Você está na página 1de 5

1

TEOLOGIA PRÁTICA: Uma Teologia em apuros1

Gilio Laurindo Junior2

RESUMO

Este artigo tem por finalidade apresentar o resultado das pesquisas realizadas pelo autor acerca da problemática:
A Teologia Prática não estaria usurpando os princípios sociológicos para se afirmar como disciplina teológica
válida? Encontrada no artigo de Lothtar Carlos Hoch, no capítulo 3 do livro Teologia Prática: no contexto da
América Latina, bem como das discurssões em sala no curso de Bacharel em Teologia, 2º período. O método
utilizado foi o de pesquisa documental se utilizando do livro supracitado, bem como Introdução a Sociologia de
Pérsio Santos de Oliveira. Foi desenvolvido a persectiva de Lothar Carlos Hoch partindo dos demais textos
encontrados no mesmo livro, donde surgiu a necessidade de uma aproximação da Sociologia.
PALAVRAS CHAVES: Teologia Prática, Teologia Pastoral, Sociologia.

ABSTRACT

This article aims to present the results of research conducted by the author about the problem: The Practical
Theology would not be usurping the sociological principles to assert itself as a valid theological discipline?
Found in article Lothtar Carlos Hoch, in Chapter 3 of the book Practical Theology: in the context of Latin
America and the discurssões room in the course of Bachelor of Theology, 2nd period. The method used was
documentary research using the aforementioned book and Introduction to Sociology Pérsio Oliveira Santos. Was
developed persectiva Lothar Carlos Hoch leaving the other documents found in the same book, where the need
arose for an approximation of Sociology.
KEYWORDS: Practical Theology, Pastoral Theology, Sociology.

1 INTRODUÇÃO

A princípio a função da Teologia Pastoral ou Prática, ficou despropositado e confuso,


deixando em dúvida se esse curso pretendia estabelecer a sua função como formadora de
líderes ou se referia a relação social dos membros da comunidade. Não era possível ver uma
relação entre a prática de liderança e o estudo da comunidade em si. Parecia mais apropriado
separar a prática da liderança e suas atribuições, do estudo da comunidade e a busca de suas
necessidade e motivações, conforme se faz com Administração, dividindo-a em Gestão e
Marketing. Mas parece ser uma prática própria da Teologia misturar as técnicas de liderança
com o estudo das comunidades.

1
A partir das discurssões feitas em sala e da leitura do capítulo 3 do livro Teologia Prática: no contexto da
américa latina, foi proposto a criação de um artigo pela Ma. Cristiane Garcia e Dr. Claiton Pommerening, neste
artigo pode-se aferir o resultado do aprendizado respectivo de cada curso apresentado na forma de resenha do
dito capítulo
2
Bacharelando em Teologia, prof. de Escola Dominical na Igreja Batista Nacional – Família de Deus, Jlle-SC.
2

Desse problema surgiu a pergunta: A Teologia Prática(TP) não estaria usurpando os


princípios sociológicos para se afirmar como disciplina teológica válida?
A leitura do artigo, Reflexões em torno do método da Teologia Prática de Lothar
Carlos Hoch terceiro capítulo do livro Teologia Prática(SCHNEIDER-HARPPRECHT, 2005),
evidencia a tentativa de elaborar um método sociológico para interpretar e explicar as práticas
e necessidades das comunidades cristãs, por isso se fez necessário trazer para o artigo um
aporte sociológico, que foi proporcionado por Pérsio Santos de Oliveira com o livro
Introdução à Sociologia.

2 TEOLOGIA PRÁTICA EM APUROS

O autor Dr. Lothar Carlos Hoch é professor na EST (Escola Superior de Teologia), em
São Leopoldo-RS. O livro foi organizado por Christoph Scheneider-Harpprecht, um
compêndio de ideias com o objetivo de discutir uma metodologia para a TP frente as
dificuldades e críticas sofridas por essa disciplina.

2.1 Teologia Prática na Concepção de Hoch


Sugestivamente o capítulo começa com uma afirmação que se encontra no artigo “O
compromisso do cientista com a sociedade” que diz:

Uma forma fácil de diferenciar um cientista de um


pseudocientista é que o primeiro quase sempre esta
ocupado trabalhando, enquanto o segundo está sempre
em reunião. Outra, que o cientista produz e o
pseudocientista tenta viver às custas
dele(IZQUIERDO apud SCHNEIDER-
HARPPRECHT, 2005, p. 63).

Do qual retirou o problema de seu artigo:

Seria legítimo afirmar que uma boa teologia se


distingue duma má teologia pelo fato de ter – ou não
ter – consciência do método que usa? E não é
justamente essa a crítica que se ouve em relação à
Teologia Prática, a saber, o espontaneismo de ir
desenvolvendo seu método de trabalhar à medida que
os problemas surgem? Seria porventura procedente a
tese de que teólogos das outras disciplinas são mais
dados à pesquisa e que os teólogos práticos tentam
viver às custas deles?(idem, p. 63)
3

Através destas questões podemos perceber o motivo da formulação do artigo, defender


a Teologia Prática como uma autêntica disciplina, dessa questão também surge outras
perguntas: Por que razão a Teologia Prática precisa se defender e que teólogos suscitam tais
questionamentos? Apesar de pesquisar não foi possível encontrar nenhuma citação que se
apresente como uma crítica direta a TP, apenas diversas afirmações que todas as teologias
precisam ser primeiramente práticas para se caracterizarem com teologias, sendo uma das
mais famosas, “lex orandi, lex credendi, lex theologandi” (LIBÂNIO, 2010, p. 59).
O autor dessa afirmação é o mesmo que faz a apresentação do livro de Schneider-
Harpprecht, João Batista Libânio ressalta ainda o seguinte: “Por causa desses diversos
conceitos de pastoral, a disciplina “Teologia Pastoral” não conseguiu nunca muita clareza
quanto a seu objeto” (SCHNEIDER-HARPPRECHT, 2005, p. 9) e que a mudança do nome
de “Teologia Pastoral” para “Teologia Prática” visava evitar o problema do termo pastoral
para os católicos que associam ao termo “pastor”, ministro dos protestantes (idem, p.9-10).
Afim de estabelecer uma clareza, Hoch apodera-se de outras disciplinas teológicas, a
Hermenêutica é uma delas e a utiliza como ferramenta de interpretação e atualização da
Palavra de Deus a partir de seu contexto afim de projetá-la de modo correspondente a tradição
cristã e ao momento histórico. Essa função se apresenta perigosa, Hoch se baseia numa
relação de “tripé”, “Deus – mundo – igreja” e que a TP serve de mediadora entre a tradição
cristã e o momento histórico, cria-se uma nova tradição fruto dessa mistura, num próximo
momento essa nova tradição será misturada novamente ao novo momento histórico e assim
por diante de modo que poderá diluir a tradição cristã em meio a sociedade secular, até o
momento em que não haverá a mímima distinção entre a tradição cristã e a prática secular,
isso parece ser um dos problemas já enfrentados pela igreja atualmente.
Num segundo momento a Hermenêutica na TP é de “agente duplo” em vez de espião,
ou seja um agente duplo espia para os dois lados, entre a tradição cristã e o mundo e vice-
versa, quisá o objetivo não tenha sido este, mas soa uma transferência entre as práticas
seculares e as práticas cristãs, acentuando o perigo mencionado no parágrafo anterior.
A seguir Hoch revela a dificuldade da TP em estabelecer uma metodologia própria; a
dificuldade dela se distinguir como disciplina já que ela se apropria de outras disciplinas; e da
dificuldade em determinar sua atuação em relação à pesquisa da comunidade e a atuação
pastoral.
O que apurou-se é que a TP é uma teologia problemática, não há um concenso entre os
teólogos sobre o lugar da Tp, segundo Hoch, no capítulo 1 do mesmo livro, Paul Tillich
apresentava a TP como a prática da teologia(idem, p. 27); Werner Jetter por outro lado a
4

apresentava como teologia da prática(idem, p. 27-28); e Karl-Fritz Daiber como ciência da


prática(idem, p.28)
O problema da TP se agravou com a Teologia da Libertação (TdL), Hoch baseia-se em
Libânio ao dizer que a TdL é uma teologia da práxis, a partir da práxis e para a práxis(idem, p.
45). Libânio afirma ainda na apresentação do livro de modo contrário ao trabalhado por Hoch:
“A teologia prática é, pois, o conjunto de disciplinas teológicas que buscam avaliação crítica,
fundamentação teórica e planejamento da prática cristã, como uma disciplina temática
especial”(idem, p. 9-10) assim desconsiderando-a como teologia exclusiva.

2.2 Teologia Prática encontra a Sociologia

De posse de todos estes problemas mudemos o foco para a Sociologia afim de obter a
resposta do problema proposto na introdução, a Teologia Prática não estaria usurpando os
princípios sociológicos para se afirmar como disciplina teológica válida?
Para Pérsio a Sociologia “estuda as relações sociais e as formas de associação,
considerando as interações que ocorrem na vida em sociedade”, abrangendo “o estudo dos
grupos sociais; da divisão da sociedade em camadas; da mobilidade social; dos processos de
cooperação, competição e conflito na sociedade etc”(OLIVEIRA, 1998, p. 7-8). A sociologia
permite ao homem conhecer a si mesmo, a sociedade e contribui para solução dos problemas
que ele enfrenta(idem, p.9), sob condições diversas, seja isolado; seja através de seus contatos
sociais; seus processos de comunicação; sua interação social indivíduo-indivíduo, indivíduo-
grupo ou grupo-grupo; seus processos associativos ou dissociativos.

3 CONCLUSÃO

Partindo dessas informações conclui-se que a TP apresentada por Hoch procura se


apoderar das ferramentas sociológicas afim de promover sua legitimidade, quando afirma que
a TP tem função mediadora nos diversos aspectos sociais, como exemplo citou as questões de
gênero; a relação entre fé e razão; a controvérsia entre a tradição e as novas formas de
religiosidade; a estratificação social; a mercantilização das relações sociais; e o
enfraquecimento das instituições sociais, como família e Estado.
A resposta foi encontrada, sim a TP se utiliza da Sociologia para se afirmar como
disciplina teológica, porém surgiu ainda outra questão a ser respondida, essa apropriação,
seria negativa ou positiva?
5

A princípio cogitou-se a possibilidade dessa apropriação ser negativa, tanto por tomar
o lugar de uma disciplina secular na análise dos fenômenos socias cristãs, não somente pela
influência que acompanha a secularização como também a tentativa de arrogar ao teólogo a
função do sociólogo, algo que não é possível dada a especificidade da Sociologia. Porém a
medida que a leitura de Pérsio Santos de Oliveira se aprofundou, foi possível perceber que
apesar dessa apropriação, existem aspectos positivos, e já plenamente consumados, como da
TdL, apropriando-se dos conceitos de Karl Marx (SCHNEIDER-HARPPRECHT, 2005, p.
45) e inclusive do Dr. Claiton sobre os conceitos de Bauman (POMMERENING, 2014], com
ótimos resultados.
Portanto não é a apropriação dos conceitos da Sociologia o problema que levou a esse
questionamento mas sim, o que fazer com eles e quais os objetivos que motivam os teólogos.
Esse questionamento porém não foi possível responder.

REFERÊNCIAS

LIBÂNIO, João Batista; MURAD Afonso. Introdução a Teologia; 7ed. São Paulo: Loyola,
2010.

OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução a Sociologia, 20ª ed. São Paulo: Ática, 1998

POMMERENING, Claiton Ivan. Pentecostalismo Líquido: fluidez teológica entre os


pentecostalismos.isbn 2014 Disponível em:
http://www.azusa.ceeduc.edu.br/index.php/azusa/article/view/29 Último acesso em:
10/08/2016. 18:00 hr.

SCHNEIDER-HARPPRECHT, Christoph (org.); at al. Teologia Prática: no contexto da


América Latina, 2ª ed. São Leopoldo: Aste; Sinodal, 2005

Você também pode gostar