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1.1-2.13 os sacrifícios com o patriarca da fam ília, sem a presen­


As provações de Jó ça de u m sacerdote. Balaão teve de oferecer um touro,
1.1. U z. Não se sabe ao certo a localização da terra de um carneiro e sete cordeiros (Nm 29.36). É possível
Uz. T alv ez seja um term o genérico para o O riente que o processo de purificação envolvia lavar-se e m u­
Próxim o. Lam entações 4.21 fala de um a terra de Uz dar de roupa (Gn 35.2 e Êx 19.10).
onde habitava a filha de Edom , dando a entender que 1.5. am aldiçoado a D eus. O term o para "am aldiçoa­
trata-se de um a localidade n o sul. Porém , em Jerem ias d o " literalm ente significa "aben çoad o", um eufem is­
25.20, 21, Uz é associada a Filístia, Edom e M oabe. m o encontrado em outras passagens das Escrituras (p.
1.3. tam anho dos rebanhos. Os rebanhos de Jó eram ex., Jó 1.11; 2.5, 9; 1 Rs 21.10, 13). Esse term o com
im ensos. A ristóteles afirm a que os árabes tinham no freq ü ên cia sign ifica "d esp rezar, tratar com lev ian ­
m áxim o três m il cam elos, o m esm o núm ero alistado dad e". Assim , em vez de, na verdade, am aldiçoar a
aqui. A s cifra s pod em ser co m p arad as as três m il D eus, os filhos de Jó poderiam ter negligenciado ou
ovelhas e m il bodes de N abal (1 Sm 25.2). Textos do desconsiderado Ele. O term o tam bém pode referir-se
terceiro m ilênio registram rebanhos dos tem plos com ao tratam ento com desrespeito a ponto de extrem o
cerca de m il e quatrocentas ovelhas; no entanto, os desprezo e repúdio.
p articu lares geralm en te eram m en ores. N o an tigo 1.6. an jo s (filhos de D eus). N o antigo Oriente Próxim o,
Oriente Próxim o, rebanhos sedentários não costum a­ os "filh o s dos d eu ses" eram m em bros de m en or im ­
vam exced er três m il anim ais. Os m igratórios (cuja p o rtâ n cia do p an teão . E m te xto s m eso p o tâm ico s e
m igração era controlada) podiam variar de duzentos ugaríticos encontram os relances de reuniões dos deu­
a quinhentos anim ais. O s nôm ades eram os m aiores, ses e sua corte divina. Em Israel, os filhos de D eus são
ch egan d o a dezen as de m ilh ares. A pro p o rção de anjos que, tal com o os filhos dos deuses, posicionam -se
anim ais de pequeno porte em relação aos de maior, diante D ele na corte divina. M icaías teve um a visão de
no rebanho de Jô, serve de exem plo. A m aioria dos D eu s assen ta d o n o trono co m tod o s os seu s su b o r­
núm eros disponíveis em fontes antigas está relaciona­ dinados ao redor (1 R s 22.19-23). O s filhos de D eus tam ­
da às listas assírias de tributo que oferecem poucos bém são cham ad os de "d e u se s" n o Salm o 82.1, 6.
indícios acerca de rebanhos particulares. 1.6. Satanás. É im portante notar que o term o aqui,
1.3. o h om em m ais rico do oriente. A alusão ao orien­ satã (literalm en te " o a c u sa d o r"), é an teced id o em
te ("povo do O riente" literalm ente "filh os do oriente"), hebraico pelo artigo definido ("o "). Logo, no contexto
em línguas semitas, geralm ente refere-se aos habitantes de Jó, o term o parece m ais descrever um a função do
da região leste de Biblos, onde os sem itas sem inômades que servir com o um nom e próprio. Em bora o indiví­
viviam . É assim que o term o é usado na história egíp­ duo que se apresenta com o adversário de Jó pode ser
cia de Sinuhe, do início do segundo m ilênio a.C.. Em o m esm o que, m ais tarde, é cham ado de Satanás, não
G ên esis 29.1, o term o re fere-se aos aram eu s que v i­ se pode chegar a essa conclusão com segurança. A
viam ao longo do norte do rio Eufrates; em Isaías 11.14, p alavra h ebraica satan é usad a para d escrev er um
re fere-se aos ed o m itas, m o a b itas e a m o n itas; e, em adversário e pode referir-se a seres hum anos ou so­
Juizes 6.3, aos m idianitas. Em resum o, o povo do "o ri­ brenaturais. A té m esm o o anjo do Senhor pode de­
en te" parece ser um term o genérico com o "U z ". sem penhar essa função (Nm 22.22). O term o só assu­
1.5. purificação após os b an qu etes. A purificação ge­ me claram ente o papel de nom e próprio, a partir do
ralm ente garantia o acesso a recintos sagrados ou a período intertestam entário (especificam ente no segun­
participação em atividades rituais. Em Israel, havia do século a.C.). Q uem atua com o adversário, geral­
níveis de pureza exigidos para perm anecer no "acam ­ m ente desem penha um papel de fiscalizar ou desa­
pam ento ou arraial da com unidade" e para entrar em fiar as ações e decisões de D eus. N ão fica claro se
recintos sagrados ou nas dependências do templo. Jó Satanás era um dos filhos de D eus (NVI "an jos").
era ritualm ente exigente, visto que buscava m anter 1.6. o pap el de acusador. O term o satã refere-se àque­
um certo n ível de pureza para sua fam ília o tem po le qu e age com o um p rom otor pú blico. O m esm o
todo. A ssim , com o Balaão, em N úm eros 23, Jó dirigia term o é usado para um inim igo político qu e tenta
d erru b ar o rei (p. ex., 2 Sm 19.2 2 ). P od e tam b ém contexto, se o fragm ento era usado para coçar a pele
alu d ir à pesso a qu e leva acu saçõ es co ntra algu ém em busca de alívio ou para raspar o corpo n um sinal
n u m trib u n a l (SI 10 9 .6 ; Z c 3.1 , 2). N a P érsia e na de luto. N a m aioria dos casos, nas Escrituras, os cacos
A ssíria, agentes secretos sem elhantes viajavam pelo eram usados com esse último objetivo. N a Mesopotâmia
im pério buscando identificar a lealdade de determ i­ e na lenda ugarítica de A qhat, o "m o n te de cacos"
nados grupos e indivíduos para depois fazerem acu­ parece ser o nom e da habitação dos m ortos. No épico
sações no tribunal. de Baal, quando El pranteia por Baal, ele coloca terra
1.15. sabeus. Existem três grupos de sabeus nas Escri­ na cabeça e raspa a pele com um a pedra.
turas. U m grupo é de Sabá, o atual Iêm en, um a área 2.8. sentado entre as cinzas. A s cinzas m encionadas
extrem am ente urbanizada e que h avia atingido um aqui provavelm ente se encontravam n um "m on te de
com plexo nível de civilização nessa época (1 R s 10). esterco" ou depósito de lixo fora dos lim ites da cidade,
M uitas inscrições desse povo foram encontradas nessa onde os dejetos eram periodicam ente queim ados. Os
área. H avia tam bém os sabeus da E tiópia (Is 43.3). Em pranteadores no Oriente Próxim o iam se sentar nesse
Jó 6.19, eles são igualados a Tem a, no norte da A rábia, m onte de cinzas para se atorm entar. Prião, o pai de
e provavelm ente identificados com a Sabá das inscri­ H eitor, na Uíaâa, rolou sobre o m onte de cinzas da
ções assírias de Tiglate-Pileser III e Sargão II, no final cidade.
do oitav o sécu lo a.C .. É m ais p ro v á v e l q u e sejam 2.11. terra dos am igos de Jó. Eruditos da igreja prim i­
esses os sabeus m encionados aqui, em Jó 1. tiva (Eusébio e Jerônim o) e da h istória clássica (Plínio,
1.16. fogo de Deus. Os relâm pagos são descritos aqui o Jovem ) associam Tem ã ao território nabateano, per­
com o "fo g o de D eu s". D urante a com p etição entre to da cidade de Petra, n a atual Jordânia. Fontes cunei-
D eus e Baal, narrada em 1 Reis 18.38, o relâm pago é form es identificam Suá com o um a localidade ao longo
cham ado de "fo go do Senhor" (ver tam bém 2 Rs 1.12; do m édio Eufrates, ao sul do rio H abur. Porém , Suá
Jó 2 0.26; N m 11.1 -3 ; 16.35 e 2 6.1 0 ). O s d e u ses da era filh o de A b raão com Q u etu ra e tio de Seba e
tem p estad e geralm ente eram ilustrad os segurando D edã, im p lican d o assim n u m local ao su l p ara os
raios e relâm pagos na mão. habitantes de Suá. Não obstante, a localização é incer­
1.17. caldeus. Os caldeus são m encionados nos anais ta. O naam atita possivelm ente é identificado com Jebel
assírios desde a época de A ssu m asirp al II (884-859 el N a'am aeh , no n oro este da A ráb ia, em bora tam ­
a.C.). P rovav elm en te eram um grupo sem inôm ad e bém não se possa afirm ar com certeza.
que havia se fixado na Babilônia e teve êxito no con­ 2.12. práticas de luto. N o antigo Israel, rasgar as ves­
trole da área, no final do oitavo século a .C . A lém do tes e colocar terra sobre a cabeça eram considerados
m ais, sucederam aos assírios como os construtores do sinais de luto. Tam bém eram praticados na M esopo­
grande im pério do Oriente Próxim o, no final do séti­ tâm ia e em Canaã. M uitos desses ritos eram um meio
mo século a.C.. O ápice de seu poder veio durante o dos vivos se identificarem com os m ortos. É fácil per­
reinado de N abucodonosor II (605-562 a.C.), o destrui­ ceber como as cinzas sobre a cabeça e as roupas rasga­
dor de Jerusalém . das serviam com o representações sim bólicas de se-
2.7. feridas terríveis. Em ugarítico, esse term o refere- pultam ento e decom posição.
se a febre e não a feridas. Já em hebraico, geralm ente
denota um a variedad e de doenças de pele (ver o co­ 3.1-26
m entário em Lv 13.2). Em textos ugaríticos, a doença O lamento de Jó
afeta o lom bo e deixa a vítim a prostrada. N ão se sabe 3.3-6. dias am aldiçoados. A s listas de dias, na M eso­
ao certo que tipo de doença de pele é ilustrada aqui em potâm ia, identificam dias m aus no m ês (dias 7 ,1 4 ,1 9 ,
Jó 2. A s patologias do antigo Oriente Próxim o sem pre 21 e 28). Esses dias eram ditos agourentos e as pessoas
eram explicadas pelo sobrenatural. Geralm ente, dem ô­ eram incentivadas a não se envolverem em negócios,
nios h ostis ou deuses irados por causa da violação de construção de casa ou casam ento. Era até m esm o proi­
algum tabu eram considerados responsáveis pelas en­ bido com er peixe e alho-poró, no sétim o dia do sétimo
ferm idades. A s doenças eram classificadas pelos sinto­ m ês. A lém disso, listas de agouro da M esopotâm ia
m as e não pelas causas, por isso, o diagnóstico correto d escrevem dias em que era im próprio que um h o ­
m uitas vezes era d ifícil, senão im possível. m em e um a m ulher tivessem relações sexuais, um a
2.8. caco de louça. Fragm entos de cerâm ica (grego, m ulher desse à luz e as pessoas se envolvessem num a
óstraco) foram encontrados em grande quantidade nas série de outras atividades sociais. E ainda, certos eventos
escavações arqueológicas em todo o O riente Próxim o. p od iam tran sform ar um dia em azarad o (p. ex., o
E ssa lo u ça quebrada geralm ente era "recicla d a " ou nascim ento de um a anom alia ou a m orte do rei). N o
utilizada de algum a outra form a. N ão fica claro, neste M ito à e Ezra e Ishum , o governador da cidade que está
sendo destruída é retratado, dizendo à sua m ãe, do Isso tam bém acontecia com as divindades da M eso­
desejo dele de n unca ter nascido ou de ter sido im pe­ potâm ia. D agan (chamado de D agom na Bíblia) fala­
dido de nascer, para que não tivesse tal destino. va freqüentem ente aos adoradores dos tem plos em
3.8. atiçar o Leviatã. O Leviatã aparece n a Bíblia como M ari e Terqa, no nordeste da Síria, através de sonhos.
um m onstro m arinho, representando as forças do caos, Esses adoradores m uitas vezes passavam a noite no
derrotado por D eus (SI 74.14; ls 27.1). Esse texto solici­ tem p lo, esperando receber um a m ensagem , em so­
ta os serviços de u m m ágico h abilidoso q ue possa nhos. N o épico de G ilgam és, um zéfiro passa trazen­
atáçar um Leviatã dorm ente por m eio de um encanta­ do sono e um sonho. No pensam ento m esopotâm ico,
m ento. A descrição do Leviatã tem sem elhanças com Zaqiqu era o deus dos sonhos, e seu nom e deriva da
os m onstros m arin hos u garíticos e b abilón icos que palavra para espírito. Esse espírito ou brisa passa pe­
am eaçam a criação (ver o com entário em 41.1). las fendas das portas e se dirige às pessoas durante a
3.9. estrelas m atu tinas. A s estrelas m atutinas aqui são noite. A Odisséia e a Ilíada confirm am a m esm a idéia.
V ênus e M ercúrio, que deveriam tom ar-se "escu ras". 4.18. vendo erros nos an jos. A segunda carta de Pedro
Esses planetas eram considerados os precursores de tam bém d escreve o castigo de anjos rebeld es, m as
cada dia. n ão existe ev id ên cia clara de tal cren ça n o A n tigo
3.13-19. co n ceito da v id a após a m orte. O conceito Testam ento. Em m itos ugaríticos, os subordinados aos
israelita de vid a após a m orte era bastante sem elhan­ deuses (especificam ente escravas divinas) com fre­
te ao de seus vizinhos em U garit e na M esopotâm ia. qüência eram considerados desobedientes e indignos
N em sem pre, p orém , a m o rte é d escrita com o um de confiança. Para acrescentar dificuldade à interpre­
lugar de descanso, com o aqui em Jó. A m orte (hebraico, tação desse versículo, o term o traduzido com o "e rro "
sheol) é o lu g ar exato onde os m ortos com em pó e ocorre apenas aqui no A ntigo Testam ento e seu signi­
bebem água suja. De acordo com o épico acadiano A ficado é incerto.
Descida de Istar, há grades e portões m antendo os m ortos 4.19. casas de barro. O termo "C asa" é usado como um a
presos. O Sh eo l tam b ém é um lu g ar de escuridão figu ra de lin g u agem p ara o corpo, no livro apócrifo
onde não há luz, apenas silêncio. O s m ortos não po­ Sabedoria de Salom ão 9.15, em 2 Coríntios 5.1 e em 2
dem louvar a D eus naquela condição. Para m ais in­ Pedro 1.14; m as a idéia do espírito habitando o corpo
form ações, ver a nota de rodapé em Isaías 14. é desconhecida em outras passagens do Antigo Testa­
m ento. A rgila e barro significam a fragilidade do cor­
4.1-5.27 po h um ano e representam a m ortalid ade hum ana.
O primeiro discurso de Elifaz 5.1. seres celestes (santos). O term o "se res san tos",
4.9. sopro destruidor de D eu s. A qui em Jó, o sopro de que designa servos ou anjos, ocorre em outros contex­
D eus rep resen ta o ven to do d eserto q ue d estrói a tos das Escrituras (Os 11.12; 2 c 14.5; D n 4 .1 0 ,1 4 , 20;
vegetação (Os 13.15 e Is 40.7). N orm alm ente, refere- 7.13 e SI 89.7). São santos por causa de sua p roxim ida­
se à atividade dinâm ica de D eus (ver G n 2.7). de a D eus e não por algum a pureza inerente.
4.13-15. esp írito d os so n h o s. O ato de D eus causar
um sono profundo em um a pessoa, a fim de transm i­ 6.1-7.21
tir a ela um sonho, é recorrente em toda as Escrituras. O primeiro discurso de Jó
Com o exem plo, D eus fez cair um pesado sono sobre 6.2. aflição e desgraça na balança. A s balanças eram
A braão durante a cerim ônia da aliança (Gn 15.12-21). u sad as por m ercadores para determ in ar o peso de

O PRINCÍPIO DA RETRIBUIÇÃO
Os versículos sete e oito tratam do que é descrito como o princípio da retribuição, cuja premissa básica é que o justo prospera
e o ímpio sofre. Na esfera nacional, esse princípio tinha como base a aliança, com suas bênçãos potenciais e ameaça de
maldições. No âmbito individual, foi estabelecido como necessário para que Deus mantivesse a justiça. Visto que os israelitas
tinham apenas um vago conceito da vida após a morte e nenhuma revelação concernente a juízo ou recompensa no além, a
justiça de Deus só podia ser efetuada nesta vida. A maioria dos israelitas acreditava que se Deus fosse justo, recompensas
e castigos nesta vida deveriam ser proporcionais à justiça ou injustiça de cada um. Essa crença também levou grande parte
deles a crer que, se alguém estava prosperando, era uma recompensa por sua justiça e, se alguém estava sofrendo, era castigo
por sua injustiça. Quanto maior fosse o sofrimento, maior deveria ser o pecado. Escritores babilónicos e assírios de textos
mágicos descrevem esse mesmo princípio da retribuição. M as, visto que esses povos não eram plenam ente convictos da
justiça dos deuses, essa não era um a questão teológica tão importante na M esopotâmia. No livro de Jó, esse princípio é
colocado de cabeça para baixo, visto que ele, aparentemente o epítome da justiça, está sendo vítima de todo tipo de desastre
possível. Todas as personagens do Livro acreditam no princípio da retribuição. Essa é a premissa em que os amigos de Jó
se baseiam para acusá-lo, e o raciocínio pelo qual Jó questiona a justiça de Deus. É até mesmo a lógica que Satanás usa para
seus produtos. A qui neste contexto, Jó dem onstra o " le v e " ou, a in d a , " ir r e a l" . F in a lm e n te , a p alav ra
desejo de que seu infortúnio fosse pesado em relação traduzida com o "esp eran ça" tam bém significa fio (p.
à m aior coisa conhecida por ele, a areia dos m ares, ex., o fio escarlate de Raabe em Js 2.18). N os teares
que norm alm ente representa um a quantidade im en­ horizontais da época, quatro estacas eram fincadas no
surável de peso. chão form ando um pad rão retangular. O s fios que
6.4. T odo-pod eroso (S h a d a i). O term o Shadai ("todo- fo rm ariam a tram a do tecid o eram am arrad os nas
poderoso") às vezes é um epíteto para D eus (Gn 17.1). duas extrem idades em varetas, com intervalos regu­
Aqui, Shadai age como aquele que m uda a sorte das lares; as varetas, então, eram usadas para passar os
pessoas, sem elhante a R esefe, o deus da peste e da fios entre as estacas. Q uando as extrem idades de cada
guerra no panteão cananeu, que espalha doenças atin­ vareta estivessem presas atrás das estacas, os fios esta­
gindo suas vítim as com seu arco e flecha. riam esticados horizontalm ente em relação ao chão,
6.15-17. riach os tem p orários (uádis). O s uádis da Pa­ em condições de serem tecidos. A seguir, um pino de
lestina são rios que transbordam na estação chuvosa. tear era preso ao fio para fazer a tram a do tecido.
N o verão, porém , precisam ente a época em que m ais U sando-se um a barra para separar esses fios alterna­
se precisa de água, eles têm pouca ou nenhum a água. dam ente, era possível sua passagem pelo pino. De­
6.19. caravanas de T em á. Tem á (atual Teim a) era um pois que o fio estivesse n o lugar, o pino era usado
im portante oásis e centro de com ércio no noroeste da para ap erta r as fileiras de linh a. Q u and o o tecid o
A rábia, 320 q uilôm etros ao sul de D am asco. T em á estava pronto, os fios eram cortados do tear, deixando
tam bém é alistado com o filho de Ism ael (Gn 25.13-15). apenas as sobras dos fios presas às varetas. A tradução
6.19. m ercadores de S a b á . Sabá era um im portante a seg u ir transm ite b em a im agem : "M eu s dias são
centro de com ércio no sudoeste da Arábia. V er a nota m ais irreais do que um tear no qual chegam a um fim
em Jó 1.15. sem esperança/fio".
7.1. pesado lab o r, assalariad o. O term o para "pesado 7.8. te u "o lh a r". N a m itologia egípcia, o deus do céu,
labor" era usado para o serviço m ilitar e, ocasional­ H órus, m achuca um olho em um a batalha com Seth.
mente, para os trabalhos forçados, como os que Salom ão O Sol é visto com o seu olho bom e a lua com o seu olho
exigiu dos lenhad ores na Fenícia (1 R s 5.13, 14). O m achucado. Logo, dia e noite o olho de H órus observa
assalariado tam bém era usado no serviço m ilitar (Jr o m undo dos homens.
46.21) e nos trabalhos d om ésticos (Êx 25.40). Eram 7 .9 ,1 0 . conceito de vid a após a m orte. A qui a ênfase
consid erad os pobres e tin h am de ser pagos d iaria­ é na finalidade da m orte. Para m ais inform ações so­
m ente (Lv 19.13). N o épico babilónico da criação, a bre o conceito da vida após a m orte, ver o com entário
hum anidade foi criada especificam ente para fazer as em 3.13-19.
tarefas m enores que os deuses não estavam dispostos 7.12. m onstro das profun dezas sob guarda. Nas tra­
a fazer (construir as casas dos deuses e providenciar dições do antigo O riente Próxim o, o m ar ou os m ons­
com ida para eles). tros que habitavam nele representavam as forças do
7.6. lançad eira do tecelão. A lguns term os usados n es­ caos que deveriam ser derrotadas e contidas, a fim de
te versículo precisam de um esclarecim ento. A pala­ que a ordem fosse m antida no m undo. M arduque, o
vra que a N VI traduz com o "lan çad eira do tecelão", h erói divino no m ito babilónico da criação, apanhou
em outras passagens, sem pre é traduzida com o "tear". Tiam at e a colocou dentro de u m a gaiola trancada com
O advérbio "d ep re ssa " tem o significado básico de um a barra, e guardas foram posicionados. Yam m , o

sentir-se tão seguro de suas acusações. Ele usa o princípio da retribuição para criar a tensão de sua acusação contra Deus.
Se Deus age segundo o princípio da retribuição, argumenta satanás, Ele estará de fato evitando o desenvolvim ento da
verdadeira justiça, uma vez que as pessoas farão o que é certo apenas para obter a recompensa em troca. Por outro lado, se
Deus não age de acordo com o princípio da retribuição, então as pessoas, como Jó, concluirão que Deus é injusto. Satanás
sairia vitorioso se Jó cedesse à pressão de seus amigos. Eles queriam que ele aplacasse a ira de Deus, simplesmente confes­
sando toda e qualquer culpa, independente de considerar-se inocente ou não. Nesse caso, ele poderia unir-se novamente às
fileiras dos justos e ter de volta sua prosperidade. Mas, a integridade de Jó faz com que ele recuse colocar em jogo sua justiça
- afinal, ele não age simplesmente com justiça esperando obter algo em troca. Ele está interessado em ser declarado inculpável
e não meramente em reconquistar sua prosperidade. Sua integridade é um voto de confiança em Deus, porque acredita que
Deus considera a justiça mais importante que o apaziguamento de sua ira. O Livro resolve o problem a sugerindo que o
princípio da retribuição não se constitui numa garantia ou promessa de prosperidade, mas a idéia é a de que Deus tem prazer
em recompensar a justiça e leva a sério a necessidade de punir os ímpios. A justiça de Dele não pode ser avaliada, porque
ninguém tem informações suficientes para chamá-lo a prestar contas. Ao contrário, as pessoas podem acreditar que Ele é justo
porque estão convictas de que Ele é sábio (o impacto dos métodos de Deus).
m onstro do m ar na m itologia ugarítica, foi preso por 8 .1 1 ,1 2 . an alogia do papiro. O papiro não era usado
B aal e colocad o sob gu arda. E sse tip o de im agem apenas no Egito, m as tam bém na Palestina. Textos
tam bém é usado em trechos poéticos do A ntigo T esta­ ugaríticos descrevem o papiro com o original dos pân­
m ento (SI 74.13; 89.9, 10; 104.7-9). tanos do lago Sam ak. Era usado para um a variedade
7.14. assu stas com sonhos. O s pesadelos eram tradici­ de coisas, inclusive cestos, tapetes e pergam inhos para
on alm en te vistos, n o an tigo O riente P ró xim o e no escrita. O papiro cresce bastante e às vezes chega a
m undo clássico, com o oriundos de um agente divino atingir m ais de três m etros de altura. N o entanto, sua
dem oníaco ou m alévolo. Existem tam bém referências exu b erân cia d esaparece rap id am ente se a fon te de
a terrores dem oníacos da noite nos escritos de autores água secar.
clássicos com o O vídio e Plutarco. A q ui em Jó 7.14,
porém , o agente é Deus. A história babilónica (Ludlul 9.1-10.22
bei N em eqi) relata acerca de um hom em que sofre por O segundo discurso de Jó
estar sendo afligido por agouros assustadores e so­ 9.2. n in gu ém é ju sto diante de D eus. O texto sum ério
nhos aterrorizantes. de sabedoria intitulado O H om em e Seu Deus afirm a
7.15,16. p referên cia p ela m orte n a literatura de sa b e­ que "n u n c a n asceu um a crian ça sem p eca d o ". N o
doria do an tigo O rie n te P róxim o. A incom parável entanto, esse não era o conceito de pecado original,
obra m esopotâm ica, o Diálogo do Pessim ism o, é um visto que esse pensam ento reflete a idéia sum éria de
debate satírico en tre um sen h or e seu escravo. N o que os deuses haviam incorporado o m al na civiliza­
final da discussão, o senhor pergunta o que é bom ao ção hum ana, desde o princípio.
escravo e ele respond e que os dois deveriam ter os 9.5-9. co ntro le cósm ico da divindade n o antigo O ri­
pescoços quebrados e depois lançados no rio. Porém , en te Próxim o. A últim a parte do versículo 4, ju n ta­
o contexto irônico dessas afirm ações não nos perm ite m en te com o 8, deixa claro qu e o contexto desses
afirm ar que os m esopotâm icos sofredores preferiam a com entários é o conflito cósm ico do guerreiro divino.
m orte à vida. O tem a desse conflito retrata a p rincipal divindade
7.20. v ig ia dos h om ens. N a concepção do antigo Ori­ sobrepujando as forças cósm icas (geralm ente forças
en te Próxim o, o vig ia divino geralm ente desem pe­ caóticas com o a m orte ou o mar) a fim de prom over a
nha um papel positivo no sentido de garantir a prote­ ordem no cosm os. N o antigo Oriente Próxim o, essas
ção aos hom ens. Talvez, o paralelo m ais próxim o se forças, geralm ente eram personificadas com o deuses,
encontre na referência ocasional aos sete sábios anti­ m as essa passagem preserva um a certa am bigüidade
gos com o vigias. Isso tam bém , geralm ente, ocorre em nessa questão. A qui, Yahw eh subjuga as m ontanhas
relação à p roteção de Y ahw eh que v ig ia Israel (Dt (v. 5), aterro riza o m undo in ferio r (v. 6; a p alavra
32.10; SI 12.7; 25.20; 31.23; 40.11; 61.7). N esse caso, h eb raica trad u zid a com o "te rra " às vezes significa
porém , Jó vê D eus com o um fiscal e não com o um m undo inferior e os verbos aqui transm item a idéia
protetor dos seres hum anos. de trem er de m edo não por causa de um terremoto),
extingue o So l (v. 7; p rovavelm ente através de um
.
8 1-22 eclipse), prende as estrelas em sua seqüência de apa­
O primeiro discurso de Bildade rição (v. 7), estende os céus (v. 8; com o cadáver do
8.6, 7. prin cíp io da retribu ição. V er a nota de rodapé inim igo derrotado com o no Enuma Elish?), derrota o
no capítulo 3. m ar (v. 8) e form a as constelações (v. 9).
8.8-10. im portância do en sin o tradicion al na sabed o­ 9.6. colu n as da terra. A s colunas às vezes são conside­
ria do antigo O riente Próxim o. Juntam ente com ou­ radas com o representações de fronteiras. O tem plo de
tras passagens das Escrituras (Jó 15.18; D t 4.32; e o Salom ão tinha duas colunas, no pórtico, que podiam
apócrifo Eclesiástico 8.9), um a grande parte da litera­ servir com o um lim ite para o santo lugar. O taberná­
tura de sabedoria da M esopotâm ia (p. ex., a Teodicéia culo usava colunas de onde as divisórias eram pendu­
Babilónica "L ouvarei o Senhor da Sabedoria" e diver­ radas para estabelecer o lim ite entre o pátio e o santo
sos provérbios sum érios) defende que a sabedoria dos lugar. A té m esm o quando elas sustentavam algo (como
antigos é im portante. N a tradição m esopotâm ica, os no tem plo filisteu que Sansão derrubou), dados ar­
possuidores dessa sabedoria eram os sete sábios ido­ queológicos sugerem que serviam com o divisas para
sos, conhecidos com o os ctpkallu, que a trouxeram , ju n ­ pórticos ou pátios. N a Babilônia, m arcos de divisa
tam en te com a arte da civ ilização , à hum anid ad e. conhecidos com o kudurrus tinham a form a de coluna,
Essa tradição é representada nas obras de Berossus, m as a conexão pod e ser acid en tal. A literatu ra do
por sua afirm ação de que a som a total do conhecim en­ antigo Oriente Próxim o não apresenta paralelo com a
to revelado foi transm itida pelos sábios pré-diluvianos. terra sendo susten tad a por colu n as. A outra única
referência, n o A ntigo Testam ento, fica em Salm o 75.3, extensão do trabalho de u m a ciência verdad eira, a
que pode ser interpretada com o m antendo divisas de astronom ia. H á registros do m ovim ento dos planetas,
distinção. Em Jó 26.11, os céus têm colunas, m as esse da posição das principais estrelas e constelações fixas,
com entário tam bém ocorre em relação à divisas (v. bem com o, de descrições das fases da lua e de eclipses
10). É m ais provável que as fronteiras cósm icas da solar e lunar. C onsiderando-se o conhecim ento difun­
terra sejam aq u elas en tre os v iv o s e os m ortos. A dido acerca das estrelas e dos planetas nas culturas
p alavra tradu zid a com o "te rr a ", nesse versícu lo, às m esopotâm ica e egípcia, era necessário que os escrito­
vezes refere-se ao m undo inferior. N a literatura aca- res e profetas bíblicos atribuíssem esses corpos celes­
diana, as fronteiras do m undo inferior são representa­ tes à criação de Y ahw eh. A s constelações m esopotâ-
das por portões. m icas incluem figuras de anim ais com o bode (Lira) e
9.7. veda a luz das estrelas. A palavra " lu z " (NVI) não serpente (Hidra); objetos com o um a flecha (Sírio) e um
ocorre no hebraico, que diz "e le fixa um selo em volta carro (Ursa M aior) e personagens com o A nu (Órion).
das estrelas". Isso sugere que Yahw eh é quem deter­ A s constelações m ais populares eram a Plêiade, retra­
m ina a seqüência da aparição das estrelas e os cam i­ tada com freqüência em selos na Palestina e na Síria.
nhos por onde elas passam . N a astronom ia m esopo- T extos neo-assírios preservam esboços de estrelas em
tâm ica (M ul-Apin), as trinta e seis principais estrelas constelações. U m a oração aos deuses da noite de 1700
eram divididas em três segm entos conhecidos como a.C. invoca as constelações por nom e, pedindo-lhes
os cam in h o s de A n u , E n lil e E a . E sses ca m in h o s que respondessem ao adivinho que buscasse um pres­
estelares predeterm inados ocupavam as faixas norte, ság io . A p rim eira co n stela çã o m en cio n ad a, n este
sul e equatorial do céu. N a série de presságios conhe­ versículo, é incerta. Leão e a Ursa M aior são as duas
cida com o Enuma A nu Enlil, os deuses A nu, Enlil e Ea principais candidatas.
estabelecem a posição, localização e cam inhos das es­ 9.9. constelações do sul. N a literatura m esopotâm ica,
trelas. N o texto Enuma Elish, o deus M arduque esta­ a parte sul do céu é descrita com o o cam inho de Ea.
belece a posição das estrelas. N a visão m esopotâm ica, M as o texto aqui se refere às "câm aras" do sul, que
as estrelas eram entalhadas na superfície de jaspe dos podem ou não se referir a constelações.
céus interm ediários e toda essa superfície se m ovia. 9.13. R aab e e seu séqu ito. Raabe é descrito com o um
Todos esses exem plos explicam o verbo "v ed a r" usa­ dos m onstros m arinhos m ortos por D eus (Jó 26.12; SI
do n este texto de Jó , v isto qu e o qu e é fix ad o ou 89.11; Is 51.9). Em am bos os m itos da criação (babiló­
inscrito é "vedad o ou selado". nico e ugarítico), a divindade vencedora (M arduque
9.8. an d a so b re as o n d as. É m ais p ro v áv el q ue o na Babilônia e Baal em Ugarit) luta e m ata um m ons­
term o "o n d as" tenha o sentido de "costas ou dorso" de tro m arin ho, e seu séqu ito de form a sem elh an te a
algo. É com esse sentido que a m esm a palavra hebraica Y ahw eh. Em outros contextos, o term o Raabe é sim ­
é usada em D euteronôm io 33.29, onde as costas do bolicam ente usado para designar o Egito (Is 30.7; SI
inim igo são pisadas. N os m itos de Baal, Y am , "M a r", 87.4). O n om e R aabe aind a não foi encontrado em
é um de seus p rin cipais oponentes. V isto qu e Yam fontes extrabíblicas.
tam bém é a palavra hebraica para m ar, neste versículo; 9.17. esm agar com tem p estad es. A lguns intérpretes
andar sobre suas costas seria um a im agem apropria­ argum entam (com o respaldo de um a versão antiga)
da de dom ínio. A iconografia egípcia ilustra o faraó que o term o hebraico para "tem p estad e", na verda­
usand o os inim igos derrotados com o seu escabelo. de, é "ca b elo ", visto que um a tem pestade não n eces­
Assim , com o andar sobre as costas expressa a derrota sariam ente "e sm a g a " alguém . P ortanto, a tradução
de um inim igo, estender os céus, evoca a im agem de ficaria "p o r um cabelo, Ele m e esm aga", significando
M arduque usando o cadáver do inim igo derrotado, que D eus esm aga Jó por um fio de cabelo (ou seja, por
Tiam at, para fazer os céus. A m bas essas im agens se nenhum a razão ou por algo m uito pequeno). Contra
refletem no versículo 4: "Q u em tentou resistir-lhe e essa interpretação está o fato de que o verbo não pre­
saiu ileso?". cisa ser tão específico com o "esm ag ar", m as refere-se
9.9. co n stelaçõ es. Evidências textu ais da Babilónia, a aplicar a alguém um golpe potencialm ente m ortal
inclusive o "ta b le te de V ên u s" de A m m isaduqa (c. (m esm o verbo usado duas vezes em G n 3.15). A refe­
1650 a.C.) ind icam que estud os astronôm icos eram rência à tem pestade tam bém se encaixaria m elhor no
conduzidos com habilidade e precisão. Em bora a as­ contexto cósmico.
trologia tam bém fosse predom inante nos últim os pe­ 9.26. b arcos de papiro. Existem representações artísti­
ríodos do Egito e na M esopotâm ia do período persa, cas no Egito que m ostram o uso de ju ncos de papiro na
parece que essa atividade de adivinhações, interpre­ construção de barcos. Isso é declarado explicitam ente
tação de p ressá g io s (ver Is 47.13) era a p en as um a pelo autor clássico, Plínio, em sua H istória N atural.
Isaías 18.1, 2 refere-se a essas em barcações de junco .
11 1-20
que eram consideradas m uito leves e rápidas, porém , O primeiro discurso de Zofar
bastante frágeis. 11.13. esten d er as m ãos. Estender as m ãos, com o um
9.30. sab ão e sod a de lavad eira. O s term os usados gesto com um de oração, era um a im agem típica da
aqui são bor, que se refere a aleli (potassa), substância iconografia do antigo Oriente Próxim o. O indivíduo
obtid a a partir das cinzas de p lan tas queim adas, e levantava as m ãos com as palm as viradas para cim a,
lixívia, um a solução alcalina; dois dos prod utos de p róxim as u m a da outra, até a altu ra do rosto. Era
lim peza m ais fortes que os israelitas conheciam . Visto considerado um gesto de hum ildade.
que a lim peza do corpo norm alm ente era feita espa­
lhando e esfregando óleo na pele, o uso desses pode­ 12.1-14.22
rosos detergentes era um a m edida extrema. O terceiro discurso de Jó
9.31. poço de lodo. Em bora o term o para poço de lodo 12.24. líd eres p rivados de razão. H ouve m uitos exem ­

geralm ente designe a habitação dos m ortos em Israel plos, no m undo antigo, de reis que se tom aram víti­

(Jó 17.14; 13.22; 28) e no antigo O riente Próxim o, aqui m as de suas próprias buscas pela glória. Não im porta

o term o refere-se a um a fossa. se eram buscas individuais, com o a de G ilgam és, que

9.33. árb itro no sistem a ju d ic ia l do an tigo O rien te perseguiu a im ortalidade até os confins da terra; bus­
cas religiosas (econôm icas?), com o a de N abonido, no
Próxim o. Textos sum érios freqüentem ente descrevem
exílio de treze anos que im pôs a si m esm o em Teim á;
um deus pesso al qu e in terced ia p ela cau sa de um
ou buscas m ilitares, com o a desastrosa tentativa da
indivíduo diante do suprem o concílio dos deuses. Ele
Pérsia em expandir seus lim ites até o oeste do M edi­
era, na verdade, um advogado. A lém do m ais, o sis­
terrâneo. Todas essas buscas eram alim entadas pela
tem a judicial na M esopotâm ia era bastante sofisticado.
m egalom ania desses líderes e caracterizadas por um a
U m juiz m uitas vezes arbitrava entre duas partes que
insaciável auto-indulgência.
disputavam por um a propriedade m óvel ou im óvel
13.4. m édicos no antigo O rien te Próxim o. H avia dois
(p. ex., heran ça, localização e dim ensões de terra e
tipos de procedim entos m édicos na M esopotâm ia: um
preço de venda de propriedade). O texto egípcio Ins­
m ágico q ue cu rav a o p acien te através de en canta­
truções de A m enem ope aconselha "N ão diga 'Tragam -
m entos (geralm ente expelindo dem ônios) e um m é­
m e u m p ro teto r p o rq u e a q u ele qu e m e o d eia m e
dico que geralm ente fazia uso de ervas e rem édios. O
causou m al'. N a verdade, você não conhece os planos
médico norm alm ente era subordinado ao m ágico que
de deus" (tradução de M . Lichtheim ).
cond uzia o p rim eiro através de en cantam entos. As
10.15. dom in ad o p ela verg o n h a. D e acordo com a
funções de am bos não eram exatam ente distintas; o
crença do princípio da retribuição (ver nota de rodapé
mágico m uitas vezes usava rem édios em suas curas e
no cap. 3), a vergonha seria o resultado natural do
o m édico, encantam entos.
sofrim ento que proclam aria a todos ao redor que a
13.12. provérbios de cinza. As cinzas eram m isturadas
vítim a estava sendo castigada por Deus. Quanto mais
com água para form ar fuligem , um a substância usada
dram ática a m ud ança na sorte da pessoa e quanto
para escrever. Era usada apenas em situações informais
m ais grave o sofrim ento, m aior se supunha o pecado.
e provisórias. Bastante parecida com o nosso giz atual­
Portanto, com base nas evidências circunstanciais, Jó
m ente, essa substância era facilm ente apagada. Certa­
seria julgado com o um a pessoa vil, sendo hum ilhado
m en te n in gu ém iria reg istrar v erd ad es m em oráv eis
publicam ente. usando cinza. Jó sugere que o legado da sabedoria de
10.18. d esejo de n u n ca ter nascid o. N o M ito de Erra e seus am igos não passa de rabiscos de giz.
Ishum , o governador da cidade que está sendo des­ 13.12. d efesas de barro. O significado incerto da pala­
truída é retratado dizendo à sua m ãe de seu desejo de vra traduzida com o "d efesas" gera diversas possibili­
n unca ter nascido ou de ter sido im pedido de nascer dades de interpretação. Se a m etáfora faz referência às
para que não sofresse tal destino. defesas de um a cidade, então o barro seria usado para
10.2 1 ,2 2 . terra de som bras e densas trevas. Cinco p a­ fazer tijolos. N a M esopotâm ia, os tijolos de barro eram
lavras hebraicas são usad as aqui para descrever a es­ levados ao forno para secar, resultando n u m m aterial
curidão na terra de "som bras e densas trevas", ou seja, m uito resistente. Em outras regiões, inclusive em Is­
S h eol, a h ab itação dos m ortos. Esse lu g a r era co n si­ rael, eles eram inferiores, v isto que eram deixados
derado mais escuro que as trevas da noite n a terra. No para secar ao Sol; m uros das cidades feitos com tijolos
antigo O riente Próxim o, o m undo inferior geralm en­ de barro não resistiam a ataques. U m a segunda pos­
te era considerado um lugar de escuridão (em acadiano sibilidade é a de que "d efesas" refere-se aos argumentos
"c a sa da escu rid ão "), onde não h avia luz. verbais, ou seja, à retórica dos am igos. N esse caso, o
barro pode referir-se a um tablete de argila onde se im ortalidade perm anente e (6) distinções entre o ju sto
podia escrever e depois apagar, dando continuidade e o ím pio. O zoroastrism o parece conter todos esses
ao tem a de com o seus argum entos eram inócuos. elem en tos, m as a n atu reza das fon tes não p erm ite
13.27. lim ites aos m eu s passos. O sim bolism o exato identificar o período a partir do qual os persas passa­
dessa expressão foge aos com entaristas. A lguns suge­ ram a desenvolver esses conceitos (para m ais infor­
rem que os pés do prisioneiro eram m arcados ou quei­ m ações, v er o com entário em Is 26.19).
m ados de algum a form a, a fim de que seu rastro fosse 14.17. en cerra d as n u m saco. Iten s im p o rtan tes (tais
identificado com sucesso; m as não existe evidência de como documentos em papiros) com freqüência eram co­
tal prática. locad os em um saco que era selad o geralm ente com
14.5. os dias do h om em estão determ inados. A idéia argila, tom an do assim seu conteúdo inacessível a p es­
de que os dias do hom em estão contados está presente soas não autorizadas. M ilhares de selos de argila foram
em outras passagens das Escrituras (SI 39.4). Porém , a encontrados em toda a M esopotâm ia e em outras par­
idéia aqui, provavelm ente, não é a de que um a dura­ tes do O riente Próxim o. N a M esopotâm ia, porém , se­
ção específica da vida foi predeterm inada, m as sim, a los de argila e sacos (ou jarros) não eram usados para
de que qualquer duração seria um período com para­ docum entos. Im portantes tabletes de argila eram sela­
tivam ente insignificante. N o épico de G ilgam és, este dos n um envelope de argila que, na verdade, resum ia
diz a Erikidu que os deuses vivem para sem pre, po­ o conteúdo do docum ento depositado em seu interior.
rém os dias dos hom ens são contados e nada do que
eles alcançam é perm anente. 15.1-35
14.10-13. conceito da vid a após a m orte / Sh eo l. Ver O segundo discurso de Elifaz
o com entário em 3.13-19. 15.7. prim eiro h om em igualado a um h om em sábio.
14.13, 14. ressu rreição no a n tigo O rie n te Próxim o. N a tradição israelita, o prim eiro hom em , A dão, não
H á diversos conceitos distintos de vid a após a m orte nasceu, m as foi criado, por isso nunca foi igualado a
evidentes no antigo O riente Próxim o. O m ais funda­ um a tradição de sabedoria. N a tradição m esopotâm ica,
m ental deles é a continuação da existência, n um m un­ A dapa, às vezes considerado o prim eiro hom em , foi
do inferior de sepulturas, onde não há diferenciação form ado por Ea, o deus da sabedoria, com o um m o­
no tratam ento dado ao ju sto e ao ím pio. Os israelitas delo para a hum anidade. Adapa recebeu sabedoria,
cham avam esse lugar de Sheol, e acreditavam que ali porém , não recebeu a vid a eterna. Q uando o rei dos
não era perm itida nenhum a interação com Deus. Em deuses, A nu, lhe ofereceu a vid a eterna, A d apa foi
C an aã e n a M eso p o ta m ia ex istia m d iv in d a d es do enganado de m odo a recusá-la. Por isso, toda a hum a­
m undo inferior que governavam essa dim ensão. No nidade está resignada a um destino que agora inclui
Egito, a existência nesse m undo era m ais com patível a m orte e as doenças, sem acesso à vid a etem a. Adapa
para aqueles que passavam pelo julgam ento e aden­ era considerado o prim eiro de um a série de sete sábi­
travam em seus confins. Q uem não fosse aprovado os que transm itiram à hum anidade a arte da civiliza­
era devorado. N enhum desses conceitos inclui a idéia ção. É im provável, n o entanto, que um a tradição es­
de ressu rreição. D e m od o geral, o ún ico despertar pecífica esteja sendo aludida neste versículo.
que acontecia na visão de m undo antiga era a invoca­ 15.27, 28. relação en tre gordura e p rosp erid ad e. A
ção dos espíritos dos m ortos (que não era perm anente gordura era igu alad a a saúd e e riq u eza em Israel,
n em na presença corporal) ou o levantar dos deuses porque os ricos e prósperos tinham os recursos para
da fertilidade, nos ciclos da natureza. Estes m orriam um a vid a de p razeres e com id a em abun dân cia, a
anualm ente quando o ciclo agrícola term inava, e "p a s­ ponto de engordarem . A obesidade, portanto, era si­
savam o inverno" no m undo inferior. D epois, eram nal de bênção e favor de Deus.
ritu alm en te despertados n a prim avera. N ada disso 15.33. v in h a d esp ojad a de suas uvas verdes. N ão se
apresenta qualquer sem elhança com a doutrina teoló­ trata de um a vinha doente, m as sim , de um a vinha
gica da ressurreição. Igualm ente não são com paráveis saudável cujas uvas tenras (verdes) são arrancadas
a revificações ocasionais (quando um indivíduo é trazi­ antes que possam am adurecer.
do de volta à vida) ou a indícios de u m retom o nacio­ 15.33. o liv eira q u e perdeu a floração. Em bora a oli­
nal à vida (os ossos secos de Ezequiel). Um a doutrina v e ira ten h a u m a g ran d e q u a n tid a d e de b ro to s, a
da ressurreição inteiram ente desenvolvida e elabora­ m aioria deles cai e não chega à m aturação com pleta.
da, no sentido atual, inclui seis elem entos: (1) indivi­ D a m esm a form a, os desígnios do ím pio, tal com o as
dual, n ão n acio n al; (2) m aterial, não esp iritu al; (3) uvas verdes e as flores da oliveira, não chegarão à
universal, não isolada; (4) fora do m undo inferior; (5) m aturidade com pleta.
16.1-16 T extos u g aríticos n arram u m a div ind ad e cham ad a
O quarto discurso de Jó M orte (Mot) que governava o m undo inferior, em bo­
16.9. D eu s irado. D ivindades beligerantes eram co­ ra n ão haja nenhum a m enção a seu prim ogênito. Um a
m uns na cosm ovisão religiosa do antigo O riente Pró­ escolha lógica seria R esefe, o deus da peste, às vezes
xim o. N u m sistem a po liteísta, os deuses não eram igualado a N ergal, o governante m esopotâm ico do
considerados am igáveis, sinceros ou previsíveis. Exem ­ m undo inferior. Infelizm ente, nenhum indício é dado
plos incluem o deus m esopotâm ico Ea dizendo a seu da ascendência de Resefe.
"favorito" Adapa que a com ida que estaria servindo a 18.14. rei dos terrores. M ot era o rei dos terrores na
ele era o "p ã o da m o rte", quando, na verdad e, lhe m itologia ugarítica. É provável que os terrores fossem
garantiria a vid a eterna. N o épico de G ilgam és, os hostes dem oníacas com issionadas por M ot para afligir
conselhos de Ea enganam o povo, levando-os a pen­ os vivos. N a M esopotâm ia e na G récia, essas hostes
sar que as bênçãos não cairiam sobre eles, a m enos eram consideradas terrores aos vivos.
que U tnapishtim fosse em bora em seu barco. A pós 18.15. enxofre ardente. O enxofre ardente é encontra­
terem -no enviado, são surpreendidos por um a inun­ do em regiõ es com ativ id ad e v u lcân ica (p. ex., na
dação que destrói a todos. P or volta de 1200, os líbios área do m ar M orto). Q uando queim a, form a o nocivo
se queixam de que os deuses lhes deram apenas um a gás dióxido de enxofre. O term o geralm ente é associ­
vitória inicial contra o Egito, pois o intento final desse
ado à ira de D eus (ver os com entários e m ls 30.33 e Ez
povo, era destrui-los. N o Egito, os textos m ortuários
38.22). A terra contam inada com o enxofre ardente se
(textos da Pirâm ide e textos do Esquife) tinham como
tom ava estéril (ver o com entário em D t 29.23).
alvo as divindades hostis. Existem inúm eros exem ­
plos, tanto de deuses quanto de praticantes de magia
19.1-29
lançando m au olhado sobre alguém.
O quinto discurso de Jó
16.15. v este de lam en to (pano de saco). O pano de
19.20. pele dos m eus dentes. A lguns estudiosos acre­
saco era usado por aqueles que estavam de luto por
ditam que há um a ironia nessa expressão, um a vez
causa de algum a catástrofe ou pela m orte de um ente
que os dentes, assim com o as unhas, são partes do
querido. Era o sin al de luto m ais co n v en cio n al do
corpo que n ão são revestidas por pele. O utros, porém ,
antigo O riente Próxim o. A veste em si era um pedaço
consideram que pode ser um a referência à gengiva,
grande de pano, provavelm ente na form a de um saco
significando que todos os seus dentes haviam caído.
de cereais ou um pano m enor usado ao redor da cin­
19.24. ferro n o chu m bo. Presum e-se tratar da descri­
tura. A referência, aqui em Jó , é a única nas Escrituras
ção de um estilo de ferro que en talh ava letras que
em que o pano de saco é costurado, em bora, prova­
eram preenchidas por chum bo. A inscrição de Dario
velm ente, seja um a referência m etafórica (Jó o costu­
I, rei da Pérsia, em Behistun, no Irã, parece ter sido
rou perm anentem ente sobre a sua pele, i. e., ele esta­
gravada com chum bo. A lém do m ais, tabletes de chum ­
rá de luto pelo resto de sua vida).
bo eram usados pelos hititas, bem com o pelos gregos
17.3. garantia/segurança. Era com um fazer e receber
e rom anos.
garantias nas Escrituras (ver os com entários em Êx
21.2-6; 22.6, 7; D t 24.10-15) e n o antigo O riente Próxi­
mo. Porém , existem provérbios que alertam as pesso­ 20.1-29
as a não serem fiadoras sem garantia ou penhor (Pv O segundo discurso de Zofar
6.1; 11.15; 17.18; 22.26). O penhor era algum a posse 20.8. voa com o um sonho. O verbo "v o a r" pode ser

(veste, an el ou até m esm o u m filh o) qu e a pessoa usado para a m orte (SI 90.10). O utros textos descre­

dava a seu credor com o um a garantia de que pagaria vem os inim igos com o fantasm as em sonhos (SI 73.20

sua dívida. e ls 29.7). N o m odo do pensar m esopotâm ico, os so­


17.16. p o rtas do S h e o l. A cred itav a-se que o Sheol n h o s era m tra z id o s p elo s d e u ses p ela d iv in d ad e
fosse com o um a cidade terrena onde havia casas e até Zaqiqu, cujo nom e deriva de um a palavra que signi­
m uros (prim ordialm ente para m anter seus habitantes fica espírito ou sopro.
presos). No texto A Descida de Istar, o m undo inferior 20.24. arm a de ferro/ b ro n ze de sua flec h a . O ferro e
tem um com plexo de portões com sete portas e portei­ o bronze juntos eram considerados sím bolos de força 0ó
ros em cada um a delas, controlando o acesso. 40.18). A p alavra para arm a é um term o genérico que
se re fe re a q u a lq u e r p a rte do e q u ip a m en to de um
18.1-21 soldado (tanto arm as de defesa quanto de ataque; ver
O s e g u n d o d i s c u r s o d e B ild a d e a lista representativa em E z 39.9). U m a arm a de ferro,
18.13. o prim ogênito da m orte. A opinião prevale­ p ortanto, referia-se a um a arm a letal. Pode ser sign i­
cente é de que Jó está descrevendo um a doença fatal. ficativo, entretanto, que o cognato ugarítico refira-se,
de form a m ais específica, a u m dardo. "B ro n ze de sua 22.24. ouro de O fir. O ouro de O fir é m encionado
flech a" é a interpretação da N V I para "arco de bronze". num a inscrição do oitavo século em T ell Q asile. A
A eficácia de u m arco dep en d e de sua flexibilid ad e, localização precisa de O fir é desconhecida. Pelo fato
portanto, n in gu ém esp eraria que fosse feito de b ron ­ de que o ouro dali era enviado por navio em Eziom -
ze. Foram encontrados m odelos desse tipo, dedicados G éber pode-se tratar de um a localidade árabe, em bo­
com o peças de exibição; m as, n enhu m arco operacional ra lugares n a ín d ia e n o leste da A frica tenh am sido
com ornam entos de b ron ze foi descoberto. considerados.

21.1-34 23.1-24.25
O sexto discurso de Jó O sétimo discurso de Jó
21.12. tam borim , h arpa e flau ta. Todos esses são ins­ 23.10. aparecer com o o ouro. A analogia feita aqui é
trum entos típicos da época e confirm ados em textos, a do processo de purificação do ouro. O ouro é refina­
relevos e pinturas do antigo Oriente Próxim o, desde o do e p u rifica d o através de u m p rocesso cham ad o
terceiro m ilên io a.C.. A "h a rp a " era segurad a pela copelação ou refino. Ele é colocado n u m cadinho com
mão e se constituía de algum as cordas presas a um a chum bo e é derretido. À m edida que o ar é soprado
arm ação de m adeira. O tam borim foi identificado em n a superfície da m istura derretida, as im purezas se
relevos arqueológicos com o tam bor, era um pequeno ju ntam form ando a escória e o m etal purificado per­
pandeiro (couro esticado sobre u m aro) sem os peque­ m anece. A ssim com o o ouro que resulta desse proces­
nos guizos ou chocalhos típicos dos m odernos. O ins­ so, Jó teria sua honra restau rad a após seu próprio
trum ento traduzido com o flauta provavelm ente era "processo de purificação" (i. e., seu sofrimento).
um a flauta dupla, feita de bronze ou de junco. 24.2. m udar os m arcos dos lim ites. M udar desonesta­
m ente um m arco de lim ite (i. e., lim ites de um a pro­
22.1-30 priedade) era considerado um crim e m uito grave (Dt
O terceiro discurso de Elifaz 19.14; Pv 23.10). O objetivo desses m arcos era prote­
22.2. u tilid ad e do h om em a D eus. N a M esopotâm ia ger a propriedade da fam ília (geralm ente a terra). Na
acred itava-se qu e a hum anid ad e h avia sido criada M esopotâm ia, os m arcos continham inscrições com a
com o objetivo definido de servir aos deuses e fazer descrição dos lim ites da propriedade e um a terrível
tarefas m enores que eles não se dispunham a fazer. m aldição contra o crim inoso que os alterasse. Essas
Portanto, os deuses dependiam da hum anidade para m aldições geralm ente eram um a descrição de doen­
a lim peza e m anutenção de suas casas (i. e., templos) ças dirigidas contra o corpo do ofensor. Ironicam ente,
e para o suprim ento diário de suas necessidades (ali­ elas nos ensinaram m uito a respeito da com preensão
m ento e roupas). A s estátuas dos deuses eram literal­ que os m esopotâm icos tinham das enferm idades.
m ente vestidas diariam ente, e oferendas de com ida 24.9. crian ça arrancada da m ãe por causa de dívida.
eram dedicadas a eles todos os dias. N a M esopotâm ia, as crianças às vezes eram entregues
22.6. penhores. U m credor podia aceitar, com o garan­ com o garantia de um a dívida ou sim plesm ente tom a­
tia, algo escolhido pelo devedor, exceto um a ferra­ das pelos credores quando o devedor não podia pagá-
m enta que ele usasse em seu trabalho (ver D t 24.6, la. P orém , os cred ores eram consid erad os desleais,
1 0 ,1 1 ). Se fosse um a capa, deveria ser devolvida ao nesse caso. V er tam bém o com entário em Jó 17.3.
devedor ao anoitecer, para que ele pudesse proteger- 24.11. a z eito n as d en tro de seu s m u ros. É p ossível
se do frio (Êx 22.26, 27; D t 2 4 .1 2 ,1 3 ). que o term o usado aqui (shur) refira-se aos aterros que
22.14. abób ad a dos céus. U m hino babilónico ao deus perm itiam que as oliveiras crescessem na encosta de
sol, Sham ás, o exalta com o o único na abóbada dos colinas. Outros intérpretes acreditam que o term o in­
céus que governa os povos. A palavra hebraica que a dica o equipam ento usado para processar o azeite. As
N V I traduz com o "ab ó b ad a" é a m esm a palavra tra­ vinte e duas fábricas de azeite, nas cavernas de M a-
duzida com o "cú p u la" em Isaías 40.22 (ver o com entá­ resha, fornecem detalhes do processo de fabricação do
rio lá). O term o acadiano usado neste e em contextos m esm o. Com o parte inicial desse processo, as azeito­
sem elhantes sugere que a form a dos céus e da terra n as eram esprem idas num a bacia de pedra, através
era circular, não com o um a esfera, m as plana como de um a pedra com form ato de lente que era rolada
um disco. Existe certa evidência textual que insinua sobre elas. N o segundo estágio, cestos de ju nco, cheios
que os céus eram vistos com o um a cúpula, m as outras de polpa, eram colocados em prensas feitas de rocha
inform ações seriam necessárias para se chegar a essa côncava onde pesos suspensos em vigas eram usados
conclusão. N ão tendo nenhum a revelação contrária, para extra ir o restan te de óleo. U m a das palavras
Israel com partilhava dessa visão antiga. acadianas para o cesto de junco é shuru.
24.11. la g a re s. O ú ltim o e s t á g io do p ro cesso d e fa ­ 26.6. D estruição (A badom ). O p a r a le lo a Sheol (NVI:
bricação do vinho é m encionado aqui: as uvas eram pi­ D estru ição) sugere se tratar de um lugar e n ão de
sadas no lagar, de onde o suco escorria para os tonéis. um a pessoa. O radical hebraico do qual o term o deri­
O s la g a re s fo ra m en co n tra d o s p or arq u eó lo g o s na va confirm a que é um lugar de destruição. Em 28.22,
Palestina. G eralm ente eram buracos quadrados ou re­ A b ad om é personificad o, ju n tam en te com a m orte
dondos, cortados na rocha ou cavados no chão, e sela­ (hebraico, m ot); é um n om e b astan te usado para se
dos com gesso ou revestidos de pedras. A s uvas eram referir ao deus cananeu do m undo inferior. O termo
colocadas n o buraco e depois eram pisoteadas. O suco, hebraico é adotado com o um nom e próprio em A po­
então, escoava por u m canal até u m a vasilha, colocada calipse 9.11, onde é igualado ao grego Apoliom . Na
um pouco abaixo do lagar (barril de vinho) que servia m itologia grega, A poio é o deus da peste e da destrui­
tam bém com o um recipien te p ara a ferm entação. ção. Em acadiano, o m undo inferior é descrito com o a
24.17. pavores das trevas. O uso da expressão "re i dos casa da escuridão e não com o o lugar da destruição.
terrores" em 18.14 e o contexto do term o em Ezequiel 26.7. norte. A palavra hebraica zophon tem o significa­
27.36 e 28.19 sugere que o term o "terro res" pode ser do de norte som ente porque se refere a um a m onta­
usado com o um a referência aos espíritos dos m ortos nha que ficava no norte (geralm ente identificada com
que foram despachados ao m undo inferior. o m onte Casius, Jebel aTAqra, na Síria, altitude 1.800
m). Sua função aqui não é sua localização, m as seu
25.1-6 stütus de "m on tan ha sagrada" (SI 48.1): os altos céus
O terceiro discurso de Bildade onde os deuses se reúnem em assem bléia e, na litera­
25.2. o rd em n a s a ltu ra s. A ex p ressã o lite ra l é "E le tura ugarítica, onde fica a casa de Baal.
prom ove a paz em suas a ltu ras", ou seja, nos céus. A 26.7. suspende a terra sob re o nada. O vasto espaço
m aioria argum enta que o escritor está aludindo ao con­ vazio das águas prim itivas é descrito com o o "n ad a"
flito prim itivo (Jó 9.13; 2 6 .1 2 ,1 3 ) em que D eus derro­ onde a terra fica suspensa. U m a evidência para essa
tou L ev iatã e o utros m o n stro s. Baal (U garit) e M ar- interp retação é a de qu e a p alavra que descrev e o
duque (Babilônia) co locaram ord em n os céus após a lugar onde o n orte é estendido (NVI "esp aço vazio") é
derrota de seus inim igos. A tradução da N V I não é sem a m esm a qu e n arra o caos có sm ico das águ as em
relação, visto que a derrota dos m onstros do caos é o G ên esis 1.2 (N VI "se m form a"). N a literatura b ab i­
m eio pelo qual a ord em foi estabelecida n o cosm os. lónica, Sham ás é louvado com o aquele que suspende
25.5. n em as estrelas são puras. N ão se sabe de ne­ dos céus o círculo da terra. Esse conceito fazia parte da
nhum a tradição sobre estrelas deificadas ou personifi­ percepção antiga do cosm os e não de um a alusão im ­
cadas que fossem culpadas por algum a falha ou peca­ plícita à com preensão científica m oderna sobre o pla­
do. A palavra "p u ra " pode tam bém ter a conotação de neta. V er o com entário em Salm o 24.2.
clara ou lim p a e , p rov avelm en te, aqui se refere ao 26.10. h orizonte com o lim ite. N a cosm ovisão do an­
fato de que as estrelas nem sem pre brilham com cla­ tigo O riente Próxim o, o Sol, a Lua, as estrelas e as
reza e lim pidez no céu da noite, m as podem ser obs­ nuvens entravam no céu através de portões, e o h ori­
curas ou opacas. zonte era o lim ite onde esses portões ficavam . Portan­
to, quando o Sol nascia ou se punha, ele estava atra­
26.1-27.23 vessando esse portão no horizonte que passava pelo
O oitavo discurso de Jó m undo inferior. Eles acreditavam que durante a noi­
26.6-11. c o sm o lo g ia . H av ia u m a d iv isão tríp lice do te, o Sol atravessava o m undo inferior até chegar ao
cosm os: os céus, a terra e a dim ensão dos m ortos abai­ outro lado. Aqui, o horizonte é descrito com o o lim ite
xo da terra (Sheol e Abadom , no v. 6). Essa cosm ologia entre a luz e as trevas.
em tr ê s p a rte s e ra b a s ic a m e n te s e m e lh a n te à da 26.11. colu n as dos céus. V er o com entário em 9.6.
M esopotâm ia e, d e algum m odo, parecida co m a dos 26.12. ag ito u v io le n ta m e n te o m ar. E ssa descrição
textos de U garit. A im agem do U niverso descrita aqui indica um a típica cena m ítica em que a agitação do
era a visão cosm ológica com um do antigo O riente Pró­ oceano cósm ico perturba as criaturas (com freqüência
xim o. O céu era u m círculo (cúpula? V er o com entário m onstros m arinhos) que representam as forças do caos
em 22.14) que form ava um a abóbada sobre o disco da e da desordem . No texto Enum a Elish, o deus do céu,
te rra q u e, p or su a v e z , fic a v a so b re o c u m e d e um A nu, cria os quatro ventos que agitam as profundezas
oceano primitivo. Debaixo desse oceano ficava o mundo e sua deusa, Tiam at. A descrição tam bém rem ete à
inferior, virtualm en te um a im agem espelhad a do es­ derrota de Yam , por Baal, na m itologia ugarítica.
paço sobre a terra. Portanto, todo o U niverso era um a 26.12. R aab e. Raabe é descrito com o u m dos m onstros
en orm e esfera cortada ao centro p ela terra. m arinhos m ortos por D eus. Em am bos os m itos da
criação (babilónico e ugarítico), a divindade vencedo­ todo m etalúrgico, descrito aqui em Jó, pode ser visto
ra (M arduque na Babilônia e Baal em Ugarit) luta e num a série de relevos egípcios, em paredes funerári­
m ata um m onstro m arin ho e seu séquito de form a as do N ovo R ein ad o (c. 1550-1050 a.C.). A s m inas
sem elhante a Yahw eh. Em outros contextos, o termo subterrâneas, descritas aqui, com eçaram a ser utiliza­
R aabe é sim bolicam ente usado para designar o Egito das no antigo O riente Próxim o por volta de 2000 a.C..
(Is 30.7; SI 87.4). O nom e Raabe ainda não foi encon­ Poços verticais eram cavados em intervalos até alcan­
trado em fontes extrabíblicas. çar o veio horizontal de m inério. N o Egito, havia a
26.13. serpen te arisca. Essa é, provavelm ente, outra preferência por m inas abertas; e, às vezes, poços hori­
alusão à derrota do m onstro m arinho e seus aliados. zontais eram cavados na encosta das m ontanhas ou
M arduque derrotou Tiam at através de um poderoso em penhascos. Por volta da m etade do segundo m ilê­
vento e usou um a rede para capturá-la. A serpente n io , as su b terrân e as eram m ais freq ü en tes. A s de
arisca tam bém aparece em Isaías 27.1 (ver o com entá­ cobre e turquesa do Egito, no Sinai, forneceram m ui­
rio nessa referência). tas inform ações a respeito de técnicas de m ineração e
27.18. cab ana fe ita p ela sen tin ela. A cabana feita pela da profissão de m inerador.
sentinela era frágil e usada apenas tem porariam ente. 28.5. fog o. N as m inas antigas, a rocha era partida por
O s agricultores faziam esses abrigos provisórios, no m eio de um processo cham ado "atear fogo" e depois
m eio de seus cam pos, a fim de arm azenar os cereais era m olhad a com água fria m isturada com vinagre
durante as colheitas. (acreditava-se que se intensificava o frio).
27.23. b ate p alm as co ntra ele. G estos e linguagem 28.6. safiras (láp is-lazú li). A safira (lápis-lazúli) era
corporal ganham diferentes significados em diferen­ um a pedra azul-escura encontrada principalm ente no
tes culturas. N a sociedade ocidental atual, as palmas Irã. T em sido encontrada, com freqüência, em escava­
podem ser usadas para dem onstrar apreciação, cha­ ções arqueológicas na região do Tigre e Eufrates, es­
m ar subordinados ou crianças, cham ar a atenção de p ecialm en te em tú m ulos reais m eso p otâm icos. Os
alguém , acom panhar um a m úsica ou expressar frus­ depósitos de safira m uitas vezes eram m esclados com
tração (um a palm a). A s palm as tam bém tinham di­ veios de pirita, talvez o ouro m encionado aqui.
v ersas fu nções no m undo antigo. Elas p od iam ser 28.16-19. pedras p reciosas. A s diversas pedras preci­
usadas no louvor (SI 47.1), ou aplauso (2 R s 11.12), ou osas aqui m encionadas eram todas de grande valor.
com o um gesto de raiva ou escárnio (N m 24.10). Tal­ O term o para ouro deriva de um a palavra egípcia
vez houvesse variações no m ovim ento preciso envol­ referente ao lugar onde era extraído, provavelm ente
vido: com pare os diferentes sentidos na cultura oci­ Núbia. A identidade das pedras preciosas do versículo
dental de (1) bater palm as com as m ãos paralelas ao 16 não é certa; alguns estudiosos têm sugerido o ônix
corpo n um nível horizontal (aplauso); (2) bater pal­ ou a com alina. O vidro ou cristal era produzido no
m as n um m ovim ento ligeiram ente vertical (frustra­ Egito desde o quarto m ilênio a.C., prim ordialm ente
ção) e (3) bater palm as perpendiculares ao corpo, al­ para ornam entação (em bora o uso de vasilhas de vi­
ternando um a m ão por cim a e outra por baixo (como dro tenha se tom ado com um na Palestina som ente a
se estivesse lim pando a poeira das mãos). p a rtir do p rim eiro sécu lo a.C .). A p rim eira ped ra
m encionada no versículo 18 foi considerada a coral,
.
28 1-28 um a pedra verm elha, usada para enfeite. A palavra
Hino de sabedoria para cristal (gabish) é a origem do term o gipsita e é
28.1-11. m inas no antigo O rien te Próxim o. A P alesti­ usad a som ente neste contexto das Escrituras. A últim a
na, assim como a M esopotâm ia, geralm ente era pobre pedra do versículo 18 é um tipo de rubi, enquanto o
em recursos m inerais. Existem inúm eros depósitos de topázio (v. 19) designa a crisólita amarela.
ferro de baixa qualidade, na Palestina; os de boa qua­ 28.20-28. fo n te de sabed oria na concepção do antigo
lidade são poucos. Os únicos principais depósitos de O riente Próxim o. N a M esopotâm ia, a sabedoria não
fe rro n a P a le s tin a , a tu a lm e n te, e n c o n tra m -se em era considerada um a habilidade intelectual ou um a
M ugharat el-W ardeh, nas colinas de A jlun, perto do qualidade m oral, m as sim , um a habilidade específi­
rio Jaboque. As m inas de cobre estão situadas basica­ ca, geralm ente em ritu ais cu ltu ais ou de m agia. A
m ente na Transjordânia. Enquanto o ferro pode ser principal divindade associada à sabedoria era Enkidu
extraído da superfície, a extração do cobre exige um a (ou Ea) que concedeu as artes rituais e cultuais à hu­
escavação profunda. O ouro era extraído em N úbia e m anidade. Portanto, a fonte da sabedoria era o pró­
no sul da A rábia, enquanto que na Turquia era feita prio Enki, apesar dele ser apenas o principal repositório
a extração da prata. E v id ên cias de m in as vêm do e n ão a origem da dela. Igu alm en te, Y ahw eh , nos
Egito desde a Prim eira D inastia (c. 3000 a.C.). O m é­ versícu los 23-27, é retratado com o aquele qu e sabe
onde encontrar a sabedoria e não com o seu criador ou diversas m aneiras. Tam bém pode denotar a corda que,
sua origem . Se, no entanto, a sabed oria é en carada um a vez frouxa, pod eria lev ar a tend a a cair. A im a­
como a habilidade de discernir a ordem inerente no gem é clara: o corp o de Jó está frá g il e p róxim o da
m undo criado, ela pode ser alcançada apenas através m orte.
daquele que estabeleceu essa ordem . D a m esm a for­ 30.28. escurecido. O term o "escu recid o" parece refe­
m a, então, a soberania atribuída a M arduque, pelos rir-se à pele de Jó (em bora alguns tenham argum en­
b ab ilón ico s, p erm itia q ue ele fo sse cham ad o de 'o tado que pode referir-se às suas vestes). A palavra
Senhor da Sabedoria'. traduzida como "escu recid o", geralm ente é usada para
luto, e faria m ais sen tid o n este contexto. A m esm a
29.1-31.40 expressão é usada em Salm o 38.6 onde a N V I traduz
A continuação do discurso de Jó "p ra n tea n d o ". Em bora p ossa referir-se ao pano de
29.6. vered as e m b eb id a s em n ata. A im agem aqui saco (pêlo de bode preto), é m ais provável que seja a
enfatiza a riqueza de Jó. Seus rebanhos produziam tal fuligem preta das cinzas que a pessoa de luto colocava
abundância de nata (coalho) que Jó podia lavar seus sob re a cabeça. N o v ersícu lo 30, a p ele escurecida
pés com ela. (palavra diferente) está relacionada à doença de Jó.
29.6. torrente de azeite da rocha. A s oliveiras, princi­ 31.1-40. p aralelos leg ais de Jó . A renúncia de Jó ao
pal fonte de azeite, cresciam em solo rochoso porque m al é sem elhante, em m uitos aspectos, à confissão
conseguiam sobreviver com quantidades m ínim as de n egativa do Livro Egípcio dos M ortos. N essa obra,
água. O significado desse versículo é confirm ado atra­ um indivíduo, após a m orte, é apresentado diante do
vés da com paração com D euteronôm io 32.13. trono de ju lgam ento de O síris, onde ele recita um a
29.7. assento à porta da cidade. A porta da cidade, no longa lista de quarenta e dois pecados que não com e­
antigo O riente Próxim o, era tuna área am pla e aber­ teu. A lista inclui m entir, roubar, com eter assassinato,
ta, onde tam bém se situava um a praça ou o m ercado m atar o touro sagrado, introm eter-se em assuntos alhei­
da cidade. Era ali que os negócios eram feitos e onde os, praticar o hom ossexualism o, ser irascível, gritar,
os procedim entos judiciais e outras atividades do go­ ser im p aciente e praticar a m agia contra um deus,
verno aconteciam . Logo, era a área m ais pública dali. apenas para citar alguns. A inda m ais direto, Kantuzilis,
Com o Jó era u m ch efe de fa m ília (i.e., u m a a u to ­ em um a oração hitita ao deus da tem pestad e, pedi
ridade), ele tom ava seu "assen to " (lugar) à porta da alívio ao sofrim ento, declarando sua inocência num a
cidade, enfatizando sua im portância. lista de itens (quebrar ju ram entos, com er alim entos
29.12. socorro para o p o b re e para o órfão. V er os co­ proibidos, abster-se de oferecer sacrifícios). Esse jura­
m entários em Êxodo 22.22-24. m ento, claram ente coloca Jó na posição de réu. U m a
29.20. g ló ria re n o v a d a , arco n o v o . A glória de al­ declaração de inocência era um elem ento com um em
guém (literalm ente o fígado) significava seus senti­ p roced im entos legais em que se apelava a um ju iz
m entos m ais íntim os e profundos. O "fíg a d o " renova­ para um a audiência pública. Visto que m uitas vezes
do de Jó sign ificava que ele teria um a estabilid ade era im possível reunir provas suficientes nesse tipo de
em ocional firm e e se sentiria contente e feliz. U m arco caso, o juram ento assum ia grande peso e im portância.
podia ressecar e to m ar-se quebradiço, ou ser usado A té a essa altura, Jó estava aflito com o silêncio de
dem ais e perder sua elasticidad e e aind a, com fre­ Deus. A o fazer seu juram ento de inocência, ele espera
qüência, sim bolizava a virilidade e o vigor físico de que a continuidade desse silêncio se volte para seu
um a pessoa. Logo, Jó seria um "n o vo hom em " com a b en efício. Se D eus ign o rar seu ju ram en to , será um
força de um jovem . reconhecim ento tácito de sua inocência.
3 0 .4 . e rv a s do m a to r a s te ir o . E ssa s e rv a s fo ra m 31.12. A badom (D estruição). Juntam ente com Sheol,
identificadas com o a artiplex halim us, um a planta co­ A badom é o nom e para a habitação dos m ortos (ver o
m estível com um sabor bastante am argo. O Talm ude com entário em 26.6) e equivale à sepultura. O term o
diz que essa planta era para os pobres e para aqueles literalm ente sign ifica d estruição e tam bém aparece
que estavam em perigo de m orrer de fom e. com o Apoliom , em A pocalipse 9.11, onde se refere ao
30.4. giesta. A raiz da giesta (retana roetam ) não era anjo do Abism o.
com estível, m as era usada para fazer carvão (ver SI 31.36. levar a d enú ncia n os om bros. V estir ou carre­
120.4). Essa planta cresce principalm ente nas regiões gar algo nos om bros dem onstrava a im portância da­
desérticas do Sinai e do m ar M orto. q u ele o b jeto , e a pessoa q ue assim fa z ia , o exib ia
30.11. im ag em do arco fro u xo . O arco frouxo parece orgulhosam ente (ver Is 9.6; 22.22). A lém do m ais, um
sign ificar a perda de forças de Jó. O term o para arco item inscrito ou atado à m ão, no pescoço ou na testa
aq u i, p o rém , é o b scu ro e te m sid o in terp reta d o de passava a ser um constante lem b rete para quem o
estivesse usando e um a advertência aos espectadores nhavam . Para m ais inform ações, consulte o com entá­
(Pv 6.21; Êx 8.16; D t 6.8; 11.18). rio em 2 Reis 23.7.
36.27. o c ic lo da águ a. E m b ora algu ns in térp retes
32.1-37.24 m odernos tenham tentado ler este versículo com o um a
O discurso de Eliú descrição científica do ciclo de condensação e evapora­
32.2. Bu z. Bu z era o sobrinho de A braão (Gn 22.20, ção da água, é evidente que o contexto trata de um a
21) e, presum ivelm ente, o ancestral desse clã aram eu abordagem diferente (ver o v. 32 onde D eus enche as
(Rão). O s anais do rei assírio, Esar-H adom , m encio­ m ãos de relâm pagos atirando-os com o se fossem lan­
n am o n om e geográfico Bazu , q ue foi id entificad o ças). O s dois v erb os, n este versícu lo, falam de um
com a ilha de Bahrein, no golfo Pérsico. processo de atrair e escoar ou destilar (com o os m etais
32.19. vin h o arrolhado/ odres novos. O s odres novos preciosos eram separados da escória no processo de
podiam arm azenar por m uito tem po vinho em pro­ refino). A creditava-se, no antigo O riente Próxim o, que
cesso de ferm entação, visto que o couro de que eram as gotas da ch u va caíam de um riach o ou ocean o
feitos se expandia juntam ente com o vin h o . Se os odres celeste, um a grande m assa de água que envolvia a
fossem arrolhados nesse processo, corriam o risco de
terra, e tam bém de águas subterrâneas. Portanto, havia
explodir, a m enos que tivessem algum orifício (Jr 20.9).
águas acim a e abaixo da terra. Era dessas águas que
3 3 .1 5 ,1 6 . D eus falan d o em sonho. V er o com entário
D eus atraía as gotas de chuva.
em Jó 4.13-15.
37.2-4. deuses da tem pestade. N os m itos ugaríticos, o
33.22. cova/ m en sa g eiro s da m orte. A lín gu a aca-
deus da tem pestade, Baal-H adade, aterrorizava seus
diana tam bém possui um a palavra para referir-se ao
inim igos que fugiam com m edo por causa do estrondo
m undo inferior que é traduzida como "co v a " (hashtu).
de sua voz (ver tam bém SI 29). O equivalente acadiano,
A term inologia é extraída do buraco que se cava para
A dade, tam bém trovejava com sua voz. O s deuses da
a sepultura. N ão se sabe ao certo a que se referem os
tem pestade eram retratados segurando relâm pagos e
m ensageiros da m orte. N a literatura m esopotâm ica,
raios na mão.
havia diversos deuses cham ados de "p ortad ores da
37.9. câm aras de tem p estad e. A cred itava-se que os
m orte". M as, o term o "m en sageiros" n ão aparece aqui
ventos ficavam arm azenados em câm aras, nos céus.
n o texto, e algu ns intérp retes têm sug erid o, num a
Essas câm aras eram periodicam ente esvaziadas por
alternativa plausível, a expressão "lu g a r dos m ortos"
Deus. Os cananeus e os babilónicos atribuíam as m a­
com o um paralelo à cova.
nifestações das tem pestades a A dade, o deus da tem ­
35.10. cân tico s da n o ite. V isto qu e os problem as e
pestade e dos ventos. Im agens sem elhantes (e m ais
aflições estão associados à noite, os cânticos, durante à
freqüentes) descrevem Y ahw eh tendo depósitos de
noite, trariam um a m udança bem -vinda, fossem eles
chuva, granizo e neve, que são colocadas em m ovi­
cantados para expressar as frustrações da pessoa, em
m ento pelo vento, provavelm ente instigado por seu
angústia, ou sua confiança n a presença de Deus. Exis­
sopro. A palavra traduzida com o "d epósitos ou câm a­
tem tam bém alguns cognatos sem itas do term o tradu­
ras" pode ser usada para referir-se à casas de tesouro,
zido com o "cân tico " que significam força ou proteção,
onde eram guardados objetos preciosos, b em com o
e que se encaixariam a alguns paralelos no hebraico
(por exem plo, em Êx 15.2, onde se lê "O Senhor é a arm as reais. Granizo, neve, vento, trovão e relâm pa­

m inha força e a m inha canção"). gos freqüentem ente são vistos com o arm as que Deus

36.14. prostitu tos. Os prostitutos m encionados aqui, u sa para d errotar seu s inim igos. Igualm ente, esses

provavelm ente são um a referência ao culto cananeu depósitos podiam servir com o arm azéns de cevada,

da fertilidad e. Para inform ações ad icionais co ncer­ tâm aras, cereais ou dízimos em geral. D o m esm o m odo,

nentes à prostituição cultual em geral, v er o com entá­ D eus recorre aos "p rod u tos" em seu estoque, confor­
rio em D euteronôm io 23.17, 18. O term o usado aqui m e se faz necessário. Os depósitos cósm icos não eram
ocorre tanto n a form a fem inina quanto n a m asculina e um a figura com um no antigo Oriente Próxim o.
refere-se, talvez n u m eufem ism o, àqueles que havi­ 37.13. ch u v a com o castigo de D eu s. A s chu vas eram
am sido separados para funções específicas n o templo. usadas por D eus tanto para abençoar quanto para cas­
A m esm a palavra é usada na literatura acadiana para tigar, dependendo da situação. Elas traziam a água tão
referir-se àqueles que haviam sido consagrados como n ecessária aos cam p os, para o crescim en to das p lan ­
fu ncion ários que serviam em tem plos e santuários. tações, m as tam bém pod iam trazer m uitos estragos e
O (A ) prostituto(a) fazia parte dessa equipe de funcio­ p reju ízos quando eram acom panhadas de fortes v en ­
nários, assim com o a am a-seca e a parteira. N ão fica tos e granizo. No m undo antigo, as pessoas acred ita­
claro quais outras funções esses prostitutos desem pe­ vam que o clim a era totalm ente controlado pela divin­
dade e era usado para recom pensar ou punir. Elas não tauração de tem plos. U m dos relatos m ais detalhados
v iam o m undo sendo regido por leis naturais. sobre essas edificações, na literatura do antigo O rien­
37.18. esp elh o de b ro n ze. O s espelhos, n a A ntigüi­ te P ró xim o, d escrev e a obra d e um tem p lo feita por
dade, eram feitos de bronze e eram m uito resistentes G u d ea para N in girsu , p or v o lta de 2000 a.C.. A ceri­
e difíceis de quebrar. A im agem era apropriada para m ônia do lançam ento da pedra fundam ental dem ons­
descrever o céu nos dias quentes e secos de v erão, em tra sua centralidade em todo o processo de construção.
q ue o c alor do So l se re fletia n a ro ch a e n a areia 38.5. lin h a de m edir. A localização e a posição de um
através do m orm aço parado e dourado. A lém disso, tem plo eram consideradas um aspecto extrem am ente
no m undo antigo, acred itava-se que o céu era um a im portante (ver o com entário em Ex 26.1-36) da cons­
cúpula sólida ou um disco. trução. Essa questão tam bém fica evidente em textos
mitológicos e históricos que relatam construções de tem ­
38.1-41.34 plos n a M esopotâm ia. Q uando M arduque está se pre­
Os discursos de Deus parando para edificar seu tem plo cósm ico em Enuma
38.1. D eu s fa la do m eio da tem p estad e. D eus m uitas E lish, ele m ed e o A p su (a áre a on de os alice rces do
vezes se apresentava através de u m a tem pestade (2 Rs tem plo seriam lançados). D esde a época dos sum érios
2.11; Ez 1.4) e vinha n a torm enta ju lg ar as nações. Os a té o p erío d o d os assírio s e b a b iló n ico s, a p o sse de
d e u ses da te m p esta d e, no a n tig o O rie n te P ró x im o equipam entos de m edição era um sinal da aprovação
(B aal-H ad ad e em U g arit, A d ad e na M eso p o tâm ia), divina para o projeto de reconstrução. Era através desse
tam b ém se m an ifestav am d essa m aneira. Y a h w eh é equipam ento que o líder recebia a orientação divina.
retratado com o o senhor da tem pestade e o dom inador 38.7. estrelas m atutinas/ an jo s. G eralm ente o lança­
dos ventos, que podiam trazer vida, b em com o destrui­ m ento da "p ed ra fundam ental" era acom panhado de
ção. Esse tipo d e linguagem figurada dem onstra a m a­ grand e celebração. A s estrelas m atu tinas (planetas
jestad e de Deus como um traço com um na poesia épi­ com o M arte e Vênus) eram adoradas com o seres divi­
ca do antigo O riente Próxim o. P or exem plo, no épico nos no antigo O riente Próxim o e eram personificadas
ugarítico de B aal e Anate, o d eus Baal é descrito como com o parte dos exércitos celestiais em Israel. N o con­
o "C avaleiro das N u v en s",e sua "v o z " é o som e a fúria texto de Jó 38, essas "estrelas" são com paradas a seres
do trovão e dos relâm pagos. Igualm ente, na história angelicais criados. U m poem a u garítico descreve o
babilónica da criação, Enuma Elish, o deus da tem pes­ nascim ento de um a série de divindades astrais.
tad e, M ard u q u e, d erro ta a d eu sa p rim itiv a do caos 38.8. m ar irrom p eu do v e n tre m atern o . D e acordo
aquático, Tiam at, através do controle dos ventos e do com a v isão m esopotâm ica, a região cósm ica de onde
uso de relâm pagos. V er o com entário em Zacarias 9.14. as águas subterrâneas haviam em ergido era cham a­
38.4. D eu s re sp o n d e aos d e sa fio s fa z e n d o u so de da de Apsu, e ficava localizada entre a terra e o m un­
perguntas retóricas. N o Épico de Erra, Erra (Nergal) do inferior. Em um encantam ento, a m ãe de A psu é
desafia M arduque, tendo em vista a perda da digni­ descrita com o a deusa do rio. O m ito babilónico da
dade divina dele. Com um a longa resposta, M arduque criação reconta com o Tiam at, deusa do m ar e m ãe de
explica sua condição, m as depois defende sua sobera­ toda a criação, fo i derrotada por M arduque. Igual­
nia fazendo a Erra um a série de perguntas sem res­ m ente, Baal, no m ito ugarítico da criação, derrota Yam ,
posta, do tipo "o n d e" e "q u e m ", a fim d e dem onstrar o d eus do m ar. A tem ática, aqui em Jó, concernente ao
sua sabedoria e dom ínio. nascim ento do deus do m ar, não aparece em nenhum
38.4-6. alicerces da terra, fundam entos, pedra de esqui­ outro contexto. A lguns estudiosos concluíram que o
n a. N o m u n d o an tigo , o co sm os era visto com o um fato do m ar ter sido represado por Y ahw eh, quando
te m p lo e os te m p lo s re p re se n ta v a m m icro co sm o s. irrom peu do ventre m aterno, sugere que não foi ne­
A qui, os elem entos m ais im portantes para a sua cons­ cessário derrotar um m ar rebelde que am eaçava ge­
tru ção são m en cio n ad o s no m o m en to em q ue D eus rar o caos (com o M arduque e Baal tiveram de derro­
estabelece esse cosm os. O s alicerces d eterm inavam o tar), m as que sem pre esteve sob o controle de Deus.
tam anho e a posição do tem plo, por isso eram lançados 38.10. portas e barreiras do m ar. A pós derrotar Tiam at,
c u id ad o sam en te. T o d o o te rre n o era exp lo rad o ; no M arduque criou os m ares e colocou guardas para vi­
entanto, era a d ivind ade quem determ inava o local e giar suas águas. O Épico de A trahasis babilónico cita
a posição da constru ção. A p alav ra trad u zid a com o um ferrolho do m ar sob a posse do deus Ea (Enki).
"fu n d am en to s" era usada, co m freqüência, para des­ O u tros textos falam de fechadu ras ou cadead os do
crever as sapatas que sustentavam as colunas usadas m ar. U m a das principais tarefas do chefe do panteão
no tab ern ácu lo . A p ed ra de esq u in a , ou p ed ra fu n ­ era vigiar o m ar para que o caos fosse controlado e a
dam ental, sem pre era im portante n a construção e res­ ordem prevalecesse.
38.14. barro sob o sin ete. Selos estam pados por anéis ao traçar o m ovim ento dos astros em m apas era possí­
e sinetes eram obtidos através da gravação de um a vel prever o clim a.
figura na argila ou na rocha (ver a nota de rodapé em 39.13-18. com portam ento da avestruz. A arte esculpi­
Jr 32). U m sinete pressionado no barro fresco dava da de Israel, desde 1000 a.C. e por diversos séculos,
form a, contorn o, desenho e sign ificad o a algo que retrata um a divindade ladeada por avestruzes. Keel
anteriorm ente não tinha características distintas. A acredita que esses anim ais representavam os poderes
luz do n ascer do Sol igualm ente evidencia os traços sobrenaturais que sobrevivem no deserto sem o con­
topográficos do relevo. trole da divindade. Não é difícil notar porque os hábi­
38.17. portas das densas trevas (da som bra da m orte). tos peculiares da avestruz passaram a ser a essência
N o épico m esopotâm ico da D escida de Istar, a deusa de certos provérbios. Ela parece ser indiferente a seus
Istar precisa atravessar sete portas para chegar ao m un­ filhotes, visto que, quando os predadores atacam , a
do inferior e dali voltar para a terra dos viventes. Os avestruz tenta atrai-los para longe correndo e deixan­

israelitas tam bém acred itavam que a m orte (Sheol) do sua prole razoavelm ente cam uflada sobre o chão.

era contida por portões. Os ovos de um a avestruz de fato são depositados na

38.19. m oradia da luz. É provável que a questão se areia, m as o perigo de serem esm agados ou pisados

refira ao lugar aonde um a (luz) vai quando a outra não é tão grande quanto parece. A casca dos ovos é

(escuridão) está presente. N o antigo Oriente Próxim o, seis vezes m ais grossa que a de um ovo de galinha.

o Sol atravessava o m undo inferior durante a n oite ou Os m achos com partilham das responsabilidad es de

habitava em câm aras isoladas. O Épico de Gilgam és incubação e assum em a m aior parte do cuidado dos
filhotes depois que nascem . U m a avestruz adulta pode
faz m enção a um lugar cham ado região da escuridão,
atingir um a velocidade de 80 quilôm etros por hora
um a área de constantes trevas, em oposição a outra
n um percurso de m ais ou m enos um quilôm etro. As
que é cham ada de Cam inho do Sol.
avestruzes eram caçadas pelos faraós (retratadas como
38.22. reserv ató rio s de n ev e, d ep ó sito s de granizo.
a presa de Tutancâm on) que apreciavam as plum as
O s israelitas acreditavam que a neve e o granizo, tal
para leques. Elas se extin g u iram n o oeste da Á sia
com o a chuva, ficavam arm azenados em depósitos
som ente no século vinte.
para serem usad os quando fosse n ecessário (ver o
40.15-24. B e em o te. D esd e p or v o lta do sécu lo de­
com entário em 37.9).
zessete, o B eem ote tem sido tradicionalm ente identifi­
38.28, 29. n ascim en to da natureza. N o antigo Oriente
cado com o hipopótam o, que era abundante no Egito
Próxim o e na G récia existia um a forte trad ição de
e em grande pare da Á frica. O s m onarcas do Egito
teogonia (nascim ento dos deuses com o elem entos na­
caçavam esse anim al, com o inúm eros relevos de pa­
turais do Universo). O épico babilónico da criação se
rede ilustram . O hipopótam o desem penha um papel
inicia com os elem entos naturais divinos, todos gera­
em m uitos m itos egípcios, em que, com freqüência,
dos de um vap or d'água (Tiam at). Esses elem entos
sim boliza poderes inim igos contra o trono. H avia até
naturais, por sua vez, geraram outras form as divinas.
m esm o um festival egípcio em que um desses ani­
Im agens sem elhantes são encontradas na Grécia, na
m ais era m orto, sim bolizando os inim igos do faraó. A
Teogonia de H esíodo. É difícil determ inar se o texto em
dificuldade com essa identificação é que a descrição
questão não leva em conta essa visão ou se sim ples­
no texto não se encaixa particularm ente a um hipopó­
m ente dem onstra a ignorância de Jó quanto à respos­
tam o (especialm ente o v. 17). A interpretação inter-
ta. A literatura canan ita m en cion a P id rya, filh a da testam entária antiga favorece a identificação a um ser
névoa, e Taliya, filha das chuvas, no épico ugarítico m ítico/sobrenatural (por exem plo, m uitos estudiosos
de Baal. N a literatu ra m esopotâm ica, o orvalho às igualariam a besta e o dragão do A pocalipse ao Bee­
vezes é visto como proveniente das estrelas e Sham ás, m ote e ao Leviatã respectivam ente). N a literatura uga-
o deus Sol, com o a q u ele qu e fo rn ece o o rv alh o , a rítica, o dragão de sete cabeças (ver o com entário abai­
névoa e o gelo. xo em 41.1) é com parado à criatura identificada como
38.31, 32. constelações. As três constelações m encio­ Arshu, tam bém conhecida com o o bezerro de El, Atik.
nadas aqui (Plêiades, Ó rion e a Ursa) são as m esm as 40.24. m eios de captura. N a A ntigüidade, o hipopóta­
m encionadas em Jó 9.9 (ver o com entário ali). N ão se mo era considerado m uito difícil de capturar. Um a
sabe ao certo a que se refere a quarta constelação, mas estratégia era enganchar o nariz do anim al obrigan­
pode ser um term o para planetas. O s babilónicos n or­ do-o a respirar pela boca. Assim , ele podia ser m orto
m alm ente faziam uso de m apas astrais (cf. is 47.13) e atirando-se um arpão pela abertura da boca.
acreditavam que os m ovim entos dos corpos celestes 41.1. Leviatã. O Leviatã tem sido m uitas vezes iden­
influenciavam nos assuntos terrenos. A lém do m ais, tificado com o crocodilo, que era encontrado principal­
m ente no Egito (onde sim bolizava o poder e a gran­ tam bém ser sim bolizado por algo com o um crocodilo
deza real), m as tam b ém , ra ra m e n te, n a P alestin a. (como em Ez 29.3 em bora o Leviatã não seja especifi­
P orém , as m ú ltip las cab eças, em Salm o 74.14, e o cam ente m encionado naquele contexto).
sopro de onde sai fum aça e fogo, conform e a descrição 41.18-21. criaturas q ue soltam fog o. A s criaturas que
dos versos 19-21, com plicam essa afirm ação. Com o soltam fogo eram conh ecidas no m ito u garítico de
alternativa, o Leviatã tem sido descrito com o um mons­ Baal contra o m ar (Yam). O s terríveis m ensageiros de
tro m arinho (ver SI 74.14; Is 27.1). Essa hipótese en­ Y am aterrorizaram a assem bléia divina com sua apa­
contra suporte em textos ugaríticos que contêm descri­ rência assustadora. N o Épico de G ilgam és, o guardião
ções detalhadas de um a besta do caos, representando
H uw aw a é descrito p ela expressão "su a boca é o pró­
os m ares ou a anarquia das águas, na form a de um a
prio fogo".
serpente do m ar com m uitas cabeças, que é derrotada
por Baal. H á um a relação íntim a entre a descrição do
42.1-17
Leviatã, em Isaías, com o um a "serpen te tortuosa" e o
A restauração de Jó
épico ugarítico de Baal, que fala de como o deus da
42.11. p resen tes. O term o hebraico aqui para "p eça
tem pestade "golpeou Litan, a serpente que se contor­
de prata" (qesita) era um a unidade antiga usada prin­
ce". Em am bos os casos, há um sentido do deus da
cip alm en te n o p eríod o P atriarcal (G n 33.19). C em
ordem e da fertilidad e subjugando um m onstro do
qesitas era o valor exigido para com prar um a proprie­
caos. Diversas outras passagens do A ntigo Testam en­
dad e de tam anho razoáv el (ver Js 24.32), portanto,
to m encionam o Leviatã, m as a m aioria delas, com o o
Salm o 74.14, fala em term os da ação criativa de Deus um a qesita era um presente considerável. O anel de

que estabelece o controle sobre o caos das águas (per­ ouro talvez fosse um a argola de nariz ou brinco, ge­

sonificado pela serpente do m ar). Porém , em Isaías ralm ente usado pelos ricos.

27.1, essa luta entre a ordem e o caos ocorre no fim dos 42.12. tam anho dos rebanhos. Jó agora tem o dobro dos
tem pos. Pode ser q ue Satanás, retratad o com o um rebanhos que tin h a no início da h istó ria (ver Jó 1.3).
dragão de sete cabeças em A p ocalipse 12.3-9, tam ­ 42.15. filh a s recebend o herança ju n to com os filh o s.
bém rem eta à figura ugarítica de Litan com o "o tirano N a antiga Israel, as filhas n orm alm ente recebiam a
de sete cabeças". Biblicam ente, o Leviatã, portanto, herança apenas quando não havia nenhum filho (ver
poderia facilm ente encaixar-se na categoria de criatu­ N m 26.33). Dessa form a, é algo excepcional, no A nti­
ra sobrenatural (com o os querubins), em oposição às go Testam ento, as filhas receberem herança ju nto com
criaturas naturais ou puram ente m itológicas. Com o os filhos, em bora haja p aralelos entre os egeus, no
tal, ele p od e ap arecer n a m ito lo g ia extrab íb lica, e início do prim eiro m ilênio a.C., e em Ugarit.