Caro aluno, Reflita sobre os obstáculos à sua participação cidadã.

Enumere alguns desses obstáculos e proponha estratégias de superação.
São vários os dispositivos constitucionais e legais que prevêem, impõem e incentivam alguma forma de participação popular na coisa pública. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 (Constituição Cidadã, como bem exposto no Curso) até os dias atuais, as alterações na legislação reforçaram os princípios da transparência e da responsabilização e favoreceram o acompanhamento e a cobrança, por parte da população, de se os governantes estão obedecendo a esses e outros princípios democráticos. Entretanto, mesmo diante de mudanças substanciais nas normas legislativas e de novos mecanismos de controle, inclusive com a maior independência de órgãos específicos para exercê-lo, o tamanho da máquina pública no país praticamente inviabiliza o pleno controle institucional. É nesse contexto que se nota a importância do Controle Social (tema relativamente novo em termos práticos) e, também, a importância de difundi-lo e de aplicá-lo. O Controle Social e Participação Cidadã estão intimamente ligados, motivo pelo qual o incentivo desta acarreta no daquele (a título de leitura complementar, sugere-se a leitura dos livros “Direito Financeiro e Controle Externo”, páginas 20, 21 e 138 combinado com o previsto na Seção I do Capítulo IX da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 – LRF, em particular o previsto no inciso I do parágrafo único do artigo 48; “Comentários à Lei de Responsabilidade Fiscal”, página 355; “Direito Administrativo Sistematizado”, páginas 510 e 511, que sintetiza o previsto no parágrafo 3º do artigo 37 da CF/88; o disposto no inciso III do artigo 198 e no inciso II do artigo 204, ambos da CF/88; e o previsto no artigo 42 do Regimento Interno da CGU, que discrimina as competências da Ouvidoria-Geral da União. Livros de Referência: PASCOAL, Valdecir Fernandes. Direito Financeiro e Controle Externo: teoria, jurisprudência e 400 questões/Valdecir Fernandes Pascoal. 7ª Edição. Rio de Janeiro. Elsevier, 2009; NASCIMENTO, Carlos Alves do; MARTINS, Ives Gandra da Silva. Comentários à Lei de Responsabilidade Fiscal/ Carlos Valder do Nascimento e Ives Gandra da Silva Martins. 4ª Edição. Editora Saraiva; MUKAI, Toshio. Direito Administrativo Sistematizado/ Toshio Mukai. 2ª Edição. Editora Quartier Latin). Ao meu ver, os obstáculos atuais à plena participação do cidadão na formulação, implementação, acompanhamento e controle das políticas públicas podem ser analisados sob dois aspectos básicos: o primeiro está ligado à falta de divulgação (no sentido amplo) sobre o que é Controle Social e Cidadania e seus principais conceitos; e o segundo, de como aplicá-los, ou seja, como exercê-los plenamente (notem que esse curso e outras iniciativas da CGU é uma das soluções para superar os obstáculos de ambos os aspectos). Obstáculos à participação cidadã que decorrem da falta de divulgação sobre o que é “Controle Social e Cidadania” e de como exercê-lo: Em ambos os aspectos, podemos enquadrar tanto as pessoas que não tem qualquer conhecimento sobre a legislação orçamentária e financeira e sobre o tema como aqueles que têm algum conhecimento da legislação e, entretanto, não conhecem o tema. Para efeito de controle social, TODOS são cidadãos e devem ser incentivados a participar da gestão da coisa pública. Entretanto, não se pode ignorar que o assunto é de natureza técnica e, assim, o nível do controle aumenta quando o cidadão aumenta seu conhecimento acerca da legislação de vigência. Sendo assim, vejo os seguintes obstáculos (acompanhados de sua estratégia de superação):

que se criem mecanismos de sigilo indispensáveis aos cidadãos que denunciam irregularidades graves. que recebem denúncias e representações (chamadas adiante apenas de denúncias*). os cidadãos sabem que a sua participação não será levada à diante (salvo nos casos em que seja obrigatório ouvir essa participação. e 4) Falta de consciência cívica: esse nível de consciência vem. mostrar ao cidadão que NÃO é de algum conselho que o conselho é formado por pessoas que NÃO possuem interesses privados no assunto de seu tratamento. e não apenas aguardar as sugestões. Na falta de credibilidade. os conselhos devem procurar publicar sua composição. Sendo assim. A exigência em link próprio da Internet de TODOS os órgãos da Administração Pública de que existem essas cartilhas também é uma boa opção (encontra-se em . bem como aos servidores que as apuram.. mesmo o sistema sendo confiável. 3) Excesso de burocracia para a apresentação de denúncias*: é sabido que a estrutura atual para apresentação de denúncias* é decorrente da exigência da legislação. 2) Falta de credibilidade do sistema: a falta de credibilidade está intimamente ligada à falta de confiança. a divulgação da existência dessas cartilhas ainda é restrita a pequenos órgãos (mais precisamente aos órgãos de controle). os balanços e as prestações de contas do governo. Uma forma de superar esse obstáculo seria a criação e publicação de estatísticas de quantas proposições apresentadas pelos cidadãos foram aceitas e dos fundamentos da aceitação ou não de todas elas (o mesmo para as denúncias*). É interessante. mas não têm acesso às provas” sejam feitas por cidadãos/servidores. que as ouvidorias. sob pena de ferir a legitimidade de seu funcionamento. normalmente. em atitude pró-ativa. do ponto de vista acima. raramente apresenta uma linguagem mais acessível (popular). o que pode levar a várias fontes de informação diferentes para a mesma “suposta” irregularidade. Entretanto. Alia-se a esse obstáculo o exposto no item 1) . no âmbito das ouvidorias dos órgãos.Obstáculos em Geral: 1) Falta de confiança no sistema (governo e seus órgãos): a falta de confiança na própria estrutura do Governo faz com que o cidadão tenha medo de participar da gestão da coisa pública e de atuar no controle social. essa aparente burocracia impede que denúncias “que todos sabem. publiquem a lista de seus integrantes e se esses possuem vínculos com agentes públicos (político ou não).. de modo a coibir que denúncias infundadas ou baseadas apenas em interesses políticos tomem tempo dos responsáveis pela sua apuração.Obstáculo para os que não tem qualquer conhecimento sobre a legislação orçamentária e financeira e sobre o tema: O principal obstáculo é a falta de informações básicas sobre a legislação e sobre o tema. Embora se tenha ampla literatura que trate do assunto. bem como divulguem os passos e prazos internos de tratamento das denúncias*. Para que o cidadão confie no sistema e acredite que a sua participação não será alvo de algum modo de retaliação. mas aquela não se confunde com essa. fóruns de discussão sobre o que acontece com o dinheiro aplicado em determinada obra ou serviço. a exemplo dos conselhos deliberativos). tal se apresenta com uma linguagem técnica. aqui. . A influência positiva da mídia e maior propaganda do governo sobre as externalidades positivas advindas de uma maior consciência cívica podem ajudar na superação desse obstáculo (a exemplo do que vem fazendo a Justiça Eleitoral em relação à importância do voto).falta de confiança. livres de interferências políticas. Sugere-se que sejam criados. Em tais fóruns pode-se visualizar a opinião de várias pessoas sobre o mesmo assunto (despesa). Cartilhas práticas e em linguagem mais popular são uma solução para esse obstáculo. faz-se necessário: que os órgãos de controle institucional mostrem ser realmente independentes. estrutura e formas de participação dos demais cidadãos. É difícil para o cidadão leigo entender e interpretar como são formados a agenda. econômico etc. do tipo de educação dada desde quando criança e envolve demais aspectos tais como o social. Entretanto.

bem como de que forma o cidadão pode participar na gestão pública. além de possibilitar o controle de legalidade e de legitimidade dos atos e contratos da administração pública por parte dos cidadãos. principais atribuições e outras informações. não conhecem o tema: As recomendações acima também são úteis para os cidadãos desse grupo (principalmente no que tange à divulgação de como participar na prática. constando das informações básicas sobre sua composição. mas seria ideal que viesse algo como “veja aqui como atuar e fiscalizar nas políticas públicas”.muitos órgãos a tela “transparência”. Partindo-se do ponto de que é difícil o cidadão se expor (itens 1 e 2 de obstáculos em geral) e exigir diretamente do órgão as prestações de contas para avaliar se as políticas consensadas com os conselhos (ou mesmo traçadas de acordo com o planejado) foram efetivas. seja individualmente ou de forma organizada. mas cabe aqui ressaltar como obstáculo a falta de transparência em nível necessário para que os cidadãos que já são iniciados no assunto façam uma avaliação das políticas de governo. suas metas e indicadores de desempenho e as respectivas prestações de contas (de acordo com o grau de sigilo) ao menos nos seus sítios oficiais na Internet contribuiriam sobremaneira para o aumento da transparência e da responsabilização. . Informações consolidadas por Ministérios também dificultam a avaliação de determinados órgãos cuja aplicação de recursos seja suspeita (e considerável). A falta de visualização do Planejamento Estratégico (e de seus desmembramentos) dos órgãos e da sua política de aplicação de recursos impede que o cidadão atue concretamente no controle de legalidade e de legitimidade dos gastos públicos. cabe ao governo (principalmente aos órgãos de controle institucional) criar mecanismos que facilitem a consulta por parte do cidadão. Deveria existir. entretanto. A exigência para que os órgãos publiquem seus planejamentos.Obstáculo para os que têm algum conhecimento da legislação e. A título de exemplo. um site específico com a composição de TODOS os conselhos municipais e estaduais de TODOS os Municípios e Estados. no site do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro existe um link próprio chamado “Controle Social no Rio de Janeiro”). também. funcionamento. haja vista que a maioria sabe a teoria mas não tem a mínima noção de como isso ocorre na realidade). . com layout simples e acesso fácil.

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