Você está na página 1de 72

Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 8

0 - INTRODUÇÃO

Com a elaboração deste trabalho, pretendemos alcançar uma realização


profissional, encarando o doente como um ser humano total, sendo este superior às
suas partes física, psíquica e social, prestando a este cuidados individualizados e
personalizados.
Foi-nos proposta a realização de um trabalho acerca de um diagnóstico
existente no serviço. Assim, a nossa escolha recaiu sobre o tema Acidente Vascular
Cerebral (AVC), por ser uma doença que nos despertou curiosidade, devido às
consequências que lhe advém, como o facto de criar mais dependência, mais
dificuldade na integração no seio da sociedade, e sentir-se diminuído ficando de
um momento para o outro dependente.
Assim, os objectivos deste trabalho, para além de servir de elemento de
avaliação, são também:
- Aprofundar conhecimentos acerca da patologia;
- Avaliar a resposta do doente aos cuidados prestados;
- Alertar os consultores deste trabalho para a importância da prevenção na
redução das doenças vasculares cerebrais, que são hoje em dia a primeira
causa de morte nos países desenvolvidos;
Abordámos, inicialmente, uma breve anatofisiologia de circulação cerebral e
do cérebro, seguidamente passámos à descrição dos diferentes tipos de AVC,
causas do AVC, factores de risco e acções preventivas, as manifestações
clínicas mais frequentes, tratamento e cuidados de enfermagem na
reabilitação do doente com AVC.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 9

1 - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

Os AVC têm grande importância médica e social considerando-se a alta


mortalidade e morbilidade como incapacidade parcial ou total das pessoas
vitimadas por essa patologia. Nos países desenvolvidos é a primeira causa de
morte.
O grupo de doenças vasculares cerebrais pode ser classificado de acordo
com o facto de elas afectarem focal ou difusamente a circulação do cérebro.
Segundo William A. Pulsinelli e David E. Levy "acidente vascular cerebral (AVC)
significa o comprometimento súbito da função cerebral causado por inúmeras
alterações histopatológicas que envolvem um (focal) ou vários (multifocal) vasos
sanguíneos intracraneanos ou extracraneanos".
Aproximadamente 80% de todos os AVC são causados por um fluxo
sanguíneo muito pequeno (AVC isquémico) e os restantes 20% são originados,
quase igualmente por hemorragia do tecido cerebral (hemorragia parenquimatosa)
ou no espaço subaracnóide subjacente (hemorragia subaracnóide).
Os AVC são fenómenos de grande impacto em termos de incapacitação.
Muitos dos doentes de derrame sobrevivem durante anos , com acentuadas
deficiências, nomeadamente na fala, do intelecto e das funções motoras e
sensoriais. Ao contrário dos sobreviventes de um enfarte do miocárdio, que
continuam com capacidades para realizar várias actividades desde que não
extenuantes, as vítimas de AVC, por norma apresentam dificuldades nas
actividades de vida diária, tais como comer, andar e, até mesmo, comunicar.
Com o prévio conhecimento da patologia e aplicando-se racionalmente a
terapêutica podem conseguir-se resultados extraordinários no prolongamento da
vida útil dos pacientes.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 10

2 - ANATOMIA VASCULAR CEREBRAL

Considerando que a maioria dos AVC são provocados por alterações na


circulação cerebral, é importante o conhecimento da anatomia vascular do cérebro,
para que se possa estabelecer um diagnóstico correcto, assim como a determinação
da patogenia subjacente e execução dum prognóstico. Por exemplo, os sintomas
que assinalam o comprometimento selectivo dos vasos sanguíneos corticais,
apontam êmbolos cerebrais em vez de aterotrombose; por sua vez, alterações
clínicas que não são possíveis de atribuir a um território vascular específico,
podem ter diferentes causas, que não o AVC; a isquémia do sistema
vertebrobasilar tem melhor prognóstico que o da circulação da artéria carótida.
Existem quatro grandes artérias que nutrem o cérebro e são elas: as artérias
carótidas comuns e vertebrais esquerdas e direitas. A carótida comum esquerda
tem origem no arco aórtico, porém outros vasos têm origem em ramos da aorta; a
carótida comum direita deriva da artéria inanimada. A origem das artérias
vertebrais direita e esquerda é nas suas artérias subclávias respectivas. Cada artéria
carótida comum bifurca-se numa artéria interna e numa externa , ao nível do bordo
superior da cartilagem tiroideia. Cada uma das artérias carótidas internas penetra
no crânio através do foramenlácero ipsilateral, atravessa o seu seio cavernoso, os
quais vão dar origem ás artérias oftálmicas, comunicante posterior e anterior, que
se bifurcam na sua extremidade terminal e dão origem às artérias cerebrais
anteriores e média.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 11

 Artéria Cerebral Anterior

A ACA é a que conduz o sangue à superfície medial e superior do


Hemisfério cerebral e toda a porção mais anterior dos lobos frontais. Essa
artéria , propicia o aporte sanguíneo a importantes estruturas como sejam o núcleo
anterior do tálamo, com contribuições para a radiada, para a perna anterior da
cápsula interna, a cabeça do núcleo caudado e para o putâmen.
A ACA ao localizar-se entre dois hemisférios cerebrais reveste-se de
importante referência angiográfica como linha média, sendo também,
moderadamente sensível à compreensão por lesões cerebrais frontais ou de linha
média que exerçam um "efeito de massa".
Hemiparésia contralateral e perda da sensibilidade (mais acentuada na
perna) fazem parte do quadro sintomático de oclusão da ACA. No entanto, outras
manifestações desta oclusão podem ser encontradas, ataxia de marcha e
incontinência urinária.

 Artéria Cerebral Média

A artéria média irriga a maior parte da superfície lateral do hemisfério


Cerebral, excepto os pólos occipital e frontal.
Este é o vaso mais frequentemente afectado pelo derrame isquémico.
Os ramos da artéria cerebral média formam o triângulo angiográfico de
Silvius, cujo deslocamento proporciona importantes informações quanto à
localização da lesão.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 12

Os ramos perfurantes da artéria cerebral média, atingem a profundidade do


hemisfério cerebral os quais vão irrigar a parte posterior da cápsula interna, os
gânglios da base e a coroa radiada.
Quando ocorre oclusão da ACM, as manifestações clínicas mais frequentes
são: hemiparésia contralateral (perda sensitiva , pior no braço e na face); afasia de
expressão e deseorientação espacial.

 Artérias Vertebrais e Basilares

As artérias vertebrais têm origem nas artérias subclávias. As artérias


vertebrais vão ascender através dos forâmens transversos de c6 até c1 (atlas) e
penetrar no crânio através do forâmen magro.
Quando há oclusão destas artérias, o doente pode apresentar a seguinte
sintomatologia:
- ápise basilar: cegueira bilateral e amnésia;
- artéria basilar: hemiparésia contralateral e perda de sensibilidade e sinais
bulbares homolaterais;
- artéria vertebral e/ou artéria cerebral póstero-inferior: perda homolateral
de sensibilidade facial, ataxia e hemiparésia contralateral;
- artéria cerebral superior: ataxia na marcha, náuseas, tonturas, cefaleias,
disartria, parésia do olhar, sonolência e hemiparésia contralateral.

 Artéria Cerebral Posterior

Os ramos corticais vão irrigar o polo posterior e as superfícies inferior e

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 13

medial posterior dos hemisférios, incluindo o córtex calcarino, ou seja, a área


receptora visual primária e o hipotálamo. Algumas derivações suprem o
mesencéfalo, a área subtalâmica, o tálamo e a porção posterior da cápsula interna,
além das vias ópticas e do hipotálamo.
As manifestações mais frequentes da oclusão a nível da ACP são:
hemianópsia honónima contralateral ou quadrantanópsia superior bem como o
comprometimento de memória.

1 - Artéria anterior do cérebro


2 - Artéria média do cérebro
a) Ramos parietais
b) Ramos temporais
3 - Artéria oftálmica
4 - Artérias etmoidais anterior e posterior
5 - Artéria carótida interna
6 - Artéria comunicante posterior
7 - Artéria posterior do cérebro
8 - Artéria basilar
9 - Artéria superior do cerebelo
10 - Artéria inferior anterior do cerebelo
11 - Artéria inferior posterior do cerebelo
12 - Artéria Vertebral
13 - Ramos estriados
14 - Artéria insular
15 - Artéria palidostriada
16 - Artéria Talâmica

Fig. 1 - Artérias e veias do cérebro

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 14

1 - Lobo da Ínsula 5 - Sulco Centra


2 - Artéria Média do Cérebro (2 ramos) 6 - Lobo Occipital
3 - Artéria Basilar 7 - Artéria Superior do Cerebelo
4 - Artéria Vertebral 8 - Cerebelo

Fig. 2 - Artérias e veias do cérebro

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 15

3 - METABOLISMO E FISIOPATOLOGIA DO FLUXO


SANGUÍNEO CEREBRAL

O cérebro, contrariamente ao músculo e a outros tecidos, depende de um


fluxo sanguíneo regular e contínuo, de modo que sejam satisfeitas as suas
necessidades de energia, uma vez que a sua capacidade para armazenar glicose,
glicogénio e outras reservas de fosfato de alta energia (ATP, fosforeatina) seja
reduzida.
O fluxo cerebral de um homem são e consciente é de cerca de 60 ml/100g de
energia por minuto. Assim, quando anóxia o metabolismo cerebral é
imediatamente alterado, podendo ocorrer morte das células e lesão permanente de
3 a 10 minutos, pois o cérebro ainda possui algumas reservas de alta energia
suficientes para sustentar as necessidades metabólicas normais durante os minutos
atrás referidos.
Qualquer condição que altere a perfusão contínua cerebral vai causar hipóxia
ou anóxia.
A hipóxia provoca primeiro a isquémia cerebral: a isquémia de curta duração
(10/15 minutos) o que leva a uma insuficiência temporária não permanente; a
isquémia de longa duração vai provocar a morte permanente das células e ocorre
enfarte cerebral, provocando edema e aumento das alterações neurológicas.
A zona do cérebro afectada e os vasos cerebrais envolvidos é que vão
determinar o tipo de défices focais permanentes.
Normalmente a artéria cerebral e a artéria carótida interna são os vasos mais
frequentemente afectados.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 16

4 - CLASSIFICAÇÃO DOS AVC

Existem 2 tipos de AVC, com diferentes estratégias diagnósticas e


terapêuticas:

· AVC isquémico
· AVC hemorrágico

4.1- AVC ISQUÉMICO

O AVC isquémico pode ser de origem:


- trombótico ou embólico, quando há isquémia da região suprida pela
artéria afectada;
- hipoperfusão sistemática, quando a isquémia é mais difusa
(hipotensão, insuficiência cardíaca e hipovolémia).

4.1.1- ISQUÉMIA DE ORIGEM TROMBÓTICA

A isquémia de origem trombótica, ocorre quando há obstrução ao fluxo


sanguíneo causado por processo oclusivo local.
O lúmen do vaso encontra-se estreito ou ocluído por alterações da parede do
vaso ou formação do trombo.
Uma das principais causas é a arteriosclerose, das grandes artérias extra e
intra-craneanas.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 17

Outras causa são:


· deficiências de factores fisiológicos inibidores da coagulação (antitrombina
III, proteína C, proteína S);
· actividade fibrinolítica anormal;
· anticorpos fosfolípidos;
· fibroclispasia muscular da média, artrites, estados de hipercoagolabilidade;
· lipotrialinose ou degenerescência fibrinóide das pequenas artérias são
chamadas lacunas (enfartes lacunares).
Este tipo de isquémia produz habitualmente perda transitória da fala,
distúrbios visuais, hemiplegia ou parestesia metade do corpo, podendo preceder o
início de uma paralisia grave.

4.1.2 - ISQUÉMIA DE ORIGEM EMBÓLICA :

A isquémia de origem embólica ocorre quando um coágulo de sangue ou de


outra substância proveniente de uma outra parte do corpo é levado até ao cérebro
pela corrente sanguínea.
Aproximadamente 30% da isquémia de origem embólica têm causa cardíaca
(endocardite infecciosa, válvulas cardíacas substituídas por próteses, enfarte do
miocárdio), êmbolos pulmonares e placas ateroscleróticas na artéria carótida.
Habitualmente, o embolo aloja-se na artéria cerebral média ou nos seus
ramos, onde bloqueia a circulação.
Os sintomas têm início brusco de hemiparésia ou hemiplegia, distúrbios da
fala e distúrbios visuais.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 18

4.1.3 - HIPERFUSÃO SISTÉMICA:

É quando existe um bombardeamento inadequado de sangue para o cérebro,


tais como: estados de choque, hipovolémia, falência miocárdica, arritmias graves e
hipotensão sistémica.
Os seus principais sintomas são: mal-estar, palidez, visão enevoada,
hipoacusia com zumbidos, vertigens e cintilações. Estes pioram quando o doente
se senta ou se levanta e se a TA é baixa.
Contrastando com os AVC tromboembólicos, a hiperfusão é global e mais
pronunciada nas zonas fronteiras dos diversos territórios vasculares cerebrais.
Segundo W. A. Pulsinelli e David E. Levy a isquémia focal em qualquer
região do cérebro pode ser dividida em categorias que têm importantes implicações
anatómo-patológicas e terapêuticas:

 AVC versus ataque isquémico transitório

O AVC é definido como um déficit neurológico que dura mais de 24 horas e


é causado pela redução do fluxo sanguíneo numa determinada artéria que irriga o
cérebro. O resultado anatómo-patológico habitual é o enfarte na porção isquémica
do cérebro. Em contrapartida é definida arbitrariamente como um déficit
neurológico semelhante que dura menos de 24 horas.
Muitos AIT cedem em uma hora, assim é provável que um déficit que durou
mais de uma hora seja classificado como um possível AVC, estando associado,
com frequência a uma lesão permanente do cérebro.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 19

A diferenciação clínica entre o AIT e o AVC é se a isquémia causou lesão


cerebral (enfarte ou necrose isquémica selectiva). As decisões relativas ao início ao
tratamento e ao tipo deste são inevitavelmente vagas, já que não existem limiares
temporais nítidos que separem as duas entidades.

 AVC estável versus instável

Os doentes com AVC instáveis são identificados pela melhora ou


deterioração da sua sintomatologia. Pode ser difícil decidir se um AVC é instável,
já que, em tese, todos os acidentes vasculares cerebrais necessitam de um certo
período de tempo para atingirem um máximo ou mínimo estável.
A decisão depende de uma anamenese precisa, do intervalo do início dos
sintomas e o primeiro exame e mais tarde frequência e da observação. Dois terços
dos pacientes com AVC na circulação anterior e um número muito mais alto
daqueles com AVC vertebrobasilares que são examinados algumas horas depois
apresentam sinais e sintomas flutuantes durante a 1ª semana.
É muito importante a identificação dos pacientes com agravamento da
sintomatologia, o que é frequentemente chamado de AVC progressivo ou AVC
com evolução, já que é possível um tratamento para limitar a lesão cerebral quando
se consegue identificar a causa.

 AVC completos versus incompletos

Uma distinção importante é aquela feita entre o AVC completo e


incompleto. Os termos referem-se ao facto de o território vascular afectado pode
ter sido envolvido completamente, caso contrário, um volume maior do cérebro
continua em risco de isquémia focal adicional, o que torna o tratamento uma
Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu
Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 20

questão urgente. Pode ser difícil diferenciar clinicamente os AVC completos dos
incompletos, em especial logo depois do seu início. Do ponto de vista prático, a
diferenciação entre um derrame completo e outro incompleto baseia-se geralmente,
na gravidade da perda funcional, como por exemplo, hemiplegia versus
hemiparésia.

4.2 - AVC HEMORRÁGICO

Aproximadamente 20% de todos os AVC consistem em hemorragia


intracraniana, metade no espaço subaracnóide e o restante no próprio parênquima
cerebral.
O aumento agudo da pressão intracraniana (PIC) decorrente de uma ruptura
arterial determina a perda de consciência em cerca de metade dos pacientes , sendo
que muitos deles morrem de herniação cerebral. No entanto, é frequente que os
pacientes que sobrevivem mostrarem uma recuperação extraordinária, já que a
hemorragia no espaço subaracnóide ou no parênquima cerebral causa menos lesão
tecidual que a isquémia.
Tal como o AVC isquémico, o AVC hemorrágico pode ser classificado
como difuso (subaracnóideu e/ou intravascular) ou focal (intrapar-enquimatoso).
HSA é causada pela ruptura de artérias superficiais (aneurismas,
malformações vasculares, traumatismos cranianos) e geralmente o sangue fica
limitado ao espaço de liquor entre as meninges (pia-mater e a aracnóide). Com
frequência, a hemorragia intracerebral é causada por ruptura de artérias que se
situam profundamente no parênquima cerebral (hemorragia hipertensiva,
malformações vasculares, TCE) porém em alguns casos o sangue proveniente de
artérias superficiais consegue penetrar no parênquima cerebral.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 21

O sangue nos ventrículos cerebrais provem do refluxo de sangue


subaracnóideu através dos forames do quarto ventrículo, ou por invasão, a partir
de um local de hemorragia intraparenquimatosa.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 22

5 - CAUSAS DO AVC

O AVC costuma ter uma das causas a seguir:


1. Trombose Cerebral: formação de um coágulo sanguíneo na luz de um
vaso cerebral ou cervical.
2. Embolia Cerebral: quando um coágulo de sangue ou de outro material é
carregado até ao cérebro pela corrente sanguínea, sendo proveniente de
outra parte do corpo.
3. Isquémia Cerebral: redução do aporte de sangue para uma determinada
área do encéfalo.
4. Hemorragia Cerebral: ruptura de um vaso sanguíneo cerebral, com
derramamento de sangue no parênquima cerebral ou nos tecidos
circunjacentes.

A hemorragia pode ocorrer externamente à dura-máter (hemorragia


extradural ou epidliral), por sob a dura-máter (hemorragia subdural), no interior do
espaço subaracnóide (hemorragia slibaracnóide), ou no interior do parênquima
cerebral (hemorragia intracerebral).
O resultado de cada um destes quatro processos é a interrupção do aporte
sanguíneo cerebral, resultando em défices temporários ou permanentes - perda de
movimentos, fala, sensibilidade ou do raciocínio.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 23

6 - FACTORES DE RISCO E PREVENÇÃO DO AVC

Sem qualquer sombra de dúvidas que, o melhor tratamento para o AVC é a


prevenção. Por isso de seguida iremos abordar alguns dos mais importantes
factores de risco, aos quais estão implícitas algumas medidas preventivas a ter em
conta.
 Hipertensão arterial: é sem dúvida, o principal factor de risco. O seu
controlo toma-se assim prioritário para a prevenção do AVC.
 Doenças cardiovasculares: exemplo disso temos a cardiopatia reumática,
distúrbios do ritmo - principalmente a fibrilhação auricular -,
insuficiência cardíaca congestiva e hipertrofia ventricular, uma vez que
potenciam a embolia cerebral de origem cardiogénica.
 Alteração do hematócrito (elevados)
 Diabetes: a hiperdissémia é considerada um factor do AVC, mais
particularmente do AVC isquémico, uma vez que potência a
arteriosclerose cerebral. De referir que, os diabéticos, para além da sua
patologia, estão sob o efeito de uma associação de factores, tais como, a
obesidade, a hipertrigliceridémia, a hipercolestrolémia e HTA que são já
por si, mais frequentes no diabético.
 Anticoncepcionais orais: é maior o risco nas mulheres que o utilizam e
este é exacerbado ainda mais pela coexistência de hipertensão, idade
superior a 35 anos, tabagismo e níveis de estrogénio circulante elevados.
 Tabaco
 Drogas: principalmente entre adolescentes e adultos jovens.
 Hiperlipidémias : daí a necessidade do controle do colesterol
sanguíneo, especialmente nos adultos jovens.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 24

 Álcool
 Poliglobulina: desencadeia uma hiperviscosidade sanguínea, favorecendo
as isquérmias e as tromboses.
 Obesidade: o excesso de peso aumenta significativamente o risco de
AVC. Normalmente faz-se acompanhar de HTA, diabetes e
hiperinsulinismo, que são igualmente factores de risco.
 Stress

Como a doente em estudo apresentava diagnosticadas, paralelamente à


situação de AVC Isquémico, fibrilhação auricular e hipertensão arterial, vamos
deter-nos um pouco e analisar mais detalhadamente cada uma das situações.

a) – Fibrilhação Auricular

Genericamente, uma arritmia pode ser definida como um distúrbio da


frequência, da regularidade ou do local de origem do impulso cardíaco ou uma
normalidade da condução que causa uma sequência anormal de activação
(Wyngaarden, 1993).
A fibrilhação auricular é a mais rápida e frequente das arritmias auriculares.
As contracções regulares da aurícula são substituidas por uma actividade rápida e
irregular. Por isso não aparecem ondas P (que representam a despolarização
auricular) no ECG (George, 1989).
O complexo QRS – que traduz no ECG a despolarização dos ventrículos – é
geralmente normal (Brunner & Suddarth, 1990) e a frequência auricular situa-se
entre os 350 e os 600 batimentos por minuto (Wyngaarden, 1993).
Como facilmente se compreende, esta arritmia acarreta uma situação de
insuficiência cardíaca por perda da contracção auricular.
Por outro lado, verifica-se um déficit do pulso e uma tendência
anormalmente elevada para a ocorrência de fenómenos de tromboembolismo.
Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu
Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 25

b) – Hipertensão Arterial

O risco ocorrência de AVC aumenta sensivelmente 50% para cada 5 mmHg


de elevação da TA diastólica na faixa situada entre 70 e 110mmHg (Wyngaarden,
1993).
A TA é o produto do débito cardíaco pela resistência vascular sistémica. Por
definição, esta última encontra-se elevada nos quadros de hipertensos. Contudo,
definir HTA, não é tarefa fácil. Geralmente aceita-se uma tensão sistólica maior
que 140 mmHg e uma tensão diastólica maior que 90 mmHg em pessoas com mais
de 30 anos e maior que 160/95 mmHg (TA sistólica e diastólica respectivamente)
em indivíduos com mais de 60 anos como sendo hipertensa (ADAIR, 1996).
Os autores consultados descrevem vários tipos de hipertensão que, para os
objectivos do trabalho, não interessa descrever exaustivamente. De notar, contudo,
que é importante a sua diferenciação para se instituir o tratamento terapêutico
adequado.
Convém referir, no entanto, algumas indicações gerais que no entender de
ADAIR (1996) são úteis no tratamento da hipertensão arterial:
 restrição de sódio na dieta e introdução de suplementos de cálcio ou
potássio;
 eliminação do álcool e tabaco;
 aumento da actividade física e perda de peso em obesos;
 diminuição do consumo de gorduras saturadas e colesterol.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 26

7 - MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS MAIS FREQUENTES DO


AVC

Um AVC pode causar deficits neurológicos muito diversos, dependendo da


localização da lesão, das dimensões da área isquémica e do volume de circulação
colateral.
É digno referir que o encéfalo, uma vez lesado, não pode ser totalmente
restaurado.
De seguida, iremos descrever, de uma forma aprofundada as manifestações
clínicas, subdividindo-as em áreas deficitárias.
 Déficit motor: uma vez afectados os neurónios motores superiores, há
uma perda de controle voluntário dos movimentos. A existência do
distúrbio do controle motor voluntário de um membro de um lado do
corpo costuma reflectir lesão dos neurónios motores superiores do lado
oposto. A disfunção motora mais comum é a hemiplegia, por lesão
contralateral. A hemiparésia (diminuição da força muscular) é uma outra
distinção bastante frequente. Na fase inicial do AVC, a paralisia pode ser
flácida, associada à diminuição ou mesmo ausência de reflexos
tendinosos profanados. Normalmente, passados 48 horas depois, estes
reflexos proprioceptivos reaparecem e estão associados a hipertonia e à
espasticidade dos membros.
 Deficit na comunicação: linguagem e comunicação. Pode manifestar-se
por disartria, disfasia, afasia e apraxia.
 Distúrbios da percepção:
hemianópsia
 defícit sensitivo a nível táctil e proprioceptivo

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 27

 dificuldade na interpretação de estímulos auditivos e visuais.


 Comprometimento da actividade mental: reflectindo-se a nível da
memória, da aprendizagem e da atenção. Alteração do nível da
consciência, incluindo o coma.
 Disfunção vesical: após o AVC o doente pode apresentar incontinência
ária transitória, confusão mental, incapacidade de comunicar as suas
necessidade ou até mesmo por incapacidade motora e postural. Algumas
vezes, o controle do esfincter urinário externo encontra-se diminuído ou
abolido.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 28

8 - TRATAMENTO DO AVC NA FASE AGUDA

A fase aguda do AVC costuma durar 48 a 72 horas. Como cuidado


prioritário temos a prevenção da permeabilidade das vias aéreas.
No tratamento médico do paciente com AVC, podemos incluir o uso de
diuréticos, a fim de reduzir o edema cerebral, os anticoagulantes são utilizados
como profilaxia da trombose ou do embolismo. Os agentes antiagregantes
plaquetários desempenham uma função significativa, actuando no processo de
formação dos trombos e dos êmbolos.
A TA não deve atingir valores demasiado baixos, nem ser reduzido
repentinamente pois pode levar a uma isquémia cerebral ou do miocárdio, daí a
utilização da medicação para o controlo da TA.
O tratamento está dependente do tipo de AVC em causa, se isquémico ou
hemorrágico mas que, em qualquer dos casos, tem como principal objectivo
promover uma perfusão e um metabolismo cerebral adequado.
A fim de reduzir a viscosidade sanguínea e melhorar a perfusão cerebral é
importante o controlo da hidratação, pela administração de soluções endovenosas.
Pode ser igualmente necessária a oxigenoterapia e, muitíssimo importante prevenir
o desenvolvimento de complicações pulmonares possíveis de ocorrer devido à
perda de reflexos respiratórios, hipoventilação e imobilidade.
Quanto ao posicionamento, o doente deve ser colocado em decúbito lateral e
a cabeceira deve ser ou não elevada consoante o AVC em causa seja de origem
hemorrágica ou isquémica, respectivamente.
Deste modo destacamos alguns tratamentos utilizados.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 29

8.1 - TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS VASCULARES

O objectivo dos tratamento consiste num primoroso suprimento sanguíneo


no local e reduzir a lesão do tecido afectado. Isto é conseguido pela terapia anti-
coagulante, terapia trombolítica, termoterapia, terapia com gradiente de pressão,
intervenções cirúrgicas e educação continuada do paciente.

Terapia Anticoagulante
A terapia anticoagulante é a administração de medicações destinadas a
conseguir o seguinte:
Objectivos:
 Romper o mecanismo natural da coagulação do sangue.
 Prevenir a formação de um trombo nos pacientes pós-operatórios.
 Interceptar a extensão de um trombo após sua formação.

Tipos de Antícoagulantes

Orais
Derivados da cumarina: dicumarol, fenprocumon, varfarim sódico e
varfarim potássico.

Parenterais
Heparina sódica

Indicações Clínicas
1. Trombose venosa - devido ao perigo de extensão e ao perigo dos
êmbolos.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 30

2. Embolia pulmonar - como profilaxia, quando sabemos que o paciente


constitui um candidato sob suspeição; está indicada também durante a
fase de recuperação, para prevenir qualquer formação adicional de
coágulo.
3. Paciente susceptível à embolia - como um paciente cirúrgico que sofre de
doença cardíaca reumática, alguém que foi submetido a uma cirurgia
valvular.
4. Oclusão coronariana com enfarte do miocárdio.
5. Acidente vascular cerebral (apoplexia) causado por êmbolos ou trombos
cerebrais - para reduzir a estagnação do sangue: útil na prevenção e no
tratamento dos acidentes vasculares cerebrais.

Contra-indicações
1. Pode causar sangramento espontâneo - portanto, não utilizar quando
existe a probabilidade de sangramento, devido à maior fragilidade capilar
ou de um aneurisma.
2. Os indivíduos com úlcera péptica e doenças ulcerativas crónicas são
considerados de alto risco, devido à possibilidade de sangramento.
3. Não deve ser feita após uma neurocirurgia, devido ao perigo de
hemorragia no cérebro ou na medula espinhal.
4. A doença hepática pode representar um problema, devido à interferência
com os factores da coagulação das proteínas plasmática.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 31

5. Doenças com insuficiência hepática e renal, devido à dificuldade em


metabolizá-los e eliminá-los - resultando em toxicidade e dificuldade em
responder à medicação com antídotos (com exclusão da heparina).
6. Acompanhamento precário por parte dos pacientes; a não ser quando o
paciente coopera comunicando os resultados dos exames de sangue, não
deverá receber anticoagulantes.
7. Diabetes grave, infecções ou condições traumáticas severas são
circunstâncias quais a terapia anticoagulante pode estar contra-indicada.

Intervenções de Enfermagem
1. O método preferido para a administração de heparina é a infusão contínua
(utilizando uma bomba), por causa da baixa incidência de complicações
hemorrágicas.
2. Verificar o peso do paciente, pois a dose é calculada tendo o peso como
base.
3. Providenciar a obtenção do perfil da coagulação antes de iniciar o
tratamento, para identificar quaisquer tendências hemorrágicas escondidas.
4. Colocar a bomba fora do alcance do paciente, para prevenir a interferência
com seu funcionamento adequado. Verificar com frequência para ter certeza
de que o sistema está a funcionar devidamente: dose exacta, ausência de
vazamentos, ausência de acotovelamentos.
5. Obedecer à realização periódica dos testes de coagulação; estes incluem
hematócrito e tempo de tromboplastina parcial (TTP).
6. Reconhecer que a heparina pode ser administrada por injecção intravenosa
intermitente. Isto pode ser facilitado com a utilização de uma "trava para
heparina".

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 32

7. As minidoses de heparina são usadas em certos pacientes pré-operatórios


para reduzir o tromboembolismo pós-operatório.
8. Já que a heparina pode ser administrada juntamente com outros agentes
hipoprotrombinêmicos de acção prolongada, para os primeiros dias do
tratamento as prescrições da medicação de cada dia devem ser verificadas
após conhecer os relatórios dos testes diários do tempo de protrombina.
9. Ter à mão os antídotos para os anticoagulantes que estão a ser usados:
Heparina - sulfato de protamina
Cumarina - fitonadiona (vitamina K,, Aquamephyton, Konakion,
Mephyton)
10.Observar que a duração relativamente longa da acção dos anticoagulantes
orais faz com que seja mais fácil manter por longos períodos os baixos
níveis de protrombina.
11.Observar atentamente por quaisquer possíveis sinais de sangramento e
comunicar imediatamente, para que a dose do anticoagulante possa ser
revista e modificada, se necessário.
a) Urina - assinalar evidência de hematúria; os derivados da
indandiona podem fazer com que uma urina alcalina adquiria uma
coloração laranja-avermelhada - a acidificação dessa urina resulta
em desaparecimento dessa coloração.
b) Fezes - Avaliar para coloração alcatroada; utilizar fita de teste para
sangue oculto.
c) Bacia para vomito após escovar os dentes - observar qualquer
líquido rosado ou sanguinolento.
12.Estar ciente do seguinte com relação à sensibilidade aos derivados da cumarina:

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 33

Pode ser reduzida por Pode ser reduzida por


Antibióticos Antiácidos
Óleo mineral Barbitúricos
Quinidina Anticoncepcionais orais
Salicilatos Corticosteróides supra-renais
Tolbutamida (Orinase)

Deve-se ter em consideração que: As interacções medicamentos podem


alterar o efeito dos anticoagulantes. Rever com o médico o efeito de outras
medicações que o paciente possa a estar tomando durante a terapia
anticoagulante.

Orientações Injecção Subcutânea de Heparina

Finalidade
Quando estiver indicada uma terapia Prolongada, a heparina pode ser
administrada pela via subcutânea nos tecidos adiposos.
Equipamento
Seringa de 1 ou 2 ml ou seringa descartável para tuberculina.
Agulha fina e afiada, nº 27, com 1,6 cm de comprimento (ou unidade
cartucho-agulha Tubex previamente medida).
Anti-séptico para a pele.

Considerações
1. Os locais mais convenientes são aqueles ao longo do tecido adiposo no
abdomen inferior - para evitar a injecção intramuscular involuntária e a
formação de hematoma.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 34

a) Um local comum é a área adiposa diante de uma das cristas ilíacas.


b) Evitar os locais de injecção dentro de 5 cm do umbigo, por causa
da possibilidade de penetrar em um vaso sanguíneo calibroso.
2. As áreas onde a camada subcutânea é muito fina devem ser evitadas.

ALERTA GERONTOLÓGICO: Os indivíduos idosos começam a


perder o tecido adiposo subcutâneo. Examinar o paciente em busca do
melhor local para administração subcutânea de heparina.

Procedimento

Acção da Enfermagem Base Lógica/Amplificação


Fase de Realização
1. Limpar a área delicadamente com 1. A escoriação ou o pinçamento da
álcool. Não friccionar! pele poderia desencadear algum
dano ao tecido; a heparina poderia
agravar qualquer sangramento.
2. Tentar distender a pele, utilizando a 2. Tentar esvaziar os vasos
palma da mão esquerda. Alguns sanguíneos na área local para
preferem levantar (com delicadeza) reduzir a probabilidade de serem
uma prega da pele bem definida. perfurados pela agulha - com
subsequente formação de
hematoma.
3. Segurando o corpo da seringa como
se fosse um dardo, introduzir a
agulha directamente através da pele
formando um ângulo recto
exactamente para dentro da camada
adiposa subcutânea.
4. Colocar a mão direita na posição para 4. A aspiração forçada pode lesar os
orientar o êmbolo. pequenos vasos sanguíneos e, com
Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu
Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 35

a. Não movimentar a ponta da frequência, resultar em


agulha depois que tiver sido sangramento e na formação de um
introduzida. hematoma, especialmente na
b. Não puxar de volta o êmbolo para presença de uma alta concentração
testar. de heparina.
5. Continuar empurrando o êmbolo com 5. Isso garante a administração da
firmeza e completamente. dose total de heparina.
6. Depois que a injecção tiver sido feita, 6. Para minimizar o dano tecidual.
retirar a agulha com delicadeza no
mesmo ângulo em que foi
introduzido, soltando a prega de pele
após a retirada da agulha.
7. Pressionar uma bola de algodão 7. Para minimizar o vazamento ou o
embebida em álcool no local por uns sangramento.
poucos segundos.
Cuidados de Acompanhamento
1. Não friccionar a área. Instruir o 1. A fricção faria aumentar a
paciente para não friccionar a área. probabilidade de sangramento.
2. Local da injecção
a. Mudar o local da injecção em
cada administração de heparina.
b. Pode ser feito um gráfico com
hora, data e dose medida, para
der garantir um rodízio dos
locais.

Nota: As pequenas doses de heparina podem ser utilizadas para prevenir a


trombose venosa profunda no pós-operatório.
Terapia Trombolítica

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 36

Terapia trombolítica é a administração de agentes trombolíticos com a


finalidade de dissolver qualquer trombo formado e inibir a função hemostática do
corpo.

Tipos de Trombolíticos
Existem agentes trombolíticos para utilização apenas parenteral. Os
trombolfticos usados comumente incluem:
1. Estreptoquinae.
2. Uroquinase.
3. Activador do plasminogênio tipo tecidual (APK).

Indicações Clínicas
1. Enfarte agudo do miocárdio por trombose coronariana.
2. Embolia pulmonar.
3. Oclusão de artérias periféricas.

Contra-indicações
1. A hemorragia generalizada constitui um grande risco, pois a terapia
trombolítica inibe o sistema hemostático do organismo.
2. Os indivíduos com úlcera péptica e doenças ulcerativas crónicas são
candidatos de alto risco.
3. Não devem ser administrados após qualquer cirurgia recente.
4. A doença hepática pode constituir uma contra-indicação, devido à
interferência com os factores da coagulação das proteínas plasmáticas.
5. Os agentes trombolíticos são utilizados somente para o controle
emergencial agudo da trombose e são administrados habitualmente em
um meio ambiente altamente controlado, como o laboratório para
cateterização cardíaca ou uma unidade de tratamento intensivo.
Intervenções de Enfermagem

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 37

1. Controlar os perfis da coagulação; estes são essenciais antes de iniciar o


tratamento, a fim de demonstrarem quaisquer tendências hemorrágicas,
assim como para funcionarem como uma linha basal para avaliação da
eficácia medicamentosa.
2. Observar quaisquer sinais de sangramento e comunicar imediatamente.
3. Observar as reacções alérgicas. Um pequeno número de pacientes (menos
de 5%) pode experimentar uma reacção alérgica.
a) Observar o paciente para o início de uma nova erupção, febre e
calafrios.
b) Relatar imediatamente qualquer reacção alérgica suspeita.

Terapias Não-farmacológicas

Termoterapia

A. Calor Seco
1. Garrafas com água quente
a. Avaliar a temperatura da água antes de encher a garrafa não
ultrapassar os 48,8ºC.
b. Aplicar uma protecção na garrafa, para que a mesma não entre em
contacto directo com a pele.
2. Cama aquecida (controlado termostaticamente ou regulado com bulbos
eléctricos)
a) Acolchoar as bordas metálicas da cama para prevenir qualquer lesão
das extremidades.
b) Controlar a temperatura para não ultrapassar os 32,2ºC.
c) Tomar providências para reduzir a probabilidade de os bulbos serem
tocados pela extremidade (habitualmente pernas e pés).

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 38

d) As temperaturas mais altas poderiam estimular o metabolismo (o que


não é desejável).
e) Reduzir a temperatura se o paciente se queixa de dor na extremidade.
3. Ultra-som (vibração acústica com frequências além da percepção do
ouvido humano)
a) Útil nas áreas pequenas onde se deseja uma penetração mais profunda
de calor e onde a circulação precisa ser estimulada.
b) O tempo de aplicação é inferior a 10 minutos.
c) Evitar as áreas onde podem estar presentes suturas metálicas.

B. Calor Húmido
1. Hidroterapia
a) Banho de assento - utilizado para a terapia perineal.
b) Bacia - para mãos ou pés, com temperaturas prescritas e por períodos
prescritos.
2. Banho de turbilhão
a) Além do calor húmido, o efeito da água agitada proporciona
hidromassagem.
Pode ser usado para uma ou duas extremidades ou para o corpo todo.
3. Compressas quentes
a) Aplicadas directamente na pele.
b) Quando muito quentes, aplicar sobre uma toalha.

Terapia com Gradiente de Pressão para Promover Vasodilatação


(Dispositivos e Uniformes de Compressão)

A. Manguitos, Luvas ou Botas


1. Circulador - a pressão do ar produzida electricamente insufla e esvazia
alternadamente uma bota na qual foi encaixada a extremidade. O ritmo

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 39

de oclusão e de liberação, assim como a pressão, podem ser regulados


para corresponderem ao pulso.
2. Luva ou bota pressora - um tubo plástico cheio de ar.
a) Pode ser mantido com baixa pressão por várias horas.
b) Pode ser regulado para funcionar intermitentemente (útil no linfedema
do braço após mastectomia).

B. Roupas Elásticas
1. O apoio para uma extremidade pode ser feito sob medida: Uma fita
métrica especial foi elaborada por Jobst* para serem produzidas
"pressões dos tecidos " exactas com seus apoios do gradiente de pressão
venosa feitos sob medida.
2. O método para aplicar uma meia de apoio.
3. Qualquer tipo de meia de apoio, se for aplicado incorrectamente (como
permitir que fique enrolada na parte superior), pode agir como um
torniquete. Este produzirá estase em vez de preveni-la.
4. Muitos questionam a eficácia das meias elásticas; o enfermeiro será
orientada pelas preferências do médico do paciente.
5. Existem meias elásticas com balões pneumáticos insufláveis conectados a
uma bomba de ar pneumática capazes de ajudar a prevenir a formação de
trombos nas veias profundas da panturrilha e da parte inferior da perna.
Os balões presentes nesse dispositivo, que recebem a designação de
Sistema Antiembolismo Pulsátil, se expandem e contraem, e se destinam
a estimular a circulação.

Intervenções Cirúrgicas
1. Os principais centros vasculares estão relatando resultados elogiáveis na
cirurgia vascular como uma alternativa para a amputação.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 40

2. Uma segunda opinião é sugerida quando está a ser considerada a


amputação de uma extremidade inferior.
3. Existem vários materiais para enxertos sintéticos para necessidades
vasculares bastante específicas.
4. A microcirurgia está proporcionando uma nova dimensão ao reparo
cirúrgico muito delicado.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 41

9 - ALGUNS CUIDADOS DE ENFERMAGEM DE


REABILITAÇÃO AO DOENTE COM AVC

Nesta fase do trabalho vamos fazer uma breve abordagem acerca dos
cuidados de enfermagem, numa fase de reabilitação a um doente com AVC e
incapacitado por hemiplegia, é de referir que a reabilitação deve ter início no dia
em que o paciente apresenta o AVC, devendo dirigir-se à satisfação das
necessidades humanas básicas, visando prevenir e minimizar os danos cerebrais e
deve ser intensificada durante a fase de convalescença.
A nossa assistência deve assentar em acções que visem essencialmente:
 uma comunicação eficaz com o doente;

 estimular a independência para a realização das AVD;


 manter e /ou recuperar funções motoras, sensoriais e perceptivas;

 recuperar o controlo dos esfíncteres e, orientar a família e o doente


durante o internamento e para uma futura alta, com vista à continuidade dos
cuidados prestados durante o internamento.

O enfermeiro deve, antes de mais, saber os hábitos e condições de vida do


doente, antes da instalação da doença, de forma a poder planear e estabelecer as
suas acções de um modo personalizado. Deve também, incentivar o doente e
aceitar as suas limitações e incutir-lhe esperança para uma possível, mas por vezes
demorada recuperação, através da utilização das capacidades conservadas e pela
aprendizagem das capacidades perdidas.
Normalmente, o doente apresenta afasia, o que compromete a sua
capacidade para comunicar. Nestes casos, o enfermeiro, quando conversa com o
doente deve assessorar-se que este está com atenção, deve falar pausadamente,
Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu
Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 42

manter a linguagem limitada a assuntos práticos e concretos, dar algum tempo ao


doente para este poder assimilar o que lhe foi dito e para complementar a
comunicação e facilitar a compreensão, por parte do doente. o enfermeiro pode
usar gestos, gravuras e objectos.
Após um AVC, o doente pode apresentar problemas cognitivos,
comportamentais e emocionais. O enfermeiro deve dar apoio, motivar e fornecer
confiança e esperança. Deve ser feito um programa de treino que visa a
recuperação cognitiva-perceptiva, a orientação temporal e espacial, a melhora das
imagens visuais, daí a necessidade de uma estimulação ambiental frequente e por
curtos períodos de tempo.
Durante a recuperação, os membros afectados podem progredir de um
estado de hipotonia (flacidez) a um estado de hipertonia (espasticidade),
manifestando-se por um aumento de reflexos tendinosos. Para prevenir a
espasticidade devem-se fazer mobilizações passivas e posicionamentos adequados
dos membros afectados em posições de inibição da espasticidade.
O quadro e as figuras a seguir, referem-se precisamente aos posicionamentos
com vista à inibição do padrão espástico.

9.1 - INTERVENÇÃO DA ENFERMAGEM EM RELAÇÃO À


PREVENÇÃO DO PADRÃO ESPÁSTICO

Estabelecer um plano de cuidados de forma a prevenir a espasticidade


através de:

1º - Contrariar alterações posturais


Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu
Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 43

PADRÃO ESPÁSTICO OU PADRÃO ANTI-ESPÁSTICO OU DE


ATITUDE POSTURAL RECUPERAÇÃO
CABEÇA - flexão lateral para o lado CABEÇA - extensão
atingindo com rotação para o lado são TRONCO - alongamento do tronco do
TRONCO - flexão lateral do lado lado atingido
atingido OMOPLATA - protecção (abdução)
OMOPLATA - refracção (adução) ESCAPULO-UMERAL - rotação
ESCAPULO-UMERAL - rotação externa
interna adução COTOVELO - extensão
COTOVELO - flexão ANTEBRAÇO - supinação
ANTEBRAÇO - pronação PUNHO - extensão
PUNHO - flexão palmar DEDOS - Extensão e abdução
DEDOS - flexão e adução COXO-FEMURAL - rotação interna e
COXO-FEMURAL - extensão e rotação ligeira flexão
externa JOELHO - ligeira flexão
JOELHO - extensão TIBIOTÁRSICA - extensão (posição
TIBIOTÁRSICA - flexão plantar neutra) e dorsiflexão
PÉ - inversão PÉ - eversão

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 44

Fig. 3 - Contrariar alterações posturais

2º Posicionamentos:
 proceder a mudanças de decúbito, periodicamente logo que AVC
diagnosticado (no AVC hemorrágico com especial cuidado)
 Decúbitos a utilizar:
 decúbito lateral para o lado são
 decúbito lateral para o lado atingido
 decúbito dorsal (só quando absolutamente necessário)
 semidorsal e semi ventral.

DECÚBITO DORSAL
 cabeça - apoiada sobre a almofada e em flexão para o lado são (só na fase
inicial)
 ombro e membro superior - apoiado sobre almofadas de forma a fazer
protracção da omoplata. O membro ligeiramente elevado e colocado em
rotação externa, extensão do cotovelo e punho.
 Membro inferior - coxa apoiada sobre a almofada para prevenir refracção ou
queda para trás da anca e rotação externa da coxa. Ligeira flexão do joelho.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 45

Nota: os suportes dos pés só é utilizado para afastar peso da roupa sobre os pés
e não como apoio (estimula a espasticidade).

Fig. 4 - Decúbito Dorsal

 DECÚBITO LATERAL PARA O LADO SÃO

LADO PARALIZADO:

 Omoplata - em potracção pelo que se coloca o membro superior para


diante e apoiado sobre almofadas com o cotovelo e punho em extensão
 Membro inferior - em ligeira flexão- coxa e joelhos apoiados sobre
almofadas em frente sobre o lado são.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 46

Fig. 5 - Decúbito lateral para o lado são - lado paralisado

 DECÚBITO SOBRE O LADO ATINGIDO

LADO PARALISADO:

 Omoplata - em protracção
 Membro superior - para diante do corpo com extensão do cotovelo
 Membro inferior - ligeira flexão do joelho e coxa femural

2º lado são:

 Membro inferior - em flexão, coxa femural e joelho e este apoiado sobre


almofadas.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 47

Fig. 6 - Decúbito sobre o lado atingido - lado paralisado

 OUTROS POSICIONAMENTOS

1º O sentar-se na cama

 posição de Fowler com almofada sobre a anca e joelho do lado atingido


 Membro superior - apoiado sobre uma almofada
Nota: a mesinha de cabeceira deve estar do lado afectado podendo o doente
inclinar-se sobre o lado atingido.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 48

Fig. 7 - Sentar-se na cama

2º Sentar-se com os pés fora da cama:

 após o doente dominar o exercício anterior inicia este segundo


 o doente cruza a perna sã sobre a atingida. O enfermeiro mantendo os
braços cruzados, com uma mão continua a puxar a mão do doente e com
a outra apoia as pernas baixando-as sobre a borda da cama.
Nota: Em doentes obesos ou confusos de início será necessário 2
enfermeiros, colocando o segundo do outro lado da cama para apoiar os ombros do
doente.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 49

Fig. 8 - Sentar-se com os pés fora da cama

3º - Lado da cama por onde o doente deve sair:

 à parte de casos específicos e pontuais o hemiplégico deve sair da cama e


transferido para a cadeira de rodas pelo lado são
 a cadeira deve estar sempre do lado são (o doente sai pelo lado são e entra na
cama pelo lado afectado).
 os pés devem estar apoiados e com base de sustentação
 o doente, primeiramente, deve pôr-se de pé e a seguir sentar-se.

4º - Transferência para a cadeira de rodas

 as primeiras transferências devem realizar-se com o doente descalço a


fim de lhe dar um sentido maior de segurança e estimular a sensibilidade
discriminativa (certas situações como os diabetes podem contra indicar
este método).

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 50

 a cadeira deve estar num ângulo de mais ou menos 30' em relação à cama
numa primeira fase, o enfermeiro ajuda com uma mão na cintura. de trás
trancando com o joelho o doente. Numa segunda fase o doente já o faz
sozinho.

A postura correcta de um hemiplégico numa cadeira de rodas implica:


 que mesmo tenha já adquirido equilíbrio de sentado
 que as costas do doente estejam bem chegadas às costas da cadeira e que
esta seja do tipo proporcional ao doente
 que os "pedais" da cadeira estejam à altura conveniente e de acordo como
comprimento das pernas
 que o membro superior afectado esteja sobre uma tábua de trabalho ou
sobre urna almofada no colo do doente e em posição de supinação
 a cadeira de rodas só deve ser usada para transportar o hemiplégico e
nunca de uma forma de deambulação deste.
Porque:
 o hemiplégico deve ser posicionado frequentemente
 deve fazer de forma sistemática e o mais precocemente possível período
de levante
 fazer pequenos períodos em cadeira de rodas
 deve deambular ou fazer marcha com apoio de bengala
 apoiado do lado atingido.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 51

Fig. 9 - Doente apoiado do lado atingido

Um outro problema que surge nestes doentes é a hernianópsia, ou seja,


diminuição do campo visual, em que o doente não é capaz de ver metade desse
mesmo campo (o doente só vê as coisas que lhe apresentam pelo lado não
afectado). O enfermeiro deve estimular o doente, lembrando-lhe a existência da
comida no prato ou rodando-lho e ensiná-lo a explorar com a vista, a metade
afectada.
Relativamente à incapacidade de controlo dos esfíncteres, temos três
hipóteses para a presença de incontinência urinária. São elas a confusão mental,
um distúrbio da comunicação na presença de uma bexiga desinibida. Deve-se
oferecer o urinol ou a arrastadeira em intervalos regulares para que a bexiga se
habitue a um "ritmo urinário". O mesmo acontece com o controlo da eliminação
intestinal em que se deve fazer um programa de acordo com os hábitos intestinais
do doente, anteriormente ao AVC.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 52

O auto-cuidado deve ser estimulado desde o início, incentivando o doente a


utilizar o lado não afectado para se movimentar na cama, alimentar-se, pentear-se,
escovar os dentes e posteriormente deve-se ir exercitando também o membro
afectado. Assim que o doente se consiga equilibrar sentado, deve colaborar no
vestir-se e nas transferências de cama para a cadeira e vice versa.
Estes doentes apresentam um risco elevado de comprometimento de
integridade cutânea, devido à alteração de sensibilidade e à incapacidade de
responder à pressão e ao desconforto. Assim sendo, a prevenção das soluções de
continuidade da pele requer uma regular avaliação dos tecidos, dando uma especial
importância às áreas de proeminência óssea. É importante mudanças de decúbito
regulares, a fim de minimizar as pressões. Sempre que o doente esteja imobilizado
é importante minimizar as forças de fricção. A pele do doente deve ser mantida
limpa e seca e deve-se massajar.
Em relação a família, esta deve ser orientada de modo:
1. Esperar uma certa habilidade emocional e algum grau de dano cerebral se o
paciente sofreu um AVC mais grave.
a) O paciente pode ter crises de choro/riso e acessos de mau humor.
Mude de assunto; peça-lhe para realizar uma acção motora.
b) Os pacientes hemiplégicos podem ficar facilmente confusos,
esquecidos, desanimados, hostis, não colaboradores, retraídos e
dependentes.
c) Ajudá-lo psicologicamente; o impacto psicológico da hemiplegia
no paciente (e em sua família) é tremendo.
2. Evitar fazer as coisas que o paciente pode fazer por si mesmo.
3. Dar apoio e ser optimista, porém e directa.
4. Instalar corrimões no banheiro e no chuveiro e colocar grades de segurança no
leito.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 53

5. Providenciar dispositivos de auto-ajuda para auxiliar nas actividades do


quotidiano; modificar e adaptar os dispositivos e "invenções" para estimular a
auto-suficiência.
6. Fazer com que o paciente tenha períodos de repouso.
7. Incentivar o paciente a manter-se activo, a cumprir o programa de exercícios e a
tornar-se tão auto-suficiente quanto possível.
8. Estabelecer objectivos realistas.
9. Fazer com que o paciente seja clinicamente avaliado de tempos em tempos.
Aproveitar as agências de serviços da comunidade.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 55

10 – PROCESSO DE ENFERMAGEM

10.1 - DEFINIÇÃO

Processo de enfermagem é um método científico de trabalho do enfermeiro


que engloba um conjunto de acções sistematizadas, inter-relacionadas e
organizadas em fases, que visam a individualização dos cuidados de enfermagem,
a identificação dos problemas e a resposta à satisfação das necessidades humanas
básicas afectadas do doente.
É um instrumento necessário, uma pedra fundamental no dia-a-dia do
enfermeiro, afastando-o da prática empírica e intuitiva e encaminhando-o para uma
prática racional baseada num suporte científico.

10.2 - COLHEITA DE DADOS

A senhora M.V., uma mulher de 76 anos de idade, de raça branca,


doméstica, mãe de 4 filhos, com diagnóstico de A.V.C. Isquémico, apresentando
parésia à esquerda e antecedentes de cardiopatia isquémica, valvulopatia mitral
mais aórtica, fibrilhação auricular e hipertensão arterial, deu entrada no serviço de
Medicina Interna no dia 12/09/2000 cerca das 14 horas e 20 minutos, vindo
transferida do Hospital de São João.
Doente consciente e orientada no espaço e no tempo, apresenta comissura
labial com desvio à esquerda, astenia, diminuição da sensibilidade à esquerda e
diminuição na articulação das palavras pelo que o discurso se torna difícil.
Queixosa à mobilização do pescoço, apresenta a pele da face posterior do tronco
macerada e três soluções de continuidade na região dorsal direita. Encontra-se

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 56

algaliada, com sonda vesical Fowley nº 16 e catéter venoso periférico para


administração de terapêutica. Necessita de ajuda total nos cuidados de higiene e
conforto, na mobilização e na alimentação.
Segundo questionário efectuado à doente, ela refere habitar num
apartamento com três quartos, uma casa de banho, uma sala e uma cozinha, com
esgotos, electricidade e água canalizada. Partilha a sua habitação com o marido,
uma neta e dois filhos que lhe dão muitos problemas, visto que um deles é
toxicodependente e o outro é alcoólico.
A senhora M.V. manteve valores de TA que variaram entre 150/95mmHg e
160/90mmHg; temperatura axial variando entre 36.3ºC e 37.4ºC; e pulso que
variaram entre 74p/m e 82p/m.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 58

11 - PLANO DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/ 9 Estar limpo, Alteração da Manter - Manter a permeabilidade do catéter, por Aquando da
cuidado e integridade cutânea R/c integridade forma a administração de terapêutica E.V.; mudança dos
proteger os a patologia cutânea. - Vigiar presença de Sinais de Celsius no adesivos de
tegumentos. manifestado pela local da punção; fixação, não se
presença de cateter - Mudar adesivo de fixação diariamente; verifica
venoso periférico. - Substituir catéter sempre que se justifique; presença de
- Substituir mandril após administração de sinais
terapêutica. inflamatórios.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 59

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/09 Estar limpo, Alteração da Restabelecer a - Avaliar as capacidades e limitações do O doente
cuidado e integridade cutânea integridade doente; mantém-se sem
proteger devido à imobilidade cutânea. - Efectuar posicionamentos correctos no leito; a presença de
tegumentos. no leito manifestado - Pedir a colaboração do doente aquando das outras zonas de
por solução de mudanças de decúbito; pressão.
continuidade na região - Efectuar levantes;
dorsal direita. - Massajar zonas de proeminência óssea com
creme hidratante para prevenir
aparentemente de possíveis zonas de
pressão;
- Substituir placa de Tiell da escoriação cada
7 dias;
- Felicitar a doente sempre que ela colabore.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 60

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/09 Comunicação Alteração da Estabelecer - Sugerir ao doente que não tenha pressa em Ao longo do
comunicação comunicação falar; período de
relacionada com eficaz. - Falar sempre de forma lenta e simplificada; internamento
disartria e manifestada - Reformular as perguntas se necessário; verificou-se
por comunicação - Dar ao doente o tempo suficiente para ele se uma evolução
prejudicada. exprimir; positiva
- Evitar censurar ou repreender o doente; relativamente à
- Tranquilizar a doente, dizendo-lhe que comunicação.
mesmo sendo difícil conseguirá comunicar;
- Anular limitações;
- Avaliar estado emocional da doente.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 61

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/09 Dormir e Alteração do padrão Diminuição - Proporcionar ambiente calmo e seguro; Quando
repousar. normal de sono e da dor - Posicionar confortavelmente o doente; colocada em
repouso relacionado favorecendo o - Realizar massagem de conforto; decúbito dorsal
com dor manifestado repouso. - Avaliar características da dor, localização, verificou-se que
por dificuldade em intensidade, factores que a doente dorme
repousar. aumentam/diminuem; mais
- Administrar analgésico se prescrito, antes do facilmente.
doente ir dormir;
- Limitar o tempo de sono durante o dia,
- Planear os cuidados de modo a diminuir o
numero de intervenções durante o sono.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 62

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/ 9 Eliminação Alteração do padrão de Restabelecer - Promover uma dieta adequada; 15/09
intestinal eliminação intestinal um padrão de - Administrar terapêutica prescrita; A doente
relacionado com eliminação - Colocação de fraldas; continua a
imobilidade no leito intestinal - Observação e registo das características das referir
manifestado por normal. feses; obstipação.
obstipação. - Promoção precoce do levante.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 63

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/09 Eliminação Incapacidade de Manter um - Hidratar o doente; 18-09
vesical eliminar por via uretral padrão de - Promoção de uma dieta adequada, A doente
relacionado com eliminação - Prestar os cuidados inerentes á sonda apresenta baixo
situação clínica e vesical vesical; débito urinário.
manifestado por normal. - Mudar sonda vesical ; Foi
presença de sonda - Assegurar boa higiene perineal; administrada
vesical Fowley nº16 - Vigiar débito urinário e características da Furosemida e
urina; reforçada
- Administrar terapêutica prescrita. hidratação oral.
Aguarda-se
efeito.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 64

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/ 9 Mobilidade Alteração da Manter o - Avaliar sinais vitais 4 vezes por turno; 15/09
mobilidade relacionado máximo de - Colocar extremidades inferiores acima do A doente
com hemiparésia à mobilidade nível do coração; mostra-se
esquerda manifestado possível, - Permitir que a doente execute sozinha o menos queixosa
por dificuldade na orientando maior número de actividades; à mobilização.
mobilização. para a maior - Ensinar a realização da sequência de Já faz levante
autonomia do movimentos activos nos membros afectados; para o cadeirão.
doente - Posicionar o corpo em alinhamento para
prevenir complicações:
- úlceras de pressão;
- Providenciar a mobilização progressiva;
- Auxiliar a doente a : sentar-se, deslocar-se;
- Encorajar a deambulação, em caminhadas
curtas e frequentes, e aumentar a duração
progressivamente a cada dia;
- Realizar massagens de conforto;
- Permitir ao doente que exprima os seus
sentimentos dolorosos;
- Avaliar as características da dor:
localização, intensidade, duração, frequência
e factores que a aumentam/diminuem;
- Administrar analgésico se prescrito;
- Planear os períodos de repouso.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 65

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/09 Circulação Alteração dos valores Manter - Avaliar sinais vitais uma vez ao turno; 15/09
da tensão arterial valores - Administrar terapêutica prescrita; A doente tem
relacionado com tensionais - Proporcionar dieta hiposalina; mantido valores
problemas cardíacos dentro dos - Proporcionar ambiente calmo. da TA dentro
manifestado por parâmetros dos parâmetros
hipertensão. normais para a normais.
doente.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 66

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/09 Alimentação e Dificuldade para se Manter o bom - Ajudar o doente a hidratar-se; 15/09
hidratação. alimentar e hidratar estado - Ajudar o doente a alimentar-se durante as A doente tem
relacionado com nutricional do refeições; ainda muita
hemiparésia à doente. - Incentivar o doente a comer durante as dificuldade em
esquerda. refeições; se alimentar e
- Incentivar o doente a alimentar-se e hidratar- alimenta-se em
se com o braço não o braço afectado; pouca
quantidade.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 67

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/09 Estar limpo, Incapacidade para Manter a - Prestar cuidados de higiene e conforto no 15/09
cuidado e proceder aos seus higiene e leito com ajuda total; A doente ainda
proteger os cuidados de higiene conforto do - Providenciar privacidade durante os necessita de
tegumentos. relacionado com doente. cuidados de higiene; cuidados de
hemiparésia à esquerda - Massajar com decubal; higiene e
manifestado por - Proceder à higiene oral com desinfectante conforto com
dificuldade em realizar oral; ajuda total.
a própria higiene. - Incentivar o doente para a prestação de
cuidados.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 68

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/09 Estar limpa, Risco de infecção Prevenção de - Vigiar local de inserção do catéter venoso 15/09
cuidada e relacionado com infecção. periférico; A doente não
proteger os presença de catéter em - Repuncionar de 48 em 48 h ou sempre que apresenta
tegumentos. via periférica. necessário; qualquer sinal
- Vigiar sinais inflamatórios. inflamatório no
local da punção
venosa.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 69

NECESSIDADES DIAGNÓSTICO DE FIM


DATA OBJECTIVOS INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM AVALIAÇÃO
AFECTADAS ENFERMAGEM DATA
12/09 Eliminação Risco de infecção Prevenção de - Utilizar técnica asséptica para realizar os 15/09
relacionado com infecção. cuidados inerentes á sonda vesical; A doente não
presença de sonda - Vigiar permeabilidade da sonda vesical, apresenta sinais
vesical. quantidade e características da urina; inflamatórios
- Administrar terapêutica prescrita; devido à
- Vigiar sinais inflamatórios. presença de
sonda vesical.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 70

12 - CONCLUSÃO

Após a elaboração deste trabalho, pensamos ter atingido os objectivos a


que inicialmente nos propusemos, e ter deixado a ideia que o aumento de
conhecimentos melhora a prestação de cuidados que contribuirão para melhorar o
prestígio e o valor social da Enfermagem, que para muitos ainda continua a ser um
acto de caridade prestado por pessoas com pouca formação.
A formação consegue-se nomeadamente com trabalhos semelhantes a este,
que obriga o enfermeiro a pesquisar e interrogar-se sobre quais os melhores
cuidados a prestar, tendo em conta que o indivíduo é um ser bio-físico-psíco-
social.
Este trabalho foi um grande desafio para o qual tivemos de enfrentar
dificuldades que se nos depararam, aumentando os conhecimentos acerca da
patologia em causa, bem como os cuidados que será necessário prestar no sentido
de contribuir para o bem estar do indivíduo, da família e comunidade.
Apesar da fundamentação teórica, não tivemos oportunidade de a pôr em
prática, aplicando-a a um doente com diagnóstico de AVC mais
aprofundadamente.
Tendo chegado ao fim, concluímos que foi proveitoso, porque os
conhecimentos que adquirimos ser-nos-ão úteis ao longo da nossa via profissional.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 71

BIBLIOGRAFIA

- ADAIR, O. B. et al – Segredos de Cardiologia. Porto Alegre, Artes


Médicas, 1996.

- BRUNNER, Lillian Sholts; SUDDARTH, Doris Smith - Tratado


de Enfermagem Médico - Cirúrgica, 7ª edição, II volume. Rio de Janeiro,
Guanabara Koogan. 1993. Pags. 1418-1428.

- Índice Nacional Terapêutico. Tupam editores, Janeiro de 2000.

- JOLLY, D. - Os Acidentes Vasculares Cerebrais. "Servir". Lisboa, Volume


38 (1), Janeiro/Fevereiro de 1990. Pags 15-20.

- JACOB, et al – Anatomia e Fisiologia Humana, 4ª edição. Rio de Janeiro,


Interamericana, 1980.

- LOPEZ, Mário - Emergências Médicas. 4ª Edição. Rio de Janeiro,


Guanabara Koogan. 1984.

- PEREIRA, Maria Graça Marques - Alguns cuidados de enfermagem de


reabilitação ao doente com AVC e incapacidade de hemiplegia. "Servir", Lisboa,
volume 38 (1) Janeiro/Fevereiro de 1990. Pags. 5-12.

- PULSINELLI, William A.; LEVY, David E. - Doenças Vasculares


Cerebrais. In WYNGARDEN, James B - Tratado de Medicina Interna. 19ª
Edição, Volume 2. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1993. Pags. 2191-2216.
Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu
Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 72

- ROHEN, Johannes W. - Anatomia Humana - Atlas fotográfico de anatomia


sistémica e regional. São Paulo. Editora Manole, 1989.

- SEELEY, et al – Anatomia e Fisiologia, 3ª edição. Lisboa, Lusodidacta,


1997.

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 73

ÍNDICE DE FIGURAS

Fig. 1 - Artérias e veias do cérebro

Fig. 2 - Artérias e veias do cérebro

Fig. 3 - Contrariar alterações posturais

Fig. 4 - Decúbito Dorsal

Fig. 5 - Decúbito lateral para o lado são - lado paralisado

Fig. 6 - Decúbito sobre o lado atingido - lado paralisado

Fig. 7 - Sentar-se na cama

Fig. 8 - Sentar-se com os pés fora da cama

Fig. 9 - Doente apoiado do lado atingido

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 74

SIGLAS

AVC - Acidente Vascular Cerebral


ATP - Adenosina Trifosfato
AIT - Acidente Isquémico Transitório
PIC - Pressão Intra Craniana
ACA - Artéria Cerebral Anterior
ACM - Artéria Cerebral Média
ACP - Artéria Cerebral Posterior
TA - Tensão Arterial
TTP - Tempo de Tromboplastina Parcial
HTA – Hipertensão Arterial

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 75

ÍNDICE

0 - INTRODUÇÃO..................................................................................................7

1 - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL..........................................................8

2 - ANATOMIA VACULAR CEREBRAL...........................................................9

3 - METABOLISMO FISIOPATOLÓGIGO DO FLUXO SANGUÍNEO


CEREBRAL...........................................................................................................14

4 - CLASSIFICAÇÃO DOS AVC........................................................................15


4.1 - AVC ISQUÉMICO.........................................................................................15
4.1.1 - Isquémia de Origem Trombótica.................................................................15
4.1.2 - Isquémia de Origem Embólica.....................................................................16
4.1.3 - Hiperfusão Sistémica...................................................................................17
4.2 - AVC HEMORRÁGICO..................................................................................19

5 - CAUSAS DO AVC...........................................................................................21

6 - FACTORES DE RISCO E PREVENÇÃO DO AVC...................................22

7 - MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS MAIS FREQUENTES DO AVC............24

8 - TRATAMENTO DO AVC..............................................................................26
8.1 - TRATAMENTO DOS DISTÚRBIOS VASCULARES................................27
Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu
Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 76

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 77

9 - ALGUNS CUIDADOS DE ENFERMAGEM DE REABILITAÇÃO AO


DOENTE COM AVC............................................................................................39
9.1 - INTERVENÇÃO DA ENFERMAGEM EM RELAÇÃO À PREVENÇÃO
DO PARDRÃO EPÁSTICO...................................................................................40

10 - PLANO DE CUIDADOS DE ENFERMAGEM..........................................52

11 - CONCLUSÃO................................................................................................55

BIBLIOGRAFIA

ANEXOS:
Anexo I
Anexo II

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 78

Escola Superior de Enfermagem


Jean Piaget / Viseu

ACIDENTE
VASCULAR CERBRAL
(AVC)

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 79

Escola Superior de Enfermagem


Jean Piaget / Viseu

ACIDENTE
VASCULAR CERBRAL
(AVC)

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 80

ANEXOS

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu


Acidente Vascular Cerebral – AVC Estudo de Caso 81

Escola Superior de Enfermagem Jean Piaget / Viseu