazendo com
que a infecção, muitas vezes, só seja percebida após já ter causado danos
consideráveis ao organismo(3).
Os medicamentos de uso contínuo também podem interferir na capa-
cidade do organismo de combater as infecções. Por exemplo, um idoso
que passa a utilizar corticoides regularmente após um transplante tem
maiores chances de desenvolver doenças infecciosas(4), uma vez que essas
drogas são usadas para deprimir propositalmente as funções do sistema
imunológico para não haver rejeição do transplante. Porém, como efeito
colateral, facilitam a instalação de micro-organismos nocivos.
Diante da complexidade do tema e de todas as variáveis que podem in-
fluenciar no aumento da susceptibilidade às infecções durante o processo
de envelhecimento, serão apresentadas a seguir, de forma resumida, in-
formações necessárias para o conhecimento das principais doenças infec-
ciosas da terceira idade, bem como suas respectivas formas de prevenção.
1. Gripe
Trata-se da doença causada pelo vírus Influenza. Este nome foi dado
porque inicialmente acreditava-se que o adoecimento ocorria por in-
fluência dos astros(5).
Os sinais e sintomas clássicos são: febre de início repentino, dor de gar-
ganta, dor de cabeça, tosse improdutiva (sem secreção), rinite, dor mus-
cular e mal-estar generalizado. Esse quadro geralmente dura em torno de
cinco dias, porém, em alguns casos, pode se arrastar por mais de dez(6).
Se a gripe ocorrer em um indivíduo com doenças de base, o quadro pode
evoluir para pneumonia viral ou o influenza pode diminuir as defesas do
pulmão e, dessa forma, abrir caminho para uma pneumonia bacteriana
102
secundária. E, apesar da infecção apresentar efeitos mais destrutivos em
idosos, é comum que alguns dos sinais e sintomas mais característicos,
como a febre, não sejam observados na fase inicial(7).
O vírus é altamente contagioso, pois o indivíduo infectado é capaz de
liberar muitas partículas virais ao tossir ou na coriza. Essas partículas
podem ficar em suspensão no ar (normalmente sem se dispersar muito)
ou se precipitar, contaminando superfícies(6). Como o vírus é capaz de
resistir por muitas horas no meio ambiente, isso aumenta as chances de
um indivíduo colocar a mão em um local contaminado e, momentos
depois, levar a mão ao rosto, inalando as partículas virais.
No Brasil, assim como em todo o hemisfério sul, a maioria das epidemias
ocorrem entre os meses de maio e outubro e isso ocorre por uma junção
de fatores. O primeiro deles é a redução das temperaturas, que faz com
que os vírus sobrevivam no ambiente por mais tempo(8). Outro ponto
importante a destacar é que, durante períodos frios, a população tende
a permanecer por mais tempo em locais fechados e pouco ventilados,
facilitando a transmissão de pessoa a pessoa(9). Por fim, postula-se que,
durante o inverno, indivíduos que vivam em áreas com redução da inci-
dência solar possam apresentar queda na produção de vitamina D e isso
cause redução do desempenho do sistema imunológico(10).
A melhor forma de prevenção da gripe é através da vacinação. Já foi
observado que a imunização de indivíduos acima de 65 anos está as-
sociada à queda do número de internações e de registros de pacientes
com complicações derivadas da infecção por influenza(11). Entretanto, é
cada vez maior o número dos que são resistentes à ideia de se vacinarem.
Muitos acreditam que, se estão saudáveis, a vacina é completamente
desnecessária. Outros se consideram fora de risco de aquisição do vírus.
E, por fim, a falta de conhecimento sobre a vacina gera medo e dúvidas
em relação à segurança e eficácia dela.
É comum encontrar quem acredite que a necessidade de repetir a va-
cinação todos os anos é um atestado de falta de qualidade e eficácia da
vacina. No entanto, a repetição dessa prática uma vez a cada ano se deve
ao fato de que o vírus constantemente sofre mutações(12). Ou seja, o vírus
que causa gripe hoje não será 100% igual ao que trará a mesma doença
no ano que vem. É como se ele mudasse de “aparência” de tal forma
que a resposta de defesa que o sistema imunológico havia preparado
após a vacina do ano anterior não servisse mais. Por isso, todos os anos,
pesquisadores investigam quais são as alterações mais frequentes que os
vírus circulantes pelo mundo sofreram e preparam uma nova versão da
vacina, atualizada e compatível com essas mudanças.
Com relação a segurança da vacina, a disseminação mal explicada da
informação de que a vacina contém o próprio vírus em sua composição
acaba abrindo espaço para inúmeras “teorias da conspiração”. Além

103
disso, não são poucos os que afirmam categoricamente: “a vacina da
gripe me fez ficar gripado poucos dias depois”.
Em primeiro lugar, a maioria das vacinas utilizadas contra gripe são
inativadas, ou seja, o vírus presente nelas está totalmente fragmentado
ou foi “destruído” de alguma outra forma para se produzir a vacina(11).
A lógica é que a injeção desses fragmentos em uma pessoa é incapaz de
gerar a doença nela, mas é suficiente para fazer com que seu organismo
produza anticorpos e células de defesa contra o vírus.
Em segundo lugar, a maioria dos brasileiros confunde resfriado comum
com gripe. Ambas as doenças são causadas por vírus, possuem alguns
sintomas semelhantes e as epidemias também ocorrem nos períodos
mais frios do ano. No entanto, os vírus são diferentes e a manifestação
dos sintomas também. A gripe normalmente surpreende quem se in-
fecta: os sintomas aparecem repentinamente, de tal forma que é possível
que alguém acorde bem para ir trabalhar e, em algum momento do dia,
começa a senti-los intensamente. Não há muito tempo para se preparar!
Já nos resfriados, os sintomas geralmente vão aparecendo aos poucos
e piorando gradativamente. Nesses casos, mesmo no início do quadro
clínico, é comum o indivíduo infectado tecer o comentário: “acho que
vou ficar resfriado!”. Por fim, um resfriado pode debilitar temporaria-
mente, mas não tende a evoluir para óbito. Já na gripe, casos fatais não
são incomuns. O registro mais dramático que exemplifica bem essa
informação foi a gripe espanhola, ocorrida entre 1918 e 1919, responsável
por 50 MILHÕES de mortos ao redor do mundo(13).
Como a vacina da gripe só protege contra o Influenza, mesmo após
vacinados, continuamos sob o risco de nos infectarmos com um dos
diversos vírus que podem causar resfriados. As únicas formas de ficar
gripado mesmo após tomar a vacina são: infectar-se com um vírus com
uma mutação rara e que a vacina não cubra; possuir uma deficiência
tão vigorosa no sistema imunológico que o torne incapaz de responder
à vacina; receber uma vacina que foi armazenada erroneamente ou que
estava fora da data de validade(13).
Efeitos adversos da vacina são possíveis, mas muitos deles são incomuns.
No entanto, quando ocorrem, se restringem à vermelhidão no local da
aplicação, dor muscular local (podendo vir a ser geral), febre baixa, dor
de cabeça e alergia a algum componente da vacina(11). No entanto, uma
questão deve ficar clara: a vacina contra gripe não causa gripe e é a me-
lhor forma de ficar protegido contra esse mal! Não deixe de se vacinar!
2. Pneumonias Bacterianas
Devido à redução da eficiência imunológica na idade geriátrica, algumas
bactérias podem ser inaladas, instalarem-se no pulmão e gerarem um
quadro infeccioso que comprometa o processo normal de respiração.
Também é possível que pacientes internados acabem adquirindo esses
104
micro-organismos por outras vias e, após eles atingirem a corrente san-
guínea, cheguem ao pulmão, iniciando sua proliferação até desenvolver
o quadro de pneumonia.
Entre os sintomas mais frequentes estão a febre alta (maior que 38°C),
falta de ar, tosse com produção de muco amarelo-esverdeado, mal-estar
geral e sentimento de prostração. Outro sintoma bastante comum é a
dor torácica, que ocorre quando o próprio movimento de enchimento
e esvaziamento dos pulmões já é suficiente para causar dor. Principal-
mente na população de idade mais avançada, também é comum serem
observadas alterações na pressão arterial e confusão mental(1).
Estamos frequentemente entrando em contato com bactérias que são
capazes de causar pneumonia, entretanto, o sistema imunológico resolve
o problema na maior parte das vezes. Se o idoso cuidar bem de sua saú-
de, dificilmente terá motivos para ser internado e ficar exposto ao risco
de pneumonias de origem hospitalar. De igual modo, ao se cuidar bem
(em todos os sentidos), as chances de adquirir pneumonias originárias
da comunidade também são menores.
No Brasil existe a oferta da vacina que protege contra Haemophilus in-
fluenzae tipo b(14), que é um dos agentes causadores de pneumonias. A
imunidade não dura por toda a vida, o que faz com que doses de reforço
sejam necessárias(15).
Para as pneumonias por outras bactérias, o diagnóstico correto, realizado
no início do quadro clínico e seguido de tratamento com o antibiótico
adequado, geralmente são suficientes para a cura da infecção.
3. AIDS
O aumento da longevidade do brasileiro, associado ao maior acesso às
tecnologias na área da saúde, também tem causado um prolongamento da
vida sexual, especialmente devido à possibilidade de terapias de reposição
hormonal e tratamento da impotência sexual. Esse “despertar” sexual na
terceira idade, no entanto, muitas vezes ocorre de forma imprudente. Os
motivos são diversos, sendo os principais: a falta de preocupação com o
risco de engravidar(16), dificuldade com manuseio de preservativos e/ou
sentimento de piora no desempenho sexual com o uso deles(17).
Entre as infecções sexualmente transmissíveis que têm crescido na po-
pulação idosa, a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) tem
ganhado destaque. Entretanto, vale ressaltar que sífilis, clamídia e gonor-
reia também têm se tornado um problema de saúde pública na população
desta faixa etária(18).
A AIDS é causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e é
uma doença que não tem cura. O vírus (por si só) não mata, mas possui
a capacidade de debilitar as defesas imunológicas do organismo de tal
105
forma que até mesmo a mais inofensiva das infecções pode vir a se tornar
fatal. No entanto, com o tratamento fornecido gratuitamente pelo SUS, a
mortalidade dos portadores do vírus tem reduzido e, atualmente, muitos
pacientes em tratamento conseguem desfrutar de uma qualidade de vida
bastante semelhante à de pessoas não infectadas(19).
O grande desafio para o controle da doença é que o intervalo entre a
data da infecção e começo de aparecimento dos primeiros sintomas mais
evidentes da AIDS, geralmente, é de muitos anos. Durante esse perío-
do em que o indivíduo talvez sequer saiba que está infectado, o vírus
pode ser facilmente transmitido de pessoa a pessoa durante atos sexuais
desprotegidos. Outro fator complicador é que, durante a menopausa,
o ressecamento vaginal acaba facilitando a criação de pequenas lesões
durante o ato sexual que podem servir facilmente de porta de entrada
para o vírus(18).
Apesar de qualquer desconforto que a utilização de preservativos possa
causar, o idoso jamais deve abrir mão de sua utilização (inclusive para
o sexo oral), caso sua relação sexual for ocorrer com novo parceiro ou
parceira. Caso tenha ocorrido uma relação de risco, faz-se necessário
iniciar o tratamento preventivo em no máximo 72 horas e tomar a me-
dicação por 28 dias para impedir a instalação e proliferação do HIV no
organismo(20). Para saber os locais onde este serviço é fornecido, acesse:
aids.gov.br/pt-br/onde-encontrar-pep.
4. Hepatite C
Hepatite é um termo geral utilizado para designar qualquer inflama-
ção que aconteça no fígado. Essa inflamação pode ocorrer por diversas
causas não infecciosas (como uso abusivo de álcool e medicamentos) e
infecciosas (como infecção por vírus, bactérias, fungos e parasitas)(21).
Entre essa vasta lista de possibilidades de agentes causadores da doença
está o vírus da hepatite C.
Entre os sinais e sintomas clássicos das hepatites estão: dor na parte su-
perior do abdome, febre, sensação de fraqueza, mal-estar geral, perda de
apetite, icterícia (coloração amarelada nos olhos e na pele), escurecimento
da urina e fezes descoradas. No entanto, um percentual muito pequeno
dos indivíduos que se infectam manifesta sintomas no início de infecção (22).
Esse perfil mais silencioso da hepatite C faz com que a maior parte dos
portadores do vírus não saibam que estão infectados. Isso acaba não
apenas facilitando a transmissão do vírus, como também faz com que
o quadro infeccioso se arraste por muito anos, aumentando a chance
de desenvolver câncer de fígado ou outras doenças hepáticas(22).
O vírus é transmitido principalmente pelo contato com sangue infectado(23).
Como o vírus só foi descoberto em 1989(24) e só passou a ser triado em
bancos de sangue brasileiros a partir de 1993, todos os que realizaram
cirurgia, transfusão de sangue ou algum outro tipo de procedimento
106
invasivo antes de 1993 devem procurar o posto de saúde mais próximo
para realizarem teste rápido ou outro exame capaz de diagnosticar a
doença. A transmissão sexual do vírus também é possível, apesar de
não ser a via mais comum(25). No entanto, como a menopausa induz o
ressecamento vaginal, isso pode acabar facilitando o aparecimento de
lesões com sangramento tanto na vagina quanto na glande peniana. Por
esta razão, idosos estão em maior risco de aquisição de hepatite C através
do sexo desprotegido. O uso de preservativos e de lubrificantes sintéticos
auxiliam a prevenir esse problema.

Referências Bibliográficas
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Current Concepts on Diagnosis and Management. J Am Geriatr Soc.
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rate of HCV among heterosexual couples. Hepatology. 2013; 58(5):1865-6.
108
Bruno Chagas
CRO-RJ: 39977

(21) 98425-9426 / 2161-0948


drbrunochagas@gmail.com
drbrunochagas
www.cdfrio.com.br

• Presidente do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio


de Janeiro (IASERJ)

• Chefe das equipes de Cirurgia Buco-Maxilo-Faciais dos hospitais Oeste


Dor, Hospital de Clínicas de Bangu, Real Dor e Rede Cemeru

• Cirurgião Buco-Maxilo-Facial formado pelo Hospital Federal de


Bonsucesso

• Coautor do Livro Moldando Campeões pela Editora Conquista (2016)

• Coordenador do Projeto Beneficente Saúde Sorridente

• Diretor administrativo do Centro de Deformidades da Face RJ

• Gestor nas áreas de Saúde e Desenvolvimento Social

• Participação em cursos e congressos no Brasil e no exterior

• Cursos de atualização nas Universidades de Harvard, nos EUA, Riga


Stradina Universitate, na Letônia e em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

109
Medicamentos e Automedicação
Dada a importância e qualidade deste livro, irei abordar, neste capítulo,
dois temas específicos que estão em discussão entre diversos profissio-
nais da saúde. Portanto, sugiro a leitura de todos até o final deste artigo.
Será uma leitura de linguagem leve e popular, para que todos possam
entender o contexto e ficar alertas.
Devido aos fatores ambientais, socioeconômicos, limitação do acesso
à saúde básica, problemas familiares, fisiológicos e sedentarismo, além
de variações genéticas, os idosos se tornam vulneráveis, necessitando,
assim, do auxílio medicamentoso.
Contudo, as alterações gerais do envelhecimento aumentam, signifi-
cativamente, o risco de reações adversas e, consequentemente, podem
causar limitação funcional, incapacidades, retardo, internação, necroses
e até óbito. Alguns efeitos negativos de medicamentos são confundidos
com novas doenças ou atribuídos ao próprio sistema de envelhecimento. 
Tendo em vista as informações acima, falarei sobre os temas Bisfosfonatos
e Automedicação. Temas estes discutidos por diversos profissionais em
todo mundo, visto que seus efeitos adversos diminuem a qualidade de
vida desta população.
1. Bisfosfonatos
Vários artigos científicos, revistas, reportagens e casos expostos em con-
gressos, abordam e revelam o crescimento em casos de osteonecrose dos
maxilares induzidos por medicamentos, uma doença desencadeada e
frontalmente associada a um tipo específico desses medicamentos. Já
ouviu falar nos bisfosfonatos? Não? Pois então vamos lá! 
Outro dia, em um atendimento de rotina, me deparei com uma pacien-
te de 72 anos que apresentava queixas na região de um dente extraído
há 2 meses e o local não cicatrizava. Durante o atendimento, em uma
anamnese detalhada, a senhora citou que utilizava vários tipos de me-
dicamentos para hipertensão e osteoporose. Logo me acendeu o alerta
sobre o medicamento de osteoporose, porém ela reforçou ser apenas uma
“vitamina para o osso” (a maioria se refere dessa forma). Como eu já havia
tratado alguns casos de osteonecrose induzida por medicamentos, in-
formei a necessidade de saber o nome da tal “vitamina para osso”, e logo
veio a confirmação e surpresa: não era vitamina, e sim um medicamento
conhecido como bisfosfonatos, porém com um nome comercial. Ela refe-
riu usar há cerca de 4 anos. Pronto, praticamente fechei o diagnóstico em
110
cima dos relatos e dos exames físico e de imagem. Foi necessário entrar
em contato com a médica assistente para explicar o caso e suspender o
medicamento, além de optar pelo tratamento através de outros tipos de
medicamentos, como antibióticos; bem como pela ressecção de todo
o osso exposto, uso de oxigênio hiperbárico, laserterapia, bochechos
com clorexidina e uso tópico de iodopovidona. Como podem perceber,
é um tratamento longo e com várias abordagens e inconvenientes para
os pacientes. Cabe ainda dizer, que o tratamento é de limitação do dano
pois o osso sem irrigação sanguínea permanece com possibilidade de
novas osteonecroses.
Com o envelhecimento, aumenta a ocorrência de doenças degenerativas,
das reabilitações tardias e dos sinais de doença em fases avançadas, o que
acaba acarretando a funcionalidade e a qualidade de vida dos idosos. 
Diante disso, muitos colegas da saúde prescrevem fármacos para o con-
trole, tratamento e prevenção dessas desordens. Entre as doenças mais
acometidas nos idosos, está a osteoporose. A osteoporose é cada vez mais
tratada com uso de bisfosfonatos, substâncias responsáveis por inibirem
a reabsorção e remodelação dos ossos e que, inicialmente, foram desen-
volvidas para o tratamento de neoplasias; são prescritas nas formas oral
e endovenosa. São conhecidas pelos nomes Alendronato, Ibandronato,
Risedronato, Pamidronato, Clodronato e Ácido Zoledrônico.
Muitos profissionais, e praticamente todos os pacientes que utilizam
estas substâncias, não sabem, mas este tipo de medicamento, utilizado
em longo prazo em casos de osteoporose, em tratamentos de câncer com
metástases ósseas, pode desencadear um quadro chamado de osteone-
crose induzida por medicamentos, que é a “morte” de uma região óssea
quando o seu suprimento de sangue é interrompido, o que causa dor e
colapso do osso. 
Os bisfosfonatos são verdadeiramente um benefício evidente nas si-
tuações de câncer com metástase e outras desordens. Porém, em con-
trapartida, causam uma pobre qualidade de vida em função das suas
complicações bucais, como a relatada da paciente acima. 
Tal fato reforça a importância de um conhecimento aprofundado sobre
sua terapêutica e como deve ser a conduta dos profissionais de saúde,
especialmente o cirurgião-dentista, em relação aos pacientes que fazem
uso desses medicamentos.
Como a área bucal tem maior potencial em atividade de remodelação
óssea, tem-se uma maior incidência de necrose óssea neste local, preva-
lência que está fortemente associada aos procedimentos dentários inva-

111
sivos, como colocação de implantes, cirurgias, utilização de próteses mal
adaptadas, traumas, fraturas e abscessos, além de outros em pacientes
sob uso de bisfosfonatos. Por isso, é extremamente importante a leitura
deste e outros artigos relacionados a este tema, para que os profissionais
da saúde, pacientes e em especial o cirurgião-dentista, saibam identifi-
car e avaliar a melhor conduta a ser tomada diante de situações clínicas
como as que descrevi.
1.1. Prevenção
Antes do tratamento com bisfosfonatos, é extremamente relevante que
o paciente seja submetido a exame da cavidade oral completa, com rea-
lização de todos os procedimentos invasivos que sejam indicados, como
extrações, cirurgias da gengiva, colocação de implantes, tratamento de
canais, eliminação de focos infecciosos, restaurações e outros. Uma boa
saúde oral deve ser almejada, antes do uso dos bisfosfonatos.
Caso seja necessária a realização desses procedimentos bucais, o início
de uso do medicamento deve ser adiado por pelo menos um mês para
permitir o reparo ósseo e cicatrização dos tecidos.
Os profissionais que prescrevem os bisfosfonatos devem informar aos
pacientes os riscos e possíveis danos causados à região bucal e efeitos
colaterais, principalmente os de uso endovenoso, pois há maior incidência
nesses casos.
Lembrando que as duas melhores maneiras de prevenir a osteonecrose
dos maxilares induzidas por medicamentos, é fazer um check-up odon-
tológico antes do início do uso dos bisfosfonatos, e caso já esteja utili-
zando este medicamento, alertar o cirurgião dentista antes de qualquer
procedimento em âmbito ambulatorial ou hospitalar.
Vale ressaltar ainda, a importância e a recomendação da realização do
teste Telopeptídeo Carboxiterminal do colágeno tipo I (CTX), para ava-
liar o risco de osteonecrose em pacientes sob utilização dos bisfosfonatos.
De acordo com a literatura, para a realização de qualquer procedimento
odontológico invasivo, esse teste deve apresentar níveis maiores do que
150 pg/mL, pois com este resultado, há menor risco de osteonecrose dos
maxilares, e diminui-se a necessidade de suspender medicação; e, quando
estes forem inferiores a 150 pg/mL, a medicação deve ser interrompida,
por um período entre quatro e seis meses.

112
2. Automedicação

A automedicação é o uso de medicamentos sem prescrição médica, no


qual o próprio paciente decide qual remédio usar, em que na maioria
das vezes, a pessoa é orientada por indivíduos não habilitados e sem
conhecimento técnico. 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) define automedicação como


a seleção e o uso de medicamentos sem prescrição ou supervisão de um
médico ou dentista.

Essa prática é um grave problema de saúde pública, pois leva a efeitos


adversos, como reações alérgicas, intoxicações, interações medicamen-
tosas e até mortes. Em idosos a automedicação ainda se torna mais grave
por conta da fragilidade fisiológica. Esse quadro acontece de maneira
recorrente no Brasil e envolve, principalmente, o uso de medicamentos
que precisam ou não de receitas, cabendo aos usuários ficarem atentos
aos seus possíveis riscos.

A mídia assume papel importante como influenciadora quando o tema


é automedicação, pois muitos idosos afirmam que se automedicam mo-
tivados pela publicidade acerca dos medicamentos.

Apesar de as propagandas serem as maiores incentivadoras da autome-


dicação, ainda temos as pessoas não habilitadas, os balcões de farmácias,
a internet, familiares e vizinhos, que sempre dão aquela dica de como
tratar algumas doenças e sintomas. Os idosos são mais susceptíveis à
indução no uso de medicamentos, tendo em vista que, com a chegada
da “melhor idade”, praticamente triplica-se o uso de medicamentos, e
com isso há, naturalmente, o aumento pela busca por informações sobre
tratamentos e medicamentos.

É sabido que o nível de escolaridade está associado à adoção de compor-


tamentos saudáveis ou não, e portanto, pode aumentar a fragilidade e
riscos à saúde. Estudos revelam que indivíduos informados e com bom
nível de alfabetização podem ser mais conscientes dos riscos de deter-
minados comportamentos e, assim, evitá-los.

113
2.1. Tipos de medicamentos mais utilizados na automedicação

Os tipos de remédios mais utilizados de forma autônoma são os rela-


xantes musculares de ação central, analgésicos, antipiréticos, anti-infla-
matórios e antirreumáticos. Analgésicos, antitérmicos e antirreumáticos
estão relacionados com muitas internações de idosos por intoxicação.

Planejamentos e ações para limitar a utilização indevida de medica-


mentos devem ser adotados pelo governo, além da melhoria no acesso
à saúde básica. Propagandas devem ser veiculadas com informações
positivas, mas que também avisem sobre os efeitos colaterais e riscos de
forma clara e coesa. 

Os familiares e profissionais assistentes precisam se atentar aos sinais e


sintomas novos, pois podem ser causados pelo uso incorreto de medi-
camentos, ou pela automedicação.

2.2. 6 mitos e verdades sobre medicamentos

“Abrir as cápsulas e despejar o pó na água faz o mesmo efeito”.

Mito. Não é verdade que abrir as cápsulas e derramar o pó na água tem


o mesmo efeito que engolir a cápsula.
 
“Não devemos utilizar bebidas alcoólicas enquanto usamos medicamentos”.

Verdade. Bebidas alcoólicas podem interferir na ação de medicamentos.


Eles podem comprometer o resultado do tratamento, aumentando a
absorção e gerando intoxicação.
 
“Quando esquecemos de tomar o remédio, devemos dobrar a dose”.

Mito. Devemos voltar com a medicação no horário recomendado, e não


dobrar a dose. A dose é calculada de acordo com o peso do paciente e a
meia vida do medicamento. Quando esquecemos de tomar o remédio, a
eficácia é diminuída e podemos sofrer com a volta dos sintomas.
 
“Não devemos usar medicações em jejum”.

Mito. A relação entre fármacos e alimentos pode ser fundamental na


obtenção de resultados positivos devido a interferências tanto no meta-
bolismo de fármacos quanto na absorção de nutrientes. Porém, a alguns
medicamentos recomenda-se a utilização no jejum, pois terão maior
absorção, já outros, somente após refeição, para não haver desconforto
gástrico. 
114
“Devemos manter medicamentos fora do calor, da luz e da umidade”.

Verdade. Sim, devemos mantê-los fora do calor, da luz e da umidade,


pois esses fatores podem causar alterações dos fármacos.

Alguns fármacos, inclusive, devem ser conservados sob refrigeração.

“Remédios podem causar dependência”. 

Verdade. Alguns medicamentos, como ansiolíticos, analgésicos do tipo


opioide e antidepressivos podem, sim, causar dependência.
 

115
Referências Bibliográficas

1) REVISTA Intercâmbio - vol. X - 2017/ISNN - 2176-669X - Página 137

2) MEIRA HC, Rocha MM, Noronha VRAS, Aguiar EG, Sousa AA,
Rodrigues Neto DJ. Mandibular osteonecrosis associated with bisphos-
phonate use after implant placement: Case report. Revista Dental Press
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3) 2009 American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons Jor-


nal Oral Maxillofacial Surgery 67:71-74, 2009, Suppl 1

4) ARTICLE Prevalence of self-medication and associated factors


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5) REVISTA de Saúde Pública - Prevalência da automedicação no Brasil


e fatores associados- DOI:10.1590/S1518-8787.2016050006117

6) http://portal.anvisa.gov.br/rss/-/asset_publisher/Zk4q6UQCj9Pn/con
tent/abuso-de-antibiotico-estimula-superbacterias/219201?inheritRedir
ect=false

7) POGREL MA: Bisphosphonates and bone necrosis. Jornal Oral Ma-


xillofacacial Surg 62:391, 2004

116
Cristina Gottlieb
CRO RJ: 14972

@cristina.gottlieb
@cristinagottlieb

• Presidente, fundadora e CEO da Sociedade Brasileira de Odontologia e


Saúde Integrativa (SBOSI)
• Diretora da Franquia The Dental Spa Clínicas de Odontologia e Saúde
Integrativa e Funcional
• Conferencista Internacional na Área de Simetria Facial
• Doutoranda em Ciências Biomédicas
• Pós-graduada em Estética do Sorriso, USA, Califórnia
• Especialização em Prótese e Periodontia na universidade da USP
• Implantodontia Universidade Gama Filho
• Especialização em Engenharia de Materiais Dentários - Universidade de
Bauru na Universidade da USP
• Formação em Ortodontia e Ortopedia dos Maxilares pela UFRJ
• Formação em Biocibernética Bucal, Escola Nilton Nogueira de Sá
• Terapeuta Master em Renascimento técnica DR Leonard Orr e Mestre
em Reiki
• Ozonioterapeuta
• Terapeuta em Odontologia Neurofocal e Terapia Neural
• Formação em técnicas de Regeneração Óssea Guiada, Harvard, Boston, USA
• Pós-graduada em técnicas Distração Osteogênica com credenciamento em
Implantes dentários com carga imediata em São Francisco na Califórnia, USA
• Palestrante oficial em alinhadores invisíveis da CLEAR CORRECT da
Straumann
• Idealizadora da TV SBOSI YouTube canal de entrevistas com profissionais
da área de saúde e aulas de educação continuada em saúde Integrativa e
funcional
• Formação em Implantes de Carga Imediata, UGF, Rj
• Cirurgia Guiada, Neodent, Curitiba, RGS
• Lato Sensu em BIOMEDICINA Estética.
117
Saúde Bucal e Harmonização Facial na
Terceira Idade
1. Saúde bucal

Está cientificamente comprovado que infecções bucais na gengiva dos


dentes têm comunicação direta com problemas cardiovasculares e in-
fecções à distância, podendo acarretar contaminações generalizadas
chamadas de sepsia.

O encontro dos dentes superiores e inferiores regulam não somente a


beleza do sorriso, mas também participam do equilíbrio respiratório
e postural, ajustando e melhorando significativamente a performance
física e, como consequência, devolvendo conforto e estabilidade física,
emocional e psicológica.

A xerostomia (boca seca), é a diminuição da quantidade de saliva e pode


aparecer como efeito colateral de certos medicamentos. A saliva é mui-
to importante para manter os tecidos bucais saudáveis e o esmalte dos
dentes protegidos. O fluxo salivar diminuído favorece o aparecimento de
cárie e facilita a desadaptação de próteses, doenças periodontais, lesões
da mucosa bucal, candidíase, leucoplasia etc.

Pessoas que passaram pela radioterapia da região de cabeça e pescoço


têm uma diminuição do fluxo salivar ainda maior. Nessa situação, é
muito importante a participação do dentista antes e após os tratamentos
oncológicos para prevenir e tratar rapidamente qualquer problema.

A retração gengival também é comum em pessoas com mais idade. Ela


causa hipersensibilidade ao frio e calor, porque parte do dente, que não é
protegida pelo esmalte, fica exposto. Essa sensibilidade deve ser avaliada
e tradada pelo dentista, pois o desconforto da sensibilidade pode levar a
uma má higiene pelo receio de sentir dor ao escovar os dentes.

Outro aspecto bem visível com o passar dos anos são os dentes amarelos.
Isso ocorre pelas modificações naturais na dentina e pela deposição dos
pigmentos de alimentos e bebidas sobre o dente. O idoso também pode
desenvolver estomatite a partir de uma prótese muito antiga ou mal
adaptada, e candidíase oral por má higiene bucal.

A doença mais temida e a principal causa de perda dentária na população


idosa é a periodontite, ou seja, inflamação dos tecidos que suportam os
dentes. Esse processo é reversível se detectado em seus estágios iniciais.
118
Mas não podemos nos referir a toda pessoa com mais de 60 anos como
“idoso” sem distinção. Para entender melhor essa fase da vida temos que
considerar o grau de envelhecimento de cada pessoa.

De maneira bem simples, podemos dizer que existem três tipos de ido-
sos: independentes (conseguem viver por si só, ou seja, sem auxílio de
outras pessoas); parcialmente dependentes (muitas vezes ou quase sempre
precisam do auxílio de um acompanhante); e totalmente dependentes
(não têm iniciativa própria, seja por deficiência física, seja por problemas
psíquicos e, por isso necessitam de um cuidador para auxiliá-los em sua
rotina diária).

Qualquer pessoa, mesmo na terceira idade, pode receber implante den-


tário, desde que se encontre em boas condições de saúde. Isso pode sig-
nificar estar livre de doença ou, em caso de diabetes e hipertensão, ter o
problema controlado com acompanhamento médico.

Com o aumento real da expectativa de vida da população mundial so-


mado à previsibilidade de sucessos da moderna osseointegração, a im-
plantodontia se tornou uma opção viável de tratamento também para
pacientes idosos.

A idade, por si, não é uma contraindicação na colocação de implantes


dentários, pois se obtém resultados estéticos semelhantes àqueles dos
pacientes jovens, mas com clara melhora na capacidade mastigatória,
estado nutricional e autoestima, o que contribui para uma melhor qua-
lidade de vida nesse momento da existência.

O paciente idoso pode apresentar alterações físicas, psicológicas e con-


dições de saúde associadas à idade que podem contraindicar o uso de
implantes, devendo, para isso, ser realizada uma detalhada anamne-
se, prognóstico e propensão de futuros estados degenerativos que irão
influenciar especialmente na sua condição de uma perfeita higiene bucal,
e cabe à equipe odontológica-médica avaliar.

2. Harmonização Facial

A beleza é a experiência ou processo relacionado à percepção de elementos


que agradam de forma singular àquele que a experimenta. Alguns acre-
ditam que existe uma forte conexão entre a beleza e a matemática, pois
rostos proporcionais, simétricos, bem marcados, com contornos arredon-
dados e bochechas altas parecem ser mais atrativos. Com o processo de
envelhecimento, ocorrem alterações nas proporções das estruturas faciais,
o que leva muitos indivíduos a procurarem tratamentos estéticos com
o desejo do retorno ou da manutenção de sua aparência quando jovem.
119
Desde a antiguidade, no Egito, o padrão de beleza foi definido pela ra-
inha Nefertiti, que é, talvez, a mais bela imagem facial que o mundo já
conheceu. Provavelmente seu nome era pronunciado como “Naftaiyta”,
significando “a beleza chegou”. Sua fama supera a barreira de tempo e
espaço. Seu rosto perfeitamente simétrico, sobrancelhas delicadamente
curvadas, olhos amendoados e bem marcados, zigomáticos proeminen-
tes, nariz fino e proporcional, lábios carnudos, ausência de marcas de
expressão ou rugas e pescoço fino e alongado, remetem-nos a um ideal
de beleza a ser perseguido até hoje.

Descreve-se na literatura que, na juventude, o rosto é moldado como


um triângulo invertido, com o ápice voltado para baixo, o que se traduz
em um terço médio bem definido. Com o processo de envelhecimento,
a mudança na estrutura facial faz com que os contornos e o volume se-
jam perdidos, invertendo-se o triângulo da juventude. As formas faciais
também são descritas como rostos ovais, redondos, em forma de coração
e quadrados, entre outros. Há poucos anos, com a descoberta dos com-
partimentos faciais de gordura e a introdução de ácido hialurônico de
maior viscosidade no tratamento da reposição volumétrica e melhora dos
contornos faciais, instalou-se uma nova era na abordagem do tratamento
do envelhecimento facial com uso dos preenchedores. Passa-se a pensar,
agora, na face como um todo, dando importância à manutenção de sua
tridimensionalidade e não apenas ao tratamento das rugas e sulcos, que
muitas vezes são a consequência da diminuição do volume da gordura
facial e da reabsorção óssea decorrentes do envelhecimento.

Chamamos de “quadralização” da face as mudanças nos contornos faciais


decorrentes do envelhecimento: na juventude a face tem a forma de um
trapézio invertido e com o passar do tempo tende a tornar-se um quadra-
do (Figura 1). Buscando melhor entendimento dos motivos relacionados
ao processo de “quadralização” facial, abordaremos o envelhecimento
com base em quatro pilares principais: flacidez cutânea, ação muscular
depressora, diminuição volumétrica dos compartimentos de gordura
e perda da sustentação profunda devido ao remodelamento ósseo. As
linhas de tensão da pele são resultado de múltiplas interações de fatores
extrínsecos e intrínsecos. Os fatores intrínsecos independem de nossa
vontade, pois refletem a genética. Eles consistem em propriedades ineren-
tes de extensibilidade, elasticidade e tensão que são associadas aos com-
ponentes bioestruturais da pele. Esses elementos estruturais consistem no
colágeno dérmico e nos tecidos elásticos. Com a idade, o colágeno começa
a aumentar o cross-linking, tendo seu volume e elasticidade reduzidos.
As fibras elásticas são mais abundantes na derme da face do que na do
couro cabeludo e, portanto, são responsáveis por manter a tensão estática
da pele e, também, pela restauração do colágeno deformado no estado
original. Com a idade, e especialmente com a exposição solar prolonga-
120
da, as fibras elásticas estão sujeitas à deterioração estrutural e funcional,
perdendo progressivamente a habilidade de retornar ao comprimento
original, o que redunda na perda da firmeza da pele. O envelhecimento
extrínseco é causado, principalmente, pela exposição ao sol, mas tam-
bém pelo tabagismo, excesso de uso de álcool e má alimentação, entre
outras condições. Também entre os fatores extrínsecos, os músculos da
expressão facial se inserem diretamente na pele, determinando tensão
contínua mesmo em repouso. Alguns autores acreditam que a face na
adolescência apresenta formato de coração ou triângulo invertido e que,
com o envelhecimento, esse triângulo se inverte, apresentando sua base
na linha mandibular.

Figura 1: “Quadralização facial” decorrente do envelhecimento

Envelhecer, bem ou mal, traz consigo várias mudanças na pele. A gordu-


ra do rosto cai, aumentando a bochecha, a pele fica mais seca e áspera,
o número de rugas aumenta, bem como a flacidez, e surgem as lesões
benignas em forma de manchas. Para tudo, porém, há um tratamento e
novidades voltadas à terceira idade têm crescido no mercado.

Embora a maior procura seja por procedimentos não invasivos, algumas


técnicas mais agressivas são bem aceitas, como a de fios de sustentação
absorvíveis (ácido polilático) e preenchedores autólogos com plasma
rico em plaquetas, gordura, hidroxiapatita e acido hialurônico. Através
de protocolos de análise realizados pela “máscara da beleza de phi” e
técnicas de visagismo, o profissional especialista em harmonização facial
executa com grande maestria a retriangulação de uma face quadralizada,
devolvendo anos de jovialidade e autoestima ao paciente.
121
Referências Bibliográficas
1) BARTLETT, S. P.; Grossman, R.; Whitaker, L. A. Age-related changes of
the craniofacial skeleton: an anthropometric and histologic analysis. Plast.
Reconstr, Surg. 1992.
2) CARRUTHERS, J.; Carruthers, A. Técnicas de preenchimento. Rio de
Janeiro: Elservier, 2005.
3) COLEMAN, S. R.; Grover, R. The anatomy of the aging face: volume loss
and changes in 3-dimensional topography. Aesthet. Surg. J. 2006.
4) COLEMAN, S. R.; Saboeiro, A.; Sengelmann, R. Comparison of lipoatro-
phy and aging: volume deficits in the face. Aesthet. Plast. Surg. 2009
5) GIERLOFF, M., et al. Aging changes of the midfacial fat compartments:
a computed tomographic study. Plast. Reconstr. Surg. 2012.
6) LOURAN, C. L.; Buthiau, D.; Buis, J. Structural aging: the facial recurve
concept. Aesth. Plast. Surg. 2007.
7) MENDELSON, B.; Wong, C. H. Changes in the facial skeleton with aging:
Implications and clinical applications in facial rejuvenation. Aesthetic Plast.
Surg. 2012.
8) MENDELSON, B.; Wong, C. H. Changes in the Facial Skeleton With Ag-
ing: Implications and Clinical Applications in Facial Rejuvenation age-related
changes of the orbit and midcheek and the implications for facial rejuvena-
tion. Aesthetic Plast. Surg. 2012.
9) PESSA, J. E.; Rohrich, R. J. Discussion: Aging changes of the midfacial fat
compartments: a computed tomographic study. Plast. Reconstr. Surg. 2011.
10) SALASCHE, S.; Bernstein, G.; Senkarik, M. Surgical anatomy of the skin.
Michigan: Appleton & Lange; 1988.
11) SEGANFREDO, C.; Franchini, A.S. Akhenaton e Nefertiti - uma história
amarniana. Porto Alegre: L&PM, 2011.
12) VASCONCELOS, L.W., et al. Osseointegração em idosos: acompan-
hamento de oito anos no Branemark Osseointegration Center-SP. Implant
News. 2004.
13) WAN, D., et al. The differing adipocye morphologies of deep versus
superficial midfacial fat compartiments: A cadavery study. Plast. Reconstr.
Surg. 17 jan 2014.
14) WINKLER, S. Implant dentistry and the geriatric patient. Implant Dent. 1994.
15) ZARB, G. A.; Schmitt, A. Osseointegration for elderly patients: the To-
ronto study. J Prosthet. Dent. 1995.
122
Claudia Frauche
CRM: 52 69671-4

(21) 99203-1193/ 2437-7095


claudiafrauche@hotmail.com

• Faculdade de Medicina de Valença

• Residência Médica na Especialidade de Clínica Médica - Associação


Hospitalar de Cotia- SP - 1995⁄1996

• Residência Médica na Especialidade de Dermatologia – Faculdade de


medicina de Jundiaí - SP- 1997⁄1998

• Pós-graduada em Medicina Estética – Fundação Técnico Educacional


Souza Marques - 2001⁄2002

• Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia

• Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia

• Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica

• Corpo clínico da Clínica Alergoclínica – SP- 1999⁄2000

• Corpo clínico da Dermobarra

• Corpo clínico do Hospital Rio Mar

• Sócia e corpo clínico da Clínica Nossa Sra. Da Luz

• Sócia e corpo clínico da Cardioderma Serviços Médicos

• Consultório particular desde 2001.

123
Cuidados Estéticos
Assim como os demais órgãos do nosso corpo, a pele, o maior órgão do
corpo humano, também envelhece. O envelhecimento cutâneo tem dois
componentes: o intrínseco, decorrente da passagem dos anos, determi-
nado principalmente por fatores genéticos, estado hormonal e reações
metabólicas; e o envelhecimento extrínseco, decorrente de fatores ex-
ternos, que levam à produção de radicais livres, tais como: tabagismo,
estresse, consumo exagerado de álcool, privação do sono, alimentação
não balanceada, poluição e o mais importante deles, a exposição solar,
responsável pelo fotoenvelhecimento.

A pele na 3ª idade reflete os hábitos de vida da pessoa até esse período,


principalmente o quanto essa pele foi exposta ao sol, visto que os efeitos
provocados pela exposição solar são cumulativos. Estima-se que recebe-
mos 80% de toda a radiação solar da vida até os 18 anos, mas os danos
causados por ela só serão percebidos anos depois. Daí a importância do
uso do protetor solar desde cedo.

Os fumantes possuem marcas mais acentuadas do envelhecimento na


pele. O fumo reduz o fluxo sanguíneo, dificultando a oxigenação dos
tecidos, intensificando as rugas e dando à pele uma coloração amarelada.
Rugas acentuadas ao redor da boca são comuns em fumantes.
A pele não exposta, ao envelhecer, apresentará perda de elasticidade e
firmeza, rugas, diminuição do viço e da luminosidade e diminuição da
hidratação. Essas alterações são bem mais pronunciadas na pele fotoexposta,
além de essa apresentar superfície áspera, espessa e amarelada, manchas
marrons, brancas, pequenos vasos sanguíneos dilatados, lesões pré-ma-
lignas e maior risco de câncer de pele. Isso se deve à penetração dos raios
ultravioletas na derme, que levam à fragmentação das fibras de colágeno
e elastina.

Uma forma simples se de observar claramente essa diferença é comparar


o aspecto de uma parte do corpo mais exposta à radiação solar, como
braços, e de outra mais protegida, como o abdome. A diferença entre
ambas é bem nítida.
Na face, ocorre também perda de volume e reabsorção óssea progressiva.
Aos 60 anos, 25% da massa óssea está perdida.

Os pelos ficam mais rarefeitos, quebradiços e menos numerosos na cabe-


ça, nas axilas, no púbis e nos membros (principalmente inferiores). E os
124
cabelos tornam-se brancos pela diminuição progressiva dos melanócitos
dos folículos pilosos.

As unhas se tornam mais frágeis, quebradiças, finas, com diminuição do


brilho. Tornam-se opacas e apresentam estrias longitudinais, chegando,
por vezes, a fissurar. Nos pés, as unhas ficam mais espessas e encurvadas
e o ritmo de crescimento diminui.

Dependendo da genética, o envelhecimento se mostrará mais precoce ou


mais tardiamente. As peles de fototipos mais baixos – I e II, que são peles
mais claras –, tendem a mostrar mais cedo os sinais do envelhecimento
e mais intensamente os sinais do fotoenvelhecimento.

Podemos minimizar os efeitos do envelhecimento extrínseco adotando


medidas que proporcionem um estilo de vida mais saudável, como con-
trole do estresse, prática de exercícios físicos, alimentação balanceada, e
o principal, a fotoproteção.

1. Tratamento

O elemento mais importante na prevenção, principalmente do fotoen-


velhecimento, é sem dúvida, o filtro solar. Esse deve ser usado em dias
de sol e de chuva, pois a emissão de raios UV é diária. O FPS deve ser
no mínimo 30 e não apenas no rosto, mas em toda a pele que não esteja
coberta por roupas.

Além do filtro solar, existem outras estratégias de fotoproteção, como o


uso de óculos escuros, roupas e chapéus apropriados com FPU (Fator
de Proteção Ultravioleta). Para os que praticam esportes, inclusive na-
tação, o produto deve ser resistente à água. Se houver muita exposição
solar ou suor excessivo, o produto deve ser reaplicado regularmente, de
preferência a cada 2 a 3 horas.

Cremes antienvelhecimento conseguem melhorar e atenuar os sinais de


envelhecimento cutâneo, mas são incapazes de reverter todas as alterações.

Além do tratamento clínico, dispomos de vários outros tratamentos que


apresentam resultados em menor espaço de tempo. Esses incluem peeling,
lasers, luz intensa pulsada, terapia fotodinâmica, ultrassom microfocado,
bioestimuladores, preenchimentos e toxina botulínica (esses dois últi-
mos estão sendo abordados no capítulo “Saúde Bucal e Harmonização
Facial”). Confira alguns desses:

125
1.1. Peeling
O peeling químico é uma técnica utilizada para melhorar a aparência da
pele, seja facial ou corporal. Consiste na aplicação de uma solução química
na derme, geralmente um ácido ou uma combinação desses, provocando
a sua separação, descamação e o surgimento de uma nova pele, com mais
brilho, melhor textura e mais clara.
Rugas finas, manchas, acne em atividade e suas consequências também
podem ser atenuadas com peeling.
A pele danificada cronicamente pelo sol com ceratoses actínicas também
melhora sua aparência com esse procedimento, diminuindo, inclusive, o
surgimento de câncer de pele.
O peeling químico pode ser muito superficial, superficial, médio e profun-
do. Isso vai depender do agente de peeling, da concentração do mesmo, do
número de passadas, a pressão exercida durante a aplicação e do tempo de
contato do agente com a pele. A escolha do mesmo vai depender do tipo
de pele e o que se deseja tratar. A espessura da pele do paciente também
influencia na penetração do agente de peeling. Quanto mais profundo o
peeling, maior a renovação celular e maior o tempo de recuperação.
O peeling químico pode ser precedido de um peeling mecânico (físico) –
cristal ou diamante –, para otimizar a resposta. Ou esses últimos serem
realizados como uma forma de promover uma esfoliação na pele.
Os sintomas durante a realização do peeling vão depender do tipo de pro-
cedimento realizado. Vão desde praticamente inexistentes, a leve sensação
de calor e ardência até, nos peelings mais profundos, dor, requerendo uso
de medicamentos anestésicos durante e, após o procedimento, curativo
cirúrgico.
No pós-procedimento, o período de descamação também é variável, assim
como a intensidade do mesmo.
1.2. LED
O LED, cuja tradução remete à língua inglesa (Light Emitting Diode) é uma
tecnologia que emite luz que atinge diretamente a mitocôndria celular,
estimulando o metabolismo e proliferação celular, bem como a reparação
de células comprometidas. Emite uma luz menos invasiva que o laser. É
realizado em consultório médico. Suas principais indicações são: queda
capilar, acne, regeneração cutânea pós-procedimento, dermatite sebor-
reica. Mostra efeitos benéficos no rejuvenescimento e na reparação dos
danos actínicos em peles cronicamente expostas à radiação.
126
1.3. Luz Intensa Pulsada

A LIP é uma tecnologia versátil, realizada com um equipamento dotado


de uma fonte de energia luminosa, que atinge os componentes fotor-
receptivos, nos tecidos que estão sendo tratados, os quais convertem a
energia luminosa que receberam do aparelho em calor, coagulando o
tecido alvo especificamente. Pode ser utilizada para tratamento de lesões
pigmentares e vasculares, sardas, manchas e melhorar a textura da pele,
bem como para remoção de pelos.

O número de sessões varia conforme a indicação.

É recomendada para pessoas de pele mais clara, pois peles com maior
quantidade de melanina podem absorver a luz e causar efeitos colaterais
indesejados.

O procedimento é realizado em consultório médico e é muito bem to-


lerado, raramente necessitando de anestésicos tópicos.

1.4. Ultrassom

Mais conhecido para realização de exames de imagem, o ultrassom tam-


bém pode ser utilizado em diversos tratamentos dermatológicos. O ul-
trassom microfocado foi desenvolvido com o intuito de proporcionar
efeito de lifting facial de forma não invasiva e não cirúrgica. Essa tecno-
logia utiliza o calor para promover a melhora da flacidez. As ondas do
ultrassom conseguem atingir e aquecer as camadas mais profundas da
pele, nas quais a contração do colágeno começa a ocorrer.

Sua principal indicação é a flacidez leve a moderada, tanto facial quan-


to corporal. Pode ser empregado também no tratamento da celulite e
gordura localizada. É indicado uma sessão anual, porém, em casos de
flacidez mais acentuada, o procedimento pode ser realizado em intervalo
menor de tempo. Pode ser aplicado na face, pescoço, abdome, glúteos,
face interna de coxas e joelhos.

É realizado em consultório e o número de sessões varia de acordo com


a indicação e o tipo de ultrassom utilizado. O paciente pode retornar às
suas atividades logo após a realização do procedimento, ficando restrita
apenas a realização de exercícios físicos vigorosos.

1.5. Microagulhamento

Também conhecido por Indução Percutânea de Colágeno por agulhas


(IPCA), o microagulhamento é um método que consiste na introdução
127
de finas agulhas que perfuram as camadas da pele para estimular o co-
lágeno. Pode ser realizado através de diversas técnicas, desde pequenos
rolos que sustentam as agulhas (mais comum), canetas elétricas, carim-
bos ou equipamentos automáticos, aos quais podemos associar técnicas
como a radiofrequência.

Pode ser utilizado em diversos tratamentos da pele. Entre eles: cicatrizes


de acne, melasma, flacidez, calvície, estrias, alopecia, rejuvenescimento.

A técnica mais popular é realizada em consultório, com anestesia prévia,


que pode ser com cremes ou infiltrativa, a depender da indicação e da
técnica escolhida pelo profissional.

Na técnica cirúrgica, o microagulhamento é feito de forma mais invasiva


e com o paciente anestesiado em ambiente cirúrgico. Essa técnica oferece
resultados visíveis em apenas uma sessão, enquanto a técnica minima-
mente invasiva oferece resultados após uma sequência de aplicações em
intervalos regulares, comumente mensais.

É contraindicado o microagulhamento em pacientes com infecções ou


câncer de pele no local a ser tratado. A recuperação é rápida, mesmo nos
casos da técnica cirúrgica.

1.6. Laser

Os equipamentos de laser possuem uma fonte de energia e a luz por eles


emitida atinge alvos específicos, como melanina (da pele ou do pelo)
– tratando manchas e destruindo pelos, consequentemente –, água e
hemoglobina (no interior dos vasos). Ou seja, a ação do laser é seletiva,
minimizando os efeitos nos outros componentes do tecido tratado. Pode
ser empregado em diversos tratamentos dermatológicos: rejuvenesci-
mento, cicatrizes, remoção de tatuagens e manchas, depilação, estrias e
destruição de pequenos vasos.

O tratamento a laser é realizado em consultório. Em alguns casos utili-


zamos cremes anestésicos tópicos antes do procedimento. O número e a
duração das sessões variam de acordo com a região tratada e os objetivos
do tratamento.

1.7. Criolipólise

A criolipólise é uma técnica de resfriamento controlado que destrói so-


mente as células de gordura no local da aplicação, induzindo a sua elimi-
nação de forma natural e controlada, sem danificar os tecidos ao redor.

128
É um procedimento não invasivo, sem cortes, que reduz camadas de
gordura em diversas áreas, tais como: abdome, flancos, região interna das
coxas, dorso e submentoniana (abaixo do queixo). O aparelho utilizado
possui ventosas (aplicadores) de diversos tamanhos e a escolha do mesmo
dependerá da quantidade de gordura e da área corporal a ser tratada.

O resultado é percebido após dois a três meses da aplicação. Um novo


procedimento, no mesmo local, só poderá ser realizado depois desse
período. A média estimada de redução de gordura após uma única ses-
são é de 25%.

É indicada para redução de gordura localizada em pacientes não obesos


e com gordura fácil de pinçar com a mão.

1.8. Bioestimuladores de colágeno

São substâncias sintetizadas em laboratório que, quando injetadas na pele,


estimulam a reação dos fibroblastos, que são as células que produzem o
colágeno, restaurando a firmeza e sustentação da pele.

Existem duas substâncias disponíveis no mercado: o ácido poli-L – láctico


(conhecido comercialmente por Sculptra®) e a hidroxiapatita de cálcio
(conhecida comercialmente como Radiesse®). Podem ser usados em ou-
tras áreas como: pescoço, colo, dorso das mãos, glúteos, coxas, braços
e abdome.

Em média são indicadas três sessões, com intervalo de 30 a 45 dias entre


elas, mas o número pode variar para mais ou para menos, dependendo
do grau de flacidez do paciente.

129
Referências Bibliográficas:

1) COURDEROT-MASUYER, C.; Robin, S.; Tauzin, H.; Humbert, P.


Evaluation of lifting and antiwrinkle effects of calcium hydroxylapatite
filler. In vitro quantification of contractile forces of human wrinkle and
normal aged fibroblasts treated with calcium hydroxylapatite. J Cosmet
Dermatol. 2016 Sep; 15 (3): 260-8.

2) FILHO, C.; Santos, L.; Juberto, A.; Cunha et al. Ácido poliláctico: um
agente bioestimulador. Surg Cosmet Dermatol. 2013;5 (4):345-350.

3) KEDE, M. P.; Sabatovich, O. Dermatologia estética. 2009.

4) SBCD. Disponível em: <https://www.sbcd.org.br>. Acesso em: 6 de


jul. de 2019.

5) SBD. Disponível em: <https://www.sbd.org.br>. Acesso em: 6 de jul.


de 2019.

130
Seily Saraiva
CRM: 52-52370-7

(21) 99144-0744 / 97021-2848


seilytoledo@yahoo.com.br
@ seilytoledo
Cirurgia Plástica DraSeily

• Curso de Medicina: Universidade Federal de Juiz de Fora -1989

• Residência Médica em Cirurgia Geral: Hospital Federal do Andaraí


-1990 a 1992

• Residência Médica em Cirurgia Plástica: Hospital Municipal Barata


Ribeiro – 1992 a 1995

• Especialista em Cirurgia Plástica em 1995 pela Sociedade Brasileira de


Cirurgia Plástica

• Fellow na Clínica Ivo Pitanguy em 1996

• Membro Titular em Cirurgia Plástica em 1998 pela Sociedade Brasileira


de Cirurgia Plástica 

• Membro do Staff do Serviço de Cirurgia Plástica do Instituto Nacional


do Câncer -2006 a 2011

• Curso na Língua Inglesa –Brasas English Course em 1995

Atividades atuais:

• Membro efetivo do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Municipal


Barata Ribeiro desde 2000

• Membro efetivo do Serviço de Cirurgia Plástica do Instituto Estadual


de Dermatologia Sanitária desde 2005 

• Oral Conversation – Yes idiomas.

131
Cirurgia Plástica: Como, Quando e Por quê?
A remota origem da Cirurgia Plástica se relacionava com a cicatrização
das feridas, ou seja, o tratamento de lesões causadas por pedras, flechas,
estilhaço de armas ou mordidas de animais.
Gaspare Tagliacozzi (cirurgião – 1545 a 1597) de Bologna – Itália –,
definiu Cirurgia Plástica como a arte dedicada à reparação de defeitos
congênitos ou adquiridos (para restaurar o que a natureza poderia dar e
foi tirado) e que tem como primeiro objetivo corrigir o prejuízo funcional,
mas também restabelecer a aparência para o mais próximo possível da
realidade(1). O principal propósito desse procedimento, segundo ele, não é
a restauração da beleza original, mas a reabilitação da parte em questão.
O termo “plástico” vem do grego plasticós, que quer dizer moldável(1).
Em 2013, o Brasil liderou o ranking de cirurgias plásticas. A partir de
2017, passou para o segundo lugar, atrás somente dos Estados Unidos(7).
As cirurgias mais realizadas são, em ordem decrescente, mamoplastia de
aumento, lipoaspiração, mamoplastia para modelagem ou diminuição
das mamas, blefaroplastia (cirurgia das pálpebras), rinoplastia (cirurgia
do nariz) e abdominoplastia.
Esses são dados que, na população da terceira idade, diferem quanto à
ordem, ficando as blefaroplastias em primeiro lugar, seguidas de abdo-
minoplastia, mamoplastia de redução, cirurgia de face e lipoaspiração.
Mais adiante, tecerei comentários sobre cada uma delas.
A exérese de lesões benignas e malignas não foi considerada nessa rela-
ção. São cirurgias muito comuns nessa faixa etária e devem ser analisa-
das minuciosamente. Pedimos, geralmente, um parecer da Dermatologia
para análise com o dermatoscópio. Muitas vezes, recebemos o paciente
encaminhado do dermatologista ou de outras especialidades.
O cirurgião plástico é o médico de escolha nesses casos, não só por
conhecer as linhas de força da pele para um melhor posicionamento da
cicatriz, mas também por usar as melhores técnicas para aprimoramento
da mesma e, nos casos onde há necessidade de rotação de retalhos ou
colocação de enxertos, tem a formação adequada e o conhecimento
anatômico de cada região específica.
1. Benefícios das cirurgias
No caso das pálpebras, o paciente se beneficia enormemente, muitas
vezes, apenas com a retirada da pele da pálpebra superior (a “cortina de
132
pele”, como muitos dizem). Outros relatam que passaram a enxergar
melhor depois da cirurgia porque ocorre uma natural abertura dos
olhos: “como eu era tempos atrás”, eles relatam. Corrigimos também as
várias desordens da senilidade, como a queda da pálpebra inferior, que
dificulta a oclusão correta dos olhos e que pode levar à úlcera de córnea.
O tratamento da região do abdome também é muito importante. Au-
xilia na postura ao retirarmos o peso de pele e gordura que se acumula
com a idade, muitas vezes chamada de avental. A redução das mamas
e a lipoaspiração também auxilia na sobrecarga da coluna. Segundo
dados do Ministério da Saúde, 51% da população brasileira está acima
do peso ideal.
A cirurgia de face devolve os tecidos para sua localização e retira os
excessos de pele e gordura acumulados com o tempo, com consequente
rejuvenescimento. A região da vulva também sofre muitas alterações
com o envelhecimento e vários procedimentos, como o enxerto de gordu-
ra nessa região, têm ótimos resultados. Esses são os pequenos procedi-
mentos que nós chamamos de ancilares, ou seja, que vão complementar
ou adiar a cirurgia. Muitas vezes feitos isolados, eles são ideais para
quem deseja um resultado rápido. São eles:
- Preenchimentos de rugas e sulcos, principalmente da face e mãos, que
podem ser feitos com a gordura do próprio paciente ou com produtos
à base de ácido hialurônico. Retira-se uma pequena quantidade de gor-
dura da região do mento, abdome ou região interna de coxas, que são
as áreas com mais conteúdo de colágeno. Podemos aproveitar também
o momento da cirurgia e realizar, ao mesmo tempo, os preenchimentos.
- Toxina botulínica Tipo A (BOTOX®), que irá amenizar as rugas de
expressão da região do canto dos olhos, testa, canto da boca e pescoço.
Também melhora a desidrose, que é o excesso de suor das mãos e axilas.
- Peelings de cristal ou de ácidos para descamar a região superficial da
pele e dar luminosidade à mesma.
2. Quando realizar tais procedimentos?
A média de idade dos pacientes nessa faixa etária que procuram uma
cirurgia estética é de 67 anos, realizando, igualmente, cirurgias faciais
e corporais.
A ocorrência de complicações e reintervenções não são consideradas
maiores do que em pacientes jovens.
Portanto, não existe uma idade ideal para se submeter a uma cirurgia
estética. O que vai determinar quando será a época ideal primeira-

133
mente é a(o) própria(o) paciente quando nos procura para uma primei-
ra consulta. Em segundo lugar, o clínico da família ou cardiologista
vai emitir um parecer descrevendo todas as condições clínicas e se
está autorizado ou não o procedimento. Algumas vezes é necessária
uma pequena correção. Um exemplo são os níveis de glicose: se au-
mentados, podem atrasar o processo cicatricial devido ao bloqueio ou
diminuição da circulação sanguínea. Também incapacitam as células
de defesa do organismo, que são os glóbulos brancos. Esses atacam
os micro-organismos, como vírus, fungos e bactérias que invadem
o nosso organismo. Um excesso de glicose torna essas células menos
eficazes, favorecendo uma infecção.
Manter um fluxo sanguíneo adequado também é importante no
pré-operatório e pode ser conseguido através de medidas que abaixem
os níveis de colesterol e pressão arterial, como caminhadas ou
alguma forma de atividade física diária. A dieta adequada já é um
fato bem conhecido de todos. O hábito de fumar e de tomar bebidas
alcoólicas deve ser diminuído, se possível, evitado.
O uso de anticoagulantes deve ser descontinuado em torno de uma
semana antes. Como são pacientes hígidos ou clinicamente controlados
e os procedimentos não envolvem órgãos internos, geralmente no dia
posterior à cirurgia já estarão aptos para retornarem aos seus domicílios.
Atualmente, nos comunicamos on-line com orientações, soluções de
dúvidas durante todo o pós-operatório, inclusive com o anestesista e
enfermeiros da equipe. Isso trouxe muita tranquilidade tanto para o
cirurgião quanto para o paciente e familiares.
3. Por que realizá–los?
Entre os muitos procedimentos que interferem direta ou indiretamente
nos cuidados com a saúde do idoso, a cirurgia estética ou um procedi-
mento como preenchimentos, BOTOX® ou peelings estão entre os mais
promissores.
Perdas psicológicas e afetivas são implicações comuns na velhice, as quais
aparecem, muitas vezes, em associação com manifestações somáticas
e caracterizadas pela redução da capacidade funcional, calvícies, enve-
lhecimento cutâneo intrínseco, entre outras.
Os indivíduos sujeitos às pressões da sociedade podem sofrer certas
distorções em sua imagem corporal, compulsões alimentares, levando à
obesidade, perda da autoconfiança e autorespeito, refletindo o julgamento
implícito de sua capacidade de lidar com os desafios da vida.

134
Alguns recentes trabalhos mostram altos índices de satisfação pessoal e
na vida social de idosos que se submetem a um procedimento estético.
Ao que tudo indica, foi comprovada a melhoria da satisfação pessoal e da
convivência de indivíduos que anteriormente apresentavam isolamento
social e degeneração cerebral. Ao realizarem um procedimento estético,
por mais simples que seja, o impacto em sua autoestima pode melhorar
seu bem-estar e nível de satisfação pessoal.
E a definição de autoestima nada mais é do que a qualidade de quem se
valoriza, se contenta com seu modo de ser e demonstra, consequente-
mente, confiança em seus atos e julgamentos.
Estamos evoluindo para uma era em que o envelhecimento da população
vai remodelar, inexoravelmente, o mundo em que conhecemos.
Serão necessárias mudanças na comunidade no que se refere às inter
relações pessoais, ao respeito pela população idosa e à capacidade indi-
vidualizada de ser útil na sociedade.
O desafio atual é conhecer diretamente as mudanças que já afetam a
qualidade de vida da população. Qualidade de vida é visto sob todos
os aspectos (físico, emocional, psicológico, espiritual e social ) que
têm importância de modo individual para todas as pessoas prin-
cipalmente na velhice.
A presença de mais comorbidades (doenças associadas) não se constitui
como um fator impeditivo para a realização de cirurgia estética, por ser
considerada historicamente como um procedimento seguro.
As idosas consideram, de acordo com estudos, que a cirurgia estética
traz, principalmente, benefício próprio (92%), mais segurança com a
autoimagem (84%), e influencia na vida social (64%).
Assim, conclui-se que são procedimentos puramente estéticos, mas que
têm a capacidade de auxiliar no restabelecimento da saúde física, me-
lhora postural, bem-estar psicológico com reintegração na sociedade.
O benefício é claramente visto com relatos do próprio paciente e da fa-
mília e amigos que o acompanham nas revisões. Normalmente, as frases
que mais escutamos são: “Dra., se soubesse teria feito há mais tempo”;
“Muito obrigada por me devolver alguns anos da minha juventude”;
“Ela(e) está muito mais participativo e feliz”.

135
Referências Bibliográficas

1) PETER C. Neligan. Plastic Surgery, Third Edition.

2) O mundo da saúde, São Paulo: 2009 33 (2): 175-181.

3) BRANDÃO AR, BRANDÃO TCR. Envelhecimento Cutâneo. IN:


Freitas EV, et al., organizadores. de Geriatria e Gerontologia, segunda
edição. Rio de Janeiro.

4) CLARKSON P., Stafford-Clark D., Role of P. S and Psychiatrist in the


surgery of appearence. Br MedJ. 1960: 2(5215): 176-871.

5) MINISTÉRIO da Saúde. Disponível em: <www.brasil.gov.br>.

6) SPADONI-PACHECO L., Carvalho G. Revista Brasileira de Cirurgia


Plástica. 2018; 33(4): 528-35.

7) SOCIEDADE Brasileira de Cirurgia Plástica. Censo 2017. 2017. Disponí-


vel em: <http://www.cirurgiaplastica.org.br/wpcontent/uploads/2017/12/
CENSO-2017.pdf>. Acesso em: 10 de abr. de 2018.

8) LIMA LCV, Vilela WV, Bittar CML. Entrevista com idosos: percepções
de qualidade de vida na velhice. Invest. Qualit. Saúde. 2016; 2: 57-65.

9) HAAS CF, Champion A, Secor D. Motivating factors for seeking


cosmetic surgery: a synthesis of the literature. Plast. Surg. Nursd. 2008:
28(4): 177-82.

10) PITANGUY I. Cirurgia Plástica: Uma visão de sua amplitude. 1ª ed.


São Paulo: Atheneu; 2016.

136
José Wilson Frascareli
CRM/SP: 150.758

jw_frascareli@hotmail.com

• Graduado em Medicina pela Universidade de Marília

• Curso de Pós-graduação Lato Sensu – Especialização em Clínica


Médica

• Curso de Pós-graduação Lato Sensu – Especialização em Geriatria

• Aperfeiçoamento em Cuidados Paliativos para médicos em Instituto


PALIAR – São Paulo

• Curso de Pós-graduação Lato Sensu – Especialização em Fitoterapia

• Vice-diretor clínico, Médico assistente e preceptor em residência médica


de geriatria em Hospital Geriátrico e de Convalescentes Dom Pedro II.

137
Transtornos do Sono
O sono é definido como um conjunto de alterações comportamentais e
fisiológicas que ocorrem de forma conjunta e em associação a atividades
elétricas cerebrais reversíveis à estimulação.
Segundo Rodrigues et al. (2012):
É um estado de consciência complementar ao da vigília, e independente da
idade, o sono restaurador é essencial para o bem-estar físico e emocional. O
processo de envelhecimento em si gera mudanças em suas características e sua
desestruturação pode acarretar doenças e originar problemas orgânicos e sociais
ao paciente(7).

O ciclo sono-vigília é um ciclo circadiano e varia de acordo com a idade,


sexo e características individuais. O sono apresenta duas fases: o sono
não REM (NREM - non-rapid-eye-movement) e sono REM (rapid-eye-
-movement), que se alternam durante o sono normal.

O sono não REM representa a maior parte do sono e é subdividido em


três fases: N1, N2, N3, as quais representam progressivamente a pro-
fundidade do sono, sendo que o estágio N3 é conhecido também como
sono profundo(3).

O sono REM não é subdividido. Ocorre quando os sonhos aparecem e


há episódios de movimentos oculares rápidos.

Como Rodrigues et al. (2016) descreve:


O sono noturno começa com períodos de aproximadamente 90 minutos de sono
NREM, que vão sucessivamente se aprofundando do N1 ao N3, seguidos de um
período de 10 a 15 minutos de sono REM (ciclo do sono). Este ciclo se repete a
cada 70 a 120 minutos, em um total de 4 a 6 vezes durante o sono(6).

Envelhecimento

Com o envelhecimento a estrutura do sono muda, resultante de diversos


fatores, como as alterações hormonais, medicações, doenças.

O idoso demora mais para iniciar o sono (denominado como aumento


do tempo de latência) e tem o despertar mais precoce. É um sono mais
superficial (redução do estágio N3 e manutenção do N1 e N2) e mais
fragmentado.

Há também uma diminuição na secreção noturna de melatonina (hor-


mônio relacionado ao ciclo circadiano).

138
Principais alterações no sono do idoso:

1. Insônia

É o mais comum em idosos. Caracterizado como percepção insuficiente,


tanto quantitativa quanto qualitativa, motivada pela incapacidade de
iniciar e/ou manter o sono durante a noite(5). A insônia pode ser inicial
(demora mais de 30 minutos para iniciar o sono), de manutenção (des-
pertares noturnos) ou terminal (despertar precoce).

Pode ser dividida em Primária ou Secundária. A Primária é caracteri-


zada por uma atividade mental exacerbada ao deitar, ou seja, dificulda-
de em relaxar devido a pensamentos e situações que geram angústia,
tornando-se assim um ciclo vicioso no qual a dificuldade de dormir
gera uma ansiedade que dificulta o sono. A Secundária ocorre por di-
versas condições médicas relacionadas aos diversos sistemas do nosso
organismo, como o respiratório (DPOC, asma), cardíaco (Insuficiência
cardíaca congestiva, cardiopatia isquêmica), neurológico, geniturinário,
endócrino, gastrintestinal.

Episódios persistentes de insônia estão relacionados com o desenvolvi-


mento de síndrome demencial, depressão, hipertensão arterial, diabetes
e doenças cardiovasculares(4).

Existem diversas substâncias que podem desencadear e/ou piorar um


quadro de insônia, como a bebida alcoólica, nicotina, cafeína, e medica-
ções tais como: anticolinesterásicos, betabloqueadores, xantinas, fenilefe-
drina, corticoides, antiarrítmicos, hormônios tireoidianos, bloqueadores
H2, drogas antiparkinsonianas.

O tratamento inicial consiste na abordagem não-farmacológica. É impor-


tante manter uma regularidade na hora de deitar e levantar (inclusive aos
finais de semana), evitar substâncias estimulantes no período noturno,
não dormir com fome, evitar assistir televisão na cama, manter o local
aconchegante e com o mínimo de ruídos ao redor, realizar atividade física
até no máximo 3 horas antes de deitar. Essas são algumas das orientações
para se manter uma higiene adequada do sono.

O uso de medicações pode se fazer necessário: Algumas classes de me-


dicações para o tratamento da insônia são: hipnóticos de 2ª geração (zol-
pidem) e de 3ª geração (indiplona), meatoninérgicos (melatonina – não
disponível no Brasil), antidepressivos sedativos (mirtazapina, trazodona).

139
2. Síndrome das Pernas Inquietas

Também conhecida como Síndrome de Ekbon, acomete principalmente


mulheres acima de 65 anos. Tem como característica a urgência em mo-
vimentar os membros associada à parestesia e disestesias. Os sintomas
pioram com o repouso e melhoram com movimento, sendo pior à tarde
ou à noite(2). O uso de cafeína e o tabagismo podem piorar os sintomas,
devendo ser evitados.

A primeira opção de tratamento são os agonistas dopaminérgicos não


ergolíneos (pramipexol). Outras medicações utilizadas são: levodopa e
gabapentina. A terapia medicamentosa pode ser combinada com outros
tratamentos não-medicamentosos.

3. Movimentos Periódicos dos Membros

É caracterizado por episódios repetitivos de movimentos estereotipados,


involuntários e recorrentes dos membros inferiores. Pode estar associado
a outros transtornos do sono, como a síndrome das pernas inquietas,
síndrome da apneia obstrutiva do sono, transtorno comportamental do
sono REM(5).

Acomete homens e mulheres na mesma proporção. É diagnosticado


através da polissonografia, sendo esse tratamento semelhante ao utilizado
na síndrome das pernas inquietas.

4. Transtorno Comportamental do Sono REM

É uma parassonia caracterizada pela perda da atonia muscular normal


durante o sono REM, apresentando atividades motoras anormais durante
o sono (podem ocorrer comportamentos violentos e agressivos realizados
contra o próprio indivíduo ou contra o seu companheiro de cama – socos,
chutes e até mesmo gritos, levantar da cama etc.).

Está associado a condições neurodegenerativas, como a doença de Par-


kinson, Degeneração corticobasal, Paralisia supranuclear progressiva.
Pode também ser causado por substâncias, tais como: inibidores da
recaptação de serotonina, álcool, cafeína, opioides, inibidores 5-HT, ini-
bidores seletivos da captação de noradrenalina(6).

O diagnóstico é clínico, apoiado pela polissonografia. O tratamento é


baseado na tentativa de reduzir a frequência e gravidade dos compor-
tamentos anormais, sendo os benzodiazepínicos (clonazepam) os mais
efetivos quando não há contraindicações ao seu uso.

140
5. Transtornos do Ritmo Circadiano

Os distúrbios mais relacionados com os transtornos do ritmo circadia-


no estão associados aos sintomas de avanço de fase do sono (adormece
mais cedo e acorda na madrugada) com posterior sonolência diurna e
cochilos(1).

Outra alteração é denominada jet-lag, em indivíduos que fizeram viagens


transmeridianas e apresentam uma dessincronização do ciclo circadia-
no, apresentando fadiga diurna, dificuldade para dormir à noite, baixo
desempenho mental e físico, cefaleia, desorientação, irritabilidade.

6. Síndrome da apneia obstrutiva do sono

É caracterizada por episódios recorrentes de obstrução parcial (hipop-


neia) ou total (apneia) da via respiratória superior durante o sono(6). É
um fator de risco principalmente para doenças cardíacas. Frequente em
idosos do sexo masculino e obesos. Os sintomas mais relatados são sono
não-reparador, fadiga excessiva, dificuldade de concentração durante o
dia; há ainda o relato do cônjuge sobre roncos altos associados à pausa
respiratória. O diagnóstico é realizado através da polissonografia, pela
qual a presença de 15 ou mais eventos respiratórios obstrutivos por hora
confirma o diagnóstico.

O tratamento consistente no uso de aparelhos de pressão positiva (CPAP).


Em obesos a redução de peso é essencial para melhora dessa síndrome.
Deve-se reduzir ou, se possível, evitar o uso de álcool, pois pode agravar
a apneia do sono.

Diversos são os transtornos do sono nos idosos que podem levar a im-
pactos negativos em seu cotidiano, bem como predispor a outros tipos de
doenças. É essencial que na presença de qualquer alteração no padrão do
sono se procure ajuda médica especializada para o correto diagnóstico
e tratamento mais precoce, evitando, assim, possíveis complicações e
prejuízos na vida do idoso.

141
Referências Bibliográficas

1) BENEDITO-SILVA, A. A. Cronobiologia do ciclo vigília-sono. In:


Medicina e biologia do Sono. 1. ed. Barueri: Manole, 2008. p. 24-31
2) GAMALDO, C. Treatment of the sleepless/restless patient. The Ame-
rican Academy of Neurology Institute. 2015. Chicago. p. 1-5
3) HASAN, R.; Alóe, F. Fisiologia do Sono. Tratado de Neurologia da
Academia Brasileira de Neurologia. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
p. 371
4) NEUBAUER, D.N. Insomnia therapy. In: Handbook of Sleep Medi-
cine. 2. ed. Philadelphia: 2001. p. 147-58
5) QUINHONES, M. S.; Gomes, M. M. Sono no envelhecimento normal
e patológico: aspectos clínicos e fisiopatológicos. Rev Bras Neurologia.
2011; 47(1):31-42
6) RODRIGUES, N. L.; Costa, N. A.; Câmara, V. D. Transtornos do Sono
no Idoso. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 4. ed. Rio de Janeiro,
Guanabara Koogan, 2016. p. 346-59
7) RODRIGUES, N. L.; Sampaio, L. E. D. A. M. Manejo dos distúrbios
do sono no idoso. In: Manual Prático de Geriatria. 1. ed. Rio de Janeiro:
AC Farmacêutica, 2012. p. 171-88

142
Joana Conte
CRP: 05-49484

(21) 99937-6879
baptista.joana@yahoo.com.br
@psicologiaemmov
Psicologia em Movimento

• Psicóloga Clínica (PUC-RIO)


• Formação em Terapia Sistêmica Vivencial (BIO Desenvolvimento
Humano)
• Formação em Psicologia Positiva (PSI+ Instituto Internacional de Psi-
cologia Positiva)
• Experiência em Saúde Mental (Hospital Psiquiátrico de Jurujuba)
• Experiência em Psicologia Hospitalar (Perinatal de Laranjeiras)
• Capacitação em Práticas Colaborativas no Direito de Família (IBPC)
• Curso de Extensão em Psico-oncologia (CCE-PUC RIO)
• Perita cadastrada no SEJUD-TJRJ.

143
Expectativas e Frustrações
Embora tenha visto passar uma idade decente
O homem às vezes pode ainda desejar o mundo
Sófocles

A passagem para o chamado estágio tardio da vida pode ser um grande


desafio para quem o experiencia e para aqueles ao seu redor. A conserva-
ção da identidade e da busca de um propósito, frente aos questionamentos
referentes ao envelhecimento e à morte, bem como o enfrentamento
constante de perdas importantes, podem justificar as dificuldades vi-
venciadas nesse período.
Fato é que, com o aumento progressivo da expectativa de vida, a popu-
lação idosa vem tornando-se cada vez mais numerosa e as questões que
a envolvem têm sido, frequentemente, objeto de análise e estudo.
Considerando-se que, há muito pouco tempo atrás, não contávamos com
a longevidade que hoje tornou-se corriqueira, como podemos nos adap-
tar a essa nova realidade de forma mais amena, tendo em vista aspectos
como relacionamentos familiares, amor e sexo, trabalho, sustento, vida
social, saúde, valorização e inclusão?
Atualmente a legislação prevê a aposentadoria a partir dos sessenta, para
mulheres, e sessenta e cinco anos, para homens, ou o prazo mínimo de
trinta ou trinta e cinco anos de contribuição, respectivamente(5), com
grandes possibilidades de que o encerramento da atividade laboral de-
sempenhe um papel negativo na sobrevida do idoso, já que dele podem
decorrer sentimentos de inutilidade e até perda da identidade, nos casos
em que ela tenha ocupado um papel significativo em sua vida até então,
alçando-o, muitas vezes, à função adicional de provedor, responsável
pelo sustento e equilíbrio financeiro familiar.
O senso de pertencimento também pode ficar comprometido, caso o
ambiente de trabalho se confunda com a vida social. Assim, a perda
do trabalho equivale à perda do próprio reconhecimento, e exige um
esforço de reconstrução do seu mundo privado, o que pode se tornar
especialmente angustiante.
No caso das mulheres que assumem as funções domésticas, essa transição
não é tão sentida, embora, muitas vezes, tenham que se adaptar à nova
realidade dos companheiros, que passam a ficar mais ociosos e com
considerável tempo livre, boa parte dele sendo desfrutado dentro de casa.
Nesse diapasão, faz-se necessário a busca de uma nova função social,
mediante o preenchimento desses espaços vazios com outras atividades
144
e interesses. A prática de um esporte, viagens, a dedicação a diferentes
hobbies e cursos ou até mesmo o aumento do tempo dedicado ao convívio
familiar são bons exemplos de situações que podem contribuir para a
atualização das perspectivas desses recém-aposentados.
Não podemos descartar, também, nos casos mais graves e difíceis, a
ajuda profissional, em que a psicoterapia se torna uma ferramenta eficaz
para a reorganização de sentimentos e posicionamentos nessa nova fase.
De acordo com o Ministério da Saúde, a maior taxa de suicídio do país
se concentra, justamente, entre os indivíduos com mais de setenta anos,
assim como é maior entre homens solteiros, divorciados e viúvos, o que
comprova que o avanço da idade, associado a prejuízos sociais, figura
um fator de risco importante(3).
O momento do ciclo de vida familiar atravessado pelos idosos também
requer um olhar atento e cuidadoso. É provável que, além da perda do
trabalho como fonte de valorização e reconhecimento, o indivíduo esteja
vivenciando outras perdas significativas, como a saída dos filhos de casa
e o envelhecimento e morte dos pais. Em algumas situações eles são
dispensados do papel de genitores cuidadores, ao mesmo tempo em que
são chamados a assumir os cuidados com os seus familiares mais velhos.
A questão geracional torna-se ponto-chave, à medida em que a dinâmica
familiar muda e os papéis se modificam. Com a morte da geração mais
velha da família, a outra, imediatamente abaixo, é alçada a esse patamar,
provocando questionamentos referentes ao seu próprio envelhecimento
e morte. Por outro lado, as gerações mais novas também assumem novos
postos, como os de pais, o que promoveria seus respectivos genitores à
função de avós.
Vale destacar que a terceira idade engloba, ela mesma, uma divisão dire-
tamente associada a cada fase vivida nesse estágio, conforme estudiosos
do processo de envelhecimento: os “velhos jovens” ocupariam a faixa que
vai dos sessenta ou sessenta e cinco, aproximadamente, aos setenta e cinco
anos; “velhos médios” estariam entre setenta e cinco e oitenta cinco ou
noventa anos; e os chamados “velhos velhos”, dos noventa em diante(7).
Dessa forma, percebemos que uma mesma família pode comportar, ao
mesmo tempo, idosos em fases completamente distintas da vida, com
mais de trinta anos de diferença entre si, com perspectivas e propósitos
naturalmente discrepantes.

145
De fato, não só a idade, mas a própria personalidade de cada um pode ser
determinante na maneira através da qual esses idosos, velhos ou jovens,
procurarão preencher seus vazios e expectativas. Por óbvio, irritação,
cansaço e tristeza podem estar mais presentes, principalmente nas fases
adaptativas. Mudanças de status, moradia e convivência nem sempre
serão bem recebidas, e isso se agrava se forem involuntárias. O ideal é
que a própria pessoa se conscientize do seu momento de vida, aspirações
e demandas e busque, por si mesma, as reorganizações necessárias ao seu
bem-estar, qualidade de vida e felicidade. O chamado bom envelhecimen-
to requer participação ativa daquele que o atravessa, transformando-o
em responsável (ou corresponsável, no caso de haver qualquer limitação)
por uma transição e subsistência saudáveis.

Destaque-se, no entanto, que a influência das pressões e crenças sociais,


em alguns casos, gera impactos negativos na busca por uma vida satis-
fatória e plena. Isso ocorre porque, ao mesmo tempo em que há o incen-
tivo crescente para o alcance de uma maior autonomia e integridade no
estágio tardio da vida, algumas áreas da existência acabam ignoradas
ou até mesmo alijadas nesse período, frente ao estereótipo atribuído ao
idoso de desligamento quando o assunto é vida afetiva e sexual.

É como se a partir daquele momento os indivíduos deixassem de sentir


os desejos e prazeres comuns, tendo que “vestir-se mais adequadamente
para a nova ocasião”. Idade avançada “não combina” com flerte, namoro
e sexo. Nesse sentido, ainda é muito comum ver filhos adultos se opondo
à busca dos pais idosos pela reconstrução de sua vida afetiva com novos
relacionamentos amorosos, o que torna a situação ainda mais difícil,
constrangedora e sofrida.

Essa condição pode se agravar quando, diante da imposição social e


familiar, ainda que silenciosa, o próprio idoso se conforma com a sua
marginalização e isolamento, dando lugar ao fenômeno da profecia autor-
realizadora, “que consiste na exibição de um padrão de comportamentos,
que faz com que a pessoa alvo deste comportamento seja influenciada
por ele e responda de forma coerente com as expectativas”(6).

Seria o equivalente a dizer que “enquanto a alma ainda dança, o corpo


cansa, e paralisa”. Desta feita, o idoso abre mão de certos aspectos da vida
para assumir uma posição mais aceita e confortável perante a sociedade.
Aqui se aplica a chamada rotulação, utilizada como um mecanismo de
segurança social, na medida em que funciona como um previsor das
ações alheias. As expectativas depositadas no rotulado são por ele inter-
nalizadas de modo que ele venha a agir exatamente conforme o esperado,
facilitando, assim, o convívio social.

146
Isso acaba por trazer um ganho secundário importante para o idoso,
uma vez que ele se sente pertencente ao sistema, evitando novas perdas
e sofrimentos, assumindo um papel menos arriscado, mas, ao mesmo
tempo, sem perspectivas suficientemente motivadoras ou excitantes,
colocando-se como incapaz de explorar e se abrir para o novo, como se
não fosse mais possível (ou permitido), a essa altura, fruir do ócio criativo,
bem como das inúmeras possibilidades dele decorrentes.
Assim, como se não bastassem as pressões externas, sentimentos de culpa
e de inadequação podem levar ao engessamento psicológico e emocional
do idoso, causando ou agravando sintomas físicos e mentais próprios
dessa fase.
O segredo, então, repousa em uma autoanálise cuidadosa e gentil, aliada a
um levantamento realista das possibilidades e capacidades: mental, física
e financeira. A aceitação das mudanças inevitáveis e o desempenho sere-
no dos novos papéis assumidos são fundamentais a um aproveitamento
integral dessa nova etapa. Não existe um modo correto de envelhecer,
assim como não há uma forma certa de viver. Existe sim, a maneira de
cada um. Segundo Pollock, citado por Viorst, J. (2005),
A percepção básica consiste em reconhecer que partes do nosso eu que existiam
antes, ou que se esperava possuir, não são mais possíveis. Libertando-se da
lamentação pelo eu mudado, pelas pessoas perdidas, pelas esperanças e aspira-
ções não realizadas, bem como dos sentimentos por outras perdas e mudanças,
aumentamos a aptidão para encarar a realidade como ela é e pode ser. A ‘libe-
ração” do passado e do inatingível ocorre, então. Surgem novas sublimações,
interesses e atividades. Pode haver novos relacionamentos... O passado pode se
tornar realmente passado, distinto do presente e do futuro. Surgem sentimentos
de serenidade, alegria, prazer e entusiasmo(7).

Finalmente, podemos aprender com a natureza e o exemplo das lagostas.


À medida que seu corpo cresce por dentro da casca, aquele invólucro
duro, inflexível e protetor vai se tornando cada vez mais incômodo. Mas
como abrir mão dele? Como abandonar o antigo e conhecido contorno
para arriscar o desconhecido? Quem sou eu sem a parte que me limita
e define?
Aos poucos, no entanto, ainda que a teimosia impeça que se dê novos
passos, a carapaça se torna tão desconfortável, que a sua conservação se
faz inexequível. O crustáceo precisa, então, se despedir das antigas vestes
e aguardar que seu organismo providencie uma nova indumentária,
maior, mais apropriada e confortável. Pode ser que no início se estranhe
a excêntrica moradia. Mas, com o tempo, conclui-se, de forma irreme-
diável, que só a mudança torna possível a continuação da existência.

147
Referências Bibliográficas

1) CARTER, B.; McGOLDRICK, M. (cols) As Mudanças no Ciclo de


Vida Familiar: uma estrutura para a terapia familiar: 2.ed. Porto Alegre:
Artmed, 1995.

2) FRANKL, V. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de con-


centração. Petrópolis: Vozes, 2008.

3) MACIEL, V. Taxa de suicídio é maior em idosos com mais de 70 anos


- 2017 - Disponível em: <https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-sau-
de/29691-taxa-de-suicidio-e-maior-em-idosos-com-mais-de-70-anos>.
Acesso em: 28 jun. 2019.

4) PERISSE, C.; MARLI, M. Caminhos para uma melhor idade: Rio de


Janeiro: Retratos - A Revista do IBGE, N.16, fev. 2019, pag. 19-25. Dispo-
nível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/
arquivos/d4581e6bc87ad8768073f974c0a1102b.pdf>. Acesso em: 28 jun.
2019.

5) PODER EXECUTIVO. PEC 6/2019: atualmente em tramitação, visa


modificar o sistema de previdência social, com o aumento da idade para
aposentadoria das mulheres para sessenta e dois anos e a necessidade
de cumprimento da idade mínima (ficando incabível a modalidade de
aposentadoria somente por tempo de contribuição). Disponível em:
<http://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idPro-
posicao=2192459>. Acesso em: 28 jun. 2019.

6) RODRIGUES, A.; ASSMAR, E.M.L.; JABLONSKI, J. Psicologia Social:


28 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

7) VIORST, J. Perdas Necessárias: 4.ed. São Paulo: Editora Melhoramen-


tos, 2005.

148
Erica Jares
CRP: 24311/05

(21) 96800-9999
erica_jares@hotmail.com
@psicologaericajares
psicologaericajares
www.ericajares.com.br

• Psicóloga Clínica

• Formação em Terapia Cognitivo-Comportamental (CPAF -RJ)

• Formação em Terapia do Esquema (Wainer PsicologiaCognitiva)

• Pós-graduada com Especialização em Psicologia Positiva (PUCRS


- Pontifícia Universidade Católica)

• Pós-graduada com Especialização em Neuropsicologia Clínica


(UVA - Universidade Veiga de Almeida)

• Pós-graduada com Especialização em Psicologia Médica e Psicos-


somática (UNESA/Hospital Salgado Filho)

• MBA em Gestão de Pessoas (FGV - Fundação Getúlio Vargas)

• Membro da FBTC (Federação Brasileira de Terapias Cognitivas)

• Membro da ATC (Associação de Terapias Cognitivas)

• CEO do Espaço Persona Saúde Integrada.

149
Ansiedade e Depressão
O excesso de informações, preocupações, concorrência do mercado de
trabalho, estresse, violência e acontecimentos cotidianos são alguns fa-
tores externos aos quais o indivíduo é submetido, e que exigem uma
maior adaptação e resiliência para evitar transtornos emocionais, como
ansiedade e depressão. Essas situações podem servir como gatilhos e
causar prejuízos na vida do indivíduo. A forma de lidar com isso, vai
depender da capacidade de como ele percebe e interpreta essas situações
e de como lida com as mudanças e as frustrações. A forma de pensar a
respeito de alguma situação vai definir as emoções e os comportamentos.
Muitos pensam que a ansiedade e a depressão são quadros opostos. Elas
têm, sim, a sua diferenciação, porém quem tem ansiedade pode desen-
volver a depressão.
Algumas vezes a ansiedade e a depressão andam juntas. Entretanto, é
importante entender a diferença entre elas.
1. Compreendendo a Ansiedade
Muitas situações enfrentadas ao longo da vida ativam determinadas
emoções sempre que a mente avalia contextos como ameaçadores ou
perigosos. A reação que o organismo vai ter ao se deparar com esses
eventos chama-se ANSIEDADE.
A predisposição genética, a influência de fatores ambientais ou emocio-
nais gerados por crenças formadas ao longo da vida fazem com que o
indivíduo seja mais susceptível a desencadear o transtorno.
Nem sempre a ansiedade é ruim. Ela também tem seu lado bom e saudável.
A ansiedade é saudável quando prepara o indivíduo para enfrentar os
medos e as dificuldades e para reagir aos problemas, incentivando a
realização de tarefas importantes, permitindo-o, assim, lidar com os
desafios, motivando e melhorando o rendimento e a adaptação social.
Contudo, quando a ansiedade é excessiva a ponto de paralisar o indiví-
duo, dificultando o enfrentamento de situações “que lhe pareçam difí-
ceis”, causando descontrole, reações fisiológicas e comportamentos de
fuga ou de evitação, pode-se dizer que este é o estágio em que a ansiedade
é patológica.

150
A ansiedade causa no indivíduo sintomas psicológicos e/ou físicos que
surgem através de pensamentos automáticos disfuncionais, ou seja, pen-
samentos distorcidos, tidos como verdades absolutas acerca de deter-
minada situação. Ex.: O indivíduo é chamado na sala do gerente para
uma reunião e a primeira coisa que passa pela sua mente é que será
demitido. Nesse momento começa a ter alguma emoção desagradável,
como medo ou angústia, ou ainda alguma reação fisiológica indesejada,
como taquicardia.
Existem vários sinais e sintomas característicos da ansiedade. Tais como:
a) Sintomas físicos da ansiedade
Falta de ar; taquicardia; sudorese; dores de cabeça; náuseas; tensão mus-
cular; respiração ofegante; sensação de desmaio; tremores; diarreia; ton-
turas; dor no peito etc.
b) Sintomas psicológicos da ansiedade
Apreensão, medo, angústia, inquietação, irritabilidade, tensão, nervosis-
mo, dificuldade de concentração, pensamentos acelerados, descontrole
dos pensamentos, agitação motora, preocupação exagerada, insônia etc.
Segundo Beck, A. (1976) apud Beck J.S. (2013) “os pacientes tendem a
cometer erros persistentes no seu pensamento. Frequentemente, existe
uma tendência negativa sistemática no processamento cognitivo de pa-
cientes que sofrem de algum transtorno psiquiátrico”(4).
Ao identificar tais pensamentos e crenças disfuncionais, o indivíduo
deve reestruturá-los cognitivamente, questionando estes pensamentos,
buscando evidências a respeito das interpretações dos eventos e identi-
ficando os erros cognitivos.
De acordo com Leahy (2011), “as pessoas ansiosas costumam ter ma-
neiras de pensar típicas, denominadas como distorções cognitivas ou
erros cognitivos”(6).
Os erros cognitivos são distorções encontradas nos pensamentos auto-
máticos disfuncionais.
Pessoas ansiosas tendem a ter como erros cognitivos mais característicos:
a) Catastrofização: o indivíduo prevê negativamente o futuro, acreditan-
do que algo de terrível irá acontecer, sem levar em consideração qualquer
outro resultado provável. Ex.: “O meu namorado não atende aos meus
telefonemas. Deve estar me traindo!”
151
b) Leitura mental: o indivíduo acredita saber quais são os pensamentos
e intenções dos outros. Ex.: “Ele está vendo que estou nervosa e acha que
eu não sei nada deste projeto.”

c) Supergeneralização: significa tomar casos negativos isolados e gene-


ralizá-los, tornando-os um padrão, mesmo em situações ligeiramente
parecidas. Ex.: “Eu já andei neste ônibus e fui assaltada. Sempre serei
assaltada se andar de ônibus novamente.”

d) Raciocínio emocional: o indivíduo sente “emocionalmente” que algo


é verdade e acredita nisso, ignorando ou desvalorizando as evidências
contrárias. Ex.: “Embora eu tenha estudado, sinto que vou me dar mal
na prova.”

Se o indivíduo perceber que a sua ansiedade está impactando sua vida


e impedindo de realizar as tarefas comuns ao seu dia a dia, é hora de
buscar tratamento e ferramentas para o manejo e controle. Uma ajuda
profissional e a mudança de alguns hábitos podem ser bastante eficazes.

A Psicoterapia Cognitivo-Comportamental é o tratamento mais indicado


para essas condições e, algumas vezes, é necessário ser combinado com
intervenção medicamentosa.

O tratamento consiste em provocar uma mudança na maneira disfuncio-


nal de perceber e raciocinar sobre as situações, identificando os gatilhos
que causam a ansiedade e gerando mudanças no comportamento.

As estratégias terapêuticas que são trabalhadas no tratamento da ansie-


dade incluem:

- Identificar os gatilhos que desencadearam as crises;


- Identificar os pensamentos automáticos acerca da situação vivida e
encontrar outras formas mais realistas de pensar sobre a situação;
- Identificar quais são as crenças centrais que levam o paciente a pensar
e agir de forma disfuncional;
- Exercícios de relaxamento e respiração para controlar a ansiedade;
- Treinamento de Habilidades Sociais, dentre outras.

Além desses exercícios e técnicas utilizados e aprendidos na terapia, mu-


danças em sua rotina diária também são importantes.

- Praticar atividade física. O exercício físico é fundamental, porque reduz


o estresse e ativa os neurotransmissores responsáveis pela sensação de
prazer e bem-estar;

152
- Praticar o Mindfullness, meditação baseada na atenção plena;
- Estar focado no momento presente;
- Alimentar-se bem;
- Reduzir o estresse diário;
- Dedicar um tempo para si e para o lazer;
- Confiar mais em si mesmo;
- Criticar-se menos.

2. Compreendendo a depressão

A Depressão ou o Transtorno Depressivo Maior é um distúrbio mental


que atinge milhões de pessoas de todas as idades no mundo.

Ela tem alto impacto na vida do paciente e de seus familiares, com com-
prometimento nos aspectos sociais, ocupacionais e em outras áreas de
funcionamento.

É caracterizada por humor triste (sem nenhum motivo aparente), ir-


ritável, que acompanha alterações somáticas e cognitivas que afetam
intensamente o indivíduo.

O número e a gravidade dos sintomas classificam o episódio depressivo


em três graus: leve, moderado ou grave.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais


(DSM-5), os sintomas devem persistir na maior parte do dia, quase todos
os dias, ter uma duração de pelo menos 2 (duas) semanas e vir acompa-
nhado de pelo menos 5 (cinco) dos sintomas abaixo citados(1):

Humor deprimido; perda de interesse e de prazer pelas coisas que gos-


tava anteriormente; sentimento de desesperança; energia diminuída;
sentimento de desvalia, culpa e autorrecriminação; cansaço excessivo;
apatia; choro constante; alterações no sono; alterações no apetite (redu-
ção ou aumento do apetite); dificuldade de concentração; sentimento de
inutilidade e culpa excessiva ou inapropriada; pensamentos recorrentes
de morte ou suicidas; redução do interesse sexual.

Os critérios mínimos para o diagnóstico de episódio depressivo devem


envolver pelo menos dois dos três sintomas principais (humor deprimido,
perda de interesse ou prazer pelas coisas e energia reduzida).

A prevalência é duas vezes maior nas mulheres e normalmente se iniciam


na adolescência, em virtude da oscilação hormonal.

153
É importante distinguir a depressão da tristeza. Todas as pessoas lidam
com a tristeza, mas logo encontram uma forma de superá-la.

A depressão pode ser desencadeada por fatores genéticos e bioquímicos.


Alterações químicas no cérebro do indivíduo estão relacionadas com a
queda na produção de serotonina, noradrenalina e dopamina, neuro-
transmissores ativadores da sensação de prazer e bem-estar. Indivíduos
com predisposição genética para a depressão podem desencadear ou não
a depressão. Isso vai depender de como reagem diante de situações que
podem servir como gatilhos para desenvolverem o transtorno.

A depressão causa no indivíduo um sentimento de que nada vai dar certo.


Segundo Aaron T. Beck, fundador da Terapia Cognitiva, a depressão é
caracterizada por padrões de pensamento que mantêm o humor deprimi-
do. Quando o indivíduo está deprimido, ele tem pensamentos negativos
a respeito de si mesmo (autocrítica), de suas experiências (negatividade
generalizada) e do seu futuro (desesperança)(5).

As maneiras distorcidas que o indivíduo tem de processar as informa-


ções, criam consequências negativas. O olhar é sempre para o lado ne-
gativo das coisas.

As pessoas com depressão tendem a estruturar suas experiências de for-


ma inflexível, o que resulta em erros de interpretação quanto ao desem-
penho pessoal e ao julgamento das situações externas.

Da mesma forma que a ansiedade está associada a distorções de pensa-


mento, na depressão estas também ocupam um lugar central.

Pessoas com depressão tendem a ter como erros cognitivos mais


característicos:

a) Personalização: o indivíduo se sente inteiramente responsável sobre


algo que não está sob seu controle. Ex.: “A culpa é minha por meu filho
estar internado no hospital. Eu não cuidei bem dele.”

b) Abstração seletiva: O indivíduo foca sempre os aspectos negativos,


ignorando o resto da informação e os aspectos positivos. Ex.: “Meu chefe
me avaliou muito mal” (descartando e ignorando os pontos positivos
relatados pelo chefe).

c) Interferência Arbitrária: Tirar uma conclusão antecipada da situação,


mesmo sem evidências. Ex.: “Fiz uma apresentação de trabalho e fui
aplaudido e elogiado, mas ainda assim eu acho que não gostaram, que
não fiz bem o suficiente, e que sou um fracasso.”
154
e) Supergeneralização: Considera um evento como um fato para justifi-
car que sempre é assim. Ex.: “Não passei na entrevista de emprego. Isso
sempre acontece comigo. Sou incapaz mesmo!”
O diagnóstico da depressão é clínico. Baseado nos sintomas descritos e
na história de vida do paciente.
O fato mais alarmante no diagnóstico da depressão é o risco de suicídio.
Essa tendência pode estar relacionada a alguns fatores, tais como: o uso
de álcool e drogas, que pode potencializar o estado depressivo; alguma
doença crônica ou terminal, causando um sentimento de desesperança;
situações de perda; o sentimento de que a morte alivia a dor psicológica;
sentir-se um inútil e um peso para a família.
O tratamento da depressão é muito importante e deve ser medicamentoso
e psicoterápico. A Psicoterapia Cognitivo-Comportamental demonstra
bastante eficácia no tratamento. Esse trabalho ajuda a evitar o suicídio, a
eliminar os sintomas, a melhorar a atividade psicossocial e ocupacional
e a reduzir a probabilidade de recaída.
A Psicoterapia auxilia os pacientes a modificarem crenças e comporta-
mentos que produzem certos estados de humor. As estratégias terapêu-
ticas são trabalhadas em três fases:
I. Foco nos pensamentos automáticos e nas estruturas cognitivas res-
ponsáveis pelas experiências de um indivíduo;
II. Foco em como a pessoa se relaciona com outros;
III. Mudança de comportamentos a fim de obter melhor enfrentamento
da situação-problema.
Durante o processo, o paciente vai aprender a identificar os gatilhos que
desencadearam as crises; identificar seus pensamentos distorcidos e en-
contrar outras formas de pensar que sejam mais realistas; identificar
evidências que sustentam esses pensamentos negativos e os alternativos;
identificar as suas crenças centrais; prevenir novas recaídas.
Mudanças em sua rotina diária também são muito importantes:
- Praticar atividade física. O exercício físico é fundamental, pois estimula
neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar,
que se encontram desregulados em indivíduos com depressão, além de
melhorar a autoestima e a concentração;
- Praticar o Mindfullness, meditação baseada na atenção plena;

155
- Alimentar-se bem. Uma alimentação saudável é um passo importante
para a recuperação;
- Alongar-se todos os dias ao acordar;
- Fazer uma lista de tarefas, com metas e objetivos diários;
- Fazer uma lista de atividades que gere prazer e motivação. Devagar,
cumpra cada uma delas;
- Observar a beleza nas pequenas coisas. Observe as coisas simples do
dia a dia;
- Praticar uma dança. Além de melhorar a autoestima, é o exercício físico
mais benéfico para evitar qualquer tipo de demência;
- Evitar pensamentos negativos;
- Fazer uma lista de gratidão todos os dias;
- Dormir bem.

Por fim, tanto na Ansiedade quanto na Depressão, deve-se sempre incen-


tivar a prevenção, o cuidado e a atenção integral à saúde física ou mental.

Referências Bibliográficas

1) AMERICAN Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatís-


tico de Transtornos Mentais: DSM-5. 5a Ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

2) BARLOW, D. H. Manual Clínico dos Transtornos Psicológicos: trata-


mento passo a passo. 5a Ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.

3) BECK, A T. Terapia Cognitiva da Depressão. Porto Alegre: Artmed, 1997.

4) BECK, J. S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. Porto


Alegre: Artmed, 2013.

5) GREENBERGER, D; PADESKI C. A. A mente vencendo o humor. 2a


Ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.

6) LEAHY, R. L. Livre de Ansiedade. Porto Alegre: Artmed. 2011.

156
Érica Rambalde

(21) 97045-8411
​erica@sexydelicia.com.br
@ericarambalde
erica.rambalde

• Orientadora Sexual Palestrante

• Empreendedora, dona da marca Sexy Delícia é Bióloga de formação,


com uma experiência de 30 anos na Área Comercial dos quais 15 atua
no Mercado Erótico Sensual, tendo passado por todos os segmentos do
mesmo, iniciando seu trabalho pelo Delivery onde foi pioneira nesse
modelo de Negócio, virando inspiração para o filme DE PERNAS PRO AR.
Para otimizar suas vendas criou o canal de Eventos e em seguida partiu para
loja física e online simultaneamente. Hoje é Orientadora Sexual, Coaching
em Sexualidade e Relacionamento e Palestrante, leva seu conhecimento na
área através de suas palestras, cursos e consultoria para os consumidores finais
e para os profissionais do mercado.

• Ao abandonar o mercado financeiro, despertou seu espírito empreende-


dor, criando o atendimento personalizado porta à porta através da marca
Sexy Delícia, e passou a tratar de sensualidade, sexualidade e prazer sob a
ótica do humor e do bom gosto, criando um canal pioneiro de serviços
para atender a uma demanda reprimida: se o consumidor mostrava ini-
bição para visitar uma sex shop, a sex shop passou a visitar o consumidor.

• Com essa iniciativa, ajudou a quebrar um padrão de comportamento e


tornou seu negócio um reconhecido sucesso, tanto que inspirou o filme
“De Pernas Pro Ar”, protagonizado pelas atrizes Ingrid Guimarães e
Maria Paula, que retrata a trajetória da Sexy Delícia, alcançando a marca
de 3,5 milhões de espectadores só no primeiro filme, e que foi premiado
como o melhor longa no Festival do Cinema Brasileiro de Miami, nos
Estados Unidos.

• Em suas palestras, revela suas curiosas histórias sobre as reações e o


comportamento das consumidoras quando da compra de produtos, fala
sobre como cuidar da saúde íntima e investir na sensualidade é impor-
tante para uma vida mais saudável e fala de episódios bem humorados
envolvendo sua atividade comercial, deixando para o público uma lição
definitiva de inovação, postura e profissionalismo que modificou este
delicado mercado.
157
Sexualidade na Maturidade

Amar e se relacionar sexualmente na maturidade ou depois dos 60, é um


grande desafio para quem ainda quer namorar ou para aqueles poucos
que conseguiram ou gostariam de manter uma relação estável e mais
duradoura. Afinal, por que as coisas são tão difíceis na velhice? Os pró-
prios idosos, na verdade, já não contam mais com essa possibilidade.
Sentem-se “fora do mercado” dos namoros. Acham que dificilmente
encontrarão alguém para amar e evitam pensar nisso, ou, quando pen-
sam, ficam tristes. Procuram relembrar os amores do passado, os bons e
belos momentos que viveram e acham, a maioria, que nunca mais terão
a oportunidade de ter um relacionamento amoroso novamente.

A sexualidade na terceira idade é um assunto que ainda gera muito pre-


conceito. E o que precisa ser entendido é que, ao contrário do que muitos
pensam, os idosos sentem desejo sexual e, quando existe oportunidade,
têm relações sexuais. No entanto, a sociedade impõe que os indivíduos
mais velhos, os quais já estão na Idade madura, não precisam do sexo.
Com isso, muitos idosos, por vergonha e medo de se exporem a comentá-
rios preconceituosos e maldosos, abdicam do seu prazer para não serem
lançados à margem da sociedade.

O que percebemos, muitas vezes, é que a escassez de informações sobre


o processo de envelhecimento e as mudanças na sexualidade em dife-
rentes faixas etárias, especialmente na velhice, tem contribuído para a
manutenção desses preconceitos e, consequentemente, para a estagnação
das atividades sexuais de pessoas com mais idade. Dessa forma, uma
má compreensão da sexualidade e de legítimas manifestações amoro-
sas na terceira idade talvez leve a dificuldades para a superação de tais
problemas. Assim, o esclarecimento acerca das informações distorcidas
que se difundem em relação à sexualidade e ao amor pode contribuir
para a diminuição das crenças e tabus sobre um assunto tão permeado
por preconceitos.

A falsa crença que relaciona a idade com o declinar da atividade sexual


tem contribuído de forma extremamente negativa para que não se dê
atenção suficiente a uma das práticas que mais contribuem para a quali-
dade de vida nos idosos. O engano de que a velhice é uma etapa assexuada
da vida reflete esse preconceito, o que exerce influência profunda na au-
toestima, na autoconfiança, no rendimento físico e social de adultos com
mais idade, além de contradizer a eterna capacidade de amar do homem.

158
Vivemos em um país onde a cultura transmitida pelas gerações ante-
riores, ainda está muito presente. Na época dos nossos avós, não havia
diálogo sobre a sexualidade nas famílias. E ainda hoje, nota-se que em
muitos lares, os pais, por vergonha ou falta de tempo, deixam que os
meios de comunicação instruam seus filhos. Quando não se compreende
um tema, inicia-se um ciclo de preconceitos.

Antigamente a sexualidade humana tinha a função de reprodução. De-


pois descobriu-se que ela está presente durante todas as fases da vida e
atua no bem-estar das pessoas. Uma adolescente exerce sua sexualidade,
por exemplo, quando se arruma para ir à escola. Ela quer ser o objeto
de atenção dos outros. Na terceira idade a sexualidade também existe,
apenas se expressa de formas diferentes. A sexualidade não se resume no
ato sexual, pois também compreende o tom de voz, beijo, toque, cheiro,
entre outras coisas.

Há muitos estereótipos relacionados ao processo do envelhecimento.


A crença na progressiva e generalizada incompetência, assim como na
impotência sexual dos idosos, é parte intrínseca desses estereótipos, os
quais, unidos à falta de informação, induzem muitas pessoas a uma ati-
tude pessimista em tudo que se refere à sexualidade na velhice.

Um aspecto que fundamenta o estereótipo de que a velhice convive com


a assexualidade é a ênfase que se dá à dimensão sexual. Em consequência
disso, tanto para “jovens há mais tempo” como para “jovens há menos
tempo”, vivemos em uma ditadura do orgasmo e da frustração, susten-
tada pela influência midiática.

Na verdade, a negação da sexualidade, das manifestações amorosas e a


infantilização do idoso contribuem para que eles tenham dificuldades
de se tornarem mais independentes, bem como para desenvolver sua se-
xualidade e estabelecer relacionamentos, quaisquer que sejam. A imagem
que a mídia faz do idoso também ajuda a aumentar o preconceito con-
tra essas pessoas. Felizmente, a publicidade parece estar mudando essa
mentalidade atualmente, mostrando os idosos como pessoas criativas,
modernas e abertas aos relacionamentos, o que contribui para derrubar
certos estereótipos.

Até pouco tempo atrás, ainda se acreditava que por volta dos cinquenta
anos o declínio da função sexual era inevitável devido à menopausa fe-
minina e à instalação progressiva das disfunções da ereção masculina.
Além disso, a atividade sexual através do tempo foi perdendo seu objetivo
de procriação e, portanto, sua justificativa social. A concepção pioneira
de Freud (1905/1969), afirmando o prazer como objetivo da sexualidade
humana, liberou-a da obrigação única e exclusiva para reprodução(4). A
159
tese de Freud veio sendo confirmada com a emergência do conceito de
saúde sexual e com a dissociação progressiva do conceito de reprodução,
o que coloca em evidência a autonomização da vida sexual e sua impor-
tância para a realização e o bem-estar dos indivíduos durante toda a vida.

Porém essa liberdade ideológica só pôde se tornar realidade com a con-


quista tecnológica dos hormônios sintéticos. Tornaram-se, assim, pos-
síveis tanto a contracepção quanto a terapia de reposição hormonal, o
que ajuda a manter a função sexual prazerosa após a menopausa. Mais
recentemente, o sildenafil e o tadalafil vieram proteger os homens das
perturbações da ereção, cujo potencial patológico se revela, provavelmen-
te, muito mais a nível psicológico que fisiológico. Assim, os progressos
da medicina minimizam as barreiras biológicas que dificultavam a ma-
nutenção da atividade sexual na segunda metade da vida.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1975, definiu saúde se-


xual como
sendo a integração harmoniosa dos aspectos somáticos, intelectuais e sociais do
ser sexuado, de forma a enriquecer a personalidade, a comunicação e o amor.
Neste sentido, a sexualidade é reconhecida como um aspecto importante da
saúde e, se for vivida satisfatoriamente, é fonte de equilíbrio e harmonia para a
pessoa, favorecendo uma atitude positiva em relação a si mesmo e aos outros(10).

É necessário que a mentalidade do ser humano evolua e aceite que o sexo


é uma prática normal para quem não é jovem. Ao contrário do que se
pode pensar, a velhice é uma idade tão frutífera como qualquer outra no
que se refere à vivência do amor e à questão da prática da sexualidade.

Vários elementos são apontados como determinantes ou indicadores de


bem-estar na velhice, como: longevidade, saúde biológica, saúde mental,
satisfação, controle cognitivo, competência social, produtividade, ativi-
dade, eficácia cognitiva, status social, renda, continuidade de papéis fa-
miliares e ocupacionais, e continuidade de relações informais em grupos
primários (principalmente rede de amigos).

Se além desses elementos a maturidade vier acompanhada do afeto, da


paixão, do namoro, do amor, do sexo, da cumplicidade, do companhei-
rismo, dentre outros, o idoso pode desfrutar de uma satisfatória vida
afetiva, que tem papel fundamental no bem-estar físico e emocional
para uma velhice mais feliz.

“O envelhecimento é um processo biológico, psicológico e social com-


plexo, mas dinâmico, que se inicia muito antes da velhice propriamente
dita e que não é uma doença, mas antes um tempo, do próprio tempo
de vida” (9).

160
As perdas mais frequentemente vividas pelos idosos estão relaciona-
das com os papéis, expectativas e referências ao grupo social. Essas per-
das podem ameaçar a integridade da pessoa idosa e, em alguns casos,
levar à depressão, ansiedade, reações psicossomáticas, afastamento e
descompromisso.

O que dificulta mais a capacidade de adaptação do idoso não é a diminui-


ção das funções cognitivas, mas, sobretudo, a perda de papéis sociais, as
situações de stress, a doença, o desenraizamento e outros traumatismos
que podem causar problemas psicológicos. Sabe-se que a aceitação da
mudança ligada ao medo de envelhecer e a satisfação de vida, estão re-
lacionadas com as autopercepções da idade. Podem surgir sentimentos
negativos face às alterações fisionômicas provocadas pelo envelhecimento
e a sensação de que se perdeu a beleza do passado, por exemplo. Isso
atinge principalmente as mulheres. O funcionamento cognitivo tam-
bém sofre alterações provocadas pelo envelhecimento. Assim, apesar de
várias competências intelectuais se manterem estáveis ao longo da vida
e de algumas aumentarem mesmo até próximo dos 60 anos, existe um
declínio de algumas delas.

Podemos citar a atividade física regular como uma das principais aliadas
na obtenção de uma vida sexual saudável. É comprovado que as pessoas
que praticam atividade física regular em todas as faixas etárias da vida
têm mais disposição e se mantêm ativas sexualmente por mais tempo. O
exercício é tido como fundamental para a promoção de um bom estado
de saúde, tanto a nível físico quanto psicológico. O exercício pode aumen-
tar o bem-estar, reforçando a autoestima e a autoconfiança das pessoas.
Com isso, há uma maior satisfação em relação ao corpo, aumentam os
sentimentos de realização e autoeficácia e, além disso, a atividade social
associada ao exercício físico conduz a uma melhoria de apoio social e
sensação de pertencimento.

Não são somente problemas de saúde que podem explicar o abandono


de uma vida sexual ativa ou um menor interesse pela sexualidade em
geral por parte do idoso. Outras explicações podem ser encontradas no
âmbito das experiências de vida prévias, especificamente, a qualidade da
relação conjugal e sexual desenvolvida ao longo da vida. Por um lado, se
inibições existiam, elas tendem a piorar e, por outro lado, a degradação
das relações afetivas, devido a conflitos e rancores não resolvidos, pode
afastar emocionalmente o casal. Raiva e ressentimento acumulados ao
longo dos anos destroem a atração erótica.

161
A família tem papel crucial no apoio aos que chegam na idade madura
para que se sintam seguros e possam exercer sua sexualidade de forma
natural e saudável. Observa-se que, para muitas famílias, é mais fácil
ignorar a sexualidade do idoso. Os familiares tendem a considerar que
o comportamento afetivo já não faz mais parte da vida de seus pais e
avós. Ocorre uma inversão dos papéis familiares: os pais, que sempre
vigiaram as ações dos filhos, na velhice são os que passam a ser vigiados,
porém esse controle das ações, das atividades e até mesmo dos relaciona-
mentos afetivos sob o olhar da família, que subjuga os sentimentos dos
seus idosos, contribui para que muitos negligenciem e até abandonem
sua vida afetiva, podendo causar diversos problemas de saúde físicos e
psicológicos.

A verdade é que a nossa população de idosos só vem crescendo e a socie-


dade não pode fechar os olhos para isso. Com a dilatação da expectativa
de vida por conta dos recursos médicos e tecnológicos cada vez mais
avançados, deparamo-nos com um cenário no qual as pessoas de idade
madura estão convivendo de forma ativa e participando cada vez mais
da comunidade onde vivem. Essa convivência é extremamente saudável
e enriquecedora para todos, pois é uma grande oportunidade de troca
de experiências e aprendizado. Basta um olhar atencioso e um acolhi-
mento sincero para que possamos abandonar tabus e preconceitos que
dificultam essa interatividade e participação dos nossos idosos na nossa
sociedade de forma geral.

“Em 2020 teremos pela primeira vez na história o número de pessoas


com mais de 60 anos maior que o de crianças até cinco anos”, reportou
a OMS em uma série sobre saúde e envelhecimento na revista médica
The Lancet, notando que 80% dos idosos viverão em países de baixa e
média renda(11).

Sendo assim, esperamos uma melhor aceitação da sexualidade na terceira


idade, principalmente com maior naturalidade, uma vez que faz parte do
bem-estar em qualquer fase da vida, pois SEXO é saúde, é vida.

162
Referências Bibliográficas

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cologia. Natal, v. 9, n. 3, p. 413-419, set./dez. 2004.

164
Priscila Tosta
CRM/SP: 138995

Pri.tosta@hotmail.com

• Formada em Medicina pelo Centro Universitário Lusíada

• Pós-graduada Lato Sensu em Clínica Médica pela Faculdade de Ciências


Médicas da Santa Casa de São Paulo

• Pós-graduada Lato Sensu em Geriatria pela Faculdade de Ciências Mé-


dicas da Santa Casa de São Paulo

• Aperfeiçoamento em Cuidados Paliativos para Médicos pelo Instituto


Paliar-SP

• Ampliada pela medicina antroposófica pela Associação Brasileira de


Medicina Antroposófica-SP.

165
Autoconhecimento e Espiritualidade na Saúde
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como “um estado
de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de
afecções e enfermidades”(11).
Sabemos que atualmente os casos de doenças relacionadas ao estado emo-
cional/mental, como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, entre
outras, vêm aumentando consideravelmente no mundo. O que pode estar
acontecendo para esses números serem tão elevados? Um dos pontos é
o fato de estarmos vivendo em um padrão de alta exigência em diversos
setores de nossas vidas. Não é incomum pessoas iniciando com quadro
de Burnout (síndrome do esgotamento profissional) e, mesmo assim,
sendo exigidas ao extremo em seu trabalho, ultrapassando seus limites.
Observamos também, como acontece com muitos, que pessoas perdem
a importância, conforme vão envelhecendo. Esse fato pode ser uma das
causas dos idosos se sentirem inúteis e se excluírem do convívio social,
além dos inúmeros casos de maus tratos que sofrem. Outro ponto que
sobressai é a busca pela beleza “perfeita”, que faz com que muitas pes-
soas se submetam a procedimentos exagerados. Esses e muitos outros
fatores refletem a forma como estamos vivendo e nos distanciando de
nossa essência, comprometendo o nosso bem mais precioso: a saúde.
E você deve estar se perguntando de que forma podemos reverter esse
quadro? A humanidade é composta de um todo, mas para que a mu-
dança comece, você deve tomar a iniciativa. De que forma? Através do
autoconhecimento.
Somente após você se conhecer é que irá compreender porque sua vida
está fluindo para determinados caminhos, sejam eles bons ou ruins, e
quais são suas ferramentas internas para tomada de decisões. São fer-
ramentas à base de amor, medo, raiva, vingança? Por exemplo, ter uma
atitude baseada no medo de ser rejeitada faz com que você sempre se co-
loque em segundo plano. Com o tempo, isso vai prejudicando sua saúde
mental e, às vezes, até física. Com a saúde mental prejudicada, além de
tudo parecer mais difícil, o nosso corpo pode transformar essas emoções
em sintomas físicos, causando, por exemplo, a dor total. Dor total é a dor
que abrange não somente o campo físico, mas também emocional, espi-
ritual e social(4). Portanto, a dor pode ser uma manifestação proveniente
das outras esferas citadas. E esse pode ser o motivo de esse sintoma não
cessar mesmo com o tratamento medicamentoso, pois somente tratará
o físico. Por isso a importância de sabermos a raiz do problema, o que
nem sempre é fácil.

166
Muitas vezes nem mesmo o próprio indivíduo que está em sofrimento
entende que aquele sintoma pode estar sendo gerado por suas emoções.
E a busca pelo autoconhecimento possibilita reconhecer essas situações.
Através dessa nova percepção sobre si, você terá a oportunidade de iden-
tificar e transformar várias características desagradáveis que te impe-
dem de ser próspero. Por exemplo, há pessoas que se mantêm em uma
situação, mesmo que estejam sendo afetadas por ela. E ao perguntarmos
por que continua vivenciando isso, é comum ouvirmos uma resposta,
responsabilizando outras pessoas. Na verdade, a pergunta deveria ser
reformulada para: o que TE IMPEDE de sair dessa condição que te faz
mal? Será que é medo de ser vista como uma pessoa fraca? E nesta situa-
ção, investigar e tratar o porquê a pessoa tem medo de ser vista como
alguém fraco e/ou por que a opinião dos outros é tão importante a ponto
de fazê-la permanecer nesta condição seria uma das formas de conseguir
com que ela se desvincule dessa situação, sem gerar sentimentos que com
o tempo podem somatizar (queixas físicas que não revelam enfermidade
orgânica) como a dor total. Portanto, esse trabalho de autoconhecimento
faz com que você pare de se vitimizar e responsabilizar os outros pelos
desagrados que acontecem com você e enxergue que o real motivo de
seus problemas está sendo gerado por você mesmo. Desse modo é possível
nos transformar e eliminar conceitos limitantes que nos impedem de
ter uma vida mais harmônica e saudável. Então, além de procurar um
profissional qualificado e com visão ampla sobre a integralidade do ser
humano, é importante que você cuide de sua saúde mental.
Existem diversas formas para esse cuidar, sendo uma delas através da
espiritualidade e religiosidade. Atenção: espiritualidade não é sinônimo
de religiosidade. São termos distintos, mas que podem ser praticados em
conjunto. Espiritualidade é a “busca pessoal por entender as respostas
às questões fundamentais sobre a vida, sobre o significado e sobre a
relação com o sagrado ou transcendente, que podem (ou não) levar ou
surgir do desenvolvimento dos rituais religiosos e da formação de uma
comunidade” (King, 2009, p.1). E a religião é um “sistema organizado de
crenças, práticas, rituais e símbolos destinados a facilitar a proximidade
com o sagrado ou transcendente (Deus, poder superior ou verdade /
realidade suprema)” (King, 2009, p.1). É uma das diversas formas que
a espiritualidade se expressa. Dessa forma, existem muitas pessoas não
religiosas e com grande espiritualidade, como pode ser o caso de ateus
(ausência de crenças em divindades), assim como pessoas muito religiosas
e com pouca espiritualidade.
A espiritualidade pode ser fortalecida de várias maneiras: leituras edifi-
cantes, práticas religiosas, terapias que abrangem uma visão integral do
ser humano, entre outras.
Estudos mostraram que pessoas que fazem práticas religiosas ou es-
pirituais usam menos serviços de saúde por terem um estilo de vida
167
mais equilibrado e serem mais saudáveis, além de ajudar a lidar com a
ansiedade, medo, raiva, frustrações, insônia, depressão, entre outros, e,
assim, melhorando a saúde mental(10).
Para entendermos de que forma essa mudança pode melhorar sua saúde
citarei alguns estudos. Um deles avalia a relação entre envelhecimento e
encurtamento de telômeros. Telômeros são estruturas encontradas nas
extremidades dos nossos cromossomos e têm como função proteger o
material genético carregado por eles. À medida que as nossas células se
dividem para se multiplicar e, por exemplo, regenerar os órgãos, esses
telômeros vão encurtando. Até que, em um dado momento, a célula com
telômero muito encurtado perde sua funcionalidade e morre ou fica
vulnerável às instabilidades genéticas, podendo gerar doenças(6). Esse é
um processo natural, porém alguns estudos sugerem que outros fatores
podem acelerar este processo. Por exemplo, uma publicação observou
que homens mais hostis tendem a ter telômeros mais curtos, assim como
o estresse, tanto fisiológico quanto psicológico, também pode provocar
o mesmo efeito(3). Portanto, hostilidade e/ou estresse podem provocar
um aceleramento do envelhecimento celular. Por outro lado, o primeiro
artigo citado também sugere que pessoas que praticam meditação têm
um telômero mais espesso, mostrando a importância da meditação que,
além de ter esse efeito positivo nessa estrutura, também ajuda a melhorar
diversos componentes emocionais(6). Também houve outro estudo que
observou que mulheres que frequentavam locais de práticas religiosas
pelo menos 1x/semana tiveram 33% menor taxa de mortalidade geral
em comparação com aquelas que não frequentavam(9).
E, por último, um artigo avaliou o efeito do mantra (om-mani-padme-
-hum) e da Ave Maria sobre a respiração, pressão arterial e velocidade do
fluxo cerebral em comparação com o indivíduo em respiração espontânea
e respiração controlada (6 reparações por minuto). Durante a recitação
do mantra e da Ave Maria, a respiração ficou mais lenta e regular e
com sinais cardiovasculares mais sincrônicos, além do fluxo sanguíneo
cerebral ficar mais organizado e com consequente melhora da perfusão
cerebral, sendo esse último mais evidente na recitação da Ave Maria(2).
Então, diante do que foi exposto, percebemos o quanto nossas emoções
e pensamentos podem prejudicar o bom funcionamento do nosso or-
ganismo e levar a sérios desequilíbrios orgânicos. Isso nos mostra que
para ter uma boa saúde não basta apenas fazer atividade física e ter uma
alimentação saudável, é preciso cuidar diariamente da saúde mental. Faça
atividades que tragam bem estar e elevem os seus pensamentos. Tenha
pensamentos saudáveis e retire os tóxicos. Pratique o autoconhecimento.
Trabalhe a espiritualidade e as crenças que impedem a sua expansão
de consciência. Tenha uma vida equilibrada com mais conhecimento e
menos medicamento.

168
Referências Bibliográficas

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13) VANDERWEELE, T. J.; Balboni, T. A.; Koh, H. K. Health and Spiri-
tuality. JAMA. 2017;318(6):519–520. doi:10.1001/jama.2017.8136

170
Andrheya Dória
CRA-RJ: 20-73568

(21) 97398-7398
andrheyadoria@yahoo.com.br
@andrheyadoria / @capitaldobem
Andrheya Dória
Andrheya Dória

• Administradora
• MBA em Gestão Financeira, Auditoria e Controladoria pela FGV
• Pós-graduanda em Educação Financeira pela Universidade do Oeste
Paulista - UNOESTE
• Empreendedora
• Educadora e Planejadora Financeira
• Mentora de Negócios (certificada e associada a ABMEN)
• Mais de 20 anos de experiência no mercado nas áreas adminitrativa e
financeira em empresas nacionais e multinacionais
• CEO/ FOUNDER na Empresa Capital do Bem - Educação Financeira e
Empreendedorismo, ajuda pequenos negócios, através de Treinamentos
e Mentorias de Negócios
• Criadora do projeto Café e Negócios para Elas, com o objetivo de
fomentar o empreendedorismo feminino
• Atua em projetos para a terceira idade estimulando a educação finan-
ceira e empreendedorismo, através de palestras e oficinas.

171
Saúde Financeira e Aposentadoria

1. Preparar-se para a aposentadoria

A aposentadoria não começa no momento em que se para de trabalhar;


o processo é muito anterior, começa quando a pessoa tem consciência
de que precisa se planejar para essa fase da vida, tanto do ponto de vis-
ta financeiro quanto do emocional. Preparar-se para a aposentadoria
inclui manter-se atualizado para tomada da decisão correta e obtenção
do resultado almejado. O ser humano passa por ciclos naturais em sua
vida, dentre eles o produtivo, e esse é o período ideal para se planejar e
investir na aposentadoria.

Se o comportamento é oportuno à elaboração, segundo Faria (2006, p.100):


A aposentadoria pode vir a ser o resultado de um planejamento estratégico
da vida, de certas tomadas de decisões que dizem respeito a investir, agora,
recursos financeiros para o futuro, comprando garantias contra os riscos que
ele representa(3).

Mas se, ao contrário, o comportamento for de conformismo, a ausência


de planejamento será, como definem Rodrigues et al. (2005, p. 53):
Causadora de angústia e solidão, pois a realização pessoal fica sempre como um
esboço de projeto para ser concretizado após a aposentadoria e, quando esta
chega, as pessoas sentem-se surpresas e desencantadas por não saberem geren-
ciar criativamente e com prazer a existência sem uma ocupação profissional(5).

A qualidade de vida é uma ação cumulativa, ou seja, uma sucessão de


novos e bons hábitos, inclusive financeiros, é o que ajuda a criar essa
condição. Portanto, o melhor é começar o quanto antes. Quem não está
na terceira idade deve fazer modificações desde já no dia a dia, de modo
a se planejar para o futuro. Inclusive, mesmo quem já ultrapassou os 60
anos, necessita ter essa preocupação. Na verdade, a qualidade de vida
engloba diversos fatores e não somente os aspectos físicos. Significa man-
ter o bem-estar físico, mas também o psíquico, além de gozar de boas
relações sociais, ter independência financeira e manter-se ativo.

Segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil),


seis de cada dez idosos entrevistados afirmam que aproveitar a vida é
prioridade – e quase metade não se preocupa em poupar dinheiro. Para
46% dos entrevistados, as atividades de lazer se tornaram mais frequentes
com a chegada da terceira idade. Um dos principais gastos, por exemplo,
é com viagens – cerca de um quinto investe mais em turismo hoje do
que quando era jovem(4).

172
Então, se você pretende ter uma aposentadoria com qualidade de vida,
tem sonhos e metas para alcançar – e sonhos demandam recursos - pre-
pare-se para se organizar financeiramente o mais rápido possível. Só
assim obterá os resultados desejados para a tão sonhada aposentadoria.

2. Importância da organização financeira

Quanto mais cedo se organizar, iniciar um planejamento financeiro e


programar-se para a aposentadoria, mais fácil será garantir um bom
rendimento para alcançar estabilidade financeira e viver bem depois
de aposentado. É o que fará a diferença entre quem fez um planejamen-
to e os muitos aposentados que precisam continuar trabalhando para
complementar a renda, mas esse não é um problema desde que estejam
trabalhando em algo que lhes traga prazer.

Segundo Cerbasi (2003, p. 36):


Aposentar-se, em finanças pessoais, não é deixar de trabalhar. Não pense parar
completamente. Se sua cabeça parar, seu corpo parará também. Aposentar-se
significa obter renda suficiente para pagar suas contas mensais sem que se veja na
obrigação de trabalhar para pagá-las. Ao se aposentar, você terá tranquilidade
para trabalhar no que gosta(1).

É importante lembrar, ao pensar em se preparar financeiramente para


quando parar de trabalhar, que essa decisão depende de vários fatores,
tais como quanto se pretende acumular e a renda que se pretende ter. O
planejamento financeiro para aposentadoria exige muita atenção. Nesse
planejamento, a pessoa deve considerar que viverá por mais tempo do que
as estatísticas atuais sugerem, pois a expectativa de vida das pessoas está
aumentando cada vez mais. Tem que presumir por quanto tempo ainda
terá que se sustentar, ou seja, deve-se averiguar nas tábuas de expectativa
de vida para se ter uma ideia de sobrevida.

Com a concepção clara de quanto tempo terá que se sustentar já é possível


calcular o quanto precisa acumular e, assim, estabelecer o padrão de vida
que se deseja levar ao se aposentar. Muitas pessoas pensam que, por não
terem que assumir o sustento dos filhos, será possível viver com bem
menos ao se aposentar. Porém, essas pessoas se esquecem de que, quando
idosas, a tendência é que os gastos com saúde e remédios sejam muito
maiores. O fato é que muitas pessoas subestimam o tempo a mais de vida
e não poupam como deveriam. De qualquer maneira, considera-se que
seja possível cortar em até 20% os gastos ao se aposentar. Diante disso
é preciso avaliar com cuidado o orçamento, para saber quais despesas
poderiam ser possivelmente eliminadas ou reduzidas ao se aposentar,
bem como os gastos extras, como trocar a casa grande por uma menor,
diminuir a quantidade de carros, viajar com menos constância, enfim,

173
o que se deve eliminar ou adicionar. Conseguir chegar aos objetivos
traçados, entretanto, não é algo que acontece por si só. Ele é resultado de
uma vida de dedicação e de atenção com as finanças, e nunca é tarde para
começar, mas quanto mais cedo melhor. Quanto maior for o sacrifício,
melhores tendem a ser os resultados. 

3. Finanças pessoais e familiares (A importância da família no pla-


nejamento financeiro)

Quando lidamos com finanças pessoais é muito importante estabelecer


objetivos claros, por isso a importância de envolver toda a família, inclu-
sive os filhos; eles devem conhecer a real condição financeira da família.
O orçamento familiar é vital para se ter uma vida financeira saudável.
Não é fácil cuidar do orçamento da família, mas com planejamento,
disciplina e propósito, é possível.

Para Cerbasi e Barbosa (2009):


A organização financeira pessoal tem grande importância para que as pessoas
usem sua renda de forma eficiente, permitindo melhores escolhas de consumo,
investimentos, gastos básicos e de bem-estar, segurança e realizações pessoais.
Tais decisões, quando tomadas de forma correta, podem contribuir para uma
melhora na qualidade de vida do indivíduo(2).

Vivemos em uma geração em que não fomos ensinados a lidar com o


dinheiro. Já é comprovada a importância da Educação Financeira nas
escolas. Quando falamos em finanças pessoais, referimo-nos ao com-
portamento e novos hábitos em relação ao dinheiro. O orçamento deve
caber no padrão de vida da família; gastar menos do que se ganha é uma
das primícias para controle das finanças. Caso isso não seja possível, ver
formas de aumentar a renda, por exemplo: empreender; ter uma reserva
financeira para os imprevistos; comprar à vista, pois com o dinheiro na
mão é possível negociar e conseguir um bom desconto; planejar-se para
ir às compras no supermercado, fazendo uma lista para não levar para
casa produtos supérfluos; desse modo, economizando. E quando falamos
em economizar, podemos citar também os cuidados com os gastos de
energia, água, e, para isso, contamos com a colaboração de toda família,
sendo assim possível poupar e guardar dinheiro para futuros investimen-
tos, rumo à realização dos sonhos da família. Primeiro se deve guardar
dinheiro para depois investir. O ideal é reunir toda família e estabelecer
objetivos, sem os quais as pessoas agem como um barco sem rumo.

174
A vida produtiva tem várias fases, cada uma apresenta seus desafios.
Através do planejamento, é possível identificar as oportunidades e difi-
culdades de cada uma e definir, antecipadamente, estratégias para en-
frentar cada situação. Para planejar é preciso partir da renda que se tem
e estabelecer as prioridades no orçamento. Alguns passos devem ser
seguidos, como liquidar as dívidas; começar a poupar e preparar uma
reserva financeira; planejar o futuro; quitar financiamento imobiliário;
enfim, pensar na família, continuar a poupar, mas não deixar de apro-
veitar a vida.

Deve-se colocar em prática o planejamento financeiro familiar, e, assim,


administrar a renda, os investimentos, as despesas, o patrimônio, as
dívidas etc., com o objetivo de tornar sonhos, desejos e objetivos em rea-
lidade, tais como: poupar para a educação dos filhos, fazer uma grande
viagem, entre outros; e, por fim, a tão esperada aposentadoria. Logo, se
não existir um planejamento financeiro, o padrão de vida tende a cair.

Contudo, percebe-se que o planejamento financeiro se caracteriza mais


pela melhor utilização do recurso disponível do que pela quantidade
gerada. Assim, o indivíduo deve preocupar-se com o gasto consciente,
visando a acumulação e o investimento do restante do rendimento men-
sal para geração de riqueza.

4. Investimentos

Aposentadoria: onde investir? Essa é uma pergunta que muitas pessoas


fazem, mas a resposta é: vai depender do seu objetivo de vida, sua dis-
ponibilidade financeira e também de seu perfil investidor, conservador,
moderado ou arrojado, ou seja, da sua capacidade de assumir riscos.

Para decidir sobre a melhor opção de investimento é preciso pesquisar


e analisar antes da tomada de decisão.

É o que destaca Segundo Filho (2003):


Os conhecimentos básicos de finanças pessoais não devem ficar restritos aos
especialistas da área financeira. Qualquer pessoa, independentemente de sua
atividade profissional, deve conhecer os princípios básicos necessários à ad-
ministração de sua vida financeira. É extremamente importante que se saiba
como poupar, escolher os investimentos que geram a melhor rentabilidade, ad-
ministrar os riscos envolvidos nessas operações, além de se enquadrar no perfil
de investidor que melhor se adapte aos seus objetivos de curto e longo prazos(6).

O ideal é que se tenha um investimento para cada um dos seus objetivos,


de curto, médio e longo prazos.

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5. Segunda carreira profissional, manter a mente ativa e ajuda financeira
Manter a mente ativa é um status quo para uma aposentadoria com quali-
dade de vida. Para quem já se planejou financeiramente ao longo da vida,
é aproveitar; e para quem não se preparou para este momento, é pensar
em algo que gosta de fazer, pode ser até um hobby, e avaliar como ganhar
dinheiro com prazer, fazendo o que gosta para manter o padrão de vida.
Atualmente a aposentadoria não representa inatividade, muito pelo con-
trário. Pela necessidade de complementar a renda ou fazer algo que lhes
traga prazer, pessoas com mais de 60 anos buscam oportunidade para
empreender. Pesquisas mostram o aumento de idosos ativos no mercado
de trabalho e também nas faculdades. Não existe idade para aprender e
empreender. Empreender é para vida!
No ano passado, mais de 15,5 mil pessoas com mais de 60 anos se ins-
creveram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O aumento
é progressivo. Há cinco anos, o número de inscritos era 70% menor(4).
Sabemos que houve um aumento na expectativa de vida, mas a busca
não está somente na longevidade, e sim no alcance de uma qualidade
de vida que permita aproveitar ao máximo a melhor idade. A verdade
é que todo mundo quer viver mais, mas ninguém quer se tornar, nesse
ciclo de vida, uma pessoa doente ou improdutiva.
Na nossa cultura a produtividade está relacionada à força de trabalho.
Mas hoje esse cenário está mudando. As pessoas que se aposentam bus-
cam por longevidade, uma qualidade de vida melhor e participam de
novas atividades. A tecnologia também não é mais um problema, pois
essa barreira está se rompendo por conta da facilidade na utilização das
ferramentas que antes exigiam maior habilidade. Os empreendedores
mais velhos sabem da necessidade de estarem conectados e o quanto
essa conexão é importante e fundamental para os negócios. É importante
também participar de alguns grupos de interesse, não deixar de estudar
para manter-se atualizado, estar aberto a colaborações e parcerias e ao
compartilhamento de informações e troca de experiências. O aposentado
é um profissional de conhecimento; mais do que isso, de sabedoria.
De acordo com a pesquisa Empreendedorismo na 3ª Idade, realizada
pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae),
no geral, são quatro os motivos que levam uma pessoa com 60 anos ou
mais a continuar empreendendo ou mesmo iniciar neste caminho: ter
uma fonte de renda ou complementar a renda familiar; identificação
de uma área ou segmento bom para investir; questões pessoais (mais
independência, qualidade de vida e liberdade); e concretização de um
sonho, objetivo ou vocação(7).
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O levantamento ainda demonstra que 40% dos entrevistados resolveram
montar um negócio próprio após os 60 anos. Dentre os pontos positi-
vos dessa empreitada, eles disseram trabalhar com o que gostam (18%);
poder aprender sempre com os erros e acertos (14%); e ter a sensação
de satisfação por alcançar os objetivos (14%). Os negativos foram: ter
que assumir sozinho as frustrações e os fracassos (15%); pagar impostos
(13%); e correr riscos (11%)(7).

É perceptível o aumento do número de pessoas empreendendo em idades


mais avançadas, e tem algo que agrega muito valor, pois elas aproveitam
a experiência profissional e empresarial que adquiriam ao longo da vida,
contribuindo, assim, com a sociedade e encarando novos desafios. Por
estarem no mercado de trabalho há mais tempo, dão mais valor a proces-
sos e organização, e tem mais conexões e networking incríveis, adquiridos
nessa jornada. Esses profissionais também se diferenciam por serem
mais seguros e corajosos, por terem credibilidade, mais tranquilidade,
liberdade e respeito.

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Referências Bibliográficas

1) CERBASI, G. Dinheiro: os segredos de quem tem: como conquistar


e manter sua independência financeira. São Paulo: Editora Gente, 2003.

2) CERBASI, G.; BARBOSA, C. Mais tempo mais dinheiro. São Paulo.


Thomas Nelson, 2009.

3) FARIA, A. C. L. A salvação do eu: representações do envelhecimento


nos anúncios de previdência privada. Dissertação de Mestrado em Co-
municação Social. Rio de Janeiro: PUC-RJ, 2006.

4) BRETAS, V. Quem são e como vivem os idosos do Brasil. Exame,


atualizado em 13 de set. de 2016. Disponível em: <https://exame.abril.
com.br/brasil/quem-sao-e-como-vivem-os-idosos-do-brasil/>. Acesso
em 05 de julho de 2019.

5) RODRIGUES, M.; AYABE, N. H.; LUNARDELLI, M. C. F.; CANÊO,


L. C. A preparação para a aposentadoria: o papel do psicólogo frente a
essa questão. Revista Brasileira de Orientação Profissional, v.6, n.1, 2005

6) SEGUNDO FILHO, J. Finanças Pessoais - Invista no seu futuro. Qua-


litymark, 2003.

7) TURBIANI, R. Os profissionais que, depois dos 60, abriram um ne-


gócio digital. BBC News Brasil, publicado em 7 de nov. de 2018. Dispo-
nível em: <www.bbc.com/portuguese/brasil-46119846>. Acesso em 05
de julho de 2019.

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