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19/02/2020 Estudando: Atualidades para Concursos | Prime Cursos

Estudando: Atualidades para Concursos

OS PROBLEMAS DO TRANSPORTE NO BRASIL


A evolução das relações de troca, bem como a intensificação do fluxo de pessoas entre as diversas regiões
do globo geraram a necessidade de modernização e de ampliação das malhas ferroviária, rodoviária, dos
portos e aeroportos e da rede de transporte urbano ao redor do mundo. Esta revolução foi marcada pelo
aumento da velocidade, da segurança e da capacidade de transporte de cargas e pessoas e também revelou
as intrínsecas relações entre planejamento e infraestrutura de transporte e o bem-estar econômico e social.

No Brasil, o setor de transportes desempenhou um papel importante no crescimento econômico, na expansão


das fronteiras urbanas e na integração nacional do território, mas atualmente apresenta sérios problemas
relacionados ao desenvolvimento do país. O transporte, dentro de um modelo capitalista, pode ser tomado
como uma das condições de produção, cuja eficiência reflete em melhorias nas diversas áreas da sociedade e
da economia.

UMA MATRIZ DESEQUILIBRADA

No sistema de transportes brasileiro, da segunda metade do século XIX até a década de 30 do século XX
predominaram os meios hidroviários e ferroviários. Até a década de 40, em decorrência do desenvolvimento
do complexo agroexportador do café, o transporte rodoviário cresceu consideravelmente. Este crescimento foi
intensificado com os acordos e condições de implantação da indústria automobilística brasileira na década de
1950, o que definiu a base da matriz de transporte do país como sendo de maioria rodoviária.

Rodovias são o meio mais indicado para ligar pontos próximos, em virtude dos elevados custos de construção
e manutenção das estradas. Com as ferrovias, o investimento inicial de implantação é alto, mas é
compensado pela sua maior capacidade de transporte de cargas. Estas são indicadas para o transporte de
grandes quantidades de mercadorias por distâncias médias. As hidrovias trazem a vantagem da possibilidade
de transporte de milhares de toneladas de um produto por longas distâncias. Para países de dimensões
continentais como o Brasil, o ideal seria uma matriz com 1/3 para cada meio de transporte, mas a proporção
atual é de 58% de rodovias contra 25% de ferrovias e apenas 13% de hidrovias.

Trata-se de um dos poucos países de grande extensão territorial em que predomina o transporte rodoviário,
que, além de apresentar a desvantagem da restrita capacidade de transporte, se comparado ao hidroviário e
ao ferroviário, possui um maior consumo proporcional de combustível. Isso acarreta grande dependência do
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petróleo, matriz energética associada a inúmeros problemas ambientais. Além das ferrovias e hidrovias, uma
pequena parcela dos produtos transportados no país fica por conta do transporte aéreo e por meio de dutos
(gás e petróleo).

O perfil geográfico do Brasil revela um enorme potencial hidroviário, com cerca de 43 mil quilômetros de rios,
dos quais 28% são navegáveis e outros 15 % poderiam também ser aproveitados com alguns investimentos.
Atualmente, as hidrovias instaladas somam apenas 10 mil quilômetros, o que reflete os danos da opção
histórica pelas rodovias.

O CAOS DO TRANSPORTE URBANO

Uma das faces da deficiência do transporte do país é malha urbana, responsável pelo deslocamento diário de
pessoas, sobretudo nas regiões metropolitanas. Os inúmeros problemas enfrentados com o transporte estão
intimamente relacionados à falta de planejamento estratégico das cidades em face do intenso crescimento da
população urbana do país nas últimas décadas. Há muito tempo o trânsito nas metrópoles brasileiras enfrenta
cotidianamente engarrafamentos quilométricos, a exemplo do que ocorre com a cidade de São Paulo, cujo
problema ainda é agravado pela intersecção da cidade com um dos maiores entroncamentos rodoviários do
país.

No Brasil, a maior parcela do transporte urbano de pessoas é realizada através dos ônibus coletivos: uma
frota de cerca de 95 mil ônibus atende cerca de 59 milhões de passageiros todos os dias. No entanto, é
crescente o uso do transporte individual, que, em algumas cidades, chega a superar o de veículos coletivos.
Este crescimento está associado ao próprio modelo econômico adotado, que estimula a aquisição de carros
atrelando-a à ideia de status social, e à precariedade dos transportes públicos disponíveis.

Os investimentos na implantação das linhas de metrô, uma possível solução para o transporte nas grandes
cidades, são bastante dispendiosos, tanto na implantação, quanto na manutenção e, na maioria das cidades,
envolve o remanejamento de boa parte do fluxo de trânsito. A população menos abastada, que sequer
desfruta da alternativa de utilização dos veículos individuais, além de sofrer com a péssima qualidade e
distribuição do transporte urbano, em muitas cidades, ainda enfrenta as dificuldades em custear as tarifas
cobradas pelo serviço que devem atender às finalidades empresariais envolvidas na sua gestão.

OBSTÁCULO AO CRESCIMENTO ECONÔMICO?

O desequilíbrio da matriz brasileira de transportes acarreta altíssimos custos de circulação da mercadoria, que
repercutem tanto nas exportações, interferindo na competitividade do produto nacional no exterior, quanto no
preço final do produto dentro do país. Esta última conseqüência acarreta a diminuição do consumo e, por
tabela, a retração da economia.

Além dos altos custos, a malha rodoviária apresenta problemas relacionados à própria estrutura:segundo
dados de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) em 2006, 78% das
rodovias brasileiras são classificadas como péssimas, ruins ou deficientes. As rodovias de melhor qualidade
são as que foram submetidas à exploração de concessionárias. Os trechos explorados por consórcios
privados já somam cerca de 10 mil quilômetros de rodovias.

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) implantado no país com o objetivo de melhorias estruturais
capazes de dar suporte ao crescimento econômico, pressupõe modificações nos diversos setores sociais. Ao
lançar o PAC, o governo federal anunciou uma série de medidas cujo principal objetivo é favorecer a
implementação dos projetos. Entre estas medidas, podemos citar a desoneração tributária para alguns
setores, medidas na área ambiental para dinamizar o marco regulatório, estimulo ao financiamento e crédito,
medidas de longo prazo na área fiscal.

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Em fevereiro de 2009, o governo federal anunciou um aporte de 142 bilhões de reais para as obras do PAC.
Estes recursos extras foram usados para gerar mais empregos no país, diminuindo o impacto da crise mundial
na economia brasileira.

PAC 2

Em 2011 foi lançada a segunda fase do programa pelo governo Dilma. O PAC 2, com os mesmos objetivos do
anterior, teve aporte de novos recursos, aumentando a parceria com estados e municípios. Entre os anos de
2011 e 2014, o governo espera fazer investimentos, através do PAC 2, da ordem de R$ 955 bilhões. Estes
investimentos tem sido de fundamental importância para aumentar o nível de emprego no país, melhorar a
infraestrutura e garantir o desenvolvimento econômico em todas as regiões do Brasil.

PAC em 2017

De acordo com dados do Ministério do Planejamento do Brasil, divulgados em agosto de 2017, o programa
continua ativo e em execução. Entre 2015 e 2017, a expectativa era de investimentos de R$ 547 bilhões. O
PAC, no seu momento atual, ainda contempla investimentos em diversos setores de infraestrutura em todas
as regiões do país.

Qualquer meta de crescimento nacional está atrelada a uma maior necessidade de escoamento de
mercadorias, a exemplo do crescimento nos setores agrícolas, e a um fluxo mais intenso de pessoas, o que
torna de fundamental importância os investimentos nas melhorias das matrizes de transporte do país.

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