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CENTRO UNIVERSITÁRIO

ANHANGUERA DE SÃO PAULO

MARIA CAROLINA BRAGA FALCONE

TECNOLOGIAS APLICADAS NA EDUCAÇÃO NOS ANOS


INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL I 6-7 ANOS

São Paulo
2018
MARIA CAROLINA BRAGA FALCONE

TECNOLOGIAS APLICADAS NA EDUCAÇÃO NOS ANOS


INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL I 6-7 ANOS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Universidade Anhanguera
de São Paulo, como requisito parcial para
a obtenção do título de graduado em
Pedagogia

Orientador: Sidnéa Castro

São Paulo
2018
FALCONE, Maria Carolina Braga

Tecnologias aplicadas na educação nos anos iniciais do


ensino fundamental I 6-7 anos / Maria Carolina Braga Falcone
- São Paulo, 2018. 40 páginas

Orientador: Sidnéa Castro

Trabalho de Conclusão de Curso - Universidade Anhanguera


de São Paulo.

1. Alfabetização; 2. Era digital; 3. Professor alfabetizador; 4.


Ferramenta Pedagógica; 5. Tecnologia.
MARIA CAROLINA BRAGA FALCONE

TECNOLOGIAS APLICADAS NA EDUCAÇÃO NOS ANOS INICIAIS


DO ENSINO FUNDAMENTAL I 6-7 ANOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


à Universidade Anhanguera de São Paulo,
como requisito parcial para a obtenção do título
de graduado em Pedagogia.

BANCA EXAMINADORA

Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)

Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)

Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)

São Paulo, ___ de _______________ de 2018


Dedico esse trabalho à minha mãe
Theresa Maria (in memoriam), que já se
foi, no entanto se faz presente em todos
os dias da minha vida. Sei que, de algum
lugar, ela olha por mim.
AGRADECIMENTOS

A Deus em primeiro lugar, por ter me dado saúde e força para superar as
dificuldades.
A minha família, especialmente minha mãe, que não está mais presente entre
nós, mas sempre me incentivou a estudar.
Ao meu namorado pelo amor, incentivo e apoio incondicional.
A todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação, o meu
muito obrigado.
A esta universidade, professores, direção e administração que me deram a
oportunidade de vislumbrar um horizonte superior.
“A Internet é um instrumento de
desenvolvimento social. Devemos lembrar
que a escrita demorou pelo menos 3000
anos para atingir o atual estágio, no qual
todos sabem ler e escrever. [...]”
(Pierre Lévy)
FALCONE, Maria Caroline Braga. Tecnologias aplicadas na educação nos anos
iniciais do ensino fundamental I 6-7 anos. 2018. 40 páginas. Trabalho de
Conclusão de Curso de Pedagogia – Centro Universitário Anhanguera, São Paulo,
2018.

RESUMO

O objetivo desse trabalho foi demonstrar a importância das Tecnologias Digitais de


Informação e Comunicação (TDIC’s) aplicadas à educação, como recurso
pedagógico no processo de alfabetização nos anos iniciais. Os computadores
tornaram-se ferramentas poderosas, e um importante recurso, se bem aplicado, na
educação. Embora o computador possa ser útil no ensino dos dois aspectos
tradicionais da alfabetização, a leitura e a escrita, ele também cria uma nova forma
de ensinar, que requer uma mudança de paradigma nesse processo. A escolha na
técnica de ensino, utilizando a informática como ferramenta didática, depende muito
das perspectivas de ensino adotadas pelo professor, uma vez que o ensino de
alfabetização é orientado pedagogicamente por teoria. Este capítulo começa com
uma apresentação das principais perspectivas de alfabetização, que se tornará uma
base para a discussão do uso do computador na sala de aula. A metodologia
utilizada para a realização desse trabalho foi uma revisão bibliográfica, que consistiu
em uma busca por meio de palavras-chave, em bases de dados como a Scielo e o
portal de periódicos da CAPES, no período de 2010 a 2018, sem levar em
consideração o idioma dos artigos pesquisados. Ficou evidenciado após o resultado
dessa pesquisa a necessidade da inserção de ferramentas pedagógicas digitais na
grade curricular, desde os primeiros anos de ensino, bem como a utilização dela
para fomentação do ensino-aprendizagem. Conclui-se que a nova mentalidade
exigida para se fazer uma educação de qualidade, exige mudanças na estrutura e
no funcionamento das escolas, sendo assim, pais, alunos, gestão escolar e toda
equipe pedagógica podem e devem trabalhar juntos, para oferecer aos alunos um
ensino de qualidade e dinâmico e um ensino construtivista.

Palavras chaves: Alfabetização; Era digital; Professor alfabetizador; Ferramenta


Pedagógica; Tecnologia.
FALCONE, Maria Caroline Braga. Technologies applied in education in the initial
years of elementary education I 6-7 years old. 2018. 40 páginas. Trabalho de
Conclusão de Curso de Pedagogia – Centro Universitário Anhanguera, São Paulo,
2018.
.
ABSTRACT

The objective of this work was to demonstrate the importance Digital Information and
Communication Technologies (DICT's) applied to education as a pedagogical
resource in the literacy process in the early years. Computers have become powerful
tools, and an important resource, if well applied, in education. Although the computer
can be useful in teaching the two traditional aspects of literacy, reading and writing, it
also creates a new way of teaching that requires a paradigm shift in this process. The
choice in teaching technique, using computer science as a didactic tool, depends
heavily on the teaching perspectives adopted by the teacher, since the teaching of
literacy is pedagogically oriented by theory. This chapter begins with a presentation
of key literacy perspectives that will become a basis for discussion of computer use
in the classroom. The methodology used to carry out this work was a bibliographic
review, which consisted of a keyword search, in databases such as Scielo and the
CAPES periodical portal, from 2010 to 2018, without taking into account
consideration of the language of the articles searched. It was evidenced after the
result of this research the need of the insertion of the digital pedagogical tools in the
curriculum, since the first years of teaching, as well as the use of it to foment
teaching-learning. It is concluded that the new mentality required for quality
education requires changes in the structure and functioning of schools, so parents,
students, school management and all pedagogical staff can and should work
together to offer students a quality teaching and dynamic and constructivist teaching.

Keywords: Literacy; Digital age; Literacy teacher; Pedagogical tool; Technology.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Cartilha Caminho Suave...........................................................................29


Figura 2 - Plano de aula sugerido para 1º ano no portal Aula Animada...................31
Figura 3 - Plano de aula sugerido para 2º ano no portal Aula Animada...................31
Figura 4 - Interface do jogo ludo educativo primeiros passos..................................32
Figura 5 - Interface do jogo Manda Letra..................................................................32
Figura 6 - Interface do jogo Qual o número de bolinhas?.........................................33
Figura 7 - Interface do jogo Construtor de labirintos.................................................33
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

MDMAT® Mídias digitais para matemática (Site)


NTIC Novas tecnologias de informação e comunicação
NTICE Novas tecnologias de informação e comunicação e expressão
TAC Tecnologias de aprendizagem e conhecimento
TIC Tecnologias da informação e comunicação
TDIC Tecnologias digitais de informação e comunicação
TDICE Tecnologias digitais de informação, comunicação e expressão
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.................................................................................................13
2 ALFABETIZAÇÃO: COMPETENCIA NECESSÁRIA A FORMAÇÃO DO
CIDADÃO....................................................................................................................15
2.1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA........................................................................15
2.2 O IMPACTO DA TRANSIÇÃO DA ERA INDUSTRIAL PARA A ERA DIGITAL
NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM......................................................17
2.3 ALUNOS PREPARADOS PARA O MERCADO DE TRABALHO E AMBIENTE
TECNOLÓGICO..........................................................................................................19
3 O USO DA TECNOLOGIA NOS ANOS INICIAS DO ENSINO
FUNDAMENTAL 6-7 ANOS.......................................................................................22
3.1 AS NTICE’S E SUAS CONTRIBUIÇÕES NA EDUCAÇÃO.............................22
3.2 O PAPEL DO PROFESSOR ALFABETIZADOR FRENTE A ERA DIGITAL. .23
3.3 EXPLORANDO O CONCEITO DE APRENDER TECNOLOGIA: COM,
ACERCA, ATRÁVES OU À PARTIR?........................................................................25
4 ATIVIDADES COM SOFTWARES EDUCATIVOS – TEORIA E PRÁTICA...28
4.1 DA CARTILHA CAMINHO SUAVE AO MDMAT®............................................28
4.2 REFLEXÃO SOBRE A INTEGRAÇÃO DAS TIC’S NO PROCESSO DE
ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA – PRÓS E CONTRAS...........................................34
4.3 A LUDICIDADE CONTIDA NESTA NOVA FORMA DE EDUCAR..................35
4.3.1 Ensinar letras e números...........................................................................35
4.3.2 Promover o jogo ativo................................................................................36
4.3.3 Aprender sobre a fauna.............................................................................36
4.3.4 Incentivar a criatividade.............................................................................36
4.3.5 Desenvolver habilidades digitais..............................................................36
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................37
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................39
13

1 INTRODUÇÃO

Contemporaneamente, as crianças nascem imersas em um mundo de


tecnologia, onde videogames, reprodutores de mídias digitais, câmeras de vídeo,
tablets e smartphones fazem parte do cotidiano. A linguagem das novas gerações é
uma linguagem digital. Isso significa que eles estão acostumados a diferentes
estímulos sonoros, audiovisuais e sociais, de uma maneira diversa a outras
gerações.
O contato com a tecnologia inicia-se em tenra idade, e se com menos de 2
anos já se sentem atraídas por fotos digitais e vídeos, aos 4 anos já começam a ter
intimidade com o computador. Ainda de maneira tímida, manuseiam o mouse
olhando o cursor deslizar pela tela. Em média, um aluno graduado passou menos de
4.000 horas de sua vida inteira lendo, mas certamente, já ultrapassou as 8.000
horas jogando vídeo games (sem contar as 10.000 horas assistindo à televisão). A
internet, as redes sociais, as mensagens instantâneas. o telefone celular, os jogos
virtuais são partes integrais de suas vidas.
Esta imersão no mundo tecnológico permite-lhes adquirir competências
essenciais e fomentam o desenvolvimento de múltiplas inteligências. O modo de
aprender dessa geração digital, é diferente das gerações anteriores e abriu uma
ampla gama de possibilidades para os professores que começam a enriquecer as
aulas com elementos de vídeo, animações, jogos e outros recursos que se adaptam
ao ritmo de cada criança. No entanto, essa nova proposta de ensino nos remete a
reflexão de como aplicar essa tecnologia no ensino, de maneira que a mesma, não
seja apenas mais um recurso de entretenimento; mas que ambas possam caminhar
juntas para impulsionar o aprendizado e melhorar a compreensão dos conteúdos
aplicados, desenvolvendo nas crianças reflexões, críticas construtivas, soluções aos
problemas discutidos em sala e motivação para o estudo.
Partindo deste pressuposto, buscou-se investigar a utilização das tecnologias
da informação e comunicação como ferramenta pedagógica de apoio ao
desenvolvimento cognitivo e ao processo de alfabetização, e responder à pergunta:
como aplicar a tecnologia em sala de aula nos anos iniciais do ensino fundamental
14

I?
O objetivo geral desse trabalho foi discutir a importância do uso de
tecnologias na educação e como adaptar a alfabetização na era digital. Buscou -se
evidenciar referências teóricas sobre a relação que se deve ser observada e
estabelecida entre alunos e tecnologias; professores e tecnologias; ensino-
aprendizagem como expediente na realização deste processo e o papel da unidade
escolar nesta interação. Neste contexto, o estudo situou-se em salientar os objetivos
específicos referentes a como preparar os alunos para os desafios tecnológicos e
como os educadores devem entender e adaptar-se as mudanças ocorridas no
universo infantil, com a chegada da tecnologia.
A metodologia empregada para elaboração deste trabalho foi de caráter
exploratório com abordagem qualitativa. O método de pesquisa utilizado para
responder ao objetivo deste estudo foi uma revisão de literatura sobre o uso de
tecnologias na educação, que apresenta como vantagem a possibilidade de análise
e síntese do conhecimento científico já produzido sobre o tema. Para tal, foram
levantados artigos a partir de uma busca nas bases de dados do portal da SCIELO
com as palavras chaves: tecnologia; educação; alfabetização; softwares educativos;
novas tecnologias de informação e comunicação; ludicidade. Foi delimitado o
período entre os anos 2009 a 2017 para a busca, a qual retornou 22 artigos.
A busca referiu-se tanto a artigos relativos ao uso da tecnologia como
ferramenta pedagógica, quanto ao preparo dos educadores frente a essa nova
realidade. Como fundamentação teórica, foram analisados 15 artigos, dentre os 22
selecionados. O critério utilizado para inclusão dos artigos foi a consonância com o
assunto, enquanto o de exclusão valeu-se da classificação de adversidade ao
enfoque central do tema.
O trabalho foi organizado da seguinte forma: no capítulo I, foi apresentado
uma breve analise sobre o conceito da palavra alfabetização, a importância da
qualidade nesse processo e o reflexo dessa preparação no futuro cidadão. No
capítulo II tratou-se de apresentar uma síntese sobre a temática da tecnologia, onde
procurou-se ponderar sobre o uso correto dessa ferramenta pedagógica, a
preparação do educador nessa nova forma de ensino, e a integração da informática
como atividade lúdica. No terceiro capitulo fez-se uma revisão dos recursos
15

disponíveis para aplicação dessa técnica e uma reflexão sobre os benefícios das
TIC’s no processo de alfabetização. No último capítulo foram expostas as
considerações finais.
16

2 ALFABETIZAÇÃO: COMPETENCIA NECESSÁRIA A FORMAÇÃO DO


CIDADÃO

2.1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O presente capítulo aborda uma das questões mais importantes para a


educação infantil, que está relacionada às competências, habilidades e
conhecimentos que as crianças têm para desenvolver a fim de iniciar sua formação
acadêmica no ensino primário e, em particular, a alfabetização formal. Referimo-nos
à chamada alfabetização e à forma como os educadores e a escola podem
promovê-la adequando-se a nova realidade, onde a tecnologia age com
onipresença.
Segundo o Michaelis (dicionário brasileiro da língua portuguesa),
alfabetização é o ato ou efeito de alfabetizar; processo de aquisição de códigos
alfabéticos e numéricos; ato de propagar o ensino ou difusão das primeiras letras.
De acordo com Soares (2008, pp. 28-29), alfabetização é a “ação [...] de tornar
alguém alfabeto”. Ainda segundo a autora:

Alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e


das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja: o domínio da
tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da
escrita. (SOARES, 2003, p. 91).

O conceito do ato de alfabetizar explica-se pelo sufixo “izar”, que indica


“tornar, fazer com que”, de forma que alfabetizar significa tornar o sujeito habilitado a
ler e escrever.
O termo alfabetização “passou a ser denominado [desta maneira], entre nós,
a partir do início do século XX” (MORTATTI, 2006, p. 1), e tornou-se generalizado
nos últimos tempos. É usado em um sentido original, muitas vezes ambíguo e sem
consenso, mas também é usado com sentido metafórico para expressões diversas,
como por exemplo, alfabetização tecnológica, alfabetização musical, alfabetização
científica, alfabetização ecológica, tele alfabetização. São geradas confusões que
podem ser devidas à imaturidade dos conceitos, ou simplesmente, a mal-entendidos
17

na equivalência entre as línguas, especialmente a partir do seu uso como tradução


do termo inglês literacy.
Sua definição não é uma questão puramente acadêmica, mas tem outras
implicações quando se reconhece que a política afeta a definição de alfabetização e
que, por sua vez, a definição afeta a política. Para Venesky (1990, p. 2) “a definição
de alfabetização determina o nível de envolvimento e, consequentemente, o nível de
financiamento para a educação básica”.
A onipresença da tecnologia no cotidiano das crianças, através de objetos
como celulares, tablets, jogos eletrônicos, computadores, tem modificado a maneira
de alfabetizar nas escolas, ao contrário de outras épocas em que o lápis e o
caderno, o giz e a lousa, eram os principais recursos para ensinar a ler e escrever.
Atualmente, com a utilização das NTICE’s (Novas tecnologias de informação
e comunicação e expressão), novas ferramentas didático-pedagógicas fomentam o
processo de ensino-aprendizagem. As crianças chegam a escola com uma visão de
mundo avançada. Elas têm o contato com objetos tecnológicos, como
computadores, tablets e principalmente celulares, antes mesmo de ir para a escola.
A gama de conhecimento que levam de casa incidem fundamentalmente, no
processo de alfabetização.
Ressalta-se que, com a aproximação que elas têm com a tecnologia presente
nesses aparelhos, é gerado o contato prematuro com letras, números e imagens,
antes mesmo de irem para a escola. Ao pegar o controle remoto da TV, e executar o
ato de: ligar, desligar e mudar os canais, são memorizados os símbolos, e estes são
associados a ação que aquele ato de apertar determinado botão gera. Ao utilizar um
computador, ou um tablet as crianças desenvolvem a capacidade perceptivo-motora,
o raciocínio lógico e a concentração, e isso coadjuva com a aprendizagem da escrita
e da leitura.
As TIC’s (Tecnologias de informação e comunicação) têm destaque durante o
processo de alfabetização, de maneira que, o papel da escola é usufruir o
conhecimento que a criança leva de casa e trabalhar isso de forma organizada.
Com a chegada da era tecnológica, é rompido o formato de alfabetização
tradicional, entretanto, isso não quer dizer que a forma antiga/tradicional de ensinar
deva ser olvidada. A fase da alfabetização é um momento singular de descoberta do
18

mundo para as crianças. Adicionar materiais pedagógicos digitais às aulas, auxiliam


a criação de um ambiente atrativo, lúdico e interativo, além de que é indispensável
que o educador tenha domínio das NTIC’s (Novas tecnologias de informação e
comunicação) para aplicação em sala de aula, e utilizar as informações que criança
possui e transformando em conhecimento formal, de maneira lúdica e prazerosa e
visando contribuir com a aprendizagem do aluno.
Segundo Almeida & Almeida (2006, p. 28), a integração da tecnologia na
escola é, “[...] similar à sua integração ao ambiente de empresas: a tecnologia é uma
ferramenta para aperfeiçoar a produtividade das práticas vigentes”:

Na escola, a tecnologia auxilia a mudança das relações entre professores e


alunos, encoraja processos de aprendizagem baseados em projetos e dá
suporte à aquisição de novas habilidades, como o "raciocínio em níveis
rnais altos de abstração" e a capacidade de análise e solução de
problemas. (ALMEIDA; ALMEIDA, 2006, p. 28, grifo do autor).

2.2 O IMPACTO DA TRANSIÇÃO DA ERA INDUSTRIAL PARA A ERA DIGITAL


NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

É possível admitir, que a escrita culminou a sua própria expansão - embora


sempre inacabada - na cultura da modernidade associada à revolução industrial e
que as novas tecnologias de comunicação conquistaram sua supremacia na cultura
globalizada da era digital na pós-modernidade.
Não é estranho que seja questionado a preeminência que a alfabetização
teve através da escrita impressa na escola, que em tempos remotos nasceu para
estar ao serviço da cultura escrita. As tecnologias e, em particular, a informática não
só participaram de mudanças geopolíticas e econômicas, mas também produziram e
ainda produzem, profundas mudanças culturais, que questionam o futuro da própria
escola e do professor.
A este respeito, Leu e Kinzer consideram que “no futuro, as forças culturais
vão seguir definindo as formas e funções da alfabetização e a natureza especifica do
seu ensino” (LEU & KINZER, 2000, p. 111, tradução nossa)
Embora seja impossível prever o que acontecerá em 100 ou 200 anos, pode-
se prever que, no futuro imediato, a convergência entre o ensino de leitura e escrita
e as técnicas de informação e comunicação prevaleça. a escola ainda não resolveu
19

os problemas que sempre teve com a alfabetização, e surgem novas pesquisas e


reflexões sobre ela, cada vez mais complicadas pelas rápidas mudanças nas
tecnologias de informação e comunicação (TIC’s). Por enquanto, uma nova noção
do tempo que a alfabetização ocupará na vida humana torna-se generalizada. Antes
se entendia que este processo tinha que ser deliberadamente iniciado em um
determinado momento de desenvolvimento individual e os sistemas formais
regulavam as normas para seu início aos 6 ou 7 anos com uma duração variável de
3, 4 ou 6 anos de escolaridade seguindo um modelo de alfabetização baseado em
na escrita e na leitura, a que queria-se chegar.
Não foi em vão, que a Década da Alfabetização (2003-2012), lançada por
iniciativa das Nações Unidas, é apresentada com uma visão renovada. Agora a
alfabetização é entendida como um longo processo que inclui todo o
desenvolvimento humano, que muda nas culturas e na história; que, na verdade,
muito tem a ver com a escola, sobretudo se essa alfabetização é contextualizada no
ambiente escolar; mas isso também depende da sociedade e da política.
Surgem novos modelos que explicam sua natureza e ajudam a compreender
as discussões sobre sua desescolarização, fato que preocupa educadores há
algumas décadas e que tem muito a ver com a validade da educação formal na
sociedade organizada.
Os avanços tecnológicos que começaram a serem utilizados em todas as
áreas da sapiência humana, não ocorreram de maneira diferente no âmbito
educacional. As últimas décadas foram marcadas por mudanças, onde a predomínio
do uso de novas tecnologias destacou-se, em uma sociedade que tem por intento a
construção do próprio conhecimento pelo aluno. É o início de uma nova era na área
da educação, e sob um processo de globalização acelerado, abre-se um mundo
novo. É a premência de uma sociedade evolutiva, dinâmica e instável, onde o
elemento principal e decisório é a mudança de paradigmas.
A informação relacionada à robótica e a outras novidades tecnológicas, como
pano de fundo, estão indiscutivelmente cerrando a era industrial e abrindo as portas
para um novo tempo, que é a era digital, uma era sem precedentes. Contextualizar o
educador nesta era contemporânea, onde algumas certezas são questionadas,
como por exemplo, a maneira “correta” de alfabetizar, implica em investir na
20

formação inicial e contínua do docente, onde a atualização e aperfeiçoamento dos


educadores é uma necessidade diante das mudanças e voltada a realidade
educacional atual.
De acordo com Gomes, Silva e Nunes (2013, p. 71), “o docente sem base
sólida na sua formação cultural, científica e pedagógica não tem tranquilidade e
firmeza para ensinar com os conhecimentos exigidos para os padrões da sociedade
contemporânea”.
Partindo da premissa de que a era pós-industrial trouxe princípios
antagônicos aos da era industrial, e que refletiram no próprio sistema de ensino.
Pode-se dizer que, o que era padronizado cedeu lugar ao que é personalizado, e as
crianças nem parecem mais as mesmas. Se antes, os alunos eram sujeitos isolados,
os da nova era são conectados. A busca pela aprendizagem era realizada de
maneira silenciosa e passiva, no entanto os alunos contemporâneos são sujeitos
globais e ativos. Logo, a questão central não gira em torno da tecnologia e sim da
questão pedagógica, das modalidades de ensino por simulação e experimentação
enquanto processos de compreensão da realidade que apresenta movas
possibilidades pedagógicas e sociais. Para Gómez:

A rede é mais um espaço da escola contemporânea que precisa de


orientação e cuidado para se tornar um dispositivo pedagógico. [...] o aluno
pode se informar tanto através do professor quanto da rede e aí temos que
esclarecer que informação não é conhecimento e conhecimento não é
educação. Claro que se nos referirmos a um professor tradicional, que
observa hierarquias, mas que a partir do uso das redes, modifica seu modo
de pensar e fazer educação, estaremos frente a uma ruptura
epistemológica, o que não necessariamente, ocorre simplesmente porque
ele usa a internet, já que ele pode usar a rede como um bem de controle e
com restrições e não de forma aberta e democrática (GÓMEZ, 2010, p. 100,
tradução nossa).

2.3 ALUNOS PREPARADOS PARA O MERCADO DE TRABALHO E AMBIENTE


TECNOLÓGICO

As TIC’s tornaram-se um dos pilares básicos da sociedade e,


contemporaneamente, é necessário proporcionar ao cidadão uma educação que
tenha em conta esta realidade.
As possibilidades educacionais das TIC’s devem ser consideradas em dois
21

aspectos: seu conhecimento e seu uso. O primeiro aspecto é uma consequência


direta da cultura da sociedade atual. É impossível entender o mundo atual sem um
mínimo de conhecimento da cultura computacional, visto que, é necessário entender
como ela é gerada, como é armazenada, como é transformada, como é transmitida
e como a informação é acessada em suas múltiplas manifestações (textos, imagens,
sons) se não quiser ficar fora das correntes culturais. Deve-se tentar participar da
geração dessa cultura. Esta é a grande oportunidade, que tem duas facetas:
• Integrar esta nova cultura na educação, contemplando-a em todos os níveis
do ensino.
• Este conhecimento traduz-se num uso generalizado das TIC para alcançar,
livre, espontânea e permanentemente, formação ao longo da vida
O segundo aspecto, embora também intimamente relacionado ao primeiro, é
mais técnico. As TIC’s devem ser usadas para aprender e ensinar. Em outras
palavras, a aprendizagem de qualquer assunto ou habilidade pode ser facilitada
através das NTIC’s e, em particular, através da Internet, aplicando as técnicas
apropriadas. Este segundo aspecto tem a ver muito de perto com a computação
educacional.
Dessa forma, assim como constrói-se uma casa a partir de seus alicerces, e a
resistência da mesma, será de acordo com a qualidade da fundamentação,
analogicamente, é a vida acadêmica do aluno. E isto constitui-se desde a pré-
escola. Como esperar um bom desempenho no ensino médio, se o ensino
fundamental não teve qualidade? Como esperar que o profissional chegue
preparado ao mercado de trabalho, onde irá desempenar suas funções em um
ambiente majoritariamente tecnológico, vindo de um ambiente arcaico, onde a lousa
é o seu screen1 e o lápis o seu mouse2?
Cabe ao educador olhar a criança, desde os anos inicias de ensino
fundamental, como um futuro cidadão, que dentro em breve (14/15 anos), será
abarcado por suas obrigações, e muni-los com conhecimentos que serão
importantes para a formação escolar posterior e para sua vida profissional futura.
1
Screen = Tela (Tradução nossa)
2
Mouse = Dispositivo de entrada dotado de um a três botões, que repousa em uma superfície plana
sobre a qual pode ser deslocado, e que, ao ser movimentado, provoca deslocamento análogo de um
cursor na tela [O mouse permite ao usuário comandar a execução de determinadas ações, quer
movendo o cursor até ícones, regiões da tela ou entradas de menus que correspondam às ações
desejadas, quer clicando um dos botões.] (HOUAISS; VILLAR, 2001).
22

Parafraseando Rosales e Magalini (2007), o docente deve ter em mente que a


tecnologia vem como uma ferramenta, um recurso adicional ao o processo de
ensino-aprendizagem, e com potencial fomentador na fase de alfabetização. Nas
palavras das autoras, a tecnologia é “[...] uma ferramenta de apoio, um instrumento
inovador, tornando a aprendizagem mais eficiente e eficaz” (ROSALES; MAGALINI,
2007, p. 05), e o educador precisa estar em “[...] processo permanente de
aprendizagem e ter uma postura de pesquisador, investigador e crítico” (Id., Ibid.).
Para as autoras, a sociedade contemporânea exige do professor alfabetizador na
maneira de ensinar, porque ela demanda “[...] profissionais críticos, criativos, com
capacidade para aprender a aprender, de trabalhar em equipe e conhecedores de
diversos saberes” (Id., Ibid.), atribuindo ao educador a tarefa de “formar esse
profissional que construa o seu próprio conhecimento e que desenvolva as
competências exigidas pelo mercado de trabalho” (Id., Ibid.).
Em vista disto, a escola não pode ignorar os avanços tecnológicos que tem
ocorrido nas últimas décadas. Faz-se necessário o uso das NTICE’s no âmbito
educacional, como ferramenta pedagógica “de ponta 3”, mas sempre tendo em mente
que elas não serão as principais protagonistas no processo de aprendizagem. O uso
desses recursos ainda demanda adaptações no sistema educacional. E a principal
adaptação é o investimento na formação inicial e continuada dos docentes, com o
mesmo conteúdo tecnológico, que eles iram transmitir aos alunos de hoje, e que
serão os profissionais de amanhã.

3
Expressão utilizada para referir-se a recentes desenvolvimentos tecnológicos decorrente de áreas
que envolvem atividades de vanguarda.
23

3 O USO DA TECNOLOGIA NOS ANOS INICIAS DO ENSINO FUNDAMENTAL


6-7 ANOS

3.1 AS NTICE’s E SUAS CONTRIBUIÇÕES NA EDUCAÇÃO

O conceito dado ao termo TIC - Tecnologia de informação e comunicação é


definido por MUÑOZ-REPISO (2003) como:

[...] conjunto de tecnologias que permitem a aquisição, armazenamento,


tratamento, transmissão, registo e apresentação de informações, em forma
de voz, imagens e dados contidos em sinais de natureza acústica, ótica ou
eletromagnética. As TIC’s incluem a eletrônica como tecnologia base que
suporta o desenvolvimento das telecomunicações, da informática e o
audiovisual (MUÑOZ-REPISO, 2003, p. 289 apud RAMOS, 2016, p. 7-8).

Esse conceito foi ampliado em 2009 pelo professor Dr. Gilberto Lacerda
Santos, para NTICE – Novas Tecnologias da Informação, Comunicação e Expressão
aprimorando o sentido atribuído às TIC’s, na medida em que agrega a categoria
Expressão (grifo nosso) como um dos fenômenos que se manifesta em uma síntese
de linguagens no ciberespaço. Mais do que informar e comunicar, as Tecnologias da
Informação e Comunicação se constituem em espaço singular de expressão
individual dos sujeitos em sua pluralidade em seu jeito de ver, pensar e sentir o
mundo no qual vive.
Singularidade esta que dribla as fronteiras de tempo e de espaço já
instituídas, de livre manifestação individual e coletiva, que protagoniza os usuários
como produtores de conhecimentos e sentidos.
Entre os benefícios mais claros que a mídia traz para a sociedade estão o
acesso à cultura e à educação, onde os avanços tecnológicos e os benefícios da era
da comunicação geram um balanço e previsões extraordinariamente positivas.
Alguns especialistas argumentam que deve haver uma relação entre as informações
fornecidas e a capacidade de assimilação das mesmas, sendo, portanto,
conveniente uma educação adequada no uso desses poderosos meios de
comunicação.
24

3.2 O PAPEL DO PROFESSOR ALFABETIZADOR FRENTE A ERA DIGITAL

Na atual Sociedade do Conhecimento, se faz imprescindível a formação do


educador com o uso das NTIC’s, para um ótimo desenvolvimento profissional. A
partir desta afirmação, os professores, como formadores das gerações do futuro,
devem saber usar e saber atuar perante as NTIC’s.
A presença de NTIC’s na sociedade e as potencialidades que elas oferecem
como recursos para educação, constituem razões suficientes para justificar o seu
impacto no perfil do professorado, na medida em que é importante desenvolver a
sua estratégia educativa de modo coerente com a sociedade que vive, aproveitando
o máximo dos recursos que lhe oferece.
É necessário dizer, que as Lei de Diretrizes e Bases da Educação das últimas
décadas, não têm considerado às novas tecnologias como um tema transversal,
apesar disso, é tal a presença das mesmas em todo o currículo de qualquer uma
das etapas de ensino, que se poderia dizer que as contribuições mais inovadoras
desses decretos é precisamente esse fato.
Isto implica que os professores devem, em relação às NTIC’s, conhecê-las
em todas as suas dimensões; ser capaz de analisá-las criticamente; fazer uma
seleção adequada, tanto dos recursos tecnológicos, quanto das informações que
eles transmitem, e devem ser capazes de usá-los e realizando uma integração
curricular adequada na sala de aula.
O bom desempenho desta formação é essencial para desenvolver
positivamente a tarefa de alfabetizar tecnologicamente o educador, já que, por muito
esforço que é feito para a presença física dessas tecnologias nos centros, sua
realização dependerá claramente das atitudes e conhecimentos que o corpo docente
possui. Se as novas tecnologias criam novas linguagens e formas de representação
e permitem a criação de novos cenários de aprendizagem, as instituições de ensino
não podem ficar de lado, devem conhecer e usar essas novas linguagens e formas
de comunicação.
Tal como descreve Sancho Gil (2008), em seu artigo "Do TIC ao TAC, a difícil
transição de uma vogal", existe uma necessidade predominante de treinar
25

professores nas novas tecnologias de comunicação:


[...] é discutido e argumentado, com base em distintas evidências
contribuídas pela pesquisa, o conjunto de fatores complexos que subjazem
a dificuldade persistente que os sistemas educacionais encontram na
conversão de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em
Tecnologias para Aprendizagem e Conhecimento (TAC). Uma situação que
é particularmente preocupante, se considerarmos que os estudantes que
hoje povoam as salas de aula são nativos digitais que se movem
confortavelmente em um mundo tecnológico que eles vivem, enquanto seus
professores, filhos da era digital, estão entre a perplexidade, admiração e
rejeição. [...] é evidente que a transformação das TIC no TAC parece
praticamente impossível, se não alterar a formação inicial e permanente do
corpo docente, o sistema organizacional de ensino e a prática docente
(SANCHO GIL, 2008, p. 19-30).

Sancho Gil (2008) reflete que apesar de os sistemas educativos fazerem uso
das TIC’s como recurso pedagógico, ainda se encontra resistência em converter as
TIC’s em Tecnologias para a Aprendizagem e Conhecimento (TAC). Ainda segundo
a autora, o sistema educacional utiliza as TIC’s sem transformá-la em TAC’s, devido
á praticas educativas que permanecem alicerceadas no princípio da transmissão e
repetição de conhecimentos.
No entanto, o campo da educação encontra-se no limiar de um período de
avanço tecnológico, que contribuirá para a renovação do ensino tradicional, com a
alteração do uso do tempo e espaço no processo de ensino-aprendizagem. De
acordo com Mercado (2002):

A formação de professores sinaliza para uma organização curricular


inovadora que, ao ultrapassar a forma tradicional de organização curricular,
estabelece novas relações entre a teoria e a prática. [...] ao professor cabe o
papel de estar engajado no processo, consciente não só das reais
capacidades da tecnologia, do seu potencial e de suas limitações para que
possa selecionar qual é a melhor utilização a ser explorada num
determinado conteúdo, contribuindo para a melhoria do processo de ensino-
aprendizagem, por meio de uma renovação da prática pedagógica do
professor [...] (MERCADO, 2002, p. 16).

Dessa forma, conhecer as características dos recursos utilizados, assim como


a natureza epistemológica que subsidia as suas propostas, também se faz de
extrema importância para o desenvolvimento de práticas pedagógicas bem-
sucedidas. Ou seja, é necessário que os docentes tenham conhecimentos sobre os
recursos digitais para além dos usos técnicos cotidianos.
26

3.3 EXPLORANDO O CONCEITO DE APRENDER TECNOLOGIA: COM,


ACERCA, ATRÁVES OU À PARTIR?

Usar tecnologia para aprender faz sentido. A tecnologia cria acesso,


transparência e oportunidade. Qualquer smartphone ou tablet é mídia encarnada -
vídeo, animação, e-books, ensaios, posts, mensagens, música, jogos. As
modalidades de luz, cor e som são todas organizadas especialmente para transmitir
uma mensagem ou criar uma experiência.
Mas há uma diferença entre usar a tecnologia e integrá-la profundamente nas
experiências de aprendizado dos alunos. No livro “Using Mindtools to Develop
Critical Thinking and Foster Collaborationin Schools”, Jonassen (1996) classifica a
aprendizagem da tecnologia da seguinte maneira:

a) Aprender a partir da tecnologia (learning from), em que a tecnologia


apresenta o conhecimento, e o papel do aluno é receber esse
conhecimento, como se ele fosse apresentado pelo próprio professor;
b) Aprender acerca da tecnologia (learning about), em que a própria
tecnologia é objeto de aprendizagem;
c) Aprender através da tecnologia (learning by), em que o aluno aprende
ensinando o computador (programando o computador através de linguagens
como BASIC ou o LOGO);
d) Aprender com a tecnologia (learning with), em que o aluno aprende
usando as tecnologias como ferramentas que o apoiam no processo de
reflexão e de construção do conhecimento (ferramentas cognitivas). Nesse
caso a questão determinante não é a tecnologia em si mesma, mas a forma
de encarar essa mesma tecnologia, usando-a, sobretudo, como estratégia
cognitiva de aprendizagem. (JONASSEN, 1995, p. 23-40, Cap. 2 apud
LOPES, 2002, p.1).

A partir da explicação de Jonassen (1995, apud LOPES, 2002), acerca do


ensino da tecnologia, encontram-se diferenças fundamentais na aplicação da teoria,
e principalmente da prática em cada uma delas. A principal está entre educar para o
uso de tecnologias, e usar a tecnologia para educar.
Alguns estudiosos (CORTE, 1995; JONASSEN, 1995), concordam com
alguns descritores que ajudam a caracterizar as qualidades de aprendizagem
significativa. Jonassen (1995, p. 60-61), por exemplo, enumera “sete qualidades:
ativa, construtiva, colaborativa, intencional, conversacional, contextualizada e
27

reflexiva”. Essas qualidades podem ser combinadas, com “três diferentes usos do
computador ou categorias de tecnologia: a tecnologia como ferramentas; a
tecnologia como parceiro intelectual ou Mindtool; a tecnologia como contexto”
(JONASSEN, 1995, p. 62). Essas duas classificações são combinadas no quadro 1,
que também dá exemplos de atividades que devem levar a uma aprendizagem
significativa

Quadro 1 - Exemplos de atividades direcionadas para a aprendizagem significativa

APRENDIZAGEM ATIVIDADE USO DO COMPUTADOR


 Ferramentas de
ATIVA  Pensamento consciente
produtividade
 Representação do
 Ferramentas cognitivas
conhecimento
 Comunicação interpessoal  Ambientes de aprendizagem

CONSTRUTIVA  Acesso de Informações  Ferramentas cognitivas


 Construção de  Mídia produzida por
representação pessoal estudantes
COLABORATIVA  Negociação social  Fóruns de discussão
 Formação de grupo de  Trabalho em grupo com o
alunos apoio do computador
 Comunicação interpessoal  Uso de rede social interna
 Ambientes de aprendizagem
INTENCIONAL  Articulação de objetivos intencionais com o apoio do
computador
 Realização Intencional  Atividades organizadas

 Esforço consciente

CONVERSACIONAL  Comunicação interpessoal  Uso de rede social interna

 Reflexão social  Pesquisas online


 Construção do conhecimento  Trabalho em grupo com o
em grupos apoio do computador
 Grupos de aprendizagem e
 Fóruns de discussão
prática
 Resolução de tarefas do  Ambientes de aprendizagem
CONTEXTUALIZADA
mundo real baseados em casos reais
 Resolução de problemas  Ambientes de aprendizagem
complexos e significativos com cenários de vídeo
 Construção de esquemas  Ambientes de aprendizagem
específicos da situação para trabalho em grupo
 Definição e interação para
resolução do problema
REFLEXIVA  Articulação do aprendizado  Ferramentas cognitivas
28

 Reflexão Interna
 Reflexão sobre o que e como
foi aprendido

Fonte: https://files.eric.ed.gov/fulltext/ED426590.pdf
29

As especificações do quadro 1 são baseadas na classificação de Jonassen


(TELLA, 1997), mas complementadas com “reflexões de outros pesquisadores”
(TELLA, 1997, p. 41). O objetivo é facilitar a compreensão do significado dos tipos
de aprendizagem e qual a aplicação da tecnologia indica para os conteúdos.
A partir de uma perspectiva construtivista, Jonassen, Peck e Wilson (1999, p.
201) acreditam que os “ambientes de aprendizagem com o computador como
dispositivo pedagógico, devem envolver os alunos em uma aprendizagem ativa,
construtiva, intencional, autêntica e cooperativa”. Além disso, eles sugerem que os
papéis tecnológicos para a aprendizagem devem abranger (JONASSEN et al.,
1999):

 A tecnologia como ferramenta para apoiar o conhecimento:


- Para representar ideias, compreensões e opiniões dos alunos.
- Para produzir bases de conhecimento organizadas e multimídia pelos alunos
 A tecnologia como parceira intelectual para apoiar o aprendizado através
da reflexão:
- Para ajudar os alunos a articularem e representarem o que eles sabem
- Para refletir sobre o que aprenderam e qual foi o caminho percorrido até
aquele aprendizado
- Para apoiar o entendimento intelectual dos alunos e a criação de significado
- Para construir representações pessoais de significado
- Para apoiar o pensamento consciente
 A tecnologia como contexto para apoiar o aprender fazendo:
- Para representar e estimular problemas significativos, situações e contextos
do mundo real.
- Para representar opiniões, perspectivas, argumentos e relatos interpessoais
- Para definir um espaço de problema seguro e controlável para o
pensamento dos alunos (Id., Ibid.).

Em suma, a tecnologia educacional facilita modelos pedagógicos alternativos


de investigação orientada e reflexiva através de projetos ampliados que geram
efeitos complexos e resultam na assimilação da informação.
30
31

4 ATIVIDADES COM SOFTWARES EDUCATIVOS – TEORIA E PRÁTICA

4.1 DA CARTILHA CAMINHO SUAVE AO MDMAT®

Lápis e caderno na carteira. Vai começar a aula!


Se antes as ferramentas necessárias para uma aula, resumiam-se a lápis,
cadernos e cartilhas, nessa nova era, inúmeros são os recursos em ambientes
digitais de aprendizagem, aplicativos, jogos e livros multimídia. Aos poucos, o
quadro-negro está sendo substituído pela lousa eletrônica, os cadernos por
computadores ou tabletes e o lápis pelo toque digital. As crianças, desde a mais
tenra idade estão envoltas em tecnologias de informação e comunicação
avançadíssimas, e possuem um mundo de informação na palma da mão e em um
click.
É nessa perspectiva que aparece a chamada alfabetização digital, ou
alfabetização multimídia, que envolve aprender a localizar, organizar, compreender e
analisar informações por meio das TIC’s. O que compreende, por sua vez, uma série
de conhecimentos em letramento informacional e/ou midiático essenciais para que a
alfabetização digital ou multimídia seja completa e satisfatória do ponto de vista
pedagógico. Além disso, essa alfabetização também implica uma série de mudanças
em relação às formas de ensino, e que vão muito além da simples inclusão de
computadores ou outros dispositivos de NTICE na sala de aula. A inclusão digital
rompeu com a verticalidade usual da transmissão do conhecimento, tal como foi
entendido em muitas áreas da sociedade e, também, em certas formas de entender
a educação. O que coloca, tanto quanto possível, o professor não apenas como
transmissor de conteúdo, mas como mediador do mesmo para seus alunos.
Até o surgimento das NTICE’s como ferramentas educacionais, a
alfabetização em sala de aula havia sido entendida principalmente de duas
maneiras:
- A alfabetização básica, que demandava o aluno assimilar o conhecimento
necessário para decodificar uma mensagem e, também, o aprendizado de uma
determinada grafia (ou símbolo) e sua fonética correspondente.
- A alfabetização funcional e social, que implicava a compreensão de um texto
32

escrito e a discriminação, por parte do leitor, de seus aspectos mais relevantes.


A cartilha Caminho Suave, exemplo de vanguardismo no âmbito educacional,
alfabetizou gerações através de um “processo essencialmente audiovisual” (LIMA,
1979, p. 6). O método desenvolvido pela professora Branca Alves de Lima,
predominou durante meio século nas escolas brasileiras. A metodologia usada pela
educadora, alfabetização por imagens, foi um marco histórico, visto que alterou a
maneira de alfabetizar e sistematizou uma forma de trabalho baseado em silabas,
imagens, e textos curtos. As letras do alfabeto eram apresentadas como iniciais dos
nomes de elementos do cotidiano, objetos e animais. Branca justificou a relação
entre as imagens e as palavras, explicando o “método analítico-sintético”:

Consiste, esse processo, em relacionar a silaba inicial de cada vocábulo


com um “desenho chave”. Quando a criança vê escrita determinada sílaba
ou letra, imediatamente associa os sinais gráficos que a representam à
imagem do desenho a que está ligada, acordando na ideia o som
correspondente. Cada desenho excita energicamente o interesse, é
poderoso auxiliar de intuição e analise, e oferece apoio à memória (LIMA,

1954, p. 3 apud MORTATTI, 2000, p. 208, grifo do autor).

Figura 1 - Cartilha Caminho Suave


33

Fonte: Disponível em: <https://novaescola.org.br/conteudo/8760/esta-na-hora-de-arquivar-este-livro>

A cartilha Caminho Suave foi usada como referência no processo de


alfabetização da criança, até meados do fim da década de 80, quando se iniciou
uma nova proposta de alfabetização, baseada na teoria construtivista e com a
“implantação da teoria da psicogênese da língua escrita 4”(FRANCIOLI, 2010, p.
139), nos cursos ofertados pelas secretarias municipais e estaduais de educação,
aos educadores em formação inicial e continuada.
Todavia, desde o início dos anos 90, entende-se que, a aprendizagem não se
dá por intermédio de um aparelho fonador, auditivo e motores, levando os alunos a
excessivas e inúteis repetições na tentativa de promover a aprendizagem
(FERREIRO e TEBEROSKY, 1999), nem tampouco, unicamente por um “processo
essencialmente audiovisual”, como afirmava Lima (1979, p. 6).
Com a educação e a tecnologia andando juntas, surge a necessidade de
efetivar a mudança do ambiente educacional, para suprir as necessidades dessa
nova geração de nativos digitais5 (PRENSKY, 2001). De acordo com Prensky (2001;
2006), os nativos digitais, são os indivíduos que cresceram inseridos e cercados
pelas TIC’s, em especial as tecnologias digitais.
A implantação de laboratórios de informática e o uso de tablets já é uma
realidade em muitas escolas do país. Se antes o caderno e o lápis eram o material
pedagógico exigido para a aula, hoje já é possível alfabetizar sem eles. A cartilha
4
Essa teoria cunhada pelas autoras Emília Ferreiro e Ana Teberoski, que pertenceram à escola do
epistemólogo e psicólogo Jean Piaget, “deslocou a questão central da alfabetização do ensino para a
aprendizagem: partiu não de como se deve ensinar e sim de como de fato se aprende [...] (Id., Ibid.).
5
Termo utilizado por Marc Prensky, em artigo publicado em 2001, originalmente sob o nome de
Digital Natives, Digital Immigrants.
34

que antes era a janela para o conhecimento das primeiras letras do alfabeto, foi
substituída por softwares digitais desenvolvidos especialmente para esse fim.
Através de pesquisas em sites especializados em educação, é possível
encontrar materiais de conteúdo pedagógico, que auxiliam o professor no processo
de alfabetização, tanto da língua portuguesa, quanto da matemática, nos anos
inicias do ensino fundamental.
Como o período da alfabetização é destacado pelas descobertas, as
novidades dos recursos digitais ajudam a tornar o ambiente interativo, lúdico e
envolvente para os alunos. As ferramentas interativas colaboram com o processo de
aprendizagem, trazendo a personalização do ensino, interação, liberdade para o
desenvolvimento de criações e produções, motivando as crianças na leitura e na
escrita.
Um exemplo de site que desenvolve esse conteúdo, é o portal do Instituto
Paramitas, que com o apoio do ministério da Educação, disponibiliza uma série de
jogos online relacionados à alfabetização, como o Projeto Aula Animada e o Projeto
Primeiros Cliques.

Figura 2 - Plano de aula – Colheita de Figuras – 1º ano

Fonte: Disponível em: <http://aulasanimadas.org.br/download/Colheita%20de%20Figuras.pdf>

A figura 2, ilustra a sugestão de um plano de aula para crianças do 1º ano,


intitulado de Colheita de Figuras, oferecido pelo portal Aula Animada. Nesta
atividade, a criança deve associar a imagem com a letra do alfabeto.

Figura 3 - Plano de aula – Na Pista das Palavras – 2º ano


35

Fonte: Disponível em: <http://aulasanimadas.org.br/download/pista.pdf>

Na figura 3, o plano de aula ofertado pelo mesmo portal, com leva o nome de
Na Pista das Palavras, é direcionado para alunos do 2º ano e propõe uma atividade
de jogo para estimular a identificação silábica e a aprendizagem da leitura.
A proposta pedagógica deste portal, envolve um conjunto de aplicativos
desenvolvidos para tablets e smarthphones e que auxiliam no desenvolvimento da
alfabetização.
Outro exemplo de site é o portal Ludo Educativo, que conta com o apoio da
Fapesp, em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do CNPq. Os
jogos apresentam recursos interativos que auxiliam e exploram diferentes níveis de
alfabetização ao associar imagens a sons, de maneira a captar a atenção dos
alunos aumentando a complexidade na medida em que as crianças acertam, através
de frases, sílabas ou palavras.

Figura 4 - Interface do jogo Primeiros Passos Figura 5 - Interface do jogo Manda Letra

Fonte: Disponível em: <http://portal.ludoeducativo.com.br/>


36

A figura 4 apresenta a interface do jogo Primeiros Passos, onde há um


convite para a criança escolher a cor de um carro, para dar início. O texto é
reproduzido por um locutor, numa linguagem agradável, estimulando a criança a
participar. O objetivo do jogo é percorrer a estrada, efetuando pequenas tarefas,
para subir de nível.
Já na figura 5, é apresentada a interface do jogo Manda Letra, onde a criança
é estimulada a clicar ou arrastar o mouse, para ligar as figuras que começam com a
mesma letra.
Neste portal, além de jogos direcionados para o auxílio na alfabetização da
língua portuguesa, é possível encontrar jogos digitais com temas de ciências e
matemática, para series iniciais. O site ainda conta com uma série de jogos de caça
palavras, palavras cruzadas, 7 erros e quebra-cabeças, além de uma parte temática
de conscientização social e global, como por exemplo os jogos Contra a Dengue e
EcoAgua.
Ainda neste contexto, mas com ênfase na introdução a alfabetização
matemática nos primeiros anos, o site MDMAT ®, traz conceitos gerais sobre
números e operações, espaço e forma, grandezas e medidas, visando introduzir a
criança neste ambiente de maneira lúdica.

Figura 6 - Interface do jogo Qual o número de bolinhas?

Fonte: Disponível em: <http://mdmat.mat.ufrgs.br/anos_iniciais/>

A figura 6 mostra a interface do jogo Qual o número de bolinhas?, que pode


ser acessado através do portal MDMAT ®. O objetivo do jogo é contar o número de
bolinhas e clicar na resposta correta.
37

Figura 7 - Interface do jogo Construtor de labirintos

Fonte: Disponível em: <http://mdmat.mat.ufrgs.br/anos_iniciais/>

Na figura 7, é possível ver a interface do jogo, Construtor de Labirintos,


hospedado no mesmo portal. Neste jogo, orientado pelo educador, a criança irá
construir um labirinto, escolhendo os itens que irão compor este cenário, tais como:
cor, os caminhos a serem percorridos, o personagem que irá percorrer o labirinto e a
recompensa que ele terá, ao chegar ao final do percurso. O objetivo do jogo é
desenvolver as habilidades de localização espacial da criança.

4.2 REFLEXÃO SOBRE A INTEGRAÇÃO DAS TIC’s NO PROCESSO DE


ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA – PRÓS E CONTRAS

Parte-se da ideia de que as TIC’s representam atualmente uma autêntica


revolução social. Sua presença em todas as áreas da vida está crescendo e ainda
assim é nas salas de aula onde existe um território de resistência. Acredita-se que a
integração das TIC’s nas escolas não pode nascer apenas da necessidade de se
adaptar à realidade social, mas também pode e deve ser uma desculpa para
avançar na compreensão da educação, transformando os estudantes como
verdadeiros protagonistas de sua aprendizagem. Embora a integração das TIC’s nas
escolas dependa de múltiplos fatores, parece claro que a atitude dos professores é
um elemento proeminente e que, nessa atitude, a formação deles é determinante.
A partir da pesquisa efetuada, e baseada nos artigos e autores que versam
sobre o assunto, identifica-se uma atitude positiva por parte dos professores para
38

utilizar as TIC’s no seu ensino, mas entraram em confronto com uma alarmante falta
de treinamento sobre o uso instrumental nas aplicações pedagógicas e
consequências sociais.
Existem ainda discussões mantidas por diferentes grupos de estudiosos
interessados no assunto e que centraram-se em duas posições. Uma é incluir as
NTICE’s nos currículos escolares e a outra é modificar os parâmetros convencionais,
levando em consideração a presença das TIC. Atualmente, acredita-se que ambas
as posições devem ser levadas em consideração e não são opostas.
Em todo caso, é fundamental introduzir as TIC’s na escola, e investir na
formação continuada dos professores, de maneira que se empoderem no assunto, e
possam introduzir a tecnologia no ensino dos alunos de maneira agradável e
confortável, para ambas as partes, especialmente à informática, como conteúdo
curricular e como meios didáticos.
Portanto, os programas voltados à formação de professores no uso
educacional das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação e Expressão
devem ser propostos como objetivos (KENSKI, 2003):

 Contribuir para a atualização do Sistema Educacional de uma sociedade


fortemente influenciada pelas novas demandas tecnológicas.
 Facilitar aos professores a aquisição de bases teóricas e habilidades
operacionais que lhes permitam integrar, em sua prática docente, os meios
didáticos em geral e aqueles baseados em novas tecnologias em particular.
 Adquirir uma visão global sobre a integração de novas tecnologias no
currículo, analisando as mudanças que seus diferentes elementos sofrem:
conteúdo, metodologia, avaliação, etc.
 Treinar professores para refletir sobre sua própria prática, avaliando o papel e
a contribuição desses meios para o processo de ensino-aprendizagem
(KENSKI, 2003).

É dever de todos envolvidos buscar oportunidades de ajuda ou melhoria na


Educação, explorando as possibilidades educacionais das TIC’s no campo; isto é,
em todos os ambientes e circunstâncias que a realidade apresenta.
39

4.3 A LUDICIDADE CONTIDA NESTA NOVA FORMA DE EDUCAR

Há muitos benefícios para as crianças que usam a tecnologia, mas o tipo de


influência que ela exerce sobre as crianças geralmente depende das regras e
diretrizes estabelecidas pelos pais e educadores. Também é essencial que os
adultos ofereçam experiências digitais envolventes com material de alta qualidade.
Aqui estão cinco maneiras de usar a tecnologia na pré-escola para envolver as
crianças e ajudá-las a aprender as habilidades necessárias para ter sucesso na
escola e na vida.

4.3.1 Ensinar letras e números


Há uma variedade de aplicativos e softwares que podem ajudar as crianças
com conceitos iniciais de alfabetização e conceitos matemáticos. O jogo digital,
utilizado como ferramenta pedagógica, ajuda as crianças a obterem habilidades
desde o reconhecimento de grafia e fonética, até a contagem, classificação e
agrupamento de quantidades e são oportunidades de aprendizado divertidas.

4.3.2 Promover o jogo ativo


Promover o jogo ativo em sua sala de aula usando softwares que permitam
que os corpos dos alunos façam parte do jogo! O Just Dance tem uma variedade de
atividades que exigem que os alunos sejam o controle remoto, através da dança. Já
o jogo Word Pop exige que as crianças usem a caixa fornecida para tentar capturar
letras conforme elas caem para soletrar uma determinada palavra.

4.3.3 Aprender sobre a fauna


Incentive as crianças a usar a tecnologia para saber mais sobre os animais e
assistir a vídeos informativos que sejam apropriados ao desenvolvimento para sua
faixa etária. Os livros interativos com imagens e gráficos permitem entender detalhes
sobre a vida animal em diferentes regiões do mundo: África, Polo Norte e Ásia.

4.3.4 Incentivar a criatividade


40

A tecnologia oferece muitas oportunidades para as crianças serem criativas.


Incentive as crianças a usar programas de desenho e aplicativos para começar e,
em seguida, introduza outros tipos de tecnologia. Peça às crianças que tirem uma
foto e editem, façam um pequeno vídeo e ajudem a postá-lo no blog da sala de aula
ou façam atividades semelhantes que exijam tecnologia.

4.3.5 Desenvolver habilidades digitais


Usar a tecnologia em sala de aula nos anos iniciais, ajudará as crianças em
suas necessidades de obter as habilidades digitais necessárias para que elas sejam
alfabetizadas digitalmente. Ensinar-lhes formas adequadas de usar a tecnologia
também pode ajudá-los a ser bons cidadãos digitais no futuro.
41

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados obtidos com esta pesquisa permitem concluir que através da


tecnologia é possível, em primeiro lugar, desenvolver a competência da criatividade
em dois de seus códigos específicos, como fluência e conectividade, nas crianças
em fase de alfabetização, independentemente das variáveis que podem ser
apresentadas (língua, área de conhecimento, série). Em segundo lugar, o uso da
tecnologia permite que as crianças busquem constantemente soluções para os
problemas da vida cotidiana, que aparecem em um mundo exigente, globalizado e
interativo.
A dinâmica de exercícios em sala de aula usando a tecnologia permite que os
alunos desenvolvam suas próprias estratégias, de acordo com seus pontos fortes e
fracos, para atingir uma meta estabelecida. As crianças são expostas a diferentes
contextos e/ou formas de resolver problemas e escolher a solução de acordo com
suas próprias habilidades evidenciando fluência.
Através desta pesquisa, foi avaliada que a criatividade é um fator fundamental
em qualquer processo acadêmico. A incorporação de tecnologia para desenvolver
essa competência em crianças nos anos inicias do ensino fundamental, é
claramente um sucesso, uma vez que o contexto geral da aula (independente de
idioma, tema ou nota) muda radicalmente, para oferecer um ambiente onde a
criança se sinta confortável, motivada e participante.
As crianças de hoje desenvolvem-se em um ambiente totalmente diferente
das gerações anteriores, para elas o acesso à tecnologia é natural e ajuda a
fortalecer a capacidade cognitiva da criatividade, já que é uma característica de seu
ambiente a partir dos primeiros meses de vida. Esta é uma particularidade que pode
ser explorada nos espaços acadêmicos onde a criança chega com um
condicionamento natural, habilidades adquiridas e uma expectativa única diante do
uso da tecnologia, para desenvolver sua aprendizagem e mudar seu contexto e
percepção que até esse momento é unicamente lúdica.
A incorporação de tecnologia na prática educacional desempenha um duplo
papel especificamente para o estágio da alfabetização. Por um lado, o crescimento e
42

desenvolvimento, de dispositivos e aplicações especializadas gera um conjunto


variado de opções que pode gerar ambientes onde os estudantes enfatizam o seu
pensamento criativo. Por outro lado, essas mesmas tecnologias permitem que
práticas acadêmicas continuem a ser desenvolvidas sob esquemas de grupo, mas
onde cada criança tem a oportunidade de gerar um desenvolvimento e um avanço
individual, o que corresponde diretamente a suas habilidades e capacidades.
Graças ao uso de diferentes ferramentas tecnológicas, foi possível identificar
a maneira como cada criança pode trabalhar no seu próprio ritmo e sem
limitações. A dinâmica das aulas melhora à medida que o professor pode fazer
explicações no quadro, circular pela sala de aula e interagir com os alunos.
Quando surgem preocupações ou dificuldades, elas são esclarecidas no nível
do grupo, o tempo é otimizado e o escopo é muito maior. Isso gera condições de
classe completamente diferentes das apresentadas nas salas de aula
tradicionais. As crianças tomam como base a breve explicação dada ao
desenvolvimento da atividade, os aplicativos utilizados permitem que os alunos
tenham conectividade e avancem de acordo com o nível de dificuldade dos
exercícios tornando-os maiores e maiores.
Em um mundo com mídias cada vez mais sedutoras e atraentes, as salas de
aula com quadro negro e giz estão se tornando lugares monótonos para os alunos
acostumados ao dinamismo das buscas feitas na internet, com a velocidade das
mensagens instantâneas e a versatilidade do telefone celular. Jogos educacionais
bem projetados podem ser criados e utilizados para unir práticas educativas com
recursos multimídia em ambientes lúdicos a fim de estimular e enriquecer as
atividades de ensino e aprendizagem.
Os benefícios e potencialidades desse tipo de mídia são variados e continuam
a ser estudados por educadores e pesquisadores. Desafios de ordem técnica e,
principalmente pedagógicos, ainda precisam ser tratados para os jogos educacionais
serem adotados com maior facilidade pelos professores como eficientes materiais
didáticos. Mas os exemplos da utilização de jogos por empresas, escolas e
universidades já existem e estão aumentando. A tendência hoje é de que as
tecnologias de informação ampliem a presença nas práticas de ensino e, nesse
contexto, entende-se que os jogos digitais educacionais podem ser elementos
43

importantes para enriquecer aulas e ambientes virtuais de aprendizagem.


44

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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