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PEGASUS LANÇAMENTOS

APRESENTA

DEN OF MERCENARIES 04

LONDON MILLER
EQUIPE PL
Tradução: Ali, Célia B.

EQUIPE PL
Revisão: Isw, Thizi

Revisão Final: Suhsuh

Leitura Final: Silvia Helena

Verificação: Shya

Formatação: Shya

8 Anos de Tradução
DEN OF

MERCENARIES
DEN OF MERCENARIES #4

Apesar de toda a arte no quarto, que incluía uma variedade de


quadros pendurados semelhantes a borrões de tinta acima da lareira e
uma série de estátuas da era soviética que descansavam em estantes de
livros, o olhar de Luna Runehart nunca se desviou do homem sentado ao
lado dela.

Algo era particularmente apaixonante no modo como ele tomava seu


chá.

Talvez fosse a maneira como suas mãos fortes lidavam com a


porcelana delicada ou como ele envolvia os lábios ao redor da borda de
sua xícara e bebia, que tinha toda sua atenção. Mas seja qual fosse o
motivo, era sempre como se fosse a primeira vez. Não era como se ela não
o observou comer e beber durante os últimos oito anos, não era como se
não conhecesse todas as pequenas nuances do que ele fazia.

Luna conhecia Kit como sua própria mão, a forma como seus olhos
se estreitavam quando estava perto de perder o controle, a pequena
mudança no modo como sua mão se envolvia ao redor de sua garganta
dizendo que seria gentil com ela ou que precisava fodê-la com mais força.

Ela o conhecia bem. Mas apesar disso, não podia evitar observá-lo
enquanto levava a xícara aos lábios novamente, soprava o líquido e depois
DEN OF MERCENARIES #4

tomava um gole, seu rosto se contraiu antes da expressão suavizar ao


abaixar a xícara.

Havia muito açúcar, ela sabia, mas Kit era muito cavalheiro para se
queixar.

Seu chá foi substituído por seu telefone enquanto se concentrava


em qualquer mensagem que chegou. Ele leu, suas sobrancelhas se
ergueram um momento antes que sua voz rouca ecoar pela sala.

— Há alguma coisa no meu rosto? — Ele pergunta, mal olhando


para ela. — Posso sentir você me olhando.

Luna ficou tentada a sorrir.

— Talvez porque você seja bom de se olhar? — Ela falou, deixando


o olhar seguir as linhas de seu terno até a mão que curvou ao redor de
sua coxa.

Uma vez ela perguntou, se algum dia vestiria outra coisa que não
fosse um terno. Mesmo nas muitas férias que tiraram, se não estivesse
de calção de banho, ainda estaria formalmente vestido. Mas ele a olhou
de tal forma que respondeu sua pergunta sem abrir a boca.

Com um franzir da testa, Kit olhou para o caro relógio de ouro que
adornava seu pulso, o mesmo que combinava com o que ela usava.

— Está um pouco cedo para você me alimentar com elogios, não é?

— Nunca é cedo demais para isso.

Kit sorriu, uma sutil inclinação de seus lábios que fazia as


borboletas em seu estomago vibrarem para vida. Às vezes ele
DEN OF MERCENARIES #4

a surpreendia em como podia inspirar tal sentimento apesar do tempo


que já estavam juntos e do que passaram. Ela se lembrou da última vez
que estiveram ali neste escritório. A tensão era palpável entre eles até o
ponto em que mal queria estar na mesma sala e muito menos que a
tocasse.

As coisas mudaram. Muito mais rápido do que previu, mas seu amor
por ele nunca foi questionado. A Dra. Marie entrou em seu escritório
como um dilúvio, com seu caderno de couro sob o braço e com uma
caneca na mão. Seu cabelo prateado estava perfeitamente estilizado, mas
seus olhos de gato desfocados.

Ela se sentou em frente a eles na mesma cadeira de cor cinza, como


no seu primeiro compromisso, e seu olhar se moveu para eles. Ao
contrário da última vez, não estavam sentados separados, mas sim, perto
o suficiente para deixar óbvio que algo mudou entre eles.

Não havia mais distância, nem silêncios tensos, nem Luna tentando
evitar olhar para Kit. O mais notável era o anel que atualmente adornava
seu dedo, que esteve ausente por muito tempo.

— Estou feliz por ver que as coisas estão melhores para vocês dois
desde a nossa última visita. — Disse Donna com um sorriso agradável
enquanto os olhava com uma expressão que era levemente curiosa e
reservada. — Acho que tudo está indo bem, certo?

— Tudo está bem. — Disse Kit, quase distraidamente, ainda olhando


seu telefone.

— E Luna? — Ela pergunta, voltando sua atenção para ela. — Como


você está se sentindo?
DEN OF MERCENARIES #4

— Bem, se está perguntando se ainda planejo manter o sobrenome


Runehart, isso depende se Kit puder desligar o telefone durante a
próxima hora.

Quase imediatamente os olhos de Kit piscam, seu dedo apertando o


botão na parte superior do telefone, desligando-o. Ele fez um show
enquanto afastava o telefone com outro meio sorriso.

Donna fez uma anotação.

— Fico feliz em ouvir isso. Diga-me, o que traz vocês dois aqui hoje?

— Eu gosto de lembrar Kit dos detalhes, já que ele tem uma memória
de merda.

Ele zombou.

— Não, não mesmo. Você apenas quer saber se escondi algo sobre o
tempo que passei com sua irmã, há uma diferença.

— Pela maneira que reagiu ao meu encontro, você realmente não


deu espaço para conversa.

— Está finalmente admitindo que foi um encontro?

— Não foi um encontro. É por isso que estamos aqui, sabe. Para
esclarecer os detalhes.

— E quais detalhes seriam, Luna? — Perguntou Donna.

— É uma longa história, na verdade. — Disse Luna com um encolher


de ombros.
DEN OF MERCENARIES #4

Kit sorriu.

— Sempre é com você.

Luna deu um olhar sarcástico para o marido.

— Eu não acho que o interrompi na última vez.

— Modos, gatinha. — Ele revira os olhos, fazendo-a rir. Não havia


nada que odiasse mais do que esse apelido

— Acho que pode ser melhor se eu começar desta vez.

— Novamente? — Perguntou Luna.

— Como de costume, quando se trata do que dá errado na minha


vida. — Disse Kit, suas palavras a fazendo rir. — Esta começa com
Uilleam.

— Então, por favor. — Fazendo um aceno com a mão ela disse. —


Vamos começar.
DEN OF MERCENARIES #4

Há alguns lugares que não importa quanto tempo passe, são


assombrados por fantasmas do passado. A propriedade Runehart é um
desses lugares e não havia boas lembranças para Kit Runehart, mesmo
que fosse sua casa de infância ou melhor, porque era sua casa de
infância.

Passou noites e dias encolhido de medo, perguntando-se quando a


próxima punição viria ou quando o próximo jogo começaria. Era como
seu pai gostava de chamá-los, seus jogos.

Alexander Runehart não estava acostumado a que as coisas não


fossem do seu jeito e quando estava com um humor particular, gostava
de desafiar os outros ao seu redor apenas para descobrir se eram tão
espertos ou tão estúpidos como pensava que eram.

Não era tão simples como uma rodada de xadrez ou um movimento


de estratégia, isso era muito fácil. Não, ele queria se certificar de que seus
oponentes pudessem se manter. E em sua mente distorcida, seus
melhores adversários eram os meninos que, também em sua própria
mente, amava e criava para se tornarem imagens de si mesmo. Kit, sendo
o mais velho, sofreu mais sob a mão de seu pai.

Havia um nível de grandeza por ser o mais velho. Ele deveria ser
preparado para assumir o negócio da família, mas mesmo no
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início dos cinquenta anos, Alexander não estava pronto para entregar as
rédeas do seu império, nem planejava facilitar a posse de Kit.

Não, ele tinha que completar os testes primeiro, testes que


garantiriam que ele soubesse exatamente como lidar com os homens e
mulheres com quem um dia cruzaria por causa do nome que carregava.

Certa vez, Kit quis o posto, queria provar seu valor para seu pai, mas
à medida que envelhecia e mais cicatrizes decoravam sua carne, Kit
aprendeu que não era possível agradar um homem como Alexandre.

A perfeição era inatingível e não pretendia se matar para tentar


provar a si mesmo.

Foi por isso que, quando Zachariah fez a oferta pela primeira vez,
pensou muito na decisão. Não veio facilmente, nem concordou
imediatamente. Como sempre, seu pai tomou a decisão por ele sem
nunca pronunciar um sim ou não.

Ele podia sentir a dor nos ossos, a maneira como sua pele se
apertava em certos lugares. Era uma dor com a qual estava muito
familiarizado, mesmo aos quinze anos de idade. Sentia como se toda uma
vida já tivesse passado, como se tivesse vivido bem além dos seus anos.

Mas Kit não lamentou seu destino.

Ele não chorou pela constante agonia na qual estava.

Suportou porque era o que os homens faziam e apesar do que seu


pai gostava de pensar dele, não era nada, além de resiliente.
DEN OF MERCENARIES #4

Os carrilhões ecoaram por todo o castelo, fazendo os olhos de Kit


irem para a porta antes de voltarem para o teto bem acima de sua cabeça.
Era seu novo passatempo favorito, quando vinha para casa do internato.
Era o que o mantinha são.

Um fato triste, que um garoto apenas pudesse encontrar prazer na


escuridão e no silêncio. Podia ouvir os empregados se movendo com um
propósito fora da porta do quarto, mas não estava interessado em
verificar o que estavam fazendo. E se alguém precisasse dele, o que
realmente esperava que não, teriam que vir buscá-lo.

Antes, ele cometeu o erro de se aventurar fora de seu quarto, apenas


para dar uma olhada, já que apenas estava em casa há alguns dias e as
coisas sempre mudavam quando estava no internato, mas não esteve fora
mais do que alguns minutos antes que um dos homens de seu pai o visse
e informasse.

O castigo para caminhar sem rumo? Exercícios extenuantes que


deixaram seu corpo fraco. Seus braços ainda tremiam quando lembrava.

Não, ele não sairia tão cedo.

Ao fechar os olhos, Kit tentou distanciar-se, não apenas da cama,


mas também de seu corpo, imaginando estar em qualquer lugar, exceto
ali. Sempre sonhou em viajar pelo mundo, fugir do País de Gales e do
inferno que recebia quando estava ali. Mas não tinha dinheiro e sem a
ajuda de seu pai, não tinha meios de fugir.

Era apenas um sonho.


DEN OF MERCENARIES #4

Um sonho que desejava e ansiava, mas que não podia nutrir porque
era impossível. Com uma respiração profunda, Kit abriu os olhos
novamente, balançando as pernas para o lado da cama enquanto se
preparava para levantar, mas deitou-se novamente quando ouviu vozes,
mais alto desta vez, fora de sua porta.

Seu coração pulou uma batida, ele tentou se preparar mentalmente,


empurrando a dor para o fundo de sua mente, dessa forma, a nova agonia
que certamente sofreria não aumentaria a que já sentia. Poucos segundos
depois, a porta abriu e no limiar estava Alexander, seu peito coberto por
um elegante suéter cinza e seus cabelos escuros estavam no lugar devido
ao gel. Isso fazia os ângulos de seu rosto se destacarem, todas as linhas
e contornos afiados

Mas foi para o homem atrás dele que Kit dirigiu seu olhar e foi com
a visão dele que Kit exalou de alívio. Zachariah Runehart não costumava
passar tempo no castelo Runehart, ele e seu irmão raramente
compartilhavam os mesmos assuntos, eram completamente opostos em
todos os aspectos, particularmente em suas práticas comerciais e a
maneira como lidavam com seus filhos.

Seu tio teve um filho e uma filha, mas os dois morreram


tragicamente no décimo sexto aniversário por razões que Kit não
conhecia.

Ninguém na família falava sobre isso e Kit não perguntaria.

Desde o acidente, como seu pai gostava de chamar, Zachariah se


interessou por Kit e Uilleam, mas por causa do temperamento de
Alexander, ele apenas permitia o tempo necessário para
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ensinar-lhe disciplina e respeito, ambos os quais Zachariah tinha em


abundância, mas, apesar de seu pedido, Alexander não gostava que os
dois passassem tanto tempo juntos.

Além de um temperamento terrível, Alexander também tinha uma


tendência ciumenta que podia ficar particularmente feia. Kit ficou de pé
com os pés juntos, ombros retos e a cabeça erguida quando o pai entrou
primeiro, seguido rapidamente por seu tio. Embora acenasse com a mão,
um comando silencioso que significava que Kit podia relaxar, ele não se
atreveu a mover

— Zachariah quer falar com você. — Disse Alexander daquela


maneira brusca que fez Kit olhar de um para o outro. — Eu vou deixá-
los.

Embora saísse pela porta, seu olhar disse a Kit que queria respostas
quando retornasse. Uma vez que a porta se fechou atrás dele, Zachariah
tirou o chapéu, segurando-o contra o peito enquanto observava o quarto
com um giro de sua cabeça.

— Já faz um tempo, não é?

— Dois anos. — Disse Kit imediatamente, sua guarda baixando


apenas um pouco.

Embora não tivesse que ser o pequeno soldado perfeito que seu pai
preferia quando estava ao redor de seu tio, nunca estava completamente
à vontade para baixar sua guarda. Estava muito acostumado com as
aparências espontâneas de seu pai.
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— Você estava contando? — Perguntou Zachariah com um meio


sorriso, mas sem tom de crítica.

— Há algo que precisa de mim? — Perguntou Kit, em vez de


responder sua pergunta, embora não pensasse que era possível o homem
precisar de algo, não quando dificilmente estava por aí, era
provavelmente outro teste, impossível de passar, embora esperasse
poder.

— O que Alexander lhe contou sobre o que eu faço? — Perguntou


Zachariah.

— Nada.

— Não me surpreende, ele nunca teve um olho para isso, afinal.


Gosta de chamar de trabalho de sangue, sabe, na mente dele, sempre
pode contratar alguém para matar um homem, mas é preciso uma
habilidade especial para manipular eventos que levam à morte de um
homem.

Kit percebeu há muito tempo que a linhagem Runehart falava em


códigos e enigmas, tornando quase impossível entender o que diziam, a
menos que prestasse muita atenção.

— O que você está dizendo?

— Gostaria de deixar este lugar?

Nenhuma outra palavra o faria sentir tão quente por dentro, como
se um incêndio começasse a queimar dentro e estivesse perto de arder.
Não havia nada no mundo que quisesse mais do que isso, mas sabia que
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nunca poderia acontecer, não quando seu pai se recusava a deixá-lo fazer
qualquer coisa que não aprovasse.

— Sobre o que está falando?

— Eu tenho uma oportunidade para você, uma que acho que irá
apreciar.

Kit o observou.

— Qual?

— Seu pai já lhe contou sobre a Sociedade Lotus?

— Não…

— É uma organização privada especializada em recrutar aqueles que


podem realizar certas tarefas com as quais os outros podem não ficar à
vontade.

Isso parecia bastante ambíguo, mas algo o intrigava.

— Qual seu papel?

— Recrutador, principalmente. Às vezes treinador, dependendo do


que for necessário.

— Mas exatamente por que seria recrutado por você? — Perguntou


Kit, descobrindo que tinha mais perguntas com cada informação que
Zachariah lhe fornecia.

— A questão é se você está interessado.


DEN OF MERCENARIES #4

Kit ainda não sabia nada sobre a Sociedade Lotus ou mesmo o que
seu tio fazia lá, mas se houvesse a chance de poder deixar esse inferno
para trás e ficar livre das pessoas que o feriam constantemente, preferiria
estar em um lugar que não conhecia, mesmo não sabendo o que ele
planejava.

— E a escola?

— Eu cuidarei disso. Preocupe-se em arrumar suas coisas.

— Meu pai não me deixará ir. — Disse Kit. — Mesmo com você.

— Deixe que eu lido com Alexander, sempre tive jeito para dobrar
sua vontade.

Kit não estava tão seguro, mas não discutiu enquanto seu tio saia
do quarto e fechava silenciosamente a porta atrás dele. Apesar de dizer
para arrumar suas coisas, Kit permaneceu exatamente onde estava,
esperando sem fôlego que seu tio voltasse... ou seu pai. Dependendo de
como fosse a conversa, não havia como dizer qual dos dois entraria por
aquela porta.

Apenas esperava que não fosse seu pai.

Kit não sabia quanto tempo permaneceu ali, olhando para a madeira
maciça, mas quando ouviu as vozes exaltadas do outro lado, mais uma
vez, seu medo se renovou. Uma parte dele estava tentada a correr, a se
esconder em algum lugar, seu pai não o encontraria, mas isso apenas
piorava os castigos, garantindo que seu pai o espancasse quase até a
morte.
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Não, permaneceu enraizado no lugar e esperou, se fosse derrotado,


se comportaria como um homem e não iria reclamar.

Sequer chorar.

Fazer um som.

Aprendeu esta lição particular da maneira mais difícil, a porta se


abriu voando, batendo na parede com tanta força que o som ecoou por
todo quarto, mas Kit não se encolheu.

— O que é isso sobre você querer sair? — Perguntou Alexander com


olhos selvagens, mas não havia fúria em seu olhar. Havia mágoa. — Não
fui bom com você? — Essa era a coisa de Alexander Runehart, o homem
achava que submeter uma pessoa, não era um tormento.

Mas as lições dele, como gostava de chamar, em sua mente


distorcida, fazia um favor especial a Kit

— Eu...

— Eles precisam crescer em algum momento. — Zachariah falou,


cruzando os braços em seu peito. — Você não pode protegê-los para
sempre.

A maneira como Zachariah falou fez Kit se perguntar se realmente


queria dizer isso ou se ele estava projetando seus próprios pensamentos.

— Então vamos ouvi-lo dizer isso. — Exigiu Alexander,


aproximando-se ainda mais de Kit, propositadamente invadindo seu
espaço pessoal. — E se quiser ir, então erga a cabeça como um homem e
me diga isso. Não terá ninguém para mimá-lo, garoto. Você
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sai por estas portas e perde tudo. — O que significava dinheiro e proteção,
tudo o que representava um Runehart.

Kit gostaria de desistir dos dois.

— Eu quero ir.

O choque no rosto de seu pai quando teve sua resposta foi quase tão
bom quanto o sentimento de triunfo que percorreu Kit enquanto
observava o rosto de seu pai se encher com o entendimento de que ele
não queria ficar.

Mas não podia voltar atrás na sua proposta e era um homem que
dava sua palavra.

— Saia. — Ele grunhiu, olhando-o com desgosto.

Zachariah assentiu, seus ombros relaxando.

— Kit, faça suas malas.

— Ele não leva nada além das roupas no seu corpo. E quando eu
voltar a este quarto, é melhor ele ter ido embora. — Seus olhos se
estreitaram, cheios de fúria, ele também não parecia notar a presença de
Uilleam na entrada.

Seu irmão era bastante bom nisso, ficar invisível à vista. Movendo-
se silenciosamente e certificando-se que passasse despercebido, era uma
característica que Kit nunca pareceu dominar.

— Devemos ir. — Sugeriu Zachariah. — É melhor assim.


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Ele estava fora do quarto, mas não fingiu não ver Uilleam, colocando
uma mão sobre seu cabelo castanho claro antes de desaparecer ao virar
o corredor.

Kit mal deu um passo e olhou o quarto antes de deixá-lo também,


não tinha boas lembranças. Não era um lugar que queria ver novamente.

— Você vai a algum lugar? — Perguntou Uilleam, sua voz era uma
oitava mais alta do que provavelmente desejava, Kit não era o único a
receber lições de como ser um homem.

— Sim.

— Então me leve com você.

Kit piscou, olhando para o irmão mais novo, Uilleam sempre foi
melhor quando se tratava de lidar com seus pais, sabia como
desempenhar o papel, sabia o que era necessário para sobreviver, Kit, por
outro lado, era um tipo diferente de sobrevivente, ainda tinha que
aprender a jogar o jogo. Simplesmente aceitava o castigo, fosse qual fosse.

— Eu não posso e você sabe disso tão bem quanto eu.

Uilleam não mostrava fraqueza, não mais. Ele tinha muito cuidado
com as emoções que mostrava e da maneira como respondia aos
estímulos.

Sinceramente, Kit não esperava essa reação à notícia dele deixar o


castelo, mas agora ... podia ver o medo em seus olhos, a preocupação,
mas não sabia se era por si mesmo ou por Kit.
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— Você ficará bem. — Prometeu Kit, apoiando uma mão em seu


ombro como Zachariah sempre fazia.

Uilleam nunca teve muito carinho e passou a detestar isso na


verdade.

Uma vez, amou estar junto a Kit, seguindo-o onde quer que fosse,
mas depois da última vez que se foi, quando Kit chegou em casa, Uilleam
não era mais o mesmo. Uilleam olhou para ele, sem piscar e com um
único movimento de sua cabeça, começou a caminhar pelo corredor sem
nunca voltar a olhar para trás.

Kit, até o momento, ainda não sabia o que esse olhar significava,
mas sabia que Uilleam sofreria por causa de sua ausência de algum modo
e era egoísta deixar seu irmão lá, mas não pensou que Alexander
transferiria sua atenção total a ele, especialmente com sua mãe lá para
interferir.

Apesar do que não sabia, Kit duvidava que algum dia conseguiria
respostas, não quando seus pais estavam mortos e Uilleam se recusava
a pensar nos tempos com eles e muito menos falar a respeito.

Certa vez, a propriedade Runehart esteve em ruínas, um castelo


abandonado que já pertenceu a um rei esquecido, até que seu pai o
DEN OF MERCENARIES #4

restaurou à sua antiga glória, gastando uma fortuna para garantir que
isso refletisse o que foi um dia.

Quando criança, Kit não entendia o que significava reparar o antigo


lugar e a criança que era, preferia nunca mais vê-lo em sua vida, mas
envelheceu e cresceu para apreciar a arquitetura fina e os luxos que o
dinheiro podia comprar, finalmente entendeu o que seu pai fez.

Era seu legado, Alexander dizia com uma forte sacudida da cabeça,
como se Kit discutisse o assunto com ele, mas podia muito bem ser uma
brincadeira com uma das pessoas que moravam dentro da cabeça do
homem.

Kit podia contar o número de dias agradáveis que passou naquela


casa e quando fez quinze anos e entrou na Sociedade Lotus para treinar,
não se incomodou em contar mais. Nenhum valia a pena lembrar.

Antes de partir, Kit não sabia o que era a Sociedade Lotus ou o que
significava fazer parte dela, apenas sabia que oferecia uma liberdade que
estava feliz em aceitar se isso significasse poder escapar e nunca mais
voltar.

Até este dia, nunca voltou e tudo porque não teve outra escolha.

Parado atrás de portões de ferro e um exterior de pedra, seu irmão


estava escondido dentro das paredes do castelo. Sem perceber, Kit
percorreu o caminho de paralelepípedo em direção à fonte que congelou
durante a noite fria de inverno. Sob a cobertura do céu cinza, a
propriedade parecia mais formidável e menos acolhedora.
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Deixando seu telefone para trás, porque não precisava da distração,


recuperou seu casaco primeiro antes de entrar, consciente das formas
borradas nos telhados. Não era uma surpresa que Uilleam trouxesse
segurança extra com ele, especialmente após as tentativas contra sua
vida, mas o que o surpreendeu foi que eram poucas pessoas.

Apesar do desdém de Kit por este lugar, ainda mantinha uma série
de lembranças que uma vez o cativou, incluindo os vários retratos dos
notáveis Runehart que pendiam ao longo das paredes do castelo, não
sabia por que se importava, mas por que realmente se interessava por
eles e como ele e seu irmão eram os dois últimos Runehart, se pudesse,
gostaria de se lembrar de sua família.

Por um capricho, fez um retrato seu quando tinha vinte e cinco anos
e um de Uilleam, embora seu irmão o tivesse removido da casa durante
um de seus ataques de ira. Quando Kit entrou, esperou a mesma
recepção rigorosa, pela qual Alexander era famoso, mas em vez disso,
encontrou uma concha da antiga glória do castelo.

Ele não podia ver nenhum mobiliário, nenhuma arte e decoração em


flocos de ouro pendendo das paredes. Sem tapeçarias e vasos caros que
continham flores frescas diariamente. Não, encontrou paredes em ruínas,
prateleiras cobertas de poeira e pisos rachado. Kit sequer tinha certeza
de que o lugar era seguro para entrar e muito menos viver.

Decidindo que era melhor não demorar, não se preocupou em fazer


uma pausa para olhar para seu antigo quarto, perguntando se pareceria
o mesmo, nem quis olhar para o retrato de seu pai que ainda estava
pendurado na grande sala com o que suspeitava ser buracos de bala,
antes de encontrar o escritório no andar principal.
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O único lugar onde Uilleam poderia estar.

Como esperava, seu irmão estava sentado diante do fogo aceso


olhando as chamas que dançavam e iluminavam a sala obscura. Mais
uma vez, parecia estar com um humor sombrio, perdido em seus
pensamentos, mas não estava tão longe que não notou a entrada de Kit.

Uilleam sempre foi um livro aberto, disposto a compartilhar a


indiferente emoção que exibia. Quando os olhos de seu irmão o
localizaram, Kit não viu nada além de malícia e desprezo.

— Eu disse a eles para atirarem em você. No entanto, aqui está.

Kit encolheu os ombros, apenas um levantamento casual enquanto


se sentava de frente a ele.

— Homens mais fortes tentaram me matar. E se não conseguisse


evadir suas patéticas desculpas de segurança, seria um homem morto.

Tendo passado a última década acumulando inimigos, dentro e fora


da Sociedade Lotus, muitas tentativas foram feitas contra sua vida.

— Ainda com este estado de espírito? — Uilleam perguntou


aborrecido, ao levantar a sobrancelha. — Iremos nos reunir novamente
pela manhã, não acho que quero ouvir drama esta noite.

— Pensamentos de Karina mantém você acordado à noite? —


Perguntou Kit, reconhecendo seu olhar distante e quase assombrado,
percebendo que ele ficou desta forma quando Luna o deixou. Quase
sentiu como se tivesse um buraco no peito que não podia ser preenchido
e se fosse honesto, muito poucos podiam colocar esse olhar no rosto de
DEN OF MERCENARIES #4

seu irmão, não havia muitas pessoas com quem se importava neste
mundo.

Kit sabia o que era amar e perder alguém, mas ao contrário de seu
irmão, teve a chance de consertar seus erros. Quero que você conserte,
Luna disse com lágrimas nos olhos, esta era a única coisa que precisava
dela, sua permissão.

Permissão para tocá-la.

Permissão para matar por ela.

Permissão para amá-la

No entanto, nunca precisou de sua permissão para isso.

— E se alguma vez houve um momento em que quis que você


parasse de falar, seria agora. Além disso, onde está seu exército? —
Perguntou Uilleam, fazendo um show ao olhar ao redor. — Na última vez
que falamos, você prometeu uma guerra. Não podemos ter uma guerra se
é apenas você e eu, podemos?

— Acabei de descobrir que minhas queixas contra você eram


infundadas.

Agora, Uilleam parecia estar entre curioso e divertido.

— Você está realmente admitindo que estava errado sobre alguma


coisa? Agora, estou curioso pelo motivo de estar aqui.

— Você não disse a Luna sobre meu envolvimento com ela sendo
concessão de Lawrence Kendall.
DEN OF MERCENARIES #4

O rosto de Uilleam se contraiu em aborrecimento.

— Esta é sua queixa? Como na terra poderia fazer isso com


aconselhamento? Seus métodos de comunicação estão severamente
prejudicados.

Luna disse algo parecido.

Foi algo que ouviu toda sua vida, o músculo no maxilar de Kit se
contraiu enquanto balançava a cabeça.

— Não vamos agir como se não ganhasse a vida matando outras


pessoas.

— Mas apenas em meus termos. Luna descobriria a verdade sobre


sua família no tempo devido, eu já esperava por isso, mas suas ações
fizeram com que as coisas ultrapassassem meu controle.

Claro, seu irmão não veria culpa em suas ações. Conhecendo-o,


provavelmente pensava que como descobriu a verdade, Luna se sentiria
afligida. Então novamente, Uilleam raramente encontrava falhas em suas
próprias ações, preferindo descartar qualquer outra pessoa além de si
mesmo.

Mas não estava lá para discutir esse ponto com ele, sabia que era
algo que nunca mudaria. Luna sabia que não podia mudar o passado,
mas estava descobrindo como mudar o presente.

— Não havia nenhuma razão para dizer a ela, considerando que


estava tentando encobrir. — Disse Kit, certificando-se de enfatizar o que
estava dizendo e tentando penetrar na névoa bêbada que parecia estar
sobre Uilleam.
DEN OF MERCENARIES #4

Mas o álcool confundia o cérebro de seu irmão, tornando-o lento no


entendimento. Esfregando a sobrancelha, Uilleam apertou os olhos.

— Onde você quer chegar?

— Bem, se você não contou a ela, como acreditei originalmente e eu


também não fiz, então quem lhe contou? — A mão que ele usava para
esfregar círculos acima de sua sobrancelha congelou e finalmente Uilleam
pareceu entender.

Ao longo de sua sessão com a Dr. Marie, Kit não esperava se


surpreender com algo que Luna compartilhou, não tinha dúvidas quanto
ao motivo pelo qual ela o deixou, mesmo que não gostasse, ainda podia
entender por que fez isso, mas ficou surpreso quando mencionou
Belladonna, um nome com o qual não estava familiarizado e isso foi mais
chocante do que qualquer coisa.

Kit conhecia mais pessoas do que ela, poderia até nomear o


proprietário de várias empresas fantasmas, que levaria anos antes de um
nome ser encontrado.

Mas Belladonna?

Ele não sabia quem era.

E se havia uma coisa que Kit tinha certeza, era o quanto Uilleam
valorizava sua privacidade e anonimato acima de tudo, apesar de sua
predileção por se gabar, o que aconteceu com Luna não era uma coisa
para se orgulhar e não compartilharia algo tão privado com uma pessoa
que era praticamente uma estranha, especialmente envolvida com Kit.

Ele poderia ter pessoalmente contado para Luna? Sim.


DEN OF MERCENARIES #4

Ele criaria um esquema elaborado para garantir que Luna soubesse


o que aconteceu com ela? Absolutamente.

Mas nunca permitiria que outra pessoa fizesse o trabalho sujo para
ele. Mesmo quando viu as rodas girando na cabeça de Uilleam, Kit disse.

— Eu tenho uma pergunta para você.

— Faça. — Ele respondeu com bastante impaciência.

— Quem lhe disse que Karina estava morta?

Era raro que Uilleam fosse atingido e ficasse mudo, sempre tinha
uma resposta para tudo, mesmo que não pudesse ter uma, mas apenas
o nome dela causava este efeito nele.

A mulher que ele amou e perdeu. Isso também foi algo que Kit nunca
entendeu antes de Luna.

Vários anos atrás, antes de Luna ter entrado em cena e antes de Kit
deixar a Sociedade Lotus, Uilleam se apaixonou.

Para dizer a verdade, Kit nunca o achou capaz de tal emoção, não
no sentido de oferecer livremente. Pode em algum momento ter gostado
de Kit, tratou-o melhor do que a maioria, mas fora isso Kit sempre pensou
que fosse algum tipo de obrigação familiar. Mas Karina Ashworth, não.
Uilleam a amou completa e irrevogavelmente

Tão linda como jovem, foi levada de forma bastante viciosa deste
mundo e nenhum deles tinha ideia do porquê. Kit apenas a viu em
algumas ocasiões e pelo que pode verificar pela imprensa, podia entender,
DEN OF MERCENARIES #4

embora não completamente, por que seu irmão ficou tão impressionado
pela mulher.

Ela tinha um sorriso amável, feições delicadas e um intelecto que o


surpreendeu.

Não importava o que Kit via ou não em Karina, porque Uilleam


pensava que ela era seu mundo, apesar de sua morte.

Kit lembrava-se muito bem do sofrimento de seu irmão: foi a


primeira vez em anos que o viu tão distante por tanto tempo e se até
mesmo somente o nome dela fosse pronunciado em sua presença, ficava
propenso a explosões violentas que nunca terminavam bem para
qualquer um por perto. Mas Kit não podia se preocupar com isso, não se
estivesse certo em sua suposição.

— Não. — A palavra era tanto um aviso como uma declaração.


Uilleam já não tinha a leve sonolência nas palavras, eram nítidas e
diretas. — Havia um corpo.

— Uma jornalista, ela era? — Kit continuou, consciente de que o


temperamento de seu irmão estava começando a aparecer. — Você me
contou uma vez sobre a investigação que estimulou seu interesse. Morte
por envenenamento por belladona, não foi?

Kit não se lembrava de todos os detalhes, aconteceu há muito


tempo, mas ainda se lembrava desse pequeno detalhe como um
pensamento fugaz na parte de trás da cabeça, que voltou na primeira vez
que Luna disse o nome da mulher.
DEN OF MERCENARIES #4

Isso, juntamente com o conhecimento que Uilleam confiou a ele há


tempo, trouxe à sua mente a única mulher que desapareceu sem
nenhuma resposta.

Pelo que parecia, ele encontrou algo.

Além disso, ela era uma jornalista investigativa que buscava a


verdade para as vítimas, como uma vez disse.

Kit não conseguia pensar em um candidato melhor que Luna.

— Luna me disse que aceitou um trabalho na época em que você foi


baleado, disse que o nome do cliente era Belladonna. — Informou Kit. —
Ela ficou furiosa comigo por questioná-lo na época, mas não entendeu o
significado. Passei as últimas três noites procurando e ainda não
encontrei nada, esta pessoa não existe. Então, diga-me irmão, como
alguém que não existe conseguiu enganá-lo o suficiente para aceitar um
contrato?

O olhar de Uilleam ficou distante por um momento, quando


desapareceu em seus pensamentos.

— Eu não estava por trás dos contratos naquele momento, era


Zachariah.

E por causa de um erro, que resultou em sua morte, não havia como
saber a verdade sobre o motivo pelo qual Zachariah aceitou o contrato.

Qual papel desempenhou nosso tio nisso?

— Mas não importa. — Disse Uilleam com uma forte sacudida de


sua cabeça. — Eu vi o corpo.
DEN OF MERCENARIES #4

No entanto Kit podia ver que nessa veemente negação, havia uma
desconfiança que Uilleam tentava esconder.

— Então você não é o único a jogar um jogo, irmão.

Uilleam ficou calado por um momento, olhando para ele como se


estivesse tentando avaliar se falava sério. Não queria acreditar no que Kit
sugeria, isso era óbvio, embora Kit não esperasse o contrário.

— O que está sugerindo? — Perguntou Uilleam, sentando-se um


pouco mais reto, o polegar se afastando do lado da cadeira. — Você acha
que Karina confiou nessa mulher, Belladonna?

— Não. — Disse Kit cuidadosamente. — Acho que Karina e


Belladonna são a mesma pessoa.

Agora, Uilleam estava começando a entender exatamente o que Kit


tentava lhe dizer, mas não pareceu satisfeito com a alegação.

— Você ouviu o que eu disse? Eu vi o corpo.

— Então é simples. Dê-me qualquer arquivo que tem em seu


escritório sobre ela e pessoalmente investigarei.

— Você sabe que meus arquivos são confidenciais.

— Eles nunca foram assim para mim.

— Eles sempre foram assim para você.

— Você tem medo da verdade? — Perguntou Kit.


DEN OF MERCENARIES #4

— Não há verdade. — Uilleam se mexeu desconfortável. — Isto é


uma retribuição por Luna tê-lo deixado? Como disse, não tem nada a ver
comigo.

Kit estava começando a pensar que Uilleam acreditava no que dizia,


ele não queria saber a verdade.

— O que custaria?

Uilleam levantou-se em uma explosão de sua cadeira, passando os


dedos pelos cabelos curtos enquanto caminhava de frente para o fogo.

— Digamos que você esteja certo, embora ache o contrário, o que


espera fazer uma vez que a encontrar? Confrontá-la sobre fingir sua
morte? Torturá-la para revelar uma verdade que tentou enterrar? O quê?

A forma como falava, com sarcasmo, dizia que Uilleam realmente


não acreditava que Karina estivesse viva. Caso contrário, não falaria tudo
isso. Porque se realmente acreditasse nisso, nada poderia impedir a
violência de Uilleam a alguém que ameaçasse sua mulher, incluindo Kit.

— Essa não é a questão, verdade? A questão é o que mais você disse


a Karina sobre mim? Presumindo que ela esteja realmente morta, então
isso apenas pode significar que confiou em outra pessoa, alguém que não
apenas está atrás de mim, mas também planeja uma vingança contra
você.

Sua desconfiança não parava em Belladonna, se fosse apenas isso,


Karina diria a Luna a verdade sobre seu sequestro. Isso também poderia
significar que era a pessoa por trás do tiro em Uilleam.
DEN OF MERCENARIES #4

As cordas de Jackal estavam sendo manipuladas por alguém e as


setas apontavam em sua direção.

Kit não acreditava mais que fosse apenas Elias.

— Você deve considerar Jackal.

— O assassino que não pode ser encontrado. — Disse Uilleam


franzindo a testa. — Você não deveria estar sobre ele?

Kit arqueou uma sobrancelha.

— Eu deveria saber sobre o cão de estimação do seu inimigo? Ele é


mais mito do que qualquer coisa. E se você não tivesse demonstrado sua
existência, não teria acreditado.

— Elias...

— Não seja tolo, irmão. Ambos sabemos que se ele tivesse controle
sobre o Jackal, o usaria novamente.

Uilleam riu, mas soava com dor.

— O que está dizendo? Karina ou esta Belladonna, enviaram seu cão


de ataque atrás de mim.

— Eu não posso dizer nada enquanto não investigar.

Ele ficou em silêncio um momento antes de finalmente dar um aceno


relutante.

— Eu pegarei o arquivo, mas posso assegurar-lhe que nada sairá


disso. Ela era... acho que realmente não importa o que ela
DEN OF MERCENARIES #4

era, verdade? — Uilleam voltou para o assento. — Diga-me, como foi sua
sessão de aconselhamento com Luna? Informativo, espero.

Claro que seu irmão sabia sobre isso, não teria seu apelido se não
acompanhasse a vida de todos os outros.

— Foi.

— Voltando ao caminho certo, então?

— Por que está perguntando?

O olhar severo de Uilleam ficou mais pronunciado.

— Você não é o único que se preocupa com ela, sabe?

Kit não morderia a isca.

— Por que diz isso?

— Porque os planos mudaram, irmão.

— Mudaram?

— Elias pediu uma reunião comigo.

Isto era novidade para Kit.

Pelo que sabia, Elias fazia questão de evitar Uilleam, ainda que
apenas para manter sua palavra de que, enquanto Kit estivesse no jogo,
deixaria sua família em paz.

— Para quê?
DEN OF MERCENARIES #4

— Ele queria uma trégua. — Disse Uilleam, uma sugestão do infame


Kingmaker sangrando em suas palavras. — Parece que Carmen
conseguiu proteção por enquanto, uma que evita tanto você quanto eu.
Ele pediu que Luna permaneça, de modo a que não arruíne a farsa deles.

A mãe de Luna, Carmen Rivera, era uma mulher que Kit com prazer
mataria num piscar de olhos, se fosse dada a oportunidade. Não apenas
pelo que ela fez a Luna, usando-a como um peão para manipular Uilleam,
mas pelo que fez com muitas outras garotas como ela, apesar do título
de ativista humana e de suas constantes doações para várias instituições
de caridade em todo o mundo, Carmen era uma mulher de renome, que
com prazer negociava carne e oferecia suas meninas a quem pudesse
pagar.

Ela fazia a família Kendall parecer com santa.

Kit não hesitaria em colocar uma bala em sua cabeça, não quando
a mulher merecia.

— Interessante. — Disse Kit enquanto olhava para o irmão. — Eu


não sabia que participou de uma reunião com Elias.

— Continue, irmão.

Elias proibiu Kit especificamente de mencionar sua reunião inicial


com Uilleam, mas não com Luna, foi por essa razão que finalmente
contou durante a sessão, não apenas porque era hora dela conhecer a
verdade por trás de suas ações, mas para que pudesse controlar sua
reação também.
DEN OF MERCENARIES #4

Mas já que Elias fez a maior parte do trabalho para ele, não tinha
motivos para manter para si mesmo por mais tempo.

— Então, talvez seja hora de contar o meu lado.

Kit não lhe deu uma chance de responder antes de descrever o que
se seguiu após o primeiro encontro com Elias, contou sobre as ameaças
do homem, a segurança dele e como, naquele momento, Kit não teve
opção e não viu uma saída.

Observou como o rosto de Uilleam mudava a cada verdade que


falava até que finalmente sua expressão era uma muito familiar. Uilleam
o olhou um momento antes de dizer:

— Você não me diria isso se não tivesse um motivo.

Kit concordou.

— Existe uma razão para tudo o que faço.

— Assinei um contrato com ela e não sou nada além de um homem


de palavra. — Disse Uilleam encolhendo os ombros.

— E não preciso de você para violá-lo.

— Você obviamente tem algo em mente.

— Sim, mas precisarei de sua ajuda.

Essa conexão era o que faltava todo esse tempo, uma que ele se
recusou a reconhecer.
DEN OF MERCENARIES #4

Eles eram capazes de grandes coisas individualmente, mas juntos,


eram invencíveis. Uilleam sentou-se com um sorriso, o primeiro genuíno
em toda a noite.

— Você está me oferecendo um trabalho, irmão? Já faz um tempo


desde que fui tentado.

— Como tantos outros. — Disse Kit.

— O que recebo em troca? — O dinheiro não tinha valor para


nenhum deles, não quando tinham o suficiente para durar várias vidas.

— Vingança.

— Continue. — Disse Uilleam, sentado na poltrona, como se


estivesse em um trono. — Conte-me seu plano. — Já não era irmão para
irmão, era Kit para Uilleam.

Sentado ao lado do fogo, ele falou sobre a ideia que se formou nos
últimos dezoito meses, este era Nix conversando com Kingmaker.
DEN OF MERCENARIES #4

Dias atuais...

Las Vegas, Nevada

E se o tempo fosse um reflexo de humor dela, a cidade iria inundar.

Luna Santiago não tinha certeza de porque estava tão mal-


humorada quando se sentou sozinha em sua cama, olhando as janelas
altas de seu quarto enquanto a chuva caia como uma cortina, quase
obscurecendo a vista lá fora. Um trovão a fez estremecer, afastando seu
olhar enquanto tentava se lembrar de que não precisava ficar irritada.

Precisava se concentrar.

Ao redor, várias pastas estavam abertas, revelando notas de


documentos, imagens de vigilância, juntamente com informações
bancárias suficientes que se estivesse inclinada, poderia limpá-las em
questão de horas. Mas não era dinheiro que estava procurando.

Ela queria arruiná-las.

Elas, sua mãe, sua irmã. A família com a qual cresceu.

Não era frequente visar sua própria família, especialmente da


maneira singular como queria que caíssem, mas nem todos
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tinham uma família como a dela, especialmente uma que estava disposta
a lhe oferecer como garantia se isso significasse mais poder e status.

Carmen Rivera era a mesma mulher que cuidou de seus joelhos


ralados, fez sopa quando estava doente e a atendeu como apenas uma
mãe poderia.

Ariana agiu como a maioria das irmãs mais velhas, ainda estava lá
quando Luna precisou dela e ainda conseguiu encontrar tempo para
passar com ela.

Mas depois de saber o que fizeram, era mais difícil pensar nesses
bons momentos, agora apenas podia recordar a forma como sua mãe
perdia a paciência se as coisas não saíssem exatamente como queria ou
como sua irmã ousadamente proclamava que não queria uma irmã
porque odiava Luna.

Era muito mais fácil lembrar o ruim, pensou.

Desde que voltou de Nova Iorque, primeiro para descobrir sobre a


nova tarefa que Uilleam designou, depois para ajudar Celt, outro
mercenário do Den, com um pequeno problema e finalmente,
participando de uma sessão de aconselhamento matrimonial com seu
marido, se apressou a estudar os arquivos, sabendo que não demoraria
muito para que Uilleam a enviasse para Califórnia para fazer sua vontade.

Era o preço que pagava por concordar em se tornar uma mercenária


sob seu controle. Naquela época, a decisão foi fácil, já que não
considerava mais nada, porque pensava apenas na vingança que teria
contra Lawrence Kendall, seu antigo captor e atormentador. Foi fácil
assinar seu nome no documento que prometia que desistiria
DEN OF MERCENARIES #4

de cinco anos de vida por um homem que realmente não conhecia, mas
a ajudou de qualquer forma.

Há dezoito meses, essa decisão voltou para mordê-la na bunda.

Descobrir a verdade sobre o que aconteceu com ela e como acabou


com a família Kendall, em primeiro lugar, tirou seu mundo do eixo e não
lidou bem com isso, não que alguém pudesse com o aconteceu.

Agora, ela não tinha certeza do que fazer.

Tudo parecia bastante simples quando tinha sua raiva para segurar
e conseguia afastar Kit, fingindo que ele não importava. Mas agora, não
estava tão irritada.

Voltando sua atenção para os arquivos na sua frente, tentou prestar


atenção ao que estava lendo, mas passou por esses arquivos dezenas de
vezes e não havia nada dentro que não soubesse.

Uma batida fez Luna levantar a cabeça, os olhos indo para porta da
sala fechada por um momento, antes de puxar a Glock que guardava
debaixo das almofadas, o dedo no gatilho.

Com cuidado para não amassar os papéis, saiu da cama,


permanecendo nas pontas dos pés quando começou a atravessar a sala
e colocou uma mão na maçaneta, abrindo devagar a porta.

Aquele que pensava poder entrar seu apartamento era alguém


grosseiro e Luna parou na porta aberta, percebendo quem entrava em
sua casa e instalava-se em seu sofá.
DEN OF MERCENARIES #4

— Isso será rotina agora? — Perguntou enquanto abaixava a arma.


— Quando um de vocês sai, o outro toma seu lugar?

Uilleam Runehart era seu chefe, o homem que assinava seus


cheques, além de seu papel como Kingmaker, era também seu cunhado.
Não muitos sabiam da conexão entre eles, não que falasse para qualquer
um, mas muitos não sabiam que era casada, já que deixou de usar a
aliança.

Quando Uilleam não respondeu, Luna suspirou, caminhou mais


adiante na sala e rodeou o sofá no qual estava sentado para finalmente
encará-lo.

O que viu em seu rosto a congelou.

Parecia... assombrado.

— Uilleam? O que está errado?

Ele observava o tabuleiro na frente dele, um que ele mesmo lhe deu,
já que tinha certeza de que não possuía um.

— Você já jogou xadrez, Luna? — Perguntou, sua voz baixa e seu


olhar ainda no tabuleiro.

— Uma ou duas vezes com Kit. — Disse ela, sentando na frente dele.

— Gostaria de jogar uma partida? Faz tempo desde que joguei.

Não tinha certeza do que estava acontecendo ou porque seu humor


parecia tão sombrio, Luna inclinou-se um pouco para frente.

— Claro, Uilleam.
DEN OF MERCENARIES #4

Era raro que ele pedisse algo, normalmente exigia, mas sua
mudança de comportamento não era algo bom e a deixava preocupada.

Sentaram-se em silêncio enquanto moviam as peças de vidro ao


redor do tabuleiro, seus movimentos metódicos à medida que seu olhar
focava no jogo, dando-lhe a oportunidade de estudá-lo.

Sua gravata estava frouxa, sem terno e a frente de seu colete estava
desabotoada.

Inclusive desarrumado, Uilleam ainda parecia mais bem vestido que


a maioria, mas isso era Uilleam e qualquer coisa fora do comum era
preocupante. Quando ele se recostou com um suspiro, gesticulou para o
tabuleiro com um amplo movimento de sua mão.

— Damas primeiro.

Luna não pensava em tentar ganhar, nem mesmo sabia o que estava
fazendo, assim apenas pegou um peão e moveu duas posições para
frente.

— Meu irmão já lhe contou sobre Karina Ashworth? — Perguntou


ele um momento antes de mover sua própria peça. Luna congelou. Ela
conhecia o nome, embora não soubesse muito sobre a mulher, sabia que
Karina foi próxima de Uilleam, que foi a única mulher que ele amou, mas
nada além disso.

— Um pouco. — Disse ela, esperando que o pouco que sabia não


fosse um problema. Kit sempre disse que Uilleam era sensível a respeito
dela.
DEN OF MERCENARIES #4

— Além de alguns poucos, ela foi uma das únicas pessoas, talvez a
única, à qual falei sobre você. — Disse Uilleam.

— Sobre mim?

— Logo depois disso, quando enviei uma equipe para buscá-la, falei
sobre meus planos ou pelo menos sobre o contrato que ofereci, ela nunca
me deixou terminar o restante, considerando o quanto ficou furiosa
comigo.

Luna não respondeu, mas derrubou seu peão com seu cavaleiro.
Olhando rapidamente para verificar sua reação, percebeu que ele não
estava particularmente incômodo com o movimento que fez, quase como
se houvesse previsto.

— Não foi nossa primeira briga, mas foi memorável.

— Como ela era? — Perguntou Luna, genuinamente curiosa.

Não muitos, além de Kit, estavam dispostos a desafiar Uilleam sobre


as decisões que tomou e as vidas que tirou, mas Karina parecia ter sido
uma delas.

Ela se perguntou uma vez, muito raramente, que tipo de mulher


chamaria a atenção de Uilleam o suficiente para mantê-la.

Seu sorriso era melancólico quando seu olhar foi para o tabuleiro.

— Inteligente e engenhosa, amável, mas esperta. Nós combinamos


facilmente por causa da inteligência e não acredito que exista ou existirá
uma companheira melhor para mim.
DEN OF MERCENARIES #4

Luna estava menos interessada no jogo e mais interessada no que


Uilleam dizia.

— O que aconteceu com ela? — Uma miríade de expressões cruzou


seu rosto até encontrar-se com uma mistura de angústia e fúria.

— Ela foi tirada de mim.

— Por quem?

Ele olhou para ela, seu olhar dizia que já sabia a resposta para isso.

— Elias.

Uilleam concordou.

— Levei tempo para descobrir o nome do homem. Persegui um


fantasma por anos, mas quando ele tentou me matar, cometeu seu
primeiro erro, então foi muito mais fácil rastreá-lo. Era apenas uma
questão de tempo antes de cometer outro erro que poderia explorar.

Este erro foi trabalhar com um mafioso irlandês que tinha Red como
inimigo.

Às vezes, Luna se perguntava se a habilidade de Uilleam como


Kingmaker era sorte ou se era tão bom mesmo em prever o movimento da
outra pessoa.

— E a pintura para a qual enviou Celt?

— Isso foi apenas porque estava entediado e queria provocar uma


reação. O envolvimento da amante foi uma distração bem-vinda.
DEN OF MERCENARIES #4

Luna teve uma ideia repentina.

— O que o faz pensar que Elias a tirou de você?

— Como?

— Bem... se não soubesse seu nome ou mesmo como encontrar o


homem, como sabia que foi mesmo por causa dele que Karina morreu?

Uilleam estremeceu

Demorou um momento para perceber que ao longo da conversa, ele


nunca disse que Karina morreu ou mesmo que foi assassinada. Pelo
contrário, disse que foi tirada dele.

Por algum motivo, isso a deixou triste por ele.

— Não, ele não apareceu imediatamente e assumiu a


responsabilidade, se é o que está perguntando. Durante meses, não
soube... nada. Não consegui encontrar nada, sem importar quem enviei.
Mas Elias estava ansioso para compartilhar seu sucesso, já que eu
estava em espiral em direção a um buraco negro, como homem que
derrubou o Kingmaker. Mesmo que temporário, foi suficiente para ele
começar um império.

Luna tinha dificuldade em imaginar que Uilleam fosse outra coisa


que o homem resiliente que era. A ideia dele se perder por causa da
angústia... simplesmente não parecia certo.

— Mas é óbvio que melhorou. — Disse Luna em voz baixa, movendo


um cavalo pelo tabuleiro com um pouco mais de prazer do que o
necessário. Ele estava tornando isso muito fácil.
DEN OF MERCENARIES #4

Mas novamente, enquanto pensou que ele ficaria descontente com


seu movimento, não parecia incomodado.

— Eu não melhorei. — Disse enquanto olhava o tabuleiro. — Fiquei


irritado.

Em sua ânsia de capturar uma de suas peças, não prestou atenção


à imagem maior, a estratégia que montou. E mais uma vez ela não
entendia como alguém podia ser tão bom no xadrez.

Ninguém conseguia prever cada movimento a se fazer,


especialmente quando jogava contra outra pessoa. Havia muito espaço
para o acaso, para erro, mas Uilleam fazia isso sem nenhum esforço
movendo sua torre no tabuleiro.

— Xeque-mate.

Ela ficou desconcertada.

— Obviamente, esqueci o quão bom você é com isso.

— Não seja dura consigo mesma. — Disse Uilleam, levantando e


caminhando em direção ao bar. — Você não foi a única a cometer este
erro.

E a arrogância estava de volta...

Uilleam pegou uma garrafa de vodca, despejando uma enorme


quantidade em um dos copos de cristal, sentou-se novamente e qualquer
satisfação momentânea que sentiu ao ganhar o jogo desapareceu.

Por um momento, enquanto segurava aquele copo na mão, Uilleam


tinha um olhar... perdido.
DEN OF MERCENARIES #4

— Ela foi a melhor e a pior coisa que já me aconteceu.

Luna nunca ouviu alguém descrever um relacionamento assim.

— Por que você diz isso?

Ele tomou de um único gole sua vodca.

— Karina me mostrou o que significava realmente amar alguém


incondicionalmente... mas também me mostrou que o amor o deixa fraco.

Com aquelas palavras de despedida, Uilleam levantou-se e


aproximou-se de seu lado.

— Usarei seu quarto de hospedes. — E uma vez que beijou sua testa,
disse. — Obrigado por me ouvir.

Não esperou por uma resposta quando saiu pela porta da sala,
deixando-a sentada ali olhando para suas costas.

Luna não tinha a menor ideia do que pensar.

Na manhã seguinte, tudo voltou ao normal.

Quando Luna se aventurou fora do quarto, Uilleam já estava


acordado e vestido, ao contrário da noite anterior, vestia um terno azul
marinho e a gravata vermelha fina que usava estava presa
DEN OF MERCENARIES #4

por um clipe de prata. A vulnerabilidade em seu olhar desapareceu, bem


como a fadiga que parecia pesar em seus ombros. Ele era o Kingmaker
mais uma vez.

— Eu tenho outro presente para você. — Ele disse, com um gesto de


mão para o banco vazio à sua frente, onde uma bandeja em forma de
cúpula esperava.

— Há quanto tempo está acordado? — Perguntou hesitante, não


tinha certeza do que causou a mudança de humor. Conhecendo-o,
provavelmente não era nada de bom.

— Algumas horas.

Eram apenas nove horas da manhã...

— Outra surpresa? — Ela perguntou enquanto tomava o assento em


frente a ele. — Estou começando a me sentir especial.

— Oh, você é muito especial. — Disse enquanto pegava uma elegante


caixa preta do bolso e deslizava para ela. — Mais do que jamais saberá.

Não havia inflexão em suas palavras, sem vestígios de mentiras. Às


vezes, esquecia o quão doce podia ser.

— O que é isso? — Perguntou ela, passando os dedos sobre a caixa


de veludo, quase com medo do que estava dentro. — A última vez que
aceitei um presente de um Runehart... — Ela não precisou terminar está
declaração.

— Considere um presente de casamento atrasado.


DEN OF MERCENARIES #4

Luna refletiu sobre isso um momento mais, antes de finalmente


levantar a tampa para encontrar uma chave dentro, o logotipo um
tridente prateado e brilhante.

— Uma Maserati, Uilleam? — Isto era o que ele queria lhe dar? —
Quando você comprou?

Destampando sua própria travessa, ele observou as opções.

— Esta manhã.

Pegando o guardanapo de linho da mesa, colocou-o no colarinho de


sua camisa antes de pegar o garfo e faca para cortar as torradas
francesas.

— Que tipo de condições estão presas a este... presente?

Uilleam poderia ser propenso a fazer coisas no calor do momento,


mas sempre havia benefícios para si mesmo com qualquer favor ou
presente.

— Este é dado livremente, eu juro. Além disso, precisará de um carro


para onde estamos indo e este é o melhor para se misturar na multidão.

— Todos dirigem carros esportivos caros onde vamos? — Ela


perguntou.

Uilleam sorriu quando limpava a boca.

— Você nunca esteve em Los Angeles?

Não, na verdade não, nos primeiros treze anos de sua vida, nunca
colocou o pé fora de San José, então os próximos três passou
DEN OF MERCENARIES #4

presa e depois de descobrir que sua mãe e sua irmã se reinventaram em


Los Angeles, se certificou de nunca ir lá.

Ela não queria tentar a sim mesma.

Lendo sua expressão, ele disse:

— Então você terá esta experiência. Agora, se vista e poderemos sair.

Luna não perdeu tempo discutindo, sabendo que Uilleam não


revelaria nenhuma parte de seu plano antes de estar pronto. Ela
costumava pensar que era a emoção de saber mais do que outros, mas
descobriu que havia um método para o que fazia, quase como se
precisasse controlar as reações das pessoas também.

Tomando um banho bem rápido, torceu seus cabelos molhados


formando um coque bagunçado fácil para secar, puxou uma enorme mala
do armário, colocando nela apenas o que precisava, mais armas do que
roupas. A última coisa que queria quando estivesse lá, era encontrar
armamento de alta qualidade em cima da hora. Era muito mais trabalho
do que precisava.

Apesar de ser apenas dez da manhã, homens e mulheres oscilavam


como bêbados pelo vestíbulo, indo para suas camas no andar de cima,
provavelmente morrendo de vontade de entrar ou ir ao restaurante para
algo gorduroso.

E de qualquer forma, Uilleam não parecia preocupado em mostrar o


rosto como costumava fazer.
DEN OF MERCENARIES #4

— Não entendo como você pode gostar deste calor desgraçado. —


Uilleam reclamou quando saíram, ajustando a gravata já arrumada.

— A maioria não usa trajes de três peças aqui, a menos que seja
noite. — Disse Luna com um leve sorriso. E uma garota usando um
glorioso biquíni fio dental passou por ela e acrescentou. — Ou nada.

Uilleam entregou uma folha de papel ao manobrista, esperando até


que se afastasse antes de voltar sua atenção para Luna.

— Pelo menos você não terá que se preocupar mais com isso, já que
irá para casa em breve.

As sobrancelhas de Luna se ergueram.

— Como?

— O aconselhamento matrimonial está indo bem, não? Tenho


certeza de que você e meu irmão se reconciliarão em breve, talvez depois
de um pequeno assassinato?

— Quando você começou a defender Kit?

Alguns dias, era apenas um leve aborrecimento entre os dois, mas a


cada ano que passava, a aversão parecia se transformar em um leve ódio.

— Sempre fui um defensor do seu relacionamento, esperava


despertar um romance quando coloquei vocês dois juntos.

Luna revirou os olhos, não acreditando nisso por um segundo.

— Você apenas fez uma merda na sua cabeça para se ajustar à sua
agenda?
DEN OF MERCENARIES #4

— Funcionou bem para mim, não? Mas neste caso, é verdade.


Admito que tive algumas intenções negativas. Esperava feri-lo através de
você, depois de tudo.

Somente Uilleam admitiria voluntariamente que não tinha


problemas em manipular as pessoas.

Eles foram interrompidos pelo manobrista chegando em uma


Maserati branca perolada. Luna nunca se considerou uma entusiasta
conhecedora de carros, tinha um olho melhor para motocicletas, mas
tinha que admitir que este era uma obra de arte.

Uilleam murmurou ao seu lado.

— Branco para os inocentes.

Para outras pessoas, essas palavras poderiam ser ofensivas. Uilleam


sabia muito bem o que foi forçada a fazer antes de encontrá-la na
propriedade de Kendall.

Branco significava pureza, mas no contexto em que Uilleam usava,


queria dizer que não merecia o que aconteceu com ela.

Ela era inocente.

— Às vezes, você não é tão mau.

— Aspiro sua graça quando estou bem-humorado. — Uilleam


acenou para que fosse para o outro lado. — Você dirige.

— Sério? — Ela perguntou quando colocou sua mochila no porta-


malas. — Pensei que sendo maníaco por controle, seria inflexível sobre
estar atrás do volante.
DEN OF MERCENARIES #4

— Prefiro mais ser conduzido, isso me dá a chance de pensar.

Luna sorriu enquanto sentava no banco do motorista, inalando o


cheiro de carro novo misturado com couro.

— Aliás, você tem gostos caros.

— Bem, se estiver pronta... — Ele disse, parecendo um pouco


ofendido.

Saindo do hotel, Luna virou à direita na Sunset Strip, saindo da


cidade propriamente dita.

— Para qual pista de pouso iremos?

— Pensei em dirigir. — Disse Uilleam enquanto ficava confortável,


puxando o telefone do bolso. — Nós podemos aproveitar esse tempo para
colocar em dia todos os aspectos relevantes das informações antes de
chegarmos. Como disse, os planos mudaram.

— Mudaram como, exatamente?

Quando ela viajou para Nova Iorque semanas atrás para uma
missão, ele deixou claro que iria para Califórnia gostando ou não e que
ela protegeria sua mãe quando estivesse lá.

Sentiu muitas emoções e como agora, não queria fazê-lo.

Nos anos que passou com o Den, Luna tentou se afastar de seu
passado, não apenas por causa do que aconteceu com Lawrence Kendall,
seu antigo carcereiro e abusador, mas também por causa do que foi uma
vez.
DEN OF MERCENARIES #4

Essa menina inocente não tinha lugar em uma vida como está e se
fosse algo parecido com o que era antes, Luna não teria estômago para
fazer o que era preciso.

E ter que engolir o orgulho e fazer um trabalho que não queria...


custava mais do que percebeu.

No entanto, no seu caso não teve escolha, foi uma exigência, o único
momento que Uilleam trouxe à tona sua dívida. Enquanto a maioria
chegava ao Den por vontade própria, Luna foi comprada por Uilleam e
depois enviada para Kit para ser treinada.

Ela se apaixonar por seu irmão e se casar com ele nunca foi parte
do plano.

— O que sabe sobre um homem chamado Elias?

Não muito.

Apenas o pouco que ouviu de Red e Celt, além do que Kit falou
durante a sessão de aconselhamento.

Como ameaçou todos que Kit amava para obrigá-lo a fazer o que
queria.

E a outra coisa...

— Foi ele que contratou Jackal. — Disse Luna calmamente, olhando


na direção dele. Alguns nomes continham significados e Elias...
provocava ódio em mais de uma pessoa.

Jackal... inspirava medo.


DEN OF MERCENARIES #4

Uilleam assentiu.

— Ele também é responsável por algumas das atrocidades na minha


vida, para não mencionar meu negócio, sua tentativa de me arruinar me
custou dinheiro e isso me desagrada.

— Mas ele tem muito poder. — Disse Luna, mudando de marcha


quando o carro pegou velocidade, definitivamente adorava esse carro. —
E isso é exatamente o que tem sobre Kit. Apenas posso imaginar o que
pode ter sobre você.

— Imagino que seja extenso, mas há uma lição que não pareceu
aprender com inimigos anteriores.

— Qual?

O sorriso de Uilleam se ampliou.

— Ele não ganhará.

Era difícil não acreditar em algo que Uilleam dizia.

Falava com tal segurança que impossibilitava questioná-lo.

— Mas como você pode fazer qualquer coisa se ele tem pessoas nos
observando a cada passo?

— Missões, como a que assumiu, levam tempo e paciência, ambas


as quais nosso bom amigo Elias não parece possuir. Depois de um ano
de obediência voluntária do meu irmão, ele reduziu sua vigilância sobre
você e Kit, para não mencionar que sua atenção foi puxada em várias
direções.
DEN OF MERCENARIES #4

Graças a ele, Luna sabia.

Primeiro, a tarefa de Red era apenas descobrir o nome do homem.


Então, o Celt interrompeu com sucesso a venda de uma pintura que já
pertencia à família Runehart.

Ambos destruíram os negócios que Elias pretendia fazer.

Era a mesma tática que Uilleam pretendia usar?

— Ok, então o que precisa que eu faça?

— Faça o que você faz melhor, Calavera. — Disse Uilleam,


chamando-a pelo nome que raramente utilizava. — Seja a aranha.

— Você quer que encontre informações? O que resta para descobrir


que ainda não tem?

— Para derrubar um império. — Disse Uilleam. — Você não começa


com a rainha, começa com seus peões.

— Qual dos peões de Carmen quer derrubar primeiro?

— Começaremos com César, então Ariana será a próxima.

Sua irmã.

Luna tinha certeza de que deveria sentir algo mais com a ideia de
que trabalharia com Kingmaker para destruir sua própria família, mas
não conseguiu sentir tristeza.

— Como exatamente espera que façamos isso?


DEN OF MERCENARIES #4

— A destruição de César já foi coloca em movimento. Nosso amigável


atirador está cuidando disso.

— Red? — Pergunta Luna, surpresa com suas palavras.

Ela não falou com Red desde que saiu de Nova Iorque, embora ouviu
que seus gêmeos nasceram no Natal, não podia imaginar o que o
Kingmaker prometeu para tirá-lo de seus recém-nascidos tão cedo.

— E uma vez que ele estiver fora de cena, podemos seguir para
Ariana, mas será muito mais fácil mostrar como ela enfrentará sua ruína
em vez de lhe dizer.

Embora estivesse morrendo de vontade de saber o que ele pretendia,


era apenas uma questão de tempo antes de descobrir a verdade.

Seguiram o resto do caminho em silêncio e quando o deserto se


transformou em palmeiras exuberantes, Luna tentou conter seus olhos
errantes que queriam absorver tudo o que via.

Definitivamente entendeu o que o Uilleam quis dizer sobre os carros


em Los Angeles, embora ainda houvesse uma série de carros regulares.

— Vire aqui. — Uilleam instruiu enquanto indicava que saísse da


interestadual.

Em pouco tempo, percorria um caminho tão perto da praia que


podia sentir o sal no ar. Lembrava-lhe da casa à beira-mar de Skorpion
que viu nas fotos.
DEN OF MERCENARIES #4

Ao contrário de seu condomínio em Las Vegas, com suas linhas


agudas e paleta escura, este bangalô era mais aberto e arejado com cores
claras e design sutil, embora uma batida de seus dedos contra as janelas
lhe dissesse que as paredes eram reforçadas.

Mas enquanto caminhava pela sala de estar, olhando tudo, sentia-


se quase... familiar, embora soubesse que nunca esteve ali antes.

Desviando-se de seus pensamentos, Luna foi para o quarto principal


no andar térreo e uma vez que entrou, percebeu muito rapidamente por
que parecia tão familiar. Com lençóis e edredons brancos até as portas
francesas que levavam a uma piscina de água reluzente.

Havia variações sutis com certeza, mas esta sala e até mesmo a casa,
foram decorados como o bangalô de Bora Bora.

Kit e seus presentes.

Ela não tinha dúvidas de que fez isso, ele gostava de surpresas,
gostava de fazê-la sorrir e provavelmente sabendo que iria ali, deve ter
dito a Uilleam que faria isso sem dizer uma palavra a ela.

— O que vocês dois estão fazendo? — Ela perguntou enquanto


Uilleam entrava atrás dela, não conseguindo manter o sorriso longe do
rosto.
DEN OF MERCENARIES #4

— Não tenho a menor ideia do que quer dizer.

— Claro que não.

— Precisa de algum lugar para ficar enquanto faz negócios, isso é


muito melhor do que um hotel, não?

— Claro. — Embora Luna não se importasse com hotéis, não gostava


de ficar neles por longos períodos de tempo.

A camareira tinha a tendência de querer limpar quando não estava


no quarto e isso nunca funcionava bem se deixasse seu equipamento ao
redor.

— Embora adorasse ficar, nós dois precisamos nos preparar para a


noite. Deixei um vestido para você no armário. Certifique-se de estar
adequada para uma noite na ópera.

Ópera? Luna não teve tempo de questioná-lo antes de sair.

Apesar de seus anos juntos, Kit nunca a levou à ópera, não que
estivesse reclamando, nunca achou interessante, mas sabia que quando
se ia ao teatro, esperava que estivesse bem-vestido.
DEN OF MERCENARIES #4

Uilleam usava um smoking completo com uma gravata borboleta,


seus cabelos loiro-morango penteados e ele se parecia com seu apelido.

Enquanto Luna soubesse que precisava usar um vestido de noite,


não sabia o que esperar dele na maioria das vezes em situações como
esta, mas quando tirou o vestido de cetim vermelho da embalagem negra
no armário, precisou admitir que ele tinha um gosto impecável.

— Seu trabalho não começa oficialmente até o final desta noite. —


Explicou Uilleam depois de passar ao atendente um par de ingressos
antes de empurrá-la pela entrada privada e para o interior aconchegante
do prédio. — Considere isso um símbolo da minha apreciação.

Através de um conjunto de portas duplas no final do corredor e de


um elevador privado que se abriu para a ala leste do teatro, Luna não
ficou nem um pouco surpresa que o camarote no qual entraram estivesse
vazio, mas ficou surpresa com a forma como se abria para o restante do
salão.

Uilleam valorizava o anonimato e não pensou que ele se colocaria


em evidência assim... especialmente depois do que aconteceu com Jackal

— Obrigada... — Ela disse, embora não tivesse certeza do que estava


agradecendo. — Você realmente pagou por essas entradas?

— Elas foram oferecidas como um ato de boa-fé por um cliente em


potencial. — Explicou Uilleam enquanto a guiava até o assento e depois
caminhava até a pequena área do bar onde serviu duas taças de
champanhe. — Mas esta não é a razão, lhe asseguro. Odeio ópera.
DEN OF MERCENARIES #4

Uilleam era estranho e já há muito tempo parou de tentar entendê-


lo.

— Diga-me. — Disse enquanto se sentava, passando um dos


binóculos. — Quão bem você consegue ver o camarote à nossa frente?

Sem hesitar, seu olhar foi na direção que ele indicou, seus olhos se
estreitando quando tentou entender o que via. Depois de um momento,
seu olhar ajustou-se à luz fraca e ela endureceu ao ver quem estava
sentado lá.

— Ariana e... realmente não consigo ver a outra pessoa.

Ele era distintamente masculino, no entanto, mas seu rosto estava


envolto em sombras.

Uilleam passou-lhe um binóculo, aqueles que pareciam bastante


comuns à primeira vista, mas uma vez que os pegou, percebeu que era
muito mais fácil de ver na escuridão.

Agora, ela poderia ver melhor Ariana e o homem que estava sentado
ao seu lado.

Kit.

Luna sabia que nunca poderia desfrutar de vê-los juntos, saber que
seu marido protegia sua irmã.

Inutilmente, ela pensou em sua sessão com a Dra. Marie e a maneira


como ele explicou o motivo pelo qual precisava fazer isso, mas mesmo
sabendo que não havia nenhuma razão, ainda ficava irritada... era difícil
deixar ir.
DEN OF MERCENARIES #4

Apesar de tudo, o ciúme ergueu a cabeça feia.

Ariana sempre foi bonita, a quem todos queriam mimar porque era
tão fácil para ela envolver as pessoas ao redor do dedo. Não podia evitar
que isso sempre acontecesse, mas Luna não gostava da ideia dela
tentando envolver Kit.

E sabia exatamente o que tentava fazer, a julgar por aquele sorriso


tímido em seu rosto, enquanto tentava concentrar sua atenção total nele.

— Então, parte de seu trabalho é levá-la à ópera?

Um sorriso divertidíssimo curvou a boca de Uilleam enquanto a


olhava.

— Sentindo-se um pouco territorial?

— Apenas responda à pergunta. Você, obviamente, sabe algo que eu


não sei.

— Paciência, Luna. Não vamos nos antecipar quando a noite acabou


de começar.

As pessoas ainda estavam entrando no teatro, sentando-se


enquanto os sussurros aumentavam de volume, pelo menos, até que as
luzes começaram a escurecer.

Foi durante o silêncio que ela notou as portas atrás de Kit e Ariana
se abrindo. Carmen entrou primeiro, depois César e finalmente, outro
homem que era vagamente familiar por causa do arquivo que leu sobre o
restante deles.
DEN OF MERCENARIES #4

Luna podia ver as bordas borradas das tatuagens pretas e cinzas


que cobria quase toda a pele exposta em suas mãos e garganta.

Agustín Contreras, The Saint. Os rumores de como ele conseguiu o


nome variavam, alguns falavam que matou um inimigo nas ruínas de
uma igreja velha, outros que matou um homem com um crucifixo, mas
todos diziam que fazia uma oração para cada homem que matava.

Ele também era o noivo de Ariana.

A primeira vez que Luna o viu durante a pesquisa sobre sua família,
não foi o que esperava que sua irmã desejasse em um homem, o único
namorado de Ariana do qual podia se lembrar era louro, de olhos azuis e
vestia calça xadrez.

Agustín definitivamente não era assim.

Mas novamente não conhecia mais sua irmã, talvez nunca tivesse
conhecido Ariana, não imaginou que sua irmã mais velha participaria
alegremente do complô para sequestrá-la e assassiná-la.

Também não esperava isso de sua própria mãe.

Ariana assustou-se quando os outros convidados de seu camarote


entraram, afastando a mão errante do ombro de Kit. E se Luna podia vê-
la fazendo isso, não duvidava que Agustín também visse, mas se
importava que sua noiva estivesse obviamente interessada em outro
homem, não demonstrava.

Enquanto se sentava de frente a ela, oferecendo um aceno de


reconhecimento para Kit, focalizou seu olhar entediado no palco abaixo.
Não parecia querer estar ali mais do que Luna.
DEN OF MERCENARIES #4

— Reunião de família. — Luna murmurou enquanto olhava para


Uilleam.

— Parece que sim. Diga-me, quanto você sabe sobre o Cartel


Contreras? — Uilleam perguntou, tomando um gole de champanhe.

— Eles estão pensando em expandir. — Respondeu Luna, recitando


as informações que memorizou. — Seu pai morreu sete meses atrás,
certo? Agora, ele é o chefe do cartel e quer fazer mais negócios nos
Estados Unidos.

— É bom ver que você está prestando atenção.

Luna revirou os olhos, recusando-se a reconhecer isso.

— Eu sei que ele quer as conexões que Carmen e César têm, mas
não consigo descobrir por que iria de bom grado entrar em um
relacionamento com Ariana.

— Como você disse, conexões. Está certa em pensar que ele quer as
conexões de César, mas não percebe que Carmen quer algo dele também.
Ela estava disposta a sacrificar uma filha, não pense que deixaria de usar
a outra em benefício próprio.

Ela não podia decidir quem era mais nojento nesse comércio. Sua
mãe por oferecê-lo ou Agustín por aceitá-lo.

— E enquanto Ariana tem os ouvidos de Agustín, Carmen pode ter


um homem infiltrado. Não é um plano ruim, de verdade, mas ela não
levou em consideração o fato de sua filha abrir as pernas para qualquer
um e um homem, mesmo um tão desesperado quanto Agustín, se
incomoda com este fato.
DEN OF MERCENARIES #4

Não sabendo o que dizer sobre isso, Luna permaneceu em silêncio,


concentrada no camarote em frente a eles em vez do show que começava,
quando um homem com uma peruca branca saiu detrás das cortinas,
uma luz irradiando sobre ele.

— Você não trabalhará para sua mãe. — Uilleam continuou, sua voz
mais baixa. — E se tudo correr de acordo com o plano, o caminho de
vocês duas nunca se irá cruzar e você poderá se divertir após um trabalho
bem feito.

— Então, por que estamos aqui? — Ela perguntou, olhando-o.

— Estamos aqui para ver um homem morrer. — Mesmo na


escuridão, ela podia ver o branco de seus dentes. — No momento em que
você chegar em casa esta noite, um novo arquivo estará esperando.
Winter também, já que tenho certeza de que precisará de sua assistência.

— Um novo arquivo? Sobre quem? — Perguntou ela.

Não achava que alguém ligado a Carmen ou Ariana foi deixado de


lado, sem ter sido investigado completamente.

— No devido tempo, Luna. — Uilleam aproximou-se para apertar


sua mão, forçando sua atenção nele. Mas não estava olhando para ela.
— Meu irmão sempre foi um planejador, você sabe disso. Ele é bastante
talentoso nessa área, embora odeio admitir isso, esse talento junto com
suas habilidades como um mestre assassino... bem, faz dele um
adversário formidável, não?

Luna assentiu. Talvez não soubesse o que estava ouvindo, mas sabia
que suas palavras eram verdadeiras.
DEN OF MERCENARIES #4

— Agora, gosto de pensar que não é apenas sobre planejamento. As


variáveis mudam e às vezes, você não pode explicar erros humanos.
Tenho uma visão, entende, uma que muda com cada novo oponente que
enfrento, no final, me certifico de que o que quero aconteça, não importa
o quê.

— Por causa de Karina? — Luna ousa perguntar.

Não pensava que esqueceria aquele nome agora que ele


compartilhou e as histórias que o acompanhavam. A angústia que ouviu
em sua voz quando falou sobre ela... sentia que o fantasma dessa mulher
era a única coisa capaz de fazer Uilleam sentir.

O olhar de Uilleam foi ao copo em sua mão e voltou para ela por um
momento desconfortável.

— Sim.

Ficou surpresa por ter admitido tanto.

— Certo.

— Agora, imagine que um único indivíduo consiga irritar essas duas


pessoas. E se somos tão poderosos sozinhos, como seremos se
trabalharmos juntos?

Luna não respondeu, embora conhecesse a resposta, isso não


significava coisas boas para Elias.

Enquanto o canto crescia em intensidade no palco, Uilleam sentou


um pouco mais reto, colocando seus óculos.

— Ah, o ápice. É hora do jogo começar.


DEN OF MERCENARIES #4

O olhar de Luna foi para o outro camarote e para sua surpresa,


encontrou Kit olhando em sua direção, para ela.

Havia uma expressão curiosa em seu rosto, que a fazia desejar poder
ler seus pensamentos.

Mas desapareceu quando percebeu que estava olhando-o, mas não


antes que um canto de sua boca se curvar.

E com isso veio o som de um tiro, o silêncio abrupto da apresentação


no palco enquanto gritos reverberavam ao redor e as pessoas fugiam com
terror.

O grito assustado de Ariana chamou a atenção de Luna de volta para


o camarote e longe de onde pensava que o tiro veio. Neste momento, Red
provavelmente conseguiu desmontar seu rifle e já teria ido embora

César caiu em seu assento, um buraco de bala em sua testa


enquanto um riacho de sangue escorria por seu rosto. Homens armados
invadiram o camarote, mas não podiam fazer nada, já estava morto.

Carmen estava de pé, a incredulidade cobrindo seu rosto enquanto


o sangue manchava a frente de seu vestido e o lado do rosto. Seus olhos
estavam arregalados, mas não parecia surpresa. Claro que não estava,
sabia que isto estava se aproximando.

Armou isso.

À medida que a segurança dela e Ariana as acompanhavam para


fora, Agustín não estava muito atrás e não pareceu incomodado com a
morte de César. Kit permaneceu por mais alguns instantes. Apenas o
DEN OF MERCENARIES #4

suficiente para lhe oferecer uma piscadela antes que também


desaparecesse.

Sim, o jogo definitivamente começou.


DEN OF MERCENARIES #4

— Você pensaria que depois de ver seu marido ser brutalmente


assassinado, as mulheres estariam histéricas. — Observou Aidra na
sombria alcova, enquanto Carmen e Ariana conversavam com os
detetives que já ouviram a declaração de Kit, uma declaração feita
principalmente de acenos de cabeça e pequenos detalhes.

Kit concordou com um aceno de cabeça, mas estava muito irritado


para oferecer muito mais do que isso, Aidra estava certa, mas apesar do
que pensava, ainda acreditava que as pessoas tinham algo de bom, Kit
não.

Especialmente não com uma mulher como Carmen Rivera, que


limpava os olhos com um lenço que um dos detetives ofereceu quando
começaram as lágrimas falsas.

Talvez, para qualquer outra pessoa, ela poderia parecer chateada,


mas Kit via o engano e a maneira cuidadosa de se segurar. Nenhuma
perda verdadeira era exibida assim, o sofrimento real não podia ser
controlado.

— Você pensa demais nela. — Disse Kit com um movimento de sua


cabeça, observando enquanto o legista levava o saco preto com o corpo
para fora do prédio, piscando com os flashes de câmera que o saudaram
assim que saiu pela porta.
DEN OF MERCENARIES #4

Ainda assim, Carmen não derramou nenhuma lágrima.

— Talvez sim. — Concorda Aidra, colocando fios de cabelo vermelhos


atrás da orelha. — Quem era o atirador?

— Um dos mercenários de Uilleam.

O atirador de Uilleam era muito bom no que fazia, para conseguir


atingir seu alvo em um ambiente tão lotado, juntamente com a
iluminação pobre, era uma façanha, além e também conseguir evitar a
detecção e sair do prédio antes das autoridades o bloquearem.

Mas novamente, aprendeu com Zachariah e Kit sabia de primeira


mão o quão bom professor seu tio era.

Ainda podia se lembrar do regime extenuante ao qual foi submetido


dia e noite quando treinava com a Sociedade Lotus. Não houve nenhum
tratamento preferencial, nenhuma vez pegaram leve com ele por causa
de seu sobrenome.

Kit gostava de pensar que era o melhor.

— Por que não Fang? — Perguntou Aidra.

Isso foi suficiente para provocar um sorriso.

— Preciso dele para outra coisa. Além disso, apesar do meu papel,
este ainda é o show de Uilleam, e você sabe como ele é.

Encolhendo os ombros e tentando com muito cuidado manter seu


rosto em branco, Aidra disse:

— Apenas perguntando.
DEN OF MERCENARIES #4

Apesar do fato dela e Fang estarem juntos, nunca misturou seu


papel de mão direita de Kit com o relacionamento com o membro da Wild
Bunch.

— Tudo está indo de acordo com o plano. — Ela disse


pensativamente quando verificava a hora. Kit repassou o plano dezenas
de vezes com Uilleam nas últimas semanas, certificando-se de que cada
variável fosse contabilizada e mesmo as que não foram.

Não somente estavam tentando derrubar Carmen e finalmente dar


a Kit a chance de colocar uma bala no cérebro da mulher, mas também
precisam pisar com cuidado para garantir que Elias não fosse mais
esperto.

E no fim disso, se tudo corresse de acordo com o plano, Uilleam


também poderia ver o fim do homem.

Era apenas uma questão de tempo.

Pelo canto do olho, Kit podia ver Agustín Contreras conversando


francamente com outro detetive da polícia e ao contrário dos dois que
estavam questionando Carmen e Ariana, esse não parecia tão agradável.

Embora a extensão das práticas comerciais de Agustín fosse


desconhecida para o Departamento de Polícia de Los Angeles, como
grupos mais organizados, suas tatuagens contavam uma história, uma
que falava de sua vida de crime e morte.

Kit nunca se importou muito com o outro homem, mas Uilleam


pensava que ele poderia ser útil, então em vez de garantir que estivesse
fora do jogo, queria leva-lo mais longe.
DEN OF MERCENARIES #4

Kit ainda não tinha certeza se o movimento resultaria frutífero ou


não. Uma vez que o detetive se afastou e não sem um desconfiado olhar
para o líder do cartel, o olhar de Agustín foi imediatamente para Kit.

Desconcertava-o quão obstinadamente cegas as mulheres Rivera


eram. Porque se alguém fosse questionar Luna, Kit iria imediatamente a
ela, mas Agustín não parecia se preocupar com Ariana mais do que ela
se preocupava com ele.

Apesar da vida que viveu, Kit nunca pensou em se casar por


interesse, especialmente quando a vantagem não valia a pena a dor de
cabeça que teria que suportar.

— Alguém quer me dizer o que está acontecendo? — Agustín


perguntou no momento em que estava a uma distância para ser ouvido,
mantendo sua voz baixa.

— Eu não sei o que você quer dizer.

— Não? Parece que sou o único surpreso com a morte do gordo. —


Disse Agustín com um aceno descuidado para as portas pelas quais o
forense saiu.

Kit ofereceu um encolher de ombros negligente.

— Estou acostumado com a morte.

— Como todos estamos, mas isso não explica por que ela não está.

Desta vez, ele gesticulou para Carmen com uma inclinação de


cabeça, chamando a atenção de Kit para os detetives que pareciam
chegar ao fim de suas perguntas.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você lhe dá muito crédito.

Agustín ainda não parecia convencido, mas não questionou mais.

— Talvez eu dê.

Uma vez que todos foram liberados, não se aventuraram pela frente,
mas foram para uma saída alternativa onde dois SUV’s os aguardavam.
Enquanto Agustín se despedia de Ariana, Kit e Aidra entraram na parte
da frente, esperando que Carmen e Ariana se juntassem a eles antes de
sair.

Carmen teve o cuidado de manter a compostura, pelo menos até que


estiveram a poucos quilômetros do teatro e não houvesse câmeras para
espioná-la.

Sua raiva explodiu enquanto roçava as mãos sobre o vestido com


desgosto.

— Maldito Kingmaker. Ele fez isso de propósito! — Era claro que


queria dizer sobre o sangue que manchava a frente de seu vestido e que
Kit sabia que nunca sairia. — Mas o que mais se pode esperar de um
cão?

Mesmo que o insulto não fosse diretamente a ele, ainda assim caiu
mal, esse era o insulto favorito de sua mãe.

Discretamente, Aidra tocou sua perna com a sua, uma lembrança


silenciosa de que não podia fazer o que estava passando em sua cabeça,
ainda não era tempo.
DEN OF MERCENARIES #4

Mas não conseguiu lutar contra sua compulsão para perguntar:

— Você está pronta para ser abatida como um?

Kit, apesar de sua raiva, falou em galês, sabendo que ela não estava
familiarizada com a língua e gostou bastante da aparência de confusão
em seu rosto.

Nunca penso que desprezaria tanto alguém quanto desprezava essa


mulher, talvez sua própria mãe, mas felizmente, ela estava morta e não
mais por perto para irritá-lo.

Mas mesmo quando a mulher estava ameaçando destruir a calma


que sentia, não podia deixar de pensar em Luna.

Sua pequena lua.

Sua pequena Luna.

Semanas passaram desde que a viu pela última vez, desde que ficou
perto o suficiente para tocá-la.

Enquanto ficou todo esse tempo longe dela ou pelo menos o


suficiente para que ela não estivesse tentando desesperadamente se
afastar ou mostrar sua raiva, uma vez que tivesse outro gosto dela como
aquilo que sentiu há muito tempo atrás em Nova Iorque, já não seria
suficiente vê-la à distância.

Mas prometeu que consertaria isso, que corrigiria os erros


cometidos contra ela. E até que o fizesse, não se deixaria levar, não
importava quão desesperadamente a desejasse.

Em breve.
DEN OF MERCENARIES #4

— O que você disse? — Perguntou Carmen, com sua voz


perigosamente baixa enquanto o tirava de seus pensamentos.

— Eu perguntei sobre os termos de seu contrato com Kingmaker. —


Kit respondeu suavemente, ignorando a contração dos lábios de Aidra,
pois sabia que não foi o que disse. — Considerando que você agiu pelas
minhas costas atrás de um favor do homem, não sei tudo o que prometeu
em troca deste... favor.

O sorriso dela era frio quando cruzou as mãos no colo, sentando-se


de forma ereta.

— Com medo de ser o próximo?

Kit devolveu o sorriso.

— Absolutamente.

A bravura de Carmen hesitou diante de sua resposta fácil. Precisava


se perguntar como alguém achava a mulher ameaçadora quando
procurava outros para fazerem seu trabalho sujo. Então novamente,
lembrou que ela tinha um exército, dezenas de homens dispostos a fazer
o que pedisse.

Ele também tinha um exército e era muito melhor treinado.

— Isso foi tudo. — Disse ela, finalmente respondendo a sua


pergunta.

— E o que ele espera em troca? — Perguntou Kit, embora já


conhecesse a resposta para esta pergunta, a questão era saber se ela
cumpriria os termos do acordo que lhe interessava.
DEN OF MERCENARIES #4

Carmen respirou fundo, seu olhar foi rapidamente para a filha que
não disse uma palavra desde que começaram a conversar.

— Ele quer que coloque fim em meu relacionamento com o Cartel


Contreras.

Isto significava que não apenas teria que anular qualquer negócio
que Agustín firmou com César, mas também teria que cancelar o
casamento entre sua filha e o líder do cartel.

— Isso não é inteligente.

Ele não queria dar a ela outro conselho, esta era verdade.

Apesar do que achava sobre o jovem membro do cartel, ela não


precisava traí-lo, ele ainda tinha muito a provar e pela compreensão de
Kit sobre o modo como seu cartel funcionava, teria que fazer um exemplo
de Carmen se ela decidisse voltar atrás no acordo.

— Eu sei disso. — Respondeu Carmen bruscamente, olhando para


ele como se fosse completamente obtuso. — E se ele decide cumprir sua
parte do acordo, sem esperar que eu cumpra a minha, então isso seria
um erro da parte dele, verdade?

Kit encolhe os ombros, não oferecendo uma resposta.

Porque o que não disse foi que poderia ter cometido um erro com
Agustín, mas ela estava fazendo um inimigo se escolhesse desafiar
Uilleam.

— Enquanto você tiver um plano B. — Disse Kit, olhando para o


relógio.
DEN OF MERCENARIES #4

Luna já estaria em casa?

E se estivesse, estaria pensando nele?

Não foi apenas por causa das mudanças nos planos que não falou
com ela, mas porque queria esperar até ter certeza de que poderia lhe dar
o que queria, a última coisa que queria era fazê-la fugir mais uma vez.

A primeira vez o feriu, não podia imaginar o que causaria uma


segunda vez...

Ficaram em silêncio nos próximos vinte minutos, o prédio de


apartamentos de alto padrão que Carmen e Ariana chamavam de casa
apareceu com uma série de repórteres já estacionados na frente,
esperando por eles. Deram a volta, o que demorou um pouco mais, mas
as janelas escuras os ajudaram a passar relativamente fácil.

— Falaremos em breve, Nix. — Disse Carmen, um momento antes


de sair do veículo, sem se preocupar em esperar por sua filha, começou
a caminhar para o elevador privado que a levaria até seu apartamento de
cobertura, mas Ariana não se importava, estava muito concentrada em
Kit para pensar muito.

Kit não sabia o que pensar da garota quando foi apresentado a ela
pela primeira vez, claro, podia ver traços de Luna nela, seus olhos, as
feições delicadas e a mesma coloração, mas apesar de suas aparências
físicas, as duas não tinham mais nada em comum.

Ariana não tocava seu coração, quando a via não lhe inspirava
qualquer emoção, além de irritação.
DEN OF MERCENARIES #4

Ele poderia ter ignorado o que ela fez para Luna, não realmente...
mas não podia ignorar a pessoa que ela era agora. Não, ela não teve um
papel tão ativo nas coisas que sua mãe fez, mas não tentou impedi-las.
E as poucas vezes que a viu se aventurar no clube de Carmen, tratou as
garotas de modo tão deplorável quanto alguns dos seguranças de
Carmen.

A garota possuía uma terrível veia ciumenta e esse ciúme não se


estendia apenas ao homem cujo o sobrenome pretendia levar, também se
estendia a Kit, como se tivesse direito à alguma reivindicação sobre ele.

— Subirá, Nix? — Ariana perguntou quando saiu do carro. — Tenho


medo de entrar sozinha.

— Então, entre rapidamente.

Não importava o que falasse para ela, por mais cruel que fosse, ela
engolia, como se mesmo que tivesse pouca atenção, era o suficiente.

Ariana fez beicinho.

— Então me dê um minuto do seu tempo... sozinho.

— Nós temos uma reunião amanhã bem cedo. — Disse Aidra,


embora Kit não precisasse do lembrete.

— Eu não estava falando com você.

Aidra era uma profissional, mais profissional do que qualquer um


sabia, mas desde que começaram esse trabalho com Carmen e Ariana,
fazia questão de ficar sob a pele de Ariana em todas as oportunidades.

— No entanto, eu respondi.
DEN OF MERCENARIES #4

— Um dia, sua utilidade irá acabar e assim que isso acontecer, me


certificarei de que seja derrubada.

Aidra, que sofreu torturas, como a que nenhuma pessoa deveria ter
vivido, sequer piscou.

— Boa sorte.

— Cadela estúpida...

Antes que pudesse terminar, Kit pegou Ariana pelo braço,


arrastando-a pelo caminho e para o elevador, sem se preocupar com ela
tropeçando com aqueles sapatos de salto ridículos que usava.

Uma vez que as portas do elevador se abriram, ele a empurrou para


dentro, inclinando-se o suficiente para poder pressionar o botão para o
andar onde estava indo.

— Você sempre trata suas mulheres assim? — Perguntou ela.


Embora agora tivesse com um sorriso no rosto como se isso fosse apenas
um jogo.

— Acredite em mim, ela não é minha.

Ela acenou com a cabeça para a aliança negra em seu dedo.

— Talvez eu procure quem é e então me livre dela. — Kit sabia que


ela estava tentando incitar sua fúria, irritá-lo o suficiente para fazê-lo
reagir, mas apenas a ideia dela pensar que poderia ir contra Luna era
ridícula.

— Eu convido você a tentar, mas não gostará do que vai encontrar.


DEN OF MERCENARIES #4

Ele virou as costas quando as portas do elevador começaram a


fechar, mas não antes dela gritar:

— Eu o terei um dia, Nix.

Ele não contaria com isso.

— Você se lembra do traficante de drogas libanês que queria que eu


me tornasse parte de seu harém? — Perguntou Aidra quando ele voltou
para o SUV e estavam se afastando. — Realmente preferia sua companhia
a dela. Ela é insuportável.

— Por sua lealdade a Luna. — Murmurou Kit, tirando o celular do


bolso.

Ele ainda tinha mais vinte minutos antes de poder ligar para a
pessoa em quem pensava desde o momento que a viu entrar no camarote
com Uilleam.

— Sou leal a qualquer pessoa que seja leal a você. — Disse Aidra. —
Além disso, ela não age como uma puta da realeza.

— Aidra...

— Não é um insulto se é verdade.


DEN OF MERCENARIES #4

— Não acho que é assim que funciona. — Revirando os olhos, ela se


virou para melhor encará-lo.

— E de qualquer forma, o primeiro passo foi dado, certo? Qual é o


próximo?

O plano sempre foi que César morresse, mesmo Carmen sabia disso,
mas agora que a bola estava rolando, era hora de dar o próximo passo.

— Nós precisamos destruir Ariana e não, você não pode matá-la.

Ainda não.
DEN OF MERCENARIES #4

— Sabe, o Kingmaker é um homem bem gostoso, você não sabe se


ele quer fodê-la ou matá-la. — Observou Winter com cuidado de pé na
frente do espelho, examinando a manga tatuada de rosas ao longo do
braço.

Luna franziu a testa.

Enquanto ela seria a primeira a admitir que Uilleam era


irracionalmente atraente, ele se transformou em uma figura fraternal
para ela e isso amorteceu toda a coisa sexy que ele possuía.

Alheia a sua leve irritação, Winter olhou para ela através do espelho.

— Seu marido se parece com ele?

A mesma intensidade dos olhos, embora de cor diferente.

A mesma natureza ameaçadora...

A mesma disposição grosseira...

Eles tinham as mesmas sobrancelhas?

— Um pouco? — Luna resolveu dizer, embora tenha saído mais


como uma pergunta do que uma resposta.
DEN OF MERCENARIES #4

— Huh. — Winter sentou no sofá, tirando as botas brancas Doc


Marten que usava enquanto colocava os pés debaixo dela. — Como são
os jantares em família? Jogos de faca? Ah, há outros irmãos? Por que
enquanto é um pouco assustador, obviamente me sinto atraída por
loucos.

Falando em loucos...

— Como é Syn, por sinal? Fiquei sabendo que ele foi novamente para
Europa Oriental.

Ao mencionar o nome de Syn, Winter revirou os olhos.

— Ele está tão bem quando pode ficar. Você sabe, caçar e matar
coisas está no sangue. Ah e me irritar.

Syn podia ser um pouco... não razoável, quando estava com Winter.

— Bem, mas não estamos falando sobre ele, estamos falando sobre
o homem misterioso que eu nem sabia que existia até... semanas atrás.

Luna não deveria ficar surpresa com a informação chegando tão


rápido sobre ela ser casada e ainda mais, com o irmão de Kingmaker.
Claro, ninguém no Den particularmente se importaria com essa
informação, a menos que diretamente os envolvesse, mas Winter não era
como eles.

Ela era incrivelmente curiosa, sempre querendo saber cada detalhe,


mas isso fazia sentido, já que trabalhava como hacker, prosperava com
informações.
DEN OF MERCENARIES #4

— Espero que não. — Respondeu Luna, pensando na pergunta dela.

Havia muitos segredos sobre a família Runehart que até ela mesmo
não sabia, mas realmente tinha esperança de que não houvesse outro
irmão.

Dois era suficiente.

— Quer dizer, a família do Kingmaker deve ser bastante


interessante, certo? Bem considerando... ele. E eles provavelmente são
muito mais divertidos do que Syn, pelo menos. — Winter parecia
descontente quando falou: — A única coisa que faz é me dizer o que fazer,
com quem fazer e quando posso fazê-lo. Porra, super irritante. Não é
como se eu fosse criança ou qualquer outra coisa.

Todos os membros do Den tinham um manipulador, mas desde que


Winter não era oficialmente parte disso, por razões que ninguém sabia,
não respondia a Kingmaker como o restante deles.

Ela respondia a Syn.

E essa era uma pessoa à qual Luna não desejava responder, já que
ele era um pouco louco e não terminou muito bem seu treinamento,
sendo propenso a violência com a menor provocação, mas com Winter,
era uma força diferente.

— Você sabe quando foi última vez que deixei aquela maldita? Sabe?
Mais de um ano. Sempre que tenho que fazer um trabalho, está ali na
maldita sala de estar. Preciso de privacidade. — Winter vociferou
agarrando a tigela de pipoca que pegou no momento em que entrou casa.
— Ele sempre está me observando, provavelmente está agora.
DEN OF MERCENARIES #4

Seus olhos se estreitaram quando Winter olhou pela sala, colocando


o dedo médio no ar e acenando.

— Acredite em mim. — Disse Luna com uma risada. — Syn não está
vigiando você, pelo menos não aqui.

— Sim, que seja. Ele estará por perto quando descobrir que estou
aqui, vamos aos negócios. Quem é o próximo alvo da lista?

Uma vez que Uilleam foi embora, deixando-a com o arquivo sobre o
qual falou antes de chegar, não perdeu tempo em revisar tudo antes de
Winter chegar.

Havia pouco dentro que não leu antes, mas uma vez que chegou ao
último tema, o nome era desconhecido.

— Roger Fitzpatrick. — Disse Luna, entregando a pasta. — Ele é um


corretor de investimentos para um banco privado em San Francisco.
Kingmaker parece pensar que ele é o dinheiro por trás da loja de
diamantes de Ariana.

Originalmente, Luna pensou que Carmen financiasse o negócio ou


mesmo César, mas depois de olhar os registros bancários, os números
não batiam e a única coisa que pode encontrar, correspondia a números
de transferência que levavam a Roger, por outro lado ajudou que César
se mantivesse fora do radar, era muito mais fácil acessar seus registros
comerciais.

Tirando da mochila que carregava um laptop volumoso, Winter


colocou-o sobre a mesa de café, flexionando os dedos enquanto o abria,
DEN OF MERCENARIES #4

seu cabelo prateado brilhava sob a luz da tela, fazendo Luna se perguntar
se ela retocou a cor desde a última vez que a viu.

Não sabia o que pensar do hacker quando se conheceram pela


primeira vez, na época Winter tinha apenas quinze anos, mas tornaram-
se bastante próximas, em parte porque Syn confiava que Luna não
causaria muito problema e porque ela era uma das únicas outras
mulheres no Den.

Além disso, começou a olhar para Winter como a irmã mais nova
que nunca teve.

— Estou assumindo que seus registros são mais difíceis de acessar?


— Winter perguntou enquanto seus dedos voavam sobre os bloqueios,
passando por cinco telas diferentes antes que Luna pudesse inclinar-se
para a frente e ver o que estava fazendo.

— Ele diz que tem algo a ver com o banco. — Disse Luna, lembrando
de algo que Uilleam disse na viagem até aqui. — Mas por ser um banco
internacional e tudo, ele não conseguiu acesso.

— Sabe, é legal que confie nas minhas habilidades. Talvez deveria


pedir um aumento, já que a maioria dos fodões recebem mais do que eu.

— Boa sorte com isso.

— Talvez você pudesse dizer algo para... — O som da campainha


cortou a fala de Winter quando seus olhos se arregalaram, olhando para
Luna e voltando para porta.
DEN OF MERCENARIES #4

— Vá em frente. — Disse Luna, mesmo quando se lembrou do peso


familiar de suas facas em seus pulsos. — Provavelmente Kingmaker está
trazendo outro arquivo.

Mas isso era duvidoso.

Até ela sabia disso, embora ele tivesse uma tendência a surgir
sempre que quisesse, teria ligado primeiro.

Então, ninguém mais sabia que estava ali... exceto Kit.

E apenas ao pensar que poderia ser ele na porta, seu coração


acelerou, antecipação vibrando dentro dela.

Vê-lo no teatro fez muito pouco para combater a necessidade de


estar perto dele, mas não esperava que ele aparecesse logo, em todo caso.

Ainda assim, segurou uma de suas facas, silenciosamente se


aproximou da porta, verificou o olho magico e prontamente relaxou, um
traço de tristeza enchendo-a quando percebeu quem estava de pé do
outro lado.

Mas essa tristeza foi ofuscada com curiosidade.

— O que você está fazendo aqui? — Ela perguntou quando abriu a


porta.

E de pé no limiar parecendo tão temível como no dia em que o


conheceu estava Tăcut, um dos Wild Bunch. Seus lábios se curvaram
quando a viu, a coisa mais próxima de um sorriso que ela alguma vez
conseguiria dele antes de tocar o topo de sua cabeça com a mão e depois
a rodear.
DEN OF MERCENARIES #4

Sua versão de: Olá.

— Por favor. — Disse ela, embora estivesse secretamente feliz em vê-


lo desde que fazia muito tempo. — Entre logo. — Sabia que não
responderia, não, ele não responderia, mas ela falou como se pudesse de
qualquer maneira.

No início, se perguntou se deveria tratá-lo de forma diferente por


causa de sua incapacidade de falar, mas rapidamente aprendeu que, se
falasse com ele como se fosse qualquer outra pessoa, a tensão nele
relaxaria.

Caminhando com ele de volta para a sala onde Winter ainda estava
sentada, ela jogou os cabelos prateados sobre o ombro enquanto olhava
para trás.

— Puta merda. — E se a garota realmente sentisse medo, Luna


poderia ter hesitado, mas Winter o olhava com uma apreciação
descarada.

Tăcut era alto e largo, com cabelos escuros cortados rente a sua
cabeça, mostrando as maçãs do rosto proeminentes e marcando a
mandíbula.

— Winter, este é Tăcut. — Tăcut, cuja testa se franziu ao ver Winter,


fez uma pequena saudação.

— É maravilhoso conhecê-lo. — Winter disse se arrastando,


estendendo a mão com muito pouco cuidado para alguém que ela não
conhecia. — É um dos Den também? Não ouvi falar de você.

Tăcut deu um único aceno de cabeça.


DEN OF MERCENARIES #4

Agora, foi a vez de Winter parecer confusa.

— Ele não fala? Você não fala? — Ela pontuou a pergunta tocando
em seu braço e se Luna viu corretamente, ela também deu um pequeno
aperto nos ombros dele.

— Ele não pode. — Explicou Luna.

— Como não pode, não pode ou é simplesmente proibido.

Luna não conhecia a história por trás do que aconteceu com ele, Kit
sempre disse que não era sua história para compartilhar, mas Luna
sempre se perguntou o que justificaria alguém remover as cordas vocais
de Tăcut.

— Não, ele fisicamente não pode.

O olhar de Tăcut foi para Winter, enquanto Luna terminava de falar,


talvez esperando sua reação, mas se esperava pena, não conseguiu isso
dela.

Em todo caso, parecia impressionada.

— Perverso. Então, você conhece o idioma dos sinais? — Perguntou,


enquanto também sinalizava a pergunta, chocando tanto Luna como
Tăcut. Observando sua expressão mudar de impassibilidade para
surpresa, então para o mais próximo de um sorriso que Luna já viu,
Tăcut respondeu de volta.

— Huh.

— O quê? — Winter ainda estava olhando Tăcut com uma batida de


seu dedo contra o queixo. — Eu entendo a essência do que
DEN OF MERCENARIES #4

está dizendo, grande cara, mas me perdi neste país. Agora, ela olhava
para Luna. — Ei, de onde ele é? Romênia? — Perguntou para ele e
quando ele acenou, ela assentiu com a cabeça. — Romênia.

— Meu romeno está um pouco enferrujado, mas Tăcut... isso


significa silêncio ou algo parecido, certo?

Ele assentiu.

— Sabe, você é muito gostoso para um tipo assustador e silencioso.

Tăcut piscou como se não estivesse seguro do que fazer com ela,
mas sua posição relaxou e diferente de Luna quando estava perto dele,
parecia bastante divertido com Winter.

— Então, porque você está aqui? — Perguntou Luna.

Procurando no bolso de sua jaqueta ele encontrou seu elegante


telefone e jogou para ela, lembrando-lhe de um dos dispositivos usado
por Kit.

Quase no mesmo segundo que o entregou, o telefone começou a


tocar na sua mão e desta vez, quando leu o identificador de chamadas,
não ficou desapontada.

— Onde está Fang? — Luna perguntou uma vez que estava com o
telefone em sua orelha, saindo da sala. — Você geralmente o envia para
cumprir suas ordens.

— Desapontada? — Veio a resposta de Kit, o som de sua voz fazendo-


a sorrir e lhe causando um aperto no estomago.
DEN OF MERCENARIES #4

Não havia palavras adequadas o suficiente para descrever o quanto


sentia falta dele, como um dia falando com ele era o suficiente para aliviar
a raiva que sentia. E vê-lo esta noite não acalmou a dor, desejava que ele
estivesse lá com ela, onde poderiam conversar, rir e simplesmente ficar
juntos.

Ela sentia falta de estar com ele, compartilhar o mesmo ar e a


maneira como podia preencher uma sala sem falar nada, Luna sentia
muito sua falta.

— Não estou desapontada, apenas curiosa.

— Tăcut estava livre esta noite e preciso de Fang para outra coisa
amanhã.

— Não me importo. — Ela falou, abaixando a voz. — É bom vê-lo...


mesmo que não seja por muito tempo. Não é por muito tempo, verdade?

E pela forma como tudo estava acontecendo com Kingmaker, para


não mencionar a vigilância de Elias sobre eles, duvidava que Kit se
aventurasse mais perto, precisavam tomar cuidado.

— Temo que não. — Kit disse com pesar. — Mas as coisas mudarão
rapidamente.

Quanto a isso, ela não tinha dúvidas, ainda havia alguns detalhes
sobre a tarefa que não conhecia, especialmente qualquer papel que Kit e
Uilleam planejassem jogar, mas não duvidava que o par estava
trabalhando junto, Carmen ou Elias estariam ao redor por muito tempo.
DEN OF MERCENARIES #4

— Como está minha mãe? — Em quase dois anos que Kit trabalhava
com a família Rivera, esta era a primeira vez que Luna perguntava sobre
ela e até mesmo pensava nela.

— Você ficaria chateada se eu dissesse que pensei exatamente em


dezessete maneiras diferentes de matá-la sem deixar uma marca?

Luna riu mais do que deveria.

— Tão ruim?

— O que você lembra dela?

Sem esperar esta pergunta, ela ficou em silêncio, pensando.

Era difícil tentar associar as duas versões de Carmen Rivera que


conhecia, embora houvesse apenas uma com quem estava intimamente
familiarizada. Havia a mãe que fez suas refeições, a fez sorrir e o calor
que exalava... mas era a realidade ou apenas as lembranças de uma
garota que não conhecia nada melhor? Porque ao longo dos anos, essas
lembranças mancharam um pouco, ela já não via Carmem falando com
carinho, sendo carinhosa, mas sim com olhos estreitos, lábios caídos nos
cantos.

— Lembranças distantes. — Luna decidiu dizer. — Por que Tăcut


está aqui ou melhor, para que é esse telefone?

— No caso de você querer falar comigo. — Ele disse e havia uma


sugestão de algo em sua voz, algo que lhe dizia que não tinha certeza se
isso era verdade ou não. — Você provavelmente pode adivinhar que não
podemos ser vistos juntos, ainda não. Agora, Elias concentrou a maior
DEN OF MERCENARIES #4

parte de sua atenção em mim e ficou um pouco relaxado com sua


vigilância nos outros.

— É por isso que vocês dois estão fazendo seus movimentos agora?
— Perguntou Luna, tendo a percepção dos fatos. Isso faz sentido, embora
ainda não pudesse colocar todas as peças juntas.

Enquanto Elias deu a Uilleam a luz verde para terminar o trabalho


com César Rivera e finalmente, lhe deu permissão para matar Carmen
também, ele não deu um prazo de quando sua utilidade acabaria. Poderia
ser amanhã ou daqui a dez anos.

— Você me pediu para consertar tudo. Estou fazendo isso.

Um leve sorriso tocou seus lábios com suas palavras.

— Então farei o meu melhor para ficar longe de você.

— Não tente muito, amor. No entanto, tenho outra pergunta para


você. — Disse ele. — Sente minha falta?

Agora, ela estava realmente sorrindo.

— Como isso é relevante?

— É sempre relevante para mim.

Ela pensou em mentir, mas nunca foi capaz de mentir e ele sempre
teve uma habilidade para ver através delas.

— Sempre senti sua falta, Kit.

Ele fez um ruído de aprovação suave antes de perguntar:


DEN OF MERCENARIES #4

— E onde você gostaria de passar nossa segunda lua de mel?

— Segunda lua de mel? Eu nem posso vê-lo e você já está fazendo


planos para o futuro?

— Porque nunca houve um momento em que você não estaria nele,


agora responda à pergunta.

Luna pensou em sua última lua de mel, o pouco tempo que


passaram aproveitando a felicidade conjugal antes de ser chamada para
um trabalho e tudo foi à merda.

— Em algum lugar sem sinal de celular. — Disse ela, sorrindo


quando ouviu a risada de Kit.

— Verei o que posso fazer. Agora, você tem um trabalho a fazer e eu


também, se precisar de mim, ligue apenas deste número.

— Ligarei, gatinho.

— Gatinho1?

— Kit é o apelido de alguma coisa. — Comentou Luna com uma


risada.

Ele fez o seu melhor para esconder sua própria diversão.

— Chame assim novamente e a colocarei meus joelhos.

— Isso é uma promessa?

1
Faz alusão a Kitty, que inglês quer dizer gatinho e a abreviação de seu nome: Kit.
DEN OF MERCENARIES #4

— É essa uma permissão?

Uma nova emoção percorreu a espinha de Luna com sua pergunta


e as implicações por trás disso.

— Veremos quanto tempo você consegue ficar longe, gatinho.

Ele resmungou uma resposta irritada antes de acrescentar:

— Tenha cuidado, mi pequeña luna.

— Você também.

Estava na ponta da língua as palavras: eu te amo, mas antes que


pudesse dizer aquilo que não falou para ele há muito tempo, ele já tinha
desligado.

Voltando para a sala de estar onde Tăcut e Winter ainda estavam


esperando, guardou-o no bolso.

Era hora de trabalhar.

— Um clube de strip? — Luna perguntou no dia seguinte enquanto


fechava a porta do carro, olhando para Uilleam quando entraram no
prédio ao qual acabaram de chegar.
DEN OF MERCENARIES #4

Ele não mencionou nada sobre ir ali, apenas apareceu com


instruções para ela se vestir e ir junto.

Ela sabia que ele tinha a tendência de escolher o mais obscuro dos
lugares para realizar suas reuniões, gostava de falar que a
espontaneidade o manteve vivo, mas não pensou que escolheria um lugar
como este, especialmente um que parecia estar a segundos de ser
condenado ou pior, falhar em passar na inspeção sanitária.

— A primeira regra dos bons negócios. — Disse Uilleam enquanto


tirava os óculos de sol e os afastava. — Estar disponível para seu cliente.
E se ele quiser se encontrar em um escritório com uma mesa oval,
garantiria que o dinheiro fosse para as mãos certas para garantir que isso
acontecesse.

Luna pensou que ele tivesse escolhido o lugar, isso era geralmente
o que acontecia, mas independentemente da estratégia de Uilleam, ele
não compartilhava.

Agustín Contreras não era de baixo nível, ela sabia, mas seu cartel
ainda era um dos menos conhecidos, embora estivesse começando a fazer
um nome e não apenas por causa de sua conexão com Ariana.

Um forte gorila estava nas portas pretas, um fio ondulado na orelha,


cabelo preto com gel e olhar duro. Sua expressão severa não hesitou
diante da abordagem.

— Nome? — Ele exigiu, olhando apenas para Uilleam como se fosse


o único a estar ali. Luna precisou resistir a revirar os olhos em sua
tentativa flagrante de miná-la.
DEN OF MERCENARIES #4

E se ela estivesse com vontade... e se essa reunião não fosse


importante, mostraria a ele porque era uma ideia idiota.

— Diga ao seu chefe que Kingmaker chegou para vê-lo.

Agora, a expressão do homem mudou, quando rapidamente acenou


com a cabeça, pisando para o lado quando abriu as portas e acenou para
dentro, o olhar caindo no chão.

Pelo menos Agustín teve a sensatez de avisar seus homens sobre


quem era o Kingmaker. Apesar de sua aparência externa, o clube não
estava tão dilapidado por dentro como originalmente assumiu, os pisos
foram polidos e limpos, assim como o número de mesas ao redor do salão
e do bar, onde duas mulheres de biquíni dourado misturavam bebidas.

O palco no centro estava ocupado por uma forte mulher,


considerando seriamente a forma como ela pendia do pole prata
brilhante, apenas pelos músculos das coxas.

Várias outras mulheres estavam no chão, vestindo o mesmo


uniforme ou seja, roupas escassas, mas não pareciam miseráveis ou que
eram obrigadas a estarem lá.

Todas felizmente envolvidas com os clientes, e havia muitos deles


apesar da hora da manhã, servindo-os e felizmente recarregando as
bebidas sempre que eram oferecidas.

Caminhando como se já estivesse estado ali centenas de vezes,


Uilleam levou-a para a parte de trás do clube, apenas acenando com a
cabeça para o próximo segurança, que não se incomodou em pará-los.
DEN OF MERCENARIES #4

Uma vez que chegaram ao escritório, cuja porta era feita de aço com
uma trava no meio que permitia que a pessoa do outro lado deslizasse
para ver quem estava lá, foram recebidos por outro grupo de homens e
desta vez, realmente levavam armas.

Não qualquer arma, mas rifles de assalto que fez a testa de Luna
franzir enquanto os observava, não tinha certeza de que tipo de problema
aparecia no clube, fora idiotas bêbados que poderiam ficar um pouco
loucos, mas obviamente estavam preparados para qualquer coisa.

Mas claro, considerando o homem sentado na cadeira do escritório,


fazia sentido que ele desejaria a melhor proteção que seu dinheiro
pudesse comprar. No momento em que entraram, o olhar de Agustín foi
para eles, primeiro Uilleam e tinha aquela expressão familiar que a
maioria tinha diante do Kingmaker pela primeira vez.

Então olhou, para Luna e nela, ele demorou.

— Armas? — Perguntou o homem grande e calvo à sua esquerda,


com o dedo no gatilho de sua arma. Luna sorriu, enquanto palpava a
faca.

— Eu sou a arma.

Ele preparou-se para dizer outra coisa, mas então Agustín fez um
barulho que fez o outro homem recuar.

— Nós somos todos amigos aqui, sim?

Ele a observava, suas sobrancelhas se juntando como se estivesse


tentando descobrir algo, mas antes que pudesse olhá-la por mais tempo,
Uilleam interrompeu.
DEN OF MERCENARIES #4

— Fico satisfeito por ter concordado com esta reunião. — Disse ele,
puxando uma cadeira primeiro para Luna e depois para ele.

— Quando alguém diz que quer fazer um acordo, não posso


recusar... — Agustín encolheu os ombros. — Costumo ouvir.

Ele podia estar falando com Uilleam, mas sua atenção estava
direcionada exclusivamente para ela. Ele esfregou sua mandíbula
barbeada, fazendo um zumbido no fundo da garganta.

— Por que você me parece tão familiar?

Porque você está noivo da minha irmã, Luna queria dizer, mas
sabiamente manteve esse pensamento para si mesma.

— Eu tenho um rosto muito familiar.

Ele também poderia tê-la reconhecido por causa de seu trabalho no


Den ou mesmo na propriedade de Kendall.

— Talvez. — Disse, mas não pareceu convencido.

— Negócios. — Disse Uilleam. — Podemos?

— Sem dúvida, Sr. Maker. — Ele disse com um sorriso sarcástico.


— Faça-me uma oferta que não posso recusar.

— Carmen Rivera pretende matá-lo.

Mesmo Luna piscou com surpresa diante da franqueza de Uilleam.


Não atenuou, nem hesitou, apenas se colocou de pé diante do homem
sem piscar. A tranquilidade que era tão transparente em Agustín
DEN OF MERCENARIES #4

desapareceu quando se sentou, esmagando o charuto que segurava.

— E você sabe disso porque...?

— Ela me disse, claro. Logo depois que perguntou se eu poderia usar


um dos meus mercenários para fazê-lo.

Rapidamente, os guardas de Agustín ficaram na defensiva, olhando


um para o outro e para o chefe como se estivessem esperando por uma
ordem de morte. Por tudo o que sabiam, Uilleam aceitou o trabalho e
esperava que o homem baixasse a guarda o suficiente para dar o golpe.

— Seus mercenários? — Agustín perguntou. — Você acha que um


de seus cães treinados pode me matar? Tan lejos llega tu alcance?

Qualquer que seja o bom humor com que Uilleam entrou, já


desapareceu quando encarou o homem.

— Meu alcance é tão longo quanto preciso. Tonto de você que


acredita que um assassino não pode se esconder atrás de um lindo rosto.

Espere meu sinal. Ele disse no carro quando estavam na estrada,


embora, não soubesse o que quis dizer na época, ela definitivamente
conseguia entender agora.

Antes que qualquer um de seus guardas se movessem, Luna soltou


dois punhais na palma das mãos e deixando-os voar pela sala, direto
como flechas, até atingirem os peitos dos homens.

Tăcut ficaria orgulhoso.

Ela não estava tentando matá-los, esse não era o objetivo desta
lição.
DEN OF MERCENARIES #4

Era apenas um aviso.

Agustín mal poupou a seus homens de um olhar além de verificar a


precisão dela com um movimento exagerado dos dedos.

— Você está declarando guerra, Kingmaker?

Agora, Uilleam sorriu.

— Você não quer guerrear comigo, garanto-lhe, mas agora que tenho
sua atenção, vamos entender por que estou aqui. Como estava dizendo,
Carmen Rivera o quer morto e ela me contratou para cuidar disso. Isso
significa que você não é mais útil para ela ou pelo menos é o que acredita,
mas isso não é inteiramente verdade, certo?

A expressão de Agustín não mudou.

— Eu não sei o que você quer dizer.

— Claro que você sabe o que quero dizer, César não era o único
comprador no mundo do tráfico, verdade? Seu pai era seu principal
concorrente, correto? E todos sabemos o que acontece quando se pisa em
muitos dedos do pé.

Luna nunca testemunhou de primeira mão o que Uilleam fazia, a


lenta revelação da sujeira dele. Mesmo ela estava olhando em sua direção,
esperando para ver o que diria.

— Como fazer...

— Não, não. Não, não temos nada com isso, porque é o que está
perguntando, certo? Como seu pai acabou no carro com aquelas
prostitutas brasileiras. Uma pequena parte de você sabia que
DEN OF MERCENARIES #4

César era responsável e por isso não piscou quando foi executado ao seu
lado. Curioso que não se importou, verdade? Desde que acabou de fazer
um acordo com o homem. Uma maneira terrível de tratar seu parceiro de
negócios, eu digo. Esperemos que nossa relação não acabe assim.

Uilleam sentou-se com um suspiro, orgulhoso de si mesmo.

— Com ele fora do jogo e aquela garota tonta no seu braço, você
pensou que assumiria o controle, hein? Reclamar o que foi roubado de
seu pai. Mas como muitos, subestimou o que Carmen Rivera faria pelo
poder. Agora, aqui estamos. Seus homens sangrando e você... a segundos
de morrer.

Não era fácil ser encurralado em um canto, Luna sabia disso muito
bem.

Mas mesmo com o desafio em seus olhos e seus dedos se


contorcendo na arma em seu cinto, ele não poderia alcançá-la antes de
encontrar sua morte.

Precisava admitir.

— O que você quer?

— Estou tão feliz que tenha perguntado. Preciso da hora e do


endereço do carregamento que vem de San Jose.

Um músculo pulsou na testa de Agustín enquanto tentava processar


tudo.

— E se sabe sobre o carregamento, por que precisa de mim?


DEN OF MERCENARIES #4

— Disso se trata Agustín, não preciso de você, é o que muitos não


conseguem perceber sobre mim. Esta é a minha tentativa de torná-lo útil
novamente, mas se optar por não me ajudar, então...

Era bem claro o que aconteceria se a utilidade de Agustín acabasse.

— Certo.

— Excelente. Agora, para outros assuntos, preciso de mais uma


coisa de você e por isso, estou disposto a lhe oferecer algo em troca.

A risada de Agustín era tudo menos divertida.

— O que poderia me oferecer que eu gostaria?

— E se lhe dissesse que poderia livrá-lo de Carmen,


permanentemente, assim como da mulher com quem decidiu se casar?

Agora, pela primeira vez, ele parecia interessado, ainda um pouco


cético.

— Continue.

— E se me fornecer as informações que preciso, bem como rescindir


o seu... — Ele gesticulou para os homens que estavam segurando suas
sangrentas feridas. — Seja lá o que for, em algumas datas da minha
escolha, eu me certificarei de que seu problema com Rivera seja resolvido
permanentemente.

— E por que aceitaria fazer isso? E se ela quiser me matar, então


por que não a mato primeiro? Dois pássaros, duas balas.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você poderia. — Uilleam assegurou. — Mas a probabilidade de


manobrar as autoridades para longe depois que o trabalho for feito, bem,
é aí que minha experiência entra em jogo, certo? Não se esqueça de quem
você enfrenta. Uma humanitária, amada pelo mundo por todos os atos
maravilhosos que faz. Eles iriam fazer de você um símbolo do que não
fazer.

— Quanto tempo eu tenho para pensar nesta oferta tão generosa?

— Aproximadamente seis ponto quatro segundos.

Era óbvio que Agustín odiava ser encurralado, mas sem outra
escolha, ele assentiu uma vez.

— Tudo bem... mas apenas se ela jantar comigo.

Luna não tinha certeza de quem estava mais surpreso com seu
pedido, ela ou Uilleam.

Mas Uilleam se recuperou primeiro, quando encarou o outro


homem.

— Ela não está disponível.

— Então não há acordo.

— Acho ridículo que você acha ter uma escolha no assunto.

— Aqui está a coisa, Kingmaker. — Agustín disse sentando para


frente, sua confiança anterior voltando. — Você obviamente precisa de
mim para algo, não? Posso dar o que quiser sem uma briga, se me der
algo em troca ou podemos ir a uma maldita guerra. Sua escolha.
DEN OF MERCENARIES #4

Agustín não podia saber o que estava pedindo, especialmente ao


homem a quem estava perguntando. E se não houvesse nada mais, Luna
sabia que Uilleam era leal ao seu irmão.

E apesar de suas ações no passado, nunca usaria Luna como um


peão novamente. Não porque se sentisse mal com o que fez antes, mas
porque a reação de Kit não era uma que queria enfrentar.

— Ela é...

Luna sabia que ele se voltaria e enfrentaria o homem, até iria a


guerra eventualmente. Uilleam sempre teve um plano de backup e até
um backup do backup, mas estava pronta para que isso terminasse e
estava disposta a fazer qualquer coisa para ver isso.

— Concordo com suas demandas e podemos ter uma reunião. —


Disse Luna antes que Uilleam pudesse terminar.

Os olhos de Agustín foram para ela enquanto seus lábios se


levantavam com um sorriso malicioso.

— Não será uma reunião, amor.

— Não tenha esperanças. — Luna respondeu com zero inflexão.

Trabalho ou não, ela ainda pertencia a Kit, mesmo que não usasse
sua aliança no dedo.

— Então, é uma reunião. — Disse Agustín com um aceno, mas não


parecia acreditar que seria qualquer coisa menos do que fosse o que
imaginava em sua cabeça.
DEN OF MERCENARIES #4

— Excelente. — Uilleam levantou-se, abotoando o terno. — Espero


uma resposta em quarenta e oito horas.

— Até então, Kingmaker. — Agustín disse, seu sorriso no lugar.

Uilleam a levou da sala e mal estavam no carro antes de dizer:

— Longe de mim dizer a alguém o quanto está disposto a chegar


para ter o que quer, mas apenas quero ter certeza que você sabe o que
está fazendo.

Luna ergueu o cinto de segurança.

— Claro que eu sei.

— E você entende que meu irmão não ficará satisfeito se souber


sobre seu pequeno encontro.

— Não é um encontro, Uilleam. Além disso, você não dirá a ele.

— Eu posso evitar ou até contornar a verdade, mas nunca menti


para Kit e não o farei agora. E se ele perguntar, eu contarei.

— E se você não quer que eu faça isso, apenas precisa dizer.

Uilleam sorriu, mostrando os dentes perfeitos.

— Claro que eu quero que você faça isso.

— Então, porque ...

— Porque não acho que já viu meu irmão quando ele realmente fica
com raiva. — Disse Uilleam. — Apesar de seu autocontrole, ele tem uma
tendência a reagir mal quando é pego de surpresa.
DEN OF MERCENARIES #4

— Oh? Como assim?

Uilleam ficou em silêncio um momento antes de finalmente dizer:

— Ele já contou alguma coisa sobre nossos pais?

— Ele não gosta de falar sobre eles.

— Por uma boa razão, ele os despreza. Já contou sobre o inverno de


2007?

— Acho que não. — E pela maneira como falou, o que aconteceu


deve ter sido memorável.

— Kit estava com a Sociedade Lotus nessa época, se tornou tudo o


que nossa mãe duvidava que ele pudesse ser. Era o dia mais frio do ano
e apesar de tentar ser tudo o que meu pai queria em um filho, eu ainda
não era o que ele queria. — O sorriso de Uilleam era sardônico. — Eu
liguei para meu irmão dias antes, pedindo que nos visitasse.

Luna olhou para ele.

— Você realmente ligou e pediu a ele para visitá-lo?

— É tudo o mesmo, mas deixe-me terminar. — Disse, não


rudemente. — Como você sabe, Alexander o rejeitou quando escolheu
deixar a família pela Sociedade Lotus e ele esperava que nós, minha mãe
e eu, o seguíssemos a esse respeito. Minha mãe fazia o que era ordenado,
mas nunca estive disposto a virar as costas para Kit, mesmo que ele me
irritasse.

No início, Luna não entendia sua relação. Olhando de fora, nem


sempre parecia que Kit e Uilleam se deram bem e nem
DEN OF MERCENARIES #4

pareciam particularmente gostar um do outro. Mas ao longo dos anos,


rapidamente descobriu não era um relacionamento fácil de entender,
mesmo quando estavam furiosos um com o outro, ainda tentavam se
proteger.

— Então, quando perguntei se viria me visitar, ele recusou, mas


prometeu que me veria em breve. — Uilleam respirou fundo, sua
expressão se transformando enquanto continuava contando sua história.
— Não há segredos no castelo Runehart. Aqueles muros... eles ouvem.
Eu deveria saber que Alexander descobriria o que fiz, então dois dias
depois me confrontou, para dizer o mínimo, o que seria um eufemismo.
Ele decidiu me ensinar uma lição.

O sangue de Luna gelou ao ouvir aquela confissão.

Enquanto Kit não falava frequentemente de seu pai, o que dizia


sempre fez Luna odiar o homem tanto quanto ele.

Luna sabia que essa lição poderia significar qualquer coisa, uma
surra, fome por algumas noites ou mesmo algo que o deixaria em agonia.

— O que ele fez? — Perguntou Luna, um pouco com medo da


resposta dele.

O sorriso de Uilleam foi fugaz, assombrado.

— Eu acho que a imaginação pode ser melhor do que a realidade.

— Sinto muito.

— Nunca se desculpe por...


DEN OF MERCENARIES #4

— Um erro que não cometi. — Luna terminou para ele, lembrando-


se do ditado que Kit usava frequentemente. — Mas ainda posso lamentar
que aconteceu com você.

Com um sorriso melancólico ele falou:

— Karina disse a mesma coisa.

Percorrendo a entrada do bangalô, parou, desligou o carro, mas não


fez nenhum movimento para sair.

— Naturalmente, que acabei no fosso por duas semanas.

— Jesus, Uilleam.

— Esse não é o ponto importante. Kit levou aproximadamente duas


semanas e um dia para descobrir o que aconteceu comigo, ele jurou que
nunca voltaria para lá. — Disse Uilleam de repente. — Mas ele voltou...
por mim, um traço admirável, realmente.

— Ele matou Alexander? — Perguntou Luna.

— Oh, não. — Disse Uilleam enquanto batia o polegar no console do


carro. — Não foi tão banal assim. Kit o abateu.

— Abateu?

— Onde acha que ele aprendeu as habilidades que tão benevolente


concedia a nós?

Definitivamente, ela nunca teve qualquer consideração pelo pai dele.


DEN OF MERCENARIES #4

— Ele nunca me disse como fez isso. — Disse Luna. — Mas


realmente não me disse muito além do fato de que o matou.

— Kit não matou o homem porque ele me machucou. — Uilleam


continuou, sua voz baixa. — Ele o matou, porque Alexander quase me
afastou dele. Agora, sou apenas seu irmão e veja o quão bem nos damos
em alguns dias. — Com uma risada curta, Uilleam tocou seu ombro, o
sorriso em seus lábios contradizendo suas próximas palavras. — Agora,
realmente preciso lhe dizer o que ele fará a um homem se apenas pensar
que está afastando você dele?
DEN OF MERCENARIES #4

Fang

— Você deve aprender a obediência. — O professor disse batendo a


régua contra a borda da mesa de Christophe, sua obsessão escondida
atrás de um sorriso quando o menino pulou de susto. Mas mesmo com a
ameaça do que o professor poderia fazer se não cumprisse o que esperava
dele, Christophe se recusou a levantar o chicote que segurava na mão
direita.

O castigo era preferível ao que o professor queria que fizesse. Ele não
podia torturar alguém como foi torturado. Mas essa não era a palavra
certa, era? O professor gostava de chamá-lo de ensinar.

Ele garantia que todos aprendessem o que esperar fora dos muros de
sua escola.

Dor.

Traição.

Tudo o que ele encontrou nesta escola.


DEN OF MERCENARIES #4

Christophe estava começando a se perguntar quanto tempo


demoraria antes que sua insolência resultasse em sua morte. Pensariam
que, sabendo que era inevitável, tentaria salvar sua própria vida fazendo
o que lhe dissessem.

Ele não faria.

Christophe estava pronto para morrer.

Deixando cair o chicote que segurava, encarou o professor com um


sorriso e com cada força que seu corpo de onze anos poderia reunir, se
levantou e chutou o homem na canela, rindo enquanto o fazia.

Uma parte distante dele podia ouvir os suspiros surpresos de seus


irmãos, seus companheiros prisioneiros desta escola de horrores, mas não
podia se concentrar neles, enquanto a atenção do professor estivesse sobre
ele, seus irmãos estariam livres.

A última coisa que Christophe viu antes de sua cabeça bater contra o
chão foi o punho do professor balançando em seu rosto...

Fang afastou a lembrança, perguntando-se por que os pensamentos


da escola o assombravam nas últimas semanas.

Muitas vezes, em seus sonhos, o sorriso do professor o atormentava


mais, como agora quando afastou em seus pensamentos em vez de se
concentrar nos dois homens à sua frente.

Ele escapou, todos eles, na verdade, graças a Nix e o fato de estar


naquela parte da Romênia a negócios.
DEN OF MERCENARIES #4

Apesar de suas tentativas em enterrar o passado, até que se


lembrasse dele, Fang ainda pensava naquela noite fria de inverno,
quando Nix travou sozinho, uma guerra de um homem só na escola, não
poupou ninguém e salvou as crianças.

Ele lhes ofereceu liberdade, uma chance em uma vida normal, mas
o desejo de normalidade desapareceu no momento em que o assassino
chegou para libertá-los.

Fang queria algo mais além disso.

Ele queria vingança.

Mas não havia mais ninguém, Nix matou todos os que causaram
tanta dor aos meninos que Fang aprendeu a cuidar como irmãos. Não,
não como irmãos, eram seus irmãos, os poucos pelos quais ele estava
disposto a dar a sua vida, sem perguntas.

E uma vez que aceitou um lugar na Sociedade Lotus, a organização


secreta de assassinos da qual fazia parte, Nix entrou para a lista de
pessoas por quem estava disposto a morrer.

Ele devia-lhe tudo.

Então, quando Nix pedia um favor, nunca hesitava, exceto quando


esse favor envolvia o Kingmaker.

— Sinto muito. — Fang de repente falou, piscando, lembrando que


não estava sozinho na sala e os dois irmãos Runehart ainda estavam
sentados silenciosamente. — Eu não ouvi você.
DEN OF MERCENARIES #4

Nix não pareceu incomodado com o fato de Fang não ter ideia do
que ele ou seu irmão disseram no último... merda, quanto tempo foi?

Nix costumava se desassociar ao acaso, mas Kingmaker não, pela


expressão no seu rosto.

— Ele está aí, mentalmente? — Perguntou o Kingmaker, evitando


olhar para Fang. — Isso é importante.

Fang franziu a testa.

— Estou ofendido.

— Fang. — Disse Nix com um aviso em sua voz, ele não parecia
divertido.

— Tudo bem. — Disse Fang com um aceno de mão. — Continue.

Kingmaker foi o primeiro a falar.

— Eu entendo que você e seu... time são bastante proficientes em


roubos de alta segurança.

Fazia parecer tão sofisticado.

— Sim, roubamos cofres de segurança. E daí?

— Temos um trabalho para você e conforme os resultados desse,


outro pode vir depois. — Acrescentou Kit.

— Isto é para ele, não? — Fang perguntou com um aceno de cabeça


na direção a Kingmaker.
DEN OF MERCENARIES #4

— O trabalho que ele oferece é de interesse mútuo e ajudá-lo é me


ajudar.

Fang esfregou uma mão sobre a mandíbula, pensando nisso.

— Certo... e o que ganhamos com isso?

Kingmaker parecia irritado. Fang não esteve muito na presença dele


ao longo dos anos, apesar do tempo que passou com Nix, mas duvidava
que o homem já foi questionado.

— Minha gratidão.

Nix disse algo ao homem em galês, Fang apenas entendeu partes,


pois nunca se importou em aprender o idioma e quando terminaram de
falar ficou claro que chegaram a um tipo de acordo.

— Dobre a taxa habitual e há uma chance de renegociar uma vez


que este trabalho estiver pronto.

— Dobrar a taxa?

Nem Fang, nem seus irmãos, estavam ruins financeiramente,


ganharam um dinheiro significativo com os trabalhos que fizeram com
Nix e juntando o fato de que todos compartilhavam um composto como
moradia, suas despesas eram mínimas.

Mas Tăcut, muitas vezes, doava noventa por cento de sua renda para
vários orfanatos, qualquer que chamasse sua atenção no momento e o
restante tinha seus próprios vícios em que gastar sua fortuna.

Como Thanatos e sua propensão para livros de romance.


DEN OF MERCENARIES #4

Mas apesar de quão próximos todos eram, Fang ainda não sabia o
que Invictus fazia com sua parte além de oferecer parte para os orfanatos.

Ele era desse jeito reservado e apesar de Fang ser intrometido, não
desrespeitou a maneira de ser de Invictus.

— Isso funciona. — Ele disse abaixando a mão e batendo os dedos


no joelho. — Quando começamos?

— Excelente. — Disse Kingmaker enquanto se levantava,


endireitando a frente de seu terno. — Eu espero atualizações. — Isto foi
dito a Nix um momento antes do homem sair.

— Ele foi adotado? — Perguntou Fang, observando o homem ir.


Kingmaker podia assustar os outros, mas Fang conheceu monstros reais.

E para ele, Kingmaker era apenas um idiota.

— Infelizmente não, mas nossa relação à parte, você não deve


antagonizá-lo.

— Por quê? Ele enviará um de seus mercenários atrás de mim? —


Fang sorriu como um idiota. — Com certeza posso também.

— Não é assim que ele trabalha. — Disse Nix, colocando um olhar


severo sobre ele como fez com seu maldito pai. — Ele enviaria Luna para
enfrentá-lo, sabendo que eu nunca deixaria nenhum mal chegar a ela.

— Tenho certeza de que poderia derrubá-la também.

— Mas você não poderia me derrubar e juro que não gostaria da


minha resposta se colocar uma mão sobre ela.
DEN OF MERCENARIES #4

A ameaça estava clara em sua voz, embora não houvesse maldade


por trás disso. Não era vã, Fang sabia, mas ainda achava divertido.

— Devidamente anotado. Então, qual é o trabalho?

— Você ajudará Luna em uma loja de diamantes. — Disse Nix,


pegando um pen drive da gaveta e colocando sobre a mesa. — Todos os
planos podem ser encontrados aqui.

— Qual é o meu cronograma?

— Setenta e duas horas.

Fang arqueou uma sobrancelha naquele número.

— Como é o nível de segurança?

— Nada que você não possa lidar. Ainda estou aguardando


confirmação sobre outro assunto, quando conseguir, a segurança será
inexistente.

— Certo. Eu manterei isso em mente. — Fang pegou o dispositivo.


— Mais alguma coisa que você precisa?

— Certifique-se de que Luna não se machuque.

E se havia uma coisa que mais surpreendia Fang, desde que


começou a trabalhar para o ex-assasino, era o quanto o homem mudou
nos últimos anos, não era um chefe ruim, um pouco temperamental
quando tinha um ataque e piorou quando Tăcut passou por um de seus
momentos, mas tudo mudou quando Luna entrou em cena.
DEN OF MERCENARIES #4

Isso não quer dizer que Fang se importasse. E de qualquer maneira,


estava feliz por Nix não ter comido seu rabo porque estava preocupado
com sua esposa, mas também estava começando a ver os efeitos do que
poderia acontecer se perdesse a mulher que amava.

Aidra... não, ele não podia imaginar perdê-la, apenas a ideia de que
ela se afastasse dele o deixava aborrecido, a amava, mais do que amava
a si mesmo, porque era a coisa mais pura que ele tinha.

— Eu a manterei segura. — Disse Fang antes que se aventurasse


muito fundo em seus pensamentos.

Sabia o que Nix sentia por sua esposa, entendia, fazer um favor era
o mínimo que poderia depois de tudo que Nix fez por ele.
DEN OF MERCENARIES #4

O cheiro do oceano levou Luna a sair para o pátio traseiro para ver
as ondas que gentilmente batiam na costa. Apesar do ar frio, colocou os
pés na grade, puxando o cobertor para envolver apenas os ombros.

Ela apenas estava lá há um dia e meio, mas já achava a cidade


melhor do que esperava ou o bangalô, pelo menos. Podia ter sido
totalmente mobiliado antes dela chegar, mas já se sentia em casa.

Pelo menos uma casa.

O castelo provavelmente sempre seria seu lar.

Ela conhecia aquelas paredes e tudo dentro delas, do quarto de Kit


e da escuridão emocionante que representava ou mesmo dos quartos
abaixo do nível do solo, onde, alternadamente, aprendeu a empunhar
uma faca e a ver homens serem massacrados por eles.

Às vezes, quando voltava a Las Vegas depois de uma tarefa, pensava


sobre as terras espalhadas, como se sentiu com a grama sob seus pés
pela primeira vez.

Luna perdeu o lugar... e as pessoas lá dentro.


DEN OF MERCENARIES #4

Não viu muito Aidra desde que ela deixou Wild Bunch, embora
ouvisse pequenas coisas sobre o que fizeram desde que se foi.

Kit, por outro lado... ela via muito dele. A maioria dessas vezes não
foi voluntária, mas tudo isso mudou em um piscar de olhos com apenas
um telefonema. Eu tenho uma proposta para você, ele disse, o som de sua
voz em seu ouvido fazendo com que seu coração batesse mais forte. Não
quero nada de você, foi sua resposta, mas essa era uma mentira, a qual
ele não acreditava, porque ela queria tudo.

Venha para uma sessão de aconselhamento matrimonial comigo. E se


no final, você não quiser mais nada, então lhe darei o que mais deseja.

Naquela época, o que mais queria, além de ver sua mãe apodrecer,
era se afastar permanentemente de Kit.

Ela ainda tinha os papéis do divórcio em algum lugar... mas seu


interesse foi despertado, porque em todos os meses que ele tentou em vão
fazê-la voltar para casa, nunca sugeriu algo assim antes.

No começo, ele tentou enchê-la com presentes e quando isso não


funcionou, então recorreu a persegui-la praticamente pelos Estados
Unidos, não importava quantas vezes ela se mudasse, ele a encontrava,
o que se tornou irritante depois de um tempo, até que finalmente parou
de tentar, quando aterrissou em Las Vegas.

Então, não sabia se estava feliz porque ele finalmente desistiu ou


triste porque parou de tentar.

Uma hora.

Demorou uma hora para ela repensar tudo.


DEN OF MERCENARIES #4

No final daquela primeira sessão, Luna caiu sob seu feitiço


novamente, foi quase ridículo a rapidez com que soltou sua raiva contra
ele.

E agora, mesmo quando deveria estar focada no trabalho de


Carmen, pensava em Kit e quando ele ligaria novamente, ouvir sua voz
na noite passada, sua risada e até mesmo a maneira como quase podia
ouvir o sorriso em sua voz, a fazia sentir-se tonta novamente, como
quando o conheceu.

Uma parte dela, provavelmente uma grande parte dela, sabia que
isso era inevitável. Kit era encantador e não demorou muito para
encantá-la, mas privar-se dele ajudou a mantê-la concentrada.

Exceto que agora estava de volta onde tudo começou.

Irremediavelmente e irrevogavelmente apaixonada.

Estavam ali, perto, mas longe e não podia mais negar que a
separação a afetava tanto quanto o afetava.

O som da campainha tirou Luna de seus pensamentos e ao contrário


da noite passada, não hesitou, embora não soubesse quem estava lá, mas
se tivesse que adivinhar, era por causa de Kit.

Aventurando-se, voltou para dentro, passou os dedos por seus


cabelos um momento antes de abrir a porta da frente, piscando para o
homem com um boné baixo sobre o rosto, segurando um pacote debaixo
de um braço, com um terminal eletrônico na outra mão.
DEN OF MERCENARIES #4

— Luna Runehart? — Ele perguntou, olhando para o pacote antes


de olhar para ela. Definitivamente Kit, ninguém na face da terra a
conhecia por esse nome que não fosse ele e Uilleam.

E se fosse de seu chefe, ele apenas a abordaria como Calavera.

— Sou eu.

Ele passou o pacote para ela, então inclinou o boné e voltou para a
van estacionada na calçada.

Luna já estava sorrindo antes de voltar a entrar, contemplando o


que acabou de receber. Colocando-o no balcão, encontrou uma faca e
cortou o papel de embrulho marrom e o fio.

Ela mal abriu e o telefone que Kit lhe enviou tocou.

— Você está me espionando? — Perguntou, sentindo a mesma


suspeita que Winter quando falou sobre Syn.

— Acompanhei a entrega. — Kit voltou com uma risada. — Ainda


não abriu?

— Você não me deu uma chance. — Ela murmurou para si mesma


e quando finalmente abriu a caixa e olhou para dentro... — Oh, uau!

Quando o entregador entregou o pacote, ela se perguntou


brevemente por que a caixa estava tão fria, mas olhando dentro, teve sua
resposta.

Havia uma caixa de rosas brancas e uma caixa menor cheia de


cupcakes de chocolate, descansando em cima da cobertura de chocolate
um único mirtilo para cada um.
DEN OF MERCENARIES #4

— Ah. — Disse Kit com conhecimento, compreendendo seu silêncio.


— Você abriu agora, sim?

— Kit, você...

— Você está feliz?

Essa única pergunta a fez sorrir, suas bochechas quentes.

— Claro.

— Estou disposto a rastejar. — Ele disse, dois bips afiados ao fundo


deixando-a saber que estava entrando em seu carro. — O que for
necessário.

Ela perguntou:

— O que for preciso para me ter de volta?

— O que for preciso para mantê-la, Luna.

Você já me tem, queria dizer, mas segurou suas palavras, apesar do


que sentia, ainda não era tempo.

Inclinando-se para frente, inalou o delicado aroma das flores.

— Bem, gosto da forma como você rasteja, Kit.

— Estou fazendo progresso, não? Pelo menos, você não está


planejando devolver com uma nota.

Luna riu, lembrando-se de um dos primeiros buquês que Kit enviou


quando se foi. Depois de uma semana sem atender suas ligações
DEN OF MERCENARIES #4

telefônicas, ele pensou que enviar flores a suavizaria e ainda teve a


audácia de incluir um cartão que dizia: perdoe-me.

Na época, sua raiva era muito recente e não pensou duas vezes antes
de destruir as flores, jogando-as em uma caixa e na parte de trás da nota
que enviou, colocou uma boa impressão do dedo do meio.

— Eu precisava de tempo. — Disse ela.

— E você não precisa mais? — Perguntou, a questão mais do que


apenas uma simples pergunta.

Mas não tinha certeza de como responder.

— Eu não estou com raiva de você mais. — Ela disse e era verdade.

Alguns dias, sentia que a raiva era a única coisa que a mantinha de
pé... agora, estava apenas cansada de ficar irritada.

— Progresso então. — Ele disse com mais firmeza.

— Há muito que precisa trabalhar antes...

Ela queria dizer antes de perdoá-lo, mas se fosse sincera, já o


perdoou.

Desde que ele confessou tudo durante aquela primeira sessão com
Donna, Luna não guardava mais ressentimentos, mas ainda não estava
pronta para ir até ele.

Algo ainda segurava seus passos.


DEN OF MERCENARIES #4

— Como eu disse, progresso. — Disse ele, sem mencionar sua


incapacidade de terminar a declaração.

Desde o primeiro momento em que Uilleam confessou um antigo


segredo de anos, Luna simplesmente reagiu, sem parar para pensar e
racionalizar. Apenas queria se afastar de tudo, se afastar dele.

Foi fácil arrumar desculpas com Uilleam, porque não o amava, era
o termo correto, nunca diria que não se importava com ele, mas Kit... o
que sentia por ele era completamente diferente.

Numa altura em que sentiu que perdeu tudo, até mesmo sua própria
identidade, Kit mostrou a ela como colocar de novo as peças fraturadas.

Ele a ensinou como ser uma versão melhor de si mesma.

E o pensamento de que não se importava se vivesse ou morresse


naquele ponto, mesmo que não soubesse quem era, machucou-a mais.

— O que você está fazendo agora? — Perguntou Luna enquanto


pegava um dos cupcakes da caixa e lentamente descascava o papel,
dando uma grande mordida.

— Agora? Ouvindo você comer.

— Foda-se. — Disse Luna com a boca cheia, embora as palavras


saíssem sufocadas, fazendo-a rir.

— Você está oferecendo? — Ele perguntou.

Então este era o jogo que estava jogando.

— Talvez.
DEN OF MERCENARIES #4

— Não vamos fazer promessas que não está preparada para manter,
amor.

Uma voz abafada soou em segundo plano, o tom feminino fez Luna
sorrir enquanto lambia seus dedos.

— Diga a Aidra que eu disse oi.

Ele transmitiu a mensagem.

— Ela retorna o sentimento. Infelizmente, tenho negócios aos quais


devo atender e suponho que você ainda se encontrar com Keanu hoje?

— Você sabe que ele odeia quando alguém usa seu nome. — Disse
Luna, lembrando a forma com o rosto de Skorpion se contorcia quando
alguém o fazia. — Mas sim.

— Eu a vejo em breve.

— Muito em breve?

— Muito em breve.

Luna sorriu.

— Vejo você, então.

— Eu te amo, mi pequeña Luna.

Ela não teve a chance de responder antes que a ligação terminasse


e ficasse olhando a tela com um sorriso estúpido em seu rosto.

Não era difícil se sentir intimidado por Skorpion à primeira vista.


DEN OF MERCENARIES #4

Ele era maciço, com ombros largos e músculos suficientes que


parecia poder erguer um carro, parecendo exatamente o mercenário que
era, mas a maioria não sabia que ele gostava de passar tempo em uma
praia pegando ondas.

A primeira vez que o conheceu, não sabia o que esperar,


especialmente quando cruzou com ele por acidente.

Cinco anos atrás …

— Ele quer que eu vá? — Perguntou Luna, olhando de seu telefone


para Kit, que estava de costas contra a cabeceira da cama com os olhos
no jornal enquanto examinava os obituários.

Durante as três últimas manhãs, ele estava olhando, procurando


por nomes que não estava disposto a compartilhar, não importava
quantas vezes perguntasse.

— Isso é um problema? — Ele perguntou, sem deixar de olhar para


o jornal. — Você sabia que isso era inevitável, não?

Claro, ela sabia que eventualmente teria que atravessar as portas


do edifício, porque teria novas atribuições diretamente de Zachariah já
que, estava se reportando a ele, mas não imaginou que seria tão cedo
depois de Lawrence.

Muita coisa mudou em pouco tempo, depois que completou sua


primeira tarefa para Uilleam e não apenas seu novo emprego, as coisas
entre ela e Kit mudaram também.
DEN OF MERCENARIES #4

Eu te amo, ele disse com toda a convicção do mundo.

Depois de encontrar Cat, ela se sentiu perdida, como se tudo para o


qual se preparou não servisse para nada, em sua mente, imaginou que
descobriria o que fosse necessário para sobreviver neste mundo deles e
uma vez que descobrisse, poderia se vingar, não apenas matando
Lawrence e tirando tudo o que lhe era querido, mas também poderia
salvar sua melhor amiga...

Ela realizou o primeiro, mas o segundo...

Kit lembrou-lhe que não poderia fazer nada sobre isso e que
nenhuma quantidade de planejamento no mundo poderia prepará-los
para o que encontraram, mas não a fez se sentir menos culpada.

Na verdade, a culpa apenas aumentou porque ela sobreviveu,


encontrou a felicidade apesar das probabilidades e até conseguiu
encontrar amor no processo, mas sua amiga não.

Ela não tinha certeza de quanto tempo levaria para superar e


esperava que pudesse.

— Eu apenas pensei…

Kit deixou o papel cair de suas mãos.

— Você pensou que porque está comigo não teria que seguir as
mesmas regras em seu contrato?

Bem, falando assim...

— Talvez?
DEN OF MERCENARIES #4

O sorriso dele era suave.

— Nossa situação é única, sim, mas Uilleam e eu concordamos em


manter nossos negócios separados e lamentavelmente, você é seu
negócio.

— Certo.

— Não se preocupe. — Ele disse beijando sua testa. — Você se sairá


bem.

— Eu deveria me vestir.

Luna não perdeu tempo, tomou banho rapidamente e vestiu-se em


um tempo recorde. Em pouco tempo, estava em sua bicicleta e saiu do
castelo, seguindo as instruções de seu telefone.

O real Den era um enorme composto de dez mil metros quadrados


que abrigava não apenas quartos de dormir para os mercenários, mas
uma infinidade de instalações de treinamento que eram tão
aterrorizantes quanto efetivas. Luna tentou não admirar abertamente,
pois ninguém mais parecia surpreso com as moderníssimas instalações,
mas era difícil não admirar os tetos altos, as brilhantes portas prateadas
e o grande número de pessoas que estavam dentro.

Kit disse-lhe quem procurar, não que precisasse dele, apesar de não
se encontrar com o homem muitas vezes, ainda sabia que Zachariah
estava no comando e passava a maior parte de seus dias dentro do
complexo que era praticamente sua segunda casa.

Na sua busca por ele, não esperava encontrar a sala de vidro no final
do salão. Ela estava no andar de baixo e dentro da sala tinha
DEN OF MERCENARIES #4

uma mesa com um enorme homem encostado nela. Até esse momento,
Luna não sabia como seria um mercenário, apenas tinha uma vaga ideia
de Kit e do Wild Bunch.

Para ela, eles eram todos magros e distintamente masculinos, com


apenas algumas exceções e tinham habilidades que os tornava vitais para
Uilleam.

O homem na sala de vidro, enquanto letal, não se encaixava nesse


molde.

Ele era pelo menos alguns centímetros maior que Kit e facilmente o
dobro do tamanho dele. Luna tinha certeza de que o braço do homem era
maior que qualquer um que já viu antes.

Em uma palavra, o homem era aterrador.

Luna quase passou por ele sem chamar a atenção quando ele de
repente olhou para cima, como se sentindo-a lá, observando-o.

Durante alguns segundos, ele olhou para ela e no próximo suspiro,


empurrou o banquinho onde estava sentado, colocou os pés no chão e
caminhou até às portas, se aproximando. Ela podia ouvir o leve barulho
da corrente que se conectava a um laço em seu jeans e uma vez que ele
finalmente estava sobre ela, pode sentir o cheiro do oceano em sua pele,
o que explicava o rico bronzeado de sua pele.

Quem quer que fosse este homem, gostava de passar algum tempo
perto da água, empurrando o boné com um dedo, cruzou os braços sobre
o peito enquanto a olhava.

— Você deve ser a nova garota.


DEN OF MERCENARIES #4

Garota.

Luna sabia pelo modo como enfatizou a palavra, que era um insulto,
que estava testando-a de alguma maneira, talvez para ver se reagiria.

Mas ela não o fez.

Não lhe daria a satisfação.

— Nova, sim. — Disse Luna, ignorando seu sarcasmo. — Onde posso


encontrar Zachariah? — Perguntou Luna, quase esquecendo que não
estava falando com um amigo, não quando estava nesse lugar.

Fora dessas paredes ele poderia ser Zachariah, o tio de seu marido,
mas dentro dele era apenas Z, seu manipulador. Ele não franziu a testa,
nem deu uma olhada que lhe dissesse que precisava se mover e parar de
olhá-lo como se fosse um artista secundário, ele não foi tão cuidadoso na
sua avaliação dela, quanto foi com ele, mas não havia nada crítico sobre
a maneira como a observava.

Seu sorriso era juvenil apesar do rosto endurecido e quando os


cantos de sua boca se curvaram, seus olhos enrugaram.

— Skorpion. — Ele disse, estendendo a mão, o tamanho da dele


facilmente diminuindo a dela.

Estava na ponta da língua lhe dizer seu nome, mas se lembrou


rapidamente que não seria o nome que ele conhecia.

— Calavera.

— Você é uma coisa minúscula. O que ele espera que você faça?
DEN OF MERCENARIES #4

Luna poderia ter se ofendido, mas algo brincalhão em seus olhos lhe
disse que estava tentando ter uma reação.

— Acho que todo mundo parece pequeno ao seu lado. — Seu sorriso
se ampliou.

— Talvez sim. — Ele assentiu, parecendo tomar uma decisão sobre


ela. — Eu vou mostrar, então você pode ver Z.

Eles se tornaram os melhores amigos desde então, com os meses e


os anos passando, seu relacionamento mudou.

Ele era mais como um irmão para ela agora, do que um amigo ou
um colega, um urso de grande homem que não entendia o conceito de
espaço pessoal, como um Golden Retriever preso no corpo de um homem
adulto.

— Já faz muito tempo. — Falou Skorpion enquanto se afastava do


carro, um carro másculo que estava parado na rua coberto com tinta
preta brilhante e um motor grunhindo. — Você não ficou o suficiente da
última vez.

Ele a abraçou, seus pés saíram do chão enquanto ele fazia isso.
DEN OF MERCENARIES #4

— Jesus, Scar, coloque-me no chão. — Ela disse, enquanto ria, seus


cabelos voando ao redor de seu rosto quando a soltou. — Estou feliz que
esteja disponível.

Ele encolheu os ombros, colocando seu braço muito mais pesado em


seus ombros enquanto caminhavam de volta para o bangalô.

— Eu sempre posso arrumar tempo para você. — Skorpion sentou


no sofá uma vez que entraram, colocando um pé sobre a mesa na frente
dele. — O que ele disse?

— Kingmaker, quer dizer? — Luna perguntou enquanto ia até a


geladeira e pegava uma cerveja para ele.

Ele vivia de uma dieta de cerveja e frutos do mar.

— Sobre o que você está fazendo aqui? Foda-se tudo, mas tenho
uma boa ideia.

Com ninguém mais ela foi sincera sobre sua vida antes do Den, não
entrou em detalhes, ninguém precisava destes detalhes em sua cabeça,
mas disse a ele o suficiente para que tivesse uma ideia geral.

— Ele tem um plano, mas...

Skorpion zombou, colocando a garrafa em seus lábios e drenando


quase metade antes de dizer:

— Ele sempre tem um plano.

— A primeira parte desse plano envolve um homem chamado


Agustín Contreras.
DEN OF MERCENARIES #4

— O nome não toca nenhum sino. — Ela explicou tudo o que sabia
sobre ele, o que Uilleam contou, sua impressão dele e a informação
secundária que encontrou a pequena Winter.

Mas quando se aproximou do final de sua narração, sobre o que


aconteceu no clube, Luna esqueceu com quem estava falando e
escorregou mencionando o acordo que fez com Agustín.

— Espere, não tente ignorar isso. — Disse Skorpion, colocando a


garrafa na mesa. — Você concordou em sair com o homem para conseguir
informações para Uilleam?

Não ele também...

— Não é um grande acordo, se lembra quando Grimm ficou


escondido naquele bordel durante três semanas para obter informações
sobre o negociante de armas? É a mesma coisa.

O humor fácil de Skorpion desapareceu quando sua expressão


mudou para algo ligeiramente aterrorizante.

— Ele pediu que você fizesse isso?

Luna percebeu tarde demais o que suas palavras implicavam, então


a rapidamente tentou alterá-las.

— Eu não preciso dormir com ele e Uilleam não está me forçando a


fazer nada, ele tentou me convencer do contrário, é apenas uma reunião,
nada mais.

Skorpion arqueou uma sobrancelha.


DEN OF MERCENARIES #4

— Você acha que seu homem entenderá isso? Porque eu digo, não
entendi. — Ele encolhe os ombros. — Eu sou egoísta assim.

— É trabalho. Sem mencionar que é a maneira mais rápida de fazer


isso. Uilleam não teria ido a ele em primeiro lugar se não precisasse dele
por alguma coisa e como nós dois sabemos a quem ele é mais leal,
imagino que teria se afastado sem a menor hesitação.

— Sim? — Skorpion riu. — Boa sorte em explicar isso.

— Você é o pior.

— Estou dizendo a verdade. Agora, qual é o resto desse plano?

Luna pensou em Kit e no toque de culpa que sentia por manter um


segredo dele.

Desde que falou com ele esta manhã, teve certeza de que ligaria
novamente. E se ele não o fizesse, ela ligaria.

Mas a última coisa que queria fazer era contar-lhe sobre Agustín.

O que ele não sabia não iria machucá-lo, certos detalhes nunca
precisavam chegar até ele e garantiria isso.

Mas não podia se preocupar com isso no momento, então se


concentrou em Skorpion e deu-lhe os detalhes que precisava.
DEN OF MERCENARIES #4

A garçonete entregou sua comida com um sorriso, hesitando um


pouco mais do que o necessário, enquanto esperava que Kit se envolvesse
com ela além de um agradecimento educado, mas depois de alguns
segundos de silêncio, ela seguiu seu caminho.

Kit colocou o guardanapo no colo, pegou sua faca e garfo quando


Elias finalmente apareceu, vestido como sempre em um terno de linho
com o chapéu na mão, o cabelo começando a ficar cinza e o sorriso
habitual no rosto, ninguém esperaria que o homem fosse um gênio, não
com seu tipo, mas Kit sabia que as aparências enganavam, especialmente
este homem em particular.

— Como sempre, Nix... — Disse o homem enquanto se sentava à sua


frente, colocando o chapéu na borda da mesa. — Espero que você não
tenha tido o trabalho de pedir para mim, tomei o café da manhã mais
cedo.

— Porque você acha que poderia tê-lo envenenado? — Perguntou Kit


enquanto cortava seu bife com um sorriso. — E se eu fosse matar você,
seria muito mais criativo.

É claro que existia uma série de venenos que teriam feito sua morte
não apenas dolorosa, mas também devagar e deliberada. Kit já usou
alguns antes.

Uma vez, alterou uma neurotoxina poderosa e letal, para afetar


apenas a pessoa com um perfil de DNA específico, que teve uma morte
pública bastante dolorosa onde o CDC foi chamado para investigar, no
entanto, ninguém mais foi prejudicado.

Foi divertido.
DEN OF MERCENARIES #4

Elias não se incomodou em negar isso. Apenas mudou de assunto.

— Vejo que seu irmão chegou com segurança em Los Angeles... com
companhia.

— Você queria que ele continuasse com o trabalho, não?

Ele queria.

— Não estou questionando o que ele fez, apenas me pergunto se


ficou com a companhia dele.

Kit sorriu.

— Calavera, você quer dizer.

— Sua esposa. — Ele disse, como se Kit estivesse em negação nesse


ponto.

— Por enquanto, pelo menos. — Uma única sobrancelha levantou-


se enquanto Elias o olhava, tentando decidir a validade dessa afirmação,
a expressão de Kit não mudou.

Elias estava no negócio da informação e sem dúvida, saberia sobre


seu encontro com Luna em Nova Iorque semanas atrás, saberia também
que estava irritada com ele e partiu, mas não sabia que as coisas
mudaram.

Ele ainda tinha uma série de peças que faltava encaixar.

Kit queria manter isso assim, contanto que pensasse que tudo era o
mesmo. Ele estava fazendo o que podia para honrar aquele acordo e
DEN OF MERCENARIES #4

manter a distância de Luna, menos provável que prestasse muita atenção


a ela ou a seus movimentos.

— Problemas no paraíso? — Elias perguntou calmamente. — O


aconselhamento matrimonial não é como imaginava?

Realmente não deveria ser tão fácil.

— Ainda há uma série de perguntas que não posso responder. —


Disse ele com uma explicação.

Porque não apenas ele precisava do elemento surpresa quando


chegasse a hora, pois ele e Uilleam planejaram implementar seu plano,
mas Kit não resolveu todos os detalhes ainda.

Ainda faltava várias peças para colocar no lugar

— Então, o que ela faz na Califórnia? — Ele abriu a boca para falar
novamente, mas o garçom chegou, entregando sua comida sem
comentários e saindo rapidamente. — Eu duvido muito que Kingmaker
decidiu usá-la para eliminar César Rivera, a menos que tenha
desenvolvido habilidades de atirador no último mês.

— Improvável. Como você está ciente, meu irmão faz o que quer, se
disser a ele para fazer uma coisa, fará exatamente o contrário, portanto,
é melhor deixá-lo fazer como quiser.

— Não é assim que funciona este acordo, se ele se aventurar muito


longe das instruções que lhe dei, não importa que não queira fazer como
mandou, você sofrerá por suas ações.
DEN OF MERCENARIES #4

Kit colocou sua faca e garfo no prato na frente dele, endireitando-se


sem tirar os olhos de Elias.

— Não se preocupe, Elias. Nem meu irmão, nem minha esposa


revelarão sua identidade a ninguém.

— Quero acreditar nisso, mas você e seu irmão sempre pensaram


ser mais inteligentes do que são. Uma característica que aprenderam com
seu pai, sem dúvida.

Kit piscou surpreso, ficando na retaguarda para proteger sua


reação, ninguém nunca mencionava seu pai, nunca.

Não porque temessem a reação de Kit ou Uilleam, mas porque a


maioria gostava de fingir que Alexander Runehart não existiu.

E de muitas maneiras, ele era um bicho-papão do submundo, tanto


quanto foi um tirano para sua família.

— Como costumavam chamá-lo? O suposto Rei? Que ficou louco ao


longo dos anos?

Uma bala na cabeça foi uma misericórdia no final...

— Você está tentando incitar minha fúria? — Perguntou Kit,


genuinamente curioso.

— Simplesmente tentando lembrá-lo de que o passado não está tão


enterrado como você e Uilleam gostam de pensar, alguns temem vocês,
mas alguns de nós não são tão facilmente reprimidos.

Elias pegou um ravióli translúcido de seu prato e mastigou-o,


observando Kit o tempo todo.
DEN OF MERCENARIES #4

Pegando a carteira do bolso traseiro, Kit puxou quatro notas de vinte


dólares de dentro e colocou o dinheiro na mesa, guardou sua carteira no
bolso e estava pronto para sair quando falou.

— Entenda-me, Elias, quando isso chegar ao fim e acredite em mim


chegará, eu pessoalmente removerei o coração da pessoa que você mais
ama e o deixarei segurar um momento antes jogar fora em uma caixa.

Kit levantou-se e seu bom humor voltou quando viu Elias engolir de
forma reflexiva, outro ravióli deixado intacto em seu garfo. Por enquanto,
a ameaça o deixou mudo.

Agarrando o casaco da parte de trás da cadeira, Kit colocou-o


enquanto saia pelas portas da frente. Aidra já esperava por ele.

— Como foi sua reunião?

Por uma vez, Kit não estava saindo em um clima perigoso, poderia
até sorrir.

— Agradável.
DEN OF MERCENARIES #4

— Então você irá ao encontro...?

Luna suspirou, quando foi para suas costas para puxar o zíper de
seu vestido, estava começando a imaginar que nunca se livraria dessa
pergunta.

— Não é um encontro.

— Diga o que quiser, mas posso garantir que o mais antigo executor
não entenderá assim. Ei, é verdade que eles o chamam de Nix? Estou
perguntando como amiga.

Winter não estava errada.

Kit não se importaria que fosse apenas parte do trabalho ou que ela
teve o encontro para garantir que qualquer plano que Uilleam estivesse
implementando fosse bem-sucedido.

Ficaria mais irritado ainda, mas apenas três outras pessoas sabiam
sobre o jantar além de Luna.

O que Kit não sabia não o magoaria.

— Sim, seu nome é realmente Nix. — Disse Luna, terminando com


o vestido e procurando no chão do armário as botas que queria calçar. —
E como eu disse, não é um encontro.
DEN OF MERCENARIES #4

— Certo, porque você está se vestindo para uma reunião, Kingmaker


tem sorte se me pegar de pijama.

Luna quase riu.

— É para Kingmaker que estou fazendo isso mesmo. — Pelo menos,


isso era parte do motivo.

Quando Uilleam perguntou por que ela concordou, não foi


completamente honesta.

Ela queria saber mais sobre sua irmã de alguém que passou tanto
tempo mais perto dela do que Uilleam ou Kit.

— Claro, claro. Tanto faz. — Murmurou Winter, ainda parecendo


incrédula. — Quando você for, vou decolar, tenho um amigo que está...
por aí.

— Um amigo? — Luna perguntou, parando para olhar para ela. —


Você deveria...

— Querido Deus, você também não, eu já tenho um mercenário


constantemente na minha bunda, definitivamente não quero outro.

— Estou apenas dizendo. E se Syn perguntar, poderei dizer que fiz


as minhas devidas pesquisas. — Winter revirou os olhos. — Porque ele é
como um detector de mentiras humanas.

Ela estava certa, de certa forma, mas era um pouco mais complicado
do que isso, Syn era bom em ler micro expressões, então mesmo a menor
contração de um músculo poderia dizer-lhe se uma pessoa estava
mentindo.
DEN OF MERCENARIES #4

— Não se preocupe, mamãe, estarei no Armazém central.

— Qual o nome do armazém?

— Esse é o nome e talvez isso signifique que possa me divertir se


souber que demorará um pouco para encontrá-lo. — Winter acenou
quando foi embora, ignorando Luna completamente quando ela a
chamou.

Uma vez que terminou de se vestir e se olhou no espelho, não pode


deixar de sentir que faltava alguma coisa, não importava, ela não diria a
Kit sobre o que estava fazendo e com quem estava fazendo, especialmente
quando podia ver como isso parecia.

Mas agora que pensava mais nisso, havia uma maneira dela deixar
seu status claro, já que Kit ainda tinha sua aliança. Na primeira vez em
que a usou, Kit queria deixar claro para quem visse a quem ela pertencia.

Esta noite, ela usaria esse colar pelo mesmo motivo. Vinte minutos
depois, Luna estava pronta e pensava no tipo de restaurante que Agustín
a levaria. Seria algo sofisticado e chamativo para mostrar sua riqueza ou
algo barato para mantê-la impressionada durante toda a noite?

Este era um lugar que era um pouco dos dois.


DEN OF MERCENARIES #4

Ele estava esperando do lado de fora das portas foscas, o telefone ao


ouvido enquanto falava em espanhol rápido com quem estivesse na outra
linha.

Antes que Luna pudesse ouvir o que estava falando, ele desligou e
guardou o telefone, dando-lhe um sorriso.

— Uma parte de mim pensou que não viria. — Disse, beijando as


duas bochechas uma vez que estava perto o suficiente.

— Promessas são promessas.

Quando passaram pelas portas, Agustín colocou a mão na parte de


trás de suas costas, mas ela acelerou seu passo um pouco para forçá-lo
a não fazer contato, não fazia questão de lhe dar uma ideia errada.

Uma vez que ele deu seu nome à anfitriã, apenas tiveram que
contornar o pátio para serem levados a uma mesa isolada na parte de
trás do restaurante.

Agustín puxou a cadeira, então, tomou seu lugar enquanto a anfitriã


se afastava.

— Tinto ou branco? — Perguntou quando o garçom se aproximou.

— Água. — Luna respondeu. — Com limão.

Agustín ordenou os dois, esperando que o homem do colete branco


saísse para providenciar as bebidas antes de falar novamente.

— Diga-me. — Ele disse. — Como uma mulher como você acabou


trabalhando para alguém como Kingmaker?
DEN OF MERCENARIES #4

Luna pensou no abuso sexual que sofreu na propriedade de Kendall,


então o tempo que passou com Kit e o The Wild Bunch enquanto treinava.

Com um leve movimento de cabeça, Luna disse:

— É uma longa história.

O garçom voltou, colocando um copo de água gelada com fatias


grossas de limão na sua frente antes de derramar o vinho na taça de
Agustín, tirando a cortiça da garrafa nas mãos, ele serviu uma
quantidade saudável do vinho tinto antes de colocá-lo no balde de gelo.

— Estamos prontos para pedir? — Ele perguntou com um acento


elegante que Luna não pensou ser real.

Agustín estendeu graciosamente uma mão em sua direção.

Luna pediu peixe com aspargos e Agustín bife com batatas.

Enquanto ele tomava um gole de seu vinho, Luna olhou ao redor do


restaurante, surpresa com o fato que os homens de Agustín se
misturaram bem, notou que estavam relativamente despreocupados com
as dezenas de pessoas no lugar.

Em sua observação, não percebeu que Agustín olhava para ela, seu
olhar avaliador e curioso.

— Por que deveria fazer esse acordo que seu chefe está sugerindo?

Luna olhou para ele, pegou o copo e colocou a borda em seus lábios.

— Seria um tolo se não aceitar.


DEN OF MERCENARIES #4

— Oh? Como assim?

— Você resolve um problema para ele e ganha um amigo no


processo. Não pode ser melhor que isso, certo? — Pelo menos o tipo de
amigo que Uilleam poderia ser...

— Acho que você e eu entendemos a oferta de Kingmaker de forma


muito diferente.

Ele talvez não estivesse completamente errado sobre isso, mas Luna
não ofereceu uma resposta.

Luna encolheu os ombros delicadamente.

— Sem dúvida.

Agustín parecia se divertir com ela, até que suas sobrancelhas se


ergueram como se tivesse acabado de perceber algo importante.

— Diga-me. — Ele disse enquanto enchia sua taça vazia. — O que a


fez querer trair sua família?

Muitos anos passados com Kit e Uilleam lhe ensinaram a moderar


sua reação, então Luna nem sequer piscou com a pergunta, mas sua
súbita quietude foi resposta suficiente para ele.

— Eu me perguntei por que você parecia tão familiar. — Ele disse,


esfregando o cavanhaque. — Mas não foi até que passei o dia fodendo
sua irmã que finalmente vi a semelhança.

Ela franziu a testa.

— Você é nojento.
DEN OF MERCENARIES #4

Ele encolheu os ombros.

— Talvez sim, mas dá no mesmo. É curioso, que Ariana nunca a


mencionou.

Isso fez Luna sorrir.

— Eu tenho certeza que não.

— Seu segredo está seguro comigo. — Ele disse rapidamente, como


se ela estivesse mais preocupada dele revelar sua presença a Ariana do
que qualquer outra coisa. — Mas não posso dizer que não estou curioso.

— O que faz você pensar que as estou traindo?

Perguntou Luna, fazendo uma pausa enquanto o garçom deixava a


comida com um breve aceno de cabeça e seguia seu caminho.

— E se foram elas que me traíram?

Agustín riu de bom humor.

— Isso não é tão difícil de acreditar. Sua irmã, mi dios, é um


punhado. E sua mãe... — Ele tocou uma mão em seu coração. — La
amante del diablo. Sem ofensa, é claro.

— Não me ofendeu. Desde que estamos fazendo perguntas pessoais,


o que você sente por ela?

Agustín tomou um gole de seu vinho.

— Um pouco disso. Um pouco daquilo.


DEN OF MERCENARIES #4

— Apenas um pouco de tráfico humano e um pouco de tráfico de


drogas?

— E de qualquer outra pessoa, poderia pensar que o desprezo em


sua voz é ofensivo, mas fiz minhas pesquisas sobre Kingmaker e seu Den.
Ouvi coisas curiosas.

— Nada de bom, acredito.

— Depende a quem pergunta.

Alguns iriam cantar seus elogios, outros o amaldiçoariam, esse era


o negócio.

— No entanto, estamos prestes a começar um ótimo relacionamento.

— Que tal isso, você me diz uma verdade sobre Kingmaker e eu


concordarei com o favor que ele me pede.

— Você concordou com o favor no minuto em que entramos neste


restaurante juntos.

Agustín terminou seu vinho, colocando a taça sobre a mesa.

— Então, faça a minha vontade.

— Faça sua pergunta, mas não há garantia de que responda.

— Qual é o seu jogo afinal?

Luna piscou.

— Quando Kingmaker faz um movimento, é sensato prestar atenção.


Houve... conversas... sobre ele assinar com novos clientes,
DEN OF MERCENARIES #4

chantagear outros e usar seu Den para derrubar aqueles que não
concordaram. Agora, ele não está fazendo isso porque quer que as
pessoas conheçam o medo, as pessoas já conhecem o medo, então está
tentando chamar a atenção de alguém, não?

Tudo isso era verdade, mas ambos sabiam disso.

— Faça a pergunta.

— Eu preciso saber se ele é o time vencedor, porque quem quer que


o Kingmaker esteja tentando derrubar, quero ter certeza de que meus
interesses estejam protegidos quando decidirem atacar.

Luna não conseguiu esconder seu sorriso, mesmo se tentasse.

— Acho que você já sabe minha resposta para isso.

— Mas não a ouvi.

— Talvez você não tenha notado, mas no Den, há eu. — Ela


gesticulou para si mesma, sem a necessidade de mencionar o que fez com
seus homens. — Um sniper incomparável, um ladrão mestre, o melhor
hacker que o dinheiro pode comprar e um homem que é literalmente
como um tanque, ex-inteligência britânica e Syn.

— Syn? — Ele perguntou, com as sobrancelhas juntas.

— Acredite em mim, quanto menos você souber sobre ele, melhor


estará.

Agustín zombou, tirando a carteira colocou algumas notas de cem


dólares na mesa.
DEN OF MERCENARIES #4

— Vou levá-la para casa. Meu carro está esperando lá fora.

Não foi até que estivessem dentro de seu carro que ele disse:

— Mais uma pergunta.

— Você pode tentar mais uma resposta.

— E se eu pedisse para vir para minha casa, você aceitaria?

— Minha resposta seria não. — Sem dúvida.

Agustín poderia ser bonito, mas não se comparava ao seu marido.

— Porque eu sou um trabalho ou por causa do homem em sua vida?

Luna olhou para ele.

— Você parece ter todas as respostas esta noite.

— Mas nenhuma das quais parece disposta a confirmar.

— Ambos. — Disse ela, finalmente respondendo sua pergunta, mas


principalmente a segunda mais do que a primeira.

— E ele deixou você sair comigo esta noite? Não acho que deixaria
você fora da minha vista se fosse minha.

E se Kit pudesse escolher, faria o mesmo. Luna deu um tapinha no


joelho.

— Então, tenho sorte de não ser sua.


DEN OF MERCENARIES #4

Esperando até que Agustín se fosse, faróis desaparecendo quando o


carro virou a esquina, Luna atravessou a rua, caminhando os dois
pequenos quarteirões de volta ao bangalô, ser cautelosa nunca era
demais.

Ao caminhar, puxou os pinos de seus cabelos, deixando a massa


pesada cair ao redor de seus ombros antes de passar os dedos através
dele para aliviar a tensão em seu couro cabeludo.

Ela não esperava nada do jantar, esperava principalmente que


Agustín avançasse sobre ela e passaria a noite toda impedindo seus
avanços, mas quando realmente pensava sobre isso, ele não parecia
muito interessado nela assim, mas sim em sua relação com Ariana.

Mas ao longo da noite, mesmo que agradável depois de tudo, não


conseguiu parar de pensar em Kit, desejando que estivesse sentado de
frente para ela.

Mesmo o mais mundano dos jantares tinha um nível de intimidade


entre eles e queria compartilhar isso com ele. Era quase ridículo como foi
tão inflexível em ficar longe dele até que toda essa bagunça fosse
resolvida, mas agora, tudo em que podia pensar era em correr de volta
para ele, as respostas que se danassem.
DEN OF MERCENARIES #4

Quando entrou na casa, tirou os sapatos, dando um suspiro de


alívio enquanto seus pés atingiam a superfície plana do chão.

Deixando tudo à porta, manteve o telefone na mão quando voltou


para o quarto, enviando uma rápida mensagem a Uilleam para confirmar
que Agustín aceitou.

Ela não estava prestando atenção, muito ocupada para notar que a
porta do quarto estava entreaberta em vez de fechada como deixou, muito
ocupada para notar a figura sentada à beirada da cama. Assustou-se,
mas se recuperou rapidamente quando percebeu quem estava sentado
lá.

Suas mãos juntas em seu colo, seu olhar mirava as janelas para o
oceano. Kit estava imóvel com uma expressão ilegível no rosto.

— Kit? O que você está fazendo aqui?

Deveria ter percebido imediatamente que algo estava errado, mas


Kit tinha uma maneira de esconder suas emoções até estar pronto para
mostrá-las, quando olhou para ela, podia dizer de relance que ele estava
com raiva ou talvez um pouco mais do que isso.

Mesmo em frente a isso, uma parte dela ainda estava feliz em vê-lo.

Era a primeira vez que o via em semanas e queria estender a mão e


tocá-lo, se familiarizar com a maneira como se sentia, mas não se atreveu
a se afastar de onde estava parada.

Levantando-se da beirada da cama, Kit estava praticamente


zumbindo de raiva quando diminuiu a distância entre eles, olhos azuis
DEN OF MERCENARIES #4

brilhando quanto mais se aproximava, sua raiva era quase palpável,


estalando e rodando entre eles.

Luna lembrou-se de repente de seu sobrenome e das habilidades


mortais que ele possuía.

— Kit.

— Seus votos.

— O quê?

— Seus votos. — Ele repetiu com uma voz cortante. — Fale seus
votos.

Sua fúria era mal contida e em um instante, soube que era por causa
de Agustín e do jantar. E de alguma forma, ele descobriu sobre isso.

Não, claro que teria descoberto, não apenas porque Uilleam era seu
irmão, mas porque saberia se alguém estivesse perto da família Rivera.

Então, talvez uma parte dela soubesse que descobriria e


simplesmente não se importou.

— Você se esqueceu tão cedo? — Ele perguntou, sua voz


perigosamente calma, o que era muito mais assustador do que seus
gritos. Quando ainda não respondeu, fez por ela. — Eu te amo com tudo
o que sou e tudo o que jamais serei.

Não deveria ter surpreendido que ele se lembrasse de seus votos com
uma clareza tão contundente, mesmo que ela não se lembrasse de suas
palavras textualmente. Mas quanto mais ele falava, mais percebia que
DEN OF MERCENARIES #4

não era apenas ciúme que alimentava sua raiva... era tristeza.

Ela o machucou de uma maneira que ninguém mais poderia.

— E até que não haja nada de mim e mesmo assim, eu sou sua. —
Ele terminou, usando suas palavras como uma arma.

Mesmo que doesse nela a ideia de causar dor, ainda assim ergueu o
queixo por uma fração, encontrando audaz seu olhar e se recusando a
recuar diante de sua hostilidade.

— Eu sei o que falei...

Essa foi a coisa errada a dizer, soube no segundo que as palavras


saíram de sua boca e a mão dele se curvou em sua nuca para aproximá-
la firmemente, mas com gentileza, até que quase não havia espaço entre
eles.

— Então, por que você saiu com ele?

— Não significou nada. — Disse ela, aproximando-se para tocar sua


mão.

— Em primeiro lugar não banque a inocente comigo, Luna. Sabia o


que estava fazendo, sabia como eu responderia. — Quando as palavras
deixaram seus lábios, aquela raiva potente que parecia sangrar dele,
lentamente desapareceu, enquanto um outro tipo de expressão cruzava
seu rosto. — É isso que você quer? Quer que eu o puna?

— Não fiz nada de errado. — Disse ela, deixando cair a mão, de


repente, querendo se afastar dele, tinha a intenção de afastá-lo, colocar
DEN OF MERCENARIES #4

mais distância entre eles, mas apesar de sua raiva, gostava dele
exatamente onde estava.

Mas ele não estava pronto para deixá-la ir, nunca estava pronto para
deixá-la ir.

— Eu serei o juiz disso.

— E como exatamente planeja fazer isso? Você não pediu permissão.

— Isso é realmente o jogo que quer jogar? — Perguntou Kit,


abaixando sua voz.

Talvez isso devesse tê-la assustado, a maneira como sua voz mudou,
mas medo era a última coisa que sentia.

Suas palavras eram um desafio, levando-a a negar o que ele queria.

Mas mesmo que cada parte dela gritasse para fazer exatamente isso,
Luna não podia forçar as palavras além de seus lábios, não se tratava
apenas de negá-lo, seria como negar a si mesma.

— Então me puna se for o que você quer fazer. — Disse ela, usando
o mesmo tom dele. — Faça o que quiser.

Por alguns segundos, pensou que apenas a arrastaria para cama, a


forçaria em seu colo e bateria em sua bunda até que ficasse satisfeito,
mas soube no próximo batimento cardíaco que não seria assim tão
simples.

Ele não pretendia tornar isso fácil para ela.

Seu olhar percorreu o ouro que cercava sua garganta.


DEN OF MERCENARIES #4

Empurrando o dedo pelo laço pendurado, ele a puxou para frente e


afastou-se da porta onde ela estava parada.

Não havia como ignorar a mudança em seu comportamento, a


maneira como parecia mudar diante de seus olhos, não se atreveu a se
mover. Dificilmente podia respirar, quando tirou uma faca, girando entre
os dedos, o metal brilhante.

Ele rapidamente prendeu a atenção nela.

Não temia que a machucasse, não de qualquer forma, mas algo em


seus olhos fez seu coração acelerar e rapidamente

A coisa inteligente seria ter medo, mas apenas sentiu excitação.

Aqueles olhos frios e cinzas dele nunca deixaram seu rosto quando
se aproximou, deixando a ponta da lâmina perversa e afiada em sua mão
se arrastar pela coluna de sua garganta, em seguida, sobre a inchaço de
seus seios antes de chegar ao V profundo.

Percebendo a intenção dele, balançou a cabeça.

— Eu realmente gosto deste vestido.

Kit sorriu um momento antes de escorregar a lâmina debaixo do


tecido, afastando-a dela antes de puxar, cortando o vestido em segundos.

A faca bateu no chão enquanto levava as mãos para os lados


rasgados e empurrava-os, separando-o ao meio com facilidade ridícula.

Uma onda de desejo a atingiu, fazendo a dor que já estava sentindo


mais visceral.
DEN OF MERCENARIES #4

Nunca foi uma questão de saber se ela o queria, seu corpo não
parecia se importar com o que sua cabeça pensava, apenas em quando
cederia.

Seus dedos foram para as coxas, indo mais alto até que seu toque
apenas provocou seu quadril e depois se movessem novamente.

— Você está com medo? — Perguntou ele. — Está tremendo.

Não, ela não sentia medo, mas não diria que estava excitada, que
ansiava por seu toque mais do que qualquer coisa no mundo.

Isso seria ceder ao que ele queria e ainda não estava pronta para
fazer isso.

— Não com medo então. — Disse ele quando não respondeu.

Sem hesitar, ele moveu sua mão do quadril para suas coxas, logo
abaixo da calcinha de renda que usava.

Um suspiro trêmulo a deixou com a sensação de seu quente toque.

— Isso é meu? — Ele perguntou quando roçou a ponta de seu


polegar em seu clitóris. — Preciso lembrá-la?

Mesmo que ele já estivesse fazendo seus dedos do pé se curvar e


seus dentes afundarem no lábio inferior, ela estava se sentindo
imprudente.

— Lembre-me.

Em um instante, seu toque desapareceu e foi girada, a enorme cama


estava à sua frente e foi empurrada nela.
DEN OF MERCENARIES #4

Mal teve um segundo para perceber antes que Kit estivesse sobre
ela, e o ouvisse tirar a gravata.

— Dê-me suas mãos. — Ordenou Kit, sua voz plana, limpa,


inalterada.

Esse fato não deveria tê-la enchido com uma antecipação tão escura
pelo que ele planejava. Apenas o pensamento do que ele estava prestes a
fazer com ela a deixava mais excitada.

A dor abrasadora a tirou de suas reflexões internas e enquanto a


afastava, sabia que se ele acertasse com mais força, teria uma impressão
da palma e cinco dedos na bunda

— Não pedirei uma segunda vez.

Enquanto ela cruzava os braços para trás, seus dedos passando


sobre eles antes de segurar seus pulsos, uma emoção percorreu sua
espinha.

Incapaz de vê-lo, precisou se contentar com a sensação do tecido


suave esfregando sua pele enquanto ele o enrolava e amarrava, deixando-
a incapaz de mover os braços. Não havia nenhuma possibilidade de
liberdade e quando ele terminou, podia girar os pulsos, mas nada mais.

Um momento ele estava lá e no próximo, se foi. O ar frio beijando


sua pele em sua ausência. No final desta noite, ele faria com que se
arrependesse, em concordar em ir a qualquer lugar com Agustín e ela
mal podia esperar.
DEN OF MERCENARIES #4

Ficou fora de sua mente quando soube sobre o encontro, que ela se
ofereceu de boa vontade. Não queria nada além de arrastá-la para fora e
Agustín.

Kit estava preparado para estragar o trabalho e destroçar o homem.


Mas não fez nada, deixando sua raiva subir e crescer, até que a punir era
a única coisa em que podia pensar, puni-la por fazê-lo ficar com ciúmes,
por tirar todo o foco que possuía, até que não pudesse pensar em nada
além dela.

Ele sabia que não deveria ir até ali, poderia colocar em risco o plano
cuidadosamente orquestrado no qual trabalhava há semanas, mas valia
a pena. Mas agora, mesmo com a gravata prendendo seus pulsos e a
respiração ofegante dela soando como música em seus ouvidos, não era
suficiente.

Um fogo ainda queimava furioso dentro dele.

— Não fale. — Ele ordenou, tocando sua espinha com a ponta do


dedo, quase sorrindo pelo jeito que estremeceu.

Fazia muito tempo desde que a teve assim e queria fazer valer a
pena.
DEN OF MERCENARIES #4

— Não se mova a menos que eu lhe dê permissão. — Disse,


terminando a ordem com um afiado tapa em sua bunda.

Ao levantar os dedos, acariciou os fios sedosos e escuros de seu


cabelo sobre o ombro, vislumbrando a gargantilha dourada que cercava
sua garganta.

Quão rápido um mero metal lhe trouxe paz, mas também provocou
impulsos mais escuros dentro dele, desejos que não negaria.

— Respire. — Disse ele, o único aviso que ela recebeu antes que
enrolasse seu cabelo em seu punho e o puxasse, forçando-a. Um suspiro
saiu dela.

Ao virar a cabeça, ele apertou os lábios contra os dela, beijando com


força e expulsando toda sua resistência. Assim ela cedeu em seus braços.
Gemeu em sua boca, o som sem fôlego de desejo, mas ele não lhe daria o
que desejava desesperadamente.

No momento em que terminasse com ela, estaria implorando para


fodê-la, implorando para gozar, mesmo que não tivesse certeza de que
seu corpo queria.

Apesar de quão furioso estava com ela, a luxúria o dominou forte.

Mantendo-a lá, colocou a mão entre suas pernas tocando seu clitóris
até que ela estava se movendo contra ele.

Não podia esquecer aquele pequeno tom em sua voz que lhe dizia
quando estava perto de gozar. Apesar do muito que queria dar isso a ela,
ele parou completamente.
DEN OF MERCENARIES #4

— O que você disse?

— Oh, porra, Kit. — Ela disse sem fôlego, com os braços esticados,
mas não conseguiria nada assim.

— Resposta errada.

— Por favor. — Ela forçou a sair entre os dentes apertados.

E apenas porque falou isso, deu a ela uma amostra do que teria se
simplesmente deixasse de ser tão obstinada.

— É bom, Luna? — Ele perguntou, gostando da maneira como


respondeu. — Perguntei gentilmente.

— Deus, por favor, Kit.

Bom o suficiente.

Ele não se segurou por mais tempo, esfregando até que sua
respiração explodiu de seus pulmões e as palavras incoerentes
tropeçavam umas sobre as outras.

— Monte meus dedos. — Ele sussurrou. — Mostre-me o quanto me


quer. — Ele adorava vê-la assim, desmoronando, sem fôlego e livre.

E foi quando o controle dele se quebrou.

Arrancando os botões de sua calça, abriu o zíper, abaixou sua boxer


e curvou-se, sua ereção saltando livre.

Sua mente estava tão concentrada em entrar nela que não se


importava em não estar completamente nu.
DEN OF MERCENARIES #4

Ela se moveu contra ele, mas enquanto a ação o fez sorrir, ainda deu
um tapa em sua bunda.

— Fique quieta. Você apenas tem o que lhe dou.

A resposta dela foi um gemido quebrado, o som fazendo-o empurrar


os dedos para dentro, torcendo-os para alcançar o local dentro dela que
fazia o nome dele sair de seus lábios.

Luna não era tímida, em vez disso, arqueou as costas um pouco


mais, abriu mais as pernas e praticamente desafiou-o a ver como
responderia.

Com a mão ao redor de seu pau, moveu o punho para cima e para
baixo, precisando tirar a vantagem porque, enquanto a tinha exatamente
onde queria, não iria durar.

Com a mão livre no lado da cabeça, ele empurrou sua bochecha


contra os lençóis suaves. Segurando-a ali, abriu sua fenda pressionando
seu pau através da umidade e cobrindo-o até que ficou satisfeito.

— Diga. — Ele ordenou, não reconhecendo sua própria voz e a


necessidade que se enrolava ao redor destas palavras.

Kit sentiu a tensão nela, mas isso não a impediu de se esfregar


contra ele, de ofegar seu nome enquanto tentava forçá-lo dentro dela.

Quando ainda se recusou a falar, ele apertou seus cabelos,


puxando-a até que ficou colada contra ele e seus lábios estivessem em
seu ouvido.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você quer meu pau? — Ele sussurrou, gentilmente mordendo a


concha de sua orelha antes de dar o mesmo tratamento à delicada pele
do pescoço e da garganta.

Um súbito impulso para marcá-la veio sobre ele e antes que pudesse
reprimi-lo, deixou um hematoma roxo onde seus dentes estavam.

Não era o suficiente.

Não chegava nem perto de ser suficiente.

Ela assentiu com a cabeça e ele não deu a mínima por não ter falado
as palavras, estava muito longe.

Ele queria ir devagar, aproveitar sua boceta, mas no momento em


que estava lá, não conseguiu se segurar mais.

Naquele primeiro deslizamento, tão molhado, o calor o envolveu, o


fez apertar os dentes, seus quadris flexionando enquanto tentava ganhar
mais um centímetro.

Não havia outro lugar que Kit mataria para estar.

E se precisasse fodê-la até que desmaiasse para lembrá-la desse


fato, ele o faria.

Um impulso forte, afundando tão profundamente quanto podia,


depois saindo, até que apenas a ponta de seu pau ficasse dentro dela e
de volta, Kit não conseguia parar.

Isto foi o que perdeu há tanto tempo.

Isto era o que precisava.


DEN OF MERCENARIES #4

Uma risada áspera o deixou quando a ouviu falar, as palavras mal


um sussurro enquanto ela dizia como o sentia, como precisava de mais,
mais e mais.

Ele colocou uma mão sobre sua boca, abafando seus gritos
enquanto ela ficava mais molhada, fazendo-o bater mais forte enquanto
a fodia implacavelmente.

— Isto é o que você quer, hmm? — Ele perguntou, a voz baixa e


áspera. — Você não quer me dar, quer que o tome.

Luna não era um pássaro frágil com o qual ele precisava tomar mais
tempo.

Ela era forte e quebrável, porra, ele a quebraria da melhor maneira


possível.

— Diga que é minha. — Ordenou, movendo sua mão de sua boca


para a garganta.

Sua resposta foi imediata, sem fôlego e exatamente como queria


ouvir.

— Diga que sente muito.

— Eu... eu sinto muito. — Ela tropeçou com as desculpas quando


sua boceta apertou seu pau o suficiente para fazê-lo ver estrelas.

E quando ele conseguiu recuperar o fôlego novamente, bateu no


montículo nu de sua boceta e disse:

— Agora me dê o que eu quero.


DEN OF MERCENARIES #4

— Eu te amo. — Ela praticamente gritou, as palavras soando um


segundo antes dela se romper, o orgasmo fazendo-a tremer e agitar,
repetindo uma e outra vez. — Eu amo você. — Disse ela, com sua voz e
seu corpo.

— Eu te amo. — Ele disse em troca, perdendo-se dentro dela.


DEN OF MERCENARIES #4

Ela era bonita quando dormia, seu rosto suave e relaxado. Nada em
seus sonhos a irritavam, pelo menos não desde que Kit a conhecia,
gostava de vê-la dormir, observando as emoções variadas que passavam
em seu rosto enquanto dormia, ele encontrava paz nisto.

Mas esta noite, apesar do tempo que estava a seu lado, acariciando
seus cabelos quando ela finalmente desmaiou, não conseguiu encontrar
a paz.

Não era apenas por causa dela, mas por causa de tudo o que não
disse.

Não lhe disse a verdade.

Teria feito, argumentou Kit, se ela perguntasse, mas como não o fez,
não sentiu necessidade de compartilhar. Como exatamente, ele soube
que estava com Agustín Contreras e sem dúvida, sabia que ela não
gostaria de sua resposta.

Várias horas atrás ...


DEN OF MERCENARIES #4

— E se você está tão empenhada em me irritar, sinta-se livre para


sair. — Disse Kit olhando para Aidra que ainda não parou de rir da
própria piada que acabou de fazer.

— Sensível hoje, Nix?

Deixando cair a caneta sobre sua mesa provisória até que ele
voltasse para Nova Iorque, Kit virou a cadeira para encarar a única
mulher que conseguiu suportar durante todo o tempo que a conhecia.

Aidra não o temia, nem se interessava em ter sexo com ele, o que
fazia dela a melhor pessoa para se trabalhar, mesmo que fosse muito
irritante às vezes.

— Quer mais alguma coisa? Tenho certeza de que Fang está livre.
Por que não passar seu tempo com ele?

— Porque estou aproveitando meu tempo com você, além disso,


disse antes que não seria inteligente mandar flores um mês depois que
ela lhe disse para ficar longe, não? — Ela arrancou um invisível de fiapo
da saia lápis que usava, parecendo muito satisfeita por seu gosto. — Mas
percebe o que acontece quando você para de seguir seu próprio conselho
de porco e segue o meu? Olhe para o progresso que fizemos.

A sugestão de Aidra era que Kit levasse Luna para um


aconselhamento matrimonial, no início, ele rejeitou a sugestão, não
gostando da ideia de ninguém, mesmo Donna Marie, que estava
familiarizada com muitos de seus segredos, conhecer sua vida pessoal.

Por muitas razões, Luna estava fora de limites e antes das sessões,
tinha certeza de que encontraria uma solução para o
DEN OF MERCENARIES #4

problema sem a ajuda de ninguém. Era no que era bom, pelo menos até
que Luna lhe mostrou que não.

Mesmo Kit se encolheu com a lembrança das flores que enviou com
uma pequena nota que dizia: Perdoe-me. Ele queria chamar sua atenção,
fazê-la reagir, qualquer coisa, exceto o tratamento silencioso que
ameaçava sua sanidade.

Mas ele não parou nas flores, claro que não, se tentasse ligar, ela
mudava de número, se a procurava pessoalmente, se mudava.

Era um ciclo vicioso ao qual sucumbiu voluntariamente porque...


bem, qual era a alternativa? Deixá-la ir embora?

Ela o apagou lentamente de todas as partes da sua vida até que ele
não mais importava? Mesmo o pensamento fez sua mão se contrair.

No final, Kit ficou sem opções.

Até Nova Iorque.

Até que ela entrou em seu restaurante com toda a bravata do mundo
e sentou-se na sua frente para pedir um favor.

Um beijo foi o que pediu para provar que nem tudo estava perdido.

E apesar do que pensou que sabia, Kit finalmente concordou com a


sugestão de Aidra, levou apenas uma semana para arrumar tudo e menos
de uma semana para que Luna concordasse em comparecer, embora de
má vontade.

Em todos seus anos, essa foi a melhor decisão que tomou, além de
se casar com ela, é claro.
DEN OF MERCENARIES #4

Aidra não queria que ele esquecesse.

— Estou apenas dizendo. — Continuou Aidra, inconsciente de seu


humor ou simplesmente não se importando. — Eu mereço um aumento.

— Tudo bem. — Kit concordou, mesmo que não estivesse tentando


fazê-la parar de falar, ele nunca diria a ela que não valia a pena o que
pagava ou mais.

— Viu? Isso não foi tão difícil, foi? Agora, realmente seguirei seu
conselho e verei Fang. Não se meta em problemas enquanto estiver fora.

Kit encarou-a com um olhar fixo.

— Tentarei o meu melhor.

Reunindo suas coisas, Aidra aproximou-se para beijar sua bochecha


antes de desaparecer do apartamento da cobertura. Ele ficou sentado,
olhando as janelas ao ouvir o sinal sonoro do elevador mais uma vez.

Sem olhar para trás, ele perguntou:

— Esqueceu algo?

— Pelo contrário.

Kit não achou que alguém tivesse uma voz que o fizesse tanto querer
cometer um assassinato mais do que Ariana Rivera, bem, talvez sua mãe,
uma vez que pensou sobre isso.

Mesmo assim, precisou engolir sua irritação enquanto se virava,


observando-a caminhar em direção a ele vestindo um casaco de tricô
acobreado muito apertado.
DEN OF MERCENARIES #4

A visão dela assim fez seu estômago virar. Uma vez, durante uma
missão em Milão, Luna o surpreendeu com algo parecido e nada por baixo
disso. Kit rezou para que Ariana estivesse vestindo roupas.

— Não me lembro de ter lhe dado uma chave. — Disse Kit


educadamente, mantendo o controle cuidadoso de seu temperamento,
um trabalho constante desde que, era forçado a estar ao seu redor.

— Você não, mas tenho alguns amigos, sabe. — Então alguém


estava pedindo para morrer, dolorosamente.

— O que quer, Ariana? Não estou com paciência hoje.

Ninguém ousaria falar com ela assim sem medo de repercussões,


mas Kit não conhecia tal medo, mas seja por qual motivo, isso não a
impedia de buscá-lo continuamente.

Como um maldito mosquito sangrando.

— Ah. — Ela balançou, descansando seu quadril contra a borda de


sua mesa. — Eu sempre estou com vontade de você, Nix. Vai me contar
seu nome real?

— Nem mesmo se minha vida dependesse disso.

Ariana era uma pirralha, alguém acostumada a conseguir o que


queria, caso contrário, atacaria até que alguém, qualquer um, lhe desse
o que queria.

Mas Kit não era tão fraco.


DEN OF MERCENARIES #4

— É outra mulher? — Ariana perguntou, empurrando papéis e os


documentos para o lado enquanto se sentava, fazendo um show de cruzar
as pernas.

Kit virou-se para o lado, nunca daria as costas a alguém como ela,
afastou-se da mesa, colocando mais distância entre eles.

— Apesar do que você pode acreditar. — Ele disse, ainda olhando


para as janelas. — Eu não uso esta aliança apenas por usar.

— Então, onde ela está? — Ariana perguntou, um tom afiado na voz.


— Eu gostaria de conhecer esta mulher digna, sei que se tivesse um
homem como você, não o deixaria fora da minha vista.

Ela provavelmente acreditava nisso, mas Kit conhecia muitas


mulheres como ela e sabia que nunca eram felizes com apenas um
homem.

Ela desejava o que não podia ter.

Queria ser desejada por todos.

Sua maior falha e sua maior fraqueza.

Ignorando seu comentário, ele perguntou:

— Por que você está aqui?

— Eu queria vê-lo. Faz um longo tempo desde que estivemos juntos


sozinhos, não acha?

— Não, não acho.


DEN OF MERCENARIES #4

Isso a desconcertou, mas ela permaneceu indiferente apesar de suas


palavras.

— Você é sempre tão grosseiro? — Perguntou com uma risada leve.

— Conte-me sobre sua irmã. — Ele disse de repente, sabendo que a


pegaria desprevenida. Afinal, ninguém deveria saber que havia outra
filha.

Como um interruptor se acendesse nela, seu rosto se contorceu em


uma careta, seus olhos estreitando-se levemente sobre ele, era inteligente
o suficiente para não perguntar como sabia sobre Luna.

Mas era de se esperar, sabia que ele estava no negócio da informação


se nada mais.

— Por quê? — Perguntou, colocando tanto desprezo nessas palavras


como foi capaz.

— Estou curioso.

— Sobre ela?

Ele sempre ficaria curioso sobre sua Luna.

— Como ela era?

No começo, passaram muitas noites falando sobre sua vida antes de


Lawrence Kendall, de uma infância livre do mal. Sempre tinha um sorriso
persistente no rosto quando falava sobre sua casa, sobre Blanco e sobre
a família que perdeu.
DEN OF MERCENARIES #4

— Um garota carente e chorona. — Ariana disse, suas palavras


entrando em seus pensamentos. — Estava sempre chorando e
implorando atenção.

— Sua? — Perguntou Kit, agora virando-se para encará-la.

Então ela olhou para ele, sua boca se desviando um pouco, como se
o tom a pegasse desprevenida. Ariana era mais um incômodo do que
qualquer coisa, mas se não tomasse cuidado com suas palavras, ele
estava disposto a agir sem pensar.

— Mesmo quando não estava me seguindo como um cachorrinho


perdido, ela era forçada a mim porque meu pai achava que devíamos nos
unir. — Revirou os olhos, como se a ideia fosse absurda. — Nós não
tínhamos nada em comum, ele pensava que o mundo era ela, dava a ela
qualquer coisa que quisesse, mas se eu pedisse algo tão pequeno como
um novo jeans, sempre criava problemas.

Problemas com o papai.

Fazia sentido.

— Parece terrível. — Disse Kit secamente.

Ariana estudou suas unhas.

— No final, porém, ela teve o que merecia. Eu sempre venço.

As palavras fizeram Kit ficar alerta, mas teve o cuidado de não


mostrar. Era compreensível porque Carmen era o alvo principal, mas
Ariana estava ligada a ela.
DEN OF MERCENARIES #4

Nunca foi sobre ela, mas agora Kit estava curioso sobre o quanto
sabia sobre a decisão de dar Luna a Uilleam, em primeiro lugar.

— Quer beber algo? — Kit perguntou de repente, gesticulando para


o bar do outro lado da sala.

— Não me importa se o fizer.

Ao passar, serviu um copo com vodca, colocando muito balanço em


seus quadris enquanto caminhava.

— O que você conhece do acordo da sua mãe com Kingmaker?

Ariana engoliu forte.

— Ninguém sabe sobre isso.

— Mas eu sei, então me conte.

Com os olhos no copo em sua mão, Ariana encolheu os ombros.

— Ele poderia dar-lhe... isso, mas teria que lhe entregar uma de nós.
Obviamente, deveria ser minha irmã, eu era a mais velha e estava
disposta a fazer o que ela quisesse. Luna nunca foi assim.

— E isso justificou sua morte? — Kit perguntou, sua voz tensa


enquanto resistia ao impulso de procurar uma faca.

Quão fácil seria cortar sua carótida antes que ela pudesse pensar
em salvar-se.

— Melhor ela do que eu. — Disse, terminando a bebida. — Ela não


perdeu, asseguro-lhe.
DEN OF MERCENARIES #4

— Acha mesmo?

Ela arrastou os dedos pela garganta, puxando suavemente as


bordas do casaco.

— Definitivamente.

— Você considera isso um jogo? — Perguntou Kit antes que ela


pudesse chegar longe demais, embora já conhecesse sua resposta.

Isso, tudo isso, era apenas um jogo para ela, algo que estava
tentando ganhar, não o assassinato ou a tentativa de assassinato, como
nada além de uma oportunidade.

Esse era o seu maior problema com Uilleam.

Muitas vezes, ele manipulava vidas como achava conveniente,


jogando o jogo, como sempre dizia.

— O que você quer dizer? Eu não disse...

— Disse que ela teve o que mereceu, não? — Perguntou Kit. — Que
você ganhou. Deve pensar que é um jogo.

Ainda de pé, caminhou até ela, perto o suficiente para ver a


ansiedade em seu rosto.

— Mas diga-me, quem ganhou realmente? Talvez seja a irmã cuja


vida foi poupada de ser oferecida por sua mãe.

Suas bochechas ficaram vermelhas, Ariana ergueu mais alto a


cabeça, como se quisesse parecer mais alta do que ele.
DEN OF MERCENARIES #4

— Eu tenho tudo o que poderia querer.

— Você? Apenas vejo uma concha de uma mulher se prostituindo


para agradar a mãe. Para quantos homens abriu suas pernas em uma
tentativa de obter mais força para sua mãe? Aposto que sequer queria se
casar com Agustín, não é? Ela não pode esperar para oferecê-la, alguém
que significava tão pouco para ela, alguém que sabia que nunca amaria,
que poderia até mesmo matar, se desejasse. — Kit balançou a cabeça
para ela. — Patético.

A excitação que era tão aparente em seus olhos desapareceu quando


olhou para ele. O ódio que ela sentia, não apenas por ele naquele
momento, mas também pela mãe, apareceu.

— Foda-se.

— Mas é isso que você quer, não é? Eu poderia dizer-lhe para ficar
de joelhos agora mesmo e cairia como uma cadela no cio. Tudo por causa
de sua mãe, a mulher que você parece admirar tanto, que a treinou,
assim como treinou as garotas que traficava. Poderia até sentir alguma
simpatia por você, mas não posso. Quer saber por quê?

Ariana flexionou a mandíbula, mas perguntou com raiva:

— Por quê?

— Porque você é uma puta e não consigo suportar olhá-la.

Ele ficou impassível quando ela se encolheu e pensou que se


pudesse bater nele e não haver nenhuma consequência, poderia ter feito
isso.
DEN OF MERCENARIES #4

— Agora, corra para casa para seu noivo.

— Ele não está em casa. — Disse ela, como se isso significasse algo
para ele. — Está fora com outra pessoa.

Kit sequer piscou.

— Você precisa que chame um carro?

Tentando manter o pouco orgulho que tinha, Ariana se levantou,


alisando a frente de seu casaco.

— Eu garantirei que se arrependa disso.

— Aguardo suas tentativas, mas saiba algo, Ariana, no momento em


que você me ameaçar, acabarei com sua vida.

Seus lábios pressionaram em uma linha fina, Ariana saiu sem mais
uma palavra, deixando Kit se perguntar com quem Agustín saiu.

Finalmente, sua curiosidade conseguiu o melhor dele e enviou seus


homens para descobrir com quem Agustín se envolveu romanticamente
quando deveria manter o nariz limpo até que as negociações com Carmen
estivessem completas.

Todos sabiam que Agustín não tinha interesse em Ariana, cada um


deles era especialista em fingir.
DEN OF MERCENARIES #4

Kit era o melhor deles, mas nenhuma vez, na meia hora que levou
para conseguir as informações que procurava, imaginou que a mulher
com que Agustín estivesse fosse Luna.

Sua maldita esposa.

Levantando da cama, Kit saiu silenciosamente do quarto, para pegar


uma bebida. Neste ritmo beberia até ficar em coma.

No grande esquema das coisas, não deveria ter mais importância,


deveria ficar satisfeito após as horas que passou, fazendo-a implorar,
clamar e gritar. Enquanto seu humor melhorou depois que a deixou
esgotada, durou pouco, rapidamente a realidade da questão se ergueu
novamente.

No segundo que soube que era Luna naquele restaurante, entrou


em contato com sua fonte ali e apenas ver o vídeo de vigilância fez sua
raiva aumentar. Precisou resistir ao desejo de torcer seu bonito pescoço.

Ela jogava com emoções perigosas e depois de estar com ela, de ouvir
a verdade de seus lábios, entendeu que esta era sua intenção o tempo
todo.

Luna queria sua atenção.

Queria que ele reagisse.

Então, ele reagiu.

Mesmo quando ela não queria e fez o melhor para empurrá-lo,


nunca houve uma parte dele que não a quisesse. Ela era dele.

Não demonstrou isso?


DEN OF MERCENARIES #4

Não demonstrou o peso de sua tristeza, não fez tudo ao seu alcance
para pedir perdão?

Alguma coisa se perdeu no que demonstrava?

Agarrou o copo tão forte que temendo quebrá-lo, Kit colocou-o na


mesa e voltou para o quarto, tentando acalmar-se.

Encontrando sua calça no chão, procurou nos bolsos até encontrar


seu telefone, o brilho da tela iluminando a sala e a bolsa de Luna
abandonada no chão.

Ela estava muito concentrada nele para se preocupar em guardá-la


e tudo o que estava dentro se espalhou.

Ele se agachou, juntando tudo, deixando cair sobre a cômoda, até


chegar aos papéis cuidadosamente dobrados.

Kit não era um homem de bisbilhotar, preferiria ouvir tudo de seus


próprios lábios, mas com o humor que estava, não pensou antes de
desdobrá-los e examiná-los.

Sua mãe sempre o ensinou a nunca procurar o que não era oferecido
livremente, para não descobrir o que não queria.

Enquanto seus dedos vasculhavam aquelas páginas, desejou nunca


ter olhado.
DEN OF MERCENARIES #4

Pela primeira vez em semanas, quando Luna acordou, não ficou feliz
por estar sozinha.

Kit se foi em alguma hora da noite, seu lado da cama estava frio e
se não fosse pelo cheiro dele que ficou nos lençóis, teria pensado que
nunca esteve lá.

Havia uma quietude na casa ao redor dela que a fazia perceber que
Kit não apenas saiu, como nem sequer se despediu, antes de se
separarem. Esse fato talvez não a teria preocupado, mas depois da noite
passada... ele estava tão irritado com ela e não foi tímido em dizer.

Mais do que tudo, sentia essa dor com mais intensidade do que
sentiu qualquer outra coisa. Dando um último olhar para o lado vazio,
Luna jogou os lençóis enquanto caminhava para tomar banho.

Hoje não era como os outros dias.

Não havia nada por trás do que aconteceria hoje, nada que causasse
uma reação.

Uma parte dela sempre se perguntou se conspirar contra sua irmã


a tornava uma pessoa ruim. Mesmo quando pensava no relacionamento
entre elas, ainda não podia ver nada que terrível.
DEN OF MERCENARIES #4

Claro, podia ser um pouco demais às vezes ou até mesmo chorona


ocasionalmente, mas o que Luna planejava fazer com ela... era difícil
comparar os dois.

Luna voltou ao quarto quando notou os papéis na cômoda, dobrados


cuidadosamente ao meio.

Com uma mão segurando a frente de sua toalha, usou a outra para
virar as páginas para ver o que eram.

Os papéis de divórcio.

Seu coração quase parou ao vê-los.

Kit nunca deveria encontrá-los.

Um ano atrás, quando não viu uma solução e a única coisa que
queria mais do que vingança contra Carmen era se afastar de Kit,
encontrou alguém disposto a elaborar os papéis para ela.

Apenas mencionar o nome dele, fazia um bom número de pessoas


correrem antes que pudesse até dizer o que queria, o que apenas a
aborreceu.

Mas encontrou alguém e sentiu-se vitoriosa, como se estivesse perto


de conseguir o que queria, mas depois de passar uma noite pensando
nesses papéis, de terminar permanentemente tudo entre ela e Kit, não
sentiu nenhuma felicidade com o pensamento.

Esse pensamento doía.

Ela não queria perdê-lo, o amava.


DEN OF MERCENARIES #4

Então essas páginas foram abandonadas em uma bolsa em algum


lugar e não percebeu que estava naquela bolsa. Passando as páginas,
Luna fechou os olhos, a única coisa que queria fazer era se preocupar
com o que Kit poderia pensar, mas tinha um trabalho a fazer e estava na
hora.

Era o que diria, pelo menos.

O dever vinha primeiro, sempre.

Mas depois ligaria para ele, embora não tivesse a menor ideia do que
dizer.

Sinto muito, você encontrou os papéis do divórcio?

Eles não são o que você pensa...

Ambas as desculpas soavam assim... desculpas. Nem seria algo que


gostaria de ouvir se a situação fosse inversa.

Vestindo-se rapidamente, Luna puxou o cabelo para trás em um


rabo de cavalo e pegou suas chaves, saiu pela porta, guiando seu carro
pela cidade até o loft no centro, onde The Wild Bunch estava hospedado.

Em vez de quatro motos, havia cinco estacionadas ao longo da


calçada, uma para ela, pensou.

Era a coisa mais fácil sobre eles, Luna descobriu, estavam sempre
juntos. Onde um se encontrava, o restante geralmente estava.

Luna tocou a campainha, esperando que o bloqueio se abrisse antes


de entrar, seguindo os sons da música rock até a parte de trás do sótão,
encontrou três dos quatro homens que procurava.
DEN OF MERCENARIES #4

Thanatos e Invictus estavam sentados em uma ampla seção,


controles em suas mãos enquanto jogavam Call of Duty: Black Ops II em
uma televisão gigante montada na parede. Seus olhos mal se levantaram,
embora ofereceram sorrisos e um aceno antes de voltar para o jogo.

A visão deles relaxados poderia dar a impressão que nada


importante estava em marcha, suas máscaras descansando na mesa na
frente deles.

Tăcut estava sozinho na cozinha, olhando por cima de um conjunto


de planos e esquemas de segurança com uma lata de Sprite em uma mão
e uma caneta na outra.

Ela não conseguia ver o que estava marcando até se aproximar e ter
uma visão mais clara do que estava estudando.

— Eu pensei que tivesse avaliado estes já. — Ela disse quando ficou
ao seu lado, seu olhar percorrendo os planos colocados na frente deles.

Cada ponto de entrada foi marcado e as posições onde a segurança


normalmente ficava foram indicadas com um círculo vermelho.

Luna conhecia o layout e estudou os planos tanto quanto Tăcut nas


últimas duas noites.

E graças a reconfiguração de Skorpion, até conseguiram imagens de


vídeo do interior da loja e a localização de cada câmera de segurança.

Tăcut assentiu, indicando que olhava as impressões, mas bateu em


um ponto na entrada da frente da loja, onde marcou o local com um ponto
de interrogação.
DEN OF MERCENARIES #4

— O que é isso? — Ela perguntou, embora a resposta a atingisse


antes que pudesse escrever sua resposta. — Um cofre?

Ele assentiu novamente.

— Por que porra ela teria um no meio do chão?

Não fazia sentido.

E se ela não tivesse um no escritório, além de outro cofre no interior,


Luna talvez não pensaria que fosse estranho, mas o que Ariana precisava
manter lá que não podia ficar escondido em seu escritório.

Talvez essa fosse a ideia...

— Talvez o cofre em seu escritório seja um chamariz. — Disse Luna,


olhando do diagrama para Tăcut. — Talvez o material importante seja
mantido aqui, em vez de em seu escritório, porque esse seria o primeiro
lugar onde alguém olharia.

Tăcut pareceu considerar isso um momento antes de assentir,


concordando com seu ponto.

— Isso é um problema, não? — Fang perguntou enquanto


caminhava, puxando uma camiseta preta cujas mangas moldaram seus
braços, quando o tecido caiu no lugar, escondeu a miríade de cicatrizes
que atravessavam o abdômen e as costas.

— Os cofres no chão são notoriamente difíceis de entrar.

— Pelo contrário... conheço alguém que pode ser de ajuda. —


Avançando para o lado, Luna pegou o telefone e ligou para Celt. — Eu
preciso de seu conhecimento. — Disse, quando ele atendeu.
DEN OF MERCENARIES #4

— Que porra está fazendo? — Veio sua resposta jovial. — E por que
não estou envolvido?

Celt vivia para encontrar novas formas de quebrar cofres e entrar


em instalações de alta segurança apenas para provar que podia.

Um cofre de chão não seria nada para ele... especialmente porque o


viu abrir um rapidamente semanas atrás.

— Nós temos outro serviço em alguns dias, preciso de você para


mais esse. — Luna sorriu. — Além disso, aquele era muito fácil.

— Bajulação a levará longe. — Respondeu Celt com uma risada. —


Vamos, me diga o que precisa.

Ela deu-lhe tudo o que pode, passando a escala do cofre e dos


planos.

— Duas opções. Primeiro, você pode torturar quem tem a


combinação, fácil e limpo se fizer isso direito ou pode fazer o que gosto e
explodir um pouco.

— Conte-me mais sobre o segundo.

— Você precisará de uma pequena carga, suficiente para atravessar


a porta, mas não o suficiente para destruir tudo dentro. Quanto c4 você
tem?

Foi Fang quem respondeu.

— O suficiente para nivelar um país pequeno.

A resposta de Celt foi menos amigável.


DEN OF MERCENARIES #4

— Quem porra é esse?

— Fang, você o encontrará quando chegar aqui.

— Kingmaker?

— Nix. — Respondeu Luna, sabendo o que ele estava perguntando.

— Seu marido tem sua própria equipe? Maldito inferno, tem mais?

Luna não se incomodou em tentar segurar a risada.

— Diga-nos como quebrar isso.

Celt explicou com exagerados detalhes sobre como fazer, a


quantidade de C4, onde conectá-lo e a distância a partir da qual seria
necessário para garantir que não se ferissem no processo.

— Avise como foi, certo?

— Ok.

Luna terminou a ligação, guardando seu telefone enquanto olhava


para Fang e Tăcut.

— Isso é tudo o que precisamos?

Fang prendeu seu colete no lugar.

— Mais que suficiente.

Thanatos se aproximou, com Invictus atrás dele, com um sorriso


torto e o cabelo loiro escuro, que prendeu por trás da máscara quase
DEN OF MERCENARIES #4

idêntica àquelas que ele e o restante do The Wild Bunch usavam.

— Hora de rodar.

A boutique Ariana Diamond estava localizada em uma área


altamente povoada, uma com uma clientela que tinha salários de seis
dígitos, lojas pitorescas de alto nível situadas em ambos os lados, não era
apenas a segurança do cartel com que precisavam se preocupar.

Mas como era início da manhã, haveria muito pouco dano colateral,
apenas algumas pessoas estariam realmente comprando a essa hora e a
segurança estava reduzida ao mínimo.

Skorpion entrou primeiro, examinando as joias das vitrines,


encantando a mulher que veio ajudá-lo a escolher.

Luna seguiu atrás, The Wild Bunch nos calcanhares, colocando a


máscara no lugar, certificando-se de que estivesse tão coberta quanto
podia. Com a enorme quantidade de material que usava, seria muito
difícil dizer se era do sexo masculino ou feminino, mesmo que fosse vários
centímetros mais baixa que os outros. Fang colocou os dedos na porta,
olhando para eles. Sua expressão ilegível com a máscara no lugar, mas
Luna sabia sem precisar ver.

Era isso.
DEN OF MERCENARIES #4

Movendo o rifle em suas mãos, ela assentiu com a cabeça uma vez.

Estava pronta. Fang verificou a exibição eletrônica em sua


braçadeira uma última vez, olhando a contagem dos segundos
decrescendo antes de uma mudança quase física vir sobre ele. Passou de
brincalhão e solto até quase robótico em seu movimento.

Quando o relógio atingiu zero, ele ligou uma pequena carga ao


bloqueio e deu um passo para trás.

Segurando uma mão, contou a partir de cinco e com a segunda mão


fez um punho. Explodiu, soprando pedaços de metal e de madeira
quando a porta se abriu.

Rifles a postos, The Wild Bunch entrou.

Antes de entrar completamente no corredor, um guarda de


segurança virou o corredor, sua mão já estava na arma, antes que
pudesse pensar em pedir apoio, Tăcut acertou dois tiros em seu peito.

Luna poderia ter se sentido mal pelo homem se não tivesse lido o
arquivo dele ao estudar a melhor maneira de atingir este lugar.
Divorciado porque gostava de acertar sua esposa com os punhos ou ex-
esposa, a mulher partiu antes que a tinta estivesse seca.

Não, Luna não sentia muita pena dele.

Ao passar o corredor, The Wild Bunch moveu-se de forma


sincronizada à medida que rapidamente e metodicamente eliminavam o
resto dos guardas, mas os guardas foram fáceis. Enquanto eram lentos
para revidar, os homens de Ariana não hesitaram.
DEN OF MERCENARIES #4

Um gritou em espanhol, disparando rodadas que fizeram fragmentos


de vidro explodir atrás de Luna, mas antes que pudesse atingir qualquer
um deles, Thanatos o matou.

— Você tem alguma ideia de quem está roubando? — Perguntou


uma vez que Tăcut o desarmou e o colocou de joelhos.

Tăcut simplesmente inclinou a cabeça para o lado antes de remover


um par de braçadeiras do bolso e amarrar o homem.

Puxando um pequeno receptor do bolso, Fang apertou um botão e


baixou o dispositivo, uma voz eletrônica chamando aos gritos.

— Deitem-se no chão e coloquem suas mãos sobre sua cabeça.


Cooperem e ninguém será prejudicado.

Ele repetiu a mensagem repetidamente, uma a uma, cada pessoa


dentro da loja fez como a gravação instruiu o mais rápido possível.

Exceto Skorpion, que aproveitava seu tempo no cofre do chão e não


podia se preocupar em sentir medo.

Thanatos e Invictus desapareceram na parte de trás enquanto Fang


e Tăcut se moviam pelo corredor em direção ao cofre no chão.

Celt explicou com muitos detalhes como entrar em um, Luna já o


viu fazer aquilo uma vez antes em uma casa nas Montanhas e apesar da
maioria do que ele disse não fazer sentido para ela, Fang entendeu bem
o suficiente para replicar o processo.

Houve um grito de surpresa em algum lugar nas suas costas, o grito


assustado de uma mulher e depois dois tiros.
DEN OF MERCENARIES #4

O coração de Luna pulou uma batida.

Ela não deveria estar aqui...

Tantas vezes repassaram o horário de Ariana, observando todos os


detalhes, a única coisa que sempre observaram era que ela nunca ia à
loja na terça-feira, era o dia em que ia às compras e gastava uma pequena
fortuna.

Claro, formaram um plano no caso dela aparecer e Luna não estava


preocupada que o plano falhasse de forma alguma, mas quando Thanatos
arrastou Ariana para o piso principal, não tão gentilmente, lembrou-se
que era a primeira vez que via sua irmã tão perto em anos.

No teatro, ela atravessou o camarote, uma estranha na multidão,


mas agora, quando foi forçada a ficar de joelhos na frente de Luna,
olhando-a com hostilidade aberta, não era mais uma lembrança distante.

— Você não sabe com quem está mexendo! — Ariana disse para ela,
sem parecer minimamente incomodada pelo rifle que Luna apontava para
seu rosto.

Luna ficou tentada a responder, caralho, tão tentada, mas não falou.
Em breve, explicaria tudo.

O chão abalou quando o cofre explodiu e Ariana esqueceu toda sua


raiva e seu rosto se transformou com o medo.

— Parem. — Antes de poder mover um centímetro, Luna apertou


uma mão no ombro dela, forçando-a permanecer no lugar.
DEN OF MERCENARIES #4

Havia uma caixa dentro, uma que sabiam conter tudo pelo estavam
ali. Abrindo a tampa, Fang removeu as pastas que precisavam,
colocando-as em seu colete.

Era hora de sair.

Recuando, saíram de costas, levando o gravador com eles, mantendo


suas armas engatilhadas e mirando em todos os que ainda estavam no
chão.

Ninguém ousou se mexer, nem sequer olhavam.

Montando sua motocicleta, Luna esperou o assentimento de Fang


antes de decolar, voltando para casa segura que alugaram. Enquanto
pilotava, ouviu as distantes sirenes da polícia que se aproximavam e
olhou para o relógio.

Sentia-se como se durou uma eternidade, apenas de ser apenas


alguns minutos.

— Então me ajude. E se alguém não me der respostas, eu terei a


cabeça de vocês.

Dizer que Carmen não estava lidando bem com a notícia da invasão
na loja de diamantes de Ariana, era um eufemismo, mas ela mantinha as
DEN OF MERCENARIES #4

aparências, pelo menos até que lhe disseram que nada foi roubado.

Pelo menos nada que esperavam ser roubado, mas Kit sabia a
verdade. Todas as joias e diamantes foram deixados no lugar, mesmo
quando as vitrines foram quebradas e destruídas, nem mesmo o dinheiro
da caixa registradora foi tocado.

Para polícia, pareceria uma tentativa de roubo e nada mais, também


para Carmen, pelo menos por um tempo. Foi por isso que Kit se certificou
de que Carmen não soubesse o que aconteceu com Ariana até que foi
levada para a delegacia de polícia para interrogatório.

Claro, o interrogatório poderia ter sido feito na loja, era o que o


protocolo normalmente exigia, mas Kit tinha um homem no
departamento que convenceu Ariana a ir até a delegacia.

Tudo estava indo de acordo com o plano e Kit deveria estar satisfeito,
mas a única coisa em que podia pensar era nos documentos de divórcio
que encontrou e as implicações por trás deles.

Ele entendeu errado?

Ela já decidiu?

Kit pensou que ficaria louco pensando nisso.

— Nix! — Carmen chamou, olhando para ele quando percebeu que


não estava ouvindo.

— Não tenho certeza do que quer que eu diga. — Respondeu Kit. —


Nada foi roubado da loja.
DEN OF MERCENARIES #4

— Então, que porra foi tudo aquilo? — Ela perguntou, levantando


as mãos enquanto fazia um buraco no tapete. — E se não foi pelas joias,
então, o quê?

— Não tenho certeza. — Disse Kit, jogando o jogo. — O que sua filha
poderia ter que uma equipe organizada desejaria? Nada sobre o negócio,
certamente. Você não poderia ser tão estúpida para confiar qualquer
coisa a essa sua filha.

Carmen pareceu furiosa por um momento, pelo menos até que


percebeu sobre o que ele estava falando. Olhando em seus olhos, viu o
momento em que ela percebeu o que foi levado. Com esse conhecimento,
seu humor piorou.

Kit segurava um copo de conhaque em uma mão enquanto olhava


para mulher que desprezava.

— O que era? O que levaram?

Carmen abriu a boca para responder, mas antes de falar uma


palavra, olhou para os homens que estavam silenciosamente na sala e
então acenou para porta.

— Saiam.

Kit assistiu, impassível, enquanto todos se retiraram.

— Continue. O que você está escondendo?

— Ninguém deveria saber...

— Vamos pular o drama e você me diz o que quero saber.


DEN OF MERCENARIES #4

Carmen apertou os dentes, mas reteve o que queria dizer e disse-lhe


o que precisava saber.

— Eu precisava de informações sobre meus fornecedores, não


gostava da ideia de ter mais informações sobre mim do que eu tinha deles.

— O que você tem?

— Rotas de expedição, os que lavam seu dinheiro e alguns dos


edifícios que usam na costa. Apenas alguns detalhes que poderiam
incriminá-los, mas ninguém sabia que os tinha.

— Não é verdade, certo? — Disse Kit, tomando um gole do copo para


esconder o sorriso. — Alguém descobriu o que estava fazendo.

Ele não se incomodaria em mencionar que o alguém era ele.

Carmen pareceu preocupada por um momento antes de dar um


tremor brusco de sua cabeça.

— Não importa, não havia informações suficientes para dar aos


ladrões algo de valor.

— Esperemos que sim. — Disse Kit rispidamente.

— Chega disso. O que a polícia sabe?

— Atualmente não há respostas, mas tenho certeza de que a polícia


as terá em breve.

Isso ganhou uma careta dela. Embora houvesse muitos bons


policiais, a polícia era extremamente incompetente em comparação com
o que Kit poderia encontrar na metade do tempo.
DEN OF MERCENARIES #4

— Onde está minha filha? — Carmem perguntou com grosseria,


chamando sua segurança de volta.

Ela olhou para o chefe da segurança, esperando que respondesse a


sua pergunta, mas ele não sabia o que ela perguntou.

— Bem! Onde ela está?

Ele rapidamente entendeu, mas não tinha as respostas, sua boca


ficou aberta, a resposta escapando dele, o homem não se moveu até que
lhe disseram para fazê-lo. Como Carmen poderia pensar que ele teria
alguma resposta, estava além de Kit.

— Está na delegacia. — Disse Kit, poupando ao homem de mais


constrangimento. — Tenho certeza que depois de terminarem com ela,
saberemos.

Carmen estreitou os olhos para ele, sua frustração aumentando.

— E por que você não está lá? A única coisa em que parece bom é
ficar sentado sem fazer nada.

Kit arqueou uma sobrancelha.

— Eu não consigo ver por que precisaria estar lá. Abomino


delegacias de polícia e seria um advogado horrível.

— Você deveria estar lá, porque eu digo que deveria. Trabalha para
mim. É claro que precisa se lembrar do seu lugar.

— Vamos ser honestos, sim? Eu trabalhava para seu marido e visto


que você se livrou dele, agora trabalho para Elias, mas isso não precisava
ser dito. Você não é tola, apesar de parecer.
DEN OF MERCENARIES #4

A surpresa passou por todos os rostos da sala, mas Carmen foi a


primeira a ficar com raiva. Ninguém falou com ela.

A maioria tinha muito medo de irritar seu marido, mas agora que
ele foi embora, a maioria estava preocupada de que, em um ataque de
raiva, ela os mataria apenas porque estava com vontade.

Kit odiava os falsos tiranos.

Sua resposta a deixou muda e sua surpresa com sua audácia era
flagrante em seu rosto, mas uma vez que ela a processou, foi para ele,
levantando a mão como se quisesse golpeá-lo.

Mas antes que a palma de sua mão pudesse entrar em contato com
seu rosto, Kit agarrou seu pulso centímetros antes de bater, ainda
segurando sua bebida com a outra mão.

Mantendo-a em espera, pousou o copo e olhou-a, sempre bancou o


soldado obediente, certificando-se de curvar-se a todos os seus caprichos
por mais de um ano para que ela nunca o questionasse, mas agora...
agora, estava farto de jogar.

— Você será sábia em manter suas mãos para si mesma. — Avisou,


apertando os ossos delicados do pulso até ela estremecer.

Ela tentou puxar seu braço, mas ele segurou, mantendo-a


exatamente onde queria.

— Estamos entendidos?
DEN OF MERCENARIES #4

Relutantemente e apesar de seus olhos gritarem assassinato, ela


deu um pequeno aceno de cabeça. Satisfeito, finalmente a soltou.

Carmen recuou, sem afastar os olhos dele, mas não falou mais nada
quando girou e saiu da sala, a segurança seguindo atrás.

— Você tem certeza de que foi uma boa ideia? — Perguntou Aidra,
olhando para ele da porta pela qual Carmem acabou de sair.

— Não importa, verdade? — Disse Kit, soando resignado. — Está


prestes a terminar muito em breve.

Aidra fez um som na parte de trás da garganta.

— Desembucha.

Ela franziu a testa para o tom dele.

— Estamos de mau humor, verdade?

Kit se serviu de outra bebida.

— Possivelmente.

— Você gostaria de compartilhar ou devo deixá-lo com isso? É


exaustivo quando está em um dos seus estados de espírito.

— Luna tinha os papéis de divórcio.

E se esperava surpresa ou pena de Aidra, não obteve nenhuma.

— Que parte de estou deixando você e nunca mais quero vê-lo


novamente, você não entendeu? Eu ficaria mais surpresa se ela não
tivesse nenhum, então para que tudo isso teria acontecido?
DEN OF MERCENARIES #4

— Isso pode ser uma surpresa para você, mas sua resposta não é
útil.

— Pode não ser o que quer ouvir, mas é a verdade mesmo assim.

Kit suspirou, esfregando uma mão pelo rosto.

— Isso já se tornou cansativo, preferia muito mais a maneira como


a Sociedade Lotus tratava as coisas, era muito mais claro, nós tínhamos
um alvo, o neutralizávamos e íamos para casa. Acho que não tenho
paciência para isso.

Arrancando o copo de sua mão, tomou um gole de sua bebida antes


de apertar o nariz com o sabor.

— Não se trata de quão rápido você faz o trabalho e sim no jogo final
no qual precisa se concentrar.

Kit sorriu distraidamente, recordando vagamente ter lhe dito algo


semelhante anos atrás.

— E qual é o meu final, Aidra?

— Luna, obviamente. Todo mundo tem suas razões para isso, mas
o seu é simplesmente recuperar sua esposa. O que é terrivelmente
romântico, é quase como uma forma elaborada de cortejar.

Kit riu.

— É isso que acha? Não consigo recuperar algo que já perdi, Aidra.
Você sabe disso.

Ela passou sua bebida de volta.


DEN OF MERCENARIES #4

— Apesar de quão grande e ruim você acha que é, Nix, Luna não
tem medo de você, se ela realmente quisesse se divorciar, não teria feito
isso já?

— Eu vi os papéis. — Ele a lembrou.

— E sua assinatura?

Kit ficou em silêncio.

— Ela tinha que assiná-los, não? Para você estar agindo como se o
seu mundo acabasse.

— E se ela os assinou é imaterial.

— Vê o que quero dizer? Exaustivo. Nada do que disser irá convencê-


lo, então não sei por que está pedindo minha opinião. Por que você não
vai falar com Luna?

— Agora não é...

— Agora não é um bom momento? É isso que está prestes a dizer?


Porque tenho certeza de que você, mestre assassino e irmão do homem
que é famoso por se mover sem ser visto, consegue ter um momento
privado com sua esposa sem que ninguém perceba. — Ela deu um
tapinha em seu joelho, como se ela fosse sua professora e não ao
contrário.

— Obrigado por sua contribuição.

Ela respondeu.

— Eu vivo para servir.


DEN OF MERCENARIES #4

— O que eu faria sem você, Aidra? — Perguntou genuinamente.

— Você falharia e queimaria, Nix. Agora, preciso fazer o check-in


com Fang e os rapazes. Certifique-se de ter uma atualização antes dos
eventos de amanhã.

Aidra se foi deixando Kit olhando para ela até que a porta se fechou
e ficou sozinho mais uma vez.

Ele não teria muito tempo para afastá-la da Califórnia, passar um


tempo as sós para que pudesse obter as respostas que procurava.

Elias tinha olhos nele, mas Carmen provavelmente estava fazendo


planos contra ele no momento e teria tempo suficiente para escapar sem
que percebesse.

Primeiro, tinha algumas ligações para fazer.


DEN OF MERCENARIES #4

No momento que chegou em casa e sentiu uma presença no bangalô,


não se surpreendeu por Kit estar lá como da última vez. Mas quando
sentiu uma corrente quase elétrica passar por ela, apenas sentiu medo.

Ela não queria nada mais do que saber o que ele queria, mas tinha
medo de não gostar.

Deixando cair a bolsa pela porta, Luna mal podia respirar quando
Kit saiu da cozinha e passou por ela. Ele praticamente morava em um
terno de três peças, o viu vestir um nas margens arenosas de uma praia
em Bora Bora, mas esta noite ele optou por jeans e uma camiseta cinza
que fazia coisas maravilhosas para seus olhos.

Ao vê-lo agora, ele parecia mais jovem.

Estava perto o suficiente para que se esticasse, assim poderia tocá-


lo, tocar no tecido macio de sua camiseta, chegar mais perto até sentir
seu calor.

— Você quer saber como foi o trabalho? — Perguntou Luna. — É por


isso que está aqui?

Kit não respondeu, não imediatamente. Seus olhos apenas


observaram o rosto dela por vários batimentos cardíacos antes dele
perguntar:
DEN OF MERCENARIES #4

— Você faria uma viagem comigo?

Como ela poderia dizer que não?

Ele não segurou sua mão como costumava fazer, nem colocou a mão
na parte inferior de suas costas quando a levou para fora da casa. A
distância entre eles nunca pareceu maior.

Nem falou outra palavra, mesmo depois de subir em seu Bugatti.

Além do baixo zumbido do motor e do vento que chicoteava fora das


janelas, eles viajaram em silêncio.

Um jato estava esperando por eles na pista de pouso em que


entraram, as luzes interiores brilhando nas muitas janelas.

Embora ele ainda não a tocasse, Kit apareceu para abrir a porta e
dessa vez, caminhou atrás dela quando embarcaram no avião. Ele parou
para passar um envelope para o piloto e ter uma breve conversa.

Luna pegou um dos assentos junto à janela, colocando o cinto de


segurança, recusando-se em olhar Kit enquanto ele fazia o mesmo. Ela
estava começando a suspeitar que eles não iriam conversar até que a luz
do cinto de segurança se apagou e Kit gesticulou para que ela o seguisse
até o quarto na parte traseira do jato.

Ela ficou junto à porta, esperando que ele fosse até a cama, mas não
o fez, simplesmente fechou a porta e ficou ao seu lado.

Esta era sempre a parte que ela odiava. Quando a observava sem
dizer nada e cada contração que fazia era analisada e dissecada.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você quer me dizer onde está me levando? — Perguntou Luna,


precisando romper o silêncio.

— Você quer o divórcio? — Ele perguntou, sua voz tão sem emoção
quanto a dela.

Seu olhar se afastou de onde estava descansando na coluna forte de


sua garganta para encontrar seus olhos.

— Kit.

— É uma pergunta simples. — Disse ele.

— Nunca é tão simples.

— Você quer o divórcio? Sim ou não?

Luna cruzou os braços em seu peito.

— Você vai me bater novamente se não gostar da minha resposta?

Apesar de sua pergunta, ele permaneceu inalterado.

— Estou tentado.

— Não é assim que funciona.

— Então responda minha pergunta.

Luna lambeu os lábios, olhando para longe.

— Não mais. Eu quis em um ponto, mas não mais.

Essa resposta foi suficiente para drenar um pouco da tensão dele,


mas não todas.
DEN OF MERCENARIES #4

— Eu lhe daria qualquer coisa que você pedisse, mas nunca...

Ela riu sem humor.

— Ainda me surpreende que você pense que tem algum controle


sobre mim.

— Não se trata de ter controle sobre você, Luna. Simplesmente faria


tudo o que estivesse ao meu alcance para fazê-la querer ficar. Mais do
que tudo, é o que eu sempre quis.

— Você não acha que eu queria ficar? — Perguntou Luna. — E se


fosse você, ficaria?

Kit ficou em silêncio, mas essa era uma resposta tão grande quanto
usar palavras.

Não haveria nenhuma permanência ou saída para ele, se alguém


tivesse feito com ele o que fez com ela, eles estariam mortos.

— Então, por que estamos tendo essa conversa?

— Porque eu preciso saber o que você quer.

— Kit, você já sabe a resposta para isso.

— Eu sei?

— Bem, se eu quisesse o divórcio, já teria feito isso.

— Por que tirou a aliança?


DEN OF MERCENARIES #4

Ela não pode deixar de olhar para ele. Foi assim que a inflexão de
suas palavras mudou, como se isso fosse o que mais o machucava.

— Você entende que descobri que minha mãe queria me matar, mas
você, meu marido, que também prometeu ser sincero mentiu para mim?

E naquela época, ela o culpou por acabar com Lawrence Kendall,


que foi a parte mais imperdoável sobre isso.

— A única coisa que queria era sair e nunca mais voltar, mas como
eu disse, perdoei você por isso. — E de qualquer forma, não foi
inteiramente culpa dele.

— Então por que você não a colocou de volta?

Ela sabia que ele queria dizer a aliança, mas não tinha uma
resposta.

Felizmente, ele não pressionou quando ela não respondeu,


parecendo estar perdido em seus próprios pensamentos também.

Estava começando a sentir que estavam dando passos para trás em


vez de avançar.

Quando aterrissaram em Las Vegas, a única coisa que Luna queria


fazer era pegar um táxi para o condomínio, deitar na cama e ficar lá até
chegar a hora de voltar para Califórnia.

O passeio para a cidade foi silencioso e tenso, mas nem um terceiro


caminho no trajeto. Kit aproximou-se e colocou a mão em volta da coxa
dela. Apesar do jeito que ela se sentia, era reconfortante.
DEN OF MERCENARIES #4

As luzes cintilantes iluminavam a rua e se a lua não estivesse


estampada no céu noturno, poderia pensar que ainda era dia.

Entrando na garagem, Kit passou suas chaves, aproximando-se


para abrir a porta para ela, entrelaçando os dedos nos dela enquanto
seguia o caminho para dentro do lobby e até a mesa da recepcionista.

Luna abriu a boca, pronta para dizer à mulher de pé que já possuía


um lugar ali, mas não era em Luna que a mulher estava prestando
atenção.

— Sr. Runehart, peço desculpas por qualquer atraso. Nossa equipe


não esperava sua chegada até a semana seguinte.

— Você está brincando comigo. — Luna murmurou, seu olhar se


estreitando em Kit.

Seu mau humor desapareceu quando ele piscou para ela antes de
concentrar sua atenção na mulher.

— Está tudo bem. Apenas quero garantir que minha reserva com o
chef ainda esteja ok.

— Com certeza, senhor.

Ela deveria saber que era bom demais para ser verdade, que Kit não
ficou longe porque não conseguia encontrá-la, mas sim porque estava lhe
dando a ilusão de espaço.

— Eu darei um tiro no escuro e direi que você é dono desse prédio,


certo? — Perguntou calmamente, olhando em sua direção enquanto ela
estava ao lado dele no elevador.
DEN OF MERCENARIES #4

— Eu sou.

— E quando de repente começaram a oferecer café da manhã no


restaurante abaixo como parte do meu contrato de aluguel, foi você, não
foi?

— Você sempre gostou de tomar café da manhã.

— Você simplesmente não entende o conceito de espaço, verdade?


— Perguntou Luna, mas tanto quanto queria ficar irritada com ele, não
conseguiu.

— Você morou aqui sozinha por dezoito meses. Considero isso


espaço suficiente.

— Uh-huh. Uma última pergunta.

— Faça a pergunta que quer respondida.

— Você tem câmeras no meu apartamento?

Quando ele hesitou em responder, ela deu um tapa forte em seu


peito, depois fez uma segunda vez porque a fez se sentir melhor.

— Idiota.

— Eu dei o que você queria. — Disse ele.

— Não me espionando.

Ele olhou para ela.

— E de que outra forma eu saberia que você estava segura? Porque


se me aproximasse, se até mesmo ligasse, você mudaria seu
DEN OF MERCENARIES #4

número ou se mudaria completamente. Pelo menos assim, poderia


garantir que você estava segura enquanto me certificava de não me
manter afastado. É bastante cansativo tentar encontrar alguém que não
quer ser encontrada.

Mas ele sempre o fazia. Kit podia encontrar alguém quando colocava
sua mente nisso.

— E se isso faz você se sentir melhor. — Ele prosseguiu. — Eu nunca


estive em seu apartamento.

— Pelo menos isso.

Pegando sua chave, ela colocou na fechadura e abriu a porta,


passando primeiro antes que Kit seguisse.

Quando olhou ao redor, sentiu um pouco de vergonha, imaginando


o que estava pensando. Claro, ele já viu seu apartamento, mas estava
aqui, finalmente.

Um sorriso curvou seus lábios.

— Isso me lembra você.

— Onde estão suas câmeras? — Perguntou, ignorando as borboletas


que suas palavras inspiraram.

Ele apontou para o relógio grande na parede.

— Sala de estar. Há outra em seu quarto.

— Precisando ter certeza de que não estava trazendo ninguém para


casa?
DEN OF MERCENARIES #4

— Confio em você implicitamente.

— Você se esqueceu da outra noite?

Kit escolheu ignorar isso.

— E se estas câmeras estiveram aqui todo o tempo... você me


observou enquanto me masturbava?

Ela tinha a intenção de atrapalhá-lo com essa pergunta, fazê-lo


tropeçar, mas deveria saber que ele não sentiria nenhum
constrangimento ou vergonha pelo que fez.

— Você ficaria chateada se dissesse que essas noites eram minhas


favoritas?

Suas bochechas queimando com calor, Luna disse:

— Você é inacreditável.

— Vá se vestir. — Ele disse. — Precisamos sair em breve.

Luna piscou.

— Onde vamos?

— Um encontro.

Apesar de si mesma, ela sorriu.

— Você está me levando em um encontro, gatinho?

— E se me chamar assim novamente, irei espancá-la com um


chicote de equitação.
DEN OF MERCENARIES #4

Soltando-a ela deu um passo para trás.

— Isso é uma promessa?

— Não me tente, Luna.

— Tudo bem, eu vou, mas iremos rever isso.

Levou menos de uma hora para Luna tomar um banho e vestir-se,


um vestido preto com as costas expostas. Deixou o cabelo cair ao redor
de seus ombros em sua bagunça habitual e aplicou sua maquiagem em
tempo recorde.

Quando saiu do quarto usando sapatos de cetim com um arco


vermelho na parte de trás deles, Kit estava esperando por ela com uma
bebida na mão.

Ao vê-la, tomou o líquido escuro, aproximando-se com toda a graça


de um predador. Quaisquer dúvidas que teve em seu voo, pareceu ter
desaparecido.

Colocando um braço em sua cintura e o outro subindo pelos cabelos


para segurar sua nuca, Kit a arrastou para seus braços, roubando seu
fôlego enquanto seus lábios caíam sobre os dela.
DEN OF MERCENARIES #4

Por um momento, ela ficou suspensa no tempo, perdida em um


momento de sua própria criação.

Ele poderia machucá-la com as mãos.

Ele poderia machucá-la com suas palavras às vezes.

Mas seus lábios nunca mentiam, ele a beijava como se a amasse.

Todas as vezes. Não havia nada lento nem lânguido sobre a forma
como ele separava seus lábios, sua língua seguindo a forma deles antes
de mergulhar dentro.

Ele apenas tomava o que queria.

Seus dedos agarraram a frente de seu terno e ela o segurou. Suas


mãos doíam com quão forte segurava, mas não queria deixá-lo ir.

Finalmente, quando Kit se afastou tempo suficiente para respirar,


sua mão voltou para passar seu polegar pela bochecha.

— Você me faz esquecer.

— Bem, não quero que você se lembre agora.

— Prometi a você um encontro.

— Mas nós poderíamos ter toda a diversão do mundo aqui. Podemos


esquecer tudo. — Disse ela.

— Haverá muito tempo para isso depois. — Apesar de suas palavras,


ele não estava fazendo nenhuma jogada para impedi-la.

— Você não é engraçado.


DEN OF MERCENARIES #4

— Veremos se dirá isso mais tarde.

Luna resmungou uma resposta que sabia que ele não podia ouvir,
mas não tinha muita escolha senão segui-lo.

Apesar de morar no prédio por tanto tempo, Luna nunca entrou no


restaurante para jantar. Normalmente, ela pedia serviço de quarto ou
fora, mas nunca gostou muito de comer sozinha, a menos que estivesse
no conforto de sua própria casa.

Como seu restaurante em Nova Iorque, estava decorado com tons de


preto e branco, havia também a mesa do chef na cozinha, protegida pelo
vidro fosco. Uma garrafa de vinho não aberta já esperava por eles.

Kit abriu com facilidade derramando uma boa quantidade antes de


encher sua própria taça.

— Branco, já que sei o quanto você odeia o tinto.

Ele não apenas sabia sobre o encontro, mas obviamente obteve mais
informações sobre isso.

— Você tem um problema sério. — Mas ele estava certo, ela odiava
vinho tinto.

— Há quanto tempo está me perseguindo? — Perguntou Luna,


olhando para o restaurante.

Normalmente, este lugar estava cheio sempre que passava, mas hoje
à noite, muito poucas pessoas jantavam. Kit fez isso?

— Mais frequentemente do que não.


DEN OF MERCENARIES #4

— Querer espaço parece ser um conceito estranho para você.

Mas por que ficava encantada com a ideia? Era suposto estar com
raiva.

— Quando se trata de você, sim. Deveria agradecer a Aidra por ter


impedido Fang e Tăcut de buscá-la.

Estreitando os olhos nele, esse charme rapidamente se dissipou.

— Você com certeza faria Fang e Tăcut brigarem.

— Eu os avisei sobre isso, sim, mas Tăcut o teria deixado ileso. Ele
ensinou tudo o que conhece.

Grande e silencioso bastardo.

— Então? Eu seria sua prisioneira até perdoá-lo?

— Prisioneira é um termo tão feio.

— Isso é o que você faria? Não pode me sequestrar apenas porque


não queria estar com você, Kit! Isso não está certo.

— Então não deveria ficar irritada com a vigilância, porque


considerei uma alternativa pior.

— Você é impossível.

Um garçom vestido todo de preto, apareceu para entregar a comida,


embora eles ainda não tivessem feito o pedido.
DEN OF MERCENARIES #4

— Escolha do Chef. — Kit explicou, balançando a cabeça para o


homem com o casaco branco que olhava da cozinha como um falcão.

E se perguntado mais tarde, Luna não se lembraria do que comeu,


apenas que tudo empalideceu em comparação a Kit. Eles conversaram
como se fossem os velhos tempos novamente, como se estivessem de volta
ao castelo.

Ele a alimentou com um sorriso fácil, contando a ela sobre todo o


trabalho que fez enquanto foi embora. Como sua tarefa com Carmen
ocupava a maior parte do tempo, não havia muitos novos clientes, mas
os poucos que havia, falava livremente.

E em pouco tempo, ela perdeu a noção do tempo e o número de vezes


que Kit encheu sua taça.

Olhando para a taça em sua mão, Luna descobriu que não estava
bêbada depois de três, talvez quatro, mas se sentia relaxada.

Era bom.

Tudo que Kit fez por ela ali era lindo. As velas acesas, as flores, a
comida... era como se por um curto período de tempo, estivessem
suspensos no tempo, de volta a um lugar onde tudo era fácil entre eles.

Ele queria lembrá-la de como era bom entre eles, como apesar das
coisas que fizeram, ainda podiam ter seus momentos normais.

Apenas uma mulher apaixonada por um homem e um homem


apaixonado por uma mulher. Sorrindo, Luna passou o dedo sobre a
borda da taça.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você está tentando me seduzir, Kit?

Seu olhar começou uma trilha preguiçosa na frente de seu vestido,


a mesa bloqueava o restante, mas ela praticamente sentia seu olhar por
toda parte.

Não havia nenhuma sugestão de brincadeira quando ele fez uma


pergunta.

— Está funcionando?

Um arrepio repentino percorreu toda sua coluna, sua garganta


trabalhando enquanto tentava não reagir às palavras dele, mas não
adiantou, não quando não estava sóbria o suficiente para se importar.

— Está? — Kit perguntou um momento antes de sentir sua mão


tocar sua coxa. — Está funcionando?

Sim.

Deus, sim.

Mas ela não expressou isso.

Ele sabia que tinha esse efeito sobre ela. Sabia o que podia fazer
com apenas palavras.

Luna segurou sua resposta, mesmo quando a mão se moveu entre


suas pernas, acariciando a carne sensível ali, até que ela abriu as coxas
sem precisar se conter.

Nunca houve necessidade dele expressar o que queria dela. Ela


simplesmente sabia.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você deveria dizer sim. — Ele murmurou, observando-a. — Temos


apenas algumas horas.

— Então não vamos perder tempo.

Voltando para o apartamento, Luna olhou enquanto Kit tirava a


camisa, os músculos de suas costas flexionando enquanto fazia isso. Seu
olhar percorreu as asas lá, tão arrebatadoras quanto a primeira vez que
as viu. A tinta não desapareceu com o tempo, as penas escuras eram
ainda vibrantes.

Em seguida, seus sapatos e enquanto ele ficava na frente dela, ela


se lembrou de como tinha sorte.

— Você vai rasgar este também? — Ela perguntou quando teve a


atenção dele novamente, tocando o decote de seu vestido.

— Contanto que consiga tirá-lo enquanto atravesso esta sala.

— Oh não, você não vai. — Ela apontou para o sofá. — Sente-se.

Sua testa se franziu, mas ele fez o que lhe disse.

Pegando atrás do vestido, ela puxou o zíper e o tirou.

Dando um passo fora dele, sentindo-se encorajada pela forma como


suas pupilas se dilataram e quando ele a alcançou, no
DEN OF MERCENARIES #4

momento que ficou perto o suficiente, ela afastou as mãos antes de sentar
em seu colo.

— Você não pediu permissão para me tocar, gatinho.

— Luna, você está pedindo isso.

— Ainda não. — Disse ela, se atrapalhando com seu cinto até que
pudesse abri-lo.

Ele levantou-se para ajudá-la a descer a calça e ao tirá-la, ela


lentamente se ajoelhou na frente dele.

Sua ereção esticava a cueca boxer, implorando para ser libertada.


Ela o desejava, desejava muito, mas não queria apressar isso como na
outra noite.

Kit estava irritado com ela, furioso, mas isso era diferente. As
emoções por trás não eram escuras e voláteis.

Segurando seu pau em sua mão, ela lentamente moveu o punho,


ouvindo a respiração dele falhar enquanto o apertava. Quando ela
finalmente o colocou na boca, ele gemeu, suas coxas flexionando com a
necessidade de ficar quieto, mas esse som fazia o calor percorrer seu
corpo e quis desesperadamente ouvi-lo novamente.

Ele murmurou palavras em galês, o significado perdido para ela


enquanto tomava o máximo que podia, usando sua língua para aumentar
as sensações.
DEN OF MERCENARIES #4

Com isso, mesmo que apenas por um momento, ela tinha poder
sobre ele, era a única no controle e este era um pensamento emocionante.

Mas não era assim que Kit funcionava, ele nunca deixava que ela
tivesse esse controle por muito tempo antes de segurar seus cabelos,
guiando-a para tomá-lo do jeito que gostava.

Lentamente passou a língua por seu pau, deixando um rastro de


saliva e descendo até quase a base.

Mesmo quando ela não engoliu todo, ele gemeu, mas seguiu com um
caloroso:

— Boa garota.

Deus, o que essas palavras faziam com ela.

Queria agradá-lo, dar-lhe tudo e mais.

Queria que seu controle se rompesse novamente.

Em pouco tempo, ele não precisava mais guiá-la e estava se


abaixando para tocar seu seio, o polegar acariciando seu mamilo antes
de apertá-lo.

— Toque-se. — Ele ordenou, sua voz tensa e rouca.

Luna sabia que estava em uma batalha perdida e em pouco tempo,


seria uma escrava de seus desejos, uma escrava dos desejos dele.

Incapaz de dizer não, levou a mão por seu próprio estômago,


sentindo a pele aquecida antes seus dedos fazerem o que ele pedia.
DEN OF MERCENARIES #4

Talvez ele sentiu a mudança nela ou foi quando ela suspirou ao


redor de seu pau. Ele a puxou, mantendo sua mão na nuca para forçá-la
a olhar para ele.

— Diga-me o que sente, fale o quão bom é.

— É muito bom.

— Você está molhada?

Ela assentiu, incapaz de formar a palavra enquanto perseguia seu


orgasmo.

— Molhada o suficiente para me tomar, Luna? Mostre-me.

A primeira vez que ele pediu que ela fizesse isso, o calor inundou
seu rosto, mas agora, não hesitou em mostrar sua mão, observando a
luxúria nublar seus olhos quando ele tomou seus dedos na boca e
chupou.

Ela poderia ter gozado apenas com esse olhar.

Então ele a beijou violentamente, agredindo sua boca sem cuidado.


Ela o amava assim, tão perdido como se sentia, como ele mal conseguia
se segurar quando ela estava perto de gozar.

Quando tinha certeza de que estava a poucos segundos, ele a


levantou do chão, como se ela não pesasse nada, deixando-a colada nele.

Ela levantou o suficiente para que ele pudesse colocar seu pau no
ângulo correto, antes de empurrar, enquanto ao mesmo tempo ela descia
sobre ele.
DEN OF MERCENARIES #4

Quase não houve resistência quando engoliu cada centímetro grosso


que ele lhe deu.

— Oh porra, assim. — Ele sussurrou rápido, os dedos apertando a


cintura dela.

Seus olhos se fecharam quando ela tentou se lembrar de respirar,


para não se perder completamente enquanto ele esfregava aquele glorioso
feixe de nervos dentro dela.

Não importava que ela fosse a única em cima, ele tinha o controle
sobre o quanto dela queria, o quão profundo entrava e com que rapidez
eles iam, ele a fazia se sentir vulnerável e desesperada. Ela se levantou e
abaixou novamente, entrando em um ritmo que a fazia ofegar por ar
enquanto sua mandíbula flexionava.

Quando se levantou novamente, Kit bateu com força em sua bunda.

— Lento.

A pulsação estava deixando-a tão louca que não se importou com o


que ele disse. Precisava gozar.

Mas não importava o que queria, se ele não estivesse pronto para
dar.

O aperto súbito dele em sua garganta a fez apertar ao redor dele,


mas seu corpo acalmou o instinto, seu olhar encontrando o dele.

Como uma segunda natureza.

Havia um sorriso fantasmagórico em seus lábios. Feliz com a


resposta dela, como a treinou cuidadosamente para reagir.
DEN OF MERCENARIES #4

Geralmente, seu colar estava no lugar e ele apenas precisava tocá-


lo para que ela reagisse a qualquer comando que desse.

Seus lábios estavam apenas a alguns centímetros dos dela.

— Lento. — Ele disse novamente antes de beijá-la e que suas mãos


estivessem incitando-a enquanto o fazia.

Era difícil ignorar a forma como agarrou seus quadris, assumindo


instantaneamente o controle enquanto a movia no ritmo lânguido, mas
quando ela o beijou de volta, apenas para morder seu lábio inferior, os
quadris dele foram para frente, tirando o ar de seus pulmões.

Mas ele não cedeu com rapidez, ele nunca cedia.

Apenas a fodeu até que ela se entregou ao que ele queria, então
mudou de angulo apenas um pouquinho, enquanto esfregava aquele
lugar dentro dela, até que sua mente ficou em branco e repetidamente
ofegou seu nome.

As coisas sujas que ele disse em troca a fizeram enterrar as unhas


em suas costas, indo devagar quando ele abaixou os quadris,
praticamente arrastando o orgasmo para fora dela.

— Caralho, você fica apertada quando goza.

Ninguém dizia caralho como ele, de uma forma gostosa que a fazia
tremer como se estivesse um desastre sobre ele.

E quando sentiu que ele inchava dentro dela, foi tudo o que podia
tomar.
DEN OF MERCENARIES #4

Quando ela tentou falar, as palavras falharam. Desmoronou


segundos antes dele fazer o mesmo.

Ela sorriu enquanto descia.

— Você está dormindo?

Luna piscou, virando-se para encará-lo melhor. Ela não estava


dormindo, mas descansando no pós-brilho do que acabaram de fazer.
Uma parte dela queria fingir estar dormindo, permanecer nesse momento
por mais tempo.

Kit tinha uma expressão em seu rosto, que era inquisitiva e


cautelosa, o mais próximo do nervosismo que ele conseguia reunir.

Os dedos dele deslizarem sob as mantas até chegar em sua mão. O


olhar dela se encontrou com o dele, imaginando o que estava pensando
para ter esta expressão tão curiosa, mas então percebeu que estava
olhando seu dedo, aquele dedo onde uma caveira de açúcar decorava sua
pele.

A maioria a confundia com uma referência a seu apelido, mas Kit...


ele sabia o que isso significava e a verdadeira razão pela qual ela colocou
lá.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você me perguntou uma vez. — Ele disse enquanto levava a mão


aos lábios e beijava a tatuagem. — Como eu sabia que as coisas não
terminaram entre nós. Foi por causa disso.

— Quando você soube que a fiz? — Perguntou Luna, pensando


naquele dia.

Ela não sabia o que pensar quando entrou para fazer sua primeira
tatuagem, mas a dor foi uma distração bem-vinda da outra dor que
sentia.

Seus lábios se curvaram.

— Você não gostará da minha resposta.

— Então sempre soube...

— Desde o dia em que você entrou naquela loja.

— Não foi por aqui. — Disse Luna, balançando a cabeça. — Estava


no trabalho e nem sabia que iria fazer até aquele momento. — Ela sequer
estava no país.

— Tăcut estava por perto.

— Nós realmente precisamos trabalhar nesta coisa de vigilância, Kit.

— Você realmente pensou que eu simplesmente a deixaria ir e não


cuidaria de você? Sabia cada passo que deu a partir do segundo que
montou em sua moto e não parou até chegar a Filadélfia para encher o
tanque, então novamente quando chegou a Ohio, mas estou me
afastando do assunto. Tenho algo seu.
DEN OF MERCENARIES #4

Seus anéis.

Os mesmos anéis que sabia que ele carregava consigo em todos os


lugares.

Uma vez, sentiram-se como um peso nela, mas agora, queria esse
peso de volta.

Ela sentia falta deles, sentiu falta dele.

— Eu aprecio você. — Disse ele e ela já podia sentir a emoção


entupindo sua garganta. — Nesta vida e na próxima. Eu lhe darei o
mundo se você me aceitar como sou. Amo você, Luna Runehart, até que
não haja mais nada de mim e talvez até então.

Ela não podia falar, não quando sentiu seus dedos ao redor dos dela
e o frio metal que ele manteve um momento até que deslizassem em seu
dedo, no lugar certo.

— Eu também amo você, Kit. — No final, isso era tudo o que mais
importava.
DEN OF MERCENARIES #4

— Alguma coisa mudou em você. — Skorpion disse, observando-a


do canto de seus olhos enquanto iam em direção ao pátio de expedição.
— Fez as pazes com seu namorado?

As luvas que estava usando escondia a aliança de casamento que


agora estava em seu dedo e seu anel de noivado era muito grande para
usar quando estava trabalhando.

Ela não estava escondendo intencionalmente, ninguém sabia sobre


ela e a viagem com Kit para Vegas, mas deixou Skorpion notar algo
diferente sobre ela.

— Como você consegue fazer isso soar como um insulto? —


Perguntou Luna, olhando na direção dele.

— Apenas estou curioso, isso é tudo. — Disse Skorpion com uma


risada, passando a mão no cavanhaque enquanto dirigia com a outra.

— Esqueci o quão curioso você é.

— Eu disse que daria certo, não disse?

— Isso é porque, apesar de sua atitude grosseira, você tem um ponto


fraco pelos Runehart. — Skorpion franziu a testa, não gostando dessa
descrição.
DEN OF MERCENARIES #4

— Duvido.

— Você alguma vez dirá o que aconteceu durante sua última


missão?

E de qualquer um, Luna poderia dizer que era mais próxima de


Skorpion, embora apenas soubesse o que ele estava disposto a
compartilhar.

Ela sabia sobre sua infância no Havaí, sobre como aprendeu a surfar
com sua mãe e até mesmo como saiu de um penhasco e quase quebrou
seu pescoço quando bateu na água porque queria impressionar uma
garota, mas não sabia nada sobre o motivo pelo qual ele deixou o Den.

— Você está com vontade de compartilhar? — Ele perguntou, seu


tom de voz plano. — Estamos trocando histórias agora?

— Agora seria uma boa hora, certo? Somos apenas nós e desde que
temos cerca de uma hora antes do navio atracar, temos muito tempo.

— Não foi uma missão. — Skorpion começou bruscamente. — Não


começou assim, quero dizer. Uilleam tinha negócios no sul da França, eu
estava visitando Charlotte e... — Ele encolheu os ombros, quase indefeso,
como se a lembrança que estava tentando não pensar ainda estivesse
sangrando. — Eu fui cuidadoso com ela, especialmente com Soliel lá.
Nunca levei trabalho para sua casa.

Skorpion apagou as luzes de seu carro enquanto rodavam para


parar a poucos metros do pátio de transporte.

Luna entendia, embora ele não tivesse que dizer, por que era
perigoso estar em um relacionamento com alguém fora do
DEN OF MERCENARIES #4

negócio. Ela teve muita sorte, em muitos aspectos, que Kit era quem ele
era e não havia medo de que ele se machucasse por causa do que ela
fazia.

Sussurrando, Luna perguntou:

— Seu trabalho a encontrou?

Ele tinha aquele olhar no rosto, um que falava de tristeza,


arrependimento e raiva.

— Ela que o encontrou. — Skorpion respirou fundo, enquanto essas


palavras permaneciam entre eles, mas finalmente, agarrou a maçaneta
da porta e deu um puxão. — Você está pronta para fazer isso? — Isso foi
tudo que conseguiu tirar dele.

— Sim. — Ela disse, dando-lhe espaço. — Vamos.

Passando uma mão pelos pulsos uma última vez, Luna seguiu
Skorpion fora do carro, pelo caminho que mapearam horas antes.

E do alto da colina, eles podiam ver claramente as docas, permitindo


uma visão desobstruída do porto que iriam violar.

— Sabe. — Skorpion disse enquanto verificava o carregador de sua


arma uma última vez antes de empurrá-la no lugar e guardar sua Glock.
— Você deveria ir à minha casa enquanto estiver por aqui. Soliel gostaria
de vê-la.

Com as agendas em conflito ao longo dos anos, Luna não conseguia


ver a filha de Skorpion tanto quanto queria. Claro, elas conversavam pelo
FaceTime quando tinham chance, mas não era o mesmo.
DEN OF MERCENARIES #4

— Oh, você finalmente está me convidando para sua casa? —


Perguntou Luna com um sorriso. — Pensei que você nunca convidaria.

— Você é sempre bem-vinda. — Ele respondeu enquanto lhe passava


os binóculos. — Sabe disso.

Eles poderiam estar descansando em uma das muitas praias que ele
gostava de frequentar por toda a atenção que estava dando a esse
trabalho, mas era Skorpion, não reagia ao perigo do jeito que os outros o
faziam.

— Apenas quero ter certeza. Sabemos como você fica sobre pessoas
que aparecem sem serem convidadas.

E de todos eles, Skorpion era o mais privado quando se tratava de


sua vida fora do Den. Gostava de manter os dois tão separados quanto
possível e estava mais do que disposto a ensinar uma lição a alguém da
maneira mais difícil se aparecessem em sua casa sem aviso.

Ela não o culpava por sua hesitação, nenhum deles era


particularmente o tipo de compartilhar sentimentos ou informações
pessoais, todos tinham um número de inimigos à espera da oportunidade
de atacar.

Então novamente, até recentemente, a maioria do Den não sabia que


ela era casada.

Mas essa era a diferença entre os dois. Ela nunca mencionou


diretamente seu casamento porque... bem, nunca viu nenhum motivo.
Skorpion, por outro lado, não gostava de pessoas curiosas em sua vida
por causa de Soliel.
DEN OF MERCENARIES #4

Em um mundo onde as lealdades podiam ser compradas, era muito


melhor prevenir do que remediar.

— Você sempre odiou Cali. — Ele voltou, pegando seus próprios


binóculos. — Agora, não tem uma desculpa.

— Como ela está? — Perguntou Luna. — Na última vez, você me


disse, que estava aprendendo a surfar.

Como ele passava quase tanto tempo na água quanto fazia trabalho
independente, fazia sentido que estivesse lhe ensinando seu passatempo
favorito, mas as poucas vezes que Luna tentou se levantar em uma
prancha, não teve o equilíbrio para isso.

— Melhorando todos os dias. — Ele disse com todo o carinho que


um pai poderia ter.

— Kit pode ir comigo? — Perguntou Luna, olhando para ele antes de


olhar para trás para aguardar o sinal de Celt.

Ele estava perto, embora Luna não tivesse certeza de onde, sabendo
apenas que estava posicionado perto da entrada Sul, usando suas
habilidades para entrar no prédio principal que ocupava todos os
contratos para este estaleiro em particular. Red estava em um telhado,
mais perto das docas, onde teria um tiro limpo de qualquer pessoa que
não conseguissem pegar.

Skorpion grunhiu, fazendo um som evasivo na parte de trás da


garganta.

— Discutiremos isso depois.


DEN OF MERCENARIES #4

Luna não tinha certeza do porquê, mas Skorpion não gostava


particularmente de Kit, embora nunca tivesse dado uma razão. Ela estava
se preparando para lhe dizer que Kit era ótimo com crianças embora
realmente não tivesse evidência disso, mas antes que pudesse, o navio
pelo qual estavam esperando chegou.

Colocando seu comunicador no ouvido, ela pegou Red quando ele


disse:

— Os civis estão se movendo.

Os trabalhadores das docas pareciam alertas enquanto observavam


o centro negro se aproximar. Um sinalizou para outro entrar no guindaste
estacionado nas proximidades.

Com muito cuidado, ele manobrou o braço mecânico sobre o navio,


pegando um dos contêineres e colocando-o no chão.

— Parece que é muito cedo para a retirada. — Disse Celt.

Faróis brilharam perto dos portões da frente e quando se abriram,


três SUV’s pretas vieram desfilando seguidas por dois carros.

— Três nos SUV’s, sete entre os outros carros. — Continuou Celt. —


Fácil o suficiente, hein?

Luna assentiu, mesmo sabendo que não podia vê-la.

— Temos que esperar que os civis desapareçam antes de fazermos


um movimento.

— E ligar para mais civis. — Disse Skorpion com ironia.


DEN OF MERCENARIES #4

Era raro... muito raro... que Kingmaker os fizessem utilizar a Polícia


de Los Angeles ou qualquer polícia para esse assunto, para qualquer
coisa. Ele não era um grande fã da aplicação da lei, mas para esse caso
em particular, precisava tornar isso o mais público possível.

E se a polícia de Los Angeles descobrisse a quantidade de garotas


que sabiam que estavam nos contêineres abaixo, sairia em todos os
jornais dentro de horas.

Carmen estaria acabada.

Limpando as palmas de suas mãos no colete, Luna voltou para o


binóculo, observando enquanto os homens de Carmen saíam dos carros
e caminhavam até os estivadores, um carregando dois envelopes pesados.

Com uma rápida mudança de mãos, o dinheiro foi dado aos


trabalhadores, dispensando-os sem um olhar para trás.

Eles estavam rindo, Luna viu, enquanto estavam de pé, esperando


que o último homem movesse o último contêiner.

Um deles estava até mesmo fumando um cigarro enquanto


conversava com o homem que estava ao lado dele, como se não
estivessem traficando crianças e estivessem lá para pegar seu próximo
envio.

Os dedos de Luna apertaram o plástico endurecido que segurava ao


pensar em sua diversão.

Quando foi levada, nenhum dos homens de Uilleam riu ou achou


diversão em seu sequestro, mas uma vez que estava na propriedade de
Kendall... eles riram o suficiente por todos.
DEN OF MERCENARIES #4

— Calma. — Sussurrou Skorpion ao lado dela, sua voz baixa, mas


constante.

Ele sabia, sem que ela precisasse abrir a boca onde seus
pensamentos estavam.

Inspirando, Luna segurou por alguns segundos antes de expirar. Ela


não era mais uma vítima e se pudesse evitar, nenhuma das mulheres e
crianças naqueles contêineres seriam vítimas por mais tempo também.

Demorou alguns minutos antes de um dos homens virar com um


par de cortadores de parafusos e começar a quebrar as fechaduras e tirá-
las, o restante levantando suas armas.

Eles já estavam assustados, pensou Luna, por que motivo


precisariam levantar armas para crianças? Aquele com tatuagens gritou
algo que Luna não conseguiu entender quando agarrou a porta e
empurrou-a.

— Cristo, porra. — Isso veio de Celt e era óbvio que ele mudou de
posição já que podia ver dentro do contêiner.

Luna sabia que havia crianças dentro, é claro que ela sabia. Todos
foram informados exatamente sobre o que encontrariam ali, mas nada
poderia prepará-la para realmente vê-las.

O medo em seus olhos.

As lágrimas caindo de seus olhos.


DEN OF MERCENARIES #4

Talvez esperasse adolescentes como ela. Talvez não tivesse visto


tantas lágrimas então. Lembrou-se do rosto corajoso que tentou colocar
quando foi levada, mas aquelas eram praticamente bebes.

Todas iriam embora, apenas precisava continuar dizendo isso a si


mesma.

Ela precisava fazer seu trabalho e acabar com isso. No final da noite,
essas crianças, todas elas, ficariam seguras e seriam poupadas dos
horrores que esses homens reservaram para elas.

Apenas precisava...

Sua respiração ficou presa quando a viu, a garotinha com o coelho


de pelúcia agarrado em uma pequena mão. Ela era menor do que as
outras, mais jovem também, vestindo uma camisola branca com
manchas de sujeira ao redor da barra. Não podia ter mais de sete anos e
até mesmo isso parecia muito.

Por um momento, a menina era tudo o que podia ver. Quase


parecia... como se ela estivesse olhando para um reflexo de si mesma.

Os mesmos olhos castanhos.

O mesmo cabelo escuro.

E embora não estivesse chorando como as outras, o medo ainda era


evidente em seus olhos. Mas a determinação era evidente também,
porque atrás dela havia outra garotinha, um ano mais jovem que parecia
a ponto de irromper em lágrimas.
DEN OF MERCENARIES #4

Elas não falaram uma palavra nem se mexeram do pequeno canto


do contêiner, mas de alguma forma, chamaram a atenção do homem que
o abriu.

— Algo está errado. — Disse Luna, deixando cair seu binóculo,


ficando de pé enquanto observava o estaleiro abaixo.

Ela não sabia exatamente o que estava errado.

Pelo que parecia, tudo estava acontecendo de acordo com o


cronograma, o navio atracou, a carga foi descarregada e os trabalhadores
portuários foram pagos para fazer uma pausa prolongada e longe de onde
o cartel estava fazendo negócios e a única coisa que tinham que fazer era
carregar sua carga e seguir o seu caminho.

Agustín fez a parte dele, concordando com relutância, garantindo


que seus homens estivessem longe desse lugar e colocando-os lá dentro.
Mas pareciam estar demorando...

— Seja o que for. — Disse Skorpion, olhando em sua direção. — Não


é nosso problema.

— Red.

— Sim. — Ele disse antes que ela pudesse retirar seu pedido. —
Entendi.

Luna começou a descer a colina, indo em direção a cerca. Quase lá,


praticamente podia ouvir a voz de Kit em sua cabeça.

Complete a tarefa, nada mais.


DEN OF MERCENARIES #4

Ela quase podia ver aquela desaprovação severa em seu olhar, mas
isso não era algo que podia fazer.

Ela não podia deixar isso acontecer, no entanto, quando tantas


delas estavam tão assustados e eram tão jovens. Podia se ver nelas.

E a última coisa que faria era ficar lá e não fazer nada apenas porque
não era o trabalho.

Além disso, ela nunca seguiu as ordens de Kit muito bem.

— Luna. — Chamou Skorpion, dizendo o nome dela como um aviso


que sabia exatamente o que ele diria a seguir.

Mas ela não lhe deu a chance.

— E se fosse Soliel?

Ele olhou fixamente para ela, um olhar que respondeu sua resposta.
Sim, ele iria atrás de Soliel em um piscar de olhos, mas essas meninas
não eram ela e por essa razão, não eram problema dele. Ele não lhes devia
nada.

— Você está comigo ou pode ficar aqui. Porque, de qualquer


maneira, entrarei.

O silêncio se estendeu entre eles antes dele oferecer um aceno


relutante.

Não mais de trinta segundos e estavam dentro, cuidadosamente nas


sombras até que estavam perto o suficiente para que pudessem ouvir as
vozes dos homens e das crianças assustadas.
DEN OF MERCENARIES #4

— Não tenha medo. — Disse o homem à menina com o coelho,


tentando afastá-la dos outros. — Você ficará a salvo comigo.

Luna girou uma adaga na mão. Ela se arrastou pelo lado de uma
caixa, esperando a oportunidade perfeita...

— Não! — A garota gritou, tentando se afastar, o que apenas


aumentou o pânico de sua irmã enquanto lágrimas novas floresciam. Mas
não foi até que ela chutou o homem em sua canela, fazendo-o grunhir e
afrouxar seu aperto, que ele finalmente reagiu.

— Você estúpida, pequena… — Mas ele nunca chegou a terminar


essa frase, não quando um punhal de repente cravou em seu pescoço.

Houve um momento de incredulidade, enquanto todos o observavam


cair de joelhos, sua respiração rápida até ele se abaixar, antes que os
homens reagissem, mas quando o fizeram, era tarde demais.

Red pegou dois antes que pudessem olhar na direção de Luna, mas
os outros dois foram mais inteligentes, afastando-se do caminho.

— Ligue. — Luna disse ofegante, agachando-se atrás de outro


contêiner.

— Você tem certeza de que quer fazer isso agora? — Disse Celt
sarcasticamente.

— Agora seria um bom momento.

Gritos ecoaram nos ouvidos de Luna quando alguns correram,


outros se amontoaram na parte de trás do contêiner e os homens de
Carmen foram pegos um a um.
DEN OF MERCENARIES #4

— Deixe minha irmã ir!

Luna tinha sua arma na mão e estava contornando a esquina antes


de ouvir o grito e antes de ver o homem tentando usar a garota que não
poderia ter mais de dez anos como escudo humano.

— Coloque-a para baixo e eu não colocarei uma bala no meio de sua


testa. — Advertiu Luna, sem hesitar.

Os olhos do homem estavam selvagens quando se virou para encará-


la, sua própria arma apontada para a garota em seus braços em vez de
Luna.

— Mova-se e a menina morre.

— Red? — Luna disse baixinho, apenas alto o suficiente para ele


ouvir.

— Eu não tenho um tiro limpo.

— Olhe para mim. — Disse Luna, sabendo que ela teria que fazer
isso sozinha. — Você estará morto antes que possa puxar o gatilho.

— Você tem certeza disso? — O homem provocou.

O olhar de Luna piscou para a menina quando ela gemeu, lágrimas


em seus olhos quando ficou imóvel, com muito medo de se mover com a
arma apontada para ela.

— Você ficará bem. — Luna disse a ela, não se concentrando em


nada além dela. — Eu não...
DEN OF MERCENARIES #4

Luna sentiu a bala atingir um milésimo de segundo depois que ela


ouviu isso, então uma segunda veio, a força dela a mandando para trás.

A voz de Red era alta e frenética em seu ouvido.

A de Celt a mesma coisa.

Mas não conseguia se concentrar, já que a dor crescente a deixou


sem fôlego, quase deixando-a de joelhos.

Fora de sua visão periférica, ela podia ver o homem que a acertou,
a satisfação em seus olhos quando ele levantou sua arma novamente
para disparar mais uma vez, mas antes que pudesse, Skorpion estava lá.

Ninguém tão grande como Skorpion deveria conseguir se mover


silenciosamente, se esgueirar atrás de alguém sem que percebessem.

Mas Luna agradeceu por seu talento quando de repente ele segurou
o homem e antes mesmo que pudesse reconhecer que alguém conseguiu
derrubá-lo, o pescoço do homem estava quebrado com uma torção brutal
das mãos de Skorpion.

Com sua atenção em Skorpion, Luna não percebeu que os gritos


pararam, Celt e Red se juntaram a eles, ambos com suas armas treinadas
no outro homem que sabiamente soltou a garota em uma tentativa de
salvar sua própria vida.

— Quem fala primeiro. — Disse Red enquanto tirava uma corda e


começava a amarrar o homem. — Obtém a melhor posição.

— Você tem...
DEN OF MERCENARIES #4

Celt lançou o punho no rosto do homem, impedindo-o de terminar


o que pensava em dizer.

As sirenes podiam ser ouvidas à distância e agora era hora de darem


o fora dali.

— Ele ficará irritado. — Disse Skorpion enquanto olhava os corpos


no chão. Cuidadosamente passou um braço ao redor da cintura de Luna
e o outro debaixo de seus joelhos antes de pegá-la.

Tentando rir através da dor, Luna não discordou.

— Mas o trabalho foi feito e um ficou vivo para contar sua história,
então está tudo bem.

Skorpion balançou a cabeça.

— Você acha que ele dará uma merda sobre isso? Não, ficará irritado
por você ter se ferido.

Sim, pensou Luna com calma, isso também.

— Na próxima vez que você quiser brincar. — Disse Skorpion,


ignorando seu estremecimento enquanto inspecionava as contusões
rapidamente escurecendo do seu lado. — Tente não ser baleada enquanto
faz isso, certo?
DEN OF MERCENARIES #4

Luna tentou rir apesar da dor, mas o som foi interrompido quando
os dedos de Skorpion sondaram um dos pontos doloridos.

— Eu manterei isso em mente.

Ela deixou cair a camisa, respirando cuidadosamente pelo nariz


antes de expirar, lembrando-se de forma bastante vívida por que nunca
quis ser baleada.

Felizmente, estava com seu colete, então a bala não penetrou, mas
com a dor que sentia, quase sentia como se tivesse.

Red e Celt estavam na cozinha, conversando como costumavam


fazer quando estavam todos juntos. E se Syn e Grimm estivessem lá, seria
como nos velhos tempos quando faziam algum trabalho que exigia que
todos trabalhassem juntos.

Pelo menos antes que Grimm se perdesse e Syn... bem, antes de Syn
voltar a sua antiga loucura.

Um flash de faróis e som de motores fizeram Luna olhar de Skorpion


para as janelas da frente, sabendo com certeza quem estava lá.

— Você não deveria ter ligado para ele. — Disse Luna suavemente,
seu coração acelerando com o pensamento de Kit entrando.

Não era porque ele estava ali para vê-la necessariamente, que a
enlouquecia e sim porque seria a primeira vez que Red e Celt o
encontrariam.

Era estúpido da parte dela se importar com o que pensassem dele?


DEN OF MERCENARIES #4

Claro, eles tinham suas noções preconcebidas de como ele seria,


sabiam de sua relação com Uilleam afinal, mas eram como irmãos para
ela e queria que gostassem dele.

— Eu não liguei para ele. Liguei para o outro. Parece que seu
cunhado decidiu transmitir a notícia.

Ótimo. Apenas ótimo.

— Red, seja legal. — Luna falou e podia vê-lo estreitar os olhos para
ela.

— Eu sou muito legal.

— É exatamente esse meu ponto. Você tende a ser um pouco


abrasivo.

Celt deu uma risada enquanto olhava para o irmão de armas.

— Ele é um ursinho de pelúcia.

Eles brincaram com o outro, pelo menos até a porta da frente se


abrir e ali estava Kit, The Wild Bunch às suas costas.

A tensão na sala aumentou e ela percebeu rapidamente a maneira


como Red e Celt se aproximaram de Skorpion, sua própria parede pessoal
de proteção.

Mas apesar da desaprovação saindo deles, Kit apenas tinha olhos


para ela.

— Estou bem. — Ela disse enquanto se aproximava.


DEN OF MERCENARIES #4

— Eu serei o juiz disso. — Ele sussurrou apenas para ela ouvir.

— Você é o marido, então? — Perguntou Celt, seu tom cheio de


desprezo.

Ele não perguntou sobre Kingmaker, nem sobre quem era Kit,
apenas queria saber sobre seu relacionamento com Luna.

Ela o amava um pouco mais por isso.

Kit, que não se incomodou em prestar atenção em ninguém na sala,


finalmente desviou o olhar dela para Celt.

— Eu sou e você deve ser o irlandês que ela queria ajudar. — O


sorriso de Kit não alcançou seus olhos. — Um prazer, tenho certeza.

— Sim. — Disse Red com um encolher de ombros. — Calavera é bem


assim... está lá quando alguém precisa dela. Ajudando no trabalho que
você está fazendo.

Kit simplesmente parecia divertido, mas Fang e o restante de The


Wild Bunch não estavam.

— Cuidado, russo. — Disse Fang.

Essa era a coisa sobre Red, ele nunca recuava diante de um desafio.

— Ou o quê?

— Red. — Disse Luna, dando um leve aceno de cabeça para ele


recuar, enquanto Kit falava o mesmo para Fang.
DEN OF MERCENARIES #4

— Fang? — Red perguntou, incredulidade em sua voz quando ouviu


o nome.

E se possível, Fang parecia mais irritado, seu olhar se estreitando


ainda mais, mas foi Thanatos quem soltou uma risada surpresa.

Quando Invictus olhou para ele, encolhei os ombros e disse:

— Eu gosto dele.

— Eles vieram para ver como você estava. — Kit interrompeu, em


seguida, acrescentou: — E sairão agora.

— É justo. — Anunciou Skorpion ao pousar a mão no ombro de Celt.


— Estamos saindo também.

Antes de sair, ele bagunçou o cabelo de Luna, era um surfista por


completo antes de sair pela porta com Celt e Red seguindo com
relutância.

Sem eles, The Wild Bunch não ficou muito mais tempo.

Quando eram apenas os dois, Kit passou os olhos por ela, tentando
descobrir por si mesmo se estava bem.

— Já estive pior. — Luna murmurou, mais para si mesma do que


para ele quando foi em frente e levantou a blusa para mostrar-lhe as
manchas roxas, sabendo que ele queria vê-las.

— Isso não me faz sentir melhor. — Disse ele e ela notou, quando
levantou a mão para roçar o dedo sobre o lado dela, que sua mão estava
tremendo.
DEN OF MERCENARIES #4

— Skorpion quebrou o pescoço daquele que atirou em mim.

— Isso facilita minha necessidade de matar alguém, mas por que


você chegou perto o suficiente para se ferir?

Fosse Kit ou Uilleam, ela sabia que um deles iria questioná-la sobre
o que aconteceu, mas de qualquer forma, não se arrependia de sua
decisão.

Luna tentou desviar o olhar dele, mas ele gentilmente a virou de


costas para ele.

Não vendo outra escolha, ela disse:

— Havia essas duas garotas, irmãs. Eu sei que não eram o trabalho,
mas... — Ela parou, pensando nas expressões assustadas em seus
rostos. — O que acontecerá com elas?

— Desde a minha última atualização, a maioria está se reunindo


com a família, embora isso ainda leve algum tempo para algumas, porque
várias delas são de países diferentes. Mas se isso faz você se sentir
melhor, nenhuma foi ferida. — Luna soltou um suspiro de alívio.

— Isso é bom. — Como a adrenalina da noite começou a diminuir,


Luna se inclinou contra Kit e fechou os olhos. — Estou pronta para tudo
isso acabar.

Kit passou a mão sobre o cabelo dela sem oferecer uma resposta,
mas não precisava.

Amanhã tudo estaria terminado.


DEN OF MERCENARIES #4

A dor tirou seu sono, mas Luna a ignorou como melhor pode e
entrou no banheiro. Ela se entreteve com a ideia de tentar tomar um
banho, mas depois de dar uma olhada na banheira ao lado das janelas,
rapidamente mudou de ideia.

A água quente acalmou seus músculos doloridos com a ajuda dos


analgésicos que tomou antes de subir e quase a fez se sentir humana.

— Como você está se sentindo? — Kit perguntou, entrando no


banheiro com apenas uma calça cinza.

Ninguém deveria ser tão atraente quanto Kit na primeira hora da


manhã, mas não estava reclamando.

— Como se tivesse apanhado enquanto dormia. — Respondeu Luna,


estremecendo quando se virou para melhor olhá-lo.

Ele passou os dedos hábeis pelos cabelos que estavam mais longos
do que antes, quando estava em sua vida. Kit sempre foi tão cuidadoso
em mantê-lo curto, mas ela gostava muito como estava agora.

Ajoelhando-se ao lado dela, ele perguntou:

— Você está pronta para hoje?


DEN OF MERCENARIES #4

— Eu não tenho certeza se essa é a pergunta certa, já que não estarei


lá durante todo o confronto.

Luna não sabia os detalhes, apenas que Kit e Uilleam tinham uma
reunião planejada com Elias e Kit prometeu que no final tudo estaria
resolvido.

— Ainda não entendo por que não tenho permissão para ter meus
cinco minutos com ela. — Luna continuou colocando os braços ao lado
da banheira enquanto se aproximava dele.

— Você terá. — Ele prometeu. — Apenas não hoje.

— O que ele está planejando fazer? — Luna perguntou, traçando um


caminho molhado pelo seu braço com o dedo. — Ele tem sido muito...
sigiloso sobre isso. Normalmente, está ansioso para contar a qualquer
um que escute sobre seus planos.

— Você acha que se sentirá melhor sobre o que estamos fazendo se


souber o que está sendo planejado?

— Eu não sei. — Ela respondeu honestamente. — Mas não vou


saber, a menos que conte.

Depois de um momento, ele inclinou o queixo dela para cima,


pressionando um beijo leve em seus lábios antes de voltar a se levantar.

— Assista as notícias hoje no noticiário.

— E de quem foi esse plano? — Luna perguntou, vendo-o


desaparecer pela porta.
DEN OF MERCENARIES #4

Para dois homens que valorizavam sua privacidade, ela achava que
nenhum deles iria acionar a mídia.

Nada disso estava sendo como deveria.

— Skorpion estará aqui em breve.

— Eu realmente não preciso de uma babá. — A única coisa que ela


queria era absorver sua dor, em seguida, deitar em sua cama e tentar
relaxar.

— Ele está trazendo Soliel, pelo que sei.

Isso poderia tê-la feito sorrir, mas sabia a verdade.

— E de quem foi essa ideia?

— Alguém precisa ter certeza de que você não fará nada imprudente
e como não ouvirá Skorpion ou a mim, talvez você a ouça.

— Ele tinha um olhar... — Disse Luna, lembrando o sorriso


malicioso no rosto do homem. — E seu eu não tivesse agido...

— Algo muito pior aconteceria com aquelas garotas. — Ele terminou


por ela. — Não estou dizendo que suas ações foram erradas.

Ele simplesmente não gostou que ela fosse ferida no processo.

— Eu irei me comportar. — Ela desenhou um X sobre o peito. —


Juro.

Assim que Kit saiu e a água esfriou, Luna se vestiu, ficando de pé o


máximo possível até ouvir o rugido familiar de um motor.
DEN OF MERCENARIES #4

Soliel parecia sua mãe, os mesmos olhos castanhos redondos e


grandes, com um sorriso de parar o coração que fazia com que você
quisesse dar a ela qualquer coisa.

Skorpion também não entendia a noção de combinar roupas,


escolhendo deixá-la usar o que gostava para não estancar seu crescimento
criativo, como ele gostava de dizer.

Luna mal tinha a porta aberta quando os avistou, sorrindo pela


maneira como Soliel se agarrava a suas costas enquanto caminhavam
para ela.

— Podemos construir castelos de areia? — Ela perguntou com sua


voz adoravelmente alta.

— Os melhores castelos de areia. — Assegurou Luna.

Soliel escorregou das costas de Skorpion quando chegaram perto o


suficiente, batendo nas pernas dela.

— Luna! Oi!

Soliel não perdeu tempo agarrando a mão dela e puxando-a pela


casa, praticamente ignorando tudo ao seu redor para sair pela porta dos
fundos e ir até a praia.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você está melhor hoje. — Disse Skorpion, olhando para ela


através dos óculos escuros.

— Analgésicos. — Ela respondeu.

— Certo.

Ele estava ao lado dela, observando a filha se lançar à água para


encher o balde antes de voltar correndo.

Luna olhou para o relógio, apenas uma hora e algumas mudanças


do ponteiro se passaram desde que Kit saiu.

Apenas precisava tirar sua mente das coisas por um momento.

— Vou buscar alguns lanches. — Luna disse enquanto puxava sua


carteira para tirá-la do bolso, arrancando uma nota de vinte dólares de
dentro.

Perto da praia, havia alguns vendedores de fruta e caminhões de


comida mais uma barraca de sorvetes.

Luna encontrou uma que oferecia uma combinação de morango e


mirtilo e comprou três.

— Eu nunca poderia imaginar ter uma esposa, especialmente uma


que não conhece o seu lugar.

E de qualquer outra pessoa, isso poderia tê-la irritado o suficiente


para provocar uma reação, mas sabia que era isso que Elias queria.

Ele queria encontrar o ponto fraco dela e que melhor botão para
pressionar do que um que estivesse conectado a Kit.
DEN OF MERCENARIES #4

— Esta é a parte em que você me ameaça? — Luna perguntou,


virando-se para olhar por cima do ombro para o homem que era uma
ameaça ao marido.

— Não ameaça, aviso. Tenho certeza de que os Runehart contaram


nossos planos. E sei que esta é a única razão pela qual você não chegou
mais perto, mas entenda algo, Luna. Está se aproximando perigosamente
de um território que não apenas a matará, mas também cuidarei
pessoalmente para que o homem que você ama e seu terrível irmão
paguem por suas ações tolas. Eu fui claro?

— Você está esquecendo uma coisa, Sr. Harrington. — Luna


encolheu os ombros preguiçosamente. — Eu já estou morta ou pelo
menos foi o que disse a Carmen Rivera, não? Porque, se bem me lembro,
se assegurou que tivesse tudo sob controle. Mentiu para seu próprio
cliente. O que acha que acontecerá se ela descobrir a verdade? Acha que
será tão dispensável quanto César? Isso não pode ser bom para os
negócios nem para sua reputação.

Elias tentou esconder sua crescente agitação, mas aquele tique em


sua bochecha estava claro para qualquer um ver e apesar de suas
intenções, ele inclinou a mão.

— Carmen não é idiota. — Até mesmo Luna reuniu tanto nos meses
que passou estudando a mulher e os movimentos que fazia. — Ela sabe
que não deve confiar em Kingmaker implicitamente. E se ela confiasse,
não contrataria você, certo? Assim como planejou traí-la, deve esperar
que ela faça o mesmo.

— Você diz o que não entende.


DEN OF MERCENARIES #4

— Você não tem um lugar para ir? — Luna perguntou enquanto via
Skorpion pelo canto do olho, observando-a com os braços cruzados sobre
o peito.

Ele não se moveu em direção a ela, não apenas porque tinha Soliel
com ele, mas porque sabia que ela sinalizaria se precisasse dele.

— Com seu marido, na verdade. — Disse Elias, endireitando a


gravata já reta. — Até a próxima vez.

— Posso prometer a você, Elias. — Luna o cortou. — Não haverá


uma próxima vez.

— Sempre haverá uma próxima vez, garota. Eu asseguro. — Elias


se afastou. — Bom dia, Luna.

Ela não se moveu até que ele desapareceu na multidão de pessoas,


levando os cones de sorvete derretendo de volta para Skorpion.

Ele já tinha o celular na mão.

— Ligue para seu homem e diga a ele para acelerar as coisas.

Emoções, ele descobriu que nunca deveriam fazer parte de um


trabalho bem-sucedido.
DEN OF MERCENARIES #4

E se quisesse ir longe na Sociedade Lotus, teria que desligar tudo


dentro dele, que poderia significar uma hesitação ou um impedimento
para que cumprisse uma tarefa que lhe foi dada.

— Mate-o. — Ele foi informado quando seu tratador apontou uma


arma para o menor cão que Kit já viu.

Ele nunca foi uma pessoa para um animal de estimação, seu pai
nunca permitiria isso, mas naquele momento, se perguntava como seria
sua vida se tivesse um filhote andando atrás dele durante sua juventude.

Sentiria-se mais feliz por finalmente ter um companheiro?

Passaria as noites confidenciando para seu amiguinho até se sentir


melhor?

Mas mesmo que a mente de Kit corresse com as possibilidades,


sabia sem dúvida, que se Alexander permitisse animais em sua casa, ele
teria tentado usá-los contra Kit.

Isso se não o matasse durante um de seus violentos estados de


humor.

Assim, enquanto o cão se sentava diante dele, erguendo os olhos


sem medo do que poderia acontecer, Kit sabia o que se esperava dele,
mesmo antes da arma ser colocada em sua mão.

Foi uma decisão, sem dúvida uma das mais difíceis que já foi forçado
a fazer, mas quando apontou, inalando uma vez para acalmar seus
nervos, sabia o que precisava fazer.
DEN OF MERCENARIES #4

Daquele momento em diante Kit aprendeu a se desligar, a separar o


trabalho que precisava fazer. Isso o serviu bem ao longo de seus quinze
anos no negócio.

Queria acreditar que não agia mais sem pensar cuidadosamente e


com consideração, mas enquanto esperava no quarto do hotel, com um
copo de uísque em uma das mãos, não achava que nada do que fez nos
últimos dois anos baseava-se na lógica fria.

— Eu não consigo ver como você acha que pode me dar ordens. —
Uma voz irritada disse quando as portas do elevador se abriram para a
suíte. — Fale rápido ou temo que terei que interromper essa visita.

— No entanto, aqui está você. — Kit observou rispidamente, ódio cru


queimando sob a superfície de sua pele.

Nem cinco minutos antes, Luna ligou, contando tudo sobre a


conversa que ela e Elias tiveram. Ela não parecia agitada ou irritada, mas
isso não importava para ele. Não deveria entrar em contato com ela.

Sorrindo quando Elias entrou em sua linha de visão, Kit disse:

— Um prazer, como sempre.

Sentando-se, o inglês colocou o chapéu no joelho.

— O que você quer?

— Não é o que eu quero que deve preocupar você. — Disse Kit. —


Apenas quero ver a rapidez com que posso fazê-lo sangrar com uma
tesoura enferrujada, mas nem sempre é sobre o que quero, verdade?
DEN OF MERCENARIES #4

Elias não se divertiu com a pergunta, mas não parecia estar


realmente de bom humor.

— Bem, se você tem um ponto, chegue a ele.

— Eu irei.

Elias pegou o chapéu.

— Eu já tive o suficiente. Bom dia, Sr. Runehart.

— Oh, não sejamos excessivamente dramáticos, Elias. — Uilleam


disse quando ele entrou na sala, habilmente descascando uma laranja
enquanto se sentava na cadeira à direita de Kit. — Apenas um de nós
pode ter essa honra e sou muito melhor nisso do que você.

No espaço de dois segundos, o humor de Elias piorou com a visão


de Uilleam. Ele endireitou-se um pouco, levantando os ombros e estreitou
os olhos, um músculo flexionando em sua mandíbula.

A suspeita emanava dele, mas fez o seu melhor para escondê-la.

— Sempre me perguntei. — Disse Elias, com uma falsa alegria em


sua voz. — Com que frequência vocês dois ficam juntos em uma sala? Já
que estão sempre na garganta um do outro, verdade? Estou espantado
por terem chegado tão longe sem matar um ao outro.

— E a quem precisamos agradecer por isso? — Perguntou Uilleam,


com seu próprio humor. — Devo admitir, você chamou minha atenção
muito mais do que qualquer outro adversário que tive, mas verdade seja
dita, fiquei bastante irritado com você.
DEN OF MERCENARIES #4

Propositalmente inclinando seu corpo na direção de Kit, Elias


ignorou Uilleam.

— Nós temos um acordo, você e eu. Isso parece perigosamente perto


de violá-lo.

Kit colocou o copo na mesa ao lado dele.

— Você violou qualquer acordo que fizemos no momento em que


decidiu ameaçar minha esposa.

— É sobre isso que é esse pequeno encontro? Ela ligou para você e
contou sobre mim? — Elias riu. — Talvez devesse mantê-la em uma
coleira mais curta, então não precisaríamos ter esta conversa.

Uilleam estalou os dedos para chamar a atenção de Elias.

— Eu já conheci um homem suicida. Ele estava tão determinado a


acabar com sua vida que muitas vezes procurava outros para ajudá-lo.
Não se pode confiar nesse tipo de homens, nunca sabe do que são
capazes. — O olhar dele passou por Elias antes de continuar. — Eu não
pensei que encontraria outro, mas mesmo assim, não me importo de vê-
lo sair de sua miséria.

— Claro que não faria isso, prefere que todos cuidem de seus
problemas para você, não é verdade? Deve ser muito fácil tentar assumir
as organizações de todos quando tem uma equipe de mercenários para
fazer seus lances. Mas eles não são tão bons quanto você acha que são
ou esqueceu aquele evento infeliz três anos atrás?

Uma vez, isso seria o suficiente para chamar a atenção de Uilleam,


que tinha a tendência a reagir sem pensar quando alguém
DEN OF MERCENARIES #4

mencionava Jackal e o atentado a sua vida. Não que Kit o culpasse, se


estivesse tão perto da morte, não gostaria de ser lembrado disso também.

— Eu nunca percebi. — Disse Kit antes de seu irmão continuar. —


Você fala demais.

— Não sabia? — Uilleam perguntou a seu irmão. — Porque ele não


cala a boca desde que toda essa provação começou.

— Eu já tive o bastante de vocês. — Elias respondeu, perdendo o


controle cuidadoso de seu temperamento.

— Paciência, Elias. — Disse Uilleam. — Estamos apenas esperando


que nossos outros convidados cheguem.

Elias não falou novamente, apenas observou-os. Qualquer outra


pessoa poderia ter ido embora, mas Kit conhecia o homem, sabia que,
apesar de seu aborrecimento, permaneceria lá porque era curioso demais
para não o fazer.

Então novamente, não suspeitava que alguém pudesse ser mais


esperto do que ele e esse foi seu primeiro erro.

Outros minutos se passaram até que o elevador apitou mais uma


vez. As portas se abriram lentamente e Carmen saiu, vestindo um casaco
de pele, apesar do tempo.

Sua cabeça estava inclinada, pelo menos até que ela viu quem
estava dentro.
DEN OF MERCENARIES #4

Primeiro, seu olhar foi para Elias, não havia medo em seus olhos
quando ela olhou para ele, mas quando seu olhar foi para Kit e então
Uilleam, apreensão rapidamente a encheu.

Ninguém fazia a conexão entre eles, raramente ficavam na mesma


sala juntos e quando conversavam um com o outro, era com o mesmo
distanciamento que tinham com qualquer outra pessoa.

Mas quando estavam juntos, ficava claro para qualquer um ver se


prestassem atenção.

— Carmen, você chegou na hora certa. Por favor sente-se. Nós mal
começamos.

— O que é isso? — Ela perguntou a Elias, mas foi Kit quem


respondeu.

— Permita-me apresentar meu irmão. — Disse ele com uma


inclinação de sua cabeça em direção a Uilleam. — Deve conhecê-lo como
Kingmaker.

Carmen fez o melhor que pode para esconder sua surpresa, mas tão
rapidamente como se apoderou dela, a raiva a substituiu quando olhou
para Elias.

— Você sabia disso?

— Bem, se sabia? — Uilleam perguntou divertido. — Ele armou tudo


isto. Diga-me, não achou nem um pouco estranho que ele trouxesse Nix
para você sem qualquer aviso? E apenas depois que tivemos nossa
reunião discutindo a morte do seu ex-marido.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você não... — Elias começou, mas Carmen interrompeu.

— Por que ele faria isso?

— Por que homens desesperados fazem algo? — Perguntou Uilleam.


— Para guardar seus segredos.

— Cuide de sua língua. — Disse Elias antes que Uilleam pudesse


dizer outra palavra.

— Ou fará o que exatamente?

— Arrancarei sua língua.

Kit se intrometeu.

— Por mais interessante que isso possa ser, não deixarei acontecer.

— A verdade é que Elias tem tentado roubar uma série de meus


negócios nos últimos anos, vamos chamar isso de diferença de opinião
quanto à divisão entre nós. Mas conseguimos chegar a um entendimento
há pouco tempo, um favor por outro, se quiser pensar assim.

— Uill...

— Fale meu nome e cortarei sua garganta.

Kit colocou a mão no ombro de Uilleam, um comando silencioso para


ele se levantar.

— O que meu irmão está tentando dizer é que Elias concordou em


permitir que continuasse com você para matar César, contanto que ele
DEN OF MERCENARIES #4

não tomasse nenhuma ação contra você até que conseguisse o que
queria.

— Você não ganhará nada com isso. — Disse Elias com facilidade,
sua expressão nunca mudando.

— Isso é verdade? — Carmen perguntou, cabelos voando sobre o


ombro enquanto ela se virava para encarar Elias. — Você concordou com
isso?

— Não é tão simples assim.

— E se está se perguntando por que estou aqui. — Disse Kit. —


Estou aqui para mantê-lo sob controle.

— Essa não é a única razão pela qual você está aqui, é? — Elias
perguntou. — Porque enquanto está tentando dar a ela todos os motivos
para não confiar em mim, posso dar a ela muitas razões para não confiar
em você.

— Veja, aqui está a coisa sobre confiança, eu não pretendo ser


alguém que não sou. Cada pedido que ela já me fez, eu entreguei.

— Exceto a morte de sua filha, você quer dizer?

Carmen olhou entre os dois, com confusão no rosto.

— Que porra você está falando?

— Sim. — Disse Uilleam. — Sobre o que está falando?


DEN OF MERCENARIES #4

— Você está jogando agora, Kingmaker? Sua filha, Luna Santiago,


ainda está viva. E se você se lembra, Carmen pagou generosamente para
acabar com sua vida.

Agora, foi a vez de Kit sorrir.

— Você tem certeza disso?

Elias, na verdade, parecia incrédulo.

— Você ficou maluco?

— Por todos os meios, se você tiver provas, por favor, compartilhe


conosco. — Sugeriu Uilleam.

Elias não hesitou em pegar o telefone, mas ao fazê-lo, Kit escondeu


o sorriso.

Uma coisa que sempre apreciou sobre hackers é que eles tinham o
poder de realizar qualquer coisa sem nunca estar na mesma sala.

— Nós estamos esperando.

Um músculo pulsava em sua mandíbula, mas além do aperto de


seus dedos ao redor do telefone, não falou nada e sequer os olhou.

Ele soube quase imediatamente, sem que precisassem perguntar, o


que fizessem. Ele também sabia que não havia nada que pudesse fazer
sobre isso.

— Estou aqui para fazer outro acordo. — Disse Uilleam. — E se fizer


algo por mim, assegurarei que nunca mais precise lidar com Elias. E
DEN OF MERCENARIES #4

como testemunha de nossa experiência juntos, você sabe que sou bom
para isso.

— Ele está brincando com você. — Elias avisou, mas se havia uma
coisa em que Uilleam sempre foi bom, era persuadir alguém a ir para o
lado dele.

— Você não se perguntou por que suas empresas estão sendo


atacadas ultimamente? Por que sua filha foi mantida sob a mira de uma
arma para acessar arquivos que ela não sabia que estavam lá? — Kit
perguntou, derramando encanto. Podia desprezar a mulher, mas
conseguiria fingir por mais alguns minutos. — Você nunca se perguntou
como quem atacou sabia sobre o local de envio na doca quando apenas
mencionou isso para um homem?

Carmen engoliu saliva, os olhos se estreitando quando ela percebeu


falsamente como Elias tentou arruiná-la.

Era quase fácil demais fazê-la acreditar nas mentiras com as quais
a alimentavam, mas isso sempre fez parte do plano.

Kit não podia simplesmente matá-la e acabar com tudo. Uilleam


mostrou-lhe por que era importante que ambos enfrentassem a ruína
antes que fossem colocados no chão.

Como o gado levado para o abate.

Olhando para ele, Carmen o xingou em espanhol.

— Eu farei com que seja cortado em pedaços.


DEN OF MERCENARIES #4

— Você se arrependerá deste dia, Kingmaker. Asseguro-lhe. — Disse


Elias, sem se perturbar com a ameaça da mulher. — Todos vocês. —
Quando ele ficou de pé, Kit também o fez.

— E para garantir que todos nós deixemos este lugar inteiros,


sairemos todos juntos. Quem melhor para garantir a paz do que um
renomado assassino. — Disse Uilleam com um sorriso brilhante, a
surpresa de Carmen voltando. — E pensar que o estava usando como
nada mais que uma babá.

A viagem até o saguão foi silenciosa e tensa, quando as portas se


abriram mais uma vez, Carmen saiu primeiro sem olhar para trás.

Agora, era hora do final.

Eles estavam quase na porta da frente do hotel antes que homens


com equipamentos táticos invadissem a entrada, com as armas
apontadas para Carmen.

— Que porra você fez, Elias? — Uilleam perguntou, sua voz alta o
suficiente para Carmen ouvir quando foi rapidamente arrastada para
longe, um agente em um terno barato lendo seus direitos.

— Polícia? — Elias perguntou, congelado em estado de choque. —


Isso arruinará você! Ninguém vai trabalhar com...

— Você sabe. — Disse Uilleam enquanto observava a surpresa e a


raiva se misturarem no rosto de Elias. — Eu nunca tive um uso para o
governo federal dos Estados Unidos e muitas vezes, eles apenas ficam no
meu caminho. Mas estou começando a ver que têm seus usos. Acredite,
eu preferiria que Calavera atirasse na cara dela, mas isso é
DEN OF MERCENARIES #4

muito melhor, não acha? Ela não terá apenas que responder por seus
crimes e o FBI não parece aceitar muito bem o tráfico, pelo que sei, mas
uma vez que isto for resolvido, o quanto acha que seus clientes confiarão
em você?

Kit bateu nas costas do homem.

— Você está acabado, Elias.

Com seu rosto manchado de vermelho, Elias parecia estar a um


segundo de romper um vaso sanguíneo.

— Você está acabado. — Disse ele. — Vocês dois.

— Oh, ainda não percebeu? — Uilleam perguntou, gesticulando ao


redor deles. — Nós nunca estivemos aqui e até onde Carmen sabe, você
fez isso com ela. E enquanto ela tenta esgotar todas as vias que pode para
ganhar sua liberdade, não será tímida ao mencionar seu nome.

Apesar de estarem ali, nenhum dos agentes olhou em sua direção.


Poderiam muito bem ter sido invisíveis.

— Você tem uma vantagem de três horas, Elias. — Disse Kit,


sorrindo. — Sugiro que se esconda bem em algum lugar, porque uma vez
que começar a caçar você, vou encontrá-lo e mostrarei da pior maneira
que posso ser paciente quando o separar, pedaço por pedaço.

A cor foi drenada do rosto dele.

— Isso não acabou. — Disse ele, bravata ainda em vigor, apesar de


seu rosto pálido.
DEN OF MERCENARIES #4

— Estava começando a gostar dele. — Disse Uilleam quando Elias


saiu apressado, de cabeça baixa para evitar as equipes de TV que
estavam se instalando rapidamente. — Uma vergonha, sentirei falta
daquele pequeno bastardo.

— Apenas você sentiria, Uilleam. Como fez isso? — Kit perguntou,


tão curioso quanto Elias. — Não mencionou essa parte do seu grande
plano.

— Tenho amigos em lugares baixos e até alguns em lugares altos. —


Disse Uilleam vagamente. — Verdade seja dita, fiquei um pouco surpreso
por estarem tão ansiosos para prendê-la.

— Não ficará muito tempo. — Disse Kit, colocando seus óculos de


sol quando saíram de vista. — Ela tem muitos amigos em lugares altos.
Não passará um dia na prisão.

— Claro que não. — Ele concordou com muita facilidade. — Mas


esse não é meu trabalho, é seu. Tenho certeza de que não quer que eu
tenha toda a diversão, sim? Consegui o que queria de Elias, então agora
você pode fazer o que achar melhor com Carmen. Vencer. Vencer.

— Eu não estava brincando quando disse a ele que iria caçá-lo. —


Kit lembrou seu irmão. — Não esperarei por você.

— Então que o melhor homem vença. Você deu a ele três horas, mas
eu não prometi nada. Dê à senhora meus cumprimentos.

Kit observou-o desaparecer, sumindo na multidão de espectadores


com uma facilidade que quase fez parecer que nunca esteve lá.
DEN OF MERCENARIES #4

Afastando-se, permitiu um último olhar para trás em Carmen


sentada na parte de trás do carro do FBI antes dele também passar
através dos espectadores.

Ela deveria ter ficado triste ao ver a expressão chocada no rosto de


Carmen, algemas prendendo seus pulsos com ela atrás de um carro do
FBI.

Equipes de filmagem estavam por toda parte e todas as estações em


que Luna colocava cobriam o espetáculo de sua prisão.

— A renomada filantropa Carmen Rivera foi detida hoje sob suspeita


de acusações federais de tráfico de pessoas. Fontes próximas dizem que a
investigação sobre Carmen Rivera estava em construção há meses.
Acusações formais não foram apresentadas contra a empresária
proeminente neste momento.

Luna esperava ver Ariana em algum lugar no fundo, mas pelo que
podia ver, sua irmã estava ausente. Seria pelas aparências ou ela acabou
tendo sorte?

Com o passar do dia, já podia imaginar os relatos sobre a vida de


Carmen.
DEN OF MERCENARIES #4

Sem dúvida, já tinham mandados para seu clube, sua casa e todos
os veículos em sua posse e Luna dava apenas uma hora, se não menos,
antes que seus bens fossem congelados.

Nem mesmo trinta minutos depois, tanto Kit quanto Uilleam


entraram. Com os ombros relaxados, Kit parecia tranquilo pela primeira
vez... bem, em mais de um ano.

— Como? — Luna perguntou.

Ela não podia acreditar, mesmo quando a encarou. Era impossível


demais para acreditar.

— As autoridades já estavam de olho nela pela morte do marido. Sua


conexão com Agustín, o noivo de sua filha, não poderia ser ignorada. —
Uilleam observou as unhas. — Sem mencionar as fotografias de vigilância
convenientemente deixadas para eles em um pacote anônimo.

— Isso. — Kit acrescentou. — Combinado com a carga, deu-lhes o


suficiente para um mandado de busca em suas propriedades e enquanto
ela estava ocupada conosco, eles estavam procurando naquele clube
dela. Pode imaginar o que eles encontraram.

— E com um telefonema perfeitamente cronometrado de uma garota


alegando ser forçada a se vender, o FBI chegou na hora certa. Foi tudo
muito conveniente.

E... acabou.

Realmente acabou.

Luna não conseguia acreditar nisso.


DEN OF MERCENARIES #4

— E quanto a Elias? Ele não ficará satisfeito com você.

— Não, ele não está, mas no momento em que o encontrarmos, o


que não demorará muito, porque ele precisa corrigir o dano que foi feito,
todo seu poder terá acabado.

— Eu não...

Kit a interrompeu com um longo e ardente beijo que lhe tirou o fôlego
e roubou seus pensamentos.

— Acabou. — Disse ele. — Nós ganhamos e você sabe o que mais?

Luna não pode deixar de sorrir.

— O quê?

— Você está finalmente voltará para casa.

Nada poderia ter soado melhor.


DEN OF MERCENARIES #4

Três dias depois …

A paz finalmente o encontrou.

Ele finalmente cumpriu sua promessa a Luna e não havia mais


obstáculos em seu caminho, mas antes que ele pudesse lhe dar umas
férias muito necessárias, precisava lidar com uma última coisa.

Levando o jato de volta para Nova Iorque enquanto Luna permanecia


na Califórnia, Kit não disse a ninguém sobre seus planos, nem mesmo
Aidra, enquanto se dirigia para Manhattan, estacionando em frente a um
prédio de escritórios bastante obscuro bem no meio da cidade.

Levando o elevador até o andar dele, deu ao prédio um olhar


superficial, das paredes de vidro, à decoração elegante, mas simples e
claro que tinha o toque de uma mulher.

Assim que as portas se abriram com um barulho, Kit olhou ao redor


enquanto avançava, removendo cuidadosamente as luvas de couro.

Um homem com feições agudas e angulosas em um terno azul-claro


estava sentado atrás da mesa da recepção, seu sorriso já se formando
antes de Kit estar totalmente à sua frente.
DEN OF MERCENARIES #4

— Sr. Runehart. — Ele cumprimentou profissionalmente,


levantando-se antes de dar a volta na mesa. — Fui instruído a levá-lo
para a sala de conferências A.

Kit simplesmente levantou uma sobrancelha em resposta enquanto


seguia o homem. Não apressou seu passo para acompanhar.

Em vez disso, demorou para inspecionar o chão, absorvendo o


máximo de detalhes que pudesse.

À primeira vista, a decoração parecia bastante comum, as paredes


brancas com a ocasional citação emoldurada na parede e mesas da
mesma cor eram minimizadas por tons mais brilhantes, devido aos vasos
de flores em cada uma.

Ao entrar na sala onde estava sendo esperado, Kit se perguntou se


era política da empresa manter sempre flores frescas ou se eram
oferecidas. O vidro fosco protegia a sala na qual estava, de olhos curiosos
e também seguia o mesmo tema incolor que o piso, a única cor
encontrada ali era a rosa azul num vaso no centro da mesa.

Rosas azuis...

Kit tentou se lembrar por que isso parecia significativo, mas não
conseguiu.

E em uma parede que estava situada atrás da cadeira na cabeceira


da mesa, uma palavra foi pintada no centro dela, a cor apenas dois tons
mais escuros do que a pintura nas paredes, tornando difícil distinguir.

Kit não achava que teria notado se não estivesse tão perto e fosse
capaz de ver a diferença de tons.
DEN OF MERCENARIES #4

Havia apenas uma palavra pintada lá... Lenda.

— Sinto muito por deixá-lo esperando. — Uma mulher com uma voz
suavemente acentuada disse quando entrou na sala com um sorriso de
desculpas. — Entendo que seu tempo é valioso e espero que não o tenha
desperdiçado.

Esta mulher, quem quer que fosse, não era quem Kit esperava.

Esta tinha o cabelo curto, apenas um toque mais longo do que o


corte de zumbi de Tăcut. Quatro piercings em sua orelha direita,
enquanto a outra ostentava apenas dois e apesar dos saltos
impressionantes que ela usava, era óbvio que a mulher não era mais alta
que um e sessenta.

Karina, lembrava-se Kit, tinha cabelos castanhos ondulados que


usualmente mantinha em um coque bagunçado e tinha olhos bondosos
que não perdiam nada.

Esta mulher podia tentar parecer inocente, mas Kit via através da
máscara.

Quem quer que ela fosse, não queria Kit lá e se ele tivesse que
adivinhar, ela não era Belladonna.

— Há quase dois anos. — Começou Kit, observando-a. — Uma


mulher com o nome de Belladonna contratou uma tarefa com
Kingmaker... gostaria de falar com ela.

— Sim. — Disse a mulher com um piscar de olhos. — Você está


falando com ela agora, mas não precisa me chamar de Belladonna, Kava
está bom.
DEN OF MERCENARIES #4

Kit duvidava disso.

Poderia ser que sua mente se apoderou de Karina e totalmente


esperava que ela fosse a misteriosa Belladonna, mas não estava
preparado para a mulher diante dele.

— Sinto muito. — Disse Kava com um leve aceno de cabeça


enquanto gesticulava em direção à mesa para se sentarem. — Fiquei com
a impressão de que um contrato com Kingmaker oferecia anonimato.
Enquanto entendo sua relação, não entendo porque você está aqui hoje
questionando um trabalho que confiei a ele.

— Eu não estou aqui sobre qualquer contrato que você tenha


assinado com ele. Estou aqui por causa de Calavera.

A expressão de Kava não mudou quando ela o olhou. Não havia


medo do que ele poderia fazer com ela, embora até soubesse que havia
um motivo para isso.

— Sua esposa, não é?

A forma como a mulher enfatizou a palavra fez Kit acreditar que ela
sabia sobre a saída de Luna, o que apenas fazia sentido, considerando
que ela foi a razão pela qual Luna saiu em primeiro lugar.

— Seu negócio é seu. — Disse Kit, os olhos estreitos. — Mas uma


vez que decide fazer do meu negócio uma preocupação sua, você abre
uma porta.

— Você não entende. Como tenho certeza, contratei um dos


mercenários de Kingmaker para encontrar um homem que tinha uma
DEN OF MERCENARIES #4

dívida comigo. E se sua esposa descobriu a verdade sobre outros


assuntos no processo, não posso ser culpada por isso, posso?

Kit nivelou o olhar dela.

— Eu não acredito em coincidências.

— Devidamente anotado. Agora, me dirá porque está aqui ou devo


supor?

— Quem disse o nome dele?

Agora, ela piscou, momentaneamente confusa.

— Perdão?

— Andrei Kanekov pode ter trabalhado para meu irmão


ocasionalmente, mas trabalhou para mim, o que significa que poucos
sabiam do homem, quanto mais como encontrá-lo.

— Você está perigosamente perto de perguntar sobre meus negócios


e lamento informar que não é da sua conta. Como eu disse, se sua esposa
tropeçou em informações, isso não é culpa minha.

— Não faça de mim um inimigo, Kava. — Kit advertiu. — Você não


gostara de como eu jogo.

— Seja bem-vindo para tentar, Sr. Runehart, eu sei como vocês


irmãos Runehart se sentem sobre ameaças, então não me incomodo em
emitir um aviso. Mova-se contra mim e garantirei que se arrependa. —
Kava se levantou, alisando a frente da saia. — Além disso, você tem coisas
muito mais importantes no seu prato no momento, não? Eu sugiro que
termine o que começou na Califórnia. Carmen Rivera não
DEN OF MERCENARIES #4

terminou com você ainda e ao invés de tentar me intimidar, talvez deva


se preparar para o problema que enfrentará com ela.

Ele não iria quebrá-la, não hoje, Kit poderia dizer pela segurança em
sua voz, o a forma como falou com absoluta clareza.

Quer quisesse admitir ou não, uma parte dele sabia que ela estava
certa.

Carmen não era o tipo de mulher que descia sem lutar. E Elias ainda
estava em jogo também.

Ela não parecia se importar com quem ele era ou o que do era capaz
e para Kit, isso era resposta suficiente.

As únicas pessoas que não sentiam medo eram aquelas que não
tinham nada a perder. Quem quer que essa mulher fosse, ela não era
Belladonna...

Mas ela sabia quem era Belladonna.

— Entenda algo, Kava. — Kit disse enquanto se levantava devagar,


puxando as luvas de volta. — Os fantasmas não ficam escondidos para
sempre, eu os encontrarei. E diga a ela ou para quem quer que você
trabalhe, que no segundo em que ficar disponível, eu farei da minha
missão eliminá-la.

Kit não esperou para ver a reação dela às palavras dele. Saiu e
estava voltando para o aeroporto, quando recebeu uma ligação que não
pode ignorar.
DEN OF MERCENARIES #4

Sentada no escritório bem acima da cidade, Kava Alexion tirou o


fone de ouvido e jogou-o na mesa enquanto respirava profundamente.

Nenhuma quantidade de preparação poderia ter dito a ela o que


esperar com Kit Runehart.

— Você fez bem. — Veio uma voz atrás dela.

Um painel escondido estava embutido na parede atrás dela, um tipo


de escritório secreto usado apenas por uma pessoa em toda a equipe.
Quando a porta era fechada, a parede ficava sem traços.

— Eu não tenho tanta certeza. — Ela disse suavemente enquanto


enfrentava a mulher que se tornou sua mentora nos últimos dois anos.
— Ele não desistirá disso, eu posso dizer.

O sorriso de Belladonna era melancólico quando se sentou à mesa,


seu olhar atraído para o buquê no meio da mesa.

— Eles são como cachorros com ossos. E se não quisesse a atenção


dele, não me aproximaria de sua esposa.

— Então você sabe... — Kava disse hesitante. — Sabe que eles


descobrirão que você está viva.
DEN OF MERCENARIES #4

Todas as funcionárias, todas as vinte mulheres que Belladonna


escolheu pessoalmente para trabalhar para ela, conheciam seu segredo
e todas juraram nunca falar uma palavra. Não foi ela quem escondeu
quem era ou a vida que levou no passado. Na verdade, gostava de usar
suas próprias experiências para ensiná-las, assim como sua mãe e irmã
fizeram antes dela.

Mas como gostava de lembrá-las, os nomes tinham poder e


Belladonna era a mais poderosa de todas.

— Kit sabe, ele apenas quer a prova para oferecer àquele irmão de
cabeça grossa, ele é prático assim. Uilleam... — Seus olhos brilharam
quando ela disse seu nome, como se conjurasse todas as melhores e
piores emoções. — Bem, se ele não acreditou até agora, então está em
negação.

Kava não tinha tanta certeza.

Ela sabia que sua mentora falsificou sua morte, embora as razões
por trás disso nunca foram reveladas e a maneira como ela fez isso faria
qualquer um acreditar que realmente se foi..

Mas não era trabalho de Kava questionar sua chefe, meramente


pretendia ser a voz de Belladonna quando ela não podia.

— Você está planejando uma grande revelação? — Ela perguntou,


sua mente ainda sobre o ex-assassino e sua conversa chocante.

Ela não achava que alguém olhou para ela com tanta frieza antes.
DEN OF MERCENARIES #4

— Eu tenho mais uma coisa em jogo e se isso acontecer como quero,


tenho certeza que Kingmaker e eu em breve teremos uma ótima conversa.

— E Kit? O que você pretende fazer com ele?

O sorriso de Belladonna foi gentil, como tudo parecia sobre ela.

Quando Kava entrou pela primeira vez na equipe, graças à


oportunidade que mudou sua vida para sempre, ela não previu por um
segundo que Belladonna fosse capaz de fazer as coisas que fazia
diariamente. Ela parecia quase frágil, até mais do que as mulheres que
salvou.

Mas bastou uma interação com um cliente para ver por que
Belladonna deveria ser temida.

Sob a camada externa primorosa, as palavras suavemente


pronunciadas e o comportamento gentil, havia o coração de uma
selvagem, de alguém que pretendia se equiparar a Kingmaker apenas por
um momento.

— Kit está muito preocupado com sua esposa e seus órfãos para
dedicar muito do seu tempo a mim. Mas considerando seu
comportamento brutal esta tarde, talvez deva mostrar a ele que não é o
único poderoso nesta cidade.

Kava olhou para a mão de Belladonna, observando a intrincada


tatuagem de linhas sólidas, laços e pontos que cobriam quase totalmente
seu corpo. Era difícil, a menos que alguém procurasse, notar o nome
escondido dentro da tinta.
DEN OF MERCENARIES #4

— E Kingmaker? — Kava perguntou, olhando do nome do homem


cuidadosamente colocado ali para o rosto de sua mentora. — O que fará
com ele?

— Vou fazê-lo sentir o que ele fez com tantas outras pessoas ao longo
dos anos.

— E isso é?

Desta vez, nada era gentil na expressão de Belladonna, que se


tornou quase selvagem, como se ela tivesse se transformado diante de
seus olhos.

Arrancando a rosa azul do buquê, Belladonna levou-a ao nariz e


inalou.

— Dor.
DEN OF MERCENARIES #4

Com um forte azul noturno começando a se desfazer e o ar frio, Luna


se aventurou do lado de fora, com o capacete sob o braço enquanto
trancava.

— Ninguém deveria acordar tão cedo. — Disse ela com o telefone ao


ouvido, embora a maior parte de sua rabugice por ter acordado tão cedo
na manhã fosse saciada por uma boa xícara de café.

— Você pega as melhores ondas a esta hora. — Respondeu Skorpion,


com um sorriso em sua voz, mesmo quando ela ouviu a água batendo na
costa ao fundo. — E Soliel gosta de pegar conchas.

Luna não podia lutar contra o sorriso, mesmo se tentasse.

Conhecendo Skorpion pelo tempo que conhecia, sem mencionar do


que ele era capaz com uma arma em suas mãos, quando falava sobre sua
filha, a reverência que sentia por ela era clara.

Isto era o que fazia melhor.

— Então farei isso por ela. — Disse Luna enquanto montava sua
moto, mudando a ligação de seu telefone para o Bluetooth em seu
capacete. — Definitivamente não por você.
DEN OF MERCENARIES #4

— O que seja para você chegar aqui na próxima meia hora.

— Apenas se tiver sorte. — Luna zombou.

Ela não estava na Califórnia há muito tempo, mas o trânsito era pior
do que já experimentou na cidade de Nova Iorque. Não importava o
caminho pelo qual tentasse ir, todas as ruas imagináveis estavam
lotadas.

— Quando Nix volta?

— Sabe, acho que você ainda trabalha para Kingmaker pelo jeito
como os acompanha.

Durante sua posição anterior como guarda pessoal de Uilleam,


Skorpion adquiriu algumas de suas características, principalmente a
maneira que ele mantinha as pessoas por perto, que eram uma fonte vital
de informações.

E em uma cidade como Los Angeles, provavelmente era importante


para ele manter contatos.

— Não se preocupe. — Disse ela, cruzando as faixas. — Eu terei


tempo suficiente para passar com você e Soliel antes de irmos embora.

Antes de irmos embora...

Eles estavam indo para casa... para sua casa, não para Vegas,
embora, em algum momento, tivesse que voltar para arrumar seu
apartamento e ele para qualquer uma de suas propriedades em que
estivesse hospedado. Ficariam juntos e ela tinha certeza, sem sombra de
dúvida, de que as coisas seriam boas entre eles.
DEN OF MERCENARIES #4

Melhor do que nunca.

Já eram.

— Sim, tudo bem. Eu a vejo quando chegar aqui.

Depois de um rápido adeus, ela terminou a ligação, concentrando


sua atenção na estrada e na rápida luz vermelha que se aproximava.
Apesar do trânsito, havia uma coisa boa em Los Angeles e essa era a
capacidade dos motociclistas de dirigir entre os carros.

Poucas pessoas sabiam disso, mas Celt deu-lhe o alerta, ele tinha o
hábito de dar fatos aleatórios.

E talvez, se não fosse distraída por fatos úteis e aleatórios, poderia


ter notado a van preta sem placa, embora esta fosse uma Mercedes e não
tivesse a qualidade superficial, mas demorou muito para notar que algo
estava errado e mesmo com todo o treinamento no mundo, nada poderia
tê-la preparado para a porta de trás se abrir e homens com simples
máscaras de esqui saltarem, com rifles de assalto na mão enquanto
apontavam em sua direção.

Por uma fração de segundo, ela ficou paralisada de surpresa, pelo


menos até o primeiro estalo de um tiro, os gritos de resposta das pessoas
em seus carros e o guincho agudo de pneus no asfalto antes que o inferno
se soltasse.

Um motorista se virou na frente dela antes que pudesse se virar,


forçando-a a frear com força, fazendo-a voar sobre o guidão quando a
moto bateu na lateral do carro. Ela caiu no capô com um impacto
DEN OF MERCENARIES #4

chocante, a dor fazendo sua respiração travar um momento antes de cair


no chão e rolar.

Mas mesmo com a dor que surgiu, a adrenalina a tornou menos


sensível.

Arrastando-se para trás de um carro deixado abandonado por seu


proprietário aterrorizado, ela puxou suas armas rapidamente, soltando a
trava com um toque de seus polegares.

Esperando até que houvesse uma pausa no tiroteio, ela saltou para
cima, disparando uma série de rodadas. Não levou um momento para
mirar e ter seus alvos à vista como foi ensinada, atirou cegamente na
direção que eles atiraram.

O primeiro grunhido de impacto a fez se abaixar, respirando forte


pelo nariz enquanto tentava concentrar seus pensamentos, mas estava
em pânico, quer quisesse ou não

Ela podia fazer isso.

Ela podia fazer isso.

Ela podia fazer isso.

Pelo menos até que viu outro furgão guinchar até parar, as portas
se abrindo quando mais homens saltaram com ela em sua mira.

Ela estava em menor número e desarmada.

E com o capacete crepitando com estática enchendo seus ouvidos,


não havia como ligar para ninguém pedindo ajuda, não que eles
pudessem alcançá-la a tempo.
DEN OF MERCENARIES #4

Ela precisava dar o fora dali.

Luna não pensou, indo através da rua para o beco, balas passando
por sua cabeça, mas não ousou diminuir seu ímpeto.

Não importava que não conhecesse bem as ruas de Los Angeles ou


que pudesse ouvi-los a perseguindo, era menor e mais leve em seus pés.

Alcançando o beco, ela desviou para esquerda, depois fez outro


desvio à direita quando entrou em outro beco, olhando para trás. Eles
estavam apenas alguns segundos atrás dela, com os pés pesados altos
enquanto corriam.

Mas ela tinha tempo o suficiente para virar outra esquina e se tivesse
sorte, poderia perdê-los dentro de um dos muitos prédios que se
alinhavam na rua.

Quase. Quase. Quase.

Seus dedos envolveram uma maçaneta quando uma dor lancinante


a atravessou, prendendo todos seus músculos, seu corpo se apoderando
da intensidade dos volts de eletricidade disparando através de suas veias.

A última coisa que viu antes que as manchas pretas em sua visão a
dominassem foi o rosto sorridente de Elias.
DEN OF MERCENARIES #4

Fang…

Do outro lado da cidade

— Não entendo por que ainda estamos tendo essa conversa.

Fang suspirou, esfregando a mão pelo rosto. Ele viu Aidra sair da
cama, desaparecendo no armário com o rosto franzido de raiva.

Ele deveria saber melhor do que trazer isso novamente,


especialmente depois de seu último argumento, mas Fang nunca foi
alguém que segurasse a língua. Honestidade era uma política rígida dele.

Mesmo que doesse.

— Nix é um cara grande. — Disse Fang enquanto empurrava o lençol


de suas pernas, torcendo para que pudesse colocar os pés no chão, mas
não fez nenhum movimento para se levantar. — Ele já disse que você não
precisa segui-lo em todos os lugares.

— Desde quando você começou a ter um problema com meu


trabalho, Fang? — Aidra perguntou, reaparecendo na porta com um
vestido na mão quando rapidamente vestia e fechava o zíper.

— Desde que há uma chance de você se machucar por causa disso.

Ela não estava entendendo. Não era que ele não queria que ela
fizesse o que fazia, não queria que ela ficasse em casa o dia todo enquanto
ele lidava com toda a merda perigosa, apenas não queria a maldita legião
DEN OF MERCENARIES #4

de inimigos, como uma vingança contra seu chefe, a visasse quando não
conseguissem chegar até ele.

Não era como se não tivesse acontecido antes, mas naquela época,
eles não tinham este relacionamento, e ele não achava que era o lugar
dele.

Mas agora... a merda era diferente.

— Eu posso cuidar de mim. — Disse ela, colocando o cabelo para


cima.

— Quando foi a última vez que precisou fazer? — Fang disse,


observando e odiando o modo como a cabeça dela recuou como se ele a
tivesse ofendido.

— Não sou eu dizendo que você não pode. Apenas estou tentando
ser realista aqui. E se a merda já caiu no ventilador, você está
presumindo que suas mãos salvarão sua vida. Mas punhos rápidos não
impedirão uma bala, querida. Jesus, você nem carrega uma porra de
arma.

— Porque... — Mas ela se conteve, seus lábios pressionando juntos.

Era tarde demais, porém, ele já sabia o que ela estava prestes a
dizer.

— Porque Nix estaria lá, certo? Ele poderia protegê-la. E se não o


fizer, eu, Tăcut, Invictus ou Thanatos, faremos, mas não há garantia de
que estarmos lá também.

— Fang...
DEN OF MERCENARIES #4

— Sem mencionar que raramente estamos no mesmo trabalho. É


apenas você e Nix, mas se algo acontecesse com ele, o que então?

— Então você não confia em Nix agora? — Aidra perguntou, seu


olhar glacial.

— Eu confio nele com a minha vida.

— Mas você não confia nele com a minha?

Fang se levantou, cruzando o quarto com alguns passos rápidos


para impedi-la de ir embora.

— Não torça minhas palavras.

Ela inclinou o queixo para cima uma fração, desafio brilhando em


seus olhos.

— Você não pode ter os dois lados, Fang. Acha que eu sou incapaz
ou você acha que Nix é.

— Por que nós temos que brigar sobre isso, querida?

— Porque eu não preciso de você para me proteger de qualquer


coisa. Posso cuidar de mim mesma.

Mais frustrado do que jamais se sentiu em sua vida, Fang recuou,


passando os dedos pelo cabelo enquanto lutava com o tornado de
emoções que fervilhavam dentro dele.

— Por que porra sempre precisa chegar a isso com você?

— Como?
DEN OF MERCENARIES #4

— Estou plenamente ciente de que você pode cuidar de si mesma.


Eu não estou dizendo que não pode, mas isso não significa que tenha que
assumir riscos desnecessários.

— Como eu estou...

— Ele não precisa de você. Qual é a diferença entre sentar atrás de


uma mesa e ficar um passo atrás dele enquanto ele fala e você fica lá
como uma criança?

Fang soube que foi a coisa errada a dizer no momento em que as


palavras saíram de sua boca, mas era tarde demais para pegá-las de
volta. E sabia que um pedido de desculpas não consertaria isso.

Aidra já desligou. Sua postura relaxou e sua expressão pode ter


clareado, mas seus olhos lhe disseram tudo que sua boca não o fez.

— Adeus, Fang.

Ela nem olhou para ele enquanto pegava sua bolsa e sapatos,
desaparecendo pela porta afora. Sequer a bateu, embora quase desejasse
que tivesse feito isso.

Talvez então ele pensasse que ela se importava com o que estava
dizendo.

Ele não se importava com sua raiva, sua frustração ou tristeza, mas
quando ela não lhe dava nada... isso o incomodava mais.

E de pé ali, Fang pesava o que fazer em sua mente, se deveria deixá-


la em paz e esperar que se acalmasse, o que funcionasse melhor, mas,
novamente, ela nunca ficou tão irritada com ele.
DEN OF MERCENARIES #4

Porra.

Bem, se ela ficaria irritada, pelo menos deveria ter ficado irritada ali,
onde poderiam trabalhar com essa merda.

Agarrando a calça jeans que deixou abandonada no chão na noite


anterior, enfiou as pernas nela e puxou as botas enquanto corria para
fora do quarto do hotel, indo para a escada em vez do elevador.

Assim que chegou ao saguão, seu olhar observou o andar principal,


ignorando a maneira como olhares curiosos o olhavam desde que estava
meio vestido e provavelmente ostentava uma série de hematomas, para
não mencionar o restante dele.

Ela não poderia ter ido longe, não quando os elevadores estavam
lentos como merda e dificilmente havia espaço para andar.

Movendo-se através do lobby, ele procurou por ela, mas não


encontrou nenhum sinal. Tirando o celular do bolso, discou o número,
colocando o telefone no ouvido e esperando que tocasse.

Caiu no correio de voz muito mais cedo do que gostaria.

— Sinto muito. — Disse ele enquanto se dirigia para fora, olhando a


rua, mas ainda não encontrando nenhum traço dela. — Preciso que fale
comigo para que eu possa me desculpar pessoalmente, sim?

Ele desligou, já discando novamente, sabendo que, se ele ligasse o


suficiente ou a aborrecesse o suficiente, ela eventualmente responderia,
mesmo que apenas para dizer a ele para se foder.

Isso seria melhor que nada.


DEN OF MERCENARIES #4

Fang estava muito focado em seu telefone e no que estava


diretamente à sua frente para notar a van que seguia pela rua. Talvez
tivesse visto o reflexo de Aidra atrás do vidro, gritando por ele antes que
uma bolsa preta fosse aberta e empurrada em sua cabeça.

Duas horas depois …

Kit sempre mantinha seu telefone ligado e pegava antes que o


aparelho tocasse com novas mensagens. Esperava que houvesse
algumas, sempre havia trabalho a ser feito, mas quando viu de onde
vinham algumas delas, seu alarme aumentou.

Ignorando a maioria, retornou a que mais lhe importava e a ligação


mal se conectou antes que o homem da outra linha dissesse:

— Você ouviu falar de Luna?

— Não desde que saí. — Ele respondeu, colocando o telefone entre


a orelha e o ombro antes de pegar o outro telefone que mantinha. — Por
quê? Ela não deveria estar com você?

— É por isso que liguei, ela não chegou aqui.

Embora Skorpion tivesse trabalhado para seu irmão por muitos


anos e os dois estivessem muito mais próximos do que ele e o mercenário,
Kit sabia, sem sombra de dúvida, que Skorpion não ligaria a menos que
pensasse que algo estava errado.
DEN OF MERCENARIES #4

— Onde está o...

— A caminho. — Disse Skorpion antes que pudesse fazer a


pergunta.

— Ele deveria estar aí agora.

Foi então que um carro elegante entrou em alta velocidade no


hangar, mal parando antes que a porta dos fundos se abrisse e Uilleam
estivesse ali, com uma expressão grave no rosto.

— Entre.

Em qualquer outro momento, Kit daria uma despedida antes de


desligar com Skorpion, mas seus pensamentos estavam em Luna e a
razão pela qual todo mundo parecia estar em pânico.

— O que foi? — Kit perguntou no momento em que entrou no carro


e eles estavam acelerando. — Onde porra ela está?

Uilleam abriu a boca, mas... hesitou. Hesitando contou a Kit tudo o


que precisava saber e confirmou seus piores medos.

— Por quem?

— Não vamos fazer perguntas para as quais sabemos a resposta. —


Disse Uilleam. — O número de série para o telefone dela, nós precisamos
dele.

Foi então que Kit percebeu que eles não estavam sozinhos no carro,
que uma garota de apenas dezessete anos estava sentada à frente deles
com um laptop no colo enquanto olhava para Kit com uma mistura de
medo e reverência.
DEN OF MERCENARIES #4

— Quem porra é você? — Ele perguntou, o tom em sua voz fazendo-


a olhar para Uilleam.

— Winter. A hacker.

Ela não era mais do que uma criança...

— Eu tenho o meu próprio.

Uilleam abriu a boca, mas a moça bateu nele.

— E se é o mesmo que você tentou usar quando estava escondendo


seu envolvimento com Calavera, então por todos os meios, não perca
tempo precioso quando eu sou a melhor que existe.

Seu olhar voltou para ela, surpreso com sua irritação, mas se
lembrava muito bem do jeito que Syn ficou quando ele ficou contra ela.

Abrindo um aplicativo em seu telefone, passou a ela o dispositivo,


mostrando-lhe a informação.

— Encontre-a.

Voltando-se para o irmão e ignorando o modo como ela olhou para


ele, perguntou novamente.

— O que aconteceu?

— Não tenho certeza. E antes de você interromper, sei que ela foi
levada, isso eu sei. A questão é qual deles a levou.

— Essa não é minha pergunta. Quero saber onde ela está.


DEN OF MERCENARIES #4

— Acalme-se, irmão e pense racionalmente. E se soubermos quem


a levou, podemos saber melhor onde encontrá-la.

Ele estava certo, mesmo que Kit não admitisse isso em voz alta.

Porra. Ele sabia melhor do que ninguém para nunca deixar uma
tarefa inacabada.

Não havia tal coisa como estar acabado porque um lado admitiu a
derrota.

Não, não acabava até que ele ou a pessoa que estava atacando
estivesse morto.

— As opções são bem claras, não? — Kit perguntou. — Carmen, a


irmã ou Elias. Pode ser apenas um dos três.

— O problema é que não consigo me aproximar deles.

— Por que porra não?

— É com...

— Eu tenho o endereço. — Winter anunciou, jogando de volta para


Kit seu telefone. Ela deu o endereço para o motorista e o homem atrás do
volante pressionou o pé um pouco mais forte, não se importando de
passar por um sinal vermelho e deixar um número de motoristas irritados
em seu rastro.

Pegando o telefone, encontrou o contato de Fang e ligou, batendo


com o polegar no joelho enquanto esperava que o homem respondesse.
DEN OF MERCENARIES #4

Assim como com Skorpion, Fang falou antes que Kit pudesse falar.

— Aidra está com você?

Um arrepio percorreu a espinha de Kit, mas empurrou o medo que


sentia para uma parte distante de sua mente. Ele não conseguia se
concentrar nisso agora.

Segurando uma maldição, Kit perguntou:

— Onde ela estava na última vez que você a viu?

— Ela estava comigo. — Ele respondeu imediatamente, em seguida,


disse palavras em romeno para Thanatos. — As coisas ficaram um pouco
quentes e ela saiu, estava um minuto atrás dela, mas praticamente
desapareceu.

Kit esfregou os olhos, a tensão dentro dele subindo. Não havia como
os dois eventos não terem relação.

— Estou enviando um endereço para você. Vá para lá, agora. — Kit


terminou a ligação antes que pudesse fazer mais perguntas e depois disse
à Uilleam: — Eles também levaram Aidra.

— Uma vez que elas estiverem em casa em segurança, eu não me


importo se é você, seu Wild Bunch ou meus mercenários, mas quero eles
todos mortos dentro de vinte e quatro horas.

Eles estariam mortos dentro de sete.


DEN OF MERCENARIES #4

— Pode usar uma arma? — Kit perguntou, puxando uma das Glocks
que ele segurava, pronto para passar para Winter, mas seus olhos se
arregalaram quando ela balançou a cabeça.

— Ela fica aqui.

Kit não se incomodou em questionar Uilleam, nem se importou


particularmente com o fato de alguém em sua equipe não saber como
lidar com uma arma.

Eles chegaram ao parque não mais de dois minutos atrás e o olhar


de Kit já estava procurando na grama por algum sinal de Luna ou Aidra,
mas se elas estivessem lá fora, não conseguia vê-las.

— O telefone dela está marcando da torre leste. — Winter disse antes


de sair do carro. — Isso está do outro lado do lago.

A mente de Kit correu com as possibilidades quando saiu, seus


passos se apressaram enquanto atravessava o parque, procurando sinais
de alerta, mas quando se aproximaram de onde Winter disse a ele que
Luna deveria estar, não encontrou sua esposa lá.

Ele encontrou Elias em seu lugar.


DEN OF MERCENARIES #4

O homem tinha um sorriso conhecedor enquanto segurava o


telefone de Luna, dando um pequeno aperto de ênfase antes de colocá-lo
no banco ao lado dele.

— Eu sabia que você não me deixaria esperando.

Kit não se importava de jogar jogos de palavras.

— Onde ela está?

— Ela está segura... por enquanto, mas se quiser que ela permaneça
assim, preciso de algo em troca. — Seu olhar foi para Uilleam, a malícia
em sua expressão se aprofundou. — E não quero suas ameaças,
Kingmaker. Isso não envolve você.

— Entenda-me. — Disse Uilleam sem preâmbulos. — Que se algo


acontecer a ela, não haverá nada que não me impeça de caçar cada coisa
que você gosta e destruí-la. Eu juro.

— Ele nunca soube ouvir bem, não é? Mas suponho que nós não
estaríamos aqui se ele soubesse como ficar no lugar dele.

— O que você quer? — Kit perguntou com os dentes apertados.

— Eu quero que você faça o que faz melhor. — Alcançando em seu


bolso, ele puxou um pedaço de papel. — Neste endereço, você encontrará
um homem com o nome de William Tremaine. E se quiser ver aquela sua
adorável esposa novamente ou sua assistente, ele precisa morrer
precisamente às 7:15. Nem um minuto antes, nem um minuto depois.

— E como você vai saber quando terminar?


DEN OF MERCENARIES #4

— O homem tem um marca-passo, que um dos meus associados


está monitorando. Quando o coração dele parar de bater, eu saberei.

Kit olhou para o relógio.

— Como eu sei que elas ainda estão vivas?

Elias pegou seu telefone, fazendo uma ligação antes de entregá-lo a


Kit.

Com o coração trovejando em seus ouvidos, ele piscou, tentando


entender o que estava vendo, mas a pessoa que segurava a câmera, quem
quer que fosse, foi muito cuidadoso, certificando-se de que apenas Luna
e o fundo plano atrás dela fossem a única coisa no quadro.

Seus braços estavam algemados acima dela com pesadas correntes,


uma faixa de fita adesiva cobrindo sua boca, mas não havia medo em
seus olhos enquanto olhava para a câmera. Havia um brilho calculado
ali, um que dizia que se o homem chegasse mais perto, ela encontraria
uma maneira de se libertar.

Ela estava segura... por enquanto.

A ligação caiu abruptamente, fazendo-o sentir como se seu coração


tivesse caído, mas não deixou que isso refletisse em seu rosto, não
mostraria fraqueza.

— E Aidra... — Outra ligação.

Outro vídeo.
DEN OF MERCENARIES #4

Mas ao contrário de Luna, Aidra estava dentro de um tanque claro,


com os pulsos e tornozelos presos, mas enquanto não havia nada além
de desafio no olhar de Luna, Aidra tinha medo real.

Alguém estava na sala com ela, alguém que jogou um balde de água
sobre a cabeça, acrescentando à água que já estava no tanque.

Eles não sabiam que ela tinha medo de se afogar... ninguém sabia
disso. Não era um fato que ela frequentemente compartilhava.

Mas isso não importava, porque ele não deixaria isso acontecer.

— William Tremaine. — Repetiu Kit. — Uma vez que ele estiver


morto?

— Você receberá uma ligação do meu associado com um endereço.

— Você acha que o deixarei ir embora? — Uilleam perguntou, com


uma raiva mal escondida em seus olhos.

Uma parte dele poderia ter ficado realmente irritada porque Luna foi
sequestrada, mas Kit sabia que era mais porque ele foi superado...
especialmente por um homem que considerava menos que ele.

— Eu não acho que você tem muita escolha. — Elias respondeu. —


Provavelmente pode adivinhar o que acontecerá se algum mal vier a mim,
elas estarão mortas antes que meu corpo fique frio. Nós dois sabemos
que Nix aqui nunca deixaria isso acontecer, não é, filho?

Kit não respondeu, não havia necessidade.

— Você está jogando um jogo muito perigoso.


DEN OF MERCENARIES #4

— É aí que você está errado, Kingmaker. Eu parei de jogar o jogo por


muito tempo. Veja, nunca entendi porque havia uma ordem de que você
não deveria ser prejudicado. É um incômodo e uma fonte constante de
aborrecimento, colocaria você no chão muito antes que ela tivesse
permitido isso.

Os pensamentos de Kit foram imediatamente para a misteriosa


mulher que Luna encontrou e tudo o que ela compartilhou. Nunca foi
sobre ele, percebeu, mas Uilleam.

Mesmo quando esse sentimento se amplificou, porque suas dúvidas


de que Karina era Belladonna estavam desaparecendo com cada nova
informação que descobria e estava mais preocupado com o fato de que
um inimigo estava obviamente lá fora, que sabia muito sobre eles.

Uilleam era impotente quando se tratava dela. E se houvesse alguém


que poderia derrubar tudo o que construíram, seria ela.

— Mas já faz muito tempo. — Disse Elias, passando as mãos pela


frente da calça. — E meu Deus, acho que finalmente estou me divertindo.
— Tocando seu relógio, seu olhar foi para Kit.

— Nem um minuto antes. Nem um minuto depois. Você pode


precisar seguir em frente, para não perder sua janela de tempo.

Embora tudo nele se rebelasse com a ideia, nunca foi de desistir de


uma briga. Kit não tinha escolha.

Agarrando seu irmão pelo braço, virou as costas para o homem que
ambos odiavam, apertando os dentes quando a risada de Elias ecoou
atrás deles.
DEN OF MERCENARIES #4

Kit se aproximou de suas caixas de anotações antes de se aventurar


na parte de trás do closet onde mantinha a entrada com o selo de Lótus
no topo.

Passando rapidamente a mão pelo topo, pensou na última vez em


que a abriu, anos antes, quando ainda fazia parte da Sociedade Lotus.

Nunca foi necessário que revisitasse essa parte de sua vida, ainda
podia concluir um trabalho sem o conteúdo dessa caixa, mas para este,
pelo que estava em jogo, não queria arriscar.

Introduzindo a combinação na fechadura antiga, a torceu e levantou


o topo, seu olhar observando o conteúdo com familiaridade.

Dentro havia dois conjuntos de facas, as alças feitas de ossos, outro


com três pistolas modificadas e silenciadores, um colete à prova de balas
que foi adaptado com tecnologia especializada que o deixava mais leve
que a média e finalmente, seu livro preto.

Cada assassino da Sociedade Lotus tinha seu próprio código, sua


própria maneira de lembrar as tarefas que completaram. Kit conhecia
alguém que mantinha recortes de notícias de eventos obscuros, mas
como a data e o local eram os mesmos, ela mantinha o controle de suas
mortes daquela maneira.
DEN OF MERCENARIES #4

Kit, por outro lado, não usava nenhum código elaborado, apenas
mantinha a data e a hora em que sua morte era feita dentro das páginas
de seu livro.

Setenta páginas, vinte linhas por página e ele tinha apenas nove
páginas restantando oito, no final da noite, quando preenchesse esse
espaço.

Um último trabalho.

Pegando-o, o colocou em uma prateleira por perto antes de pegar o


colete e prendê-lo no lugar. Então se vestiu antes de se armar com armas
suficientes para estar preparado para qualquer coisa.

Kit estava colocando uma adaga na manga de sua jaqueta quando


os passos chamaram sua atenção para Uilleam chegando na porta.

Ao contrário dele, seu irmão não estava vestido para a guerra e


conhecendo-o tão bem, Kit duvidava que o homem carregasse uma arma
com ele.

Colocando as mãos nos bolsos, Uilleam sorriu.

— Já faz um tempo, não? Que trabalhamos juntos assim, quero


dizer.

Kit balançou a cabeça.

— Isso é porque você realmente gosta de fazer de mim um inimigo.

— Isso é um pouco exagerado, irmão. — Ele saiu da parede, indo até


o globo de vidro em uma prateleira. Com um movimento do dedo, fez a
DEN OF MERCENARIES #4

esfera girar. — Eu apenas gosto de torcer as bobinas e ver as pessoas


dançarem.

Kit encolheu os ombros e depois olhou para o irmão.

— Qualquer coisa que você diga.

— Meus mercenários...

Passando por ele, Kit saiu do quarto.

— Eu nunca precisei de seus mercenários, não vejo por que


precisaria agora.

— Estamos caminhando em um cenário desconhecido. Embora


tenha certeza de que você tem um balanço ruim, é provável que William
Tremaine tenha segurança suficiente para que, mesmo que fosse capaz
de eliminá-los, pudesse fugir temporariamente.

— É verdade. — Kit concordou. — Mas é por isso que os tenho.

Wild Bunch estava ao pé da escada, com máscaras e equipamentos


no lugar.

Kit não duvidava que os mercenários de Uilleam fossem capazes de


lidar com eles, mas confiava mais em The Wild Bunch. Ele sabia como
funcionavam, como se moviam e além disso, na improvável chance de
não conseguir fazer o trabalho, sabia que eles seriam capazes.

— Vamos nos mover.

Uilleam foi o último a sair de casa, com o celular na mão enquanto


entrava no banco do passageiro do carro de Kit.
DEN OF MERCENARIES #4

Quando Kit entrou atrás dele, uma voz soou sobre o alto-falante.

— Eu tenho tudo o que você pediu.

— Então me diga por que Elias precisa do político morto. — Disse


Uilleam, afivelando o cinto de segurança enquanto saíam.

— Para ser honesta, há muita coisa que ainda não entendo, mas...

— Então nos diga o que você sabe. — Disse Kit.

— E se você parasse de agir como insuportável e me deixasse de


falar.

— Eu chegarei a isso.

Kit arqueou uma sobrancelha, surpreso pela audácia dela, mas


Uilleam apenas pareceu divertido.

— Estou começando a entender por que você está na casinha de


cachorro.

— Winter. — Mas Uilleam não parecia repreendê-la nem um pouco.


— Diga-nos o que você encontrou.

— Como estava dizendo. Qualquer conexão entre Elias e Tremaine é


praticamente inexistente, mas tinham algo em comum. Há um banco, o
Grayson Memorial, no qual ambos têm contas. Os relatos de Elias estão
obviamente enterrados sob muitas informações inúteis, mas encontrei.
— Winter não poderia soar mais orgulhosa se tentasse. — Tremaine, por
outro lado, foi muito mais fácil de encontrar.
DEN OF MERCENARIES #4

— Um momento, Winter. — Uilleam disse antes de colocar a


chamada em espera. — Grayson Memorial, você conhece?

Kit assentiu.

— Propriedade privada e vários de meus associados fazem negócios


por meio deste banco.

E por associados, ele se referia aos homens e mulheres que


precisavam de um banqueiro experiente para movimentar seu dinheiro
sem ser detectado.

Ninguém sabia o segredo de Grayson e como ele conseguiu ficar fora


do radar por tanto tempo, mas enquanto fosse capaz de fazer o seu
trabalho, ninguém se importava particularmente.

Uilleam estudou-o um momento antes de dizer:

— Interessante. — Depois voltou a ligar. — Continue, Winter.

— Porque longos silêncios são totalmente normais... a maioria dos


políticos tem seus vícios e o de Tremaine são prostitutas, totalmente
original. Curiosamente, tem havido algumas conversas sobre ele nos
meus círculos. Alguns acham que ele não gosta apenas de arrancar suas
peles, também tem uma queda por estrangulamento.

Seja um homem bom ou não, o político ainda teria que morrer esta
noite, mas ficou mais fácil saber que o homem não era inocente.

— Envie-me tudo o que você tem sobre ele. Nós chegaremos em


quinze minutos, então diminua a segurança.

— Claro, chefe.
DEN OF MERCENARIES #4

— O que você está planejando? — Kit perguntou uma vez que


desligou o telefone.

Uilleam tentou manter a expressão neutra, mas Kit aprendeu


rapidamente como ler até as expressões mais minuciosas.

— O que faz você pensar que estou planejando alguma coisa?

— Não há necessidade de você saber alguma coisa sobre William


Tremaine. O simples fato de estar perguntando sobre ele me diz que
pretende tentar usar o homem de alguma forma.

— Nunca é sensato desperdiçar uma oportunidade potencialmente


lucrativa. Você faz o seu trabalho e eu farei o que faço melhor.

Entrando na propriedade, Kit não discutiu com o irmão, sabendo


que ele faria o que quisesse. Independentemente de qualquer informação
que Uilleam esperasse obter do homem, Kit pararia o coração dele
quando chegasse a hora.

Apagando as luzes antes que chegassem perto da residência, Kit


estacionou a cerca de um quarteirão de distância.

Wild Bunch não esperou por ele, movendo-se sem instrução para a
mansão.

Uilleam chamou seu hacker, esperando até ela responder antes de


dizer:

— Desative o alarme.

— O perímetro está definido. — A voz de Fang passou pelo


comunicador que Kit tinha em seu ouvido.
DEN OF MERCENARIES #4

— Os alarmes estão desligados. — Winter disse em seguida.

Kit assentiu para si mesmo.

— Violação.

— Fique na linha. — Disse Uilleam a Winter. — Encontre tudo o que


puder com as informações que lhe der.

— Entendido.

Kit foi o primeiro a sair de seu carro enquanto Uilleam o seguia em


um ritmo mais lento. Ele estava calculando, passando por possíveis
estratégias até o momento em que estavam dentro da casa e se movendo
pelos corredores até chegarem à sala de estar onde Wild Bunch tinha
William Tremaine de joelhos.

Seus olhos estavam tão arregalados quanto pires, mas com duas
armas apontadas para sua cabeça, ele não ousava se mexer.

E uma vez que estavam no quarto, a atenção de Tremaine mudou


para eles, seu olhar observando Kit, embora não houvesse
reconhecimento.

Mas quando ele olhou para Uilleam...

Suor escorreu na testa do homem enquanto olhava entre eles, o


pomo de Adão balançando quando ele engoliu.

Uilleam se sentou na cadeira de onde o homem foi retirado, olhando-


o com um interesse velado.
DEN OF MERCENARIES #4

Não havia dúvida de que pensou em todas as vantagens possíveis


que poderia obter usando o homem, a questão era qual opção o
beneficiaria mais.

— Boa noite, Sr. Tremaine. Espero que não tenhamos interrompido.


— Disse Uilleam casualmente, mesmo quando Kit estava lá com uma
arma apontada para a cabeça do homem.

— Eu-eu nunca cruzei com você. — O homem disse, seu olhar


voltando para arma. — Eu não o faria.

Uilleam parecia bastante feliz com isso.

— Minha reputação me precede. Fico feliz que não tenhamos que


perder nosso tempo com introduções desagradáveis. Agora, você tem
aproximadamente. — Uilleam fez uma demonstração de olhar para o
relógio. — Sete minutos para me dizer exatamente o que quero saber. E
se você fizer isso, não o matarei. E se não fizer, mostrarei da pior maneira
o que acontece se me desagradar. Começamos?

Tremaine acenou com a cabeça bruscamente.

— Diga-me tudo o que você sabe sobre o Grayson Memorial e Elias


Harrington.

Tremaine visivelmente empalideceu, a boca se abrindo enquanto ele


parecia sem palavras, mas quando Kit bateu um dedo enluvado no pulso
nu, o homem entendeu a mensagem.

— Eu não...
DEN OF MERCENARIES #4

— Confie em mim, não me importo nem um pouco com suas


prostitutas e com qualquer fetiche que você tenha, quero saber como o
dinheiro muda de mãos. Apesar de ser eu, muito poucos estão dispostos
a compartilhar as informações comigo. Eles parecem pensar que estou
atrás do dinheiro deles. — Uilleam revirou os olhos. — Como se não
tivesse o meu próprio...

— Eu não sei, mas... — Ele acrescentou rapidamente quando


Uilleam balançou a cabeça. — É apenas porque Grayson nunca e
provavelmente nunca mencionará o sistema que usa.

— Não há muito que possa fazer com essa informação, temo. —


Uilleam deu um aceno insidioso de sua mão, como se dando permissão
para o homem morrer, mas William não desistiu.

— Eu ouvi um boato. — O homem disse rapidamente. — Que ele


tem alguém que comanda números para ele. Ninguém sabe quem é, mas
supõe-se que quem quer que seja detenha todos os segredos de Grayson.

— Um banqueiro, então? — Perguntou Uilleam, parecendo curioso.


— Um nome, se você não se importa.

— Roger Fitzpatrick.

Agora, isso era interessante. Uilleam já estava olhando para o


homem e suas conexões com a loja de Ariana, mas desde que nada de
útil veio, eles não se preocuparam em persegui-lo.

Agora, precisariam dar uma segunda olhada.

— E Elias? Certamente, um homem de sua posição deve ter alguma


sujeira dos outros que procuram o banco por seus serviços.
DEN OF MERCENARIES #4

Também porque Elias obviamente queria o homem morto.

Uilleam poderia estar interessado na razão por trás disso. E ele


gostava de quebra-cabeças, mas Kit não.

— Três meses atrás, Elias veio ao banco com uma oferta, mas eu
não sabia exatamente o que fazer. Grayson não ficou particularmente
entusiasmado com isso, mas finalmente concordou com o acordo porque
Elias fez uma oferta que ele não pode recusar.

— E essa oferta foi? — Kit interveio, consciente do relógio atrás da


cabeça do homem que estava lentamente passando por sua morte. — Eu
apenas sei que envolvia Carmen Rivera.

— Claro que sim.

Porque a vida de Kit já não era difícil.

— Diga-me, Sr. Tremaine, por que Elias mandaria alguém como eu


para matá-lo?

O homem se encolheu com a palavra matar. Ele parecia estar


torturando seu cérebro por uma resposta, mas não esperou muito tempo
antes de seu olhar piscar de volta para o relógio atrás dele e estava
lançando uma resposta.

— Eu tenho um amigo cujo filho está concorrendo a um cargo e


ofereci minha ajuda para fazer sua campanha decolar.

Kit praticamente podia ver o interesse de Uilleam neste crescente


enigma.

— E o nome desse amigo?


DEN OF MERCENARIES #4

Agora, Tremaine parecia inseguro, como se soubesse que eles


chegaram ao fim da linha sem ter que verificar a hora.

Esta era a última chance que ele teria de salvar a si mesmo.

Logo abaixo de sua respiração, ele ofereceu um nome que Kit não
ouvia há muito tempo, mas cujo próprio enunciado fez suas sobrancelhas
se arquearem de surpresa.

As coisas ficaram muito mais interessantes.

— Obrigado. — Disse Uilleam. — Por sua cooperação.

— Então você não vai me matar? — Tremaine perguntou, a


esperança queimando em seus olhos.

— Eu sou um homem de palavra. — Disse Uilleam. — Eu não o


matarei esta noite.

O homem respirou fundo, com a cabeça apoiada nos ombros


enquanto suspirava de alívio.

— Mas não posso te salvar de Nix, eu temo.

William Tremaine não teve a chance de sequer olhar para cima antes
de Kit mirar e disparar, enviando uma bala à cabeça do homem.

Nem dois minutos depois, o telefone de Kit tocou.

— Eu vejo que você é muito bom em seguir instruções. — Disse Elias


quando a ligação foi conectada.
DEN OF MERCENARIES #4

— O endereço. — Kit exigiu, sem paciência com o homem.

— 4649, Lexington e Frankforth. — Veio a resposta de Elias e Kit


ficou a segundos de desligar quando o homem falou novamente. — E
3251 Adams Street para sua adorável assistente. Eu me apressaria se
fosse você, Nix. Elas não têm muito tempo.

Seu telefone tocou quando a ligação terminou.

Kit deu a Fang o endereço para Aidra.

— Vá e não hesite em matar qualquer um em seu caminho.

Não precisava ser dito duas vezes.

— Eu cuidarei disso. — Uilleam disse, seu telefone de volta ao


ouvido, enquanto seu olhar permanecia firme em Kit.

— Você cuide disso.


DEN OF MERCENARIES #4

Inalar.

Luna ignorou a tensão que sentia em seus pulsos, mesmo quando a


corda esfregou a pele, tentando se levantar por nada mais do que pura
vontade e seu desejo de se vingar dos dois idiotas que a amarraram em
primeiro lugar.

O pânico inicial de ser tomada tinha entorpecido, embora ainda


houvesse um pouco de medo no fundo de sua mente que Kit não chegaria
a ela a tempo.

Os dois homens que Elias enviou para levá-la estavam um pouco


ansiosos demais e um tanto felizes com a ideia de fazê-la sofrer.

Além de alguns golpes no rosto, eles não a torturaram muito, se


aventurando em algum lugar, deixando-a sozinha no centro do armazém,
pendurada no teto por um gancho.

Ela conseguiu uma alavanca, seus pulsos amarrados deslizaram


apenas o suficiente para que pudesse quase escorregar pelo gancho, mas
toda vez que se aproximava, a dor em seus braços aumentava demais.

Expire.
DEN OF MERCENARIES #4

Soltando seu peso, uma rajada de ar a deixou enquanto tentava


pensar em outra estratégia, sentindo as gotas de suor escorrendo por sua
espinha.

Os homens de Elias saíram há alguns minutos, mas estavam


voltando e quando o fizessem, ela não queria estar em uma posição tão
vulnerável.

Pense, precisava pensar.

Ela foi levantada o suficiente para que não conseguisse alavancar


seus pés, mas talvez...

Empurrando as pernas para trás, em seguida, balançando-as para


frente, Luna construiu o momento. E se pudesse balançar do jeito certo,
poderia ser capaz de se erguer até o ponto em que suas restrições
simplesmente escapassem do gancho.

Isso poderia funcionar!

— Não, nada disso.

O som de uma porta se abrindo e a voz divertida de Elias fez seu


sangue gelar, mesmo quando uma careta curvou seus lábios.

Enquanto ele estava por trás de tudo isso, ela não esperava que ele
realmente mostrasse seu rosto, mas não considerou a arrogância do
homem. Claro, ele gostaria de se vangloriar, para mostrar a ela que ele
era o único que a queria morta.

Mas ela não lhe daria a satisfação de mostrar medo. Kit ensinou-lhe
melhor do que isso.
DEN OF MERCENARIES #4

— Uma vez conheci uma garota que tinha medo do escuro. — Disse
Elias ao cruzar a sala, mantendo as mãos atrás das costas enquanto a
rodeava. — Ela pensou que as sombras a consumiriam… ou talvez
pensasse que havia um monstro no escuro. Eu nunca me importei em
descobrir qual. Tentei explicar que noção ridícula era, mas você não pode
aplicar lógica onde não há nenhuma. Veja, o medo dela desafiava a lógica,
nada do que dissesse faria a diferença.

Luna não falou, apenas observou cada movimento dele até que
desapareceu de vista. O que quer que estivesse dizendo não importava,
não quando sabia o que ele estava tentando fazer.

Ela viu muitos outros jogarem o jogo, insultando suas vítimas até o
ponto em que não ousariam dizer nada além de pedidos de misericórdia.

E se havia uma coisa que ela não faria essa noite, era implorar.

— Você sabe por que estou lhe dizendo isso? — Ele perguntou,
parando na frente dela mais uma vez.

— Porque você gosta do som da sua própria voz? — Luna respondeu,


olhando para ele.

E se ele chegasse um pouco mais perto, ela poderia colocar as


pernas ao redor de seu pescoço e se libertar... ou estalar o pescoço dele,
ela não era exigente.

— Veja Luna, nada do que você disser mudará o que acontecerá


aqui. Como se sente, sabendo que está enfrentando a morte e não há
nada que possa fazer sobre isso?
DEN OF MERCENARIES #4

— Você acha que está me assustando com essa pequena conversa?


— Perguntou Luna.

— Você ainda espera que Nix venha em seu socorro? Que ele a salve
da sua morte iminente?

Agora, foi a vez de Luna sorrir.

— Eu nunca precisei dele para me salvar, mas posso garantir que


se você ainda estiver aqui no momento em que ele chegar, irá querer que
fosse eu te salvando.

Houve um lampejo de aborrecimento nos olhos de Elias, como se ele


não entendesse por que ela não estava com medo, mas ela viveu muito
pior do que ser amarrada e forçada a ouvir alguém tagarelar sobre seus
planos malignos.

Lawrence Kendall conseguiu despertar medo nela desde o momento


em que ouviu o som de seus caros sapatos de couro no chão de ladrilhos.

Elias apenas estava irritando-a.

— Eu me perguntei. — Continuou Elias, ignorando sua última frase.


— O que na terra tantos veem em você. Há muitas garotas bonitas e ainda
mais mortais, mas parecem muito atraídos por você.

Ele deu um passo em direção a ela, tão perto que podia sentir o
cheiro de suas roupas limpas e ver as rugas finas ao lado de seus olhos.
Havia um vazio em suas feições que falava de suas ações descuidadas.

O fato dele estar ali agora, questionando-a, provocando-a,


significava que estava perdendo sua vantagem.
DEN OF MERCENARIES #4

— Eles realmente fizeram algo com você, não é?

Luna não precisava perguntar de quem ele estava falando. Kit e


Uilleam, embora ela quisesse responder, ele não estava errado.

Eles a mudaram.

Antes, estaria chorando, implorando para ser libertada, mas não era
mais essa pessoa. Ela não era fraca.

Uilleam apresentou a oportunidade e Kit mostrou-lhe o que fazer


com ela.

Esta vida dela foi moldada por um par de irmãos que ela não
conhecia até quase oito anos atrás.

— Seu tempo está se esgotando. — Luna disse a ele, embora não


tivesse a menor ideia de quão perto ou longe Kit estava.

Apenas sabia que a buscaria e que Deus ajudasse qualquer pobre


coitado que pensasse em ficar em seu caminho.

Elias não mordeu a isca. Em vez disso, ele riu.

— Você sabia que ela disse que você estava fora dos limites?

— Carmen? — Luna perguntou, a incredulidade clara em sua voz.

— Belladonna. — Ele respondeu.

Agora, pela primeira vez, ele a deixou sem palavras.

— Você é divertida... pode-se considerar um animal de estimação,


mas nunca vi o que lhe interessava tanto em você.
DEN OF MERCENARIES #4

— Que porra está falando?

Ela não pretendia fazer a pergunta, mas sua curiosidade tirou o


melhor dela antes que pudesse engolir as palavras de volta.

— Surpreendente que você não saiba nada. — Disse ele com a menor
agitação de sua cabeça. — Mas isso não importa mais porque hoje, a
livrarei deste mundo

Elias se afastou, as sombras se aproximando, revelando os homens


que esperavam atrás. Um segurava um bastão, outro empunhava um
facão e o último... ele apenas parecia ansioso para começar.

— Eu me apressaria, se fosse vocês. — Disse Elias aos homens


enquanto endireitava o chapéu e olhava para Luna pela última vez. —
Ela não estava errada sobre Nix vindo por ela e duvido que vocês queiram
estar aqui quando ele chegar.

Ele desapareceu, sua risada silenciosa seguiu atrás dele e uma vez
que se foi, todos os olhos voltaram para ela.

— Vocês deveriam ir enquanto ainda tem a chance. — Luna


advertiu-os, o desconforto rastejando através dela.

Kit estava chegando, até mesmo Elias sabia disso, mas ele tinha que
saber outra coisa se soubesse com alguma certeza por que não estava lá.

No tempo que levasse para chegar lá, muita dor poderia ser
infligida...
DEN OF MERCENARIES #4

Aquele com o bastão ergueu o braço, balançando sem aviso, dando-


lhe apenas um momento para torcer seu corpo e dar o golpe na parte de
trás de suas pernas.

A dor explodiu naquele ponto, fazendo-a apertar os dentes contra a


necessidade de gritar, mas não o faria.

Quando ele girou novamente, ela usou toda a força que possuía para
levantar o corpo, desviando-se do golpe por meros centímetros.

Mas ela não foi rápida o suficiente para se esquivar do golpe que veio
depois, este aterrissou onde ela levou os tiros poucos dias atrás.

Isso foi o suficiente para fazê-la gritar, a dor fazendo-a sentir como
se uma costela fosse quebrada.

E uma vez que era incapaz de se defender, mais golpes vieram, os


outros se juntaram até que não houvesse lugar para a dor, tudo doía.

Manchas negras pontilhavam sua visão e ela tinha certeza de que


desmaiaria da agonia a qualquer momento, mas tão rapidamente quanto
ela estava sofrendo, a dor simplesmente parou.

— Quem é o fo...

Um projétil soou um momento antes do homem mais próximo cair.


Ela mal conseguia abrir os olhos para ver Kit atravessando a sala,
atirando com precisão de especialista até que restou apenas um, que
implorava por sua vida.
DEN OF MERCENARIES #4

Dois tiros em suas rótulas mandaram o homem ao chão, seus


próprios gritos de dor ecoando no armazém, ainda mais altos do que os
de Luna.

Mesmo enquanto sentia a terrível dor e estava desesperadamente


perto de desmaiar, Luna sorriu enquanto sussurrava seu nome, o alívio
enchendo-a agora que sabia que ele estava aqui.

— Leve-o. — Kit disse para outra pessoa, mas ela mal conseguia
levantar a cabeça para ver quem.

Houve um longo momento até que sentiu Kit cortando as cordas


antes de ficar livre e ela caiu como peso morto em seus braços, mas
mesmo isso doeu quando a pegou.

Essa dor, no entanto, ela não se importava.

— Você está segura. — Disse ele enquanto a abraçava, tirando-a


deste lugar e saindo para a noite.

Por enquanto, pensou amargamente.

Elias ainda estava lá fora e ela sabia que, enquanto ele estivesse
vivo, ela nunca estaria realmente segura.

Isso não acabou. Ainda não.


DEN OF MERCENARIES #4

Fang

— Desacelere. — Ela dizia com uma risada, os braços apertando o


meio dele. — Baterá e matará nós dois.

Aidra odiava quando ele dirigia com pouco cuidado, acelerando além
dos limites e de outros motoristas estando na estrada, mesmo agora, ela
provavelmente estaria mais preocupada com a morte dele do que o fato
dele ir a mais de cem quilômetros por hora para chegar até ela.

Mas Fang não se importava.

Apenas queria ter certeza de chegar a tempo para que ela pudesse
gritar com ele sobre ser imprudente com seu desprezo por sua própria
vida.

Precisava chegar até ela.

O GPS indicava as instruções em seu ouvido e ele as seguia


descuidadamente, com o coração acelerado no peito quase tão rápido
quanto estava correndo.

Havia mil palavras que queria dizer, mas apenas precisava falar com
ela para ter certeza de que poderia realmente dizê-las.

Finalmente ele chegou ao armazém e pode ver a luz cintilando sob o


portão de entrada.
DEN OF MERCENARIES #4

Apertou o freio com força, enviando a motor para o lado, mas mesmo
com o mínimo cuidado, saiu do estacionamento correndo mais rápido do
que antes.

Seus irmãos estavam logo atrás, correndo atrás dele, mas apenas
conseguia pensar no que encontraria do outro lado da porta da garagem.

Puxando a arma do coldre ao seu lado, disparou contra a fechadura,


recuando para bater com o pé na porta para abri-la.

Houve um estrondo e um xingamento quando um homem correu


pela porta dos fundos, apenas um borrão na borda da visão de Fang. Sem
ser solicitado, Thanatos e Invictus entraram atrás dele.

Mas não foi para o corredor que Fang levou sua atenção, mas para
o tanque que foi colocado meio do lugar.

Aidra…

Suas mãos e tornozelos estavam amarrados, mas seus olhos


estavam arregalados de pânico porque a água dentro do tanque estava
quase acima de sua cabeça.

— Eu vou tirá-la daí! — Ele prometeu.

Ele o faria nem que fosse a última coisa em sua vida.

Fang correu para frente, tentando encontrar a abertura, mas o


trinco era impossível de abrir, não importando o quanto virasse e
puxasse, mesmo quando atirava na coisa. As balas apenas se encaixaram
no metal, mas nada mais.
DEN OF MERCENARIES #4

Tăcut atirou no vidro, mas além de uma impressão vaga onde a bala
atingiu, o vidro segurou.

E se possível, o pânico apenas aumentou nos olhos de Aidra,


refletindo o que Fang sentia.

Eles fizeram um tanque de vidro à prova de balas.

Ele precisava pensar.

Ele precisava pensar.

Ele precisava pensar.

Nada nunca era verdadeiramente à prova de balas. E se atirasse o


suficiente, sua integridade começaria a falhar, eventualmente se
romperia.

Isso seria fácil, havia munição suficiente entre os dois para não
restar nada além de poeira.

Poderia tirá-la, mas o tempo não estava do seu lado e já podia ver
que a água estava acima da cabeça dela. Três minutos…

Ele tinha três minutos para tirá-la.

Fang disparou até que sua arma clicou, o centro do vidro ficou opaco
e não pode mais ver seu rosto, mas podia ver seu corpo, a forma como
suas pernas pararam de bater e seu corpo parou de se mover.

O pânico e a dor que enchiam seu peito eram muito fortes, reais
demais para se concentrar em qualquer outra coisa.
DEN OF MERCENARIES #4

Ela não morreria.

Assim não.

Não quando podia salvá-la.

Em um minuto, Tăcut estava ao lado dele, o seguinte, ele se foi,


apenas para retornar segundos com uma marreta de uma bancada
próxima e com toda a força que o homem possuía, a enviou contra o vidro.

Um golpe, depois outro e outro, até que finalmente a frente do vidro


se quebrou e a água jorrou, quase derrubando-os, mas Fang se levantou
rapidamente.

— Aidra. — Ele gritou enquanto a puxava do tanque, ignorando a


sensação de sua pele úmida quando a deitou, afastando os fios de cabelo
de seu rosto.

Empurrando as mãos sobre seu peito, ele pressionou, tentando


forçar a água de seus pulmões, em seguida, levantou-se para forçar a
boca aberta e soprou.

Alternando entre os dois, não parou, e não pararia, recusava-se a


desistir, mesmo com os braços apertados e ele sabia... sabia.

Ela não merecia isso, não Aidra. Era gentil, generosa e muito doce,
muito mais do que qualquer coisa boa nele, para ser tirada do mundo tão
violentamente.

Gritos ecoaram ao redor dele, o barulho quase dividindo sua cabeça


e a única coisa que queria naquele momento era que parasse. Mas
DEN OF MERCENARIES #4

quando a embalou em seus braços, segurando-a com força contra ele,


percebeu que os gritos vinham dele.

Ele sussurrou palavras que ela não podia ouvir.

Desculpas.

Promessas.

Faria isso direito. Iria vingá-la até que nada restasse dele, pelo
menos o que restava agora que ela foi embora.

Mesmo quando sua mente se apoderou da sede de sangue que


rapidamente se agitava dentro dele, Fang permaneceu onde estava
sentado, segurando-a com força como deveria ter feito antes.

Sabia que seus irmãos estavam ao seu redor, silenciosos e


respeitosos, seus olhares em qualquer coisa além deles para lhe oferecer
privacidade.

E de todos eles, sabia melhor como canalizar sua dor, como enterrá-
la profundamente até que não restasse nada para sentir, mas não o fez
desta vez.

Ele deixou sua dor consumi-lo.

Precisava sentir tudo.

Fang se inclinou para frente, pressionando os lábios em sua fria


testa enquanto sussurrava uma oração, sussurrando palavras que nunca
ofereceu a outra. Não vá, ele queria dizer.

O que faria sem seu sorriso e alegria?


DEN OF MERCENARIES #4

Como poderia olhar Nix no rosto, sabendo que falhou na única tarefa
que o homem lhe deu, que era mantê-la segura.

— Ela é frágil. — Disse Nix há muito tempo. — Ela queira admitir ou


não.

— Proteja-a, mesmo que tenha que protegê-la de si mesma.

Ele deveria ter ido atrás dela em vez de esperar.

Deveria ter dirigido mais rápido, tentado mais.

Fang deveria ter feito muitas coisas.


DEN OF MERCENARIES #4

Luna acordou com dor de cabeça e dor suficiente para desejar


imediatamente não ter acordado. A última coisa que queria fazer era sair
da cama na qual estava, como porra chegou ali? Podia ouvir vozes do lado
de fora da porta do quarto.

Forçando-se, respirou pelo nariz e soltou o ar pela boca enquanto


lutava para se levantar. A cada passo que dava era uma dolorosa
lembrança de que a surra que levou era muito pior do que pensou
inicialmente.

Colocando um braço em volta das costelas, o que aliviou um pouco


a dor, ela passou os dedos pela maçaneta da porta e puxou-a para baixo,
abrindo a porta e surpreendendo Celt e Skorpion que estavam do outro
lado.

Os olhos verdes de Celt se arregalaram quando a olhou e estremeceu


com o que viu.

— Você parece uma merda.

Olhando para ele, mesmo que doesse fazer isso, ela passou por ele.

— Você acha?
DEN OF MERCENARIES #4

— É melhor parecer uma merda do que não parecer, certo?

Justo.

— O que você ainda está fazendo aqui? Pensei que estaria em Nova
Iorque agora.

Ele encolheu os ombros, embora sua expressão não fosse tão casual
quanto provavelmente achava.

— Outro trabalho.

Com cuidado, descendo a escada, ela balançou a cabeça.

— É uma merda para Amber.

Ele encolheu os ombros.

— Ela entende.

Mas pelo tom de sua voz, Luna não tinha tanta certeza que ele
acreditasse nisso.

Luna estava quase no último degrau quando uma onda de dor a


atingiu tão forte que ela tropeçou. Skorpion a pegou tão gentilmente
quanto pode antes de colocá-la em segurança.

— Você não deveria estar acordada. — Disse ele, sua expressão


refletindo a dor que ela sentia.

— Estou bem. Já estive pior. Onde está Kit?

Mesmo quando a pergunta saiu de seus lábios, não havia


necessidade de perguntar. Ele estava de pé do lado de fora
DEN OF MERCENARIES #4

da porta dos fundos, o telefone no ouvido, sua expressão ilegível. Algo


estava errado, podia dizer pela forma como ele estava de pé e a tensão em
seus ombros.

A dor que ela sentia foi esquecida quando caminhou até ele. Ele não
se virou quando ela abriu a porta e saiu, enquanto Celt e Skorpion
desapareciam em um canto para lhes dar privacidade. O que quer que
estivesse errado com Kit, eles sabiam o que era.

— Kit...

Ele virou apenas a cabeça, olhando para ela e a expressão em seu


rosto foi o suficiente para fazê-la segurar o folego.

Ele parecia... ferido.

— O que aconteceu?

Kit não falou, ainda não. Simplesmente ouvia quem estava na outra
linha até terminar a ligação um minuto depois.

Luna apenas podia pensar em uma outra vez quando ele pareceu
perdido, dolorido. Mas ela estava bem na frente dele, talvez maltratada,
mas estava lá.

Ela tocou seu peito, seu coração se partiu pela forma como ele
estremeceu. Qualquer que fosse a dor, ela ofereceu conforto apesar de
não saber.

Por um longo momento, eles ficaram assim, suas mãos ao lado do


corpo, as dela descansando em seu peito, então ele soltou um suspiro.
DEN OF MERCENARIES #4

— Elias... — Kit parecia sem palavras. — Ele não levou apenas você.

— Quem mais?

Não era um dos mercenários, ela sabia, Celt ou Skorpion diriam a


ela e se fosse Uilleam…

Isso apenas deixava as pessoas mais próximas de Kit.

Ela passou por um processo de eliminação em sua própria cabeça,


mas levou apenas um segundo de pensamento cuidadoso para perceber
quem estava faltando, a única pessoa que nunca deixou o lado de Kit.

— Aidra. — Sussurrou Luna.

Ele tentou escondê-lo, esconder sua dor em um piscar de olhos, mas


ela a viu antes que se fosse. Viu antes que ele pudesse esconder e a visão
fez seu coração pular uma batida.

— Onde ela está? — Perguntou, mesmo com medo de saber a


resposta.

— Elias levou vocês duas. — Explicou Kit, sua voz plana e vazia de
qualquer emoção. — E as colocou em locais separados. Eu fui para você
enquanto Fang e The Wild Bunch foram procurar Aidra.

Ela sabia como acabou para eles, estava parada na frente dele com
alguns hematomas e dores, mas viva.

— Ela está ferida, está mal? — Luna perguntou, esperança traiçoeira


queimando. Mas ela sabia.
DEN OF MERCENARIES #4

Sabia pelo olhar em seu rosto que apesar do que desejava, a resposta
dele não seria a que ela queria.

— Fang não está... lidando bem. Eu preciso ir. — A forma como ele
disse que precisava ir não passou desapercebido para ela.

Sabia que não era sua culpa, que nenhum deles poderia ter previsto
isso, mas entendia por que ele estava praticamente dizendo que ela
deveria permanecer na casa.

Fang não gostaria de vê-la.

Considerando que ela estava viva e... Aidra não.

— Espere por mim. — Disse Kit, colocando os lábios em sua testa.


— Skorpion não deixará ninguém chegar perto de você novamente.

Disso, ela não tinha dúvidas, mas não estava pensando em sua
própria segurança no momento.

— Sinto muito, Kit.

Ela sabia o quanto Aidra significava para ele. Ela esteve ao lado dele
por muito mais tempo do que Luna. Ela foi mais que uma assistente ou
até mesmo uma amiga. Aidra era da família.

Ele a segurou contra ele por um longo momento, sem fôlego, antes
de partir.
DEN OF MERCENARIES #4

— Ele é um novo recruta. — Zachariah disse enquanto caminhavam


em direção aos bunkers onde os quartos estavam localizados do outro lado
do complexo.

Fazendo parte da Sociedade Lotus durante a maior parte de três


anos, Kit estava em uma posição em que não era apenas um ativo, mas
um valioso que podia moldar futuros recrutas no que eles se tornariam.

— Qual é o nome dele? — Kit perguntou, olhando para o arquivo em


suas mãos.

Não havia muito a encontrar, apenas um breve histórico e o país de


origem do recrutamento.

— Não é ele. — Zachariah disse com uma sugestão de sorriso em sua


voz. — É ela.

Kit piscou surpreso quando a porta de metal se abriu e ele viu pela
primeira vez a mulher dentro do quarto, embora garota fosse mais
adequado.

Ela podia ter a idade dele ou alguns anos mais jovem, mas parecia
drasticamente mais jovem, com os ossos destacados em contraste com a
pele pálida e alguns hematomas ao longo de seus braços.
DEN OF MERCENARIES #4

Ele suspeitava que ela estivesse mais perto da morte do que de se


tornar uma agente, mas Kit nunca foi de questionar as ordens. Com um
aceno de cabeça, Zachariah seguiu seu caminho, deixando Kit para
confrontar a garota sozinho.

No momento em que ele olhou pela primeira vez para ela, a única
palavra na qual conseguia pensar para descrevê-la era: animada. Ele
podia ver no modo como ela mantinha a cabeça erguida apenas uma fração
a mais do que o apropriado, como se tentasse olhar abaixo do nariz para
ele.

Ele gostou dela imediatamente.

— Seu nome? — Ele perguntou, olhando-a nos olhos.

Apontando para o arquivo em suas mãos, ela perguntou:

— Você sabe a resposta para isso, não? Por que está fazendo
perguntas sem sentido?

E foi naquele momento que Kit soube que definitivamente gostaria


de treiná-la. Não porque foi forçada a ele e não podia dizer não, mas
porque Aidra não mostrava medo.

Ele desprezava a fraqueza nos outros e ela não exibia nem um pouco
disso.

Não desde antes de sua entrada na Sociedade Lotus, Kit se permitiu


sentir. Ele sentiu dor física, até mesmo não conseguia desligar
completamente, mas aprendeu através da prática cuidadosa como
enterrar as emoções dentro dele.
DEN OF MERCENARIES #4

Não, isso não era verdade...

Ele sentiu-se orgulhoso com Luna ao vê-la florescer e crescer,


luxúria quando ela se ajoelhava alegremente a seus pés, aborrecimento
quando se recusava a seguir a mais simples das ordens e dor de cabeça
quando se afastava sem olhar para trás.

Luna conseguiu terminar seu treinamento de anos na metade do


tempo.

Luna o inspirou.

E talvez, foi por causa de Luna que se sentia como se sua pele
estivesse muito apertada e sua ira fervia à superfície com o conhecimento
de que Aidra, sua confidente mais próxima, foi assassinada.

Está não era a primeira vez que perdia alguém em sua vida, este
número era interminável.

Nem sequer se preocupou quando seu pai foi para o inferno, onde o
homem pertencia, uma vez deu seu último suspiro.

Mas apenas ouvir a confirmação disso, mexia com Kit.


DEN OF MERCENARIES #4

Esfregando a mão pelo rosto, Kit respirou fundo enquanto se dirigia


para a escada, o silêncio o preparando para o que já esperava.

Desde que escaparam da escola na Romênia, nunca ficaram em


silêncio, não a menos que fosse absolutamente necessário. Colocavam a
música muito alta e tinham a televisão sempre no máximo volume, ainda
que apenas para sufocar seus próprios pensamentos.

Kit os conhecia quase tão bem como a si mesmo, talvez inclusive um


pouco melhor, já que conhecia o defeito da maioria.

Ele sabia que seus demônios estavam soltos e mais que qualquer
um deles, Fang dava as boas-vindas a todo o silêncio absoluto. Algo
estava terrivelmente mal quando não pode ouvir nada.

Entrando, Thanatos e Invictus foram os primeiros a saudá-lo,


ambos em plena marcha, cada um segurando um copo de vodca e a
garrafa estava sobre o balcão perto.

A bebida de Invictus estava intacta, ele rara vez bebia de qualquer


forma, mas Thanatos já estava recarregando seu copo. A garrafa estava
mais da metade vazia.

Mas estes eram eles.

Duas metades de um todo.

Enquanto Thanatos bebia em excesso, era jovial e ria mais alto que
todos, Invictus era muito cuidadoso com o que comia, com as decisões
que tomava e inclusive com sua forma de falar.

Equilibravam-se mutuamente.
DEN OF MERCENARIES #4

A televisão estava ligada, um jogo em pausa, os controles jogados no


chão diante do sofá.

Inclusive isso contava uma história.

Tudo parou e qualquer alegria que foi sentida mais cedo, quando as
coisas estavam bem e a morte não deixou um buraco, foi embora.

Nada seria o mesmo agora.

Eles não podiam simplesmente voltar onde pararam, não era tão
simples assim.

— Onde ele está? — Kit perguntou, sua voz soando impossivelmente


alta no silêncio da sala. Thanatos acenou com a cabeça loira para o
corredor sombrio.

— Última porta à sua esquerda. — Ele explicou, mas nem ele nem
Invictus fizeram qualquer movimento para segui-lo. Foi no corredor,
sentado em frente à porta pela qual pretendia entrar, que Kit encontrou
Tăcut.

E de todos os homens naquele lugar, ninguém mais sabia o quanto


Tăcut desprezava, não apenas o silêncio, mas a escuridão também. Ele
odiava as sombras e o que poderia se esconder nelas. Apesar de seus
medos, apesar da maneira como Kit podia ver o pânico nos olhos do
homem, permaneceu diante da porta de Fang.

Apesar de seus medos, preferiu proteger Fang de si mesmo.

— Eu o tenho. — Disse Kit, estendendo a mão para ajudar o homem


a ficar de pé.
DEN OF MERCENARIES #4

Tăcut não expressou seu alívio, não que Kit o quisesse, enquanto
permitia que o levantasse. Apenas olhou para a porta uma última vez
antes de voltar pelo corredor.

Kit esperou até ele desaparecer de vista e depois girou a maçaneta


da porta, apenas vagamente surpreso ao encontrá-la destrancada, antes
de entrar.

Ele não queria recuar com o cheiro, não queria reagir, mas mesmo
tão experiente quanto era, não havia nada que pudesse prepará-lo
adequadamente para o fedor da morte.

Fang não se moveu do lugar dele no chão. Não quando a porta se


abriu ou quando Kit entrou e a fechou atrás dele.

A janela estava aberta, um vento suave agitando as cortinas e


soprando no ar fresco. Kit apenas podia imaginar como seria o cheiro se
tivesse fechada.

Não que Fang parecesse se importar.

Ele parecia alheio a tudo isso.

— Eu não poderia deixá-la lá. — Disse Fang, ainda olhando para o


teto, levando o cigarro que ele colocou entre dois dedos para os lábios. A
ponta ficou mais brilhante por alguns segundos antes de finalmente
afastá-lo e expirar.

— Eu entendo. — E entendia.

Porque se fosse Luna ...


DEN OF MERCENARIES #4

— Eles, quem quer que sejam, fugiram antes que Than ou Invictus
pudesse pegá-los.

— Eles não poderão se esconder por muito tempo. — Kit prometeu.

Não Elias.

Não os homens que com ele sequestraram Luna e Aidra.

Nem mesmo a porra do motorista.

Muito sangue seria derramado quando terminassem.

— Nós brigamos. — Sussurrou Fang, como se ele não quisesse fazer


a confissão, mas as palavras estavam queimando para sair. — Logo antes
dela ser levada.

— Você não precisa me dizer. — Disse Kit.

— Eu disse que você iria matá-la. — Fang continuou como se Kit


não tivesse falado ou talvez apenas precisasse tirar o peso de sua culpa
do peito. — Mas... e se não tivéssemos discutido? E se a tivesse alcançado
mais cedo? Há muita merda: se.

— Independentemente de suas ações, ela seria capturada, você sabe


disso.

Fang ofereceu um encolher de ombros, triturando seu cigarro no


chão de concreto ao lado dele.

— Talvez, mas não teria sido tão fácil.


DEN OF MERCENARIES #4

Pela primeira vez desde que Kit entrou, Fang se virou para direita,
olhando para o pacote embrulhado ao seu lado, os lençóis brancos
austeros contra a escuridão do chão. Ainda estava tão quieto que ele não
podia ignorar a dor ressonante em seu peito.

Deveria ter feito melhor, que ela tivesse o mesmo nível de segurança
que ele proporcionou a Luna. Talvez devesse ter ido atrás dela em sua
casa. Luna podia cuidar de si mesma. Quantos anos se passaram desde
que Aidra esteve em campo, usando o conjunto específico de habilidades
que ele lhe ensinou?

Mas mesmo enquanto Kit sentia sua própria culpa pela morte de
Aidra, havia uma maneira de fazer tudo certo.

— Nós vamos encontrá-los. — Disse Kit. — Sempre o fazemos.

Fang deu uma risada sem humor.

— Será meu prazer.

— Ligarei para um amigo. — Disse Kit, sem precisar explicar o que


esse amigo em particular poderia fazer por eles.

Virando-se para sair, ele estava quase fora da porta quando Fang
falou, suas palavras fazendo-o parar.

— Estarei fora quando o último corpo atingir seu túmulo.

Kit pensou em questionar isso ou fazê-lo entender que perder os


entes queridos era parte do trabalho, que precisava engolir sua dor e
continuar em frente.

Isso foi o que a Sociedade Lotus ensinou.


DEN OF MERCENARIES #4

Dever antes de tudo.

Mas apesar do regime extenuante no qual vivia, não queria que ele
ou qualquer um dos outros, vivesse sob as mesmas regras, se não
quisessem.

Foi por isso que desistiram da Sociedade Lotus no momento em que


Kit se afastou.

— Você nunca teve um contrato comigo. — Kit lembrou a ele, sua


aceitação do que Fang estava dizendo não foi dito.

Mas Fang não acabou.

— Eu devo a você minha vida.

E se me pedir para ficar, ficarei.

E se me quiser como um soldado, eu serei um.

Kit sabia o que Fang dizia sem que precisasse explicar.

— Mas você não me deve sua alma, Christophe.

Fang se encolheu com o nome, mas não disse mais nada enquanto
Kit saia do quarto e do loft.

Está noite, a única coisa que queria era segurar sua esposa o mais
forte que pudesse, porque o pensamento de perdê-la ainda pesava em seu
peito.
DEN OF MERCENARIES #4

Depois que Celt e Skorpion saíram, Luna se deitou no sofá com um


cobertor ao seu redor, esperando Kit retornar. A dormência a percorreu
no momento em que ele contou sobre Aidra, mas mesmo quando
antecipou o momento em que Kit chegasse em casa, sua mente estava
funcionando.

Ela se recusou a ficar de braços cruzados e não fazer nada depois


de tudo o que aconteceu. Não queria Kit tentando protegê-la e mantendo-
trancada em segurança enquanto ele lidava com tudo. Mesmo com tudo
o que aconteceu entre ela e Kit, mesmo com o tempo que passou longe
de todos, Aidra ainda era sua amiga.

— Kit...

Ela não teve a chance de dizer outra palavra antes que ele segurasse
seu rosto e a beijasse. Foi um tipo de beijo desesperado que a fez sofrer
por ele e pela dor óbvia que sentia. Demorou muito antes de soltá-la,
respirando fundo enquanto descansava a testa contra a dela.

— Como ele está? — Luna perguntou. Kit hesitou e isso era tudo
que precisava para saber que Fang não estava lidando bem. Isso apenas
a fez se sentir pior.

— Irá se recuperar. — Prometeu, colocando o cabelo atrás da orelha.


— Não se preocupe. — Ela sabia que sim, mesmo que Kit
DEN OF MERCENARIES #4

tivesse que separar a cidade inteira para ter certeza disso, mas não queria
ficar sentada enquanto ele fazia isso.

— Elias pode estar por trás disso. — Ela disse. — Mas Carmen ou
até Ariana, sabe alguma coisa a respeito.

Ele assentiu uma vez.

— Deixe-me lidar com elas.

— Luna...

— Ela era minha amiga também. — Ela sussurrou. — É o mínimo


que posso fazer.

E mais do que tudo, já era hora dela confrontar as duas.

Kit ainda estava dormindo quando Luna saiu da cama, tomando


cuidado para não o acordar. Vestindo calça jeans, botas e uma regata,
ela olhou para Kit uma última vez antes de sair do quarto e depois para
o bangalô. Skorpion estava esperando por ela, braços cruzados sobre o
peito enorme. Quando se aproximou, ele inclinou a cabeça.

— Você está pronta para isso?

Tanto quanto jamais estaria.


DEN OF MERCENARIES #4

— Onde ela está sendo mantida?

— Ela não está presa. — Disse Skorpion enquanto abria a porta para
ela. — Evidência insuficiente quanto ao seu envolvimento no tráfico. Ela
foi solta ontem à noite.

Luna franziu a testa.

— Então onde ela está?

— Buscando refúgio. — Ele respondeu com um sorriso divertido.

Ela não perguntou com quem, sua irmã se voltaria para apenas uma
pessoa para mantê-la segura.

— Então faremos a elas uma visita.

O complexo para onde foram estava localizado na periferia da


cidade, onde quilômetros e quilômetros de terra separavam as
propriedades.

Vinte acres de terra impediam que alguém se aventurasse perto


demais da mansão que também estava cercada por muros de três metros
de altura, sem mencionar o exército que garantia que ninguém entrasse
sem aprovação.

Guardas estavam ao redor da propriedade, com AK’s presas às


costas. Luna apenas precisava dizer seu nome antes que a impedissem
de entrar.

Esperando por eles do lado de fora das enormes portas da frente


com um charuto entre os lábios, Agustín soltou um jato de fumaça
enquanto saíam do carro.
DEN OF MERCENARIES #4

— Luna, linda como sempre. — Ele olhou para Skorpion, sua


sobrancelha arqueando-se, reagindo como a maioria das pessoas, antes
que ele voltasse para sua casa.

Apesar do lugar parecer um pouco como uma prisão, o interior da


mansão era opulento com paredes brancas e detalhes escuros em ricos
tons de marrom. Mesmo os pisos, um azulejo de aparência cara, eram
impressionantes, mas considerando que Agustín era um traficante de
drogas, fazia sentido.

E se houvesse um tigre no quintal, ela não ficaria surpresa.

Quando se viraram para um corredor que levava à ala leste, Luna


concentrou seus pensamentos, concentrando-se no porquê de estar lá,
por Fang e nada mais.

E talvez se repetisse a mesma isso muitas vezes, acreditaria. Agustín


parou na frente da última porta, apenas poupando a Luna um olhar antes
de girar a maçaneta e abrir a porta.

Caminhando pela sala, Ariana girou rapidamente, pronta para se


jogar em seu noivo, mas antes que pudesse, avistou Skorpion engoliu
saliva, mas quando seu olhar foi para Luna, ela congelou.

Uma miríade de emoções cruzou seu rosto, incredulidade, medo e


até mesmo culpa, mas ela se contentou com a indignação.

— Você está morta. — Disse ela entre os dentes apertados.

— Com medo, não? — Respondeu Luna, esperando que o tremor em


sua voz não fosse ouvido pelos outros.
DEN OF MERCENARIES #4

Ela não era mais aquela garotinha querendo desesperadamente a


aprovação da irmã. Não pensava mais que Ariana era tudo que queria ser
uma vez que ficasse mais velha. Embora não se sentisse completamente
afastada de sua irmã, também não havia amor. E talvez mais tarde, isso
a entristecesse, mas por enquanto, tinha um trabalho a fazer.

— Que porra está fazendo aqui?

— Eu vim para fazer um acordo. — Disse Luna quando se aventurou


mais no espaço, indo até uma das poltronas da sala e sentando. —
Dependendo do que você disser, posso deixá-la viva.

— O que é isso? — Ariana perguntou, olhando para Agustín, que


agora estava cortando uma maçã verde com um canivete. — Você irá
deixá-la falar comigo assim?

— Acredite em mim. — Disse Luna antes que ele pudesse. — Ele não
pode salvá-la. Então, a menos que você queira acabar em uma prisão não
revelada como nossa mãe, sugiro que coopere.

À menção da prisão, o olhar de Ariana se estreitou em Luna quando


ela inclinou a cabeça para cima, olhando sob o nariz para ela.

E se não tivesse tempo de sobra para lidar com as emoções variadas


que sentia apenas com o pensamento de sua mãe e irmã, Luna poderia
ter se sentido ofendida.

— Não há nada que você possa me oferecer que eu queira.

— Dê uma olhada ao redor. — Disse Luna com um gesto de sua


mão. — Tenho certeza de que há muito a oferecer para você, mas entenda
que o preço da liberdade é alto.
DEN OF MERCENARIES #4

Ariana não respondeu por um longo tempo, olhou através do curto


espaço que aos separava com uma expressão ilegível, apenas o
aborrecimento aparecendo em seu rosto.

— Nossa mãe queria fazer um aborto quando soube que estava


grávida de você. Papai falou com ela sobre isso. Considerando que ele
está morto agora por sua causa, eu me pergunto se ele se arrepende
dessa decisão.

— Eu não acho que ele possa sentir mais nada. — Disse Luna. —
Está morto.

— Quão mais fácil seria nossa vida se você não tivesse feito parte
dela.

— Melhor, se Carmen não tivesse tentado me matar... nós não


teríamos terminado aqui. Eu gostaria de saber se você sente culpa pelo
que ela fez, talvez até mesmo lamentar, mas eu sei agora, não é?

— Culpa? Culpa? Eu deveria sentir pena de você?

Ariana zombou, parando do outro lado da sala como se quisesse


atacá-la, mas antes que pudesse se mexer um centímetro, Skorpion
limpou a garganta, fazendo-a congelar.

Luna não precisou se mover.

— Tudo o que você fez e a porra de sua existência arruinou minha


vida! — Ariana disse, incapaz de esconder a raiva se formando dentro
dela.
DEN OF MERCENARIES #4

— Como exatamente? Quando Carmen contratou Kingmaker para


me matar?

— Oh, como se tivesse conseguido. Você não está morta, está? Como
conseguiu isso exatamente? Tornou-se a prostituta de Kingmaker?

Ela poderia ter contado sobre Lawrence Kendall, sobre os horrores


que enfrentou em sua casa, mas sabia que não adiantava. Ariana não se
importaria com isso.

Suas opiniões já se formaram e não havia ninguém falando do que


realmente acreditavam.

— Não estou aqui por mim. Quero saber o nome dos homens que
Elias contratou para me sequestrar e a minha amiga.

— Como eu deveria saber e por que me importa?

— Na próxima hora, farei a mesma oferta a Carmen. E se ela


concordar em me dar os nomes, me certificarei que escape da cela em
que está presa, mas nós duas sabemos o que isso significa para você, não
é? Realmente acha que ela tem algum plano de levá-la daqui? Diga-me,
ela tentou entrar em contato com você? — Isso era uma mentira, mas
Ariana não precisava saber.

Não havia como Luna ou qualquer outra, levar Carmen para longe
dali se Kit fizesse o que ele queria e ele tinha planos para ela.

A expressão de Ariana disse tudo o que precisava saber.

— Eu não sei seus nomes.

— Então você não tem utilidade para mim.


DEN OF MERCENARIES #4

— Mas eu sei quem Elias pode ter contratado.

— Fale. — Disse Skorpion. — Ou cale-se para sempre.

— Jonathan Winston. — Ariana jogou o cabelo por cima do ombro.


— Eles conversaram sobre ele quando pensaram que eu não estava
prestando atenção. Sempre que Elias precisava de alguém para fazer
algo, esse era o nome que sempre dava.

Enquanto Luna nunca ouviu o nome antes, Winter definitivamente


poderia encontrar alguma coisa.

— Obrigada. — Disse Luna de pé. — Por sua cooperação.

Ariana olhou para ela.

— Você deveria ter ficado morta.

— Você não deveria ter tentado dormir com meu marido.

Ariana virou a cabeça para trás.

— Eu nunca... Nix é seu?

Luna tamborilou os dedos ao longo da cadeira, chamando a atenção


para a aliança em seu dedo.

— Posso ver que você está juntando as peças. Entende agora porque
ele ficou tão irritado com você naquela noite que foi para ele.

— Bem, esta é a primeira vez que ouço isso. — Disse Agustín e sorriu
enquanto dizia isso, não havia humor em sua voz. — Eu lhe pedi uma
DEN OF MERCENARIES #4

coisa, não é? Você se lembra do que era? — Ele se aproximou, passando


a mão pelo queixo dela, depois segurando sua nuca.

Quando Kit fazia isso, Luna sentia conforto, mas a julgar pela
expressão no rosto de Ariana, ela não estava sentindo conforto.

O significado por trás de suas palavras passou pela cabeça de Luna,


mas estava claro que Ariana sabia e o que quer que fosse, o medo se
renovou.

Mas Luna não conseguia se incomodar em seu nome.

— Acho que terminamos aqui.

Ela não sabia por que, mas quando ela e Skorpion saíram, Luna
achava que Ariana não sairia daquela sala novamente.

— O que você está fazendo? — Kit perguntou, sua voz suave, mas
curiosa. Sua ligação foi uma distração bem-vinda, enquanto ela fazia o
melhor que podia para tirar Ariana de sua mente.

— Estou encontrando um nome para Fang.

Ele ficou em silêncio por tanto tempo que ela temeu que não dissesse
nada.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você sabe que não precisa fazer isso. Sabe que terei uma resposta
em breve.

— Eu posso lidar com isso. — Ela murmurou apenas para ele ouvir.

— Sem dúvida, mas você não precisa lidar com isso sozinha. Não
precisa enfrentá-la sozinha.

Luna não mencionou sua visita a Ariana, mas não ficou surpresa
por ele saber que ela não foi para Carmen ainda.

— Mas eu sim. É algo que deveria ter feito há muito tempo.

Em quase oito anos, ela não tentou encontrar sua família, nem
queria particularmente depois que a verdade saísse. O desejo sempre
esteve lá para voltar, não queria mais nada na época. Mas algo sempre a
impediu de pedir para ir até eles. Não tinha medo de não as encontrar,
Kit poderia encontrar alguém, mas ela não conseguia identificar o que a
impediu.

Era isto?

Uma parte dela sabia todo o tempo?

Ela nunca expressou suas dúvidas porque até mesmo não


acreditava que era possível, mas uma parte dela se perguntava sobre o
dia em que foi deixada para trás quando seus pais e irmã saíram.

Pode ter sido porque Fang e os outros estavam a ensinando a


sobreviver no mundo no qual treinava para fazer parte, mas algo a deixou
desconfortável com tudo o que aconteceu.
DEN OF MERCENARIES #4

— Eu não ficarei no seu caminho. — Kit disse, puxando-a de volta


para o presente. — Mas enquanto estiver lá, Skorpion fica com você. Para
onde você está indo... não quero me arriscar.

Isso porque Carmen estava atualmente sendo mantida em uma


instalação segura até que fosse transferida. Luna não sabia, nem se
importava, como Uilleam e Kit conseguiram, mas uma parte dela ficava
um pouco nervosa entrando em um prédio sancionado pelo governo e
esperando sair quando terminasse.

— Posso lidar com isso.

— Eu sei. — Ele respondeu antes de desligar.

Agora, era com ela.

O lugar no qual entraram não era nada como ela estava esperando.

Não havia nenhum edifício indefinido com uma parede secreta que
não se assemelhasse a um. Em vez disso, ela encontrou um prédio de
apartamentos que parecia normal, mas quando os agentes passaram por
eles tentando verificar secretamente quem eram, era óbvio que aquilo não
era um lugar normal.
DEN OF MERCENARIES #4

— Eu odeio federais. — Skorpion murmurou para si mesmo


enquanto andava dois passos atrás de Luna, as mãos dentro dos bolsos.

Em letras vermelhas brilhantes ao longo do topo do edifício estava


Amsterdã e pelo que Luna podia ver, havia apenas sete andares.

Carmen estaria na última sala do último andar, de acordo com o


contato de Uilleam.

E se houvesse qualquer tentativa de fuga, tanto Luna como Skorpion


ficariam presos e apenas autorizados a dez minutos sozinhos com ela
sem supervisão antes de terem que sair.

Ela tinha dez minutos para conseguir o que procuravam, apenas


precisava contar.

Ninguém falou com eles quando entraram no prédio e exatamente


como Uilleam disse, parecia que os agentes estavam fazendo um esforço
concentrado para não olhar para eles.

Mais uma vez, ela subestimou o alcance de Uilleam.

Entrando no elevador, Luna acenou para o homem que estava do


lado de dentro oferecendo um sorriso falso antes de apertar o botão do
andar deles.

Uma chance era tudo o que tinha, porque depois disso, não veria
Carmen novamente e isso não era apenas por causa de seu instinto. Tudo
já estava em movimento.
DEN OF MERCENARIES #4

No momento em que o elevador parou, as portas se abriram


lentamente, revelando um corredor onde dois guardas armados estavam
em lados opostos da porta.

Ao vê-los, os guardas viraram e encararam a parede.

Bem, ser Kingmaker por um dia...

Segundos depois, a chave foi colocada na fechadura e a porta se


abriu.

— Já era hora de trazerem meu almoço. — Disse Carmen, de pé


junto às janelas. Virando, ela acrescentou: — Estou morrendo de fome.

Uma onda de adrenalina atingiu Luna ao som da voz de Carmen.


Ela ouviu tantas vezes ao longo dos anos, mas nunca tão perto. Nunca
na mesma sala.

Ela não estava mais em seus vestidos de seda que se tornaram um


item básico em seu guarda-roupa desde que se converteu em uma
madame e traficante. Agora, usava uma calça jeans desbotada e uma
camiseta com um logotipo de um parque aquático de algum tipo.
Definitivamente não era sua própria roupa.

Mas mais do que tudo, Luna não via o monstro no qual se


transformou.

Apenas via sua mãe.

Por um único batimento cardíaco, Carmen não a reconheceu. Seu


olhar passou por Skorpion de forma apreciativa antes de voltar para
DEN OF MERCENARIES #4

Luna. Estava prestes a descartá-la como nada mais do que uma mulher
qualquer, até que olhou uma segunda vez.

Então ela piscou e piscou novamente. Sua boca se abriu e a


incredulidade iluminou seu rosto.

— Você...

Mas o que Carmen pensava dizer morreu em seus lábios.

Luna sabia o que ela estava pensando, que deveria estar morta.

— Então ele estava dizendo a verdade depois de tudo. Elias disse


que Kingmaker a manteve viva, mas não acreditei.

— Talvez deveria, mas não é para isso que estou aqui. Eu sei que
você tem informações sobre os homens que me sequestraram e as quero.

Mas Carmen não pareceu ouvir a pergunta.

— E imagino que isso foi por causa dele também, o bastardo desleal.

Agora, foi a vez de Luna zombar.

— Como pensou que qualquer um deles era leal a você?

— Porque eu paguei para eles serem.

— Não, Kit foi ameaçado e Kingmaker...

— Kit? — Carmen perguntou, inclinando a cabeça. — Engraçado


que ele está trabalhando comigo há tanto tempo e somente agora
descubro seu nome. Ainda mais curioso é o fato de você saber disso... ah,
DEN OF MERCENARIES #4

entendo. Não é por causa deles que estou aqui, é? É por sua causa.

— Todos nós fazemos nossas próprias escolhas. — Disse Luna. —


Mas elas têm consequências.

Seu interesse se transformou em raiva quando ela atravessou a sala.

— Ele deveria tê-la matado quando ordenei que fizesse isso.

— Você deveria ter certeza de que eu estava morta.

Luna poderia ter deixado Kit lidar com isso, poupar a realidade de
quem era sua mãe e preservar a imagem que tinha dela quando era
criança, mas queria ver. Precisava disso.

Queria ver o olhar no rosto de Carmen.

— Eu farei melhor quando estiver livre deste lugar.

— Você nunca ficará livre deste lugar. — Luna disse a ela. —


Kingmaker ser certificará disso. E se ele foi capaz de me manter em
segredo por tanto tempo, para não mencionar onde você está agora, pode
imaginar o que fará quando estiver determinado.

Carmen engoliu saliva, se afastando.

— Você quer algo ou não estaria aqui. Espero que não seja por algum
tipo de desculpa.

Skorpion bufou.

— Bem, se Nix não fizer algo com você, tenho certeza que o outro
fará.
DEN OF MERCENARIES #4

— Eu quero o nome do homem que Elias contratou.

Carmen sorriu.

— Aquele que tentou matá-la? A palavra viaja rápido, mesmo aqui.


O que a faz pensar que tenho o nome?

— Você trabalha com Elias há anos. Antes de ir para Kingmaker,


tenho certeza que você foi para Elias primeiro. Quem foi o homem que ele
sugeriu?

Era um palpite calculado, mas novamente, se Elias fosse parecido


com Uilleam, mostraria de bom grado do que era capaz quando solicitado
a apresentá-lo.

Carmen levantou a cabeça.

— O que eu ganho em troca?

— Ele morrerá antes que possa matá-la.

Carmen fez um barulho rude no fundo da garganta enquanto


acenava com a mão.

— Ele não pode chegar até mim aqui.


DEN OF MERCENARIES #4

— Não importa se é hoje ou daqui a três anos, mas desde que você
se certificou de que seu único telefonema fosse para um advogado que
alegremente espalhou a notícia do que você achava que Elias fez, ele
enviará alguém para você. A questão é o quanto valoriza sua própria vida?

— Eu não ficarei um dia na prisão. — Disse Carmen inflexivelmente.

— Você provavelmente não irá. — Luna concordou. — Mas não


viverá muito tempo também.

Carmen sabia que ela estava certa. Podia ver a raiva crescendo
novamente, raiva porque ela teria que dar a Luna o que queria se quisesse
sobreviver.

— Gavin Rossi.

Ela tinha o que precisava... mas Luna hesitou.

— Responda uma pergunta.

— Luna. — Cortou Skorpion com um leve aceno de cabeça. — Não


faça isso a si mesma.

Mas Carmen pareceu intrigada.

— Faça sua pergunta.

— Você me amou? — Talvez mais tarde, ela se arrependeria de fazer


essa pergunta, mas agora? Agora queria saber.

Sua resposta foi imediata.


DEN OF MERCENARIES #4

— Eu a amei tanto quanto amei seu pai, sua irmã e até Caesar.

— Então você amava o que poderíamos fazer por você?

Carmen riu levemente.

— Isso é tudo o que importa.

Skorpion não permitiu que ela ficasse mais tempo, agarrando seu
braço e praticamente arrastando-a para fora da cela. Luna ficou feliz com
isso.

Porque apesar do olhar de indiferença em seu rosto, Luna estava


desesperadamente perto das lágrimas.

— Você está bem? — Perguntou Skorpion, afastando-os.

Luna assentiu, ligando para Kit.

— Ei, eu tenho um nome.

O trabalho chegou ao fim.

E ela também.
DEN OF MERCENARIES #4

Fang

Na calada da noite, o silêncio ecoava.

Sufocante, debilitante.

Porra, Fang o desprezava.

Ele odiava o vazio que criava, permitindo que lembranças


assombrosas o atormentassem continuamente para percorrerem sua
mente em um carretel constante, mas tão rapidamente quanto estava se
afogando neles, respirou fundo, seus pensamentos tornando-se claros
mais uma vez.

Abrindo os olhos, tudo veio correndo de volta. A imagem dos olhos


em pânico de Aidra enquanto ela lutava na água... a sensação do chão
caindo sob ele quando percebeu que não havia nada que pudesse fazer
para salvá-la…

Fang sempre odiou sentir-se impotente e naquele momento, isso era


tudo o que ele foi.
DEN OF MERCENARIES #4

Inspirando por calma, ele empurrou os pensamentos para longe


enquanto se concentrava no presente e a razão pela qual estava
atualmente sentado no porão de baixa iluminação de uma casa em uma
fazenda de porcos no meio do nada.

A Califórnia não era tão fácil para ele navegar como Nova Iorque. E
em casa, ele tinha contatos que poderia ter chamado para se livrar de
qualquer evidência que pudesse ter deixado para trás, mas ali, ele
precisava usar o que estava disponível.

E desde que estava em uma ligação, esta era a coisa mais rápida
que poderia inventar.

Pensando nos porcos no andar de cima, o olhar de Fang finalmente


se moveu para o homem que deixou caído na mesa de madeira alguns
minutos antes. Era uma mesa de trabalhador, uma grossa o suficiente
para manter um peso significativo. E porque estava com um humor
sombrio quando chegou, Fang prendeu pregos grossos de ferro nas mãos
do homem.

O mais próximo de seu Deus que ele jamais conseguiria ficar.

Para garantir que não pudesse lutar com as pernas também, Fang
pegou um martelo e o acertou. Eram pequenas coisas que deixavam seu
coração negro feliz.

Fang não se importava em saber o nome do homem, não mudaria


nada, ele morreria em breve.

Coletar nomes era um costume que seus irmãos nunca entenderam


sobre ele. Eles não entendiam por que se importava com o
DEN OF MERCENARIES #4

nome das vítimas, mas gostava de conhecê-los para lembrar a si mesmo


que não eram apenas alvos ou fotos em um arquivo, mas um lembrete de
que eram tão humanos quanto ele.

Mas aquele ali?

Não, Fang queria distância. Queria trata-lo como se não fosse nada
mais que um animal, já que iria esquartejá-lo como um.

— Vamos, abra os olhos. — Disse Fang dando um tapa no rosto do


homem algumas vezes, mas quando não conseguiu uma reação, usou o
punho fechado.

Isso acordou o homem o suficiente para fazê-lo balbuciar:

— Eu não tive escolha. Elias mataria meus filhos, eu...

Seus batimentos cardíacos trovejavam em seus próprios ouvidos.


Fang saiu da cadeira e cruzou a curta distância até a mesa antes de
agarrar o homem pela mandíbula e colocar o dedo nos lábios.

— Shh, pare de chorar. Eu nem sequer comecei com você ainda. —


Apenas depois que o homem parou de choramingar, Fang disse: — Não
dou a mínima para o que ele poderia ter feito, você deveria estar
preocupado com o que farei agora.

— Por favor. Eu posso dizer onde encontrá-lo! Eu contarei tudo o


que você quiser saber. Por favor!

— Sabe. — Disse Fang ao soltá-lo, batendo no tampo da mesa com


os nós dos dedos doloridos. — Isso não parece o suficiente.
DEN OF MERCENARIES #4

O homem sabiamente parou de falar, embora seus olhos fizessem


todo o pedido enquanto corriam pela sala, desesperados para encontrar
uma maneira de escapar, pelo menos até que viu suas próprias pernas.
Então seu grito foi um pouco mais desesperado.

Huh... talvez deveria ter feito doer mais.

— Aidra. — Fang disse suavemente enquanto puxava uma das


lâminas que mantinha no coldre do cinto. — Aquela garota, o nome dela
era Aidra.

Apenas o som do nome dela, mesmo quando ele dizia...

Fang piscou e quando abriu os olhos novamente, cortou dois dedos


do homem.

Oops.

— Merda, sinto muito — Ele bateu a mão contra a testa antes de


soltar sua arma. — Às vezes, fico à frente de mim mesmo. Onde eu
estava?

Mas o homem estava muito ocupado chorando e choramingando


para oferecer uma grande resposta.

— Tudo bem, vamos nos acalmar. — Disse Fang, irritado. — Foram


apenas dois dedos.

Talvez fosse a adrenalina ou a dor, mas o que quer que fosse, o


homem olhava para Fang como se fosse o único que perdeu a cabeça,
como se fosse louco.
DEN OF MERCENARIES #4

Fang não tinha certeza se ele estava errado, mas também não tinha
certeza se deveria estar ofendido.

Ele também se sentia... calmo.

Arrastando a cadeira, Fang sentou-se para trás, apoiando os


cotovelos no topo.

— Onde eu estava? Ela era uma coisinha orgulhosa, minha Aidra.


Eu podia entender porquê, depois de toda a merda que ela passou. Seus
pais foram mortos na sua frente, seu irmãozinho decapitado e isso
poderia foder com o melhor de nós, não? Desde que você parece se
preocupar com a família e tudo mais.

Fang esperou o homem dar um aceno de cabeça trêmulo antes de


continuar.

— Todos nós temos nossos problemas, então posso entender por que
ela era fechada, mesmo que isso me incomodasse.

Seu olhar foi para os riachos de sangue que escorriam do lado da


mesa, aterrissando em uma poça rasa no chão.

— Demorou muito tempo antes que ela estivesse disposta a me


deixar entrar, mas uma vez que o fez... — Fang sumiu quando sorriu
distraidamente, lembrando dos bons momentos que ele e Aidra
compartilharam.

O jeito que ela costumava ficar animada com a menor coisa quando
ele a pegava sozinha. Ela tinha uma imagem para defender perto de Nix
e os outros, mas quando estava com ele, abaixava a parede e sorria mais,
DEN OF MERCENARIES #4

ria mais e ofereceu-lhe seu amor e felicidade sem esperar nada em troca.

A voz de Fang era mais suave quando ele disse:

— Ela odiava a ideia de que eu cuidasse dela, de alguém cuidando


dela. Poderia ter comprado a porra do mundo, mas ela não aceitaria,
porque queria comprar para si mesma.

— Eu estava apenas seguindo ordens. — Disse o homem


rapidamente, como se estivesse com medo do que Fang poderia fazer
agora que falou sem permissão.

— Isso é o pior, não é? — Fang perguntou quando ficou de pé,


movendo a cadeira para fora do caminho. — Agora, você tem que
responder por um erro que outra pessoa ordenou.

— Eu posso lhe dizer onde encontrá-lo! — O homem repetiu uma


segunda vez, como se Fang fosse mudar de ideia sobre o que planejava
fazer.

— Eu vou encontrá-lo sozinho, obrigado. Por enquanto, me


contentarei com você.

Havia uma variedade de ferramentas ao redor da sala escura, o


material dos sonhos de um assassino. Enquanto examinava o espaço,
tentando tomar uma decisão, Fang esfregou a frente de sua calça jeans
em um movimento inconsciente, contando em sua cabeça.

Era reflexivo, um ritual que aprendeu há muito tempo antes de sua


primeira tarefa.

Foco.
DEN OF MERCENARIES #4

Limpe os pensamentos.

— Diga-me. — Disse Fang enquanto pegava um machado da parede.


— Ela disse alguma coisa antes de você puxar essa porra de alavanca?
Ela disse?

Um olhar para o rosto dele lhe disse que ela falou e, apesar do
estômago de Fang revirar, aquela náusea subindo mais alto em sua
garganta, ele precisava saber.

— O que ela disse? — Fang perguntou, ouvindo distintamente a


rachadura em sua voz, desprezando a fraqueza.

— Eu sinto muito. Eu sinto muito. Eu não...

— Seu orgulho a impediria de implorar, nem mesmo com a porra da


vida dela em jogo. Ela ainda não teria implorado.

— Christophe. Ela pediu por alguém chamado Christophe. —


Confessou o homem, com um soluço quebrado.

Era a última coisa que Fang esperava que ele dissesse.

Era um nome de um passado distante, o qual Fang raramente


revisitava, até mesmo seus irmãos respondiam apenas aos nomes que
receberam quando se juntaram à Sociedade Lotus.

Era um nome que ele apenas ofereceu a ela.

Porque ela o amava e ele não queria apenas que amasse a nova
versão que criou. Uma vez que escapou de seu inferno, queria que ela
amasse tudo dele.
DEN OF MERCENARIES #4

Naquele último momento de desamparo, ela gritou por ele...


esperando que a salvasse.

— Você não morrerá porque a tirou de mim. — Disse Fang ao homem


enquanto levantava o machado, o metal brilhando na luz fraca. — Você
morrerá porque a fez fraca e ela o odiaria por isso.

Abaixou o machado e ficou observando com satisfação enquanto


afundava na carne do homem como manteiga.

Seus gritos fizeram as orelhas de Fang tremerem, sua luta apenas


deixava mais fácil mover sua arma. Ele não parou, nem mesmo depois
que os gritos do homem cessaram e quase nada foi deixado para rasgar.

Ele não parou até que não pode mais sentir seu braço. Não deixou
o machado cair de sua mão até que alguém o puxou e um braço poderoso
o afastou da mesa.

Tăcut.

O maldito bastardo leal.

Aquele que se recusou a deixar Fang fazer isso sozinho, embora não
quisesse a ajuda.

Não importava que Fang estivesse encharcado de sangue ou que


estivesse perto de um colapso mental por causa do cheiro acobreado no
ar, Tăcut o tirou dali sem uma palavra.

— Acho que preciso de uma bebida. — Disse ele ao homem


silencioso, batendo as palmas nas costas dele com uma mão suja de
sangue. — Quero esquecer esta noite.
DEN OF MERCENARIES #4

Fang não queria nada mais do que se afogar em sua dor até que
nada restasse dele. Talvez amanhã acordasse e tudo isso fosse apenas
um terrível sonho. Mas quando saiu, encontrou Invictus e Thanatos
esperando do outro lado da porta e soube que era tudo muito real.

E não podia fazer nada sobre isso.

— Sabe. — Fang disse uma vez que estavam fora, o ar fresco como
um bálsamo para sua alma. — Provavelmente deveria alimentar os porcos
com ele. Eu fiz àqueles bastardos famintos uma promessa.

Tăcut apenas balançou a cabeça.

Isso poderia significar uma variedade de coisas.

Não, ele estava pronto para a noite e precisava desaparecer por um


tempo.

Não, ele estava sob controle e fez o suficiente.

E de qualquer forma, Fang sabia que isso era para ele: chegou ao
fim da linha.
DEN OF MERCENARIES #4

Parada a alguma distancia nos jardins da fazenda, Luna ficou


olhado enquanto o homem colocava Fang na traseira de um caminhão e
então olhou de volta na direção deles, a única indicação de que sabia que
eles estavam lá.

— Ele ficará bem? — Luna sussurrou, mesmo sabendo que Tăcut e


os outros não podiam ouvi-la.

O som resignado de Kit fez Luna sentir dor. Apesar de seu exterior
frio, ela sabia o quanto amava as pessoas mais próximas a ele.

Ele não apenas acabou de perder Aidra, mas Fang e o restante do


The Wild Bunch, embora se tudo acontecesse como ela esperava, não
seria por muito tempo.

Kit ficou em silêncio por um longo tempo enquanto observava The


Wild Bunch, como eles se livraram das partes do corpo ensanguentadas,
depois entravam no caminhão e saiam.

— Não doerá para sempre.

Uma vez que terminaram, ele girou a chave, o motor ronronou


suavemente. Olhou de volta para ela, sua mão descendo para envolver
sua coxa.
DEN OF MERCENARIES #4

— Vamos para casa.

— Acho que sentirei falta daquele bangalô. — Disse Luna algumas


horas depois, olhando pelas janelas do jato para as luzes cintilantes
abaixo. — Eu gostava de ficar perto do oceano e sentir o cheiro do sal no
ar.

Apesar de tudo, encontrou a paz ali e ao contrário do castelo que


guardava uma miríade de lembranças, o bangalô apenas possuía o tipo
bom de lembranças.

— Isso é o que estava esperando. — Kit respondeu com um olhar em


sua direção. — Ainda é nosso, sabe. Comprei para você.

Ela assumiu isso, mas era bom ouvir tudo de qualquer forma.

— Alguma outra surpresa que queira me contar? — Luna


perguntou, mudando de posição para que as pernas dela ficassem sobre
o colo dele.

— Onde estaria a diversão em contar tudo?

— Bem, será divertido para mim porque eu saberei.

Kit poderia ter sorrido, mas não ofereceu nada.

— E meu apartamento em Vegas?


DEN OF MERCENARIES #4

— O que tem ele?

— Bem se voltarei para Nova Iorque com você...

— Se? — Ele perguntou, fazendo um show de olhar ao seu redor.

Luna revirou os olhos.

— Você realmente quer discutir semântica?

— Então?

— Bem. Quando voltarmos e o meu apartamento?

Ela não pensou muito depois da viagem surpresa deles, mas agora
que estavam indo para casa, não pode deixar de pensar sobre isso.

— Eu imagino que ainda estará lá se você ou nós, escolhermos


visitar. — Seu sorriso ficou mais amplo. — Eu possuo o prédio depois de
tudo.

Certo... ela esqueceu esse pequeno detalhe.

— E Wild Bunch? Eles estarão lá quando pousarmos?

O sorriso de Kit desapareceu, seu olhar indo para o celular e a tela


preta.

— Duvido disso.

Era agridoce voltar para um lugar que amava, embora estivesse


faltando as pessoas que amava. E Aidra, o pensamento dela não estar lá
e lidar com as coisa, doía mais. Foi tão importante em suas vidas que
Luna se perguntou se alguma vez sentiria o mesmo.
DEN OF MERCENARIES #4

Luna ficou em silêncio pelo resto da viagem, ocupando-se com


pensamentos de outra coisa senão o quão drasticamente tudo mudou.
No momento em que estavam chegando, o castelo se aproximava como
da primeira vez em que se aventurou naquele lugar, a melancolia que de
repente a dominou aliviou-se um pouco.

As coisas não seriam as mesmas, não, mas ela era muito boa em
reconstruir.

— Sabe, eu não acho que você realmente me carregou pela porta. —


Observou Luna pensativamente.

Depois da curta lua-de-mel, ela voltou ao trabalho e com o tiro de


Uilleam pouco depois, não houve muito tempo para aproveitar a
felicidade pós-marital.

Deixando cair as malas na porta, Kit se voltou para ela e sem dizer
uma palavra, a ergueu sem esforço e levou-a escada acima até a casa.

— Bem-vinda a casa, Luna.

Ela estava feliz por estar de volta.


DEN OF MERCENARIES #4

Três dias depois…

Luna fez uma parada na entrada do café quase vazio e ficou


surpresa com a falta de clientes. Embora fossem apenas nove da manhã,
esse lugar costumava estar lotado de pessoas que viajavam cedo,
especialmente com o escritório de advocacia logo ao lado.

Mas apesar da falta de clientes, nada mais parecia fora do comum


com Charlie, o proprietário e barista, parado atrás do balcão com o
avental branco amarrado na cintura.

Sorriu ao se aproximar, polindo uma das canecas enormes que ele


mantinha atrás do balcão.

— Quer o seu habitual?

— Sim. — Disse ela, tirando uma nota de vinte dólares do bolso.

Enquanto ele providenciava seu pedido, Luna checou seu telefone o


que foi inútil, já que não tinha sinal, mas seu olhar se afastou quando
ouviu o barulho de saltos.

— Eu apenas pedi um Starbucks. — Disse uma voz com um sotaque


suave. Você nunca sabe o que pode encontrar nesses estabelecimentos
menores.

Belladonna.
DEN OF MERCENARIES #4

Luna começou a pensar que ela não era real, que a mulher que
conheceu fosse uma substituta, especialmente com as suspeitas de Kit
sobre ela, mas não mudou muito nos últimos anos.

Cabelos escuros ainda caiam sobre os ombros e uma sugestão de


malícia ainda existia em suas feições amáveis.

Manhattan poderia ser o lar de milhões de pessoas, mas a cidade


parecia pequena, uma vez que vivia lá por tempo suficiente e Luna não
achava que fosse uma coincidência que elas tivessem se encontrado aqui.

E se tivesse que adivinhar, era por causa de Belladonna que aquele


lugar estava tão vazio.

— Você veio para terminar o que seu empregado começou? — Luna


perguntou, avaliando a distância entre elas, então o lugar e se tivesse
algum segurança com ela, Luna não viu.

— Eu vim para oferecer um pedido de desculpas. — Ela respondeu,


cruzando as mãos na frente. — Enquanto ele trabalhava para mim, achei
ter deixado claro que você não deveria ser prejudicada. Sabe, é muito
difícil encontrar uma boa ajuda nos dias de hoje.

Elias disse algo parecido antes de deixar que fosse espancada até à
morte, mas suas divagações não fizeram sentido na época e ela acreditava
que no final ele ficou um pouco louco.

Agora, não tinha tanta certeza.

— Eu não achei que fosse tão especial.


DEN OF MERCENARIES #4

— Vamos lá, deve saber que isso não é verdade. Eu não vi uma vez
os irmãos Runehart trabalhando juntos por qualquer coisa, mas fizeram
isso por você.

Elas foram interrompidas por Charlie colocando duas xícaras no


balcão. Belladonna aceitou a sua com um sorriso, inclinando a xícara
para os lábios pintados de vermelho.

— Além disso, odiaria que algo acontecesse com você sem nenhuma
culpa sua.

— Porque minha mãe me usou como um peão... — Luna disse,


lembrando-se vagamente do que Belladonna disse a ela todos aqueles
anos atrás quando se conheceram.

— Ninguém deveria brincar de Deus, mas não é por isso que estou
aqui. Pensei que poderíamos dar um pequeno passeio.

Embora ela envolvesse a mão ao redor de sua xícara, levando-a perto


do peito, Luna não se mexeu.

— Por que eu iria a qualquer lugar com você?

— Porque se pensasse que realmente queria machucá-la, tenho


certeza que usaria uma daquelas adagas pelas quais você se tornou
notória. No entanto, aqui estamos nós. — Belladonna sorriu quando
olhava para as unhas negras que pareciam garras. — Além disso, uma
parte de você, não importa quão pequena seja, confia em mim.

Ela não admitiu isso em voz alta, nem quis admitir para si mesma,
mas Belladonna estava certa.
DEN OF MERCENARIES #4

Não importava que Kit suspeitasse dela ou que suas motivações


para ajudar Luna fossem obscuras na melhor das hipóteses, Luna
confiava nela.

Mesmo tão insano quanto o pensamento era.

Belladonna girou nos calcanhares.

— Vamos sair daqui? A segurança que seu marido contratou está


esperando na frente e enquanto ele está fazendo um trabalho muito ruim,
prefiro não fazer uma bagunça se tentarem nos impedir.

Mesmo enquanto ela estava relutantemente seguindo atrás da


mulher, seu olhar voltou para frente, onde sabia que sua moto ainda
estava estacionada. Quanto tempo levaria, ela se perguntou, antes que
ele percebesse que não estava mais na loja?

Um Bentley estava estacionado atrás do café, o escapamento


ondulando. À primeira vista, Luna estava começando a pensar que
branco era coisa de Belladonna.

— Onde vamos? — Ela perguntou uma vez que se acomodou na


parte de trás e Belladonna entrou.

— Visitaremos uma velha amiga minha no país. Ela tem uma casa
mais adequada para o que tenho em mente. — Belladonna disse, seu
olhar nos edifícios que passavam enquanto saíam da cidade.

Elas ficaram silêncio por mais algum tempo, apenas o leve zumbido
do motor enchendo o espaço antes de Luna perguntar:

— Qual é sua vingança contra Kit?


DEN OF MERCENARIES #4

Um canto da boca da mulher se curvou para cima.

— Não tenho nada contra seu marido, asseguro-lhe.

Luna esperou um minuto antes de perguntar:

— Kingmaker, então?

Belladonna não respondeu por vários segundos, sua expressão


ilegível.

— E se tivesse, você seria a última pessoa a quem contaria,


considerando suas alianças. Uma característica admirável, na verdade,
sua lealdade a Uilleam. Ele tem muito poucas pessoas que são.

— Você era próxima a ele, certo?

— O que faz você pensar assim?

Mas a pergunta foi feita de uma forma que dizia a Luna que a mulher
a estava seguindo sua conversa.

— Você usou o nome dele.

E era raro que alguém fizesse isso com tanta familiaridade.

— Embora ele deteste admitir, há muitos que sabem seu nome, mas
por medo dele, não usam. Eu, por outro lado, não sinto esse medo.

Mas ela não respondeu à pergunta...

Embora, de certa forma, sua não resposta disse a Luna que estava
certa.
DEN OF MERCENARIES #4

— Explique algo para mim. — Disse ela, tamborilando os dedos no


joelho. — Considerando o que você sabe sobre ele, por que acha que me
dizer sobre o que ele fez iria machucá-lo?

Uilleam não negou, nem tentou culpar ninguém quando ela o


confrontou com a verdade. Não ficou irritado que ela soubesse disso, mas
estava perto de descobrir sobre o envolvimento de Kit.

— Você não entende. Eu não lhe ofereci a verdade para machucá-lo,


lhe ofereci a verdade porque sei o que é ter sua vida manipulada por
Uilleam. Descobri muito tarde… e paguei um preço terrível.

Ela poderia não saber os detalhes, mas Luna acreditava nisso.

Uilleam era notório por manipular eventos em seu próprio benefício,


era isso que ele fazia melhor. E se aprendeu algo sobre o homem, era que
ele não se importava com quem precisava machucar, matar ou destruir
para conseguir o que queria.

— O que ele fez com você? — Luna perguntou suavemente, quase


com medo de saber a resposta.

— Oh, não há necessidade de me aprofundar em história antiga. —


Belladonna disse com um leve aceno de sua mão. — Apenas sei que
aqueles que são responsáveis serão responsabilizados.

Isso era uma ameaça, se ela já ouviu uma e pelo jeito que estava
cuidadosamente orquestrando cada movimento que fazia, Luna não
duvidava que a mulher os faria pagar.

Belladonna virou-se, para melhor olhá-la.


DEN OF MERCENARIES #4

— Você era apenas uma garota inocente quando foi levada. Naquela
época, havia menos freios e contrapesos no mundo em que vivemos.
Uilleam, se você pode imaginar, era muito mais arrogante do que é agora,
mas o tempo faz isso com você.

— Porque ele perdeu alguém que amava. — Luna se atreveu a dizer,


querendo ver sua reação.

Ela tentou ver nela o que Uilleam descreveu de Karina. Belladonna


era linda, como Karina provavelmente foi, mas havia uma grande
diferença entre as personalidades das mulheres.

Durante o passeio bêbado de Uilleam, ele descreveu Karina como


suave, dócil até mesmo, com uma bondade inerente que o atraiu para ela
em primeiro lugar.

Enquanto Belladonna parecia suave na superfície, algo mais


agitava-se abaixo da superfície.

— Talvez sim. — Belladonna finalmente respondeu, sua expressão


nunca mudando. — O sofrimento pode levar até mesmo o mais forte dos
homens a seus joelhos.

— Esse é seu plano? Machucá-lo mais?

— Seu foco é muito estreito, Luna. Você apenas vê o que está à sua
frente, em oposição ao quadro maior. Considere-me uma defensora dos
esquecidos e injustiçados. Uilleam não foi o primeiro valentão nem será
o último.

Luna não teve a chance de responder antes que virassem em uma


estrada de terra e dirigindo através das árvores ao lado da
DEN OF MERCENARIES #4

estrada. Quando chegaram à clareira, o motorista desligou o motor e


abriu a porta para elas.

Uma casa modesta ficava a poucos metros de distância e mais atrás,


havia um celeiro que parecia bem conservado.

Elas estavam quase na metade do caminho de cascalho antes de


uma mulher aparecer no limiar da porta da frente, sua expressão neutra
quando se aproximou.

Os vários piercings na orelha brilharam quando o sol os atingiu. Ela


era mais alta que Belladonna, mais perto da altura de Luna, com um
corte de duende em um tom pálido de loiro.

Ela deu a Luna do mais breve olhar antes de se dirigir a Belladonna.

— Ele está esperando.

Ele?

Luna apenas podia imaginar quem o homem poderia ser quando


elas foram levadas para o lado da casa e para o celeiro. As possibilidades
de quem poderia ser eram infinitas, mas uma vez que dentro quando
conseguiu seu primeiro olhar, deveria saber.

— Meu querido Elias, sinto muito por ter mantido você esperando.
— Belladonna disse quando se aproximou, removendo cuidadosamente
as luvas de couro que usava.

Ferido e levemente ensanguentado, Elias Harrington estava


encolhido e nu em uma gaiola, o sorriso outrora sempre presente de sua
DEN OF MERCENARIES #4

distante memória, enquanto medo e ansiedade apareciam em seu rosto.

Mas não era apenas de Belladonna que ele parecia ter medo, não
quando seu olhar continuava percorrendo o celeiro até um canto sombrio
onde um homem estava com os braços cruzados sobre o peito.

Ele não se mexeu nem falou enquanto os observava. Apenas ficou


lá... sua expressão nunca mudando. Vê-lo fez os pelos minúsculos ao
longo dos braços dela se erguerem.

— Luna chegou um pouco mais tarde do que eu esperava. —


Belladonna disse puxando-a para a conversa. Embora nunca duvidou
que o encontro delas fosse intencional, não esperava que este nível.

— Sempre fui fiel a você, mas desta vez foi longe demais. — Disse
Elias. Embora tentasse injetar tanta força em suas palavras quanto
possível, Luna podia ouvir o fio da incerteza.

— Quando você se aproximou de mim, da minha organização, eu


disse qual era a única regra, certo? — Belladonna perguntou.

— Sim, mas...

— Qual foi essa regra?

— Bella…

— A regra! — Ela de repente gritou, os olhos brilhando enquanto


olhava para o homem com tanto ódio que era incrível que os dois já
tivessem trabalhado juntos.

— Nunca foder com você. — Elias respondeu, quase um sussurro.


DEN OF MERCENARIES #4

— Entendi sua necessidade de me testar, afinal é um homem e como


você disse antes, não acredita que exista um lugar para mulheres nesse
negócio. Mas tenho as regras por um motivo e você quebrou todas elas.

— O que quer que tenha feito. — Disse Elias, tentando


desesperadamente apelar para ela. — Certamente posso consertar.

— É tarde demais para isso. — Disse Belladonna. — Desculpei seus


negócios contrários à minha visão. Permiti desculpas patéticas para os
homens trabalharem sob suas ordens, desde que os mantivesse sob
controle, mas não conseguiu administrar isso.

— Eu...

Belladonna levantou a mão, um comando silencioso para ele parar


de falar.

— E o que você me deu em troca? — Elias permaneceu quieto. —


Estou esperando.

— Ele estava interferindo. — Disse Elias e mesmo em sua situação


atual, seu desprezo por Uilleam era claro.

— Ele fez o que sempre faz, Elias, exceto que você deixou isso entrar
na sua pele. Não estava mais contente em jogar o jogo como instruí, então
quis conseguir a atenção dele, mas foi quando você cometeu o primeiro
erro.

— Eu nunca cometi um erro! Os clientes eram desleixados.

— Talvez pudesse ter aprendido alguma coisa com ele nesse sentido,
mas não são seus clientes a quem estou me referindo. — A
DEN OF MERCENARIES #4

expressão de Belladonna mudou quando ela tocou as barras de sua


gaiola. — Você enviou Jackal em uma missão, dando uma ordem em meu
nome.

Seu olhar foi para a esquerda, onde o homem silencioso ainda estava
de pé.

Era quem ele era?

Ela estava de pé com um homem que o Den caçou por anos?

Agora, quando o olhou, não viu apenas uma figura estoica, o viu
pelo que ele era, o assassino com habilidade incomparável e aquele que
tinha uma recompensa de um milhão de dólares em sua cabeça.

Mas mesmo enquanto Luna registrava o pensamento, seus dedos


tocaram uma das facas em seus pulsos, mas também considerou o que
Belladonna estava dizendo.

E se entendeu corretamente, não foi ela quem enviou Jackal atrás


de Uilleam, ao contrário de Elias.

Agora, entendia por que eles nunca conseguiram encontrá-lo,


apesar de todas as informações que Uilleam recuperou com Elias. Ele não
era o manipulador, Belladonna era.

Não havia como dizer o que Uilleam poderia fazer com essa
informação, mas Luna agora estava começando a se perguntar se ela
seria capaz de dizer a ele. Não suspeitava que Belladonna compartilhasse
tudo isso com a bondade de seu coração.
DEN OF MERCENARIES #4

— Ele estava ficando sem tempo. — Elias balançou a cabeça. — Eles


não se importam se ele vive ou morre. Eu não precisava de sua
permissão, desde que tinha a permissão deles.

Eles?

Quem porra eram eles?

Luna estava começando a se perguntar quantas pessoas estavam


envolvidas em tudo isso.

Belladonna balançou a cabeça, como se estivesse desapontada,


então chamou o homem que não falou uma palavra desde que Luna
entrou.

— Jackal.

Belladonna disse outra coisa em romeno, se Luna tivesse que


adivinhar, porque algumas palavras pareciam familiares.

Jackal foi para frente sem um som e quando o fez, Luna o viu pela
primeira vez sem chuva e um capacete preto protegendo sua visão.

Ao contrário da última vez que ela cruzou com ele, apenas metade
de seu rosto estava coberto, como se estivesse amordaçado. Cabelo
comprido e escuro caía sobre os ombros e se curvava nas extremidades,
os olhos cinzentos que pareciam tão frios e sem nenhuma emoção.

Um colete de guerra à prova de balas com tiras variadas cobria um


peito bem musculoso, com um cinto de armas que continha uma
variedade de ferramentas que alguém poderia precisar fazendo o trabalho
que faziam.
DEN OF MERCENARIES #4

Mas apenas olhar para ele, ficou claro que ele era a arma.

— Vointa ta? O que deseja? — Ele perguntou, com sua voz baixa, as
palavras guturais, enviando um arrepio pela espinha de Luna, o medo
agudo que ela sentiu congelando-a no lugar.

— Não faça isso. — Elias implorou de seu canto, com o olhar em


pânico para Jackal. — O que você quiser! Posso consertar isso.

— Estou totalmente fora de perdoar, Elias. — Belladonna disse se


desculpando, mas não parecia se importar nenhum pouco. — Entenda
algo, tudo isso poderia ter sido evitado se você tivesse ouvido.

— Por causa dela? — Elias se atreveu a perguntar, sua respiração


mais rápida enquanto seu olhar ia entre Jackal e Belladonna.

Eu? Luna pensou, mas isso não poderia ser verdade.

— Eu poderia dizer que sim, que é porque você a pegou e o resultado


de suas ações fez de Nix um inimigo e isso é razão suficiente, mas nós
dois sabemos a verdade, não é? — Belladonna destrancou a jaula e deu
um passo. — Apenas precisava de uma desculpa para me livrar de você.
Mate-o.

Elias não teve chance.

Não quando ele tinha menos da metade do tamanho de Jackal e sem


a menor habilidade.

Levou apenas alguns segundos no máximo para Jackal colocar o


homem de joelhos, parado atrás dele enquanto uma mão enluvada ficava
DEN OF MERCENARIES #4

sobre sua cabeça e a outra sob o queixo enquanto agarrava com firmeza
o homem que não podia escapar.

Quando Jackal virou os olhos mortos para Belladonna, ele esperou


o menor aceno de cabeça dela antes do rápido estalo de ossos ecoasse.

Segundos...

Isso foi tudo o que levou para matar um homem que Uilleam caçou
por anos e pelo homem que ele queria mais que tudo.

— Quando você contar essa história para seu marido, por favor,
ofereça minhas mais sinceras desculpas e saiba que nenhum mal deve
vir a você novamente. Nisso, você tem minha palavra.

Luna apenas podia olhar.

— Eu não entendo. Por que você faria isso?

— Essa não é a pergunta, verdade? — Belladonna perguntou


pacientemente enquanto puxava as luvas de volta. — Você quer saber por
que a envolvi e se terá permissão para sair agora que terminamos.

Ela não negaria isso.

— Sim.

— Quer Elias quisesse admitir ou não, Uilleam estava se


aproximando demais e é duvidoso que ele tenha conseguido mais três
meses. Isso, no mínimo, me compra algum tempo. Não acho que estou
pronta para o encontro com Uilleam ainda. Tenho alguns assuntos para
colocar em ordem primeiro.
DEN OF MERCENARIES #4

Isso, tudo isso, parecia surreal, mas Luna há muito parou de


questionar a impossibilidade de sua vida.

— Eu tenho um favor para pedir. — Belladonna disse enquanto


colocava uma mão em seu braço, levando-a para fora do celeiro enquanto
Jackal arrastava o corpo de Elias da gaiola

— Qual é o favor?

Pegando um envelope preto com um selo de cera no bolso do casaco,


Belladonna o entregou.

— Não se preocupe. — Ela disse uma vez que estava fora de suas
mãos e Luna olhou para ele com apreensão. — Não vai matá-lo, não
literalmente de qualquer maneira. Como tenho certeza de que você verá
a Uilleam mais tarde, devido ao tempo que passamos juntas, isso ajudará
a colocar algumas coisas em perspectiva para ele.

Luna traçou as bordas da cera, seguindo as linhas do K que estava


embutido nela.

— Quem é você para ele?

Outro carro parou no momento em que elas voltaram para frente da


casa, este para levar Luna de volta para cidade.

A expressão de Belladonna mudou, de volta para uma que era


ilegível.

— Uma lembrança distante.

— Distante, mas não esquecida? Karina?


DEN OF MERCENARIES #4

Isso foi o que Kit pensou e agora vendo a forma como a mulher
chamaria a atenção de Uilleam, Luna também estava começando a
acreditar.

Era a única coisa que fazia sentido.

Um lampejo de reconhecimento brilhou nos olhos de Belladonna.

— A questão não é se sou Karina ou não, mas sim se a mulher que


Uilleam conhecia como Karina existiu. Bom dia, Luna. Espero vê-la em
breve.

Não havia sentido em discutir nem prolongar sua estada para


questionar mais a mulher, ela duvidava que conseguisse mais respostas
dela de qualquer maneira.

Quando sentou na parte de trás do carro, observando a casa e


Belladonna desaparecerem ainda mais, Luna não pode deixar de pensar
que algo estava prestes a acontecer.

E isso mudaria tudo.

Eles seguiram a estrada dirigindo em silêncio, todo o caminho de


volta ao café, não que Luna tivesse algo a dizer, pelo menos não para o
motorista. Ele não era o mesmo que a levou e Belladonna para fazenda,
então duvidava que ele soubesse alguma coisa útil.
DEN OF MERCENARIES #4

E se a mulher fosse tão esperta quanto Luna pensava, era


improvável que usasse alguém que estivesse perto de sua organização.

O caminho de volta para cidade foi muito mais curto e se ela ainda
não ouvisse o som dos apelos de Elias em seus ouvidos, poderia pensar
que realmente aconteceu.

— Por favor. — Disse o motorista com um sotaque. — Cuidado ao


sair.

Aparentemente, até mesmo os motoristas de Belladonna eram


desnecessariamente educados.

Saindo do carro, ela fechou a porta, observando o motorista sinalizar


antes de sair, desaparecendo rapidamente no mar de carros.

Verificando o relógio, apenas saiu há uma hora, muito menos tempo


do que esperava.

Circulando de volta para frente do café, ela procurou por qualquer


sinal do segurança que Kit designou para ela, mas nem o homem nem
seu carro estavam em qualquer lugar à vista.

Sabendo que sua ausência já deveria ter sido notada, pegou o


telefone e ligou para Kit, já pensando no que dizer para acalmá-lo.

— Estou bem. — Ela disse no momento em que a ligação foi feita e


antes que ele pudesse falar alguma coisa.

— Trinta segundos até você. — Ele disse em retorno.


DEN OF MERCENARIES #4

Luna olhou para cima, procurando por seu carro no mar de outras
pessoas, mas apesar de olhar por cima de cada um, não viu o dele em
nenhum lugar.

— Engarrafamento na Quinta. — Kit de repente disse atrás dela, sua


voz a assustando. Ela mal se virou para ele quando disse: — Explique.

— Onde está seu carro? — Ela perguntou, olhando além dele,


tentando ver se um dos muitos que ela sabia que ele possuía estava
estacionado em algum lugar que não notou durante sua primeira
varredura.

— Eu disse... engarrafamento.

— Então você caminhou de lá?

Isso era poucos quarteirões e em Nova Iorque, poderiam ser


traiçoeiros. Enquanto a maioria dos nativos caminhava por toda a cidade,
Luna era muito preguiçosa para isso.

— Eu corri.

— Como você sabia...

Ele levantou o telefone, mostrando a ela o ícone piscando na tela.

— O imbecil que atribuí a você não percebeu que algo estava errado
até vinte minutos atrás, aparentemente. Ele disse que havia uma mulher
que precisava de ajuda.

Sem dúvida, colocada ali por Belladonna.


DEN OF MERCENARIES #4

Luna estava começando a pensar que a mulher era a versão


feminina de Kingmaker.

— Não foi culpa dele.

Kit não parecia concordar.

— No entanto, eu o culpo. — Ele olhou para o telefone mais uma


vez. — É melhor prevenir do que remediar.

Talvez ela devesse ficar irritada por ele estar rastreando-a, mas
depois da última vez que foi levada, não podia reclamar.

Ele segurou sua nuca, puxando-a para mais perto, os olhos


examinando seu rosto.

— Estou bem. — Ela disse novamente. — Ela não estava tentando


me machucar nem nada.

— Ela?

Luna não precisava dar um nome para ele saber quem ela queria
dizer.

— Há muito que preciso contar.


DEN OF MERCENARIES #4

Mal passaram pela porta da frente da cobertura, antes de Kit se virar


para ela e dizer:

— Explique.

— Primeiro, Elias está morto.

Kit nem sequer piscou.

— Como?

— Belladonna ou melhor, ela deu a ordem e Jackal o executou.

Agora, ele reagiu, incapaz de esconder seu ódio à menção desse


nome. Kit poderia não ter medo de Jackal, mas sabia do que o homem
era capaz.

Luna também sabia o que ele poderia fazer, mas vendo a eficiência
fria com que trabalhou de perto... não achava que queria ser seu alvo.

— Continue.

— Elias não era o chefe. — Disse ela, lembrando a maneira como o


homem se encolheu e tudo o que ele disse. — Ela é.

Kit esfregou a testa, como se para afastar uma dor de cabeça que se
aproximava.

— Porque isso não poderia ficar pior.

— Ela me pediu para lhe dar uma mensagem em seu nome.

Kit parecia que era a última coisa que ele queria ouvir.
DEN OF MERCENARIES #4

— E?

— Ela envia suas desculpas pelo comportamento de Elias.

— Algo mais?

Ela levantou o envelope para ele ver.

— Vamos precisar de Uilleam para o restante.


DEN OF MERCENARIES #4

Dias de hoje …

Kit fez um ruído do fundo de sua garganta, não gostando do


lembrete de quão perto Belladonna chegou com ela sob seu controle.

Uma coisa era trabalhar inadvertidamente para ela por causa de um


trabalho, mas era completamente diferente quando podia chegar até você
do lado de fora.

Mas apesar de sua infelicidade, Luna sorriu para ele.

Ele poderia não gostar da mulher ou melhor, não confiar em suas


motivações. Não importava o quão moralmente ambíguas fossem, mas
podia dizer que realmente não gostava.

Belladonna era... diferente.

Enquanto ela nunca houvesse confessado para Kit, Luna achava a


mulher bastante interessante. Talvez teria se sentido diferente se
estivesse tentando destruir ativamente Uilleam ou machucá-lo, mas pelo
que poderia dizer, Belladonna estava apenas jogando o mesmo jogo que
ele, usando seus próprios movimentos contra ele.
DEN OF MERCENARIES #4

E se alguma coisa, ela estava curiosa sobre como tudo isso


terminaria entre os dois e se isso aconteceria.

— Obviamente, se ela quisesse me machucar, teve muitas


oportunidades. — Lembrou Luna, na esperança de suavizar a ruga entre
as sobrancelhas. — Seu problema é com Uilleam.

— E de alguma forma, qualquer problema dele se torna um


problema de alguém próximo a ele. Precisamos tomar as precauções
necessárias.

— Bem, se você diz.

Seus olhos se estreitaram nela, mas apesar de sua tentativa de


parecer ameaçador, ela não se moveu.

— Certamente, tem problema com alguém a sequestrando

— Seu irmão fez isso primeiro, lembra?

Isso apenas fez sua careta se aprofundar.

— Você está tentando me irritar?

— Depende. Está funcionando?

A Dra. Marie considerou-os com um divertimento velado, uma


diferença gritante da última vez em que estiveram em seu escritório.

Luna sempre pensou que o olhar de indiferença era apenas sua


expressão permanente, que deveria permanecer neutra ao longo da
sessão, mas hoje, ela franzia as sobrancelhas junto com eles e até sorria
quando eles o faziam.
DEN OF MERCENARIES #4

Não havia como negar que tudo mudou desde a última vez que
estiveram ali. O futuro estava em questão e Luna não era capaz de ver
uma saída do buraco que cavaram.

Mas agora? Agora as coisas eram diferentes.

Não havia mais segredos.

Nada mais para dividi-los.

A Dra. Marie estalou a caneta, colocando-a entre as páginas do


caderno antes de fechá-lo.

— Então, onde se veem indo daqui?

— Férias. — Disse Luna imediatamente.

Embora seu contrato com o Den pudesse não ser aberto, Kit
convenceu Uilleam lhe desse duas semanas de licença.

Era o mínimo que ela merecia, ele disse.

Kit assentiu.

— Depois de alguns detalhes de última hora.

E por detalhes de última hora, ele queria dizer Fang e The Wild
Bunch.

Enquanto os outros estavam em casa, Fang ainda estava


desaparecido e apesar da preocupação que Kit sentia por ele, não tentou
encontrá-lo ainda, merecia poder lamentar.
DEN OF MERCENARIES #4

E se Luna tivesse que adivinhar, Tăcut sabia onde ele estava, mas
duvidava que eles tirassem qualquer coisa dele. Porque de todos eles, era
o mais confiável com os segredos de Fang. Então, até que quisesse ser
encontrado, não havia nada a ser feito.

— Fico feliz em ouvir. — Disse a Dra. Marie. Olhando para o relógio


pendurado na parede, dando um leve aceno de cabeça. — Isso conclui
nossa sessão?

Enquanto Luna se levantava, se perguntou se eles acabariam


voltando. Naquela época, não havia pedra sobre pedra, nem segredos
deixavam de ser compartilhados e no final ela se sentia mais próxima
dele do que jamais sentiu.

Mas nunca descartaria isso.

— Quais são esses detalhes de última hora sobre o qual estava


falando? — Luna perguntou uma vez que estavam fora do escritório e no
elevador até o saguão.

— Uilleam quer usar The Wild Bunch para uma missão. — Explicou
ele.

Luna olhou para ele surpresa.

— Essa é uma boa ideia?

— Para ele, todas suas ideias são boas, mas quer isso funcione ou
não a seu favor, vamos apenas ver. Fang e os outros não lidam bem em
receber ordens dele.
DEN OF MERCENARIES #4

Ela se perguntou se Kit planejava conversar com ele. Então se


perguntou que trabalho poderia querer que The Wild Bunch fizesse por
ele que não poderia levar para o Den.

Mas não era problema seu para resolver.

— Seu telefone. — Disse Kit, estendendo a mão enquanto saíam pela


porta da frente do prédio, o carro já esperando.

Luna apenas olhou para ele com diversão até que percebeu que não
tinha intenção de deixá-la entrar sem tê-lo.

— É sobre Agustín? — Ela perguntou brincando. — Porque juro que


não respondi a nenhuma de suas mensagens.

— Estou perigosamente perto de colocar você sobre meus joelhos.

Ela riu, deixando o celular na palma da mão dele.

— Isso é uma promessa?

Quando ela passou por ele e entrou no banco do passageiro, o ouviu


dizer:

— Com certeza. E a partir de agora até o momento em que


colocarmos o pé aqui. — Disse Kit uma vez que ele estava ao lado dela,
— Você é minha, apenas. Sem telefones. Nenhuma atribuição. Apenas
nós, como deveria ser.

Sorrindo, Luna não discutiu, nem mesmo um pouco.


DEN OF MERCENARIES #4

Nenhuma vez em muitos, muitos anos, Uilleam se importou com o que


os outros pensassem de suas ações. Ele era propenso a reagir por um
capricho e dependendo de seu humor, isso poderia significar coisas ruins
para todos, mas sempre significava coisas boas para ele e se certificava
disso.

Mas quando saiu de trás do carro com o motorista, um buquê de vinte


e quatro rosas na mão, não tinha certeza da reação que teria uma vez que
entrasse na casa de sua amante.

Amante... até isso soava mundano quando pensava em Karina, mas


era um termo muito melhor do que namorada, que parecia muito juvenil.

Mas esse era o problema da honestidade. Muitos achavam que


queriam isso até perceberem quão terrível poderia ser.

Era como uma lua azul, que pensou manter no escuro. Esconder o
máximo de sua vida como Kingmaker, se isso garantisse que ela nunca
saísse do seu lado, mas não era o que ela queria.

Seu pequeno coelhinho branco deixou suas exigências bem claras e


se quisesse mantê-la, então teria que honrar isso.

Não importava o quanto desejasse não o fazer.


DEN OF MERCENARIES #4

Uilleam era um homem de palavra.

Encaixando a chave que ela acabou de lhe dar na porta, entrou no


prédio de arenito no coração de Manhattan, o cheiro de ervas e especiarias
assaltando-o antes de entrar completamente.

Era apenas mais uma coisa para amar sobre Karina Ashworth, sua
culinária era excepcional. Ele provou alguns dos melhores alimentos do
mundo, mas nada comparado as comidas feitas por ela.

O pensamento fez com que ele franzisse a testa enquanto colocava o


buquê escondido e guardava o casaco, pendurando-o no gancho ao lado
da porta. E de alguma forma, ao longo de seu relacionamento com ela, se
transformou em um daqueles idiotas apaixonados dos quais zombava
alegremente.

Isso, tudo isso, deveria estar abaixo dele, mas ali estava, mais
ansioso para comer e aproveitar o que ela preparou, em vez de comer em
um restaurante aclamado da cidade.

Uilleam não sabia se ria ou se achava patético, mas estava inclinado


para o último.

— Uilleam? — Karina chamou da cozinha, os saltos que ela sempre


usava clicando no chão de madeira. — É você?

— Espero que sim. — Disse Uilleam enquanto se aproximava. —


Porque do contrário estaria morto em pouco tempo.

Karina, com seu cabelo castanho bagunçado, que geralmente


mantinha um rabo de cavalo alto, tinha o tipo de sorriso que o acalmava.
DEN OF MERCENARIES #4

Havia algo que parecia tão incrivelmente puro nela que o atraía.

O exato oposto dele.

Enquanto gostava de tomar qualquer coisa que pudesse conseguir,


ela devolvia, usando seu conhecimento e habilidade para o bem.

Alguns dias, ele queria corrompê-la, atraí-la para o lado dele, mas na
maioria dos dias queria proteger o bem que via nela. Depois de todos os
seus pecados, era o mínimo que poderia fazer.

Karina sorria ao entrar na cozinha, com uma taça de vinho na mão


ao lado do fogão.

— Bem... — Disse ela, seus olhos se iluminando quando viu as rosas


que ele carregava. — Poderia não ter acabado bem para eles. Você já
pensou nisso?

Ele sabia que ela tinha uma arma para proteção, mas desde que ele
estava em sua vida, nunca teve um motivo para puxá-la, então não tinha
certeza se ela sabia como usá-la.

Uilleam sorriu quando ele beijou sua bochecha, presenteando-a com


as flores.

— Eles não teriam uma chance.

Ela as aceitou alegremente, colocando-as de lado enquanto procurava


pelo par de tesouras de corte para aparar as hastes.

Karina era meticulosa sobre isso, cortando cuidadosamente cada


uma antes de pegar um vaso, enchê-lo com água e depois adicionar as
flores antes de colocá-lo no centro da mesa de jantar.
DEN OF MERCENARIES #4

— Você parece estar em um estado bom de humor. — Comentou


Karina ao voltar para o fogão, cortando outro pedaço de manteiga para
acrescentar à panela de aspargos. — O trabalho não foi como planejado?

Fazia muito tempo que ela parou de surpreendê-lo, pois era capaz de
lê-lo tão facilmente. Era uma jornalista afinal, era seu trabalho ver através
das pessoas.

— Não é bem assim.

Ela ficou em silêncio um momento antes de dizer:

— Posso ouvir se quiser compartilhar.

— Não posso prometer que gostará do que tenho a dizer.

— A verdade nem sempre é bonita, mas é a verdade mesmo assim.

E era por isso que a amava.

Ela o entendia.

— Eu fiz… arranjos para uma família. A mulher, Carmen, queria


poder e respeito.

Karina fez uma careta que ele não soube ler.

— E quem melhor para recorrer do que você.

Servindo-lhe uma bebida, quando ela entregou a ele, perguntou:

— Como você dá poder e respeito a alguém, exatamente? Não é uma


coisa tangível, é?
DEN OF MERCENARIES #4

— É um pouco mais complicado do que isso.

— Por favor. — Disse ela, puxando dois pratos dos armários. —


Explique-me.

— Como foi seu dia? — Ele perguntou, querendo atrasar o inevitável.

Enquanto sabia que ela ficaria chateada com ele, pelo menos não
seria por mais algum tempo.

Ela deu a ele um olhar conhecedor.

— Sem complicações. Certamente não tão emocionante quanto o seu.

— Alguma história interessante no escritório?

Oferecendo-lhe um prato cheio de comida, ela se sentou em frente a


ele.

— Não. Conte-me sobre o negócio que você fez.

Não vendo outra escolha e sabendo que ela iria importuná-lo até que
lhe desse uma resposta, deu a ela o que queria.

— Em troca de uma taxa significativa, concordei em ajudá-la a


garantir uma posição que lhe dê a vida que ela quer.

Karina franziu a testa.

— Isso é tudo? Pela forma como você está agindo, pensaria que algo
terrível estava envolvido.

Uilleam não respondeu imediatamente, tomando um longo gole de


vinho.
DEN OF MERCENARIES #4

— A menos que algo terrível estivesse envolvido...

— Para conseguir o que ela quer, uma de suas filhas precisa morrer.

Sua taça de vinho estava em seus lábios quando ela congelou, seu
olhar encontrando o dele. Houve um momento, quase um segundo fugaz,
quando viu fúria naquelas profundezas sombrias, antes de ser mascarada
pelo ultraje.

— Você não...

Não foi uma decisão que ele tomou de ânimo leve, apesar do que ela
deve ter pensado. A garota, quem quer que fosse, era apenas isso, uma
garota. Ela não merecia o que ele planejava fazer.

— Bem, se não eu... — Disse Uilleam. — Então será outra pessoa,


asseguro-lhe. Pelo menos, planejo tirá-la de sua miséria

— É assim que você vê, como se estivesse fazendo-lhe um favor?


Concordou em matar uma criança sem nenhum outro motivo além da
ganância de uma mulher. — Karina afastou o prato, ficando de pé. — Eu
pensei em muitas coisas sobre você, Uilleam, mas um homem sem coração
não era uma delas.

— Então talvez você não me conheça tão bem quanto pensa. —


Uilleam respondeu.

Ele era quem precisava ser.

— Talvez não. — Ela concordou prontamente. — Mas pensei que você


fosse capaz de melhor do que isso. Talvez estivesse errada também.
DEN OF MERCENARIES #4

— Não é preto e branco, Karina. Não é assim que isso funciona.

— Você está absolutamente certo sobre isso.

Maldita mulher irritante. Esfregando a mão pelo rosto, Uilleam disse:

— Eu não tive escolha.

— E é aí que você está errado, Uilleam. Você sempre tem uma escolha,
sempre há outro caminho. É cego para isso ou simplesmente incapaz de
ver de outra maneira.

Com essa observação de despedida, ela se afastou.

Uilleam não tinha certeza de quanto tempo permaneceu na mesa


antes de finalmente se levantar, se aventurando na sala para se sentar
diante da lareira. Apesar de sua raiva, ainda não estava pronto para sair.

Sobre a mesa de café feita de ébano estava um tabuleiro de xadrez


do século XV, que estava em sua posse há muitos e muitos anos. Este
mesmo tabuleiro o manteve saudável e forneceu um alívio mental para as
tarefas cansativas que estabeleceu para si mesmo.

Encontrava consolo no funcionamento de sua própria mente.

Não muitos entendiam por que gostava de jogar contra si mesmo


porque, afinal, seria capaz de prever seus próprios movimentos, mas não
era assim que funcionava.

Imaginava o que escolhas ou outros poderiam e como pensariam


melhor.
DEN OF MERCENARIES #4

Era assim que, apesar das dificuldades, ficava dois passos à frente
de todos.

Carmen Santiago…

O tipo de mulher que sempre desprezou, mas o dinheiro dela era tão
verde quanto o de qualquer outra pessoa e apesar de sua aversão por ela,
ainda gostava do desafio que o pedido dela apresentava.

Como poderia realizar o que Carmen queria enquanto poupava a vida


da garota...

Com um pensamento cuidadoso, Uilleam moveu sua primeira peça.

Sua estratégia era sólida. Ter a moça morta garantiria que ela tivesse
a simpatia dos outros e um bom lugar para começar sua luta mítica contra
os cartéis.

Mas era apenas isso, a garota precisava morrer.

Ela precisava ser um mártir.

A menos que não o fizesse.

Os peões eram frequentemente ignorados, com muitos deles no


quadro. Eles eram o sacrifício em uma tentativa de chegar a um objectivo
maior, mas às vezes, era o peão que podia ganhar o jogo.

A resposta era simples, Uilleam se perguntou como não viu isso antes.

Ele faria dela o peão mais forte que havia.

— Está ficando tarde, Uilleam.


DEN OF MERCENARIES #4

A voz de Karina o tirou de seus pensamentos, um momento antes dele


sentir os dedos dela em suas costas, o toque quase tão reconfortante
quanto a suavidade que ouvia em sua voz, mas Uilleam não desviou o olhar
do quadro à sua frente.

— Você tem esse olhar em seu rosto. — Ela disse sentando-se em


frente a ele.

— Que olhar é esse?

— Aquele de quando está planejando conquistar o mundo.

Um leve sorriso tocou seus lábios.

— Jogue comigo. — Disse ele, devolvendo as peças às suas posições


antes mesmo que ela concordasse. Mas sabia que o faria, ela o agradava
muito mais do que ele queria admitir.

— É isso que você quer? — Perguntou ela.

Era uma pergunta genuína, não uma que feita a ele com muita
frequência ao longo de sua vida. As decisões sempre foram tomadas por
ele, seus desejos nunca foram levados em consideração.

Mas não Karina.

Por razões que nem ele conseguia entender, ela queria fazê-lo feliz.

Uilleam não fingiria que era uma boa pessoa com boas intenções, nem
nunca fingiu ser alguém que não fosse exatamente quem era quando
estava com Karina.
DEN OF MERCENARIES #4

Mas ela o amava apesar disso, não, ela o amava apesar de tudo.

— A escola particular que frequentei a pedido da minha tia tinha um


clube de xadrez, sabe. — Disse ela enquanto se sentava na cadeira em
frente a ele, dobrando as pernas debaixo dela enquanto esperava que ele
terminasse. — Meus amigos não entendiam por que queria aprender o jogo,
mas estou feliz que tenha aprendido.

Uilleam sorriu distraidamente com a informação que revelava,


escondendo-a com todos os seus outros pensamentos e revelações sobre
ela. Ele sabia o que ela estava fazendo, gostava de contar-lhe pequenos
detalhes sobre ela, esperando que ele fizesse o mesmo.

Apesar de seu relacionamento contínuo, ela mal sabia sobre ele.

Alguns dias, ele ignorava suas sugestões de informação, mas no


humor que estava agora, decidiu satisfazê-la.

— Os homens da minha família adoram o jogo. — Ele disse,


terminando com as peças e empurrando a prancha para que ela ficasse
mais perto dela. — Meu pai... achava que era o jogo de um homem e apesar
de tudo, queria aprender porque ele queria que eu o fizesse.

O sorriso de Karina era suave e compreensivo quando moveu seu


primeiro peão.

— Não era muito rebelde, verdade?

Não, ele não foi.

Mas com um homem como Alexander Runehart, não havia lugar para
se rebelar.
DEN OF MERCENARIES #4

— Mas olha onde isso me levou.

Uma vez que teve sua vez, ele se sentou de volta, observando a
maneira cuidadosa que ela estudava o tabuleiro, colocando as mechas
grossas de cabelo atrás da orelha. Ele quase sorriu ao vê-la assim.

Este não era apenas um passatempo ocioso para ela como era para
muitos outros. Ela estava realmente concentrada, deliberando sobre seus
movimentos tanto quanto ele, embora fosse apenas o começo do jogo.

Karina era perfeita para ele

— Encontrei uma solução que você apreciaria. — Ele finalmente


admitiu.

— Eu nunca duvidei de você. — Disse ela com um sorriso. — Às vezes,


apenas precisa de um pouco de perspectiva.

Havia poucas doenças que a vodca não podia curar, Uilleam sabia
disso com certeza quando ele levou a garrafa aos lábios, consumindo
mais do potente licor que custou alguns milhares de dólares.

É claro que um substituto barato faria o mesmo efeito, mas isso era
próximo e ele estava de mau humor.

Estava perto de perder a porra da mente.


DEN OF MERCENARIES #4

Lutou contra a insanidade durante a maior parte dos últimos anos


desde que a perdeu, sempre lembrando da visão do sangue, tanto sangue,
que não apenas revestiu o chão, mas o corpo dela também.

E o rosto dela... a raiva que levou para deixá-la irreconhecível o levou


à loucura, o agarrou com força e se recusou a soltar.

Ainda se lembrava do horror que sentiu ao descobri-la em uma poça


vermelha, o cheiro forte e metálico agarrando-se ao ar e sufocando-o.

Oh, como seu pai e inimigos ririam ao vê-lo tão para baixo, tão fraco.

Pelos danos que foram causados a ela, pensaria que alguém


desprezava Karina, mas verdade fosse dita, era Uilleam que mais
odiavam.

Ele tinha dezenas de inimigos, antigos e novos, não passaria por


nenhum deles alvejá-la em seu lugar, mas sua arrogância o fez se recusar
a acreditar que alguém teria coragem de fazer isso.

No entanto, tiveram.

Elias teve.

O homem queria vê-lo sofrer e sofrer, mas agora... Uilleam não tinha
mais certeza de nada.

Seu irmão expressou suas suspeitas sobre quem Belladonna era, até
falou de seu encontro com a misteriosa mulher, Kava Alexion, mas
mesmo assim, Uilleam recusou-se a acreditar.

Não podia.
DEN OF MERCENARIES #4

Ele conhecia o corpo de Karina com tanta clareza quanto conhecia


o seu e não havia dúvida de que era ela que viu no chão de seu prédio.

Não havia como ela estar viva e ser responsável por tudo isso.

Mas Deus, as dúvidas estavam comendo-o, afastando todos os


pensamentos até que sentiu como se estivesse ficando louco apenas ao
pensar nisso.

Uilleam tinha tanta certeza de que era um erro.

Até agora.

— Uilleam? — Luna chamou, acenando com a mão na frente de seu


rosto. — Você ainda está ouvindo?

Piscando, ele se concentrou na mulher de pé diante dele e em seu


irmão ao lado dela. Tentou juntar tudo o que eles acabaram de dizer,
lembrando a si mesmo onde se desviou para seus próprios pensamentos.

— Sinto muito. — Disse ele sem qualquer inflexão. — Você dizia?

Foi Kit quem respondeu.

— Elias não será mais um problema para você, mas essa mulher,
Belladonna, acredito que será.

Uilleam tomou outra dose de vodca.

— O que é outro inimigo para adicionar à legião que já possuo?


DEN OF MERCENARIES #4

— Eu não acho que você encontrou alguém como ela. — Disse Kit.
— Pelo que Luna disse, parece que ela é a pessoa a quem Elias respondia.

— Certo e você acredita que é Karina a mente por trás de tudo. —


Ele gesticulou ao redor deles. — Disso. Devo supor que ela tentou me
matar também?

— Na verdade, ela não sabia nada sobre isso. — Interrompeu Luna.


— Essa foi uma das razões pelas quais ela fez Jackal matar Elias, pelo
menos foi o que entendi.

— Então essa Belladonna é sua manipuladora? — Perguntou


Uilleam, mais para si mesmo.

Um passo mais perto, dois passos para trás.

— Isso é o que parece. — Luna informou. — Mas ela também queria


que eu lhe desse isso.

Pegando um envelope preto, ela passou para ele e apesar de observá-


lo, não havia muito para ver. Mas havia um selo de cera atrás, com uma
cabeça de coelho no centro.

A mão de Uilleam tremeu quando ele virou de volta.

Não era possível.

— Os escritórios. — Uilleam disse, olhando ainda para o envelope


em suas mãos. — Onde são?

Kit prontamente deu a ele o endereço, embora não parecesse tão


certo do que Uilleam planejava.
DEN OF MERCENARIES #4

— Bem, se você procura respostas, precisa estar preparado para o


que pode encontrar.

— Como eu disse, meu irmão, não é possível. — Uilleam ficou de pé,


alisando a frente de sua camisa.

Antes que Kit pudesse dizer mais, Uilleam disse:

— Aproveite suas férias.

Uilleam acreditava em fatos.

Até que visse algo ele mesmo, se recusava a acreditar nisso.

Karina estava viva, embora uma parte desesperada dele estivesse


com medo de saber se isso era verdade ou alguém estava tentando ao
máximo fazê-lo acreditar que estava.

Não seria a primeira vez que alguém tentaria cortejar sua loucura.
Não era um plano ruim. A última vez que se perdeu em sua própria
miséria, seus negócios, seu próprio ser, sofreram por isso.

Até usou a guerra psicológica para atacar seus inimigos, mas quem
quer que estivesse por trás disso, não o insultavam com a informação.

Na verdade, não pareciam se importar com o que ele acreditava.

Uilleam não achava que tivesse jogado um jogo assim.

As ruas de Nova Iorque estavam borradas, enquanto seu motorista


a percorria habilmente através do trânsito do dia até chegar ao endereço
que Kit lhe deu.
DEN OF MERCENARIES #4

Saindo de seu carro, ele olhou para a extensão do prédio que tanto
seu irmão quanto Luna entraram, um lugar onde as respostas para suas
perguntas esperavam.

Seu sangue fervia, o coração pulsava rapidamente em seu peito


quando ele entrou no prédio.

O que encontraria quando subisse a escada?

Nada?

Tudo?

Mas quando as portas se abriram para o décimo terceiro andar e


seus olhos se ajustaram à escuridão, duvidava que encontrasse alguma
resposta.

O lugar estava totalmente vazio.

E não vazio como se os inquilinos estivessem retornando, mas vazios


sem as mesas, luminárias, as paredes de gesso.

Nada foi deixado para trás.

Uilleam, recusando-se a acreditar no que estava diretamente à sua


frente, começou a avançar, tentando encontrar qualquer coisa, qualquer
pista sobre o que havia ali.

Mas não havia nada.

Porra, nada.
DEN OF MERCENARIES #4

Não, ele percebeu quando estava se virando para voltar pelo


caminho que veio, que havia algo depois de tudo.

Uma lâmpada, como as que os trabalhadores da construção civil


acendiam o interior de seu canteiro de obras, foi deixada no chão, o brilho
dela como um farol.

Uilleam foi atraído para ela, seus sentidos em alerta e como se


aproximou o suficiente para encontrar o que iluminava, sua respiração
parou, seus pensamentos se apagaram.

No chão havia uma única rosa azul.

Isso estava acontecendo?

Estava realmente acontecendo?

Uilleam precisou piscar, apenas para se assegurar que via


corretamente, que não era uma invenção de sua imaginação como queria
desesperadamente que fosse.

Ele sabia.

Sabia o que simbolizava.

Karina amava estas rosas. Elas eram delicadas na aparência, mas


não eram fáceis de cultivar. Precisava de determinação e um olhar atento
para as rosas perfeitas florescerem.

E ela não se interessava por qualquer rosa. Qualquer um poderia


obter as mais brancas, as mais delicadas amarelas e as vermelhas
sangue. Ela queria algo único e em uma tentativa de ganhar um encontro
com ela porque o intrigou de uma forma que a maioria das
DEN OF MERCENARIES #4

mulheres não fez até aquele momento, ele encontrou uma floricultura
especializada em rosas únicas e comprou o suficiente para ela para
encher dois quartos em sua casa.

Apenas então ela concordou em deixá-lo levá-la para sair.

O restante era história.

Suas mãos tremiam enquanto abria o envelope, puxando o papel


preto.

Três palavras.

Três palavras em uma letra familiar e elegante que o fizeram


amassar o bilhete em suas mãos.

Sentiu minha falta?


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DEN OF MERCENARIES #5
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