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MANEJO DE

VACAS E TOUROS

Artur Chinelato de Camargo

Walter Miguel Ribeiro

EMBRAPA - Pecuária Sudeste, São Carlos, SP


Dezembro / 2.006
2

ÍNDICE

ITEM PÁGINA

1. INTRODUÇÃO 3

2. ASPECTOS RELACIONADOS AO MANEJO 7


2.1. Etologia 7
2.2. Conforto e bem estar do animal 9
2.3. Manejo de vacas em pastejo rotacionado 14
2.3.1. Pastejo de ponta e repasse - conceito 14
2.3.2. Divisão em lotes e outras práticas de manejo 15
2.4. Manejo de vacas em condição de alimentação no cocho 21
2.5. Manejo de touros 24

3. ESCRITURAÇÃO ZOOTÉCNICA 26
3.1. Coleta de dados 27
3.2. Conceitos básicos 29
3.2.1. Intervalo entre partos 29
3.2.2. Persistência de lactação 29
3.2.3. Composição do rebanho 36
3.2.4. Estruturação do rebanho (uniformização de parições) 36
3.2.5. Capacidade de suporte 36
3.3. Índices zootécnicos 37
3.3.1. Essenciais 38
3.3.2. Importantes 44
3.3.3. Critérios para a Seleção de Vacas 46
4. REFERÊNCIAS 49

ANEXOS 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7
3

1. INTRODUÇÃO

“Não deve continuar desconhecido dos criadores nacionaes o que se


vae realisando na Fazenda Arcozello, município de Vassouras, RJ, e todo um
grupo de outras que se lhe encontram annexas, formando uma só propriedade
agricola, debaixo de uma unica administração que, não obstante recente, vae
revelando surprehendente efficiencia.
É realmente digno de ser acompanhado quer pelos cultores da sciencia
da criação, quer pelos que, indifferentes aos processos scientificos, se
dedicam à exploração economica dos animaes, quer ainda por aqueles que
satisfeitos com os resultados dos seus processos rotineiros descrêem dos
efeitos da technica, como por muitos que apesar de officialmente obrigados a
actuarem ao lado da technica não o sabem fazer, já por não conhecerem os
seus preceitos, já porque não os sabem interpretar nos seus devidos termos.
Alli encontrarão os inconfundiveis effeitos da criação racional,
confirmando, com uma clareza rara, theorias por uns sustentadas, ou negando
preceitos por outros criados, tudo porém dentro do terreno real da exploração
economica. Verão, no campo pratico, o que se affirma na theoria e que se
refere a assumptos da mais alta relevancia para a nossa exploração pastoril.”
(trecho extraído do artigo "Uma Fazenda Modelo Para Fins Economicos",
escrito por Landulpho Alves, chefe da Secção de Zootechnia do Ministerio da
Agricultura, no Almanak Agricola Brasileiro em 1.925).

O texto transcrito, publicado a 80 anos, já trazia a preocupação com


aspectos referentes à administração eficiente, adoção de técnicas e formação
dos técnicos, além de contradizer um dito popular de que na prática a teoria é
outra. Se considerarmos as inúmeras instituições de ensino, pesquisa e
extensão que foram implantadas neste período, e se analisarmos os índices
zootécnicos e de produtividade da pecuária leiteira nacional, veremos que
muito pouco foi realizado: a média de produção das vacas que são
ordenhadas, não ultrapassa os 3,0 kg diários, a produtividade continua baixa
(entre 1.000 e 2.000 kg de leite por hectare por ano), a escala de produção é
pequena (a média das seis maiores compradoras de leite do País não chega a
100 kg de leite por dia por produtor), o transporte de leite devido a esta
pulverização da produção é dificultado e caro, a matéria prima manuseada pela
4
indústria é de baixa qualidade, as técnicas de produção são rudimentares e a
economicidade é questionável.
“Apesar do panorama descrito, é inegável que estão ocorrendo
inúmeras modificações, caracterizadas pelo uso de pastagens adubadas,
criação de gado especializado em confinamento total e estabelecimento de
grandes rebanhos. No entanto, estas mudanças estão ocorrendo isoladamente
e sem programação, fora do âmbito das cooperativas de origem européia
(situadas principalmente na região sul do Brasil), e nem sempre são
acompanhadas por alterações capazes de mudar a rentabilidade e, portanto, a
imagem da atividade leiteira no País. Esses fatos acontecem porque
permanecem nas fazendas problemas conceituais graves, que dificultam a
introdução de mudanças tecnológicas efetivas para a produção de leite. Dentre
estes problemas conceituais graves, a distorção do significado correto do que é
tecnologia talvez seja o principal. Tecnificar significa aplicar conhecimento
visando a melhoria da eficiência, da produtividade e da rentabilidade e por
esse motivo a proposta de estabelecimento de níveis tecnológicos, não faz
sentido. No entanto, existe disseminada a concepção de “alta tecnologia”,
geralmente associada a investimentos de vulto e custos operacionais elevados.
Essa distorção foi estimulada pelo crédito subsidiado da época do milagre
brasileiro (década de 70), que possibilitou o estabelecimento de projetos
grandiosos, com aplicação preferencial de dinheiro em recursos não produtivos
como construções, estradas e cercas, capazes de conferir à fazenda uma
aparência diferenciada. A falta de entendimento do significado correto de
tecnologia torna-se prejudicial quando nas fazendas consideradas modelo, que
usam técnicas de “alto nível e última geração”, os indicadores de produtividade
e rentabilidade são ruins, porque generaliza a idéia de que tecnologia está
associada a riqueza, prejuízos operacionais e incapacidade de recuperação de
investimentos. Através dos tempos, a produção de leite tem sido classificada
como mau negócio, como conseqüência do preço pago ao produtor ser sempre
considerado não remunerador. Com a distorção do conceito de tecnologia o
problema se agrava, pois freqüentemente análises de custos e receitas de
sistemas supostamente tecnificados, indicam resultados ruins. Uma análise
mais aprofundada desses estudos, poderia mostrar que os índices de
produtividade dos sistemas considerados, não seriam admitidos em nenhuma
fazenda especializada e profissionalizada do mundo. Inexistindo indicadores de
5
custos baixos e de boas receitas que podem ser alcançadas com
administração e racionalidade, permanece a idéia de que leite é um negócio
duvidoso e, por isso, tecnologia nunca foi considerada prioridade para o setor.
Na realidade, qualquer proposta técnica que tenha por objetivo reduzir custo, é
considerada utópica, sem sentido”. (de Faria e da Silva, 1.995)
“Modernizar significa, introduzir no setor o conceito de profissionalização
e não investir em recursos não produtivos, como ocorreu na época do crédito
subsidiado. Deve-se procurar sistemas que permitam rentabilidade e, portanto,
perspectivas de resultados. Para a modificação da eficiência, as fazendas
terão que adotar tecnologias capazes de alterar índices de produtividade. Será
necessário evitar a adoção de falsas tecnologias que podem elevar custos e
reduzir benefícios, distorcendo a proposta de modernização e
profissionalização. O controle sistemático dos fatores de produção, a avaliação
da atividade através de índices e a aceitação do conceito de que custo é um
problema administrativo da fazenda, poderá criar novas perspectivas e
condições para o surgimento de empresas produtoras de leite. Não existe
complexidade na proposta de tecnificação, mas sim relutância em aceitar
conceitos de que as exigências nutricionais, de sanidade e de conforto dos
animais, são a base do processo produtivo. A carência de técnicos
especializados, a procura de práticas baratas e milagrosas, o complexo de
inferioridade com o clima e a existência de extrativistas de leite, dificultam a
tecnificação do setor”. (de Faria, 1.992)
“Talvez a dificuldade maior para a introdução de mudanças tecnológicas
no País, seja a falta de entendimento do conceito de sistema, que deve ser
definido por um potencial e caracterizado por índices de produtividade, nunca
pela aparência ou por técnicas empregadas. Com freqüência, uma simples
tecnologia introduzida passa a definir um sistema, quando na realidade, trata-
se de uma atividade incorporada a ele. A construção de um galpão de “free
stall” não caracteriza um sistema intensificado de confinamento, nem um
modelo americano de produção, caso a produtividade e a economicidade
sejam ruins como conseqüência de erros no manejo, na produção de alimentos
ou no uso de gado inadequado. É difícil difundir no setor a idéia de que
fazendas aparentemente iguais, usando as mesmas propostas, vizinhas de
cerca, podem apresentar resultados muito diferentes, porque exploram os
recursos produtivos de maneiras distintas, caracterizando assim sistemas
6
diferenciados. Falta, com certeza, no meio técnico e de produção, o conceito
de intensificação, que permite dentro do sistema, a procura da eficiência
máxima, objetivando atingir um potencial definido. O conceito de sistema não
pode ser estático, e é caracterizado por vários segmentos que se associam
para formar um todo, tornando-se importante adequar as técnicas, ao rebanho,
às condições climáticas, edáficas, agrostológicas, agronômicas, humanas,
econômicas, sociais e administrativas, que devem interagir em função do
mercado. É fundamental que na conceituação do sistema, a vaca seja
considerada como unidade básica do processo produtivo, e por isso, deve-se
posicioná-la dentro do rebanho, para caracterização do potencial produtivo do
grupo de animais mantidos na fazenda leiteira. Por sua vez, o rebanho tem que
estar inserido na área física para definição de potencial do sistema, porque a
maneira de uso da terra, define a qualidade de animais a serem trabalhados.
Todos os sistemas, independentemente das tecnologias usadas, devem
analisar, entender e manipular fatores produtivos que se constituem na base
da exploração leiteira”. (de Faria e da Silva, 1.995)
“A incapacidade de avaliação correta e de análise adequada do que está
acontecendo no sistema, transformam-se em barreiras sérias para a mudança
tecnológica. Por exemplo, comparar resultados obtidos com a média do País
não promove a tecnificação, pois sempre existirá a certeza de progressos
fantásticos, quando o potencial do sistema ainda está longe de ser atingido.
Geralmente a atividade leiteira é avaliada por índices sem nenhum significado
para um julgamento realista da atividade. As vacas são valorizadas pela
produção no pico ou na lactação, os pastos pela lotação e a fazenda pela
média diária de curral, mas nenhuma dessas informações indica eficiência ou
produtividade. A simples análise de custos não revela fatores determinantes de
sucesso ou fracasso, por estar desvinculada de indicadores que possibilitem
entender, não só a atividade como também situá-la num determinado nível de
racionalidade, caracterizando o uso dos recursos produtivos. Como
conseqüência dessa distorção, índices importantes como a porcentagem de
vacas em lactação (%VL), produção por dia de intervalo entre partos (IP),
produção por vaca do rebanho, produção por área, produção por unidade de
trabalho, ou de retorno por real (R$) investido, etc., são desconhecidos e
nunca utilizados como referência para os sistemas ou mesmo resultados
conseguidos”. (de Faria e da Silva, 1.995)
7

2. ASPECTOS RELACIONADOS AO MANEJO

No dicionário Aurélio, a palavra manejar significa administrar, dirigir,


gerenciar. Na atividade zootécnica, principalmente na bovinocultura leiteira,
manejo engloba práticas, técnicas, estratégias e ações junto ao rebanho, que
visem melhorar a nutrição, a saúde, o conforto e o bem estar dos animais,
trazendo como conseqüência o aumento da produtividade e a obtenção de
lucro.

2.1. Etologia

Etologia é o estudo do comportamento de um animal em resposta ao


meio animado e inanimado em que vive. O estudo do comportamento inicia-se
com observações dos movimentos, da postura, das atitudes e de outros
aspectos de um animal. Freqüentemente parece que um animal não está
fazendo nada, mesmo que seu ambiente mude. Isto pode acontecer porque ele
não consegue perceber as mudanças ou pode ser que sua resposta às
mudanças seja ficar parado. Já o comportamento social é aquele que envolve
dois ou mais animais. É um termo amplo, distinto de comportamento de
alimentação, comportamento sexual ou comportamento parental, não se
referindo a uma categoria específica de comportamento, mas sim a todas as
formas pelas quais os animais influenciam uns aos outros.
Como objetivos principais da etologia de animais domésticos, podem ser
citados:
(1) avaliar a resposta comportamental resultante do estresse provocado pelo
sistema de produção intensiva;
(2) acumular e tornar disponível a estudantes, técnicos e produtores um elenco
de atividades normais de um animal (etograma), para avaliação por parte
dos interessados, de uma experiência comportamental especifica;
(3) determinar mecanismos físicos de regulação do comportamento e
(4) aumentar a confiança de resultados de pesquisa em outras disciplinas.
As vacas leiteiras são animais sociais existindo, portanto, uma
hierarquia. Estudos definiram a existência de três estruturas sociais dentro de
um rebanho estabilizado de vacas leiteiras: uma ordem na entrada da sala de
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ordenha; uma liderança e as seguidoras do padrão da líder e uma relação de
dominância e subordinação. A hierarquia social não permanece estável e as
posições dos indivíduos são freqüentemente contestadas por interações
agressivas. A ordem de dominância social ou hierarquia social é o fator mais
estudado no comportamento de bovinos. A remoção dos chifres do animal, por
exemplo, reordena a seqüência de dominância social. Já ordem de entrada na
ordenha não está associada a valores de dominância. Ela não consegue ser
alterada nem mesmo com o treinamento dos animais. Na sala de ordenha, um
dos fatores mais estudados é o temperamento do animal. Neste sentido, a
seleção para temperamento na ordenha é mais efetiva, que a seleção para
comportamento social, não havendo evidências conclusivas de que a
dominância social esteja relacionada com características produtivas. A
herdabilidade dos padrões comportamentais é baixa.
A capacidade de adaptação a um meio artificial, após terem sido
retirados de seu “habitat” natural, é um dos segredos do sucesso da produção
animal moderna. A disponibilidade do alimento para rebanhos confinados, por
exemplo, promove várias idas dos animais ao cocho, principalmente sob
temperaturas frias (10ºC). As vacas melhor postadas na hierarquia social,
gastam mais tempo comendo, sendo as primeiras a se alimentar e consumindo
tudo o que desejarem, caso a quantidade de alimento seja limitada. Quando
em pastejo, as vacas seguem um padrão diferente de comportamento, fazendo
todas as atividades em uníssono. Todas pastam geralmente, ao mesmo tempo,
deitam e descansam praticamente à mesma hora e quando a vaca líder
levanta-se e dirigi-se para o bebedouro, em geral, todas as outras se levantam
e vão atrás. Com a aproximação do momento da ordenha, a vaca líder cessa o
pastejo e caminha em direção ao estábulo. As outras vacas quase que
simultaneamente entram em linha numa fila simples, e inicia-se uma
peregrinação rumo ao local de ordenha. O interessante, é que a vaca líder na
maioria das vezes, não é a vaca mais dominante, sendo a liderança
independente da ordem de dominância. Mais freqüentemente, a líder das vacas
está situada numa posição intermediária da hierarquia social.
O animal gasta em média de 6 a 7 horas por dia pastejando durante a
época quente do ano. No caso de animais confinados, vários estudos
revelaram que as vacas despenderam com a alimentação, cerca de 25% do
tempo, quando a observação foi de 15 horas. Nas primeiras horas da noite
9
aconteceu a maior freqüência de animais em pastejo ou no cocho de
alimentação (confinamento), considerando os dias mais quentes do verão. Sob
esta mesma condição climática o consumo d’água tende a ser aumentado no
final da tarde e princípio da noite. Já o tempo encontrado com maior freqüência
para a atividade de ruminação situa-se entre 7 a 7,5 horas por dia, em
sistema de pastejo. Para bovinos confinados o tempo despendido com a
ruminação foi de 22% em 15 horas de observação.
O ócio pode ser definido como sendo toda a atividade dos animais,
quando não estão pastando/comendo ou ruminando. Revisando o assunto, o
tempo verificado com maior freqüência, foi ao redor de 10 horas por dia de
tempo gasto com o ócio. Um fator que afeta o comportamento de descanso
de vacas estabuladas no sistema "free stall", por exemplo, é a ordem de
dominância social. Animais posicionados no final da hierarquia social gastaram
menos tempo descansando nas baias do tipo "free stall" (10 horas por dia), que
as vacas dominantes (13 horas por dia), sugerindo que, embora houvesse uma
baia disponível por vaca, os animais submissos não as usaram, talvez devido a
presença dos animais dominantes.

2.2. Conforto e bem estar do animal

A muito tempo atrás, quando o bovino era um animal selvagem, seu


hábito de pastejar era noturno, escondendo-se durante o dia, para fugir dos
predadores. Certo dia o Homem começou a utilizar os bovinos como
fornecedor de alimentos e vestes. Como estava protegido pelo ser humano e
por comodidade deste, sua alimentação passou a ocorrer ao longo do dia,
fazendo com que outro inimigo, passasse a atuar sobre o animal, o calor. O
animal que conseguiu adaptar-se, era de menor exigência nutricional por ser de
menor capacidade produtiva, ou vice-versa, sendo classificado como “rústico”.
Por anos tentou-se adaptar o animal ao ambiente (meio onde vive), fazendo-se
uma espécie de seleção negativa para a produção leiteira. No sul dos Estados
Unidos, tentou-se por décadas, via cruzamentos, obter um animal que fosse
produtivo e que suportasse as adversidades do clima quente e úmido no verão
(o tal do animal “rústico”), até que descobriram que era o ambiente que deveria
ser alterado para abrigar um tipo de animal zootecnicamente superior.
10
À medida que o Homem procurou por animais produtivos, surgiram os
confinamentos (alternativa de adaptação do ambiente), cujo fundamento é o
fornecimento no cocho de toda a alimentação requerida pelo animal ao longo
do dia. No Brasil, os confinamentos foram estabelecidos em várias regiões,
mas com um conceito desvirtuado, principalmente no que diz respeito às
instalações, por vezes sofisticadas e dispendiosas e com um aparato de
equipamentos de fazer inveja à NASA (nebulizadores, ventiladores, banhos
antes das ordenhas, pisos anti-derrapante, colares com transmissores, etc.),
encarecendo a produção. No entanto, foi esquecido um equipamento
fundamental para garantir a produção de alimentos volumosos de excelente
qualidade, a irrigação.
Com as dificuldades impostas pelo mundo globalizado, a redução dos
custos de produção passou a ser vital para a sobrevivência de qualquer
negócio. Na atividade leiteira, o retorno ao uso de pastagens é uma alternativa
para se obter esta redução de custos. Mas, como conseguir adaptar a
pastagem (ambiente) a um animal mais produtivo, se um dos problemas é o
calor durante o dia? Na estação de maior calor ao longo do ano (período entre
outubro e março), a produção de leite de vacas especializadas, sofre queda, a
reprodução desanda, o rendimento do trabalho cai e o desânimo toma conta do
produtor. Será mesmo que esta é a pior época do ano para se produzir leite?
Tudo na vida apresenta pontos positivos e negativos. Com o calor não é
diferente. Sob o ponto de vista da vaca leiteira, o calor é um grande inimigo,
provocando efeitos negativos como diminuição no consumo de alimentos e
conseqüente queda na produção de leite, redução na eficiência reprodutiva
com aumento de casos de repetição de cios e reabsorção embrionária, piora do
estado de saúde dos animais, havendo maior incidência de problemas de
casco e mastite. Sob o ponto de vista das gramíneas forrageiras (pastos), o
calor é um grande amigo, permitindo aumento considerável na produção
vegetal.
Como enfrentar esta contradição? Existem três opções: deixar a
atividade, mudar de região ou aprender a conviver. Considerando a escolha da
última opção, o aprendizado da convivência com o calor, trará imensa
satisfação, demonstrando que o período de verão é a época do ano onde o
lucro com a atividade leiteira, poderá ser maior que na época do frio no sul do
Brasil e seca na região central, ao contrário do que se considera.
11
Para que o aproveitamento do calor e da luminosidade seja maximizado
pelas plantas, não deverá haver fator limitante ao crescimento das mesmas.
Assim, água e nutrientes não poderão faltar para os vegetais. Para que o efeito
negativo do calor seja reduzido a níveis toleráveis, permitindo a utilização de
animais produtivos, será preciso lançar mão de algumas práticas de manejo.
Mesmo uma vaca estando bem nutrida, livre de enfermidades e com
incidência controlada de parasitos, poderá não ocorrer a expressão de todo seu
potencial de produção, caso o ambiente não lhe ofereça conforto. Por conforto
entenda-se: locais secos, pisos macios para repousar, sombreados e
ventilados, com bebedouro próximo, com fácil acesso e contendo água de
qualidade e em quantidade. Durante o dia, das 9 horas da manhã (10 horas no
horário de verão) até por volta das 16 horas (17 horas no horário de verão), as
vacas deverão ter livre acesso a estes locais. No caso de sistemas de
confinamento tipo "free stall", as baias individuais, se incumbem de dar conforto
aos animais. Em áreas de pastagem, o local de repouso é chamado de
“malhadouro”.
A melhor sombra é a oferecida pelas árvores. No entanto, não plante
bosques de árvores. Se já existem, não os elimine. Dê preferência por plantar
renques, fileiras, ruas, linhas ou carreiras de árvores da mesma espécie ou
não, no sentido NORTE-SUL, para que a sombra “caminhe” ao longo do dia de
oeste (período da manhã) para leste (período da tarde).
Enquanto as árvores plantadas estiverem crescendo, devem ser
estabelecidos sombreiros artificiais, podendo ser de sombrite, bambu, folhas de
coqueiro, telhas ou outro material qualquer. A largura deverá ser de 4 a 5
metros, a altura mínima de 3,5 metros em seu ponto mais baixo e apenas UMA
INCLINAÇÃO (“uma água”) da cobertura, sendo o ponto mais baixo voltado
para o OESTE (figura abaixo).
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N
inclinação da cobertura

m ínim o de
O L mínimo de 10%

0,4 m
S

largura do sombreiro
mínimo de 4,0 m

pé-direito
mínimo de 3,5 m

A escolha das árvores a serem plantadas dependerá do gosto de cada


proprietário. No entanto, aqui vão algumas recomendações. Deve-se evitar:
 árvores que em algum período do ano percam suas folhas;
 árvores cujos troncos, folhas ou frutos possam significar algum tipo de
risco para as vacas, novilhas e bezerras;
 árvores sensíveis à geada;
 árvores que possuam uma copa muito densa, deixando constantemente
úmida a área sombreada;
 árvores que sejam muito lentas em seu crescimento. No entanto, se for
uma planta do gosto do proprietário, este aspecto deixa de ser
importante e
 árvores que sejam difíceis de serem encontradas e por conseguinte,
suas mudas são de valor mais elevado.

A área de sombra por animal dependerá do relevo do terreno: quanto


mais plano, maior a área por cabeça. O espaço mínimo deverá ser de 10
m2/animal adulto, salientando-se que quanto mais área for destinada à sombra,
menores serão os riscos de acidentes com úberes (mastite ambiental) e patas.
13
Como práticas de manejo visando oferecer conforto e bem estar aos animais
podem ser citadas ainda:
 livre acesso das vacas às áreas sombreadas, de preferência por
árvores;
 rodízio entre as áreas de sombra, via uso de cerca elétrica;
 bebedouro que ofereça água de qualidade e quantidade suficiente a
todos os animais. Não há a necessidade de ser um bebedouro grande,
mas sim, que apresente um fluxo contínuo de água e uma vazão que o
mantenha sempre repleto;
 bebedouros localizados próximos às áreas de descanso;
 evitar aguadas em açudes, ribeirões e córregos que atendem ao quesito
quantidade, porém não oferecem qualidade de água;
 evitar lidar com os animais (vacinação, pesagem, inseminação, controle
de parasitos, ordenha, etc.) no período compreendido entre as 10 e 16
horas (horário normal) ou 11 a 17 horas (horário de verão), pois o calor
poderá provocar estresse nos animais;
 preparar a mão de obra para lidar com rebanhos leiteiros. As vacas
leiteiras são animais dóceis, lerdos e sedentários, precisando ser
tratadas com atenção, paciência e carinho;
 não tocar os animais à cavalo;
 lembrar que as vacas leiteiras são animais que apreciam a rotina e
assim sendo, toda mudança no manejo e na alimentação, deve ser feita
de forma lenta e gradual. Alterações abruptas e radicais levam a
resultados desastrosos quanto à produção de leite;
 os acessos tanto à água como às áreas de sombra e pastos deverão ser
planejados, visando reduzir distâncias, facilitar o deslocamento e reduzir
a formação de barro;
 durante a fase de estabelecimento ou de recuperação dos corredores,
deve-se lembrar de não utilizar cascalhos, pedras e principalmente
entulhos de construção. Estes materiais são inimigos dos cascos dos
bovinos. Os corredores deverão ser largos (no mínimo, 4 metros,
lembrando que quanto mais largo, menor será a formação de lama) e
abaulados. Uma prática utilizada com sucesso nos corredores de
passagem dos animais é a compactação de terra, calcário e água
14
(apenas para umidecer). No período seco do ano, os corredores deverão
sofrer manutenção. Um corredor bem dimensionado é aquele que por
estar num nível superior ao terreno e por possuir um sistema de
escoamento eficiente, não acumula água;
 promover limpezas constantes dos locais por onde o gado transita como
malhadouros, aguadas, corredores, pastos, estábulo, etc., buscando
reduzir os riscos de acidentes;
 alterar o horário da segunda ordenha para o final da tarde/início da noite;
 abrir novo piquete após a segunda ordenha (final da tarde) e
 repetir constantemente estas perguntas para si mesmo: "este ambiente
está agradável para mim?", "e para as minhas vacas?" e "o que eu
posso fazer para melhorá-lo?"

2.3. Manejo de vacas em pastejo rotacionado

2.3.1. Pastejo de ponta e repasse - conceito


Imagine a seguinte situação. Um rebanho com 30 vacas em lactação
(poderiam ser 50, 100 ou 300) e média de curral por volta de 12 kg diários
(poderia ser 8, 15 ou 20). Supondo que este rebanho esteja estruturado, ou
seja, suas parições estão bem distribuídas ao longo do ano, teremos metade
das vacas no início e metade das vacas no final da lactação. Considere que o
grupo de vacas que está na fase inicial da lactação está com produção média
de 16 kg diários e as que fazem parte da metade final da lactação apresentam
produção média de 8 kg diários. Atenção! Os números pouco importam, sendo
apenas exemplificações para tornar o raciocínio a ser desenvolvido, mais fácil
de ser compreendido.
O pasto está bem formado com uma gramínea tropical de elevado
potencial de produção. O sistema de pastejo rotacionado com piquetes
divididos por cerca elétrica e período de ocupação (ou pastejo) de 1 dia em
cada piquete, foi adotado. A entrada dos animais no piquete “novo” ou “do dia”,
ocorre no final da tarde/início da noite.
A pergunta que se faz é a seguinte. É justo que vacas com média de 16
kg diários disputem o mesmo pasto com vacas de 8 kg? É claro que não! O
requerimento nutricional de uma vaca de 16 kg é superior ao de uma de 8 kg.
15
Consultando tabelas de exigências nutricionais resultantes de trabalhos de
pesquisa, somente na necessidade de proteína e energia para a manutenção
dos animais (peso vivo de 500 kg) é que ocorrerá alguma semelhança:
exigência de 400 g de proteína bruta (PB) e 4,0 kg de nutrientes digestíveis
totais (NDT), diariamente. Para a produção de leite, considerando um teor de
gordura no leite de 3,5%, são necessários em torno de 85 g de PB e 0,3 kg de
NDT, por quilograma de leite produzido. Assim uma vaca que está produzindo
16 kg diários necessitará por volta de 1,8 kg de PB (0,4 kg + 16 kg x 0,085 kg)
e 8,8 kg de NDT (4,0 kg + 16 kg x 0,3 kg), enquanto uma de 8 kg exigirá algo
em torno de 1,1 kg de PB (0,4 kg + 8 kg x 0,085 kg) e 6,4 kg de NDT (4,0 kg +
8 kg x 0,3 kg).
Dessa diferença entre exigências, surge o conceito de pastejo de ponta
e de repasse, que nada mais é que premiar as vacas que estão apresentando
maior produção de leite, com o melhor pasto (pastejo de ponta), liberando o
piquete “novo” ou “do dia” no final da tarde/início da noite, para que elas
consumam o “filé mignon” da pastagem. Na manhã seguinte, o lote de vacas
com menor produção, terá acesso a este piquete, alimentando-se do restante
(pastejo de repasse), a “costelinha” da pastagem, desde que não haja somente
o “osso”. A intenção não é dar fome ao grupo de repasse e sim organizar a
colheita da forragem. A Cesar, o que é de Cesar! Ao final do dia, o piquete
consumido uniformemente (pastejo de ponta e repasse), será adubado e
irrigado.

2.3.2. Divisão das vacas em grupos e outras práticas de manejo

São corriqueiros comentários em encontros com produtores de leite, que


o uso de pastagens rotacionadas restringe-se à rebanhos pequenos. Sem
dúvida, quanto menor o rebanho, mais fácil será seu controle e manejo, não
significando porém que rebanhos com maior número de animais não possam
ser criados com eficiência nesse tipo de sistema. Primeiramente é preciso
definir o que significa rebanho pequeno e rebanho grande. Em algumas regiões
do País, quem possuir mais de 50 vacas já é considerado grande. Em outras
somente plantéis acima de 100 vacas serão rotulados como grandes. Como a
intenção é propor soluções, independentemente do tamanho do rebanho,
16
tomar-se-á como exemplo um rebanho composto por 100 matrizes em
lactação, manejadas em pastejo rotacionado.
Em relação ao controle alimentar, zootécnico e econômico, o melhor lote
que existe é o individual (100 lotes) e consequentemente, o pior é o
grupamento único (1 só lote). Entre esses dois extremos deve-se definir, para
cada caso, o que é possível ser feito.
Ao final da tarde, durante o verão (outubro a março), considerando a pior
situação, todo o lote em lactação terá acesso ao piquete de gramínea
forrageira tropical. A vaca pastejará durante a primeira metade da noite com
intervalos para consumir água (desde que esteja próxima) e ruminará durante a
madrugada no malhadouro. Antes do alvorecer, o rebanho será conduzido à
ordenha. O fornecimento do alimento concentrado ocorrerá em alguns casos
durante a ordenha e em outros após a ordenha, o que é mais adequado.
Considere que a média do rebanho seja de 15 kg de leite/vaca/dia. É de se
esperar que existam vacas produzindo acima de 20 kg de leite/dia (início de
lactação), bem como vacas produzindo abaixo de 10 kg de leite/dia (final de
lactação). Supondo que a pastagem esteja bem adubada e bem manejada,
produções de leite de até 10 kg de leite diários, serão supridas somente com a
ingestão do alimento volumoso. Assim sendo, não serão todas as vacas que
deverão consumir o alimento concentrado e consequentemente, os animais
deverão ser apartados em pelo menos dois grupos. Mesmo separando os
animais entre os que receberão e os que não receberão o alimento
concentrado, ter-se-á uma situação onde uma vaca no pico da lactação
necessite consumir 8 kg de concentrado e outra no meio da lactação só
requeira 2 kg. Novamente será preciso separar o grupo entre as que
consumirão mais concentrado das que consumirão menos. Como resultante
final, o rebanho terá sido dividido, no mínimo, em três lotes de mais ou menos
33 vacas cada um. Como separar as vacas considerando que o rebanho é
grande?
Surgem soluções mirabolantes como não dar folga ao empregado que
conhece todas as vacas, ou de posse de uma lista de chamada usar um
megafone para organizar os grupos, ou pintar as vacas com tinta “spray” de
diferentes colorações de acordo com seu grupo, tendo como inconveniente, o
fato da vaca ao mudar várias vezes de lote, chegar à secagem parecendo um
carro alegórico. Colocar cordas de diferentes colorações ao redor do pescoço,
17
pode ser uma saída, mas é um tal de perder cordinha que não tem fim. Para
não perdê-las, alguns produtores apertam as cordinhas em demasia, quase
enforcando a vaca. A cada controle leiteiro os lotes são refeitos e a composição
do grupo é alterada, sendo necessário a troca da tal cordinha. Nenhuma
dessas estratégias é prática.
Em rebanhos grandes o recomendado é definir um sistema de pastejo
para cada grupo. O objetivo é transformar esse rebanho grande em vários
rebanhos pequenos, que como mencionado anteriormente, são mais simples
de serem manejados.
Na EMBRAPA em São Carlos, SP, também era utilizada a separação
diária das vacas, de acordo com a cor da cordinha) para serem arraçoadas, até
que aconteceu um acidente com um animal. No afã de separar as vacas com
agilidade, uma delas escorregou no piso molhado pela chuva, rompeu os
ligamentos dos membros posteriores e foi abatida. A partir daí percebeu-se que
o grupo de vacas deveria vir separado do pasto. Para isso seria necessário que
ele já estivesse entrado no piquete no final da tarde de ontem, também
separado, surgindo então, a idéia de termos mais de um sistema de pastejo.
Assim as vacas do lote A ou 1, composto por vacas em início de lactação,
pastariam um sistema mais próximo à sala de ordenha, enquanto as vacas em
fim de lactação (lote C ou 3, no caso do exemplo acima), utilizariam o sistema
mais distante da sala de ordenha. Nada contra as vacas em final de lactação. É
simplesmente uma questão de exigência nutricional diferente. No exemplo, o
rebanho foi dividido em três grupos, como poderia ter sido dividido em 4 ou 5,
lembrando que quanto maior o número de grupamentos, maior será a
homogeneidade entre as produções. Quantos lotes devem existir, é uma
questão que variará de propriedade à propriedade. Faça o possível, pensando
sempre no ideal. Uma desvantagem desta proposta é o aumento no número de
piquetes. Ao invés de um módulo com 30 piquetes de 900 m 2, por exemplo,
teríamos 3 módulos com 30 piquetes de 300 m 2 cada um. No entanto, a área a
ser trabalhada será a mesma.
Da mesma forma que o rebanho grande está sendo transformado em
vários rebanhos pequenos (divisão em lotes), facilitando o controle e o manejo,
à medida que subdivide-se uma área, torna-se mais fácil o controle do pastejo
e da adubação, possibilitando inclusive a introdução de práticas de manejo
antes complexas, e agora passíveis de serem utilizadas em áreas menores,
18
como é o caso da adubação nitrogenada intensa (acima de 600 kg de
N/ha/ano) e da irrigação.
O produtor pode optar por adubar intensamente e irrigar somente um
dos sistemas de pastejo, recaindo a escolha, obviamente, sobre o sistema mais
próximo à ordenha onde a facilidade de captação de água, a presença
constante do produtor, a existência de esterco e a qualidade das vacas que
irão consumir aquela forragem, viabilizariam economicamente tais técnicas.
Deve-se lembrar que a irrigação tem por objetivos: a eliminação dos efeitos
negativos de veranicos (períodos de 7, 10, 15, 20 ou mais dias sem chuva
durante a estação chuvosa); a antecipação do início do pastejo (a partir de
agosto/setembro) e a postergação de seu final (abril/maio).
Quanto ao manejo desses grupamentos em relação às ordenhas
(considerando duas ordenhas, no caso), o primeiro lote (início de lactação)
seria o primeiro a ser ordenhado no período da manhã, vindo a seguir o
segundo lote e finalmente o grupo de animais no terço final de lactação. O
importante é que os grupos de vacas cheguem ao recinto de ordenha,
separadamente. O primeiro lote é arraçoado após a ordenha de acordo com a
média de produção das vacas que o compõe. De maneira geral, retornam ao
piquete onde passaram a noite e por volta das 09:00 horas (10:00 horas nos
Estados que estão sob horário de verão), começam a deixar o piquete
buscando o refúgio de uma sombra (natural ou artificial). Cada lote deverá ter
sua própria área de descanso sombreada, suficiente para todas as vacas do
grupo. Durante o dia, das 10 às 16 horas (horário normal), as vacas
permanecem no ócio. Não as incomode.
No final da tarde as vacas retornarão à sala de ordenha. Como o uso de
pastagens ocorre na época mais quente do ano, onde o calor é intenso, inicie a
segunda ordenha após às 17 horas (horário normal) e 18 horas (horário de
verão). Traga primeiramente o lote de vacas de menor produção (lote C ou 3,
no exemplo acima), forneça o concentrado (se necessário), e em seguida,
inicie a ordenha. Repita o mesmo procedimento para o lote B ou 2 e por fim,
para o grupo de maior produção (lote A ou 1). A intenção é também, oferecer
às vacas em início de lactação, um intervalo entre ordenhas mais equilibrado.
À medida que as vacas vão sendo ordenhadas, libere-as para que
tenham acesso ao seu módulo de pastagem. Não deixe que vacas de grupos
diferentes se misturem. Acabada a ordenha da tarde, vá aos piquetes de cada
19
lote e confira se está tudo bem. Cercas elétricas isoladas, água nos
bebedouros, bóias funcionando e animais pastejando em paz. Ouça o silêncio!
Se uma ou duas estiverem mugindo, poderá ser cio, mas se houver um coro de
vacas é que algo está errado. Ou não tem forragem suficiente e elas sabem
disso, ou não tem água, ou não puderam ter acesso ao piquete porque o fio da
cerca elétrica se desprendeu do isolador e está no meio do corredor, e elas
estão com medo de passar. Entre em ação!
Após mais ou menos uma hora de pastejo, as vacas deverão procurar a
água no bebedouro, cada uma a seu tempo, retomando o pastejo em seguida,
até a metade da noite, quando deitarão para ruminar e descansar no
malhadouro (etograma). Caso não interrompam o pastejo para saciar sua sede,
é sinal que o bebedouro está distante. Invista em mais pontos de fornecimento
de água. Algumas propriedades cientes da necessidade de água pelas vacas,
estão introduzindo o conceito de “bebedouro carrapato”, nome dado ao
bebedouro móvel que acompanha as vacas em cada piquete.
O repasse da forragem ainda existente nos piquetes, poderá também ser
executado pelas novilhas prenhes, vacas secas (pré parto) e novilhas em
crescimento. Nesse caso, como o grupo de maior exigência nutricional é o de
novilhas prenhes, seria interessante que elas repassassem o piquete do lote A
ou 1, que poderá ter sido inclusive, melhor adubado e irrigado. Durante a noite
essas categorias citadas poderão ter acesso a sistemas de pastejo rotacionado
mais distantes do centro de manejo, com utilização menos acentuada de
insumos, maior período de ocupação e portanto, menor número de piquetes.
O manejo do rebanho em regime de pastagens rotacionadas requerirá
do produtor muita dedicação, paciência e atenção aos detalhes. O tempo e os
animais serão os melhores professores. Ao amanhecer uma nova aula sob
manejo de pastagens rotacionadas vai começar. A sala de aula é o campo, o
quadro negro é o piquete, as professoras são as bezerras (terneiras), novilhas
e vacas e os alunos somos nós.
A aula começa no piquete que foi servido ontem no final da tarde/início
da noite. As vacas do grupo de “ponta” (animais com produção acima da média
e/ou recém paridos), mostram quanto foi consumido e ao caminhar pelo
piquete tem-se a noção de quanto material (pasto) sobrou. O dia a dia “aferirá”
o olho do produtor. O somatório dessas vivências diárias, com seus erros e
20
acertos, aliado à discussão com um técnico capacitado, é que tornará o
produtor, um bom manejador de pasto.
A sobra de forragem no piquete é a garantia de que o lote das melhores
vacas não passou fome, sendo necessária a entrada no período diurno de um
outro grupo de vacas de menor produção, ou de vacas secas ou ainda, de
novilhas, para realizar o pastejo de “repasse”. Se o piquete apresentar-se
rapado após a saída do lote de “ponta”, é sinal de que houve super lotação, ou
seja, foram colocadas mais vacas do que o pasto suportava. Neste caso será
preciso reduzir o número de vacas do grupo de “ponta”.
Vá ao local onde estão as vacas do grupo de “ponta”. Espero que
estejam à sombra de uma frondosa árvore, com um bebedouro com água limpa
por perto. Algumas estarão em pé, outras deitadas, ruminando ou ainda, sem
fazer nada. Pare, fique em silêncio e escute-as! Troque idéias com suas vacas.
Pergunte (em voz baixa, para que sua família ou seus empregados não
pensem que você enlouqueceu), como passaram a noite, se gostaram do
pasto, se faltou água, se têm alguma sugestão ou crítica. Dedique ao menos
uns 15 minutos diários para esta conversa e você descobrirá coisas que nem
imaginava.
Dentre as várias formas de comunicação, as vacas podem utilizar-se da
produção de leite (daí a importância do controle leiteiro), da reprodução (cios
- ausência, presença ou repetição, coberturas, reabsorções embrionárias,
abortos, natimortos, partos), do estado de saúde (condição corporal, cascos,
mastite, presença ou não de parasitos externos), do ganho de peso, das
atitudes (mugidos, caminhamento, disputa acirrada por sombra, água ou
comida) e dos comportamentos (curiosidade, vivacidade, apatia, medo,
agressividade), para tal.
Pergunte que elas lhe responderão. Seja humilde e tenha sensibilidade
para escutar e organizar suas idéias e ações, em função das três necessidades
básicas dos animais: alimentos de qualidade e em quantidade, saúde e
ambiente confortável.
21

2.4. Manejo de vacas em condição de alimentação no cocho

Em rebanhos confinados ou com a chegada da estação caracterizada


pelo frio na região sul e pela seca no centro do Brasil, quando as pastagens de
gramíneas forrageiras tropicais desaceleram o ritmo de crescimento, reduzindo
sua produção, o produtor assume a responsabilidade de fornecer a dieta dos
animais no cocho. A cana de açúcar e as silagens são as principais alternativas
utilizadas. Poderão ocorrer problemas de adaptação ao novo cardápio, quando
considerado o sistema de utilização de pastagens no período de verão. Nesse
caso, algumas medidas poderão ser tomadas para que essa transição seja o
menos traumática possível. São elas:
 fazer uma adaptação gradativa à nova dieta composta por cana de
açúcar ou silagens. Dá trabalho, por volta de 10 dias, mas os resultados
são compensadores. Lembre-se que a vaca é um animal que aprecia
muito a rotina. Qualquer mudança no seu dia a dia, é fonte de estresse;
 afiar constantemente as facas das máquinas picadoras de forragens
(processamento da cana de açúcar, no caso), buscando no material
picado, um tamanho de partícula não superior à 1 cm;
 dar preferência ao corte manual da cana de açúcar, que apesar de mais
trabalhoso, permite o despalhamento. A palhada cobrirá o solo,
mantendo o solo com mais umidade e o canavial livre da infestação por
plantas indesejáveis, ambos os aspectos, beneficiarão a rebrota. Em
relação aos animais, a despalha promoverá uma melhora no consumo
do material picado;
 caso seja feita apenas uma refeição (cana de açúcar ou silagens),
fornecê-la no final do período da tarde, em função do hábito de
alimentação do bovino que é noturno. Se forem dois os horário de
fornecimento, concentrar a maior proporção no final do período da tarde
(p.ex., 1/3 do total pela manhã e 2/3 à tarde). Esta estratégia de manejo é
especialmente importante na região central do País, visto que mesmo no
período de “inverno”, são registrados vários dias com temperaturas
elevadas (acima de 25ºC). O animal quando se alimenta, gera, de
imediato, calor. Caso a temperatura ambiente esteja próxima da
temperatura do animal, ele entrará em estresse térmico devido a
22
ineficiente dispersão do calor. Isto ocorre com freqüência quando o
animal alimenta-se durante o dia, principalmente no verão (temperaturas
mais elevadas). Se a alimentação for oferecida no final do período da
tarde, "boca da noite", o incremento calórico será "roubado" pelo
ambiente, durante a noite. No caso do fornecimento de cana de açúcar,
outro benefício do alimento chegar picado no início da noite, é a redução
dos problemas com infestação por abelhas no cocho. O processo
seguinte à alimentação que é a ruminação, também geradora de calor,
acabará ocorrendo na madrugada, permitindo a dispersão dessa
energia. O estresse térmico provoca redução no consumo de alimentos
e consequentemente, queda na produção de leite. Na tentativa de
recuperar o nível de produção, a estratégia mais usada pelos criadores,
é o aumento da quantidade de alimentos concentrados na dieta. As
conseqüências dessa medida podem ser analisadas sob dois aspectos:
econômico e zootécnico. No primeiro haverá um aumento no custo de
produção, reduzindo a margem de lucro ou ampliando o prejuízo. No
segundo, o aumento do uso de alimentos concentrados poderá levar o
animal, a apresentar distúrbios metabólicos leves como a queda no teor
de gordura do leite ou graves como a acidose, a laminite e o
deslocamento de abomaso;
 lembrar que a cana de açúcar deverá ser corrigida em seu teor de
proteína e minerais. Essa correção poderá ser feita com a mistura de
alimentos concentrados protêicos e/ou uréia, além dos minerais e
 limpar bem (não precisa lavar), o cocho antes de colocar o novo “trato”.
Tive a oportunidade de presenciar numa fazenda renomada, com
rebanho em confinamento total, vacas comendo com muita má vontade
uma silagem de milho de boa qualidade, pelo simples fato de ser rotina
na propriedade, o remonte de refeição nova sobre os restos de silagem
de dias anteriores. O odor de silagem apodrecida incumbia-se de reduzir
a ingestão do alimento.

A divisão de um rebanho leiteiro em grupos de animais com produção


semelhante, é o sistema mais utilizado na exploração de vacas leiteiras,
visando maior eficiência na utilização dos recursos produtivos e,
23
consequentemente, resultados econômicos positivos. Existem vantagens e
desvantagens deste sistema em relação ao sistema onde não há divisão.
Vantagens:
a) permite que as vacas movimentem-se durante a lactação de grupos
nutricionais mais exigentes (início da lactação), até os animais com
baixo nível de exigência (final de lactação);
b) permite que as vacas de menor produção, sejam alimentadas com
uma dieta de menor custo,
c) permite que as vacas pós-parto recebam uma dieta rica em energia,
capaz de minimizar o período de balanço energético negativo na
produção de leite, resultando também numa elevação na taxa de
concepção,
d) facilita a detecção de cio e
e) promove maior uniformidade na produção dentro dos grupos.
Desvantagens:
a) tempo e trabalho para periodicamente reagrupar os animais e
b) significativa queda na produção de leite ocorre quando as vacas são
alteradas de grupos, com dieta rica em energia, para grupos com
dieta menos energética.

Os critérios mais utilizados para promover o reagrupamento de animais


são:
a) estágio de lactação;
b) ordem de parição - necessidade adicional para vacas primíparas, que
ainda estão em crescimento e
c) condição corporal.

No caso de rebanhos confinados, é comum o uso de ração completa ou


total, havendo vantagens e desvantagens em relação ao fornecimento
separado do alimento volumoso em relação aos alimentos concentrados.
Vantagens:
a) ausência de escolha entre os alimentos (volumosos e concentrados),
resultando num consumo mais uniforme entre os animais;
b) redução de serviço (mão de obra) para alimentar os animais;
24
c) melhora a relação volumoso/concentrado que é ingerida pelo animal,
diminuindo ao riscos de distúrbios metabólicos, tal como acidose e
d) diminui a oscilação do pH, mantendo a flora microbiana mais estável,
possibilitando um melhor aproveitamento dos alimentos.
Desvantagens:
a) produções individuais diárias menores;
b) alto custo das carretas e caminhões misturadores de ração e
c) como os animais são divididos em grupos, como os grupos são
organizados através da média de produção de leite e como as dietas
são calculadas de acordo com as médias, haverão vacas
consumindo abaixo, o necessário e acima de suas exigências
nutricionais diárias. Reside neste fator, a necessidade do lote ser o
mais homogêneo possível, quanto a produção de leite.

2.5. Manejo de touros

As propriedades que optarem pela monta natural como método de


reprodução de seu rebanho bovino leiteiro, deverão ter em mente que esta
decisão trará dentre os prejuízos a não garantia de um processo de
melhoramento genético, pois o touro não possui teste de progênie. O fato de
ser filho de uma grande matriz produtora de leite e de ser campeão na
exposição da localidade, não lhe garante os atributos necessários para ser
considerado um melhorador. Por outro lado, o fato de deixar um touro solto no
meio da vacada, traz como benefício maior, a não perda de cios, fato
corriqueiro para quem opta pela inseminação artificial. O touro deverá estar o
tempo todo com as vacas, principalmente as recém paridas, inclusive quando
elas forem para a ordenha. Em vários países desenvolvidos na atividade
leiteira o touro entra inclusive, na sala de ordenha. Tudo isso visa a eficiência
reprodutiva máxima no rebanho.
Para se adquirir um touro algumas preocupações e algumas precauções
deverão ser tomadas:

 ser filho de touro provado - não garante qualidade ao tourinho, mas é uma
chance a mais de ter uma progênie melhorada;
25
 não possuir defeitos físicos graves tanto nos aprumos como nos cascos;
 ter libido - tourinho que fica à sombra enquanto a vaca no cio é rufiada
pelas companheiras não serve;
 estar livre de doenças infectocontagiosas
 realizar exame no esperma - averiguação de possíveis causas de
infertilidade
 ser jovem - dar preferência para tourinhos entre 2 e 3 anos de idade - são
mais leves e menores, são mais facilmente dominados e podem ser
vendidos para outros criadores após o tempo de uso

Com relação a este último fator (tempo de serviço), o tourinho deverá ser
substituído anualmente, pois como se trata de um animal não provado, ao final
de dez anos o resultado colhido será de cinco progênies boas e cinco gerações
a serem vendidas.
Outro esquema interessante é o de adquirir, anualmente, bezerros
recém nascidos de criatórios que utilizem a inseminação artificial com touros
provados a muito tempo e da mesma forma utilizá-los ao longo de 12 meses e
vendê-los posteriormente.
Em qualquer uma das situações descritas, os tourinhos com idade por
volta de um ano, deverão ser argolados, ou seja, deverão receber no focinho
uma argola, cuja função é a de dominá-lo. Isto é necessário dado à índole dos
bovinos leiteiros machos de origem européia, principalmente, os touros das
raças holandesa e jersey. Relatos de acidentes, inclusive fatais, são comuns no
meio rural. O tourinho deverá iniciar seu trabalho no rebanho por volta dos 18
meses, após ter sido feito o exame no esperma.
A proposta de monta natural controlada, onde o touro fica separado das
fêmeas e recebe a visita das vacas que estão em cio (detectado pelo ser
humano), não deve ser efetuada, pois, consegue agregar os dois defeitos da
monta natural: a qualidade da progênie ser uma "loteria" e a perda na detecção
de cios. Se é para se detectar a vaca em cio e levá-la ao touro, então é melhor
passar a inseminar o rebanho.
Caso a propriedade opte pela não criação das fêmeas, para obter uma
eficiência ainda maior na utilização da área da propriedade, pois só existiriam
vacas no rebanho, qualquer touro de qualquer raça (com exames,
evidentemente), poderá ser utilizado. Esta modalidade de criação deve ser
26
analisada, principalmente para propriedades com tamanho diminuto (menos de
5 ha). A função do touro, neste caso, será a de apenas gerar uma nova
gestação e consequentemente, uma nova lactação assim que a vaca parir,
podendo permanecer servindo o rebanho, por mais tempo. Será preciso no
entanto, que a propriedade tenha um esquema bem montado, de compra de
matrizes com fornecedores selecionados, definidos em função da seriedade
com que conduzem seus plantéis.

3. ESCRITURAÇÃO ZOOTÉCNICA

É impressionante o que tem de gente por este Brasil afora, que quando
o assunto é leite sai dando opinião, em geral negativa, sobre a atividade, sem
que sua afirmação seja baseada em informações corretas. Algumas dessas
opiniões beiram o preconceito: “produzir leite é coisa de pequeno” ou “de
pobre” ou “para mulher”, “não dá futuro prá ninguém”, “Deus que me livre
produzir leite”, “não tem coisa pior”, “produzo leite só para pagar as despesas
do sítio”, “só tiro leite porque não tenho o que fazer”.
O que incomoda nisso tudo é que quase todos os que falam mal e
também os que falam bem da atividade leiteira, não baseiam suas afirmações
em números. Falam movidos apenas pelo ódio e pela paixão. Você duvida
disso? Então responda. Quantas vacas foram ordenhadas hoje em sua
propriedade e qual a produção vendida? Quantas vacas secas você tem no
rebanho? e quantas novilhas e bezerras? Qual é o período de serviço do
rebanho? Qual é a produção média por lactação? Qual é o peso e a idade que
sua novilha atinge no momento do parto? Quantos hectares você tem de
pastagem, de cana de açúcar ou de milho para ensilagem? Qual é a lotação de
seus pastos? Qual é a fertilidade do seu solo - níveis de matéria orgânica,
fósforo (resina), cálcio, magnésio, potássio e CTC? Quanto você gastou no ano
passado com adubos, medicamentos, concentrados (ração), etc.? Qual é o seu
custo de produção? Qual é a sua margem de lucro? Se conseguiu responder
com exatidão as questões acima, meus parabéns! Você é um dos poucos que
poderá emitir uma opinião contraria ou favorável à atividade. Mas lembre-se
que o fato de controlar tudo, não o torna um produtor eficiente. Os controles
27
são ferramentas que devem ser usadas para detectar problemas, apontar
virtudes e tomar decisões de manejo.
Deixe de lado o comodismo, empunhe uma caneta e dedique um tempo,
diariamente, para relacionar tudo o que aconteceu com o rebanho, o que foi
gasto e o que foi recebido na propriedade. Pouco importa se os controles serão
realizados em cadernos, livros, fichas ou computador. O importante é que a
informação coletada seja confiável, que expresse a verdade. Não tente
enganar os outros maquiando os dados.

3.1. Coleta de Dados

Dentre os controles a serem efetuados pelo produtor de leite, existem


três grupos: os essenciais, os importantes e os desnecessários.
Para iniciar um trabalho em qualquer propriedade leiteira, será
fundamental implantar uma rotina de coleta de dados ESSENCIAIS (caso não
hajam), dos quais fazem parte os registros de:
análise do solo - anualmente (março/abril) amostre o solo que está
sendo trabalhado e envie-o a um laboratório que faça parte de um programa de
controle de qualidade de laboratórios.
identificação dos animais - numere-os com brincos e/ou coloque nome
nos animais. Dê preferência aos brincos, pois se só você conhecer as vacas
pelo nome e se você morrer...
nascimento - anote o dia do nascimento, o nº e/ou nome da mãe, o nº
e/ou nome da cria, o sexo da cria e algum comentário, se houver.
cobertura - anote a data da cobertura (monta natural ou inseminação
artificial), o nº e/ou nome da fêmea coberta, o nome do touro e algum
comentário, se houver.
controle leiteiro - é a pesagem (preferencialmente) ou a medição da
produção de leite, por animal, devendo ser realizada, no mínimo, uma vez ao
mês. Dois controles ao mês está ótimo e quatro (um por semana) é
desnecessário. Anote a data do controle, o nº e/ou nome da vaca, a produção
de leite na 1ª, na 2ª e se houver, na 3ª ordenha e alguma ocorrência que tenha
possa ter interferido na produção da vaca como, mastite, problema no casco,
cio, etc.
28
secagem das vacas - anote a data da secagem, o nº e/ou nome da
vaca secada e o tratamento efetuado.
peso dos animais em crescimento - anote a data da pesagem, o nº
e/ou nome do animal em crescimento e algum comentário se houver
necessidade. Caso não possua balança, compre uma fita para pesagem.
entrada e saída de animais - anote a data, o nº e/ou nome do animal
que for comprado, vendido, transferido a outra propriedade ou que tenha
morrido.
despesas e receitas - anote as datas de todas as despesas efetuadas e
de todas as receitas auferidas com a atividade leiteira. Se tiver preguiça de
fazer isto, peça nota fiscal em qualquer compra que realizar e junte tudo numa
caixa, que o técnico capacitado que o assiste, saberá organizar essas
informações.
A forma de coleta dos dados zootécnicos ou econômicos, não precisa
ser padronizada para todas as propriedades, ou seja, não há a necessidade de
se impor o mesmo padrão de procedimento a todas as propriedades assistidas.
O que deve existir, em todas elas, é o estabelecimento do conceito de
confiabilidade, relacionado às informações colhidas. Como sugestão para a
coleta dos dados zootécnicos essenciais são apresentadas um conjunto de
planilhas no anexo 1.
Compõe o grupo dos importantes os registros de: tamanho exato das
áreas a serem trabalhadas, adubações, quantidade de animais que entraram
no piquete, práticas agrícolas adotadas nas culturas forrageiras, arraçoamento,
peso dos animais adultos, fertilidade do sêmen, exames reprodutivos,
vacinações, controles de parasitos, tratamentos curativos e ocorrências gerais
com os animais, pluviosidade e temperaturas máxima e mínima.
Como exemplos de controles desnecessários podem ser citados o
controle leiteiro diário, a medição da altura das vacas, o consumo de volumoso
do rufião, etc.
No anexo 2, é sugerida uma ficha zootécnica para controle individual
dos animais do rebanho, contemplando as ocorrências reprodutivas, as
lactações e o controle ponderal das fêmeas em crescimento do nascimento até
a parição, além de um espaço para ocorrências extraordinárias. No anexo 3, é
apresentada uma ficha para avaliação individual da condição corporal, cascos,
úbere e aprumos dos animais do rebanho. No anexo 4 sugere-se uma planilha
29
para controle do estoque e fertilidade do sêmen adquirido para inseminação
artificial.

3.2. Conceitos Básicos

Seja qual for o sistema de produção de leite, alguns conceitos precisam


e devem ser compreendidos por todos que desejam atuar nesse ramo. Dentre
eles, o intervalo entre partos, a persistência da lactação, a composição e a
estruturação do rebanho, além da capacidade de lotação de uma propriedade
leiteira são conhecimentos imprescindíveis para que se tenha uma atividade
leiteira rentável.

3.2.1. Intervalo entre Partos (unidade - dias) - O intervalo entre partos


(IP) é o tempo decorrido de um parto até o próximo, podendo ser expresso em
meses (mais comum) ou em dias. Deve-se ter por objetivo, um IP de 12 meses.
O IP é decisivamente influenciado (80 a 90 %) pela nutrição do animal,
ou seja, vacas mal nutridas dificilmente terão condição de apresentar eficiência
reprodutiva. A correta nutrição de uma vaca no período que antecede ao parto
(pré parto) e em vacas recém paridas, trarão como benefícios:
 maior produção de leite, uma vez que no início da lactação (até  120
dias), a vaca leiteira é mais eficiente na conversão de alimentos em
leite.
 cobertura e concepção dentro de 30 a 90 dias após o parto,
permitindo a obtenção de um período de serviço (tempo que vai do
parto até a cobertura fértil), capaz de manter o IP em 12 meses, uma
vez que o período de gestação dos bovinos é de 282 ou 283 dias.
 redução no número de partos problemáticos e complicações futuras
como retenção de placenta, febre do leite, cetose e síndrome da vaca
gorda.

3.2.2. Persistência de Lactação (unidade - %) - pode ser definida como


a constância na produção de leite durante a lactação. É medida pela taxa de
30
queda na produção de leite após o pico de produção (por volta de 60 dias pós
parto), sendo uma das características que fazem parte do conceito de vaca
leiteira especializada. A porcentagem de persistência de lactação é obtida
dividindo a produção de leite do mês atual, pela produção de leite do mês
anterior (passado o pico de produção), multiplicando o resultado por 100. Caso
tenha ocorrido qualquer problema de saúde com o animal ou ele esteja no cio
no dia do controle leiteiro, essa medida deve ser desconsiderada. O objetivo é
que o rebanho apresente uma alta persistência, ou seja, acima de 90%. Isto
significa que após o pico de produção, a queda mensal na produção de leite
deverá ser de no máximo, 10%. O ideal é ter vacas que no momento da
secagem (10º mês de lactação), estejam produzindo 60% do leite medido no
pico da lactação, o que eqüivaleria a uma persistência de 94%. Por exemplo,
uma vaca para ser considerada persistente e que tenha produzido 30 kg de
leite no pico da lactação, deverá estar produzindo no 10º mês, 18 kg de leite.

As vacas quanto a esta característica podem ser assim classificadas:


 persistentes - acima de 94 %
 alta persistência - de 90 a 94 %
 média persistência - de 80 a 90 %
 baixa persistência - abaixo de 80 %

Persistência elevada significa período de lactação longo, porém, o


contrário pode não ser verdadeiro. Pode-se ter vacas com período de lactação
longo e persistência de lactação média (80 a 90%) ou baixa (menos de 80%).
Já período de lactação curto significa baixa persistência de lactação.
É uma característica com herdabilidade alta, ou seja, as filhas terão uma
elevada probabilidade de apresentar desempenho semelhante à mãe.
Existem três possibilidades de alterar-se a persistência de lactação num
rebanho:
1. Utilização da inseminação artificial - processo acessível técnica e
economicamente, via uso de semens de touros provados por testes
de progênie, mas lento em seus resultados, que somente serão
notados em gerações futuras.
2. Transferência de embriões - processo acessível tecnicamente, mas
de custo elevado. Utilizando o rebanho existente como receptor, em
31
uma geração esta característica negativa (baixa ou média
persistência de lactação) estará equacionada.
3. Seleção dos animais - descarte de vacas com esta característica
negativa e aquisição de matrizes, sabidamente, de elevada
persistência de lactação. A viabilidade técnico-econômica dependerá
da seleção dos animais a serem vendidos e da competência no
momento da compra.

No anexo 5, é apresentada uma fórmula para cálculo da persistência da


lactação de uma vaca de acordo com sua produção no pico da lactação,
produção na secagem e duração da lactação. Esta fórmula foi desenvolvida
pelo engenheiro agrônomo Fernando Levatti da Casa da Agricultura de
Rinópolis, SP, sendo denominada de Fórmula Levatti.
Nos quadros 1, 2 e 3, a seguir, são apresentadas várias simulações,
comparando-se diferentes intervalos entre partos e persistências de lactação.
32

Quadro 1 - Diferenças entre vacas de mesma produção em 305 dias e mesma


persistência de lactação (90 %), alterando o intervalo entre partos
(IP) e o período de lactação (PL), durante vida útil de 6 anos (72
meses).

VIDA IP 12 IP 15 IP 18 IP 24
ÚTIL ( PL 10 ) ( PL 13 ) ( PL 16 ) ( PL 22 )
PRODUÇÃO DE LEITE (kg)
( mês ) (persistência de lactação = 90 %)
1 15,0 15,0 15,0 15,0
2 20,0 20,0 20,0 20,0
3 18,0 18,0 18,0 18,0
4 16,2 16,2 16,2 16,2
5 14,6 14,6 14,6 14,6
6 13,1 13,1 13,1 13,1
7 11,8 11,8 11,8 11,8
8 10,6 10,6 10,6 10,6
9 9,5 9,5 9,5 9,5
10 8,6 8,6 8,6 8,6
11 descanso 7,7 7,7 7,7
12 descanso 6,9 6,9 6,9
13 15,0 6,2 6,2 6,2
14 20,0 descanso 5,6 5,6
15 18,0 descanso 5,0 5,0
16 16,2 15,0 4,5 4,5
17 14,6 20,0 descanso 4,1
18 13,1 18,0 descanso 3,7
19 11,8 16,2 15,0 3,3
20 10,6 14,6 20,0 3,0
21 9,5 13,1 18,0 2,7
22 8,6 11,8 16,2 2,4
23 descanso 10,6 14,6 descanso
24 descanso 9,5 13,1 descanso
25 15,0 8,6 11,8 15,0
26 20,0 7,7 10,6 20,0
27 18,0 6,9 9,5 18,0
28 16,2 6,2 8,6 16,2
29 14,6 descanso 7,7 14,6
30 13,1 descanso 6,9 13,1
31 11,8 15,0 6,2 11,8
32 10,6 20,0 5,6 10,6
33 9,5 18,0 5,0 9,5
34 8,6 16,2 4,5 8,6
35 descanso 14,6 descanso 7,7
36 descanso 13,1 descanso 6,9

Quadro 1 - continuação ...


33

VIDA IP 12 IP 15 IP 18 IP 24
ÚTIL ( PL 10 ) ( PL 13 ) ( PL 16 ) ( PL 22 )
PRODUÇÃO DE LEITE (kg)
( mês ) (persistência de lactação = 90 %)
37 15,0 11,8 15,0 6,2
38 20,0 10,6 20,0 5,6
39 18,0 9,5 18,0 5,0
40 16,2 8,6 16,2 4,5
41 14,6 7,7 14,6 4,1
42 13,1 6,9 13,1 3,7
43 11,8 6,2 11,8 3,3
44 10,6 descanso 10,6 3,0
45 9,5 descanso 9,5 2,7
46 8,6 15,0 8,6 2,4
47 descanso 20,0 7,7 descanso
48 descanso 18,0 6,9 descanso
49 15,0 16,2 6,2 15,0
50 20,0 14,6 5,6 20,0
51 18,0 13,1 5,0 18,0
52 16,2 11,8 4,5 16,2
53 14,6 10,6 descanso 14,6
54 13,1 9,5 descanso 13,1
55 11,8 8,6 15,0 11,8
56 10,6 7,7 20,0 10,6
57 9,5 6,9 18,0 9,5
58 8,6 6,2 16,2 8,6
59 descanso descanso 14,6 7,7
60 descanso descanso 13,1 6,9
61 15,0 15,0 11,8 6,2
62 20,0 20,0 10,6 5,6
63 18,0 18,0 9,5 5,0
64 16,2 16,2 8,6 4,5
65 14,6 14,6 7,7 4,1
66 13,1 13,1 6,9 3,7
67 11,8 11,8 6,2 3,3
68 10,6 10,6 5,6 3,0
69 9,5 9,5 5,0 2,7
70 8,6 8,6 4,5 2,4
71 descanso 7,7 descanso descanso
72 descanso 6,9 descanso descanso

No quadro 2, utilizando-se os resultados obtidos no quadro 1, são


apresentados resultados que comprometem a eficiência econômica da
atividade, considerando um rebanho composto por 30 vacas e um preço do litro
de leite recebido pelo produtor de R$ 0,40.
34
Quadro 2 - Diferenças quanto ao intervalo entre partos (IP) no resultado
zootécnico e econômico da atividade leiteira de uma propriedade
com 30 vacas.
INTERVALO ENTRE PARTOS
ITENS (meses)
12 15 18 24
vida útil (anos) 6 6 6 6
vida útil (meses) 72 72 72 72
duração da lactação (meses) * 10 13 16 22
duração da lactação (dias) 305 396 488 671
persistência de lactação (%) 90 90 90 90
produção de leite na vida útil (kg) ** 25.080 23.180 21.080 17.700
produção por lactação (kg) ** 4.180 4.830 5.270 5.900
média de produção na lactação (kg/dia) ** 13,7 12,2 10,8 8,8
produção por dia de IP (kg/dia) 11,4 10,6 9,6 8,1
nº de crias 6 4,8 4 3
diferença em kg para vaca eficiente em 6 anos ----- 1.900 4.000 7.380
diferença em kg para vaca eficiente por ano ----- 317 667 1.230
preço do litro de leite (R$ / l) *** 0,40 0,40 0,40 0,40
diferença em R$ para a vaca eficiente por ano ----- 126,00 266,00 492,00
rebanho com 30 vacas (R$ / ano) ----- 3.780,00 7.980,00 14.760,00
diferença em nº de crias / vaca em 6 anos ----- 1,2 2 3
diferença em nº de crias por rebanho em 6 anos ----- 36 60 90
diferença em nº de crias por rebanho por ano ----- 6 10 15
diferença em fêmeas (macho s/ valor comercial) ----- 3 5 7
valor médio de cada fêmea (R$) **** 600,00 600,00 600,00 600,00
diferença em R$/ano para rebanho eficiente ----- 1.800,00 3.000,00 4.200,00
diferença total em R$/ ano (leite e animais) ----- 5.580,00 10.980,00 18.960,00
deixou de ganhar por mês (R$) ----- 465,00 915,00 1.580,00
* período de descanso de 2 meses antes da próxima parição
** dados obtidos no quadro 1
*** preço considerado do litro de leite
**** valor médio de fêmeas de várias idades

No quadro 3, para diferentes persistências de lactação, em animais com


mesma produção inicial de leite e considerando um rebanho composto por 30
vacas e um preço do litro de leite recebido pelo produtor de R$ 0,40, são
apresentados resultados que poderão comprometer a viabilidade econômica da
atividade.

Quadro 3 - Diferenças quanto a persistência de lactação no resultado


zootécnico e econômico da atividade leiteira de uma propriedade
com 30 vacas.
MÊS PERSISTÊNCIA DE LACTAÇÃO (%)
DE 94 90 80 70
35
LACTAÇÃO (persistente) (alta) (média) (baixa)
PRODUÇÃO DE LEITE (kg)
1º 15,0 15,0 15,0 15,0
2º 20,0 20,0 20,0 20,0
3º 18,8 18,0 16,0 14,0
4º 17,7 16,2 12,8 9,8
5º 16,6 14,6 10,2 6,9
6º 15,6 13,1 8,2 4,8
7º 14,7 11,8 6,6 3,4
8º 13,8 10,6 5,3 2,4
9º 13,0 9,5 4,2 1,7
10º 12,2 8,6 3,4 1,2
média mensal 15,7 13,7 10,2 7,9
total em 305 dias 4.790 4.180 3.110 2.410
diferença em kg de leite para ----- 610 1.680 2.380
a vaca persistente
diferença em R$ * para ----- 244,00 672,00 952,00
a vaca persistente
diferença em R$ para rebanho ----- 7.320,00 20.612,00 28.560,00
com 30 vacas
deixou de ----- 610,00 1.717,00 2.380,00
ganhar / mês (R$)
* preço considerado do litro de leite (R$ 0,40)
36

3.2.3. Composição do Rebanho (unidade - %) - indica a relação entre


animais produtivos e improdutivos existentes no rebanho. O ideal é que o
plantel seja composto por 65 a 70 % de vacas e 30 a 35 % de fêmeas em
crescimento. Esse índice dependerá da eficiência reprodutiva, da persistência
de lactação, da idade da primeira parição das novilhas, da quantidade de
fêmeas em crescimento e da criação de machos (bezerros, garrotes e touros)
na propriedade. Esse índice pode variar de 100 %, como em propriedades na
Califórnia, na Nova Zelândia e na Argentina, onde só existem vacas na fazenda
leiteiras, até valores de 35% em propriedades ineficientes, que possuem
grande quantidade de animais não produtivos, como os machos leiteiros.

3.2.4. Estruturação do Rebanho ou Uniformização de Parições -


representa a quantidade de parições ao longo do ano, devendo haver uma
distribuição homogênea, mês a mês. Por exemplo, num rebanho composto por
36 vacas, deve-se esperar pela parição de 3 vacas por mês. O atraso na
cobrição de vacas NÃO deverá ser usado para estruturar um rebanho
desequilibrado, sob pena de reduzir a eficiência reprodutiva (aumento do
período de serviço). Para uniformizar as parições mês a mês, pode-se utilizar
as novilhas, atrasando ou adiantando sua entrada na vida reprodutiva, ou a
compra estratégica de novilhas e/ou vacas prenhes, para parir em meses onde
haja deficiência de partos e consequentemente, menor produção de leite,
afetando o fluxo de caixa (queda na receita).

3.2.5. Capacidade de Suporte - a capacidade de suporte de uma


propriedade é o reflexo das técnicas usadas para o aproveitamento do
potencial produtivo da base física. A quantidade de matéria seca (MS) de
volumoso produzida por área, seja de pastagens, canaviais ou de áreas para a
confecção de silagens e fenos deverá ser considerada. As áreas destinadas à
criação das bezerras e novilhas, bem como os espaços ocupados pelas
benfeitorias utilizadas pelo rebanho leiteiro também deverá ser considerado.
Some-se a isso a quantidade de vacas existentes e a porcentagem de vacas
em lactação e será possível definir a capacidade de suporte de uma
propriedade leiteira.
37

3.3. Índices Zootécnicos

“Na análise de uma exploração de vacas para a produção de leite, deve-


se procurar estabelecer índices de produtividade, porque somente através
deles, torna-se possível elaborar uma apreciação técnica da atividade. A
simples análise de despesas e receitas pode não ser capaz de revelar os
fatores determinantes do sucesso ou fracasso da fazenda produtora. Além do
estabelecimento dos índices, é também extremamente importante que se faça
um avaliação dos mesmos, de maneira a caracterizar o sistema. Os índices
refletem a tecnologia aplicada na fazenda. Deve-se implantar um programa
efetivo e dinâmico de coleta e análise de dados.” (de Faria e Corsi, 1.988)
A necessidade de avaliação permanente da viabilidade econômica das
atividades desenvolvidas na propriedade leiteira, torna imperiosa a adoção de
uma escrituração tanto zootécnica, quanto econômica, eficaz. Muitas
propriedades leiteiras implantam sistemas bem sucedidos de coleta de dados,
no entanto, não utilizam as informações geradas da maneira mais apropriada,
deixando de analisar e extrair dos dados, subsídios para tomada de decisão.
Esta é a função dos índices zootécnicos e econômicos.
O técnico deverá ter em mente, que o sucesso da atividade
agropecuária, dependerá de uma gestão eficiente dos recursos existentes.
Entenda-se por gestão eficiente, não apenas a utilização de tecnologia mais
adequada, mas também a implantação de uma gestão financeira e
administrativa fundamentada em índices zootécnicos. A medida que o técnico
começa a utilizar índices para avaliar a estrutura de produção, ele cria padrões
que poderão ser comparados com números publicados ou índices ideais,
desde que não infrinjam as leis da economia. Através dessas comparações, o
técnico será capaz de detectar problemas, apontar virtudes e fazer progresso.
Quando uma propriedade solicitar a assistência de um técnico, este
deverá proceder a um levantamento do estado atual, sistematizando as
informações, a fim de numa análise criteriosa, chegar a conclusões sobre os
pontos de estrangulamento da produção leiteira. O trabalho inicial de
caracterização de problemas, onde são levantados todos os dados e a análise
38
posterior dos mesmos, possibilitarão a programação de atividades capazes de
alterar a situação, visando a maior rentabilidade.
Os índices zootécnicos podem ser divididos em dois grupos, os
essenciais e os importantes.

3.3.1. Essenciais

. % de vacas em lactação - define a quantidade de “máquinas” que


estão trabalhando na empresa, de acordo com a eficiência reprodutiva e a
persistência de lactação do rebanho. É obtida dividindo-se a quantidade de
vacas em lactação pela quantidade total de vacas no rebanho, multiplicando o
resultado por 100. Pode ser obtido também, ao dividir o período de lactação
(meses), pelo intervalo entre partos (meses), multiplicando o resultado por 100.
O ideal é atingirmos entre 83 e 85% de vacas em lactação (% VL).

% VL = PL . 100
IP

A combinação desses dois índices zootécnicos, PL e IP, indica a


situação do sistema produtivo de cada fazenda, apontando virtudes ou
mostrando a gravidade do problema, quando o rebanho for constituído por
vacas de persistência média ou baixa e/ou apresenta problemas reprodutivos.
Como a maioria das propriedades leiteiras do Brasil, não tem a menor idéia de
qual seja o período de serviço de suas vacas e consequentemente, o intervalo
entre partos, e desconhece o conceito de persistência de lactação, a % VL
pode auxiliar técnicos e produtores na diagnose da situação. Muitos produtores
baseiam suas ações comparando seus índices com a média brasileira. No
entanto, esta é tão baixa, que poderá levá-lo a uma ilusória sensação de
progresso. Assim, no caso do intervalo entre partos, a estimativa é que no
Estado de São Paulo, seja algo em torno de 18 meses e o período de lactação
da ordem de 6 a 7 meses. A constatação no campo, mostra rebanhos com 30 a
40 % de vacas em lactação, ratificando estas estimativas. No quadro 4, são
apresentadas algumas interações entre o período de lactação e o intervalo
entre partos, resultando em várias % VL. O ideal é alcançar 83 % de VL, com
PL de 10 meses com persistência e IP de 12 meses.
39

Quadro 4 - Interação entre o período de lactação e o intervalo entre partos,


determinando a % de vacas em lactação no rebanho.
Intervalo VACAS EM LACTAÇÃO (%)
entre Período de Lactação (meses)
Partos 10 9 8 7 6
12 83 75 67 58 50
13 77 69 62 54 46
14 71 64 57 50 43
15 67 60 53 47 40
16 62 56 50 44 37
17 59 53 47 41 35
18 56 50 44 39 33
19 53 47 42 37 32
20 50 45 40 35 30

Em qualquer atividade econômica, o não uso de toda a capacidade


produtiva instalada, criará dificuldades que poderão resultar no fracasso do
negócio. No quadro 5, são feitas algumas simulações com rebanhos contendo
a mesma quantidade de vacas e médias idênticas de produção individual,
porém diferentes % de vacas em lactação.

Quadro 5 - Diferenças quanto à % de vacas em lactação, influenciando no


resultado zootécnico e econômico da atividade leiteira.
ITENS % VACAS EM LACTAÇÃO
83 70 60 40
vacas em lactação (rebanho com 30 vacas) 25 21 18 12
média diária por vaca (kg) 10 10 10 10
produção diária na fazenda (kg) 250 210 180 120
diferença em produção (kg/dia) para o ideal ----- 40 70 130
preço considerado do litro de leite (R$) 0,40 0,40 0,40 0,40
diferença em R$ / dia para o ideal ----- 16,00 28,00 52,00
deixou de ganhar por mês (R$) ----- 480,00 840,00 1.560,00

. vacas em lactação por unidade de área (nº/ha) - define a eficiência


de ocupação de toda a área destinada à atividade leiteira, aliando eficiência
reprodutiva, persistência de lactação e composição do rebanho.
Este índice é obtido dividindo-se o número de vacas em lactação pela
quantidade de área total destinada à atividade leiteira, lembrando que a lotação
da área utilizada é dada em Unidade Animal (UA), que significa um animal com
40
peso vivo equivalente a 450 kg. Nos casos apresentados nos quadros 6 e 7,
considerou-se que 1 vaca leiteira eqüivaleu a 1,2 UA, ou seja, pesando algo em
torno de 540 kg.
Não existe um número ideal para este índice, devendo-se buscar
resultados cada vez mais expressivos, mas se for obtido algo entre 5 a 6 vacas
em lactação/ha, já estará ótimo.
“A interação entre a quantidade de vacas em lactação por hectare e o
nível de produção das vacas mantidas no sistema, revela que resultados muito
diferentes podem ser obtidos de fazendas aparentemente iguais, onde o nível
de lotação e produção por vaca, são exatamente os mesmos.” (de Faria e da
Silva, 1.995)
Os potenciais de produção apresentados nos quadros 6 e 7, mostram
esta interação entre esses dois índices.
41

Quadro 6 - Quantidade de vacas em lactação por hectare em função da


capacidade de suporte de toda a área utilizada pelo rebanho
leiteiro, da composição do rebanho e da % de vacas em lactação.
LOTAÇÃO % DE VACAS NO REBANHO
40 50 60 70
DA ÁREA
Nº DE VACAS EM LACTAÇÃO / ha
(UA/ha) *
40 % de vacas em lactação **
2 0,3 0,3 0,4 0,5
5 0,7 0,8 1,0 1,2
10 1,3 1,7 2,0 2,3
12 1,6 2,0 2,4 2,8
15 2,0 2,5 3,0 3,5
55 % de vacas em lactação **
2 0,4 0,5 0,6 0,6
5 0,9 1,1 1,4 1,6
10 1,8 2,3 2,7 3,2
12 2,2 2,7 3,3 3,8
15 2,7 3,4 4,1 4,8
70 % de vacas em lactação **
2 0,5 0,6 0,7 0,8
5 1,2 1,5 1,7 2,0
10 2,3 2,9 3,5 4,1
12 2,8 3,5 4,2 4,9
15 3,5 4,4 5,2 6,1
85 % de vacas em lactação **
2 0,6 0,7 0,8 1,0
5 1,4 1,8 2,1 2,5
10 2,8 3,5 4,2 5,0
12 3,4 4,2 5,1 5,9
15 4,2 5,3 6,4 7,4
* 1 UA (Unidade Animal) igual a um animal com peso vivo de 450 kg
** 1 vaca = 1,2 UA
42
Quadro 7 - Potencial produtivo de sistemas que usam diferentes lotações e
vacas de produções distintas, expresso em kg de leite / ha / ano.
MÉDIA DA PRODUÇÃO
LOTAÇÃO VACAS (kg de leite/vaca/dia)
10 15 20 25
DA ÁREA EM
POTENCIAL DE PRODUÇÃO (kg de leite/ha/ano)
(UA/ha) LACTAÇÃO
2 0,3 (1) 1.090 1.640 2.190 2.740
2 0,5 (2) 1.820 2.740 3.650 4.560
2 0,7 (3) 2.550 3.830 5.110 6.390
2 1,0 (4) 3.650 5.470 7.300 9.120
5 0,7 (1) 2.550 3.830 5.110 6.390
5 1,1 (2) 4.010 6.020 8.030 10.040
5 1,7 (3) 6.200 9.310 12.410 15.510
5 2,5 (4) 9.120 13.690 18.250 22.810
10 1,3 (1) 4.740 7.120 9.490 11.860
10 2,3 (2) 8.390 12.590 16.790 20.990
10 3,5 (3) 12.770 19.160 25.550 31.940
10 5,0 (4) 18.250 27.370 36.500 45.620
12 1,6 (1) 5.840 8.760 11.680 14.600
12 2,7 (2) 9.850 14.780 19.610 24.640
12 4,2 (3) 15.330 22.990 30.660 38.320
12 5,9 (4) 21.530 32.300 43.070 53.840
15 2,0 (1) 7.300 10.950 14.600 18.250
15 3,4 (2) 12.410 18.610 24.820 31.020
15 5,2 (3) 18.980 28.470 37.960 47.450
15 7,4 (4) 27.010 40.510 54.020 67.520
(1) 40% de vacas no rebanho e 40% de vacas em lactação
(2) 50% de vacas no rebanho e 55% de vacas em lactação
(3) 60% de vacas no rebanho e 70% de vacas em lactação
(4) 70% de vacas no rebanho e 85% de vacas em lactação

Em geral, um sistema de produção é rotulado de eficiente ou não em


função de uma só tecnologia implementada. Isto ocorre freqüentemente
quando se utiliza o pasto como base do sistema. No entanto, somente a
análise da lotação das pastagens não permite caracterizá-lo com sendo ou não
eficiente e rentável. Acompanhe o exemplo extraído dos quadro 6 e 7:
(a) propriedade com lotação de 2 UA/ha, com vacas eqüivalendo a 1,2
UA, 70 % de vacas no rebanho, 85 % de VL e média de produção
diária de 25 kg de leite, resultará numa produtividade de 9.120 kg de
leite/ha/ano.
(b) propriedade altamente eficiente no uso do recurso pastagens,
obtendo lotação média de 15 UA/ha, com vacas apresentando o
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mesmo peso vivo que o exemplo anterior, mas que tenha um rebanho
composto por apenas 40 % de vacas e destas somente 40 %, estejam
em lactação, produzindo diariamente 10 kg de leite por animal,
resultará numa produtividade de 7.300 kg de leite/ha/ano.

. produção de leite por dia de intervalo entre partos (kg leite / dia de
IP) - mede a eficiência reprodutiva, a capacidade de produção de leite e a
persistência de lactação. O ideal, em relação a valores de produção, não
existe, dependendo do tipo de sistema que as vacas estão sendo criadas. É
obtido dividindo-se a produção registrada na lactação, pelos dias de intervalo
entre o parto que gerou essa produção leiteira e o parto seguinte. O ideal é que
a produção de leite por dia de intervalo entre partos seja de 83% da produção
de leite registrada na lactação.
. produtividade da terra (kg leite / ha / ano) - este índice aliado à
margem de lucro, permite que a atividade leiteira seja comparada à outras
atividades agropecuárias. É obtido dividindo-se o leite produzido no ano pela
quantidade de área destinada à atividade leiteira (pastagens para vacas,
novilhas e bezerras; área destinada à culturas forrageiras como cana de
açúcar, silagens, fenos; área das instalações, corredores e estradas). O ideal
não existe, devendo-se buscar a maior produtividade possível, desde que
rentável.
. produtividade da terra + equivalente leite (kg leite / ha / ano) - este
índice se aliado à margem de lucro, permite que a atividade leiteira seja
comparada à outras atividades agropecuárias. É obtido somando-se o leite
produzido ao valor de venda dos animais transformado em leite, dividindo-se o
valor relativo à comercialização pelo valor do litro de leite no mês da venda dos
animais. A soma resultante será dividida pela quantidade de área destinada à
atividade leiteira (pastagens para vacas, novilhas e bezerras; área destinada à
culturas forrageiras como cana de açúcar, silagens, fenos; área das
instalações, corredores e estradas). O ideal não existe, devendo-se buscar a
maior produtividade possível, desde que rentável.
. período de serviço (dias) - é o tempo entre o parto e o
estabelecimento de nova gestação. O ideal como média de rebanho são 83
dias. A soma do período de serviço com o período de gestação, que gira em
torno de 282 - 283 dias, nos leva a um intervalo entre partos de 12 meses. A
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vantagem do período de serviço é que ele mede o presente, enquanto o
intervalo entre partos, o passado. Para auxiliar a busca pela eficiência
reprodutiva com o objetivo de atingir o Período de Serviço ideal, é apresentado
no anexo 6, um quadro circular para gerenciamento dinâmico da reprodução
do rebanho leiteiro.

3.3.2. Importantes

. média de produção de leite por vaca em lactação (kg leite / vaca /


lactação) - este índice envolve o leite produzido individualmente dividido pelo
período de lactação (dias). A comparação entre vacas é feita considerando a
lactação em 305 dias. Se maior que este período, desconsiderar o excedente.
Se menor, corrigir a produção para 305 dias, apenas no caso da vaca ter sido
secada devido à proximidade do novo parto, por ter apresentado uma
reprodução muito eficiente. Neste caso, a vaca não pode ser punida por ter
sido eficiente. Para ajustar a produção de leite para 305 dias, utilizar o fator de
correção apresentado no anexo 7, bastando multiplicar a produção obtida na
lactação, pelo fator de ajuste, em função do período de lactação e da idade do
animal. A tabela do anexo 7, serve também para projetar para 305 dias,
lactações em andamento. No caso do animal não atingir os 305 dias de
lactação e ter secado não por estar a 60 dias da nova parição e sim por
apresentar período de lactação curto e consequentemente, baixa persistência
de lactação, a produção NÃO deve ser corrigida para os 305 dias.
. peso e idade à primeira cobrição (kg e meses) - serve para definir o
momento da primeira cobrição através das pesagens mensais das fêmeas em
crescimento. O ritmo de crescimento dependerá do tipo de sistema de criação
das novilhas, da capacidade de promover um ganho de peso acelerado após a
determinação da gestação e da estruturação do rebanho, ou seja, se houver
necessidade de parições em um dado mês a cobrição das novilhas poderá ser
atrasada (mais comum) ou adiantada, buscando estabelecer um número de
partos equilibrado ao longo do ano.
. peso e idade no primeiro parto (kg e meses) - define o futuro da
matriz. Se mal criada após o estabelecimento da gestação, não conseguirá
desempenhar suas funções após o parto. A primípara sofre um desgaste
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excessivo, pois além do estresse do parto, precisa produzir leite (prioridade dos
mamíferos para manutenção da espécie), voltar a ciclar, ganhar peso e
continuar crescendo. Mal alimentada ela paralisa seu crescimento, não
consegue ganhar peso, não retorna ao cio e produz pouco leite. Em
contrapartida, se parir com peso adequado, conseguirá ter uma performance
positiva em todos os quesitos.
. taxa de mortalidade (%) - define a quantidade de animais que
morreram num período de 12 meses, podendo ser dividido por categorias:
bezerras, novilhas e vacas. O ideal é não haver ocorrências dessa espécie,
mas o aceitável é uma taxa de mortalidade de até 5, 2 e 1%, respectivamente
para as categorias acima mencionadas.
. taxas de aborto e natimorto (%) - este índice pode apontar problemas
de sanidade e manejo. O ideal novamente é que não existam tais problemas,
mas o aceitável deve situar-se abaixo de 5% em ambos os casos.
. taxas de problemas com a sanidade (%) - pode apontar problemas
de nutrição, manejo e sanidade do rebanho como retenção de placenta,
mastite, cascos, febre do leite, acidose, laminite, anaplasmose e piroplasmose,
etc. O ideal evidentemente, é que não ocorram tais problemas.
. taxa de descarte involuntário (%) - define a quantidade de animais
que estão sendo comercializados porque apresentaram algum problema
adquirido, como mastite levando à perda de quarto(s) funcional(is), problema
com casco(s) ou acidentes de toda natureza. O ideal evidentemente, é que
este índice seja igual a zero, mas abaixo de 5% é aceitável.
. taxa de descarte voluntário (%) - define a quantidade de animais que
estão sendo comercializados por terem sido selecionados devido a seu
desempenho produtivo e/ou reprodutivo. O ideal é apresentar uma taxa entre
20 a 25%.
A venda de animais é uma ferramenta de manejo espetacular, pois ao
mesmo tempo que gera recursos, reduz a necessidade de alimentos e trabalho,
além de promover uma “limpeza” no rebanho. A época ideal para a venda de
animais para reprodução vai de final de fevereiro até início de agosto, estando
ligada à melhor remuneração do leite. A comercialização de animais neste
período, gera capital que poderá ser utilizado tanto na aquisição de
ingredientes para a alimentação concentrada, como na compra de fertilizantes
a serem aplicados nas pastagens e culturas forrageiras, para que ambos,
46
rebanho e plantas forrageiras, não sofram com a falta de algum insumo devido
às oscilações de preço existentes no mercado em função da lei da oferta e da
procura. Admitindo que o produtor não deu ouvidos ao vizinhos que o
chamaram de louco por estar vendendo algumas vacas, justamente na época
do ano onde historicamente o preço do leite dá sinais de elevação (março a
junho) e algumas bezerras e novilhas, desfazendo-se do “futuro” do seu
rebanho, são apresentados alguns critérios para a seleção de vacas, bezerras
e novilhas.

3.3.3. Critérios para a Seleção de Vacas

Os critérios para a seleção de vacas estão listados a seguir:


. produção de leite - vacas com produção abaixo da média do rebanho.
Há a necessidade de se estabelecer uma rotina de pesagem do leite de cada
vaca pelo menos uma vez ao mês (controle leiteiro). Se não houver balança,
deve-se medir o leite no balde graduado, não esquecendo de remover a
espuma antes da leitura. Anotar o nome ou número da vaca, a produção de
leite e o dia do controle.
. reprodução - animais com dificuldade para emprenhar devido a
problemas reprodutivos. O ideal é que tenhamos a colheita de um bezerro ao
ano. Neste caso, o período de serviço (tempo que vai da parição até o
estabelecimento da prenhez), deverá ser de 83 dias já que a média das
gestações é de 282 dias. A soma de ambos é igual a 365 dias. Um técnico
especializado (médico veterinário) deverá ser consultado para definir se o
problema está na forma de criação do rebanho ou é um problema específico
daquele animal.
. persistência de lactação - animais com baixa persistência de
lactação, ou seja, que apresentem queda acentuada na produção de leite mês
a mês, sem que tenha havido algum problema na alimentação. Vacas de baixa
persistência de lactação apresentam curto período de lactação secando entre o
5º e o 9º mês. O contrário, no entanto, pode não ser verdade, ou seja, uma
vaca com período de lactação de 10 ou mais meses não significa
necessariamente que tenha elevada persistência de lactação (ver item 3.2.2.).
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. ordem de lactação - vacas que já passaram da 6ª lactação. Nas vacas
de primeira lactação (denominadas primíparas ou popularmente “novilhas”) a
produção é em média 20% inferior a da idade adulta (3ª lactação). Na segunda
lactação a diferença cai para algo em torno de 10%. A produção mantém-se na
plenitude durante a 3ª, 4ª e 5ª lactações. A partir da 6ª lactação começa a
ocorrer um declínio na produção de leite do animal.
. problemas físicos - vacas que apresentem dificuldade ao caminhar
(problema nos cascos, aprumos, lordose, xifose); úberes descompensados
e/ou pendulosos, devido a infecções adquiridas ou ligamentos fracos; quartos
perdidos (“tetos perdidos”); estrutura corporal débil; desproporcionalidade e
temperamento agitado.
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METAS A SEREM ALCANÇADAS

PELO

PRODUTOR DE LEITE PROFISSIONAL

Período
Período de Lactação ( PERSISTÊNCIA acima de 94 % ) de
Descanso
10 meses 2 meses

 parição parição 
1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º

Período de Serviço Período de Gestação


3 meses 9 meses
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4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

de FARIA, V.P. e CORSI, M. Índices de produtividade em gado leiteiro.


Produção de Leite: Conceitos Básicos, FEALQ, Piracicaba, SP, p. 23-44.
1988.

de FARIA, V.P. Momento de reflexão, hora de decisão. Editorial, Balde Branco,


São Paulo, 337, novembro, 1.992.

de FARIA, V.P. e da SILVA, S.C. Fatores biológicos determinantes de


mudanças na pecuária leiteira. Piracicaba, ESALQ, 1.995, 18 p.
(Datilografado).

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